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Numero do processo: 12448.907670/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 70 /2 01 3- 10 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.030, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de agosto de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 2.871,36, originarseia de pagamento efetuado em 28/09/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 4 3 c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 12/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 5 4 d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 6 5 Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 7 6 A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 8 7 receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907670/201310 Acórdão n.º 1302002.827 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.003224/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. SIMPLES.
O valor da receita Omitida apurada em procedimento de ofício compõe a base de cálculo do SIMPLES.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeu-se de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional e na legislação do processo administrativo fiscal, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional.
SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE ESTABELECIDO.
Comprovado que a contribuinte auferiu no ano-calendário de 2002 receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 correta a sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2003.
Numero da decisão: 1401-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. SIMPLES. O valor da receita Omitida apurada em procedimento de ofício compõe a base de cálculo do SIMPLES. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional e na legislação do processo administrativo fiscal, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE ESTABELECIDO. Comprovado que a contribuinte auferiu no anocalendário de 2002 receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 correta a sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 32 24 /2 00 7- 58 Fl. 3257DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Contra a contribuinte supra identificada foram lavrados autos de infração para exigência de tributos apurados pela sistemática do SIMPLES, em decorrência de omissão de receitas apuradas, períodos de apuração do anocalendário de 2002, totalizando o valor exigido R$ 3.036.038,52 (fls. 178/218). No termo de constatação fiscal, anexo aos autos de infração, relatouse que em investigações realizadas no âmbito da “OPERAÇÃO GRANDES LAGOS” foi constatado que a pessoa jurídica, empresa que atua no ramo de frigorífico, com operações de compra de gado em pé, matança, industrialização e venda de carne e seus derivados, utilizavase de esquema de aquisição de notas fiscais “frias” fornecidas pelas pessoas jurídicas, DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO e COFERFRIGO ATC LTDA, denominadas de “noteiras” e constituídas em nome de laranjas, para assim acobertar e impedir fosse conhecido o montante de suas receitas. Para viabilizar a simulação, foram abertas contas bancárias em nome de sócio e de pessoa jurídica “noteira”, que eram movimentadas pelos sócios da autuada, mediante a utilização de procurações. Assim, a autuada fazia suas compras e vendas acobertadas pelas notas emitidas pelas citadas pessoas jurídicas e a movimentação financeira era igualmente realizada em contas bancárias abertas em nome das noteiras, porém movimentadas e sob gerência dos sócios da autuada. Para que houvesse um mínimo de regularidade no transporte dos produtos eram emitidas notas fiscais de entradas e saídas como se fossem de remessas para industrialização, em nome das citadas “noteiras”, e extraídas notas fiscais de prestação de serviços em valores suficientes apenas para cobrir despesas com telefone e com o recolhimento do SIMPLES. A receita era contabilizada como se fosse prestação de serviços de matança de gado. Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 10820.003224/200758 Acórdão n.º 1401002.512 S1C4T1 Fl. 3.258 3 Descoberto o esquema fraudulento, a fiscalização teve acesso à movimentação bancária mediante disposição judicial e após a realização de circularização junto a clientes e a fornecedores confirmouse, pelas respostas e documentos obtidos, as operações de compra e venda realizadas pela autuada e pagamentos correspondentes, com informações sobre cheques, transferências de recursos, contas bancárias envolvidas, pessoas encarregadas de compras e de vendas, veículos utilizados no transporte dos produtos, etc, de forma que ficou plenamente desvelado o esquema fraudulento e permitiuse, assim, conhecer a receita da interessada. A receita omitida foi apurada com base nas notas fiscais de simples remessa para industrialização bem como os correspondentes valores movimentados nas contas bancárias da interessada e daquelas movimentadas por procuração, conforme demonstrativo de fls. 172/175. O lançamento das competências do ano calendário de 2002 respeitou a opção da interessada pelo SIMPLES e diante da constatação de que a receita bruta extrapolou o valor legalmente estabelecido providenciouse a representação para exclusão do sistema a partir do ano seguinte. Dos valores de receitas apuradas foi excluída a receita já submetida à tributação pelo SIMPLES resultando o valor da receita omitida que foi objeto de lançamento, conforme demonstrativo de fl. 176. Constou no termo que diante do evidente intuito de fraude procedeuse a exigência da multa qualificada, no percentual de 150%, nos termos do art. 44, parágrafo 1°, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488/07. Os documentos probatórios foram organizados em quatro anexos: ANEXO I os documentos colhidos com fornecedores; ANEXO II os documentos obtidos junto aos clientes; ANEXO III os documentos bancários; e ANEXO IV com os demais documentos e elementos de provas. IMPUGNAÇÃO Intimada dos autos de infração (fls. 178/218) e do anexo termo de constatação fiscal (fls. 147/177), em 28/11/2007 (fls. 178 e 177), na pessoa de seu procurador, GALBER H. PEREIRA RODRIGUES, conforme instrumento de fl. 08, a interessada apresentou impugnação ao feito fiscal, em 27/12/2007 (fl. 228), por seu procurador, conforme instrumento de fl. 295, .alegando, em resumo (fls. 229/294): No item denominado “DOS FATOS”, que: o lançamento se norteia por indícios de fraude na compra de notas de duas pessoas jurídicas (DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO e COFERFRIGO ATC LTDA), porém a requerente jamais praticou qualquer ato jurídico visando o efeito tributário de fraude ou simulação. Sua atividade econômica consistia na prestação de serviços de abate às duas pessoas jurídicas especificadas, tudo respaldado por documentação fiscal e escrituração regular; Fl. 3259DF CARF MF 4 a atividade de abate era realizada com a utilização de funcionários das duas empresas, prática usual nas cidades do interior, razão pela qual dispunha de poucos funcionários no escritório; a condição de procurador da empresa COFERFRIGO ATC LTDA exercida pelo sócio da requerente não justifica a sua responsabilização, por não obedecer ao disposto no art. 134 e 135 do CTN, pressupostos da qual a figura de procurador não adentra a responsabilidade, muito menos da requerente pessoa jurídica, destacando ainda a inexistência de qualquer procuração no ano calendário de 2002, o que macula o presente lançamento; inexistem provas cabais de ocorrência da fraude imputada, em decorrência da inexistência de decisão judicial decretando tal ato e efeito jurídico; o lançamento por indícios, sem provas, exigindose reflexamente tributos por fatos geradores de pessoas jurídicas distintas da mesma maculam o procedimento com vício insanável que levam a sua nulidade e posterior extinção do auto de infração; No item denominado “DAS PRELIMINARES”, que: ocorreu erro na identificação do sujeito passivo visto que os fatos imponíveis relativos às obrigações exigidas são estranhos à órbita jurídica da requerente, eis que pertencem de fato às duas pessoas jurídicas já nomeadas, emitentes das notas fiscais e detentoras das receitas tributadas e das contas bancárias examinadas, pois estas apenas foram movimentadas por procuradores, o que não afasta a propriedade das citadas pessoas jurídicas; patente a ilegalidade da desconsideração de ato jurídico perfeito, por livre arbítrio do fiscal, sem qualquer decisão judicial reconhecendo a existência de fraude e flagrante a ilegitimidade de parte da requerente; o afastamento da titularidade em relação aos atos tributados deve ser realizado na via judicial, por meio de um regular processo para reconhecimento de existência de simulação nos atos perpetrados, sendo absolutamente ilegal a declaração e reconhecimento de simulação por via administrativa, conforme disposições assentes no Código Civil em vigor e no anterior; frisese que não há qualquer demonstração de fato gerador dos tributos lançados para com a requerente no ano de 2002, muito menos qualquer comprovação judicial da suposta fraude visando a omissão de receita como denunciada, o que vicia e provoca nulidade da obrigação tributaria, por inexistência de fato gerador, pela falta de pressupostos regulares ao desenvolvimento do lançamento em si; a presença de vício material no lançamento tributário de imposto e contribuições quando a requerente submetese à tributação pela sistemática do SIMPLES, pois os tributos são recolhidos num único montante, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.317/96; No item denominado “DO MÉRITO”, aduziu a requerente que: inexiste comprovação de que a requerente tenha auferido receita no ano de 2002, mesmo que por indícios; tece instrutivos comentários sobre o advento de normas antielisivas e da Lei Complementar 104/2001, sobre como a doutrina entende a aplicação de tais normas, os princípios constitucionais que a norteiam, intercalando suas considerações com pleitos pela ilegalidade da tributação imposta à requerente, concluindo pela inexistência de norma geral antielisiva e por reforçar o entendimento já expresso de que a inexistência de sentença judicial impossibilita a consideração de fraude e conseqüente desconsideração administrativa dos atos jurídicos praticados pelas partes envolvidas; Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 10820.003224/200758 Acórdão n.º 1401002.512 S1C4T1 Fl. 3.259 5 existe vedação constitucional à exigência de multa com efeito de confisco, sendo que, diante do afastamento da hipótese de fraude, resta indevida a exigência da multa de 150%. Ao final requereu: seja decretada a ilegitimidade da requerente como parte, com posterior extinção do auto de infração; ou seja decretada a extinção do auto de infração por inexistência de fato gerador, pela nulidade do procedimento; ou seja decretada sua nulidade pela inadequação do lançamento à sistemática utilizada pela requerente, que recolhe seus tributos pelo SIMPLES; ou caso seja julgado procedente o lançamento, seja afastada a exigência de multa pelo seu caráter de confisco; seja autorizada a produção de todos os meios de provas, inclusive, a intimação do signatário para sustentação oral; por fim, que todas as intimações sejam feitas em nome dos procuradores signatários da impugnação, no endereço nela indicado. Às fls. 311/312, despachos com vista ao saneamento do processo diante do disposto no Anexo III da Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 11.212, e à fl. 314, termo de juntada por anexação do Processo 10820.003426/200708, em cumprimento à disposição contida no art. 1° da Portaria RFB 666, de 24/04/2008. O referido processo trata da exclusão da interessada da sistemática do SIMPLES, a partir de 01/01/2003, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/ATA n° 35, de 30/11/2007 (fl. 410), e termos que o motivaram excesso de receita bruta em relação ao limite máximo legal (fls. 315/409), dos quais a interessada teve ciência em 05/12/2007 (fl. 412). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A interessada, por seu procurador, GALBER HENRIQUE P. RODRIGUES, conforme instrumento de fl. 469, apresentou, em 27/12/2007 (fl. 413), manifestação de inconformidade com o ato de exclusão, alegando, em resumo que (fls. 414/468): após considerações negando autoria de qualquer procedimento fraudulento, alega em preliminar a nulidade do ato de exclusão pela falta de pressupostos básicos de validade, pois a acusação do fisco sobre o montante de receita que teria sido auferida pela interessada encontrase em sede de recurso administrativo, portanto suspensa e não haveria como adotarse uma medida radical de exclusão do simples sem uma manifestação definitiva de sua validade. Na preliminar seguinte, sobre a ilegitimidade de parte, segue o mesmo raciocínio de sua impugnação anteriormente exposta, para novamente conclamar pela nulidade do feito; no item sobre o mérito, expõe de forma brilhante sobre princípios e regras gerais sobre aplicação de norma tributária particularmente sobre desconsideração de atos jurídicos, cujo conteúdo básico repete a impugnação já tratada, para ao final afirmar a Fl. 3261DF CARF MF 6 inexistência de decisão judicial sobre ocorrência de simulação ou fraude, pressuposto equivocado do procedimento fiscal, que o inviabiliza. Ao final requereu: seja decretada a nulidade do ato de exclusão do simples, sob o argumento de que o excedente de receita encontrase pendente de apreciação; decretar a ilegitimidade de parte da requerente, com posterior extinção do ato declaratório, em decorrência da ilegalidade da desconsideração de ato jurídico perfeito, sem decisão judicial; ou decretar a anulação do ato em razão da violação dos princípios constitucionais tributários, pela utilização de receita bruta e faturamento de terceiros como razão de decidir; autorizar a produção de novas provas e intimação para sustentação oral; e que as intimações sejam enviadas para o endereço do procurador. Quando do julgamento pela DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. SIMPLES. O valor da receita Omitida apurada em procedimento de ofício compõe a base de cálculo do SIMPLES. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de oficio qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional e na legislação do processo administrativo fiscal, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 10820.003224/200758 Acórdão n.º 1401002.512 S1C4T1 Fl. 3.260 7 SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE ESTABELECIDO. Comprovado que a contribuinte auferiu no anocalendário de 2002 receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 correta a sua exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2003. Lançamento Procedente Inconformada a contribuinte interpôs recurso voluntário expondo exatamente as mesmas razões das impugnações anteriormente interpostas. Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, dele devendose conhecer. Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto invoca as mesmas razões da Impugnação, aplico o Regimento Interno desse Conselho, art. 57, § 3º, nos seguintes termos abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, adoto as razões decididas em primeira instância, conforme abaixo: No caso, tratase de situação desvelada no curso da chamada “Operação Grandes Lagos” que permitiu identificar esquemas de sonegação fiscal mediante a constituição de empresas em nome de interpostas pessoas, compras e vendas de documentos fiscais, utilização de contas bancárias em nome de terceiros e movimentadas por procuração, etc. A autuada utilizavase de documentação fiscal adquirida de pessoas jurídicas constituídas para tal fim em nome de “laranjas” e denominadas, por isso, de “noteiras”, as já identificadas DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA e COFERFRIGO ATC LTDA. As notas de compra e venda eram adquiridas dessas pessoas jurídicas para dar cobertura à comercialização do gado em pé e dos produtos resultantes do abate. Para encobrir as operações comerciais a autuada adquiria notas fiscais das noteiras e simulava ser uma mera prestadora de serviços, para o que emitia nota fiscal para simples Fl. 3263DF CARF MF 8 acompanhamento de produtos destinados a industrialização ou já industrializados, em nome das “noterias”, e mensalmente emitia notas fiscais de serviços para dar conotação de simples prestação de serviços, todos estes documentos escriturados regularmente. A movimentação financeira era controlada pelo sócio da autuada e para isso utilizava conta da empresa, conta em nome de parente do sócio e em nome de empresa noteiras, todas movimentadas pelos sócios da autuada mediante procuração. Tais fatos revelados inicialmente em declarações colhidas junto a participantes dos esquemas de fraudes, Termos de Declaração às fls. 196/202, do anexo IV dos autos, volume 01, foram confirmados com a disponibilização judicial do sigilo bancário e conseqüente exame da movimentação financeira, realizada em nome próprio ou em nome de terceiros e movimentadas via procurações, tudo constituindo o anexo III dos autos, foram confirmadas com circularização junto a adquirentes dos produtos industrializados da autuada, documentação e declarações informando as pessoas envolvidas nas transações, no caso sócio e funcionários da autuada, sobre os pagamentos realizados, seja em dinheiro, via transferências bancárias, seja por cheques ou outras formas mas, sempre, com os sócios e funcionários da autuada, com a informação dos veículos em que era realizada a entrega da mercadoria, sempre de propriedade de sócios da autuada, todos constituindo o anexo II dos autos, confirmadas por circularização junto a fornecedores e cópias de documentos por eles disponibilizadas, informando que as aquisições eram destinadas à autuada e realizadas pelos sócios e funcionários da autuada, que o local de entrega era o estabelecimento em questão e que os pagamentos eram feitos, sempre, pelas mesmas pessoas, com recursos oriundos das citadas contas bancárias, quando identificada a movimentação financeira, tudo constituindo o anexo I dos autos. Os valores da movimentação financeira são compatíveis com as operações de compra e venda para as quais foram adquiridas notas fiscais das pessoas jurídicas “noteiras” e registradas indevidamente como se fossem remessa de produtos para industrialização e retorno de industrialização, não restando nenhuma dúvida quanto à simulação que visava encobrir o verdadeiro beneficiário das operações, no caso, a autuada. Tais fatos são claros e precisos à toda evidência e não foram desconstituídos em sua validade probante. Limitouse a defesa a expor seu entendimento sobre teses doutrinárias e aspectos relacionados aos princípios constitucionais tributários voltados ao legislador, entretanto, atuando na esfera administrativa, a fiscalização deve restringirse à norma positivada, em confronto à verdade dos fatos desvelados no curso da investigação fiscal, que uma vez revelados implicam nas hipóteses legais de incidência tributária. Não se trata de desconstituir negócio jurídico perfeito e acabado, mas de revelarse a real natureza das operações realizadas e seu alcance no campo da tributação. A documentação de emissão da autuada e de terceiros, as declarações obtidas juntos aos intervenientes, a falta de respostas da autuada no sentido de esclarecer o verdadeiro sentido das operações, em conjunto com o fluxo financeiro é que revelam a dimensão da receita omitida à tributação e possível de ser conhecida pelos documentos examinados. Quanto à tese de que os documentos que informam a simulação referiremse somente aos anos calendários 2005 não podem servir de base para o lançamento referente ao ano calendário de 2002, também, não se sustenta. É verdadeiro que os documentos obtidos da circularização junto a clientes e fornecedores, dizem respeito, primordialmente, a datas próximas à da investigação. Entretanto, pelas declarações obtidos junto aos funcionários e pessoas utilizadas como “laranjas”, pela repetição do comportamento fraudulento desde o início do citado anocalendário, pela existência da documentação resultante das operações realizadas, embora simuladas, informando a movimentação comercial e principalmente, pela Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 10820.003224/200758 Acórdão n.º 1401002.512 S1C4T1 Fl. 3.261 9 existência de movimentação financeira coincidente aos fatos, permitem claramente concluir pela presença da fraude desde o início do período fiscalizado e que serviu de base para o lançamento presente, vez que os anos calendários supervenientes serão objeto de lançamento posterior à exclusão do SIMPLES. Por último, a alegação de que o lançamento discriminado dos tributos fere a sistemática do recolhimento unificado do SIMPLES, não se sustenta pelo fato de que os valores de cada tributo foram calculados respeitandose os percentuais individualizados em lei e, no seu conjunto, representam exatamente o valor do recolhimento unificado previsto na legislação. Outrossim, diferentemente do recolhimento a ser efetuado pelo contribuinte, motivado pela simplificação, no lançamento de oficio a exigência se realiza em função dos tributos originais, não representando nenhum prejuízo à interessada. DA MULTA QUALIFICADA. A multa aplicada, no percentual de 150%, decorre da previsão contida no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 com alterações posteriores para os casos de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tais dispositivos da Lei n° 4.502/1964, estabelecem: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como visto, qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos artigos transcritos. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que se enquadre em qualquer um dos tipos definidos na citada lei. De acordo com De Plácido e Silva, em “Vocabulário Jurídico”, Editora Forense, o vocábulo “fraudar”, derivado do latim ƒraudare (fazer agravo, prejudicar com fraude), além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o Fl. 3265DF CARF MF 10 sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação: fraudar o Fisco. E, assim, quer dizer sonegar. Conforme lição de Hugo de Brito Machado, in “Revista Dialética de Direito Tributário”, n° 38, a fraude somente se configura pelas incorreções ou inexatidões atinentes aos fatos, sendo irrelevantes quaisquer incorreções ou inexatidões cometidas pelo sujeito passivo inerentes ao significado jurídico destes. Esclarece o renomado autor que não configura declaração falsa aquela que, envolvendo de alguma forma o significado jurídico de um fato, atribua a este fato um significado diverso daquele que lhe atribui a autoridade da administração tributária. Em consonância com o que consta do termo de verificação e dos documentos acostados ao processo, achase caracterizada sua intenção de ocultar o real valor da receita auferida, atos praticados reiteradamente pela autuada que demonstram o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, obtendo como resultado a redução do montante do tributo devido, materializando as hipóteses previstas no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. Discutível seria o caso se estivéssemos diante de uma operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente; neste caso, poderseia concluir pela ocorrência de um erro eventual, de ordem meramente material, passível de ser tributado sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas não é o caso, a planilha de verificação elaborada pela fiscalização não deixa dúvida quanto ao comportamento repetido, com características de intencionalidade, no sentido de apresentar ao Fisco Federal informações que cobriam real valor de suas receitas brutas. Ademais, configura a situação de intencionalidade prevista em Lei, o conjunto de fatos e ações praticadas pelos diversos envolvidos e exaustivamente examinadas ao longo do termo de constatação, em relação aos quais a interessada não alcançou êxito em afastar. Ficou ali demonstrada a existência de uma organização de pessoas, voltada a desenvolver ações coerentes e concatenadas com o objetivo de afastar o pagamento de tributos, impedir o conhecimento da real dimensão dos negócios efetuados, de forma a beneficiar o patrimônio pessoal dos sócios. Diante dos fartos documentos e do conjunto de depoimentos colocados a exame, a manifestação nos autos não produziu prova ou informações que pudesse desconstituir a conclusão fiscal. Nesse sentido, o ato de subtrair sistematicamente informações à RFB, com vistas a impedir o conhecimento do montante de sua receita bruta, sem sombras de dúvidas, configura o vidente intuito de fraude. O elemento subjetivo da conduta adotada pela empresa é o dolo genérico, que se apresenta como a vontade consciente e livre de omitir a informação, ou de prestála de forma adulterada, vale dizer, falsa, não verdadeira. Além do dolo genérico, no presente caso também se verificou o dolo específico, caracterizado pela vontade voltada à redução do tributo devidos. O comportamento que evidencia as hipóteses previstas em lei foi descrito pela autoridade fiscal e fartamente documentado nos autos, restando evidente a tentativa de impedir o conhecimento pelas autoridades fiscais do montante da receita da autuada, mediante a utilização de notas compradas junto a outras pessoas jurídicas, empresas aberta em nome de “laranjas”, movimentação de conta bancária mediante procuração. A alegação de inconstitucionalidade da taxa de 150% não pode ser ofertada à apreciação administrativa, vez que se trata de taxa prevista em legislação regularmente posta Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 10820.003224/200758 Acórdão n.º 1401002.512 S1C4T1 Fl. 3.262 11 no ordenamento jurídico nacional, não restando outra alternativa à autoridade administrativa que não seja o seu cumprimento. Portanto, não há reparos ao procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada de 150% sobre o crédito tributário apurado. Exclusão do SIMPLES Conforme se depreende do relatório, a contribuinte foi autuada, relativamente ao anocalendário de 2002, em virtude de omissão de receita a qual somada à receita declarada totalizou um montante superior ao limite de R$ 1.200.000,00, fato previamente analisado, razão pela qual foi excluída, mediante Ato Declaratório de exclusão, com efeitos a partir de 01/01/2003. Preliminarmente, a contribuinte insurge contra o Ato Declaratório alegando nulidade do mesmo ao argumento de que o procedimento fiscal que deu causa à exclusão estaria sendo discutido em sede de recurso. Ora, o fato do procedimento fiscal que apurou a omissão de receita estar ainda pendente de julgamento não é causa de nulidade do ato declaratório e sequer constitui impedimento a apreciação da exclusão do Simples, pois o recurso interposto naquele caso não implica efeito suspensivo no presente. Com relação à data a partir da qual operamse os efeitos da exclusão, esta se encontra explicitada no Ato Declaratório, qual seja, a partir de 01/01/2003, consoante dispõe o art. 15, IV, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996, verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos 1 e II do art. 9°; Verificase, pois, que o fundamento legal para a exclusão da contribuinte é exatamente aquele vigente desde a edição da Lei n° 9.317, de 1996. O ato administrativo que formalizou a exclusão do Simples, tem como função a declaração das infrações cometidas e o termo inicial da exclusão. Tal questão encontrase devidamente pacificada pelo STJ em recurso repetitivo: TEMA 341 DO STJ EMENTA 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, Fl. 3267DF CARF MF 12 com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão.[...] 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (REsp 1124507 MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Conclusão Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimentos ao recurso voluntário, mantendo a autuação na totalidade, bem como julgar também improcedente o recurso interposto quanto à exclusão do SIMPLES. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 10820.003224/200758 Acórdão n.º 1401002.512 S1C4T1 Fl. 3.263 13 Fl. 3269DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.961837/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 18 37 /2 00 8- 88 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.961837/200888 Acórdão n.º 1301003.156 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10880.961837/200888 Acórdão n.º 1301003.156 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10880.961837/200888 Acórdão n.º 1301003.156 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10880.961837/200888 Acórdão n.º 1301003.156 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10880.961837/200888 Acórdão n.º 1301003.156 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10880.961837/200888 Acórdão n.º 1301003.156 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910092/2009-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 92 /2 00 9- 56 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.910092/200956 Acórdão n.º 9303007.168 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.440, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial não deve ser conhecido. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10920.910092/200956 Acórdão n.º 9303007.168 CSRFT3 Fl. 4 3 A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10920.910092/200956 Acórdão n.º 9303007.168 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10920.910092/200956 Acórdão n.º 9303007.168 CSRFT3 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721264/2012-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-09T14:05:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-09T14:05:10Z; Last-Modified: 2018-07-09T14:05:10Z; dcterms:modified: 2018-07-09T14:05:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:2b1002d8-f4b3-4340-99dd-d338c1579e3e; Last-Save-Date: 2018-07-09T14:05:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-09T14:05:10Z; meta:save-date: 2018-07-09T14:05:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-09T14:05:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-09T14:05:10Z; created: 2018-07-09T14:05:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-09T14:05:10Z; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-09T14:05:10Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.721264/201271 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.812 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TECHINT ENGENHARIA E CONSTRUCAO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 64 /2 01 2- 71 Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 19515.721264/201271 Acórdão n.º 9202006.812 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2059DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.720069/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2011
CONTRATO DE AFRETAMENTO. DESCARACTERIZAÇÃO. CONTRATO DE SERVIÇO TÉCNICO PRESTADO POR RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. INAPLICABILIDADE DA ALÍQUOTA ZERO.
Inaplicável o benefício da alíquota zero quando o contrato de afretamento é descaracterizado por se configurar em essência como contrato de prestação de serviço técnico especializado.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DO VENCIMENTO CONTRATUAL. POSSIBILIDADE.
Ocorrido o vencimento da obrigação contratual, os rendimentos passam a ser devidos, e, por consequência se torna devido o imposto de renda na fonte.
Numero da decisão: 2202-004.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a acolhiam. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rosy Adriane Silva Dias - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2011 CONTRATO DE AFRETAMENTO. DESCARACTERIZAÇÃO. CONTRATO DE SERVIÇO TÉCNICO PRESTADO POR RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. INAPLICABILIDADE DA ALÍQUOTA ZERO. Inaplicável o benefício da alíquota zero quando o contrato de afretamento é descaracterizado por se configurar em essência como contrato de prestação de serviço técnico especializado. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DO VENCIMENTO CONTRATUAL. POSSIBILIDADE. Ocorrido o vencimento da obrigação contratual, os rendimentos passam a ser devidos, e, por consequência se torna devido o imposto de renda na fonte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a acolhiam. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane Silva Dias - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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DESCARACTERIZAÇÃO. CONTRATO DE SERVIÇO TÉCNICO PRESTADO POR RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. INAPLICABILIDADE DA ALÍQUOTA ZERO. Inaplicável o benefício da alíquota zero quando o contrato de afretamento é descaracterizado por se configurar em essência como contrato de prestação de serviço técnico especializado. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DO VENCIMENTO CONTRATUAL. POSSIBILIDADE. Ocorrido o vencimento da obrigação contratual, os rendimentos passam a ser devidos, e, por consequência se torna devido o imposto de renda na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que a acolhiam. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 00 69 /2 01 5- 32 Fl. 773DF CARF MF 2 Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. (Assinado digitalmente) Rosy Adriane Silva Dias Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de autuação por não ter o Recorrente realizado a retenção e recolhimento do Imposto de Renda na fonte IRRF sobre obrigações registradas contabilmente no anocalendário de 2011 em favor de empresas no exterior. Foi lançado o valor total de R$ 24.670.032,71 (incluindo multa de ofício e juros de mora). De acordo com a Fiscalização, os lançamentos contábeis relativos aos contratos firmados com as empresas PGS Exploration UK Ltda (afretamento de embarcação), PGS Data Processig Inc (serviços de processamento de dados sísmicos) e Petroleum GeoServices ASA (serviços de gestão de negócios) estariam sujeitos à incidência do IRRF, à alíquota de 15% . Inconformada a Recorrente apresentou a Impugnação de fls. 272/334 na qual alegou, essencialmente que: a) não caberia incidência de IRRF sobre pagamentos de afretamento ao exterior, por não configurarem serviço havendo previsão expressa de alíquota zero de IRRF em relação a tal espécie de contrato; e b) em relação ao IRRF exigido sobre serviços, o mero lançamento contábil não configuraria fato gerador do Imposto; c) subsidiariamente, ainda que se admitisse a incidência do IRRF sobre o mero lançamento contábil deveria ser levado em conta o pagamento realizado pela Recorrente quando da efetiva remessa do pagamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu parcial provimento à Impugnação, cancelando apenas a parcela da autuação relativa à cobrança de IRRF sobre os valores devidos à empresa localizada na Noruega, por reconhecer a aplicação do Tratado assinado pelo Brasil com o referido país para evitar a dupla tributação da renda. Segue abaixo a ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 CONTRATO DE AFRETAMENTO. DESCARACTERIZAÇÃO. CONTRATO DE SERVIÇO TÉCNICO PRESTADO POR Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 767 3 RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. INAPLICABILIDADE DA ALÍQUOTA ZERO PREVISTA NO ART. 1º DA LEI Nº 9.481/1997 A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero em relação a receita de afretamentos. Descaracterizado o contrato de afretamento por configurarse na essência como contrato de prestação de serviço técnico, tornase descabida a aplicação do benefício da alíquota zero. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, os rendimentos de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. FATO GERADOR. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO TÉCNICO POR RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. CRÉDITO CONTÁBIL. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto de renda na fonte no momento da prestação de serviços técnicos realizados por residentes ou domiciliados no exterior, ocasião em que o tomador dos serviços reconhece contabilmente a obrigação contraída, configurandose a aquisição da disponibilidade jurídica da renda por parte do beneficiário. O crédito contábil tem por finalidade o registro de um evento econômico que ensejou o fato gerador do tributo, e constitui meio de prova do fato tributável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 ACORDOS OU CONVENÇÕES CELEBRADOS PELO BRASIL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DA RENDA. ABRANGÊNCIA DOCONCEITO DE “LUCROS DAS EMPRESAS” NO CONTEXTO DO PROTOCOLO. O tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica residente no exterior, pela prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil, será aquele previsto no respectivo acordo ou convenção no artigo que trata de lucros das empresas, salvo se o artigo que trata de royalties contiver a Fl. 775DF CARF MF 4 previsão de que os serviços técnicos e de assistência técnica receberam igual tratamento. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 626/689 no qual reitera as alegações constantes da Impugnação. Alega, em particular, que a decisão recorrida é nula uma vez que inovou a fundamentação constante do lançamento o que representaria ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao Recurso Voluntário (fls. 695/714) na qual reitera as alegações constantes da decisão recorrida. Por fim, a Recorrente apresenta petição com alegações finais (fls. 717/755) na qual procura contestar as alegações constantes das contrarazões apresentada pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A solução da lide depende da resposta à duas questões. A primeira referese à possibilidade ou não de incidência de IRRF sobre afretamento de embarcações. A segunda é relativa a impossibilidade de exigência de IRRF no momento dos lançamentos contábeis de obrigações assumidas no exterior em razão da incorrência do fato gerador. 1 PRELIMINAR INOVAÇÃO DO DE FUNDAMENTO JURÍDICO DA AUTUAÇÃO Preliminarmente, a Recorrente alega nulidade do Acórdão Recorrido, uma vez que o fundamento utilizado pela decisão de primeira instância não consta do trabalho fiscal. Conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito, a decisão recorrida entendeu inaplicável o posicionamento da Delegacia da Receita Federal e do CARF, no sentido de que o fato da embarcação objeto do contrato analisado nestes autos não realizar transporte de cargas ou passageiros não descaracterizaria o contrato de afretamento, pelo seguinte motivo: A impugnante traz em sua defesa o processo nº 18470.723924/201259, que trata de Auto de Infração de IRRF lavrado contra a própria PGS do Brasil, no qual foram efetuados lançamentos tributários sobre aluguéis pagos a empresas localizadas no exterior por plataformas utilizadas pelo interessado no ano de 2008. No caso, a fiscalização entendeu que o navio de pesquisa era na verdade uma plataforma e concluiu que os pagamentos a título de aluguel não se enquadrariam na hipótese de alíquota zero, prevista no art. 1º da Lei nº 9.481/1997, haja vista que o conceito de afretamento está ligado a locação de navio ou embarcação para transporte Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 768 5 de carga ou de pessoa de um lugar para outro, e não para o levantamento de dados sísmicos. No referido processo foram analisados contratos de afretamento de embarcação com as empresas PGS GEOPHYSICAL AS e PGS UK, sendo que um dos contratos, relativo à PGS UK, é o mesmo contrato tratado no presente processo. Em sede de recurso, através do acórdão nº 1248.143, a 1ª Turma desta Delegacia de Julgamento, por maioria de votos, exonerou o lançamento por entender que navio de pesquisa não estaria excluído do conceito de embarcação, e, mesmo considerando a Lei nº 9.537/1997, utilizada pela fiscalização para definir tal conceito, concluiu que esta norma legal não excluiu o navio de pesquisa desta definição, tendo em vista que ele se locomove na água, transporta pessoas ou cargas, ainda que seja uma função acessória (fls. 452458) . O processo foi encaminhado ao CARF para o julgamento do recurso de ofício, o qual teve provimento negado. Na decisão, a 2ª Turma da 2ª Câmara do Conselho concluiu que a destinação para o transporte de pessoas ou cargas não constitui elemento essencial para o enquadramento das plataformas móveis no conceito de embarcação, impondose, assim, o reconhecimento da subsunção destas na alíquota zero do IRRF prevista no art. 1º da Lei nº 9.481/97 (fls. 500512). Foi interposto recurso especial pela PGFN, porém, por maioria de votos, não se conheceu do recurso em virtude da distinção existente entre os fatos analisados nas decisões recorrida e paradigma, inexistindo, assim, a necessária similitude para a comprovação da divergência (fls. 513520). Embora as decisões da 1ª e 2ª instâncias administrativas tenham sido favoráveis ao contribuinte, cabe dizer que em tal processo, o que se discutia era, em síntese, se plataformas são embarcações para benefício de alíquota zero. No presente caso, apesar de a fiscalização ter tocado no ponto sobre a necessidade de transporte de mercadorias e/ou passageiros para que a embarcação pudesse ser considerada objeto de afretamento, o motivo que, de fato, levou a autoridade fiscal a lavrar o Auto de Infração, foi a constatação de que houve prestação de serviço técnico especializado, claramente previsto no contrato e nas explicações apresentadas pela fiscalizada. Portanto, ainda que o contrato comercial seja o mesmo, verificase que o motivo que respaldou a constituição do crédito tributário ora em análise distinguese daquele contido processo nº 18470.723924/201259. (grifamos) No entanto, ao analisar do Termo de Verificação Fiscal de fls. 238, fica claro que a fundamentação que suportou o trabalho fiscal foi o fato de que o afretamento de embarcação não pode ser entendido como contrato de afretamento para fins do benefício fiscal Fl. 777DF CARF MF 6 previsto no art. 1º da Lei nº 9.481/1997, uma vez que não houve transporte de carga ou passageiro, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito: "(...) Além do mais, a obtenção dos citados dados sísmicos sem que se utilize de uma embarcação seria uma ação impossível, pois aquela está apenas sendo empregado como instrumento indispensável para se atingir o fim a que se destina o contrato, qual seja, obtenção de dados sísmicos. Por fim reproduzimos a definição de Fretamento, conforme descrito no Dicionário de Termos Náuticos, Marítimos e Portuários, de Abinel Moraes Leal: Fretamento contrato pelo qual alguém, mediante preço ajustado, se obriga a trasnportar numa embargcação de um ponto a outro ponto, mercadorias e coisas alheias. Afretamento. O instrumento de contrato é denominado carta partida, apresentando as seguintes características: locação total ou parcial de um navio ou qualquer outra embarcação, ou veículo de transporte de mercadorias e passageiros, de um para outro lugar mediante preço ajustado". Portanto, diante de toda a explanação acima, estritamente relacionada com ao (sic) "Afretamento de embarcação", fica evidente que a fiscalizada utilizou a expressão afretamento de forma distorcida, visto que no caso em tela não houve transporte de carga ou passageiro e sim prestação de serviço técnico especializado conforme exaustiva e amplamente relatado. (grifos no original) Delimitada a fundamentação utilizada pela Autoridade Fiscal, fica clara a inovação promovida pela Delegacia Regional de Julgamento ao apontar que o motivo que, de fato, levou a autoridade fiscal a lavrar o Auto de Infração, foi a constatação de que houve prestação de serviço técnico especializado o que lhe é vedado, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na decisão abaixo transcrita: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA EXIGÊNCIA FISCAL. Deve ser decretada a insubsistência do lançamento fiscal quando as autoridades julgadoras, constatando que a exigência encontrase escorada em premissa equivocada, determinam a manutenção do débito fundamentando seu entendimento em critério jurídico diverso do utilizado por ocasião da lavratura da notificação fiscal, sob pena de malferir o disposto no artigo 146 do Código Tributário Nacional. Uma vez constatada a incorreção no fundamento utilizado pela autoridade lançadora ao promover o lançamentodeve ser declarada a improcedência do feito, sendo defeso ao Fisco e/ou julgador mantêlo a partir de novos critérios jurídicos lançados no curso do processo administrativo fiscal (grifamos) (Acórdão nº 9202003.196; sessão de 07/05/2014; Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 769 7 No entanto, de acordo com o § 3ºdo artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta." 2) MÉRITO Conforme reconhecido pela própria decisão recorrida, tanto a Delegacia da Receita Federal de Julgamento quanto o CARF, não corroboram a conclusão do trabalho fiscal no sentido de que a ausência de transporte de carga ou passageiros descaracterizaria o contrato de afretamento. É o que se verifica pela decisão abaixo transcrita no processo nº 18470.723924/201259 relativo ao mesmo contrato analisado nos presentes autos ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2008 REMESSAS PARA O EXTERIOR. BENEFÍCIO FISCAL. Não restando provado que o contribuinte não fazia jus ao benefício da alíquota zero, posto que os navios de pesquisa não estão excluídos do conceito de embarcação, deve ser cancelado o lançamento De todo modo, ainda que se admitisse o raciocínio utilizado pela decisão recorrida no sentido de que se trata de serviço técnico, cuja prestação demandaria o aluguel de bem, a conclusão no sentido de que haveria apenas prestação de serviço é improcedente. Isso porque a possibilidade de se realizar afretamentos juntamente com prestações de serviço foi reconhecida, posteriormente, pelo legislador federal na Lei n 13.043, de 13.11.2014 que acrescentou, por meio de seu artigo106, diversos parágrafos ao artigo 1º da Lei 9.481/97, nesses termos: "Art. 1 A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovadas pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêiners, sobrestadia e outros relativos ao use de serviço de instalações portuárias; (...) §2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento e aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento de aluguel não poderá ser superior a: Fl. 779DF CARF MF 8 I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistemas do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. §3ª Para cálculo dos percentuais previstos no §2º, o contrato celebrado em moeda estrangeira deverá ser convertido para Real à taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda pelo Banco Central do Brasil, §4ª Em caso de repactuação ou reajuste dos valores de quaisquer dos contratos, as novas condições deverão ser consideradas para fins de verificação do enquadramento das remessas de afretamento nos limites previstos no §2º. §5ª Para fins de enquadramento das remessas de afretamento nos limites previstos no §2ª, deverá ser considerado o efeito da variação cambial. §6º A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no §2ª sujeitase à incidência do imposto de renda retido na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento) quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §7ª Para efeitos do disposto no §2º, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora de serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária de ativos arrendados ou locados. §8º O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o §2º. (grifamos) O legislador federal estabeleceu, por presunção, quais seriam os valores que poderiam ser imputados à título de afretamento. Para simplificar a apuração da prova dos valores envolvidos, o legislador imputou os limites acima estabelecidos. Assim, deixou claro que, ultrapassados esses limites, o ônus da prova da não ocorrência do fato gerador passa a ser do contribuinte. Sendo assim, a contrario sensu, estabeleceu que, até esses limites, o contribuinte está dispensado de provar o valor pago a título de afretamento de embarcações. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 770 9 há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) O que se constata, portanto, é que os montantes estabelecidos pelo legislador fazem prova a favor do contribuinte até os limites por ele estabelecidos. Como se trata de presunção, esses limites tem que tomar como parâmetro fatos conhecidos e comprovadamente existentes. Além disso, deve haver correlação lógica entre o fato conhecido e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador). Em outras palavras, a presunção estabelecida pela lei tem que tomar como base o que usualmente ocorre nessas contratações, pois, do contrário, teria sido estabelecida uma ficção. Dessa forma, mesmo que prevaleça o entendimento da fiscalização no sentido de que foi feito um único contrato artificialmente bipartido para gerar economia tributária, era fundamental que tivesse sido feito o arbitramento dos valores pagos a título de afretamento (art. 148 do CTN). Dessa forma, a incidência do IRRF não poderia ser feita tomando como base de cálculo 100% dos valores remetidos ao exterior, mas apenas sobre os percentuais praticados pela Recorrente e aqueles estabelecidos na lei. Além disso, é importante ressaltar que a própria Coordenação Geral de Tributação COSIT se pronunciou sobre a legalidade da operação realizada pela Recorrente na Solução de Consulta nº 225, de 19/08/2014, nestes termos: Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte Ementa: AFRETAMENTO DE NAVIOS SONDA POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF SOBRE OS VALORES REMETIDOS AO EXTERIOR O pagamento, crédito ou emprego da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está sujeito ao IRRF. Dispositivos legais: inciso I, do artigo 1º da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, inciso I do artigo 691 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/1999) e art. 2º da Instrução Normativa nº 1.455, de 06 de março de 2014. (...) Fl. 781DF CARF MF 10 14. O centro da questão é a forma de contratação dos referidos navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois contratos distintos: (i) contrato de afretamento; e (ii) contrato de prestação de serviço. O primeiro contrato será efetuado entre a consulente , que é uma empresa domiciliada no exterior, e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo de gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e uma empresa operadora brasileira. 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. (...) Conclusão Com base no exposto, concluise: (...) 23. As empresas são livres para administrar os seus negócios e para contratar da forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta, pois tem como limite a observância das leis. 24. Respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estando sujeita à alíquota zero do IRRF (grifamos) A partir da entrada em vigor da Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013, as soluções de Consulta Cosit e as Soluções de divergência passaram a ter efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil. É o que dispõe o seu artigo 9º: "Art. 9º A solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, tem efeitos vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar , independente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangidas, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique o seu efetivo enquadramento."(grifamos) Verificase, assim, que, a partir de 19/08/2014 (data da publicação da Solução de Consulta nº 225), a fiscalização não poderá promover autuações sobre as operações objeto do presente processo, desde que observados os limites legais. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 771 11 Todavia, cumpre verificar se tal entendimento deveria ser aplicado a hipótese dos autos, uma vez que este se refere à fatos geradores ocorridos em 2010. De acordo com o disposto no artigo 106, inciso II, alínea "a" a resposta é afirmativa. Vejase: "Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito I (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definílo como infração" (grifamos) Assim, o CTN prevê que, desde que o ato não tenha sido definitivamente julgado (como é a hipótese dos autos), a lei deverá ser retroativamente aplicada. É exatamente por isso que o artigo 17 da Instrução Normativa nº 1396 de 2013, traz a seguinte determinação: Art. 17. Na hipótese de alteração do entendimento expresso em Solução de Consulta sobre interpretação da legislação tributária e aduaneira, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrem depois da sua publicação na Imprensa Oficial ou depois da ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável. Caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. (grifamos) Em face de todo exposto, mesmo que se admita a inovação da motivação do lançamento trazida pela decisão recorrida, não há que se falar em incidência do IRRF no caso dos autos. 2) DA EXIGÊNCIA DE IRRF SOBRE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS Além da impossibilidade de incidência do IRRF sobre os contratos de afretamento, é importante que se analise em qual momento ocorre o fato gerador do IR nas hipóteses de remessa para o exterior. Isso porque, em relação aos demais contratos (serviço de processamento de dados sísmicos e serviços de gestão de negócios) a fiscalização utilizou como apecto temporal a contabilização das obrigações no anocalendário de 2011. De acordo com a recorrente o momento da ocorrência do fato gerador seria : (i) o pagamento; (ii) o crédito: (iii) a entrega: (iv) o emprego: ou (v) a remessa, ao exterior, de importâncias a título de royalties ou serviços técnicos e de assistência técnica, conforme determinado pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.15970. Deste modo, a ocorrência do fato se daria no momento da efetiva disponibilização econômica dos rendimentos ao beneficiário no exterior, isto é, o desembolso financeiro em favor do beneficiário nãoresidente. A decisão recorrida negou provimento ao pleito da contribuinte por entender que o sistema tributário nacional fixou o regime de competência como regra geral para apuração dos resultados da empresa. É o que constata do trecho abaixo trasncrito: Discordo. O fato gerador ocorre no momento em que os serviços técnicos são prestados e, conseqüentemente, o contribuinte reconhece contabilmente a obrigação contraída de pagar por estes serviços, isto é, um crédito a favor do prestador de serviço. Fl. 783DF CARF MF 12 Pois nesse momento ocorre a aquisição da disponibilidade jurídica da renda por seus titulares, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Isto pois, o Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. Pelo primeiro, há o reconhecimento simultâneo das receitas e das despesas realizadas, como conseqüência natural do princípio da competência do exercício, considerandose realizadas as receitas e incorridas as despesas no momento da fruição dos serviços prestados, independentemente do recebimento do valor correspondente. Nesse contexto, verificase que as mutações patrimoniais decorrem de relações jurídicas integrantes do ativo ou do passivo da pessoa jurídica, representativas, respectivamente, de direitos ou de obrigações para com terceiros. Ocorrem, pois, quando o prestador realiza o serviço, passando, então, a ter jus ao recebimento da contraprestação pecuniária. Esse evento deve ser vertido em linguagem competente, registrado o direito de crédito que o prestador do serviço passa a deter em face do tomador, bem como a obrigação contraída por parte do tomador. Frisese que este é o momento em que nasce a relação jurídica, juntamente com a ocorrência do fato jurídico tributário. Entendo corretas as alegações do Recorrente. Como afirmou a própria decisão recorrida o regime de competência é a regra geral na apuração dos resultados da empresa o que significa que ele admite exceções. E uma dessas exceções é exatamente a incidência do IRRF nas remessas para o exterior. Sendo assim, não faz sentido afirmar que o mero crédito contábil poderia se considerado fato gerador do IRRF. Se assim fosse, não haveria necessidade da legislação empregar as expressões "pagamento", "emprego", "remessa" e "entrega", pois em todas essas situações ocorrem conjuntamente ou são precedidos de lançamentos contábeis. Dessa forma, se a legislação mencionou como fatos geradores "pagamento", "emprego", "remessa" e "entrega" não faz sentido dizer que o mero crédito contábil poderia gerar incidência. Além disso, ao contrário do que ocorre na apuração da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, no caso dos não residentes, não há apuração de resultados com base em receitas e despesas e sim a tributação isolada do rendimento. Por esse motivo o legislador entendeu por bem equiparar o regime jurídico ao da pessoa física, ou seja, adotou o regime de caixa. O CARF já se manisfestou, diversas vezes, no sentido de que o mero lançamento contábil de uma obrigação não constitui fato gerador do IRRF, conforme se verifica pelas decisões abaixo transcritas: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE CRÉDITO CONTÁBIL DE JUROS BENEFICIÁRIOS DOMICILIADOS NO EXTERIOR AUSÊNCIA DE REMESSA EFETIVA DOS NUMERÁRIOS. Não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista no artigo 777 do RIR/94 (Decretolei n° 1.041/94), quando não restar comprovada a efetiva remessa dos numerários para o exterior, mas tãosomente o crédito contábil, Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 772 13 pelo regime de competência, dos juros contratados. Neste caso, não se verifica a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para a empresa sediada no exterior. (Acórdão nº 3301000.098, 1ª TO, 3ª Câmara da 3ª Seção, Sessão de 01/06/2009) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE CRÉDITO CONTÁBIL RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR NECESSIDADE DA EFETIVA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DO RENDIMENTO INOCORRÊNCIA Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no país, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhados. Fica prejudicada a hipótese de incidência não se verificando a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. O mero registro contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. (Acórdão nº 10617.142, 6ª Câmara , 1º Conselho de Contribuinte, 01/07/2007) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DATA DOS CRËDITOS CONTÁBEIS. IMPOSSIBILIDADE. 0 simples crédito contábil, antes da data aprazada para seu pagamento, não extingue a obrigação nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. 0 fato gerador do imposto na fonte, pelo credito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade econômica ou jurídica. (Acórdão nº 10616.967, 6ª Câmara , 1º Conselho de Contribuinte, 26/06/2008) Em face do exposto, deve ser cancelado o lançamento. 3) DO PEDIDO DE IMPUTAÇÃO DOS VALORES DE IRRF RECOLHIDOS EM 2012 Em razão do exposto no item 2 dessa decisão, entento indevidos os lançamentos efetuaos sobre registros contábeis de obrigações efetuados pela Recorrente em 2011. Todavia, caso vencida nesse ponto, analiso o pedido subisidiário de imputação dos valores de IRRF recolhidos pela empresa quando da remessa dos valores à empresa PGS Data Processing em 2012. Conforme exposto pela Recorrente, em 09/05/2015, a Recorrente efetuou o pagamento das obrigações e recolhei o IRRF sobre os valores remetidos ao exterior. Sendo assim, caso o desfecho do presente processo seja desfavorável ao Recorrente, é imprescindível o reconhecimento o seu direito à imputação dos valores recolhidos pela NCF Participações. Isso porque, nos termos do artigo 163 do Código Tributário Nacional, a imputação do pagamento é dever da autoridade fiscal: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes Fl. 785DF CARF MF 14 tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. (grifamos) Todavia, uma vez impugnado o lançamento (como foi o caso dos autos) não poderia a autoridade administrativa proceder a respectiva imputação, pois o débito estaria com a sua exigibilidade suspensa. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.213.082PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543C do CPC/73: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 773 15 Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º eparágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. Em seu voto, o Ministro Relator Mauro Campbell, destaca que é dever da Receita Federal do Brasil efetuar a compensação de ofício, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Sendo assim, dos artigos de lei citados extraise que a restituição ou o ressarcimento de tributos, por força do DecretoLei n. 2.287/86, sempre esteve legalmente condicionada à inexistência de débitos certos, líquidos e exigíveis por parte do contribuinte, sendo dever da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF efetuar de ofício a compensação sempre que o contribuinte não o fizer voluntariamente. Nessa linha de entendimento, foi publicado o Decreto n. 2.138/97, que determinou fosse efetuada a notificação ao sujeito passivo antes da feitura da compensação de ofício a fim de que ele exercesse o direito que o art. 74, da Lei n. 9.430/96, em sua redação original, lhe permitiu. Verbo ad verbum :(grifos no original) Dessa forma, caso seja mantido o presente lançamento, a imputação dos recolhimentos anteriormente efetuados deve ser efetuada, sob pena de enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 787DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora designada Congratulo a i. Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento. Preliminar: inovação de fundamento jurídico da autuação. Inocorrência Primeiramente, entendo não haver qualquer nulidade do acórdão recorrido, pois pelo próprio trecho transcrito pela i. Relatora, verificase que a fundamentação essencial da fiscalização para o lançamento foi a prestação de serviço técnico especializado, destacando os conceitos de fretamento e afretamento tão somente para demonstrar à empresa que tais institutos foram utilizados por ela de forma inadequada para de eximir da tributação, porque de acordo com todo o verificado nos trechos transcritos dos contratos apresentados se verifica essa prestação de serviço, veja: Portanto, diante de toda a explanação acima, estritamente relacionada com ao (sic) "Afretamento de embarcação", fica evidente que a fiscalizada utilizou a expressão afretamento de forma distorcida, visto que no caso em tela não houve transporte de carga ou passageiro e sim prestação de serviço técnico especializado conforme exaustiva e amplamente relatado. (grifos no original) Ao longo de todo o relato fiscal, o autuante vai descaracterizando o negócio que a empresa entende ser afretamento, para concluir que se trata em verdade de prestação de serviço, inclusive toda a fundamentação legal utilizada pela fiscalização ressaltava a incidência de IRRF sobre os rendimentos de serviços técnicos e de assessoria técnica, administrativa e semelhantes, como o art. 708, do Decreto 3000/1999, o art. 3º da Lei 10168/2000, o art. 17 da Instrução Normativa 252/2002, além de destacar os conceitos de serviços especializados e serviços técnicos contidos em Vocabulário Jurídico. Após ampla transcrição de trechos de cada contrato analisado, a auditoria concluía que se tratava de atividade específica, senão vejamos alguns trechos dessas conclusões: Pela própria definição de Dados Geofísicos Sísmicos podemos observar se tratar de dados obtidos por métodos específicos, qual seja, reflexão de ondas sísmicas e/ou retração de ondas sísmicas. [...] Percebese aqui que a fiscalizada concentra suas (sic) na comercialização de dados sísmicos. [...] Observe que o fato de não haver embarcação brasileira apta a adquirir dados sísmicos reforça a tese de que a obtenção de dados sísmicos é uma atividade específica. [...] Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 774 17 Verifique que o item acima destaca uma diversidade de ações que serão executadas durante os procedimentos de obtenção dos dados sísmicos. Esta diversidade de ações mais uma vez reforça a tese de utilização de métodos cuja especificidade saltam aos olhos. [...] Portanto, diante de todo o exposto, não restam dúvidas de que houve prestação de serviço técnico especializado, claramente previsto no contrato e nas explicações apresentadas pela fiscalizada. Tratase de uma atividade específica na qual não pode ser exercida por qualquer profissional tradicionalmente pertencente aos quadros de pessoal da Marinha Mercante. Todos esses trechos demonstram o fundamento essencial do auto de infração, qual seja, a caracterização da prestação de serviços técnicos especializados e não de afretamento. Portanto, o acórdão recorrido não fez qualquer inovação ao auto de infração, não havendo razão para sua nulidade. Mérito A relatora cita os parágrafos 1º da Lei nº 9.481/97, para dizer que o legislador permitiu a concomitância do afretamento com a prestação de serviço. Entretanto, da leitura do relatório fiscal, o que observo é que em nenhum momento a auditoria considerou que se tratava de afretamento, mas pura e simplesmente de prestação de serviços técnicos especializados. Nem se pode dizer que tal entendimento foi alcançado pela recorrente, pois pelo que se observa de seu contrato, nenhuma segregação houve em relação a que percentual seria afretamento e qual corresponderia a serviço. Mesmo que chegássemos à conclusão, que seria necessário fazer essa segregação, inaplicável seria a Lei nº 9.481/97 ao caso, pois o contrato firmado pela recorrente não diferencia esses percentuais, e nem poderia, porque a recorrente entende que não ocorre prestação de serviço concomitante como afretamento, para ela se trata simplesmente de afretamento. Pensamento, com o qual discordo, pois analisando os contratos constantes nos autos, que foram amplamente debatidos tanto pela aututante quanto pelo julgador de primeira instância, não consigo vislumbrar um afretamento junto com prestação de serviço, mas apenas a existência de prestação de serviço técnico especializado. Vejo que a embarcação é específica para captação de dados, tecnicamente equipada para essa atividade, que é a essência dela. A captação de dados é em essência um serviço, do qual se utiliza a recorrente para alcançar seu objeto social. Entendo que a recorrente contrata a empresa estrangeira para lhe oferecer esse tipo de serviço (captação de dados), cujo instrumento para a prestação dele é a embarcação totalmente específica para esse tipo de atividade. De nada adianta eu locar uma embarcação altamente especilizada, se não sei como manejála para os objetivos a que se destinam; de nada ela me servirá. Como se observa dos autos, tanto se trata de uma prestação de serviços altamente específicos, que pelo contrato se vê a importância da participação da empresa contratada na captação dos dados. O acórdão de primeira instância traz todo um arrazoado das disposições do contrato, do qual não é possível Fl. 789DF CARF MF 18 chegar a outra conclusão que não uma verdadeira prestação de serviço, e por tão importante para o presente caso, que peço vênia para transcrevêlo: Isto pois, diferentemente da afirmação do impugnante, o contrato não consiste na obrigação de disponibilizar temporariamente a embarcação armada e tripulada para que o interessado possa operála, utilizandoa com total liberdade, assumindo sua posse e controle. Ao contrário, quem opera é a Contratada, no caso, a PGS EXPLORATION UK. Não cabe dizer que os serviços prestados pela Contratada referemse apenas a manutenção e preparo da embarcação e equipamentos, visto que é responsabilidade da Contratada fornecer relatório mensal das operações, inclusive, especificando as dificuldades encontradas na execução das mesmas. Deve ainda manter completo, adequado e atualizado registro do andamento das operações, informando semanalmente à PGS do Brasil o andamento das mesmas. Ora, se fosse a própria PGS do Brasil a empresa executora, não haveria necessidade de ser informada do andamento das operações. O item 5.2 do contrato é claro ao dizer que a PGS do Brasil só está obrigada a efetuar pagamentos no valor correspondente às operações efetivamente realizadas para a PGS do Brasil. O item 8 relativo à inspeção, demonstra que a PGS do Brasil não tinha a posse e controle da embarcação para utilizála e operála livremente, visto que tal item tem o intuito de garantir que um representante do interessado tenha livre acesso aos locais das operações, embarcações, máquinas, equipamentos e materiais diversos para fins de inspecionar as operações. Como poderia a PGS do Brasil ser a operadora, e, ao mesmo tempo, ter que estipular em contrato cláusulas que garantam que ela seja informada do andamento das operações, supostamente realizadas por ela mesma, e ainda ter que assegurar livre acesso a seu representante nos locais de operação? Não questiono a participação da PGS do Brasil em certas etapas do processo de aquisição de dados sísmicos, como o planejamento e definição de parâmetros relativos a coleta de dados. Porém, conforme previsto em contrato, a responsável pela operação para a efetiva coleta foi a PGS EXPLORATION UK. Não há como dizer que foi um mero aluguel de embarcação, ainda que se ressalte que a mesma possui equipamentos de alta tecnologia com processos automatizados, haja vista que a PGS do Brasil não tomou posse e se responsabilizou pela embarcação e operação da mesma. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 775 19 Como consta no contrato, esta responsabilidade recaía sobre a PGS EXPLORATION UK, a qual só receberia como pagamento o valor correspondente às operações efetivamente realizadas para a PGS do Brasil (item 5.2). Por isso, entendo que o contrato não tem características hídridas, mas de um verdadeiro contrato de prestação de serviços técnicos especializados, onde a empresa foi contratada para captação de dados sísmicos, que utilizada (sic) como seu instrumento de trabalho o navio por ela operado, atendendo a certos requisitos de dados e informações que a empresa contratante desejava obter da prestação dos serviços. Aliás, sobre a impossibilidade de segregamento desse tipo de contrato, oportuno citar o voto vencedor do acórdão nº 3201003.022, exarado no julgamento de processo que apesar de se tratar de incidência de CIDE, os contratos e fatos lá analisados são semelhantes aos do presente processo: A prestação do serviço é única; que por sua natureza exige a utilização da embarcação com todas as características de operação e instalações, não se tratando de mero meio de locomoção de equipamentos e pessoas. Entendo que sequer poderia caracterizar a embarcação como o objeto principal ou acessório da prestação pois não há como seccionála, é única. [...] Não há que segregar do valor do contrato para fins de incidência da CIDE o pretenso valor do afretamento eis que a embarcação não é simplesmente um meio de se prestar o serviço, pois se caracteriza como um equipamento completo que possibilita a realização do serviço, não havendo razão para se distinguir contrato de afretamento e de serviço técnico; ademais, as partes envolvidas no contrato e na realização das atividades são pertencentes ao grupo CGG. Assim, não há que dissociar o veículoinstrumento do objeto do contrato: a prestação de serviço técnico especializado de levantamento sísmico realizado pela CGG Ventas Services na embarcação cuja identificação contém ano nome CGG (AMADEUS, LAURENTIAN e HARMATTAN), operada com pessoas, instrumentos e materiais próprios. Pelo que vejo da Solução de Consulta nº 225/2014, citada pela i. Relatora, no caso lá analisado, ocorria um contrato puro de afretamento, e um segundo de prestação de serviço com outra empresa; contratos separados com empresas distintas. No caso dos autos, existe um contrato único para prestação de serviço. A Lei nº 9.481/1997 trata do caso de contrato de fretamento e contrato de serviço com empresas coligadas, ou seja, não é a mesma empresa que realiza o serviço, sendo certo que um dos contratos será puro de afretamento. Se se tem um contrato único de prestação de serviço, o navio é apenas um instrumento que essa empresa utiliza para a prestação do serviço contratado. Fl. 791DF CARF MF 20 A contrário senso, quando não forem empresas coligadas não haverá essa limitação, porque será possível a existência de um afretamento puro, por uma das empresas, e a outra não coligada será responsável pela prestação do serviço. Entendo que a finalidade da Lei foi evitar que empresas coligadas se juntassem para obter a incidência de alíquota zero, quando em verdade o afretamento englobava a prestação de serviço, minizando ao máximo o efeito deste para que houvesse maior economia tributária, porque quando os contratos são separados e as empresas são distintas (não cogitando em simulação), há a entrega da coisa em si, ou seja, a casco nu, e o contratante fica responsável por toda a operação do navio, inclusive colocar seus próprios profissionais ou profissionais de outra empresa contratada para prestar serviços para os quais não estaria capacitada. A respeito da alteração do art. 1º da Lei nº 9.481/1997, promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043/2014, o Acórdão nº 3302004.754, de 26/09/2017 faz a seguinte análise, que por se aplicar ao caso, adoto como razões de decidir: A propósito da distribuição de valores entre o contrato de afretamento e do contrato de prestação de serviços, cabe informar que, a partir de 1º de janeiro de 2015, entrou em vigor o art. 106 da Lei 13.043/2014, que renumerou o parágrafo único para § 1º e incluiu os §§ 2º a 8º, ao art. 1º da Lei 9.481/1997, que reduziu a zero a alíquota de IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, dentre os quais os decorrentes de receitas de afretamento. A novel redação ficou assim explicitada: Art. 106. O art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 2º a 8º, renumerando se o atual parágrafo único para § 1º:(Vigência) "Art. 1....................................... §1°.............................................. § 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: [...] No caso, ainda que os denominados contratos de afretamento em apreço enquadrassem na novel regulamentação, por se tratar de norma posterior, obviamente, ela não se aplica aos fatos geradores anteriores a sua vigência. Além disso, ainda que vigente, a referida norma não se aplicaria a situação vertente, haja vista que restou demonstrado que não houve o contrato de afretamento, muito menos sob a modalidade de afretamento a casco nu, porque, a recorrente, na condição de suposta afretadora, no curso da vigência do contrato, não assumiu a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial. As provas coligidas aos autos comprovam que a gestão náutica da embarcação foi exercida pela empresa nacional e a gestão comercial pela empresa estrangeira, integrantes do mesmo grupo econômico. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 776 21 Ademais, no Acórdão nº 3302004.822, de 24/10/2017, que tem como parte a ora recorrente, o i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento resumiu de forma clara e precisa os contratos firmados entre a recorrente e as empresas estrangeiras, e que por serem contratos com cláusulas semelhantes aos contratos constantes nos autos, merecem transcrição: Da caracterização, definição e dos tipos de contrato de afretamento No direito positivo brasileiro, as características principais do contrato de afretamento de embarcação encontramse estabelecidas no art. 566 do vetusto Código Comercial, a seguir transcrito: Art. 566 O contrato de fretamento de qualquer embarcação, quer seja na sua totalidade ou em parte, para uma ou mais viagens, quer seja à carga, colheita ou prancha. O que tem lugar quando o capitão recebe carga de quanto se apresentam, deve provarse por escrito. No primeiro caso o instrumento, que se chama cartapartida ou carta de fretamento, deve ser assinado pelo fretador e afretador, e por quaisquer outras pessoas que intervenham no contrato, do qual se dará a cada uma das partes um exemplar; e no segundo, o instrumento chamase conhecimento, e basta ser assinado pelo capitão e o carregador. Entendese por fretador o que dá, e por afretador o que toma a embarcação a frete. Os elementos principais do contrato de afretamento, denominado de Carta Partida ou Charter Party (CP), encontramse definidos do art. 567 do Código Comercial, a seguir transcrito: Art. 567 A cartapartida deve enunciar: 1 o nome do capitão e o do navio, o porte deste, a nação a que pertence, e o porto do seu registro (artigo n°. 460); 2 o nome do fretador e o do afretador, e seus respectivos domicílios; se o fretamento for por conta de terceiro deverá também declararse o seu nome e domicílio; 3 a designação da viagem, se é redonda ou ao mês, para uma ou mais viagens, e se estas são de ida e volta ou somente para ida ou volta, e finalmente se a embarcação se freta no todo ou em parte; 4 o gênero e quantidade da carga que o navio deve receber, designada por toneladas, n°s, peso ou volume, e por conta de quem a mesma será conduzida para bordo, e deste para terra; 5o tempo da carga e descarga, portos de escala quando a haja, as estadias e sobre estadias ou demoras, e a forma por que estas se hão de vencer e contar; 6 o preço do frete, quanto há de pagarse de primagem ou gratificação, e de estadias e sobre estadias, e a forma, tempo e lugar do pagamento; Fl. 793DF CARF MF 22 7 se há lugares reservados no navio, além dos necessários para uso e acomodação do pessoal e material do serviço da embarcação; 8 todas as mais estipulações em que as partes se acordarem. Portanto, tratase de um contrato típico, por força do disposto no art. 568 do Código Comercial, deve ser registrado no órgão competente do registro do comércio. Com base nos referidos preceitos legais, o contrato de afretamento pode ser definido com o instrumento por meio do qual o fretador (proprietário da embarcação ou o armador proprietário) disponibiliza sua embarcação ou apenas o serviço da embarcação para o afretador (disponente da embarcação ou armador disponente ou beneficiário), que utilizará a embarcação na navegação marítima e fluvial para o transporte de mercadorias e/ou de pessoas ou na prestação de outros serviços específicos. Em retribuição, o afretador remunera o fretador com a taxa de afretamento. No mesmo sentido, especificamente no que tange à atividade de navegação comercial de transporte de bens e pessoas, a definição veiculada no art. 2º, I, do Anexo Único da Resolução Normativa 01/2015 da ANTAQ, a seguir transcrito: Art. 2o Para os fins desta Norma consideramse: I afretamento: contrato por meio do qual o fretador cede ao afretador, por certo período, direito total ou parcial sobre o emprego da embarcação, mediante taxa de afretamento, podendo transferir ou não a sua posse; [...] (grifo não original) De acordo com essas definições, o contrato de afretamento apresenta dois elementos essenciais: o elemento estrutural, representado pelo objeto regulado (a embarcação), e o elemento funcional, consistente na cessão do direito de uso da embarcação na prestação dos serviços por meio dela executáveis (transportes de pessoas ou cargas, levantamento de dados sísmicos, exploração/perfuração de poços etc). Segundo a forma como a embarcação é disponibilizada ao afretador, a doutrina especializada classifica o contrato de afretamento nas seguintes três principais modalidades: a) afretamento por viagem (voyage charter party); b) afretamento por tempo (time charter party); e c) afretamento a casco nu (bareboat charter party/by demise charter). Cada um desses tipos de contratos possui características próprias que os diferenciam. O contrato de afretamento por viagem é aquele em que o fretador disponibiliza a totalidade ou parte do espaço da embarcação ao afretador por uma viagem ou mais. Enquanto que o contrato de afretamento por tempo é aquele em que o fretador disponibiliza a própria embarcação, armada, tripulada e em condições de navegabilidade, por tempo determinado. Enfim, o contrato de afretamento a casco nu é aquele em que o fretador disponibiliza para o afretador a Fl. 794DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 777 23 embarcação completamente desarmada, ou seja, não tripulada e não equipada. Nesta modalidade contratual, a embarcação é tomada em afretamento desprovida do comandante, da tripulação e dos demais itens inerentes e necessários à navegação. Essa modalidade contratual assemelhase ao contrato de arredamento ou locação. As referidas classificação e definição também foram adotadas pelo legislador brasileiro na redação do art. 2º, I a III, da Lei 9.432/1997, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; [—] (grifos não originais) O tipo de afretamento também define responsabilidade pela gestão da embarcação, que se divide em: gestão náutica e a gestão comercial. A primeira compreende as atividades de navegação, estabilidade e manobra da embarcação, ao passo que a segunda envolve atividades relacionadas diretamente com os serviços prestados por meio da embarcação, tais como o transporte da carga, que inclui o recebimento, transporte e entrega das cargas, além do acondicionamento e estivagem a bordo etc. A responsabilidade pela gestão da embarcação varia conforme o tipo de contrato de afretamento. No contrato de afretamento por viagem a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial é toda concentrada na pessoa do fretador. No contrato de afretamento por tempo a gestão embarcação é dividida entre o fretador e afretador. A este cabe a gestão comercial e àquele a gestão náutica. Por fim, no contrato de afretamento a casco nu a responsabilidade pela gestão integral da embarcação cabe ao afretador, que concentra as gestões náutica e comercial da embarcação. A tabela a seguir resume os responsáveis pela gestão da embarcação: Fl. 795DF CARF MF 24 Com base nessas definições, passase analisar a real natureza dos contratos celebrados pela recorrente com as empresas estrangeiras PGS Geophysical AS (fls. 960/1055) e PGS Exploration UK (1056/1133) e quem, de fato, assumiu a responsabilidade pela gestão da embarcação (as gestões náutica e comercial). Da real natureza dos contratos celebrados pela recorrente Neste tópico, analisarseá a real natureza dos contratos celebrados pela recorrente com as empresas estrangeiras, especificamente, se os referidos contratos, efetivamente, regulam o negócio de afretamento de embarcação, como defendido pela recorrente, ou a atividade de prestação de serviços de "levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)", como apurou a fiscalização com base no conteúdo das cláusulas contratuais e nas informações complementares contidas nos anexos integrantes dos referidos contratos. Sabese que o contrato constitui a roupagem jurídicoformal do negócio jurídico celebrado entre as partes. Por força dessa característica, para que seja reputado idôneo o contrato, o seu conteúdo deve refletir o real negócio jurídico celebrado entre as partes. Em outros termos, para que seja considerado idôneo o contrato o negócio jurídico nele declarado trato deve corresponder ao negócio jurídico efetivado realizado pelas partes. Para confirmar essa condição, a interpretação do negócio jurídico não deve limitarse apenas aos instrumentos contratuais celebrados entre as partes, mas ir além para alcançar os elementos probatórios que confirmem a adequada compatibilidade (ou não) entre o negócio jurídico declarado e o negócio jurídico concretizado pelas partes, isto é, que os fatos ocorridos possuam substrato econômico efetivo e efeitos idênticos ou semelhantes ao fato jurídico declarado. E no contexto em que há prevalência da substância sobre a forma, certamente, não será o nome do contrato que definirá a sua natureza, mas o seu conteúdo formal que, necessariamente, deve corresponder ou refletir o mesmo ou efeito semelhante do negócio realizado pelas partes. Assim, se a denominação do contrato discrepa do negócio jurídico regulado, induvidosamente, será este que deverá definir a natureza do contrato e não a mera denominação. Da mesma forma, se o negócio jurídico regulado não corresponder ao negócio jurídico concretizado pelas partes, este último deve prevalecer e definir a natureza do contrato. Em suma, em qualquer dos casos, a substância deverá sempre prevalecer sobre a forma. Essa é a diretriz traçada pelo art. 118 do CTN, anteriormente transcrito. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 778 25 É com base nessa premissa que será feita a análise dos contratos celebrados entre a recorrente e as empresas estrangeiras, denominados impropriamente de contratos de afretamento. De acordo com a cláusula primeira dos referidos contratos, as embarcações descritas nos referidos contratos foram utilizadas na prestação de serviços de "levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)". Dada essa peculiaridade, para que seja considerado de afretamento, o afretador (contratante) deverá assumir, no mínimo, a gestão comercial das referidas embarcações, ou seja, o afretador será a pessoa incumbida da prestação dos referidos serviços. Assim, tendo em conta a natureza dos serviços prestados, obviamente, tais tipos de embarcações não são passíveis de afretamento por viagem, haja vista que essa modalidade de afretamento aplicase apenas às embarcações utilizadas na prestação de serviços de transporte de pessoas e/ou cargas. Pelas características dos citados serviços e tendo em vista as definições anteriormente apresentadas, os referidos tipos de embarcação só são passíveis de contrato de afretamento por tempo e a casco nu. No primeiro caso, a responsabilidade pela gestão da embarcação é dividida entre o fretador e o afretador. A gestão náutica fica a cargo do fretador enquanto que a gestão comercial fica sob a responsabilidade do afretador. No segundo caso, o afretador assume a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial. No caso, o teor das cláusulas contratuais dos referidos contratos revela que, embora denominado de afretamento, os referidos contratos, de fato, regulam a prestação de serviços técnicos de "levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)". A interpretação das cláusulas contratuais revelam que as empresas estrangeiras contratadas foram quem assumiram as gestões náutica e comercial das embarcações, ou seja, foram elas que assumiram a operação da embarcação e a prestação dos serviços contratados, uma vez que foram elas que: a) contrataram e forneceram toda a mão de obra direta e indireta utilizada na navegação e na extração dos dados sísmicos (subitem 3.1.2 e anexo "C"); b) realizaram a coleta e a fase inicial do processamento dos dados sísmicos, bem como a elaboração de relatórios periódicos sobre os dados levantados (subitem 3.1.3); c) assumiram a manutenção e conserto da embarcação e de todos os equipamentos náuticos e de levantamento de dados sísmicos a bordo da embarcação (subitem 3.2.2); d) forneceram todos os equipamentos e materiais necessários aos registros geofísicos, bem como todo o combustível e lubrificantes para as embarcações e equipamentos (subitem 3.2.3) etc. Em consonância com o disposto nas cláusulas contratuais, o teor dos Anexos "A", "B" e "C" confirma que o real o objeto dos referidos contratos era o levantamento de dados sísmicos em terceira dimensão. De fato, no Anexo "A" encontrase Fl. 797DF CARF MF 26 consignado que as requisições de operações deverão ser emitidas com antecipação de 15 dias, "a fim de permitir à Contratada coordenar a equipe, preparar, testar e transportar os equipamentos pertinentes" (4.1). Enquanto que no Anexo "B", foram estabelecidos os critérios para controle de qualidade dos serviços de levantamento dos dados sísmicos em 3 D prestados pelas contratadas. Enfim, no Anexo "C", foram descritas as características e os equipamentos da embarcação e a tripulação, composta de marítimos e sísmicos, necessária a operação do navio e dos equipamentos de extração de dados sísmicos. A forma de remuneração também confirma que o negócio efetivamente contratado foi a prestação dos serviços de coleta de dados sísmicos em 3 D e não o afretamento das embarcações, pois, embora tenha sido estabelecido uma estimativa de um valor global e uma taxa diária (subitem 5.1.1) nos citados contratos, a recorrente contratante não estava obrigada a efetuar o pagamento do valor integral estimado, mas apenas do valor correspondente aos resultados das operações efetivamente realizadas para a contratante, aferidos por meio de Boletim de Medição (BM) mensal (subitens 5.2 e 6.1). A comparação entre os valores de mobilização das embarcações de US$ 2.250.000.00 (dois milhões, duzentos e cinquenta mil dólares dos Estados Unidos da América) e 4.200.000.00 (quatro milhões, duzentos mil dólares dos Estados Unidos da América) e os valores globais dos contratos, respectivamente, de US$ 139.125.000,00 (Cento e trinta e nove milhões, cento e vinte e cinco mil dólares dos Estados Unidos da América ), e USS 255.500.000,00 (Cento e trinta e nove milhões, cento e vinte e cinco mil dólares dos Estados Unidos da América), revela que a desproporção entre o valor contratado e o valor dos equipamentos supostamente afretados, o que corrobora a conclusão de que o real objeto do contrato foi a prestação dos serviços de levantamento de dados sísmicos em 3D e não o afretamento da embarcação, como defendido pela recorrente. Com base apenas nas informações extraídas dos referidos contratos, chegase a conclusão que a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial das embarcações foram assumidas exclusiva e integralmente pelas empresas contratadas estrangeiras, haja vista que foram elas que forneceram as equipes de marítimos e de sísmicos utilizadas nas atividades de navegação e de coleta dos dados sísmicos em 3D. Assim, embora denominado de contrato de afretamento, a interpretação do inteiro teor dos referidos contratos revela que o negócio jurídico efetivamente celebrado entre as parte, inequivocamente, foi a prestação de serviços de levantados de dados sísmicos em terceira dimensão e não o afretamento dos navios pesquisas utilizados na prestação dos referidos serviços. Em suma, o que a recorrente contratou foi a levantamento dos dados sísmicos e não o afretamento das embarcações. E se havia alguma dúvida quanto ao real negócio jurídico contratado e o efetivamente realizado, por meio da referida diligência, ela foi dirimida pela autoridade fiscal diligente que, com base nas informações colhidas, também concluiu que os Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 779 27 referidos contratos tratavam de prestação de serviços técnicos sujeitos à incidência da CIDE. De acordo com o bem elaborado e exaustivo relatório de diligência colacionado aos autos, com respaldo em elementos idôneos, a autoridade fiscal diligente, que se limitou a responder os questionamentos suscitados por este Colegiado, chegou a essa com conclusão baseada nas seguintes constatações: a) toda a mão de obra estrangeira utilizada na operação do navio (equipe de marítimos) e dos equipamentos de pesquisa (equipe de sísmicos), incluindo outros trabalhadores (geólogos, geoquímicos e geofísicos etc.) necessários à prestação dos serviços de levantamento dos dados sísmicos, foram contratada e fornecida pelas empresas estrangeiras contratadas; b) o navio de pesquisa era mero meio imprescindível para o levantamento dos dados sísmicos, que, junto com os demais equipamentos e profissionais necessários, formava um conjunto harmônico na prestação dos serviços, os quais envolviam técnicos geológicos e/ou geofísicos, além dos demais profissionais necessários ao desenvolvimento da atividade; c) os contratos que a recorrente celebrou com as empresas estrangeiras, independentemente da forma de aquisição dos dados, se exclusivos ou não exclusivos, seguiam os mesmos requisitos de uma obrigação de fazer, uma vez que a obrigação a que se sujeitava as contratadas referiase a uma obrigação de fazer, haja vista que se comprometiam a entregar uma pesquisa de dados referentes a uma determinada área, utilizando parâmetros de pesquisa e formatos de mídia prédefinidos pela recorrente (contratante), além de realizar todo e qualquer teste que a recorrente julgasse necessário; e d) a obrigação a que se sujeitava as contratada era de preparar e realizar um estudo seguindo as coordenadas estabelecidas pela recorrente, traduzindose na obrigação de fazer uma atividade que atendia às exigências impostas pela recorrente. Assim, uma vez que a contratante poderia estabelecer parâmetros e exigir a realização de diferentes testes, os dados eram adquiridos de acordo com as necessidades da contratante. A relação de trabalhadores estrangeiros de fls. 1621/1623, especialmente as equipes de marítimos e sísmicos, contratados pelas empresas estrangeiras, ratificam as informações extraídas dos referidos contratos. Cabe consignar que a referida relação de trabalhadores, que foi fornecida pelo Ministério do Trabalho, em resposta ao Ofício do Gabinete da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Brasília, comprova que foram as empresas estrangeiras que contrataram e forneceram toda a mão de obra técnica especializada utilizada na navegação da embarcação e na operação dos equipamentos de extração e registro dos dados sísmicos. No mesmo sentido, acertadamente, concluiu o relator do voto condutor do julgado recorrido que os referidos contratos Fl. 799DF CARF MF 28 envolviam "tripulação (marítimos e sísmicos), emprego de pessoal qualificado e gerenciamento técnico por parte do fretador, portanto, serviços". Assim, resta demonstrado que, no caso em apreço, não houve afretamento das embarcações por tempo e tampouco a casco nu, este último alegado pela recorrente. Logo, sob o aspecto substancial, os impropriamente denominados contratos de afretamento, de fato, regulam a atividade de prestação de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D), conforme, acertadamente, concluiu a autoridade fiscal responsável pela autuação. Diante das características contratuais firmadas entre a recorrente e as empresas estrangeiras, firmo minha convicção que o negócio estipulado entre elas se tratou de prestação de serviços e não afretamento. Nesse entender, passo a analisar a alegação do recorrente de que o lançamento tomou como base os registros contábeis, e não a efetiva remessa de recursos ao exterior. Da exigência de IRRF sobre lançamentos contábeis Compulsando os autos verificase às fls. 2/5, que o Auditor intimou a recorrente a apresentar: 3 Documentação hábil e idônea que comprove as operações com o exterior listadas nas fichas 29A, 32, 33 e 53 de sua DIPJ (incluindo contratos), indicando as contas contábeis que registram tais operações. Às fls. 6/8 a recorrente informa apresentar os documentos solicitados: ITEM 3 5. Com relação ao terceiro item do Termo de Início de Procedimento Fiscal em referência, a Peticionária também apresenta planilhas relacionado os valores constantes nas fichas 29A, 32, 33 e 53 de sua DIPJ/2012 com as respectivas contas contábeis que registram as operações indicadas em tais fichas (doe. 03a). Adicionalmente, a Peticionária também apresenta cópia dos contratos relativos às operações do exterior registradas em tais fichas (doc. 03b). Às fls. 9/13 a auditoria intimou a recorrente a apresentar: Em atendimento ao item 3 do TIPF, em 04/06/2014, o contribuinte limitouse a apresentar 3.1. A seguir listamos o que foi apresentado: 3.1.1. planilhas confeccionadas internamente; 3.1.2. razões analíticos de contas contábeis; e 3.1.3. Telas de transações PCEX570 referentes a 04 empréstimos realizados com empresas vinculadas. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 780 29 3.2. Ocorre que tais elementos não representam documentação hábil e idônea a comprovar totalmente os lançamentos contábeis que embasaram as informações constantes das fichas/linhas da DIPJ 2012 a que se referem, tampouco atendem plenamente ao intimado. 3.3. Face ao exposto, INTIMAMOS o sujeito passivo a: 3.3.1. Apresentar planilha, conforme modelo, que relacione TODOS os contratos firmados com empresas vinculadas ou não, nãoresidentes no Brasil, vigentes no ano—calendário 2011. 3.3.2. A partir dos dados apresentados na planilha do item anterior, apresentar planilha, conforme modelo a seguir, que relacione TODOS os pagamentos realizados a residentes e domiciliados no exterior: Após ter seu pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos deferido, a recorrente apresentou resposta, fls. 19/35: 4. Para atendimento do terceiro item do Termo de Intimação Fiscal em referência, a Peticionária apresenta, em mídia digital não regravável, devidamente validada e autenticada pelo Sistema de Validação e Autenticação (SVA) da Receita Federal do Brasil, (i) planilha relacionando todos os contratos firmados com empresas vinculadas ou não, não residentes no Brasil, vigentes no anocalendario de 2011 (subitem 3.3.1), bem como (ü) planilha relacionando todos os pagamentos relacionados a tais contratos, efetuados a residentes e domiciliados no exterior (subitem 3.3.2). 4.1 A Peticionária ainda esclarece que ambas as planilhas foram elaboradas de acordo com o modelo solicitado por esta d. fiscalização. Fl. 801DF CARF MF 30 4.2 Adicionalmente, para suportar a planilha descrita no item (i) acima, relativa aos contratos vigentes em 2011 firmados com nãoresidentes no Brasil, a Peticionária apresenta cópia dos contratos listados em tal planilha, bem como de seus anexos, quando existentes, gravados em mídia digital não regravável, devidamente validada e autenticada pelo Sistema de Validação e Autenticação (SVA) da Receita Federal do Brasil (copia física anexa). [...] 9.3 Adicionalmente, para comprovar a efetividade dos serviços prestados, a Peticionária apresenta, além do contrato de gerenciamento de dados, as faturas ("invoices") de prestações de serviços emitidas pela Landmark descrevendo os serviços realizados, juntamente com os respectivos contratos de fechamento de câmbio celebrados para pagamento de tais faturas (docs. 7b e 7c). Às fls. 38 consta a planilha com os valores dos contratos efetivados no ano (VEA) e logo em seguida a empresa discrimina as datas dos pagamentos das invoices, conforme modelo solicitado pela fiscalização: Assim, conforme informação prestada pela empresa, houve a efetiva remessa de recursos ao exterior, conforme planilha por ela elaborada, não se confirmando que o lançamento tenha sido efetuado apenas com base em registro contábil. Aliás, o simples registro contábil de prazo contratual ainda não vencido, não constitui disponibilidade jurídica ou econômica para incidência do IRRF. Esse posicionamento foi delineado no Acórdão 9202003.120, de 26/03/2014: O fato verdadeiramente inarredável é que o crédito contábil antes de vencido o prazo contratual não propiciou ao credor do exterior o direito de exigir esses valores antes do prazo de vencimento. O que implica dizer que esse credor não adquiriu a correspondente disponibilidade jurídica muito menos a disponibilidade econômica. (Grifei) Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10872.720069/201532 Acórdão n.º 2202004.581 S2C2T2 Fl. 781 31 A posição majoritária do CARF é no sentido de que o crédito contábil antes de vencido o prazo contratual não propicia a disponibilidade jurídica ou econômica. Entretanto, no caso dos autos, o prazo contratual já estava vencido, com a emissão das invoices e respectiva baixa do valor devido no passivo da contratante. Veja que o Auditor relata que se baseou nos lançamentos a débito de conta de passivo. E a análise detalhada da tabela demonstra que os lançamentos a débito se deram sempre no final do mês, e, portanto, depois do vencimento do contrato (fls. 242/244). Portanto, a auditoria não lançou o imposto apenas porque havia crédito de valor devido às contratadas, mas porque segundo informações da recorrente, esse foi o valor do contrato efetivado no ano. E ao meu ver, quando a empresa informa que o contrato foi efetivado no ano, inclusive com a emissão da invoice, nesse momento ocorre a disponibilidade jurídica, podendo a contratada exigir o efetivo pagamento, ou seja, ocorreu o vencimento do prazo contratual. Do pedido de imputação dos valores de IRRF recolhidos em 2012 Em relação à compensação que alega a recorrente relativa aos lançamentos da PGS Data Processing, acompanho o mesmo posicionamento do julgador a quo, adotandoo como razões de decidir: Segundo esclarece o contribuinte, o valor do débito de IRRF, objeto da Declaração de Compensação, teve como origem inúmeros pagamentos por serviços prestados, dos quais, somente uma parte está sendo tratada no presente processo. Ocorre que, quanto a esta parte, vejo que tal débito é indevido, tendo em vista que o período de apuração não é de maio de 2012 (data da remessa), mas de períodos de apuração de 2011 (data da contabilização das dívidas contraídas). Portanto, correto o procedimento fiscal de lançar estes créditos tributários que ainda não estavam constituídos, em observância, inclusive, ao art. 142 do CTN. Ademais, não cabe a autoridade fiscal utilizar de suposto direito creditório para quitar os créditos tributários lançados, por não dispor do saldo negativo para decidir como aproveitálo. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para rejeitar a preliminar, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 803DF CARF MF 32 Fl. 804DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722757/2009-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-006.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 57 /2 00 9- 78 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.435, de 19 de agosto 2014 (efolhas 230 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado à relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessário previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 5 4 Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela SELIC. Recurso parcialmente provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 251 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e à incidência de correção monetária e/ou juros moratórios sobre o valor dos créditos apurados. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica; (ii) às despesas com fretes e armazenagem. Também, (iii) que seja afastada a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos a serem ressarcidos. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 270 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Desta forma, merece ser parcialmente afastada a glosa, apenas sobre os dispêndios com a rubrica produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 7 6 Além desses, o recorrido admitiu a aplicação da Taxa Selic/correção monetária sobre o valor do ressarcimento pleiteado. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 64 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 8 7 já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos. 0.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 6. O contribuinte foi intimado (fls.72/73) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 176/195. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 9 8 O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio, com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 10 9 até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 39 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese. Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. I o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 11 10 Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 12 11 com explicações apresentadas (fls.68/71, 127/128), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.129/175. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 13 12 Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 192 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 14 13 consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. 3 Correção Monetária e Incidência de Juros de Mora Finalmente, a empresa não tem melhor sorte em relação à possibilidade de que o valor objeto do pedido de ressarcimento sofra qualquer tipo de correção monetária ou que sobre ele incida a Taxa de Juros Selic. Há vedação expressa em Lei que obsta a atualização dos créditos do contribuinte apurados no sistema não cumulativo. Observese. Lei 10.833/03 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) E não será demais lembrar que as decisões tomadas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, não alcançam a matéria ora litigada. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.722757/200978 Acórdão n.º 9303006.867 CSRFT3 Fl. 15 14 consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. As decisões que autorizaram a correção dos créditos escriturais do IPI e do crédito presumido das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins são aplicáveis exclusivamente às lides nas quais algum desses assuntos esteja sendo controvertido, o que, por óbvio, não é o caso dos autos. Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.720195/2017-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PEREMPÇÃO.
Apresentada a impugnação após o prazo regrado pelos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser reconhecida a sua intempestividade.
CIÊNCIA DE AUTUAÇÃO. CARIMBO DOS CORREIOS. DATA. PROVA EFICAZ.
A data constante do carimbo aposto pelo funcionário dos Correios no Aviso de Recebimento - AR faz prova da ciência do sujeito passivo quanto a autuação que lhe tenha sido imputada.
AUTUAÇÃO. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. RESPONSABILIDADE. ENTE FEDERATIVO.
Os entes federativos são responsáveis pelos créditos tributários decorrentes da atuação dos órgão da administração direta a eles vinculados.
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ELEIÇÃO. ENDEREÇO FORNECIDO PARA FINS CADASTRAIS.
O domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo corresponde ao endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária.
Numero da decisão: 2402-006.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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PEREMPÇÃO. Apresentada a impugnação após o prazo regrado pelos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/1972, deve ser reconhecida a sua intempestividade. CIÊNCIA DE AUTUAÇÃO. CARIMBO DOS CORREIOS. DATA. PROVA EFICAZ. A data constante do carimbo aposto pelo funcionário dos Correios no Aviso de Recebimento AR faz prova da ciência do sujeito passivo quanto a autuação que lhe tenha sido imputada. AUTUAÇÃO. ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO DIRETA. AUSÊNCIA DE PERSONALIDADE JURÍDICA. RESPONSABILIDADE. ENTE FEDERATIVO. Os entes federativos são responsáveis pelos créditos tributários decorrentes da atuação dos órgão da administração direta a eles vinculados. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ELEIÇÃO. ENDEREÇO FORNECIDO PARA FINS CADASTRAIS. O domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo corresponde ao endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 01 95 /2 01 7- 86 Fl. 6809DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO, que não conheceu de impugnação interposta contra Auto de Infração relativo a Contribuições Sociais Previdenciárias de responsabilidade do Estado da Paraíba, aí incluídas contribuições patronais, inclusive as destinadas ao financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além das contribuições dos segurados a seu serviço. A impugnação (fls. 6733/6748) não logrou êxito em razão de seu não conhecimento face a constatação de intempestividade, sendo mantida a exigência na sua integralidade, conforme se verifica a partir da ementa da decisão recorrida a seguir evidenciada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. RECEBIMENTO. VALIDADE. No processo administrativo fiscal é válida a intimação do sujeito passivo pela via postal no seu domicílio tributário, assim entendido aquele por ele informado à Administração Tributária para fins cadastrais, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. A decisão que julgar impugnação intempestiva com arguição de tempestividade deve limitarse a apreciar a preliminar levantada. É prejudicial ao exame das questões de mérito a intempestividade da impugnação. Impugnação Não Conhecida Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 84 3 Crédito Tributário Mantido Informase que o presente relatório somente abordará aspectos relacionados à intempestividade da peça impugnatória, tendo em vista que, caso as razões trazidas no recurso voluntário a esse respeito sejam acolhidas, a decisão será no sentido de anular o acórdão de piso, para análise das demais questões afetas à impugnação pela DRJ/SPO, inclusive com reabertura de prazo para a apresentação de novo recurso, e, caso contrário, não haverá análise das demais questões, preliminares ou de mérito, conforme será melhor esclarecido por ocasião da apresentação do voto. A respeito da intempestividade da peça impugnatória, o recurso voluntário traz os argumentos a seguir resumidos: a decisão ora recorrida decretou a intempestividade da impugnação administrativa, sob o fundamento que obteve a informação externa, em consulta ao site dos correios, que a comunicação teria sido entregue em 19/09/2017, data do carimbo dos constante do AR; tal procedimento e conclusão da decisão ora recorrida não deve prevalecer, em observância aos estritos termos do Decreto n° 70.235/1972, à ampla defesa e ao devido processo legal; após o acesso da Procuradoria Geral do Estado ao processo administrativo em referência, na data de 30/10/2017, verificouse que não há registro da data de entrega no campo apropriado ao lado da assinatura do recebedor; o carimbo existente dos correios não certifica a data de saída para entrega ou efetiva entrega do termo de ciência dos lançamentos e encerramento do procedimento fiscal, conforme é possível constatar do aviso de recebimento em fls. 6663; por seu turno, uma vez que omissa a data de recebimento no AR, a intimação deve ser considerada feita 15 dias após a data da expedição da intimação, nos termos do art. 23, II, § 2°, II, do Decreto n° 70.235/1972. Reproduz texto do dispositivo; a norma não diz que, caso inexistente a data de recebimento no AR, que seja investigado de outra maneira ou perguntado ao carteiro quando foi entregue a comunicação, ou seja, a norma não remete a aferição da tempestividade a uma posterior indagação ao carteiro ou ao sistema de informática, e sim, por segurança jurídica, devese ater aos estritos termos em que postos na norma; a norma aplicável determinou a alternativa de abrir a contagem de quinze dias após a data da expedição da intimação, dando preferência, assim, a uma segurança jurídica objetiva dentro das relações jurídicas travadas entre o contribuinte e a Administração Tributária; as condições previstas na norma em referência não abrem espaço para uma subjetiva decisão quanto à tempestividade, sem reservar uma determinação para adoção de um procedimento de investigação fora dos autos do processo administrativo, seja em consulta a sistemas ou a carteiros externos para tais fins; o carimbo dos Correios não se presta a aferir com precisão a data de recebimento no AR, inclusive, o engano propositado da decisão recorrida em fazer de conta que houve o recebimento do AR em data sem certificação ou indicação fora do campo próprio é tão clarividente que o julgamento de Fl. 6811DF CARF MF 4 primeira instância deixou de afirmar a inexistência de tal substrato fático e, por conseguinte, omitir e, em verdade, nem mesmo fazer referência a existência da alternativa que efetivamente subsumese ao caso concreto; como a lei não reserva a possibilidade ao destinatário de um edital buscar uma prova de quando efetivamente tomou conhecimento da comunicação, contando objetivamente o prazo, a norma em referência também não deixou margem para tal insegurança jurídica inventada pelo julgador de 1ª instância, que preferiu criar suas próprias condições, em absoluta afronta à legalidade, à ampla defesa, à segurança jurídica e ao devido processo legal; por força desses princípios, a definição e as condições dentro do procedimento administrativo devem ser estabelecidas pela norma em sentido estrito, só se admitindo as exceções previstas na lei e na própria Constituição da República; uma vez preenchidos os pressupostos para subsunção do art. 23, II, § 2°, II, do Decreto n° 70.235/1972, mas totalmente ignorado pelo julgador, deveria o mesmo previamente afastar a existência da norma formalmente, ainda que buscasse uma forma de provar sua declaração de inconstitucionalidade, para fins de legitimar a decisão ora recorrida; acaso o agente do Executivo rompa essa determinação, excluindo hipótese normativa, estará usurpando competência do Poder Legislativo e inovando o ordenamento jurídico e, assim, ferindo de morte a princípio da separação tripartida e autônoma dos poderes, previsto na CRFB em seu art. 20 e Título IV, nominado ‘DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES’; os dados de entrega utilizados na decisão ora recorrida não tem efeito para fins de aferição da tempestividade, especialmente por não ter respaldo do documento em condição discordante e, uma vez que a intimação deve ser considerada como feita em 04/10/2017, pelo menos, o prazo de 30 dias previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/1972 para apresentação da impugnação findaria tão somente em 03/11/2017; quanto ao procedimento de intimação equivocado exercido pelo órgão tributário federal e a respectiva tempestividade da defesa administrativa, a decisão recorrida concluiu que não houve equívoco na intimação do lançamento, pois foram realizadas em nome do ente federativo e no endereço indicado pelo mesmo; em absoluta contradição, verificase dos autos do procedimento que os atos fiscais anteriores ao lançamento do procedimento fiscal foram entregues pessoalmente na Secretaria da Saúde, sem qualquer correspondência com o endereço defendido pela decisão ora recorrida; as próprias intimações fiscais emitidas no decorrer do procedimento fiscal foram encaminhadas efetivamente para a Secretaria de Saúde, órgão distinto daquele para o qual fora encaminhado o termo de ciência de lançamento, conforme consta do processo e dos documentos que seguem acostados, nos quais estão identificados os servidores da Secretaria de Saúde que receberam as respectivas intimações fiscais anteriores ao lançamento; tanto o termo de início do procedimento fiscal quanto todas as intimações fiscais n°s 12345 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal foram entregues na Secretaria de Saúde pessoalmente, no entanto, por outro lado, o termo de lançamento e encerramento do procedimento fiscal, cuja entrega dá início ao prazo para elaboração da defesa administrativa, foi encaminhado para órgão público distinto, pela via postal e para órgão com Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 85 5 âmbito de atuação sem atribuição direta correlata aos fatos averiguados no procedimento fiscal; o fato que deve ser extraído da decisão ora recorrida em defender a correta intimação do lançamento ao Estado da Paraíba, no Palácio da Redenção, é que as anteriores intimações fiscais do mesmo procedimento, com cobrança de documentos e esclarecimentos, não se deram no mesmo local; há reclamação da fiscalização de não atendimento de algumas das intimações, o que demonstra prejuízo para o recorrente na elaboração de suas manifestações e prestações de esclarecimentos; a prova concreta do equívoco na destinação do termo de ciência de lançamento, com o imediato início do prazo para defesa administrativa, está na distinção com os efetivos direcionamentos dos anteriores atos fiscais do próprio processo administrativo em referência; os termos da afirmação segundo a qual a defesa administrativa não é tempestiva, sob o argumento que a intimação do lançamento foi encaminhada para o endereço correto, levam à conclusão que os termos de início do procedimento fiscal e todas as intimações fiscais n° 12345 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal foram encaminhadas para o endereço errado, inclusive sem resposta a algumas delas, o que se leva à conclusão de se reconhecer, ao menos, ainda que de ofício, a nulidade do respectivo procedimento fiscal; temse por ilegal e improfícuo levar adiante o processo administrativo e uma eventual cobrança natimorta, quando já flagrantemente maculada por nulidade; para reafirmar o poder do desfazimento, de ofício, de eventual cadastro de débito prescrito, poderseia até mesmo invocar o Enunciado da Súmula n° 473 do STF. Reproduz a citada Súmula; a decisão ora recorrida deve ser reformada para reconhecer a tempestividade da Impugnação Administrativa ou, ao menos, que sejam tornadas nulas as intimações fiscais nºs 12345 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal encaminhados para endereço distinto daquele defendido pela decisão recorrida, tudo sob pena de cerceamento do direito de defesa e ao devido processo legal; é incensurável impugnar a intimação do lançamento, pois não se deu, para fins de apresentação de defesa administrativa, ao órgão público competente, inclusive, diversas variáveis das razões ora ratificadas da Impugnação Administrativa, muito embora tenham interferência na análise da tempestividade da defesa, não foi objeto de ponderação pela decisão ora recorrida; os fatos correlatos do procedimento fiscal decorrem de contribuições previdenciárias não recolhidas nem declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social – GFIP de servidores admitidos sem concurso público e vinculados à Secretaria de Estado da Saúde – SES/PB; os órgãos públicos integrantes da estrutura organizacional da Administração Pública Direta dos entes políticos, bem como as suas autarquias e fundações públicas são consideradas, para fins previdenciários, empresa, cabendolhes a estrita observância de todas as obrigações previdenciárias acessórias a estas Fl. 6813DF CARF MF 6 impostas, no que concerne aos seus agentes segurados não submetidos ao Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos Civis; tal conceituação representa a adoção, pelo direito administrativo pátrio, da chamada teoria do órgão, inspirada na doutrina alemã, por meio da qual a manifestação de vontade da pessoa jurídica ocorre em razão da atuação de centros ou círculos despersonalizados de competência, aos quais são legalmente transferidos um conjunto de funções e atribuições, exercidas por agentes públicos que os integram essa conclusão exsurge inconteste da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social, em seu art. 259. Reproduz dispositivo; o lançamento e a intimação não se deram, para fins de apresentação de defesa administrativa à Secretaria de Saúde, no qual estão vinculados os servidores geradores da contribuição previdenciária constituída; laborou em equívoco o encaminhamento do termo de encerramento do procedimento fiscal e ciência do lançamento, originado de fatos vinculados à Secretaria de Saúde — SES/PB, para um órgão distinto, ao passo que resta clarividente a nulidade dos lançamentos; a apresentação de intimação do Estado da Paraíba para fins de apresentação de impugnação administrativa é de competência da Procuradoria Geral do Estado, presentando o ente federativo, judicial e extrajudicialmente, na defesa de seus interesses em juízo ou perante qualquer instância administrativa pertencente a quaisquer das demais esferas da Administração Pública; repousa, exclusiva e indelegavelmente, na ProcuradoriaGeral do Estado, por intermédio do seu quadro de Procuradores de Estado, a quem outorgada a competência para o desempenho da representação judicial e extrajudicial do Estado, por força do disposto no art. 133, caput, da Constituição do Estado da Paraíba. Reproduz dispositivo da Constituição do Estado e da Constituição Federal; figurando nos créditos tributários constituídos como sujeito passivo o Estado da Paraíba, temse que a notificação dos respectivos lançamentos, para ser considerada válida, deveria ser dirigidas à ProcuradoriaGeral do Estado, órgão competente para responder em nome do ente político, sob pena de ofensa ao disposto no art. 132 da Constituição da República; a teor do que se extrai da inteligência do comando constitucional em apreço, podese asseverar que a competência para exercer a representação judicial e extrajudicial do Estado da Paraíba enfeixase no complexo de atribuições constitucionalmente deferidas à ProcuradoriaGeral do Estado, despontando manifesta a ilegitimidade de qualquer outro órgão ou autoridade estadual para figurar como representante do ente político, razão pela qual se tem por insubsistente a autuação do Estado da Paraíba endereçada para órgão distinto, sem qualquer gestor indicado para tanto; por equívoco na destinação do termo de lançamento pela Receita federal, ainda que involuntariamente, deve ser reconhecida a nulidade da intimação do lançamento, pois resultou em mais um elemento que gerou prejudicialidade no exercício do direito de defesa, ao passo que a decisão recorrida deve ser reformada também sob tal ótica. Requer por fim: Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 86 7 a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos arts. 25, II, e 33 do Decreto n° 70.235/1972 e dos arts. 73 e 75 do Decreto n° 7.574/2011; o acolhimento e a procedência do recurso voluntário para reformar a decisão ora recorrida e, por conseguinte, sejam anulados ou julgados insubsistentes o procedimento fiscal e os autos de infração, em todos os seus capítulos, os quais foram lavrados a partir do procedimento fiscal n° 0430100.2016.00421 e processo n° 14751.720195/201786; alternativamente, que sejam tornadas nulas as intimações fiscais n° 1234 5 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal, os quais foram encaminhados para endereço distinto daquele defendido pela decisão recorrida, com a anulação dos atos posteriores e o retorno da ação fiscal para estas etapas passíveis de desfazimento no procedimento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preambularmente, há que se esclarecer que o exame aqui empreendido abordará tãosomente as questões afetas à tempestividade da impugnação, sem fazer quaisquer considerações a respeito das demais questões abordadas no recurso voluntário. Apercebase que, em caso como esses, em sendo acolhidas as razões recursais afetas à tempestividade, o acórdão terá de ser anulado para que o Colegiado a quo profira nova decisão, garantindose assim a não ocorrência de supressão de instância. Isso demanda, inclusive, a devolução do prazo para a apresentação de novo recurso de forma que o sujeito passivo e a Fazenda Nacional possam exercer de forma plena o direito à ampla defesa e ao contraditório. Por outro lado, em se adotando posicionamento no sentido de negar provimento ao recurso na parte relacionada à tempestividade da peça impugnatória, será defeso à segunda instância administrativa se posicionar sobre as demais questões abordadas pelo contribuinte, em virtude da confirmação da decisão de piso e da não instalação da fase litigiosa em vista do disposto no § 2º do art. 56 do Decreto nº 7.574/2011: Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Fl. 6815DF CARF MF 8 [...] §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Retornando ao caso concreto, no que se refere à intimação, o inciso II do caput do art. 23 e o inciso II do § 2º do mesmo artigo estabelecem que, em se tratando de intimação por via postal, o contribuinte será considerado intimado do resultado de procedimento fiscal na data de seu recebimento ou, se omitida tal data, quinze dias após a expedição da intimação: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; [...] Da análise do Aviso de Recebimento – AR de fl. 6663 verificase que o Estado da Paraíba tomou ciência do Auto de Infração em 19/09/2017. Conclusão semelhante pode ser extraída a partir do documento emitido pelo sistema de rastreamento dos Correios, acostado à fl. 6755. Abaixo o inteiro teor dos citados documentos: Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 87 9 A despeito disso, a recorrente alega que não há registro da data de entrega no campo apropriado, que, no seu entender, seria no campo que fica ao lado da assinatura do recebedor no AR. Segundo alega, o carimbo dos correios não certifica a data de saída para entrega e nem mesmo a efetiva entrega do termo de ciência dos lançamentos e encerramento do procedimento fiscal. Depreendese, dentre outros, do caput do art. 1º do DecretoLei nº 509/1969 e do caput do art. 2º da Lei nº 6.538/1978, que o serviço postal brasileiro tratase de serviço público explorado pela União, por meio de empresa também de natureza pública, vinculada ao Ministério das Comunicações. Transcrevese o texto de referidas disposições normativas: DecretoLei nº 509, de 20 de março de 1969 Art. 1º O Departamento dos Correios e Telégrafos (DCT) fica transformado em empresa pública, vinculada ao Ministério das Comunicações, com a denominação de Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT; nos termos do artigo 5º, ítem II, do Decreto lei nº.200 (*), de 25 de fevereiro de 1967.(Vide Decreto Lei nº 200, de 25.2.1967) Lei nº 6.538, de 22 de junho de 1978 Art. 2º O serviço postal e o serviço de telegrama são explorados pela União, através de empresa pública vinculada ao Ministério das Comunicações Em razão da natureza dos serviços prestados pelos Correios, é de se concluir que o Aviso de Recebimento – AR emitido por referida empresa é considerado um documento público. O mesmo pode se dizer do documento emitido por seu sistema de rastreamento. Fl. 6817DF CARF MF 10 Não se pode olvidar que os documentos públicos fazem prova das informações neles contidas. Nesse sentido é o que dispõe art. 405 do Código de Processo Civil, cuja reprodução mostrase imperiosa: Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença. Assim, para contestar a data que consta do carimbo aposto pelo funcionário dos Correios no AR seria necessária a apresentação, pelo recorrente, de elementos probatórios hábeis e idôneos. Do mesmo modo, não há como infirmar os fatos evidenciados no documento emitido pelo sistema de rastreamento do serviço postal brasileiro sem provas aptas a evidenciar tal pretensão. Não obstante, a recorrente não trouxe aos autos sequer resquícios de prova que pudessem respaldar suas alegações. Não se olvide que art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis, atribui ao autuado o ônus de, ainda na impugnação, apresentar elementos de prova capazes a atestar a veracidade das razões suscitadas, possibilitando também sua exibição quando da interposição do recurso voluntário, na hipótese de tais provas referiremse a fato ou a direito superveniente, ou ainda quando se destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)( Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. [...] De outra parte, e pelas razões acima abalizadas, não vejo como o apelante recorrer à parte final do inciso do inciso II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, sob o argumento de que a data de ciência seria o décimo quinto dia da expedição da intimação, tendo em vista não haver registro da data de entrega no campo que fica ao lado da assinatura do recebedor. Impende asseverar que inexiste nos dispositivos legais que tratam da ciência de procedimentos fiscais qualquer prescrição que ampare as aspirações recursais nesse sentido. E mais, o carimbo aposto pelo funcionário dos Correios no AR (que se trata de documento público) mostrase suficientemente apto a atestar que a ciência do Auto de Infração se deu na data nele registrada, 19/09/2017. A esse respeito, irretocável a conclusão da DRJ/SPO de que: Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 88 11 17.2. Do confronto entre a data de intimação do contribuinte (AR de ciência dos autos de infração/carimbo do correio datado de 19/09/2017 – fls. 6663), com a data de manifestação da empresa, datada de 31/10/2017, concluise que a peça de Impugnação é intempestiva (fls. 6.733/6748), logo não merece prosperar a tese da defesa de que o prazo deveria ser contado a partir do dia 04/10/2017, por não consta escrito a data de entrega, mas apenas o carimbo do correio com a data de entrega (19/09/2017). Ainda a sobre esse assunto, o recurso voluntário traz a seguinte asserção: Pois bem, a norma não diz que, caso inexistente a data de recebimento no AR, que seja investigado de outra maneira ou perguntado ao carteiro quando foi entregue a comunicação, ou seja, a norma não remete a aferição da tempestividade a uma posterior indagação ao carteiro ou ao sistema de informática, e sim, por segurança jurídica, devese ater aos estritos termos em que postos na norma. Ao revés do que afirma a recorrente, a unidade preparadora não buscou se certificar da data da ciência da intimação “perguntado ao carteiro quando foi entregue a comunicação”. Diferentemente disso, o órgão da Administração Tributária agiu de forma zelosa e diligente, pois mesmo diante da informação constante do AR que, por si só, já atestava a data da ciência da autuação, e diante da irresignação do contribuinte, buscou se certificar, com base em mais um documento oficial, emitido pelo sistema de rastreamento dos Correios, da data da ciência do Auto de Infração. Neste ponto, O raciocínio fabulado na peça recursal prestase tãosomente a revelar a exasperação de quem busca se insurgir contra o óbvio: O Estado da Paraíba teve ciência do crédito tributário lançado contra si em 19/09/2017 e descuidouse do prazo estabelecido em lei para a apresentação defesa, ou seja, apresentou uma peça impugnatória perempta, imprestável. Neste ponto, cabe mais uma vez recorrer aos muito bem postos fundamentos trazidos na decisão recorrida, com os quais tenho absoluta concordância: 17.3. Vale destacar que o art. 23, II, § 2º, II do Decreto 70.235/72, fala que se considera intimado o contribuinte 15 (quinze) dias após a data da expedição da intimação, apenas nos casos de omissão da data de entrega, ou seja, quando não há como comprovar a data do recebimento da intimação, o que não ocorreu no caso concreto, já que ficou demonstrado mediante o carimbo dos correios, bem como em pesquisa eletrônica no sitio oficial dos correios, que a intimação dos autos de infração se deu em 19/09/2017, às 14:30, no domicilio fiscal indicado pelo sujeito passivo (fls. 6663 e 6755). De se ressaltar que a decisão consubstanciada no acórdão fustigado está em absoluta consonância com a lei, sobretudo com o disposto no inciso II do § 2 do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, não havendo como conferir razão à tese ostentada pelo sujeito passivo de que teria havido exclusão da hipótese normativa ou inovação no ordenamento jurídico tendente a caracterizar usurpação de competência do Poder Legislativo. Fl. 6819DF CARF MF 12 Convém reprisar que a fase litigiosa é instaurada pela impugnação que, para ser considerada como tal, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, em até 30 dias da intimação da exigência, a teor dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dito isso, temse que, no que se refere ao prazo para a apresentação de impugnação, o art. 5º da multicitada norma processual estabebelece: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...]; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; (Grifouse) Na espécie, o recorrente teve ciência do lançamento em 19/09/2017, uma teçafeira. Assim, levandose em consideração que os prazos são contínuos e somente se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do art. 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 20/09/2017, quartafeira. O trigésimo dia ocorreu em 19/10/2017 (quintafeira). Entretanto a impugnação somente foi apresentada ao Fisco em 31/10/2017 (terçafeira), portanto, fora do prazo legalmente estabelecido. Outra contestação veiculada no apelo que ora se analisa é de que os atos anteriores ao lançamento teriam sido realizados perante a Secretaria de Saúde do Estado. Segundo a apelante: [...] tanto o termo de início do procedimento fiscal quanto todas as intimações fiscais n°s 12345 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal foram entregues na Secretaria de Saúde pessoalmente, no entanto, por outro lado, o termo de lançamento e encerramento do procedimento fiscal, cuja entrega dá início ao prazo para elaboração da defesa administrativa, foi encaminhado para órgão público distinto, pela via postal e para órgão com âmbito de atuação sem atribuição direta correlata aos fatos averiguados no procedimento fiscal. Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 89 13 E continua: os termos da afirmação segundo a qual a defesa administrativa não é tempestiva, sob o argumento que a intimação do lançamento foi encaminhado para o endereço correto, levam à conclusão que os termos de início do procedimento fiscal e todas as intimações fiscais n°s 12345 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal foram encaminhadas para o endereço errado, inclusive sem resposta a algumas delas, o que se chega à conclusão, inevitavelmente, no dever de se reconhecer pela decisão, ao menos, ainda que de ofício, a nulidade do respectivo procedimento fiscal. Ainda a esse respeito, o sujeito passivo conclui que: resta clarividente que a decisão ora recorrida deve ser reformada para reconhecer a tempestividade da Impugnação Administrativa ou, ao menos, que sejam tornadas nulas as intimações fiscais nºs 12345 e os termos de ciência e continuidade do procedimento fiscal encaminhadas para endereço distinto daquele defendido pela decisão recorrida, tudo sob pena de cerceamento do direito de defesa e do devido processo legal. Evocando mais uma vez o Decreto nº 70.235/1972, temse que seu art. 59 estipula serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) In casu, não se vislumbra nenhuma das hipóteses apontadas na norma. De acordo com o Relatório Fiscal, o procedimento administrativo teve início com a comunicação, pelo Tribunal de Contas da Paraíba, a partir de processo realizado por aquele órgão de controle, da existência de “servidores contratados sem aprovação em concurso público e com vínculo precário sob a denominação de ‘codificados’”. Esses servidores encontravamse e exercício na Secretaria de Estado da Saúde – SES/PB. Fl. 6821DF CARF MF 14 Desse modo, nada mais natural e corriqueiro que o procedimento fiscal fosse realizado naquela Secretaria, órgão integrante da estrutura estatal, e que dispunha dos documentos necessários à verificação da regularidade do Estado com relação às contribuições dos servidores a seu serviço. Ademais, a comunicação sobre o início de procedimento fiscal ou a solicitação de documentos não se constituem em despacho, tampouco em decisão de qualquer natureza. Tratamse meros atos de expediente sem qualquer conteúdo decisório, não atraindo a aplicação do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. A primeira decisão adotada em face do Estado da Paraíba, referida nos presentes autos, constituiuse com a lavratura do Auto de Infração por descumprimento de obrigação tributária definida lei e, com relação a essa decisão, o ente estatal foi regularmente intimado, no local de sua sede, para extinguir ou impugnar o crédito constituído. Senão Vejamos o que consta da primeira página Auto de Infração em referência (fl. 2): Ficam os sujeitos passivos intimados a extinguir o crédito tributário constituído pelo presente lançamento de ofício, por meio do pagamento ou outra forma de extinção prevista em lei, ou impugnálo, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste auto de infração, nos termos dos arts. 5º, 15, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 8.748/93, n° 9.532/97, nº 11.196/05 e nº 11.941/09, cujo montante, acima discriminado, será recalculado, na data da efetiva extinção, de acordo com a legislação aplicável. Será concedido redução das multas passíveis de redução, nos seguintes percentuais, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941/09: I 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste auto de infração; II 40% (quarenta por cento), se for requerido o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste auto de infração. Esta intimação é válida, também, para a cobrança amigável de que trata o art. 21 do Decreto nº 70.235/72. (Grifouse) Dessarte, não se está diante de circunstâncias que possam acarretar a anulação das intimações para a apresentação de documentos, dos termos de ciência de início ou continuidade do procedimento fiscal como intenta o sujeito passivo no intuito de restabelecer a tempestividade de seu apelo inicial, pois não restou caracterizada a ocorrência do conclamado cerceamento de defesa. Do mesmo modo, não vejo nenhum cabimento na assertiva de que o fato de a fiscalização fazer referência ao não atendimento de algumas intimações teria causado prejuízo à recorrente. Ora, nada mais inusitado do que o contribuinte querer se valer de sua própria torpeza no intuito de afastar o lançamento. O fato de o sujeito passivo não ter atendido a fiscalização por ocasião da solicitação de esclarecimentos de nenhuma forma pode lhe favorecer. Seria, isso sim, causa para aplicação de multa por descumprimento de obrigação tributária acessória. Alude ainda o recorrente que, pelo fato de os segurados em relação aos quais as contribuições previdenciárias foram lançadas estarem em exercício na Secretaria de Estado Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 14751.720195/201786 Acórdão n.º 2402006.425 S2C4T2 Fl. 90 15 de Saúde – SES/PB e, como o lançamento e sua intimação não se voltaram para o referido órgão, o Fisco teria laborado em equívoco o que levaria à nulidade do lançamento. Não lhe assiste razão. É que a Secretaria de Estado de Saúde – SES/PB não possui personalidade jurídica própria e não é titular de direitos ou obrigações, sendo que sua atuação é imputada diretamente ao Estado da Paraíba, ente personalizado a que pertence. Portanto, ainda que as irregularidades apuradas no curso do procedimento fiscal tenham relação com prestadores de serviço em atividade na SES/PB, a obrigação de responder pelo tributo é, por razões óbvias, do próprio Estado. Para o exame das últimas alegações insertas no recurso voluntário a respeito da tempestividade da peça impugnatória, impede reprisar que, nos termos do inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a intimação, quando por via postal, deve ser feita no domicílio eleito pelo sujeito passivo. O inciso I do § 4º do mesmo artigo, por seu turno, é taxativo com relação ao que se considera domicílio tributário: Art. 23. [...] [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e [...] (Grifouse) O documento de fls. 6716/6717, reproduz informação sobre o endereço constante dos dados cadastrais do sujeito passivo. Confirase: Recorrendose ao Aviso de Recebimento dos Correios, reproduzido na parte inicial deste voto, constatase que o Auto de Infração foi encaminhado para o endereço fornecido pelo próprio recorrente para fins cadastrais, ou seja, a intimação foi feita no domicílio tributário eleito pelo próprio sujeito passivo, e de conformidade com o prescrito na lei. Fl. 6823DF CARF MF 16 Por fim, não há nos autos qualquer discussão sobre quem detém competência para representar o ente estatal autuado, tanto assim que a impugnação, mesmo intempestiva, assim como o recurso voluntário, todos de autoria da ProcuradoriaGeral do Estado foram regularmente recebidos e processados. Porém, o fato de a ProcuradoriaGeral ser detentora de tal competência não implica que o domicílio tributário do Estado da Paraíba se confunda com o endereço das instalações do órgão de representação jurídica. O domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos da lei, reiterese, é o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, que no caso, é aquele onde está instalada a sede do governo e para onde foi, corretamente, encaminhada a imputação fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 6824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720067/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 67 /2 01 1- 57 Fl. 59236DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59237DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59238DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59239DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59240DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59241DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59242DF CARF MF
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Numero do processo: 13964.000405/2010-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa.
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INTERPOSTA PESSOA.
A constatação de interposição de pessoa autoriza a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação por meio SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato ensejador da exclusão.
Numero da decisão: 1003-000.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no Recurso Voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que acatou a preliminar e deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Abelson.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INTERPOSTA PESSOA. A constatação de interposição de pessoa autoriza a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação por meio SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato ensejador da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no Recurso Voluntário e, no mérito, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que acatou a preliminar e deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Abelson. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 04 05 /2 01 0- 81 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 3 2 Bárbara Santos Guedes Relatora (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0129.060, de 22 de abril de 20014, da 2ª Turma da DRJ/BEL, que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Em fiscalização realizada na empresa contribuinte, os auditores fiscais responsáveis concluíram que, mediante as condutas apresentadas na representação fiscal e na interposição de pessoa jurídica Gonçalves Romagna EPP, o representante legal da empresa Gimara Confecções Ltda deu causa a exclusão de oficio, com efeito , no período de 01/2006 a 06/2007, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequenos Portes SIMPLES, instituídos pela Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (fls. 01 a 08). Através do Ato Declaratório de nº 158, de 06 de setembro de 2010, a empresa GIMARA foi excluída do Simples por utilizarse de pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas, que não os verdadeiros sócios, infringindo o art. 9º, inciso IV c/c art. 12 ambos da Lei 9.317/96 (fls. 67). Contra essa decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade defendendo que a empresa possuia os mesmos sócios desde a constituição, em 10/07/1990, quais sejam, Antônio Romagna e Maria Aparecida Romagna. Logo, a Recorrente não foi criada por interpostas pessoas. Que a alegação na representação fiscal de que a empresa GISELE GONÇALVES ROMAGNA EPP não existia de fato, não vincula a Recorrente, pois aquela é pessoa jurídica independente e, caso ela fosse constituída por quem não é seu sócio, então essa empresa deveria ser afastada e não a GIMARA (fls. 69 a 71). Por unanimidade de votos, através do acórdão de nº 0129.060, de 22 de abril de 2014, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, tendo o julgador relator destacado em seu voto: 8. Acertou a fiscalização ao observar que a empresa GIMARA CONFECÇÕES LTDA. empreendia negócio no ramo de confecção de roupas íntimas, com seu corpo funcional formalmente dividido com a pessoa jurídica denominada Gisele Gonçalves Romagna EPP e também com outra pessoa jurídica denominada Rafael Gonçalves Romagna ME, tudo congregado no mesmo local, o mesmo parque industrial e equipamentos, sob administração do empresário Antônio Romagna. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 4 3 9. Observese ainda que a empresa Gisele Gonçalves Romagna EPP foi considerada empresa de fato inexistente, razão da representação administrativa encaminhada à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, com vistas à sua baixa de oficio na inscrição do CNPJ. 10. Ao contrário do que sugere a contribuinte em sua defesa, a interposição de pessoas no presente caso, não ocorre exclusivamente pela inserção de um sócio vulgarmente conhecido como “laranja” em seu quadro societário. 11. Ainda que desde o início de sua constituição societária, permaneçam os mesmos sócios, Sr. Antônio Romagna e Sra.Maria Aparecida Gonçalves Romagna, a existência da interposição de pessoas é patente no presente caso, pois conforme está claramente relatado na Representação Fiscal que deu origem à exclusão, fls.02/06, a interposição que ocorre é da pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP, a qual corresponde a uma mera simulação para que a empresa ora excluída pudesse usufruir indevidamente do tratamento tributário favorecido instituído pela Lei no 9.317/96 (Simples Federal) com vigência até junho de 2007. Inconformada com o julgamento, a Recorrente apresentou recurso voluntário, defendendo a nulidade do processo em razão de cerceamento de defesa, visto que recebeu o Ato Declaratório de exclusão do Simples Nacional sem a respectiva representação fiscal, fato que impediu a sua defesa plena. Outrossim, fundamentando no inciso IV do art. 14 da Lei 9.317/96, a Recorrente explica que só poderia ocorrer interposta pessoa se a pessoa jurídica a ser excluída tenha sido constituída, em seu quadro societário, por interpostas pessoas que não os verdadeiros sócios. Aduz que, com relação aos efeitos da exclusão, essa só poderia ocorrer a partir da decisão final do ato de exclusão. Por fim, requereu a procedência do pedido liminar e, ultrapassado esse argumento, requer seja acolhida as razões de mérito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. O cerne do litígio é a exclusão da GIMARA do Simples Federal por supostamente ter incorrido em situação excludente prevista no art. 9º, inciso IV c/c art. 12 ambos da Lei 9.317/96 , nos termos do ADE nº 158, de 06 de setembro de 2010. DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 5 4 A Recorrente pede, em sede de preliminar, que seja analisado seu pedido de cerceamento de defesa, em razão de não ter a mesma recebido a representação fiscal que levou à autoridade fiscal a emitir Ato Declaratório de nº 158. A exclusão da Recorrente pelo Ato Declaratório em questão trouxe como motivo : Art. 10 A contribuinte GIMARA CONFECÇÕES LTDA, CNPJ — 82.116.831/000198, excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, por utilizarse de interpostas pessoas que não os verdadeiros sócios, infringindo o disposto no art. 14, inciso IV, da Lei 9.317/96, c/c o artigo 12, da mesma Lei. Apesar do enquadramento legal, o ato não fundamenta a exclusão em fatos, tais alegações estão na representação fiscal, o qual a Recorrente alega não ter recebido. O Ato Declaratório precisa ser motivado e deverá sempre ser vinculado. A Lei 9.784/99, em seu art. 2º, esclarece: Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Quanto à motivação, o artigo 50 do mesmo dispositivo legal, determina o que se segue: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. A motivação dos fundamentos que justificam uma decisão do administrador público é fundamental para dar legitimidade e legalidade ao ato da Administração Pública e, conseqüentemente, para possibilitar o efetivo exercício do direito de defesa do contribuinte. A motivação é princípio de direito administrativo e consiste na exposição dos elementos que ensejaram a prática do ato administrativo, mais especificamente com a indicação de seus pressupostos fáticos e jurídicos, bem como a justificação do processo de tomada de decisão. Da análise do caso concreto, verificase que o Ato Declaratório não atende à essa determinação, uma vez que os fatos que motivaram a exclusão não estavam discriminados no termo. A motivação poderia ter sido dada a partir pareceres anteriores, como é o caso dos Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 6 5 autos (representação fiscal), mas tal documento deveria ter sido enviado à empresa para a livre e plena defesa da Recorrente. Não há nos autos prova de que tal documento tenha sido enviado e a Recorrente, desde a primeira impugnação apresentada, levanta a questão em debate. Entendo que a autoridade fiscal não motivou o Ato Declaratório de exclusão, em obediência ao art. 50, § 1º da Lei 9.784/99. Nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72, são nulos os despachos e decisões que tenham sido proferidos com preterição do direito de defesa, o que se aplica ao presente, visto que o não envio da representação fiscal junto ao Ato Declaratório, indicando os fatos que levaram à exclusão, é um vício de forma e impossibilita ou mesmo prejudica a defesa adequada da Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de cerceamento de defesa, restando, por conseguinte, nulo o Ato Declaratório constante dos autos. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Abelson, Redator designado. Discordo do voto da ilustre Conselheira Relatora no que tange ao acolhimento da preliminar de cerceamento de defesa. A recorrente, por meio de seu representante legal, tomou ciência pessoal do ADE em questão em 29/09/2010 (folha 67, numeração em papel), momento em que se encontrava sob o procedimento de fiscalização de MPF nº 09.2.01.002010007481 (folha 08), conforme relatado na Representação Administrativa para Exclusão do Simples (folhas 01/07). A Representação Administrativa para Exclusão do Simples consiste em uma comunicação do AuditorFiscal responsável pela ação fiscal para o setor da unidade da RFB responsável pela emissão dos ADE. Em tal documento estão relatados os fatos ocorridos durante a ação fiscal, elencada a documentação coletada e apresentadas as conclusões no que se refere, no caso, à exclusão da fiscalizada do Simples Federal. Ou seja, é um documento que reproduz as informações obtidas no curso da ação fiscal para fundamentar a emissão do ADE por parte de outro setor da unidade da RFB. Não há, na referida representação, informação que não conste da ação fiscal então em curso. Além disso, do referido ADE consta referência ao número do presente processo, ao qual a representação é o primeiro documento, tendo sido anexada, portanto, em 27/08/2010 (data do protocolo, na capa do processo). Desta forma, observase que, estando sob o procedimento de fiscalização que motivou a exclusão e, diante da informação constante do ADE do número do presente processo, a contribuinte já tinha conhecimento prévio dos motivos de sua exclusão, e teve Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 7 6 facultado pleno acesso à Representação Administrativa para Exclusão do Simples Nacional mediante vistas ao presente processo. Cabe registrar que é usual a emissão de ADE também fora de procedimento de fiscalização, derivada de cruzamento de informações em sistemas, e que, nestes casos, sequer há representação interna, ou seja, as contribuintes são cientificadas de sua exclusão mediante apenas o ADE, sem qualquer outro documento explicativo. A ciência da fiscalizada ao ADE no curso do procedimento fiscal é procedimento corriqueiro e, usualmente, não é dada ciência específica à contribuinte da representação que fundamentou o ADE, à qual esta tem acesso mediante vista ao processo. Desta forma, não vejo razão para considerar ter havido o cerceamento do direito de defesa alegado pela recorrente. No mérito, a recorrente argumenta, inicialmente, que a exclusão do Simples por infração ao disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei 9.317/96 somente pode ocorrer se ficar devidamente comprovado que a pessoa jurídica a ser excluída foi constituída, em seu quadro societário, por interpostas pessoas, que não sejam os verdadeiros sócios, acionistas ou titular, e afirma não ter ocorrido simulação pela atividade de mais de uma pessoa jurídica no mesmo endereço. A contribuinte se refere à sua atividade no mesmo endereço que a pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP, fato mencionado na Representação Administrativa para Exclusão do Simples (folhas 01/07) que alegou desconhecer, nas preliminares. Não contesta, no entanto, outros fatos relatados no documento: a exploração de uma única atividade econômica confecção de roupas íntimas, utilização indistinta do quadro funcional de ambas, gestão de fato de um só administrador, com comprovação inclusive por assinatura de documentos, configurando claramente unicidade empresarial e comunhão administrativa, bem como inexistência de fato da mencionada EPP, utilizada apenas para divisão de receita bruta e contratação de empregados, com a finalidade, com a permanência no Simples, de supressão de tributos, notadamente a contribuição previdenciária destinada à seguridade social, fragmentando a folha de pagamentos de salários para usufruir indevidamente de tratamento tributário favorecido. Procedimento, inclusive, repetido a partir de 2010, com a constituição de mais uma pessoa jurídica nas mesmas condições, Rafael Gonçalves Romagna ME. O procedimento fiscal que conclui pela inexistência de fato da pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP não pode, por óbvio, limitarse por sua existência formal, demonstradamente mero instrumento de simulação. Quando fica comprovada a interposição de pessoa na administração da referida EPP, que nada mais é que parte não autônoma da recorrente e gerida, de fato, pelo sócioadministrador da última, está caracterizada a utilização de interposta pessoa em parte não autônoma da própria recorrente e, portanto, na própria recorrente, estando claramente configurada a hipótese de sua exclusão do Simples constante do art. 14, IV, da Lei 9.317/96. Correto, portanto, o procedimento, ao excluir a recorrente do Simples Federal e representar pela baixa de ofício da inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que demonstrou ser inexistente de fato, por não exercer autonomamente suas atividades. A outra alegação de mérito da recorrente se refere aos efeitos da exclusão. Argumenta que não consta dos autos data da ocorrência da alegada infração e, portanto, não há termo inicial para os efeitos da pretendida exclusão, que pelo art. 15, V, da Lei 9.317/96, deve surtir efeitos a partir do mês de ocorrência, no caso, da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas. Entende, assim, que a exclusão só poderia surtir efeitos a partir da decisão administrativa final relativa ao ato de exclusão. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 8 7 A constituição da pessoa jurídica recorrente por interpostas pessoas se dá a partir da constituição formal da pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP, a qual, conforme já demonstrado, representa parte não autônoma da pessoa jurídica recorrente, com titularidade de direito não correspondente à gestão de fato. A referida EPP foi aberta em 19/04/2004 (folha 01), e a partir de então configurouse a infração legal. Contudo, como a ação fiscal se deu em 2010, pelo reconhecimento de ofício do prazo decadencial, bem como pelo período determinado no Mandado de Procedimento Fiscal (folhas 08/09), entendeuse por bem, e corretamente, excluir a interessada do Simples apenas a partir de 01/01/2006, conforme ADE à folha 67. Nenhum reparo a fazer, portanto, ao termo inicial da exclusão. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 126DF CARF MF
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