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Numero do processo: 10880.660418/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.819
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 18 /2 01 2- 16 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660418/201216 Acórdão n.º 3401004.819 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660418/201216 Acórdão n.º 3401004.819 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660418/201216 Acórdão n.º 3401004.819 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660418/201216 Acórdão n.º 3401004.819 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660418/201216 Acórdão n.º 3401004.819 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660418/201216 Acórdão n.º 3401004.819 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906679/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Numero da decisão: 1302-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo relator, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo (relator) e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo relator, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo (relator) e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 50 1 49 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.906679/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.890 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria Declaração de Compensação Recorrente SOLL DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo relator, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo (relator) e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 66 79 /2 00 9- 69 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 51 2 ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 03 53.898, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 52 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 39365.02132.140706.1.3.048644, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, relativo ao 2º trimestre de 2004, com débitos relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de junho de 2006. Por meio do Despacho Decisório, a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito, uma vez que o pagamento invocado se encontraria inteiramente utilizado para quitação de débito confessado pelo sujeito passivo. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao 3º trimestre, e que o valor efetivamente devido teria sido informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2004. Informa, ainda, que promoveu a retificação da citada DCTF, para informar o valor do débito que entende correto. Pediu, por fim, a concessão de prazo adicional de 15 (quinze) dias, para apresentação de "maiores informações e documentos", bem como o direito a produção de provas, com anexação de novos documentos e, inclusive, perícia contábil. O Acórdão recorrido entendeu que a mera alegação de erro, juntamente com a retificação da DCTF, mas desacompanhada da escrituração contábilfiscal e dos documentos hábeis e idôneos que a embasaram, não é capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito informado. Registrou, ainda, que o prazo solicitado pelo sujeito passivo para a apresentação de informações e documentos se esgotou sem que qualquer novo elemento tenha sido anexado aos autos. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso, por meio do qual sustenta que: a) apurou e pagou a maior o IRPJ relativo ao referido trimestre, o qual teria sido corrigido por meio de DIPJ retificadora, juntamente com a apresentação de PER/DComp, na qual compensou o suposto indébito; b) após a não homologação da compensação, promoveu a retificação da DCTF, de modo a compatibilizála com a DIPJ; c) tendo em vista a decisão da DRJ, que considerou insuficiente como prova a DIPJ retificadora, apesar de apresentada antes do PER/DComp, juntou ao Recurso Voluntário outros documentos de amparam seu pleito (Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 53 4 Resultado transcrito no Livro Diário, bem como Termo de Abertura e Encerramento do referido Livro, contemporaneamente registrado na Junta Comercial); d) as normas que tratam da restituição do imposto pago a maior ou indevidamente não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência do direito creditório, ficando a depender do caso concreto; e) no caso sob análise, o Julgador considerou insuficiente a apresentação da DIPJ e não requereu as diligências necessárias para a produção de provas ou mera confirmação dos créditos, como determina a lei; f) os novos documentos juntados fariam prova da existência do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31 de janeiro de 2014 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 05 de março de 2014 (fls. 33 a 38), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996, uma vez que os dias 3 e 4 de março de 2014 foram ponto facultativo, conforme Portaria MPOG nº 2, de 3 de janeiro de 2014. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído à fls. 46. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Conforme explicitado pela própria Recorrente, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de PER/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 54 5 Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 55 6 instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da DCTF retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na DIPJ, e que alega ser o correto; além de cópias dos comprovantes de arrecadação dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu Pedido de Restituição. Na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." Não procede, também, a alegação trazida no Recurso Voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Os dispositivos invocados (arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972) revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando este entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 56 7 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Portanto, mais uma vez, concluo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. O Julgador não poderia ter agido de outro modo, frente à ausência de demonstração do crédito invocado pelo sujeito passivo. As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 57 8 "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Impugnação. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado na DIPJ corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamentos em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 58 9 É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 59 10 processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Se esta regra foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples dos Termos de Abertura e Encerramento de Livro Diário; cópia simples de uma folha (supostamente do referido Livro), na qual se apresenta a Demonstração do Resultado do trimestre relativo ao suposto crédito; cópia simples de uma folha do Livro de Apuração do Lucro Real do referido trimestre; e cópia do recibo de entrega e das Fichas 09A e 12A da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária, já que deveriam estar acompanhados das demais folhas do Livro Diário (e do Livro Razão) que comprovassem os valores que compõe a Demonstração do Resultado; do Livro de Apuração do Imposto sobre Mercadorias e Serviços que demonstrasse o montante de receitas auferidas no trimestre em questão; além dos esclarecimentos relativos ao erro supostamente cometido, uma vez que é gigantesca a disparidade entre os valores inicialmente confessados e aqueles posteriormente retificados, e isso para os 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2004. Assim, mesmo que se acatassem os novos documentos (hipótese que conjecturo, apenas para o caso de os meus pares discordarem da rejeição proposta), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 60 11 Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada no PER/Dcomp apresentado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Voto Vencedor Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Redator designado Ousase discordar do ilustre relator no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da Impugnação administrativa. É que, o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive, de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que, como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 61 12 A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 62 13 verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devese admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para conhecer dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte quando da apresentação do Recurso Voluntário. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10580.906679/200969 Acórdão n.º 1302002.890 S1C3T2 Fl. 63 14 (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912300/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.828
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 00 /2 01 2- 42 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.912300/201242 Acórdão n.º 3201003.828 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.673, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.912300/201242 Acórdão n.º 3201003.828 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.912300/201242 Acórdão n.º 3201003.828 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.912300/201242 Acórdão n.º 3201003.828 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721295/2013-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. É de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte.
Numero da decisão: 9202-007.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. É de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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MBR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. É de se acolher o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 12 95 /2 01 3- 26 Fl. 419DF CARF MF 2 Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2009, tendo em vista glosa da Área de Reserva Legal (ARL) e da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (ARPPN), bem como o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) pelo Sistema Integrado de Preços de Terras (SIPT). Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) considerou parcialmente procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN) Com base em prova documental hábil, cabe restabelecer, parcialmente, a área de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural (RPPN), para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). DO VALOR DA TERRA NUA Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preço do ano abrangido pela ação fiscal." A decisão, que originou Recurso de Ofício, foi assim resumida: "Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votar no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, considerar procedente em parte a impugnação interposta pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 06101/00027/2013 de fls. 04/08, para restabelecer, de forma parcial, uma área de reserva legal de 1.047,1 ha e de RPPN de 912,0 ha e para acatar o Valor da Terra Nua (VTN) apresentado no Laudo de Avaliação, às fls. 238/270, de R$75.281.552,46 ou R$6.253,14 por hectare, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$7.831.124,77 para R$733.364,81, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10680.721295/201326 Acórdão n.º 9202007.109 CSRFT2 Fl. 420 3 Cientificada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, em sessão plenária de 26/01/2016, foram julgados os Recursos de Ofício e Voluntário, prolatandose o Acórdão 2401004.022 (fls. 316 a 321), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 VTN. LAUDO TÉCNICO. INFORMAÇÕES CONTRADITÓRIAS. O laudo apresentado pelo recorrente utiliza dados que não correspondem à localidade do bem. Por esse motivo, não pode ser considerado como documento hábil e idôneo que possibilite a revisão do VTN para a propriedade. RO Provido em Parte e RV negado." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar as preliminares, e em prover em parte o Recurso de Ofício para restabelecer o VTN do imóvel conforme o lançamento fiscal tendo em vista as informações contraditórias no laudo técnico; e por negar provimento ao Recurso Voluntário". O processo foi encaminhado à PGFN em 03/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 322), sem a interposição de Recurso Especial (fls. 323). Cientificada em 06/05/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 333/334), a Contribuinte opôs, em 13/05/2016 (recibo de fls. 354/355), os Embargos de Declaração de fls. 335 a 338, rejeitados conforme Despacho nº 2401040, de 05/07/2016 (fls. 358/359). Intimada da rejeição dos Embargos em 23/08/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 363/364), a Contribuinte interpôs, em 1º/09/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 365), o Recurso Especial de fls. 366 a 378, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a validade do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) tendo por base o Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 19/05/2017 (fls. 410 a 414). Em seu apelo, a Contribuinte alega, em síntese: o acórdão recorrido entendeu por bem em afastar os laudos oferecidos pela recorrente para subsidiar a estipulação VTN para fins da composição da base de cálculo do ITR, bem como restabelecer aquele contido no SIPT, sem o imprescindível exame da observância, pelo lançamento, do artigo 12, da Lei nº 8.629, de 1993, c/c artigo 14, da Lei n.º 9.393, de 1996, majorando sobremaneira o valor do imposto a pagar; Fl. 421DF CARF MF 4 com efeito, colhese do artigo 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao qual a própria Lei nº 9.393, de 1996, faz remissão, que dentre os dados que devem estar contidos no sistema está a informação sobre a aptidão agrícola do imóvel; entretanto, como bem verificado no acórdão recorrido, o SIPT foi alimentado com base no valor médio relativo aos imóveis da região, tão somente, conforme se vê da tela juntada às fls. 12, sem a obrigatória informação acerca da aptidão agrícola do imóvel, portanto o arbitramento do VTN se fez sobre uma base defeituosa, não devendo prevalecer; clarividente, pois, que o acórdão recorrido utiliza o VTN contido no SIPT, ao arrepio do artigo 14, §1º, da Lei nº 9.393, de 1996, c/c o artigo 12 da Lei nº 8.629, de 1993, em face da ausência de informações sobre a aptidão agrícola do imóvel, ao passo que nos acórdãos paradigmas foi reputado ilegítimo o arbitramento justamente pela ausência dessa informação dentre aquelas utilizadas pelo SIPT, motivo pelo qual deve prevalecer o entendimento dos arestos paradigmas, sob pena de afronta às precitadas disposições legais. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido, restabelecendose o VTN determinado no Laudo de Avaliação. Cientificada, a Fazenda Nacional não ofereceu Contrarrazões. (fls. 415 a 417). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Imposto Territorial Rural (ITR) do exercício de 2009 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) tendo por base o Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. A Contribuinte havia declarado VTN de R$ 1.929,40/ha, o que motivou a Fiscalização a arbitrálo em R$ 18.886,20/ha (fls. 9), com base no SIPT. Por ocasião do julgamento em Primeira Instância, foi acatado o VTN de R$ 6.253,14/ha, apurado no Laudo de Avaliação apresentado pela Contribuinte, rejeitandose assim o arbitramento com base no SIPT. No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso de Ofício, restabelecendose o arbitramento do VTN com base no SIPT, desconsiderandose o laudo como documento hábil e idôneo. A Contribuinte, por sua vez, pede que o VTN apurado no laudo seja acolhido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10680.721295/201326 Acórdão n.º 9202007.109 CSRFT2 Fl. 421 5 incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do Município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola do imóvel, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Fl. 423DF CARF MF 6 Por outro lado, a Contribuinte, reconhecendo a subavaliação do imóvel, apresentou o Laudo de Avaliação de fls. 237 a 270, por meio do qual foi apurado o VTN de 6.253,14/ha. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento para acolher o VTN de R$ 6.253,14/ha, apurado no Laudo de Avaliação apresentado pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 424DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915813/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 13 /2 00 8- 57 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.915813/200857 Acórdão n.º 3302005.435 S3C3T2 Fl. 280 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SP1 assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não comprovada a existência do recolhimento declarado como origem do direito creditório, a compensação efetuada deve ser não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o contribuinte transmitiu, em 10.03.2004, Declaração de Compensação DCOMP de nº 11557.79211.100304.1.3.040854, objetivando a compensação de suposto crédito por pagamento a maior de PIS cumulativo do mês de janeiro de 2003, no valor original de R$4.129,71, com débito da mesma contribuição do mês de dezembro de 2002, de valor original R$4.274,19. Sobreveio, em 26.08.2008, Despacho Decisório cientificando o contribuinte da não homologação da compensação declarada, apontando como motivação que o pagamento indicado pelo contribuinte não foi localizado nos sistemas da Receita Federal, não se podendo confirmar a existência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Em Manifestação de Inconformidade o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) A compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, nos termo do art. 156, II, do CTN; b) Em verificação aos seus apontamentos contábeis identificou que o valor efetivamente devido a título de Contribuição ao PIS do mês de janeiro de 2003 era de R$16.483,06, e não de R$20.612,77, como anteriormente declarado e recolhido, conferindolhe, portanto, um crédito decorrente de pagamento a maior no montante de R$4.129,71; c) A fiscalização entendeu insuficiente o crédito apontado na DCOMP porque o mesmo foi declarado integralmente como devido na DCTF relativa ao período de apuração de janeiro de 2003; (sic) Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.915813/200857 Acórdão n.º 3302005.435 S3C3T2 Fl. 281 3 d) Em 15.09.2008, efetuou a retificação da DCTF para fazer constar o efetivo débito apurado e devido de PIS, no montante de R$16.483,06, demonstrando assim a certeza e liquidez do crédito utilizado; Anexou cópia da DCTF original e da DCTF retificadora, esta última transmitida após a ciência do Despacho Decisório. O recorrente teve mais de uma DCOMP não homologada e com Recurso Voluntário pendente de julgamento pelo CARF. No caso destes autos, a razão apontada no Despacho Decisório para a não homologação, foi a inexistência, nos sistemas da Receita Federal, de DARF de pagamento do tributo com as características apontadas pelo contribuinte na DCOMP. A divergência entre o DARF apontado na DCOMP e aquele cujo comprovante de arrecadação foi juntado aos autos, reside nos campos destinados ao preenchimento do período de apuração e da data e vencimento, sendo que os demais campos guardam identidade entre o documento de arrecadação e os dados informados na DCOMP. Ressaltase que nos autos do processo 10880.915814/200800, do mesmo contribuinte e matéria, verificouse divergência semelhante entre o DARF recolhido e as informações inseridas na DCOMP, mas naquele processo o pagamento foi identificado e a homologação indeferida em razão de que tal pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não remanescendo crédito disponível para a compensação com os débitos indicados na DCOMP. A DRJ/SP1 entendeu que mesmo considerada a identidade entre o pagamento indicado na DCOMP e aquele cujo comprovante foi juntado aos autos, a não homologação da compensação deveria ser mantida, vez que a simples transmissão de DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório não tem o condão de fazer nascer o direito creditório. O Acórdão recorrido aduz ainda que o direito à compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado, o que não restou demonstrado no presente processo, pois o manifestante não trouxe aos autos nenhum documento que comprove o erro no recolhimento e confiralhe o direito ao crédito por pagamento a maior. No Recurso Voluntário, o recorrente ratificou as alegações da Manifestação de Inconformidade e aduziu ainda: a) Que a DCTF foi retificada antes da Manifestação de Inconformidade, fazendo refletir exatamente as informações que constam de seus livros fiscais; b) Que o fisco dispunha, em seus sistemas, de todas as informações necessárias para confirmar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, tal como a DIPJ 2004; c) Que o fisco em nenhum momento buscou em seus sistemas as informações que confirmam o direito de crédito do contribuinte; Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.915813/200857 Acórdão n.º 3302005.435 S3C3T2 Fl. 282 4 d) Que segundo o princípio da verdade material, havendo crédito em montante suficiente para adimplir os débitos declarados, deve a compensação ser homologada, independente de maiores formalidades. Nesse sentido, cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello, e também acórdão da DRJ/RJ2, equivocadamente indicado como sendo do CARF (fls 74); e) Que caberia a fiscalização investigar o que realmente aconteceu, ou seja, buscar a verdade material. Pede a reforma da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e anexa cópia da DIPJ 2004, de documentos de habilitação do recorrente e de jurisprudência do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.915813/200857 Acórdão n.º 3302005.435 S3C3T2 Fl. 283 5 análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em tela, mesmo que superada a divergência de datas entre o comprovante de arrecadação de fls. 47 e as informações de pagamento inseridas na DCOMP (fls. 12 e 51), a DCTF original enviada pelo contribuinte continha informações conflitantes com aquelas constantes da DCOMP, dando azo à não homologação da compensação durante a etapa de verificação eletrônica. Instaurado o processo administrativo fiscal com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, não se faz suficiente a mera apresentação de cópias de declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ), devendo o conteúdo delas ser confirmado por outros meios de prova nos autos. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos na primeira oportunidade processual, que no caso em análise seria a Manifestação de Inconformidade. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, admitir seia a produção de provas complementares em fase recursal, quando destinadas a comprovar fatos cujos indícios já tenham sido apresentados na oportunidade processual adequada. Ocorre, contudo, que até o presente momento o contribuinte não apresentou nenhum indício ou documento que comprove a existência de certeza e liquidez de seu direito Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.915813/200857 Acórdão n.º 3302005.435 S3C3T2 Fl. 284 6 creditório, tendo se limitado a fazer alegações e apresentar cópias das declarações transmitidas ao fisco (DCTF, DCOMP e DIPJ). Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Portanto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que deveria o fisco agir para investigar o que aconteceu, consultando em seus sistemas e produzindo ele mesmo as provas do direito creditório que interessa ao contribuinte. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apontou o erro que teria cometido na apuração do tributo e que justificaria a redução do montante anteriormente declarado como devido, deixando ainda de trazer aos autos qualquer documento que ratificasse o contido na DIPJ, e na DCTF retificadora, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, mantendo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.002325/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.001229/200737, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., apresenta recurso a este Conselho da DecisãoNotificação proferida pela antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 02 32 5/ 20 08 -6 2 Fl. 483DF CARF MF Processo nº 18050.002325/200862 Resolução nº 2401000.653 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mão de obra base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1 0 e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 18050.002325/200862 Resolução nº 2401000.653 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.001229/200737, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, digna Relatora da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II, do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 18050.002325/200862 Resolução nº 2401000.653 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia na íntegra da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto." Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001227/2006-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta esclareça se o sujeito passivo: a) efetuou recolhimentos de PIS/PASEP e para COFINS relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de maio do ano-calendário de 2001, e; b) declarou em DCTF valores de PIS/PASEP e COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de ano-calendário de 2001. Ao final, a autoridade local deverá complementar as informações, juntando os elementos adicionais que considerar necessários à solução da controvérsia, abrindo-se o prazo de 30 dias prazo para ciência e manifestação do contribuinte. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo, que rejeitaram a proposta de diligência. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta esclareça se o sujeito passivo: a) efetuou recolhimentos de PIS/PASEP e para COFINS relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de maio do anocalendário de 2001, e; b) declarou em DCTF valores de PIS/PASEP e COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de anocalendário de 2001. Ao final, a autoridade local deverá complementar as informações, juntando os elementos adicionais que considerar necessários à solução da controvérsia, abrindose o prazo de 30 dias prazo para ciência e manifestação do contribuinte. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo, que rejeitaram a proposta de diligência. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes de Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 22 7/ 20 06 -0 2 Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Resolução nº 9101000.061 CSRFT1 Fl. 2.751 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN em face do acórdão nº 110100.062, assim ementado: "PRELIMINAR DECADÊNCIA. IRPJ e CSLL. LUCRO REAL TRIMESTRAL. RECONHECIDA EM PARTE. Contase a decadência a partir do fato gerador. Passados cinco anos sem lançamento fiscal, o débito encontrase decaído. PRELIMINAR AMPLA DEFESA GARANTIDA. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. Não há que se falar em desrespeito ao contraditório, quando o autuado é notificado de todos os atos. e a ele é garantida a oportunidade de se defender. OMISSÃO DE RECEITA. INVERSÃO DO ÔNUS PROBANDI. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configurase omissão de receita quando o contribuinte devidamente notificado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal. MULTA QUALIFICADA Não é possível aplicação de multa qualificada quando a autuação deriva tão somente de presunção." Segundo o voto condutor do acórdão recorrido, tendo em conta que o sujeito passivo foi cientificado dos créditos constituídos nos presentes autos em 26/06/2006, os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL correspondentes aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2001 estavam decaídos, bem como os lançamentos relativos ao PIS/PASEP e à COFINS correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro e maio de 2001. Movimentação para a PGFN em 05/04/2010, à efl. 2.441. Recurso Especial interposto em 15/04/2010, à efl. 2.442. Nessa oportunidade, suscitouse divergência em relação ao acórdão nº 203120257, cuja ementa destaca que, "por ter natureza tributária, na hipótese de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência do artigo 173, I, do CTN." No mérito, salientouse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça noticiado no Informe nº 250, de acordo com o qual a contagem do prazo de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, inciso I, do CTN, nos casos de falta de pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação ou quando há prova de dolo, fraude ou simulação. Ao final, requereuse o conhecimento do apelo a esta instância para, ao cabo, ser provido, afastandose a decadência reconhecida pela Turma a quo. O contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados, à efl. 2.580. Ciência do Despacho que rejeitou os Embargos de Declaração no dia 03/06/2015, à efl. 2.613. Contrarrazões apresentadas no dia 30/06/2015, à efl. 2.615. Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Resolução nº 9101000.061 CSRFT1 Fl. 2.752 3 É o relatório. VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo e reúne os demais requisitos de recorribilidade. Adotando o Despacho de Admissibilidade às efls. 2.378 e seguintes, conheço do apelo a esta instância especial. As contrarrazões do sujeito passivo foram apresentadas após o prazo previsto no artigo 69 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Por essa razão, não serão conhecidas. Resumese a controvérsia à fixação do começo da contagem do prazo decadencial, considerando: a) fatos geradores trimestrais, para o IRPJ e a CSLL; b) fatos geradores mensais, para o PIS/PASEP e a COFINS. Conforme os autos de infração ora acostados, a acusação versa sobre a prática de omissão de rendimentos tributáveis, auferidos entre os meses de janeiro de 2001 e dezembro de 2004, que restou caracterizada por intermédio de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. O sujeito passivo submeterase à tributação trimestral do IRPJ e da CSLL. A Turma a quo entendeu que a Fiscalização efetuara o lançamento de ofício em desrespeito à regra de decadência, ao constituir os créditos tributários de IRPJ e da CSLL relativamente ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 2001, e de PIS/PASEP e COFINS relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2001. Assim postos os fatos, convém advertir, em primeiro lugar, que este Colegiado está jungido à interpretação da lei proferida pelo Poder Judiciário, nos julgamentos submetidos à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, conforme estabelece o artigo 63, § 2º, do RICARF Anexo II. Assim, é preciso ter em conta que o Superior Tribunal de Justiça apreciou a matéria ora em debate, qual seja, o começo da contagem do prazo de extinção do direito potestativo da Administração Tributária para constituir, mediante lançamento, créditos tributários referentes a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como se pode ver na ementa no acórdão do REsp nº 973.733, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Resolução nº 9101000.061 CSRFT1 Fl. 2.753 4 de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (STJ REsp: 973733 SC 2007/01769940, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 12/08/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: > DJe 18/09/2009) Diante desse cenário, cabe destacar que o IRPJ, a CSLL, o PIS/PASEP e a COFINS exigidos nos autos de infração ora em foco, são tributos sujeitos a lançamento por homologação. Isso porque, nos termos do artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento de tais exações, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo e em face das espécies tributárias aqui em relevo, discutese se estariam sujeitas ao prazo decadencial refletido no § 4º do artigo 150 do CTN ou no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Com efeito, à luz do entendimento do STJ manifestado no julgamento do REsp nº 973.733, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. No caso tratado nestes autos, não há fraude, dolo ou simulação, nem prova de pagamento ou mesmo de débitos de PIS/PASEP e COFINS declarados em DCTF, para os meses de janeiro a maio de 2001, não obstante os registros, em DIPJ/2002, de que o contribuinte incorrera em despesas com tais contribuições, com referência ao período acima, a teor de efls. 73/74. Por sua vez, o recorrido declarou, em DIPJ/2002, que apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, no primeiro trimestre do anocalendário de 2001. É certo que o dissenso sobre a interpretação do artigo 150, § 4º, visàvis artigo 173, inciso I, ambos do CTN, já foi pacificado pela decisão do STJ retrocitada, proferida em sede de recurso repetitivo. No entanto, é inegável que a solução de mérito, no caso concreto, depende de uma resposta prévia acerca das situações de fato refletidas na ementa daquele julgado: há pagamento ou não há pagamento de PIS/PASEP e COFINS? Há débitos de PIS/PASEP e COFINS confessados ou não há? Essas respostas não são dadas pelo acórdão do STJ. Na presença de um quadro desse gênero, as decisões dependem de verdades processualmente construídas com maior ou menor poder de investigação do julgador, ou até com liberdade nenhuma. A Turma, na atual composição, tem proclamado, em decisões mais recentes, que a falta de pagamento encartase como motivo suficiente ao começo da contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, exceto se existir declaração prévia constitutiva do débito. Entretanto, é impossível traçar qualquer decisão, neste momento, quanto à decadência do lançamento do PIS/PASEP e da COFINS, uma vez ausente dos autos suporte probatório com aptidão para conferir a necessária segurança à prolação de um ato decisional, Nessas circunstâncias, impende ressaltar, a indispensabilidade da prova sobre a existência de pagamento ou de confissão de débitos de PIS/PASEP e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2001. Diante disso, propõese a conversão do julgamento em diligência, para que os autos sejam enviados à delegacia de origem a fim de que a autoridade local, em parecer circunstanciado, relate sobre a existência ou inexistência de pagamento e de confissão de Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Resolução nº 9101000.061 CSRFT1 Fl. 2.754 5 dívida, efetuada mediante a entrega de DCTF ou de qualquer outro instrumento apto, referente ao PIS/PASEP e à COFINS correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2001, juntando provas de suas afirmações. Ao final, a autoridade local deverá complementar as informações, apresentado elementos adicionais que considerar necessários à solução da controvérsia, abrindose o prazo de 30 dias prazo para ciência e manifestação do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 2754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910488/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO FIBRA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição do Imposto sobre Operações Financeiras IOF, cumulado com pedido de compensação de débito próprio. A unidade de origem não reconheceu o crédito vindicado. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito próprio com suposto direito de crédito decorrente de pagamento a maior de IOF. O valor pago a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 10 48 8/ 20 12 -8 4 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 16327.910488/201284 Resolução nº 3201001.341 S3C2T1 Fl. 121 2 maior teria sido de R$ 38.582,16 (DARF no total de R$ 86.150,27, recolhido em 13/07/2012), cifra que foi integralmente aproveitada na DCOMP. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito, sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente comprometido na quitação de outro débito confessado pela contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 17/01/2013, em 14/02/2013 a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando ter cometido erro no preenchimento da DCTF, o que levou à vinculação integral do pagamento feito por meio do DARF indicado como fonte do crédito compensado. Não obstante, prossegue, o erro de fato foi sanado por meio da entrega da DCTF retificadora. Pleiteia, a suspensão da exigibilidade do crédito, assim como a reforma do despacho decisório com a conseqüente homologação do procedimento. A 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1454.729, de 10/11/2014 (fls. 46 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/07/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 123DF CARF MF Processo nº 16327.910488/201284 Resolução nº 3201001.341 S3C2T1 Fl. 122 3 Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 59 e ss., por meio do qual requer a homologação da compensação vinculada, com fulcro nos seguintes argumentos de defesa: a) contratou operação de câmbio sujeita à alíquota zero de IOF (Decretos nº 6.306, de 2007, e 6.613, de 2008). Todavia, aplicou a alíquota de 0,38%, o que resultou no recolhimento a maior, no valor de R$ 38.582,16 (recolhimento em 13/07/2010); b) apresentou DCTF retificadora para sanar o erro; c) a DRJ desconsiderou a argumentação jurídica e toda a documentação apresentada. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição/compensação de parte do IOF recolhido em 13/07/2012. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou ter cometido um mero erro no preenchimento da DCTF, o que levou à vinculação integral do pagamento feito por meio do DARF indicado como fonte do crédito compensado. Afirma que o erro foi sanado por meio da entrega da DCTF retificadora. Cumpre destacar, contudo, que, a despeito da entrega da retificadora, nada comprovou, na oportunidade, a Recorrente, mediante a entrega, juntamente com a manifestação de inconformidade, de provas documentais que demonstrassem o erro cometido. Aliás, sequer identificar a origem do suposto crédito de IOF logrou realizar, como resta comprovado com a transcrição dos seguintes parágrafos da referida peça de defesa: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 16327.910488/201284 Resolução nº 3201001.341 S3C2T1 Fl. 123 4 Agora, no recurso voluntário, traz cópias dos contratos de câmbio, relatórios e Livro Razão. Com efeito, muito embora seja na impugnação (ou, como aqui, na manifestação de inconformidade) o momento adequado para que as provas documentais sejam apresentadas, temos entendido que, nas condições em que proferido o Despacho Decisório de fl. 28 – sem prévia intimação para sanar a irregularidade e no qual apenas se diz, como a indicar o caminho a ser percorrido pelo interessado, que o crédito vindicado não fora concedido porque o pagamento estava alocado para quitar outros débitos – baixar os autos em diligência, se este traz, no recurso voluntário, documentos hábeis a comproválo. É que se propõe também aqui. Ante o exposto, voto para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise o pedido à luz dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente. Destacamos que a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo, inclusive mediante intimação da Recorrente. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16327.910488/201284 Resolução nº 3201001.341 S3C2T1 Fl. 124 5 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.900047/2006-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente.
DIPJ. CONFISSÃO.
A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida.
Numero da decisão: 1001-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida.
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 00 47 /2 00 6- 09 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10410.900047/200609 Acórdão n.º 1001000.646 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 35 a 39) interposto contra o Acórdão nº 1125.520, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (fls. 31 a 33), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Não se homologa a compensação arrimada em crédito inexistente. DIPJ. CONFISSÃO. A DIPJ tem caráter meramente informativo, não constituindo instrumento de confissão de divida. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação de fls. 09/14, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica lRPJ com débitos de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 3.885,10, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior relativo ao período de apuração trimestral encerrado em 31/03/2003. 2. Por meio do Despacho Decisório de fl. 03, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Maceió, considerando a indisponibilidade do crédito apontado pela interessada, resolveu não homologar a compensação. 3. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), alegando que, conforme declarou em DIPJ, o imposto devido no 1° trimestre de 2003 seria de R$ 3.462,71, ao passo que o valor recolhido importou em R$ 7.347,81. Requer, assim, o reconhecimento do crédito relativo à diferença supostamente paga a maior, com a consequente homologação da compensação declarada." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando a vedação ao suposto enriquecimento ilícito do Fisco como fundamento para a reversão da decisão, sem juntar qualquer elemento documental novo ao processo. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10410.900047/200609 Acórdão n.º 1001000.646 S1C0T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Inicialmente insta dizer que, de acordo com o AR de fl. 34, a ciência da decisão de primeira instância se deu na data de 14/04/2009, e não em 09/04/2009 conforme citado pela própria Recorrente. Assim, tendo o Recurso sido protocolado na data de 12/05/2009, conforme timbre protocolar (fl 35), o mesmo se reputa tempestivo. E, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente torna a asseverar o suposto pagamento a maior realizado que fundamentaria o credito pleiteado e argumenta que o não reconhecimento de seu direito creditório ensejaria enriquecimento sem causa do Fisco, o que seria vedado pelo ordenamento jurídico. Ora, não há qualquer dúvida quanto à antijuricidade do enriquecimento sem causa por parte do Fisco. No mesmo esteio, o próprio princípio da legalidade tributária impede a exação de tributo além do tanto estritamente amparado em lei. Contudo, tal cobrança em demasia, ou enriquecimento sem causa do Fisco, só se verifica na medida que se comprova que o valor recolhido aos cofres públicos é efetivamente maior do que o legalmente devido. Neste ponto, falha a Recorrente em demonstrar seu direito. Em que pese tenha apresentado a DIPJ informando como devido a título de IRPJ do período o valor que reputa ser correto, é inegável que tal informação está em desacordo com a DCTF constante dos autos (fl. 30). Ainda, resta considerar que a Contribuinte não trouxe qualquer retificação à DCTF supracitada, ou, pelo menos, qualquer outro documento contábil que pudesse caracterizar patente equívoco na mesma. Desta forma, não há como se atestar o pagamento a maior realizado pelo contribuinte e, conseqüentemente, o direito creditório que alega ter. Isto posto, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10410.900047/200609 Acórdão n.º 1001000.646 S1C0T1 Fl. 5 4 "(...) 5. A contribuinte informou„ em sua Declaração de Informações DIPJ do anocalendário 2003, haver apurado, no 10 trimestre, imposto a pagar no valor de R$ 3.997,91 (fl. 20). Alega, em sua impugnação, que o valor correto seria de R$ 3.462,71, vez que não teria deduzido R$ 535,20 de imposto retido na fonte. Como efetuou pagamento no valor de R$ 7.347,81 (fl. 21), postula o direito creditorio da diferença de R$ 3.885,10, cuja utilização é pretendida para compensar débitos do ERPJ, do PIS e da Cofins. 6. Ocorre que a interessada apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fl. 29), por meio da qual informou, relativamente ao 10 trimestre de 2003, a apuração de imposto a pagar no valor de R$ 7.347,81, que é precisamente o montante que foi recolhido pela empresa. 7. Como se sabe, os débitos informados em DCTF traduzem confissão de divida, diversamente da DIPJ, que tern natureza meramente informativa. Nesse sentido, assim dispõem os atos tributários e normativos abaixo: "instrução Normativa SRF n° 14, de 14 de fevereiro de 2000 Art. 1°. O art. 1°. da Instrução Normativa SRF te 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 1° . Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas fisicas e da declaração do 1TR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição coma Dívida Ativa da União. ' (gm.) Solução de Consulta Interna Cosit n°48, de 30 de setembro de 2008 53. Verificando a legislação, em especial o art. 1e' da IN SRF n 9 77, de 1998, e o § 4 9 do art. 1 9, da IN RFB nº 9.767, de 2007, dispositivos acima colacionados, os documentos tidos como de declaração de crédito tributário, para efeito de inscrição do saldo a pagar corno dívida ativa, são: a Declaração de Rendimentos das Pessoas Físicas, Declaração do 1TR, a DCTF, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) e a Gfip. Alin, desses documentos típicos, existem outros para confissão de divida tributário, estabelecidos expressamente no s7 4 9do art. 26 da IN SRF n 9 600, de 2005, e art. 636 da IN MPS n 9 3, de 2005. Porém, a Dip] e o Dacon não estão incluidos nestes dispositivos, pelo que possuem natureza informativa, de forma que apenas podem ensejar eventual lançamento de oficio. (g.n) 8. Assim 6 que, conforme destacado pela autoridade a quo em seu despacho decisório, o pagamento em questão já foi integralmente utilizado para a quitação do débito confessado pela contribuinte, inexistindo, em consequência, saldo de crédito para a aspirada. compensação. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10410.900047/200609 Acórdão n.º 1001000.646 S1C0T1 Fl. 6 5 Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 13850.720183/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestá-lo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/2012-11 e 16561.720116/2014-57, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/201211 e 16561.720116/201457, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada (Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 0812000201500375), foi lavrado o auto de infração de Outras Multas Administradas pela RFB de fls. 196199, que exige o recolhimento de R$ 19.419.598,00 de multa de isolada em decorrência da não homologação das compensações declaradas nos autos dos processos nºs 13850.720112/201514 e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 50 .7 20 18 3/ 20 15 -1 7 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 3 2 13884.722012/201527, com fundamento no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010. O valor da multa isolada corresponde a 50% do montante de R$ 38.839.197,11 de débitos cujas compensações não foram homologadas nos autos dos processos nºs 13850.720112/201514 (com crédito de R$ 26.682.637,45 de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2012) e 13884.722012/201527 (com crédito de R$ 8.690.511,23 de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2012) Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação aduzindo: I) necessidade de aguardar o julgamento das compensações analisadas nos processos 13850.720112/201514 e 13884.722012/201527, bem como o apensamento dos mesmos; II) revogação da multa isolada por compensação não homologada; III) indevida acumulação da multa de 20%, por atraso no recolhimento do tributo, com a multa isolada de 50%; IV) aplicação do princípio da consunção entre as infrações; V) afronta ao direito de petição e a proporcionalidade; e VI) vedação ao confisco. A DRJ/Curitiba julgou improcedente o pleito do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há como se acatar o pedido de sobrestamento do processo em face do princípio da oficialidade, que, partindo da missão constitucional do Poder Executivo de apreciar a legalidade dos atos de seus agentes, obriga a Administração a impulsionar o processo até a sua conclusão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2012 MULTA ISOLADA. DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É procedente a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO EM JULGAMENTO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte repisou suas razões em Recurso Voluntário. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 4 3 O presente processo não se encontra maduro para julgamento por este Colegiado, em razão da existência de processos prejudiciais com capacidade de afetar as conclusões fiscais que embasaram a autuação em trâmite no âmbito deste CARF. Em primeiro lugar, evidenciase do próprio relatório que o cabimento ou não da multa lançada nestes autos depende da correção ou não das compensações transmitidas através das DCOMPs que originaram os processos nºs 13850.720112/201514 e 13884.722012/2015 27, relativos ao aproveitamento de saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano de 2012, respectivamente. Por sua vez, as DCMPs mencionadas aproveitaram prejuízos fiscais que foram objeto de glosa por parte da fiscalização, através dos Autos de Infração que originaram os processos nº 13850.720178/201504 (IRPJ 2012) e 13850.720207/201520 (CSLL 2012) o que evidencia a prejudicialidade destes em relação àqueles, que por sua vez são prejudiciais ao julgamento da correção ou não da multa isolada. É preciso frisar que todos os cinco processos se encontram sob minha relatoria, e serão pautados e julgados conjuntamente. Entretanto, os processos decorrentes dos autos de infração não se encontram em condição de julgamento, pois a glosa dos prejuízos fiscais apurados em 2012 depende de duas questões prejudicias, que serão aduzidas em seguida: I) Glosa da parcela de R$ 946.643,72 do débito de estimativa do mês de junho/2012, cuja compensação declarada no PER/DCOMP n° 00052.57000.251012.1.3.17 8030, com utilização do crédito oriundo do Reintegra, objeto de pedido de ressarcimento nº 14094.76116.160712.1.1.172876, não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito indicado, nos autos do processo nº 13884.905622/201211; O contribuinte apresentou a compensação relativo a débitos de estimativa do mês de junho/2012, totalizando R$ 23.435.081,49, que foi subtraído do Lucro Real na apuração do IRPJ de 2012. Entretanto, do montante objeto do PER/DCOMP, apenas R$ 22.488.437,77 foi reconhecido pela fiscalização, restando a parcela de R$ 946.643,72 que foi glosada. O processo no qual essa glosa é discutida se encontra atualmente no CARF, pendente de distribuição desde 02/09/2016, de modo que ela não pode ser tomada por definitiva por este Colegiado. De pronto, é evidente a vinculação entre os processos em razão de decorrência, nos termos do art. 6º, §1º, II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; Entretanto, não é possível a este Colegiado requerer o apensamento deste processo aos presentes autos através da sua distribuição por dependência (art. 6º, §2º do RICARF), haja vista que a matéria é de competência da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 5 4 se tratar o REINTEGRA de um regime aduaneiro especial de exportação, nos termos do art. 4º, XVII do Anexo II do RICARF. Desse modo, tratase de hipótese clara de aplicação do art. 6º, §5º do anexo II do RICARF: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Portanto, é mister que o Colegiado decida pelo sobrestamento do presente processo na Câmara, determinando a vinculação dele ao PAF nº 13884.905622/201211, que deverá ter o seu resultado juntado a estes autos, após exarada decisão definitiva na esfera administrativa. II) Glosa da compensação de R$ 19.672.543,46 de prejuízos fiscais de períodos anteriores, conforme Sapli, porquanto o saldo compensável anteriormente disponível foi absorvido pelas infrações tratadas nos autos dos processos nºs 16561.720116/201457 (ajuste dos preços de transferência do anocalendário de 2009) e 13850.720263/201483 (lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do anocalendário de 2010). A despeito da presente questão não ter sido esclarecida devidamente no relatório fiscal, a DRJ trouxe os fundamentos jurídicos para a glosa dos prejuízos fiscais aproveitados pelo contribuinte, nos seguintes termos (fls. 2782/2783): Inexistia qualquer valor compensável em 31/12/2011 e 31/12/2012 porquanto o saldo de R$ 114.079.447,84 de prejuízos fiscais existente em 31/12/2008 foi compensado pela interessada com o lucro real declarado nos anoscalendário de 2009 (R$ 256.392.194,80), 2010 (R$ 48.541.459,78) e 2011 (R$ 13.901.023,52) e o saldo remanescente foi integralmente absorvido pelas autuações tratadas nos processos nºs 16561.720116/201457 (R$ 50.472.907,88) e 13850.720263/201483 (R$ 15.188.214,94): No processo nº 16561.720116/201457 foi tributado o ajuste de R$ 50.472.907,88 decorrente da aplicação de método de preços de transferência no ano calendário de 2009, relativamente a custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior, tendo a exigência correspondente sido integralmente mantida por este colegiado em sessão também realizada em 16/01/2017, por meio do Acórdão 0656.615 da 1ª Turma da DRJ/Curitiba. Quanto ao processo nº 13850.720263/201483, foi apurada a diferença de R$ 15.188.214,94 de lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do ano calendário de 2010 (fls. 27152731), tendo esta exigência absorvido a parcela de R$ 4.556.464,49 do saldo de prejuízos fiscais nos autos do processo nº 13884.721004/201300. Considerando que a contribuinte, cientificada por via postal em 04/08/2014, optou por não apresentar impugnação, foi declarada a revelia na forma prevista no artigo 21 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto ao segundo processo, a própria DRJ informa o seu trânsito em julgado na esfera administrativa. Todavia, o processo nº 16561.720116/201457 se encontra atualmente no CARF, indicado para pauta em Maio/2018, sob a relatoria do Conselheiro Luiz Toselli. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13850.720183/201517 Resolução nº 1301000.609 S1C3T1 Fl. 6 5 Verificase que parte dos prejuízos fiscais utilizados pelo contribuinte foram glosados em razão do processo nº 16561.720116/201457, razão pela qual o mesmo se torna prejudicial para o deslinde deste feito, podendo afetar negativamente o saldo positivo de IRPJ calculado pela fiscalização. Desse modo, é o presente processo deve também ser sobrestado até que o processo nº 16561.720116/201457 seja definitivamente julgado na esfera administrativa. Após o seu trânsito em julgado administrativo, deve a sua decisão final ser juntada a estes autos. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até o julgamento definitivo dos processos administrativos: a) 13884.905622/201211 e b) 16561.720116/201457. Após o trânsito em julgado desses processos, cópia da decisão definitiva deverá ser juntada aos presentes autos, retornando o processo a este relator para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
