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Numero do processo: 13804.000454/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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(INCORPORADA PELA BRF S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS, relativo a receitas de exportação, no importe de R$ 1.000.000,00, referente a janeiro de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório a decisão de primeira instância: O caso submetido à apreciação desta DRJ versa sobre declaração de compensação apresentada pela empresa Perdigão Agroindustrial S/A (incorporada posteriormente por BRF — Brasil Foods S/A), com o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 45 4/ 20 05 -9 0 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.352 2 objetivo de compensar débitos próprios com supostos créditos de PIS oriundos de operações de exportação, os quais teria apurado no mês de janeiro de 2004 pelo regime nãocumulativo e com fundamento no art. 5o, § 1°, da lei n° 10.637/2002. 5. A declaração citada foi apresentada em 31/01/2005, ocupando as fls. 1/2 dos autos. 6. Dada a complexidade da matéria e a necessidade de apurar a liquidez e certeza dos créditos informados pela requerente, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO, em despacho de 2210812007 (fls. 41/42), determinou o envio do processo à DEFIS/SP para a realização de auditoria fiscal. 7. As autoridades tributárias incumbidas da diligência elaboraram em 22/07/2009 a informação fiscal anexa às fls. 55/57, na qual declaram em síntese que o sujeito passivo não apresentou a documentação mencionada no Termo de Inicio de Ação Fiscal (fls. 45/50), reiterado pelo Termo de Reintimação constante nas fls. 52/53, o que as impediu de analisar os créditos reivindicados. 8. Retornando os autos à DERAT/SP, a DIORT emitiu em 04/11/20090 Parecer Decisório anexo ás fls. 58/61, no qual se exprime nos seguintes termos: "Diante do exposto, indefiro o pedido de restituição e, como conseqüência, não homologo as compensações constantes das declarações de compensação vinculadas aos processos em tela, pela falta de comprova cão dos créditos pleiteados, nos termos da legislação tributária vigente." (fl. 61) 9. Intimada da decisão por via postal em 02/12/2009 (fl. 62 — v.), a interessada apresentou em 30/12/2009 a manifestação de inconformidade anexa ás fls. 65/86, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de diversos documentos (fls. 87/142). Resumo Apresenta inicialmente um quadro demonstrativo na fl. 66, no qual expõe minuciosamente o conteúdo da declaração de compensação ora examinada, informando a natureza do débito a compensar, bem como seu valor, código e período de apuração. Afirma que o "histórico do objeto" emitido pelos Correios e anexo à fl. 51 indica meramente a data de entrega do Termo de Inicio de Fiscalização, não contendo o aviso de recebimento com o nome e assinatura do recebedor. Acrescenta que o setor responsável da empresa não recebeu o aludido documento, o que a levou a solicitar aos Correios informações acerca do nome do recebedor no intuito de averiguar se teria havido extravio no interior de suas dependências. III. Assevera que, ao receber o Termo de Reintimação, entrou em contato com os auditores fiscais por intermédio de seu patrono, a fim de obter cópia do Termo de Inicio de Fiscalização e solicitar prorrogação do prazo de 5 dias concedido para a entrega dos arquivos magnéticos, tendo em vista que o art. 2 ° da IN SRF n° 86/2001 lhe facultava prazo de 20 dias para cumprir tal exigência. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.353 3 IV. Observando que, além de indeferir o pedido de prorrogação, os auditores fiscais não aceitaram os arquivos magnéticos que lhes foram apresentados após o decurso do prazo de 5 dias, assinala que o prazo de atendimento da segunda intimação também deveria ser de 20 dias, visto que, embora possuam discricionariedade para decidir se devem reintimar ou não o contribuinte, não podem as ditas autoridades fixar o prazo a ser cumprido, quando este se encontra previsto em diploma legal. Entende portanto que a fixação do referido prazo constitui ato vinculado, diferentemente do envio de nova intimação, a seu ver ato discricionário da autoridade administrativa. V. Ressalta ademais ser desnecessária a verificação dos arquivos magnéticos pertinentes à contabilidade da empresa, alegando que, para atestar a existência e a validade dos créditos de Pis apurados, bastaria analisar seus documentos fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, consistindo basicamente em D1PJ, DCTF, DACON, notas fiscais, livros de registro de entradas e saídas, etc. VI. Salienta a impossibilidade de apresentar no exíguo prazo de 5 dias os documentos requisitados, em virtude de seu volume expressivo, o qual se deve á quantidade de informações solicitadas e de lançamentos correspondentes. VII No tocante ao item "6" do Termo de Inicio de Fiscalização, afirma que as notas fiscais de entrada e saída nele mencionadas sempre estiveram à disposição do Fisco e continuam a sua disposição. VIII. Esclarece que os créditos de Pis pleiteados, como consta no demonstrativo anexo à fl. 2, provêm de custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação e que os apurou na forma da lei n° 10.833/2003 (na verdade lei 10.637/2002, conforme se lê no dito demonstrativo), declarandoos devidamente na DIPJ e no DACON. IX. Ressalta que as autoridades fiscais, além de não abordar nenhum aspecto relativo à inexistência do direito creditório ou do seu quantum, não comprovaram que ele seja ficto ou inventado. X. Voltando a mencionar o DACON, o demonstrativo de créditos de Pis anexo fl. 2, a DCTF e a DIPJ, assinala que os auditores fiscais não lhes questionaram a veracidade ou validade. Xl. Assinala que as informações contidas nas fichas 20 e 21 da DIPJ relativa ao exercício de 2005 conferem com aquelas exibidas pelo DACON, como mostram as cópias desses documentos incluidas nas fls. 71/73. XII. Declara que, ao não apreciar os arquivos magnéticos, a DIPJ (fichas 20 e 21), o DACON, a DCTF, as notas fiscais de saida e de entrada e os livros fiscais, que sempre estiveram à disposição do Fisco, o autor do parecer decisório impugnado feriu os princípios da instrumentalidade processual e da verdade material. XIII. Afirma haver juntado aos autos 1 DVD contendo os arquivos magnéticos solicitados, assim como cópia física dos seguintes documentos: DACON, Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, e Demonstrativo do Crédito de Pis ("Anexo 2"). Fl. 992DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.354 4 XIV. Finalmente, estribada em diversos julgados do Conselho de Contribuintes transcritos nas fls. 75/85, requer que — na linha desses precedentes e em nome do principio da verdade material — este órgão judicante anule o presente processo a partir do despacho decisório e determine que a autoridade a quo analise o pedido de restituição à luz dos documentos e arquivos magnéticos trazidos aos autos, "deferindo se, por conseguinte, o pedido de restituição e homologandose as compensações declaradas vinculadas ao presente processo"(fls. 85/86). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito informado não permite a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão recorrida. afirmase que o histórico do objeto constitui documento oficial extraído do sitio dos Correios, possuindo fé pública, o que significa que, salvo prova em contrário, as informações nele contidas se reputam verdadeiras. Quanto ao Termo de Reintimação, afirmase que não há prova nos autos de que a contribuinte tenha de fato apresentado os arquivos magnéticos as autoridades fiscais ou pedido dilação de prazo. Ademais, o prazo de 20 dias do art. 2° da IN SRF n° 861/2001, diz respeito unicamente a apresentação de arquivos digitais, ao passo que, pela natureza da documentação requisitada, o prazo para apresentação de 5 dias, tendo em vista o que dispõe o art. 19, § 1°, da Lei n° 3.470/58, incluído pela MP n° 2.158 35/01, devendo estar à disposição das autoridades fiscais, por força do art. 11, da Lei n° 8.218 /91. Por conseguinte, em face da inação da interessada, encerrouse a ação fiscal, propondose que se denegasse o ressarcimento dos referidos créditos. Finalmente, afirmouse que não basta alegar que a documentação fiscal e os arquivos magnéticos relativos ao direito creditório informado sempre estiveram à disposição das autoridades tributárias, pois, para demonstrar a veracidade dos dados, assim como a veracidade das informações prestadas nas declarações entregues â Receita Federal (Dacon, DIPJ e DCTF), seria indispensável, exibir documentos que comprovassem os valores das rubricas que compõem a base de cálculo utilizada. Por outro lado, o único disco digital (DVD) juntado aos autos está incompleto, não contendo todos os arquivos magnéticos solicitados pelas autoridades fiscais. Tais arquivos, previstos no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15, de 23/10/2001, vêm Fl. 993DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.355 5 enumerados de forma expressa no Termo de Inicio de Ação Fiscal, ao qual se reporta o Termo de Reintimação. Cientificada, a interessada interpôs recurso voluntário, argumentando, preliminarmente, a necessidade de julgamento conjunto do presente processo administrativo com processos que relaciona, que também tratam de análise de créditos de PIS/Cofins não cumulativos objeto do Mandado de Procedimento Fiscal ("MPF") no 08.1.90.002009 01493 3. Ademais , alegase que a fiscalização e a DRJ não analisaram um documento sequer juntado aos autos, embora a Recorrente tivesse apresentado devidamente, arquivos magnéticos e demais documentos solicitados. O indeferimento, pelo Fisco, do direito creditório pleiteado, que se encontra astreado em documentação fiscal — DIPJ, DACON e PER/DCOMP — e contábil — arquivos magnéticos devidamente validados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil) deveria ser justificado, com razoabilidade, sob pena de caracterizar ato ilegal por parte do agente público. No item 6 do Termo de Inicio de Ação Fiscal, os Auditores Fiscais solicitaram à Recorrente para "Disponibilizar no estabelecimento da fiscalizada, as Notas Fiscais de Entradas e Saídas para eventual consulta por esta fiscalização, todas referentes ao(s) anos(s) calendário(s) dos processos relacionados na TABELA DE PROCESSO acima". Contudo, não foi empreendida diligência alguma pela Fiscalização ao estabelecimento da Recorrente no sentido de consultar as notas fiscais de suporte da contabilidade. A Fiscalização, tanto por meio da Defis/SP, quanto por meio do Sr. Agente Fiscal prolator do Parecer Decisório, jamais solicitou a documentação de suporte da contabilidade, embora a DRJ tenha afirmado que tal verificação seria indispensável à comprovação da liquidez e certeza dos créditos), incorrendo em grave preterição do direito de defesa da Recorrente, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Não é razoável, bem como é desproporcional, estabelecer como condição sine qua non para a análise do crédito da Recorrente que ela apresente toda a documentação que suportou a sua contabilidade eletrônica, o que implica em gigantesca quantidade de documentos, sem antes sequer avaliar a sua contabilidade. Com o recurso voluntário, foi apresentado DVD — doc. 09), com as cópias dos arquivos eletrônicos contendo os Livros de Registro de Entradas e Saídas de todas as filiais da Recorrente, bem como planilha com a identificação dos produtos utilizados referentes a combustíveis e energia elétrica empregados em seu processo produtivo e geradores de créditos de PIS. Anexa, por amostragem, cópia dos Livros de Registro de Entradas e Saídas de 5 de suas 260 filiais (doc. 10), contemplando as compras (entradas) e vendas (saídas) de mercadorias no mês de janeiro de 2004, compondo, juntamente com a movimentação de suas demais filiais, o crédito total de PIS apurado no mês. A Recorrente ainda anexa aos autos, ademais, a abertura completa dos Razões das contas contábeis que fundamentaram a apuração dos créditos utilizados nas compensações (doc. 11), conforme as planilhas demonstrando a apuração do PIS já juntadas aos autos (doc. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.356 6 05 acima) , que possibilitaria, de forma individualizada, com datas, valores e descrição, todos os lançamentos efetuados nas contas contábeis utilizadas para a composição dos valores de cada linha da Ficha de Apuração dos Créditos do PIS no DACON, a qual reúne, por espécie, os valores de créditos apurados pela Recorrente no mês. A Recorrente requer, a procedência de seu pedido, ou, com fulcro no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n°70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, e no art. 11 da Portaria RFB n° 10.875/2007, que seja decretada a realização de diligência por esta Colenda Turma. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Inicialmente, em relação ao pedido de julgamento do presente processo com outros mencionados pela Recorrente, que teriam se originado do mesmo MPF, entendo ser despiciendo, pois, apesar de se relacionarem a ressarcimento de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, fazem menção a direito creditório relativo a períodos de apuração distintos. O fato de se originarem de um mesmo MPF, que, no caso em tela, de acordo com alegação da Recorrente, traduziuse em vícios procedimentais e cerceamento do direito de defesa, é suplantando, caso se encampe o entendimento de prevalência da Verdade Material, que é o adotado na presente decisão. De fato, embora formalmente não se demonstre nos autos, que a Recorrente tenha atendido às intimações para apresentação e documentos, podese questionar, materialmente, a legitimidade do procedimento fiscal, especialmente quanto aos diminutos prazos concedidos. Por outro lado, é notório a relevante papel da Recorrente como grande exportadora, sendo certo que deve deter créditos oriundos da exportação, não obstante a necessidade de comprovação de sua liquidez e certeza. Destarte, nos processos administrativos cujo pedido é o reconhecimento de direito creditório, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, sendo a manifestação de inconformidade o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. O contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade, pois naquela o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art.142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de Fl. 995DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.357 7 indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Outrossim, o Conselho Administrativo Fiscal vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, e da Estrita Legalidade, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. No caso em tela, a ora Recorrente apresentou, juntamente com sua Manifestação de Inconformidade, os seguintes elementos: Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais —DACON; Cópia da Ficha 21 da DIPJ, onde consta a base de cálculo do PIS —Regime Não Cumulativo — Incidência Total ou Parcial; Cópia da Ficha 20 da DIPJ 2004, onde consta a Apuração dos Créditos do PIS Regime não Cumulativo, cujas informações conferem com o DACON; Planilhas informando a composição dos valores constantes do DACON (linha a linha), indicando as contas contábeis lançadas; Demonstrativo do crédito do PIS; DVD contendo os arquivos magnéticos e demais elementos solicitados pela Fiscalização, quais sejam: a) Planilha Excel em mídia eletrônica com o respectivo Hash Code, informando a composição dos valores constantes do DACONI (linha a linha), do mês de janeiro de 2004, indicando as contas contábeis lançados (item 1 do Termo de Inicio de Ação Fiscal); b) Livros de registro de Entradas e Saídas do anocalendário de 2004, de todas as filiais (item 7 do Termo de Inicio de Ação Fiscal); c) Arquivos magnéticos 4.1.1, 4.1.2, 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.4.1, 4.5.2 (individual para cada inicio e fim de mês), 4.7.1, 4.9.1, 4.9.2, 4.9.5, conforme layout definido pela IN SRF n° 86/2001, do anocalendário de 2004 (item 7 do Termo de Inicio de Ação Fiscal); e d)Planilha em Excel com a identificação dos produtos utilizados pela empresa referentes a Combustíveis e Energia Elétrica nos arquivos 4.3.4 (arquivos de itens de mercadorias/serviços (entradas) —Emitidas por Terceiros). Conforme relatório, também com o recurso voluntário, foram juntados diversos outros documentos que supostamente estribariam o direito afirmado. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.000454/200590 Resolução nº 3201000.644 S3C2T1 Fl. 4.358 8 Nesse sentido, não tendo sido apreciado quaisquer documentos juntados aos autos em detrimento da Verdade Material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o processo retorne à autoridade preparadora, para serem apreciados os documentos trazidos aos autos, e outros, que se entendam necessários, nesse caso dandose o prazo de 30 dias, para que referida documentação seja apresentada pela Recorrente. Analisados os documentos e elaborado o relatório de diligência, intimese a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, para que, desejando, manifestemse. Após, retornem os autos a esse Turma Julgadora, para prosseguimento do julgamento. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 997DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 24/05/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720968/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DESPESAS COM SAÚDE. PROVA.
A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DESPESAS COM SAÚDE. PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido
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PROVA. A eficácia da prova de despesas com saúde, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 09 68 /2 01 3- 14 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0644.020, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, f. 3033, que julgou improcedente a impugnação à exigência decorrente de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2012, anocalendário 2010, em razão de glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 41.700,00, por falta de comprovação. O sujeito passivo apresentou impugnação, juntando documentos para comprovação das despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual e solicitando o cancelamento do crédito tributário. A impugnação foi considerada improcedente sob o fundamento de que os documentos apresentados não comprovam o efetivo pagamento da despesa médica. O sujeito passivo foi intimado da decisão recorrida em 22/10/2013, fls. 36. Em 12/11/2013 foi apresentado recurso, fls. 4452, no qual o interessado reitera os argumentos apresentados na impugnação. Por fim, requer o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.720968/201314 Acórdão n.º 2301004.610 S2C3T1 Fl. 86 3 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Despesas Médicas A dedução das despesas com saúde na Declaração de Ajuste Anual é permitida nos casos de prestação de serviço na área da saúde, realizada por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como no caso de fornecimento de produtos de exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (art. 8o , inc. II “a” da lei 9.520, de 26/12/1995), quando o beneficiário da prestação do serviço ou o adquirente do produto for o contribuinte ou seus dependentes, e desde que o preço do serviço ou do produto tenha sido suportado pelo contribuinte (art. 8o § 2o, inc. II da lei 9.520, de 26/12/1995). O legislador restringiu a prova da despesa médica ao tipo documental, estipulando requisitos objetivos para sua eficácia, a saber: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º, § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No mais, é do contribuinte o ônus da prova das despesas médicas deduzidas em sua Declaração de Ajuste Anual, quando exigida pelo Fisco, por força da determinação contida no DecretoLei 5.844/43, reproduzida no art. 73 do RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Logo, para desincumbirse do ônus da prova, ao contribuinte compete provar o fato que deu origem à despesa (serviço/produto) e também o pagamento efetuado. No caso dos autos, a fiscalização efetuou a glosa da dedução das despesas médicas informadas pelo Recorrente em sua Declaração de Ajuste Anual, por entender que não houve comprovação do efetivo pagamento, conforme abaixo discriminado: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Tabela 1 Nº Prestador Serviço CPF/CNPJ Prestador Serviço Nome Prestador Serviço Valor Declarado DAA Valor Glosado NFLD Valor Mantido NFLD Motivo Glosa 1 67.634.493/000192 RW Oftalmologia Ltda 21.920,00 21.920,00 0,00 2 07.000.886/000112 WYT Serviços Médicos Ltda 4.480,00 4.480,00 0,00 3 02.579.815/000100 Clínica Paulista de Cirurgia 15.300,00 15.300,00 0,00 Total 41.700,00 41.700,00 0,00 Falta de apresentação de comprovantes de pagamento/recibos O Recorrente apresentou os seguintes documentos a fim de comprovar a prestação do serviço pelos profissionais de saúde indicados, bem como a quitação do pagamento do valor declarado: Tabela 2 Nº Prestador Serviço Documento Descrição Documento Valor Data fls 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 exame (R$480,00), aplicação intravítrea de lucentis (R$2.830,00), medicamento (R$1.170,00) no mesmo. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.480,00 22/01/2011 20 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 exame de tomografia de coerência ótica. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 480,00 26/04/2011 20 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768, aplicação intravitrea de lucentis no mesmo. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.000,00 12/05/2011 19 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 exames de tomografia de coerência óptica em ambos os olhos e aplicação intravitrea de lucentis. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.480,00 14/06/2011 19 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 aplicação intravitrea de lucentis e tomografia de córnea ótica. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.480,00 19/08/2011 18 1 recibo e relatório oftalmológico, fls. 6768 aplicação intravitrea de lucentis no mesmo. Diagnóstico de retinopatia diabética, fls. 6768 4.000,00 23/08/2011 18 21.920,00 2 recibo e relatório oftalmológico, fls. 56 aplicação intravitrea de lucentis e tomografia de coerência ótica. Diagnóstico de retinopatia diabética. 4.480,00 01/11/2011 17 3 NF nº 0001122, e declaração fls. 57 Serviços clínicos prestados. Cirurgia de ritidoplastia, fls. 57 15.000,00 09/02/2011 15 3 NF nº 0001102 e declaração fls. 57 consulta médica 300,00 12/01/2011 16 15.300,00 Entendo que a documentação apresentada pelo Recorrente constitui prova eficaz da prestação do serviço e da quitação da obrigação. Os recibos, as notas fiscais de serviços e os relatórios médicos contêm dados suficientes quanto à identificação do profissional de saúde, como nome do profissional/clínica médica, CPF/CNPJ e endereço; quanto à identificação do diagnóstico e do tratamento específico ao qual o contribuinte foi submetido; e, ainda, quanto ao valor do serviço prestado. Demonstram, ainda, a quitação da obrigação contraída pelo contribuinte, pois não há elementos nos autos que possam infirmar os recibos emitidos pelos profissionais. Portanto, considero eficazes as provas apresentadas e restabeleço a dedução a título de despesas médicas correspondente ao valor de R$ 41.700,00. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.720968/201314 Acórdão n.º 2301004.610 S2C3T1 Fl. 87 5 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720933/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE.
A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente.
INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
MULTA E JUROS CONFISCATÓRIOS. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa e dos juros se atém à matéria de índole constitucional.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88.
Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, " A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". MULTA E JUROS CONFISCATÓRIOS. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa e dos juros se atém à matéria de índole constitucional. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88. Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, " A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 107 1 106 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.720933/201480 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.093 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2016 Matéria PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO. Recorrente BALBINOS AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas na legislação previdenciária vigente. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". MULTA E JUROS CONFISCATÓRIOS. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa e dos juros se atém à matéria de índole constitucional. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88. Consoante enuncia a Súmula CARF nº 88, " A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 09 33 /2 01 4- 80 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que dava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.720933/201480 Acórdão n.º 2402005.093 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente autos de infração das obrigações principais referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física e às destinadas ao SENAR. O relatório da instância a quo descreve com minúcia os termos do lançamento, bem como da impugnação do contribuinte, motivo pelo qual peço a devida vênia para reproduzilo, na sua essência (fls. 231/233): Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o sujeito passivo em referência, lançado em 02/06/2014, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls .22/24, referese a: Autos de Infração de Obrigações Principais · DEBCAD 51.048.2473 no valor de R$ 8.564.768,05 (oito milhões quinhentos e sessenta e quatro mil setecentos e sessenta e oito reais e cinco centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 16.559.127,71 (dezesseis milhões quinhentos e cinquenta e nove mil cento e vinte e sete reais e setenta e um centavos), referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física (gado bovino para o abate), devidas à Seguridade Social, no período de 12/2010 a 12/2012. · DEBCAD 51.048.2490 – no valor de R$ 808.263,89 (oitocentos e oito mil duzentos e sessenta e três reais e oitenta e nove centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 1.562.697,95 (um milhão quinhentos e sessenta e dois mil seiscentos e noventa e sete reais e noventa e cino centavos), referente às contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre a aquisição de produtos rurais de pessoa física (gado bovino para o abate), no período de 12/2010 a 12/2012. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte desenvolve atividade de abate de bovinos (frigorífico), tendo adquirido uma volumosa quantidade de animais de produtores rurais pessoas físicas, sem no entanto, efetuar as devidas contribuições. 3. As bases de cálculo foram obtidas através das Notas Fiscais de Entradas, disponibilizadas pela empresa e constantes do Banco de Dados da Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul. Elas não foram declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. 4. Não foi apresentada durante o procedimento fiscal nenhuma medida judicial ou administrativa que lhe outorgasse o direito de não recolher as contribuições em questão. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 5. Foi anexada pela fiscalização uma planilha relacionando os valores das notas fiscais por competência, número da NF, data da emissão, CPF e nome do vendedor (fls. 32/168). IMPUGNAÇÃO 6. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 16/06/2014, conforme AR de fls. 177 e apresentou impugnação em 15/07/2014, alegando, em síntese: 6.1 A tempestividade; 6.2 “As multas aplicadas, além de serem abusivas comparadas com o tipo de infração alegada, ainda apresenta juros e multas de grandes valores, valores estes inconstitucionais, pois, possuem caráter confiscatório.” Transcreve jurisprudência nesse sentido. 6.3 A aplicação de multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui intenção confiscatória punitiva, além de criar um grande desincentivo social. 6.4 “Aqui se faz necessário esclarecer que a requerente defende nesta impugnação a inconstitucionalidade da exigência tributária, como será visto adiante; e também defende percentuais constitucionais para a cobrança de multa e juros por questão social.” DEBCAD N° 51.048.2473 6.5 Esclarece que, no que se refere ao fato gerador baseado nos valores de compra de produção rural junto à produtor rural pessoa física na qualidade de sub rogado, jamais descontou dos contribuintes o tributo exigido (FUNRURAL), tendo o mesmo sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, como é de conhecimento de todos. 6.6 A Impugnante aduz que participa através de sua associação de classe, da ADI 4.395, manejada pela Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) que tem por objeto a declaração de inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 11.718/2008. 6.7 “Assim, como bem se observa do reconhecimento da Repercussão no RE 718.874RS de 2013 e dos julgados constantes dos Recursos Extraordinários 363.852/MG e 596.177/RS, há invencível inconstitucionalidade formal frente à necessidade de lei complementar para instituir nova fonte de custeio para a seguridade social lembrando o Ministro Ricardo Lewandowski que o fato do produtor rural substituído ser pessoa física empregadora em nada altera a conclusão, pois mesmo que afastado o bis in idem não se poderia desconsiderar a ausência de previsão constitucional para base de incidência da contribuição social, que reclama lei complementar; e reforça o Ministro Marco Aurélio que a lei 10.256/01 é ordinária e não complementar, mantendo a inconstitucionalidade mesmo após a EC 20/98, que em nada alterou a necessidade de lei complementar, consistindo apenas na alteração do §8° do art. 195 para retirar a figura do 'garimpeiro'.” 6.8 “Tal entendimento é a consolidação da invalidade da substituição do responsável tributário para a exação exigida, assim entendida pelo judiciário federal e pelo STF.” 6.9 “Em 03 de fevereiro de 2010, o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou, por votação unânime, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n° 8.540/92 (RE 363852/MG Relator Ministro Marco Aurélio Mello). Este Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.720933/201480 Acórdão n.º 2402005.093 S2C4T2 Fl. 109 5 entendimento transmite ao contribuinte a certeza de que o artigo que instituía a exação do tributo sempre fora inconstitucional; mesmo que anterior a data de seu julgamento. Seria inconcebível a exigência do crédito dito inconstitucional a qualquer tempo, seja no passado ou no presente.” DEBCAD N° 51.048.2490 6.10 O Auto de Infração em questão referese às contribuições para o SENAR, incidentes sobre o valor de compra de produção rural junto à produtor rural pessoa física não declarado em GFIP. 6.11 A autoridade fiscal deixou de considerar recolhimentos realizados, o que prejudica a elaboração do auto em questão, que deve, assim, ser anulado, bem como a multa aplicada. 6.12 “Além disso, tal contribuição guarda relação direta com a ADI informada no quesito anterior, tendo grande probabilidade de se ver declarada sua inconstitucionalidade, sendo necessário, ao menos, que se aguarde aquele julgamento, por parte do Supremo Tribunal Federal, para a ocorrência de sua exigência.” DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS 6.13 Não se pode desconsiderar a pessoa jurídica em qualquer situação. Durante todo o período da infração não eram todos os integrantes da sociedade que a gerenciavam. Foram colocados no processo os sócios gerentes, mas os mesmos não podem ser responsabilizados pelas infrações, pois em nenhuma hipótese os sócios gerentes agiram com o intuito de ludibriar o fisco, mas tão somente o contribuinte deixou de recolher tributo que não reteve, por estar desobrigado, não ocorrendo excesso de poderes por parte dos sócios. 6.14 “Dessa forma , não há que se falar em responsabilidade dos sócios cotistas na sociedade, devendo qualquer dívida tributária atingir apenas o patrimônio da empresa.” DO PEDIDO 6.15 “Que sejam extintos os presentes autos de infração, e que se referem ao processo n° 11140.720933/201480, por se tratar, ou de tributo exigido de forma inconstitucional, como preconiza o entendimento do Supremo Tribunal Federal, ou de contribuição não retida por parte da impugnante, o que não foi considerado pela autoridade fiscalizadora quando da elaboração dos referidos autos de infração.” 6.15 “Que sejam declaradas as multas abusivas e confiscatórias extinguindo as.” A DRJ/SP1 manteve integralmente a exigência, conforme acórdão de fls. 229/241. De sua parte, o recurso voluntário foi interposto em 11/11/2014 (fls. 269/287), sendo nele defendido, em síntese, que as multas e os juros aplicados foram confiscatórios, e que não foram consideradas as contribuições recolhidas; além disso, não há razão para que sejam vinculados os nomes dos sócios ao processo, "pois estes não praticaram nenhuma ilegalidade". Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Ao final reitera, transcrevendo trecho da impugnação, seu entendimento pela inconstitucionalidade da exigência, demandando a declaração de que os juros e as multas aplicadas são confiscatórios, bem como que seja reconhecida a inconstitucionalidade da autuação, que deve ser anulada. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10140.720933/201480 Acórdão n.º 2402005.093 S2C4T2 Fl. 110 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não são necessárias maiores lucubrações argumentativas para concluirse que a irresignação em comento não merece prosperar. É cediço que o STF reconheceu, quando do julgamento do RE nº 363.852/MG (j. 3/2/2010), ratificado pelo acórdão exarado em sede de repercussão geral no RE nº 596.177/RS (j. 29/8/2011), a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/1992, o qual respaldava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, no que tange à contribuição social exigida do empregador rural pessoa física sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. Porém a autuação contestada tem supedâneo legal diverso, a saber, os artigos 30, inciso IV, e 25 da Lei nº 8.212/1991, este último já com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, em consonância com a novel redação do art. 195 da Carta Magna, nos termos da Emenda Constitucional nº 20/98. A precitada inconstitucionalidade reconhecida sob o rito do art. 545B do CPC, por conseguinte, não atinge o diploma no qual se amparou o lançamento. Noutro giro, é sabido que há existência de repercussão geral reconhecida em 23/8/2013 no RE nº 718.874/RS, no que diz respeito à redação conferida ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 10.256/2001. Encontrase tal recurso pendente de julgamento, entretanto, não produzindo, daí, quaisquer efeitos perante os órgãos da administração pública federal. E, de todo modo, a mera leitura da peça recursal desvela que os questionamentos quanto ao auto de infração e à decisão a quo cingemse, de um modo ou de outro, a apontar vícios de inconstitucionalidade em sua matriz legal. Nessa esteira, impõese a aplicação no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As alegações acerca do caráter confiscatório da multa e dos juros similarmente não merecem melhor sorte, pois também atraem a incidência do enunciado sumular supra, sendo de valia mencionar, ainda, que órgão da administração fazendária pauta sua atuação no princípio da legalidade, não lhe sendo facultada a apreciação de questões de constitucionalidade das normas em vigor. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Noutro giro, registrese que o lançamento atinente à contribuição ao SENAR foi lavrado tendo em vista os mesmos fatos geradores da contribuição sobre a aquisição de produtos rurais pessoa física, não trazendo o recorrente, em ambos os casos, qualquer documentação que comprovasse os alegados recolhimentos. Por fim, deve ser observado que não foi lavrado qualquer termo processual mediante o qual tenha sido imputada responsabilidade aos sócios do contribuinte; de sua parte, o relatório de vínculos combatido tem caráter meramente informativo, consoante entendimento aprovado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 10/12/2012: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001097/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A constatação de valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea autorizam a presunção legal de omissão de receitas.
OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS.
Ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES, a pessoa jurídica recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente.
Numero da decisão: 1401-001.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A constatação de valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea autorizam a presunção legal de omissão de receitas. OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS. Ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES, a pessoa jurídica recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A constatação de valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea autorizam a presunção legal de omissão de receitas. OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS. Ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES, a pesoa jurídica recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. 1 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. Ausente justificadamente a conselheira Livia De Carli Germano. 2 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 529-531: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 05 a 46, para exigência de créditos tributários, referentes ao ano calendário de 2004, adiante especificados: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fls.428/441 que a contribuinte havia optado pelo SIMPLES na condição de EPP desde 01/01/2001 e auferiu, no decorrer do ano calendário de 2004, receita bruta superior ao limite para permanência no sistema simplificado, sendo excluída do SIMPLES a partir do ano calendário de 2005, exclusão contida no processo n° 10435.000911/2006-84. A Fiscalização detectou a existência de depósitos bancários de origem não comprovada ensejando a omissão de receita de acordo com o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. A omissão de receita se encontra consolidada no "Demonstrativo", fl.133. Assim, a fiscalização procedeu à autuação apontando as seguintes irregularidades: 1) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS, nos meses de janeiro a dezembro de 2004, resultante da análise dos extratos bancários, consoante demonstrativos às fls. 134 a 136, consolidada no demonstrativo de fl. 133. Dos depósitos bancários de origem não comprovada, foram excluídos os valores declarados na PJSI, consoante demonstrativo à fl. 132. Sobre as bases de cálculo apuradas foram determinados os impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E INSS), aplicando-se a alíquota apropriada a cada período de apuração; 3 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro a setembro de 2004, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente aplicável sobre a receita bruta declarada na PJSI/2005. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, a sua peça impugnatória, às fls.444/455, na qual questiona integralmente os autos de infração, apresentando seus argumentos de defesa, abaixo descritos sucintamente. A impugnante se insurge contra o fato de a fiscalização transferir para a contribuinte toda a instrução probatória de não ter omitido receita através de documentação hábil e idônea que alega desconhecer. Assevera ainda que os depósitos bancários, representando o marco inicial da investigação, não poderiam sustentar uma presunção legal imputando a esses a condição de fato gerador do IRPJ/CSLL e das demais contribuições. Alega também que, a impossibilidade material de justificar uma movimentação bancária ocorrida em 2004 (dois anos passados) não é justificativa suficiente para alterar o conceito de renda, nos termos do CTN, ensejando o lançamento em lide. A impugnante discorre acerca do conceito de renda, e alega a impossibilidade de se eleger depósitos bancários com fato gerador do Imposto de Renda. Assevera ainda que, para que o fato apontado pela fiscalização, gozasse de presunção de veracidade, com a exigência de qualquer prova em contrário por parte da contribuinte, seria necessário que a fiscalização relacionasse os depósitos não declarados com outros fatos que indicassem omissão de rendimentos ou de receitas tais como: a aquisição de um bem de valor incompatível com os rendimentos declarados; venda de um bem com valor inferior ao de mercado, ou prestação de serviços com volume incompatível com os honorários declarados. Sobre o assunto cita ementas do Conselho de Contribuintes e do TRF. Conclui a impugnante afirmando que: "somente gera presunção de validade, ou seja, somente é capaz de gerar algum ônus de prova em desfavor do contribuinte, o ato administrativo fundamentado, com motivação inteligível de sua ocorrência e que é embasado em dados concretos, os quais têm que de estar especificados. A falta desses dados demonstra a ilegalidade dos autos de infração que foram lançados com base única e exclusivamente em extratos bancários, sendo certo que nenhuma lei pode dispor de modo diverso, já que essa necessidade de fundamentação decorre do direito de defesa. "(sic) Relativamente à cobrança das Contribuições Sociais — COFINS; PIS e INSS, a impugnante se insurge contra a utilização dos depósitos bancários como base de cálculo das mesmas. 4 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A impugnante alega a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS e do PIS. Sobre o assunta transcreve em sua peça impugnatória entendimentos doutrinários e decisões do STF. Conclui requerendo a improcedência dos lançamentos relativos às contribuições para o PIS, COFINS e INSS alegando que os mesmos afrontam princípios constitucionais tributários imprescindíveis à legitimação do ato jurídico do lançamento, fundamentalmente o da legalidade, vez que o fisco deixou de demonstrar e provar, no procedimento fiscal, a pertinência absoluta da obrigação fiscal, afrontando o disposto no art. 142 e seu parágrafo único do CTN. Do pedido. Diante das razões apresentadas a impugnante requer a improcedências dos lançamentos em lide considerando fundamentalmente que: - a pretensa prova de omissão de receita "se restringiu à indicação de meros depósitos/transferências verificados em contas correntes bancárias, tidas como mantidas pela pessoa jurídica, créditos esses ineficazes para dar sustentação, por si só, a exigência do IRPJ/CSLL simples, da COFINS, do PIS e da Contribuição para a Seguridade Social/INSS";(sic) - "a incorreta apuração do montante do tributo devido, no lançamento em tela, haja vista que indevidamente utilizado, na definição das bases de cálculo do Imposto de Renda, o simples somatório dos créditos bancários, estes comprovadamente não caracterizadores de disponibilidade econômica de renda e proventos, nos termos do artigo 43 do CTN; "(sic) - "e mais, inadmissíveis lançamentos fiscais da COFINS, do PIS e da Contribuição para a Seguridade Social/INSS, em face de imprevisão legal. A base de cálculo dessas Contribuições Sociais, nos termos da Constituição Federal, é o faturamento, tido esse, no caso em exame, como o resultado da revenda de mercadorias. Desse modo, movimentação bancária (créditos) mensal é evento absurdamente estranho ao conceito de fatura, estando salvo, portanto, da incidência das Contribuições Sociais em questão. Nessas circunstâncias, é de ser inquestionavelmente reconhecido o dever do Poder Público em invalidar atos elaborados por seus agentes (lançamentos fiscais relativos à COFINS, do PIS e da Contribuição para a Seguridade Social/INSS), quando firmados em desconformidade com os comandos do sistema positivo vigente."(sic) A 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 528: 5 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em contas bancárias cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea, se enquadram na presunção legal de omissão de receitas. Não logrando a contribuinte demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável ou que já foi oferecido à tributação há de se considerar a omissão de receita lançada. OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES ABRANGIDOS. A pessoa jurídica ao optar pela tributação na sistemática do SIMPLES recolherá, em pagamento unificado, os impostos e contribuições com base em percentual sobre a receita bruta, previstos na legislação pertinente. Lançamento procedente O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 03/11/2008, conforme AR de fls. 545 e apresentou recurso voluntário em 03/12/2008 (v. fls. 547-556), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. É o relatório. 6 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Trata o presente processo de autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição do INSS, decorrentes da apuração de omissão de receita decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada e conseqüente insuficiência de recolhimento do SIMPLES. Questionamento acerca da utilização de depósitos bancários como base para o presente lançamento Os presentes auto de infração exigem tributos e contribuições com fundamento no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. O aludido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de receitas, nos casos em que não houver comprovação acerca da origem dos recursos depositados em contas bancárias existentes em nome da pessoa jurídica. Trata-se, por óbvio, de uma presunção juris tantum, ou seja, que admite prova em contrário. No caso concreto, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante elementos de prova hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. Sobre o tema, ensina José Luiz Bulhões Pedreira (in Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, JUSTEC-RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Os elementos constantes dos autos revelam que as autoridades fiscais concederam amplas oportunidades para a contribuinte comprovar a origem dos vultosos depósitos existentes em sua conta corrente. A falta de comprovação da origem dos valores depositados autoriza a presunção legal de omissão de receitas, cabendo à contribuinte a produção da prova em contrário. Tal comprovação poderia se dar a qualquer tempo, inclusive nesta fase recursal, mediante a apresentação de explicações coerentes e elementos de prova hábeis e idôneos, 7 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO coincidentes em datas e valores, capazes de justificar a existência daqueles depósitos bancários em contas bancárias de sua titularidade. Em síntese, temos que o lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico tributário. Sobre o tema, também discorreu com muita propriedade o acórdão recorrido, fls. 532-533: Ensina Maria Rita Ferragut, no livro Presunções no Direito Tributário, editora dialética, ano de 2001, que diversas são as razões que impedem ou tornam extremamente difícil que a ordem jurídica constate diretamente a ocorrência do fato social que, quando juridicizado, passa a produzir efeitos jurídicos. Com efeito, não podendo o direito manter-se inerte diante dessa situação, desenvolveu técnicas que possibilitaram o alcance do conhecimento indireto do fato. Dentro dessas técnicas encontram-se as presunções legais. A Constituição Federal de 1988, no § 7° do art.150, outorga competência para a criação de regra presuntiva, ao autorizar as pessoas políticas cobrarem impostos e contribuições com base em fatos jurídicos indiciários de eventos de provável ocorrência. [...] Não logrando a titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, a contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. Registre-se, por oportuno, que na fase recursal a contribuinte também não apontou qual a origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados em suas contas correntes bancárias, nem apresentou qualquer outra documentação capaz de elidir a presunção legal. Também não deve prosperar a alegação da recorrente acerca de uma suposta impossibilidade material de justificar urna movimentação bancária pelo fato de se referir a dois anos passados. Sobre o tema, pronunciou-se com muita objetividade e correção o acórdão recorrido, fls. 533: A legislação tributária prevê a obrigatoriedade de conservação dos Livros e Comprovantes, pelo período de 5 (cinco) anos (prazo decadencial), consoante art. 264 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, n enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, os documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto n° 486, de 1969, art. 4°) 8 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Diante do exposto, considero que em relação a este tema o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Questionamento acerca das contribuições sociais Repetindo o que fez na fase impugnatória, a recorrente se insurgiu contra a aplicação da Lei n.° 9.718/98, alegando que a mesma viola o art. 110 do CTN , e portanto não poderia ter alterado Lei Complementar. Não merecem prosperar as alegações da recorrente. As autoridades administrativas, de qualquer instância, tem o dever funcional de aplicar a lei vigente e eficaz, vedado qualquer pronunciamento acerca de alegados conflitos entre normas legais. A recorrente também apresentou questionamentos contra a utilização da presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.340/96 para a tributação das contribuições para o PIS, COFINS, CSLL e INSS. Sobre o tema, cumpre analisar o que dispõe a Lei n° 9.317/96 sobre a cobrança dos impostos e contribuições na sistemática do SIMPLES, das pessoas que optarem por essa forma de recolhimento: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2°, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei nº 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei n°10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) 9 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais.(negritei) No caso em análise, a autoridade fiscal constatou omissão de receita fundamentada no art. 42 da Lei n° 9.430/96, receita esta que corretamente foi tributada na sistemática do SIMPLES, opção exercida pela autuada, nos termos da Lei n° 9.317/96. Conseqüentemente, não assiste razão à recorrente ao alegar que a fiscalização teria deixado de demonstrar e provar a pertinência absoluta da obrigação fiscal, afrontando o disposto no art. 142 e seu parágrafo único do CTN. Diante do exposto, também em relação a este tema, considero que o recurso voluntário não merece ser provido. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 10 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 3/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10825.722459/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida
Numero da decisão: 2201-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406/RS, com repercussão geral reconhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah (Presidente) que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 24 59 /2 01 2- 60 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 03/09/2012, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente da omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 20.435,50 recebidos pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2 a 11, alegando o que segue: a) os valores tidos como omitidos pelo fisco são oriundos de ação judicial que tramitou perante o Juizado Especial Federal da 3ª Região em que se discutiu a revisão da renda mensal inicial; b) não haveria incidência de imposto de renda se a União tivesse efetuado, à época, os pagamentos mensais de forma correta, razão pela qual não pode concordar com o fato de o fisco considerar para tributação o recebimento de valores de forma cumulativa; c) não se pode exigir imposto de renda sobre valores auferidos a título de correção monetária, por sua natureza indenizatória; d) inconstitucionalidade na utilização da taxa Selic e da multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) no caso em tela, a contribuinte recebeu rendimentos acumulados do INSS no anocalendário 2008. Assim, não é possível aplicar o disposto no artigo 12A da Lei nº 7.713/88, na redação dada pela Lei nº 12.350/10, e na Instrução Normativa RFB nº 1.127/11; b) como o artigo 12 da Lei nº 7.713/88 está em vigor, não há como calcular o imposto correspondente aos rendimentos recebidos pelo contribuinte no anocalendário 2008 pelo regime de competência; c) ser mantida a tributação sobre os valores pagos a título de correção monetária; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.167 S2C2T1 Fl. 75 3 d) a contribuinte não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado; e) em sede administrativa, não há lugar para embate sobre fundamento de inconstitucionalidade, consoante a previsão do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, a impossibilidade de incidência de imposto de renda de forma cumulativa em virtude de recebimento integral de valores corrigidos à título de salário contribuição, bem como a não incidência do imposto de renda sobre a correção monetária. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia sobre a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente referentes à revisão de benefício previdenciário, conforme conta das fls. 13 a 22. Conforme se extrai dos autos, inclusive da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, a base de cálculo do imposto de renda devido foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (regime de caixa). Da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (art. 12 da Lei 7.713/88) Em 23 de outubro de 2014, diante da análise do RE 614406/RS, com repercussão geral, o STF concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente no sentido de que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. O Informativo 794 do Supremo Tribunal Federal assim dispôs sobre o tema: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Cumpre destacar que o voto vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio consignou o seguinte entendimento: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10825.722459/201260 Acórdão n.º 2201003.167 S2C2T1 Fl. 76 5 Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que os valores recebidos pela Recorrente se referem a benefícios previdenciários. Nesse contexto, entendo que deve ser cancelada a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10552.000406/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NÃO CONHECER DO RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009. O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário era 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO.
DECADÊNCIA.Reconhece-se a decadência quando entre o fato de apuração e o lançamento decorreram mais de cinco anos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, porquanto intempestivo, e de ofício reconhecer a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a novembro de 2001, com base no art. 173, inc. I do CTN, determinando a retificação do montante do crédito previdenciário apurado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009. O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário era 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO. DECADÊNCIA.Reconhecese a decadência quando entre o fato de apuração e o lançamento decorreram mais de cinco anos. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 04 06 /2 00 7- 84 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, porquanto intempestivo, e de ofício reconhecer a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a novembro de 2001, com base no art. 173, inc. I do CTN, determinando a retificação do montante do crédito previdenciário apurado. Maria Cleci Coti Martins – Presidente Substituta Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10552.000406/200784 Acórdão n.º 2401004.056 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 01/11/1999 a 31/01/2007 Data de emissão da NFLD: 20/04/2007 Data de ciência da NFLD: 21/04/2007 Tratase de Recurso Voluntário intempestivo, interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância, textualizada no Acórdão no 13.5758a Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por meio da NFLD DEBCAD no 37.040.0852. De acordo com o Relatório Fiscal que integra a NFLD, juntado às fl 77/78, a fiscalização previdenciária, contra o sujeito passivo classificado como “Cartório”, efetuou o lançamento de créditos previdenciarios destinados: 1. À Previdência Social e referemse às: a) contribuições da empresa sobre os valores da folha de pagamento dos empregados bem como sobre a remuneração do contribuinte individual (Laurete Teresinha de Oliveira). b) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho sobre a remuneração da folha salarial dos empregados. 2. Ao Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE) e referese à contribuição da empresa destinada ao salárioeducação incidente sobre a folha salarial dos segurados empregados. Apresentada impugnação contra o lançamento, a contribuinte suscintou as seguintes matérias: Decadência do direito de se constituir o crédito tributário para as competências anteriores a fevereiro de 2002; Cerceamento ao direito de defesa decorrente da identificação genérica dos valores devidos nos Discriminativos Analítico e Sintético do Débito apresentados, o que impossibilitou a verificação quanto à correção dos valores lançados e seus respectivos acessórios; O lançamento foi julgado procedente, nos termos do v. Acórdão recorrido, cuja ementa foi assim construída (fl. 108): Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 4 “NFLD no 37.040.0852 O prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos é decenal. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada de acordo com os requisitos previstos na lei atende aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não cabe na instância administrativa a discussão sobre a constitucional idade das leis. Lançamento procedente.” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 129/139), INTEMPESTIVAMENTE, já quefoi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009 (fls. 129/139). O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário ocorreu na data de 09/05/2009. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS Processo nº 10552.000406/200784 Acórdão n.º 2401004.056 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2009, conforme AR juntado às fl. 127, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado no dia 10/06/2009 (fls 129/139). O prazo fatal para a interposição do Recurso Voluntário ocorreu em 09/05/2009. Tenho, portanto, que o Recurso interposto é INTEMPESTIVO. Por essa razão, NÃO CONHEÇO DO RECURSO interposto, já que ausentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA DECADÊNCIA Em que pese a apresentação do Recurso Voluntário extemporaneamente, como aliás certificado à fl. 138, a intempestividade não afasta do julgador o dever de analisar as matérias de ordem pública intrínsecas à autuação, como a decadência. De acordo com o Relatório Fiscal juntado à fl. 05, os perídos de apuração do crédito previdenciário tomou por base as seguintes competências: “FPG Folha de pagamento dos segurados empregados — remuneração registrada na folha de pagamento dos segurados empregados e na GFIP — Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, referente às competências: 1999 (novembro, dezembro, inclusive 13o salário), 2000 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2001 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2002 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2003 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2004 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2005 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário), 2006 (janeiro a dezembro, inclusive 13o salário) e janeiro de 2007. FPC— Folha de pagamento do contribuinte individual remuneração do contribuinte individual (Laurete Teresinha de Oliveira), lançada na folha de pagamento e na GFIP, referente às competências: 1999 (novembro e dezembro), 2000 (janeiro a dezembro) 2001 (janeiro a dezembro), 2002 (janeiro a dezembro), 2003 (janeiro a dezembro), 2004 (janeiro a dezembro), 2005 (janeiro a dezembro), 2006 (janeiro a dezembro) e janeiro de 2007. Deixou de ser lançada a contribuição do trabalhador na alíquota de 11% pois a sua remuneração em outros vínculos supera o teto máximo de contribuição do INSS.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS 6 A NFLD foi emitida 20/04/2007 (fl. 03), devendo assim ser reconhecida a decadência para as competências de novembro de 1999 a março de 2004, tendo em vista que esse período está fulminado pela decadência, já que atingido pelo prazo quinquenal previsto na legislação de regência. O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”, de modo que, de fato, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 5 (cinco) anos. É de se ressaltar que em sede de impugnação – esta sim, tempestiva – o Recorrente suscitou a decadência dos créditos previdenciários anteriores a fevereiro de 2002, o que foi rejeitado por ocasião do julgamento de primeira instância ao argumento de que o prazo de lançamento seria, in casu, decenal. A matéria encontrase superada e a decadência deve ser reconhecida – inclusive ex officio – para as competências que ultrapassaram os 5 (cinco) anos previstos na legislação em vigor, tomandose por base a data de emissão da NFLD (lançamento). Nesse descortino, tornase imperioso reconhecer, de ofício, a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a março de 2004. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, porquanto INTEMPESTIVO, e, de ofício, reconheço a decadência do lançamento para o período de novembro de 1999 a março de 2004, determinando a retificação do montante do crédito previdenciário apurado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 4/03/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COT I MARTINS
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Numero do processo: 12266.720166/2011-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/09/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.725
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/09/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 01 66 /2 01 1- 75 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 332 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.852. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 332DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 333 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 333DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 334 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 335 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 336 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 336DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 337 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 338 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 339 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 340 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 341 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 341DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12266.720166/201175 Acórdão n.º 9303003.725 CSRF‐T3 Fl. 342 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 342DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13807.008982/2001-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
Numero da decisão: 1402-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido, retomando-se o rito processual a parti daí. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento integralmente ao recurso.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Para fins de deferimento do PERC, a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso e determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido, retomandose o rito processual a parti daí. Vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou por dar provimento integralmente ao recurso. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 89 82 /2 00 1- 33 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13807.008982/200133 Acórdão n.º 1402002.154 S1C4T2 Fl. 387 2 Relatório KITCHENS COM. DE APARELHOS DOMÉSTICOS LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 10ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 1997, protocolizado em 31/07/2001 pelo contribuinte acima identificado (fls. 1). Conforme dados constantes da ficha 10 Aplicações em Incentivos Fiscais da Declinação de Rendimentos DIRPJ/98 (fls. 15), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda, no montante de R$155.096,30, para aplicação no FINAM. Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls. 323, em razão de irregularidades fiscais do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. Cientificado dessa decisão em 10/11/2008 (AR de fls. 324, verso), o contribuinte apresentou, em 27/11/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 325, acompanhada dos documentos de fls. 326 a 344. Alega que as cobranças são indevidas e que a demora na análise das pendências é de responsabilidade da RFB e da PGFN. Assim, requer prorrogação do prazo para comprovação de sua regularidade por 60 dias, prorrogável de acordo com a demora na análise dos processos pela EQDAU/SPO.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 24.074 (fls. 353356) de 26/01/2010, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 04/03/2010 (A.R. de fl. 359) a interessada interpôs recurso voluntário em 15/03/2010 (fls. 360367) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13807.008982/200133 Acórdão n.º 1402002.154 S1C4T2 Fl. 388 3 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. No que diz respeito ao preenchimento dos requisitos necessários à obtenção do benefício, digno de destaque é o disposto no art. 60, da Lei n° 9.069/95, que orienta a administração tributária nos procedimentos de reconhecimento de benefícios fiscais, a saber: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Não há dúvidas de que o contribuinte, para obter a concessão ou reconhecimento de um benefício fiscal deve estar quite com a Receita Federal. A controvérsia, diante da lacuna da lei, é o momento para sua aferição: i) sempre que se analisar o pedido, ii) no momento de sua concessão ou iii) quando o contribuinte pleiteia o benefício fiscal. Em sua Decisão, a DRJ entendeu que o momento em que deve ser comprovada a regularidade fiscal, pelo sujeito passivo, com vistas ao gozo do beneficio fiscal, seria a data da prolação do despacho decisório que confere ou reconhece o benefício. Em sentido diverso, no âmbito deste CARF, o enunciado nº 37 da súmula do CARF estabelece: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, conforme sumulado, entendese ser admitida a prova da quitação a qualquer momento do processo administrativo. Isso porque se entende que o sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o benefício, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Assim, não sendo possível identificar que na data da entrega da declaração o contribuinte possuía débitos de tributos ou contribuições federais, deverá ser considerada a regularidade comprovada nos Fl. 388DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13807.008982/200133 Acórdão n.º 1402002.154 S1C4T2 Fl. 389 4 autos. Novos débitos que surjam após a data da entrega da declaração influenciarão a concessão do benefício apenas em anos calendários subseqüentes. Outrossim, verifico que nem a DRF de origem, nem a DRJ, apreciaram os demais requisitos para a concessão do incentivo. Pelo exposto, Voto pro dar provimento parcial ao recurso para determinar a remessa dos autos à Unidade de origem para que se prossiga na análise do pedido de revisão, retomando o rito processual a partir dai. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13609.720342/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS.
Deve ser mantido o indeferimento da opção pelo Simples Nacional quando comprovado que a empresa, em 31 de janeiro de 2013, encontrava-se em débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não estava suspensa.
Numero da decisão: 1302-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS. Deve ser mantido o indeferimento da opção pelo Simples Nacional quando comprovado que a empresa, em 31 de janeiro de 2013, encontravase em débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não estava suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 03 42 /2 01 2- 94 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Inicialmente, transcrevo o parecer da DRF/Sete Lagoas/SAORT Seção de Orientação de Análise Tributária, de 30/05/2012, o qual de forma breve permite inteiração sobre os fatos e fundamentos do processo: Trata o presente processo de Impugnação ao Termo de Indeferimento do Simples Nacional, protocolizado em 16/03/2012. O Termo de Indeferimento de fl. 07 apresentou os débitos previdenciários de n°s 39.290.0890, 39.290.0904, 39.454.1715 e 39.454.1723 e n° 0000000 1. O débito de n° 000000001 foi criado pelo sistema Plenus, apenas para informar que o contribuinte possuía um parcelamento com parcelas em atraso, não constituindo débito especifico. O contribuinte informa apenas que o débito estava parcelado, com pagamento dentro do prazo legal. Os débitos de n°s 39.290.0890 e 39.290.0904 foram parcelados através do parcelamento especial da Lei 11.941/2009, com recolhimento no código 1233 RFB débitos previdenciários parcelamento art. 1°. No entanto, o parcelamento não foi quitado, restando um saldo de R$44,52 conforme fls. 12 a 14, desde julho/2011. Os débitos de n°s 39.454.1715 e 39.454.1723 são referentes às competências de 04/2009, 05/2009 08/2009, 09/2009, e 01/2010 a 03/2010, e não foram abrangidos pelo período da Lei 11.941/2009, conforme fls. 15 a 18. Foram incluídos em divida ativa em 05/03/2011, e quitados somente em 20/04/2012, conforme fls. 19 a 23. Diante do exposto e tendo em vista as diversas pendências não regularizadas pelo contribuinte dentro do prazo 31/01/2012, proponho a improcedência da impugnação ao Termo de Indeferimento do Simples Nacional. A recorrente foi devidamente cientificada desse ato e apresentou manifestação de inconformidade, da qual destacamse os seguintes fatos e fundamentos: Os débitos 394541715 e 394541723 foram quitados integralmente em 20/04/2012, entretanto foram objeto de pedido de parcelamento no prazo legal em 19/01/2012, conforme copia do pedido em anexo. Quanto aos débitos 39.290.0890 e 39.290.0904 se trata de parcelamento pelo Refis Lei 11941/09, cujo resíduo de R$ 44,52 não constitui motivos para exclusão do Simples, visto que o parcelamento não foi rescindido por falta de pagamento. Em 09/02/2012 foi expedido certidão negativa a favor desta empresa conforme copia em anexo, ou seja, o referido resíduo estava ainda com a exigibilidade suspensa. A existência de resíduo de parcelamento não constitui motivo para exclusão do Simples visto que o artigo 17, inc. V, da LC nº 123/06 impede a opção pelo regime simplificado para as empresas com débitos tributários, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13609.720342/201294 Acórdão n.º 1302001.871 S1C3T2 Fl. 3 3 Artigo 17, inc. V, da LC nº 123/06 "Que possua debito com o Instituto 'Nacional de Seguro Social INSS ou com as Fazendas Publicas Federal, Estadual ou Municipal, cuia exigibilidade não esteia suspensa." Diante do exposto e da comprovação apresentada, considerando que os débitos 39451715e 394541723 foram parcelados em 19/01/2012 e que os débitos 392900890 e 392900904 se encontravam com exigibilidade suspensa, inclusive com certidão negativa, solicita o cancelamento do indeferimento à opção pelo Simples desta empresa para o ano de 2012. No entanto, o acórdão recorrido não acolheu tais argumentos, cujo relatório adoto por estar claro e completo, conforme a seguir transcrito: 1. Trata o presente processo de contestação apresentada pelo contribuinte supra a desafiar o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional TIOSN (LC n° 123/06, de 15/03/2012) (Recibo n° 00.04.76.23.59), de 15/03/2012, cuja motivação fundouse na seguinte situação impeditiva: existência de débitos com a RFB relativo a contribuições sociais previdenciárias, cuja exigibilidade não estava suspensa. Fundamento legal: LC n° 123/06, art. 17, V. Débito: 392900890, 392900904, 394541715, 394541723 e 000000001. 2. Destarte, o objetado indeferimento do quanto pleiteado teve como fundamento a existência de débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS (atualmente administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), cuja exigibilidade não estava suspensa no termo final estabelecido para regularização das apontadas pendências. 3. Consoante se extrai dos autos, a Impugnante solicitou sua opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Simples Nacional, no que diz respeito ao ano em referência, em 02/01/2012. 4. A ciência do referido indeferimento (TIOSN) se deu no momento em que o contribuinte efetuou consulta ao Portal do Simples Nacional (15/03/2012), conforme vaticinado no § 1A, I, do art. 16, da LC n° 123/06, c/c art. 23, § 2°, III, 'b', do Decreto n° 70.235/72. 5. Irresignada com o ato administrativo em tela, tempestivamente, às fls. 02/03, a Insurgente interpôs recurso contra o referido termo e, em síntese, alega ter resolvido as pendências referentes aos débitos previdenciários apontados como razão do impedimento à adesão ao Simples Nacional dentro do prazo possibilitado para tanto, mediante inclusão em parcelamento. Assim, requer a insubsistência do indeferimento de sua opção. Ademais, às fls. 35/6, o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (22/11/2012) para articular, dentre outros, que os débitos 394541715 e 394541723 foram integralmente quitados em 20/04/2012, mas objeto de pedido de parcelamento em 19/01/2012. (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 7.3. Do exposto, verificase que, para fazer jus à tributação simplificada e favorecida regrada pelo Simples Nacional, o contribuinte deveria ter regularizado todos os débitos relacionados no Termo de Indeferimento até o último dia útil do mês de janeiro do ano calendário da opção. Do Caso Concreto 8. Abordando o caso vertente, no tocante às análises casuísticas adiante tratadas, merece ser registrado que foram analisados todos os sistemas disponíveis que continham informações pertinentes aos débitos apontados no Termo de Indeferimento, em especial, os sistemas previdenciários Sicob, Águia e Divida. 8.1. Consoante consultas realizadas nos sistemas informatizados à disposição da RFB, os débitos apontados como gênese do indeferimento da pretendida inclusão do contribuinte no Simples Nacional, no prazo limite previsto para a regularização das pendências, encontravamse com a exigibilidade suspensa. 8.2. Insta repisar que as análises em tela dizem respeito à opção atinente ao ano de 2012. Ademais, importa registrar que os débitos 392900890 e 392900904 foram incluídos em parcelamento da Lei n° 11.941/09, na data de 16/07/2011 e, ao tempo das consultas realizadas, permaneciam no referido parcelamento ativo. Ainda, impende esclarecer que o "débito 000000001" não encerra efetivo crédito tributário, referindose, tão somente, a parcelas em atraso de parcelamento ativo, razão por que não seria capaz de obstar a opção em tela. Lado outro, os débitos 39.454.1715 e 39.454.1723, que se encontravam em sede de PGFN, foram integralmente quitados, mediante recolhimento dos valores devidos, na data de 20/04/2012 sendo que não há registro da existência de parcelamento formalizado para estes em data hábil a possibilitar o ingresso do contribuinte no Simples Nacional para o ano de referência. 8.3. Assim, em virtude do predito e tendo em vista que não foram trazidos aos autos provas capazes de demonstrar situação fática diversa, emerge como indeclinável, que ao tempo do termo final para saneamento dos impedimentos apontados alguns dos débito indicados no termo de indeferimento eram exigíveis e, assim, efetivos óbices à pretendida inclusão no Simples Nacional. 8.4. Diante do brevemente exposto, tendo em vista que as pendências que serviram de suporte fático ao atacado Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional restaram não completamente saneadas em tempo hábil, impõese considerar imaculado o referido termo e, por conseguinte, merece ser mantido em sua essência. CONCLUSÃO 9. Do quanto tratado, voto no sentido de se conhecer da Defesa apresentada para, no mérito, julgála IMPROCEDENTE, mantendo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional em apreço. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 14/01/2014 (fl. 78). Interpôs recurso voluntário, em 04/02/2014. O recurso foi subscrito por representante legal da recorrente (fl. 5, doc. identidade; fls. 09/11, contrato social). Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13609.720342/201294 Acórdão n.º 1302001.871 S1C3T2 Fl. 4 5 No recurso voluntário a recorrente apresenta as seguintes razões: O indeferimento se deu sob a alegação de que os débitos 39.454.1715 e 39.454.1723 foram quitados em, 20/04/2012, sem que houvesse parcelamento formalizado deste débito até 31/01/2012. Ocorre que foi requerido o parcelamento em 19 de Janeiro/2012, conforme cópia do requerimento já anexado a este processo, o qual voltamos a anexar a este recurso (fl. 84). Diante do exposto e do documento apresentado, urge que o pedido de enquadramento da empresa no regime Simples Nacional seja aprovado para o ano de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário e por ser tempestivo, conheço do recurso. Tratase de indeferimento de pedido de inclusão da recorrente no Simples Nacional, em virtude do não cumprimento das exigências formais para a obtenção dos benefícios desse Programa. A opção pelo Simples Nacional, sistema instituído pela Lei Complementarnº 123, de 14.12.2006, está regulamentada nos termos da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 004, de 30 de maio de 2007. O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional fundamentouse nas disposições do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Nos termos do art. 7º, § 1º e 1ºA, da Resolução CGSN nº 4/2007, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até o último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção e que eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional poderão ser regularizadas dentro deste prazo. Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 6 primeiro dia do ano calendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1º A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Quanto aos débitos não regularizados no prazo legal, verificase que o protocolo de nº 000000001 foi gerado apenas para informar que o contribuinte possuía um parcelamento com prestações em atraso, não constituindo débito especifico. Os débitos de nºs 39.290.0890 e 39.290.0904 foram objeto de parcelamento, com base da Lei 11.941/2009, com recolhimento no código 1233 – RFB – débitos previdenciários – parcelamento art. 1º. No entanto, na referida data limite para a regularização, verificouse a existência de valor vencido e não pago (R$44,52), desde julho/2011. Os débitos de nºs 39.454.1715 e 39.454.1723 referemse às competências de 04/2009, 05/2009 08/2009, 09/2009, e 01/2010 a 03/2010, e não foram abrangidos pelo período da Lei 11.941/2009. Foram incluídos em dívida ativa em 05/03/2011, e quitados somente em 20/04/2012, conforme fls. 19 a 23. Observase, portanto, que não obstante o fato de haver pedido de parcelamentos dos débitos previdenciários, verificados na data do processamento do pedido de inclusão no Simples Nacional, tal pedido foi cancelado pelos motivos acima expostos. Assim, na forma demonstrada, em 31/01/2012, data limite para cumprimento das citadas exigências legais para obtenção dos benefícios do Simples Nacional, a recorrente não estava em conformidade com as citadas disposições da Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, art. 17, inciso V e Resolução CGSN nº 4/2007, art. 7º, § 1º e 1ºA. Por todo o exposto, com base nos fatos e fundamentos acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter o indeferimento do pedido da recorrente de inclusão no Simples Nacional. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 23/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 23/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 15504.724091/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. PREVIDENCIÁRIO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000.
PREVIDENCIÁRIO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS.
O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de não-incidência.
PREVIDENCIÁRIO.PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA.
O prêmio por tempo de serviço, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, não integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial
PREVIDENCIÁRIO .AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA
Com a revogação, pelo Decreto 6.727/2009, da alínea f do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a partir de 12/01/2009 a contribuição previdenciária passou a incidir sobre a parcela do aviso prévio indenizado e seu reflexo no décimo terceiro salário.
PREVIDENCIÁRIO .SOBRESTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO
Na forma da súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais - CARF , "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Na ocorrência , o lançamento será sobrestado e aguardará o trânsito em julgado.
PREVIDENCIÁRIO .AJUDA DE CUSTO
Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado.
PREVIDENCIÁRIO .AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL PROFISSIONAL.
Constitui infração a dispositivo da Lei 8.212/91, deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de cinco por cento da receita bruta."
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário como segue:
pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria "Distribuição de lucros e resultados para empregados"; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Amílcar Barca Texeira Júnior e Marcelo Malagoli da Silva;
por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração "Distribuição de lucros e resultados para os valores pagos aos diretores e ex-diretores não empregados;"
por maioria de votos, excluir o crédito tributário em relação à matéria Prêmio por tempo de casa; vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior;
(d) por unanimidade de votos, reconhecer a renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias Aviso prévio indenizado e Décimo terceiro, conexo;
(e) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria ajuda de custo;
(f) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria receitas de patrocínio a clubes de futebol;
(g) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria obrigação acessória.
Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Nathália Correia Pompeu.
JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
NATHALIA CORREIA POMPEU - Redator designado.
EDITADO EM: 19/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amílcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes e Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. PREVIDENCIÁRIO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. PREVIDENCIÁRIO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de não-incidência. PREVIDENCIÁRIO.PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. O prêmio por tempo de serviço, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, não integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial PREVIDENCIÁRIO .AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA Com a revogação, pelo Decreto 6.727/2009, da alínea f do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a partir de 12/01/2009 a contribuição previdenciária passou a incidir sobre a parcela do aviso prévio indenizado e seu reflexo no décimo terceiro salário. PREVIDENCIÁRIO .SOBRESTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO Na forma da súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais - CARF , "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Na ocorrência , o lançamento será sobrestado e aguardará o trânsito em julgado. PREVIDENCIÁRIO .AJUDA DE CUSTO Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. PREVIDENCIÁRIO .AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL PROFISSIONAL. Constitui infração a dispositivo da Lei 8.212/91, deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de cinco por cento da receita bruta." Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PREVIDENCIÁRIO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. PREVIDENCIÁRIO.PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de nãoincidência. PREVIDENCIÁRIO.PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. O prêmio por tempo de serviço, não habitual, pago apenas uma vez, sem vínculo pela realização de um trabalho, produção ou meta, não integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica não ser salarial PREVIDENCIÁRIO .AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA Com a revogação, pelo Decreto 6.727/2009, da alínea “f” do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a partir de 12/01/2009 a contribuição previdenciária passou a incidir sobre a parcela do aviso prévio indenizado e seu reflexo no décimo terceiro salário. PREVIDENCIÁRIO .SOBRESTAMENTO. TRÂNSITO EM JULGADO Na forma da súmula n° 1 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF , "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 40 91 /2 01 2- 11 Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Na ocorrência , o lançamento será sobrestado e aguardará o trânsito em julgado. PREVIDENCIÁRIO .AJUDA DE CUSTO Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. PREVIDENCIÁRIO .AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL PROFISSIONAL. Constitui infração a dispositivo da Lei 8.212/91, deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de cinco por cento da receita bruta." Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário como segue: (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria "Distribuição de lucros e resultados para empregados"; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza (relator), Alice Grecchi, Amílcar Barca Texeira Júnior e Marcelo Malagoli da Silva; (b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à infração "Distribuição de lucros e resultados para os valores pagos aos diretores e exdiretores não empregados;" (c) por maioria de votos, excluir o crédito tributário em relação à matéria Prêmio por tempo de casa; vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Júnior; (d) por unanimidade de votos, reconhecer a renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias Aviso prévio indenizado e Décimo terceiro, conexo; (e) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria ajuda de custo; (f) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria receitas de patrocínio a clubes de futebol; (g) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação à matéria obrigação acessória. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Nathália Correia Pompeu. JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 3 3 IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. NATHALIA CORREIA POMPEU Redator designado. EDITADO EM: 19/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amílcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes e Nathalia Correia Pompeu. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Relatório O longo Relatório Fiscal às fls.47/81, gerou , por conseqüência, as não menos caudalosas peças de impugnação de fls. 580/625, que acompanhada dos documentos de fls. 626/941, requerem concentração maior para conjugar e confrontar os argumentos trazidos à colação. Esta vasta documentação amparou o Acórdão de fls. 1.444 / 1.470 que excetuou tãosomente os valores retificados pela Autoridade autuante . A razão da retificação havida decorreu de que tendo em vista a matéria fática trazida na impugnação, os autos foram baixados em diligência para pronunciamento fiscal, conforme despacho de fls. 1.405/1.408. Em resposta à solicitação de diligência o auditor fiscal autuante se manifestou, às fls. 1.416/1.422. Assim, reiterese, a Instância a quo não deu provimento a nenhum dos argumentos trazidos à colação pela então impugnante e na forma do "decisium " abaixo, assim concluíram : "Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte os créditos tributários exigidos nos AIs Debcads 51.011.8054 e 51.011.8089, e mantendo integralmente o crédito tributário exigido no AI Debcad 51.023.9552." Relevante esclarecer que serão analisados os levantamentos materializados nos DEBCADS : 51.011.8054 (Empresa), 51.011.8089 (Terceiros, FNDE E INCRA) e 51.023.9552 (Obrigação Acessória – CFL 83). . DEBCAD 51.011.8054, Auto de Infração de Obrigações Principais, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os fatos geradores relacionados a seguir, não incluídos em folha de pagamento e não declarados pelo contribuinte na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; • DEBCAD 51.011.8089 referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos Salário Educação (FNDE) e INCRA, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados ; e • DEBCAD 51.023.9552, Auto de Infração de Obrigação Acessória (Código de Fundamentação Legal – CFL 83, por deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 4 5 A Instância a quo produziu o Relatório abaixo, que compulsados os autos , corroborei e , com grifos de minha autoria o transcrevo: "Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o Banco BMG SA, relativo ao período de 01/2009 a 12/2009, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 47/83, referese a : Autos de Infração de Obrigações Principais • DEBCAD 51.011.8054 (consolidado em 29/06/2012, no valor de R$ 6.807.080,45) referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os fatos geradores relacionados a seguir, não incluídos em folha de pagamento e não declarados pelo contribuinte na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; • DEBCAD 51.011.8089 – (consolidado em 29/06/2012, no valor de R$1.113.028,72), referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos Salário Educação (FNDE) e INCRA, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados, enumerados a seguir. Auto de Infração de Obrigação Acessória: • DEBCAD 51.023.9552 (Código de Fundamentação Legal – CFL 83, no valor de R$32.341,96) por deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. De acordo com o referido relatório as contribuições incidiram sobre os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: • Participação nos Lucros e Resultados paga a segurados empregados; • Participação nos Lucros e Resultados paga a exdiretor (contribuinte individual); • Aviso prévio indenizado pago a empregados em rescisões de contrato de trabalho; • Pagamentos de patrocínios a clubes de futebol profissional; • Ajuda de custo instalação (auxílio moradia) paga a Diretor; • Prêmio tempo de casa pago a segurados empregados; Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 • Dias trabalhados e honorário extra pagos ao ex diretor João Batista de Abreu; • 13º salário pago em rescisão de contrato de trabalho. O Auto de Infração foi recebido pela autuada em 02/07/2012. Em 31/07/2012, a empresa autuada apresentou impugnações individualizadas para cada auto de infração. Auto de Infração 51.011.8054 A impugnante contesta o Auto de Infração 51.011.8054, através da impugnação de fls. 580/625, acompanhada dos documentos de fls. 626/941, na qual apresenta os argumentos relatados, a seguir, de forma resumida. Inicialmente ressalta a tempestividade da defesa apresentada e faz um breve relato dos fatos. Impossibilidade de exigência das contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR Natureza Jurídica da PLR – Verba desvinculada da Remuneração – Imunidade, Novo Fato Gerador e Sanção Invocando os arts. 7º, XI, e 195, I, “a”, da CF/88, os arts 20, 22 e 28, da Lei 8.212/91, alega que está excluída a incidência das contribuições sociais sobre a PLR por expressa disposição constitucional, dado que a CF/88 informa que a PLR é verba de natureza jurídica desvinculada da remuneração. Ao dispor de tal forma, a Constituição pretendeu não deixar margem à instituição de previsão diversa pelo legislador ordinário. Diz que embora a Lei 8.212/91, observando o já disposto na CF/88, exclua a PLR do conceito de salário de contribuição ou remuneração e, conseqüentemente, da incidência das contribuições sociais, condiciona essa exclusão ao cumprimento dos requisitos de uma lei específica, conforme alínea “j” do § 2º do seu art. 28, o que também pode ser observado no Decreto 3.048/99 (RPS) art. 214, § 9º, inciso X e § 10. Argumenta que a CF/88 delegou competência ao legislador ordinário para regulamentar a distribuição da PLR (participação), que é um direito do empregado e um dever do empregador, de forma que foi editada a Lei nº 10.101/2000. Contudo, a natureza jurídica da PLR, de verba desvinculada da remuneração, é um instituto existente desde a publicação daCF/88. Assim, a natureza jurídica da PLR e, conseqüentemente, a não incidência das contribuições sociais, não podem depender de qualquer condição, sob pena de grave ofensa à CR/88. Transcreve doutrina de Leandro Paulsen. Aduz que a própria Lei 10.101/2000 também prevê a não incidência das contribuições sociais sobre a PLR, consoante redação do “caput” do seu art. 3º e que, eventual “descumprimento” das formalidades para distribuição da PLR, estipuladas na referida lei, não tem o condão de alterar a natureza jurídica da verba. Invoca decisão do STJ. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 5 7 Alega que há que se considerar sempre a natureza da verba, que não é vinculada à remuneração. Assim, o formato para a distribuição da PLR será sempre acessório à própria natureza da PLR, que é, por sua vez, o principal para fins de incidência ou não das contribuições sociais, sendo impossível inverter essa regra. Argumenta, também, que não há que se falar em norma de isenção. O que existe no sistema jurídico nacional é uma norma de imunidade para a PLR, na medida em que o art. 7º, XI, da CF/88 já estabelece que a PLR é considerada como verba desvinculada da remuneração e, portanto, não enquadrável na disposição também constitucional do art. 195, I, “a”, da CF/88. Diz que com a imunidade, a obrigação de pagar o tributo sobre a PLR nunca surgiu para que se falasse em posterior dispensa do pagamento por isenção. A partir da regra de imunidade, não haveria que se falar em subsunção da PLR ao inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, pois o legislador ordinário não tem competência para tratar de incidência das contribuições sociais sobre a PLR. Alega que ainda que não existisse Lei a regulamentar o direito à participação nos lucros (instituição de formato para distribuição da PLR), a natureza jurídica da verba, como sendo desvinculada da remuneração, estaria intocada por expressa disposição da CR/88. Destaca trecho de acórdão do STJ acerca de ser a “não incidência” das contribuições sociais sobre a PLR uma regra de imunidade. Observa que o próprio impugnante já obteve o reconhecimento judicial de que as parcelas pagas a título de PLR aos seus empregados estão totalmente desvinculadas do salário, de forma que não se encontram sujeitos à incidência das contribuições sociais. Transcreve trecho do acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região (Processo 1999.38.00.029172 0). Insiste no argumento de que o descumprimento da Lei 10.101/2000 não deve refletir em certeza quanto à classificação da verba como saláriodecontribuição ou remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Quanto à possível alegação de não cumprimento dos termos da Lei 10.101/2000, no tocante à ausência de previsão de regras claras e específicas para distribuição da PLR, bem como a ausência de comprovação da apuração da avaliação de desempenho ou cumprimento de metas pelos funcionários para distribuição da PLR, ressalta que o rol do § 1º do art. 2º da lei é exemplificativo e não taxativo. Diz que depreendese do art. 2º, § 1º, incisos I e II, da referida lei, que inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR. Há sim a obrigatoriedade de que existam regras, Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 de modo a minimizar dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordado. O ponto central do referido dispositivo legal é assegurar o direito à divisão de lucros, evitandose que o trabalhador tenha seu direito mitigado em razão de cláusulas dúbias e de difícil interpretação. A fixação de objetivos e metas é uma faculdade das partes envolvidas na negociação e não uma obrigatoriedade imposta pela lei. Cita decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Prossegue argumentando que, ainda que a PLR distribuída aos empregados do impugnante não tenha preenchido todos os requisitos da Lei 10.101/2000, e não tenham sido cumpridas todas as formalidades documentais constantes do Plano de Participação nos Lucros ou Resultados instituído pelo impugnante, esta distribuição não deixou de estar prevista no Plano e de ser realizada sob a avaliação de desempenho do impugnante, que apresentou resultados positivos para o período, e de seus empregados individualmente, que contribuíram para os bons resultados da empresa, de modo que o pagamento realizado se demonstra heterogêneo entre os beneficiários e completamente desvinculado de seus salários. Alega que a distribuição de PLR pelo impugnante sempre teve como objetivo precípuo servir de instrumento de integração entre o capital e o trabalho, bem como ser um incentivo à produtividade, respeitando os direitos de seus funcionários e os beneficiando com boas cotas de distribuição dos lucros, em harmonia com o art. 7º, XI, da CF/88, o art. 28, § 9º, “j” da Lei 8.212/91 e, sobretudo o art. 1º da Lei 10.101/2000. Aduz, ainda, que a Lei 10.101/2000 não determina a incidência das contribuições sociais sobre o valor correspondente à distribuição da PLR caso exista alguma divergência entre o procedimento adotado pela empresa e as regras nela estabelecidas. Mesmo porque se existisse tal previsão ou, ainda que não existente, se este for o entendimento que venha a ser adotado, a incidência das contribuições sociais sobre a PLR configuraria espécie de sanção, o que não pode ser admitido. Argumenta que ainda que exista a necessidade de regulamentação do direito à participação do trabalhador nos lucros ou resultados da empresa (criação de regras formais), como ocorreu com o advento da Lei 10.101/2000, a imunidade constitucional resta preservada. Conclui que não há que se falar em utilização da legislação infraconstitucional como base para imputar interpretação diversa ao normativo constitucional, tal qual seria albergar a hipótese da isenção condicional em detrimento da imunidade constitucional. Validade da PLR distribuída com base nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários Invocando o § 3º do artigo 3º da Lei 10.101/2000, alega que ainda que exista uma parcela de PLR paga pelo impugnante a seus empregados, além do previsto nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários, que não esteja em conformidade com os Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 6 9 estritos termos da Lei 10.101/2000, a parcela de PLR distribuída com consonância com as Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários não deve sofrer a incidência das contribuições sociais. Cita decisão do CARF. Diz ser incontroverso que parcela da PLR distribuída se deu com base nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários e que a fiscalização também descaracterizou essa parcela da PLR, informando que as CCT não prevêem metas para os empregados que farão jus à PLR. Alega que não há como prosperar o entendimento da fiscalização, seja com base no citado entendimento do CARF, seja com base no disposto no § 3º do art. 3º da Lei 10.101/2000, seja, ainda, com base no próprio art. 2º e respectivo § 1º e incisos da Lei 10.101/2000. Aduz ser plenamente admissível que a distribuição da PLR se dê a partir das regras previstas em Convenção Coletiva de Trabalho e não em Plano Próprio, ademais, sabese que a distribuição de PLR a partir da fixação de um critério baseado em metas a serem atingidas pelos empregados faz parte de um rol meramente exemplificativo. A distribuição de PLR prevista nas CCT depende de lucro, ou seja, do desempenho positivo da empresa que será maior ou menor consoante o empenho no aumento das receitas e na diminuição das despesas tanto pela empresa, na figura de seus dirigentes, quanto pelos empregados. Nesse sentido auferir lucro não é uma constante, mas uma variável que pode ou não ocorrer. Desta forma, não cabe afirmar que a PLR distribuída com base nas Convenções Coletivas de Trabalho configuraria “gratificação semestral ajustada”, vez que não é uma certeza de direito, mas mera expectativa; não ocorre com habitualidade, pois depende do desempenho da empresa ano a ano, bem como do desempenho individual de cada um dos empregados, que efetivamente receberam valores diferentes entre si. Invoca o art. 150, IV, da CR/88 e diz que o respeito ao Princípio da Vedação ao Confisco se materializa na aceitação da distribuição da PLR com base nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários sem que sobre essa verba incida qualquer contribuição social, bem como no respeito ao disposto no § 3º do art. 3º da Lei 10.101/2000. Nova natureza da verba distribuída a título de PLR Embora considere impróprio falar em descaracterização da natureza jurídica da PLR, já garantida pela CF/88, entende que a única possibilidade de reclassificação da verba seria como gratificação extraordinária, não ajustada. Auferir lucro não é uma constante, mas uma variável que pode ou não ocorrer; não é uma certeza de direito, mas mera expectativa; não ocorre com habitualidade. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Alega que para fins de incidência das contribuições sociais é necessária a comprovação da habitualidade, conforme redação do §11 do artigo 201 da CR/88 e da Lei 8.212/91. Com tantas variáveis, descabe falar que a PLR seria verba paga em quantia certa, com habitualidade e de forma ordinária ou ajustada, mas caberia afirmar que se trata de verba incerta, variável e extraordinária. Requer, na hipótese de ser descaracterizada a natureza jurídica não remuneratória da PLR prevista na CF/88, seja a PLR reclassificada como gratificação extraordinária, verba sobre a qual também não incidem as contribuições sociais, a teor do art. 28, § 9º, “e”, “7”, da Lei 8.212/91. PLR – Ex diretores Argumenta que, como demonstrado no tópico anterior, a Participação nos Lucros e Resultados – PLR possui nítido caráter não remuneratório, tanto para efeitos trabalhistas, como para fins previdenciários. Assim, a verba paga aos exdiretores Afonso Oliveira Gomes e João Batista de Abreu, na competência 02/2009, referese, efetivamente, à divisão (participação) de lucros, como ocorre no caso dos empregados, sendo claro que sua natureza jurídica não pode ser considerada remuneratória, sob pena de afronta ao texto constitucional, à Lei 8.212/91 e à própria Lei 10.101/2000. Prêmio Tempo de Casa Transcrevendo o inciso I do artigo 22 da Lei 8.212/91 diz que, a fim de integrar a remuneração sujeita à incidência da contribuição previdenciária, a verba deverá preencher o requisito da habitualidade e ser destinada a retribuir o trabalho mensal, o que não acontece na hipótese. Invoca doutrina de Wladimir Novaes Martinez e Leandro Paulsen. Diz que a habitualidade, além de ser exigência do referido dispositivo legal é confirmada pelo artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/91, segundo o qual não se incluem no salário de contribuição os ganhos eventuais e os abonos desvinculados do salário. Alega que o artigo 457 do DecretoLei 5.452/43 define que integram o salário as “gratificações ajustadas”, o que significa que as parcelas concedidas por mera liberalidade não assumem natureza salarial. No caso, o referido pagamento foi efetuado por liberalidade do impugnante e de uma vez apenas. Tratase de verba que não remunera o trabalho prestado e não se integra ao contrato de trabalho (habitualidade). Seu pagamento, portanto, não trouxe qualquer direito aos empregados de lhe exigirem nos meses ou anos seguintes, uma vez que este não integra a sua remuneração habitual. O prêmio concedido em razão de alguns funcionários completarem 20, 25, 30 anos ou mais na instituição, corresponde ao valor de um salário, possui caráter eventual, sendo mero ato Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 7 11 de liberalidade do empregador e, nessa forma de concessão, não integra a remuneração salarial, tampouco se configura benefício salarial. Prossegue argumentando que nem se diga que se tratando de prêmios não há que se falar em habitualidade. Os prêmios dependem, para sua concretização, de circunstância aleatória, isto é, dependem do fato de o empregado, eventualmente, permanecer na empresa por período superior a 20 anos, ou de ter prestado serviços de alta qualidade, premiado com uma bonificação. Nessas circunstâncias inexistem os critérios de habitualidade e retributividade anteriormente identificados, uma vez que o pagamento do “prêmio” depende da ocorrência ou não do critério previsto no Programa. O empregado está submetido a um evento futuro e incerto. Tratase de ganho eventual, nos termos do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/91, o qual não compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Transcreve posicionamento do CARF no Acórdão 2301.01.694 – 1ª Turma da 3ª Câmara e julgado do antigo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, no processo 35582.003721/200311. Conclui que os prêmios por tempo de casa não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que não apresentam caráte habitual, tratamse de parcelas criadas por mera liberalidade do empregador a fim de indenizar/reconhecer um sacrifício e a fidelidade dos empregados e não há intenção das partes em tornálos permanentes ou periódicos. Dias Trabalhados e Honorários – Ex Diretor No que se refere ao não recolhimento das contribuições sobre valores pagos na rescisão de contrato de trabalho do exdiretor João Batista de Abreu, na competência 02/2009, a título de dias trabalhados e de honorários extras, alega que não houve qualquer ausência de recolhimento das contribuições apontadas pela fiscalização, tendo ocorrido apenas um equívoco no preenchimento das GFIPs correspondentes. Todavia, a GFIP da competência 02/2009 foi retificada em 17/08/2009, muito antes da autuação, quando os valores pagos ao exdiretor na rescisão de contrato foram devidamente informados, tendo havido o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias. Este item do lançamento decorreu do mero equívoco cometido pelo impugnante ao preencher a GFIP do período, já tendo efetuado as competentes retificações, não havendo que se falar em recolhimento a menor ou em ausência de declaração em GFIP. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Diz ser imperioso concluir que o preenchimento equivocado da GFIP em social referente à competência 02/2009. Alega que diante da existência de provas do efetivo recolhimento do valor integral da contribuição exigida, deve prevalecer o princípio da verdade material, haja vista que deveria a fiscalização ter buscado, por meio do efetivo cruzamento de dados, a realidade fática, independente do formalismo burocrático do preenchimento da GFIP original. Transcreve ensinamento de James Marins, ressaltando que o princípio da verdade material deve nortear todo e qualquer procedimento administrativo. Aviso Prévio Indenizado Argumenta que o aviso prévio indenizado não se constitui em valor sujeito às contribuições previdenciárias, na medida em que possui caráter nitidamente indenizatório, conforme redação original do art. 28, § 9º, alínea “e”, da Lei 8.212/91. Diz que apesar da nova redação dada ao referido dispositivo legal pela Lei 9.528/97 excluir a previsão expressa de que os valores pagos a título de aviso prévio indenizado não integravam a base de cálculo das contribuições, o Decreto 3.048/99, ao aprovar o RPS, manteve a exclusão das referidas verbas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Instrução Normativa nº 03/2005 manteve sintonia com o Decreto 3048/99, e foi alterada pela Instrução Normativa nº 20/07, com a retirada da regra de não inclusão do aviso prévio indenizado da base de cálculo das contribuições. Em janeiro de 2009, através do Decreto 6.727/09, foi revogada a alínea “f” do inciso V do § 9º do art. 214 do RPS, contudo referida revogação não legitima a exigência da inclusão do aviso prévio indenizado e do respectivo proporcional de décimo terceiro salário no salário de contribuição, uma vez que tais verbas não decorrem de efetiva contraprestação pelo trabalho, sendo manifestamente inconstitucional e ilegal exigir sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias e demais contribuições incidentes sobre a remuneração do trabalhador. Argumenta que a não incidência das referidas contribuições sobre o aviso prévio indenizado decorre da sua própria natureza, a qual está em conformidade com a regra de competência constitucional (art. 195, I, “a”), bem como com o fato gerador previsto no art. 22, I e II, da Lei 8.212/91 e outros dispositivos legais referentes às demais contribuições vinculadas à remuneração pelo trabalho e instituídas com base nos arts. 149 e 212, § 2º, da Constituição. Tal incidência não se coaduna, também, com o conceito de salário de contribuição previsto no art. 28, I, da Lei 8.212/91. Transcreve decisões dos nossos tribunais. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 8 13 Diz que não obstante o entendimento pacífico da jurisprudência, visando se resguardar de exigências como a presente, o impugnante vem realizando o depósito das parcelas controversas, nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 2009.34.00.0099989,impetrado pela FEBRABAN, em nome de seus associados. Tal ação visa ao reconhecimento do direito líquido e certo da FEBRABAN e de seus associados de não se sujeitarem ao pagamento das contribuições previdenciárias patronais, bem como das contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração paga/creditada a seus segurados empregados, no que tange aos valores relativos ao aviso prévio indenizado, afastando o disposto no Decreto nº 6.727/2009. Conclui que não há que se falar em exigência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela impugnante, em 2009, a título de aviso prévio indenizado, pois, além de tais valores se encontrarem fora do campo de incidência destas contribuições, encontramse com a sua exigibilidade suspensa em razão dos depósitos judiciais realizados nos autos do referido Mandado de Segurança. 13º Salário Indenizado Aduz que, em relação ao exfuncionário José Eustáquio dos Santos, os valores apontados pela fiscalização referemse à verba acessória ao aviso prévio indenizado recebido pelo funcionário na competência 07/2009, à qual se aplica o mesmo raciocínio discorrido em relação ao aviso prévio indenizado, pois se tratam de verbas indenizatórias, totalmente desvinculadas do conceito de remuneração pelo trabalho. Ajuda de Custo Alega que a fiscalização desconsiderou que as parcelas pagas sob a rubrica “Ajuda de Custo” foram destinadas à manutenção de um diretor fora de sua residência para operacionalização de atividades do impugnante. Aduz que os valores gastos pelo impugnante, mesmo que periodicamente, durante um ano com a manutenção de seu diretor em localidade afastada de sua efetiva residência, não se enquadram no conceito jurídico de remuneração, uma vez que não se trata de nenhuma espécie de ganho que pudesse ser incorporado ao patrimônio do segurado. No caso, tratase apenas do fornecimento das condições necessárias ao trabalho. Ressalta que o ganho pessoal do referido diretor, pela execução do trabalho contratado, foi incluído normalmente na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entretanto, os valores tributados pela fiscalização não configuram qualquer ganho pessoal do diretor ou acréscimo de sua remuneração, uma vez que se prestam tão somente ao ressarcimento dos custos necessários à sua manutenção extraordinária fora de sua residência. Tanto que, no momento do seu retorno, tais valores não serão agregados ao seu salário. Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 Cita doutrina de Wladimir Novaes Martinez e o Parecer 1852/99, da antiga Consultoria Jurídica do CRPS. Diz que, no caso, a fiscalização simplesmente adotou o entendimento de que as verbas lançadas na contabilidade não se adequavam ao conceito de ajuda de custo especificado na letra “g” do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 (por não ter sido paga em parcela única), mas sem se ater a existência da letra “m” do mesmo parágrafo, que exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos pelos empregadores com transporte, alimentação e habitação para o trabalhador contratado para trabalhar em localidade distante da sua residência. Alega que a situação descrita no processo permite afastar qualquer dúvida quanto à natureza de ressarcimento da verba em exame. Por esse motivo, por disposição legal expressa, torna se necessário o cancelamento da exigência que pretendeu fazer incidir a contribuição previdenciária sobre parcelas expressamente afastada da base de cálculo. Patrocínio Clubes de Futebol Neste tópico diz que o impugnante não deixou de reter e recolher a totalidade dos valores apontados pela fiscalização. Conforme documentação anexa, verificase que mais de 60% dos valores exigidos pela fiscalização, neste item da autuação, já foram devidamente recolhidos pela impugnante ou referemse a valores não devidos (conforme documento 06). Elabora planilha demonstrando os valores efetivamente recolhidos, ou não devidos, mas desconsiderados pela fiscalização. Diz que do total exigido pela fiscalização, no montante de R$287.872,52, o valor de R$ 186.185,87 é absolutamente indevido. Esclarece que, especificamente em relação ao montante de R$ 1.200.000,00 repassado ao Cruzeiro Esporte Clube em 12/2009, tratase de valor doado para projeto social do clube, devidamente aprovado e reconhecido pelo Ministério do Esporte e registrado sob o número de processo 58701.001695/200976, de forma que não se sujeita à retenção das contribuições sociais. Conclui que devem ser considerados os documentos anexos e decotados os respectivos valores da exigência fiscal. Dos Pedidos Requer o provimento da impugnação para : 1. que seja determinado o cancelamento integral da exigência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos empregados e exdiretores a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR; • subsidiariamente, seja ao menos determinado o cancelamento da exigência da contribuição previdenciária sobre os valores da Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 9 15 PLR pagos com base nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários; 2. que seja determinado o cancelamento integral da exigência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de “Prêmio Tempo de Casa”, “Ajuda de Custo”, “Aviso Prévio Indenizado” e “13º Salário Indenizado”; 3. que seja determinado o cancelamento integral da exigência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de honorários e dias trabalhados a seu exdiretor João Batista; 4. o cancelamento da exigência da contribuição previdenciária, à alíquota de 5%, sobre os valores repassados pelo impugnante a título de patrocínio a associações desportivas que mantêm equipes de futebol profissional, os quais já foram devidamente recolhidos ou não estão sujeitos à tal incidência; 5. o julgamento concomitante com as defesas administrativas dos Autos de Infração nºs 51.011.8089 e 51.023.9552. Em 06/09/2012, a impugnante apresentou o aditamento à defesa de fls. 942/944, acompanhado dos documentos de fls. 945/975, no qual ressalta que os valores pagos a título de PLR no primeiro semestre de 2009 referemse à 2ª parcela da PLR apurada no ano de 2008 e, portanto, refletem parte do valor previsto na Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários do ano de 2008. Os valores pagos no 2º semestre de 2009se referem à 1ª parcela da PLR apurada em 2009, refletindo o valor previsto na Convenção Coletiva dos Bancários do ano de 2009. Conclui que a partir do comparativo entre o total pago no período, em comparação com o total proposto nas Convenções Coletivas de Trabalho da categoria é possível perceber que a maior parte dos pagamentos realizados estavam abarcados pelo valor previsto nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários, sendo raros os casos de pagamentos além da previsão normativa, ou seja, com base no Plano Próprio da empresa. Diz que, ainda que exista uma parcela de PLR paga pelo impugnante a seus empregados, além do previsto nas CCT dos Bancários, que não esteja em conformidade com os estritos termos da Lei 10.101/2000, a parcela de PLR distribuída em consonância com as CCT não deve sofrer a incidência das contribuições sociais. Transcreve decisão do CARF. Reitera os pedidos da impugnação originalmente apresentada, especialmente quanto ao cancelamento da exigência das contribuições sobre os valores da PLR pagos com base nas CCT dos Bancários; o acolhimento da nova documentação apresentada, que deverá prevalecer sobre qualquer outro documento anteriormente apresentado para finalidade equiparada. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 Auto de Infração 51.011.8089 A impugnante contesta o Auto de Infração 51.011.8089, através da impugnação de fls. 976/1015, acompanhada dos documentos de fls. 1016/1304, apresentando os mesmos argumentos da impugnação do AI 51.011.8054 no que toca aos seguintes tópicos: impossibilidade de exigência das contribuições destinadas a Terceiros (salário educação e INCRA) sobre os valores pagos a título de PLR; natureza jurídica da PLR – verba desvinculada da remuneração imunidade, novo fato gerador e sanção; validade da PLR distribuída com base nas Convenções Coletivas de Trabalho dos Bancários; nova natureza da verba distribuída a título de PLR; Prêmio Tempo de Casa; Dias Trabalhados e Honorários – Ex Diretor; Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário Indenizado. Apresenta, também, o aditamento à defesa de fls. 1305/1307 e documentos de fls 1308/1338, com o mesmo teor do aditamento apresentado à defesa do AI 51.011.8054. Auto de Infração 51.023.9552. A impugnação ao AI 51.023.9552 foi juntada às fls. 1339/1347, acompanhada dos documentos de fls. 1348/1403. Nas razões apresentadas a impugnante, inicialmente, ressalta a tempestividade da defesa apresentada e faz um breve relato dos fatos. Argumenta que a impugnante não deixou de reter e recolher a totalidade dos valores apontados pela fiscalização. Diz que, conforme se comprova pela documentação anexa, mais de 60% dos valores exigidos pela fiscalização já foram devidamente recolhidos pelo impugnante ou referemse a valores não devidos. Elabora planilha demonstrando os valores efetivamente recolhidos, ou não devidos, mas desconsiderados pela fiscalização e diz que do total principal exigido pela fiscalização, no montante de R$287.872,52, o valor de R$ 186.185,87 é absolutamente indevido. Aduz que, além de ter desconsiderado grande parte dos recolhimentos efetivamente efetuados e aplicado a multa de ofício no percentual de 75%, a fiscalização imputou ao impugnante multa pelo descumprimento de obrigação acessória, nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91 e do art. 283, II, “e” do RPS. Diz que a fiscalização está aplicando mais de uma penalidade em razão do mesmo fato, onerando de forma desproporcional o contribuinte, especialmente em se considerando que a multa foi aplicada de forma agravada, nos termos do art. 292 do RPS. Argumenta que, embora os arts 290 e 292 do RPS disciplinem quanto à ocorrência de reincidência, os atos administrativos devem pautarse pelo Princípio da Razoabilidade. Diz ser patente, no caso, a violação do referido princípio uma vez que aplicada ao impugnante sanção agravada, sob a alegação de Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 10 17 reincidência genérica, quando conforme demonstrado, grande parte das supostas infrações alegadas pela fiscalização sequer ocorreram, tendo ainda a fiscalização se eximido de esclarecer qual infração fundamentaria tal reincidência. Cita decisão do CARF e diz que não há na autuação menção à infração anterior que teria ensejado a reincidência genérica do impugnante, mas tão somente alusão a um auto de infração cuja decisão final teria sido desfavorável ao impugnante. Alega que sendo a finalidade das multas administrativas meramente didática e não se destinando à arrecadação de receita pública, devem as mesmas observar o princípio da proporcionalidade, como destaca Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Conclui que não poderia jamais o impugnante ser multado de forma agravada uma vez que grande parte das infrações que lhe foram imputadas não correspondem à realidade e ainda, que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar a razão para o agravamento da multa. Requer seja declarada a improcedência do auto de infração. Da Diligência Fiscal Tendo em vista a matéria fática trazida na impugnação, os autos foram baixados em diligência para pronunciamento fiscal, conforme despacho de fls. 1.405/1.408. Em resposta à solicitação de diligência o auditor fiscal autuante se manifestou, às fls. 1.416/1.422, de onde extraímos os seguinte trechos: :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 1.2.1 Levantamento AP – Aviso Prévio Conforme consta da impugnação apresentada, em relação aos pagamentos efetuados pelo BANCO ao exdiretor João Batista de Abreu, que houve um equívoco no preenchimento da GFIP, o que ocorreu é que numa mesma GFIP e para um único NIT houve a apresentação de duas informações de remuneração, uma para a CAT 1 e outra para a CAT 5, e o sistema utilizado no batimento das informações na fiscalização assumiu apenas a informação da CAT 5, o que culminou com a autuação do montante de R$32.098,92 a título de aviso prévio indenizado, lançado no Levantamento AP – Aviso Prévio. Efetuamos pesquisas nos sistemas da RFB e constatamos a veracidade das informações prestadas na impugnação e efetuamos a exclusão do valor autuado do pagamento efetuado ao exdiretor João Batista de Abreu, da base tributável de R$32.098,92, na competência 02/2009,............................... :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 1.2.2 – Levantamento DT – Dias Trabalhados Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 18 Ainda em relação ao exdiretor João Batista de Abreu houve também autuação pelo levantamento DT – Dias Trabalhados no valor de R$19.794,33, sendo R$17.119,42 de dias trabalhados e R$2.674,91 de honorários extra. Neste caso também ocorreu a mesma situação do item precedente quando houve a apresentação de duas informações de remuneração, uma para a CAT 1 e outra para a CAT 5, e o sistema utilizado no batimento das informações assumiu apenas a informações da CAT 5. o que culminou com a autuação do montante de R$19.794,33. Constatamos a veracidade das informações prestadas na impugnação e efetuamos a exclusão do valor autuado do pagamento efetuado ao exdiretor João Batista de Abreu, da base tributável de R$19.794,33 na competência 02/09.................................. :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 2.2.1 O autuado foi intimado pelo TIPF a apresentar os comprovantes de recolhimento em Juízo das contribuições incidentes sobre aviso prévio indenizado período de 13/01/09 a 31/12/2009. Em atendimento informou que os valores foram recolhidos em 27/07/2010 no montante de R$39.683,47 realizados nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 2009.34.00.0099989, impetrado pela FEBRABAN, em nome de seus associados, dentre os quais se inclui o impugnante e representa o somatório das rubricas: 01/2009 – verba 0230; 06/2009 a 12/2009 – verba 0647; e 10/2009 a 11/2009 – verba 0304. 2.2.2 o recolhimento em juízo para comprovar o atendimento da obrigação principal, teria que ocorrer competência por competência em que ocorreu o fato gerador da contribuição (pagamento do aviso prévio indenizado). O recolhimento totalizado pelo somatório da contribuição mensal de várias competências em uma única competência não supre a obrigação principal do recolhimento da contribuição previdenciária, não sendo possível desmembrar a guia recolhida para comprovar o recolhimento da obrigação principal, portanto como não houve a apresentação das Guias de recolhimentos, mantémse a autuação. :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 3.2.1. Verificando os documentos encaminhados pela autuada em atendimento ao TIPF, quando apresentou diversas GFP recolhidas no ano de 2009, referentes a valores de INSS devidos sobre patrocínios pagos a Clubes de Futebol, consideramos todas as GPS apresentadas para redução do valor autuado, inclusive as GPS que foram recolhidas no CNPJ dos patrocinados, quando foram efetuados “Ajustes de Guia”. 3.2.1.1 Foi excluído na competência 07/2009, o valor de INSS de R$7.500,00, correspondentes a base de cálculo de R$150.000,00, pagos ao Atlético Clube Goianiense, AP 29794/09, que também foi lançado na competência 12/2009. 3.2.1.2 Foi excluído também na competência 11/2009 o valor de INSS de R$1.000,00 da autuação, em razão do lançamento a maior na apuração do imposto devido, quando foi lançada uma base de cálculo de R$1.522.217,31 quando o correto é uma base de R$1.502.217,31. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 11 19 3.2.1.3 Excluímos, ainda, da base de cálculo da autuação de “Patrocínio” a clubes de futebol na competência 12/2009, a importância de R$1.200.000,00, que corresponde ao imposto de R$60.000,00, paga ao Cruzeiro Esporte Clube, com base na Lei 11.438/2006 e Decreto 6.180/2008, a título de patrocínio vinculado ao projeto aprovado no Ministério do Esporte, processo 58701.001695/200976 3.2.14 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: ::::::::::::::::::: Desmembramento dos valores excluídos: a Competência 06/2009: O valor excluído de R$2.500,00, foi recolhido na competência 05/2009, e corresponde à NF 3997 do valor total de R$50.000,00, emitida pelo Cruzeiro Esporte Clube, contabilizada na competência 06/2009. b Competência 07/2009: o valor de R$37.500,00 excluído na competência corresponde aos seguintes valores autuados: a) AP 29792/09 do valor total de R$500.000,00, emitido em favor do Atlético Clube Goianiense (INSS 25.000,00, recolhido na competência 07/2009); b) AP 29793/09 valor total de R$100.000,00 emitido em favor do Atlético Clube Goianiense (INSS 5.000,00, recolhido na competência 11/2009); c) AP 29794/09 valor total de R$150.000,00, emitido em favor do Atlético Clube Goianiense, lançado também em 12/2009 (INSS 7.500,00) c Competência 08/2009: o valor de R$15.400,00, excluído na competência 08/2009, corresponde ao AP 31306/09, no valor total de R$308.000,00 emitido em favor do Curitiba Foot Ball Clube (INSS 15.400,00 recolhido na competência 08/2009) d Competência 11/2009: o valor de R$67.035,87, excluído da competência 11/2009, corresponde aos seguintes valores autuados: a) AP 46054/09 valor total de R$1.320.717,31, emitido em favor do Curitiba Foot Ball Club (INSS 66.035,87, recolhido na competência 11/2009) e b) Base de cálculo de R$20.000,00, registrada a maior na autuação da competência 11/2009 (INSS 1.000,00) e Competência 12/2009 : O valor de R$72.250,00, excluído na competência 12/2009, corresponde aos seguintes valores autuados: a) AP 49969/09 no valor total de R$20.000,00 emitido em favor do Uberaba Sport Clube (INSS R$1.000,00 recolhido na competência 12/2009); b) AP 5079809 no valor total de R$60.000,00 emitido em favor do Esporte Clube Macapá (INSS R$3.000,00, recolhido na competência 12/2009); c) AP 5109309 no valor total de R$15.000,00 em favor do Rio Branco Atlético Clube (INSS 750,00 recolhido na competência 12/2009); d) AP 29794/09 no valor total de R$150.000,00 em favor do Atlético Clube Goianiense(INSS R$7.500,00 recolhido na competência 12/2009); e) AP 51514/09 no valor total de R$1.200.000,00 em favor do Cruzeiro Esporte Clube (INSS R$60.000,00) autuado indevidamente por se tratar de doação da Lei 11.438/2006 e Decreto 6.180/2008 Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 20 A empresa autuada foi cientificada do resultado da diligência em 16/10/2013 (fls. 1437), tendolhe sido concedido o prazo de 30 dias para manifestação. Da Manifestação Após Diligência Fiscal Em 14/11/2013, apresentou a manifestação de fls. 1438/1442, onde reitera todas as alegações feitas em sua impugnação inicial e acrescenta os seguintes argumentos. Informa a sua ciência e concordância com a exclusão dos valores lançados a título de aviso prévio e de dias trabalhados pagos ao exdiretor João Batista de Abreu e com a exclusão do montante de R$ 194.685,87 a título de contribuição sobre os patrocínios pagos a clubes de futebol. No que toca ao lançamento relativo ao Aviso Prévio Indenizado, diz que a Administração Tributária não apenas deixou de observar a verdade material, como simplesmente desconsiderou a comprovação de que as contribuições previdenciárias sobre a referida rubrica estão devidamente depositadas em juízo. Contesta este ponto da autuação dizendo que ela não merece prosperar uma vez que o Aviso Prévio Indenizado sequer deve compor a base de cálculo da contribuição ao INSS e, mesmo que assim não fosse, referida exigência vem sendo depositada no MS 2009.34.00.0099989, permanecendo suspensa a sua exigibilidade até o trânsito em julgado da mesma. " É o Relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Na forma do Acórdão de fls.1.444, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE ( MG) , em 29 de maio de 2014 , exarou o Acórdão n° 0256.521, mantendo em parte os créditos tributários exigidos nos AIs Debcads 51.011.8054 e 51.011.8089, e , integralmente, o crédito tributário exigido no AI Debcad 51.023.9552. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, a autuada interpôs Recurso Voluntário de fls.1.487, onde reiterou em parte as alegações que fizera em sede aquo. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 12 21 Voto Vencido Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PREJUDICIAIS DE MÉRITO Conforme registro no item 1.2 do Relatório entregue ao contribuinte e, também, no documento de fls. 02, a autoridade autuante entendeu que a comprovação dos ilícitos dependem dos mesmos elementos de prova e assim reuniu as autuações em processo único: " ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 9º, caput e § 1º, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pelos arts. 1º da Lei nº 8.748/93 e 113 da Lei nº 11.196/05." " Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)" Cumpre notar que a autoridade deixou de observar na seqüência o disposto no § 6o do mesmo art. 9o abaixo descrito. Faço destaque ressalvando que embora o ocorrido, não se pode alegar prejuízo para a parte passiva tendo em vista que ao apresentar impugnação legitimou o procedimento, verbis: " § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" O supra referido art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, fazendo remissão ao art. 2°, acaba por alcançar as contribuições previdenciárias em apreço na forma do contido no Parágrafo único do art. 11 quando se remete às das empresas, Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 22 incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) , senão vejamos: "Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007)." "Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007)." "Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005)" DAS MATÉRIAS ENFRENTADAS A ementa abaixo reproduzida nos trás as questões que foram enfrentadas no voto a quo que, em apertada síntese, definem as razões de negar provimento: "Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária, em conseqüência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 13 23 A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de nãoincidência. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o saláriode contribuição. PRÊMIO POR TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. O prêmio por tempo de serviço integra o salário de contribuição por sua natureza jurídica salarial e por não se enquadrar nas hipóteses excluídas de tributação legal. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA Com a revogação, pelo Decreto 6.727/2009, da alínea “f” do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a partir de 12/01/2009 a contribuição previdenciária passou a incidir sobre a parcela do aviso prévio indenizado e seu reflexo no décimo terceiro salário. AJUDA DE CUSTO Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL PROFISSIONAL. Constitui infração a dispositivo da Lei 8.212/91, deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de cinco por cento da receita bruta." DAS MATÉRIAS NÃO ENFRENTADAS Com se observa na ementa, a instância a quo não se enfrentou pontualmente aa s autuação representada pelo lançamento DEBCAD n °51.011.8089 (Terceiros, FNDE E INCRA) . Cumpre ressaltar que tal ocorrência não foi arguida em Recurso Voluntário. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 24 DO MÉRITO DA PARTICIPAÇÃO DE LUCROS De plano, o art. 2° da Lei regência n. 10.101 de 19 de dezembro de 2000 , nos trás que a negociação se dará visando contemplar os EMPREGADOS da empresa. Assim o que é de se verificar é se a empresa realizou pagamentos de PLR à luz do preceituado na lei de regência verbis: "Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. A instância a quo enfrentou a questão e destacou o registro do relatório fiscal : "No presente caso, o relatório fiscal informa que: • a empresa apresentou as convenções coletivas firmadas a nível nacional, tendo como signatários diversos sindicatos representativos da categoria de trabalhadores, o Banco BMG S/A, a FEBRABAN e a FENABRAN, e o Plano de Participação nos Lucros e Resultados Medida Provisória 153931. Referidos Acordos/Convenções Coletivas prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 14 25 meta ou resultado, configurandose em verdadeira gratificação semestral ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados” • em correspondência emitida pelo Banco BMG, em resposta ao TIF 008, a empresa declara não possuir os documentos base para a realização das avaliações de desempenho, declarando também não possuir os resultados das avaliações promovidas nos períodos fiscalizados e, ainda, que não possui exemplares das “atas de reuniões da comissão de empregados” constituída e registrada no sindicato da classe, evidenciandose que a mesma não estava participando das negociações do plano de participação nos lucros e resultados ou mesmo que estava em funcionamento. Diante da situação fática encontrada na empresa autuada, concluise que a verba Participação nos Lucros e Resultados paga pela defendente não atende os requisitos da Lei 10.101/2000 e, portanto, não se enquadra na hipótese do inciso XI do art. 7º da Constituição Federal." DAS REGRAS Às fls 304 , consta a Convenção Coletiva de Trabalho sobre a Participação dos Empregados nos Lucros o PLR dos bancos em geral, assinada em 18/10/2007 para o resultado de 2007, pelos sindicatos representantes dos empregados e pela entidade de classe dos empregadores . Na forma do que se exige no art. definiramse regras para pagamento de PLR para todo o segmento. No Caput da cláusula primeira do documento, vinculados à hipótese de ao lucro líquido do banco, e com limites percentuais sobre o resultados , para pagamento até 03.03.2008, valores de 80 % sobre o salário base mais verbas fixas de natureza salarial, acrescidos de um valor mínimo fixo de R$ 878,00 limitado ao máximo de R$ 5.826,00. No Parágrafo sexto da cláusula primeira, convencionaramse que o banco que apresentar prejuízo, no exercício de 2007, ( balanço de 31.12.2007) estará isenta da Participação de Lucros ou resultado. Às fls. 373, nos mesmos moldes da CCT de 2007, consta a Convenção Coletiva de Trabalho sobre a Participação dos Empregados nos Lucros o PLR dos bancos em geral, assinada em 03/11/2008 para o resultado de 2008 : "CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2007 em efetivo exercício em 31.12.2008, convencionase o pagamento, pelo banco, até 02.03.2009, de 90% (noventa por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas mensais de natureza salarial, reajustadas em setembro/2008, acrescido do valor fixo de R$ 966,00 (novecentos Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 26 e sessenta e seis reais), limitado ao valor de R$ 6.301,00 (seis mil, trezentos e um reais)." Na mesma linha, as fls 437 , registramse as regras para o ano de 2009. Aduz que às fls.1.491/1.492, em grau de recurso, a empresa traz argumentos que reputo corretos na medida em que a lei exige estabelecer e fazer constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. Destaco que as regras têm de ser claras para os pactuantes e não necessariamente para terceiros. Os mecanismos de aferição a que se refere o legislador objetivam permitir pleno entendimento das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Desse modo é pertinente a conclusão a que chegou a recorrente na final dos argumentos postos ao concluir que " inexiste qualquer obrigatoriedade de que sejam fixados objetivos e metas para se legitimar os pagamentos realizados a título de PLR . (...) ( fls . 1492, parte final). De fato o descrito na parte final do § 1o , II, art. 2°, abre o leque para que se estabeleça qualquer critério, entretanto, há que se ter presente, desde que não se desconfigure a natureza jurídica do benefício.: "§ 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições:" No que se impõe estabelecer regras , os Acordos/Convenções Coletivas prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado. Entretanto o PLR não ficou reduzido a isto. No item 2.4.24 do Relatório Fiscal a autoridade autuante descreve em minúcias toda a história do PLR implementado na empresa desde 1997. Inclusive as regras contendo Conceito de Desempenho, Padrões não Cumpridos, Padrões Cumpridos, Padrões Excedentes e Padrões Outsanding. No mesmo sobredito item consta registro de que como foram implementados o PLR para o período autuado: 2.4.24.O plano de participação nos Lucros ou Resultados, recebeu ao longo dos anos aditamentos e reratificações, adiante descritos: (...) Em 01 de dezembro de 2007, foi assinado pelo Banco e Comissão de Funcionários o Aditamento e ReRatificação do plano de Participação nos Lucros ou Resultados da Lei n° 10.101, de 19/12/2000.Resolvem, através deste instrumento, manter a participação do biénio 2008 e 2009 nos mesmos moldes da participação do ano de 2007, observando o seguinte: 1. O Item VIII Disposições de Caráter Geral passa a ter a seguinte redação: Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 15 27 Não havendo por parte do funcionário do Banco oposição no prazo de seis meses anteriores ao término o mandato da Comissão, a Comissão eleita para o exercício de cinco anos de mandato terá seu mandato prorrogado automaticamente por mais cinco anos após o término do primeiro mandato, e assim sucessivamente, sendo substituído o membro titular por seu suplente em caso de necessidade. 2. Ficam ratificadas as demais cláusulas não alteradas por este instrumento " No Relatório Fiscal a autoridade autuante revela seu entendimento sobre direitos substantivos : "Os direitos substantivos mencionados no § Io do art. 2o da Lei 10.101/00, referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no instrumento de negociação, quanto irão receber se as metas acordadas forem cumpridas. Já as regras adjetivas desse mesmo dispositivo dizem respeito à forma para a obtenção dos direitos substantivos, aos mecanismos de aferição para demonstrar o desempenho do empregado em relação às metas acordadas, à periodicidade da distribuição, ao período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tanto em relação ao direito substantivo quanto em relação às regras adjetivas a lei requer clareza e objetividade de modo a impedir que critérios ou condições subjetivos dificultem a participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados." Vêse que comete equívoco a autoridade autuante tendo em vista que ao se referir aos direitos substantivos o legislador quis falar do conjunto de normas que regulam os fatos jurídicos e não da possibilidade de saber quanto o empregador irá ganhar. Este ruído formou convicção de autuar e que tal como vozes dissonantes neste egrégio Conselho entendem que para a aquisição do benefício, o acordo prévio tenha que DEFINIR o que o trabalhador precisa praticar para receber o benefício estabelecendose metas, resultados, índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa mediante fixação de regras. De fato a lei define que se estabeleçam regras claras e objetivas. Se os pactuantes , empregados e empregadores, assim as entenderam mediante acordo , penso que descabe tutela. O que ficar pactuado desde que legal, por mais esdrúxulo que pareça para terceiros , terá de ser respeitado. Segundo a enciclopédia livre Wikipédia, , tomando como referência , a lição de NEVES, 2013, pp. 47 e 48. NEVES, DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO. Manual de direito processual civil. 5ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2013 , DIREITO SUBSTANTIVO: Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 28 "Direito material ou direito substantivo é o conjunto de normas que regulam os fatos jurídicos que se relacionam a bens e utilidades da vida, contrapondose, neste sentido, ao direito processual ou formal. Referese o termo à essência ou matéria do direito objetivo, ou seja, as regras abstratas criadoras das relações concretas de direito" As regras adjetivas à exemplo da definição de adjetivo, se referem a um substantivo indicandolhe um atributo no caso , como fazer para obter o direito substantivo. Neste sentido, vejo que cumpriramse com à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas exigidas no § 1o , II, art. 2°,da Lei n. 10.101 de 19 de dezembro de 2000: "§ 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: " No item 2.2.18 do relatório fiscal , a autoridade autuante revela que recebera convenções coletivas de trabalho sobre participação nos lucros ou resultados", vigentes nos anos calendários de 2007, 2008 e 2009: "2.4.18. Em relação às intimações para apresentação de documentos relacionados aos pagamentos de "participação nos Lucros e Resultados" o Banco BMG S/A disponibilizou, inicialmente, as "convenções coletivas de trabalho sobre participação nos lucros ou resultados", vigentes nos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, em atendimento às intimações: TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 06.12.2011; TIF 003, de 24/01/2012 e TIF 006, de 11/04/2012." Cumpre destacar, também, que na forma dos itens 2.4.32 a 2.3.34 a autoridade autuante procedeu ao lançamento em razão de que , embora pactuado, a empresa não comprovou que realizara os pagamentos efetuando o acompanhamento do programa de pagamento de lucros e resultados PLR aprovado, como também não provou que se louvara nas avaliações de desempenhos (PREVISTO X REALIZADO) dos empregados na obtenção dos resultados do Banco BMG S/A, que seria no âmbito da organização instrumento base para pagamento da verba "PLR. Neste sentido, é relevante ressaltar que a lei não faz exigência de que a empresa seja diligente na gestão administrativa de sua organização: "2.4.32 Do exposto, extraise que embora tenha havido o estabelecimento do programa de metas e resultados a serem cumpridos pelos empregados, de maneira a justificar o pagamento da PLR, em todo o período fiscalizado, concluise de forma inequívoca a convicção de que não houve o devido acompanhamento do programa de pagamento de lucros e resultados PLR aprovado, como também não houve avaliação dos desempenhos (PREVISTO X REALIZADO) dos empregados na obtenção dos resultados do Banco BMG S/A, instrumento base para Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 16 29 pagamento da verba "PLR", segundo afirmativa constante do item "1" do documento emitido em 08/06/2012 (ANEXO IX). Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de "Participação nos Resultados" (ANEXO I), face à ausência de comprovação do acompanhamento do programa de pagamento de lucros e resultados, bem como da falta de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9o, inciso x do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Em consequência temse configurado que, as parcelas pagas pela empresa aos seus trabalhadores a título de "Participação nos Resultados", estão em desacordo com a legislação pertinente, integrando assim o saláriode contribuição para todos os fins e efeitos, conforme dispõe o art. 214, § 10 do já citado Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999, não havendo motivos que justifiquem a não incidência das contribuições previdenciárias e as contribuições destinadas às outras entidades e fundos, denominadas de "Terceiros". DA JURISPRUDÊNCIA DESTA TURMA No processo de n° 13888.003829/201058, cuja ementa abaixo se transcreve, na forma do Acórdão de n 2403002.117, esta Colenda Turma abordando questão sobre regras claras no PLR, deu provimento a recorrente, por unanimidade de votos: "PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. " Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 30 Cabe notar que os pagamentos basearamse em acordos/convenção coletiva que obviamente abrangem toda a categoria e não somente uma empresa do segmento. Na condução do voto a quo, a i. Julgadora, entendeu que os acordos firmados na forma como se apresentaram em texto único para a categoria, prevendo garantia de participação mínima, representaria quantia certa para todos independente do resultado: "No caso, conforme esclarecido no relatório fiscal, os Acordos/Convenções Coletivas de Trabalho apresentados pela impugnante (firmados em texto único para a categoria com vigência em todo o território nacional) prevêem uma “garantia de participação mínima” que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado." O anexo I, planilha produzida e colacionada pela Autoridade autuante , às fls. 84/134, desmonta o sobredito entendimento na medida em que revela pagamentos aos empregados realizados ao longo do período autuado, 01/2009 a 12/2009, com valores díspares e não por quantia certa. Assim , de tudo que foi exposto, dou provimento às alegações da Recorrente. DO PAGAMENTO PLR PARA EX DIRETORES NÃO EMPREGADOS O art. 2° da Lei regência n. 10.101 de 19 de dezembro de 2000 , nos traz que a negociação do PLR se dará visando contemplar os EMPREGADOS : "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo" Os diretores não empregados não são alcançados pois pelos benefícios dos acordos previstas na lei específica n 10.101, restando claro no art. 28, § 9º, “j”, da Lei 8.212/91, que o pagamento ou crédito de participação nos lucros de diretores por remeter à lei específica, que pagamentos aos não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias em qualquer caso, por falta de previsão legal de nãoincidência. Até porque não sendo sindicalizados não estariam ao abrigo das convenções coletivas da categoria "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (..) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 17 31 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica" A lei específica O art. 2° da Lei regência n. 10.101 de 19 de dezembro de 2000 , nos traz que a negociação se dará visando contemplar os EMPREGADOS da empresa. Assim o que é de se verificar é se a empresa realizou pagamentos de PLR à luz do preceituado na lei de regência verbis: "Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Por economia processual , não adentro ao mérito das alegações tendo em vista a evidente incidência das contribuições sobre este levantamento. Portanto, não dou provimento às alegações do contribuinte. Prêmio Tempo de Casa A instância a quo para negar provimento fez leitura de que se tratava de modalidade remuneratória vinculada a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Abaixo o resumo transcrito: De acordo com o relatório fiscal do auto de infração e seu anexo V, foram lançados no AI os valores pagos pela empresa a título de prêmio tempo de casa a diversos empregados, na competência 12/2009. Não merece acolhida a alegação da impugnante de que as importâncias por ela pagas a título de prêmios, não integrariam o salário de contribuição desses segurados. Os valores das verbas pagas são relativos a “prêmios” relacionados ao alcance de metas de desempenho (no caso o tempo de serviço), configurandose em verdadeiro prêmio de produtividade. Tratase de modalidade remuneratória vinculada a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Discorrendo sobre a habitualidade, apesar de constatar que os pagamentos eram esporádicos se contradiz e com argumentos precários conclui ter sido caracterizado a habitualidade. Discordo( grifos de minha autoria): "Cabe observar, que o fato de a premiação ocorrer de forma esporádica para certo segurado, ou mesmo, de um determinado segurado nunca têla recebido, de forma alguma descaracterizaria tal verba como remuneratória. O que importa, aqui, é que todas as vezes que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 32 segurado, surge para a empresa a obrigação de pagar o prêmio e, sobre essa verba, há incidência de contribuição previdenciária. Não procede, assim, a alegação acerca da falta de habitualidade no pagamento das referidas premiações. Em verdade, existe a habitualidade no pagamento dos prêmios aos segurados da impugnante, pois o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para o seu recebimento retiralhe o caráter de eventualidade. " A autoridade autuante não entrou no mérito de qual são as regras que ensejariam o pagamento do prêmio. Não comprovou pagamentos reiterados que sustentaria a habitualidade ainda que anual e nem a presença de outros aspectos que denunciem que se trata de remuneração vinculada ao desempenho ou à produção de modo a caracterizar a natureza salarial. No item 2.5 do relatório fiscal tãosomente registrou que autuara em razão de a verba não constar do rol taxativo previstos no § 9o alínea "e" do inicio I, do art. 28 da Lei n° 8.212/91, verbis: "2.5 PAGAMENTO DE PRÊMIOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS 2.5.3 Mediante batimento realizado entre os dados das folhas de pagamento mensais e das GFIP, enviadas à Caixa Económica Federal e Receita Federal do Brasil RFB, foram verificadas divergências entre os valores das folhas de pagamento e os da GFIP, na competência de 12/09, dos empregados que receberam a verba "0197" premio tempo de casa, sujeitos à tributação para a previdência social, pois não são previstos em lei. Para comprovar as diferenças (divergências) apontadas, anexamos planilha (ANEXO V), parte integrante do presente relatório. (...) Os valores pagos aos segurados empregados a título de "Premio Tempo de Casa Verba 0197", constitui em parcela integrante do salário de contribuição, pois foram pagos em desacordo com a legislação, e não se referem àqueles previstos no § 9o alínea "e" do inicio I, do art. 28 da Lei n° 8.212/91 , portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 inciso I, da Lei n° 8.212, de 24.07.91 c/c art. 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06.05.99, (..)" No Recurso Voluntário a Recorrente assevera que os pagamentos foram realizados na parcela anual, apenas uma vez, para empregados que atingiram 20, 25 , 30 ou mais anos de casa e que tais valores não se incorporaram ao salário e que neste termos tratase de ganho eventual incurso no § 9o alínea "e" item 7 do art. 28 da Lei n° 8.212/91. Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 18 33 "7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998)." No Relatório Fiscal a autoridade autuante registrou que foram verificadas divergências entre os valores das folhas de pagamento e os da GFIP, na competência de 12/09. Pelo exposto, sou de conferir razão ao contribuinte postos que além de o pagamento numa única competência não caracterizar habitualidade, na exegese do caput, do art. 28, entendese por salário decontribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Prêmio pago uma única vez por ter sido alcançado um certo tempo de casa não é retribuição por produtividade ou atingimento de meta como assevera a instância a quo: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração" Aviso Prévio Indenizado e 13º Salário Indenizado É fato que a contribuição previdenciária passou a incidir sobre a parcela do aviso prévio indenizado e seu reflexo no décimo terceiro salário a partir de 12/01/2009, uma vez que o Decreto nº 6.727/09 revogou a alínea “f” do inciso V do § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que assim dispunha: Art. 214 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: V as importâncias recebidas a título de: ::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: f) aviso prévio indenizado; Assim, a rubrica contemplando a competência 11/2009 sofre a devida a contribuição previdenciária sobre o valor da referida parcela e seus reflexos. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 34 No Recurso voluntário a recorrente alega inconstitucionalidade do Decreto e reitera que procedera aos depósitos das parcelas controversas. A instância a quo enfrentando a matéria aludiu ao Mandado de Segurança Coletivo nº 2009.34.00.0099989, impetrado pela FEBRABAN, em nome de seus associados, razão pela qual, referidas parcelas estariam com sua exigibilidade suspensa: "O impugnante alega que vem realizando o depósito das parcelas controversas, nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 2009.34.00.0099989, impetrado pela FEBRABAN, em nome de seus associados, razão pela qual, referidas parcelas estariam com sua exigibilidade suspensa." Neste ponto cabe lembrar a súmula n° 2 deste e. Conselho quanto a impossibilidade de se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, verbis: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Quanto ao referido Mandado de Segurança Coletivo nº 2009.34.00.0099989, sua imposição remete ao teor da súmula n° 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual : "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Isto posto, o lançamento deve permanecer sobrestado até que se observe o trânsito em julgado. Como não foram colacionadas cópias do sobredito Mandado de Segurança Coletivo nº 2009.34.00.0099989 e tampouco o recurso voluntário fornece detalhes para se averiguar se ocorrera o trânsito em julgado, retenhamse os autos nas s origens até solução definitiva para a cobrança ou não da rubrica. Ajuda de Custo No caso sob análise, o banco pagou ao diretor Marcelo da Costa Lourenço, no período de 12/2008 a 12/2009, o valor mensal de R$ 11.188,00, a título de “ajuda de custo instalação”, sob a alegação de que referidos valores foram destinados à manutenção de seu diretor em localidade afastada de sua efetiva residência, para operacionalização de atividades do impugnante. Em relação às verbas pagas a título de ajuda de custo, sob o comando do preceituado na hipóteses do art. 28, § 9º, alínea “g”, da Lei n.º 8.212/91, elas só não integram o saláriodecontribuição quando pagas em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT : Art. 28. (...) (...) Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 19 35 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). A recorrente reitera que a referida verba tratase apenas do fornecimento das condições necessárias ao trabalho, e que tal verba se enquadraria nas disposições da letra “m” do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. Entretanto, os valores a que se refere a sobredita alínea “m” são aqueles correspondentes aos gastos com transporte/habitação/alimentação fornecidos como condição para o trabalho, via de regra nas frentes de trabalho e acampamentos residenciais de obra que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. Não dou provimento RECEITAS DE PATROCÍNIO A CLUBES DE FUTEBOL Após diligência efetuada excluíramse parte substancial do crédito constituído para esta rubrica. A parte remanescente não foi guerreada. Contudo reclama a recorrente da manutenção da multa de ofício aplicada em razão de ter havido multa por descumprimento de obrigação acessória sobre a mesma matéria. Tendo deixado de reter para recolhimento o percentual de 5% da receita bruta proveniente de repasse de recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos , que inclusive não contesta, a empresa incorreu na infração prevista no artigo 22, parágrafo 9º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991 e sofreu as sanções aplicadas na forma da penalidade de multa de ofício que não se confunde com o descumprimento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória que encontra sua definição legal nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, no artigo 283, inciso II, alínea “m” e artigo 373 do RPS, o seu valor é fixo que não se mitiga por cumprimento parcial bastando uma ocorrência para legitimar sua aplicação. Não dou provimento DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. No Relatório Fiscal descrevendo razões de aplicar a multa por descumprimento de obrigação acessória, a autoridade autuante faz menção do DEBCD 51.023.9551 do percentual dos 5% : "III AUTOS DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 36 3. A seguir serão detalhados os fatos que ensejaram a emissão do auto de infração por obrigações acessórias não cumpridas, que integram o presente processo, lançado no DEBCAD abaixo especificado: 3.1 AI DEBCAD 51.023.9551 Código de Fundamentação Legal 83: (Deixar a empresa ou entidade que repassar recursos à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, de reter para recolhimento o percentual de 5% (cinco por cento) da receita bruta, inadmitida qualquer dedução)." Irresignada com o agravamento da multa Recorrente reitera que não há na autuação menção à infração anterior que teria ensejado a reincidência genérica do impugnante, mas tão somente alusão a um auto de infração cuja decisão final teria sido desfavorável ao impugnante. Em sede de impugnação lhe fora esclarecido pela instância a quo , não procediam suas alegações. Abaixo segue a transcrição que dissera a i. Julgadora na condução do voto a quo : "Não procede referida alegação uma vez que nos itens 4.2 a 4.4 do Relatório Fiscal consta claramente discriminado o motivo da aplicação da agravante de reincidência genérica. Conforme discriminado no item 4.2 consta em nome da empresa o Auto de Infração 37.027.0355, lavrado em procedimento fiscal anterior, com decisão definitiva transitada em julgado. Ao contrário do alegado, para o referido auto de infração consta o registro da infração cometida, qual seja, infração ao artigo 32, III, § 11 da Lei 8.212/91, e a data da decisão definitiva: 06/09/2007. Tendo as infrações, objeto do AI em questão, sido cometidas no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009, portanto, dentro do período de 5 anos contados da decisão administrativa transitada em julgado relativa à autuação anterior e tendo em vista tratarse de infrações a dispositivos legais diferentes, correta a caracterização da reincidência genérica e o conseqüente agravamento da penalidade aplicada. Quanto à alegação de violação do Princípio da Razoabilidade, importa aqui ressaltar que as autoridades fiscais, por exercerem atividade plenamente vinculada, não podem afastar a aplicação dos dispositivos legais e normativos devidamente elaborados e publicados pelos órgãos competentes. " Não dou provimento CONCLUSÃO Conheço do Recurso para, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam desconstituídos os créditos lançados para os Levantamentos DL distribuição de lucros; PL 2 Distribuição de lucros e resultados ( exceto para os valores pagos aos Diretores e exDiretores não empregados). Também devem ser excluídos os créditos sob os levantamentos PR2 Prêmio por tempo de casa. Os valores lançados sob o levantamento LP Aviso prévio e SL2 Décimo terceiro, conexo, devem ficar sobrestados aguardando o trânsito em Julgado do MS interposto. Que se observe o impacto das exclusões sobre o lançamento Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 20 37 TERCEIROS, DEBCAD 51.011.8089, e se desconstitua do mesmo os levantamentos idênticos. É como voto. Ivaccir Júlio de Souza Relator Ivaccir Júlio de Souza Relator Voto Vencedor Conselheira Nathalia Pompeu, relatora designada. A Turma, pelo voto de qualidade, divergiu do brilhante voto do ilustre relator, e nesse ponto negando provimento ao recurso voluntário, apenas no que tange à matéria "Distribuição de lucros e resultados para empregados"; Entendo que a interpretação adotada pela fiscalização se coaduna com os preceitos do diploma de regência do benefício. E nesse ponto é que a maioria qualificada divergiu do relator, tendo em vista que, conforme argumentos e provas juntados nos autos do processo, não houve obediência às regras estritas da Lei 10.101/00. Isso porque, muito embora a Constituição Federal assegure o direito dos empregados à participação nos lucros, ou resultados, das empresas, desvinculada da remuneração, ela atribui à lei ordinária a definição do regramento necessário ao exercício desse direito. Portanto, para que a participação nos lucros e/ou resultados esteja desvinculada da remuneração é imprescindível estar de acordo com o estabelecido em lei, in casu, a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Assim, para que a parcela relativa à Participação nos Lucros/Resultados não integre o salário de contribuição, por força do inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal e alínea “j” do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, a empresa deve cumprir as exigências da legislação específica, que no caso, é a Lei n.º 10.101, de 19/12/2000, que assim estabelece em seu art. 2º: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA 38 §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Vêse, portanto, que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas; mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para a revisão do acordo; critérios e condições, tais como: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente, como bem aduziu a Fiscalização em sua decisão. Nesse sentido, a PLR vinculase ao cumprimento de metas e resultados preestabelecidos, cujo alcance está diretamente ligado aos esforços dos empregados. No presente caso, passo a colacionar trecho do relatório fiscal, que aduz: • a empresa apresentou as convenções coletivas firmadas a nível nacional, tendo como signatários diversos sindicatos representativos da categoria de trabalhadores, o Banco BMG S/A, a FEBRABAN e a FENABRAN, e o Plano de Participação nos Lucros e Resultados Medida Provisória 153931. Referidos Acordos/Convenções Coletivas preveem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose em verdadeira gratificação semestral ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”; (grifo nosso) • em correspondência emitida pelo Banco BMG, em resposta ao TIF 008, a empresa declara não possuir os documentos base para a realização das avaliações de desempenho, declarando também não possuir os resultados das avaliações promovidas nos períodos fiscalizados e, ainda, que não possui exemplares das “atas de reuniões da comissão de empregados” constituída e registrada no sindicato da classe, evidenciandose que a mesma não estava participando das negociações do plano de participação nos lucros e resultados ou mesmo que estava em funcionamento. (grifo nosso) Portanto, diante da situação fática acima destacada, em especial os termos grifados por irem de encontro à Lei regulamentadora, e, não tendo o Contribuinte refutado contundente com provas tais comprovações, concluise que a verba Participação nos Lucros e Resultados paga pela defendente não atende os requisitos da Lei 10.101/2000. Portanto, não se enquadra na hipótese do inciso XI do art. 7º da Constituição Federal, no mesmo sentido da autuação fiscal. Em assim sendo, a verba sobre a qual estão sendo exigidas as contribuições lançadas não tem a natureza jurídica de “participação nos lucros e resultados”, uma vez que é paga em desconformidade com os requisitos da Lei nº 10.101/2000. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 15504.724091/201211 Acórdão n.º 2301004.386 S2C3T1 Fl. 21 39 Logo, não se enquadra na hipótese de exclusão contemplada na alínea j do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 e, em consequência, deve ser reconhecida como parcela integrante do salário de contribuição. Ademais, a referida verba está vinculada ao salário base e a verbas fixas de natureza salarial, e depende apenas da data de efetivo exercício do empregado. Não sendo, portanto, verba incerta, variável e extraordinária (como também alegado pelo Contribuinte), já que o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para o seu recebimento, retiralhe o caráter de eventualidade. Nas demais alegações de mérito, a turma decidiu conforme o voto do relator. Nathalia Pompeu Relatora Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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