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Numero do processo: 10580.004176/90-40
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 103-13643
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score : 1.0
Numero do processo: 13709.000028/89-81
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 103-12738
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IRPJ - PROVISÃO PARA AJUSTE DE ESTOQUES - n irrelevante para manter a tribuçao pon- deraçOes sobre a complexidade dos métodos usados e/ou a existência de um - referen- cial externo ainda mais quando a justifi- cativa e a explicação do conceito utiliza do.esta plenamente justificada. IRPJ - VALOR DE MERCADO - CONCEITOS DIVER SOS PARA EFEITO COMERCIAL E PARA EFEITO DE DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. A expressao "valor de mercado" correspon- de a conceito —Wrerso7—irusada com finalidade e em contextos diferentes pelo legislador, no âmbito do direito comer- cial - societario - e para efeito de distri _ bulcão disfarçada de lucros. Recurso provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autós de recurso interposto por S/A CORTUME CARIOCA. I . • v.v.r r•4r • - 1 t Mio o nin ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatõrio e voto que passam a integrar o presen- te julgado. Sala das Sessões, em 25 de agosto de 1992 let501MW57"mates.";%nnt rrr- C .N ek :o tidD* G í g - PRESIDENTE DTCL:12 ASS , aÃO - RELATOR 0), VISTO EM Z,9110 BOLA/kilo- BRAGA - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE:NACIONAL 15ABR 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUÍS DE SELLES FREIRE, MARIA DE FATIMA PESSOA DE MELLO CARTAX0,,SONIA-NACINOVIC, PAULO AFFONSECA DE BAR ROS FARIA JÚNIOR e ILCENIL FRANCO. • d • • " • . . • . _ . • • • • ÀW J.- • • . • 04,,;Igçe • ‘410:1; SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PR OCESSO Ne 13709/000.028/89-81 RECURSO J$:: 101.182 ACOROÃO Ni: 103-12.738 • RECORRENTE: S/A CORTUME CARIOCA RELATÓRIO S/A CORTUME CARIOCA, qualificado na peça de fls. 07, inconformada com a decisão de fls. 409/410, que manteve par- cialmente a exigência contida no item 4 e totalmente a do item 3, ambos do auto de infração que mantém este litígio, dela recorre a este Conselho com as razões que expôs: Os Fatos: Diz o item quatro do auto de infração que os paga- mentos feitos no ano base de 1984 às empresas B.C. Comércio Ltda. e a B.F.C. Indústria e Comércio Ltda. são indedutíveis por terem sido feitos a pessoa estranha à contratada. E o item três que a provisão constituída para "Ajus te dos Estoques ao Valor de Mercado" não é dedutível por ser apura da com falta de consistência técnica. 4 Da Impugnação: As fls. 371/385, item 4 da impugnação o contribuin te demonstra a cadeia de alterações ocorridas na razão social da B.C. Química, com quem firmara contrato de prestação de serviços comerciais, para concluir, que a sociedade que recebe parcela do 14 \, SeRviC0 MatiC0 FIDENAt. Processo n9 13709/000.028/89-91 3. Acórdão n9 103-12.738 trimOnio da sociedade cindida sucede a esta nos direitos e obri- gações, razão do que, os pagamentos feitos a B.C. Química e B.F.0 Indústria e Comércio Ltda. são legítimos e vinculados ao contra- to existente. As fls. 309/311, item 3 da impugnação a contribu inte protesta pela "questão de fato" que leva os estoques a te- rem valor de mercado inferior ao custo de aquisição. Protesta ain da, pela falta de clareza do auto de infração sobre as raziiesper que o fisco considera carente de consistência técnica o método utilizado pela empresa para calcular tal provisão. Requer a rea- lização de perícia e indica seu representante para tal ato. Da Contestação: As fls. 359, o AFTN encarregado refuta os concei tos de valor de mercado expendidos pelo Dr. JOSÉ LUIZ BULHÕES PE DREIRA e trazidos como argumento de impugnação, sobre o enfoque de que os mesmos são confusos e nada exclarecem. Sobre os documentos que instruem a cadeia de al- terações da B.C. Química o fisco declara que "nada é mais confu- so". A perícia foi deferida pelo preparador do proces so. - fls. 361. As fls. 363, o laudo de perícia do representante do fisco, diz, sobre os pagamentos feitos a B.C. Química Ltda. e a B.F.C. Indústria e Comércio Ltda ; "são empresas relacionadas com o contrato de prestação de serviço em questão, sendo, portan to, dedutiveis os pagamentos". Sobre a provisão para ajuste do valor de mercadcy diz: "A provisão constituída, conforme dito acima e mostrada no anexo A se baseia no preço de venda fornecidos pelo setor de ven das, anexo C, reduzidos dos percentuais ou preços da tabela de despesas indiretas e impostos incidentes sobre as vendas, anexo B". risota Nit.,.a; g r . . St elv/CO PuitLICO ,IMItin Processo n9 13709/000.028/89-91 4. Acórdão n9 103-12.738 As fls. 383/385 a impugnante protesta pelo des- cumprimento dos termos do artigo 18 e parágrafos, do Decreto-lei n9 70.325/72. As fls. 386/388 há o laudo do assistente técnic4 complementado as fls. 391/395. A decisão de fls. 409/410 apoiou-se no relatório de fls. 397/408 para concluir que o ajuste do valor de mercado feito pela impugnante ao observar as disposições da Lei das So- ciedades Anónimas relativamente ao art. 183 parágrafo 19, b não se harmonizou com o sistema de apuração do lucro real, contido no Decreto-lei n9 1.598/77, art. 60, parágrafo 49. Cita Hirome Higuchi e Fábio Higuchi: "As pessoas jurídicas que avaliarem os estoques de mercadorias ou produtos com base no art. 183, parágrafo 19, letra b, da Lei n9 6.404/76, deverão ajustá-los ao valor de mercado, conforme definido em lei fiscal, no livro de apuração do lucro real". Sobre o pagamento feito a B.F.C. Indústria e Co- mércio Ltda. cita: "Ora, sendo a H.C. Química Ltda. - CGC n9 54.089.743/0001-09 a única detentora dos direi- tos do contrato após a cisão, como comprovam os documentos e esclarecimento apresentados pela impugnante, não caberia, por exclusão, o pagamen to à B.F.C. Indústria e Comércio Ltda., empresa Holding do grupo, decorrente do mesmo contrato . Trata-se, a toda evidencia, de um pagamento a pessoa estranha ao mesmo contrato". As demais exigências foram consideradas improce- dentes. As fls. 414/432, tempestivamente, consta o recur so a este Conselho, como segue: Que restou incontroverso, válido e eficaz o con trato com a B.C. Química mas que pela decisão, o pagamento feito remai Na 1) / SERviC0 PUBLiC0 FEDERAL Processo n9 13709/000,028/89-91 5. Acórdão n9 103-12.738 ã B.F.C. Indústria e Comércio Ltda. sécia quotista majoritária daquela é indevido. De se notar que o laudo do assitente técnico apon ta a existância da obrigação em 1984 paga em 1985 ã B.F.C. Indús tria e Comércio Ltda. Que a autoridade julgadora não nega que a despe- sa ocorrida é dedutivel mas que, nesse caso, a dedução é vedada pela irregularidade dos documentos comprobatórios da origem da despesa e de seu pagamento. Protesta pela circunstância de que o Código Ci- vil veda a oposição do credor ã satisfação de obrigação por ter- ceiro e que a prestação do serviço contratado com a B.C. pela B.F.C. caracteriza precisamente o cumprimento da obrigação por terceiro e que tal dá nascimento ã obrigação da recorrente a pa- gar pelo serviço recebido. Salienta que os documentos da presta- ção de serviço e do recebimento do preço foram esnitidos pela B.F.C. e não pela B.C. Sobre a dedutibilidade do ajuste ao valor de mer • cado, o método interpretativo adotado na decisão invoca fontes que seriam idôneas para reforçá-lo. Admitindo a idoneidade dos autores Hiromi e Fábio Higuchi, lembra que muito mais idôneo no assunto é o autor-do anteprojeto da Lei n9 6.404/76 e do Decreto -lei n9 1.598/77, JOSÉ LUÍS BULHÕES PEDREIRA de quem o conceito de valor de mercado foi utilizado na impugnação e agora, é repe- tido em sua observação ao parágrafo 19 do artigo 69 do Decreto- -lei n9 1.598/77: "sempre que. a lei tributária não contiver norma especial (impondo, para efeito' de determinar o lucro real, ajuste do lucro líquido do exercício) prevalecera, para efeitos fiscais, a lei comer- cial." Conclui afirmando que a Lei n9 6.404/76.é, em re lação aos ajustes de valores ao de mercado, lei tributária em ra WIWNInNuam:. .jfe . • . . - . SENve0 Innue0 RURAL Processo n9 13709/000.028/89-91 6. Acórdão n9 103-12.738 zão de o Decreto-lei n9 1.598/77, que a incorporou ã legislação tributária, não ter ressalvado tal aspecto com norma especial. Termina pedindo integral conhecimento do recurso e o cancelamento total do lançamento. o relatório. . . ServiçoPúblicoFederal Processo n9 13709/000.028/89-81 7. Acórdão n9 103-12.738 VOTO Dícler de Assunção, Conselheiro Relator: Recurso tempestivo (fls. 414/439), devendo portanto ser conhecido. Inexistem preliminares. Abordagem dos 2 itens ainda controvertidos, na fase recursal, na extensão em que o estão, consoante a ordem do recurso, segundo bem delimitados pela Informação - Parecer - Fiscal (f is. 408) e a ementa da decisão recorrida (fls.409), destacando-se o que já foi e o que não foi provido: a) Informação - Parecer - Fiscal (fls. 408): "Em face do exposto, deverão ser excluídas as seguintes parcelas da base de cálculo, conforme demonstrativo da fls. 11: Item 2 - Valores pagos a maior à SC Química Cr$ 14.533.645,00 Idem Cr$ 57.864.972,00 Item 4 - Parte dos pagamentos feitos à BC Química Cr$ 16.875.278,00 (f) Imprensa Nacional • Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-81 Acórdão n9 103-12.738 Subavaliação dos estoques .. Cr$ 235.537.795,00" b) Decisão de primeira Instância (f is. 409): " IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA - Despesas de assessorias - não comprovado que os pagamentos decorreram em excesso em relação ao preço contratado, improcede a glosa; - Provisão para ajuste dos Estoques ao Valor de mercado - indedutivel quando não comprovado o valor de mercado conceituado pela lei tributária; - Despesas de assessorias - não comprovado o vinculo do beneficiário do pagamento ao contrato de serviço - procedente o lançamento; - Subavaliação de estoques - comprovado que as importações em andamento não influenciaram o lucro real, immocede o lancamento." (sublinhei) Assim, aprecio tais questões: 1. Exs. 84 e 85.Item 4 do AI (fls.7 verso e 8): indedutibilidade da paste remanescente de débitos de remuneração de assessoria - orientação comercial à BC QUÍMICA LTDA. Pagamentos a credor diverso (BCF INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., que também emitiu os documentos comprobatórios dos serviços). Distinção entre pagamento (1985) e obrigação (dever) de pagar (1984). Regime de competência. Serviço Palito Federal Processo n9 13709/000.028/89-81 Acórdão n9 103-12,738 O recurso orientou-se por duas vertentes, no presssuposto de que as duas perdurariam para justificar a glosa, quais sejam: (a) quanto a titularidade do prestador dos serviços e recebedor do preço dos mesmos, e, (b) quanto ao regime de competência. Porém, equivocou-se. A objeção quanto ao regime de competência efetivamente foi levantada (fls. 363, item 4), mas passou a ser desconsiderada como relevante no curso da ação fiscal, perdurando no entanto quanto a questão da titularidade do prestador dos serviços e recebedor dos pagamentos, consoante se vê: Informação, fls. 359: ° Pelo que se depreende a impugnante reconhece (fls. 315) ter feito pagamento à pessoa estranha ao contrato, preferindo armar sua defesa quanto ao fato da despesa ter sido incorrida em 1984. Realmente A despesa nmã comi z,B,C. Produtos Ouimicos ttda. ocorreu, porém o pagamento no valor de Cr$ 51.877.500,00 feita a B.F.C. Indústria e Comércio Ltda é despesa indedutivel pelos motivos já expostos". (Sublinhei) Informação, fls. 407: ' • Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-81 10. Acórdão n9 103-12.738 " A argumentação da empresa a respeito de tratar-se de uma despesa necessária e incorrida, por isso dedutivel, não pode prosperar, quando se entende que todos os gastos da contribuinte estão sujeitos a regras próprias, como vimos, sobre a regularidade dos documentos fiscais comprobatórios, a partir do que se examina se são necessários ou incorridos. Irregular o documento fiscal e o beneficiário do pagamento, não há como vincular o dispêndio ao citado contrato." Direta ou indiretamente portanto, tem-se que a dúvida quanto ao regime de competência ou foi considerada como superada ou então passou a não mais constituir-se em fundamento (pressuposto) real para a manutenção da glosa quanto ao esse tópico. Ressalve-se ademais, que a decisão de primeira instância, apenas adotou as razões e conclusões da informação supra (cfr. fls. 409/410). Sob apreciação assim apenas a circunstância ligada a uma possível descaracterização da relação jurídica originária de prestação de serviços, documentação e pagamentos, de modo a justificar a glosa das despesas. E nesse ponto, estou que a razão fica com a contribuinte, quando destaca, em blocos distintos, o seguinte (fls.418/419 e 421). " 9. Para tanto a recorrente se 11' ServiçoPúblicoFederal Processo n9 13709/000.028/89-91 11.• Acórdão n9 103-12.738 reporta„ para constar, às razões do item 4 de sua impugnação, afim de que fiquem fazendo parte integrante e complementar das presentes. 9.1. Resta, pois, , saber se, porque os serviços previstos no contrato teriam sido prestados por pessoa jurídica (a BFC INDUSTRIA E COMÉRCIO) diversa daquela figurou como parte no contrato (a BC QUÍMICA) e porque a remuneração deles, serviços, foi paga à BCF, e não à BC, haveria desvinculação desses serviços e desses pagamentos do contrato. E a resposta é que não I 9.2. Uma obrigação contraída em contrato válido e eficaz é existente e devida nos momentos previstos na avença. Como "obrigação", nesse contexto, se devem atender as que tocam a ambas as partes, isto é, a de prestar os serviços, a cargo de uma, e a de pagar remuneração, a cargo de outra. Ora, a prestação dos serviços e o pagamento da remuneração não são obricracões . são cumrrimentos de obricracões - o que é coisa muito diferente. Já se viu que o cumprimento da obrigação não, é o evento que dá margem à dedução. O que enseja esta é o ser da obrigação devida incorrida. Mas, seriam desvinculadas do contrato a prestação dos serviços e o pagamento da remuneração, somente porque : ServiçoPúblicoFederal Processo n913709/000.028/89-91 12. • Acórdão n9 103.42.738 prestados aqueles por pessoa jurídica? Claro que não ! 9.3. O direito Brasileiro claramente distingues os fenemenos da criação, da existência, da exigibiliade, e da extinção das obrigações. Os três primeiros ( criação, existência e exigibilidade), em matéria contratual, somente se operam entre e através das partes; apenas estas podem formar o contrato, por ele ficar vinculadas e exigir, uma da outra, o cumprimento das obrigações reciprocas. Contudo. o cumprimento das obrigacões Pode ser dado, voluntariamente, DOI terceiros e 2 credor isso nã-Q âg poderá opor, salvo iusto motivo. (Código Civil, asts. 930, 931 e 932). Ora, a prestação dos serviços pela BFC terá caracterizado, precisamente, cumprimento, pagamento (nomen luzis de cumprimento da obrigação) da obrigação da BC por terceiros. E, porque válida essa prestação, dá nascimento ao correlato e sinalagmático incorrimento da obrigação da recorrente de pagar remuneração. Em suma, os serviços que teriam sido prestados pela BFC assim o foram legitimamente; e, porque consistentes no cumprimento, pela BFC, das obrigações da BC, é evidente que se vinculam ao contrato entre a Recorrente e a BC. z, kun que, com a prestacão Liga servicos pgjg BFC sa torne devido Q Pagamento áã remuneracão nela, ‘1F-- ' Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 13. ' Acara:O° n9 103-12.738 Recorrente, Para aue o valor respectivo posse, ar. deduzido como despesa, na exercício em aue incorrida, independentemente de o pagamento ser efetivamente realizado após. 9.4. Não serve de obstáculo ao direito da Recorrente o fato de o contrato não envolver a BFC, mas a BC. Isto porque, a par de todas as considerações até aqui tecidas, o que interessa é o incorrimento da obrigação devida, bastando que o registro desta circunstância conste dos lançamentos contábeis pertinentes, independentemente da existência de contrato escrito, conforme reconhece o fisco, no Parecer Normativo CST n 2 10, de 1.985 (item 5.2). É bom salientar que os documentos comprobatórios da prestação dos serviços e do recebimento dos pagamentos da remuneração terão sido emitidos em nome da BFC (e não da BC) provavelmente em razão do processo de restruturação por que passaram as empresas daquele grupo, o qual está descrito no item 4, pág. 13, da impugnação. Verifica-se que o texto daquela impugnação e dos documentos a ela acostados, que, num espaço de um ano, aproximadamente, coexistiram e/ou se sucederam empresas com os nomes de BC QUÍMICA LTDA. (duas empresas), BC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. e BCF INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA., que, através de Smsd.ço Públioo Faleral Processo n9 13709/000.028/89-91 14. • Acórdão n9 103-12.738 -' diversas operações, transferimram-se, reciprocamente, diversos bens, e direitos de seu patrimônios. Dai terá provavelmente decorrido equivoco na indicação da titular desses bens e direitos, sendo certo, de qualquer maneira, que a BCF detinha participação de 99,99% no capital da BC. 9.5 Portanto a r. decisão recorrida deve ser reformada, no particular, para o fim de cancelar-se, in totum, este item da autuação." 2. Ex .86 . Item 3 do AI: indedutibilidade de provisão para ajuste dos estoques ao valor de mercado. Conceito (fiscal) e prova do valor de mercado: Lei das S.A., art. 183, § 1', "10", Z. DL. 1.598/77, arts. 60, § 4 2 , 62 e 8'. Nesse tópico, igualmente estou em que a razão pende para o lado da empresa, consoante suas bem lançadas razões, que, peço venia para transcrever, tal como uso fazer quando se trata de prestigiar as decisões que não merecem reforma (fls.422/432): "(b) Item 3 da AUtuano: DEDUTIBILIDADE a3/4 PROVISÃO PARA AJUSTE DOS ESTOOUES, AO VALOR DE MERCADO. 10. Lendo-se a r. decisão recorrida, verifica-se que ela considera inaceitável o conceito adotado pela ; ServiçoPúblicoFederal Processo n9 13709/000.028/89-91 15. • • AcórdÃO n9 101-12.738 recorrente de valor de mercado para fins de constituição e dedutibilidade da provisão para o ajuste dos estoques ao valor de mercado. Esse posicionamente da d. autoridade julgadora se lastreia em dois fundamentos - conforme se infere de sua motivação -, a saber: (i) o conceito de "valor de mercado" estabelecido no dispositivo da lei comercial que prevê para tal provisão não se aplicaria para fins de dedutibilidade, mas, sim, aquele do art. 60, S 4 2 , do Decreto-lei n 2 1.598/77; e (ii) não seria permitida a dedutibilidade da referida provisão senão quando os bens fossem vendidos, isto é, quando da realização efetiva da despesa ou baixa do custo. 11. Fica evidente, da própria leitura da r. decisão, que esta inspirou-se, em sua motivação, nas afirmações de HIROMI HIGUCHI E FÁBIO HIROSHI HIGUCHI ("Imposto de renda das Empresas", 152 ed., Atlas, 1.991), exemplar do qual a recorrente tem em seu poder. Esses autores manifestam a mesma opinião da d. autoridade julgadora. Trata-se, pois, do método interpretativo chamado, em lógica formal, de "argumento de autoridade", consistente na invocação, em abono de ServiçoPúblicoFederal Processo n9 13709/000,028/89-91 16. Acórdão n9 103-12.738 um determinado raciocínio, de fontes que, por seu notório conhecimento da matéria, seriam idôneas para reforçá- lo. Acontece que, se idôneos são os Drs. HIROMI HIGUCHI E FÁBIO HIGUCHI, muito mais o é - data vertia - JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA, reputado advogado e jurista especializado em Imposto de Renda, e autor dos anteprojetos da Lei n2 6.404/76 e do Decreto-lei n2 1.598/77. E este, em sua obra "Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia" (Rio, 1989, pág. 341), afirma o seguinte: " A) CUSTO DE AQUISIÇÃO OU VALOR DE MERCADO, O QUE FOR MENOR - Os bens realizáveis devem ser avaliados pelo custo de aquisição, salvo se o valor de mercado atual for inferior, caso em que este valor deve prevalecer. Essa norma alternativa é assim justificada: (a) os bens realizáveis destinan-se a ser convertidos em dinheiro ,e LaQ devem ser avaliado nsa valor superior ao jãmercado aa data do balança poraue esse é o limite da realização do capital neles aplicado. (b) se o valor de mercado na data do balanço é superior ao custo de aquisição, o bem deve continuar avaliado pelo custo porque a diferença é lucro potencial, que somente deverá ser reconhecido nas contas de resultado quando realizado; (c) ps, o valor de mercado na data go balanço é inferior ao custo de aouisicão, a sociedade =rviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 córdÃo n9 103-12.738 empresária sofreu verda potencial aue deve - t acordo com o princivio conservadorismo - ser reconhecida independenete ggt realização," Estes, pois, são os critérios e conceitos de que a recorrente se utilizou e submeteu à apreciação da d. autoridade julgadora nas razões de sua impugnação - apuais se reporta para aue 112mg2 fazendo parte integrante e complementar 2a2 presentes. 12. Cumpre, agora, demonstrar que tanto a d. autoridade julgadora, como os autores por ela invocados estão data venia, errados: o conceito de " valor de mercado" e os critérios para que o ajuste do estoque a ele, mediante provisionamento, seja dedutível são aqueles da lei comercial. 12.1. Na verdade, O Decreto-lei na 1.598/77 estabeleceu que o lucro real, base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, é determinado a partir de um instituto do Direito Comercial: o lucro líquido do exercício (NILTON LATORRACA, "Direito Tributário - Imposto de renda das Empresas", São Paulo, 1990, pág. 131). E este deve ser apurado de acordo com os preceitos da lei comercial (Decreto-lei cit., art. 6, § ia). O lucro real - base de cálculo do imposto, repita-se - "... é 2 lucro à2 exercício aiustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas 2 Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 18.• -Acórdão n9 103-12,738 pela legislação tributária." (Art. 62, caput, do decreto-lei n 2 1.598/77). Quer dizer, o lucro real só é um conceito diferente do de lucro líquido do exercicio porque, para se chegar àquele, pode-se e/ou deve-se ajustar este através de adições, exclusões ou compensações, de modo que, se não houver disposição específica da lei tributária determinando o ajuste do lucro líquido do exercício, para o cálculo do lucro real, será aplicável, mesmo para este último, o procedimento da lei comercial. Ouça-se, novamente, JOSÉ LUIZ BULHÕES PEREIRA ("Imposto de renda - Pessoa Jurídica", Rio, 1979, vol. I, pág. 127): "3. Determinação do Lucro Líquido do Exercício com Observância dos Preceitos da lei Comercial - 21 1, fine do artigo 6 2 do DL n 2 1.598/77 dispõe que o lucro líquido do exercido deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Este dispositivo integra na legislação tributária as normas da lei comercial sobre apuração do lucro. Se o lucro real é determinado mediante aiustes do lucro líquido do exercício e este deve ser apurado com observância dos preceitos da lei comercial, a inobservância desses preceitos conduz a base de cálculo diferente da estabelecida pela 1 egi s lacão tributária. E sempre que a lei tributária não contiver norma especial (impondo, para efeito de determinar o lucro real, ajuste do lucro liquido do â /13- " • Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 19. AuSirtao. 1W 103-12.738 exercício) prevalecerá. Para efeitos fiscais, lei comercial." No mesmo sentido, veja-se NILTON LATORRACA (Ob. cit., págs. 131/132): "O lucro líquido do exercício, que é o ponto de partida para determinar o lucro real, deverá ser mantido com observância dos preceitos da lei comercial. Isso significa que a escrituração do contribuinte será mantida em registros permanentes, com obediência aos princípios da contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. ma livro de apuração do lucro real, deveriam ser feitos os lançamentos Previstos na legislação tributária diferentemente da legislação comercial." 12.2. À luz dessas inquestionáveis lições, examinaremos, agora, o que diz a legislação tributária sobre os ajustes consistentes em exclusões do lucro líquido do exercício. Dispõe o art. 6 2 , § 3 2 , (a), do Decreto-lei n2 1.598/77: "Art. 6 2 . (...) § 3 2 - Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja deducão seja • ServiçoPúblicoFederal Processo n9 13709/000.028/89-91 20. • Acórdão n9 103-12,738 autorizada pela legislação tributária e as 11a2 tenham, sido computados In apuracão gkt lucro líauido ciS2. exercício." A cláusula final da alínea (a) é de fácil justificação: se o lucro real é determinado a partir do lucro líquido, ajustando-se este para mais ou para menos de acordo com a legislação tributária, é claro que não se poderão excluir do lucro líquido valores que já foram excluídos para o cômputo desse mesmo lucro, eis que tal implicaria, a final, em duas exclusões da mesma verba. Contudo, para que os valores já computados no lucro líquido não pudessem ser excluídos, uma vez, para determinação do lucro real, seria necessário que a lei tributária expressamente determinasse sua adição àquele lucro líquido. Haveria semelhante determinação na legislação tributária, no que concerne à provisão para ajuste dos estoques ao valor de mercado ? Não ! Pelo contrário, a lei tributária permite o registro da importância dessa provisão como custo ou despesa operacional, verbis: "Poderão ser registradas, como custo ou despesa operacional, as despesas necessárias à formação de provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado, nos casos gm aue este aiuste é determinado pia lei." (RIR/80, ART. 222). Haverá determinação legal no sentido da ." Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 21. Acordo n9 103,12,738 realização desse ajuste ? Há, tanto na lei comercial, como na lei tributária, verbis: " Art. 183 - No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) III - os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo custo de aauisicão ou producão, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior;" (Lei n 2 6.404/76) " O custo de aquisição ou produção dos bens existentes na data do balanço deverá ser ajustado, mediante provisão, ao valor de mercado,se este for menor." ( RIR/80, art. 189) Pergunta-se: auando e em w..2 valor deve ser feito o cômputo dos bens do estoque. A lei tributária não contém nenhuma " norma especial" (cf. lição de BULHÕES PEDREIRA, acima citada, item 12.1.). Logo, a resposta se encontra na lei comercial. E esta. além de determinar que essa indicação seja feita no balanco (Lei n 2 6.404/76, art. 183, paput, e inciso III, trancritos acima), reza o seguinte, no § 1 2 desse mesmo artigo: 1;rr . .ServiçoPúblicoFedomml Processo n9 13709/000.028/89-91 22. Acórdio n9 103-12,738 § 1' - Par4 efeitos do disposto neste artigo, considera-se o valor de mercado: a) das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, o preço pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado; b) dos bens ou direitos destinados à venda, o preco líquido de realizacão mediante venda no mercado, deduzidos 2a impostos e demais despesas pecessárias Para A venda, e a margem de lucro; c) dos investimentos, o valor líquido pelo qual possam ser alienados a terceiros.• 12.3. Resumindo: (a) a determinação do lucro líquido do exercício é etapa necessária do cálculo do lucro real; (b) a determinação do lucro líquido deve-se fazer com observância dos preceitos da lei comercial; (c) o lucro real é determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais; (d) na ausência de norma especial relativa à apuração do lucro real, prevalecem, mesmo para efeitos fiscais, as prescriçõies da legislação comercial; %ServiçoPúbliconxleral Processo n9 13709/000.028/89-91 23. • Aácirdão n9 103-12.738 (e) a provisão para o ajuste dos bens de estoque no valor de mercado é exigida pela lei comercial, que estabelece o momento (albalanco) em que ela deve ser feita e o conceito, para tal fim, de valor de mercado, no art. 183, §12, (b), da Lei n o 6.404/76; (f) a lei tributária permite o registro, como custo ou despesa operacional, do valor da provisão em foco, quando o ajuste de que ela decorre é determinado na lei - o que, já se viu, resulta da lei comercial e também da fiscal; (g) não há disposição da lei tributária que determine a realização da provisão em tela em momentos e valores diversos dos estabelecidos na lei comercial. Cai, assim, por terra a argumentação da r. decisão recorrida, quando diz que a dedução do valor da provisão deve ser feita apenas quando realizada com a venda dos bens e que o valor de mercado deve ser conceituado nos termos de dispositivo da legislação aplicável à distribuição disfarçada de lucros. 12.4. Neste passo, deve-se criticar, veementemente, a argumentação dos autores HIROMI e FÁBIO HIGUCHI, quando afirmam que a distribuição disfarçada de lucros vale não só para esse efeito, ....como também para a avaliação dos estoques porque a lei fiscal não • :Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 24. ..• Acordao n9 103-12.738 poderia jamais ter duas definições sobre o valor de mercado." (Cf. ob.cit., pág. 92). Bem se vê que se trata de pessoas que, afeitas sem dúvidas aos meandros da legislação fiscal, não o são ao sistema jurídico pátrio, do qual o direito tributário não pode ser dissociado. É claro que a lei pode ter mais de uma definição de valor de mercado, desde que essas definições não se apliquem a uma mesma finalidade ou hipótese. Há, sob esse ângulo, que distinguir as normas genéricas (que se aplicam a quantos venham a se situar sob sua incidência, em função dos pressupostos que elas enunciam) das normas Particulares, cujo conteúdo somente se aplicam a casos particulares (MIGUEL REALE, "Lições Preliminares de Direito", São Paulo, 1977, pág. 137). Nessa linha de raciocínio, mesmo que o conceito de valor de mercado" estabelecido pelo Decreto-lei n2 1.598/77 no que concerne à distribuição disfarçada de lucros fosse uma norma genérica - e não é, eis que se refere apenas a tal instituto -, ainda assim seu comando cederia à norma particular estabelecida no art. 183, â i, (b), da Lei 404/76, que, "para efeitos do disposto neste artigo", define " valor de mercado" de modo diverso. Dir-se-á que a definição de "valor de mercado" do art. 60, 42, do Decreto- lei n 2 1.598/77 é a da lei tributária e a do art. 183, â ia (b), da Lei 6.404/76, é da lei comercial. Mas, aí • -ServiçoPúblicoFederal Processo n9 13709/000.028/89-91 25. AccirdÃo n9 103-12.738 é que está: a Lei n 2 6.404/76 é, especificamente em relação aos ajustes de valores de mercado, lei tributária, porque o Decret-lei n 2 1.598/77 incorpora à legislação tributária todos os dispositivos da lei comercial não modificados por "norma especial" de natureza fiscal (cf. BULHÕES PEDREIRA, item 12.1., acima). 12.5. Dito isto, cabe examinar o ajuste a qual procedeu a Recorrente se justifica. O laudo complementar do assistente técnico da recorrente demonstrou que a elaboração dos produtos objeto de sua atividade comercial - couros - exige sejam utilizadas, no processo parcelas de cerca de 10% a mais da peça elaborada. Em certos casos, como de "pelicas", essa parcela excedente chega a 40%. Esse excesso, não incorporado ao produto elaborado, constitui "resíduo" ou "refugo", que na linguagem técnico- contábil norte-americana se chama weste meter lei(literalmente, "material desperdiçado") e, no jargão da indústria de couros, "aparas". Ora, tais "aparas" não têm as mesmas condições de comercialização das peças, muito maiores, de que são sobras, pelo evidente motivo de que outras indústrias também precisam de peças maiores para serem elaboradas. Em outras palavras, o mercado para as essas "aparas" é muitíssimo mais restrito do que o existente para as -. Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 26.• Acorda° n9 103-12.738 peças de onde elas provém. No entanto, não fosse a determinação a respeito formulada pala legislação, elas prosseguiriam registradas pelo mesmo valor (custo) de aquisição das peças, maiores, de que são "sobras". Porque essa perda, no exercício em que se dão as sobras, é apenas potencial, a lei, em homenagem ao princípio contábil do conservadorismo, determina que o ajuste, para menos, do valor das aparas se faça mediante provisionamento. O laudo do assistente técnico da Recorrente demonstra, à sociedade, a justeza do procedimento a respeito adotado por ela. Há, inclusive, alguns acórdãos esparsos permitindo a dedução do valor integral dessas aparas, independentemente de provisionamento, coisa que a Recorrente, em respeito ao princípio do conservadorismo, não fez. A r. decisão recorrida afirma que a Recorrente não comprovou o valor de mercado desses bens. Ora, na realidade ela o fez, de acordo com os critérios da lei comercial - que, no caso, são os da lei fiscal, à falta de "norma especial" desta, em contrário. Como quer que seja, é evidente que as "aparas" valem menos do que a peça inteira. Se a d. autoridade considera irrealista os valores a que chegou a Recorrente, então demonstrasse essa circunstância Lato, • Selnriço Público Federal Processo /19 13709/000.028/89-91 27. Acórdão n9 103-12.738 fundamentadamente. O que ela não pode fazer diante da evidente circunstância apontada (i. e., de que as sobram valem menos do que a peça inteira), é simplesmente argumentar que o valor menor não é real e, por isso, deve prevalecer o valor histórico do custo de aquisições, porque isso vai de encontro a determinações expressas das leis comerciais e fiscais." Irrelevante para manter a tributação em casos tais, ponderações sobre a complexidade dos métodos usados e\ou mesmo a existência de um referencial externo, consoante registrado no termo de DILIGÊNCIA PERCIAL (fls.363). " Pelas planilhas de custos constantes como anexo da autuação e reforçada com novas ora apresentadas, depreende-se que a empresa SACC usa de métodos complexos para chegar ao valor de mercado de seus produtos em estoque, buscando atender as normas aplicáveis, já que não existe um referencial externo consistente para avaliação segura para os, cerca de, 500 a 800 itens de seu estoque. Criou um "T / M" para seus produtos com o peso/freqüência de cada despesa sobre os tipos de produto; aplicando, como um deflator sobre os preços de venda, os percentuais encontrados, dando como resultado dessa operação o VALOR DE MERCADO ITEM POR ITEM para comparar com os mesmos itens do estoque e constituindo com a diferença a PROVISÃO. A provisão constituída, conforme dito acima e mostrada no anexo A, se baseia -11r ....W2WW1op Feleral Processo n9 13709/000.028/89-91 Acórdão n9 103-12.738 no preço de venda fornecido pelo Setor de Vendas, anexo C, reduzido dos percentuais ou pesos da tabela de despesas indiretas e impostos incidentes sobre as vendas, anexo B." A justificativa e explicação da PROVISÃO PARA AJUSTE DE ESTOQUES de que se trata, estio plenamente áclaradas, segundo se vê às fls. 365/366: PROVISÃO PARA AJUSTE DE ESTOQUE 1. Sobre o Valor de Mercado No ramo de curtume é habitual (costume) se trabalhar sob encomenda. Não existe a seguinte particulariedade: - para atender um pedido p.ex. de 100 m2 OR (standard) de couro, a SACC tem que produzir ca. 110 m2 de couro para poder tirar 100 m2 OR que o cliente pediu e o resto (classificações inferiores, fora de cor, etc.) vai para o estoque. Podemos dizer que todo o estoque é composto de couros com problema de qualidade, fora de cor, etc.. A SACC não produz couro OR para o estoque. Para conseguir vender estes estoques de qualidades inferiores e sobras de produção problemáticas, o Dpt o de Vendas tente, mediante negociação de produto no mercado de classificações inferiores (sapateiros, intermediários que vendem para o interior e não as tradicionais fábricas de sapatos que exportam e que trabalham com couro OR- standard), obter o melhor preço possível, que é obviamente bem abaixo ..Sers.d.00Pttlikx)Ferleial Processo n9 13709/000.028/89-91 29. AcórdÃo n9 103-12.738 do couro OR e conseqüentemente tirando o impostos e despesas de vendas pode ficar abaixo do estoque contábil. 2. Sobre A Valorização ffla Estoque Contábil A SACC usa o seguinte conceito: Exemolo 31.12 Valor de estoque anterior 30.11 + Valor Custo dg fabricacão DESP. F.) ata -Custo de Pabz.Venda-Dez pelo TM moderado - Vx. Estoque Final-Dez 3. Sobre o Valor "Provisão vara Ajustes dos Estoques ao Valor de Mercado": A SACC usa o seguinte conceito: - Valos de mercado de cada produto no estoque em 31.12 (vide item 1) Deduzidos: . Impostos . Demais despesas necessárias pata a venda (comissões, fretes, margem de contribuição) . Margem de lucro (0% em nosso caso) = Estoque apurado ao valor de mercado Obs.: Para apurar os impostos e demais despesas necessárias para avenda de % (porcentagem) sobre o valor do mercado em 31.12, a SACC usa o TM ponderado s/ Øt •. Serviço PublicoFedem:al Prooesson9 13709/000,028/89,91 3 Acórdão n9 103-.1,21738 o TM ponderado de venda dos meses SEt., Out., Nov., por se tratarem de meses típicos (enquanto o mês de Dez, é um mês atípico - feriados, férias coletivas, etc.)." Com mais riqueza de detalhes, são os dizeres do ASSISTENTE TÉCNICO da recorrente, fls. 391/393: "2. No segmento operacional da impugnante, pode-se constatar que para a produção de um determinado número de metros quadrados de couro é necessário, no mínimo, a utilização de uma percentagem ao redor de 10% a mais desse mesmo produto. Os testes revelaram que, por exemplo, para se produzir 100 m2 de couro, a impugnante utiliza 110 m2 desse mesmo couro. Os 10 m2 excedentes constituem as chamadas aparas, que não deixam obviamente de ser um produto acabado, porém, com uma qualidade inferior ao produto principal e, por isso mesmo, imprestável àquele mercado mais exigente. Tomando ainda o mesmo exemplo aqui citado, a Impugnante, ao apurar o seu custo de produção não leva em conta as aparas, as quais, como vimos, correspondem a um percentual de 10% custeando tal produto apenas pelos 100 m2 de couro. Portanto, essas aparas permanecem nos estoques da impugnante, valorizadas pelo mesmo valor de fabricação do produto principal. Tendo em vista que tais aparas são vendidas como um produto de categoria inferior (ou, como denominado no '..ServicoPúb'licoFedpral Processo n9 13709/000.028/89-91 31. Acórdão n9 103-12.738 mercado de produto, de segunda), o seu preço de venda é naturalmente bem menor do que aquele do produto principal. Daí a necessidade de, ao final de cada exercício social, ajustar o valor dos mesmos estoques ao seu efetivo valor de mercado. O mesmo ocorre com um outro produto - a pelica - porém com um percentual superior àquele de 10%, o qual gira em torno de 40%. 3. A provisão para ajuste dos estoques em questão é calculada levando em conta a diferença entre o valor de mercado das aparas (líquido dos encargos) e o valor pelo qual elas estão registradas nos livros contábeis. Na prática, o valor de mercado dos estoques de apara (líquido dos encargos) é o resultado da multiplicação do valor médio unitário das vendas no mês de dezembro de cada ano-base pela margem de contribuição média apurada no mesmo período, a qual é reduzida pelo valor dos impostos e demais despesas necessárias de venda. Os quadros demonstrativos apresentados nos Anexos I e II ilustrem como a impugnante, de forma consistente, tem apurado o valor da provisão para ajuste dos estoques bem como a sua margem de contribuição. Dispõe o art. 183, § 1', item b, da Lei 6.404 de 15/12/76. (Lei das Sociedades por Ações): áruolico Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 'Acórdão n9 103,12.738 "S 1 2 Para efeito do disposto neste artigo, considera-se valor de mercado b) dos bens ou direitos destinados à venda, o preço líquido de realização mediante venda no mercado, deduzidos os impostos e demais despesas necessárias para a venda, e a margem de lucro;" À luz do citado artigo e tendo em vista o critério adotado pela impugnante na apuração da provisão para ajuste dos estoques ao valor de mercado, pode-se concluir que o mesmo está de conformidade com as normas comerciais em vigor. No que se refere à dedutibilidade para fins de Imposto de renda, estabelece o Decreto n 2 85.450 de 04.12.80 (regulamento do Imposto de senda) em seu art. 189 que: "0 custo de aquisição ou produção dos bens existentes na data do balanço deverá ser ajustado, mediante provisão, ao valor de mercado, se este for menor (Decreto-lei n2 1.598/77, art. 42, 62)". Conforme levantamento efetuado pela impugnante para determinar a provisão necessária para o ajuste dos estoques conforme se demonstra a seguir, os valores envolvidos para o período de 1983 e 1985, foram os seguintes: CR$ PRODUTO$ aMUM. 1983 1984 1985 Grupo 03 Solaria 13.279.509 311.756.676 fe. . - . Serviço Público Federal Processo n9 13709/000.028/89-91 33. "Acórdão n9 103-12.738 04 Viras 10.115.484 157.401 120.729.424 05 Jaquetas 43.762.056 79.075.868 330.419.663 07 Correias 10.396 08 Artefatos 14.874.564 62.545.044 2.146.388 25 Peles 1.955.133 7.119.703 95.144.340 40 óleos 844.527 41 Stahl 3.740.056 256,108 2.508.004 TOTAL 88.581.725 149.154.124 862.704.495 PROVISÃO CONSTITUÍDA 62.402.641 149.154.124 862.704.495 n 'se=sm --------- " "="man= SOBRA 26.179.084 PRODUTOS SEMI ACABADOS Grupo 41 Stahl 4.500.193 ------- Ante o exposto, pode-se concluir que os valores da provisão para ajustes dos , estoques ao valor de mercado, contabilizados pela impugnante, se justificam sob o ponto de vista legal e atendem, outrossim, os requisitos de dedutibilidade para fim de Imposto de Renda." A objeção de que mesmo assim a contribuinte não teria logrado comprovar, nem mesmo por intermédio do exame pericial realizado, o valor de mercado segundo o conceito fiscal (fls.406, 6 2 parágrafo), perde completamente o sentido porque, conforme visto: 1 2 ) A empresa demonstrou - comprovou ire Serviço Público Federal Processo rG 13709/000.028/89-91 34. . -AceirciÃo n9 103-12.738 através de método racional, os valores a que chegou, sem que a essa metodologia fosse oposta qualquer resistência mais consistente; 2 2 ) Não está em jogo o valor de mercado usado para a figura distinta e especialíssima da distribuição disfarçada de lucros. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, porque tempestivo, para, no mérito, dar- lhe provimento. Brasília (DF), 25 e agosto de 1.992 Conselheiro D er de ssunção - Relator (0) • Page 1 _0065400.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1 _0065700.PDF Page 1 _0065900.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066700.PDF Page 1 _0066900.PDF Page 1 _0067100.PDF Page 1 _0067300.PDF Page 1 _0067500.PDF Page 1 _0067700.PDF Page 1 _0067900.PDF Page 1 _0068100.PDF Page 1 _0068300.PDF Page 1 _0068500.PDF Page 1 _0068700.PDF Page 1 _0068900.PDF Page 1 _0069100.PDF Page 1 _0069300.PDF Page 1 _0069500.PDF Page 1 _0069700.PDF Page 1 _0069900.PDF Page 1 _0070100.PDF Page 1 _0070300.PDF Page 1 _0070500.PDF Page 1 _0070700.PDF Page 1 _0070900.PDF Page 1 _0071100.PDF Page 1 _0071300.PDF Page 1 _0071500.PDF Page 1 _0071700.PDF Page 1 _0071900.PDF Page 1
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Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 1996
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DE 1986 A 1990 RECORRENTE: WANAIR TÁXI AÉREO LTDA RECORRIDA : DRF EM BELO HORIZONTE (MG) SESSÃO DE : 10 DE JULHO DE 1996 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 CUSTOS E DESPESAS - Os gastos realizados com a aeronave integram o custo de sua venda, sendo legitima a sua dedução do Imposto de Renda. OMISSÃO DE RECEITA - CORREÇÃO MONETÁRIA - É procedente o ajuste da correção monetária dos bens ativados a destempo. Contudo, cabe, igualmente, a dedução das variações monetárias vinculadas a esses bens, o ajuste dos encargos de depreciação, bem como considerar os desdobramentos legais e fiscais pertinentes. INTEGRALIZAÇÕES DE CAPITAL FEITAS POR SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS - A falta de comprovação da origem e efetiva entrega do numerário para integralização de aumento de capital autoriza a presunção de omissão de receita na forma do artigo 181 do RIR/80. Descabe a presunção legal em relação aos aportes de capital por sócios que anteriormente a esse fato não integravam a sociedade. INTEGRALIZAÇÕES DE CAPITAL E EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO PESSOA JURÍDICA - Não configura a hipótese de omissão de receita a integralização de capital e empréstimo de sócio pessoa jurídica, estando devidamente escrituradas as operações nas duas empresas e comprovadas por documentação hábil e idônea. Cabe ao Fisco, em tal situação, o ônus da prova em contrário. VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no parágrafo 4° do artigo 1° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n°8.218/91. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e d - utidos os presentes autos de recurso interposto por WANAIR TÁXI AÉREO LTDA., MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N*: 103-17.572 ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho d Contribuintes por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso par: excluir da tributação as importâncias de Cr$ 265.150.651,00, CZ$ 11.617.228,00, CZ$ 205.336.047,00, CZ$ 351.875.755,00 e NCZ$ 9.739.947,00 ) nos exercícios financeiros de 1986, 1987, 1989 e 1990, respectivamente, bem como excluir a incidência da TRD no período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • 4J - tØRlr3J s44iJBER PaDE:TEkp VILSO :IAD* • RE s . tri FORMALIZADO EM 18 NOV 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Márcia Maria Lória Meira, Otto Cristiano de Oliveira Glasner, Victor Luís de Salles Freire, Sandra Maria Dias Nunes, Márcio Machado Caldeira e Raquel Elita Alves Preto Villa Real. e . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 RECURSO N°: 109.843 RECORRENTE : WANAIR TÁXI AÉREO LTDA. RELATÓRIO WANAIR TÁXI AÉREO LTDA, qualificada nos autos, recorre a este Conselho, contra a decisão de primeira instância que manteve parte da exigência descrita no Auto de Infração de fls. 02. De acordo com a decisão de primeira instância, a matéria tributável remanescente é formada pelas seguintes parcelas: 1. CUSTOS/DESPESAS INDEDUTíVEIS Glosa de despesas relativas a aeronaves que não apresentaram receitas correspondentes aos dispêndios em determinados períodos: a) PT - LHU . Ano-base 1.986 Cz$ 447.768,72 b) PT - LQC . Ano-base 1987 Cz$ 1.195.274,20 2. VARIAÇÕES MONETÁRIAS EM EXCESSO Glosa de despesas de variação monetária passiva calculada em excesso, relativa à parte não impugnada (matéria não litigiosa). . Ano-base de 1987 Cz$ 895.356,00 Ç. MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 2. OMISSÃO DE RECEITAS Correção monetária a Menor do Ativo Imobilizado - conta "Aeronaves", conforme quadros demonstrativos: •Ano-base 1986 Cr$ 9.018.821,00 • Ano-base 1987 Cz$ 200.904.611,00 •Ano-base 1988 Cz$ 351.297.693,00 . Ano-base 1989 Ncz$ 9.141.605,00 3. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizada por integralização de capital pelos sócios da empresa (pessoas físicas), sem a comprovação da origem e da efetiva entrega dos numerários. . Ano-base 1985 Cr$ 152.399.028,00 . Ano-base 1986 Cz$ 1.524.000,00 •Ano-base 1988 Cz$ 2.800.000,00 4. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizada por empréstimos e integralizações de capital efetuados por sua sócia Construtora Cowan S/A., sem que houvesse a comprovação da efetividade da entrega dos numerários à autuada. . Ano-base 1985 Cr$ 152.751.623,00 . Ano-base 1986 Cz$ 2.886.940,52 . Ano-base 1987 Cz$ 3.236.162,07 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011191-95 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 • Ano-base 1988 Cz$ 578.062,89 •Ano-base 1989 Ncz$ 598.342,00 Em suas razões de defesa, a contribuinte argumenta, em síntese, o que segue: 1. Com relação à glosa de custos e despesas indetutíveis, diz que os gastos (custos/despesas), classificam-se em: fixos e variáveis. Os custos fixos nem sempre apresentam correlação direta com as receitas; - que a aeronave PT-LHU foi adquirida em 23.12.85, através de um leilão promovido pelo Banco Nacional da Habitação e vendida um ano depois (26.12.86) à Grasa Táxi Aéreo de Curitiba-PR; - que seu estado de conservação exigiu gastos para que fosse colocada em condições de uso e de venda e que 13% (treze por cento) dos dispêndios refere-se a impostos e seguros; - caso não se aceite as despesas como operacionais, a decisão só poderia considerá-las como imobilizáveis e agregadas ao custo do bem, que por sua vez comporia a resultado de sua alienação e teria o mesmo efeito na apuração do lucro real; - Em relação à aeronave PT - LQC a contribuinte concorda expressamente m a exigência e diz ter recolhido o imposto devido através dos DARF de fls. 763/764. MINISTÉRIO DA FAZENDA 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 2. Sobre a omissão de receitas relativa à correção monetária disse que a fiscalização deixou de considerar os valores de correção monetária das aeronaves PT - IRO e PT LSW, contabilizados no balanço de 30.06.87; AERONAVE PT - LHR - sustenta o procedimento adotado alegando que a aeronave importada em 20.06.86 pertencia a Lider Táxi Aéreo Ltda., da qual só adquiriu em 15.10.87, conforme contrato de transferência do financiamento; - que contabilizou a correção monetária correspondente aos pagamentos parciais feitos à vendedora em junho e setembro de 1987, e das parcelas relativas ao contrato de financiamentos em 1986; - que os pagamentos não foram nada mais do que reserva de negócio, pendente da vontade de terceiros como intervenientes no contrato de financiamento para a aquisição do bem; - anexou cópia de documentos do arquivo da LIDER para comprovar que a aeronave estava registrada no imobilizado da LIDER, sujeita à correção monetária, e que a mesma só foi baixada em 15.07.87; - que o Fisco sabia que a aeronave pertencia a LIDER, pois em 19.12.86, como providência preliminar necessária à sua aquisição, foi requerida à Receita Federal autorização para transferência de sua propriedade, já que o equipamento estava sujeito ao regime de admissão temporária, com suspensão dos impostos devidos na importação; AERONAVE PT - LIF @i MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 - que o fisco pretende corrigir o bem desde 24.05.86 (data do desembaraço aduaneiro), quando a empresa imobilizou a aeronave somente em 24.07.86; - a recorrente reclama quanto aos efeitos decorrentes dessa retificação, pois o Fisco não ajustou: (i) o valor de aquisição (Variações monetárias passivas); (ii) a depreciação desde a data pretendida pelo Fisco; (iii) os efeitos da correção no Patrimônio Líquido, a partir do segundo ano (Reserva oculta); - que o Fisco deixou de considerar os valores contabilizados no balanço intermediário de 30.06.87. - em seguida, demonstra que não existe diferença a tributar em nenhum dos períodos examinados. AERONAVE PT - LQC - que o fisco pretende corrigir o bem maio de 1989 (data do pagamento de 15% do valor da aeronave como sinal de negócio e do desembaraço aduaneiro), quando a empresa imobilizou a aeronave somente em outubro de 1989. - a recorrente reclama quanto aos efeitos decorrentes dessa retificação, pois a fiscalização não ajustou: (i) o valor de aquisição (Variações monetárias passivas); (ii) a depreciação desde a data pretendida pelo Fisco; - considerando esses ajustes, demonstra em seguida, que não existe diferença a tributar em nenhum dos períodos examinados. 3. Quanto à omissão de receita, caracterizada por suprimentos de caixa efetuados pelos sócios (pessoas físicas), a recorrente argumenta que a aplicação do @riff) MINISTÉRIO DA FAZENDA 8 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 artigo 181 do RIR/80 carece de prova da omissão de receita ou indicação de indícios veementes de sua existência, o que não foi feito; - que a integralização de capital ocorreu no ato da admissão dos novos sócios ao quadro societário, o que afasta qualquer possibilidade dos recursos representaram receitas omitidas anteriormente; 4. No tocante aos suprimentos de caixa por parte da sócia pessoa jurídica, argumenta que a legislação vigente só admite o arbitramento do valor de recursos supridos à pessoa jurídica nos casos em que seja provada a omissão de receita, mas não se admite que se presuma ou arbitre a omissão de receita. Esta deve ser provada; - que o aporte de recursos financeiros à pessoa jurídica não caracteriza omissão de receita, nem indício dela, como pretende o Fisco. O valor desse aporte pode ser tomado como parâmetro para o arbitramento do valor da omissão, se provada previamente a existência da omissão de receita. - a tentativa do fisco de inverter o ónus da prova, que leva ao absurdo jurídico de pretender que o contribuinte produza a prova negativa de omissão de receita, não pode ter guarida da autoridade julgadora; - que os valores foram entregues por pessoa jurídica e, conforme comprovado no anexo 'G* da impugnação, regularmente registrado tanto na contabilidade da supridora, quanto na contabilidade da recorrente; - não há porque exigir outra prova da efetividade da entrega e Q da origem do numerário aportado além dos registros contábeis das pessoas jurídicas; (1)\\") MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CESSO N°: 10680/003.011/91-95 ARD/StO N° : 103-17.572 - que a origem dos recursos está justificada pelas atividades empresarias a empresa supridora e a efetividade pela transferência através de contas bancárias ou novimentacão em dinheiro, tudo de conformidade com os registros contábeis de ambas empresas. - que o Conselho de contribuintes reconheceu a impropriedade de se exigir prova da efetiva entrega e origem dos recursos supridos por pessoa jurídica quando, no acórdão n° 103-10077/90, diz que o art. 181 do RIR/80 é inaplicável aos casos de suprimentos de caixa feitos por pessoa jurídica. Cita, ainda, outros acórdãos no mesmo sentido. Por fim, questiona a cobrança da TRD, por entender que a mesma não pode ser aplicada aos tributos. É o relatório. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA to PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 VOTO Conselheiro VILSON BIADOLA - Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. No mérito, abordam-se, a seguir, as matérias que integram e materializam o presente litígio: a) Custos/Despesas Indedutiveis: Sobre a glosa de custos e despesas da aeronave PT - LHU, entendo que assiste razão à recorrente, dado que entre os valores glosados predomina os gastos com aquisição de peças e conservação da aeronave, que foi alienada em 26.12.86, conforme comprovam os documentos de fls. 713/717. A glosa decorreu do fato da referida aeronave não ter produzido receita operacional. Todavia, tratando-se de gastos efetivos, tais valores integram o custo da aeronave por ocasião de sua venda ocorrida dentro do próprio ano-base, razão pela qual deve ser excluída da tributação a importância Cz$ 447.768,72, no exercício de 1987, ano- base de 1986. b) Omissão de Receita - Correcão Monetária - Aeronaves: AERONAVE PT-IRO As fichas do razão contábil anexadas às fls. 258, 720 e 723, demonstram que a fiscalização não considerou a correção mon ria (credora) contabilizada pela empresa em 30.06.87, no valor de Cz$ 1.249.970,87. MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 i PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 Osaldo corrigido do bem em 31.12.87 apresentado pela fiscalização de Cz$ 3.421.951,00 (fls. 328) é menor que o saldo contábil registrado nas demonstrações da recorrente Cz$ 3.421.956,94. Desta forma, é procedente a alegação da recorrente. AERONAVE PT - LSW As fichas do razão contábil anexadas às fls. 259, 721 e 723, comprovam que o Fisco não considerou a correção monetária (credora) contabilizada pela empresa em 30.06.87, no valor de Cz$ 21.297.970,16. Osaldo corrigido do bem em 31.12.87 apurado pela Fiscalização de Cz$ 58.305.948,00 (fls. 329) é coincidente com o saldo contábil registrado nas demonstrações da recorrente. Dou provimento também a este item do recurso. AERONAVE PT - LIF O Fisco tem razão quando considera que a empresa deveria ter imobilizado a aeronave com base no valor de cotação do dólar vigente na data do desembaraço aduaneiro. Todavia, é se de admitir que a diferença de correção monetária no período base encerrado em 31.12.86, foi de apenas Cz$ 395.614,37, que representa a diferença entre o valor corrigido encontrado pelo Fisco de Cz$ 26.050.866,00 (fls. 331) e o valor consignado na contabilidade da recorrente de Cz$ 25.655.251,63 (fls. 260 e 722), isso porque também houve insuficiência de variação monetária passiva quando a (Qempresa imobilizou a aeronave pelo valor nominal superior ao considerado pelo Fisco. i MINISTÉRIO DA FAZENDA 12 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 Ademais, cabe reconhecer que a recorrente também tem razão quando pleiteia o correspondente ajuste na conta de depreciações na ordem de Cz$ 927.931,94, no ano-base de 1986. Em conseqüência, não há diferença tributável no exercício de 1987, ano- base de 1986. No ano-base de 1987 constato que a fiscalização também não considerou a correção monetária contabilizada em 30.06.87, no valor de Cz$ 40.677.320,99, conforme noticiam as fls. 260, 722 e 723 dos autos. Assim, a diferença (saldo) de Cz$ 1.908.834,00, também deixa de existir com o ajuste das contas de depreciações e de patrimônio líquido (reserva oculta), em consonância com a jurisprudência reinante deste Conselho. O mesmo se repete nos anos-base de 1988 e 1989, conforme demonstrado pela recorrente em seu apelo ( fls. 695 a 697). AERONAVE PT - LQC Ainda que o Fisco tenha razão quando considera que a empresa deveria ter imobilizado a aeronave com base no valor de cotação do dólar vigente na data do desembaraço aduaneiro, é de se rejeitar a tributação pretendida, pois tal irregularidade restou compensada com a insuficiência de variação monetária passiva decorrente da imobilização da aeronave por valor superior nominal ao considerado pelo fisco. Em conseqüência, no balanço de 31.12.89, o custo de aquisição corrigido da aeronave em questão era de Ncz$ 10.306.967,06 (fls. 272), portanto superior ao valor encontrado apurado pela Fiscalização de apenas cz$ 9.236.011,00, o que demonstra que não houve prejuízo ao fisco, neste particular. MINISTÉRIO DA FAZENDA 13 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 AERONAVE PT - 1HR O Contrato celebrado entre a LIDER TÁXI AÉREO LTDA., e a recorrente (fls. 67/69), não deixa qualquer dúvida sobre a efetiva aquisição da aeronave por parte da recorrente em 24.04.86, cujo desembaraço aduaneiro se deu em 20.05.86 (fls. 283). Corrobora este entendimento o Termo de Apreensão de documentos lavrado às fls. 64/66. Confirmado esse fato é de se examinar as conseqüências fiscais dele decorrentes. É que a fiscalização também não levou em consideração: (i) a correção monetária contabilizada pela empresa em 1986; (ii) a insuficiência de variação monetária passiva face a imobilização da aeronave por valor maior que o devido; (iii) o ajuste dos encargos de depreciação; e (iv) os reflexos da correção monetária no Patrimônio Líquido (Reserva Oculta). Assim temos: Exercício de 1987, ano-base 1986: . Valor tributado Cz$ 8.057.913,00 (-) C.M. contabilizada (não considerada pelo Fisco - fls. 219) Cz$ 308.428,55 (-) ajuste da taxa de depreciação: (449.660,3327 x 0,20 : 12 x 8) x 119,49 = 7.163.988,48 (-) valor contabilizado 150 805.39 Cz5 7.013.182 59 (=) diferença a tributar Cz$ 736.301,86 . Diferença em quantidade de OTN 6.182,0375 Exercício de 1988. ano-base 1987: Q t MINISTÉRIO DA FAZENDA 14 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 .Valor Tributado Cz$ 135.770.229,00 (-) diferença entre o valor ativado e o correto (V.M. Passiva) Cz$ 95.026.532,52 (-) diferença de depreciação: 449.660,3327 x 0,20 = 89.932,0665 89.932,0665 - 25.622,9725 x 522,99 Cz$ 33.633.013,07 (-) C.M. depreciação 1986: 58.692,6319 x (522,99- 119,49) Cz$ 23.682.476,99 (-) C.M. do Patrimônio Líquido ajustado em 1986: 6.182,0375 OTN x (522,99- 119,49) Cz$ 2.494 452,13 (=) Valor ajustado Cz$ (19.066.245,71) . Diferença em quantidade de OTN 36.456,2338 _ Exercício de 1989, ano-base 1988: .Valor Tributado Cz$ 332.492.063,00 (-) diferença de depreciação: 449.660,3327 x 0,20 = 89.932,0665 89.932,0665 - 77.448,9634 x 4.790,89 Cz$ 59.805.173,81 (-) C.M. depreciação 1986: 58.692,6319 x (4.790,89 - 522,99) Cz$ 250.494.283,70 (-) C.M. depreciação 1987: 64.309,0940 x (4.790,89 - 522,99) Cz$ 274.464.782,30 (-) C.M. do Patrimônio Líquido 1986: 6.182,0375 OTN x (4.790,89 - 522,99) Cz$ 26.384.317,85 (+) C.M. do Patrimônio Líquido 1987: 36.456,2338 x (4.790,89 - 522,99) Cz$ 155.591.560,20 ()Valor ajustado Cz$ (123.064.934,46) •Diferença em quantidade de OTN 25.687,2803 Exercício de 1990, ano-base 1989: .Valor Tributado Ncz$ 7.151.492,00 (-) diferença de depreciação: 89.932,0665 x 6,92 = 622.329,9002 (-?) MINISTÉRIO DA FAZENDA 15 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO 14°: 103-17.572 622.329,9002 - 354.889,4897 x 10,9518 Ncz$ 2.928.953,88 (-) C.M. depreciação 1988: 58192,6319 x 6,92 x 10,9518 - (58.692,8319 x 4,79089) Ncz$ 4.168.918,82 (-) CiA. depreciação 1987: 84.309,0940 x 6,92 x 10,9518- (64.309,0940 x 4,79089)....Ncz$ 4.565.680,52 (-) C.M. depreciação 1988: 12.483,1031 x 8,92 x 10,9518 - (12.483,1031 x 4,79089)....Ncz$ 888.244,97 (-) C.M. do Patrimônio Liquido 1986: 6.182,0375 x 6,92 x 10,9518 - (6.182,0375 x 4.79089) Ncz$ 438.897,25 (+) C.M. do Património Liquido 1987: 38.458,2338 x 8,92 x 10,9518 - (36.456,2338 x 4,79089) Ncz$ 2.588.230,95 (+) C.M. do Patrimônio Liquido 1988: 25.887,2803 x 6,92 x 10,9518 - (25.687,2803 x 4,79089) Ncz$ 1.808.864.13 (=) Valor ajustado Ncz$ (1.423.267,29) . Diferença em quantidade de BTN Fiscal 129.957,3851 No caso, após os ajustes em todas as contas envolvidas nesta irregularidade, conclui-se que somente o Lucro real do exercício de 1987, ano-base de 1986 é que foi subtraído no valor de Cz$ 736.301,86, razão pela qual deve ser dato provimento parcial ao recurso, nesta parte. c) Omissão de Receitas - Suprimentos de Caixa (Pessoas Físicas) Pertinente aos suprimentos de caixa efetuados pelos sócios, pessoas físicas, destinados a aumentos de capital, é jurisprudência neste Conselho de Contribuintes, de que caracteriza omissão de receita a falta de comprovação tanto da origem quanto da efetiva entrega do numerário. Em qualquer das fases de defesa, a recorrente ao menos tentou trazer com rovação destes fatos, simplesmente alegando capacidade financeira dos supridores. MINISTÉRIO DA FAZENDA 16 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 Ante a precariedade das provas e fundamentos, prevalece o disposto no artigo 181 do RIR/80, exceto com relação aos suprimentos realizados em 25.04.85, data em que os supridores foram ingressaram como sócios da empresa, conforme Alteração de Contrato Social de fls. 368/372, dado que até então os supridores não se enquadravam entre as pessoas elencadas no mencionado diploma legal. Dou assim provimento parcial a este item do recurso para excluir da tributação a importância de Cr$ 112.399.028,00, no exercício financeiro de 1986. d) Omissão de Receitas - Suprimentos de Caixa (Pessoas Jurídicas): Para comprovar a origem e efetiva entrega dos recursos por parte da Construtora Cowan S/A., a contribuinte apresentou com a impugnação, um Quadro Demonstrativo e os documentos que integram o Mexo "G" (fls. 560/644), onde relacionou todos os valores tributados e seus respectivos comprovantes. Acentuou ainda, que todos os suprimentos foram regularmente escriturados na contabilidade de ambas a empresas. Nessa parte, a decisão monocrátic,a simplesmente acolheu as razões constantes da Informação Fiscal, conforme abaixo transcrito: "A propósito, em fls. 716, a Fiscalização se pronuncia, ressaltando que não aceitou, como prova da efetiva entrada dos recursos, os lançamentos contábeis efetuados pelas duas empresas e os cheques ao portador emitidos pela sócia e não depositados pela autuada. Esclarece que foram feitas exaustivas diligências em vários bancos, para verificação do destino dos referidos cheques, não tendo sido aceitos aqueles que não possuíam em seu verso a identificação da conta na qual foram depositados. Ressalta também a Fiscalização que foram solicitados os extratos bancários, não tendo sido os mesmos apresentados pela autuada, quer na ação fiscal, quer na impugnação. Em fls. 618 a 702 constam os recursos entregues pela sócia, pessoa jurídica, discriminados em dinheiro ou cheque.(grifei). MINISTÉRIO DA FAZENDA 17 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011/91-95 ACÓRDÃO N° : 103-17.572 Tendo em vista a não comprovação das entradas de caixa na fiscalizada, é legítima a presunção legal de omissão de receita, prevista no artigo 181 do RIR/80." (as fls. 716 e de 618 a 702, foram renumeradas para: 658 e de 560 a 744)." Como visto, o contribuinte trouxe aos autos uma grande quantidade de documentos, que a autoridade monocrática sequer examinou, preferindo acolher o frágil argumento de que *não possuia no verso dos cheques a identificação da conta na qual foram depositados". Ora, a identificação no verso do cheque é mero procedimento bancário, cuja inobservância não acarreta qualquer efeito fiscal. Tomando por exemplo, a emissão de um cheque pela COWAN, para pagamento de uma obrigação ou despesa da WANAIR, provavelmente, nesta hipótese o verso do cheque jamais identificaria o titular da conta depositada como sendo a WANAIR. Também não haveria identificação quando o cheque é sacado ou depositado no próprio banco. Com efeito, Competia ao Fisco, ao menos examinar a documentação trazida aos autos, tendo em vista o que estabelece o § 2°, do artigo 678, do RIR/80, segundo o qual "Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores como elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão". De outro lado, este Conselho tem decidido que: "EMPRÉSTIMO DE COLIGADA - Não configura a hipótese de omissão de receita o empréstimo contraído com empresa coligada, estando devidamente escriturada a operação nas duas empresas e comprovada as dívidas através de nota promissória. Cabe ao Fisco, em tal sityação, o ónus da prova em contrário? (Acórdão n° 101-76.532, de 1986). (IP _ MINISTÉRIO DA FAZENDA 18 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°: 10680/003.011191-95 ACÓRDÃO N°: 103-17.572 No caso em exame, inexiste qualquer prova produzida pelo Fisco que pudesse colocar em suspeita a realização das integralizações de capital ou empréstimos entre as empresas. Ao revés, foram apresentados documentos que corroboram os lançamentos contábeis em ambas as empresas, e que correspondem às operações efetivamente realizadas. Dou assim provimento a este item do recurso. Quanto à cobrança da TRD, é pacífico o entendimento deste Conselho que por força do disposto no artigo 101 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e no parágrafo 4° do artigo 1° do Decreto-lei n° 4.567, de 04 de setembro de 1942 (Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro), a Taxa Referencial Diária - TRD só poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as seguintes as importâncias de: Cr$ 265.150.651,00; Cz$ 11.617.228,00; Cz$ 205.336.047,00; Cz$ 351.875.755,00 e Ncz$ 9.739.947,00, nos exercícios financeiros de 1986, 1987, 1988, 1989 e 1990, respectivamente, bem como excluir a incidência da TRD no período de fevereiro a julho de 1991. Brasí 'a e l 10 de 'ulh• de 1 — •.i , • /,/ , • VIL • a i : • eQ4r. - RE••YOR O Page 1 _0074200.PDF Page 1 _0074400.PDF Page 1 _0074600.PDF Page 1 _0074800.PDF Page 1 _0075000.PDF Page 1 _0075200.PDF Page 1 _0075400.PDF Page 1 _0075600.PDF Page 1 _0075800.PDF Page 1 _0076000.PDF Page 1 _0076200.PDF Page 1 _0076400.PDF Page 1 _0076600.PDF Page 1 _0076800.PDF Page 1 _0077000.PDF Page 1 _0077200.PDF Page 1 _0077400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13821.000228/2008-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência)
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2002-007.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apura-se o imposto incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no ano calendário em exame com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias, observando-se o valor auferido mês a mês pelo contribuinte (regime de competência) A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 12/15) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física no exercício de 2007, ano-calendário de 2006. O lançamento tem origem na revisão da declaração de ajuste anual correspondente ao ano-calendário acima referido, quando teriam sido constatadas omissões de rendimentos recebidos de pessoa jurídicas. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 1. 00 02 28 /2 00 8- 43 Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.493 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13821.000228/2008-43 A Impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/SP2 em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos acumulados, recebidos em decorrência de decisão da Justiça Federal, a dedução da base de cálculo do imposto das despesas necessárias ao recebimento está limitada àquelas referidas no parágrafo único do art. 56 do Decreto nº 3.000, de 1999, a saber: “despesas com ação judicial, necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”. ISENÇÃO DECLARANTE MAIOR DE 65 ANOS. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA E/OU PENSÃO. LIMITE. UTILIZAÇÃO EM DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No caso de a pessoa física receber proventos de aposentadoria e/ou pensão de mais de um órgão público ou previdenciário, apenas uma das parcelas pode ser declarada como rendimentos isentos e não-tributáveis; as demais devem ser oferecidas à tributação na declaração anual de ajuste. Cientificado do acórdão de primeira instância em 12/03/2012 (fls. 34), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 20/03/2012 (fls. 35/36) contendo os argumentos a seguir sintetizados: - não foi utilizado todo o limite de isenção assegurado aos maiores de 65 anos; - não há dúvidas sobre os valores pagos ao advogado; e - alega a aplicação do entendimento do Ato Declaratório nº 01/2009, da PGFN, aos rendimentos recebidos acumuladamente. Em sessão de 22 de junho de 2021, o julgamento foi convertido em diligência, para que fossem carreados aos autos documentos referentes à ação judicial (fls. 40/41), o que foi atendido pelo contribuinte (fls. 56/144). É o relatório. Voto Conselheiro Diogo Cristian Denny – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com os documentos constantes dos autos, os valores foram recebidos acumuladamente pela contribuinte em decorrência de ação judicial referente à aposentadoria. Conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, o cálculo do imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve observar o regime de competência, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.493 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13821.000228/2008-43 Ressalte-se que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/15 - Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho - RICARF. Dessarte, a princípio, deveria ser feito o recálculo do imposto de renda devido sobre os rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Contudo, analisando-se os documentos carreados aos autos, verifica-se que se trata de uma pensão por aposentadoria rural, no valor de 1 salário-mínimo, que teve início em 12/03/1996 (fl. 100), que, considerando o valor da omissão de receitas autuada, de R$3.241,77 (fl. 14), notoriamente, com o recálculo mensal (RRA), enquadraria o contribuinte na faixa de isenção do IRPF, sendo, portanto, completamente desnecessária a realização de cálculos. Além disso, foram apresentados recibos de honorários advocatícios (fls. 143/144), também hábeis a serem abatidos dos rendimentos apurados, culminando no cancelamento da exigência. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar- lhe provimento, cancelando-se a exigência. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 150DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000642/2005-53
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/05/2000
COFINS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO
INDEFERIDO. DECADÊNCIA RECONHECIDA. COMPENSAÇÃO COM
DÉBITOS DE PIS E COFINS PREJUDICADA.
Comparando a decisão recorrida com o despacho decisório, não se vê, nesse caso concreto, alterações nas razões de decidir. Em ambos, o fundamento determinante para não acolher o pleito foi a decadência. Ainda que a decisão recorrida tenha agregado mais um argumento, não se afigura nula, pois, mesmo que afastado esse segundo fundamento, restaria incólume o primeiro, ou seja, a reconhecida decadência, e que sozinho, no entender das instâncias
inferiores, tem força suficiente para respaldar o indeferimento da compensação.
Se entre a data em que ocorreu o alegado pagamento a maior, cuja restituição é buscada, e o protocolo do pedido de restituição observar-se o transcurso de mais de 5 (cinco) anos, tem-se por operada a decadência, nos termos previstos nas normas pertinentes (CTN, art. 165, e 168, I).
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.323
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Redator ad hoc
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/05/2000 COFINS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO INDEFERIDO. DECADÊNCIA RECONHECIDA. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS PREJUDICADA. Comparando a decisão recorrida com o despacho decisório, não se vê, nesse caso concreto, alterações nas razões de decidir. Em ambos, o fundamento determinante para não acolher o pleito foi a decadência. Ainda que a decisão recorrida tenha agregado mais um argumento, não se afigura nula, pois, mesmo que afastado esse segundo fundamento, restaria incólume o primeiro, ou seja, a reconhecida decadência, e que sozinho, no entender das instâncias inferiores, tem força suficiente para respaldar o indeferimento da compensação. Se entre a data em que ocorreu o alegado pagamento a maior, cuja restituição é buscada, e o protocolo do pedido de restituição observarse o transcurso de mais de 5 (cinco) anos, temse por operada a decadência, nos termos previstos nas normas pertinentes (CTN, art. 165, e 168, I). Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente Fl. 133DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 97 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) EDITADO EM: 09/11/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Adélcio Salvalágio (Relator), Mara Cristina Sifuentes e Tatiana Midori Migiyama. Ausente o Conselheiro Alex Oliveira Rodrigues de Lima. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Rafael Santos Borin, OAB/RS n° 51481. Relatório O Relatório abaixo foi apresentado pelo Conselheiro Adélcio Salvalágio na sessão em que houve o julgamento do feito: CONSELHEIRO Adélcio Salvalágio (Relator): Tratase de processo administrativo instaurado, na data de 15/12/2005, por CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA., buscando o reconhecimento do seu direito ao crédito de COFINS e PIS, por alegado recolhimento a maior, referente aos períodos de apuração de marco, abril e Maio/2000 e maio e junho/2000 (fls. 1 a 10), nos termos da DCOMP de fls. 1 a 10. A empresa buscava a compensação, dos créditos que sustentou existir, com débitos de PIS e COFINS do Período de Apuração de novembro de 2005 (fl. 1). Para melhor contextualizar os fatos, transcrevo trechos do relatório do acórdão de 1° grau: O contribuinte supracitado solicitou a restituição de COFINS e PIS para fins de compensação com débitos de PIS e CORNE, conforme PER/DCOMP de fls.01 a 06. Não apresentou razões de fato ou direito que respaldassem seu pedido. A DRF de origem indeferiu a restituição e não homologou a compensação devido à incidência da decadência do direito de pleitear a restituição, conforme ato decisório de fls. 24 a 27. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que a decadência não é de cinco anos do pagamento indevido, mas de dez anos do fato gerador, sendo que a Lei Complementar 118/2005 somente se aplica a fatos geradores posteriores a sua publicação, segundo doutrina e jurisprudência. Por fim, solicita a suspensão dos débitos, nos termos do art.74, §11, da Lei 9.430/1996 e do art.151, III, do CTN”. (fl. 57 v). Como se vê, depois de ter seu pedido indeferido através do Parecer DRF/NHO/Seort n° 71/2007 (fls. 246) e Despacho Decisório de fl. 27, a recorrente protocolou Fl. 134DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 98 3 manifestação de inconformidade, postulando a reforma da decisão recorrida, pois, no seu entender, inexiste decadência. Apreciandoa, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre, através do acórdão n° 10 19.742 (fls. 57 e ss.), em julgamento datado de 04/06/2009, negoulhe provimento. Deste acórdão, a recorrente tomou ciência consoante evidenciam os documentos de fls. 59 e ss. Insatisfeita, apresentou o recurso voluntário de fls. 6281 e documentos de fls. 8294. Sustenta, em síntese, recapitulando em linhas gerais o que alegou na manifestação: PRELIMINARMENTE, (i) a nulidade da decisão recorrida, pois alterou o fundamento do despacho decisório, que não homologou a compensação por suposta decadência do direito de pleitear a restituição do valor pago a maior, passando a afirmar que “não consta dos autos nenhum demonstrativo; nem cópias do Livro Diário ou Razão comprovando a existência do valor, supostamente, pago a maior, não se pode analisar o pleito do contribuinte, quando mais deferilo” (fl. 66); (ii) e prossegue, aduzindo que não “foi intimada para apresentar documentos contábeis, cálculos ou demonstrativos dos valores relativos ao credito compensado, não podendo, justificar o indeferimento sob a alegação de que não teriam sido apresentados documentos pelo contribuinte” (fl. 66); conseguintemente, prossegue, “a alteração pretendida pela decisão recorrida causa afronta a princípios que são de observância obrigatória pela Administração Pública, no âmbito do processo administrativo, os quais preconizam a necessidade de motivação dos atos e a ampla defesa por eles atingida, consoante art. 2° da Lei n° 9.784/99” (fl. 66); (iii) que o motivo do indeferimento da restituição, no despacho decisório, foi a decadência; logo, é contra esse fundamento que o contribuinte deve se defender; tendo a decisão da DRJ recorrida alterado esse fundamento, é nula de pleno direito, devendo assim ser declarada (fl. 67); NO MÉRITO, (iv) é pessoa jurídica dedicada, basicamente, “à prestação de serviços profissionais de medicina e odontologia em geral, incluindo várias especialidades” (fl. 63); (v) inexistência de decadência, defendendo a incidência da tese dos 5 + 5, pois os “os pagamentos indevidos de COFINS ocorreram em de abril, maio e junho de 2000 e de PIS em junho e agosto de 2000, e compensação foi efetivada em 15 de dezembro de 2005, ou seja, antes do término do prazo decadencial” (fl 74), que é de 10 (dez) anos (5 para homologar o lançamento + 5 de decadência propriamente dito); (vi) inaplicabilidade da Lei Complementar n° 118/05 (fl. 74); e, por consequência, para os pagamentos efetuados antes da vigência desta norma “o prazo Fl. 135DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 99 4 prescricional de cinco anos, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não tem início. na data do pagamento do tributo e sim na data da homologação do lançamento, seja ela expressa ou tácita” (fls. 79); aplicando esse entendimento ao caso vertente, constatase que, para nenhum dos pagamentos objetos da restituição, transcorreu os 5 + 5 anos; Finaliza, POSTULANDO a anulação acórdão recorrido pela mudança de fundamento; OU subsidiariamente, caso afastada a preliminar de nulidade, que seja, então reformo “para homologar o pedido de compensação formulado, já que não atingido pelo prazo decadencial” (fl. 87). É O SUCINTO RELATO. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o Conselheiro Relator, Adélcio Salvalágio, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009: Abaixo reproduzo integralmente voto apresentado pelo Conselheiro Relator na sessão do dia 09 de dezembro de 2010, cujo entendimento foi acompanhado de forma unânime pelos demais integrantes da Turma na ocasião, conforme consignado do acórdão correspondente: “Conselheiro Adélcio Salvalágio, Relator Cuidase de recurso voluntário aparelhado contra acórdão da 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, que por unanimidade de votos negou provimento à manifestação de inconformidade, deixando de reconhecer o direito creditório alegado pela recorrente, não homologando, por conseqüência, a compensação postulada. O recurso é tempestivo, consoante se depreende da certidão de fl. 95, e satisfaz os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, merece conhecimento. Inferese dos autos que a recorrente pleiteou, num primeiro momento, o reconhecimento ao direito creditório, representado por supostos recolhimentos a maior de COFINS, referentes a abril, maio e junho de 2000, e de PIS, para em junho e agosto de 2000. Tencionava, uma vez admitida a higidez do tal crédito, compensálo com débitos de PIS e COFINS do Período de Apuração de novembro de 2005 (fls. 1 a 9). O pedido foi apresentado em 15/12/2005 (fl. 1). Pelo Parecer DRF/NHO/Seort n° 71/2007 (fls. 256) e Despacho Decisório de fl. 27, de 13/03/2007, o pleito restou indeferido, ao entendimento de que, entre a data de protocolo do pedido de restituição (15/12/2005) e a data do mais recente dos alegados pagamentos a maior (agosto/2000), passaramse mais de 5 (cinco) anos, operandose então a decadência, nos termos do art. 168, I, do CTN. Insatisfeita, a recorrente formulou manifestação de inconformidade, não encontrando melhor sorte no seu julgamento. Para a 2ª Turma, da DRJ de Porto Alegre, além Fl. 136DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 100 5 da decadência, impede o provimento do pleito um segundo fundamento: ausência de provas da liquidez e certeza do crédito tributário favorável ao contribuinte, cujo ônus de apresentar lhe competia. Vale dizer, assim, que o acórdão da instância administrativa a quo se apoiou em dois pontos para inacolher o intento da recorrente: (i) decadência; (ii) inexistência de provas a evidenciar a certeza e liquidez do crédito tributário alegado. Assim está posta a contenda. PRELIMINAR – da alegada nulidade da decisão de 1° grau A recorrente suscita, preliminarmente, nulidade da decisão recorrida, ao argumento de que, esta teria alterado a motivação de indeferimento do seu pedido. Enquanto no parecer e despacho decisório (fls. 247) o crédito não foi reconhecido pela decadência, para a DRJ “não consta dos autos nenhum demonstrativo; nem cópias do Livro Diário ou Razão comprovando a existência do valor, supostamente, pago a maior, não se pode analisar o pleito do contribuinte, quando mais deferilo” (fl. 57v58), circunstância que impede o acolhimento. Nessa linha, entende que como o motivo do indeferimento da restituição, no parecer e despacho decisório, foi a decadência, seria contra esse argumento que teria que se defender. Tendo a decisão recorrida da DRJ alterado esse fundamento, afigurarseia nula de pleno direito, devendo assim ser declarada (fl. 67). A meu sentir, razão não lhe assiste. Cotejando o parecer e despacho decisório (fls. 247) com o acórdão recorrido (fls. 57 e ss.), não se vê alteração nas razões de decidir. Em ambos, o fundamento determinante foi a decadência do direito do contribuinte postular a restituição, tendo em vista que passados mais de 5 (cinco) anos entre os pagamentos tidos como a maior (de onde adviriam o direito ao crédito) e o pedido de restituição, nos termos do art. 168, I, do CTN. De fato, a DRJ acrescentou que, além da decadência, a ausência de provas a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado, cujo ônus incumbia à recorrente a teor do art. 333, do CPC, também inviabilizava o pedido de compensação. Entretanto, esse proceder não nulifica a decisão recorrida, pois, ainda que afastado esse segundo fundamento, restaria incólume o primeiro, ou seja, a reconhecida decadência. Vale dizer, não houve, ao contrário do que sustenta a recorrente, alteração do motivo inicial que pautou o indeferimento, mas sim a agregação de um outro, que poderia já se fazer presente por ocasião do despacho decisório, e que talvez não tenha sido mencionado por entender o julgador que bastava um deles para afastar o pedido de compensação. Nesse panorama, não me parece que à hipótese se aplicaria a “teoria dos motivos determinantes”, como invoca a recorrente em seu recurso. Segundo essa “teoria”, abraçada por alguns, “a validade do ato administrativo está vinculada a existência e veracidade dos motivos apontados como fundamentos para a sua adoção”1. Também não se vislumbra qualquer afronta aos princípios da necessidade da Administração Pública motivar seus atos ou da ampla defesa, como ainda defendeu a contribuinte. Até porque, no caso concreto, as razões de decidir constam, claramente, tanto no parecer e despacho decisório, quanto no acórdão recorrido da DRJ. 1. http://www.direitoadministrativo.hpg.ig.com.br/texto6.htm; Fl. 137DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 101 6 E nem se alegue que eventual ausência de intimação para que a recorrente apresentasse documentação contábil, cálculos ou planilhas indicativos dos créditos também provocaria a nulidade da decisão. Ora, a prova dos créditos que afirmou possuir deveria ter acompanhado o pedido desde o primeiro momento. Era ônus da recorrente providenciar essa demonstração. Não se está aqui a dizer que a prova existe (ou não) nos autos, mas apenas que não é necessária qualquer intimação à recorrente para que as apresente. Ademais, no recurso voluntário, a recorrente não só poderia como deveria atacar também esse ponto da decisão recorrida, ou seja, a aventada inexistência de provas acerca da liquidez e certeza do crédito, eventualmente até trazendo provas das alegações. Embora as provas, em regra, devam ser produzidas no 1° grau de jurisdição, nada impediria que, pelas particularidades do caso em julgamento, se apresentasse em 2° grau, inclusive para contrapor ao argumento ventilado no acórdão da 1ª instância. Por essas razões, fica afastada a preliminar. MÉRITO De outro lado, no tocante à decadência, a recorrente advoga a sua inexistência, invocando a conhecida tese dos “5 + 5 anos”. Por esse argumento, que tem como premissa a inaplicabilidade da Lei Complementar n° 118/05 (fl. 74), defendeu que, para os pagamentos efetuados antes da vigência desta norma, “o prazo prescricional de cinco anos, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não tem início na data do pagamento do tributo e sim na data da homologação do lançamento, seja ela expressa ou tácita” (fls. 79). Assim raciocinando, concluiu que, no caso vertente, para nenhum dos pagamentos objetos da restituição transcorreu os 5 + 5 anos, ou seja, os dez anos (5 para homologar o lançamento + 5 de decadência propriamente dito). Conseguintemente, não se poderia cogitar em decadência do direito ao reconhecimento do direito creditório. Contudo, esse entendimento, embora reconheça que encontre apoio em inúmeras decisões, inclusive recentes do STJ, tem sido afastado nesta 2ª Turma Especial. Em vários casos, este relator, que se filiava à corrente que defendia e aplicava a tese dos “5 + 5” (ver, por exemplo, processos n° 13056.000721/200458, 13056.000341/200413, 13056.000485/200470) ficou vencido. Como meu entendimento era isolado, para evitar retrabalhos com a designação de conselheiro para prolator voto vencedor, a partir do julgamento no processo n° 10980.001167/200225, passei a acompanhar a maioria, com a ressalva do meu ponto de vista pessoal sobre a matéria. A propósito, confiramse trechos do voto proferido pelo Conselheiro Regis Xavier Holanda, nos autos do processo no 13841.000384/200442 (RV no 144.001), no qual acompanhei apenas pelas conclusões, pois, naquele caso concreto, a tese dos “5 + 5 anos” se mostrava irrelevante, já que havia transcorrido período superior a 10 anos entre a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento e o pedido de restituição. Nesse precedente, o Conselheiro Regis discorre acerca da contagem do prazo prescricional do direito à compensação e da aplicação da Lei Complementar n° 118/2005: A Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional, ao tratar do pagamento indevido de tributo, assim dispôs: Fl. 138DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 102 7 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ...................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Negrito aposto. Guardando relação com o artigo 168, I, acima transcrito, o artigo 150, § 1º do CTN, ao tratar da modalidade de lançamento por homologação, trouxe a seguinte orientação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Negritei. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 103 8 Ao longo dos últimos anos, surgiram diversas correntes na busca da definição do prazo prescricional da ação de repetição do indébito tributário, principalmente em função de divergências quanto à data em que se daria a extinção do crédito tributário. Uma primeira corrente – abraçada pela Fazenda Nacional – afirmava que o prazo para se pleitear a repetição do indébito seria de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário que se daria com o efetivo pagamento. Uma segunda corrente sustentava que, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário somente se dá com a respectiva homologação que, sendo tácita, ocorre após o decurso de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (CTN: art. 150, §4º) – tese dos “cinco mais cinco”. Com o intuito então de espancar qualquer dúvida acerca desse assunto, sobreveio a Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, que assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Negritos apostos. Por seu turno, diz o citado art. 106, I, do Código Tributário: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; .............................................. Assim, restou definida pela LC nº 118/05 a tese defendida pela Fazenda Nacional no sentido de que a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento, sendo portanto essa data o marco inicial para contagem do prazo para se pleitear a repetição do indébito tributário. Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça, por sua Corte Especial, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determinara a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007, em acórdão com a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU Fl. 140DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 104 9 ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida. Neste ponto, algumas questões me suscitam dúvidas no quanto decidido pela Corte Especial do STJ, mormente em função dos argumentos sintetizados no item 3 da ementa acima transcrita. Sendo da própria natureza de uma lei de caráter interpretativo conferir a um dispositivo normativo um significado dentre os diversos possíveis, e tendo a Lei Complementar nº 118/05, expressamente de caráter interpretativo, conferido ao inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172/66 uma interpretação defensável, consoante palavras utilizadas pelo próprio i. Ministro relator, como têla por inovadora no plano normativo? O limite que se impõe ao legislador na feitura de uma lei de caráter interpretativo está no conjunto de possíveis significados à norma, ou em uma só possibilidade fechada – a interpretação adotada pelo Superior Tribunal de Justiça? Em outras palavras, a novel lei só poderá ser tida Fl. 141DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 105 10 como interpretativa e dessa forma operar efeitos retroativos se trouxer interpretação idêntica à adotada pelo STJ, sendo, a contrário senso, considerada inovadora no plano normativo ao adotar qualquer outra interpretação possível? De qualquer sorte, irresignada com esse julgamento, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, tendo sido o processo sobrestado em atendimento ao artigo 543B, §1º do CPC e art. 328 do Regimento Interno do STF por conter a mesma controvérsia do RE nº 561.908 que se encontra distribuído ao Ministro Marco Aurélio e ainda pendente de julgamento. Noutro giro, a par das correntes acima apresentadas, posteriormente uma terceira surgiu dentro do STJ – hoje já superada – fixando novo termo inicial para a ação de repetição do indébito tributário em casos de declaração de inconstitucionalidade. Por essa corrente, assentouse os seguintes termos iniciais da ação de repetição: a) quando no controle concentrado houver declaração de inconstitucionalidade, iniciase a prescrição qüinqüenal da ação, do trânsito em julgado da declaração pelo STF; b) quando o controle for difuso, o termo inicial é a data da publicação da resolução do Senado Federal (art. 52, X, da CF). Em voto proferido no Recurso Especial nº 916558/SP (DJ de 16/04/2008), a Ministra Eliana Calmon bem descreveu a evolução do pensamento no âmbito do STJ: Sobre a prescrição dos tributos lançados por homologação, a jurisprudência do STJ oscilou durante algum tempo, assumindo as seguintes posições: 1ª etapa o Fisco tem até cinco anos para homologar o seu crédito e mais cinco para exigilo, na ausência de homologação. Por um raciocínio simplista, inaugurouse a tese dos "cinco mais cinco", contandose DEZ ANOS a partir do fato gerador (os cinco primeiros anos, prazo decadencial, e os cinco restantes, prazo prescricional). Nesse sentido, dentre outros precedentes, citamse os seguintes julgados: REsp 75.006/PR, REsp 69.233/RN, EREsp 43.502/RS, REsp 266.889/SP, AgRg/AG 317.687/SP, AgRg/REsp 256.344/DF e REsp 250.753/PE; 2ª etapa iniciase o prazo prescricional a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Esta posição abrigava variantes, no que se refere ao termo a quo: data do julgamento, do trânsito em julgado ou do ajuizamento da ação. Advirtase que não importa, para os adeptos desta tese, se a declaração de inconstitucionalidade ocorreu em controle difuso ou concentrado. Daí os precedentes, dentre outros, o REsp 220.469/AL, REsp 209.903/AL, EREsp 43.205/RS e AgRg/REsp 252.846/DF; 3ª etapa no REsp 329.444/DF, a Primeira Seção deliberou que o termo a quo em comento iniciase da data do trânsito em julgado no qual o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da lei pela primeira vez; 4ª etapa a Primeira Seção, no EREsp 423.994/MG, realinhou o entendimento para concluir que, quando se tratar de controle difuso, iniciase a contagem da data da Resolução do Senado e, quando se Fl. 142DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 106 11 tratar de controle concentrado, a partir do trânsito em julgado da ADIn. Finalmente, no julgamento do EREsp 435.835/SC, cujo acórdão será lavrado pelo Ministro José Delgado, consagrouse definitivamente a tese dos "cinco mais cinco", diante das perplexidades causadas pela adoção de outras teses. Portanto, a corrente que fixava novo termo inicial para a ação de repetição do indébito tributário em casos de declaração de inconstitucionalidade não encontra mais acolhida na jurisprudência atual do STJ. Por oportuno, anoto que o julgamento do citado Eresp nº 435.835/SC ocorreu em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007. Já no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em recente julgamento relativo ao recurso especial nº 225.808 (processo nº 13848.000073/9995) datado de 18 de novembro de 2009, após analisar de forma minuciosa as correntes aqui já apresentadas assentou a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data (1ª corrente), também afastando, a exemplo do STJ, a possibilidade de surgimento de novo termo inicial para a ação de repetição do indébito tributário em casos de declaração de inconstitucionalidade. (grifado). Abaixo, transcrevo alguns pontos relevantes desse voto da lavra do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “............................................................ Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. ............................................................ A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. ............................................................ Fl. 143DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 107 12 De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. ............................................................ Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, passase à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. ............................................................ A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 168 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira – data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. [grifado] ............................................................ Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 108 13 ............................................................ Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. [grifado] Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. [grifado] Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: [grifado] O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. ............................................................ Fl. 145DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 109 14 Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: [grifado] ............................................................ De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontrase totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari2, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo3, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. ............................................................” Embora o acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, referido no voto do Conselheiro Régis acima transcrito, tenha sido proferido por maioria, com voto de qualidade (ou seja, de desempate do presidente), o fato é que, nesta 2ª Turma Especial prevalece, pela sua composição atual, o afastamento da tese dos “5 + 5 anos” para postular a restituição. Esse entendimento foi reiterado, recentemente, no julgamento do processo n° 10980.001167/200225 (RV n° 258.300), em sessão de 30/09/2010, da relatoria do Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Assim, ressalvo meu ponto de vista pessoal sobre a matéria, pois, melhor estudando o assunto, entendo que a tese dos “5 + 5 anos” encontra relevante plausibilidade jurídica, com tranqüila posição jurisprudencial no âmbito do STJ, consoante evidencia o julgado a seguir transcrito, proferido na data de 28/09/2010: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DO CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO 2 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 3 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 110 15 MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. 1. É comezinha a lição de que na repetição de indébito tributário aplicamse as regras de prescrição dispostas no CTN e não o Decreto n. 20.910/32. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. É caso de se aplicar a Súmula n. 83 desta Corte quando a decisão recorrida está em conformidade com a jurisprudência do STJ. 5. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp n° 1.202.895 PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Data do Julgamento: 28/09/2010, DJe 15/10/2010). E, em julgado ainda mais recente, datado de 09/11/2010, assim reafirmou o STJ: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. 1. A Corte Especial deste Tribunal declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/2005 (ERESP n. 644736/PE). 2. Não é possível aplicar a Lei Complementar n. 118/05 aos casos de pagamentos indevidos realizados antes de sua vigência, pois violaria o princípio da irretroatividade. Aplicase, ao caso, a tese dos cinco mais cinco. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido”. (STJ, 2ª T, AgRREsp n° 1.148.710, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Data do Julgamento: 09/11/2010, DJe 19/11/2010). E nesta instância administrativa, o assunto também não se mostra tão pacificado, no sentido de se afastar a tese dos “5 + 5 anos”, como exemplifica, dentre tantos Fl. 147DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 111 16 outros, o acórdão abaixo, proferido por unanimidade pela 2ª Câmara, do antigo 3° Conselho, em julgamento datado de 14/08/2008. Confirase: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. No caso de lançamento por homologação, sendo esta tácita, na forma da lei, o prazo decadencial só se inicia após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados” (Processo n° 10209.000728/200571, RV n° 128.469, Acórdão n° 30239.739, Rel. Marcelo Ribeiro Nogueira, J. 14/08/2008). Aliás, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao que se nota em julgados do corrente ano de 2010, a matéria está longe de ser pacificada, pois as decisões vêm sendo tomadas, via de regra, por maioria e somente decididas pelo voto de qualidade do presidente. É o caso, por exemplo, do processo n° 13603.001907/9980, Recurso Extraordinário n° 242.972, Acórdão n° 930300.622, Rel. Carlos Alberto Freitas Barreto, julgado em 02/02/2010 pela 3a Turma. Não obstante, reitero que nesta 2ª Turma Especial, a tese dos “5 + 5 anos” não tem sido agasalhada, tendo esse relator ficado vencido, em posição isolada. Daí a ressalva do meu ponto de vista pessoal sobre a matéria, rendendome ao pensamento majoritário desta Turma, como disse, para evitar retrabalhos e designação de conselheiro, dentre os vencedores, para lavrar voto vencedor. Pois bem, no caso concreto, os supostos indébitos, cujo direito creditório se pretendia reconhecer, ocorreram, para a COFINS, em abril, maio e junho de 2000, e do PIS em junho e agosto de 2000. Já o pedido de compensação somente foi apresentado em 15/12/2005. Temse, dessa forma, por operada a decadência, pois transcorridos mais de 5 (cinco) anos, entre a data mais recente dos alegados pagamentos a maior (junho/2000) e o pleito de restituição, nos termos da fundamentação acima. COM ESSAS RAZÕES, conheço o recurso e nego provimento, com a ressalva do meu ponto de vista pessoal sobre a matéria. É o voto. Sala das Sessões, em 09 de dezembro de 2010 Adélcio Salvalágio” Importa ressaltar, por fim, que o entendimento em tela, o qual, como dito, foi acompanhado de forma unânime pelos conselheiros que, na ocasião (dezembro de 2010), compunham este colegiado, se deu antes da edição da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o artigo 62A4 no Anexo II do Regimento Interno deste Conselho 4 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº Fl. 148DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13002.000642/200553 Acórdão n.º 380200.323 S3TE02 Fl. 112 17 (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009), determinando o sobrestamento dos recursos até que fosse proferida a decisão definitiva de mérito pelo STF, na forma preconizada no art. 543B do Código de Processo Civil. Diante de todo o exposto, e considerando o disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes". Fl. 149DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10930.900785/2018-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL.
O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1002-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin.
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fellipe Honòrio Rodrigues da Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral, Fellipe Honório Rodrigues da Costa e Miriam Costa Faccin. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 105-000.623 de 4 de setembro de 2020, da 1ª TURMA DA DRJ05, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo, que será complementado com os fatos que se sucederam: 1. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra DESPACHO DECISÓRIO Eletrônico nº de rastreamento 130948207 emitido em 05/03/2018, fl. 57, que não reconheceu o crédito de saldo negativo do IRPJ, ano-calendário 2013, no valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 07 85 /2 01 8- 11 Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 de R$ 24.956,13, e não homologou as compensações declaradas no PERDComp n. 23679.81313.220617.1.6.02-0129 e n. 06302.18730.121217.1.7.02-1188. 2. No preenchimento do formulário DComp, o Contribuinte informa, para composição do saldo negativo do período apenas retenções na fonte no total de R$ 111.714,12: 3. O Despacho Decisório Eletrônico comparando as informações do PERDComp com as informações presentes na DIPJ apresentada pelo Contribuinte, chega ao seguinte resultado: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 24.956,13 Valor na DIPJ: R$ 24.956,13 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 536.514,38 IRPJ devido: R$ 515.665,87 Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 4. Em sua Manifestação de inconformidade o Contribuinte alega erro de preenchimento e junta comprovantes de arrecadação efetuada em 30/04/2013, no valor de R$ 308.656,74 e de arrecadação efetuada em 23/07/2013, no valor de R$ 45,85. Pede que seja acatado: Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 5. Na DIPJ original apresentada em 27/06/2014 e na retificadora apresentada em 09/01/2018, consta na Ficha 12A: A 1ª TURMA DA DRJ05 julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte, nos seguintes moldes: (...) 7. O Contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, demonstra um saldo negativo IRPJ – AC 2013 de R$ 22.274,31, inferior ao crédito inscrito no PERDComp em R$ 2.681,82. (...) 9. Não obstante, conforme relatado, na DIPJ, tanto a original apresentada em 27/06/2014 quanto a retificadora apresentada em 09/01/2018, o Saldo Negativo de IRPJ apurado na Ficha 12A é de R$ 24.956,13. 10. Os Comprovantes de Arrecadação apresentados junto à Manifestação de Inconformidade estão confirmados no Sistema RFB, e foram alocados aos débitos de Estimativa IRPJ de março e junho de 2013. 11. No PERDComp n. 36676.13159.100114.1.7.02-5495, transmitido em 10/01/2014 o Contribuinte confessou débito de estimativa devido em março/2013 no valor de R$ 113.415,85. Não obstante a compensação esteja em discussão administrativa no processo n. 10930.900273/2014-12, a Declaração de Compensação constitui instrumento hábil e suficiente para cobrança, não se aplicando, na data de sua transmissão, as disposições do art. 106, inciso III da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, ou a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, razão pela qual deve ser tomado o valor como parcela de composição do saldo negativo de 2013. 12. No Sistema Dirf consta Imposto de Renda Retido na Fonte no total de R$ 111.744,12: (...) 13. O Direito Tributário obedece ao Princípio da Legalidade Estrita e o Processo Administrativo Fiscal deve reger-se pelo Princípio da Verdade Material, que do primeiro decorre. Tais princípios impõem que se acate o erro formal no preenchimento do PERDComp, e se considere, para formação do saldo negativo IRPJ, as parcelas confirmadas no Sistemas administrados pela RFB: 14. Do exposto, VOTO por julgar PROCEDENTE EM PARTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para reconhecer o direito creditório de saldo negativo IRPJ no valor de R$ 22.274,31 e homologar até o limite do crédito reconhecido as compensações declaradas. Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou Recurso Voluntário pugnando pelo provimento do recurso, alegando que: (...)A Recorrente realizou, em 22.06.2017, Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação, haja visto o crédito de saldo negativo de IRPJ verificado no valor de R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos), referente ao exercício 2014, ano-base 2013. Ocorre que, em função de erro no preenchimento do Pedido de Restituição, informou-se apenas os valores de Retenções na Fonte, omitindo os dois pagamentos efetuados e a estimativa compensada. Em função deste equívoco, foi lavrado Auto de Infração em desfavor da Recorrente. Após a retificação do PER/DCOMP, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, cujo cálculo, em função de equívoco na soma da composição do Saldo Negativo do IRPJ, totalizou R$ 22.274,31 (vinte e dois mil, duzentos e setenta e quatro reais e trinta e um centavos), isto é, R$ 2.681,82 (dois mil, seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) a menos que o crédito inscrito. Contudo, conforme cabalmente comprovado pelos documentos acostados, o real valor do crédito de saldo negativo de IRPJ verificado é R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos). Entretanto, em que pese sustentarem a aplicação do princípio da verdade material, os r. julgadores da 1ª Turma da DRJ05, cujo acórdão ora se recorre, decidiram por acatar o valor erroneamente informado pela Recorrente, considerando o crédito no montante de R$ 22.274,31 (vinte e dois mil, duzentos e setenta e quatro reais e trinta e um centavos). Vejamos trecho da decisão (fls. 76 a 82) (Doc. 03): (...) Porém, este entendimento não deve prevalecer, eis que o princípio da verdade material, conforme será demonstrado, indica que deverão ser desconsiderados eventuais erros formais, motivo pelo qual deve se reconhecer o direito creditório de saldo negativo IRPJ no valor de R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos). 3.1. DA IMPOSSIBILIDADE DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP POR MEIO ERRO DE PREENCHIMENTO FORMAL (...)Ocorre que em que pese a Recorrente ter informado erroneamente, na Manifestação de Inconformidade, os valores da soma da composição do saldo negativo do IRPJ, os documentos que instruíram sua pretensão indicam o real valor do crédito (fls. 32 a 56) (Doc. 05): Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 Todos os documentos apresentados foram acatados, o que resultaria na homologação total da PER/DCOMP de nº 23679.81313.220617.1.6.02-0129, apresentada. Por este motivo, não pode a Recorrente ser prejudicada por mero erro formal na Manifestação de Inconformidade, eis que sua documentação ratifica que o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ é R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos). (...) Sendo assim, sob a égide do princípio da verdade material, requer a forma do Acórdão recorrido, homologando integralmente o PER/DCOMP nº 23679.81313.220617.1.6.02- 0129, no valor de R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos), isto é, considerando os R$ 2.681,82 (dois mil, seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) que não constaram na Manifestação de Inconformidade, eis que o mero erro formal não pode obstar este direito. 3.2. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL (...)No caso em tela, contudo, veja-se que a Administração Pública utilizou-se equivocadamente deste princípio, ao alegar o seguinte, na decisão recorrida: 13. O Direito Tributário obedece ao Princípio da Legalidade Estrita e o Processo Administrativo Fiscal deve reger-se pelo Princípio da Verdade Material, que do primeiro decorre. Tais princípios impõem que se acate o erro formal no preenchimento do PERDComp, e se considere, para formação do saldo negativo IRPJ, as parcelas confirmadas no Sistemas administrados pela RFB: (...) (g.n.) Inclusive, a própria decisão ratifica a composição do Saldo Negativo de IRPJ como correspondente à R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos) (Fls. 78 do PAF): 7. O Contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, demonstra um saldo negativo IRPJ – AC 2013 de R$ 22.274,31, inferior ao crédito inscrito no PERDComp em R$ 2.681,82. Fl. 302DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 8. Dispõe o art. 17, do Decreto 70.235/72, transcrito in verbis: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). 9. Não obstante, conforme relatado, na DIPJ, tanto a original apresentada em 27/06/2014 quanto a retificadora apresentada em 09/01/2018, o Saldo Negativo de IRPJ apurado na Ficha 12A é de R$ 24.956,13. Veja-se que este entendimento está em contrariedade com o real significado do princípio da verdade material: os julgadores deveriam ter considerado os documentos contábeis, em detrimento ao erro formal indicado pela Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade. Mostra-se imperioso, mais uma vez, que seja reformada a decisão recorrida, a fim de considerar os R$ 2.681,82 (dois mil, seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) que não foram alegados como parte do crédito de saldo negativo de IRPJ e, desta forma, homologar o crédito integral, no valor de R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos). 4. DOS PEDIDOS Face ao exposto, demonstrada a insubsistência da r. decisão, espera e requer o Recorrente: 1) O recebimento do presente Recurso Voluntário em seus legais e regulamentares efeitos com o devido encaminhamento à 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a fim que seja recebido, acolhido e julgado na melhor forma do direito; 2) Requer, diante a análise do mérito, seja afastada “in totum” os argumentos trazidos pela r. decisão, com integral provimento do presente Recurso Voluntário, diante dos seguintes requerimentos e argumentos de direito: a) Requer seja reformada a decisão recorrida, homologando integralmente o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos), isto é, considerando os R$ 2.681,82 (dois mil, seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) que não foram homologados no acórdão recorrido, sob pena de violação ao princípio da verdade material; (...) É o relatório Voto Conselheiro Fellipe Honòrio Rodrigues da Costa, Relator. ADMISSIBILIDADE Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Fl. 303DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. MÉRITO Inicialmente, em que pese a procedência parcial do crédito pleiteado, cumpre ressaltar que o ponto controvertido da presente demanda administrativa consiste no não reconhecimento do crédito solicitado pelo contribuinte no valor de R$ 2.681,82, este transmitido pelo Per/Dcomp nº 23679.81313.220617.1.6.02-0129, que é referente ao Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de saldo negativo IRPJ – AC 2013 de R$ 22.274,31, inferior ao crédito inscrito no PERDComp (2.681,82). O motivo do não reconhecimento do valor total do direito creditório pretendido pelo recorrente teria sido em razão do pagamento a base de R$ 22.274,31 ser limite do crédito reconhecido em relação as compensações declaradas , remanescendo, portanto o débito de R$ 2.681,82. Para tanto, o recorrente sustentou que: (...)Ocorre que em que pese a Recorrente ter informado erroneamente, na Manifestação de Inconformidade, os valores da soma da composição do saldo negativo do IRPJ, os documentos que instruíram sua pretensão indicam o real valor do crédito (fls. 32 a 56) (Doc. 05): (...) Todos os documentos apresentados foram acatados, o que resultaria na homologação total da PER/DCOMP de nº 23679.81313.220617.1.6.02-0129, apresentada. Por este motivo, não pode a Recorrente ser prejudicada por mero erro formal na Manifestação de Inconformidade, eis que sua documentação ratifica que o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ é R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos). (...) Sendo assim, sob a égide do princípio da verdade material, requer a forma do Acórdão recorrido, homologando integralmente o PER/DCOMP nº 23679.81313.220617.1.6.02- 0129, no valor de R$ 24.956,13 (vinte e quatro mil, novecentos e cinquenta e seis reais e treze centavos), isto é, considerando os R$ 2.681,82 (dois mil, seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) que não constaram na Manifestação de Inconformidade, eis que o mero erro formal não pode obstar este direito. Sendo assim, depreende-se de quadro acima que a divergência consiste na ausência de confirmação do valor de R$ 2.681,82, este transmitido pelo Per/Dcomp nº 23679.81313.220617.1.6.02-0129 e 06302.18730.121217.1.7.02-1188 para fim de compensação do valor de IRPJ apurado no ano-calendário 2013. Nesse sentido, após o cotejo da documentação acostada nos autos, entendo que não assiste razão ao contribuinte, tendo em vista que não restou comprovada a diferença do saldo negativo no valor de R$ 2.681,82, razão pela qual entendo que não existiu erro de preenchimento que pudesse ensejar o reconhecimento do crédito pretendido, mas sim verdadeira ausência de conjunto probatório que pudesse indicar a liquidez e certeza do seu direito. Fl. 304DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 Vale lembrar, que o contribuinte deve demonstrar de forma clara, objetiva e contundente o seu direito creditório. Isso porque o art. 373, inciso I, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto o artigo 36 da Lei nº 9.784/1999, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos serviram de base para escrituração comercial e fiscal Nesse sentido,. Código Tributário Nacional (“CTN”) é claro ao somente admitir a compensação mediante a utilização de créditos líquidos e certos, veja-se: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, tomando como base os fundamentos contido nos excertos do Acórdão de Manifestação de Inconformidade exarado pela instância de origem, peço vênia para adotá-los, desde já, como razões de decidir, de conformidade com o § 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o § 3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF – RICARF, passo a transcrever os ´principais excertos do voto: (...) 7. O Contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, demonstra um saldo negativo IRPJ – AC 2013 de R$ 22.274,31, inferior ao crédito inscrito no PERDComp em R$ 2.681,82. (...) 9. Não obstante, conforme relatado, na DIPJ, tanto a original apresentada em 27/06/2014 quanto a retificadora apresentada em 09/01/2018, o Saldo Negativo de IRPJ apurado na Ficha 12A é de R$ 24.956,13. 10. Os Comprovantes de Arrecadação apresentados junto à Manifestação de Inconformidade estão confirmados no Sistema RFB, e foram alocados aos débitos de Estimativa IRPJ de março e junho de 2013. 11. No PERDComp n. 36676.13159.100114.1.7.02-5495, transmitido em 10/01/2014 o Contribuinte confessou débito de estimativa devido em março/2013 no valor de R$ 113.415,85. Não obstante a compensação esteja em discussão administrativa no processo n. 10930.900273/2014-12, a Declaração de Compensação constitui instrumento hábil e suficiente para cobrança, não se aplicando, na data de sua transmissão, as disposições do art. 106, inciso III da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, ou a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, razão pela qual deve ser tomado o valor como parcela de composição do saldo negativo de 2013. 12. No Sistema Dirf consta Imposto de Renda Retido na Fonte no total de R$ 111.744,12: (...) 13. O Direito Tributário obedece ao Princípio da Legalidade Estrita e o Processo Administrativo Fiscal deve reger-se pelo Princípio da Verdade Material, que do primeiro decorre. Tais princípios impõem que se acate o erro formal no preenchimento do PERDComp, e se considere, para formação do saldo negativo IRPJ, as parcelas confirmadas no Sistemas administrados pela RFB: Fl. 305DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1002-002.798 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10930.900785/2018-11 14. Do exposto, VOTO por julgar PROCEDENTE EM PARTE A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para reconhecer o direito creditório de saldo negativo IRPJ no valor de R$ 22.274,31 e homologar até o limite do crédito reconhecido as compensações declaradas. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito e assim não o fez, torna-se inviável o reconhecimento do crédito pleiteado nos autos, razão pela qual não existem motivos para a reforma do acórdão recorrido. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honòrio Rodrigues da Costa Fl. 306DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000685/2004-67
Turma: Oitava Turma Especial
Câmara: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO -CSLL
Exercício: 2000
Os contribuintes que desenvolvem exclusivamente atividades agropecuárias podem compensar integralmente a base de cálculo negativa de CSLL, apurada em períodos passados, com o resultado do período de apuração, mesmo antes da vigência da Medida Provisória n° 1991 -15/2000.
Não se aplicam a tais contribuintes o limite máximo de 30% (trinta por cento) de compensação de que trata a Lei n° 9065/1995.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 198-00.010
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Numero do processo: 36630.002736/2004-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/05/2004
CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf 2.)
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO.
Não se conhece de matéria que poderia ter sido prequestionada na impugnação, em razão da preclusão.
CONHECIMENTO. MODIFICAÇÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
Não se conhece das matérias recursais relativas à parte excluída do lançamento para integrar lançamento substitutivo.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula Carf nº 4.)
Numero da decisão: 2301-010.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso, conhecendo somente da questão relacionada à possibilidade de controle de constitucionalidade na primeira instância administrativa e da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios, rejeitar a preliminar e negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/05/2004 CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf 2.) CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. Não se conhece de matéria que poderia ter sido prequestionada na impugnação, em razão da preclusão. CONHECIMENTO. MODIFICAÇÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. Não se conhece das matérias recursais relativas à parte excluída do lançamento para integrar lançamento substitutivo. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula Carf nº 4.)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso, conhecendo somente da questão relacionada à possibilidade de controle de constitucionalidade na primeira instância administrativa e da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios, rejeitar a preliminar e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
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INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf 2.) CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. Não se conhece de matéria que poderia ter sido prequestionada na impugnação, em razão da preclusão. CONHECIMENTO. MODIFICAÇÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. Não se conhece das matérias recursais relativas à parte excluída do lançamento para integrar lançamento substitutivo. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula Carf nº 4.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso, conhecendo somente da questão relacionada à possibilidade de controle de constitucionalidade na primeira instância administrativa e da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios, rejeitar a preliminar e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 63 0. 00 27 36 /2 00 4- 85 Fl. 711DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.413 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36630.002736/2004-85 João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente). Relatório Trata-se de lançamento de contribuições previdenciárias, parte patronal, SAT/RAT e Terceiros, relativas ao período de 06/2000 a 05/2004, decorrente de diferença entre os valores informados em Gfip e os valores efetivamente recolhidos, Debcad nº 35.744.693-3. O lançamento foi impugnado (e-fls. 148 a 167) e a impugnação foi considerada parcialmente procedente (e-fls. 492 a 524). Manejou-se recurso voluntário (e-fls. 541 a 554) em que se arguiu: a) preliminarmente, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa por ausência de fundamentação legal que ampare o lançamento decorrente de diferenças entre o que foi informado em Gfip e o que foi recolhido; b) preliminarmente, a nulidade do lançamento por erro no enquadramento FPAS, que acabou por resultar em contribuições indevidas ao Senai e ao Sesi; c) que a decisão recorrida deveria ter apreciado as alegações de inconstitucionalidade das contribuições ao SAT/RAT, ao Salário-Educação, ao Incra, ao Sebrae, ao Sesi e ao Senai; d) a impossibilidade de utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros moratórios. O Serviço do Contencioso Administrativo em análise prévia do recurso voluntário, encaminhou os autos para diligência (e-fls. 570 a 574) a fim de que fosse esclarecido o código FPAS utilizado no lançamento para efeito de cálculo das contribuições a Terceiros. Os autos retornaram com a informação (e-fl. 577) de que o código utilizado no presente lançamento, Debcad nº 35.744,693-3, foi o 507, enquanto que o correto teria sido o código 612. Em razão da constatação, lavrou-se nova Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), Debcad nº 35.808.664-7 1 . 1 O Debcad nº 35.808.664-7 tramita no Processo nº 44021.000104/2007-26. Fl. 712DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.413 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36630.002736/2004-85 Ainda na análise preliminar do recurso, os autos mais uma vez foram submetidos a diligência (e-fl. 579 a 580) para que a Autoridade Lançadora informasse a razão de utilizar o código FPAS 850, declinando a respectiva fundamentação legal, e para esclarecesse divergências identificadas na apropriação dos pagamentos do contribuinte. Em resposta à diligência (e-fls. 582 e 583), a Autoridade Lançadora informou que o código FPAS 850 refere-se a diferença de acréscimos legais e que não teria sido considerado o pagamento da competência de 05/2004, não tendo sido identificadas outros pagamentos não aproveitados. Nova diligência foi requerida (e-fl. 619) para que os valores relativos a Terceiros, que teriam sido objeto do lançamento substitutivo, Debacad nº 35.808.664-7, fossem excluídos do presente lançamento, Debcad nº 35.744,693-3. Os débitos foram excluídos por meio de formulários para cadastramento e emissão de documentos (Forced) (e-fls. 621 a 642). O recorrente apresentou expediente (e-fls. 649 a 653) no qual, em síntese, alegou que os valores exigidos neste lançamento, Debcad nº 35.744,693-3, são os mesmo que constam da NFLD substitutiva, Debacad nº 35.808.664-7, o que resulta em cobrança em duplicidade, e solicitou o cancelamento do lançamento. É o relatório do suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Não conheço, entretanto, das alegações de inconstitucionalidades por força da Súmula Carf nº 2. Não conheço também da alegação de ausência de fundamentação legal que autorize o lançamento de diferenças entre o que consta em Gfip e os pagamentos porque essa matéria não foi impugnada, quedando-se preclusa. Não conheço, ainda, por ausência de lide, da questão relacionada ao código FPAS porque a própria autoridade preparadora havia identificado o erro e, inclusive, excluiu as contribuições a terceiros do presente lançamento e efetuou novo lançamento baseado no código FPAS correto. Ademais, essa questão estaria preclusa se sobre ela houvesse litígio, porquanto não constou da impugnação. Considerando que a parte do presente lançamento, Debcad nº 35.744,693-3, relativa às contribuições a Terceiros, especificamente ao Salário-Educação, ao Incra, ao Senai, ao Sesi e ao Sebrae, foi objeto de outro lançamento, Debcad nº 35.808.664-7 que tramita no Processo nº 44021.000104/2007-26, essa matéria já não está mais sob litígio neste processo e, portanto, sobre ela não é possível este colegiado se pronunciar. Registre-se que, no âmbito daquele processo, o crédito tributário foi exonerado por anulação do lançamento por vício formal, nos termos do Acórdão Carf nº 2402-01.566, de 16 de março de 2011. Fl. 713DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.413 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36630.002736/2004-85 Conheço, pois, somente da questão relacionada à possibilidade de controle de constitucionalidade na primeira instância administrativa e da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios. Sobre a alegação de que a autoridade a quo deveria ter apreciado as alegações de inconstitucionalidades reportadas na impugnação, ressalto que ela não tinha competência para exercer o controle de constitucionalidade, como estabelece o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto aos juros moratórios, a Súmula Carf nº 4 esclarece que são devidos Acerca da taxa Selic, como definido na Súmula Carf nº 4, os juros moratórios são devidos à taxa Selic. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso, conhecendo somente da questão relacionada à possibilidade de controle de constitucionalidade na primeira instância administrativa e da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios, rejeitar a preliminar e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 714DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11020.001737/2004-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE.
UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3°, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e
sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação.
Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8°, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico.
Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da IN SRF 247/2002 e art. 8°, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as quais estão em sintonia com o inciso I, § 3°, artigo 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP.
CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM
INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO
DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
Recurso a que se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-000.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da IN SRF 247/2002 e art. 8o, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as Fl. 262DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 2 quais estão em sintonia com o inciso I, § 3o, artigo 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. Recurso a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 08/02/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Adélcio Salvalágio, Mara Cristina Sifuentes (Substituta) e Tatiana Midori Migiyama (Substituta). Ausente o Conselheiro Alex Oliveira Rodrigues de Lima. Relatório O presente processo diz respeito a recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 206/209), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), nos termos do Acórdão nº 1021.127, proferido em 18 de setembro de 2009. A autoridade julgadora a quo assim descreve os fatos atinentes à presente lide: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à aquisições de partes, peças, combustíveis e despesas diversas, que foram glosadas em face da impossibilidade de sua caracterização como insumos dentro da sistemática Fl. 263DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 240 3 de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. O contribuinte também defende a legitimidade de créditos sobre serviços que a fiscalização apontou como não utilizados no processo produtivo. Por fim, alerta que a fiscalização emitiu extrato de processo, carta de cobrança e DARF em nome de terceira empresa, PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A, CNPJ 03.859.845/0001 25, no entanto, conforme ressaltado pela própria fiscalização no relatório de verificação fiscal, os valores constantes no presente processo referemse a créditos da empresa JN TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 89.611.644/000120, a qual sofreu cisão total em 01/12/2005, tendo a totalidade de seus créditos sido absorvidos pela contribuinte. Este fato também estaria comprovado pela anexa alteração do contrato social, no qual consta o protocolo de justificativa de cisão e, também, pelo anexo balancete da época, ambos demonstram que os créditos foram absorvidos por ELIEL INDÚSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA. Dessa forma, requer que sejam cancelados os documentos emitidos em nome da terceira empresa, PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A. Isto posto, requer o recebimento de sua manifestação, com a reforma do despacho decisório, o reconhecimento integral dos créditos pleiteados e a extinção do débito compensado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acatados pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, tendo a mesma, como já dito, indeferido a solicitação apresentada àquela instância, conforme ementa do Acórdão correspondente, abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 13/10/2009 (fls. 213), a interessada, em 04/11/2009 (fls. 214), apresentou o recurso voluntário de fls. 214/224, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, os quais, em maiores detalhes, abordam as questões na sequência relatadas. Primeiramente, a recorrente afirma exercer atividade dedicada ao reflorestamento, ao manejo de florestas, ao beneficiamento de madeira, à indústria, ao comércio, à importação e à exportação de madeira, e que, em tal condição, faria jus à restituição de valores relativos ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. Referido direito de crédito, ressalta, fora criado como forma de ressarcimento dos valores incidentes sobre as aquisições de insumos empregados no processo produtivo de Fl. 264DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 4 bens exportados, visando, justamente, estimular as exportações. Assim, como forma de dar efetiva aplicação ao regime da nãocumulatividade a que passaram a estar sujeitos o PIS e a COFINS, as Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, ao lado de garantir créditos sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas jurídicas, asseguraram às empresas que produzem mercadorias de origem animal e vegetal o direito ao crédito calculado sobre as aquisições de matérias primas ou serviços partícipes do processo produtivo. Esse crédito, inclusive, poderia vir a ser objeto de compensação ou de ressarcimento em dinheiro se, ao final de cada trimestre civil, a empresa não tivesse conseguido utilizar o crédito apurado na forma do artigo 3o de ambas as retrocitadas leis. Quanto à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis e despesas diversas, alega que o indeferimento relativo ao combustível e lubrificantes não poderia prevalecer, pois estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo (em máquinas, ferramentas e veículos – detalhes às fls. 216/218), conforme informado à fiscalização. Aduz ainda que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo”. Concernente à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças e despesas diversas, assevera que os itens relativos às partes e peças para manutenção de máquinas são considerados insumos para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS, e que as instruções normativas citadas, nas quais se embasou a decisão recorrida, seriam manifestamente ilegais, posto comportarem restrições não previstas na lei. Defende que o caso presente, por versar sobre créditos de PIS e de COFINS, não poderia estar adstrito à acepção de insumo dada pela legislação do IPI. Assim, para efeitos de PIS e COFINS, deverseia dar ampla compreensão ao termo, “[...] pois o conceito de insumos se relaciona com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pela contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas”. Colaciona respeitável doutrina e ressalta a impossibilidade de o aplicador da norma criar restrição ao gozo do direito ao crédito não prevista originariamente na lei. Assevera que [...] As partes e peças citadas pela fiscalização (rolamentos, retentores, arroelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, pregos), são itens obrigatórios e essenciais, para a consecução de sua atividade e não podem ser considerados como dissociados da atividade produtiva, pois são intrínsecos e associados a sua atividade. Tece comentários sobre a finalidade da instituição do regime da não cumulatividade das contribuições em evidência. A recorrente se manifesta também contra a glosa dos créditos decorrentes dos serviços prestados à mesma sob a justificativa de sua não utilização no processo produtivo. Nesse diapasão, argumenta haver, sim, feito a devida comprovação através da apresentação de notas fiscais de serviços que trazem na sua descrição: “Prestação de serviços, roçadas no plantio de pinus elliotis, extração de toras de pinus elliotis, serviços prestados em roçadas de campo, serviços no plantio de pinus elliotis”, atividades estas em sintonia com o objeto social da reclamante. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 241 5 Quanto à alegação de que os contratos apresentados pela recorrente não guardam pertinência com a situação fática, alega que o fisco teria usado de “excessivo formalismo”, posto haver se prendido no fato de nos mesmos “estar equivocadamente referida a lei que trata de empregados temporários para negarlhes credibilidade”. Nesse sentido, ressalta haver esclarecido “[...] que nunca contratou empregados temporários e isso de fato nunca ocorreu. O que foi contratado pela empresa foram prestadores de serviços, conforme já comprovado através das notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos”. Ressalta ainda, textualmente: Por outro lado, a fiscalização alega que as notas fiscais emitidas por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antônio Pereira e Cia Ltda não seriam documentos hábeis porque nelas não consta a inscrição "nota fiscal" e nas notas fiscais de Manoel Antônio Pereira e Cia não consta o número de sua inscrição no CNPJ. Observase, no entanto, que inclusive os impostos foram destacados nas referidas notas fiscais, os quais foram retidos e recolhidos. Resta evidente que a ausência das inscrições nas notas fiscais ocorreram por erro da gráfica, pois podese observar que os formulários de ambos os prestadores de serviços foram impressos pela mesma gráfica. Por outro lado, é sabido que, ressalvados os casos de conluio ou fraude entre emitente e destinatário, que não é o caso, a proibição de utilização do crédito fere o disposto na lei que instituiu a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Com efeito, em respeito à nãocumulatividade, cada aquisição de mercadoria sujeita à incidência do PIS e da COFINS gera, para seu adquirente, crédito correspondente ao seu valor. Não tem influência, para o pleno exercício do direito creditório, irregularidades praticadas pelo emissor do documento fiscal. Ainda com respeito ao problema em tela, propugna pela aplicação do princípio da boafé, aduzindo não dispor a recorrente de poder de polícia para verificar o correto cumprimento das obrigações por parte da emissora dos documentos fiscais em tela. Finalmente, em relação à não apresentação dos comprovantes de entrega de recebimento dos produtos, ressalta que a conferência de tais serviços teria sido realizada na floresta. Nesse sentido, afirma o seguinte: [...] As toras eram deixadas pelos prestadores de serviços em picadas abertas na floresta e após feita a conferência as quantidades eram informadas aos contratados para emissão da nota fiscal. Efetivamente a recorrente não arquivou os documentos relativos a este ato, entretanto, isso não o torna inexistente, pois comprovado através das notas fiscais, pagamentos feitos e lançamentos contábeis. Por isso, tal decisão merece ser reformada também neste aspecto, para determinar a extinção do débito compensado pela recorrente. Diante do exposto, requer seja reformada a decisão de primeira instância e homologadas integralmente as compensações vinculadas ao processo, reconhecendo sua integralidade e determinando a extinção do débito compensado pela recorrente. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 6 Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Preliminarmente Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo. Quanto à legitimidade da signatária da peça recursal para representar a interessada, vêse que referida peça vem assinada por Thaíse de Zorzi Nesello, na condição de representante da empresa Eliel Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., da qual referida signatária, com efeito, figura como uma das diretoras, nos termos do Capítulo VII do Contrato Social Consolidado. Nessa condição, tem a signatária poderes para representar aludida pessoa jurídica, conforme Cláusula 9a do citado Contrato Social, segundo a qual “a sociedade será representada ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente, por seus diretores, isoladamente, com poderes amplos de gestão [...]”. Do teor da Ata de Reunião dos Sócios / Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social / Segunda Alteração Contratual, formalizado em 1o de dezembro de 2005, constatase, em seu Item II, que a empresa Eliel Indústria e Comércio de Madeiras Ltda. incorporou o acervo da sociedade cindida J. N. Timber Exportação e Importação Ltda., sendo, assim, beneficiária dos direitos e responsável pelas obrigações transferidas, nos termos do artigo 233 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, questão, por sinal, evidenciada na alínea “F” do Item II acima reportado. Portanto, feitas as pertinentes considerações, entendo que o recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Mérito A questão envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep, de competência do mês de fevereiro de 2004. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da lide, sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, também, algumas questões atinentes à COFINS, dada a similitude entre os regimes de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, e por tal contribuição ser também objeto de discussão em outros processos da interessada também sob responsabilidade deste relator. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 242 7 Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigos 2o de cada uma das leis em comento. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento do PIS/Pasep nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637 de 2002 (bem como do correspondente preceito da Lei no 10.833/2003), prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (a Lei nº 10.865, de 2004, excetuou o pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI). E eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 8 Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003), segundo o qual: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput [bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos], entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Concernente à nãocumulatividade da COFINS, o mesmo regramento encontrase disposto nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004. Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins1. Segundo ele, pelo fato das contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Marco Aurélio Greco2 discorda de tal posicionamento. Para este, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS3, dado ser o IPI 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 3 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 243 9 [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outros pensamentos doutrinários diversos que revelam grandes disparidades concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da nãocumulatividade. A compreensão que extraímos do estudo do tema no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide é no sentido de que, tal heterogeneidade de posicionamentos existe, justamente, em vista da sistemática sui generis pela qual optou o legislador ao criar o regime em tela. E, nesse ponto, se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, muito embora parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, entendemos, não encontra alicerce na legislação pertinente. Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o teor do inciso II do artigo 3o de ambas as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que, sobre a correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto de créditos calculados em relação a: II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002) II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Lei 10.637/2002 redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o Fl. 270DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 10 art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº 10.833/2003. Na Lei nº 10.637/2002 essa redação é decorrente da Lei nº 10.865, de 2004) Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e retratado na IN SRF no 247/2002, que, longe de algumas críticas doutrinárias, andou bem quando assim o fez em seu texto, posto que retratou propósito o qual, penso eu, está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário. Aliás, atribuir ao termo “insumo” a acepção dada pela legislação do IPI está em conformidade com o artigo 11 da Lei Complementar no 95, de 1998, que, dentre outras determinações e diretrizes para a elaboração dos textos legais, orienta a elaboração de disposições normativas com clareza, por meio do uso de palavras e expressões em seu sentido comum, “salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando”. As leis que tratam da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, como já ressaltado, não abordaram nomenclatura própria de “insumo” para os propósitos para os quais foram editadas. Utilizaram, pois, em relação ao processo industrial destinado à produção para venda, o sentido terminológico corrente para a legislação do IPI, já que referido termo vem posto de forma consorciada à atividade fabril, cujos produtos são tributados pelo referido imposto, como também asseverado linhas acima. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, a IN SRF no 247/2002 considera como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”). Tal prescrição está em sintonia com o inciso I, § 3o, artigo 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referida instrução normativa também concebe como insumos utilizados na prestação de serviços “os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” (artigo 66, § 5º, II, “a”) (grifo nosso). Somente aqui me parece que referida IN extrapolou os ditames prescritos pelas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, uma vez que excepcionou de forma absoluta o creditamento das contribuições em evidência decorrente da aquisição de bens do ativo imobilizado utilizados na prestação de serviços. Com efeito, de acordo com o inciso VI do artigo 3o das retrocitadas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, faz jus ao creditamento do PIS/Pasep e da COFINS a aquisição de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). Tal questão, no entanto, que examinei apenas superficialmente, não tem influência sobre a presente lide. Em resumo, para fins do regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, penso que não se pode admitir a acepção de insumo no seu amplo sentido econômico, como defendido pela recorrente e por parte da doutrina, até porque a norma em Fl. 271DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 244 11 tela diz respeito a regime de tributação, e a palavra “insumo” – além de seu emprego na atividade de prestação de serviços – vem associada ao processo fabril da empresa, atividade que, como já ressaltado, é especificamente tributada pelo IPI. Em sintonia com a tese aqui defendida o seguinte julgado: MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES COFINS E PIS PELO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE LEIS Nº 10.637/02, 10.833/03 DEFINIÇÃO DA NÃOCUMULATIVIDADE DEPENDE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL DEFINIÇÃO DE INSUMOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO VEDAÇÃO DE CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU DESONERADAS ARTIGO 31 DA 10.865/04. I O princípio da nãocumulatividade estabelecido para as contribuições sociais pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, diverge daquela previsão constitucional originária (IPI e ICMS), dependendo de definição de seu conteúdo pela lei infraconstitucional, não se extraindo do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, por isso mesmo também não se podendo acolher tese de ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional; II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; 2º) nada impede que uma das verbas previstas em lei venha a ser excluída pelo legislador, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal, como estabelecido no artigo 31 da Lei nº 10.865/04, ao vedar o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos imobilizados adquiridos até 30.04.2004; 3º) legítima a regra do inciso III do § 1º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determina que o momento do creditamento das verbas a que se refere (incisos VI e VII do mesmo artigo) deve ser quando ocorre o lançamento dos respectivos encargos de depreciação e amortização; 4º) legítima a regra do § 2º (incisos I e II) do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que impede o creditamento na entrada de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas ou agraciados com desoneração das contribuições na etapa anterior da cadeia produtiva. III Apelação da impetrante desprovida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 303.823. Processo no 2005.61.000285868. Relator: Juiz Souza Ribeiro. Data da decisão: 26/03/2009. Data da publicação: 07/04/2009) Feitas as considerações teóricas necessárias para a análise da contenda, passemos diretamente para o seu exame. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 12 Conforme relatado, a recorrente informa exercer atividade dedicada ao reflorestamento, ao manejo de florestas, ao beneficiamento de madeira, à indústria, ao comércio, à importação e à exportação de madeira, e que, em tal condição, faria jus à restituição de valores relativos ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, em vista de aquisições de matériasprimas ou de serviços utilizados no processo produtivo. Não obstante a recorrente se reportar a direito creditório concernente à COFINS nãocumulativa – argumento que, entendemos, deve dizer respeito a outros processos da interessada atinentes à nãocumulatividade das contribuições sociais –, importa ressaltar que a presente lide se restringe apenas a reclamado direito creditório em relação ao PIS/Pasep, de competência do mês de fevereiro de 2004. Feita essa ressalva, passemos ao exame dos argumentos apresentados pela reclamante frente os elementos e constatações presentes nos autos. Relativamente à utilização de combustíveis e lubrificantes como insumos. Sobre o entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo – em máquinas, ferramentas e veículos, e que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo”. De acordo com o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 135/138, especialmente às fls. 135v e 136, a empresa fora intimada “[...] a informar a segregação do uso dos combustíveis em seu processo produtivo (fls. 1516) [...]”, tendo asseverado, em resposta à indagação da fiscalização, que utilizou tais produtos (óleo diesel e gasolina) para o transporte de ferramentas no mato, compra de insumos, transporte de funcionários e deslocamento de diretores ou funcionários em serviço. Diante disso, entendeu a fiscalização no seguinte sentido: Resta claro que a utilização de combustíveis em veículos utilizados para fins diversos ao processo produtivo da empresa (deslocamentos para compra de insumo, transporte de funcionários ou deslocamento de diretores e funcionários) não pode ser considerada na base de cálculo de créditos das contribuições sociais, pois tais dispêndios não estão diretamente atrelados ao processo produtivo da empresa, tão pouco podem ser considerados insumos, não atendendo, portanto, os requisitos do inciso II do art 3° das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 [...]. E procedeu corretamente o fisco, já que o creditamento decorrente da não cumulatividade do PIS/Pasep (e da COFINS) relativamente à aquisição de bens e serviços exige que estes tenham sido utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637/2002 (mesmo dispositivo correspondente à Lei no 10.833/2003, no caso da COFINS), ressalvadas algumas hipóteses explicitadas nos correspondentes preceitos legais. Não se pode admitir, pois, que os combustíveis utilizados na compra de insumos, no transporte de funcionários ou no deslocamento de diretores ou de funcionários em Fl. 273DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 245 13 serviço possa ser considerado como insumo aplicado diretamente na atividade produtiva desenvolvida pela reclamante, a qual, inclusive, admite tal juízo quando alega que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo” (grifei). Mas quanto do combustível e dos lubrificantes teria sido utilizado como insumo do processo produtivo? A glosa do creditamento decorrente da aquisição dos insumos combustíveis e lubrificantes decorreu, exatamente, da impossibilidade de segregação do uso dos mesmos no período em questão, conforme atesta a fiscalização no Relatório de Verificação Fiscal – fls. 135v. E procedeu o fisco de forma correta, dada a constatação de que houve, sim, utilização desses produtos – ao menos em parte – em atividades não diretamente envolvidas no processo produtivo a ponto de serem consideradas como insumos das atividades características do objeto social da empresa, que, para fazer uso do creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais, necessitaria, obrigatoriamente, demonstrar contabilmente as despesas com os bens utilizados efetivamente como insumos de sua atividade produtora. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às aquisições de combustíveis e lubrificantes. Sobre o direito creditório decorrente da aquisição de partes, peças e despesas diversas. Concernente à matéria, a fiscalização, no Relatório de Verificação Fiscal – fls. 135v/136 –, assevera que o crédito apurado pelo contribuinte referente às aquisições de partes e peças para manutenção de máquinas, ferramentas e veículos só poderia ser admitido se tais partes e peças tivessem sido objeto de desgaste por ação direta sobre o produto em fabricação, adotando, pois, o conceito de insumo pavimentado na legislação do IPI e retratado nas já comentadas IN SRF no 247, de 21/11/2002 (incisos I e II do § 5º do artigo 66 – dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) e IN SRF no 404, de 12/03/2004 (incisos I e II do § 4º do artigo 8o). Sobre a acepção do termo insumo para fins do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, tal questão já foi suficientemente tratada linhas acima, onde se demonstrou a legalidade do alcance do termo segundo os moldes adotados pelas instruções normativas editadas pela Receita Federal, não havendo mais nada de relevante a acrescentar sobre a questão. Mas ainda concernente ao tema, a fiscalização ressaltou também que, mesmo em relação a alguns produtos passíveis de serem considerados como insumos, tais poderiam ter tido outras destinações, “[...] uma vez que o contribuinte utiliza veículos para fins diversos à produção [...]”. Aqui constatase que a glosa decorreu da mesma razão pela qual não foram admitidos os gastos com combustíveis, ou seja, carência de comprovação da aplicação dos insumos na atividade produtiva da empresa. Correto, portanto, o entendimento adotado pelo fisco. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 14 Finalmente, em relação ao reclamado direito creditório decorrente do pagamento de serviços necessários à atividade da suplicante, convém sejam feitas as seguintes considerações. Como já ressaltado, relativamente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, a IN SRF no 247/2002 considera como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”), preceito que, com efeito, guarda sintonia com o inciso II e o § 3o do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Do exame dos fatos, vêse que a glosa dos créditos decorrentes dos serviços prestados à empresa se deu sob a justificativa da não comprovação de utilização desses serviços em seu processo produtivo ou pelo não atendimento dos requisitos legais necessários para tanto. A recorrente, por seu turno, se contrapõe ao entendimento da fiscalização ressaltando haver realizado, efetivamente, a devida comprovação através da apresentação de notas fiscais de serviços que trazem na sua descrição: “Prestação de serviços, roçadas no plantio de pinus elliotis, extração de toras de pinus elliotis, serviços prestado em roçadas de campo, serviços no plantio de pinus elliotis”. De fato, o objeto social da reclamante envolve atividades relacionadas a serraria, beneficiamento de madeiras, reflorestamento e agropecuária, dentre outras. Dada a natureza dessas atividades, penso que os serviços discriminados acima guardam sintonia com o objeto social da reclamante. E, diante dos fatos, vejo que há razões legais que possibilitam admitir a inclusão de gastos com serviços reclamados para fins do creditamento pleiteado, mas somente em relação a parte deles. Dentre as razões elencadas para a glosa dos documentos correspondentes às despesas com prestação de serviços tenho como especialmente relevante o fato de as descrições contidas nos citados documentos não terem sido suficientes para permitir a identificação dos serviços e sua associação com a atividade empresarial da reclamante, bem como o fato de, em alguns casos, aludidos documentos se referirem a serviços que não poderiam ser considerados como insumo da atividade produtora. Com efeito, em certos casos ficou caracterizada a impossibilidade de segregação dos custos associados diretamente à atividade produtiva (extração de madeiras e toras) dos demais serviços incorridos na área arrendada pela interessada (manutenção da floresta e reflorestamento), o que impossibilita sejam admitidas tais despesas para fins de creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais, a qual requer seja demonstrada a incidência de gastos com bens e serviços utilizados efetivamente como insumos na atividade produtiva da beneficiária. Acrescentese como exemplo dos problemas acima apontados a apresentação de documento referente, simplesmente, a “serviços prestados”, no caso, correspondente à nota fiscal no 6, emitida por Miguel Tramontin de Souza (ver tabela de fls. 137). No entanto, entendo que são passíveis de creditamento os custos com serviços de extração de toras de pinus elliot, mesmo ciente de que, nos documentos correspondentes a tais despesas, não foram contemplados os quantitativos de madeira extraída e os valores unitários do serviço. Mas, considerando que nas razões para a glosa das despesas com o serviço em questão não foi feita nenhuma alusão a eventual não comprovação dessas despesas, e que referido serviço guarda relação com a atividade produtiva da recorrente, não vejo motivos para sua recusa para fins do creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.001737/200460 Acórdão n.º 380200.348 S3TE02 Fl. 246 15 Contudo, ainda em relação aos referidos serviços de extração de toras de pinus elliot, importa ressaltar que não deverão ser aceitas as despesas correspondentes aos documentos não caracterizados como “nota fiscal” (ou seja, que não apresentam a inscrição “nota fiscal”). Sobre essa questão, não vejo como acolher o argumento da recorrente de que a omissão do termo “nota fiscal” teria sido decorrente de mero erro de grafia. Os documentos nessa condição, a meu ver, não satisfazem os requisitos de admissibilidade mínimos para comprovar a transação neles consignada a ponto de dar ensejo ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. Por todo o exposto, deverá ser reconhecido o direito creditório nos termos abaixo calculados: Nota fiscal Valor 129 5.519,59 130 10.500,51 TOTAL 16.020,10 Alíquota 1,65% Valor do crédito 264,33 * A tabela com a discriminação completa das notas fiscais correspondentes aos serviços glosados encontrase disposta às fls. 137 dos autos. Releva ressaltar, finalmente, que os serviços correspondentes às notas fiscais acima discriminadas não se incluem dentre as exceções objeto do artigo 3o, § 2o, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (hipóteses que não dão direito ao crédito)4, uma vez que dizem respeito à prestação de serviços, por pessoas jurídicas, sujeitos às contribuições sociais PIS/Pasep e COFINS. Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 264,33 (duzentos e sessenta e quatro reais e trinta e três centavos), a título do PIS/Pasep, conforme demonstrativo de cálculo objeto da tabela consignada nas razões do presente voto. Sala de Sessões, em 02 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator 4 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 276DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 16 Fl. 277DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000301/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 04/11/2008
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2
É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso no que tangencia a pretensão de inconstitucionalidade.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 04/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 68. DEIXAR DE APRESENTAR GFIP COM DADOS CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSO ACESSÓRIO REFLEXO DOS PROCESSOS PRINCIPAIS. IDENTIDADE DE PROVAS. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Havendo relação direta de causa e efeito entre o processo de obrigação principal e os autos da obrigação acessória, ambos autuados em decorrência da mesma ação fiscal e dos mesmos elementos de prova e sendo a multa aplicada calculada com base em cada um dos fatos geradores individualmente considerados na obrigação principal, deve a decisão proferida no processo de obrigação principal ser observada também no processo de obrigação acessória.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 2202-009.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade de normas legais; e na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Mário Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/11/2008 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso no que tangencia a pretensão de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 04/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 68. DEIXAR DE APRESENTAR GFIP COM DADOS CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSO ACESSÓRIO REFLEXO DOS PROCESSOS PRINCIPAIS. IDENTIDADE DE PROVAS. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Havendo relação direta de causa e efeito entre o processo de obrigação principal e os autos da obrigação acessória, ambos autuados em decorrência da mesma ação fiscal e dos mesmos elementos de prova e sendo a multa aplicada calculada com base em cada um dos fatos geradores individualmente considerados na obrigação principal, deve a decisão proferida no processo de obrigação principal ser observada também no processo de obrigação acessória. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/11/2008 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF N.º 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso no que tangencia a pretensão de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 04/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 68. DEIXAR DE APRESENTAR GFIP COM DADOS CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSO ACESSÓRIO REFLEXO DOS PROCESSOS PRINCIPAIS. IDENTIDADE DE PROVAS. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Havendo relação direta de causa e efeito entre o processo de obrigação principal e os autos da obrigação acessória, ambos autuados em decorrência da mesma ação fiscal e dos mesmos elementos de prova e sendo a multa aplicada calculada com base em cada um dos fatos geradores individualmente considerados na obrigação principal, deve a decisão proferida no processo de obrigação principal ser observada também no processo de obrigação acessória. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, ensejando com esta conduta a aplicação de multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 01 /2 00 8- 07 Fl. 534DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade de normas legais; e na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Mário Hermes Soares Campos (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 512/522), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 493/500), proferida em sessão de 28/04/2010, consubstanciada no Acórdão n.º 12-30.074, da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 04/11/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. PRODUÇÃO RURAL. FATO GERADOR. COMERCIALIZAÇÃO. SUB-ROGAÇÃO. ADQUIRENTE. FOLHA DE PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÃO. GPS. ERRO NA COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE GUIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constitui descumprimento de obrigação acessória apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A pessoa jurídica que adquire produção rural fica sub-rogada na obrigação do produtor rural pessoa física e diretamente responsável pela contribuição que deixar de descontar ou descontar em desacordo com a legislação pertinente. Consideram-se corretos todos os recolhimentos parciais realizados pelo sujeito passivo, até o limite do montante devido, na respectiva competência. A apropriação de recolhimentos realizados, de uma competência para outra somente será possível mediante a comprovação do equívoco e que não implique em redução ou falta de recolhimento na competência equivocada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para o período de apuração em referência, com auto de infração juntamente com as peças integrativas e respectivo Relatório Fl. 535DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 Fiscal juntado aos autos, foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo: Trata-se de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.141.042-8) lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores referentes à comercialização de produção rural e à remuneração dos empregados, referentes às competências 11/2004 a 05/2007, o que caracteriza a infração prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa de R$ 758.770,24, calculada na forma da planilha de fls. 259/260, com fundamento no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91. Nos Relatórios Fiscais da Infração e de Aplicação da Multa, de fls. 08/09, a fiscalização informou, em síntese, que: - A empresa entregou GFIP sem declarar as contribuições previdenciárias referentes à comercialização de produção rural adquirida de pessoa física, no período de 11/2004 a 05/2007; - A autuada não entregou GFIP para os estabelecimentos CNPJ 89.(...)/0016-30 e CNPJ 89.(...)/0019-83, deixando de declarar a remuneração paga aos empregados a título de décimo-terceiro salário; - Juntou cópias dos resumos das folhas de pagamentos e de notas fiscais de entrada, bem como a relação de todas as notas fiscais e a planilha contendo os totais mensais da aquisição de gado; - Juntou extratos do aplicativo CCORGFIP, demonstrando a falta de declaração da comercialização e a ausência de entrega de GFIP competência 13/2006; - No cálculo do valor máximo da multa por competência, o valor mínimo foi multiplicado por 10 na competência 11/2004 e por 20 nas demais, considerando o número de segurados; - A penalidade aplicada correspondeu ao somatório dos valores calculados nas planilhas de fls. 259/260. Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que peço vênia para reproduzir: A Impugnante inconformada com a autuação apresentou impugnação tempestiva, de fls. 270/288, alegando, em síntese, que: - “A fundamentação da multa reside na não comprovação por meio de GFIP do recolhimento da contribuição destinada ao FUNRURAL, prevista no artigo 25 do mesmo diploma legal, bem como na não apresentação de GFIP comprovando o recolhimento da contribuição destinada ao décimo-terceiro salário de 2006”; - Foram lavrados os AI nº 37.135.323-8 e 37.135.317-3, pendentes de decisão, logo, não há possibilidade de aplicação de penalidade. - A empresa contribui regularmente com a previdência urbana, portanto, seria inexigível a contribuição reclamada pelo AI, conforme documentos que juntou ao processo; - A Lei nº 2.613/55 instituiu a contribuição para o INCRA, para o custeio de programas de colonização e reforma agrária. Posteriormente, a Lei Complementar nº 11/1971 criou o PRORURAL – Programa de Assistência ao Trabalhador Rural e aumentou a alíquota prevista na Lei nº 2.613/55 para 2,6%, dos quais 2,4% eram destinados ao FUNRURAL, como nova espécie tributária incidente sobre a aquisição de produtos rurais pelas empresas, e 0,2% ao INCRA; Fl. 536DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 - A Lei nº Complementar nº 11/1971 (PRORURAL) foi recepcionada pela CFRB/88 e obrigava todas as empresas sendo irrelevante a atividade desenvolvida pela empresa, urbana ou rural. Com o advento da Lei 7.789/89, que instituiu o percentual de 20% sobre a folha de salários, a contribuição para o FUNRURAL deixou de ser exigível das empresas urbanas, sob pena de superposição contributiva; - Relativamente à remuneração do décimo-terceiro salário, os recolhimentos foram realizados, tempestivamente, em 20/12/2006, porém, houve equívoco no preenchimento da GPS, onde foi preenchida a competência 12/2006, quando o correto seria 13/2006; - Foi entregue GFIP em 01/01/2008 referente ao recolhimento das contribuições do décimo-terceiro dos segurados empregados; - O pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário, previsto no artigo 156, I, do CTN, não pode o equívoco no preenchimento da GPS servir de escopo para o seu não reconhecimento; - A multa aplicada no auto de infração possui nítido caráter confiscatório, devendo, por isso, ser reduzida para o patamar de 20%. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário, conforme bem sintetizado na ementa alhures transcrita. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar o lançamento. Consta nos autos Termo de Apensação deste feito ao Processo n.º 16004.000300/2008-54 (e-fl. 533). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo (notificação em 05/08/2010, e-fl. 511, protocolo recursal em 01/09/2010, e-fl. 512), mas não atende a todos os pressupostos de admissibilidade, sendo caso de conhecimento parcial, pois reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso. Explico. - Inconstitucionalidade Fl. 537DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 A discussão sobre inconstitucionalidade de normas legais relacionadas ao chamado FUNRURAL e a norma de sub-rogação não cabe ser apreciada nestes autos, considerando o impedimento dado pela Súmula CARF n.º 2, segundo a qual "[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Este Egrégio Conselho não pode adentrar no controle de constitucionalidade das leis, somente outorgada esta competência ao Poder Judiciário, devendo o CARF se ater a observar o princípio da presunção da constitucionalidade das normas legais, exercendo, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, controle de legalidade do lançamento para observar se o ato se conformou ao disposto na legislação que estava em vigência por ocasião da ocorrência dos fatos, não devendo abordar temáticas de constitucionalidade, salvo em situações excepcionais quando já houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre dado assunto, ocasião em que apenas dará aplicação a norma jurídica constituída em linguagem competente pela autoridade judicial, ou se eventualmente houvesse dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador- Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.º 10.522, de 2002, ou súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, ou na forma da nova sistemática do art. 19-A, inciso III, da Lei n.º 10.522, de 2002, se houvesse, ao menos, manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, independentemente de ato declaratório, o que não é o caso. Não há situação excepcional nestes autos. Outrossim, o art. 26-A do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, enuncia que, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Deveras, é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada inconstitucionalidade de lei. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, observa se o ato administrativo de lançamento atendeu seus requisitos de validade, se o ato observou corretamente os elementos da competência, da finalidade, da forma, os motivos (fundamentos de fato e de direito) que lhe dão suporte e a consistência de seu objeto, sempre em dialética com as alegações postas em recurso, observando-se a matéria devolvida para a apreciação na instância revisional, não havendo permissão para declarar inconstitucionalidade de lei, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário este controle. Logo, conheço parcialmente do recurso, exceto quanto à alegação de inconstitucionalidade de normas legais. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Fl. 538DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício e se refere-se ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, sob o Código de Fundamento Legal – CFL 68. Consta que o recorrente apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores referentes à comercialização de produção rural e à remuneração dos empregados, referentes às competências 11/2004 a 05/2007, o que caracteriza a infração prevista no art. 32, IV, § 5º, da Lei 8.212, combinado com o art. 225, IV, § 4º, do RPS. Em síntese, a recorrente entregou GFIP sem declarar as contribuições previdenciárias referentes à comercialização de produção rural adquirida de pessoa física, no período de 11/2004 a 05/2007, deixando de declarar a remuneração paga aos empregados a título de décimo-terceiro salário. Os processos principais foram julgados nessa mesma sessão e reunião de julgamentos do CARF, também sob minha relatoria, conforme Processos ns.º 16004.000299/2008-68, 16004.000300/2008-54 e 16004.001328-2008-17, tendo sido mantidas as autuações, negando-se provimento aos recursos, consoante resume as seguintes ementas: Processo n.º 16004.000299/2008-68 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÕES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO HISTORICAMENTE DENOMINADA FUNRURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI N.º 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. NORMA DE SUB-ROGAÇÃO. VALIDADE. SÚMULA CARF N.º 150. ADI 4.395 NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. São constitucionais as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas, instituídas após a publicação da Lei n.º 10.256/2001, bem assim a atribuição de responsabilidade por sub-rogação a pessoa jurídica adquirente de tais produtos. A atribuição de responsabilidade tributária por sub-rogação a adquirente pessoa jurídica da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas e segurados especiais, no que diz respeito ao recolhimento da contribuição ao SENAR, encontra amparo no § 3.º do art. 3.º da Lei n.º 8.315/1991. O Decreto n.º 790/1993 não criou obrigação tributária não prevista em lei, mas prestou-se exclusivamente a regulamentar o § 3.º do art. 3.º da Lei n.º 8.315/1991. A Resolução do Senado Federal n.º 15/2017 não se prestou a afastar exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas instituídas a partir da edição da Lei n.º 10.256/2001, tampouco extinguiu responsabilidade do adquirente pessoa jurídica de arrecadar e recolher tais contribuições por sub-rogação. Súmula CARF n.º 150. A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei 10.256/2001. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020) Fl. 539DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 Enquanto não transitar em julgado a ADI 4.395, estando definitivamente julgada, inclusive em relação a eventual modulação de seus efeitos, e enquanto não for revogada ou orientada a não aplicação da Súmula CARF n.º 150, que é de aplicação obrigatória e vinculante aos Conselheiros do CARF, inclusive por ato ministerial no caso específico da referida súmula (Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020), não é possível adotar entendimento diverso do enunciado sumular. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÃO. OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. GPS. CAMPO VAZIO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A inexistência de valor preenchido no campo específico da GPS, destinado às contribuições para as outras entidades e fundos, comprova a ausência de recolhimento. Processo n.º 16004.000300/2008-54 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÕES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO HISTORICAMENTE DENOMINADA FUNRURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. LEI N.º 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. NORMA DE SUB-ROGAÇÃO. VALIDADE. SÚMULA CARF N.º 150. ADI 4.395 NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. São constitucionais as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas, instituídas após a publicação da Lei n.º 10.256/2001, bem assim a atribuição de responsabilidade por sub-rogação a pessoa jurídica adquirente de tais produtos. A atribuição de responsabilidade tributária por sub-rogação a adquirente pessoa jurídica da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas e segurados especiais, no que diz respeito ao recolhimento da contribuição ao SENAR, encontra amparo no § 3.º do art. 3.º da Lei n.º 8.315/1991. O Decreto n.º 790/1993 não criou obrigação tributária não prevista em lei, mas prestou-se exclusivamente a regulamentar o § 3.º do art. 3.º da Lei n.º 8.315/1991. A Resolução do Senado Federal n.º 15/2017 não se prestou a afastar exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas instituídas a partir da edição da Lei n.º 10.256/2001, tampouco extinguiu responsabilidade do adquirente pessoa jurídica de arrecadar e recolher tais contribuições por sub-rogação. Súmula CARF n.º 150. A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei 10.256/2001. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020) Enquanto não transitar em julgado a ADI 4.395, estando definitivamente julgada, inclusive em relação a eventual modulação de seus efeitos, e enquanto não for revogada ou orientada a não aplicação da Súmula CARF n.º 150, que é de aplicação obrigatória e vinculante aos Conselheiros do CARF, inclusive por ato ministerial no caso específico da referida súmula (Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020), não é possível adotar entendimento diverso do enunciado sumular. Fl. 540DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 Processo n.º 16004.001328-2008-17 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. GPS. ALEGAÇÃO DE ERRO NA COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE GUIA NA COMPETÊNCIA INDICADA E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA ESPECÍFICA COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO EM COMPETÊNCIA DIVERSA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Consideram-se corretos todos os recolhimentos parciais realizados pelo sujeito passivo, até o limite do montante devido, na respectiva competência indicada na guia de recolhimento. A apropriação de recolhimentos realizados, de uma competência para outra somente será possível mediante a comprovação do equívoco e que não implique em redução ou falta de recolhimento na competência alegada como indicada por equívoco. Neste horizonte, é incontroverso o descumprimento da obrigação acessória, uma vez que restou definitivamente certo que a recorrente entregou GFIP sem declarar as contribuições previdenciárias referentes à comercialização de produção rural adquirida de pessoa física, no período de 11/2004 a 05/2007, deixando ainda de declarar a remuneração paga aos empregados a título de décimo-terceiro salário. Deste modo, incide o recorrente na infração prevista no art. 32, IV, § 5º, da Lei 8.212, combinado com o art. 225, IV, § 4º, do RPS. Sendo assim, sem parcial razão o recorrente. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Em apreciação racional da lide, motivado pelas normas aplicáveis à espécie, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, aferida toda a prova documental colacionada, não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. Neste sentido, em resumo, conheço parcialmente do recurso, exceto quanto à alegação de inconstitucionalidade de normas legais, e, na parte conhecida, nego-lhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, exceto quanto à alegação de inconstitucionalidade de normas legais, e, na parte conhecida, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 541DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-009.805 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.000301/2008-07 Fl. 542DF CARF MF Original
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