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Numero do processo: 15374.004214/2001-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Verifica-se nos autos que o presente lançamento refere-se a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte relativos a pagamentos a beneficiários não identificados, referente ao ano calendário de 1996, em que não houve pagamento antecipado.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 05/10/2001, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
Desnecessário é o retorno dos autos ao colegiado a quo, posto que as demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte já foram devidamente apreciadas e, ainda porque, em sede de primeira instância, que inicialmente declarou a decadência parcial, a única matéria submetida a apreciação foi justamente a decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 13/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 13/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que o presente lançamento referese a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte relativos a pagamentos a beneficiários não identificados, referente ao ano calendário de 1996, em que não houve pagamento antecipado. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 05/10/2001, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. 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(Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 13/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2201 00.810, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 22 de setembro de 2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário. Seguem abaixo as suas ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Exercício: 1996 DECADÊNCIA IRRF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO ART. 150, § 4° do CTN. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, salvo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. PAGAMENTOS IDENTIFICADOS EFETUADOS Á BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS FALTA DE PROVAS. Não procede a alegação de que a fiscalização não fez o seu trabalho investigatório a fim de instruir o auto de infração, sendo que o ônus de provar a quem foram realizados os pagamentos efetuados é do contribuinte, sob pena de ser autuado pelo Imposto de Renda sobre pagamentos à beneficiários não identificados. Recurso de Ofício negado. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.004214/200173 Acórdão n.º 9202003.119 CSRFT2 Fl. 7 3 Recurso Voluntário negado. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional entende que o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pelo CARF sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento do tributo, devendo, portanto, ser reformado. Argumenta que o acórdão recorrido aplicou o art. 150, § 4º do CTN, indistintamente, sem aferir sobre a existência ou não de pagamento antecipado. Considerou apenas que, pelo IRRF tratarse de tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, deveria ser aplicado o dispositivo mencionado, afastando implicitamente a aplicação do art. 173, inciso I do CTN, mesmo diante da ausência de comprovação de recolhimento antecipado do tributo nos autos. Assim, acolheu a preliminar de decadência com relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro do anocalendário de 1996. Frisa que, a respeito do prazo para a constituição de créditos tributários relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o acórdão recorrido diverge do adotado pelas Câmaras Superiores das 1ª e 2ª Seções, cujas ementas seguem abaixo: 910100.460 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I. do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP ns 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. CSRF/0203.331 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I);(b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN ART. 150, § 4º). Para a Fazenda, está claro no caso em tela, que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo. Em face da ausência de pagamento, entende ser cabível a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Ao final, requer o provimento do seu recurso, para que se aplique ao presente caso o art. 173, I do CTN. Nos termos do Despacho nº. 220000.463/2011, foi dado seguimento ao pedido em análise. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O contribuinte não apresentou contrarrazões. Alertase para o fato de que todo o crédito tributário mantido na decisão de 1ª instância consta como tendo sido objeto de parcelamento pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15374.004214/200173 Acórdão n.º 9202003.119 CSRFT2 Fl. 8 5 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que o presente lançamento referese a incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte relativos a pagamentos a beneficiários não identificados, referente ao ano calendário de 1996, em que não houve pagamento antecipado. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 05/10/2001, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Desnecessário é o retorno dos autos ao colegiado a quo, posto que as demais matérias constantes do recurso voluntário do contribuinte já foram devidamente apreciadas e, ainda porque, em sede de primeira instância, que inicialmente declarou a decadência parcial, a única matéria submetida a apreciação foi justamente a decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10803.720034/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA.
São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis no real beneficiário.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA.
Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada.
LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL
Na inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para efetuar o lançamento é disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 2201-002.286
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza e Maria Helena Cotta Cardozo votaram pela conclusão, nos termos do voto da Redatora-Designada. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Júlio Cesar Soares, OAB/DF 29.266.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
(Assinatura digital)
Nathalia Mesquita Ceia Relatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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INTERPOSTA PESSOA. São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis no real beneficiário. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL Na inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial para efetuar o lançamento é disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza e Maria Helena Cotta Cardozo votaram pela conclusão, nos termos do voto da Redatora Designada. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Odmir Fernandes (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Júlio Cesar Soares, OAB/DF 29.266. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 34 /2 01 1- 93 Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 2 (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator (Assinatura digital) Nathalia Mesquita Ceia –Relatora designada. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário de 2005 a 2008 sobre omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa, com multa qualificada de 150%. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 1456 a 1462), com ciência em 14.07.2011 (AR fls. 1626), do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, sobre omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa de Walter Flamengo Salles, que seria sócio formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo autuado, Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernâni Bertino Maciel (E), assim relatado na autuação: OMISSÃO DE RECEITA APURADA, resultante de ação fiscal desenvolvida no contribuinte WALTER FLAMENGO SALLES, CPF n° 116.909.09820, amparado pelo MPFF n° 08.1.13.00 2010002014, em decorrência de SIMULAÇÃO, com interposição de pessoa, nos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, em face do recebimento de rendimentos percebidos com infração à lei, os quais foram depositados em suas contas bancárias, tendo sido identificado como interposta pessoa, controlada pelo grupo K/E, cujos integrantes são CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, e que informou em sua declaração de imposto de renda, como supostos empréstimos, recebidos através de contratos de mútuo da BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA, CNPJ n° 05.927.775/000120, atualmente na situação cadastral INAPTA, por prática irregular de operação do comércio exterior, com efeitos a partir de 14/02/2005 (Processo n° 10314005235/2007 92), e, da COMTEC COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS LTDA CNPJ 07.047790/000100, na situação cadastral SUSPENSA, por inexistência de fato, a partir de 05/08/2010 (Processo n° 10803 Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 3 3 000022/201068), interpostas empresas, comandadas e gerenciadas por CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, os verdadeiros sujeitos passivos, participantes do esquema fraudulento denominado OPERAÇÃO PERSONA, como sendo as pessoas que têm relação direta e pessoal com o fato jurídico, e deste modo, se encontram no polo passivo da obrigação tributária; respondendo individualmente por 50% da receita omitida apurada, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Infração, parte integrante do presente Auto de Infração. Houve Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF em nome de Walter Flamengo Salles (fls. 297 a 314). O Termo de Verificação de Infração (fls. 1463 a 1610) relata: Em sua "PARTE B DA OPERAÇÃO PERSONA" (fls. 1471 a 1478), que, em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal da Ia Subseção Judiciária de São Paulo (SP), foi deflagrada a "Operação Persona", pela qual a Receita Federal do Brasil, conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, investigou um esquema fraudulento de importações que se utilizava de empresas e pessoas interpostas para a prática de sonegação fiscal, sendo os reais beneficiários das operações a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ n° 04.867.975/000172, e a multinacional americana CISCO SYSTEMS INC., ambas ocultas pelas diversas operações simuladas de compra e venda de mercadorias. Segundo a Fiscalização, restou comprovado que o grupo K/E, controlado por CID GUARDIA FILHO (KIKO) e ERNÂNI BERTINO MACIEL, participou ativamente da logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO, formada pela sucessão de empresas exportadoras e distribuidoras nos EUA e, no Brasil, por uma cadeia de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial e de despacho aduaneiro, aparentemente distintas umas das outras, mas que, de fato, constituíam uma organização sob comando único, conforme vínculos de seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais e excluindo, por meio de interposição fraudulenta, do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE. O fluxo das mercadorias, que se inicia com a negociação realizada entre o encomendante e a CISCO DO BRASIL LTDA, materializase através do pedido da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. à fabrica da CISCO SYSTEM INC, nos Estados Unidos, e por uma série de operações comerciais simuladas de venda de mercadorias ocorridas entre as empresas de fachada, que assumem os papéis de exportadoras, importadoras e distribuidora, até chegar à MUDE, que, ao Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 4 recebêlas já nacionalizadas, as transfere ao cliente final (encomendante). Relativamente à parte operacional do esquema, foram identificados os grupos a seguir: SOUTH, em referência à empresa de logística responsável pelas operações de comércio exterior SOUTH e outras a ela associadas; K/E, em referência a CID GUARDIA FILHO, o KIKO, e ERNÂNI BERTINO MACIEL, que controlavam, de fato, as interpostas exportadoras (3 TECH, LATAM e ROMFORD), importadoras (PRIME TECNOLOGIA IND. E COM. LTDA, D'LUCK COM. IMP. EXPO. LTDA, ARCO EQUIPAMENTOS LTDA, BRASTEC TECNOLOGIA E TECNOLOGIA EM ELETRÔNICA DA BAHIA LTDA) e distribuidoras (TECNOSUL DIST. PROD. ELETROELETRÔNICOS E INFORM. LTDA., NACIONAL DISTR. DE PROD. ELETRÔNICOS LTDA, SPCOM PREST. DE SERVIÇOS EM INFORMÁTICA LTDA e COMTEC COM. E DISTR. PROD. ELETROELETRÔNICOS LTDA); MUDE, em referência à MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., líder na venda de produtos CISCO no Brasil; e CISCO, em referência à CISCO BRASIL, BENEFICIÁRIA última do >quv ia, pois conseguiu abastecer o mercado nacional com produtos bem abaixo dos de mercado, bem como reduzir a carga tributária e evitar o controle de fiscalização de Preços de Transferência e Tributação em Bases Universais. Além desses grupos, identificouse mais um nível de blindagem, pois a CISCO USA simulava a venda dos produtos, como se fosse uma operação interna nos Estados Unidos, para uma empresa do esquema, que atuava entre a CISCO USA e as exportadoras interpostas. As empresas interpostas normalmente tinham seus quadros societários compostos por empresas offshores sediadas em paraísos fiscais e/ou pessoas desprovidas de recursos econômicos e experiência em atos de comércio (desconhecem o significado de TI Tecnologia da Informação embora atuem no segmento eletroeletrônico e informática), vulgarmente denominadas "laranjas", como pedreiros, ambulantes, operadores de telemarketing, auxiliares de escritório, ferramenteiros, etc. Para a distribuição dos recursos financeiros obtidos (lucros e remuneração) às pessoas que comandavam o Grupo K/E, CID e ERNÂNI, foram constituídas as empresas de fachada CMGUARDIA ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO S/C LTDA., CNPJ n° 04.900.813/000199 (em nome de CID 99% e sua esposa Marilena 1%), e CIDER ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., CNPJ n° 08.350.057/000122 (50% CID e 50% ERNÂNI), que emitiram notas fiscais de prestação de serviços de assessoria junto à rede de interpostas empresas sob seu controle e demais empresas participantes do esquema fraudulento. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 4 5 Na "PARTE G DA SIMULAÇÃO" do Termo de Verificação de Infração (pág. 133, fl. 1595), a Fiscalização noticia que foram proferidas sentenças na esfera criminal, conforme transcrição a seguir (os destaques constam do termo em referência): 2.1DA SENTENÇA JUDICIAL PROFERIDA EM 17/02/2011 Os fatos apreciados e decididos na Ia Sentença (Diretores da MUDE) proferida em 17/02/2011 nos auto de n° 0005827 49.2003.403.6181, pelo Juiz Federal Substituto Dr. Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, da 4a Vara Federal Criminal/SP, dizem respeito única e exclusivamente à interposição fraudulenta em operações de importação. Nesta sentença foram condenados seis executivos e funcionários das empresas Mude e Whafs Up, reconhecida pela Justiça como o setor de importação da Mude. 2.2NOVA SENTENÇA PROLATADA EM 06/04/2011 (Grupo K/E) Na 2a Sentença (Grupo K/E), prolatada em 21/03/2011, o Juiz Federal Substituto Dr. Luiz Renato Pacheco Chaves de Oliveira, condenou CID GUARDIÃ FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL do grupo K/E, e MARCOS ZENATTI, suposto sócio da TECNOSUL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ELETRO ELETRÔNICOS E INFORMÁTICA LTDA e da ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, "pela prática de 16 delitos capitulados no art. 334, § 1°, "c" do Código Penal, em continuidade delitiva, além do delito capitulado no art. 288, caput do Estatuto repressivo", (fls.1330/1441) Após transcrever as conclusões do Juízo, no tocante à materialidade do delito " sinala a Fiscalização o que segue (destaques de acordo com o Termo de Verificação de Infração): Nesta sentença concluiuse que o grupo MUDE realizava operações fraudulentas de importação por meio de interpostas empresas importadoras, dentre as quais a BRASTEC, que não tinham estrutura física e de pessoal para realizar o montante das operações realizadas. Estas interpostas empresas eram constituídas por sócios formais, interpostas pessoas, e eram controladas por CID GUARDIA (KIKO) e ERNÂNI BERTINO MACIEL sócios da empresa CIDER ASSESSORIA. Nos interrogatórios, CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL confirmaram que efetuavam controle e gerenciamento das interpostas empresas, ABC, BRASTEC, PRIME, por meio da CIDER, enquanto CID GUARDIA FILHO cuidava da área operacional das importações, ERNÂNI BERTINO MACIEL, como auditor aposentado, tratava da área de tributos internos, e os sócios formais das interpostas empresas administravam outros assuntos menores. Foi confirmado que todas as empresas importadoras valiamse das mesmas distribuidoras TECNOSUL e NACIONAL, Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 6 reforçando a tese de interposição fraudulenta, e que todo o processo de importação era controlado pela MUDE. Na PARTE H DAS CONCLUSÕES" do Termo de Verificação de Infração, em seu item 7.9 (págs. 139 a 141, fls. 1601 a 1603), são arrolados elementos que, segundo a Fiscalização, evidenciam que CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL constituem o núcleo de comando e controle da rede de empresas interpostas integrantes do esquema de importação fraudulenta investigado no bojo da Operação Persona. Impugnação (fls. 1629 a 1646) A Decisão Recorrida (fls. 1707 a 1726) ,com ciência em 14.06.2012 (AR fls. 1732), manteve a autuação pela existência de diversos indícios de os recurso financeiros que transitaram pela conta bancária do sócio formal da BRASTEC, Walter Flamengo Salles, era feita por conta e ordem de seus administradores de fato, o autuado Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernani Bertino Maciel (E), identificados como os efetivos responsáveis pelo comando e controle do Grupo K/E uma rede de interposta empresas exportadoras, importadores e distribuidoras. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE INTERPOSTA PESSOA. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. MULTA QUALIFICADA Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 5 7 É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Improcedente No Recurso Voluntário (fls. 1733 a 1757) protocolado em 10.07.2012, sustenta em síntese: a) Ausência de prévia intimação do Recorrente e ao outro cotitular dos valores depositados na contacorrente que se reputam serem rendimentos omitidos de titularidade de ambos; b) Erro na sujeição passiva. Não há qualquer prova da retirada de valores das contas bancárias de Walter Flamengo Salles que tenham beneficiado o Recorrente; c) A fiscalização não apontou as origens e o destino dos valores depositados nas contas bancárias de Walter Flamengo Salles; d) Incabível a multa qualificada pois não qualquer prova da infração pelo autuado ; e) Decadência em relação as exigências do IRPF de janeiro de 2005 a junho de 2006. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF com acusação da omissão de rendimentos, com multa qualificada de 150%, recebidos por intermédio de interposta pessoa de Walter Flamengo Salles, que seria apenas sócio apenas formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo autuado, Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernâni Bertino Maciel (E). A omissão de rendimento apurada na operação persona deflagrada pela Policia Federal, Ministério Público, Receita Federal, com ramificações nos Estados Unidos – EUA, na importação e exportação realizadas, entre outros, pelo Recorrente Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernani Bertino Maciel (E), Auditor aposentado da Receita Federal. Sustenta o Recorrente 1) Quebra do sigilo bancário; 2) Decadência dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006; 3) Falta de intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários; 4) Erro na eleição do sujeito passivo; 5) Indevida imposição da multa qualificada. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 8 Passo ao exame das questões postas no recurso. Sigilo bancário Observo que houve quebra do sigilo bancário da interposta pessoa com a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF em nome de Walter Flamengo Salles para obtenção dos extratos bancários e autuação a omissão dos rendimentos, conforme vemos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 297 a 314). Em face disso, os autos deveriam ser sobrestados na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, diante da Repercussão Geral sobre a quebra do sigilo bancário reconhecida pelo C. STF no RE nº 601.314SP. Contudo, este não é o entendimento majoritário da douta 1ª Turma Julgadora da 2ª Câmara, assim, vencido nessa prejudicial e preservando minha convicção pessoal sobre a matéria, passo ao exame das demais preliminares trazidas pelo Recorrente nas razões de recurso. Prévia intimação Sustenta inicialmente o Recorrente não houve a prévia intimação para explicar a origem dos depósitos bancários. Faz diversas considerações nas razões de recurso sobre a obtenção das informações bancárias para concluir que a autuação deveria ser feita sobre omissão de rendimentos pelos depósitos bancários, com a necessidade da prévia intimação do autuado para explicar a origem dos depósitos, na forma do art. 42, da Lei 9.430, de 1996. Na impugnação também sustentou a nulidade da autuação pela ausência da prévia intimação para explicar a origem dos depósitos bancários em nome de Walter Flamengo Salles. Contudo, embora a autuação tenha por base os depósitos bancários existentes nas contas de Walter Flamengo Salles, ela não se fez pelo rito e procedimento dos depósitos bancários, com a inversão do ônus da prova e a presunção de os depósitos serem rendimento tributável omitido, se intimado, o autuado não comprove a origem dos depósitos. Não se adotando o procedimento da inversão do ônus da prova e presunção, de que cuida o art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, não cabe a intimação prévia. Esse o equívoco do autuado ao tentar a nulidade da autuação por esse fundamento, se ela se fez por outro motivo. A consequência de não se adotar esse procedimento é não existir a inversão do ônus da prova e a presunção legal do art. 42, da referia lei, mas a obrigação de a fiscalização identificar a fonte, a origem e comprovar se a omissão – dos depósitos bancários – pertence ao autuado e corresponde a rendimento tributável. Vejase, não examina a autuação sob o prisma da presunção legal do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, mas da efetiva comprovação de os depósitos pertencerem ao autuado e corresponderem a rendimento tributável omitido pelo Recorrente. Por essas razões, afasto a prejudicial, relativa a ausência de prévia intimação para explicar os depósitos bancários. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 6 9 Decadência. Sustenta o Recorrente a extinção do direito de o fisco lançar as exigências correspondentes aos fatos geradores dos meses de janeiro de 2005 a junho de 2006, uma vez que se trata de tributo de lançamento por homologação, realizado após do decurso do prazo previsto no artigo 150, § 4o, do CTN. De fato, tratase do imposto de renda da pessoa física, de lançamento por homologação, mas com fato gerador complexivo e continuado, sujeito a ajuste anual, que se completa no final do exercício. Ao contrário do que pensa o Recorrente o fato gerador não é mensal, com tributação exclusiva e definitiva na fonte, mas anual. Com isso o lançamento somente se torna possível a partir o dia primeiro do anos seguinte. Não havendo prova de pagamento e com acusação de fraude na omissão dos rendimentos, por serem eles recebidos por intermédio de interposta pessoa, o prazo decadencial regulase pelo art. 173, I do CTN e jurisprudência pacifica do C. STJ em Recurso Repetitivo no REsp 973.733/SC, de observância obrigatória por este Conselho, a teor do art. 62A, do RI, Assim, o inicio da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador. Com isso, o termo inicial da decadência, para examinarmos o exercício mais, de 2005, sem prova de pagamento e com existência de fraude, é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, dia 01.01.2007, para a exigência do ano de 2005. A notificação do lançamento (fls. 1456 a 1462) ocorreu em 14.07.2011 (AR fls. 1626). Não há prova de pagamento. Logo, não houve lapso temporal superior aos cincos anos entre o termo inicial, em 01.01.2007 e final em 14.07.2011. Erro na eleição do sujeito passivo Sustenta inicialmente erro na eleição do sujeito passivo porque os depósitos bancários não são de suas contas bancária, mas de terceiro, Walter Flamengo Salles. Afasto esta prejudicial por se confundir com o mérito da autuação e assim deverá ser apreciada e decidida. Mérito O exame do recurso é relativo à omissão de rendimentos recebidos por intermédio de Walter Flamengo Salles, sócio formal das empresas Brastec Tecnologia e Informática Ltda. e Comtec Com. e Dist. de Prod. Eletro Eletrônicos Ltda., controladas pelo Recorrente e Ernani Bertino Maciel (E). Comprovam os autos a existência de diversas empresas e grande estrutura empresarial, entre elas a Brastec e a Comter, destinadas a importação e exportação, com Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 10 simulação de interpostas pessoas (laranjas), comandada, de fato, pelo Recorrente Cid Guardia Filho (Kiko) e Ernani Bertino Maciel (E), por intermédio da empresa Cider Assessoria Empresarial Ltda., de titularidade de ambos, mediante contrato de prestação de serviços de gestão empresarial. O Recorrente Cid Guardia Filho (Kiko) e o Ernani Bertino Maciel (E) foram condenados e presos pela Justiça Federal juntamente com outros participantes do esquema criminoso de importação e exportação, fraudulentas. Esta comprovado nos autos que Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio das Brastec e Comter, não detinha o poder de mando e gerencia da sociedade Brastec embora constituída por ele. Além de não deter o poder da sociedade não possuía conhecimento dos negócios, não tinha capacidade econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades empresariais. Ao ser ouvido na Policia Federal Walter, declarou desconhecer as atividades desenvolvidas pela filial da empresa Brastec em outro Estado. Comprovam os autos, sem contrariedade, que os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do autuado, Cid Guardia Filho (Kiko), sócio da empresa Cider. A autuação não se fez na modalidade da presunção da omissão de rendimentos dos depósitos bancários, com inversão do ônus da prova, mas foram os depósitos bancários de 50% feitos na conta de Walter que motivaram a autuação. Essa diferença do critério ou forma da autuação traz consequências no plano formal e material decorrente da prova na constituição do crédito tributário. Walter foi intimado a explicar a origem dos depósitos bancários, disse que se tratava de empréstimo – mutuo da empresa Brastec, juntou contrato de mutuo. O Relatório de Fiscalização, não contrariado, explica que não se comprovou a efetividade da operação de mutuo entre a empresa e Walter Flamengo Salles, daí a desconsideração do empréstimo. Na fase do contraditório nada foi comprovado do suposto empréstimo. A simulação da interposta pessoa de Walter e o motivo da autuação, ocorreu pela existência de indícios de os saques dos depósitos bancários na conta de Walter beneficiarem o autuado, sócio controlador de fato da empresa Brastec, gerida por intermédio da empresa Cider, controlada pelo autuado. Comprovamse nos autos o efetivo comando e controle das empresas Brastec e Comter, pelo autuado, tendo como sócio formal (laranja) Walter Flamengo Salles. Há índicos, com esse comando das empresas, de as contas presumivelmente serem de titularidade do autuado, mas esses mesmo indícios, sem outros elementos de prova, ainda que indiciários, não são suficientes para corroborar, firmar e comprovar presunção segura de os saques feitos na conta de Walter se destinar ou pertencer, de fato, ao autuado e, mais, de esses saques serem rendimento tributável na pessoa física do autuado. Esses indícios, para comprovar o fato – rendimento tributável do autuado exigem outros elementos de prova, ainda que indiciários. Vários indícios podem configurar Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 7 11 prova do fato, mas aqui, na autuação de omissão de rendimento do Imposto de Renda, temos apenas os indícios comprovados de o Recorrente, Cid, com Ernani, sócios da empresa Cider, controlar a empresa Brastec e Comter, de titularidade formal de Walter. Essa presunção, autorizada pelos indícios de ser o Recorrente gestor administrador as empresas Brastec e Comter, constituída pela interposta pessoa de Walter, não autoriza, queremos crer, indícios seguros e suficientes de os depósitos bancários, em nome de Walter, pertencer ao autuado Recorrente e mais, de serem esses depósitos rendimentos tributáveis, sem a existência de qualquer outro indício nesse sentido. Foram aprendidas, é certo, agendas e passagens aéreas do Recorrente com apontamentos das empresas Brastec e Comter, mas não se apontou qualquer vinculação ou indícios de os depósitos bancários existentes na conta de Walter pertencer ao Recorrente ou de os depósitos serem rendimento tributável do Recorrente. Ao afastamos a preliminar prévia intimação do autuado para explicar a origem dos depósitos, por não se cuidar da presunção do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, temos a conseqüência lógica da exigência da prova segura do fato tributável, ainda que por presunção, mas presunção segura de os depósitos pertencerem ao autuado e de ser rendimento tributável. Identificada a origem, não cabe autuação por depósitos bancários como fez a fiscalização, precisa identificar a fonte e comprovar, ainda que de forma indiciária, repetimos, se a omissão – dos depósitos corresponde a rendimento do autuado. Ante o exposto, afasto a decadência e as prejudiciais e, mérito, por não vislumbrar elementos ou índicos suficientes, firmes e seguros de prova do fato tributável – omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa , pelo meu voto, dou provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e cancelar a autuação. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 12 Voto Vencedor Conselheira Nathália Mesquita Ceia, Redatora designada. Em que pese o bem elaborado voto do nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao mérito, em especial por entender que houve omissão de rendimentos passíveis de tributação por parte do Contribuinte em face da utilização de interposta pessoa, e, por consequência, restando aplicável a multa qualificada de 150%. 1. Mérito 1.1. Rendimentos Tributáveis – Interposta Pessoa Insurgese o Contribuinte em face de lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa de Sr. Walter Flamengo Salles, que é sócio formal da empresa Brastec, controlada de fato pelo Contribuinte, Sr. Cid Guardia Filho. O Contribuinte alega que: (i) houve erro na sujeição passiva, pois não há qualquer prova da retirada de valores das contas bancárias de Sr. Walter Flamengo Salles que tenham beneficiado o Contribuinte; (ii) a fiscalização não apontou as origens e o destinos dos valores depositados nas contas bancárias de Sr. Walter Flamengo Salles e (iii) incabível a multa qualificada pois não restou comprovada simulação. A decisão da DRJ manteve a autuação pela existência de diversos indícios de que os recursos financeiros que transitaram pela conta bancária do sócio formal da BRASTEC, Sr. Walter Flamengo Salles era feita por conta e ordem de seu administrador de fato, Sr. Cid Guardia Filho, identificado como o efetivo responsável pelo comando e controle do Grupo K/E uma rede de interposta empresas exportadoras, importadores e distribuidoras. O Contribuinte sustenta que os depósitos bancários não são de suas contas bancárias, mas de terceiro, Sr. Walter Flamengo Salles, por isso houve erro de sujeição passiva, bem como alega que não houve comprovação de que os depósitos nas contas bancárias do Sr. Walter Flamengo Salles foram usufruídos em seu benefício. Pois bem. Da instrução probatória trazida aos autos verificase que: Sr. Walter Flamengo Salles, sócio formal da Brastec, não possui recursos econômicos e experiência em atos de comércio. Sr. Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio da Brastec não detinha o poder de mando e gerência da sociedade, embora constituída por ele. a BRASTEC não apresenta capacidade operacional (estrutura física e de pessoal) para efetuar o montante das operações realizadas. Sr. Cid Guardia Filho nos interrogatórios confirmou que efetuava o controle e gerenciamento da BRASTEC por meio de outra empresa a CIDER, mediante contrato de prestação de serviços de gestão empresarial. Os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do Sr. Cid Guardia Filho, sócio da empresa Cider. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10803.720034/201193 Acórdão n.º 2201002.286 S2C2T1 Fl. 8 13 Em face do exposto, entendo restar comprovado que o Sr. Walter Flamengo Salles age como interposta pessoa do Contribuinte, em uma estrutura que objetiva a omissão de rendimentos tributáveis do Contribuinte, que é o real beneficiário da renda. A interposição de pessoa com o fulcro na omissão de rendimentos tributáveis é entendida como simulação, em linha com o disposto nos art. 167 do Código Civil Brasileiro, pois na interposição de pessoa, há um negócio simulado, no qual se aparenta transmitir direito a uma pessoa, e um dissimulado, de transmissão real a outra. Ou melhor, aparentase que o Sr. Walter Flamengo Salles é sócio e titular dos rendimentos da empresa, porém na verdade, o Sr. Cid Guardia Filho que resta como real beneficiário da renda. A simulação apresenta os seguintes elementos essenciais: (i) é sempre combinada com a outra parte e (ii) é feita com a intenção de iludir terceiros. Sendo que na simulação nenhuma das partes é iludida, ambas têm conhecimento da burla, levada a efeito para ludibriar terceiro. De acordo com o disposto no Código Civil, o ato simulado é nulo. Ainda, no tocante à interposição de pessoa com o intuito de fraudar o Fisco, defende Onofre Alves Batista Junior: “o que se verifica, é que no Brasil vem se alastrando como “erva daninha”, é a constituição de sociedades em que um sócio se apresenta, “apenas no papel” como minoritário e sem funções gerenciais, e, no entanto, é o verdadeiro gestor e administrador da sociedade, utilizandose de terceiro para evadir tributos e proporcionar verdadeiros prejuízos ao Erário Público. Tratase do sabido e consabido uso dos “famosos laranjas”, que vem levando o país à bancarrota, destruindo instituições como a Previdência Social, e porque não até o Erário dos Estados Membros”. Portanto, a participação do Sr. Walter Flamengo Salles na operação deve ser desconsiderada (nulidade do ato) e a renda imputada ao mesmo deve ser atribuída ao seu real beneficiário, ou seja, Sr. Cid Guardia Filho. Desta feita, resta comprovado que Contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de interposta pessoa nos anoscalendário de 2005 a 2008 e não os ofereceu à tributação, devendo ser mantido o lançamento. 1.2. Multa Qualificada A fiscalização aponta que houve simulação do Recorrente quando da interposição do Sr. Walter Flamengo Salles com o objetivo de omitir rendimentos passíveis de tributação. Em face dessa constatação, a fiscalização qualifica a multa em 150%. O Contribuinte se insurge quanto à qualificação da multa argumentando que não restou comprovado durante o processo de fiscalização a alegada simulação. Pois bem. Da análise dos autos, resta comprovado que Sr. Walter Flamengo Salles, na qualidade de sócio das Brastec, não detinha o poder de mando e gerência da sociedade Brastec, embora constituída por ele. O Sr. Walter Flamengo Salles, além de não deter o poder de mando ou gerência da sociedade, não possuía conhecimento dos negócios, não tinha capacidade Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 14 econômica e financeira para o desenvolvimento das atividades empresariais. Ao ser ouvido na Polícia Federal, o Sr. Walter Flamengo Salles, declarou desconhecer as atividades desenvolvidas pela filial da empresa Brastec em outro Estado. Os autos comprovam, sem contrariedade, que os contatos, as ordens e o comando da empresa Brastec, era do autuado, Sr. Cid Guardia Filho, sócio da empresa Cider. A autuação não se fez na modalidade da presunção da omissão de rendimentos dos depósitos bancários, com inversão do ônus da prova, mas foram os depósitos bancários feitos na conta do Sr. Walter Flamengo Salles que motivaram a autuação de 50% dos valores dos depósitos. O Sr. Walter Flamengo Salles foi intimado pela explicar a origem dos depósitos bancários e disse que se tratava de empréstimo – mútuo da empresa Brastec. Juntou contrato de mútuo. O Relatório de Fiscalização explica que não se comprovou a efetividade da operação de mútuo entre a empresa e o Sr. Walter Flamengo Salles, daí a desconsideração do empréstimo. A simulação da interposta pessoa do Sr. Walter Flamengo Salles e o motivo da autuação, ocorreu pela comprovação de os saques dos depósitos bancários na conta do Sr. Walter Flamengo Salles beneficiaram o Contribuinte. Resta comprovado nos autos o efetivo comando e controle das empresas Brastec, pelo Contribuinte, tendo como sócio formal (“laranja”) o Sr. Walter Flamengo Salles. A interposição do Sr. Walter Flamengo Salles na operação pelo Contribuinte já comprova a intenção do Contribuinte em omitir rendimentos passíveis de tributação. Logo, tendo em vista que o Contribuinte se valeu de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, resta caracterizada simulação e com isso devida a multa qualificada de 150%. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nathália Mesquita Ceia Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digita lmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000290/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 06/2005. Os fatos geradores das contribuições remanescentes apuradas ocorreram no período compreendido entre 09/2005 a 12/2006. Com isso, as competências posteriores a 06/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuou-se antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 06/2005. Os fatos geradores das contribuições remanescentes apuradas ocorreram no período compreendido entre 09/2005 a 12/2006. Com isso, as competências posteriores a 06/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 11/11/2010, data da ciência do sujeito passivo, e somente houve os recolhimentos parciais até a competência 06/2005. Os fatos geradores das contribuições remanescentes apuradas ocorreram no período compreendido entre 09/2005 a 12/2006. Com isso, as competências posteriores a 06/2005 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 90 /2 01 0- 86 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, para as competências 01/2005 a 06/2005 e 09/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal informa que os valores lançados são decorrentes de retenções constatadas na conta contábil "211031001 INSS a Pagar", conforme o Razão desta conta (Anexo XXII), sendo que os valores não foram devidamente recolhidos. Esse Relatório informa ainda que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. Levantamento CM à Construtora Lourenço Maia Ltda (CNPJ 07.142.874/000122); 2. Levantamento FS à Forte Sul Serviços Especiais Ltda (CNPJ 03.687.081/000138), Anexo XXV; 3. Levantamento LM à Conservadora Lourenço Maia Ltda ME (CNPJ 05.252.048/0001 00), Anexo XXV; 4. Levantamento SS à Servi Sa Auto Guindaste Locação Ltda (CNPJ 31.187.412/000106); e 5. Levantamento VF à Vila Forte Vigilância e Segurança Ltda (CNPJ 01.354.797/000198), Anexo XXV. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 11/11/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. o Recurso contra o Ato Cancelatório é dotado de efeito suspensivo, inclusive como já assentou entendimento a 12A Turma da DRJ/SP1. Assim é necessária a suspensão deste processo até ulterior trânsito em julgado administrativo; 2. ocorreu a decadência das competências até outubro de 2005; 3. não há prova nos autos do não pagamento da Contribuição Previdenciária de 11% sobre as notas fiscais das prestadoras de serviço; 4. requer a reunião de todos os processos advindos desta ação fiscal e questiona a representação fiscal para fins penais. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1237.038 da 13a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 312/318) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que foram excluídos os valores declarados extintos pela decadência até a competência 06/2005, inclusive. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que ela é uma entidade beneficente de assistência social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Volta Redonda/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que, antes do lançamento, estava amparada por recurso com efeito suspensivo contra o Ato Cancelatório de sua imunidade (processo n° 17883.000049/200913), e, portanto, ainda gozava da isenção previdenciária, assim solicita a anulação do presente lançamento ou, no mínimo, a suspensão da exigibilidade do credito tributário até a superveniência do trânsito em julgado dos autos do processo que trata da matéria de cancelamento da sua imunidade tributária (processo n° 17883.000049/200913). Inicialmente, cumpre esclarecer que os valores apurados no presente lançamento fiscal são decorrentes da retenção de 11% da contribuição previdenciária, incidente sobre a mão de obra utilizada na prestação de serviços contratados. Por sua vez, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, posteriormente foram substituídos pela Lei 12.101/2009, ficam imunes (isentos) do pagamento das contribuições, a cargo da empresa, descritas no art. 22 da Lei 8.212/1991. Todavia, continuam sendo obrigadas a descontar as contribuições previdenciárias dos segurados obrigatórios do RGPS (empregado, trabalhador avulso e contribuintes individuais) que lhe prestam serviços – conforme art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e art. 4o da Lei 10.666/2003 –, bem como estão obrigadas a descontar e recolher as contribuições previdenciárias oriundas da incidência de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra – nos termos do art. 31 da Lei 8.212/1991 –, e da incidência sobre a receita bruta da comercialização da produção rural adquirida de segurado especial ou de produtor rural pessoa física – conforme art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Com isso, percebese, então, que a imunidade atinge somente as contribuições a cargo da própria pessoa jurídica imune (cota patronal) previstas nos incisos I a IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, mas não atinge as contribuições que ela é obrigada a descontar de outros contribuintes. Logo, todas as contribuições que a pessoa jurídica imune for obrigada a descontar de outros contribuintes, ela será obrigada a recolher os valores descontados. Sendo assim, a alegação de que a Recorrente seria uma entidade beneficente de assistência social, imune à incidência de contribuição previdenciária, é impertinente ao presente processo, eis que este objetiva apurar, exclusivamente, a contribuição previdenciária oriunda da incidência de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, portanto, fora do campo da imunidade. Diante desse contexto jurídico e fático, entendese que não há espaço na legislação previdenciária para acatar a alegação da Recorrente de que, antes do lançamento fiscal, gozava de imunidade da contribuição previdenciária, já que o presente processo tratase, exclusivamente, da contribuição que ela é obrigada a descontar dos prestadores de serviços realizados mediante cessão de mão de obra. Logo, essa alegação da Recorrente é impertinente, inoportuna e genérica, não ensejando qualquer nulidade ou suspensão da exigibilidade do credito tributário. A Recorrente alega que seja declarada em parte a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 10/2005 foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 386DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 5 7 Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' –,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, Fl. 388DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 6 9 portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento. (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) ......................................................................................................... TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2005 a 06/2005 e 09/2005 a 12/2006 e foi efetuado em 11/11/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 01). Posteriormente, por meio da decisão de primeira instância, os valores compreendidos entre as competências 01/2005 a 06/2005 foram excluídos (fls. 319/327) em decorrência da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, pois ficou constatado que, nessas competências, houve recolhimentos parciais. Constatase ainda que, para as competências 08/2005 a 02/2006, não há qualquer recolhimento (pagamento) de contribuições previdenciárias, conforme documento de Consulta ContaCorrente da Recorrente (fl. 70, processo 17883.000283/201084). Assim, a partir da competência 08/2005 não há espaço jurídico para o reconhecimento da decadência tributária, não cabendo a aplicação da regra estampada no § 4º do art. 150 do CTN, nem a regra prevista no art. 173 do CTN. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal remanescente referese às competências 09/2005 a 12/2006 e não está abarcado pela decadência tributária. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame de mérito. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 DO MÉRITO: Insurgese sobre a retenção das contribuições sociais previdenciárias, referente à obrigação da Recorrente de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. A Recorrente afirma que o estabelecimento matriz não pode responder por débitos cujos fatos geradores decorreram de atividades realizadas, prestadas ou de responsabilidade da filial, bem como não houve a caracterização da cessão de mão de obra pelo Fisco, e, com isso, entende que é imperiosa a anulação do presente lançamento. Com relação à alegação de que o fato gerador somente ocorreu na filial da Recorrente, entendese que tal fato não influência no lançamento fiscal, eis que a configuração da empresa prevista no art. 15 da Lei 8.212/1991 abrange tanto a matriz quanto às filiais, sendo que a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária lançada é da pessoa jurídica, enquadrada como uma associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. Logo, essa alegação da Recorrente não será acatada. Lei 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com relação à caracterização da cessão de mão de obra, tal fato está materializado nos próprios contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e as empresas contratadas, estas prestadoras de serviços de limpeza, conservação, reparos e vigilância. Ademais, os valores lançados decorrem de retenções constatadas na conta contábil “211031001 INSS a Pagar”, assim não há como acata a alegação da Recorrente. Noutro giro, a cessão de mão de obra está nitidamente configurada nos seguintes termos (contratos de prestação de serviços, fls. 245/269): “[...] 1 ) A CONTRATADA comprometese a fornecer a pedido da CONTRATANTE os serviços assim especificados: 1.1) Colocação de 01 (um) vigilante fardado e armado, em regime de 12 horas noturnas, de Segunda à Sexta; 1.2) Colocação de 01 (um) vigilante fardado e armado, em regime de 24 horas, aos Sábados, Domingos e Feriados; 1.3) 0(s) Agente(s) portará (ão) arma(s) de fogo fornecida (s) pela CONTRATADA, ficando acordado que a manutenção e reparos por eventuais danos causados a(s), ficará sob a Fl. 390DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 7 11 responsabilidade da CONTRATADA, como também serão colocados munições adicionais; (fl. 248) ....................................................................................................... A CONTRATADA obrigase a prestar à SOBEU, os serviços de limpeza e conservação, limpar os banheiros (diariamente das 6:00 às 23:00 hs) e fazer o café da manhã e tarde, nos seguintes setores: (...) (fl. 251) [...]” Verificase ainda que as pessoas físicas que prestaram serviços à Recorrente possuem vínculo com as contratadas, e não com a contratante (Recorrente). Ficou evidenciado nos autos que as contratadas colocavam os trabalhadores à disposição da contratante e os serviços eram prestados de forma contínua. Isso está consubstanciado nos itens 5 e 6, com seus subitens, do Relatório Fiscal (fls. 27/32), bem como nas notas fiscais (fls. 93/243) e nos contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e as empresas contratadas (fls. 245/269). Nesse mesmo sentido, o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991 define o que seja cessão de mãodeobra para os fins da legislação previdenciária, exigindo serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, que o foi o caso do presente processo. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Portanto, restou configurada a prestação de serviços com cessão de mãode obra e a obrigação da empresa autuada de reter e recolher o valor retido em nome das empresas cedentes de mãodeobra, em observância ao ditame legal. Por sua vez, a Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições Fl. 391DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei no 9.711, de 211/11/98) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.( Redação dada peta Lei n° 9.711, de20/11/98) Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a tomadora (Recorrente) está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a prestadora ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E, o Fisco, ao constatar a prestação de serviço executados mediante cessão de mão de obra – acompanhada da retenção dos valores evidenciados nas notas fiscais (fls. 93/243), ou evidenciado a ocorrência da sua falta –, lavrou corretamente os valores lançados da retenção no presente auto de infração. Nesse caminhar, deixo consignado que o simples fato de haver a prestação de serviços executados por meio de cessão mão de obra, isso já obriga a Recorrente a recolher os valores de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços, em observância ao disposto no § 5º do art. 33 da Lei 8.212/1991. Esse entendimento decorre do fato de que a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária retida na fonte, incidente sobre a mão de obra utilizada na prestação de serviços contratados nos termos do art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991, é exclusiva do tomador de serviço (Recorrente), não havendo falar em responsabilidade supletiva da empresa cedente (STJ, REsp. 1131047MA, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 24/11/2010 – informativo 457/2010). Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.(g.n.) Com isso, se a obrigação legal é descumprida somente o tomador de serviço (Recorrente) será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de recolhimento, prevista no art. 33, § 5º, da Lei 8.212/1991, ao qual remete o próprio art. 31 da mesma Lei. Dessa forma, não há razão nos argumentos da Recorrente retromencionados. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17883.000290/201086 Acórdão n.º 2402003.870 S2C4T2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13209.000184/2007-06
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
ALTERAÇÃO CONTRATUAL.EFICÁCIA.
O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes.
Os atos perante o CNPJ, solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico , retroagem à data da transmissão da FCPJ.
OPÇÃO. PERMISSIVO LEGAL.
A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a
microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique ao comércio varejista.
Numero da decisão: 1801-000.499
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Os atos perante o CNPJ, solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, retroagem à data da transmissão da FCPJ. OPÇÃO. PERMISSIVO LEGAL. A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique ao comércio varejista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 34 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente solicitou em 17/07/2007, fl. 04, opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional pro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ: 05.968.837/000142 Atividade econômica vedada: 74901/04 Atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a impugnação em 14/09/2007, fl. 01/02, com as alegações abaixo transcritas. I Sr. Delegado; a referida empresa tratase de microempresa e que como tantas outras do Brasil faz um esforço enorme para manter suas atividades, pois a carga tributária elevada, as despesas operacionais e a grande concorrência requer um esforço demasiado para sua existência. Foi o que levou a mesma a fazer a Solicitação da Opção pelo Simples Nacional em 17/07/2007, e através do acompanhamento constatouse que a Atividade Econômica é Vedada. II — Sr. Julgador, a atividade da mesma é comercio varejista entre outras atividades e que a intermediação ou agenciamento não ocorre. Por esta razão foi feita a Alteração nas atividades nos órgãos competentes JUNTA COMERCIAL, RECEITA FEDERAL E SEFA dentro do prazo legal conforme cópias em anexo do Contrato de Alteração, Cartão do CNPJ e Inscrição Estadual. III Face ao exposto, requer a Autuada o Deferimento da Opção pelo Simples Nacional por uma questão de Justiça. N. Termos P. Deferimento Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 35 3 Em conformidade com o Despacho, fl. 08, consta: Tendo em vista que a partir de 28/08/2007 ter sido a data definida, no portal do Simples Nacional, para as empresas tomarem conhecimento do resultado de sua opção pelo novo regime de tributação, a impugnação é tempestiva. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0111.752, de 18/08/2008, fls. 09/11: “Solicitação Indeferida”. Consta que 8. Esta Secretaria estabeleceu o prazo de 28.08.2007 no Portal do Simples Nacional, para as empresas tomarem conhecimento do resultado de sua opção pelo novo regime de tributação, e pelos documentos acostados ao processo verificouse que o sujeito passivo tomou as providências necessárias no sentido de regularizar a atividade exercida, quando procedeu alteração contratual devidamente arquivada na JUCEPA, na data de 26.07.2007, com alteração de atividade, unicamente as permitidas para a opção de tributação estabelecida pela Lei Complementar n° 123, datada de 14 de dezembro de 2006. 9. Entretanto, de acordo com as instruções emanadas desta Secretaria a alteração procedida na data de 26.07.2007, fl 03, terá validade para o exercício subseqüente (pergunta 2.5 do Livro Perguntas e Respostas do Simples Nacional). Notificada em 23/09/2008, fl. 12, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25/09/2008, fls. 13/15, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita E nosso caso se enquadra dentro do Livro Perguntas e Respostas do Simples Nacional no item 2.8. A OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL PODE SER EFETUADA A QUALQUER TEMPO? Não. A opção pelo Simples Nacional somente poderá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção. Nota: 1. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007 a opção pôde ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até o dia 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1° de julho de 2007. Respaldamosnos ainda no Comunicado CGSN/SE n° 2/2008 de 06 de março de 2008. Esclarecimentos acerca das inclusões de oficio, item 2, letra C.3 "Empresa fez a opção até 20/08/2007, mas houve pendências com pelo menos um dos entes federativos; [...] uma vez que as pendências tenham sido resolvidas dentro do prazo (ou seja, ate dia 20/08/2007 para os entes que não prorrogaram o prazo, e até 31/10/2007 para os que prorrogaram), a "dataefeito 01/07/2007; Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 36 4 IV Face ao exposto, requer a Autuada o Deferimento da Opção pelo Simples —Nacional por uma questão de Justiça. N. Termos P. Deferimento É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; [...] § 2o Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. A hipótese de indeferimento de opção pelo Simples Nacional com fundamento no exercício de atividade econômica vedada para o sistema, pressupõe a obtenção de receita oriunda de atividade vedada qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. O indeferimento não prescinde da caracterização Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 37 5 inequívoca da situação considerada impeditiva, bem como da comprovação de que a atividade econômica exercida pela pessoa jurídica seja considerada vedada para fins de opção pelo Simples Nacional. A legislação não impede a opção pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique ao comércio varejista. A Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os registros públicos, determina: Art. 119. A existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. (Renumerado do art. 120 pela Lei nº 6.216, de 1975). A Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que trata sobre o registro público da empresa mercantil, prevê: Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; [...] Art. 32. O registro compreende: I a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazénsgerais; II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; No Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado do Pará (JUCEPA) em 26/07/2007, consta, fl. 03: 1ª Cláusula — ALTERAÇÃO DE ATIVIDADE A Sociedade altera neste ato suas atividades para: Comércio varejista de artigos de cama, mesa e banho CNAE: 47555/03; Comercio varejista de artigos do vestuário e acessórios CNAE 47814/00; Comércio varejista de calçados CNAE 47822/01; Comércio varejista de móveis CNAE 47547/01; Comércio varejista de artigos de armarinho CNAE 47555/02; Comércio varejista de utilidades domésticas em geral: CNAE 47598/99; Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal CNAE 47725/00; O arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins e efeitos de direito, passando a surtir regulares e jurídicos efeitos legais oponíveis erga omnes. Assim, desde 26/07/2007, com o arquivamento da alteração contratual na Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 38 6 JUCEPA, este ato jurídico produziu todos os efeitos legais de modo, inclusive, a comprovar que a Recorrente exerce atividade expressamente permitida para opção pelo Simples Nacional. O litígio nos autos se limita à análise da tempestividade da regularização cadastral de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Sobre a matéria, a Resolução CGSN nº 04 de 30 de maio de 2007, prevê: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) [...] Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN no 19, de 13 de agosto de 2007) A Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007, que trata das alterações cadastrais, determina: Art. 8º Constituem atos a serem praticados perante o CNPJ: [...] II alteração de dados cadastrais; III alteração de situação cadastral; [...] § 1º Os atos perante o CNPJ serão solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, observado o seguinte: I as solicitações dos atos darserão por meio de FCPJ, de QSA preenchido com a qualificação constante do Anexo III, no caso de estabelecimento matriz de entidade, e de Ficha Específica, quando a requerente estiver localizada em unidade federada ou município conveniado, gerados pelo Programa CNPJ, ou por meio de outro aplicativo aprovado pela RFB; Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 39 7 II a solicitação será formalizada: a) pela remessa, por via postal, pela entrega direta ou por outro meio aprovado pela RFB, à unidade cadastradora de jurisdição do estabelecimento, do DBE ou do Protocolo de Transmissão da FCPJ e de cópia autenticada do ato constitutivo, alterador ou extintivo da entidade, devidamente registrado no órgão competente, observada a tabela de documentos constante do Anexo IV; ou [...] § 2º O DBE: I ficará disponível, na página da RFB na Internet, no endereço eletrônico referido no § 1º, na opção "Consulta da Situação do Pedido Referente ao CNPJ", pelo prazo de noventa dias, para impressão e respectivo envio ou entrega previsto no inciso II do § 1º; II deverá ser assinado pela pessoa física responsável perante o CNPJ, por seu preposto ou mandatário, com reconhecimento da firma do signatário; e III será substituído pelo Protocolo de Transmissão da FCPJ quando a entidade for identificada pela atribuição de: a) certificação digital; ou b) senhas eletrônicas e demais formas de identificação atribuídas pelas administrações tributárias, conforme previsto em convênio. [...] § 5º O disposto no inciso I do § 2º aplicase ao Protocolo de Transmissão da FCPJ. No acompanhamento do resultado da Solicitação de Opção está registrado, fl. 07: Como resolver as pendências: [...] No caso de .pessoa jurídica; com demais pendências cadastrais: se for o caso ratifique no CNPJ a informação .cadastral impeditiva à opção pelo Simples Nacional; por meio da Internet, mediante utilização do Programa Gerador de Documentos (PGD) do CNPJ e a entrega da documentação correspondente à Unidade da RFB de sua jurisdição. No Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral emitido em 31/07/2007 consta como atividade econômica o comércio varejista dos seguintes artigos, dentre outros: cama, mesa, banho, vestuário, calçados, móveis, armarinho, cosméticos, produtos de perfumaria e higiene pessoal, fl. 28. Os atos perante o CNPJ, solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, retroagem à data da transmissão da FCPJ. Analisando toda a situação fática verificase que Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 40 8 houve o protocolo de transmissão da FCPJ e as foram informações processadas mediante o DBE e em 31/07/2007 já produzia o efeito da conduta positiva livre e consciente da Recorrente de atualizar seus dados cadastrais no prazo legal. Restou comprovado, portanto, que ela regularizou eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 41 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 22 de fevereiro de 2011. _____________________________ Moema de Souza Nogueira – Secretária da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Processo nº 13209.000184/200706 Acórdão n.º 180100.499 S1TE01 Fl. 42 10
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Numero do processo: 10680.722250/2010-26
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2010
AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO NOVO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para aplicar a nova multa determinado pelo artigo 32 - A , I, introduzido na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, em respeito aos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2010 AUTO ENQUADRAMENTO COMO ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. AUSÊNCIA DO CEBAS. REQUISITOS LEGAIS DA IMUNIDADE/ISENÇÃO JAMAIS ATENDIDOS OU CUMPRIDOS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA NECESSIDADE DE CORREÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO NOVO PATAMAR DA MULTA, CONFORME DETERMINAÇÃO LEGAL. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para aplicar a nova multa determinado pelo artigo 32 A , I, introduzido na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, em respeito aos termos do artigo 106, II, "c", da Lei 5.172/66. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 22 50 /2 01 0- 26 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 320 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 321 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.270.7284, CFL.68, decorre de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, objetivando o lançamento de multa punitiva por descumprimento de dever instrumental determinado por lei, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 10 a 17, com período de apuração de 01/2006 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 05 e 06. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/07/2010, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição, as fls. 36, recebida, em 25/08/2010, com razões de defesa, as fls. 37 a 97, acompanhada dos documentos, de fls. 98 a 238. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 240 e 241. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0230.801 7ª, Turma DRJ/BHE, em 08/02/2011, fls. 242 a 258. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/03/2011, AR, de fls. 259. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 266, recebido, em 31/03/2011, conforme carimbo de recepção, com razões recursais, as fls. 267 a 314, acompanhado dos documentos, de fls. 315 a 317. Mérito. · que a recorrente é entidade beneficente de assistência social, conforme consta de seus estatutos, do exercício de suas atividades e dos certificados e demais documentos que atestam este condição, sendo usados os códigos FPAS 639 e de GPS 2305 isenção, pois não existem código para imunidade, usandoos por aproximação, não sendo os códigos que definem a situação da recorrente, sendo legítima a utilização desses códigos pela recorrente; · que a recorrente pugna pela aplicação da regra do artigo 195, § 7º c/c o artigo 14 do CTN, aplicação da imunidade; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 322 4 · que a interpretação da norma deve atender aos seus fins sociais e aos valores que esta visa garantir, cita Maria Helena Diniz; · que a norma a prever os requisitos da imunidade é a Lei Complementar, pois cuidase de limitação ao poder de tributar, cita Aliomar Baleeiro, sendo esta o CTN, cita Mizabel Abreu M. Derzi, entre outros; · que em razão das atividades da recorrente de exercer atividades beneficentes de assistência social, o que é atestado pelos órgãos controladores da política de assistência social, a recorrente não tem que recolher contribuição social previdenciária patronal, até porque amparada pelo artigo 195, § 7º, da CF/88 c/c o artigo 14, do CTN; · que por estar adstrito ao princípio da legalidade a Administração Pública deve aplicar ao caso o artigo 195, § 7º, da CF c/c o artigo 14, uma vez que se cuida de imunidade; · que o dispositivo do artigo 195, § 7º, no que tange a imunidade não traz nenhuma condicionante, mas tão somente a observação do requisitos em lei, ou seja, artigo 14, do CTN, não dependendo a fruição do benefício de autorização ou reconhecimento pelo poder público, cita decisão do STF e Roque Antônio Carrazza, bem como o TJMG, e, ainda, o STJ, o TJDFT, devendo a Administração Pública com base na moralidade administrativa, do artigo 37, caput, da CF/88 afastar as interpretações formalistas, desprovidas de valoração e do fins da norma antes de promover o lançamento, cita Carmem Lúcia Antunes Rocha, pois a moralidade exige proporcionalidade entre meios e fins; · que a recorrente não concorda com sua equiparação a empresa, uma vez que o Código Civil tratou das pessoas jurídicas de forma diferente e com acerto, estando a sociedade empresa no artigo 44 e objetivando fins econômicos ou lucrativos e as fundações como a recorrente no artigo 62, com fins religiosos, morais, culturais e de assistência, exercendo a recorrente múnus público; · que deve ser aplicado ao caso o artigo 112, do CTN, pois na dúvida a interpretação mais favorável é a que se aplica ao acusado, pois demonstrando aos fatos a condição de entidade beneficente de assistência social esta é imune de impostos e contribuições sociais; · que no PAF existe a previsão da observância do contraditório e ampla defesa, conforme artigo 2º, inciso X, da Lei 9.784/99, tendo a recorrente alegado vastos argumentos e fundamentos em contraposição ao lançamento, porém nem todos foram analisados pela autoridade julgadora a quo, sendo isso direito da recorrente, elenca a recorrente ao seu sentir situações determinadas em lei, não devendo a decisão prescindir da adequada motivação, citando o artigo 31, do Decreto 70.235/72 e 458, do CPC, cita Marcos Neder e Tereza Lopes, Fl. 323DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 323 5 bem como a CSRF, entende a recorrente que a decisão de primeiro grau é nula por falta de motivação, volta a citar vários juristas e decisões dos antigos CC’s; · que para corroborar os argumentos da recorrente resgata e traz os pontos não apreciados pela decisão a quo: a) imunidade tributária e sua aplicação no caso da recorrente; b) busca da verdade material ou real; c) falsidade ideológica e sonegação de contribuição previdenciária; d) dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade norteadores das decisões administrativas; e) da prevalência do interesse público; f) incongruências na apuração do crédito tributário · Dos pedidos – requer a recorrente: a) regular recebimento, conhecimento, com acolhimento ao final; b) cancelamento do Acórdão a quo; c) cancelamento do crédito tributário e seus acréscimos e d) arquivamento do PAF. O presente auto de infração foi juntado por apensação ao auto do processo PAF Nº 10680.722249/201000, conforme, fls. 318. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 379, do auto principal. Os autos subiram ao CARF, fls. 379, do auto principal. É o Relatório. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 324 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A entidade recorrente está equivocada não é seu estatuto ou a execução de suas atividades que lhe conferem o direito a usufruir da imunidade/isenção, pois aplicase aqui o artigo o artigo 123, da Lei 5.172/66 e nos termos do artigo 195, § 7º, da CRFB/88 quem concede tal direito é a lei. A recorrente busca lançar nuvem de fumaça sobre o assunto, misturando as palavras o que a Administração chama de isenção, a doutrina e a jurisprudência chamam de imunidade, mas na pratica isto é irrelevante o nome do instituto não interfere em sua fruição, pois para usufruílo, basta preencher os requisitos da lei exigida pelo artigo 195, §7º, da CRFB/88, independentemente, do nomem iuris do benefício imunidade/isenção. Desta forma, os códigos FPAS 639 e GPS 2305 só poderiam ser usados por quem realmente preenche os requisitos da lei de conformação do benefício da imunidade/isenção, o que não é o caso da entidade recorrente como se demonstrará a seguir. Assim sendo, a utilização desses códigos por parte da recorrente e a fruição do benefício, a que não faz jus implicam em violação a lei tributária, não sendo legítima e legal a sua utilização. A imunidade/isenção do artigo 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil/88 era regulamentada pelo artigo 55, da Lei 8.212/91 e não pelo artigo 14, da Lei 5.172/66 em razão do critério da especialidade, bem como a alínea “c”, do inciso IV, do artigo 9º, da Lei 5.172/66 se aplica a impostos e não a contribuições sociais previdenciárias. A polêmica sobre a constitucionalidade ou não do artigo 55, da Lei 8.212/91 é irrelevante no âmbito administrativo, pois se a lei era existente, vigente e eficaz é de observação obrigatória pelos agentes da administração. Aliás, o citado dispositivo nunca foi declarado inconstitucional e o próprio Supremo Tribunal Federal – STF reconheceu a validade da norma, ainda, que de forma reticente, observe o arresto. EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência Fl. 325DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 325 7 desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 326 8 estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (ADI 2028 MC, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1999, DJ 16062000 PP 00030 EMENT VOL0199501 PP00113) (destaque meu). Ademais, em nosso sistema jurídico a regra é de que os projetos de veículos introdutores de norma que passaram pelo processo legislativo e alcançaram aprovação, promulgação e sanção são presumivelmente constitucionais, até prova em contrário, o que no presente caso não existe em relação ao artigo 55, da Lei 8.212/91. Além do que dito, acima as contribuições previdenciárias foram excluídas da Ordem Tributária pela EC 0877 à EC 0169 (Constituição Federal de 1969) e assim mesmo readquirindo tal caráter com a CRFB/88 da conjugação do artigo 195, § 7º com o artigo 150, § 6°, só lei especifica poderia estipular esta limitação e tal lei só pode ser a Lei 8.212/91 e não a Lei 5.172/66, pois não atende ao critério constitucional exigido, sobre a perda da natureza tributária o Supremo Tribunal Federal – STF, conforme abaixo transcrito já firmou posição. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 327 9 Aliás, no que se refere a imunidade/isenção nunca é demais lembrar que a entidade recorrente nunca, jamais em tempo algum foi detentora da condição de entidade beneficente pelo simples fato de que ela não possuía todos os requisitos exigidos em lei. Tal situação é patente da leitura da certidão, de fls. 118, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – Conselho Nacional de Assistência Social – MDS/CNAS, uma vez que tal documento deixa claro que a entidade recorrente não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, seja na vigência do Artigo 55, da Lei 8.212/91, na vigência da MP 446/2008 ou da Lei 12.101/2009. A inexistência da certificação viabilizada pelo CEBAS por si só é situação que impossibilita a fruição do benefício constitucional pela requerente, conforme reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, veja, a transcrição, no presente caso não de cuida de renovação, mas simplesmente a inexistência da certificação, o que implica em jamais terem sido as exigências legais atendidas. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 328 10 EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. (RMS 27093, EROS GRAU, STF.)(o destaque é meu). No que tange a interpretação da norma tributária esta deve ser literal nos termos dos artigos 195, §7º c/c o 150, § 6º, ambos, da CRFB/88 c/c os artigos 108, § 2° c/c o artigo 111, da Lei 5.172/66, não se conformando com este sistema a interpretação dos institutos da legislação de natureza civil, este é o pensamento do Pretório do Excelso, observe a decisão. EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência movimentações financeiras não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (RE 566259, RICARDO LEWANDOWSKI, STF.) (os destaques são meus). O fato da recorrente exercer atividade de beneficência não lhe atribuía anteriormente e, ainda, hoje, não lhe atribui de forma automática a imunidade/isenção da cota patronal da contribuição previdenciária para fazer jus a tal benefício a entidade deve atender várias exigências legais. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 329 11 A Administração Pública deve aplicar a norma que rege a matéria que esta sendo ventilada e na situação posta e como definido anteriormente esta não é o artigo 14 c/c o artigo 9º, ambos, da Lei 5.172/66, pelas várias razões já expostas. A observação dos requisitos de lei para a obtenção da imunidade/isenção já são condições suficientes a serem observadas, respeitadas e comprovadas para possibilitar a fruição do benefício legal. O parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei 8.212/91 até sua revogação trazia exigência expressa de que a isenção, como diz a lei, deveria ser requerida ao INSS, obviamente apresentandose todas os documentos que demonstrassem o preenchimento dos requisitos legais. Não há interpretação formalista, mas apenas esta havendo respeito as determinações legais que devem ser observadas, aplicadas, respeitadas e cumpridas pelos agentes públicos e nada mais. A entidade recorrente tem o direito de discordar de tudo que lhe entender adequado, mas sua discordância não implica em acatamento de suas argumentações e teses. A I. julgadora de primeiro grau em momento algum pretendeu mudar a finalidade institucional da entidade. Aquela, apenas, asseverou que para fins das contribuições sociais previdenciárias, nos termos do artigo 15 e seu parágrafo único, da Lei 8.212/91 todos os tomadores de serviços – empregadores ou não, independentemente, de sua natureza jurídica são considerados empresas, no que tange a contribuição social previdenciária, ou seja, devem contribuir nos termos do artigo 195, I, “a”, “b” e “c”, da CRFB/88 e nada mais. A interpretação que a entidade pretende obter do artigo 112, da Lei 5.172/66, não pode ocorrer, pois não há dúvidas no lançamento quanto a ausência do direito a imunidade/isenção, estando a situação expressamente demonstrada pelo agente lançador, bem como não há dúvidas sobre a ocorrência da infração, uma vez que a entidade por se auto enquadrar como entidade beneficente de forma indevida deixou de declarar contribuições em GFIP e, ainda, a preencheu como informações incorretas. No que tange a alegação de aplicação da lei 9.784/99 ao PAF equivocase a recorrente tal dispositivo não se aplica a este procedimento, uma vez que ele possui regramento próprio, assim diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ, observese a transcrição. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 330 12 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 331 13 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Todavia, isso não implica que os princípios reguladores do processo não serão respeitados de forma alguma, pois isso é determinação constitucional, mas apenas e tão somente que o devido processo legal, com a ampla defesa e contraditório nesta seara tem outro regramento e é dentro desse regramento que aqueles devem ocorrer e se desenvolver. A simples observação do acórdão vergastado não deixa dúvidas, de que este atende ao que determinado na legislação e suscitado pela recorrente. A decisão está composta por todas as suas partes integrantes identificação, ementa, decisão, ordem de intimação, relatório, voto, conclusão, assim não se aplica ao acórdão recorrido a decisões citadas, haja vista que a decisões paradigmas não se conformam com a decisão a quo. Aliás, podese observar que todas as matérias dito como não tratadas no acórdão foram expressamente citadas e rejeitadas pela decisão de primeiro grau, tais como imunidade, fls. 250 a 255; verdade real, fls. 253 e 254; falsidade ideológica e sonegação de contribuição previdenciária, fls. 255; dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade norteadores das decisões administrativas, fls. 254; da prevalência do interesse público, fls. 254 e finalmente incongruências na apuração do crédito tributário, fls. 255. Podese concluir que todos os temas que a entidade impugnante diz que não foram tratados em verdade o foram e de forma clara e objetiva, sendo que os argumentos da recorrente foram afastados pelo julgador de primeiro grau, estando a decisão devidamente fundamenta e esclarecida. No presente acórdão a questão da imunidade foi amplamente discutida e esclarecida de forma objetiva e simples, sendo que a recorrente não faz jus a tal benefício, uma vez que não preenche os requisitos legais. A verdade material está mais que demonstrada, desde a ação fiscal, pois esta se verifica dentro do conjunto probatório e da realidade encontrada e tratada e a entidade recorrente não pode ser considerada beneficente, pois como exaustivamente demonstrado não preenche os requisitos legais. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 332 14 A questão da falsidade ideológica e sonegação não é questão que se submeta a competência desta instância julgadora, súmula 28, do CARF. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. A questão da proporcionalidade e razoabilidade das decisões administrativas em matéria tributária ficam demonstradas quando estas atendem em primeiro lugar os princípios constitucionais do artigo 37, caput, da CRFB/88, pois dessa mandamento a administração não pode se desviar, haja vista que não se pode abraçar tese jusfilosófica em detrimento do ordenamento jurídico posto. O prevalência do interesse público está atendido quando todos que se encontram na mesma situação fática, ou seja, tomam serviços de terceiros, independentemente, da forma jurídica de vinculação, ficam sujeito a tributação determinada por lei. As alegadas incongruências no lançamento não existem, podese verificar das folhas de pagamento anexadas por amostragem, fls. 53 e 63, que as bases de cálculo são as que estão definidas pelo agente lançador no Relatório de Lançamentos – RL, fls. 13 a 18, e no Discriminativo de Débito – DD, 04 a 12, relativamente, as competências 06/2006 e 12/2008, o que o julgador de primeiro grau já esclareceu, inclusive citando o item 12, do REFISC que descrimina os documentos utilizados para compor a base de cálculo, que vão além das GFIP’s, pois utilizados folha de pagamento, GPS, GFIP e contabilidade, basta ler o item, constando tudo do processo principal 10680.722247/201011. Todavia, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – sob vergasta foi calculado de forma incorreta. A Lei 11.491/2009 introduziu o artigo 32 A, I, na Lei 8.212/91 e este trouxe nova sistemática de cálculo para essa infração, qual seja R$ 20,00 reais para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, assim basta aplicar o novo preceito secundário, sem a necessidade de aplicar somatórias de quaisquer outras multas ou espécies para se apurar o valor devido. Assim sendo, não há razões fáticas ou jurídicas para acatar os pleitos da recorrente, porém, ainda, que por motivo diverso determino que a multa punitiva do AIOA em análise seja recalculada, levando em consideração apenas o artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009, devido o que determina o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10680.722250/201026 Acórdão n.º 2803003.092 S2TE03 Fl. 333 15 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender os pleitos desta, mas de ofício determino a retificação da multa como esclarecido. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, para aplicar a nova multa determinada pelo artigo 32 – A – I, introduzido na Lei 8.212/91 pela MP 449/2008 e sua lei de conversão Lei 11.941/2009, em respeito aos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10140.720340/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009
EMPRESA. CONCEITO JURÍDICO PARA OS FINS DA LEI Nº 8.212/91.
Considera-se empresa, para os efeitos das obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91, a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional.
Equipara-se a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS.
O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101/2009, depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à EBAS que requerer tal benesse tributária ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima referido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 EMPRESA. CONCEITO JURÍDICO PARA OS FINS DA LEI Nº 8.212/91. Considera-se empresa, para os efeitos das obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91, a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Equipara-se a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101/2009, depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à EBAS que requerer tal benesse tributária ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima referido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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CONCEITO JURÍDICO PARA OS FINS DA LEI Nº 8.212/91. Considerase empresa, para os efeitos das obrigações estabelecidas na Lei nº 8.212/91, a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Equiparase a empresa o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. O Reconhecimento da imunidade de que trata o §7º do art. 195 da CF/88, no período anterior à vigência da Lei nº 12.101/2009, depende do cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 e será concedido à EBAS que requerer tal benesse tributária ao INSS, nos termos do §1º do mesmo dispositivo legal acima referido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 03 40 /2 01 2- 51 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 335 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2009 Data da lavratura do AIOP: 07/03/2012. Data da Ciência do AIOP: 07/03/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nos 51.008.9356 e 51.008.9364 consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados contribuintes individuais, bem como as contribuições previdenciárias a cargo dessa categoria de segurados obrigatórios do RGPS, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/19. Informa a Autoridade Lançadora que os fatos geradores que integram o lançamento são constituídos pelas remunerações pagas, devidas e/ou creditadas pelo Autuado em favor de segurados contribuintes individuais, as quais foram apuradas em folhas de pagamento e na contabilidade, porém não declaradas nas GFIP correspondentes, e lançadas mediante os seguintes Autos de Infração: · Auto de Infração nº 51.008.9356 Referese a contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "C.lnd/Adm/Aut". Levantamento: "C1 PREST SERVIÇOS CONT INDIVID" Neste levantamento foram lançados os valores mensais das contribuições relativas à rubrica "C.Ind/Adm/Aut" incidentes sobre as bases de cálculo apuradas pela fiscalização nas planilhas e balancetes apresentados pelo contribuinte. As bases de cálculo apuradas estão demonstradas nas planilha intitulada "RELAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ANO 2009", a fls. 20/120. · Auto de Infração nº 51.008.9364 referese a contribuições devidas à Seguridade Social não recolhidas correspondentes à rubrica "Contrib Indiv", as quais não foram descontadas dos segurados contribuintes individuais. Levantamento: "CD CONTRIBUIÇÃO CONTRIBUINTE INDI": Fl. 337DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Neste levantamento foram lançados os valores mensais das contribuições relativas à rubrica "Contrib Indiv" incidentes sobre as bases de cálculo apuradas pela fiscalização nas planilhas e balancetes apresentados pelo contribuinte. No cálculo da contribuição devida pelo contribuinte individual considerouse os limites dos salários de contribuição vigentes à época dos fatos geradores e as contribuições recolhidas/declaradas pelo contribuinte individual/empregador decorrentes de múltiplos vínculos no período. Para tanto pesquisouse exaustivamente a planilha "RELAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS ANO 2009" no banco de dados CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais. As contribuições apuradas estão demonstradas nas planilha intitulada "RELAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS – ANO 2009, a fls. 20/120. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 147/154. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0431.825 – 3º Turma da DRJ/Campo Grande/MS, a fls. 300/311, julgando procedente o lançamento tributário e mantendo o crédito previdenciário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/07/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 317. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 319/324, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que o FUNSERV não se enquadra no conceito de empresa para o fim da tributação imposta pela União Federal e, portanto, encontrase fora do campo de exação; · Que a lei que rege as multas aplicadas em razão da não entrega da GFIP é do ano de 2009, não podendo ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, haja vista que o artigo 41 da lei nº 8.212/91, que previa multa ao agente político, foi revogado pela lei 11.941/09; · No que pertine à retenção relativa ao serviço prestado por Cooperativas, aduz que o município não pode ser considerado como responsável tributário, pois tais serviços são prestados diretamente ao servidor, que contribui com parcela de seus vencimentos para o custeio dos serviços de saúde, atuando o Fundo apenas como um intermediário entre o servidor e o médico; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 336 5 Ao fim, requer que o presente recurso seja conhecido e provido para reconhecer a inexistência do crédito tributário lançado, ante a inexistência do fato gerador da obrigação tributária, reconhecendose a equiparação do FUNSERV à entidade sem fins lucrativos para os efeitos do art. 195, §7º da Constituição Federal e anulandose o AI DEBCAD nº 51.008.9372. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08/07/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 05/08/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Pondera o Recorrente que, no que pertine à retenção relativa ao serviço prestado por Cooperativas, que o município não pode ser considerado como responsável tributário, pois tais serviços são prestados diretamente ao servidor, que contribui com parcela de seus vencimentos para o custeio dos serviços de saúde, atuando o Fundo apenas como um intermediário entre o servidor e o médico. Argumenta também que a lei que rege as multas aplicadas em razão da não entrega da GFIP é do ano de 2009, não podendo ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, haja vista que o artigo 41 da lei nº 8212/91, que previa multa ao agente político, foi revogado pela lei 11.941/09. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir arrazoado a respeito de questões inerentes a outros Lançamentos Tributários lavrados na mesma ação fiscal, as quais somente poderão ser apreciadas e decidas nos autos dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes, não detendo este Conselho competência para, nestes autos, proferir decisão sobre matéria que não lhe é atávica. O lançamento relativo às contribuições sociais devidas pela empresa previstas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, incidentes à alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, houvese por formalizado mediante o Auto de Infração nº 51.008.9372, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10140.720752/20186, não detendo esta Turma Ordinária competência para, nestes autos, proferir decisões a respeito de litígios objeto de outros processos administrativos. Por outro viés, o Auto de Infração objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal não versa, de maneira alguma e em nenhum momento, sobre a aplicação de penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias consistentes na não entrega de GFIP. Trata somente e tão somente de lançamento tributário de Fl. 340DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 337 7 obrigação principal (contribuições previdenciárias) e seus acréscimos legais – juros e multa pela mora no recolhimento dos tributos devidos. Inexiste qualquer lançamento decorrente do descumprimento de obrigação acessória a justificar as alegações referentes às multas aplicadas pela não entrega de GFIP. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente nos parágrafos preambulares deste tópico. Com efeito, o lançamento em questão decorreu da constatação de pagamentos de remuneração a segurados contribuintes individuais, apurados nas folhas de pagamento e na contabilidade da Autuada, em relação aos quais a Recorrente não realizou o recolhimento das contribuições previdenciárias previstas no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, tampouco procedeu à arrecadação das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais em tela, mediante o desconto das respectivas remunerações mensais, como assim determina o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, nada tendo a ver com as contribuições sociais devidas pela empresa incidentes à alíquota de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, previstas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, tampouco com a não entrega de GFIP, fatos esses que são totalmente irrelevantes para o julgamento do presente Recurso Voluntário. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões acima ventiladas, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DO CONCEITO DE EMPRESA Pondera o Recorrente que o FUNSERV não se enquadra no conceito de empresa para o fim da tributação imposta pela União Federal e, portanto, se encontra fora do campo de exação. Sem razão. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 338 9 concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Anotese que o Constituinte Originário não restringiu o alcance do conceito de empregador às pessoas jurídicas de direito privado. Por outro lado, a CF/88 outorgou ao legislador ordinário a competência legislativa para dispor sobre o financiamento da Seguridade Social, cuja fonte de custeio seria suportada por toda a sociedade, de forma direta ou indireta, sem lhe assentar muros. Nos lídimos limites desenhados pelo Constituinte, por opção política legítima assegurada pelo citado art. 195, I, pautouse o legislador ordinário em estabelecer como financiador direto da Seguridade Social, dentre outros, todas as pessoas jurídicas que ostentassem a condição fática de empregador, fossem elas entidades públicas ou privadas. Nessa perspectiva, toda a vez que uma pessoa jurídica de direito público interno contratasse trabalhadores, não possuindo ela Regime Próprio de Previdência Social ou não sendo os aludidos obreiros sujeitos de direito ao ingresso no eventual RPPS, estaria assim configurada a condição de empregador da pessoa jurídica acima desenhada, ficando ela sujeita às obrigações assentadas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Por questões de estilo redacional, optou o legislador por atribuir ao sujeito passivo ora em destaque não a denominação de “empregador”, mas, sim, a de ”empresa”, assim entendida a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não. Tendo em vista que tal conceito não abraçaria as pessoas jurídicas de direito público e que estas, nas condições assinaladas no parágrafo penúltimo próximo, também estariam abraçadas pela qualificação de empregador fixada no inciso I do art. 195 da CF/88, viuse obrigado o legislador infraconstitucional a incluílas no polo passivo da obrigação tributária previdenciária, o que foi levado a efeito pelo ádito ao inciso I, in fine, do art. 15 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Não diverge o conceito de empresa aviado no art. 12 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/999) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Consoante tal delimitação legislativa, passaram a figurar como sujeitos passivos das obrigações previdenciárias assinaladas na Lei de Custeio da Seguridade Social não somente as empresas unidades econômicosociais integradas por elementos humanos, materiais e técnicos, com objetivo de obter utilidades através da sua participação no mercado de bens e serviços , como também, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional que se enquadrassem na condição de empregador. Tudo de acordo com o art. 195, I da lex Excelsior. Dessarte, mesmo antes da Emenda Constitucional n° 20/98, de 15/12/1998, as disposições relativas ao sujeito passivo encartadas na Lei nº 8.212/91 já se encontravam em perfeita sintonia com os delimitadores estabelecidos na nossa Lei Soberana. Registrese que, mesmo após a promulgação da citada EC n° 20/98, o inciso I do art. 195 da CF/88 ainda mantém, como contribuintes da Seguridade Social, todos os empregadores lato sensu, como assim se qualificam todos os órgãos públicos que não possuem Regime Próprio de Previdência Social ou, possuindo, em relação aos trabalhadores a ele não vinculados. Conforme destacado no Relatório Fiscal, o Fundo de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Municipais FUNSERV foi criado pela Lei Municipal n° 3.636, de 02/07/1999, e regulamentado pelo Decreto Municipal n° 7.879, de 28/07/1999, e tem por finalidade prover os recursos financeiros necessários para assegurar a assistência à saúde dos servidores públicos municipais de Campo Grande/MS. Em nome do FUNSERV são feitos empenhos, liquidações e pagamentos de despesas com a finalidade de remunerar prestadores de serviços da área de saúde. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10140.720340/201251 Acórdão n.º 2302003.048 S2C3T2 Fl. 339 11 Tratase de um órgão desconcentrado da administração direta do Município de Campo Grande, sem personalidade jurídica própria definida em lei, e, nessa vertente, não somente o Município de Campo Grande, como também o Fundo de Assistência à Saúde do Servidor Municipal encontramse abraçados pelo conceito de empresa, nos termos do art. 15 da Lei nº 8.212/91, sujeitandose, portanto, a todas as obrigações tributárias principais e acessórias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Não procede a alegação de que a atividade prestada pelo FUNSERV deve ser equiparada à entidade de assistência social, sem fins lucrativos, e, portanto, fazendo jus à isenção prevista no §7º do art. 195 da Constituição Federal. Para que a Entidade Beneficente de Assistência Social faça jus à isenção em relevo mostrase indispensável o atendimento aos requisitos fixados na lei vigente à data da ocorrência dos fatos geradores, in casu, o art. 55 da Lei nº 8.212/91, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Conforme salientado, somente as Entidades Beneficentes de Assistência Social que demonstrem e comprovem o atendimento aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91 são sujeitos de direito à isenção de contribuições previdenciárias prevista no §7º do art. 195 da CF/88, no período de apuração do presente débito fiscal, direito esse cuja fruição sujeitase a requerimento formal à Autarquia Previdenciária, que tem o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Nessa prumada, não havendo o Recorrente demonstrado ser Entidade Beneficente de Assistência Social, nem comprovado o cumprimento cumulativo de todos os requisitos fixados na lei, não há como atender ao pedido de reconhecimento de a equiparação do FUNSERV à entidade sem fins lucrativos para os efeitos do art. 195, §7º da Constituição Federal. Quanto ao pedido de anulação do Auto de Infração DEBCAD nº 51.008.937 2, este também não poderá ser deferido, uma vez que tal auto de infração é objeto do PAF nº 10140.720752/20186, não detendo esta Turma Ordinária competência para, nestes autos, proferir decisões a respeito de litígios objeto de outros processos administrativos fiscais. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10945.902130/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2005
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 30 /2 01 2- 14 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. . Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902130/201214 Acórdão n.º 3801003.066 S3TE01 Fl. 16 8 prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.004734/2003-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Leandro Figueiredo Silva, OAB/SP nº. 265.367..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Leandro Figueiredo Silva, OAB/SP nº. 265.367.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de PIS, incluindo acréscimos legais, no valor total de R$ 331.735,98 (fls. 2 demonstrativo consolidado do crédito tributário, auto de infração fls.67/69). No termo de verificação de fls. 55/62, foram apontados, em síntese, os seguintes fatos e infrações: • A empresa discute em juízo, através do processo judicial n° 1999.61.00.0081276, a legalidade da Lei n° 9.718/98, a qual alterou a base de cálculo e alíquota do PIS, tendo sido suspensa a exigibilidade do crédito tributário, primeiro por liminar e depois por sentença. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 73 4/ 20 03 -4 7 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.004734/200347 Resolução nº 3202000.205 S3C2T2 Fl. 538 2 • Afastada a suspensão da exigibilidade por reforma da sentença que deu provimento à apelação da Fazenda Nacional, os valores do PIS que a empresa informou sob a rubrica "suspensão" na DCTF, foram lançados de acordo com o demonstrativo de fls. 53. A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 14/01/2004 (fls. 72/81 e 296), alegando em síntese o seguinte: a) A Impugnante, em 13/11/2003 providenciou a entrega de duas "Declarações Eletrônicas de Compensação — PER/DCOMP", com o escopo de liquidar débitos de PIS gerados pela impetração do mandado de segurança, inclusive valores gerados entre janeiro a novembro de 2002, com créditos presumidos de IPI, oriundos de operações de exportação. b) As duas declarações foram enviadas antes do esgotamento do prazo de 30 dias previsto pelo art. 63, § 2°, o que ocorreria dia 14/11/2003. c) O auto de infração não pode prosperar, visto que além de imputar à Impugnante multa de mora totalmente arbitrária e indevida, ainda exige crédito tributário já liquidado, através de procedimento de compensação, nos moldes previstos pelo próprio Fisco Federal.” A DRJSão Paulo I/SP julgou parcialmente procedente o lançamento (efls.447/455), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2002 a 30/11/2002 PIS.LANÇAMENTO. Deve ser mantido o lançamento efetuado em conformidade com a legislação de regência. MULTA DE OFICIO. COMPENSAÇÃO EFETUADA ANTERIORMENTE AO LANÇAMENTO. Deve ser exonerada a multa de oficio relativa aos períodos em que restou comprovado que a contribuinte protocolou pedido de compensação anteriormente ao lançamento. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 468/474), alegando, em síntese: que, como se pode observar do demonstrativo do crédito tributário anexado à conclusão da decisão proferida pela 8a Turma Julgadora, grande parte dos valores foram exonerados, restando apenas as diferenças apuradas nos meses de outubro e novembro de 2002; que os valores mantidos pela DRJ, relativos aos meses de outubro e novembro de 2002, referentes às diferenças apuradas entre o valor lançado no Auto de Infração e o valor compensado nas PER/DCOMP, foram devidamente recolhidos à época de seus vencimentos, “sendo certo que, no caso em que houve atraso no recolhimento, também foram recolhidos os seus devidos consectários legais”; que, apenas por um lapso, os Comprovantes de Arrecadação referentes a tais recolhimentos deixaram de ser juntados aos autos quando da apresentação da impugnação, mas Fl. 538DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.004734/200347 Resolução nº 3202000.205 S3C2T2 Fl. 539 3 que os junta em fase recursal (docs . 6 a 8), devendo tais documentos ser aceitos em razão do princípio da verdade material e do informalismo; que, “além dos comprovantes ora anexados, é possível também verificar a ocorrência do referido pagamento através da análise da DCTF (docs. 9 e 10) apresentada pela Recorrente, onde são informados os mesmos, nos exatos valores que são exigidos em virtude de uma suposta ausência de recolhimento”; e que, como bem asseverou a DRJ, grande parte do débito lançando pelo Fisco foi objeto de compensação, a qual aguarda sua devida homologação, o que, ocorrendo, importará na extinção do crédito tributário, nos termos do art.156, inciso II do CTN. Ao final, requereu seja desconstituído o crédito tributário lançado, por ser este insubsistente. Em sessão de 24 de janeiro de 2012, por meio da Resolução nº. 3202000.053 , esta Turma julgadora decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse juntada aos autos cópia da decisão administrativa acerca das compensações pleiteadas pela contribuinte, bem como fosse informado se tinha havido pagamento relativo aos valores devidos referentes aos meses de outubro e novembro/2002 e, em caso positivo, se tais pagamentos se mostravam suficientes para cobrir os débitos a que se referiam (doc. às efls. 516/519, onde, equivocadamente, foi denominado de Despacho). Cumprida a diligência requerida, retornam os autos a este Colegiado, para proceder ao julgamento. É o Relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Cuidam os autos de Auto de Infração lavrado contra a empresa MANGELS INDÚSTRIA E COMÉRCIO para constituição de crédito tributário relativo à contribuição para o PIS, referente a fatos geradores ocorridos entre 31/01/2002 e 30/11/2002, no valor total de R$ 331.735,98, inclusos principal, juros de mora e multa de ofício de 75%. Afirma a recorrente que grande parte dos valores foram exonerados pela DRJ, restando apenas as diferenças apuradas nos meses de outubro e novembro de 2002. Enganase a querelante quando faz tal afirmação. A referida decisão manteve o lançamento em relação ao principal, exonerando parcialmente a multa de ofício, em razão de a contribuinte haver transmitido os pedidos de compensação dentro do prazo de 30 dias após a publicação da sentença que considerou devido o tributo. Vejase o teor da referida decisão: “O fato da Impugnante ter protocolado, antes da autuação, pedido de compensação dos débitos de PIS relativos a 01/2002 a 11/2001 [sic], calculados com base nos mesmos critérios adotados pela fiscalização, quais sejam, os da Lei n° 9.718/1999, não impede o lançamento, nem o torna inválido. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.004734/200347 Resolução nº 3202000.205 S3C2T2 Fl. 540 4 O PIS constituído no presente processo estava sub judice na época da lavratura do auto de infração, e é devido nos termos da Lei n° 9.718/1999, visto que ocorreram as situações definidas naquele dispositivo legal como necessárias e suficientes para caracterizar o fato gerador, em conformidade com os arts. 113 e 114 do CTN. No que diz respeito ao cabimento do lançamento de oficio, destaquese que nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo nas hipóteses em que o crédito tributário encontrase sub judice. De qualquer forma, mesmo em face da existência de ação judicial, estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa ou não, é plenamente cabível a formalização do crédito tributário, mediante a lavratura do competente Auto de Infração, principalmente porque inexiste qualquer dispositivo legal expresso que prescreva a suspensão ou interrupção do prazo decadencial. No tocante à compensação, cumpre observar que ela é uma das formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156 do CTN, in verbis: "Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;" Assim, se a autoridade administrativa homologar as compensações pleiteadas pela contribuinte por meio das PERD/COMP n° 03423.52454.131103.1.3.011011 e 12772.85740.131103.1.3.015821, os créditos poderão ser alocados ao presente processo, para extinguir os débitos relativos aos períodos de janeiro a novembro de 2002. Logo, a manutenção do lançamento da contribuição não causa nenhum prejuízo à contribuinte, visto que no momento da cobrança, a autoridade administrativa deverá verificar se ocorreu alguma das hipóteses de extinção do crédito tributário, previstas no art. 156 do CTN. Por fim, a multa de oficio apenas deve der mantida em relação às diferenças entre os valores lançados e compensados, demonstradas na Tabela 3 supra, merecendo ser acolhida a alegação da contribuinte. ............................................................................................................................. Em que pese a exigibilidade do crédito não estar mais suspensa no inicio do procedimento fiscal, visto que o acórdão que reformou a sentença foi publicado em 15/10/2003 (fls. 446), e o Termo de Inicio é datado de 20/10/2003, a contribuinte transmitiu as PERD/COMP no 03423.52454.131103.1.3.011011 e 12772.85740.131103.1.3.015821, em 13/11/2003 (fls. 411; 420). Ou seja, dentro do prazo de 30 dias, contados da data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo. Por conseguinte, deve ser cancelada a multa de oficio relativa à contribuição integralmente compensada antes da autuação. Como os pedidos de compensação foram protocolados dentro do prazo de 30 dias previstos no § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/1996, e anteriormente ao lançamento, não restou caracterizada a falta de recolhimento de tributo que .possibilitaria a imposição da multa de oficio nos termos do art. 44 do mesmo diploma legal.” (grifos não constantes do original) Fl. 540DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.004734/200347 Resolução nº 3202000.205 S3C2T2 Fl. 541 5 Na verdade, a DRJ manteve a multa de ofício apenas em relação às diferenças apuradas nos meses de outubro e novembro/2002, tendo em vista que, para tais meses, os valores constantes dos pedidos de compensação foram inferiores aos valores lançados, respectivamente nos montantes de R$ 20,08 e R$ 14,69, conforme “Tabela 3 – Pis lançado X Pis objeto de PERD/COMP”, elaborada pela DRJ à efl. 451. Essas diferenças, entretanto, foram recolhidas pela contribuinte, conforme Comprovantes de Arrecadação juntados às efls. 506/507, sendo que o valor referente ao mês de outubro/2002 teria sido recolhido em 08/01/2003, e o valor referente ao mês de novembro/2002, em 13/12/2002. Na diligência requerida por este Colegiado, os pagamentos foram confirmados pela autoridade preparadora, sem que, entretanto, ficassem evidenciadas as datas em que foram efetivados os recolhimentos, conforme se vê da transcrição a seguir: “Quanto aos pagamentos às fls. 506 a 508, foram recolhidos e informamos que estão alocados aos débitos declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF (fls. 509 e 510). Em pesquisa realizada no sistema FISCEL, verificouse que os pagamentos foram suficientes para quitar os saldos declarados de R$ 26,78 em outubro de 2002 e de R$ 19,40 em novembro de 2002, sem considerar a multa de ofício, como mostram as telas juntadas ao processo, às fls. 524 a 527” Por outro lado, temse que, às efls. 525/527 (fls. 317/318 do processo físico), foi juntada aos autos cópia de decisão administrativa relativa a pedido de reconhecimento de direito creditório da contribuinte, relativo ao crédito presumido de IPI do 1º trimestre de 2000 , bem como pedido de compensação de débitos vinculados a tal crédito (processo administrativo nº. 10880.907267/200619). Podese ver, dali, que o direito creditório requerido foi indeferido e que as compensações declaradas não foram homologadas. Dessa forma, por óbvio, temse que não se encontra extinto o crédito tributário exigido por meio do Auto de Infração objeto deste processo administrativo. Aliás, em consulta ao sistema eprocesso, na data de hoje, verificase que o processo administrativo nº. 10880.907267/200619 ainda se encontra na DRJ, pendente de julgamento. É de se concluir, portanto, que não é possível a esta julgadora decidir sobre o litígio de que trata este processo, vez que ainda não houve decisão administrativa definitiva acerca do direito creditório discutido naquele outro processo, tampouco acerca da homologação das compensações ali efetuadas, que pode, em tese, levar à extinção da exigência perpetrada nestes autos, caso a contribuinte venha a lograr êxito na homologação declaradas naqueles autos. Assim, sem que tenha havido o trânsito em julgado administrativo nos autos daquele processo, onde está sendo discutido a existência, ou não, de direito creditório da contribuinte, bem como a homologação da compensação dos créditos tributários que estão sendo exigidos nestes autos, entendo que não há como esta julgadora solucionar a lide em relação à exigência aqui perpetrada. Desta forma, voto por novamente CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora junte aos autos cópia da decisão administrativa definitiva de mérito, proferida nos autos do processo nº. 10880.907267/200619. Caso esta ainda não tenha sido proferida, devem os autos aguardar naquela DRFB, até que seja Fl. 541DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.004734/200347 Resolução nº 3202000.205 S3C2T2 Fl. 542 6 definitivamente decidido, nos autos do referido processo administrativo, se as compensações ali requeridas foram ou não homologadas. Caso as compensações não sejam homologadas, deve ainda a autoridade preparadora esclarecer, para fins de verificação da incidência da multa de ofício, se os valores relativos aos meses de outubro /2002 e novembro/2002 foram, de fato, recolhidos em 08/01/2003 e 13/12/2002, respectivamente, datas que estariam compreendidas dentro do prazo de 30 dias, contados da data da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo e, ao que parecem, seriam até mesmo anteriores ao início do procedimento de fiscalização, vez que o acórdão que reformou a sentença teria sido publicado em 15/10/2003 (fls. 446), e o Termo de Inicio de Fiscalização seria datado de 20/10/2003. Ressaltese, por fim, que, nos casos da espécie, a conversão do julgamento em diligência já foi medida por outras vezes adotada em outras Turmas julgadoras e até mesmo nesta própria Turma, podendose citar, a título de exemplo, a Resolução nº 3202000.171, de 26/11/2013. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 542DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10166.000273/2002-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
DCTF Falta de pagamentos Provas
Mantém-se a exigência fiscal remanescente na revisão de ofício, quando a contribuinte questiona e nem comprova nos autos os pagamentos vinculados a débitos declarados em DCTF, objetos do lançamento, ou erros alegados.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
Numero da decisão: 2202-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
: Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil De Araujo Nogueira.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez– Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 02 73 /2 00 2- 95 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 : Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil De Araujo Nogueira. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.000273/200295 Acórdão n.º 2202002.606 S2C2T2 Fl. 345 3 Relatório Trata o presente processo de lançamento de IRRF/1997 (fl. 48), formalizado com base nos dados das Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 1º e 2º trimestres do anocalendário de 1997, no qual está sendo exigido da contribuinte, acima identificada, crédito tributário no valor total de R$ 177.766,18. A descrição dos fatos, enquadramento legal da infração tributária e demonstrativos do crédito tributário a pagar apurado nos períodos autuados, encontramse às folhas 50 a 62. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 10/12/2001 (AR fl. 196). Inconformada apresentou impugnação (fls. 4 a 18), em 08/01/2002, na qual transcreve os fatos, parte e do auto de infração e, em resumo, alega que efetuou os pagamentos dentro do prazo, porém cometeu erros involuntários na apuração de IRRF e no preenchimento dos períodos semanais informados nas DCTF. Faz demonstrativo dos débitos em abertos/pagamentos e junta aos autos cópias das DCTF e de DARF de recolhimentos. Cita e transcreve a legislação, jurisprudência administrativa e questiona a aplicação da multa de ofício e a incidência dos juros e argumente que não pode prevalecer a multa exigida. Mesmo se admitida hipoteticamente seu valor deve ser apurado na forma do artigo 61 da Lei 9.430, de 1996, que limita a sua aplicação a 0,33% ao dia, com limite total de 20%. No pedido, requer seja acolhida a impugnação para julgar totalmente improcedente o auto de infração. Houve revisão de ofício do lançamento onde a autoridade fiscal lançadora (fl. 292), acatando a informação (fls. 290 a 291), reviu de ofício do lançamento e cancelou os débitos de IRRF relativos aos PA 0401/1997, R$ 135,00, 0103/1997, R$ 6.330,96, 0505/1997, R$ 6.691,34 e 0506/1997, R$ 7.791,45, no total original de R$ 20.948,75 e manteve os relativos aos PA 0501/ 1997; 0502/1997, e 0504/1997, nos valores de R$ 18.292,65, R$ R$ 13.766,43 e R$ 12.837,70,respectivamente, no total de R$ 44.896,78. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento ao analisar a impugnação negou provimento a mesma através do acórdão 03046.749 de 19 de janeiro de 2013, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:1997 DCTF Falta de pagamentos Provas Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Mantémse a exigência fiscal remanescente na revisão de ofício, quando a contribuinte questiona e nem comprova nos autos os pagamentos vinculados a débitos declarados em DCTF, objetos do lançamento, ou erros alegados. MULTA DE OFÍCIO O seu percentual deve ser o previsto no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, porque o auto decorre da revisão de declaração de ajuste anual, inexata, que compele exigirse multa de ofício Devidamente cientificado dessa decisão, a Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.000273/200295 Acórdão n.º 2202002.606 S2C2T2 Fl. 346 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. MÉRITO Trata o presente processo de lançamento de IRRF/1997 formalizado com base nos dados das Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) do 1º e 2º trimestres do anocalendário de 1997. Alega o Recorrente que fez a comprovação do pagamento portanto o lançamento deve ser extinto com base no artigo 156 do CTN. Entendo que não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que a Recorrente não conseguiu demonstrar de maneira inequívoca que efetuou tais pagamentos. A documentação apresentada, tais como DARF´s de pagamento não conseguem demonstrar de maneira clara que houveram os pagamentos. Diante do exposto entendo que não assiste razão a Recorrente. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. Desta forma, conheço do recurso voluntário, e o mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720318/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO (SUJEITO PASSIVO) E GERAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO).
VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL - ENDEREÇO INDICADO PELO CONTRIBUINTE - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Considera-se válida a intimação fiscal por meio de aviso postal com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o próprio destinatário. Assim, intimado o contribuinte por AR sem divergência de identificação e domicílio fiscal, conforme determina o artigo 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, sem consideração de quem tenha recebido e assinado o correspondente Aviso de Recebimento, não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Não Conhecer dos Recursos.
RECURSO VOLUNTÁRIO DE CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO).
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE INTEGRAL.
A empresa que adquirir de outra, a qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial ou industrial, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e da Contribuição para Seguridade Social - INSS, que também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-001.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso da autuada e da coobrigada Geral Empreendimentos e Participações Ltda., e negar provimento ao recurso da coobrigada Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso da autuada e da coobrigada Geral Empreendimentos e Participações Ltda., e negar provimento ao recurso da coobrigada Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007 RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO (SUJEITO PASSIVO) E GERAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO). VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL - ENDEREÇO INDICADO PELO CONTRIBUINTE - RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE - Considera-se válida a intimação fiscal por meio de aviso postal com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o próprio destinatário. Assim, intimado o contribuinte por AR sem divergência de identificação e domicílio fiscal, conforme determina o artigo 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, sem consideração de quem tenha recebido e assinado o correspondente Aviso de Recebimento, não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Não Conhecer dos Recursos. RECURSO VOLUNTÁRIO DE CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE INTEGRAL. A empresa que adquirir de outra, a qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial ou industrial, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e da Contribuição para Seguridade Social - INSS, que também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Recurso Negado.
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(RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO). VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL ENDEREÇO INDICADO PELO CONTRIBUINTE RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Considerase válida a intimação fiscal por meio de aviso postal com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o próprio destinatário. Assim, intimado o contribuinte por AR sem divergência de identificação e domicílio fiscal, conforme determina o artigo 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, sem consideração de quem tenha recebido e assinado o correspondente Aviso de Recebimento, não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Não Conhecer dos Recursos. RECURSO VOLUNTÁRIO DE CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE INTEGRAL. A empresa que adquirir de outra, a qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial ou industrial, e continuar a respectiva exploração, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 03 18 /2 01 1- 52 Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 3 3 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e da Contribuição para Seguridade Social INSS, que também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso da autuada e da coobrigada Geral Empreendimentos e Participações Ltda., e negar provimento ao recurso da coobrigada Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 68.049.154/000101, com domicílio fiscal na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, na AV. Antonio Carvalho Miranda, nº 316 Bairro Jardim Miranda, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1122/1146, prolatada pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1191/1197. Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas – SP, em 18/03/2011, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 975/1030), cuja ciência se deu via AR, em 25/03/2011 (fl.1044), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 5.322.229,04), a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de ofício normal agravada de 112,50% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referente ao exercício de 2007, correspondente ao ano calendário de 2006. São responsáveis integrais (responsabilidade tributária integral por sucessão) pelo crédito tributário constituído as empresas Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. – CNPJ nº 10.364.949/000124 e Geral Empreendimentos e Participações Ltda. – CNPJ nº 11.039.808/000107, atualmente sob a razão social de Geralmundi Transporte, Manutenção e Locação de Equipamentos Ltda. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2007, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Conforme descrito no relatório de Ação Fiscal n° 00623/ 09/022, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração, constatamos que o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou a documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos depósitos efetuados nas contas correntes citadas na planilha ANEXA ao referido Relatório. Os valores a serem tributados como Omissão de Rendimentos, conforme preconiza o artigo 42 da Lei 9.430/96, foram totalizados na ultima coluna (8) do Demonstrativo de Totalização da planilha ANEXA. Para apuração dos tributos devidos pela fiscalização através de seus extratos bancários foram expurgadas das relações de créditos não comprovados, as transferências entre as contas correntes, devoluções de cheques, estornos, resgate de aplicações financeiras, bônus, reposições e estornos de CPMF, reduções de saldo devedor, juros, atualizações e resgate de poupança e outros. A fiscalizada entregou a Declaração Simplificada 2007/2006, tendo consignado como “Faturamento / Receita Bruta” os montantes constantes da coluna 7 de Demonstrativo de Totalização da planilha ANEXA ao Relatório de Ação Fiscal n° 00623/09/022, os quais foram descontados dos créditos efetuados nas contas correntes para fins de determinar o valor do rendimento omitido, de acordo com o mês declarado. Desta forma, subtraindose dos créditos não comprovados as receitas informadas em Declaração do SIMPLES, concluise que houve omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 4 5 nos montantes e períodos a seguir relacionados, detalhados na planilha ANEXA ao Relatório de Ação Fiscal n° 00623/09/022, conforme o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4° da Lei 9.481 de 13 de agosto de 1997. Infração capitulada no art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 2°, § 2°, 3°,§ 1°, alínea “a”, 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317, de 1996; art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; e arts. 186, 188 e 199, do RIR/99; 2 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO: A fiscalização apontou em DIPJ como base de calculo dos tributos e contribuições recolhidos na sistemática do Simples Federal os valores dispostos no quadro “DEMONSTRATIVO DE PERCENTUAIS APLICÁVEIS SOBRE A RECEITA BRUTA” para o anocalendário 2006. Esses montantes de receitas declaradas foram tomados como origem parcial para a movimentação financeira ocorrida nos meses em que foram declarados, conforme foi detalhado na planilha ANEXA ao Relatório Fiscal n° 00623/09/022. Como resultado do lançamento da infração “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”, houve alteração dos percentuais aplicáveis às receitas declaradas pelo contribuinte para o anocalendário 2006. Os montantes devidos, decorrentes desse recálculo são demonstrados nas planilhas de cálculo que acompanham o presente Auto de Infração. Assim, sendo, houve falta de recolhimento do SIMPLES para o período de 01/2006 a 12/2006, devido à utilização de alíquotas menores que as aplicadas de acordo com esse Auto de Infração. Infração capitulada no art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996 c/c art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998; e arts. 186 e 188, do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório de Ação Fiscal (fls. 872/908), entre outros, os seguintes aspectos: que a Ação Fiscal levada a efeito na empresa N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP, atual razão social da N PEREIRA CASA DE CARNES – EPP, CNPJ 04.622.851/000127, com endereço cadastral atualmente situado à Av. Antonio Carvalho Miranda, 316 – Jardim Miranda – Campinas – SP, doravante denominada fiscalizada; que ação fiscal foi amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0810400 2009 006231, o qual determina trabalhos de auditoria dos tributos e contribuições federais recolhidos pela empresa na sistemática do SIMPLES FEDERAL (01/2006 a 06/2007) e do SIMPLES NACIONAL (07/2007 a 12/2009); que para esse lançamento parcial será analisada única e exclusivamente a composição das bases de cálculo dos tributos e contribuições federais recolhidos na forma do SIMPLES FEDERAL para o anocalendário 2006, período de apuração no qual a empresa permaneceu no sistema; que no anocalendário 2006 foi ultrapassada a receita permitida para a permanência no SIMPLES FEDERAL, o que ocasionará a exclusão da empresa desse sistema para os anoscalendário subseqüentes; que, para os anoscalendário 2007, 2008 e 2009, será confeccionado processo administrativo apartado e será adotada a sistemática do Lucro Arbitrado para a apuração dos tributos e contribuições federais; Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que a empresa fiscalizada constituída sob a forma de Firma Individual, tendo por objeto social para o anocalendário 2006 o Comércio atacadista de carnes bovinas e suínas e derivados (código CNAE 4634601); que a fiscalizada apresentou em 29/05/2007 a PJSI (Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica) 2007/2006 (arquivamento ND 6602487), tendo optado pelo regime de tributação sob a forma do simples federal; que da motivação para a fiscalização, ou seja, a Ação Fiscal teve os seguintes objetivos que foram executados da seguinte forma e amplitude: Verificar a regular contabilização de extratos bancários de todas as contas bancárias mantidas pela fiscalizada em Instituições Financeiras, de acordo com os procedimentos definidos pelas leis comerciais e fiscais; Conferir a regular tributação de receitas advindas da comercialização de carnes e seus derivados; Apurar a existência de infrações contábeis e fiscais à Legislação Tributária Federal; Comparecer ao local efetivo de funcionamento da fiscalizada ao tempo de que trata a presente Ação Fiscal, anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, Estrada Velha Campinas – Monte Mor, km 4,0, 1211 – Sala 01 – Sítio São José – Nova Boa Vista – Campinas – SP – 13.064654, com a finalidade de constatar o tipo de atividade em operação no local no período fiscalizado; Comparecer ao endereço cadastral atual da fiscalizada, situado à Av. Antonio Carvalho Miranda, 316 – Jardim Miranda – Campinas – SP – 13.034615, com a finalidade de constatar o tipo de atividade existente no local e a compatibilidade das operações exercidas pela empresa com a estrutura existente para exercer seus atos de comércio e indústria; Apurar a existência de pessoas jurídicas solidárias responsáveis pelos tributos e contribuições de responsabilidade da fiscalizada; Verificar a regularidade dos recolhimentos dos tributos e contribuições federais na forma do SIMPLES relativamente aos períodos de apuração fiscalizados, mediante consulta às bases de dados da Secretaria da Receita Federal; ∙ Verificar a regularidade da entrega das Declarações do SIMPLES FEDERAL (01/2006 a 06/2007) e SIMPLES NACIONAL (07/2007 a 12/2009); que, da ação fiscal, em 02/04/2009, neste sentido, iniciouse, a Ação Fiscal na empresa N PEREIRA CASA DE CARNES – EPP (antiga razão social de N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP), através da lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal Nº 00623/09/001, que tinha por objeto inicialmente a auditoria do recolhimento de tributos e contribuições pela sistemática do SIMPLES FEDERAL para o anocalendário 2006; que desde a data de 28/04/2010, quando a fiscalizada apresentou sua última solicitação de prazo, até a presente data 18/03/2011, não houve manifestação formal quanto aos Termos de Intimação lavrados durante a Ação Fiscal, quais sejam, Termos N° 00623/09/015 a 00623/09/021; que, em 02/06/2009, ante a negativa reincidente do contribuinte em apresentar seus extratos bancários, estes foram solicitados diretamente aos bancos por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira nº 08.1.04.00 2009000497, 08.1.04.002009000500, 08.1.04.002009000519, 08.1.04.00 2009000527, 08.1.04.00 2009000535; que da diligência em terceiros relacionados, portanto, em 25/05/2010, amparados pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.04.002009014587, iniciamos diligência na empresa CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA., CNPJ 10.364.949/000124, comparecendo ao seu endereço cadastral, Estrada Velha CAMPINAS/MONTEMOR, 1211 – Chácara Nova Boa Vista CAMPINAS – SP, local onde inicialmente estava estabelecida a N Pereira Casa de Carnes Ltda., e entramos em contato com o Sr. Álvaro Denílson Pereira, gerente e administrador das duas empresas, o qual prestou no Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 5 7 local esclarecimentos, por meio de Termo de Comparecimento Nº 01458/09/002 datado e assinado; que da análise da movimentação financeira, sendo assim, a movimentação financeira do contribuinte monta a R$ 17.059.531,12 para o anocalendário 2006, um valor 32,94 vezes maior que o valor declarado em DIPJ 2007/2006 (R$ 517.967,86); que parte das receitas de vendas da fiscalizada, que haviam sido declaradas em Declarações Simplificadas, foram descontadas para fins de tributação de Omissão de Receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados; que da responsabilidade tributária, sendo assim, a responsabilidade pelo crédito tributário constituído ou a constituir, tendo como sujeito passivo a empresa N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP é definida pelos ditames legais compilados pelos artigos 208 e 209 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000 de 26/03/99); que, assim sendo, de acordo com a previsão legal contida nos artigos 208 e 209 do RIR/99, constatase a SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE INTEGRAL das empresas CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA e GERAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACÕES LTDA por todos os débitos fiscais constituídos ou a constituir em nome de N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP por serem a primeira e segunda citadas uma continuidade da empresa fiscalizada e, por conseguinte, devendo arcar também com todas as suas responsabilidades e deveres nos termos da lei; que da autuação do simples federal, portanto, a fiscalizada está sendo autuada uma vez que omitiu receitas conforme presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96, devido a existência de lançamentos de depósitos / créditos em seus extratos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário 2006; que tendo deixado de fornecer justificativas e esclarecimentos sobre sua movimentação financeira, a fiscalizada ficou sujeita ao agravamento da multa para 112,50% dos tributos e contribuições apurados, conforme inciso I do §2º do artigo 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; que a fiscalizada será excluída de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, SIMPLES FEDERAL, instituído pela Lei 9.317 de 5 dezembro de 1996, com efeitos da exclusão a partir de janeiro/2007 e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL a partir de julho de 2007, mediante a expedição de ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS; que, portanto, com base no disposto no artigo 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e tendo sido constatado que a soma dos créditos tributários de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassa 30% (trinta por cento) do seu patrimônio e é superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), será formalizado processo de Arrolamento de Bens. Em sua peça impugnatória de fls. 1054/1061, apresentada, tempestivamente, em 23/04/2011, o autuado N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP.se indispõe Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, portanto, após ciência da autuação, mediante remessa postal, fls.1.044/1.045, a empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP (nova denominação da empresa N Pereira Casa de Carnes EPP) representada por seu sócio Nelson Pereira, apresentou defesa, fls.1.054/1.062; que a impugnação é tempestiva uma vez que foi intimada em 25/03/2011, refutando a lavratura fiscal por ocorrência de vício de nulidade insanável, subversão dos fatos por presunção equivocada e desatendimento aos princípios constitucionais que regem a apuração das exações fiscais; que, portanto, a descrição dos fatos contida no relatório fiscal não corresponde aos fatos reais, isto porque o representante legal da impugnante resolveu encerrar seus negócios na área do comércio de carnes devido à idade avançada e cansaço físico, e iniciar uma atividade mais apropriada para sua idade, qual seja, no ramo da jardinagem, justificando a alteração do ramo dos negócios; que, por não necessitar de grandes instalações, alocou sua sede nos fundos da residência mencionada pela fiscalização, pertencente a Sebastião e Olminda, irmã de sua nora que gentilmente cedeu este espaço; que a fiscalização esqueceuse de esclarecer que a sede da impugnante se encontrava nos fundos da residência mencionada no relatório fiscal, juntando extrato da JUCESP visando comprovar tal fato, e ainda que, o fato de sua empresa anterior, no ramo do Comércio de Carnes ter sido gerida por procuração pelo Sr. Álvaro Denilson Pereira, ocorreu somente porque este é seu filho, e necessitou de sua ajuda diante da idade avançada do representante legal da impugnante; que não levou adiante a atividade do paisagismo o que explica que no local tido como de atividade da impugnante, a fiscalização tenha encontrado somente mobília velha, além de o fato de os vizinhos Sebastião e Olminda não terem notado atividade no local, não significa que houve fraude ou ma fé; que quanto ao local do efetivo funcionamento da impugnante, como constou do relatório fiscal, a presunção feita pela fiscalização não autoriza a caracterização da sucessão de empresas, como será demonstrado na matéria de direito; que houve nulidade por inversão indevida do ônus da prova para lançar o montante dos tributos pelo SIMPLES, pois com base apenas em movimentação bancária que não tem configuração tributária de receita, e o pior, as contas bancárias foram devassadas sem ordem judicial, quebrando o sigilo bancário em afronta aos preceitos constitucionais; que o silêncio da impugnante e dos representantes legais quanto às intimações não autoriza a quebra do sigilo bancário, pois se está diante do direito consagrado de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si próprio e do direito ao sigilo bancário, cabendo a prova ao Fisco, além de haver inversão indevida do ônus da prova, pois o artigo 42 da Lei 9.430/96 está em descompasso com o artigo 142 do CTN, sendo o ônus de provar a ocorrência do fato gerador do fisco, e a lei ordinária não poderia ter criado esta presunção, pois em ofensa ao artigo 146, III, "b" da Constituição Federal; que houve ofensa a verdade material, uma vez que não é válido concluir que todos os valores representam renda ou receita ou faturamento auferidos pelo contribuinte; Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 6 9 que no julgamento do Recurso Extraordinário RE 389808, o STF decidiu pela impossibilidade do acesso a dados bancários sem que houvesse autorização judicial, não havendo que se argumentar que não houve quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados a Receita Federal, acrescentando que a Constituição Federal garante o respeito à privacidade, sendo inadmissíveis as provas ilícitas no processo, devendo a movimentação bancária que serviu de base à presunção de omissão de receitas e ao levantamento do crédito tributário ser considerada e declarada prova ilícita com conseqüente nulidade da autuação e de sua exclusão do SIMPLES Federal; que a sucessão de empresas e a responsabilidade tributária deve ser fundada em provas sólidas e em conformidade com a legislação, e, apesar de não ser parte legítima para a defesa em relação às empresas consideradas responsáveis pelo débito, tece suas considerações considerando o princípio do contraditório; que a empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. não sucedeu a empresa impugnante pois: Não tem os mesmos proprietários, apenas houve um período de tempo em que os proprietários desta foram procuradores do proprietário da Impugnante; Na empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda., o Sr. Álvaro Denilson Pereira tão somente representava seu filho, um dos sócios Álvaro Denilson Pereira Filho que era menor de idade e incapaz para os atos da vida civil, e, tão logo completou a maioridade, o Sr Álvaro se retirou da representação e o filho retirouse da sociedade; Sr. Nelson Pereira, representante legal da impugnante não alienou seu fundo de comércio a seu filho, Álvaro Denilson Pereira, mas este se instalou no mesmo condomínio informal de empresas, no local verificado pelo agente fiscal. Assim, as câmaras frias e as instalações são utilizadas por várias empresas em condomínio e a exploração do mesmo espaço físico não serve como elemento para configurar sucessão de empresas; A coincidência de fornecedores não serve para caracterizar sucessão entre empresas, pois são apenas “elo de ligação comercial”; O fato de atuar no mesmo ramo de comércio por si só não caracteriza sucessão empresarial e, muito menos, motivo para responsabilização tributária; Não houve a alegada transferência paulatina de faturamento entre a Impugnante e a Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., mas a diminuição do faturamento se deu pelo afastamento gradual do Sr Nelson Pereira, como já mencionado na defesa; O ramo de negócios da Geral Empreendimentos e Participações Ltda. é totalmente diverso, assim como sua sede e sócios, conforme extrato da JUCESP que junta, afirmando que esta empresa foi criada para gerenciar a locação de veículos, arrendados mediante Leasing Bancário, possibilitando a atual sócia Sra. Teodolina complementar sua renda e do núcleo familiar, já que é irmã de Gerolina esposa do Sr Alvaro Denilson, proprietário da Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., devendo ser esta empresa excluída da responsabilidade tributária; que dispõe o artigo 133 do Código Tributário Nacional/CTN, não houve prova da alienação de estabelecimento, ou a transferência do fundo de comércio para caracterizar a sucessão tributária, sendo que e a simples locação do antigo estabelecimento não comprova a sucessão, não sendo possível exigir o débito da empresas arroladas pela fiscalização, pois sequer demonstrado os requisitos do artigo 135 do CTN; que a nulidade da autuação e da exclusão do Simples Federal; no mérito, seja considerada a prova colhida pela fiscalização como prova ilícita e consequente cancelamento da autuação; no exercício do contraditório seja declarada a ausência de prova para o redirecionamento da responsabilidade tributária das empresas arroladas no relatório fiscal ou subsidiariamente a exclusão da empresa Geral Empreendimentos Ltda. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 GERAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., como responsável integral (responsabilidade tributária integral por sucessão) solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 1063/1069, tempestivamente, em 18/04/2011, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que ciência da autuação, mediante remessa postal, fls.1.046/1.047, a empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ n° 11.039.808/000107 representada por sua sócia, apresentou defesa, fls.1.063/1.069; que a impugnação é tempestiva uma vez que foi intimada em 25/03/2011, refutando a lavratura fiscal por ocorrência de presunção equivocada que não sobrevive à interpretação escorreita das normas tributárias; que os fatos narrados pela fiscalização não correspondem à verdade material ao tentar estabelecer continuidade das atividades da empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP e a impugnante como sucessora, uma vez que não houve qualquer alienação onerosa do fundo de comércio, nem da carteira de clientes, não havendo identidade de sedes, sendo as atividades totalmente distintas; que muito embora não seja parte legítima para impugnar a atuação, tendo em vista que foi arrolada como responsável pela integralidade dos débitos, vem utilizarse de todos os meios de defesa em função do princípio do contraditório; que impugna a forma como utilizada a presunção para o lançamento com base na movimentação bancária da empresa N Pereira, por não ter configuração tributária de receita, não sendo válido concluir que todos os valores representam renda ou receita ou faturamento auferido pelo contribuinte, em ofensa a verdade material; que a base de cálculo foi apurada por meio da quebra de sigilo bancário da empresa N Pereira Projeto de Paisagismo EPP, sem ordem judicial, tornando nula a autuação por ofensa aos princípios constitucionais da privacidade e não auto incriminação, além de haver inversão indevida do ônus da prova, pois o artigo 42 da Lei 9.430/96 está em descompasso com o artigo 142 do CTN, sendo o ônus de provar a ocorrência do fato gerador do fisco, e, sendo lei ordinária não poderia ter criado esta presunção, pois em ofensa ao artigo 146, III, "b" da Constituição Federal; que a prova obtida mediante as movimentações bancárias deve ser considerada ilícita por ser constitucionalmente inadmissível; que por não ser parte legítima para integrar a relação de sujeição passiva, tendo em vista que a impugnante não é uma continuidade da empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP, tampouco controlada pela empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., não tendo os mesmos proprietários, nem participação societária uma nas outras, sendo o ramo de atividades totalmente diverso; que o Sr Nelson Pereira, representante legal da N. Pereira Projetos de Paisagismo EPP, não alienou seu fundo de comércio à Impugnante, e, os veículos locados não são de patrimônio comum, mas pertencentes a instituição financeira arrendadora sendo possível a transferência da titularidade da parte arrendatária sem que signifique transferência de patrimônio, devendo ser afastada a pretensão fiscal quanto a responsabilidade tributária; que a despeito do que dispõe o artigo 133 do CTN, não houve prova da alienação de estabelecimento, ou a transferência do fundo de comércio para caracterizar a Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 7 11 sucessão tributária, sendo que a mera utilização das mesmas agências bancárias não comprova a sucessão, pois decorrente de requisito de indicação, confiança, assim como a mera locação de veículos não comprova o elo de coresponsabilidade, não sendo possível exigir o débito das empresas arroladas pela fiscalização, pois sequer demonstrado os requisitos do artigo 135 do CTN; que seja considerada a prova colhida pela fiscalização como prova ilícita e consequente cancelamento da autuação; seja declarada a ausência de prova para o redirecionamento da responsabilidade tributária exclusão da empresa Geral Empreendimentos Ltda. do pólo passivo da demanda. CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA DERIVADOS LTDA., como responsável integral (responsabilidade tributária integral por sucessão), apresenta a sua peça impugnatória de fls. 1105/1112, tempestivamente, em 20/04/2011, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a ciência da autuação, mediante remessa postal, fls.1.048/1.049, a empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., CNPJ n° 10.364.949/000124, representada por seus sócios, apresentou defesa, fls.1.105/1.112, alegando em síntese o que segue; que a impugnação é tempestiva uma vez que foi intimada em 28/03/2011, refutando a lavratura fiscal por ocorrência de presunção equivocada que não sobrevive à interpretação escorreita das normas tributárias; que os fatos narrados pela fiscalização não correspondem à verdade material ao tentar estabelecer continuidade das atividades da empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP e a impugnante como sucessora, uma vez que não houve qualquer alienação onerosa do fundo de comércio, nem da carteira de clientes, e reconhecido no relatório fiscal que no endereço da impugnante, onde antes funcionava a empresa N Pereira, há outras empresas do ramo alimentício que locam o espaço; que quanto ao local do efetivo funcionamento da impugnante, como constou do relatório fiscal, a presunção feita pela fiscalização não autoriza a caracterização da sucessão de empresas, como será demonstrado na matéria de direito; que, muito embora, não seja parte legítima para impugnar a atuação, tendo em vista que foi arrolada como responsável pela integralidade dos débitos, vem utilizarse de todos os meios de defesa em função do princípio do contraditório; que a forma como utilizada a presunção para o lançamento com base na movimentação bancária da empresa N Pereira, por não ter configuração tributária de receita, não sendo válido concluir que todos os valores representam renda ou receita ou faturamento auferido pelo contribuinte, em ofensa a verdade material; que a base de cálculo foi apurada por meio da quebra de sigilo bancário da empresa N Pereira Projeto de Paisagismo EPP, sem ordem judicial tornando nula a autuação por ofensa aos princípios constitucionais da privacidade e não auto incriminação, além de haver inversão indevida do ônus da prova, pois o artigo 42 da Lei 9.430/96 está em descompasso com o artigo 142 do CTN, sendo o ônus de provar a ocorrência do fato gerador Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 do fisco, e sendo lei ordinária não poderia ter criado esta presunção, pois em ofensa ao artigo 146, III, "b" da Constituição Federal; que a prova obtida mediante as movimentações bancárias deve ser considerada ilícita por ser constitucionalmente inadmissível; que por não ser parte legítima para integrar a relação de sujeição passiva, tendo em vista que a impugnante não é uma continuidade da empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP, não tendo os mesmos proprietários, nem participação societária uma nas outras; que o Sr Nelson Pereira, representante legal da N. Pereira Projetos de Paisagismo EPP, não alienou seu fundo de comércio ao seu filho, Alvaro Denilson Pereira, mas este se instalou em condomínio informal de empresas, que se utilizavam das câmeras frias e instalações, por isto a ocupação do mesmo espaço físico não serve para caracterizar a sucessão; que, sendo assim, aduz ainda que: A coincidência de fornecedores não serve para caracterizar sucessão entre empresas, pois são apenas elo comercial, e o mesmo espaço físico era utilizado para armazenamento de carnes por outras empresas que negociam ali com diferentes fornecedores compartilhando o mesmo espaço físico como locadoras; O fato de atuar no mesmo ramo de comércio por si só não caracteriza sucessão empresarial e, muito menos de responsabilização tributária; Não houve a alegada transferência paulatina de faturamento entre a Impugnante e a autuada, mas a diminuição do faturamento se deu pelo afastamento gradual do Sr Nelson Pereira, devido a sua idade avançada, houve efetiva solução de continuidade da empresa N. Pereira Casa de Carnes EPP, por transformação de seu objeto e de sua sede, e não a assunção de seus negócios pela Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., pois esta nasceu da vontade de sócios diversos, conforme Extrato da JUCESP que junta; Os veículos locados não são de patrimônio comum, mas pertencentes a instituição financeira arrendadora sendo possível a transferência da titularidade da parte arrendatária sem que signifique transferência de patrimônio, devendo ser afastada a pretensão fiscal quanto a responsabilidade tributária; que a despeito do que dispõe o artigo 133 do CTN, não houve prova da alienação de estabelecimento, ou a transferência do fundo de comércio para caracterizar a sucessão tributária, sendo que a mera utilização das mesmas agências bancárias não comprova a sucessão, pois decorrente de requisito de indicação, confiança, assim como a simples locação do antigo estabelecimento, realizada diretamente com proprietário do imóvel onde funcionam outras várias empresas, não comprova o elo da coresponsabilidade, não sendo possível exigir o débito das empresas arroladas pela fiscalização, pois sequer demonstrado os requisitos do artigo 135 do CTN; que seja considerada a prova colhida pela fiscalização como prova ilícita e consequente cancelamento da autuação; seja declarada a ausência de prova para o redirecionamento da responsabilidade tributária e exclusão da empresa Geral Empreendimentos Ltda. do pólo passivo da demanda. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que diz respeito à Impugnação da empresa N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO EPP, é de se dizer que a defesa alega em preliminar que os Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 8 13 fatos apurados pela fiscalização não correspondem aos fatos reais, mas que encerrou suas atividades no ramo de comércio de carnes, iniciando outra na área de jardinagem, em virtude da idade avançada do titular da firma, justificando ainda que, por não necessitar de grandes instalações, alocou sua sede nos fundos da residência mencionada pela fiscalização, e o fato de ser encontrada apenas mobília velha no local se deu em virtude da empresa de Paisagismo se encontrar paralisada; que digase que as alterações no estado da empresa inicialmente fiscalizada N Pereira Casa de Carnes, ocorridas após cerca de três meses do início da ação fiscal, constituem motivo suficiente para uma análise mais acurada dos fatos ocorridos, máxime quando constatado que o a movimentação financeira da empresa N Pereira no ano calendário 2006 era 32,94 vezes maior que o valor declarado em DIPJ 2007/2006, conforme informado no item 92 do relatório fiscal; que os fatos que a fiscalização apurou exaustivamente e a impugnante tenta afastar demonstram que, na realidade, a empresa outrora denominada N Pereira Casa de Carnes apesar das alterações formais efetuadas em 23/07/2009, abaixo descritas, continua exercendo a exploração do comércio de carnes e derivados no antigo local de seus negócios e com os mesmos administradores através da empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda.; que apesar da alteração do domicílio fiscal da empresa N Pereira Paisagismo EPP, para a Av. Antonio Carvalho de Miranda, 316, fundos, Jardim Miranda, Campinas/SP, a fiscalização constatou in locu que a referida empresa nunca praticou atividades neste local, sendo que as intimações feitas à fiscalizada eram recebidas pelos moradores da residência, dentre estes Sr. Sebastião Pântano, que recebia as intimações, conforme cópias dos Avisos de Recebimento acostados às fls. 510, 516, 521, 553 e 656, e as encaminhava aos proprietários da fiscalizada, já que esta respondia às intimações através do representante legal da fiscalizada; que a corroborar a continuidade dos negócios da empresa N Pereira Casa de Carnes EPP por intermédio da empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., a fiscalização em análise das movimentações financeiras das empresas citadas, constatou que esta última movimentava seus recursos financeiros nos mesmos bancos nos quais anteriormente a N Pereira Casa de Carnes – EPP movimentava suas contas correntes, quais sejam, o Banco do Brasil S/A e o Banco Itaú S/A; que destaca ainda a fiscalização que a conta corrente aberta em nome da Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. está vinculada exatamente à mesma agência do Banco do Brasil S/A a qual era cliente a empresa N Pereira Casa de Carnes – EPP, a de número 1.2270, e os volumes movimentados nas contas das duas empresas foram sendo transferidos paulatinamente desta última para a empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., a partir de novembro de 2008 e durante todo o anocalendário 2009; que outro fato que não pode deixar de ser ressaltado, é que, quando do início da ação fiscal em 03/04/2009, na empresa ainda denominada N Pereira Casa de Carnes EPP, situada na Estrada Velha Campinas Monte Mor, 1.211, Campinas/SP, o Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 05, foi recebido no local e assinado por Álvaro Denilson Pereira, e, após cerca de três meses do início da ação fiscal, em 23/07/2009, a fiscalizada N Pereira Casa de Carnes EPP alterou seu endereço e seu objeto social nos cadastros da Receita Federal, como já mencionado acima; Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 que os demais fatos apontados pela fiscalização a demonstrar a sucessão de negócios das empresas retrocitadas e que segundo a impugnante são despidos de verdade material, serão analisados no tópico da “Responsabilidade Tributária das Demais Empresas”; que, no que diz respeito à nulidade por inversão indevida do Ônus da Prova e quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, é de se dizer que sustenta o impugnante que houve violação do sigilo bancário, tornando o lançamento nulo uma vez que calcado em prova ilícita, com inversão indevida do ônus da prova e ofensa a verdade material, não podendo se concluir que todos os valores da movimentação financeira representem renda ou receita ou faturamento auferidos pelo contribuinte; que por estar o acesso às informações bancárias regularmente autorizado nas leis e atos legais mencionados, os procedimentos adotados são considerados regulares assim como as provas obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à validade da exigência fiscal; que não há medida judicial a amparar a tese da defesa, além de por ora, não haver comando suspendendo a eficácia do artigo art. 6º da Lei Complementar n.º 105, de 2001, com efeitos erga omnes, não surtindo efeitos no presente processo; que, no que diz respeito à Presunção de Omissão de Receitas, é de se dizer que argumenta ainda o impugnante que houve ofensa a verdade material, uma vez que não é válido concluir que todos os valores representam renda ou receita ou faturamento auferidos pelo contribuinte, sendo indevida a inversão do ônus da prova; que restou corretamente caracterizada a receita omitida nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, tendo a Autoridade Administrativa regularmente intimado o contribuinte a prestar os esclarecimentos necessários. Diante de sua inação, o Auditor Fiscal efetuou o lançamento dos Autos de Infração em discussão, cumprindo com as obrigações impostas pela legislação pertinente (atividade vinculada). Finalmente, intimado sobre os lançamentos tributários, o contribuinte apresentou sua Impugnação sem a apresentação de quaisquer documentos que pudessem comprovar suas alegações ou esclarecer a origem das movimentações financeiras caracterizadas como receitas omitidas; que, no que diz respeito à Responsabilidade Tributária das demais empresas mencionadas no Relatório de Ação Fiscal do Auto de Infração, é de se dizer os impugnantes sustentam que não houve prova da ocorrência da sucessão de empresas, pois em relação a empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. não houve alienação do fundo de comércio e o fato de haver coincidência de fornecedores e atividades no mesmo ramo de comércio não se presta a caracterizar a sucessão de empresas; que quanto ao pedido de nulidade da exclusão da empresa N Pereira Paisagismo do SIMPLES Federal, devese esclarecer que o presente processo resulta de encerramento parcial da fiscalização e que somente houve menção quanto a futura exclusão do sistema simplificado, como se verifica do item 4 do relatório fiscal que abaixo transcrevo, não constando nestes autos qualquer ato de exclusão do Simples Federal que possibilitasse manifestação desta autoridade julgadora: No anocalendário 2006 foi ultrapassada a receita permitida para a permanência no SIMPLES FEDERAL, o que ocasionará a exclusão da empresa desse sistema para os anoscalendário subseqüentes; que, no que diz respeito à Impugnação da empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda., é de se dizer que a impugnante apresenta defesa de idêntico teor em relação aos tópicos já analisados acima “Da Nulidade por inversão indevida do Ônus da Prova e quebra do sigilo bancário sem autorização judicial” e “Da Presunção de Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 9 15 Omissão de Receitas”, motivo pelo qual devem ser consideradas as razões de decidir aludidas nos referidos tópicos; que argumenta ainda não ser parte legítima para integrar a relação de sujeição passiva, tendo em vista que a impugnante não é uma continuidade da empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP, pois não alienou seu fundo de comércio a esta, não tendo os mesmos proprietários, nem participação societária uma nas outras, sendo o ramo de atividades totalmente diverso, e os veículos locados não são de patrimônio comum, mas pertencentes a instituição financeira arrendadora sendo possível a transferência da titularidade da parte arrendatária sem que signifique transferência de patrimônio, devendo ser afastada a pretensão fiscal quanto a responsabilidade tributária; que, conforme já amplamente demonstrado no item “Da Responsabilidade Tributária das demais empresas mencionadas no Relatório de Ação Fiscal do Auto de Infração”, restou comprovado nos autos que houve transferência de patrimônio entre a outrora denominada N Pereira Casa de Carnes EPP para a empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda., durante a ação fiscal e ainda que as empresas em referência eram geridas por Álvaro Denilson Pereira, e que o transporte das mercadorias vendidas pela Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. era efetuado através de veículos pertencentes à empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda., que antes pertenceram a empresa N Pereira Casa de Carnes EPP; que, deva ser mantida a responsabilidade apurada em relação a empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda.; que, no que diz respeito à Impugnação da empresa de Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., é de se dizer que a impugnante apresenta defesa de idêntico teor em relação aos tópicos já analisados acima “Da Nulidade por inversão indevida do Ônus da Prova e quebra do sigilo bancário sem autorização judicial” e “Da Presunção de Omissão de Receitas”, motivo pelo qual devem ser consideradas as razões de decidir aludidas nos referidos tópicos; que argumenta ainda não ser parte legítima para integrar a relação de sujeição passiva, tendo em vista que a impugnante não é uma continuidade da empresa N Pereira Projetos de Paisagismo EPP, não tendo os mesmos proprietários, tampouco havendo alienação do fundo de comércio, além de que a ocupação do mesmo espaço físico e a coincidência de fornecedores e atividade negocial não serve para caracterizar a sucessão; que já amplamente demonstrado no item “Da Responsabilidade Tributária das demais empresas mencionadas no Relatório de Ação Fiscal do Auto de Infração”, restou comprovado nos autos que houve transferência de patrimônio entre a outrora denominada N Pereira Casa de Carnes EPP para a empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., exploração de atividade no comércio de carnes por ambas, utilizandose do mesmo espaço físico, entregando mercadorias através dos mesmos veículos e tendo como administrador comum Álvaro Denílson Pereira; que, além disto, houve efetiva comprovação da transferência de empregados e recursos financeiros da N Pereira Casa de Carnes EPP para a Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., conforme discriminado nos itens 77/86 e 87/89 do relatório fiscal; Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 que deva ser mantida a responsabilidade apurada em relação à empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. A presente decisão esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A não comprovação da origem dos valores depositados em conta bancária de titularidade do sujeito passivo, após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receita. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA A utilização de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo quando prestados à Administração Tributária com observância de dispositivos previstos no ordenamento jurídico. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE. RESPONSABILIDAD A empresa que adquirir de outra, a qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial ou industrial, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 10 17 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 11/09/2012, conforme Termo constante às fls.1154/1186, e, com ela não se conformando, o contribuinte autuado N Pereira Projetos de Paisagismo EPP. interpôs, intempestivamente, em 15/10/2012, data da postagem (fl.1201), o recurso voluntário de fls. 1191/1197, instruído pelos documentos de fls. 1198/1202, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que o acórdão recorrido admitiu a procedência do Auto de Infração e, com isso incidiu na mesma ilegalidade no que concerne aos seguintes argumentos de direito que rechaçam a validade da autuação; que a nulidade pela inversão indevida do ônus da prova, ou seja, a intimada teve que apresenta extratos e prestar esclarecimentos sobre sua movimentação bancária, a Recorrente permaneceu silente, posto que o silencio é um direito, infirmado em qualquer procedimento administrativo o judicial para resguardar o direito constitucional da não auto incriminação; que a indevidamente invertido o ônus da prova, e disso resultando ofensa ao CTN, a decisão final está viciada e, conseqüentemente, a autuação e a pretendida inscrição em dívida ativa não se sustentam, na forma em que exige expressamente o art. 201 do CTN; que a nulidade pela quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, ou seja, o procedimento para requisição de extratos e informações bancarias do contribuinte foi a forma pela qual o agente fiscal constitui a presunção de faturamento e renda desta Recorrente; que em via de conseqüência, deve ser declarada a Nulidade da apuração do crédito tributário, seus acréscimos e multa aplicada e, bem assim, do Auto de Infração, que deve ser declarado insubsistente, seja em relação ao Arbitramento do Lucro e seja em relação à Exclusão do Simples Federal, que não pode prevalecer, ante a inconsistência do ato administrado e ilegalidade e inconstitucionalidade da forma como foi constituída. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/09/2012, conforme Termo constante às fl.1164/1173 e 1188, e, com ela não se conformando, o responsável integral (responsabilidade tributária integral por sucessão) Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. interpôs, tempestivamente, em 15/10/2012, data postagem (fl.1220) o recurso voluntário de fls. 1205/1211, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que os fatos elencados na decisão de primeira instância induzem a conclusões equivocadas; que se o Sr. Alvaro houvesse gerenciado a empresa autuada a N Pereira Casa de Carnes, não é possível daí fazer a inferência de que os negócios eram comuns ou que esta Recorrente auferia qualquer vantagem que fosse oriunda do faturamento daquela empresa, porque ele simplesmente o fazia porque o proprietário era seu pai, de avançada idade, que precisava de seu auxilio; Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 que seu pai deixou os negócios da N Pereira Casa de Carnes EPP alterou sua denominação para N Pereira Projetos de Paisagismo EPP, pois pretendia dedicarse a atividades de jardinagem. Essa nova atividade não rendeu negócios porque o Sr. Nelson Pereira, pai do Sr. Alvaro não dispôs de saúde bastante e aposentouse; que os empregados, havia conveniência em sua contratação, mas tal fato poderia levar tão somente à responsabilidade trabalhista, ditada pelos Arts. 10 e 448 da CLT, porque os trabalhadores constituem a força produtiva. Porém, essa mesma motivação de responsabilidade não se aplica na esfera tributária, posto que a responsabilidade tributária é regulada pelos Arts. 133 a 135 do CTN; que os empregados foram dispensados da N Pereira, e assim tiveram o vínculo solvido regularmente, de forma que a continuidade da prestação de serviços pelos empregados à Campinas Atacadista, esta Recorrente, não constitui, de per si, caracterização de sucessão para fins tributários; que não há no bojo deste processo administrativo espaço para o contraditório pleno, pois que a defesa se faz somente ante a letra da lei, criandose um ambiente injusto, porque dá azo à formação de presunções, por indícios formados a partir do entendimento subjetivo de cada julgador; que não basta à estreita relação negocial como fundamento para erigir presunção que permite atribuir responsabilidade tributaria. Mesmo porque, essa relação negocial existe de várias formas entre as empresas, principalmente quando se trata de ente familiares; que é preciso comprovação da existência concreta dos fatos e ocorrências mencionadas pelo Art. 133 do CTN, para que se possa pretender a sucessão de empresas para fins responsabilização tributária; que a presunção tributaria não pode ser produto de ficção formada ao arrepio da lei. Da forma como agiu, o fiscal não comprovou a continuidade porque não houve continuidade em relação à Recorrente; que a Campinas Atacadista, ergueuse sobre patrimônio adquirido por si próprio, pela fosca de trabalho e empreendimento de seus sócios e administradores e equipamentos, aquisição e escolha de sistemas operacionais e captação de clientela; não houve nenhuma alienação de negócio ou unidade produtiva, de modo que não é possível exigir o crédito tributário desta Recorrente; que está claro ao Fisco, em seu sistema, pelo que independe de demonstração, que esta Recorrente tem faturamento próprio, tem estrutura autônoma e responde por seus próprios objetivos sociais, e, além disso, não faz parte de nenhum grupo econômico. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 11/09/2012, conforme Termo constante às fls. 1184, e, com ela não se conformando, o responsável integral (responsabilidade tributária integral por sucessão) Geral Empreendimentos e Participações Ltda. – CNPJ nº 11.039.808/000107, atualmente sob a razão social de Geralmundi Transporte, Manutenção e Locação de Equipamentos Ltda., interpôs, intempestivamente, em 15/10/2012, data da postagem, o recurso voluntário de fls. 1224/1231, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 11 19 que os fatos elencados na decisão de primeira instância induzem a conclusões equivocadas; que o julgador pretendeu concluir que o Sr. Alvaro Denilson Pereira gerenciava o estabelecimento desta Recorrente, quando na verdade, apenas prestou ajuda inicial até que a representante legal da Geralmundi adquirisse experiência e pudesse continuar sozinha seus negócios; que a Geralmundi não faz o transporte dos produtos de qualquer das outras empresas, seu objeto inicial e que ainda permanece, é a Locação. Anteriormente, no inicio, eram apenas veículos, e na atualidade, estendeu para equipamentos; que, na época dos fatos, esta Recorrente não mantinha a atividade de Transporte; que, portanto, o Agente fiscal não comprovou a continuidade porque não continuidade em relação à Recorrente; nem alienação, nem controle da Recorrente por outra, de modo que não é possível exigir o crédito tributário desta Recorrente; que resta claro ao Fisco em seu sistema que esta Recorrente tem faturamento próprio, tem estrutura autônoma e responde por seus próprios objetivos sociais. E cujo ramo de atividades é totalmente diverso, não ocupa o mesmo espaço físico das demais e tem sua própria representante legal e seu gerente negócios. Negócios estes, estendidos, diversificados e ramificados, comprovando que não nasceu como empresa para ser parte de um grupo econômico. É o relatório. Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator QUANTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE N PEREIRA PROJETOS DE PAISAGISMO (CONTRIBUINTE AUTUADO) E GERAL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ((RESPONSÁVEL INTEGRAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO) Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, no que diz respeito aos contribuintes acima relacionados, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impõese, assim, necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação tempestiva dos recursos voluntários, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar o recurso voluntário em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ao tratar da intimação o Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972 e suas alterações posteriores) se manifesta da seguinte forma: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 12 21 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Pela análise preliminar das peças processuais é possível se inferir, a primeira vista, que os fatos ocorreram da forma abaixo discriminada, e por via de conseqüência com o resultado previsível ali exposto. Senão, vejamos. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada para os endereços indicados pelos contribuintes em questão, via correio, com emissão de A R, tendo sido recebidos, em Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 11/09/2012, pelos contribuintes, conforme atestam os Avisos de Recebimento de fls. 1184/1186. O marco inicial para a contagem do prazo se deu em 12/09/2012, uma quarta feira, dia expediente normal na repartição. Portanto, o prazo final para apresentação das defesas encerrarseia no dia 11/10/2012, uma quartafeira, dia de expediente normal na repartição. As peças recursais, somente, foram postadas em 15/10/2012 (fls. 1201 e 1240), portanto, totalmente fora do prazo fatal, razão pela qual o órgão preparador considerou os recursos intempestivos, conforme Termo de Perempção de fl. 1249. É de se observar, que quando a decisão em primeira instância é desfavorável ao contribuinte, este poderá entrar com um recurso chamado Recurso Voluntário, questionando a decisão proferida pela administração em primeira instância, lembrando que este recurso é um direito facultativo do contribuinte. Em casos que o contribuinte não concordar, somente em parte, com a decisão administrativa da primeira instância ele poderá recorrer apenas desta parte e quitar a parte não recorrida da decisão. Em nome dos princípios do contraditório e ampla defesa o prazo para entrar com o Recurso Voluntário é de 30 dias, a contar da data da ciência da decisão de primeira instância. O Processo Administrativo Fiscal (PAF) estabelece no artigo 5º que os prazos são contínuos, excluindose de sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. E que só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo que deva ser praticado o ato. O prazo preclusivo para impugnar é de 30 (trinta) dias contado da intimação para recolher o crédito tributário objeto de lançamento pela Autoridade Administrativa, segundo definido no art. 15 do PAF. As disposições do § 4º do art. 16, do mesmo diploma, estabelecem que a prova documental será apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo por motivos de força maior, direitos ou fatos supervenientes.Também, o prazo é de 30 (trinta) dias contado da ciência da decisão que julgar procedente total ou parcialmente para interpor recurso voluntário perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme previsto no artigo 33 do PAF. Casos de intempestividade, como os dos suplicantes, a princípio, quando comprovada veda a autoridade julgadora de tomar conhecimento de seus argumentos, a não ser que o contribuinte questione a referida tempestividade. Caberia aos suplicantes adotarem medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Não há mais nada para se discutir, os suplicantes foram cientificados em 11/09/2012 da decisão. É indiscutível que o prazo para apresentar a peça recursal é de trinta dias, contados na forma do disposto no artigo 5º, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235, de 1972, combinado com o art. 33 do mesmo Decreto. Por tal imposição legal o termo final seria 11/10/2012, sendo que os suplicantes somente apresentaram as suas peças recursais em 15/10/2012, fora do prazo regulamentar, desta forma não se instaurou a fase litigiosa do processo na Segunda Instância, como dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisória é ineficaz. Assim, considerando que as intimações foram entregues conforme preceitua a norma que rege o processo administrativo fiscal, e que os recursos voluntários foram postados Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 13 23 no correio após o prazo de 30 dias contados da data do recebimento das intimações no domicílio tributário dos contribuintes, não há como acolher o recurso voluntário. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso, por extemporânea as peças recursais. RECURSO VOLUNTÁRIO DE CAMPINAS ATACADISTA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (RESPONSÁVEL INTEGRAL – SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTEGRAL POR SUCESSÃO) O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Inicialmente é de se ressaltar que o responsável integral (responsabilidade tributária integral por sucessão) tomou ciência da decisão de primeira instância, em 12/09/2012, uma quartafeira, dia de expediente normal na repartição. O início da contagem do prazo foi em 13/09/2012, uma quintafeira, dia de expediente normal na repartição. O seu término seria em 12/10/2012, uma sextafeira, dia sem expediente na repartição (feriado nacional). Sendo os dias 13 e 14 de outubro de 2012, sábado e domingo, respectivamente, dia sem expediente na repartição, o prazo fatal deslocouse para 15/10/2012, data da postagem do recurso voluntário, razão pela qual o mesmo é tempestivo. Da análise preliminar dos autos se verifica que a autoridade fiscal considerou o contribuinte como responsável integral (sujeição passiva por responsabilidade tributária integral por sucessão), conforme previsão contida no art. 133, I, do Código Tributário Nacional, por entender que a empresa que adquirir de outra, a qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial ou industrial, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. Conforme item VII do Relatório fiscal foi apurada à responsabilidade tributária integral e sujeição passiva das empresas Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. e Geral Empreendimentos e Participações Ltda. pelos créditos constituídos na empresa N Pereira Projetos e Paisagismo EPP, devido ao íntimo interesse negocial de suas atividades sociais entre si, e, segundo as seguintes constatações feitas pela fiscalização em síntese: que as três empresas contam com o mesmo administrador/gerente, com plenos poderes de administração e gerência das sociedades, conforme procurações obtidas e dados cadastrais das empresas constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que pode ser constatado na procuração às fls. 07/10, outorgada pela empresa N Pereira Casa de Carnes EPP em 21/05/1996; que as empresas Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. e Geral Empreendimentos e Participações Ltda. também são administradas e gerenciadas pelo Sr. Álvaro Denílson Pereira e esse fato pode ser comprovado pela análise das Declarações de Rendimentos entregues pelas empresas relativas aos anos calendário 2007, 2008 e 2009; Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 que as empresas Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. e Geral Empreendimentos e Participações Ltda. exploram o mesmo objeto social, atuando no mesmo ramo de comércio ou indústria anteriormente explorada pela empresa N PEREIRA CASA DE CARNES EPP: o comércio atacadista de carnes e seus derivados e seu transporte ao cliente; que as vendas da empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., com o conseqüente transporte efetuado pela Geral Empreendimentos e Participações Ltda., estão sendo efetuadas para clientes anteriormente supridos pela N PEREIRA CASA DE CARNES EPP, tais:como Ademir Borsato, Sadi Cogo, e conforme Livros Razão da empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. esses clientes continuaram a adquirir produtos desta nova empresa depois que a N PEREIRA CASA DE CARNES EPP deixou a área de fornecimento de carnes e derivados; que constatado nos Livros de Entradas e Livros Razão da Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., que esta efetua compras dos fornecedores que anteriormente forneciam à autuada N PEREIRA CASA DE CARNES EPP, tais como Vale Grande Ind. e Com. de Alimentos e Boi Forte Frigoríficos Ltda. Diante da falta de apresentação dos Livros contábeis e Fiscais da N Pereira Casa de Carnes EPP, os fornecedores foram verificados através dos dados cadastrais informados pela mesma ao Banco do Brasil; que corrobora a seqüência de negócios entre as empresas o fato de que os estoques da N PEREIRA CASA DE CARNES EPP terem sido transferidos paulatinamente para a Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda., conforme demonstram os Livros Razão e Livros Registros de Entrada desta última; que as vendas da empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. são entregues através dos mesmos caminhões e veículos automotores de propriedade da N PEREIRA CASA DE CARNES EPP, agora de propriedade da empresa Geral Empreendimentos e Participações Ltda., conforme descrito no item 70 a 76 do Relatório Fiscal; que o conjunto composto pelas empresas Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. e Geral Empreendimentos e Participações Ltda. explora o mesmo patrimônio que a empresa N PEREIRA CASA DE CARNES EPP. As instalações físicas das duas empresas, compostas de escritório de vendas, câmaras frias são as mesmas e também os veículos que entregam a mercadoria vendida; que a empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. explora o mesmo fundo de comércio que a empresa N PEREIRA CASA DE CARNES EPP: elemento subjetivo caracterizado pela experiência das empresas em sua atuação na área de frigorífico, conhecimento do mercado de vendas e compras de sua matériaprima, embalagem e logística de entrega de carnes de bovinos e seus derivados; que da análise das Movimentações Financeiras efetuadas em contas correntes pela Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. e pela empresa N PEREIRA CASA DE CARNES EPP, foi constatada regularidade no fluxo de numerário na passagem de operações entre as empresas, ocorrida a partir de novembro de 2008; que as empresas Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. e N Pereira Casa de Carnes EPP utilizamse dos mesmos funcionários para efetuar a consecução de seus objetivos sociais, listando a fiscalização os segurados registrados que exerceram atividades tanto para a N PEREIRA CASA DE CARNES EPP, posteriormente para a Nova Alimentos Comercial Ltda. e finalmente para Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 14 25 O recorrente sustenta que não houve prova da ocorrência da sucessão de empresas, pois em relação à empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. não houve alienação do fundo de comércio e o fato de haver coincidência de fornecedores e atividades no mesmo ramo de comércio não se presta a caracterizar a sucessão de empresas. A sujeição passiva dos responsáveis integrais por sucessão, nos casos em que for atribuída pela fiscalização com fundamento art. 133, I, do Código Tributário Nacional e decorrente do entendimento de que a empresa que adquirir de outra, a qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial ou industrial, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. É de se observar, que não se pode confundir solidariedade tributária com responsabilidade de terceiro. São situações distintas. A primeira diz respeito ao sujeito passivo que pratica a conduta caracterizadora da obrigação de pagar tributo. A segunda referese ao terceiro que, sem ser sujeito passivo da obrigação tributária, em face de conduta própria, pode vir a ser chamado a responder pelo crédito tributário. Inicialmente cumpre observar, que a sucessão não precisa sempre ser formalizada, admitindo a jurisprudência a sua presunção desde que existentes indícios e provas convincentes, conforme se depreende da jurisprudência do STJ que abaixo se transcreve: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. ART. 133, CTN. CONCLUSÃO DO TRIBUNAL A QUO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CITAÇÃO. INTERRUPÇÃO 1. A sucessão de empresas para fins tributários, caracterizados por fatos inequívocos, bem como a prescrição afastada pelas datas do lançamento, do ajuizamento e da citação para a ação, encerram matérias insindicáveis pelo E. STJ. 2. É que, in casu, o Tribunal a quo assentou que: a) “(a) duas empresas com o mesmo objeto social; (b) localizadas no mesmo endereço; (c) pertencentes à mesma família; e (d) enquanto uma vai morrendo gradativamente (rectius, sendo programadamente desativada), por causa das elevadas dívidas, a outra vai nascendo e crescendo, inclusive para dentro dela migrando o quadro de funcionários e os próprios maquinários, erigese situação de fato que afirma, estreme de dúvida, a ocorrência de sucessão tributária integral.” 3. Recurso especial não conhecido. STJ RESP 200800653960 1ª T. Min Luiz Fux, DJE DATA:17/11/2009 Ora, embora não tenha havido, formalmente, a transferência do fundo de comércio ou do estabelecimento comercial, os elementos descritos pela fiscalização demonstram, na prática, essa transferência, já que os negócios da empresa sucedida não sofreram qualquer solução de continuidade, pois foram integralmente assumidos pela sucessora, a Campinas Casa de Carnes Ltda., inclusive na contratação de funcionários. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 Esses fatos, devidamente comprovados no processo, não representam meros indícios, como quer fazer crer o impugnante, e convergem para a conclusão da fiscalização de que houve, na prática, a sucessão empresarial apontada, em conformidade com o art. 133, inciso I, do CTN, a seguir reproduzida: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Não há dúvidas de que restou demonstrada a transferência, ainda que indireta, o fundo empresarial, que permitiu a continuidade da exploração desse fundo com alteração meramente subjetiva do agente ou beneficiário dos resultados, devendo ser mantida a responsabilidade integral das empresas Campinas Casa de Carnes Ltda., como apontado pela fiscalização. Dito isso é de se examinar a matéria contida no lançamento tributário. A decisão recorrida entendeu que caso não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. Bem como entendeu que apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. Por fim, firmou o entendimento de que tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a responsável solidária integral apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminar de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: utilização da Lei nº 10.174, de 2001 e Lei Complementar nº 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, não cabe razão a suplicante pelos motivos que se seguem. Como se vê o aspecto divergente estaria no entendimento que a suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 15 27 entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos. O presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos arts. 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declaradas pelos contribuintes. É sabido, que o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. Ora, as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.(Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgado pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às Instituições Financeiras. Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, é de se rejeitar a preliminar argüida pela Recorrente. No que diz respeito à presunção de omissão de receita baseada em depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada esclareçase inicialmente, que a autuação do IRPJ – Simples teve com base legal, entre outros, o art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Portanto, eventuais omissões de receitas apuradas no ano calendário de 2006, cujo mérito será analisado adiante, devem ser, de fato, tributadas sob o regime de tributação a que estivesse submetida à interessada no período, no caso, sob a sistemática do Simples. Sendo optante pelo SIMPLES, a autuada estava sujeita às determinações contidas na Lei nº 9.317, de 1996, que assim dispõe: Art. 7º [...] § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. [...] Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. De acordo com o transcrito acima, aplicamse à empresa optante pelo SIMPLES todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência do imposto sobre a renda, e especificamente a prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com a alteração da Lei nº 9.481, de 1997. No mérito a contribuinte contestou a tributação dos depósitos bancários sob a argumentação de que os depósitos não representam receita e alegou inadmissibilidade de lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, citando a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos que considerou ilegítimo o imposto de renda arbitrado com base Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 16 29 em extratos ou depósitos bancários. Nenhuma razão assiste a contribuinte como ficará demonstrado. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado, exclusivamente, depósitos bancários sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos da recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Como se vê, nos dispositivos legal mencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada à origem dos recursos tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como sendo receitas tributáveis e omitidas na DIPJ, efetuando os lançamentos do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não for comprovada a vinculação da percepção das receitas com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 17 31 ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar de receitas tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que a recorrente, embora intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 caracteriza omissão de receitas e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que a suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de receitas, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento ou receitas (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Da análise dos autos se constata que a autoridade lançadora procedeu exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, a fiscalização relacionou em planilha os depósitos, após excluir aqueles decorrentes de transferências de mesma titularidade, os estornos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial, e intimou a empresa a comprovar a origem do numerário depositado/creditado em suas contas. A contribuinte não tendo apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Como nas fases de fiscalização e de impugnação, agora na fase recursal, a contribuinte nada trouxe aos autos que servissem de provas do que alegou, ou seja, que os valores em suas contas não lhe pertenciam. Tal fato respalda o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. O cerne da autuação é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, cuja tributação se deu com amparo na presunção legal de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Razão pela qual, tendo em vista a sua opção pela forma de tributação – SIMPLES, pois tratandose de empresa optante pelo SIMPLES, suas receitas são tributadas consoante o disposto no art. 2º, §2º, da Lei nº 9.317, de 1996, verbis: Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 18 33 conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A recorrente ao receber os valores das vendas realizadas, a empresa não o fez em nome ou por conta de outrem, mas em nome e por conta próprios. A receita é integralmente sua, muito embora o lucro da operação signifique apenas uma fração do valor recebido, o que, aliás, acontece com praticamente todas as atividades, sejam comerciais, sejam civis. Assim, a receita bruta será o produto das vendas, envolvendo todo o montante recebido e não apenas o resultado. Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de confisco, ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (ilegalidade e inconstitucionalidade), Taxa Selic, o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 19 35 Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o imposto de renda é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos ou receitas tributáveis auferidas e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal. É entendimento, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 36 lei, não seria razoável que subordinados na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Infere do relato, as exigências de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para Seguridade Social (INSS) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.720318/201152 Acórdão n.º 1101001.598 S1C1T1 Fl. 20 37 e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir as irregularidades apuradas, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso da empresa Campinas Atacadista de Carnes e Derivados Ltda. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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