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Numero do processo: 13881.000063/2008-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 113/119, bem com seja aberto prazo legal para manifestação.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 113/119, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 113/119, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 43/49) contra decisão de primeira instância (fls. 34/39), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 81 .0 00 06 3/ 20 08 -0 3 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13881.000063/200803 Resolução nº 2002000.063 S2C0T2 Fl. 3 2 Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentouse em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, para manter o auto de infração em sua integralidade. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boafé. Em 18/04/2018 (fls. 63/66), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrandose a proporcionalidade pretendida, em relação aos valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189. Determinouse, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifestasse sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 23/10/2012 (fl. 42); Recurso Voluntário protocolado em 22/11/2012 (fl. 43), assinado pelo próprio contribuinte. Em julgamento primeiro, resolveuse baixar os autos em diligência para que o contribuinte juntasse extrato analítico das contribuições de todo o período, em relação ao valores recebidos da Pessoa Jurídica Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/000189, o que foi feito às fls. 99/104. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13881.000063/200803 Resolução nº 2002000.063 S2C0T2 Fl. 4 3 Após a juntada do extrato, a RFB se manifestou sobre o extrato e se pronunciou às fls. 113/119, sendo que desta manifestação não foi dada ciência ao contribuinte, tampouco foilhe concedido prazo para manifestação. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 113/119, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967240/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.967241/2012-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.967241/2012-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.967241/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 72 40 /2 01 2- 23 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.967240/201223 Acórdão n.º 1301003.520 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instancia que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em razão dos créditos da contribuintes já terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. A autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.511, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.967241/2012 78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.511): "Configuramse os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal. Reafirma a Recorrente que a DCTF (retificadora) apresentada ao Fisco Federal evidencia que o débito no importe de R$ 56.740,18 (código 2089) estava em aberto, ou seja, denunciado e não pago, não havendo em DCTF nenhum DARF vinculado a tal ocorrência. Referido débito, faria, ainda, parte de um parcelamento extraordinário junto à própria RFB, lei 11.941/09. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.967240/201223 Acórdão n.º 1301003.520 S1C3T1 Fl. 4 3 Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.720210/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2004
NULIDADE - DO LANÇAMENTO - DO ENQUADRAMENTO LEGAL.
Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa.
DA ÁREA DE RESERVA LEGAL E RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN
As áreas de Reserva Legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar averbadas à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP
As áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer providência, como apresentação do ADA ao IBAMA, averbação da área no registro do imóvel ou outra providência do gênero. Há que se demonstrar, evidentemente, que a área, de fato, existe, não bastando a simples declaração do contribuinte nesse sentido.
Numero da decisão: 2402-006.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Data do fato gerador: 01/01/2004 NULIDADE - DO LANÇAMENTO - DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL E RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL - RPPN As áreas de Reserva Legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar averbadas à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP As áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer providência, como apresentação do ADA ao IBAMA, averbação da área no registro do imóvel ou outra providência do gênero. Há que se demonstrar, evidentemente, que a área, de fato, existe, não bastando a simples declaração do contribuinte nesse sentido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Data do fato gerador: 01/01/2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL E RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RPPN As áreas de Reserva Legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, para fins de exclusão da tributação do ITR, devem estar averbadas à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE APP As áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer providência, como apresentação do ADA ao IBAMA, averbação da área no registro do imóvel ou outra providência do gênero. Há que se demonstrar, evidentemente, que a área, de fato, existe, não bastando a simples declaração do contribuinte nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 02 10 /2 00 8- 02 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 137 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado em relação ao recorrente para fins de exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) relativo ao exercício de 2004 incidente sobre imóvel rural denominado “Fazenda Cachoeira de Santo Antônio”, localizado no Município de Coromandel, Estado de Minas Gerais, com área total de 994,8 hectares, cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o nº 2.868.2688. Na ação fiscal, o recorrente foi intimado para apresentar os seguintes documentos: 1° cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao IBAMA; 2° Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso existisse área de preservação permanente de que trata o art. 2° da Lei n° 4.771/65, acompanhado de ART registrada no CREA, identificando o imóvel rural por meio de memorial descritivo. de acordo com o art. 9° do Decreto n” 4.449/02; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele estivesse inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei n° 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4º cópia da matrícula do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possuísse matrícula, ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida .pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário; e 5° Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 138 3 todos os elementos de pesquisa identificados, com advertência de que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT. Em resposta, o recorrente apresentou correspondência informando que o imóvel em questão se encontra gravado e averbado como Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN em caráter perpétuo desde 10/04/2004, conforme se poderia comprovar pela certidão de matrícula que acompanhava aquele documento, razão pela qual deixava de apresentar os demais documentos solicitados pela Fiscalização, certos de que a referida certidão atenderia aos objetivos do Termos de Intimação Fiscal. Analisando os documentos apresentados em cotejo com a DITR do período, a fiscalização houve por bem glosar integralmente as áreas de preservação permanente e de reserva legal declaradas, de 69,6 ha e 925,2 ha, respectivamente, além de alterar o Valor da Terra Nua do imóvel com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), da então SRF, que passou de R$ 230.000,00, à razão de R$ 230,00 por ha, para R$ 497.400,00, à razão de R$ 500,00 por ha, resultando num valor de imposto suplementar a recolher de R$ 23.367,80. Em suma, relata a autoridade fiscal que o recorrente: declarou uma Área de Preservação Permanente de 69,6 ha, mas não apresentou o Ato Declaratório Ambiental expedido pelo IBAMA ou seu protocolo tempestivo, nem nenhum outro documento que comprove a existência dessa área; declarou uma Área de Reserva Legal de 925,2 ha, mas que não averbou essa área no registro de imóvel competente até a data do fato gerador, nem apresentou o ADA tempestivamente, como exige a legislação; apesar de o recorrente nada ter informado em sua DITR do período sobre a existência da Área de Reserva Particular do Patrimônio Nacional, apresentou certidão com a averbação de área de RPPN de 795,9 ha, datada de 24/05/2004, após, portanto, a data da ocorrência do fato gerador do tributo no ano de 2004, qual seja 01/01/2004. Os arts. 10 e 13 do Decreto n° 4.382/02 exigem, para a comprovação dessa área, que ela esteja averbada à margem do registro do imóvel,na data do fato gerador,bem como que seja apresentado ADA ao IBAMA tempestivamente informando a sua existência, o que não ocorreu. sobre o Valor da Terra Nua, não foi apresentado Laudo de Avaliação pelo recorrente. Notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 32/51) alegando, em síntese: que há vícios materiais e formais no auto de infração, uma vez que a atividade da administração não atendeu ao princípio administrativo da busca da verdade real e da eficiência, na medida em que não considerou os esclarecimentos e laudos apresentados pelo recorrente; que ficou aguardando a procedência de seus esclarecimentos e foi surpreendido pelo Auto de Infração, o que deu ensejo à obstrução de seu direito de defesa, já que havia trazido aos autos elementos contundentes que demonstravam a correção da declaração de ITR apresentava; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 139 4 que o imóvel em questão foi adquirido com a finalidade única de preservação, tendo sido averbada a área de Reserva Particular do Patrimônio Natural aos 10/04/2004. Esse imóvel nunca foi economicamente aproveitado e foi adquirido para ser preservado, aproveitandose essa área como "compensação de reserva" de outro imóvel do recorrente, denominado Fazenda Rio das Pedras, situado na mesma bacia hidrográfica; informa que também consta averbação à margem da matrícula do imóvel de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, datada de 19/03/2004; alega que o art. 21 da Lei nº 9.985/00 define a RPPN como área privada, gravada de perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. Assim, aponta o equívoco do agente fiscal em não ter feito um levantamento do imóvel tributado, desconsiderando a declaração e os documentos apresentados pelo recorrente, que comprovam a sua existência, e fundamentando a autuação em não apresentação do ADA e registro da área na certidão do imóvel intempestivo; informa que apresenta laudo técnico que a gleba apresenta caráter de preservação e nunca foi aproveitada economicamente; alega que do auto de infração se constata que a fiscalização não contesta a existência das áreas declaradas pelo contribuinte, de preservação permanente, de reserva legal e reserva particular do patrimônio natural. No entanto, glosa essas áreas declaradas como isentas por não ter o contribuinte apresentado o ADA, bem como as averbado à margem do registro de imóveis, mas em nenhum momento demonstra a falta de veracidade da declarações prestadas, muito ao contrário, apenas ressalta que deve ser obedecido o disposto no art. 111 do CTN, fazendo "vista grossa" e "ouvidos moucos" às declarações prestadas e documentos e laudos juntados; por fim, requer seja sua impugnação julgada procedente, anulandose o auto de infração, bem como que as intimações atinentes ao presente feito sejam encaminhadas diretamente aos seus procuradores. O lançamento foi procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Não há qualquer irregularidade no enquadramento legal contido na Notificação de Lançamento, que aliado à perfeita descrição dos fatos, possibilitou a interessada exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, em que foram abordadas todas as matérias objeto de glosa. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, deve ter sido reconhecida como de interesse ambiental ou, no mínimo, comprovada a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 140 5 protocolização tempestiva do requerimento do competente Ato Declaratório, junto ao IBAMA/órgão conveniado. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL E RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL RPPN As áreas de Reserva Legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN, para fins de exclusão da tributação do ITR, além de incluídas no requerimento do ADA protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, devem estar averbadas à margem do registro imobiliário do imóvel, à época do respectivo fato gerador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA VTN TRIBUTADO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processua1. Lançamento Precedente Intimado dessa decisão aos 20/05/09 (fls. 110), o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 133), repetindo os mesmos argumentos já constantes de sua impugnação e requer o provimento de seu recurso para anular o auto de infração, reiterando pedido para que as intimações relativas a este processo sejam dirigidas diretamente a seus procuradores. Sem contrarrzões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da preliminar de nulidade do auto de infração dos alegados vícios materiais e formais O recorrente alega que o enquadramento legal promovido pelo fiscal no auto de infração e, assim, os fatos imputados e a aplicação da penalidade, em confronto com a legislação pertinente à época (2004) e os entendimentos da jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema, não têm nenhuma correlação com os fatos efetivamente ocorridos e demonstrados por meio dos documentos juntados aos autos, sendo, portanto, nula a Notificação de Lançamento. Alega, ademais, que haveria vícios materiais e formais no auto de infração porque a fiscalização não obedeceu aos princípios da verdade real e da eficiência ao desconsiderar os esclarecimentos e laudos apresentados que demonstram a situação real do imóvel tributado. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 141 6 Esse fato, no seu entendimento, ensejou a obstrução de seu direito de defesa, na medida em que o recorrente se encontrava aguardando a procedência de seus esclarecimentos, dado que houvera trazido aos autos do processo elementos contundentes que alicerçavam a declaração de ITR apresentada, e foi surpreendido pela existência do auto de infração. Argumenta que o auditor fiscal não procedeu a nenhum levantamento do imóvel em questão, tendo unicamente desconsiderado sua declaração e procedido à autuação sob o fundamento de apresentação intempestiva do ADA e também da não averbação da área à margem do registro do imóvel. Pois bem. Considerando que essas alegações, trazidas pelo recorrente em seu recurso, tratase de reprodução de sua impugnação e não acrescentam nenhum argumento para efetivamente enfrentar os fundamentos da decisão recorrida, no que diz respeito a este tópico do recurso voluntário, considerando o disposto no art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, peço vênia para adotar, como razões de decidir, os fundamentos da decisão de primeira instância, que reproduzo abaixo, com os quais estou de pleno acordo: O direito a ampla defesa ou ao contraditório, encontrase previsto no art. 5°, LV, da Constituição Federal, que assim dispõe: "art.5º (...) I a LIV (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...)" O contraditório no processo administrativo fiscal tem por escopo a oportunidade do sujeito passivo conhecer dos fatos apurados pela autoridade fiscal, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, e, dentro do prazo legalmente previsto, poder rebater, de forma plena, as irregularidades então apontadas pelo autuante, apresentando a sua versão dos fatos e juntando os elementos comprobatórios de que dispuser. Em suma, é o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. No presente caso, o trabalho fiscal iniciouse na forma prevista nos arts. 7° e 23 do Decreto n° 70.235/72, observada, especificamente, a Norma ç de Execução Cotis n° 003/2006, de 29.05.2006, que disciplinou os trabalhos de malha das declarações do ITR, aplicável ao exercício de 2004, retidas para efeito de verificação, análise e cobrança, se fosse o caso, além de relacionar os documentos de prova a serem exigidos para fins de comprovação dos respectivos dados cadastrais. Assim, a contribuinte foi regularmente intimada a apresentar os documentos previstos para justificar a exclusão de tributação das áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal, além do VTN do imóvel, sob pena de que fosse efetuado o lançamento de oficio. Em resposta, a interessada apresentou documentos, que foram juntados às fls. 03/11, tendo a autoridade fiscal, após constatar que não foram cumpridas as Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 142 7 exigências relacionadas na intimação de fls. 01/02, decidido pela emissão da presente Notificação de Lançamento, efetuando as glosas das áreas ambientais e alterando o VTN, com base do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Importante ressaltar que não compete à autoridade administrativa produzir provas relativas a as matérias tributadas, isto porque o ônus da prova no caso, documental é do contribuinte, o qual cumpre guardar ou produzir, conforme o caso, até a data de homologação do autolançamento, prevista no § 4° do art. 150, do CTN, os documentos necessários à comprovação dos dados cadastrais informados na declaração (DIAC/DIAT) para efeito de apuração do ITR devido naquele exercício, e apresentálos à autoridade fiscal, quando exigido. Também, nesse mesmo sentido, há 'de se observar o disposto no art. 40, do Decreto n° 4.382, de 19/09/2002 (RITR), que estabeleceu: "Art. 40. Os documentos que comprovem sis informações prestadas na DIT R não devem ser anexados à declaração, devendo ser mantidos em boa guarda à disposição da Secretariado Receita Federal, até que ocorra a prescrição dos créditos tributários relativos às situações e aos fatos a que se referiram (Lei nº 5.172, de 1966, art. 195, parágrafo único)". No caso, o procedimento de ofício esta em consonância com o disposto no art. 14 da Lei 9.393/96, por ter ficado caracterizada, no entendimento da autoridade fiscal, a hipótese de informação incorreta no respectivo DIAT, por não terem sido cumpridas as exigências previstas para exclusão das áreas de preservação permanente, de reserva legal e de RPPN do ITR, do exercício de 2004, além de ter ficado configurada a hipótese de subavaliação do VTN declarado. Ademais, verificase na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, de fls. 20/21 [27/28], peça integrante da referida Notificação de Lançamento, que as glosas das áreas ambientais declaradas (preservação permanente e reserva legal) e o nãoacatamento de uma área de RPPN foram devidamente justificadas e fundamentadas pela fiscalização, com base no Decreto n° 4.382, de 19.09.2002 (RITR), que consolida toda a legislação aplicada ao ITR, em consonância com o principio do contraditório e da ampla defesa. Resta pacífico, portanto, que a infração encontrase devidamente caracterizada. Tanto é verdade, que a interessada refutou, de forma igualmente clara e precisa, as imputações que lhe foram feitas, como se observa do teor de sua Impugnação, em que a autuada expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, discutindo o mérito da lide relativamente a cada matéria envolvida, no caso as áreas ambientais, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto 70.235/72, bem como apresentando a documentação que entendeu pertinente. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a requerente compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência, e, portanto, não cabe a alegação de que o enquadramento legal, contido na Notificação de Lançamento, caracterizaria inexistência de tipificação e muito menos prejuízo ao entendimento da autuada. Também não pode justificar a nulidade da presente Notificação de Lançamento, o fato de a autoridade fiscal não ter acatado os documentos de prova apresentados pela requerente para comprovação das áreas ambientais do imóvel, posto que a aceitação ou não dos mesmos, depende dos critérios de avaliação utilizados na análise desses documentos, à luz da legislação de regência de cada matéria. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 143 8 Não obstante as alegações da requerente, entendo que a Notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV e principalmente aquelas necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa da autuada. Assim, não se verificou qualquer irregularidade capaz de macular a Notificação de Lançamento. Do mérito Das Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e da Reserva Particular do Patrimônio Natural Como relatado, segundo consta da Notificação de lançamento (fls. 27/28), as razões que ensejaram a autuação são as seguintes: o recorrente declarou uma Área de Preservação Permanente de 69,6 ha, mas não apresentou o ADA correspondente ou seu protocolo tempestivo, nem nenhum outro documento que comprove a existência dessa área; declarou, também, uma Área de Reserva Legal de 925,2 ha, mas a não averbou no registro de imóveis competente até a data do fato gerador, nem apresentou o ADA correspondente tempestivamente; apesar de não ter informado em sua DITR do período a existência da Área de Reserva Particular do Patrimônio Nacional, apresentou certidão com a averbação de RPPN de 795,9 ha datada de 24/05/2004, após, portanto, a data da ocorrência do fato gerador do tributo no ano de 2004, qual seja 01/01/2004. Os arts. 10 e 13 do Decreto n° 4.382/02 exigem, para a comprovação dessa área, que ela esteja averbada à margem do registro do imóvel na data do fato gerador, bem como que também seja apresentado ADA ao IBAMA tempestivamente informando a sua existência, o que não ocorreu. por fim, não foi apresentado Laudo de Avaliação o Valor da Terra Nua. O recorrente, por sua vez, alega em seu recurso que, conforme se comprova da certidão e dos laudos que anexou juntamente com a impugnação, o imóvel está averbado no registro imóveis como área de Reserva Particular do Patrimônio Natural desde 10/04/2004. Cita julgado do Conselho de Contribuintes segundo o qual a obrigatoriedade do ADA não se justifica como condição para a isenção do ITR quando o contribuinte comprova por outros meios a realidade fática da área envolvida. Alega ser este o caso, uma vez que juntou laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo, com ART correspondente, que comprova que a referida gleba nunca foi aproveitada economicamente para cultivos em geral e se encontra intacta, sendo área de preservação utilizada como reserva. Afirma que a autuação desconsidera as informações prestadas e a existência de Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de Reserva Particular do Patrimônio Natural e, mesmo não discordando de sua existência, a fiscalização as glosou por entender que o recorrente não está acobertado por Ato Declaratório Ambiental nem pela averbação tempestiva dessas áreas, desconsiderando a obrigatoriedade da busca pela. verdade real acerca dos fatos jurídicos tributários, conforme entendimentos da doutrina e julgados do Conselho de Contribuintes, do TRF1 e do TRF4, que colaciona. Muito bem. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 144 9 Conforme consta da cópia da certidão de matrícula anexada aos autos, especificamente a fls. 06, o imóvel sobre o qual se exige o tributo discutido tem área total de 994,87 hectares, tal como declarado pelo recorrente em sua DITR (fls. 20/25), tendo sido averbada na matrícula do imóvel uma área de Reserva Particular do Patrimônio Natural de 795,90 hectares aos 14/04/2004. Essa área, como mencionado, não constou da DITR do recorrente do período e não foi considerada pelo fiscal ante à não apresentação do ADA correspondente e por não ter sido averbada na matrícula do imóvel até a data do fato gerador. A necessidade de averbação da RPPN à margem do registro do imóvel já constava do antigo Código Florestal (Lei nº 4.771/65), que previa, em seu art. 6º, o seguinte: Art. 6º O proprietário da floresta não preservada, nos termos desta Lei, poderá gravála com perpetuidade, desde que verificada a existência de interesse público pela autoridade florestal. O vínculo constará de termo assinado perante a autoridade florestal e será averbado à margem da inscrição no Registro Público. Ainda antes da revogação dessa lei pelo novo Código Florestal (Lei nº 12.651/12), esse dispositivo legal já houvera sido revogado pela Lei nº 9.985/00, que regulamentou o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e, em seu art. 21, § 1º, continuou prevendo a necessidade de averbação da área de RPPN no cartório de registro de imóveis nos seguintes termos: Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. § 1o O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. O Decreto federal nº 5.746, de 05 de abril de 2006, que regulamentou este dispositivo legal (qual seja o art. 21 da Lei nº 9.985/00), dispõe, em seus arts. 5º e 8º, o seguinte: Art. 5o A criação da RPPN dependerá, no âmbito federal, da avaliação pelo IBAMA, que deverá: I verificar a legitimidade e a adequação jurídica e técnica do requerimento, frente à documentação apresentada; II realizar vistoria do imóvel, de acordo com os critérios estabelecidos no Anexo III deste Decreto; III divulgar no Diário Oficial da União a intenção de criação da RPPN; disponibilizar na internet, pelo prazo de vinte dias, informações sobre a RPPN proposta, e realizar outras providências cabíveis, de acordo com o § 1o do art. 5o do Decreto no 4.340, de 22 de agosto de 2002, para levar a proposta a conhecimento público; Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 145 10 IV avaliar, após o prazo de divulgação, os resultados e implicações da criação da unidade, e emitir parecer técnico conclusivo que, inclusive, avaliará as propostas do público; V aprovar ou indeferir o requerimento, ou, ainda, sugerir alterações e adequações à proposta; VI notificar o proprietário, em caso de parecer positivo, para que proceda à assinatura do Termo de Compromisso, e averbação deste junto à matrícula do imóvel afetado, no Registro de Imóveis competente, no prazo de sessenta dias contados do recebimento da notificação; e VII publicar a portaria referida no art. 2o deste Decreto, após a averbação do Termo de Compromisso pelo proprietário, comprovada por certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. Depois de averbada, a RPPN só poderá ser extinta ou ter seus limites recuados na forma prevista no art. 22 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000. (...) Art. 8o A área criada como RPPN será excluída da área tributável do imóvel para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de acordo com a norma do art. 10, § 1o, inciso II, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996. (Destacamos) Pelo que se infere do art. 21 da Lei nº 9.985/00 e dos dispositivos do Decreto nº 5.746/06, que o regulamentam, a averbação na matrícula do imóvel faz parte do processo de constituição da RPPN, pelo que, evidentemente, também é necessária para que respectiva área faça jus à isenção tributária uma vez que, s.m.j., sem o registro, ela sequer ainda se aperfeiçoou como área gravada como Reserva Particular do Patrimônio Natural. Assim, parecenos que não há como prescindir da averbação do gravame da área como RPPN à margem do registro do imóvel, inclusive para fins de gozo do benefício de isenção tributária, uma vez que, parecenos, antes disso, a área sequer existe. Por essa razão, entendemos que o laudo apresentado pelo recorrente, a fls. 78/80, não supre a necessidade de averbação da área de RPPN no registro imóveis pois, como dito, entendemos que conforme se extrai da legislação que rege a matéria, enquanto essa providência não se ultima, o gravame e, portanto, a própria área de preservação, ainda não está constituída. Desse modo, lembrando que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, e que nos termos do art. 1°, "caput", da Lei n° 9.393/96, o fato gerador do ITR ocorre no dia 1° de janeiro de cada ano, considerando que a averbação área de RPPN se deu apenas aos 14/04/2004, entendemos que na data da ocorrência do fato gerador da obrigação, no que diz respeito ao exercício de 2004, a RPPN, conforme legislação de regência, ainda não estava constituída, pelo que não há como o recorrente se beneficiar da isenção relativamente a essa área no que diz respeito ao fato gerador do ITR ocorrido no dia 1º/01/2004. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 146 11 Salientamos que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também é no sentido da necessidade da averbação da RPPN na matrícula do imóvel para fins de gozo do benefício da isenção. Confirase o seguinte trecho da decisão proferida pelo Min. Mauro Campbell Marques no Agravo nº 1.425.331/MT (DJe 19/10/2011): "(...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ITR. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SÚMULA 7/STJ. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN). IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (ITR). LEI 9.985/2000. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DO IMÓVEL PARA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. EXIGIBILIDADE. DECISÃO (...) No que diz respeito à (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal, o recurso merece acolhida. É que a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal poderia funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO E AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO EXTRAFISCAL DA RENÚNCIA DE RECEITA. 1. A controvérsia sob análise versa sobre a (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 2. O único bônus individual resultante da imposição da reserva legal ao contribuinte é a isenção no ITR. Ao mesmo tempo, a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. 3. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal deve funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 4. Esta linha de argumentação é corroborada pelo que determina o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN (interpretação restritiva da outorga de isenção), em especial pelo fato de que o ITR, como imposto sujeito a lançamento por homologação, e em razão da parca arrecadação que proporciona (como se sabe, os valores referentes a todo o ITR arrecadado é substancialmente menor ao que o Município de São Paulo arrecada, por exemplo, a título de IPTU), vê a efetividade da fiscalização no combate da fraude tributária reduzida. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 147 12 5. Apenas a determinação prévia da averbação (e não da prévia comprovação, friso e repito) seria útil aos fins da lei tributária e da lei ambiental. Caso contrário, a União e os Municípios não terão condições de bem auditar a declaração dos contribuintes e, indiretamente, de promover a preservação ambiental. 6. A redação do § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 é inservível para afastar tais premissas, porque, tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta a prova da sua glosa no imposto de renda, por exemplo, junto com a declaração anual de ajuste, o contribuinte que alega ter tido despesas médicas, na entrega da declaração, não precisa juntar comprovante de despesa. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. 7. A prova da averbação da reserva legal é dispensada no momento da declaração tributária, mas não a existência da averbação em si. 8. Mais um argumento de reforço neste sentido: suponhase uma situação em que o contribuinte declare a existência de uma reserva legal que, em verdade, não existe (hipótese de área tributável declarada a menor); na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização, o que, a seu turno, dá origem a um lançamento de ofício (art. 14 da Lei n. 9.393/96). Qual será, neste caso, o objeto de exame por parte da Administração tributária? Obviamente será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal à época do períodobase, o tributo será lançado sobre toda a área do imóvel (admitindo inexistirem outros descontos legais). Perguntase: a mudança da modalidade de lançamento é suficiente para alterar os requisitos da isenção? Lógico que não. E se não é assim, em qualquer caso, será preciso a preexistência da averbação da reserva no registro. 9. É de afastar, ainda, argumento no sentido de que a averbação é ato meramente declaratório, e não constitutivo, da reserva legal. Sem dúvida, é assim: a existência da reserva legal não depende da averbação para os fins do Código Florestal e da legislação ambiental. Mas isto nada tem a ver com o sistema tributário nacional. Para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. 10. A questão ora se enfrenta é bem diferente daquela relacionada à necessidade de ato declaratório do Ibama relacionado à área de preservação permanente, pois, a toda evidência, impossível condicionar um benefício fiscal nestes termos à expedição de um ato de entidade estatal. 11. No entanto, o Código Florestal, em matéria de reserva ambiental, comete a averbação ao próprio contribuinte proprietário ou possuidor, e isto com o objetivo de viabilizar todo o rol de obrigações propter rem previstas no art. 44 daquele diploma normativo. 12. Recurso especial provido. (REsp 1027051/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 17/05/2011) Assim sendo, CONHEÇO do agravo de instrumento para CONHECER PARCIALMENTE e, nessa parte, DAR PROVIMENTO ao recurso especial, nos termos da fundamentação acima. (...)". (Destacamos) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 148 13 Também no mesmo sentido é a jurisprudência dominante deste Tribunal, a exemplo, dentre vários outros, do julgado abaixo transcrito1, que citamos apenas ilustrativamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. RECONHECIMENTO POR ATO DO PODER PÚBLICO. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. ANTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. ISENÇÃO NO ÂMBITO DO ITR. A Reserva Particular do Patrimônio Natural deve ser reconhecida por ato do poder público ambiental e averbada no Cartório de Registro de Imóveis antes do fato gerador. (Destacamos) ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. NECESSIDADE DE ATO ESPECÍFICO Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, as áreas de interesse ecológico devem estar declaradas em ato específico pelo órgão ambiental competente. A exigência fiscal também se fundamentou na não apresentação pelo recorrente de Ato Declaratório Ambiental (ADA). A respeito desse documento, entendemos que, nos termos da lei, mais precisamente, do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, o ADA não é único documento hábil a amparar o direito à exclusão de determinadas áreas do âmbito de tributação pelo ITR. Com efeito, conforme se depreende da análise do art. 17O, "caput" e § 1º da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhes foi atribuída pelo artigo 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, o ADA é meio de prova do direito à isenção do ITR relativamente a determinadas áreas, mas não exclusivo. Vejamos: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” (destacamos) Sabendose que não apenas por regras de hermenêutica e interpretação das normas jurídicas, mas por imperativo legal2, o sentido de um parágrafo deve ser buscado à luz do que está disposto no "caput" do artigo, pois ou por meio do parágrafo se expressam os aspectos complementares à norma enunciada no "caput" ou as exceções à regra por este estabelecida, a leitura do § 1º, acima transcrito, evidentemente, não pode ser feita de forma isolada. 1 Acórdão nº 2201002.512 2 Art. 11, III, "c", da LC 95/98. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 149 14 Desse modo, da leitura em conjunto do "caput" e do §1º do art. 17O da Lei nº 6.938/81, alterada pela Lei nº 10.165/00, verificase que o dispositivo prevê a obrigatoriedade da utilização do ADA para fins de redução do valor do ITR a pagar apenas nas hipóteses em que esse benefício ocorra com base no ADA. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais da base de incidência do ITR cuja existência decorra de outras hipóteses, como diretamente da lei, por exemplo, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”, nem pode ser condicionada à apresentação desse documento. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar da redução do ITR com base nesse documento, mas não tem o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento dessas áreas, nem de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do tributo. Assim, entendemos que a apresentação do ADA não pode ser condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente, de reserva legal, ou de reserva particular do patrimônio natural de que tratam os art. 2º, 6º e 16 da Lei nº 4.771/65 da base de cálculo do ITR se sua existência está demonstrada por outros elementos. Esse entendimento, ao menos no que diz respeito à área de reserva legal, foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão de nº 9202003.052: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). (destacamos) ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para o benefício fiscal da isenção de ITR, nas áreas de preservação permanente (APP), a apresentação somente de laudo não satisfaz os requisitos da legislação. Também no sentido da desnecessidade de Ato Declaratório Ambiental para a comprovação das áreas de preservação permanente, reserva legal e de reserva particular do patrimônio ambiental é a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, conforme julgados abaixo, citados apenas ilustrativamente, dentre vários outros: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INEXIGIBILIDADE. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A Corte de origem, ao decidir pela prescindibilidade da Declaração Ambiental do Ibama ou de averbação para a configuração da isenção do ITR, em área de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 150 15 preservação permanente, acompanhou a jurisprudência consolidada pelo STJ. Incidência da Súmula 83 do STJ. 2. Recurso Especial não provido. 3 TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às instâncias ordinárias, pois, examinar em Recurso Especial matérias fático probatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso Especial não provido. 4 Transcrevemos, ainda, trecho de decisão monocrática proferida pela Min. Regina Helena Costa no mesmo sentido, na qual são relacionados diversos julgados que embasam o entendimento adotado pela julgadora e revelam jurisprudência consolidada daquele tribunal a respeito do tema: "(...) Sobre o tema, as Turmas que compõem a Seção de Direito Público do STJ firmaram a compreensão de que a área de preservação permanente, definida por lei, dispensa a prévia comprovação da sua averbação na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do Ibama, para efeito de isenção do Imposto Territorial Rural (ITR). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 3 REsp nº 1648391/MS, rel. Min.Herman Benjamin, T2, v.u., j. 14/03/17, DJe 20/04/17 4 REsp 1668718/SE, rel. Min. Herman Benjamin, T2, v. u, j. 17/08/17, DJe 13/09/17. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 151 16 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (REsp 1125632/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2009, DJe 31/08/2009. destaques meus). TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. SÚMULA N. 283/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INAPLICABILIDADE DO ÓBICE SUMULAR. DEVIDA IMPUGNAÇÃO DAS RAZÕES DO ACÓRDÃO. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUMENTO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. AVERBAÇÃO PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO. NECESSIDADE. PRECEDENTES. 1. A alegação da agravante quanto à inviabilidade de conhecimento do apelo nobre em decorrência de incidência da Súmula n. 283/STF revestese de inovação recursal, porquanto, em nenhum momento, foi suscitada nas contrarrazões do recurso especial, configurando manobra amplamente rechaçada pela jurisprudência desta Corte, pois implica reconhecimento da preclusão consumativa. 2. Ademais, inaplicável o óbice apontado. Primeiro, porque "o exame de mérito do apelo nobre já traduz o entendimento de que foram atendidos os requisitos extrínsecos e intrínsecos de sua admissibilidade, inexistindo necessidade de pronunciamento explícito a esse respeito" (EDcl no REsp 705.148/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/04/2011, DJe 12/04/2011). Segundo porque o recurso tratou de impugnar todos os fundamentos do acórdão, deixando claro a tese recursal no sentido de que a isenção de ITR depende de averbação da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal no registro de imóvel, bem como suscitou a inviabilidade de aumentar a Área de Reserva Legal por ato voluntário do contribuinte. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 152 17 3. A Área de Preservação Permanente não necessita estar averbada no registro do imóvel para gozar da isenção do ITR, exigência esta obrigatória apenas para a Área de Reserva Legal, inclusive aquela majorada por ato espontâneo do proprietário do imóvel rural. 4. O § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 (incluído pela MP 2.166/2001) apenas legitima ao contribuinte a declaração, sponte sua, do que entende devido a título de ITR, sem revogar as exigências prevista no art. 16 c/c o art. 44 da Lei n. 4.771/1965, que impõem a averbação da Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, cuja ausência inviabiliza o gozo do benefício fiscal e, consequentemente, a glosa do valor declarado. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1429300/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2015, DJe 25/06/2015, destaques meus). In casu, o acórdão recorrido adotou entendimento pacífico desta Corte Superior acerca da mesma questão jurídica, de modo que o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula n. 83 do STJ. (...)". (destacamos) No entanto, como já visto, no presente caso, não houve a averbação da área de Reserva Legal do Patrimônio Natural no registro do imóvel até a data do fato gerador, único requisito, no nosso entendimento, necessário para o gozo do benefício da isenção, que não foi satisfeito. Como dito, o recorrente declarou em sua DITR uma área de preservação permanente de 69,6 hectares e de reserva legal de 925,2 hectares, que foram glosadas pela fiscalização por não terem sido declaradas no registro de imóveis e, também, por não ter sido apresentado o ADA correspondente. A respeito do ADA, já manifestamos nosso entendimento de que, nos termos da lei, esse documento não é o único hábil a comprovar o direito de isenção de determinadas áreas ao ITR, de modo que ele não pode ser exigido como condição indispensável para o gozo do benefício se o contribuinte comprova, por outros meios idôneos, que faz jus ao benefício. Assim, a não apresentação do ADA, não seria, no nosso entendimento, por si só, razão legítima para a glosa das áreas declaradas. Vejase, por si só. Há que se comprovar, evidentemente, a existência dessas áreas por outros meios idôneos. No presente caso, o recorrente afirma ter juntado aos autos "laudos", no plural, inclusive de órgão oficial, que demonstram a existência de todas as áreas declaradas, não somente da RPPN, mas também da ARL e da APP. Inicialmente, anotamos que o recorrente anexou aos autos apenas dois laudos: o já mencionado laudo de fls. 78/80, relativo ao imóvel em questão, elaborado pelo engenheiro agrônomo Paulo Antônio Bettero, CREA/MG nº 7637/D, elaborado com objetivo específico de "compor documentação de esclarecimentos para atender a Receita Federal, conforme Notificação de Lançamento, em 14/07/2008", conforme consta do item "c" do próprio laudo (fls. 78), e o laudo de fls. 64/66, elaborado pelo Instituto Estadual de Florestas, documento que, na verdade, diz respeito a outro imóvel, denominado "Fazenda Santo Antônio Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 153 18 das Minas Vermelhas", localizado no Município de Patos de Minas/MG, que não tem nenhuma relação com os fatos aqui discutidos. Resta, portanto, apenas o laudo de fls. 78/80 como único documento que contém elementos relacionados aos fatos aqui discutidos. Pois bem. No que diz respeito à área de preservação permanente, não há nada nos autos que a ela faça referência, de modo a atestar a sua existência. É fato que o art. 2º, "caput", do antigo Código Florestal, vigente à época do fato gerador, dispõe que consideramse de preservação permanente, pelo só efeito daquela lei, as florestas e demais formas de vegetação natural que relaciona, independentemente de qualquer outra providência, seja requerimento de ADA ao IBAMA, registro na matrícula do imóvel ou qualquer outra providência do gênero. No entanto, há que se demonstrar, evidentemente, ao menos, que a área, de fato, existe. No caso, o único elemento que há nos autos que dá conta da existência dessa área é a declaração do recorrente. Nada mais. O mencionado laudo de fls. 78/80, único relativo ao imóvel objeto do auto de infração, apenas trata da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural. Não menciona a existência, no imóvel, de área de preservação permanente, nem de área de reserva legal. Desse modo, diferentemente do que alega o recorrente em seu recurso voluntário, não há nada nos presentes autos que demonstre a existência da área de preservação permanente declarada no imóvel, de modo que não há como acatar a isenção postulada. O recorrente também declarou uma área de reserva legal de 925,2 hectares. Como mencionado, mencionada área foi glosada pela fiscalização por não ter sido averbada no registro de imóveis até a data do fato gerador, nem por não ter sido apresentado o ADA correspondente tempestivamente. A respeito da ARL, dispõe o art. 16, § 8º da Lei nº 4.771/65, com redação que lhe atribuiu a MP nº 2.16667/01: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 154 19 Conforme se verifica do dispositivo legal acima transcrito, a legislação exige a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Lembrando, novamente, que o art. 144 do CTN prevê que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e que o art. 1°, "caput", da Lei n° 9.393/96, por sua vez, dispõe que o fato gerador do ITR ocorre no dia 1° de janeiro de cada ano, a averbação da área de reserva legal, para fins de isenção do ITR, naturalmente, há que ocorrer até a data da ocorrência do fato gerador. Nesse passo, a respeito da área de reserva legal, a jurisprudência deste tribunal é no sentido de que a averbação à margem da matrícula do imóvel é suficiente para comprovar a isenção do tributo em se tratando de área de reserva legal, conforme o precedente abaixo5, que citamos ilustrativamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (Destacamos) No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça6: TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às 5 Acórdão nº 2301004.868 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 6 REsp nº 1.668.718/SE, rel. Min. Herman Benjamin, T2, j. 17/08/2017, DJe 13/09/2017 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10675.720210/200802 Acórdão n.º 2402006.852 S2C4T2 Fl. 155 20 instâncias ordinárias, pois, examinar em Recurso Especial matérias fático probatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso Especial não provido. Como ser observa da cópia da matrícula do imóvel anexada aos autos, especificamente a fls. 07, há uma área de reserva legal averbada à margem da matrícula do imóvel de 693,95 hectares, menor, portanto, do que o declarado pelo recorrente em sua DITR (925,2 hectares). Ademais, considerando que a área total do imóvel é de 994,87 hectares, essa ARL, somada com a RPPN, de 795,90 hectares, somam 1489,85 hectares, o que deixa claro, como bem observado pela decisão recorrida e não impugnado pelo recorrente em seu recurso, que a ARL averbada, além de ser menor do que o declarado, está contida na área de Reserva Particular do Patrimônio Natural. Por fim, a averbação da aludida área de reserva legal no registro de imóveis foi feita aos 19/03/2004, posteriormente, portanto, à data de ocorrência do fato gerador do exercício de 2004. Por todas essas razões, também não há como acatar a isenção do tributo para mencionada área. O pedido de intimação diretamente aos procuradores do recorrente não tem cabimento uma vez que o art. 23, I a III do Decreto nº 70.235/72 estabelece que as intimações, no decorrer do processo administrativo tributário federal, serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, e não existe nenhuma previsão em outro sentido no RICARF. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908972/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 72 /2 01 3- 62 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.908972/201362 Acórdão n.º 3201004.647 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.797. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.908972/201362 Acórdão n.º 3201004.647 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.908972/201362 Acórdão n.º 3201004.647 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.908972/201362 Acórdão n.º 3201004.647 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.908972/201362 Acórdão n.º 3201004.647 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000146/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PROCESSUAL - NULIDADES - ART. 59, I E II DO DECRETO 70.235
Somente se observa nulidade no processo tributário administrativo se identificadas as hipóteses de incompetência do Servidor ou do órgão judicante ou, ainda, se demonstrada a violação ao primado da ampla defesa.
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - ART. 17 DO DECRETO 70.235 - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA FIXADA COM ESPEQUE NO ART. 124, I, MAS REFUTADA PELO RECORRENTE SOBRE OUTRO FUNDAMENTO
Imposta a responsabilidade solidária com espeque nos preceitos do art. 124, I, do CTN e o contribuinte, equivocadamente, se insurge para refutar tal imposição como se calcada no preceptivo do art. 135, III, opera-se quanto a matéria a preclusão contemplada no art. 17 do Decreto 70.235/72, transitando livremente em julgado.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - MULTA QUALIFICADA
Cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos constatados em suas contas bancárias. Caso não apresente comprovação da origem, presume-se que tais valores correspondem a receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Procede a aplicação de , multa qualificada quando ficar comprovada a ocorrência de infração dolosa.
Numero da decisão: 1302-003.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e de responsável solidário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PROCESSUAL - NULIDADES - ART. 59, I E II DO DECRETO 70.235 Somente se observa nulidade no processo tributário administrativo se identificadas as hipóteses de incompetência do Servidor ou do órgão judicante ou, ainda, se demonstrada a violação ao primado da ampla defesa. PROCESSUAL - PRECLUSÃO - ART. 17 DO DECRETO 70.235 - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA FIXADA COM ESPEQUE NO ART. 124, I, MAS REFUTADA PELO RECORRENTE SOBRE OUTRO FUNDAMENTO Imposta a responsabilidade solidária com espeque nos preceitos do art. 124, I, do CTN e o contribuinte, equivocadamente, se insurge para refutar tal imposição como se calcada no preceptivo do art. 135, III, opera-se quanto a matéria a preclusão contemplada no art. 17 do Decreto 70.235/72, transitando livremente em julgado. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - MULTA QUALIFICADA Cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos constatados em suas contas bancárias. Caso não apresente comprovação da origem, presume-se que tais valores correspondem a receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Procede a aplicação de , multa qualificada quando ficar comprovada a ocorrência de infração dolosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.043 1 1.042 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000146/200900 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.292 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS EXCLUSÃO DO SIMPLES Recorrente TRANSPORTADORA SULERA LTDA. E JOSÉ ROBERTO DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PROCESSUAL NULIDADES ART. 59, I E II DO DECRETO 70.235 Somente se observa nulidade no processo tributário administrativo se identificadas as hipóteses de incompetência do Servidor ou do órgão judicante ou, ainda, se demonstrada a violação ao primado da ampla defesa. PROCESSUAL PRECLUSÃO ART. 17 DO DECRETO 70.235 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA FIXADA COM ESPEQUE NO ART. 124, I, MAS REFUTADA PELO RECORRENTE SOBRE OUTRO FUNDAMENTO Imposta a responsabilidade solidária com espeque nos preceitos do art. 124, I, do CTN e o contribuinte, equivocadamente, se insurge para refutar tal imposição como se calcada no preceptivo do art. 135, III, operase quanto a matéria a preclusão contemplada no art. 17 do Decreto 70.235/72, transitando livremente em julgado. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MULTA QUALIFICADA Cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos constatados em suas contas bancárias. Caso não apresente comprovação da origem, presumese que tais valores correspondem a receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Procede a aplicação de , multa qualificada quando ficar comprovada a ocorrência de infração dolosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 46 /2 00 9- 00 Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.044 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e de responsável solidário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Este processo detém dois objetos que, não obstante processualmente autônomos, mantém entre si estreita relação de pertinência. No caso, a recorrente, contribuinte autuado, teria sido excluído do Simples Federal por meio do Ato Declaratório de nº 36/2009 (efl. 166) calcado, por sua vez, no Despacho Decisório de efls. 164/165 e na representação constante de efl. 2 a 6. De tais documentos, extraise que a empresa teria sido autuada por omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada no ano de 2005 (cujas exigências foram formalizadas nos autos do PA de nº 16004.000130/200999). A justificativa para a exclusão da empresa do regime simplificado de recolhimento de tributos e contribuições previsto pela Lei 9.317/96 estaria fundada na constatação de que o contribuinte teria insistido na prática infracionária anteriormente noticiada também nos anoscalendários de 2006 e 2007, tipificando a reincidência preconizada pelo art. 14, V, da aludida norma. A exclusão, digase, teve seus efeitos fixados para 1/01/2006. Como consequência do procedimento acima, foi promovida, também, ação fiscal para esclarecer possíveis irregularidades de igual natureza àquelas tratadas no PA de nº 16004.000130/200999, desta feita, contudo, para se apurar os competentes tributos devidos no regime ordinário de tributação. E, pelo que relata a Autoridade Fiscal no TCF de efls. 640/650, não obstante ter sido regularmente intimada para comprovar a origem de depósitos bancários identificados também nos anos de 2006 e 2007, e par de sucessivos pedidos de prorrogação, o recorrente nada provou, disse ou demonstrou. A D. Auditoria ainda tomou o necessário cuidado de intimar a empresa a apresentar DIPJs relativas aos anoscalendários em exame a fim de se apurar os tributos concernentes ao período investigado conforme o regime legal pertinente (lucro real); mais uma vez o recorrente permaneceu inerte, pelo que, a Autoridade Lançadora terminou por arbitrar o lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.045 3 A míngua de provas e outros documentos, hábeis à comprovação da origem dos citados depósitos bancários, foi lavrado auto de infração para exigir o IRPJ e CSLL (calculados, como já dito, segundo lucro arbitrado), bem como créditos tributários afeitos à contribuição para o PIS e à COFINS. E, tendo em conta a prática reiterada e a disparidade entre os valores encontradiças em contas bancárias e as informações extraídas da Declarações do Simples, a D. Auditoria Fiscal houve por bem qualificar a multa de ofício, na forma do art. 44, II, da Lei 9.430/96. A guisa de nota, cumpre destacar que a empresa ora recorrente foi objeto desta ação fiscal por conta de investigação realizada pelo Ministério Público Federal que tinha por alvo grupo econômico controlado pelo Sr. José Roberto de Souza sendo que, a partir das descrições verificadas no TCF, os próprios depósitos realizados em conta de titularidade da autuada teria origem nas práticas ilícitas realizadas pelo Sr. José Roberto de Souza e pelas demais empresa do aludido grupo; em vista disso, a Fiscalização apontou o Sr. José Roberto como real beneficiário dos preditos depósitos, tendo lavrado contra ele termo de sujeição passiva (efls. 638/639), impondo lhe a responsabilidade solidária pela satisfação dos créditos tratados neste feito, com espeque, exclusivamente, nos preceitos do art. 124, I, do CTN. O contribuinte, num primeiro momento, opôs manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório de nº 36/2009. Num segundo momento, a empresa e o solidário ofereceram impugnações administrativas virtualmente idênticas contra o auto de infração acima mencionado, sustentando, em apertadíssima síntese: a) a necessidade de sobrestamento deste processo até o julgamento do PA de nº 16004.000130/200999; b) que seriam verificáveis duas nulidades no auto de infração, sendo elas: b.1) a ocorrência de bis in idem, verificado a partir da alegação de que a autoridade fiscal teria promovido o somatório das receitas omitidas com aquelas previamente declaradas pela empresa por meio de sua Declaração destinada ao Simples; b.2) a falta de clareza dos motivos da autuação objetivamente, afirma que autoridade fiscal não teria demonstrado a partir de quais contas contábeis ou documentos teria concluído que as receitas pretensamente omitidas decorreriam da atividade de transporte, objeto social da recorrente. c) Quanto ao mérito: c.1) a impossibilidade de se utilizar de presunção concernente à omissão apurada para constituir o crédito ora polemizado, discutindo, ainda, a necessidade de prova do consumo da renda para justificar a imposição fiscal; c.2) o descabimento do arbitramento intentado dado inocorrentes os pressupostos para seu emprego no caso em testilha; c.3) a inexistência de prova da prática de fraude, conluio ou sonegação fiscal, alegando, neste particular, que a simples identificação de depósitos de origem não demonstrada não justificaria a qualificação da penalidade. O devedor solidário, além de, como já dito, reprisar os argumentos acima, insurgese contra a sua responsabilização alegando não haver provas da prática de ato ilícito necessário à tipificação das hipóteses tratadas pelos artigos 135, III, e 137 do CTN. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.046 4 Instada a se pronunciar sobre o feito, a DRJ de Ribeirão preto houve por bem julgar improcedentes a manifestação de inconformidade relativa ao ADE de nº 36/2009 e as impugnações opostas, conforme se depreende da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006,31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos constatados em suas contas bancárias. Caso não apresente comprovação da origem, presumese que tais valores correspondem a receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Procede a aplicação de , multa qualificada quando ficar comprovada a ocorrência de infração dolosa. E cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado àquele que tiver interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do recurso interposto quanto a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 31/07/2007, 30/09/2007 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do recurso interposto quanto este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 31/07/2007, 30/09/2007 AUTO REFLEXO Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.047 5 Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do recurso interposto quanto a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento acima em 09/12/2011 (AR de efl. 867). Não há, nos autos, notícias ou provas da intimação do devedor solidário. Nada obstante, tanto a empresa como o devedor solidário apresentaram, em 10/01/2012, os seus recursos voluntários, por meio dos quais reprisaram, ipsis literis, as razões de suas impugnações. Inicialmente, este feito foi distribuído à 3ª Turma Especial da 1ª Seção que, por meio da Resolução de nº 1803.000.101, decidiu remeter os autos à Unidade de Origem a fim de aguardar o julgamento definitivo do PA de nº 16004.000130/200999, dada a sua prejudicialidade quanto, especificamente, aos efeitos do ADE 36/2009. Conforme se extrai dos documentos acostados à efls. 1001 a 1038, o PA de nº 16004.000130/200999 foi, efetivamente, julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, mantendose parcialmente a exigência lá estampada. No caso, determinouse apenas o cotejo do valor omitido, das importâncias declaradas pela empresa ao Simples Federal através da Declaração apresentada no exercício de 2006. Os autos, então, retornaram a este Conselho para análise e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Antes de manifestar sobre os requisitos de admissibilidade dos apelos, cumpre apenas anotar que, de fato, o devedor solidário não foi intimado do resultado do julgamento realizado pela DRJ. Nada obstante, digase, o Sr. José Roberto de Souza espontaneamente apresentou seu recurso voluntário, suprindo, neste particular, a possível nulidade anteriormente noticiada, a teor dos preceitos do art. 239, § 1 º do CPC, aplicável, subsidiariamente ao processo administrativo tributário por força das disposições expressas do art. 15 do mesmo diploma processual. Neste passo, e feito o esclarecimento acima, considero tempestivos os recursos e preenchidos os demais requisitos de cabimento, razão pela qual deles tomo conhecimento. I Do problema afeito à exclusão do SIMPLES Permissa venia, mas errou a 3ª Turma Especial ao determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem e o sobrestamento deste feito até o julgamento do PA de nº 16004.000130/200999. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.048 6 Como se extrai das peças processuais, mormente dos recursos manejados, os insurgentes não impugnaram o acórdão da DRJ em relação à manutenção de sua exclusão do SIMPLES. Nem mesmo dos pedidos deduzidos em seus apelos se verifica quaisquer pretensões concernentes ao cancelamento ou reforma do ADE de sorte que, pelas disposições do art. 17 do Decreto 70.235, a parte dispositiva da decisão recorrida relativa à exclusão da empresa do Simples transitou, livremente, em julgado. Neste diapasão, frisese, e com o devido respeito, temse por totalmente descabida a decisão proferida por aquela Turma Especial. Nada obstante, a ainda que superada a questão acima, é fato que por meio do acórdão de nº 1301002.979, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, manteve, quase integralmente, o lançamento realizado nos autos do PA de nº 16004.000130/200999, reconhecendo, inclusive, a prática infracionária consubstanciada na manutenção, à margem da escrita contábil e fiscal, de depósitos bancários, tipificando, pois, para além de dúvidas razoáveis, a reiteração preconizada pelo art. 14, V, da Lei 9.713. Ou seja, independentemente da preclusão acima noticiada, é fato que não merece qualquer reparo o ADE de nº 36/2009. II Nulidades. II.1 Alegado bis in idem. Sem me manifestar, de imediato, sobre a correção, ou não, das alegações do contribuinte e do solidário, deduzidas como preliminar de nulidade, vale destacar que se houve, de fato, cobrança em duplicidade das exações, pela não exclusão das parcelas de receitas porventura declaradas pela empresa ao Simples Federal, estarseia diante questão de mérito, cuja procedência não importa em anulação do auto de infração. Neste passo, afasto esta preliminar. II.2 Da pretensa falta de clareza do auto de infração. Me permitam, aqui, reproduzir o seguinte trecho do recurso voluntário do contribuinte, que bem resume as razões de ser da preliminar ora aventada: Denotase, do quanto dito acima, que o fisco constatou que a movimentação contida nos extratos não se refere à faturamento da empresa Transportadora Sulera Ltda., mas de movimentação de valores (fluxo de ida e de volta) em direção às empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., De Souza e Lima Ltda., Frigorífico Ouroeste Ltda., SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados, não precisando, no relato, com a descrição necessária, quais valores vieram de cada empresa e quais voltaram para cada empresa, eis que, em assim o sendo, a entrada desse numerário por remessa daquelas empresas e o seu retorno não representam faturamento, mas mera circulação de valores econômicos (assim reconhecido pela própria Autoridade Fiscal, quando aduz ser a transportadora um elo do grupo econômico) (grifos no original). Vale lembrar que as nulidades no âmbito do Processo Tributário Administrativo Federal estão prescritas no art. 59, II, do Decreto 70.235 e, objetivamente, se concretizam apenas quando verificada a incompetência da autoridade administrativa ou julgadora ou, de outro turno, se constatada a violação à ampla defesa. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.049 7 No caso, é de se asseverar que estamos diante de hipótese de presunção legal de omissão de receitas por conta da manutenção de contas e depósitos à margem da escrituração contábil e fiscal em que, atestado núcleo típico da norma de regência, in casu, o art. 42, caput, da Lei 9.430/96, invertese o ônus probatório e se impõe, ao contribuinte, o mister de comprovar os motivos pelos quais os valores que transitaram por suas contas bancárias não seriam passíveis de tributação. Em outras palavras, o trabalho fiscal se limita à identificação da ocorrência do predito núcleo típico; a partir daí, cabe ao contribuinte trazer provas de que não incorrera em qualquer omissão. Neste sentido, confirase: OMISSÃO DE RECEITAS ART. 42 DA LEI 9.430 PRESUNÇÃO INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Constatados depósitos bancários de origem nebulosa, não escriturados contabilmente, operase a presunção encartada no art. 41 da Lei 9.430, cabendo ao contribuinte, e não à fiscalização, ilidir tal presunção mediante prova hábil e idônea (Acórdão de nº 1302002.805, julgado em 17 de maio de 2018). Isto é, as interjeições trazidas neste preliminar são, a toda monta, descabidas... com efeito, cabe ao contribuinte, e não à Fiscalização, demonstrar ou apontar, no caso concreto, "quais valores vieram de cada empresa e quais voltaram para cada empresa" para, assim, comprovar que "a entrada desse numerário por remessa daquelas empresas e o seu retorno não representam faturamento, mas mera circulação de valores econômicos". Em linhas gerais, além de tangenciar, em verdade, o mérito da demanda, e, nesta esteira, não se verificar qualquer mácula à ampla defesa do contribuinte (não há, pois, nulidade), o fato é que a autuação se pautou pelos estritos do art. 42 da Lei 9.430; as informações que o recorrente diz faltar do TCF, são, em verdade, informações cuja demonstração recai sobre seus ombros. Afasto, destarte, também esta preliminar. III Mérito III.1 Quanto ao alegado bis in idem Em julgados passados já me perfilhei ao entendimento de que eventuais valores apurados como omissão de receitas não poderiam ser somados às receitas efetiva e concretamente declaradas pelo contribuinte ao Fisco Federal. Este, aliás, foi o entendimento adotado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, quando do julgamento, já noticiado, do PA de nº 16004.000130/200999, que determinou, justamente, o abatimento dos valores autuados quanto ao ano de 2005, daqueles declarados pelo contribuinte ao Simples Federal. Venia concessa, e, passando ao largo do que este relator tenha decidido em outros processos (se houver alguma incoerência, antecipo, desde logo, minhas sinceras desculpas), mas não posso, neste feito, assumir a mesma posição. Vejam bem, a empresa autuada nunca se manifestou em relação a todas as intimações que lhes foram encaminhadas. Não trouxe um único documento para ilidir a presunção tratada no art. 42 da Lei 9.430 de sorte que não me é dado afirmar que, dos valores constatados nas contas bancárias, um, ou alguns, provenham das atividades que geraram as declarações destinadas ao Simples. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.050 8 Entendo, particularmente, que ao somar as receitas declaradas com aquelas apuradas nas contas bancárias, a Fiscalização adotou procedimento absolutamente correto, até porque, lembremse, para o ano de 2006, o contribuinte já não poderia se socorrer do regime tratado pela Lei 9.713 (e, não obstante, assim o fez). Os recorrentes poderiam, aqui, quando muito, postular a "compensação" entre os valores pagos ao Simples com o crédito aqui apurado; todavia, não só não requereram tal compensação como não produziram qualquer prova de que tenham, porventura, efetuado qualquer recolhimento ao Simples Federal. O somatório das receitas declaradas e omitidas é medida que se impõe, sem se caracterizar, neste caso, o alegado bis in idem. III.2 Quanto a infração, arbitramento e qualificação da multa. Tanto em relação aos argumentos atinentes à infração em si, como quanto à multa qualificada aplicada, o contribuinte e o solidário reprisam cada vírgula da impugnação administrativa. Vale repetir que a empresa autuada não atendeu nenhuma das intimações que lhes foram encaminhadas para comprovar a origem dos depósitos, nem tampouco para apresentar as DIPJs para os anoscalendários 2006/2007 a fim de que fosse apurado o lucro real. Assim, temse por assente, no caso, a não desincumbência dos insurgentes do ônus descrito no, por vezes citado, art. 42 da Lei 9.430/96. As alegações de que se tratariam de "mero fluxo de recursos entre empresas componentes de um mesmo grupo econômico" não passam de meros subterfúgios procrastinatórios, já que, desacompanhadas das necessárias provas, os motivos do trânsito destes numerários nas contas da autuada continuam nebulosos. Quanto as críticas realizadas pelos recorrente em relação à presunção adotada pela Fiscalização, vale lembrar que esta decorre de Lei! E, se a lei merece reprimendas, ou se suas disposições poderiam conflitar em tese com normas, princípios, garantias ou direitos constitucionais, não nos cabe, nesta seara, nos posicionar (até por vedação regimental explícita art. 62 do RICARF). Insistase, tipificada a hipótese do art. 42 da Lei 9.430, impõese ao contribuinte provar os fatos que ilidiriam a presunção iures tantum ali preconizada. E, considerando a análise exaustiva intentada pelo acórdão recorrido, com a qual concordo, bem como a ausência de quaisquer argumentos ou documentos novos nos apelos voluntários, valhome dos preceitos do art. 57, § 3º, do RICARF, para reproduzir e adotar como razões de decidir, os seguintes termos do voto condutor daquele julgado (tomados a partir da página 10 do citado aresto), em relação, vale dizer, apenas, à infração em si, ao arbitramento e à qualificação da multa: No caso de que trata os autos, foi aplicada a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Intimado a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias, o contribuinte limitouse a pleitear sucessivas prorrogações de prazos e Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.051 9 nada de concreto apresentou. Sequer em seu recurso foram apresentadas provas. Tendo em vista a ausência de comprovação da origem dos créditos em conta bancária, concluiuse que houve omissão de receitas. O impugnante se insurge contra a utilização de presunções no Direito Tributário e, especialmente, contra a presunção de omissão de receitas baseada na constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. A propósito de sua inconformidade contra o art. 42 da Lei 9.430/96, cabe esclarecera que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. 0 Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Em verdade, a autoridade encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, uma vez que As autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. Por oportuno, assinalese que tal é a determinação do art. 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pelo art. 25 da Lei 11.941/2009: Art. 25. 0 Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar coin as seguintes alterações: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Destarte, não procedem as alegações. 0 contribuinte afirma que ha créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, bem como provenientes de fluxo entre empresas, empresas essas sobre as quais não tem ingerência, de modo que não pode dispor da contabilidade delas para produzir as provas necessárias. Não apresenta qualquer prova de que há depósitos cuja origem são empréstimos e cheques devolvidos. Quanto aos valores que são provenientes de outras empresas do mesmo grupo econômico, reiterese que cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos bancários, prova esta que não foi apresentada em nenhum momento. Finalmente, a prova da origem dos depósitos não deve ser buscada na contabilidade de terceiros. Cabe ao contribuinte a prova da causa do ingresso de recursos em suas contas bancárias. 0 contribuinte também alega que contraia empréstimos junto à instituição financeira na qual mantinha conta e repassava os recursos ao FRIGORÍFICO OUROESTE LIDA, que, posteriormente, os devolvia para pagamento da divida. Afirma que operações como essa eram praticadas entre todas as empresas referidas. Sustenta que a RFB tributou como receitas omitidas estes recursos quando ingressavam na conta da empresa que os recebida e, posteriormente, também os Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.052 10 tributou junto a contratante do empréstimo bancário quando a receptora devolvia os recursos para pagamento do empréstimo contraído. Conclui que tais valores não representam faturamento, de modo que é descabida sua tributação. Estas alegações não vieram acompanhadas de provas. Não demonstrou o contribuinte que contraiu empréstimos junto à instituição financeira na qual mantém contacorrente e tampouco que celebrou contrato de empréstimo junto as outras empresas integrantes do grupo econômico. Reiterese que houve reiteradas intimações para que fosse comprovada a origem dos depósitos bancários, mas nada foi apresentado pelo contribuinte. Portanto, não há como acolher alegações desacompanhadas de provas. Alega o impugnante que o arbitramento a partir de extratos bancários somente pode ser realizado quando motivado na legislação de regência. Afirma que, na situação de que trata o presente processo administrativo, não houve motivação para o arbitramento, exigindo a lei a constatação de vícios ou omissões na escrituração capazes de comprometêla. Conclui que o arbitramento do lucro somente pode ser utilizado em situações extremas. A fl. 633 dos autos, a autoridade autuante fundamento o arbitramento no art. 530, I, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR). Nos termos desta regra, o imposto é determinado com base no lucro arbitrado quando o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. O contribuinte foi intimado a apresentar DIPJs relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007. além de outras declarações aplicáveis, e também a apresentar livros comerciais e fiscais do período. Não atendeu a solicitação, a despeito de haver sido reintimado. Ademais, nos Livros Caixa apresentados não consta a escrituração da movimentação bancária. Em virtude da falta de apresentação dos elementos solicitados, não restou outra alternativa sendo o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, correspondente A soma das receitas declaradas com as receitas omitidas apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte aduz que a multa de 150% é descabida, pois não houve fraude, conluio ou falsificação de documentos. Alega que, se irregularidade existe quanto as operações da CONTINENTAL OUROESTE LTDA, esta já foi penalizada por isso. Argumenta que fraude não se presume, sendo incompatível a aplicação de multa de 150% quando o tributo foi lançado com base em presunção. Assevera que a aplicação da multa de 150% exige a comprovação de que o sujeito passivo agiu com uma intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário A. ordem jurídica e que o intuito de fraude deve ser evidente. O impugnante se insurge contra a aplicação de multa qualificada quando o crédito tributário lançado foi apurado com base em presunção legal, esPecialmente com base na presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. A propósito desta objeção, devese esclarecer, de inicio, que são reiteradas as decisões do Conselho de Contribuintes no sentido de que a prática reiterada é suficiente para caracterizar o evidente intuito de fraude (...). Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.053 11 Uma vez fixado o entendimento de que a omissão reiterada de receitas é causa para a aplicação da multa qualificada de 150%, por restar demonstrado o evidente intuito de fraude, é possível apreciar a objeção aduzida pelo impugnante. Afirma o impugnante que, nos casos em que o crédito tributário é apurado por meio da aplicação de presunção legal relativa, não há comprovação de evidente intuito de fraude. Esta singela afirmação tem como premissa o equivocado entendimento de que ao aplicar uma presunção legal relativa o julgador não atingiu o convencimento necessário afirmação do fato que é afirmado por meio da aplicação da presunção. Em outras palavras, o impugnante pressupõe que o convencimento sobre a efetiva omissão de receitas não foi atingido, razão pela qual teve o julgador de valerse da presunção legal de omissão de receitas. (...) Conforme já mencionado, os créditos tributários foram lançados com base na presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, em razão da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. Foi aplicada multa de 150% sobre os créditos tributários apurados, tendo em vista a existência de evidente intuito de fraude. A intenção de fraudar restou demonstrada por diversos elementos. 0 Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza afirmou que jamais teve qualquer participação em eventuais operações efetuadas pela SULERA, a despeito de constar como sócio administrador da empresa. Asseverou, ainda, que jamais recebeu qualquer beneficio da empresa e que acreditar que esta estaria "sem movimento". O Sr. José Roberto de Souza confirmou que o Sr. Odécio não teve qualquer participação na administração da SULERA Ressaltese que estranhamente o endereço cadastral da empresa é o mesmo da residência do Sr. Odécio. O contribuinte não escriturou sua movimentação bancária, a despeito dos vultosos valores envolvidos, muito superiores às receitas declaradas. Além disso, constatouse que o proveito econômico das omissões perpetradas foi revertido ao grupo que comanda o FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, entre eles o Sr. José Roberto de Souza. Todos os fatos acima descritos corroboram a conclusão a que se chega pela aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. Notese esta presunção tem em sua base uma regra de experiência altamente verossímil no sentido de que depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte têm por origem as receitas decorrentes do exercício das atividades por ele desenvolvidas. Este não é um simples dado imposto pela lei, mas uma regra de experiência colhida pelo legislador. O fato de que o legislador, com base nesta regra de experiência, fixou uma regra prescrevendo uma presunção de omissão de receitas não exclui que a autoridade responsável pela aplicação da presunção possa atingir o convencimento de que efetivamente houve omissão de receitas com base na simples regra de experiência (independentemente de sua previsão em lei). Ao lado disso, outros elementos de prova já mencionados foram coletados para demonstrar que os recursos movimentados nas contas bancárias decorrem efetivamente de receitas auferidas em razão do exercício das atividades pelo contribuinte. Todos estes elementos somados, e conjugados com o entendimento já fixado anteriormente no sentido de que a omissão reiterada de receitas caracteriza evidente intuito de fraude, conduzem à conclusão segura de que é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de que trata os autos. De resto, a própria jurisprudência do Conselho de Contribuintes admite a convivência entre o Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.054 12 lançamento fundado em depósitos bancários de origem não comprovada e a multa qualificada (...). Para além de dúvidas razoáveis, a infração foi corretamente apurada e quantificada (como bem posto pela DRJ, não havia quaisquer subsídios dados à Fiscalização para apurar o IR e CSLL por outro regime que não o lucro arbitrado, já que o contribuinte nunca se dignou a cumprir as intimações a ele encaminhadas justamente para apresentar dados e declarações que franqueassem a apuração de seu lucro real). Outrossim, e a despeito da DRJ não ter emitido um juizo explicito, é fato que descabe, tambem, a alegação de que seria imposto à Fiscalização comprovar que os depósitos encontrados deteriam caráter de "renda"... neste passo, vale, a invocação da Sumula 26, do CARF, perfeitamente subsumível à hipótese dos autos. Também não há reparos nas constatações fiscais e da DRJ quanto a qualificação da multa... a soma dos fatos tratados nestes autos (interposição de pessoas, prática reiterada da infração e a disparidade absurda entre valores declarados e aqueles efetivamente apurados pela Auditoria) revelam, ainda que de forma indiciária, o intento do recorrente de sonegar tributos, concretizando de forma hialina a regra contida no art. 44, §2º, da Lei 9.430. Nada há, aqui, que se reparar no acórdão recorrido. IV Da responsabilidade solidária. Por fim, notem que, ao longo do relatório que antecede este voto, destaquei que o recorrente, responsável solidário, atacou a imputação proposta por meio do termo de responsabilização sob a alegação de que não teria havido provas sobre os fatos ilícitos que dariam azo à tipificação das hipóteses contempladas nos artigos 135, III, e 137, ambos do CTN. Também como foi enfatizado no relatório, o TCF, e o próprio Termo de Sujeição Passiva, invocam como fundamento fático/jurídico para a responsabilização do solidário a existência de interesse comum na situação que constituíra o fato imponível, núcleo típico, na esteira do que entende a Fiscalização, do art. 124, I, do CTN. Ou seja, o insurgente não impugnou a matéria efetivamente deduzida no auto de infração. Não questionou a existência deste "interesse comum" limitandose em afirmar não ter provas da prática de um ato contrário à lei ou estatuto ou praticado com abuso de poder. Em linhas gerais, a imputação de responsabilidade ao recorrente transitou em julgado já quando da oposição de sua impugnação, descabendo, aqui, fazerse qualquer análise adicional. A vista disso, não há como se acolher a pretensão em exame. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 16004.000146/200900 Acórdão n.º 1302003.292 S1C3T2 Fl. 1.055 13 V Conclusões. A luz de todo o exposto, voto por afastar as preliminares invocadas e, no mérito, por negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e de responsável solidário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1055DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13118.720069/2017-34
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88.
O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2002-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial, para considerar isentos os proventos com o Fundo do Regime Geral de Previdência Social e Inst. da Previdência e Assistência dos Servidores de Catalão.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88. O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe deu provimento parcial, para considerar isentos os proventos com o Fundo do Regime Geral de Previdência Social e Inst. da Previdência e Assistência dos Servidores de Catalão. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 8. 72 00 69 /2 01 7- 34 Fl. 61DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 22 a 26), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, as efls. 02 a 21 dos autos, que, conforme a decisão da DRJ: Inconformada, a interessada ingressou com a impugnação de fls.02/03, argumentando que os rendimentos considerados omissos , relativos às fontes pagadoras FUNDO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL, INST. DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA DOS SERVIDORES DE CATALÃO e FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIALREFER referemse a rendimentos de aposentadoria por moléstia profissional de conformidade com a Lei nº 7.713/88, inciso XIV, conforme perícias e laudos médicos em anexo. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, em 27/10/2017, no acórdão 1292.858, às efls. 38 a 42, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 05/01/2018, apresentou recurso voluntário, às efls. 46 a 57, no qual alega, em resumo, que é portadora de moléstia profissional, decorrendo em sua aposentadoria por invalidez. Junta laudo para comprovar a moléstia. Ainda, em relação à fonte pagadora Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, os rendimentos de complemento de aposentadoria. É o relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13118.720069/201734 Acórdão n.º 2002000.621 S2C0T2 Fl. 62 3 Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 06/12/2018, efls. 45, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 05/01/2018, efls. 46, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício de três fontes pagadoras distintas: · FUNDO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL R$ 33.263,43; · INST DA PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA DOS SERVIDORES DE CATALAO, R$ 29.078,31; · FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL – REFER R$ 6.034,30. A decisão da DRJ manteve a autuação, como se vê: Quanto aos rendimentos pagos pela fonte pagadora FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL–REFER, cabe registrar que nenhum documento foi acostado aos autos no sentido de comprovar a natureza dos rendimentos recebidos. Analisandose o outro requisito cumulativo indispensável à concessão da isenção, cumpre informar que: 1.o Relatório Médico acostado às fls. 18/20, não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municipíos, ou seja, tratase de laudo de cunho particular; 2. o Relatório de Exame MédicoPericial de fls.11/12 e a Comunicação de Resultado de Exame Médico à fl. 21, não podem ser aceitos porque não são claros quanto à moléstia adquirida pela interessada em função de sua atividade profissional e , em ambos os documentos, restou impossível saber os dados da autoridade médica responsável pelo preenchimento dos mesmos. Da exegese da Lei nº 7.713/88 e do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o Fl. 63DF CARF MF 4 contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), comase em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) XXXIV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(grifos nossos) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13118.720069/201734 Acórdão n.º 2002000.621 S2C0T2 Fl. 63 5 PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) IRPF – ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE A Lei prescreve especificamente que prova de moléstia grave somente pode ser feita com laudo de órgão oficial. (Acórdão nº. : 10244.418 14/09/2000) Às efls. 47 a 50 resta claro que a contribuinte foi aposentada por invalidez decorrente de acidente em serviço, sendo incapaz de exercer qualquer atividade laborativa desde 2002, conforme laudo oficial emitido pelo IPASC de Catalão. Em sede recursal, a contribuinte acostou aos autos qualquer documento, às e fls. 54 e 55 que comprovam a natureza dos rendimentos auferidos pela FUNDAÇÃO REDE FERROVIÁRIA DE SEGURIDADE SOCIAL – REFER. Assim, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 65DF CARF MF 6 Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907782/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS.
Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 77 82 /2 01 2- 17 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo em parte a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição (PIS/Cofins), pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo que ele decorria da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurado que a contribuição devia ser exigida somente em relação ao faturamento da pessoa jurídica, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Segundo o então Manifestante, não havia que se alegar, como a Fazenda Nacional vinha sustentando, que apesar de aplicável às instituições financeiras a referida declaração de inconstitucionalidade, ainda assim seriam devidas as contribuições sobre suas receitas operacionais típicas, que incluíam as receitas financeiras, nos termos do Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007, pois inexistia qualquer identidade entre faturamento e a atividade principal dos contribuintes. Ainda de acordo com o contribuinte, essa questão se encontrava naquele momento pendente de decisão pelo STF, sendo que, nos autos do Recurso Extraordinário no 609.096, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, reconheceuse a existência de repercussão geral da matéria, em função do quê, devia ser sobrestado o presente feito até o julgamento final, nos termos do artigo 62A, parágrafos 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, como meio de evitar decisões conflitantes e promover economia processual. Argumentou, também, que, mesmo que se entendesse que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras tinham natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo das contribuições, o pedido de restituição formulado merecia ser parcialmente deferido, já que não podiam integrar a referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolviam intermediação financeira. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12075.366, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo o direito de restituição de parcelas da contribuição incidente sobre receitas não operacionais. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.494, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.907775/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.494): O Recurso Voluntário interposto face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1275.359 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 FATURAMENTO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Afastada a aplicação do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo que deve ser considerada para a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins das instituições financeiras é o faturamento, assim entendido como sendo a sua receita operacional, devendo ser efetuadas as exclusões e deduções previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). RECOLHIMENTO A MAIOR. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. RESTITUIÇÃO. Tendo sido constatado que o valor recolhido da Contribuição para o PIS e da Cofins foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais) é de se restituir a diferença recolhida a maior. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 SOBRESTAMENTO DO FEITO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Nas normas que regulam o processo administrativo fiscal não há previsão para sobrestamento do feito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O Contribuinte em seu recurso repisa os argumentos já expostos quando da interposição da manifestação de inconformidade, alegando que diante do pagamento a maior de COFINS tem o direito à restituição, visto que a apuração da contribuição se deu sobre receitas que não decorrem da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou seja, com a inconstitucionalidade do §1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliava a Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 5 4 base de cálculo da contribuição ao PIS e COFINS à totalidade das receitas, há o direito de restituição. Assim, o Contribuinte trata por primeiro do indébito tributário em relação à COFINS, para em seguida formular, se caso se entender: (...) que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento e, portanto, a base de cálculo da COFINS, o que se admite apenas para argumentar, quando menos merece ser parcialmente deferido o pedido de restituição formulado, posto que não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. Na decisão recorrida ficou posto o entendimento de que no caso das instituições financeiras, com a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS é o faturamento, sendo este compreendido com a sua receita operacional, com as exclusões previstas na Lei nº 9.701/1998 e na Lei nº 9.718/1998 (com as alterações promovidas pela MP 2.158/2001 e por suas sucedidas). Entendeu também a Turma Julgadora que o Contribuinte faz jus à restituição de valor recolhido a maior, visto que se constatou que o valor recolhido de COFINS foi apurado sobre a totalidade das receitas auferidas (receitas operacionais + receitas não operacionais). Portanto, deuse provimento ao pedido de restituição no montante de R$ 12.058,75 (valor original) e com isso, a base de cálculo da COFINS não abarcou a totalidade das receitas. Entendo que não assiste razão ao Contribuinte, visto que foi considerado na decisão ora recorrida o afastamento de receitas não operacionais que integraram a base de cálculo da COFINS, bem como, considerouse por faturamento as receitas operacionais decorrentes das atividades típicas desenvolvidas pelo Contribuinte. Cito aqui trechos do voto do acórdão ora recorrido, que fundamentam o entendimento da matéria e como razões para decidir: 25. A interessada fundamenta o seu pleito no fato de a sua sucedida ter efetuado o recolhimento da contribuição em questão nos termos da Lei n° 9.718/98, aplicando o disposto no parágrafo 1o do seu art. 3o, dispositivo este, cuja inconstitucionalidade foi posteriormente reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que entendeu só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. 26. Acrescenta que no caso da sua sucedida a Contribuição para o PIS e a Cofins deveriam incidir tão somente sobre o valor constante da rubrica 7.1.7.00.009 – “Rendas de Prest. de Serviços”, que, no período de apuração em questão, é composto somente pelo valor constante da rubrica 7.1.7.99.003 – “Rendas de Outros Serviços”. 27. Ocorre que tal entendimento não reproduz, exatamente, aquele consignado pelo STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, entre outros, nos quais julgou ações de inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/1998, conforme será visto a seguir. (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 6 5 29. Da leitura das ementas dos acórdãos dos RE mencionados, entre os quais o RE 346.084/PR, cuja ementa é abaixo reproduzida, verificase que o entendimento do STF se consolidou no sentido de identificar receita bruta com faturamento, correspondendo este à venda de mercadoria e de serviços. Foi considerada inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta pelo parágrafo 1o, do artigo 3o da Lei 9.718/98, pelo fato de incluir todas as receitas independentemente da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil dos ingressos. (...) 30. Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, acima citado, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. 31. Neste diapasão, o Ministro César Peluso (fls. 1253 e 1254 do RE 346.084/PR) expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, assim entendido, como sendo a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa, in verbis: (...) 32. Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto afirmou (fl.1350 do RE 346.0846/PR) a identidade entre faturamento e receita operacional, sendo esta constituída por ingressos que decorram da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no artigo 2o, da Lei Complementar 70/91, in verbis: (...) 33. Assim, diante das manifestações dos Ministros do STF, é de se concluir que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade típica tem receita operacional, que corresponde ao faturamento ou receita bruta que a Lei Complementar no 70/91 e a Lei no 9.718/98 elegeram como base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. 34. Nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964, que veio dispor sobre a política e as instituições monetárias, bancárias e creditícias, criou o Conselho Monetário Nacional e deu outras providências, as instituições financeiras têm como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Eis o que diz a norma: “Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” 35. Assim, de acordo com o entendimento dos Ministros do STF, no que se refere às instituições financeiras, todo rendimento que decorra de qualquer uma destas atividades, estaria sujeito à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, por tratar de receitas típicas da atividade destas instituições. 36. Esse também é o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, consignado em seu Parecer PGFN/CAT/No 2773/2007, exarado em resposta à consulta efetuada pela Secretaria da Receita Federal, por intermédio da Nota Técnica Cosit no 21, de 28 de agosto de 2006, acerca da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz do acórdão do STF no Recurso Extraordinário 357.9509/RS, por meio do qual esse Tribunal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. 37. O referido Parecer adota o entendimento segundo o qual a jurisprudência do STF traduzse na tributação, pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, das Fl. 185DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 7 6 receitas operacionais, quais sejam: aquelas provenientes da atividade de exploração da empresa. Seguem abaixo transcritos excertos desse Parecer: “33. Com efeito, o conceito de serviços não se limita àqueles assim caracterizados na legislação e na doutrina especificamente bancárias, na qual as atividades das instituições financeiras, em geral, discriminadas entre operações bancárias (em síntese, relacionadas à intermediação financeira) e serviços bancários (estes, em síntese, relacionados à prestação direta de serviços pelas instituições a seus usuários, clientes ou não, e normalmente remunerados sob a forma de tarifas). 34. Cabe registrar que a conceituação de serviços para fins tributários não é tema de direito privado não se lhe aplicando, para fins exegéticos, os arts. 109 e 110 do CTN. Efetivamente, o art. 109 do CTN delimita com rigor a separação entre o direito tributário e o privado e o art. 110 trata das limitações inerentes à legislação tributária, no entanto, os institutos de direito privado não se confundem com os efeitos que as normas tributárias lhe atribuem. 35. Tal conceito (de serviços) compreende a totalidade das atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras em torno do seu objeto social legalmente tipificado – ou seja, compreendendo tanto as “operações” quanto os “serviços” bancários/financeiros, como caracterizado no item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS), firmado na Rodada Uruguai do GATT (1994) e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994. (...) 42. O mesmo é válido para o caput do art. 17 da Lei no 4.595, de 1964. Se não for possível entender que as atividades de coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e a custódia de valor de propriedade de terceiros são serviços, e que a natureza jurídica de instituições financeiras é a de prestadora de serviço, restará prejudicado também este dispositivo legal.” (grifouse) 38. O Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS, em seu item 5, assim dispõe: 5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: Serviços de seguros e relacionados com seguros i) Seguros diretos (incluindo coseguros): A) seguro de vida; B) outros seguros; ii) Resseguros e retrocessão; iii) Atividades de intermediação de seguros, tais com corretagem e agência; iv) Serviços auxiliares aos seguros, tais como consultoria, atuaria, avaliação de riscos e indenização de sinistros. Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hipotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 8 7 viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: A) instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); B) divisas; C) produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; D) instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; E) valores mobiliários negociáveis; F) outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública; c) (...)” (grifouse) (...) 48. Como pode ser observado, as receitas que integram a receita operacional da interessada são oriundas de operações típicas da atividade bancária, devendo, portanto, integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Dentre estas receitas deve ser excluída a referente à reversão de provisões operacionais, em virtude da previsão contida no inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. 49. Diante disso, não é de prevalecer a pretensão da interessada de tributar tão somente as receitas contabilizadas como RENDAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, já que, conforme já visto, assim como estas, as demais receitas operacionais também são oriundas da atividade típica da instituição. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 9 8 50. Também não deve prosperar a pretensão da interessada de excluir da base de cálculo das referidas contribuições as receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, bem como as oriundas da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central. 51. No que tange às receitas financeiras oriundas da aplicação de seu próprio capital de giro e de capital de terceiros, cabe esclarecer que dentre as atividades típicas de uma instituição financeira bancária se inclui a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do art. 17 da Lei no 4.595, de 31/12/1964. 52. Quanto à remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central, é de se observar que esta também é renda oriunda da atividade típica de uma instituição financeira. Os depósitos compulsórios são recolhimentos obrigatórios que as instituições financeiras fazem ao Banco Central de parte de suas captações em depósitos à vista, a prazo, de poupança e de garantias realizadas. Atualmente, são remunerados os recolhimentos compulsórios sobre recursos a prazo, sobre depósitos de poupança e a exigibilidade adicional sobre depósitos. O objetivo da remuneração dos recolhimentos compulsórios é a redução do custo de captação dos recursos pelos bancos, implicando menores taxas de juros cobradas nas operações ativas. Esta renda é contabilizada na conta RENDAS DE CRÉDITOS VINCULADOS AO BANCO CENTRAL 7.1.9.60.007, que compõe o grupo de receitas operacionais. Cabe observar que não obstante tratar de receita tributável, no período de apuração em análise não consta receita referente a tal rubrica, não tendo que se falar, portanto, em exclusão de receita que sequer foi computada na base de cálculo das contribuições. 53. Assim, considerando os valores da Receita Operacional (COSIF 7.1.0.00.008), da Reversão de Provisões Operacionais (COSIF – 7.1.9.90.008, hipótese de exclusão), e das Despesas de Captação (COSIF – 8.1.1.00.008, hipótese de dedução) constantes do BALANCETE GERAL anexado aos autos, foi por mim elaborada a planilha de fls. 125 a 127, na qual consta demonstrado que: • O valor da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 713.940,75; • A interessada efetuou recolhimento referente a este período no valor de R$ 725.999,50; e O valor recolhido a maior da Cofins referente ao mês 06/2000 corresponde a R$ 12.058,75 (valor original). Conclusão 54. Diante do exposto voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • INDEFERIR o pedido de sobrestamento do feito; • RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório da interessada no montante de R$ 12.058,75 (valor original); e • DEFERIR PARCIALMENTE o pedido de restituição em tela no montante de R$ 12.058,75 (valor original). Cabe salientar que neste processo de análise do PER/DCOMP nº 41733.80784.140705.1.2.045743, com alegado recolhimento a maior, em 14/07/2000, a título de Cofins (cód. 7987 COFINS ENTIDADES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS), atinente ao período de apuracã̧o 06/2000, referese a recolhimento efetuado pelo BANCO DE CRÉDITO Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.907782/201217 Acórdão n.º 3301005.503 S3C3T1 Fl. 10 9 REAL DE MINAS GERAIS S.A., empresa incorporada, em 01/09/2004, por BRADESCO LEASING S.A. – ARRENDAMENTO MERCANTIL. Com isso considerado e sem reparos na decisão ora recorrida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916643/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/04/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ) e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 13/04/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
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CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTARIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/04/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 43 /2 01 0- 42 Fl. 46DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ) e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida no ano de 2006, na qual a interessada visa compensar os débitos de COFINS, argumentando em síntese que tratase de sociedade civil de profissão regulamentada prevista na Lei 70/91, assim, podendo gozar de tal direito. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório sustentando em síntese, que o Contribuinte não teria demonstrado que existiria o débito a ser compensado e que mesmo supostamente existente tal crédito não faria jus, uma vez, que revogada o permissivo de compensação. Inconformado, apresentou Impugnação requerendo reforma, rebatendo todos os fatos argüidos no despacho decisório, sendo julgado pela DRJ com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/04/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.916643/201042 Acórdão n.º 3201004.574 S3C2T1 Fl. 48 3 ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei no 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão, o Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, requerendo reforma na preliminar, por entender: a) ocorreu homologacao tácita, pois, a decisao foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; E no mérito, requer: b) Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96 É o relatório. [Clique aqui para iniciar o Relatório] Voto Conselheiro Relator O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5o , da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. Fl. 48DF CARF MF 4 O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentá las. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Cívil, nos termos do voto do relator.” Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.916643/201042 Acórdão n.º 3201004.574 S3C2T1 Fl. 49 5 Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910764/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele Órgão, ressalvadas as contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 1301-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele Órgão, ressalvadas as contribuições previdenciárias.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 07 64 /2 01 2- 07 Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 702 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório USINAS SIDERURGICAS DE MINAS GERAIS S/A/ USIMINAS, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 514 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada para: • INDEFERIR a realização de DILIGENCIA e a juntada de novos documentos. • RECONHECER ao contribuinte o direito à utilização do Saldo Negativo de IRPJ AC 2009 no valor de R$ 57.686.978,68 na extinção dos débitos cadastrados nas DCOMP’s em litígio neste processo. • HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações constantes deste processo, mediante a utilização do direito de crédito acima reconhecido. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Tratase de DCOMP mediante utilização de pretenso crédito advindo de "Saldo Negativo de IRPJ” apurado no AC de 2009, no valor de R$68.058.855,71. Despacho Decisório da DRF 2. A DRF analisou o documento apresentado pelo contribuinte através do Despacho Decisório nº 024894881, emitido aos 03/07/2012 e anexado à fl. 472 deste processo. 2.1 Através deste documento a DRF não reconhece como válido o crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP, considerando a soma das antecipações indicadas na DCOMP e o IRPJ apurado na DIPJ. 2.2 Todas as antecipações do IRPJ indicadas na DCOMP – R$ 68.058.855,71 foram confirmadas, contudo, foram insuficientes para extinguir até mesmo o IRPJ apurado no período, no valor de R$ 107.870.590,82. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, (fls. 02 e ss) que aduziu os seguintes argumentos: 3.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade e a informação de inexistência de litígio judicial acerca do assunto. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 703 3 3.2 “O Despacho Decisório exarado pela DRF Belo Horizonte confirmou a consistência do saldo negativo de IRPJ registrado tanto nas DCOMP’s como na DIPJ”. No entanto, as compensações não foram homologadas uma vez que a DRF constatou pequena inexatidão material nas DCOMP’s transmitidas. Menciona que as informações constantes do Despacho Decisório não são suficientemente claras acerca da falta cometida, mas infere que não preencheu adequadamente as fichas referentes ao crédito, especificamente as fichas “pagamentos”, “estimativas compensadas” e “imposto de renda retido na fonte”. 3.2.1 Informa que consignou na DCOMP “apenas e tão somente, o limite do valor do saldo negativo a que teria direito, vinculandoo a algumas competências do ano calendário em que foi apurado”. 3.3 O manifestante esclarece que as antecipações do IRPJ do período têm origem em pagamentos no valor de R$ 21.556.627,89, compensações no valor de R$ 120.852.164,96 e IRF no valor de R$ 33.181.472,08. 3.3.1 Tece extensa argumentação acerca da verdade material, propugnando pela realização de diligência para a comprovação de eventuais créditos do contribuinte não apontados na DCOMP, invocando a sua retificação de ofício para regularização da falha cometida no seu preenchimento. Ilustra com acórdão do CARF. 3.4. Por fim, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a homologação integral das compensações declaradas. (...) 5. Em síntese, o impugnante se insurge quanto ao procedimento do fisco, argumentando que a totalidade das antecipações indicadas na DIPJ foi extinta através de pagamentos, compensações e IRF. Considerando as alegações apresentadas pelo impugnante e o litígio instaurado neste processo, o processo foi convertido em diligência, tendo em vista: • Que parte das antecipações do IRPJ em análise foi extinta, sob condição resolutória, em DCOMP’s ainda pendentes de análise. • A existência de auditoria fiscal em curso para o período em análise. 5.1 Considerando o acima descrito, amparada pelo art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, o processo foi convertido em diligência à DRF de origem para: a) Informar acerca da realização de auditoria fiscal no período em análise (AC 2009), e o reflexo desta possível auditoria na apuração do IRPJ AC 2009. b) Informar acerca do resultado da análise das compensações declaradas nas DCOMP’s de n.º 16631.84247.101209.1.7.042981, 08271.44988.310712.1.7.029515 e 38545.19299.310712.1.7.037546, atualmente em análise manual conforme telas da RFB. 6. Em atendimento ao solicitado pela DRJ, a DRF Belo Horizonte/MG elaborou a Informação Fiscal à fl. 503, onde, em síntese, esclarece: • Que a Auditoria Fiscal promovida junto ao contribuinte CNPJ 60.894.730/000105 resultou em novos valores para o IRPJ AC 2009. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 704 4 • Foi apurado o IRPJ no valor de R$ 62.943.966,25, dos quais foi deduzida a importância de R$ 35.013.989,75, quitado por meio do processo 15504.732231/201313. O valor restante foi lançado de ofício. • Não houve conferência quanto aos valores de IRF, antecipações mensais ou compensações; o Saldo Negativo de IRPJ apurado na DIPJ não foi alterado pela auditoria. 7. Acerca das DCOMP’s ainda pendentes de análise, a DRF informa, no documento à fl. 512: • Que as DCOMP’s de nºs 16631.84247.101209.1.7.042981, 08271.44988.310712.1.7.029515 e 38545.19299.310712.1.7.037546 foram integralmente homologadas e os débitos extintos pela compensação. Em julgamento realizado em 15 de outubro de 2014, 3ª Turma da DRJ/BHE, considerou procedente em parte a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 0261137, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRRF COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto, e que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação no período correspondente. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Havendo o contribuinte apresentado o PERDCOMP, em que se utiliza do mesmo crédito já desconstituído pelo auto de infração não há como homologar a compensação efetuada pelo contribuinte pela inexistência da liquidez e certeza desse crédito. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Desde que respeitadas as normas vigentes para a sua utilização, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados por aquele Órgão, ressalvadas as contribuições previdenciárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 705 5 A contribuinte apresentou recurso voluntário às efls. 549 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da manutenção da compensação declarada na DCOMP 24633.00550.291209.1.3.021215 (nov/09) na composição do saldo negativo de IRPJ formado no anocalendário de 2009. da manutenção dos pagamentos efetuados para a competência setembro/09 em virtude da parcela não homologada das DCOMPS 19415.51812.301009.1.3.038342 e 35083.39432.291009.1.3.028152 na composição do saldo negativo de IRPJ formado no ano calendário de 2009. da impossibilidade de se decotar, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, crédito tributário posteriormente constituído em Auto de Infração impugnado pelo sujeito passivo. Da Resolução 1301000.414 Os autos chegaram ao CARF e em 18/05/2017, o Colegiado entendeu, mediante resolução de fls. 653 e ss, por converter o julgamento em diligência, uma vez que o contribuinte veio informar em 17/02/2017, que: (i) a compensação declarada na DCOMP de nº 24633.0550.291209.1.3.021215, objeto do PTA nº 10680.911036/201123, no valor de R$ 2.641.688,90, já foi julgado pelo CARF, em que foi dado provimento parcial ao Recurso, sendo os autos devolvidos à DRF de origem, a qual procedeu à liquidação do julgado e extinguiu o crédito tributário constante no referido processo (doc. 1 e 2 da petição). (ii) os pagamentos via DARF efetuados não homologadas das DCOMPs nº 19415.51812.301009.1.3.038342 e nº 35083.39432.291009.1.3.028152, devem ser mantidos na composição do saldo negativo de IRPJ para o AC 2009, conforme quitação das respectivas guias. (doc. 3 da petição). Em 18 de abril de 2017, a Recorrente apresentou nova petição para informar que o PTA nº 10680.911036/201123 foi definitivamente julgado pelo CARF e o crédito tributário correspondente extinto, com a devida comprovação de quitação, emitida pela DRF competente (fl. 914). Portanto, a glosa não mais subsiste no tocante a DCOMP de nº 24633.0550.291209.1.3.021215, no valor de R$ 2.641.688,90, objeto do PTA nº 10680.911036/201123. Contudo, ainda encontrase pendente de julgamento o PTA nº 1600.720032/201342, em que houve uma redução de IRPJ apurada para o valor de R$ 6.017.387,50, referente a uma revisão de ofício no ano calendário de 2009. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 706 6 Assim, como o crédito de IRPJ discutido no PTA nº 1600.720032/201342 pode influenciar na higidez do saldo negativo aqui pleiteado, seja ratificando ou reduzindo, devese aguardar o desfecho do processo em referência. Dessa forma, aguardouse pelo final do PA 1600.720032/201342, cujo acórdão de Recurso Especial encontrase às fls. 661/683, onde o contribuinte, por voto de qualidade teve seu recurso negado provimento. Recebi os autos por sorteio em 13/06/2018. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 707 7 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BHE e intimada ao recolhimento do débito em 24/10/2014 (sextafeira), (AR à efl. 533), e apresentou em 25/11/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às efls. 549 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Tratase de processo de compensação decorrente de antecipações tratadas na DCOMP nº 17385.01989.160911.1.7.020068, as quais visam o aproveitamento de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2009, no valor de R$68.058.855,71. Segundo o Despacho Decisório, de efls. 472, não havia saldo negativo disponível para compensação. A DRJ, por sua vez, reconheceu o valor de R$ 57.686.978,68 do crédito tributário a título de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2009, conforme o seguinte: (i) a DCOMP de nº 24633.0550.291209.1.3.021215, no valor de R$ 2.641.688,90 não foi homologada pela DRF (objeto da análise no PA nº 10680.911036/2011 23). De acordo com a DRJ, este processo já foi apreciado pela DRJ/BHE, por meio do acórdão 0246.324, o qual manteve a não homologação promovida pela DRF. (ii) os pagamentos via DARF efetuados em decorrência da parcela não homologadas das DCOMPs nº 19415.51812.301009.1.3.038342 e nº 35083.39432.291009.1.3.028152 foram efetuados após a apresentação da DCOMP em análise, de modo que, naquela data ainda não poderiam compor o saldo negativo passível de compensação. Dessa forma, a DRJ recompôs a apuração da IRPJ para o período, excluindo as antecipações não confirmadas, de forma a computar apenas as antecipações confirmadas, com base nos documentos anexados ao processo. Desse modo, a DRJ identificou um saldo negativo de IRPJ para o AC 2009, no valor de R$ 63.704.366,18, conforme quadro abaixo: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 708 8 Contudo, constatou que o contribuinte foi submetido à procedimento de fiscalização no período de 2009, tendo o Fisco reduzido o saldo de IRPJ apurado pelo contribuinte por meio de lançamento de ofício, em trâmite no PA nº 10600.720032/201342. Como resultado, o saldo negativo de IRPJ apurado foi reduzido de R$ 27.929.976,50 para 6.017.387,50. Diante disso, a DRJ considerou que o saldo negativo que o contribuinte faz jus perfaz o valor de R$ 57.686.978,68 (resultado da diferença entre R$ 63.704.366,18 – R$ 6.017.387,50), homologando parcialmente as DCOMPs, nos limites do crédito reconhecido. Recentemente, tivemos aos autos as seguintes informações: (i) a compensação declarada na DCOMP de nº 24633.0550.291209.1.3.021215, objeto do PTA nº 10680.911036/201123, no valor de R$ 2.641.688,90, já foi julgado pelo CARF, em que foi dado provimento parcial ao Recurso, sendo os autos devolvidos à DRF de origem, a qual procedeu à liquidação do julgado e extinguiu o crédito tributário constante no referido processo (doc. 1 e 2 da petição). (ii) Foram julgados definitivos os autos do PA 1600.720032/201342, em que o contribuinte teve negado seu recurso especial, que tratava do lançamento de ofício no valor de R$6.017.387,50. Assim, resta agora a questão relativa aos pagamentos efetuados pela recorrente para a competência de setembro/09, em razão da não homologação das DCOMPs 19415.51812.301009.1.3.038342 e nº 35083.39432.291009.1.3.028152, na composição do saldo negativo de IRPJ (Darfs às fls. 587 e 589). Segundo a DRJ, a desconsideração de tais valores se deu em razão de que os pagamentos foram efetuados após a apresentação da DCOMP em análise, de modo que, naquela data, ainda não poderiam compor o saldo negativo. Ora, esse não é o meu entendimento. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 709 9 O recorrente, de início, apresentou DComps, que por sua vez não foram homologadas, e por essa razão, os quitou mediante pagamento, via DARF. 587 e 589 Se os fez mediante pagamento, clara está a liquidez e certeza do crédito, ainda que o pagamento tenha sido realizado posteriormente. Pois de certo que no momento de seu envio não havia tal óbice. Caso não reconheçamos tal direito, a Fazenda Pública estaria se aproveitando indevidamente de valores que não lhe pertencem. Cabe aqui um adendo, em que pese a DRJ não reconhecer estes pagamentos, em sua tabela elaborada à fl. 520, que faz parte do acórdão proferido, ele reconhece um dos pagamentos na composição dos valores, no valor de R$99.617,52, assim, entendo que esse valor compõe o saldo já reconhecido por ela. No que tange ao lançamento de ofício realizado posteriormente, no valor de R$6.017.387,50, em que pese o contribuinte tenha perdido em sede de recurso especial, verificase através do auto de infração, (fls. 1979/1981 do referido auto) que o valor de saldo negativo lá não foi utilizado, dessa forma, caso se impossibilite do recorrente de se utilizar desse valor, incorreria em dupla punição. Dessa forma, ainda que lá se tenha perdido o processo, o direito à compensação aqui permanece. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10680.910764/201207 Acórdão n.º 1301003.632 S1C3T1 Fl. 710 10 Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 710DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722903/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 29 03 /2 01 3- 10 Fl. 145DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2010, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.722903/201310 Acórdão n.º 3401005.443 S3C4T1 Fl. 146 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 147DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 159.013,96; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Após o despacho decisório, a DCTF foi retificada e ambas as declarações passaram a espelhar um mesmo débito, de R$ 3.419,58, com pagamento, em DARF de R$ 162.433,54, resultando em crédito de R$ 159.013,96, insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 282.877,42. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o pagamento de R$ 162.433,54 (sendo apenas R$ 159.013,96 disponíveis), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10680.722903/201310 Acórdão n.º 3401005.443 S3C4T1 Fl. 147 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
