Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10783.910656/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA.
A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular.
A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.910652/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.910656/2009-72
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954456
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.065
nome_arquivo_s : Decisao_10783910656200972.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10783910656200972_5954456.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.910652/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7583996
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418193035264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.910656/200972 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.065 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente GARRA ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.910652/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 06 56 /2 00 9- 72 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão de 1ª instância, proferida pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo excertos dos termos e fundamentos da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório [...]que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." O interessado, cientificado em [...], apresentou, em [...], manifestação de inconformidade [...]. Nesta peça, alega, em síntese, que: até outubro de 2003, recolheu a Contribuição Social sobre o Lucro Presumido utilizando o percentual de 12%; por cautela, a partir de novembro de 2003, alterou o percentual para 32%; a partir da MP nº 252/2005, voltou a utilizar o percentual de 12%, tendo acumulado crédito de pagamento a maior, conforme tabela, que foi utilizado para a quitação de tributos; a Receita Federal está exigindo multa para pagamento dentro do prazo; a DCTF foi transmitida em data anterior ao pedido de compensação, motivo pelo qual não foi encontrado o crédito; a DCTF foi retificada em 11/08/2009. É o relatório. Voto Tempestiva a manifestação de inconformidade, dela conheço. A teor do art. 170 do Código Tributário Naciona CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 4 3 liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual consta informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados." O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Os débitos objeto de compensação não homologada devem ser exigidos com os acréscimos de multa e de juros de mora, por Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 5 4 expressa determinação legal (art. 38 da Instrução Normativa RFB 900/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/1996). O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. É o meu voto. Julgadora Maria de Lourde Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentando tabelas com os valores que entende devidos e compensados de vários tributos, diferenças entre os valores recolhidos (origem do eventual crédito), créditos e débitos atualizados, além de tabela comparativa processos de cobrança com a utilização de multa e juros de mora, tudo isto para arrematar com a mesma conclusão da impugnação apresentada: Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.061, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.910652/2009 94, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.061): "Tanto o Despacho Decisório quanto o acórdão proferido pela DRJ estão, considerando as informações do PER/DCOMP, corretos em suas decisões, uma vez que não houve a indicação precisa de eventual pagamento indevido, no caso de CSLL. De se dizer que processos desta natureza (PER/DCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 6 5 sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. No caso em questão, a Recorrente, alertada pelo decidido no Despacho Decisório que indeferiu seu pleito, apresentou uma DCTF retificadora onde ali repousariam, então, os valores que entende como devidos. A instância de piso não aceitou tal retificação: A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Em situações desta natureza, onde apenas o crédito pleiteado fora informado de maneira equivocada no PER/DCOMP, entendo que se pode aceitar a DCTF retificadora apresentada após o Despacho Decisório, mas, ressaltese, tratandose de uma situação pontual, onde, de plano, poderseia aferir a existência do direito creditório da Requerente. Mas não é o caso dos autos. De se mostrar. A Recorrente afirmou em sua Impugnação que sua forma de tributação era o lucro presumido, onde o IRPJ é apurado por trimestre, entretanto, "por opção do seu setor financeiro, recolhe antecipadamente ao final de cada mês", procedimento incorreto, pois vedada a apuração e o pagamento mensal do tributo devido (art.516 do RIR/99), aí incluída a CSLL. A Recorrente afirmou que recolhia, até outubro de 2003, a CSLL utilizando como base de cálculo o percentual de 12% da receita bruta e a partir daí até setembro de 2005, utilizou a base de cálculo da CSLL no percentual de 32%, por força do art.22 da Lei 10.684/2003, quando, então, voltou a Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 7 6 utilizar o percentual de 12%, agora em face da Medida Provisória nº 252/2005. Em seu entendimento teria recolhido a maior a CSLL relativa ao período compreendido entre novembro de 2003 a setembro de 2005, entretanto, não apresenta e nem fundamenta suas razões de existência do eventual direito creditório alegado em seu recurso. Pelo exposto, já seria o suficiente para lhe negar seu pleito, mas ainda há outros entraves que impedem ou permitam reconhecer qualquer sinal do eventual crédito nos moldes em que aventado pela Recorrente. Base de Cálculo da CSLL Lei 9.250/1995 Art.20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário. Em 2003, houve alteração do artigo supra, que teria motivado (?) a Recorrente ao recolhimento da CSLL utilizando o percentual de 32% como base de cálculo: Base de Cálculo da CSLL Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 Art.22. O art.20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do parágrafo 1º do art.15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. De se ver o dispositivo supra citado, que excepcionou a utilização de percentual de 32%: Lei 9.250/1995 (art.15 com redação anterior à dada pela Lei 12.973/14) Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 8 7 Art.15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts.30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 2005. Parágrafo 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de : [...] III. trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (redação anterior a Lei nº 11.727, de 2008) [...] A Recorrente nem sabe dizer porque passou a utilizar o percentual de 32% na base de cálculo da CSLL. Seu Contrato Social nos dá uma pista, somente isto, desta mudança, pois ali consta em seu objeto social (cláusula terceira, Volume V1) a exploração das seguintes atividades: Se a Recorrente se utilizar de construção civil por empreitada, por exemplo, devese observar a aplicação dos materiais envolvidos, ou seja, se fornecidos pelo empreiteiro, fica sujeito ao percentual de 8% na apuração da base de cálculo do IRPJ, enquadrandose no caput do art.15 da Lei 9.249/95 e assim, o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL é de 12%. Serviços de desenho técnico especializados de arquitetura e engenharia, me parece que enquadramse em prestação de serviços em geral, passíveis, portanto, de utilização do percentual de 32% na base de cálculo da CSLL, mas, enfim, nada foi demonstrado pela Recorrente, que possui o exercício, pelo menos consta em seu Contrato Social, de mais de uma atividade, o que pode levar à utilização de percentuais diferentes da base de cálculo da CSLL: 32% sobre a receita bruta da atividade enquadrada no inciso III do parágrafo 1º do art.15 da Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 9 8 Lei 9.249/95 e de 12% sobre a receita bruta das demais atividades. Além desta ausência de fundamentação da razão de pedir, não há nos autos uma nota fiscal sequer que demonstrasse a natureza das atividades exercidas pela Recorrente. Diz a Recorrente ainda, em seu recurso voluntário, que, a partir de setembro de 2005, com a edição da Medida Provisória nº 252/2005, "voltamos a utilizar o percentual de 12% aplicado no cálculo da CSLL." A Medida Provisória nº 252, de 15 de junho de 2005 perdeu sua eficácia, tendo seu prazo de vigência encerrado em 13 de outubro de 2005, conforme Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 38, de 2005. Posteriormente foi editada uma nova MP, agora de nº 255, de 1° de julho de 2005, convertida na Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 que, naquilo que possa ter alguma alusão ao afirmado pela Recorrente seria o seguinte: Lei 11.196/2005 Capítulo VII DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Art.34. Os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.15. ........................................................................................ .................................................................................. Parágrafo 4º. O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato." "Art.20. ......................................................................................... Parágrafo 1º. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4º (quarto) trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (tres) primeiros trimestres. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.910656/200972 Acórdão n.º 1401003.065 S1C4T1 Fl. 10 9 Parágrafo 2º. O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o parágrafo 4º do art.15 desta Lei." Depreendese da mencionada Lei que o percentual de 8% também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que "explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato", valendo o mesmo para fins de cálculo da CSLL. Nada mais do que isto, ficando sem sentido a afirmação da Recorrente, a seguir reproduzida: Por qualquer ângulo que se analise o pleito da Recorrente, verificase que não há um indício sequer de que a Recorrente possua o alegado crédito de CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002492/2009-77
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13603.002492/2009-77
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5963085
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.057
nome_arquivo_s : Decisao_13603002492200977.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13603002492200977_5963085.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7614748
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418223443968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.002492/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.057 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente DECMINAS DISTRIBUICAO E LOGISTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO:MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ANOCALENDÁRIO 2007 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 24 92 /2 00 9- 77 Fl. 93DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0224.140, da 3° Turma da DRJ/BHE que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a Notificação de Lançamento que exigiu o crédito tributário, no valor de R$ 25.023,00, referente multa pelo atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao mês de março de 2007. Resumo, a seguir o relatório: Pedese que o auto de infração seja anulado, porque a exação é ilegal e abusiva, e. subsidiariamente, que a multa seja reduzida a monta de R$ 500,00, de acordo com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e à legislação de regência. Os argumentos que fundamentos o pedido são os a seguir resumidos: • A contribuinte está livre da responsabilidade pela infração imputada, com razão de denúncia espontânea, conforme previsto no art. 138 do CTN, segundo fundamentação esposada; O beneficio do art. 138 do CTN não pode ser negado, porque o pagamento dos débitos tributários acompanhado da denúncia espontânea a 1iisia aplicação de penalidades, inclusive multas; Como abono de sua tese são citadas ementas de decisão do STJ A imposição de multas ao contribuinte que se denuncia implica em violação ao principio constitucional da isonomia, pois o coloca na mesma posição, daquele que foi autuado e paga em decorrência da ação da administração; O atraso foi causado pelo extravio de inúmeros documentos da contabilidade; Deve ser levada em conta, prioritariamente, a idoneidade da impugnante, que procedeu a imediata entrega das DCTF ao fisco, tão logo teve ciência das irregularidades; • A multa é abusiva: A penalidade configura afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; A penalidade deve ser cancelada com base no art. 112do CTN. que determina a aplicação de interpretação mais favorável; A multa é confiscatória e atropela o direito de propriedade da impugnante, insculpido no inciso XXII do art. 5°e inciso II do art. 170, da Constituição; Suportar multa tão excessiva, principalmente em face do atual quadro recessivo que assola o Pais, é completamente inaceitável; Eventualmente, caso a multa seja considerada devida, deve ser reduzida para o valor mínimo de R$ 500,00, conforme fixada em outros Autos de Infração; • A sanção, no caso, constitui bis in idem, porque aplicada sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, em cada mês calendário: A proibição do bis in idem parte da premissa basilar de que não se pode punir mais de uma vez pela mesma infração; Só se pode cobrar multa pela falta de entrega da DCTF. o que não ocorre no caso, tendo em vista que foram capituladas multas sobre tudo o que declarado; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13603.002492/200977 Acórdão n.º 1001001.057 S1C0T1 Fl. 3 3 A infração cometida não causou nenhum prejuízo ao fisco, já que todos os tributos foram devidamente recolhidos; A recorrente foi cientificada da decisão em 14/12/2009 (fl 63) e apresentou o seu recurso voluntário em 12/01/2010 (fl 77) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: V DO PEDIDO 34. Diante dos invencíveis ora expendidos, confia e espera a Recorrente seja acolhida a presente defesa para reconhecer os argumentos ora aduzidos, declarandose a NULIDADE da autuação fiscal formalizada no Auto de Infração ora debatido, porquanto manifestamente ilegal a exação, bem como porque amplamente demonstrada a sua abusividade. 35. Subsidiariamente, requer a Recorrente seja reduzida a multa aplicada à monta de R$500,00 (quinhentos reais), sob pena de desobediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, e à legislação de regência. Quanto à nulidade do auto de infração, a DRJ manifestouse, no meu entendimento, corretamente, ao qual peço a devida vênia para reproduzir: Quanto à argüição de nulidade do Auto de Infração, ela é descabida. A matéria é regida exclusivamente pelos artigos 59 e 60 do Dec. n." 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 95DF CARF MF 4 Como o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e não é despacho nem decisão, as razões apresentadas não se enquadram nas hipóteses do art. 59 acima. Portanto, o ato não é nulo. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade. mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 retro. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigida na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, no sc Quanto à alegação, a da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, esta já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. As demais alegações foram devidamente analisadas e devidamente combatidas pela DRJ, em seu voto, o qual, por concordar com as conclusões, peço a devida vênia, para reproduzilo (parcialmente): Quanto ao mérito, o lançamento se mantém, porque a multa foi aplicada como determina a legislação tributária. A obrigatoriedade de apresentar a DCTF e a conseqüente penalidade na hipótese de não ser entregue ou entregue fora do prazo está categoricamente estabelecida na legislação tributária. A multa imposta foi instituída pelo art. 7" da MP n." 16, de 27 de dezembro de 2001, convertido no art. 7" da Lei n." 10.426, de 24 de abril de 2002, que assim dispõe: ... A entrega da declaração após o prazo previsto configura infração da legislação tributária. A caracterização da infração independe da ocorrência dc sonegação ou falta de pagamento de tributo. Pelo que dispõe o art. 113 do CTN, a finalidade das regras tributárias não se restringe ao estabelecimento de obrigações principais, mas também obrigações acessórias, entre as quais está a entrega da DCTF. De acordo com o § 2" do art. II do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações. positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização tributos. Diz o § 3' do mesmo artigo, que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária Assim, o descumprimento da obrigação acessória está longe de ser um evento irrelevante, mas. sim, sujeita o infrator à punição igualmente prevista em lei. Dai decorre o lançamento em questão. Realmente, a motivação da autuação é a entrega de DCTF fora do prazo. Tal motivação foi devidamente descrita no auto de infração, inclusive com indicação da data de encerramento do prazo e da data da entrega. impugnante não nega que a entrega se fez fora do prazo. Portanto, confirmase a ocorrência do ato que motivou o lançamento, e a sua caracterização como infração. Frisese, ainda, que princípios, como o da proporcionalidade. razoabilidade, isonomia e etc., norteiam o legislador e não o aplicador da lei. Realmente. variações de intensidade da punição em razão do tempo de atraso e de outros são fixadas de Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13603.002492/200977 Acórdão n.º 1001001.057 S1C0T1 Fl. 4 5 forma objetiva na própria legislação, não havendo oportunidade para discricionariedade da autoridade fiscal. Portanto, o lançamento efetuado conforme manda legislação e com base em fatos e dados cuja veracidade a impugnante não logra abalar. já atende, no âmbito de atuação do agente do fisco, os invocados princípios. A este respeito, temos a Súmula 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao propósito de a impugnante suscitar a redução da penalidade aplicada. cabe esclarecer que as reduções para a multa em questão, quando cabíveis. independem de requerimento e são objetivamente definidas na legislação. A aplicação do item II do § 3" do art. 7° da Lei 10.426/2002, somente será efetuado quando, do cálculo da multa, resultar em valor inferior a R$ 500,00. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.693855/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.693855/2009-11
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953614
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.272
nome_arquivo_s : Decisao_10880693855200911.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880693855200911_5953614.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7582539
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418226589696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1342; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.693855/200911 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.272 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAS INSTITUTE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 38 55 /2 00 9- 11 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.693855/200911 Acórdão n.º 3302006.272 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.470, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.693855/200911 Acórdão n.º 3302006.272 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.693855/200911 Acórdão n.º 3302006.272 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.011788/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2010
DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.142
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.011788/2010-66
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5963101
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.142
nome_arquivo_s : Decisao_15504011788201066.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 15504011788201066_5963101.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7614789
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418227638272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.011788/201066 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.142 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria MULTA ATRASO ENTREGA DACON Recorrente CHARM REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2010 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 17 88 /2 01 0- 66 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 15504.011788/201066 Acórdão n.º 3402006.142 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando uma indisponibilidade no sistema do RECEITANET, que não concluía a recepção dos arquivos. A defesa foi julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ n.º 02034.579. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo reiterando sua alegação de defesa, afirmando que procedeu com o protocolo físico, juntamente com a tela de indisponibilidade do sistema da RFB. Tratandose o presente caso de caso fortuito ou força maior, caberia ser excluída a responsabilidade do sujeito, que agiu de boafé. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.129, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 15504.010532/201031, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.129): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Como relatado, pretende a Recorrente que seja afastada a multa aplicada de atraso na entrega do DACON em razão da indisponibilidade do sistema da Receita Federal (RECEITANET), que teria sido devidamente comprovado pelas telas anexas à Impugnação (efls. 06/07). Contudo, as telas anexadas pelo sujeito passivo não evidenciam, de forma contundente, que o equívoco ocorreu no sistema da Receita Federal, na data sugerida pelo sujeito passivo (08/06/2010). Com efeito, a primeira tela anexada aos autos (efl. 06) não identifica o sujeito passivo a que corresponde: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 15504.011788/201066 Acórdão n.º 3402006.142 S3C4T2 Fl. 0 3 Esta é a única tela que traz a suposta data de tentativa de envio (08/06/2010). Contudo, observase que esta tela não identifica a quem ela se refere, não sendo possível confirmar que corresponderia, apenas, à Recorrente. Neste aspecto, essencial frisar que exatamente por não identificar o sujeito a que se refere, esta mesma tela foi anexada em outros processos administrativos, relacionados a sujeitos passivos distintos do presente, inclusive com o mesmo horário de tentativa de envio (21:09). É o que se confirma, de forma exemplificativa, da análise de processos que compõe o lote de repetitivos do presente processo, nos quais a mesma tela foi acostada aos autos: Processo nº 15504.010538/201017 da empresa GEMAPE MAQUINAS E PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 10 daqueles autos; Processo nº 15504.011788/201066 da empresa CHARM REPRESENTACOES LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 06 daqueles autos; e Processo nº 13603.001542/201032 da empresa WRS AUTO PECAS LTDA: tela idêntica à acima reproduzida foi acostada às efls. 08 daqueles autos. Por sua vez, a única tela que identifica a empresa por meio de seu nome e CNPJ (efl. 07), não identifica a data de tentativa de envio, somente um horário da tela do computador (22:09): Fl. 40DF CARF MF Processo nº 15504.011788/201066 Acórdão n.º 3402006.142 S3C4T2 Fl. 0 4 Assim, as telas acostadas aos presentes autos não comprovam que o atraso no envio poderia ser imputado ao sistema da Receita Federal. Essencial mencionar que, quando comprovado que ocorreu um erro técnico que prejudicou todos os contribuintes, a própria Receita Federal procede com o cancelamento das multas, como ocorreu no Ato Declaratório Executivo n.º 90/2009, para as declarações entregues em outubro/2009. No presente caso, a Receita não emitiu qualquer ato suscetível a comprovar erro técnico generalizado em seu sistema. E, por sua vez, os documentos acostados aos autos não são suficientes para demonstrar que esse erro técnico seria imputável à Receita Federal, ou mesmo que teria ocorrido especificamente quanto ao sujeito passivo autuado. Nesse sentido, cabe ser mantida a multa aplicada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.004602/2004-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, após análise da matéria pela Turma, declinar da competência para julgamento, haja vista se tratar de matéria de competência da 1ª Seção CARF, nos termos do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11543.004602/2004-57
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967482
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-000.717
nome_arquivo_s : Decisao_11543004602200457.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 11543004602200457_5967482.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, após análise da matéria pela Turma, declinar da competência para julgamento, haja vista se tratar de matéria de competência da 1ª Seção CARF, nos termos do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7629340
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418233929728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.474 1 1.473 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.004602/200457 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.717 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de janeiro de 2019 Assunto DECLÍNIO DE COMPETÊNCIA Recorrente EDITORA LINEART LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, após análise da matéria pela Turma, declinar da competência para julgamento, haja vista se tratar de matéria de competência da 1ª Seção CARF, nos termos do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada em substituição ao conselheiro Paulo Sergio da Silva), Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, e Renata Toratti Cassini. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 04 60 2/ 20 04 -5 7 Fl. 1479DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.475 ___________ RELATÓRIO Conforme consta do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1168/1206), tratase de lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte com tributação exclusiva, à alíquota de trinta e cinco por cento, incidente sobre pagamentos realizados a pessoa não identificada, nos termos do art. 61, §§ 2° e 3° da Lei n° 8.981/95 e do art. art. 674, §§ 2° e 3° do RIR/99. Relata a autoridade fiscal que o procedimento fiscal decorreu do desenvolvimento do programa de trabalho associado às operações fiscais 03713 — MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA — PJ e 50151 — IRRF — PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS/SEM CAUSA OU POR OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA e que teve por escopo verificar o efetivo cumprimento das obrigações tributárias nos calendários de 1999 e 2000, tendo em vista a discrepância existente entre os valores das receitas declaradas pela pessoa jurídica e sua movimentação financeira. Relata, ainda, que no curso da fiscalização, verificouse que a empresa LINEART, representada pelos seus sócios CÉSAR AUGUSTO CRUZ NOGUEIRA e FLAVIO AUGUSTO CRUZ NOGUEIRA, recebeu recursos públicos desviados da ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (ALES) nos anos calendário de 1999 e 2000. Considerando a intenção fraudulenta do contribuinte em suprimir os tributos devidos, ocultando de forma contumaz a natureza jurídicotributária dos rendimentos auferidos, foi aplicada multa agravada de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Foi também lavrada Representação Fiscal para Fins Penais (autos nº 11543.004599/200471). As impugnações apresentadas pela EDITORA LINEART LTDA ME e por seu sócio Flavio Augusto Cruz Nogueira, este na condição de terceiro interessado, foram julgadas improcedentes (Acórdão nº 7802/2005, da DRJ/RJ, a fls. 1336/1376), mantendo integralmente o lançamento. A EDITORA LINEART LTDA ME (doravante referida apenas como LINEART) foi intimada dessa decisão aos 23/11/2005 fls. 1388 e apresentou recurso voluntário tempestivamente, aos 06/12/2005 (fls. 1389), alegando, em síntese: nulidade do procedimento fiscal em face da indevida quebra de sigilo bancário da recorrente; insuficiência de informações das movimentações financeiras para caracterização da incidência tributária; que a sistemática eleita para tributação de seus rendimentos é a do auto arbitramento, prevista no art. 531 do RIR/99. Desse modo, pela própria característica dessa modalidade de apuração da renda tributável e do "quantum debeatur", resta então dispensada a Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 2402000.717 S2C4T2 Fl. 1.476 3 empresaautuada, no caso, a recorrente, da manutenção de registros contábeis fidedignos das operações por ela realizados; a ausência de efetiva e suficiente demonstração dos elementos para a caracterização da hipótese legal para a incidência da multa agravada de 150% desnatura a sua imposição e a torna, como no presente caso, infundada e indevida. Sem contrarrazões. O recuso voluntário veio a julgamento aos 03 de outubro de 2012 pela 1ª Câmara da Segunda 2ª Turma Ordinária, que houve por bem sobrestar o andamento do feito para que fosse julgada a legalidade o procedimento de Requisição de Informação Financeira RINF. O colegiado identificou que o terceiro interessado não houvera sido intimado da decisão de primeira instância, sendo determinada, também, a sua intimação ou a juntada do respectivo AR. (fls. 142/428) Intimado o terceiro interessado, o Sr. Flavio Augusto Cruz Nogueira apresentou, então, recurso voluntário, alegando, em síntese, que os sócios somente podem ser responsabilizados pelas dívidas da pessoa jurídica se demonstrados os requisitos do art. 135 do CTN, ônus que compete à Administração Tributária, sem o que a inclusão do nome do sócio na CDA será nula, por não decorrer de ato administrativo devidamente motivado; requer, por fim, a anulação do processo administrativo, por não decorrer de ato administrativo devidamente motivado, uma vez que não comprovados os requisitos previstos no artigo 135 do CTN para que ensejasse a inclusão do recorrente nos autos do processo administrativo ou que se declare a inexistência de responsabilidade sua sobre o crédito tributário. Não houve contrarrazões. Com a publicação da Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, que revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o sobrestamento do feito foi encerrado e o processo retomou seu curso e retornou a este colegiado para julgameto. É o relatório. VOTO Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Analisando a questão de direito debatida nos presentes autos, verificase que se trata de matéria afeta à competência da Primeira Seção de Julgamento deste Tribunal, nos termos do que dispõe o RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 2º, inciso III, na redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, nos seguintes termos: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 11543.004602/200457 Resolução nº 2402000.717 S2C4T2 Fl. 1.477 4 III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...). Desse modo, entendo que falece competência a este colegiado para apreciação deste recurso. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 1482DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.910314/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.689
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.910314/2012-34
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961036
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.689
nome_arquivo_s : Decisao_10580910314201234.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580910314201234_5961036.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7604780
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418236026880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.910314/201234 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.689 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente ALLIMED COMÉRCIO DE MATERIAL MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior, cuja homologação não se deu nos termos requeridos pela recorrente. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando a legitimidade dos créditos pleiteados no fato de que teria tributado erroneamente à alíquota de 3% as receitas de venda de produtos de Código NCM 9018.39.29, sujeitos à alíquota zero (Decreto nº 6.426/2008), tendo, inclusive, retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório para constar o valor correto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 10 31 4/ 20 12 -3 4 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10580.910314/201234 Resolução nº 3402001.689 S3C4T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, vez que ela, em desacordo ao disposto no art. 147 do CTN, limitouse à retificação da DCTF, sem a comprovação do erro correspondente. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que o recolhimento a maior poderia ser facilmente comprovado pelas Notas Fiscais juntadas, bem como pelos livros fiscais da empresa, comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB e pela sua Declaração de Imposto de Renda. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.683 de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.910312/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.683): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. O julgador a quo salientou em sua decisão que: "Para que fosse possível apurar se houve tributação indevida de parte de suas receitas, o interessado deveria ter apresentado todas notas fiscais do período de apuração, acompanhadas dos livros contábeis, para que se pudesse contabilizar as receitas totais, apartar as receitas tributadas à alíquota zero e comparar a Cofins devida com o montante recolhido". Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou os documentos reclamados na decisão recorrida, os quais, poderiam, em tese, comprovar o seu direito creditório ou parte dele. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10580.910314/201234 Resolução nº 3402001.689 S3C4T2 Fl. 4 3 julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a legitimidade e regularidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001648/2003-72
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a prescrição pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 11. APLICAÇÃO.
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. DE PRESCRIÇÃO.
Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de apreciação de recurso, uma vez que, nesse caso, a exigibilidade do crédito está suspensa ex vi do art. 151, III, do CTN.
CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. AUTOCOMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS NORMATIVOS.
1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito, reconhecido por decisão judicial, exigia a apresentação de pedido instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios.
2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal, com a conseqüente cobrança dos débitos indevidamente compensados.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
PIS/PASEP. AUDITORIA EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO.
O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. Recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, assim como a realização do encontro de contas consistente da compensação. Não há como ser afastada a autuação quando não restou comprovada, por meio da escrita fiscal, a compensação alegada.
Numero da decisão: 3003-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a prescrição pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 11. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de apreciação de recurso, uma vez que, nesse caso, a exigibilidade do crédito está suspensa ex vi do art. 151, III, do CTN. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. AUTOCOMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS NORMATIVOS. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito, reconhecido por decisão judicial, exigia a apresentação de pedido instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal, com a conseqüente cobrança dos débitos indevidamente compensados. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 PIS/PASEP. AUDITORIA EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. Recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, assim como a realização do encontro de contas consistente da compensação. Não há como ser afastada a autuação quando não restou comprovada, por meio da escrita fiscal, a compensação alegada.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10640.001648/2003-72
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5964081
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.127
nome_arquivo_s : Decisao_10640001648200372.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VINICIUS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10640001648200372_5964081.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7618176
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418262241280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.001648/200372 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.127 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2019 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DCTF Recorrente MOTA & SAHYONE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a prescrição pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 11. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de apreciação de recurso, uma vez que, nesse caso, a exigibilidade do crédito está suspensa ex vi do art. 151, III, do CTN. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. AUTOCOMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS NORMATIVOS. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito, reconhecido por decisão judicial, exigia a apresentação de pedido instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 16 48 /2 00 3- 72 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 3 2 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábilfiscal, com a conseqüente cobrança dos débitos indevidamente compensados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 PIS/PASEP. AUDITORIA EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. Recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, assim como a realização do encontro de contas consistente da compensação. Não há como ser afastada a autuação quando não restou comprovada, por meio da escrita fiscal, a compensação alegada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração da contribuição ao PIS, atinente ao 3º. e 4º. trimestres de 1998, em decorrência de auditoria interna na DCTF transmitida pelo contribuinte. Na referida declaração, não foram localizados pagamentos para a extinção dos referidos débitos, ensejando, assim, a autuação. Cientificada da autuação, a recorrente apresentou impugnação na qual sustentou que teria realizado compensação dos referidos débitos de PIS, com base em créditos provenientes de ação judicial versando sobre a inconstitucionalidade das alterações realizadas na apuração da contribuição pelos DecretosLeis nºs. 2.445/88 e 2.449/88. Alegou, então, que a referida compensação teria como base o art. 2º da IN/SRF nº 32/97 e o art. 66 da Lei nº 8.383/91. Discorreu, por fim, sobre a inaplicabilidade da LC 17/73 e aplicação da semestralidade do PIS. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora deu parcial provimento à impugnação, afastando apenas a multa de ofício, pela aplicação da retroatividade benigna, nos termos da seguinte ementa: Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei nº. 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: (i) ocorreu prescrição intercorrente, argumento não ventilado em sua impugnação; (ii) houve compensação regular, realizada nos moldes do art. 66 da Lei nº. 8.383/91, não existindo, à época, previsão normativa para sua declaração em DCTF (iii) é desarrazoada a justificativa da decisão recorrida que vincula a homologação da compensação à necessidade de que o contribuinte proceda antes à renúncia ou desistência da execução do título judicial, uma vez que, à época, não existiria base normativa para tal exigência e, ainda, pela possibilidade do próprio Fisco constatar que não houve execução judicial por parte do contribuinte. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. O presente litígio se resume em saber: (1) se há que se aplicar ao caso concreto a prescrição intercorrente e (2) se a autuação é subsistente em face de alegada compensação, entrando, nesse tópico, a análise de questões relacionadas a eventuais requisitos, regramentos e comprovação da compensação invocada pela recorrente. 1. Prescrição intercorrente Em sua impugnação perante a instância a quo, a recorrente não apresentou a tese apresentada em seu Recurso, qual seja, a de aplicação, à autuação em litígio, da prescrição intercorrente, tendo em vista o novel regramento do art. 40, §4º da Lei nº. 6830/80, alterado pelo art. 6º da Lei nº. 11.051/04, o 108, I do CTN e o art. 2° da Lei 9.784/ 99. Considerando que decadência e prescrição constituem matérias de ordem pública, podendo ser conhecidas ex officio, ex vi do art. 487 do Código de Processo Civil, entendo que os argumentos trazidos no Recurso Voluntário devem ser conhecidos. Não obstante, analisando a tese defendida pela recorrente à luz do caso concreto e das normas a ele aplicáveis, constatase que não ocorreu a prescrição alegada. No caso dos autos, não há que se falar em prescrição, uma vez que a exigibilidade do crédito tributário devidamente constituído está suspensa em razão de pendência de apreciação de recurso no presente processo administrativo essa é, precisamente, uma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ex vi do art. 151, III, do CTN. O raciocínio é bastante simples: se está suspensa a exigibilidade do crédito tributário, o crédito não pode ser cobrado (exigido), de onde se conclui que não há razão para o transcurso do prazo para sua cobrança, ou seja, não há que se falar em prescrição. Sublinhese que a recorrente cita prescrição intercorrente, mas vale lembrar que referido instituto não é aplicável ao contencioso administrativo tributário, no qual o crédito tributário ainda está em discussão. Sobre tal matéria, aliás, já se pronunciou o CARF, tendo sido exarada a Súmula CARF nº. 11: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 6 5 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Registrese que a mencionada súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Desse modo, considerando a instauração do contencioso administrativo, não há que se falar em prescrição pois o crédito tributário se encontra com exigibilidade suspensa , nem em prescrição intercorrente, em face da norma prescrita na Súmula CARF nº. 11, acima transcrita. 2. Subsistência da autuação em face da alegada compensação Não pairam dúvidas quanto à inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. De semelhante modo, é estreme de questionamento a possibilidade de compensação de eventuais créditos de PIS, provenientes do reconhecimento da inconstitucionalidade dos referidos DecretosLeis com débitos vincendos da mesma contribuição. Assim, no caso concreto, a questão que se levanta circunscrevese à demonstração da certeza e liquidez do direito creditório alegado e da comprovação de sua utilização em supostas compensações dos débitos de PIS do 3º e 4º trimestres de 1998, fato que afastaria a autuação atacada. A recorrente alega que informou em DCTF que havia realizado compensação com DARF, cujo pagamento não foi localizado pelos sistemas de controle de arrecadação da então SRF, dando ensejo à autuação sob análise. A recorrente contesta, então, o lançamento, aduzindo que, de fato, houve compensação dos débitos controvertidos com créditos de PIS reconhecidos no processo judicial n.° 96.01002200, perante a Vara Única da Justiça Federal em Juiz de Fora MG. Compulsando os autos, constatase que a decisão recorrida não contesta o reconhecimento de créditos de PIS, no âmbito judicial, tampouco se opõe à compensação dos referidos créditos com débitos de PIS. O que o aresto recorrido questiona é a ausência de comprovação da aludida compensação, com a inerente demonstração da apuração do encontro de contas débitos e créditos, caracterizador do procedimento de compensação. É natural e absolutamente lógico que a decisão recorrida exija a comprovação da compensação aludida: se a recorrente pretende desconstituir a autuação fiscal sob o fundamento de que os débitos ali constituídos foram objeto de compensação, efetuada por sua conta e risco, necessário se faz a comprovação de tal alegação. É evidente que o afastamento do mérito da autuação atacada surgida, como visto, pela constatação de insuficiência dos créditos nela indicados requer a comprovação de que seus fundamentos foram equivocados, ou seja, de que os débitos constituídos foram antes compensados. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 7 6 Como veremos, a recorrente não logrou comprovar que os débitos autuados foram de fato compensados. A juntada de várias peças processuais, em sede de recurso, serve para evidenciar que a recorrente obteve o reconhecimento judicial de créditos de PIS, com decisão transitada em julgado, mas não diz nada acerca da quantificação e utilização daqueles créditos se foram fruto de execução judicial, restituição administrativa, compensação a pedido ou autocompensação. Ou seja, ter o direito creditório reconhecido judicialmente não significa, ipso facto, a sua compensação com os débitos de PIS do 3º e 4º trimestres de 1998. A recorrente alega que informou a compensação em DCTF. Também aduz que não há norma que a obrigue a informar a compensação na citada declaração, rechaçando, ainda, o argumento trazido na decisão a quo que sustenta a necessidade de comprovação da renúncia ou desistência da execução judicial. Com relação a tais argumentos, há que se assinalar que: 1 a informação da suposta compensação em DCTF não elide a necessidade de sua comprovação; 2 o reconhecimento judicial do direito creditório da contribuição ao PIS, a renúncia e a desistência da execução judicial não implicam, necessariamente, a realização da compensação dos débitos de PIS, exigindose, mais uma vez, que a recorrente demonstre a compensação alegada. Sublinhese que compensação por conta e risco (autocompensação) exige a escrituração contábil do encontro de contas, identificandose, a partir dos registros contábeis, as dívidas a serem extintas, a quantificação dos créditos e a data da compensação para sabermos, inclusive, quais normas deverão regêla. No caso concreto, a recorrente apenas alega ter efetuado compensação dos débitos de PIS, sem, contudo, apresentar documentos contábeis, hábeis e idôneos, que evidenciem e atestem a ocorrência, extensão e validade da compensação alegada. Não basta alegar que possui créditos de PIS reconhecidos judicialmente e que tais créditos foram utilizados para compensação de débitos da mesma contribuição. Sobre a recorrente recai o ônus de demonstrar a existência do direito creditório e sua extensão (certeza e liquidez) e, ainda, a forma de utilização de tal direito, evidenciando, no caso em tela, a maneira, a época e com quais créditos se deu a compensação arguida: é necessário, para tanto, a apresentação da escrituração contábil, na qual devem constar a apuração do direito creditório e sua efetiva utilização na extinção de débitos tais e quais. Importa ressaltar, também, que a alegada compensação, supostamente realizada em 1998, era disciplinada, à época, pela Instrução Normativa SRF (IN) nº. 21/97 cumprindo o comando do §4º do art. 66 da Lei nº. 8.383/91 , cujos arts. 14 e 17, fundamentais para a presente análise, seguem transcritos (grifei algumas partes): Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 8 7 (...)§ 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRFA do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação.(...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Antes de abordarmos os dispositivos acima transcritos, é de se recordar que, antes da entrada em vigor da Medida Provisória 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, dando nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/1996, havia duas modalidades de compensação: (i) auto compensação ou compensação escritural, baseada no art. 66 da Lei nº. 8.383/91; e (ii) compensação a pedido ou por requerimento, com base na redação original do art. 74 da Lei nº. 9430/96. Esses dois modelos de compensação eram regulamentados pela referida IN 21/1997, cujos artigos transcritos acima trazem regras fundamentais para a compensação de créditos judiciais. Da intelecção dos arts. 14 e 17 da IN 21/1997, constatase que a compensação de débitos com créditos reconhecidos judicialmente deveria ser precedida de requerimento à então SRF, acompanhado dos seguintes documentos: a) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva decisão judicial; e b) no caso de título judicial em fase de execução, do documento comprobatório da renúncia ou desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial, e do compromisso de assumir todas as custas do processo judicial, inclusive os honorários advocatícios. Da leitura do art. 14, § 6º, IN 21/97, depreendese que a compensação com crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Neste artigo, a instrução normativa impõe que, para efeito de compensação de crédito judicial com trânsito em julgado, o contribuinte deverá anexar, junto ao pedido à SRF, cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a compensação. No caso de título judicial em fase de execução, há que se apresentar, ainda, documento comprobatório da renúncia ou desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial, e do compromisso de assumir todas as custas do processo judicial. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 9 8 A matriz legal para tal modalidade de compensação "a pedido" era, como visto acima, o art. 74 da Lei nº. 9.430/96, em sua redação original: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O entendimento acima esposado é também encampado por outras turmas de julgamento. Vide, por exemplo: Acórdão nº. 3302003.747, Rel. José Fernandes do Nascimento, julgado na sessão de 29/03/2017; 3802004.021, Rel. Mércia Helena Trajano D’Amorim, julgado na sessão de 27/01/2015; Acórdão nº. 3302005.741, Relator José Renato Pereira de Deus, julgado na sessão de 27/08/2018. Todas essas decisões afirmam a necessidade de prévio requerimento à SRF, com juntada das peças processuais referidas no art. 17 da IN 21/97, nos casos de compensação com créditos reconhecidos judicialmente. Verificase, mais uma vez, e, por ângulo diverso, que sobre a recorrente recai o ônus de trazer ao conhecimento do Fisco os elementos que demonstram seu direito creditório, para a realização da compensação pretendida. Não assiste, pois, razão à recorrente quando busca se esquivar do encargo probatório, transferindo ao fisco a responsabilidade de perquirir, de ofício, se houve ou não compensação, assim como apurar a existência e liquidez de créditos decorrentes de processo judicial. À recorrente caberia demonstrar a compensação alegada. Apesar de ter tido a possibilidade de apresentar, na fase de impugnação, os elementos probatórios para comprovar a subsistência da suposta compensação, apresentando, por exemplo, sua escrituração contábil, a recorrente furtouse ao seu ônus probatório, buscando transferir, ao órgão a quo, a responsabilidade de provar o seu direito creditório e a efetivação da compensação invocada. É lição elementar de direito que as alegações devem ser suportadas por provas produzidas por quem alega. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 10 9 Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração de suas alegações em especial, sua escrituração contábil para comprovar a suposta compensação , sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o § 4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ainda assim, em homenagem ao princípio da verdade material, analisei os autos, buscando encontrar novos elementos de provas, e, como já assinalado, não houve a apresentação de documentação para comprovação da compensação alegada pela recorrente. Junto ao seu recurso, não foi apresentado qualquer documento para justificar, afirmar e delimitar a extensão do direito creditório invocado e sua utilização para a compensação dos débitos de PIS do 3º. e 4º. trimestres de 1998, tendo a recorrente apenas se restringido a reafirmar suas alegações, sem, contudo, demonstrálas. A recorrente deveria ter trazido a escrituração contábil para comprovar o encontro de contas, identificando, a partir dos registros contábeis, as dívidas a serem extintas, a quantificação dos créditos e a data da compensação. A recorrente não reuniu elementos essenciais para demonstrar seu crédito e a extinção dos débitos controversos: diante da ausência de escrituração contábil, não é possível aferir a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito alegado, tampouco sua efetiva utilização para extinção dos débitos de PIS dos 3º. e 4º. trimestres de 1998. Importa sublinhar, ainda, que a sentença que reconheceu o direito creditório da recorrente foi exarada em 05 de agosto de 1997, trazendo o seguinte dispositivo: A tese da inconstitucionalidade dos DecretosLeis que alteraram o PIS foi acolhida pelo egrégio Supremo Tribunal Federal (RE N. 148.7542/210/ RJ), culminando com a Resolução nf 49, de 09.10.95, do Senado Federal, que suspendeu a execução dos DecretosLeis n. 2.445, de 29.06.88 e 2.449, de 21.07.88. Desse modo, tomase cabível, a repetição do que foi pago indevidamente a esse titulo, com os acréscimos legais. Pelo exposto e pelo mais que consta dos autos, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 11 10 JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, para declarar o direito dos autores de recolherem o PIS na forma prevista na Lei Complementar n° 7/70 e para determinar à ré a devolução dos valores pagos a maior, excluídas as parcelas há mais de cinco anos antes da propositura da ação, a teor do disposto no art. 168 do CTN. O valor apurado será corrigido monetariamente pela UFIR, desde o pagamento indevido, incidindo juros 'moratórios de 0,5% (meio por cento) ao mês, a partir do trânsito em julgado da sentença. Da leitura da decisão, constatase que a justiça autorizou a repetição de indébito, apesar do pedido formulado na ação ter sido mais amplo, incluindo, além da repetição, a compensação nos moldes da Lei nº. 8.383/91. Em seguida, o TRF da 1ª Região confirmou a sentença de primeira instância, tendo admitido a restituição dos valores de PIS recolhidos indevidamente. No entanto, em 13 de agosto de 2001, o Superior Tribunal de Justiça reformou a decisão a quo, conforme o dispositivo a seguir transcrito: DOU provimento ao recurso. para afastar a prescrição reconhecida no Tribunal “a quo”, a fim de que se efetue a restituição das parcelas tributárias registradas nos autos pela via do autolançamento, sujeitando se, porém, à fiscalização do ente tributante. Como se percebe, em 1998, a recorrente tinha a seu favor sentença que lhe permitia apenas a restituição de indébitos dos créditos de PIS reconhecidos judicialmente. Somente em 2001, com a decisão do STJ, é que lhe foi permitida a autocompensação. De todo o modo, sendo ou não permitido à recorrente proceder à autocompensação, o fato é que, no caso concreto, a recorrente não logrou demonstrar, como visto, a realização da compensação para a extinção dos débitos objeto da autuação. Salientese, por fim, que o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, tem como fundamento o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF Nº 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF Nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10640.001648/200372 Acórdão n.º 3003000.127 S3C0T3 Fl. 12 11 § 2º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas JurídicasIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 4º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os §§ 2º e 3º, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Tal sistemática vigorou até a edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art. 18 derrogou o art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de ofício deveria se limitar à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas, aplicandose, unicamente, nas hipóteses de o crédito (ou débito) não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso concreto, o lançamento discutido foi realizado em face de DCTF transmitida antes do advento do art. 18 da MP nº 135/2003, constituindose, portanto, ato plenamente válido e subsistente em face das normas vigente à época em que foi lavrado. Ademais, não há que se cogitar em insubsistência de auto de infração quando este preenche os requisitos legais, quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa, e quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000573/2005-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002
RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002
RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO
É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep.
Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
Numero da decisão: 9303-007.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus - ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13558.000573/2005-00
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953540
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.739
nome_arquivo_s : Decisao_13558000573200500.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 13558000573200500_5953540.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7580877
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418267484160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 564 1 563 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13558.000573/200500 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.739 – 3ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria PIS/PASEP E COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NESTLÉ BRASIL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pela Cofins. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para afastar a tributação pelo PIS/Pasep. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 05 73 /2 00 5- 00 Fl. 1113DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3401003.271, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 COFINS. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ART. 14, § 2º, I DA MP 2.037 24/2000. SUSPENSÃO. CONCESSÃO DE LIMINAR NA ADI 2.3489/DF. Por força do art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição Federal de 1988, ex vi do entendimento externado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 2.3489/DF, especialmente na decisão de concessão de medida liminar para suspender, com eficácia ex nunc, disposições do art. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13558.000573/200500 Acórdão n.º 9303007.739 CSRFT3 Fl. 565 3 14, § 2º, I da Medida Provisória nº 2.037/24/2000, foi mantida a equiparação das vendas destinadas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus à exportações e, por via de conseqüência, a isenção de PIS/Pasep e Cofins veiculada no art. 14, II do mesmo diploma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 PIS/PASEP. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ART. 14, § 2º, I DA MP 2.03724/2000. SUSPENSÃO. CONCESSÃO DE LIMINAR NA ADI 2.3489/ DF. Por força do art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, da Constituição Federal de 1988, ex vi do entendimento externado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 2.3489/DF, especialmente na decisão de concessão de medida liminar para suspender, com eficácia ex nunc, disposições do art. 14, § 2º, I da Medida Provisória nº 2.037/24/2000, foi mantida a equiparação das vendas destinadas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus à exportações e, por via de conseqüência, a isenção de PIS/Pasep e Cofins veiculada no art. 14, II do mesmo diploma.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que, os seus pagamentos a título de PIS/COFINS incidentes sobre as receitas advindas de vendas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus foram devidos, na forma da legislação aplicável à época. Como tais receitas não se enquadram nas hipóteses previstas pelos IV, VI, VIII e IX do artigo 14, da MP nº 2.15835/2001, não há que se falar em isenção do PIS sobre elas. Em Despacho às fls. 1085 a 1088, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que tendo em vista que o período das receitas autuadas é de setembro de 2001 a dezembro de 2002, sobre estas receitas não devem incidir PIS/Cofins. Fl. 1115DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho. O acórdão recorrido decidiu que o PIS e a COFINS não incidem sobre as receitas advindas de vendas às empresas situadas na Zona Franca de Manaus, desde que os produtos vendidos sejam internalizados naquela zona, desconsiderando as hipóteses legais previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14, da MP nº 2.15835/2001, nos termos do julgamento da ADI nº 2.3489 pelo Supremo Tribunal Federal. Por sua vez, os acórdãos paradigmas decidiram que não há isenção específica do PIS e da Cofins sobre as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. O cerne da lide se encontra nos arestos e divergem entre si. Passadas tais considerações, passo a analisar a lide trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, qual seja, sobre a aplicação da isenção ou não do PIS/Pasep sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços destinados à Zona Franca de Manaus. Vêse que essa matéria não é desconhecida por esse Colegiado, eis que para a aplicação da isenção resta somente a resta somente a discussão acerca da caracterização ou não da receita decorrente de vendas à Zona Franca de Manaus como receita de exportação. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 13558.000573/200500 Acórdão n.º 9303007.739 CSRFT3 Fl. 566 5 Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. A Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Fl. 1117DF CARF MF 6 Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação como se exportação para o exterior. Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata este artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automaticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.757/60, trouxe em seu art. 4º: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, gozando essa operação de benefícios/incentivos fiscais, inclusive da constituição de crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 13558.000573/200500 Acórdão n.º 9303007.739 CSRFT3 Fl. 567 7 Cabe trazer quem relativamente ao art. 14 da MP 2.03724/00, temse que, por conta das mudanças legislativas, a exclusão da expressão “Zona Franca de Manaus” do art. 14, inciso I, do § 2º, da MP 2.03724/00, não vingou, eis que, com o advento do art. 11, inciso I, da MP 1.95231/00, a Zona Franca de Manaus voltou a ser considerada exportação. Ademais, vêse que, ainda que as Portarias MF 38/97, 64/03 e 93/04 conceituem exportação, para fins de que trata a Lei 9.363/96 somente a operação que destinar bens à exportação para o exterior, entendo que a Zona Franca de Manaus se equipara à exportação para o exterior. Frisese tal entendimento a jurisprudência pacificada nos tribunais, entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 1119DF CARF MF 8 EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócio regionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016 (Grifos meus): “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉCONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 13558.000573/200500 Acórdão n.º 9303007.739 CSRFT3 Fl. 568 9 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 000138445.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) Vêse que a jurisprudência, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Franca de Manaus, já pacificou que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. O que entendo que tal discussão já se encontra pacificada. Tanto é assim, que a própria PGFN, por meio do Ato Declaratório PGFN 4/17 DECLAROU que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade. Eis: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de Fl. 1121DF CARF MF 10 interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER“ Tal Parecer, inclusive, já foi aprovado pelo Ministro da Fazenda. Frisese o decidido por essa turma nos acórdãos de nºs 9303007.437 e 9303006.415. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000126/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/05/2008, 17/06/2008, 23/09/2008, 08/10/2008, 21/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO.
Constatada contradição entre o dispositivo decisório e as conclusões expressadas nos votos vencido e vencedor, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, retificando-se o dispositivo da decisão para assentar a exclusão das multas aplicadas.
Numero da decisão: 3201-004.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e retificar a decisão no Acórdão nº 3201-003.662, para excluir as multas aplicadas.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/05/2008, 17/06/2008, 23/09/2008, 08/10/2008, 21/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo decisório e as conclusões expressadas nos votos vencido e vencedor, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, retificando-se o dispositivo da decisão para assentar a exclusão das multas aplicadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11817.000126/2009-42
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948042
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.620
nome_arquivo_s : Decisao_11817000126200942.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11817000126200942_5948042.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e retificar a decisão no Acórdão nº 3201-003.662, para excluir as multas aplicadas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7570552
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418270629888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 236 1 235 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11817.000126/200942 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201004.620 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BRASMÉDICA HOSPITALAR E ORTOPEDICA LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/05/2008, 17/06/2008, 23/09/2008, 08/10/2008, 21/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO. Constatada contradição entre o dispositivo decisório e as conclusões expressadas nos votos vencido e vencedor, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, retificandose o dispositivo da decisão para assentar a exclusão das multas aplicadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e retificar a decisão no Acórdão nº 3201003.662, para excluir as multas aplicadas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 26 /2 00 9- 42 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11817.000126/200942 Acórdão n.º 3201004.620 S3C2T1 Fl. 237 2 Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 320100.662, prolatado por esta Turma na sessão de 19/04/2017, cuja ementa foi assim redigida: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/05/2008, 17/06/2008, 23/09/2008, 08/10/2008, 21/11/2008 CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DAS MERCADORIAS NA NCM. Próteses mamárias e penianas, de silicone, apresentadas em variados modelos e tamanhos, para implantes no corpo humano, classificamse no código 9021.39.80 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 43, de 2006, nos termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nºs 1 e 6 e Regra Geral Complementar nº 1 da NCM. PROCESSO DE CONSULTA. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA NORMATIVA. EFEITO ENTRE AS PARTES. O processo administrativo de consulta formalizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária produz efeitos exclusivamente para as partes Consulente e Fisco não se aplicando a terceiros não integrantes da relação processual, de acordo com os artigos 96 e 100 da Lei nº 5.172, de 1966. EXCLUSÃO DE PENALIDADES. ART. 100 CTN E ART. 101 DO DL 3/66. Tendo sido a classificação fiscal das mercadorias realizada de acordo com interpretação fiscal em processo de consulta, seja o interessado parte ou não, exclui a aplicação de penalidades. ART. 100, II E PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. ART. 101, I DO DECRETOLEI Nº 37/66. INAPLICABILIDADE. A norma inserida no art. 100, II c/c parágrafo único do CTN somente se aplica, em matéria de consulta regular à Receita Federal, ao consulente. Juros de mora objetiva corrigir crédito tributário não pago no vencimento e não se configura penalidade. LANÇAMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. ART. 61, § 3º DA LEI Nº 9.430/96. ART. 161 DO CTN. Crédito tributário não pago no vencimento sujeitase à incidência de juros de mora. Aplicação da Súmula CARF nº 5. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11817.000126/200942 Acórdão n.º 3201004.620 S3C2T1 Fl. 238 3 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém contradição entre a conclusão dos votos do Acórdão e o dispositivo decisório, tendo em conta que, enquanto a primeira afastaria todas as penalidades (multa de ofício e multa de 1% sobre o valor aduaneiro), o segundo teria afastado apenas a multa de ofício. No despacho de admissibilidade (fls. 231/235), constatouse o alegado vício, uma vez que consta da decisão o provimento parcial para afastar apenas a multa e ofício, enquanto que no voto vencido excluiuse todas as multas (além dos juros de mora) e o voto vencedor divergiu da Relatora no tocante ao juros de mora para mantêlo exigível; ou seja, o voto vencedor também excluiu as multas. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346]. Verificase contradição quando as proposições ou porções da decisão se tornam inconciliáveis, ainda que em parte. Caracterizase por uma evidente colisão entre enunciados de mesma parte ou não do julgamento (relatório, fundamentos e dispositivo). Passemos à análise. De fato, temse uma contradição, pois, de um lado, a parte dispositiva da ementa expressamente consignou que os membros dos colegiado acordaram "... em dar provimento parcial ao recurso, para excluir apenas a multa de ofício...". Contrariamente, os votos vencido e vencedor concordaram no tocante às multa, pois afastaram todas as penalidades aplicadas na atuação (as multas de ofício e a de 1% por erro de classificação). Tal assertiva pode ser confirmada com a leitura do voto vencedor, que enunciou " Divirjo do voto original quanto à exclusão dos juros de mora do lançamento". Confirmando o entendimento do Colegiado, a ementa do acórdão embargado assentou: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11817.000126/200942 Acórdão n.º 3201004.620 S3C2T1 Fl. 239 4 EXCLUSÃO DE PENALIDADES. ART. 100 CTN E ART. 101 DO DL 3/66. Tendo sido a classificação fiscal das mercadorias realizada de acordo com interpretação fiscal em processo de consulta, seja o interessado parte ou não, exclui a aplicação de penalidades. Assim, é de se corrigir o dispositivo da decisão para consignar a decisão unânime da Turma em excluir as penalidades aplicadas, e não somente a multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição e retificar a decisão no Acórdão nº 3201003.662 para excluir as multas aplicadas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.002172/99-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita
Numero da decisão: 1301-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto (Relatora), José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por provê-lo em razão da ocorrência de homologação tácita das compensações pleiteadas. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10650.002172/99-49
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5958119
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.631
nome_arquivo_s : Decisao_106500021729949.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 106500021729949_5958119.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto (Relatora), José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por provê-lo em razão da ocorrência de homologação tácita das compensações pleiteadas. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7591590
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051418302087168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 575 1 574 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.002172/9949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.631 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente USINA DELTA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto (Relatora), José Eduardo Dornelas Souza, Carlos Augusto Daniel Neto e Bianca Felícia Rothschild que votaram por provêlo em razão da ocorrência de homologação tácita das compensações pleiteadas. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 21 72 /9 9- 49 Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 576 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 577 3 Relatório USINA DELTA S/A AÇUCAR E ALCOOL (incorporada por Usina Caeté Ltda), já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (efls. 522 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Trata o presente de Pedido de Restituição, protocolizado em 15/12/1999, do saldo de IRPJ recolhido a maior nos anoscalendário de 1995 e 1996 (fl. 01), no valor de R$ 534.193,43, cumulado com Pedidos de Compensação (fl. 02, 03, 94, 95, 151 e 153 deste processo e fl. 03 do processo no 19.659.052/000101, juntado a este por apensação). Despacho Decisório da DRF, fls. 447/455 Considerando a fundamentação acima descrita e que restou comprovado a compensação total do pagamento a maior do IRPJ anocalendário 1994, exercício 1995 e a compensação parcial do saldos negativo do IRPJ do ano calendário 1995, exercício 1996 no pagamento por estimativa do IRPJ nos exercícios de 1997 e 1998 e a existência do saldo remanescente a restituir/compensar relativo ao Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário 1995 — exercício 1996, correspondente aos valores recolhidos por estimativa (recolhimentos próprios e retenções na fonte), DECIDO: RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO do Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário 1995, exercício 1996, no valor originário de R$222.683,11 (duzentos e vinte e dois mil, seiscentos e oitenta e três reais e onze centavos); HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO RELATIVA AOS DÉBITOS PRÓPRIOS, EM CARÁTER PREFERENCIAL, até onde as contas se encontrarem; EXIGIR os débitos de terceiro declarado em DCTF e compensado indevidamente, constante no pedido de compensação — não convertido em declaração de compensaçãorelacionado no proc. n° 10650.0007001200435, do contribuinte CIA AGRÍCOLA DELTA, CNPJ 19.569.0521000101, na inexistência de saldo credor remanescente após a compensação dos débitos próprios. (...) Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, (fls. 485 e ss) que aduziu os seguintes argumentos: Considerando que os pedidos de compensação foram apresentados em 1999 e 2000, qualquer que tenha sido a conclusão da Receita Federal quanto à sua homologação, há que se considerar o transcurso dos prazos de decadência e da prescrição, previstos no Código Tributário Nacional. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 578 4 A extinção do direito de constituição, conhecida como decadência, faz com que a Fazenda Pública obrigatoriamente observe o prazo previsto no artigo 173 e incisos I e II do CTN. Portanto, para o fim de constituir o crédito tributário, sob pena de não poder mais fazêlo por forçada decadência, a Fazenda Pública deve adotar as medidas de cobrança no prazo descrito. Esse prazo, por força de Lei, é de 5 (cinco) anos contados da data prevista para o lançamento. Na situação sob exame, houve no ano de 1999 a formulação de pedidos de compensação, que na verdade servem tão somente para homologar compensações efetivamente realizadas. Nessa situação, a Fazenda Federal deveria ter feito uso da disposição contida no artigo 149, inciso II do CTN. As declarações no caso formuladas pelo contribuinte, isto é, os pedidos de compensação para homologação do Fisco se deram em 1999. As intimações para a prestação de informações se deram em 2001 e, posteriormente, em 2008. Desse modo, em última análise, qualquer procedimento tendente a constituir crédito tributário devido à Fazenda Federal deveria ter ocorrido em 2005 ou 2006, conforme o caso. Diante do exposto, a impugnante requer a desconsideração da conclusão final do Despacho Decisório correspondente ao PA n° 10650.002172/9949, declarandose sem efeito a cobrança dos valores apontados como débitos a recolher, tendo em vista que, segundo entende a contribuinte, estes estão extintos por força de transcurso do prazo legal de decadência. Em julgamento realizado em 27 de novembro de 2008, a 1ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 09 21.720, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DÉBITOS INFORMADOS NA DCTF VINCULADOS À COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando comunicados pelo contribuinte na DCTF, consideramse confessados os débitos dos impostos e contribuições vinculados à compensação, não havendo que se falar em decadência. Solicitação Indeferida Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 579 5 Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às efls. 528 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: do decadência/prescrição da cobrança. Os autos estavam na 3ª Seção, e por meio do Acórdão de fls. 572 foram remetidos para esta 1ª Seção. Recebi os autos por sorteio em 15/08/2018. É o relatório. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 580 6 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento do débito em 05/05/2009, (AR à efl. 527), e apresentou em 26/05/2009, recurso voluntário, juntados às efls. 528 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Tratase de Pedido de Restituição de IRPJ pagos indevidamente relativos aos exercício de 1994 e 1995, realizado em 14/12/1999, cumulados com Pedidos de Compensação no valor de R$534.193,43. Bem como com débitos de terceiros (Cia. Agrícola Delta), no valor de R$22.181,97. Em 16/08/2001, houve pedido de esclarecimentos por parte da DRF, fls. 313, que solicitou alguns documentos. Posteriormente uma solicitação de cópias do processo em 27/10/2006, fls. 316. Somente em 09/06/2008, houve novo termo de intimação por parte da RFB, de fls. 324, que solicitou outras planilhas. Solicitou prorrogação de prazo, mas não apresentou documentos. Algumas planilhas estão acostadas às fls. 453 e ss. Segundo o Despacho Decisório, de efls. 459, com relação ao anocalendário de 1994 ela possuía um recolhimento a maior de IRPJ de 124.386,78 Ufir´s, que foram compensados totalmente em 97 e 98, na quitação dos pagamentos mensais de estimativa, não havendo saldo disponível. E com relação ao anocalendário de 1995, apurou saldo negativo de R$242.073,85 de IRPJ, que foram compensadas com estimativas de 98, restando um saldo de R$222.683,11, foram reconhecidas, e homologadas as compensações até este montante. No entendimento do despacho decisório, não haveria que se falar em decadência ou prazo prescricional para a compensação dos créditos. Com relação à compensação com débitos de terceiros, o despacho continua, que a IN 600/2005, art. 40 veda a compensação, porém a partir dos pedidos formulados após 07/04/2000 e Parecer PGFN 1499/2005, item 47. Entendeu o despacho que não havia óbice para o deferimento diante da data do pedido, desde que houvesse crédito após a compensação de débitos próprios, o que não ocorria no caso, assim que os valores deveriam ter exigidos conforme a legislação em vigor, já que declarados em DCTF, e não converteu em declaração de compensação. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 14/10/2008, AR de fl. 496. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 581 7 De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que não há que se falar em decadência dos valores que se pretende compensar, pois os mesmos se encontravam previamente constituídos em DCTF, que por se tratar de confissão de dívida não haveria decadência e indeferiu a solicitação do contribuinte. Passemos aos fatos. Ora, tratamos aqui da homologação tácita das declarações de compensações apresentadas pela recorrente, nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. O recorrente apresentou pedidos de compensação e de restituição em 14/12/1999, com débitos próprios e de terceiros. Ressaltese aqui da possibilidade dessa forma de compensação naquela época. O despacho decisório somente foi analisado em 16/09/2008, tendo o contribuinte tomado ciência em 14/10/2008. Ou seja, a RFB tem 5 anos para análise dos pedidos, dessa forma, o prazo teria se esvaído em 14/12/2004, mas só em 16/9/2008 o despacho foi proferido, assim, homologado tacitamente está o crédito pleiteado e suas compensações. Assim também no tange aos créditos compensados com débitos de terceiros. Nesse sentido, o voto da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, no acórdão 9101002.540, de 20/01/2017, colacionado abaixo, às quais também adoto como razões de decidir. A compensação em matéria tributária é regida pelo Código Tributário Nacional, que estabelece que esta é uma das formas de extinção do crédito tributário: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: II a compensação; Ademais, o Código Tributário Nacional autoriza que a lei ordinária regule a compensação, como se verifica do artigo 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, cujo artigo 74 tinha a seguinte redação ao tempo da compensação tratada nestes autos (pedido de compensação apresentado em 12/11/1999): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O artigo 74 foi posteriormente modificado pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, prevendo a apresentação de declaração de compensação, em substituição aos pedidos de compensação, "sob condição resolutória de sua ulterior homologação" (§1º e §2º). Além disso, restringiu a compensação para autorizála apenas para extinção de débitos próprios (caput): Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 582 8 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, explicitou que o prazo para homologação seria de 5 (cinco) anos: Art. 74 (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Não obstante isso, antes das Medidas Provisórias nº 66 e 135 o pedido de compensação se amoldava ao artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, como espécie de lançamento por homologação. É o teor do artigo 150, §4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ponderese, ainda, que a Medida Provisória nº 66/2002, previu expressamente que os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo: Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Produção de efeito "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 583 9 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) Portanto, a Receita Federal teria 5 (cinco) anos para analisar o pedidos de compensação apresentado pela contribuinte em 12/11/1999, isto é, até 11/11/2004. No entanto, apenas em 10/07/2006 foi proferido despacho decisório analisando o pedido de compensação. Sem que a Receita Federal tenha efetuado a análise das compensações no prazo de 5 anos, consideramse homologadas tacitamente. Acrescento que a Instrução Normativa SRF nº 21/1997 vigente ao tempo da apresentação do pedido de compensação destes autos (1999) expressamente autorizava a compensação com crédito de terceiro,conforme artigo 15, a seguir reproduzido: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 584 10 A Instrução Normativa SRF nº 21/1997 só foi revogada em 2000, pela Instrução Normativa nº 41, de 7 de abril de 2000. Ressalto os termos da IN SRF 41/2000, bastante relevante à análise destes autos, pois, além de revogar a anterior IN SRF, ainda permitia a compensação de créditos de terceiros com débitos consolidados no REFIS (conforme caput), legitimando, ainda, os pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal anteriormente apresentadas: Art. 1o É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória No 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2o Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF No 021, de 10 de março de 1997. É importante lembrar que a própria Lei nº 9.964/2000 (que tratava do REFIS), mencionada na IN SRF 41/2000, trata da possibilidade de compensação dos débitos relativos a multas e juros com créditos de terceiros, verbis: Art. 2o O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1o. (...) § 7o Os valores correspondentes a multa, de mora ou de ofício, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em dívida ativa, poderão ser liquidados, observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: I – compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis; A IN SRF 41/2000 foi finalmente revogada pela IN SRF 210/2002, que, então, amoldavase à MP 66/2002 (que havia proibido expressamente a compensação com crédito de terceiros). Pondero, ainda, que esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu recentemente sobre a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos para homologação de pedidos de compensação, aplicando o Código Tributário Nacional (maioria de votos) embora naquele precedente não se tratasse de crédito de terceiro: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DCTF. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE 5 ANOS. ARTIGO 150, §4º, CTN. O pedido de compensação não analisado no prazo de 5 (cinco) anos considerase homologado, nos termos do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 585 11 As alterações no artigo 74, pelas Medidas Provisórias nº 66/2002 e 135/2003 e respectivas Leis de conversão, apenas explicitam que o prazo para homologação de compensação é de 5 (cinco) anos, nos termos do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 9101002.402, processo nº 16095.000602/200770, sessão de 16/08/2016) Ademais, em caso similar ao presente, decidiu o Superior Tribunal de Justiça por aplicar o prazo de 5 (cinco) anos para homologação de pedido de compensação apresentado em 1997 isto é compensação sujeita à regra do artigo 74 caput, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, conforme ementa parcialmente transcrita a seguir: "(....) 5. Os Pedidos de Compensação pendentes em 01.10.2002 (vigência estabelecida pelo art. 63, I, da Medida Provisória n. 66/2002) foram convertidos em DCOMP, desde o seu protocolo, constituindo o crédito tributário definitivamente, em analogia com a Súmula n. 436/STJ ("A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco") e extinguindo esse mesmo crédito na data de sua entrega/protocolo, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pelo fisco, que poderia se dar no prazo decadencial de 5 (cinco) anos (art. 150, §4º, do CTN, e art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei n. 9.430/96). 6. No caso concreto, o Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701 estava pendente em 01.10.2002. Sendo assim, foi convertido em DCOMP desde o seu protocolo (01.12.1997). Da data desse protocolo a Secretaria da Receita Federal dispunha de 5 (cinco) anos para efetuar a homologação da compensação, coisa que fez somente em 23/06/2004, conforme a carta de cobrança constante das eSTJ fl. 79/81. Portanto, fora do lustro do prazo decadencial que se findaria em 01.12.2002. Irrelevante o julgamento do Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639 em 27/09/2001, pois imprescindível a decisão nos autos do pedido de compensação. Nessa segunda linha de pensar, também inevitável a decadência do crédito tributário. 7. Recurso especial provido. (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial nº 1.240.110, Segunda Turma. Rel. Min. Mauro Campbel Marques, DJ de 27/06/2012) Em que pese este último precedente não tenha sido julgado sob a sistemática do artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil e, portanto, não tenha aplicação obrigatória pelas Turmas deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a interpretação adotada pela Segunda Turma do STJ reforça o entendimento ora manifestado, de que mesmo antes das Medidas Provisórias nº 66/2002 e 135/2003 os pedidos de compensação submetiamse ao prazo de 5 (cinco) anos para homologação, na forma do artigo 150, §4º. Como acima mencionado, a restrição para compensação apenas com débitos próprios surgiu apenas com a Medida Provisória 66/2002, editada muito depois do pedido de compensação em análise, não podendo restringir a compensação anteriormente apresentada. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 586 12 Por fim, é pertinente lembrar que a Lei nº 11.051/2004 criou a figura da "compensação não declarada", tendo como uma das hipóteses a compensação com crédito de terceiros: Art. 74 (...) 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) A Lei nº 11.051 foi publicada em 30/12/2004, quando a compensação efetuada pela Recorrente já encontravase homologada tacitamente (eis que apresentada em 12/11/1999), sendo descabida a sua aplicação retroativa para eventualmente restringirse o direito à compensação devidamente exercido pela contribuinte e já homologado. E mesmo que não houvesse decorrido o prazo para homologação (tácita) da compensação, a alteração pela Lei nº 11.051/2005 não altera o regime jurídico a que se submete o pedido de compensação, isto é, ao prazo de 5 (cinco) anos para homologação, nos termos do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional e do artigo 74, §4º, da Lei nº 9.430/1996 (inserido pela Medida Provisória 66/2002). Como acima mencionado, a única regra de transição existente entre os regimes de compensação tratados pelo artigo 74 e suas alterações é a do §4º, que determina que "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo", parágrafo inserido pela MP 66/2002. Se o legislador não trouxe qualquer limitação a tal regra de transição, é defeso a restrição a esta norma pelos julgadores administrativos. Com mais razão, não há que se atribuir efeitos restritivos à regra de transição em decorrência de alteração legislativa posterior (Lei nº 11.051/2004), que criou a figura da compensação não declarada. Portanto, voto por dar provimento ao recurso especial. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário do contribuinte, e no mérito DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 587 13 Voto Vencedor Conselheiro Nelso Kichel, Redator Designado. Apesar do voto bem fundamentado da ilustre Relatora, peço vênia para divergir quanto ao mérito. No caso, não há que se falar em homologação tática da compensação tributária para extinguir os débitos de terceiros, pois o pedido de compensação sequer tem aptidão para conversão em declaração de compensação. Ainda, não há que se falar em decadência/prescrição do fisco para exigir o adimplemento dos débitos de terceiros, que persistem em aberto (confessados em DCTF), pois enquanto não houver decisão definitiva, neste processo, na esfera administrativa, acerca do pedido de compensação, a exigibilidade dos débitos em aberto está suspensa. Para compreensão da lide, tornase necessário, primeiro, retomar os fatos. 1) Pedido: de restituição do IRPJ pago a maior (crédito próprio), anoscalendário 1994 e 1995, códigos de receita 0220, 0262 e 2362, protocolizado em 15/12/1999, no valor de R$ 534.193,43 (efls. 01/03); de compensação tributária dos débitos próprios do anocalendário 1999, protocolizado em 15/12/1999 (efls. 03/04); 2) Pedido: de restituição do IRPJ pago indevidamente (crédito próprio), anos calendário 1994 e 1995, códigos de receita 0220, 0262 e 2362, protocolizado em 16/12/1999, no valor de R$ 22.181,97 (efls. 95/96); de compensação dos débitos de terceiros (Cia Agrícola Delta, CNPJ 19.569.052/000101), anocalendário 1999, no valor de R$ 155.184,13, protocolizada em 16/12/1999 (efls. 98/100). 3) Pedido: de compensação do débito próprio, protocolizado em 14/01/2000, quanto ao anocalendário 1999 (efls. 157/158); de compensação do débito próprio, protocolizado em 10/03/2000, atinente aos anoscalendário 1999 e 2000 (159/160). Pois bem. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 588 14 Quanto ao direito creditório pleiteado: Primeiramente, o direito creditório pleiteado foi analisado pela DRF/Uberaba, conforme Despacho Decisório, de 16/09/2008 (efls. 459/467), ou seja: a) pagamento indevido ou a maior do IRPJ de 124.386,78 Ufir's, atinente ao anocalendário 1994; porém, o referido crédito foi inteiramente consumido por compensações de débitos do IRPJ ocorridas nos anoscalendário 1996 (PA setembro) e 1997 (PA setembro). Inexistência de saldo credor, a ser utilizado, às compensações pleiteados nos presentes autos; b) saldo negativo do IRPJ de R$ 242.073,85 relativo ao anocalendário 1995, e após compensação dos débitos de estimativas do IRPJ dos PA setembro/97 e dezembro/97, restou saldo credor de R$ 222.683,11. Quanto aos débitos próprios informados nestes autos dos anoscalendário 1999 e 2000, os pedidos de compensação foram convertidos em DCOMP, as quais foram homologadas até o referido limite do saldo de credito apurado. Por outro lado, com relação aos débitos de terceiros, consta do despacho que a IN 600/2005, art. 40, veda a compensação, porém somente para pedidos formulados após 07/04/2000 e Parecer PGFN 1499/2005, item 47. Entendeu, assim, o despacho que não havia óbice para o deferimento diante da data do pedido formulado, desde que houvesse saldo de crédito após a compensação de débitos próprios, o que não aconteceu no caso. Logo, os valores em aberto (débitos de terceiros) deveriam ser exigidos conforme a legislação em vigor, já que declarados em DCTF, e ainda não houve conversão do pedido de compensação em declaração de compensação. No entendimento do despacho decisório, não haveria que se falar em decadência ou prazo prescricional para a compensação dos créditos, pois estão confessados em DCTF. A seguir, transcrevo a fundamentação constante do citado Despacho Decisório (efls. 459/467), in verbis: (...) Ano Calendário 1994/Exercício 1995: Na Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário 1994 / exercício 1995, conforme consulta anexada às fls. 2000 e 370/371, a requerente apurou o lucro e o imposto de renda MENSAL. Conforme o Quadro 15, às fls. 370, a requerente apurou imposto de renda a pagar nos meses de novembro e dezembro de 1994 a menor do que o recolhido e declarado em DCTF, conforme documentos às fls. 81/83 e 359, motivo pelo qual consideramos a DCTF retificada "ex officio". Os recolhimentos foram confirmados às fls. 322/323. Tais valores foram consolidados conforme Anexos I (fls.441), e III (fls.443), resultando no valor total de 124.386,78 Ufir's, referente aos valores recolhidos a maior. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 589 15 Ocorre que, conforme IRPJ 1997, 1998, às fls.374/395 e demonstrado no Anexo III, às fls. 443 e Anexo IV, às fls. 445, a requerente compensou totalmente o valor acima mencionado nos exercícios 1997 e 1998, na quitação dos pagamentos mensais por estimativa relativos aos PA's períodos de apuração — dos meses de setembro/1996 e setembro/1997 — portanto não decorrido o prazo prescricional não havendo assim neste exercício, após procedidas as devidas atualizações, saldo credor remanescente a ser reconhecido. Ano Calendário 1995/Exercício 1996: Na Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa ao ano calendário 1995 / exercício 1996, conforme consultas anexadas às fls. 04/19 e 372/373, a requerente apurou o lucro e o imposto de renda ANUAL. Conforme Ficha 08 às fls. 372/373, a requerente apurou o SALDO NEGATIVO do imposto de renda no valor de R$ 242.073,85, referente a recolhimentos próprios e imposto de renda retido na fonte. Após confirmação dos valores recolhidos, conforme consulta às fls. 322 e DIRF às fls. 324/330, e procedida a devida atualização monetária permitida na DIPJ 1996, conforme Anexo I, II e III, foi confirmado o Saldo Negativo referente à apuração anual no valor R$242.073,42. Também ocorre que, conforme IRPJ 1998, às fls. 393 e 395 e demonstrado no Anexo III, às fls. 444 e Anexo IV, às fls. 445/446, a requerente compensou parcialmente o valor acima no Exercício 1998, na quitação dos pagamento mensal por estimativa relativos aos PA's — períodos de apuração dos meses de setembro/1997 e dezembro/1997 — portanto não decorrido o prazo prescricional havendo assim, neste exercício, após procedidas as devidas atualizações, saldo credor remanescente a ser reconhecido, no valor originário de R$222.683,11, em 31/12/1995. (...) Quanto aos "Pedidos de Compensação' de débitos próprios, às fls.02/03; 94/95; 151 e 153 recepcionados em 15/12/1999; 16/12/1999; 14/01/2000 e 10/03/2000, os mesmos foram convertidos em "Declaração de Compensação'. (...) Face ao direito creditório a ser reconhecido, propomos a homologação da compensação dos débitos próprios, em caráter preferencial, até onde as contas se encontrarem. Em relação ao pedido de compensação de débitos de terceiro, formulado em 16/12/1999 a requerente autorizou a compensação do crédito a ser reconhecido neste processo administrativo com os débitos da empresa CIA. AGRÍCOLA DELTA, CNPJ 19.569.052/000101, constantes do processo administrativo 10650.00700/200435, ou seja: (...). Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 590 16 (...) Dispõe o parágrafo único do art. 40 da IN 600/2005, que a vedação de compensação de débitos com créditos de terceiros não se aplica aos pedidos formulados até 07/04/2000. A norma vigente à época da solicitação era a Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997 que em seu art. 15 ( revogado pela IN SRF n° 47 de 07/04/2000), autorizou que a parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte que excedesse o total de seus débitos poderia ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelados. (...) Assim, quanto ao pedido de compensação de débito de terceiro, embora não há óbice legal para seu deferimento tendo em vista a data do pedido, desde que haja a existência de crédito remanescente após a compensação dos débitos próprios. Portanto, procedida a compensação dos débitos próprios e constatada a inexistência de crédito remanescente para a compensação dos débitos de terceiro e considerando a legislação vigente à época do pedido, estes créditos tributários declarados em DCTF às fls. 435, deverão ser exigidos, na forma da legislação vigor. (...) Conclusão Considerando a fundamentação acima descrita e que restou comprovado a compensação total do pagamento a maior do IRPJ ano calendário 1994 / exercício 1995 e a compensação parcial do saldos negativo do IRPJ do ano calendário 1995 / exercício 1996 no pagamento por estimativa do IRPJ nos exercícios de 1997 e 1998 e a existência do saldo remanescente a restituir/compensar relativo ao Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário 1995 — exercício 1996, correspondente aos valores recolhidos por estimativa ( recolhimentos próprios e retenções na fonte) , DECIDO: RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO do Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário 1995 — exercício 1996, no valor originário de R$222.683,11 (duzentos e vinte e dois mil, seiscentos e oitenta e três reais e onze centavos); HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO RELATIVA AOS DÉBITOS PRÓPRIOS, EM CARÁTER PREFERENCIAL, até onde as contas se encontrarem; EXIGIR os débitos de terceiro declarado em DCTF e compensado indevidamente, constante no pedido de compensação não convertido em declaração de compensação relacionado no proc. no 10650.000700/200435, do contribuinte CIA AGRÍCOLA DELTA, CNPJ. 19.569.052/000101, na inexistência de saldo credor remanescente após a compensação dos débitos próprios. (...) Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 591 17 Como visto, o Despacho Decisório não compensou o pedido de compensação com débitos de terceiros (Cia Agrícola Delta, CNPJ 19.569.052/000101), pela inexistência de saldo credor da USINA DELTA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL. Na sequência, houve Impugnação (Manifestação de Inconformidade) da contribuinte, suscitando decadência/prescrição. Entretanto, a DRJ/Juiz de Fora, em 27/11/2008, julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, conforme ementa e parte dispositiva que transcrevo (efls. 522/525), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DÉBITOS INFORMADOS NA DCTF VINCULADOS À COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando comunicados pelo contribuinte na DCTF, consideramse confessados os débitos dos impostos e contribuições vinculados à compensação, não havendo que se falar em decadência. Solicitação Indeferida Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. (...) Inconformada com esse decisum, nas razões do recurso voluntário, nesta instância recursal ordinária, a recorrente USINA CAETÉ S/A (na qualidade de incorporadora da USINA DELTA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL) rebelase contra a decisão recorrida, argumentando, em síntese, que os débitos de terceiros, em aberto (pedido de compensação não convertido em declaração de compensação, por inexistência de saldo do direito creditório pleiteado), ainda que confessados em DCTF, não poderiam ser exigidos, pela ocorrência da prescrição. Como já dito antes, não há que se falar em decadência/prescrição do direito do fisco para exigir o adimplemento dos débitos de terceiros, que persistem em aberto (confessados em DCTF), pois enquanto não houver decisão definitiva, neste processo, na esfera administrativa, a exigibilidade está suspensa, conforme art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN, não correndo prazo prescricional. Ainda, não há que se falar em homologação tática que pudesse extinguir os débitos de terceiros, pois o pedido de compensação de débitos de terceiros sequer tem aptidão para conversão em declaração de compensação. Nesse sentido, como razão de decidir, acerca da inaplicabilidade da homologação tácita no caso de pedido de compensação de débitos de terceiros, adoto a fundamentação do voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura, parte integrante do Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 592 18 Acórdão CSRF nº 9101002.540 – 1ª Turma (Processo nº 10880.003395/9956), que se ajusta, perfeitamente, à situação fáticojurídica dos presentes autos, in verbis: (...) Debatese se poderia se falar em homologação tácita de pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros. (...). E, para as declarações de compensação, o Fisco passou a ter um prazo definido em lei para a sua apreciação, sob pena da homologação tácita. A princípio, vale verificar a amplitude das alterações no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A redação do artigo foi alterada no seguinte sentido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(NR) Observase que a nova redação do artigo vedou as compensações de débito de terceiros. Por outro lado, dispôs no § 4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no artigo. Restou consolidada dúvida, ou seja, seriam todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Receita Federal convertidos em declaração de compensação e regidos de acordo com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, conforme predica o caput do dispositivo legal? Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 593 19 A relevância do questionamento aplicase quando vai se analisar se ocorreu a homologação tácita. Isso porque a Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (...) Assim, para os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, aplicase o disposto mencionado no § 5º do art. 74, enquanto que, os outros pedidos não convertidos em declaração de compensação não se submeteriam à homologação tácita. Sobre a situação, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por consequência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); Posteriormente, as IN RFB nº 900, de 2008, e 1.300, de 2012, expressamente dispuseram, por meio do parágrafo único dos artigos 86 e 97, respectivamente, que não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 (data em que entrou em vigor a MP nº 66, de 2002) que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Não se pode olvidar, contudo, que a matéria não encontra jurisprudência pacificada no Conselho de Contribuintes e do CARF. Podem ser encontradas decisões no sentido de que o pedido de compensação com créditos de terceiros estaria amparado pela redação do art. 74 dada pela MP nº 66, de 2002. Por outro lado, encontramse várias decisões que corroboram a Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 594 20 tese de que apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte foram transformados em declarações de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002.336, sessão de 17 de outubro de 2012, relatora Conselheira Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes). COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002 c/c IN SRF 21/97 art. 15 § 1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Entendo que a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela MP nº 66, de 2002, deve nortear a interpretação de todos os dispositivos a ele relacionados, dentre os quais o § 4º que trata da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, em consonância com as melhores práticas da hermenêutica. Nesse contexto, apenas os pedidos de compensação referentes a crédito do sujeito passivo para compensar débitos próprios, conforme delimita o caput do art. 74 do mencionado dispositivo legal, encontramse aptos a se converterem em declarações de compensação. Quanto aos demais pedidos, não se aplicam as alterações implementadas pela MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dentre as quais, a que dispõe sobre o prazo do Fisco para a homologação da compensação de cinco anos contado da entrega da declaração. Portanto, não há que se falar em homologação tácita. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10650.002172/9949 Acórdão n.º 1301003.631 S1C3T1 Fl. 595 21 Assim, com relação à compensação tributária de créditos próprios com débitos de terceiros, pedidos de compensação protocolizados antes da MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 que alteraram a redação do art. 74 da Lei 9.430/96, não há que se falar em conversão do pedido de compensação em declaração de compensação (vedação legal) e, por conseguinte, inaplicável a homologação tácita. Por tudo que foi exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 595DF CARF MF
score : 1.0
