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Numero do processo: 15868.720131/2013-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2008
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62-A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35-A, da Lei n. 8.212-1991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32-A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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AUSÊNCIA DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ARTS. 62 E 62A, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 31 /2 01 3- 15 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 121 2 comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 122 3 Relatório O presente recurso voluntário busca a revisão dos seguintes lançamentos que foram mantidos pela decisão a quo, compostos pelos seguintes AutosdeInfração – AI: DEBCAD 37.396.8817: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive alíquota RAT (Lei n° 8.212/91, artigo 22, I e II), totalizando R$ 6.715,36 (seis mil, setecentos e quinze reais e trinta e seis centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 37.396.8825: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados, não retidas nem recolhidas pela empresa na forma da lei, totalizando R$ 2.030,01 (dois mil e trinta reais e um centavo), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 37.396.8833, decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pela empresa e destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, e SEBRAE), Rememorando o Relatório Fiscal, citado pela decisão recorrida: Conforme o Relatório Fiscal, o início da ação fiscal foi levado ao conhecimento do sujeito passivo em 05/04/2013. Tratase de procedimento complementar para o lançamento das contribuições apuradas de acordo com as planilhas anexas. A empresa foi fiscalizada anteriormente, com relação ao mesmo período, da qual resultou o lançamento materializado no processo 15868.7200066/201239. No entanto, equivocadamente, não foram lançadas parte das contribuições apuradas, sendo necessária a realização deste procedimento complementar. Tais contribuições referemse a Complementos de Salários, apurados no período de 04/2008 a 06/2008 e 12/2008, com base em folhas de pagamento, recibos de pagamento, cópias de cheques e na contabilidade da empresa. Quanto à multa aplicada, a fiscalização discorre a respeito das alterações promovidas pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável a partir da competência 12/2008 e, caso se mostre menos gravosa ao sujeito passivo, também para as competências anteriores (nos termos do artigo 106, II, “a” do CTN). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 123 4 Em recurso voluntário tempestivo, a parte alega o seguinte: nulidade do lançamento complementar; inexistência de pagamentos de complementação de salário e pagamento, não havendo elementos probatórios levantados para tanto, bem como houve aferição indireta por amostragem, o que não seria possível no presente caso, da mesma forma quanto aos levantamentos por pagamentos de prólabore disfarçado de distribuição de lucros, que não fora feito em desconformidade com o contrato social, mas apenas referiase a distribuição de anos anteriores, ilegalidade das multas de aplicadas, inexigibilidade dos juros moratórios, e indevida representação fiscal para fins penais. Os autos foram remetidos à esta turma especial do CARF/MF para sua apreciação. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 124 5 Voto O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. 1) Quanto às preliminares de impossiblidade de lançamento complementar, atentase como relatado, a contribuinte teve nova oportunidade de manifestação, no prazo de 30(trinta) dias, com disponibilização completa dos autos, assim, conforme autoriza o 18, §3º, do Decreto 70235. E a analise de inconstitucionalidade ou ilegalidade ao caso não prospera, devese observar que, conforme o art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF, o CARF não tem competência para afastar a aplicação da lei em razão de alegação de inconstitucionalidade, salvo no caso das exceções daqueles dispositivos, o mesmo está consolidado na Súmula 1, do CARF. Logo, não deve ser apreciado, e a preliminar rejeitada. 2) No mérito, quanto à alegação de inexistência de pagamentos de complementação de salários, não havendo elementos probatórios levantados para tanto, bem como houve a necessidade de aferição indireta, utilizandose a amostragem para suprir as lacunas, em que houve a não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, devese observar que houve clara dissonância entre os valores declarados em GFIP e registrado nos documentos autuados, em especial cheques, recibos e folhas de pagamento. Fatos que ficaram claros pela fiscalização. Inclusive, efetivamente não houve arbitramento ou aferição indireta, sim coleta de dados que foram diretamente utilizados para a obtenção dos eventos tributados e bases de cálculos dos tributos cobrados. A utilização da obtenção de amostragem, não se refere a utilização de métodos de cálculo, mas sim como forma de observação das diferenças entre os valores informados e os efetivos pagamentos de verbas. Quanto a mesma não foi efetivamente apresentada, a decisão a quo excluiu o lançamento do lançado sem efetiva base documental. Ao alegar que a aplicação do art. 33, §3ª, da Lei n. 8.212/1991, permite a aplicação e utilização de outros documentos para o levantamento do crédito tributário, nos casos em que verificase a dissonância, inclusive por arbitramento indireto. Para evitar a repetição dos fortes fundamentos da decisão a quo, transcrevem se trechos determinantes da mesma, aos quais acolhemos quanto sua interpretação dos fatos: A fiscalização constatou o pagamento de complementos de salários, conforme valores apurados no Anexo de fls. 16/19. Alega a impugnante que não foram comprovados os pagamentos de tais complementos. No entanto, verificase que todos os valores estão discriminados às fls. 16/19, e estão embasados, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 125 6 dentre outros, em folhas de pagamento e na contabilidade da empresa, inclusive com a identificação na planilha de fls. 16/19, das respectivas contas contábeis. Não houve por parte da impugnante a apresentação de qualquer contraprova capaz de contraditar as informações trazidas pela fiscalização com base na contabilidade da empresa. Portanto, o lançamento está amparado pelo devido lastro documental. A impugnante também afirma que efetuou repasses aos empregados os quais, no entanto, não representavam pagamentos remuneratórios, mas valores destinados ao pagamento de reparos e manutenção de veículos. Porém, não procedeu a juntada de qualquer elemento comprobatório capaz de demonstrar tais despesas e vinculálas aos valores pagos aos empregados. Nesse contexto, prevalece o entendimento que o pagamento feito ao empregado –dada à natureza sinalagmática do contrato de trabalho referese à remuneração pelos serviços prestados. Desse modo, não merece reparo o lançamento efetuado quanto às contribuições incidentes sobre os complementos salariais pagos aos segurados empregados. Assim, neste pontos não há o que retocar a decisão recorrida. 3) No tangente às alegações sobre os créditos lançados oriundos do pagamento irregular de distribuição de lucros e resultados, não é tratado pelo ato de lançamento. Mesmo assim, caso fosse como nos autos do processo 15868.720066/2012 39, apreciado simuntaneamente, observase que no lançamento os lucros foram distribuídos de forma diversa do que estabelecido no contrato social da contribuinte. conforme informou a fiscalização, o capital societário estava distribuído na proporção de 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, e esses percentuais não foram observados para a distribuição dos lucros no período de 2007 e 2008. Logo a fiscalização teve que considerar os valores excedentes como pagamentos a título de pro labore, por não se enquadrarem nas causas de nãoincidência e exclusão, do art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991, e enquadrando como fato gerador disposto no caput do mesmo dispositivo. Em que pese a possibilidade de operação pela empresa de atuar de tal forma, em caso de não previsão de tal procedimento, a decisão dos sócios deve ser deve ser documentada com as devidas atas exigidas pelo próprio direito civil. Ou que tais valores referiamse a exercícios anteriores, também poderia ter sido demonstrado, mediante a escrituração contábil, ou mesmo pelo balanço da contribuinte. Efetivamente, não há incidência de tributos sobre a distribuição de lucros, contudo no momento em que a mesma não for realizada conforme previsto legislação e no contrato social, será enquadrado como remuneração a prestação de serviço/trabalho dos sócios à pessoa jurídica. Interessante é que a defesa deixa claro que tais valores tem correlação à atividades dos sócios à empresa. Não foi juntado qualquer documento referente à tal distribuição de lucros, pela recorrente (art. 16, do Dec 70235), tornando vazias as suas alegações. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 126 7 4) Novamente, quanto às alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade das multas e juros aplicados, devese observar que conforme o art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF, o CARF não tem competência para afastar a aplicação da lei em razão de alegação de inconstitucionalidade, salvo no caso das exceções daqueles dispositivos, o mesmo está consolidado na Súmula 1, do CARF. Logo, não deve ser apreciado. 5) Entretanto, entendo que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 127 8 nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. 9) Quanto às alegações da parte de não ser devida a Representação Penal Para Fins Penais, devese observar que o CARF não têm competência para análise de sua apreciação, sendo competência da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário. A sua emissão é ato totalmente vinculado, tanto que o CARF já consolidou o entendimento da matéria na Sumula 28: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais” Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. Sala de Sessões, 17 de julho de 2014. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720131/201315 Acórdão n.º 2803003.457 S2TE03 Fl. 128 9 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901235/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 12 35 /2 00 9- 41 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901235/200941 Acórdão n.º 3801004.065 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901235/200941 Acórdão n.º 3801004.065 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901235/200941 Acórdão n.º 3801004.065 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensac ão, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901235/200941 Acórdão n.º 3801004.065 S3TE01 Fl. 11 5 modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.904365/2013-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/04/2011
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/04/2011 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 43 65 /2 01 3- 16 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1447.840, de 17/12/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904365/201316 Acórdão n.º 3803006.421 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1447.840, em 17/01/14, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 11/02/14, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904365/201316 Acórdão n.º 3803006.421 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.722530/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PARECER AGU AC - 55/2006. ALCANCE.
Os efeitos do Parecer AGU nº AC-55/2006 - DOU de 24/11/2006 alcançam, tão somente, os Contratos Administrativos celebrados pela Administração Pública direta, circunstância em que Poder Público atua com supremacia sobre as empresas privadas contratadas, mediante cláusulas e preceitos de Direito Público previstos no Capítulo III da Lei nº 8.666/93, não irradiando efeitos sobre as Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, eis que tais empresas atuam no mercado de bens e serviços em igualdade de condições que as demais empresas privadas, e cujos contratos regem-se pelas normas de Direito Privado.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL.
O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND.
A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem aplicar-se ao caso o Parecer AGU N.º AC- 55/2006 - DOU 24/11/2006. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo Da Costa e Silva Redator Designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PARECER AGU AC 55/2006. ALCANCE. Os efeitos do Parecer AGU nº AC55/2006 DOU de 24/11/2006 alcançam, tão somente, os Contratos Administrativos celebrados pela Administração Pública direta, circunstância em que Poder Público atua com supremacia sobre as empresas privadas contratadas, mediante cláusulas e preceitos de Direito Público previstos no Capítulo III da Lei nº 8.666/93, não irradiando efeitos sobre as Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, eis que tais empresas atuam no mercado de bens e serviços em igualdade de condições que as demais empresas privadas, e cujos contratos regemse pelas normas de Direito Privado. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 30 /2 01 0- 66 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 210 2 retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem aplicarse ao caso o Parecer AGU N.º AC 55/2006 DOU 24/11/2006. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo Da Costa e Silva – Redator Designado Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 211 3 Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 212 4 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 37.292.7980, consolidado em 10/08/2010, em face do BANCO DO BRASIL S/A, no valor de R$ R$ 2.429,58 (dois mil quatrocentos e vinte e nove reais e cinquenta e oito centavos) referentes às contribuições sociais previdenciárias (cota patronal) devidas em virtude de responsabilidade solidária imputada à Recorrente, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o recolhimento pela empresa contratada e prestadora dos serviços de contribuição previdenciária no período de 01/10/1999 a 30/06/2000. Segundo o Relatório Fiscal, o lançamento, ora em questão, tem por objetivo o restabelecimento da exigência fiscal, anulada por vício formal pelos acórdãos de nºs 2.338/2005 e 2.339/2005 da 4ª Câmara de Julgamentos/ CRPS, dos lançamentos fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débitos NFLDs de nºs 35.067.668 2 e 35.067.6690, onde fora constatado que as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa prestadora dos serviços de construção civil contratada pela Recorrente, MICONOS ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 92.345.255/000104, não foram devidamente recolhidas. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2001 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, no Auto de Infração e em seus anexos, os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, uma vez que essas informações possibilitam ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão, por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. O proprietário da obra responde solidariamente com as empresas construtoras contratadas, pelo cumprimento das obrigações decorrentes da Lei n° 8.212/91, não se aplicando o beneficio de ordem. A não apresentação da documentação necessária à elisão da responsabilidade solidária pelo tomador dos serviços implica no lançamento a este título. A responsabilidade solidária é elidida quando comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos Fl. 212DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 213 5 segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, no momento da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Descumpridos os requisitos para elisão da responsabilidade solidária, cabe à AuditoriaFiscal lançar o crédito previdenciário contra o contratante, apuradas as bases de cálculo a partir dos valores das notas fiscais ou faturas. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que: a) Não deve a recorrente responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução da obra, vez que, por ser sociedade de economia mista esta contrata mediante licitação pública. Assim sendo, o art. 71, §1º da Lei 8.666/93 (Lei de Licitações) e o art. 61 do Decreto Lei nº 2.300/86, transferem a total responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas Ademais, ainda que se considere a obrigação solidária, deve ser determinado o chamamento ao processo da empresa contratada, já que os documentos probantes dos recolhimentos previdenciários estão de posse desta. b) À época das autuações foram expedidas Certidões Negativas de Débito – CNDs, que demonstraram a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada pela Recorrente. Desta maneira, caso mantido o entendimento, haverá o risco de pagamento em duplicidade de tributos (bis in idem). c) Em virtude da responsabilidade solidária alegada na autuação decorrer da execução de contrato de prestação de mão de obra deverá ser aplicado o “benefício de ordem”, posto que o art. 30, VI, da Lei 8.212/91 não vedava a aplicação do benefício; d) A estipulação do percentual de 40% (quarenta por cento) do valor expresso nas notas fiscais como base para o cálculo da contribuição previdenciária está ancorada em normas administrativas ilegais e não fora estabelecida por lei, conforme determina o art. 97, IV, do CTN; e) Os serviços contratados foram mediante empreitada parcial, não sendo cabível, pois, a responsabilidade solidária, devendo ser aplicada à contratante tão somente a obrigação de retenção de 11% a título de contribuição previdenciária; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 214 6 f) Por obediência ao princípio da verdade material, o lançamento contendo vício deverá ser cancelado pela nulidade da autuação procedida e consequente insubsistência do lançamento fiscal. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 215 7 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito Conforme dito no relatório, a fundamentação legal do débito, constante às fls. 08/10, demonstra que a cobrança encontra validade nas disposições contidas no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97; art. 220 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, in verbis: Lei nº 8.212/91: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) ... VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)" Regulamento da Previdência Social: "Art. 220 O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem." De acordo com as normas acima transcritas, o dono da obra, no caso, o Banco do Brasil, é responsável solidário pelos encargos previdenciários devidos pelo construtor (empresa MICONOS ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 92.345.255/000104). Ocorre que a instituição financeira acima mencionada, conforme art. 4º, inciso II, alínea 'c', do Decreto nº 200/67, é uma sociedade de economia mista e, como tal, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 216 8 integra a Administração Pública Federal, devendo submeterse ao disposto na Lei de Licitações nº 8.666/93. "Decreto nº 200/67: Art. 4° A Administração Federal compreende: ... II A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria: ... c) Sociedades de Economia Mista." Neste diapasão, dispõe o art. 71, §1º da Lei nº 8666/93 que a Administração Pública só responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, ou seja, quando a execução do contrato ocorrer mediante cessão de mãodeobra: "Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)" Sendo a Lei nº 8666/93 específica, pelo Princípio da Especialidade, sobrepõese à Lei nº 8.212/91. Desse modo, o sujeito passivo integrante do quadro da administração pública indireta não pode ser responsabilizado solidariamente pelas contribuições previdenciárias a cargo da empresa prestadora de serviço assim como previsto pelo art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91. Avulta deste panorama, o Parecer AC nº 55/2006 da AGU, aprovado pelo Presidente da República, o qual também consolidou o entendimento segundo o qual a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil prevista no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91, assim transcrito: "PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 217 9 III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mão deobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31)" Ciente que nos termos do art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 os pareceres do Advogado Geral submetidos à aprovação pelo Presidente da República vincula a Administração Federal, não tenho alternativa senão reconhecer a improcedência da obrigação imposta ao Banco do Brasil neste lançamento. "Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento." É bom ressaltar que esta matéria já foi objeto de julgamento na 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária cuja Conselheira Carolina Landim, no Acórdão 2401003.202, de 17.09.2013, assim ementou: "ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91." Pelos fatos acima elencados, reputo inválido o lançamento. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso Voluntário, para darlhe TOTAL PROVIMENTO, excluindo todo crédito previdenciário em relação ao Banco do Brasil ante a força vinculante do Parecer AGU 55/2006 aprovado pelo Presidente da República, mantendo a Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 218 10 cobrança tão somente em relação a empresa MICONOS ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 92.345.255/000104. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 219 11 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, redator designado. Ouso discordar, data venia, do entendimento advogado pelo insigne Relator relativo à responsabilidade solidária das sociedades de economia mista com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. DO LANÇAMENTO O presente processo tem por objeto o restabelecimento da exigência fiscal constituída pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 35.067.6690, declarada nula por vício formal pela 4ª CAJ – Câmara de Julgamento do CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Tratase de lançamento fiscal para constituição de crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinada ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, apuradas por aferição indireta na forma da legislação previdenciária, devidas pelo Autuado em referência em razão da responsabilidade solidária da empresa contratante com o executor de obra de construção civil prevista no inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91, conforme descrito no Relatório Fiscal. Compete destacar que a NFLD nº 35.067.6690, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, foram substituídas por 67 Autos de Infração relativos a Contribuição Previdenciária – Parte segurados , sendo um Auto de Infração para cada empresa com a qual o Banco do Brasil é solidário. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 220 12 Deve ser enaltecido igualmente que, após a aplicação da regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do art. 173, II do CTN, em combinação com os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, e pela adoção do mecanismo inscrito no art. 150, §4º do CTN, foram alcançados pelos Autos de Infração substitutos, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a contar da competência novembro/96 até fevereiro/2001. No caso em apreço, colhemos do Relatório Fiscal que o presente lançamento é substituto da NFLD nº 35.067.6690, referente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro/1999, consistentes na remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante da obra, responde solidariamente, a teor do inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 124, II, do CTN. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) De acordo com o Relatório Fiscal, foi solicitada pela Auditoria Fiscal a relação de contratos de obras de construção civil realizados pelo Banco do Brasil a partir de MAIO de 1995, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, são cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal através da confrontação das informações contidas no SISPAG com a documentação física dos processos. Diante de tal panorama, em razão da apresentação deficiente dos documentos solicitados, o crédito tributário houvese por apurado mediante aferição indireta, utilizandose no procedimento de arbitramento, subsidiariamente, as informações contidas no sistema SISPAG, revertendo em desfavor do Recorrente o onus da prova em contrário, a teor das determinações contidas no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 221 13 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS EMPRESAS ESTATAIS Louvouse a decisão adotada pela insigne Relatora na ausência de responsabilidade solidária da Administração Pública plasmada no Parecer AGU AC nº 55/2006. Aduz o voto de relatoria que as sociedades de economia mista também estariam compreendidas nas hipóteses de ausência de solidariedade acima citada, por serem integrantes da administração pública indireta. Ocorre, todavia, que tal hipótese de excepcionalidade apenas se aplica aos contratos administrativos, não espraiando efeitos sobre os contratos regidos pelo Direito privado, como assim se revelam os contratos firmados entre o Recorrente e as construtoras em questão. PARECER AGU Nº AC55/2006 DOU DE 24/11/2006 ADVOCACIAGERAL DA UNIÃO PROCESSOS Nº 00552.001601/200425, 00405.001152/9990 e 00404.004214/200614 Interessados: Ministério da Previdência Social – MPS Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina CEFET/SC Ministério da Defesa Comando do Exército Ministério da Fazenda MF Assunto: Contribuições previdenciárias. Contrato administrativo. Definição da responsabilidade tributária da contratante (Administração Pública) e do contratado (empregador) pelas contribuições previdenciárias relativas aos empregados deste. Lei nº 8.666/93, art. 71. Obras públicas. Contratação da construção, reforma ou acréscimo (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI) ou serviço executado mediante cessão de mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art 31). Distinção. Lei nº 9.711/98. Retenção. Adoto, nos termos do Despacho do ConsultorGeral da União nº 996/2006, para os fins do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, o anexo PARECER Nº AGU/MS08/2006, da lavra do Consultor da União, Dr. MARCELO DE SIQUEIRA FREITAS, e submetoo ao EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, para os efeitos do art. 40, § 1º, da referida Lei Complementar. Brasília, 17 de novembro de 2006. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 222 14 ALVARO AUGUSTO RIBEIRO COSTA AdvogadoGeral da União Se distingue o contrato administrativo do contrato de direito privado pela supremacia do interesse público sobre o particular, circunstância que permite ao Estado certos benefícios sobre os contratados particulares que não existem nos contratos de Direito privado. Estes benefícios ou peculiaridades são denominados pela doutrina de cláusulas exorbitantes e são previstas nos contratos administrativos de forma explícita, nos termos do art. 58 da Lei nº 8.666/93, ou implícita, de maneira dispersa no corpo do citado Diploma Legal. Os contratos administrativos são regidos pelos preceitos de direito público, aplicandoselhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado, enquanto que os contratos firmados por pessoas jurídicas de direito privado são regidos, integralmente, pelas normas de direito privado, especialmente, o Código Civil. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 Art. 54. Os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público, aplicandoselhes, supletivamente, os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado. § 1o Os contratos devem estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução, expressas em cláusulas que definam os direitos, obrigações e responsabilidades das partes, em conformidade com os termos da licitação e da proposta a que se vinculam. § 2o Os contratos decorrentes de dispensa ou de inexigibilidade de licitação devem atender aos termos do ato que os autorizou e da respectiva proposta. Nos contratos administrativos, a administração pública atua respaldada pela supremacia do interesse público sobre o do particular. Por isso que tais contratos só se aplicam aos órgãos e entidades da Administração Pública stricto sensu, não alcançando as empresas públicas e as Sociedades de Economia Mista, as quais atuam no mercado em igualdades de condições que as demais empresas privadas. Não por outra razão, as empresas públicas e as Sociedades de Economia Mista tem natureza jurídica de pessoa jurídica de direito privado. Notese que a exclusão da responsabilidade solidária da Administração Pública encontra assento no regime jurídico introduzido pela Lei nº 9.711/98, em cotejo com as normas vertidas no art. 71 da Lei nº 8.666/93, na redação da Lei nº 9.032/95, o qual se insere no Capítulo normativo dos contratos administrativos, e apenas a estes sendo aplicável, não irradiando efeitos sobre os contratos regidos pelo Direito Privado. Repisese que os contratos administrativos notabilizamse pela inafastável supremacia da Administração Pública contratante sobre os contratados pessoa jurídica de direito privado, daí os contratos administrativos serem privativos dos órgãos de Poder, não se estendendo às pessoas jurídicas de direito privado cuja maioria do capital votante seja da titularidade da Administração Pública. Estes não são órgão de Poder Público, mas pessoas Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 223 15 jurídicas de direito privado que atuam no mercado de bens ou serviços em igualdades de condições que as demais pessoas jurídicas de direito privado. A supremacia do Poder Público nos contratos administrativos é tão marcante que o art. 61 da Lei nº 8.666/93 impõe o dever de todo contrato mencionar a sujeição dos contratantes às normas dessa Lei e às cláusulas contratuais, de molde que o contratado não seja surpreendido pelos efeitos das cláusulas que extrapolem à sinalagmàtica dos contratos de Direito Privado, dever esse não demonstrado pelo Recorrente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 61. Todo contrato deve mencionar os nomes das partes e os de seus representantes, a finalidade, o ato que autorizou a sua lavratura, o número do processo da licitação, da dispensa ou da inexigibilidade, a sujeição dos contratantes às normas desta Lei e às cláusulas contratuais. (grifos nossos) §1º A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração na mesma data de sua assinatura para ocorrer no prazo de 20 (vinte) dias, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus. § 2º (VETADO). § 3º (VETADO) Parágrafo único. A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.883/94) Por todo exposto, sendo os contratos firmados ente o Banco do Brasil S/A e a empresa construtora em questão regidos pelas normas de direito privado, não se qualificando tais contratos na condição de contrato administrativo stricto sensu regido pela Lei nº 8.666/93, entendo que à hipótese vertida nos autos não se aplica a exclusão de solidariedade prevista no Parecer AGU nº AC 55/2006, uma vez que este é de aplicação exclusiva aos contratos administrativos stricto sensu, não aos contratos regidos pelo Direito Privado. Merece ser mencionado que o Ordenamento Jurídico exige concurso público para a contratação de pessoal tanto pela administração pública stricto sensu, quanto pelas empresas que compõem a Administração Pública indireta. Todavia, as normas de direito público aplicamse, tão somente, aos servidores públicos investidos nos cargos da Administração Pública propriamente dita, enquanto que os trabalhadores das empresas públicas e das Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, não pelo Regime Jurídico Único. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 224 16 De maneira análoga, o Ordenamento Jurídico também exige concurso público para a contratação de obras e outros serviços tanto pela administração pública stricto sensu, quanto pelas empresas que compõem a Administração Pública indireta. Todavia, as normas de direito público aplicamse, tão somente, aos Contratos Administrativos disciplinados na Lei nº 8.666/93, típicos da Administração Pública propriamente dita, enquanto que os contratos de obras e de serviços celebrados pelas empresas públicas e pelas Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, são regidos pelo Direito Privado, mormente pelo Código Civil. Não se deslembre que o Parecer AGU nº AC 55/2006 é específico para os Contratos Administrativos. Aliás, a motivação para a prolação do citado Parecer decorreu, exatamente, em razão de contenda tributária existente entre diferentes órgãos da Administração Pública stricto sensu, cabendo à AdvocaciaGeral da União pacificar as controvérsias havidas, conforme item 3 do Despacho do ConsultorGeral da União que submeteu ao AdvogadoGeral da União a aprovação do mencionado parecer. “3. Penso que é exata a interpretação realizada pelo parecer em causa vez que reflete a melhor compreensão dos textos legais, podendo ser aprovado com os efeitos vinculantes para a administração (art. 40, §1º da Lei Complementar 73/93) vez que contendem diferentes órgãos no interior da Administração e cabe à AdvocaciaGeral da União pacificar as controvérsias havidas”. Ora ... não estando as Sociedades de Economia Mista inseridas no campo de atuação da Advocacia Geral da União, não detém esse órgão competência para transigir em nome do Banco do Brasil S/A. Conforme enaltecido pelo ConsultorGeral da União, os efeitos vinculantes do Parecer AGU nº AC 55/2006 alcançam, tão somente, os órgãos e entidades da Administração Pública Federal, jamais as pessoas jurídicas de direito privado integrantes da, assim denominada, administração pública indireta. Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993 Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. §1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. §2º O parecer aprovado, mas não publicado, obriga apenas as repartições interessadas, a partir do momento em que dele tenham ciência. Por todo o exposto, voto no sentido da observância da responsabilidade solidária do Recorrente, Sociedade de Economia Mista, em virtude de as disposições aviadas Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 225 17 no Parecer AGU nº AC 55/2006 produzirem efeitos, tão somente, sobre os contratos administrativos stricto sensu, não se irradiando sobre os contratos típicos de direito privado. Por tais razões, pugnamos pela manutenção do integral do lançamento em realce, com fundamento na responsabilidade solidária do proprietário ou do dono da obra com o construtor, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsto no inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 121, II e 124, II do Código Tributário Nacional. DO CHAMAMENTO AO PROCESSO Argumenta o Recorrente que a matrícula da obra e as contribuições previdenciárias devidas eram obrigações da empresa contratada, razão pela qual deve esta ser chamada a integrar o processo. Razão não lhe assiste. O chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiros prevista nos artigos 77 a 80 do CPC, configurandose como um incidente processual por intermédio do qual o devedor demandado chama para integrar o mesmo processo os coobrigados pela dívida, de modo a fazêlos também responsáveis pelo resultado da demanda. No processo civil, o chamamento ao processo figura como uma faculdade legal outorgada exclusivamente ao réu da demando. Ocorre, todavia, que no Processo Administrativo Fiscal não há assento reservado para tal modalidade de intervenção de terceiros, uma vez que a relação jurídica tributária se estabelece diretamente entre a Fazenda Pública e os responsáveis tributários pelo adimplemento da obrigação, os quais são formalmente cientificados do lançamento, quando então se lhes abre a oportunidade de impugnar a exigência fiscal. Cabe enfatizar que, tratandose de lançamento por responsabilidade solidária do contratante pelas obrigações tributárias da contratada pela execução de obra de construção civil, inexiste benefício de ordem podendo o crédito tributário ser constituído em face do devedor principal ou em face do devedor solidário ou, ainda, em desfavor de ambos, simultaneamente, como sói ocorrer no presente caso, a teor do Parágrafo Único do art. 124 do CTN. No caso em apreciação, o devedor principal houvese por devidamente cientificado do lançamento, conforme documento a fls. 79/80, e Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, a fls. 77/78, deixando transcorrer in albis o prazo assinalado na lei, sem oferecer impugnação, configurandose, assim, a revelia, exclusivamente em seu desfavor. Todavia, tendo a relação jurídicoprocessual em palco multiplicidade de sujeitos passivos, a revelia do devedor principal não induz o efeito previsto no art. 319 do Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 226 18 Código de Processo Civil, eis que o devedor solidário honrou impugnar, tempestivamente, a exigência fiscal em apreço, a teor do art. 320, I do CPC. Código de Processo Civil Art. 319. Se o réu não contestar a ação, reputarseão verdadeiros os fatos afirmados pelo autor. Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito mencionado no artigo antecedente: I se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; II se o litígio versar sobre direitos indisponíveis; III se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público, que a lei considere indispensável à prova do ato. Teve, portanto, a contratada – devedor principal, a mesma oportunidade concedida à solidária de se manifestar nos autos do processo, favorecendo, dessarte o pleno acesso ao contraditório e a ampla defesa. Não fêlo, porém, anuindo, implicitamente, com os termos do lançamento, em atenção ao disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997) Nada obstante, tendo sido formalmente convidado o executor da obra a contestar a exação, independentemente de manifestação da contratada no Processo Administrativo Fiscal, a lei faculta ao devedor solidário o direito regressivo para reaver os valores por este diretamente recolhidos, conforme expressamente previsto o art. 30, VI da lei 8.212/91. Aditese que, nos termos assinalados no art. 322 do Pergaminho Processual Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, configurada a revelia do devedor principal e não tendo este patrono constituído nos autos, os prazos lhe correrão independentemente de intimação a contar da publicação de cada ato decisório. Código de Processo Civil Art. 322. Contra o revel que não tenha patrono nos autos, correrão os prazos independentemente de intimação, a partir da publicação de cada ato decisório. (Redação dada pela Lei nº 11.280/2006) Parágrafo único O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendoo no estado em que se encontrar. (Incluído pela Lei nº 11.280/2006) Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 227 19 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Alega o Recorrente que a sociedade de economia mista somente pode contratar mediante licitação pública, não devendo o Recorrente responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução. Aduz, em ádito, que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente. A razão não lhe sorri, porém. A sociedade de economia mista é uma Pessoa Jurídica de Direito Privado, criada com o propósito de implementar um processo de descentralização administrativa que consiste em delegar a uma entidade criada por lei a realização, mediante adoção de métodos de ação privada, de atividade estatal específica. Por isso lhe é atribuída personalidade jurídica de direito privado, para que, em suas operações e relações interna corporis, se submeta ao regime de direito privado. Como entidade administrativa que realiza atividade estatal fica, porém, a sociedade de economia mista sujeita ao influxo de normas de direito público compatíveis com o regime de direito privado. As relações interna corporis das sociedades de economia mista são regidas, em regra, por normas típicas de direito privado (arts. 235 e seguintes da Lei nº 6.404/76), mas algumas dessas relações recebem o influxo de normas de direito público, dado que a sociedade é um ente administrativo, dentre as quais sobressaem aquelas enunciadas no Dec. Lei nº 200/67 e na Lei das Licitações, além daquelas com ressalva constitucional, como é o caso da contratação de servidores mediante concurso público, dentre tantas outras. Nesse panorama, nem todos os aspectos da atuação de uma sociedade de economia mista, que cabem licitamente ao acionista controlador decidir no regime comum, ficam sujeitos às regras inerentes à administração pública, mas tão somente os aspectos que podem, por força de lei, receber o influxo de normas de direito público. Assim, ao Estado, que é o acionista controlador, não cabe impor às sociedades de economia mista todas as regras inerentes à administração pública, mas tão somente àquelas que se coadunam com o poder de supervisão do Poder Executivo ou que se harmonizam com os programas governamentais relacionados com a atividade da sociedade de economia mista. Todos os demais aspectos que contrariam o regime de direito privado a que se submetem as sociedades de economia mista, mesmo que, em princípio, sejam da competência do acionista controlador, são a este vedados por força do art. 27 e seu parágrafo único do Dec. Lei nº 200/67. No que pertine ao custeio da seguridade social, tanto as sociedades de economia mista como as empresas públicas, além dos órgãos federais, estaduais, distritais e municipais que não possuam Regime Próprio de Previdência Social, encontramse sujeitos aos rigores fixados na Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme assim estatui o art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 228 20 lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (grifos nossos) II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Mostrase virtuoso também enveredar sobre algumas digressões acerca do instituto da solidariedade no ramo do Direito Previdenciário. A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 229 21 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No plano infraconstitucional, no ramo do direito previdenciário, a matéria sob foco foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo inciso VI do art. 30, na redação que lhe fora outorgada pelas Leis nº 8.620/93 e 9.528/97, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do proprietário, do incorporador, do dono da obra ou do condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 230 22 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528/97) Sem ultrapassar os umbrais que lhe foram erguidos pelo CTN e pela Lei nº 8.212/91, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 2.173/1997, estatuiu, sem vias laterais de escape, que a responsabilidade solidária em realce somente seria elidida na exclusiva hipótese em que o executor da obra comprovasse o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. Regulamento da Previdência Social Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. (grifos nossos) §2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifos nossos) §3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 231 23 Mas não parou por aí. Disse mais. Sem deixar margens a dúvidas, o Regulamento da Previdência Social pavimentou o caminho a ser seguido pelos contratante e contratado na persecução da elisão em tela, ao impor ao executor da obra o dever jurídico tributário de elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas e individualizadas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Inúteis se revelam, portanto, qualquer outro meio diverso, eventualmente engendrado pelos atores em foco, contribuinte e responsável solidário, para se elidir do instituto da solidariedade ora em apreciação, eis que a lei define, de maneira cristalina, ser aquela a única hipótese aceitável para que se proceda à elisão tributária em realce. Nesse panorama, havendo verificado o auditor fiscal a execução de obra de construção civil e não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela legislação previdenciária, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre o dono da obra e o executor, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex tributário: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 232 24 tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito que não estejam previstas em lei. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 30, VI , culminou por atribuir ao contratante de obra de construção civil a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas construtoras, fazendo com que aquele exija destas cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Não se mostra despiciendo salientar que as obrigações acessórias têm por objeto prestações, positivas ou negativas, estabelecidas pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do art. 113, §2º do CTN. Nessa perspectiva, da fiel observância das obrigações assim impostas pela solidariedade resulta que tanto a empresa construtora quanto o dono da obra passam a ter, à sua disposição, toda a documentação indispensável e necessária para fiscalização sindicar, pelos meios ordinários, o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias referentes aos serviços assim contratados. Com efeito, o arcabouço normativo dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Nesse particular, como fruto do mecanismo fiscalizatório da solidariedade, a empresa tomadora passa a dispor da folha de pagamento dos trabalhadores cedidos e as GPS correspondentes, situação que somente não ocorrerá caso a contratante se descuide da obrigação acessória em realce, explicitamente imposta pela lei. Tal inobservância frustra os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, obrigandoos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos destacados no parágrafo precedente, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, Custo Unitário Básico da obra, etc. Como consequência, nas ocasiões em que o conhecimento fiel da ocorrência de fatos jurígenos tributários e/ou do montante tributável a eles associado não for viável pelo exame direto dos documentos específicos indicados adrede pela lei, o ordenamento jurídico admite e legitima o emprego excepcional da aferição indireta da base de cálculo, transferindo se para os ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, conforme previsão taxativa expressa nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 233 25 Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Salientese que o próprio CTN prevê a prerrogativa do agente fiscal de arbitrar, mediante processo regular de aferição indireta, o valor ou preço de bens, direitos, serviços e atos jurídicos, sempre que estes sejam tomados por base para o cálculo do tributo, e sejam omissas, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 234 26 arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Registrese que o poder conferido pela lei ao dono da obra de exigir do executor cópias autenticadas das folhas de pagamento e das guias de recolhimento acima pontuadas não se consubstancia numa mera faculdade do tomador, mas, sim, num ônus que lhe é avesso, o qual lhe assegurará a elisão da comentada responsabilidade solidária. Em reforço às diretivas ora enunciadas, o item 27 da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997 dispõe expressamente que a responsabilidade solidária do contratante será imediatamente apurada pela fiscalização na forma do disposto no seu Título V, quando este não apresentar as cópias de GRPS correspondentes às notas fiscais de serviço/fatura de empresas de construção civil a seu serviço. Diante de tal cenário jurídico, revelamse órfãs de embasamento jurídico as alegações de que a sociedade de economia mista, por somente poderem contratar mediante licitação pública, não devem responder de forma solidária pelas obrigações do responsável pela execução da obra, e a de que deve ser aplicado o benefício de ordem para afastar a corresponsabilidade solidária atribuída ao Recorrente. Isso porque as sociedades de economia mista sujeitamse a todas as normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91, por força de seu art. 15, além de tanto a Lei de Custeio da Seguridade Social quanto o próprio CTN estatuírem, com clareza solar, que a solidariedade tributária não comporta o benefício de ordem. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse a fiscalização conjunta do dono da obra e do construtor ou o lançamento primeiramente em face deste e, subsidiariamente, em face daquele, configurarseia um verdadeiro contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 30, VI da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.528/97, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 235 27 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder ao lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os coobrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da Fl. 235DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 236 28 dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. O Egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 237 29 cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãodeobra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Quanto à alegação de que a matrícula era de responsabilidade da contratada e que o conceito de obra de construção civil se refere, exclusivamente, a obra de grande vulto, também não lhe confiro razão. A legislação previdenciária estabelece os casos em que é necessária a abertura de matrícula para as obras de construção civil, sejam elas de grande ou de pequeno vulto. Por outro viés, o debate acerca de matrícula de obra é impertinente ao processo em debate, haja vista que a obrigação principal e a responsabilidade solidária aqui Fl. 237DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 238 30 tratadas independem do vulto da obra, da responsabilidade pela formalização da matrícula, até mesmo da condição da obra possuir ou não matrícula. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente tópico, podese asselar categoricamente que o procedimento adotado pela fiscalização, consistente no lançamento direto em face do devedor solidário, não se encontra eivado de qualquer vício de legalidade. DAS CND EXPEDIDAS Pondera o Recorrente que as CND expedidas à época das autuações originais certificam que a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada perante o INSS. A cantilena ora esposada não merece o abrigo pretendido. Conforme demonstrado no tópico anterior, por disposição expressa dos §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação atribuída pela Lei nº 9.032/95, a responsabilidade solidária em apreço somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, devendo para tanto o cedente da mãodeobra elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópias autenticadas de tais documentos. Outro não é o Direito legislado na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, in verbis: Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165, de 11 de julho de 1997 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea "b", além de folha de pagamento. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 239 31 No caso em estudo, compulsando os autos, não nos deparamos com as guias de recolhimento capazes de elidir a responsabilidade do contratante, nas condições de contorno determinadas pela lei, digase, cortejadas pelas respectivas folhas de pagamento individualizadas por tomador, condição sine qua non para a elisão da responsabilidade solidária ora em debate. Da mesma forma, não há qualquer evidência nos autos, quanto mais comprovação, de que a prestadora em relevo tenha recebido CND referente ao período fiscalizado. Por outro lado, mas ária de outra ópera, cumpre trazer à balha que a expedição de CND não representa reconhecimento de inexistência de obrigações tributárias passíveis de lançamento, tampouco se constitui em modalidade de extinção do crédito tributário, eis que não prevista nas hipóteses assentadas numerus clausus no art. 156 do Código Tributário Nacional que rege a matéria. O que se deseja encarecer é que a CND apenas atesta que, no momento de sua emissão, não havia crédito constituído exigível em desfavor da empresa signatária da certidão, tanto assim que no instrumento de certidão encontrase consignada a ressalva que alerta o beneficiário do direito da Previdência Social de cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, nos termos do §1º do art. 47 da Lei nº 8.212/91: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032/95). (...) §1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O fisco federal, com fundamento no instituto da responsabilidade solidária já tanto depurado nos tópicos precedentes, demonstrou as circunstâncias constitutivas do seu crédito, eis que demonstrada a prestação de serviços de construção civil sem a devida comprovação do recolhimento prévio das contribuições previdenciárias respectivas, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituir o lançamento que ora se opera. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 240 32 DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Alega o Recorrente a ausência de normativo legal para a fixação da base de cálculo no percentual de 40%. Os argumentos expendidos pela empresa não merecem prosperar. O art. 146 da CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para ditar normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários e contribuintes, dentre outras. No exercício de tal competência, louvou o art. 148 do CTN prescrever que, nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Inserido no escopo iluminado no parágrafo precedente, o art. 33 da Lei nº 8.212/91 honrou estabelecer, de forma hialina, imune a qualquer questionamento, que nas hipóteses de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, valor presumido de mão de obra empregada em serviços executados mediante cessão de mão de obra, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 241 33 Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que em princípio lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. No caso ora em apreciação, o Recorrente não logrou elidir a responsabilidade solidária que lhe fora imputada pela lei, decorrente da contratação de serviços de construção civil. A fiscalização intimou a empresa, mediante termo próprio, a apresentar a relação de contratos de obras de construção civil realizadas pelo Banco do Brasil a partir de maio/95, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, encontravamse cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas no sistema informatizado acima citado subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3º do art. 33, da Lei nº 8.212/91. Com base em tais informações, elaborouse planilha eletrônica com vistas à utilização na Auditoria Fiscal. Na sequência, do exame da documentação física apresentada pelo Recorrente para o fim de comprovação de elisão da responsabilidade solidária, procedeu se aos ajustes necessários na referida planilha através de retificações e exclusões dos valores lançados. Como resultado final foram apuradas as diferenças de base de cálculo, em relação às quais não houve a devida comprovação do recolhimento prévio, não se consumando, em consequência, em relação a estas, a elisão da responsabilidade solidária. Não tendo o Recorrente comprovado o recolhimento prévio das contribuições devidas, mediante a anexação, pela contratada, à nota fiscal de serviço de cópia da GRPS quitada, autenticada pelo Posto de Arrecadação e Fiscalização ou por cartório, além de folha de pagamento, valeuse a autoridade lançadora, escudada pelo permissivo legal há pouco revisitado, do critério de apuração das contribuições previdenciárias devidas via aferição indireta da base de cálculo, conforme os procedimentos estabelecidos para esse fim na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165/1997, aplicandose para a apuração da remuneração, os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviços constantes em seu subitem 31, conforme ilustrado no Demonstrativo a fls. 25/26. A matéria em relevo já foi bater às portas da Suprema Corte, em precedente específico sobre o tema, proferido quando do julgamento do RE nº 579.281/PR, da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, DJe de 14/3/08, assim ementado: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA ANULATÓRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. Não padece de vício de legalidade a Ordem de Serviço nº 083/93, que estabelece percentuais a incidirem sobre o valor bruto de nota fiscal de serviço ou fatura, na hipótese de aferição indireta do salário de contribuição. Tratase de regulamentação do procedimento de arbitramento, a estabelecer critérios para tanto. Do contrário, não existiriam parâmetros objetivos para o Fisco proceder ao Fl. 241DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 242 34 levantamento do débito nos casos em que não dispusesse de elementos concretos para fazêlo, ante a imprestabilidade ou inexistência de escrita contábil relativa a mãodeobra empregada pelo contribuinte’ (fl. 308). A recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, alega violação ao disposto nos arts. 5º, II; 37; 146, III, a; e 150, I, da Constituição Federal. Inadmissível o recurso. E não se menospreze o poder normativo das Ordens de Serviço acima revisitadas. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Sintonizado nessa mesma frequência, a Suprema Lei reservou aos Ministros de Estado a competência para expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 243 35 I exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da administração federal na área de sua competência e referendar os atos e decretos assinados pelo Presidente da República; II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; (grifos nossos) III apresentar ao Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; IV praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República. Assim, sob o Manto Constitucional desfraldado nos parágrafos precedentes, foram editadas as Ordens de Serviço acima transcritas, condição que revela serem improcedentes as alegações deduzidas pela empresa de ausência de normativo legal para a fixação da base de cálculo no percentual de 40% do valor bruto das notas fiscais/faturas. Depreendese do exposto que as Ordens de Serviço e Instruções Normativas expedidas pelos órgãos da administração direta defluem da competência constitucional do Presidente da República e dos Ministros de Estado, estes últimos, para complementar e concretizar a vocação presidencialista, constitucionalmente afigurada. Por via de consequência, os instrumentos normativos expedidos pelos órgãos da administração direta fulguram como emanações de agentes políticos de elevada estatura – Presidente da República e Ministros de Estado – ocupantes do arquétipo fundamental de Poder, os quais, nestas circunstâncias, aliam se para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assentado que os instrumentos normativos suso citadas são dotados de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência e Assistência Social e do Ministério da Fazenda, deflui daí que, na apuração por aferição indireta da mão de obra empregada em obra ou serviço de construção civil, o Salário de Contribuição será fixado em 40%, no mínimo, do valor bruto consignado nas notas fiscais de serviço/faturas correspondentes. Por derradeiro, o Recorrente pondera que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. No caso sobre o qual nos debruçamos, ante a inexistência de vícios a macular o processo, motivos não se avultaram para a anulação do lançamento, uma vez que, conforme demonstrado, o procedimento houvese por conduzido de acordo com a estreita parametrização fixada na lei. Também não vislumbramos razão para rever de ofício o lançamento eis que não restou demonstrada qualquer das ocorrências autorizadoras do revisional fixadas no art. 149 do CTN. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722530/201066 Acórdão n.º 2302003.171 S2C3T2 Fl. 244 36 Conforme evidenciado, restam improcedentes as alegações desfiladas pelo Recorrente, não carecendo a decisão de Primeira Instância, alfim, qualquer reparo. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10314.720418/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 21/06/2007 a 25/08/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MERCADORIA DIVERSA DO OBJETO SOCIAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE.
A multa aplicada por cessão do nome a terceiros em operações de comércio exterior, no patamar de 10%, é de ser mantida quando o lançamento traz evidências irrefutáveis de que as mercadorias importadas em nada condizem com o objeto social e atividade do sujeito passivo, não prevalecendo a simples alegação de que efetuou importação direta, restando dos autos a nítida ocultação do nome do real importador.
PENA DE PERDIMENTO. SUBSTITUIÇÃO. PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGADA FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
É de se cancelar a multa aplicada em substituição à pena de perdimento, no patamar de 100%, quando não restar comprovado pela Autoridade Fiscal à ocorrência do fato típico apontado no lançamento, no caso a fraude ou simulação, ou ainda o dano ao erário.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.460
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, JOSÉ PAULO PUIATTI (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 21/06/2007 a 25/08/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MERCADORIA DIVERSA DO OBJETO SOCIAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE. A multa aplicada por cessão do nome a terceiros em operações de comércio exterior, no patamar de 10%, é de ser mantida quando o lançamento traz evidências irrefutáveis de que as mercadorias importadas em nada condizem com o objeto social e atividade do sujeito passivo, não prevalecendo a simples alegação de que efetuou importação direta, restando dos autos a nítida ocultação do nome do real importador. PENA DE PERDIMENTO. SUBSTITUIÇÃO. PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGADA FRAUDE OU SIMULAÇÃO. É de se cancelar a multa aplicada em substituição à pena de perdimento, no patamar de 100%, quando não restar comprovado pela Autoridade Fiscal à ocorrência do fato típico apontado no lançamento, no caso a fraude ou simulação, ou ainda o dano ao erário. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, JOSÉ PAULO PUIATTI (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 21/06/2007 a 25/08/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MERCADORIA DIVERSA DO OBJETO SOCIAL. MANUTENÇÃO DA PENALIDADE. A multa aplicada por cessão do nome a terceiros em operações de comércio exterior, no patamar de 10%, é de ser mantida quando o lançamento traz evidências irrefutáveis de que as mercadorias importadas em nada condizem com o objeto social e atividade do sujeito passivo, não prevalecendo a simples alegação de que efetuou importação direta, restando dos autos a nítida ocultação do nome do real importador. PENA DE PERDIMENTO. SUBSTITUIÇÃO. PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGADA FRAUDE OU SIMULAÇÃO. É de se cancelar a multa aplicada em substituição à pena de perdimento, no patamar de 100%, quando não restar comprovado pela Autoridade Fiscal à ocorrência do fato típico apontado no lançamento, no caso a fraude ou simulação, ou ainda o dano ao erário. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 04 18 /2 01 1- 18 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, JOSÉ PAULO PUIATTI (SUPLENTE), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720418/201118 Acórdão n.º 3402002.460 S3C4T2 Fl. 812 3 Relatório Versa o processo de auto de infração aduaneiro, no valor total de R$ 357.016,00 (trezentos e cinquenta e sete mil e dezesseis reais), relativos à exigência de multa pela impossibilidade da apreensão das mercadorias importadas, prevista no art. 673 e 675, inciso IV e 689, §1º do Decreto 6.759/09 e art. 73, §§1º e 2º e 77 da Lei 10.833/03 (pena de perdimento) e pela cessão do nome da pessoa jurídica para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários nas importações, prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007. A autuação foi deflagrada em face de fiscalização efetuada no sujeito passivo que culminou em outro lançamento (19482.000048/200917), referente a indícios de importação fraudulenta de “quadros, pinturas e desenhos feitos à mão”, resultando em Procedimento Especial de Controle, conforme INSRF 206/02, uma vez que a empresa importadora e adquirente da mercadoria não tinha como objeto social a posse ou o comércio de obras de arte. Diante destes fatos, foram analisadas as DI’s 07/08084774, 07/09713759, 07/10343617, 07/11197991, 07/15172519, 07/16645437, 08/01733620, 08/02468424, 08/03026344, 08/04025317, 08/05216426, 08/05511835, 08/07079310, 08/10179525, 08/11878575, 08/15407174, 08/18362280, 08/19191102, 0819486730, 0820230140, 0901854594, 0902785430, 0904643730, 0906302700, 0911222132, que culminaram nesse lançamento. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado em 14/07/2011, conforme AR de fls. 697 (n.e.), o contribuinte autuado apresentou a competente Impugnação Administrativa, protocolizada em 15/08/2011, cujos argumentos são, preliminarmente, que a Recorrente é colocada como devedora solidária em outro lançamento de ofício (Processo 10314.720504/201121) sendo penalizada mais de uma vez pelo mesmo fato e invocando o Princípio da vedação da dupla punição. Argumentou que ao invés de ser infratora, na verdade foi vítima nos fatos ocorridos no caso em tela, alegando ainda, os Princípios da Legalidade, da Reserva Legal, e da Anterioridade, e que apesar de poderem ter ocorrido incorreções nas DI’s prestadas, nas operações fiscalizadas não agiu como interposta pessoa, mas sim, como a real importadora da mercadoria, alegando ter feito prova deste fato. DO JULGAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA Distribuído o processo à Delegacia de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), em 24/01/2013, proferiu o Acórdão 1643.189, julgando a Impugnação Improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 813DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 21/06/2007 a 25/08/2009 DANO AO ERÁRIO: a ocultação do real adquirente de mercadorias importadas configura a infração tipificada como dano ao Erário, punível com a penalidade de perdimento das mercadorias. É cabível a conversão do perdimento em multa pecuniária equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando esta for consumida ou não localizada. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com intuito de ocultar os reais intervenientes ou beneficiários sujeitase à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo esta ser inferior a R$ 5.000,00. Dispositivos legais: art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do Decreto Lei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002; art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A preliminar de “bis in idem” foi afastada pela DRJ Julgadora, tendo em vista não se tratarem das mesmas DI’s objeto deste processo, não configurando a alegada dupla tributação. Quanto ao mérito, relativamente à multa aplicada por cessão de nome de pessoa jurídica importadora/acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da importação, entendeu a instância de julgamento a quo que a Impugnante não conseguiu comprovar a sua condição de adquirente das mercadorias importadas. No que tange, por fim, à multa equivalente ao valor da mercadoria, aplicada em razão da impossibilidade do perdimento da mesma, a DRJ/SP1 arrazoou que ficando evidente o dano ao erário, pela comprovação da importação fraudulenta da mercadoria mediante ocultação do real comprador, é cabível a penalidade aplicada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Na data de 19/03/2013, o Contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário alegando, em síntese, os argumentos já apresentados na Impugnação Administrativa, reiterando o pedido da declaração da nulidade da multa aplicada. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 810 (oitocentos e dez), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720418/201118 Acórdão n.º 3402002.460 S3C4T2 Fl. 813 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Conforme Termo de Abertura de documento de fls. 756 (numeração eletrônica), datado de 14/03/2013, e, considerando o protocolo do Recurso em 19/03/2013, verifico que o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Enfrentando diretamente a questão controvertida nos autos, verificase que o contribuinte se insurge à manutenção das multas lançadas em seu desfavor (10% por cessão de nome e 100% por interposição fraudulenta em substituição ao perdimento da mercadoria), alegando que não houvera – nas Declarações de Importação fiscalizadas – a fraude alegada, bem como, que se referiam referidas importações a negociações diretas, efetuadas em nome próprio. Como se observa, tratase o processo de autuações lavradas em desfavor da recorrente, deflagradas por Operação da Polícia Federal em razão de outro processo administrativo deste mesmo contribuinte interessado, no qual, naqueles autos, foi verificada a interposição fraudulenta do recorrente, tendente à ocultação do nome do real importador, bem como, ainda, o subfaturamento da mercadoria importada (no caso, uma pintura artística de autor de grande renome), contendo a respectiva DI, informação fraudulenta, cabendo, no entendimento da Administração naquele outro lançamento, a aplicação da pena de perdimento da referida mercadoria, ou seu equivalente em valor (100%). Diante daquela situação, novas Declarações de Importação do contribuinte foram fiscalizadas, discriminadas (todas) acima no relatório do processo, restando à descrição dos fatos e enquadramento legal do citado auto de infração por consignar que as mercadorias importadas nas DI’s fiscalizadas não consistiam e nem correspondiam à atividade e objeto social do autuado, representando o “empréstimo” do nome em face do real importador – o que caracterizaria a interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior, bem ainda, como fraudulenta seriam as informações prestadas pelo contribuinte nas Declarações fiscalizadas, cabendo a concomitante aplicação da pena de perdimento das mercadorias, substituída pela penalidade de 100% do valor aduaneiro, quando impossível sua apreensão. A capitulação legal das multas aplicadas foi assim considerada: a) art. 33 da Lei n. 11.488/2007 (pela cessão do nome da pessoa jurídica para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários nas importações). b) art. 673 e 675, inciso IV e 689, §1º do Decreto 6.759/09 e art. 73, §§1º e 2º e 77 da Lei 10.833/03 (pena de perdimento); e, Vale, por medida de clareza, transcrever os dispositivos legais nos quais restaram consubstanciadas as multas discutidas nos autos: a) Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou Fl. 815DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por “valor da operação acobertada” entendese que este é equivalente ao valor aduaneiro declarado na Declaração de Importação – DI registrada sem que o real adquirente tenha sido devidamente identificado em campo próprio. E, conforme dispõe o art. 2º do DecretoLei nº 37/66 (com redação dada pelo DecretoLei nº 2.472/88), o valor aduaneiro corresponde à base de cálculo do Imposto de Importação: Art. 2º A base de cálculo do imposto [de importação] é: (...) II – quando a alíquota for “ad valorem”, o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio – GATT. Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II.” b) Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida Fl. 816DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720418/201118 Acórdão n.º 3402002.460 S3C4T2 Fl. 814 7 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Entretanto, diante dos indícios apontados no documento anexo ao Auto de Infração (onde restou apontado pela Autoridade Fiscal os esclarecimentos para o apenamento aplicado), observo que não são os mesmos suficientes para a necessária evidência de caracterização da fraude ou da simulação, pois que, segundo meu entendimento, não é o fato de outra fiscalização ter culminado no apontamento de fraude, que seriam assim todas as demais operações de importação efetuadas pelo sujeito passivo, tomandose a intenção de causar dano ao erário por certa em qualquer ocasião a que se refira o mesmo. Neste sentido, vejo que o referido documento que acompanha o lançamento longamente discorre sobre os fatos ocorridos na fiscalização que denotavam a ocorrência da ocultação do real importador/cessão do nome a terceiros no comércio exterior. De fato, sendo o objeto social da recorrente completamente diverso da comercialização, ou até mesmo da intermediação de vendas de obras e arte, notase insubsistente o argumento do mesmo de que realizou uma importação direta – até mesmo porque dos documentos contábeis observados, verificase apenas o repasse, como mesmo valor e despesas – a terceiros interessados, da mercadoria importada, sem que se pudesse constatar nenhum lucro. Todos os depoimentos coletados e demais informações prestadas e constantes dos autos não contrapõe mesmo as evidências encontradas pela fiscalização. No entanto, estas evidências param por aí, atendose somente a comprovar cabalmente que os reais importadores não figuravam nas operações de declarações de importação analisadas, não fazendo prova, porém, da efetiva fraude ocorrida na ocultação dos reais adquirentes, tendente a dar amparo à comprovação do dano ao erário e, por via de conseqüência, à pena de perdimento aplicada. Quanto aos dados técnicos das DI’s analisadas, a despeito da ocultação do real importador, do que se colhe das informações apresentadas pela fiscalização não restou evidenciado o dano ao erário (caracterizado pela fraude ou simulação), nem tampouco, quaisquer das hipóteses previstas no artigo 23 do Decreto 1.455/76 acima reproduzido, ou ainda, daquelas disciplinadas no artigo 689 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759/09). Aliás, o artigo no qual se funda a capitulação legal da multa de 100% aplicada no lançamento – em substituição ao perdimento da mercadoria – é expresso em dizer que cabe a mesma nos casos de “dano ao erário” e ainda, que se enquadraria o caso em tela no inciso XXII, o qual acaba por lançar de novo a recorrente na punição por cessão do nome a terceiros. Vale transcrever novamente o referido inciso, para de sua leitura verificar que se trataria, assim, da mesma hipótese da punição de 10% já citada: XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real Fl. 817DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Porém, se formos ainda, num esforço exegético, entender que a intenção da Autoridade Administrativa seria a capitulação na multa na segunda parte do inciso acima transcrito, “mediante fraude ou simulação”, ou ainda, buscando aprofundar o conceito de “dano ao erário” (previsto no artigo 23 do Decreto 1.455/76, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 120.637/2002) verificase que terseia que tratar de importações desamparadas da guia de importação (ou documento de efeito equivalente) “quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor”, o que, também não foi o caso dos autos. Ainda que em sendo possível ocultação do “real importador”, as mercadorias importadas nas DI’s a que se refere o processo estavam efetivamente amparadas por suas Declarações, bem como continham descrição e preços não comprovadamente contrapostos pela Autoridade Fiscal, de forma que concluo ser a aplicação desta penalidade carente de fundamentos sólidos à sua exigibilidade, lastreada em presunções de irregularidade não comprovadas pela Autoridade Administrativa, mas antes transportadas das conclusões do outro processo administrativo envolvendo a citada “obra de arte”. Reitero aqui o posicionamento que adoto na maioria de meus votos, de que a prova incumbe a quem a alega, aplicando subsidiariamente o artigo 333 do Código de Processo Civil, de modo que, do que pude extrair da análise dos autos, estaria este ônus a cargo do Fisco, quando do lançamento, para o que não vejo ter o mesmo obtido êxito. Neste sentido, a aplicação da penalidade de multa de 100% em substituição ao perdimento, sem a devida comprovação da fraude apontada, ou mesmo do dano ao erário alegado, não merece subsistir como procedente, e é assim que têm julgados os membros deste Egrégio Colegiado: Regimes Aduaneiros Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Sendo a prova trazida na autuação, permitindo a defesa, não há nulidade processual. A insuficiência probatória não se relaciona à nulidade, mas a eventual insubsistência da autuação. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. (ACÓRDÃO 3403 002.842. CARF 3a. Seção 4A CAMARA / 3A TURMA ORDINARIA) Fl. 818DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10314.720418/201118 Acórdão n.º 3402002.460 S3C4T2 Fl. 815 9 MULTA DECORRENTE DE PENA DE PERDIMENTO Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 22/06/2004 a 21/09/2004 PENA DE PERDIMENTO. NÃO COMPROVADO INTUITO DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Não havendo prova do intuito de fraude ou simulação, é inaplicável a multa descrita no artigo 23 do Decretolei n° 1.455/76. RECURSOS DE OFÍCIO NEGADO E VOLUNTÁRIO PROVIDO. (3º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 30239.026 em 16.10.2007) O mesmo destino, no entanto, não vejo com relação à multa de “cessão de nome”, equivalente a 10%, pois que para esta, é desnecessária a prova de que a interposição se deu de maneira fraudulenta ou simulada. Basta, portanto, a prova de que o importador emprestou seu nome ao terceiro, para importar bens e mercadorias. Desta forma, entendo correta a mantença desta última penalidade, que não é qualificada por fraude ou simulação. Assim sendo, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar a penalidade aplicada no patamar de 100%, em substituição ao perdimento da mercadoria, pela ausência de elementos fáticos e contundentes da prática de fraude. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 18471.002065/2002-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PAGA A MAIOR. IN 21/1997. PERÍODOS ANTERIORES AO CRÉDITO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
A compensação de créditos com débitos de contribuições de períodos anteriores ao do crédito é efetivado por meio de Pedido de Restituição acompanhado do respectivo Pedido de Compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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IN 21/1997. PERÍODOS ANTERIORES AO CRÉDITO. NECESSIDADE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos com débitos de contribuições de períodos anteriores ao do crédito é efetivado por meio de Pedido de Restituição acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 65 /2 00 2- 89 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002065/200289 Acórdão n.º 3801002.964 S3TE01 Fl. 361 2 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002065/200289 Acórdão n.º 3801002.964 S3TE01 Fl. 362 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Contra a empresa acima identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 20/28, com ciência em 23/09/2002, exigindolhe Contribuição para o Programa de Integração Social no valor de R$ 3.025,93, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. A exação teve como motivo a constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme consta do Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada para o Programa de Integração Social, fls. 04/07. Enquadramento Legal para o lançamento do PIS à fl. 22. Também, pelo mesmo motivo, ou seja, a constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, foi lavrada o auto de infração de fls. 83/90, com ciência em 23/09/2002, para a cobrança da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 10.662,44, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. Os valores apurados constam no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada para a COFINS, fls. 71/73. Enquadramento Legal para o lançamento da COFINS à fl. 85. Inconformada, a interessada apresentou impugnação para o lançamento do PIS, fls. 35/36, em 11/10/2002, apresentando os seguintes argumentos: Primeiramente, alega a decadência por já ter decorrido o prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores de abril de 1998 a agosto de 1998. Quanto aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, alega que por ocasião da apuração do cálculo do pagamento do PIS daqueles meses, não foi levada para a base de cálculo a parcela referente à receita de vendas de imóveis, em virtude de erro humano, mas no fechamento do 1º trimestre/1999, verificouse o erro cometido. Assim, os valores não incluídos na base de janeiro e fevereiro foram acrescentados à base de cálculo de março do mesmo ano, como segue discriminação abaixo: Receita de 01/1999 – não incluída na base de 01/1999 – R$ 12.612,31 Receita de 02/1999 – não incluída na base de 02/1999 – R$ 39.186,15 Total da Receita de 03/1999 R$ 252.326,66 Valor pago de PIS na competência 03/1999 R$ 1.987,92 Quanto ao lançamento de COFINS, a interessada também apresentou impugnação em 11/10/2002, fls. 96/97, aduzindo os Fl. 375DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002065/200289 Acórdão n.º 3801002.964 S3TE01 Fl. 363 4 mesmos argumentos quanto à decadência para os meses de abril/1998 a agosto/1998, também para os meses de janeiro e fevereiro de 1999, como segue discriminação abaixo: Receita de 01/1999 – não incluída na base de 01/1999 – R$ 12.833,82 Receita de 02/1999 – não incluída na base de 02/1999 – R$ 39.607,86 Total da Receita de 03/1999 R$ 253.391,44 Valor pago da COFINS na competência 03/1999 R$ 9.175,00 É o relatório. A DRJ I no Rio de Janeiro (RJ) julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: DECADÊNCIA O art. 45 da Lei n.º 8.212/91 estabeleceu em 10 (dez) anos o prazo decadencial do direito de a Administração formalizar a exigência de crédito destinado a seguridade social, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS – BASE DE CÁLCULO – Com a edição da Lei n° 9.718/8, a partir do mês de fevereiro/99, a base de cálculo para a determinação do PIS é a receita bruta. Para os fatos geradores anteriores, a base de cálculo é o faturamento. COMPROVAÇÃO – Cabe à interessada a comprovação dos argumentos trazidos na impugnação, nos termos do art. 15 e 16 do Decreto n º 70.235, de 1972. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs um recurso voluntário parcial em relação ao auto de infração da contribuição PIS e outro recurso parcial em relação ao auto de infração da contribuição Cofins. A recorrente questionou somente os lançamentos referentes aos períodos de apuração de janeiro de 1999 e fevereiro de 1999, tendo, em síntese, apresentado as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente o detalhamento da composição da base de cálculo em cada período de apuração. A fim de comprovar suas alegações, juntou inúmeros documentos fiscais e contábeis. Por fim, requereu que fossem julgados improcedentes os autos de infração. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002065/200289 Acórdão n.º 3801002.964 S3TE01 Fl. 364 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início, delimitase o objeto do recurso voluntário, como relatado, a matéria em litígio referese tãosomente aos períodos de janeiro de 1999 e fevereiro de 1999. A interessada insiste desde a impugnação que pagou a maior as contribuições PIS e Cofins referente ao período de apuração de março de 1999 e que compensou estes pagamentos com as contribuições devidas nos meses de janeiro e fevereiro de 1999. Tenhase presente que a época da ocorrência dos fatos geradores, a compensação de tributos de mesma espécie era regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF no 21, de 1997, com a redação dada pela IN SRF no 73, de 1997 e disciplinava o disposto no art. 66 da Lei no 8.383, de 1991 e no art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. O art. 14 da referida IN estabelecia que os créditos decorrentes de pagamento a maior que o devido de contribuições poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subsequentes, conforme transcrito abaixo: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. § 1º A parcela do débito excedente ao crédito utilizado na compensação, que não for paga até o vencimento do prazo estabelecido na legislação para o seu pagamento, ficará sujeita à incidência de juros e multa. (...) § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRFA do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. (grifou se) Desta forma, para tributos da mesma espécie, a compensação era feita pelo próprio contribuinte em sua escrita contábil, sem manifestação prévia da autoridade Fl. 377DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 18471.002065/200289 Acórdão n.º 3801002.964 S3TE01 Fl. 365 6 administrativa. Ocorre, todavia, que a compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito era efetivado por meio de Pedido de Restituição acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. Assim sendo, para se efetivar a compensação do pagamento a maior de março de 1999 com débitos dos meses de janeiro e fevereiro de 1999 (períodos anteriores) era necessário que a recorrente formalizasse o competente processo administrativo de restituição/compensação na repartição de origem. Destarte, analisando os documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, verificase que a recorrente não formulou este Pedido de Restituição cumulado com o respectivo Pedido de Compensação, portanto não tem direito a compensação pleiteada. Ademais, do exame dos lançamentos contábeis, constatase que a interessada não registrou em sua contabilidade as compensações referentes a eventual pagamento a maior relativo ao período de apuração de março de 1999, como estabelecia a IN 21/1997. A simples demonstração do pagamento a maior não é elemento de prova suficiente para comprovar as compensações dos débitos das contribuições PIS e Cofins referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 1999 e que foram objeto de lançamento de ofício. Assim sendo, a recorrente não atendeu aos requisitos estabelecidos na IN 21/1997 para efetuar a compensação pretendida. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12448.737176/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
ALIMENTAÇÃO IN NATURA. VALOR FORA DA ZONA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE QUANTO AOS LEVANTAMENTOS REFERENTES À ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, determinado a exclusão dos levantamentos em razão da alimentação in natura dos dois créditos integrantes destes autos.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. VALOR FORA DA ZONA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE QUANTO AOS LEVANTAMENTOS REFERENTES À ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, determinado a exclusão dos levantamentos em razão da alimentação in natura dos dois créditos integrantes destes autos. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
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Recorrente OSCAR ISKIN E CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 ALIMENTAÇÃO IN NATURA. VALOR FORA DA ZONA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE QUANTO AOS LEVANTAMENTOS REFERENTES À ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, determinado a exclusão dos levantamentos em razão da alimentação in natura dos dois créditos integrantes destes autos. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 71 76 /2 01 1- 10 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12448.737176/201110 Acórdão n.º 2803003.417 S2TE03 Fl. 306 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.338.1506, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, diferenças entre a folha de pagamento e os valores declarados em GFIP, bem como da alimentação “in natura” – parte patronal e SAT, também, encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.338.1514, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outros entidades e fundos terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, diferenças entre a folha de pagamento e os valores declarados em GFIP, bem como da alimentação “in natura”, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 21 a 31, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 51 e 52. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 07/12/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03 e 11. Consta, as fls. 142 e 143, respectivamente, Termo de Apensação (1), onde se verifica a apensação do PROC: 12448.737178/201109, Termo de Apensação (1) 12448.737177/201156, ambos, datado de 09/12/2011. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 149 a 152, recebida, em 05/01/2012, estando acompanhada dos documentos, de fls. 153 a 210. O processo 12448.737177/201156 foi desapensado, conforme Termo de Desapensação (1), de fls. 212, datado de 09/03/2012. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 213 a 215. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1246.517 11ª, Turma DRJ/RJ1, em 17/05/2012, fls. 216 a 223. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 15/10/2012, conforme AR, de fls. 225. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 227 a 230, recebida, em 06/11/2012, acompanhada dos documentos, de fls. 231 a 295. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 297; 298 e 303. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12448.737176/201110 Acórdão n.º 2803003.417 S2TE03 Fl. 307 3 Consta, as fls. 299, Termo de Desapensação (1), onde consta a desapensação do PROC: 12448.737178/201109, destes autos, datado de 27/05/2013. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 303. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 23/01/2014, fls. 304, Lote 03. É o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12448.737176/201110 Acórdão n.º 2803003.417 S2TE03 Fl. 308 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da Lide. Obtémse da análise dos Discriminativos de Débitos – DD, dos DEBCAD’s 37.338.1506 e 37.338.1514, fls. 05 a 07 e 13 a 15, que os levantamentos constantes dos lançamentos são os seguintes: AL1 – ALIMENTAÇAO; FL1 – FOLHA DE PAGAMENTO; FL – FOLHA DE PAGAMENTO; AL – ALIMENTAÇAO e AL2 – ALIMENTAÇAO, o que, também, se vê no REFISC, de fls. 21 a 31. Entretanto, o contribuinte apenas questionou os levantamentos relativos à Alimentação, assim, quanto aos outros levantamentos relativos à folha de pagamento incidiu o artigo 17, do Decreto 70.235/72. Está situação foi abordado no Acórdão da DRJ, veja a transcrição. 8. Cabe destacar que a empresa, na peça impugnatória, não contestou os lançamentos referentes às diferenças entre os valores pagos a segurados empregados, em folhas de pagamento, e os declarados em GFIP nas competências 09/2008 e 11/2008 na Matriz, e 01/2008 e 07/2008 na Filial, Código de Levantamento FL, valores estes não declarados em GFIP. Consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.º 9.532/1997, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” O crédito tributário relativo a essas parcelas dos Autos de Infração Debcad 37.338.1506 e 37.338.1514 estão, portanto, consolidadas administrativamente. Desta forma, o Recurso Voluntário versa, exclusivamente, sobre a questão da alimentação. Mérito. O agente fiscal lançador deixa claro em diversas passagens do REFISC que a Alimentação é fornecida in natura, observese as transcrições. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12448.737176/201110 Acórdão n.º 2803003.417 S2TE03 Fl. 309 5 Embora, o agente fiscal lançador reconhecesse que a parcela de alimentação era paga in natura considerou esta como base de cálculo, pois a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, a transcrição abaixo esclarece esse ponto. Todavia, esse não é mais o entendimento adotado pelo fisco, hoje, pois o Ato Declaratório nº 03/2011, de 20 de dezembro de 2011, após consolidação da jurisprudência do STJ reconheceu que sobre tal parcela não deve incidir contribuição previdenciária, bastar ver a transcrição. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp Fl. 309DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12448.737176/201110 Acórdão n.º 2803003.417 S2TE03 Fl. 310 6 nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO Procuradora Geral da Fazenda Nacional Essa é a razão pela qual não sumariei as razões recursais da recorrente, haja vista que os levantamentos referentes à alimentação in natura não subsistiriam, independentemente, das alegações da recorrente. Assim com esses esclarecimentos reconheço a improcedência dos levantamentos; AL – ALIMENTAÇAO; AL1 – ALIMENTAÇAO e AL2 – ALIMENTAÇAO, dos DEBCAD 37.338.1506 e 37.338.1514, conforme constam em seus Discriminativos de Débitos DD. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito darlhe provimento parcial, determinado a exclusão dos levantamentos em razão da alimentação in natura dos dois créditos integrantes destes autos. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10245.000316/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS INGRESSADOS.
Para elidir a presunção da omissão de receitas constante no art. 282 do RIR/99, incumbe ao contribuinte a comprovação de que a origem dos recursos ingressados para o suprimento de caixa decorrente de mútuo financeiro, creditados em conta a favor do acionista controlador, pertencem a este. Necessária pois, a efetiva comprovação da origem e da entrega dos recursos, condições imprescindíveis para elidir a presunção legalmente estabelecida.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A comprovação, através de documentos oriundos de fontes externas ao grupo econômico, de grande parte dos pagamentos referentes à aquisição de florestas e serviços de manutenção, embora possa ter sido efetuado com recursos recebidos do exterior, afasta a existência de simulação na prática das operações objeto de fiscalização, descabendo a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1202-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o IRRF incidente sobre os pagamentos à empresa Pinho e Santos Ltda. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos a Relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que davam provimento parcial em relação ao IRRF incidente sobre determinados pagamentos. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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MANEJO FLORESTAL DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe decretar a nulidade do lançamento quando não há preterição do direito de defesa e estão presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações e do art. 142 do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitivamente constituído o crédito tributário referente a matéria não expressamente impugnada ou objeto de recurso voluntário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA. A falta de comprovação da operação que deu origem a determinado pagamento, ou da causa desse pagamento, é requisito para a incidência do IRRF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTOS DE CAIXA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS INGRESSADOS. Para elidir a presunção da omissão de receitas constante no art. 282 do RIR/99, incumbe ao contribuinte a comprovação de que a origem dos recursos ingressados para o suprimento de caixa decorrente de mútuo financeiro, creditados em conta a favor do acionista controlador, pertencem a este. Necessária pois, a efetiva comprovação da origem e da entrega dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 03 16 /2 00 9- 29 Fl. 6707DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 3 2 recursos, condições imprescindíveis para elidir a presunção legalmente estabelecida. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A comprovação, através de documentos oriundos de fontes externas ao grupo econômico, de grande parte dos pagamentos referentes à aquisição de florestas e serviços de manutenção, embora possa ter sido efetuado com recursos recebidos do exterior, afasta a existência de simulação na prática das operações objeto de fiscalização, descabendo a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o IRRF incidente sobre os pagamentos à empresa Pinho e Santos Ltda. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente a não incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos a Relatora e o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que davam provimento parcial em relação ao IRRF incidente sobre determinados pagamentos. Designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor nessa parte. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Gilberto Baptista, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 6708DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a sua impugnação. As infrações foram assim resumidas no relatório da decisão recorrida, que ora se reproduz: Acerca de irregularidades, alegou a fiscalização, em síntese, que a Impugnante teria realizado diversos pagamentos pela aquisição de florestas da espécie Acácia Mangium, assim como pela prestação de serviços de manutenção de tais florestas, sem a devida comprovação das operações ou sem causa. Por esta razão exigiu imposto de renda retido na fonte (IRRF) à alíquota de 35% com reajustamento da base de cálculo do imposto. Com relação à multa, a fiscalização aplicou multa agravada de 150% sob alegação de simulação. No tocante a esta primeira infração, temse que ela se fundamenta em um único dispositivo legal, qual seja, o art. 61, § 1° da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que assim dispõe: ............ A fiscalização reputou como sem causa comprovada as seguintes operações da Impugnante: Pagamentos a Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda pela aquisição de glebas florestadas; Pagamentos a Ouro Verde Florestal Management pela contratação de prestação de serviços de manejo florestal; Pagamentos a Ouro Verde Florestal Management; 15 (quinze) lançamentos a crédito da conta Bradesco, totalizando R$ 355.791,48 referentes ao pagamento parcial da Nota Fiscal de Serviços n° 0082 da Ouro Verde Florestal Management Ltda (fls. 38/50); Pagamentos de notas fiscais de serviços n°s 0168 e 0172, no valor de R$ 1.615.942,24, relativo ao contrato de prestação de serviços 1066TIPITII2007S2; Outros pagamentos a beneficiário e causa não identificado (fls.40/50) Pagamentos ao sócio Walter Vogel (presunção de omissão de receitas fls. 40/50 do Termo de Verificação Fiscal) Pagamentos a Pinho e Santos Ltda EPP por serviços prestados, mas tidos como não comprovados pela fiscalização. Tratase de pagamentos referentes ao Contrato de Prestação de Serviços n° 1 0669aS 104. [fls.279281] Fl. 6709DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 5 4 Houve, ainda, presunção de omissão de receitas tributáveis em razão de supostos suprimentos de caixa realizados por sócio, exigindo IRPJ, CSSL, PIS. e COFINS sobre as quantias supridas. Para esta situação, a fiscalização aplicou a multa de ofício de 75%. Inconformada com as exigências que lhe foram impostas, a Impugnante apresentou sua contestação aos Autos de Infração lavrados, onde argumenta: que o processo administrativo encontrase eivado do vício insanável da nulidade desde a sua origem, em virtude de não ter a fiscalização se aprofundado na verificação das florestas, razão pela qual acredita deva ser anulado "ab initio" o auto de infração, pois a fiscalização jamais se deu ao trabalho de verificar in loco se as árvores adquiridas pela Impugnante, refletidas nas operações glosadas, de fato existiam, o que não deveria ser difïcil de comprovar _ que a fiscalização deveria ter diligenciado no sentido de verificar se as florestas adquiridas através dos contratos glosados tinham existência efetiva, não se limitando a aferir quem eram as pessoas que assinaram os respectivos contratos, sejam de compra e venda de florestas, sejam de prestação de serviços, pois só após esta tarefa estaria em condições de alegar que os contratos glosados tinham `indício de simulação'; Em relação à alegação de simulação nos negócios da impugnante, a impugnante alega: que, no presente caso, caberia à fiscalização comprovar que os negócios de compra de florestas de Acácia Mangium e dos serviços para a sua manutenção não ocorreram, situação esta que não se verifica; que não há autorização legal conferida ao fisco para qualifica como hipótese de simulação qualquer negócio jurídico que lhe pareça suspeito, e apenas com a efetiva demonstração da simulação é possível a desconsideração de ato ou negócio jurídico e a identificação do tributo omitido, com a conseqüente efetuação do correspondente ato de lançamento tributário, nos termos do art. 149, II, do CTN. Antes de adentrar ao mérito da impugnação, o recorrente explanou acerca das operações da impugnante, descrevendo seu "modus operandi; explanou, também, as formas como se davam os arranjos em relação à compra e aluguel de terras destinadas ao florestamento, bem como acerca do próprio cultivo da espécie "Acácia Mangiun" Em todas estas explanações procura aclarar entendimentos da fiscalização que, no seu entender, levaram a fiscalização ao lançamento combatido. No item 4.2 da impugnação, o recorrente descreve acerca da Comprovação das operações da Impugnante, com o quê acredita desfazer a tese da fiscalização de que a impugnante teria sido criada para dar suporte contábil às transações realizadas pelo Sr. Walter Vogel. Fl. 6710DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 6 5 A "pedra de toque", no entender da impugnante, para a prova do empreendimento è o seguro rural das florestas, contratado junto ao Grupo Itaú, e que, em virtude de receberem subvenção econômica do governo federal, necessitaram de auditagem do Ministério da Agricultura, conforme lei 10.823/2003 c/c Decreto 5.121./2004. O Ministério da Agricultura realizou fiscalização das áreas florestadas pala impugnante, em janeiro de 2009, quando constatou a "existência das florestas em estágio plantada e em formação, respectivamente, 3453,62 há e 9430,00 há", conforme, volume 07, fls 1119/1120. Ao apresentar o laudo do Ministério da Agricultura (3453,62 ha), em quantidade superficial maior que a glosada pela fiscalização (2422,23 ha), o impugnante entendeu demonstrada a existência das florestas questionadas pela fiscalização. Passou, então, a demonstrar a aquisição das florestas, conforme os contratos descritos à fl 763, que fazem referência ao "termo de verificação fiscal". De todos os contratos descritos, apenas o contrato 106665C1, referente a 300ha, descrito no termo de verificação fiscal à fl 35/36, não teve seu recebimento comprovado. A comprovação do recebimento se dá, sempre através de Protocolo de entrega assinado pelo Sr. Epitáfio Evaristo de Andrade, técnico em Topografia, CREA 961 D/RN/RR. No tocante aos pagamentos à empresa Ouro Verde Florestal Management LTDA — OVF, a impugnante apresenta, além da explanação anterior acerca da necessidade do manejo florestal, cópia da Relação Anual de Informações Sociais — RAIS da OVF, nos períodos de 2004 a 2008; relação exemplificativa de funcionários e suas atividades na empresa; relação de ativos para a prestação de serviços. Em relação às atividades com a Ouro Verde Agrosilvopastoril, a impugnante reafirma ter provado a existência das florestas adquiridas, e, em relação aos serviços prestados, de manejo florestal, relaciona notas fiscais, inclusive com a aposição de carimbos de fiscos estaduais referentes à aquisição de diversos insumos necessários à consecução da tarefa de manejo florestal, bem como apresenta RAIS dos anos 2004 a 2007, e relação de ativos. Em relação às operações com a empresa Pinho e Santos, a impugnante alega exíguo prazo para apresentação da impugnação, embora tenha logrado obter as folhas de salário, o que, no seu entendimento demonstra a capacidade operacional da empresa na prestação dos serviços de atividades florestais (em 2004) por conta própria. O item 4.3 da impugnação trata da "Presunção de Omissão de receitas mútuo com Walter Vogel". Fl. 6711DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 7 6 Após descrever em quadro, à fl 829, os empréstimos em espécie à Sociedade, os quais a fiscalização entendeu não provados, a impugnante afirma que não existe previsão no ordenamento jurídico pátrio, obrigando que transações sejam feitas via transações bancárias ou cheques. A impugnante afirma que a documentação prova a operação, não havendo que se falar em ilegalidade. Outrossim, afirma que a declaração de imposto de renda de Walter Vogel poderia comprovar a transação em espécie, bem como apresenta cópias da quitação do mútuo, com pagamento realizado em 15/03/2006, através de transferência bancária. Ao final deste item alega ter provado a insubsistência da omissão de receitas. Feitas as argumentações, a impugnante solicita perícias onde apresenta quesitos semelhantes em relação às áreas que pretende provar a manutenção e a existência. Por fim, requereu: seja declarada a nulidade dos Autos de Infração, em virtude da precariedade e do pouco aprofundamento da ação fiscal, bem como da falta de comprovação da simulação, à vista do item 3.2 da impugnação; seja julgada procedente a impugnação, por ter a impugnante provado a existência efetiva dos ativos florestais, a necessidade de manutenção destes ativos, bem como a capacidade técnica operacional dos prestadores de serviço; seja julgada procedente a impugnação quanto ás alegações de omissão de receitas; caso não seja julgada procedente a impugnação, requer seja reduzida a multa de 150% para 75%, em virtude de não haver motivos para o agravamento da penalidade; requer, ainda, o deferimento do pedido de perícia para a comprovação dos ativos florestais e serviços adquiridos pela impugnante. A DRJ/BEL , através do despacho 195/2009, enviou solicitação de diligência à DRFBoa Vista, requerendo: a) Contrato Social da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril LTDA.02.93 2.041 /000141; b) Contrato Social da empresa Ouro Verde Florestal LTDA.06.341.076/000167; c) Cópias da DIRPF do Sr. Walter Vogel, CPF 703.513.92904, referente ao período que abrange o contrato de mútuo descrito às fls 173/174; desde sua implementação até ao pagamento pela empresa; Fl. 6712DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 8 7 d) Comprovação, junto à Instituição Financeira, da autenticidade e do inteiro teor das apólices de seguro apresentadas na impugnação como referentes às áreas descritas nos contratos relacionados à fl 763; e) Comprovação da autenticidade e do inteiro teor do Laudo de Fiscalização do Ministério da Agricultura apresentado na impugnação, à fl 1119, como referente à apólice de seguro das áreas florestadas; f) Confirmar junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, do estado de Roraima (CREARR), a existência de anotação de responsabilidade técnica (ART) referente aos serviços (Protocolo de Entrega) prestados pela empresa MMJ SERVIÇOS AGRÍCOLAS LTDA, através do Sr. Epitáfio Evaristo de Andrade, CREA n° 961 D/RN/RR, descrito à fl 765; d) Confirmar junto à contabilidade das empresas descritas às alíneas "a" e "b", a escrituração das operações questionadas pela fiscalização; e) Elaboração de planilha que correlacione por contratos de uso das terras e de manutenção das terras, objeto de controvérsia entre a fiscalização e o impugnante com os seguintes dados: 1) referência aos números dos contratos; 2) números das notas fiscais emitidas; 3) valor líquido dos contratos; 4) existência (ou não) de escrituração regular das operações nas empresas envolvidas; 5) existência (ou não) de protocolo de Entrega das áreas, ou outro ato que lhe faça as vezes; 6) contrato de utilização dos imóveis; 7) descrição (ou não) da área florestada em apólice de seguro; 8) descrição (ou não) da existência da área em laudo oficial; ( ) f) Quaisquer outros elementos de prova que, durante a realização desta diligência seja considerado relevante pela fiscalização. O contribuinte foi cientificado da diligência e foi reaberto o prazo de 30 (trinta) dias para que pudesse aditar a impugnação, em respeito ao princípio da ampla defesa, conforme preconizado no Decreto no. 70.235/72. A fiscalização atendendo aos requisitos da solicitação de diligência: solicitou cópias do Contrato Social das empresas Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda e Ouro Verde Florestal Ltda à JUCCER/RR; anexou cópias das Declarações de Ajuste Anula (DIRPF) do Sr. Walter Vogel; Fl. 6713DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 9 8 confirmou a correspondência entre as apólices de seguro apresentadas na impugnação e as enviadas pela Instituição Financeira; confirmou a Autenticidade e o teor do Laudo de Fiscalização do Ministério da Agricultura, demonstrando a ressalva feita por aquele órgão quanto á validade do documento apenas para fins de confirmação dos dados informados pelo beneficiário da subvenção citada, não servindo de instrumento de avaliação/fiscalização ou qualquer outra tividade diversa do objetivo expresso; recebeu do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREARR) ofício e CD dando conta da inexistência de ART registrada para a MMJ SERVIÇOS AGRÍCOLAS LTDA, mas existência destes documentos em relação ao Sr. Epitácio Evaristo; confirmou a escrituração das operações junto às contabilidades das empresas Ouro Verde Agrosilvopastoril (OVA) e Ouro Verde Management (OVF); elaborou planilha (à fl 4430) fazendo correlação entre as informações obtidas na diligência. A impugnante reafirmou não ter incorrido nos fatos feradores dos tributos ora cobrados, e manteve sua petição originária A decisão de primeira instância considerou o lançamento parcialmente procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005,2006 OPERAÇOES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. POTENCIALIDADE DE SIMULAÇÃO. A potencialidade de simulação de operações entre empresas do mesmo grupo deve ser provada para se caracterizar negócio jurídico simulado. RECIBOS E ESCRITURAS. ASSINATURA MESMA PESSOA NOS PÓLOS DA OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. Pessoas jurídicas são entidades diversas das de seus sócios ou diretores. Não há irregularidade em uma mesma pessoa figurar nos pólos passivo e ativo de uma obrigação, como diretor de pessoas jurídicas diversas, desde que os fatos descritos nos documentos existam e sejam provados no plano exterior à organização interessada. NEGÓCIO JURÍDICO. FORMA INCOMUM. Características incomuns de negócios jurídicos dependem da natureza de cada atividade. INEXISTÊNCIA DE ATIVO PERMANENTE. A inexistência de ativo permanente é decisão empresarial, podendo a existência do negócio jurídico ser provada pro outros meios. Fl. 6714DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 10 9 ATO ADMINISTRATIVO. LAUDOS OFICIAIS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. Atos administrativos, entre eles laudos oficiais, gozam de presunção de legitimidade, devendo ser aceita sua validade ou demonstrada sua invalidade por quem a alegar. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VERDADE MATERIAL. A verdade material, salvo previsões legais, preside a condução processo tributário, desde a instauração do procedimento fiscal até o deslinde do contencioso administrativo tributário, em conseqüência o do fato gerador deve estar contido na realidade das atividades exercidas pelo fiscalizado. FATO GERADOR. PAGAMENTOS COM CAUSA IDENTIFICADA. A existência no mundo real das causas de pagamentos apresentados pelo contribuinte descaracteriza o fato gerador do IRRF sobre pagamentos sem causa. NOTAS FISCAIS. EXISTÊNCIA DOS BENS DESCRITOS. Confirmada a duplicidade de bens descritos em nota fiscal com outros descritos em outra nota fiscal, fica caracterizado pagamento sem causa. MULTA AGRAVADA. È necessário a prova do ânimo interno do autuado para caracterizar o agravamento da multa, nos moldes do inciso II do art 44 da lei 9430/96. Em síntese, restou decidido em primeira instância: a procedência parcial do lançamento a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), bem como a redução da multa de ofício ao padrão de 75%. Em razão do montante exonerado, houve recurso de ofício. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 07/02/2011 (fl.4807) apresentou recurso voluntário ao CARF em 04/03/2011 (fl.4808 e ss.), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, afirmando, ainda, que “a decisão merece ser reformada parcialmente , em razão de ter desconsiderado certas provas cabais da causa dos pagamentos glosados, bem como legitimidade dos mútuos efetuados com o exsócio”. Destaca que a decisão recorrida: (i) Não reconheceu a nulidade do auto de infração, por supostamente não ter havido falta de aprofundamento da ação fiscal; (ií) Não acolheu a potencialidade de simulação, aventada pela fiscalização, em recibos e escrituras assinadas pela mesma pessoa em ambos os pólos da obrigação, sob o argumento de que as pessoas jurídicas são entidades diversas das de seus sócios ou diretores; (iii) Não reconheceu indício de simulação, ventilada pela fiscalização, na inexistência de ativo permanente detido pela Recorrente, aduzindo tratarse de decisão empresarial conforme a modelagem e da natureza da atividade de cada contribuinte; (iv) Reconheceu a presunção de legitimidade dos laudos emitidos pelo Ministério da Agricultura; Fl. 6715DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 11 10 (v) Reputou como preservada a busca pela verdade material no processo administrativo , não tendo sido malferida pela falta de aprofundamento da ação fiscal alegada pela Recorrente; (vi) Reconheceu como comprovada a causa de determinados pagamentos, exonerando o respectivo crédito tributário, mantendo a exigência quanto aos demais; (vii) Entendeu como não demonstrada a origem externa dos recursos relativos ao mútuo celebrado com o exsócio Walter Vogel, mantendo a exigência fiscal quanto à suposta omissão de receitas; (viii) Indeferiu o pedido de perícia , sob alegação de que os quesitos formulados em nada colaborariam para afastamento dos fatos geradores dos tributos exigidos da Recorrente; (ix) Reconheceu a inexistência de comprovação pela fiscalização da ocorrência de simulação, reduzindo a multa aplicada de 150% para 75 %; (x) Desconsiderou licenças ambientais expedidas pela FEMCAT— Fundação Estadual do Meio Ambiente — em razão de terem sido apresentadas em cópias não autenticadas. Dentre as razões recursais, alega o cerceamento do direito de defesa, a nulidade dos autos de infração, aponta provas contra a autuação, reitera o pedido de perícia com diligência em suas florestas “para comprovação da existência das florestas, bem como dos serviços de manutenção nela prestados, de modo a se comprovar a causa de todas as despesas questionadas” e, ainda, trata sobre os documentos apresentados em cópia não autenticada que não foram apreciados pela decisão recorrida, sustentando sua validade. É o relatório. Fl. 6716DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Preliminares Da nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa A recorrente alega que a decisão recorrida deixou de emitir juízo definitivo quanto à causa dos pagamentos abaixo relacionados, inviabilizando sua defesa, na medida em que não há pronunciamento categórico quanto à procedência de sua impugnação ou manutenção do imposto exigido. Pagamento Nota Fiscal Valor Histórico Contrato 15.04.05 53 R$ 907.200,00 106627C1 13.07.05 59 R$ 1.754.998,24 106630C1 13.07.05 60 R$ 233.100, 00 106631Cl 30.11.05 72 R$ 517.765,27 106643C1 Sobre os respectivos contratos, assim se manifestou a decisão recorrida: 1—Contrato n° 106627C1, ano 2005, conforme dados à fl 4416, encontrase escriturado na empresa vendedora das áreas florestadas; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice do Banco Itaú; e a área está descrita em Laudo Oficial; também encontra protocolo de entrega junto ao CREA/RR; 2Contrato 106630 C1, ano 2005, conforme dados à fl 4417, encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial; 3Contrato 106631 C1, ano 2005, conforme dados à fl 4418, encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas prestadas; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial; 4Contrato 106643 C1, ano 2005, conforme dados à fl 4419, encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial; também encontra protocolo de entrega junto ao CREA/RR; Fl. 6717DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 13 12 Verificase, assim, que a DRJ analisou os respectivos contratos e constatou que preenchiam os requisitos de idoneidade. Contudo, de fato, deixou de referilos ao consolidar os pagamentos no quadro e informar a procedência ou não do lançamento de IRRF respectivo. De toda a sorte, tendo em vista que a prova dos autos é favorável ao contribuinte e não há prejuízo à defesa, deixase de declarar a nulidade e considerase o montante do crédito reduzido incluído no recurso de ofício, a ser analisado na seqüência deste voto. Da nulidade dos autos de infração A Recorrente contesta as considerações da decisão recorrida no sentido de que “se a Recorrente julga ter sido "prejudicada" pelos termos e pelo modo em que o lançamento foi efetuado, esta, a Recorrente, é que teria dado causa a tal "prejuízo", já que, intimada a apresentar determinadas apólices de seguro, não o teria feito”, sustentando a exiguidade do prazo de apresentação dos referidos documentos. Questiona a utilização do art. 845 do RIR/99 como fundamento de lançamento com base “nas informações de que dispunha", acusando a autoridade fiscalizadora de não ter aprofundado a investigação fiscal e de ter indevidamente presumido a ocorrência de pagamentos sem causa. Segundo ela, “não se pode efetuar o lançamento com "as informações que se dispuser" se estas não são suficientes para a caracterização inequívoca da ocorrência do fato gerador do tributo”. A legislação é clara. O contribuinte tem o dever de comprovar a efetividade e a causa dos pagamentos efetuados (art. 674 do RIR/99). Ou seja, a ele compete o ônus dessa prova. Uma vez intimado e não tendo atendido satisfatoriamente, não resta outra alternativa à autoridade fiscal se não efetuar a constituição do crédito tributário, observando os requisitos do art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), considerando que o lançamento é atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 156 do CTN. Ademais, as causas de nulidade do auto de infração estão relacionadas no art. 59 do PAF, dentre as quais não se inclui a situação apontada pela recorrente. Assim, é de se rejeitar a preliminar. MÉRITO Infração 1: Pagamentos sem causa/operação não comprovada/falta de recolhimento do IRRF A legislação que rege a matéria é consolidada no RIR/99, abaixo: Pagamento a Beneficiário não Identificado Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não Fl. 6718DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 14 13 for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2ºConsiderase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3ºO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). (destacou se) Vale lembrar que os registros contábeis devem ser corroborados por documentos hábeis e idôneos, emitidos por terceiros e mantidos pelo contribuinte para fazer prova a seu favor, nos termos do art.952 do RIR/99. Para a análise desta infração, cabe a verificação específica de cada pagamento, como se seguem, considerando, como bem destacou a decisão recorrida, que “a busca pela oficialização/regularização das áreas de florestamento, através de documentos e registros, é imprescindível para a configuração ou afastamento do fato gerador dos tributos envolvidos neste auto de infração”. Dos pagamentos à Pinho e Santos Ltda EPP No Termo de Verificação Fiscal (fls.685/686), a autoridade fiscal concluiu que não houve a comprovação dos repasses dos recursos em referência aos supostos serviços prestados pela Pinho e Santos Ltda EPP, referentes ao Contrato de Prestação de Serviços n° 1 0669aS 104 (fls.279281), tampouco comprovouse a efetiva prestação dos serviços, fazendo constar as seguintes razões: No ano de 2004 são realizados pagamentos á empresa Pinho e Santos Ltda EPP, para os quais não foi comprovada a efetiva prestação do serviço conforme diligência fiscal. As cópias dos documentos da diligência encontramse formalizada nos anexos III e IV do processo 10245.000316/200929. Segundo o Relatório de Encerramento de Diligência, podemos destacar os seguintes aspectos mais relevantes: a) Cuida da averiguação de documentos fiscais apresentados por empresas ligadas ao grupo Walter Vogel, como comprovação de saídas de numerário, de emissão da empresa Pinho e Santos, relativos a suposta prestação de serviços de manutenção e poda de árvores; b) Houve emissão de NF de forma fraudulenta, conforme análise dos talonários de numeração 51 a 100 e 101 a 150. Verificase que o talonário das NF 51 a 100 apresenta datas de emissão entre 16 de fev/2004 à 28 de maio/2007 (data da emissão da última NF, a 82), enquanto o outro bloco apresenta datas de emissão de 31 de jan/2004 à 19 de ago/2005 (data de emissão da NF 132; todas as NF, a partir da 133, estão em branco). Além disso, todas as NF de numeração 1 a 21 estão canceladas, sem qualquer rasura que evidenciem erros em seu preenchimento; c) Devidamente intimado, manifestou os recebimentos pelos supostos serviços prestados somente pela emissão de NF, sem Fl. 6719DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 15 14 comproválos efetivamente; alegou, ainda, que alguns clientes exigiam recibos. Todos os recebimentos ocorreram em espécie; d) Os sócios não apresentam bens, rendimentos declarados ou movimentação financeira que apresente razoabilidade com a propriedade de uma empresa que faturou receitas da ordem de R$812.479,50 (AC 2003), R$713.848,80 (AC 2004) e R$434.216,82 (AC 2005); A decisão recorrida, por sua vez, considerou não comprovada causa dos respectivos pagamentos, destacando, literalmente, que “folhas de salários e recibos de pagamentos podem até provar a capacidade operacional de uma empresa, mas não que esta capacidade operacional fora aplicada no objeto dos pagamentos”. Em defesa, a recorrente alega: Conforme já mencionado, a Recorrente, não desejando investir em pessoal qualificado para composição de seu quadro de funcionários, tampouco intentando adquirir os ativos necessários para administrar o risco do cultivo das árvores em questão, contratou prestadores de serviços com capacidade técnica para realizar a manutenção das florestas em questão. [...] A causa para os pagamentos relacionados à atividade acima descrita corresponde justamente às florestas, adquiridas e mantidas por meio das despesas glosadas. Nada mais lógico: se a Recorrente celebra contratos para adquirir florestas e para prestação de serviços de conservação destas, somente se pode esperar que receba áreas florestadas como contrapartida aos pagamentos. [...] No caso específico dos pagamentos para a Pinho e Santos Ltda EPP, temse que a causa dos pagamentos foi de certa forma aceita pela decisão recorrida, senão vejamos: • Fato: A decisão recorrida aceita a efetiva existência das florestas, argumentando inclusive que tal existência jamais fora questionada pelo fisco; • Consequência : Existindo as florestas, devem ser aceitos, também, os argumentos e documentos que comprovam a sua aquisição da Ouro Verde; • Fato: A decisão recorrida aceita a comprovação da capacidade técnica e de pessoal da Pinho e Santos Ltda EPP para o manejo de florestas; • Consequência: Existindo as florestas, sendo necessário o seu manejo, tendo a Pinho e Santos Ltda EPP capacidade de pessoal e técnica de fazer este manejo, logo devem ser aceitos como Fl. 6720DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 16 15 justificados os pagamentos feitos pela Recorrente à mesma Pinho e Santos Ltda. EPP. [...] Assim, dada à comprovação da existência das florestas de propriedade da Recorrente, a conclusão lógica que decorre de tal fato é a contratação de empresa de manejo florestal para manutenção de tais florestas. Não admitir a comprovação dos serviços quando comprovada a existência das florestas e a capacidade técnica do prestador (reconhecida pela decisão recorrida) importa em ignorar o modo pelo qual se desenvolvem projetos de florestamento de florestas plantadas. [...] Desta forma, ante à lógica necessidade de contratação de serviços que as florestas ensejam para sua manutenção — florestas estas comprovadamente de propriedade da Recorrente — aliada à inegável capacidade técnica da empresa Pinho e Santos EPP Ltda. para prestação dos serviços, não podem subsistir as glosas aos pagamentos feitos pela Recorrente à Pinho e Santos EPP Ltda. A falta de comprovação da operação que deu origem a determinado pagamento, ou da causa desse pagamento, é requisito para a incidência do IRRF. A emissão fraudulenta de notas fiscais, como apontado pela autoridade fiscal, exige a adoção de providências específicas de caracterização de inidoneidade, do que não se tem notícia nos autos. Inexistindo declaração de inidoneidade das notas fiscais apresentadas, seu valor probante permanece inalterado. No caso dos autos, verificase que o conjunto probatório tende a corroborar da tese da defesa de que há comprovação da operação e de sua causa. Devese considerar que foram apresentados comprovantes documentais da operação, representados pelas notas fiscais, além da ponderação da recorrente no sentido de que, uma vez “existindo as florestas, sendo necessário o seu manejo, tendo a Pinho e Santos Ltda EPP capacidade de pessoal e técnica de fazer este manejo, logo devem ser aceitos como justificados os pagamentos feitos pela Recorrente à mesma Pinho e Santos Ltda. EPP”. Considerandose que a espécie de atividade em análise (prestação de serviço de manutenção de florestas tropicais) tem caráter essencialmente manual, além de ser realizado em ambiente rural, onde os recursos materiais tendem a ser escassos, é de se concordar que os elementos constantes dos autos são suficientes para justificar a necessidade da efetiva prestação do serviço. Assim, não se verifica motivo remanescente para a manutenção do IRRF em relação aos pagamentos efetuados à empresa Pinho e Santos Ltda EPP. Dos pagamentos, à empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA), referentes às glebas florestadas, em 2005 e 2006 Fl. 6721DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 17 16 Consoante descrito no TVF (fls.670 e ss), a autoridade fiscal analisou os pagamentos escriturados nos livros razão dos anos de 2005 e 2006 realizados sob justificativa de aquisição de árvore de acácia mangium, efetuados em favor da pessoa jurídica interligada Ouro Verde Agrosilvopastoril, consignando que: Dos 10 contratos de operação de compra venda de glebas florestadas em Acácia Mangium, (04 em 2005 e 06 em 2006), apresentados pelo contribuinte fiscalizado, apenas para 03 são apresentados contratos de arrendamento (106656A1, 106672 A1 e 106672A2) que se referem ao ano 2006, os quais são firmados, entre empresas interligadas, por prazo de 10 anos, inexistindo contraprestação ao arrendamento, ao não ser que se prolongasse por mais de 10 anos. Ainda segundo a autoridade fiscal, cada pagamento foi analisado individualmente. Em alguns casos, foram mencionados no relatório a existência de recursos previamente depositados na mesma conta bancária de origem do pagamento, a título de empréstimos do sócio estrangeiro Fit Timber Growth Fund, situado em paraíso fiscal. A autoridade fiscal faz ilação entre os depósitos oriundos do exterior e os repasses a empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, acusando a prática de simulação. A DRJ, por sua vez, após determinar a realização de diligência para suprir a apresentação das apólices de seguro, bem como de Laudo pelo Ministério da Agricultura, cuja finalidade é a subvenção ao prêmio do seguro rural, considerou parcialmente comprovados os pagamentos, ressaltando que a análise de cada um dos contratos relacionados: derruba a alegação da impugnante de que a fiscalização não se aprofundara na busca da verdade material; desfaz a tese advogada pela impugnante de que seja necessária visitas ao local das florestas; demonstra que a comprovação dos pagamentos, neste processo, deve ocorrer em um cotejo lógico entre documentos internos da empresa, registros contábeis, e documentos externos à organização, de tal sorte que guardem entre si coerência lógica e factual; sem entrar no mérito do ânimo interno da organização, nem nos aspectos técnicos das atividades, não pode pleitear a impugnante que sejam considerados comprovados os pagamentos feitos por áreas florestasdas, quando se acusa duplicidade destas áreas nos documentos que pretensamente provariam as operações em análise. Em nome de uma interpretação benigna descrita no art 112 do CTN, consideraremos provados os contratos 106664C1,C2, e C3, considerando "não comprovada", neste caso, apenas a operação descrita na nota fiscal 130, de 26/12/2006, cuja referência é o contrato 106665C1, vide infromações fls 4426 a 4428, e não todas as notas que referenciavam os talhões descritos em duplicidade. Fl. 6722DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 18 17 Neste item, a DRJ considerou comprovada a causa da totalidade dos pagamentos efetuados à Ouro Verde Agrosilvopastoril sob a égide dos seguintes contratos: 1 Contrato n° 106627C1, ano 2005 (fl 4416) 2 Contrato 106630 C1, ano 2005 (fl 4417) 3 Contrato 106631 C1, ano 2005 (fl 4418) 4 Contrato 106643 C1, ano 2005 (fl 4419) 5 Contrato 106649 C1, ano 2006 (fl 4421) 6 Contrato 106656C1, ano 2006 (fl 4422) 7 Contrato 106664C1,106664C2, 106664C3, ano 2006 (fls 422 a 4425) 9 Contrato 106672Cl 5, ano 2006 (fl 4428) Foi considerada sem causa comprovada, neste caso, apenas a operação descrita na nota fiscal 130, de 26/12/2006, cuja referência é o contrato 106665C1 (fls.4426 a 4428), uma vez que possui como objeto a mesma área já descrita em outros contratos e outras notas fiscais, pelas seguintes razões: 8Contrato 106665C1, ano 2006 conforme dados às fls 4426 a 4427, não encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas, pois a mesma alega não ter recebido em retorno os documentos apreendidos em operação policial; não possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial, mas em duplicidade com outras áreas já descritas em outros contratos (106664C1, C2,C3) e outros laudos e apólices de seguro. Em seu recurso voluntário, a recorrente insiste em alegar a falta de aprofundamento da ação fiscal, apontando que a análise das apólices de seguro e pelo laudo de fiscalização emitido pelo Ministério da Agricultura por parte da DRJ ao constar a causa dos pagamentos teria suprido aquilo que poderia ser constatado pela própria fiscalização, por meio de diligência in loco. Quanto ao pagamento considerado não comprovado pela DRJ, a recorrente não traz elementos suficientes para afastar o fato de que a mesma área consta em duplicidade com outras áreas já descritas em outros contratos (106664C1, C2,C3) e outros laudos e apólices de seguro e alterar aquela conclusão. Diante dos elementos constantes dos autos, nada mudou em relação a impossibilidade de aceitação da validade dos pagamentos sem a respectiva comprovação de sua causa através de documentos idôneos. Sobre os documentos apresentados em cópia não autenticada que não foram apreciados pela decisão recorrida, referentes a licenças ambientais emitidas pela autoridade ambiental estadual (Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia — FEMACT) e que, segundo a recorrente, comprovariam “inequivocamente a capacidade técnica Fl. 6723DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 19 18 da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril, consignando os hectares de Acácia mangium plantados pela empresa em questão”, concluise que, diante dos elementos constantes dos autos, sua apresentação não altera a decisão supra. Quanto à solicitação de perícia/diligência “para comprovação da existência das florestas, bem como dos serviços de manutenção nela prestados, de modo a se comprovar a causa de todas as despesas questionadas”, cabe referir que tal pedido não atende aos requisitos definidos pelo art. 18 do PAF. Ademais, na decisão, a autoridade julgadora deve observar o princípio da livre convicção motivada, fundamentando suas conclusões e apenas convertendo o julgamento em diligência quando houver dúvida a partir dos elementos constantes dos autos, o que não se verifica no presente caso. Dos pagamentos efetuados à Ouro Verde Florestal Management Em relação aos pagamentos efetuados a essa empresa não houve recurso, devendo ser considerado definitivamente constituído o crédito tributário respectivo. Da presunção legal de omissão de receitas via suprimento de caixa por empréstimo do Sr. Walter Vogel A autoridade fiscal considerou a presunção de omissão em razão da efetividade da entrega não ter sido comprovadamente demonstrada, conforme detalhado no item V.2.1 do Termo de Verificação Fiscal (fls.690 e ss.).A infração imputada neste item fundamentase no seguinte dispositivo do RIR/99: Art.282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Ainda conforme o relato fiscal, em razão da existência de registro contábil nos Livros Diário e Razão de empréstimos, em espécie, concedidos pelo sócio Walter Vogel, nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, o contribuinte fiscalizado foi intimado a apresentar documentação, hábil e idônea, inclusive bancária, que comprovassem tais empréstimos. Em resposta, foi apenas apresentada “uma cópia do contrato de mútuo (fls. 173/174), datado de 22/11/2004, no valor de R$ 40.000,00, no qual a mutuaria se compromete a devolver o valor emprestado em 03 anos e sem juros; este contrato é assinado por Walter Vogel na condição tanto de credor como de representante legal da mutuária Tipitii Silvopastotil Ltda, o Sr. Edgar Schãppi também assina como representante legal da mutuaria”, além de cópia de recibo (fl.175) emitido pela fiscalizada, datado de 22/11/2004, que atesta o recebimento do valor de R$ 40.000,00 do sócio Walter Vogel, também assinado por ele mesmo. Não foi apresentado nenhum documento referente à comprovação da operação de efetivação dos empréstimos contraídos com o Sr. Walter Vogel nos anoscalendário de 2005 e 2006. A DRJ manteve o lançamento com fulcro nas seguintes razões: Fl. 6724DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 20 19 A impugnante não demonstrou que a origem dos recursos são externos ao empreendimento (e isto é importante, pois quem, em tese, emprestou os recursos não fora terceiros, mas o sócio da pessoa jurídica). A impugnante argumenta que não há no ordenamento jurídico previsão para que as transações devam ser realizadas via transações bancárias; é bem verdade, mas, se a efetividade da entrega e a origem, dos recursos não forem comprovadamente demonstradas, estarão configuradas os pressupostos para a "presunção legal do art 40 da lei 9430/96 c/c art. 281 do RIR/99. No caso específico, o Sr. Walter Vogel figura em ambos os pólos da obrigação contratual, tanto como credor como devedor, embora um na condição de sócio e outro na condição de representante da empresa, algo que chocase com a condição de prova de entrega da origem dos recursos. O próprio exemplo que a impugnante traz, Acórdão n° 12 21784, DRJ/RJ2, nos mostra situação onde o recibo probatório do suprimento é feito entre o "interessado" e o "sócio" da empresa, figuras distintas, ao passo que, no caso concreto, as pessoas se confundem. Assim, por não terem sido atestadas as condições para afastamento da presunção de Omissão de Receitas, do art. 40 da lei 9430/96, considero improcedente este quesito da impugnação! No recurso voluntário, o recorrente limitase a sustentar a legitimidade dos mútuos efetuados com o exsócio. Ora, muito embora não seja proibida, a realização de empréstimo em espécie com sócio exige comprovação absolutamente idônea sobre o efetivo ingresso e a origem dos recursos, o que não ocorreu no presente caso, pela ausência de elementos de prova externos. Em relação aos supostos empréstimos realizados em 2005 e 2006, nada foi apresentado, enquanto a comprovação do pretenso empréstimo realizado em 2004 resumese a documentos assinados pelas pessoas diretamente envolvidas e beneficiadas com o repasse do dinheiro, responsáveis pelas operações fictas, o que não elide a presunção legal. No mesmo sentido, cabe referir o seguinte julgado: SUPRIMENTOS DE CAIXA A escrituração comercial deve assentarse em documentação adequada a comprovar o registro efetuado. Desta forma, a ausência de comprovação do ingresso do valor suprido é indício que autoriza a presunção legal de omissão de receita de que trata o §3º do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77, cumprindo à empresa desfazêla, com a juntada de documentos hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores, requisitos cumulativos e indissociáveis. O suprimento de caixa sem a comprovação da origem externa dos recursos é a ponta do "iceberg" que indicia a ocorrência de desvio de receita da tributação, cuja data, todavia, se ignora. Na ausência dessa data, temse que a omissão ocorreu no momento da realização do suprimento. (AC 10706791/2002) Fl. 6725DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 21 20 Assim, negase provimento ao recurso voluntário. RECURSO DE OFICIO Tendo o acórdão recorrido exonerado crédito tributário em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), à luz do disposto no art. 34 do Decreto n° 70.235/72, combinado com o estabelecido na Portaria MF n° 3, de 2008, o recurso de ofício preenche os requisitos legais, devendo ser conhecido. Pagamentos comprovados A decisão de primeira instância considerou parcialmente procedente a tributação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), acatando o valor impugnado de parte das notas fiscais glosadas, conforme quadro demonstrativo constante do voto. A decisão recorrida considerou as seguintes premissas: a) o trabalho de lançamento foi seriamente prejudicado pelo não atendimento, por parte da fiscalizada, da solicitação de apresentação das apólices de seguro, disposta no termo de verificação n° 008, já citado acima; b) existem discrepâncias, algumas relevantes, que serão analisadas item a item; c) a apresentação das apólices de seguro, embora haja divergência em relação á propriedade das áreas pela impugnante, confere à operação uma certificação de terceiros alheios aos indícios iniciais; d) pelo que se depreende da explanação da impugnante em relação ao objeto de seu negócio, os ativos se constituem não necessariamente da superfície onde as florestas estão por acessão física, mas, necessariamente, de árvores cuja medida são os hectares plantados; e) a emissão do Laudo pelo Ministério da Agricultura, cuja finalidade é a subvenção ao prêmio do seguro rural afirma a confirmação dos dados informados pelo solicitante; f) a contratação do seguro pelo Banco confere à operação um ateste do objeto por pessoa externas às vinculadas ao Sr. Walter Vogel; Os pagamentos acatados são discriminados e analisados abaixo, individualizadamente: Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária 10/01/2006 227309,64 349707,14 106649c1 nf 080 Anexo I fl 64 Causa comprovada por elementos externos Impugnação procedente Fl. 6726DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 22 21 13/03/2006 545195,89 838762,91 106656AI nf 094 Anexo I fl 64 Causa comprovada por elementos externos Impugnação procedente Sobre os referidos contratos, o colegiado anterior destacou: 5Contrato 106649 C1, ano 2006 conforme dados à fl 4421, não encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas, pois a mesma alega não ter recebido em retorno os documentos apreendidos em operação policial; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial; 6Contrato 106656C1, ano 2006 conforme dados à fl 4422, não encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas, pois a mesma alega não ter recebido em retorno os documentos apreendidos em operação policial; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial, em que pese não ter sido possível à fiscalização verificar o protocolo de entrega, pois o documento n° 1593 não fora encontrado nos autos, mesmo após verificação nos mesmos, assim não se confirmou protocolo de entrega da área, embora constando do seguro e do laudo ministerial; (destacouse agora) Nos casos acima, não se pode concordar com a conclusão de acatar a justificativa dos pagamentos respectivos, considerando a causa comprovada por elementos externos. Verificase, justamente, a falta de elementos externos comprobatórios da aquisição da área florestada, em especial a falta de escrituração na empresa vendedora e a falta de apresentação do protocolo de entrega da respectiva área. O protocolo de entrega é elemento essencial para comprovar o recebimento da área atestado por técnico competente. Sem esse protocolo, não é possível confirmar que a área de floresta cuja aquisição se alega como justificativa do pagamento glosado fora efetivamente recebida pela recorrente. Assim, não se considera comprovada a causa em relação ao pagamento da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64 e da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89, conforme histórico no Livro Razão (Anexo I, fl.64). A DRJ considerou, ainda, comprovados os seguintes pagamentos: Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária 10/05/2006 512500,00 788461,54 Pagamento Nota fiscal 100 OVA Anexo 1 fl 66, fl 4423 Causa comprovada, apólices de seguro confirmadas Impugnação procedente 07/07/2006 872800,00 1342769,23 Pagamento Nota fiscal 100 OVA Anexo 1 fl 66, fl 4423 Causa comprovada, apólices de seguro Impugnação procedente 02/10/2006 389412,60 599096,31 Pagamento nota fiscal 090, fl 4423 Anexo I fl 67 Causa comprovada, apólices de seguro Impugnação procedente Fl. 6727DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 23 22 27/12/2006 795029,17 1223121,8 Pagamento notas fiscais 129,130, 131 OVA, aquisição de glebas florestadas Anexo I fl 68 Ver observação ao final desta tabela Em relação ao pagamento efetuado em 27/12/2006, referentes às notas fiscais 129,130,131 da empresa Ouro Verde Agroflorestal, considerase comprovados os pagamentos referentes às notas fiscais 129 e 131. O pagamento da nota fiscal 130, como já informado acima, não tem sua causa comprovada, uma vez que possui como objeto a mesma área já descrita em outros contratos e outras notas fiscais. Em relação às NF 090, 100 e 129, assim havia se manifestado a autoridade fiscal: a) as xerox das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3 encontramse no volume 03, às folhas 462, 452 e 474. Os referidos contratos estão no mesmo volume, às folhas 464 e 467, 455 a 458 e 475 a 478; b) às folhas 785 (vol.05), a impugnante informa que: “Quando da venda dos talhões foi realizada verificação da qualidade de todas as árvores de Acácia mangium, verificação esta realizada por técnico independentes, sendo que seu resultado foi documentado através do Protocolo de Entrega correspondente (doc. 1593)”. A despeito da afirmação, verificamos todos os documentos apresentados pelo contribuinte e dentre eles não foi encontrado o doc 1593. Para corroborar, anexamos planilha na qual estão informados todos os documentos apresentados na fase de impugnação (fls. 4.648 a 4.661, vol 24); c) Em razão da não apresentação do Protocolo de Entrega, não pudemos identificar o núcleo em que está inserido, e em consequencia, não confirmamos que a área consta como um dos logradouros da propriedade no Laudo oficial (fls. 1.119, vol. 8); d) Não foi possível confirmar o Doc 1593 junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do estado de Roraima, conforme detalhamento no termo de Diligência Fiscal, item 5 f. A DRJ, por sua vez, acatou os pagamentos respectivos, com base apenas nas apólices de seguro respectivas. Neste momento, contudo, discordase dessa conclusão de acatar a justificativa dos pagamentos respectivos. As apólices de seguro não suprem a ausência dos demais elementos comprobatórios, em especial a falta de apresentação do protocolo de entrega da área, cuja emissão sequer foi confirmada junto ao órgão competente. Como já referido, o protocolo de entrega comprovaria o recebimento da área atestado por técnico competente. Sem esse protocolo, não é possível confirmar que a área de floresta cuja aquisição se alega como justificativa do pagamento glosado fora efetivamente recebida pela recorrente. Assim, não se considera comprovada a causa em relação ao pagamento das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3 (vol. 03, fls. 462, 452 e 474). Fl. 6728DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 24 23 Também foi considerada comprovada a causa em relação ao pagamento abaixo descrito, efetuado à Ouro Verde Florestal Management: Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária 27/12/2006 799538,54 1230059,2 Pagamento serviços prestados OVFM, nota fiscal 131 Anexo I fl 68 Causa comprovada Impugnação procedente Todavia, não se verifica nos autos a comprovação do pagamento respectivo. Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária 11/05/2006 195281,77 300433,49 Pagamento de seguros Anexo i fl 66 Causa comprovada, apólices de seguro confirmadas Impugnação procedente Neste caso, concordase com a comprovação desses pagamentos, visto que, aqui, tratase do pagamento das próprias apólices de seguro relacionadas às florestas, as quais constam dos autos. Sobre os pagamentos abaixo destacados, referidos na preliminar de nulidade da decisão recorrida, antes rejeitada por ausência de prejuízo à defesa, verificase que, de fato, preenchem os requisitos de idoneidade para justificar sua causa, tendo em vista que (i) encontravamse escriturados na empresa vendedora das áreas florestais; (ii) possuíam contrato de utilização; (iii) estavam descritos em apólice de seguro; (iv) estavam descritos em laudo oficial do Ministério da Agricultura; e (v) possuíam ART registrada no CREA. Assim, são considerados válidos e comprovados os seguintes pagamentos: Pagamento Nota Fiscal Valor Histórico Contrato 15.04.05 53 R$ 907.200,00 106627C1 13.07.05 59 R$ 1.754.998,24 106630C1 13.07.05 60 R$ 233.100, 00 106631Cl 30.11.05 72 R$ 517.765,27 106643C1 Diante disso, dáse provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRRF em relação aos pagamentos da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64; da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89; da Nota Fiscal 131, de 27/12/2006, no montante de R$ 799.538,54 e das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3. Da redução da multa de 150% para 75% A autoridade fiscal acusa o contribuinte de simulação, nos seguintes termos: Fl. 6729DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 25 24 Pelo exposto, em razão da fortíssíma interligação entre as empresas OURO VERDE FLORESTAL MANAGEMENT LTDA, OURO VERDE AGROSILVOPASTORIL LTDA E FIT TIPITII SILVPOPASTORIL LTDA, resumindo o comando aos senhores Walter Vogel e Michael Patrick Vogel, da forma como os pagamentos foram dito efetuados, sem a efetiva comprovação da causa pela empresa FIT Tipitti Silvopastotil Ltda, assim como pela falta de evidência da efetividade da operação, chegamos a conclusão de que o montante correspondente ao registro dos pagamentos a essas 02 empresas nos anos de 2005, 2006 e 2007 ocorreram, mas não se destinaram a pagamento pela aquisição de árvore de Acácia Mangium à Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda e muito menos por prestação de serviço realizada pela Ouro Verde Florestal Management. Desta forma, pela análise conjunta dos fatos, fica evidenciado a criação e manutenção da empresa FIT TIPITII SILVOPASTORIL LTDA, assim como ocorre com outras empresas do grupo Walter Vogel, apenas como instrumento para receber e legalizar recursos vindos do exterior, os quais eram repassados aos sócios no Brasil, que os empregava em transações que beneficiavam diretamente empresas do empreendimento comandado pelo Sr. Walter Vogel e conseqüentemente a ele próprio; operações entre empresas no Brasil que fogem aos padrões dos negócios jurídicos usuais, e quando a fiscalizada apresentou alguns documentos na intenção de comprovar a efetividade das operações contabilizadas nos livros contábeis, estes eram assinados por pessoas completamente envolvidas no esquema de distribuição do dinheiro vindo do exterior, a saber Walter Vogel, Michael Patrick Vogel, Veronildo da Silva Holanda, Edgard Schãppi, Carlos Ney Oliveira Amaral e Maclison Leandro Carvalho das Chagas. Desta forma, após analise das operações da empresa fiscalizada, desde a sua constituição, até dezembro de 2007, constatamos que os negócios registrados na sua contabilidade eram realizados de forma simulada, tendo por fim ocultar a sua verdadeira intenção de regularizar recursos provenientes do exterior, possibilitando seu repasse aos sócios domiciliados no Brasil ou outras pessoas, ao qual limitamonos em relação a apuração do devido crédito tributário. Portanto, devido à constatação na escritura contábil de que a conduta do contribuinte está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71,72 e 73 da Lei n 0 4.502/64 comprovada pela utilização de documentos inidõneos que caracterizam o evidente intuito de fraude por parte da empresa, a multa de oficio será QUALIFICADA conforme prevista no artigo 44 inciso II, da Lei n 0 9.430/96. Em outro trecho do relatório fiscal, a autoridade havia se manifestado no seguinte sentido: A inexistência de qualquer bem ou direito registrado em nome da empresa fiscalizada é mais um fator que corrobora a tese do Fl. 6730DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 26 25 funcionamento da FIT Tipitii Agrosilvopastoril Ltda apenas como meio de ingresso de recursos estrangeiros cuja finalidade principal é repassálos a pessoas no Brasil, utilizando para tanto operações simuladas que dariam uma aparência de causa a pagamentos efetivamente realizados, os quais, todavia, não têm sua operação e causa devidamente comprovada. As cópias dos ofícios e resposta das entidades encontramse ás folhas 529 a 544. (Relatório fiscal, fl.687). Em relação à alegação de simulação, a defesa sustentou na impugnação: que, no presente caso, caberia à fiscalização comprovar que os negócios de compra de florestas de Acácia Mangium e dos serviços para a sua manutenção não ocorreram, situação esta que não se verifica; que não há autorização legal conferida ao fisco para qualificar como hipótese de simulação qualquer negócio jurídico que lhe pareça suspeito, e apenas com a efetiva demonstração da simulação é possível a desconsideração de ato ou negócio jurídico e a identificação do tributo omitido, com a conseqüente efetuação do correspondente ato de lançamento tributário, nos termos do art. 149, II, do CTN. A DRJ, por sua vez, decidiu pela redução da multa de ofício com base nos seguintes fundamentos: A presente autuação é decorrência dos "indícios" existentes sobre os negócios ligados ao Sr. Walter Vogel. Os indícios, como informados acima, "são o motivo para desencadear o esforço da prova"; e este esforço se materializou, entre outros fatos, através da Operação Exodus e, nesta situação específica, através destes Autos de Infração. ........... Da leitura do termo de verificação fiscal e dos documentos apresentados, assim como da própria verificação dos livros fiscais, cujas cópias encontramse anexas a este processo, concluise: a) a fiscalização logrou êxito na prova dos elementos descritos no art 142 do CTN, que lhe permitem a identificação de fatos geradores dos tributos cobrados; mas não obteve o mesmo êxito na identificação dos fundamentos dos art. 71,72, e 73 da lei 4502/64; b)o relatório da Autoridade Cambial (fls 45/70 do anexo V), dando conta de indícios de irregularidades nas operações das empresas citadas, assim como a realização da Operação Exôdus tem a natureza de busca por provas, mas não de conclusão nestas provas! c) a impugnante efetuou recolhimentos dos tributos que lhe eram devidos, até mesmo nas operações que neste processo foram Fl. 6731DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 27 26 consideradas com uma alíquota de IRRF maior. Naquilo que entendia ser o valor dos tributos estes foram recolhidos, conforme se verifica nos livros fiscais; Assim se há uma falácia por parte da impugnante em fazer crer que a fiscalização desconsiderou a existência dos ativos florestais, e que este é o cerne da autuação, quando na verdade o cerne da autuação é a comprovação dos pagamentos; de outro lado não pode a fiscalização crer que o "entorno", as "circunstâncias" das operações comerciais do impugnante sejam fundamento para a qualificação da multa de ofício. A potencialidade de simulação de operações entre empresas do mesmo grupo deve ser provada para se caracterizar negócio juridíco simulado. A duplicidade de áreas descritas nas notas fiscais 129,130, e 131 da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril (OVA) pode ser relacionada a um erro, um erro caro é verdade! Mas um erro, à vista do montante movimentado pela empresa. Até mesmo os erros, as incongruências que ensejaram a presunção de Omissão de Receitas podem ser atribuídas a erros, enganos ou omissões, e aí vale o descrito no art. 112 do CTN: [...] A própria súmula n° 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aponta neste sentido: [...] Concordase com o decidido anteriormente, visto que a prova constante dos autos não corrobora a acusação fiscal qualificada. Competindo à autoridade fiscal comprovar o alegado, desse ônus ela não se desincumbiu, visto que não restou demonstrada a intenção dolosa do contribuinte de praticar um ato para subtrair outro do conhecimento das autoridades. No caso dos autos, a comprovação, através de documentos oriundos de fontes externas ao grupo econômico, de parte dos pagamentos referentes à aquisição de florestas e serviços de manutenção, embora possa ter sido efetuado com recursos recebidos do exterior, não atesta a existência de simulação na prática das operações objeto de fiscalização. Diante disso, negase provimento ao recurso de ofício nesta parte. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário e dáse parcial provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 6732DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 28 27 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator designado. Tratase de divergência em relação ao provimento parcial do recurso ex offício, cujas conclusões encontramse a seguir transcritos: (...) Diante disso, dáse provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRRF em relação aos pagamentos da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64; da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89; da Nota Fiscal 131, de 27/12/2006, no montante de R$ 799.538,54 e das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3. Em relação aos pagamentos da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64, fundamenta a I. Conselheira relatora: (...) Os pagamentos acatados são discriminados e analisados abaixo, individualizadamente: Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária 10/01/2006 227309,64 349707,14 106649c1 nf 080 Anexo I fl 64 Causa comprovada por elementos externos Impugnação procedente (...) Sobre os referidos contratos, o colegiado anterior destacou: 5Contrato 106649 C1, ano 2006 conforme dados à fl 4421, não encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas, pois a mesma alega não ter recebido em retorno os documentos apreendidos em operação policial; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial; (...) Nos casos acima, não se pode concordar com a conclusão de acatar a justificativa dos pagamentos respectivos, considerando a causa comprovada por elementos externos. Verificase, justamente, a falta de elementos externos comprobatórios da aquisição da área florestada, em especial a falta de escrituração na empresa vendedora e a falta de apresentação do protocolo de entrega da respectiva área. O protocolo de entrega é elemento essencial para comprovar o recebimento da área atestado por técnico competente. Sem esse protocolo, não é possível confirmar que a área de floresta cuja aquisição se alega como Fl. 6733DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 29 28 justificativa do pagamento glosado fora efetivamente recebida pela recorrente. Assim, não se considera comprovada a causa em relação ao pagamento da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64(...). Embora ausente o protocolo de entrega a que se refere o presente voto, entendo comprovada a causa a partir da apresentação das apólices de seguro e de laudos oficiais por conferirem autenticidade aos pagamentos, conforme fundamenta a decisão em primeira instância: (...) c) a apresentação das apólices de seguro, embora haja divergência em relação á propriedade das áreas pela impugnante, confere à operação uma certificação de terceiros alheios aos indícios iniciais; (...) e) a emissão do Laudo pelo Ministério da Agricultura, cuja finalidade é a subvenção ao prêmio do seguro rural afirma a confirmação dos dados informados pelo solicitante; Portanto, considero comprovada a causa em relação ao pagamento da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64, razão pela qual nego provimento ao recurso exoffício nesse ponto. Quanto aos pagamentos da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89, transcrevemse os fundamentos do voto da I. Conselheira relatora: Os pagamentos acatados são discriminados e analisados abaixo, individualizadamente: Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária. (...) 13/03/2006 545195,89 838762,91 106656AI nf 094 Anexo I fl 64 Causa comprovada por elementos externos Impugnação procedente Sobre os referidos contratos, o colegiado anterior destacou: (...) 6Contrato 106656C1, ano 2006 conforme dados à fl 4422, não encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas, pois a mesma alega não ter recebido em retorno os documentos apreendidos em operação policial; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial, em que pese não ter sido possível à fiscalização verificar o protocolo de entrega, pois o documento n° 1593 não fora encontrado nos Fl. 6734DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 30 29 autos, mesmo após verificação nos mesmos, assim não se confirmou protocolo de entrega da área, embora constando do seguro e do laudo ministerial; (destacouse agora) Nos casos acima, não se pode concordar com a conclusão de acatar a justificativa dos pagamentos respectivos, considerando a causa comprovada por elementos externos. Verificase, justamente, a falta de elementos externos comprobatórios da aquisição da área florestada, em especial a falta de escrituração na empresa vendedora e a falta de apresentação do protocolo de entrega da respectiva área. O protocolo de entrega é elemento essencial para comprovar o recebimento da área atestado por técnico competente. Sem esse protocolo, não é possível confirmar que a área de floresta cuja aquisição se alega como justificativa do pagamento glosado fora efetivamente recebida pela recorrente. Assim, não se considera comprovada a causa em relação ao pagamento ... e da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89, conforme histórico no Livro Razão (Anexo I, fl.64). Pelas mesmas razões apresentadas em relação aos pagamentos da Nota Fiscal 080, considero comprovada a causa dos pagamentos da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89, pelo que nego provimento ao recurso exoffício nesse ponto. Em relação aos pagamentos da Nota Fiscal 131, de 27/12/2006, no montante de R$ 799.538,54, fundamenta o voto da I. Conselheira relatora: (...) Também foi considerada comprovada a causa em relação ao pagamento abaixo descrito, efetuado à Ouro Verde Florestal Management: Fato Valor gerador histórico de pagamento Valor corrigido do pagamento (base de cálculo) – Referência do contrato Folhas no processo Situação de comprovação Situação tributária 27/12/2006 799538,54 1230059,2 Pagamento serviços prestados OVFM, nota fiscal 131 Anexo I fl 68 Causa comprovada Impugnação procedente Todavia, não se verifica nos autos a comprovação do pagamento respectivo. (...) Em relação à comprovação dos pagamentos relativos à nota fiscal 131, às Fls. 4.430 dos autos, encontrase uma tabela, elaborada pelo Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Boa Vista, em que constam a referência ao contrato de prestação de serviço e às folhas da apólice de seguros correspondente, suficientes para a decisão em primeira instância considerar comprovadas as operações originárias dos pagamentos, com o que concordo e nego provimento ao recurso exoffício nesse ponto. Fl. 6735DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 31 30 Quanto aos pagamentos referentes às notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3, fundamenta o voto da I. Conselheira relatora: (...) Em relação às NF 090, 100 e 129, assim havia se manifestado a autoridade fiscal: a) as xerox das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3 encontramse no volume 03, às folhas 462, 452 e 474. Os referidos contratos estão no mesmo volume, às folhas 464 e 467, 455 a 458 e 475 a 478; b) às folhas 785 (vol.05), a impugnante informa que: “Quando da venda dos talhões foi realizada verificação da qualidade de todas as árvores de Acácia mangium, verificação esta realizada por técnico independentes, sendo que seu resultado foi documentado através do Protocolo de Entrega correspondente (doc. 1593)”. A despeito da afirmação, verificamos todos os documentos apresentados pelo contribuinte e dentre eles não foi encontrado o doc 1593. Para corroborar, anexamos planilha na qual estão informados todos os documentos apresentados na fase de impugnação (fls. 4.648 a 4.661, vol 24); c) Em razão da não apresentação do Protocolo de Entrega, não pudemos identificar o núcleo em que está inserido, e em consequencia, não confirmamos que a área consta como um dos logradouros da propriedade no Laudo oficial (fls. 1.119, vol. 8); d) Não foi possível confirmar o Doc 1593 junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do estado de Roraima, conforme detalhamento no termo de Diligência Fiscal, item 5 f. A DRJ, por sua vez, acatou os pagamentos respectivos, com base apenas nas apólices de seguro respectivas. Neste momento, contudo, discordase dessa conclusão de acatar a justificativa dos pagamentos respectivos. As apólices de seguro não suprem a ausência dos demais elementos comprobatórios, em especial a falta de apresentação do protocolo de entrega da área, cuja emissão sequer foi confirmada junto ao órgão competente. Como já referido, o protocolo de entrega comprovaria o recebimento da área atestado por técnico competente. Sem esse protocolo, não é possível confirmar que a área de floresta cuja aquisição se alega como justificativa do pagamento glosado fora efetivamente recebida pela recorrente. Assim, não se considera comprovada a causa em relação ao pagamento das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3 (vol. 03, fls. 462, 452 e 474). Fl. 6736DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10245.000316/200929 Acórdão n.º 1202001.052 S1C2T2 Fl. 32 31 Nesse ponto, de forma análoga aos anteriores, há descrição das áreas em apólices de seguro e em laudo ministerial, conforme consta da decisão em primeira instância, a seguir transcrita: (...) 7Contrato 106664C1,106664C2, 106664C3, ano 2006,conforme dados à fl 4422 A 4425 não encontrase escriturado pela empresa vendedora das áreas florestadas, pois a mesma alega não ter recebido em retorno os documentos apreendidos em operação policial; possui contrato de utilização; a área está descrita em apólice e em laudo oficial, em que pese não ter sido posssível à fiscalização verificar o protocolo de entrega, pois o documento n° 1593 não fora encontrado nos autos, mesmo após verificação nos mesmos, assim não se confirmou protocolo de entrega da área, embora constando do seguro e do laudo ministerial; è importante observar que duas áreas (talhões) de 21,9082 e 5,8432 há não foram localizados pela fiscalização. Consideraremos como comprovada esta operação, à vista da diminuta relação entre a mesma e o total descrito nos contratos. Destarte, pelas mesmas razões da decisão recorrida, considero comprovadas as causas dos pagamentos relativos aos contratos 106664C1,106664C2, 106664C3 e nego provimento ao recurso exoffício. Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso exoffício em relação aos pagamentos da Nota Fiscal 080, de 10/01/2006, no valor de R$ 227.309,64; da Nota Fiscal 094, de 13/03/2006, no valor de R$ 545.195,89; da Nota Fiscal 131, de 27/12/2006, no montante de R$ 799.538,54 e das notas fiscais 00090, 001000 e 000129, referentes aos contratos 106664C1, 106664C2 e 106664C3. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 6737DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/06/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10469.720173/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA - OPERAÇÃO BEACON HILL - AUSENCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA IMPOSSIBILIDADE.
A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impõe à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos.
REMESSAS PARA O EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não se verificando nos autos qualquer elemento que comprove a efetiva titularidade dos valores apurados pela contribuinte, é de se reconhecer a insuficiência da prova e, com isso, a insubsistência integral do lançamento.
Numero da decisão: 1301-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Carlos Augusto de Andrade Jenier
Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator documento assinado digitalmente Carlos Augusto de Andrade Jenier Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impõe à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos. REMESSAS PARA O EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não se verificando nos autos qualquer elemento que comprove a efetiva titularidade dos valores apurados pela contribuinte, é de se reconhecer a insuficiência da prova e, com isso, a insubsistência integral do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 73 /2 00 6- 06 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 730 2 Relator “documento assinado digitalmente” Carlos Augusto de Andrade Jenier Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 731 3 Relatório O presente processo já foi objeto de apreciação por esta Primeira Turma Ordinária, motivo pelo qual sirvome do Relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha por ocasião da edição da Resolução nº 1301000.201, de 11 de novembro de 2010. SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1119.367, de 22/06/2007, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I DA EXIGÊNCIA FISCAL. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, em 19/12/2006, os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano calendário 2001, fls. 05 a 11, da Contribuição para o PIS, ano calendário 2001, fls. 12 a 15, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, ano calendário 2001, fls. 16 a 19, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e multa isolada, ano calendário 2001, fls. 20 a 26 e do Imposto de Renda Retido na Fonte, ano calendário 2001, fls. 27 a 30, conforme demonstrativo a seguir: Crédito Tributário Em R$ NATUREZA Imposto/Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional Multa Isolada Total do CT IRPJ 68.782,79 57.179,13 103.174,18 6.452,12 235.588,25 PIS 2.219,81 1.899,60 3.329,70 7.449,11 COFINS 10.425,34 8.767,50 15.368,00 34.380,84 CSLL 30.736,08 25.550,89 46.104,12 2.766,25 105.157,34 IRRF 183.891,06 160.083,99 275.836,58 619.811,63 TOTAL 1.002.387,17 Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do IRPJ, do IRRF, do PIS, da COFINS e da CSLL, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 31 a 34), o autuante descreve todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: (i) Do Procedimento Fiscal O procedimento de fiscalização originouse da Representação Fiscal n.º 504/05, encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Fl. 731DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 732 4 Portaria SRF n.º 463/04, na qual se identificou operações financeiras nas quais o contribuinte aparece como ordenante de remessa de divisas através das subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova Iorque por Beacon Hill Service Corporation. Em 23/08/2006 a empresa foi intimada a esclarecer a origem e a finalidade das transferências de divisas, abaixo relacionadas, através da subconta LARA ENTERPRISES, n.º 530972417: Data Valor (US$) 19/09/2001 55.000,00 26/11/2001 35.473,00 27/11/2001 14.527,00 05/12/2001 26.792,00 Em sua resposta a empresa informa que tais remessas não são do seu conhecimento e que nunca efetuou transferência de recursos ao exterior. Novamente intimada, a contribuinte volta a responder que desconhece a LARA ENTERPRISES e seus controladores. Em seguida, a empresa foi intimada a apresentar seus livros contábeis referentes ao ano calendário 2001 e os comprovantes da escrituração das contas 3.1.2.003.02208 – Variação Cambial Ativa – Dólar dos Estados Unidos e 3.1.2.003.09782 – Variação Cambial Ativa – Euro, no mês de dezembro de 2003. A contribuinte apresenta os livros solicitados e uma planilha demonstrativa do cálculo da variação cambial. (ii) Do Lançamento Após tecer um breve histórico das investigações acerca da Beacon Hill Service Corporation, a fiscalização, na ausência de comprovação da origem e da natureza das operações com o exterior, considerou como omissão de receitas as remessas de divisas efetuadas pela Sunset, nos termos do art. 40 da Lei n.º 9.430/1996. A fiscalização também considerou os valores das referidas remessas como pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou recursos entregues a terceiros sem a comprovação da operação ou a sua causa, sujeitando a empresa à incidência do IRRF conforme art.64 do RIR/99. Foi aplicada multa de ofício qualificada de 150%, por estar configurado o evidente intuito de fraude, caracterizado pela falta de escrituração das operações levantadas pela fiscalização, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fato gerador da obrigação tributária. A ação fiscal foi encerrada parcialmente, tendo a sua continuidade prosseguida nos termos do MPF n.º 2006/002311. II DA IMPUGNAÇÃO. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 733 5 Contestando os autos de infração do presente processo a contribuinte apresentou sua impugnação de fls. 247 a 267, alegando em síntese que: 1 – Preliminares. Decadência. A impugnante afirma que IRPJ e CSLL são recolhidos de forma trimestral, o PIS e a COFINS apuração mensal, enquanto o IRRF tem como data de ocorrência do fato gerador o dia do pagamento. Nos termos do § 4º do art.150 do Código Tributário Nacional, solicita a decadência, uma vez que o último fato gerador ocorreu em 15/05/2001 (IRRF), enquanto a notificação do lançamento se deu apenas em 18/12/2006. 2 – Da Inocorrência do Fato Gerador. Afirma a impugnante que o lançamento é carente de provas, sendo imprestável para as hipóteses de presunção legal, haja vista que não se trata de créditos efetivados em conta bancária da contribuinte, mas apenas de meros registros em mídia eletrônica, onde se atribui a empresa a condição de ordenante, em contexto duvidoso, seja pelas incongruências quanto à razão social e endereço, seja pela possibilidade de terceiros utilizarem dados da defendente para efetivar as ditas operações. O §5.º do art. 42 da lei n.º 9.430/96 determina que para a constituição de crédito tributário em relação a recursos transitados em contas de terceiros, a comprovação de que tais valores pertençam aos seus supridores e não aos titulares efetivos ou beneficiários. Não houve a apresentação de provas, quanto a autoria e materialidade, e nem tampouco do motivo ligando a impugnante às operações financeiras narradas pela fiscalização. O próprio Laudo apresentado pela fiscalização, no item 19, admite que a pessoa que aparece como “ordenante”, não constitui necessariamente o remetente original, ou seja, admite o preenchimento deste campo de forma aleatória e inconseqüente. O mesmo Laudo em seu item 9 declara não haver realizado exames físicos nos documentos e ordens de pagamentos. Não há qualquer garantia de que a SUNSET Viagens Turismo e Câmbio Ltda. foi realmente a ordenante dos recursos enviados ao exterior. Não há nem o nome e nem o endereço correto da impugnante. Segundo a impugnante, a prova anexada ao lançamento não passa de uma montagem produzida pelo autuante com a logomarca da própria Secretaria da Receita Federal. As provas fabricadas pelo Fisco na defesa de seus interesses não gozam da presunção de certeza e liquidez. Não há um único elemento de prova capaz de demonstrar que os recursos enviados ao exterior realmente pertençam à impugnante. Afirma em seguida que “Por outro lado, as decisões judiciais proferidas nos autos dos processos judiciais indicados no termo de encerramento, autorizando o compartilhamento do Material relativo ao MTBCBCHudson Bank, Lespan e Safra Bank, sequer foram juntadas aos autos. Depois, não consta nenhum documento da Força Tarefa encaminhando ao Fisco os elementos constantes dos autos, o que torna a prova ilícita”. De acordo com a contribuinte, a prova baseada em arquivos magnéticos e mídias eletrônicas, por si só não são suficientes para um lançamento tributário, em função da sua fragilidade quanto a possíveis equívocos de digitação ou adulteração Fl. 733DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 734 6 voluntária/involuntária ou de máfé. Os arquivos magnéticos são indícios que se prestam a municiar o Fisco para que se proceda a uma verificação mais rigorosa nos documentos que atestam a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Assim só a evidência incontestável, de prova plena, é capaz de suportar a incidência da norma tributária e tornar eficaz a autuação e o lançamento. 3 – Do “BIS IN IDEM” Em relação a tributação do IRRF, baseado no art.674 do RIR/99, afirma a empresa que “Não se afigura, pois, legal ou razoável, sob pena de ofensa ao postulado do bis in idem, do confisco e da capacidade contributiva, haver nova constituição de crédito tributário sobre os mesmos fatos geradores, mediante a alegada omissão de receita”. Reclama que a carga tributária total excede em quase 300% a movimentação financeira objeto do lançamento, e afirma a ocorrência de “bis in idem” na aplicação concomitante da multa isolada com multa de ofício, pois ambas as multas são diferentes e excludentes, não comportando aplicação conjunta. Cita ementas do Conselho de Contribuintes. 4 – Da Inexistência de Fraudes. A imposição de penalidade exacerbada só é possível com o evidente intuito de fraude , devendo sua prova estar demonstrada nos autos, o que não ocorreu pois a impugnante desconhece completamente o fato apresentado pela fiscalização, já que dele não participou. Inexistindo a comprovação da autoria não há razão para aplicação de multa qualificada. Cita ementa do Conselho de Contribuintes. 5 – Excesso de Exação, Ofensa a Capacidade Contributiva e Confisco. Afirma que a carga tributária decorrente do lançamento é inconstitucional por violar os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1119.367, de 22/06/2007 (fls. 289/308), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Caracterizamse como omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA. LAUDOS TÉCNICOS DO INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA INC. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 735 7 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Por determinação expressa da Instrução Normativa nº 93, de 1997, constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido da multa de ofício pelo seu não recolhimento. DECADÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. De acordo com o § 4º do art. 150 do CTN, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação do pagamento e a extinção definitiva do crédito Tributário, não se aplica se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA – MULTA ISOLADA. Aplicase a atos ainda não definitivamente julgados a lei tributária que lhes comine pena menos severa que a vigente ao tempo de sua prática. AUTOS REFLEXOS. CSLL, IRRF, PIS e COFINS. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Por relevante, esclareço que a procedência parcial se deveu tão somente à aplicação do princípio da retroatividade benigna em termos de penalidades, fazendo com que as multas isoladas, originalmente no percentual de 75%, passassem a ser exigidas ao percentual de 50%, em face da alteração legislativa superveniente ao lançamento. No mais, o crédito tributário foi mantido. Ciente da decisão de primeira instância em 16/07/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 312, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/07/2007 conforme carimbo de recepção à folha 313. No recurso interposto (fls. 314/336), a interessada, inicialmente, insiste em seus argumentos acerca da decadência, com base no art. 150, § 4º, do CTN, em face da ausência de efetiva comprovação de dolo, fraude ou simulação. Estariam alcançados pela decadência, por sua ótica, os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos até o terceiro trimestre de 2001; de PIS e COFINS, até o mês de novembro de 2001; e de IRRF, até o dia 05/12/2001. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: A recorrente reafirma que o lançamento seria carente de prova. Os documentos acostados aos autos pelo Fisco trariam incongruências na razão social e nome de fantasia e, ainda, em relação aos endereços. Aventa a possibilidade de homônimos e de que terceiros possam ter utilizado seus dados para efetivar as operações financeiras apontadas pela fiscalização. Questiona o documento de fls. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 736 8 66/67, o “Roteiro de Identificação do Sujeito Passivo”, e o “Laudo do Exame EconômicoFinanceiro”. Sustenta que o laudo diria que o remetente original não necessariamente é aquele que aparece como ordenante. Conclui, então, que tudo não passa de meras presunções, imprestáveis para aplicabilidade do art. 40 e do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não haveria comprovação de que a recorrente teria praticado os fatos que lhe são imputados. Transcreve doutrina que entende sustentar sua tese. No que toca à exigência do IRRF, sustenta a impossibilidade de tributação exclusiva na fonte dos pagamentos tidos por sem causa, ao mesmo tempo que se constitui crédito tributário por omissão de receitas. Tal procedimento ofenderia os postulados do bis in idem e do confisco. Colaciona jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido. Também ocorreria bis in idem na aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício, em repetição da sanção tributária. Segundo a interessada, as hipóteses de aplicação dessas multas seriam diferentes e excludentes, não comportando aplicação conjunta. Também aqui invoca jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A seguir, a recorrente questiona a multa de ofício de 150% aplicada. Por sua ótica, não restaria provado nos autos a prática de qualquer das condutas dolosas, típicas das situações de agravamento de penalidades. Adicionalmente, afirma que a penalidade aplicada seria inconstitucional, a violar o princípio da capacidade contributiva e a vedação ao confisco. Conclui com o pedido de total improcedência da ação fiscal, pelas razões expostas. Conforme referenciado, esta Primeira Turma Ordinária já havia apreciado o presente processo em sessão de julgamento anterior. Na ocasião, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: 1. fosse efetuada diligência no endereço que consta nos documentos representativos das remessas ao exterior (RUA VOLUNTÁRIOS 100RN NATAL), com o objetivo de identificar o ocupante (proprietário, locatário ou outro) do imóvel em questão, à época das remessas, entre 26/11/2001 e 05/12/2001; 2. fosse efetuada diligência também para apurar e informar, se existente, o vínculo entre aquele ocupante e a pessoa jurídica SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA., interessada no presente processo; e 3. fossem acrescentados os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2, acima, bem assim outros documentos e/ou informações julgadas relevantes. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Natal trouxe aos autos o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 722, consignando, in verbis: Nas funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, realizamos a diligência solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a finalidade de identificar o ocupante do imóvel situado na Rua Voluntários, 100, Natal/RN, e apurar, se existente, o vínculo entre esse ocupante e o contribuinte acima identificado. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 737 9 Consultando o Portal da Prefeitura do Natal na Internet, consulta aos Mapas de Arruamento do Município do Natal, arquivo em Autocad, disponível no endereço http://www.natal.rn.gov.br/semurb/paginas/ctd106.html, constatei que não existe rua com tal nome no município do Natal. O nome do logradouro que mais se aproximou do pesquisado foi a Rua Voluntários da Pátria. Devido à semelhança de nome com a rua procurada, efetuamos a diligência nesse local com o intuito de identificar o imóvel de número 100. A Rua Voluntários da Pátria é uma pequena rua do centro de Natal, limitada pelas ruas Cel. Cascudo e Padre Pinto. Após percorrer toda a extensão dessa rua, não consegui localizar nenhum imóvel gravado com o número 100. Em consulta aos sistemas da Receita Federal DW e INFORMAR (ferramenta previdenciária semelhante ao DW), também não foi localizado nenhum contribuinte, pessoa física ou jurídica, nesse endereço. Pelo exposto, fica prejudicada a realização da diligência, tendo em vista haver sido improfícua a tentativa de localização do imóvel situado na Rua Voluntários, 100, Natal/RN. Cientificada das conclusões esposadas no referido Termo de Encerramento de Diligência, a contribuinte aportou aos autos o documento de fls. 723/724, em que, renovando argumentos expendidos na peça recursal, sustenta que “é inquestionável que os argumentos e documentos exibidos pela fiscalização não são suficientes para comprovar que a impugnante (SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA.) praticou os fatos geradores imputados a mesma.” É o Relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 738 10 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A exigência fiscal em debate está representada por lançamentos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para a Seguridade Social – COFINS), Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e MULTA ISOLADA, relativos ao anocalendário 2001. Citados lançamentos tiveram por suporte a imputação de omissão de receitas, caracterizada pela ausência de contabilização de pagamentos efetuados (art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996), a realização de pagamentos a beneficiários não identificados e a falta de recolhimento de antecipações obrigatórias. No que diz respeito à imputação de omissão de receitas, a conclusão derivou da análise de operações em que, supostamente, a contribuinte fiscalizada teria sido ordenante de remessa de divisas para o exterior. Entendendo que na conduta adotada pela fiscalizada restou configurada a presença do dolo, a autoridade fiscal promoveu a qualificação da penalidade aplicada. Apreciando a impugnação interposta pela fiscalizada, a Turma de Julgamento de primeira instância manteve parcialmente as exigências, vez que legislação superveniente à ocorrência dos fatos reduziu o percentual da denominada MULTA ISOLADA de 75% para 50%. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário SUJEIÇÃO PASSIVA E COMPROVAÇÃO DOS FATOS Penso que, em primeiro lugar, devese apreciar os elementos que serviram de suporte para: i) indicar a contribuinte fiscalizada como sujeito passivo das obrigações tributárias formalizadas e; ii) comprovar a prática da infração. Relata a Fiscalização (Termo de Encerramento – fls. 31/35) que a ação fiscal retratada nos autos foi instaurada a partir de REPRESENTAÇÃO FISCAL Nº 504/05, na qual foram descritas operações financeiras em que consta a contribuinte fiscalizada como ORDENANTE de divisas para o exterior por meio de subcontas mantidas e administradas no BANCO CHASE DE NOVA YORK por BHSC – BEACON HILL SERVICE CORPORATION. Referidas remessas teriam sido realizadas nos anos de 2001 e de 2002. Ainda de acordo com o Termo de Encerramento, a REPRESENTAÇÃO que serviu de suporte para a instauração do procedimento fiscal foi elaborada com base em Fl. 738DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 739 11 LAUDO Nº 675/02 do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal. Abaixo, reproduzo fragmentos do referido Termo de Encerramento, a partir dos quais é possível identificar o contexto em que a infração imputada à fiscalizada foi apurada. Em 28/06/2002 foi elaborado o Laudo n° 675/02INC, cujo objeto foi a movimentação financeira de 137 contas da extinta agência do BANESTADO na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, abrangendo o período de abril/96 a dezembro/97, momento em que se identificou a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION como intermediária de diversas ordens de pagamentos. A Beacon Bill era empresa sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP MORGAN CHASE BANK, administrando contas ou subcontas específicas, dentre as quais a conta LARA ENTERPRISES, n° 530972417. Em 04/08/2003, o Departamento de Policia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, estado do Paraná, por meio do Oficio n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR, a quebra do sigilo bancário no exterior desta empresa. Em 09/09/2003, a Promotoria do distrito de Nova Iorque (District Attorney's of he Country of New York), apresentou mídias e documentos contendo dados financeiros, por meio de Ofício, relativos à empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION. O trabalho pericial objetivou descrever os documentos de relevância para o Inquérito Policial, identificar seus titulares, procuradores ou representantes da conta LARA ENTERPRISES, n° 530972417, assim como verificar os relacionamentos existente e consolidar a movimentação financeira, a fim de trazer elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução e a esclarecer os fatos. Na parte conclusiva desse laudo, os peritos identificaram os titulares e/ou representantes da conta investigada, verificaram os relacionamentos existentes com outras (sub)contas, casas de câmbio ou de remittance, consolidaram as movimentações financeiras, ocorridas na subconta n° 530972417, denominada LARA ENTERPRISES, e apresentaram, de forma analítica, as ordens eletrônicas de pagamento remetidas e recebidas, conforme demonstrado nos anexos do laudo. Com bases nestes elementos, foram identificadas operações em que a empresa Sunset Viagens Turismo e Câmbio LTDA, CNPJ 70.037.486/000118, aparecia como ordenante de recursos ao exterior, conforme formalizado na Representação Fiscal acima mencionada. [...] ... a Representação Fiscal foi elaborada com base nos dados constantes das mídias eletrônicas, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, e previamente submetidos à perícia técnica especializada do Instituto Nacional de Criminalista do Departamento de Polícia Federal e objeto de laudo pericial conclusivo que prova o envio de remessas de recursos ao exterior pela empresa Sunset Câmbio. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 740 12 Cabe ressaltar que a citada Representação Fiscal foi instruída com a transcrição das operações em que aparece a fiscalizada, bem como do Laudo Pericial, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística da Policia Federal, indicando cada conta ou subconta onde foram localizadas essas transações. A Representação Fiscal que serviu de suporte para a autuação, relativamente à identificação do ordenante e ao montante da operação, indica (fls. 66/67): SUNSET CAMBIO AV HERMES DA FONSECA NATAL/RN BRASIL US$ 55.000,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 35.473,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL SÃO PAULO BRAZIL US$ 14.527,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 26.792,00 SUNSET RUA RIO CHUELA 5 SANTA BARBARA DE OESTE S. PAULO BRAZIL US$ 75.000,00 SUNSET RUA RIA CHULA 5 SANTA BARBOSA D’OESTE BRAZIL US$ 75.000,00 A autuação, entretanto, alcançou, apenas, as remessas em que foram constatados identidade de nome e da cidade do domicílio do ordenante, quais sejam: SUNSET CAMBIO AV HERMES DA FONSECA NATAL/RN BRASIL US$ 55.000,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 35.473,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL SÃO PAULO BRAZIL US$ 14.527,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 26.792,00 Da análise dos documentos que compõem o processo, deduzse que a definição da sujeição passiva tomou por base o denominado ROTEIRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, conforme referência feita no Termo de Intimação Fiscal de fls. 42/43. O Roteiro em questão, anexado aos autos às fls. 44, consigna, em síntese, que “o nome da empresa foi identificado, por corresponder a um só nome (único no Brasil) constante do sistema CNPJ, quando procurado pelos nomes SUNSET CÂMBIO.” Esclarece, ainda, que, “em outros casos, quando procurado pelo nome SUNSET no sistema CNPJ, embora com homônimos, foi vinculado a um endereço, também constando da mídia, que era de empresas a que estivesse vinculado.” Intimada a prestar esclarecimentos acerca das operações descritas na Representação Fiscal (fls. 38), a contribuinte informou que as desconhecia, visto que nunca tinha efetuado transferências de recursos ao exterior (fls. 40). Reiterada a intimação (fls. 42/43), a contribuinte renovou a argumentação no sentido de que não havia remetido recursos ao exterior. Na ocasião, embora tenha negado terminantemente a realização das operações, admitiu que em relação a uma das operações foram corretamente apontados o seu nome fantasia (SUNSET CÂMBIO) e a rua, cidade e estado correspondentes ao seu endereço (AV. HERMES DA FONSECA, NATAL, RIO GRANDE DO NORTE) – fls. 47. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 741 13 Cumpre destacar que o LAUDO DE EXAME ECONÔMICO FINANCEIRO Nº 1288/04, do INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA do DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL do MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, atesta, conforme transcrição abaixo, que, para garantir a inviolabilidade dos dados e garantir a fidedignidade das informações, foram adotadas medidas de elevado grau de segurança. [...] Anexos em Mídia Computacional Os dados elaborados nas planilhas foram gravados em meio digital de armazenamento denominado “CDR (Compact Disc Recordable), tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores. Além disso, para garantir a integridade das informações armazenadas no CDR, foi efetuada autenticação eletrônica dos arquivos que deram base a este trabalho, utilizandose, para isso, de programa que implementa o algoritmo de domínio público MD5. O citado algoritmo funciona como uma função matemática que trabalha sobre o conteúdo de um arquivo e produz um resultado específico. A integridade do conteúdo é garantida em razão da ínfima probabilidade de que dois ou mais arquivos produzam mesmo resultado. [...] Comparando os elementos reunidos ao processo, identifico, de um lado, a acusação formalizada pela Fiscalização, devidamente acompanhada de documentação comprobatória da prática da infração por parte da contribuinte fiscalizada (especialmente o LAUDO DE EXAME ECONÔMICOFINANCEIRO – fls. 68/78), do outro, a contribuinte, que limitase a negar a autoria das operações. Não se trata de apuração com base em meras ilações, como quer crer a contribuinte, eis que, como visto, a documentação que serviu de base para a imputação resultou de amplo processo investigativo e envolveu autoridades fiscais, policiais, representantes do Ministério Público e do Poder Judiciário, tanto do Brasil como dos Estados Unidos da América. A tentativa de desqualificar a documentação em referência denota, tão somente, ausência de compreensão acerca da gravidade, da complexidade e da profundidade das investigações empreendidas. Releva destacar que o documento tido como apócrifo pela Recorrente, em que pese o fato de conter anotações em português, o que facilita a sua compreensão, em sua essência representa o que foi extraído de mídias e documentos fornecidos pela promotoria do Distrito de Nova Iorque. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 742 14 Alega a Recorrente que a Turma Julgadora a quo equivocouse na interpretação do art. 40 da Lei nº 9.430/96, pois, se ela não reconhece que efetuou o pagamento, não cabe falar em escrituração. Adita que, em tempo algum, tal dispositivo legal retirou do Fisco a responsabilidade de provar de forma inconteste a efetiva existência do pagamento e a sua autoria. O raciocínio empregado pela fiscalizada é pertinente, pois, de fato, se ela não reconhece que fez o pagamento, descabe falar em escrituração desse mesmo pagamento. Entretanto, uma vez ultrapassada a questão acerca da autoria (questão exaurida no item que tratou da sujeição passiva), a ausência da escrituração dos valores remetidos constitui a própria infração a ela imputada, ou seja, é na combinação desses dois fatores que reside a controvérsia ora sob apreciação (a remessa de divisas e sua autoria). Os elementos reunidos ao processo, como já dito, revelamse suficientes à comprovação de que foram efetuadas variadas remessas de divisas para o exterior e, ao menos em relação a uma delas, que o responsável foi a SUNSET CÂMBIO, nome fantasia de SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA., ora Recorrente. A Recorrente faz referência ao parágrafo 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, dispositivo que não guarda relação com a infração que lhe foi imputada, eis que o presente processo não trata de depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse contexto, tenho por satisfatória a documentação reunida pela fiscalização para comprovar que a contribuinte fiscalizada efetivamente enviou divisas ao exterior, na forma descrita na peça acusatória. Entendendo que a documentação acostada aos autos é suficiente à caracterização da autoria e à prática da infração, tenho por desnecessário o aporte aos autos dos documentos reclamados pela Recorrente (cópia autenticada da mídia eletrônica – CD/CDR, Laudos nºs 675/02 e 1.095/04 e anexos II a V do Laudo nº 1.288/04). Não obstante, tomando por base as informações trazidas ao processo pela Delegacia da Receita Federal por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 722, penso que a definição de autoria das operações questionadas só encontra respaldo seguro em relação à remessa efetuada em 19 de setembro de 2001, no montante de US$ 55.000,00. Para as demais, penso que a Fiscalização deveria ter empreendido verificações complementares, de modo a comprovar a real vinculação entre os endereços ali mencionados e as atividades exploradas pela contribuinte fiscalizada. DECADÊNCIA E MULTA QUALIFICADA Para que se possa apreciar adequadamente a questão da decadência, releva, primeiro, analisar a questão da aplicação da multa qualificada. Nessa linha, me parece cristalino que, ao ultrapassar a questão da sujeição passiva, isto é, ao esposar o entendimento de que se encontram reunidos nos autos elementos que tornam indubitável que foi a Recorrente a responsável pela entrega dos recursos, no exterior, a terceiros, a caracterização do intuito de fraude prescinde de maior dilação probatória. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 743 15 À evidência, a remessa de divisas à margem de qualquer controle oficial, sem qualquer registro de natureza contábil, reflete a intenção da contribuinte de retardar, ou mesmo impedir, o conhecimento por parte da autoridade fiscal acerca do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A conduta, pois, amoldase às disposições do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, autorizando, assim, a exasperação da penalidade. Concluindose pela procedência da aplicação multa qualificada, rejeitase, a partir daí, os argumentos da Recorrente acerca do prazo de caducidade estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, vez que, presente o intuito de fraude, a regra de decadência aplicável é a prevista no art. 173 do mesmo diploma legal. Visto sob essa ótica, descabe falar em caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários, vez que os lançamentos tributários foram efetivados em 19 de dezembro de 2006, conforme aviso de recebimento de fls. 242, e, nos termos do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), a data limite para tal era 31 de dezembro de 2006. Cabe destacar que ainda que se considere a ocorrência de qualquer fato gerador na data da remessa, qual seja, 19 de setembro de 2001, a data limite em referência (31 de dezembro de 2006) persiste, eis que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, a que se reporta o inciso I do art. 173 do CTN, está representado no caso vertente pelo dia 1º de janeiro de 2002. BIS IN IDEM E MULTA ISOLADA Fazendo referência à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte com base nas disposições do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, sustenta a Recorrente que a tributação empreendida pela autoridade fiscal não se afigura lícita ou razoável, sob pena de ofensa ao postulado do bis in idem e do confisco. Diz que, no caso, há nova constituição de crédito tributário sobre o mesmo fato gerador, mediante alegação de omissão de receita. Equivocase a Recorrente. O lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi efetuado com base nas disposições do art. 40 da Lei nº 9.430/96 (art. 281, II, do RIR/99), visto ter sido apurado que a contribuinte entregou recursos a terceiros e não contabilizou as respectivas operações. Tratase, aqui, de presunção legal no sentido de que os recursos aplicados são provenientes de receitas omitidas. O lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte, por sua vez, tem por fundamento o artigo 61 da Lei nº 8.981/95 (art. 674 do RIR/99), sendo a incidência decorrente de fato seguinte à percepção da renda que foi remetida ao exterior, qual seja, a entrega desses recursos a terceiros. A presunção aqui é de que a renda auferida pelos terceiros beneficiários deveria ter sido submetida à incidência do imposto, eis que tributável. Se não se identifica o beneficiário, a natureza da operação ou a sua causa, opera a citada presunção, recaindo a responsabilidade pelo pagamento do imposto sobre aquele que efetuou os pagamentos. Verificase, assim, que os lançamentos foram efetuados com base em presunções legais, mas, é importante destacar, não se trata de aplicação de uma presunção sobre a outra, eis que os fatos que ensejam a aplicação delas são absolutamente distintos. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 744 16 Tratandose de presunções legais relativas, como é cediço, o ônus de ter de demonstrar que os fatos presumidos (omissão de receita e entrega a terceiros de recursos sujeitos à incidência do imposto) não se realizaram passa a ser do contribuinte. Com a devida permissão, discordo dos que adotam entendimento no sentido de que a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, não pode ser feita concomitantemente com hipótese que encerre presunção legal de omissão de receita. Não encontro óbice, pois, para que, constatada a existência de pagamentos não escriturados, possa se aplicar a presunção legal de que os recursos empregados nessas aplicações decorram de receitas omitidas (art. 40 da Lei nº 9.430/96) e, constatado que esses pagamentos foram utilizados em operações que não se conheça a causa ou mesmo o beneficiário, que se aplique a presunção legal de que a renda auferida por quem quer que seja era de natureza tributável e, portanto, que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto passe a ser da respectiva fonte pagadora (art. 61 da Lei nº 8.981/95). Não é merecedora de acolhimento, assim, a alegação da Recorrente de que, no caso, estamos diante de bis in idem, cabendo destacar que, nos termos do disposto na súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Recorrente alega ainda que também ocorre bis in idem na aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício. Embora reconheça que a questão da aplicação da multa isolada, nas circunstâncias versadas nos presentes autos, constitui matéria controversa, alinhome ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto em razão da apuração de omissão de receitas; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes bases de cálculo. Penso que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação das sanções nela previstas. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. O simples fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo devido. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo será lançado com a multa de ofício Fl. 744DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 745 17 correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Procedente, pois, a multa isolada aplicada. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar as exigências correspondentes às remessas efetuadas em 26/11/2001, 27/11/2001 e 05/12/2001. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 745DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 746 18 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Em que pese o brilhantismo peculiar dos votos produzidos pelo ilustre senhor relator, ouso divergir da conclusão por ele apresentada nos presentes autos. Pelo que se verifica, a discussão havida no presente feito referese à imputação de responsabilidade, de empresas brasileiras, por supostas remessas de divisas ao estrangeiro, nas hoje conhecidas “Operações Beacon Hill”, que se consubstancia na efetivação de lançamentos pelas autoridades fazendárias brasileiras, exclusivamente, a partir de informações repassadas pelo Fisco Norteamericano, destacando que, na contabilidade das empresas lá fiscalizadas (BANCO CHASE DE NOVA YORK e BHSC – BEACON HILL SERVICE CORPORATION), constava como “ordenante” a contribuinteautuada. Na análise desenvolvida nos autos pelo ilustre Sr. Relator, foram rechaçados quase todos os apontamentos indicados pelos agentes da fiscalização, sendo mantida, entretanto, um único registro, que seria aquele em que a contribuinte, embora reiterasse seus argumentos de que nunca teria promovido remessas de recursos ao exterior, teria então expressamente reconhecido a indicação correta de seu “nome fantasia” (SUNSET CÂMBIO) e também o endereço de seu estabelecimento (AV. HERMES DA FONSECA, NATAL, RIO GRANDE DO NORTE), conforme documento de fls. 47. A partir desse apontamento, entendeu então o Sr. Relator que, em relação a quase todas as referidas informações, deveriam os agentes da fiscalização ter empreendido maiores investigações, expressamente não admitindo como válido o lançamento exclusivamente com base na referida informação. Entretanto, apesar disso, entendeu ainda pela manutenção do lançamento relativo à remessa efetuada em 19 de setembro de 2001, no montante de US$ 55.000,00, entendendo que, pela manifestação da contribuinte, restara pois então superada a questão da identificação de sua titularidade. Entretanto, em que pese todo o cuidado empreendido pelo Sr. Relator no tratamento das questões contidas nestes autos, é relevante destacar que, diversamente do que por ele considerado, entendo que da manifestação da contribuinte não se extrai, absolutamente, o reconhecimento da titularidade da referida operação. Na verdade, ao afirmar a contribuinte o integral desconhecimento das operações apontadas, destacava então que, de todas as informações apresentadas pelos agentes da fiscalização, a única operação em que (supostamente) haveria a indicação “correta” de seu “nome fantasia” e “endereço” era aquela então referenciada como a da remessa no valor de US$ 55.000,00, datada de 19 de setembro de 2001. Ora, ao contrário do que então considerado, em momento algum se verifica que a contribuinte afirma, expressamente, reconhecer a titularidade da apontada operação. O que faz, pelo contrário, é demonstrar a completa fragilidade das provas ao destacar que, na quase totalidade dos casos, não se verifica sequer a correta indicação de suas referências, inexistindo, de fato, qualquer outra prova que demonstra, objetivamente, a titularidade ou mesmo o envolvimento nas referidas operações. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 747 19 Nessas circunstâncias, com todas as vênias, observo que os idênticos fundamentos adotados para a desconsideração de todos os outros registros, aplicase, com perfeição, àquele indicado como de possível manutenção pelo próprio relator, sobretudo porque, conforme se verifica, não se encontra nos autos qualquer prova que demonstre, cabalmente, a titularidade das referidas remessas ou mesmo a participação da contribuinte nas referidas operações, não se podendo assim, de forma alguma, admitir como válida a imputação realizada. A inadmissibilidade da imposição de responsabilidade tributária da contribuinte sem a necessária comprovação material de sua participação nas referidas operações Beacon Hill, é tema já de pacífica jurisprudência desta Corte Administrativa, sendo relevante destacar, a esse respeito, mesmo que aqui apenas a título de amostragem, os seguintes arestos: Número do Processo 19515.003149/200672 Contribuinte JAIME PINSKY Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Nº Acórdão 2101002.306 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, darlhe provimento, nos termos do voto da relatora. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia. Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO BEACON HILL. RECORRENTE APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE RECURSOS EM CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. Cabe à Fiscalização comprovar de forma inequívoca a titularidade da conta no exterior, na qual foram depositados recursos considerados como rendimentos omitidos. Hipótese em que inexistem provas da vinculação do recorrente com a conta bancária no exterior. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Fl. 747DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 748 20 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF n.° 4. Número do Processo 10283.720340/200689 Contribuinte 3 B PRODUTOS DE INFORMATICA COM E REPRES Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão 01/02/2012 Relator(a) JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Nº Acórdão 1201000.654 Tributo / Matéria IRPJ AF omissão receitas demais presunções legais Decisão ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ementa DECADÊNCIA DO PIS, COFINS E CSLL – SÚMULA VÍNCULANTE Nº 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” DECADÊNCIA DO IRPJ – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – PAGAMENTO – PRAZO DE 5 (CINCO) ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento com antecedência o termo inicial da contagem do prazo decadencial é da ocorrência do fato gerador. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA – OPERAÇÃO BEACON HILL – AUSENCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA IMPOSSIBILIDADE – A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impõe à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos. A partir dessas considerações, verificando inexistir nos autos qualquer efetiva comprovação de que a empresacontribuinte fosse, de fato, a verdadeira e específica titular dos montantes da suposta remessa irregular de divisa, não admitindo como suficiente a indicação destacada pelo ilustre Sr. Relator, entendo que, em relação ao montante apontado (US$ 55.000,00, de 19/09/2001), também descabe considerálo como de propriedade e titularidade da contribuinterecorrente, reconhecendo, assim, na integralidade, pela insuficiência de prova para o lançamento efetivado. Por essas razões, com a mais respeitosa vênia, encaminho o meu voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, determinando assim a total desconstituição do lançamento, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Redator designado. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 749 21 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10580.911759/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2005
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 59 /2 00 9- 36 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911759/200936 Acórdão n.º 3802003.487 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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