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Numero do processo: 13971.908588/2009-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial..
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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REQUISITOS. Recorrente HENNINGS VEDAÇÕES HIDRÁULICAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 85 88 /2 00 9- 52 Fl. 486DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340300.988, de 02/06/2011, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINACIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Intimada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo presidente da 3ª Turma. Irresignada, insurgiuse contra o entendimento de que a DCTF retificadora é o documento hábil para comprovar oriundo do pagamento a maior. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180300.250. O exame de admissibilidade do recurso encontrase à fl. 475. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 477/482) É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que, a despeito da retificação da DCTF, a Recorrente não logrou comprovar, mediante a entrega de documentação hábil, o crédito que pretendia compensar, o paradigma concluiu que, para a mesma situação (aqui, tratase de retificação de DIPJ), mas havendo a comprovação das retenções do imposto (origem do crédito lá reclamado), as compensações vinculadas deveriam ser homologadas. Vejam os seguintes parágrafos de cada qual: Acórdão recorrido: A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, sem apresentar provas documentais a comprovar as suas alegações. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13971.908588/200952 Acórdão n.º 9303006.262 CSRFT3 Fl. 486 3 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes na DCTF. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Acórdão paradigma: A nosso juízo, portanto, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Os acórdãos confrontados tratam de situações diversas: num caso, houve a comprovação do crédito mediante a análise de documentos colacionados aos autos pelo contribuinte; no outro, não. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 488DF CARF MF 4 Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900345/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2006
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 45 /2 01 2- 91 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900345/201291 Acórdão n.º 3301004.223 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.758. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900345/201291 Acórdão n.º 3301004.223 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900345/201291 Acórdão n.º 3301004.223 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002000/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE.
Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei
9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido.
Numero da decisão: 1402-000.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.002000/200773 Acórdão n.º 140200.620 S1C4T2 Fl. 2 2 do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.002000/200773 Acórdão n.º 140200.620 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso contra decisão de primeira instância que indeferiu a solicitação de liquidação de 50% do débito de ITR com Títulos de Dívida Agrária, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: DO PAGAMENTO DO ITR COM TDA. Nos termos da IN Conjunta SRF/STN n° 01/01, para pagamento do ITR por meio de TDA, exigese que o pagamento da outra parte (50%) seja realizado em espécie, não havendo como aceitar que o mesmo seja feito através de compensação, conforme pretendido. O requerimento de pagamento de 50% do ITR com TDA escritural é datado de 25.10.2007. Conforme recibo de entrega de declaração do ITR do exercício de 2007, apresentada em 26.09.2007, relativa ao imóvel rural de NIRF n° 31892752,foi apurado o imposto de R$ 75.922,47 a ser pago em duas cotas, no valor de R$ 37.961,24. Na mesma data foi apresentada Declaração de Compensação, com o objetivo de compensar o valor de R$ 69.839,46, cujo respectivo crédito corresponde a saldo negativo do anocalendário de 2005, no valor original de R$ 56.793,90. O valor total do saldo negativo desse anocalendário informado é de R$ 444.882,31. Os débitos informados na DCOMP referemse aos números de imóvel: (i) 31892752, no valor de R$ 37.961,24, (ii) 33931364, no valor de R$ 5.914,66, (iii) 2569970 9, no valor de R$ 24.213,35, (iv) 31892825, no valor de R$ 1.117,94, e a Contribuições sociais retidas na fonte, no valor de R$ 632,27. Consta informação da autoridade administrativa de que a declaração de compensação encontravase em análise manual. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 29.08.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 26.09.2008. A recorrente alega que a exigência prevista no art. 3º, § 1º, I, da IN Conjunta SRF/STN nº 01/01, de que os outros 50% fossem pagos em espécie, seria manifestamente ilegal, em ofensa ao princípio da estrita legalidade (art. 5º, II, 37, caput, e 150, I, da CF e art. 97 do CTN) porque violaria o art. 156, do CTN, o art. 74 da Lei 9.430/96, bem como, o art. 105, § 1º, a, da Lei 4.504/64, e o art. 11, I, do Decreto 578/92. Afirma que os dispositivos legais que autorizaram o pagamento de 50% com TDA, não condicionam o pagamento do restante do imposto, em espécie, por meio de DARF, de onde concluiu que o pagamento do restante do imposto deverá se dar nos termos da legislação vigente; e que no caso concreto, procedeu à compensação com saldo negativo do IRPJ, mediante a apresentação da DCOMP, com observância do que dispõe o art. 156, II, do CTN, que traz a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário e com a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.002000/200773 Acórdão n.º 140200.620 S1C4T2 Fl. 4 4 observância do art. 74 da Lei 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 10.637/02, e da IN SRF 600/2005. Aduz, que a IN SRF/STN nº 01/01, ao extrapolar as disposições das leis que pretendeu regulamentar, também fez letra morta do art. 99, do CTN, que não admite que atos normativos regulamentares, como as Instruções Normativas alterem as disposições das leis em função das quais tenham sido expedidos. Salienta que a negativa do procedimento adotado pela recorrente afrontaria a vinculação a que está sujeita a autoridade administrativa, por força do art. 2º, I, da Lei 9.784/99. Pede a reforma da decisão para: a) que seja deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural; b) que seja aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e atende às condições de admissibilidade. O presente processo foi encaminhado originalmente à Segunda Seção e foi encaminhado à Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, uma vez que o ITR declarado foi compensado com TDA(50%) e a outra metade, com saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica. Inicialmente devese apreciar se a competência para julgamento de recurso contra decisão de primeira instância, que indeferiu pedido de pagamento de 50% do ITR com TDA, é ou não desta Seção. De acordo com o art. 2º, VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a competência para julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência das demais Seções, compete à Primeira Seção. Tendo em vista que o pagamento de 50% do ITR com TDA, não está incluída na competência das demais Seções, de que tratam os arts. 3º e 4º do mesmo Regimento, a competência para apreciação dessa matéria é mesmo da 1ª Seção. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.002000/200773 Acórdão n.º 140200.620 S1C4T2 Fl. 5 5 Observese que se discute a possibilidade do pagamento de 50% do ITR com Títulos da Dívida Agrária, e em vez do pagamento em espécie dos outros 50% do ITR, se possa compensar a outra metade do ITR, com créditos relativos a tributos administrados pela SRF. Ou seja, o fato da compensação se dar com saldo negativo do imposto de renda em vez de outro tributo é indiferente. A compensação do saldo negativo foi formalizada por meio de DCOMP, sendo que segundo informação da autoridade administrativa, à época, a declaração de compensação encontravase em análise manual. Portanto, o direito à compensação do saldo negativo não é discutido neste processo. Caso se julgue que é possível a compensação da outra metade do ITR com tributos administrados pela Receita Federal, é que se deve verificar se a compensação foi ou não homologada, não sendo a mesma objeto de discussão no presente processo. A IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001, dispõe sobre o pagamento de até 50% do ITR com Títulos de Dívida Agrária. A referida Instrução Normativa foi editada com base na alínea “a” do § 1º do art. 105, da Lei 4.504, de 30/11/64 e no inciso I, art. 11, do Decreto 578, 24/06/92. Esses dispositivos dispõem: A Lei 4.504, de 30/11/64 dispõe sobre o Estatuto da Terra e dá outras providências. Art. 105. Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos, denominados Títulos da Dívida Agrária, distribuídos em séries autônomas, respeitado o limite máximo de circulação equivalente a 500.000.000 de OTN (quinhentos milhões de Obrigações do Tesouro Nacional). (Redação dada pela Lei nº 7.647, de 19/01/88) § 1° Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural; O Decreto 578, de 24/06/92, dá nova regulamentação aos Títulos de Dívida Agrária. Art. 11. Os TDA poderão ser utilizados em: I pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural; Art. 15. Os Ministros da Economia, Fazenda e Planejamento e da Agricultura e Reforma Agrária poderão expedir as instruções necessárias à fiel execução do presente decreto. Determina a IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.002000/200773 Acórdão n.º 140200.620 S1C4T2 Fl. 6 6 Art. 1o O contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) poderá pagar até cinqüenta por cento desse imposto com Títulos da Dívida Agrária (TDA). § 1o Somente serão aceitos TDA escriturais, sendo vedado o seu fracionamento. Art. 3o Para solicitação de pagamento do imposto com TDA deverá ser utilizado, obrigatoriamente, o formulário cujo modelo de requerimento consta do Anexo I desta Instrução. § 1o O requerimento será instruído com os seguintes documentos: I Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido; A IN exige que o requerimento de pagamento de até 50% do ITR, seja instruído com o DARF, correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido. Entretanto, não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, cujos dispositivos que interessam a este julgado estão acima transcritos, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com TDA, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie. Tendo a outra parte do ITR sido compensada com saldo negativo do imposto de renda, cuja DCOMP não está em apreciação neste processo, e levando em conta que, nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, deve ser rejeitada a prejudicial de que o pagamento do restante do débito de ITR, tenha que ser pago, em espécie, e os autos devem retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. Assim, tendo a recorrente, pedido a reforma da decisão para que fosse deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural e que fosse aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação com saldo negativo do imposto de renda, devese dar provimento parcial ao recurso, uma vez que outras condições devem ser atendidas para atendimento do seu pleito, que não foram apreciadas pela autoridade administrativa. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.002000/200773 Acórdão n.º 140200.620 S1C4T2 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16327.721275/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
AUTO DE INFRAÇÃO HÍGIDO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa.
Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação.
Numero da decisão: 1302-002.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO HÍGIDO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa. Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 6.096 1 6.095 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721275/201441 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.556 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ E CSLL Recorrente BANCO BRADESCO CARTÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO HÍGIDO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa. Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 75 /2 01 4- 41 Fl. 6096DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.097 2 Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da DRJ/BHE a seguir transcrito, complementandoo ao final, litteris: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1806 a 1818, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 87.680.342,19, assim discriminado: Lançamentos TRIBUTO JUROS MULTA TOTAL IRP J 24.765.100,27 11.461.288,4 0 18.573.825,2 0 54.800.213, 87 CSL L 14.859.060,16 6.876.773,04 11.144.295,1 2 32.880.128, 32 87.680.342, 19 Segundo a “ Declaração dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, as fls.1807, foram imputadas à interessada as seguintes infrações: 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas não comprovadas apuradas conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 98.106.779,21 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei e 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 0002 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Perda no recebimento de créditos deduzida indevidamente, por inobservância dos requisitos legais, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 953.621,87 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3° da Lei n°9.249/95. Fl. 6097DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.098 3 Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 340 do RIR/99 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. O lançamento está sendo realizado no Banco Bradesco Cartões S/A, por motivo de incorporação de créditos tributários devidos pelo Banco Bankpar S/A, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Com respeito à CSLL, conforme fls. 1814, o Auto de Infração assim descreve a infração apurada: 0001 CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS. CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO COMPROVADOS Despesas não comprovadas apuradas conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 98.106.779,21 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90 Art. 57 da Lei n°8.981/95, com as alterações do art. 1° da Lei n°9.065/95 Art. 2° da Lei n°9.249/95. Art. 1° da Lei n°9.316/96; art. 28 da Lei n°9.430/96 Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n°11.727/08 0002 CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS Perda no recebimento de créditos deduzida indevidamente, por inobservância dos requisitos legais, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 953.621,87 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90 Art. 57 da Lei n°8.981/95, com as alterações do art. I° da Lei n°9.065/95 Art. 2° da Lei n°9.249/95. Art. 1° da Lei n°9.316/96; art. 28 da Lei n°9.430/96 Art. 3° da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n°11.727/08 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Termo de Verificação Fiscal Os procedimentos e verificações realizados no curso da ação fiscal, bem como as conclusões que dela resultaram, estão relatados no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 1819 a 1845, do qual se reproduzem os seguintes excertos: Fl. 6098DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.099 4 10. Perdas em operações de crédito: 10.1. Diante do acima exposto, constato que o contribuinte incorreu na seguinte infração relativa a Perdas em Operações de Crédito: 10.2. Deduziu como Perda, no AC: 2009, ficha 09 e 17, 26 registros no montante de R$ 953.621,87, em Operações de Crédito, no entanto, com inobservância dos requisitos legais, uma vez que não cumpriu o disposto na alínea c, inciso II, do § 1º do art. 9° da Lei n° 9.430/96, ou seja, não foi comprovada a existência de procedimento judicial, iniciado ou mantido, para seu recebimento, de créditos sem garantia de valor, superior a R$ 30.000,00, por operação. 11. Outras despesas operacionais: 11.1. Dedutibilidade de despesas: a) São consideradas despesas dedutíveis aquelas operacionais necessárias à atividade da empresa e a manutenção da fonte produtora; São consideradas despesas indedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro às relacionadas a provisão, exceto as definidas em lei. (...) c) Entendese por despesa incorrida: a) a que resulta de obrigação formalmente contratada, líquida e certa, vencida ou não; b) seja precisamente quantificável; c) independa de evento futuro e incerto, que possa eliminar a respectiva obrigação, verificandose automaticamente seu vencimento (decurso de prazo, para exemplificar); e d) possua titular (credor) identificado precisamente. Despesa incorrida tem existência, liquidez e certeza. A existência diz respeito à perfeição de uma relação jurídica decorrente da realização de um ato ou negócio jurídico (abstraída a questão da validade) , pelo qual o contribuinte (como sujeito passivo da relação jurídica decorrente obrigase a prestar algo de forma incondicional; logo, a existência diz respeito a uma prestação, e a despesa é uma decorrência dela. A liquidez da prestação diz respeito à circunstância de poder ela ser exigível, segundo o direito aplicável à espécie. No que tange à certeza, ela pode ser qualitativa ou quantitativa; ou seja, tanto pode dizer respeito quanto à existência do negócio jurídico incondicional, como pode referirse a alguma incerteza sobre a prestação ou sua exigibilidade. Dizse que algo goza de presunção de certeza quando ele é determinado ou objetivamente determinável. 11.2. Da análise da DIRF, AC: 2009 versus as despesas operacionais da ficha 05 da DIPJ, constato que: a) Os valores declarados como rendimentos pagos a beneficiários é muito menor do que os valores das despesas operacionais informados na Linha 30 Ficha 05 da DIPJ. b) Na resposta de 25/10/2013, em atenção ao Termo de Intimação de 08/10/2013, item 5 — o contribuinte informa que está apresentando os contratos que correspondem aos maiores dispêndios dentre os valores registrados na lista das contas do razão que compõem a linha 30 da ficha 05 da DIPJ citados no item I da referida intimação. Na mesma resposta, ao alegar a dificuldade em apresentar as Notas fiscais que representam 70% do valor das despesas, apresenta a DIRF, como comprovante dos pagamentos aos fornecedores em 2009. c) Os 3 (três) contratos citados como sendo os correspondentes aos maiores valores pagos a fornecedores, constato em consulta a DIRF não demonstrarem ser os maiores valores. 11.3. Itens 4 e 5 Programa de Milhagem: Fl. 6099DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.100 5 a) Do razão apresentado na resposta de 25/10/2013, constatei que a maior parte dos valores corresponde ao seguinte histórico: conversão das atividades em dólar para reais. b) Para fins de considerar a despesa como dedutível, entendo que a documentação apresentada é insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida, portanto, configura despesa com provisão que é considerada indedutível. Os documentos 1 (controle gerencial Dólar x Reais) e 2 (Provisão de milhagem 01/09 e 12/208) apresentados, procuram demonstrar apenas o cálculo do valor registrado como despesa de provisão, no entanto não foram apresentados documentos hábeis a caracterizar a despesa como dedutível pois não foi comprovada a sua ocorrência. Ou seja, se os pontos do programa foram resgatados para pagamento a fornecedores, no montante do valor provisionado, para fins de considerar a despesa efetiva, essa não foi comprovada. c) O valor registrado também não caracteriza despesa com variação monetária passiva em função da taxa de câmbio, cuja despesa está prevista no art. 377 do RIR/99, tendo em vista que o valor registrado corresponde aos pontos de milhagem versus o valor do câmbio para transformálos em reais, e não a uma variação do valor dos pontos em reais entre duas datas devido a variação cambial. 11.4. Item 8 Bônus Clube: a) Na conta: 8.1.9.99.00.6.8546 foi reconhecida a despesa de R$ 2.225.348,05, e considerado indedutível, pelo contribuinte, o montante de R$ 1.181.696,05, por tratarse de provisão, sendo adicionado no LALUR e LACS de 2009. b) Considero que a documentação apresentada é insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida/paga, portanto o montante de R$ 1.043.651,95 deve ser considerado como despesa indedutivel por caracterizar provisão. 11.5. Item 3 — Outras despesas diversas, conta: 8.1.9.99.00.6.7027: a) Na conta: 8.1.9.99.00.6.7027 foi reconhecida a despesa de R$ 6.475.200,65, considerado indedutivel, pelo contribuinte, o montante de R$ 36.088,58, por tratarse de provisão, sendo adicionado no LALUR e LACS de 2009. b) Considerando que a documentação apresentada é insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida, /paga, portanto o montante de R$ 6.439.112,07 deve ser considerado como despesa indedutivel por caracterizar provisão/ou despesa não comprovada. Não foi apresentado contrato, fatura/nota fiscal, comprovante de pagamento. A Empresa Fidelity Processadora de serviços S/A não consta da relação de beneficiários da DIRF, AC: 2009. 11.6. Item 6— Corporate Rebates, conta 8.1.9.99.00.6.7221: a) Nesta conta foi reconhecida a despesa de R$ 3.473.149,48, e considerado indedutivel, pelo contribuinte, o montante de R$ 338.455,24, por tratarse de provisão, sendo adicionado no LALUR e LACS de 2009: b) Na relação de registros na conta de despesa acima citada, já foram considerados como débito e crédito os valores correspondentes a pagamento, de notas fiscais, portanto o saldo devedor da conta representa o registro de provisões, ademais a documentação apresentada é insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida, / paga. Por conclusão, considero indedutivel o montante de R$ 3.134.694,24. 11.7. Item 7— Plano de Assistência Global Assistencial, conta 8.1.9.99.00.6.9020: a) Nesta conta foi reconhecida a despesa de R$ 9.532.452,13, sendo considerado dedutivel, pelo contribuinte, o montante total, pois não há registros de adições no LALUR e LACS de 2009. No entanto, observo que dos valores registrados nesta conta, existe um saldo de provisão no valor de R$ 2.828.881,61, que considero que a documentação apresentada é insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida/paga. Fl. 6100DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.101 6 12. Despesas com Promoções e Relações Públicas: a) Considero que a documentação apresentada é insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida,/ paga, portanto o montante de R$ 9.478.223,37 deve ser considerado como despesa indedutivel por caracterizar como despesa não comprovada ou despesas com provisão. Não foi apresentado contrato, fatura/nota fiscal, comprovante de pagamento Impugnação Ciente do lançamento em 12 de dezembro de 2014 (fls. 1849), a interessada apresentou, em 13 de janeiro de 2015, impugnação a fls. 1853 a 1888, alegando, em síntese e fundamentalmente, o seguinte: · Inicialmente esclarece que não é objeto da presente impugnação a infração relativa ao item 10 do Termo de Verificação Fiscal, "Perda em operações de crédito", no valor de R$ 953.621,87, uma vez que por razões exclusivamente gerenciais foi objeto de pagamento; · Sendo assim, a defesa referese apenas à infração que trata de glosa de despesas efetivamente incorridas pelo impugnante, no valor total de R$ 98.106.779,21, dividas entre "Outras despesas operacionais Ficha 05/30 (R$ 88.628.555,84)" e "Promoções e relações públicas Ficha 05/23 (R$ 9.478.223,37)"; · Esclarece, ainda, que identificou na defesa os itens impugnados de acordo com a numeração adotada pela fiscalização no TVF, para cada despesa glosada; DESPESAS RELATIVAS A PROGRAMA DE MILHAGENS Item 11.3 do TVF Representa a maior importância glosada no valor de R$ 75.182.215,97; · Que as despesas com programas de milhagem referemse ao programa de recompensa conhecido como Membership Rewards relativo ao cartão de crédito American Express (Amex); · Que pelo referido programa, todos os gastos dos titulares dos cartões transformamse em pontos que podem ser resgatados para uso em diárias em hotéis, produtos diversos constantes de catálogo, ingressos para cinema, teatro ou shows, restaurantes, passagens aéreas, locações de veículos, doações para instituições beneficentes ou mesmo na prestação de determinados serviços exclusivos aos associados; · Que para a implementação do programa Membership Rewards o Impugnante firmou diversos contratos com fornecedores dos mais variados ramos como TAM, Varig/Gol, World Line Comercial WLC, Lojas Americanas, Supermercado extra e Academia de ginástica Competition; · Que os fornecedores disponibilizam a recompensa aos associados Amex mediante o contrato firmado e o impugnante lhes paga os respectivos preços mediante nota fiscal/fatura de venda; · Que inicialmente a impugnante controla os valores relativos ao programa de milhagem em questão em contas de provisão para o desembolso que terá com os seus fornecedores, e após o associado Amex efetuar o pedido de resgate de seus pontos, o valor correspondente é contabilizado em uma conta redutora (lançamento a débito) do Fl. 6101DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.102 7 programa pontuação, e a contrapartida se dá no grupo de contas a pagar aos diversos fornecedores parceiros. Quando do pagamento aos fornecedores ocorre a baixa do respectivo passivo e o desembolso financeiro com a conseqüente dedução da despesa suportada tanto do cálculo do IRPJ como da CSLL; · Que na visão da fiscalização os valores pagos aos referidos parceiros não poderiam ser deduzidos porque a documentação suporte apresentada pela impugnante seria insuficiente a comprovar a efetividade da despesa incorrida; · Que ao contrário do entendimento fiscal as despesas suportadas pelo impugnante com o referido programa são efetivas e suportadas por documentação fiscal suficiente, que informa terem sido anexadas (does 7 e 8), solicitando o cancelamento da glosa de tais despesas; DESPESAS INCORRIDAS COM BÔNUS CLUBE ITEM 11.4 DO TVF · Que o Bônus Clube é um programa de fidelidade que visa a conceder ao participante, titular de cartão de crédito, a troca de média de valor gasto por prêmios cujo direito é estipulado conforme o valor de gastos mensais, que permite o resgate por produtos constantes de catálogo conforme as faixas de gastos dividas em Bônus, Super Bônus e Mega Bônus; · Que a glosa relativa a tal programa Bônus Clube apresenta o valor de R$ 1.043.651,95, sob a justificativa de que a documentação apresentada pela impugnante seria insuficiente para caracterizar a despesa como incorrida/paga, de modo que tal montante deveria ser considerado como despesa indedutível por caracterizar provisão; · Que discorda da fiscalização, pois suportou tais dispêndios efetuados com o pagamento dos prêmios resgatados pelos titulares de cartão Amex conforme notas fiscais que seguem anexas (doe 9); · DESPESAS INCORRIDAS A TÍTULO DE "OUTRAS DESPESAS DIVERSAS" ITEM 11.5 DO TVF Que o valor glosado pela fiscalização totaliza 6.439.112,07; · Que na conta 8.1.9.99.00.6.7027 "Outras despesas diversas", foi contabilizada provisão de faturamento de serviços prestados pela empresa Fidelity Processadora e Serviços S.A., que por ter executado apenas parcialmente os serviços contratados acabou por gerar a provisão de 50% do valor devido; · Que a fiscalização considerou que os lançamentos de contrapartida daquela conta de provisão se deram exclusivamente na conta 4.9.9.92.00.7.500.7 "Provisão Contas a Pagar Estimativa"; · Que conforme razões anexos (doe 10), ao contrário do afirmado, a contrapartida do lançamento efetuado se deu também em outras contas patrimoniais; · Que o total da despesa contabilizada na conta 8.1.9.99.00.6.7027 é de R$ 6.475.200,65. E na glosa efetuada, a fiscalização descontou apenas o montante de R$ Fl. 6102DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.103 8 36.088,58, por entender tratase de valor de provisão devidamente adicionada na base de cálculo dos tributos autuados; · Entretanto, o referido valor de R$ 36.088,58, adicionado no item 2.03 da parte A do LALUR/LACS (doc 11), subitem 015.039 "Provisão Contas a Pagar Estimativa", diferentemente do entendido pela fiscalização, representa em realidade o saldo da movimentação de todas as contas de provisão de contas a pagar estimadas do ano de 2009, nele estando compreendidas também os valores das contas cuja soma perfaz R$ 6.475.200,65, por se tratar de provisões que não foram revertidas pelo impugnante (doc. 10), devendo o valor glosado de R$ 6.439.112,07 ser cancelado; · DESPESAS INCORRIDAS A TÍTULO DE CORPORATE REBATES ITEM 11.6 DO TVF Que o valor glosado em relação à esta despesa foi no total de R$ 3.134.694,24; · Que de acordo com o descrito no TVF, na conta 8.1.9.99.00.6.7221 "Corporate Rebates", foi reconhecida a despesa de R$ 3.473.149,48, e a impugnante considerou indedutível o montante de R$ 338.455,24, por tratarse de provisão, sendo adicionado ao LALUR/LACS de 2009; · Que, contudo, a fiscalização não entendeu o procedimento adotado pela impugnante; · Que num primeiro momento, todo final de mês é feito um lançamento a débito na conta 8.1.9.99.00.6.9020 correspondente a uma estimativa dos gastos com "corporate rebates" que serão pagos no mês seguinte, sendo a contrapartida um lançamento a crédito na conta de passivo 4.9.9.92.00.7.5139 "provisão corporate rebates"; · Que num segundo momento, à medida em que a impugnante efetivamente recebe e paga as notas fiscais correspondentes, o respectivo valor é lançado a débito naquela conta 4.9.9.92.00.7.5139, sendo a contrapartida um lançamento a crédito na conta caixa o valor inicialmente contabilizado na conta 8.1.9.99.00.6.9020 não é alterado em razão destes pagamentos; · Que ao fmal do anobase, o saldo de movimentação no exercício daquela conta 4.9.9.92.00.7.5139, que como visto corresponde ao valor das provisões contabilizadas na conta 8.1.9.99.00.6.9020 que não foi objeto de pagamento, é então adicionado ao Lucro real e à base de cálculo da CSLL via LALUR/LACS (doc 11); · Que referida conta 4.9.9.92.00.7.5139, na qual foram contabilizadas a crédito as provisões como contrapartidas da conta "Corporate rebates" e a débito os pagamentos efetivamente realizados, conforme razões anexos (doc.12), no ano de 2009 registrou um saldo de R$ 338.455,24 que foi devidamente adicionado tanto para fins de cálculo de IRPJ como CSLL, por se tratar de provisão; DESPESAS INCORRIDAS A TÍTULO DE PLANO DE ASSISTÊNCIA GLOBAL, ITEM 11.7 DO TVF Que o valor glosado referente a tal despesa foi de R$ 2.828.881,61; Fl. 6103DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.104 9 · Que o erro incorrido pela fiscalização tem como base o mesmo equivoco já mencionado acima, de pretender apurar o valor de provisão a ser adicionado a partir da conta 8.1.9.99.00.6.9020, quando o controle das despesas efetivamente incorridas e do saldo desta provisão a ser adicionado em realidade é feito nas contas do passivo; · Que o valor glosado é composto por "REVERSÃO DE PROVISÃO EM JANEIRO/2009" no valor de (R$ 247.061,38) e "CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO EM DEZEMBRO/2009" no valor de R$ 3.075.942,99, totalizando R$ 2.828.881,61; · Que o valor de R$ 3.075.942,99, lançado a débito naquela conta como "Provisão de despesa no Mês", possui duas contas destinos para as suas contrapartidas, a crédito, sendo 4.9.9.92.00.7.500 7 "PROVISÃO CONTAS A PAGAR ESTIMATIVA" no valor de R$ 1.247.100,43 e 4.9.9.92.00.7.3500 "CDP CARTÃO FORNECEDORES DIVS" no valor de R$ 1.828.842,56; · Que os lançamentos contábeis relativos às despesas com plano de assistência global foram semelhantes aos demonstrados em relação ao "corporate rebates", apenas com urna particularidade: as provisões estimadas lançadas à débito davam origem a créditos em duas contas de passivo; · Que a comprovação do exposto acima se dá pela constatação de que o saldo da conta "PROVISÃO CONTAS A PAGAR ESTIMATIVA", no total de R$ 1.247.100,43, está compreendido no saldo de R$ 36.088,58, adicionado no item 2.03 da parte A do LALUR, subitem 015.039, já que representa o saldo da movimentação de todas as contas de provisão de contas a pagar estimadas do ano de 2009; · Já os valores controlados na conta "CDP CARTÃO FORNECEDORES DIVS", por representarem valores cuja despesa foi efetivamente incorrida desde logo, não deram origem a adições, e foram acertadamente deduzidos pelo impugnante com suporte documental nas notas fiscais anexas (doc. 13); DESPESAS INCORRIDAS A TÍTULO DE PROMOÇÕES E RELAÇÕES PÚBLICAS, ITEM 12 DO TVF Que o valor glosado referente a tal despesa foi de R$ 9.478.223,37; · Que os valores relativos à glosa em questão, conforme razão anexo (doc.14), foram registrados na conta 8.1.7.42.00.2.0077 "EVENTOS PROMOCIONAIS", da qual 91,96% referese à Despesa de Propaganda e Publicidade glosada relativa ao Cirque du Solei, espetáculo do qual o impugnante foi patrocinador; · Que em 13 de maio de 2008 foi firmado contrato com a empresa "Time for Fun" referente à contratação da cota "Apresenta" do espetáculo do Cirque du Solei Quidam na temporada 2009/2010, pelo valor de R$ 24,5 milhões, equivalentes a US$ 14,785 milhões na data da assinatura para os cartões Amex (doc. 14); · Que referido montante contratado pelas partes foi pago pela impugnante da seguinte forma: PERCENTUAL VENCIMENTO DATA EMISSÃO NOTA VALOR Fl. 6104DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.105 10 FISCAL ATUALIZADO PELA VARIAÇÃO CAMBIAL 24,50% 15/07/2008 22/07/2008 R$ 5.729.793,69 37,75% 01/01/2009 15/01/2009 R$ 13.043.586,00 37,75% 01/01/2010 20/008/2010 R$ 9.718.225,81 R$ 28.491.605,50 · E, considerando que a turnê Quindam teve duração de 13 meses, com início em 11/06/2009 e término somente em 06/06/2010, o procedimento adotado pelo contribuinte foi de apropriar mensalmente, pelo tempo de duração da turnê, os valores de despesa referente à segunda e terceira parcelas, de modo que descontado o valor do sinal que já havia pago de R$ 5.729.793,68, chegouse ao saldo de R$ 17.602.414,82; · Que o Impugnante amortizou em 13 parcelas na conta 8.1.7.42.00.2.007 7 "EVENTOS PROMOCIONAIS", o apontado saldo de despesa no valor de R$ 17.602.414,82, cujo acumulado no mês de dezembro de 2009 correspondeu à despesa glosada de R$ 9.478.223,37; · Que discorda da fiscalização, pois apresenta a prova do aludido contrato com a empresa "Time for Fun", bem como das notas fiscais que foram emitidas para o pagamento dos valores negociados por meio daquele contrato (doc. 14), cujas despesas correspondentes foram apropriadas por regime de competência; · Por fim, na qualidade de sucessora, discorda do lançamento de multa por suposta infração cometida pela incorporada, com base no artigo 132 do CTN que prevê que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos; · Bem como, discorda da incidência de Juros de Mora sobre a multa de oficio; A DRJ ao apreciar a impugnação da recorrente, julgoa improcedente com base nos seguintes argumentos, litteris: Infração Glosa de despesas não comprovadas Quanto à de glosa de despesas, no valor total de R$ 98.106.779,21, dividas entre "Outras despesas operacionais Ficha 05/L30 (R$ 88.628.555,84)" e "Promoções e relações públicas Ficha 05/L23 (R$ 9.478.223,37)", conforme o termo de Verificação Fiscal temse que a autoridade Fiscal, após intimações enviadas à contribuinte, realizou tais glosas sob a alegação de que a documentação apresentada foi considerada insuficiente para comprovar a despesa como incorrida/paga. Por sua vez a impugnante alega ter juntado nos autos documentação probante que demonstra que as despesas foram corretamente deduzidas. Da análise dos autos, verificase que a contribuinte anexou, entre as fls. 1916 e 4149, cópias simples de contratos, notas fiscais e razões parciais. Sendo válido destacar que além das cópias não estarem autenticadas, parte está ilegível. Fl. 6105DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.106 11 Importante frisar que em toda documentação anexada pela contribuinte com o intuito de comprovar sua alegação, consta o carimbo de "SEM ATESTE" e em algumas folhas consta também o carimbo de "DOCUMENTO ILEGÍVEL". Vejamos o que diz o inciso III e §§ 4° e 5°, do artigo 16 do decreto 70.235/72 (PAF), quanto às provas a serem apresentadas na impugnação: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de/ato e de direito em que se fim da menta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnacão, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (...) Portanto, como a documentação apresentada não está autenticada e, em parte ilegível, entendo que a Impugnante não trouxe elementos suficientes para se formar a convicção acerca da correção desta falta. Sucessão – Multas A impugnante sustentou que, na qualidade de sucessora, jamais poderia ser exigida da mesma a multa por infração supostamente cometida por empresa por ela incorporada. O artigo 132 do CTN, assim dispõe: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas." O dispositivo acima transcrito estabelece que a sucessora se torna responsável pelos tributos devidos pela sucedida, mas não dispõe expressamente sobre a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Entretanto, é importante observar que o art. 132 do CTN está inserido na Seção Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V Responsabilidade Tributária, do Título II Obrigação Tributária, do Livro Segundo Normas Gerais de Direito Tributário, do Código Tributário Nacional. A referida Seção se inicia com o artigo 129, que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas à "Responsabilidade dos Sucessores" (art. 130 a 133) e assim prescreve: Fl. 6106DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.107 12 "Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data." (g.n.) Na leitura desse dispositivo, observase que a sucessora é responsável pelos créditos tributários constituídos em data anterior ou posterior à data do evento da sucessão, relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O conceito de crédito tributário é mais abrangente que tributo, pois inclui também a penalidade pecuniária. Tal conclusão decorre do disposto nos artigos 113, §1°, e 139 do CTN. De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal, e, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Observese que, quando o legislador teve a intenção de afastar a responsabilidade pela multa de oficio, empregou disposição expressa, a teor do art. 134, parágrafo único, do CTN. Registrese também que, ao lado da interpretação sistemática, há que se utilizar a interpretação teleológica. Entender que a sucessora não é responsável pelas multas relativas a infrações cometidas pela sucedida equivaleria a incentivar as empresas a promoverem alterações societárias para se eximirem do pagamento das penalidades pecuniárias. A respeito da questão, cabe citar o entendimento do jurista José Eduardo Soares de Melo: "Os negócios societários, implicadores de modificações básicas nas estruturas das pessoas jurídicas, também podem ocasionar a figura do responsável tributário pelos valores devidos pelos contribuintes originários, em face da impossibilidade físico/jurídica de seu cumprimento por parte destes. Esta situação encontrase prevista no CTN (art. 132): a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra, ou em outra, é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Estas modalidades de negócios societários são plenamente legítimas; decorrem de decisões particulares das pessoas jurídicas em razão de suas exclusivas conveniências pessoais. Todavia, na medida em que sejam realizadas e registradas nos órgãos competentes, ocorre o fenômeno da responsabilidade tributária, por parte das novas pessoas jurídicas, ou das remanescentes, relativamente aos débitos das antigas pessoas (contribuintes). (...) Todos os débitos tributários existentes, bem como aqueles que possam vir a ser apurados pelas Fazendas, no prazo decadencial, poderão ser exigidos das empresas resultantes dos referidos atos societários. As dívidas compreendem todos e quaisquer acréscimos (juros, atualizações, multas), a Fl. 6107DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.108 13 fim de não se burlarem manifestos interesses fazendários (de superior interesse público), sob a falsa assertiva de que a pena não deveria passar da pessoa do infrator. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), pois seria muito simples efetuar tais negócios, com o objetivo de acarretar o desaparecimento dos devedores originários, de quem nada mais se poderia exigir." (José Eduardo Soares de Melo, "Curso de Direito Tributário", Dialética, São Paulo, 1997, pp. 185186 — g.n) Logo, a análise conjunta dos artigos 132 e 129 da Seção II — Responsabilidade dos Sucessores do CTN evidencia a responsabilidade da sucessora pela multa de oficio que compõe o crédito tributário. A impugnante se insurge contra a cobrança de juros sobre a multa de oficio. Nesse mister, registrese que a incidência de juros sobre a multa de oficio está amparada nas disposições do art. 61, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo nosso) Temse que a multa de oficio constituise débito para com a União. Como visto acima, o conceito de crédito tributário é mais abrangente que tributo, pois inclui também a penalidade pecuniária. Tal conclusão decorre do disposto nos artigos 113, §1°, e 139 do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1°A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...I Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifo nosso) Decorre assim das expressas disposições legais que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, e crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária. E nem se diga que a multa de Fl. 6108DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.109 14 oficio não é uma exigência que decorre da exigência dos tributos e contribuições. Na verdade, a exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de oficio. Assim, tendo em conta que a multa de oficio é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela RFB, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio a partir de seu vencimento. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4197/4241) em 24/12/2015, pedindo, preliminarmente, a nulidade da decisão de 1ª instância em virtude da preterição do seu direito de defesa haja vista o não enfrentamento pela DRJ dos documentos acostados pela recorrente com o intuito de provar o alegado, e, no mérito, a total improcedência do Auto de Infração lastreando seus fundamentos no que já foi suscitado na sua impugnação, fazendo contrapontos a decisão recorrida afim de melhor elucidar as questões a serem apreciadas por este Egrégio Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Atentandose para os presentes autos, assiste razão ao Recorrente no que se refere ao cerceamento do seu direito de defesa. Vejamos. Compulsando o relato do processo, resta evidenciado que em nenhum momento nos presentes autos, mesmo após a apresentação de documentos durante a fiscalização e em sede de impugnação, foi enfrentado pela DRJ o acervo probatório anexado pelo contribuinte na sua impugnação. Mesmo com a apresentação de documentos que aparentemente comprovam que a despesa foi incorrida, a DRJ se negou a analisar a validade dos argumentos do contribuinte, afirmando genericamente que: Quanto à de glosa de despesas, no valor total de R$ 98.106.779,21, dividas entre "Outras despesas operacionais Ficha 05/L30 (R$ 88.628.555,84)" e "Promoções e relações públicas Ficha 05/L23 (R$ 9.478.223,37)", conforme o termo de Verificação Fiscal temse que a autoridade Fiscal, após intimações enviadas à contribuinte, realizou tais glosas sob a alegação de que a documentação apresentada foi considerada insuficiente para comprovar a despesa como incorrida/paga. Por sua vez a impugnante alega ter juntado nos autos documentação probante que demonstra que as despesas foram corretamente deduzidas. Da análise dos autos, verificase que a contribuinte anexou, entre as fls. 1916 e 4149, cópias simples de contratos, notas fiscais e razões parciais. Sendo válido destacar que além das cópias não estarem autenticadas, parte está ilegível. Importante frisar que em toda documentação anexada pela contribuinte com o intuito de comprovar sua alegação, consta o carimbo de "SEM Fl. 6109DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.110 15 ATESTE" e em algumas folhas consta também o carimbo de "DOCUMENTO ILEGÍVEL". (...) Portanto, como a documentação apresentada não está autenticada e, em parte ilegível, entendo que a Impugnante não trouxe elementos suficientes para se formar a convicção acerca da correção desta falta. (Grifei) Vêse claramente que não houve enfrentamento pelos julgadores a quo dos documentos anexados aos autos pela recorrente. Isto é, a DRJ não analisou o mérito da autuação quanto a efetividade e necessidade das despesas aqui debatidas, a saber: cópias dos lançamentos contábeis, do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), do Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSL (LACS), dos respectivos contratos, faturas e notas fiscais (docs. 03 a 14 da Impugnação). O voto condutor do v. acórdão recorrido revela que os i. Julgadores a quo, ao arrepio do ordenamento jurídico e na contramão do princípio do informalismo que norteia o processo administrativo fiscal, desconsideraram as provas produzidas pelo Recorrente com base em mera alegação de que as cópias dos documentos juntadas aos autos não estão autenticadas, isto é, são cópias simples, além do que parte dos mesmos está ilegível. Com relação aos documentos ilegíveis, o Recorrente ressalta que das 2.233 (duas mil, duzentas e trinta e três) páginas de documentos (fls. 1916 a 4149) apenas 53 páginas estão ilegíveis, ou seja, quantidade ínfima, que representa pouco mais de 2% (dois por cento) do volume que foi apresentado. Por outro lado, com exceção desses poucos documentos ilegíveis, a r. decisão recorrida não apontou qualquer outro vício quanto à exatidão ou veracidade dos documentos que comprovam a efetividade e necessidade das despesas incorridas pelo Recorrente no anobase 2009, capaz de retirar o seu valor probante. Sob esta perspectiva, mostrase nula a decisão na forma do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235/72: "Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Ora, uma vez que os documentos não foram apreciados pela autoridade julgadora de 1ª instância, uma análise por este Conselho irá implicar verdadeira supressão de instância, o que não se pode admitir, sendo necessário o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida. O cerceamento de defesa decorre da necessidade da análise de todos os elementos probatórios apresentados pelo contribuinte que aparentemente são relevantes para o devido deslinde do presente processo, em especial à luz do princípio da verdade material, elucidado com clareza pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro em seus votos, como o abaixo transcrito do Acórdão n.º 3402003.306, de 23/08/2016, verbis: Fl. 6110DF CARF MF Processo nº 16327.721275/201441 Acórdão n.º 1302002.556 S1C3T2 Fl. 6.111 16 "12. Primeiramente, não é demais lembrar que em matéria de processo administrativo vige o princípio da verdade material, valor normativo esse que não é aqui empregado como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 13. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico extraído do fato que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos." (grifei) Conclusão Diante do exposto, voto dar provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida por ter deixado de enfrentar as provas apresentadas nos autos quando da apresentação da impugnação. Desta forma, como exigido pelo §2º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72, para o devido prosseguimento deste processo, o mesmo deve retornar à Delegacia de Julgamento competente para proferir nova decisão, enfrentando as provas juntadas aos autos, avaliando sua pertinência para afastar as glosas de despesas perpetradas pela fiscalização, inclusive com a conversão do processo em diligência caso entenda necessário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 6111DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.729568/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AUMENTO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE LUCROS E DE RESERVAS DE LUCROS. AÇÕES EXISTENTES. AJUSTE NO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
O aumento de capital social, mediante a incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, ainda que sem emissão nem distribuição de novas ações, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do acionista.
GANHO DE CAPITAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO.
Descabe a exigência de multa de ofício e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral do imposto de renda sobre o ganho de capital devido na alienação de participação societária.
Numero da decisão: 2401-005.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial para: (i) recalcular o lançamento fiscal, adicionando ao custo de aquisição as capitalizações das reservas de lucros e lucros acumulados em 2009 e 2010; e (ii) excluir os juros de mora e a multa de ofício sobre o imposto apurado.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AUMENTO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE LUCROS E DE RESERVAS DE LUCROS. AÇÕES EXISTENTES. AJUSTE NO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O aumento de capital social, mediante a incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, ainda que sem emissão nem distribuição de novas ações, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do acionista. GANHO DE CAPITAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. Descabe a exigência de multa de ofício e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral do imposto de renda sobre o ganho de capital devido na alienação de participação societária.
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Recorrente GUILHERME DONNER CARNEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. AUMENTO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE LUCROS E DE RESERVAS DE LUCROS. AÇÕES EXISTENTES. AJUSTE NO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O aumento de capital social, mediante a incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, ainda que sem emissão nem distribuição de novas ações, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do acionista. GANHO DE CAPITAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. Descabe a exigência de multa de ofício e cobrança de juros de mora na hipótese de valores depositados tempestivamente em juízo que representam o montante integral do imposto de renda sobre o ganho de capital devido na alienação de participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 95 68 /2 01 3- 69 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 483 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para: (i) recalcular o lançamento fiscal, adicionando ao custo de aquisição as capitalizações das reservas de lucros e lucros acumulados em 2009 e 2010; e (ii) excluir os juros de mora e a multa de ofício sobre o imposto apurado. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 484 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), por meio do Acórdão nº 1267.614, de 14/08/2014, cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, porém mantido integralmente o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 430/440): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, conhecendo da impugnação. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO A realização de depósito judicial parcial do crédito tributário considerado pelo Fisco não suspende sua exigibilidade, podendo o Fisco exigir o crédito em sua totalidade, bem como seus consectários legais. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 372/387, que o processo administrativo, na origem, é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2011 e 2012, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de omissão de ganho de capital auferido com a alienação da integralidade das participações societárias detidas pelo contribuinte na Clínica MédicoCirúrgica Botafogo S/A (Hospital Samaritano). O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 365/371. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 485 4 2.1 Descreve a fiscalização que o contribuinte impetrou Mandado de Segurança Preventivo, autuado sob o nº 2011.51.01.0034294, com a finalidade de obstar a incidência do imposto sobre a renda na alienação de ações e respectivas bonificações, com fundamento na existência de direito adquirido à isenção nos termos da alínea "d" do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976. 2.2 Segundo o agente lançador, não houve o deferimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tendo o contribuinte procedido à apuração do ganho de capital e do imposto devido, na proporção dos rendimentos, com depósitos do montante em Juízo. 2.3 Nada obstante, a fiscalização entendeu equivocado o custo de aquisição das ações atribuído pelo contribuinte, resultando na apuração do ganho de capital e imposto de renda devido na operação de alienação em patamar superior aos depósitos judiciais efetuados. 2.4 Além disso, tendo em conta que não restou configurada a hipótese de depósito do montante integral, tampouco houve a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por medida judicial, o lançamento do imposto de renda foi acrescido de juros de mora e da multa de ofício. 2.5 Ressalto, por fim, que no lançamento fiscal realizado foi considerado tão somente os valores não declarados previamente no anexo da apuração do ganho de capital sobre a alienação das participações societárias da respectiva Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física. 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 22/10/2013, tendo o contribuinte impugnado, em 14/11/2013, a exigência fiscal (fls. 388 e 406/417). 4. Intimado em 05/09/2014, por meio de procurador constituído nos autos, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 442/445, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 06/10/2014, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 448/468): (i) preliminarmente, o autuado ressalta o acerto da decisão de piso que considerou inexistente a concomitância entre a matéria discutida no processo judicial e aquela contestada por meio da impugnação; (ii) na sequência, afirma que a fiscalização deixou de considerar no custo de aquisição das ações os valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridos nos anos de 2009 e 2010; e (iii) por fim, ainda que se entenda que os valores depositados judicialmente não representem o montante integral do débito, são inexigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre essas mesmas quantias que foram depositadas em favor da Fazenda Nacional; É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 486 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 6. De início, assinalo que foram devolvidas para julgamento em segunda instância apenas matérias distintas daquelas constante do Processo Judicial nº 2011.51.01.0034294, a saber: (i) cálculo do custo de aquisição pela fiscalização menor do que aquele utilizado pelo recorrente; e (ii) aplicação de multa de ofício e cobrança de juros de mora sobre valores depositados judicialmente; Mérito a) Custo de Aquisição 7. De acordo com a peça recursal, o agente lançador desprezou os valores de capitalização dos lucros no incremento do custo de aquisição da participação societária já possuída pelo autuado, justificando que o acréscimo no custo de aquisição dáse tão somente na hipótese da emissão de novas ações em razão da capitalização, e não com relação às existentes, entendimento que acabou corroborado pela decisão recorrida. 7.1 Entretanto, o recorrente pondera que a possibilidade de incremento do custo de aquisição das ações já existentes, em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro de 1996, já foi reconhecida em soluções de consulta da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. 8. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal avaliou o custo de aquisição em R$ 233.196,65, em vez do montante de R$ 432.085,26, utilizado nos cálculos de apuração do ganho de capital pelo contribuinte. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 487 6 8.1 A diferença no importe de R$ 198.888,61 corresponde ao valor das capitalizações de lucros ocorridas no ano de 2009 (R$ 85.048,19) e no ano de 2010 (R$ 113.840,42), segundo documentação fornecida no curso do procedimento fiscal (fls. 98 e 209/220). 8.2 Embora faça alusão apenas às capitalizações de lucros do ano de 2010, justifica a autoridade fiscal que (fls. 377): (...) Tal majoração do valor das ações já existentes, entretanto, sem emissão de novas ações, não é permitida pela legislação, como se verifica no exame do § 1º do artigo nº 130 do RIR/99, que trata apenas de emissão de novas ações. (...) 9. Pois bem. Com relação às pessoas físicas e jurídicas, a possibilidade de atualização do custo da aquisição de participação societária decorrente de aumento de capital social mediante incorporação de lucros apurados a partir do ano de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, encontra previsão no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: 1 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (SUBLINHEI) 10. Em uma primeira leitura do preceptivo legal, o qual vem reproduzido, por exemplo, no art. 135 do Regulamento Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), a expressão "quotas ou ações distribuídas" leva ao entendimento de que para usufruir do ajuste no custo fiscal de aquisição da participação societária é imprescindível a distribuição de novas quotas ou ações, afastando a situação de capitalização de lucros ou reservas de lucros sem a emissão de novas ações. 1 A Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, acrescentou novos parágrafos ao art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, passando o parágrafo único para o § 1º, porém sem alteração de conteúdo. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 488 7 11. A seu turno, é certo que a redução da base de cálculo do ganho de capital na alienação de participação societária, devido ao incremento de valores ao respectivo custo de aquisição, é matéria reservada à lei, não cabendo interpretação extensiva. 12. Acontece que o parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, ao especificar o ajuste no custo de aquisição quando há distribuição de novas ações, não teve a pretensão de restringilo às ações distribuídas ou mesmo de proibir o aumento do custo de aquisição pela capitalização de lucros ou reservas de lucros acumulados sempre que não ocorra a modificação do número de ações da companhia. 12.1 Na verdade, há um vazio na legislação tributária que necessita de adequada integração, dada a possibilidade, segundo as leis societárias, que a capitalização de lucros ou reservas de lucros seja feita sem a distribuição de novas ações. 12.2 Não se percebe um motivo plausível para que a capitalização de lucros, ou de reservas constituídas com esses lucros, sem a emissão de novas ações, possa receber por parte do legislador ordinário um tratamento diferenciado e, ao mesmo tempo, menos favorecido, dissociado com a realidade econômica, fiscal e contábil. 12.3 Por sua vez, qualquer interpretação da matéria deve guardar compatibilidade com a norma jurídica abarcada pela "cabeça" do artigo, dada a íntima conexão com os respectivos parágrafos do dispositivo de lei. 13. O "caput" do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, estabelece que, a partir dos resultados apurados do ano de 1996, a tributação dos lucros ou dividendos dáse somente na pessoa jurídica. Para o beneficiário da renda, pessoa física ou jurídica, a distribuição é isenta de tributação. 13.1 Com esse tratamento tributário é possível a distribuição isenta de lucros ou isentos, com a utilização pelo sócio desses mesmos recursos para subscrição de capital, agregando novo custo à sua participação, o que terá reflexo, em eventual alienação futura, na apuração do ganho de capital. 14. De mais a mais, a isenção prevista em lei poderia levar à priorização da distribuição de lucros pelos sócios e acionistas, em detrimento de retenção e investimento deles na própria sociedade, o que não parece apropriado a lei incentivar. 15. Com o propósito de estimular o reinvestimento, o legislador estabeleceu, através do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, uma espécie de ficção, na medida em que não houve efetivo desembolso, pela qual se considera, como custo de aquisição das novas ações distribuídas em decorrência do aumento de capital, o valor equivalente da parcela capitalizada com lucros e reservas correspondentes a esses lucros. 16. De maneira análoga, cabe acolher uma disciplina correlata para o caso da companhia que realize a opção, por conveniência assentada nas leis societárias, pela capitalização de seus lucros ou das reservas de lucros sem proceder a alteração do número de ações. Sob o ponto de vista do acionista, com ou sem emissão de novas ações, não há razões para um tratamento fiscal diferenciado. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 489 8 16.1. Nessa hipótese, conquanto já existente as ações detidas e com custo determinado, também deverá ser possível o incremento do custo de aquisição em montante equivalente à parcela capitalizada dos lucros, ou das reservas constituídas com esses lucros, que correspondeu à participação do sócio ou acionista. 17. Reafirmo que a linha de pensamento até aqui exposta não implica conferir uma interpretação extensiva ao dispositivo de lei, ampliando indevidamente às ações já existentes o benefício de ajuste do custo fiscal de aquisição do investimento, eis que apenas deixouse de regular expressamente tal hipótese, cabendo ao operador do direito solucionar a lacuna a partir de uma visão sistêmica e teleológica da legislação. 18. Em síntese, o aumento de capital social, mediante a incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, ainda que sem emissão nem distribuição de novas ações, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do acionista. 19. A conduta da autoridade fiscal quanto ao procedimento de reavaliar o custo de aquisição das participações societárias adotado pelo contribuinte levou em consideração tão somente a interpretação da norma jurídica, segundo as suas convicções, sem adentrar em questões fáticas. 20. Em outros dizeres, em que pese a apresentação dos documentos de fls. 98 e 209/220, a fiscalização não apontou aspectos das capitalizações de lucros que poderiam justificar a modificação da apuração do custo de aquisição procedida pelo contribuinte, entre outros pontos: (i) períodos e valores das capitalizações; (ii) falta de demonstração da apuração de lucros em balanço, regularmente transcrito no livro Diário, correspondente às ações já possuídas; (iii) ausência de comprovação da efetiva capitalização das reservas de lucros e lucros acumulados, corroborada pelo livros contábeis e fiscais; e (iv) que as capitalizações em 2009 e 2010, na verdade, eram resultantes de aumento de capital por incorporação de reservas apurados até 1988, ou nos anos de 1994 e 1995 (art. 130, § 2º, inciso I, do RIR/99). 21. Por essa razão, o custo de aquisição da participação societária do recorrente deverá corresponder ao montante de R$ 432.085,26, já considerando o acréscimo do valor das capitalizações, mediante reservas de lucros e lucros acumulados, efetivadas no ano de 2009 (R$ 85.048,19) e no ano de 2010 (R$ 113.840,42). Fl. 489DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 490 9 b) Multa de Ofício e Juros de Mora 22. Não houve divergência entre o valor de alienação apurado pela fiscalização e pelo contribuinte, no importe de R$ 2.808.729,26, recebido em parcelas. Com o restabelecimento do custo de aquisição adotado pelo recorrente, igual a R$ 432.085,26, o ganho de capital total na alienação das ações equivale a R$ 2.376.644,00, exatamente a mesma apuração procedida pelo contribuinte. 23. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte procedeu à apuração do ganho de capital e do imposto devido quando do recebimento de cada uma das parcelas estabelecidas no contrato, na proporção dos rendimentos, com depósitos dos respectivos valores do imposto de renda (Planilha 04, às fls. 379). 24. Portanto, os valores depositados tempestivamente em Juízo pelo recorrente representam o montante integral do débito, não cabendo a exigência de multa de ofício, nem a cobrança dos juros de mora. 25. Nada obstante, conforme o recorrente admite na peça recursal, tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há impedimento para o lançamento destinado a prevenir a decadência com relação aos valores dos depósitos efetuados espontaneamente pelo contribuinte, desde que sem a exigência dos juros de mora ou de multa de ofício. 26. Desse modo, após o recálculo do imposto devido, sem incidência de multa de ofício ou juros de mora, o crédito tributário remanescente neste processo administrativo mantém sua vinculação com os valores depositados no Processo Judicial nº 2011.51.01.0034294. 26.1 A Administração Tributária estará submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide na ação de segurança, favorável a ela ou não. Quando da conclusão do litígio judicial, o valor depositado será convertido em renda da União ou objeto de levantamento pelo depositante, conforme a decisão final. 26.2 Em nenhum momento poderá haver cobrança em duplicidade, dado que a conversão do depósito em renda será causa de extinção do crédito tributário, a teor do inciso VI do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 26.3 De outro modo, assistindo razão ao sujeito passivo, a própria decisão judicial transitada em julgado possuirá força extintiva do feito de maneira a inibir os atos de cobrança por parte do Fisco. Fl. 490DF CARF MF Processo nº 12448.729568/201369 Acórdão n.º 2401005.270 S2C4T1 Fl. 491 10 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para: (i) recalcular o lançamento fiscal, considerando as capitalizações das reservas de lucros e lucros acumulados em 2009 e 2010, totalizando, assim, um custo de aquisição das participações societárias igual a R$ 432.085,26; e (ii) excluir os juros de mora e a multa de ofício sobre o imposto apurado; É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000209/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR - INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001.
CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA.
Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos.
CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA.
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Remessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira LIma e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam parcial provimento.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2009 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR - INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Remessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000209/201028 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.461 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria CIDE Recorrente TILIBRA PRODUTOS DE PAPELARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYALTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 02 09 /2 01 0- 28 Fl. 1590DF CARF MF 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira LIma e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam parcial provimento. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. 1. A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal, que resultou na lavratura do Auto de Infração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, Remessas ao Exterior (fls. 1.375/1.378 observese que os números de folha mencionados no presente processo referemse sempre à numeração digital), relativo aos valores não declarados e não recolhidos, referentes a fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 09/2005 a 12/2006. 2. O tributo calculado, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010 totalizam o montante de R$ 689.419,59 (seiscentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e dezenove reais e cinquenta e nove centavos). 3. Os demonstrativos do cálculo dos juros e demais acréscimos legais (fls. 1.371/1.374), bem como o enquadramento legal, fazem parte do referido Auto de Infração. Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 3 3 4. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.381/1.395) constam as seguintes informações: Para atrair consumidores e decorar seus produtos, a fiscalizada se utiliza de personagens notórios. Para tanto, o sujeito passivo firma contratos de "Licenciamento de Direitos Autorais" com os detentores dos direitos no exterior (fls. 138/967), cuja remuneração se dá por remessas ao exterior a titulo de Royalties por Direitos Autorais. A empresa também efetua pagamentos ao exterior a titulo de Desenvolvimento de Produtos. (fls. 1.168/1.286) A empresa entrou, em 15 de fevereiro de 2001, com mandado de segurança na 1ª Vara Federal de BauruSP, processo n° 2001.61.08.0018317, contra ato do Sr. Delegado da Receita Federal em Bauru, pedindo a declaração da inconstitucionalidade da cobrança da CIDE bem como a declaração da ilegitimidade de qualquer ato da Receita Federal. Informou ainda à justiça o que iria efetuar mensalmente depósito judicial do valor do tributo questionado. (fls. 1.288/1.351) Com relação à ação judicial, a contribuinte vem sofrendo inúmeras derrotas no judiciário (fls.1.287/1.305), tendo sido denegados todos os seus pleitos, apelações e recursos, encontrandose o processo no Tribunal Regional Federal da 3ª Região aguardando admissibilidade de Recurso Extraordinário interposto em 26/10/2009 ao contraarrazoado da Fazenda Nacional. (fls. 48 e 1.288). A empresa efetuou os depósitos judiciais conforme documentos de fls. 1.352/1.361, sendo que tais depósitos foram calculados pela empresa levandose em conta o disposto no art. 4º, §1°, inciso I, item b da Medida Provisória n° 2.15970/2001(fls. 41/42 e 1.362/1.363). A fiscalizada declarou em alguns meses, em DCTF (fls. 1.364/1.370), valores a titulo de compensação, relativos aos créditos preconizados pela norma explicitada no item acima. 5. Além da base legal, consta ainda no Termo de Verificação Fiscal, com relação às infrações e ao crédito tributário autuado, que: A fiscalizada efetuou pagamentos de Royalties ao exterior, a titulo direitos autorais, conforme contratos comerciais e de câmbio (fls. 138/1.163) e do quadro resumo (fls. 136/137). Também efetuou pagamentos ao exterior a título de remuneração de serviços técnicos de desenvolvimento de produto (fls. 1.167/1.287). O depósito judicial não foi feito no montante integral, em razão do uso indevido de créditos do § 1° do artigo 4° da MP nº 2.159/2001, que é concedido apenas para importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior Fl. 1592DF CARF MF 4 a titulo de royalties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas, o que não é o caso. Assim, o montante depositado não suspende a exigibilidade do crédito, cabendo a multa de ofício por falta de recolhimento do tributo nesses períodos. Cálculo da insuficiência e/ou falta de recolhimento da CIDE RE: O cálculo dos valores de recolhimentos faltantes é demonstrado mês a mês nas tabelas abaixo, e foi efetuado levandose em conta tanto os depósitos judiciais efetuados, quanto as compensações/créditos confessadas em DCTF, ou seja, não houve autuação nos meses em que a fiscalizada declarou compensações/créditos, mesmo que indevidos, que somados a recolhimentos por depósito satisfaçam INTEGRALMENTE a obrigação tributária. Os valores declarados em DCTF foram deduzidos do total, para efeito de autuação. Nos períodos em que nada foi declarado em DCTF, e nos casos onde houve depósito insuficiente para fazer frente ao crédito tributário apurado no curso desta fiscalização, o valor autuado foi o total da contribuição do mês em questão. Quanto às compensações/créditos indevidos formalizadas pela fiscalizada, será efetuada representação à DRF Bauru que a jurisdiciona, para as providências cabíveis. (As tabelas citadas constam nas fls. 1.390/1.393). ...o IRRF é parte da remuneração paga aos beneficiários de rendimentos no exterior, e por conseguinte, compõe a base de cálculo da Cide devida pelo remetente de recursos no Brasil. Por fim, cumpre ressaltar que nos casos em que apurou a Cide, o próprio fiscalizado incluiu na base de cálculo de tal contribuição os correspondentes valores devidos a titulo de IRRF. 6. A interessada tomou ciência do Auto de Infração por meio de aviso de recebimento AR em 27/08/2010 (fl. 1.396), e interpôs a impugnação de fls. 1.401/1.421 em 27/09/2010, alegando, em síntese, que: 6.1 Tratase de lançamento ilegal, isto porque uma parte dos valores lançados estão depositados no Mandado de Segurança de n° 2001.61.08.0018317, que questionas (sic) a inconstitucionalidade da Contribuição, e a outra parte decorre do aproveitamento de créditos admitidos pelo artigo 4°, da Medida Provisória n°. 2.15970. 6.2 Frisa que o Mandado de Segurança referese exclusivamente à inconstitucionalidade da contribuição, que nenhum ponto da defesa é objeto de questionamento judicial, não prejudicando a análise das matérias impugnadas. 6.3 Cita o artigo 149 da Constituição Federal, como fundamentação basilar para a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico – CIDE. Cita também a legislação que instituiu e regulamentou a contribuição, além de considerações sobre a matéria, e o artigo 4°, da Medida Provisória n° 2.159 70. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 4 5 6.4 Inicialmente, não é preciso maiores esforços, para constatar se que a Lei instituidora da exação em discussão, não definem em momento algum, ao descrever os contornos do fato gerador da CIDE, a remessa ao exterior de Direito Autoral, mas sim de transferência de tecnologia, para que referidas remessas estejam sujeitas à incidência da CIDE. 6.5 No entanto, o agente fiscal, partindo de premissas que maculam de forma absoluta o Principio Constitucional da Legalidade Tributária, na sua trilogia; Reserva Formal da Lei, estrita legalidade e, em especial, da tipicidade cerrada, amplia o fato gerador, de circunstancias, ou mais precisamente, relações contratuais econômicas com o exterior, que não estão citadas no núcleo formatado como gerúndio, veiculado na lei instituidora. 6.6 Ora, não há como sustentarse no caso das remessas ao exterior para remuneração de licenças de uso de direito autoral, uma hipótese de "transferência presumida" de tecnologia, que inconstitucionalmente, as legislações normativas tentam trazer, para justificar a ampliação da hipótese de incidência da CIDE, para situações que a Lei não o fez, da qual o agente fiscal, fragilmente, tenta alicerçar a base dos lançamentos ora impugnados. Repitase aqui, que por força da tipicidade cerrada, nem o Decreto, que apenas pode regulamentar a Lei e, não alterála, restritiva ou extensivamente e, muito menos, normas interpretativas da administração podem criar incidência, onde a Lei criadora da exação não o fez. 6.7 A análise dos licenciamentos de direito autorais, listados e anexados no próprio processo administrativo que culminou com o ilegal e indevido lançamento, demonstra a natureza de concessão de uso, via licenciamento, de direitos autorais, afetos unicamente, a personagens de história, filmes, fotos ou nomes de personalidades ou suas obras e direito de imagem. 6.8 Comprovado fica, que o que existe, é uma simples cessão de direito de exploração de obra artística e intelectual ou direito de imagem, sendo certo que, sobre o pagamento relativo aos respectivos direitos autorais (Remessa ao exterior) jamais poderia falarse em incidência de CIDE, pela simples razão de tal tipo de remessa ao exterior não ter sido descrito no fato gerador da lei. 6.9 Mesmo que fosse possível superarse a inconstitucionalidade de exigir a CIDE sobre direito autoral, por força do artigo 22, alinde “d”, da Lei nº 4.506/1964, foram excluídos do conceito de royalty os pagamentos feitos "diretamente ao autor ou criador da obra ou do bem". 6.10 Para o caso sob autuação, a exigência do tributo somente poderia ser possível se a fiscalização comprovasse que esses valores remetidos ao exterior tratavamse de aquisição de tecnologia, marca e patente. Os contratos comerciais e de câmbio anexados aos autos, objetos da autuação, compravam de Fl. 1594DF CARF MF 6 forma cabal que os licenciamentos tratamse de personagens, textos, ou seja, Direito Autoral e de imagem em essência. 6.11 Enfatiza que o artigo 10 do Decreto n° 4.195/2002, que regulamenta a Lei n° 10.168/2000, define a base de cálculo da CIDE incidente sobre royalties remetidos ao exterior de forma taxativa, e não deixa margem a dúvidas, pois o pagamento a residente ou domiciliado no exterior de direito autoral, mesmo que possa ser incluído na rubrica de espécie do gênero de royalties, não foi incluída da tipicidade cerrada do fato gerador veiculado tanto na lei, como no Decreto que a regulamentou. 6.12 No processo administrativo, não cabe juízo sobre a constitucionalidade do referido Decreto, devendo a autoridade fiscal, em sua atividade vinculada, aplicar seus comandos legais enquanto não houver sua revogação ou decisão judicial em contrário. No entanto, no caso concreto ocorre o contrario, onde o fisco tenta dar contornos ilegais no fato gerador por presunção, em afronta ao texto da lei e afronta aos princípios constitucionais da legalidade e tipicidade cerrada. 6.13 Aliás, "salta aos olhos" ser indevida a extensão do fato gerador pretendida pelo fisco, no momento em que, a própria Receita federal, define o código DARF 9427 para remessas de valores ao exterior de direito autoral e o código 0422 para Royalties e pagamentos de Assistência técnica. 6.14 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem adotando esta mesma linha no que tange a não incidência de CIDE sobre os valores referentes a Direitos Autorais, como descrito nos acórdãos nº 30134753, da 1ª Câmara, e nº 302 38763, da 2ª Câmara, que cita. 6.15 Desta forma, os lançamentos do Auto de Infração aqui impugnado, a titulo de CIDE sobre remessa de valores a titulo de remuneração de licença de Direito Autoral para o exterior, padece de total ilegalidade e inconstitucionalidade, impondose a total improcedência do Auto de Infração, no que tange aos lançamentos aqui impugnados. 6.16 Ainda que possível prosperar referida tributação, os valores lançados seriam indevidos. 6.17 O artigo 4° da MP n° 2.15970/2001 não menciona expressamente o direito de crédito dos pagamentos de CIDE à titulo de Direito Autoral, pela mesma razão que no artigo 2° da Lei instituidora também não o menciona. Em outras palavras, não há porque falarse em direito de crédito para abaterse a CIDE, para caso de direito autoral, que não está esculpido no fato gerador. 6.18 No entanto, o fiscal responsável pelo Auto de Infração faz a seguinte interpretação: No artigo delineador do fato gerador, embora não esteja expressamente previsto o Direito Autoral, presume que este está contido no conceito amplo royalties. Já no artigo 4ª, que trata do direito ao crédito, entende que a empresa não faz jus ao seu uso , quando tratarse de pagamento de direito autoral, por este não estar expressamente previsto na Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 5 7 hipótese do crédito... Ou seja, agora (no concernente ao crédito), o conceito royalties não abrange o direito autoral... 6.19 ...o mesmo critério ampliativo usado pelo fiscal, para determinar que a CIDE está no âmbito amplo do conceito royalties deveria ser usado para interpretar o artigo 4° que trata dos créditos, em obediência, inclusive, aos princípios da razoabilidade e legitimidade da administração. 6.20 Desta forma, deveria ser refeito o Auto de Infração, recompondose mês a mês os valores devidos, abatendose o crédito do valor pago da CIDE no mês anterior, no limite de 70%, conforme tabela feita pela defesa para demonstrar, na qual conclui, que não haveria crédito tributário a ser lançado, mas sim, valores a compensar. 6.21 Com relação à quantia depositada em juízo, cita o artigo 1º e parágrafos 1º e 2º da Lei nº 9.703/98, que afirma corroborar no sentido de que o depósito judicial tem equiparação ao pagamento do tributo, face à imediata disposição deste ao tesouro, e afirma que vai por terra a posição do fiscal, de que em decorrência da impugnante estar depositando em juízo o valor da CIDE, não faria jus ao crédito citado, sobre o pretexto, que somente o valor pago de CIDE e, não o objeto de depósito judicial, daria ensejo ao crédito. 6.22 Enfatiza que o erário não experimentou nenhum prejuízo, na medida em que sempre teve repassado pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, de forma automática e imediata, na mesma data do vencimento do tributo os valores da CIDE. 6.23 Não pode ser admitido à Fazenda Nacional, não considerar os valores que estão em seu poder, como suficientes para suspender a exigência do credito tributário, já que representa exatamente o valor da exação na forma da lei. 6.24 Como os depósitos judiciais correspondem ao montante integral, ficaram atendidas as condições para suspenderse a exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, II do CTN. Por consequência, é indevida a imposição da multa. 6.25 Aguarda pela total improcedência do Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Fl. 1596DF CARF MF 8 Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151, II, do CTN, somente é possível quando depositado judicialmente o montante integral do crédito tributário. CITAÇÃO DE DECISÕES ADMINISTRATIVAS. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas proferidas em processos dos quais não participe a interessada. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. O julgador da esfera administrativa deve observar as normas legais e regulamentares, não podendo desrespeitar textos legais vigentes sob pena de responsabilidade funcional (§ único do art. 142 do CTN; artigo 7º, inciso V, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 341/2011; e artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de declaração e de recolhimento de débitos pelo sujeito passivo, deve ser formalizado o crédito tributário pelo lançamento. CIDE. INCIDÊNCIA. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES DIREITO AUTORAL. A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (§ 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001). DIREITO AUTORAL. CRÉDITOS MP n° 2.15970/2001. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Os crédito concedidos com base no artigo 4° da MP n° 2.159 70/2001 incidem apenas sobre a CIDE paga, creditada, entregue, empregada ou remetida ao exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas, descritos na norma, não podendo ser estendidos aos direitos autorais, por falta de previsão legal. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 6 9 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a matéria referente a constitucionalidade da exigência da CIDE é matéria submetida a apreciação do Poder Judiciário, por meio de mandado de segurança 2001.61.08.0018317 na 1ª Vara Federal de BauruSP. O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, quanto a matéria submetida ao poder judiciário não pode ser conhecida por este colegiado, em razão da concomitância. Quanto as demais matérias constantes do recurso voluntário, que alega a não incidência da CIDE sobre direitos autorais, direito ao aproveitamento dos créditos previstos no artigo 4° da MP n° 2.15970/2001, a cobrança dos valores não declarados ou indevidamente compensados na DCTF e a incidência de juros e multa de ofício sobre a exigência, em razão da tempestividade do recurso e por atender os demais requisitos de admissibilidade, merecem ser conhecidas. Fl. 1598DF CARF MF 10 Não incidência sobre remessa de direito autorais que não se enquadram no conceito de royalties O matéria já foi enfrentada por esta turma no Acórdão nº 3201001.702, de relatoria do i. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, onde foi decidido pela incidência da CIDEROYALTIES sobre as remessas ao exterior para pagamento de direitos autorais. Os motivos de decidir deste Acórdão caminham no mesmo entendimento deste Relator, assim, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele minhas razões de decidir quanto a esta matéria. A recorrente contesta a autuação, apresentando como principal argumento de sua defesa o entendimento que os valores ora tributados tem por objetivo o pagamento de direitos autorais, que estariam fora do campo de incidência da CIDE. A definição da lide exige que se analise se os fatos praticados pela recorrente enquadramse nas hipóteses previstas no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, vigente à época dos fatos geradores deste processo, que assim dispõe: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2 o deste artigo. § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 7 11 útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo acima constatase que a CIDERoyalties é devida sempre que houver pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Ressaltese, em se tratando da hipótese prevista no §2º do artigo 2º desta lei, ser desnecessário que os contratos impliquem transferência de tecnologia para que ocorra a incidência da Contribuição. O termo royalty tem origem na Ciência da Economia, sendo conceituado por Arthur Seldon nestes termos: ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original. O sistema de royalty é comumente usado, por exemplo, quando um autor ou tradutor é pago por um editor segundo uma percentagem do preço de capa de um livro; quando um proprietário fundiário é pago por uma companhia mineradora para o privilégio de explorar o subsolo da sua terra; quando o dono de uma patente é pago por um fabricante pelo direito de reproduzir sua invenção. (Dicionário de Economia, Editora Bloch) O pagamento de royalties, portanto, objetiva partilhar o rendimento de um produto entre aquele que detém a propriedade intelectual deste e aquele que efetivamente explora este produto, colocandoo no mercado consumidor. O conceito de royalties para fins tributários encontrase previsto no artigo 22 da Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (grifo nosso) Do exposto, extraise que o conceito legal de royalties corresponde a rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, da fruição, ou da exploração de direitos. Fl. 1600DF CARF MF 12 O professor Alberto Xavier, em análise ao tema, esclarece que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição e exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. [...] No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964). (Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, pg. 617/618) Dito isto, temos que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. Verificase ainda que a Lei nº 9.610/98 em seu artigo 7º, XIII, inclui os programas de computador e as obras audiovisuais entre as obras intelectuais com direitos autorais protegidos: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: [...] VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; [...] XII os programas de computador; [...] §1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.(grifo nosso) O artigo 11 da citada lei, por sua vez, restringe o conceito de autor à pessoa física criadora da obra: Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Do exposto, resta claro que as remessas referentes à licença para distribuição de sinais de televisão por assinatura correspondem ao pagamento de direitos autorais, enquadrando se como royalties, a luz da alínea “d” do artigo 22 da Lei nº 4.506/64 quando efetuados a pessoa jurídica detentora dos direitos. .... A matéria também foi enfrentada na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão 930301.864, de Relatório do i. Conselheiro Henrique Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 8 13 Pinheiro Torres, onde também foi mantida a incidência da CIDERoyalties sobre as remessas para pagamento de royalties a residentes e domiciliados no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. A Recorrente, ainda alega a existência de limitações para a exigência da CIDE sobre remessas para pagamentos de direitos autorais existente no art. 2º do Decreto nº 4.195/2002, onde estariam relacionados taxativamente às hipóteses em que seria devido a CIDE Royalties. O referido artigo possui a seguinte redação. Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Em que pese os argumentos do recurso, entendo que não assiste razão as afirmações da Recorrente. O art. 2º da Lei nº 10.168/2000, define como fato gerador da CIDE, quaisquer transferências de valores ao exterior a título de royalties. O instrumento primário, introdutor da obrigação tributária principal é a Lei, nos termos do art. 97, 98 e 99 do Código Tributário Nacional. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 1602DF CARF MF 14 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. O art. 99 do CTN é cristalino ao definir o alcance dos decretos em função das leis em que sejam expedidas. Entender que o Decreto nº 4.195/2002 possui o poder de limitar o alcance da Lei não pode ser a interpretação a ser dada nesta situação. O decreto é instrumento de disciplinamento da Lei e não ao contrário. O decreto somente pode disciplinar o conteúdo legal, jamais poderia servir de instrumento para alterar as disposições do fato gerador da CIDE, reduzindo o seu alcance, por meio de um artigo em que delimitaria a situações a serem consideradas para o fato gerador. A Lei nº 10.168/2000, conforme já ressaltado, definiu como contribuintes da CIDE as pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A impossibilidade do decreto em alterar as hipóteses do fato gerador da obrigação principal é posição pacifica dentro da doutrina, conforme a lição de Paulo de Barros Carvalho. "Por estar adstrito ao âmbito de lei determinada, o decreto regulamentar não poderá ampliála ou reduzila, modificando de qualquer foram o conteúdo dos comandos que regulamenta. Não lhe é dado, por conseguinte, inovar a ordem jurídica, fazendo surgir novos direitos e obrigações. Daí sua condição de instrumento secundário de introdução de regras tributárias."(Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 19ª ed. rev. São Paulo. Saraiva. 2007. p.75 a 76.) Aproveitamento do crédito previsto no artigo 4° da MP n° 2.15970/2001 Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 9 15 Nos termos constantes do relatório, a Recorrente declarou em DCTF a compensação de parte dos valores devidos de CIDE com os créditos previstos no artigo 4° da MP n° 2.15970/2001. In verbis. Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de roialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a roialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5o da Lei no 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico. A Recorrente insurgese sobre a posição adotada pela Receita Federal, que não considerou as compensações realizadas, por entender que os depósitos judiciais não atenderiam as exigências previstas no caput do art. 4ª e ainda, por considerar que as remessas ao exterior, realizadas pela Recorrente tratavam de direito autorais e não de contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. No caso em tela, os créditos tem origem em depósitos judiciais vinculados a ação judicial ainda em discussão no Poder Judiciário, portanto, sem a liquidez e certeza dos crédito não é possível realizar a compensação pleiteada pela Recorrente. Quanto a possibilidade de utilização de créditos referentes a direitos autorais nos termos previstos na MP n° 2.15970/2001, entendo que resta prejudicado em razão da impossibilidade da compensação utilizando valores referentes a depósitos judiciais. Cobrança dos valores não declarados e indevidamente compensados. Fl. 1604DF CARF MF 16 Quanto à alegação que o lançamento não poderia ocorrer em razão da existência de depósitos judiciais. Também nesta matéria não assiste razão ao recurso. O art. 151 do Código Tributário Nacional determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com liminar ou depósito judicial, entretanto, não obsta o lançamento pelo Fisco. A suspensão prevista no art. 151 impede a fazenda pública de adotar medidas coercitivas para exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária, não impedindo o lançamento para constituição do crédito tributário ainda não constituído. Ademais, o prazo decadencial não se suspende ou interrompe e não existindo a constituição do crédito tributário objeto de discussão judicial, fica a autoridade fiscal obrigada a adotar todas as condutas necessárias à constituição do crédito, que deverá ser registrado com a exigibilidade suspensa até que se resolva a discussão na esfera judicial. Neste diapasão, agiu dentro das normas legais a autoridade autuante ao realizar o lançamento com a exigibilidade suspensa. Incidência de juros e multa de ofício sobre a exigência. Nos termos relatados, a multa de ofício e juros moratórios somente incidiu sobre a diferença entre o valor calculado da CIDE e os valores depositados, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído do voto condutos do acórdão da primeira instância. 65. Em primeiro lugar, devese esclarecer que esta conclusão feita pela defesa não é coerente com a informação constante no Termo de Verificação Fiscal. Na verdade, a autoridade fiscal diz que os depósitos judiciais foram calculados pela empresa, levandose em conta o disposto no artigo 4º, §1°, inciso I, item b da Medida Provisória n° 2.15970/2001, acima transcrito. E diz também que “Além os depósitos acima, a fiscalizada declarou em alguns meses, em DCTF (fls. 0981 a 0987) valores a titulo de compensação, relativos aos créditos preconizados pela norma explicitada no item acima, montantes esses totalmente descabidos...”. 66. O que se extrai da referida afirmação, é que parte dos montantes informados na DCTF como compensados são descabidos, porque o cálculo foi feito utilizando um crédito a que a interessada não tem direito e, portanto, não teria tais valores a compensar. A legislação é cristalina ao determinar que não incide a multa de ofício e os juros moratórios sobre os valores objeto de depósito judicial, entretanto, no caso em tela, a Fiscalização exigiu a multa de ofício e os juros moratórios sobre os valores que não foram objeto de depósito judicial. Portanto, entendo correta o procedimento adotado pela Fiscalização. A matéria é pacifica neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 5. Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 16643.000209/201028 Acórdão n.º 3201003.461 S3C2T1 Fl. 10 17 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1606DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.721273/2011-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2008
SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa.
Numero da decisão: 3001-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por ilegitimidade da sujeição passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 12 73 /2 01 1- 90 Fl. 85DF CARF MF 2 para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por ilegitimidade da sujeição passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1144.162 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, em sessão de julgamento realizada no dia 05.12.2013, julgou improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito tributário lançado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 43 a 46), que segue transcrito: Relatório Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a interessada, deixou de prestar informação, no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos pela legislação aduaneira. Com efeito, a autuada procedeu à desconsolidação da carga em 24/11/2008, às 9h53min40s, restando intempestiva a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de “INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO” de forma imediata. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento de obrigação acessória (prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) não figura como consignatário do Master BL, e a desconsolidação foi realizada por instrução e procuração do consignatário do Master BL, P1 FORWARDING LTDA. A Cia marítima MSC MEDITERRANEAN SHIPPING COMPANY S.A, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10711.721273/201190 Acórdão n.º 3001000.256 S3C0T1 Fl. 86 3 CNPJ 02.378.779/000532, emitiu o CE Master em 21/11 contendo a NCM em desacordo com o B/L House e Master (NCM 3824 ao invés de 3402) e ao solicitar a devida correção à Receita Federal, inviabilizou a desconsolidação do CE House por bloqueio automático; b) não tem como ser responsabilizada pelo não cumprimento de formalidades junto ao Sistema MercanteSISCOMEX CARGA e Receita Federal; c) na data da efetiva desconsolidação, estava amparada pela IN 800/07, alterada pela IN 899/08, art. 50 "Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir do dia 1º de abril de 2009", não há jurisprudência para cobrança. Por fim, requer correção do real Sujeito Passivo do débito fiscal MSC MEDITERRANEAN SHIPPING COMPANY S.A, CNPJ 02.378.779/000532. É o relatório. Da decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão da 6ª Turma da DRJ/REC, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do colegiado a quo julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, com base nos fundamentos do voto condutor, haja vista que, com espeque na Portaria SRF 1.364 de 10.11.2004, respectivo acórdão estava dispensado de apresentar ementa. Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário para em síntese aduzir, em preliminar, que atuou em nome do importador, mediante mandato, e que portanto é equivocada a responsabilidade que lhe foi atribuída no auto de infração, pela suposta infração, ainda mais que é a importadora a única detentora das informações relativas aos dados de embarque das cargas em questão, devendo esta figurar como sujeito passivo da autuação. No mérito, alega que não deixou de prestar quaisquer informações, que, inclusive, foi próativa, agindo em favor do Fisco, devendolhe, por consequência, ser aplicado o benefício da denúncia espontânea inscrita no artigo 138 do CTN, bem como no artigo 102 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472 de 01.09.1988. Aduz também que este entendimento está alinhado com a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos. Requer, por fim, que seja considerada insubsistente e improcedente a presente exigência fiscal. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Fl. 87DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 18.02.2014 (terçafeira) tomou conhecimento da Intimação nº 56/2014 juntada às efls. 55/56 dandolhe conta do teor do acórdão vergastado, é o que depreendese do aviso de recebimento "AR" juntado às efls. 58/59. Irresignado com a decisão nele proferida em 20.03.2014 (quintafeira) junta o recurso voluntário, é o que depreendese do protocolo da Alfândega do Porto de Santos, constante da sua "Folha de Rosto" de efl. 62. Concluise no caso sob exame, após cotejar as datas acima mencionadas, que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do litígio O autuado, cientificado da decisão de primeira instância, protocolou recurso voluntário (efls. 62 a 82) em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Avançando em suas alegações recursais, requer também que sejalhe aplicado o benefício do instituto da denúncia espontânea. Portanto, em síntese, o litígio cingese aos seguintes pontos: (i) ilegitimidade passiva do recorrente e (ii) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Do contexto fático e jurídico da autuação De plano, cabe destacar que a aplicação da penalidade em comento foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifei) (...) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10711.721273/201190 Acórdão n.º 3001000.256 S3C0T1 Fl. 87 5 E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800 de 2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" que integra o presente Auto de Infração, juntado às efls. 02 a 14, a conduta que motivou a imputação da penalidade em apreço foi a prestação da informação a destempo no sistema Siscomex Carga. Para a absoluta evidenciação dos fatos, transcrevese os seguintes trechos da peça acusatória: Dos Fatos A embarcação MSC ALMERIA chegou ao Brasil através do porto do Rio de Janeiro/RJ, procedente do porto de CAUCEDO/REPÚBLICA DOMINICANA, no dia 24/11/2008, tendo atracado às 07:54:00 h, conforme consta nos Extratos da Escala nº 08000279868 e do Manifesto nº 1308502236000 às fls. 16/18 e 19, respectivamente. (...) A agência de navegação MSC MEDITERRANEAN SHIPPING DO BRASIL LTDA, (...), após ter informado o manifesto nº 1308502236000 e efetuado sua vinculação às escalas dentro do prazo, informou tempestivamente o Conhecimento Eletrônico (C.E. Mercante) Genérico (Máster) nº 130805217822032, no dia 21/11/2008, às 15:36:57 h, conforme extrato do C.E. Mercante do Siscomex Carga às fls. 21 a 23. Consta como consignatária do Conhecimento Eletrônico (C.E. Mercante) Genérico (Máster) nº 130805217822032 a empresa P1 FORWARDING LOGÍSTICA DE CARGAS INTERNACIONAL, (...), agente desconsolidador de carga, como se verifica de acordo com o extrato supracitado. A empresa P1 FORWARDING LOGÍSTICA DE CARGAS INTERNACIONAL constituiu junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante DEFMM como sua representante a empresa PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA, (...),também cadastrada como agente de carga (desconsolidador), conforme extrato (...) do sistema Mercante, às fls. 20. Esta representação equipara a PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA a transportador, nos termos do Art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 800, de 2007. (...) No entanto, no extrato do C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130805218691047, onde figura como transportador representante deste conhecimento o agente de carga PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA, verificase que esta empresa procedeu à desconsolidação da carga incluindo o C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130805218691047 somente no dia 24/11/2008, às 09:53:40 h, restando portanto intempestiva a informação, tendo sido gerado inclusive pela sistema Carga um bloqueio automático com o Fl. 89DF CARF MF 6 status de "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante às fls. 25 a 25. (...) Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no inciso III do artigo 22 e parágrafo único do artigo 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007 (Publicada no DOU de 28.12.2007, seção, página 48), que seguem transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (...) Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção;e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. No caso em apreço, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, o recorrente estava obrigado a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, de que trata o inciso II do parágrafo único do artigo 50, acima transcrito. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pelo recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09:53:40 horas do dia 24.11.2008 data/hora da inclusão no Siscomex Carga do C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130805218691047, portanto, após a atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, ocorrida no mesmo dia, porém, às 07:54:00 horas. Portanto, é indiscutível que o recorrente praticou a conduta infracionária narrada no Auto de Infração em apreço. Demais disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pelo recorrente subsumese concretamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da infração mencionada inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pelo recorrente. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10711.721273/201190 Acórdão n.º 3001000.256 S3C0T1 Fl. 88 7 Da ilegitimidade passiva O recorrente alegou que, na condição de agente de carga representante do importador, não pode figurar como sujeito passivo da autuação, pois além de agir mediante mandato, é o importador que detém as informações relativas aos dados de embarque das cargas em questão, não podendo recair sobre si a responsabilidade pelo descumprimento do prazo para prestação das referida informações. A alegação do recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do artigo 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007 tenha se referido apenas ao transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que prestam serviços de transporte e emitem conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do parágrafo 1º do artigo 2º da referida norma complementar IN RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: (...) V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; (...) § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (...) Demais disso, não se pode descuidar da literalidade da disposição contida no artigo 5º da já referida norma complementar, a seguir transcrito: Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. E para tal circunstância igualmente inexiste controvérsia nestes autos, na medida em que se observa que a empresa P1 FORWARDING LOGÍSTICA DE CARGAS INTERNACIONAL constituiu junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante Fl. 91DF CARF MF 8 DEFMM como sua representante a empresa PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA. Não bastasse o já elucidado, há ainda expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, o recorrente, diferentemente do que alega em sua defesa recursal, atuou como representante do transportador estrangeiro no País. Logo, dada essa condição, era dele a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa P1 FORWARDING LOGÍSTICA DE CARGAS INTERNACIONAL. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ele deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, o recorrente estava obrigado a prestar, tempestivamente, as informações no sistema Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo sua obrigação, foi o autuado quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, devendo por conseguinte responder pela infração em apreço. Por fim, não é demais ressaltar que, os termos do caput do artigo 94 do Decretolei 37 de 1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Com arrimo nessas ponderações, entendo que resta demonstrado que o recorrente deve ser mantido polo passivo da autuação, haja vista existir previsão legal expressa nesse sentido. Da denúncia espontânea da infração. O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que não deixou de prestar quaisquer informações e que agiu em favor do Fisco quando da prestação das respectivas informações, portanto, em conformidade com o previsto no parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pela Lei 12.350 de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10711.721273/201190 Acórdão n.º 3001000.256 S3C0T1 Fl. 89 9 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) É sem razão a alegação do recorrente, pois no caso em tela a denúncia da infração não restou configurada, haja vista que as informações foram prestadas após a atracação do veículo transportador, de procedência estrangeira, o que, segundo preceitua o parágrafo 3º do artigo 683 do Decreto 6.759 de 2009 (RA/2009), que tem o mesmo teor do parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, in verbis: Art. 612. (...) § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão 3102002.187 de 26.03.2014, cujos excertos relevantes, com a devida licença, tomo a liberdade de adotar como fundamento de decidir. Vejamos sua transcrição: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 93DF CARF MF 10 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10711.721273/201190 Acórdão n.º 3001000.256 S3C0T1 Fl. 90 11 denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. [...]. (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, Fl. 95DF CARF MF 12 rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10711.721273/201190 Acórdão n.º 3001000.256 S3C0T1 Fl. 91 13 A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Pelas circunstâncias fáticas e jurídicas expostas nos presentes autos, ratifico do que foi decidido no voto condutor do acórdão recorrido. Da conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 97DF CARF MF 14 Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.907294/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.098
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 78 1 77 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.907294/201281 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.098 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente TRACTEBEL ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 29 4/ 20 12 -8 1 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.907294/201281 Resolução nº 3201001.098 S3C2T1 Fl. 79 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10983.907294/201281 Resolução nº 3201001.098 S3C2T1 Fl. 80 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.907294/201281 Resolução nº 3201001.098 S3C2T1 Fl. 81 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10983.907294/201281 Resolução nº 3201001.098 S3C2T1 Fl. 82 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.908081/2009-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3001-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 81 /2 00 9- 03 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 3 2 Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS (cód.2172) do período de apuração 09/2006 com crédito do mesmo tributo, por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 11/2005, arrecadado na data de 15/12/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Brasília em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.3), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 11/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando o ocorrido da seguinte forma: 1. que parte de sua receita, no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, estaria sujeita a alíquota zero de incidência do PIS e da COFINS, correspondente a produtos tributados no sistema monofásico, em face de grande volume de suas vendas serem Chopp, cervejas e refrigerantes; 2. por ter ocorrido a tributação normal de seu faturamento no período acima mencionado, efetuou o recolhimento de PIS e COFINS em valores maior que o devido; 3. constatado o erro na apuração dos impostos fez a retificação da DIPJ e passou a realizar as compensações a partir de março/2006 através de PER/DCOMP; 4. ao tomar conhecimento do Despacho Decisório procurou o Plantão Fiscal da Receita Federal e foi orientado a apresentar DCTF retificadora, para demonstrar o correspondente crédito passível de compensação; 5. ao final pede deferimento da compensação praticada; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 31) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, repisa os fatos e apela para busca da verdade material no processo administrativo; menciona outros julgados do CARF condescendentes a juntada de novos documentos probatórios com o recurso voluntário; que em face de ter havido o pagamento a maior que o devido, como bem demonstra as planilhas anexadas, tem o direito de realizar compensações do tributo e espera a compensação do crédito informado em PER/DCOMP. Do julgamento do Recurso Voluntário A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, no acórdão de nº 3803003.618, sessão de 24/10/2012, negou provimento por unanimidade de votos, ratificando a decisão de piso. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 5 4 Do Recurso Especial Cientificado da decisão de Segundo Grau a interessada tempestivamente ingressou com Recurso Especial. Primeiramente expôs os pressupostos de admissibilidade e com base no formalismo moderado (Lei nº 9.784/99), também, no princípio da razoabilidade que se aplicado com cautela, equilíbrio, moderação e harmonia, bem pode conduzir aos efeitos desejados. Esclarece ainda, “que a juntada de novos documentos no Recurso Voluntário tem respaldo sim no processo administrativo fiscal, no princípio da legalidade e o da verdade material que orienta e autoriza a Administração Pública a aceitar e buscar as provas que venham a demonstrar, a posteriori, a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo. Os processos administrativos de que resultem sanções ao contribuinte poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício”. Adota como paradigma decisões da 2ª Seção de Julgamento do CARF que demonstram divergência de entendimento, com relação a possibilidade de juntada de novos documentos com o recurso voluntário, onde se destaca o seguinte trecho: “Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário”. Em suas razões finais pede para declarar nulo o Acórdão da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por ofensa aos princípios da busca da verdade material e do formalismo moderado. Do exame de Admissibilidade do Recurso Especial Presentes os pressupostos de admissibilidade o Recurso Especial foi admitido, pois “a matéria foi prequestionada no acórdão recorrido, os paradigmas apresentados foram proferidos por colegiados distintos do da decisão recorrida e não sofreram reforma, restou demonstrada a divergência alegada e não foi constatado que as teses paradigmas tenham sido superadas pela CSRF”. Com base no fundamento do RICARF o exame de admissibilidade foi submetido ao Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que aprovou e encaminhou à Câmara Superior de Recursos Fiscais (3ª Turma) para prosseguimento. Da ciência do Despacho pela PFN Cientificada a PFN, a mesma apresentou contra razões ao recurso especial, requerendo que seja negado provimento, uma vez que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a seu encargo, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. Da decisão do Recurso Especial Levado a julgamento o presente Recurso Especial pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na data de 16/05/2017, Acórdão nº 9303005.080, por unanimidade de votos, dele tomou conhecimento e no mérito deulhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão das provas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com base nas decisões acima apresentadas, incorridas no presente processo, ficou superada a preclusão de provas no processo administrativo tributário na forma como conduzido pela recorrente em seu recurso voluntário. Da mesma forma é de se reconhecer como válida a DCTF retificadora para fins de análise e posterior homologação dos créditos pretendidos. Portanto, em cumprimento ao dispositivo de sentença prolatada pela CSRF, procedese a análise de mérito do recurso voluntário, que restou prejudicada na decisão contida no acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em primeiro plano surgiu a apresentação de DCTF retificadora que tratou de acertar os corretos valores devidos de PIS e COFINS para o período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006. Por ter sido apresentada, a DCTF retificadora, em data posterior a emissão do Despacho Decisório, a DRJ/BSB – 4ª Turma sustentou que essa simples entrega, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior; que incumbe ao sujeito passivo fazer a demonstração das provas que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 7 6 prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. A premissa menor que compõe a ementa do acórdão do Recurso Especial, tratado nesse processo, resume com precisão a questão que envolve a apresentação de prova no processo administrativo tributário, “verbis”: Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 8 7 quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentadas ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Merece ser reproduzido aqui, por oportuno, parte em destaque dos fundamentos do acórdão do Recurso Especial que determinou a análise de mérito nos presentes autos: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O fato material que resultou em revisão de base de cálculo do PIS/COFINS, diz respeito a não exclusão do total de suas vendas mensais realizadas no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, dos valores correspondentes às saídas de produtos enquadrados no regime MONOFÁSICO de tributação, instituído pela Lei 10.147/2000. Tal regime consiste em mecanismo semelhante à substituição tributária, pois atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo tributo devido em toda cadeia produtiva ou de distribuição subsequente. O art. 2º da Lei 10.147/2000 define que: “São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador”. Com respaldo nessa previsão legal a recorrente sustentou em sua manifestação de inconformidade, que realizou grande volume de vendas de Chopp, cervejas e refrigerantes, sujeitos ao regime monofásico e que efetivamente foram tributados pelo regime normal de incidência do PIS/COFINS. A revisão de cálculo dessas contribuições é que Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10166.908081/200903 Acórdão n.º 3001000.267 S3C0T1 Fl. 9 8 redundou em saldo credor pelo pagamento a maior que o devido e objeto dos pedidos de compensação via PER/DCOMP. As DCTFs retificadoras nada mais representam, conforme os argumentos de defesa, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de PIS e COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise das DCTFs retificadoras, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. As razões recursais reforçam essa tese com a juntada de provas que evidenciam as operações com produtos enquadrados no regime monofásico, planilhas e livros fiscais, plenamente vinculados ao objeto da recorrente. Não reconhecer a análise de mérito de todas as operações realizadas pelo sujeito passivo para o período que deu causa ao levantamento do crédito pleiteado, é incorrer em cerceamento do amplo direito de defesa, desrespeito ao princípio da verdade material e o da moralidade que rege os atos da Administração Pública, em não impedir exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.001786/2007-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA .
Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
Numero da decisão: 1002-000.002
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
JULIO LIMA SOUZA MARTINS - Presidente.
(assinado digitalmente)
AÍLTON NEVES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente WEBB NEGÓCIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DCTF. ALTERAÇÃO DE PERIODICIDADE NOS SISTEMAS DA RFB. VEDAÇÃO À ÉPOCA. MULTA. PERÍODO DE INCIDÊNCIA . Havendo, à época, impedimento normativo para retificação automática de DCTF semestral em mensal nos sistemas informatizados da RFB, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrada do contribuinte a multa por atraso na entrega da declaração no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) JULIO LIMA SOUZA MARTINS Presidente. (assinado digitalmente) AÍLTON NEVES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente), Aílton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 17 86 /2 00 7- 97 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi autuado para a exigência de multa pela entrega fora do prazo legal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao mês de abril de 2006. Alega que apresentou a DCTF semestral tempestivamente por erro, já que reconhece que deveria ter apresentado a declaração mensalmente, mas aponta que estaria impedido de apresentar a declaração correta enquanto a Receita Federal do Brasil não homologasse o seu pedido de cancelamento da DCTF anteriormente apresentado, por tratarse de caso de mudança de periodicidade, na forma do §8° do art. 12 da IN/SRF n° 583/05. Ademais, argumenta que o termo final para a aplicação da referida multa deveria ser afastada posto que o atraso “decorre somente, e tãosomente, da morosidade do serviço público.” Requer ainda a aplicação retroativa do disposto na parte final do art. 13 da IN/SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006, que trata das DCTF’s apresentadas com periodicidade semestral quando o contribuinte estivesse obrigado a apresentar mensalmente tal declaração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Deve ser mantida a utilização do termo final de incidência contido no § 1° do art. 7° da Lei n° 10.426/2002, por inexistente qualquer previsão legal ou normativa que permita a utilização de outro termo. Lançamento Procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados à primeira Seção do CARF e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. É o Relatório. Voto Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10070.001786/200797 Acórdão n.º 1002000.002 S1C0T2 Fl. 3 3 Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Discutese nos autos o lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF. A Recorrente entregou erradamente, em 12/09/06, DCTF semestral, quando deveria ter entregue a mensal, a qual estava normativamente obrigada. Quando percebeu o erro a Recorrente tentou retificar sua declaração, porém, o sistema de controle da RFB não permitia retificação da DCTF semestral para mensal (mudança de periodicidade), devendo, à época, necessariamente, haver o cancelamento administrativo da primeira declaração para que a segunda pudesse ser recepcionada no sistema, eis que não era permitida na base da dados a existência de 2 declarações de um mesmo contribuinte num mesmo anocalendário com periodicidades distintas. Diante deste quadro, o Recorrente ingressou com pedido de cancelamento da DCTF semestral (fls. 51) e teve de aguardar o deferimento de seu pleito pela autoridade administrativa para, só a partir daí, poder apresentar a DCTF do mês de 04/2006 na forma da legislação vigente. Ocorre que, durante o período compreendido entre a data do protocolo de seu pedido e o deferimento do cancelamento da DCTF semestral pela unidade de origem, a contagem do número de meses de atraso da entrega da DCTF mensal não foi interrompida até fevereiro de 2007, momento em que o contribuinte teve ciência de seu requerimento (fls. 50) e pôde, em 28/02/07 (fls. 46), entregar a declaração mensal de 04/2006, de modo a suprir a obrigação acessória faltante. Por isso, o período de atraso da entrega da DCTF do mês de 04/2006 considerado no cálculo da multa atingiu 9 meses, eis que a data do vencimento da DCTF mensal correspondente ao mês de abril/2006 era 07/06/06, mas a referida declaração só foi efetivamente entregue em 28/02/07 (fls. 46). Cumpre observar que o Recorrente não contesta o atraso na apresentação da DCTF, mas apenas o período que serviu de base ao cálculo do valor da multa exigida, porque entendeu que a DCTF semestral continha todas as informações da DCTF mensal a qual estava normativamente obrigada e que, por isso, poderia perfeitamente ser aceita para suprir a entrega da DCTF de 04/2006. Assim, a discussão ora em debate é se o Recorrente pode ser penalizado com o aumento do numero de meses em atraso da entrega da DCTF mensal em decorrência de um ato administrativo cuja decisão estava alheia a sua vontade, porque a análise acerca de seu requerimento apresentado em 09/11/06 dependia exclusivamente do pronunciamento de um agente público (fls. 51). Com base nesse entendimento, o Recorrente postula que o termo final da contagem dos meses de atraso da DCTF não seria o dia 28/02/07, mas sim o dia 12/09/06 (fls. 47), data que em que entregou a DCTF semestral do ano de 2006, que, segundo diz, continha todas as informações que seriam declaradas na DCTF mensal, de modo a suprir a obrigação acessória correspondente a este períodobase. Fl. 87DF CARF MF 4 Em outras palavras, ou se consideraria como termo final da multa por atraso na entrega da DCTF o dia 28/02/07 data de efetiva entrega da DCTF mensal do mês de 04/2006 ou o dia seguinte ao da ciência do requerimento de cancelamento da DCTF semestral do 1º semestre de 2006; na primeira situação teríamos 9 meses de atraso no cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF e, na segunda, apenas 6. À época dos fatos, o parágrafo 8º do artigo 12 da IN SRF 583/2005 vedava expressamente a retificação da DCTF na situação ora analisada: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.(grifei) (...) Além disso, o artigo 13 da mesma Instrução normativa declarava taxativamente que a DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa a um mesmo anocalendário não produziria quaisquer efeitos: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos. Por outro lado, a IN SRF 695/2006, no parágrafo único do seu artigo 13, passou a permitir que a DCTF semestral entregue com erro de periodicidade gerasse efeitos em relação às pessoas jurídicas que se enquadrassem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF mensal: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo anocalendário não produzirá efeitos, salvo nos casos de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal. Parágrafo único. Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado.(grifei) Ora, considerando que o parágrafo único da IN SRF 695/96 flexibilizou os efeitos da entrega da DCTF semestral entregue com erro, estabelecendo regra de contagem de prazo mais branda em relação à situação idêntica à do Recorrente, admitindo como termo ad quem de contagem dos meses de atraso da multa por falta de entrega de DCTF mensal a data da entrega da DCTF semestral, considero licito estender a aplicação dessa mesma regra para a entrega das DCTF em atraso do anocalendário 2006 que encontravamse pendentes de análise, eis que a IN SRF 593 não admitia a produção de quaisquer efeitos da DCTF semestral apresentada com erro nesse período. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10070.001786/200797 Acórdão n.º 1002000.002 S1C0T2 Fl. 4 5 Entendo assim por conta da aplicação do princípio da retroatividade benigna em matéria de multa, que considero aplicável ao caso em análise, eis que o requerimento do Recorrente acerca do cancelamento da DCTF semestral ainda não havia sido analisado no momento da edição da IN SRF 695/2006. Considerando que o art. 13 supra não explicita como se dará a cobrança da multa nesses casos, somente registrando a expressão “período considerado”, entendo que a referida norma deve ser interpretada em conjunto com o artigo 2o da Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal e assim preceitua: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; Fl. 89DF CARF MF 6 XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Por todo o exposto e com base no princípio da proporcionalidade entendo que a melhor solução para o caso é o afastamento da multa por atraso na entrega da DCTF somente para o período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão, eis que o procedimento administrativo era necessário para que o contribuinte pudesse sanar sua falha e dependia exclusivamente da atuação do agente público. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto para afastar a multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 04/2006 no período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência da decisão administrativa, de modo que o crédito constituído por força do descumprimento instrumental será equivalente ao calculado conforme quadro abaixo: Quadro indicativo do cálculo da multa por atraso na entrega da DCTF do mês de 04/2006: Prazo final de entrega Data da entrada do Requerimento de cancelamento da DCTF semestral Data de ciência da decisão de cancelamento da DCTF semestral Data de entrega da DCTF mensal do mês de 04/2006 Nº Meses em atraso (desconsiderado o período em que o requerimento administrativo estava pendente de análise) Cálculo da multa Valor devido (passível de redução) 07/06/2006 12/09/2006 02/2007 28/02/2007 04 8% X R$ 259.434,86 R$ 20.754,78 Ante o exposto voto por dar provimento integral ao recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
