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Numero do processo: 11850.000033/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 00 33 /2 00 8- 21 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 169 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.299. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 170 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 171 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 172 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 173 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 174 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 175 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 176 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 177 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 178 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11850.000033/200821 Acórdão n.º 9303003.696 CSRF‐T3 Fl. 179 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13819.720846/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação no processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram o presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca a matéria submetida à apreciação no processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 08 46 /2 01 3- 10 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram o presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Wilson Antônio de Souza Corrêa, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13819.720846/201310 Acórdão n.º 2402005.208 S2C4T2 Fl. 205 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no montante total de R$ 46.887,69 relativo ao anocalendário 2008, em face da omissão de rendimentos no valor de R$ 116.454,55, recebidos por meio de ação judicial promovida em desfavor do INSS. Cientificado, por via postal, do lançamento em 12/03/2013, o contribuinte apresentou, em 05/04/2013, a impugnação de fls. 2 a 7, na qual alega que recebeu em 31/10/2008 a importância concernente aos benefícios atrasados do período de 07/2001 a 04/2008. Aponta o Ato Declaratório nº 1, de 27/03/2009 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a MP 49/2010 e a Lei nº 12.349/2012 como bases legais para sua pretensão de ter reconhecido o direito de que seja computado, para efeito de incidência do imposto de renda, os respectivos períodos a que se referem as verbas judiciais, ou seja, que seja considerado o regime de competência para o cálculo do mencionado imposto, gerando, assim, direito à restituição, em vez da obrigação de recolher o valor imputado no lançamento vergastado. A instância a quo manteve a exigência (fl. 34/38), consubstanciando seu entendimento na seguinte ementa de acórdão: TRIBUTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações da defesa; devendo ser indeferido pedido de diligência quando é prescindível a manifestação de um especialista. A ciência da decisão deuse em 31/10/2013 (fl. 41), havendo o notificado interposto recurso voluntário em 2/12/2013, retomando os argumentos da impugnação (fls. 43/46), e requerendo, enfim, a nulidade do lançamento. Por meio de Informação Fiscal datada de 24/1/2014, acompanhada de documentos (fls. 51/103), a DRF/S.B.Campo noticia ter o contribuinte ajuizado o mandado de segurança n.º 000873197.2013.403.6114 com o objetivo de afastar a incidência do imposto de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 renda da pessoa física (IRPF) sobre os rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente em 2008. Acrescenta que a liminar foi deferida ao contribuinte no sentido de que seja suspensa a exigibilidade do IRPF constituído por meio da Notificação de Lançamento sob exame. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13819.720846/201310 Acórdão n.º 2402005.208 S2C4T2 Fl. 206 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Cabe explicar, inicialmente, que o recurso em comento é tempestivo, pois contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 31/10/2013 (fl.41), iniciando o prazo de trinta dias para interpor o recurso voluntário no dia seguinte, 1º/11/2013, uma sextafeira, nos termos do art. 5º, c/c o art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O final do prazo em comento foi em 30/11/2013, um sábado, havendo sido prorrogado para a segundafeira seguinte, dia 2/12/2013, o vencimento do prazo, data em que foi interposto o recurso voluntário sob apreciação. Bem delineada a tempestividade do recurso, cumpre frisar que no mandado de segurança n.º 000873197.2013.403.6114, o contribuinte demanda seja declarada "a inexigibilidade do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF na forma do regime de caixa, para que no recálculo do imposto pelo regime de competência de acordo com as tabelas e alíquotas vigente às épocas próprias a que se referem os benefícios pagos em atraso" (fl. 77). Consoante já salientado na Informação Fiscal de fl. 51, busca ele naquela medida judicial o mesmo intento visado no recurso sob apreciação, ou seja, que o imposto de renda sobre os rendimentos em evidência seja calculado não pelo regime de caixa, mas sim pelo regime de competência. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange a essa matéria, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal, mormente quando tal entendimento já está abrigado sob o manto da coisa julgada, conforme destacado pelo recorrente no particular. Cumpre destacar que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com efeito, a concomitância traduzse em fator externo à relação processual administrativa que impede a eficácia de eventual decisão emanada nesse âmbito, a qual se configura desnecessária e inútil no que contrariar a decisão de mérito do Poder Judiciário. Em votovista exarado no RE nº 233.582/RJ (DJe de 16/5/2008), o qual discutiu a Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.380, de 22 de setembro de 1980, o Ministro Gilmar Mendes teceu considerações que ora também se revelam aplicáveis: Destarte, a renúncia a essa faculdade de recorrer no âmbito administrativo e a automática desistência de eventual recurso interposto é decorrência lógica da própria opção do contribuinte de exercitar a sua defesa em conformidade com os meios que se afigurem mais favoráveis aos seus interesses. Temse aqui fórmula legislativa que busca afastar a redundância da proteção, uma vez que, escolhida a ação judicial, a Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide. (...) Destarte, muito embora as razões recursais arguidas, o fato é que a decisão do juízo da 3ª Vara Federal de São Bernardo do Campo/SP (fls. 53/57) bem como outras eventualmente proferidas no curso do multicitado processo judicial deverá ser simplesmente cumprida pela administração tributária federal, sendo despicienda eventual manifestação adicional deste Colegiado acerca do tema. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Ronnie Soares Anderson. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10880.723083/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES.
Não há falar em ausência de elemento volitivo do titular na incorporação das suas ações por terceiro, pois o ordenamento constitucional brasileiro jamais permitiria que uma lei ordinária desse a um particular o poder de dispor sobre a propriedade de terceiro com capacidade de direito e de fato, sem a sua anuência ou contra a sua vontade, sob pena de ofensa ao direito fundamental à propriedade.
Quem participa de uma sociedade se submete, por vontade própria, às regras societárias, logo, não há falar que, por ser a decisão da sociedade uma deliberação colegiada, não exista ali o elemento volitivo daquele que restou vencido ou mesmo submetido à deliberação assemblear
A incorporação de ações se desenvolve pela subscrição de ações da incorporadora e, posterioriormente, a dação das ações da subscritora de titularidade de seus sócios em pagamento daquelas, razão pela qual, haverá apuração de ganho de capital por aquele que integralizar ações subscritas com a dação de outras ações de valor inferior às integralizadas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, NEGAR CONHECIMENTO à petição apresentada depois do recurso voluntário, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao crédito tributário principal e multa de ofício de 75%, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix que dava provimento ao recurso voluntário; 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões a maioria qualificada dos Conselheiros (Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Edeli Pereira Bessa), e divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix ; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - PRESIDENTE
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Incorporação de ações. Recorrente HFIN PARTICIPACOES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. Não há falar em ausência de elemento volitivo do titular na incorporação das suas ações por terceiro, pois o ordenamento constitucional brasileiro jamais permitiria que uma lei ordinária desse a um particular o poder de dispor sobre a propriedade de terceiro com capacidade de direito e de fato, sem a sua anuência ou contra a sua vontade, sob pena de ofensa ao direito fundamental à propriedade. Quem participa de uma sociedade se submete, por vontade própria, às regras societárias, logo, não há falar que, por ser a decisão da sociedade uma deliberação colegiada, não exista ali o elemento volitivo daquele que restou vencido ou mesmo submetido à deliberação assemblear A incorporação de ações se desenvolve pela subscrição de ações da incorporadora e, posterioriormente, a dação das ações da subscritora de titularidade de seus sócios em pagamento daquelas, razão pela qual, haverá apuração de ganho de capital por aquele que integralizar ações subscritas com a dação de outras ações de valor inferior às integralizadas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, NEGAR CONHECIMENTO à petição apresentada depois do recurso voluntário, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix; 2) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 30 83 /2 01 3- 27 Fl. 954DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 voluntário relativamente ao crédito tributário principal e multa de ofício de 75%, divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix que dava provimento ao recurso voluntário; 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada, votando pelas conclusões a maioria qualificada dos Conselheiros (Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Edeli Pereira Bessa), e divergindo a Conselheira Talita Pimenta Félix ; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA PRESIDENTE Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0129.106 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. A incorporação de ações constitui uma espécie sui generis de alienação, onde a vontade uma das partes é suprida por expressa determinação legal; não tem natureza jurídica de subrogação real, pois a relação originária não se mantém e o papel desempenhado pelo bem substituído não se confunde com o do bem subrogado; também não corresponde a uma permuta, pois nesta ocorrem, simultaneamente, duas transferências ou duas transmissões de propriedade, em que os contratantes ou permutantes fazem, entre si, recíprocas transferências de coisas que se equivalem. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Sujeitase à apuração do ganho de capital a alienação de ações ocorrida em operação de incorporação de ações para constituição de subsidiária integral. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada, devida pela insuficiência ou falta de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador, têm hipóteses de incidência distintas. Portanto, cabível o lançamento concomitante destas penalidades, mormente quando ato normativo expedido pela administração tributária autoriza o procedimento. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 895 3 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores de multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0129.106 em 08/07/2014 (AR a fls. 793), interpôs, em 07/08/2014, recurso voluntário (doc. a fls. 765 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que as referidas exigências decorrem do entendimento da Fiscalização de que a operação de incorporações de ações consiste em um evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à regular incidência do IRPJ e da CSLL; b) que também houve imposição de multa isolada diante da não adição do suposto ganho de capital auferido na operação mensal de IRPJ da recorrente ao mês de julho de 2009; c) que este ganho, no entender da Fiscalização, teria resultado da diferença positiva entre (i) o valor de mercado das ações da BRF na data da referida operação (i.e. 8.7.2009), multiplicada pela quantidade de ações BRF recebida pela recorrente e (ii) o valor contábil de seu investimento na HFF nesta mesma data; d) que, conforme já demonstrado na impugnação, a incorporação de ações consiste em um instituto próprio de direito societário que tem como intuito viabilizar a constituição de subsidiária integral, isto é, companhia brasileira cuja totalidade das ações é detida por outra companhia brasileira, sendo que tal instituto está previsto no art. 252 da Lei das S/A; e) que, para que se realize uma operação comutativa, sem ganhos ou prejuízos para os acionistas de ambas as sociedades, é estabelecida uma relação de substituição no valor (geralmente de mercado) das ações incorporadas e daquelas que serão recebidas em substituição a estas; f) que é justo dizer que a incorporação de ações resulta na conversão de uma sociedade em subsidiária integral de outra sociedade anônima brasileira, tendo como finalidade integração de duas sociedades para que possam juntas explorar e desenvolver atividades/negócios que antes eram conduzidas/os de maneiras independente, visando a união de forças operacionais e administrativas entre duas companhias com a consequente redução de custos na grande maioria dos casos; g) que interessante notar que, na incorporação de ações, a participação na sociedade incorporada é um reflexo daquela mesma participação anteriormente detida na sociedade que foi objeto da conversão em subsidiária integral; h) que os acionistas continuam a deter a mesma participação proporcionalmente ao patrimônio social, pois a única diferença é que, após a operação de incorporação de ações, a participação naquela sociedade que se tornou subsidiária integral passa a ser indireta, porém o acionista continua vinculado ao negócio e aos riscos da atividade, com direitos e obrigações inerentes à posição de sócio, ou seja, o acionista não se desfaz do ativo, mas continua sujeito às suas vicissitudes, riscos, etc.; Fl. 956DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 i) que tanto a incorporação de ações como a constituição de subsidiária integral com a aquisição de ações da futura subsidiária mediante a entrega de ações da futura controladora (i.e. subscrição de capital mediante conferência de bens sob a ótica da sociedade que teve seu capital integralizado) são operações societárias diversas, que a própria LSA diferencia em seu art. 251; j) que a palavra “ou” no art. 251 é uma conjunção alternativa, o próprio legislador reconhece que a incorporação de ações não é uma forma de aquisição de ações da futura subsidiária integral na qual a contrapartida são ações da futura controladora, não podendo com ela ser confundida; k) que a incorporação de ações e a subscrição de capital com a conferência de participações societárias são operações distintas, que não se confundem, devendo ser respeitada esta separação à luz do primado da segurança jurídica e do art. 110 do CTN, o qual proíbe a lei tributária de alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado; m) que o precedente citado pelo acórdão recorrido é justamente uma subscrição de capital e não uma incorporação de ações, como tenta fazer crer a DRJ; n) que são elementos estruturais para a caracterização de uma operação como alienação (i) a transmisssão da propriedade e a (ii) vontade do alienante em transferila, ou seja, mostrase de suma importância o elemento volitivo por parte do alienante quando da transferência da propriedade de determinado bem ou direito para a caracterização de uma operação como alienação; o) que é possível resumir as principais características da operações de ações com base na identificação dos seguintes elementos: o.1) a operação de incorporação de ações é aprovada pelas assembleias gerais das companhias envolvidas – i.e. companhia incorporadora e companhia cujas ações são incorporadas; o.2) o evento de subscrição de ações da incorporadora é uma consequência decorrente da operação de incorporação de ações, sendo imposta por lei, e é efetivada pela diretoria da companhia cujas ações estão sendo incorporadas por conta de seus acionistas e não em nome destes, constituindo transferência compulsória de ações; o.3) os acionistas, por não participarem do processo de deliberação e aprovação da operação de incorporação de ações da companhia incorporadora diretamente e em substituição às ações anteriores que possuíam; o.4) não há a intenção, com a implementação da operação de incorporação de ações, de se deixar de fazer parte do negócio desenvolvido pela companhia cujas ações estão sendo incorporadas; ao contrário, buscase por meio deste instrumento societário a continuidade da companhia e da respectiva participação no negócio por ela desenvolvido por meio da conjugação deste com as atividades exploradas pela companhia incorporadora das ações da incorporada; p) que o entendimento da DRJ no sentido de que a passividade dos acionistas seria relativa, pois que os acionistas dissidentes podem se retirar da sociedade e exigir seu direito de regresso, também não merece acolhida, já que o não exercício deste direito não caracteriza manifestação de vontade, uma vez que esta deve ser inequívoca e não presumida; q) que a Assembleia exprime a vontade da companhia, e só dela, apesar de normalmente suas deliberações resultarem da fusão de diversas emissões volitivas, com a desconsideração das opiniões vencidas; Fl. 957DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 896 5 r) que, em uma incorporação de ações, os acionistas não participam do processo de sua aprovação tampouco do processo de subscrição dela decorrente, pois recebem diretamente, de forma passiva, ações da companhia incorporadora em substituição às suas antigas ações; s) que, ademais, as ações cuja incorporação levou à lavratura da autuação fiscal ora combatida correspondem a uma pequena parcela do capital social da Sadia S/A, de modo a evidenciar que a recorrente não exercia qualquer controle sobre a Sadia; t) que, enquanto uma substituição decorrente de um fenômeno de sub rogação real legal, resta claro que a incorporação das ações da HFF pela BRF não consiste em um evento de alienação apto a ensejar o auferimento de eventual acréscimo patrimonial sujeito à incidência do IRPJ, diante da ausência do elemento volitivo por parte da recorrente indispensável à caracterização da operação como evento de alienação; u) que, muito pelo contrário, desta operação resultou uma mera substituição por meio da qual as ações antigamente detidas pela recorrente na HFF foram substituídas por ações da BRF, na mesma proporção e pelo mesmo valor do investimento anteriormente detido; v) que pelo PN 39/1981, as ações recebidas em substituição de outras participações societárias em virtude de operação de incorporação, cisão e fusão, e na mesma proporção das ações anteriormente detidas, não podem ser consideradas novamente subscritas ou adquiridas por aqueles que as recebem, sendo que, pelo PN 38/81 concluise que o entendimento da RFB é no sentido de que as operações de incorporação, cisão e fusão não possuem natureza jurídica de alienação, verbis: 4. Deduzse, daí, que o direito obtido em subscrição ou aquisição não se extingue com as citadas operações, mas, ao contrário, mantémse em relação ao patrimônio que absorveu o primitivo. Desta forma, as quotas ou ações que venham a substituir títulos de participação societária, na mesma proporção das anteriormente possuídas, não podem ser consideradas novamente "subscritas ou adquiridas", donde dever ser contada como data inicial do qüinqüênio aquela indicada no art. 4º, d, do DecretoLei nº 1.510/76.” w) que, ainda que se entenda que a incorporação de ações possui natureza jurídica de alienação, o que se admite apenas a título de argumentação, o acórdão recorrido não merece prosperar, tendo em vista que o reflexo de tal operação no patrimônio da recorrente seria a de uma permutação e não mutação patrimonial capaz de gerar acréscimos patrimoniais sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL; y) que, de todas as formas de alienação em sentido amplo previstas na legislação, não há dúvida de que, se ignorada a ausência de interesse da recorrente em transferir a propriedade de suas ações da HFF à BRF, a incorporação de ações consistiria em operação de permuta; z) que, no caso de operações de permuta sem torna, há mera troca de posições patrimoniais que se equivalem, assim, ao contrário do que ocorre nas operações de compra e venda, não há percepção ou recebimento de ganho de capital a ingressar no patrimônio do titular do bem permutado, estando, por tudo quanto acima exposto, fora do campo da incidência do IRPJ e da CSLL; Fl. 958DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 aa) que nem se levante que somente as permutas de unidades imobiliárias seriam neutras sob a ótica tributária e permutas de bens móveis não, como pretendeu a DRJ; ab) que o Parecer PGFN nº 970/91 conclui que a entrega pelo licitante vencedor de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição das ações leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização caracterizase como permuta, logo, não há tributação, pois não há ganho de capitais, quando ocorre a mera troca de bens; ac) que, mesmo que se entenda que houve alienação com a apuração de ganho de capital, o que se admite apenas por argumentação, o imposto de renda incidente sobre este suposto ganho jamais poderia ser exigido pela Fiscalização, uma vez que ainda não se encontra disponível para a recorrente; ad) que, ante a ausência de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, foi referendada pelo Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o Recurso Especial nº 668.378 ES, cuja situação fática envolvia a liquidação de sociedade holding em que a devolução do capital se deu por meio da entrega de participações detidas em outras sociedades, que o recebimento de ações e quotas de outras empresas em substituição à participação acionária anteriormente detida gera apenas expectativa de lucro que não poderia dar ensejo à incidência do imposto de renda; ae) que devem ser afastadas a determinação de que sejam retificados os saldos de base de cálculo negativa de CSLL e prejuízo fiscal, compensados de ofício pela Autoridade Fiscal com os supostos débitos de IRPJ e CSLL; af) que jamais poderia ter sido aplicada multa isolada em concomitância com a multa de ofício, até mesmo porque a segunda absorve a primeira (princípio da consunção); ag) que a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício afronta a legislação tributária e o princípio da segurança jurídica; ah) que a palavra "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN se refere apenas aos tributos devidos, caso contrário, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis"; ai) que o art. 61 da Lei n° 9.430/96 igualmente prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo eventualmente exigido. A D. Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões a fls. 842 e segs. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 719 e substabelecimento a fls. 721, razão pela qual dele conheço. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 897 7 DO ELEMENTO VOLITIVO Sustenta a recorrente que a incorporação das ações da HFF pela BRF não consiste em um evento de alienação apto a ensejar o auferimento de eventual acréscimo patrimonial sujeito à incidência do IRPJ, diante da ausência do elemento volitivo por parte da recorrente indispensável à caracterização da operação como evento de alienação. Ora, estamos diante de um silogismo baseado em premissa falsa, pois segundo a recorrente: o evento de alienação requer a livre vontade das partes, a incorporação de ações não requer a vontade dos acionistas da companhia a ser convertida em subsidiária integral, logo a incorporação de ações não é uma espécie de alienação. Equivocase a recorrente ao sustentar a ausência de elemento volitivo do titular na incorporação das suas ações por terceiro, pois o ordenamento constitucional brasileiro jamais permitiria que uma lei ordinária desse a um particular o poder de dispor sobre a propriedade de terceiro com capacidade de direito e de fato, sem a sua anuência ou contra a sua vontade, sob pena de ofensa ao direito fundamental à propriedade. É verdade que o direito de propriedade não é um direito ilimitado, pois sujeitase a limitações no seu uso, como, por exemplo, as impostas pelo direito ambiental ou pelo direito de vizinhança, como também é possível a transferência compulsória de bens privados para o domínio público (desapropriações), situações que se caracterizam pela prevalência de um interesse público sobre o privado, logo, bastante diferente, portanto, da incorporação de ações em que se tem apenas em jogo interesses privados. Com efeito, o que o recorrente tenta sustentar é que as ações da HFF de titularidade da HFIN poderiam ser “substituídas” por ações da BRF sem a anuência ou mesmo a concordância da HFIN, em razão da interpretação que ele faz do disposto no art. 252 da Lei 6.404/64. Ora, tal dispositivo seria inconstitucional se a tanto chegasse, ou seja, se permitisse que o direito de propriedade de um particular pudesse ser disposto por outro particular, sem a concordância do primeiro. Na verdade, quem participa de uma sociedade se submete, por vontade própria, as regras societárias, logo, não há falar que, por ser a decisão da sociedade uma decisão colegiada, não exista ali o elemento volitivo daquele que restou vencido ou mesmo submetido à deliberação assemblear. Assim, o art. 252 da Lei 6.404/76 não anula a vontade do acionista da companhia a ser convertida em subsidiária integral, mesmo porque tal dispositivo resguarda o direito daquele que não queira se submeter à vontade assemblear a retirarse da companhia (art. 252, § 1º, da Lei 6.404/76). Assim, quando a diretoria da HFF subscreveu as ações da BRF e se comprometeu a integralizálas com as ações da HFF (dação em pagamento), fêlo com o consentimento da AssembléiaGeral da HFF, cujas decisões a HFIN se submetia por vontade própria, ou seja, pela livre e espontânea vontade de ser sócia da HFF. Ademais, ainda que assim não fosse do ponto de vista formal, as particularidades do presente caso tornam tal argumento da defesa ainda mais absurdo, pois quem controlava a HFIN era o bloco de controle da Sadia, o mesmo que controlava também a HFF, o que demonstra que toda a operação teve a concordância da HFIN. Noutro ponto, a recorrente parte novamente de uma premissa falsa quando alega que a única diferença é que, após a operação de incorporação de ações, a participação naquela sociedade que se tornou subsidiária integral passa a ser indireta, porém o acionista Fl. 960DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 continua vinculado ao negócio e aos riscos da atividade, com direitos e obrigações inerentes à posição de sócio, ou seja, o acionista não se desfaz do ativo, mas continua sujeito às suas vicissitudes, riscos, etc.. Ora, após a incorporação das ações da HFF, a HFIN passou a ser acionista da BRF, o que modifica totalmente a sua posição, pois a BRF não se confunde com a HFF, seja do ponto de vista patrimonial seja do ponto de vista dos riscos da atividade. Assim, houve uma mudança qualitativa relevante no investimento da HFIN. Em suma o que temos é que uma subscrição das ações da BRF pela HFF e posteriormente, a dação das ações dos sócios da HFF em pagamento das ações subscritas da BRF (integralização de capital). A dação em pagamento é apenas a modalidade de pagamento pactuada pelas partes para a liquidação da obrigação assumida pelos acionistas da HFF, quando autorizaram a sua diretoria a subscrever as ações da BRF, como uma das etapas da incorporação de ações por eles acordada. DO GANHO DE CAPITAL Assim, não há como sustentar que a natureza da operação (incorporação de ações) não permitisse a apuração de ganho de capital por aquele que integraliza ações subscritas com a dação de outras ações de valor inferior às integralizadas. No caso em tela, para integralizar ações da BRF no valor de R$ 78.453.718,92, a recorrente deu em pagamento ações da HFF no valor de R$ 11.977.426,00, logo, é indiscutível o acréscimo patrimonial por ela sofrido. O TVF traz julgados do STJ, os quais definem bem a disponibilidade econômica de renda, mas vale aqui lembrar que, se a disponibilidade jurídica depende de um título jurídico que garante um direito líquido e certo de crédito (embora não necessariamente exigível), para que se configure a renda tributável; a disponibilidade econômica se contenta com o simples acréscimo patrimonial, ainda que não consubstanciada em um título jurídico. Nesse sentido, além dos jugados citados pelo TVF, vale trazer a lume a seguinte jurisprudência: REsp 408770 / SC RECURSO ESPECIAL 2002/00110306 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Data do Julgamento 23/08/2005 Ementa: TRIBUTÁRIO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA ART. 43 DO CTN DISPONIBILIDADE JURÍDICA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA DISPONIBILIDADE FINANCEIRA. 1. Segundo a doutrina, a disponibilidade econômica de rendas ou proventos ocorre com incorporação destes ao patrimônio do contribuinte. 2. A disponibilidade jurídica existe quando o adquirente tem a titularidade jurídica da renda ou dos proventos que aumentem o seu patrimônio, trazendo, como conseqüência, a disponibilidade econômica. 3. Já a disponibilidade financeira pressupõe a existência física dos recursos financeiros em caixa. 4. O acórdão recorrido confundiu a disponibilidade econômica com a disponibilidade financeira, determinando a nãoincidência do imposto de renda na espécie, violando, assim, o art. 43 do CTN. 5. Recurso especial da FAZENDA NACIONAL provido. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 898 9 Logo, é indiscutível que a titularidade jurídica de ações da BRF no valor R$ 78.453.718,92, quando a recorrente teve que dar em pagamento ações da HFF no valor apenas de R$ 11.977.426,00, gerou uma disponibilidade econômica de renda caracterizada pelo acréscimo patrimonial decorrente do ganho de capital no valor de R$ 66.476.292,92. Além disso, a incorporação de ações da HFF gerou o registro de ágio pela BRF, inclusive fundamentado em expectativa de rentabilidade futura (R$ 1,4 bilhão), o que significa que o custo de aquisição das ações da HFF registrado pela BRF foram superiores ao seu valor patrimonial. Não obstante, a recorrente alega que contabilizou as ações recebidas pelo valor das ações dadas em pagamento, ou seja, contabilizou as ações da BRF por R$ 11.977.426,00? Ora, na outra ponta, a BRF registrou o custo de aquisição de tais ações da HFF de titularidade da recorrente por R$ 78.453.718,92, tanto que contabilizou ágio no investimento na HFF. A vingar o entendimento da recorrente, criase, assim, o melhor dos mundos para os contribuintes e o pior para o Erário, pois, para a recorrente, não haveria ganho de capital a ser tributado, mas, para a BRF, seria registrado um ágio por expectativa de rentabilidade futura com possibilidade de gerar futura despesa de amortização dedutível das bases tributáveis (a depender apenas da ocorrência de um dos eventos do art. 7º da Lei 9.532/97). Mutatis mutandis, seria como, em um venda de um produto, o comprador declarar um custo de aquisição dedutível da base tributável de R$ 78 milhões e, do outro lado, o vendedor declarar uma receita tributável de R$ 11 milhões. DA PERMUTA Vale ressaltar que, tendo a recorrente optado pelo Regime Tributário de Transição, só existiam dois critérios para avaliar investimentos, ou seja, o custo de aquisição ou o método de equivalência patrimonial. Ora, qual a norma que autorizou a recorrente a avaliar o investimento nas ações da BRF pelo valor das ações da HFF dadas em pagamento? Não há, mas a recorrente alega que o reflexo de tal operação no patrimônio da recorrente seria a de uma permutação e não mutação patrimonial capaz de gerar acréscimos patrimoniais sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL e, assim sendo, sustenta que, no caso de operações de permuta sem torna, há mera troca de posições patrimoniais que se equivalem, assim, ao contrário do que ocorre nas operações de compra e venda, não há percepção ou recebimento de ganho de capital a ingressar no patrimônio do titular do bem permutado, estando, por tudo quanto acima exposto, fora do campo da incidência do IRPJ e da CSLL. É verdade que a Instrução Normativa nº 107/88 afasta qualquer ganho de capital em caso de permuta de bens imóveis sem torna, desde que o contribuinte registre o bem recebido pelo valor do bem dado em permuta. Ora, mas qual a base legal da Instrução Normativa nº 107/88 para afastar o ganho de capital em caso de permuta sem torna de bens imóveis? Não há. Como também carece de base legal o inciso II do art. 121 do RIR/99, pois o ali disposto só encontra eco na IN 107/88. Todavia, ainda que base legal tivesse tais dispositivos, da simples leitura da IN 107/88, verificase instantaneamente que ela só se aplica em caso de permuta de unidade imobiliárias (casa, terrenos, apartamentos), se não vejamos como dispõe o seguinte dispositivo: “1.1 – Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, aqui denominada ‘torna’.”. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Como se vê, restringiuse o conceito próprio de permuta, para fins da IN 107/88, apenas para aquelas cujos objetos fossem unidades imobiliárias. Ademais, estamos diante de permuta realizada entre pessoas jurídicas, logo, há que se analisar o item 2 da Seção II da IN 107/88, o qual está intitulado como “Permuta entre Pessoas Jurídicas”. Do item 2, reforçase ainda mais a conclusão de que ela só se aplica em caso de permuta de unidades imobiliárias, se não vejamos como dispõe alguns dos seus dispositivos: “2. Permuta Entre Pessoas Jurídicas: 2.1 – Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem...”. Notese que todas as demais disposições acerca de permuta entre pessoas jurídicas são subitens do item 2.1, ou seja, todas as disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos). Logo, inaplicável a IN 107/88 em caso de permuta de ações entre pessoas jurídicas. Da mesma forma, inaplicável, em caso de permuta de ações, o art. 121, II, do RIR/99, in verbis: “Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): (...) II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias.” A contribuinte cita, então, o Parecer PGFN nº 970, de 23/09/91. Tratase de mais um equívoco da contribuinte, pois o referido parecer também carecia de suporte legal, tanto que se fez necessário editar o art. 65 na Lei nº 8.383, de 30/12/91, o qual assim versa: “Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título.” Fl. 963DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 899 11 Como se vê, tratase de norma específica aplicável apenas aos casos abrangidos pelo Programa Nacional de Desestatização, razão pela qual seria absurdo transformar uma norma específica em norma geral de tributação. Tanto isso é verdade que, recentemente, a ProcudoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer/PGFN/CAT/Nº 1722/2013, o qual assim conclui: “39. Em conclusão, e respondendo objetivamente aos quesitos formulados na presente consulta, temos que: 39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo: 39.1.1 é possível tributar pelo imposto sobre a renda a diferença positiva, via ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados no momento em que é feita tal operação, independentemente da existência de torna; 39.1.2. é correto o entendimento de que a permuta, por encontrarse no conceito de alienação, previsto no art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, via de regra é tributada, não tendo as desonerações previstas na legislação, como a tratada no art. 121, II do RIR/99 (permuta de imóveis), o condão de serem aplicadas para situações diversas daquelas especificamente ali disciplinadas; 39.1.3 a determinação de que a apuração do ganho de capital recairá apenas sobre a torna, nos termos do § 2º do art. 121, do § 3º do art. 123 e do inciso III do parágrafo único do art. 138, todos os RIR/99, aplicase exclusivamente às permutas de ativos imobiliários. 40. Tendo em vista que o Parecer PGFN/PGA/970/91 foi objeto de apreciação ministerial sugerese adoção de igual providência no que tange à aprovação da presente manifestação.”. Em verdade, todas essas normas que dispensam a tributação do ganho de capital em caso de permuta sem torna são normas excepcionais, pois a regra é a tributação sempre que houver diferença entre os valores dos bens entregues e recebidos. Ora, a melhor exegese nos diz que normas excepcionais são interpretadas estritamente, razão pela qual não há que se falar em interpretação extensiva de tais normas para fazêlas alcançar a situação em tela – permuta entre PJs de direito privado de ações de emissão de outras PJs de direito privado Assim, ainda que estivéssemos diante de uma permuta, a recorrente deveria ter apurado o ganho de capital decorrente da diferença positiva entre o valor das ações recebidas e o das ações dadas em permuta. Embora, entenda que se trate, in casu, de uma assunção de dívida decorrente de subscrição de ações seguida de uma dação em pagamento na integralização de tais ações, vale ressaltar, por oportuno, que é perfeita a observação do TVF de que, nos termos do art. 51 da Lei 7450/85, ficam compreendidos na incidência do imposto de renda todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio, que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto de renda. Por essas razões, voto por manter o ganho de capital nas bases tributáveis do IRPJ e CSLL. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 DA MULTA ISOLADA Este Colegiado firmou, ao longo do tempo, diferentes posições sobre o tema, se não vejamos: a) que não se aplica a multa isolada após o encerramento do anocalendário, pois, a partir desse momento, só caberia a multa de ofício sobre o imposto de renda devido sobre o lucro real, já que não se pode penalizar duas vezes pela mesma infração; b) que só se aplica a multa isolada sobre o valor que o montante do imposto sobre as bases estimadas superarem o imposto de renda sobre o lucro real devido ao final do ano; c) que, até a entrada em vigor da redação dada pela Lei 11.488/07, a literalidade da redação original do art. 44, § 1o , IV, da Lei 9.430/96 impunha que a multa isolada só fosse devida quando a pessoa jurídica deixasse de pagar o IRPJ e a CSLL e que os valores calculados sobre a base estimada são meras antecipações, logo não se confundem com tais tributos; d) que a multa isolada não é devida juntamente com a multa de ofício por ser aplicável o instuto do Direito Penal da “consunção”. Em 08/12/2014, foi aprovada a Súmula CARF nº 105, cujo verbete assim dispõe: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.”. Notese que o teor da Súmula CARF nº 105 deixa claro que o Pleno deste Colegiado adotou a posição segundo a qual a multa isolada só pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da MPV 351/07 (convertida na Lei 11.488/07), que alterou o art. 44 da Lei 9.430/96, tanto que faz constar expressamente em seu verbete que só era inaplicável a cumulação de multas, quando a multa isolada fosse fundamentada no art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96. Assim, como os lançamentos das multas isoladas em tela se fundamentaram no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei 9.430/96, é inaplicável, na espécie, a Súmula CARF nº 105, razão pela qual adentro ao mérito. Tratase assim de questão de amplo conhecimento deste Colegiado, razão pela qual, peço vênia aos meus pares para reproduzir voto proferido em outras assentadas, no qual enfrentei cada uma dessas posições. Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de Fl. 965DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 900 13 que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 na sua redação originária já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1o . Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a Fl. 966DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e Fl. 967DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10880.723083/201327 Acórdão n.º 1302001.823 S1C3T2 Fl. 901 15 b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte também no que tange aos lançamentos das multas isoladas. A maioria dos membros acompanhou o relator pelas conclusões, pois discorda da alegação de que "o Pleno deste Colegiado adotou a posição segundo a qual a multa isolada só pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da MPV 351/07 (convertida na Lei 11.488/07)". JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 969DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 16349.000273/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurando-se ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta.
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO
Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO.
A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador.
CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL.
Tratando-se de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais.
ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS
Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO
O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento PARCIAL ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, conforme item 8.2.f do voto; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas quanto aos itens (i) Big Bags, pagamento de fretes (item 9.2 do voto), vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas conforme item 8.2.h do voto, exceto clichê impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU - Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constante do item 8.2.i do voto; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 76; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 4.083 1 4.082 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000273/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.150 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de julho de 2016 Matéria COFINSDCOMP Recorrente PERDIGÃO AGROINDÚSTRIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO Não há que se falar em nulidade uma vez que o procedimento foi efetuado com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa. Não caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO Não há direito à tomada de crédito na aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS AGROPECUÁRIOS. PROCESSO PRODUTIVO DE PRODUTOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 73 /2 00 9- 08 Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica que exerce atividade agroindustrial pode descontar créditos presumidos, calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, quando adquiridos a pessoa jurídica estabelecida no País, com suspensão obrigatória da contribuição. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BIG BAGS. INSUMO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, é considerado insumo as embalagens industriais denominadas "Big Bags", eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. CREDITAMENTO. FRETE ESPECIALIZADO. ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTO ACABADO. EXIGÊNCIAS SANITÁRIAS. DESPESA OPERACIONAL. Tratandose de frete especializado de produtos acabados entre os estabelecimentos, para atender às exigências sanitárias essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, cabe o creditamento das contribuições sociais não cumulativas sobre tais dispêndios como insumos, por se tratar de despesas operacionais. ALUGUEIS PAGOS A PESSOA JURÍDICA. IMÓVEIS RURAIS Se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.084 3 Acordam os membros do colegiado, dar provimento PARCIAL ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, deuse provimento para reverter as glosas quantos aos itens "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária"; peças de reposição de máquinas e equipamentos, conforme item 8.2.f do voto; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água; crédito presumido das atividades agroindustriais; (b) por maioria de votos, deuse provimento para reverter as glosas quanto aos itens (i) Big Bags, pagamento de fretes (item 9.2 do voto), vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; (ii) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas conforme item 8.2.h do voto, exceto clichê impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constante do item 8.2.i do voto; limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Vencido o Conselheiro Jorge Freire; (iii) Despesas com aluguéis de prédios rústicos (imóveis rurais) pagos a pessoas jurídicas. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente durante o julgamento, o Dr. Fábio Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório O presente litígio decorre de processo de Declarações de Compensação DCOMP de créditos de COFINS, não cumulativa, vinculados a receita de exportação, para o período de apuração do 4º trimestre de 2006. O Fisco reconheceu apenas parte do direito de Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 crédito pleiteado, realizando as glosas, descritas na Informação Fiscal do Despacho Decisório às fls. 3.469/3.516. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER nº 07248.54692.150908.1.1.099900 e Declarações de Compensação DCOMP de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, não cumulativa, do período de apuração 4º trimestre de 2006, no valor total de R$ 2.410.610,30. Foram apresentadas DCOMP anteriores ao encerramento do trimestre, utilizando os créditos apurados em outubro, sendo que o PER se refere ao saldo de crédito não utilizado nessas DCOMP. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF manifestouse pela não homologação das DCOMP apresentadas antes do encerramento trimestre, nas quais foram oferecidos os créditos apurados em outubro, e pelo indeferimento do PER e não homologação das DCOMP a ele vinculadas. Relatório Fiscal Relata a autoridade fiscal que: com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pelo contribuinte (em atendimento aos itens 8, 9 e 10 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 001/00242); as informações presentes nas citadas memórias de cálculo foram cruzadas com as informações fornecidas em atendimento ao item 14 da mesma intimação, no caso, os arquivos de notas fiscais, cujas informações correspondentes foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS de cada filial. Conclui: que este procedimento permitiu a validação dos arquivos recebidos sendo todas as notas fiscais confirmadas e consideradas no cálculo do crédito; que, dessa forma, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes a: 1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da ficha 16A – diferença entre a soma das notas fiscais identificadas como desta linha na Memória de cálculo e o valor informado no Dacon; 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16A 2.1) aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos de acordo com art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.085 5 2.2) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; 2.3) despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre filiais, que não geram créditos a teor art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; 2.4) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; 2.5) notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; 2.6) IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 2.7) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins, no caso, milho (NCM 1005.90.10) e soja a granel (NCM 1201.00.90), a teor dos artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004; 3. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 16A Linha 03 3.1) aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos de acordo com art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3.2) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, tais como: serviço de vigilância ou serviço de despachante aduaneiro e fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa, o que não se enquadra como bem utilizado como insumo e nem como serviço utilizado como insumo, uma vez que o produto já está pronto; 3.3) os valores das notas fiscais Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. 4. Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Ficha 16A Linha 05 aluguéis pagos a pessoas físicas, alguns referentes a imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 5. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Ficha 16A Linha 06 notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). 6. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 16A Linha 07 Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 6.1) pagamentos a pessoas físicas, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. 6.2) pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, Também foram glosados os valores informados a título de: 7. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais linha 25 No tópico em que trata do crédito presumido decorrente das atividades agroindustriais, a autoridade fiscal trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (notas cujos CFOP não representam aquisições, perfeitamente identificados na listagem individualizada, identificadas na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota. Nessa listagem, a autoridade fiscal, nos termos do caput do art. 82 da Lei nº 10.925/2004, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; trigo, milho e sorgo classificados no capítulo 10; soja no capítulo 12; lenha, maravalha e resíduos de madeira no capítulo 44; sêmen no capítulo 05; itens que também não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. 8. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16B foram glosados os valores: 8.1) das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; 8.2) os valores das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; 8.3) os valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 9. Créditos Extemporâneos Foram glosados da base de cálculo do crédito do período em questão os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração – valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela contribuinte. 10. Indevida utilização de créditos de períodos anteriores Ficha 23 Não foram aceitos os créditos de dezembro de 2002 e de fevereiro de 2003, relativos à Cofins não cumulativa, que a Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.086 7 contribuinte pretendeu descontar do contribuição devida em novembro e dezembro de 2006. 11. Do Recalculo dos Saldos das Ficha 25B A autoridade fiscal informa que em razão das correções realizadas nas fichas 16A e 16B da Dacon, restou saldo a pagar da Cofins. Tendo em vista que tal saldo devedor, decorrente de glosa de créditos, não foi declarado em DCTF, necessário o lançamento através de auto de infração. Acrescenta que o auto de infração poderá incluir, ainda, a análise das saídas tributadas com algum tipo de incorreção, não analisadas neste processo, e pode resultar alteração dos valores das linhas 1 a 5 da ficha 25, o que será tratado no processo digital nº 11516.722107/201180, que deve ser movimentado e julgado em conjunto com este, por tratar dos mesmos fatos. 12. Do controle dos Saldos da Ficha 24 Tendo em vista os autos de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, tratados no processo 11516.721279/201136, o saldo inicial da linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores é nulo em todos os tipos de crédito”. Por conta das glosas realizadas, resultou nulo o saldo final da linha “11.CRÉDITO REMANESCENTE”, da ficha 24, em todos os tipos de crédito. Manifestação de Inconformidade Nulidade do despacho decisório A interessada, preliminarmente, alega a nulidade do despacho decisório em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da contribuinte. Nesse sentido alega que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo, eis que lá não consta expressamente a motivação (fática e jurídica) explícita, clara e congruente”. Em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega também o cerceamento de defesa, e, com conseqüente, a violação ao devido processo legal administrativo. Inconstitucionalidade das leis e ilegalidade das IN Segue apontando a inconstitucionalidade das leis que regem o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS e da Cofins. Nesse sentido: ressalta “ser impossível, a partir da constitucionalização da não cumulatividade para o PIS e COFINS, pela Emenda Constitucional n. 42/2003, a restrição de Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 créditos pelo legislador infraconstitucional... já que o papel do legislador perante a Constituição é de aplicador”; aduz que em “sendo a matriz constitucional de tais contribuições a receita, a não cumulatividade e o sistema de abatimento de créditos necessariamente deve restar atrelado também a esta” e “como a noção de receita no regime não cumulativo é ampla, ... amplos serão também os reflexos de sua noção na não cumulatividade para o PIS e COFINS para o reconhecimento de créditos”; e conclui que “ O postulado adotado diz respeito à supremacia da Constituição. Em razão disso, há de se entender que resta impossível à legislação infraconstitucional restringir, sobremaneira, tal princípio e, por conseguinte, os créditos de PIS e Cofins”. Passa, então, a alegação de ilegalidade das Instruções Normativas n° 247/2002 n° 404/2004 ao restringir, tendo como fundamento a legislação de IPI, o conceito de insumo estabelecidas pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em síntese, discorre sobre a não cumulatividade no âmbito da tributação das contribuições para demonstrar que, nos termos das leis, o crédito deve ser considerado sobre os insumos em geral, sem as restrições postas pelas mencionadas IN, considerando como tal todos os “dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comercio ou serviços) visando à obtenção de receita”. Glosas de valores da base de cálculo do crédito Como razão de contestação comum às glosas procedidas pela autoridade fiscal, a interessada coloca que todas seriam improcedente por ter a autoridade fiscal se pautado em critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, sendo, todos “legítimos, eis que contribuem de forma direta ou indireta visando o exercício da atividade econômica da impugnante a fim de obter receita. São inclusive necessários e inerentes à atividade”. Menciona que exerce atividade econômica submetida a diversos tipos de controles e exigências de órgãos públicos, como, por exemplo, ANVISA, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, o que reflete significativamente na amplitude do conceito de insumo e que não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. Acrescenta que a noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. Após tais ponderações, passa a tratar das glosas especificamente. Ficha 16A Linha 02 bens utilizados como insumos – item 4.3.2 do relatório fiscal Aquisições de pessoas físicas Defende serem legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois, embora o art. 3º , § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 expressamente Fl. 4090DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.087 9 reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições. Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais bens “se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela impugnante em sua atividade produtiva”. Nesse sentido diz: Vejamos, por exemplo, os fios de poliéster, utilizamos dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. [...]Todos estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada. Isto porque, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997. Por conseguinte, tais equipamentos têm por finalidade, além de proteger os empregados por determinação legal, permitir a fabricação adequada de alimentos ao consumo humano segundo determinação do Ministério da Saúde e, assim, devem ser qualificados como essenciais e necessários à atividade peculiar da impugnante, permitindo caracterizálo como insumo, até mesmo pelo fato de que são utilizados no parque industrial. Em complemento, ainda, a impugnação do item 4.3.2 quantos bens e a noção de insumo, são totalmente legítimos os créditos dos pallets, bolsa térmica, caixa de proteção e afins. Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização Ora, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA. Acrescenta que, mesmo que não se acolha a interpretação de que se trata de um produto vinculado à produção, o crédito há de ser mantido do mesmo modo por meio da aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº10.833/2003, que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria. Em relação à gasolina, alega que o combustível é empregado no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. Pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre as unidades da empresa Em relação aos serviços de frete, inicialmente, alega ser improcedente a glosa, pois o fiscal teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo de alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue: 1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4. há industrialização com emprego de tais matériasprimas; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. [...]Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção. Conclui que “o processo produtivo da impugnante não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes”, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Aquisição de bens sujeitos à alíquota zero A interessada, primeiro, alega que os diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas; cita: alho em pasta, caldo de galinha, tempero para carne, entre outros. Segundo, que, em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, entre outros) que enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei n. 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925. Terceiro, que diversos produtos estão vinculados à noção de insumos (vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, entre outros) de sorte que resta totalmente viável a manutenção do crédito. Por fim, defende que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório. Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A recorrente reclama que a fiscalização englobou, de forma genérica e sem critério, Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.088 11 diversos bens que não dariam direito ao crédito tendo em conta o CFOP da nota fiscal, em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa térmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros. Alega que a descrição dos produtos e materiais glosados permite reconhecer a utilidade, inerência e relevância no processo produtivo da impugnante. Assim explica a utilidade de alguns dos bens glosados: faca, tratase de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes; faca, lâmina, mola, sensor de temperatura, martelo, rolamento, alfinete, termostato e pino são equipamentos, peças e materiais destinados à manutenção de máquinas e equipamentos ou empregados em sua atividade econômica, em especial, do processo de industrialização. Aduz ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem vinculados à atividade econômica e produtiva da impugnante, caracterizando como insumo. De que defende que são legítimos os créditos em relação aos lubrificantes, correia, gás refrigerante, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. Menciona que “Isto fica ainda mais evidente diante da noção ampla de insumo, que não se restringe aos critérios do IPI”. Contesta, ainda, a glosa de etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade, tratandose de um material que acompanha o produto a ser comercializado. Aduz que determinações da ANVISA, as quais traz transcritas, demonstram claramente que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Explica que as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. E afirma que, diante da noção ampla de insumo, vinculação direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela impugnante, é possível reconhecer o direito ao crédito quanto às etiquetas para fatiados Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. O valor do IPI recuperável, constante das notas fiscais de aquisição Alega que a Receita Federal do Brasil, sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados ao custo do IPI dos produtos adquiridos pela impugnante, sob alegação de que poderão ser recuperáveis. Afirma que o IPI vinculado à operação de aquisição de bens integra o custo do produto que adquiriu, de maneira que inexiste razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão da base de cálculo dos créditos das contribuições. Defende que o fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação de crédito (operações sem a exigência do imposto) não é fundamento que permite justificar a presente glosa, pois são “operações distintas e que não se confundem”. Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins A recorrente inicia defendendo que o crédito integral há de ser mantido uma vez que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + PIS). Afirma que a Lei nº 10.925/2005 somente é aplicável, nos condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e Cofins; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicase o art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Alega ainda que, podese concluir da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB nº 977/2009, que antes desta última a suspensão de PIS e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Caso seus argumentos não sejam acatados, a interessada pugna que se reconheça procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido. Ficha 16A Linha 03 serviços utilizados como insumos – item 4.3.3 do relatório fiscal Quanto aos itens “a”, “c” e “d”, do item 4.3.3 do relatório fiscal aquisições de pessoas físicas, pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados e Notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços – a recorrente remete aos argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas. Em relação ao item “b” aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo , a interessada defende que o direito ao crédito em razão dos valores glosados se referirem a serviços totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da impugnante; Menciona os serviços: movimentação saída, de montagem/desmontagem, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros. Ficha 16B Linha 02 bens utilizados como insumos – item 4.3.8 do relatório fiscal A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando que há que se Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.089 13 reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que a Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Pasep na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Em relação à aquisições de peças e máquinas acrescenta que são bens que claramente a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551, 3556 e 3949, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. No mérito, alega: há previsão legal que permite crédito de PIS/Pasep para a hipótese de aquisição de ativo imobilizado, salvo se usado, o que não é o caso dos autos; em relação aos demais itens glosados (uso e consumo e outros), a noção ampla de insumo ligada à inerência, essencialidade e qualidade permite a tomada de créditos. A recorrente tem como encerrada a questão do direito ao crédito em relação a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos e passa às demais glosas. Ficha 16A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas item 4.3.4 do relatório fiscal A contribuinte alega que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Ficha 16A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica – item 4.3.5 Defende o direito ao crédito sobre as notas fiscais de locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (xerox) argumentando que o serviço de fotocópias, embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento, é essencial à atividade econômica de qualquer empresa. Que diante da noção ampla de insumo e da não cumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo. Ficha 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda – item 4.3.6 Quanto às despesas de Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 armazenagem e fretes na operação de venda, depois de novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a interessada argumenta que: o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral. Acrescenta: A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros; [...]Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. Ficha 16A – Créditos Presumidos das atividades agroindustriais – item 4.3.7 do relatório fiscal Em relação aos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais, a contribuinte afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Ficha 16A bens adquiridos para revenda item 4.3.1 Em relação à glosa das notas fiscais com valor inferior aquele declarado em Dacon defende que os créditos são legítimos, sendo que a contabilidade dá total suporte. Explica que, em verdade, houve um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes dos informados no demonstrativo. Argumenta que, ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon. Créditos extemporâneos utilizados sem retificadora item 4.4 Defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados no cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º trimestre pois, em suas palavras: (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco; Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.090 15 (ii) o impedimento é meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Ou seja, se não houve o aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente a exigência de retificadora. Créditos inexistentes Ficha 23 e saldo da linha 24 – item 5 e 7 do relatório fiscal. A contribuinte, inicialmente, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa. Alega, ainda, que “os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor contribuinte”. Aduz que, como informa a fiscalização, os valores foram lançados em Dacon e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente o crédito, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boa fé. Pedido: Requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade a fim de reconhecer a nulidade, ou, no mérito, total improcedência do indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme razões aduzidas. Ao final, pugna pela prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos, serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. É o relatório. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 3.710/3.767): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano Calendário: 2006 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para a COFINS, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para a COFINS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para a COFINS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.091 17 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o impugnante não tem direito a créditos calculados a alíquota regular da contribuição para a COFINS não cumulativa sobre as aquisições de pessoas físicas. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Contribuição para a COFINS não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para a COFINS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004, e regulada pelo art 2º da IN 660/2006, no caso de venda de produtos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa, referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo, à pessoa jurídica que, cumulativamente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º da mencionada IN; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º na mesma IN. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO NA VENDA. VEDAÇÃO DE TOMADA DE CRÉDITO. As vendas feitas sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Contribuição para a COFINS e dos correspondentes créditos da Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo impugnante. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para a COFINS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 25/05/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 3.775). Inconformada, em 19/06/2012 (fl. 3.783), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 3.783/3.884), repisando os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentando os argumentos abaixo resumidos; informa que é tradicional e importante empresa da agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral; reproduz uma relação dos os itens que foram objeto de glosa do pedido de ressarcimento no Despacho Decisório: a) deixa consignado que TODAS as matérias envolvidas nestes autos foram expressamente delimitadas (uma a uma), impedindo de forma clarividente qualquer alegação específica para este caso, de que não houve impugnação, aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72; b) solicita preliminarmente a nulidade da Decisão recorrida e também a nulidade do Lançamento; c) que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia adequadamente formulado segundo a legislação. Alega o princípio da busca pela verdade material; d) se deparar com o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento percebese a nulidade do ato em decorrência da violação ao princípio da motivação; e) que há cerceamento de defesa da Recorrente, com conseqüente violação ao devido processo legal administrativo, uma vez que o despacho decisório foi proferido sem qualquer explicitação e detalhamento acerca do não reconhecimento de inúmeros créditos, impossibilitando, de fato e de direito, o pleno exercício do direito de defesa da recorrente; f) se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Quanto ao MÉRITO Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.092 19 g) inicia fazendo uma longa contextualização sobre as Contribuições do PIS e da COFINS, da não cumulatividade, explorando seus aspectos legais e constitucionais; cita autores renomados que reportaram sobre o assunto e jurisprudências; h) elabora uma abordagem sobre a problemática da restrição dos créditos de COFINS e do PIS por atos InfraLegais, como Instrução Normativas; da impossibilidade, conforme o Relatório Fiscal apresentado, a glosa de diversos créditos da recorrente se deu pelo fato de que o Fisco adota uma interpretação evidentemente rígida e com o intuito de mera arrecadação, fundada especificamente nas IN da SRF nºs 247, 358 e 404/04; essas instruções normativas e a própria fiscalização, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei e diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos. i) Dos Insumos Glosados argumenta das ilegalidades, afirma que em uma primeira e genérica conclusão, o método utilizado pela fiscalização no sentido de que, como a glosa se pautou por critério ilegal para avaliar os insumos e os respectivos créditos, esta se torna improcedente, uma vez que todos os bens, produtos e serviços descritos em contabilidade, DACON e no pedido de ressarcimento são legítimos. Discorre sobre cada item nominalmente glosados solicitando a reversão dessas glosas e traz argumentações específicas sobre os seguintes casos concreto: (i) de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (itens 4.3.4 e 4.3.5 do Despacho Decisório); (ii) despesas de armazenagem e frete na operação de venda (item 4.3.6 do Despacho Decisório); (iii) dos créditos presumidos na agroindústria base de cálculo item 4.3.7 do despacho decisório); j) dos bens adquiridos para revenda (item 4.3.3); créditos extemporâneos (item 4.4) e créditos inexistentes (item 5), todos do Despacho Decisório. k) dos Juros Selic aduz que os juros são devidos à razão de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, sendo de total improcedência o lançamento realizado. l) dos Juros sobre a Multa de Ofício Não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a Multa de Ofício. Caráter confiscatório. Posto isto, espera a Recorrente, que seja conhecido e provido o recurso interposto com o objetivo de reconhecer a nulidade ou reforma da decisão recorrida e, por conseguinte, a total improcedência do lançamento realizado. Os autos, então, foram remetidos a este CARF, que ao analisar o recurso, definiu pela conversão do processo em diligência, conforme a Resolução nº 3202000.480, de 25/10/2012, com o seguinte teor (fl. 3.899): "(...) Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem Fl. 4101DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual". Em 23/12/2014 (fl. 3.940), a unidade de origem (DRFFlorianópolisSC), cumprindo o contido na Resolução, intimou a Recorrente, conforme decorre do Termo de Intimação nº 1904/2014 às fls. 3.906/3.937. Em 08/01/2015, a Recorrente apresentou seus documentos e informações solicitados (fls. 3.941/3.954), bem como o apresentou o Memorial descritivo, fluxo do processo produtivo, Laudo Técnico e cópia de plantas da fábrica às fls. 3.955/4.051. A DRF/Florianópolis, analisou os documentos e informações apresentadas e concluiu a Informação Fiscal da seguinte maneira (fl. 4.052/4.063): " 4. Conclusão Foram totalizados por descrição os itens glosados por não enquadramento no conceito de insumo da IN SRF 404/2004. A contribuinte foi intimada a informar exatamente onde foram utilizados cada um dos bens glosados, não tendo atendido à intimação neste item. Ressaltese que o ônus da prova é da contribuinte em relação aos créditos que alega ter. Informou seu processo produtivo e respondeu de forma genérica que os bens glosados são insumos considerandose conceito amplo da palavra. O único conceito de insumo previsto na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins é aquele da IN SRF nº 247/2002, art. 66, § 5º, reforçado na IN SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º, que por força de seu § 9º aplicase também ao PIS/Pasep. Isto posto, é necessário relembrar que todas as glosas dos demais itens do Despacho Decisório de fls. 3537/3585 não citadas nesta Informação Fiscal não têm qualquer relação com o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004 e suas razões estão muito bem explicadas e fundamentadas no corpo da Informação Fiscal de folhas 3537 e seguintes". A empresa foi regularmente intimada da referida Informação Fiscal (fl. 4.064), via DTE eCAC, no dia 19/03/2015 (fl. 4.067), sendo que em 27/04/2015 protocolou suas contrarazões conforme documento de fls. 4.068/4.078. Os autos, então, retornou a este CARF, para prosseguimento do julgamento do recurso. Fl. 4102DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.093 21 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1 Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS, relativa ao período de apuração do 4º trimestre de 2006. 2 Do Conceito de Insumos O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo, na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Fl. 4103DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as Fl. 4104DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.094 23 despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da Cofins nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Verificase no Estatuto Social e também informado pela Recorrente em seu recurso, que a empresa BRF é uma tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social a atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 3 Processo produtivo Descritivo dos Insumos Destacase que quando da efetivação da Diligência a Recorrente apresentou documentos demonstrando o fluxo de Processo de Produção da empresa, laudo técnico, os respectivos descritivo de utilização dos insumos, conforme documentos de fls. 3.955/4.051. 4 Sistemática das DCOMP Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMP de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação, período de apuração 4º trimestre de 2006. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 30 de dezembro de 1996, atribuiu à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Verificase, dessa forma, que com tal mudança de sistemática a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. 5 Preliminares 5.1 Matérias não contestadas na Impugnação Na decisão a quo, consignouse que em análise da manifestação de inconformidade, a Recorrente não contestou todas as operações cujos valores foram glosados nas planilhas. Por isso, impedido, então, o julgador administrativo de pronunciarse em relação ao conteúdo do feito fiscal no que se refere as operações cujas glosas não foram contestadas, reputase definitivo na esfera administrativa o ajuste no cálculo do crédito a estas correspondente. Fl. 4105DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 Por outro lado, a recorrente consigna em seu recurso que TODAS as matérias envolvidas nestes autos foram expressamente delimitadas (uma a uma), impedindo de forma clarividente qualquer alegação específica para este caso de que não houve impugnação, aplicando os efeitos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Este tema será tratado tópico mais adiante quando da verificação das glosas, ressaltando que todas as matérias apontadas no recurso serão tratados neste voto. 5.2 Das Nulidades apontadas (i) A Recorrente requer a nulidade do Despacho Decisório, da Decisão recorrida, do Lançamento e argumenta que houve cerceamento de defesa e violação do devido processo legal. Quanto ao Despacho Decisório, alega a nulidade em decorrência da violação ao princípio da motivação. Defende, em síntese, que cabe ao fisco dizer o motivo pelo qual está glosando cada um dos valores das operações da contribuinte. Aduz também que em decorrência da aludida violação ao princípio da motivação, alega também o cerceamento de defesa, e, em consequência, a violação ao devido processo legal administrativo. Nesse sentido informa que não é possível glosar e justificar de forma exemplificativa como fez a fiscalização, já que está claro em seu relatório que “analisou por amostragem e, no momento da glosa, inseriu no mesmo entendimento diversos produtos, mercadorias, serviços e demais bens sem motivar de forma clara, explícita e congruente”. Segue alegando que “cabia ao Fisco em seu despacho decisório elencar e dar as razões fáticas e jurídicas do não acolhimento de cada crédito (item) utilizado pela impugnante” e que o fato de “elaborar planilha listando todos os itens glosados não cumpre este requisito de legalidade do ato administrativo”. No entanto, na Informação Fiscal, junto ao Despacho Decisório (fls. 3.537/3.585), o Fisco deixa consignado que em atendimento ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001/00242 (fls. 839/853), foram fornecidos os arquivos de notas fiscais previstos na legislação. Essas informações correspondentes foram totalizadas e comparadas com as informações constantes dos livros Registro de Apuração do ICMS de cada filial. Foram constatadas algumas inconsistências, tendo sido solicitada a complementação destas informações para algumas filiais, através do Termo de Intimação e Constatação Fiscal nº 002/00242 (fls. 1.110/1.125), o que foi atendido pela empresa. Informa que estão anexados no processo nº 16349.000272/200955, às fls. 229, 231, 233, 237, 241 e 256 os CD/DVDs entregues pela contribuinte e utilizados neste trabalho, juntamente com o recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos SVA, nas folhas imediatamente subseqüentes. Com a finalidade de verificar os créditos informados nos Dacon respectivos, foram utilizadas as memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente em atendimento ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 001/00242. Notese que as memórias de cálculo são essenciais para a comprovação do crédito pedido, uma vez que é através das memórias de cálculo que o contribuinte informa à fiscalização quais as notas fiscais utilizadas para apurar os créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo declarados em Dacon. A segunda etapa de verificação consistiu na elaboração de uma “matriz de glosas”. A fiscalização analisou cada uma das descrições dos itens das memórias de cálculo, de Fl. 4106DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.095 25 forma a determinar, com base na legislação vigente à época, quais os itens que davam direito a crédito. A terceira etapa consistiu na aplicação da “matriz de glosas” a todos os itens de notas fiscais que constavam na memória de cálculo. Com este procedimento, podese identificar os créditos a que o contribuinte fazia jus em cada nota fiscal utilizada na memória de cálculo. A quarta etapa é a de glosa propriamente dita. Os procedimentos de glosa foram adotados na seguinte seqüência: foram somados os itens da memória de cálculo para cada linha do DACON; em seguida, foi aplicada a “matriz de glosas” para excluir os itens que não dão direito a crédito; subtraindose o segundo do primeiro, chegase ao valor reconhecido; a diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido é o valor glosado. Caso a diferença seja igual a zero ou negativa, não há glosa. Em resumo e de forma sequencial, podese representar que os procedimentos foram desenvolvidos da seguinte forma: (1). Soma dos itens na memória de cálculo; (2). Resultado da aplicação da matriz de glosas; (3). Valor reconhecido, e (4). Valor glosado = diferença positiva entre o valor declarado no Dacon e o valor reconhecido pelo Fisco. Ao final dos procedimentos descritos, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que foram glosadas. Todas as informações relativas às glosas estão disponíveis nos relatórios, presentes neste processo nas folhas indicadas, onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. No que diz respeito aos créditos presumidos declarados nas linhas 25 e 26 do Dacon, os procedimentos de verificação também foram tratados detalhadamente. Verificase, então, que o Fisco não só esclareceu os critérios e parâmetros adotados na análise das informações apresentadas pela contribuinte, como também em seu Relatório Fiscal: tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, o que, à evidência, já seria suficiente para a contribuinte identificar o seu fundamento legal; indicou a razão fática e/ou a razão legal para o não reconhecimento do direito (não acolhimento de despesas de outros períodos, não comprovação de créditos trazidos de outros períodos; não comprovação da natureza da operação em razão do CFOP da nota fiscal registrada; e o não enquadramento das despesas registradas nas hipóteses legais permissão do crédito); e por fim, a autoridade fiscal também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. A Recorrente foi cientificada das glosas elencadas no Despacho Decisório e apresentou a sua manifestação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Ficou claro que as glosas teve sua origem e a motivação em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada na Informação Fiscal, onde detalhouse a motivação para o procedimento e as provas que conduziram a fiscalização a efetuar as glosas efetivadas. Fl. 4107DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Como se vê, é totalmente improcedente a alegação da Recorrente de falta de motivação e de que teria sido cerceada em seu direito de defesa por não ter tido conhecimento do motivo de cada item glosado. Tal fato se confirma em sua Manifestação de Inconformidade e neste Recurso Voluntário, onde a Recorrente demonstra exatamente o contrário do que alega, quando contesta cada glosa, insurgindose contra os fatos e os fundamentos legais alegados pelo Fisco. Não assiste razão a Recorrente, uma vez que a autuação foi efetuada com observância do princípio do devido processo legal, assegurandose ao sujeito passivo o exercício do direito à ampla defesa, havendo sido atendidas todas as garantias processuais, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, art. 142 do CTN e do Decreto nº 70.235/1972, não existindo cerceamento de defesa, uma vez que o Recorrente demonstra pleno conhecimento dos fatos que lhe foram imputados pela fiscalização e apresenta defesa robusta refutando essas imputações. Portanto, rejeitase essas preliminares de nulidade. 5.3 da Nulidade do lançamento Quanto ao disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72, informa em seu recurso que se não bastassem tais fatos que levam à conclusão de que há cerceamento de defesa, o presente lançamento de ofício e despachos decisórios de glosa não cumprem o disposto no art. 9° do Decreto n. 70.235/72. Em prejuízo da defesa da impugnante, a fiscalização não faz a comprovação mediante a juntada das notas fiscais relativas aos créditos que estaria glosando. Pois bem, não assiste razão a Recorrente também neste caso. É cediço que o auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. No entanto no caso dos presente autos, não estamos tratando de lançamento de ofício, e sim de caso de utilização de direito creditório pela Recorrente. A situação posta tratase de Declarações de Compensação DCOMP de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, vinculados à receita de exportação. Quando se trata de desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do crédito pretendido. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Neste caso, foi exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF no 900/2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos. Portanto não há o que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 4108DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.096 27 5.4 Do indeferimento Pedido de perícia nulidade da decisão Alega a Recorrente que a decisão recorrida possui nulidade ao indeferir de forma subjetiva o pedido de perícia/diligência adequadamente formulado segundo a legislação. Aduz o princípio da busca pela verdade material. Como relatado, a Recorrente infirma a decisão recorrida, que lhe teria cerceado o direito de defesa ao indeferir o pedido de perícia. A decisão recorrida trilhou bom caminho ao considerar não formulado o pedido de perícia, haja vista a omissão do atendimento aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do PAF, a teor do que determina o §1º do mesmo artigo. Tratandose, portanto,de recusa bem fundamentada, não se fale em cerceamento do direito de defesa. Portanto, rejeitase essa preliminar de nulidade. De se passar, agora, à análise das questões concretas relacionadas com cada uma das matérias postas. 6 Ônus da Prova Por compartilhar do entendimento deduzido no voto condutor da decisão recorrida, reproduzi as considerações da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes a respeito da distribuição do ônus probatório nos processos administrativos fiscais, que deverão ser observadas para a inteligência deste voto: "Antes que se passe à análise das razões de contestação contra o feito fiscal, importa que se teçam algumas considerações acerca do ônus da prova do contribuinte, no âmbito dos processos administrativos em que se trate de direito de crédito por este utilizado pelos meios legalmente previstos. Coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; ao contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, entretanto, o quadro resta modificado. Quando a situação posta se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência deste. O Código de Processo Civil, Lei n° 5.869/1973, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 333, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Fl. 4109DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Nos casos de pedido de restituição, reembolso ou ressarcimento e declaração de compensação de créditos é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelo contribuinte; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF no 900/2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [...]§ 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [...]Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (grifouse) Assim, em entendendo a autoridade fiscal que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou entendendo que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a este negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Neste caso, cabe ao contribuinte, em sua defesa ao crédito, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o crédito alegado. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito; a contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que alega, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Fl. 4110DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.097 29 Assim sendo, salientese que, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, todas as declarações, informações e documentos e registros contábeis elaborados pelo contribuinte somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência do direito que declare, se calcados em documentos fiscais. Destarte, a efetiva comprovação da ocorrência, dos valores e da natureza das operações registradas e declaradas pela pessoa jurídica somente se dá por meio de documentos fiscais representativos destas. E a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Para a correta análise dos argumentos de contestação das glosas realizadas pela autoridade fiscal, é necessário ter claro a sistemática por esta adotada na aferição da procedência do crédito pleiteado pela contribuinte, conforme por ela apurado em Dacon. No arquivo digital contendo a memória de cálculo dos montantes informados em Dacon o auditor fiscal buscou identificar, dentre todas as operações de entrada registradas pela contribuinte adotando como critério de identificação o CFOP das respectivas notas e a descrição dos bens aquelas que não se referissem a uma operação de aquisição de insumo, na acepção firmada no item 2 deste voto. Identificadas essas operações, excluiu o montante mensal apurado dos valores informados na linha 02, para cada mês do trimestre. Notese, então, que as notas fiscais cujos valores foram glosados não foram trazidas aos autos pela autoridade fiscal; não teve a necessidade de as solicitar para efetuar as glosas, haja vista ser possível somente a partir dos registros da empresa verificar a improcedência dos créditos correspondentes. Das operações registradas, excluiu: os valores daquelas notas fiscais cujos CFOP e/ou descrição do bem não condiziam com operações de aquisição de insumo. Dentro deste quadro, firmese que, no presente caso, somente restará efetivamente comprovada a operação glosada que a contribuinte tenha trazido, em sede de manifestação de inconformidade, a cópia da respectiva nota fiscal." Posto isto, tanto para serviços quanto para bens utilizados na produção industrial em se tratando de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o direito invocado existe. Neste ponto, acresçase o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse). Fl. 4111DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, vejase: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da Recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização e também nesta fase de julgamento no CARF, uma vez que foi solicitado diligência a fim de elaboração de Laudo Técnico, com o fim de esclarecer dúvida do julgador, e também como complementação probatória. 7 Da Diligência realizada, laudo técnico e fluxograma Esclareçase que a Recorrente, quando da intimação para cumprimento da diligência, juntamente com sua manifestação, fez a juntada dos seguintes documentos: (i) Laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde retrata tecnicamente o processo de produção e diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com respetiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma do processo produtivo com ilustrações; e (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos (fls. 3.955/4.051). 8 Das GLOSAS realizadas A fiscalização concluiu que o procedimento permitiu a validação dos arquivos com os dados e informações recebidos da empresa BRF, sendo todas as notas fiscais confirmadas e consideradas no cálculo do crédito. Que, dessa forma, apenas as notas fiscais cujas informações não foram apresentadas na memória de cálculo ou que de fato não se enquadravam nas hipóteses de creditamento permitido é que as mesmas foram glosadas. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela Recorrente, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes relacionados na Informação Fiscal. Fl. 4112DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.098 31 Já é praticamente pacificado nesta Turma o entendimento de que o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do Imposto de Renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Então vamos a eles: 8.1 Bens adquiridos para revenda Tratase de Notas fiscais com valor inferior aquela declarada em DACON. Em relação a este item, a Recorrente alega em seu recurso que "os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosa com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON". Como se vê, em relação à glosa das notas fiscais com valor inferior aquele declarado em Dacon explica que, em verdade, houve um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes dos informados no demonstrativo. Argumenta que, ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em Dacon. O valor de R$ 50.412,22, glosado no mês de dezembro, foi justamente o valor informado pela Recorrente no DACON e a diferença do somatório dos itens de notas fiscais informados na memória de cálculo e que foram admitidos como passíveis de gerar créditos a descontar (quadro fl. 3.477 da Informação Fiscal). No entanto, subscrevo abaixo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "Consoante o caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a utilização de créditos na apuração da contribuição devida representa uma faculdade do contribuinte. Só que, em optando o contribuinte em utilizarse de crédito que entende ter direito, lhe cabe o ônus de estar à frente da atividade probatória do direito alegado, nesse sentido trazendo as informações e esclarecimentos solicitados pelo fisco e as provas hábeis e suficientes a atestar não só a existência dos custos e despesas incluídos na base do crédito apurado, como sua natureza, conforme por ele informado em Dacon, para fins da necessária análise e conferência dos créditos pela autoridade fazendária competente. Dos autos, verificase que a autoridade fiscal competente, solicitou a memória de cálculo dos diversos valores lá informados, conforme as linhas de que dispõe o tal demonstrativo (DACON). A autoridade fiscal, considerando que a memória de cálculo fornecida continha os registros das notas fiscais de todas as operações de entrada incluídas pela contribuinte no cálculo do crédito pleiteado e que estas teriam ocorrido e foram incluídas pela contribuinte no cálculo de seu crédito conforme lá registradas (CFOP e valores), em verificando que os valores declarados em cada linha do demonstrativo não correspondiam aos informados na memória de cálculo: (i) glosou a diferença a maior no Dacon, por considerála resultante da inclusão na base de cálculo de operações não Fl. 4113DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 comprovadas, já que decorrentes de notas fiscais não registradas pela empresa; (ii) em sendo os valores do Dacon iguais aos da memória de cálculo, os manteve por aceitálos como verdadeiros, já que registrados; (iii) em sendo menores, manteve os valores do Dacon por presumilos verdadeiros e por ter sido este o valor pedido. Resumindo, a autoridade fiscal reconheceu o crédito em relação à totalização dos itens de notas fiscais registradas na memória de cálculo e admitidos como geradores de crédito em cada linha do Dacon, tendo como limite superior o valor informado na respectiva linha do Dacon, haja vista, à evidência, não poder conceder crédito maior do que foi apurado pelo contribuinte. O procedimento fiscal foi o correto, pois é justamente a memória de cálculo o instrumento através do qual o contribuinte, quando intimado para tanto, deve demonstrar ao Fisco de forma individualizada e precisa todos os valores incluídos na composição do valor que declarou em cada linha do Dacon para fins de análise da pertinência e existência do crédito pretendido, sob pena de não ter reconhecido o crédito, tal como lá declarado. Assim, no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, ante o fim colimado com a sua solicitação, tal instrumento vincula o contribuinte perante o fisco. De outro turno, em havendo dúvidas quanto ao crédito, a memória de cálculo, assim como o Dacon e a escrituração contábil da empresa, somente faz prova a favor do contribuinte, quanto à existência do direito que declare, se calcada em documentos fiscais. O Dacon e a memória de cálculo, bem como os registros contábeis da empresa, não consistem de documentos fiscais; tendose como tal aquele que tem como característica que lhe é própria, decorrente de sua oficialidade e obrigatoriedade, a presunção, embora relativa, de veracidade, como ocorre com a nota fiscal. Em verdade, tais documentos, cada um com suas características próprias, consistem de documentos elaborados pelo contribuinte cujos registros e declarações, para os fins e os efeitos que se pretenda perante o fisco, devem estar calcados em documentos fiscais, ou seja, nas notas fiscais representativas das operações que representam. Em última análise, portanto, a comprovação do crédito declarado em Dacon não se dá pela sua simples declaração, assim como a comprovação das operações lançadas na memória de cálculo ou nos registros contábeis não se dá pelo seu simples lançamento. Como visto, a contribuinte, manifestase contra a presente glosa aduzindo que os valores informados na memória de cálculo não representam, como deveriam (a teor do que foi demandado na intimação fiscal), a composição dos valores declarados no Dacon. Ocorre que a contribuinte limitase a alegar, sem, no entanto, minimamente laborar no sentido de comprovar tal alegação. Destarte, não basta o contribuinte vir em sede de Manifestação de Inconformidade alegando que, ante a divergência verificada pela fiscalização entre declarações por ela própria prestadas, válida seria aquela declaração que lhe convém, principalmente se esta declaração se referir a direito creditório, cuja comprovação está a seu cargo. Bem, certo é que para comprovar que os valores gerados do crédito são, efetivamente, os declarados no Dacon, cabia à recorrente demonstrar/comprovar, por meio de documentos hábeis e suficientes pata tanto, que estes valores, e não os consignados na memória de cálculo, é que correspondem aos reais montantes de suas operações". Portanto, devem ser mantidas as glosas. 8.2 Bens Utilizados como Insumo Alega a Recorrente em seu recurso que houve glosas referente a: a) aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento de PIS/COFINS, em especial, ovo incubável, suíno vivo de terceiros, suíno vivo Fl. 4114DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.099 33 de terceiros (integrados), suínos de corte, milho granel, rede nylon ref mortadela bologna; b) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária; c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados; d) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de PIS/COFINS, entre eles, defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, pimenta, aroma de galinha, calcário, caulim, sodalita, desinfetante, veneno rodilon, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho, vacinas, lispec, pinto de 01 dia, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suino; e) notas fiscais cujo código de operação não concede crédito (etiqueta, ira fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor,sacc elástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsatérmica, mola, pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo,entre outros); f) o valor do IPI recuperável em processo específico (art. 11 da Lei n. 9.779/99); g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS e COFINS. 8.2. a) Das Aquisições de bens pessoas físicas. Alega a Recorrente que a fiscalização glosou os valores das aquisições de pessoas físicas, que não geram créditos previstos no art. 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a saber: "aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento de PIS/COFINS, em especial, ovo incubável, suíno vivo de terceiros, suíno vivo de terceiros (integrados), suínos de corte, milho granel, rede nylon ref mortadela bologna." Argumenta que são legítimos os créditos decorrentes de aquisições de bens pessoas físicas, pois, embora o art. 3º , § 2º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 impeçam a manutenção do crédito, o fato é que o art. 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 expressamente reconhecem o direito ao crédito presumido, no caso, de 60% sobre o valor das aquisições. Ressaltese que como bem asseverado na decisão recorrida, o crédito negado pelo Fisco (relação cf. Planilha de fls. 1.170/1.175), não é o mesmo alegado pela Recorrente, qual seja, o crédito presumido da atividade agroindustrial, a ser informado no Dacon na “Linha 06A/25 que são os Calculados à Alíquota de 0,99 %”. O crédito em questão é o previsto no art. 3º das mencionadas Leis, onde sobre o montante dos gastos e despesas da empresa elencados em seus incisos há a incidência da alíquota normal da contribuição (1,65%). Em relação a esse crédito, no §2º do mencionado artigo, há a expressa vedação da inclusão dos valores pagos a pessoas físicas. Fl. 4115DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 No Dacon, o referido crédito deve ser apurado pelo contribuinte na “Ficha Apuração dos Créditos de PIS/Pasep Aquisições no Mercado Interno Regime Não cumulativo”, cujo resultado aparece na “Linha 06A/15 Créditos a Descontar à Alíquota de 1,65%”. Portanto, à evidência, diante da expressa previsão legal de vedação ao crédito, a autoridade fiscal agiu corretamente ao excluir da base de cálculo do crédito calculado à alíquota normal da contribuição, informados na linha 02 da Ficha 06A do Dacon, os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas constantes da Planilha fls. 1.239/1.243. Correto, portanto, a glosa efetuado pela fiscalização e deve ser mantida. 8.2. b) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo Alega a Recorrente em seu recuros que as "aquisições de bens que não se enqua dram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária". Conforme a memória de cálculo fornecida pela Recorrente a fiscalização glosou: a) as aquisições de bens cujas descrições não demonstram que o bem se refira a insumo, conforme conceito extraído do art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; e b) os valores das notas fiscais cujo CFOP não se refere a operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Informa no Despacho Decisório que de acordo com o § 9º do mesmo art. 8º, o entendimento acima aplicase também para o PIS/Pasep. Assim, bens como cimento 50 kg e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo. A recorrente, inicialmente, manifestase contra as glosas constante da Planilha de fls. 1.199/1.215, alegando que a autoridade fiscal as teria realizado de forma “genérica”, “exemplificativa” e “sem critério”. No entanto, verificase que o Fisco tratou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon e também trouxe um relatório para cada tipo de glosa, onde constam, como por ela dito, “item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado”. Os itens glosados constam do relatório “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às fls. 1.199/1.215 e do relatório “NFGlosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.216/1.219. De outro turno, como veremos, a Recorrente não cuidou de identificar todas as operações de aquisição em relação às quais defende o direito e nem juntou as cópias das notas fiscais correspondentes. Salientase que a recorrente contesta as glosas partindo do entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuam, direta ou indiretamente, para a obtenção de receita geram créditos das contribuições. Neste caso, temse que a fiscalização, entendendo que os documentos e informações produzidas pelo contribuinte não se mostram suficientes para demonstrar de forma inequívoca o crédito pretendido, ou verificando que o crédito inexiste, em razão de as operações demonstradas pela contribuinte não se enquadrarem nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, negoulhe o direito pretendido, explicitando claramente sua motivação. Fl. 4116DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.100 35 Em sua defesa ao crédito, cabe a Recorrente, provar o teor das alegações que contrapôs aos argumentos postos pelo Fisco para não acatar o crédito alegado, não bastando, todavia, apenas alegar possuir o direito, mas devendo comproválo cabalmente, individualizando e provando a ocorrência de cada operação cujo valor foi glosado, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência, o que não ocorreu no presente caso. Como já dito, o conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas aqui tratados deve abranger os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Glosas pela descrição das operações A recorrente contesta a glosa das aquisições de equipamentos, pallets, bolsa térmica cong. PVC perdigão, gasolina comum, solvente, malha algodão, fio de algodão e de poliéster, caixa de proteção, luvas, proteção chaira, fita sanitária com base no argumento de tais bens “se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela impugnante em sua atividade produtiva”. Nesse sentido informa em seu recurso que: "Antes de buscarmos, apesar do evidente cerceamento de defesa e falta de motivação, impugnar um a um, reiteramos todas as ponderações acerca da noção de insumo, uma vez que são bens que se identificam como despesas, custos ou dispêndios que contribuem, de maneira direta ou indireta, para a obtenção de receita pela recorrente em sua atividade produtiva. Vejamos, por exemplo, os fios de poliéster, utilizamos dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Daí porque é possível se reconhecer desde logo a improcedência da glosa realizada, merecendo reforma a referida decisão. Tais materiais na atividade da recorrente não podem ser desconsiderados como insumos, uma vez que são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, contribuindo para a elaboração do produto industrializado e a obtenção de receita. Todos estes materiais (ex. fita sanitária, luvas, etc) são peculiares da atividade desempenhada. Isto porque, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS n. 326/1997. 8.2. c) Dos Pallets (de madeira) Informa que os PALLET MADEIRA 120X100X14CM DURA PBR PL6; PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO; PALLET MADEIRA 110X90X11CM M.CONT PL3, têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização (exportação), o que possui expressa permissão legal para descontar créditos. Especificamente sobre este item, aduz a Recorrente em seu recurso que, "Tais produtos (em especial, o pallet) são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matérias primas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização Ora, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA". Fl. 4117DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 36 Quando da sua manifestação na Diligência solicitada, acrescenta que (fls. 3.873/3.886): "Os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerente, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. Conforme PARECER (laudo) do INT às fls. 42 há expressa menção no sentido de que os pallets são utilizados "sempre nas movimentações externas às linhas de produção", sendo que no ambiente interno "são utilizadas para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora". Ademais, principalmente, quanto aos pallets de madeira, ainda possuem a função indispensável dentro do processo produtivo de "transporte para área de estocagem, dentro da unidade produtora, expedição com carregamento em caminhões, viagem até o cliente, descarregamento do caminhão, movimentação interna no cliente...". Afirma que são insumos por participarem do processo produtivo como produto essencial e inerente à atividade econômica da recorrente, inclusive, visando cumprir exigências de higiene e limpeza para a produção de um bem de maior qualidade. Por outro lado, o Fisco, na Informação Fiscal da Diligência (fl. 4.019), informa que "A razão da glosa, à luz da IN SRF 404/2004 é evidente: o 'palete' de madeira é mero equipamento de transporte de produto acabado, que não se incorpora ao produto, não é consumido na sua produção e não é material de embalagem do produto, sendo inclusive boa parcela retornável. O relatório técnico apresentado pela contribuinte informa que, nas linhas de produção são utilizados apenas 'paletes' de fibra de vidro, e nenhum destes foram glosados. Ressaltese que nunca foi questionada a utilidade dos paletes, a todos evidente" (g.n). Quanto ao Relatório Técnico nº 000.903/13, fl. 3.933, a partir do item 13 localizase a parte relativa a palete, onde é verificado que são utilizados para diversos fins. Na folha 3.934, informa no item 15: (...) No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibradevidro [sic]. Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibradevidro [sic]. (...) (destaquei) Pois bem. Não resta dúvidas que tais materiais (pallets) objetivam também garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia as normas da ANVISA. Na planilha de funcionalidades apresentado quando da diligência (fls. 4.072/4.078), consta que ficam no setor de palletização e "utilizado para paletizar as caixas produtos como embalagem secundária protegendo os insumos e materiais do contato direto com o solo". Portanto, segundo a descrição oferecida pela recorrente, concluise de imediato não se tratar de material de embalagem, já que o item não acompanha o produto acabado. Fl. 4118DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.101 37 A tomada de créditos, nestas condições, dependeria do critério adotado pelo próprio contribuinte para a contabilização do bem. Se a aquisição dos pallets for lançada à conta de despesa operacional, em função do seu valor unitário e de sua vida útil, entendo admissível o creditamento do gasto como insumo. No entanto, tratandose de bem de ativação obrigatória, como parece ser (observo que, entre os serviços contratados pelo contribuinte, há o de manutenção de pallets, o que induz à conclusão nesse sentido), o creditamento só seria possível como despesa de depreciação. O deslinde da controvérsia portanto leva em conta o sistema de distribuição do ônus da prova adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tratandose de pedido de ressarcimento, como é o caso, a iniciativa é do contribuinte, e sobretudo, de insistência recursal de que o item seja considerado como insumo (e que os bens não foram ativados), a ele incumbe a prova de que deu a tal gasto a natureza de despesa operacional. A prova requerida, no entanto, não se encontra nos autos. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas dos pallets. 8.2. d) Das "Big Bags" Em sua manifestação quando da Diligência (fls. 3.873/3.886), argumenta que "Podemos, ademais, identificar entre os insumos utilizados no processo produtivo pela requerente as embalagens em geral e itens afins, especialmente, fio de poliéster, bolsa termina PVC, sacola big bag, caixa de proteção, fita sanitária, nylon, malha de algodão". Afirma que tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de comercialização, sendo essenciais e inerentes à especifica atividade econômica da recorrente com o fim de gerar receita. São hipóteses de embalagens ou produtos afins incorporados ao processo produtivo. Por isso, diante da noção ampla de insumo, vinculação direta com o processo produtivo e a peculiaridade da atividade econômica desempenhada pela requerente, é possível reconhecer o direito ao crédito. Por outro lado, informa o Fisco quando da diligência que " (...) Quanto aos “big bags”, conforme verificado nos itens 32 e 33 do mesmo Relatório Técnico (folha 3.941), servem para “transportar o subproduto formado para a fábrica de ração, para armazenamento dos materiais granelizados e para transportar a ração da sua fábrica até aos produtores de aves Fl. 4119DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 38 que não possuem silo.” Da mesma forma, não são incorporados ao produto, não são consumidos na produção e não são materiais de embalagem. Da mesma forma, nunca foi questionada a utilidade dos “big bags” (...). Como se vê, não há como atestar que os "big bags" tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo, sem que o interessado faça descrição pormenorizada de como se dá essa utilização, ônus que lhe cabe e não o fez no momento apropriado (quando da diligência, conforme visto na Informação Fiscal), de acordo com o sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal. Assim por falta de prova da pertinência e da essencialidade das "big bags" no custo de produção, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. 8.2. e) Da Gasolina, solventes e gás A Recorrente formula que também houve glosa de combustível, em específico, a gasolina e solventes. E que o combustível é empregado no processo industrial de fabricação dos alimentos, maquinas e veículos do parque fabril, permitindo, assim, o pleno exercício de sua atividade produtiva. No curso da diligência informou que (fl. 3.877), "Temos, ainda, os combustíveis (gasolina, solvente, etc), inclusive, gás glosados, além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado". A princípio não me parece razoável afirmar que as máquinas e equipamentos utilizados pela empresa (empilhadeiras, etc), se utilizam de gasolina e solventes para movimentar suas operações. Quanto a gasolina, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da diligência (fls. 4.035/4.041), informa que seria utilizado nos veículos da empresa. Percebese que essas aquisições são pouco frequentes, o que, além da descrição da operação, denotam que o combustível não é próprio para utilização em máquinas e equipamentos do parque fabril, única hipótese em que aquisições de combustíveis geram crédito, a teor da legislação de regência. É certo que o combustível utilizado seria óleo diesel. Quanto aos solventes, conforme descritivo nas Planilhas apresentada quando da diligência (fls. 4.035/4.041), os mesmos ficam localizados no setor embalagens inicial e sala de cortes e são utilizados nas datadoras de embalagens (os solventes são aplicados em impressoras), não ficando comprovado que seria custo de produção e sim controle de produtos acabados. Sobre o gás, nada foi manifestado. Desta forma mantenhase as glosas sobre gasolina, solventes e gás. 8.2. f) Material de embalagem e outros itens especificados Quanto ao material de embalagem, este também está dentre os que poderiam ser considerados insumo no âmbito da legislação da contribuição ao PIS e da Cofins. Fl. 4120DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.102 39 Como se vê, das descrições dos bens adquiridos não é possível afirmar que consistam de insumos, ou seja, de embalagens que podem ser atribuídos como custo de produção. De outro turno, os esclarecimentos trazidos pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade é que as embalagens apontadas, notadamente os "bolsa térmica e caixas de proteção", consistem de embalagem somente utilizada depois de concluído o processo produtivo do bem, utilizadas no armazenamento e/ou transporte dos produtos acabados. Como visto a própria interessada afirma que “... tais produtos têm por finalidade a armazenagem de matérias primas ou as mercadorias produzidas e destinadas à comercialização...”, por conta disso, alternativamente, reclama que o crédito há de ser mantido pela “aplicação do art. 3º inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), que, expressamente permitem na hipótese de armazenagem de mercadoria”. Já em sede de diligência, manifesta complementando que (fls. 3.873/3.886): "(...) tais bens estão totalmente vinculados ao processo produtivo e de comercialização, sendo essenciais e inerentes à especifica atividade econômica da recorrente com o fim de gerar receita. São hipóteses de embalagens ou produtos afins incorporados ao processo produtivo. Um primeiro ponto diz respeito ao fato de que alguns itens chegam a incorporar o produto final, como de fios de nylon, fio de poliéster, fita sanitária, o que nos deixa evidente a legitimidade do crédito. Por hipótese, caso assim não se entenda e se sustente que tais itens não incorporam ao produto final, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito. Isto porque, as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade.Tratase de um material que acompanha o produto a ser comercializado e é inerente e essencial na atividade econômica, principalmente, quando se trata da produção e venda de alimentos. Ora, além da embalagem de apresentação, também deve ser reconhecido o crédito para aquelas que têm por função armazenar a matériaprima ou o produto acabado. Tais determinações da ANVISA demonstram claramente que na atividade de produção de alimentos não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final. Isto porque, as embalagens são utilizadas durante todo o processo de produção e comercialização visando garantir segurança e evitar contaminação e proliferação de organismos. Daí porque se tem embalagem sem acabamento ou mesmo aquelas que acondicionam uma quantidade maior de produtos do que o comercializado normalmente. Elas possuem objetivo diverso no ciclo de produção e comercialização, porém, também relevante e inerente à atividade econômica da recorrente, já que garantem que desde o insumo até o produto industrializado finalizado chegue apto ao consumo humano e sem qualquer avaria". Em seu recurso afirma que “fita sanitária, luvas, etc... são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações”. Do arquivo de glosas, identificouse algumas operações que possivelmente tenham relação com esses bens itens com descrições do tipo: "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção e fita sanitária". Fl. 4121DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 40 Neste sentido, existe evidência de que esses bens são utilizados na atividade de “industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral”, ou seja, produção de bem destinado à venda. Portanto, correto o entendimento da Recorrente de que tais bens consistem de insumo. Desta feita, há que se reverter as glosas contestadas para os seguintes produtos "saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de produtos fabricados. 8.2. g) Indumentárias (malha algodão e camisa Vemag) Em sua manifestação da diligência, aduz a Recorrente que também identificou as indumentárias, que não são consideradas meros uniformes, mas peças utilizadas dentro do processo produtivo, segundo determinação de órgãos regulatórios. Neste sentido, malha algodão, camisa vemag, entre outros. Isto porque, mais do que equipamentos de segurança para os empregados, por força de lei (o que já seria suficiente para legitimar o crédito), em verdade, são instrumentos para se produzir alimentos aptos ao consumo humano, evitando contaminações, seguindo, assim, as determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (v. Portaria SVS/MS n. 326/1997). Na informação Fiscal (fl. 4.018) a fiscalização informa que: "Ressaltese que não foi glosado item de indumentária. CAMISA VEMAG 920350150 PET GL, presente na listagem de glosas, figura na TIPI na posição 8438.90.00, conforme informação da própria contribuinte, que se refere a “Máquinas e aparelhos não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para preparação ou fabricação industrial de alimentos ou de bebidas, exceto as máquinas e aparelhos para extração ou preparação de óleos ou gorduras vegetais fixos ou de óleos ou gorduras animais.”, sendo o subitem 90.00 destinado a partes. E a malha de algodão glosada não parecia enquadrarse nas atividades da empresa. Salientese que a malha em tela tem a largura de sete centímetros, conforme descrito na listagem de itens glosados, não sendo usual seu uso em confecções. Por outro lado, há também glosada um tipo de malha de algodão com poliéster. Pode ter sido a esta que a contribuinte fez referência. Se de fato foi utilizada para confecção de indumentária, ainda assim não pode ser considerada insumo, pois não teria qualquer relação com a produção em si. Portanto, conforme informado pelo Fisco, e pode ser verificado pela Planilha de relação das glosas às fl. 1.147, a indumentária não foram objeto de glosa. O bem denominado Camisa Vemag PET GL, tratase de Máquinas e aparelhos, como pode ser visto pela classificação fiscal. Já as informações trazidas pela Recorrente quando da diligência, a cerca deste itens, carecem de provas de suas alegações, o que não foi juntado nos autos. Portanto, há que se manter as glosas destes itens. 8.2. h) Peças de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas Fl. 4122DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.103 41 Em sua manifestação de Diligância (fl. 3.941/3.960) argumenta que "(...) consta da relação de bens glosados diversos peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas utilizadas totalmente dentro do processo produtivo, amplamente descrito por dois fluxogramas juntados, tais como cabo, caracol do eixo, flange, válvula, foto célula, cilindro, corrente de roleie, carter de óleo, mancal, bloqueador de válvula, rolamento, engrenagem, motor 90KW, caracol, correia sanitária. Afirma que são peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo, conforme notas fiscais de aquisição. Efetuado uma análise do Laudo Técnico juntado aos autos deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente (peças de reposição de máquinas e equipamentos), especialmente, diante de sua atividade de produção e plantas industriais juntadas (fls. 3.955/4.051). É possível também chegar a esta conclusão, verificando a Planilha de funcionalidades por cada item glosado, juntada aos autos quando da diligência, fls. 4.072/4.078. Pelos motivos expostos acima e conforme entendimentos mantidos por este CARF, concluise que é possível reconhecer a legitimidade do crédito de peças de reposição de máquinas e equipamentos, constantes na Planilha de fls. 1.199/1.215, uma vez que os mesmos se enquadra, neste caso, como custo de produção. 8.2. i) Notas fiscais CFOP que não representa aquisição e nem operação com direito a crédito Aduz a recorrente que, "da noção de insumo, a fiscalização de forma genérica englobou sem critério diversos bens que não dariam direito ao credito diante do CFOP, em especial, etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, entre outros. Desde logo, é possível perceber que se faz uma junção de itens que deveriam estar segregados para se justificar de modo adequado a glosa. Isto, entretanto, não ocorreu, o que prejudica o direito à defesa. Sem embargo disso, já ressaltamos que pela noção de insumo exposta no início da defesa, não resta dúvida da legitimidade dos créditos". O Fisco verificou, a partir das informações prestadas pela própria Recorrente, que esta inseriu na base de cálculo do crédito valores indevidos em razão de as operações demonstradas, tendo em conta os CFOP das notas fiscais registradas; ou seja, a fiscalização glosou as notas fiscais cujos CFOP não condizem com uma operação de aquisição de insumo, no caso, os códigos: 1.101, 2.101 Compra para industrialização ou produção rural e 1.653, 2.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. As entradas dos produtos mencionados pela recorrente foram por ela registradas com os CFOP: 1.556, 2.556, 3.556 e 1.407 Compra de material para uso ou consumo; 1.925 Retorno de mercadoria remetida para industrialização; 2.303 Aquisição de serviço de comunicação por estabelecimento comercial. Observese, ainda, que para alguns produtos tais como botão, chave, lixa, tomada não há registros de entradas glosadas na listagem da autoridade fiscal. Fl. 4123DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 42 Quando da Diligência, desta forma se manifestou a Recorrente (fl. 3.951), "(...) Por fim, quanto aos bens glosados, podemos ainda identificar diversos itens que estão totalmente relacionados ao processo produtivo da requerente, notadamente, malha algodão, tesoura, proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor de luz, lâmina bisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta de sêmen, camisa vemag. Todos os itens acima descritos são utilizados diretamente no parque fabril durante ao processo produtivo da requerente. Neste sentido, a "proteção de chaira" diz respeito ao item ligado ao amolador de facas. Temos ainda dentro deste mesmo ponto de vista a tesoura, o bisturi, a colher. São itens utilizados dentro do processo produtivo para limpeza, desossa e demais procedimentos no tocante à manipulação do principal insumo da requerente, qual seja, animais (aves, suínos, em especial). Convém frisar que o local onde se realiza todo o processo produtivo há de ser refrigerado, por imposição regulatória, sendo fundamental a manutenção da temperatura, dai a razão de se considerar insumo o sensor de temperatura, sensor de luz, módulo analógico". Pois bem. Verificase que dentro dos itens glosados (conforme consta da Planilha de fls. 1.216/1.219), como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, embreagem, lamina, alfinete, termostato, mola, bolsa pino, rolamento, faca, sensor de temperatura, martelo, anel de pressão, bucha, parafuso, tesoura, proteção chaira, formulário de declaração de aves, sensor de temperatura, modulo analógico, sensor de luz, lâminabisturi, colher de aço inox, borracha raspadora depiladora de suínos, luva látex coleta de sêmen, pelas suas características são insumos, uma vez que tratamse de equipamentos, ferramentas e materiais utilizados na atividade produtiva ou em máquinas com esta destinação. Entendo que a simples descrição dos produtos e materiais glosados já nos permite reconhecer a sua utilidade, inerência e relevância dentro processo produtivo de industrialização da Recorrente. Como bem explicado em seu recurso, destacase por exemplo, a faca, que foi objeto de glosa. Informa que tratase de equipamento que é manuseado por seus empregados no processo fabril de um frigorífico a fim de elaborar cortes, descartar partes da matériaprima a ser inutilizada, entre outras funções. Significa dizer, assim, que é um equipamento inerente e essencial no próprio processo de fabricação dos alimentos pela recorrente. No mesmo caminho podemos ainda ressaltar a glosa do termostato e o sensor de temperatura, que estão diretamente vinculados à atividade produtiva e industrial da recorrente, eis que, como foi ressaltado durante a defesa, estamos diante de produtos alimentícios com rígido controle de higiene e padrões de qualidade, inclusive, de TEMPERATURA. Ressalta ainda ser possível reconhecer a viabilidade do crédito para os materiais adquiridos visando à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos, por estarem vinculados à atividade econômica e produtiva, caracterizando como insumo. Contesta, ainda, a glosa de outros bens, como: etiqueta para fatiados e outros, adesivo perdigão, folha plástica incolor, saco plástico, bolsa térmica, entre outros. Alega que alguns desses itens chegam a incorporar o produto final, como etiquetas para fatiados, adesivo perdigão, folha plástica incolor para envolver produtos. E que, caso assim não se entenda, isto não significa dizer que deixam de gerar crédito, pois as embalagens estão vinculadas à elaboração e ao produto final, independentemente do acabamento desta, do formato e capacidade, tratandose de um material que acompanha o produto a ser comercializado. Fl. 4124DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.104 43 Neste caso, tendo em conta que a hipótese de crédito de aqui se trata é a decorrente de aquisição de bens utilizados como insumo e considerando os vários tipos de materiais mencionados pela interessada, digase no meu entender, "quase" todos geram créditos, uma vez que efetivamente respondam pela fabricação de bens ou produtos destinados à venda (desde que não façam parte do ativo imobilizado). Desta feita, analisandose a relação de glosas às fls. 1.216/1.219, considerandose os argumentos da empresa e com base nos documentos e informações juntados aos autos (laudo técnico e funcionalidades), verificase o direito ao crédito dos insumos adquiridos, conforme notas fiscais relacionadas, sendo que há que se reverter as glosas contestadas para os ítens constantes na referida planilha, exceto, para o seguintes bens constante da relação: cliche impressão de embalagens, oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, (estes últimos tratados em tópico anterior). Quanto aos bens excluídos, não foi possível comprovar sua efetiva utilização no processo industrial da empresa (custo de produção). 8.2 j) Cimentos Alega em seu recurso que "Assim, bens como cimento 50 kg e pallet de madeira foram excluídos da base de cálculo". Quanto ao item CIMENTO 50KG, como bem asseverado pela fiscalização, não há como entender seu uso em atividade de produção, senão para ser utilizado em reparos ou construção de imóveis. Portanto, há que ser mantido a glosa. 9 Dos SERVIÇOS Utilizados como Insumos 9.1 Diversos Serviços relacionados e glosados Aduz em seu recurso que embora tenha impugnado sob a noção de insumo no sistema nãocumulativo de PIS e COFINS diversos bens, efetua de forma mais breve e já fazendo remissão a todos os fundamentos ventilados até o momento, defesa quanto à glosa de diversos serviços que não foram acolhidos como insumo (item 4.3.3 do despacho decisório "a", "b" e "c"). Conforme informado pela Recorrente, dos montantes informados a título de serviços utilizados como insumo a fiscalização glosou: a) as aquisições de pessoas físicas não sujeitas ao pagamento do PIS/COFINS; b) aquisições de serviços que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos dos seguintes serviços: MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM, limpeza, recuperação frio, carregamento de aves para venda, repaletização, despachante aduaneiro, inspeção sanitária, análise da água, entre outros. c) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa; d) os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços. Fl. 4125DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 44 Os itens glosados constam da Planilha “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às folhas 1.199 a 1.215 e da Planilha “NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)”, à fls. 1.216 a 1.219. Quanto aos itens “a”, “c” e “d” relacionado acima (tópico 4.3.3 da Informação fiscal), a recorrente remete aos argumentos já colocados sobre o mesmo assunto, em relação às aquisições de bens, enfatizando a total improcedência das glosas. No entanto, informa que "(...) Daremos ênfase, todavia, o item "b" que cuida de diversos serviços glosados, entre eles MOVIMENTAÇÃO SAÍDA, DE MONTAGEM/DESMONTAGEM, LIMPEZA, RECUPERAÇÃO FRIO, CARREGAMENTO DE AVES PARA VENDA, T IPALETIZAÇÃO, DESPACHANTE ADUANEIRO, INSPEÇÃO SANITÁRIA, ANÁLISE DA ÁGUA, ENTRE OUTROS. "(...) Tais crédito são legítimos em virtude de as prestações de serviços realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e contribuintes de PIS/COFINS serem totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica da recorrente. Por exemplo, entre os serviços prestados está a limpeza e inspeção sanitária. Na atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e inerentes ao seu processo produtivo com a finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação." Em relação aos serviços, os mesmos são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores dos serviços prestados por pessoa jurídica, os aplicados na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda, assim considerados somente aqueles serviços que, por serem aplicados na cadeia produtiva da empresa, concorrem como custos no processo de transformação dos insumos e produtos intermediários em produto pronto e acabado para venda. Ocorre porém que, da listagem “NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”, às folhas 1.199 a 1.215, para linha 03 do Dacon, tendo em conta a descrição das operações, conforme bem asseverado pela decisão recorrido, verificase que a maior parte dos serviços claramente não consistem de insumo e em relação à outra parte dos serviços não há como afirmar que sejam insumo, pois somente pelas descrições não é possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da empresa. As operações registradas têm consignadas as descrições: SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM SEM CONTRATO, SERVIÇO RECARGA CARTUCHO IMPRESSORA, SERVIÇO MOVIMENTAÇÃO SAÍDA (a maioria das operações), SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, ALUGUEL VEICULO CARGA, SERVIÇO MÃO DE OBRA, SERVIÇO VIGILÂNCIA, SERVIÇO MONITORAMENTO, PESAGEM CAMINHÃO, SERVIÇO INSPEÇÃO SANITÁRIA, SERVIÇO RECUPERAÇÃO FRIO, SERVIÇO REFORMA PALLETS, SERVIÇO TREINAMENTO, SERVIÇO LIMPEZA GERAL EM INSTALAÇÕES, SERVIÇO CAMINHÃO MUNCK, SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET, OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO DE CARREGAMENTO DE AVES P/ VENDA, SERVIÇO DE REPALETIZAÇAO (TROCA PALLET), SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS, SERVIÇO DESPACHANTE ADUANEIRO, SERVIÇO MONTAGEM/DESMONTAGEM, SERVIÇO ANALISE D'ÁGUA e OUTROS. Em sua manifestação quando da diligência (fls. 3.941/3.960), a recorrente informa e reafirma que "(...) De outra parte, temos ainda serviços que com clareza meridiana são considerados insumos: serviço portuário, serviço de movimentação de carga saída, serviço de monitoramento, serviço de inspeção sanitária, serviço de vigilância, serviço de limpeza de instalações, Fl. 4126DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.105 45 aluguel de veiculo de carga, serviço de pesagem, serviço de armazenagem, reparo alojamento, serviço de recuperação de frigorífico, serviço de estrech, serviço de lavagem de uniformes (indumentárias). Apresenta algumas definições, conforme o fluxograma e Laudo técnico, bem como atividade da requerente, os seguintes serviços glosados pela Fiscalização: (i) serviço técnico: são aqueles prestados em máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por exemplo, o serviço de monitoramento, serviço de recuperação de frigorífico; (ii) serviços de limpeza, lavagem dos uniformes indumentárias), inspeção sanitária: do mesmo modo que as indumentárias, tratase de procedimento obrigatório segundo regulamentação do setor a completa limpeza e higienização do local e também dos uniformes (indumentárias), estando totalmente vinculadas ao processo produtivo da atividade de frigorífico e do setor alimentício, conforme laudos, documentos, normativas e jurisprudência do CARF. Do mesmo modo o serviço de inspeção sanitária; (iii) serviço de movimentação de carga: conforme fluxograma e laudos tais serviços ocorrem durante todo o processo produtivo mediante carga e descarga de insumos (frango, outras matériasprimas), durante a industrialização, bem como no momento da venda das mercadorias elaboradas; (iv) expedição e armazenagem: o processo produtivo é extremamente amplo e complexo, de tal maneira que há armazenagem de matériasprimas, como o caso de cereais, utilizados na elaboração de seus produtos. Além disso, produtos acabados cuja armazenagem se dá venda, sobretudo, nas operações de exportação. A Fiscalização em sua Informação Fiscal quando da diligência (fl. 4.058/4.059), informa que "Quanto aos Serviços Utilizados Como Insumos – Ficha 06A – Linha 03, foi glosado o aluguel de veículos porque a Lei 10.637/2002, art. 3º, inciso IV, estabelece que podem ser descontados créditos sobre “IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, o que não inclui veículos. Por evidente, os serviços SERVIÇO ANIMAÇÃO/SONORIZAÇÃO, SERVIÇO ANUNCIO, SERVIÇO PROPAGANDA, SERVIÇO DESPACHANTE ADUANEIRO, SERVIÇO PORTUÁRIO, não são realizados nas unidades da empresa com fins de produção. Nada se pode afirmar a respeito de OUTROS SERVIÇOS, SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO, SERVIÇO MÃODEOBRA, SERVIÇO MONITORAMENTO, SERVIÇO RECARGA CARTUCHO IMPRESSORA, SERVIÇO TRANSPORTE FUNCIONÁRIOS. Todos os demais serviços são realizados nas unidades da empresa ou têm relação com as atividades da empresa. Nenhum dos serviços glosados, entretanto, atende às condições definidas na IN SRF 404/2004, art. 8º, §4º, inc. I, alínea b: “b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. (destaquei) A informação abaixo consta do relatório "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos", de folhas 1.199/1.215, tendo sido apenas reordenada e totalizada pela Fl. 4127DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 46 descrição do produto. A contribuinte foi intimada a, “com relação a cada bem ou serviço citado abaixo, esclarecer a participação de cada um no processo produtivo da empresa, identificando a etapa onde é utilizado e para que finalidade” e não atendeu a este item. Afirma que entre os serviços descritos, temos ainda: Serviço de pesagem, o qual é utilizado no processo produtivo para pesagem da matériaprima. Serviço de strech, também utilizado durante o processo produtivo para embalar os produtos a serem vendidos, especialmente, no caso de exportação. Serviço portuário, de fundamental importância nas operações de exportação de seus produtos, intimamente ligado ao serviço de armazenagem10. Reparo de alojamento, cujo crédito há de ser concedido conforme art. 3o, inciso VI, das Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Aluguel de veiculo de carga, considerado um insumo por transportar matériaprima e também os produtos elaborados. Dos montantes informados na linha 3 da ficha 6A do Dacon como gastos com serviços utilizados como insumos, glosaramse os que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º , inc. I, alínea "b" da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. A recorrente reclama das glosas, em seu recurso retoma a defesa do critério da inerência e essencialidade dos itens para a sua atividade produtiva. Acrescenta que todos os bens e serviços adquiridos que tenham como finalidade a higiene, limpeza e desinfecção e evitar a contaminação do processo de industrialização, conforme determinação dos órgãos públicos de controle, devem ser considerados como insumo. Analisandose o laudo técnico e levandose em consideração os argumentos da Recorrente, especificamente quanto aos serviços prestados de limpeza de instalações e inspeção sanitária, entendo que pela atividade desempenhada pela recorrente, diante de suas peculiaridades, tais serviços são essenciais e inerentes ao seu processo produtivo com a finalidade de obtenção de receita, principalmente, com qualidade, como determina a legislação e há de se ter em mente que a recorrente é fabricante de gêneros alimentícios, sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições ambientais das atividades, se não atendidas, implicam na própria impossibilidade da produção. Nesse contexto, entendo que há perfeito enquadramento na definição de insumos aqui esposada. A assepsia ambiental é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. De ver que, não houvessem os serviços de limpeza e inspeção sanitárias, haveria a possibilidade de interdição do estabelecimento produtivo. No mesmo sentido entendo que o serviço de análise de água, que como já exposto, a recorrente por ser fabricante de alimentos destinados ao consumo humano, segue rígidos controles de higiene e boas práticas de fabricação, inclusive por determinação legal, sendo o controle de seus insumos algo obrigatório. No caso da água, ela participa em diversos momentos do processo produtivo, desde a limpeza dos insumos, a fabricação e a limpeza do próprio parque fabril. Assim, impõese considerar a abrangência ao termo "insumo" para contemplar, no creditamento, desses serviços (limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água), devidamente comprovado nos autos, mediante notas fiscais de prestação de serviços específicas. Quanto aos demais serviços relacionados e glosados, defende a legitimidade do crédito com base na sua relevância à atividade empresarial/industrial, nada mais. Fl. 4128DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.106 47 Novamente, rechaço a acusação recursal. Como já dito, a fiscalização não se furtou de individualizar cada glosa, identificando cada uma delas por ficha e linha do Dacon, e também as relacionou, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado, no demonstrativo "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos”. Como se vê, não há como atestar que estes serviços tenham sido efetivamente utilizados, de forma direta, no processo produtivo, sem que o interessado faça descrição pormenorizada de como se dá essa utilização, ônus que lhe cabe e não o fez no momento apropriado (quando da diligência, conforme visto na Informação Fiscal), de acordo com o sistema de distribuição da prova adotado no processo administrativo federal. No entanto, concluindo, entendo que deve ser revertido apenas as glosas dos serviços de limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água. Os demais serviços glosados neste tópico, por falta de prova da pertinência e da essencialidade do serviço, nos termos do conceito de insumo adotado neste voto, mantenhamse as glosas. 9.2 Pagamentos de fretes A fiscalização também desconsiderou o frete na transferência entre estabelecimentos sob alegação de serem "produtos acabados", com base em presunção vinculada ao fato de que a transferência se deu entre estabelecimentos da recorrente. Segundo a Informação Fiscal, dos valores informados a título de “Bens utilizados como Insumo”, a fiscalização glosou as despesas com os serviços de fretes constantes da memória de cálculo sob a denominação "SERVIÇO FRETE E CARRETO", que correspondem a serviços contratados para transferências de produtos acabados entre filiais e valores escriturados em contas que refletem despesas com vendas: na conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf. Prod. Acabados (UP p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf. Prod. Acabados (Entre Filiais)". Informa que cada um dos conhecimentos de transporte glosados está especificado na listagem “NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados” juntado às fls. 1.244/1.470 Alega a Recorrente ser improcedente essas glosas, pois a fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. A expressão "produto acabado" como utilizada pelo Fisco é equivocada e não leva em consideração o contexto peculiar da atividade da recorrente. Afirma que todas as transferências, desde o ingresso da matériaprima básica (por exemplo, grãos) até o produto industrializado acabado e com destino ao consumidor (frete por meio de veículos específicos segundo regras da ANVISA) decorrem de uma participação ativa no processo produtivo, sendo essenciais e inerentes a sua atividade econômica, a fim de permitir que, deveras, possa a recorrente comercializar seu produto industrializado (qualidade e condições de consumo para o adquirente). Descreve os fretes praticados durante o processo produtivo de alude terem sido ignorados pelo fisco, como segue: 1. frete com a aquisição de prima para fabricar ração (exemplo grãos); 2. A impugnante remete para industrializar a ração; 3. Após, encaminha por frete até seus Fl. 4129DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 48 integrados, os quais criam animais (frangos, entre outros) e remetem novamente à impugnante; 4. há industrialização com emprego de tais matérias primas; 5. a. Frete do produto elaborado até um distribuidor ou supermercado; 5.b. Frete até outro estabelecimento da impugnante para armazenagem e venda final. Destaca ainda que "(...) Mesmo o frete entre o frigorífico e os estabelecimentos de distribuição (câmaras frigoríficas) e, posteriormente, o envio ao destinatário final, há participação no ciclo de produção". "Daí porque se pode afirmar, peremptoriamente, que há processo produtivo, desde o recebimento da primeira e mais rudimentar matériaprima (ex: sorgo) até o recebimento pelo destinatário; final em condições aptas ao consumo humano (supermercado)". Citando a Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984, conclui que o processo produtivo da recorrente não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Como analisado na decisão a quo, para que bem se analise a questão posta, importa que se tenha em conta, antes de tudo, a evolução legal relativa ao creditamento de valores relativos a serviços de fretes pagos pela pessoa jurídica, contribuinte no regime não cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins. A Lei nº 10.637, de 2002, que instituiu o regime de apuração não cumulativa PIS/Pasep, já estabelecia, por meio de seu art. 3º, os valores que poderiam integrar a base de cálculo do crédito passível de utilização pelo contribuinte da contribuição, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo. As disposições de tal artigo foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865, de 2004, contudo, não houve qualquer modificação no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos serviços utilizados como insumo. Com o advento da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com serviços de armazenagem de mercadoria e de frete, na operação de venda, caso o ônus seja suportado pela própria empresa vendedora. Conforme estabelece o inciso IX do art. 3º desta lei. Já o art. 15 da citada Lei no 10.833/2003, tratou de estender o comando previsto no inciso IX às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 2004 (a teor do art. 93, I, da mesma lei). Vêse, então, que, em se tratando de serviço de frete, a legislação permite o creditamento, desde que tomados de pessoas jurídicas, nas seguintes hipóteses: 1 no caso de se entender que o serviço seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002); e 2 no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX do artigo 3º c/c com artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Observese que há, ainda, uma terceira hipótese de creditamento de custos com serviços de frete possível, além das expressamente previstas na legislação acima Fl. 4130DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.107 49 colocadas. Esta se verifica quando o custo do serviço de frete, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo base a ser informada na linha 01 ou na linha 02, conforme o caso. Esclareçase que a glosa de que aqui se trata referese a valores que compõem a base de cálculo informada na linha 2 do Dacon, linha própria para informar as despesas com aquisição de insumos, ou seja, a terceira das hipóteses acima postas. Razão pela qual a análise deve ser se os valores glosados referemse a custos, suportados pelo contribuinte, vinculados a aquisições de insumos. Inicialmente, não procede o argumento de que a fiscalização teria ignorado alguns dos fretes praticados durante o processo produtivo. Como visto, o Fisco glosou as despesas escrituradas pela interessada em contas próprias para registro de despesas com vendas na conta 0501 DESPESAS COM VENDAS, sub contas n.° 0000510580 " Frete Transf.Prod.Acabados (UP p/Filiais)", e n.° 0000510581 " Frete Transf.Prod.Acabados (Entre Filiais)". Razão pela qual não podem ser aceitas como despesas vinculadas a operações de aquisição de insumo. A recorrente, por seu turno, em seu recurso, claramente trabalha no sentido de defender que as despesas glosadas dão direito a crédito a título “serviços utilizados como insumo”, despesa que deve ser informada na linha 03 das fichas 06A e 16A do Dacon. Argumenta que “o processo produtivo da Recorrente não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final” pelo que os fretes que menciona “participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita”. Em análise à contestação, verificase que não procede a alegação de que a fiscalização teria se “utilizado de presunção sem previsão em lei de que se tratava de produto ‘acabado’, sem realizar qualquer prova sobre o fato”. Como pode ser visto, as próprias descrições das mencionadas contas contábeis, evidenciam a natureza das operações lá escrituradas. Por óbvio que não caberia a autoridade fiscal comprovar que as despesas escrituradas pela empresa como despesas de vendas de fato consistem deste tipo de operação. Ademais, em se tratando de direito de crédito que a contribuinte pretende ter reconhecido, caberia a ela, isto sim, a prova de que os valores registrados como despesas com vendas consistem, como declarado em Dacon, de despesas de transportes vinculados a operações de aquisições de insumo. Na diligência, nada mais foi acrescentado sobre os fretes. Assim, restou claro nos autos que os valores dos fretes glosados de fato não se referem a fretes vinculados a operações de aquisição de insumo e, correta, portanto, a exclusão destes valores dos montantes mensais informados na linha 02 do Dacon (relacionados às fls. 1.244/1.470), própria para informar as despesas com aquisição de insumos. 10 Vedação a geração de créditos aquisições de bens ou serviços alíquota zero Informa em seu recurso ainda, a glosa de diversos produtos sob alegação de não serem tributados (item 4.3.2, "d"), em especial, "defensivo, leite, queijo, cebola, massa de mandioca, palmito enlatado, alho em pasta, tempero para carne, aroma de galinha, calcário, Fl. 4131DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 50 caulim, sodalita, desinfetante, herbicida, farinha de trigo, farinha de milho, vacinas, lispec, antibiótico, ivermectina, amoxilina injetável, sêmen suíno, havendo improcedência na glosa de referidos créditos. O Fisco glosou as aquisições desses bens sujeitos à alíquota zero, que não podem gerar crédito a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Listou no relatório “Glosadas Alíquota zero”, às fls. 1.220/1.237, todos os itens glosados, indicando o dispositivo legal correspondente que reduziu a alíquota; na primeira folha, traz um quadro onde indica as legendas para os motivos das glosas. Este argumento não merece ser acolhido haja vista que a alíquota incidente sobre tais produtos ter sido reduzida à zero, não pelo dispositivo alegado pela interessada, mas por força do inciso III, do art. 28, da Lei nº 10.865/04, que determina que: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de (...): III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI” e (...). Em análise aos mencionados capítulos, verificase que os mencionados bens, e os demais que foram glosados pelo mesmo motivo (identificados na Informação Fiscal pela legenda CAP78), se enquadram aos tipos de bens lá previstos. A recorrente, alega ainda que, “em se tratando de aquisição de produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 01 dia, entre outros)” que se enquadrem dentre os produtos descritos no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mesmo que comercializados à alíquota zero, há que ser mantido o crédito presumido, pelo que “impossível se torna excluir o crédito, pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Como bem concluído pela decisão recorrida, também não procede esse argumento de defesa. Destarte, a Lei nº 10.925/2004 revogou os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637/2003, que tratavam do crédito presumido possível para as pessoas jurídicas que produziam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos NCM lá indicados, passando este tipo de crédito a ser regrado, a partir de então, pelo art. 8º desta lei. Todavia, o inciso II do §2º do art. 3º, das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2003, que vedam a geração de créditos das contribuições em relação a aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, permaneceram plenamente vigentes e igualmente aplicáveis ao crédito presumido, não havendo qualquer conflito nos regramentos postos pelas mencionadas leis em relação a esta matéria. E é por conta dessa vedação expressa em lei que também é improcedente o argumento de que é totalmente viável a manutenção do crédito em relação a produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, amoxilina, ivermectina, entre outros”. Esses produtos, por se tratarem de bens sujeitos a alíquota zero, não houve tributação em sua aquisição, pelo que não há o alegado direito a crédito. Quanto ao argumento de que a exclusão de créditos na hipótese de aquisição sem tributação, quando existe tributação na operação posterior, viola o princípio da não Fl. 4132DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.108 51 cumulatividade e da capacidade contributiva, além de tornar o tributo confiscatório, não cabe aqui qualquer manifestação, pois, como visto, a vedação está prevista em lei, sendo este CARF incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. De acordo com a Súmula Carf nº 02, o CARF não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Desta forma, improcedentes os argumentos de defesa, mantémse a glosa, dos insumos constantes da planilha às fls. 1.220/1.237. 11 Notas fiscais aquisições de pessoas jurídicas com suspensão obrigatória de PIS Argumenta em seu recurso que no despacho decisório (item 4.3.2 "g") rejeita o crédito integral (ordinário 7.6% no caso da COFINS e 1,65% na hipótese de PIS), em relação às aquisições) de pessoas jurídicas que venderam insumos com tributação (9,65%) à recorrente, sob alegação de nos meses de outubro a dezembro de 2006, a aplicação da suspensão seria obrigatória. O primeiro ponto decorre da circunstância de que o crédito integral há de ser mantido uma vez que a aquisição ocorreu mediante tributação de 9,25% (COFINS + PIS). Portanto, se houve aquisição sem a suspensão de pessoa jurídica de insumo, aplicase o art. 3° da Lei nº 10.833/2003 e 10.637/2002, implicando na legitimidade do crédito em tais operações. Isto porque, a Lei nº 10.925/2005 somente cabe aplicação, nas condições estipuladas, quando houver venda com suspensão de PIS e COFINS. Se não ocorreu venda com suspensão, aplicase a regra geral, ou seja, as Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, que permite nesta hipótese o crédito ordinário integral. Pois bem. Da base de cálculo do crédito básico (art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e 10.637/2002), a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições de insumos, no caso, de milho (NCM 1005.90.10) e de soja a granel (NCM 1201.00.90), que representam aquisições de pessoas jurídicas que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. Acrescenta: que, à época de suas ocorrências, as aquisições de tais produtos por agroindústrias já estavam reguladas pelos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004; a Perdigão Agroindustrial S/A preenche todos os requisitos elencados no art 4º da IN SRF 660/2006, configurando, então, a hipótese para qual a mencionada lei, artigos 8º e 9º, determina que não há incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Informa, ainda, que cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem “NF Glosadas Aquisicao PJ Suspensão obrigatória”, às fls. 3.444 a 3.536, do processo. Destarte, o artigo 8º da Lei 10.925/2004 passou a tratar do crédito calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003 – , especificamente para o caso de estes serem adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. Tal dispositivo passou a permitir que as pessoas jurídicas que produzam Fl. 4133DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 52 mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos que indica, deduzam, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado pela aplicação de uma alíquota diferenciada ao montante das aquisições dos insumos adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Desta feita, para este tipo de insumo, não se aplica o crédito calculado nos termos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, mas o crédito calculado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. A impugnante não nega tal fato, mas defende o crédito argumentando que a suspensão de PIS e Cofins, à época dos fatos, a teor da IN 660/2006, era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração) e que, se as aquisições ocorreram mediante tributação, há direito ao crédito pelas alíquotas ordinárias, previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002: Vejase: "A mais disso, até o advento da IN RFB nº 977, de 2009, as vendas com suspensão NÃO ERAM OBRIGATÓRIAS, o que se pode concluir da interpretação da redação descrita pela IN SRF nº 660/2006 e a posterior alteração dada por aquela quanto ao art. 4°". Pois bem. À presente matéria foi muito bem analisada pela decisão a quo, que adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a recorrente não apresentou qualquer defesa em face deles, apenas repisando os argumentos da manifestação. "À presente matéria, além do artigo 8º, importa o art. 9º da Lei 10.925/2004. Através deste, a lei suspendeu a incidência de PIS e Cofins nas vendas de produtos in natura de origem vegetal, e de insumos para a produção de mercadorias mencionadas no caput do art 8º, conforme descrito acima, desde que as vendas fossem feitas pelas pessoas jurídicas e cooperativas mencionadas e destinadas a pessoas tributadas pelo lucro real: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Fl. 4134DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.109 53 (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (grifo nosso) Notese que, nos casos em que o adquirente tiver direito à apropriação do crédito presumido de que se trata, a aplicação da suspensão da incidência por parte do vendedor dos insumos é regra e não exceção, portanto tem cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabelece marco imperativo, ao dispor que: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. Esses dispositivos foram regulamentados, inicialmente, na IN SRF nº 636, de 24 de março de 2006, depois revogada pela IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, com as alterações da IN SRF nº 977, de 14 de dezembro de 2009. Do texto da IN SRF nº 660/2006, anterior às alterações introduzidas pela IN SRF nº 977/2009, é oportuno transcrever os seguintes trechos, que disciplinaram a situação sob análise: Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...]IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. §1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. §2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...]III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...]II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Fl. 4135DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 54 Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e II I utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. §2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...]Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos nossos) Como se vê, a suspensão foi estabelecida pelo artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 e regulada pelo art 2º da IN 660/2006. No art 4º da IN, foram colocadas os requisitos necessários e suficientes para que a suspensão se impusesse; notese que o previsto no §1º deste artigo não consiste de uma condição ou requisito para que a operação de venda se opere com suspensão das contribuições, mas de obrigações a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação. É inequívoco, pois que, quando o adquirente dos bens preenchesse as condições previstas nos incisos I a III do art. 4º da IN 660/2006, ainda em sua redação anterior à dada pela IN nº 977/2009, suas aquisições seriam obrigatoriamente feitas com suspensão das contribuições na etapa anterior da operação independentemente de qualquer solicitação efetuada pelo fornecedor ou Fl. 4136DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.110 55 informação prestada pelo respectivo adquirente; seria, todavia, compulsório que a adquirente prestasse as pertinentes informações ao vendedor dos bens, mediante a apresentação do Anexo I daquele diploma, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação. Posteriormente, a IN nº 977/2009 introduz alterações à IN 660/2004, deixando explícita a obrigatoriedade da suspensão em questão a partir de 4 de abril de 2006; observese que o §1º do art 4º, que prevê a exigência da Declaração do Anexo I, foi revogado expressamente: Da Aplicação da Suspensão (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente:(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. §1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) [...]Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (g.n.) Portanto, para que a suspensão das contribuições se imponha, todos os requisitos elencados nos incisos do art 4º da IN SRF 660/2006, e somente eles, devem estar presentes. Sendo assim, no presente caso, preenchidos pela impugnante (adquirente) os tais requisitos, só se poderia cogitar de não ser aplicável a suspensão (para o vendedor) na hipótese, aparentemente remota, de a impugnante adquirir produtos agropecuários, a serem utilizados como insumo, de pessoas jurídicas diversas daquelas tipificadas no art. 3º, inciso III, da IN SRF nº 660/2006, ou seja, de pessoa jurídica ou cooperativa que não exercesse atividade agropecuária. Resta claro que a venda com suspensão é direito do vendedor (art. 9º da Lei nº 10.925/2004 e art. 2º da IN 660/2004), quando se verifique a hipótese legal para tanto (art. 4º da IN 660/2004), sendo o adquirente, por seu turno, obrigado a fornecerlhe, quando solicitado, a declaração contida no Anexo I do §1º do art. 4º da IN 660/2004, de forma a permitirlhe aplicar o correto tratamento tributário à operação (na redação original da IN). Assim, cabe razão a autoridade fiscal quando afirma que a consequência do pagamento indevido da contribuição pelo vendedor, caso tenha ocorrido, é simplesmente a repetição do indébito, não se configurando qualquer hipótese legal de geração de crédito para o adquirente. Fl. 4137DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 56 Com efeito, o fato de as vendas terem ocorrido sem a suspensão da contribuição prevista em lei não permite a tomada de créditos pelo adquirente, por se tratar de procedimento contrário ao legalmente prescrito em relação ao setor agroindustrial. A interessada, portanto, pretende se aproveitar de um direito que não lhe cabe, pois o benefício fiscal em comento foi criado em favor do vendedor, que poderá vir a exercêlo enquanto não for decadente o seu direito de repetir a contribuição indevidamente recolhida. Diz, ainda, a autoridade fiscal que “Restaria à Perdigão Agroindustrial S/A apurar os créditos presumidos oriundos das compras com suspensão”. Nesse sentido, como relatado, a impugnante solicitou que fosse reconhecido a “procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido”. Em que pese a menção da autoridade fiscal, sobre eventual direito a crédito presumido, não há como ora acolher o pleito da impugnante. Vejamos. O Dacon instrumento através do qual a empresa deve manter o controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos possui fichas e linhas específicas que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo dos créditos apurados, identificando corretamente os custos e despesas que as compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo dos créditos apurados no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem destes, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência pela administração fazendária competente, no caso, a DRF que possui a competência originária para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante, utilizados por meio de desconto ou objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. Firmese, então, que nos casos de desconto de créditos e de pedidos de ressarcimento/compensação, não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e mesmo das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da impugnante. Outrossim, como é no Dacon que o impugnante demonstra o crédito pretendido/utilizado, não resta dúvidas que a análise e reconhecimento deste crédito limitase ao escopo do que consta no próprio Dacon não sendo, portanto, permitido a Autoridade Administrativa, em sede de análise de contestação de decisão que não reconheceu o crédito do impugnante, conceder crédito diverso do informado ou não constante deste demonstrativo. Ou seja, à Autoridade Administrativa julgadora não cabe assentir com a inclusão, na base de cálculo do crédito pretendido, de custos e despesas, supostamente hábeis de gerar créditos, não informados ou incorretamente informados, que seja, no respectivo Dacon, em detrimento da função precípua deste demonstrativo e da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre o crédito da impugnante. Observese que se assim não fosse, restaria prejudicada a correta aferição e controle pelo fisco da procedência e do real e efetivo aproveitamento dos créditos pelos impugnantes. Logo, é necessário que a apuração do crédito esteja perfeitamente demonstrada no Dacon, em havendo qualquer erro de declaração é ônus do impugnante corrigilo em tempo hábil a fim de se assegurar que a análise de seu direito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir". Portanto, devese manter a glosa efetuada pelo Fisco. 12 Do valor do IPI recuperável Alega que o Fisco sem adequada motivação e justificativa jurídica, glosou os créditos vinculados ao custo do IPI dos produtos adquiridos pela recorrente, sob alegação de que poderão ser recuperáveis (Planilha fls. 1.474). O IPI vinculado à operação de aquisição de bens da recorrente é custo de maneira que inexiste razão jurídica e previsão legal para determina sua exclusão. Compõe o Fl. 4138DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.111 57 custo do produto que adquiriu. O fato de a legislação específica do IPI permitir a recuperação ressarcimento em decorrência do acúmulo ocorrido quando existirem operações em tributação (NT, isenção, alíquota zero) não é fundamento que permite justificar a glosa do crédito. Por outro lado, coloca a fiscalização “O valor do IPI, recuperável em processo específico de saldo credor do IPI (art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999), constante das notas fiscais de aquisição deve ser abatido da base de cálculo do crédito”. Como visto, a autoridade fiscal diz o motivo da glosa. Por outro lado, ante a legislação de regência, o argumento expendido pela impugnante não pode ser acolhido. É a lei, no caso a Lei nº 9.779, de 1999, em seu art.11, que estabelece que o IPI incidente nas aquisições de insumo é recuperável, ou seja, quando o impugnante não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá recuperálo por meio de restituição ou ressarcimento e através de compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições, em conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996. Além disso, como já dito neste voto, as hipóteses de creditamento no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins resultam do cruzamento dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. E as mencionadas IN expressamente determinam que, em sendo recuperável, o IPI não integra o valor do custo dos insumos. No caso, o IPI excluído foi somente o incidente sobre os insumos, que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins. Desta feita entendo correta a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito pleiteado. 13 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas Argumenta a Recorrente que "o ato administrativo também glosou dentro de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3°, IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) os seguintes itens": a) Ficha 6A Linha 05 Despesas com alugueis de prédios locados de pessoas jurídicas (item 4.3.4): pagamentos a pessoas físicas e aluguéis de imóveis rurais e b) Ficha 6A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5): notas fiscais que não representam aluguel como serviço de copiadora (Xerox). A própria recorrente admite em seu recurso que "Entendemos que embora não previsto em lei, pelo princípio da nãocumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas". A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas físicas, alguns referentes a imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios, em descompasso com o prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Fl. 4139DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 58 A impugnante alega que embora não previsto em lei, pelo princípio da não cumulatividade e capacidade contributiva, há de manter o crédito nos aluguéis pagos a pessoas físicas. Defende, ainda, a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Não merecem ser acolhidos os argumentos da impugnante ante a expressa previsão legal: a teor do dispositivo legal acima mencionado, não geram créditos os aluguéis pagos a pessoas físicas e nem os aluguéis de imóveis que não consistam de “prédios”. Deve ser mantidas essas glosas, conforme Planilha de fl. 1.472. 14 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica Informa em seu recurso que "(...) Por sua vez, o item b. (Ficha 16 A Linha 06 Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica (4.3.5), ao glosar a locação de máquinas destinadas ao serviço de cópias (Xerox), incorreu em grave equívoco. Isto porque, o serviço de fotocópias é essencial à atividade econômica de qualquer empresa, embora não esteja diretamente vinculado à fabricação do alimento. Assim, diante da noção ampla de insumo e da nãocumulatividade, tal crédito também deve ser considerado legítimo, com a improcedência da glosa realizada" (g.n). A autoridade fiscal glosou os valores das notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). Os itens glosados se encontram no relatório “Itens Glosados – Alugueis de Maquinas”, à folha 1.471. Uma breve análise aos itens contidos na Planilha “Itens Glosados – Alugueis de Maquinas” verificase que, a teor da descrição das operações registrada, os valores glosados são referentes a “SERVIÇO DE COPIADORA (XEROX)” e não à locação de máquinas de xerox, como alega a impugnante. A Recorrente, por seu turno nada trouxe em sede de recurso a fim de comprovar a alegada natureza das operações. À ausência de comprovação do direito ao crédito, mantémse a glosa. Portanto, correta a exclusão desses valores do montante informado a título de “Despesas com alugueis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica”. 15 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A fiscalização quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002), desconsiderou como crédito (item 4.3.6 do despacho Ficha 16 A linha 07): a) pagamentos a pessoas físicas; b) serviço portuário entre outros (despesas aduaneiras em geral.) A autoridade fiscal glosou: os pagamentos a pessoas físicas, que não podem gerar créditos a descontar, de acordo com o art. 3º, §2º, inciso I das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; os pagamentos relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 4140DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.112 59 Quanto às despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, depois de novamente alegar a nulidade em razão do cerceamento de defesa, a interessada argumenta que: "o crédito decorrente dos pagamentos à pessoa física é devido com fundamento na noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; é preciso reconhecer que o frete na venda e a armazenagem incluem as despesas aduaneiras e portuárias em geral". Acrescenta: "A armazenagem compreende todas as despesas e gastos vinculados a ela, entre elas energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, serviços portuários, entre outros. Tais despesas são intrínsecas à armazenagem. Por exemplo, a energia elétrica. É um dever legal o armazenamento em câmaras frias com temperatura segundo determinações da ANVISA, SIF, entre outros órgãos públicos. São despesas inerentes à armazenagem e que foram custeadas pela recorrente. Daí porque são legítimas. Além disso, podemos reconhecer nas despesas portuárias, além da natureza de despesa ligada à armazenagem, também à continuidade do frete na venda, especificamente, aquele destinado à exportação. O que nos dá ainda mais legitimidade no crédito. Não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente. A alegação de nulidade pelo cerceamento de defesa tem como fundamento o fato de não estar presente no “sumário das planilhas e documentos... qualquer menção a este caso, com planilhas e documentos que foram utilizados para fundamentar a glosa”. Neste caso, salientase que todas as operações glosadas foram identificadas a partir dos registros elaborados pela própria Recorrente. Novamente, como muito bem abordado pela decisão recorrida, não merece ser acolhida a alegação da Recorrente de desconhecer as operações glosadas quando foi da memória de cálculo por esta fornecida como demonstrativo dos valores informados na linha 07 da ficha 6A (DACON) que o Fisco identificou os pagamentos efetuados a pessoas físicas e os relativos a SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, apurando assim os montantes glosados em cada mês, conforme discriminado em seu relatório. Desta feita, à evidência, é do conhecimento da impugnante o montante informado na linha 07 no Dacon, para cada mês, as operações e seus valores por ela considerados na apuração desses montantes. Também é de seu conhecimento, já que claramente colocado no relatório fiscal, o valor total das operações glosadas em cada mês pela autoridade fiscal, e os motivos e fundamentos legais da glosa. Essas informações são suficientes para a empresa identificar cada uma das operações glosadas, conforme por ela própria registradas, viabilizando assim a produção da prova do direito ao crédito a elas relacionado. Todavia, como visto, assim não procedeu a impugnante em sua impugnação. Já quanto ao mérito da questão, por disposição legal expressa o crédito a que o impugnante tem direito é em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Assim quaisquer serviços de armazenagem e transporte que não estejam vinculados a Fl. 4141DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 60 uma operação de venda já efetivada, ou por outra, quaisquer outros serviços, direta ou indiretamente, ligados à operação de venda, que não se refira unicamente a serviço de armazenagem e transporte da mercadoria já vendida, não geram crédito por inexistir permissivo legal para tanto. Neste caso, a Recorrente não levou a efeito o ônus de comprovar a ocorrência e a natureza das operações por ela incluídas na base de cálculo do crédito pretendido a título de Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda. Por falta de comprovação do direito pela Recorrente, mantémse a glosa. 16 Dos Créditos Presumidos das atividades agroindustriais Neste tópico, a Fiscalização listou os produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido, em que o contribuinte tomou créditos a 60% da alíquota para insumos que não se enquadram nas condições da legislação. Segundo a Informação Fiscal, tal alíquota, prevista no inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, destinase apenas para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e de misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. A aquisição de insumos que não se classifiquem nos citados capítulos e posições fatalmente recai no inciso II, que admite a tomada de créditos a 35% da alíquota. Dá conta ainda que todos os animais vivos listados na planilha são classificados no capítulo 01 da NCM; milho e sorgo, no capítulo 10; soja, no capítulo 12, lenha, maravalha (aparas de madeira) e resíduos de madeira no capítulo 44 sêmen no capítulo 05, itens que não atendem às condições para creditamento à 60% da alíquota. Também não se admitiu crédito presumido no caso de aquisições para revenda. Quando foi o caso, a Fiscalização deferiu o creditamento a 35% da alíquota de incidência, conforme se constata na coluna “Valor não reconhecido” da Planilha "Crédito presumido detalhe outubro a dezembro" constante das fls. 1.475 a 2.730. As notas fiscais não admitidas estão arroladas na lista “Credito presumido detalhe” referenciada. A Recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925/94, no artigo 8º, ao definir os percentuais (60 ou 30% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos que indica, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Para análise da questão, transcrevese ao artigo 8º e parágrafos da Lei nº 10.925/2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, Fl. 4142DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.113 61 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser Fl. 4143DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 62 superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) (grifo nosso). Verificase, portanto, que o valor de crédito presumido é determinado pela aplicação da alíquota de 60% (sessenta por cento) para as empresas que produzam mercadorias de origem animal nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. De outro modo, sobressai que o legislador elegeu o critério da natureza do "produto" a ser produzido (isto é, do resultado decorrente do processo industrial) como método de discriminação das alíquotas. Assim, se o produto a ser produzido (ao qual os insumos agregados/consumidos) for de origem animal ou vegetal (carne para alimentação humana, p. ex.), deverá ser aplicada a alíquota de 60%, independente da qualificação desses insumos. Verificase que o Fisco trouxe uma listagem dos produtos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (fls. 1.407 a 2.662), (notas cujos CFOP não representam aquisições, perfeitamente identificados na listagem individualizada, identificadas na listagem pela informação “Não se aplica” ou “0” na coluna alíquota) ou redução de alíquota. Nessa listagem, a fiscalização, aplicou o percentual de 35% da alíquota das contribuições às aquisições de: animais vivos classificados no capítulo 01 da NCM; trigo, milho e sorgo classificados no capítulo 10; soja no capítulo 12; lenha, maravalha e resíduos de madeira no capítulo 44; sêmen no capítulo 05; itens que também não atendem às condições para creditamento pelo percentual de 60% da alíquota das contribuições. No entanto, conforme consta dos autos, tratamse de insumos adquiridos para produção de mercadorias de origem animal (carnes e derivados para consumo humano), que se trata da atividade fim da empresa. Posto isto, verificase que com as modificações introduzidas pela Lei nº 12.865, de 2013, o percentual aplicado aos insumos utilizados para industrialização dos produtos previstos no § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, é de 60% das aquisições realizadas. Ressaltese que o argumento definitivo em favor do quanto se afirmou, veio recentemente, com a promulgação da Lei nº 12.865/13, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao § 10, do artigo 8°, da Lei nº 10.925/04, com o seguinte teor: “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF nº 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004 define o montante do crédito presumido. Posto isto, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002. 17 Outros Bens utilizados como insumos importações (item 4.3.8 do relatório fiscal) Fl. 4144DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.114 63 Alega a Recorrente que o Despacho Decisório realizou as seguintes glosas improcedentes: a) aquisições de bens que não se enquadram na noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: Partes de Máquinas e peças de reposição de elevado valor, entre outras; b) importações cujo CFOP não traduz em crédito, especialmente, compra para ativo imobilizado (conta 3551), material de uso e consumo (3556) e outras entradas (3949); e c) valor do IPI recuperável. Por outro lado, verificase na Informação Fiscal (do Despacho Decisório), que as aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como Insumo (linha 02 da ficha 06B), foram glosados os valores referente às aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, em especial, as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona, relacionados na listagem listados na Planilha "NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos" às fls. 1.131/1.147 , das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada Planilha "NF Glosadas Operações sem direito a credito (CFOP)" às fls. 1.199/1.215 e dos valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição. 17.1 Direito de crédito em relação às importações efetuadas A recorrente contesta as glosas das aquisições no mercado externo alegando, inicialmente, que há que se reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações, por expressa previsão legal, uma vez que o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, ao disciplinar o PIS/Cofins na importação, permitiu o emprego de tais créditos para abatimento das contribuições previstas nas Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (Cofins). Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na Fl. 4145DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 64 prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) [...] § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. Da leitura do mencionado dispositivo vêse que é improcedente essa alegação da Recorrente. Como se vê não são todas as importações que dão direito a crédito, mas apenas as elencadas nos incisos do artigo. Quanto ao direito à tomada de crédito sobre o valor das importações, por outro lado, está exaustivamente regulado no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que admite o desconto de créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições sociais não cumulativas, de bens que sejam destinados à revenda ou à utilização como insumo os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Sendo assim, reiterase que toca ao contribuinte a prova de que os itens importados enquadramse nessas hipóteses restritivas, o que não o fez nem em seu recurso nem quando da diligência. Mais uma vez, infelizmente, a recorrente não se preocupou em fazêlo, perdendose em alegações genéricas e alheias aos fatos concretos do processo. 17.2 Aquisições de partes e peças de reposição aquisições com CFOP 3949, 3551 e 3556 Em relação às aquisições de peças e máquinas acrescenta que são bens a legislação permite reconhecer como insumo, pois estão vinculados à atividade produtiva da empresa; mas que, caso se entenda se tratarem de máquinas e peças com duração superior a 01 ano, “ao menos, há de se considerar o crédito no presente caso como ativo imobilizado (art. 15, V, Lei n. 10.865/2004)”. Quanto às glosas de operações de importação registradas com o CFOP 3551 "Compra de bem para o ativo imobilizado", 3556 "Compra de material para uso ou consumo" e 3949 “Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificado”, inicialmente alega cerceamento de defesa, alegando que “não localizou a descrição exata no processo administrativo de quais seriam estes bens e, principalmente, o porquê da glosa” e a “total ausência de fundamentação e descrição dos bens glosados”. A alegação de cerceamento de defesa já foi afastada em tópico anterior deste voto, nada sendo necessário aqui acrescentar. Com dito, foram glosados pelo Fisco os créditos por insumos tomados sobre as partes de máquinas e peças de reposição de elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona. Da mesma forma, a Fiscalização também extirpou do cálculo os valores das importações de notas fiscais com CFOP, por exemplo, 3551, 3556 e 3949. Este CARF já examinou, por ocasião da prolação do Acórdão nº 3403 002.536 (Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim), a subsistência das glosas listadas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora em julgamento: Fl. 4146DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.115 65 "Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3o, II, da Lei nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um daqueles bens que foram glosados se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização pode ser considerado como passível de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, 2º do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, 1º, do RIR/99). Exemplo disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os utensílios utilizados em laboratório. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379" . Assim, ante a falta da prova da liquidez e certeza do crédito pretendido, mantenhase a glosa 17.3 Do IPI recuperável Em relação ao IPI, alega ser indevida a glosa, afirmando fazer parte do custo do bem importado. Como já abordado em tópico anterior (item 12), no caso, o IPI excluído, que é recuperável nos termos da lei, caso em que, independentemente de ter sido utilizado ou não pela interessada, nas formas legalmente permitidas, não integra o valor dos insumos para fins de apuração de crédito no âmbito do regime não cumulativo de tributação para a contribuição para o PIS e Cofins. Desta feita correta a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito pleiteado. 18 Créditos extemporâneos Alega que "os créditos são legítimos conforme declarado em DACON, sendo que a contabilidade dá total suporte. Houve, em verdade, um equívoco material no momento da apresentação de planilha à fiscalização, que possuía valores diferentes neste item em face da DACON. Ademais, não poderia o Fisco simplesmente glosar com base em planilha fornecida pelo contribuinte, cabendo a ele ônus de verificar eventual vício nos valores declarados em DACON". Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 66 Ocorre que foram glosados pelo Fisco, da base de cálculo dos créditos descontados, nos meses do trimestre em questão, os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração, meses e trimestres valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela impugnante. A fiscalização coloca que o saldo de crédito presente no Dacon dos meses anteriores pode ser aproveitado para desconto dos débitos gerados no mês em curso, como prescreve a Lei, mas que o crédito que não foi informado nos meses anteriores não pode ser informado no Dacon do mês em curso. A Recorrente, por seu turno, defende que os créditos extemporâneos devem ser considerados no cálculo das contribuições devidas apuradas para o 4º trimestre, pois, em suas palavras: (i) não se nega a existência dos créditos pelo Fisco; (ii) o impedimento é meramente formal, sendo de rigor atenuar o exagero ao formalismo em detrimento ao próprio direito material, com fundamento na razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e vedação do enriquecimento sem causa do Fisco; (iii) vale lembrar, ainda, que o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 afirmam: "O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes". Ou seja, se não houve o aproveitamento, não impede o aproveitamento nos meses subseqüentes, como no presente caso. A lei não traz expressamente a exigência de retificadora. Em análise da argumentação posta, há que se dizer que se equivoca a Recorrente. Escorreita e precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: "(...) É que a razão de ser da necessidade de segregação dos créditos por períodos de apuração, no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, se deve ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de utilização segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de utilização por qualquer uma das formas previstas (desconto, compensação ou ressarcimento). É preciso ter em conta que a forma de utilização tem a ver com a natureza dos créditos apurados e com o período em que foram gerados. De forma sintética, tais formas de repetição estão assim delineadas pela legislação: (a) créditos associados a receitas tributadas no mercado interno: meio preferencial é o desconto no mês; (b) créditos associados a receitas não tributadas no mercado interno (custos, despesas e encargos, inclusive estoque de abertura, vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, inclusive no caso de importação com pagamento de PIS e Cofins importação): compensação ou ressarcimento no próximo trimestre; (c) créditos associados a receitas de exportação (custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação): compensação no próximo mês ou ressarcimento no próximo trimestre. De tal sorte, como a apuração dos créditos depende, no mais dos casos, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que o reconhecimento do direito creditório deva se dar por períodos de apuração. Neste sentido, a teor do parágrafo 1.o do artigo 3.o das Leis n.o 10.637/2002 e n.o 10.833/2003, os créditos, no regime da não cumulatividade, devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.116 67 de apuração, e isto com o fim, como já se disse, de que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito. Como alega a impugnante, de fato também mencionado pela autoridade fiscal, o art. 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 permite que crédito não aproveitado (salientese, por meio de desconto) em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Tais dispositivos, no entanto, não querem dizer que despesas e gastos ocorridos em outros períodos possam ser trazidos a compor a base de cálculo de créditos apurados em períodos posteriores; mas, que créditos, já oportunamente apurados e não descontados da contribuição devida no próprio mês de apuração, possam sêlo das contribuições devidas nos meses subsequentes". Portanto, quanto ao aproveitamento de Créditos Extemporâneos, entendo que não ser possível o aproveitamento direto de créditos resultantes da aquisição de um determinado insumo em mês diverso da aquisição. O que é possível é aproveitar o saldo de créditos, remanescentes após o confronto entre créditos e débitos de um determinado mês, pelo qual poderá restar saldo de créditos a serem aproveitados nos meses subseqüentes. Essa matéria, no entanto já tem entendimento pacificado neste colegiado, plasmado, por exemplo, no Acórdão nº 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons.Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se conhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, reputase correto o procedimento do Fisco, mantendose a glosa efetuada. 19 Créditos inexistentes item 5 e 7 do Relatório fiscal. Alega a Recorrente em seu recurso que: "Enfim, o item "c" relata a glosa de supostos créditos inexistentes. Ora, por qual razão seriam inexistentes? O despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão pela qual tais créditos seriam inexistentes. Não são insumos? Não houve comprovação por notas fiscais? Não consta da contabilidade? Qual a razão jurídica e fática? Inexiste descrição no despacho decisório. Assim, há evidente nulidade e cerceamento de defesa neste item c (item 5 do despacho decisório), sendo, portanto, improcedente. Caso não se reconheça a nulidade e o cerceamento de defesa, a recorrente rechaça a glosa, pois, os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor contribuinte. Como informa a fiscalização, os valores foram lançados em DACON e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente o crédito, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boafé. Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 68 Novamente entendo precisa a análise efetuada pela decisão a quo, a qual me filio e as adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. Vejase: "A teor do item 5 do relatório do fiscal, não foram aceitos os créditos de dezembro de 2002 (R$ 257.771,15) e de fevereiro de 2003 (R$ 239.701,77), relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, que a impugnante pretendeu descontar do PIS/Pasep devido em novembro e dezembro de 2006 – na ficha 13 (Créditos Descontados no Mês PIS/Pasep Regime Não Cumulativo). A autoridade fiscal esclarece que os créditos anteriores ainda não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, na Ficha 26B – Saldos de Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 PIS/Pasep e na Ficha 28B –saldos de "Créditos Não Utilizados até 31/12/2005 Cofins", o que não ocorreu. Além disso, a autoridade fiscal coloca que não foi confirmada a existência dos saldos informados nas fichas 13, já que estes tinham sido consumidos anteriormente, razão pela qual não podem ser considerados na apuração da contribuição a pagar. Nesse sentido informa: que no Dacon de janeiro de 2006, fichas 26B e 28B, as quais reproduz, os saldos existentes em 31/12/2005 eram R$ 252.119,97 de Pis e R$ 779.476,90 de Cofins; e que no balancete daquele período, à folha 2.666, em janeiro de 2006, o saldo inicial da conta “0000114030 PIS a Recuperar” era “R$ 252.119,97 D” e o da conta “0000114035 Cofins a Recuperar” era “R$ 779.476,90 D”, os mesmos valores informados nas fichas 26B e 28B do Dacon de janeiro de 2006 e relativo a dezembro de 2005. Por fim acrescenta que os tais saldos, presentes na contabilidade e informados no Dacon de janeiro de 2006, não foram confirmados pelos Despachos Decisórios da DRF, relativos ao 1º trimestre de 2006 e tratados nos processos 16349.000279/200977 (PIS/Pasep), e 16349.000271/2009 19 (Cofins). Já no item 7 de seu relatório, a autoridade fiscal coloca que tendo em vista os autos de infração relativos ao 1º trimestre de 2006, tratados no processo 11516.721278/201191 e relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, tratados no processo 11516.721279/201136, o saldo inicial da linha “01.Saldo de Crédito de Meses Anteriores” da ficha 14 (Controle de Utilização dos Créditos no Mês – Contribuição para o PIS/Pasep –Regime Não cumulativo) é nulo em todos os tipos de crédito. A impugnante reclama que os créditos são legítimos. Nesse sentido, inicialmente, argumenta que o despacho decisório não descreve e fundamenta especificamente a razão, fática ou jurídica, pela qual tais créditos seriam inexistentes se por não serem insumos, ou por não haver comprovação por notas fiscais, ou por não constar da contabilidade pelo que é evidente a nulidade em razão do cerceamento de defesa. Alega, ainda, que “os dados, informações, valores e créditos lançados em contabilidade e em obrigações acessórias fazem prova em favor impugnante”. Aduz que, como informa a fiscalização, os valores foram lançados em Dacon e, diante da ausência de prova e justificativa do motivo que se nega verdadeiramente os créditos, estes devem se presumir legítimos, até mesmo pelo princípio da boafé. Pelo que acima foi relatado, vêse claramente que as glosas não foram de valores indevidamente inseridos na base de cálculo do crédito do período em análise, mas de crédito apurados em períodos anteriores, nos anos de 2002 e 2003, trazidos para serem utilizados no quarto trimestre de 2006. Da narrativa da autoridade fiscal, verificase que esta esclareceu satisfatoriamente o motivo pelo qual desconsiderou os créditos trazidos de 2002/Dezembro, 2003/fevereiro: os créditos anteriores ainda não utilizados em 31/12/2005 deveriam, obrigatoriamente, ter sido informados no Dacon de janeiro de 2006, compondo, assim, o crédito passível de utilização do primeiro e não do quarto trimestre de 2006; pelo que consta da contabilidade da empresa, os créditos anteriores ainda não utilizados até 31/12/2005, informados no Dacon de janeiro de 2006, já tinham sido utilizados; os saldos presentes da contabilidade e informados no Dacon de janeiro de 2006 não foram reconhecidos nos autos dos processos 16349.000279/200977, de PIS/Pasep, e 16349.000271/200919, de Cofins. Salientese que a Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.117 69 autoridade fiscal cuidou de reproduzir as fichas mencionadas a fim de identificar perfeitamente os valores dos créditos não aceitos. Desta feita, não há que se falar em nulidade do feito fiscal em face do cerceamento do direito de defesa. Como se vê essas informações são suficientes para a empresa identificar os valores excluídos e o motivo da exclusão, viabilizando assim a produção da prova em contrário, ou seja, a prova da existência do crédito e do direito dele se utilizar como fez, nos termos do firmado no item 3 deste voto. Todavia, como visto, assim não procedeu a recorrente. Em sua manifestação de inconformidade limitouse a contestar a legalidade do feito fiscal e dizer ser legítimo o crédito pelo simples de o ter declarado em Dacon, sem, no entanto, trazer qualquer prova da existência do valor lá consignado. Assim, a contribuinte não levou a efeito o ônus de comprovar as alegações postas contra o feito fiscal". E, como pode ser visto, no recurso voluntário, a Recorrente em nada se preocupou em apresentar provas do crédito alegado, reputandose, portanto, legítimo e correto a glosa destes valores no procedimento fiscal. 20 Inconstitucionalidade das leis, ilegalidade das IN, conceito de insumo Em síntese, a Recorrente argumenta que as instruções normativas citadas e a própria fiscalização no presente auto de infração, ao empregarem o conceito extremamente restritivo e equivocado de insumo, inovaram na ordem jurídica criando deveres e obrigações ao contribuinte em detrimento da Lei. "Ora, diante de tal fato, é indubitável a existência de violação à legalidade por tais atos. Não resta dúvida, por conseguinte, de que a Receita Federal tem se utilizado de artifício ilegal para restringir o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS, no regime nãocumulativa correndo clara violação à legislação vigente, além de exigir tributo indevidamente". Tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 21 Dos Juros e da Multa 21.1 Dos Juros (taxa Selic): A Recorrente, não se sabe ao certo por que, informa em seu recurso que "Os juros são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do CTN, sendo de total improcedência o lançamento realizado". A insurgência contra a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora não merece maiores considerações. É que o tratamento de tal matéria já tem entendimento pacificado no âmbito do CARF e do Segundo Conselho de Contribuintes, plasmado na Súmula nº 4, (DOU de 22/12/2009), que assevera ser cabível a cobrança de juros de mora sobre débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 70 do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. 21.2 Dos Juros sobre a Multa: Informa que é preciso ressaltar a impossibilidade, uma vez que não há previsão legal para o cômputo de juros sobre a multa de ofício, conforme o disposto no art. 61, da Lei n. 9.430/96. Nada se há de dizer em relação à insurgência recursal contra multa de lançamento de ofício ou mesmo sobre a incidência de juros sobre ela, simplesmente porque não se cogita da aplicação de multa de lançamento de ofício no presente processo. Quanto à objeção contra a exigência de multa de mora (sobre os débitos não compensados, pelo que se pode presumir, já que a recorrente não esclarece sobre que hipóteses trata), sob o argumento de que esta ao abrigo da qualidade de sucessora (Perdigão Agroindustrial S.A. foi sucedida pela Perdigão S.A., atual BRF Brasil Foods S.A., em 09/03/2009), subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto): os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários definitivamente constituídos na data da sucessão e pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data, mas também pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores surgidos até a referida data. 22 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado e com base nos documentos acostados aos autos, reconhecer o direito ao crédito em relação ao seguintes bens e serviços: (i) para os seguintes produtos adquiridos, conforme o "item 8.2.f : saco plástico, bolsa térmica cong. PVC perdigão, fio de algodão, de poliéster, nylon, caixa de proteção, e fita sanitária", por configurarem despesas com embalagens ou de armazenagem de produtos fabricados; (ii) para os seguintes produtos adquiridos conforme contido no "item 8.2. h: peças e itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas"; (iii) para os itens relacionados da Planilha "NF Glosadas Operação sem direito a crédito (CFOP)" às fls. 1.216/1219, exceto, para o seguintes bens da relação: Cliche impressão de embalagens, Oleo Verkol, Copolimero (Polietileno), adoçante zero cal, lenha nativa seca, botijão de gás, Granpean Bread Crumb, Crumb Bland Karitto, Resíduo madeira pó de serra, soro de leite permeato, dos bens da NF nº 91607 (placa eletrônica CPU Formax, bucha e porca), malha algodão e camisa vemag, constante do "item 8.2. i". (iv) dos serviços com limpeza das instalações, inspeção sanitária e análise de água, conforme disposto no "item 9.1", e (v) reconheçase à recorrente, o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8º, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3°, da Lei nº 10.833, de 2002, "item 16". Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.118 71 Mantenhase a decisão recorrida em TODOS os demais termos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 72 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula 1. "BIG BAGS" E DISPÊNDIOS COM OS FRETES Na sessão de julgamento ousei divergir do Ilustre Relator relativamente ao creditamento relativo às aquisições das embalagens "Big Bags" e aos dispêndios com os fretes, no que fui seguida pela maioria dos Conselheiros da Turma. Entendo que pode ser considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nessa mesma linha já foi decidido por esta 3ª Seção do CARF, no Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, com Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: "(...) Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente (...)". Este Colegiado, no Acórdão nº 3402002.809 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 10 de dezembro de 2015, também se manifestou nesse sentido: "(...) Assim, conforme exposto neste item, relativamente à rubrica Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas, foi indevida a exclusão da base de cálculo efetuada pela fiscalização somente dos seguintes bens: (...) BIG BAGS, (...)". No que concerne aos fretes de transferências de produtos acabados entre filiais, denominado "SERVIÇO FRETE E CARRETO", alega a recorrente que o seu processo produtivo não termina no frigorífico, mas quando o produto industrializado acabado é entregue ao destinatário final em condições de aptidão ao consumo humano, segundo critérios estabelecidos pelos órgãos competentes, razão pela qual “tais fretes participam do próprio processo de industrialização e obtenção de receita” (Portaria da ANVISA SVS/MS nº 326/2007 e Resolução CISA/MA/MS nº 10/1984). Não obstante, como regra geral, eu entenda que o serviço de frete de produto acabado entre estabelecimentos da contribuinte não gere o direito ao correspondente creditamento, no caso dos autos, que trata de um frete especializado para atender às exigências sanitárias, essenciais para que o produto final chegue ao comprador sem perder suas qualidades intrínsecas, considero que tais dispêndios tratase de despesas operacionais, cabendo o correspondente creditamento. Nesse sentido já foi decidido por este CARF no precedente abaixo acerca do frete especializado para a carga de alta periculosidade: Acórdão nº 3803003.749 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2012 Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.119 73 Relator: JORGE VICTOR RODRIGUES (...) Considerando a contextualização do conceito de insumo, bem como que o serviço de frete comporta atividades de coleta, transferência e entrega da mercadoria transportada, além de vários aspectos que devem ser contemplados, como custo com gerenciamento de riscos, percurso, tipo de carga, dentre outros aspectos; Considerando que a carga transportada pela contribuinte é de alta periculosidade e que a contribuinte se sujeita à legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos, ao ponto de ser tratado como caso especial, que envolve o cumprimento de exigências nela estabelecidas, que impõe acompanhamento técnico especializado, o transporte preferencialmente em veículos próprios e que prevê a necessidade de acompanhamento de escolta, mediante prévia obtenção de Autorização Especial de Trânsito – AET, nos termos da Resolução DNIT nº 11/04; Considerando que o dispêndio realizado para o transporte, mesmo que ocorrendo após o processo produtivo, é necessário à consecução do desiderato e suportado pela própria fabricante, a nosso sentir, deve integrar o conceito de insumo, compreendido dentre as despesas operacionais da contribuinte, classificadas ou não como parte integrante das despesas com frete. (...) Assim, conforme acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas quanto às embalagens "Big Bags" e pagamento de fretes. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada. 2. ALUGUEIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS Imóveis Rurais Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto A autoridade fiscal glosou os valores dos aluguéis pagos a pessoas jurídicas referentes a imóveis rurais, por entender que não se enquadram no conceito de prédios, na linha do prescrito no art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A Recorrente defende a legitimidade do crédito quanto aos pagamentos de imóveis rurais, na medida em que a o art. 3º, inciso IV, das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002 não distingue entre prédios urbanos e rurais. Aduz que se inexiste distinção na lei, não cabe ao intérprete distinguir. Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 74 A legislação traz, em seu art. 3º, inc. IV, o direito aos créditos relativos aos "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Restando incontroverso que os aluguéis foram pagos a pessoas jurídica e que foram utilizados na atividade da empresa, resta discutir o alcance da expressão "prédios". Buscando uma definição no dicionário Caldas Aulete, verificase os seguintes sentidos: "1. Propriedade imóvel. 2. Edificação com vários pavimentos ou andares, destinada a habitação ou a atividades comerciais ou industriais; 3. Qualquer edificação". Por sua vez, o dicionário Michaelis traz como significados: "1 Construção que contém uma série de apartamentos individuais. 2 Propriedade imóvel, rural ou urbana. 3 Construção feita de material apropriado ao fim a que se destina e segundo as regras arquitetônicas.". De pronto, podese constatar com entre os sentidos possíveis da expressão prédio está a noção de propriedade imóvel, seja ela rural ou urbana. Resta verificar se tal sentido é aceito também na legislação pátria. Para isso remetese imediatamente às definições do art.4º, I, da Lei 4.504/64 (Estatuto da Terra), no qual se define "Imóvel Rural", o "prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada". Disso não discrepa o Código Civil, que em diversas oportunidades utiliza o termo prédio no sentido de imóvel. Senão vejamos: Art. 206. Prescreve: § 3o Em três anos: I a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos; Art. 609. A alienação do prédio agrícola, onde a prestação dos serviços se opera, não importa a rescisão do contrato, salvo ao prestador opção entre continuálo com o adquirente da propriedade ou com o primitivo contratante. Art. 964. Têm privilégio especial: VI sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico, nos prédios rústicos ou urbanos, o credor de aluguéis, quanto às prestações do ano corrente e do anterior; Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividirseá entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 16349.000273/200908 Acórdão n.º 3402003.150 S3C4T2 Fl. 4.120 75 Parágrafo único. Recusandose ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendose que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha. Art. 1.282. A árvore, cujo tronco estiver na linha divisória, presumese pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes. Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a estrema do prédio, poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido. Art. 1.285. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indenização cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário. Ao tratar da expressão prédio, especialmente no âmbito do livro do Direito das Coisas, o legislador utiliza a expressão inequivocamente no sentido de imóvel, e não de edificação caso contrário, teriase que imaginar, por exemplo, o absurdo de uma árvore nascendo na linha divisória de duas edificações, situação de todo pitoresca. Não só isso, distingue o legislador entre prédios urbanos e rústicos, rurais e agrícolas distinção esta que não é feita pelo legislador tributário ao enunciar como causa do crédito no regime de PIS e Cofins não cumulativos os "aluguéis de prédios". Tal constatação atraia a aplicação do art.109 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Ao utilizar a expressão prédio termo secular no Direito Privado, o legislador tributário se vinculou a definição, conteúdo e alcance do mesmo naquele âmbito, sobrandolhe apenas definir os efeitos tributários, quais seja, a geração de créditos pela comprovação de despesas com aluguéis. Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 76 Diante disso, não restam dúvidas de que, se pagos a pessoa jurídica e utilizados na atividade da empresa, o aluguel de imóvel rural, rústico ou não, dá direito ao crédito previsto no art.3º, IV das leis 10.637 e 10.833. Em vista disso, dou provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de crédito referentes ao aluguel de imóveis rurais. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator designado Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/08/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 01/08/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16327.720549/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, a advogada Mariana Dias Arello, OAB/RJ nº 255.643.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Recorrente ITAU UNIBANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, a advogada Mariana Dias Arello, OAB/RJ nº 255.643. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foram lavrados Autos de Infração abaixo relacionados, em 18/06/2014, referentes às competências 06/2009 a 11/2010, assim discriminados: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 54 9/ 20 14 -8 5 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 384 2 a) AIOP DEBCAD Nº 51.039.8405, valor original de R$ 10.760.025,91: referese às contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); b) AIOP DEBCAD Nº 51.039.8430, valor original de R$ 1.291.203,10: referese às contribuições a Outras Entidades e Fundos (Terceiros). Para delinear a construção do lançamento, mencionamos e transcrevemos a seguir partes do Termo de Verificação Fiscal, que consta das folhas 189 e seguintes: 1. No curso da auditoria realizada foi constatado que o contribuinte não considerou o salário maternidade pago às seguradas empregadas na base de cálculo das contribuições previdenciárias e assim não informou em Guias do FGTS e GFIP e não recolheu as respectivas contribuições, abrangidas no período de 06/2009 a 11/2010. 2. Verificouse que o fato ocorreu em função do contribuinte discutir em juízo o assunto, com o objetivo de obter declaração da inexistência de relação jurídicotributária que o obrigue a recolher contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de salário maternidade. 3. Regularmente intimado, apresentou todas as peças do processo judicial e extratos de depósitos judiciais, sucessivos e mensais. 4. Entende o Auditor Fiscal, à luz da legislação aplicável, que "claro está que se trata de verba remuneratória" e, portanto, integrante da base de cálculo da contribuição previdenciária. 5. Não foi aplicada multa de ofício em função de se tratar de lançamento de crédito tributário para prevenir decadência, considerando a corrente ação judicial supracitada. Também assentou que a exigibilidade do crédito ficava suspensa pelo depósito do montante integral do valor em discussão. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação à primeira instância (fl. 201). Em resumo, disse que haveria nulidade do lançamento em razão de erro na apuração da base de cálculo, por terem sido incluídos valores indevidos, relativos à prorrogação da licença maternidade, e por conter equívoco na apuração relativa ao 13º salário de 2009. No mérito defende a não incidência da contribuição em questão sobre o salário maternidade, citando jurisprudência dos Tribunais Superiores. A impugnação foi analisada pela 10ª Turma da DRJ/RJ1, que, em resumo, assim dispôs (fl. 304 e ss.): 1 A renúncia ao contencioso só ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto “idêntico pedido” sobre o qual versa o processo administrativo. Se na impugnação também for deduzida matéria distinta da discutida em juízo, como no caso do presente AI (erro na apuração da base de cálculo), o sujeito passivo terá direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada. 2 Como a lide administrativa, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre Salário Maternidade, bem como a contribuição ao INCRA, estão sendo Fl. 384DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 385 3 tratadas na esfera judicial (fls. 28) e não cabendo decidir de modo diverso ao proferido pelo Poder Judiciário, não pode o julgador administrativo conhecer da impugnação, relativamente a esse aspecto, ficando qualquer apreciação administrativa prejudicada pela prevalência do julgamento judicial a esse respeito. 3 Tendo em vista que não houve a informação em GFIP, referente à prorrogação da licença maternidade, cai por terra o argumento de que os valores correspondentes a esse afastamento estariam declarados e pagos. Por outro lado, no tocante à base de cálculo autuada, constam no presente processo às fls. 140/163, cópias das folhas de pagamento de todo o período lançado, tendo sido considerada como base de cálculo a totalidade da rubrica “Salário Maternidade” discriminada nas folhas de pagamento, pelo que entendo que a empresa não logrou demonstrar erro na base apurada. 4 No tocante à alegação de que a Fiscalização teria repetido a base de cálculo da competência 12/2009 na apuração da base de cálculo da competência 13/2009, verifica se da simples análise do Discriminativo de Débito (fls. 175/176 e 184/185) que tal afirmação não condiz com a realidade, eis que enquanto a base de cálculo lançada na competência 12/2009 foi de R$ 1.721.643,88, na competência 13/2009, foi de R$ 1.588.313,05. Deuse então o julgamento de 1ª instância para considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Anotou a Unidade preparadora, em despacho na folha 314, que "O Contribuinte tomou conhecimento do ... (Acórdão de Impugnação), na data 07/11/2014, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento..." , A seguir vem, na folha 315 , que "foi dada ciência, ao Contribuinte ... do Acórdão de Impugnação, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 06/11/2014 Data da ciência por decurso de prazo: 21/11/2014". Cientificado, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08 de dezembro de 2014, conforme protocolo na folha 317. Em sede de recurso, assim apresenta suas razões, em síntese: 1 Nulidade das bases de cálculo, que foram fixadas por meio das folhas de pagamento. Com esse procedimento, findouse por incluir montantes que não se relacionam ao salário maternidade discutido judicialmente, dentre eles os relativos à prorrogação do benefício. Afirma que esses valores foram pagos mensalmente, conforme guias GPS (anexas). A contribuinte diz que aderiu ao Programa "Empresa Cidadã" em 01/02/2010 e, a partir de então, passou a pagar a suas funcionárias a denominada "prorrogação de salário maternidade". Quanto ao equívoco relativo à competência do 13º salário de 2009, cumpre esclarecer que o Recorrente se utilizou da mesma base de cálculo de 12/2009, tendo realizado um depósito em valor maior que o devido. 2 Não incidência da contribuição ao INCRA sobre o salário maternidade. Anexa documentos. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 386 4 PEDE o integral provimento de seu recurso com o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. ADMISSIBILIDADE Proferido o Acórdão de 1ª instância, a Delegacia da Receita Federal competente expediu a Intimação nº 669, fl. 310, a fim de cientificar o contribuinte, intimandoo para pagamento, com a faculdade de interposição de recurso voluntário ao CARF. Assinalase o prazo de 30 dias. Verificase, portanto, o previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Na folha 314, consta o Termo de Abertura de Documento, com o seguinte teor: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 16327.720549/201485 INTERESSADO: ITAU UNIBANCO S.A. TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 07/11/2014 18:12h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Intimação de Resultado de Julgamento Acórdão de Impugnação Contribuinte: 60.701.190/000104 ITAU UNIBANCO S.A. (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 07/11/2014 Na folha seguinte (fl. 315), contudo, consta outro termo, denominado Termo de Ciência por Decurso de Prazo, com o seguinte teor: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização Fl. 386DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 387 5 destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 06/11/2014 Data da ciência por decurso de prazo: 21/11/2014 Intimação de Resultado de Julgamento Acórdão de Impugnação DATA DE EMISSÃO : 22/11/2014 Vale então destacar que a possibilidade de intimação por meio eletrônico está prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, desde a edição da Lei nº 11.196, de 2005, que deu a seguinte redação ao inciso III,do artigo 23: Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) A Lei nº 11.196, de 2005, previa que no caso de utilização de meio eletrônico, a ciência darseia após 15 dias contados da data registrada no meio utilizado pelo sujeito passivo. Essa disposição veio a ser alterada, com escopo regulamentador, pela Lei nº 12.844, de 2013, que estabeleceu: III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei) Tal disposição produziu efeitos a partir da publicação da lei, em 19 de julho de 2013. Portanto, considerarseá o sujeito passivo intimado, no caso, na data da abertura do arquivo eletrônico, ou seja, 07/11/2014 (sextafeira). O recurso interposto em 08 de dezembro de 2014, com protocolo na folha 317, portanto, é tempestivo e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Registro isso em face do despacho de folha 381, que considerou o contribuinte cientificado somente em 21/11/2014, por "decurso de prazo". NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 388 6 A Recorrente, primeiramente, diz que a autuação seria nula, por conter vício material na base de cálculo eleita. Esse vício residiria no fato de terem sido incluídos, na apuração feita pelo Auditor Fiscal, valores retirados da folha de pagamentos relativos a prorrogação de salário maternidade, benefício que a empresa pagava a suas funcionárias, após ter aderido ao programa denominado "Empresa Cidadã", instituído pela Lei nº 11.770, de 2008, segundo afirma em 01/02/2010. Além disso, na impugnação, havia dito que a fiscalização também errara na base de cálculo porque considerara para o 13º de 2009 o mesmo valor da competência 12/2009. Entretanto, entendo que isso não é causa de nulidade da autuação e sim discussão de mérito. Conforme o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) nulos são os atos praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não é o caso! A autuação, lavrada por autoridade competente, permitiu ao contribuinte ter plena ciência da matéria fática e legal e exercer, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. Se o contribuinte demonstra que parte dos valores autuados já foi devidamente extinta pelo pagamento, no devido tempo, em julgamento de mérito se determina a exclusão de tais valores, dandose, se for o caso, provimento parcial ao recurso. Rejeito essa preliminar, portanto. MÉRITO Primeiro é importante delimitar a lide, em virtude de ter sido esse lançamento feito com o escopo de constituir o crédito para evitar a decadência do direito do Fisco, considerando que o contribuinte recorreu ao Poder Judiciário (processo 0021773 47.2002.4.03.6100 encontrase aguardando julgamento do recurso de apelação, fl. 128) para ter reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária no que tange à exigência de contribuições previdenciárias sobre o valor do salário maternidade paga a suas funcionárias. Conforme folha 50, o pedido feito ao Juiz é para que seja: "declarada a inexistência de relação jurídica que obrigue o autor a recolher contribuições previdenciárias e o salário educação sobre os valores pagos a título de "salário maternidade", pelo INSS, em face das inconstitucionalidades e ilegalidades apontadas..." Assim, nesse ponto, é de ser aplicada a Súmula CARF nº 1, reconhecendose a concomitância de objeto com a ação judicial, e não cabe, em sede administrativa, dizer se o contribuinte deve ou não pagar contribuições previdenciárias sobre os valores do salário maternidade. Entretanto, cabe verificar se a base de cálculo do lançamento aqui em comento está apurada corretamente ou não. Porque, caso o Poder Judiciário entenda a favor do Fisco, os créditos tributários devem estar regularmente constituídos. Após o Julgamento da impugnação, que dispôs que: a) a empresa não demonstrou a partir de quando teria aderido ao programa "Empresa Cidadã"; b) analisando as GFIP não constou nenhuma informação de empregada que tenha usufruído de prorrogação de licença maternidade; c) a base de cálculo empregada pelo Auditor Fiscal para 12/2009 é diferente da empregada para 13/2009; o Recorrente traz novas alegações e documentos. Para considerar esses novos documentos, em sede recursal, aplico o disposto na alínea c), do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e o princípio da verdade material. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 389 7 Ele alega no recurso que os valores relativos à prorrogação do salário maternidade, por não comporem a ação judicial já citada, foram pagos mensalmente, anexando GPS; que aderiu ao programa "Empresa Cidadã" no dia 01/02/2010, nos termos da IN RFB nº 991/2010; a partir da adesão passou a pagar o benefício a todas as funcionárias que participaram do programa; junta aos autos as folhas de pagamento das competências 02/2010 a 11/2010; as GFIP de 2009 e 2010 não contém a informação relativa aos pagamentos de prorrogação do salário maternidade pois o Ato Declaratório Executivo da CODAC nº 58/2010 que regulamentou o preenchimento, foi publicado somente em 18/08/2010. Em relação ao outro ponto, que trata de suposto equívoco no levantamento da base de cálculo da competência 13/2009, disse que (fl. 321): Por fim, quanto ao equívoco relativo á competência do 13º salário de 2009, cumpre esclarecer que o Recorrente, por um equívoco, se utilizou da mesma base de cálculo de 12/2009, o que determinou a realização de um depósito naquele mês na ação judicial em um valor maior que o devido. Alegava em impugnação que havia um erro da Autoridade Fiscal e, no recurso, pareceme que assume que o erro foi seu, ao repetir o valor, no depósito judicial. Mas fico com dúvidas em relação ao valor correto, porque a DRJ havia dito que "enquanto a base de cálculo lançada na competência 12/2009 foi de R$ 1.721.643,88, na competência 13/2009, foi de R$ 1.588.313,05", portanto não se verifica repetição de valores. Dessa feita, VOTO pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Fiscal competente analise as alegações e documentos do Recorrente, no sentido de verificar: a) a regular adesão ao programa "empresa cidadã", instituído pela Lei nº 11.770, de 2008, que criou o programa destinado à prorrogação da licença maternidade mediante concessão de incentivo fiscal; b) se os valores de prorrogação do salário maternidade constam das folhas de pagamento com indicação de que foram pagos às funcionárias que fizeram a opção; c) se sobre tais pagamentos foram devidamente recolhidas as contribuições previdenciárias incidentes; d) se tais valores, de fato, não foram segregados na apuração da base de cálculo que aqui se discute e foram incluídos na autuação, relativos às competências de 02/2010 a 12/2010. e) qual a correta base de cálculo para o salário maternidade na competência 13/2009 e se houve alguma duplicidade, confirmando/revendo o valor lançado, em face das alegações do recorrente, aqui tratadas. Enfim, elabore relatório circunstanciado das verificações acima e, se for o caso, reveja a base de cálculo das contribuições lançadas, demonstrando o novo valor encontrado. Dê ciência ao interessado do resultado da diligência para, querendo, manifestar se no prazo legal. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.720549/201485 Resolução nº 2202000.693 S2C2T2 Fl. 390 8 Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 390DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721901/2014-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONTROVERSA.
Não se conhece do recurso voluntário quando o contribuinte concorda com o valor exigido, o qual já se encontra extinto pelo pagamento.
Numero da decisão: 2301-004.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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MATÉRIA NÃO CONTROVERSA. Não se conhece do recurso voluntário quando o contribuinte concorda com o valor exigido, o qual já se encontra extinto pelo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Fábio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1666740, exarado pela 19ª Turma da DRJ em São Paulo (fls. 24 a 29 – numeração dos autos eletrônicos). A notificação de lançamento (fls. 03 a 07) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGLB e Fapi, recebidos da Caixa Beneficiente dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 19 01 /2 01 4- 42 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Empregados da Companhia Siderúrgica Nacional, sendo recebidos R$941.012,11, declarados R$890.044,42 e omitidos R$50.967,58. São citados como enquadramento legal os arts. 1º a 3º e §§ da Lei 7.713, de 1988; arts. 1º a 3º da Lei 8.134, de 1990; art. 7º da Medida Provisória 2159, de 2001; e arts. 43, XIV e XV do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99). Consta do relatório do acórdão recorrido: Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte impugnação tempestiva às fls. 02, anexando documentos às fls. 08/19, alegando em síntese que: · não houve omissão de rendimentos, pois foi recebido dessa fonte pagadora apenas o valor declarado; · o imposto foi pago em 28/04/2010 no valor de R$ 96.995,23 (DARF anexo); · o valor informado na declaração retificadora foi fornecido indevidamente pela fonte pagadora dos rendimentos, que já revisou e confirmou o valor correto à Receita Federal em resposta ao termo de intimação fiscal; A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo a multa de ofício, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA PGBL/FAPI. Nos termos do artigo 33 da Lei n.º 9.250/95, constituemse em base de incidência de imposto de renda da pessoa física rendimentos auferidos provenientes de resgate de contribuições de previdência privada. Constatado por intermédio de DIRF omissão de rendimentos, é legítima a constituição do crédito tributário respectivo. A ciência dessa decisão ocorreu em 27/03/2015 (aviso de recebimento EBCT, fl. 31). Em 06/04/2015, foi apresentado recurso voluntário, referindo que foi induzido a erro, pelo que retificou a sua declaração de rendimentos, declarando um valor menor do que o devido e solicitando a restituição do parte do imposto já pago (R$14.016,12), e solicita retomar a base de cálculo da declaração de rendimentos original, de forma que o valor que lhe está sendo exigido, R$14.016,12, já se encontra extinto pelo pagamento, ao mesmo tempo em que refere não lhe ser devida qualquer quantia no processo em que havia solicitado restituição dos mesmos R$14.5016,12. Foi pedido o cancelamento do débito fiscal. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 96). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10073.721901/201442 Acórdão n.º 2301004.648 S2C3T1 Fl. 63 3 É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo. Porém, não há qualquer contestação por parte do contribuinte do valor que lhe está sendo exigido; tanto é assim que tal valor já se encontra pago, e o próprio recorrente afirma que não há nada a receber no processo em que pediu restituição destes mesmo valores. O erro que teria acontecido consiste em que o contribuinte, após apresentar a declaração de ajuste anual (DAA) e pagar o saldo do imposto, recebeu da fonte pagadora a informação de que teria recebido um valor menor (do que efetivamente percebido), em vista do que retificou sua DAA, declarandose devedor desse valor menor a título de saldo e imposto devido. Em novo contato com a fonte pagadora, foilhe informado que o valor correto era o primeiro, já declarado e, cujo saldo devedor já se encontra pago. Assim, o imposto que lhe é exigido no presente processo está correto, mas já se encontra extinto pelo pagamento. Ou seja, não há contestação de qualquer da exigência, motivo pelo qual voto por não conhecer do recurso voluntário, apenas reiterando que o imposto exigido no presente processo já se encontra extinto pelo pagamento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000810/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Verificada obscuridade no julgado, o vício deve ser saneado por meio do acolhimento parcial dos embargos de declaração.
CIDE. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO.
O fato de o contribuinte ter apurado, pago e declarado o IRRF sobre as remessas ao exterior com alíquota de 25%, não autoriza o fisco, em procedimento de ofício, a reajustar o valor da base de cálculo da CIDE com o valor apurado pelo contribuinte, sob pena de restarem violados o art. 3º da MP nº 2.159-70/2001 e o art. 2ª-A da Lei nº 10.168/200, que estabelecem que a alíquota do IRRF deve ser de 15%, nos casos em que a remessa também estiver sujeita à CIDE.
Numero da decisão: 3402-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado. Sustentou pelo contribuinte o Dr. Luiz Carlos Fróes Del Fiorentino, OAB/SP nº 177.451.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Verificada obscuridade no julgado, o vício deve ser saneado por meio do acolhimento parcial dos embargos de declaração. CIDE. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. O fato de o contribuinte ter apurado, pago e declarado o IRRF sobre as remessas ao exterior com alíquota de 25%, não autoriza o fisco, em procedimento de ofício, a reajustar o valor da base de cálculo da CIDE com o valor apurado pelo contribuinte, sob pena de restarem violados o art. 3º da MP nº 2.159-70/2001 e o art. 2ª-A da Lei nº 10.168/200, que estabelecem que a alíquota do IRRF deve ser de 15%, nos casos em que a remessa também estiver sujeita à CIDE.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado. Sustentou pelo contribuinte o Dr. Luiz Carlos Fróes Del Fiorentino, OAB/SP nº 177.451. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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OBSCURIDADE. Verificada obscuridade no julgado, o vício deve ser saneado por meio do acolhimento parcial dos embargos de declaração. CIDE. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. O fato de o contribuinte ter apurado, pago e declarado o IRRF sobre as remessas ao exterior com alíquota de 25%, não autoriza o fisco, em procedimento de ofício, a reajustar o valor da base de cálculo da CIDE com o valor apurado pelo contribuinte, sob pena de restarem violados o art. 3º da MP nº 2.15970/2001 e o art. 2ªA da Lei nº 10.168/200, que estabelecem que a alíquota do IRRF deve ser de 15%, nos casos em que a remessa também estiver sujeita à CIDE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado. Sustentou pelo contribuinte o Dr. Luiz Carlos Fróes Del Fiorentino, OAB/SP nº 177.451. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 08 10 /2 00 4- 25 Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao Acórdão nº 3402002.929, sob alegação de que o julgado estaria triplamente viciado por omissões, contradições e obscuridades. Segundo o ilustre Procurador: "(...) Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.990 S3C4T2 Fl. 5 3 Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 (...)" Após declinar uma série de exemplos com cálculos matemáticos simulando cálculos com alíquotas de IRRF a 25%, 15% e um caso de isenção, prossegue o ilustre Procurador: "(...) Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.990 S3C4T2 Fl. 6 5 (...)" É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. De início, cumprimento o ilustre Procurador Fazendário pela didática empregada nos exemplos matemáticos contidos nos embargos de declaração e faço duas ressalvas às premissas dos embargos de declaração. A primeira ressalva é que em momento algum o acórdão embargado considerou ou entendeu pela "(...) a necessidade de incidência da CIDE sobre o total da remuneração, nos termos da jurisprudência do CARF (...)". Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O que o Acórdão considerou foi que a questão da legalidade do reajustamento da base de cálculo da CIDE, por meio da adição do IRRF incidente sobre a mesma remessa, nos casos em que o remetente assume o ônus financeiro pelo IRRF, não seria tratada neste processo em virtude da concordância expressa do contribuinte acerca desse reajustamento ser feito com alíquota de 15%. A segunda ressalva é que a invocação da "jurisprudência do CARF" por parte do ilustre Procurador dando a entender que ela seria uníssona ou pacífica no sentido da legalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE TECNOLOGIA, não guarda pertinência com a realidade, uma vez que os inúmeros acórdãos citados na decisão embargada revelam que no CARF reina a divergência de entendimento. Da mesma forma, na Receita Federal, durante um bom tempo, a divergência reinou entre as Divisões de Tributação das Superintendências Regionais, pois no diário oficial é possível encontrar dezenas de soluções de consulta que ora consideram legal e ora consideram ilegal o reajustamento da base de cálculo da CIDE. Sustentando que a base de cálculo da CIDE TECNOLOGIA deve ser reajustada pela adição do IRRF encontramos a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT nº 44, de 06 de março de 20061; Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 16, de 04 de agosto de 2006; e Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 499, de 19 de outubro de 2007. Em sentido contrário, ou seja, entendendo que a base de cálculo da CIDE TECNOLOGIA não pode ser reajustada mediante a inclusão do IRRF, encontramos as seguintes Soluções de Consulta proferidas pela DISIT da 6ª Região Fiscal: nº 99, de 31 de maio de 2001; nº 102, de 06 de junho de 2001 e nº 103, de 06 de junho de 20012. No âmbito da Receita Federal a Divergência foi solucionada por meio da Solução de Divergência COSIT nº 17, de 29 de junho de 2011. Mas no âmbito do CARF a discussão permanece viva, pois se para que o fisco pudesse reajustar a base de cálculo do IRRF, por meio da adição do próprio IRRF, foi necessária a edição de lei específica (art. 5º da Lei nº 4.154/62); como se pode cogitar do reajustamento da base de cálculo da CIDE, por meio da adição de tributo de espécie diversa, sem que exista previsão legal expressa nesse sentido? Basicamente é essa a discussão existente nos julgados do CARF citados no acórdão embargado. E tal discussão está longe de terminar. Mas como já foi dito antes, tal discussão não faz parte deste processo porque um dos pedidos do contribuinte na impugnação foi no sentido de que a base de cálculo fosse reajustada com 15% e não com 25%. 1 CIDE. REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas. Quando a empresa brasileira assume o ônus do imposto de renda incidente na operação, está fazendo um pagamento adicional ao seu fornecedor do exterior. Nesse caso, o valor que servirá de base de cálculo da CIDE deve ser reajustado. 2 SERVIÇOS TÉCNICOS. A partir de primeiro de janeiro de 2001, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por pessoa jurídica sediada no País a residentes ou domiciliados no exterior, em pagamento de serviços prestados, com ou sem transferência de tecnologia, estão sujeitos ao pagamento da CIDE, à alíquota de 10% (dez por cento). Mencionada contribuição é encargo da pessoa jurídica remetente e incide sobre a base de cálculo sem reajustamento. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.990 S3C4T2 Fl. 7 7 Na sequência, alegou o ilustre Procurador da Fazenda que a defesa teria iludido este colegiado por meio de uma manobra matemática, misturando sistemáticas de incidência de tributo "por fora" e "por dentro". Com a devido respeito ao ilustre Procurador, a questão do cálculo "por dentro" ou "por fora" é totalmente impertinente ao caso concreto, pois a discussão aqui é se o fisco pode se valer de um valor que foi apurado pelo contribuinte, que a princípio foi certo sob determinada circunstância jurídica, mas que posteriormente se tornou errado porque a circunstância jurídica mudou. O contribuinte entendia que certas remessas não estavam sujeitas à CIDE e sobre elas calculou o IRRF com alíquota de 25%. Posteriormente, o fisco disse a ele que aquelas remessas estavam sujeitas à CIDE e que lançaria essa contribuição de ofício, só que em vez de reajustar a base de cálculo da CIDE com 15%, adotou o valor de IRRF de 25%, que havia sido calculado pelo contribuinte. Sob essa nova circunstância jurídica (de as remessas estarem sujeitas à CIDE), o cálculo do IRRF efetuado pelo contribuinte com alíquota de 25% tornouse "errado". O contribuinte não se valeu de nenhum expediente matemático. Ele simplesmente alegou que se a remessa estiver sujeita à incidência da CIDE e do IRRF, a alíquota do IRRF deve ser de 15% e a da CIDE deve ser de 10%. Se o contribuinte achou que a remessa não se sujeitava à CIDE e calculou o IRRF com 25%, isso não autoriza o fisco a adicionar o valor do IRRF calculado com alíquota de 25% à remuneração e sobre essa base reajustada cobrar a CIDE de 10%. Foi essa a reclamação do contribuinte. Embora o ilustre Procurador Fazendário tenha indicado que o julgado embargado encontrase triplamente viciado, só vislumbrei o vício da obscuridade na parte em que constou o seguinte: "(...) (...)" E a razão dessa obscuridade foi que este relator não quis acreditar no que estava lendo no relatório de diligência. Explico melhor: este relator não quis acreditar que o AuditorFiscal, agente público integrante de carreira típica de Estado, aproveitouse de uma apuração errônea do fiscalizado no âmbito do IRRF, para lançar de ofício a CIDE tomando base de cálculo em desconformidade com os parâmetros legais. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 O art. 142 do CTN estabelece que cabe ao AuditorFiscal constatar a ocorrência do fato gerador; determinar a matéria tributável; calcular o montante do tributo devido; identificar o sujeito passivo e propor a aplicação de penalidade, se for o caso. Ao reajustar a base de cálculo da CIDE com o valor do IRRF que havia sido apurado com alíquota de 25% pelo contribuinte, estando a remessa sujeita a apenas 15% de IRRF, o Exator descumpriu o art. 3º da Medida Provisória 2.15970/2001 e o art. 2A da lei nº 10.168/2000. Cabe lembrar que o fisco estava executando um procedimento de ofício, no qual é ele quem estabelece a base de cálculo e o contribuinte é mero objeto de investigação por parte da Administração. O contribuinte aplicou o IRRF de 25% porque entendia que aquela remuneração enviada ao exterior não estava sujeita à CIDE e não porque o valor do contrato era o valor da remuneração acrescido de 25% de IRRF. A fiscalização (e o ilustre Procurador) entendem que a base de cálculo da CIDE deve ser reajustada pela adição do IRRF calculado com a alíquota de 25%, nos casos em que o contribuinte assim apurou o IRRF, porque esse valor integraria a remuneração pactuada com o beneficiário do pagamento no exterior. Eis as palavras do ilustre Procurador: "(...) (...)" Mas em qual folha do processo está escrito que a remuneração pactuada incluía o IRRF apurado com alíquota de 25%? Essa afirmação no sentido de que os 25% pagos a título de IRRF integraria o valor da remuneração não se sustenta em provas, pois os contratos não foram anexados ao processo, o que impede a aferição da avença pactuada entre as partes. Se esse foi o motivo de a fiscalização ter corrigido a base de cálculo da CIDE com o valor do IRRF calculado pelo contribuinte com alíquota de 25%, por qual razão não apresentou a prova do fato jurígeno desse direito? Por que não juntou ao processo os contratos para provar a existência de cláusula no sentido de que o valor da remuneração seria acrescida do valor do IRRF apurado a 25%? O entendimento da fiscalização e do ilustre Procurador é insustentável perante o art. 3º da Medida Provisória 2.15970/2001 e do art. 2A da lei nº 10.168/2000. Não há como presumir que o valor da obrigação contratual era o valor da remuneração acrescido do IRRF calculado a 25%, uma vez que não existe prova desse fato no processo. Com o devido respeito, considero que isso é uma ficção da fiscalização e do ilustre Procurador. Uma coisa é estar escrito no contrato que a remuneração seria "x" acrescida do IRRF à alíquota de 25%. E outra coisa completamente distinta, seria estar consignado que a remuneração seria "x", ficando o valor dos tributos por conta do remetente dos recursos. Não há como se saber o que está escrito nos contratos, pois eles não constam do processo. Sendo assim, fica sanada a obscuridade existente no julgado, pois este relator entendeu, mas não quis acreditar, que a fiscalização fez o que fez. Este relator considera ilegal o fisco ter corrigido a base de cálculo da CIDE com alíquota de 25%, nos casos em que a Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.000810/200425 Acórdão n.º 3402002.990 S3C4T2 Fl. 8 9 mesma remessa estava sujeita à CIDE, ainda que o contribuinte tenha apurado e declarado o valor do IRRF com alíquota de 25%, pois o erro do contribuinte não serve de justificativa para o erro do fisco. Considero que não houve nenhuma omissão no julgado porque na elaboração da decisão o relatório de diligência e os demonstrativos apresentados foram considerados, assim como os demais documentos anexados aos autos. Considero também que não houve contradição, pois a contradição que rende ensejo à interposição de embargos deve ser verificada entre a fundamentação e a conclusão, e isso não ocorreu no acórdão embargado. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeito modificativo, para sanar a obscuridade apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11020.721841/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/03/2004, 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não demonstrados os pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmos serem rejeitados.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/03/2004, 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não demonstrados os pressupostos que ensejam a oposição de embargos, devem os mesmos serem rejeitados. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 18 41 /2 01 2- 84 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 273/277) em face do Acórdão nº 3402002.949, de 15/03/2016, entendendo haver obscuridade/contradições no mesmo. Alegase que à fl. 252, o aresto embargado ao fazer referência à forma de classificação fiscal do produto vendido pela recorrente, o mesmo teria deixado obscura a real forma de classificação fiscal, discorrendo sobre as regras de classificação fiscal, enfrentando o mérito da questão ao asseverar que "o produto fabricado pela recorrente, estrutura metálica, não configura refrigerador ou qualquer outro equipamento para produzir frio, muito menos para receber equipamento para produção de frio". Conclui que a classificação utilizada pela recorrente é a mais específica para os bens que produz e que foram fornecidos à Johnson. Entende que houve obscuridade sobre a interpretação das regras harmonizadas para a correta classificação fiscal. Em outras palavras, quer revolver o mérito objeto do recurso voluntário. Alega, ainda, que o acórdão está "impregnado de contradições". A primeira, a seu juízo, está no fato que em várias passagens a decisão reconhece que o produto fornecido pela Tibre à Johnson é uma estrutura, uma obra, instalações, plataforma e escada de acesso, etc. E conclui que "deverá o acórdão embargado esclarecer no que consiste o alegado bem móvel e qual sua diferença em relação às estruturas metálicas instaladas e fixadas de forma definitiva junto às obras das empresas atendidas pela Johnson". A suposta segunda contradição estaria na dificuldade em verificar a correta classificação fiscal e os fundamentos da convicção sobre a desnecessidade da prova pericial de forma fundamentada. A terceira suposta contradição estaria entre a conclusão do laudo pericial elaborado pela recorrente e o entendimento da fiscalização. Por fim, alega outra omissão ao asseverar que o mesmo, em sua ementa, teria descumprido o § 8º do artigo 63 do RICARF, ao não reproduzir no voto e ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Contudo, espantame como vem sendo usada no CARF de forma promíscua para suspender a exigibilidade do crédito tributário exigível, nos termos do julgado. Eles vêm sendo usados recorrentemente com o fim de que seja novamente julgado o que já foi, como se tratassem de embargos com conteúdo infringente, natureza que lhes falecem. Esse é o teor dos presentes embargos: "rejulgar" o já julgado. Para tal fim, satisfeitos seus requisitos, se presta o Recurso à CSRF. Todas as alegações ventiladas nos embargos, em verdade, querem firmar, enfrentando novamente o mérito, que a classificação fiscal adotada pela recorrente é a correta. Quanto à isso não há qualquer omissão no aresto embargado. Notese que a embargante intimada pela fiscalização para apresentar os projetos aos quais se referiam as parte e peças que Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.721841/201284 Acórdão n.º 3402003.142 S3C4T2 Fl. 294 3 deu saída, negouse a fazêlo, sob o argumento que se tratava de "propriedade de clientes". Se houve alguma omissão no processo foi esta, e de forma deliberada, pois como averbado pela fiscalização em seu relato fiscal, a recorrente descreve a mercadoria nos documentos fiscais "de forma sintética, telegráfica mesmo", o que "dificulta em muito a possibilidade de avaliar a correção das NCM utlizadas". De outro turno, o laudo técnico a que se refere foi apresentado de forma unilateral e o aresto embargado foi expresso ao asseverar que o mesmo seria prescindível ante à convicção de que haveria nos autos elementos suficientes para formar seu juízo (última página do acórdão), consoante o que antes discorreu sobre o mérito da classificação fiscal. Por fim, no que se refere à alegada omissão da ementa e acórdão ao neles não expressar "os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros", referindose ao § 8º do artigo 63 do RICARF, novamente labora em equívoco a embargante. O art. 63, § 8º, do RICARF tem a seguinte redação: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ... § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Extraise da norma regimental que ela tem como causa o julgamento em que o relator for acompanhado por seus pares quanto à conclusão de seu voto, o que significa que não necessariamente por seus fundamentos. Nesta hipótese sim, a ementa e o próprio voto do relator devem expressar os fundamentos pelos quais seus pares estão acompanhando a conclusão do relator do aresto. Contudo, não foi esse o caso dos autos, pois o voto do relator foi vencedor por voto de qualidade, mas aqueles que o acompanharam o fizeram com arrimo nos fundamentos do relator, e não somente quanto à conclusão do voto. Vejase o que foi reproduzido na ata do julgamento de 15/03/2016: Relator(a): JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo: 11020.721841/201284 Recorrente: TIBRE INDUSTRIA METALÚRGICA LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 3402002.949 Informações Adicionais: Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Votação: Por Qualidade Vencido(s) na votação: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO DIEGO DINIZ RIBEIRO THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Resultado: Recurso Voluntário Negado Sem dúvida, também nesse ponto não há falarse em omissão. Em resumo, não identifico qualquer obscuridade, omissão ou contradição no acórdão 3402002. 949, pelo que rejeito os embargos a ele opostos. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 25/07/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11543.002084/2006-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 675 1 674 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.002084/200607 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.692 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de junho de 2016 Assunto COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente KAFFEE EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência vencidos os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que negavam provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Ricardo Corrêa Dalla, OAB/ES nº 4055. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, Charles Mayer De Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 08 4/ 20 06 -0 7 Fl. 5515DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 676 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo a Cofins nãocumulativa referente ao período de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 1044, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1125, de 26/05/2009 (fls. 1031/1043), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 998.272,17 e homologar parcialmente as compensações declaradas. Os ajustes efetuados pela autoridade fiscal na base de cálculo dos créditos do regime nãocumulativo da Cofins resultaram em saldo de contribuição a pagar apurado nos períodos de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006. Foi então lavrado o Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Cofins referente aos períodos de apuração citados, formalizado no processo nº 15578.000632/200952, apensado a este (fls. 148/157), no valor total de R$ 2.037.215,11, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2009. O enquadramento legal do auto de infração encontrase à fl. 157 e a base legal da multa e dos juros, em fl. 153. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório e fundamentou o Auto de Infração, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Equivocouse o sujeito passivo ao não incluir na base de cálculo da Cofins as receitas financeiras (até 01/08/2004) e receitas diversas. Foram realizados ajustes tomando por base os lançamentos a crédito efetuados nos balancetes; • Na apuração dos créditos, constatouse, em alguns meses, divergência entre os valores informados no DACON e nas planilhas apresentadas, em relação às aquisições de café. Foram adotados os dados das planilhas • As compras de café foram pulverizadas em mais de 60 fornecedores PJ e vários PF. Para efeito de análise dos fornecedores, optouse por uma amostragem que representa mais de 80% das aquisições de café de pessoa jurídica no período de 2004 a 2006; • Verificouse irregularidades em 24 dos 27 maiores fornecedores PJ (omissos, inativos, receita declarada nula ou incompatível com as vendas realizadas); • As empresas Riocoffe Imp. Exp. Ltda e Cometa Comércio de Cereais Ltda foram declaradas inaptas pela SRF. Dos fornecedores analisados, 88,89% encontramse em situação irregular; Fl. 5516DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 677 3 • Na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Com base nas planilhas/arquivos magnéticos das compras enviadas pelo sujeito passivo, foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração das Contribuições nãocumulativas" discriminando todos os ajustes procedidos. Os ajustes realizados no Demonstrativo foram consubstanciados a partir dos valores na "Planilha de Glosas efetuadas/compras de café", na qual contém as compras adquiridas de pessoas jurídicas que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos a descontar; • De acordo com as planilhas apresentadas, no que tange as aquisições de pessoas físicas, foram registradas compras de café sob o CFOP 1.102, que se refere a compras de mercadorias a serem comercializadas e que, portanto, não geram crédito presumido; • O sujeito passivo equivocouse ao incluir no cômputo dos créditos a descontar as aquisições de café sob o CFOP 1.501, que se refere a compras com fim especifico de exportação, já que referidas vendas encontramse fora do campo de incidência da contribuição; • Não foi possível homologar as declarações de compensação em sua totalidade, por insuficiência de créditos, de acordo com a Tabela de Compensação elaborada no Parecer; • Além disso, foi apurado saldo de Cofins a pagar nos meses de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006, tendo sido emitido auto de infração para os referidos meses. O saldo de Cofins a pagar nos meses de fevereiro e março de 2004 já se encontram decaídos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 01/07/2009 (fl. 1102) e apresentou, em 30/07/2009, a Manifestação de Inconformidade em fls. 1291/1308 e a Impugnação em fls. 1103/1119, alegando, em síntese que: • O Agente Fiscal deveria proceder ao lançamento das contribuições omitidas e não recolhidas pelo sujeito passivo da obrigação que neste caso é o fornecedor das matérias primas adquiridas; • Querer impor à impugnante, que de boafé comprou e pagou as mercadorias, a obrigação de pagar, pela via da exclusão glosa dos créditos apurados é no mínimo arbitrário e ilegal; • Não há previsão legal que impute ao comprador de mercadorias a verificação da situação cadastral do fornecedor. Conforme se pode observar, pelos espelhos, agora emitidos, as situações cadastrais mencionadas como argumento de glosa deramse em data posterior aos registros de entradas das mercadorias. Para comprovar anexamos os Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral; • A falta de pagamento não é responsabilidade da impugnante, que nenhum vinculo societário tem com aquelas pessoas jurídicas, não podendo ser penalizada por um ato que foge inteiramente ao seu Fl. 5517DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 678 4 controle; • Todas as mercadorias adquiridas pela impugnante têm o propósito de comercialização, passando obrigatoriamente por processo de industrialização, fazendo jus, portanto, aocrédito presumido do PIS e da COFINS, independente do CFOP utilizado; • A mercadoria ou matéria prima adquirida sob o CFOP 1501, apesar de registrada sob este código, foi adquirida para industrialização e posterior comercialização. Não há nenhuma possibilidade da empresa adquirir de pessoa física, mercadoria com fim específico de exportação; • O Parecer é arbitrário, vez que o enquadramento legal descrito não foi descumprido pela impugnante; • A autoridade fiscal, para a lavratura do auto de infração, não provou o descumprimento da legislação de regência da Cofins, mas resolveu de forma arbitrária, efetuar o lançamento e cobrar o tributo, da impugnante, que não tem qualquer responsabilidade pelas obrigações tributárias do fornecedor; • O lançamento tributário promovido não pode subsistir, devendo ser declarado nulo, uma vez que não há fato imponível a ser reconhecido, pelo menos no que diz respeito à Impugnante; • Para comprovar, apresenta cópias das notas fiscais de compras de pessoas jurídicas, cópias dos comprovantes de pagamento, comprovação da operação de industrialização da empresa; • Requer seja o Parecer declarado nulo, juntamente com a pretensão fiscal em comento, com o restabelecimento integral dos créditos tributários legalmente lançados. Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes e que, em razão do grande volume de notas fiscais e comprovantes de pagamentos, que estes permaneçam à disposição da fiscalização em sua sede, sendo anexados, por amostragem, alguns casos. Por fim requer o direito de apresentar outros documentos, necessários ao deslinde da questão, inclusive a diligência fiscal. Em 20/12/2011, a então 5a Turma da DRJ/RJ2 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 185 (fls. 4784/4785) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto ás irregularidades apuradas na apropriação de créditos da não cumulatividade da COFINS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 4788/5166 e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Termo de Enceramento de Diligência em fls. 5167/5277. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Para apurar as irregularidades cometidas no mercado de café foi deflagrada a operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; • Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais; Fl. 5518DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 679 5 • A douta Procuradoria da República no Município de Colatina, por meio do Ofício nº 466/2010 PRM/COL/PAG, de 12 de agosto de 2010, encaminhou à RFB cópia dos documentos oriundos das buscas e apreensões realizadas pela OPERAÇÃO BROCA, bem como cópia da DENÚNCIA oferecida e aceita nos autos do processo principal nº 2008.50.05.0005383 (processos dependentes nº 2009.50.01.0005193 e 2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial nº 541/2008DPF/SR/ES); • Com base na denúncia oferecida, consta nos referidos autos depoimento do Sr.JULIANO SALA PADOVAN, titular e gestor da empresa R. ARAÚJO –CAFECOL MERCANTIL (fornecedora KAFFE neste processo), prestado à Polícia Federal, onde afirma que algumas empresas exportadoras fingem que compram café da R. Araújo , mas sabem que estão comprando diretamente dos produtores rurais; • a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de 36 pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; • 53% das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e expressiva a partir de 2003; • ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas. Cita como exemplo a Acádia, Do Grão, L&L e Colúmbia (fornecedoras da KAFFEE neste processo ou em períodos seguintes); • O resultado das investigações apontou tratarse de um esquema que consiste na utilização de pseudoempresas atacadistas para simular transações de compra e venda de café para empresas comerciais exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade às operações; • a existência das pseudoempresas e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras, conforme detectado no curso das diligências e fiscalizações; • os depoimentos dos produtores rurais, das mais diversas localidades do ES, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” TOTALMENTE DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café. Transcreve trechos de depoimentos; • em depoimentos prestados durante a operação Tempo de Colheita, os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café. Transcreve trechos de depoimentos; • a fiscalização resume os fatos apurados e depoimentos colhidos junto a diversas empresas fornecedoras da KAFFEE (Riocoffe, Montreal, Monte Verde, Acádia, R. Araújo, Do Norte Café, Agar, Agrosanto, Celba, Porto Velho, Danúbio, Arace Mercantil, Coffer Company e Fl. 5519DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 680 6 Cafeeira Centenário, Continental Trading, Galdino Tomaz Ferreira de Camargo, Coipex, Mourão Forte e Femar Café, São Jorge e A.A. de Paulo, Cometa) e junta aos autos Termos de Verificação Fiscal, Termos de Constatação Fiscal, depoimentos e confirmações de negócio relativos a cada empresa citada; • R. Araújo – Cafecol Mercantil foi baixada pela RFB por motivo “inexistente de fato”; • Restou comprovado que os fornecedores de café da Kaffee, neste processo administrativo, encontravamse em situação irregular perante a RFB. Alguns já tiveram sua INAPTIDÃO declarada, por inexistência de fato. Outros foram considerados “pseudoatacadistas”, seja por diligências realizadas pelos Auditores Fiscais,seja pelos inúmeros depoimentos de produtores rurais, maquinistas, corretores e sócios de empresas de café tomados a termo nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”; • A própria KAFFEE assumiu como sendo de sua titularidade as operações mercantis realizadas pela RIOCOFFE (seu principal fornecedor entre 2002 e 2006) desde 2001 até 2004; • A fraude não visou apenas diminuir a carga tributária das empresas na comercialização no mercado interno. Nas vendas ao mercado externo, não sujeitas à incidência do PIS/COFINS, a fraude gerou créditos às exportadoras de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário; • De acordo com a análise das mudanças ocorridas em suas aquisições de café ao longo dos anos, praticamente todas as empresas fornecedoras, nos anoscalendário de 2004/2005, deixaram de operar. Em contrapartida, novas empresas surgiram, como a Colúmbia, Do Grão e L & L, todas empresas fictícias, ratificando, neste sentido, o entendimento de que a Kaffee foi conivente com o esquema de fornecimento de notas fiscais. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 10/12/2012 e apresentou, em 08/01/2013, a Manifestação de fls. 5282/5301, alegando o seguinte: • As operações Broca e Tempo de Colheita não geraram nenhum procedimento criminal aos sócios da Kaffee, eis que não houve envolvimento desta na prática das condutas repreendidas; • Sem demonstrar qualquer envolvimento direto da Kaffee na fraude em comento, entendeu o ente fazendário por afastar o creditamento dos valores de Cofins decorrentes das operações de aquisição; • No momento das compras efetuadas, as fornecedoras estavam aptas perante a RFB e Secretaria Estadual da Fazenda, tinham conta corrente bancária e eram notoriamente reconhecidas como fornecedoras de café. Se havia irregularidades, a Kaffee não tinha conhecimento; • Em momento algum a Kaffee foi citada como autora ou cúmplice na formação das empresas fornecedoras de café, nem teve nenhum de seus Fl. 5520DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 681 7 sócios ou funcionários citados como representantes do suposto esquema; • Houve erro na identificação do sujeito passivo pelo agente fiscalizador. A glosa dos créditos foi indevida, já que motivada pela presunção de que a Kaffee estaria envolvida em tal esquema fraudulento; • O CARF, já de longa data vem julgando como inválidos, por nulidade insanável, os Autos de Infração que contenham erro na identificação do sujeito passivo; • Por evidente que o Parecer apresenta vício insanável em razão da ausência de prova cabal a ônus do Fisco, que acabou por penalizar a Kaffee com base em simples presunções; • Pelo método subtrativo indireto adotado pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, para a concessão do crédito fiscal não se exige qualquer vinculação com o montante recolhido na etapa anterior; • A Lei nada dispõe sobre impossibilidade de concessão de crédito em relação à aquisição de bens sujeitos à Cofins, porém não recolhidos pelos fornecedores de tais bens; • A conduta da autoridade fazendária, conforme parecer Seort configura verdadeira insegurança jurídica; • As respostas aos quesitos da DRJ/RJ2 para diligência foram evasivas e genéricas, sem apresentação de provas contra a Kaffee e são imprestáveis para fins de análise do direito creditório; • Protesta pela produção de prova pericial contábil para demonstrar que as operações efetivamente ocorreram (mediante prova do pagamento e do recebimento das mercadorias). Formula quesitos e indica perito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, bem como manteve o lançamento da multa isolada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 5521DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 682 8 Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua manifestação de inconformidade Aquisições de pessoas físicas sob o CFOP 1.102 (crédito presumido) Voto A Recorrente teve glosado seu direito creditório referente à Cofins apurada pelo regime da nãocumulatividade, referentes a aquisições de café – insumo do processo produtivo da recorrente – que a fiscalização entendeu terem sido realizadas junto a empresas atacadistas de fachada, constituídas com o objetivo de apropriação de créditos. Destarte, como se depreende dos autos, o pano de fundo do presente processo administrativo, é a "Operação Broca", deflagrada pela polícia federal De acordo com os resultados da referida operação, empresas intermediárias formalizavam a compra simulada de café de pessoas físicas, com posterior venda para empresas da região, comerciais exportadoras ou indústria cafeeira, efetuada com o objetivo de mascarar o negócio realmente realizado, qual seja à aquisição direta do café junto à proprietários rurais pessoas físicas – que não concede direito ao crédito pleiteado. Fl. 5522DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 683 9 O propósito de tais operações seria a evasão tributária, pois as aquisições feitas de pessoas jurídicas permitiriam a apropriação de créditos integrais no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, ao passo que as efetuadas diretamente com pessoas físicas da direito apenas ao crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. E, nesse contexto, com base em um mesmo arcabouço probatório, oriundo da "Operação Broca", que se debruçou, especialmente, na oitiva de testemunhas relacionadas às empresas intermediárias tidas como "laranjas" ou interpostas, por amostragem, isto é, não esgotando o universo de tais intermediários, foram lavrados autos de infração para todos os compradores do café, de forma massiva, em alguns casos, sem que se comprovasse efetivo vínculo entre o autuado e as provas colhidas no âmbito da operação; em outros casos, selecionando trecho dos testemunhos, em que foram referidas as empresas. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, diversos processos conectados à "Operação Broca" já foram julgados, e de maneira a manter autos de infração/glosas de créditos, com a improcedência dos respectivos recursos voluntários. Compradores de café, como a Recorrente, atuariam em conluio com os intermediários, de forma a ter ciência de que as aquisições eram efetuadas de pessoas físicas, bem como que a formalização dos negócios como sendo efetuados junto a pessoas jurídicas lhe concedia um volume maior de créditos do que teria direito. Verificase, ademais, que as autuações invariavelmente, tinham como um dos principais alicerces, a presunção de que todos os cafeicultores da região tinham plena consciência do esquema, e atuavam de forma concertada e em conluio, para erodir a base tributável das contribuições sociais. É o que se depreende, por exemplo, das conclusões do termo de encerramento da diligência fiscal, constante dos autos: A fraude no mercado de café já é de conhecimento de toda a população, visto que na ocasião da deflagração da operação Broca várias matérias sobre o assunto foram veiculadas em diversos meio de comunicação. Segundo o quadro legal do regime nãocumulativo, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Não obstante, em um ambiente de estrita legalidade, sobre o qual se edifica o Direito Tributário, não é possível que se analise os fatos como se axiomáticos, ou intuitivos fossem, isto é, segundo a doutrina, como se o fato fosse tão evidente, tornando possível, desde sempre, a formação da convicção, prescindindose de provas. Ou ainda, como se fossem notórios. Mesmo as presunções, sejam as relativas ou absolutas, devem estar expressamente previstas no direito positivo, com foros de exceção, pois a Constituição Federal brasileira tem como vetor, a presunção de inocência, o que ecoa no Direito Tributário, na norma do art. 112 do Código Tributário Nacional, que prescreve que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em Fl. 5523DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 684 10 caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, ou ainda, a autoria, imputabilidade, ou punibilidade. A verdade material ou real, tal como no Direito Processual Penal, é uma verdade processual, no sentido de que deve ser reconstituída nos autos, com a garantia da ampla defesa e do contraditório na sua produção, ao longo do desenrolar processual. Ao julgador, apenas caberá aterse aos elementos dos autos, ainda que sua percepção e seu juízo subjetivo, aponte para conclusões diversas. Observese, ademais, que não se trata aqui de refutar a legitimidade da prova emprestada do inquérito policial, que, no caso, foi basicamente testemunhal, pois o Judiciário já as chancelou, com em diversas oportunidades já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal. Contudo, essa circunstância não afasta a necessidade de observância de algumas condições, a começar, pela sua suficiência e adequação, em face das especificidades do caso concreto, devendose valorar as provas produzidas, no sentido de se constar a sua suficiência na comprovação da materialidade da conduta. Tecidas essas considerações preliminares, temse que, no caso concreto, no âmbito do esquema fraudulento que assolou a região dos cafeicultores do Espírito Santo, glosouse os créditos das contribuições sociais da Recorrente, sob o fundamento da fraude e simulação. Considerandose que as fraudes teriam ocorrido na cadeia produtiva do café, para que esta se instaurasse da forma afirmada pela fiscalização, ou seja, imputandose a participação da Recorrente, deve haver a prova do acordo fraudulento entre os elos da cadeia, nos termos determinados pela Lei nº 4.502/64, art.73, que prescreve que conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, com o escopo de provocar evasão tributária. Do contrário, isto é, não comprovado o conluio e comprovado o nãorecolhimento dos tributos, apenas aquele que deixou de recolher o tributo deve ser penalizado. É de se observar que o art. 82 da Lei n. 9430/1996 determina que : Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Em síntese, quanto ao introito, na ausência da prova individualizada do conluio, da fraude e simulação, de cada um dos cafeicultores, bem como da inexistência efetiva das empresas intermediárias, não haveria outra conclusão possível, senão de presunção absoluta de que todas as empresas do mercado cafeeiro daquela região estavam envolvidas na fraude, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico, conforme ponderações anteriores. Destarte, nessa seara descabem generalizações, à míngua de comprovação individualizada. Acresçase que não se trata, da mesma forma, de, ingenuamente ignorar a realidade que se descortinou, ou mesmo, de se adotar um postura que, em seu formalismo, redunde numa "sangria aos cofres públicos" , como se afirmou nos autos. Tratase, sim, de se observar as regras postas, ou, de não criar juízos de exceção, tão familiares aos brasileiros, seja para o bem ou mal, mas que devem ser repudiados pelos aplicadores da lei. Fl. 5524DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 685 11 Quanto à questão do desfalque aos cofres públicos, finalmente, cabe, da mesma forma, observar que o fato de os ilícitos possuírem natureza tal que, invariavelmente, dificultam o seu rastreamento e comprovação pelas autoridades competentes, esse fato não elide o deverpoder do Fisco de se valer da ampla gama de instrumental guarnecido pela legislação em vigor, para o exercício da fiscalização, que vão desde a quebra do sigilo fiscal, ao bancário, recentemente legitimado pela Suprema Corte. Sensível, inicialmente, a essas questões postas, a Delegacia de Julgamento, antes de proferir a decisão recorrida, determinou a conversão do julgamento em diligência, para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: aos fornecedores de café ao interessado, encontramse localizados, efetivamente, no endereço informado à Receita Federal do Brasil (RFB), constante do cadastro do CNPJ, e além disso, se possuem patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do objeto que se refere à venda de café, esclarecendose a suposta utilização de empresas “laranjas” pelo interessado como “intermediárias fictícias na compra de café dos produtores”, tal como consta às fls. 5820/5821; b os fornecedores acima referidos se tratam, porventura, de pessoa jurídica inexistente de fato”, em qualquer uma das situações aludidas no art. 37 da IN SRF nº 200, de 13/09/2002, vigente à ocasião em que ocorridos os fatos geradores do PIS tratados no presente processo administrativo, e que já se encontra atualmente revogada, encontrandose hoje em vigor a IN RFB nº 1.005, de 08/02/2010 (art. 28, II); cos fornecedores ora em comento possuem escrituração contábil fiscal hábil e idônea, e registraram na sua contabilidade as vendas (faturamento) de café ao interessado para os períodos mensais de apuração do PIS tratados no presente processo; dhá instrumentos particulares (contratos) hábeis e idôneos, com reciprocidade de direitos e obrigações, firmados entre o interessado e seus fornecedores para a venda de café destes ao primeiro. O Termo de Diligência trouxe um apanhado assistemático de informações selecionadas e trasladadas do inquérito policial, que não responderam, de forma objetiva e pontual, o quanto questionado pela Delegacia de Julgamento, em cada um dos itens propostos na diligência. Com relação à empresa Riocoffee, há anexo específico nos autos, demonstrando que seria uma empresa de fachada, criada para operações da Recorrente e outro cafeicultor, tendo sido aberto procedimento de fiscalização específico, que, culminou, sem que houvesse manifestação em contrário, em tipificação da conduta imputada. Contudo, em relação às demais intermediárias, não se verifica o mesmo trabalho da fiscalização. Assim sendo, e no contexto das ponderações acima formuladas, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que: Fl. 5525DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 686 12 i. sejam respondidos e acostados aos autos os documentos solicitados, em cada um dos quatro itens propostos na resolução da Delegacia de Julgamento, acima transcritos, para cada uma das empresas mencionadas no relatório da diligência (exceto Riocoffee), quais sejam: ii. se verifique se todos os créditos glosados originaramse de operações com as empresas acima arroladas, ou se houve glosas relativas a empresas que não constam do relatório de diligência; Fl. 5526DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11543.002084/200607 Resolução nº 3201000.692 S3C2T1 Fl. 687 13 iii. apontar a inidoneidade das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, por amostragem, de cada um dos fornecedores em referência; iv. se verifique se à época das operações que geraram os créditos, as empresas intermediárias estavam com situação cadastral irregular/inaptas, nos termos da legislação vigente à época; vi. informe se os processos administrativos fiscais 15.586.000.451/200765, 15.586.001053/200766, 15.586.00019/201070, 15.586.002293/200869, 11.543.003883/200421, são concernentes à cobrança dos débitos fiscais, das empresas intermediárias que são consideradas como de fachada, diretamente relacionados com as compensações em tela, conforme afirma a Recorrente. Caso a resposta seja positiva, se há outros processos administrativos semelhantes tramitando. Além da glosa dos créditos de empresas declaradas como de fachada, foram glosados créditos presumidos decorrente do valor dos bens e serviços utilizados como insumos, adquiridos de pessoas físicas, conforme art. 3° §10 da Lei 10.637/2002, e, posteriormente pelo art. 8° da Lei 10.925/2004, sob o argumento de que a simples revenda não gera direito ao crédito. A glosa se deu porque os CFOPs empregados, apenas se refeririam a compras de mercadorias a serem comercializadas, assim como o café destinado à exportação, que teria sido adquirido e destinado imediatamente à revenda. Entretanto, a Recorrente juntou em sua manifestação de inconformidade, laudo técnico que demonstraria todo o processo produtivo pelo qual está submetido o café, antes de sua comercialização. Nesse sentido, também deve ser a diligência, para que: vii. comprove a Recorrente o processo produtivo o qual está submetido o café que transaciona. Após a conclusão da diligência a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias , prorrogáveis uma vez, assim como a Procuradoria da Fazenda Nacional. Após , retornem os autos para prosseguimento da diligência. Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Fl. 5527DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 19/07/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11487.720002/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.691
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
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CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de Auto de Infração pela prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação. Segundo a fiscalização, a empresa LUMAG, CNPJ 57.955.957/0001 09, ocultouse em operações de importação realizadas em nome de ENCOMEX, CNPJ 07.069.077/000167, que simulou importações em seu nome. Baseouse a fiscalização na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das empresas citadas e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 14 87 .7 20 00 2/ 20 12 -6 1 Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.276 2 Como resultado, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76. Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23. Ainda segundo a fiscalização, foram imputados como solidários no auto de infração as seguintes pessoas físicas: ERIC MONEDA KAFER, VERA LUCIA MONEDA KAFER, SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO, LUIS CARLOS GOMES DOS SANTOS, MÁRCIA ALONSO TENÓRIO DE BARROS, MAGDA LAURINDA ALONSO DOS SANTOS. O Auto de Infração totalizou o valor de R$ 913.487,62. Intimadas do Auto de Infração em 22/10/2012 (fl. 1211), as interessadas LUMAG, MÁRCIA ALONSO TENÓRIO DE BARROS, MAGDA LAURINDA ALONSO DOS SANTOS e LUIS CARLOS GOMES DOS SANTOS, apresentaram impugnação conjunta e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1302 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que possuía habilitação simplificada no RADAR, limitada a US$ 150.000,00 por semestre. Alega que foi obrigada a buscar alternativas pois estava na iminência de ultrapassar tal limite, fator este que a aproximou da empresa ENCOMEX. 2. Alega preliminarmente a nulidade da autuação por erro na descrição dos fatos. Alega que o auto de infração cita o nome da empresa BWS, desconhecida pela LUMAG. Alega que não foi apresentada qualquer prova relativa a essa empresa. Cita doutrina sobre o tema. Cita o art. 142 do CTN, o art. 53 da Lei nº 9.784/99 e o art. 59 do PAF. ok okaa 3. Alega que a fiscalização não poderia ter autuado os sócios da empresa como responsáveis solidários nos termos do art. 135, III do CTN. Alega que o dispositivo legal não cita os “sócios”. Alega que a condição de sócio não implica diretamente na responsabilidade tributária. Alega que a fiscalização não provou que todos os sócios praticavam atos de administração. Cita jurisprudência sobre o tema. 4. Alega que a sócia Márcia Alonso Tenório de Barros deixou a sociedade em novembro de 2008. Anexa alteração contratual registrada na Junta Comercial. Alega que a sócia Magda Laurinda Alonso dos Santos ingressou na sociedade apenas em junho de 2009. Também anexa alteração registrada na Junta. 5. Alega que sempre realizou suas importações diretamente, negociando as condições e termos de compra diretamente com seus fornecedores. Alega que nunca quis encobrir as importações realizadas por ela. Alega que o que ocorreu de fato é que ela foi ocultada pela ENCOMEX que simulou importações próprias. Alega que foram registrados contratos de importação por conta e ordem entre LUMAG e ENCOMEX sendo LUMAG a real adquirente. Alega que foi a ENCOMEX que “por sua liberalidade e à revelia da Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.277 3 LUMAG” que optou por fraudar/simular o sistema de diversas formas: (i) utilizando no SISCOMEX a opção importação própria ao invés de importação por conta e ordem; (ii) registrando as operações com a LUMAG como se fossem empréstimos; (iii) recebendo adiantamentos e caracterizando como empréstimos; (iv) fraudando sua contabilidade para justificar operações fraudulentas; (v) operando de forma simulada com outros diversos clientes com a intenção de fraudar o fisco. 6. Alega que a LUMAG desconhecia esses fatos e que não poderia ter qualquer ingerência de fiscalização sobre estas questões operacionais. Afirma que desde o início dos procedimentos de fiscalização apresentou os fatos verdadeiros ocorridos indicando que havia contratado a ENCOMEX para a realização de importações por conta e ordem e que os valores depositados na conta da ENCOMEX eram destinados ao pagamento de mercadorias e nunca de empréstimos. 7. Alega que confiou na expertise da ENCOMEX dada a complexidade normativa das operações de importação. Alega que a maior parte das obrigações dos artigos 86 e 87 da IN SRF 247/02 são de responsabilidade do importador. 8. Alega que agiu de boa fé e que foi lesada pela trading contratada. Alega que a fiscalização não respeitou os princípios do art. 2º, IV da Lei nº 9.784/99. Alega ser empresa idônea possuindo Certidão Negativa da Receita Federal ao contrário da ENCOMEX que possui diversas autuações. Alega que não auferiu qualquer vantagem com o suposto esquema fraudulento. 9. Alega ser inaplicável a responsabilidade solidária imputada pela fiscalização. Alega que a responsabilidade é única da empresa ENCOMEX. Reafirma que não ocultou qualquer documentação da fiscalização. Alega que não houve conluio. Reafirma que não participou dos atos que caracterizaram a infração. Alega que aplicase o art. 112 do CTN tendo em vista a boa fé da LUMAG. 10. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 22/10/2012 (fl. 1181), a interessada ENCOMEX apresentou impugnação e documentos em 14/11/2012, juntados às fls. 1257 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa pois não haveria indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que o fisco tem o ônus da prova em relação aos fatos imputados contra a impugnante. Cita a presunção de inocência. Cita doutrina sobre o tema. Cita o art. 112 do CTN. Alega que, na Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.278 4 eventualidade de rejeição de seus argumentos, aplicase apenas a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07. 4. Alega que as operações foram contabilizadas, não houve simulação, não ocorreu dano ao Erário e que o lançamento foi feito com base em indícios. Afirma que nenhum documento demonstra o adiantamento de qualquer recurso ou cessão do nome/ocultação de outro sujeito passivo. 5. Alega que foi autuada com duas penalidade com relação à mesma conduta. Alega que já foi autuada no processo administrativo fiscal nº 11487.720001/201217. Alega a ocorrência de bis in idem. 6. Alega que a fiscalização usou documento protegido por sigilo profissional (email do contador da empresa ora impugnante). 7. Alega que houve excesso de prazo para conclusão do procedimento especial (art. 9 da IN SRF nº 228/02). 8. Reafirma a tese de bis in idem. Cita doutrina sobre o concurso aparente de normas. Cita o Princípio da Especialidade. Cita doutrina sobre o tema. 9. Afirma que as importações foram realizadas por conta própria, que adquiriu as mercadorias no exterior, em seu nome, e que era responsável pelo fechamento do câmbio com recursos próprios, estando habilitada no RADAR. Alega que revendia as mercadorias importadas no mercado interno, recolhendo os tributos devidos não havendo sonegação ou quebra de cadeia do imposto de importação. 10. Afirma que a LUMAG é contribuinte do imposto de importação e que o mesmo foi recolhido nos termos do art. 9, IX do RIPI. Alega que essa norma foi levada ao RA e destinase ao vendedor de produtos objeto de contrabando e descaminho ou introduzidos de forma irregular no país. Afirma que é necessária a prova do artifício doloso. 11. Alega nulidade do auto de infração pois a fiscalização teria capitulado a responsabilidade da empresa no art. 135 do CTN. 12. Alega nulidade na solidariedade de pessoas pois essa foi fundamentada no Código Penal. 13. Alega que a aplicação da multa de 10% excluiria a declaração de inaptidão nos termos do parágrafo único do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Reafirma a tese do bis in idem. 14. Alega que a fiscalização não anexou aos autos provas apresentadas pela empresa que afastariam a acusação de interposição fraudulenta. 15. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 20/10/2012 (fl. 1209), a interessada VERA LUCIA MONEDA KAFER apresentou impugnação e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1219 e seguintes, alegando em síntese: Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.279 5 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Alega a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que seria inaplicável a responsabilidade solidária pois a sócia Sra. Vera Lúcia é detentora de apenas 1500 quotas da sociedade (1% do total) e não exerce qualquer função de gerência. Alega que não foram apontados atos da impugnante com excesso de poder ou infração à lei. Alega que a responsabilidade do art. 135 do CTN não é objetiva. Cita doutrina sobre o tema. 4. Alega que a impugnante não foi em nenhum momento intimada do procedimento especial do art. 4º da IN SRF 228/02. 5. Reafirma que não foram apresentados pela fiscalização os requisitos do art. 135 do CTN. Cita doutrina sobre o tema. 6. Afirma que a impugnante não é autora da infração nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que não há provas de atos praticados pela impugnante na administração da empresa. 7. Reafirma novamente que não foram apresentadas provas diretas e individualizadas da participação da impugnante na infração imputada. 8. Cita jurisprudência judicial sobre aplicação do CTN a créditos de natureza administrativa. Cita jurisprudência administrativa sobre decadência de penalidade não tributária. Reafirma novamente que não seria aplicável o art. 135 do CTN. 9. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 20/10/2012 (fl. 1190), o interessado ERIC MONEDA KAFER apresentou impugnação e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1243 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Alega a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que o fisco tem o ônus da prova em relação aos fatos imputados contra a impugnante. Cita a presunção de inocência. Cita doutrina sobre o tema. Cita o art. 112 do CTN. Alega que, na eventualidade de rejeição de seus argumentos, aplicase apenas a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.280 6 4. Alega que as operações foram contabilizadas, não houve simulação, não ocorreu dano ao Erário e que o lançamento foi feito com base em indícios. Afirma que nenhum documento demonstra o adiantamento de qualquer recurso ou cessão do nome/ocultação de outro sujeito passivo. 5. Alega que foi autuada com duas penalidade com relação à mesma conduta. Alega que já foi autuada no processo administrativo fiscal nº 11487.720001/201217. Alega a ocorrência de bis in idem. 6. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Intimada do Auto de Infração em 20/10/2012 (fl. 1213), a interessada SHEILA TATIANA TOMAZ MARAZZATTO apresentou impugnação e documentos em 19/11/2012, juntados às fls. 1279 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Alega a ausência de indicação precisa da suposta conduta fraudulenta. Cita doutrina sobre o tema. 2. Requer preliminarmente que não seja remetida a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público antes do trânsito em julgado na esfera administrativa. Cita o art. 83 da Lei nº 9.430/96. 3. Alega que a era apenas secretária particular do Sr. Erick Moneda Kafer, sócio diretor da ENCOMEX, sem qualquer vínculo trabalhista, resumindose a representar seu mandante nos estritos atos a ela publicamente permitidos. Alega que seus atos não foram realizados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social e estatuto. Alega violação ao art. 135 do CTN. Alega que não houve prova da conduta dolosa da impugnante. Cita doutrina sobre o tema. 4. Alega que a impugnante em nenhum momento foi intimada a prestar esclarecimentos sobre o Procedimento Especial instaurado. 5. Reafirma que não foram apresentados pela fiscalização os requisitos do art. 135 do CTN. Cita doutrina sobre o tema. 6. Afirma que a impugnante não é autora da infração nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. Cita jurisprudência administrativa sobre o tema. Reafirma que não há provas de atos praticados pela impugnante na administração da empresa. 7. Reafirma novamente que não foram apresentadas provas diretas e individualizadas da participação da impugnante na infração imputada. 8. Cita jurisprudência judicial sobre aplicação do CTN a créditos de natureza administrativa. Cita jurisprudência administrativa sobre decadência de penalidade não tributária. Reafirma novamente que não seria aplicável o art. 135 do CTN. 9. Requer, por fim, que sejam reconhecidas as preliminares de nulidade ou, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.281 7 Sobreveio decisão da 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, cancelando a exigência em relação à responsabilidade solidária de sócios quotistas não administradores e mantendo o crédito tributário exigido quanto aos demais sujeitos passivos. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade previstas no art. 23, V, § 1º do Decretolei n°1.455/76. CORESPONSABILIDADE. PERÍODO. O período da coresponsabilidade dos sócios coincide com o período em que participaram da real gestão do negócio, independente do contido no contrato social Inconformados com a decisão, os sujeitos passivos apresentaram os presentes recursos voluntários. A recorrente LUMAG, bem como o responsável solidário sócio administrador Luis Carlos Gomes dos Santos, afirmam não ter sido intimados da decisão recorrida, tendo sido cientificados apenas informalmente desta por meio da responsável solidária exsócia Marcia Alonso Tenório de Barros, que foi devidamente intimada, e já em data bem próxima ao prazo fatal. Aduz, desta forma, ter sido cerceado em seu direito de defesa. O processo foi convertido em diligência para que se verificassem os fatos alegados pelos recorrentes acerca dos procedimentos de intimação do acórdão recorrido. VOTO A unidade de origem apresentou a informação solicitada por meio do documento de fls. 2270 a 2273, na qual informa que o responsável solidário sócio administrador Luis Carlos Gomes dos Santos teria sido intimado por edital, enquanto que o contribuinte Lumag teria sido intimado por meio de sua caixa postal no eCAC. Observo, contudo, que os sujeitos passivos citados não foram cientificados acerca do resultado desta diligência. Desta forma, como objetivo de evitar o cerceamento ao direito de defesa dos sujeitos passivos, os recorrentes LUMAG e Luis Carlos Gomes dos Santos devem ser intimados deste despacho apresentado pela unidade de origem, bem como lhes seja concedido o prazo de 30 dias para apresentarem suas razões quanto às novas informações trazidas aos autos. Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11487.720002/201261 Resolução nº 3201000.691 S3C2T1 Fl. 2.282 8 Concluídos os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselho para o prosseguir com o julgamento da lide. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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