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Numero do processo: 10735.002428/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo eventual recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-006.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-10-03T23:54:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-10-03T23:54:54Z; Last-Modified: 2023-10-03T23:54:54Z; dcterms:modified: 2023-10-03T23:54:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-10-03T23:54:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-10-03T23:54:54Z; meta:save-date: 2023-10-03T23:54:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-10-03T23:54:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-10-03T23:54:54Z; created: 2023-10-03T23:54:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-10-03T23:54:54Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-10-03T23:54:54Z | Conteúdo => S2-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10735.002428/2008-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 2001-006.297 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 26 de julho de 2023 Recorrente JOSÉ LUÍS FONSECA MARINS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Expirado o prazo de 30 dias, contado da ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, é intempestivo eventual recurso voluntário formalizado, do que resulta o seu necessário não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo Julgador de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o Contribuinte acima identificado foi emitida, em 05/05/2008, a Notificação de Lançamento de fls. 06 a 09, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 24 28 /2 00 8- 11 Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.297 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.002428/2008-11 exercício 2006, ano-calendário 2005, tendo resultado em um saldo de imposto igual a zero. O lançamento foi decorrente da constatação de compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 1.121,29, relativa à fonte pagadora Ampla Energia e Serviços S/A, CNPJ 33.050.071/0001-58, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total do IRRF informado pela fonte pagadora por meio da DIRF, tendo sido glosada a quantia integral declarada. Cientificado do lançamento em 16/05/2008 (Aviso de Recebimento de fls. 22), o Interessado protocolou, em 06/06/2008, a impugnação de fls. 02 a 04, juntamente com os documentos de fls. 10 a 17, alegando, em suma que: a) o IRRF glosado refere-se a rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista e que, embora o imposto tenha sido retido, a fonte pagadora não cumpriu com sua obrigação de prestar essa informação por meio da DIRF; b) requereu o desarquivamento do respectivo processo judicial com o intuito de extrair cópias dos documentos necessários à comprovação da retenção do imposto de renda, mas devido à morosidade do Poder Judiciário, ainda não conseguiu seu intento; c) a glosa do IRRF retido trouxe, de imediato, a impossibilidade de exercer suas atividades, pois foi privado de movimentar sua conta corrente, desrespeitando os princípios constitucionais do direito ao sigilo financeiro. Diante do exposto, requer o acolhimento de sua impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Com base no artigo no art. 6º-A da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1061, de 04 de agosto de 2010, foi analisada a impugnação e apreciados os documentos apresentados, conforme Termo Circunstanciado de fls. 35 e Despacho Decisório de fls. 36, de 10/02/2014, tendo sido decidido pela manutenção do lançamento, em virtude de não ter sido apresentada documentação comprobatória da retenção ou recolhimento do imposto de renda glosado. Cientificado da decisão acima citada em 22/05/2014 (Aviso de Recebimento de fls. 40), o Contribuinte não se manifestou. Os autos foram encaminhados à DRJ/Brasília para julgamento, tendo sido distribuídos a este julgador. É o Relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 IRRF. COMPENSAÇÃO. É passível de dedução do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual do IRPF o imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada sua retenção ou recolhimento, nos termos da legislação tributária. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/08/2015, o sujeito passivo interpôs, em 14/10/2015, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os rendimentos tributáveis e a retenção de imposto de renda estão comprovados nos autos É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.297 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.002428/2008-11 Voto Conselheiro(a) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Da Admissibilidade Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer ao pressuposto de admissibilidade temporal contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Conforme infere-se pela leitura do texto acima, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 (tinta) dias contados da ciência da decisão de 1ª instância. Anote-se, ainda, que o Código de Processo Civil, norma aplicada de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal, nos casos de omissão de sua regra matriz, , dispõe no §6º do artigo 1.003, o seguinte: Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. ... § 6o O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso. Dos autos, verifica-se que a data da ciência do Acórdão da DRJ (e- fls. 49) ocorreu em 13/08/2015, quinta-feira sendo, portanto, o termo final para interposição de recurso voluntário o dia 14/09/2015. O contribuinte apresentou sua peça recursal (e-fls. 53/54), apenas em 14/10/2015, quarta-feira, ou seja, após o limite do prazo para interposição de recurso. Desta forma, ficou caracterizada a intempestividade do recurso voluntário que, consequentemente, atribui às conclusões do julgamento de 1ª instância, caráter de definitividade no âmbito administrativo, conforme dispõe o inciso I do artigo 42 do Decreto nº 70.235/72:. Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.297 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10735.002428/2008-11 Fl. 88DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000506/2007-11
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1995 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212,
de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por
homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias,
devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional -
CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo
173, I.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 205-01.548
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que
se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1995 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido.
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Numero do processo: 10950.907660/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
A correção monetária dos créditos da contribuição não cumulativa, após escoado o prazo de 360 dias contados da data da formulação do pedido de ressarcimento, somente se aplica nas hipóteses em que houver comprovação inequívoca do crédito pleiteado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação/Manifestação de Inconformidade, em que se delineia especificamente a controvérsia, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, excetuando-se questões de ordem pública. Configura inovação dos argumentos de defesa a matéria encetada somente na segunda instância, sem que tenha havido qualquer alteração do quadro fático e jurídico controvertido nos autos.
Numero da decisão: 3201-011.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa, e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisário, Mateus Soares de Oliveira e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Ana Paula Pedrosa Giglio.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. A correção monetária dos créditos da contribuição não cumulativa, após escoado o prazo de 360 dias contados da data da formulação do pedido de ressarcimento, somente se aplica nas hipóteses em que houver comprovação inequívoca do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação/Manifestação de Inconformidade, em que se delineia especificamente a controvérsia, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, excetuando-se questões de ordem pública. Configura inovação dos argumentos de defesa a matéria encetada somente na segunda instância, sem que tenha havido qualquer alteração do quadro fático e jurídico controvertido nos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa, e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisário, Mateus Soares de Oliveira e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Ana Paula Pedrosa Giglio.
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CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. A correção monetária dos créditos da contribuição não cumulativa, após escoado o prazo de 360 dias contados da data da formulação do pedido de ressarcimento, somente se aplica nas hipóteses em que houver comprovação inequívoca do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação/Manifestação de Inconformidade, em que se delineia especificamente a controvérsia, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, excetuando-se questões de ordem pública. Configura inovação dos argumentos de defesa a matéria encetada somente na segunda instância, sem que tenha havido qualquer alteração do quadro fático e jurídico controvertido nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa, e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Tatiana Josefovicz Belisário, Mateus Soares de Oliveira e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Ana Paula Pedrosa Giglio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 76 60 /2 01 1- 07 Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.136 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.907660/2011-07 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica acima identificada em decorrência de decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por ele manejada para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que se indeferira o Pedido de Ressarcimento formulado, relativo a créditos da Cofins não cumulativa – Mercado Interno. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte, após discorrer sobre a normatização da não cumulatividade das contribuições PIS/Cofins, requereu a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento integral do crédito formulado, devidamente corrigido pela taxa Selic, aduzindo erro no preenchimento do PER/DComp (créditos vinculados ao mercado externo ao invés de mercado interno), considerando-se que, na decisão da autoridade administrativa de origem, não se identificara os fundamentos do indeferimento do crédito, baseando-se, portanto, tal decisão, em mera formalidade, situação em que se tinha por violado o art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Requereu, ainda, o Recorrente, que este processo fosse analisado conjuntamente com a mesma ação fiscal iniciada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.1.05.00-2011-00509-5, então em curso. O acórdão da DRJ, em que se julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, restou ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INCONSISTÊNCIA COM DACON. A falta de correspondência entre os valores informados no PER/DCOMP e aqueles demonstrados no DACON na mesma rubrica motivam o indeferimento do direito creditório. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. IMPOSSIBILIDADE. O crédito objeto de pedido de ressarcimento no regime da não-cumulatividade não é passível de atualização monetária, em vista da existência de vedação legal expressa nesse sentido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacou o relator do voto condutor do acórdão de primeira instância que, inobstante o contribuinte ter alegado mero erro no preenchimento do PER/DComp, os valores declarados nesse documento não correspondiam aos informados no Dacon, situação em que, diante da não apresentação dos registros contábeis e fiscais correspondentes, não se tinha por comprovadas a liquidez e a certeza do indébito. Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.136 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.907660/2011-07 Cientificado da decisão de primeira instância em 22/11/2018 (e-fl. 54), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 18/12/2018 (e-fl. 55) e requereu a reforma da decisão de primeira instância, alegando (i) a desconsideração, por parte da Fiscalização, das exportações indiretas (com fim específico de exportação), devidamente comprovadas, (ii) o direito ao ressarcimento dos créditos presumidos acumulados e (iii) o direito à aplicação da taxa Selic a título de juros na correção monetária dos créditos da contribuição não cumulativa, a partir de cada período de apuração. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, mas dele se conhece apenas em parte, em razão dos fatos a seguir abordados. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se indeferiu o Pedido de Ressarcimento formulado, relativo a créditos da Cofins não cumulativa – Mercado Interno. Na primeira instância, o Recorrente requereu a reforma do despacho decisório, com o reconhecimento integral do crédito formulado, devidamente corrigido pela taxa Selic, aduzindo erro no preenchimento do PER/DComp (créditos vinculados ao mercado externo ao invés de mercado interno), nada dizendo acerca do mérito de seu pleito, ou seja, da materialidade do direito creditório pretendido, alegando apenas que a análise do pedido se desse em conjunto com uma ação fiscal que se encontrava em andamento. Na segunda instância, o Recorrente passa a aduzir que se trata de crédito decorrente da (i) desconsideração, por parte da Fiscalização, das exportações indiretas (com fim específico de exportação), devidamente comprovadas, (ii) do direito ao ressarcimento dos créditos presumidos acumulados e (iii) do direito à aplicação da taxa Selic a título de juros na correção monetária dos créditos da contribuição não cumulativa. Contudo, trata-se de flagrante inovação dos argumentos de defesa, pois que as matérias identificadas nos itens (i) e (ii) do parágrafo anterior, que não se caracterizam como de ordem pública, não foram aventadas na primeira instância, tendo-se por configurada, por conseguinte, a preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 1 , razão pela qual delas não se conhece. Portanto, remanesce controvertida, nesta instância, apenas direito à aplicação da taxa Selic a título de juros na correção monetária dos créditos da contribuição não cumulativa. Conforme apontado pelo julgador de primeira instância, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda a atualização monetária ou incidência de juros dos créditos decorrentes da não cumulatividade da contribuição, verbis: 1 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.136 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.907660/2011-07 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4ºe dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Contudo, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 1.767.945/PR (tema 1.003) 2 , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, fixou o seguinte entendimento: TRIBUTÁRIO. REPETITIVO. TEMA 1.003/STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO ALEGADAMENTE OBSTACULIZADO PELO FISCO. SÚMULA 411/STJ. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. DIA SEGUINTE AO EXAURIMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS A QUE ALUDE O ART. 24 DA LEI N. 11.457/07. RECURSO JULGADO PELO RITO DOS ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, a respeito de créditos escriturais, derivados do princípio da não cumulatividade, firmou as seguintes diretrizes: (a) "A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal" (REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/08/2009 - Tema 164/STJ); (b) "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ); e (c) "Tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07)" (REsp 1.138.206/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 01/09/2010 - Temas 269 e 270/STJ). 2. Consoante decisão de afetação ao rito dos repetitivos, a presente controvérsia cinge- se à "Definição do termo inicial da incidência de correção monetária no ressarcimento de créditos tributários escriturais: a data do protocolo do requerimento administrativo do contribuinte ou o dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei n. 11.457/2007". 3. A atualização monetária, nos pedidos de ressarcimento, não poderá ter por termo inicial data anterior ao término do prazo de 360 dias, lapso legalmente concedido ao Fisco para a apreciação e análise da postulação administrativa do contribuinte. Efetivamente, não se configuraria adequado admitir que a Fazenda, já no dia seguinte à apresentação do pleito, ou seja, sem o mais mínimo traço de mora, devesse arcar com a incidência da correção monetária, sob o argumento de estar opondo "resistência ilegítima" (a que alude a Súmula 411/STJ). Ora, nenhuma oposição ilegítima se poderá identificar na conduta do Fisco em servir-se, na integralidade, do interregno de 360 dias para apreciar a pretensão ressarcitória do contribuinte. 4. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente tem lugar somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. 5. (...) 6. TESE FIRMADA: "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente 2 Tema 1.003 - "O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo fisco (artigo 24 da Lei 11.457/2007)". Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.136 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.907660/2011-07 após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007)". 7. Resolução do caso concreto: recurso especial da Fazenda Nacional provido O referido art. 24 da Lei nº 11.457/2007 assim dispõe: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesa ou recurso administrativo do contribuinte. Na mesma linha da decisão do STJ, o Presidente do CARF, por meio da Portaria CARF/ME nº 8.451, de 22 de setembro de 2022, revogou a súmula CARF nº 125, que assim dispunha: “No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.” No entanto, como no presente caso não se teve o reconhecimento de qualquer parcela do crédito pleiteado, tem-se por prejudicada a pretendida correção monetária com base na taxa Selic, nos termos acima abordados. Diante do exposto, vota-se por não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa, e, na parte conhecida, por lhe negar provimento. É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 99DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917050/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/07/2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE PAGAMENTO
INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento compensatório, o ônus da prova da existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, por conseguinte, ele deve apresentar os documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário. Sem tais elementos probatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência do
direito creditório informado. Em conseqüência, a falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação implica não-homologação do procedimento compensatório declarado.
CPMF. LIVRO LIVRO RAZÃO. A simples escrituração no Livro Razão,
sem comprovação por documentação hábil dos. fatos nele registrados, não faz prova a favor do interessado.
Numero da decisão: 3801-000.905
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento compensatório, o ônus da prova da existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, por conseguinte, ele deve apresentar os documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário. Sem tais elementos probatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência do direito creditório informado. Em conseqüência, a falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação implica não-homologação do procedimento compensatório declarado. CPMF. LIVRO LIVRO RAZÃO. A simples escrituração no Livro Razão, sem comprovação por documentação hábil dos. fatos nele registrados, não faz prova a favor do interessado.
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CPMF Recorrente BANCO UBS PACTUAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento compensatório, o ônus da prova da existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, por conseguinte, ele deve apresentar os documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário. Sem tais elementos probatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência do direito creditório informado. Em conseqüência, a falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação implica não homologação do procedimento compensatório declarado. CPMF. LIVRO LIVRO RAZÃO. A simples escrituração no Livro Razão, sem comprovação por documentação hábil dos. fatos nele registrados, não faz prova a favor do interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MAGDA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO 2 DANIELA RIBEIRO DE GUSMÃO Relator. EDITADO EM: 09/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Alan Fialho Gandra e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório O Recorrente apresentou declaração de compensação (DCOMP) 00294.54176.270306.1.3.047103, relativo a suposto pagamento a maior de CPMF. Através do Despacho Decisório 831262272 foi cientificado de que a compensação declarada não foi homologada, em razão de o Fisco entender pela inexistência de crédito, com a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 12.358,38. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dê débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O Despacho Decisório identifica que o crédito, oriundo do Darf de R$ 947.067,11, e diz que está integralmente utilizado com o débito de CPMF no valor de R$ 947.067,11. Inconformado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o despacho decisório é nulo, tendo em vista (i) a ausência de adequada e necessária motivação para a não homologação da compensação efetuada, o que impossibilita a interessada de efetuar sua defesa; (ii) que houve equívoco no preenchimento da DCTF da CPMF de março/2006, vez que o montante correto a ser declarado seria o de R$ 934.708,73, e não o de R$ 947.067,11, razão pela qual deveria a mesma ter sido retificada; (iii) que o valor recolhido maior, no montante de R$ 12.358,38, foi utilizado para compensação com débito de CPMF; (iv) que, apesar do equívoco no preenchimento da DCTF, o valor do crédito está devidamente escriturado no Livro Razão da Recorrente, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material. A DRJ, em seu julgamento, não reconheceu o direito creditório da contribuinte, entendendo improcedente sua Manifestação de Inconformidade. Baseou seu entendimento no fato de a contribuinte não ter juntado aos autos qualquer documento comprobatório de seu crédito de CPMF, sendo obrigação do contribuinte a reunião e apresentação de conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, repisando o cerceamento de defesa e afirmando que os documentos necessários à Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO Processo nº 15374.917050/200901 Acórdão n.º 380100.905 S3TE01 Fl. 107 3 apuração do crédito foram juntados aos autos, inclusive folha do seu Livro Razão onde tal crédito de CPMF foi escriturado. É o relatório. Voto Conselheira Daniela Ribeiro de Gusmão Conheço do Recurso Voluntário, porque tempestivo e por reunir os demais requisitos de admissibilidade. Entendo que o Despacho Decisório contém todos os elementos necessários à defesa da interessada, com a devida motivação, razão pela qual não se configura o cerceamento do direito de defesa. Com efeito, restou explicitado o entendimento do fisco no sentido de que o crédito oriundo do DARF, no montante de R$ 947.067,11, foi integralmente utilizado para compensar o débito de CPMF, no valor de R$ 947.067,11, conforme DCTF juntada pela interessada. No presente caso, a contribuinte, quando de sua manifestação de inconformidade, apresentou alguns documentos, em especial folha do Livro Razão, sem todavia apresentar qualquer demonstrativo de cálculo que desse base ao valor escriturado em tal livro contábil. Assim, é necessário decidir se a documentação acostada aos autos é suficiente para a homologação do crédito da contribuinte. Claro está que deve prevalecer, no âmbito da Administração Pública, a busca pela verdade material. Ocorre que a documentação comprobatória juntada aos autos pela contribuinte não é suficiente para a aferição do correto valor a ser recolhido a título de CPMF e, por conseqüência, comprovasse ter havido pagamento indevido ou a maior que o devido. De fato, como bem afirmado na decisão de primeiro grau, a simples escrituração no Livro Razão, sem comprovação por documentação hábil dos. fatos nele registrados, não faz prova a favor do interessado. Ocorre que o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de CPMF, a contribuinte tinha a obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da interessada. Eurico Marcos Diniz de Santi trata brilhantemente sobre a importância da prova jurídica quando afirma que "o direito não incide sobre fatos, incide sobre a prova dos fatos, ou dizendo de outra forma: o fato jurídico é fato juridicamente provado" (SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Decadência e prescrição no direito tributário. 2. ed. Max Lirnonad: São Paulo, 2001, p. 45). A jurisprudência administrativa também é firme nesse sentido, conforme exemplifica a ementa do acórdão nº 310200744 do Processo 1108090651920083, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em 26/08/2010. Em textual: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO, LIQUIDEZ CERTEZA, FALTA DE COMPROVAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é condição necessária para a realização da compensação tributária que o sujeito passivo seja simultaneamente titular de débito e crédito líquido e certo, recíprocos e de valores equivalentes. No âmbito do procedimento compensatório, o ônus da prova da existência do crédito restituível, passível de compensação, é do sujeito passivo, por conseguinte, ele deve apresentar o documento comprobatório do pagamento do tributo indevido (Darf), bem corno os documentos fiscais comprobatórios da origem do indébito tributário (no caso, os comprovantes hábeis e idôneos da transferência dos valores das receitas para terceiras pessoas jurídicas).Sem tais elementos probatórios não é possível a Administração tributária verificar a existência do direito creditório informado. Em conseqüência, a falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação implica nãohomologação do procedimento compensatório declarado.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Destarte, na medida em que a contribuinte não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu suposto crédito, seu pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Daniela Ribeiro de Gusmão Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO
score : 1.0
Numero do processo: 35346.000144/2006-33
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1995 a 30/11/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212,
de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código
Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 205-01.594
Decisão: ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de
contribuintes, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar
Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Empresas em Geral Acórdão n° 205-01.594 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL - SENAR / SC Recorrida DRP FLORIANÓPOLIS / SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1995 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. (3/4fr Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • , 2° CC/N:F - Ou:nta C-Eannrs Processo n° 35346.000144/2006-33 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2JCO5 Acórdão n? 205-01.594 Brasnia.0_,3 0..-Q/ O Fls. 622 Isis Sousa M?, Matr. 429_ ACORDAM os membros da quinta câmar do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. et JULIO kVI At IRA GOMES President 2 trAl/EICELO OLIVRA/ Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Edgar Silva Vida! (Suplente). 2 2° CCAVII= - g )..r. Cri n a CONFERE CON1 O C,' Processo n° 35346.000144/2006-33 CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.594 Brasília. _03_0 Fls. 623 Isis Cou? (\lati • Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Florianópolis / SC, Decisão-Notificação (DN) 20.401.4/0370/2005, fls. 0149 a 0163, que julgou procedente em parte o lançamento, efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 051 a 056, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes à contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 09/09/2004 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 037 e 041. Em 05/07/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 056 a 089 e 095 a 0115, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0168 a 0212 e 0363 a 0407, acompanhado de anexos. A Segunda Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) converteu o julgamento em diligência para o esclarecimento de dúvidas, fls. 0570 a 0573. A Fiscalização respondeu aos questionamentos. A recorrente apresentou suas contra-razões. É o Relatório. 3 n2° Cerll\-- c/-No, O o•`• Processo n°35346.000144/2006-33 cOMPER"CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.594 Bra5111 3014 Ø --3,0 AP Fls. 624 1519 1.3°.-W Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula 1,Inculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.211, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção e seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do C'IN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadhricia, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. 4 • Processo n°35346.000144/2006-33 CCNft, C o CCO2/CO5 Acórdão n.°205-01.594 Brasília, _03_04 Fls. 625 I ;d&P CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por não haver recolhimentos a homologar, a rega relativa à decadência - que deve ser aplicada ao caso - encontra-se no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue- se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. No lançamento, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 07/2005 e o período do lançamento refere-se a fatos geradores ocorridos nas competências 02/1995 a 11/1998. Logo, todas as competências devem ser excluídas do presente lançamento. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em I • e fevereiro de 2009 "RC OLIVEIRA Relator 7 /1 Page 1 _0052900.PDF Page 1 _0053000.PDF Page 1 _0053100.PDF Page 1 _0053200.PDF Page 1
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Numero do processo: 13016.720142/2019-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2014
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO.
Podem ser compensados o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando for devidamente comprovada, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a sua retenção.
Numero da decisão: 2001-006.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2014 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO. Podem ser compensados o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando for devidamente comprovada, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a sua retenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO. Podem ser compensados o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando for devidamente comprovada, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a sua retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte em questão foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 14/18 com a exigência do pagamento de imposto de renda relativo ao ano-calendário 2014 de R$ 6.420,22, de multa de ofício de R$ 1.038,57, multa de mora de R$ 1.007,09 de juros de mora calculados até 01/2019. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 72 01 42 /2 01 9- 88 Fl. 68DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.298 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13016.720142/2019-88 O lançamento em questão decorreu de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste anual, em que foram constatadas as seguinte infrações à legislação tributária: 1- Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Fundamentação legal: artigos 1° ao 3° e parágrafos e artigo 6° da Lei 7.713/88, artigos 1°e 3° da Lei 8.134/90, artigo 1°, da Lei 9.887/99. 2- Compensação Indevida de Imposto de Renda na Fonte. Enquadramento Legal: Art. 12, inciso V, da Lei n2 9.250/95; arts. 70, §§ 10 e 2°, 87, inciso IV, § 2°, e 841, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 -RIR/99. Cientificado em 11/04/2019, o contribuinte apresenta, em 13/05/2019, a impugnação de fls. 03/04, em que alega, em síntese, que concorda com a omissão de rendimentos, mas, em relação à compensação indevida, junta documentos comprobatórios. A decisão de primeira instância, proferida com dispensa da ementa, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão de primeira instância em 02/10/2019, o sujeito passivo interpôs, em 01/11/2019, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os rendimentos tributáveis e a retenção de imposto de renda estão comprovados nos autos É o relatório. Voto Conselheiro(a) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em julgamento A matéria constante na presente autuação e objeto do Recurso Voluntário é a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos por Escola de Educação Infantil Cheirinho de Amor Ltda., no valor de R$ 5.035,46. Do Mérito Da Compensação Indevida de IRRF O interessado foi autuado por compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, conforme acima. Com sua impugnação apresenta comprovantes de rendimentos (e-fls. 6) emitido pela Imobiliária Casa Nostra; e recibos (e-fls. 7/12). O julgamento de primeira instância assim manifestou-se sobre a manutenção desta infração (e-fls. 56/59): No caso em tela, o contribuinte junta relatórios e recibos emitidos pela Imobiliária Casa Nostra Ltda. (fls. 06/12), administradora do aluguel, que não tem o Fl. 69DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.298 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13016.720142/2019-88 condão de comprovar as retenções do imposto de renda incidentes sobre os pagamentos de aluguel. É de se notar que a legislação acima reproduzida exige como prova da retenção o Comprovante de Rendimentos emitido pela pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, no caso, a locatária. Demonstrativos e recibos emitidos pela administradora, contratada pelo próprio contribuinte para administrar a locação, não são documentos hábeis a comprovar a retenção efetuada por terceira pessoa. Relativamente a dedutibilidade do imposto retido na fonte, o § 2º, inciso IV, do artigo 87, do Decreto nº 3.000/99 define que este somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, in verbis: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): ... IV - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; ... § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Agora com o seu recurso voluntário complementou os documentos juntando comprovante de rendimentos (e-fls. 65) emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. Da análise de toda a documentação, entendo que o interessado logrou êxito em comprovar a regularidade daquela retenção de IRPF. Assim, voto pela exoneração desta infração da notificação de lançamento. Conclusão Desta forma, entendo que o interessado logrou êxito em comprovar a regularidade da compensação do imposto retido na fonte. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 70DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.298 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13016.720142/2019-88 Fl. 71DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11060.721627/2017-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTOS. VÍCIOS VERIFICADOS. SANEAMENTO. DECISÃO EMBARGADA. INTEGRAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. PRESENTES.
Caracterizada a omissão apontada nos embargos de declaração, impõe-se o seu acolhimento integrando-se a decisão embargada com efeitos infringentes.
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR.
Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão.
ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO.
As alegações desacompanhadas de provas são incapazes de desconstituir lançamento regularmente efetuado em conformidade com a legislação.
ALEGAÇÕES DE NULIDADE.
O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS.
A produção de provas deve obedecer às disposições da legislação que rege o processo administrativo fiscal federal.
Numero da decisão: 2402-012.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração admitidos, com efeitos infringentes, integrando-os à decisão recorrida, para, saneando a omissão neles apontada, alterar o resultado do julgamento DE Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto face à propositura, pelo Recorrente, de ação judicial com o mesmo objeto [...] PARA Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando a matéria objeto de ação judicial [...] e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Thiago Álvares Feital (suplente convocado).
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ACOLHIMENTOS. VÍCIOS VERIFICADOS. SANEAMENTO. DECISÃO EMBARGADA. INTEGRAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. PRESENTES. Caracterizada a omissão apontada nos embargos de declaração, impõe-se o seu acolhimento integrando-se a decisão embargada com efeitos infringentes. PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de provas são incapazes de desconstituir lançamento regularmente efetuado em conformidade com a legislação. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. O lançamento que observa as disposições da legislação para a espécie não incorre em vício de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção de provas deve obedecer às disposições da legislação que rege o processo administrativo fiscal federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração admitidos, com efeitos infringentes, integrando-os à decisão recorrida, para, saneando a omissão neles apontada, alterar o resultado do julgamento DE “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto face à propositura, pelo Recorrente, de ação judicial com o mesmo objeto [...]” PARA “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 16 27 /2 01 7- 66 Fl. 873DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 recurso voluntário interposto, não se apreciando a matéria objeto de ação judicial [...] e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.” (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Thiago Álvares Feital (suplente convocado). Relatório Trata-se de embargos declaratórios opostos por conselheiro em face do Acórdão nº 2402-010.787, proferido, na sessão plenária do dia 4 de outubro de 2022, pela 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção de Julgamento deste Conselho, cuja ementa e dispositivo transcrevemos (processo digital, fls. 698 a 709): Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2012 a 31/12/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. SÚMULA CARF. ENUNCIADO Nº 1. APLICÁVEL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Destaques no original) Dispositivo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto face à propositura, pelo Recorrente, de ação judicial com o mesmo objeto, restando configurada a concomitância do processo administrativo com o judicial, implicando renúncia à via administrativa decorrente do princípio da unidade de jurisdição. Embargos de declaração O conselheiro Francisco Ibiapino Luz, presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, opôs e admitiu embargos de declaração por entender que o r. acórdão apresenta omissão, nestes termos (processo digital, fls. 863 a 867): Com fundamento no art. 65, inciso I, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9/6/15, oponho embargos de declaração contra a decisão proferida na sessão plenária deste Colegiado do dia 4 de outubro de 2022, por meio do Acórdão nº 2402-010.787. Fl. 874DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 Trata-se do julgamento de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente das contribuições devidas, a parte patronal e aquelas destinadas ao SAT/RAT e a terceiros, entidades e fundos, incidentes sobre a comercialização da produção rural por produtor rural pessoa física. Mais precisamente, a Recorrente deixou de recolher a contribuição previdenciária e aquela destinada ao terceiro “Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR”, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produção rural por segurado especial e contribuinte individual produtor rural, ainda que legalmente sub- rogada nas respectivas obrigações (processo digital, fls. 40 a 42). O Colegiado, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer integralmente do reportado recurso face à propositura de ação judicial com o mesmo objeto, restando configurada a renúncia à via administrativa decorrente do princípio da unidade de jurisdição, consoante ementa que ora transcrevemos: [...] Por pertinente, transcrevo excertos da decisão ora embargada, os quais fundamentaram o entendimento unânime da Turma, nestes termos: A Recorrente impetrou Mandados de Segurança pretendendo tutelar tanto o afastamento da retenção e recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural como a sujeição passiva de reter as contribuições destinadas ao FUNRURAL e SENAR, nestes termos: Excertos da decisão recorrida (processo digital, fls. 491): De acordo com as informações dos autos, o sujeito passivo impetrou os Mandados de Segurança n° 5000524-18.2010.404.7111/RS e n° 5007490- 16.2018.4.04.7111/RS. Não houve concessão de liminar nas ações propostas e tampouco há notícia de que haja decisões com trânsito em julgado. No Mandado de Segurança n° 5000524-18.2010.404.7111/RS, conforme relatório da sentença na Apelação/Reexame Necessário juntada à fls. 248/252, o sujeito passivo pretendia a concessão de segurança que lhe desobrigasse da retenção e recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural, exigida do empregador rural pessoa física, conforme estabelecido nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991. Tratou-se, naquela ação, do exame da constitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural pelo empregador rural pessoa física para desobrigar a autora, na condição de adquirente, de reter e repassar os valores à União. Já no Mandado de Segurança n° 5007490-16.2018.4.04.7111/RS, impetrado após a lavratura dos Autos de Infração ora em debate, o contribuinte insurgiu-se contra a imposição de responsabilidade tributária por sub-rogação no que diz respeito às contribuições previdenciárias substitutivas e ao SENAR, alegando a inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei n° 8.212/1991, e afirmando que a cobrança deveria ocorrer, individualmente, com relação aos efetivos contribuintes pessoas físicas produtores rurais. A propósito, confira-se os excertos das peças processuais que passo a transcrever: 1. Mandado de Segurança nº 5000524-18.2010.4.04.7111/RS (Excertos da Apelação e situação processual: consulta no Portal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - TRF4): Fl. 875DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 5000524-18.2010.404.7111/RS [...] APELANTE: FRIGORÍFICO GASSEN LTDA - EPP [...] RELATÓRIO Trata-se de Mandado de Segurança impetrado por FRIGORÍFICO GASSEN LTDA. - EPP buscando eximir-se do dever de retenção e repasse da contribuição incidente sobre a aquisição de produtos rurais (Funrural) exigida do empregador rural pessoa física, conforme estabelecido nos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, todos da Lei n° 8.212/91. [...] 09/07/2020 18:53 - 177. Baixa Definitiva - Remetido a(o) - RSSCR01 09/07/2020 18:49 - 176. Transitado em Julgado 2. Mandado de Segurança nº 5007490-16.2018.4.04.7111/RS (Excertos da Apelação e situação processual: consulta no Portal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - TRF4): APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 5007490-16.2018.4.04.7111/RS [...] APELANTE: FRIGORÍFICO GASSEN LTDA - EPP (IMPETRANTE) [...] RELATÓRIO Trata-se de mandado de segurança por meio do qual a parte impetrante requer seja declarada a nulidade dos Autos de Infração nº 11060.721627/2017-66 e 11060.721629/2017-55, considerando a inexigibilidade do recolhimento das contribuições ao Funrural e ao SENAR na sistemática de sub-rogação quando da aquisição de produtos rurais de pessoas físicas. Defendeu, em síntese, quanto às contribuições ao Funrural, que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o dispositivo que determinava a retenção das contribuições pela empresa adquirente dos produtos rurais (inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91). Em relação às contribuições ao SENAR, argumentou que não há previsão legal que ampare a obrigação prevista no Decreto nº 566/92. O pedido liminar foi indeferido pelo juízo a quo. 06/06/2022 11:33 - 116. Baixa Definitiva - Remetido a(o) - RSSCR01 02/06/2022 22:25 - 115. Recebidos os autos do STJ Por pertinente, ainda acerca do Segurança nº 5007490-16.2018.4.04.7111/RS, a Recorrente trouxe aos autos a decisão de primeira instância, da qual transcrevo parte do relatório, nestes termos (processo digital, fl. 470): MANDADO DE SEGURANÇA Nº 5007490-16.2018.4.04.7111/RS Fl. 876DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 IMPETRANTE: FRIGORÍFICO GASSEN LTDA - EPP [...] Nessa perspectiva, tratando-se de iguais objeto e pedido, restou configurada a concomitância do processo administrativo com os judiciais, implicando renúncia à via administrativa em face do princípio da unidade de jurisdição. Logo, a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil deverá cumprir o decidido judicialmente. A propósito, citado contexto já está pacificado por este Conselho mediante o Enunciado nº 1 de súmula da sua jurisprudência, nesses termos: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como se vê nas transcrições das respectivas peças processuais - Mandados de Segurança nºs 5000524-18.2010.4.04.7111/RS e 5007490-16.2018.4.04.7111/RS -, a Contribuinte buscou tutelar judicialmente a nulidade da autuação, face suposta inconstitucionalidade da exigência que motivou reportada autuação, qual seja, a responsabilidade, por sub-rogação, tocante à retenção e recolhimento: 1. da contribuição previdenciária incidente sobre a aquisição da produção rural exigida do empregador rural pessoa física – Funrural; 2. da contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a aquisição da produção rural de pessoa física. Cientificada do não conhecimento do recurso por ela interposto, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 5006545-87.2022.4.04.7111/RS, cujo objeto está assim sintetizado na informação prestada àquele Juízo: A Impetrante argumenta que os pleitos meritórios no referido mandado de segurança e do processo administrativo não seriam integralmente coincidentes, de tal sorte que, apensar de ambas as demandas possuírem, como pano de fundo, o debate sobre os mesmos encargos (FUNRURAL e SENAR), outras questões não albergadas no mandado de segurança foram submetidas à apreciação na via administrativa. Portanto, a Impetrante solicita a concessão de liminar, para o fim de anular o acórdão 2402-010.787, reconhecendo a inaplicabilidade do enunciado da Súmula CARF nº 01 ao caso em comento, determinando a suspensão da exigibilidade do Fl. 877DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 crédito tributário e vedação da realização de qualquer espécie de restrição administrativa em razão do débito fiscal em discussão. Adentrando propriamente nas razões dos presentes embargos, nota-se que, realmente, o recurso voluntário interposto, embora ratificando a nulidade da autuação, traz outros fundamentos que devem ser apreciados pela Turma, quais sejam: 1. Utilização de inapropriada base de cálculo, nestes termos (processo digital, fl. 510): Em uma análise superficial aos documentos (Notas Fiscais) acostadas ao procedimento fiscal que embasou os diversos autos de infrações, vislumbra-se verdadeiro equívoco quanto a base de cálculo do valor devido pelo contribuinte, podendo-se destacar a utilização de notas fiscais de vendas, notas fiscais canceladas, notas fiscais em que já houve o destacamento/recolhimento do percentual de 2,3% (Funrural + Senar) e, notas fiscais em que já houve o destacamento/recolhimento do percentual de 0,2% (Senar). 2. Ilegitimidade passiva em face do princípio da proteção à confiança, sob o pressuposto de que sua responsabilidade por sub-rogação foi supostamente afastada mediante a Solução de Consulta Interna nº 1 – Cosit, de 15 de janeiro de 2013. Confira-se (processo digital, fls. 512 e 518): [...] Portanto, em atenção ao princípio da confiança deve ser empossado pelo órgão fazendário o entendimento da Solução de Consulta Interna n° 1 - Cosit, 15 de janeiro de 2013, com o lançamento do débito em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial, sob pena de eleição de novo contribuinte e extrapolação da regra matriz da incidência tributária, atinente aos tributos em análise no caso em comento. 3. Impertinência da apuração por aferição indireta (processo digital, fls. 518 e 521): [...] Nesse contexto, resta evidenciada a omissão apontada na decisão, impondo-se seu saneamento pela Turma Julgadora. Logo, proponho e admito os presentes embargos de declaração, os quais devem ser encaminhados a este Conselheiro, para inclusão em pauta de julgamento. (Destaques no original) É o relatório. Fl. 878DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade Ditos embargos foram admitidos e deles tomo conhecimento, já que opostos tempestivamente e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Omissão constatada Consoante visto no relatório, o recurso voluntário interposto deverá ser parcialmente conhecido, para pronunciamento do Colegiado acerca da nulidade da autuação supostamente decorrente das questões que não se confundem com a matéria submetida ao Poder Judiciário, quais sejam: 1. inadequação da base de cálculo utilizada; 2. necessária aplicação do princípio da confiança; 2. impertinência da apuração por aferição indireta. A propósito, grande parte dos argumentos recursais referem-se à matéria objeto da discussão judicial – a incidência das contribuições e a responsabilidade pelo respectivo recolhimento. Contudo, relativamente à parte devolvida para manifestação da Turma de Julgamento, tanto em sua impugnação como recurso por ela interposto, a Recorrente traz alegações genéricas desprovidas de provas, que, inclusive já haviam sido requisitadas durante o procedimento fiscal. Confira-se nos excertos que passamos a transcrever: Relatório Fiscal (processo digital, fls. 31 a 33): Analisando a documentação apresentada, foi efetuado um levantamento dos produtores rurais que comercializaram a produção rural no período fiscalizado com o sujeito passivo, através da extração das Notas Fiscais, confrontando com os sistemas de Cadastro Previdenciário e GFIP, constatamos a existência de um grupo de 702(setecentos e dois) produtores rurais, os quais não foi possível identificá-los como empregadores rurais. Na busca da verdade material, visando assegurar o direito do sujeito passivo a manifestar-se quanto a esta classificação, pois eventualmente poderia ter ocorrido algum erro na apuração dos dados, foi enviada a intimação fiscal em 14/03/2017, via Domicílio Fiscal Eletrônico, ao sujeito passivo, Doc 02 – Intimação Fiscal I, solicitando a complementação da documentação do TIPF e encaminhando a listagem de produtores rurais, para que apresentassem a documentação que comprove a condição de empregador rural, condição “sine qua non” ( sem a qual) não poderia ter dispensado a retenção da contribuição previdenciária sobre a produção rural, recebido em 30/03, Doc 03 – Ciência Eletrônica da Intimação Fiscal I. Em 17/04/2017, o sujeito passivo protocolou uma petição, solicitando a prorrogação de prazo para apresentar as informações sobre a planilha de produtores rurais e demais Fl. 879DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 itens da intimação, não apresentando documentos nesta data, Doc -4 – Pedido de Prorrogação de Prazo I. Em 24/04/2017 foi emitida a reintimação fiscal da planilha e outros documentos , indeferimento do pedido de prorrogação de prazo e intimação para apresentar informações sobre possíveis ações judiciais do Grupo composto por 352(trezentos e cinquenta e dois) Empregadores Rurais, para que fosse verificada a existência de ações judiciais, as quais poderiam ter sido apresentadas para impedir a retenção da contribuição previdenciária, deferindo o prazo de 10(dez) dias para resposta, Doc 05 – Reposta a Prorrogação, Reintimação e Intimação Fiscal, , cuja ciência ocorreu em 03/05/2017, conforme Doc 06 – Ciência da Reintimação Fiscal e Intimação Fiscal. Em 10/05/2017, o sujeito passivo apresentou informações parciais, Doc 07 – Planilha I – Resposta a Reintimação Fiscal e Doc 08 – Planilha II – Resposta a Intimação Fiscal. Em 12/05/2017, foi emitida a conclusiva intimação fiscal, Doc 09 – Intimação Fiscal III, com 30(trinta) dias de prazo, dispensando a apresentação dos demais documentos contábeis, porém solicitando que fossem complementadas as planilhas de informações de produtores rurais, as quais haviam sido encaminhadas com informações parciais. Em 08/06/2017, foi postada a resposta a intimação fiscal III, que em apertada síntese disse: que o sujeito passivo não tem obrigação de guardar a GFIP dos produtores, que a Receita Federal possui tais informações em seu banco de dados e que o sujeito passivo possuí uma decisão judicial que declara inconstitucionalidade do tributo fiscalizado, não tendo a obrigação de reter. Visando esclarecer as informações jurídicas supracitadas, que muitas vezes não trazem o viés contábil, entre princípios básico de contabilidade, podemos destacar a necessidade do registro real dos fatos e por consequência a documentação que deu sustentação, que aferiu legitimidade ao lançamento fiscal e assim como os dados declarados ao Fisco, inclusive na GFIP, devem estar em consonância com os registros contábeis e estes por sua vez, necessitam ter documentação hábil e em boa guarda, para comprovar a ocorrência dos fatos contábeis. Portanto se o sujeito passivo não efetuou a retenção da contribuição previdenciária rural sobre a comercialização rural é condition sine qua non (condição sem a qual) a comprovação do motivo da não retenção, no caso teria de comprovar que o produtor rural é empregador rural, não basta informar que tem CEI(cadastro específico do INSS) e GFIP, precisar apresentar a documentação hábil, que comprove além do Cadastro, a existência de empregados no período fiscalizado, e a GFIP é um documento hábil. A listagem de 702(setecentos e dois) produtores rurais enviados para apresentar possível comprovação da existência de empregados vinculados, já era fruto de uma depuração do Banco de Dados da Receita Federal, mas que por uma questão de transparência e ampla defesa, foi assegurado o direito ao sujeito passivo, para que pudesse localizar alguma incongruência e comprovasse, o que não o fez. Recurso Voluntário (processo digital, fl. 534): Fl. 880DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 [...] [...] Ademais, embora parcialmente contida na discussão judicial, referente à caracterização da responsabilidade da Recorrente pela retenção e recolhimento das contribuições, o que motivou dita autuação, transcreve-se excertos tanto do Relatório Fiscal como da Solução de Consulta Interna Cosit nº 87, de 2017, que bem contextualiza as razões da autuação: Relatório Fiscal (processo digital, fls. 39 a 41): Em síntese, até a presente data, não houve ainda decisão do STF sobre o tema, portanto o Recurso Extraordinário permanece sobrestado e por consequência o MS 5000524- 18.2010.404.7111/RS não transitou em julgado, restando portanto suspensa a exigibilidade de créditos oriundos da contribuição previdenciária na condição de sub- rogada da comercialização da produção rural tão somente dos Produtores Rurais com Empregados, não estando albergados pela decisão, os Produtores Rurais sem Empregados, Segurados Especiais e outros operadores da Comercialização da Produção Rural, nem tampouco a Contribuição ao Senar a todos os Produtos Rurais, com ou sem empregados. A abrangência da decisão se resume na dispensa de efetuar a retenção e o recolhimento dos Produtores Rurais com Empregados, porém não dispensa a obrigação acessória de apresentar a GFIP, nos termos da Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil Nº 87/2017, publicada no DOU de 26/01/2017. [...] 7.1 – Retenção, Declaração e Recolhimento Parcial de Contribuições Previdenciárias da Empresa – Segurado Especial e Outros Produtores Rurais Sem Empregados Efetuada a extração das informações dos sistemas de controle da Receita Federal e disponibilizada ao sujeito passivo para que se manifestasse sobre possíveis divergências na classificação como Segurado Especial e outros intervenientes da comercialização da produção rural classificados como Produtor Rural Sem empregados . Fl. 881DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 O sujeito passivo apresentou o Doc 07 – Planilha I – Resposta a Reintimação Fiscal, contendo informações de que alguns contribuintes tinham apresentado GFIP no momento da transação comercial, porém não juntaram nenhuma GFIP ou outro documento que comprovassem a condição de empregador rural. Ainda assim, foi efetuado a busca manual nos sistemas de cadastro da Receita Federal e no Banco de Dados das GFIP, que ficou consubstanciado no Doc 11 – Verificação da Planilha I Apresentada, não tendo localizado nenhum produtor rural com empregados na Planilha I. A apuração das notas fiscais de entrada dos produtores rurais sem empregados, estão consubstanciadas no Doc 12 - Apuracao NF Produtores Rurais Sem Empregados. O sujeito passivo declarou parte da comercialização da produção rural, o qual fora deduzido do montante apurado, conforme demonstrado no Doc 13 – Valor Apurado X Declarado Produtores Rurais sem Empregados. 6.3 [sic] - Não Retenção, Declaração e Recolhimento de Contribuições Previdenciárias da Empresa – Empregadores Rurais – Suspenso por Medida Judicial – Lançamento para prevenir a Decadência (art.63 da Lei nº 9.430/96) No presente caso, o lançamento da contribuição rural sobre aquisição dos produtores rurais com empregados, deve ser efetuado com suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/96 e limitar-se aos empregadores rurais que não comprovaram ter ação própria para não reter a contribuição previdenciária sobre a produção rural. Os empregadores rurais com liminares em ações judiciais, respondem pessoalmente pelo resultado da decisão judicial relativo a não retenção da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, pois o que exime a responsabilidade do sub-rogado, nos termos da Solução de Consulta Interna da Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 01 de 15/01/2013. Solução de Consulta Interna Cosit nº 87, de 2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS AÇÃO MOVIDA PELO ADQUIRENTE DE PRODUÇÃO RURAL. SUSPENSÃO DA OBRIGAÇÃO DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUB- ROGAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO NA GFIP. CND. A existência de decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, não a desobriga do recolhimento da contribuição caso, ao final, a decisão não lhe seja favorável. Esta contribuição previdenciária deve ser informada na GFIP, sob pena de, constatado o descumprimento desta obrigação, ser realizado o lançamento do crédito tributário em nome da empresa adquirente para prevenir a decadência, não sendo aplicáveis ao caso os procedimentos do Ato Declaratório Executivo Codac nº 6, de 2015. Não obstante, a empresa adquirente pode obter a Certidão Positiva Com Efeito de Negativa mediante apresentação, nos postos de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da decisão judicial de suspensão da obrigação de recolher a contribuição. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, art. 25, art. 30, inciso IV e art. 32, inciso IV; Decreto 3.048, de 1999, art. 225, inciso IV; Solução de Consulta Interna Cosit nº 01, de 2017. Ato Declaratório Executivo (ADE) Codac nº 6, de 23 de fevereiro de 2015. [...] Fl. 882DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 6. Acrescente-se que não se analisa o teor da decisão judicial mencionada na consulta, nem se sua interpretação por parte da consulente está ou não correta. Analisa-se tão somente a questão jurídica levantada, a saber, qual o procedimento a ser adotado para o preenchimento da GFIP quando a empresa adquirente, na qualidade de autora da ação judicial, obtém medida liminar desobrigando-a de reter e recolher a contribuição previdenciária, conforme determina o inciso IV do art. 30 Lei nº 8.212, de 1991. 7. Verifica-se que o ADE Codac nº 6, de 2015, mencionado pela Consulente, disciplina a situação em que a impossibilidade de retenção por parte da empresa adquirente decorre de ação judicial ajuizada pelo produtor rural Pessoa Física ou segurado especial. Os procedimentos para a informação na GFIP, que constam no Ato Declaratório, são para evitar que a empresa adquirente seja indevidamente responsabilizada por uma retenção que não poderia realizar, por conta de medida liminar deferida em ação judicial cujo autor é produtor rural. 8. No caso sob análise, em que o próprio adquirente ou a cooperativa é que são os autores da ação judicial para a obtenção da medida liminar que suspende a obrigação de reter e recolher a contribuição prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, não é aplicável o ADE Codac nº 6, de 2015. O procedimento é outro, conforme adiante apontado. 9. Sobre este tema, veja a seguir o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 17 de janeiro de 2017: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Existindo decisão judicial não transitada em julgado decorrente de ação movida por empresa adquirente de produção de produtor rural pessoa física (segurado contribuinte individual ou segurado especial) suspendendo a obrigação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil deve proceder ao lançamento do crédito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome da empresa adquirente de produção rural. Dispositivos Legais: Lei nº 8.212, de 1991, arts. 25, I e II, e 30, IV e X. Como se vê, trata-se de ação judicial impetrada pela própria Recorrente, adquirente da produção rural de produtores rurais, cuja exigibilidade estava suspensa. Logo, já que reportada ação judicial foi movida pela Contribuinte, e não pelos produtores rurais, o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em seu desfavor foi efetuado de maneira acertada. Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] Fl. 883DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, quanto às demais questões levantadas no recurso, o Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, nestes termos: Das alegações de nulidade O lançamento, de acordo com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a penalidade aplicável. O parágrafo único do artigo 142 estipula que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O artigo 37 da Lei nº 8.212/1991, na redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, impõe a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento quando constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas naquela Lei, não declaradas na forma do artigo 32 do mesmo diploma legal, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória. A autoridade tributária verificou que o sujeito passivo não havia declarado em suas GFIPs fatos geradores de contribuição previdenciária, relativos à comercialização da produção rural, e efetuou o lançamento. A obrigação de efetuar a declaração em GFIP, embora tenha sido abordada na Solução de Consulta nº 87 – Cosit, de 24 de janeiro de 2017, decorre do artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991. No âmbito do processo administrativo fiscal federal, os requisitos obrigatórios que devem fazer parte do Auto de Infração estão dispostos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235/1972. Examinando o processo, constata-se que as peças que o compõem, acompanhados do Relatório Fiscal, atendem a estes requisitos e contêm elementos suficientes ao exercício do direito ao contraditório e à defesa pelo contribuinte, não se sustentando a alegação de que os Autos de Infração não seriam detalhados e não se faziam acompanhar do relatório fiscal do lançamento. No que diz respeito ao “Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal”, este documento apenas informa o encerramento do procedimento fiscal e a lavratura dos documentos de lançamento, não sendo o documento próprio para conter as informações reclamadas pelo sujeito passivo, as quais acompanham os Autos de Infração. A alegação de que o lançamento tem inúmeros inconsistências, extrapolando a base de cálculo e beirando o confisco, já que teriam sido utilizadas notas fiscais de vendas, notas fiscais canceladas, notas fiscais em que já houve o destacamento/recolhimento do percentual de 2,3% (Funrural + Senar) e notas fiscais em que já houve o destacamento/recolhimento do percentual de 0,2% (Senar) não pode ser acatada, pois não veio acompanhada dos documentos comprobatórios. É importante destacar que cabe à impugnante, dentro do prazo de defesa, apresentar a impugnação com os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, bem como trazer aos autos as provas que possuir, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 884DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 Portanto, a mera apresentação de uma planilha, desacompanhada de documentos hábeis a comprovar as alegadas inconsistências, é insuficiente para infirmar o lançamento. Também nesta questão, constata-se que a autoridade tributária agiu no exercício de suas atribuições ao efetuar o lançamento, não tendo esta DRJ, de acordo com o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, competência para examinar o pedido para apuração de responsabilidade de servidor por suposto excesso de exação. A alegação do sujeito passivo de que houve lançamento por arbitramento, com a utilização do método de amostragem, não se sustenta. A base de cálculo, que é a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural, foi obtida das notas fiscais, conforme consta do relato fiscal, e está detalhadamente demonstrada nos diversos anexos ao Auto de Infração. Também não se observam no processo as hipóteses de nulidade relacionadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O sujeito passivo, em sua impugnação, demonstra ter perfeito conhecimento dos motivos da autuação, não se verificando qualquer prejuízo à sua defesa. Portanto, não há motivos para a declaração da nulidade do lançamento, sendo improcedentes os argumentos do sujeito passivo neste ponto. Dos acréscimos legais A Lei nº 9.430/1996 dispõe sobre os acréscimos legais no caso de lançamento de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Tratando-se de determinação legal, não há como dispensar a multa de ofício de 75% e os juros de mora. Fl. 885DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 Da produção de provas O sujeito passivo requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a pericial, a documental e a testemunhal, por meio da oitiva de todos os fornecedores (agricultores) envolvidos. No âmbito do processo administrativo fiscal federal, a produção de provas está disciplinada pelo artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe- á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (sem grifos no original) Como se constata, a regra geral no processo administrativo fiscal federal é de que as provas sejam apresentadas junto com a impugnação, devendo ser observada, quanto à apresentação futura de novas provas, a disciplina do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, em especial os parágrafos 4º e 5º. Fl. 886DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2402-012.133 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11060.721627/2017-66 No que diz respeito à produção de prova pericial, o sujeito passivo não atendeu aos requisitos do inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois não expôs os motivos que a justificassem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, nem forneceu o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Portanto, nos termos do § 1º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, considera-se não formulado o pedido de perícia. Quanto à prova testemunhal, tem-se que o pedido deve ser indeferido em razão da inexistência de previsão, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, de audiência de instrução em que sejam colhidos depoimentos pessoais. Cabe ressaltar que o sujeito passivo poderia ter trazido aos autos os depoimentos pessoais dos produtores rurais sob a forma de declaração escrita, juntamente com a impugnação, para análise desta Turma de Julgamento. No mesmo sentido já decidiu a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar na sessão de 03/04/2018 o recurso voluntário no processo nº 11065.721410/2012-00, Acórdão nº 2301-005.233, cuja ementa é parcialmente reproduzida: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVA TESTEMUNHAL. DEPOIMENTO PESSOAL. DESNECESSIDADE. No rito do processo administrativo fiscal inexiste previsão legal para audiência de instrução na qual seriam ouvidas testemunhas ou apresentados depoimentos pessoais, devendo a parte apresentar tais depoimentos sob a forma de declaração escrita já com a sua impugnação. Em todo o caso, tais depoimentos não se justificam a partir do momento que as questões abordadas no julgamento estão suficientemente claras nos autos, através de vasto conjunto probatório. (...) Conclusão Ante o exposto, acolho os embargos de declaração admitidos, com efeitos infringentes, integrando-os à decisão recorrida, para, saneando a omissão neles apontada, alterar o resultado do julgamento DE “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário interposto face à propositura, pelo Recorrente, de ação judicial com o mesmo objeto [...]” PARA “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando a matéria objeto de ação judicial [...] e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.” É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 887DF CARF MF Original
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Numero do processo: 36624.000510/2007-71
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
Ementa: PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado,
Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de
junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da
Lei n° 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art.
173, inciso Ido CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos
os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso voluntário Provido
Numero da decisão: 205-01.559
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que
se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Empresas em Geral Acórdão n° 205-0.1559 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA Recorrida DRP - SÃO PAULO / SP OAssunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 Ementa: PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO 1, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n " 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos Oos fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. citulactior_esija o oiFt.tiCG,INAt_ ifté Soaresos e 77 • Processo n° 36624.000510/2007-71 CCO2/CO5 Acórdão n.°20$-O.1559 Fls. 372, ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. ‘,,'" . JÚLIO ESA . IEIRA GOMESl''k President i a,----,a010 0110 • I ,Relator 111 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Damião C Ideiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, A ana Sato e Edgar Silva Vida! (Suplente) Quinta Camara cg:FCal: aonn c) oRnIG4INAL i\ Brasília 1 th it) . %Wh,,,....., ,-,,tart•ares F2RditStor~ 7 Processo n* 36624.000510/2007-71 CCO2/CO5 Acórdão n." 205-0.1559 Fls. 373 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços da empresa CANER CARGAS E DESCARGAS LTDA, conforme previsão no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências JANEIRO DE 1995 a DEZEMBRO DE 1998, conforme relatório fiscal. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento. 111 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula • Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei ti 08.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. nuintaegTiarat CONFERE COM O ORIGINA1 L 3).BrEtSiii I Pé s. • , I ir = Soares 3 .r.r t" • :377 CC/MF - "--- ' Processo n° 36624.000510/2007-71 coNFERE: c CCO2/CO5 AcOrclào n.° 205-0.1559 St-atina, ____ — Fls. 374 aUanDS PC00, IA-- :41377 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela l a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N" 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3." DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÀO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STI. DECADÊNCIA DO4110 DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÉNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n." 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/12.1, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006.- e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fálico probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ • de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a vercação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, O maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código to 011 R zo Tributário Municipal, Lei n."2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a 73... 92. "I II o descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem — ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos _ttill 115. 7 0 I autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do • ,-. 00 débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998),a 3 c tif r na data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto 08 ,... tws de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de -4 % ."' 73¥, Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a 3 03 fixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites 0 'iça, \21 > ta r percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4'; do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de k„.i • 4 Processo n°36624.000510/2007-71 CCO2/CO5 Acórdão n.°205 -0.1559 Fls. 375 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 11- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, el de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. Adecadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (h) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar 0 perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do o CT1V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário Ca ° ti (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento O') zo ,3 0= m o antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o.25 % t/1 ... , t -11 73 3 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do S. e •, rihn contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medidaco Ik rol et • — O O preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que r te "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento ,-,u) o z . s. poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro rir o r, dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo\-4 -;._. 73 t• -$ v o u inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos ° a 150, § 4", e 173, do C77V, em se tratando de tributos sujeitos a Dok S lançamento por homologação, afim de configurar desarrazoado prazor decadencial decenal 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de 5 . — - 7z: • .31 . CO-.— ..c .iit AL. Processo n°36624.000510/2007-71 CCO2JCO5 Acórdão n.° 205-0.1559 Bras q , / Fls. 376 •cosi i' oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tribi tos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, i do CT1V), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em .fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4", do artigo 150, do Codea- Tributário, segundo o qual, se a lei não .fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste • caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Senti, 3"Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação forma lizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os • efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio formal. O Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar 8 3 O Mol definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de 27 0 Z il tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege• - Z-: 111 () de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não 1-estou .!,),_. rn 'I/ adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período o a . , , — . . • • O 01 de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela -;../ 0 g r: Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo O 3 , É O fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao-,4 • .... o W 1 ;o 1,, c.; o o , lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição 0 l—C) ã" financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, >a pelo ISSQIV, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição dor—.— . crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sone, a : Processo n° 36624.000510/2007-71 CCO21CO5 Acórdão n.° 205-0.1559 Es. 377 regra dectzdencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, confonne previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou • simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento foi efetuado em 16 de dezembro de 2005, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplica-se a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. In cari: a fiscalização não detinha as informações para efetuar o lançamento, devendo, necessariamente, os valores serem apurados em ação fiscal, portanto há que ser observado em conjunto o disposto no art. 173, parágrafo único do CTN. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte da medida preparatória indispensável ao lançamento. A partir dessa notificação da medida preparatória o Fisco possui o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os 111 fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 2000, o que findaria em 1 de janeiro de 2005. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 #41:4401111( #91 dar 'II" e". S'im i* 'J. VIEIRA c2so: :c::ei jpit égtio nli itinot as2 rthr flor aite44.6P;377k Á 7 Page 1 _0031200.PDF Page 1 _0031300.PDF Page 1 _0031400.PDF Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10320.002150/2001-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO
DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO.
Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial.
Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-000.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, vencido o Conselheiro
Flávio, reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO. Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, vencido o Conselheiro Flávio, reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 04/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Alan Fialho Gandra, Daniela Ribeiro de Gusmão, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente momentaneamente a conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 576 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente contra indeferimento de pedido de compensação de crédito presumido de IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, apresentado em 26 de novembro de 2001 (fls. 02) no valor de R$ 400.000,00 com de débitos de IRPJ (2362), apurado sob o regime de incidência nãocumulativa, oriundo das atividades exercidas no âmbito do Consórcio Alumar, juntamente com o pedido de ressarcimento (fls. 01). O crédito utilizado na compensação de PIS e COFINS realizada possui origem no crédito presumido do IPI, com amparo na Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97, relativo ao 3 trimestre de 2001. A DRF/São Luis MA se declarou incompetente para a verificação da legitimidade dos créditos apurados e compensados, em razão da obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido na Matriz da empresa situada no Rio de Janeiro (fls. 22/24), o processo foi remetido para a DRF do Rio de Janeiro. Às fls 27/31 a DRF/RJO indeferiu o requerimento do Recorrente sem exame do mérito, sob o fundamento de que o pedido não fora apresentado de acordo com a legislação, nos seguintes termos: Considerando que o pedido de ressarcimento foi apresentado em desacordo com a legislação de regência, tornandoo, conseqüentemente, INEPTO; Considerando, também, que, mesmo que a legitimidade do crédito fosse reconhecida, a falta do seu estorno, pelas razões acima expendidas, impediria o seu ressarcimento; Considerando, finalmente, que, conforme cópias do livro Modelo 8, apresentadas pelo contribuinte, o respectivo estorno dos créditos pleiteados para ressarcimento não foi escriturado,Proponho, sem exame da legitimidade dos créditos, o INDEFERIMENTO do pleito de fl. 1 e, em conseqüência, opino, também, pela NÃO HOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação inserta à fi. 2 do presente processo. Em decorrência dessa decisão, às fls. 36/39 a Recorrente apresentou a primeira manifestação de inconformidade nesse processo. Junto com a interposição da Manifestação de Inconformidade a Recorrente refez o pedido de ressarcimento que passou a se referir a créditos de IPI escriturados no trimestrecalendário ((julho a setembro de 2001 fl. 48)), com base na exigência legal, anexando, ainda, as cópias das folhas do Livro Registro de Apuração do TIPI (modelo 8) correspondentes ao período da compensação (demonstrativo do estorno do crédito). A DRJ de Juiz de Fora (fls. 56/61), em 04 de abril de 2005, declarou nulo o Despacho Decisório de fls. 27/31, por ter entendido que o mesmo foi proferido por autoridade Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 incompetente, contrariando o disposto no artigo 59, II, do Decreto 70.235/72 (PAF) determinando o retorno do processo à DRF/São Luis para os atos de sua competência. A DRF de São Luiz/MA às fls. 73/79 não reconheceu o direito creditório da Recorrente e indeferiu a compensação com base na seguinte ementa: Assunto: Ressarcimento crédito presumido de IPI Na hipótese da apuração centralizada, o crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da empresa para efeito de com pensação com o IPI devido em operações no mercado interno. Vedada compensação no estabelecimento filial de crédito presumido de IPI com tributo diverso do próprio IPI. Vedado ressarcimento em espécie de crédito presumido de IPI diretamente para estabelecimento filial. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA A Recorrente apresentou nova Manifestação de Inconformidade às fls. 82/86, em 18 de julho de 2005, informando que o crédito foi efetivamente apurado pelo estabelecimento filial (CNPJ n° 42.105.890/000901) e apresentado, para atender os termos da decisão da DRF, novo Pedido de Ressarcimento, dessa vez através de seu estabelecimento matriz (fls. 96). Posteriormente a DRJ de Recife/PE (fls. 100/108), em 02 de dezembro de 2005, novamente anulou a decisão proferida pela DRF com base na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. ATO EIVADO DE VÍCIO DE LEGALIDADE. É nulo o ato administraiivo efetuado sem respeito ao devido processo legal, com seus consectários do contraditório e ampla defesa, por estar eivado de vício de legalidade. Solicitação Deferida em Parte Determinou o retorno dos autos à DRF de São Luiz/MA para que fosse dada ciência à interessada, da decisão proferida e em seguida, fosse enviado o presente processo à Unidade da Receita Federal com jurisdição sobre a matriz da interessada, para que, atendendo ao que está previsto na Lei n° 9.784/1999, intimasse o contribuinte a apresentar as informações adicionais que fossem necessárias para o esclarecimento dos fatos e decidisse sobre o mérito do pedido. Assim, retornou o processo para a DRF/RJO para exame. A DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 130/137, deferiu a retificação do pedido de Ressarcimento e novamente não reconheceu o direito creditório não homologando a compensação, com base na seguinte ementa: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 577 5 RESSARCIMENTO — O incentivo fiscal do créditopresumido do IPI, instituído pelo art. 12 da Lei nº 9.363, de 16 de dezembro de 1996, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação somente no montante reconhecido como legítimo pela diligência fiscal, valor esse apurado em conformidade com as disposições da referida Lei. Portaria MF nº 38/97. EFEITOS DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO — O pedido de compensação ransformado em declaração de compensação somente adquire eficácia e, conseqüentemente, os efeitos que lhe são próprios a partir do momento em que é acompanhado do devido pedido de ressarcimento ou restituição. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO — A retificação do Pedido de Ressarcimento, desde que justificada, poderá ser efetuada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Arts. 55 e 56 da IN SRF n 460/2004. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DEFERIDA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A Recorrente foi intimada em 27 de julho de 2007 e apresentou nova Manifestação de Inconformidade de fls. 143/153, através da qual solicitou, preliminarmente, sua nulidade, ao alegar ter ocorrido o decurso do prazo para homologação tácita da compensação inicialmente requerida em 26 de novembro de 2001, tendo em vista o apontado no acórdão de fls. 100/108 (devese considerar, para efeito de decisão futura, que não se trata, efetivamente, de um novo pedido e sim de correção do primeiro pedido, que já deveria ter sido solicitada à contribuinte, pela autoridade administrativa, desde a primeira análise do pleito) e, tendo em vista a existência do crédito, a reforma da decisão e a homologação da compensação. A DRJ de juiz de Fora, às fls. 176/177, em 30 de outurbo de 2007, determinou que fossem tomadas as seguintes providências: a) proceda à apuração, de forma centralizada, do crédito presumido relativo ao período objeto deste pedido (3º trimestre de 2001), observando que a empresa informa, à fl. 144, que sua apuração (fl. 54) está correta, enquanto a fiscalização informa que a apuração foi efetuada com base nos dados da filial (descentralizada); b) se for apurado algum montante do benefício, encaminhe o processo à Diort/Derat/RJ para efetuar os procedimentos de compensação dos débitos vinculados ao pleito de ressarcimento; c) dar ciência à interessada do resultado dos procedimentos efetuados, tanto quanto ao direito creditório quanto às compensações, reabrindo o prazo de trinta dias para apresentação de razões adicionais. Às fls. 179/180 o AuditorFiscal forneceu as seguintes informações: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em atenção ao referido MPF, efetuamos a fiscalização do Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 contribuinte, referente à utilização de créditos presumidos do IPI, solicitados em diversos processos. No curso da ação fiscal, constatamos que a produção do contribuinte não se dava em estabelecimento próprio, mas ocorria no âmbito do Consórcio de Alumínio do Maranhão — ALUMAR. Analisando os documentos constitutivos do referido consórcio, verificamos que o mesmo não atende os requisitos legais para enquadrarse nessa modalidade, constituindo, na verdade, uma sociedade de fato. Em decorrência desses fatos, concluímos que o contribuinte não fazia jus aos créditos pleiteados, tendo em vista que a titularidade para Solicitação de créditos presumidos do IPI é da empresa produtora e exportadora, condições que são cumulativas. Esse entendimento de que o Consórcio ALUMAR estaria descaracterizado, sendo, na verdade, uma sociedade de fato, pode gerar implicações em relação aos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI das demais empresas participantes do mesmo. Assim, propomos o encaminhamento da presente representação à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro/RJ, a fim de que seja examinada a situação da empresa BHP Billiton Metais S.A., CNPJ 42.105.890/000146, que é participante do consórcio e também pode estar utilizando créditos presumidos do IPI. Para maiores esclarecimentos, anexamos nosso Termo de Constatação Fiscal, onde se encontra um relatório detalhado do caso. Anexamos, também, o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, que acolheu a nossa tese." Assim, após a apresentação de novos documentos a DRF de fiscalização, as fls. 317/318 determinou que a Recorrente se manifestasse sobre a constatação de que nenhuma das consorciadas da ALUMAR industrializa a sua produção em estabelecimento próprio — mas, sim, no âmbito do Consórcio ALUMAR, e sob as luzes dos artigo 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15/12/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), c/c o item nº 5 da Nota SRF/COSIT/COTIR/DIMEF nº 74, de 23/02/2000, implica no total desrespeito ao princípio básico que norteia a Lei nº 9.363/96, que estabeleceu a regência do crédito presumido do IPI. E sobre o que apontou o Acórdão nº 0914.721, da 2º Turma da DRJ/JFA, proferido no Processo nº 13656.000503/200110, em 09/10/2006, que entendeu que o Consórcio ALUMAR também não é um consórcio, na forma da legislação de regência, mas, sim, uma sociedade de fato, com todas as conseqüências fiscais daí decorrentes. A Recorrente se manifestou sobre tais questões às fls. 326/341. O processo foi encaminhado à DRJ de Juiz de Fora que determinou (fls. 362/366) efetuar diligência nos seguintes termos: a) proceda à apuração, de forma centralizada, do crédito presumido relativo ao período objeto deste pedido, levandose em conta as compras de MP, PI ou ME no mercado interno e as exportações de Alumina e Alumínio efetuadas pela Billiton, observadas as normas que orientam a apuração do benefício fiscal; b) dar ciência à interessada do resultado dos procedimentos efetuados e reabrir o prazo de trinta dias para apresentação de razões adicionais. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 578 7 Cumpridas as determinações o processo retornou à DRJ que, em 19 de marco de 2010 (fls. 528/536), julgou, por maioria, improcedente a Manifestação de Inconformidade, para não reconhecer o direito ao crédito presumido alegado, permanecendo não homologada a compensação declarada consubstanciando a sua decisão na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2002 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreendese o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IPI por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do benefício fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2001 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, após intimação do acórdão recorrido em 27 de maio de 2010, interpôs a Contribuinte o presente Recurso Voluntário às fls. 541/559, o qual, em síntese, busca a demonstração da regularidade da constituição do Consórcio Alumar e a possibilidade de apuração e aproveitamento dos créditos presumidos de IPI pela Recorrente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 8 Aponta, inicialmente, que o fundamento exclusivo da negativa de homologação da compensação reside na consideração de que “Muito embora a forma adotada ela Billiton, Alcoa, Alcan e Abalco seja a de um consórcio, o empreendimento e seu prazo de realização extrapolam o conceito legal de tal associação.”. Discorre sobre a natureza jurídica do consórcio para lembrar que a legislação comercial referente aos consórcios apenas determina a previsão do empreendimento como objeto do contrato, sem qualificálo ou até mesmo delimitar sua abrangência, não cabendo analisar se o Consórcio Alumar apresenta uma finalidade condizente com o termo “determinado empreendimento”, já que a lei somente impõe que o empreendimento conste como objeto do contrato de consórcio. Argumenta que a autoridade administrativa não é o ente competente para analisar se a finalidade do Consórcio Alumar preenche ou não os requisitos legais necessários. Insiste na sua regularidade e que foi constituído de acordo com a legislação comercial. Quanto ao fato de o Consórcio Alumar ter sido constituído com duração até 2050, com possibilidade de renovação por períodos sucessivos de um ano, e a conclusão de que o prazo contratual não guarda qualquer relação com os negócios jurídicos a serem pactuados no âmbito da atividade do consórcio, invoca os artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 – Lei das S.A – asseverando que eles apenas prescrevem que o contrato do consórcio deve estipular constar sua “duração”, não havendo qualquer limite tempo, nem de prorrogação, e que se a lei não impõe restrições quanto ao empreendimento e duração. Alega que, seria, no mínimo, ingênuo, imaginar que um projeto industrial da envergadura e relevância do “Consórcio ALUMAR”, que — como de início se viu — envolveu a imobilização de vultosos capitais de risco (US$ 1,7 bilhão), contemplasse um prazo de duração reduzido. Lançando mão da doutrina de Darcy Arruda Miranda Jr., Alberto Xavier e de Modesto Carvalhosa, entre outros, digressiona sobre as sociedades de fato para concluir ser evidente a impropriedade da afirmação de que o Consórcio Alumar é uma sociedade de fato, vez que teria demonstrado que referido consórcio foi constituído regularmente por intermédio de contrato e em que em conformidade com a legislação comercial. Rechaça veementemente a possibilidade de o Fisco analisar aspectos de direito privado contidos na legislação comercial relacionados ao Consórcio Alumar e a imposição de limites ao empreendimento do consórcio e nem a sua duração, se a própria lei assim não o fez. Em resumo, alega que o citado consórcio: i) tem por objeto um empreendimento determinado; ii) tratase de consórcio operacional para execução de negócios jurídicos relativos à atividade industrial determinada; iii) prevê a existência de prazo de duração determinado e, que iv) tal consórcio não compreende uma sociedade de fato, requer a Recorrente o reconhecimento do Consórcio ALUMAR sob esta natureza, e, conseqüentemente, requer seja o Recurso Voluntário conhecido e provido para reformar o acórdão n° 0928.666, reconhecendose a existência do Consórcio ALUMAR e conseqüentemente, extinção dos créditos tributários objeto do processo administrativo n° 10320.002150/200188 e apensos. É o relatório, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 579 9 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A celeuma cingese em torno da legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento do crédito de IPI com base no artigo 1º da Lei nº 9.363/96, em razão de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e embalagem, utilizados no processo produtivo de alumina. O presente Conselho já tem se manifestado em processos semelhantes nos quais se discute matéria idêntica e dos quais participam outros membros do Consórcio Alumar. Só para que se tenha dimensão acerca das divergências que encontramos apresento as seguintes ementas: Ementa: CONSÓRCIO. SOCIEDADE DE FATO. Consorcio constituído com observância dos artigos 278 e 279 da Lei n. 6.404/76, não tem personalidade jurídica, e, não pode pleitear ressarcimento, restituição/compensação de crédito fiscal. O fato de ser instituído para execução de um determinado empreendimento com prazo determinado longo, não despersonaliza e tampouco autoriza entendimento de que trata de sociedade de fato. Recurso Provido. 1 IPI, CRÉDITO PRESUMIDO. Não faz jus ao beneficio instituído pela Lei 9.363/96 empresa que partilha a produção do produto a ser exportado em estabelecimento formalmente constituído como consórcio de sociedades, Recurso Negado2 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO. Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de 1 Acórdão nº 340300.818 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 3ª Seção, em 28 de fevereiro de 2011. 2 Acórdão n° 340200.597 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 3ª Seção, em 24 de maio de 2010. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 10 bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável. CRÉDITO. NÃOCUMULATIVIDADE. SOCIEDADE CONSORCIADA. APROVEITAMENTO. ADMISSIBILIDADE. Sociedade consorciada, na sua atuação em prol dos objetivos do consórcio, assume, em nome próprio, as obrigações e responsabilidades perante terceiros, cabendolhes, do mesmo modo, exercer os direitos decorrentes dos atos jurídicos que celebra, ainda que de interesse comum. Notas fiscais emitidas contra consórcio de sociedades, ente carente de personalidade jurídica, são irregulares e inábeis para a comprovação de aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, para fim de creditamento da contribuição não cumulativa pela sociedade consorciada3. A questão colocada sob análise diz respeito, portanto, à possibilidade de uma pessoa jurídica integrante de um consórcio pleitear, em nome próprio, ressarcimento de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI e à análise dos elementos necessários à caracterização dos consórcios a fim de se ter o Consórcio Alumar como regular ou não. Dispõem os artigos que substanciaram o entendimento do colegiado de 1ª instância que grifei para destacar: CAPÍTULO XXII Consórcio Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I – a designação do consórcio se houver; 3 Acórdão nº 380301.477 3ª Turma Especial / 3ª Seção, em 06 de abril de 2011. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 580 11 II – o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III – a duração, endereço e foro; IV – a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V – normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI – normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII – forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII – contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Aponta a DRJ no voto vencedor às fls. 543v. a seguinte motivação: Em síntese: decorre o consórcio de um contrato firmado entre sociedades, com atividades comuns e complementares, objetivando juntar esforços para a realização de um determinado empreendimento; tem caráter mercantil, mas não objetiva a distribuição de lucros, até porque não possui personalidade jurídica e, conseqüentemente, não dispõe de capital próprio; a sua duração deve ser curta e determinada, coincidente sempre com o término de sua finalidade específica; a personalidade jurídica das consorciadas não se confunde com o consórcio, pois a finalidade daquelas deve ser muito mais abrangente, com tempo de duração longo e indeterminado. A alegação apresentada pela DRJ, portanto, é de que o negócio jurídico pactuado entre BHP Billinton Metais S.A., Recorrente nesse processo, e as sociedades Alcoa Alumínio S.A., Abalco S.A. e Alcan Alumina Ltda. não se subsumiria à associação tipificada pelos artigos 278 e 279 da Lei das S.A.’s, retirando, implicitamente, da recorrente a legitimidade para pleitear em nome próprio créditos que seriam da titularidade da sociedade de fato. Para solução da presente questão cito o excelente voto proferido no processo 13656.000282/200503 pelo Ilustre Conselheiro Alexandre Kern, presidente da 3ª Turma Especial dessa Seção, cuja recorrente foi a empresa Abalco S.A., também participante do referido consórcio, a saber: Debruçandose sobre a Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio ALUMAR , datada de 01/01/1995, e registrada na JUCEMA sob n° 271295, por meio da qual Alcoa Alumínio S.A. CNPJ 23.637.697/000101, Billiton Metais S.A. — CNPJ 42.105.890/000146, Alcan Alumínio do Brasil S.A. CNPJ Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 12 60.561.800/000103 e Abalco S.A. CNPJ 00.434.317/0001 36 estabeleciam um Consórcio, a DRF/PCS pinçou o seu objeto (f1.36) 4: “(..) a aquisição, montagem e construção de instalações para Refino de Alumina, e de Instalações para Redução de Alumínio (...) assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita (...) partilha da alumina produzida por Akoa , Billiton, Alcan e Abalco (...) a partilha do alumínio produzido por Akoa e Billiton” E o prazo de sua duração (fl. 136): “Prazo de Vigência. O presente Contrato permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano”. Tudo para concluir que a amplitude do objeto empreendido pelo consórcio (aquisição, montagem e construção de instalações para Refino de Alumina, e de Instalações para Redução de Alumínio assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita, a partilha da alumina, a partilha do alumínio produzido e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio) e o prazo definido contratualmente, apesar de determinado, não poderiam ser caracterizados como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial, configurando a associação como sociedade de fato. A propósito dos consórcios, antes mesmo da Lei das S/A, Pontes de Miranda, no Tratado de Direito Privado5 já lecionava: § 5.386 “O consórcio supõe a com sorte, o pôrse em comum a sorte de duas ou mais empresas. O elemento cosorcial resulta de ligação negociai no tocante a determinada atividade econômica, ou atividades econômicas conexas. Hão de existir disciplina e organização que permitam a comunidade no tratamento dos interêsses e nos resultados. § 5.388 O consórcio é, necessariamente, negócio jurídico causal. Tem de haver referência à mesma atividade econômica ou a atividade econômica conexa, para que resultem a função comum e o interêsse comum. Quando há exigência de mesmidade ou de conexidade do que se há de prestar, a causa aparece, para que a consortilidade possa existir. (...) A empresa consorciada pode ser pessoa jurídica ou pessoa física. O que é essencial é que haja mesmidade ou conexidade de atividade das emprêsas. Bem assim, que o 4 Fls. 222, neste processo. 5 Parte Especial, Tomo LI, Borsoi, RJ, 1966, págs. 331 e seguintes. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 581 13 laço consórtil não retire a independência das emprêsas que se consorciam. § 5.389 Cumpre prestar atenção a que o consórcio não tem finalidade de lucro, mas sim de lucros dos consorciados." A Lei nº 6.404, de 1976, ao disciplinar a figura do consórcio, introduziu o contrato que pode ser firmado entre sociedades, com vistas a executar determinado, específico empreendimento, não sendo conferida a tal associação de sociedades personalidade jurídica, o que afasta a possibilidade de existir, entre os consorciados, qualquer vinculação ou relação no plano vertical. Nos termos da doutrina de João Luiz Coelho da Rocha6: “O consórcio, não sendo sujeito de direito, não pode assumir obrigações enquanto tal. São as empresas consorciadas que assumem as obrigações e responsabilidades perante terceiros, cabendolhes, do mesmo modo, exercer os direitos decorrentes dos atos jurídicos que celebram, ainda que de interesse comum. A repartição desses direitos, tal como a das obrigações, por assim dizer, será assunto do trato interno, de caráter obrigacional, entre os consorciados” Na definição de Fabrício Muniz Sabage7, o consórcio é uma “...comunhão de interesses e atividades que atende a específicos objetivos empresariais, que se originam nas sociedades consorciadas e delas se destacam”. O consórcio, dito operacional, quando visar a acumular meios para a consecução de um fim comum, ou instrumental, quando almejar somar recursos para contratarem com terceiros a execução de determinados serviços, obras ou concessões, decorre de contrato firmado entre sociedades, com atividades comuns e complementares; tem caráter mercantil, mas não objetiva a distribuição de lucros, até porque não possui personalidade jurídica e, conseqüentemente, não dispõe de capital próprio; a sua duração deve ser curta e determinada, coincidente sempre com o término de sua finalidade específica; a personalidade jurídica das consorciadas não se confunde com o consórcio, pois a finalidade daquelas deve ser muito mais abrangente, com tempo de duração longo e indeterminado. A propósito da finalidade, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes já vaticinou que o consórcio deve ser constituído para executar empreendimento determinado, constando obrigatoriamente de seu contrato, o objeto do empreendimento e o prazo de duração previsto para sua execução, e que a prática de atos negociais diversificados, por prazo de duração indeterminado, ainda que sob a roupagem consorcial, não atendem os requisitos estabelecidos na Lei nº 6.404, de 1976 6 "Os consórcios de empresas e seu trato tributário”. Revista Dialética de Direito Tributário no 83. 7 "Grupo de Sociedades e Consórcios". Texto extraído do sítio Jus Navigandi em http://jus.uol.com.br/revista/texto/2518/grupodesociedadeseconsorcios/4 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 14 A esse respeito, colaciono a ementa do Acórdão nº 101 86.540, de 18 de maio de 1994. I.R.P.J. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO. O lançamento tributário deve ser formalizado contra o sujeito passivo na relação jurídico tributária. CONSÓRCIO. NATUREZA. OBJETO. Por consórcio se denomina a sociedade não personificada, cujo objeto é a execução de determinado e especifico empreendimento. Inocorrendo a unicidade do empreendimento, como também constatado que o contrato é por prazo indeterminado, o acordo firmado entre as sociedades não pode ser reconhecido como de natureza consorcial. Tratase, na essência, de Sociedade de Fato. Preliminar argüida que se acolhe, por configurado erro na identificação do sujeito passivo Ao caso concreto: o Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do seu contrato sócial8, tem por objeto: a) Objeto Social: “Artigo 1. Objeto e descrição do consórcio. Pelo presente contrato, a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco estabelecem um Consórcio, que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina, e de Instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com instalações de apoio, nas vizinhanças de São Luís, Estado do Maranhão, República Federativa do Brasil, assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita, a partilha de alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco, a partilha de alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio (...). (...) 3.02. Objeto. Fiscalização e Poderes do Consórcio. (a) Objeto. O Objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituílo são de dedicarse aos Empreendimentos descritos no artigo 1 deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformandoa em alumina no Empreendimento de Refino de Alumina e alumina em alumínio no Empreendimento de Redução de Alumínio, utilizandose de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, e assim, dando o direito a cada Consorciada de receber uma participação (se houver) da alumina e do alumínio produzidos, até o limite dos seus respectivos Direitos de Alumina e Direitos de Alumínio, com cada Consorciada responsabilizandose por sua respectiva participação nos custos 8 Extraído do sítio http://www.alumar.com.br/Institucional. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 582 15 e despesas determinados e alocados de acordo com os termos e condições do presente Contrato, incorridos com as referidas construção e propriedade, assim como com a produção da alumina e do alumínio (fls. ...)”; A DRF/PCS vislumbrou aí uma abrangência de finalidade o processamento da bauxita, transformandoa em alumina e a alumina em alumínio – que desnaturaria o consórcio enquanto obrigatoriamente voltado a um empreendimento determinado. No seu entender, corroboraria essa conclusão o prazo definido contratualmente (até 31 de março de 2050) e a possibilidade de ser reiteradamente prorrogado por períodos de um ano. A recorrente, a seu turno, rechaça a competência de a Receita Federal do Brasil analisar a regularidade do Consórcio Alumar. Segundo ela, não é atribuição do Fisco Federal manifestarse sobre aspectos de Direito Comercial, modificar ou restringir conceitos de direito privado contidos na legislação que disciplina a constituição de consórcio. Não me parece que o Fisco tenha assim procedido. A SAORT/DRF/PCS, por meio do parecer que fundamentou o Despacho Decisório, tratou apenas de confrontar as nuances do caso concreto com legislação de regência dos diversos institutos inerentes ao pleito de ressarcimento e compensação, nos termos de seu mister regimental. Se para tanto articulou os conceitos do direito privado, fêlo sem modificálos. Embora não retire do Fisco a competência para analisar a regularidade do contrato, como pretendeu a recorrente, não compartilho das conclusões a que chegou. De um lado, mesmo amplo, não se pode afirmar que o empreendimento não tenha algum grau de determinação. Ainda que se admita como amplo um empreendimento que abarque toda a siderurgia do alumínio, a atuação do consórcio se limita a esse metal, não se cogitando do processamento de minério de ferro, por exemplo. Ou ainda, se o empreendimento atua na siderurgia, não avança sobre etapas subseqüentes de manufatura de bens compostos por esse metal. Vêse que há, efetivamente, algum grau de limitação no empreendimento. No que pertine ao prazo, a sua fixação em 50 (cinqüenta) anos, pode ser exorbitante, a depender do volume das reservas de bauxita comercialmente disponíveis. Ou poderá ser estreitíssimo, se se tratar de empreendimento cujo investimento demande soma de recurso financeiro substancial, que implica longo prazo de maturação. Enfim, pareceme que os ditames da Lei nº 6.404, de 1976, não autorizam as subjetivizações praticadas pela ciosa repartição fiscal para chegar às suas conclusões. Julgo que atos de constituição do Consórcio Alumar satisfizeram os requisitos dos arts. 278 e 279 da Lei da S/A, não se tratando pois de uma sociedade de fato. Todavia, como já se disse, o consórcio não é sujeito de direito por não ter personalidade jurídica e, portanto, não tem legitimidade para figurar em pólo de relações jurídicas Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 16 negociais, apurar receitas, despesas ou créditos, apresentar declarações, enfim, não é sujeito de direitos para quaisquer efeitos. São as sociedades consorciadas que assumem as obrigações e responsabilidades perante terceiros, cabendolhes, do mesmo modo, exercer os direitos decorrentes dos atos jurídicos que celebram, ainda que de interesse comum. A repartição desses direitos, tal como a das obrigações, por assim dizer, será assunto do trato interno, de caráter obrigacional, entre os consorciados. Desta forma, as empresas se unem em um empreendimento determinado, sem prejuízo da intangibilidade da personalidade jurídica e do patrimônio de cada uma delas. Complementando o acima apontado, constatase, por intermédio dos documentos carreados para os autos, que as empresas consorciadas utilizamse dos ativos que possuem em regime consorciado para a produção da alumina e do alumínio. Após o término da produção, cada consorciada retira a parcela do produto acabado na proporção que lhe cabe de acordo com o contrato. Ressaltese, que cada uma das consorciadas arca com os custos da matériaprima utilizada no processo produtivo, retira a parcela do produto acabado na proporção que lhe cabe do pacto do consórcio, e, obtém as receitas em nome próprio no momento da comercialização, que ocorre de forma concorrencial entre elas. Tal fato ficou evidenciado na diligência fiscal, onde foi demonstrado que as matérias primas são custos individuais feitos por cada consorciada. Da mesma forma, há exportação e obtenção de receitas em nome próprio pelas consorciadas. Além do que o Consórcio Alumar não possui personalidade jurídica própria, portanto, não apura receitas, despesas ou créditos, não apresenta declarações, enfim, não é sujeito de direitos para efeitos fiscais. Observase, também, que o faturamento não obedece à fração ideal da participação no consórcio, muito pelo contrário, cada consorciada objetiva maximizar ao máximo o retorno de seus investimentos. Assim sendo, às aquisições de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, repitase, realizadas individualmente pela Recorrente e demais consorciadas, é gerado crédito presumido de IPI, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.363/96. Nesse contexto, emerge o direito da recorrente de apurar seus créditos na forma da Lei. Por derradeiro, não vislumbro no caso dos autos equiparação aos casos de industrialização por encomenda, capaz de obstaculizar o ressarcimento pretendido pela Recorrente. No caso em exame são as próprias empresas consorciadas que industrializam os seus produtos, para tanto, fazem em nome próprio suas aquisições de matéria prima e auferem receita com a exportação dos produtos industrializados no seu parque industrial e exportados pelo complexo portuário construídos com os seus recursos financeiros. Não há qualquer indicação de que o Consórcio Alumar industrializasse um só produto de empresa não consorciada, caso existisse revelava empecilho. Consta, ainda, que a empresa Recorrente possui filial em São Luiz, localizado no parque industrial Alumar, deixando evidente que se trata de industrialização em nome próprio. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10320.002150/200188 Acórdão n.º 380100.902 S3TE01 Fl. 583 17 Também não há nenhuma dúvida de que a Recorrente possui participação nos ativos da Alumar, portanto, é obvio que todas as consorciadas se encaixam no conceito legal de “pessoa jurídica produtora e exportadora” previsto pelo artigo 1º da Lei nº 9.363/1996 para fins de aproveitamento do crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI. Os elementos carreados aos autos me convenceram de que se trata de industrialização em nome próprio e não de encomenda. De modo que, sendo os insumos adquiridos pela Interessada e industrializados nas instalações que pertence ao consórcio cujos recursos financeiros foram disponibilizados no aviamento do complexo, unidade fabril e porto, e, sendo certo que, as exportações são realizadas por ela, impõe em reconhecer a sua legitimidade para pleitear o benefício, atendendo a contento à condição de empresa produtora, consoante a norma do artigo 1º da Lei nº 9.363/1996. Faço, no mais, alusão ao voto vencido nesse processo da DRJ de Juiz de Fora (acórdão nº 0928.666) aonde onde também se atestou inexistir qualquer óbice ao reconhecimento do crédito de Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, sendo válida a transcrição da conclusão no voto vencido da E. Relatora: Portanto, seja considerando a Alumar como consórcio legalmente constituído, seja como sociedade de fato, não vejo como: a) deslocar o beneficiário do crédito presumido das consorciadas, ou sócias de fato, para a Alumar; b) negar o benefício por desatendimento às disposições do art. 60 da Lei 9.096/95. Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, devolvendo os presentes autos para que a DRF, uma vez superado o óbice formal, examine e decida o pedido de ressarcimento como de direito. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 17DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.001367/2003-20
Turma: Sétima Turma Especial
Câmara: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O 1° Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos exatos termos
de sua Súmula n°02.
CSLL — COMPENSAÇÃO — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - LIMITE DE 30% - a partir do ano-calendário de 1995, para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro deverá ser observado o limite máximo de 30% na redução do lucro líquido ajustado, seja em razão da compensação de prejuízos ou da compensação de base negativa (Súmula 1° CC n° 03).
PAF - PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO — CONCOMITÂNCIA — INEXISTÊNCIA - não há concomitância entre o processo administrativo fiscal e mandado de segurança interposto pelo contribuinte quando os seus objetos são diferentes. A discussão judicial a respeito da constitucionalidade do art. 42 da Lei n° 8.981/95 e do art. 15 da Lei 9.095/95, que tratam de IRPJ, não tem como ser oposta a lançamento de CSLL realizado por infringência ao art. 58 da Lei no 8.981/95 e ao art. 16 da Lei 9.065/1995.
Numero da decisão: 197-00.033
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
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Fls. 1 e,. k • MINISTÉRIO DA FAZENDA 'Ni • g PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CAMARÁ Processo n° 19515.001367/2003-20 Recurso n° 160.833 Voluntário Matéria CSLL - Ex.: 1998 Acórdão n° 197-00033 Sessão de 20 de outubro de 2008 Recorrente COMPANHIA FIAÇÃO E TECIDOS GUARATINGUETÁ Recorrida r TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1998 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O 1° Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos exatos termos de sua Súmula n°02. CSLL — COMPENSAÇÃO — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA - LIMITE DE 30% - a partir do ano-calendário de 1995, para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro deverá ser observado o limite máximo de 30% na redução do lucro líquido ajustado, seja em razão da compensação de prejuízos ou da compensação de base negativa (Súmula 1° CC n° 03). PAF - PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO — CONCOMITÂNCIA — INEXISTÊNCIA - não há concomitância entre o processo administrativo fiscal e mandado de segurança interposto pelo contribuinte quando os seus objetos são diferentes. A discussão judicial a respeito da constitucionalidade do art. 42 da Lei n° 8.981/95 e do art. 15 da Lei 9.095/95, que tratam de IRPJ, não tem como ser oposta a lançamento de CSLL realizado por infringência ao art. 58 da Lei no 8.981/95 e ao art. 16 da Lei 9.065/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, COMPANHIA FIAÇÃO E TECIDOS GUARATINGUETÁ. ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. It . Processo n° 19515.001367/2003-20 , CCO I /C07 Acórdão n.° 197-00033 Fls. 2 MAR • -1 / / ICIUS NEDER DE LIMA Pres* tei / 0 CO (i-- LEONARD O A .., DE ALMEIDA Relator Formalizado em: 3 O JAN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Selene Ferreira de Moraes. Relatório Em auditoria realizada na escrita contábil e fiscal do contribuinte foi apurado falta de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, referente ao exercício 1998, ano-calendário 1997, em razão de ter sido realizada compensação da base de cálculo negativa de períodos anteriores em montante superior a 30%, contrariamente ao que prevê a legislação de regência. Conforme demonstra de forma detalhada o Termo de Verificação Fiscal (fls. 81/83), o excesso de compensação totalizou R$ 1.077.503,12. Por tal razão foi lavrado auto de infração, em 15/04/2003, sendo constituído crédito tributário de CSLL no montante total de R$ 147.848,62, englobando tributo e de juros de mora, calculados até 31/03/2003 (fls. 86/87). Como o contribuinte estaria autorizado por decisão judicial a efetuar a compensação em valores superiores ao limite legal - Mandado de Segurança n. 98.0026433-7, impetrado em 25/06/98 perante a 12 a Vara Cível Federal de São Paulo/SP (fls. 53/66) -, o auto de infração teve sua exigibilidade suspensa ex officio até a definição do indigitado processo judicial. Cientificada em 15/04/2003, apresentou impugnação (fls.91/103) restringindo-se a atacar, pelos mais diversos motivos, a constitucionalidade da legislação que limitou em 30% a possibilidade de compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Com isso pleiteou a anulação da autuação. Também requereu, de forma genérica, a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial, a testemunhal e documental. Diante dos fatos apresentados, a ?Turma da DRJ/SPO I assim decidiu: 2 Processo n°19515.00136712003-20 CCOI/C07 Acórdão rt." 197-00033 Rs. 3 - indeferir todas as provas pedidas, por entender que o processo conteria os elementos de direito e de fato necessários para o julgamento e que a produção tanto da prova documental como a testemunhal não seria relevante; - não há concomitância entre o mandado de segurança impetrado pelo contribuinte e o presente processo administrativo, nem mesmo suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial, pois a base legal para a autuação foi uma (art. 58 da Lei n° 8.981/95, art. 16 da Lei 9.065/1995 e art. 19 da Lei n°9.249/95), enquanto a ação mandamental em tela questiona a constitucionalidade do art. 42 da Lei n° 8.981/95 e art. 15 da Lei 9.095/95. - os julgadores administrativos devem apenas a aplicar as normas legalmente editadas e publicadas, não sendo competentes para julgar questionamentos sobre a constitucionalidade ou não de tais normas; Diante disso, acordaram os membros da 7. Turma da DRJ em São Paulo - I, por unanimidade de votos, considerar o lançamento procedente. Em sede de recurso, o contribuinte apenas repete, desta vez com maior densidade de fundamentação jurídica, os mesmos argumentos utilizados na impugnação e pede, novamente, os cancelamento dos créditos tributários lançados no auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro —Leonardo Lobo de Almeida, Relator. O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. O processo ora em exame, como visto, trata de tema já bastante discutido nesta Corte: a possibilidade de se compensar as bases de cálculo negativas da CSLL, de períodos anteriores, em montante superior ao limite de 30%, imposto pela legislação. A matéria, inclusive é objeto da Súmula n° 3 deste 1° Conselho de Contribuintes, in verbis: "Súmula PCC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa." Também não é cabível nesta instância administrativa a análise da constitucionalidade das Leis, função restrita ao Poder Judiciário, conforme entendimento, da mesma forma estratificado em enunciado. Confira-se: 3 Processo n° 19515.001367/2003-20 CCO1 /CO7 Acórdão n." 197-00033 Fls 4 "Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Como não poderia deixar de ser, a jurisprudência do 1° Conselho firmou-se neste sentido, como se pode verificar pelas seguintes decisões, exaradas em casos análogos ao presente: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI-0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DA CSLL - LIMITAÇÃO- Para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido, em razão da compensação da base de cálculo negativa., em, no máximo, trinta por cento, (Súmula 1° CC n° 3). (1° CC — 1° Câmara — Recurso n°159583 — Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni —julgado em 05/03/2008) INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Súmula 1° CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.TRAVA — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Súmula 1° CC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (1° CC — I° Câmara — Recurso n° 152446— Relator Conselheiro Paulo Roberto Cortez —julgado em 10/08/2007) 1NCONSTITUCIONALIDADE - A apreciação de inconstitucionalidade de norma tributária é matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme entendimento consolidado através da Súmula n° 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes. CSLL — SUJEIÇÃO AO LIMITE DE COMPENSAÇÃO — Segundo Súmula 1°CC n° 3, para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano- calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (1° CC — 1' Câmara — Recurso n°155048 — Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho —julgado em 17/10/2007) Contudo, apresenta-se nos autos questão curiosa, que merece exame mais aprofundado: a exigibilidade do crédito tributário deve estar suspensa ou não, na forma do at. 151, IV, do Código Tributário, em decorrência da medida liminar concedida ao recorrente na ação mandamental n° 98.0026433-7, por ele interposta perante o Juizo da 12 a Vara Federal de São Paulo/SP? 4 . ' Processo n° 19515.001367/2003-20 CCO /CO7 Acórdão n.° 197-00033 Fls. 5 Apesar de o fiscal autuante ter considerado que o contribuinte estava devidamente amparado por decisão judicial e, por tal motivo, suspendido a exigibilidade do montante lançado, a meu ver labutou ele em equivoco. De fato, correta esta a Turma de Julgamento da DRJ, que bem observou que o objeto do citado writ é questionar a tão somente a constitucionalidade do art. 42 da Lei n° 8.981/1995 e do art. 15 da Lei 9.095/1995, ou seja, a limitação à compensação da base de cálculo negativa do 1RPJ, e não a da CSLL, objeto do auto de infração. Com uma leitura atenta da petição inicial, despacho decisório e sentença, provas produzidas pelo próprio contribuinte, claro está que, realmente, os processos judicial e administrativo não guardam relação, pois, apesar de versarem sobre a trava de 30% para compensação das bases negativas de períodos anteriores, cuidam, repita-se, de tributos diferentes — aquele do IRPJ e este da CSLL. Destarte, não pode a guarida concedida naquele mandamus estender-se para o presente feito administrativo-fiscal. Com isso, deve ser negado provimento ao recurso, mantendo-se a autuação em sua integralidade, podendo o crédito tributário ser imediatamente cobrado, vez não estar com sua exigibilidade suspensa por força de medida judicial. Sala das Sessões — DF, em 20 de outubro de 2008 C LEONARDO OO D Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1
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