Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10480.729052/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DE TODOS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE. REJEITADA
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para a decretação da improcedência da impugnação formulado pela contribuinte, que exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa na forma na legislação de regência.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. LINHA TIGREFLEX.
Eletrodutos flexíveis de PVC classificam-se no código 3917.32.90 da TIPI/2006, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação nº 1 (texto da posição 3917) e nº 6 (texto da subposição 3917.32), conjugadas com a Regra Geral Complementar nº 1.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. LINHA AQUAPLUV.
Acoplamentos, bocais, braçadeiras, cabeceiras, condutores, emendas, esquadros e outros acessórios de plástico da linha Aquapluv classificam-se no código 3925.90.00 da TIPI/2006, de acordo com Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento quanto a classificação fiscal.
Por voto de qualidade negou-se provimento quanto a preliminar de nulidade da decisão da primeira instância e a exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Rodolfo Tsuboi.
Designado para o voto vencedor quanto à preliminar de nulidade e da exclusão dos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
Declarou-se suspeito o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Felipe Blanco Garcia Guimarães Fleury, OAB-SP 315.269, escritório Zockun Advogados.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DE TODOS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE. REJEITADA No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para a decretação da improcedência da impugnação formulado pela contribuinte, que exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa na forma na legislação de regência. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. LINHA TIGREFLEX. Eletrodutos flexíveis de PVC classificam-se no código 3917.32.90 da TIPI/2006, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação nº 1 (texto da posição 3917) e nº 6 (texto da subposição 3917.32), conjugadas com a Regra Geral Complementar nº 1. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. LINHA AQUAPLUV. Acoplamentos, bocais, braçadeiras, cabeceiras, condutores, emendas, esquadros e outros acessórios de plástico da linha Aquapluv classificam-se no código 3925.90.00 da TIPI/2006, de acordo com Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.729052/2012-10
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805667
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.208
nome_arquivo_s : Decisao_10480729052201210.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10480729052201210_5805667.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento quanto a classificação fiscal. Por voto de qualidade negou-se provimento quanto a preliminar de nulidade da decisão da primeira instância e a exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Rodolfo Tsuboi. Designado para o voto vencedor quanto à preliminar de nulidade e da exclusão dos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Declarou-se suspeito o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Felipe Blanco Garcia Guimarães Fleury, OAB-SP 315.269, escritório Zockun Advogados. Winderley Morais Pereira - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7050775
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733310709760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.301 1 1.300 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.729052/201210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.208 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente TIGRE S.A. TUBOS E CONEXÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DE TODOS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE. REJEITADA No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para a decretação da improcedência da impugnação formulado pela contribuinte, que exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa na forma na legislação de regência. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. LINHA TIGREFLEX. Eletrodutos flexíveis de PVC classificamse no código 3917.32.90 da TIPI/2006, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação nº 1 (texto da posição 3917) e nº 6 (texto da subposição 3917.32), conjugadas com a Regra Geral Complementar nº 1. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. LINHA AQUAPLUV. Acoplamentos, bocais, braçadeiras, cabeceiras, condutores, emendas, esquadros e outros acessórios de plástico da linha Aquapluv classificamse no código 3925.90.00 da TIPI/2006, de acordo com Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 90 52 /2 01 2- 10 Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.302 2 pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento quanto a classificação fiscal. Por voto de qualidade negouse provimento quanto a preliminar de nulidade da decisão da primeira instância e a exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Rodolfo Tsuboi. Designado para o voto vencedor quanto à preliminar de nulidade e da exclusão dos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Declarouse suspeito o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Felipe Blanco Garcia Guimarães Fleury, OABSP 315.269, escritório Zockun Advogados. Winderley Morais Pereira Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1448.325, proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que assim relatou o feito: Contra o estabelecimento em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 02/20, totalizando o crédito tributário de R$ 1.221.612,88, em virtude da falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados de sua fabricação com falta de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal. Consoante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 756/771, a fiscalizada utilizou classificação fiscal incorreta nas saídas de produtos industrializados conforme sintetizado na tabela abaixo: Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.303 3 Considerando a falta de lançamento de IPI nas notas fiscais de saídas do estabelecimento foi lavrado o auto de infração para apuração do IPI, com os devidos acréscimos legais cabíveis. Regularmente cientificada em 31/01/2013, a autuada apresentou a impugnação de fls. 951/970, instruída com os documentos de fls. 828/948, alegando, em síntese, o seguinte: 1. Os “eletrodutos corrugados de PVC” das linhas tigreflex e tigreflex reforçado, por serem tecnicamente tubos de PVC rígidos, devem ser classificados na NCM 3917.23.00, à luz das Regras Gerais de Interpretação nºs 1 e 6 e da Regra Geral Complementar nº 1. Laudos apresentados constatam que referidos eletrodutos são fabricados com composto de PVC rígido, e sua flexibilidade é justificada pela espessura reduzida, em que a resistência mecânica é obtida com a corrugação do tubo. Assim, sob o ângulo material, o motivo eleito pela fiscalização para autuar não subsiste, posto que os documentos técnicos ora juntados assinalam a rigidez desses produtos; 2. O fato dos produtos se apresentarem sempre flexíveis (ou seja, empiricamente dobráveis) não tem o condão de tornálos tubos flexíveis, isto porque, esses tubos são compostos de PVC rígido; 3. A fiscalização reclassificou os eletrodutos ao fundamento de que são tubos flexíveis (e não rígidos). Isso porque estes produtos são empiricamente flexíveis, razão por que se revela equivocado classificálos como tubos rígidos. No entanto, verificase que o motivo eleito pela autoridade não poderia deflagar a autuação, eis que seria imprescindível revelar que os eletrodutos são tecnicamente flexíveis (o que, não custa insistir no óbvio, não advém do fato de eles serem empiricamente flexíveis, ou seja, dobráveis). Diante da impossibilidade do motivo do auto de infração, deveria ser lavrada nova autuação; 4. Os “bocais, cabeceiras, emendas e esquadros”, por serem acessórios de calhas, devem ser classificados na NCM 3925.90.00, à luz da Nota 11 do Capítulo 39 da TIPI. Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.304 4 A fiscalização, ao promover a reclassificação extrapola a regra que disciplina a classificação dos sobreditos produtos, criando conseqüência jurídica que vai de encontro aos confins da Nota 11 do Capítulo 39 da TIPI. Além do mais, o fato desses produtos serem comercializados isoladamente não retira a sua natureza de acessório de calha, posto que eles não desempenham qualquer outra função; 5. Reclassificar os sobreditos produtos na NCM 3926.90.90 (patentemente mais genérica que a NCM 3925.90.00), representa flagrante afronta à RGI 3ª, que determina que “A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”; 6. Acaso superada as razões expostas, os “bocais” devem ser reclassificados para a NCM 3917.40.90 (“outros acessórios de tubos de plásticos”), o Parecer Cosit/Dinom nº 598/96 assentou que as “conexões de plástico (policloreto de vinila), próprias para ligar perfis de plástico em forma de U a tubos, apresentadas isoladamente”, aplicase a subposição 3917.40.0100 da TIPI/1988, que corresponde à subposição 3917.40.90 da TIPI/2006; 7. Os “condutores” foram classificados pela impugnante na NCM 3917.23.00, e não na NCM 3925.90.00 como informado no Termo de Verificação Fiscal. Logo, a motivação lançada no Termo de Verificação Fiscal não guarda correlação lógica com a reclassificação efetivamente realizada pela fiscalização, o que impõe a lavratura de nova autuação, caso outro seja o real e verdadeiro motivo da reclassificação dos “condutores”; 8. Ademais, os “condutores”, por serem tubos de descida de seção circular e retangular para o escoamento de água pluvial coletada pelas calhas, devem ser classificados na NCM 3917.23.00, à luz da Regra Geral de Interpretação nº 1 e das Notas 8 e 11 do Capítulo 39 da TIPI. Ainda que se entenda que o sobredito produto não se insere na NCM 3917.23.00, sua reclassificação deve se dar para a NCM 3925.90.00, pois é evidente que o Parecer Cosit/Dinom n° 598/96 não se aplica aos “condutores”, posto que eles não são conexões (mas sim tubos), que, por óbvio, não se destinam a “ligar perfis de plástico em forma de U”, ou seja, conectar dois seguimentos de calhas, à luz da função e descrição destes produtos. Os “condutores”, em que pese serem tubos, atuam apenas e tão somente como acessórios de calha, razão pela qual, acaso seja inaplicável a NCM 3917.23.00, ele deverá ser reclassificado para a NCM 3925.90.00, mais específica do que a NCM 3926.90.90; 9. Os “acoplamentos” foram classificados pela impugnante na NCM 3917.40.90, e não na NCM 3925.90.00 como informado no Termo de Verificação Fiscal. Logo, a motivação lançada no Termo de Verificação Fiscal não guarda pertinência lógica com a reclassificação levada a efeito pela fiscalização, o que impõe a lavratura de nova autuação, caso outro seja o real e verdadeiro motivo da reclassificação dos “acoplamentos”. Ademais, os “acoplamentos”, por serem conexões que se destinam a Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.305 5 estabelecer a ligação entre dois segmentos de tubos (os referidos “condutores), devem ser classificados na NCM 3917.40.90, à luz das Regras Gerais de Interpretação nºs 1 e 6 e da Nota 11 do Capítulo 39 da TIPI, bem como, o Parecer Cosit/Dinom 598/96, utilizado como fundamento pela fiscalização para promover a reclassificação em comento, não ampara a reclassificação tarifária levada a efeito pela fiscalização, corroborando, em verdade, a classificação dos “acoplamentos” na NCM 3917.40.90. O Acórdão 30334572, do Terceiro Conselho de Contribuintes, firmou entendimento pela aplicabilidade da NCM 3917.40.10; 10. As “braçadeiras” deveriam ser classificadas na NCM 3917.40.90, isso porque, assim como os acoplamentos, são acessórios acoplados ao tubo condutor empregado na calha. Portanto, são acessórios de tubos. O NCM 3925.90.00 utilizado se deve ao fato da consulta formulada por estabelecimento da impugnante, decidir que tais produtos assim deveriam ser classificados, por força da Nota 11 do Capítulo 39 da TIPI (Decisção 107, de 18/05/1998). O Acórdão 30334572, do Terceiro Conselho de Contribuintes, firmou entendimento pela aplicabilidade da NCM 3925.90.00. O Parecer Cosit/Dinom 598/96, utilizado como fundamento pela fiscalização para promover a reclassificação em comento, é inaplicável às “braçadeiras”, isso porque este produtos sequer são conexões, não se destinando, para além de qualquer espécie de dúvida, a conectar calhas; 11. O “adaptador para caixa elétrica” não pertence à linha de produtos Aquapluv ou Aquapluv Style, apesar de apontado pela fiscalização como tal. Daí porque crêse que este produto sequer é objeto da autuação e, acaso o seja, é flagrante o desacerto da reclassificação levada a efeito pela fiscalização; 12. Caso não seja afastada a autuação, requer a realização de perícia técnica por um Instituto Oficial, para que se apure a classificação fiscal de todos os produtos objeto da autuação; ou, ao menos, se os “eletrodutos corrugados de PVC” das linhas tigreflex e tigreflex reforçado são tecnicamente classificados como rígidos ou flexíveis; 13. A despeito da autuação não prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, desde já requer o afastamento desta pretensão. Por fim, protestou pela posterior juntada de novos documentos e que todas as intimações sejam realizadas e publicadas em nome de Maurício Zockun (OAB/SP nº 156.594). Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 30/06/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.306 6 Eletrodutos flexíveis de PVC classificamse no código 3917.32.90 da TIPI/2006, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação nº 1 (texto da posição 3917) e nº 6 (texto da subposição 3917.32), conjugadas com a Regra Geral Complementar nº 1. Acoplamentos, bocais, braçadeiras, cabeceiras, condutores, emendas, esquadros e outros acessórios de plástico da linha Aquapluv classificamse no código 3926.90.90 da TIPI/2006, de acordo com o Parecer Cosit/Dinom nº 598, DOU de 16/12/1996. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.307 7 Em 21/07/2016 o Contribuinte protocolou petição aos autos noticiando a existência de fato novo: 2. Sucede que, em maio do corrente ano (2016), a Peticionária teve acesso ao teor do laudo técnico pericial da lavra da i. Perita Judicial SÍLVIA CANAVARRO OSÓRIO DE BARROS, acostado nos autos da Ação com procedimento ordinário 0801835 86.2013.4.05.8300, em que o juízo da 7ª Vara Cível da Justiça Federal da Seção Judiciária de Pernambuco determinou a produção de prova pericial para que fosse identificada a correta classificação fiscal de produtos análogos àqueles que são objeto deste processo administrativo (eletrodutos de PVC comercialmente denominados de flexíveis) (doc. 1)2. Segundo afirma, o referido laudo pericial, integrante de ação judicial proposta por contribuinte diverso, corrobora suas alegações quanto à classificação fiscal adotada para os itens do grupo tigreflex. Após, os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido VOTO PARCIALMENTE VENCIDO Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo relato dos fatos, tratase de auto de infração de IPI (mercado interno) lavrado em decorrência da análise de Pedidos de Ressarcimento de créditos de IPI apresentados pelo Recorrente. Entendeu a Fiscalização que houve erro de classificação fiscal de mercadoria pelo Recorrente em 2 (dois) grupos de produtos, acarretando a saída de bens com a alíquota inferior à efetivamente devida. Importa destacar que não foram identificadas quaisquer outras alegadas irregularidades na apuração do IPI no período fiscalizado. A controvérsia acerca da classificação fiscal está apresentada no seguinte quadro sintético constante do acórdão DRJ: PRODUTO CLASSIFICAÇÃO FISCAL EMPREGADA CLASSIFICAÇÃO FISCAL CORRETA JUSTIFICATIVA RESUMO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.308 8 Produtos da linha Aquapluv, destinados basicamente à coleta e ao escoamento de água proveniente de precipitações pluviométricas, por meio de calhas e de seus acessórios (acoplamento, bocal, braçadeira, cabeceira, condutor, emenda e esquadro) 3925.90.00 (outros artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições) 3926.90.90 (outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14) Parecer Cosit/Dinom nº 598, DOU de 16/12/1996 Folhas 812 a 814 Eletrodutos corrugados de PVC 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila) 3917.32.90 (outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios) RGI 1ª (texto da posição 3917) e 6ª (texto da subposição 3917.32), conjugadas com a RGC1 Folhas 814 a 816 Necessário observar que a reclassificação fiscal não foi realizada com base em laudo técnico, mas a partir da análise fiscal acerca das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e, no caso do primeiro grupo de itens, também com base no Parecer Cosit/Dinom nº 598, DOU de 16/12/1996. A análise dos produtos foi realizada a partir do que chamou de Fichas Técnicas dos produtos obtidas por meio de acesso ao sítio eletrônico da Recorrente, anexadas pela Recorrente na sua Impugnação às fls. 829/846 (Aquapluv) e 893/899 (Eletrodutos Tigreflex). PRELIMINAR Pois bem. Inicialmente trago à apreciação aspecto preliminar. Quanto ao Grupo denominado Aquapluv, destacamse as seguintes observações do Termo de Verificação Fiscal. Tratamse de itens destinados basicamente à coleta e ao escoamento de água de chuva, por meio de calhas e acessórios (Ficha técnica a partir da fl. 829) O Contribuinte classificou na posição 3925.90.00, enquanto a Fiscalização entende que o correto seria 3926.90.90, conforme TIPI 2006: NCM 1 DESCRIÇÃO I. FORMAS PRIMÁRIAS 39.25 Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições. 3925.90.00 Outros 39.26 Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14. 3926.90 Outras 3926.90.90 Outras Ex 01 Forma para fabricação de calçados Ex 02 Máscara de proteção Ex 03 Revestimento para canais de irrigação, de PVC flexível ou Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.309 9 NCM 1 DESCRIÇÃO semelhante, com ilhoses para fixação no solo Ex 04 Cinto, colete, bóia e equipamento semelhante de salvamento Ex 05 Brincos e pulseiras para identificação de animais Ex 06 Cabos para ferramentas, utensílios e aparelhos Ex 07 Parafusos e porcas Ex 08 Recipiente com serpentina e depósito para gelo, próprio para gelar bebidas Ex 09 Leques e ventarolas Ex 10 Bolsas para coleta de sangue e seus componentes e bolsas de diálise peritoneal (infusão e drenagem) Ex 11 Kits para aferese De início, a própria Fiscalização reconhece que, com base na Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH, os itens em questão estariam classificados na posição 39.25 adotada pelo Contribuinte. Vide a citada Nota: 11. A posição 39.25 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; b) elementos estruturais utilizados, por exemplo, na construção de pavimentos (pisos), paredes, tabiques, tetos ou telhados; c) calhas e seus acessórios; d) portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras; e) gradis, balaustradas, corrimões e artigos semelhantes; f) postigos, estores (incluídas as venezianas) e artefatos semelhantes, suas partes e acessórios; g) estantes de grandes dimensões destinadas a serem montadas e fixadas permanentemente, por exemplo, em lojas, oficinas, armazéns; h) motivos decorativos arquitetônicos, tais como caneluras, cúpulas, etc.; ij) acessórios e guarnições, destinados a serem fixados permanentemente em portas, janelas, escadas, paredes ou em outras partes de construções, tais como puxadores, maçanetas, aldrabas, suportes, toalheiros, espelhos de interruptores e outras placas de proteção. Todavia, alega que, por imposição do Parecer Cosit/Dinom nº 598, de 08/11/1996, publicado no DOU de 16/12/1996, p. 24, Seção 1, a classificação correta seria 3926.90.90. Alega a Fiscalização: Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.310 10 O trecho do referido Parecer Cosit/Dinom nº 598, de 08/11/1996 no qual se fundamenta a Fiscalização é o seguinte: O Contribuinte, tanto em Impugnação, como em sede de Recurso Voluntário, com quase idêntica redação, apresenta sua defesa para a linha Aquapluv de forma segregada, para cada um dos itens produzidos, a saber, “acoplamento”, “bocal”, “braçadeira”, “cabeceira”, “condutor”, “emenda” e “esquadro". Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.311 11 Não obstante a defesa específica apresentada pelo Contribuinte, a DRJ analisou todos os itens de modo conjunto: Os produtos “acoplamento”, “bocal”, “braçadeira”, “cabeceira”, “condutor”, “emenda” e “esquadro”, são componentes das linhas Aquapluv e Aquapluv Style, cujas fichas técnicas encontramse às fls. 829/846. Referidas linhas de produtos destinamse basicamente à coleta e ao escoamento de água proveniente de precipitações pluviométricas, por meio de calhas e de seus acessórios. A Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39, apresentada nas fls. 812/813 (Termo de Verificação Fiscal) conduz para a classificação do conjunto (calha e acessórios), quando apresentados conjuntamente, na posição 3925. Todavia, segundo o que se conclui dos autos, os produtos em questão foram comercializados separadamente. Assim sendo, o Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96, citado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, é categórico em classificar as conexões de plástico (policloreto de vinila), próprias para ligar perfis de plástico em forma de “U” (calhas), quando apresentadas à comercialização isoladamente, no código 3926.90.9900 (TIPI/88). Deste modo, não procedem as argumentações de defesa, na medida em que a linha Aquapluv e Aquapluv Style destinamse à coleta de água da chuva, tendo, evidentemente, como componente principal a calha. Assim, devese retificar a classificação fiscal dos produtos para o código 3926.90.9900 da TIPI/88, correspondente ao NCM 3926.90.90 da TIPI/2006, com alíquota de 15%, nos termos do Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96. Ocorre que, tanto na sua impugnação, como no Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe diversos argumentos que foram totalmente ignorados no julgamento pela DRJ. Quanto aos bocais, o Contribuinte alega que a o próprio Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96, fundamento tanto da autuação, quanto da decisão recorrida, determina que os bocais em formato de U devem ser classificados na posição 3917.40.90, e não na posição 3926.90.90. Quanto aos condutores e aos acoplamentos, a Contribuinte esclarece que estes foram classificados, respectivamente nos NCMs 3917.23.00 e 3917.40.90, e não no NCM 3925.90.00, como afirmou tanto a autuação, como a DRJ. Essa informação é constatada pela análise das planilhas elaboradas pela Fiscalização indicando exatamente a classificação fiscal utilizada pelo contribuinte. Assim, careceria de fundamentação a autuação fiscal uma vez que não apresentou fundamentação para afastar a classificação fiscal utilizada pelo contribuinte. Em outras palavras, a Fiscalização afastou uma classificação fiscal inexistente. E, digo eu, com efeito, na reclassificação fiscal não basta se afirmar que a classificação deve ocorrer em uma ou em outra posição, mas é imprescindível que se diga, Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.312 12 também, por qual razão a classificação adotada pelo contribuinte não e válida. Assim, partir do momento que a fiscalização utilizou como pressuposto uma classificação diferente daquela efetivamente atribuída pelo contribuinte, deixou de fundamentar adequadamente o lançamento. Por fim, quanto às braçadeiras, a Recorrente afirma que a classificação fiscal adotada se deu em consonância com a Solução de Consulta nº 107, de 18/05/98, documento 14 da Impugnação. Diante de tais fundamentos, a Recorrente postula em seu Recurso Voluntário: Pois bem. A meu ver, os argumentos individualizados trazidos pela Contribuinte desde sua impugnação, devidamente lastreados por documentos probatórios, são essenciais para se analisar tanto o mérito, como a própria validade do lançamento tributário. E, como demonstrado no presente voto, passaram ao largo da apreciação da DRJ. E, a par de, em tese, serem capazes de atingir a própria validade do lançamento, deveriam ter sido efetivamente enfrentados pela DRJ, em atendimento aos princípios da motivação e da vinculação dos atos administrativos, e por própria imposição legal, consoante art. 31 do PAF: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Entendo, ainda, que, na presente hipótese, a nulidade da decisão da DRJ não pode ser superada pelo presente julgamento, sob pena de supressão de instância violação das competências atribuídas à DRJ enquanto órgão integrante da Receita Federal do Brasil. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.313 13 Assim, entendo que tratase de hipótese não de anulação do lançamento como requer a Recorrente (ao menos nesse primeiro momento), mas, sim, de anulação da decisão proferida pela DRJ, que deverá analisar todos os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte em sua Impugnação, notadamente quanto aos vícios apontados relativamente ao Auto de Infração (divergências quanto à classificação fiscal adotada pelo contribuinte e quanto à existência de Solução de Consulta). Desse modo, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar a anulação do acórdão proferido pela DRJ, para que novo julgamento seja realizado de modo a examinar todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, notadamente no que diz respeito à existência de vícios do lançamento original. MÉRITO Tendo restado vencida relativamente à questão preliminar colocada, passo à análise do mérito da autuação fiscal. Eletrodutos Tigreflex Com relação aos eletrodutos integrantes da linha Tigreflex, de acordo com o Relatório Fiscal, tratamse "de 'mangueiras' utilizadas para a passagem de fios elétricos em construções", com descrição técnica de "eletrodutos corrugados desta linha, reforçados ou não, compostos de policloreto de vinila, próprios para a proteção de fios e cabos elétricos, ademais se apresentarem sempre flexíveis". O Contribuinte classificou tais itens na posição 3917.23.00, e a Fiscalização os reclassificou para a posição 3917.32.90: 39.17 Tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos. 3917.2 Tubos rígidos: 3917.23.00 De polímeros de cloreto de vinila 3917.29.00 De outros plásticos 3917.3 Outros tubos: 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios 3917.32.90 Outros A justificativa fiscal apresentada foi bastante singela: Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.314 14 Em sua Impugnação, o Contribuinte afirmou que adotou critério técnico para a classificação fiscal da mercadoria, e apresentou laudo do laboratório de análise SGS do Brasil e Parecer da TESIS Tecnologia que apresentam, respectivamente, as seguintes conclusões: Ou seja, quanto a este item, a controvérsia reside em saber se os tubos em questão são "rígidos" (Posição 3917.2) ou não (Posição 3917.3 outros tubos) E, justamente nesse aspecto, é preciso avaliar se esta questão pode ser resolvida tãosomente da avaliação fiscal, chamada pelo contribuinte de critério empírico (o tubo é, de fato, flexível ao manuseio humano), ou se é imprescindível a avaliação técnica, no caso, representada pelo laudo técnico apresentado na impugnação. A Recorrente ainda trouxe aos autos um laudo pericial judicial que, segunda alega, confirma a natureza de "tubos rígidos" do produto sob análise. Pois bem. Em análise dos laudos trazidos aos autos, noto que, de fato, há a afirmação de que estes são produzidos a partir de material tido como material rígido (PVC rígido). Contudo, não se afirma que o produto final, no caso, o tubo obtido, é rígido. Pelo contrário, há a constatação de que estes são flexíveis. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.315 15 E nem mesmo o contribuinte contesta tal "flexibilidade", ela é incontroversa. E, a meu ver, adentrar à tal minúcia técnica do produto é absolutamente inócuo àquilo que se pretende a partir da classificação fiscal do produto. Situação diferente seria a título de elucubração se houvesse uma classificação fiscal para "tubos produzidos a partir de material X" e outra para "tubos produzidos a partir de material Y", ou mesmo se houvesse diferenciação quanto à espessura do PVC rígido utilizado (o que torna o tubo mais ou menos flexível). Nessa hipótese seria sim imprescindível a análise técnica do produto, uma vez que definir composição do produto ou espessura requer conhecimentos técnicos específicos. De igual modo, a rigidez ou flexibilidade que se distingue na norma de classificação fiscal diz respeito ao produto final apresentado, e não à matéria prima utilizada. Assim, entendo que, atestar a flexibilidade ou rigidez de um produto, na sua concepção ordinária, não requer tal conhecimento técnico, mormente quando esta flexibilidade como dita, na acepção ordinária é incontroversa. E para que não se alegue omissão quanto ao Laudo Pericial Judicial apresentado admitido em face de sua caracterização como fato novo entendo que, em que pese todo o trabalho técnico na análise da composição dos produtos nele analisados (tubos rígidos e flexíveis), como dito, entendo que tal minudenciação é inócua para fins específicos de classificação fiscal, em face da normatização vigente. Ademais, a meu ver, há reconhecimento por parte da própria perícia técnica (laudo judicial) no sentido de que a classificação fiscal pretendida pelo contribuinte seria defensável em face de uma análise constitucional e teleológica das tabelas de classificação, o que, em última análise, é impertintente nesta seara de julgamento. Pelo exposto, coaduno com o entendimento fiscal no sentido de que, para fins de classificação fiscal de mercadorias, considerando a normatização vigente, é despicienda a análise técnica do produto em análise (eletrodutos tigreflex), mormente quando a flexibilidade do tubo em exame é incontroversa. Por fim, afasto também o argumento de que teria ocorrido alteração do motivo jurídico da autuação. Tanto a reclassificação fiscal, quando a decisão proferida pela DRJ baseiamse na conclusão de que, em face das normas de classificação vigentes e da natureza do bem produzido, é despicienda a realização de qualquer análise técnica do produto. Aquapluv Quanto ao Grupo denominado Aquapluv, destacamse as seguintes observações do Termo de Verificação Fiscal. Tratamse de itens destinados basicamente à coleta e ao escoamento de água de chuva, por meio de calhas e acessórios (Ficha técnica a partir da fl. 829) Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.316 16 O Contribuinte classificou na posição 3925.90.00, enquanto a Fiscalização entende que o correto seria 3926.90.90, conforme TIPI 2006: NCM 2 DESCRIÇÃO I. FORMAS PRIMÁRIAS 39.25 Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições. 3925.90.00 Outros 39.26 Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14. 3926.90 Outras 3926.90.90 Outras Ex 01 Forma para fabricação de calçados Ex 02 Máscara de proteção Ex 03 Revestimento para canais de irrigação, de PVC flexível ou semelhante, com ilhoses para fixação no solo Ex 04 Cinto, colete, bóia e equipamento semelhante de salvamento Ex 05 Brincos e pulseiras para identificação de animais Ex 06 Cabos para ferramentas, utensílios e aparelhos Ex 07 Parafusos e porcas Ex 08 Recipiente com serpentina e depósito para gelo, próprio para gelar bebidas Ex 09 Leques e ventarolas Ex 10 Bolsas para coleta de sangue e seus componentes e bolsas de diálise peritoneal (infusão e drenagem) Ex 11 Kits para aferese De início, a própria Fiscalização reconhece que, com base na Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH, os itens em questão estariam classificados na posição 39.25 adotada pelo Contribuinte. Vide a citada Nota: 11. A posição 39.25 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; b) elementos estruturais utilizados, por exemplo, na construção de pavimentos (pisos), paredes, tabiques, tetos ou telhados; c) calhas e seus acessórios; d) portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras; e) gradis, balaustradas, corrimões e artigos semelhantes; f) postigos, estores (incluídas as venezianas) e artefatos semelhantes, suas partes e acessórios; g) estantes de grandes dimensões destinadas a serem montadas e fixadas permanentemente, por exemplo, em lojas, oficinas, armazéns; Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.317 17 h) motivos decorativos arquitetônicos, tais como caneluras, cúpulas, etc.; ij) acessórios e guarnições, destinados a serem fixados permanentemente em portas, janelas, escadas, paredes ou em outras partes de construções, tais como puxadores, maçanetas, aldrabas, suportes, toalheiros, espelhos de interruptores e outras placas de proteção. Todavia, alega que, por imposição do Parecer Cosit/Dinom nº 598, de 08/11/1996, publicado no DOU de 16/12/1996, p. 24, Seção 1, a classificação correta seria 3926.90.90. Alega a Fiscalização: O trecho do referido Parecer Cosit/Dinom nº 598, de 08/11/1996 no qual se fundamenta a Fiscalização é o seguinte: Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.318 18 O Contribuinte, tanto em Impugnação, como em sede de Recurso Voluntário, com quase idêntica redação, apresenta sua defesa para a linha Aquapluv de forma segregada, para cada um dos itens produzidos, a saber, “acoplamento”, “bocal”, “braçadeira”, “cabeceira”, “condutor”, “emenda” e “esquadro". Não obstante a defesa específica apresentada pelo Contribuinte, a DRJ analisou todos os itens de modo conjunto: Os produtos “acoplamento”, “bocal”, “braçadeira”, “cabeceira”, “condutor”, “emenda” e “esquadro”, são componentes das linhas Aquapluv e Aquapluv Style, cujas fichas técnicas encontramse às fls. 829/846. Referidas linhas de produtos destinamse basicamente à coleta e ao escoamento de água proveniente de precipitações pluviométricas, por meio de calhas e de seus acessórios. A Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39, apresentada nas fls. 812/813 (Termo de Verificação Fiscal) conduz para a classificação do conjunto (calha e acessórios), quando apresentados conjuntamente, na posição 3925. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.319 19 Todavia, segundo o que se conclui dos autos, os produtos em questão foram comercializados separadamente. Assim sendo, o Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96, citado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, é categórico em classificar as conexões de plástico (policloreto de vinila), próprias para ligar perfis de plástico em forma de “U” (calhas), quando apresentadas à comercialização isoladamente, no código 3926.90.9900 (TIPI/88). Deste modo, não procedem as argumentações de defesa, na medida em que a linha Aquapluv e Aquapluv Style destinamse à coleta de água da chuva, tendo, evidentemente, como componente principal a calha. Assim, devese retificar a classificação fiscal dos produtos para o código 3926.90.9900 da TIPI/88, correspondente ao NCM 3926.90.90 da TIPI/2006, com alíquota de 15%, nos termos do Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96. Inicialmente, há de se esclarecer que o referido Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96 não é vinculante a este órgão julgador. Desse modo, é essencial a efetiva análise dos bens objeto da classificação fiscal e seu devido enquadramento na TIPI. Assim como exposto no tópico precedente, para fins de classificação fiscal, em regra, não é necessária a análise técnica do produto. Deve se avaliar a natureza e utilização ordinária dada ao produto e efetuar sua devida correlação com os itens de classificação. Na hipótese dos autos, é incontroverso que os itens integrantes da Linha Aquapluv são utilizados como acessórios de calhas, sendo as calhas os tubos / canos em formato de U utilizados no escoamento de água da chuva. A controvérsia se restringe, apenas, ao fato de que, no entendimento da fiscalização, cada um desses itens, quando vendidos isoladamente, devem ser classificados na posição residual 3926.90.90. Entende a Fiscalização que apenas se a venda desses acessórios fosse conjunta à da calha é que a classificação pretendida pelo contribuinte 3625.90.00 seria válida. Com a devida vênia ao entendimento fiscal, fundamentado exclusivamente no Parecer Cosit/Dinom n.º 598, de 08/11/96, não vejo como extrair tal interpretação das NESH. instrumento legal a ser efetivamente aplicado na hipótese de classificação fiscal de produtos. Com efeito, a já transcrita Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH, esclarece que os itens em questão estariam classificados na posição 39.25, adotada pelo Contribuinte, sem qualquer limitação quando ao fato de serem comercializados de forma conjunta ou individualizada: Vide novamente a citada Nota: 11. A posição 39.25 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: (...) Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.320 20 c) calhas e seus acessórios; Assim, tenho que o critério utilizado pela Fiscalização (Forma de comercialização) extrapola qualquer conteúdo da norma, não sendo válido para fins de classificação fiscal. Os catálogos técnicos dos produtos juntados aos autos mostram de forma clara que os bens da linha Aquapluv foram concebidos com o fim específico de serem acessórios de calhas. Não há como se alegar que estes podem ter qualquer utilização genérica ou variada, ainda que vendidos de forma isolada. Desse modo, com base Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39 da NESH, tenho como válida a classificação fiscal adotada pelo Contribuinte. Juros sobre multa de ofício Com relação ao pedido de afastamento da incidência de juros sobre a multa de ofício, tenho que assiste razão à Recorrente, uma vez que a parcela relativa à aplicação de penalidade não detêm natureza de tributo . Pelo exposto, no mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para (i) validar a reclassificação fiscal dos itens integrantes da Linha Tigreflex; (ii) manter a classificação fiscal adotada pelo contribuinte quanto à linha Aquapluv e (iii) excluir a parcela relativa à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado Inaugurei a divergência ao bem fundamento voto da Relatora quanto à preliminar de nulidade e à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, coubeme a designação para redigir este voto vencedor. Preliminar de nulidade do acórdão da DRJ A nulidade da decisão de 1ª instância foi proposta pela Relatora por entender que os argumentos suscitados pelo contribuinte, quanto à manutenção da classificação por si elaborada para os produtos identificados como pertencentes ao conjunto "Aquapluv", foram ignorados no julgamento pela DRJ Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.321 21 O acórdão recorrido ratificou a reclassificação fiscal efetuada pela fiscalização; e ambos (autuação e voto) fundamentaram seus entendimentos no Parecer COSIT/DINOM nº 598, de 08/11/1996, que consta dos autos. A irresignação do contribuinte justificase pois apresentou argumentos individualizados quanto a classificação dos produtos que compõem o conjunto Aquapluv e que foram suplantados pelo conteúdo do indigitado Parecer da Receita Federal e adotado na autuação fiscal. Contudo, a arguição de nulidade não se sustenta frente aos requisitos do PAF, porquanto entendo ser matéria atinente ao mérito e neste fora enfrentada pela DRJ, com transcrição no voto vencido de seu excerto que fundamenta a reclassificação dos produtos que perfazem o conjunto Aquaplus. Firmados na premissa que os produtos foram comercializados separadamente, situação que afastou a aplicação do disposto da Nota Explicativa nº 11 do Capítulo 39, decidiu os julgadores a quo a acolher como correta a classificação no código 3926.90.9900. Eis os fundamentos e razão de decidir da DRJ. A nulidade prescrita pelo art. 59, II do Decreto nº 70.235/72 tem por requisito a preterição do direito de defesa que, indubitavelmente, não se encontra presente na decisão recorrida. Com efeito, a recorrente tomou pleno conhecimento dos fundamentos da autuação e da decisão da DRJ, o que lhe permitiu consistente defesa resultando no provimento parcial do recurso, quanto ao mérito, relativamente à matéria que suscitara nulidade. Por essas razões, não se vislumbra prejuízo algum ao exercício do amplo direito de defesa, rejeitase a presente liminar de nulidade da decisão recorrida. Juros de Mora sobre Multa de Ofício No que concerne à alegação referente incidência a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, o entendimento majoritário do CARF é de que é cabível. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, por expressa previsão legal. O art. 161 do Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10480.729052/201210 Acórdão n.º 3201003.208 S3C2T1 Fl. 1.322 22 Além destes dispositivos, destacase ainda o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos citados, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de oficio, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, os juros de mora devem incidir também sobre a multa de ofício, que integra o crédito tributário constituído de ofício. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720281/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A correta identificação do sujeito passivo é requisito primordial de validade do lançamento de ofício, como se depreende da redação do art. 142 do CTN.
Quando verificado erro na identificação do sujeito passivo das exações tributárias, tal vício configura uma nulidade material, que não pode ser sanada ou convalidada no curso do processo administrativo, devendo a autuação ser anulada por completo.
RESPONSABILIDADE. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. LIQUIDANTE. DEVERES E PRERROGATIVAS DE ADMINISTRAÇÃO.
No período em que a sociedade empresarial encontra-se em fase de liquidação, a responsabilidade pela administração e gestão da pessoa jurídica perante terceiros recai sobre a figura do liquidante.
Em sociedades de capital, a responsabilização do liquidante por débitos fiscais demanda a demonstração e comprovação das hipóteses previstas no art. 135 do CTN.
Ainda que possível, a responsabilidade dos sócios da empresa sob liquidação depende da demonstração e comprovação de que teriam estes, diretamente, praticado atos ilegais ou com excesso de poderes estatutários.
RESPONSABILIDADE. SÓCIOS DE EMPRESA DISSOLVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE PODER DE ADMINISTRAÇÃO E DE PRÁTICAS ILÍCITAS OU CONTRA ESTATUTO SOCIAL.
O simples fato de uma determinada pessoa, física ou jurídica, ter sido sócia majoritária de empresa que fora liquidada e dissolvida não é fundamento válido para a sua eleição como sujeito passivo em autuações que visam à cobrança de débitos tributários da companhia extinta.
O Código Tributário Nacional não contempla a responsabilização objetiva e automática dos sócios de pessoas jurídicas, mesmo quando diante da acusação de ocorrência de dissolução irregular da empresa.
Mesmo após a dissolução, somente podem ser responsabilizados os sócios que possuíam poderes de administração da empresa. É também necessária a imputação de conduta dolosa, com infração à lei ou ao contrato/estatuto social para atribuir responsabilidade aos sócios.
Numero da decisão: 1402-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que votou por manter a exigência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A correta identificação do sujeito passivo é requisito primordial de validade do lançamento de ofício, como se depreende da redação do art. 142 do CTN. Quando verificado erro na identificação do sujeito passivo das exações tributárias, tal vício configura uma nulidade material, que não pode ser sanada ou convalidada no curso do processo administrativo, devendo a autuação ser anulada por completo. RESPONSABILIDADE. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. LIQUIDANTE. DEVERES E PRERROGATIVAS DE ADMINISTRAÇÃO. No período em que a sociedade empresarial encontra-se em fase de liquidação, a responsabilidade pela administração e gestão da pessoa jurídica perante terceiros recai sobre a figura do liquidante. Em sociedades de capital, a responsabilização do liquidante por débitos fiscais demanda a demonstração e comprovação das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Ainda que possível, a responsabilidade dos sócios da empresa sob liquidação depende da demonstração e comprovação de que teriam estes, diretamente, praticado atos ilegais ou com excesso de poderes estatutários. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS DE EMPRESA DISSOLVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE PODER DE ADMINISTRAÇÃO E DE PRÁTICAS ILÍCITAS OU CONTRA ESTATUTO SOCIAL. O simples fato de uma determinada pessoa, física ou jurídica, ter sido sócia majoritária de empresa que fora liquidada e dissolvida não é fundamento válido para a sua eleição como sujeito passivo em autuações que visam à cobrança de débitos tributários da companhia extinta. O Código Tributário Nacional não contempla a responsabilização objetiva e automática dos sócios de pessoas jurídicas, mesmo quando diante da acusação de ocorrência de dissolução irregular da empresa. Mesmo após a dissolução, somente podem ser responsabilizados os sócios que possuíam poderes de administração da empresa. É também necessária a imputação de conduta dolosa, com infração à lei ou ao contrato/estatuto social para atribuir responsabilidade aos sócios.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.720281/2015-11
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5795952
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.751
nome_arquivo_s : Decisao_10480720281201511.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10480720281201511_5795952.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que votou por manter a exigência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 6997399
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733332729856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.133 1 1.132 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.720281/201511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.751 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria SUJEIÇÃO PASSIVA Recorrente AMF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A correta identificação do sujeito passivo é requisito primordial de validade do lançamento de ofício, como se depreende da redação do art. 142 do CTN. Quando verificado erro na identificação do sujeito passivo das exações tributárias, tal vício configura uma nulidade material, que não pode ser sanada ou convalidada no curso do processo administrativo, devendo a autuação ser anulada por completo. RESPONSABILIDADE. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. LIQUIDANTE. DEVERES E PRERROGATIVAS DE ADMINISTRAÇÃO. No período em que a sociedade empresarial encontrase em fase de liquidação, a responsabilidade pela administração e gestão da pessoa jurídica perante terceiros recai sobre a figura do liquidante. Em sociedades de capital, a responsabilização do liquidante por débitos fiscais demanda a demonstração e comprovação das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Ainda que possível, a responsabilidade dos sócios da empresa sob liquidação depende da demonstração e comprovação de que teriam estes, diretamente, praticado atos ilegais ou com excesso de poderes estatutários. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS DE EMPRESA DISSOLVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE PODER DE ADMINISTRAÇÃO E DE PRÁTICAS ILÍCITAS OU CONTRA ESTATUTO SOCIAL. O simples fato de uma determinada pessoa, física ou jurídica, ter sido sócia majoritária de empresa que fora liquidada e dissolvida não é fundamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 81 /2 01 5- 11 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.134 2 válido para a sua eleição como sujeito passivo em autuações que visam à cobrança de débitos tributários da companhia extinta. O Código Tributário Nacional não contempla a responsabilização objetiva e automática dos sócios de pessoas jurídicas, mesmo quando diante da acusação de ocorrência de dissolução irregular da empresa. Mesmo após a dissolução, somente podem ser responsabilizados os sócios que possuíam poderes de administração da empresa. É também necessária a imputação de conduta dolosa, com infração à lei ou ao contrato/estatuto social para atribuir responsabilidade aos sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que votou por manter a exigência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.135 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários, interpostos pelo sujeito passivo, AMF Empreendimentos e Participações S. A. (fls. 785 a 860) e todos os responsáveis arrolados pela Fiscalização no lançamento de ofício (fls. 863 a 1126), contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE (fls. 725 a 747) que manteve integralmente as Autuações sofridas (fls. 02 a 82), rejeitando os termos das Impugnações apresentadas (fls. 407 a 713). A empresa fiscalizada AMMC Investimentos e Participações S. A. EM LIQUIDAÇÃO não figura no polo passivo do feito, por ter verificado a Autoridade Fiscal a sua liquidação e dissolução, como consta de instrumento societário arquivado na Junta Comercial de Pernambuco (fls. 124 a 129), lavrando as exações diretamente contra seus últimos sócios e o Liquidante. Foi eleito como sujeito passivo: AMF Empreendimentos e Participações S. A. (sócia majoritária) E como Responsáveis Solidários de Direito: TRAPÉZIO S/A (sócia) ALDEIA Empreendimentos e Participações S. A (sócia) MERCANTIL Empreendimentos e Participações S. A (sócia) E, também, como Responsável Solidário por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato ou Estatuto: Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho (liquidante ordinário) Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.136 4 O processo versa sobre créditos de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2011 e primeiro trimestre de 2012, acompanhados de multa de ofício, sob as acusações fiscais de: anocalendário 2011 exclusão indevida do lucro líquido do período na determinação do lucro real de receita de recuperação de encargos do Bacen (Dívida do Proer) liquidados, que acarretou em redução do prejuízo e do saldo negativo de CSLL do período pelo lançamento de ofício; 1ª Trimestre de 2012 a) exclusão indevida, do lucro líquido do período na determinação do lucro real, de receita decorrente de benefício de redução de multa e juros da Dívida do PROER e b) compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL acima do limite de 30%, quando da dissolução da Companhia. Melhor esclarecendo, a pessoa jurídica fiscalizada, AMMC Investimentos e Participações S. A., era inicialmente denominada Banco Mercantil S. A., atuando há décadas no mercado bancário, compondo o sistema financeiro nacional. Em 1995, o BACEN, por meio do AtoPresi nº 356 decretou a intervenção nessa instituição financeira. Logo depois, em 09/08/1996, tendo em vista a constatação de impossibilidade de normalização de suas atividades, o BACEN decretou sua liquidação extrajudicial, pelo AtoPresi nº 562. Somente em 29/03/2012, em face da demonstração do pagamento integral dos débitos com o BACEN, da alteração da condição patrimonial da massa, da existência de ativos suficientes para responder pelas obrigações da massa e da demonstração de inexistência de débitos tributários ou não tributários vencidos e exigíveis com a Fazenda Pública Federal, foi decretada pelo BACEN a cessação de sua liquidação extrajudicial pelo AtoPresi nº 1216. Nessa data, o Liquidante Extrajudicial, que não foi arrolado como responsável, também foi exonerado de suas obrigações pr aquele Órgão Público. (vide fls. 96 a 129) Com o final da determinação estatal de sua liquidação extrajudicial, no dia seguinte, em 30/03/2012, houve uma Assembléia Geral da Companhia AMMC, na qual resolveram os sócios promover a sua dissolução, nomeando o Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho, antes representante dos acionistas majoritários, como liquidante ordinário. Havendo ativos à disposição dos sócios, foi promovida a divisão proporcional e atribuição desses valores aos seus Sócios (com exceção de 4,77% dos acionistas, que não foram localizados ou não participaram da Assembléia). Foi levantado o balanço final da empresa em 31/03/2012, apurandose lucros, que foram distribuídos como dividendos. Na data anterior, em 30/03/2012, o Contribuinte transmitiu DCTFs retificadoras, alterando valores apurados apenas de PIS e COFINS, como relata a Fiscalização, que foram ulteriormente compensados. As infrações referentes a PIS e COFINS, colhidas na mesma Ação Fiscal, são objetos do processo administrativo nº 10480.720282/201558, assim como as DCOMPs transmitidas possuem processos próprios. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.137 5 Por sua vez, em 29/06/2012, derradeiramente, a Companhia transmitiu sua DIPJ informando à Receita Federal do Brasil o encerramento de suas atividades, como já constava da Junta Comercial desde 03/04/2012. Por sua vez, a Ação Fiscal que culminou no presente processo administrativo, teve início em 30/06/2014, intimando o liquidante ordinário para responder aos Termos de Intimação Fiscal, o qual apresentou toda a documentação requerida no procedimento. E foi dentro deste contexto de liquidação e dissolução da sociedade que a Fiscalização elegeu formalmente a sócia majoritária AMF como sujeito passivo, seus sócios como responsáveis solidários de Direito (com base nos arts. 1.009 e 1.010 do Código Civil e no art. 218 da Lei das S/A) e o Liquidante como responsável solidário por excesso de poderes, infração de lei, contrato ou estatuto social (com base nos arts. 134 e 135 do CTN, combinados). A Autoridade Fiscal alega ter ocorrido a dissolução irregular da Companhia, motivando a responsabilização das Sócias e do Liquidante. Confirase os precisos termos do TVF (fls. 49 a 82): DA IRREGULARIDADE NA DISSOLUÇÃO DA COMPANHIA AMMC 37. Conforme ensina a doutrina, no direito empresarial, para ocorrer a dissolução regular de uma sociedade, os administradores devem proceder à liquidação e à partilha dos seus bens. A liquidação visa à realização do ativo e ao pagamento do passivo da sociedade, enquanto a partilha visa à distribuição do patrimônio líquido remanescente aos sócios de forma proporcional à participação de cada um no capital da sociedade. 38. O Código Civil (lei nº 10.406/2002) determina que para encerrar as suas atividades, a empresa deve ter aprovadas as suas contas e ter encerrada a liquidação do patrimônio. 39. Assim preceitua os arts. 1.109 e 1.110 da lei nº 10.406/2002: Art. 1.109. Aprovadas as contas, encerrase a liquidação, e a sociedade se extingue, ao ser averbada no registro próprio a ata da assembléia. Parágrafo único. O dissidente tem o prazo de trinta dias, a contar da publicação da ata, devidamente averbada, para promover a ação que couber. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.138 6 Art. 1.110. Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos sócios, individualmente, o pagamento do seu crédito, até o limite da soma por eles recebida em partilha, e a propor contra o liquidante ação de perdas e danos. 40. Também a Lei das S/A (lei 6.404/76) determina no seu art. 218: Art. 218. Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos acionistas, individualmente, o pagamento de seu crédito, até o limite da soma, por eles recebida, e de propor contra o liquidante, se for o caso, ação de perdas e danos. O acionista executado terá o direito de haver dos demais a parcela que lhes couber no crédito pago. 41. Ou seja, para haver a dissolução regular há que se ter encerrada a liquidação, com a satisfação dos direitos creditórios de terceiros em face da sociedade, e a promoção da baixa da empresa nos órgãos de registro. 42. Na situação de existência de débitos tributários conhecidos ou que deveria sêlo, à época do encerramento, ou constituídos de ofício, a posteriori, se caracteriza a dissolução irregular da sociedade, por infração às leis fiscal e societária. 43. Nesses casos, o Código Tributário Nacional (CTN), responsabiliza solidariamente os representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos tributos que deixaram de ser pagos, sem benefício de ordem e sem guardar valor com os quinhões recebidos. 44. Assim dizem os artigos 134 e 135 do CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: [...] III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.139 7 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 45. Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2012 (Situação Especial) referente ao período de 01/01/2012 a 30/03/2012 a empresa apurou um Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 33.382.647,82 e uma Contribuição Social sobre o Lucro Líquido antes da dedução da “Recuperação de Crédito de CSLL (MP nº 1.807/1999, art. 8º)” de R$ 30.470.893,15. 46. Em 30/03/2012 (já no regime de liquidação ordinária) a fiscalizada apresentou retificação de todas as DCTF (entregues sob a responsabilidade do liquidante extrajudicial) referentes aos períodos de março/2007 a janeiro/2012 reduzindo drasticamente os valores devidos de PIS/COFINS. 47. Em face da retificação das DCTF, o débito de IRPJ foi liquidado via compensação com suposto crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de Pis/Cofins. Para tanto, a empresa registrou em 30/03/2012 lançamentos contábeis no montante de R$ 44.510.557,99: a débito da conta contábil nº 11884500007 – PIS/COFINS A COMPENSAR e a crédito de conta de Receita, com histórico de “Recuperação Despesas de Contri”, e nesta mesma data zerou o saldo da conta de ativo com lançamento a crédito dessa conta e a débito da conta de Passivo – nº 249870001005 PROVISÃO PARA O IRPJ. 48. Esclarecemos que uma parte das declarações de compensação (DCOMP) já foram analisadas pela Receita Federal, cujo resultado foi a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações, no montante de R$ 28.713.162,03, em face de inexistência de crédito. 49. A redução nos valores a pagar do PIS/COFINS, que originaram os supostos créditos, decorre de apresentação de DCTF retificadoras, cujos débitos foram apurados com exclusões, na apuração da base de cálculo dessas contribuições, de receitas registradas nas contas do grupo COSIF de números: 7.1.5.10 – RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA, 7.1.5.40 RENDAS DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO e 7.1.5.75 LUCROS COM TÍTULOS DE RENDA FIXA. 50. As exclusões dessas receitas são indevidas, conforme relatado no tópico VI deste Relatório. 51. Em relação a CSLL embora a empresa tenha apurado CSLL a Pagar igual a zero em face da dedução integral (100%) com Recuperação de Crédito de CSLL (MP nº 1.807/1999, art. 8º), é cediço que essa dedução é limitada a 30% da CSLL apurada Limite estabelecido na própria MP e transcrito nas orientações de preenchimento das linhas da DIPJ no Programa Gerador da Declaração – PGD IRPJ. 52. A dissolução da sociedade, sem observância dos preceitos legais, considerase irregular, pois tal conduta impede ao Fisco Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.140 8 de buscar a satisfação do crédito no patrimônio da sociedade. Assim, o liquidante, como responsável pela administração da sociedade, é também responsável pelos créditos tributários não pagos pela pessoa jurídica quando dissolve irregularmente a sociedade. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 54. A fazenda Pública pode exigir o pagamento do tributo quer do contribuinte quer do responsável, conforme a lei estabelecer a responsabilidade deste ou daquele pelo pagamento do tributo. Daí concluise que o sujeito passivo da obrigação tributária tanto pode ser o contribuinte quanto o responsável, conforme dispõem o caput e o parágrafo único do art. 121 do Código Tributário Nacional (CTN). 55. As análises do cumprimento das obrigações tributárias referemse a fatos relativos à empresa AMMC INVESTIMENTOS E PARTICIPACOES S.A. EM LIQUIDACAO, porém, os lançamentos tributários são realizados contra os responsáveis tributários, por força do disposto no art. 1109 e art. 1110 do Código Civil e 218 da Lei das S/A; e art. 134, III, combinado com o art. 135, I e III da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN). 56. São responsáveis tributário da fiscalizada: a) A pessoa jurídica AMF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S.A., CNPJ 40.843.658/000180 (arts. 1.109 e 1.110 da Lei nº 10.406/02, art.218 da lei nº 6.404/76). b) A pessoa jurídica TRAPÉZIO S.A., CNPJ nº 21.793.096/000162 (arts. 1.109 e 1.110 da Lei nº 10.406/02, art.218 da lei nº 6.404/76). c) A pessoa jurídica ALDEIA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ nº 05.433.929/000128 (arts. 1.109 e 1.110 da Lei nº 10.406/02, art.218 da lei nº 6.404/76). d) A pessoa jurídica MERCANTIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 11.502.978/000178 (arts. 1.109 e 1.110 da Lei nº 10.406/02, art.218 da lei nº 6.404/76). e) A pessoa física do liquidante ARMANDO DE QUEIROZ MONTEIRO FILHO, CPF nº 000.662.90406 (arts. 134 e 135 da lei nº 5.172/66). 57. De todo o exposto e arrazoado, as irregularidades fiscais identificadas por esta fiscalização serão tributadas e cobradas nas pessoas dos responsáveis tributários da empresa dissolvida irregularmente, sendo lançados os autos de infrações contra a pessoa do sócio majoritário controlador – AMF Empreendimentos e Participações S.A.; e, tendo como responsáveis tributários solidários as demais pessoas acima identificadas. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.141 9 As infrações tributárias foram precisamente resumidas e relatadas pela DRJ a quo, reproduzindose a seguir trecho do completo relatório formulado no v. Acórdão recorrido (fls. 729 a 733): 3.1. glosa de exclusão de receita de recuperação de encargos do Bacen (Dívida do Proer) no anocalendário 2011: 3.1.1. o contribuinte excluiu na Linha 64 da Ficha 09B e na Linha 61 da Ficha 17 de sua DIPJ, entre outros, o montante de R$ 189.954.702,08, a título de recuperação de encargos do Bacen (Dívida Proer); 3.1.2. da análise do lançamento contábil realizado, registrado a crédito de outras receitas operacionais na conta 2.7.1.9.30.00.09 – Encargos e Despesas do Bacen (Grupo Cosif 7.1.9.30 – Recuperação de Encargos e Despesas), com histórico de "Atualização da Dívida da Massa perante o Banco Central do Brasil, conforme posição informativa Bacen", este demonstra se tratar de uma receita de recuperação de dívidas decorrente da análise pelo Bacen da real dívida do Proer em cotejo com os valores já registrados na contabilidade da empresa; 3.1.3. diferentemente do alegado pelo contribuinte, tal receita não tem qualquer relação com a receita decorrente da concessão do benefício fiscal de pagamento/parcelamento de débitos com redução dos valores de multas, juros de mora e encargo legal estabelecido no §§3º e 33 do art. 65 da Lei nº 12.4249, de 2010, com redação do art. 4º da Lei nº 12.402, de 2011; 3.1.4. em resposta à intimação, o fiscalizado não citou como fundamento legal da exclusão as referidas normas, mas sim disse que o procedimento adotado seguiu o "espírito" destas. Contudo, o §33 do art. 65 da Lei nº 12.249, de 2010 não autorizou tal exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas tão somente a compensação dos débitos de IRPJ e CSLL apurados em razão da concessão do benefício de redução dos valores de multas, juros de mora e encargo legal, com a utilização de crédito de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL acumulados de períodos anteriores apurados mediante a aplicação de alíquota de 25% sobre o primeiro e de 9% sobre a segunda. Logo, por evidente, o "espírito" da norma não poderia ter autorizado a exclusão realizada; 3.1.5. ademais, mesmo que se tratasse do referido benefício, o que não é o caso, há que se ressaltar o fato de que no anocalendário 2011 o fiscalizado apurou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, não havendo, portanto, débitos de IRPJ e CSLL passíveis de compensação com utilização dos créditos mencionados; 3.1.5. ademais, mesmo que se tratasse do referido benefício, o que não é o caso, há que se ressaltar o fato de que no ano calendário 2011 o fiscalizado apurou prejuízo fiscal e base Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.142 10 negativa de CSLL, não havendo, portanto, débitos de IRPJ e CSLL passíveis de compensação com utilização dos créditos mencionados; 3.1.6. diante do exposto, concluise que a receita referente à recuperação de encargos do Bacen (Dívida Proer) é tributável pelo IRPJ e pela CSLL, não havendo previsão legal para sua exclusão nas bases de cálculo dos tributos; 3.1.4. cabe registrar que tal benefício somente foi utilizado pelo contribuinte no 1º trimestre de 2012, tendo alcançado o valor de R$ 853.601.397,01. Este foi lançado como receita decorrente de redução dos valores de multas (100%), juros de mora (45%) e encargo legal (100%) pelo pagamento à vista de débitos administrados pelo Bacen; 3.2. glosa de exclusão de receita decorrente do benefício de redução de multas, juros de mora e encargo legal em função do pagamento à vista de débitos administrados pelo Bacen (Lei nº 12.249, de 2010) – período de apuração 01/01 a 31/03/2012: 3.2.1. o art. 65 da Lei nº 12.249, de 2010, e seu § 33, invocado pelo fiscalizado durante a fiscalização para justificar a exclusão, não autorizou tal medida relativamente à receita decorrente do benefício previsto em seu §3º concernente à redução dos valores de multas, juros de mora e encargo legal em face do pagamento à vista de dívida contraída perante o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), administrado pelo Bacen; 3.2.2. o que o §33 autoriza é a utilização de créditos de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL acumulados de exercícios anteriores para compensação de débitos de IRPJ e de CSLL apurados sobre a receita decorrente desse benefício fiscal. Tais crédito são calculados mediante a aplicação do percentual de 25% sobre o prejuízo fiscal e de 9% sobre a base negativa de CSLL; 3.2.3. não havendo previsão para a exclusão realizada, a mesma foi glosada. Por outro lado, tendo em vista a previsão de créditos de IRPJ e de CSLL do §33, estes foram calculados conforme abaixo, tendo sido deduzidos do IRPJ e da CSLL apurados em fiscalização para período de apuração 01/01 a 31/03/2012 os montantes de R$ 213.400.349,25 e de R$ 43.460.516,42, respectivamente: (...) 3.3. compensação de saldo de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL acima do limite legal de 30% da base de cálculo do período de apuração 01/01 a 31/03/2012: 3.3.1. em virtude do encerramento das atividades o contribuinte entendeu devida a compensação de 100% do saldo de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa de CSLL com o lucro líquido ajustado. Para tanto, indicou nas linhas próprias de Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.143 11 compensação na determinação da base de cálculo dos tributos (Ficha 09B, Linha 67, para o IRPJ; e Ficha 17, Linha 67, para a CSLL) um montante limitado a 30% do lucro líquido ajustado, informando o restante dos saldos acumulados de prejuízo fiscal e de base negativa nas linhas referentes à rubrica "Outras Exclusões" (Ficha 09B, Linha 64, para IRPJ; e Ficha 17, Linha 61, para CSLL), nos valores de R$ 556.868.120,85 (IRPJ) e de R$ 460.474.010,56 (CSLL). Com tal metodologia visou compensar acima do limite legal sem que a compensação ficasse registrada nas linhas apropriadas da DIPJ, impossibilitando a detecção de tal fato, seu tratamento e controle pelos sistemas automatizados da Receita Federal; 3.3.2. a legislação que trata do assunto, o art. 250 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e os arts. 15 e 16, e parágrafos únicos da Lei nº 9.065, de 1995, determina que a compensação está limitada a 30% da base de cálculo, não encontrando guarida o entendimento do fiscalizado. Nesse sentido está o Acórdão nº 910100.401 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), publicado em 02/03/2011; 3.3.3. o Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 344.9940/PR, se posicionou no sentido de que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal; 3.3.4. assim, são indevidas as exclusões efetuadas acima deste limite, devendo ser glosadas; 3.4. compensação de ofício na determinação da base de cálculo período de apuração 01/01 a 31/03/2012: quando da consolidação dos efeitos das infrações apuradas no ano 2012, e por ser direito do sujeito passivo, foram efetuadas compensações de ofício de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores no limite legal de 30% do lucro líquido ajustado. Abaixo os demonstrativos elaborados: (...) 3.5. dedução de recuperação de crédito de CSLL acima do limite legal permitido no art. 8º da MP nº 1.807, de 1999, com última reedição no art. 8º da MP nº 2.158 35, de 2001 – período de apuração 01/01 a 31/03/2012: 3.5.1. o contribuinte apurou um total de contribuição social sobre o lucro líquido em sua DIPJ para o período de apuração 01/01 a 31/03/2012 no montante de R$ 30.470.893,15 (Ficha 17, Linha 72), tendo deduzido a título de "recuperação de crédito de CSLL (MP nº 1807, art. 8º)" o mesmo valor (Ficha 17, Linha 73); 3.5.2. tanto o §2º do art. 8º da MP nº 2.15835, de 2001 (reedição da MP nº 1.807, de 1999 nesta parte), quanto a instrução de preenchimento da referida linha 73 na DIPJ, determinam que a dedução do crédito está limitada a 30% do saldo da CSLL remanescente (informado na linha 72); Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.144 12 3.5.3. assim, a dedução estava limitada a 30% de R$ 30.470.893,15, ou seja, R$ 9.141.267,95, havendo uma dedução a maior de R$ 21.329.625,20. Contudo, após o cômputo das infrações identificadas, apurouse CSLL para o período de R$ 168.448.810,95, o que elevou o limite referido para R$ 50.534.643,28; 3.5.4. como o valor deduzido é inferior ao limite apurado após a fiscalização, não há infração a ser lançada; Intimados do lançamento de ofício, o sujeito passivo e os responsáveis ofertaram Impugnações (fls. fls. 407 a 713) alegando, em suma, preliminarmente, a impossibilidade de responsabilizar os sócios da Empresa, seja pela ausência da ocorrência de dissolução irregular e pela inadequação dos artigos eleitos para responsabilizar os sócios, não havendo demonstração das práticas que a Lei Tributária condiciona a imputação de responsabilidade. Também aponta que o sujeito passivo autuado não se relaciona aos fatos colhidos como infração. Em relação ao Liquidante, afirmase não ter havido qualquer infração à Lei, estatuto ou contrato social, bem como nenhuma prática dolosa ou fraudulenta, alegando ter a dissolução da sociedade fiscalizada se procedido de maneira plenamente regular. No que tange ao mérito, alegase em relação à exclusão da receita fruto de recuperação de encargos do BACEN (dívida do PROER), na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, que quando registrados tais valores na sua contabilidade fiscal no ano calendário de 2011, já eram vigentes o benéfico veiculado pela Lei nº 12. 249/2010 e as alterações promovidas pela Lei nº 12.402/2011, que concediam descontos e redução no valor da dívida e seus encargos, permitindo sua quitação com prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, o que implicaria na neutralidade tributária da receita percebida com a redução deste passivo. Tais valores seriam, então, fruto de mero ajuste do valor do passivo junto ao BACEN. Em relação aos juros e multas excluídos das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL no 1ª trimestre de 2012, referente ao mesmo benefício de quitação de dívidas do PROER, o Contribuinte valese dos mesmos argumentos meritórios de sua alegação anterior, referente ao seu direito de neutralização de impactos tributários da benesse, acrescentando que para sua quitação poderia ser aplicada a alíquota de 15% de CSLL, ao invés de 9%, como entendido pela Fiscalização, diante da interpretação que pode ser feita com a promulgação da Lei nº 12.973/2013 (SIC). No que tange à compensação de saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL em percentual acima de 30%, alegase, em suma, que a trava imposta pelos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995 não se aplica no momento da extinção da pessoa jurídica, pois na Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.145 13 devida hermenêutica da norma, tal proibição considera a continuidade das atividades tributáveis, limitando seu montante, mas não o prazo de utilização do valor. Assim, seria inaplicável essa regra de apuração quando verificada a descontinuidade definitiva das operações. Igualmente, é afirmado não haver norma específica dirigida ao aproveitamento de prejuízos no momento da extinção das empresas, sendo indevida a extensão da regra proibitiva, violando seu direito ao uso de tais valores, sob pena de tributação de patrimônio. Afirmase que a determinação do art. 544 do RIR/99, de que o prejuízo e a base de cálculo negativa de contribuintes em extinção não são transferíveis, permite a interpretação de que a vedação só se aplica ao montante residual de tais valores, após a compensação com todo lucro tributável no período de encerramento. Sustenta que no julgamento do RE nº 344.994PR o STF não abordou a hipótese de compensação de prejuízos no caso de extinção da empresa, bem como, o termo benefício, é diferente daquele empregado na regulamentação do art. 111 do CTN, não podendo sendo incidente ao caso tal dispositivo. Também se alega que no anocalendário de 2012, ao fazer reversão contra resultado de provisões operacionais, referentes a variação cambial de títulos NTNA3, acabou por artificialmente aumentar as bases tributáveis de IRPJ e CSLL do período, requerendo o refazimento de ofício da apuração do 1ª trimestre do anocalendário de 2012 (tal manobra não é objeto das infrações apuradas pela Fiscalização). Por fim, afirmase que a Autoridade Fiscal, ao recalcular as bases de cálculo da CSLL após a glosa das exclusões efetuadas, aumentou o valor prejuízo utilizável, dentro da limitação legal imposta pela Fisco, para R$ 50.534.643,28, que não foi considerado de ofício pela Fiscalização no lançamento. Assim, requer que este valor seja computado no recálculo da apuração. Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 4ª Turma de Julgamento da DRJ/REC, que julgou totalmente procedente o lançamento, rejeitando todas as alegações das Impugnações. Confirase a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.146 14 Devido responsabilizar solidariamente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e/ou que tenham praticado atos que conduziram a irregularidades tributárias, ademais quando a empresa fiscalizada encontrase encerrada, sendo necessário garantir a eficácia do crédito tributário constituído. RECEITA DECORRENTE DE REVISÃO DE DÍVIDA DO PROER JUNTO AO BACEN. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não há previsão legal para a exclusão, do lucro líquido na determinação do lucro real, de receita decorrente de adequação dos valor registrado em contabilidade com o montante revisado da dívida do Proer junto ao Bacen. Além disso, uma vez que tal receita não decorre do benefício de redução de multas, juros e encargo legal em função do pagamento à vista do débito (dívida do Proer) administrado por pelo Bacen, não se aplica ao caso o disposto no §33 do art. 65 da Lei nº 12.249, de 2009, com redação da Lei nº 12.402, de 2011. RECEITA DECORRENTE DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE MULTAS, JUROS E ENCARGO LEGAL JUNTO AO BACEN. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não há previsão legal para a exclusão, do lucro líquido na determinação do lucro real, de receita decorrente de benefício de redução de multas, juros e encargo legal em função do pagamento à vista do débito (dívida do Proer) administrado por pelo Bacen. O que o §33 do art. 65 da Lei nº 12.249, de 2009, com redação da Lei nº 12.402, de 2011, autoriza é que empresa em regime de liquidação ordinária ou extrajudicial, optante pelo pagamento de débito administrado pelo Bacen, possa compensar o débito de IRPJ apurado em razão do referido benefício com a utilização de créditos determinados com a aplicação da alíquota de 25% sobre o prejuízo fiscal acumulado de exercícios anteriores. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS.LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos fiscais além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. ERROS NA CONTABILIZAÇÃO OU NA DECLARAÇÃO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. INDEVIDA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Possíveis erros na contabilização ou na DIPJ verificados pelo contribuinte, que lhe sejam desfavoráveis, devem ser apontados durante o procedimento fiscal, mas não em fase contencioso, pois compete ao julgador administrativo apenas apreciar Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.147 15 inconformidade do contribuinte relativamente às matérias que foram objeto dos lançamentos. A retificação de ofício somente se justifica em relação a matéria que mantenha relação direta com alguma infração apurada pela autoridade fiscal, como, por exemplo, no caso de um lançamento de omissão de receitas, cujos respectivos tributos retidos ou despesas que ensejaram tais receitas, se não considerados pela autoridade fiscal autuante, devem ser deduzidos de ofício pela autoridade julgadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Devido responsabilizar solidariamente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e/ou que tenham praticado atos que conduziram a irregularidades tributárias, ademais quando a empresa fiscalizada encontrase encerrada, sendo necessário garantir a eficácia do crédito tributário constituído. RECEITA DECORRENTE DE REVISÃO DE DÍVIDA DO PROER JUNTO AO BACEN. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não há previsão legal para a exclusão, do lucro líquido na determinação da base de cálculo da CSLL, de receita decorrente de adequação dos valor registrado em contabilidade com o montante revisado da dívida do Proer junto ao Bacen. Além disso, uma vez que tal receita não decorre do benefício de redução de multas, juros e encargo legal em função do pagamento à vista do débito (dívida do Proer) administrado por pelo Bacen, não se aplica ao caso o disposto no §33 do art. 65 da Lei nº 12.249, de 2009, com redação da Lei nº 12.402, de 2011. RECEITA DECORRENTE DE BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE MULTAS, JUROS E ENCARGO LEGAL JUNTO AO BACEN. EXCLUSÃO INDEVIDA. Não há previsão legal para a exclusão, do lucro líquido na determinação da base de cálculo da CSLL, de receita decorrente de benefício de redução de multas, juros e encargo legal em função do pagamento à vista do débito (dívida do Proer) administrado por pelo Bacen. O que o §33 do art. 65 da Lei nº 12.249, de 2009, com redação da Lei nº 12.402, de 2011, autoriza é que empresa em regime de liquidação ordinária ou extrajudicial, optante pelo pagamento de débito administrado pelo Bacen, possa compensar o débito de CSLL apurado em razão do referido benefício com a utilização de créditos determinados com a aplicação da alíquota de 9% sobre a base de cálculo negativa de CSLL acumulada de exercícios anteriores. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.148 16 ALÍQUOTA APLICÁVEL À BASE DE CÁLCULO NEGATIVA NOS TERMOS DO ART. 65, §33 DA LEI Nº 12.249/2009. ELEVAÇÃO PELA LEI Nº 12.973/2014. IRRETROATIVIDADE. não procede o pleito do contribuinte de cálculo do crédito de CSLL com utilização de alíquota de 15% em função do disposto no art. 104 da Lei nº 12.973, de 2014, vez que o referido dispositivo somente entrou em vigor no dia 14/05/2014, data de publicação da norma (conforme seu art. 119), após o fato gerador objeto dos autos. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS.LIMITE DOS 30% DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de base de cálculo negativa acumulada além do percentual de 30% da base de cálculo da CSLL, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. ERROS NA CONTABILIZAÇÃO OU NA DECLARAÇÃO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. INDEVIDA RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Possíveis erros na contabilização ou na DIPJ verificados pelo contribuinte, que lhe sejam desfavoráveis, devem ser apontados durante o procedimento fiscal, mas não em fase contencioso, pois compete ao julgador administrativo apenas apreciar inconformidade do contribuinte relativamente às matérias que foram objeto dos lançamentos. A retificação de ofício somente se justifica em relação a matéria que mantenha relação direta com alguma infração apurada pela autoridade fiscal, como, por exemplo, no caso de um lançamento de omissão de receitas, cujos respectivos tributos retidos ou despesas que ensejaram tais receitas, se não considerados pela autoridade fiscal autuante, devem ser deduzidos de ofício pela autoridade julgadora. RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DE CSLL. ELEVAÇÃO DO LIMITE DE 30% EM FUNÇÃO DO VALOR DA CSLL LANÇADA. AUMENTO DO MONTANTE DEDUZIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE SALDO DE CRÉDITO. Conforme art. 8º da MP nº 2.15835, de 2001, extraise que o valor a ser deduzido a titulo de "Recuperação de Crédito de CSLL" está limitado (i) à existência de saldo de crédito ativado; e (ii) a 30% do valor da CSLL apurada. Para fazer jus à retificação de ofício do valor deduzido na DIPJ (elevação), a fim de adequálo ao novo montante do limite de 30% em função do aumento da CSLL apurada como resultado da fiscalização, é necessária a comprovação da existência de saldo de crédito ativado em montante igual ou superior a este novo limite; o que não ocorreu no presente caso. Impugnação Improcedente Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.149 17 Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés parcial, os ora Recorrentes apresentaram Recursos Voluntários (fls. 785 a 1126), abordando especificamente as razões de decidir do v. Acórdão recorrido, comentando e apontando as razões de necessidade de sua reforma. As alegações preliminares e de mérito são posteriormente repetidas, trazendo novos julgados. Contudo, inaugura o pleito de sobrestamento do presente feito até o julgamento no processo administrativo nº 10480.720282/201558, o qual, como já mencionado, trata da utilização de créditos de PIS e COFINS do mesmo período. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.150 18 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Os Recursos Voluntários são manifestamente tempestivos e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Dentro das matérias preliminares alegadas, primeiramente apreciase o pleito de sobrestamento desta demanda até o julgamento do processo administrativo nº 10480.720282/201558 que, de acordo com o próprio TVF e as alegações dos Recorrentes, trata da glosa de créditos de PIS e COFINS utilizados no mesmo período, objeto de retificação de declarações, consubstanciada em lançamento de ofício procedido após o mesmo MPF. Os Recorrentes não invocam expressamente a existência de alguns instituto processual regimental para a vinculação dos feitos, tal como conexão, decorrência ou reflexo. Apenas afirmam serem os processos frutos do mesmo procedimento fiscal e que admitindose a remota hipótese de prevalecer o lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL, há que ser admitido o uso daquele crédito de PIS e COFINS para compensação e quitação do que restar devido (se é que algo deve ser mantido no lançamento fiscal). Posto isso, a utilização de créditos de PIS e COFINS em nada se relaciona ao mérito da presente demanda, que versa sobre exclusões das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL, bem como a utilização de prejuízos e base de cálculo negativa acima do percentual de 30%, quando da extinção da pessoa jurídica. Ao seu turno, a afirmação de que deveria se aguardar o julgamento de um processo administrativo que pode culminar na disponibilidade de crédito compensável com IRPJ e CSLL não se aproxima de qualquer hipótese de correlação, prejudicialidade e dependência entre processos administrativos. Desse modo, mostrase improcedente o pleito dos Recorrentes, devendo ser normal e livremente apreciada e julgada a presente contenda. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.151 19 Passase a apreciar as preliminares referentes à sujeição passiva e à responsabilidade, diante do fato de ter a Fiscalização lançado o crédito tributário e responsabilizado todas as Sócias da Empresa fiscalizada e seu Liquidante. Consta dos Recursos Voluntários que, não obstante ter sido regular a dissolução da empresa AMMC, não teriam os Recorrentes participado de qualquer ato relacionado ao fato gerador e às infrações descritas, não podendo ser responsabilizados pelo crédito exigido. Verificase dos Autos de Infração que fora eleito como sujeito passivo a empresa AMF Empreendimentos e Participações S. A. (AMF) (vide fls. 02, 03 e CSLL fls. 26): Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.152 20 Diante disso, cabe primeiro verificar se correta a identificação do sujeito passivo, dentro do contexto empresarial da Companhia fiscalizada à época dos fatos gerados. Frisese aqui que devese, nessa preliminar, adotar como hipoteticamente procedente as demais acusações trazidas pela Fiscalização, visando confirmar a correção jurídica e coerência no apontamento da sujeição passiva da empresa AMF, dentro da própria argumentação construída e empregada no lançamento. Nesse sentido, a efetiva ocorrência ou não de dissolução irregular e a fundamentação da responsabilidade tributária atribuída aos demais autuados não serão analisadas. Pois bem, como visto, mesmo estando a fiscalizada AMMC Investimentos e Participações S. A. sob liquidação quando dos fatos geradores (liquidação extrajudicial de 09/08/1996 até 29/03/2012 e, posteriormente, em liquidação ordinária, que, de fato perdurou um único dia até sua dissolução em 30/03/2012, como datada a Ata de Assembléia arquivada na Junta Comercial de Pernambuco em 03/04/2012) a Fiscalização entendeu por eleger como sujeito passivo seu sócio majoritário. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.153 21 Confirase a fundamentação para a escolha da AMF Empreendimentos e Participações S. A. como sujeito passivo: 57. De todo o exposto e arrazoado, as irregularidades fiscais identificadas por esta fiscalização serão tributadas e cobradas nas pessoas dos responsáveis tributários da empresa dissolvida irregularmente, sendo lançados os autos de infrações contra a pessoa do sócio majoritário controlador – AMF Empreendimentos e Participações S.A.; e, tendo como responsáveis tributários solidários as demais pessoas acima identificadas. (destacamos fls. 59) Como se observa, o fundamento geral e abrangente para a responsabilização de todos os Sócios e mesmo o Liquidante foi, clara e expressamente, a suposta dissolução irregular (ainda que tenha permanecido por 16 anos em liquidação extrajudicial, promovida pelo BACEN), acusação essa que até possui tópico específico no TFV, integralmente reproduzido no relatório supra. Porém, a razão e a motivação da identificação específica da AMF como sujeito passivo é o simples fato desta ser o sócio majoritário e controlador, sem, inclusive, invocar dispositivo legal para fundamentar tal eleição. É certo que no período de liquidação de uma sociedade, a responsabilidade por saldar os débitos, satisfazendo os credores, cabe ao Liquidante, controlando a destinação do patrimônio, revestindose de verdadeiro administrador. Analisando inicialmente os ônus e as prerrogativas do liquidante na seara do Direito Comercial, confirase a dicção dos arts. 210, 211 e 217 da Lei das S/A: Deveres do Liquidante Art. 210. São deveres do liquidante: I arquivar e publicar a ata da assembléiageral, ou certidão de sentença, que tiver deliberado ou decidido a liquidação; II arrecadar os bens, livros e documentos da companhia, onde quer que estejam; III fazer levantar de imediato, em prazo não superior ao fixado pela assembléiageral ou pelo juiz, o balanço patrimonial da companhia; IV ultimar os negócios da companhia, realizar o ativo, pagar o passivo, e partilhar o remanescente entre os acionistas; Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.154 22 V exigir dos acionistas, quando o ativo não bastar para a solução do passivo, a integralização de suas ações; VI convocar a assembléiageral, nos casos previstos em lei ou quando julgar necessário; VII confessar a falência da companhia e pedir concordata, nos casos previstos em lei; VIII finda a liquidação, submeter à assembléiageral relatório dos atos e operações da liquidação e suas contas finais; IX arquivar e publicar a ata da assembléiageral que houver encerrado a liquidação. Poderes do Liquidante Art. 211. Compete ao liquidante representar a companhia e praticar todos os atos necessários à liquidação, inclusive alienar bens móveis ou imóveis, transigir, receber e dar quitação. Parágrafo único. Sem expressa autorização da assembléiageral o liquidante não poderá gravar bens e contrair empréstimos, salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis, nem prosseguir, ainda que para facilitar a liquidação, na atividade social. (...) Responsabilidade na Liquidação Art. 217. O liquidante terá as mesmas responsabilidades do administrador, e os deveres e responsabilidades dos administradores, fiscais e acionistas subsistirão até a extinção da companhia. O Prof. Modesto Carvalhosa1 assim comenta sobre a responsabilidade: Se a partilha do acervo entre os acionistas foi efetuada sem o pagamento de alguns credores por culpa ou dolo do liquidante, ficará este sujeito à ação de perdas e danos por parte dos credores não satisfeitos. Tal lição é muito pertinente ao caso, pois traz a mesma hipótese de ocorrência que a Fiscalização se valeu para afirmar a ocorrência de dissolução irregular da Empresa fiscalizada: 1 Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. Vol. 4. Tomo I. São Paulo : Saraiva, 1999. p. 186. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.155 23 41. Ou seja, para haver a dissolução regular há que se ter encerrada a liquidação, com a satisfação dos direitos creditórios de terceiros em face da sociedade, e a promoção da baixa da empresa nos órgãos de registro. 42. Na situação de existência de débitos tributários conhecidos ou que deveria sêlo, à época do encerramento, ou constituídos de ofício, a posteriori, se caracteriza a dissolução irregular da sociedade, por infração às leis fiscal e societária. (destacamos fls. 57) Fazendo um breve parênteses, aqui é necessário lembrar que, em 30 de março de 2012, quando da dissolução da empresa AMMC, os presentes débitos, ora sob exigência, não possuíam a natureza de direito creditório propriamente dito, vez que a fiscalização que culminou na lavratura das presentes Autuações só teve início em 2014 (não podendo se falar em crédito tributário constituído antes do lançamento de ofício, mas apenas em obrigações tributárias as quais só foram apontadas como inadimplidas após o término da Ação Fiscal). E nesse mesmo sentido, naquela data da dissolução, a Companhia possuía Certidão Negativa de Débitos Tributários, sendo a lisura fiscal um dos requisitos expressamente atendido e reconhecido na expedição do AtoPresi BACEN nº 1.216, de 29 de março de 2012 (vide fls. 98). Prosseguindo, tendo em vista que à época dos fatos geradores (anocalendário 2011 e 1º trimestre de 2012, até sua dissolução) a empresa AMMC encontravase em liquidação, qualquer irregularidade nesse procedimento seria de responsabilidade do Liquidante seja em relação à satisfação de débitos ou da regularidade baixa da sociedade. Oportunamente, verifiquese a interpretação da própria Receita Federal do Brasil no comentário do Perguntas e Respostas Exercício 20122 sobre tal hipótese: 011 Quais as responsabilidades que permanecem na liquidação de uma pessoa jurídica? A responsabilidade durante o período de liquidação cabe ao liquidante, a quem compete, exclusivamente, a administração da pessoa jurídica, acumulando as mesmas responsabilidades do administrador. Os deveres e responsabilidades dos administradores, conselheiros fiscais e acionistas (dirigentes, sócios ou titular) subsistirão até a extinção da pessoa jurídica. 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2012/caputuloivresponsabilidadenasucessao2012.pdf Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.156 24 Os sócios, nos casos de liquidação de sociedade de pessoas, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (destacamos) A própria orientação pública disponibilizada pela RFB à sociedade esclarece que, no caso de liquidação, a figura a ser responsabilizada pelos atos da sociedade não é a do sócio, mesmo sendo sócio majoritário controlador, mas sim do Liquidante. Ainda que versando sobre outros tributos, mas tratando da mesma matéria de sujeição passiva, nesse sentido decidiuse no Acórdão nº 2302003.012, proferido pela C. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, de votação unânime e relatoria do I. Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, publicado em 10/06/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2007 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES DA EMPRESA. NÃO IMPLICAÇÃO. Não existe previsão legal que fundamente a afirmação de que os contratos de trabalho se encerram, automaticamente, quando decretada a liquidação. Também não ão existem documentos nos autos que comprovem a rescisão dos contratos de trabalho. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. TERMO INICIAL. FIXAÇÃO. O termo inicial foi fixado, pela autoridade competente, na portaria que decreta a liquidação extrajudicial, em atendimento a dispositivo legal vigente. Correto, portanto, sua utilização pelo Fisco. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. RESPONSABILIDADE. Os liquidantes somente responderão pelos atos praticados no período de sua gestão. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL JUROS E MULTA. INCIDÊNCIA. As entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas, pelo que é correta a incidência de acréscimos legais sobre os tributos não recolhidos no prazo. Recurso Voluntário Negado (destacamos) Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.157 25 Diante de tais argumentos, fica claro que, simplesmente ser o sócio majoritário de companhia liquidada e dissolvida não é condição e nem fundamento para a sujeição passiva em relação a fatos geradores e infrações ocorridas no período da liquidação. Com exceção da sociedade de pessoas, a Lei Tributária somente responsabiliza os sócios quando demonstrada e comprovada a sua participação em atos ilegais (que não se confundem com inadimplemento de obrigação tributária) ou praticados com violação ao disposição em estatuto ou contrato social. Então, a identificação de AMF Empreendimentos e Participações S. A. como sujeito passivo apresentase equivocada, contrária à legislação de regência e à interpretação pública veiculada pelo próprio órgão arrecadador. Ainda que se entenda ser mero formalismo a eleição de um dos sócios para nominalmente figurar como sujeito passivo, o equívoco prevalece, pois deveria dentro da própria lógica e consequências jurídicas dos fundamentos utilizados pelo Fisco ter sido lavrado o auto contra o Liquidante (e não contra qualquer um de seus sócios, mesmo o majoritário). Por consequência, estáse diante de erro na identificação do sujeito passivo. Ressaltese que não se esta afirmando que, no presente caso, concretamente, o Liquidante tem responsabilidade sobre os créditos tributários exigidos, vez que tal constatação demandaria a verificação de procedência da infração de dissolução irregular da sociedade liquidada e outras acusações constantes do TVF. Como anteriormente ressalvado, até aqui analisouse apenas a correção do lançamento, dentro dos termos e fundamentos em que procedido pela Autoridade Fiscal. O art. 142 do CTN, que traz os elementos necessários do lançamento do ofício válido, claramente arrola a identificação do sujeito passivo como requisito fundamental desse ato/procedimento administrativo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.158 26 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destacamos) A falta de atendimento de algum destes requisitos ou a presença de equívoco substancial, relacionado à realidade dos fatos ou ao seu respectivo regramento legal, configura vício material, acarretando nulidade do lançamento de ofício, não podendo ser sanado ou convalidado no curso do processo administrativo, devendo a Administração Tributária proceder à lavratura de nova autuação, como se a primeira não tivesse existido. Confirmando a hipótese de equívoco na identificação do sujeito passivo como vício material, o qual implica na anulação do lançamento, confirase o Acórdão nº 9101 002.536, prolatado pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de votação unânime e relatoria da I. Conselheira Cristiane Silva Costa, publicado em 22/02/2017: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ART. 142, DO CTN. ARTS. 10, E 59, DO DECRETO 70.235/1972. Recurso especial conhecido diante da similitude fática com acórdãos paradigmas que tratam da nulidade de lançamento por violação ao artigo 142, do CTN e 10, 11 e 59, do Decreto nº 70.235/1972. NULIDADE DO LANÇAMENTO . VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. Definese como vício formal a omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, na forma do artigo 2º, parágrafo único, alínea b, da Lei nº 4.717/65. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE MATERIAL. A identificação equivocada do sujeito passivo é causa de nulidade material do lançamento (destacamos) Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.159 27 Posto isso, tal demonstração e argumentos já bastam para anular o lançamento por presença de vício material. Mesmo que se entenda de forma diversa, podendo até se alegar que o liquidante ordinário, Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho, foi efetivamente arrolado na autuação, ainda como Responsável Solidário por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato ou Estatuto, tal manobra, também, não se apresenta adequada no que tange à identificação correta do sujeito passivo. Nesse sentido, observase das Autuações e do TVF que a primeira infração, referente à suposta exclusão indevida do cálculo do Lucro Real de valores da quitação da dívida do PROER, foi apurada no anocalendário de 2011 e as outras duas infrações (exclusão de valores de multa e juros, reduzidos pelo mesmo benefício para a quitação de dívida com o BACEN e aproveitamento do prejuízo e base de cálculo negativa superior a 30%) no primeiro trimestre de 2012 (de 01/01/2012 a 31/02/2012). Em relação ao anocalendário de 2011, o Banco Mercantil (AMMC) ainda encontravase em liquidação extrajudicial, por determinação do Banco Central. Pela documentação acostada nos autos pela própria Autoridade Fiscal, verificase a indicação de duas outras pessoas como liquidantes responsáveis pela sociedade no período, sendo uma delas o Sr. Nilvan de Azevedo Correia Vasconcelos, nomeado pelo próprio BACEN, pelo AtoPresi nº 562 de 09/08/1996: Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.160 28 (fls. 97) Como já relatado, a liquidação extrajudicial apenas cessou em 29/03/2012, através do AtoPresi nº 1.216. Neste ato, quando decretase o fim da responsabilidade do liquidante, mencionase uma segunda outra pessoa como tal, o Sr. Marcos Antonio Siqueira Leite, que, ao seu turno, foi nomeado inicialmente sob a rubrica de interventor pelo AtoPresi nº 356 de 11/08/1995. Confirase tais documentos: (fls. 98) Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.161 29 (fls. 96) Ainda que confusa a sua relação com a Companhia em liquidação, o Sr. Marcos Antonio Siqueira Leite aparece em documentação oficial, arquivada na Junta Comercial estadual em dois documentos, um de 14/09/2009 (Ato de comunicação de mudança de endereço) e outro de 16/02/2012 (Assembléia Geral Extraordinária): (fls. 102) Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.162 30 (fls. 105) Diante disso, mesmo havendo certa obscuridade nas investigações e na documentação acostada pela Fiscalização, inicialmente fica claro que quem real e efetivamente ocupava o cargo de liquidante (extrajudicial) até 29/03/2012 (praticando atos perante a JUCEPE e sendo, inclusive, dispensado por ato oficial do Banco Central) era o Sr. Marcos Antonio Siqueira Leite. Por sua vez, o Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho foi eleito, internamente pela Companhia, na Assembléia Geral de 16/02/2012 para exercer o cargo de liquidante ordinário, mas ainda dentro de um contexto de propositura ao Banco Central de encerramento da liquidação extrajudicial, que somente veio a ocorrer e ser oficializada em 29/03/2012, como acima colacionado. O Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho, juridicamente, exerceu sua função de liquidante ordinário a partir de 30/03/2012, após a edição AtoPresi nº 1.216 do BANCE (que dispensou o liquidante anterior e cessou a liquidação extrajudicial), permitindo a realização de Assembléia Geral de Encerramento da Companhia: Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.163 31 (fls. 110) Em relação ao período colhido nas Autuações, o Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho figurou como administrador responsável da AMMC por apenas 2 dias, até o encerramento do 1ª trimestre de 2012. Posto isso, praticamente na totalidade do período em que ocorreram os supostos fatos geradores e infrações tributária que sustentam o lançamento a administração e a responsabilidade da sociedade encontravase a cargo de outro liquidante (ou até de outros, se considerada a nomeação do Sr. Nilvan de Azevedo Correia Vasconcelos, que consta de documento oficial do BACEN, mas não foi investigada ou esclarecida pela Autoridade Fiscal). Como visto anteriormente, a responsabilidade de administração das empresas em liquidação é do liquidante, devendo este ser responsabilizado pelos fatos ocorridos durante seu período de gestão. Não mostrase correta e adequada a inclusão apenas do liquidante ordinário como responsável, principalmente em relação aos débitos referentes ao anocalendário de 2011, encerrado em 31 de dezembro (período em que, por nomeação do próprio BACEN, outra pessoa figurava como liquidante). E, em relação ao 1º trimestre do anocalendário de 2012, ainda que no momento final desse período colhido o Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho realmente figurasse como liquidante ordinário (por apenas 2 dias), tal fato não exime completamente o outro liquidante extrajudical que, documental e inquestionavelmente, estava à frente da gestão da companhia até 29/03/2012. Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10480.720281/201511 Acórdão n.º 1402002.751 S1C4T2 Fl. 1.164 32 Na descrição das infrações, apenas mencionase expressamente no relato da terceira infração (aproveitamento de prejuízos e base de cálculo negativa acima de 30%) que tal manobra deuse pela declaração retificadora, transmitida após o encerramento do 1ª trimestre do anocalendário de 2012. Assim, mesmo que se entenda que o período de responsabilidade tributária pelos fatos geradores ocorridos se resume e comprimisse à data da transmissão das declarações, apenas essa última infração (referente à trava de 30%) poderia ser totalmente atribuível ao período de responsabilidade do Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho (pois apontase ser esta fruto de retificação). Ora, o nome do Sr. Marcos Antonio Siqueira Leite (e mesmo o do Sr. Nilvan de Azevedo Correia Vasconcelos) não consta em momento algum do TVF, bem como, não houve qualquer investigação por parte da Autoridade Fiscal no sentido de averiguar sua responsabilidade na ocorrência dos supostos débitos exigidos. Tal falha de averiguação, mesmo diante de documentos oficias do BACEN, acostados aos autos, responsabilizando outra pessoa pela administração da empresa na maior parte do período colhido, somado a tudo aquilo já exposto, reforça e confirma a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, configurando a existência vício material e necessidade de anulação do lançamento de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, em face da constatação de erro na identificação do sujeito passivo, configurando vício material, anulandose por completo o lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012253/2008-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS ALUGADOS POR EMPREGADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA. RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS.
Integram o salário-de-contribuição os valores pagos com habitualidade aos empregados a título de aluguel de seus veículos, decorrentes da relação laboral com a empresa, quando as despesas incorridas na sua utilização não são comprovadas.
Numero da decisão: 9202-006.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer das contrarrazões do contribuinte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS ALUGADOS POR EMPREGADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA. RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Integram o salário-de-contribuição os valores pagos com habitualidade aos empregados a título de aluguel de seus veículos, decorrentes da relação laboral com a empresa, quando as despesas incorridas na sua utilização não são comprovadas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.012253/2008-98
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789443
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-006.035
nome_arquivo_s : Decisao_15504012253200898.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 15504012253200898_5789443.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer das contrarrazões do contribuinte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6987499
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733356847104
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-10-09T13:05:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-10-09T13:05:58Z; Last-Modified: 2017-10-09T13:05:58Z; dcterms:modified: 2017-10-09T13:05:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:465637da-2262-4d33-9e3d-d4da4a0406ac; Last-Save-Date: 2017-10-09T13:05:58Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-10-09T13:05:58Z; meta:save-date: 2017-10-09T13:05:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-10-09T13:05:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-10-09T13:05:58Z; created: 2017-10-09T13:05:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2017-10-09T13:05:58Z; pdf:charsPerPage: 1821; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-10-09T13:05:58Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 732 1 731 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.012253/200898 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.035 – 2ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria 676.434.261 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO VEÍCULO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PROLOGI CONSULTORIA E LOGISTICA EMPRESARIAL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS ALUGADOS POR EMPREGADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA. RESSARCIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. Integram o saláriodecontribuição os valores pagos com habitualidade aos empregados a título de aluguel de seus veículos, decorrentes da relação laboral com a empresa, quando as despesas incorridas na sua utilização não são comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer das contrarrazões do contribuinte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 22 53 /2 00 8- 98 Fl. 732DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal NFLD DEBCAD nº 37.157.0565, à efl. 02, cientificado à empresa contribuinte em 23/07/2008, com relatório do auto de infração às efls. 27 a 35. O lançamento é referente a contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, destinadas a Outras Entidades, denominadas "Terceiros": Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de pagamentos efetuados pela contribuinte a seus próprios segurados empregados, a título de locação de seus veículos, que eram utilizados na realização das tarefas inerentes aos serviços prestados pela fiscalizada. Essas verbas foram entendidas pela fiscalização como sendo de natureza salarial. O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$ 19.809,44, consolidado em 14/07/2009 e referindose ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004. O auto de infração foi impugnado, às efls. 63 a 81, em 21/08/2008. Já a 6ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0224.061, prolatado em 15/10/2009, às efls. 628 a 633, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 30/12/2009, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 638 a 650, argumentando, em apertada síntese: · a atividade da empresa impunha a necessidade de uso de automóveis pelos empregados o que era suprido com três modalidades de aluguel: de empresas especializadas, locação de terceiros e locação dos veículos dos próprios funcionários, sendo essa última uma prática excepcional havida no ano de 2004; · as locações de terceiros não permitem sua caracterização como salário dos funcionários da empresa, pois os valores pagos a esse título eram repassados àqueles; · os contratos englobavam todas as despesas com os veículos, tinham natureza indenizatória não sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias; Fl. 733DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 733 3 · há doutrina e jurisprudência que afirmam que o aluguel de veículos de empregados não pode ser considerado saláriodecontribuição. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 16/05/2012, resultando no acórdão 2402002.723, às efls. 657 a 665, que deu provimento ao recurso e tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LOCAÇÃO PELA EMPREGADORA DE VEÍCULOS DE PROPRIEDADE DOS EMPREGADOS DA EMPRESA. SALÁRIO UTILIDADE. NECESSIDADE DA LOCAÇÃO PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. AUSÊNCIA DE RECIBOS DE DESPESAS INCORRIDAS COM O USO DO VEÍCULO. DESNECESSIDADE EM FACE DO CARACTERIZADO REEMBOLSO DE DESPESAS INCORRIDAS. NÃO INCIDÊNCIA. A locação de veículos dos empregados da empresa, quando demonstrada a necessidade de tal providência para que os serviços venham a ser prestados pelo contratado enseja o entendimento de que os valores pagos, a princípio o são em decorrência da natureza do serviços prestado, e não como retribuição pelo serviço prestado. Não obstante, o fato de não haverem sido carreados aos autos recibos ou comprovantes das despesas incorridas na utilização do veículo para fins de reconhecimento da isenção preconizada pelo art. art. 28, § 9o, alínea “s”, da Lei 8.212/91, fica elidido em razão de que, no presente caso, é o empregado quem fica responsável e assume o risco pelas despesas de combustível, manutenção, taxas, pedágios, dentre outras, inerentes e notórias ao uso do veículo para a prestação dos serviços contratados antes de receber os valores da locação. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. RE da Fazenda Nacional Intimada do acórdão, em 05/02/2013 (efl. 666), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 12/03/2013, manejou recurso especial de divergência àquele acórdão às efls. 667 a 686. O Procurador responsável aponta divergência quanto à incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores referentes pagamentos aos empregados por aluguéis de veículos próprios para execução de serviços no interesse do empregador. Defende essa divergência em face do acórdão paradigma nº 2301002.790 que, para situação fática similar, considerando que se trata de um “contrato” no âmbito de uma relação de emprego, entendeu que, para a devida configuração do caráter indenizatório a que faz alusão o art. 28, § 9º, “s”, da Lei nº 8.212/91, exigese como condição a comprovação efetiva de que se destinaram tais verbas a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa. Esse posicionamento diverge do entendimento do acórdão recorrido, Fl. 734DF CARF MF 4 que entendeu desnecessária a demonstração pelo contribuinte de que se destinaram as verbas pagas a título de locação de veículos a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão a quo, restabelecendose o lançamento na sua integralidade. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2400093/2014, às efls. 689 a 693, datado de 22/01/2014. Nesse despacho, o Presidente entendeu por ver reconhecida a divergência apontada, dando seguimento ao recurso especial. Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 702) do acórdão nº 2402002.723, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho que o admitiu em 12/09/2014 (efl. 706), em 16/03/2016 a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Procuradora, às efls. 710 a 721. Representante da contribuinte inicia sua argumentação, protestando pela tempestividade das contrarrazões apresentadas. Alega não ter sido a contribuinte regularmente intimada para apresentação dos argumentos pois apesar de ter requerido expressamente o cadastramento de seus procuradores nas publicações e intimações relativas ao processo, a intimação só se deu por meio de edital. Aduz que, prevalecendo as datas postas em edital para contagem dos prazos, haveria violação das garantias do contraditório e da ampla defesa, bem como do princípio da publicidade. Na sequência, a contribuinte questiona a admissibilidade do recurso especial de divergência da Procuradoria, por três razões: a) não foram apresentados acórdãos paradigmas em sua integralidade, nem cópia do inteiro teor do paradigma, desatendendo os §§ 9º e 11, do art. 67 do Anexo II do RICARF; b) não houve indicação, com precisão e clareza, da matéria e legislação prequestionada e de quais seriam os pagamentos de aluguéis de veículos sujeitos à tributação no processo, sendo necessário para isso nova análise de toda a prova do processo; e c) falta de similaridade fática, pois o paradigma trata de caso em que não houve comprovação de despesas, enquanto o recorrido estão demonstradas as despesas com locação e utilização dos veículos para trabalho. Além disso, no mérito, argumenta que os pagamentos de locação eram para a realização de serviço, tendo característica de ressarcimento pelo uso e desgaste dos veículos, até mesmo com cláusulas de adicionais por quilômetro rodado, para os profissionais que utilizavam os veículos em maiores distâncias. A autoridade fiscal exige que a contribuinte faça prova de os aluguéis "não tinham natureza ressarcitória", prova negativa, combatida pela jurisprudência brasileira.Assim, a fiscalização descumpriu seu ônus probatório para fins de lanaçmento, definido no art. 142 do CTN. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 734 5 Por fim, requer que não seja admitido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou, alternativamente, que lhe seja negado provimento para manter integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento Inicialmente, cabe ressaltar que a própria contribuinte, apesar de protestar pela tempestividade de suas contrarrazões, admite por decorrência lógica, sua intempestividade. Não há qualquer irregularidade na intimação realizada por meio de edital, após tentativa frustrada da intimação por meio postal da contribuinte em seu endereço cadastral. O art. 23 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, assim regula a matéria: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 736DF CARF MF 6 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alíneaa; ou(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3oOs meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5oO endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6oAs alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 737DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 735 7 Às efls. 703 e 704 podese observar que houve a remessa postal para o endereço cadastral da contribuinte, tendo a entrega sido frustrada em 13/08/2014, em face de informação de que a contribuinte teria se mudado. Caberia à contribuinte a manutenção de seus dados cadastrais atualizados junto à RFB, mormente mediante da pendência processual existente. Improficua a intimação por meio postal, foi publicado em 28/08/2014 o edital eletrônico nº 000648775 (efl. 706), no molde do inc. I do § 1º do art. 23, acima transcrito. Assim, em 12/09/2014, foi a contribuinte considerada regularmente cientificada, tanto do acórdão quanto do recurso especial de divergência da Procuradoria. Salientese que não há no Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, previsão de intimação de procuradores dos atos do processo. Assim, ainda que em outro processo tenha sido dada ciência de algum ato diretamente ao advogado procurador da contribuinte, isso não tem o condão de vincular a administração pública em outros processos, por falta de previsão normativa nesse sentido. Assim sendo, quando a administração tributária cumpre os requisitos do Decreto nº 70.235/192, para tramitação do processo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ou qualquer ato eivado de vício cominável de nulidade. Nesse sentido, já existe acórdão do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido: MUDANÇA DE ENDEREÇO Não é inquinada de nulidade a intimação postal se o contribuinte não comunicou ao Fisco a alteração de endereço ou a sua baixa por dissolução da sociedade, de sua inscrição cadastral perante o órgão público. De sua desídia não pode advir vantagem para si. (Acórdão n.° 1073.326, publicado no DOU de 22/01/1997) Sendo assim, entendo que não devam ser conhecidas as contrarrazões da contribuinte por terem sido apresentadas intempestivamente. E, ainda que suscitado o não conhecimento de ofício, isso não alteraria meu entendimento em relação ao caso em litígio. Senão vejamos. Quanto ao suposto desatendimento aos requisitos para admissão do recurso especial de divergência do Procurador, entendo que não tem razão a contribuinte, pelos seguintes motivos: a) às efls. 670 e 671, encontrase a reprodução integral do acórdão paradigma, seguido de todas suas ementas, também na íntegra, em nada desatendendo ao disposto nos §§ 7º e 9º do art. 67 do RICARF vigente à época da interposição do recurso especial; b) quanto à precisão e clareza, não vislumbramos qualquer defeito, foi apresentada a comparação analítica dos acórdãos paradigma e recorrido, não cabendo discutir se a matéria foi prequestionada, relativamente ao recurso da Procuradoria, haja vista inexistir esse requisito regimental, outrossim, análise de prova não há que ser feita no recurso, por descabida; Fl. 738DF CARF MF 8 c) discordo da afirmativa de que inexista similitude fática entre o recorrido e o paradigma, pois a similitude fática não tem que corresponder a situação idêntica em matéria probatória, que me parece ser a pretensão da contribuinte. Na verdade, entendo que a similitude fática decorre de ambos abordarem a necessidade de comprovação das despesas com a utilização de veículo próprio, decorrente da definição de remuneração e saláriodecontribuição existente na legislação da previdência social. Seja como ressarcimento das despesas, seja como indenização ou mesmo como aluguel, o que se discute é se os valores das despesas têm que ser comprovados, por exigência da legislação. O acórdão recorrido dispensou tal comprovação, o paradigma não dispensa. Assim, entendo presente a divergência de entendimentos para situações fáticas similares. Mérito A discussão se prende à ausência de provas sobre as despesas que levaram ao pagamento, a título de aluguel de veículos dos empregados para o empregador, em razão da prestação de serviços. A contribuinte afirma que tais pagamentos não têm natureza remuneratória e o acórdão recorrido, em sua ementa, trata os pagamentos como reembolso por despesas incorridas em razão dos serviços prestados. O conceito de reembolso utilizado no acórdão recorrido se vincula à devolução de valores pelo empregador em razão de pagamentos de despesas próprias do empregado, ou seja, é um conceito análogo ao de ressarcimento de valores. O acórdão recorrido aceitou que tais aluguéis fosses afastados do conceito de saláriodecontribuição tais valores, baseado, em resumo: a) na necessidade de que os veículos fossem locados para que os serviços da empresa fossem prestados, e b) em que o empregado fica responsável por assumir os riscos pelas despesas de combustível manutenção, taxas, pedágios e outras, inerentes e notórias ao uso do veículo, antes mesmo de receber os valores contratados. Analisemos o que foi tomado como fato pelo relator do voto do acórdão a quo, à efl. 663, onde afirma: Pois bem, o contrato em conjunto com o objeto social da recorrente de fato retrata que os veículos locados eram necessários para a execução de serviços habituais. Além disso, verificase que o valor da locação fixado entre as partes já englobava todas as despesas de manutenção, gastos com combustível dentre outros, sendo pagos no mês subseqüente ao do aluguel incorrido. Ou seja, desta forma, independentemente do valor das despesas relativas ao veículo incorridas no mês de maio, por exemplo, somente em junho é que o empregado, no caso locador, as recebia, no limite máximo de R$ 550,00 (quinhentos e cinqüenta reais) por mês. Logo, em sendo recebidas somente no mês posterior ao aluguel dos veículos, não há de se falar em qualquer adiantamento de valores pagos. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 736 9 Ou seja, havia habitualidade de pagamentos, não antecipados em relação à prestação de serviços, mas posterior ao mês de execução deles; diferentemente do que entende a contribuinte. Logo, o referido aluguel decorria da relação laboral entre empresa e empregados, distintamente da locação de terceiras empresas locadoras. Informa também o relator, à efl. 664: Além disso, o contrato firmado entre as partes determina expressamente que o veículo locado deve ser mantido à disposição da Locatária, quem pode, inclusive, levar a efeito vistorias e reprovar o uso do veículo, rescindindo a locação. Exige, ainda, do locador, o preenchimento de um relatório mensal de veículos, que fez juntar ao presente processo, no qual se verifica que são registrados horários de saída do veículo, chegada, destino e quilometragem rodada. Ou seja, há obrigações contratuais, com controles de horários de chegada e saída e quilometragem rodada, elementos de vinculação quanto ao uso do veículo; ninguém nega que o aluguel realizado com a pessoa física do empregado só existia em razão de seu vínculo empregatício. Tomando a despesa como certa e seu valor como aquele definido em contrato, os pagamentos teriam a característica de ressarcimento apesar da incerteza quanto aos gastos, que poderiam ser maiores, iguais ou menores que os contratados. Assim, verificamos: a existência de pagamentos, em razão da relação de trabalho entre empresa e empregado, mas o que se discute é a natureza desses pagamentos. No acórdão recorrido, esse pagamento é tratado como um aluguel, visando reembolso de despesas dos próprios empregados, em razão dos serviços prestados. Estabelecida a situação de fato, passemos à análise da legislação envolvida. Desde início, cabe salientar que recentemente, em 29/03/2017, o STF, em acórdão1 no RE nº 565.160, com repercussão geral, no qual apreciou o alcance do termo "remuneraçao", já afirmou a seguinte tese: CONTRIBUIÇÃO – SEGURIDADE SOCIAL – EMPREGADOR. A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, a qualquer título, quer anteriores, quer posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998 – inteligência dos artigos 195, inciso I, e 201, § 11, da Constituição Federal. Logo, só se afasta do conceito de saláriodecontribuição aquelas parcelas que não se enquadrem na legislação que tributa os fatos geradores da previdência social, em particular as definições contidas nos arts. 22, inc. I, da Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos 1 http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13413144 Fl. 740DF CARF MF 10 segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (Negritei.) Ou seja, a remuneração não se limita tão somente ao conceito de salário do direito do trabalho, vai além disso. Ganhos não eventuais e não indenizatórios, decorrentes da relação de trabalho, são considerados remuneração para fins de tributação da contribuição social previdenciária dos empregados. Excepcionalmente, o artigo 28 da lei afasta da incidência tributária, em seu § 2º, um rol de pagamentos e benefícios seja em dinheiro seja in natura, ou seja em utilidades , do conceito de saláriodecontribuição. Esse rol está definido no § 9º do art. 28 daquela lei, com a seguinte redação: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 737 11 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 742DF CARF MF 12 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior;(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 738 13 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura.(Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012) Nenhuma das exclusões acima abrange os ditos pagamentos de aluguel de veículo do funcionário. Ora toda a argumentação desenvolvida pela contribuinte, e mesmo no acórdão recorrido, vai no sentido de que haveria uma despesa com os veículos, sendo eles necessários à realização do trabalho. Isso não foi contestado pela fiscalização, o que ela afirma em seu relatório é (efls. 28 e 29): 7. A fiscalização solicitou à empresa documentação demonstrando as despesas realizadas pelos empregados com seus veículos através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD de 15/05/2008. Foi constatado que, apesar de o veículo ficar em poder do empregado da empresa, não foi apresentada documentação que comprove uma prestação de contas, um controle da quantidade de quilômetros rodados por cada veículo. A inexistência de documentação que discrimine as despesas realizadas pelos empregados com os veículos locados faz concluir que a auditada não tem controle sobre o uso da coisa por ela locada. Pode o empregado utilizar se do veículo do modo que lhe convier, tanto para a execução do trabalho como para o seu uso pessoal. 8. Relativamente ao valor pactuado nos contratos de locação, cabem algumas considerações. 9. O valor mensal acordado pela locação entre a auditada (locatária) e o empregado, na condição de suposto locador, é, em média, equivalente a 59% do valor do salário mensal do trabalhador. (...) 13. Ressaltamos que, o fato de a empresa denominar as parcelas pagas como parcelas do contrato de locação não modifica sua natureza jurídica de remuneração, visto que tal valor acresceu o patrimônio do empregado, tendo sido concedido como um plus na sua remuneração em decorrência do vínculo laboral. (Sublinhado no original, negritei.) Ora, existem créditos a título de pagamento, decorrentes da relação trabalhista, que não podem ser considerados ressarcimentos, pois carecem de comprovação das despesas incorridas, haja vista serem valores fixos pagos por contrato. A vestimenta jurídica dada a esses pagamentos, contrato de aluguel de veículo, não muda a sua natureza tributária, como bem afirmou a agente fiscal em seu relatório, Fl. 744DF CARF MF 14 com base no art. 4º do CTN2. Por isso, no meu entender, não há como afastar tais créditos ou pagamentos do conceito de saláriodecontribuição. Outrossim, existem indícios no autos que demonstram como os valores pagos, sem que se demonstre as despesas incorridas, podem ser levados a acrescer o patrimônio do empregado. Observase que há contrato de locação de veículo de placas LPV0214, realizado entre a contribuinte e a Sra. Claudia Baptista de Souza, em 15/04/2004 (às efls. 153 a 156), referente a veículo licenciado em 01/2004 (efl. 157), em nome da empresa Azzurra Veículos Ltda, com nota fiscal de aquisição por Claudia, emitida em 06/04/2004 (efl. 158), com alienação fiduciária. O mesmo se verifica para os documentos às efls. 167 a 170 para outro contrato, celebrado com Décio dos Santos Farias. Ou seja, esses empregados da contribuinte alugavam veículos que acabaram de adquirir, o que poderia ser possibilitado, pelo menos em parte, pelas prestações pagas pela empresa, a título de aluguel, em relação aos mesmos veículos. Com a devida vênia, isso deixa claro como os discutidos aluguéis de veículos poderiam até mesmo refletir acréscimo ao patrimônio dos locatários, e não apenas pagamento de despesas incertas, diferentemente do que entende o relator do acórdão recorrido. De outra banda, caso houvesse comprovação das despesas, essas poderiam ser deduzidas como valores ressarcíveis e afastados da tributação. Em suma, quando não existe comprovação das despesas, impossível falarse em ressarcimento e afastar a natureza remuneratória dos valores pagos. Não o fazendo, tais pagamentos sujeitamse ao auto de infração lançado. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, dandolhe provimento para reformar integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos 2 Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15504.012253/200898 Acórdão n.º 9202006.035 CSRFT2 Fl. 739 15 Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721134/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/04/1999 a 31/01/2004
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/04/1999 a 31/01/2004 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.721134/2011-71
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5814582
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.795
nome_arquivo_s : Decisao_10850721134201171.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10850721134201171_5814582.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7077127
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733365235712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.721134/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.795 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria Compensação Recorrente G. V. HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/1999 a 31/01/2004 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 11 34 /2 01 1- 71 Fl. 1497DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.843 fls. 1.063/1.070) nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/1999 a 31/01/2004 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/1999 a 31/01/2004 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10850.721134/201171 Acórdão n.º 3402004.795 S3C4T2 Fl. 3 3 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. O mérito da compensação realizada 7. A juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a sua origem decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Fl. 1499DF CARF MF 4 8. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 9. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tãosomente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 11. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 1500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904883/2011-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
PROVAS. INSUFICIÊNCIA.
As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 3001-000.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10640.904883/2011-16
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5820835
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.105
nome_arquivo_s : Decisao_10640904883201116.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 10640904883201116_5820835.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7085938
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733370478592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.904883/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.105 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria Declaração de Compensação COFINS Recorrente VICENTE ROBERTO DE CARVALHO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 48 83 /2 01 1- 16 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 18/01/2008, transmitiu PER/DCOMP nº 08825.76343.180108.1.3.041512 declarando a compensação de débito de IRPJ referente ao 4º Trimestre/2007, com crédito da COFINS (cód. 5856), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 01/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Juiz de Fora em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (Fls. 39), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo, código 5856. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 5), justificando que: 1 – esqueceuse de lançar alguns créditos a seu favor para o período de apuração 01/2005, tendo sido refeita a DACON e retransmitida a RFB; 2 – essa nova apuração resultou para a competência 01/2005, um valor devido de COFINS, código 5856, no montante de R$ 16.317,08. Porém, já havia sido recolhido, de forma indevida, via DARF, o valor de R$ 23.838,56. Dessa forma, cuidou de fazer a compensação via PER/DCOMP do crédito resultante no valor de R$ 7.521,48; 3 – concluindo pugna pela homologação da compensação pleiteada, com reconhecimento do credito e extinção do débito relacionado; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos podem ser assim resumidos; 1 existem duas DACON para o primeiro trimestre de 2005 com valores diferentes, o primeiro com o valor devido para o PA 01/2005 de R$ 23.838,56 e o segundo de R$ 16.317,08, porém, uma só DCTF declarando o valor de R$ 23.838,56 para o PA 01/2005; 2 sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição do crédito tributário, não há como superar a informação ali apresentada sem prova material contundente, em respeito ao parágrafo único do art. 142 do CTN. Isso porque, a DACON constitui mero demonstrativo de informações sobre os fatos geradores de tributos e os respectivos procedimentos de cálculo para a apuração dos tributos devidos; Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10640.904883/201116 Acórdão n.º 3001000.105 S3C0T1 Fl. 3 3 3 – salientase, inclusive, que mesmo não tendo havido a retificação da DCTF, é possível admitir sua retificação de ofício, nos termos do art. 147, § 2º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966; 4 – o contribuinte não trouxe nenhuma prova material, limitandose a informar que o valor correto é aquele demonstrado em DACON retificadora, o que se restringe a mero indicativo de que o valor foi alterado. Todavia, para se retificar de ofício o valor constituído em DCTF é necessário, na linha da legislação de regência, prova contábil apta a suplantálo; Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls. 66), alegando que tentou fazer a transmissão de DCTF retificadora, mas não foi aceito pelo sistema da RFB e que a prova mais eficiente, neste caso, data vênia, é a própria apuração do tributo devido constante da DACON. Aguarda o arquivamento do processo via extinção da exigência fiscal contida no Despacho Decisório. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Não assiste razão a recorrente. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/CTA tratou adequadamente a matéria, expondo de forma clara e objetiva suas razões de decidir, com citação dos dispositivos que tratam do tema, inclusive, com orientações de como proceder em casos como esse que aqui se discute. A recorrente limitase a justificar como suficiente para provar seu direito creditório a DACON retificadora, sem mais nada para corroborar esse fato, como os registros contábeis e fiscais. Como já dito pelo julgador singular, a própria legislação tributária prevê a necessidade de a contribuinte apresentar DCTF retificadora sempre que eventual retificação da DACON acarretar na modificação dos valores declarados em DCTF. Para esse caso citase a Instrução Normativa SRF nº 543, de 20/05/2005, “verbis”: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (destaques não constam do original) Fl. 75DF CARF MF 4 A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), disciplinada à época pela IN RFB nº 786, de 19/11/2007, obriga as empresas a declararem a Receita Federal do Brasil a apuração de seus tributos federais, informando o quanto devido para cada período de apuração. Ficou estabelecido nessa IN, art. 10, o seguinte: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. Apesar dessa prerrogativa prevista no dispositivo acima mencionado, não quer dizer que os valores na DCTF declarados são imutáveis, que não podem ser modificados, para tanto, serve o art. 11 dessa IN: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A simples declaração retificadora com redução de valor já declarado, não representa, por si só, direito a crédito passível de restituição ou compensação, mas sim, o fato que deu causa devidamente suportado em documentos abeis e idôneos, registrados na escrita fiscal e contábil. Esse conjunto probatório é que lhe permite atribuir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. A inciativa de provar a liquidez e certeza ao crédito pretendido em processo de restituição/compensação de tributos federais é do contribuinte. Cabe ao fisco auditálo e atestar sua validade para o fim pretendido, respeitando sempre os princípios da verdade real, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso nenhuma ação da recorrente foi registrada em todo o decorrer do processo, em termos de produção de prova que pudesse contribuir à modificação do despacho decisório. A DACON por sua vez, não tem esse poder de alterar valores declarados em DCTF, nem de atestar como indevido o pagamento efetuado de valor informado em DCTF. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10640.904883/201116 Acórdão n.º 3001000.105 S3C0T1 Fl. 4 5 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904561/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/08/2004
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.744
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/08/2004 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10935.904561/2012-34
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800328
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.744
nome_arquivo_s : Decisao_10935904561201234.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10935904561201234_5800328.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7017292
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733390401536
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-08T16:14:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-11-08T16:14:15Z; Last-Modified: 2017-11-08T16:14:15Z; dcterms:modified: 2017-11-08T16:14:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-11-08T16:14:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-08T16:14:15Z; meta:save-date: 2017-11-08T16:14:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-08T16:14:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-11-08T16:14:15Z; created: 2017-11-08T16:14:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-11-08T16:14:15Z; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-11-08T16:14:15Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.904561/201234 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.744 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS/COFINS Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/08/2004 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 61 /2 01 2- 34 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06045.486, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.904561/201234 Acórdão n.º 3402004.744 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000774/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO SOBRE MESMA BASE FACTUAL.
A anulação do lançamento por vício formal somente se torna definitiva após o trânsito em julgado da decisão que determinou a anulação do lançamento, sendo que, durante a tramitação do respectivo processo, não corre o prazo decadencial para realização do novo lançamento. Se o lançamento sobre
mesma base factual se dá antes do transito em julgado da decisão que anulou o primeiro lançamento, tem-se lançamento em duplicidade, impondo o cancelamento do segundo. Isso porque o segundo lançamento seria condicional à confirmação de anulação do primeiro, o que não é aceito no ordenamento jurídico brasileiro.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.669
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO SOBRE MESMA BASE FACTUAL. A anulação do lançamento por vício formal somente se torna definitiva após o trânsito em julgado da decisão que determinou a anulação do lançamento, sendo que, durante a tramitação do respectivo processo, não corre o prazo decadencial para realização do novo lançamento. Se o lançamento sobre mesma base factual se dá antes do transito em julgado da decisão que anulou o primeiro lançamento, tem-se lançamento em duplicidade, impondo o cancelamento do segundo. Isso porque o segundo lançamento seria condicional à confirmação de anulação do primeiro, o que não é aceito no ordenamento jurídico brasileiro. Recurso de ofício negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10245.000774/2009-68
conteudo_id_s : 5828673
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.669
nome_arquivo_s : Decisao_10245000774200968.pdf
nome_relator_s : Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
nome_arquivo_pdf_s : 10245000774200968_5828673.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
id : 7107737
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733408227328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.000774/200968 Recurso nº 883.549 De Ofício Acórdão nº 1401000.669 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÚBITO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO SOBRE MESMA BASE FACTUAL. A anulação do lançamento por vício formal somente se torna definitiva após o trânsito em julgado da decisão que determinou a anulação do lançamento, sendo que, durante a tramitação do respectivo processo, não corre o prazo decadencial para realização do novo lançamento. Se o lançamento sobre mesma base factual se dá antes do transito em julgado da decisão que anulou o primeiro lançamento, temse lançamento em duplicidade, impondo o cancelamento do segundo. Isso porque o segundo lançamento seria condicional à confirmação de anulação do primeiro, o que não é aceito no ordenamento jurídico brasileiro. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 548DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16004.6O9F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000774/200968 Acórdão n.º 1401000.669 S1C4T1 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, in litteris: Trata o presente procedimento fiscal de reabertura de período e tributo já fiscalizado na pessoa jurídica Súbito Empreendimentos Imobiliários, CNPJ 05.728.561/000125, em razão de ter ocorrido erro formal na informação da data do fato gerador que fora incluído no auto de infração, e correspondente Termo de Verificação Fiscal, decorrente da ação fiscal instituída pelos MPF no 02.6.01.00200600124 e complementares, substituído pelo MPF no 02.6.01.00200800079, conforme Portaria RFB 11.371/2007. 3. De acordo com o determinado pelo art. 906 RIR/99, a reabertura do procedimento fiscal, contidos no processo 10245.003822/200899, com vista a correção especifica do erro formal na lavratura da data do fato r gerador da infração 001 Outros Rendimentos Pagamentos Sem Causa/ Operação Não Comprovada; Falta De Recolhimento do Imposto de Fenda na Fonte sobre Pagamentos sem Causa ou de Operação não Comprovada, com aplicação da multa de oficio QUALIFICADA (150%) em razão da conduta de o contribuinte estar inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71,72 e 73 da Lei no 4.502/64 comprovada pela utilização de documentos inidôneos que caracterizam o evidente intuito de fraude por parte da empresa, conforme prevista no artigo 44 inciso II, da Lei no 9.430/96, encontrase devidamente autorizada pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Boa Vista, autorização por escrito ás folhas no 02. 3. A fiscalizada é uma das 98 (noventa e oito) empresas que apresentam ligação com o "empreendimento WALTER VOGEL", o qual tem sobre si indícios de existência de um esquema de recepção de recursos do exterior, integrado por dezenas de sociedades pertencentes ao Grupo, inclusive a empresa ora fiscalizada, com o intuito de dificultar a atuação dos órgãos de controle e darlhes um caráter legal, motivo pelo qual se faz necessário uma exposição sobre o modo de operação do Grupo conforme relatado no item II. Fl. 549DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16004.6O9F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000774/200968 Acórdão n.º 1401000.669 S1C4T1 Fl. 3 3 Contra o lançamento fiscal, foi apresentada impugnação, tendo a DRJ de Belém considerado nula a autuação, tendo em vista não ter ocorrido o trânsito em julgado da decisão que cancelara a primeira autuação por vício formal. A decisão restou assim ementada, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO NULO LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE DE MATÉRIA AINDA EM FASE DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Verificado que o lançamento original encontrase em litígio, o novo lançamento, com a mesma matéria tributável, é considerado em duplicidade, enquanto não houver decisão administrativa final. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado Tendo o valor exonerado superado o limite de alçada, foi interposto recurso de ofício. É este o relatório, naquilo que relevante. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O valor exonerado supera o limite de alçada, razão pela qual conheço do recurso de ofício. Analisando os documentos constantes dos autos, assim como o sistema de informações processuais deste Conselho, identifico que o lançamento realizado no processo nº 10245.003822/200833 foi considerado nulo por vício formal, nos termos da decisão proferida pelo acórdão nº 0113.598, da 1ª Turma da DRJ de Belém. Essa decisão, por força de lei, ficou sujeita a recurso de ofício, ainda pendente de apreciação no âmbito deste CARF. Fl. 550DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16004.6O9F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000774/200968 Acórdão n.º 1401000.669 S1C4T1 Fl. 4 4 No entanto, antes mesmo da decisão do indigitado processo transitar em julgado, a Autoridade Fiscal lavrou novo auto de infração, constante do presente feito, o que leva à duplicidade de lançamento. Isso porque, antes da análise do recurso de ofício e o trânsito em julgado daquela decisão anulatória, existe a possibilidade de sua reforma, o que conduziria a duplicidade de lançamento. Lado outro, caso se procedesse o julgamento do presente feito em seu mérito, a decisão seria condicionada à manutenção da anulação decidida no processo nº 10245.003822/200833, o que não tem cabida. Por fim, temse que é entendimento pacífico no âmbito deste Conselho que o prazo para novo lançamento, quando o anterior fora anulado por vício formal, tem início com o trânsito em julgado da decisão administrativa que promoveu a anulação do lançamento sob este fundamento. Vejase: DECADÊNCIA LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL. Não se extinguiu o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário, por não ter sido ultrapassado o prazo de cinco anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (art. 172 e inciso II, do CTN). Acórdão nº 10708048 do Processo 107680245009823 DECADÊNCIA Não é caduco o lançamento realizado dentro do prazo qüinqüenal contado da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. NULIDADE DO LANÇAMENTO O auto de infração lavrado com a mesma base factual de lançamento anterior declarado nulo por vício formal pela autoridade julgador é plenamente válido desde que cumpridas os requisitos previstos na legislação. (acórdão nº 10243949) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 551DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16004.6O9F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10245.000774/200968 Acórdão n.º 1401000.669 S1C4T1 Fl. 5 5 Fl. 552DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16004.6O9F. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 29/11/2011 17:31:42. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 29/11/2011. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 28/03/2012 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 29/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0218.16004.6O9F Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0BF46E93C47E9F3D6626BB6C260D647AC9F7641F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10245.000774/2009-68. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000173/2005-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 05/08/2005
ARRENDAMENTO MERCANTIL. COFINS - IMPORTAÇÃO. DOIS FATOS GERADORES.
O art. 3°, I e II, da Lei n° n°l0.865/2004, incide em dois momentos, havendo a ocorrência de dois fatos geradores distintos: 1) a entrada do bem estrangeiro em território nacional e 2) posterior pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. O § 14 do art. 3° da Lei alberga apenas a segunda situação, reduzindo a alíquota da contribuição a zero.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 05/08/2005 ARRENDAMENTO MERCANTIL. COFINS - IMPORTAÇÃO. DOIS FATOS GERADORES. O art. 3°, I e II, da Lei n° n°l0.865/2004, incide em dois momentos, havendo a ocorrência de dois fatos geradores distintos: 1) a entrada do bem estrangeiro em território nacional e 2) posterior pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. O § 14 do art. 3° da Lei alberga apenas a segunda situação, reduzindo a alíquota da contribuição a zero. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11891.000173/2005-70
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5791933
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-004.069
nome_arquivo_s : Decisao_11891000173200570.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11891000173200570_5791933.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6991310
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733455413248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 143 1 142 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11891.000173/200570 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.069 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria COFINSIMPORTAÇÃO Recorrente RONA EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 05/08/2005 ARRENDAMENTO MERCANTIL. COFINS IMPORTAÇÃO. DOIS FATOS GERADORES. O art. 3°, I e II, da Lei n° n°l0.865/2004, incide em dois momentos, havendo a ocorrência de dois fatos geradores distintos: 1) a entrada do bem estrangeiro em território nacional e 2) posterior pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. O § 14 do art. 3° da Lei alberga apenas a segunda situação, reduzindo a alíquota da contribuição a zero. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 01 73 /2 00 5- 70 Fl. 143DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0819.719, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, no qual a impugnação foi dada por improcedente. O presente processo administrativo traz lançamento de COFINSImportação, por falta de recolhimento da contribuição. Consta do auto de infração: A empresa acima identificada importou uma máquina gráfica e solicitou no registro da Declaração de Importação (DI) n° 05/08329463 redução a zero da alíquota da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (CofinsImportação), com base no artigo 8°, § 14 da Lei n°10.865 de 30/04/2004, não recolhendo a contribuição acima citada alegando tratarse de arrendamento mercantil (leasing). Considerando que a lei, ao instituir a contribuição na importação, contempla como fato gerador a entrada de bens estrangeiros no território nacional, não oferecendo, ao nosso ver, condição, restrição ou alternativa que ampare sua descaracterização como fato gerador, uma vez ocorrido; a não ser as hipóteses de não incidência elencadas no artigo 2° da lei em pauta. Considerando ainda, que ë contribuinte o importador, assim entendido a pessoa física ou jurídica que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional, a fiscalização entende, desta forma, não haver óbices ã exigência da contribuição como previsto no artigo 3°, inciso I, da lei acima mencionada, ou seja, tendo como fato gerador a entrada de bem estrangeiro em território nacional. Sendo assim, cobrase a referida contribuição somada aos acréscimos legais devidos. Relata o acórdão recorrido: DA IMPUGNAÇAO Em l9 de agosto de 2005 o sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, vindo a apresentar impugnação em 22 de setembro do mesmo ano (fl. 51/ 122), na qual, após fazer um resumo da autuação, alega, em síntese, o que se segue: · O primeiro equívoco da Autoridade Autuante foi o de estabelecer como fato gerador para a situação em questão o disposto no inciso I do art. 3° Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11891.000173/200570 Acórdão n.º 3301004.069 S3C3T1 Fl. 144 3 da Lei n° Lei n°l0.865 de 30 de abril de 2004, quando, na verdade, por se estar tratando de um arrendamento mercantil, caberia a aplicação do inciso II do mesmo artigo. Deste modo, ocorrendo a importação ou a entrada fisica de bens em território nacional vinculados à execução de serviços contratados junto a terceiros residentes no exterior, só poderse ia considerar como ocorrido o fato gerador em questão quando do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado, pois, nesse caso, a entrada fisica do bem no Pais deve ser considerada mera decorrência da importação de prestação de serviços, mesmo porque essa importação seria em caráter temporário e precário, não se enquadrando como uma importação de bem para consumo; · não há dúvidas, pois, que em relação às operações de importação de bens sob modalidade de arrendamento mercantil, as quais se caracterizam como sendo importação de serviços, o fato gerador das contribuições sociais PIS e COFINS seria aquele insculpido no inciso II do mencionado art. 3° da Lei n° 10.865/04; · acrescentese ainda que, por motivação políticoeconômica, andou bem o legislador ao estabelecer diversas hipoteses de isenção e de reduções de alíquotas a 0 (zero), relacionadas as contribuições em baila; · no presente caso, cabe apresentar o teor do § 14 do artigo 8° da Lei n° 10.865/04, o qual passou despercebido pela Autoridade Autuante: § 14. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições incidentes sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa. (Incluído pela Lei nº 10.925, 2004) (Vigência) · considerandose que o caso em analise, conforme cópia do contrato em anexo, trata de arrendamento mercantil de uma "Máquina automática para grampeação e corte trilareral de revistas e livros, com dobra e com alceamenlo, marca Müller Martini, modelo presto” pelo prazo de 30 meses, contados de 0l de abril de 2005, inexiste qualquer dúvida de que tal operação esteja amparada tanto pelo inciso Il do art. 3°, quanto pelo § 14 do art. 8°, ambos da Lei n° 10.865/04; · querer cobrar PIS e COFINS, no presente caso, com base no art. 3°, I, da Lei n° 10.865/O4, seria um claro caso de bis in idem, o que se sabe não é permitido em nosso ordenamento; · é fato que a redução da alíquota a zero, por levar a efeitos práticos semelhantes aos da isenção ou imunidade (a ausência de pagamento), muitas vezes com estas se confunde, o que, de acordo com a melhor doutrina, não pode ocorrer; Fl. 145DF CARF MF 4 · “Dessa forma é que caem por terra todos os argumentos utilizados para sustentar o entendimento exatório fixado pela Autoridade Fiscal, uma vez que carecem esses de melhor técnica e rigor juridico, não restando dúvidas, assim, de que as hipóteses previstas no art. 3° da Lei n° 10.865/04 são EXCLUDENTES e não CONCORRENTES, o que afastaria de imediato a incidência da exação em comento sobre a operação de importação de bem arrendado praticada pela lmpugnante, nos temos como pretendido em sede desse auto de infração.” (Destaques na impugnação); · isto posto, requerse seja considerada improcedente a Autuação em contenda. [...] Em virtude da verificação da existência de processo judicial relacionado à mercadoria objeto da presente Autuação, tendo em vista uma decisão proferida em caráter liminar constante nos autos, encaminhouse o presente processo em diligência para que se anexasse cópia dos autos judiciais de modo a se poder verificar possivel ocorrência de renúncia à instância administrativa. O citado acórdão decidiu pelo improcedência da impugnação, assim ementado: Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente repetindo os argumentos da impugnação, alegando em síntese: que o art. 3° da Lei n° 10.865/2004 trata de duas hipóteses distintas e alternativas, excludentes e não concorrentes; e que aplicase ao caso em pauta, apenas a segunda delas. Ao final, pugna pela improcedência do lançamento. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11891.000173/200570 Acórdão n.º 3301004.069 S3C3T1 Fl. 145 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. A questão da existência de ação judicial fora ultrapassada no acórdão de piso. De fato, a petição inicial demonstra que tal feito não quis discutir se era devida ou não a contribuição, apenas a retenção da mercadoria, ato que argumenta ser ilegal. O presente julgamento gira em torno da aplicação dos seguintes dispositivos da Lei n° 10.865/2004: Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. [...] Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) [...] § 14. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições incidentes sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa. (Incluído pela Lei nº 10.925, 2004) (Vigência) A contribuinte apresentou, em sede de impugnação, contrato de arrendamento mercantil (fls 43 e seguintes), e argumenta que, com a importação ou entrada física, teria ocorrido o fato gerador previsto no inciso II e não no I do art. 3° da Lei n° 10.865; sendo tais hipóteses excludentes sob pena de ocorrência de bis in idem. Não assiste razão a recorrente. O art. 3°, I e II, da Lei n° n° l0.865/2004, incide em dois momentos, havendo a ocorrência de dois fatos geradores distintos: 1) a entrada do bem estrangeiro em território nacional e 2) posterior pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. O § 14 do art. 3° da Lei alberga apenas a segunda situação, reduzindo a alíquota da contribuição a zero. É o que se demonstra no acórdão recorrido e da decisão do REsp 1.118.815/RS, nos trechos reproduzidos abaixo: Fl. 147DF CARF MF 6 Ora, na espécie, diferentemente do que prega a impugnante, o artigo 3° se refere a duas hipóteses de incidência distintas, a primeira tratando da entrada do bem em território nacional e a segunda tratando da contraprestação pelos serviços prestados. E sendo esse caso, não ha falar em incidência do previsto no § 14 do art. 8° da Lei n. 10.865/2004 (com redação dada pela Lei 10.925/2004), uma vez que as hipóteses taxativas ali previstas, não alcançam a internalização do bem estrangeiro (ainda que de bem arrendado) prevista no inciso I recém trasladado, alcançando apenas as contraprestações a serem realizadas pelo arrendatário ao arrendador estrangeiro. Não é outro o entendimento assente na jurisprudência, o qual aqui se colaciona: [...] RECURSO ESPECIAL N° 1.165.288 PR (2009/02174043) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. ARRENDAMENTO MERCANTIL INTERNACIONAL. LEI 10.865/2004. INCIDÊNCIA. I. Pugna o recorrente a incidência de alíquota zero para a entrada de bem objeto de arrendamento mercantil internacional, nos termos do art. 8°, § 14, da Lei n. 10.865/2004. 2. O caso dos autos reporta~se a entrada de equipamento, por meio de operação de leasing internacional, a fim de ser utilizado na atividade profissional da sociedaderecorrente. . 3. O dispositivo legal em tela concerne a redução à alíquota zero das contribuições sociais do PIS e da COFINS “sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa. Cuidase, pois, de hipóteses de incidência distintas da situação fática delineado nos autos. 4. A alíquota zero inserta no § 14 do art. 8” da Lei n. 10. 865/2004 (redação dada pela Lei 10.925/2004), entre as hipóteses nele taxativamente previstas. não alcança a internalização do bem estrangeiro no território nacional, que, no caso dos autos, tratase de equipamento arrendado, abarcando tão somente as contraprestações a serem efetuadas pelo arrendatário ao arrendador estrangeiro. Precedentes: REsp 1.118.815/RS, Rel. Ministro Luiz Fux Primeira. (Grifouse). Repisese, pois, que na internalização de bem objeto de contrato de arrendamento mercantil, a hipótese de incidência das contribuições PIS/COFINS Importação encontrase prevista no inciso I do artigo 3° da Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11891.000173/200570 Acórdão n.º 3301004.069 S3C3T1 Fl. 146 7 Lei n.° 10.865/04. Em sentido diverso, o disposto no art. 8°, § l4, da Lei n.° 10.865/04, que prevê a redução a zero da alíquota das contribuições PIS/COFINS Importação incidentes sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa, aplicase apenas à hipótese de incidência prevista inciso II do referido artigo. Caso assim não se entendesse, chegarseia a uma situação esdrúxula em que a empresa que importasse máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados em sua atividade, por meio de arrendamento mercantil (o qual possibilita a compra ao final por um valor residual) competiria em condição de desigualdade em relação àquela que comprasse e importasse o mesmo objeto de forma direta, pois em relação ao primeiro caso nenhuma Contribuição seria devida, enquanto no segundo se arcaria com as Contribuições devidas na importação. Na verdade, percebese do texto legal, que a inclusão do referido § l4 deuse justamente para evitar a onerosidade excessiva decorrente de um tributação em dois momentos distintos (entrada do bem em território nacional e contraprestação pelo serviço prestado) em relação a uma mesma operação comercial, a de arrendamento mercantil. Deste modo, acertadamente, delineouse uma equivalência tributária às internalizações em questão, independentemente do contrato celebrado entre as partes. A recorrente entende que a redação do art. 3° em pauta foi excessivamente simplista, posto que deveria prever: que, em ocorrendo a importação ou a entrada física de bens em território nacional vinculados ã execução de serviços contratados junto a terceiros residentes no exterior, considerarseia como ocorrido o fato gerador das contribuições em comento somente quando do ”PAGAMENTO, CREDITO, ENTREGA, EMPREGO ou REMESSA DE VALORES A RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR COMO CONTRAPRESTACÃO POR SERVIÇO PRESTADO”, eis que a entrada física do bem no País nesse caso se revestiria de caráter meramente acessório ou decorrente daquela importação de prestação de serviços, [...] (Grifouse). O opinião da recorrente sobre como legislador deveria escrever o dispositivo, não altera sua força ou seu conteúdo, mantendose, à falta de pretendida ressalva, a incidência da contribuição em dois momentos, sendo, no segundo, à alíquota zero. Também em socorro de seu argumento de que o fato gerador da contribuição eventualmente incidente nas operações de importação de serviços seria o previsto no inciso II do mencionado art. 3° da Lei n° 10.865/04; traz o art. 4°, IV, da mesmo Lei. Ocorre que, ao lado deste, o inciso I do mesmo artigo aponta para a data do registro da declaração de importação: Fl. 149DF CARF MF 8 Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; [...] IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. A recorrente pretende afastar a incidência da hipótese prevista no inciso I do art. 3° em pauta, "haja vista que não se trata o caso de internação definitiva do bem e, sim, de internação precária, baseada em contrato de arrendamento mercantil". Não lhe assiste razão, posto que a disposição citada trata de "entrada de bens estrangeiros no território nacional ", independentemente de a que título se dê. Assim, pelo exposto nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100784/2009-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.100784/2009-83
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805394
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.611
nome_arquivo_s : Decisao_11065100784200983.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065100784200983_5805394.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7045470
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733481627648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.100784/200983 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.611 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado H. KUNTZLER & CIA. LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 07 84 /2 00 9- 83 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11065.100784/200983 Acórdão n.º 9303005.611 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3102001.606, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre as aquisições de equipamentos de proteção individual; · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais. No recurso especial, a PFN insurgese contra o reconhecimento do direito de crédito sobre os itens acima identificados. Seu principal argumento é o de que tais insumos não foram diretamente utilizados na fabricação do produto, não podendo, desta forma, originar créditos da contribuição. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante despacho do Presidente da Câmara competente e a contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.601, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 11065.003652/200581, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.601): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido aplicou o conceito intermediário de insumos, de molde a permitir o creditamento sobre alguns gastos realizados pela contribuinte, o segundo paradigma, o Acórdão de nº 20219.127, aplicou o conceito mais estrito, nos moldes em que adotado nos atos normativos expedidos pela RFB. Conhecido, passamos à análise do mérito do litígio. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11065.100784/200983 Acórdão n.º 9303005.611 CSRFT3 Fl. 4 3 Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11065.100784/200983 Acórdão n.º 9303005.611 CSRFT3 Fl. 5 4 Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Câmara baixa reconheceu o crédito de PIS/Cofins sobre os gastos com o tratamento de resíduos industriais e com os equipamentos de proteção individual. A contribuinte dedicase à atividade de fabricação de calçados. Para tanto, sustenta ser obrigada, por lei, a fazer tratamento de seus resíduos industriais, o que faz através da contratação de empresa especializada. Ora, o fato de ser obrigada, por lei, a fazer o adequado tratamento de seus resíduos industriais – muitas outras obrigações legais têm as pessoas jurídicas, nem por isso podem se enquadrar como insumos –, não acarreta, por consequência lógica inarredável, o creditamento sobre os gastos assim realizados. Ainda que não se aplique, no conceito de insumos, o próprio da legislação do IPI, não se pode adotar, como regra, aquele que alcance gastos só efetuados após a conclusão do processo produtivo, dado que não aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de seus produtos. Insumo, é até desnecessário enfatizar, só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo. Contudo, concordamos, pelos motivos que aqui vimos de adotar, que os gastos realizados na aquisição de equipamentos de proteção individual sejam considerados insumos para o efeito da legislação do PIS/Cofins não cumulativo, conforme esta mesma Turma recentemente decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte. (CSRF/3ª Turma, rel. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.192, de 17/05/2017). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais." Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11065.100784/200983 Acórdão n.º 9303005.611 CSRFT3 Fl. 6 5 A declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello não foi transcrita neste voto, pois o entendimento defendido foi vencido na votação, não se aplicando à solução do litígios deste processo (entendimento no sentido de reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais, em razão de atender ao critério da necessidade/essencialidade com o processo produtivo). Todavia, a declaração de voto consta, na sua íntegra, do acórdão do processo paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725053/2013-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica.
Numero da decisão: 2001-000.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.725053/2013-68
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5827881
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.009
nome_arquivo_s : Decisao_10480725053201368.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10480725053201368_5827881.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7107057
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733484773376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.725053/201368 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.009 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente LUIZ GUERRA DE MORAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 50 53 /2 01 3- 68 Fl. 183DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 43/48), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2010, anocalendário de 2009, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 24.506,24. O contribuinte apresentou impugnação (f. 2/32), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE de f. 113/128. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 134/179. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10480.725053/201368 Acórdão n.º 2001000.009 S2C0T1 Fl. 3 3 razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada Fl. 185DF CARF MF 4 na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
