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Numero do processo: 10166.907928/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/10/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 8109, do período de apuração de outubro de 2005, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2005 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907928/200924 Acórdão n.º 3803002.992 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (28/10/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 25/11/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907928/200924 Acórdão n.º 3803002.992 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de outubro de 2005, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001978/2003-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.280
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. /41 ANELIS DAUDT PRIETO Presidente NI TON Relator Formalizado em: • 09 mAR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tardsio Campelo Borges e Luis Carlos Maia Cerqueira (Suplente). Ausente o Conselheiro Sergio de Castro Neves. DM Processo n° : 10925.001978/2003-71 Resolução n° : 303-01.280 RELATÓRIO Trata-se de lançamento de ofício formalizado no Auto de Infração de fls. 01/04 e 31/34, pelo qual se exige pagamento da diferença do Imposto Territorial Rural — ITR, multa e juros moratórios, exercício 1999, decorrente da glosa da Lea de Exploração Extrativista, referente ao imóvel rural denominado "Fazenda São Francisco", corn área total de 1.979,1 ha, localizado no município Ponte Serrada/SC. Decorre a glosa parcial das areas originalmente informadas como de exploração extrativista, tendo em vista que a documentação apresentada pela contribuinte comprova apenas a exploração de 688,374 metros cúbicos de árvores caídas por ações naturais, no ano de 1998. Ademais, não restou comprovado o cumprimento do Plano de Manejo Florestal. Em decorrência, portanto, da não comprovação na area de Exploração Extrativista, foi lavrado o Auto de infração, gerando o conseqüente aumento da alíquota e do valor do Tributo. Ciente do Auto de Infração (AR de fls. 37), o contribuinte apresentou tempestiva Impugnação, fls. 38/54, alegando em suma que: no termo de encerramento da ação fiscal o auditor fiscal da Receita Federal não considerou a area total de manejo lançada no ITR/Exercfcio 1.999, apesar dos documentos apresentados; o auditor fiscal apurou somente a Lea de 68,8 ha, como de manejo florestal, considerando somente a autorização do aproveitamento de 688,374 metros cúbicos de madeira relativos a extração efetuada no período do exercício do lançamento do ITR, justificando que esta atividade não está vinculada ao plano de manejo florestal e não justificando o cálculo da Lea de 68,8 ha aceitos; no termo de encerramento não foi feita nenhuma menção ao plano de manejo florestal aprovado e em execução por tempo indeterminado, cujo período de extração florestal depende de autorização sucessivas do IBAMA e deve ser executado conforme normas técnicas que garantam a sustentabilidade da floresta; 2 Processo n° Resolução n° : 10925.001978/2003-71 : 303-01.280 iv. contudo, o rendimento sustentado foi definido também pela Sociedade de Florestais Americanos como o objetivo para se manejar um propriedade florestal, para produção continua, corn a finalidade de obter no mais breve tempo um equilíbrio entre a produção e o corte, anualmente ou por longos períodos; v. por ter interesse centrado no abastecimento de sua indústria e, consequentemente necessitar da madeira de araucária para seu negócio, a empresa optou, no passado, por conservar suas florestas, retirando das mesmas somente o que a natureza possibilitaria, ou seja, colhendo as árvores mortas em seu declínio vital. vi. essa opção teve como fundamento a visão de que a floresta deveria permanecer como tal para sempre. Isso é o que se chama atualmente de sustentabilidade (Matte & Sanquetta — Parecer Técnico sobre a forma de execução dos planos de manejo pela Agroflorestal Tozzo S/A — 2.003); vii. desta forma, o cronograma constante de projetos são de colheitas seletivas e racionais de tempos e tempos, em volume e número de árvores que não ultrapassa a capacidade de produção da própria floresta; viii. nos relatórios apresentados nos planos de manejo florestal, constam informações do Plano Integrado Floresta Industria — PIFI, devidamente protocolado pelo IBAMA, bem como o compromisso de manter sempre um período de descanso em cada imóvel, deixando de efetuar certas tarefas mais impactantes como as de extração, derrubada, carregamento e transporte, por certos períodos, como forma de minimização dos impactos à fauna; ix. desta forma, H. sempre urn período de tempo que a área de manejo florestal num determinado imóvel permanece sem colheitas florestais. x. são nestes períodos que a floresta está se recompondo para colheitas futuras. xi. contudo, a execução dos planos de manejo florestal em regime de rendimento sustentado, no está restrita a exploração propriamente dita, mas de urn conjunto de intervenções decorrentes de impeditivos legais que garantam a sustentabilidade — da comunidade local, dos dependentes desta atividade, da floresta propriamente dita, da espécie desejada e da fauna existente na área que esta sob manejo; 3 Processo n° Resolução n° : 10925.001978/2003-71 : 303-01.280 xii. dentre os dispositivos legais podemos citar o Decreto 750/93, que proibiu extrações florestais de espécies ameaçadas de extinção constantes da lista da portaria n° 37- N de 03/04/92 do IBAMA e de áreas que servem de moradia e abrigo as espécies da fauna silvestre ameaçadas de extinção; xiii. também temos, a resolução do CANAMA n° 278/2001 e uma Ação Civil Pública contra o IBAMA suspenderam as autorizações de corte das espécies ditas ameaçadas de extinção no "Bioma Mata Atlântica"; xiv. face a estes impeditivos como outros editados anteriormente, corroboram para que os planos de manejo não tenham continuidade nas explorações florestais programadas em seus cronogramas. xv. quanto ao mérito, no ano calendário da incidência do Auto de Infração, foi feita a colheita seletiva das árvores plaqueteadas, cubadas e autorizadas pelo IBAMA em toda a extenção da área, conforme oficio do IBAMA sob o número 838/DITEC de 22/10/98, compreendendo (localização das árvores, traçamento das toras, descascamento das toras, arraste das toras ate os estaleiros, carregamento e transporte até a industria). xvi. esta extração florestal se deu paralelamente a colheita em outro imóvel, garantindo o programa estabelecido no Plano Integrado Flaresta-Industria — PIFI; xvii. já a exploração por módulo neste imóvel encontrava-se em "pousio" ou descanso, além de outras intervenções do plano de manejo florestal. xviii. quanto, a área de preservação permanente do objeto do lançamento do ITR da presente impugnação é de 272,5 ha, conforme demonstra o laudo técnico emitido por profissional habilitado, constante do processo da ação fiscal. xix. no entanto, esta area não foi aceita pelo auditor-fiscal da Receita Federal, por não constar do ADA e, em contraditório, o auditor-fiscal da Receita Federal não apurou a Lea de 988,5 hectares de manejo florestal que está constando do mesmo ADA, devidamente protocolado no IBAMA o qual foi reconhecido e não cabe a Receita Federal desquali fica-lo; 4 Processo n° : 10925.001978/2003-71 Resolução n° : 303-01.280 xx. outro contraditório foi a aceitação do lançamento da area de manejo florestal no ITR197, e a não aceitação da mesma area objeto do ITR199, xxi. nestes termos, a extração florestal efetuada no exercício do lançamento do ITR foi na area total do imóvel conforme atesta o ofício de aprovação do IBAMA sob o número 838/DITEC/1BAMA/S C. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, o contribuinte requer que seja acolhida a impugnação. Instruem a impugnação os documento de fls. 54/107, dentre eles: (i) cópias dos principais documentos do plano de manejo protocolado sob o n° 02026.003316/90-66, (ii) cópias dos principais documentos do plano de manejo florestal devidamente elaborado para atender as normas técnicas e jurídicas da Portaria Insterinstitucional número 01/96, (iii) cópia dos ofícios de autorização de aproveitamento das árvores em declínio vital ou caídas à partir de 1998, (iv) cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA/1997, (v) cópias das matriculas do imóvel, (vi) cópia da Portaria Interinstitucional n° 01/96 — IBAMA/FATMA/MINISTÉRIO DOMEIO AMBIENTE, (vii) cópias dos documentos demonstrativos da ação fiscal c do auto de infração. Remetidos os autos a. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande — MS (fls. 110/114), esta julgou procedente o auto de infração, consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 Ementa: EXPLORAÇÃO EXTRATI VISTA Não comprovada a efetiva exploração extrativa, corn observância dos indices de rendimento e da legislação ambiental, nem a aprovação do plano e cumprimento do cronograma de exploração por manejo sustentado de floresta, deve ser tida como procedente a glosa da area declarada a esse titulo. Lançamento Procedente" Devidamente cientificado da decisão proferida em primeira instância (AR — fls. 119), o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário (fls. 120/131), no qual reitera argumentos e pedidos apresentados em sua impugnação, ressaltando, ainda, que: i. o plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado foi protocolado no IBAMA sob o número 5 Processo n° Resolução n° : 10925.001978/2003-71 : 303-01.280 02026.003316/90-66 e aprovado pelos ofícios números 368/91 e 112/93 para a colheita floretal; as provas da existência do plano de manejo florestal, estão anexas ao presente requerimento nos seguintes documentos: (comprovante do protocolo do piano de manejo florestal junto ao IBAMA sob o números 368/91 e 112/93, relatórios seguidos e constantes, devidamente protocolados no IBAMA no decorrer dos anos das árvores em declínio vital, relatório do cronograma de adensamento ou plantio pra repor as árvores colhidas e ADA devidamente protocolado no IBAMA em 21/09/08 sob o número 4200020049/8 com área de manejo de 988,5 hectares) iv. os referidos documentos são hábeis e não deixam dúvidas, comprovando cabal e inequivocadamente os fatos declarados de que a area é de manejo florestal em regime de rendimento sustentado com 988,5 hectares, v. quanto ao plano de manejo florestal, o mesmo, foi devidamente adaptado segundo as novas normas técnicas e jurídicas estabelecidas pela portaria interinstitucional, número 01/96; vi. ressaltamos ainda, como forma de continuar a atividade de extração após o período de crescimento das árvores remanescentes para nova colheita florestal, providenciamos novo relatório protocolado no IBAMA sob o número 02026.002908/99-16; vii. quanto ao Ato Declaratório Ambiental, o mesmo, foi protocolado junto ao IBAMA em 1998, sob o número 4200020049-8, com o lançamento da área com plano de manejo florestal de 988,5 hectares, portanto antes da entrega do ITR/99; viii. vê-se, claramente que o lançamento do ITR/1999, deve ser mantido e a multa cancelada, com a agravante que no ITR ainda foi lançado erroneamente a area de preservação permanente que na realidade é de 272,5 hectares, bem superior aos 32,0 hectares lançados, comprovado corn o Laudo Técnico e mapeamento da área que o resultaria em imposto ainda menor; ix. no entanto, o aumento da Lea de preservação permanente e sua conseqüente isenção de tributação não estão sendo reivindicada, mas sim que seja mantida a área de 988,5 6 Processo n° : 10925.001978/2003-71 Resolução n° : 303-01.280 x. hectares de manejo florestal conforme fora lançado no ITR199, bem corno o grau de utilização da terra e sua aliquota de tributação, ou seja, o imposto devido é o imposto efetivamente recolhido. Face ao exposto, o contribuinte requer que seja considerado insubsistente o auto de infração, por todos os fundamentos demonstrados. Anexa os documentos de fls. 131/157. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, anexa Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fls.137/138). Os autos foram distribuídos a este Conselheiro constando numeração até às fls. 162, última. Desnecessário o encaminhamento do processo et Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n° 314, de 25/08/99. E o relatório. • 7 Processo n° : 10925.001978/2003-71 Resolução n° : 303-01.280 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo, por estar devidamente garantido e por conter matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. Constata-se da autuação inaugural a glosa da área declarada pelo contribuinte como utilizada para Exploração Extrativa, diante do entendimento da fiscalização de que o contribuinte, mesmo que intimado, deixou de comprovar a existência das mesmas por meio de documentos competentes. No entanto, do compulsar dos autos e do exarado na decisão de primeira instância, observo que a controvérsia cinge-se ao efetivo cumprimento de tal exploração extrativa. Nesta linha, importa observar que o art. 10 da Lei n° 9.393/96, em seu inciso V, alínea 'c', dispõe que: "Art. 10 (.--) §1° - Para efeitos de apuração do ITR, considerar-se-d: (...) V — área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano III anterior tenha: (...) sido objeto de exploração extrativa, observados os indices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) Grau de Utilização — GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a area aproveitável. §5° - Na hipótese de que trata a alínea 'c" do inciso V do §l 0, será considerada a Area total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo programa esteja sendo cumprido pelo contribuinte. 8 Processo n° : 10925.001978/2003-71 Resolução n° : 303-01.280 Deste modo, em que pese o contribuinte ter comprovado a existência de tal área e de plano de manejo, aprovado por órgão competente, se faz necessário, tal corno apontado na decisão a quo, a comprovação, com documentos idôneos, das espécies exploradas e respectivas quantidades, bem corno a não violação das regulações ambientais a que estivesse sujeito o imóvel. Nestes termos, entendo que para a comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo referente á. área declarada como de EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, deve o interessado apresentar laudo técnico, elaborado por profissional competente e devidamente acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, e que se reporte à data do fato gerador do lançamento, ou seja, que espelhe a realidade do imóvel em 1999, informando de maneira precisa e detalhada o cumprimento do cronograma (com as espécies exploradas e respectivas quantidades), objeto do plano de manejo sustentado, com a não violação das regelações ambientais a que estivesse sujeito o imóvel. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2007. 192TON LiVI7-:;‘BARTOLI - Relator •
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Numero do processo: 13706.000542/00-97
Data da sessão: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.450
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão 303-33.861, de 05/12/2006 para: "Converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator".
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Embargante Embargada RESOLUÇÃO IN' 303-01.450 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração e retificar o Acórdão 303-33.861, de 05/12/2006 para: "Converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator". ANE SE DAUDT PRIETO Presidente 2 II\AN LU ARTOLI elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. 1 Processo n.° 13706.000542/00-97 Resolução n.° 303-01.450 CC03/CO3 Fls. 157 a RELATÓRIO Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista manifestação apresentada as fls. 164/169 pelo contribuinte. Aduz o embargante que a Terceira Camara não tornou conhecimento do Recurso Voluntário (fls. 127/130), julgando-o perempto, haja vista equivoco na notificação da decisão pela DR.I. Consoante o entendimento apresentado pelo contribuinte, portanto, não houve intempestividade, conforme relatado no despacho que proferi As fls. 145/146. Diante deste panorama, trago os autos à deliberação desta Camara, nos termos do despacho da Ilustrissima Sra. Presidente constante As fls. 146. Recebidos os autos por este Conselheiro com numeração até As fls. 155, última. o relatório. 2 Processo n.° 13706.000542/00-97 Resolução n.° 303-01.450 CC03/CO3 Fls. 158 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI , Relator Serve o presente para submeter os autos A deliberação desta Camara, haja vista, conforme apontado pelo contribuinte As fls. 137/138, suposto equivoco cometido pela CA- MEIER, bem como da empresa de Correios, no que tange As informações concernentes a intimação do contribuinte quanto ao acórdão proferido, o que ocasionou erro na apreciação da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado, através do acórdão de fls. 127/130. Recebida a manifestação do contribuinte de fls. 137/138, nos termos do artigo 58 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, consoante, inclusive, apontado pela Ilustre Sra. Presidente As fls. 146, o qual dispõe: "Artigo 58. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão sei-ão retificados pelo Presidente, mediante requerimento de conselheiro da câmara, do Procurador da Fazenda Nacional, do Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente." Noutro aspecto, consigno que, em que pese o despacho de fls. 146 da Ilustre Sra. Presidente ter determinado unicamente 'vistas' à PFN, esta última se manifestou As fls. 150/154, alegando, em resumo, que se acatada a providência de converter o julgamento em haverá a determinação de prova desnecessária, já que dúvida quanto a data de recebimento da notificação, encontra-se provada com a notificação pela via postal, AR. No entanto, entendo que ao Procurador não confere razão em suas colocações apostas As fls. 150/154, haja vista que tudo levar a crer que o contribuinte tem razão em suas considerações. Com efeito, segundo indiquei no despacho de fls. 145/146, tendo em vista os novos acontecimentos levantados pelo contribuinte no tocante à tempestividade de seu Recurso e, em observância à busca da verdade material e da propagação da justiça, não pode haver melhor solução, senão determinar o julgamento dos presentes autos em diligência, a fim de que seja apurado se de fato ocorreu o apontado equivoco, por parte da r. repartição pública competente, que embasou o acórdão ora atacado. Processo n.° 13706.000542/00-97 Resolução n.° 303-01.450 COB/CO3 Fls. 159 E o que se propõe a esta Eg. Camara, para posterior avaliação sobre a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. como voto. Sala das Sessões, em 09 de julho de 2008. ARTOLI Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10480.914184/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
Ementa: CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS NA INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Inteligência da súmula nº 1 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Inteligência da súmula nº 1 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.
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NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Inteligência da súmula nº 1 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani Relatório Versam os autos sobre Declaração de Compensação, transmitida em 27/01/2009, por meio da qual busca a contribuinte compensar créditos de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior, no valor inicial de R$ 90.082,44, com débitos de IRPJ e CSLL nos valores de R$ 16.032,61 e R$ 7.030,00. Inferese, do Despacho Decisório, que, com fundamento nos arts. 165 e 170 do CTN e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de novembro/2000. A contribuinte devidamente cientificada, apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE, garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo o qual lhe daria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. Sustenta, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. A DRJ/PE anexou: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010; e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa. O Acórdão proferido pela DRJ/PE foi no sentido de manter o Despacho Decisório, não reconhecendo o direito ao aludido crédito, culminando com a não homologação da compensação, é o que se depreende da ementa, citada abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL INEXIGIBILIDADE. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.914184/200931 Acórdão n.º 380302.519 S3TE03 Fl. 2 3 É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 26/08/2011, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 23/09/2011 pleiteando a modificação do referido Acórdão. Em apertada síntese, alega a contribuinte que a revogação da isenção não pode abranger fatos pretéritos, somente a fatos que ocorram após a data do Acórdão do STF. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo, porém dele não tomarei conhecimento pelo que passo a explanar a seguir. A contribuinte se insurge contra Acórdão da 2ª Turma da DRJ/REC, que manteve o Despacho Decisório não homologatório da compensação pretendida. No Recurso Voluntário, pretende a revogação do decisum, defendendo que houve pagamento indevido da COFINS, com fulcro em decisão judicial que concedeu o benefício de isenção desta contribuição para Sociedades Civis de Prestação de Serviços de Profissão Regulamentada. Observase, ainda, mediante os documentos de fls. 42/53, que a desconstituição dos efeitos do enfocado acórdão é objeto de ação rescisória autuada sob o n° 2006.05.00.0442426, ajuizada pela Fazenda Nacional, julgada parcialmente procedente pelo E. TRF da 5ª Região, que rescindiu o decisum com efeitos ex nunc, entretanto, na parte em que lhe foi conferida eficácia prospectiva (assegurouse o resguardo da isenção sob o manto do acódão com trânsito em julgado, em homenagem ao princípio da segurança jurídica), o acórdão proferido na ação rescisória (ainda em tramitação, mercê dos embargos infringentes Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 interpostos) foi suspenso por decisão liminar de autoria do Exmo. Sr. Ministro Joaquim Barbosa nos autos da Reclamação n° 6.917/PE, fls. 54/57. Pelo conjunto probatório observase que a controvérsia do presente recurso trata do direito ao indébito de tributos pagos de forma indevida tendo em vista que, no entender da contribuinte, as sociedades civis de profissão regulamentada estariam isentas do pagamento da COFINS. Ocorre que, no caso que ora se analisa, a decisão judicial favorável aos interesses da contribuinte, com trânsito em julgado datado de 09/09/2004 (fls. 38), foi objeto de ação recisória ainda não definitivamente julgada. Conforme se observa das ementas colacionada aos autos proferida pelo E. TRF da 5ª Região, a ação rescisória foi considerada parcialmente procedente para reconhecer o direito à isenção proclamada na decisão que transitou em julgado com a primazia do princípio da segurança jurídica, porém, aplicando prospectivamente a decisão reproduzida no julgado do STF do qual já tratamos mais acima. Em análise à reclamação, com pedido de medida liminar, ajuizada pela União contra ato praticado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, nos autos de ação rescisória, o Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 54/57) resolveu conceder a liminar para suspender o acórdão reclamado na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos à decisão que julgou procedente a ação rescisória. Consoante a jurisprudência deste Conselho, cristalizada na súmula CARF nº01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Conforme se observa de todo o exposto, a mesma matéria aqui tratada também encontrase sob apreciação do Poder Judiciário, qual seja, a revogação da isenção do pagamento da COFINS às prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentada, caracterizando a concomitância entre as demandas. Pelo exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do presente Recurso Voluntário. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10480.914184/200931 Acórdão n.º 380302.519 S3TE03 Fl. 3 5 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003845/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/08/2006
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULACARFnº4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-007.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2002 a 31/08/2006 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULACARFnº4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos aos autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. SÚMULACARFnº4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 38 45 /2 00 7- 15 Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-007.206 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003845/2007-15 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 14-22.070 (fls. 69/71) – 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão de 27 de janeiro de 2009, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 37.095.995-7. Consoante o Relatório Fiscal elaborado pela autoridade fiscal lançadora (fls. 49/50), trata-se de crédito tributário lançado contra a pessoa jurídica acima identificada, em valor original de R$ 41.703,47, relativo às contribuições sociais devidas à Seguridade Social arrecadadas pela autuada, mediante desconto incidente sobre a remuneração dos empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e não repassadas à Seguridade Social. O procedimento fiscal refere-se ao período de 11/2002 a 08/2006 e os valores lançados foram extraídos das folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP’s) e Livro de Registro de Empregados. Inconformada com o lançamento fiscal a autuada apresentou impugnação, documento de fls. 54/56, onde não contesta os valores de contribuição social previdenciária constantes do lançamento, limitando-se a demonstrar inconformidade quanto à cobrança de multa e juros sobre os valores de contribuição apurados, com alegação de ocorrência de anatocismo, e pugnando pela realização de perícia contábil, sem entretanto especificar sob que fundamento ou apresentar quesitos. A impugnação encontra-se sintetizada no relatório do julgamento de piso nos seguintes termos: O sujeito passivo apresentou impugnação, acompanhada de documentos, alegando, em suma, que a aplicação de juros e multa (anatocismo) é ilegal; que o mencionado deverá ser provado por perícia contábil a ser designada posteriormente, resguardado pelo principio constitucional da ampla defesa. Transcreve manifestações doutrinárias relativas ao direito de defesa dos contribuintes. Requer a improcedência do lançamento. A impugnação foi considerada pela autoridade julgadora de piso tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, não obstante, foi mantido o lançamento por aquela autoridade. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: MULTA E JUROS DE MORA. ANATOCISMO. Os juros e multa de mora encontram previsão legal nos artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212/91, podendo ser exigidos concomitantemente. Inocorrência de anatocismo, quando os juros incidem apenas sobre a contribuição exigida. PEDIDO DE PERÍCIA. FORMALIDADES. No processo administrativo fiscal, considera-se não formulado o pedido de perícia, quando o requerente não formula quesitos referentes aos exames desejados e nem indica perito. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 76/77), onde ratifica a argumentação quanto à ocorrência de anatocismo no lançamento, Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-007.206 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003845/2007-15 complementa afirmando que a aplicação de juros em percentuais acima de 12% deve ser considerado crime de usura e novamente protesta pela realização de perícia, por considerar como imprescindível para a apuração do quantum devido a título de contribuição previdenciária. Eis os principais excertos constantes da peça recursal: (...) Antes de analisarmos o mérito do presente acórdão, temos que, a determinação da perícia deve prevalecer, pois esta determinação administrativa, viola o inciso LV do artigo 5º, da Constituição Federal, pois afasta o direito da parte ao contraditório e a ampla defesa, senão vejamos: (...) Portanto, protesta seja recebido o recurso e determinada a realização da perícia requerida, sendo ela imprescindível para a apuração do "quantum" devido à titulo de contribuição previdenciária, como medida de segurança ao direito de defesa, não contrariando assim os ditames e regulamentações de nossa Carta Magna. Quanto a necessidade de nomeação do perito, a parte assim que intimada, fará a referida nomeação e apresentará também seus quesitos que entender necessários, estabelecendo e mantendo o contraditório e o direito a ampla defesa, pois o parágrafo 1 °. do artigo 16, do Decreto 70.235/72 na medida em que determina que o atendimento das regras contidas no inciso IV do mesmo artigo, também viola as disposições constitucionais nestes princípios Já quanto a aplicação dos juros, sabe-se que houve nesta apuração administrativa, o anatocismo, isto é, imposição de juros sobre juros, que viola nossa Carta Magna e legislações correlatas. Além do mais, a aplicação de juros acima de 12% aa deve ser considerado crime de usura, conforme os ditames do artigo 192, parágrafo 3". Da Constituição Federal. Ao final, é requerida a total reforma do acórdão objeto do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator. A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/04/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 74. Tendo sido o recurso ora objeto de análise protocolizado em 15/05/2009, de acordo com o carimbo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Limeira/SP, aposto ao mesmo (fl. 76), considera-se tempestivo, assim como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, deve portanto ser conhecido. Antes da análise propriamente dita do presente recurso, cumpre esclarecer que é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei ou inconstitucionalidade. O controle de legalidade efetivado por este Conselho, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. Perquirindo se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis. Nesse sentido temos os exatos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”, assim como, os ditames do art. 62 do Regimento Interno do CARF: “Art. 62. Fica vedado aos Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-007.206 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003845/2007-15 membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Deixo assim de apreciar as alegações de supostas violações de disposições constitucionais. Conforme relatado, no recurso apresentado a autuada limita-se a alegar a ocorrência de anatocismo no lançamento e afirmar que a aplicação de juros em percentuais acima de 12% deve ser considerada crime de usura. Além de reiterar o pedido de realização de perícia, por considerar como imprescindível para a apuração do quantum devido a título de contribuição previdenciária. Ao apreciar a impugnação a autoridade julgadora de piso indeferiu o pedido, por entender desnecessária a realização de perícia quanto aos juros e multa de mora, ante ao fato de não depender de qualquer conhecimento técnico especial, bastando simples cálculo aritmético. Considerou, portanto, prescindível uma perícia para a simples apuração dos acréscimos legais, além do fato de não ter havido indicação de perito e formulação de quesitos a ser respondidos. Insurge-se a recorrente quanto a tal entendimento e ratifica o pedido de realização de perícia. Determina o art. 16, inc. IV do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que a impugnação deve mencionar as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Ocorre que a autuada limitou-se a requerer a realização de perícia e argumentar que faria a indicação do perito quanto intimada para tal. No presente caso, não há qualquer indicação de quesitos, ou apontamento de reais motivos justificadores da perícia requerida, tampouco é indicado algum ponto de divergência ou que necessite de parecer técnico especializado, apenas a singela alegação de ocorrência de anatocismo no lançamento. Deve-se, de pronto, ser rechaçada. Deveria a contribuinte, ao discordar da autuação, apresentar no momento oportuno, qual seja, o da impugnação, os documentos e fatos que entendesse capazes de alteração dos valores lançados, ou eventuais fatos desconstitutivos. Diferentemente, optou por substituir sua incumbência probatória pela solicitação de providências a cargo da Administração Tributária ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ocorre que a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer questões controvertidas, para que o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, possa melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. Hipótese esta não caracterizada na presente situação, onde a autuada selimita a mencionar a ocorrência de anatocismo. Ora, se há dúvidas quanto aos valores apurados no Auto de Infração, ou quanto à correção de sua apuração, essas dúvidas deveriam ter sido objetiva e devidamente apontadas e justificadas no momento da impugnação. Assim sendo, em consonância com a decisão de piso, indefiro o pedido de perícia reiterado no recurso sob análise, por considerá-lo desnecessário, pelos motivos expostos e nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, que permite à autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. JUROS MORATÓRIOS E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-007.206 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003845/2007-15 Questiona a recorrente a incidência dos juros moratórios, sob argumento de anatocismo (imposição de juros sobre juros) e a aplicação da taxa SELIC, afirmando que não poderiam superar o percentual de 12% ao ano. Os juros moratórios se encontram calculados nos exatos termos da legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, bem como de lavratura da notificação - artigo 34 da Lei n.° 8.212, de 1991. Tratando-se de ato vinculado da administração tributária, que independe da intenção do agente ou responsável, uma vez constatada a infração à legislação tributária, o crédito deve ser apurado com os encargos do lançamento de ofício. Na existência de previsão na legislação para o lançamento de créditos tributários, como no caso concreto, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e brigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme o art. 12 parágrafo único do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). Repise-se que não é permitido a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por supostas inconstitucionalidades, conforme a já citada Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF. No que se refere aos juros moratórios, também há expressa orientação deste Conselho quanto ao tema, consolidada no verbete sumular de nº 4, que possui efeito vinculante, conforme a Portaria ME nº 277, de 7 de junho de 2018, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Devidos, portanto, os juros na exata forma como lançados e sem razão a recorrente, devendo ser mantido o lançamento por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.962352/2008-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/12/2000
PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO.
INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.558
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2000 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório relativo à Cofins, no valor de R$ 7.962,92, pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), e, por conseguinte, não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitar débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação, alegando que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidas pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Segundo ele, não foram poucas as saídas gratuitas a título de brindes ou amostras grátis no período do crédito almejado, conforme comprovaria o demonstrativo anexo à peça impugnativa, tendo incorrido em erro ao não retificar as declarações respectivas. Tal equívoco, ainda segundo o então Manifestante, não macularia o seu direito de obtenção dos créditos, que teriam sido facilmente apurados se a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida, nos termos propugnados pelo art. 24 da IN SRF n° 600/2005. Para o contribuinte, a emissão do despacho decisório da forma ocorrida violaria os princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Constituição Federal e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I, da Lei 9.784/1999. A decisão denegatória do pedido do Manifestante proferida pela DRJ Juiz de Fora/MG foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÁO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962352/200810 Acórdão n.º 3803003.558 S3TE03 Fl. 206 3 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que mesmo que o contribuinte tivesse retificado as declarações originalmente apresentadas, reduzindo o valor da contribuição, ainda assim, essa providência não teria sido suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados, conforme preceitua o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ainda segundo o julgador, a defesa apresentara apenas um demonstrativo e uma outra listagem intitulada "balancete", este destituído dos elementos mínimos exigidos (como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e número de registro no CRC), estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T.2.7, aprovada pela Resolução CFC n° 685/90, vigente à época do fato gerador. Consignou, ainda, o não acostamento aos autos dos documentos contábeis hábeis a comprovar a composição da base de cálculo da contribuição, como, por exemplo, Livro Razão, Livros de Registro de Entrada, Livros de Registros de Saída, ou Notas Fiscais, que evidenciassem o erro alegado. Quanto à afirmativa do contribuinte de que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal e diligenciado o estabelecimento, como determinaria o art. 24 da IN SRF n° 600/2005, salientou o relator que, ao contrário dessa alegação, a IN SRF nº 600/2005, em seu art. 24, não obriga, mas, sim, faculta à autoridade administrativa a determinação de diligência para verificar a exatidão das informações prestadas. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, reitera seu pedido de reconhecimento do seu direito creditório e de homologação da compensação e solicita a decretação de nulidade do despacho decisório, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentados os seguintes: a) a decisão recorrida não afirmou em nenhum momento que o crédito não existiria, tendo apenas alegado que ele não teria sido adequadamente comprovado, o que não se sustenta, bem como que a autoridade administrativa "poderia", mas não estava obrigada a realizar diligências para verificar a exatidão das informações prestadas pela Recorrente — diligências essas que, muito a propósito, não foram realizadas no caso concreto; b) nulidade do Despacho Decisório por ter se limitado a indeferir a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem mesmo o Recorrente ter sido intimado para apresentar os documentos comprobatórios dos créditos declarados ou determinado a realização de diligências em seu estabelecimento; c) o art. 4º da IN SRF nº 600/2005, ao estabelecer que a autoridade administrativa "pode" condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e realização de diligências, em nenhum momento deu poder à autoridade Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 administrativa para negar sumariamente o direito de crédito, sem realizar prévia investigação deste; d) os documentos apresentados na primeira instância e não acolhidos pela Delegacia de Julgamento, sob a alegação de não conter os elementos mínimos necessários, foram entregues juntamente com a Manifestação de Inconformidade, esta subscrita por representante legal da pessoa jurídica, atestando, implicitamente, a veracidade das informações ali contidas; e) “Não atribuir valor probatório aos documentos juntados à Manifestação de Inconformidade é partir do pressuposto de que a Recorrente os fraudou, com o objetivo de criar direito de crédito artificial, situação essa que não pode ser tolerada”. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos por ele identificados como (i) “demonstrativo de composição da base de cálculo”, (ii) balancetes idênticos aos anteriormente juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: o nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC”, (iii) “demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo, (...) com indicação de seus respectivos valores contábeis e Códigos Fiscais de Operação ("CFOP")” e (iv) Termo de Abertura, Termo de Encerramento e páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas”. Em 28 de setembro de 2011, o contribuinte protocolizou no CARF pedido de julgamento em conjunto de 78 processos versando sobre o mesmo objeto, qual seja, o direito a crédito da contribuição para o PIS e da Cofins decorrente da inclusão indevida na base de cálculo do valor das mercadorias saídas do estabelecimento a título gratuito. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto ao pedido de julgamento em conjunto de todos os 78 processos do Recorrente versando sobre o mesmo objeto, há que se registrar que as disposições regimentais que cuidam da distribuição e do sorteio de processos para julgamento no CARF não determinam providências nesse sentido, havendo previsão de sorteio de no máximo 15 processos por lote, condição essa que impossibilita o atendimento do pleito. I. Preliminar. Nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962352/200810 Acórdão n.º 3803003.558 S3TE03 Fl. 207 5 base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente; pois, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, alegou que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidos pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Para comprovar os referidos valores dos brindes, o contribuinte trouxe aos autos, na fase de impugnação, um demonstrativo extremamente resumido, de uma folha, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 contendo valores globais de quatro contas, assim como uma relação por ele intitulada “balancete”, esta em duas folhas, contendo a identificação de algumas contas e colunas de débitos e créditos, elementos esses que foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instãncia, no meu entender corretamente, como insuficientes para comprovar o direito reclamado. Não trouxe o contribuinte aos autos a escrituração contábilfiscal, nem as notas fiscais, estas indispensáveis para se verificar a forma como as mercadorias tidas como brindes deram saída do estabelecimento. Em razão da total falta de prova, além da não entrega, ainda que após o despacho decisório, da DCTF retificadora, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. Devese ressaltar que demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao insinuar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962352/200810 Acórdão n.º 3803003.558 S3TE03 Fl. 208 7 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisidição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode ignorar que informação não suscitada na primeira instância administrativa, momento em que se instaura a fase litigiosa do PAF, vindo a ser demandada apenas na peça recursal, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento; precipuamente nos casos de pedidos de ressarcimento/restituição e de declarações de compensação, em que o interessado tem o dever de comprovar o direito pleiteado, sendo o procedimento administrativo da espécie inaugurado pelo próprio sujeito passivo, cabendolhe o ônus de comprovar sua alegação. A Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 3º, inciso III, estipula que o administrado tem direito de apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; contudo, tal dispositivo não se sobrepõe à regra do referido art. 16 do PAF, pois, conforme consta do art. 69 da Lei nº 9.784/1999, esta se aplica apenas subsidiariamente ao processos administrativos específicos regidos por lei própria. Nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, em que a Administração tributária exige do contribuinte determinado tributo e seus acréscimos legais, a ela – Administração tributária – cabe o ônus da prova, pois que o processo se inicia a partir de sua atuação, devendo, por conseguinte, o lançamento se encontrar embasado em elementos probatórios consistentes do descumprimento da obrigação tributária. Diferentemente dessa situação, temse o processo inaugurado por pedido do próprio interessado, pois aqui cabe a ele, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Conforme nos ensina José Antônio Savaris1, a exigência de um prazo previamente estabelecido para a apresentação de provas não afronta o direito de ampla defesa, pois a preclusão se afigura indispensável ao devido processo legal, configurandose a ampla defesa como direito vasto ou de grande extensão e não como um direito irrestringível. Não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da verdade material e da ampla defesa devem ser sopesados dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. “De acordo com Marcos Vinicius Neder, a concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo, como a proposição ilimitada de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento ou a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual, para a sua apresentação em momento posterior. A criação de 1 SAVARIS, José Antônio. O processo administrativo tributário e a Lei 9.784/99. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 94, p. 7997, julho 2003. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 regras de preclusão probatória, pois, decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo” 2. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 3 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade. As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos novos elementos que, segundo ele, não deixariam dúvidas quanto ao seu direito. Contudo, ainda que se abstraísse da preclusão consumativa, tais elementos não seriam suficientes para comprovar o indébito alegado. O denominado “demonstrativo de composição da base de cálculo” é o mesmo que havia sido apresentado na primeira instância, havendo nele informações que mais confundem do que esclarecem. Ali são identificados valores globais sob as seguintes rubricas: 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 65 e 205. In: BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012) 3 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962352/200810 Acórdão n.º 3803003.558 S3TE03 Fl. 209 9 “débito apurado”, “suspensão”, “pagamento”, “saídas grátis eletrodomésticos”, “saídas grátis assistência técnica”, “saídas grátis importados”, “saídas grátis diversas diversos”, “devoluções”, “total”, “valor apurado”, “correção” etc., sem haver qualquer explicitação quanto à origem de tais valores. No Recurso Voluntário, a relação que havia sido identificada como “balancete” na Manifestação de Inconformidade foi substituída por uma outra denominada “Relatório Notas Fiscais Saídas”, sendo relacionados vários números de notas fiscais, o estabelecimento emissor, a data de emissão, o CFOP, o valor contábil, o nº do livro e a página, sendo que as referidas notas fiscais não foram apresentadas nem mesmo por amostragem, ainda que apenas uma delas. Não se pode ignorar que tal documento (a nota fiscal) é imprescindível para se aferir a natureza da saída da mercadoria, precipuamente nos casos de saídas gratuitas. Se o contribuinte havia incluído as alegadas notas fiscais relativas a brindes no cômputo da receita bruta para fins de apuração da contribuição, é porque tais notas foram emitidas com um determinado valor, sem o qual inexistiria possibilidade de sua inserção no faturamento. Nessa situação, a apresentação da cópia da nota fiscal tornase condição sine qua non à comprovação pretendida, pois somente conhecendo o seu teor, pode se constatar a natureza e a extensão da operação. O mesmo se diga em relação ao livro Registro de Saídas, cuja cópia foi trazida aos autos juntamente com a peça recursal. Nele, além das informações constantes do relatório supra, há a indentificação dos débitos de IPI e de ICMS incidentes em cada operação, dados esses que nada acrescem à defesa do Recorrente, pois que, reafirmese, desacompanhados dos documentos a que fazem referência, quais sejam, as notas fiscais respectivas. Conforme preceitua o parágrafo único do art. 195 do Códito Tributário Nacional (CTN), evidenciando a necessidade de apresentação dos documentos fiscais que embasam os registros contábeis, “[os] livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente e, inexistindo prova material do direito pleiteado, não se vislumbra necessidade de se enfrentar o mérito, ou seja, as razões de direito alegadas, pois ainda que favoráveis à tese do interessado (não incidência da contribuição sobre brindes), quando desacompanhadas dos elementos Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 fáticos comprobatórios da ocorrência do evento, em nada favorecem a defesa da parte, dada a sua inocuidade. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.962352/200810 Acórdão n.º 3803003.558 S3TE03 Fl. 210 11 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10880.962352/200810 Interessada: ARNO S/A (SUCEDIDA PELA EMPRESA GRUPO SEB DO BRASIL PRODUTOS DOMÉSTICOS LTDA.) Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.558, de 27 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001271/2007-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004
PEDIDO DE PARCELAMENTO. ÓRGÃO COMPETENTE
O pedido de parcelamento de valores apurados em Notificação Fiscal deve ser submetido à Receita Federal do Brasil, descabendo a este Colegiado, em julgamento de recurso de NFLD, se manifestar acerca de seu cabimento.
Recuso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-000.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSEAS COIMBRA
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ÓRGÃO COMPETENTE O pedido de parcelamento de valores apurados em Notificação Fiscal deve ser submetido à Receita Federal do Brasil, descabendo a este Colegiado, em julgamento de recurso de NFLD, se manifestar acerca de seu cabimento. Recuso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 10167.001271/200718 Acórdão n.º 280300.613 S2TE03 Fl. 87 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 10167.001271/200718 Acórdão n.º 280300.613 S2TE03 Fl. 88 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a ocupantes de cargos exclusivamente em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração – parte do segurado. A DecisãoNotificação – fls 44 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : • De posse da NFLD, buscou o Município a regularização da situação, mediante o parcelamento do débito, em até 240 meses tal como lhe faculta a lei, a fim de não verse comprometido em sua regularidade para com a seguridade social, o que traria inúmeras conseqüências de ordem legal e prática, eis que estaria inviabilizado de receber recursos provenientes de convênios já firmados, ante a falta de apresentação da certidão negativa de débito junto ao INSS, mas foi informado da impossibilidade de parcelamento em razão de se tratar de contribuições descontadas e não repassadas. • O Município não detém empregado, na forma como a lei empregou, mas sim agentes públicos, ou servidores, daí porque a hipótese pretendida de parcelamento não se enquadra na vedação. A condição de empregado é atribuível àquele que presta serviços à iniciativa privada, regida pela CLT, o que não é o caso dos servidores em questão, os quais estão vinculados ao regime administrativo. • Não há como o Município arcar com o pagamento da integralidade do débito apurado recolhendoo de uma só vez, dado que existem mais outros dois débitos nessa condição. • O mínimo que espera é a permissão para que seja regularizada a situação mediante o parcelamento do débito, em caráter excepcional, em vista de que, ocorrendo o contrário, estará o Instituto condenando o Município ao fechamento de suas portas • Ao final, requer a) a autorização para parcelamento do débito apurado, em caráter excepcional; b) a autorização para incluílo no parcelamento em 240 duzentos e quarenta meses, juntamente com os demais. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR Processo nº 10167.001271/200718 Acórdão n.º 280300.613 S2TE03 Fl. 89 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DO PEDIDO DE PARCELAMENTO Os pedidos de parcelamento efetivamse perante o setor administrativo da Receita Federal, seguindo rito específico previsto em lei. Foge da competência deste Colegiado, em julgamento de recurso de Notificação Fiscal de Lançamento, se manifestar acerca de procedência ou não de pedido de parcelamento do débito, o qual deve ser submetido à autoridade competente junto à Receita Federal do Brasil. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do presente recurso. assinado digitalmente OSÉAS COIMBRA Relator. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 11/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, 10/04/2011 por OSEAS COIMBRA JU NIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967888/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Oct 28 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1401-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. Relatório Por bem expor o caso dos autos, reproduzo abaixo o relatório da Delegacia de origem, complementando-o a seguir: O contribuinte TYCO ELECTRONICS BRASIL LTDA, CNPJ/MF nº 00.907.845/000165, já qualificado neste processo, apresentou o PER/DCOMP nº 15254.45650.300805.1.3.042597, transmitido em 30/08/2005, com um pedido de reconhecimento de indébito referente ao IRPJ arrecadado em 31/03/2005, no valor original de crédito de R$ 257.802,93, sendo utilizado neste pedido o importe de original de R$ 229.766,15 (DARF no valor total de R$ 503.783,12), para compensar com o 236201 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal, período de apuração julho de 2005, no importe de R$ 245.872,76. Este direito creditório está vinculado ao PER/DCOMP n. 27378.51409.300805.1.7.045141 (processo administrativo nº 10880.933803/200984). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 67 88 8/ 20 09 -0 2 Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.758 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.967888/2009-02 Em despacho decisório de 20/07/2009 (rastreamento nº 843633660), a autoridade competente da DERAT São Paulo (SP) não homologou a compensação, porque o pagamento integral havia sido utilizado para extinguir o débito cód 2430 PA 31/12/2004, no importe de R$ 503,783,12. Notificado da decisão acima em 27/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 26/08/2009, alegando o que abaixo se transcreve: (...) O prazo de recolhimento do tributo em questão, ocorre no último dia útil do mês subseqüente ao mês da apuração, desta feita o recolhimento equivalente ao mês de Dezembro/2004 ocorreu no dia 31/01/2005. (doc. 4) Por ocasião da elaboração do balanço anual, levantado em 31/12/2004, a Requerente procedeu os cálculos do IRPJ referente ao exercício 01/01/2004 à 31/12/2004 e apurou um saldo de IRPJ à pagar, o qual foi quitado em parcela única no dia 31/03/2005, devidamente atualizado (SELIC Fevereiro/05 e 1% (um por cento)em Março/2005). (doc.5) (...) Ocorre que no momento de elaboração da DIPJ 2005, ano-calendário 2004, a Requerente apurou um Imposto de Renda a pagar no montante de R$ 235.039,10, tendo informado na referida Declaração tal valor na linha 20 da Ficha12A — Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real — PJ em Geral. (doc. 6) Contudo, como a empresa havia recolhido anteriormente o valor de R$492.842,03, devidamente atualizado, a titulo de IRPJ Declaração de Ajuste, houve notadamente um pagamento efetuado a maior, uma vez que o valor efetivamente devido era de R$ 235.039,10, restando um crédito de R$257.802,93. Assim sendo, em 30/08/2005 a Requerente, apresentou a 2 (duas) PER/DCOMPs para aproveitamento do referido crédito, conforme segue: a) Per/Dcomp n° 27378.51409.300805.1.7.045141 2 declarando compensação de pagamento a maior, decorrente do recolhimento supra mencionado, com crédito original de R$ 257.802,93, visando compensar débito de IRPJ relativo ao mês de Junho de 2005, correspondente ao valor de R$ 29.578,80; e b) Per/Dcomp n° 15254.45650.300805.1.3.042597 declarando a compensação do saldo remanescente da compensação acima, no valor original de R$229.766,15 ou R$ 245.872,69 (atualizado até 31/08/2005) visando compensar débito de IRPJ relativo ao mês de julho de 2005, correspondente ao valor de R$245.872,76. Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.758 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.967888/2009-02 Em que pese a regularidade dos procedimentos adotados pela Manifestante, ambas as compensações foram indeferidas (não homologadas), gerando a apresentação de manifestações de inconformidade. Apenas a titulo de esclarecimentos, a Requerente informa que a regularidade da compensação mencionada no item "a" já está sendo discutida em outro processo, de forma que a presente manifestação tem por objeto, exclusivamente, a compensação relacionada no item "b" acima, materializada na Per/Dcomp n°15254.45650.300805.1.3.042597. Assim, considerando que o valor do crédito remanescente é superior ao valor do débito a compensar declarado na PER/DCOMP em referência, restou evidenciado que a Manifestante faz jus a homologação da compensação pleiteada, devendo ser reformado tal despacho decisório para homologar a compensação realizada. Por fim, cumpre ressaltar que a DCTF relativa ao mês de julho de 2005 já foi oportunamente retificada (declaração enviada em 19/08/2009) para inclusão da informação acerca da compensação acima referida (página 4) (doc. 7). Quando do julgamento pela Delegacia de origem, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 IRPJ. VALOR INFORMADO EM DIPJ DIVERGENTE DO CONFESSADO EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO ALICERÇADO UNICAMENTE NA INFORMAÇÃO DA DIPJ. INVIABILIDADE DO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O meio hábil para confissão e constituição de débitos é a DCTF, cujos valores serão objeto de auditoria interna e, eventualmente, inscrição em dívida ativa, e não a DIPJ, sendo esta mera peça informativa, que não constitui o crédito tributário. Eventualmente, se houver provas que demonstrem o erro de fato na DCTF, pode-se acatar a correção dos valores confessados. Para tanto, não basta a mera DIPJ, sendo necessário que o contribuinte acoste aos autos a sua escrita contábil, com documentação de suporte, a demonstrar o erro incorrido. Direito creditório indeferido. Compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a Contribuinte recurso a esse Conselho alegando em síntese: Que havia a necessária conexão com o processo 108880.933803/2009-84. Que o fundamento da delegacia para não homologar a compensação teria sido que o DARF de R$492.842,03 foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF. Entretanto, argumenta que a DCTF estava equivocada e que o valor correto estava na DIPJ e para comprovar junta Lalur do ano de 2004 e que houve apenas um erro material que em nada interfere em seu direito de restituição do valor pago a maior. Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.758 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.967888/2009-02 Este é o relatório do essencial. VOTO Conselheira Letícia Domingues Costa Braga, Relatora. O recurso é tempestivo e dele conheço. Com relação à conexão requerida com o processo de n. 10880.933804/2009-29, tem-se o mesmo já foi devidamente julgado, sendo impossível a sua conexão. Naquele processo, restou a decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Não se desincumbindo a recorrente do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o não provimento do recurso voluntário. Direito creditório que não se reconhece. Assim, não foi reconhecido o direito creditório porque entendeu aquele relator, não ser suficiente para a comprovação do direito creditório a juntada da DIPJ e do Lalur. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Apresentou LALUR assinado em sede recursal alegando que os valores são coincidentes com a DIPJ. Entretanto, tais documentos apenas são indício de prova mas não comprovam o efetivo direito ao crédito. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal de indício de prova de seu direito, conduzo meu voto para converte o julgamento em diligência remetendo a Unidade de origem para que intime a Contribuinte a juntar aos autos o livros diário e razão. Após, fazer relatório circunstanciado para verificar o valor devido a título de IRPJ 2004/5 e retorne os autos ao CARF para o julgamento do Recurso Voluntário. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.758 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.967888/2009-02 Intime-se a Contribuinte sobre o relatório para se manifestar no prazo de 30 dias. Posteriormente, com ou sem a manifestação da Contribuinte, retorne os autos ao CARF para o julgamento do Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19679.005746/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Numero da decisão: 3803-002.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório VOTORANTIM CELULOSE E PAPEL S/A, sucessora de Fíbria Celulose AS, formulou, em 8/6/2005, pedido de restituição de pagamentos indevidos de Contribuição para o Plano de Integração Social PIS, no valor de R$ 3.851.744,71 com fundamento na decretação da inconstitucionalidade do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. (Darfs de recolhimentos entre 20/10/88, fl 51, e 12/3/90, fl. 69). O pleito foi indeferido, forte no art. 168, inc. I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, e no Ato Declaratório SRF nº 96, de 26 de novembro de 1999, considerandose expirado o prazo de 5 (cinco) anos da extinção do Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN 2 crédito tributário, inclusive para as hipóteses nas quais o pagamento foi feito com base em lei posteriormente declarada inconstitucional), e art 3o, da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005. Sobreveio reclamação, (fl 94) na qual, em suma, se alega: a) a aplicabilidade da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, até a edição da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995; b) a inaplicabilidade das regras do CTN no caso de norma impositiva declarada inconstitucional; c) a tese de que termo inicial do prazo prescricional é a data de ; d) a inaplicabilidade retroativa do art. 3º da LC nº 118, de 2005; e) a semestralidade da base de cálculo do PIS, transcrevendo decisões administrativas (súmulas e pareceres da PGFN) e judiciais e seu efeito sobre a contagem do prazo decorrente deste aspecto, concluindo que finda em 2011 A 9ªa Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1628.931, de 14 de janeiro de 2001, fls. 133 a 138, teve ementa redigida nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1989 REPETIÇÃO. DECADÊNCIA. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear restituição do que alega indevido inexiste após 5 (cinco) anos da data da extinção do credito tributário (art 106, 150, §1°, 168,1, CTN; art. 3o, LC 118/05; AD SRF 96/99). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 9ª Turma da DRJ/SPOI. O arrazoado de fls. 141 a 159, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma a tese de inaplicabilidade das regras do CTN para os casos de indébitos emergentes da decretação da inconstitucionalidade da norma impositiva e a alegação de inaplicabilidade retroativa do art. 3º da LC nº 118, de 2005. Rechaça também a aplicação do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que alcançaria somente as dívidas de natureza nãotributária da União. Reclama a apuração dos indébitos segundo a semestralidade da base de cálculo, estabelecida na LC nº 7, de 1970, sem correção monetária. Refere a Súmula CARF nº 15. Argumenta que, somente após a definição pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da questão da semestralidade, é que o direito do contribuinte foi plenamente reconhecido, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 8, de 7 de Novembro de 2006, devendo este ser o termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito em comento, de forma que o prazo só findará em 2011. Requer a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados. Pede provimento. É o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN Processo nº 19679.005746/200588 Acórdão n.º 380302.247 S3TE03 Fl. 162 3 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor original da restituição de PIS deste processo é de R$ R$ 3.851.744,71 (três milhões, oitocentos e cinqüenta e um mil, setecentos e quarenta e quatro reais e setenta e um centavos)), voto pelo não conhecimento do recurso de ofício, declinandose a competência para seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Sala das Sessões, em 9 de novembro de 2011 Alexandre Kern Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 19679.005746/200588 Interessada: VOTORANTIM CELULOSE E PAPEL S/A À Secretaria da 3ª Câmara da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 9 de novembro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.016588/99-12
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO — Ausência de prova do motivo que
ensejou a exclusão. Inexistência nos autos do Ato Declaratório de
Exclusão, ato que deu ensejo à exclusão do contribuinte do Sistema
Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições — Simples.
Não há que ser mantida a exclusão, sob pena da mesma ser fundada
em presunção de fato.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 303-31.660
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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LTDA. - ME RECORRIDA : DRESÃO PAULO/SP SIMPLES — EXCLUSÃO — Ausência de prova do motivo que ensejou a exclusão. Inexistência nos autos do Ato Declaratório de Exclusão, ato que deu ensejo à exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições — Simples. Não há que ser mantida a exclusão, sob pena da mesma ser fundada em presunção de fato. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 2 de outubro de 2004 ANELISE DAUDT PRIETO oPresidente )2 .-- TON BAR2TI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros- ZENALDO LOIBMAN, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional MARIA CECILIA BARBOSA. MA/4 MINISTÉRIO DA FAZENDA •TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.815 ACÓRDÃO N' : 303-31.660 RECORRENTE : JANGADA ASSESSORIA DE EMPRESAS S/C. LTDA. — ME. RECORRIDA : DM/SÃO PAULO/SP RELATOR(A) : NILTON LUIZ BARTOLI RELATÓRIO Tem por objeto o presente processo, exclusão da Recorrente do Sistema. Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES.• O mesmo já fora apreciado por esta Egrégia Câmara, nos termos do Relatório e Voto de fls. 52/55, oportunidade na qual se decidiu por converter o julgamento em diligência, já que nos autos não se encontrava o Ato Declaratório de Exclusão do Contribuinte. Retornam os autos para julgamento, com os documentos de fls. 58 e a informação da Delegacia da Receita Federal em São Paulo, às fls. 59. Segundo referida informação, não há cópia do Ato Declaratório n° 141.192 junto à repartição, pelo que foi juntado extrato às fls. 58, de onde "pode-se depreender que o ADE foi editado em razão do exercício de atividade económica não permitida." É o relatório. o 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.815 ACÓRDÃO N° : 303-31.660 VOTO Ultrapassada a análise da presença dos requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, passo ao julgamento dos presentes autos. Inicialmente, cabe ressaltar que o cerne da questão, encontra-se na exclusão de contribuinte que tendo optado pelo simples, tenha atividade econômica elencada dentre as não permitidas para tal opção. 411 A exclusão do contribuinte se deu por meio de Ato Declaratório, ressalte-se, não constante dos autos, emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo, que teria como motivo, segundo consta do extrato de fls. 58, "atividade econômica não permitida". Ressalte-se aqui, de plano, que o Ato Declaratório é ato administrativo e privativo da autoridade administrativa, que tem o poder de aplicar o direito e reduzir a norma geral e abstrata em norma individual e concreta, portanto, mais que um poder, é um dever de aplicar a norma, de forma vinculada, porque a lei é que deve estabelecer requisitos para a atuação da Administração Pública. Note-se que independentemente de qualquer norma especifica quanto ao Simples, o ato administrativo deverá sempre ser vinculado, ou seja, ser realizado segundo os ditames normativos legais, tanto no que tange às normas de competència que possibilitam o exercício da fiscalização, como no que tange às normas jurídicas atinentes ao Simples, que estabelecem os limites e os sujeitos passivos a quem destinam-se os beneficios oferecidos pelo sistema. A Lei 9.784/99, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, determina em seu artigo 2°, que a administração pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. O artigo 50 do mesmo dispositivo legal, determina que os atos administrativos sejam motivados e que indiquem os fatos e fimdamentos jurídicos que o originaram quando se tratar de atos que: "C..) 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.815 AC ()RD ÃO N° : 303-31.660 I — neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; Na lição de Hely Lopes Meirelles, a motivação deve apontar a causa e os elementos determinantes da prática do ato administrativo, bem como o dispositivo legal em que se funda.' Não obstante, dos autos em apreço, nem sequer consta o Ato Declaratório que ensejou a exclusão do contribuinte, em que pese o pedido formulado em diligência para que a Delegacia da Receita Federal o juntasse. Não há como se admitir a substituição de ato, de suma importância, • que excluiu o contribuinte da sistemática Simples, afetando direitos ou interesses individuais, por simples extrato juntado pela Delegacia da Receita Federal, posto que não há como concluir se o Ato seguiu os preceitos do devido processo legal, garantindo ao contribuinte seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Para configuração da exclusão, por meio de Ato Declaratório, compete ao Poder Público, de modo privativo e obrigatório, a comprovação da existência de todos os elementos componentes do fato, sob pena de mera presunção, acarretando em incerta situação fiscal. Ressaltem-se as palavras de Paulo Celso B. Bonilha: "Fazer justiça, em principio, é aplicar a lei ao fato. Indispensáveis, portanto, à administração da justiça o conhecimento da lei e da verdade do fato. A descoberta desta verdade como elemento essencial ao julgamento, impõe a exigência da prova."2 Do mesmo autor, ao tratar do Ônus da prova na relação tributária, O tem-se a conclusão, que: "Se é verdade que a conformação peculiar do processo administrativo tributário exige do contribuinte impugnante, no inicio, a prova dos fatos que afirma, isto não significa, como vimos, que, no decorrer do processo, seja de sua incumbência toda a carga probatória. Tampouco a presunção de legitimidade do ato de lançamento dispensa a Administração do ônus de provar os fatos de seu interesse e que fundamentam a pretensão do crédito tributário, sob pena de anulamento do ato." I MEIRELLES. Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 23°. edição. Malheiros Editores. São Paulo: 1998. p. 177. 2 BONILHA, Paulo Celso B. Da Prova no Processo Administrativo Tributário. 2° edição. Dialética. São Paulo: 1997. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO br : 127.815 ACÓRDÃO : 303-31.660 Além do que, nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72, são nulos os despachos e decisões que tenham sido proferidos com preterição do direito de defesa, o que se aplica ao presente, já que não há nos autos elemento de prova dos motivos que ensejaram a exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições — Simples. Diante do exposto, por ausência de provas contrárias à permanência do contribuinte no SIMPLES, dou provimento ao Recurso Voluntário Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2004 110 )12TON BART25- Relator o 4,.14,'41:44, MINISTÉRIO DA FAZENDA 4:striétri. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°: 10880.016588/99-12 Recurso n°: 127815 TERMO DE INTIMAÇÃO _ Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos • de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à. Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31660. Brasília, 25/01/2005 ANELI DAUDT PRIETO Presidpíte da Terceira Câmara • Ciente em Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1
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