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5426589 #
Numero do processo: 10580.009747/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 JUROS COMPENSATÓRIOS OU MORATÓRIOS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis.
Numero da decisão: 2102-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/2005­16  Acórdão n.º 2102­002.916  S2­C1T2  Fl. 107          2     Relatório  Contra  JUDITH MARIA DOS SANTOS FREITAS  foi  lavrada Notificação  de Retificação de Ofício da Declaração, fls. 03, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa  Física  (IRPF),  ano­calendário  2001,  exercício  2002,  para  alteração  do  saldo  do  imposto  a  restituir de R$ 562,35 para R$ 7.570,82.  No  lançamento  foram promovidas  as  seguintes  alterações na Declaração  de  Ajuste Anual (DAA), fls. 45/46, original, apresentada em 27/02/2002: rendimentos tributáveis  de  R$ 19.619,22  para  R$ 149.247,20  e  imposto  retido  na  fonte  de  R$ 1.147,23  para  R$ 42.940,80.  Inconformada  com  a  exigência,  a  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 01/02,  que  está  assim  resumida  no Acórdão DRJ/SDR nº  15­13.961,  de  11/10/2007,  fls.  76/78:  Cientificada, a Contribuinte refere na impugnação que não fora  considerada  a  retificadora  apresentada  em  26/8/2005,  na  qual  declarou  como  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis  as  verbas  ditas de caráter indenizatório (juros e auxílio funeral), no valor  de R$ 79.039,93 (setenta e nove mil, trinta e nove reais e noventa  e  três  centavos),  com  base  em  sentença  judicial.  Nesta  retificadora apurou imposto a restituir, no valor de R$ 27.612,47  (vinte  e  sete  mil,  seiscentos  e  doze  reais  e  quarenta  e  sete  centavos).  Acresce  que  também  não  foram  abatidos  dos  rendimentos  tributáveis  os  valores  pagos  a  advogados  e  relacionados  em  campo  próprio  da  declaração.  Junta  os  documentos às fls.9 a 27 e requer que a retificação de oficio seja  desconsiderada por tais motivos.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  julgou,  por  unanimidade  de  votos,  procedente  o  lançamento,  sob  a  seguinte  fundamentação,  a  seguir  parcialmente  transcrita:  Relativamente aos rendimentos auferidos da ação trabalhista, a  Contribuinte oferecera à  tributação em declaração  retificadora  apenas  o  valor  de  R$ 42.124,21  (quarenta  e  dois  mil,  cento  e  vinte  e  quatro  reais  e  vinte  e  um  centavos).  Excluíra  indevidamente  uma  parcela  de  rendimentos  isentos  e  não  tributáveis  de  R$ 79.039,93  (setenta  e  nove  mil,  trinta  e  nove  reais e noventa e três centavos), valor que não se confirma pelos  documentos que instruem a ação judicial.  O  valor  líquido  efetivamente  pago  à  Contribuinte,  em  decorrência  da  ação  judicial  trabalhista,  consta  do  documento  acostado à fl.13 ­ R$ 115.924,64 (cento e quinze mil, novecentos  e vinte e quatro reais e sessenta e quatro centavos). Esse valor é  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/2005­16  Acórdão n.º 2102­002.916  S2­C1T2  Fl. 108          3 o  resultado  do  resumo  geral  do  cálculo  à  fl.12,  assim  demonstrado:    VALOR (R$)  Total da pensão  151.199,38  Total do auxílio funeral  5.945,09  Total geral bruto  157.144,46  (­) Imposto de renda  41.219,83  Total geral líquido (efetivamente creditado)  115.924,44    A  legislação  tributária  dispõe  que  são  tributáveis  no  mês  do  efetivo  recebimento  e  na  declaração  de  ajuste  anual  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  por  força  de  decisão  judicial, inclusive os respectivos juros e correção monetária.  Na  retificação  de  ofício  fora  acrescido  aos  rendimentos  já  declarados  apenas  o  valor  relativo  à  pensão  determinada  judicialmente  (sem o auxílio­funeral), deduzidos os pagamentos  efetuados  a  título  de  honorários  advocatícios,  declarados  pela  Contribuinte  e  confirmados  nos  documentos  às  fls.14  a  25.  O  quadro  a  seguir  demonstra  a  composição  dos  rendimentos  tributáveis  constantes  da  retificação  de  oficio  notificada  à  Contribuinte:    VALOR (R$)  Rendimentos Petrobrás  14.625,06  Rendimentos Petros  19.619,22  Rendimentos Petrobrás (ação judicial)  151.199,38  Sub­total  185.443,66  (­) honorários advocatícios  36.196,44  Total de rendimentos tributáveis  149.247,22    Do que se conclui corretos os rendimentos tributáveis constantes  da  retificação de  oficio,  com a  dedução devida  dos honorários  advocatícios,  prevista  expressamente  para  a  hipótese  de  rendimentos decorrentes de ação judicial.  Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/11/2007,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  83,  a  contribuinte  apresentou,  em  05/12/2007,  recurso  voluntário, fls. 89/96, no qual traz as alegações a seguir resumidas:  ­  que  os  valores  retidos  para  pagamento  do  tributo  foram  equivocados, tendo em vista que a retenção foi feita com base no valor total  do  crédito  trabalhista,  sem  abater  os  valores  indenizatórios,  os  juros  moratórios e honorários de advogado;  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/2005­16  Acórdão n.º 2102­002.916  S2­C1T2  Fl. 109          4 ­  que  o  Fisco  desconsiderou  o  pedido  de  restituição  com  relação  ao  auxílio  funeral  e  valores  indenizatórios  recebidos  no  processo  trabalhista;  ­  que  o  valor  base  para  a  tributação  deveria  levar  em  consideração os valores não tributáveis na ordem de R$ 79.039,93, relativos à  parcela indenizatória do processo trabalhista, bem como os valores relativos  aos dependentes  e despesas  com  instrução,  cujo valor  total  comprovado  foi  de R$ 4.920,00.  Conforme  Despacho,  fls.  104,  de  02/07/2012,  o  julgamento  do  recurso  voluntário  apresentado  pelo  contribuinte  foi  sobrestado  em  razão  do  disposto  no  art.  62­A,  caput  e  parágrafo  1 ,  do  Anexo  II,  do  RICARF.  Ocorre  que  o  referido  parágrafo  1º  foi  revogado  pela  Portaria  MF  nº  545,  de  18  de  novembro  de  2013,  de  sorte  que  retoma­se  o  julgamento do recurso voluntário.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  Cuida­se de lançamento que resultou da revisão da DAA original apresentada  pela contribuinte, sendo certo que antes da lavratura da Notificação de Retificação de Ofício da  Declaração,  fls.  03,  a  contribuinte  apresentou  uma  DAA  retificadora.  Todavia,  o  fato  de  o  lançamento  ter  tomado por base os  valores declarados na DAA original  não  causou nenhum  prejuízo à contribuinte, posto que a Notificação apenas reduziu o valor da restituição pleiteada  pela recorrente, de sorte que não houve a cobrança de multa de ofício e de juros de mora.  Veja­se,  a  seguir,  quadro  comparativo  entre  os  dados  informados  pela  recorrente  em  suas DAA original  e  retificadora  e  aqueles  tomados  pela  autoridade  fiscal  no  lançamento:    DAA original  DAA retificadora  Notificação  Rend. Recebidos de PJ  19.619,22  76.368,49  149.247,20  Dependente  4.320,00  4.320,00  4.320,00  Despesas com instrução  600,00  600,00  600,00  Imposto retido na fonte  1.147,23  42.940,80  42.940,80  Imposto a restituir  562,35  27.612,47  7.570,82    Do  demonstrativo  acima,  verifica­se  que  no  lançamento,  ao  contrário  do  afirmado  pela  recorrente,  foram  considerados,  para  fins  de  cálculo  do  imposto  devido  e  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/2005­16  Acórdão n.º 2102­002.916  S2­C1T2  Fl. 110          5 conseqüentemente  da  restituição,  os  valores  relativos  aos  dependentes  e  despesas  com  instrução, conforme pleiteado pela contribuinte em suas Declarações original e retificadora.  A  contribuinte  afirma  também  que  os  valores  retidos  para  pagamento  do  tributo foram equivocados, posto que a retenção do imposto foi feita com base no valor total do  crédito  trabalhista,  sem  abater os valores  indenizatórios,  os  juros moratórios  e honorários de  advogado. Ocorre que, ainda que a retenção do imposto de renda tenha incidido em valores não  tributáveis,  fato  é  que  a  totalidade  do  imposto  retido  na  fonte  foi  compensado  quando  do  cálculo do imposto devido, de modo que neste aspecto nenhum prejuízo teve a recorrente.  Diz,  ainda,  a  defesa  que  o  Fisco  desconsiderou  o  pedido  de  restituição  em  relação ao auxílio funeral e valores indenizatórios recebidos no processo trabalhista.  Da  decisão  recorrida  restou  perfeitamente  demonstrado  que  o  valor  corresponde ao auxílio funeral e os honorários advocatícios foram excluídos da tributação. Do  documento,  fls.  12,  observa­se  que  a  contribuinte  recebeu  um  total  bruto  de R$ 157.199,38,  sendo R$ 5.945,09 de auxílio funeral e R$ 151.199,38 de pensão, sendo certo que deste valor  foram excluídos os honorários advocatícios de R$ 36.196,44. De modo que a quantia levada à  tributação, relativamente à ação trabalhista foi de R$ 115.002,94, que somado aos rendimentos  recebidos  da  Petrobrás  (R$ 14.625,06)  e  da  Petros  (R$ 19.619,22)  perfaz  o  total  de  R$ 149.247,22, que corresponde exatamente ao valor adotado no  lançamento. Nestes  termos,  está  mais  uma  vez  demonstrado  que  o  auxílio  funeral  e  os  honorários  advocatícios  foram  excluídos da tributação.  Já no que concerne à alegação de que a autoridade fiscal não teria observados  quando do lançamento os valores indenizatórios, cumpre dizer que dos documentos acostados  aos  autos  verifica­se  que  a  contribuinte  recebeu  em  decorrência  da  ação  reclamatória  trabalhista quantias correspondentes à pensão e auxílio funeral, sendo certo que os valores de  pensão são tributáveis nos termos do disposto no art. 43, inciso XI do Decreto nº 3.000, de 26  de março  de  1999  –  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/1999).  Diga­se,  ainda,  que  a  contribuinte menciona que o lançamento não teria considerado os valores indenizatórios, sem,  contudo, indicar que valores seriam estes e tampouco a natureza dos mesmos.  Por  fim,  no  que  concerne  aos  juros  moratórios  recebidos  pela  recorrente,  importa  trazer a  lume o art. 55,  inciso XIV, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –  Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999):  Art.55.São também tributáveis (Lei nº4.506, de 1964, art. 26, Lei  nº7.713, de 1988, art.  3º, §4º,  e Lei nº9.430, de 1996, arts.  24,  §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I):  (...)  XIV­  os  juros  compensatórios  ou  moratórios  de  qualquer  natureza,  inclusive  os  que  resultarem  de  sentença,  e  quaisquer  outras  indenizações  por  atraso  de  pagamento,  exceto  aqueles  correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;  Do artigo acima reproduzido, verifica­se que a incidência ou não do imposto  de renda sobre os juros moratórios acompanha o principal. Ou seja, se a verba é tributável os  juros de mora também o são e, ao contrário, se a verba é isenta os juros de mora também serão  isentos.  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.009747/2005­16  Acórdão n.º 2102­002.916  S2­C1T2  Fl. 111          6 No  presente  caso,  os  juros  incidentes  sobre  o  auxílio  funeral  não  foram  levados  à  tributação,  posto  que  no  valor  de  R$ 5.945,09,  já  estão  incluídos  os  juros  correspondentes à parcela do auxílio funeral, conforme se infere do demonstrativo, fls. 11.  Já os juros moratórios incidentes sobre a pensão são tributáveis, nos termos  da legislação acima reproduzida. Logo, correto o lançamento.  Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                                Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS

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5431016 #
Numero do processo: 10925.907283/2012-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 30/12/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 30/12/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor  Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.   (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Esta Contribuinte  transmitiu Declaração  de Compensação  (DComp)  de  PIS  apurado no  regime cumulativo, no valor de R$ 14.763,37,  relativo  a pagamento  indevido ou  maior que o devido efetuado em 14/01/2005.  Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que  a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos  abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não  restando crédito disponível para restituição.  Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que:  a) a DComp refere­se a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins,  em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins;  b)  os  arts.  2º  e 3º,  da Lei  nº  9.718/98,  e  o  art.  195,  I,  “b”,  da Constituição  Federal,  apenas  admitem  como  base  de  cálculo  de  supraditas  contribuições  a  receita  ou  o  faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste  imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento;  c)  o  valor  do  ICMS  está  embutido  no  preço  das mercadorias  por  força  da  legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio  tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle;  d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma  operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada  a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode  extravasar, desse modo,  sob o ângulo do  faturamento, o valor do negócio, ou seja,  a parcela  recebida com a operação mercantil ou similar”;  Pugnou,  ainda,  que  se  atentasse  “para  o  princípio  da  razoabilidade,  pressupondo­se  que  o  texto  constitucional  se  mostre  fiel,  no  emprego  dos  institutos,  de  Expressões  e  vocábulos,  ao  sentido  próprio  que  eles  possuem,  não  merecendo  outras  interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN.  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907283/2012­96  Acórdão n.º 3803­005.781  S3­TE03  Fl. 64          3 Em julgamento da  lide a DRJ/Recife  fez menção à  regra­matriz da base de  cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras  disposições  legais  e  concluiu  não  haver  previsão  para  a  exclusão  do  ICMS  do  faturamento.  Buscou  reforço  em  decisões  do  STJ  e  de  tribunais  regionais. Demais, mencionou  a  falta  de  anexação de provas da alegado indébito.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004  TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO.  RECONHECIMENTO. REQUISITOS.  O  direito  ä  restituição  de  tributo  pago  de  acordo  com  o  valor  confessado  em  DCTF  ativa  quando  da  emissão  do  Despacho  Decisório  exige  a  comprovação,  pelo  sujeito  passivo,  de  erro  nesta  confissão  e  de  que  referido  pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da  legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato  gerador efetivamente ocorrido.  CONTRIBUIÇÃO.  BASE  DE  CÁLCULO.  ICMS.  INCLUSÃO.  O  ICMS,  devido  por  responsabilidade  tributária  própria,  compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo  da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita  à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVAS.  MOMENTO  PARA  APRESENTAÇÃO.  Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16,  do  Decreto  nº  70.235/72,  as  provas  do  direito  creditório  devem  ser  apresentadas  por  ocasião  da  interposição  da  Manifestação  de  Inconformidade,  precluindo  o  direito  de  posterior juntada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Cientificada  da  decisão  em  12  de  outubro  de  2013,  irresignada,  apresentou  recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de  inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art.  62­A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo  Supremo Tribunal Federal.  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 É o relatório.  Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele conheço.  A  presente  controvérsia  cinge­se  à  inclusão  dos  valores  de  ICMS  no  faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep.  Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa  a  se  aplicar  na  interpretação  da  legislação  tributária  relativa  a  tributos  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal  do Brasil  ­ no  exercício da  competência que  cabe  ao CARF  ­,  deve  ser  dosada  no  âmbito  do  controle  de  legalidade  a  que  se  limitam  as  decisões  administrativas.  Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob  exame,  sobresteve  o  julgamento  do  RE  240.785/MG,  em  13/08/2008,  em  face  da  superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente  da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo  da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no  preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro  de 1998[2].   Com  a  perda  da  eficácia  da Medida Cautelar  na  dita ADC,  em  21/9/2010,  nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido  de sobrestamento do presente processo.  A instituição da Cofins pela LC 70/91[3]  inaugurou a delimitação da palavra  faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento  fiscal.   A  alteração  do  PIS/Pasep  pela  MP  nº  1.212/96,  convertida  na  Lei  nº  9.715/98[4],  também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o  ICMS retido pelo  vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.                                                               1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso,  tendo em vista a decisão proferida na ADC 18­5/DF.  Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro  Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008.  2  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:   I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal,  assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer  natureza.  Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da  contribuição, o valor:  a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal;  b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907283/2012­96  Acórdão n.º 3803­005.781  S3­TE03  Fl. 65          5 A  Lei  nº  9.718/98[5]  unificou  a  base  de  cálculo  das  contribuições  e  o  fez  destacando as grandezas que devem ser excluídas da  receita bruta,  a  teor do seu o parágrafo  segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na  condição de substituto tributário.  Sabe­se  que  o  ICMS  é  imposto  que  via  de  regra  incide  na  entrega  de  mercadorias e serviços  e compõe a  sua estrutura de preços. Ao definirem  faturamento,  a LC  70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o  ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI  e o ICMS do substituto tributário.   Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base  de cálculo, o  faturamento, não há como não se considerar que  ficou definido  implícitamente  que  ele  (o  ICMS)  integra  o  faturamento.  Adite­se  que  o  seu  histórico  cálculo  “por  dentro”,  segundo  o  ditame  do Decreto­Lei  nº  406/686  reiterado  pela  LC Nº  87/96[7][8].endossam  esta  conclusão.  Exemplificando:  · ICMS por dentro  Tenha­se, por hipótese o valor de:  Mercadorias em estoque = R$ 830,00  Alíquota do ICMS = 17%                                                                                                                                                                                            4 Art. 3o  Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera­se faturamento a receita bruta, como definida pela  legislação  do  imposto  de  renda,  proveniente  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  do  preço  dos  serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia.  Parágrafo  único.    Na  receita  bruta  não  se  incluem  as  vendas  de  bens  e  serviços  canceladas,  os  descontos  incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI, e o imposto sobre operações relativas  à  circulação  de mercadorias  ­  ICMS,  retido  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário.  5  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:     I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é:   § 7º O montante do  impôsto de circulação de mercadorias  integra a base de cálculo a que se  refere êste artigo,  constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle.   7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada  pela Lcp 114, de 16.12.2002)  I ­ o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle;  § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização,  configurar fato gerador de ambos os impostos.  8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio  imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado  à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos.  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$  830,00/83 % (100% ­ 17%) = R$ 1.000,00  Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00  · Se o cálculo do ICMS fosse por fora  O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia  ao faturamento  Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10;  Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte  do preço da mercadoria  como custo. E  este  é o desenho constitucional deste  imposto  após  a  declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na  forma do transcrito abaixo:  TRIBUTÁRIO.  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  VALOR  DO  IMPOSTO  COMO  ELEMENTO  INTEGRATIVO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  POSSIBILIDADE JURÍDICA.  A  base  de  cálculo  dos  tributos  e  a  metodologia  de  sua  determinação,  porque  constituem  elementos  de  conhecimento  indispensáveis para a definição do quantum  debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei,  em  obediência  ao  princípio  da  legalidade  (CF,  arts.  146,  III,  “a”,  150,  I,  e  CTN,  art.  97,  IV).  Inexiste  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade,  se  a  própria  lei  complementar e a lei local permitem que entre os elementos  componentes  e  formativos da base de cálculo do  ICMS se  inclua o valor do próprio imposto.  É demais  sabido que a ampliação do conceito de  faturamento pelo § 1º, do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98  foi  foco  da  disputa  que  resultou  na  declaração  da  sua  inconstitucionalidade  pelo  STF,  prevalecendo  a  definição  abrangente  apenas  das  receitas  provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da  pessoa jurídica.   Em  vista  de  subsistir  uma  definição  legal  de  faturamento  que  permite  considerar  nele  contido  o  ICMS  normal  ­  segundo  os  dispositivos  acima  destrinçados  ­,  o  Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade  do  §  1º,  do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  poderia  ter  declarado  a  inconstitucionalidade,  sem  redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita  bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazê­lo e não o fez, para tornar  livres  de  mais  questionamentos  os  seus  contornos,  o  juízo  que  proferiu,  tendo  como  alvo  apenas  o  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98,  ao  contrário  de  se  reputá­lo  omisso,  endossa  o  entendimento  de  inclusão  do  ICMS  no  faturamento.  Entender  diferente  está  a  depender  de  novo posicionamento daquele Tribunal.  A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é  a  de  que  o  imposto  é  ‘cobrado’  do  comprador  pelo  vendedor,  e,  assim,  representa  um  ônus  tributário  que  é  repassado  ao  Estado;  logo,  por  não  configurar  circulação  de  riqueza,  não  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907283/2012­96  Acórdão n.º 3803­005.781  S3­TE03  Fl. 66          7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a  suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG.  A  tese  já  foi  contraposta  com  sólido  argumento  por  Hugo  de  Brito  Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS  componente  do  preço  é  receita  do  Estado  é  um  equívoco  conceitual  relacionado  à  sujeição  passiva  do  ICMS. O  vendedor  é  o  contribuinte  de  direito,  não  atua  como  um  intermediário  entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não  do  adquirente.  O  ônus  correspondente  ao  valor  do  imposto  é  suportado  pelo  adquirente  somente  por  meio  do  pagamento  do  preço,  que  é  a  contrapartida  do  fornecimento  de  mercadorias  e  serviços.  Resultante  dessa  continência,  tal  valor  ingressa  no  patrimônio  do  alienante e compõe o seu faturamento[10].  Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro  Eros Grau manifestou­se nesse mesmo sentido, verbis:  O Min.  Eros Grau,  em  divergência,  negou  provimento  ao  recurso por considerar que o montante do ICMS integra a  base  de  cálculo  da  COFINS,  porque  está  incluído  no  faturamento,  haja  vista  que  é  imposto  indireto  que  se  agrega ao preço da mercadoria.  Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos  serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente  do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é  demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo:  a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta  de destaque do  imposto  e de posterior  recolhimento,  não  afeta  a  relação  jurídica de  sujeição  passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários;  b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão  da  nota  fiscal  não  configura  o  crime  de  apropriação  indébita,  mas  o  de  sonegação  fiscal,                                                              9  Citado  por  Anselmo  Henrique  Cordeiro  Lopes,  in  A  inclusão  do  ICMS  na  Base  de  Cálculo  da  COFINS,  disponível  em  http://jus.com.br/artigos/9674/a­inclusao­do­icms­na­base­de­calculo­da­cofins/2;  data  de  acesso:  22.12.2013.  10 No ICMS­ST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de  Normas Gerais do  ICMS, LC 87/96,  ao manter  na  relação  jurídica  tributária o  adquirente,  por  legitimá­lo para  repetir  indébito  ou  pagamento  a  maior  do  imposto  recolhido  pelo  substituto,  subverte  a  lógica  própria  desse  regime e  faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e  torna de  terceiro os  custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado  pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71,  I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento  fiscal terá como sujeito passivo o vendedor.  Por  fim,  nesta  segunda  fase  recursal,  a Recorrente nenhum elemento  anexa  referente às provas, cujo ônus é seu.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 25 de março de 2014  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10510.723656/2011-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ADE. EFEITOS. A matéria controvertida constante destes autos diz respeito à exclusão da empresa do sistema Simples Nacional, ocorrida em 08/09/2011, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 25. Como é sabido, um dos efeitos acarretados pela exclusão, é a sujeição da empresa às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, ao invés do pagamento dos tributos de forma simplificada e com alíquotas bem menores, a empresa excluída retorna à regra geral, devendo pagar seus tributos do mesmo modo que as empresas que não integram o referido sistema. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 2          1 1  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10510.723656/2011­69  Recurso nº  10.510.723656201169   Voluntário  Acórdão nº  2803­003.220  –  3ª Turma Especial   Sessão de  14 de abril de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  COLÉGIO DO SALVADOR II LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010   PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ADE. EFEITOS.  1.  A matéria controvertida constante destes autos diz respeito à exclusão da  empresa  do  sistema  Simples  Nacional,  ocorrida  em  08/09/2011,  por  intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 25.  2.  Como é sabido, um dos efeitos acarretados pela exclusão, é a sujeição da  empresa  às normas de  tributação aplicáveis  às demais pessoas  jurídicas,  ou  seja,  ao  invés  do  pagamento  dos  tributos  de  forma  simplificada  e  com  alíquotas  bem menores,  a  empresa  excluída  retorna  à  regra  geral,  devendo  pagar  seus  tributos  do  mesmo modo  que  as  empresas  que  não  integram  o  referido sistema.  Recurso Voluntário Negado        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente     (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 36 56 /2 01 1- 69 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 3          2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima  (Presidente),  Paulo  Roberto  Lara  dos  Santos,  Eduardo  de  Oliveira,  Amilcar  Barca  Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 4          3 Relatório    Trata­se  de  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  (AIOP)  lavrado  em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado,  relativamente  a  contribuições  sociais  destinadas  aos Terceiros, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria.      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A impugnação foi julgada em 11 de junho de 2013 e ementada nos seguintes  termos:    ASSUNTO: Outros Tributos e Contribuições  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  DESTINADAS  A  OUTRAS  ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). INCIDÊNCIA.  Compete  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  a  arrecadação  e  fiscalização  das  contribuições  devidas  a  Terceiros  (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art.  3º, da Lei n. 11.457, de 2007.  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  NACIONAL.  EFEITOS  DA  EXCLUSÃO.  Havendo exclusão do Simples Nacional, a empresa excluída  sujeitar­se­á, a partir do período em que se processarem os  efeitos da exclusão, às normas de  tributação aplicáveis às  demais pessoas jurídicas, tornando­se, portanto, descabida  a suspensão do julgamento do processo de exigibilidade do  crédito tributário não levado à tributação.  GRUPO ECONÔMICO. EXCLUSÃO DO SIMPLES.  A constituição de várias empresas que ocupam um mesmo  espaço físico, desenvolvem o mesmo objeto social (ensino),  utilizam o mesmo corpo funcional e bens móveis e imóveis,  estão  sob  a  direção,  controle  ou  administração  de  um  mesmo conjunto de pessoas, e cujos sócios possuem grau de  parentesco  ou  afinidade  entre  si,  objetivando  reduzir  custos,  usufruir  tributação  privilegiada  e  pulverizar  receitas, caracteriza constituição de grupo econômico.  Caracterizado  o  grupo  econômico  de  fato,  deve  ser  observado se o valor da soma das receitas brutas auferidas  pelas empresas envolvidas ultrapassa o limite de que trata  o  inciso  II  do  caput  do  art.  3º  da  Lei  Complementar  123/2006, sob pena de ficar evidenciado o exercício ilegal  da  opção  pelo  Simples  Nacional.  Extrapolado  o  limite,  ficam  as  empresas  integrantes  do  grupo  econômico  excluídas do Simples Nacional.  As contribuições devidas a outras entidades ou fundos não  estão  inseridas  na  responsabilidade  solidária  prevista  no  inciso  IX  do  art.  30  da  lei  8.212,  de  24/07/1991,  pois  as  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 5          4 mesmas foram instituídas por leis específicas e não pela Lei  nº 8.212, de 24/07/1991.  DESCRIÇÃO PRECISA DO FATO GERADOR.  A exata determinação do  fato gerador evita entendimentos  contraditórios  a  seu  respeito,  deixando  de  gerar  insegurança e incerteza para o contribuinte, permitindo que  este, sem qualquer restrição, exerça seus direitos de defesa.  OMISSÃO  EM  GFIP.  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  NACIONAL. EFEITOS.  A  omissão  de  informações  relativas  a  segurados  contribuintes individuais nas GFIP apresentadas autoriza a  exclusão de ofício do Simples Nacional, produzindo efeitos  a partir do próprio mês em que a empresa incorreu em tal  situação.  ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  conforme parágrafo único do art. 142, do CTN. O julgador  de  instância  administrativa  não  possui  competência  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade  da  legislação  previdenciária.  A  autoridade  administrativa  está  adstrita  aos atos normativos elaborados pelo Poder Executivo, não  sendo  de  sua  competência  discutir  sobre  ilegalidade  ou  inconstitucionalidade dos mesmos.  EXCESSO DE EXAÇÃO.  Não comete excesso de exação a autoridade fiscal que age  nos  termos  da  legislação  tributária,  comprovando  a  ocorrência do fato gerador, bem como a base de cálculo do  tributo cobrado.  JUROS MORATÓRIOS. LEGALIDADE.  Com  a  publicação  da MP  449,  de  04.12.2008,  convertida  na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, a taxa SELIC passou a ser  aplicada  a  partir  do  primeiro  dia  do mês  subsequente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento.  Apenas  no  mês  de  pagamento  o  percentual  de  juros  de  mora corresponderá a 1% (um por cento).  CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA E DOS JUROS.  A vedação de confisco pela Constituição Federal é dirigida  ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas  aplicar a multa nos moldes da legislação em vigor.  MULTA DE OFÍCIO.  A Lei nº 8.212 de 24/07/1991, art. 35­A, combinado com o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  nº  9.430,  de  27/1296,  na  redação  dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.951, de  27/05/2009,  estabelece  que  nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativo às  contribuições  sociais,  aplica­se multa de  ofício no percentual de 75%.    Impugnação Improcedente    Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 6          5 Crédito Tributário Mantido    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­ Conforme se infere do teor do acórdão proferido, a impugnação apresentada  pelo recorrente fora julgada improcedente, mantendo­se por consequência de maneira integral  os  lançamentos  tributários,  com os  acréscimos  legais  correspondentes  inclusive as multas de  ofício de 75% (setenta e cinco por cento).      ­  O  auto  de  Infração  ora  guerreado  foi  lavrado  ao  argumento  de  que  há  diferença  nos  valores  que  deveriam  ter  sido  recolhidos  em  razão  da  exclusão  do  SIMPLES  NACIONAL pelo Ato Declaratório Executivo nº 25, de 08/09/2011.      ­ No entanto, de logo, convém frisar que o referido processo de exclusão do  SIMPLES  (10510.723287/2011­12)  encontra­se  em  grau  de  recurso  no  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Portanto, a decisão de exclusão  não possui caráter definitivo, sendo que o crédito tributário dela decorrente está, por força de  lei,  com a sua exigibilidade suspensa,  razão pela qual não pode e não deve ser cobrado pela  administração fazendária.      ­ Ocorre que o Auditor­fiscal houve por bem desconsiderando o fato de que a  decisão de exclusão ainda não é definitiva, vindo a exigir os créditos tributários sob a alegação,  equivocada de que não houve o recolhimento integral dos tributos devidos.      ­  A  recorrente  está  sendo  autuada  duas  vezes  pelos  mesmos  fatos  e  pelo  mesmo período. A recorrente já foi autuada pelos fatos e período aqui discutidos no processo  nº 10510.723655/2011­14.      ­  A  autoridade  fiscal  ao  fiscalizar  o  contribuinte  optante  pelo  Simples  é  obrigada a dispensar, por força de lei, um tratamento jurídico diferenciado às microempresas e  às empresas de pequeno porte.      ­  é  nulo  o  Auto  de  Infração,  em  face  da  sua  manifesta  impropriedade,  especialmente por não haver a  justa causa para a sua  lavratura contra o  recorrente,  tendo em  vista inexistir qualquer ilicitude, muito menos a indicada no Auto de Infração.      ­ A multa de 75% é ilegal, confiscatória, abusiva e imoral.      ­ A taxa SELIC é manifestamente inconstitucional.      ­ Diante do exposto, data vênia, requer­se o provimento do presente recurso,  a fim de que sejam acolhidas as preliminares arguidas, decretando­se a nulidade plena do Auto  impugnado  (sobretudo  pela  duplicidade  da  autuação  com  relação  ao  processo  nº  10510.723655/2011­14),  onde  a  recorrente  já  foi  autuada  pelo  período  e  pelos  fatos  aqui  debatidos),  mas,  no  caso  de  serem  ultrapassadas,  no  mérito  deverá  ser  provido/julgado  procedente  o  presente  recurso,  para  fins  de  reconhecer  a  ocorrência  de  nulidade  absoluta  do  Auto  de  Infração  por  exigir  recolhimento  de  crédito  tributário  em  desacordo  com  o  mandamento legal do art. 151, III, do CTN, além da jurisprudência pacífica do CARF e; caso  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 7          6 mantido o acórdão recorrido, a sua suspensão deverá ser decretada por força do que determina  o aludido art. 151, III; extinguindo, assim, definitivamente o crédito tributário exigido.      ­ Em caso de manutenção da exigência  fiscal,  requer­se a  redução da multa  para  índice  inferior  20%  (vinte  por  cento),  tendo  em  vista  que  o  patamar  estabelecido  pela  multa fiscal é considerado como sendo de natureza confiscatória no entendimento do supremo  Tribunal Federal, bem como seja adequada a taxa de juros de mora ao percentual estabelecido  no  art.  59  da  Lei  8.383/91  (1%  a.m.),  taxa  esta  que  deverá  incidir  até  a  data  do  efetivo  pagamento.    Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 8          7 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.      A  matéria  controvertida  constante  destes  autos  diz  respeito  à  exclusão  da  empresa  do  sistema  Simples  Nacional,  ocorrida  em  08/09/2011,  por  intermédio  do  Ato  Declaratório Executivo nº 25.      Como  é  sabido,  um  dos  efeitos  acarretados  pela  exclusão,  é  a  sujeição  da  empresa às normas de  tributação aplicáveis às demais pessoas  jurídicas, ou seja,  ao  invés do  pagamento  dos  tributos  de  forma  simplificada  e  com  alíquotas  bem  menores,  a  empresa  excluída retorna à regra geral, devendo pagar seus tributos do mesmo modo que as empresas  que não integram o referido sistema.      Outro importante efeito da decisão de exclusão é a bifurcação de recursos que  a  empresa  é  obrigada  a  manejar  para  não  ter  que  pagar  a  tributação  maior  imposta  pelo  ordenamento jurídico. Ou seja, o contribuinte, nessas condições, acaba tendo que se defender  especificamente  dos  efeitos  da  exclusão,  matéria  que  será  discutida,  em  segundo  grau  administrativo, na 1ª Seção do CARF, como também, em segundo grau administrativo, terá que  se defender do lançamento da diferença perante a 2ª Seção do CARF.      Assim  sendo,  apesar  de  os  assuntos  serem  discutidos,  em  segundo  grau  administrativo, no mesmo conselho, deve­se destacar que, para a situação concreta, os recursos  não  têm  efeito  suspensivo. Contudo,  na  hipótese de  a  empresa  recuperar  as  prerrogativas  de  optante do Simples Nacional na decisão que será prolatada na 1ª Seção do CARF, tal fato, por  óbvio, deverá ser observado pela autoridade administrativa quando os autos baixarem à origem.      Destarte, a questão de a decisão sobre a exclusão ainda não ser definitiva, não  constitui fato impeditivo para o prosseguimento do julgamento do tributo lançado.      De  outra  parte,  também  é  irrelevante  a  informação  de  que  a  empresa  foi  autuada  duas  vezes  pelos  mesmos  fatos  e  pelo  mesmo  período  (Processo  nº  10510.723655/2011­14).       Nestes autos se discute as contribuições sociais destinadas aos Terceiros, não  declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria. No processo 10510.723655/2011­14,  em  trâmite  perante  a  4ª  Câmara  da  Segunda  Seção  do  CARF  a  discussão  versa  sobre  as  contribuições relativas à cota patronal, bem como a dos segurados.      Vê­se,  portanto,  que  apesar  de  se  tratar  de  um  mesmo  período,  as  verbas  constantes  de  cada  um  dos  processos  são  distintas,  situação  que  afasta  completamente  o  argumento do contribuinte.    Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10510.723656/2011­69  Acórdão n.º 2803­003.220  S2­TE03  Fl. 9          8   Como se pode observar, não existe qualquer hipótese de anulação do auto de  infração, como pretende o contribuinte. O lançamento foi realizado em perfeita harmonia com  a legislação em vigor, em especial o art. 142 do CTN.      No  que  se  refere  à  multa  aplicada,  o  contribuinte  afirma  que  ela  é  ilegal,  confiscatória, abusiva e imoral. No ponto, nada a prover. Na aplicação da multa, a autoridade  administrativa  já  observou  a  regra  estabelecida  na  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.      Sobre a suposta inconstitucionalidade da taxa SELIC, também não vislumbro  qualquer possibilidade de alteração do que consta nos autos. De acordo com a Súmula CARF  nº 4: “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários  administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à  taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”.      Tendo em vista o acerto da fiscalização na constituição do crédito tributário  ora  em  discussão,  bem  como  os  corretos  apontamentos  contidos  na  decisão  recorrida,  nego  provimento ao recurso aviado pelo contribuinte.      CONCLUSÃO.      Pelo  exposto,  voto  por CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, NEGAR­ LHE PROVIMENTO.       É como voto.      (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

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Numero do processo: 19515.003650/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos De Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/2007­10  Resolução nº  1102­000.235  S1­C1T2  Fl. 3          2 Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   DECADÊNCIA.  Sendo o lançamento datado de 30/11/2007, conclui­se que ocorreu a decadência em  relação aos períodos anteriores a 30/11/2002. Preliminar deferida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   DILIGÊNCIA.  Não é necessária a realização de diligência em terceiro para apurar fatos relativos a  este processo.  INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.  A  instância  administrativa  não  se  manifesta  a  respeito  de  supostas  inconstitucionalidades e/ou ilegalidades da legislação tributária.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   PAGAMENTOS SEM CAUSA. BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS.  Os  pagamentos  à  administradora  de  sistemas  de  incentivo  a  empregados  ­  que  supostamente  pagaria  prêmios  por  produtividade  e/ou  desempenho  a  funcionários  do  interessado ­ configuram pagamentos sem causa, pois não há prova da efetiva prestação  e  tampouco  dos  resultados  individuais  que  justificariam  os  prêmios,  e  também  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  pois  os  reais  recebedores  dos  supostos  prêmios não foram identificados.  Lançamento Procedente em Parte.”  O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis:  “O  interessado  foi  autuado  no  IRRF  sobre  pagamentos  sem  causa  e/ou  a  beneficiários não  identificados, à alíquota de 35% sobre a base de cálculo  reajustada,  em 30/11/2007,  relativamente  a  fatos  geradores  dos  anos­calendário  de  2002  a 2005,  tendo  sido  exigido  o  crédito  tributário  total  de R$  11.420.867,32,  incluindo  imposto,  multas de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2007 (fis. 1 a 398).  A  causa  da  autuação  foi  a  constatação,  por  parte da  fiscalização,  da  existência de  pagamentos  à  empresa  "Incentive  House  Prom.  Ser.  Ltda.",  no  total  de  R$  8.627.826,85,  anos  em  tela,  sem  que  o  interessado  identificasse  os  beneficiários  dos  cartões  "Flexcard”,  as  funções  de  cada  um,  os  objetivos  dessas  despesas  e  sua  real  necessidade,  de  forma  que  restaram  caracterizados  pagamentos  sem  causa  a  beneficiários não identificados (fls. 379 a389).  O auto de  infração de  IRRF  foi  lavrado com  fundamento  legal no  art.  674 e  seus  parágrafos do RIR/99.  Houve autuação, no IRPJ e na CSLL, com glosa dessas despesas, no processo de n.°  19515.003649/2007­95.  Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/2007­10  Resolução nº  1102­000.235  S1­C1T2  Fl. 4          3 A empresa apresentou impugnação, em 27/12/2007 (fls. 402 a 409), por meio de seu  procurador (fls. 409 a 422), alegando, em resumo, que:  1  ­  é  preciso  realizar  diligência  na  contratada  para  responder  a  alguns  quesitos  apontados;  2  ­  ocorreu  a  decadência  em  relação  aos  fatos  geradores  de  2002,  com  base  nos  argumentos de praxe;  3  ­  os  pagamentos  têm  destinatário  identificado  e  causa  conhecida,  pois  os  pagamentos à empresa "que presta os serviços motivacionais por meio de sistemas de  premiação  aos  funcionários  que  alcançam maior  produtividade"  foram  contabilizados  com  base  em  notas  fiscais  regulares  e  tais  serviços  contribuíram  para  a  impugnante  atingir  suas  metas  de  vendas,  de  forma  que  foram  "concedidos  prêmios  pelo  maior  desempenho"  de  funcionários  da  impugnante,  prêmios  que,  no  seu  entender  e  no  da  contratada,  "não  têm  natureza  de  remuneração  e  por  isso  não  estão  sujeitos  à  tributação",  pois  "prêmios  eventuais  não  podem  ser  equiparados  à  remuneração,  que  pressupõe habitualidade, vinculação hierárquica, etc.";  4 ­ o Fisco presumiu que os valores dos pagamentos efetuados à contratada tiveram  como  destinatários  funcionários  que  teriam  sido  beneficiados  com  verbas  sujeitas  à  tributação;  5  ­  a  base  legal  da  autuação  fere  os  arts.  30  e  43  do  CTN,  pois  imposto  não  é  penalidade e pagamento não é renda; portanto, a multa representa um "bis in idem"; 6 ­  não pode haver presunção de pagamento indireto, nem de que o beneficiário seja pessoa  distinta da indicada na escrituração contábil e na documentação fiscal;  7  ­  não  cabe  aplicar  diretamente  a  base  legal  em  tela  quando  existe  indicação  do  beneficiário  do  pagamento,  bem  como  indicação  da  causa  da  operação,  exceto  se  o  Fisco houvesse desqualificado tais elementos, o que não ocorreu, mas que teria exigido  provas diretas e não presunção;  8  ­  a  aplicação  indireta  dessa  base  legal,  para  atingir  as  supostas  remunerações,  corresponde a mera presunção;  9 ­ a empresa contratada é que deveria ser o alvo do Fisco para descobrir a relação  dos funcionários que receberam os prêmios, pois somente ela possui essa relação.”  O  acórdão  recorrido  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em  síntese,  (i)  reconheceu  a  decadência  do  direito  de  o  Fisco  constituir  créditos  tributários  anteriores  a 30.11.2002,  considerada  a  ciência do  lançamento ocorrida  em 30.11.2007;  e  (ii)  manter  os  demais  créditos  tributários  lançados  (posteriores  a  30.11.2002),  por  ausência  de  prova  a  respeito  da  causa  e  da  identificação  dos  beneficiários  dos  pagamentos  realizados  a  título de programa de incentivo.  Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  Contribuinte  reproduz  suas  alegações  de  impugnação,  especialmente  no  que  se  refere:  (i)  à  nulidade  dos  lançamentos,  em  razão  da  impossibilidade  da  dupla  qualificação  do  mesmo  fato,  tendo  em  vista  que,  por  um  lado,  a  Fiscalização  Previdenciária  teria  caracterizado  os  valores  pagos  pela  Contribuinte  como  remuneração dos seus empregados, e, por outro lado, a Fiscalização do Ministério da Fazenda  entendeu que tais valores seriam "pagamentos a beneficiários não identificados”; (ii) o art. 61  da  Lei  nº  8.981/95  teria  instituído  uma  penalidade,  dissimulada  como  imposto  de  renda  na  fonte, para punir o "pagamento a beneficiário não identificado", em contrariedade ao art. 3º do  Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/2007­10  Resolução nº  1102­000.235  S1­C1T2  Fl. 5          4 CTN e  caracterizando,  em  conjunto  com a multa  de  ofício,  "bis  in  idem" na penalização  do  contribuinte; (iii) o Fisco não poderia presumir a ocorrência de pagamento a beneficiário não  identificado;  (iv)  os  pagamentos  contabilizados  teriam  beneficiário  identificado  (a  empresa  Incentive  House)  e  causa  igualmente  conhecida,  qual  seja,  o  programa  de  incentivo  aos  funcionários  da  Contribuinte;  (v)  a  aplicação  do  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95  exigiria  a  desqualificação  da  contratação  entre  a  Contribuinte  e  a  empresa  Incetive  House,  o  que  não  aconteceu  no  caso.  Segundo  a Contribuinte,  o  art.  61  da Lei  nº  8.981/95  teria  sido  aplicado  "indiretamente:  sem  prova  da  ausência  de  efetividade  da  operação  contratada";  (vi)  a  Fiscalização deveria ter intimado a empresa Incentive House para que fosse disponibilizada a  relação de funcionários que receberam os prêmios; (vii) como a empresa Incentive House teria  sido contratada para gerir o programa, seria cabível a realização de diligência para que fossem  identificados os  funcionários beneficiários dos  incentivos;  e  (viii)  com base nos documentos  anexados ao recurso voluntário, os beneficiários teriam sido identificados.  Esse  processo  foi  originariamente  distribuído  para  exame  da  2a  Turma  Ordinária,  da  Primeira  Câmara  da  Segunda  Seção  do  CARF,  a  qual  declinou  da  respectiva  competência por meio do Acórdão n. 2102­002.468, assim ementado, verbis:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF   Ano calendário: 2002, 2003, 2004, 2005   IRRF.INFRIGÊNCIA  À  LEGISLAÇÃO  DO  IRPJ.  COMPETÊNCIA  DAS   TURMAS DA 1ª SEÇÃO DO CARF.  É  de  competência  das  Turmas  da  1ª  Seção  do  CARF  os  litígios  envolvendo  o  Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes  ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em  fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à  tributação do IRPJ. Recurso voluntário que deve ser enviado para a 1ª Seção do CARF,  para sorteio.  Recurso não conhecido no âmbito das Turmas da 2ª Seção do CARF.”  É o relatório.    Voto  Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho  Os  recursos  de  ofício  e  voluntário  atendem  aos  pressupostos  de  admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento.   Conforme  se  depreende  do  relatório  supra,  o  lançamento  de  IRRF  objeto  deste PA decorre do fato de que a Contribuinte não teria identificado os beneficiários, a causa e  o  efetivo  pagamento  (a  esses  beneficiários)  de  valores  objeto  do  contrato  de  prestação  de  serviços e outras avenças celebrado com "Incentive House Prom. Ser. Ltda.", cujo objeto é a  prestação  de  serviços  de  incentivo  e  fidelização,  mediante  utilização  do  cartão  eletrônico  denominado  Cartão  Flexcard.  (que  seria  entregue  aos  beneficiários  em  contrapartida  ao  cumprimento de metas de trabalho e performance). Veja­se, nesse sentido, trecho do termo de  verificação fiscal, verbis:  Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/2007­10  Resolução nº  1102­000.235  S1­C1T2  Fl. 6          5 “No exercício das funções de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, e dando  seqüência  aos  exames  fiscais  iniciados  em  28/02/07,  bem  como  à  Intimação  de  05/04/07,  verifiquei  que  a  empresa  em  epígrafe  utilizou­se  do  cartão  Flexcard  com  pagamentos à Incentive House Prom.Serv. Ltda., num total de R$ 8.627.826,85, para os  anos­calendário  de  2002  a  2005,  conforme  relação  em  anexo  fornecida  pelo  contribuinte.  Em  expediente  de  12/06/07,  o  contribuinte  informa  que  ainda  não  localizou  os  documentos necessários e que haviam sido solicitados na Intimação de 05/04/07, quais  sejam: beneficiários dos cartões Flexcard, o valor colocado à disposição do usuário, as  funções  de  cada  um na  empresa,  os  objetivos  dessas  despesas  e  sua  real  necessidade  para  as  atividades  da  empresa.  Tendo  em  vista  que  até  o  momento  a  empresa  não  identificou  os  beneficários,  fica  constatado  que  tais  despesas  são  desnecessárias  às  atividades do contribuinte, posto que se referem a pagamentos sem causa, bem como a  não identificação dos beneficiários, nos termos dos arts. 304 e 674, parágrafos 1o, 2° e  3°, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim expressos:”  Em impugnação e recurso voluntário, a Contribuinte traz notícia da lavratura  de  lançamento para a exigência de contribuições previdenciárias sobre esses mesmos valores  (DEBCAD  n.  37.013.523­7  e  Auto  de  Infração  n.  37.013.524­5,  de  26.10.2006).  Paradoxalmente, a acusação fiscal nesse lançamento previdenciário,  lavrado anteriormente ao  lançamento objeto deste PA, é o efetivo pagamento de remuneração (indireta) a beneficiários  que prestaram serviços à Contribuinte no período respectivo.  O acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre a  intuitiva “contradição”  entre  as  acusações  acima  citadas.  Ao  contrário,  negou  expressamente  que  o  Fisco  tivesse  reconhecido  o  destino  dos  recursos  aos  funcionários1.  Sem  adentrar  ao  exame  do mérito  do  recurso,  é  seguro  afirmar  que uma de  duas:  (a)  ou  bem os  pagamentos  em  referência  foram  feitos em contrapartida à prestação de serviços por trabalhadores pessoas físicas (empregados  ou  não)  perfeitamente  identificados,  o  que  poderia  levar  à  procedência  do  lançamento  previdenciário mas, em contrapartida, à improcedência dos autos de infração objeto desse PA  (já que, nessa hipótese, não haveria que se falar em pagamento a beneficiário não identificado);  (b) ou bem os pagamentos em referência não foram destinados a beneficiários pessoas físicas  que prestaram serviços à Contribuinte, o que poderia levar à procedência dos autos de infração  sob julgamento, mas certamente implicaria insubsistência do lançamento previdenciário.  Nesse sentido, ante a contradição levada a efeito pela própria RFB e demais  elementos constantes dos autos,  indispensável a  conversão do  julgamento em diligência para  que  seja  adotada  pela  E.  Delegacia  da  Receita  Federal  da  jurisdição  da  Contribuinte  as  seguintes providências:  (  i  )  sejam  juntados  aos  autos  cópia  integral  do  Processo  Administrativo  relativo  aos  lançamentos  de  contribuições  previdenciárias,  cujo  traslado deverá fazer especial destaque aos documentos que serviram  de  base  para  a  RFB  constituir  créditos  de  contribuições  previdenciárias;  ( ii )  seja intimada a Contribuinte e a Incentive House para que esta informe  a  relação  discriminada  de  todos  os  beneficiários  aos  quais  foram                                                              1 "É improcedente o argumento de que o Fisco presumiu que os valores dos  pagamentos efetuados à contratada tiveram como destinatários funcionários, pois a própria impugnante sustenta o  fato, embora sem quaisquer provas.  Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003650/2007­10  Resolução nº  1102­000.235  S1­C1T2  Fl. 7          6 entregues os Cartões Flexcard de que trata o contrato de prestação de  serviços objeto desse processo administrativo, com (a) identificação de  nome, CPF e endereço; (b) indicação de datas e valores, acompanhada  dos  respectivos comprovantes de entrega ou qualquer outro elemento  de  prova  que  comprove  tal  entrega  e  (c)  indicação  do  vínculo  respectivo do beneficiário com a Contribuinte. Caso os cartões sejam  entregues  diretamente  à  Contribuinte  para  repasse  aos  beneficiários,  intimar  a  Contribuinte  para  que  forneça  os  comprovantes  de  entrega  dos  cartões  aos  beneficiários  ou  qualquer  outro  documento  que  lhes  faça as vezes;  ( iii ) verificar e atestar, de forma conclusiva e fundamentada, em diligência  perante a Contribuinte, Incentive House e, a critério da Fiscalização, os  beneficiários,  (a)  a  correção  dos  dados  informados  pela Contribuinte  na  planilha  de  que  trata  o  item  (ii)  supra;  e  (b)  quais  beneficiários  possuem vínculo de trabalho (com vínculo de emprego ou não) com a  Contribuinte, indicando especificamente em relação a cada um deles a  natureza do respectivo vínculo, as datas e os valores por eles recebidos  por força dos Cartões Flexcard, cotejando as informações com as notas  fiscais emitidas pela Incentive House.   (  iv)  Para  a  providência  solicitada  no  item  (iii)  supra  pede­se  sejam  verificados  também  extratos  dos  cartões  e  outros  documentos  bancários  que  possam  comprovar  as  informações  constantes  da  planilha  referida  no  item  (ii)  e  a  efetiva  fruição  dos  valores  pelo  respectivo beneficiário.  Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de  Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar,  no prazo de 30 (trinta) dias, querendo.    (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Guidoni Filho     Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME

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Numero do processo: 11516.004178/2009-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA É improcedente a legação de utilização de prova ilícita, quando restar demonstrado que os documentos originários da investigação policial foram desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em litígio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. TRIBUTAÇÃO. O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o “Lucro Líquido” e o lucro que serve de base para o pagamento das participações dos administradores é o chamado “Lucro Depois do Imposto de Renda”. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos do resultado do exercício. Se os "lucros" a que se refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido, não há que se falar em extensão da isenção legal aos lucros pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado Lucro Depois do Imposto de Renda. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao ano-calendário de 2006. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 506          1 505  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.004178/2009­82  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.387  –  1ª Turma Especial   Sessão de  18 de fevereiro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  JOAQUIM ROBERTO VANHONI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2007, 2008  NULIDADE DO LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA  É  improcedente  a  legação  de  utilização  de  prova  ilícita,  quando  restar  demonstrado  que  os  documentos  originários  da  investigação  policial  foram  desconsiderados, não mais integrando o procedimento administrativo ora em  litígio.   OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO.  SÚMULA CARF Nº 26:   A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de  comprovar o consumo da  renda  representada pelos depósitos bancários  sem  origem comprovada.  DISTRIBUIÇÃO  DE  LUCROS.  ISENÇÃO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS. TRIBUTAÇÃO.  O lucro que serve de base para pagamento de lucros ou dividendos aos sócios  ou  acionistas  é  o  “Lucro  Líquido”  e  o  lucro  que  serve  de  base  para  o  pagamento  das  participações  dos  administradores  é  o  chamado  “Lucro  Depois  do  Imposto  de  Renda”.  Este  difere  do  Lucro  Líquido,  posto  que  o  antecede  nos  cálculos  do  resultado  do  exercício.  Se  os  "lucros"  a  que  se  refere o art. 10 da Lei nº 9.249/1995 é aquele proveniente do Lucro Líquido,  não  há  que  se  falar  em  extensão  da  isenção  legal  aos  lucros  pagos  aos  administradores  da  pessoa  jurídica,  uma  vez  que  estes  são  destinações  do  chamado Lucro Depois do Imposto de Renda.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 78 /2 00 9- 82 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 507          2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento  ao  recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin  (Relatora) que davam provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos  no valor de R$ 463.623,37, referente ao ano­calendário de 2006. Designado para redigir o voto  vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.    Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente e Relatora.    Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida – Redator Designado.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida  e  Marcio  Henrique  Sales  Parada.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Luiz  Cláudio Farina Ventrilho.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  6ª  Turma da DRJ/FNS/SC.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  “Mediante  auto  de  infração  de  folhas  273  a  280,  exige­se  do  contribuinte acima identificado a importância de R$ 168.105,87  de Imposto de Renda Suplementar, acrescido de multa de ofício  de  75%  e  de  juros  de  mora,  relativo  aos  anos­calendários  de  2006 e2007.  Conforme  consta  do  referido  auto  de  infração,  os  fatos  que  o  originou  foram:  1)  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos bancários com origem não identificada, no valor de R$  155.185,67,  creditados  em  conta­corrente  no  ano  de  2007,  e  2)omissão de rendimentos, mantidos à margem de tributação, no  importe de R$ 463.623,37, relativa ao ano­base de 2006.  Do procedimento fiscal:  De  acordo  com  os  Termos  de  Verificação  Fiscal  e  de  Encerramento  de  Procedimento  Fiscal  (fls.  281  a  292),  os  autuantes relatam, em resumo, o que segue:  Pelo Mandado de Procedimento Fiscal  ­ Fiscalização (MPF­F)  n°  0920400.2008.00282­2,  foi  determinado  à  realização  de  procedimento de fiscalização no contribuinte em epígrafe, tendo  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 508          3 por  escopo  o  tributo  IRPF  (Imposto  de  Renda  Pessoa  Física),  período  de  01/01/2007  a  31/12/2007. Ulteriormente,  o  período  abrangido  pelo  procedimento  foi  alterado,  com  a  inclusão  do  ano de 2006 no escopo da verificação.  A instauração efetiva do procedimento processou­se pelo Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,  por  meio  do  qual  foram  demandadas  as  informações  e/ou  elementos  reputados  necessários  ao  desenlace  da  investigação.  Além  deste  termo,  também  foram  lavradas  quatro  intimações  fiscais  contra  o  fiscalizado,  visando  à  obtenção  de  documentos  e/ou  esclarecimentos acerca de possíveis  fatos geradores de imposto  de  renda,  bem  como  intimações  em  desfavor  de  terceiro:  TC  Transporte e Logística Ltda.  Na esteira dos procedimentos realizados, restaram configuradas  às infrações a seguir explicitadas:  1) Rendimentos  Tributáveis Não Oferecidos  à  Tributação Após  as  intimações  realizadas,  com  os  respectivos  atendimentos,  verificaram­se  adiantamentos  ao  sócio  Joaquim  nos  valores  de  R$ 763.775,03 e de R$ 235.561,27 (R$ 152.187,07 + 1/3 de R$  250.122,59), nos anos de 2006 e 2007, respectivamente, que, em  princípio, não integravam a sua Declaração de Ajuste Anual.  A  propósito  de  informar  ao  beneficiário  os  valores  assim  levantados, dentre outros, foi produzida a Intimação Fiscal n° 04  (fls.  228  a  231).  por meio  da  qual  o  contribuinte  foi  instado  a  confirmar,  ou  não,  os  eventos  especificados,  bem  como  a  esclarecê­los à luz das suas declarações de ajuste. Em resposta,  o interessado confirmou o recebimento.  No  entanto,  a  despeito  dos  adiantamentos  efetivamente  consignados ao sócio Joaquim, por ocasião dos lançamentos de  baixa  nada  lhe  foi  atribuído,  consoante  evidenciam  os  razões  contábeis acostados às fls. 251 a 262. Além disso, a distribuição  ao  final  registrada  também  se  apresenta  absolutamente  incongruente, notadamente em relação à participação no capital  social, que não respeitava o percentual de participação de cada  sócio. A empresa, em esclarecimento à fiscalização, alegou que  utiliza critérios diversos da proporcionalidade.  Em  face  das  circunstâncias  suso  explicitadas,  restou  demonstrado  que  não  são  dignos  de  fé  os  lançamentos  consignados  a  título  de  distribuição  de  lucro,  na  escrita  comercial da empresa TC Transportes e Logística Ltda.  Além dos valores citados, a TC Transportes e Logística ainda lhe  atribuiu,  no  ano  de  2006.  pagamentos  registrados  sob  as  rubricas  "Serviços de Fretes  ­ Pessoa Jurídica"  e "Comissão a  Terceiros"  (fl.  245).  O  contribuinte  em  atenção  à  intimação  fiscal,  ratifica o auferimento das quantias,  todavia asseverando  que dizia respeito à antecipação de lucros.  No  cenário  delineado,  foi  apurada  a  distribuição  de  lucros  de  acordo com proporcionalidade da participação no capital social.  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 509          4 Sob  esta  regra,  considerando  que  o  lucro  total  distribuído  no  ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi  de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apurou­ se  o  lucro  do  sócio  Joaquim  no  valor  de  R$  227.500,00  (R$  650.000,00 X 35%).  Desse modo,  o  valor  efetivamente  auferido  pelo  sócio  Joaquim  foi  de  R$  618.123,37,  considerando  que  dos  R$  763.775,03,  foram  devolvidos  R$  145.651,66,  além  do  montante  de  R$  73.000,00,  lançado  nas  contas  "Serviços  de  Fretes  ­  Pessoa  Jurídica"  e  "Comissão  a  Terceiros".  Assim,  o  valor  total  efetivamente auferido pelo sócio Joaquim, no ano de 2006, é de  R$  691.123,37,  que  correlacionado  com  o  lucro  que  lhe  corresponde,  mensurado  em  R$  227.500,00,  evidencia  pagamento  a  maior  de  R$  463.623,37  (R$  691.123,37­R$  227.500.00).  Nesse  compasso,  inferiu­se  que  os  valores  efetivamente  pagos,  no ano 2006 e que excedem os lucros mensurados, representam  rendimentos que ensejam tributação,  2)  Omissão  de  Rendimentos  ­  Créditos  Bancários  Não  Comprovados  Analisada  a  movimentação  bancária  do  sujeito  passivo  em  pauta,  foi  o  contribuinte  instado  a  comprovar,  por  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  origem  dos  créditos/depósitos  então especificados.  Todavia,  o  fiscalizado  logrou  identificar  apenas  a  procedência  de alguns créditos, notadamente das empresas TC Transportes e  Logística Ltda e Prolift. Em relação aos demais, consignou que  ainda não havia identificado os remetentes.  Assim,  onde  constou  a  informação  de  remetente  ainda  não  identificado, a origem efetivamente restou não comprovada, em  virtude  do  que  foi  alvo  de  tributação  do  Imposto  de  Renda  Pessoa Física.  Afora  isso,  é  importante  deixar  assentado  que,  no  curso  do  procedimento  fiscal  realizado,  foram  analisados  documentos  carreados no bojo do Inquérito Policial n° 0184/2008. Todavia,  adveio  decisão  judicial,  na  qual  se  reconheceu  a  nulidade  de  toda  prova  oriunda  da  interceptação  telefônica  realizada  nos  autos  n°  2007.72.00.013946­5,  bem  como  a  imprestabilidade  como prova dos documentos apreendidos.  Assim,  em  homenagem  à  decisão  judicial,  os  elementos  originários  da  investigação  policial  foram  desconsiderados/inutilizados,  não  mais  integrando  o  procedimento administrativo ora levado a cabo.  Outrossim,  a  fiscalização  informou  ainda  que,  ante  a  identificação de situações que, em tese, configuram crime contra  a  ordem  tributária,  foi  providenciada  à  formalização  de  Representação Fiscal para Fins Penais.  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 510          5 Inconformado  com  o  lançamento,  o  contribuinte  apresenta,  mediante procurador (folha 293), a impugnação de folhas 297 a  323, na qual expõe suas razões de contestação:  No primeiro  tópico da impugnação  ­ Dos  fatos  ­ Da origem do  auto  de  infração,  narra  que  em  14.04.2008  foi  instaurado  o  inquérito  policial  n°  184/08,  para  investigar  suposta  organização  criminosa  com  atuação  em  Itajaí,  Balneário  Camboriú  e  Blumenau,  em  face  de  notícia­crime  verbal  do  Auditor  Fiscal  da  Prefeitura  Municipal  de  Itajaí,  informando  irregularidades no recolhimento do ISS.  Não  obstante  inexistir  qualquer  procedimento  administrativo  fiscal  deflagrado  contra  o  impugnante,  a  autoridade  policial  requereu, em 07.05.08, dentre inúmeros pedidos dirigidos a MM.  Juíza da Vara Federal Criminal em Florianópolis, mandados de  busca  e  apreensão  em  alguns  endereços  residenciais  e  comerciais,  bem  como  a  quebra  do  sigilo  bancário  e  fiscal  da  impugnante,  e  o  compartilhamento  de  dados  com  a  Receita  Federal, inclusive, "o fornecimento de cópias de peças e material  cognitivo produzidos nestes autos".  Após  a  manifestação  favorável  do  representante  do  Ministério  Público Federal, a MM. Juíza, em 16.06.08, deferiu a quebra do  sigilo bancário e  fiscal do  impugnante,  bem como mandado de  busca  e  apreensão.  Cumpridos  os  mandados  de  busca  e  apreensão  e  autorizadas  as  quebras  dos  sigilos  bancários  e  fiscais,  foram  os  documentos  encaminhados  à  Delegacia  da  Receita  Federal,  que  deu  início  à  fiscalização  junto  à  impugnante.  Refere  que  apresentou  à  fiscalização  justificativa  acerca  da  impossibilidade de cumprimento das exigências  formuladas, em  face  das  buscas  e  apreensões,  deflagradas  pela  autoridade  policial,  que  apreenderam  inúmeros  documentos,  que,  frise­se,  não foram devolvidos ainda à impugnante, e requereu a dilação  do prazo para a apresentação dos documentos exigidos.  Ao  final  do  procedimento,  foi  lavrado  o  Termo  de  Verificação  Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, em 16.07.09,  originando  o  Auto  de  Infração,  ora  esgrimido  (ciência  em  20.07.09),  em  face  de  não  oferecer  à  tributação  rendimentos  tributáveis recebidos de pessoas físicas. Todavia, assevera que a  pretensão  fiscal  não  há  que  prosperar,  porquanto  não  foram  respeitados os mais comezinhos princípios de direito quando da  análise dos documentos que puderam ser apresentados, aliado à  impossibilidade  de  utilização  de  documentos  obtidos  por  força  de mandado de busca e apreensão, cuja decisão foi revogada.  Na seqüência, apresenta preliminar, sob o título ­ DAS PROVAS  ILÍCITAS  ­  DOCUMENTOS  OBTIDOS  POR  FORÇA  DE  MANDADO  DE  BUSCA  E  APREENSÃO  DEFERIDAS  NO  INQUÉRITO  POLICIAL  N°  184/08  (2008.72.00.006744­6)  ­  DECISÃO  DA  MM.  JUÍZA  DA  VARA  FEDERAL  CRIMINAL  QUE REJEITOU A DENÚNCIA E INDEFERIU O PEDIDO DE  COMPARTILHAMENTO  DAS  INFORMAÇÕES  ­  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 511          6 IMPRESTAB1L1DADE  DOS  DOCUMENTOS  APREENDIDOS  PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO.  Nesse  tópico,  defende  a  nulidade  o Auto  de  Infração,  devido  à  declaração  de  ilegalidade  da  operação  policial  conjunta  da  Polícia  Federal  e  da  Receita  Federal  (Inquérito  Policial  n°  2008.72.00.006744­6/SC)  e  decorrente  anulação  de  todas  as  provas obtidas naquelas operações. Ressalta a impugnante que,  embora  a  autoridade  fiscal  informe  que  teria  expurgado  dos  autos as provas  ilícitas, o  início da  fiscalização está amparado  nos  mandados  de  busca  e  apreensão  deflagrados  contra  ela  e  que  só  foi  alvo de  fiscalização por  força da decisão  judicial  já  revogada.  Portanto,  tendo  a  MM.  Juíza  da  Vara  Federal  Criminal indeferido o compartilhamento dessas informações, vez  que  não  podem  servir  para  qualquer  finalidade,  seja  criminal,  civil ou administrativa, o presente AI é nulo, porque sua origem  foi assim declarada.  Invoca  o  art.  5º,  LVI  da Constituição Federal,  que  consagra  a  necessidade  da  licitude  dos  meios  de  prova  utilizados  nos  processos,  aduzindo  que  na  esfera  do  processo  administrativo  tributário  a  proibição  da  prova  ilícita  está  expressamente  prevista no art. 30 da Lei n° 9.784, de 1999. Cita doutrina sobre  o  assunto  e  transcreve  trechos  da  decisão  que  reconheceu  a  nulidade da prova oriunda da interceptação telefônica realizada  nos autos n° 2007.72.00.013946­5.  No  tópico destinado as alegações de mérito, o  impugnante  tece  as seguintes considerações.  Discorre  acerca  da  infração  "001  ­  Depósitos  Bancários  de  Origem  Não  Comprovada  ­  Omissão  de  Rendimentos  Caracterizada  por  Depósitos  Bancários  Com  Origem  Não  Comprovada".  Destaca  que,  para  que  um  determinado  valor  de  depósito  seja  considerado "omissão de  receitas" forçosamente  teria de  restar  inequívoca  a  ausência  de  "capacidade  econômica"  do  contribuinte  em  arcar  com  o  referido  valor. Nesse  tocante,  em  nenhum  momento,  os  agentes  fiscais  empreenderam  qualquer  demonstrativo  e/ou  levantamento  tendente  a  demonstrar  a  ausência  de  "disponibilidade  econômica"  dos  valores  depositados e/ou de que tais valores depositados não se referem  a  "Rendimentos  contidos  dentre  aqueles  declarados  em  sua  DIRPF",  ou  dentre  aqueles  adiantados  pela  "TC Transportes  e  Logística  Ltda"  já  que,  nesse  sentido,  no  mesmo  relatório,  os  agentes  fiscais  descrevem  que  o  contribuinte,  durante  2006  recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 618.123,32 (o  valor  correto  é  R$  620.473,37­Anexo  II)  e  que  durante  2007  recebeu da "TC Transportes e Logística Ltda" R$ 235.561,27 (o  valor correto é R$182.178,47 ­ Anexo II).  No  que  se  refere  ao  item  "002  ­  Omissão  de  Rendimentos",  o  defendente  pondera  que  em  todos  os  documentos  contábeis  apresentados pela empresa "TC Transportes e Logística Ltda" é  clara a  indicação dos valores entregues ao impugnante a  título  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 512          7 de adiantamento de lucros no ano­calendário de 2006, exceto o  valor de R$ 44.000,00 lançado por engano na conta "Despesas  de Fretes ­ Pessoa Jurídica" e o valor de R$ 29.000,00, lançado  por engano na conta "Comissões  sobre Fretes",  e estes valores  não são o objeto da inusitada conclusão do agente fiscal.  Ressalta  que  os  citados  R$  73.000,00  foram  lançados  indevidamente  como  despesa  pela  "TC Transportes  e Logística  Ltda" (R$ 44.000,00 Despesa de Frete e R$ 29.000,00 Comissões  s/ Frete), e justamente por não se referirem a despesas efetivas,  são meros adiantamentos de lucros ao sócio.  No que toca à descaracterização das importâncias creditadas ao  impugnante  como  adiantamento  de  lucro,  protesta  quanto  ao  procedimento adotado, no seu  ver,  não cabe ao agente  fiscal o  arbítrio quanto ao valor da parcela de lucros que caberia a cada  um  dos  sócios/quotistas,  muito  menos  no  caso  concreto,  tendo  em mira que claramente os ilustres agentes fiscais desconhecem  os critérios de cálculo, dos quais não lhe é  facultado discordar  do critério que lhe foi explicitado já nas respostas à intimação.  Prossegue  aduzindo  que  para  que  os  referidos  valores  sejam  tratados  na  beneficiária  como  receita  (valores  definitivamente  recebidos pelo sócio por conta de remuneração de seus serviços  prestados  à  sociedade),  esses  mesmos  valores  deveriam  ser  admitidos como despesa dedutível na apuração do Lucro Real e  da Base de Cálculo da CSLL. o que não ocorreu.  Por fim, arremata que não há nos autos documentos e/ou provas  que  sustentem  o  alegado  valor  da  suposta  "omissão  de  rendimentos"  no  valor  de  R$  403.623,37,  conforme  consta  do  item "002 ­ Omissão de Rendimentos", até porque, diante de tudo  o que foi descrito, tecnicamente não se pode sequer afirmar que  houve o alegado "excesso de antecipação de lucros" em relação  ao  lucro  gerado  em  2006,  pois  a  intenção  dos  ilustres  agentes  fiscais formalizada em Auto de Infração específico, é a glosa de  mais de R$ 11.000.000,00 de despesas, cuja alegação é a de não  terem  sido  comprovadas  as  referidas  despesas,  e  cujo  único  destino contábil  possível  é a  conta de  lucros acumulados,  visto  que pretensamente incluídas na base de calculo de IRPJ e CSLL,  os  quais  deveriam  ser  somados  aos  R$  650.000,00  de  lucros  distribuídos  em  2006,  e  aplicados  o  percentual  de  35%  de  participação desse sócio no capital social.”  A  impugnação  foi  julgada  procedente  em  parte,  conforme Acórdão  de  fls.  392/403, que restou assim ementado:  ALEGAÇÃO DE USO DE PROVA ILÍCITA   Não  configura  uso  de  prova  ilícita  quando  toda  informação,  documentação e escrituração físcal­contábil que fundamentou o  lançamento  foi  apresentada  pelo  sujeito  passivo  ou  pela  fonte  pagadora,  diretamente  à  autoridade  fiscal,  em  procedimento  diverso  daquele  que  foi  objeto  da  manifestação  judicial.  Ademais, o procedimento fiscal prescinde de qualquer elemento  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 513          8 de  prova,  ou  indício,  de  ocorrência  de  infração  fiscal  para  ser  deflagrada.  DEPÓSITO BANCÁRIO COM ORIGEM NÃO COMPROVADA.  ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.  A fim de não restar caracterizada a omissão de rendimentos, por  se  tratar  de  presunção  legal,  compete  ao  depositário  dos  recursos,  demonstrar  a  origem  dos  valores  creditados  em  sua  conta­corrente, e não ao fisco.  EXCESSO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. FATO GERADOR  DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA.  A distribuição de  lucros em valores acima dos  lucros auferidos  pela  sociedade  empresária  é  considerada  fato  gerador  de  Imposto de Renda Pessoa Física.  DISTRIBUIÇÃO  DESPROPORCIONAL  DE  LUCROS.  NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO E FORMALIZAÇÃO DO  ACORDO ENTRE OS SÓCIOS.  Não há óbice para a distribuição desproporcional de lucros, em  relação  ao  percentual  de  quotas  que  cada  sócio  possui,  desde  que  o  acerto  referente  à  distribuição  seja  devidamente  formalizado, por instrumento próprio.  Regularmente  cientificado  daquele  acórdão  em  10/03/2011  (fl.  406),  o  contribuinte,  representado  por  seu  advogado  (fl.  293),  interpôs  recurso  voluntário  de  fl.  407/434, em 11/04/2011, no qual reitera os argumentos expendidos na impugnação.  Conforme  Resolução  nº  2801­000.240  (fls.  437/444),  o  julgamento  foi  convertido em diligência à unidade de origem para que fossem anexados aos autos a decisão  definitiva  proferida  no  Processo  11516.004211/2009­74  e  o  detalhamento  dos  cálculos  para  ajuste do AI à decisão definitiva.   Cumprida  a  referida  diligência,  conforme  documentos  de  fls.  446/505,  os  autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento.  A numeração de folhas citada nesta decisão refere­se à serie de números do  arquivo PDF.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Preliminarmente, é de se rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração,  pois  ao  contrário  do  que  afirma  o  peticionário,  ficou  esclarecido  no  Termo  de  Verificação  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 514          9 Fiscal (fl. 289), que em cumprimento à decisão do poder judiciário, os elementos originários da  investigação policial foram desconsiderados/inutilizados, não mais integrando o procedimento  administrativo  ora  levado  a  cabo.  Foi  informado,  ainda,  que,  a  rigor,  apenas  um  único  documento  da  investigação  policial  havia  sido  utilizado,  notadamente  a  tabela  de  preços  anexada a Intimação Fiscal n° 02, como parte integrante do seu item 4.   Observa­se  que  a  referida  tabela  foi  usada  na  intimação  para  demonstrar  inconsistências  concernentes  aos  valores  dos  imóveis  declarados  pelo  contribuinte  em  sua  DIRPF/2007.   Como  se  verifica  nos  autos,  não  houve  apuração  de  qualquer  infração  correlacionada com tal questão.   Ademais, como bem registrou a decisão recorrida, o recorrente não apontou  especificamente quais provas, que fundamentaram o lançamento, tiveram origem na operação  policial  conjunta  com  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  que  foram  consideradas  inválidas na decisão do Inquérito Policial.  Portanto, não há que se falar em utilização ilícita de documentos no presente  caso.  No  mérito,  relativamente  à  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  não  merece  reparos  a  decisão  de  primeira  instância,  que  já  excluiu  a  parcela  lançada  indevidamente  e  cujo  entendimento,  transcrito  a  seguir, adoto como razões de decidir:  “Com  fulcro  na  legislação  colacionada,  apesar  de  não  impugnado  pelo  contribuinte,  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, de fls. 281 a  293, verifico que o somatório dos créditos bancários sem origem  comprovada  de  valor  individual  igual  ou  inferior  a  R$  12.000,00,  relativos  ao  ano­calendário  de  2007,  atingiu  o  montante  anual  de  R$  53.551,29,  abaixo  do  valor  de  R$  80.000,00, previsto no art. 4o da Lei n° 9.491/1997; portanto, tais  créditos  bancários,  mesmo  sem  sua  origem  integralmente  comprovada,  devem  ser  excluídos  do  montante  da  infração  de  "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários  com origem não comprovada".  Quanto aos demais  créditos obtidos,  em que pese às alegações  do  contribuinte,  a  infração  restou  caracterizada.  No  caso  em  comento,  a  simples  falta  de  comprovação  da  origem  dos  créditos,  é  suficiente  para  se  configurar  a  omissão  de  rendimentos,  sendo  desnecessária  a  comprovação  por  parte  do  fisco da ausência de capacidade econômica.  Este é o reflexo do instituto da presunção legal. Além disso, é de  se assinalar que, conforme descreve o auditor fiscal no Termo de  Verificação Fiscal  e  de Encerramento  do Procedimento Fiscal,  somente  foram  considerados  para  a  apuração  do  débito,  o  depósitos, de fato, não identificados pelo fiscalizado. Aqueles em  que  o  contribuinte  identificou  como  sendo  depositado  pela  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 515          10 empresa TC Transportes e Logística Ltda.  ficaram afastados de  incidência do imposto de renda (fls. 224 a 227).”  Importa, ainda, salientar que a tributação dos depósitos bancário já é matéria  sumulada de forma diversa ao entendimento do recorrente, pela Súmula CARF nº 26, a saber:  “  A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.”  Assim,  restando  não  comprovada  a  origem  dos  recursos  depositados  nas  contas­correntes de titularidade da contribuinte, considera­se acertada a tributação do total dos  depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996.  Na presente autuação também se apurou omissão de rendimentos de valores  efetivamente pagos, no ano de 2006, e que excederam os  lucros mensurados da empresa TC  Transportes e Logística Ltda., da qual o contribuinte é sócio, tendo em vista as inconsistências  evidenciadas  no  âmbito  dos  registros  da  fonte  pagadora  e  nas  informações  constantes  da  respectiva DIRPF do contribuinte.  Ocorre que  a  referida  empresa  foi  autuada,  consoante  lançamento de ofício  constante  do  Processo  11516.004211/2009­74,  que  resultou  na  alteração/acréscimo  do  seu  lucro  real  do  ano­calendário  2006.  Portanto,  o  que  for  decidido  naquele  processo  poderá  ter  efeitos no exame da infração de excesso de lucros distribuídos em questão.  Assim,  considerando  esses  fatos  como  óbice  para  prosseguir  com  o  julgamento,  o  processo  foi  convertido  em  diligência  à  unidade  de  origem,  para  que  fossem  anexados  aos  autos  a  decisão  definitiva  proferida  no  Processo  11516.004211/2009­74,  bem  como o detalhamento dos cálculos para ajuste do AI à decisão definitiva.   Em  atendimento  à  solicitação  de  diligência,  foram  juntados  ao  presente  processo  os  documentos  de  fls.  446  a  504,  referentes  ao  processo  administrativo  nº  11516.004211/2009­74 em nome de TC Transportes e Logística Ltda.  À  fl.  505,  a  autoridade  responsável  pela  realização  da  diligência  informou  que  o  referido  processo  administrativo  foi  encaminhado  pela  ARF/Itajaí  para  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União,  visto  que  não  houve  por  parte  da  empresa  interposição  de  recurso  especial ou pagamento/parcelamento do crédito tributário mantido após os julgamentos de 1ª e  2ª Instâncias.  De acordo com os documentos apresentado em decorrência do procedimento  diligência,  verifica­se  que  o  resultado  definitivo  da  base  tributável/lucro  real  apurado  no  Processo  11516.004211/2009­74,  referente  ao  ano­calendário  de  2006,  corresponde  ao  montante de R$ 12.687.582,27 (valor  lançado R$12.792.818,18 menos os valores cancelados  nos julgamentos de 1ª instância ­ R$ 50.535,91 e 2ª instância ­ R$ 54.700,00).  Considerando que houve um  incremento de R$ 12.687.582,27 no  lucro  real  da empresa, conforme apuração decorrente do mencionado procedimento de ofício, não há que  se falar que os valores efetivamente pagos ao contribuinte (R$ 691.123,37), no ano­calendário  de 2006,  excedem em R$ 463.623,37 os  lucros mensurados,  consoante proporcionalidade da  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 516          11 participação  do  contribuinte  (35%) no  capital  social  da  empresa TC Transportes  e  Logística  Ltda.   Portanto  deve  se  cancelada  a  correspondente  omissão  de  rendimentos,  pois  são  rendimentos  isentos os  lucro distribuído aos sócios pela pessoas  jurídicas  tributadas pelo  lucro  real  até  o  valor  que  serviu  de base de  cálculo  do  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica  deduzido dos tributos correspondentes.  Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a  omissão de rendimentos no valor de R$ 463.623,37, referente ao ano­calendário de 2006.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin    Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado  Quanto à infração de “Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos  Bancários  com Origem  não Comprovada”,  acompanho  a  Ilustre Relatora, Conselheira  Tânia  Mara  Paschoalin.  Permito­me  discordar,  no  entanto,  em  relação  à  infração  de  ‘Omissão  de  Rendimentos Não Oferecidos à Tributação”, pelos motivos que passo a expor.  Os  fundamentos  utilizados  para  dar  provimento  parcial  ao  recurso  estão  explicitados nos seguintes excertos do voto da Relatora, verbis:  De acordo com os  documentos  apresentado  em decorrência  do  procedimento diligência, verifica­se que o resultado definitivo da  base  tributável/lucro  real  apurado  no  Processo  11516.004211/2009­74,  referente  ao  ano­calendário  de  2006,  corresponde  ao  montante  de  R$  12.687.582,27  (valor  lançado  R$12.792.818,18 menos  os  valores  cancelados  nos  julgamentos  de 1ª instância ­ R$ 50.535,91 e 2ª instância ­ R$ 54.700,00).  Considerando que houve um incremento de R$ 12.687.582,27 no  lucro  real  da  empresa,  conforme  apuração  decorrente  do  mencionado procedimento de ofício, não há que se falar que os  valores efetivamente pagos ao contribuinte  (R$ 691.123,37), no  ano­calendário  de  2006,  excedem  em  R$  463.623,37  os  lucros  mensurados,  consoante  proporcionalidade  da  participação  do  contribuinte (35%) no capital social da empresa TC Transportes  e Logística Ltda.   Portanto  deve  se  cancelada  a  correspondente  omissão  de  rendimentos, pois são rendimentos isentos os lucros distribuídos  aos sócios pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real até  o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  da  pessoa jurídica deduzido dos tributos correspondentes.  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 517          12 Entendeu  a  Nobre  Relatora  que  o  incremento  verificado  no  lucro  real  da  empresa  que  efetuou  os  pagamentos  ao  Recorrente,  em  decorrência  do  procedimento  fiscal  contra ela instaurado, fariam com que os valores recebidos pelo Interessado não excedessem os  lucros  mensurados  consoante  proporcionalidade  no  capital  da  empresa  TC  Transportes  e  Logística Ltda. De conseguinte, os  rendimentos  seriam  isentos, porquanto não alcançariam o  valor que serviu de base de cálculo para o IRPJ, estando albergados pela norma isentiva do art.  10 da Lei nº 9.249, de 26 de novembro de 1995.  Ocorre  que  os  valores  supostamente  recebidos  a  título  de  distribuição  de  lucros pelo Interessado, em face da sua qualidade de cotista da empresa, foram expurgados no  cálculo  do  valor  tributado,  sobejando  tão  somente  valores  passíveis  de  tributação,  conforme  passo a demonstrar.  Consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 279/290 deste processo digital,  que no ano­calendário de 2006, sob a rubrica “ADIANTAMENTO A DIRETORES", o valor  total  pago  ao  sócio  Joaquim  foi  de  R$  763.775,03.  Por  conta  de  registro  de  devolução  na  contabilidade, no montante de R$ 145.651,66, o valor efetivamente auferido, confirmado pelo  Recorrente, foi de R$ 618.123,37 (R$ 763.775,03 ­ R$ 145.651,66).   O Interessado ratificou, também, o recebimento de R$ 73.000,00, lançado nas  contas  "Serviços de Fretes  ­ Pessoa Jurídica"  e "Comissão a Terceiros". Assim, o valor  total  efetivamente  auferido  pelo  sócio  Joaquim,  no  ano  de  2006,  foi  de  R$  691.123,37  (R$  618.123,37 + R$ 73.000,00), que diminuído do lucro que lhe corresponde, mensurado em R$  227.500,00  (35%),  evidencia  pagamento  a  maior  de  R$  463.623,37  (R$  691.123,37­  R$  227.500,00).  Confira:  Sob  esta  regra,  considerando  que  o  lucro  total  distribuído  no  ano de 2006, na forma do razão contábil acostado às fls. 257, foi  de R$ 650.000,00; e, a participação no capital de 35%; apura­se  o  lucro  do  sócio  Joaquim  no  valor  de  R$  227.500,00  (R$  650.000,00 x 35%).   (...)  Compulsando  o  lucro  assim  determinado,  com  os  pagamentos  efetivamente lhe realizados, resultam diferenças pagas a maior.  No  ano­calendário  de  2006,  sob  a  rubrica  "45  ­  ADIANTAMENTO A DIRETORES", na  forma do demonstrativo  constante às fls. 245 a 247, o valor total pago ao sócio Joaquim  foi  de  R$  763.775,03.  Não  obstante,  em  20/12/2006  consta  o  registro de devolução no valor de R$ 145.651,66, de forma que o  valor  efetivamente  auferido  é  de  R$  618.123,37  (763.775,03  ­  145.651,66). Além deste montante ainda recebeu pagamento de  R$  73.000,00,  lançado  nas  contas  de  custo/despesa  intituladas  "Serviços de Fretes ­ Pessoa Jurídica" (fls. 244) e "Comissão a  Terceiros"  (fls. 245). Assim, o valor  total efetivamente auferido  pelo  sócio  Joaquim,  no  ano  de  2006,  é  de R$  691.123,37,  que  correlacionado com o lucro que lhe corresponde, mensurado em  R$ 227.500,00, evidencia pagamento a maior de R$ 463.623,37  (R$ 691.123,37­ R$ 227.500,00).  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 518          13 A  leitura  dos  trechos  em  destaque  demonstra  que  o  incremento  no  lucro  decorrente da  ação  fiscal  levada  a  cabo  na  pessoa  jurídica  não  poderia  ser  considerado  para  justificar a isenção sobre os “rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação”, porquanto a  parcela de lucros isenta fora excluída do cálculo dos valores tributáveis.  Em outras palavras: o lucro líquido da empresa, seja qual for o seu valor, não  tem o condão de isentar os “rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação”, haja vista que  estes  rendimentos  não  estão  contemplados  na  distribuição  de  lucros  isentos  do  imposto  de  renda.  Esmiuçando mais este entendimento: a Autoridade lançadora entendeu que o  total  do  lucro  distribuído  foi  de  R$  650.000,00.  Considerando  a  participação  no  capital  do  Recorrente, no percentual de 35%, apurou o lucro do Interessado em R$ 227.500,00 e o exclui  da base de cálculo do lançamento.   Assim, pouco  importa o quantum do  lucro apurado na pessoa  jurídica, pois  qualquer  que  fosse  ele  seria  excluído  da  base  de  cálculo  dos  rendimentos  não  oferecidos  à  tributação,  haja  vista  que  estes  (os  rendimentos  não  oferecidos  à  tributação)  não  revestem  a  natureza jurídica de distribuição de lucros pagos a cotistas e que estão isentos do imposto de  renda. É o que se verá a seguir.  Importante  distinguir,  por  primeiro,  a  participação  nos  lucros  destinada  a  administradores da distribuição de lucros ofertada aos sócios cotistas ou acionistas, esta isenta,  aquela tributável pelo imposto de renda.  Nas  Ciências  Contábeis  são  identificadas  cinco  acepções  para  a  palavra  "lucro",  a  depender  da  fase  em  que  se  encontra  na  apuração  do  resultado  do  exercício.  A  demonstração do resultado incorpora todas as receitas e despesas de um determinado exercício  e os lucros estão nela dispostos em cinco etapas, evidenciadas, com precisão, por José Carlos  Marion (Contabilidade empresarial, 12ª edição, Atlas, 2006, p. 112 e ss.):  a)  Lucro  Operacional  Bruto  ou,  simplesmente,  Lucro  Bruto;  diferença  da  receita  líquida  (receita  oriunda  da  venda  de  mercadorias  desconsiderando­se  os  abatimentos,  as devoluções  e os impostos) e o custo das mercadorias vendidas;  b)  Lucro  Operacional  Líquido  ou,  simplesmente,  Lucro  Operacional (corresponde ao lucro relacionado ao objeto social  da  empresa):  é  o  Lucro  Bruto  subtraído  das  Despesas  Operacionais  da  empresa  (despesas  da  empresa  com  a  sua  atividade­fim);  c)  Lucro  Antes  do  Imposto  de  Renda:  é  o  Lucro  Operacional  somado ao Resultado não Operacional da empresa (Receitas não  Operacionais  menos  Despesas  não  Operacionais),  a  partir  do  Lucro Antes do Imposto de Renda é que se apura, em separado,  o Lucro Real ­ base de cálculo do imposto de renda;  d)  Lucro  Depois  do  Imposto  de  Renda:  é  o  Lucro  Antes  do  Imposto  de  Renda  subtraído  do  valor  a  ser  pago  a  título  de  Imposto de Renda;  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 519          14 e)  Lucro  Líquido:  é  o  Lucro  Depois  do  Imposto  de  Renda  subtraído  das  participações  previstas  nos  estatutos,  de  debêntures,  de  empregados,  de  administradores  e  partes  beneficiárias, e as  contribuições para  instituições  ou  fundos de  assistência  ou  previdência  de  empregados.  Configura  a  sobra  líquida que será posta à disposição dos sócios ou acionistas, ou  será  apropriada  em  reserva,  ou  será  capitalizada  pela  sociedade.  Das definições acima delineadas colhe­se que o lucro que serve de base para  pagamento de lucros ou dividendos aos sócios ou acionistas é o “Lucro Líquido” e o lucro que  serve  de  base  para  o  pagamento  das  participações  dos  administradores  é  o  chamado  “Lucro  Depois do Imposto de Renda”. Este difere do Lucro Líquido, posto que o antecede nos cálculos  do resultado do exercício.  Dito de outra forma: quando se fala em distribuição de lucros aos sócios ou  acionistas, está se falando na obtenção de lucros tendo por base de pagamento o Lucro Líquido,  último item da Demonstração do Resultado do Exercício.   Se  os  "lucros"  a  que  se  refere  o  art.  10  da  Lei  nº  9.249/1995  é  aquele  proveniente  do  Lucro  Líquido,  não  há  que  se  falar  em  extensão  da  isenção  legal  aos  lucros  pagos aos administradores da pessoa jurídica, uma vez que estes são destinações do chamado  Lucro Depois do Imposto de Renda.  Com  efeito,  somente  o  sócio  ou  acionista  tem  capital  aplicado.  O  administrador somente o terá se revestir também a qualidade de um dos dois, hipótese em que  poderá receber a participação nos lucros ou a distribuição de lucros, ou ambas as parcelas.   O que se está querendo dizer é que o administrador, ao contrário do sócio ou  acionista,  não  tem  o  seu  quinhão  fixado  em  decorrência  do  número  de  suas  cotas  ou  da  qualidade de suas ações, mas sim vinculado ao seu cargo na empresa, atrativo adicional da sua  remuneração, verdadeiro pro labore, inconfundível com a distribuição de lucros destinada aos  cotistas ou acionistas em geral e objeto da Lei nº 9.249/1995.   Admitir que a participação paga ao administrador goza da isenção prevista no  art.  10  da  Lei  nº  9.249/1995  significaria  fomentar  o  comportamento  elisivo  constante  em  substituir  a  remuneração  do  administrador  (tributada  na  fonte  pelo  imposto  de  renda)  pela  distribuição de lucros aos sócios ou acionistas (isenta de imposto de renda).  Não parece ter sido este o escopo da lei. Ao isentar os lucros ou dividendos  recebidos pelos sócios ou acionistas o legislador intencionou fomentar a atividade empresarial  estimulando o comportamento daqueles que assumem riscos, inserindo capital na sociedade.  Pois bem.  No caso concreto, o Livro Razão de fls. 249/260 deste processo digital revela  que  o  Interessado  recebeu,  em  2006,  rendimentos  lançados  a  débito  da  rubrica  “45  ­  Adiantamentos a Diretores”.  Por outro  lado,  a  rubrica  “142  ­ Lucros Acumulados”  evidencia,  no  ano  de  2006,  que  apenas  os  valores  da  distribuição  de  lucros  a  Carlos  Alberto Wanzuit  e  a  Reidil  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 11516.004178/2009­82  Acórdão n.º 2801­003.387  S2­TE01  Fl. 520          15 Cleber  Cesca  (demais  sócios)  foram  baixados,  em  31/12/2006,  tendo  como  contrapartida  a  rubrica “45 ­ Adiantamentos a Diretores”.  Os  valores  pagos  a  Joaquim  Roberto  Vanhoni,  sob  a  denominação  de  “Adiantamento  a Diretores”,  diferentemente  do  que ocorrera  com os  outros  dois  sócios,  não  foram baixados no final do exercício em contrapartida à conta de “Lucros Acumulados”.   Significa  dizer  os  valores  recebidos  pelo  sócio  Joaquim,  ora  Recorrente,  eram, em verdade, rendimentos pagos pelo exercício da função de diretor, e não distribuição de  lucros isenta do imposto de renda, pelo que são tributáveis, a teor do que dispõe o art. 3º, § 1º,  da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 (Enquadramento Legal, à fl. 277), assim descrito:  Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei.  § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  Esclareço,  por  fim,  que  o  sócio­administrador  pode  muito  bem  ser  simultaneamente  remunerado  por  parcelas  isentas  de  tributação  (derivadas  da  obtenção  de  lucro  pela  pessoa  jurídica)  e  parcelas  tributáveis  (derivadas  da  obtenção  de  renda  em  decorrência das atividades de administrador).   Na espécie, o Livro Razão não deixa nenhuma dúvida de que os rendimentos  não oferecidos à tributação decorreram da atividade de administrador do Recorrente, porquanto  não baixados, no final do exercício, contra a rubrica contábil (Lucros Acumulados) na qual são  apropriados os valores que serão distribuídos a título de lucro aos sócios e que são isentos de  imposto de renda.   Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso.    Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                    Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN

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Numero do processo: 11065.002706/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício.
Numero da decisão: 1103-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do ano-calendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso, para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas no lançamento tributário, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), por maioria, vencidos o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento quanto aos fatos geradores do ano-calendário 2005, e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que ampliou o provimento para aplicar o percentual reduzido ao IRPJ relativo à prestação de serviço de ecografia. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T3  Fl. 1.425          1 1.424  S1­C1T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.002706/2009­14  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1103­000.988  –  1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de fevereiro de 2014  Matéria  Autos de infração de IRPJ e CSLL. Percentual de presunção. Serviços  hospitalares  Recorrente  ECOCLÍNICA ECOGRAFIA CLÍNICA S/S LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008  IRPJ.  LUCRO  PRESUMIDO.  PERCENTUAL  DE  PRESUNÇÃO.  SERVIÇOS HOSPITALARES.  A  base  de  cálculo  do  imposto  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  trinta  e dois  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida,  para  as  atividades de prestação de serviços hospitalares (art.15, §1º, III, a, da Lei nº  9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em  julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames  de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da  nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática  do art.543­C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA).  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008  LUCRO  PRESUMIDO.  PERCENTUAL  DE  PRESUNÇÃO.  SERVIÇOS  HOSPITALARES.  A  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  será  determinada mediante  a  aplicação  do  percentual  de  trinta  e  dois  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida,  para  as  atividades  de  prestação  de  serviços  hospitalares  (art.20 c/c art.15, §1º,  III,  a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No  caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido,  quanto  às  receitas  decorrentes  da  execução  de  exames  de  ecografia  e  prestação  de  serviços  de  clínica  médica,  afasta  a  aplicação  da  nova  interpretação  do Superior Tribunal  de  Justiça,  adotada  sob  a  sistemática do  art.543­C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA).  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 06 /2 00 9- 14 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.426          2 MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO.  Comprovado  nos  autos  que  o  trânsito  em  julgado  das  decisões  judiciais  desfavoráveis  ao  contribuinte  foi  certificado  anteriormente  à  ciência  dos  autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos  tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento parcial ao recurso,  para  determinar  a  incidência  dos  percentuais  reduzidos  de presunção  (8% para  o  IRPJ;  12%  para  a  CSLL)  sobre  as  receitas  consideradas  no  lançamento  tributário,  à  exceção  daquelas  decorrentes  da  execução  de  exames  de  ecografia  e  prestação  de  serviços  de  clínica médica,  para  as  quais  deve  ser  aplicado  o  percentual  de  32%  (trinta  e  dois  por  cento),  por maioria,  vencidos  o  Conselheiro  André  Mendes  de  Moura,  que  negou  provimento  quanto  aos  fatos  geradores  do  ano­calendário  2005,  e  a  Conselheira  Cristiane  Silva  Costa,  que  ampliou  o  provimento  para  aplicar  o  percentual  reduzido  ao  IRPJ  relativo  à  prestação  de  serviço  de  ecografia.      (assinado digitalmente)  Aloysio José Percínio da Silva – Presidente    (assinado digitalmente)  Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator      Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva  Monteiro,  Fábio  Nieves  Barreira,  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Marcos  Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.    Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.427          3   Relatório  Trata­se de autos de infração de IRPJ e CSLL (4º trimestre de 2004, 1º a 4º  trimestres de 2005 a 2008), no valor total de R$ 1.629.480,93 (um milhão, seiscentos e vinte e  nove mil, quatrocentos e oitenta reais e noventa e três centavos) sobre o qual incidem multa de  ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.113/147).  A ciência do sujeito passivo ocorreu em 1º/12/09 (fls.130 e 143).  A  infração  foi  assim  descrita  nos  campos  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento Legal”:  IRPJ  “001  ­  APLICAÇÃO  INDEVIDA  DE  COEFICIENTE  DE  DETERMINAÇÃO  DO  LUCRO  ­  A  PARTIR  DO  AC  93.  APLICAÇÃO  INDEVIDA  DE  COEFICIENTE  DE  DETERMINAÇÃO  DO  LUCRO.  Aplicação  incorreta  do  coeficiente de presunção de lucro sobre as receitas de prestação  de serviços de execução de exames ecográficos,  interpretação e  parecer.  O  contribuinte  ingressou  na  Justiça  para  ter  reconhecido  o  direito  de  ter  as  receitas  de  sua  atividade  tributadas  à  alíquota  de  8%,  como  se  sua  clinica  fosse  enquadrada no conceito de hospital­dia, porém não logrou êxito,  decidindo a Justiça, com  trânsito em  julgado, pela manutenção  da alíquota de 32%. Todos os valores pagos, ou declarados, com  base  no  percentual  de  8%  foram  considerados  neste  auto  de  infração, para o  correto  lançamento da parcela do  tributo não  declarada.  Fica  fazendo  parte  do  presente  auto  de  infração  o  Termo de Constatação, o qual o contribuinte  tomou ciência em  16  de  novembro  de  2009,  onde  estão  demonstrados  todos  os  cálculos referentes ao presente lançamento.”  CSLL  “O  contribuinte  ingressou  com  ação  judicial  visando  ter  reconhecido o direito de tributar a Contribuição Social sobre o  Lucro Liquido, com base no lucro presumido, pelo percentual de  presunção de  lucro  de 12%,  como  se  fosse  hospital­dia,  porém  não logrou êxito em sua pretensão, tendo a Justiça decidido, com  trânsito em julgado, pelo percentual de 32% aplicado a todas as  prestadoras de serviço. Todos os valores pagos, ou declarados,  com base no percentual de 12% foram considerados neste auto  de  infração,  para  o  correto  lançamento  da  parcela  do  tributo  não declarada. Fica fazendo parte do presente auto de infração  o Termo de Constatação, o qual o contribuinte tomou ciência em  16  de  novembro  de  2009,  onde  estão  demonstrados  todos  os  cálculos referentes ao presente lançamento.”      Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.428          4 A Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) decidiu: (a) não conhecer das  razões  de  defesa  relacionadas  às  exigências  com  fatos  geradores  entre  31/12/04  e  31/03/06,  haja vista a discussão judicial da matéria; e (b) não acolher as alegações relativas aos demais  fatos geradores. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa (fls.1.352/1.380):  PROCESSO  JUDICIAL  E  IMPUGNAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  OBJETOS. CONCOMITÂNCIA.  Importa  renúncia às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de administrativo, de matéria distinta da constante do processo  judicial.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FASE INQUISITÓRIA.  INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da  autoridade  fiscalizadora  têm  natureza  inquisitória,  não  se  sujeitando,  necessariamente,  ao  contraditório  os  atos  lavrados  nessa  fase.  Somente  depois  de  lavrado  o  auto  de  infração  e  instalado  o  litígio  administrativo  é  que  se  pode  falar  em  obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla  defesa.  DILIGÊNCIAS E OITIVAS DOS DIRETORES TÉCNICOS E DO  AUTUANTE.  INDEFERIMENTO.  Incabível  a  realização  de  diligências  e  oitivas  para  agregar  ao  processo  provas  que  poderiam  ser  obtidos  pelo  interessado  e  apresentadas  com  a  impugnação,  por  falta  de  previsão  legal  aplicável  para  o  processo administrativo fiscal.  PERÍCIA  PARA  VERIFICAÇÃO  DOS  SERVIÇOS  REALIZADOS. Considera­se não formulado o pedido de perícia  que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação.  LUCRO  PRESUMIDO.  COEFICIENTE  DE  PRESUNÇÃO.  Na  apuração  do  lucro  presumido,  aplica­se  o  percentual  de  32%  sobre  as  receitas  da  prestação  de  serviço,  quando  a  pessoa  jurídica  dedicada  a  atividades  da  área médica  não  satisfaz  os  requisitos  para  se  enquadrar  como  prestadora  de  serviços  hospitalares.  LANÇAMENTO  DECORRENTE.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). A solução dada ao litígio  principal, relativo ao IRPJ, aplica­se ao lançamento decorrente,  quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão  diversa.  MULTA  DE  OFICIO.  EXIGIBILIDADE.  Tratando­se  de  lançamento de ofício decorrente de infração ao dispositivo legal  detectada  pela  administração  em  exercício  de  regular  ação  fiscalizadora,  é  legítima  a  cobrança  da  multa  punitiva  correspondente.  Devidamente  cientificado  em  4/4/13  (fl.1.385),  o  contribuinte  apresentou  tempestivamente recurso voluntário em 2/5/13 (fls.1.387/1.420), em que alega, em síntese:    Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.429          5 Da classificação da atividade do contribuinte  ­  mesmo  antes  da  alteração  do  seu  contrato  social,  já  vinha  prestando  serviços  médicos  (ecografias,  tomografias  computadorizadas,  mamografias  e  densitometrias),  como  atestam  notas  fiscais  acostadas  aos  autos;  e  atuava  em dois  hospitais  especializados  em diagnósticos  por imagem;  ­  atualmente,  prestaria  ainda  outros  serviços  médicos  (biópsias,  punções,  drenagens,  ecocardiografiatransesofágica,  amniocentese,  agulhamentopré  e  cintilografias)  que  exigiriam  corpo médico, enfermeiros, técnicos, leitos e salas de recuperação, similares à estrutura de um  hospital, razão pela qual são executados no Hospital de Canoas, como comprovariam as faturas  e o endereço de sua filial;  ­ disporia de estrutura necessária para atendimento de emergência médica;  Da definição de serviços hospitalares  ­  nos  termos  da  Lei  nº  9.249/96,  no  cálculo  da  base  de  cálculo  do  IRPJ,  o  percentual  a  ser  aplicado sobre a receita bruta, advinda da prestação de serviços hospitalares, seria 8% (oito por  cento);  ­  os  limites  semânticos  do  termo  “serviços  hospitalares”  foram  definidos  por  meio  das  Instruções Normativas SRF nº  306/03,  480/04,  539/05  e  791/07,  que  estabeleceram  algumas  obrigações a serem cumpridas pelos contribuintes, que extrapolariam o sentido posto na lei;  ­ a desoneração dos serviços hospitalares visaria à preservação da vida, de forma que “...Não  faria nenhum sentido  tratar distintamente os serviços praticados dentro de um hospital, com  alíquotas  reduzidas,  e  todos  os  mesmos  serviços,  se  praticados  em  outra  localização,  perdessem tal incentivo”;   Da  observância  às  decisões  emanadas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  e  Superior  Tribunal de Justiça (STJ)  ­ de acordo com o art.62­A do Regimento  Interno do CARF, decisões proferidas pelo STF e  STJ deveriam ser reproduzidas nos julgamentos administrativos;  ­  o  sentido  da  expressão  “serviços  hospitalares”  fora  definida  pelo  STJ,  em  Embargos  de  Declaração  no  Recurso  Especial  nº  1.116.399­BA,  sob  a  sistemática  de  recurso  repetitivo,  quando  se  entendeu  que  as  restrições  impostas  pelas  Instruções  Normativas  não  deveriam  prevalecer. De acordo com  tal  julgado,  contemplaria  aquelas  atividades  que  se vinculam aos  hospitais,  mas  não  necessariamente  prestadas  em  tais  estabelecimentos.  Além  disso,  “...o  decisum  determinou  que  as  modificações  determinadas  pela  lei  11.727/08,  relativamente  à  alíquota de 8% para o  Imposto de Renda e 12% para a Contribuição Social  sobre o Lucro,  não  se  aplicam aos  litígios  anteriores  a  2009,  dado que  esta  lei  teve  sua  vigência  prescrita  para 01 de janeiro de 2009”;  Da orientação da Procuradoria da Fazenda Nacional quanto aos recursos repetitivos  ­ a partir da Portaria PGFN nº 294, de março de 2010, os Procuradores da Fazenda Nacional  teriam deixado de interpor recursos em caso de decisão final proferida nos termos dos artigos  543­B e 543­C do Código de Processo Civil (CPC);  ­  por  meio  da  Orientação  nº  52,  a  PGFN  explicitara  o  resumo  do  julgamento  do  REsp  nº  1.116.399/BA;    Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.430          6 Da jurisprudência administrativa  ­  o  acórdão  nº  107­09.476,  que  tratou  de  caso  similar,  confirmara  que os  serviços  prestados  pelo contribuinte seriam de natureza hospitalar, bem como a Solução de Divergência nº 11/03 e  a Solução de Consulta nº 10/03;   Do período abrangido pelas decisões judiciais  ­ o cancelamento da cobrança justificar­se­ia pelas seguintes razões: (a) a PGFN renunciou à  tese quanto aos contribuintes que prestaram idênticos serviços hospitalares; (b) ainda que tenha  restado vencida na esfera judicial, tal decisão apenas abrangeria os serviços de ecografia, sendo  o acórdão da DRJ claro a respeito;  ­  somente  os  fatos  comprovados  no mandado  de  segurança  estariam  acobertados  pela  coisa  julgada;  ­ o acórdão transitado em julgado colocaria em dúvida a natureza dos serviços, pela limitação  documental, concluindo pela negativa por falta de convencimento fático, não por questões de  mérito;  ­ “...não basta alegar a coisa julgada e lançar todas as notas fiscais de todos os serviços de  certo  período,  quanto  nos  processos  judiciais  foram  apresentadas  algumas  notas  fiscais  de  ecografia, e o contribuinte se viu neles vencido porque os  tribunais não se sentiram seguros  em lhe dar o direito às alíquotas reduzidas de IR/CSLL”;  ­ “...Em virtude dos mandados de segurança terem expressado ressalvas sobre os documentos  comprobatórios da RECORRENTE, esta tem aptidão para reabrir a discussão fática nas vias  ordinárias”;  Da multa de oficio  ­  revelar­se­ia  descabida  a  multa  de  oficio  relativa  ao  período  abrangido  pelas  decisões  judiciais,  vez que o  trânsito  em  julgado do  acórdão do Tribunal Regional Federal  da Quarta  Região ocorrera em 4/11/09, após a autuação.  É o que importa relatar.  Voto             Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator.  Preenchidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento  do  recurso.  Da autuação de das decisões judiciais  Discute­se nos  autos qual o  coeficiente de presunção aplicável na  apuração  do lucro, levando­se em consideração as receitas auferidas pelo contribuinte.  No Termo de Constatação Fiscal (fl.110) discorreu­se, in verbis:  “[...] 1. Para cálculo do lucro presumido nos anos­calendário de  2004  a  2008,  aplicou  a  alíquota  de  8%  às  suas  receitas  de  prestação  de  serviços,  quando  o  correto  seria  o  percentual  de  Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.431          7 32%. Assim, procedemos ao cálculo do imposto de renda devido  com  base  no  percentual  de  32%,  resultando  nas  diferenças  trimestrais  transcritas  no  ‘DEMONSTRATIVO  DE  IRPJ  E  CSLL’, em anexo a este Termo, o qual é parte integrante deste.  2. Para cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido nos  mesmos  períodos,  o  contribuinte  aplicou  a  alíquota  de  12% às  suas receitas de prestação de serviços, quando o correto seria o  percentual  de  32%.  Assim,  procedemos  ao  cálculo  da  contribuição  social  devida  com  base  no  percentual  de  32%,  resultando  nas  diferenças  trimestrais  transcritas  no  ‘DEMONSTRATIVO DE IRPJ E CSLL’, em anexo a este Termo,  o qual é parte integrante deste.”  A fiscalização, conforme Demonstrativo de IRPJ e CSLL (fl.111), adotou, na  apuração  das  bases  de  cálculo,  as  receitas  declaradas  nas  DIPJ  (fls.6/47),  à  exceção  da  informada no 2º trimestre de 2005, quando adotou um valor menor (R$1.240.748,47 em vez de  R$1.241.362,27). Noticiou, ainda, que o contribuinte  ingressou  judicialmente com Mandados  de  Segurança  para  fins  de  reconhecimento  do  direito  à  aplicação  de  índices  de  presunção  reduzidos, não tendo obtido êxito, conforme decisões transitadas em julgado, o que a levou a  aplicar o percentual de 32% (trinta e dois por cento).  Em  primeira  instância,  a  Quinta  Turma  da  DRJ  –  Porto  Alegre  (RS)  entendeu, acerca dos fatos geradores ocorridos até 31/3/06, que a discussão se deslocara para o  âmbito judicial, o que a impediu de conhecer as respectivas alegações de defesa. Contudo, na  compreensão daquele colegiado, o quadro fático inicial, definido no momento das impetrações,  modificara­se  com  a  Alteração  de  Contrato  nº  10  (fls.779/785),  de  10/2/06,  arquivada  no  Registro  Civil  das  Pessoas  Jurídicas  de  Canoas  (RS)  no  mesmo mês  de  fevereiro  de  2006,  quando se ampliou o objeto social para “Prestação de Serviços de ecografia, clínica médica,  tomografia computadorizada, densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear”, dispondo  o acórdão a quo:  “[...]  A  impugnante,  durante  a  tramitação  dos  processos  judiciais,  alterou  seu  objetivo  social.  Inicialmente  prestava  serviços  de  ecografia  e  clínica  médica  (fl.1153),  mas  com  a  alteração contratual de 10/02/2006, passou a prestar serviços de  ecografia,  clinica  médica,  tomografia  computadorizada,  densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear.  Os lançamentos abrangem fatos geradores ocorridos no período  de  31/12/2004  a  31/12/2008  (datas  finais  dos  trimestres  de  apuração do IRPJ e da CSLL).  Diante do exposto, entende­se que o  litígio deve ser  julgado da  seguinte forma:  1.  Fatos  geradores  ocorridos  até  o  primeiro  trimestre  de  2006  (31/03/2006), inclusive – período­base de apuração do IRPJ e da  CSLL em que ocorreu a alteração contratual:  •  Deve­se  aplicar  a  orientação  contida  no  Ato  Declaratório  Normativo  (Cosit)  n.º  03/1996,  pois  o  ‘objeto’ da ação  judicial  e a  impugnação é o mesmo e a  decisão judicial definiu que a autuada não presta serviços  hospitalares.  Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.432          8 2. Fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006 –  de 01/04/2006 até 31/12/2008:  •  O  litígio  relativo  ao  período  em  destaque  deve  ser  apreciado,  pois  o  requisito  ‘ação  judicial  com  o  mesmo  objeto’ não está atendido. Na apreciação judicial, não foi  considerada a alteração do objeto social da autuada.  Assim,  deve­se  apreciar  a  questão  que  envolve  os  percentuais  aplicáveis para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL,  no período compreendido entre 01/04/2006 a 31/12/2008, tendo  em vista a adoção do lucro presumido.”  Esse é o quadro posto.  Às  fls.48/64  consta  cópia  da  petição  do  Mandado  de  Segurança  nº  2005.71.08.004479­9, relacionado ao IRPJ, impetrado em 17/5/05 (fl.787), em face de ato do  Sr.  Delegado  da  Receita  Federal  em Novo Hamburgo  (RS).  Como  causa  de  pedir,  expôs  o  impetrante  que  “...é  pessoa  jurídica  regularmente  constituída  e  exploradora  do  ramo  de  serviços de ecografia e clínica médica”, e que, “desde o ano­base de 2000, passando por 2001;  2002; 2003; 2004, além do corrente ano, tem o direito de ver alterado o índice a ser utilizado  na determinação de seu Imposto de Renda Jurídica, calculado pelo sistema de presunção de  lucro”. No pedido, igualmente mencionou que era “prestadora de serviços hospitalares”.  No acórdão da Primeira Turma do Tribunal Regional Federal  da 4º Região  (fls.65/69),  transitado  em  julgado,  não  obstante  a  redação  da  ementa,  que  pode  passar  a  impressão  de  que  na  análise  o  alcance  do  conceito  de  “serviços  hospitalares”  limitou­se  à  prestação  de  serviços  relacionados  a  exames  de  ecografia,  no  voto  do Relator, Des.  Federal  Joel Ilam Paciornik, restou evidente que aquele colegiado também decidiu sobre os serviços  de clínica médica, como não poderia ser diferente, pois o acórdão baseou­se no contrato social  acostado à petição inicial, sem a ampliação do objeto outrora mencionada. Vejamos:  Ementa  “TRIBUTÁRIO. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE  SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI N° 9.249/95, ART.15, §1°, III,  ALÍNEA A.  1. Justifica­se a alíquota menor na apuração da base de cálculo  do lucro presumido, para as atividades de serviços hospitalares,  em razão da margem de  lucro dessas  instituições  ser menor do  que a de outros  estabelecimentos de  saúde, por abarcar  custos  diversos e mais onerosos.  2.  A  lei  escolheu  como  único  critério  distintivo  a  natureza  da  atividade  prestada,  não  importando  o  local  onde  é  prestado  o  serviço. O exegeta não pode elastecer o significado da expressão  ‘serviços  hospitalares’  de  tal  forma  a  abarcar  atividades  que  não  correspondam  à  assistência  plena  e  integral  na  área  de  saúde, com instalações adequadas para internação de pacientes,  garantia  de  atendimento  básico  de  diagnóstico  e  tratamento,  equipe  clinica  organizada  e  apoio  permanente  prestado  por  médicos.    Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.433          9 3.  A  atividade  de  prestação  de  serviços  de  ecografia  não  se  enquadra no conceito de serviços hospitalares.  4. Apelação da União e remessa oficial providas. Prejudicada a  análise do apelo da autora.” (destaquei)  Voto  “[...] o enquadramento na condição de instituição prestadora de  serviços  hospitalares  sustenta­se  unicamente  na  natureza  dos  serviços  prestados,  circunstância  de  cunho  objetivo,  cuja  caracterização, segundo o caso concreto, prescinde ou depende  de  dilação  probatória.  Geralmente,  basta  a  análise  do  objeto  social  da  instituição  de  saúde  para  verificar  se  é  ou  não  prestadora de serviços hospitalares, pois o objeto da sociedade  já delimita o âmbito de atividades realizadas, ou seja, é inerente  à própria atividade prestar  (ou não)  serviços hospitalares. Por  vezes,  não  é  possível  firmar  convencimento  a  respeito  da  questão,  porquanto  o  objeto  social,  em  tese,  comportaria  tais  serviços, mas despontam dúvidas se a empresa possui estrutura  condizente para efetivamente os prestar.  No  caso  dos  autos,  as  provas  coligidas  aos  autos  permitem  firmar  juízo  quanto  a  ausência  de  prestação  de  serviços  hospitalares  pela  autora.  A  empresa  se  dedica  à  prestação  de  serviços de ecografia e clínica médica (fl.84), a qual não condiz  com  o  atendimento  a  pacientes  internos  ou  externos  em  atividades  diretas,  visando  promover,  prevenir  ou  recuperar  a  saúde,  com  equipe  clinica  organizada,  admissão  e  assistência  permanente  prestada  por  médicos  que  garanta  o  atendimento  básico de diagnóstico e tratamento.  .....  Por fim, cumpre mencionar que recentemente a Primeira Seção  desta  Corte,  por  unanimidade,  modificou  o  entendimento  firmado  a  respeito  do  enquadramento  das  clinicas  medicas  como  prestadoras  de  serviços  hospitalares,  em  julgamento  por  mim capitaneado (Embargos Infringentes no 2005.70.00.016081­ 7, julgado em 04/06/2007).  Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento à apelação da  União  e  à  remessa  oficial,  restando  prejudicada  a  análise  do  apelo da autora.” (destaquei)  Conforme  resultado  do  julgamento,  o  voto  do  Relator  foi  seguido  à  unanimidade (fl.155):   “Vistos  e  relatados  estes  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  decide  a  Egrégia  1ª  Turma  do  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  por  unanimidade,  dar  provimento  ao  apelo  da  União  e  à  remessa  oficial,  restando  prejudicada  a  análise do apelo da impetrante, nos termos do relatório, voto e  notas  taquigráficas  que  ficam  fazendo  parte  integrante  do  presente julgado”.  Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.434          10 No contrato  social  (fls.70/74),  consta  como objeto  social  “...a prestação de  serviços de ecografia e clínica médica”, e exatamente esta informação é a que foi considerada  pela Primeira Turma do TRF – 4ª Região. A  folha 84 mencionada pelo Relator contempla  a  Cláusula Segunda do contrato social, o que confirma que não apenas as atividades de ecografia  foram excluídas do conceito de “serviços médicos”.  Na realidade, desde a sentença (fls.923/931), vê­se com clareza que a decisão  não restringiu a análise aos exames de ecografia, conforme se extrai do seguinte excerto:  “[...] Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica,  prestados  pela  impetrante,  se  enquadram  na  categoria  de  ‘serviços  hospitalares’  para  fins  de  gozar  do  regime  diferenciado”  ...  Assim, uma vez que os serviços de diagnóstico são considerados  serviços  hospitalares,  é  de  ser  reconhecido  o  direito  da  impetrante  ao  recolhimento  do  IRPJ  com  base  de  cálculo  reduzida”. (destaquei)  Com  o Mandado  de Segurança  nº  2005.71.08.004477­5,  referente  à CSLL,  impetrado  em  17/5/05  (fl.1.077),  os  acontecimentos  não  ocorreram  diferentemente.  O  Impetrante  reafirmou ser “...explorador do ramo serviços de ecografia e clínica médica”. Na  sentença,  igualmente  se  assentou  “...Cabe  analisar  se  os  serviços  de  ecografia  e  clínica  médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para  fins  de  gozar  do  regime  diferenciado”  (fls.1.166/1.173).  A  ementa  do  acórdão  da  Primeira  Turma do TRF – 4ª Região restou assim redigida (fl.1.205/1.209):  “TRIBUTÁRIO.  AÇÃO  ORDINÁRIA.  IRPJ.  CSLL.  SERVIÇOS  HOSPITALARES. ARTS. 20 E 15, § 1°, III, 'A' DA LEI 9.249/95.  NATUREZA  DAS  ATIVIDADES.  ENQUADRAMENTO.  RECEITA BRUTA. REDUÇÃO DE PERCENTUAL.  1.  A  atividade  desenvolvida  pela  impetrante  não  encontra  enquadramento no conceito de serviço hospitalar, para o fim de  incidência  do  IRPJ  e  a  CSLL  com  percentuais  de  8%  e  12%,  respectivamente, sobre a renda bruta, para a formação da base  de cálculo destes tributos.  2. No caso do autos, as atividades da empresa não se enquadram  no conceito de serviços hospitalares, para efeito de incidência da  Lei  n°  9.249/95,  remanescendo  aqueles  concernentes  à  hemodiálise.  3. Posicionamento pessoal destronado em virtude do julgamento  da 1ª Seção desta Corte, em 10 de junho de 2006, nos Embargos  Infringentes em Apelação Cível n° 2003.71.00.031159­0.  4.  Apelação  da  União  e  remessa  oficial  providas  para  julgar  improcedente o pedido, e apelação da impetrante improvida.”  Nota­se, do respectivo voto condutor (fls.1.206/1.209), que também a decisão  foi baseada no contrato social:    Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.435          11 “[...] As alterações do contrato  social  juntadas  (fls.19/24),  não  trazem  o  objeto  social  da  impetrante,  mas  sua  razão  social  ‘Ecoclínica  Ecografia  Clínica  S/A  Ltda’  sugere  que  presta  serviços de ecografia.  Igualmente,  os  demais  documentos  juntados  pela  impetrante  (Guias DARF de recolhimento de IRPJ e CSLL) não têm condão  de  enquadrá­la  como  prestadora  de  serviços  médicos  hospitalares.”  Feitas  tais  considerações,  não  se  sustentam,  portanto,  as  alegações  do  Recorrente  no  sentido  de  que  a  discussão  judicial  limitara­se  ao  percentual  de  presunção  aplicável  aos  serviços  de  ecografia,  ainda  que,  como  afirma,  tenham  sido  anexadas  aos  Mandados de Segurança “algumas notas fiscais de ecografia”.  Em  suma,  as  decisões  judiciais  transitadas  em  julgado  fixaram  que  os  serviços  de  ecografia  e  clínica  médica  não  se  enquadram  no  conceito  de  “serviços  hospitalares” para fins de aplicação do percentual de presunção na apuração das bases de  cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal norma, estabelecida definitivamente pelo Judiciário para o  caso concreto, deve ser prestigiada, aplicada pela Administração tributária.  Assim,  somente  sobre  as  receitas  advindas  da  realização  de  exames  de  ecografia e serviços de clínica médica deve, necessariamente, incidir o percentual de 32%  (trinta e dois por cento), em todo o período autuado.  Nota­se, de acordo com os Demonstrativos de  IRPJ e CSLL (fl.111), que o  contribuinte permaneceu, não obstante as impetrações em maio de 2005, apurando as bases de  cálculo valendo­se dos percentuais reduzidos, muito provavelmente confiando na reversão dos  primeiros  pronunciamentos  do  TRF  –  4ª  Região,  que  apenas  transitaram  em  julgado  em  18/2/09 e 4/11/09.  Reafirme­se, trata­se de cumprimento de decisões judiciais definitivas, ainda  que a jurisprudência do STJ tenha se consolidado, posteriormente, em sentido diverso, como se  verá adiante. Daí não se concordar, concessa venia, com o acórdão da DRJ quanto à conclusão  sobre  a  concomitância.  Respeitosamente,  o  caso  seria  de  não  se  acolherem  as  alegações  do  Impugnante  exatamente  em  razão  de  a  fiscalização  ter  cumprido  as  decantadas  decisões  judiciais.   Assim,  não  subsiste  mínima  dúvida  de  que  os  serviços  prestados  pelo  sujeito passivo, de ecografia e clínica médica, não podem, em prestígio à coisa julgada, ser  considerados  como  hospitalares,  tudo  e,  unicamente,  em  razão  das  decisões  judiciais  definitivas que estabeleceram no caso concreto a norma aplicável (percentual de presunção de  32% sobre as respectivas receitas auferidas).  Quanto ao percentual incidente sobre as receitas auferidas com a execução de  outros exames, a controvérsia demanda distinta solução, a seguir definida.  Dos efeitos da decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 1.116.399/BA)  Como  relatado,  a  fiscalização  considerou,  conforme  decisões  judiciais  definitivas,  que  os  serviços  prestados  pelo  contribuinte  não  se  enquadravam  no  conceito  de  “serviços hospitalares”. Viu­se, entretanto, que o entendimento do TRF – 4ª Região levou em  conta tão­somente a execução de exames de ecografia e os serviços de clínica médica.  Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.436          12 No  acórdão  ora  recorrido,  após  análise  das  razões  de  fato  e  de  direito  suscitadas  na  impugnação,  alguns  requisitos  postos  em  legislação  infralegal  (Instruções  Normativas SRF nºs 306/03, 480/04, 539/05 e 791/07; e ADI SRF nº 18/03), que autorizariam  enquadrar os serviços como hospitalares, foram considerados não preenchidos. Em resumo:  ­ prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e  de hospital­dia;  ­ prestação de atendimento imediato de assistência à saúde;  ­ prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação;  ­ prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia;  ­  comprovação  de  estrutura  física,  conforme  disposto  no  item  3  da  Parte  II  da Resolução  –  RDC nº 50, de 2002, da Anvisa;  ­  comprovação  relativa  à  existência  de  estrutura material  e  de  pessoal  destinada  a  atender  à  internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe  clínica organizada  e  com prova de admissão  e  assistência permanente prestada por médicos,  possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas,  com  disponibilidade  de  serviços  de  laboratório,  serviços  de  cirurgia  e/ou  parto,  bem  como  registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.  O acórdão a quo ainda fixou:  “[...]Note­se que as decisões judiciais anteriormente transcritas  concluíram  que  os  serviços  prestados  pela  impugnante  não  condizem com o atendimento a pacientes internos ou externos em  atividades  diretas,  visando  promover,  prevenir  ou  recuperar  a  saúde,  com  equipe  clinica  organizada,  admissão  e  assistência  permanente  prestada  por  médicos  que  garanta  o  atendimento  básico de diagnóstico e tratamento.  A  alteração  contratual  efetuada  em  2006  não  propiciou  alterações  na  forma  da  prestação  dos  serviços,  que  pudessem  transformá­los em serviços hospitalares.  Ainda, o fato das instalações estarem anexas a hospital não tem  o  condão  de  transferir  a  ela  as  características  aptas  a  definir  como  serviços  hospitalares  as  atividades  que  exerce,  pois  serviços hospitalares são prestados por hospital.  Acrescente­se que no período em questão vige o disposto no ADI  18/2003,  relativamente a  considerarem­se  serviços hospitalares  aqueles  prestados  por  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde  constituídos por empresários ou sociedades empresárias.  .....  No presente caso, da documentação acostada aos autos, verifica­ se  que  a  natureza  jurídica  da  contribuinte  é  a  de  sociedade  simples, conforme cláusula do contrato social.  Além disso, não há qualquer evidencia que a impugnante  tenha  montado  quadro  técnico  estruturado  para  desempenho  de  sua  atividade­fim.  Pelo  que  consta  no  contrato  social,  ocorre  a  parceria entre os sócios médicos para a prestação de serviços na  Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.437          13 área  de  saúde  –  todos  os  médicos  que  prestam  serviços  na  clínica são sócios da autuada (fls.777­780 e 792).  Assim,  também não  foi observada a orientação contida no ADI  SRF nº 18, de 2003.  Note­se  que  não  se  consideram  serviços  hospitalares  aqueles  prestados  exclusivamente  pelos  sócios  da  pessoa  jurídica  ou  referentes  unicamente  ao  exercício  de  atividade  intelectual,  de  natureza  científica,  dos  profissionais  envolvidos,  mesmo  que  envolvam  o  concurso  de  auxiliares  ou  colaboradores  sem  a  mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses  prestem serviços de apoio técnico ou administrativo.”  Não  obstante  as  inúmeras  interpretações  veiculadas  por  normas  infralegais,  com a menção a vários requisitos, devidamente adotadas pelo acórdão da DRJ, pois àquelas se  vincula,  no  presente  caso  a  particularidade  de  o  STJ  ter  definido  o  alcance  da  expressão  “serviços hospitalares”, para fins de aplicação do art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249, de 26/12/95,  não confere mais qualquer margem aos membros do CARF para rediscutir a matéria.  Por  força  do  art.62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  que  impõe a  reprodução das decisões definitivas de mérito proferidas,  por  exemplo, pelo STJ  na  sistemática  do  art.543­C  do  CPC  (regime  de  recurso  repetitivo),  adota­se  o  entendimento  fixado no julgamento do REsp nº 1.116.399/BA, de 24/2/10, cujo acórdão recebeu a seguinte  ementa:  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO  CPC.  VÍCIOS  NÃO  CONFIGURADOS.  LEI  9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO  543­C DO CPC.   1.  Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão "serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para  fins  de  obtenção  da  redução  de  alíquota  do  IRPJ  e  da  CSLL.  Discute­se  a  possibilidade  de,  a  despeito  da  generalidade  da  expressão  contida  na  lei,  poder­se  restringir  o  benefício  fiscal,  incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles  estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente,  mediante internação e assistência médica integral.   2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251­PR, da relatoria  do  eminente Ministro Castro Meira,  a  1ª  Seção, modificando a  orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão  “serviços  hospitalares”,  constante  do  artigo  15,  §1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a  perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.438          14 (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir  que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação de pacientes) para a obtenção do benefício.   3.  Daí  a  conclusão  de  que  ‘a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar  tem  supedâneo  diretamente  na  Lei  9.249/95,  pelo  que  se  mostra  irrelevante  para  tal  intento  as  disposições constantes em atos regulamentares’.  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  à  promoção  da  saúde’,  de  sorte  que,  ‘em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’.  4.  Ressalva  de  que  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente  à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista  na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa  contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela  da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte,  nos  exatos  termos do §2º do artigo 15 da Lei 9.249/95.  5.  Hipótese  em  que  o  Tribunal  de  origem  consignou  que  a  empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde,  que  demanda  maquinário  específico,  podendo  ser  realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  motivo  pelo  qual,  segundo  o  novel  entendimento  desta  Corte,  faz  jus  ao  benefício  em  discussão  (incidência dos percentuais de 8%  (oito por cento), no caso do  IRPJ,  e  de  12%  (doze  por  cento),  no  caso  de  CSLL,  sobre  a  receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de  serviços médicos laboratoriais).  6.  Recurso  afetado  à  Seção,  por  ser  representativo  de  controvérsia,  submetido  ao  regime  do  art.543­C  do  CPC  e  da  Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  No  julgamento  dos  Embargos  de  Declaração  interpostos  pela  Fazenda  Nacional,  em  29/9/10,  reiterou  a  Primeira  Seção  do  STJ  que  “são  excluídas  dos  benefícios  tendentes  à  redução  das  alíquotas  ora  pleiteadas  as  atividades  destinadas  unicamente  à  realização de consultas médicas”. A respectiva ementa restou assim redigida:  DIREITO PROCESSUAL CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.  LEI  9.249/95.  IRPJ  E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.439          15 ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.   1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento  jurisdicional  padece  de  omissão,  contradição  ou  obscuridade  nos ditames do art.535, I e II, do CPC, bem como para sanar a  ocorrência de erro material.  2.  A  parte  embargante  aduz  que  há  no  acórdão  embargado,  basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam:(i)  a  atividade  de  consulta  médica  realizada  no  interior  dos  hospitais  por  profissionais  com  vínculo  com  a  instituição  deve  ser  conceituada  como  serviços  hospitalares  para  efeito  de  beneficiar­se da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não)  abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas  em  consultório  médico  não  localizado  no  interior  do  hospital,  mas  com  prestação  de  serviços  que  não  a  simples  consulta  médica?;  e  (iii)  as  consultas médicas  prestadas  em consultório  médico de forma exclusiva se incluem no benefício?  3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar  que  são  excluídas  dos  benefícios  tendentes  à  redução  das  alíquotas  ora  pleiteadas  as  atividades  destinadas  unicamente à  realização de  consultas médicas,  de  sorte  que  a  conclusão  ora  buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão  embargado.  4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que  foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações  errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios,  deve­se esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na  hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo  15, § 1º, III, ‘a’, da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as  simples atividades de consulta médica realizada por profissional  liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por  conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se  aplica  aos  consultórios  médicos  situados  dentro  dos  hospitais  que só prestem consultas médicas.  5.  Ademais,  por  ocasião  do  julgamento  dos  embargos  declaratórios  opostos  pela  Fazenda  Nacional  em  face  do  acórdão  proferido  no  REsp  951.251­PR,  o  eminente  Ministro  Relator  afirmou  que:  ‘Não  há  que  se  estender  o  benefício  aos  consultórios  médicos  somente  pelo  fato  de  estarem  localizados  dentro de um hospital,  onde apenas  sejam  realizadas  consultas  médicas  que  não  envolvam  qualquer  outro  procedimento  médico’.  6. Embargos de declaração rejeitados.   Tal acórdão transitou em julgado em 3/11/10, conforme informação constante  do sítio do STJ na internet.  Não  obstante  o  paradigma  eleito  por  aquela Corte  tratar  de  pessoa  jurídica  que prestava serviços laboratoriais, as premissas definidas aplicam­se a outras hipóteses.  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.440          16 Conforme  o  entendimento  acima,  a  expressão  “serviços  hospitalares”  deve  ser  interpretada  de  maneira  objetiva,  sob  a  perspectiva  da  atividade  realizada,  não  se  considerando, por ausência de previsão legal, a característica ou a estrutura do contribuinte em  si. À exceção das consultas médicas, consideram­se como tais os serviços que se vinculam às  atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde.   No  respectivo  voto  condutor,  de  lavra  do  Min.  Benedito  Gonçalves,  confirmou­se a orientação fixada no REsp nº 951.251­PR, quando se entendeu que:  “...a  expressão  ‘serviços  hospitalares’,  constante  do  artigo  15,  §1º,  inciso  III, da Lei 9.249/95, deve  ser  interpretada de  forma  objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pela  contribuinte),  porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não considerou o contribuinte em si (critério subjetivo), mas a  natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), que  é, inclusive, alçado à condição de direito fundamental.  Ademais,  consignou­se  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos  dispositivos  legais  acima  mencionados  não  poderiam  exigir  que  os  contribuintes  cumprissem  requisitos  não  previstos  em  lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que  ‘a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar  tem  supedâneo  diretamente  na  Lei  9.249/95,  pelo  que  se  mostra  irrelevante  para  tal  intento  as  disposições  constantes  em  atos  regulamentares’.  Dessa  forma,  ficou  assentado  que  devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  ‘aqueles  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção  da  saúde’,  de  sorte  que,  ‘em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se as simples consultas médicas, atividade que não se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito  hospitalar,  mas  nos  consultórios médicos’.  Ressaltou­se  ainda  que  as  alterações  preconizadas  pela  Lei  11.727/08 aos dispositivos legais em discussão apenas devem ser  aplicadas  a  demandas  ajuizadas  após  a  sua  vigência,  não  possuindo efeito retroativo.”  Com  isso,  os  requisitos  previstos  nas  normas  editadas  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil (RFB) não prevalecem frente à lei, que contemplou, no entender do  STJ, a natureza do serviço prestado, qual seja, assistência à saúde.  Por  conseguinte,  não  prevalecem  os  requisitos  mencionados  no  acórdão  recorrido, estabelecidos em atos infralegais, que impediram, no entender da DRJ, caracterizar  os serviços prestados como hospitalares.   Merece,  contudo,  análise  particular,  o  requisito  de  que  os  serviços  hospitalares devem ser aqueles prestados por estabelecimentos constituídos por empresários ou  sociedades empresárias. Em que pese a decisão da DRJ ancorar­se no ADI nº 18/03, o fato de a  prestadora dos serviços  ser necessariamente organizada sob a  forma de sociedade empresária  Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.441          17 passou a ter estatura legal com a Lei nº 11.727, de 23/6/08, que, por meio do artigo 29, conferiu  a seguinte redação ao art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249/95:  “Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o  disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995.   §  1º  Nas  seguintes  atividades,  o  percentual  de  que  trata  este  artigo será de:  .....  III ­ trinta e dois por cento, para as atividades de:  a) prestação  de  serviços  em  geral,  exceto  a  de  serviços  hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica,  imagenologia,  anatomia  patológica  e  citopatologia,  medicina  nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora  destes  serviços  seja  organizada  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  e  atenda  às  normas  da  Agência  Nacional  de  Vigilância Sanitária – Anvisa;”  Acontece que, como visto anteriormente, nos termos da decisão do STJ (Resp  nº  1.116.399/BA),  as  alterações  preconizadas  pela  Lei  nº  11.727/08  não  se  aplicam  retroativamente.  Em  que  pese  a  Lei  nº  11.727/08  ter  entrado  em  vigor  na  data  de  sua  publicação, o seu art.29 passou a produzir efeitos, conforme art.41, VI, “...a partir do primeiro  dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei”, ou seja,  a partir de 1º/1/09. Logo, no caso  concreto,  o  requisito  da  organização  da  prestadora  dos  serviços  sob  a  forma  de  sociedade  empresária  também não  consiste  em  fator  impeditivo  para que  os  demais  serviços  prestados  (retirando­se  os  de  prestação  de  exames  de  ecografia  e  clínica  médica),  relacionados  à  promoção da  saúde,  sejam considerados  como hospitalares, haja vista os  fatos geradores dos  créditos tributários, ocorridos até o 4º trimestre do ano­calendário 2008.  Considerando o objeto social do Recorrente, bem como as “Notas Fiscais de  Serviços” e “Relação de Exames Realizados”, acostadas à  impugnação, além dos serviços de  realização de exames de ecografia e dos serviços de clínica médica, o sujeito passivo executava  outros, vinculados a atividades desenvolvidas por hospitais, e nitidamente voltados diretamente  à promoção da saúde. Quanto a estes, não prevalecem, na caracterização dos serviços, para fins  de  aplicação  dos  percentuais  de  presunção,  os  requisitos  impostos  pela  legislação  tributária  infralegal e por interpretação particular da RFB.  Acrescente­se  que,  seguindo  a  interpretação  estabelecida  no  Resp  nº  1.116.399/BA,  o  STJ  passou  a  decidir  que  estão  compreendidos  no  conceito  de  “serviços  hospitalares”,  por  exemplo,  a  realização  de  exames  de  diagnósticos  por  imagem,  serviços  oftalmológicos e exames cirúrgicos:    Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.442          18 RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA.  ALÍQUOTA  REDUZIDA.  ARTIGO  15,  PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95.  SERVIÇOS  HOSPITALARES.  APOIO  DIAGNÓSTICO  POR  LABORATÓRIO  DE  ANÁLISES  CLÍNICAS.  1.  Restam  compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15,  parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das  alterações  da  Lei  nº  11.727/2008)  as  atividades  típicas  de  prestação  de  serviços  de  apoio  diagnóstico  por  imagem  e  laboratório de análises clínicas, permitindo­se quanto a estas a  incidência  do  percentual  reduzido  de  8%  relativamente  ao  Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­  IRPJ, excluídas as simples  consultas  médicas  ou  atividades  de  cunho  administrativo  (cf.  REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543­C do  Código  de  Processo  Civil).  2.  Recurso  especial  provido.  (Primeira  Seção,  REsp  837913/SC,  julgado  em  10/11/10,  Dje  19/11/10, Rel. Min. Hamilton Carvalhido)  TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE  CÁLCULO.  ART.  15,  §1º,  III,  "A"  DA  LEI  Nº  9.249/95.  DIAGNÓSTICO  DE  IMAGENS.  INCLUSÃO  NO  CONCEITO  DE  SERVIÇO  HOSPITALAR.  1.  A  agravante  requer  que  "se  deixe  expresso  que  a  redução  da  alíquota  prevista  na  Lei  9.249/95  não  se  refere  a  toda  a  receita  bruta  da  empresa  genericamente considerada, mas sim àquela receita proveniente  unicamente  da  atividade  específica  sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte  nos  exatos  termos  do  §  2º,  do  artigo  15,  da  mencionada  lei"  (fls.  226­227).  2.  A  decisão  monocrática  considerou  que  a  "redução  da  base  de  cálculo  somente  deve  favorecer  a  atividade  tipicamente  hospitalar  desempenhada pela recorrente excluídas as  simples consultas e  atividades  de  cunho  administrativo"  (fl.217),  nos  termos  do  EREsp  925.126/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  Primeira  Seção,  DJe  18/09/2009  e  do  REsp  1.116.399/BA,  Rel.  Min.  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Seção,  DJe  24/02/2010,  que  seguiu  o  procedimento  previsto  no  artigo  543­C do Código  de Processo  Civil. 3. Agravo regimental não provido. (Segunda Turma, AgRg  no REsp 1147620/RS, julgado em 14/9/10, Dje 24/9/10, Rel. Min.  Castro Meira)  PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS ARTS.  458  E  535  DO  CPC.  NÃO  OCORRÊNCIA.  INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 98/STJ NA HIPÓTESE.  SUBSISTÊNCIA  DA  MULTA.  SERVIÇO  HOSPITALAR.  CLÍNICA  DE  DIAGNÓSTICOS  POR  IMAGEM.  ENQUADRAMENTO.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTE  REGIDO  PELA  SISTEMÁTICA  DO  ART.  543­C,  DO  CPC.  DEPÓSITO  JUDICIAL.  LEVANTAMENTO.  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  PRECEDENTES.  [...]  2.  A  Primeira  Seção  desta  Corte,  em  sessão  realizada  no  dia  28.10.2009,  quando  do  julgamento do REsp n. 1.116.399/BA, pelo regime do art. 543­C,  do CPC, adotou, por maioria, entendimento no sentido de que as  empresas  que  prestam  serviços  médicos  laboratoriais  desempenham  atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde,  que  demanda  maquinário  específico,  podendo  ser  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.443          19 realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  razão  pela  qual  fazem jus ao benefício fiscal de redução das alíquotas do IRPJ e  da CSLL, o qual não se refere a toda a receita bruta da empresa  contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela  da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita  ao  benefício,  nos  termos  do  §  2º  do  art.  15  da Lei  n.  9.249/95  [...] 4. Recurso especial parcialmente provido. (Segunda Turma,  REsp  1200788/MG,  julgado  em  2/9/10,  Dje  4/10/10,  Rel.  Min.  Mauro Campbell Marques)  TRIBUTÁRIO.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  SERVIÇOS  MÉDICOS  OFTALMOLÓGICOS  E  EXAMES  CIRÚRGICOS.  ATIVIDADES ABRANGIDAS. ENTENDIMENTO RECENTE DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  MATÉRIA  SUBMETIDA  AO  RITO  DO  ART. 543­C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  98/STJ.  1.  "Devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte  que,  "em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos".  2.  Precedente  representativo  da  controvérsia:  REsp  1.116.399/BA,  DJe  24/02/2010.  3.  Os  serviços  médicos  oftalmológicos,  bem  como  a  realização  de  exames  cirúrgicos,  estão  abarcados  pelo  conceito  de  "serviços  hospitalares"  para  fins  de  recolhimento  do  IRPJ  e  CSSL  sob  a  base  de  cálculo  reduzida. 4. "Embargos de declaração manifestados com notório  propósito  de  prequestionamento  não  têm  caráter  protelatório".  Inteligência  da  Súmula  98/STJ.  5.  Recurso  especial  provido.  (Segunda  Turma,  Resp  1165921/MA,  julgado  em  5/8/10,  Dje  1/9/10, Rel. Min. Mauro Campbell Marques)  Portanto, à exceção das  receitas auferidas  em decorrência da realização  de exames de ecografia e da prestação de serviços de clínica médica, as demais devem ser  consideradas como oriundas da prestação de serviços hospitalares, para  fins de definição dos  percentuais  de  presunção,  conforme  interpretação  firmada  pelo  STJ  em  sede  de  recurso  repetitivo,  repita­se,  de  observância  obrigatória  pelos  membros  do  CARF,  autorizando,  portanto, a incidência do percentual de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL.  Da multa de ofício  Acerca do lançamento da multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento),  o Recorrente sustentou a improcedência com base nos seguintes fundamentos, in verbis:  “79.  Revela­se  descabida  a  multa  de  ofício  sobre  o  período  coberto  pelos  processos  judiciais,  não  só  pelos  argumentos  de  mérito  acima  desenvolvidos,  mas  por  outro  fato  que  restou  desprezado pelo Sr. AFRFB.  Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.444          20 80. É  que  a  autuação  foi  intimada  em  7.10.2009,  enquanto  um  dos processos judiciais transitou em julgado em 4.11.2009.  81. Ocorre que as sentenças desses processos foram favoráveis à  RECORRENTE  e  delas  resultou Apelação  da União  sem  efeito  suspensivo, como é da natureza do mandado de segurança;  82.  Somente  o  trânsito  em  julgado  do  acórdão  TRF­4  desconstituiu os efeitos suspensivos da sentença.  83. E  estes  se deram depois da autuação,  razão pela qual esta  não poderia ter  imposto a multa de ofício, dado que a sentença  do mandado de segurança ainda estava valendo.  84. Quanto à multa do período após processos judiciais reitera a  RECORRENTE  os  argumentos  desenvolvidos  na  Impugnação,  bem como sobre o principal dos tributos, neste Recurso.”  Em suma, sustenta a defesa que a multa não poderia ser aplicada, pois quando  dos lançamentos teria a seu favor sentença judicial.  Dispõe a Lei nº 9.430, de 27/12/96:  Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir  a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja  exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V  do  art.  151  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  não  caberá  lançamento  de  multa  de  ofício.  (Redação  dada  pela  Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)   § 1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  débito  tenha  ocorrido  antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.   § 2º A  interposição da ação  judicial  favorecida com a medida  liminar  interrompe  a  incidência  da  multa  de  mora,  desde  a  concessão  da  medida  judicial,  até  30  dias  após  a  data  da  publicação da  decisão  judicial  que  considerar  devido  o  tributo  ou contribuição. (destaquei)  O  não  cabimento  da  multa  de  ofício,  quando  suspensa  a  exigibilidade  na  forma dos incisos IV e V do art.151 do CTN foi ratificada na Súmula CARF Vinculante nº 17:  “Não  cabe  a  exigência  de  multa  de  ofício  nos  lançamentos  efetuados  para  prevenir  a  decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151  do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de  ofício a ele relativo.”.  Porém, no caso concreto, como relatado, a ciência do contribuinte quanto aos  autos  de  infração  ocorreu  em  1º/12/09  (fls.130  e  143),  não  em  7/10/09,  como  sustenta  o  Recorrente.  Note­se, quanto ao MS nº 2005.71.08.004479­9, que o acórdão da Primeira  Turma do TRF da 4º Região foi proferido em 27/6/07 (fl.980), sendo que, a partir de tal data,  as decisões subsequentes não o alteraram, tendo sido, inclusive, negado provimento ao recurso  especial do contribuinte pelo STJ em 12/12/08. A Certidão de Trânsito e Termo de Remessa,  Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/2009­14  Acórdão n.º 1103­000.988  S1­C1T3  Fl. 1.445          21 expedida  pelo  STJ,  foi  datada  de  18/2/09  (fl.1.076),  constando  do  sítio  daquela  Corte  na  internet a confirmação de tal data como sendo a do trânsito em julgado1.  Acerca do MS nº 2005.71.08.004477­5, o acórdão do TRF da 4ª Região, que  deu provimento à apelação da União e à  remessa oficial,  foi proferido em 3/10/07 (fl.1.210),  não  tendo,  a  exemplo do que  se passou com o mandamus  referente  ao  IRPJ,  reversão de  tal  decisão. A Certidão de Trânsito e Termo de Remessa, expedida pelo STJ, relativa à apreciação  de  agravo  regimental  contra  decisão  que  negou  provimento  ao  agravo  de  instrumento  interposto  contra  a  não  admissibilidade  de  recurso  especial,  foi  datada  de  4/11/09  (fl.1.283),  constando do sítio daquela Corte na internet a confirmação de tal data como sendo a do trânsito  em julgado2.  Logo, não há se falar em decisão favorável, vigente quando da autuação, que  tenha suspendido a  exigibilidade dos créditos  tributários apurados nos moldes em que  foram  constituídos.  Cabível, portanto, a multa de ofício, nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96.  Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso para determinar a incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ;  12%  para  a  CSLL)  sobre  as  receitas  consideradas,  à  exceção  daquelas  decorrentes  da  execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica para as quais  deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para todo o período autuado.  (assinado digitalmente)  Eduardo Martins Neiva Monteiro                                                              1  http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/detalhe.asp?numreg=200801819022&pv=010000000000&tp=51.  Consulta em 11/2/14.  2 http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/justica/detalhe.asp?numreg=200801061285. Consula em 11/2/14.                                Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

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Numero do processo: 10825.002403/2001-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA. Conforme a Súmula nº 5, do CARF, “são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”.
Numero da decisão: 3401-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula nº 15, do CARF: “Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA POR DECISÃO LIMINAR. INEXISTÊNCIA DE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DOS JUROS DE MORA. Conforme a Súmula nº 5, do CARF, “são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A     2   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos  (Presidente),  Robson  José  Bayerl  (Substituto),  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça,  Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Angela Sartori     Relatório  Trata o presente processo de auto de infração eletrônico (fl. 32) pelo qual foi  lançado  o  IPI  não  recolhido  em  operações  no  ano  de  1998.  O  imposto,  os  juros  e  a multa  totalizaram a exigência no valor de R$ 5.133.629,02 (cinco milhões, cento e trinta e três mil,  seiscentos e vinte e nove reais e dois centavos).  A ciência foi dada em 04/12/2001 (fl.46).  A  Contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  02/12),  mas  a  DRJ  em  Rio  Preto/SP manteve o lançamento parcialmente, ao considerar que o lançamento para prevenir a  decadência acompanhada dos juros é legal, contudo, neste caso, não se pode aplicar a multa de  ofício. Por essa razão, a DRJ cancelou somente o lançamento da multa de ofício.   A DRJ submeteu seu acórdão ao recurso de ofício quanto à parte exonerada.   A  Recorrente  foi  intimada  do  acórdão  da  DRJ  em  29/02/2008  (fl.483)  e  interpôs recurso voluntário 24/03/2008 (fls.485/492), alegando, em suma, que obteve, nos autos  dos  Mandados  de  Segurança  nºs  97.0006972­9,  98.0017396­0  e  98.0014954­6,  medidas  liminares  para  não  ser  compelida  ao  destaque/recolhimento  do  IPI  quando  das  operações  de  saída de açúcar. Assim, nunca esteve em mora, de modo que não deve os juros.  Ao  fim,  a  Recorrente  pediu  o  provimento  do  recurso,  a  fim  de  que  sejam  afastados os juros.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça  O recurso de ofício preenche os requisitos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72  e do art. 1º, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008; e o recurso de  voluntário  é  tempestivo  e atende aos demais  requisitos de  admissibilidade, motivo pelo qual  deles tomo conhecimento.  Em  1997,  pelo  Mandado  de  Segurança  nº  97.0006971­0,  a  Recorrente  conseguiu  liminar  pela  qual  foi  suspensa  a  exigibilidade  do  IPI  sobre  nas  saídas  do  açúcar  correspondentes à safra 1997/1998 (fls. 156/164).    Contudo  a Delegacia  de  origem  lavrou  o  auto  de  infração  para  prevenir  a  decadência.  A  DRJ  em  Rio  Preto/SP  exonerou  o  lançamento  da  multa  e  suspendeu  a  exigibilidade  do  crédito  até  o  trânsito  em  julgado da  decisão  judicial, mas manteve  os  juros  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A Processo nº 10825.002403/2001­32  Acórdão n.º 3401­002.471  S3­C4T1  Fl. 514          3 lançados, o que está sendo combatido, no recurso voluntário, pela Contribuinte. Desse modo,  temos as seguintes matérias a serem apreciadas:  Recurso de ofício: multa de ofício no lançamento para prevenir a decadência;  Recurso  voluntário:  juros  de  mora  em  lançamento  com  exigibilidade  suspensa por decisão judicial.  Nos  autos,  não  consta  a  atual  situação  do  processo  judicial,  mas  isso  não  prejudica a análise deste processo administrativo.  Limitadas essas questões, podemos passar à análise.    1.  Do Recurso de Ofício: Multa de ofício em lançamento para prevenir  a decadência.  Esse tema não merece delonga, já que é objeto da Súmula nº 17, do CARF,  cujo texto é o seguinte:     “Não  cabe  a  exigência  de  multa  de  ofício  nos  lançamentos  efetuados  para  prevenir  a  decadência,  quando  a  exigibilidade  estiver  suspensa  na  forma  dos  incisos  IV  ou  V  do  art.  151  do  CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do  início de  qualquer procedimento de ofício a ele relativo”.    A  liminar  foi  concedida  no  ano  de  1997,  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração  e  a  exigibilidade  suspensa  com  base  no  inciso  IV,  do  art.  151,  do  CTN.  Logo,  é  plenamente aplicável a Súmula nº 17, neste caso, de modo que deve ser mantida a exoneração  da multa de ofício.     2.  Recurso voluntário: juros de mora em lançamento com exigibilidade  suspensa por decisão judicial.  Nesse tópico, o cerne da questão limita­se à possibilidade do cabimento dos  juros de mora em relação aos tributos com exigibilidade suspensa por medida liminar.  A presente matéria  já está pacificada,  vez que o objeto da Súmula nº 5,  do  CARF, que assim dispõe:    “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade,  salvo  quando  existir  depósito  no  montante integral”.  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A     4   Como no presente caso não houve o depósito do montante integral, é correto  o lançamento acompanhado dos juros.  Ex  positis,  nego  provimento  ao  recurso  ofício,  mantendo  a  exoneração  da  multa de ofício. Também nego provimento ao recurso voluntário para manter o lançamento em  relação aos juros de mora. Todavia, a exigibilidade mantem­se suspensa até a decisão final do  processo judicial.  É como voto.  Jean Cleuter Simões Mendonça ­ Relator                              Fl. 516DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONC A

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5363971 #
Numero do processo: 10380.724592/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.
Numero da decisão: 1301-001.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado).
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE. O alcance dos efeitos da coisa julgada material, especialmente quando se trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou que não se projeta para fatos geradores futuros, salvo se expressamente determinado pelo Poder Judiciário. Nos termos do disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os precedentes do STF formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, relator, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Wilson Fernandes Guimarães Redator Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 98          1 97  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.724592/2010­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.355  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de dezembro de 2013  Matéria  CSLL ­ FALTA DE RECOLHIMENTO  Recorrente  NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2006, 2007  CSLL. COISA JULGADA EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ALCANCE.  O  alcance  dos  efeitos  da  coisa  julgada  material,  especialmente  quando  se  trata de relações jurídicas tributárias de natureza continuativa, é questão que a  jurisprudência  já  reafirmou que não  se projeta para  fatos  geradores  futuros,  salvo  se  expressamente  determinado  pelo  Poder  Judiciário.  Nos  termos  do  disposto no Parecer PGFN nº 492, de 2011, possuem força para, com o seu  advento,  impactar  ou  alterar  o  sistema  jurídico  vigente,  por  serem  dotados  dos  atributos  da  definitividade  e  objetividade,  os  precedentes  do  STF  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade,  seguidos,  ou  não, de Resolução Senatorial, que tenham sido oriundos do Plenário do STF e  confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  PRIMEIRA   SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso. Vencidos os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior,  relator, Valmir  Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado).  (assinado digitalmente)  Valmar Fonseca de Menezes  Presidente  (assinado digitalmente)  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 45 92 /2 01 0- 65 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 99          2 Relator  Wilson Fernandes Guimarães  Redator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Valmar  Fonseca  de Menezes,  Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de  Paula Fernandes Junior e Gilberto Baptista(Suplente convocado).  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 100          3   Relatório  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  contribuinte  acima  identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE.  Depreende­se pela análise do processo administrativo que em desfavor da ora  recorrente  foi  lavrado auto de  infração  relativo à Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido  (fls. 02 – 10), afetos aos anos­calendário 2006 e 2007, no valor originário de R$ 15.634.776,54  (quinze milhões, seiscentos e trinta e quatro mil, setecentos e setenta e seis reais e cinquenta e  quatro centavos).  Na  pertinente  descrição  dos  fatos  fez  ver  a  Fiscalização  que  a  contribuinte  deixou de recolher  e mesmo de declarar em DCTF, nos anos­calendário  em questão e sendo  intimada  a  justificar  a  falta  de  recolhimento,  alegou  que  está  exonerada  das  obrigações  de  recolher e de declarar  a CSLL por  se  encontrar  amparada por decisão  judicial  transitada  em  julgado,  em  11/05/2001,  que  declara  inconstitucional  a  Lei  nº  7.689/88,  conforme  processo  89.00925466, sendo, portanto, defeso a cobrança da Contribuição Social em apreço.  Frisou  a  Fiscalização,  no  entanto,  que  desde  a  decisão  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  138284­CE,  a  jurisprudência  passou  a  reconhecer  a  constitucionalidade  da  citada  lei,  exceto  do  seu  artigo  8º,  pela  ofensa  ao  princípio  da  anterioridade  nonagesimal,  e  por  tratar­se  de  relação  tributária  continuativa  não  cabe  alegar  “trânsito  em  julgado”  como  impeditivo  de  exação  de  tributos,  mormente  quando  a  lei  anteriormente questionada sofreu modificações ao longo do tempo e a cobrança diz respeito a  períodos subsequentes, assinalando ser este o entendimento do STF expresso na decisão do RE  nº 109.073SP, cujo relator foi o Min. Ilmar Galvão – 11.02.1993.  Citou o Parecer PGFN/CRJN/1.277/94, e efetuou­se o  lançamento  tomando  por base os dados consignados pelo contribuinte nas DIPJ.  Devidamente cientificada (fl. 88), a contribuinte apresentou Impugnação (fls.  90  –  125),  alegando  em  síntese,  dispor  de  provimento  jurisdicional  assentando  a  inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88.  O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza (fls.  144 – 156), e o acórdão ficou assim ementado:  [...]  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO  LÍQUIDO – CSLL  Ano­calendário: 2006, 2007  CONCESSÃO  DE  LIMINAR  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  INCONSTITUCIONALIDADE  LEI  7.689/88. TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES DA COISA  JULGADA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 101          4 Nas  relações  tributárias  de  natureza  continuativa,  não  é  cabível  a  alegação  da  coisa  julgada  em  relação  a  fatos  geradores ocorridos após alterações legislativas, posto que  a  imutabilidade  diz  respeito  apenas  aos  fatos  concretos  declinados  no  pedido,  ficando  sua  eficácia  restrita  ao  período  de  incidência  que  fundamentou  a  busca  da  tutela  jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos da decisão  transitada  em  julgado,  afastando  a  incidência  da  Lei  nº  7.689/88,  sob  o  fundamento  de  sua  inconstitucionalidade,  principalmente  em  face  da  existência  de  pronunciamento  posterior do STF, em sentido contrário.  [...]  Devidamente  cientificada  da  decisão  desfavorável,  a  contribuinte  interpôs  Recurso Voluntário insistindo na improcedência do lançamento.  É o relatório.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 102          5   Voto Vencido  Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator.  O  Recurso  é  tempestivo  e  dotado  dos  pressupostos  genéricos  de  recorribilidade. Admito­o para julgamento.  A Recorrente foi autuada por não ter recolhido ou confessado CSLL relativa  ao  ano­calendário  2005,  tendo  argumentado,  em  seu  socorro,  que  dispõe  de  provimento  jurisdicional  transitado  em  julgado  no mandado  de  segurança  n°  89.00925466,  que  tramitou  perante a 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, que declarou a inconstitucionalidade da  Lei nº 7.689/88.  Já  a  Fiscalização  sustenta,  por  seu  turno,  que  as  alterações  supervenientemente promovidas na citada lei se encarregaram de vulnerar a coisa julgada, dado  a natureza da própria obrigação tributária.  Afigura­se, portanto, questão que envolve a análise dos  limites objetivos da  chamada  “coisa  julgada  material”,  perquirindo  a  eficácia  de  um  provimento  jurisdicional  definitivo,  já  que  transpostos  todos  os  prazos  recursais  bem  como  esgotado  o  limite  para  propositura de ação rescisória.  Sem desconhecer os  precedentes  do  antigo Conselho  de Contribuintes  e do  próprio CARF, consagradores de que não há coisa julgada material em ação declaratória que  ventile  matéria  tributária  de  alcance  em  relações  futuras,  bem  como  sem  olvidar  o  pronunciamento do STF  acerca da  constitucionalidade da Contribuição Social  sobre o Lucro  constitui autêntica “modificação do estado de direito”, a justificar a aplicação do art. 471, I, do  CPC, não se pode perder de vista o julgamento, pelo Superior Tribunal de Justiça, do Recurso  Especial nº 1.118.893­MG, julgado na forma do artigo 543­C do Código de Processo Civil, ou  seja, como Recurso Repetitivo, como se constata dos trechos a seguir reproduzidos:  REsp 118893/MG –Recurso Especial 2009/0011135­9  Relator­ Ministro Arnaldo Esteves Lima  Órgão Julgador: Primeira Seção  Data do Julgamento: 23/03/2011  Data da ublicação: 06/04/3011  Ementa:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  RITO  DO  ART.  543­C  DO  CPC.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O  LUCRO  ­  CSLL.  COISA  JULGADA.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  7.689/88  E  DE  INEXISTÊNCIA  DE  RELAÇÃO  JURÍDICO­TRIBUTÁRIA.  SÚMULA  239/STF.  ALCANCE.  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 103          6 OFENSA  AOS  ARTS.  467  E  471,  CAPUT,  DO  CPC  CARACTERIZADA.  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO  STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO.  1.  Discute­se  a  possibilidade  de  cobrança  da  Contribuição  Social sobre o Lucro ­ CSLL do contribuinte que tem a seu favor  decisão  judicial  transitada  em  julgado  declarando  a  inconstitucionalidade  formal  e  material  da  exação  conforme  concebida  pela  Lei  7.689/88,  assim  como  a  inexistência  de  relação jurídica material a seu recolhimento.  2.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  reafirmando  entendimento  já  adotado  em  processo  de  controle  difuso,  e  encerrando  uma  discussão  conduzida  ao  Poder  Judiciário  há  longa  data,  manifestou­se,  ao  julgar  ação  direta  de  inconstitucionalidade,  pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto  constitucional,  à  exceção  do  disposto  no  art  8º,  por  ofensa  ao  princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da  incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias  ­  ADCT  (ADI  15/DF,  Rel.  Min.  SEPÚLVEDA  PERTENCE,  Tribunal  Pleno, DJ 31/8/07).  3.  O  fato  de  o  Supremo  Tribunal  Federal  posteriormente  manifestar­se  em  sentido  oposto  à  decisão  judicial  transitada  em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada  pela  coisa  julgada,  sob  pena  de  negar  validade  ao  próprio  controle difuso de constitucionalidade.  4. Declarada a inexistência de relação jurídico­tributária entre o  contribuinte  e  o  fisco,  mediante  declaração  de  inconstitucionalidade  da  Lei  7.689/88,  que  instituiu  a  CSLL,  afasta­se  a  possibilidade  de  sua  cobrança  com  base  nesse  diploma  legal,  ainda  não  revogado  ou  modificado  em  sua  essência.  5.  "Afirmada  a  inconstitucionalidade  material  da  cobrança  da  CSLL,  não  tem  aplicação  o  enunciado  nº  239  da  Súmula  do  Supremo  Tribunal  Federal,  segundo  o  qual  a  "Decisão  que  declara  indevida  a  cobrança  do  imposto  em  determinado  exercício  não  faz  coisa  julgada  em  relação  aos  posteriores"  (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON  CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10).  6.  Segundo  um  dos  precedentes  que  deram  origem  à  Súmula  239/STF,  em  matéria  tributária,  a  parte  não  pode  invocar  a  existência  de  coisa  julgada  no  tocante  a  exercícios  posteriores  quando,  por  exemplo,  a  tutela  jurisdicional  obtida  houver  impedido  a  cobrança  de  tributo  em  relação  a  determinado  período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for  declarada a  inconstitucionalidade da lei  instituidora do  tributo,  não  há  falar  na  restrição  em  tela.  (Embargos  no  Agravo  de  Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ  10/2/45).  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 104          7 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e  8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da  contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a  forma de pagamento,  alterações que não criaram nova  relação  jurídico­tributária. Por  isso, está impedido o Fisco de cobrar a  exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito  à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA  CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07).  8.  Recurso  especial  conhecido  e  provido.  Acórdão  sujeito  ao  regime  do  art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  e  da  Resolução 8/STJ.  Acórdão:  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da PRIMEIRA  SEÇÃO  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  unanimidade,  dar  provimento  ao  recurso  especial,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman  Benjamin,  Mauro  Campbell  Marques,  Benedito  Gonçalves,  Cesar  Asfor  Rocha,  Hamilton  Carvalhido  e  Castro  Meira  votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentaram, oralmente, os  Drs.  Jose  Marcio  Diniz  Filho,  pela  recorrente,  e  Alexandra  Maria Carvalho Carneiro, pela recorrida  AgRg no REsp 1176454 / MG  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL2010/0011350­8  Relator(a)  Ministro  MAURO  CAMPBELL MARQUES (1141)   Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 14/04/2011   Data da Publicação/Fonte DJe 28/04/2011 Ementa   PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL.  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DA  LEI  N.  7.689/88.  COISA  JULGADA.  ALCANCE  DA  SÚMULA  239/STF.  MATÉRIA  JULGADA  PELA  SISTEMÁTICA  DOS  RECURSOS REPETITIVOS.  1. Se a decisão que afasta a cobrança do  tributo se restringe a  determinado  exercício  (a  exemplo  dos  casos  onde  houve  a  declaração de inconstitucionalidade somente do art. 8º, da Lei n.  7.689/88), aplica­se o enunciado n. 239 da Súmula do STF, por  analogia,  in  verbis:  "Decisão  que  declara  indevida a  cobrança  do  imposto em determinado exercício não  faz coisa julgada em  relação aos posteriores".  2.  Contudo,  se  a  decisão  atacar  o  tributo  em  seu  aspecto  material  da  hipótese  de  incidência,  não  há  como  exigir  o  seu  pagamento  sem  ofender  a  coisa  julgada,  ainda  que  para  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 105          8 exercícios  posteriores  e  com  fundamento  em  lei  diversa  que  tenha  alterado  somente  aspectos  quantitativos  da  hipótese  de  incidência. Precedente: EREsp Nº 731.250 ­ PE, Primeira Seção,  Rel.  Min.  José  Delgado,  julgado  em  28.5.2008;  e  REsp  Nº  731.250 ­ PE, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado  em 17.4.2007.  3. Situação em que o acórdão que transitou em julgado declarou  a  inconstitucionalidade  material  de  toda  a  Lei  n.  7.689/88  (argumento  de  que  a  forma  de  arrecadação do  tributo  e  a  sua  destinação  não  foram  as  constitucionalmente  previstas,  descaracterizando­o como contribuição e impossibilitando o seu  tratamento como imposto) e formal do seu art. 8º (fundamento de  violação ao princípio da anterioridade). Sendo assim, atacou o  tributo  também  em  seu  aspecto  material  da  hipótese  de  incidência, não havendo como exigir o seu pagamento (enquanto  o  critério material  da  hipótese  de  incidência  for  o mesmo  sem  ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e  com  fundamento  em  lei  diversa  que  tenha  alterado  somente  aspectos quantitativos da hipótese de incidência.  4. Na assentada do dia 23 de março de 2011, ao julgar o REsp  1.118.893/MG,  sob  a  relatoria  do  Ministro  Arnaldo  Esteves  Lima  e  de  acordo  com  o  regime  do  art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil,  a  Primeira  Seção  acabou  por  confirmar  a  orientação predominante nesta Corte a respeito da controvérsia  sobre os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações  legislativas  posteriores  ao  trânsito  em  julgado  de  sentença  declaratória  de  inexistência  de  relação  jurídica  tributária  no  tocante à contribuição social instituída pela Lei 7.689/88.  5. Agravo regimental não provido.  Acórdão  Vistos,  relatados  e  discutidos  esses  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os  Ministros  da  Segunda  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  conformidade  dos  votos  e  das  notas  taquigráficas,  o  seguinte  resultado  de  julgamento:   "A  Turma,  por  unanimidade,  negou  provimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro­Relator,  sem  destaque." Os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha, Castro Meira,  Humberto  Martins  (Presidente)  e  Herman  Benjamin  votaram  com o Sr. Ministro Relator.  Sendo assim, conquanto reconheça que diversos foram os casos submetidos a  este Conselho cujo objeto era exigência da CSLL em face de pessoas jurídicas beneficiárias de  sentença  judicial  transitada  em  julgado  com  a  declaração  de  inconstitucionalidade  da  Lei  7.689/88,  e  que  se  consagrou  entendimento  de  que  não  acataria  a  coisa  julgada  em matéria  tributária, bem como de que a ordem jurídica foi inovada com a decisão do Supremo Tribunal  Federal declarando a constitucionalidade da exação, de sorte que mesmo as pessoas  jurídicas  beneficiadas com decisão transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade da exação  estariam  sujeitas  à  CSLL  quanto  aos  fatos  geradores  ocorridos  após  a  decisão  do  STF  (RE  138.284­CE  ­  Rel.  Min.  CARLOS  VELLOSO,  DJU  28/02/92),  não  se  pode  ignorar  que  o  Regimento Interno do CARF, no seu artigo 62­A, estatui que as decisões definitivas de mérito,  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 106          9 proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11  de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Diante disso, considerada a vinculação  regimental,  encaminho meu voto no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  Voluntário,  assegurando  a  proteção  da  coisa  julgada, tal como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça.  Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2013.  (assinado digitalmente)  Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 107          10   Voto Vencedor  Divergiu  o  Colegiado  do  Ilustre  Relator,  relativamente  à matéria  posta  em  discussão,  qual  seja,  a  imutabilidade  da  decisão  judicial  transitada  em  julgado  que  declarou  inconstitucional  a  Lei  nº  7.689,  de  1988,  que  instituiu  a  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido.  Quanto  a  esta matéria,  por  entender  que  não merece  reparo,  sirvo­me,  por  empréstimo,  das  conclusões  apresentadas  no  voto  condutor  do  Acórdão  nº.  105­16.745  da  Quinta  Câmara  do  então  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  em  que  foi  relator  o  ilustre  Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello.   Ali restou consignado:   [...]  A matéria  de mérito  não  é  consensual,  tendo  havido  oscilação  tanto  na  doutrina  como  na  jurisprudência  judicial  e  administrativa  sobre  o  tema. Para  solucionar  a  presente  lide  é  necessário  que  se  estabeleça  os  limites  da  coisa  julgada  em  matéria tributária.  Os  fatos geradores objeto do  lançamento sob exame ocorreram  em 31 de dezembro de 2002 e 31 de março de 2003, (item 01 do  auto de infração) e 31/12/2002 e 31/03/2003 (item 02 do auto de  infração),  fora  de  proteção  da  coisa  julgada.  Nos  anos­ calendário de 2002 e 2003, a Impugnante não estava beneficiada  com  a  decisão  judicial  e  é  exatamente  o  que  se  discute  nestes  autos: a aplicabilidade da decisão judicial transitada em julgado  numa relação jurídica continuada.  Desde  a  decisão  do  STF,  no  Julgamento  do  Recurso  Extraordinário nº 138284­8­CE, a jurisprudência pátria passou  a  reconhecer  a  constitucionalidade  da  Lei  nº  7.689/88,  com  a  exceção do seu art. 8º. É que o Supremo Tribunal Federal, como  é  de  geral  conhecimento,  declarou  a  constitucionalidade  da  contribuição  instituída  pela  Lei  nº  7.689/88,  afastando  apenas  sua exigência no ano de 1988.  O alcance dos  efeitos da  coisa  julgada material,  especialmente  quando  se  trata  de  relações  jurídicas  tributárias,  de  natureza  continuativa, é questão que a jurisprudência já reafirmou não se  aplicar  exceção  de  coisa  julgada quando  se  verificar mudança  no estado da relação jurídica de trato sucessivo.  A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger os fatos  ocorridos  a  partir  de  sua  vigência.  Sua  eficácia  deve  ficar  restrita  ao  período  de  incidência  e  à  legislação  que  fundamentaram a busca da tutela jurisdicional.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 108          11 Certo é que o julgado não tem caráter de imutabilidade para os  eventos  fiscais  futuros.  A  coisa  julgada  faz  lei  entre  as  partes,  sendo  o  ‘mesmo  estado  de  fato  e  de  direito’.  As  modificações  legislativas,  a  aplicação  da  lei  nova  sobre  novo  fato  gerador  afasta os efeitos da coisa julgada.  Ocorrendo  alterações  das  normas  que  disciplinam  a  relação  tributária continuativa entre as partes, não é cabível, no caso, a  alegação  da  exceção  da  coisa  julgada  em  relação  a  fatos  geradores  sucedidos  após  as  alterações  legislativas,  sendo  do  interesse público  o  lançamento  e  a  cobrança  administrativa  ou  judicial dos créditos decorrentes.  O  Conselho  de  contribuintes  também  tem  decidido  na  mesma  direção:  Câmara: SÉTIMA CÂMARA  Número do Processo: 10283.008183/99­40  Ementa:  CSLL  ­  "COISA  JULGADA"  EM  MATÉRIA  TRIBUTÁRIA  ­ ALCANCE  ­ Tratando­se de Ação Declaratória  de Inexistência da Relação Jurídica pesam contra a perenidade  da decisão: a) a alteração superveniente da legislação (art. 471,  I,  do  Código  de  Processo  Civil);  e  b)  a  superveniência  da  Declaração  de  Constitucionalidade,  exarada  pela  Suprema  Corte.  No  caso  concreto,  foi  isso  que  ocorreu:  houve  alteração  legislativa  posterior  e  também  houve  manifestação  do  STF  considerando constitucional a Lei 7.689, não sendo aceitável a  continuidade dos efeitos da decisão que favoreceu o contribuinte  para períodos subseqüentes.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso voluntário no que se refere aos efeitos da coisa julgada  da  decisão  obtida  pelo  contribuinte  na  ação  91.0006598­6,  considerando  que  tal  decisão  não  alcança  os  períodos  objeto  desta autuação.  [..]  Destaco  que  a  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Primeira  Seção  deste  Colegiado,  em  sessão  realizada  em  13  de maio  de  2009,  apreciando  o  recurso  voluntário  nº.  160.898  (processo  administrativo  nº.  10380.011051/2006­97),  acolheu,  por  unanimidade, as razões expendidas no voto condutor.   Ali, o ilustre Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno assinalou:  ...  De fato, a matéria, objeto de recurso voluntário, se cinge a  discussão relativa os efeitos da decisão judicial, em sede de  mandado  de  segurança  ­  processo  n°  89.0092546­6  ao  declarar  inconstitucional  a  CSLL  criada  pela  Lei  n°  7.689/88,  desobrigando  o  contribuinte  essa  exigência  a  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 109          12 partir  de  11  de  julho  de  1989,  uma  vez  transitada  em  julgado em 04/11/1992, conforme acima relatado.  Nesse  sentido,  a Câmara Superior  de Recursos Fiscais  já  firmou entendimento sobre tal matéria.  Veja­se  o  Acórdão  CSRF/01­05.402,  de  20/05/2006,  cuja  ementa diz.  "CSLL  ­  LIMITES  DA  COISA  JULGADA  ­  Nas  relações  tributárias de natureza continuativa, não é cabível a alegação da  coisa  julgada  em  relação  a  fatos  geradores  ocorridos  após  alterações  legislativas,  posto  que,  a  imutabilidade  diz  respeito,  apenas,  aos  fatos  concretos  declinados  no  pedido,  ficando  sua  eficácia  restrita  ao  período  de  incidência  que  fundamentou  a  busca da tutela jurisdicional. Assim não se perpetuam os efeitos  da decisão transitada em julgado, que afasta a incidência da Lei  nº  7.689/88,  sob  o  fundamento  de  sua  inconstitucionalidade,  principalmente,  considerando  o  pronunciamento  posterior  ao  definitivo do STF, em sentido contrário, cuja eficácia  tornou­se  "erga omnes" pela edição de Resolução do Senado Federal."  A  elucidar  o  quanto  decidido,  e  como  abrange  a  matéria  ora  discutida,  extraio  importante  trecho  do  r.  acórdão  acima  aludido.  Assim, o relator, em seu voto, assevera:  "A  respeito  dos efeitos  da  coisa  julgada  em matéria  tributária,  este  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes  tem  apreciado  constantemente recursos que tratam da matéria, especialmente a  respeito  da  constitucionalidade  da  contribuição  social  sobre  o  lucro das empresas.  A sentença judicial resolve questão com respeito a aplicação da  regra  jurídica  a  fatos  concretos  já  ocorridos,  declara  a  inexistência de relação jurídica que se pretende já existente, não  alcançando exercícios futuros.  É claro que não se questiona a autoridade da coisa julgada, que  não  é  atingida  por  decisão  posterior  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Apenas  seus  efeitos  se  delimitam  para  os  fatos  já  ocorridos, não se projetando para os fatos futuros que vierem a  ocorrer.  Processo n°: 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.40212  Sobre  essa  matéria  o  E.  Supremo  Tribunal  Federal  assim  decidiu:  "ICM ­ Coisa julgada. Declaração de intributabilidade. Súmula  239 ­ A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações  jurídicas  originadas  de  fatos  geradores  que  se  sucedem  no  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 110          13 tempo,  não  pode  ter  o  caráter  de  imutabilidade  e  de  normatividade a abranger eventos futuros.  Recurso extraordinário conhecido e provido." (RE 99435­M).  No voto, o relator Ministro Rafael Mayer, assim se manifestou:  " Na verdade, a declaração de intributabilidade, no pertinente a  relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem  no  tempo,  não  pode  ter  o  caráter  de  imutabilidade  e  normatividade  a  abranger  os  eventos  futuros.  A  exigência  de  tributos  advinda  de  fatos  imponíveis  posteriores  aos que  foram  contemplados  em  determinado  julgado,  embora  se  verifique  entre  as mesmas  partes,  e  seja  o mesmo  tributo,  abstratamente  considerado, ou não apresenta o mesmo objeto e causa de pedir  que  a  demanda  anteriormente  decidida.  Esse  o  sentido  da  Súmula 239, com a qual conflita o acórdão recorrido."  Na  Ação  Rescisória  n°  I.349­9­MG,  relativa  à  mesma  lide,  o  relator, Ministro Carlos Madureira se pronunciou:  A  solução,  ademais,  encontrada  pelo  v.  acórdão  rescindendo,  está  em  perfeita  consonância  com  a  doutrina  mais  moderna  a  respeito da coisa  julgada que,  segundo ensinamento ministrado  pelo em. Ministro Soares Munoz, "restringe seus efeitos aos fatos  contemporâneos ao momento em que foi prolatada a sentença",  acrescentando S. Exa. em voto proferido no RE 87.366­0:  "A força da coisa julgada material, acentua James Goldschmidt,  alcança  a  situação  jurídica  no  estado  em  que  se  achava  no  momento  da  decisão,  não  tendo,  influência  sobre  fatos  que  venham a ocorrer depois (in Derecho Processual Civil, pag. 390,  tradução espanhola de 1936)" Ementário 1.143­2).  Processo n°: 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.40213    Ainda sobre o alcance dos efeitos da "coisa julgada" de sentença  em  ação  declaratória  relativa  à  inconstitucionalidade  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro,  o  Juiz  Paulo  Roberto  de  Oliveira Lima, do TRF da 5ª Região, ao negar liminar em ação  cautelar  incidental  a  ação  rescisória  proposta  pela  Fazenda  Pública, assim se pronunciou:  "Mas  o  que  de  fato  ocorre  não  foi  objeto  de  manifestação  expressa da autora. É que o Supremo Tribunal Federal, como é  de  geral  sabença,  declarou  a  constitucionalidade  da  contribuição  instituída pela Lei 7.689/88, afastando apenas sua  exigência  no  ano  de  1989.  É  questão  tormentosa,  em  casos  assim,  responder  se  a  coisa  julgada  decorrente  da  sentença  original  apanha  os  exercícios  futuros,  ou  se  limita  aos  lucros  anteriores à sua prolação.  No  meu  sentir,  malgrado  as  valiosas  opiniões  em  contrário,  a  sentença não pode apreciar fatos ulteriores a seu comando.  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 111          14 Seria  até  proveitoso  que  pudesse  ser  de  modo  contrário,  principalmente  em  lides  que  resolvem  relações  jurídicas  continuativas.  Mas  o  sistema  jurídico  atual  não  reconhece  tal  possibilidade.  A  sentença  não  elege  determinada  interpretação  para  uma  norma,  nem  define  um  modo  de  ser  da  relação  jurídica.  Seu  dispositivo,  único  aspecto  abrangido  pela  coisa  julgada, resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a  fatos concretos já verificados. Assim, no caso em tela, a sentença  se  limitou  a  reconhecer  a  inexistência  de  relação  jurídica  que,  na  data  de  sua  edição,  obrigasse  a  autora  a  pagar  a  contribuição  sobre  o  lucro.  A  eventual  incidência  da  lei  sobre  fatos  futuros,  verificados  em  exercícios  outros  mais  modernos,  não poderia merecer a apreciação da sentença.  Logo,  penso  que  a  autora,  mesmo  que  rejeitados  os  embargos  infringentes e mencionados no relatório, não se põe eternamente  a  salvo da  incidência da Lei 7.689,  exceto no que  respeita aos  exercícios financeiros anteriores ao julgado.  Pelo exposto, nego a liminar." (D.J.U. 2 de 2 5/04/97, p. 27710).  Caso  idêntico  já  foi  objeto de  julgamento na Primeira Câmara  do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 09 de julho  de 2002, Acórdão n° 101­93.879, relator o eminente Conselheiro  Kazuki Shiobara, cuja ementa tem a seguinte redação:  Processo n°: 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.40214  "COISA  JULGADA  MATERIAL  EM  MATÉRIA  FISCAL.  O  alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de  fatos  geradores  de  natureza  continuada,  não  se  projeta  para  fatos  futuros,  a  menos  que  assim  expressamente  determine  em  cada caso o Poder Judiciário."  Tomo a liberdade de transcrever os ensinamentos daquele voto:  "Partindo da premissa de que a sentença resolve questão prática  de aplicação de  regra  jurídica a  fatos concretos  já verificados,  sua  eficácia  e  a  respectiva  autoridade  da  coisa  julgada  não  alcança exercícios futuros. Não se questiona, pois, a autoridade  da  coisa  julgada,  que  não  é  atingida  por  decisão  posterior  do  Supremo Tribunal Federal. Apenas se delimitam os seus efeitos,  que não se projetam para fatos futuros, ainda não acontecidos.  Assim,  os  efeitos  da  coisa  julgada  que  ainda  acobertam  a  defendente  não  se  projetam  além  do  início  do  ano  de  1992,  quando  foi  provavelmente  publicado  o  acórdão  do  TRF  da  1ª  Região que declarou a inconstitucionalidade da Lei n° 7689/88.  Os  fatos geradores objeto do  lançamento sob exame ocorreram  nos  anos­calendário  encerrados  em 31 de  dezembro  de  1992 a  1994, bem fora do guarda­chuva de proteção da coisa  julgada,  que  se  estendeu  até  o  início  de  1992.  Ausentes,  na  espécie,  qualquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade prevista no  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 112          15 artigo  151  do  CTN,  o  crédito  tributário  assim  constituído  é  perfeitamente exigível, procedendo a cobrança de juros de mora  e  multa.  O  artigo  63  da  Lei  n°  9.430/96  aqui  não  se  aplica,  porque está condicionada a prévia suspensão da exigibilidade.  O  artigo  112  do  CTN  também  não  se  aplica,  porque  inexiste  dúvida quanto à tipificação do ilícito tributário. Trata­se de falta  de recolhimento da CSLL sem respaldo legal ou judicial.  O artigo 138 do C7'N também não se aplica, porque a denúncia  espontânea tem de vir acompanhada do recolhimento do tributo  e acréscimos devidos antes do início do procedimento de oficio,  recolhimento esse não realizado no caso em apreço.  Assim,  no  caso  vertente,  concluo  que  o  lançamento  não  desrespeitou  o  principio  constitucional  da  coisa  julgada.  Mas  tenho presente que a última palavra no  caso  será a do STJ ou  mesmo do STF, a quem incumbirá inclusive delimitar os efeitos  dos acórdãos rescindendos."  Processo n°: 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.40215  Do  Sr.  Ministro  do  STF,  Moreira  Alves,  no  RE  100.888­1,  destaca­se o seguinte trecho:  A  declaração  de  intributabilidade,  no  pertinente  a  relações  jurídicas  originadas  de  fatos  geradores  que  se  sucedem  no  tempo,  não  pode  ter  o  caráter  de  imutabilidade  e  de  normatividade a abranger eventos futuros.  Na mesma diretriz, a manifestação unânime da Primeira Turma  do Colendo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  ao  apreciar  o REsp.  194276/RS  relativamente  ao  processo  n.°  98/0082416­2, DJ  de  29.03.1999,  de  cujo  voto  condutor  do  eminente  Ministro  José  Delgado extrai­se a seguinte ementa:  1. (...)  2.  A  Súmula  n.°  343,  do  STF,  há  de  ser  compreendida  com  a  mensagem  especifica  que  ela  contém:  a  de  não  ser  aplicada  quando  a  controvérsia  esteja  envolvida  com  matéria  de  nível  constitucional.  3.  A  coisa  julgada  tributária  não  deve  prevalecer  para  determinar  que  o  contribuinte  recolha  tributo  cuja  exigência  legal  foi  tida  como  inconstitucional  pelo  Supremo.  O  prevalecimento  dessa  decisão  acarretará  ofensa  direta  aos  princípios da legalidade e da igualdade tributárias.  4. Não é concebível se admitir um sistema tributário que obrigue  um determinado contribuinte a pagar tributo cuja lei que o criou  foi  julgada  definitivamente  inconstitucional,  quando  os  demais  contribuintes a tanto não são exigidos, unicamente por força da  coisa julgada.  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 113          16 Do voto do relator, colaciona­se o seguinte trecho:  A  soberania  do  Poder  Judiciário  em  construir  a  coisa  julgada  não é absoluta. Ela há de ser exercida até os limites postos pela  Carta  Magna.  Não  entendendo­se  assim,  se  outorgar  ao  juiz  força  maior  do  que  a  possuída  pela  Constituinte,  por  se  reconhecer  que  a  decisão  por  ele,  juiz,  proferida,  mesmo  contrária à Constituição, prevalecerá.  Processo n°: 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.40216  Venho  afirmando  em  meus  escritos  e  decisões,  com  a  devida  vênia  dos  que  têm entendido  diferente,  que  a  função do  direito  aplicado pelo Poder Judiciário é, exclusivamente, a de ordenar,  impondo segurança e confiabilidade nas relações jurídicas. Essa  missão  torna­se  mais  categórica  quando  o  Poder  Judiciário  é  chamado para regular relações  jurídicas de direito público, em  face de não lhe ser possível criar comportamentos que fujam dos  limites impostos pela legalidade objetiva e prestigiada pela CF.  Não concebo o atuar de qualquer ordenamento jurídico que não  seja na forma de Sistema. Se assim não atuar não é ordenamento  e não expressa função harmonizadora a ele exigida.   Impossível, conseqüentemente, que uma decisão judicial importe  em  criar  privilégios  no  âmbito  das  relações  jurídicas,  impositivos tributários, permitindo que uma empresa não pague  determinado  tributo,  mesmo  que  o  seja  por  período  certo,  enquanto  outras  empresas  são  obrigadas  a  pagá­lo,  apenas,  porque, de modo contrário ao assentado pelo Supremo Tribunal  Federal, uma decisão judicial assim impõe.  O  prevalecimento  da  sentença  transita  em  julgado,  em  tal  hipótese, quando atacada por ação rescisória, seria provocar um  desrespeito  à  ordem  jurídica,  cuja  estrutura  e  finalidade  estão  voltadas para a promoção da justiça. Esta, por sua vez, só será  alcançada se a todos for emprestado o sentimento da igualdade e  de segurança.  Não  se  invoque,  como  é  comum  se  fazer,  a  segurança  jurídica  estabelecida  pela  coisa  julgada.  A  segurança  jurídica,  por  ela  tratada  é  a  de  natureza  processual,  isto  é,  a  surgida  em  decorrência do pronunciamento judicial, não sujeita, portanto, a  modificações  se  não  existir  uma  razão  superior  de  ordem  constitucional a descaracterizar essa força.  É de ser lembrado que a Constituição Federal, fiel a esse sistema  hierárquico  que  se  acaba  de  demonstrar,  protege  a  coisa  julgada, apenas, face aos efeitos de lei ordinária a ele posterior.  Essa  característica  bem  demonstra  o  cunho  processual  da  segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada, tornando­se  instável  perante  a  vontade  legislativa,  por  se  prestigiar  a  independência do Judiciário como poder, não se permitindo que  outra lhe tire os efeitos de suas decisões.  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 114          17 Não me impressiona, nem me influencia a alegada aplicação da  Súmula n.° 343 do STF, sobre a questão em debate. Entendo que  ela,  em  se  tratando de  tema  envolvendo  constitucionalidade  ou  inconstitucionalidade de lei não tem eficácia. Outrossim, ela só  se faz presente, ao meu pensar, quando se trata de texto legal de  interpretação controvertida nos  tribunais e referente a relações  jurídicas  de  direito  privado.  Estas,  como  é  sabido,  não  estão  sujeitas  a  princípios  cogentes,  presentes  no  corpo  da  Carta  Magna, salvo o concernente ao direito adquirido, ao ato jurídico  perfeito e a coisa julgada.  No  trato  de  confronto  de  lei  com  a  Constituição  Federal,  de  acordo com o nosso sistema imposto pela nossa Carta Magna, só  o Supremo Tribunal Federal  tem competência absoluta para se  pronunciar,  declarando,  com  força  obrigatória,  a  sua  constitucionalidade ou inconstitucionalidade.  Processo n°: 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.40217  A declaração de inconstitucionalidade assumida pelos  tribunais  de  segundo  grau,  não  tem  a  mesma  potencialidade  de  imperatividade da oriunda pelo Supremo Tribunal Federal pela  ausência de efeito definitivo absoluto e por aqueles não terem a  competência outorgada pela Carta Magna de serem obrigados a  guardarem a Constituição, como a possuída pela Colenda Corte  (art. 102, CF)."  E mais a frente, no mesmo acórdão, ainda conclui:  "Processo n": 10283.008181/99­14  Acórdão n°: CSRF/01­05.402 20  "Como  corolário,  a  coisa  julgada  resta  descaracterizada  pela  tangência  de  dois  vetores  indissociáveis:  lei  superveniente  e  fatos  de  natureza  diversa.  A  Lei  n.°  8.034,  de  13.04.1990,  ao  erigir  uma  nova  base  de  cálculo  para  a  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido, dramaticamente distante da regida pela  Lei  n.°  7689/88,  manifestamente  atendeu  ao  dualismo  que  se  aponta indispensável.  Trago à colação, o magistério do ínclito tributarista José Carlos  Barbosa Moreira, em artigo publicado na Revista Forense, vol.  246, pág. 31:  A título de ilustração, vale a pena aplicar a algumas hipóteses o  princípio expressamente consagrado pelo novo código.  O  contribuinte  X  propõe  contra  o  Fisco  ação  declaratória  negativa  de  dívida  tributária,  em  relação  a  determinado  exercício, argüindo a  inconstitucionalidade da lei que  instituíra  o  tributo. O  juiz  acolhe  o  pedido,  por  entender  que  tal  lei  era  realmente  inconstitucional.  A  solução  dessa  questão  de  direito  constitui motivo da decisão: sobre ela se forma a coisa julgada.  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 115          18 Com referência a outro exercício e a outra dívida ­, é  lícito ao  órgão  judicial  reapreciar  a  questão,  eventualmente  para  considerar  constitucional a mesma  lei  e  julgar,  por  isso,  que o  tributo é devido por X.  Das  lições do eminente doutrinador, professor Gilmar Ferreira  Mendes,  extraio  o  seguinte  trecho  de  seu  estudo  sobre  "Coisa  Julgada e Efeitos Vinculantes":  A declaração de nulidade de uma lei não obsta à sua reedição,  ou  seja,  a  repetição  de  seu  conteúdo  em  outro  diploma  legal.Tanto  a  coisa  julgada  quanto  a  força  de  lei  especifica  (eficácia "erga omnes") não lograram evitar esse fato.  Ainda  que  no  limite  extremo  do  hipotético  prevalecessem  os  argumentos  expendidos  pela  contribuinte,  essa  não  ficaria  a  salvo  eternamente  da  obrigação  tributária  a  que  recusa  submissão,  a  não  ser  com  um  abominável  desrespeito  ao  principio pétreo da igualdade o qual consiste em dar tratamento  igual  aos  iguais.  Enfim,  o  julgado  não  tem  caráter  de  imutabilidade para os eventos fiscais futuros, frise­se.  Destarte, a coisa julgada em destaque não se correlaciona com a  exação  imposta,  pois  o  seu  caráter  não  se  irradia  a  outros  exercícios  e  nem  ataca  lei  nova,  conforme  é  assente  na  jurisprudência  administrativa  ­  mas  se  contém  na  dimensão  temporal  da  sentença  contemplativa  dos  exercícios  abarcados  pela Lei  nº  7.689/88; melhor  dizendo:  goza  de  eficácia  no  ano  base de 1988,  limite do pedido do contribuinte. Ademais, a Lei  n.° 4.657, de 04 de setembro de 1942 (LICC), em seu artigo 1°, f,  par.  4º,  salienta  que  as  correções  a  texto  de  lei  já  em  vigor  consideram­se lei nova.  Dessa forma, resulta despicienda qualquer apreciação acerca da  ação rescisória ou dos seus efeitos  temporais, pois não se acha  sob debate a lei fulminada pelo trânsito em julgado."  Em  face  ao  entendimento  supra  exposto,  o  qual  acolho  pelos  seus  próprios  fundamentos,  reportando­me  também  ao  quanto  decidido  em  primeira  instância,  sou  por  negar  provimento  ao  recurso voluntário.  Em convergência com tudo que até aqui foi exposto, a Procuradoria Geral da  Fazenda Nacional editou o Parecer PGFN nº 492, de 2011, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro  da Fazenda e publicado  no Diário Oficial  da União  em 26 de maio de 2011, do qual  releva  transcrever as seguintes conclusões:  1.  A alteração das circunstâncias  fáticas ou jurídicas existentes ao tempo  da  prolação  de  decisão  judicial  voltada  à  disciplina  de  uma  dada  relação  jurídica  tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por  isso,  não  é  alcançada  pelos  limites  objetivos  que  balizam  a  eficácia  vinculante da  referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas  ou  jurídicas existentes à  época da prolação da decisão,  esta naturalmente deixa de  produzir  efeitos  vinculantes,  dali  para  frente,  dada  a  sua  natural  inaptidão  de  alcançar a nova relação jurídica tributária.  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 116          19 2.  Possuem  força  para,  com  o  seu  advento,  impactar  ou  alterar  o  sistema  jurídico vigente, por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os  seguintes  precedentes  do  STF:  (i)  todos  os  formados  em  controle  concentrado  de  constitucionalidade,  independentemente  da  época  em  que  prolatados;  (ii)  quando  posteriores a 3 de maio de 2007,  aqueles  formados  em sede de controle difuso de  constitucionalidade,  seguidos,  ou  não,  de  Resolução  Senatorial,  desde  que,  nesse  último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543­B do  CPC;  (iii)  quando  anteriores  a  3  de maio  de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade,  seguidos,  ou não,  de Resolução Senatorial,  desde  que,  nesse  último  caso,  tenham  sido  oriundos  do  Plenário  do  STF  e  confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.  3.  Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância  jurídica  nova,  apta  a  fazer  cessar,  prospectivamente,  eficácia  vinculante  das  anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias.  4.  A  cessação  da  eficácia  vinculante  da  decisão  tributária  transitada  em  julgado opera­se automaticamente, de modo que: (i) quando se der a favor do Fisco,  este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional na anterior decisão, em  relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia  autorização judicial nesse sentido; (ii) quando se der a favor do contribuinte­autor,  este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional na decisão anterior, em  relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia  autorização judicial nesse sentido.  No que diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o Supremo  Tribunal Federal, em sede de controle difuso, reconheceu a constitucionalidade da Lei nº 7.689,  de 1988, não o fazendo, apenas, em relação ao art. 8º do referido diploma (RE 146733­SP, cuja  ementa reproduzo abaixo).  RE 146733/SP – SÃO PAULO  RECURSO EXTRAORDINÁRIO  RELATOR: Min. MOREIRA ALVES  JULGAMENTO: 29/06/92  ÓRGÃO JULGADOR: TRIBUNAL PLENO  EMENTA:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  DAS  PESSOAS  JURÍDICAS.  LEI  7689/88.  ­  NÃO  É  INCONSTITUCIONAL  A  INSTITUIÇÃO  DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS,  CUJA  NATUREZA  É  TRIBUTARIA.  CONSTITUCIONALIDADE  DOS  ARTIGOS  1.,  2.  E  3.  DA  LEI  7689/88.  REFUTAÇÃO  DOS  DIFERENTES  ARGUMENTOS  COM  QUE  SE  PRETENDE  SUSTENTAR  A  INCONSTITUCIONALIDADE  DESSES  DISPOSITIVOS  LEGAIS.  ­  AO  DETERMINAR,  POREM,  O  ARTIGO  8.  DA  LEI  7689/88  QUE  A  CONTRIBUIÇÃO  EM  CAUSA  JÁ  SERIA  DEVIDA  A  PARTIR  DO  LUCRO  APURADO NO PERÍODO­BASE A SER ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO  DE  1988,  VIOLOU  ELE  O  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  CONTIDO  NO ARTIGO 150, III, "A", DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE PROÍBE QUE  A  LEI QUE  INSTITUI  TRIBUTO TENHA,  COMO  FATO GERADOR DESTE,  FATO  OCORRIDO  ANTES  DO  INÍCIO  DA  VIGÊNCIA  DELA.  RECURSO  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 117          20 EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO COM BASE NA LETRA "B" DO INCISO III  DO  ARTIGO  102  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL,  MAS  A  QUE  SE  NEGA  PROVIMENTO PORQUE O MANDADO DE SEGURANÇA FOI CONCEDIDO  PARA  IMPEDIR  A  COBRANÇA  DAS  PARCELAS  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL CUJO FATO GERADOR SERIA O LUCRO APURADO NO PERÍODO­ BASE QUE SE ENCERROU EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988. DECLARAÇÃO  DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 8. DA LEI 7689/88  Em  conformidade  com  o  Parecer  PGFN  nº  492,  de  2011,  “possuem  força  para, com o seu advento,  impactar ou alterar o  sistema  jurídico vigente, por  serem dotados  dos  atributos  da  definitividade  e  objetividade,  os  seguintes  precedentes  do  STF:  ...  quando  anteriores  a  3  de  maio  de  2007,  aqueles  formados  em  sede  de  controle  difuso  de  constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso,  tenham sido oriundos do Plenário do STF e confirmados em julgados posteriores da Suprema  Corte”.  Pode­se  afirmar  que  a  constitucionalidade  declarada  no  RE  146733/SP  foi  confirmada  em  julgados  posteriores  da  Suprema  Corte,  seja  em  razão  do  RE  138284  –  CE  (ementa abaixo reproduzida), seja em virtude da própria ADIn 15­2 DF, de 14/06/2007.  RE 138 284/CE  01/07/1992  RELATOR: CARLOS VELLOSO  TRIBUNAL PLENO  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  CONTRIBUIÇÕES  INCIDENTES  SOBRE  O  LUCRO  DAS  PESSOAS  JURÍDICAS. Lei n. 7.689, de 15.12.88. I. ­ Contribuições parafiscais: contribuições  sociais,  contribuições  de  intervenção  e  contribuições  corporativas.  C.F.,  art.  149.  Contribuições  sociais  de  seguridade  social.  C.F.,  arts.  149  e  195.  As  diversas  espécies de contribuições sociais.  II.  ­ A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, é  uma  contribuição  social  instituída  com  base  no  art.  195,  I,  da  Constituição.  As  contribuições  do  art.  195,  I,  II,  III,  da  Constituição,  não  exigem,  para  a  sua  instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do parag. 4. do mesmo art. 195  é  que  exige,  para  a  sua  instituição,  lei  complementar,  dado  que  essa  instituição  deverá observar a  técnica da competência residual da União (C.F., art. 195, parag.  4.; C.F., art. 154,  I). Posto estarem sujeitas a  lei complementar do art. 146,  III, da  Constituição,  porque  não  são  impostos,  não  há  necessidade  de  que  a  lei  complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes  (C.F., art.  146, III, "a"). III. ­ Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV. ­  Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa  é que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1.). V.  ­  Inconstitucionalidade  do  art.  8.,  da  Lei  7.689/88,  por  ofender  o  princípio  da  irretroatividade  (C.F.,  art,  150,  III,  "a")  qualificado  pela  inexigibilidade  da  contribuição  dentro  no  prazo  de  noventa  dias da  publicação  da  lei  (C.F.,  art.  195,  parag.  6).  Vigência  e  eficácia  da  lei:  distinção.  VI.  ­  Recurso  Extraordinário  conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8. da  Lei 7.689, de 1988.   Na referida ADIn 15­2 DF restou assinalado:  “A lei 7.689, de 15.12.88, já foi examinada à exaustão neste Tribunal.  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 118          21 No RE 146733 (Moreira Alves, J. 26.6.92, DJ 6.11.92), o Plenário examinou  alegações semelhantes à desta ação direta e concluiu pela constitucionalidade da lei  impugnada, com exceção do art. 8º. Eis a ementa:  ...”   Nos termos do consignado pelo Ministro Sepúlveda Pertence na ADIn 15­2,  o plenário da Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade do artigo 8º da Lei nº 7.689, de  1988, e comunicou a decisão ao Senado Federal, que, por meio da Resolução nº 11, de 1995,  suspendeu os efeitos desse dispositivo.   [...]  nos termos do art. 48, item 28 do Regimento Interno, promulgo a seguinte  RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL 11/95  O SENADO FEDERAL resolve:  Art. 1º É suspensa a execução do disposto no art. 8º da Lei nº 7.689, de 15 de  dezembro de 1988.  Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.  Art. 3º Revogam­se as disposições em contrário.  Senado Federal, 4 de abril de 1995.  Inaplicável, a meu ver, as disposições do art. 62A do Regimento Interno deste  Colegiado  com  base  no  pronunciamento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  por meio  do REsp  1118893/MG,  em  que  restou  consignado  que  “o  fato  de  o  Supremo  Tribunal  Federal  posteriormente manifestar­se em sentido oposto à decisão  judicial  transitada em  julgado em  nada  pode  alterar  a  relação  jurídica  estabilizada  pela  coisa  julgada,  sob  pena  de  negar  validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade”.  Aqui,  acolho o entendimento esposado pela  Ilustre Procuradora da Fazenda  Nacional Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira  nas  contrarrazões  apresentadas nos  autos do  processo administrativo nº 10680.721852/2011­47.  Ali, restou consignado, in verbis:  [...]  Todavia,  não  possui  o  REsp  1.118.893/MG  o  alcance  ad  aeternum  que  pretende a recorrente.  Segundo  esclarecido  no  Parecer  PGFN/CRJ  975/2011,  a  demanda  que  deu  origem  ao  REsp  1.118.893/MG  foi  de  Embargos  à  Execução  Fiscal  (Processo  Originário  1997.38.00.060454­3/MG),  em  que  se  questionou  a  validade  da  CDA  60.6.96.004749­09, referente à cobrança de CSLL, instituída pela Lei 7.689/88, ano­ calendário  1991,  para  contribuinte  que  possuía  sentença  judicial  transitada  em  julgado em que fora declarada a  inconstitucionalidade formal e material da exação  sob a égide da citada Lei 7.689/88, e a consequente inexistência de relação jurídico­ tributária.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 119          22 O  STJ  deu  provimento  ao  recurso  especial  ora  em  análise,  julgando  procedente o pedido formulado nos Embargos à Execução Fiscal para anular a CDA  60.6.96.004749­09.   Nos  termos do REsp 1.118.893/MG (Relatoria do Ministro Arnaldo Esteves  Lima), constatou­se que a Primeira Seção do STJ encampou a tese de não ter havido  alteração substancial no regramento da CSLL a justificar o afastamento do decidido  na sentença transitada em julgado favorável à contribuinte, conforme ementa abaixo:  [...]  Ocorre que a questão discutida se restringiu ao caso concreto de contribuinte  que pugnou a validade da CDA 60.6.96.004749­09,  referente à cobrança de CSLL  segundo  a  Lei  7.689/88,  no  exercício  de  1991,  em  virtude  de  possuir  decisão  transitada  em  julgado  de  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  de  cobrança  de  CSLL, nos moldes da Lei 7.689/88.  Entre suas razões de decidir, conforme transcrito na ementa supra, a Primeira  Seção manifestou o  entendimento quanto  à  impossibilidade da decisão do STF no  julgamento da ADI n° 15­2/DF ocorrida em 2007 (DJ 31/08/2007), que decidiu pela  constitucionalidade da Lei 7.689/88, com exceção de seus arts. 8° e 9°, atingir o caso  ora em análise (CDA 60.6.96.004749­09), referente à cobrança de CSLL segundo a  Lei 7.689/88, no exercício de 1991.  Esclarecendo,  a  Primeira  Seção  do  STJ  se  manifestou  obter  dictum  pela  impossibilidade de decisão posterior do STF proferida na ADI 15­2/DF, publicada  no DJ  31/08/2007  retroagir  e  alcançar  decisão  judicial  transitada  em  julgado  que  declarou a inexistência de relação jurídico­tributária aplicável ao exercício de 1991.  Em outras palavras, o STJ firmou a impossibilidade de uma decisão posterior  do  STF  (2007)  atingir  uma  situação  jurídica  anterior  (1991);  consolidada  anteriormente à decisão do STF.  Todavia, a Primeira Seção do STJ no REsp 1.118.893/MG não analisou os  efeitos  prospectivos  da  eficácia  vinculante  das  anteriores  decisões  tributárias  transitadas em julgado contrárias à posterior decisão do STF. Ora, este não era  o  tema  em  julgamento,  já  que  o  fato  gerador  analisado  era  de  1991,  anterior  à  decisão do STF acerca da constitucionalidade da Lei 7.689/88 instituidora da CSLL,  seja  em  controle  difuso  (RE  138.284­CE  (Rel.  Min.  CARLOS  VELLOSO,  DJU  28.08.92),  seja  em  controle  concentrado  de  constitucionalidade  (ADI  n°  15­2/DF  ocorrida em 2007 ­ DJ 31/08/2007).  No caso  vertente,  os  lançamentos  tributários  alcançaram os  fatos  geradores  ocorridos nos anos­calendário de 2006 e de 2007 e a ação judicial impetrada pela contribuinte,  embora tenha transitado em julgado em 11 de maio de 2001, está representada por Mandado de  Segurança PREVENTIVO, impetrado em 28 de abril de 1989, por meio do qual foi suscitada a  inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988.  Em  vista  do  exposto,  decidiu  o  Colegiado  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso.  “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães ­ Redator  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.724592/2010­65  Acórdão n.º 1301­001.355  S1­C3T1  Fl. 120          23               Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 07/0 3/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES

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Numero do processo: 11080.722127/2011-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS. ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO. O comando do art. 100, III do CTN aplica-se somente a casos em que a Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos.
Numero da decisão: 3403-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, deu-se provimento para excluir da base de cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz e filiais; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os valores recebidos a título de reembolso de despesas com tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, e negou-se provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii) por voto de qualidade, negou-se provimento quanto às bonificações e descontos, vencido o relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. ROSALDO TREVISAN - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 981          1 980  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.722127/2011­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­002.520  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2013  Matéria  AI­PIS E COFINS  Recorrente  COMPANHIA ZAFFARI COMÉRCIO E INDÚSTRIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  COFINS.  RECEITA.  BONIFICAÇÕES.  DESCONTOS  OBTIDOS.  REQUISITOS.  Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem  receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se  caracterizada a incondicionalidade do desconto.  COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS.  Os  valores  recebidos  a  título  de  reembolso  por  despesas  com  propaganda  constituem  receita,  e  não  ressarcimento  das  despesas,  se  não  restar  comprovada  a  correspondência  entre  as  despesas  com  propaganda  e  tais  reembolsos.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  RECEITA.  BONIFICAÇÕES.  DESCONTOS OBTIDOS. REQUISITOS.  Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações constituem  receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição apenas se  caracterizada a incondicionalidade do desconto.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  RECEITA.  DESPESAS  COM  PROPAGANDA. REQUISITOS.  Os  valores  recebidos  a  título  de  reembolso  por  despesas  com  propaganda  constituem  receita,  e  não  ressarcimento  das  despesas,  se  não  restar  comprovada  a  correspondência  entre  as  despesas  com  propaganda  e  tais  reembolsos.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 27 /2 01 1- 18 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN     2 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  NORMAS  COMPLEMENTARES.  PRÁTICAS  REITERADAS.  ADMINISTRAÇÃO. INEQUÍVOCO CONHECIMENTO.  O  comando  do  art.  100,  III  do  CTN  aplica­se  somente  a  casos  em  que  a  Administração tenha inequivocamente tomado conhecimento da prática.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da  seguinte  forma:  (i)  por  unanimidade  de  votos,  deu­se  provimento  para  excluir  da  base  de  cálculo das contribuições os valores a título de redistribuição de débitos e créditos entre matriz  e filiais; (ii) por maioria de votos, deu­se provimento para excluir os valores recebidos a título  de  reembolso  de  despesas  com  tablóides,  vencido  o  Conselheiro Marcos  Tranchesi  Ortiz,  e  negou­se provimento no que se refere aos ressarcimentos feitos pelos fornecedores, quanto às  despesas com propaganda, vencido o relator, designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; e (iii)  por  voto  de  qualidade,  negou­se  provimento  quanto  às  bonificações  e  descontos,  vencido  o  relator e os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti, e designado igualmente o  Conselheiro Rosaldo Trevisan.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.    DOMINGOS DE SÁ FILHO ­ Relator.    ROSALDO TREVISAN ­ Redator designado.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente  da  turma),  Marcos  Tranchesi  Ortiz  (vice­presidente),  Alexandre  Kern,  Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.    Relatório  Cuida­se  de  recurso  contra  a  decisão  que  manteve  o  lançamento  que  constituiu crédito tributário relativo a contribuições para COFINS e o PIS/PASEP do período  de  apuração  de  01.01.2006  a 31.12.2006,  incidente  sobre  possíveis  receitas  não  incluídas  na  base de cálculo.  Transcreve­se o relatório da decisão recorrida por refletir bem a situação dos  autos.  “Relatório.  Conforme  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  nº  10.1.01.002009008086  e  suas  diversas  prorrogações  foi  realizada  fiscalização  na  empresa  qualificada  em  epígrafe  abrangendo o PIS e a COFINS no período referente ao ano de  Fl. 983DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/2011­18  Acórdão n.º 3403­002.520  S3­C4T3  Fl. 982          3 2006.  A  ação  fiscal  iniciou  em  29/06/2009  e  em  seu  curso  identificou que a empresa Zaffari Comércio e Indústria Ltda. não  incluiu  na  base  de  cálculo  dessas  contribuições  determinadas  rubricas que teriam incidência tributária, o que resultou no Auto  de Infração aqui em litígio.  A  autuada  é  empresa  que  atua  na  exploração  do  ramo  de  supermercados,  compreendendo  o  comércio  de  gêneros  alimentícios em geral e demais mercadorias passíveis de venda  nesse tipo de estabelecimento.  O Relatório da Ação Fiscal (fls. 22 a 38) inicialmente descreve a  forma  adotada  para  operacionalizar  os  acordos  feitos  pelos  grandes  varejistas  (supermercados)  com  os  fornecedores,  em  práticas  denominadas  genericamente  de  “RAPEL/PEDÁGIO”  (imposição  pelas  grandes  redes  de  supermercados  de  diversas  exigências  aos  fornecedores,  retribuída  em  dinheiro  ou  em  mercadorias,  sobre  as  compras  que  aqueles  fazem  dos  seus  produtos;  melhor  disposição  da  mercadoria  dentro  da  loja  –  prateleira, publicidade, etc), ilustrando por meio de reportagens  e  investigações  realizadas  pelo  executivo  ou  legislativo  de  diferentes  Estados  a  realidade  que  vem  acontecendo  em  tais  relações comerciais.  O  lançamento  decorreu  da  não  inclusão  na  base  de  cálculo  dessas contribuições de importâncias cobradas dos fornecedores  com origem nessas práticas – “rapel e pedágio”, regra por meio  de  redução  dos  valores  efetivamente  pagos  aos  fornecedores,  especificamente em três contas: propaganda; descontos obtidos;  e mercadorias bonificadas.  Essas  contas  contábeis  objeto  de  tributação  são  detalhadas  no  Relatório  Fiscal,  com  seus  valores  apresentados  em  planilhas  demonstrando como se chegou aos lançamentos efetuados.  O  crédito  tributário  apurado  com  multa  e  juros  atingiu  o  montante  de  R$  14.582.197,86  a  título  de  COFINS  e  R$  3.165.871,71 a título de PIS.  A  ciência  foi  dada  ao  contribuinte  em  31/03/2011  (fl.  21).  A  impugnação foi apresentada tempestivamente em 29/04/2011.  Cabe registrar que a impugnação juntada às fls. 688 a 830 nada  tem  a  ver  com  esse  processo,  tratando  se  de  contestação  de  outros tributos (IRPJ e CSLL – ágio de amortização)  Referentes ao processo nº 11080.722179/201115, e, dessa forma,  não foram aqui passíveis de análise para esse julgamento.  A impugnação que diz respeito ao Auto de Infração de PIS e de  COFINS se encontra nos autos a partir da  fl. 831 e é essa que  passaremos a reproduzir.  Primeiramente  aduz  o  impugnante  que  o  Auditor  Fiscal  foi  induzido  a  conclusões  precipitadas,  face  práticas  (“rapel  e  pedágio”)  demonstradas  pela  mídia  e  por  CPIs,  com  notícias  Fl. 984DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 que nunca envolveram a Cia. Zaffari, concluindo que inexistindo  provas  cabais  de  que  o  aqui  impugnante  teria  efetivamente  adotado  tais  práticas,  os  argumentos  do  Auto  de  Infração  não  teriam a mínima sustentação.  Sobre  as  contas  de  sua  contabilidade  entendidas  pela  fiscalização  como  tributáveis,  fez  as  seguintes  alegações  sobre  cada uma:  Mercadorias  Bonificadas  No  tocante  a  essa  rubrica,  afirma  o  impugnante  que  contabiliza  em  uma  conta  as  bonificações  que  recebe em dinheiro e em outra conta as bonificações que recebe  em  mercadorias,  por  entender  se  tratar  de  situações  distintas.  Entende  que  o  AFRFB  desconsiderou  sua  contabilização,  baseando  se  simplesmente  em  presunção.  Ter  acordos  comerciais  que  importem  na  entrega  de  produtos  além  dos  adquiridos  a  título  de  bonificação,  não  revela  uma  conduta  ilegal  ou  tampouco  abusiva.  Os  fornecedores  são  livres  para  vender  ao  varejo  seus  produtos;  e  podem muito  bem optar  por  não fornecer. Essa conta Mercadoria Bonificada seria integrante  do  custo  de  aquisição  de  mercadorias,  sendo  redutora  das  demais  compras. De  acordo  com o  seu  fluxo  de  contabilidade,  tais  mercadorias  somente  seriam  tributadas  pelo  PIS  e  pela  COFINS  ao  tempo  de  sua  venda.  Caso  contrário  essas  contribuições  incidiriam  duas  vezes  sobre  as  mercadorias  de  bonificação  –  no  recebimento  do  fornecedor  e  na  venda  ao  consumidor  final  –,  caracterizando  bis  in  idem.  Menciona  o  “Perguntas  e  Respostas”  da  Receita  Federal,  assim  como  Solução  de  Consulta,  onde  estaria  disposto  que  quando  as  bonificações  forem  caracterizadas  como  descontos  incondicionais  concedidos  não  seriam  tributadas.  As  indenizações por perdas ou avarias também devem ser excluídas  da base de cálculo, pois nesse caso o impugnante é ressarcido de  duas  formas:  parte  para  que  possa  adquirir  produto  similar  perdido,  e  parte  como  ressarcimento  das  despesas  com  o  descarte dos produtos perdidos ou avariados.  Descontos  Obtidos  Tal  conta  seria  integrante  das  receitas  financeiras  e  refere­se  a  descontos  pelo  pagamento  antecipado  de  obrigações;  abatimento  pelo  recebimento  de  mercadorias  com  avarias;  e  descontos  relativos  a  acordos  comerciais  de  fornecimento  de  mercadorias.  Entende  que  tais  lançamentos  a  crédito não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS de  acordo com o inciso V, art. 1º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03  (descontos  incondicionais  concedidos).  Cita  o  “Perguntas  e  Respostas” da Receita Federal onde seria dito que os descontos  obtidos seriam tributados à “alíquota zero” para o PIS e para a  COFINS,  conforme  determina  o  art.  1º,  do  Decreto  nº  5.442/2005.  Propaganda  Afirma  que  os  valores  lançados  a  crédito  nessa  conta não constituem receitas, e teriam origem em três situações  distintas:  a)  Transferência  de  Tablóides:  quando  da  transferência  do  depósito central desses tablóides para as filiais, é contabilizado  a  crédito  a  conta  fornecedores.  Tratar­se­ia  de  uma  operação  Fl. 985DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/2011­18  Acórdão n.º 3403­002.520  S3­C4T3  Fl. 983          5 interna  de  transferência  de  material  publicitário  do  depósito  para as lojas não tributada pelo PIS e pela COFINS.  b)  Distribuição  do  reembolso  de  fornecedores  a  cada  loja:  o  impugnante  em  seus  acordos  comerciais  é  reembolsado  por  propagandas  que  ele  contrata  para  os  fornecedores.  Tais  reembolsos  são  transferidos  para  cada  uma  de  suas  lojas,  e,  portanto,  retrataria  uma  operação  interna  de  mero  rateio  do  depósito para  as  lojas,  não  se  podendo confundir  com  receitas  auferidas.  c)  Recebimento  de  reembolso  dos  fornecedores  – Novamente  o  impugnante tem acordos comerciais com empresas fornecedoras,  onde é  reembolsado por propagandas que ele  contrata para os  fornecedores.  Esses  reembolsos  possuem  caráter  indenizatório,  pois  tem  por  finalidade  o  pagamento  de  parte  dos  gastos  efetuados  com  publicidade  para  as  marcas  que  o  impugnante  revende.  Um  consumidor  pode  se  interessar  pelo  produto  anunciado, mas  não  adquiri­lo  no  Zaffari;,  todavia  o  interesse  virá daquele anúncio. Por isso é que se exigiria tal reembolso, e  tais valores não seriam receitas auferidas, no seu entender, mas  sim ingressos indenizatórios.  Por  fim,  o  contribuinte  requer  que  seja  reconhecida  a  insubsistência  do  lançamento,  com  a  conseqüente  anulação  do  Auto  de  Infração,  devido  à  demonstração  de  não  sujeição  das  bonificações  recebidas,  descontos  concedidos  e  dos  créditos  decorrentes de ajustes na escrituração contábil à  tributação do  PIS e da COFINS. E em não entendendo pela anulação total do  auto,  requer  que  sejam ajustadas  as  bases,  conta  a  conta,  bem  como expurgada a multa e os  juros, face o conteúdo normativo  do  art.  100,  do  CTN,  e  da  prática  reiteradamente  observada,  inclusive apontada pela Administração Tributária no sentido de  não tributação de tais rubricas.  É o relatório”.  Em síntese, a discussão se refere a: a) Despesas de Propaganda ­ volume de  débitos e créditos  referentes à conta no 3.1.07.30, discriminando  todos os meses de 2006  (fl.  30); b) Descontos Obtidos ­ valores mensais lançados a crédito discriminando mês a mês o ano  de  2006,  no  tocante  a  conta  no  3.4.01.06,  especificando  os  valores  que  foram  ou  não  considerados  como  tributáveis  (fl.  33);  e  c)  Mercadorias  Bonificadas  ­  valores  mensais  lançados  a crédito discriminando mês a mês o ano de 2006, no  tocante a conta no 5.1.01.23,  especificando os valores apurados (fl. 34).  Requer­se ajuste à base de cálculo conta a conta, bem como, observância das  disposições do artigo 100 do CTN.  É o relatório.    Voto Vencido  Fl. 986DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN     6 Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator  O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, o  que impõe o seu conhecimento.  A controvérsia decorre da não inclusão na base de cálculo das contribuições  para o PIS e a COFINS de importâncias ou mercadorias exigidas dos fornecedores prática essa  conhecida ou denominada de “rapel e pedágio”, regra por meio da qual há redução dos valores  efetivamente pagos aos fornecedores relativamente aos itens: propaganda; descontos obtidos  e mercadorias bonificadas.  A  prática  denominada  de  rapel  ou  pedágio  encontra­se  consolidada  no  segmento varejista de produtos alimentares e de supermercados, há tempos configurando uma  praxe. Com a concentração de grandes conglomerados no setor varejista após a década de 90  surgiu a praxe de obtenção de descontos desproporcionais, investimentos compulsórios e ônus  de custos vinculados ao marketing, em regra com a participação financeira dos fornecedores.  O  poder  de  mercado  alcançado  pelas  grandes  redes  varejistas  tornou­se  matéria  discutida  pela  literatura  antitruste,  pois  o  poder  de  compra  do  varejo  desafia  a  livre  concorrência.  Esse  assunto  já  extrapola  as  paredes  do  ambiente  de  relação  varejistas  e  fornecedores  e  chega  ao  conhecimento  do  CADE,  que  passou  analisar  o  processo  de  concentração.  Têm­se  notícias  de  que  grandes  varejistas  obrigam  seus  fornecedores  a  conceder  descontos  desproporcionais  e  outros  benefícios  contrários  a  livre  concorrência. Em  contrapartida disponibiliza aos parceiros, se desejar: volume de compras, conjunto distintivo de  condições particulares, exibição e vendas de produtos, condições particulares de logística.  Nesse cenário surgem os pactos, escritos, verbais, todos restritos às relações  comerciais dos hipermercados e supermercados com seus fornecedores.  No caso concreto, foram apontados os ganhos relacionados com propaganda,  descontos obtidos e mercadorias bonificadas como sendo receitas excluídas da base de cálculo  das contribuições, referentes ao lançamento.  O  entendimento  da  decisão  de  piso  e  da  fiscalização  é  de  que  se  trata  de  receita, e, independemente de tratar de ingresso em moeda corrente do país ou em mercadorias  (bonificação),  o  fato  gerador  seria  a  incorporação  ao  patrimônio  do  beneficiário  dessas  vantagens., motivo pelo qual deveriam as receitas ter sido incluídas à base de cálculo.  Impõe examinar os temas (propaganda e publicidade, descontos obtidos e  mercadorias  bonificadas)  pelo  conceito  contábil,  diante  da  natureza  de  serem  receita  e  custo/despesa.  Propaganda e Publicidade. Essas são sempre consideradas despesas, ora de  vendas,  e,  em  certas  circunstâncias  administrativas.  Naturalmente  estão  vinculadas  às  campanhas de vendas de produtos. Por natureza são sempre apropriadas a despesas.  Descontos obtidos. O tratamento contábil dispensado aos descontos obtidos  conforme a melhor classificação é como redução de custos e não como receita financeira, em  face do vínculo direto com aquisição de produtos ou serviços. Recomenda­se que nos casos dos  abatimentos e descontos obtidos, devam ser contabilizados diretamente na conta que registrou  a aquisição do produto ou do serviço.  Fl. 987DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/2011­18  Acórdão n.º 3403­002.520  S3­C4T3  Fl. 984          7 Bonificações.  Devem  ter  o  mesmo  tratamento  contábil  dispensado  aos  descontos  obtidos,  pois  devem  ser  contabilizadas  como  redução  de  custo  em decorrência  do  vínculo direto com aquisição dos produtos ou serviços.  A  mim  parece  que  os  custos  relacionados  com  propaganda,  publicidade,  descontos obtidos e bonificações de mercadorias em momento algum podem ser considerados  como vantagens pecuniárias, mas sim redução de custo e despesa.  Não  se  podem  fechar  os  olhos  aos  acordos  comerciais  existentes  para  o  incremento de vendas, onde o comprador (supermercados) pactua com o fornecedor campanhas  promocionais  com  o  objetivo  de  incrementar  os  negócios,  dividindo­se  proporcionalmente  entre  eles  os  custos. O  reembolso,  necessariamente,  não  precisa  ser  pecuniário,  pode  vir  em  forma  de  bonificação,  isto  é,  entrega  de  mais  produtos  a  custo  zero,  o  que  proporciona  a  recuperação  dos  gastos  com  publicidade  e  propaganda  por  meio  da  receita  advinda  da  comercialização,  que  por  seu  turno  sofre  a  incidências  dos  tributos  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS.  Tanto  para  bonificações,  quanto  para  despesas  de  propaganda  e  descontos  obtidos,  a natureza  é  sempre de reembolso,  o que  implica  tornar  embolsar,  reaver o que  foi  desembolsado ou emprestado, ficar novamente na posse.  Em síntese, são artifícios, componentes ou elementos de acordos comerciais,  e,  mesmo  para  aqueles  que  os  veem  como  prática  predatória  à  livre  concorrência  e  ao  consumidor, não se pode transformá­los em receita capaz de suportar incidência tributária.  Esses  mecanismos  utilizados  são  para  proporcionar  ao  fornecedor  venda  substancial com garantia de continuidade (fidelidade), divulgação do produto,  logística capaz  de minimizar os custos de frete,  tornando a mercadoria mais competitiva; e, do outro lado, o  supermercadista ganha em escala de venda.  Assim, para mim são sempre redutores de custos, e, não ingressos de receitas,  pois  diferenciados  do  conceito  de  receita.  O  contrário  violaria  o  princípio  da  capacidade  contributiva.  Oportuno  trazer à baila  a  lição a  respeito de  ingressos  recebidos a  título de  reembolso  pelo  Conselheiro  do  CARF  Sólon  Sehn,  ao  falar  de  PIS­COFINS  na  não  cumulatividade e Regimes de Incidência:  “INGRESSO RECEBIDOS A TÍTULO DE REEMBOLSO”.  “Uma  vez  delimitado  o  conceito­base  de  incidência  da Cofins  não  cumulativa  e,  sobretudo,  fixada  a  premissa  que  receita  é  acréscimo  ao  patrimônio  líquido,  sem  reservas,  condicionamento  ou  correspondências  no  passivo  ­  inconfundível,  portanto,  com  a  noção  neutra  de  ingressos  de  caixa ­, não há dúvidas de que tais tributos não incidem sobre  reembolsos”.  Continua:  “Afinal  o  reembolso  constitui  um  ingresso  sem  repercussão  patrimonial  positiva,  que  apenas  recompõe  o  patrimônio  da  Fl. 988DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN     8 pessoa jurídica em razão de uma despesa realizada por conta e  ordem de outrem. “Não há, destarte, a entrada de riqueza nova  ou  incremento  patrimonial,  razão  peça  qual  não  ocorre  à  incidência da contribuição...”  Finalmente diz:  “Interpretação  dessa  natureza,  além  contrária  ao  conceito  de  receita,  viola  claramente  o  princípio  da  capacidade  contributiva, que veda a  incidência de  tributos não vinculados  sobre  fatos  não  reveladores  de  riqueza”.  (PIS­COFINS  ­  não  cumulatividade  e  Regime  de  Incidência.  São  Paulo:  Quartier  Latin, 2011, p. 170).  Com  essas  considerações  sou  inclinado  a  prover  o  recurso  e  modificar  a  decisão de piso para acolher a  tese de que bonificações, despesas de propaganda e descontos  obtidos  têm  natureza  de  recuperação  de  custo  e  não  podem  ser  interpretados  como  receitas  capazes de suportar incidência de tributos.  Em sendo assim, conheço do recurso e dou provimento para afastar da base  de  cálculo  os  reembolsos  nominados  como  bonificações,  despesas  de  propaganda  e  publicidade, bem como os descontos obtidos da base de cálculo das contribuições aqui tratadas.  É como voto.  Domingos de Sá Filho  Fl. 989DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/2011­18  Acórdão n.º 3403­002.520  S3­C4T3  Fl. 985          9 Voto Vencedor  Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado  Tendo  em  vista  terem  sido  acolhidas  unanimemente  a  exclusão  da  base  de  cálculo  das  contribuições  dos  valores  a  título  de  redistribuição  de  débitos  e  créditos  entre  matriz e filiais, e majoritariamente os valores recebidos a título de reembolso de despesas com  tablóides, vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz,  incumbiu­se­me a  redação de voto  vencedor  em  relação  à  negativa  de  provimento  em  relação  aos  ressarcimentos  feitos  pelos  fornecedores, quanto às despesas com propaganda (vencido o relator) e quanto às bonificações  e  descontos  obtidos  (vencidos  o  relator  e  os  Conselheiros  Marcos  Tranchesi  Ortiz  e  Ivan  Allegretti).  Antes  de  ingressar  na  análise  dos  dois  tópicos  destacados  (despesas  com  propaganda, e bonificações e descontos obtidos), convém destacar o que dispõem as  leis que  regem as contribuições na sistemática da não cumulatividade:  Iniciemos  pela  Lei  no  10.637/2002,  que  rege  a  Contribuição  para  o  PIS/PASEP não cumulativa:  “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  §  2o  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo  as receitas:  (...)  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  (...)”  (grifo  nosso,  e  redação  vigente  ao  tempo  da  autuação)  De modo  absolutamente  idêntico  dispõe  a  Lei  no  10.833/2003,  que  rege  a  COFINS, na mesma sistemática:  “Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato gerador o  faturamento mensal, assim entendido o total das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua denominação ou classificação contábil.  Fl. 990DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN     10 §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento,  conforme definido no caput.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo  as receitas:  (...)  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  (...)”  (grifo  nosso,  e  redação  vigente  ao  tempo  da  autuação)  Cabe ainda sinteticamente recordar as principais  teses expostas no curso do  contencioso, sobre os temas em análise:  A autuação, em ambas as contribuições, fulcra­se na não inclusão de rubricas  referentes  a  propaganda  (conta  no  3.1.07.30),  descontos  obtidos  (conta  no  3.4.01.06)  e  mercadorias  bonificadas  (conta  no  5.1.01.23).  Na  conta  referente  a  despesas  com  propagandas, constavam valores a crédito, a título de reembolso de despesas de marketing e  de transferência de tablóides. Tais valores, entendidos pela recorrente como reembolso, são na  verdade  receitas  (pedágio),  não  guardando  relação  direta  com  as  despesas  da  empresa.  Na  conta  que  engloba descontos  obtidos,  do  grupo  receitas  financeiras,  e  referentes  a  diversos  fornecedores, constatou­se que não há relação dos descontos com antecipação de pagamento,  pois mesmo os valores pagos após o vencimento faziam jus aos descontos, cabendo destacar  que não fizeram parte da autuação os valores  referentes a efetivos descontos  financeiros. Em  relação  à  conta mercadorias  bonificadas,  também  foi  percebido  expressivo  lançamento  de  valores a crédito, tendo como contrapartida as contas de compra. Os lançamentos em tal conta  se referem a bonificação, reembolso de custos de logística, e quebras de estoque. Destaque­se  que foram incluídas pela empresa na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes  de  bonificações  sobre  promoções  de  vendas,  sobre  as  quais  estão  sendo  efetuados  depósitos  judiciais (conta no 4.1.70.08).  Na  impugnação  esclarece­se  que  a  rubrica  despesas  com  propagandas  representa três situações distintas: transferência de tablóides para as filiais ­ operação interna  (cuja exclusão da base de cálculo das contribuições foi acolhida majoritariamente pela turma,  inclusive pelo relator original), distribuição de reembolso a fornecedores ­ operação interna  de  rateio  do  depósito  para  as  lojas  (cuja  exclusão  da  base  de  cálculo  das  contribuições  foi  unanimemente acordada pela  turma), e recebimento de reembolso dos fornecedores  (única  questão referente à rubrica despesas com propagandas que resta a discutir no presente  voto  vencedor).  Ainda  na  impugnação,  caso  se  entendam  como  receitas  os  valores  em  discussão,  invoca­se subsidiariamente o art. 100 do CTN, especificamente no que se  refere a  prática reiterada da Administração Tributária (inciso III).  No julgamento de piso, chama­se a atenção para o fato de a autuada ter sido  intimada por diversas vezes a apresentar os contratos vinculados aos créditos de propaganda,  descontos obtidos e mercadorias bonificadas, e sequer ter feito menção a nenhum dos contratos  com seus fornecedores, como indicado no relatório fiscal anexo à autuação (registrando que a  omissão  continua  na  impugnação).  Repara  o  julgador  a  quo  que  a  recorrente  indica  por  Fl. 991DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/2011­18  Acórdão n.º 3403­002.520  S3­C4T3  Fl. 986          11 diversas vezes  em sua  impugnação a existência de  tais  contratos, mas  jamais os apresenta,  e  que  não  seria  crível  que  em  transações  deste  porte  o  contrato  se  desse  de  forma  verbal.  Também  assenta  o  julgador  de  piso  a  incoerência  lógica  em  se  oferecer  à  tributação  as  bonificações  de  mercadorias  em  dinheiro  (em  que  pese  estarem  sendo  judicialmente  depositadas), excluindo­se as mercadorias recebidas em espécie, e que tais bonificações, para  exclusão, deveriam constituir descontos incondicionais, expressos na nota de venda (o que não  ocorreu). Assim, e restando as bonificações contabilizadas em conta de resultado, caracteriza­ se  em  todas  as  visões  do  fenômeno  a  percepção  de  receita,  não  havendo  bis  in  idem  na  tributação  de  operação  posterior  (que  pode  nem  vir  a  ocorrer)  de  venda  das  mercadorias  recebidas  em  bonificação.  Também  em  relação  aos  descontos  obtidos,  compreendidos  pela  empresa às vezes como receitas financeiras, outras como descontos incondicionais, restou claro  ao julgador não ter ocorrido nem uma nem outra situação. Sobre as despesas com propaganda  abarcadas  por  este  voto  vencedor  (recebimento  de  reembolso dos  fornecedores),  atestou  o  julgador  a  quo  que  não  se  apresenta  nenhuma  correspondência  direta  entre  os  custos  de  propaganda e tais reembolsos.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  empresa  alega  que  os  contratos  com  os  fornecedores  se davam de maneira  verbal,  caso  a  caso,  como  aceito  pela  legislação  civil,  visando  ao  estabelecimento  de  descontos  incondicionais,  e  que  a  simples  inexistência  de  contrato  escrito  não  pode  ensejar  a  desconfiguração  da  operação  realizada.  Sobre  as  bonificações, informa que não há provas na autuação de que os fornecedores eram compelidos  a pagar remuneração à recorrente, e que a própria RFB reconhece tratamento diferenciado para  bonificações em espécie e em mercadorias (cf. Perguntas e Respostas ­ IRPJ 2004). Sobre os  descontos obtidos, de natureza financeira, é contraditório o fisco desejar tributá­los ainda que  incondicionais,  pois  são  gênero  da  espécie  bonificação.  No  que  se  refere  a  despesas  com  propaganda, são de caráter indenizatório.  Isto  posto,  e  como  a  legislação  de  regência  das  contribuições,  exposta  ao  início, não trata de conceito restrito, mas alargado de “receitas”, o que deriva de sua simples  leitura (“receita bruta de venda de bens e serviços” e “todas as demais receitas auferidas”) há  que  se aclarar que,  para  efeito de  tributação, mesmo os descontos  incondicionais  constituem  “receitas”.  Tanto  que  são  expressamente  excluídos  da  tributação,  mas  não  do  conceito  de  “receitas”. Assim, se as contas se referem a descontos incondicionais, elas constituem receita  (porque  a  lei  expressamente  o  estabelece). Veja­se  o  §  3o  do  art.  1o  de  qualquer  das  leis  de  regência transcritas, que explicitamente afirma que não integram a base de cálculo as receitas  referentes a descontos incondicionais concedidos.  A  lei  inegavelmente  estabeleceu  que  a  base  de  cálculo  das  contribuições  abarca todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e que poderiam ser excluídas de tal  base as receitas referentes a descontos incondicionais.  Tanto  as  bonificações  quanto  os  descontos  obtidos  são  enquadrados  pela  recorrente  em  tal  incondicionalidade,  em  que  pese  não  atenderem  aos  pressupostos  estabelecidos  pelo  fisco  (como  a  informação  específica  em  nota  fiscal,  que  se  soma  à  independência de evento posterior).  O fisco logra atestar que os ingressos constituem receitas (dentro do conceito  acima  exposto),  inclusive  afastando  da  autuação  os  descontos  para  os  quais  se  comprova  a  origem  financeira.  E,  tanto  no  que  se  refere  às  bonificações  quanto  aos  descontos  obtidos  (ambos tidos como incondicionais), busca oportunizar à recorrente comprovar o registrado em  Fl. 992DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN     12 sua  contabilidade durante o procedimentos  fiscal, mediante  a  apresentação dos  contratos por  meio  dos  quais  tais  descontos  são  concedidos.  No  entanto,  há  reiterada  omissão  na  apresentação de tais contratos, seguida da afirmação de que são celebrados na forma verbal.  A  exemplo  do  que  se  concluiu  no  julgamento  de  piso,  não  nos  convence  a  argumentação  de  que  uma  grande  rede  de  supermercados  conceda  incondicionalmente  descontos  a  seus  fornecedores,  sempre  mediante  contratos  verbais,  não  se  preservando  de  forma alguma o registro histórico de tais operações de modo a verificar a que título se deu o  desconto. Atenta contra a razoabilidade (e contra o caráter sinalagmático de tais contratos) crer  que em um contrato entre supermercado e fornecedor, este conceda reiteradamente descontos  incondicionais, de forma verbal, sem obter contraprestação alguma.  É  contraditório  afirmar  a  recorrente  que  a  fiscalização  poderia  ter  circularizado a investigação, tentando obter dos fornecedores tais contratos, quando ela própria  afirma que são “verbais”. Seria, em outras palavras, tentar obter a prova impossível.  E,  nessa  esteira,  qualquer  desconto  poderia  ser  contabilizado  impunemente  como  incondicional,  visto  que  não  haveria  meios  de  verificar  a  condicionalidade,  sendo  os  contratos de fornecimento efetuados de forma verbal. Em suma, a forma verbal asseguraria a  impossibilidade de verificação objetiva da (in)condicionalidade.  Nesse  contexto,  a  recorrente  identifica  eventual  carência  probatória  na  autuação, que foi por ela própria ocasionada. Perceba­se que a recorrente teve, no curso de todo  o contencioso, a possibilidade de contrapor os argumentos do fisco, demonstrando claramente  porque  contabilizou  como  incondicionais  as  receitas  obtidas,  e  não  o  fez  a  contento,  principalmente  por  não  restar  em  nenhum  momento  de  forma  objetiva  como  e  em  que  circunstâncias tais descontos eram concedidos.  Sendo  inequívoco  que  constituem  receitas  as  rubricas  em  discussão,  e  não  restando  caracterizada  a  contento  a  situação  de  receitas  provenientes  de  descontos  incondicionais,  voto  pelo  não  provimento  do  recurso  nesses  tópicos  (descontos  obtidos  e  mercadorias bonificadas).  No  que  se  refere  ao  recebimento  de  reembolso  dos  fornecedores  por  despesas com propaganda, igualmente voto pelo não provimento, por entender que não restou  minimamente comprovada pela recorrente sua alegação de que tais despesas possuíam caráter  indenizatório, seja mediante planilha na qual minuciasse as despesas e a fórmula de rateio, seja  rebatendo a planilha apresentada pelo fisco que demonstra não haver correspondência entre as  despesas com propaganda e tais reembolsos.  Por fim, em relação ao art. 100 do CTN, especificamente em seu inciso III,  alegado subsidiariamente, incumbe ressaltar que resta ostensivamente claro que o comando não  se aplica a práticas  infracionais que não  tenham sido detectadas pela Administração, como a  tratada  neste  processo.  Raciocínio  contrário  nos  levaria  ao  desparate  de  crer  que  qualquer  conduta irregular ou até ilícita constituiria uma norma complementar se o infrator a cometesse  durante algum tempo sem ser descoberto pela fiscalização.    Pelo  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  afastando da exigência os valores das seguintes despesas classificadas como “de propaganda”:  redistribuição  de  débitos  e  créditos  entre  matriz  e  filiais  (distribuição  de  reembolso  a  fornecedores) e reembolso de despesas com tablóides (transferência de tablóides).  Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11080.722127/2011­18  Acórdão n.º 3403­002.520  S3­C4T3  Fl. 987          13 Rosaldo Trevisan                    Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 20/02/2014 por ROSALDO TREVISAN

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5416501 #
Numero do processo: 10469.725077/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida na boa e devida forma. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T2  Fl. 2          1 1  S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10469.725077/2011­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1102­000.874  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de junho de 2013  Matéria  IRPJ ­ lucro da exploração  Recorrente  GUARARAPES CONFECÇÕES S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010  NULIDADE.  DECISÃO  DE  PRIMEIRA.  A  ausência  de  análise  de  argumentos  trazidos  aos  autos  por  meio  de  peça  impugnatória  implica  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  por  cerceamento  do  direito  de  defesa e contraditório.  Recurso voluntário provido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLARAR  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  para  que  outra  seja  proferida  na  boa  e  devida  forma.  (assinado digitalmente)  JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Otavio  Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo,  Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 77 /2 01 1- 11 Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 3          2     Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  proferido  pela  Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife ­ PE assim ementado, verbis:  “NULIDADE. CERCEAMENTO.  Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento  do direito de defesa quando os demonstrativos elaborados pela  autoridade  fiscal  estão  detalhados,  assim  como  amparados  em  documentos e demonstrativos presentes nos autos, que permitem  o perfeito entendimento dos resultados apurados.  GLOSA DE DEDUÇÃO DE  ISENÇÃO/REDUÇÃO. RECEITAS  DE  VENDAS  DE  PRODUÇÃO  COM  INCENTIVO  EM  MONTANTE  SUPERIOR  À  CAPACIDADE  INCENTIVADA.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  não  impugnada  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pelo sujeito passivo.  GLOSA DE DEDUÇÃO DE  ISENÇÃO/REDUÇÃO. RECEITAS  DE ALUGUEL E LUVAS. RELEVÂNCIA. RELATIVIZAÇÃO DO  ESTATUTO SOCIAL. RECEITA BRUTA.  Em  que  pese  a  atividade  de  locação  de  imóveis  não  constar  expressamente  como  objeto  do  sujeito  passivo  em  seu  estatuto  social,  o  teor  deste  deve  ser  relativizado  diante  da  caracterização  nos  autos  da  relevância  dessa  atividade  para  o  sujeito  passivo.  Há  que  se  concluir  que  de  fato  a  locação  de  imóveis  faz  parte  do  conjunto  de  atividades  principais  da  empresa e, por conseguinte, integra a sua receita bruta.  GLOSA  DE  DEDUÇÃO  DE  ESTIMATIVAS  NO  AJUSTE.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  CONTENCIOSO  INSTAURADO. CONFIRMAÇÃO PELA DRJ.  Não é passível de dedução no ajuste anual estimativa que tenha  sido  objeto  de  compensação  não  homologada,  ainda  que  instaurado o contencioso, quando a DRJ já tiver se pronunciado  pela  confirmação  da  decisão  da  autoridade  administrativa  da  unidade local.  GLOSA  DE  DEDUÇÃO  DE  ESTIMATIVAS  NO  AJUSTE.  COMPROVAÇÃO PARCIAL.  Devido afastar a glosa da dedução da estimativa no ajuste anual  para  o  ano­calendário  em  que  o  sujeito  passivo  carreou  aos  autos  provas  suficientes  para  indicar  que  a  mesma  foi  efetivamente paga: por recolhimentos via Darf, por deduções de  Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 4          3 IRRF  e  por  compensações  (homologadas  e/ou  ainda  pendentes  de apreciação)  MULTA  ISOLADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CONCOMITÂNCIA.  INAPLICÁVEL PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.  É possível a aplicação conjunta de multa isolada sobre a falta de  pagamento de estimativa e multa de ofício vinculada ao  tributo  devido  que  deixou  de  ser  recolhido,  vez  que  são  sanções  decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações  também distintas e são determinadas a partir de bases de cálculo  diferentes por definição.  Inaplicável o princípio da consunção.  COMPENSAÇÃO  DE  OFÍCIO.  RECOLHIMENTO  A  MAIOR  DE ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  Somente  há  possibilidade  da  compensação  ser  realizada  por  iniciativa  da  autoridade  administrativa  quando,  antes  de  proceder à restituição ou ressarcimento de tributo em função de  pleito de contribuinte, verificar a existência de débito em nome  deste. Nas demais hipóteses compete ao sujeito passivo efetuar a  compensação via apresentação de declaração de compensação.”  O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis:  “Tratam os autos de  lançamentos de ofício de  Imposto  sobre a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  de  multa  isolada  sobre  a  insuficiência  de  pagamento  de  estimativas  mensais  de  IRPJ,  consubstanciados no auto de  infração às  fl. 02 a 16,  referentes  aos anos­calendário 2006 a 2009, com crédito tributário total de  R$ 29.662.184,84, assim composto:  Imposto R$ 12.563.318,40  Juros de Mora R$ 4.140.800,51  Multa de Ofício (vinculada) R$ 9.422.488,80  Multa Isolada R$ 3.525.577,13  2. As infrações apuradas foram as seguintes:  2.1.  dedução  a  maior  no  ajuste  anual  de  valor  relativo  a  isenção/redução do  IRPJ para  empresas  instaladas na  área  da  Sudene  –  lançamento  de  IRPJ  –  fatos  geradores:  31/12/2006,  31/12/2007, 31/12/2008 e 31/12/2009;  2.2. dedução a maior no ajuste anual dos valores do imposto de  renda mensal pago por estimativa – lançamento de IRPJ – fatos  geradores: 31/12/2007 e 31/12/2009;  2.3. falta de pagamento do IRPJ incidente sobre base de cálculo  estimada  com  base  em  balanços  de  suspensão  ou  redução  –  lançamento  de  multa  isolada  –  fatos  geradores  mensais  ocorridos entre 2006 e 2009;  Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 5          4 3.  Os  fatos,  constatações  e  descrições  das  infrações  estão  detalhados no Termo de Encerramento da Ação Fiscal às fl. 17 a  31, parte integrante do auto de infração, cujo teor é resumido a  seguir:  3.1. é cediço que as receitas de operações alheias às atividades  expressamente  contempladas  pelos  atos  concessivos  não  integram  o  lucro  da  exploração.  Logo,  no  preenchimento  da  DIPJ,  as  receitas  de  aluguéis  e  luvas  de  imóveis  (que  não  são  incentivadas)  devem  ser  informados  na  linha  relativa  a  “Locação  de  Bens  Móveis  e  Imóveis,  para  compor  a  receita  líquida das atividades;  3.2.  nos  assentamentos  contábeis  da  fiscalizada  consta  que  foram auferidas receitas de atividades não incentivadas. Destas,  as receitas de aluguéis de imóveis (Conta 73001), decorrentes de  aluguel  de  imóvel  à  controlada  Lojas  Riachuelo  S/A,  e  as  receitas de direitos comercias (conta 73010002), decorrentes de  luvas  sobre  imóveis  alugados  à  controlada  Midway  Shopping  Center Ltda, ), não integraram a receita líquida total, tendo sido  lançadas  como “outras  receitas operacionais” na apuração do  lucro operacional;  3.3.  as  receitas  decorrentes  de  luvas  mencionadas  acima  recebidas  em 2006  foram declaradas  corretamente na  linha  06  da  Ficha  06A  da  DIPJ,  como  “Receita  da  Locação  de  Bens  Móveis e Imóveis”, compondo a receita líquido total. Em relação  aos imóveis locados à Midway, o sujeito passivo também recebeu  valores  a  título  de  aluguel,  que  integraram  corretamente  a  receita líquida total. Então, a fiscalizada, ora alocou as receitas  de  aluguéis  e  luvas  à  receita  líquida  total,  ora  às  receitas  operacionais;  3.4.  o  fato  das  receitas  de  atividade  da  empresa  relatadas  no  parágrafo  3.1.  acima,  habituais  e  relevantes,  terem  sido  consideradas  como  outras  receitas  operacionais,  reduziu  indevidamente o valor da receita líquida total. Isto não implicou  em  alteração  do  lucro  líquido, mas  acarretou  uma apuração  a  maior do lucro da exploração das atividades incentivadas (Ficha  08  –  Demonstração  do  Lucro  da  Exploração),  aumentando  o  resultado  do  incentivo  fiscal  (Ficha  10  – Cálculo  da  Isenção e  Redução  do  Imposto  sobre  o  Lucro  Real)  e,  por  conseguinte,  dedução a maior  do que  o  devido  do  imposto  devido  no  ajuste  anual.  3.5. além disso, a  fiscalizada auferiu receitas de venda de bens  de  sua  produção,  objeto  de  isenção  e  redução  conforme  atos  concessórios,  em  montantes  superiores  às  capacidades  incentivadas.  Estes  excedentes  não  gozam  dos  benefícios  de  isenção/redução,  devendo  compor  a  receita  líquida  total  do  período. Como conseqüência disso, houve uma dedução a maior  indevida a título de incentivo.  3.6.  a  apuração  do  lucro  da  exploração  das  atividades  incentivadas  foi  feita  com  base  na  proporção  que  a  receita  líquida  de  cada  atividade  representa  em  relação  à  receita  Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 6          5 líquida  total,  haja  vista  que  a  contabilidade da  fiscalizada não  oferecia  condições  para  apuração  do  lucro  por  atividade.  O  contribuinte adotou também esta forma de apuração conforme se  verifica nas DIPJ apresentadas;  3.7.  essas  duas  infrações  acarretaram  a  glosa  de  parte  da  dedução a título de isenção/redução no ajuste anual, bem assim  a  verificação  de  falta  de  pagamento  do  IRPJ  mensal  por  estimativa,  vez  que  interferiram  nos  resultados  mensais  estimados,  razão  pela  qual  foi  exigida  multa  isolada  de  50%  sobre o valor não recolhido;  3.8.  outra  irregularidade  foi  verificada  no  preenchimento  da  linha  17  (“Imp.  De  Renda  Mensal  Pago  por  Estimativa”)  da  ficha 12ª das DIPJ referentes aos anos­calendário 2007 e 2009.  Os  valores  deduzidos  foram  superiores  aos  apurados  pela  fiscalização, razão pela qual foi efetuada a glosa parcial de tais  deduções.  4. Cientificado do auto de infração e do Termo de Encerramento  da Ação Fiscal pessoalmente em 30 de junho de 2011, o sujeito  passivo apresentou a  impugnação às  fl.  1196 a 1239 em 29 de  julho de 2011, instruída com os documentos às fl. 1240 a 1406,  onde discorreu o que segue:  4.1.  em  preliminar  –  nulidade  decorrente  da  ausência  de  demonstração do cálculo da glosa das deduções supostamente a  maior  do  IRPJ mensal  pago  por  estimativa.  Não  há  nos  autos  qualquer  demonstrativo  que  explicite  a  origem  dos  valores  incluídos na tabela de cálculo utilizada para a glosa (“apuração  das estimativas mensais e da multa isolada”). O Auditor Fiscal  limitou a asseverar que as  informações  teriam origem em Darf  recolhidos,  no  Lalur,  e  nas  DIPJ,  DCTF  e  PER/Dcomp  apresentadas.  Com  isso  não  é  possível  aferir  o  procedimento  adotado para o cálculo, além do que a ausência de documentos  que  fundamentam  a  exigência  enseja  violação  ao  art.  9º  do  Decreto nº 70.235, de 1972. Isto é causa de nulidade do auto de  infração,  tendo  em  vista  o  desrespeito  ao  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  conforme  jurisprudência  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim como  ao  art.  5º,  incisos  II,  LIV  e  LV,  da  Constituição  Federal,  por  estar presente o cerceamento do direito de defesa e violação aos  princípios  do  devido  processo  legal,  da  legalidade  e  do  contraditório. Embora a fiscalização aponte no auto de infração  que  os  valores  trazidos  em  suas  planilhas  baseiam­se  em  documentos apresentados pelo contribuinte e obtidos no sistema  da  Receita  Federal,  estes  não  foram  trazidos  aos  autos  do  processo.  Devido  a  nulidade  na  forma  dos  art.  59  e  60  do  Decreto nº 70.235, de 1972;  4.2.  no mérito  4.2.1.  fez  um  estudo  quanto  à  natureza  jurídica  dos  incentivos  fiscais  concedidos  na  região  da  Sudene,  para  concluir ao final que os incentivos possuem natureza jurídica de  intervenções estatais sobre a ordem econômica para reduzir as  desigualdades  regionais,  razão  pela  qual  a  interpretação  da  Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 7          6 norma deve ser feita à luz de todos os métodos de hermenêutica,  com ênfase ao fim objetivado por esta.  4.2.2.  fez um estudo quanto ao alcance do lucro de exploração,  concluindo  ao  final,  com  base  na  Lei  nº  4.293,  de  1963,  no  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  no  Regulamento  do  Imposto  de  Renda (RIR/99) e na IN SRF nº 267, de 2002, que os incentivos  fiscais dos quais é beneficiárias devem observar o seguinte: (a)  incidência  sobre  o  lucro  da  exploração,  que  é  o  lucro  líquido  ajustado, correspondente aos  resultados operacionais excluídos  de parte das  receitas  financeiras e dos  rendimentos e prejuízos  das  participações  societárias;  (b)  no  caso  de  pluralidade  de  estabelecimentos,  alcança  o  lucro  da  exploração  dos  estabelecimentos  instalados  na área da atuação da Sudene;  (c)  nas  hipóteses  em  que  não  é  possível  apurar,  com  clareza  e  exatidão,  o  lucro  da  exploração  de  cada  um  dos  estabelecimentos  com  incentivos  diferentes,  deve­se  calcular  o  lucro  da  exploração da  pessoa  jurídica  como um  todo  e,  após,  verificar,  percentualmente,  quanto  cada uma  das  atividades  ou  cada um dos  estabelecimentos  com  incentivos  fiscais  diferentes  representa em relação ao lucro da exploração total;  4.2.3.  fez um estudo quanto ao alcance do  lucro da exploração  sob  o  enfoque  da  interpretação  teleológica,  para  concluir  ao  final  que,  sob  este  prisma,  de  garantir  uma  maior  eficácia  ao  objeto  fundamental  das  isenções  concedidas  na  região  da  Sudene,  o  conceito  de  lucro  de  exploração  engloba  outras  receitas operacionais auferidas pela pessoa jurídica, à exceção  daquelas excluídas expressamente, desde que referidos recursos,  acessórios  à  atividade  principal,  sejam  revertidos  ao  capital  social da pessoa jurídica e, destarte, inteiramente destinados às  atividades produtivas incentivadas;  4.2.4.  as  receitas  de  aluguéis  e  luvas,  sendo  operacionais,  integram o lucro da exploração, conforme explicado a seguir:  4.2.4.1.  os  resultados  operacionais  dizem  respeito  à  atividade  normal,  ordinária,  da  pessoa  jurídica,  correspondente  ao  seu  objeto social (art. 11 do Decreto –lei nº 1.58, de 1977 e art. 277  do RIR/99). Nesse contexto se inserem as receitas de aluguel de  bens,  conforme  opinião  de  José  Luiz  Bulhões  Pedreira;4.2.4.2.  consoante  Manual  de  Contabilidade  Societária  da  FIPECAFI,  ao  definir  o  conceito  de  “outras  receitas  e  despesas  operacionais,  aduz  “passam  a  ser  reconhecidas  como  outras  receitas  e  despesas  operacionais  os  ganhos  ou  perdas  que  decorram  de  transações  que  não  constituam  as  atividades  ordinárias  de  uma  entidade.  Ou  seja,  o  conceito  de  lucro  operacional  engloba  os  resultados  das  atividades  principais  e  acessórias,  e  outras  receitas  e  despesas  operacionais  são  atividades  acessórias  do  objeto  da  empresa”.  Nesse  sentido,  e  contrariamente  ao  esposado  no  auto  de  infração,  a  Receita  Federal  tem  determinado  aos  contribuintes  que  classifiquem  como receitas operacionais aquelas decorrentes de “aluguel de  bens” (orientação de preenchimento da linha 30 da ficha 6A da  Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 8          7 DIPJ/2006.  Tal  entendimento  é  corroborado  por  Gerd  Willi  Rothmann;  4.2.4.3.  as  luvas  percebidas  na  locação  de  bens  próprios  à  controlada  Midway  Shopping  Center  Ltda  também  gozam  da  mesma natureza jurídica de receita operacional. Estas compõem  o  preço  do  aluguem  em  imóveis  comerciais  instalados  em  shopping centers, como parcela de remuneração pela fruição do  fundo  de  comércio  estabelecido  pelo  empreendimento.  Nesse  sentido, decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (Carf), ao tratar do recurso de ofício nº 164.156.  4.2.5.  reconheceu,  no  lucro  da  exploração,  apenas  os  rendimentos  operacionais  produzidos  em  suas  entidades  produtivas  incentivadas  de Fortaleza  e  de Natal,  procedimento  legítimo ressaltado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal;  4.2.6. observou os critérios previstos no 3º do art. 549 do RIR/99  e no §4º do art. 62 da IN SRF nº 267, de 2002, razão pela qual o  rateio  previsto  deve  ser  aplicado  sobre  o montante  integral  do  lucro  de  exploração,  aproveitando­se,  para  este  fim,  as  demais  receitas  operacionais  (acessórias),  tais  como  aluguéis  e  luvas  revertidos integralmente na atividade incentivada;  4.2.7.  a  par  da  nulidade  argumentada  em  preliminar,  entende  que não houve violação do art. 231, II e IV, do RIR/99, ou seja,  não  ocorreu  dedução  a  maior  no  ajuste  anual  dos  valores  do  imposto de renda mensal pago por estimativa:  4.2.7.1.  no  tocante  ao  ano­  calendário  2007,  com  base  nos  documentos carreados no anexo Doc 02 (Darf, Demonstrativo de  retenção de  IRRF e PER/Dcomp),  houve um recolhimento  total  de R$ 15.593.700,95, inclusive superior ao declarado;  4.2.7.2  quanto  ao  ano­calendário  2009,  os  documentos  demonstram  pagamento  dos  R$  13.693.461,08,  superior  ao  declarado;  4.2.8. descabimento da multa isolada aplicada:  4.2.8.1. pela impossibilidade de cobrança cumulativa desta e da  multa vinculada (bis in idem). Trouxe doutrina e jurisprudência  do  Carf,  onde,  entre  outros  argumentos,  foi  defendida  a  aplicação do princípio da consunção;  4.2.8.2. a autoridade fiscal desconsiderou que os recolhimentos  a  maior  efetuados  no  período  fiscalizado  superam  o  montante  que supostamente deixou de ser recolhido a título de IRPJ. Não  houve ofensa ao bem jurídico  tutelado pelo art. 44,  II, “b”, da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  uma  vez  que  os  valores  recolhidos  antecipadamente a maior ultrapassam o somatório que deixou de  ser  recolhido,  garantindo,  efetivamente,  o  fluxo  de  caixa  do  governo. Cita jurisprudência do Carf;  Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 9          8 4.3. protesta pelo deferimento de prova documental suplementar  em virtude do princípio da verdade material e do disposto no art.  16, §4º, “a”, do Decreto nº 70.235, de 1972.  5.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Natal  (DRF/NAT)  pronunciou­se  pela  tempestividade  da  impugnação,  encaminhando os autos para  julgamento por esta Delegacia da  Receita Federal de Julgamento em Recife (DRJ/REC), conforme  despacho à fl. 1410.  O  acórdão  recorrido  (a)  entendeu  não  impugnada  a matéria  relativa  à  não  inclusão na linha “Receita Líquida das Demais Atividades” do montante das receitas de vendas  de bens de produção do contribuinte, objeto de isenção e redução, que ultrapassou a capacidade  incentivada; e (b) julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte  pelos  fundamentos  sintetizados  na  ementa  acima  transcrita.  Sobre  o  item  (a)  em  referência,  entendeu o acórdão, verbis:  Conforme  detalhado  no  relatório  que  acompanha  este  voto,  a  glosa  da  dedução  a  maior  no  ajuste  anual  de  valor  relativo  a  isenção/redução  decorreu  da  verificação  de  duas  situações  entendidas  pela  autoridade  fiscal  como  caracterizadoras  de  infração:  8.1. inclusão indevida de receitas auferidas a título de aluguel e  luva  em  “outras  receitas  operacionais”,  quando  deveriam  ter  integrado a receita bruta do contribuinte e, por conseguinte, sua  receita líquida total;  8.2. no demonstrativo do  lucro da exploração da DIPJ, não  foi  incluído  na  linha  “Receita  Líquida  das  Demais  Atividades”  o  montante  das  receitas  de  vendas  de  bens  de  produção  do  contribuinte,  objeto  de  isenção  e  redução,  que  ultrapassou  a  capacidade incentivada, conforme tabela abaixo:  (...)  Toda  a  argumentação  carreada  pelo  sujeito  passivo  em  sua  impugnação  preocupou­se  tão  somente  com  a  primeira  irregularidade  apontada,  não  havendo,  em  momento  algum,  contestação expressa quanto à segunda infração acima tratada.  10. Então, uma vez que o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  9.532,  de  1997,  estabelece  que  matéria não expressamente contestada deve ser considerada não  impugnada, compete à unidade preparadora, nos termos do art.  21  da mesma  norma,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  8.748,  de  1993,  providenciar  a  formação  de  autos  apartados  para  a  imediata cobrança do imposto de renda e seus acessórios (juros  de mora e multa de ofício vinculada). A parcela da multa exigida  isoladamente decorrente desta infração não poderá ser objeto de  cobrança, haja vista que o sujeito passivo atacou a possibilidade  de exigência desta.”  (...)  Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 10          9 Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  Contribuinte  reproduz  suas  alegações  de  impugnação, especialmente no que se refere à (i) nulidade da decisão de primeira instância por  cerceamento do direito de defesa,  já que todas as matérias citadas no auto de infração teriam  sido  objeto  de  impugnação;  e  (ii)  improcedência  dos  lançamentos,  ante  (a)  correção  dos  procedimentos  da Contribuinte  na  apuração  do montante  do  lucro  da  exploração  e benefício  fiscal  correspondente  no  período  assinalado;  (b)  legalidade  do  procedimento  adotado  pela  recorrente relativamente às receitas de aluguel; (c) inexistência de violação no caso ao art. 231,  III e IV do RIR/99, (d) ilegitimidade da exigência de multa de ofício isolada concomitante com  a multa de ofício aplicada no lançamento de IRPJ e (v) da ilegitimidade da incidência de juros  sobre a multa.  É o relatório.                                          Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 11          10   Voto             Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO ­ Relator  O  recurso voluntário  é  tempestivo  e  interposto por parte  legítima, pelo que  dele tomo conhecimento.  Conforme se depreende do relatório supra, tratam os autos de lançamentos de  IRPJ  e  reflexo  (multa  isolada  por  alegada  ausência  de  recolhimento  de  estimativas)  sob  acusação de que: (a) teria ocorrido inclusão indevida de receitas auferidas a título de aluguel e  luvas  em  “outras  receitas  operacionais”,  quando,  segundo  a  Fiscalização,  deveriam  ter  integrado a receita bruta do contribuinte (relacionada a atividades não incentivadas); e (b) não  teriam  sido  incluídas  no  demonstrativo  do  lucro  da  exploração  da  DIPJ,  na  linha  “Receita  Líquida das Demais Atividades” o montante das  receitas de vendas de bens de produção do  contribuinte, objeto de isenção e redução, que teria ultrapassado a capacidade incentivada.   Em  exame  à  impugnação  da  Contribuinte,  o  acórdão  recorrido  considerou  como não  impugnada a matéria  citada no  item  (b)  acima  (não  inclusão  no demonstrativo do  lucro  da  exploração  da  DIPJ  dos  valores  das  receitas  de  bens  de  produção  que  teria  ultrapassado a  capacidade  incentivada). Determinou­se,  por  conseguinte,  “nos  termos do art.  21 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, a formação  de autos apartados para a imediata cobrança do IRPJ respectivo e seus acessórios (juros de  mora e multa de ofício vinculada)”. Ainda segundo o acórdão, “o referido crédito tributário é  definitivo, não havendo possibilidade de recurso ao Carf”.  Em  sede  recursal,  insurge­se  a  Contribuinte  sob  o  fundamento  de  que  o  acórdão  não  teria  considerado  suas  razões  de  defesa  quanto  à  regularidade  do  procedimento  contábil  e  fiscal  adotado  e  consequente  correção  da  apuração  do  lucro  da  exploração,  do  montante  do  benefício  e  do  imposto  recolhido. Veja­se,  nesse  sentido,  trecho  do  recurso  da  Contribuinte, verbis:   “Em outras palavras, e tendo em vista os objetivos do incentivo  concedido, minuciosamente explicitados nos tópicos posteriores,  apontou­se,  expressamente,  que  a  restrição  do  incentivo  fiscal  não  se  refere  ao  local,  ou  mesmo  à  própria  origem  de  rendimentos  decorrentes,  apenas,  da  atividade  principal  (incentivada),  mas  às  receitas  operacionais  dos  estabeleciomentos  instalados e que operam na área de atuação  da SUDENE, revertendo­se o proveito econômico dos incentivos  em prol dos estabelecimentos e atividades incentivadas.  O  entendimento,  ora  reiterado  e  melhor  explicitado  a  seguir,  pode  ser  extraído  de  diversos  trechos  da  peça  impugnatória,  entre os quais, a título exemplificativo, destacam­se os itens III.2  e  III.3,  além das  letras “B” e “C” do  item  III.4 da defesa. Na  realidade,  a  essência  do  entendimento  esposado  implica,  necessariamente,  o  reconhecimento  da  regularidade  do  procedimento  em  relação à  fruição  do  benefício  concernente  à  Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 12          11 produção  acima  da  capacidade  instalada  quando  deferido  o  incentivo fiscal.  Note­se  que  o  procedimento  da Recorrente,  adotado  em  estrita  observância  do  quanto  disposto  no  art.  549  e  parágrafos  do  RIR/99  (“B” e “C” do  item  III.4 da  impugnação) não  limita a  isenção  à  capacidade  instalada/incentivada,  determinando,  de  outra sorte, que a isenção estaria limitada limitada à proporção  entre  as  receitas  líquidas  das  atividades  incentivadas,  sem  qualquer menção  à  capacidade  instalada,  e  as  demais  receitas  líquidas de vendas (art. 62, §4o, da IN 267/2002 c/c art. 549, §3o,  do  RIR/99).  O  incentivo,  assim,  como  demonstrado,  abrange  a  atividade  em  si  mesma,  bem  como  demais  rendimentos  considerados  operacionais  (lucro  da  exploração),  e  não  à  capacidade de produção existente no momento de deferimento do  benefício fiscal.  Com fulcro nos pontos ora mencionados, não restam dúvidas de  que a matéria  relativa à  limitação dos benefícios em relação à  capacidade incentivada foram devidamente rebatidos, na medida  em  que  houve  expressa manifestação  do  contribuinte  quanto  à  aplicabilidade  da  isenção em  relação aos  valores  componentes  do  lucro  de  exploração,  bem  como do  condicionamento  de  sua  fruição à aplicação dos benefícios em prol de estabelecimentos  situados  na  região  da  SUDENE,  cuja  atividade  principal  seja  aquela incentivada.  Além  disso,  o  próprio  pedido  inserido  na  impugnação  afasta  qualquer  dúvida  que  porventura  remanescesse  acerca  da  impugnação integral de todos os tópicos do auto de infração, ao  se  requerer,  ao  final,  “o  acolhimento  da  presente  defesa,  anulando­se, destarte o presente auto de infração” (item 150 da  impugnação).  Por  força  de  todo  o  exposto,  (...),  verifica­se,  de  forma  irrefutável, o cerceamento de defesa na hipótese (...),”  Com razão a Contribuinte.  Os  arts.  16  e  17  do  Decreto  n.  70.235/72  devem  ser  interpretados  com  temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo  fiscal,  especialmente  instrumentalidade  das  formas  e  formalismo  moderado.  O  controle  da  legalidade do ato de lançamento e a busca da “verdade material” alçada como princípio pela  jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à cognição  e instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova.   No caso, se por um lado se compreende o entendimento do acórdão recorrido  no  sentido  de  que  não  haveria  controvérsia  sobre  o  item  relativo  à  não  inclusão  no  demonstrativo no lucro na exploração dos valores de receitas que teriam superado a capacidade  instalada  da Contribuinte  (ante  a  ausência  de  capítulo  específico  sobre  a matéria),  por  outro  lado não é possível negar à Contribuinte o direito de ver a matéria em referência examinada  considerada a assertiva de que  (a) defende  incondicionalmente os procedimentos contábeis  e  fiscais  adotados  e  a  apuração do benefício  e dos  tributos  recolhidos  (cf.  nos  itens  II.2,  III.3,  III.4,  B  e  III.4.C  da  impugnação);  e  (b)  requer  ao  final  o  cancelamento  integral  do  auto  de  Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10469.725077/2011­11  Acórdão n.º 1102­000.874  S1­C1T2  Fl. 13          12 infração. De  fato,  depreende­se  da  leitura  da  peça  impugnatória  que  a  Contribuinte  sustenta  reiteradamente  que  observa  a  legislação  para  apuração  do  lucro  de  exploração  e  o  benefício  fiscal correspondente, notadamente o art. 549 do RIR/99 e o art. 62 da IN 267/2002.  Conforme  jurisprudência  pacífica  dessa  Corte,  a  ausência  de  exame  pelo  Julgador a quo de questões jurídicas e/ou documentos que tenham relação com os lançamentos  acarreta  a  nulidade  do  ato  decisório  respectivo,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa  e  contraditório. Veja­se, nesse sentido, ementa de acórdão proferido pela 2a. Turma da 3a. Câmara  (Acórdão 1302­00.668), verbis:  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  ALEGAÇÕES  E  DOCUMENTOS  TRAZIDOS  POR  MEIO  DE  PEÇA  IMPUGNATÓRIA.  ANÁLISE.  AUSÊNCIA.  NULIDADE.  A  ausência  de  análise  de  argumentos  e  documentos  trazidos  aos  autos  por  meio  de  interposição  de  peça  impugnatória  implica  nulidade  da  decisão  exarada,  eis  que  presentes  circunstâncias  reveladoras  de  cerceamento  do  direito  de  defesa.  (CARF  1a.  Seção / 2a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 1302­00.668 em  03/08/2011)  No mesmo sentido:  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  PRETERIÇÃO  DO  DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Caracterizada a preterição  do  direito  de  defesa  pela  decisão  de  primeira  instância  que  ignorou  a  ausência  nos  autos  de  elemento  de  prova  essencial  para  o  desfecho  da  lide,  comprovadamente  apresentado  pelo  contribuinte durante a ação fiscal, deve ser declarada a nulidade  da  decisão  para  que  sanado  o  vício  e  proferida  nova  decisão.  (CARF 2a. Seção / 1a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 2201­ 00.777 em 29/07/2010)  Por  tais  fundamentos,  oriento  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  voluntário  interposto  pela  Contribuinte  para  acolher  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  recorrida suscitada e, conseqüentemente, declarar a nulidade da decisão de primeiro grau para  que outra seja proferida na boa e devida forma,  restando prejudicadas as demais questões de  mérito versadas no recurso.  (assinado digitalmente)  ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO                               Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO

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