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Numero do processo: 36980.004065/2006-89
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infincional. Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.647
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a)
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infincional. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado. Át Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3* Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). w40 JULIO s 1 IRA GOMES — Presidente LEON:00111r1 • PI LOPES - Relator parricip :_,411111r- •5 . -.ente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo si Lopes, Edgar Silva Vida! (suplente), Leôncio Nobre de Medeiros (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em face de João Mendes Sobrinho (Presidente da Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas — MG), por não ter contemplado na GFIP os dados correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8.2121/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5°. A infração ocorreu entre janeiro de 1999 e dezembro de 2000. O fundamento legal da multa aplicada foi o art. 284, inciso H, e art. 373, do Regulamento da Previdência Social. Inconformado com a autuação, o ora Recorrente apresentou defesa (fls. 27/40) intempestiva, alegando em síntese: a) decadência do direito de constituir o crédito; A Decisão/Notificação de fls. 45/49 julgou procedente o lançamento. Inconformado com a Decisão, foi interposto Recurso tempestivo (fls. 54/57), requerendo a reforma da Decisão, ratificando os termos argüidos em sua Defesa. Contra-razões as fls. 60/61, pugnando pela manutenção do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Sendo o recurso tempestivo, passo ao exame do seu mérito. PRELIMINARMENTE Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. 2 Processo e 36980.004065/2006-89 52-C3T2 Acórdão n.° 2301-00.647 Fl. 62 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. fRevoeado pela Lei n° 11.941, de 2009) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme previsão expressa do Código Tributário Nacional, em seu art. 106, alíneas "a" e "c", a Lei nova deverá retroagir e ser aplicada a ato ou fato pretérito, na hipótese de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo como infração, verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 11 - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a)quando deixe de defini-lo como infração; b)quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e tule tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c)quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - MULTA - RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, "C", DO CTN - 1-A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2- Agravo Regimental não provido.(STJ - AgRg-REsp 922.984 - (2007/0023457-2) - 7 T. - Rd Min. Herman Benjamin - DJe 11.03.2009 -p. 309) / 3 TRIBUTÁRIO - MULTA - ART. 61, DA LEI N°9.430/96 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEI mnvoR - 1- A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória 2- A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedando-se, conferir à Lei uma interpretação tão literal que confiite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3- , In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei n° 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplica-se a legislação vigente no momento da infração. 4- O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei n° 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5- A redução da multa aplica-se aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da ler mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6- Agravo regimental desprovido. (STJ - AgRg-Al 902.697 - (2007/0137134-1) - Rei Min. Luiz Fux - DJe 19.06.2008 - p. 153) TRIBUTÁRIO - PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - REDUÇÃO DA MULTA FISCAL - ART. 35 DA LEI 8212/91 E ART. 106,1!, C, DO CTN - APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR - ACÓRDÃO - CON7'RADIÇÃO - IIVEXISTÊNCL4 - CDA - REQUISITOS - APRECIAÇÃO - SÚMULA 7ISTJ - 1- Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2- Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3- Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4- No confronto entre duas normas, aplica-se a 4 Processo n° 36980.004065/200649 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.647 Fl. 63 regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5- Recurso especial parcialmente provido. (STJ - REsp 1.053.735 - (2008/0095239-0) - 7 T. - Rela Eliana Calmon - DJe 26.11.2008 - p. 1032) PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - REDUÇÃO DA MULTA - APLICAÇÃO DO ART. 106, "C", DO CTN - RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA - I- "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário NacionaL " (REsp 624.536/RS, Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2001 DJ 06.03.2007p. 248). 2- Recurso Especial não provido. (STJ - REsp 628.077 - (2004/0013099-0) - 2° 7'. - ReL Min. Herman Benjamin - DJe 17.10.2008 -p. 637) Entendo que há cabimento do ml. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Lei n° 11.941 de 2009, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a Lei n° 11.941, de 2009, deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracionaL Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o Presidente da Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas — MG na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente do art. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. Assim, em relação ao dirigente a referida Lei é, sem dúvida, mais benéfica; se antes a autuação era em nome do dirigente, após a vigência da Lei n° 11.941/09 não cabe tal autuação. Além do mais, a Lei n° 11.941/09 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o legislador pátrio por meio de Lei 2,V Ordinária, se é justo ou injusto nâo interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juízo de valor. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito CONCEDER- LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 29 rui • o de 2009 LEON 410H • r.íe,, • 1 . PES - Relator 41r,
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Numero do processo: 10580.010785/00-36
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Ausentes nos autos elementos capazes de demonstrar que a antecipação obrigatória foi extinta por meio de compensação com saldo negativo de período anterior, há de se negar o eventual direito creditório dela decorrente.
PAGAMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. ENCARGOS LEGAIS.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Sobre os referidos débitos incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE.
À evidência, o prazo estampado no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de reconhecimento de direito creditório, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado.
VARIAÇÃO CAMBIAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações, deveriam ser incluídas na determinação do lucro operacional, de acordo com o regime de competência (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º).
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, se submetem às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1301-001.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Ausentes nos autos elementos capazes de demonstrar que a antecipação obrigatória foi extinta por meio de compensação com saldo negativo de período anterior, há de se negar o eventual direito creditório dela decorrente. PAGAMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. ENCARGOS LEGAIS. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Sobre os referidos débitos incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de reconhecimento de direito creditório, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. VARIAÇÃO CAMBIAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações, deveriam ser incluídas na determinação do lucro operacional, de acordo com o regime de competência (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, se submetem às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.675 1 1.674 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.010785/0036 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.137 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2013 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente BANCO ECONÔMICO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Ausentes nos autos elementos capazes de demonstrar que a antecipação obrigatória foi extinta por meio de compensação com saldo negativo de período anterior, há de se negar o eventual direito creditório dela decorrente. PAGAMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. ENCARGOS LEGAIS. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Sobre os referidos débitos incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de reconhecimento de direito creditório, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. VARIAÇÃO CAMBIAL. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 07 85 /0 0- 36 Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.676 2 Nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações, deveriam ser incluídas na determinação do lucro operacional, de acordo com o regime de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, se submetem às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.677 3 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, cumulado com o de compensação, consubstanciados em crédito relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1999. A Delegacia da Receita Federal em Salvador, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados, emitiu Despacho propondo o encaminhamento do processo à Fiscalização (fls. 856/857). No referido Despacho consta indicação das inconsistências a seguir indicadas, apuradas a partir da análise empreendida: i) ausência de cômputo de multa nos recolhimentos realizados fora do prazo das estimativas referentes aos meses de janeiro a abril de 1999; ii) dedução na determinação da estimativa do mês de janeiro de 1999, a título de saldo negativo de IRPJ de exercícios anteriores, da importância de R$ 778.972,91, acrescida de atualização (R$ 588.747,72), cuja origem não restou comprovada; iii) existência de notificações relativas à restituição de IRPJ do exercício de 1989 (194.792,70 UFIR), cujo pedido de repetição foi efetuado por meio do processo nº 10580.001741/9883, que, à época, encontravase sob apreciação (esclareceu a Delegacia da Receita Federal em Salvador que o valor em questão seria destinado à compensação de ofício de débitos porventura existentes em nome da contribuinte, uma vez que no pedido de compensação integrante do processo nº 10580.001741/9883 não haviam sido indicados débitos passíveis de compensação); iv) inexistência de saldo negativo de IRPJ nos exercícios de 1995 a 1999 que pudesse ser destinado à compensação no exercício 2000. Tomando por base informações trazidas pelo setor de fiscalização, a Delegacia da Receita Federal em Salvador emitiu o Parecer de fls. 1.163/1.164, em que propôs a não homologação das compensações pleiteadas, haja vista a inexistência do crédito apontado para o encontro de contas. Por bem sintetizar os fundamentos que serviram de suporte para a proposição acima referenciada, reproduzo abaixo o Parecer em questão. BANCO ECONÔMICO S/A. comparece perante esta unidade da Secretaria da Receita Federal, fl. 01/02, apresentando pedido de restituição/compensação de débitos relativos a CSLL, IRPJ, PIS e COFINS, totalizado em R$ 23.438.715,59 (vinte e três milhões, quatrocentos, trinta e oito mil, setecentos e quinze reais, cinqüenta e nove centavos), com saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1999 e anteriores. Na oportunidade foram anexados Declaração que a instituição financeira em referência não efetuou compensações utilizando o crédito objeto do presente Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.678 4 processo, exceto o valor informado no Pedido de fl. 02 (docs. fl. 03); cópia do CNPJ e Estatuto Social (fls. 05 a 13); Atos do Presidente do Banco Central n°s 000352 e 000561 (fls. 17 e 18); procuração (fl. 20), balancetes mensais de cálculo do IRPJ e CSLL por estimativa referentes ao ano de 1999 (fls. 23 a 75); cópias de notificações que tratam de IRPJ a restituir, relativas ao exercício de 1989, com CNPJ diferentes, objetos também de outro processo de compensação formalizado sob o n° 10580.001741/9883 (fls. 76 e 77); DARF de recolhimento do IRPJ, código 2319, e CSLL, código 2469, referentes ao período de apuração de 05/99 a 12/99 (fls. 78 a 84); DCTF retificadoras do 1º ao 4º trimestre de 99 (fls. 85 a 430); DIPJ/2000 (fls. 431 a 511); cópia do Livro de Registro de Apuração da Contribuição Social, n° 09, referente a dezembro/99 (fls. 512 a 531); Pedidos de Compensação juntados em 02/2001 e 07/2001(fls. 534 a 547). Examinadas as declarações relativas aos anos de 95 a 99, fls. 548 a 810, com fim de identificar saldos negativos de IRPJ utilizados na compensação do próprio imposto devido em 1999, conforme ilustrado nos demonstrativos de fls. 23 a 48, foi verificado inexistência de valores de IRPJ a recuperar, dentre outras inconsistências, devidamente relacionadas no despacho de fls. 856 e 857, dando encaminhamento do presente ao Serviço de Fiscalização dessa DRF para diligência fiscal. Aberta diligência fiscal em 08/07/2004, conforme Termo de fl. 877, foram juntados os docs. de fls. 878 a 1.127, cujo exame revelou que a instituição financeira excluiu para efeito de apuração do lucro real, base de cálculo da CSLL anual e base de cálculo das estimativas mensais referentes ao ano calendário de 1999, variação cambial sobre NTNssérie A3, registrada à conta 7.1.9.60.007. Acrescenta que quanto aos juros calculados sobre as NTNssérie A3, contabilizados à mesma conta, foram excluídos apenas para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ, permanecendo na base de cálculo da CSLL (vide despacho de fl. 1128). Tendo em vista o despacho supra, para realizarmos o julgamento, foi solicitado ao SEFIS/DRF/SDR que especificasse o valor da base de cálculo do IRPJ referente ao ano calendário de 1999 (doe. fl. 1.152). Em resposta foi encaminhado tabela relacionando os valores que foram excluídos da base de cálculo do IRPJ e CSLL (vide doc. fls. 1.153) extraídos dos registros contábeis apresentados pelo interessado. Consultas revelam que não existe amparo legal para exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL dos valores lançados a título de variação cambial e juros sobre notas do Tesouro Nacional subsérie A3, conforme MP n° 185810, de 1999, art. 30 e reedições posteriores, MP n° 199112, de 1999, e reedições. Dessa forma, retirado o valor excluído indevidamente da base de cálculo do IRPJ, totalizado em R$ 1.565.618.126,99, conforme registrados nos demonstrativos de fls. 923 e 929, saldo da conta rendas de créditos vinculados ao Banco Central em 30/06/99 e 31/12/99, o Lucro real resultaria em resultado positivo de R$ 1.529.330.353,71, apurado conforme abaixo: FICHA 10B DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL INST. FINANCEIRAS DIPJ/2000 APURAÇÃO ANUAL Valor 01. Lucro Líquido antes do IRPJ 1.256.290.972,10 ADIÇÕES Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.679 5 02 A 12 13. Soma das Adições 3.902.307.852,83 EXCLUSÕES 16.() Lucros Div. Deriv. Invest. Aval. p/ custo de aquis. 352.489,68 17.() Ajustes por aumento valor de invest. Aval. p/ PL 8.190.214,59 20.() outras exclusões 1.108.143.822,75 21. Soma das exclusões 1.116.686.527,02 22 a 23 24. Lucro Real 1.529.330.353,71 Cabe acrescentar que a ficha acima foi recomposta com valores extraídos da DIPJ/2000, processada sob o n° 1085658, com cópia às fls. 718 e 719, exceto o valor da linha 20, assim considerado pela flagrante ilegalidade das exclusões realizadas, tal como acima especificado. Prosseguindo na análise, o resultado positivo apurado implicaria em IR de R$ 229.399.553,10 e adicional de R$ 152.909.035,37, portanto os valores recolhidos de IRPJ em 1999, código 2319, confirmados no sistema SIEFI, conforme docs. de fls. 1.155 e 1.156, foram insuficientes para liquidar o IRPJ devido no ajuste anual, inexistindo, portanto, saldo negativo a recuperar no exercício de 2000. Em conclusão, pelo exposto, inexistindo crédito na forma prevista pela IN SRF 21/97, alterada pela 73/97, revogada pela 210/2002, revogada pela art. 78 da IN SRF 460 de 18/10/2004, proponho a não homologação das compensações de fls. 02, 534, 538, 539, 860 e 867, cadastradas no sistema PROFISC conforme extrato de fls. 1.157 a 1.162, devendo o sujeito passivo ser cientificado do presente Parecer e intimado a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com o respectivos acréscimos legais. Na oportunidade acrescento que os valores do IRPJ devidos mensalmente seguem em cobrança através do processo 10580.0021241/9994. Com base no referido Parecer, o Delegado da Receita Federal em Salvador emitiu o Despacho Decisório de fls. 1.165, não homologando as compensações pleiteadas. Inconformada, a autuada interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 1.175/1.204), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que o Fisco não poderia alterar o resultado de períodobase já atingido pela decadência, ainda que tal resultado seja negativo; que, considerando que as DCTF de 1999 foram retificadas por meio do processo nº 10580.010976/0034, no qual estavam anexadas as bases de cálculo, o LALUR e a DIPJ, tendo sido proferido, em 26/12/2003, o Despacho nº 3.149/2003, que aprovou as retificações requeridas, outra conclusão não seria admissível senão considerarse que, ao deferir as alterações, tornaramse homologadas expressamente as bases de cálculo de 1999; que, quer pela ofensa à tipicidade cerrada (que imputou o fato gerador com base numa MP que trata de variação cambial, quando o procedimento está escorado em lei), quer por se tratar de nítida hipótese de isenção, deve ser afastada qualquer intenção de serem Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.680 6 adicionados, na determinação da base de cálculo do IRPJ, os juros que remuneram os títulos NTNA3; que não se conformava com a inclusão da multa e dos juros, uma vez que está sob regime de liquidação extrajudicial; que mesmo admitindo a caracterização de LUCRO decorrente da valorização dos títulos NTNA3, ao modificar a forma de registro da dívida do PROER, apuraria uma base de cálculo negativa para o IRPJ e para a CSLL; que, a título de esclarecimento, informava: a) que, relativamente à antecipação obrigatória de janeiro de 1999, foi utilizado o saldo negativo apurado na declaração de rendimentos do exercício de 1990, cujo valor foi objeto da notificação recebida somente em 19 de dezembro de 1994; b) que tal compensação se revelava matéria incontroversa, uma vez que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador já teria acatado tal pleito, conforme despacho decisório proferido nos autos do processo nº 10580.021241/9994; e c) que o processo administrativo nº 10580.021241/9994 tem por objeto a restituição de FINSOCIAL pago a maior e não a cobrança de eventuais parcelas complementares relativas às antecipações obrigatórias (alegou: “...o Fisco, desvirtuando o devido processo administrativo, indeferiu a restituição de FINSOCIAL, determinando a cobrança dos tributos mensais com base nas DCTF ORIGINAIS RETIFICADAS, AO ARREPIO DOS DÉBITOS CONTIDOS NAS DCTF RETIFICADORAS HOMOLOGADAS NO PROCESSO Nº 10580.010976/0034, como se fossem instrumentos hábeis para cobrança, já a DRJ, alterando o entendimento, determinou a cobrança com base nos pedidos de compensação, sobre os quais foram apresentados e deferidos os pedidos de desistência.” (GRIFO DO ORIGINAL). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, por meio de despacho (fls. 1.456/1.457), propôs a realização de diligência para que fosse verificado na contabilidade da contribuinte se havia registros de compensações de débitos de IRPJ com o suposto crédito correspondente ao saldo negativo do anocalendário de 1999, no período entre a retificação da DIPJ/2000 e o término da vigência da IN/SRF nº 21/97 (possibilidade de compensação sem requerimento). Em atendimento, foi produzido o Relatório de fls. 1.483, no qual resta consignado que a diligenciada não atendeu às intimações formalizadas, alegando, entre outras razões, que não havia sido cientificada do despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador. Assim, diante da ausência de elementos capazes de viabilizar as averiguações requeridas, o procedimento (diligência) foi encerrado. Às fls. 1.484, consta o seguinte despacho: Tendo em vista a falta de atendimento às intimações do SEFIS, mesmo depois da contribuinte obter cópia do processo, fls. 1476, evidenciando falta de interesse em esclarecer o solicitado pela DRJ, inviabilizando, deste modo, o cumprimento desta diligência pela fiscalização, sugiro o encaminhamento deste processo à DRJ para prosseguimento. (GRIFEI) A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 15 Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.681 7 13.276, de 26 de julho de 2007, pelo deferimento parcial dos pedidos veiculados pela Manifestação Inconformidade impetrada. O referido julgado restou assim ementado: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS SUPERIORES AOS DECLARADOS EM DCTF RETIFICADORA. INEXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. Devem ser homologadas as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido em favor da contribuinte, relativo à diferença entre os recolhimentos efetuados de estimativas IRPJ, no anocalendário 1999, e aqueles consignados nas DCTF Retifícadoras, considerados no cálculo do IRPJ anual, apurado em Auto de Infração. Demonstrada a inexistência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, indeferese o pleito da empresa para utilizálo na compensação de outros débitos. Por relevante, reproduzo o inteiro teor do resultado do julgamento na instância a quo. Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade para RECONHECER o direito creditório em favor da contribuinte, no valor original de R$16.580.222,00 (dezesseis milhões quinhentos e oitenta mil e duzentos e vinte e dois reais), correspondente à diferença entre os recolhimentos efetuados por meio dos DARF de fls.78/80 e o das estimativas efetivamente declaradas na DCTF Retificadora e consideradas no ajuste anual apurado no Auto de Infração formalizado no processo n° 10580.011897/200590 e para HOMOLOGAR a compensação dos débitos discriminados nos pedidos de compensação de fls. 02, 534, 538, 539, 860, ATÉ o LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (GRIFO DO ORIGINAL) Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1557/1.579), por meio do qual argumenta: que renova a argumentação trazida em sede de Manifestação de Inconformidade acerca da compensação da estimativa relativa a janeiro de 1999 com saldo negativo apurado na declaração de rendimentos do exercício de 1989; que é fato inconteste que as estimativas mensais, declaradas em DCTF, apuradas no período de janeiro/1999 a novembro/1999, sobretudo no que se refere à extinção de sua exigibilidade, configuram matéria totalmente estranha ao feito; que, relativamente ao saldo negativo, a questão se prende a um lançamento de ofício em revisão que carece de fundamentos jurídicos e fáticos, devidamente contestado e ainda pendente de decisão final vale dizer, sobre o qual inexiste certeza para a cobrança, motivo pelo qual nunca poderia obstar o reconhecimento da existência de saldo negativo de IRPJ no ajuste anual do respectivo anocalendário (1999) e o conseqüente direito à compensação pleiteada, conforme demonstrado às fls. 540/547; Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.682 8 que o próprio reconhecimento do direito à compensação de R$ 16.580.222,20 (valor resultante dos reparos efetuados no acórdão, com os quais já disse não concordar) é, por si só, a prova eloqüente de que as estimativas foram recolhidas a maior; que não é possível o acórdão aceitar a compensação apenas de uma parte das estimativas, utilizando como argumento para impedir a compensação do "saldo" (R$ 18.084.563,90), a existência de processo administrativo em que se discute exigência superveniente imposta pelo Fisco; que, em respeito ao princípio da eventualidade, na hipótese de serem superadas as questões até aqui explanadas e remanescerem débitos, salienta que não se conforma com a inclusão de multa e juros, uma vez que se encontra em regime de liquidação extrajudicial. É o Relatório. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.683 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Penso que se deve definir, em primeiro lugar, os contornos da lide. A contribuinte, por meio do documento de fls. 01, pediu restituição do montante de R$ 23.438.715,59, que, nos exatos termos do descrito no quadro 2 do formulário (MOTIVO DO PEDIDO), referese a “pagamento a maior do que o devido relativo à antecipação obrigatória de IRPJ, conforme declarado na DIPJ/2000...” . No DEMONSTRATIVO DO CÁLCULO DA RESTITUIÇÃO (Quadro 3 do formulário), a contribuinte indicou: (R$ 18.084.563,92) – valor devido de IRPJ Estimativa Mensal (R$ 342.447,99) – Juros moratórios até a data dos efetivos recolhimentos R$ 36.100.425,14 – Antecipações do IRPJ, realizada em 1999 R$ 736.570,05 – Atualização das antecipações até data da utilização R$ 778.972,91 – Crédito de IRPJ – Saldo negativo em períodos anteriores R$ 588.747,72 – Atualização do saldo negativo em períodos anteriores de IRPJ até a utilização em 1999 R$ 19.777.703,91 – Antecipação a maior do que a devida em 1999 (PRINCIPAL) Conforme demonstrativo de fls. 23, os montantes de R$ 778.972,91 e R$ 588.747,72 referemse, respectivamente, a saldos negativos de períodos anteriores e atualização, utilizados para compensar a estimativa relativa ao mês de janeiro de 1999. Cumulativamente, foi apresentado pedido de compensação no valor de R$ 9.360.952,71 (fls. 02). Posteriormente, outros pedidos de compensação foram aportados ao processo. Diante da constatação de inúmeras inconsistências, a Delegacia da Receita Federal em Salvador, por meio de Despacho (fls. 856/857), propôs a realização de diligência fiscal para fins de confirmação dos fatos apurados. Amparada nas averiguações promovidas por meio da Diligência Fiscal requerida, a Delegacia da Receita Federal em Salvador emitiu o Parecer/SEORT nº 431/2005 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.684 10 (fls. 1.163/1.165), no qual esclareceu que a contribuinte excluiu, para efeito de apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e da base de cálculo das estimativas mensais do anocalendário de 1999, variação cambial sobre NTN – série A3. Os juros calculados sobre referidos títulos foram excluídos, apenas, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda. Concluiu a referida unidade administrativa no sentido da inexistência de suporte legal para a exclusão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores relativos à variação cambial e aos juros sobre Notas do Tesouro Nacional – subsérie A3, conforme Medida Provisória nº 1.85810, art. 30, e reedições posteriores, e Medida Provisória nº 1.99112, de 1999, e reedições. Recalculando a base de cálculo do imposto de renda, a partir da desconsideração das exclusões promovidas pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Salvador concluiu pela inexistência de crédito no anocalendário de 1999, pois, diante do recálculo, o resultado final foi imposto a pagar. O Parecer/SEORT nº 431/2005 resultou na emissão de Despacho Decisório pelo Delegado da Receita Federal em Salvador (fls. 1.165). Cuidou, ainda, a Delegacia da Receita Federal em Salvador, de representar ao setor competente para que fossem averiguados os fatos descritos no Parecer/SEORT nº 431/2005 em referência (fls. 1.166). Cabe destacar que a Delegacia da Receita Federal em Salvador, de início, tratou o pedido da contribuinte, acertadamente, como recolhimento a maior no ano de 1999, eis que no Despacho de fls. 856/857 assinalou: Trata o presente processo do pedido de restituição do valor de R$23.438.715,59 ( vinte e três milhões, quatrocentos e trinta e oito mil, setecentos e quinze reais e cinquenta e nove centavos), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica recolhido a maior pela empresa supra qualificada durante o ano calendário de 1999. (GRIFEI) Contudo, no Parecer de fls. 1.163/1.165, a referida unidade recepcionou o pedido de restituição da contribuinte como se fosse relativo a saldos negativos do ano calendário de 1999 e de períodos anteriores, eis que nele registrou consignado: BANCO ECONÔMICO S/A. comparece perante esta unidade da Secretaria da Receita Federal, fl. 01/02, apresentando pedido de restituição/compensação de débitos relativos a CSLL, IRPJ, PIS e COFINS , totalizado em R$ 23.438.715,59 (vinte e três milhões, quatrocentos, trinta e oito mil, setecentos e quinze reais, cinqüenta e nove centavos), com saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 1999 e anteriores. (GRIFEI) A contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 1.175/1.204). Diante da interposição da defesa pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador decidiu converter o julgamento em diligência (Despacho DRJ/SDR nº 003, fls. 1.456/1.458), para que fosse verificado na contabilidade da requerente se havia registros de compensações de débitos de imposto de renda com o suposto crédito correspondente a saldo negativo do anocalendário de 1999, no período entre a retificação da DIPJ/2000 e o término da vigência da IN/SRF nº 21/97 (30 de setembro de 2002), caso em que referidas compensações deveriam ser discriminadas. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.685 11 Do Despacho acima referenciado releva destacar os seguintes elementos: i) o pedido de restituição (R$ 23.438.715,59) seria correspondente a antecipações recolhidas a maior do que a devida no ano de 1999 (principal no montante de R$ 19.777.703,91, atualizado até dezembro de 2000); ii) em virtude da Representação formalizada anteriormente, foi lavrado auto de infração (processo nº 10580.011897/200590), no qual foi apontada redução indevida do lucro real relativo ao anocalendário de 1999 em razão da apuração, entre outras infrações, da exclusão indevida da variação cambial e dos juros sobre as Notas do Tesouro Nacional – subsérie A3; iii) a contribuinte efetuou recolhimentos de estimativas por meio dos DARF no total de R$ 36.670.555,45, e declarou em DCTF retificadoras valores devidos de estimativa mensal de IRPJ, no anocalendário de 1999, no montante de R$18.084.563,92; iv) o valor de R$ 18.084.563,92 foi deduzido do IRPJ apurado como devido no ajuste anual demonstrado no Auto de Infração para fins de determinação do montante a ser lançado de ofício; v) a partir de tais conclusões, a contribuinte teria direito, a princípio, à parcela significativa do direito creditório pleiteado, correspondente a antecipações recolhidas a maior do que a devida nas DCTF Retificadoras; vi) considerando, porém, que até 30/09/2002 estava em vigor a IN/SRF n° 21/1997, que permitia a compensação de tributos da mesma espécie e mesma destinação constitucional, independentemente de requerimento, existia possibilidade de a contribuinte ter utilizado o suposto crédito de R$18.084.563,92 para compensar débitos subseqüentes de IRPJ de sua titularidade, no período da vigência da referida Instrução Normativa. Notese que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, acertadamente, aprecia o pedido de reconhecimento de direito creditório formalizado pela contribuinte como referente a PAGAMENTO A MAIOR de estimativas (antecipações obrigatórias) do anocalendário de 1999. A diligência fiscal requerida, contudo, foi inconclusiva, vez que a contribuinte não atendeu as intimações formalizadas (Relatório às fls. 1.483). A Decisão exarada em primeira instância assinala que, para compensar os débitos apontados nas Declarações de Compensação anexadas às fls. 538/539, a contribuinte utilizou, além do crédito de R$ 23.438.715,50 indicado no pedido de fls. 01, o montante de saldo negativo apurado na DIPJ/2000 no valor de R$ 18.084.563,90. Do referido ato decisório, extraio as seguintes conclusões: a) o valor correspondente à diferença entre os valores recolhidos a título de estimativas de IRPJ referentes ao anocalendário de 1999 e aqueles declarados na DCTF (retificadora) é passível de ser restituído ou utilizado para compensação com débitos do contribuinte relativos a tributos ou contribuições sob a administração da Receita Federal; Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.686 12 b) a compensação de parte do IRPJ devido por estimativa no mês de janeiro de 1999 com créditos de períodos anteriores não restou comprovada nos autos; c) a contribuinte deixou de computar a multa de mora por atraso nos recolhimentos das estimativas referentes aos meses de janeiro a abril de 1999; d) o saldo negativo apurado no ano de 1989 que teria sido utilizado para extinguir parcela da estimativa de janeiro de 1999, conforme decisão exarada em primeira instância nos autos do processo administrativo nº 10580.021241/9994 (acórdão DRJ/SDR nº 6.647, de 08 de março de 2005), foi utilizado para a compensação de débitos relativos aos períodos de apuração de 2002 e de 2003; e) são devidos a multa de mora e os juros de mora sobre o valores do IRPJ devido mensalmente por estimativa, vencidos e não pagos nos respectivos vencimentos; f) o saldo negativo de R$ 18.084.563,90, apurado na DIPJ/2000, é inexistente, vez que o acórdão nº 1511.853 da 1ª Turma de Julgamento daquela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, rejeitando a preliminar de decadência, manteve parcialmente o lançamento promovido nos autos do processo administrativo nº 10580.011897/200590, para considerar devido o IRPJ no montante de R$ 189.360.022,33; e g) o voto condutor da decisão de primeiro grau ainda assinala: Quanto à informação de que, em virtude dos "Fatos Novos de Alta Relevância" que dizem respeito à necessidade de adequação da sua contabilidade aos ajustes determinados pelo Banco Central do Brasil, e para fins de interrupção do prazo prescricional, a impugnante protocolou pedidos de restituição de todos os valores compensados no presente feito, cumpre informar que não será objeto de análise, por ser matéria alheia ao presente processo, cuja competência originária para apreciação é da DRF/Salvador. Com base em tais fundamentos, a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu o direito creditório no valor de R$ 16.580.222,00, correspondente à diferença entre os recolhimentos efetuados por meio de DARF e o montante das estimativas declaradas em DCTF (retificadora), e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Em apertada síntese, os limites da controvérsia instaurada no presente processo estão representadas pelas conclusões descritas nas letras “a” a “g” acima, e é contra elas que a contribuinte se insurge em sua peça recursal. Aprecio, pois, os argumentos expendidos pela ora Recorrente. COMPENSAÇÃO DA ESTIMATIVA DE JANEIRO DE 1999 A Recorrente reafirma que na determinação do valor da estimativa de janeiro de 1999 utilizou saldo negativo apurado na declaração de rendimentos do exercício de 1989. Diz que a compensação é matéria incontroversa, vez que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, por meio do acórdão nº 6.647/2005 (processo administrativo nº 10580.021241/9994) expressamente a admitiu. Alega que a própria decisão recorrida concluiu que o direito à restituição/compensação foi reconhecido. Sustenta que a afirmação constante na decisão de primeiro grau de que os débitos cuja compensação foi homologada não se referem à Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.687 13 parte da estimativa do mês de janeiro de 1999, mas, sim, a períodos de apuração de 2002 e de 2003, não resiste sequer ao exame da documentação acostada aos autos (DCTF retificadora). A afirmação a que faz referência a Recorrente, tomou por base análise empreendida no acórdão DRJ/SDR nº 6.647, proferido no processo administrativo nº 10580.021241/9994, juntado aos autos às fls. 1.485/1.494, e em cópias de algumas peças do referido processo (fls. 1.446/1.448). Do referido julgado, reproduzo os seguintes excertos: [...] 33. Quanto ao pedido de homologação da compensação, verificase que não há mais como fazer referência ao Pedido de fl. 01, ante o Pedido de Desistência formal apresentado pelo contribuinte em 12/11/2002 (fl.199), requerida em data de 11/11/2002, no prazo legal previsto para desistência (art. 1º da IN SRF n° 233, de 29 de outubro de 2002). 34. Assim, é oportuno observar que para efeito de compensação deverá ser considerado o pedido relativo à Declaração de Compensação de fls. 1077/1079 entregue pela interessada em 30/07/2003 em substituição ao de fls.202/204, uma vez que àquela data o pedido de restituição dos créditos encaminhado a SRF se encontrava pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação"( IN SRF n° 360, de 24 de setembro de 2003, em seu art. 4º) . 35. Em consonância com este mesmo entendimento, há que ser esclarecido ainda, que não se apreciará as razões pelas quais houve alteração nos valores relacionados no pedido de compensação de fl. 01, e, em decorrência, a retificação nas DCTF, porque os débitos ali discriminados já não são objeto do presente processo, não se relacionando ao litígio ora posto: a análise do pedido de restituição e a não homologação da compensação (fl. 1077). (GRIFEI) Às fls. 1.448 consta cópia do Pedido de Compensação, que constituiu a folha 01 do processo administrativo nº 10580.021241/9994 e que, de acordo com a decisão de primeira instância nele exarada, não foi objeto de apreciação em virtude de a contribuinte ter formalizado pedido de desistência. Observese que o pedido em questão trata, entre outras, de compensação de débito de antecipação obrigatória (estimativa) de IRPJ de janeiro de 1999. Correta, pois, à luz da documentação que serviu de suporte, a decisão de primeira instância no sentido de que não se pode acolher a pretensão da contribuinte. MULTA DE MORA SOBRE AS ESTIMATIVAS VENCIDAS Alega a Recorrente que na composição do valor recolhido a maior do que o devido foi trazida, apenas, a compensação da estimativa mensal apurada no mês de dezembro de 1999, isto é, os períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999 “sequer compõem a matéria tratada neste processo”. Equivocase a Recorrente. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.688 14 Com efeito, os próprios demonstrativos aportados ao processo pela contribuinte às fls. 23/75 demonstram que os pagamentos realizados a maior em outubro de 1999 objetivaram quitar, ao menos em parte, antecipações obrigatórias que já se encontravam vencidas. Referidos demonstrativos, inclusive, guardam inteira relação com o DEMONSTRATIVO DE IMPUTAÇÃO de fls. 831/833, onde encontramse devidamente detalhados os débitos, suas datas de vencimento, os pagamentos efetuados e os encargos legais cabíveis. Na linha do sustentado pela decisão recorrida, diante das disposições do art. 60 da Lei nº 9.430, de 1996, as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Tratandose, pois, de extinção de débito após o vencimento legal da obrigação, são aplicáveis as disposições do art. 61 do diploma referenciado no parágrafo anterior, abaixo transcritas. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1999 Argumenta a Recorrente que a questão se prende a um lançamento de ofício em revisão que carece de fundamentos jurídicos e fáticos, devidamente contestado e ainda pendente de decisão final. Diz que, em virtude de tal fato, o referido feito, objeto do processo administrativo nº 10580.011897/200590, não poderia obstar o reconhecimento da existência do saldo negativo em questão. Sustenta que o próprio reconhecimento do direito à compensação de R$ 16.580.222,20 é, por si só, prova de que as estimativas foram recolhidas a maior. Afirma que, na hipótese de vir a ser confirmado em decisão final, o auto de infração será objeto de cobrança final. De início, algumas considerações. O processo administrativo nº 10580.011897/200590 já foi objeto de decisão final, conforme acórdão nº 10196.514 da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, vez que o Recurso Especial impetrado pela Fazenda Nacional não foi conhecido Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.689 15 pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 910100.342, de 25 de agosto de 2009). Os referidos julgados restaram assim ementados: Acórdão nº 10196.514 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IRPJ PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei no 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário regese pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DECADÊNCIA Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Acórdão nº 910100.342 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de recurso especial de divergência, quando a decisão do acórdão paradigma não deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe foi dado pelo acórdão recorrido, mas ao contrário, convergem na mesma direção. O reconhecimento, pela Turma Julgadora de primeira instância, do direito à compensação de R$ 16.580.222,20, por sua vez, decorreu da efetiva constatação de PAGAMENTO A MAIOR das antecipações obrigatórias, não guardando relação, portanto, com o saldo negativo apurado ao final do período de apuração, que deriva, entre outras possíveis origens, da estimativa devida e recolhida nos termos da legislação de regência. Analisando o decidido pela Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes nos autos do processo administrativo nº 10580.011897/200590, verifico que o recurso voluntário impetrado foi provido, vez que foi acolhida a preliminar de decadência. A meu ver, na medida em que a questão de mérito impeditiva do reconhecimento do direito creditório representado pelo saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 não foi apreciada em segunda instância, eis que decretada, liminarmente, a caducidade do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, ela deve ser apreciada neste momento, única e exclusivamente como forma de aferir a liquidez e certeza do crédito utilizado nas compensações tributárias. Esclareço, primeiramente, que a análise da legislação que disciplina o instituto da compensação no âmbito tributário conduz a conclusões que demonstram de forma inequívoca que não se pode aplicar as normas relativas à constituição do crédito tributário ao instituto da compensação, senão vejamos: 1. o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a matéria, estabeleceu (art. 170, caput): a) que compete à lei autorizar a compensação; b) que a lei pode atribuir à autoridade administrativa poderes para estipular condições e garantias para que a compensação Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.690 16 seja deferida; c) que a compensação de débitos do contribuinte envolve, necessariamente, créditos líquidos e certos desse mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública; 2. a Receita Federal está autorizada pela lei a expedir instruções necessárias à efetivação da compensação (Lei nº 8.383/91, art. 66, parágrafo 4º); 3. a compensação submetese a procedimento homologatório, ainda que pela via tácita (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 2º e 5º); 4. o procedimento de homologação da compensação se submete a prazo, e o início de sua contagem se dá a partir do momento em que a compensação é requerida nos termos e condições estabelecidos pela lei (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 5º); 5. a não homologação da compensação pleiteada faculta ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade e eventual recurso, nos exatos termos do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafos 9º, 10 e 11); 6. a manifestação de inconformidade e o recurso eventualmente apresentados suspendem a exigibilidade do débito tido como indevidamente compensado nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional (Lei nº 9.430/96, art. 74, parágrafo 11, in fine); A legislação referenciada deixa fora de dúvida de que à COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA são aplicadas normas especiais no que tange à competência para a apreciação dos pedidos correspondentes, à necessária homologação dos citados pedidos, ao prazo para a efetivação da homologação e ao rito processual aplicável à matéria. Aceitar tese contrária, qual seja, a de que a aferição da liquidez e certeza do crédito indicado para compensação se submete à regra de decadência estampada pelo parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, significaria, em última análise, afastar, por desnecessária, a norma estampada no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Obviamente, tal entendimento não encontra ressonância na legislação de regência, eis que, como já disse, o instituto da compensação é regido por um conjunto próprio de normas, e, no que diz respeito a prazo para homologação, a regra não pode ser outra senão a prevista no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Recepcionada sob outra ótica, poderseia afirmar que o entendimento sob apreciação não afastaria, necessariamente, a aplicação do prazo previsto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que este seria aplicável à homologação da compensação e o previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN deveria ser observado na aferição da liquidez e certeza do crédito apontado para o encontro de contas. A meu ver, tal raciocínio revelase, da mesma forma, absolutamente equivocado, eis que não se pode admitir homologação de compensação sem que a certeza e liquidez dos créditos sejam aferidas, pois, do contrário, estarseá deixando de observar requisito imposto pela norma de regência (caput do art. 170 do Código Tributário Nacional). Em síntese: a homologação da compensação pleiteada pelo contribuinte está representada, em essência, pela verificação da certeza e liquidez dos créditos indicados no pedido. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.691 17 Em conclusão, penso que, não obstante o crédito tributário constituído a partir da Representação formalizada pela Delegacia da Receita Federal em Salvador tenha sido cancelado em razão do decurso do prazo decadencial, devemos nos debruçar sobre os fundamentos do Despacho Decisório de fls. 1.165, estampados no Parecer/SEORT nº 431/2005 (fls. 1.163/1.165). Neste particular, por entender que não é digna de reparo e por não ter os seus fundamentos contraditados por meio do recurso voluntário interposto no processo administrativo que cuidou do lançamento tributário (10580.011897/200590)1, acolho por inteiro as razões de decidir esposadas no acórdão nº 1511.853, proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, no sentido de julgar indevida a exclusão, na determinação do lucro real, da variação cambial sobre as Notas do Tesouro Nacional – subsérie A3. Reproduzo, abaixo, excertos do julgado em referência. [...] Variação Cambial das NTN A impugnante alegou que as NTN objeto da autuação terão seus vencimentos implementados no ano de 2024, por isso seria impossível estimar a taxa cambial em que se darão suas liquidações, e que toda e qualquer mutação decorrente do câmbio até o dia do vencimento e efetivo resgate seria mera expectativa de renda, ou de lucro ou de prejuízo. Desta forma, caso não fosse afastada a tributação da renda fictícia produzida pelas oscilações do câmbio flutuante ocorridas no câmbio em 1999, ela teria um efeito de confisco, e considerando que a empresa estava em processo de liquidação extrajudicial, não seria razoável que efetuasse um recolhimento apurado sobre meras expectativas de receitas provisórias, precárias, fictas e indisponíveis e, após dois meses o valor principal do imposto fosse considerado como recolhimento a maior do que o devido. Inicialmente, cabe frisar que é obrigação decorrente de preceito legal, inserido tanto na lei comercial como na legislação fiscal, a utilização do regime de competência no registro contábil dos fatos ocorrentes numa empresa. Consiste tal regime de escrituração na apropriação de receitas e despesas no momento de ocorrência desses eventos, independentemente do recebimento ou pagamento dos valores. No ano calendário de 1999, período base autuado, a legislação em vigor determinava expressamente que as variações monetárias ativas, em função da taxa de câmbio, deveriam ser tributadas como receitas financeiras de acordo com o regime de competência, conforme art. 375 do RIR/1999, abaixo transcrito: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no 1 O Relatório do acórdão nº 10196514 da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, prolatado nos autos do processo administrativo nº 10580.011897/200590, assinala que a contribuinte limitouse a reprisar, em sede de recurso voluntário, a argumentação expendida na peça impugnatória. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.692 18 pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º) Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Somente a partir de 1º de janeiro de 2000, foi alterada a forma de tributação das referidas variações monetárias, devendo ser considerada no momento da liquidação da correspondente operação, conforme estabelecido no art. 30 da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999, abaixo transcrito: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. Quanto à alegação de que a tributação segundo o regime de competência no período autuado teria efeito de confisco ou não seria razoável por estar a empresa em processo de liquidação extrajudicial, foge à competência da autoridade administrativa apreciar a arguição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, nos termos do art. 102 da Constituição Federal. A norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e constitucionalidade, cabendo a autoridade administrativa tãosomente zelar pelo seu fiel cumprimento, até que seja excluída do mundo jurídico por uma outra norma superveniente ou por resolução do Senado Federal, a partir de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) declarando sua inconstitucionalidade. Foi alegado, ainda, que os referidos títulos nunca permaneceram para negociação na carteira da impugnante, estando, sempre e ininterruptamente, vinculados ao BACEN, em garantia do PROER. Desta forma, a renda proveniente da variação cambial somente seria tributável após o real acréscimo patrimonial, face sua indisponibilidade jurídica e econômica. Tal entendimento estaria respaldado em resposta a consulta formulada ao BACEN, às fls. 574, onde foi esclarecido que os ganhos decorrente da variação cambial em foco seriam auferidos por ocasião do vencimento da aplicação, por integrarem o valor de face ou de resgate dos títulos, conforme Oficio do Banco Central do Brasil DEPAD/CONEP n° 99/0016, de 18/03/1999, às fls. 575. Além disso, o fato dos títulos estarem custodiados e vinculados ao BACEN para garantia da dívida por ela assumida, consistiria uma condição suspensiva, cujo implemento dependeria de evento futuro, qual seja, o pagamento da dívida, com a existência de saldo remanescente em seu favor. Assim somente com implemento desta condição poderseia exigir o tributo, pois somente então ocorreria o seu fato gerador. Conforme verificado em diligência fiscal, as NTN foram de fato vinculadas em garantia aos empréstimos concedidos pelo Banco Central do Brasil sob o amparo Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.693 19 do PROER, entretanto, os referidos títulos permaneceram na esfera patrimonial da impugnante, configurando assim a disponibilidade jurídica dos seus rendimentos. A característica essencial de uma garantia é a entrega voluntária do bem para guarda ou vigilância de terceiro, com o objetivo de prevenir os riscos da operação, e não a transferência de propriedade do bem ou de seus rendimentos. Os títulos, assim como seus rendimentos, somente deixariam de pertencer à impugnante no caso da execução da garantia pelo inadimplemento do empréstimo, o que ainda não ocorreu. Conforme já analisado, a legislação em vigor determinava expressamente que as variações monetárias ativas, em função da taxa de câmbio, fossem tributadas como receitas financeiras de acordo com o regime de competência, portanto, o pagamento da dívida não configura uma condição suspensiva à ocorrência do fato gerador do tributo, como pretende a impugnante. Diante do exposto, mantenho o lançamento fiscal referente à variação cambial incidente sobre as Notas do Tesouro Nacional (NTN), no valor de R$ 1.221.332.132,61. Despesa Financeira Não Contabilizada A impugnante alegou que no período autuado deixou de contabilizar parcela das despesas financeiras relativas aos contratos de mútuo celebrados junto ao Banco Central do Brasil sob a égide do PROER, e que tinham como garantia reais as NTN cujos rendimentos foram objeto de autuação. As despesas contabilizadas teriam sido calculadas com base na Taxa Referencial TR, quando deveriam ter sido calculadas nos moldes contratuais, ou seja, a remuneração dos títulos dados em garantia acrescido de 2% ao ano. Em decorrência, a despesa dedutível que teria deixado de ser contabilizada no período autuado totalizaria R$ 2.063.827.633,00. Desta forma, qualquer lucro que em tese tivesse sido auferido pela valorização dos títulos seria anulado pelo prejuízo decorrente da atualização da dívida por eles garantidos. Primeiramente, cabe observar que para efeitos fiscais a dedução de uma despesa dedutível é uma faculdade que compete ao contribuinte, nos termos do art. 377 do RIR/1999, e para exercer tal faculdade o contribuinte deve contabilizála e incluíla em sua declaração de rendimentos. A impugnante não pode pretender deduzir uma despesa quando ela própria não a reconhece como despesa em sua contabilidade. Somente para demonstrar os efeitos patrimoniais no caso em concreto, transcrevo matéria veiculada através do jornal Valor Econômico, em 3 de novembro de 2006: BC pode ter de pagar bilhões a donos de banco liquidado O Banco Central sofreu nesta semana uma importante derrota. A pedido do Ministério Publico, a Justiça da Bahia desbloqueou os bens dos controladores e exadministradores do Banco Econômico, entre eles Ângelo Calmon de Sá. Não há mais como recorrer. Os bens estavam bloqueados desde a intervenção no Econômico, em agosto de 1995. Como na época o patrimônio líquido do banco estava negativo em cerca de R$ 1,8 bilhão, imóveis e carros foram arrestados para cobrir eventuais prejuízos a credores ao final da liquidação. A ação de arresto havia sido proposta pelo próprio MP. Agora, no pedido de encerramento do processo, o MP criticou a lentidão da liquidação do Econômico e se baseou em balanços do banco que indicam equilíbrio entre ativos e passivos. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.694 20 Há, porém, divergências sobre os números do balanço. Na contabilidade apresentada pelo liquidante do Econômico até maio, foi utilizada a TR para corrigir a dívida da instituição com o Banco Central, conforme determina a Lei 8.177. Mas o BC entende que a Lei de Falências (6.024) permite a correção pelo custo das garantias neste caso, as NTNA3 (variação cambial mais 6% ao ano). Cabe observar, ainda, que a decisão da autoridade julgadora concentrase na análise do mérito e legalidade do procedimento do lançamento, que no caso concreto está focalizada na exclusão não autorizada na apuração do lucro real de rendimentos financeiros vinculados às Notas do Tesouro Nacional e na falta da adição da realização mínima do Lucro Inflacionário. A despesa financeira que teria deixado de ser computada na apuração do resultado não foi objeto da autuação, nem constituiu despesa necessária para obtenção dos rendimentos em litígio. Desta forma, deixo de acolher a referida argumentação INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS DE MORA Afirma a Recorrente que não se conforma com a inclusão de multa e juros, uma vez que se encontra em regime de liquidação extrajudicial. Embora o caso apreciado verse sobre processo de falência, tomo por empréstimo os argumentos expendidos pelo ilustre Conselheiro Antônio Bezerra Neto no acórdão nº 20311076, eis que, por analogia, os fundamentos ali esposados aplicamse à liquidação extrajudicial. No referido acórdão restou consignado: [...] Do cabimento de multa e juros contra a massa falida Argúi a impugnante o descabimento de multa de ofício e dos juros de mora, em face do que dispõem os artigos 23 e 26 do DecretoLei nº 7. 661, de 21 de junho de 1945 – Lei de Falências, bem assim das Súmulas nº 192 e nº 565 do STF. Reproduzemse os dispositivos invocados pela defendente: “Art . 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamadas na falência: (...) III – as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. (...) Art . 26 . Contra a massa não correm juros, ainda que estipulados forem, se o ativo apurado não bastar para o pagamento do principal. (g. n) Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.695 21 (...)” A respeito da matéria, o Supremo Tribunal Federal editou as Súmulas 192 e 565, que preceituam: “Súmula 192 – Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa. ” “Súmula 565 – A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência. ” Por outro lado, a Lei n 6.830, de 22 de setembro de 1980 – Lei de Execuções Fiscais, estabelece que: “Art . 5º. A competência para processar e julgar a execução da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata , da liquidação, da insolvência ou do inventário. (...) Art . 29. A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento. (...) Art . 31. Nos processos de falência, concordata, liquidação, inventário, arrolamento ou concurso de credores, nenhuma alienação será judicialmente autorizada sem a prova de quitação da Dívida Ativa ou a concordância da Fazenda Pública. (...)” Acerca da questão, assim se pronunciou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em Parecer de n 1.400/99: “Em assim sendo, tornouse pacífico nos tribunais pátrios que o dispositivo da Lei de Falências, analogamente aplicado ao da Lei nº 6.024/74 (art. 18, alínea ‘f’), não atinge os créditos, cuja cobrança é regida pela Lei das Execuções Fiscais, em cumprimento ao comando emergente do seu art. 29. ” A análise mais acurada dos preceptivos legais até aqui colacionados revela que, a rigor, não são eles de maior relevância para a hipótese dos autos, pois seus comandos regulam uma fase posterior à da constituição do crédito tributário, qual seja, a sua cobrança. A constituição do crédito tributário, cuja legitimidade se está a examinar na presente demanda, incluiu a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com amparo nos artigos 44, I, e 61, § 3º, da Lei nº 9 .430, de 27 de dezembro de 1996 c/c artigos 5º e 29 da Le i nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, não havendo nenhuma disposição legal que exima tais gravames do contribuinte com falência decretada. Em conseqüência, não poderia a autoridade fiscal autuante furtarse a aplicálos, ante o caráter obrigatório e vinculado de que se reveste o lançamento (art. 142, parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN). Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.696 22 Clara está, portanto, a imposição legal para a inclusão da multa de ofício e dos juros de mora na constituição do crédito tributário, independentemente da decretação da falência do contribuinte. Como já visto, o diploma legal de que se socorreu a impugnante não infirma este entendimento, vez que não se reporta à fase da constituição do crédito, e sim da sua cobrança, ocasião em que aí sim será discutida a exigência perante o juízo competente. Nem poderia ser diferente, pois, a priori, nada impede que se reverta o estado falimentar, antes do trânsito em julgado da falência, hipótese em que a Fazenda Pública não poderia exigir os acréscimos legais se já os houvesse excluído quando do lançamento. Por outras palavras, à autoridade fiscal cabe, por dever de ofício , nos termos do art. 142 do CTN, constituir, pelo lançamento, o crédito tributário em sua totalidade, não lhe sendo atribuída qualquer faculdade discricionária que lhe permitisse se abster de aplicar as penalidades aos dispositivos infringidos. Ao juiz, nos casos de falência, compete, por sua vez, habilitar os créditos reclamados contra a massa falida e, a í sim, nessa oportunidade, obstruir aquelas parcelas cujo seguimento fosse legalmente vedado. Apenas como argumento subsidiário, pois a recorrente não se subsume ao regramento da nova Lei de Falências, essa polêmica não mais subsiste, pois, com a edição da Lei n º 11. 101, de 2005, que, revogou o Decretolei nº 7.661, de 1945, vindo a regular a “recuperação judicial, deixou isso bem assente, conforme se verifica da redação de seus arts. 83 e 8 4, litteris: “Art . 83 . A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; II – créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado; III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; IV – créditos com privilégio especial, a saber : a) a c ) ... omissis ...; V – créditos com privilégio geral, a saber: a) a c ) ... omissis ...; VI – créditos quirografários, a saber: a) a c ) ... omissis ...; VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; VIII – créditos subordinados, a saber : a) e b) ... o missis .. .; § 1º a 4º... omissis .. . Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.697 23 Art. 84 . Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a: I a V. .. omissis ... ” Deixou, portanto, bastante assente a falta de qualquer impedimento legal a que sejam reclamadas, na falência, as multas tributárias, sejam as de ofício ou as de mora, devendo elas, apenas, obedecer à primazia de créditos de outras naturezas (créditos extraconcursais, créditos trabalhistas, com garantia real, tributários, com privilégios especiais, com privilégios gerais, e quirografários). Relativamente aos juros de mora , a dicção do art. 124 da mesma Lei n º 11.101, de 2005, é a seguinte, litteratim: “Art . 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados. ” Como se observa, tanto pela Lei 11.101/ 2005 quanto pela antiga Lei de Falências, a decretação de falência não impede que se cobrem juros de mora da massa falida, por isso que a sua exigibilidade ficará condicionada ao fato de a futura realização do ativo superar, ou não, o passivo da entidade (suficiência do ativo). A despeito de que as decisões judiciais não sejam vinculantes, vale realçar que as súmulas e os acórdãos trazidos a lume pela impugnante confirmam que os mencionados dispositivos da Lei de Falências referemse à fase de cobrança, e não à fase administrativa. Acerca da exigibilidade da multa de ofício e dos juros de mora no lançamento, assim se manifestaram a Câmara Superior de Recursos Fiscais e os Conselhos de Contribuintes: “FALÊNCIA – Multa de lançamento ‘ex officio ’ – A multa de lançamento ‘ex officio ’ é exigível de empresas falidas, sobre o imposto apurado em procedimento de ofício .” (Ac. CSRF nº 0101.187, sessão de 26/ 11/81) “IPI MASSA FALIDA ENCARGO S LEGAIS. I) MULTA E JUROS Integram o crédito tributário tendo a fiscalização o direito à exigência. Jurisprudência deste Colegiado. ” ( Ac. n 20300766, sessão de 19/10 /93) “ MULTA DE OFÍCIO. FALÊNCIA. A multa de lançamento de ofício deve ser aplicada às empresas falidas sobre o imposto apurado em procedimento de ofício, podendo ser excluída, apenas, em juízo, nos termos do art. 23 do Decretolei n 7.661/45 (Lei de Falências). ” ( Ac. n 10806212, sessão de 17/ 08/2000) (...) Na mesma linha, a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, em recente pronunciamento nos autos do processo administrativo nº 16682.720072/201065, assinalou: Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.698 24 [...] Nos autos do processo administrativo n° 19740.000573/200359, ao analisar exigência de CSLL pertinente ao anocalendário 2002, assim se manifestou o Conselheiro Maurício Prado de Almeida, consoante voto inserido no Acórdão n° 10321.849: MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Em relação à multa de oficio e os juros de mora, objeto do Auto de Infração de que trata o presente processo, o recorrente alega que pelo fato de se encontrar em regime de liquidação extrajudicial, os mesmos não poderão ser cobrados, fundamentadose no artigo 18, letras "d " e "f", da Lei n° 6.024, de 1974. Ratifico o entendimento do julgado de primeira instância, de que a multa de oficio de 75% e os juros de mora são previstos em lei, devendo ser aplicados quando em decorrência de autuação com apuração de valor recolhido a menor a titulo de CSLL. Segundo o já mencionado artigo 60 da Lei n° 9.430, de 1996, a partir de 1° de janeiro de 1997, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. E, relativamente à multa de oficio e aos juros de mora, aplicáveis às pessoas jurídicas, a legislação tributária não prevê nenhuma exceção para as empresas que se encontram em regime de liquidação extrajudicial. A Lei n° 6.024, de 1974, que dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, estabelece no artigo 18, letra "b", citado pelo recorrente, sobre a não fluência de juros, enquanto não integralmente pago o passivo. A mesma Lei n° 6.024/74 prevê no artigo 19 que a liquidação extrajudicial cessará, se os interessados, apresentando as necessárias condições de garantia, julgadas a critério do Banco Central do Brasil, tomarem a si o prosseguimento das atividades econômicas da empresa (letra "a") e, também, se decretada a falência da entidade (letra "d"). O DecretoLei n° 7.661, de 1945, dispõe no artigo 23, parágrafo único, inciso III, que "não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas." E, também, a Súmula do Supremo Tribunal Federal n° 192, estabelece que "não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Referindose à citada legislação, estabelecem os itens 30 a 32 do voto condutor do Acórdão desta 3ª Câmara n° 10320.994: Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.699 25 30. A Lei n° 6024/74, em seu art. 18, alínea "b", dispõe sobre a não fluência de juros "enquanto não integralmente pago o passivo", e o D.L. n° 7661/45, art. 23, III, estabelece que "não podem ser reclamadas na falência" as penas pecuniárias por infração de leis penais e administrativas. 31. Como se vê, a questão sobre a exigibilidade ou não das multas ou juros deve ser tratada na fase de execução, no foro competente, conforme bem ressaltado em julgado deste Primeiro Conselho, (Acórdão n° 10190.612) "verbis": "MULTAS E ENCARGOS As regras do art. 23, inciso III, do Dec.Lei 7.661, de 21/06/45, sobre exigência da multa de lançamento ex officio da massa falida e demais encargos financeiros somente devem ser examinadas na fase de execução, até mesmo porque o estado falimentar pode ser superado até aquela oportunidade." 32. A Súmula 192 do STF dispõe sobre a nãoinclusão de multa fiscal, com efeito de pena administrativa, no rol de créditos habilitados, em processo de falência, a evidenciar que a matéria deve ser enfrentada na fase de execução." Com base nos mencionados artigos 18 e 19 da Lei n° 6.024/74, artigo 23, parágrafo único,inciso III,do DecretoLei n° 7.661/45, Súmula do STF n° 192, e nas conclusões constantes dos itens 30 a 32 do voto condutor do Acórdão n° 10320.994, que ratifico, evidenciase que a questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio e dos juros de mora das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada.antes da realização da execução. Destarte, não cabe ao julgador declarar indevida a aludida exigência de multa e juros, quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. No âmbito deste 1° Conselho de Contribuintes, corroboram o aludido entendimento, além dos Acórdãos acima citados, também, dentre outros, os de nºs 10190.612,10321.055, 104 20.300, e 10706.135, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão n°10190.612 "MULTAS E ENCARGOS As regras do art. 23, inciso III, do Dec.Lei 7.661, de 21/06/45, sobre exigência da multa de lançamento ex oficio da massa falida e demais encargos financeiros somente devem ser examinadas na fase de execução, até mesmo porque o estado falimentar pode ser superado até aquela oportunidade. Acórdão n°10321.055 "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL ACRÉSCIMOS LEGAIS A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.700 26 não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução." Acórdão n° 10420.300 "LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL ACRÉSCIMOS LEGAIS A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira não exclui, do lançamento de oficio, a imposição de multa e juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase de execução." Acórdão n° 10706.135 "MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA É procedente a exigência de multa de oficio e de juros de mora no lançamento de oficio levado a efeito contra instituição financeira em fase de liquidação" A Câmara Superior de Recursos Fiscais igualmente confirma o aludido entendimento de exigibilidade da multa de oficio de empresas falidas, conforme Acórdão CSRF/010.187, cuja ementa transcrevo abaixo: Acórdão CSRF/010.187 "FALÊNCIA Multa de lançamento "exofficio" — A multa de lançamento "exofficio" é exigível de empresas falidas, sobre o imposto apurado em procedimento de oficio" O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva adotou este entendimento ao redigir os votos condutores dos Acórdãos n° 10321.942 e 10321.951, relativos aos processos administrativos n° 10768.001669/200351 e 10768.001668/2003 15, que veicularam exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao anocalendário 2001. 0 I. Conselheiro também invocou estas decisões para fundamentar o voto condutor do Acórdão n° 103 23.291, relativo ao processo administrativo n° 19740.000234/200615, que veiculou exigência de IRPJ pertinente ao anocalendário 2003. De forma semelhante posicionouse a Conselheira Sandra Maria Faroni, no voto condutor do Acórdão n° 110200.0085, que teve por objeto exigência de CSLL pertinente ao anocalendário 2003, formalizada nos autos do processo administrativo n°19740.000233/200671: A questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução. Tendo se configurado os pressupostos legais para imposição da multa por lançamento de oficio, não cabe ao julgador declarála indevida. E, recentemente, o Conselheiro Eduardo de Andrade manteve o mesmo entendimento nos votos condutores dos Acórdãos n° 130200.596 e 130200.597, ao apreciar exigências de IRPJ e CSLL pertinentes ao anocalendário 2004, formalizadas nos Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.010785/0036 Acórdão n.º 1301001.137 S1C3T1 Fl. 1.701 27 autos dos processos administrativos n° 19740.000006/200815 e 19740.000007/200851: (e) Aplicação de juros de mora e multa de oficio após decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira – Lei n° 6.024/74 – Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda. O art. 18, "d", da Lei n° 6.024/76 determina, como efeito da decretação de liquidação extrajudicial, que não fluem juros contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo. Tal norma, de alcance geral, passou a encontrar limite a partir de 1997, em face do art. 60 da Lei n° 9.430/96, que expressamente estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Assim, é correta a aplicação da multa de oficio de 75% e a fluência de juros Selic sobre o crédito constituído. Não há reparos a tais conclusões, motivo pelo qual expressase a divergência em face do voto do I. Relator, que propôs a exclusão da penalidade aqui aplicada. Em que pese o fato desses inúmeros julgados fazerem referência à multa de ofício, resta evidente que, com maior propriedade, o entendimento neles estampados aplicase, de igual forma, às multas moratórias. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10183.002675/96-99
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72.
Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais.
Negado provimento ao Recurso Especial.
Numero da decisão: CSRF/03-03.873
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.
Nome do relator: Paulo Roberto Cuco Antunes
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LANÇAMENTO - NULIDADE Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado(a) : MUTUM AGROPECUÁRIA S/A Sessão de : 04 DE NOVEMBRO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 PROCESSUAL. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do seu respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art. 11, IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Negado provimento ao Recurso Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. 5 ON PEREIRA RODm'IGUES PRESIDENTE eu t p //11 PS P. - ,o• I 0 e 1, PAUL() ROB,/ CUCO ANTUNES RELATOR FORMALIZADO EM: O 2 MAH 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MOACYR ELOY DE MEDEIROS; MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLL Processo n° : 10980.002675/96-99 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 Recurso n° : 301-124755 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Recorre a Procuradoria da Fazenda Nacional a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma do Acórdão n° 301-30.422, proferido em sessão do dia 07/11/2002, pela C. Primeira Câmara do E. Terceiro Conselho de Contribuintes, cuja Ementa, ora transcrita, retrata, em síntese, a decisão adotada, "verbis" "ITR NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É nula, por vicio formal, a Notificação de Lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial previsto em Em seu Recurso tempestivo a D. Procuradoria pretende a reforma do citado "decisum', trazendo como paradigma cópia do Acórdão n° 302-34.831, prolatado em 07 de junho de 2001, pela C. Segunda Câmara, do mesmo Conselho, que se colocou em posição completamente contrária. A Interessada apresentou contra-razões ao Recurso Especial de que se trata, pleiteando a manutenção do Acórdão recorrido. É o Relatório. 2 Processo n° : 10980.002675/96-99 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, Relator: O Recurso é tempestivo, reunindo os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O lançamento do crédito tributário que aqui se discute, constituído pela Notificação de Lançamento de fls. 06, está inquinado pela nulidade, uma vez que a referida Notificação foi emitida por processo eletrônico, não contendo a indicação do cargo ou função, nome e número de matrícula do chefe do órgão expedidor, ou de outro servidor autorizado a emitir tal documento. Com efeito, o Decreto n° 70.237/72, dispõe: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: IV --- a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula: É inquestionável que o lançamento tributário cuja notificação que o constituiu não guarde observância ao disposto no mencionado art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72 é nulo de pleno direito, devendo assim ser declarado, inclusive de ofício, pela autoridade competente ou pelo julgador administrativo, conforme o caso. Esse é o entendimento já ratificado por este Colegiado, através de copiosa jurisprudência, podendo-se citar, apenas como exemplo, os Acórdãos n°s. CSRF/03.150, 03.151, 03.153, 03.154, 03.156, 03.158, 03.172, 03.176, 03.182, dentre muitos outros. 3 Processo n° : 10980.002675/96-99 Acórdão n° : CSRF/03-03.873 Igualmente decidiu o PLENO desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão inédita realizada no dia 11/12/2001 quando, em julgamento do Recurso RD/102-0.804 (PLENO), proferiu o Acórdão n° CSRF/PLENO-00.002, assim ementado: "IRPF --- NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO --- AUSÊNCIA DE REQUISITOS --- NULIDADE --- VÍCIO FORMAL --- A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Lançamento anulado por vício formal." Para finalizar, também é certo que tal entendimento se coaduna com as determinações da própria Administração, como se depreende do Ato Deciaratório COSIT n° 002, de 03/02/1999 e da IN SRF n° 094, de 24/12/1997. Por tais razões e considerando que a Notificação de Lançamento do ITR apresentada nestes autos não preenche os requisitos legais, especificamente aqueles estabelecidos no art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72, não merecendo reparos o Acórdão recorrido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial aqui em exame. Sala das Sessões-DF, em 04 de novembro de 2003. PAULO RO:-1 O À TUNES RELATO" 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10930.005900/2003-57
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL
Exercício: 1999
Ementa:
Numero da decisão: 1802-000.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência em favor da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em virtude de conexão com o processo nº 10930.005878/2003-45, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Leonardo Lobo de Almeida
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência em favor da 3" Turma Ordinária da 1" Câmara da 1" Seção do CARF, em virtu& de conexão com o processo IV 10930.005878/2003-45, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. sidente - LEONARDO LOBO D LMEIDA Relator EDITADO EM: 2 8 JAN 2 0,fr Participararri da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Leonardo Lobo de Almeida, Nelso Kichel(Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Joao Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). Pmccsso n" 10930 005900/2003-57 SI-I ER Acái dZio n " 1802-00,158 Fl 2 Relatório Origina-se o presente processo em auto de infração (fls. 91/92) relativo multa isolada no percentual de 75% sobre o valor da CSLL devida por estimativa no ano- calendário de 1998, no valor de RS 34.617,36. A razão da autuação foi a verificação da omissão de rendimentos oriundos da atividade operacional da empresa com base em depósitos bancários sem a comprovação da origem dos iecursos. Em 22.12.2003, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 98/117), alegando, ern síntese, que: - a conta bancária objeto da 'fiscalização pertencia à AramOveis Indústrias Reunidas de Móveis Ltda, CNPJ: 78.343.647/0001-03, que foi incorporada pela Imprignante em 28/02/98, e que tal conta apresentou disparidades em razão da sucessora ter continuado movimentá-la; - apesar da conta estar devidamente contabilizada, a não coincidência entre datas e valores dos depósitos com os das respectivas notas fiscais, levou a autoridade fiscal a considerar os depósitos e saques da conta como de origem não comprovada, resultando, assim, no lançamento do 1PRJ, CSLL, PIS e CORNS e, ainda, multa isolada de 75% sobre eventuais diferenças mensais de IRPJ, tudo objeto do processo administrativo n.°10.930.005878/2003-45; - já houve o lançamento de CSLL acrescida de multa proporcional de 75% sobre a dita 'receita omitida' nos autos do processo supracitado, cuja cópia integral apresenta juntamente com a Impugnação e cujos termos requer sejam apreciados como impugnação ao auto de infração objeto do presente processo; - invalidade do lançamento da multa isolada, haja vista que sobre os valores utilizados já houve a aplicação de multa proporcional, cobrada juntamente com o IRPJ; - necessidade de interpretação sistemática dos incisos I e II do artigo 44 da Lei n.9.430/96, com os incisos I a IV do parágrafo único do mesmo dispositivo legal, sob pena da clausula penal ultrapassar o valor da obrigação tributária, o que configuraria verdadeiro confisco e bis in idem punitivo; - impossibilidade de aplicação de qualquer penalidade por infração cometida pela empresa incorporada, da qual é sucessora, conforme estabelece o artigo 132 do CTN e jurisprudência deste 1" Conselho; - todos os depósitos tributados foram contabilizados, debitando-se o banco respectivo e creditando-se a conta duplicatas a receber, cheques a depositar e outra conta bancos, cujos lançamentos são os únicos que não se originam em receitas declaradas por se tratarem de transferencias bancárias; Process() n" 10930.0059W/2003-57 si -TEo2 Acórdiio n" 1802-00158 H 3 - que os valores arrolados como 'omissão de receita' não representam mais que 5,24% de toda a sua receita bruta declarada e correspondem Aqueles créditos a receber de grande dificuldade, considerando ser injusta a exigência de que todos os depósitos correspondessem exatamente a determinada duplicata; e - que os lançamentos efetuados da forma como o foram são inválidos pot total impropriedade técnica em sua apuração e falta de previsão legal. A l a Turma da DIU em Curitiba - PR acordou (lis. .304/322), por unanimidade, em rejeitar as preliminares argüidas de decadência e de nulidade do lançamento por incabíveis e, no mérito, considerar parcialmente procedente a ação fiscal, reduzindo a multa de oficio isolada da CSLL, de R$ 34.617,36 para RS 23.078,24, cm face da retroatividade benigna, sob a égide dos seguintes argumentos: que o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4", do CTN so é aplicável quando não houver lei especifica sobre a hipótese, o que não ocorre no presente caso. A teor do estabelecido no artigo 195, 1, da CRFB, deve-se aplicar o prazo prescricional estabelecido no artigo 45 da Lei n." 8.212/91, ou seja, de 10 anos, a contar cio exercício seguinte Aquele em que os respectivos créditos poderiam ter sido constituídos; - que só se pode cogitar da nulidade de auto de infração quando lavrado or pessoa incompetente, eis que quaisquer irregularidades, incorreções e omissões podem ser sanadas quando resultarem prejuízo ao sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa; - existência de jurisprudência consolidada deste Primeiro Conselho e do Superior Tribunal de Justiça no sentido da possibilidade de cruzamento de dados refetentes arrecadação de CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos; - a existência de depósitos bancários não escriturados por mais que não seja prova de aferição de rendimento ou receita, constitui indicio de provável existência de lucro omitido à tributação. Tal indicio converte-se em comprovação de renda se o contribuinte não explica a origem da disponibilidade econômica.. Dessa forma, tem-se que os lançamentos fiscais não foram efetuados sobre os depósitos bancários, mas sim sobre os rendimentos omitidos à declaração; - o lucro real é apurado na escritut ação contábil abatendo-se das receitas os custos e despesas que lhe são correspondentes, ou seja, o pressuposto é de que todos os custos e despesas incorridos tenham sido apropriados contras as receitas declaradas, ficando margem apenas a receita omitida. A existência de omissão de custos e despesas pressupõe redução de tais valores da receita sonegada, no entanto tais valores podem implicar em nova omissão no registro de receita; - o artigo 44 da Lei n." 9430/96 estabelece que a multa de oficio seja calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo, o que não se confunde corn o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Isto porque, na sistemática anual de apuração do tributo ou contribuição social, há detenninacão legal de recolhimento, por estimativa, a titulo de antecipação, do imposto ou contribuição, de forma que a multa isolada vem justamente punir a falta ou insuficiência de recolhimento da estimativa - a multa isolada incidente sobre o valor das estimativas não recolhidas ou sabre a insuficiência de recolhimentos mensais visa a dar efetivada à norma legal que exige as 3 L.,/ P rocesso n" 10930 005900/2003-57 S1-TE02 Acõrdüo n° 1802-00.158 Fl 4 antecipações mensais de IRPJ e CSLL, quando a empresa, por exclusiva iniciativa, adota a sistemática de apuração anual do lucro; - a presunção legal de omissão de receitas, prevista no artigo 42 da Lei n."9430/96, por depósitos bancários fundamenta-se não na falta de escrituração da conta bancária, mas sim na ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados.. No caso, as notas fiscais e duplicatas apontadas como origem dos depósitos bancários foram pagas ou no ano anterior, ou no próprio ano do depósito, porém em montante menor que o afirmado, motivo pelo qual houve o lançamento; ausência de prova quanto ao fato da relação percentual entre a omissão de receita apurada e o total da receita bruta derivar de créditos a receber de grande dificuldade; - numa interpretação isolada, literal, verbal, gramatical, lingüística, semântica, filológica do artigo 132 do CTN não seria cabível a exigência de multas dos sucessores. No entanto, considerando-se uma interpretação sistemática do artigo 132 com o 129, ambos do CTN, tem-se que o artigo 132 refere-se apenas ao credito tributário, não excluindo a responsabilidade pelas multas; - se houvesse a intenção do legislação em eximir a sucessora da responsabilidade por infrações, certamente haveria disposição expressa neste sentido, como ocorre no caso da denúncia espontânea; e - redução da multa isolada ao percentual de 50%, em razão do disposto no artigo 18 da Medida Provisória n." 303/2006, cc. artigo 106, II, "c", do CTN (retroatividade benigna). Devidamente cientificado, o recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 338/377), pretendendo A. reforma da decisão recorrida, reportando-se ao argumentos aduzidos na Impugnação, além de ressalatar que: - em sendo o IRPJ tributo sujeito ao lançamento por homologação, deve-se aplicar o disposto no artigo 150, §§ 1° e 4', do MN, estando, portanto decaídos os lançamentos efetuados no período anterior a dezembro de 1998, em razão de ter sido a recorrente notificada do lançamento em dezembro de 2003; inaplicabilidade do artigo 45, I, da Lei n.°8212/91, por cuidar esta do prazo para lançamento de oficio.. Assim, em sendo a CSLL, PIS e COFINS tributos sujeitos a lançamento por homologação, aplicável h hipótese o artigo 150, § 4' do CTN; - impossibilidade de lei ordinária vir a dispor sobre prescrição e decadência, sendo tal matéria reservada A lei complementar; - impossibilidade de exigência da multa de oficio A sucessora, sendo este o posicionamento d Câmara Superior de Recursos Fiscais; e os valores sujeitos A multa isolada foram lançados pela multa proporcional cobrada juntamente com o IRPJ, o que demonstra o caráter confiscatório e arbitrário de sua aplicação, 4 Pt ocesso n" 10930.005900/2003-57 SI-TE02 Acórdlio n." 1802-00.158 Fl 5 Importante registrar que o Recorrente, em 10/04/2007, requereu a anulação do arrolamento de bens, em razão das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (ADI 1976/DF e ADI 1922/DF), sendo seu requerimento indeferido sob o fundamento de no estar ainda formalizada a decisão do STE o relatório, 5 Processo n" 10930 005900/2003-57 S1-T02 Acárclilo n." 1802-00.158 Fl 6 Voto Conselheiro Relator Leonardo Lobo de Almeida, Relator 0 recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. De plano, importante salientar no que tange ao arrolamento de bens corno condição de admissibilidade do recurso, não há o que prover, pois essa exigência não mais se aplica no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal após a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.976-7, publicada no DOU de 5 de junho de 2007. Como visto, trata o pi esente processo de autuação para exigir multa isolada por não recolhimento da CSLL em regime de estimativa nos meses de janeiro a abril de 1998 e setembro a novembro de 1998. Dentre os diversos argumentos apresentados pelo contribuinte no Recurso Voluntário interposto, tem-se que o objeto principal do recurso é a possibilidade ou não da aplicação cumulativa da multa proporcional com a multa de oficio.. Isto porque, conforme se verifica dos documentos de fls. 165/167, foi lavrado Auto de Infração constituindo crédito de CSLL, em razão da constatação de omissão de receita, no valor de R$ 97238,72, valor este acrescido de juros de mora e de multa proporcional. Importante registrar que o referido Auto de Infração é objeto do processo administrativo n.° 10930.00587812003-45, que está pendente de julgamento pela 3" Turma Ordinária da 1" Camara desta 1" Seção do CARE. Neste sentido, considerando-se que o processo administrativo que trata do crédito de CSLL, acrescido de juros e multa proporcional, encontra-se pendente de julgamento, pertinente é a reunião dos feitos, procedendo-se ao julgamento simultâneo dos mesmos. Diante do exposto, entendo, com base no principio da economia processual e com objetivo de evitar decisões conflitantes, a remessa do presente à 3" Turma Ordinária da I" Camara da 1" Seção do CARF par a julgamento simultâneo do presente processo corn o de n.° 10930.005878/2003-45, de relatoria do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Relator Leonar obo-cle 1 eia 6
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001110/2008-00
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOII/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 11 10 /2 00 8- 00 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 13736.001110/200800 Acórdão n.º 2801002.707 S2TE01 Fl. 43 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. O lançamento foi considerado procedente, conforme Acórdão de fls. 28/32, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Regularmente cientificado daquele acórdão em 12/09/2008 (fl. 34), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 35/36, em 09/10/2008, no qual sustenta que, de acordo com a Lei Federal nº 8.852/94, em seu art. 1º, inciso III, o imposto de renda não pode incidir nas seguintes parcelas dos vencimentos dos Militares/Servidores Civis Três Poderes (e ainda, Estadual e Municipal): gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Do exame das peças processuais, constatase que o litígio cingese à discussão acerca da interpretação da Lei nº 8.852, de 04/02/1994, especialmente no tocante à tributação de valores (rendimentos) recebidos pelo interessado no anocalendário 2006, sobre os quais sustentou em sua defesa que não deveria incidir o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Ocorre que, da análise da referida legislação, inferese claramente que as alíneas “a” até “r” do inciso III, do art. 1°, da Lei n° 8.852/94, tratam de exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, ou seja, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 13736.001110/200800 Acórdão n.º 2801002.707 S2TE01 Fl. 44 3 Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1°, da Lei n° 7.713, de 1988. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Logo, é de se considerar acertado o lançamento em tela. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN
score : 1.0
Numero do processo: 10831.007370/99-80
Ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 17/09/1992 a 17/08/1993
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. REGIME DE DRAWBACKSUSPENSÃO.
DESCUMPRIMENTO.
No regime de drawback suspensão o prazo decadencial só se inicia no
primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do tennino do regime.
Decadência que há de ser afastada. Notificação do contribuinte antes do
transcurso do prazo de cinco anos.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-00.8470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo
Cardozo Miranda, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a
Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 17/09/1992 a 17/08/1993 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. REGIME DE DRAWBACKSUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO. No regime de drawback suspensão o prazo decadencial só se inicia no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do tennino do regime. Decadência que há de ser afastada. Notificação do contribuinte antes do transcurso do prazo de cinco anos. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 17/09/1992 a 17/08/1993 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. REGIME DE DRAWBACK- SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO. No regime de drawback suspensão o prazo decadencial só se inicia no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do tennino do regime. Decadência que há de ser afastada. Notificação do contribuinte antes do transcurso do prazo de cinco anos. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoff nann. Susy es Hof ann - Redatora Designada EDITADO EM: 15/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez LOpez, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão da Terceira Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, acolheu a prejudicial de extinção do prazo para exigir os tributos incidentes sobre a operação de importação realizada pelo regime especial aduaneiro Drawback modalidade suspensão, mediante os Atos Concessórios (AC's) 1909- 92/195-1 e 1909-92/236-2. Sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional, ora Recorrente, o cabimento de seu recurso especial, eis que a decisão recorrida deu interpretação divergente a lei tributária, conforme acórdão paradigmas prolatados por esta própria Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/03-03.379 e Ac CSRF/03-03.380), restando portanto observado o disposto no artigo 7 0 , inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recurso Fiscais do extinto Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. No mérito alega que não ocorreu a extinção do direito da Fazenda Pública lançar os tributos aduaneiros, eis que o inicio da contagem do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do CTN, ocorreu em 1° de janeiro de 1995 e o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 10/12/1999. Requer a Recorrente que seja dado provimento ao recurso, determinado-se o retorno dos autos a uma das Câmaras da Terceira Seção deste Conselho de Contribuintes para a análise das demais razões de mérito. 0 recurso foi admitido pela ilustre Conselheira Presidente da extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Dra. Anelise Daudt Prieto, conforme despacho de fls. 5.193/5.195 dos autos. Devidamente intimado, o contribuinte, ora Recorrido, apresentou contra- razões ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, sustentando a improsperabilidade do lançamento e por conseguinte a manutenção da decisão recorrida. o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do recurso especial do contribuinte, eis que tempestivo e, a meu ver, a divergência jurisprudencial que justifica o seu cabimento encontra-se demonstrada nos votos indicados no paradigma,. Veja-se neste sentido o contido no voto As fls. 5189, integrando-a com o consignado As folhas 5187/5188. 2 Processo n° 10831.007370/99-80 Acórdão n.° 9303-00.470 CSRF-T3 Fl. 5.247 Conforme já me manifestei no voto que proferi no julgamento do Recurso n° 302-124952, Processo n° 180831.009686/00-30, em que é parte o ora Recorrido, ao contrário do entendimento do acórdão recorrido, não há que se falar em prescrição do credito da Fazenda Nacional e nem de sua suspensão, por conseguinte, em razão do Ato Concessório. Também, como já manifestei, não assiste razão ao Recorrente, a meu ver, quanto a contagem do prazo para a constituição do credito tributário, segundo a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. 0 art. 153, I, da Constituição outorga à Unido a competência para instituir imposto sobre importação de produtos estrangeiros, estabelecendo, por seu turno, o art. 19 do Código Tributário Nacional, ter referido tributo como fato gerador a entrada de produtos estrangeiros no território nacional. 0 art. 1° do Decreto-lei n.° 37/66, que institui o imposto de importação, assim descreve sua hipótese de incidência: "0 Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional." Como é sabido, muito se discutiu na doutrina sobre o real e efetivo alcance da expressão "entrada no território nacional", consagrada como fato gerador do imposto de importação, ou seja, como situação necessária e suficiente ao surgimento da respectiva obrigação tributária, conforme definição do art. 114 do Código Tributário Nacional ("CTN"). De um lado situa-se corrente de índole objetiva, à qual se filiam, entre outros, SEBASTIÃO DE OLIVEIRA LIMA e OSIRIS DE AZEVEDO LOPES FILHO, e que entende ser o mero ingresso fisico da mercadoria no território nacional suficiente para caracterizar a ocorrência do fato gerador do tributo, "(..) antes não dependendo para sua configuração de manifestação de vontade a ser realizada pelo importador, acerca de sua destinação, através da Declaração de Importação"I Do outro lado está a corrente finalistica ou teleológica, a qual se filia HAMILTON DIAS DE SOUZA, que considera a mera entrada fisica de mercadoria no território nacional insuficiente A. ocorrência do fato gerador antes pressupondo, para seu aperfeiçoamento, uma finalidade de consumo, de incorporação do bem importado à economia nacional. Assim, para aqueles que sustentam consistir a mera entrada fisica fato gerador do tributo, a simples entrada de mercadoria destinada a regime aduaneiro especial já seria suficiente à constituição em termos definitivos da obrigação tributária do imposto de importação, com a conseqüente determinação do quantum do imposto que seria devido não fora a concessão de referido regime. Desse modo, a concessão do regime especial, para essa corrente, reveste natureza de uma causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, que apenas se tornaria exigível, uma vez cessada a causa de suspensão. Para esta corrente, a evidência da constituição da obrigação tributária na entrada de bem, ainda que sob regime aduaneiro especial, estaria no art. 72 do Decreto-lei n.° 37/66, segundo o qual "(..) as obrigações fiscais relativas a mercadoria sujeita a regime aduaneiro especial serão constituídas em termo de responsabilidade", acrescentando o § 2° do 9Vi apud SEBASTIÃO DE OLIVEIRA LIMA, 0 fato gerador do imposto de importação na legislação brasileir , São Paulo 1981, 50-51. 3 mesmo artigo que "o termo de responsabilidade é titulo representativo de direito liquido e certo da Fazenda Nacional com relação as obrigações fiscais nele constituídas". Com efeito, o termo de responsabilidade para esta corrente tratar-se-ia, pois, do próprio ato administrativo de lançamento, eis que formalizaria a exigência do crédito tributário que, no entanto, teria sua exigibilidade suspensa por força da concessão do regime, e, no caso de não serem atendidas suas condições, tornar-se-ia imediatamente exigível. Tal entendimento, com o devido respeito, afronta o artigo 142 do CTN. inquestionável que o imposto de importação tem como fato gerador a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, como categoricamente afirma o art. 1' do Decreto-lei n.° 37/66. Todavia, dispõe o art. 23 que "quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o art. 44". E o art. 44 do Decreto-lei n.° 37/66 estabelece que: "Toda mercadoria procedente do exterior, por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada et repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento". Portanto, conquanto a lei prescreva a obrigatoriedade de submissão a despacho aduaneiro de qualquer mercadoria de procedência estrangeira entrada em território nacional, apenas quando do despacho para consumo que a lei considera surgir a obrigação tributária, eis que é nesse momento que exige a determinação do valor do imposto. Donde resulta que não é toda e qualquer entrada (que sempre será submetida a despacho aduaneiro) que é determinante para o surgimento da obrigação tributária, mas exclusivamente as entradas cuja destinação é o consumo. Isto porque, em se tratando de um imposto que grava o consumo no Brasil de mercadoria de procedência estrangeira, somente se manifestará a capacidade contributiva do contribuinte (importador) quando o mesmo tiver praticado operação de que resulte na aquisição do mesmo para uso definitivo no território nacional. Os artigos 86 e 87 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030, de 5 de março de 1985, a meu ver, corroboram com o acima afirmado, ex vi: "Art. 86— 0 fato gerador do imposto é a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional" "Art. 87 — Para efeito de calculo do imposto, considera -se ocorrido o fato gerador: "I — na data do registro da declaração de importação de mercadoria despachada para consumo, inclusive a: "a) ingressada no Pais em regime suspensivo de tributação. "(destaquei) Assim, se o imposto sera calculado "na data do registro da declaração de importação de mercadoria despachada para consumo, inclusive a ingressada no Pais em regime suspensivo de tributação", não se pode falar nem de lançamento, por ser este, na dicção do art. 142 do CTN, o procedimento em que se irá "(...) calcular o montante do tributo devido" nem, por maioria de razão, em suspensão da exigibilidade do credito tributário, pela singela raza que não se pode falar em credito tributário antes do tributo estar previamente calculad 4 Processo n° 10831.007370/99-80 CSRF-T3 Acórciao n.° 9303-00.470 Fl. 5.248 Portanto, se o consumo da mercadoria importada da mercadoria sob regime de drawback suspensão somente se verifica, na hipótese de não efetivada a exportação do bem, tem-se que neste momento é que o fato gerador do imposto se materializa, surgindo para o sujeito ativo o direito de constituir o crédito tributário. Sendo o regime de drawback suspensão, a meu ver, um caso de isenção sob condição resolutiva, "cessada essa condição para a sua outorga, não há de se considerar como revogada a lei de isenção, mas simplesmente que a pessoa ou fato isento passou do campo da não-incidência para o da incidência"2, tendo lugar, então, à ocorrência do fato gerador. 0 regime especial de drawback implica em uma isenção condicional. Não há obrigação tributária, não porque não ocorreu "entrada" do bem no território nacional. 0 fato gerador não se materializa pois este subordina-se A. ocorrência de um evento futuro e incerto — a não reexportação do bem e sua destinação para consumo. Assim, só pode falar-se em obrigação tributária e suas conseqüências lógicas — crédito tributário e exigibilidade — se e quando descumpridas as condições, hipótese em que à Fazenda Pública é assegurado direito de constituir o crédito tributário incidente sobre a operação de importação através do lançamento. Este é o marco a partir do qual se inicia o prazo para Unido Federal constituir o crédito tributário sob pena de decadência. Logo, com respeito ao entendimento, discordo do posicionamento do voto apontado como paradigma e, portanto, da Recorrente, no sentido de a que partir do termo final para exportação começa fluir o prazo prescricional da Fazenda Pública cobrar o crédito tributário incidente sobre a operação de importação. No entanto, entendo que não assiste razão o acórdão recorrido, quanto a contagem do prazo de decadência de acordo com o previsto no artigo 173, inciso I, do CTN. Não vejo razão, face ao acima exposto, afastar o artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, eis que o tributos que recaem sobre a importação, cuja operação encontra-se declarada pelo contribuinte desde de sua internação, mesmo sob regime especial de drawback, pode ser objeto de homologação ou não pelo Fisco, com a conseqüente constituição do crédito tributário, a partir do não cumprimento da condição de exporatar o bem respectivo. Logo, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para no mérito negar-lhe provimento, em razão da decadência do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário relativo aos Atos Concessários em causa, cujo termos finais para exportação ocorreram, respectivamente, em 18/01/1994 e 26/04/1994, e o contribuinte somente foi cientificado do auto de infração objeto do presente processo em 10/12/1999. É como voto. TD------Is' NaGa a 2 Cfr. JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, Isenções Tributárias (1" ed.), São Paulo 1969, 195. 5 Voto Vencedor Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Redatora Designada A Turma entendeu, majoritariamente, por dar provimento ao recurso especial do Procurador, restando vencida a eminente Conselheira relatora, relativamente ao termo inicial do prazo decadencial para o Fisco constituir credito tributário decorrente do descumprimento do Regime Drawback Suspensão. Designada para redigir o voto vencedor, passo a expor o meu entendimento a respeito do tema. Deixo consignado, entretanto, o meu respeito aos fundamentos do voto vencido. Já enfrentei o tema em outras ocasiões. 0 acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo a ocorrência de prescrição no que tange à exigibilidade do crédito tributário oriundo do descumprimento do compromisso firmado no regime de Drawback-Suspensão. A recorrente trouxe a tona, a fim de demonstrar a divergência jurisprudencial, decisão desta Terceira Tunna, proferida em novembro de 2002, em que se entendeu, conforme se depreende do voto componente do acórdão, que: "No entanto, em se tratando de bens importados corn suspensão do pagamento do imposto devido, urna vez que se .firmou urna condição a se concretizar no futuro, (isenção condicionada), não se há de falar em decadência, unia vez que coin o registro da DI, concretizado o fato gerador do imposto e jci lançado este, o que pode dar-se a partir deste momento é o inicio do prazo de prescrição, que no entanto não transcorre tendo em vista que a liberação da mercadoria foi feita sob condição, estando suspensa a cobrança do crédito tributário até o termo final para a execução do regime suspensivo, mediante a comprovação da efetiva exportação da mercadoria beneficiada. A partir desse momento é que passaria a ter inicio o prazo para a Fazenda Pública proceder a cobrança de valores devidos em razão do descumprimento total ou parcial do compromisso assumido por ocasião do ingresso da mercadoria com suspensão. Em outras palavras, após esgotado o prazo para o cumprimento do "drawback", sem que o contribuinte haja exportado total ou parcialmente a mercadoria beneficiada, passaria a correr, sim, o prazo para a cobrança total ou em parte, do crédito lançado, sem que se possa falar em prazo para a cobrança total ou em parte, do crédito lançado, sem que se possa falar em prazo para o lançamento uma vez que este que já ocorrera desde o ingresso da mercadoria no pais. De fato, a administração aduaneira só poderia dar inicio ei cobrança do crédito exigível na importação, ao final do compromisso "drawback" e depois da comunicaviio do órglio que o administra". Vê-se, assim, que ambas as decisões divergem na fixação do termo inicial do prazo, que reputam prescricional. Processo n° 10831.007370/99-80 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.470 Fl. 5.249 O acórdão combatido posicionou-se no sentido de que a prescrição inicia-se com o advento do termo final estabelecido para o adimplemento do compromisso firmado pelo contribuinte. Por outro lado, a decisão paradigma entende como marco desencadeador do lapso prescricional o termo final de execução do regime suspensivo aliado à comunicação do órgão que o administra. A recorrente defende que não lid que Se falar em prescrição, tendo em vista que, com a apresentação da impugnação pelo contribuinte contra a autuação fiscal, instaura-se a fase litigiosa, não ocorrendo, assim, a constituição definitiva do crédito tributário. Sustenta, por outro lado, não se configurar a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, tendo em vista que o respectivo prazo somente teria se iniciado, em aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se poderia ter feito o lançamento, ou seja, no exercício seguinte ao da emissão do Relatório de Comprovação de Drawback, quando se constatou o descumprimento do regime. Já enfrentei o tema em outras ocasiões. Primeiramente, ressalto que entendo tratar-se de prazo decadencial. 0 registro da DI não se constitui já em lançamento, ao contrário do entendido no acórdão recorrido. Mas, no caso, a adoção da nomenclatura do prazo corno decadencial ou prescricional constitui-se apenas numa questão conceitual. Cabe-nos, desta forma, discutir a contagem do prazo decadencial para os casos de drawback suspensão, em que por força de uma cláusula resolutória, os impostos sobre a importação são suspensos no momento da importação ate que a empresa cumpra o dever de exportar as mercadorias pelas quais se comprometeu, nos termos do Ato Concessório. Assim, enquanto não ocorrer a finalização do processo de drawback, o que consoante o meu entendimento, ocorre apenas com a emissão do relatório de comprovação expedido pelo contribuinte, o que por sua vez deve ocorrer ate 30 dias após o termino do prazo previsto no Ato Concessório para o término do regime. Portanto, entregue o relatório de comprovação, a fiscalização passa a ter conhecimento que o compromisso está findo e, em tese, iniciar-se-ia o prazo para o inicio da fiscalização. Este tema é muito controvertido, e, no inicio do meu trabalho como julgadora, entendi que nestes casos aplicar-se-ia o prazo previsto no artigo 173, I do CTN; posteriormente, mudei de posição para utilizar o prazo previsto no artigo 150, parágrafo 4°. do CTN, entendendo que tal prazo se contaria da ocorrência do fato gerador, que em razão da condição resolutória, ocorreria apenas após a entrega do relatório de comprovação final. Na verdade, quando mudei de posição foi porque entendi que a aplicação do artigo 150, parágrafo 4°. ocorreria para todos os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, independentemente, da ocorrência do pagamento; enquanto que a tese contrária entende que o regime de drawback por trazer uma isenção não pode ter a aplicação do artigo 150, parágrafo 4° que só se aplicaria para os casos em que ocorre o pagamento. Todavia, tanto urna como outra tese convergem no entendimento de que o prazo não começa a fluir nem do dia do registro da DI e tampouco do 10 dia do exercício 7 financeiro ao do registro da DI (respectiva aplicação do artigo 150 ou do artigo 173 do CTN), mas sim do término do regime, isto 6, ou 30 dias após a data final para apresentação do relatório final A. Secex (artigo 150 CTN) ou no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao da data da apresentação do referido relatório. Depois de muitas idas e vindas e amadurecendo o tema, entendo que o artigo 150 não contempla o presente caso, em que se posterga o inicio do cômputo do prazo decadencial. Ora, indiscutivelmente se está frente a um lançamento por homologação, mas a regra do artigo 150 não prevê a hipótese de postergação do inicio do prazo. A regra é assertiva e clara no sentido de o prazo inicia-se com a ocorrência do fato gerador. E, o fato gerador do Imposto de Importação ocorre a o registro da Declaração de Importação. Assim, entendo que há uma incoerência lógica em se admitir a aplicação da regra do artigo 150, quando se entende que a data inicial do prazo decadencial não é o da data da ocorrência do fato gerador. Por outro lado, também entendo que no se deve aplicar a regra do artigo 173 do CTN porque no caso não houve pagamento, mas sim, porque ela é uma regra geral que diz textualmente: 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia cio exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, se não é possível aplicar a regra do artigo 150, parágrafo 4° só resta a regra geral do artigo 173, I do CTN que está em conformidade corn o ocorrido, isto 6, o lançamento s6 pode ocorrer após o término do prazo previsto no Ato Concessório e ai a regra posterga o inicio do prazo para o primeiro dia do exercício financeiro seguinte, independentemente, de pagamento. Assim, se o contribuinte foi notificado do lançamento no dia 10/12/99, e o prazo final para as exportações, após todas as adições ocorridas, foi o de 041 11/94, tendo em vista que o prazo decadencial começou a correr no primeiro dia do exercício de 1995, é de se concluir pela não ocorrência da extinção do direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para afastar a ocorrência de decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Susy om Hoffmann 8
score : 1.0
Numero do processo: 13708.002140/2003-58
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Período de apuração: 10/02/1998 a 09/10/1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.600
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto e Leonardo Siade Manzan, que deram provimento ao recurso contando o prazo de 5 anos a partir da homologação (tese dos 5+ 5).
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 10/02/1998 a 09/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Recurso especial negado.
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I é.. ,̀. n." .44 MINISTÉRIO DA FAZENDA les n , si: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo a' 13708.002140/2003-58 Recurso a' 201-136.642 Especial do Contribuinte Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE COF1NS Acérdão n' 02-03.600 Sessão de 25 de novembro de 2008 Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 10/02/1998 a 09/10/1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de —Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez LOpez, Gileno Gurjão Barreto e Leonardo Siade Manzan, que deram provimento ao recurso contando o prazo de 5 anos a partir da homologação (tese dos 5+ 5). Ca(:" esid e 1f • . ‘14, :;1\ JULIO be, • t IEIRA GOMES Relator FORMALIZADO EM: 05 JUN 2009 ti Processo e 13708.002140/2003-58 C5RWM2 Acórdão n.° 02-03.600 Fls. 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez López, Antonio Carlos Atulim, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Manoel Coelho Arruda Júnior (substituto convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso especial (fis.352/364) interposto pela contribuinte em face do Acórdão n2 201-80.456 (fls. 329/335), no qual, por unanimidade de votos, decidiu-se em negar provimento ao recurso, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. O recurso foi baseado nos art. 7°, II e 15, § 2° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O contribuinte, por meio do recurso especial, alega que o prazo decadencial para pedir repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação era de dez anos (cinco+cinco), contado a partir do fato gerador, pela conjugação do art. 168,1 com o § 4° do art. 150 do CTN. Por meio do despacho n2 201-067/08 (fls. 445) foi dado seguimento ao recurso especial do contribuinte. Cientificado em 12/03/2008 do Acórdão n 2 201-80.456, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento parcial, a Fazenda Nacional não apresentou- contra-razões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator A matéria devolvida a esta Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais cinge-se ao termo "a quo" para contagem do prazo prescricional relativo ao direito de repetição do indébito da COFINS. Enquanto o acórdão recorrido decidiu que a contagem do prazo prescricional, no total de 5 anos, inicia-se do pagamento antecipado, ainda sujeito à homologação, defende a recorrente que o prazo é de 5 anos da homologação tácita, do que 2 Processo n° 13708.002140/2003-58 CSRF/T02 Acórdão n.• 02-03.600 Fls. 3 resulta 10 anos a contar do pagamento antecipado. É o que passou a ser conhecida como a tese dos 5 mais 5. O tema tem disciplina no Código Tributário Nacional: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp n° 118, de 2005) SEÇÃO III Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; gli\ Art. 150. (...) § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2 0 Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.— § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lapçamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Examinados conjuntamente os dispositivos acima transcritos, temos que o prazo para pleitear a restituição de tributo indevido ou pago além do devido e lançado por homologação é de 5 anos do pagamento. Isto porque o crédito desde então já se encontra extinto, mesmo que ainda sob condição resolutória. É certo que a extinção definitiva, nos termos do artigo 150, §4°, se dá com o implemento da condição, qual seja a homologação 3 Processo n• 13708.002140/2003-$8 CSRF7T02 Acórdão n.° 02-03.500 Fls. 4 expressa ou tácita, mas não há previsão desta definitividade no artigo 168, inciso 1 para os tributos lançados por homologação. Nem faria sentido. O prazo para pleitear a repetição se inicia quando o sujeito passivo tem conhecimento de que o pagamento é indevido ou maior que o devido e a homologação do lançamento não se presta para este desiderato. Ao contrário, é para que sejam lançadas eventuais diferenças de tributos não recolhidas. É prazo decadencial para o lançamento e não para a formação do indébito, conforme preceituam os parágrafos 3° e 4° do artigo 150 do CTN. O indébito já existe ou não quando do pagamento antecipado e o sujeito passivo tem pleno conhecimento disto, podendo desde então buscar a sua repetição. No que tange à condição resolut6ria, o atual Código Civil nos traz que desde o ato praticado pode o interessado exercer seus direitos, enquanto a condição não se implementar: An. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. O que no presente caso, ao ser a regia aplicada, traduz-se que não há necessidade da extinção definitiva do crédito pela homologação para que o sujeito passivo possa exercer seu direito à repetição daquilo que entende ter sido recolhido indevidamente. Portanto, com as devidas homenagens à Corte Especial que firmou entendimento pela tese dos cinco mais cinco anos para os tributos de lançamento por homologação, com ela não desposo. Segundo seu entendimento, caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4 2 do CTN começa a fluir a partir da data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência, contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 42 do CTN: RECURSO ESPECL4L N' 988.362 - SP (2007/0228118-3) EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS. PRESCRIÇÃO. INICIO DO PRAZO. LC n° 118/2005. ART. 3°. NORMA DE CUNHO MODIFICADOR E NÃO MERAMENTE INTERPRETA 77VA. — NÃO-APLICAÇÃO RETROATIVA. POSIÇÃO DA 10 SEÇÃO. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NA CORTE ESPECIAL (AI NOS ERESP N° 644736/PE). L Uniforme na 1° Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. atando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, 'aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima. Não há se falar em prazo prescricional a contar da declaração de •inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. Aplica-se o prazo prescricional conforme pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. 4 Processo n° 13708.002140/2003-58 CSRF/T132 Acórdão n.° 02-03.800 Fls. 5 2. Á ação foi ajuizada em 06/07/1994. Valores recolhidos, a titulo de PIS, entre 10/88 e 12/93. Não transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 07/1984) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. Inexis te prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 3. Quanto à LC n° 118/2005, a 1° Seção deste Sodalício, ao julgar os EREsp n° 327043/DF, em 27/04/2005, posicionou-se, à unanimidade, contra a nova regra prevista no art. 3° da referida LC. Decidiu-se que a LC inovou no plano normativo, não se acatando a tese de que a citada norma teria natureza meramente interpretativa, limitando-se sua incidência às hipóteses verificadas após sua vigência, em obediência ao princípio da anterioridade tributária. 4. "O art. 3° da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a "interpretação" dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federaL Tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3 0 da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência" (EREsp n° 327043/DF, Min. Teori Albino Zavascki, voto-vista). 5. Referendando o posicionamento acima discorrido, a distinta Cone Especial, ao julgar, à unanimidade, 06/06/2007, a Argüição de Inconstitucionalidade nos EREsp n° 644736/PE, Relator o eminente Min. Teor!' Albino Zavascki, declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, I, da Lei n°5,172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional" , constante do art. 4°, segunda parte, da Lei Complementar n° 118/2005. Decidiu-se, ainda, que a prescrição ditada pela LC n°118/2005 teria início a partir de sua vigência, ou seja, 09/06/2005, salvo se a prescrição iniciada na vigência da lei antiga viesse a se completar em menos tempo. 6.Pacificação total da matéria (prescrição), nada mais havendo a ser discutido, cabendo, tão-só, sua aplicação pelos membros do Poder Judiciário e cumprimento pelas Documento: 3501957 - esr" , RELATÓRIO, EMENTA E VOTO - Site certificado Página 5 de 11 Superior Tribunal de Justiça panes litigantes. 7.Recurso especial provido. Por fim, tem-se o recente artigo 32 da Lei Complementar n2 118, de 09/02/2005, regulou a matéria agasalhando o entendimento ora adotado. Á i Processo n• 13708.002140/2003-58 CSRF/T122 Acórdão n, 02-03.600 Fls. 6 Em razão do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. I Sala das S il. sõ em 25 de novembro de 2008 1 \ ‘0.1, , JULIO ili' 5tii") 9 JEIRA GOMES rr- ..,-, . ' 6
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Numero do processo: 16004.000681/2007-91
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CORREÇÃO DA FALTA. MULTA RELEVADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTOS. INTERESSE DE RECORRER. AUSÊNCIA. Uma vez que a recorrente já teve a totalidade de seu pedido acatado em primeira instância, no sentido de que fosse relevada a multa aplicada, em razão de ter corrigido a falta em sua integralidade, não subsiste interesse de recorrer, ainda mais quando expressamente tenha reconhecido a falta que lhe fora imputada.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso.
Ana Maria Bandeira Presidente Substituta
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araujo Soares.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CORREÇÃO DA FALTA. MULTA RELEVADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTOS. INTERESSE DE RECORRER. AUSÊNCIA. Uma vez que a recorrente já teve a totalidade de seu pedido acatado em primeira instância, no sentido de que fosse relevada a multa aplicada, em razão de ter corrigido a falta em sua integralidade, não subsiste interesse de recorrer, ainda mais quando expressamente tenha reconhecido a falta que lhe fora imputada. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrente IRMANDADE SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SANTA ADELIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CORREÇÃO DA FALTA. MULTA RELEVADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA DE JULGAMENTOS. INTERESSE DE RECORRER. AUSÊNCIA. Uma vez que a recorrente já teve a totalidade de seu pedido acatado em primeira instância, no sentido de que fosse relevada a multa aplicada, em razão de ter corrigido a falta em sua integralidade, não subsiste interesse de recorrer, ainda mais quando expressamente tenha reconhecido a falta que lhe fora imputada. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente Substituta Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 06 81 /2 00 7- 91 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 02/01/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araujo Soares. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 02/01/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16004.000681/200791 Acórdão n.º 2402002.673 S2C4T2 Fl. 105 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por IRMANDADE SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SANTA ADELIA em face do acórdão fls. 87/89, que manteve o lançamento e relevou a multa aplicada do Auto de Infração n. 37.029.2103, lavrado para a cobrança de multa em razão de a empresa ter deixado de entregar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP, relativa à competência 13/2005, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. O período de lançamento compreende a competência de 13/2005, tendo sido o contribuinte cientificado em 24/09/2007 (fls. 01). Consta do relatório fiscal que a GFIP relativa ao 13º salário do ano de 2005 deveria ter sido entregue até 31 de Janeiro de 2006, mas não o foi. Diante disso, foi gerada uma multa que começou a contar a partir de Fevereiro de 2006 até Setembro de 2007 (20 meses de atraso), com acréscimo de 100% (20 x 5%), gerando uma multa final aplicada de R$ 4. 780,52 (quatro mil setecentos e oitenta reais e cinqüenta e dois centavos). A multa foi aplicada de acordo com o artigo 284, inciso I parágrafos 1. e 2. e artigo 373 do RPS Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, e nos termos do artigo 32, inciso IV, parágrafos 4. e 7 da Lei 821291. Em seu recurso, a recorrente ressaltou a existência de um protocolo de envio da Conectividade Social comprovando que os dados cadastrais dos fatos geradores das contribuições previdenciárias foram devidamente apresentados à autoridade competente em tempo hábil, cuja íntegra dos documentos encontramse acostados no Auto de Infração de n. 37.029.2065, e devidamente transmitidos ao órgão arrecadador. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 02/01/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, verificase que a recorrente já teve a integralidade de seu pedido de relevação da multa acatado pelo v. acórdão de primeira instância, que reconheceu ter esta efetivamente efetuado a entrega da GFIP correspondente à competência de 13/2005. Por tais motivos, tendo em vista que o pedido de relevação fora devidamente formulado em sede de impugnação e naquela oportunidade a infração cometida não fora impugnada, até porque a correção da falta deuse dentro do prazo para defesa. Assim, não vislumbro o interesse do contribuinte em recorrer, já que não mais existe matéria a ser impugnada, de sorte que voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 02/01/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 16327.001323/2004-18
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
Ementa:
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. SITUAÇÃO FISCAL. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (SÚMULA CARF Nº 37).
Numero da decisão: 1301-001.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. SITUAÇÃO FISCAL. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (SÚMULA CARF Nº 37).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Plínio Rodrigues Lima Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Cristiane Silva Costa.
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SITUAÇÃO FISCAL. MOMENTO DE AVERIGUAÇÃO. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (SÚMULA CARF Nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 23 /2 00 4- 18 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001323/200418 Acórdão n.º 1301001.156 S1C3T1 Fl. 210 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Cristiane Silva Costa. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001323/200418 Acórdão n.º 1301001.156 S1C3T1 Fl. 211 3 Relatório BANESPA S/A CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que indeferiu pedido veiculado por meio de Manifestação de Inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, formalizado em virtude do não reconhecimento do direito de aplicação de parcela do imposto em fundos de investimento (FINOR e FINAM). Em conformidade com o Despacho Decisório de fl. 78/81, o pedido de revisão foi indeferido em decorrência da vedação legal estabelecida pelo art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, e pela alínea “c”, art. 27, da Lei nº 8.036, de 1990. Os dispositivos em referência estabelecem: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: [...] c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS; Em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 84/92) a contribuinte argumentou: que a falta de documentos que comprovem a regularidade fiscal na data da análise do pedido, abril de 2006, em nada obstaria o seu deferimento, visto que a análise correta deveria ser feita por ocasião da opção pelo benefício e a Fazenda Nacional não teria comprovado a existência de quaisquer pendências impeditivas à referida época (2002/2001); que verificarseia desrespeito ao princípio da eficiência no caso em tela; que a legislação que trata dos incentivos fiscais prevê a necessidade da regularidade fiscal do optante, mas não especifica em qual momento, de tal forma que o pedido da contribuinte foi sumariamente indeferido por irregularidades constatadas muito posteriormente à sua apresentação; Fl. 217DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001323/200418 Acórdão n.º 1301001.156 S1C3T1 Fl. 212 4 que a utilização de débitos em momento posterior ao da opção pelo beneficio fiscal, não obstante não estar claramente definida na legislação regulamentadora, fere o princípio da moralidade administrativa à medida que permite a Administração pública aguardar a existência de qualquer débito, para indeferir um direito garantido legalmente; que tal conduta também configura ofensa princípio da segurança jurídica; que, no momento da análise do pedido, possuía situação regular perante o Fisco e perante o FGTS, haja vista a Certidão Conjunta de Débitos Positiva com Efeitos de Negativa de fls.116, válida de 22/11/2005 a 21/05/2006, bem como a Certidão de Regularidade do FGTS de fls.118, válida até o dia 14/06/2006. A já citada 10a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, apreciando os argumentos da contribuinte, decidiu, por meio do Acórdão nº 16 15.229, de 29 de outubro de 2007, pela improcedência dos pedidos ali veiculados. O referido julgado restou assim ementado: INCENTIVO FISCAL. FINOR. FINAM. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE INCONSTITUCIONALIDADE. Alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. Irresignada com o decidido em primeira instância, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 133/146, em que, renovando a argumentação expendida na defesa inicial, adita: que, caso não estivesse à época da opção pelo incentivo fiscal, em situação de regularidade fiscal, deveria ser intimada a fazêlo, eis que, uma vez sanada tal irregularidade, imperioso se faria o deferimento da utilização do beneficio; que jamais foi intimada a sanar qualquer irregularidade fiscal à época da opção do incentivo fiscal, tampouco quando da análise do PERC, sendo certo que o simples indeferimento do pedido, sem conceder ao contribuinte a oportunidade de regularizar sua situação fiscal, não tem o condão de impedir a fruição do beneficio e, pior, configura, preterição ao seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72; que o momento correto para a análise das pendências do contribuinte é o da opção pelo incentivo fiscal, ou seja, quando da entrega da DIPJ e não o da análise do PERC; que ainda que se entenda que o momento da análise da situação de regularidade deva ocorrer quando da análise do PERC, verificase que ela possuía situação absolutamente regular à época; que o entendimento da Autoridade Julgadora de primeira instância de que a Certidão Negativa de Débitos não constitui documento comprobatório da regularidade fiscal é totalmente infundado. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001323/200418 Acórdão n.º 1301001.156 S1C3T1 Fl. 213 5 É o Relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001323/200418 Acórdão n.º 1301001.156 S1C3T1 Fl. 214 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Tomando por base os elementos reunidos ao processo, depreendese que a sua impulsão se deu em virtude da apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC de fls. 01/02, protocolizado em 29 de setembro de 2004, em que a contribuinte alega que não houve ordem de emissão para o FINAM/FINOR, relativamente à opção de aplicação de parcela do imposto de renda em referidos Fundos O Pedido de Revisão diz respeito ao exercício de 2002, anocalendário de 2001. O EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS, fls. 03, consigna no campo OCORRÊNCIAS as seguintes informações: 11 – CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS E/OU IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI 9.069/95 ART. 60) 14 – CONTRIBUINTE COM PENDÊNCIAS JUNTO AO FGTS Por meio de Despacho Decisório (fls. 78/81), a Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo (Deinf/SPO) indeferiu o referido pedido de revisão em virtude da constatação, naquela ocasião, de que a contribuinte não dispunha do Certificado de Regularidade junto ao FGTS e não teria condições de obtêlo, pois, apesar de ter apresentado Certidão Negativa de Débito emitida em 22 de novembro de 2005, restou verificada a existência de processo fiscal em cobrança. A decisão em referência tomou por base as disposições do art. 60 da Lei nº 9.069/95 e do art. 27 da Lei nº 8.036/90. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos trazidos pela contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade, manteve o indeferimento. Para tanto, serviuse dos seguintes fundamentos: i) o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal da contribuinte é o correspondente à data da expedição do Despacho Decisório; ii) o ônus da comprovação da regularidade fiscal é da contribuinte; iii) a contribuinte não prestou qualquer esclarecimento em relação à pendência apontada pela unidade administrativa competente para analisar o seu pedido; iv) alegações associadas à constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis, exorbitam a competência das autoridades administrativas. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.001323/200418 Acórdão n.º 1301001.156 S1C3T1 Fl. 215 7 Nos termos da súmula CARF nº 37 (vinculante, conforme Portaria MF nº 383 – DOU de 14 de julho de 2010), para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, a exigência da comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, que, no presente caso, referese ao anocalendário de 2001. No caso vertente, observase que a recusa pela apreciação do pedido de revisão fundase em suposta pendência relativa ao processo administrativo nº 16327.001385/200501, apurada por ocasião da emissão do Despacho Decisório. Diante de tais circunstâncias, penso que o argumento da Recorrente no sentido de que o momento correto para a análise das pendências do contribuinte é o da opção pelo incentivo fiscal, ou seja, quando da entrega da DIPJ e não o da análise do PERC, deve ser acolhido. Assim, com amparo na súmula CARF nº 37, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para que o PEDIDO DE REVISÃO seja devidamente apreciado pela unidade administrativa competente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10980.012807/2002-22
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/03/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL.
No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura-se devida a atualização monetária. Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/1997 a 31/03/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura-se devida a atualização monetária. Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 905 1 904 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.012807/200222 Recurso nº 224.455 Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.689 – 3ª Turma Sessão de 05 de outubro de 2011 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BERNECK S.A. PAINÉIS E SERRADOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1997 a 31/03/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigura se devida a atualização monetária. Além disso, a partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 28 07 /2 00 2- 22 Fl. 925DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 754 a 760) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 618 a 631) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para que seja efetuada a atualização monetária dos créditos reconhecidos no procedimento fiscal, conforme determina decisão judicial, com aplicação dos índices utilizados pela Secretaria da Receita Federal. Este julgado foi integrado após oposição de embargos de declaração pelo v. acórdão de fls. 743 a 750. A Colenda 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre – RS inicialmente manteve o lançamento, ao fundamento de que, no que interessa ao presente recurso, considerando que não existe previsão legal para a correção monetária de créditos extemporâneos de IPI, é indevida a atualização fundada em decisão judicial, se esta não estabelece os índices aplicáveis. A ementa do v. acórdão ora recorrido, que bem resume os termos da presente controvérsia, é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINARES DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não devem ser acatadas preliminares de nulidade quando as mesmas não se encontrarem tipificadas, provadas nos autos ou ocorrer indeferimento de pedido efetuado com inobservância da forma prescrita em norma e, a critério do julgador a quo for prescindível para a solução da lide. Preliminares rejeitadas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Impossibilidade jurídica de inclusão na base de cálculo utilizada para apuração do crédito presumido de IPI das aquisições efetuadas de pessoas fisicas, nas quais inexiste a incidência de contribuições a serem ressarcidas. CRÉDITOS BÁSICOS. LIMITES DA COISA JULGADA. Não são passíveis de escrituração como créditos básicos os créditos oriundos "Cre produtos estranhos ao processo produtivo, por extrapolar a decisão judicial e não ter respaldo legal. CREDITAMENTO DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTÁVEIS E DE ALíQUOTA ZERO. A decisão judicial que acolheu o pedido formulado na petição inicial deve ser cumprida nos estritos termos em que proferida. O pedido de escrituração dos créditos decorrentes de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero empregadas em produtos tributados não alcança os referidos insumos quando empregados nos produtos exportados porquanto os mesmos são imunes. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. DECISÃO JUDICIAL. Deve ser efetuada a atualização monetária dos créditos mantidos, posto que deferida pela sentença do TRF da Fl. 926DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.012807/200222 Acórdão n.º 9303001.689 CSRFT3 Fl. 906 3 4a Região, aplicandose os índices utilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualização de seus créditos. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM *ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Somente os créditos relativos às aquisições de cada estabelecimento podem ser por eles aproveitados, não só em razão do alcance da decisão judicial como também em razão da autonomia dos estabelecimentos preconizada pelo art. 392, inciso IV, do RIPI/82. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Constatada a falta de recolhimento da exação impõese a sua exigência por meio de lançamento de oficio, sendo legitima, posto que arrimada em lei vigente, a aplicação da multa de 75%, em conformidade com o art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora, nos termos da Lei n° 8.981/95 c/c art. 13 da Lei n° 9.065/95, que, dispondo de modo diverso do art. 161 do CTN, consoante autorizado pelo seu § 1°, estabeleceram a Taxa SELIC como juros moratórios. Recurso parcialmente provido. (grifos nossos) Asseverouse no v. acórdão ora recorrido, em suma, no tocante à matéria veiculada no recurso especial da Fazenda Nacional, que deve, não só a determinação judicial quanto a orientação da Procuradoria ser entendida nos exatos termos que a própria Secretaria da Receita Federal trata os direitos creditórios dos contribuintes em geral, ou seja, aplicando os índices estabelecidos na Norma de Execução COSIT/COSAR n° 08/97, relativos ao período que abrange; a UFIR e os juros moratórios estabelecidos no artigo 161 do Código Tributário Nacional até dezembro de 1995 e a partir daí a taxa SELIC, nos termos da norma que a rege. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, que não se afigura correta a atualização monetária de créditos escriturais de IPI reconhecidos por decisão judicial mediante a aplicação dos índices constantes da Norma de Execução COSIT/COSAR nº 08/1997. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 768 a 772. Contrarrazões às fls. 794 a 803, em que se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido, que reconheceu a correção monetária dos créditos de IPI, conforme decisão judicial transitada em julgado, em favor do contribuinte, muito embora a decisão judicial não tenha definido o índice a ser aplicado. É o relatório. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Com efeito, a Ilustre relatora do v. acórdão recorrido, Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, considerando a hipótese específica dos autos, foi certeira, razão pela qual pedese vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) Já quanto à correção monetária, ela está expressamente contida no pedido judicial da recorrente que foi inteiramente provido. Verificase que nos fundamentos da petição inicial a recorrente teceu extenso arrazoado acerca do direito do que denominou correção monetária, sendo mais correta a denominação de atualização monetária, visto a revogação da figura da correção monetária Transitada em julgado a sentença, deve a mesma se cumprida em seus devidos termos. A própria PFN/PR manifestouse no curso da ação fiscal, quanto ao alcance da decisão judicial, conforme consta do relatório efetuado pela Equipe de Informações Judiciais — EQIJU da DRF em Curitiba (fls. 122 a 124), concluindo que "devem ser aplicados os índices de correção monetária utilizados de praxe nas relações negociais". Em que pese a infelicidade da orientação, uma vez que inexiste na atividade de tributação, arrecadação e fiscalização de tributos federais a figura das "relações negociais", deve, não só a determinação judicial quanto a orientação da Procuradoria ser entendida nos exatos termos que a própria Secretaria da Receita Federal trata os direitos creditórios dos contribuintes em geral, ou seja, aplicando os índices estabelecidos na Norma de Execução COSIT/COSAR n° 08/97, relativos ao período que abrange; a UFIR e os juros moratórios estabelecidos no artigo 161 do Código Tributário Nacional até dezembro de 1995 e a partir daí a taxa SELIC, nos termos da norma que a rege. (...) (grifos nossos) Aliás, no tocante à correção monetária a ser aplicada ao indébito, mister destacar que a inclusão dos expurgos inflacionários afigurase devida, independente da decisão judicial não ter sido expressa nesse sentido. Com efeito, face à edição, recentemente, do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos Fl. 928DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.012807/200222 Acórdão n.º 9303001.689 CSRFT3 Fl. 907 5 na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Nesse sentido, aliás, é o seguinte precedente, cujo voto condutor é da lavra do Ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari: (...) No mérito, verificase que por meio da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar no 8, de 1997, a Administração Fazendária instituiu índices específicos para efeitos de atualização monetária dos créditos sujeitos à restituição. Em decorrência, este relator vinha até então defendendo que à vista de existência de ato específico disciplinador da matéria e considerando a falta de amparo legal para a aplicação dos denominados expurgos inflacionários, estes não poderiam ser aplicados na esfera administrativa. E mais, que a aplicação dos referidos expurgos na via processual administrativa somente pode ser implementada se houvesse determinação judicial nesse sentido. Cumpre destacar, no entanto, que essa matéria foi tratada no Parecer PGFN/CRJ no 2.601, aprovado pelo PGFN em 20/11/2008, que, submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, foi por este aprovado conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, do que decorreu a expedição do Ato Declaratório no 10, de 1o/12/2008, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, que assim dispõe, verbis: “(...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.’” No mesmo Parecer o Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional também determina que “Com a publicação, dêse ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Receita Federal, para a finalidade prevista nos §§ 4o e 5o do art. 19 da Lei no 10.522, de 19.07.2002.” Destarte, verificase que a matéria foi tratada de forma mais benéfica pela Administração Fazendária nas hipóteses de pedidos de restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente, tratandose de fato novo que tem plena aplicação ao presente processo, pendente de julgamento, por não se justificar a existência de tratamento disforme entre as esferas judicial e administrativa. Diante do exposto, e com base no retrotranscrito Ato Declaratório, voto por que seja dado provimento ao recurso, devendo ser aplicados como índices de atualização monetária para os meses de março a abril de 1990 os coeficientes de Fl. 929DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 atualização fixados pela Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal, nos percentuais de 84,32%, 44,8% e 7,87%, respectivamente, dos quais deverão ser subtraídos os percentuais já aplicados correspondentes a esses meses, constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar no 8, de 27/6/1997. (Processo nº 10805.002784/9921, Recurso Voluntário nº 125.594, Terceira Seção, Segunda Câmara, Segunda Turma) (grifos nossos) Não merece reparo, assim, neste particular, o v. acórdão recorrido. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 930DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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