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Numero do processo: 15586.001859/2010-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Uma vez que as verbas pagas ou creditadas à título de alimentação não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, não há que se falar em obrigação da empresa em apresentar a lista de beneficiários da referida rubrica.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, Vencido o relator (Carlos Alberto Mees Stringari). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator
Marcelo Freitas de Souza Costa -Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Uma vez que as verbas pagas ou creditadas à título de alimentação não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, não há que se falar em obrigação da empresa em apresentar a lista de beneficiários da referida rubrica. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, Vencido o relator (Carlos Alberto Mees Stringari). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 59 /2 01 0- 50 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001859/201050 Acórdão n.º 2403002.520 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1237767 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Inexiste bis in idem entre as multas decorrentes do descumprimento da obrigação acessória e do inadimplemento da obrigação principal. O lançamento foi assim relatado no julgamento de primeira instância: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI nº 37.295.6467, CFL 35), lavrado contra a empresa acima identificada, em 09/12/2010, no montante de R$ 14.317,78. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls 13/14: 2.1. embora tenha sido intimada, através do termo de início do Procedimento Fiscal emitido em 21/09/2010, a empresa deixou de apresentar a relação de todos os trabalhadores beneficiaos com a rubrica alimentação, informando não possuir todas as relações do período fiscalizado, motivo pelo qual apresentou somente parte do solicitado. 2.2. essa conduta caracteriza o descumprimento da obrigação prevista no artigo 32, III, e parágrafo 11, da Lei 8.212/91, com redação ... Do resultado do julgamento de primeira instância foi dado ciência à Florença, à KAUTSKY PATICIPAÇÕES S/A e à AB PARTICIPAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO LTDA, consideradas devedoras solidárias em outros lançamentos efetuados na mesma ação fiscal. Inconformadas com a decisão, as 3 recorrentes apresentaram recursos voluntários, basicamente com o mesmo teor, onde alegam/questionam, em síntese: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Dupla exigência de multa punitiva. Bis in idem. Obrigação principal e obrigação acessória. · Natureza não salarial da verba alimentação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001859/201050 Acórdão n.º 2403002.520 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. MÉRITO Nos recursos é apresentado que a multa é indevida, pois já exigida nas autuações para constituição das obrigações principais (empresa, segurado e terceiros). Entendo haver confusão por parte da recorrente ao misturar obrigação principal com obrigação acessória. Esta autuação decorreu do fato de a empresa infringir a obrigação estabelecida no artigo 32, III, da lei 8.212/91. Art. 32. A empresa é também obrigada a: III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Entendo que não está caracterizado o bis in idem. Conforme detalhado no Relatório Fiscal da Infração, a empresa deixou de apresentar a relação de todos os beneficiados com a rubrica alimentação. Destaco que a obrigação de a empresa fornecer informações e esclarecimentos está vinculada á obrigação do fisco de investigar o cumprimento das obrigações tributárias. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Mesmo na hipótese de não haver tributo a pagar, não fornecer todas as informações e esclarecimentos constitui infração sujeita a multa. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001859/201050 Acórdão n.º 2403002.520 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencedor Marcelo Freitas de Souza Costa – Redator Designado. Em que pese o entendimento do Ilustre Conselheiro Presidente e Relator, ouso a divergir de seu posicionamento. Realmente é de conhecimento geral que a obrigação de a empresa fornecer informações e esclarecimentos está vinculada á obrigação do fisco de investigar o cumprimento das obrigações tributárias. Contudo, no presente caso não podemos exigir da empresa a apresentação do rol de beneficiários da rubrica alimentação conforme exigido pela fiscalização. Ora, o intuito da exigência contida no 32, III, da lei 8.212/91 é fazer com que a autoridade fiscal verifique se a empresa efetuou o recolhimento correto das obrigações principais. Porém, como já está pacificado neste conselho, as verbas pagas à título de “alimentação” não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, logo, não há porque se exigir do contribuinte a apresentação do rol de segurados beneficiados por esta rubrica. Ante ao exposto, Voto no sentido de Dar Provimento ao recurso da empresa julgando insubsistente a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.909292/2008-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 41635.36464.121104.1.3.023352 em 12.11.2004, fls. 0922, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$25.484,65 referente ao primeiro trimestre do anocalendário de 2003, apurado pelo lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, e a Planilha de fls. 0308, cientificado a Recorrente em 22.08.2008, fl. 3, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 09 29 2/ 20 08 -7 1 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 396 2 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP: PARC. CRÉDITO RETENÇÕES NA FONTE SOMA PARC. CRÉDITO PER/DCOMP 25.520,88 25.520,88 CONFIRMADAS 17.683,47 17.683,47 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$25.520,88 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$25.520,88 IRPJ devido: R$0,00 Valor do saldo negativo disponível» (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível: R$17.683,47 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: acima identificado [...] Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor Per/DComp Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.000.000/231088 1708 15,45 0,00 15,45 Retenção na fonte não comprovada 00.000.000/353272 1708 44,15 0,00 44,15 Retenção na fonte não comprovada 00.000.000/391956 1708 20,82 0,00 20,82 Retenção na fonte não comprovada 00.348.003/008952 1708 203,36 52,10 151,26 Retenção na fonte comprovada por documentos apresentados pelo contribuinte 00.394.460/001628 6147 928,75 468,56 460,19 Informação do PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 00.394.494/011332 6147 850,61 364,81 485,80 Informação do PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 00.581.891/000117 1708 71,36 67,89 3,47 Retenção na fonte comprovada parcialmente 02.013.622/000180 1708 120,98 83,92 37,06 Retenção na fonte comprovada parcialmente 02.036.912/000149 1708 36,42 36,30 0,12 Retenção na fonte comprovada parcialmente 02.096.806/000150 1708 387,14 218,81 168,33 Retenção na fonte comprovada parcialmente 02.437.232/000137 6147 204,30 72,67 131,63 Informação do PER/DCOMP excede Fl. 396DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 397 3 o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 02.744.476/000162 6147 149,30 74,65 74,65 Informação do PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 03.297.362/000184 1708 10,36 0,00 10,36 Retenção na fonte não comprovada 03.368.739/000149 1708 131,11 0,00 131,11 Retenção na fonte não comprovada 03.776.284/001920 1708 11,27 0,00 11,27 Retenção na fonte não comprovada 03.776.284/002225 1708 307,86 290,89 16,97 Retenção na fonte comprovada parcialmente 03.802.018/001681 1708 81,38 0,00 81,38 Retenção na fonte não comprovada 03.802.018/001762 1708 81,38 0,00 81,38 Retenção na fonte não comprovada 03.944.724/000262 58,31 45,67 12,64 Retenção na fonte comprovada parcialmente 04.368.943/000122 1708 382,13 229,72 152,41 Retenção na fonte comprovada parcialmente 04.719.822/000188 1708 80,95 0,00 80,95 Retenção na fonte não comprovada 07.450.604/001665 1708 83,04 0,00 83,04 Retenção na fonte não comprovada 17.298.092/000130 1708 32,73 0,00 32,73 Retenção na fonte não comprovada 26.989.715/002318 6147 484,39 273,68 210,71 Informação do PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 30.464.614/000195 1708 73,04 73, 02 0,02 Retenção na fonte comprovada parcialmente 33.055.146/007872 1708 33,86 20,60 13,26 Retenção na fonte comprovada parcialmente 33.066.408/000115 1708 1.916,05 1.915,98 0,07 Retenção na fonte comprovada parcialmente 33.426.420/002307 1708 42,63 42,36 0,27 Retenção na fonte comprovada parcialmente 33.530.486/034023 1708 1.347,02 1.284,01 63,01 Retenção na fonte comprovada parcialmente 33.641.358/040103 1708 81,38 0,00 81,38 Retenção na fonte não comprovada 33.641.358/078690 1708 54,25 0,00 54,25 Retenção na fonte não comprovada 33.641.358/148303 1708 162,76 0,00 162,76 Retenção na fonte não comprovada 43.073.394/000110 1708 49,23 49,22 0,01 Retenção na fonte comprovada parcialmente 49.327.943/001003 1708 42,40 42,40 0,01 Retenção na fonte comprovada parcialmente 59.966.879/002621 1708 130,21 130,20 0,01 Retenção na fonte comprovada parcialmente 60.498.557/002412 1708 10,30 0,00 10,30 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/000104 1708 54,11 0,00 54,11 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/019700 1708 34,18 0,00 34,18 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/035234 1708 37,02 0,00 37,02 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/050381 1708 49,79 0,00 49,79 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/067276 1708 39,87 0,00 39,87 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/086572 1708 48,52 0,00 48,52 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/095210 1708 49,79 0,00 49,79 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/100230 1708 39,87 0,00 39,87 Retenção na fonte não comprovada 60.701.190/101121 1708 71,20 0,00 71,20 Retenção na fonte não comprovada 61.528.030/001999 1708 20,48 0,00 20,48 Retenção na fonte não comprovada 76.492.172/000191 1708 475,63 0,00 475,63 Retenção na fonte não comprovada 76.583.004/000101 1708 209,25 199,08 10,17 Retenção na fonte comprovada parcialmente 76.669.324/000189 1708 106,67 0,00 106,67 Retenção na fonte não comprovada 77.997.567/000109 1708 117,16 89,43 27,73 Retenção na fonte comprovada parcialmente 78.128.030/000175 1708 10,97 0,00 10,97 Retenção na fonte não comprovada 78.212.263/000151 1708 102,96 68,76 34,20 Retenção na fonte comprovada parcialmente 78.586.070/000160 1708 73,34 73,33 0,01 Retenção na fonte comprovada Fl. 397DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 398 4 parcialmente 81.905.176/000194 1708 334,38 334,37 0,01 Retenção na fonte comprovada parcialmente 86.547.619/019074 1708 907,96 907,94 0,02 Retenção na fonte comprovada parcialmente 89.637.490/013395 1708 3.649,56 0,00 3.649,56 Retenção na fonte não comprovada 89.940.878/021118 1708 558,76 558,76 194,38 Retenção na fonte comprovada parcialmente Total 15.712,15 7.874,74 7.837,41 Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 168 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 2324, apresentando os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que: DOS FATOS Compensação do contribuinte, dos tributos e contribuições administrados pela [RFB], inclusive em processo de restituição. Para tributos e contribuições de espécie diferentes, mediante prévio requerimento do contribuinte e aceite da Fazenda ("Pedido de Compensação'). DO DIREITO DA PRELIMINAR A compensação constitui modalidade de extinção de obrigação tributária, sendo norma individual e concreta introduzida no ordenamento jurídico capaz de satisfazer o direito creditório da Fazenda, por intermédio da utilização de direito creditório do contribuinte, em montante equivalente. Art. 74 da Lei n°. 9.430/96 IN n °. 21/97, alterada pela IN n° 73/97 e IN n° 41/00. Para fins do direito tributário, a compensação se dá nas condições e sob as garantias que estipular a lei. Fundamento legal:Artigos 156, inciso II, 170 e l70A do Código Tributário Nacional. São requisitos da compensação tributária: A reciprocidade de obrigações; Liquidez das dívidas; Exigibilidade das prestações; e Fungibilidade das coisas devidas. DO MÉRITO COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Passados cinco anos do pedido de compensação, desde que convertido em declaração de compensação, nos termos dos parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n° 10.833/03, perde o Fisco o direito de não homologar a Fl. 398DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 399 5 compensação, verificandose a definitiva liquidação do tributo. " (1° Conselho de Contribuintes – 8ª Câmara Recurso 142.328). Tendo como parâmetro, a data da entrega da COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PARCIALMENTE em 31/08/2004, temo que a forma utilizada para análise de crédito, mediante consulta aos sistemas da [RFB], não reconhecendo alguns créditos informados na Declaração de Compensação, preocupouse em não ultrapassar os cinco anos do pedido de compensação. As retenções na Fonte não efetuadas ou não declaradas pelas fontes pagadoras aos Sistemas da Secretaria da Receita Federal, resultaram na hOmologação parcial da compensação declarada no Per/DComp acima identificado. Sendo que a empresa fez as devidas retenções em suas Notas Fiscais, e totalizou as mesmas deduzindo do Valor dos Serviços as retenções efetuadas. Desta forma entende o sujeito passivo, que além de ter auferido pelos serviços prestados valores deduzidos. da devida retenção, não pode ser prejudicado pelo fato do não recolhimento pelas Fontes Pagadoras destes valores. Cabendo à própria Receita Federal buscar estas receitas, e se preciso for intimai as Fontes Pagadoras a regularizar as informações junto aos Sistemas de Informação em prol desta empresa. DOCUMENTOS Em tempo hábil, apresentaremos copias das Notas Fiscais emitidas, comprovando a retenção do IRRF. Conclui que: A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) do Despacho Decisório, requer que seja dado provimento a presente Manifestação. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 27.302, de 08.07.2010, fls. 250253: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A compensação do crédito relativo à retenção sofrida sujeitase apresentação de comprovantes idôneos emitidos pela fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada, de acordo com o carimbo dos correios, em 21.07.2010, sem que fosse indicada expressamente a data de recebimento, fl. 256 (inciso II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.08.2010, fls. 257262, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 400 6 I – DOS ARGUMENTOS PRELIMINARES 1. A empresa contribuinte, ora recorrente tem suas instalações em prédios históricos tombados pelo patrimônio público que, embora, bem conservados, apresentam corriqueiramente problemas estruturais. 2. Nos anos de 2006 e 2008 foi necessário efetuar algumas reformas no prédio onde funcionava o arquivo de guarda da documentação contábil e fiscal da empresa e, em razão disso, parte das notas fiscais de serviço relativamente aos anos de 2001 e 2002 foram realocados, perdendose o seu controle. 3. Por esta razão, com fundamento no Decreto 70.235/72 em seu artigo 16, inciso IV requer o prazo de 15 dias úteis, a contar da data do protocolo, para apresentar demais documentos que comprovem as retenções por parte das fontes pagadoras constantes dos valores incluídos no PER/DCOMP em questão. 4. Ademais, considerando que as planilhas de valores retidos confirmados parcialmente ou não confirmados, anexadas ao despacho rescisório e ao acórdão, não informam os números das Notas Fiscais vem requerer, com base no mesmo Decreto em seu artigo 16, V, diligências e perícias nas respectivas Notas Fiscais e extratos bancários que vão confirmar as efetivas retenções pelas fontes pagadoras dos IRPJ na fonte. a) DA HOMOLOGAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO 5. Em 31 de agosto de 2004 a contribuinte apresentou, na forma do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, a PER/DCOMP com demonstrativo de crédito compensado, relativos às retenções efetuadas por fontes pagadoras nos anos de 2001 a 2003. 6. Em 08 de julho de [2010], passados seis anos, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por meio do Acórdão nº 0627.302, homologou parcialmente o referido PER/DCOMP. [...]. 9. Importante observar que a referida Lei, nas redações dadas pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, não prevê condições de suspensão ou de interrupção da fluência do prazo estabelecido nos §§ 4º e 5º de seu art. 74. 10. Por esta razão, é totalmente ilegal a homologação parcial proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba da Receita Federal do Brasil, via Acórdão nº 0627.302 proferido em 08 de julho de 2010. 11. Por esta razão, a Empresa Auxiliar de Serviços Gerais do Paraná Ltda. requer a esse d. Conselho Fiscal de Recursos Administrativos a homologação dos valores declarados no PER/DCOMP nº 41635.36464.121104.1.3.023352, por decurso de prazo. II DOS FATOS 12. A contribuinte recorrente é uma empresa que atua no ramo de prestações de serviços profissionais de limpeza, conservação, higiene, telefonia, telegrafia, radio, comunicação, assessoria, datilografia, portaria, recepção, copa, recados, pinturas de painéis e paredes, jardinagem, manutenção predial, transportes, etc. Presta serviços a diversas empresas. 13. No período do primeiro trimestre do ano de 2003 (meses de janeiro a março), com os fundamentos na Lei nº 9.430/1996 e redações, a empresa contribuinte teve Fl. 400DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 401 7 retido pela sua clientela — diversas empresas e órgãos públicos , a parcela relativa ao imposto de renda na fonte sobre o valor bruto de notas fiscais que correspondem aos serviços por ela prestados. 14. Conforme o processo administrativo nº 10980909.292/200871, a ora Recorrente procedeu à compensação das obrigações posteriores, tendo sido comunicada a Receita Federal do Brasil através da Declaração de Compensação, via Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e, da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 15. No Despacho Decisório e sob a alegação da não confirmação das retenções, a contribuinte teve indeferida a parte da compensação efetuada, e foi notificada para, se quisesse, recorrer do indeferimento parcial, por meio do presente Oficio SEORT nº 468/2010 datado de 16 de julho de 2010, cientificandoa dos termos do Acórdão nº. 06 27.302 de 08/07/2010, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentado pela empresa recorrente. III DO R. ACÓRDÃO RECORRIDO 16. Como se vê, a 1ª. Turma da Delegacia da RFB de Julgamento, por unanimidade, julgou "improcedente a manifestação de inconformidade" no pedido de compensação de imposto de renda retido na fonte. [...] 19. Devese, portanto, observar que a obrigação acessória prevista no RIR/99 em seu artigo 942 e, parágrafo único, aplicase à fonte pagadora que seu descumprimento não deve prejudicar o prestador, no presente caso, a contribuinte recorrente. 20. Dentre as declarações faltantes estão as da Procuradoria da República no Paraná e Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná, conforme mostram as notas fiscais e demonstrativos, todos anexados. 21. Sendo assim, os extratos bancários juntados nos autos devem ser aceitos como prova cabal das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras. IV DO MÉRITO 22. Em seu parecer o relator esclarece que, ".... resta evidente que simples notas fiscais emitidas pelo próprio beneficiário do rendimento não substituem, para fins de comprovação da retenção, os comprovantes que, a teor do artigo 942 do mencionado RIR99, obrigatoriamente são fornecidos pelas fontes pagadores." 23. A respeito do parecer do relator de que a documentação trazida aos autos, os documentos apresentados não se prestam como prova da efetiva retenção pelo tomador, pois simples notas fiscais emitidas pelo próprio beneficiário do rendimento não substituem, para os fins de comprovação da retenção. Veja que a contribuinte juntou cópias das notas fiscais e dos extratos bancários que comprovam o pagamento dos valores das referidas notas fiscais com os descontos efetuados, a titulo de retenção do INSS (Lei nº 8.212/91, art. 31) e do IRPJ, de forma que está comprovada a retenção dos valores indeferidos. 24. Os extratos bancários juntados, s.m.j devem ser tomados como substitutos dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, como prova inequívoca da retenção por parte da fonte pagadora, referentemente do imposto de renda demonstrado em tabela anexa. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 402 8 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 25. Isto posto, levandose em conta os argumentos expostos e os demais pontos considerados, entre outros que serão supridos, requer a este d. Conselho: a) — a revisão do Acórdão recorrido; b) — a homologação dos valores declarados no referido PER/DCOMP por decurso de prazo; c) — as diligências e perícias nas respectivas Notas Fiscais e extratos bancários que vão confirmar as efetivas retenções pelas fontes pagadoras dos IRPJ na fonte e, d) — o deferimento das compensações comunicadas por meio do PER/DCOMP nº 41635.36464.121104.1.3.023352. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (inciso II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar e ainda que a autoridade julgadora pode determinar de ofício a realização de diligência porque é necessária ao deslinde da questão litigiosa1. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 403 9 O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 404 10 respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial4. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. O IRPJ a ser pago será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais ficará sujeita à incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento5. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza6. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em relação à dedução de IRRF, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente7. Para tanto, as pessoas jurídicas qualificadas como fontes pagadoras são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período8. 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 405 11 Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80. A legislação prevê que o valor do IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido: o código de arrecadação nº 1708 a título de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas (art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); e o código de arrecadação nº 6147 a título de aplicações financeiras em renda fixa (art. 64 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996). A Instrução Normativa SRF/STN/SFC nº 23, de 02 de março de 2001, que regulamenta no anocalendário de 1999 o art. 64 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, consigna que a alíquota a ser aplicada na retenção sobre o rendimento é de 5,85%, do qual 1,2% corresponde ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, 1,0% corresponde à CSLL, 3,00% corresponde à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e 0,65% corresponde a Contribuição para o PIS/PASEP. A partir de 29.12.2004 essa matéria passou a ser regida pela Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 e a partir de 12.01.2012 pela Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Os autos estão instruídos com: (a) as Notas Fiscais de Prestação de Serviços; (b) os Demonstrativos de Faturamento; e (c) os extratos das contas bancárias. Tendo em vista as peculiaridades dos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente, em sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que: (a) a Recorrente deve apresentar para cada fonte pagadora indicada às fls. 0208: planilha com a relação individualizada coincidente em datas e valores das Notas Fiscais de Serviços, dos depósitos em conta bancária e a escrituração no Livro Caixa e no Livro Razão dos valores correspondentes com clareza e precisão, como forma de comprovar a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80; e documentos contábeis e fiscais pertinentes; (b) a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente deve cotejar as informações fornecidas pela Recorrente e com os registros internos da RFB, tais como Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Fl. 405DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10980.909292/200871 Resolução nº 1803000.107 S1TE03 Fl. 406 12 Jurídica (DIPJ), Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os pagamentos efetuados para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente ao crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$25.484,65 referente ao primeiro trimestre do anocalendário de 2003. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes9 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903892/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
A compensação pleiteada deve ser homologada até o limite do crédito efetivamente demonstrado.
Numero da decisão: 1402-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. A compensação pleiteada deve ser homologada até o limite do crédito efetivamente demonstrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 38 92 /2 00 8- 95 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase do Despacho Decisório nº 781210805 de 12/08/2008, emitido pela DRF São Bernardo do Campo/SP para não homologar as compensações formalizadas nas DCOMP abaixo relacionadas e vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do Exercício 2005 – anocalendário 2004, tendo em conta a falta de correspondência entre o saldo negativo informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica –DIPJ (R$ 7.386.718,58) e na Declaração de Compensação – DCOMP (R$ 7.387.961,94). [....] Foi também formalizada a cobrança dos débitos, cuja compensação não foi homologada, com os acréscimos legais cabíveis até a data da compensação. [....] Cientificada da decisão, em 21/08/2008 (AR de fls. 115), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 116/119, em 22/09/2008, alegando que não teria apurado IRPJ a pagar no anocalendário de 2004, pelo que deveriam compor o saldo negativo de IRPJ todos os valores retidos na fonte e recolhidos a título de estimativas mensais, no total de R$ 7.485.700,83. Diz ainda que teria errado no preenchimento da DCOMP nº 41005.20650.141005.1.3.028402, na qual teria indicado crédito próprio ao invés de crédito de sucedida, a empresa incorporada BODY SYSTEMS DO BRASIL LTDA., CNPJ nº 03.513.111/000190. Ademais, não teria providenciado a retificação por estar sob procedimento fiscal (MPF nº 0811900009722006). Quanto à divergência entre o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ e na DCOMP, informa ter retificado a DIPJ, em 25/08/2008, em razão do recebimento de um informe bancário, sem o correspondente ajuste nos PER/DCOMP. Reitera que estava sob procedimento fiscal. Argumenta ainda que os procedimentos de compensação eletrônica de créditos e débitos fiscais, ainda que possuindo incorreções formais, não poderiam elidir os créditos existentes e perfeitamente constituídos. Requer a suspensão da exigibilidade de todos os débitos compensados e a homologação das compensações. Em 11/12/2008 foi protocolizada a Representação SEORT DRF SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP nº 208/2008, para abertura de processo administrativo nº 13819.720184/200811, para transferência da cobrança de débito a ser encaminhado à inscrição em Dívida Ativa da União, conforme disposições do art. 48, §3º, II da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, segundo as quais “a manifestação de inconformidade não suspende a exigibilidade do débito que exceder ao total do crédito informado pelo sujeito passivo em sua declaração de compensação, hipótese em que a parcela do débito que exceder ao crédito será imediatamente encaminhada à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União”. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13819.903892/200895 Acórdão n.º 1402001.807 S1C4T2 Fl. 3 3 No despacho de fls. 153, a autoridade preparadora se manifestou acerca da tempestividade da manifestação de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP prolatou o Acórdão 0534.102 acolhendo parcialmente o pleito e reconhecendo o direito ao crédito no montante de R$ 6.210.160,22. A diferença entre o crédito requerido (R$ 7.485.700,83) e o reconhecido na decisão (R$ 6.210.160,22) tem origem no valor do IRRF utilizado na composição do saldo negativo sob exame. Na análise do pleito, a decisão entendeu como demonstrado o IRRF no montante de R$ 3.950.933,82, enquanto os cálculos do sujeito passivo indicavam R$ 5.226.474,43. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado ratificando que o valor correto do IRRF seria aquele por ele informado. É o Relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por agente devidamente legitimado e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Na peça de defesa, a recorrente limitase a afirmar que o valor do IRRF utilizado na composição do saldo negativo seria aquele informado na DIPJ. Entretanto, não apresentou qualquer elemento de prova que pudesse desqualificar a análise da decisão recorrida. A explicação pode ser visualizada no seguinte trecho do voto condutor: [....] Talvez fosse relevante dizer que algumas antecipações não entram na determinação do saldo negativo de IRPJ, por duas razões: (i) porque se referem integralmente a outros tributos, tais como: 5952 – Retenção de CSLL/Cofins/PIS; 5960 – Retenção de Cofins; 5979 – Retenção de PIS; 5987 – Retenção de CSLL; e (ii) porque devem ser partilhadas com outros tributos e contribuições (6147 e 6190). [.....] A partir do momento em que a autoridade julgadora deixa claro os critérios utilizados na análise do crédito pleiteado, análise essa procedida com base nas informações disponíveis, não cabe o deferimento do pedido de diligência para apuração de fatos em relação aos quais incumbiria ao sujeito passivo trazer os elementos embasadores da defesa. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900138/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO-PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOPRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INSUMOS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A exportação de produto classificado na TIPI como não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em seu beneficiamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 01 38 /2 01 0- 87 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Belém (fls. 122/127) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte (fls. 15/33) em face de despacho decisório de fls. 12/13, que julgou parcialmente procedente o pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. O pedido de ressarcimento e declarações de compensação, no caso concreto, tem origem no crédito presumido de IPI relativo ao 4º. trimestre de 2006, que, segundo a DRF de Teresina e a DRJ de Belém, são objeto de PERDCOMPS autuadas sob os ns. 17001.09972.300107.1.1.016358, 15018.28755.260707.1.3.019586 e 14690.70697.250408.1.3.012903. A DRF/Teresina/PI, embasandose na documentação apresentada pelo próprio contribuinte, elaborou cálculo do crédito pleiteado e homologouo parcialmente. Nesse contexto, concluiu a Delegacia de origem que o valor do crédito presumido atinente ao 4º. Trimestre de 2006 atingiu a monta de R$ 1.249,11. Nesse passo, concluiu por homologar parcialmente as compensações efetuadas até o montante indicado. Segundo a fiscalização, a razão para a homologação do referido valor teria sido a exclusão das receitas de exportação de produtos nãotributados (NT) da base de cálculo do crédito presumido de IPI. A DRJ, examinando a manifestação interposta, houve por bem desprovêla em acórdão de fls. 122/127, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 REVISÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivado de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revoga los, por motivo de convivência ou oportunidade , respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, apreciação judicial. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 3301001.980 S3C3T1 Fl. 380 3 É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 131/147 por meio do qual contesta o referido Acórdão, pedindo que a glosa realizada seja julgada improcedente, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com as provas acostadas nos autos e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. As matérias postas à apreciação por esta Turma cingemse ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, rechaçado pela DRJ e ao direito à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, pleiteado pelo contribuinte. Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, utilizome, no que pertinente à hipótese desses autos, a trecho do voto prolatado pela Cons. Judith da Amaral Marcondes Armando, no julgamento do PA nº 10680.006963/200158, in verbis: “Quanto ao direito ao crédito presumido de IPI decorrente da exportação de produtos NT, matéria em exame nestes autos, permitome aproveitar parte de voto por mim proferido anteriormente, ressaltando a necessidade de promover os ajustes correspondentes a esta lide: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional disse algumas vezes em seus recursos sobre esta matéria: É inegável que a meta da norma em apreço é desonerar os produtos exportados, eliminando parcela da carga tributária cumulada ao longo do ciclo produtivo, representada pelas indigitadas contribuições sociais, sendo também irrefutável que, em princípio, esse crédito presumido não guardaria correlação com o IPI. No entanto, esta não foi a opção do legislador ordinário, haja vista que inegavelmente criou um crédito presumido de IPI, em todos os seus contornos, de forma que é incontestável que referido imposto, neste comenos, tangencia aquelas contribuições. Assim, a análise desse texto legal, ainda sob o prisma teleológico, pode levar à inferência diametralmente oposta, qual seja, que o objetivo da Lei foi, em verdade, desonerar apenas os produtos industrializados, visando com isso Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 incentivar a exportação de produtos elaborados com maior valor agregado, em detrimento de produtos em estado quase natural ou com incipiente processo de elaboração, como o caso dos produtos em comento” cf. fls 112 Tendo em conta tais afirmativas, ao meu ver perfeitamente válidas em termos de aspirações ao desenvolvimento nacional com padrões mais elevados de agregação de valor, muito embora julgueas subjetivas, passo à interpretação sistemática como sugere o Procurador em seu arrazoado, e chegarei a conclusão diametralmente oposta à do Procurador. A Lei 9.363, de 1996 em seus arts 1º e 3º parágrafo único diz: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ...................................................................................................... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarse á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (os grifos são meus) Aqui observo que o crédito presumido está direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, (não fala de mercadorias nacionais industrializadas) e que o estabelecimento dos conceitos de receita operacional bruta, produção, matérias primas, insumos e materiais de embalagem devem ser buscados no escopo das normas que falam respectivamente do Imposto de Renda e do IPI. Assim sendo, não tenho dúvidas quanto aos produtos que podem gerar os benefícios desta lei 9.363, que são matérias primas, materiais de embalagens e insumos, nas condições estabelecidas na legislação do IPI, isto é, que se consumam no processo produtivo ou integrem o produto final desse processo, e que em algum passo da cadeia produtiva tenham sofrido incidência das contribuições PIS e COFINS. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 3301001.980 S3C3T1 Fl. 381 5 Não tenho dúvidas que a norma não se destina a proteger exportações de maior valor agregado, e menos ainda, de produtos que figurem na TIPI como tributados. Até porque, sabemos, a tributação pelo IPI deixou a muito de ser fundamentada nos princípios que nortearam a criação do tributo, chegando mesmo a não ser seletiva, e não refletir o grau de industrialização do produto. Hoje temos produtos bastante industrializados com notação NT na TIPI, bem assim outros, sem qualquer industrialização com alíquota zero. Passamos ao conceito de crédito presumido: Presumido é o que se pretende verdadeiro à luz de certos conhecimentos previstos. Pode ser entendido como uma probabilidade alta de verdade, ainda que fictício. Pois bem, na proposta de lei introduzida pela Medida Provisória nº. 948, de 23 de março de 1995, ficou clara a inviabilidade de aferir todos os valores de PIS/PASEP/COFINS que oneram o produto final a ser exportado. O Legislador fez a escolha de presumir um valor a ser restituído ao exportador, a título de desoneração de parte dessa tributação. Naturalmente, não estamos aqui diante de uma benesse do Estado. Estamos diante de ponderação racional e objetiva relativa ao princípio de não exportar tributos, na medida exata do interesse comercial, nem mais nem menos. Vejase bem que, de outra forma, poderíamos incorrer nos subsídios considerados da caixa vermelha pela Organização Mundial de Comércio, órgão ao qual o Brasil deve referenciarse. E lhe convém que o faça. Observo que a Lei não determina que se busque na legislação do IPI o conceito de produtor exportador. Vamos aos aspectos históricos do conjunto de normas que regeram o IPI, o crédito prêmio do IPI, e o ressarcimento. Nascidas da LEI Nº. 4.502 DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964, que dispôs sobre o Imposto de Consumo e reorganizou a Diretoria de Rendas Internas, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 61.514, de 12 de outubro de 1967, temos que: Art. 1º O Imposto de Consumo incide sobre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. ......................................................................................................... Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. ......................................................................................................... Art. 7º São também isentos ......................................................................................................... Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 § 1º No caso o inciso I, quando a exportação for efetuada diretamente pelo produtor, fica assegurado o ressarcimento, por compensação, do imposto relativo às matérias primas e produtos intermediários efetivamente utilizados na respectiva industrialização, ou por via de restituição, quando não for possível a recuperação pelo sistema de crédito. A referida tabela anexa não incluía o universo de produtos industrializados. Assim sendo, o estabelecimento produtor e exportador a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996 poderia, em princípio, ser aquele que produz os produtos tributados ou com alíquota zero, que estão contidas no campo de incidência do hoje IPI. Mas, voltando ainda aos aspectos históricos, na própria Lei inaugural há uma série de excepcionalidades que contextualizam o desejo do legislador dentro de um processo de substituição de importação acelerado, com elevada defesa da produção interna. Andando um pouco mais no tempo, o Decreto Lei nº 1.136, de 1970, pretendendo modernizar o parque industrial brasileiro permitiu o creditamento de IPI a máquinas e outros bens do ativo das empresas. § 2º O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo fixo, de acordo com as diretrizes gerais de política de desenvolvimento econômico do país. § 3º O regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento de débito, correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo, ou os resultantes da industrialização gozem de isenção ou não estejam tributado. Verificamos que o IPI, utilizado como ferramenta de desenvolvimento econômico se presta a intervenções pontuais, que afetam aspectos macro e micro econômicos, entrando em vigor imediatamente, e produzindo os efeitos politicamente desejados. Tais intervenções nada têm a ver com a industrialização do produto em si, ou com a notação da alíquota na TIPI, mas estão ligadas a qualificação econômica do produto no contexto econômico, de modo especial ao grau de ganho de produtividade que possa conferir aos processos produtivos em que está inserido. Ora, permitome entender que sendo o IPI um imposto de fácil manejo, e federativo, o legislador diz sempre exatamente o que pretende a fim de que não sejam introduzidas interpretações locais que possam alterar a universalidade da norma. Por outro lado, se é possível admitir que a Lei nº 9.363 tenha vindo substituir a normatização de crédito–prêmio de IPI, superado pela realidade internacional dos incentivos não permitidos pela OMC, e que nesse novo contexto estejamos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 3301001.980 S3C3T1 Fl. 382 7 tratando, de fato, de desoneração das exportações, o conceito de produtor exportador não se confunde com o conceito de produtor industrial. E, pode ser que, em razão dessa construção que acabo de propor seja mais adequada à interpretação do que seja empresa produtora exportadora, como aquela que exporta o que produz, já que na mesma lei, no art. 3º parágrafo único, está determinado que devem ser buscados na legislação do IPI os conceitos de produto, matéria prima, insumos e material de embalagem e não de empresa produtora exportadora. Vendo sob esse aspecto, é importante o contexto econômico e político dos incentivos tributários à exportação ou ao desenvolvimento econômico, conforme induz o raciocínio da PGFN. Sabemos que em tempos de incentivo à modernização do parque industrial deu se o crédito pertinente a máquinas e outros bens de ativo das empresas. Hoje, visando tão só não exportar tributos e fomentar a atividade econômica, é essa a razão que se encontra na exposição de motivos que acompanhou a formação da lei, há de se considerar que, qualquer produto exportado, mesmo estando ele fora do campo de incidência do IPI, ou seja notificado como produto NT circunstancialmente, não deve carregar consigo, por razões que passam da análise dessa lide, carga tributária interna. Por essas razões, entendo que a interpretação teleológica que melhor atende ao espírito da lei, hoje, é que empresas produtoras e exportadoras de produtos fora do campo de incidência do IPI podem beneficiarse do regresso de parte da tributação previstos na lei em comento, desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Seguindo essa interpretação que não julgo apartada dos termos da Lei, encaminho meu voto no sentido de ser cabível o ressarcimento a título de desoneração da carga tributária nas exportações, quando os produtos exportados sejam obtidos a partir de insumos, matérias primas e material de embalagem, adquiridos de quem quer que os tenha produzido, desde que tenham sido objeto de tributação relativa às contribuições para o PIS, PASEP e COFINS em qualquer etapa de suas produções, e desde que consumidos no processo produtivo ou dele fizerem parte nos termos da legislação do IPI, independentemente de ser o produto resultante exportado tributável pelo IPI. Por todo exposto, voto no sentido de incluir no valor das receitas de exportação todos os resultados de vendas ao exterior de produtos sujeitos ou não à incidência do IPI”. Diante das razões acima expostas, com as quais comungo integralmente e, destacando ainda mais o fato de que a implementação desse incentivo é a de fomentar a atividade econômica exportadora, entendo que, em se tratando de produto exportado fora da incidência do IPI, como o NT, deve ser reconhecido o direito ao benefício e, portanto, ao crédito pleiteado desde que tenham utilizado em sua produção os insumos, matérias primas e material de embalagem como definidos nas normas do IPI. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 TAXA SELIC No que se refere à atualização do ressarcimento pela taxa Selic, em vista do que determinado pelo disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), admito a aplicação da taxa SELIC ao crédito que se pretende ver compensado/restituído a partir do protocolo do pedido de ressarcimento ou restituição junto à Administração Tributária. Nesse sentido o entendimento do Eg. STJ, por ocasião do Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010, verbis: Com efeito, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural, (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 10358471RS, ReI. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELlC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 11501881SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). Com base nestes fatos, admito a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI. Conclusão Na esteira do exposto voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo. Sala das Sessões, em 25 de julho de 2013 Fábia Regina Freitas. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10384.900138/201087 Acórdão n.º 3301001.980 S3C3T1 Fl. 383 9 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Discordo da Ilustre Relatora apenas quanto ao direito de a recorrente aproveitar créditos presumidos do IPI sobre os custos com beneficiamento de produtos classificados na TIPI como NT. O benefício fiscal denominado “crédito presumido do IPI”, a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, insumos e materiais intermediários utilizados em produtos industrializados e exportados, foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, e, posteriormente, por meio da MP nº 2.2022, de 23/08/2001, convertida na Lei nº 10.276, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo. No presente caso, a recorrente reclama ressarcimento apurado nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que assim dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Posteriormente, foi editada a IN SRF nº 69, de 06/08/2001, que regulamentou a aplicação desse dispositivo, assim dispondo: “Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins.” Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito presumido do IPI contempla apenas e tão somente a pessoa jurídica produtora e exportadora, de produtos industrializados por ela e exportados para o exterior diretamente e/ ou via empresa comercial exportadora. Os produtos nãotributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam como produtos industrializados e não fazem jus ao crédito presumido do IPI. Portanto, considerando que a recorrente não industrializa produtos e não é contribuinte do IPI, não tem direito ao crédito presumido deste imposto. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Ass inado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13851.001020/2006-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2004
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4° do CTN.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE QUANDO AUSENTE A COMPROVAÇÃO DE DOLO.
Para que a multa de ofício seja qualificada, a fiscalização deverá comprovar de forma inequívoca que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4502/64.
RECOLHIMENTO NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. CARACTERIZA PAGAMENTO INSUFICIENTE NOS CASOS DE DESENQUADRAMENTO/EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE. NECESSIDADE DE SUBTRAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS NA OCASIÃO DO LANÇAMENTO.
Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve antes promover a subtração dos pagamentos comprovadamente efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, obedecida a repartição de receitas do art. 23 da Lei nº 9.317/1996.
Numero da decisão: 9101-001.920
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quanto à decadência e desqualificação da multa em, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. Quanto à Imputação do pagamento, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACILIO DANTAS CARTAXO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4° do CTN. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE QUANDO AUSENTE A COMPROVAÇÃO DE DOLO. Para que a multa de ofício seja qualificada, a fiscalização deverá comprovar de forma inequívoca que o contribuinte agiu dolosamente na execução de alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4502/64. RECOLHIMENTO NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. CARACTERIZA PAGAMENTO INSUFICIENTE NOS CASOS DE DESENQUADRAMENTO/EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE. NECESSIDADE DE SUBTRAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS NA OCASIÃO DO LANÇAMENTO. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve antes promover a subtração dos pagamentos comprovadamente efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, obedecida a repartição de receitas do art. 23 da Lei nº 9.317/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 10 20 /2 00 6- 22 Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quanto à decadência e desqualificação da multa em, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo. Quanto à Imputação do pagamento, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACILIO DANTAS CARTAXO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, VALMIR SANDRI, ANDRÉ MENDES DE MOURA (Suplente Convocado), KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 1159/1189) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256/2009. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 130100.379 (1333/1355), proferido pelos membros da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, na parte em que, por maioria de votos, acolheram a decadência para os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos até o segundo trimestre de 2001 no que se refere ao lançamento original e, por unanimidade de votos, reconheceram a caducidade sobre os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos até o primeiro trimestre de 2002 no que tange ao lançamento complementar; e sobre fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos até o mês de agosto de 2001. No mérito, por unanimidade de votos, reduziram a multa qualificada ao patamar de 75% e reconheceram o direito à dedução do montante recolhido na sistemática do SIMPLES durante o período em discussão, devidamente comprovados e limitados, em cada período, ao percentual destinado a cada um dos tributos objeto do lançamento, estabelecido pelo artigo 23 da lei 9317/96. O acórdão, na parte recorrida, foi assim ementado: “LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ausentes, no caso concreto, circunstâncias que permitam afirmar o comportamento doloso por parte da contribuinte, não se há de Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13851.001020/200622 Acórdão n.º 9101001.920 CSRFT1 Fl. 1435 3 cogitar o deslocamento do termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos termos do art. 173, I, do referido Código. (...) COMPENSAÇÃO. DARF/SIMPLES. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos pagamentos comprovadamente efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, obedecida a repartição de receitas do art. 23 da Lei nº 9.317/1996. (...) OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. MULTA QUALIFICADA. Tendo sido as receitas tidas por omitidas apuradas por presunção legal, e inexistentes outras circunstâncias que permitam afirmar a conduta dolosa por parte da contribuinte, mostrase inaplicável a qualificação da multa.” Em suas razões recursais, relativamente à decadência, a Fazenda afirmou que na ausência de recolhimento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação, a decadência estaria sujeita ao artigo 173, I, do CTN. Nesse ponto, salientou que tal entendimento segue o que já foi decidido pelo STJ e citou a decisão proferida no Recurso Especial 973.733 julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Alegou que a posição do acórdão recorrido diverge da adotada pela Câmara Superior deste Conselho e trouxe como paradigma o acórdão CSRF/0203.331, assim ementado: “TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, §4º).” Em relação à redução dos valores lançados, tendo em vista os montantes recolhidos na sistemática do SIMPLES, sustentou que gera contrariedade à sistemática legal de compensação de tributos, o que afastaria a aplicação dessa modalidade de extinção do crédito tributário. Afirmou a existência de divergência de entendimento neste Conselho e trouxe como paradigma o acórdão 10807.169, assim ementado: “IRPJ – COMPENSAÇÃO DE RECOLHIMENTO A TÍTULO DE SIMPLES — Incabível a redução dos tributos lançados de oficio pela utilização de valores pagos a título de SIMPLES, porque em se tratando de recolhimentos indevidos, em virtude Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 da exclusão do regime, eles só poderão ser considerados por meio de compensação com o crédito tributário lançado e após aval da autoridade local da Secretaria da Receita Federal.” Por fim, aduziu ser incorreta a desqualificação da multa, pois a conduta reiterada do contribuinte na omissão de receitas evidencia o intuito de fraude exigido pelo artigo 44, II, da lei 9430/96 e trouxe como paradigma o acórdão 10516.542, assim ementado: “MULTA QUALIFICADA Mantém—se a multa qualificada de 150 % quando demonstrado que o contribuinte, de forma reiterada, omite receitas, reduzindo o valor dos tributos a serem recolhidos ao fisco.” Em exame de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso (fls. 1221/1223). O contribuinte deixou de apresentar contrarrazões (fl. 1229). É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre uma breve exposição relativa aos lançamentos discutidos no presente processo. No caso, foi lavrado Auto de Infração principal (fls.496/551) para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e às contribuições PIS, COFINS e CSLL, devido à apuração, nos anos calendário de 2001 a 2004, de receitas omitidas. Consta no termo de verificação fiscal que o contribuinte optante pela apuração dos tributos com base do lucro real no ano de 2001 e pelo SIMPLES nos anos de 2002 a 2004, não comprovou a origem de créditos bancários existentes em contas de sua titularidade, situação que caracterizou a omissão de receitas nos temos do artigo 42 da lei 9430/96. O contribuinte foi cientificado da autuação em 11/09/2006. A DRJ de Ribeirão Preto, na oportunidade de análise da impugnação apresentada pelo contribuinte, converteu o julgamento em diligência (fls. 762/764) suscitando a necessidade de complementação do lançamento original, pelas razões que seguem transcritas do voto condutor do acórdão proferido: “(...) Examinando a legislação pertinente, em especial o art. 537 do RIR/99, cuja base legal é o artigo 24 da lei 9249 de 1995, verifica se que uma vez apurada omissão de receita, o montante omitido deverá ser computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e adicional, se for o caso, e no período de apuração correspondente. Portanto, em conformidade com a legislação, a receita omitida detectada pela fiscalização deveria ser somada à Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13851.001020/200622 Acórdão n.º 9101001.920 CSRFT1 Fl. 1436 5 receita declarada e o resultado constituiria a receita bruta conhecida, base para apuração do lucro arbitrado no art. 532 do RIR/99. (...) Acrescentese que relativamente ao ano calendário de 2001, para fins de verificação da receita bruta para adesão ao simples, motivo de exclusão da empresa do sistema, foram devidamente somados os valores apurados da receita omitida com aqueles declarados pelo contribuinte. (...) Desse modo, verificase claramente equívoco na apuração da base de cálculo utilizada para lançamento do IRPJ e CSL (...) VOTO pelo retorno do processo à repartição de origem para que, se entender cabível, proceda à revisão do lançamento.” Nesse contexto, foi lavrado auto de infração complementar (fls. 795/840), para constituição de crédito de IRPJ e CSLL relativo ao mesmo período fiscalizado no auto de infração principal. O contribuinte foi cientificado em 18/05/2007. Feitas as considerações necessárias, passo à análise das questões suscitadas no recurso. Preliminarmente, quanto à decadência, a definição da regra aplicável ao caso, se a do artigo 173, I ou a do artigo 150, §4º, ambos do CTN, está relacionada diretamente à análise da multa qualificada. No caso, houve aplicação da multa qualificada no percentual de 150% com base na presunção legal de omissão de receitas prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% deve restar evidenciada nos autos alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. " Como se vê, para qualificar a multa de ofício é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução do ato fraudulento, não bastando meros indícios de sua conduta ilícita. No presente caso, inexiste nos autos comprovação de que o contribuinte agiu dolosamente alterando ou ocultando informações com o intuito de impedir ou retardar a tributação e, ressaltese, o evidente intuito de fraude não deve ser presumido e sim provado. Ora, se o Fisco presumiu a existência da omissão de receitas, pois autuou o contribuinte com base no artigo 42 da lei 9430/96, depósitos bancários com origem não comprovada, é porque não tinha prova de sua real existência. Uma coisa é oposta à outra, ou temse prova da omissão de receita e então a fraude também está provada, ou temse indício da omissão com a consequente inversão do ônus da prova e, ante a ausência de prova do contribuinte, não se tem prova da omissão e então a fraude também não está provada. Outrossim, diferentemente da omissão de receita, a legislação não autoriza a presunção de fraude, que deve ser provada e não presumida. A súmula CARF nº 25 dispõe: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Neste sentido, vale transcrever entendimento manifestado por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 10311.865: “(...), para começo de abordagem, é sabido que indícios, data vênia, apenas, não são suficientes para demonstrar a ocorrência concreta de figuras como a simulação, a fraude, a sonegação. Indícios, autorizam, quando muito, a presunção, assim mesmo, não para os tipos supra referidos. Admitemse as presunções, assim mesmo, quando expressamente previstas em lei, para se concluir no sentido de que a lei a acolhe como base suficiente para o lançamento. (...) Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem. (....)” Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13851.001020/200622 Acórdão n.º 9101001.920 CSRFT1 Fl. 1437 7 Pelo exposto, restou comprovado que o Fisco não logrou êxito em demonstrar que o conribuinte agiu com o intuito de dolo, fraude ou simulação, para retardar ou obstar que o Fisco tomasse ciência do fato gerador tributável, nos termos dos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, única hipótese capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, razão pela qual voto pela desqualificação da multa aplicada. Afastada a comprovação de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, passo à análise da questão da decadência. Nesse ponto, cumpe a verificação da existência ou não de antecipação do contribuinte à fiscalização, por meio de pagamento ou apresentação de declaração constitutiva de crédito, para constatar a possibilidade ou não de deslocamento do prazo decadencial previsto no artigo 173 do CTN para aquele do artigo 150, §4º do mesmo diploma legal. Quanto à definição do dispositivo legal que deverá reger o prazo decadencial aplicável ao lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o entendimento de que havendo pagamento, ainda que parcial, estará ele sujeito à homologação e, por isso, deve ser aplicado para contagem da decadência o prazo previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN (de cinco anos a contar do fato gerador). No presente caso, o contribuinte apresentou comprovantes de pagamento às fls. 596 a 620, devendo, portanto, ser aplicada a regra do artigo 150, §4°, do CTN. Assim, tendo em vista que os fatos geradores ocorreram nos anos calendario de 2001 a 2004 e a ciência do contribuinte se deu em 11/09/2006, operouse a decadência para lançamento dos tributos cujos fatos geradores ocorreram antes de 11/09/2001. Portanto, em relação ao ano de 2001, consumouse a decadência do direito do Fisco de lançar: (i) os créditos relativos ao IRPJ e CSLL, para fatos geradores ocorridos até o 2º trimestre e (ii) os créditos relativos ao PIS e a COFINS, para os fatos geradores ocorridos até o mês de agosto. Em relação à redução dos valores lançados pelos montantes recolhidos na sistemática do SIMPLES, o argumento de que tal procedimento gera contrariedade à sistemática legal de compensação de tributos não merece prosperar, senão vejamos. O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Conribuições (SIMPLES) constitui apenas uma forma simplificada de recolhimento dos tributos e não a criação de novo tributo. A atual redação do artigo 3º, § 1º da lei 9317/96 é a seguinte: Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 8 a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar n o 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei n o 8.870, de 15 de abril de 1994.” Do dispositivo legal transcrito fica demonstrado que o SIMPLES é uma forma simplificada de recolhimento dos seguintes tributos e contribuições: IRPJ, PIS/PASEP, CSLL, COFINS, IPI e contribuições para a seguridade social. Além disso, o artigo 23 da lei 9317/96 trata da partilha dos valores pagos e estabelece os percentuais relativos a cada imposto e contribuição abrangidos SIMPLES. Por outro lado, a compensação é instituto que requer a existência de um indébito (pagmento indevido ou a maior) que gera um crédito ao contribuinte para compensar com determinado débito tributário vencido ou vincendo. É o que se verifica a partir do disposto no artigo 66 da lei 8383/91 e 74 da lei 9430/96: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente.” (Lei 8383/91) “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” (Lei 9430/96) Assim, não há que se falar em violação do sistema legal de compensação, pois no caso, não houve pagamento indevido ou a maior capaz de gerar um crédito tributário a ser compensado, mas sim recolhimento insuficiente em razão do desenquadramento do contribuinte do SIMPLES. Portanto, é correta a redução dos valores lançados pelos montantes recolhidos na sistemática do SIMPLES, justamente para que não haja lançamento de tributo já pago. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13851.001020/200622 Acórdão n.º 9101001.920 CSRFT1 Fl. 1438 9 Do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 13975.000206/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 00 20 6/ 20 08 -2 0 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada com o objetivo de ver compensados créditos seus relativos à depósito judicial efetuado a título de Cofins, com débitos referentes à mesma exação e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu de não homologála, em razão de que o valor objeto de depósito judicial, depois convertido em renda da União em face de decisão transitada em julgado desfavorável à contribuinte, não se conformava como recolhimento indevido ou a maior. É que a contribuinte havia ido ao Poder Judiciário com o fim de se ver desobrigada de apurar a Cofins e o PIS pelo regime da não cumulatividade, mas ao final do litígio não logrou êxito em sua demanda, restando convertidos em renda todos os depósitos judiciais efetuados na pendência da solução final da pendenga. Assim, analisando a DRF/Blumenau/SC os valores dos depósitos convertidos em renda e os valores devidos à titulo da contribuição no âmbito do regime da nãocumulatividade, constatou a inexistência de créditos contra a Fazenda Nacional remanescentes (na verdade, os depósitos seriam até mesmo insuficientes para o adimplemento integral do valor devido no respectivo período de apuração), o que justificou, portanto, a não homologação da compensação intentada. Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual afirma que o auditorfiscal que analisou seu pleito repetitório incorreu em equívoco ao entender que estava ela se apropriando de créditos referentes à ação judicial no âmbito da qual não havia tido êxito. Alega que o direito creditório não se relaciona com o objeto da ação judicial em si, mas com o permissivo legal constante do artigo 2.o da Instrução Normativa SRF n.o 658, de 04/07/2006, que expressamente permite que as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa no PIS e na Cofins, permaneçam tributadas no regime da cumulatividade em relação às receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, desde que tais contratos tenham prazo de duração superior a um ano e se refiram a construção por empreitada ou a fornecimento, a preço determinado, de bens e serviços. Assim, como a contribuinte teria contratos nestas condições, o que quer ver repetido são os valores que foram indevidamente incluídos nos depósitos judiciais por não estarem submetidos à nãocumulatividade, e não créditos relativos ao objeto do provimento judicial que lhe foi desfavorável. Demanda a contribuinte, assim, pela homologação integral de sua compensação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 12 3 A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: RECURSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO NAS ALEGAÇÕES SUBMETIDAS A INSTÂNCIAS DISTINTAS Não é lícito ao contribuinte, em sede de recurso administrativo submetido à instância ad quem, inovar nas alegações levadas à apreciação da instância a quo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o relator entendeu perfeitamente a forma pela qual esta recorrente utilizou os seus créditos, beneficio trazido pelo art. 2º da IN 658/06; em que pese no acórdão vergastado haver a compreensão de que a recorrente se utiliza dos fundamentos corretos para apurar os seus créditos, mas se julgam impossibilitados de analisar o pleito por causa de supressão de instância; sendo cristalino o direito da recorrente, reconhecido pela própria administração pública, não seria o caso ser levado às vias judiciais, o que seria dispendioso para as partes, inclusive com custos de honorários para Fazenda Nacional; o impasse poderia ser resolvido com um simples decisório de declinação de competência para autoridade competente homologar a compensação; acreditava que bastava esclarecer os fatos e direito para autoridade competente homologar sua Dcomp, não havia interesse de atingir uma instância ad quem, como dito, fora induzida em erro de endereçamento quando poderia apenas esclarecer os fundamentos motivadores da Dcomp; o mais justo seria reconsiderar a decisão e declinar a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp; caso não seja reconsiderada a decisão prolatada por esta Egrégia Seção de julgamento ao menos permita que a contribuinte retifique sua Dcomp de acordo com o permissivo previsto no art. 2º da IN 658/06; a solução para o presente caso não exige maiores esforços interpretativos, tratase apenas de mero erro de preenchimento da Dcomp, esta contribuinte não pode ser lesada por isso, inclusive, em decisões do conselho de contribuintes, vêm mantendo o entendimento de que os contribuintes não podem ser lesados pelo mero erro de fato; Por fim, requereu a reforma do acórdão atacado e que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário homologando as Declarações de Compensação realizadas pela recorrente, confirmando o direito desta aos créditos tributários Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 13 4 relativos aos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, na forma detalhada apresentada nos presentes autos, de acordo com o permissivo previsto no art. 20 da IN 658/06. Alternativamente, requereu a reforma da decisão no sentido de que seja declinada a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 31/7/2005, em especial verificasse se houve pagamento a maior em face das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano. A DRF de Florianópolis – SC não atendeu o solicitado na Resolução, uma vez que não apurou a base de cálculo da contribuição no período em referência. Justificou o seu procedimento com os seguintes argumentos: que a pretensão em apreço não se coaduna com os procedimentos de apuração de créditos passíveis de restituição e compensação administrativas oponíveis em face da Receita Federal do Brasil (RFB), na forma do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; para as hipóteses em que o valor objeto de pleito restituitório se refira a depósito judicial transformado em pagamento definitivo indevidamente, por meio de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE), o procedimento relativo à devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), à vista da inexistência de previsão legal para manejo de tal operação no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI); impende mencionar que eventual reconhecimento de crédito a compensar decorrente do DJE de fls. 13, na via da compensação tributária, ou seja, na seara administrativa, implicaria cm revisão indevida do ato judicial que ordenou o procedimento de transformação em pagamento definitivo levado a efeito no bojo do Mandado de Segurança n° 2004.72.00.0030284/SC, donde houve a participação da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e do Patrono da interessada, com a homologação dos valores a transformar em pagamento definitivo pelo Juiz da causa; como o procedimento relativo à eventual devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), uma vez que se trata de quantia inidônea à restituição e compensação a ser processada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), entendemos, s.m.j, prejudicada a diligência ora requerida em sede de procedimento administrativo relativo à compensação tributária, inadequado à pretensão do interessado, motivo pelo qual os autos deverão retornar ao CARF para a adoção das providências de alçada face ao acima exposto. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 14 5 A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Como relatado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis SC não cumpriu o determinado na Resolução, pois não apurou a base de cálculo da contribuição do período de apuração em litígio, conforme havia sido decidido pelo colegiado. Causa surpresa as alegações suscitadas pela autoridade administrativa por ocasião da diligência fiscal, embora pertinentes e plausíveis, porém inoportunas. A autoridade em questão inovou nos fundamentos do despacho decisório, fato que não se coaduna com os princípios do direito administrativo. Tenhase presente que a Informação Fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau, de 18 de março de 2008, que subsidiou o respectivo Despacho Decisório, não mencionou o fato de que para as hipóteses em que o valor objeto de pleito restituitório se refira a depósito judicial transformado em pagamento definitivo indevidamente, por meio de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE), o procedimento relativo à devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), à vista da inexistência de previsão legal para manejo de tal operação no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). Essa omissão do despacho decisório por certo trouxe prejuízos à recorrente e limitou o seu direito defesa, inclusive a Delegacia de Julgamento sequer teve conhecimento deste novo fato. Sublinhase que em face da teoria dos motivos determinantes, a validade do ato administrativo se vincula aos motivos indicados como seu fundamento. A propósito, confira excertos da citada informação fiscal: Nesse caso há que se proceder a uma nova apuração do valor devido da COFINS no período de apuração analisado, em face do trânsito em julgado dos autos n°. 2004.72.00.0030284 ter sido desfavorável à pretensão judicial da pessoa jurídica. Assim sendo, conforme demonstrativo anexado à fl. 28, consta apurado o efetivo valor devido da contribuição COFINS na referida competência. Observase no mencionado demonstrativo, que o novo valor devido da COFINS (apurado integralmente no regime da NãoCumulatividade) não foi totalmente quitado pelos respectivos pagamento e depósito judicial transformado em pagamento definitivo. Ou seja, além de não haver crédito a ser restituído/compensado, consta ainda a existência de saldo devedor a ser liquidado. Assim, tornase improcedente o pleito, em razão da ausência de crédito oriundo dos depósitos judiciais transformados em pagamento definitivo, tendo em vista a decisão favorável à União mediante autos judiciais n°. 2004.72.00.0030284, quanto a legalidade da cobrança da COFINS NãoCumulativa (Lei n°. 10.833/2003), cabendo por fim, a cobrança integral dos débitos constantes da declaração de compensação objeto deste processo administrativo.(grifouse) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 16 7 Como se nota, a autoridade administrativa indeferiu o pleito pela ausência de crédito em razão da apuração da base de cálculo em demonstrativo específico, não tendo sido citada a impossibilidade operacional e jurídica do pleito. Ainda que, hipoteticamente, prevaleça no julgamento a nova tese levantada pela Delegacia de Florianópolis na diligência, é passível de restituição, em tese, uma parcela do pagamento recolhido por meio de DARF, segundo consta do processo administrativo. O fato é, que pelos indícios colacionados no processo, no período em discussão, a maior parte das receitas da recorrente não estava sujeita ao regime nãocumulativo, nos termos do art. 2º da Instrução Normativa nº 658/2006. É importante frisar que a inovação nos fundamentos do indeferimento do pleito por parte da autoridade administrativa não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, conforme estabelece o art. 170 do CTN. Registrese, por oportuno, que este Egrégio Conselho, em algumas poucas oportunidades, tem admitido a possibilidade de restituição na esfera administrativa de depósitos judiciais convertidos em renda, a exemplo do acórdão unânime abaixo transcrito: PRESCRIÇÃO PARA PEDIR RESTITUIÇÃO, DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. ART. 168 C/C 156, VI, DO CTN. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição apenas começa com a extinção do crédito tributário. No caso de valores depositados em juízo tendo em vista que a existência de depósito não extingue, mas apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário a extinção apenas ocorre no momento da conversão em renda, conforme previsto no art. 156, VI do CTN. No caso de depósito judicial, o prazo para pleitear a restituição pelo pagamento em duplicidade começa a contar da conversão em renda. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE, PARCELAMENTO E CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. Tendo sido extinto o crédito tributário correspondente a um determinado fato gerador por meio de parcelamento, a posterior conversão em renda de depósitos judiciais relativos ao mesmo fato gerador configura pagamento em duplicidade, implicando no direito à restituição do segundo pagamento.(grifouse) (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão 3403 00.511, de 25/08/2010, rel. Ivan Allegretti, Processo nº 10380.013899/200146) Pontuase que no processo citado acima não se tem notícia da interposição de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, oposição de embargos pela autoridade incumbida de executar o acórdão e muito menos consta eventual impossibilidade material de se executar o decidido pelo CARF. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000206/200820 Resolução nº 3801000.784 S3TE01 Fl. 17 8 a) apure o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração em discussão, com segregação das receitas sujeitas ao regime cumulativo e do nãocumulativo; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13411.720001/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA - NULIDADE - NÃO OCORRÊNCIA - OBSERVÂNCIA ART. 16, IV, § 1º, DO DECRETO Nº 70.235/75 - NECESSIDADE.
É facultado à autoridade julgadora indeferir o pedido de diligência, quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Não ocorrendo o pedido na forma do estabelecido no art. 16, IV, §1º do Decreto nº 70.235/75 não há que se falar em nulidade do auto de infração.
IRPF - ATIVIDADE RURAL - INAPLICABILIDADE DE LEGISLAÇÃO DIVERSA
Verificando-se que a autuação fiscal decorre da omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, prevista no art. 5º, parágrafo único, da Lei nº 8.023/90 e no art. 18, § 2º, da Lei nº 9.250/95, não se deve confundi-la com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º,§ 1º, da Lei n° 7.713/88, ou ainda com a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96.
ATIVIDADE RURAL - ESCRITURAÇÃO EXIGIDA - LIVRO CAIXA - ARBITRAMENTO 20%.
Deve o contribuinte escriturar em Livro Caixa o resultado de sua atividade rural, sob pena de arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do ano-calendário, conforme art. 60 do RIR/99. Assim, se o contribuinte for intimado a apresentar o Livro Caixa, e não cumprir a exigência, é cabível o arbitramento realizado com base no parágrafo 2º do artigo 18, da Lei nº 9.250, de 1995.
TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 2202-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA NULIDADE NÃO OCORRÊNCIA OBSERVÂNCIA ART. 16, IV, § 1º, DO DECRETO Nº 70.235/75 NECESSIDADE. É facultado à autoridade julgadora indeferir o pedido de diligência, quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Não ocorrendo o pedido na forma do estabelecido no art. 16, IV, §1º do Decreto nº 70.235/75 não há que se falar em nulidade do auto de infração. IRPF ATIVIDADE RURAL INAPLICABILIDADE DE LEGISLAÇÃO DIVERSA Verificandose que a autuação fiscal decorre da omissão de rendimentos provenientes da atividade rural, prevista no art. 5º, parágrafo único, da Lei nº 8.023/90 e no art. 18, § 2º, da Lei nº 9.250/95, não se deve confundila com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º,§ 1º, da Lei n° 7.713/88, ou ainda com a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96. ATIVIDADE RURAL ESCRITURAÇÃO EXIGIDA LIVRO CAIXA ARBITRAMENTO 20%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 01 /2 00 9- 21 Fl. 3774DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Deve o contribuinte escriturar em Livro Caixa o resultado de sua atividade rural, sob pena de arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário, conforme art. 60 do RIR/99. Assim, se o contribuinte for intimado a apresentar o Livro Caixa, e não cumprir a exigência, é cabível o arbitramento realizado com base no parágrafo 2º do artigo 18, da Lei nº 9.250, de 1995. TAXA SELIC SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio De Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 3775DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.775 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em 01/04/08 foi instaurada Ação Fiscal contra o contribuinte, em razão de sua movimentação financeira ser incompatível com os rendimentos declarados. O recorrente foi notificado em 07/03/08 (fl. 22). O MPF foi encerrado e, em 04/12/08, foi iniciado novo procedimento (MPF nº 04.1.03.002008001222), o qual foi reprogramado para o mesmo contribuinte, período e operação. O recorrente foi intimado, em 02/04/08, mediante Termo de Início de Fiscalização, a apresentar, em relação aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006: a) documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de Rendimentos Isentos e NãoTributáveis e Tributados Exclusivamente na Fonte, mensalmente; b) documentação comprobatória de todos os valores de rendimentos tributáveis em 07/04/08 recebidos, mensalmente, de pessoas físicas ou jurídicas; c) extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo recorrente, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior; d) documentação hábil comprobatória da relação de dependência dos Dependentes informados nas declaração de IRPF. O recorrente apresentou resposta escrita (fl. 23), juntando extrato de sua conta corrente do Banco do Brasil, em relação ao anocalendário de 2006 (fls. 28103). Foi emitido, em 05/06/08, Termo de Reintimação Fiscal (fl. 104), para que o recorrente apresentasse extratos bancários relativos aos anoscalendário de 2004 a 2006 (fl. 104). O impugnante ofereceu resposta (fl. 106), anexando documentos e extratos bancários às fls. 107 181. Considerando que o contribuinte não apresentou os extratos bancários referentes à conta existente no Banco Itaú, foi emitida RMF (fl. 184), visando obter mais informações. A Instituição prestou as informações solicitadas enviando os extratos bancários do contribuinte (fls. 186194). Posteriormente, o recorrente apresentou diversas Notas Fiscais avulsas emitidas em seu nome, decorrentes do comércio rural de frutas, bem com apresentou notas de compra de produtos utilizados na atividade agrícola, como adubos e defensivos (fls. 195182 e 12561266). Fl. 3776DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 A Fiscalização elaborou planilhas (fls. 816831) referentes aos depósitos e transferências (“entradas”) havidos na conta bancária do recorrente. Esta lista lhe foi apresentada para que promovesse a correlação dos créditos em conta bancária com os pagamentos de notas fiscais de venda, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 003 (fl. 815), que foram apresentadas pelo recorrente (fls. 832833). O contribuinte informou que havia solicitado as informações de seus compradores, ressaltando a dificuldade de conseguir tais informações com as pessoas jurídicas que adquirem seus produtos. Em razão da manifestação do recorrente, foram lavrados MPF Diligência (fls. 834843), intimando os compradores dos produtos do recorrente a apresentar cópias dos comprovantes de pagamentos referentes às notas fiscais fornecidas pelo fiscalizado. Foram intimados: a) Frutícola Aurora Ltda.; b) Grupo Fartura de HortiFrut Ltda.; c) Jerônimo Juzenas & CIA Ltda.; d) Pomagari Frutas Ltda.; e) Real Mavi Frutas e Legumes Ltda. 0410300/00112/2008; f) Sapuca Imp. E Exp. Ltda.; g) Yara Alimentos Ltda.; h) Distr. Frutas e Legumes Fidalgo Ltda.; i) Frufart Com. Prod. Agrícola Ltda.; j) Fruticola Rio Garças Ltda. As respostas apresentadas foram anexadas às fls. 8441218. A Fiscalização elaborou novas planilhas de depósitos e transferências (“entradas”) feitos na conta corrente, conforme fls. 12301247. Em 15/01/09 o recorrente foi intimado (fl. 1249) a apresentar o Livro Caixa da Atividade Rural, ocasião em que informou (fl. 1250) não escriturar Livro Caixa, alegando ser pequeno produtor rural. Anexou comprovante de propriedade de imóvel rural. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 28/01/09 (fls. 0513), Auto de Infração relativo ao Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário 2004, 2005 e 2006, apurado o crédito tributário no montante de R$ 610.583,66, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada ao contribuinte foi Omissão de Rendimentos de Atividade Rural. 3 Impugnação Ciente em 14/03/10, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 12691274), esgrimindo os seguintes argumentos: a) é pequeno produtor rural do Vale do São Francisco, com base em economia primária do ponto de vista financeiro e estrutural. Assim, sua atividade baseiase na compra e venda, sem análise de custos, produção e lucros. Nessa lógica, nem todo o dinheiro que circula na conta bancária do produtor significa acréscimo patrimonial a descoberto; b) nem todo o ingresso financeiro caracteriza fato gerador do Imposto de Renda; c) deve haver uma correlação segura e direta entre o fato conhecido e o fato desconhecido, e a prova incumbe a quem alega. Concluise, no caso, que não há liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido, pois não houve essa comprovação pela Fiscalização, uma vez que a Receita Federal, quando constituiu o crédito tributário, baseouse em depósitos bancários e em presunções, assumindo o ônus de provar o fato substitutivo de seu direito; Fl. 3777DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.776 5 d) conforme Súmula nº 182 do Extinto TFR, é ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; e) em razão da inexistência de fraude no caso, a multa não deve ser desproporcional, fato que geraria confisco; f) deve ser considerada a capacidade contributiva do recorrente; g) inaplicável a Taxa Selic para computação de juros. Para a correção monetária, o índice correto é o INPC. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 1ª Turma da DRJ/REC (fls. 12861294), mantendose o crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados, em síntese, os seguintes fundamentos: a) quanto ao pedido de perícia, esse não obedece os requisitos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o resultado da perícia não traria provas imprescindíveis ao julgamento, já que os documentos necessários ao julgamento estão no processo; b) a fiscalização não considerou, para fins de autuação, os valores depositados como de origem não comprovada. Ao contrário, considerou que a origem foi comprovada, isto é, a origem foi a atividade rural. Dessa forma, procedeu ao arbitramento do resultado líquido da atividade rural no percentual de 20% da receita bruta, conforme notas fiscais e valores depositados a elas associados, como se verifica à fl. 1236. O recorrente, por sua vez, defendese alegando que os ingressos financeiros não acarretaram acréscimo patrimonial, contudo, não faz prova de sua alegação; c) o fato gerador, ao contrário do que que alega o contribuinte, é a verificação da omissão de rendimentos da atividade rural, apurado por meio de arbitramento previsto em lei e decorrente da falta de apresentação de livro caixa, devendo ser mantida a exigência, conforme o Auto de Infração. 5 Recurso Voluntário Ciente em 14/03/12, o recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário em 09/04/13 (fls. 13141325 do eprocesso), repisando os argumentos da impugnação. 6 Sobrestamento Em 17/04/13, através da Resolução nº 2202000.469 (fls. 37653773 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase Fl. 3778DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 3779DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.777 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição Fl. 3780DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 60, § 2º, do RIR/99. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — omissão de rendimentos da atividade rural — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 184), relativamente à conta do Banco Itaú, instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Fl. 3781DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.778 9 Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, Fl. 3782DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.779 11 vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário, tendo como base o art. 60, § 2º, do RIR/99, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de atividade rural e não teria requerido que o contribuinte apresentasse seu Livro Caixa, bem como não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração no que se refere ao crédito tributário apurado nos depósitos realizados na conta corrente mantida junto ao Banco Itaú. 1.3 Da Violação aos Princípios da Legalidade e da Ampla Defesa O recorrente sustenta que a decisão de Primeira Instância violou os princípios da legalidade e da ampla defesa ao indeferir a solicitação de perícia. Não assiste razão, contudo, ao recorrente. O pedido de perícia é subsídio à formação da convicção do julgador, e visa aprofundar as questões referentes às provas e aos elementos constantes nos autos, não podendo ser utilizado para suprir o descumprimento de uma obrigação legal. Prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 Como se depreende da leitura do dispositivo acima, é facultado à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia, quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador, de modo que apenas se falará na necessidade da prova pericial quando houver dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. Nesse sentido, é o entendimento desta Turma: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/03/1994 a 26/09/1996 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Constando dos autos os documentos necessários à comprovação dos fatos em questão, mostrase desnecessária a diligência requerida. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade da decisão a quo por cerceamento do direito de defesa quando o indeferimento do pedido de diligência é explicitado na fundamentação do acórdão recorrido, e a desnecessidade da diligência é ratificada em segunda instância. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Uma vez que a descrição dos fatos e do enquadramento legal foram suficientemente claros para propiciar o entendimento da infração imputada, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Constatado que empresa incorporada e incorporadora pertenciam, em quase sua totalidade, ao mesmo sócio, não há como dar guarida à tese invocada pela recorrente, de liberação das penalidades em nome da incorporada, sob pena de macular o instituto da responsabilidade tributária por sucessão. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. Os juros cobrados a título de mora, cujos índices estão pautados pela taxa SELIC, têm base legal em consonância com o Código Tributário Nacional. Inexiste correção monetária no País desde momento anterior ao auto de infração lavrado em desfavor da recorrente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202 001.774. Rel. Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Julg. 11/09/2007). O art. 16, IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72 é claro ao estabelecer condições para que reste deferido o pedido de perícia. In verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.780 13 No caso em exame, não houve a exposição dos motivos que justificariam a perícia. Além disso, por ocasião do recurso voluntário o contribuinte poderia anexar aos autos os documentos comprobatórios cabíveis para sua tese, o que não ocorreu. Convém ressaltar que o pedido de perícia pode ser considerado descabido quando os elementos necessários à comprovação das exclusões da base de cálculo são provas documentais, as quais o contribuinte deixou de apresentar, ou apresentou de forma insatisfatória aos anseios da fiscalização, como no caso em análise. Da análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância entendeu pelo indeferimento do pedido de realização de diligência ao argumento de que: “17. Do exame da peça impugnatória de fls. 1.262 a 1.273 constatase não terem sido atendidos os requisitos previstos no art. 16 supra. 18. Ademais, além dos requisitos acima mencionados, deve ser analisado se o pedido de realização de perícia é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o art. 18 do mesmo diploma legal, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993: (...) 19. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria e que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. 20. In casu, os documentos necessários aos esclarecimentos da lide constam do presente processo, seja por terem sido apresentados pela defesa no curso da ação fiscal ou por ocasião da apresentação da impugnação, seja por terem sido obtidos pela autoridade lançadora.” A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte, não cabendo à determinação de perícia para a busca de provas. No caso, a autoridade julgadora de Primeira Instância indeferiu o pedido de perícia, uma vez que a oportunidade para apresentação das provas precluiu, entendendo a produção de tal prova prescindível ao julgamento da lide. Assim, entendo ser incabível a solicitação de perícia nesse momento processual uma vez que o foi devidamente oportunizado que o recorrente juntasse aos autos os documentos comprobatórios que considerasse relevante, portanto, prejudicado o pedido do autor, sendo o produzido ao longo do processo suficiente para firmar o convencimento da Primeira Instância, e suficiente para formar o deste Relator. Dessa forma, resta claro que não houve qualquer violação aos princípios da legalidade e da ampla defesa, pois a autoridade julgadora observou estritamente a disposição do art. 16, IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72 e sempre deu ao recorrente a oportunidade de apresentar a documentação solicitada, e de manifestarse ao longo do processo fiscalizatório. 2. MÉRITO Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais créditos tributários, apurados regularmente, e argumentos suscitados pelo recorrente. 2.1 Do Omissão de Rendimentos de Atividade Rural e do Acréscimo Patrimonial O recorrente sustenta que: a) o incremento patrimonial é infinitamente menor do que os valores que movimentados em sua conta; b) em nenhum momento fora constada a existência de ‘caixa 2”; c) nem todo o ingresso financeiro configura fato gerador do imposto de renda. No caso em tela, verificase que a autuação fiscal decorre da omissão de rendimentos provenientes da atividade rural em decorrência da falta de apresentação de livro caixa da atividade rural por parte do contribuinte. Em razão da ausência de livro caixa, o resultado tributável foi apurado por meio do arbitramento de 20% da receita bruta. Quanto às alegações contidas na peça recursal, não há que se confundir omissão de rendimento provenientes da atividade rural, prevista no art. 5º, parágrafo único, da Lei nº 8.023/90 e no art. 18, § 2º, da Lei nº 9.250/95, com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto – quando rendimentos ou recursos declarados não são suficientes para justificar a variação patrimonial, na forma do art. 3º,§ 1º, da Lei n° 7.713/88, ou ainda com a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Assim, não devem subsistir os argumentos do recorrente quanto ao suposto acréscimo patrimonial a descoberto e quanto à suposta autuação por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, pois não consistiram em objeto do Auto de Infração, como bem salientou a decisão recorrida ao mencionar que: “24. Vêse que o contribuinte, equivocadamente, defendese conta a omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, infração prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, quando tal omissão foi apurada relativamente à atividade rural, conforme Auto de Infração de fls. 07 a 09, nos termos dos artigos 1º a 5º da Lei nº 8.023/1990, dispositivos mencionados no referido Auto, abaixo transcritos: (...) 25. Da leitura do Relatório Fiscal de fls. 17, verificase que a autoridade lançadora considerou que os valores depositados nas contas bancárias do autuado e relacionados às fls. 1.219 a 1.235 se originaram da atividade rural do contribuinte, conforme documentação anexada ao processo (notas fiscais de venda e de compra de fls. 195 a 812 e de fls. 1.244 a 1.254, diligências efetuadas conforme fls. 834 a 1.218 e comprovação da existência de propriedade rural de fls. 1.242 a 1.243). 26. Nesse sentido, transcrevese a exposição contida no Relatório Fiscal de fls. 17: ‘devido à ausência de livro caixa de apuração da atividade rural foi feita por arbitramento de 20% (vinte por cento) da receita bruta, sendo esta considera as entradas em conta corrente em valores acima de R$ 3.000,00 (três mil reais). ... Desta forma, foram elaboradas as planilhas Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.781 15 à fl. 1247 em que se verifica a apuração dos valores mensais de entradas em cada ano e a receita bruta correspondente a vinte por cento destes montantes.’ (...) 27. Assim, a fiscalização não considerou, para fins de autuação, os valores depositados como de origem não comprovada. Ao contrário, considerou que a origem foi comprovada, isto é, a origem foi a atividade rural. Dessa forma, procedeu ao arbitramento do resultado líquido da atividade rural no percentual de 20% da receita bruta, conforme notas fiscais e valores depositados a elas associados, como se verifica às fls. 1.236.” 2.2 Da Omissão de Rendimentos Provenientes da Atividade Rural O contribuinte foi autuado em decorrência de Omissão de Rendimentos Provenientes da Atividade Rural. Conforme, o Relatório Fiscal: “A condição de produtor rural do contribuinte foi verificada, em concordância com a IN SRF 81/2001 (abaixo transcrita), através da existência da área rural por ele informada, fls. 1252 e 1253, bem como pelas Notas Fiscais avulsas emitidas em seu nome (pessoa física) de produtos in natura (frutas), das Notas Fiscais de compra e venda de produtos agrícolas, e ainda através das Notas Fiscais de entrada de seus compradores e de suas declarações escritas. (...) Na fiscalização em questão, devido à ausência de livro caixa a apuração da atividade rural foi feita por arbitramento de 20% (vinte por cento) da receita bruta, sendo esta considerada as entradas em conta corrente em valores acima de R$ 3.000,00 (três mil reais). Sustenta o recorrente, em linhas gerais, que por ser pequeno produtor não estaria obrigado a escriturar livro caixa. Não lhe assiste razão, contudo. Prevê o art. 60 do RIR/99 que o resultado da exploração da atividade rural deve ser apurado mediante escrituração de Livro Caixa pelo contribuinte, sob pena de arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário. Tratase, portanto, de obrigação ex lege que inclui não apenas a obrigatoriedade da apuração do resultado da atividade rural e da escrituração em Livro Caixa, como também a comprovação da veracidade das despesas de custeio e investimentos escrituradas: Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 1º). § 2º A falta de escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, §2º). Também dispõe o art. 18 da Lei nº 9.250/95 que: Art. 18 – O resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, a partir do anocalendário de 1996, será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer à decadência ou prescrição. § 2º A falta de escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de R$ 56.000,00 (cinquenta e seis mil reais) facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o registro do Livro Caixa. E a Lei nº 8.023/90: Art. 4º – Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesa no mês do efetivo pagamento. Art. 5º – A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano base. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRF nº 17/96, que dispõe sobre a tributação dos resultados da atividade rural, estabelece que: Fl. 3789DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.782 17 Art. 22 – O resultado da exploração da atividade rural exercida pelas pessoas físicas será apurado mediante escrituração do livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade. § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou o beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer à decadência ou prescrição. § 2º A ausência de escrituração prevista no caput implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. § 3º Quando a receita bruta total auferida no anocalendário não exceder a R$ 56.000,00 (cinquenta e seis mil reais) é facultada a apuração mediante prova documental, dispensada a escrituração do livro Caixa; § 4º O resultado negativo apurado pelas pessoas físicas que optarem pelo disposto no § 3º não poderá ser compensado. § 5º Considerase prova documental aquela que se estrutura por documentos nos quais fiquem comprovados e demonstrados os valores das receitas recebidas, das despesas de custeio e os investimentos pagos no anocalendário. Art. 23 A escrituração consiste em assentamentos das receitas, despesas de custeio, investimento e demais valores que integram o resultado da atividade rural no livro Caixa, não contendo intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, raspaduras ou emendas. (...) § 4º A escrituração do livro Caixa deverá ser realizada até a data prevista para a entrega da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Da leitura dos dispositivos acima colacionados concluise que cabia ao recorrente escriturar em Livro Caixa o resultado de sua atividade rural, comprovando todas as informações nele transcritas, através de documento hábil e idôneo. Contudo, isto não ocorreu. O próprio contribuinte, à fl. 1250, alegou não possuir Livro Caixa, de modo que coube à fiscalização arbitrar a base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do anocalendário, na forma do art. 18, § 2º, da Lei nº 9.250/95. Nesse sentido, é o entendimento desta Turma: (...) ARBITRAMENTO ATIVIDADE RURAL ESCRITURAÇÃO EXIGIDA O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou o beneficiário, o valor e a data da operação, a qual é mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer à Fl. 3790DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 decadência. Assim, se o contribuinte for intimado a apresentar o Livro Caixa a que estava obrigado a escriturar, e não tendo cumprido a exigência, é cabível o arbitramento realizado com base no parágrafo 2º do artigo 18, da Lei nº 9.250, de 1995. (...) (CARF – 2 ª Seção de Julgamento – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária – Rel. Pedro Anan Júnior – Acórdão 2202.00.181 – Processo 15940.000164/200779) Grifei. Assim, considerando que o próprio recorrente afirma que não mantinha escrituração na forma exigida pela legislação, correta a autuação. 2.3 Aplicação da Taxa SELIC e Multa de Ofício O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal e inconstitucional, e que a aplicação da multa consiste em medida confiscatória. Quanto à ilegalidade, a questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC, a própria jurisprudência do STF vai ao sentido de considerar legítima sua aplicação: 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (RE 582461, Relator: Min. Gilmar Mendes, Julg 18/05/2011, Divulg 17/08/2011, Public 18/08/2011) 4. A isonomia é resguardada, visto que a Lei estadual prevê a aplicação da taxa SELIC, que traduz rigorosa igualdade de tratamento entre o contribuinte e o Fisco. (ADI 2214, Relator: Min. Maurício Corrêa, Julg 06/02/2002, Publ 19/04/2002) Ademais, a este Conselho não cabe a análise da constitucionalidade de lei tributária, conforme entendimento sumular, abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.783 19 Sendo assim, o caráter confiscatório da multa, e a inconstitucionalidade da aplicação da SELIC, por se tratarem de temas constitucionais, não podem ser analisados neste julgamento. Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR de ilegitimidade de provas, voto por REJEITAR as demais preliminares, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 20 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13411.720001/200921 Acórdão n.º 2202002.746 S2C2T2 Fl. 3.784 21 IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO 22 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova, acompanhado o Conselheiro Relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 16004.720412/2011-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 41 2/ 20 11 -2 1 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720412/201121 Resolução nº 2403000.192 S2C4T3 Fl. 758 2 RELATÓRIO Tratase de crédito tributário lançado peia fiscalização, contra a empresa acima identificada, pertinente às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, corresponde à glosa de compensação informada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, em razão da empresa declarar valores a compensar a partir de créditos inexistentes. De acordo com o Relatório Fiscal, apesar de ser intimada por diversas vezes a apresentar os documentos e os comprovantes que justificassem as compensações por ele efetuadas, a autuada não os apresentou. A 9ª Turma da DRJ/RPO julgou procedente em parte o lançamento através do Acórdão 1438.060 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 30/06/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. As contribuições sociais previdenciárias somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias não é cabível a aplicação de multa de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É vedado a autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com referida decisão, a empresa apresentou recurso alegando em síntese: Que os procedimentos adotados para a compensação estavam cobertos de fidedignidade e lisura, estando o crédito tributário compensado respaldo na certidão de objeto e pé emitido pela 5ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Pará e no Parecer SECAT/DRF/BEL nº 809/2006, ambos documentos somente agora conseguidos pela recorrente e anexados ao recurso. Requer o provimento do recurso com a anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16004.720412/201121 Resolução nº 2403000.192 S2C4T3 Fl. 759 3 VOTO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A presente autuação teve por fundamento a falta de comprovação através de documentos que justificassem os créditos compensados realizados pela recorrente. Consta no Relatório Fiscal que, embora intimado por diversas vezes, o contribuinte não apresentou referida documentação. A recorrente afirma que as compensações efetuadas foram baseadas em decisão judicial. Como não fora apresentada referida decisão, o órgão julgador de primeira instância manteve a glosa das compensações. Em sede de recurso, a empresa anexou certidão de objeto e pé emitido pela 5ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Pará, processo 2001.39.00.0092070 (fls.737) e o Parecer SECAT/DRF/BEL nº 809/2006 (fls. 742/745). Como no processo judicial acima mencionado constava como parte autora a empresa FERMASA LTDA, a recorrente juntou uma Escritura de Cessão de Créditos (fls. 738/740) que entende justificar as compensações por ela efetuadas. Do que se depreende dos autos, não houve manifestação da fiscalização acerca dos referidos documentos. Desta forma, entendo que o processo deve ser baixado em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste acerca dos documentos e informe o seguinte: 1 A documentação anexada no recurso é capaz de comprovar que o procedimento adotado pela recorrente quando das compensações estava correto? 2 O valor do suposto crédito alegado pela empresa é compatível com as compensações efetuadas? 3 – De posse de tais documentos, justifique o i. fiscal se a presente autuação ainda deve ser mantida. Ante ao exposto, voto no sentido de Converter o julgamento em Diligência para cumprimento do acima determinado, devendo a recorrente ser intimada para, querendo, se manifestar acerca da resposta da autoridade fiscal. Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2014 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 13/08/2 014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10970.000551/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
ISENÇÃO. CERTIFICAÇÃO DA ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESOBRIGATORIEDADE. Nos termos do Parecer nº GQ- 169, a pessoa jurídica de direito privado não precisa ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para fazer jus à isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8.212, de 1991/09, desde que seja entidade filantrópica devidamente instituída em Lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para declarar a nulidade do lançamento por vício material na fundamentação.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CANCELAMENTO DE CERTIFICADO DE ISENÇÃO. Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE PATOS DE MINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 ISENÇÃO. CERTIFICAÇÃO DA ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESOBRIGATORIEDADE. Nos termos do Parecer nº GQ 169, a pessoa jurídica de direito privado não precisa ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para fazer jus à isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8.212, de 1991/09, desde que seja entidade filantrópica devidamente instituída em Lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para declarar a nulidade do lançamento por vício material na fundamentação. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 05 51 /2 00 9- 04 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000551/200904 Acórdão n.º 2402004.072 S2C4T2 Fl. 324 3 Relatório Tratase de auto de infração de obrigação principal DEBCAD n° 37.221.414 2, lavrado em virtude do não recolhimento de valores devidos à Seguridade Social referentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados, no período de 02/2006 a 11/2008. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 84/87, “as contribuições lançadas têm como fatos geradores as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa, bem como a prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho (...)”. Ainda de acordo com o REFISC, a autuação se deu porque a entidade autuada não comprovou ser portadora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), bem como porque não constava na base de dados do CNAS pedido de isenção previdenciária formulado perante a RFB, motivo pelo qual, de acordo com a autoridade fiscal, não faz jus à isenção da parcela patronal da contribuição previdenciária. A fiscalização menciona também que a Recorrente impetrou mandado de segurança de n° 1999.38.02.0019688, visando o reconhecimento do direito à imunidade das contribuições previdenciárias. A liminar foi deferida, a sentença denegou a segurança e, posteriormente, foi reformada pelo TRF da 1° região. Atualmente os autos encontramse aguardando julgamento de Recurso Extraordinário junto ao STF, sob o n° RE 481558. A Recorrente foi cientificada da autuação e apresentou impugnação total às fls. 184/196 que, às fls. 300/303 foi julgada improcedente sob os seguintes fundamentos: i) Os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91 não foram cumpridos pela Recorrente e nem foram objeto de contestação; ii) A constituição de crédito com exigibilidade suspensa é possível uma vez que o que se suspende são os atos executórios (ou de cobrança), consubstanciados na inscrição em dívida ativa e propositura de ação de execução fiscal; iii) A Constituição Federal ao prescrever a isenção (imunidade) das contribuições sociais destinadas à Seguridade não exigiu lei complementar para estabelecer os requisitos a serem atendidos pelas entidades beneficentes de assistência social, pelo contrário, determinou a produção de lei ordinária (parágrafo 7° do art. 195), tal qual o fez para a instituição das contribuições discriminadas no art. 195 e, regulamentando a norma constitucional, o art. 55 da Lei n° 8.212/91 estabeleceu os critérios nos quais a Recorrente não se enquadra (inciso II do art. 55). Fl. 341DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Intimado do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 306/312, alegando, em síntese: i) Que a afirmação de que a Recorrente não se insurgiu contra a alegação de descumprimento de exigências do art. 55 da Lei n° 8.212/91 é equivocada, uma vez que, embora ela esteja sob proteção judicial que lhe reconhece o direito de ser fiscalizada apenas em relação às exigências do art. 14, CTN, na impugnação administrativa a matéria fora expressamente questionada; ii) Ante a pendência de conclusão no julgamento da ação judicial, a ordem mandamental para que a Recorrente seja fiscalizada apenas em relação o cumprimento das exigências estabelecidas no art. 14 do CTN encontrase em pleno vigor; iii) A decisão mandamental em favor da Recorrente produz efeito imediato, eis que não foi conferido efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário da Fazenda; iv) O auto de infração é nulo porque lavrado sem que antes houvesse sido expedido ato declaratório de suspensão de imunidade, conforme preceitua o § 3° do art. 32, da Lei n° 9.430/96, sendo a efetivação da referida suspensão condição essencial para a prática do ato, nos termos do § 6°, II, do mesmo artigo. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000551/200904 Acórdão n.º 2402004.072 S2C4T2 Fl. 325 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário é tempestivo, atendendo a um dos requisitos de conhecimento, razão pela qual nesta parte dele conheço. Entretanto, deixo de conhecêlo no que se refere à matéria discutida em sede de processo judicial, sobre a qual não cabe mais análise pela via administrativa. Em Preliminar Da nulidade do Auto de Infração por vício material Alega a Recorrente que o auto de infração é nulo. Há respaldo em sua alegação. A presente autuação se deu porque a Recorrente utilizou em GFIP o código correspondente a Entidade Filantrópica e Entidade Beneficente de Assistência Social, mas não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Ocorre que, nos termos do Parecer GQ 169, que dispõe sobre a isenção de contribuição de cota patronal e de terceiros, a criação, por lei, de entidade filantrópica supre o certificado ou registro que ateste tal finalidade, e isenta a entidade das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/91. Vejamos: “12. Finalidade filantrópica Todavia, parece ainda poder prescindir se de ter havido sucessão. É que o que importa saber é se o Certificado ou Registro de Entidade de Fins Filantrópicos único requisito ausente é exigível para que a nova Associação das Pioneiras Sociais goze das isenções de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24.7.1991. E a mim me parece que não. 13. A prática da filantropia pelas demais entidades que a elas se dedicam, ainda que tal objetivo figure nos seus atos institutivos, é algo que se lhes adiciona, é algo que lhe é externo, tanto que pode e, por vezes, acontece de o título servilhes apenas de fachada. Diferentemente é o que sucede com a nova Associação das Pioneiras Sociais. Nessa, quer ela queira quer não, a filantropia constitui sua finalidade; a entidade é filantrópica por natureza; por reconhecimento legal; porque foi criada para a prática da filantropia. E, em sendo assim, a declaração legal supre o reconhecimento de um órgão burocrático da administração. 14. Por exposto, considerando que, conforme o Parecer acostado ao processo, o único requisito faltante para que a Associação das Pioneiras Sociais se veja isenta das contribuições previstas nos arts. 22 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 e 23 da Lei nº 8.212, de 24.7.1991, o certificado de filantropia é suprido pelo reconhecimento legal que institui a pessoa jurídica como entidade filantrópica, entendo que se lhe aplicam as isenções das contribuições referidas.” A Fundação Educacional de Patos de Minas é uma instituição com personalidade jurídica própria, sem fins lucrativos, criada pela Lei Estadual n° 4.776/68, e instituída pelo Decreto Estadual n°11.348/68. Portanto, fica reconhecida a isenção das contribuições patronais objetos deste processo. No caso do presente Auto, a autoridade administrativa desconheceu o referido parecer, efetuando indevidamente lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, não levando em conta, portanto, o fato da Recorrente ser isenta de contribuições sociais patronais. Conclusão Por todo o supra exposto, conheço em parte o Recurso Voluntário, para na parte conhecida, dar provimento parcial para declarar a nulidade do auto de infração por vício material (carência de motivação), à vista da solução de consulta e do parecer COSIT nº GQ 169, que dispõe sobre a desnecessidade de CEBAS para as instituições sem fins lucrativos instituídas em lei. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11684.720078/2012-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/09/2009
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não-fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
REGISTRO EXTEMPORÂNEO. INFORMAÇÃO. VINCULAÇÃO. MANIFESTO. ESCALA. INAPLICABILIDADE. DA SOLUÇÃO INTERNA COSIT Nº 08/2008.
A Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14 de fevereiro de 2008, refere-se à multa decorrente do registro intempestivo dos dados relativos aos embarques de exportação no Siscomex, na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, sendo inaplicável na hipóteses de prestação extemporânea de informação sobre a vinculação dos manifestos à escala, prevista no art. 22, II, d, da Instrução Normativa n° 800/2007.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. LEI No 10.833/2003. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Após as alterações da Lei nº 10.833/2003, a multa regulamentar por registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex deixou de ser enquadrada na hipótese legal de embaraço à fiscalização aduaneira, para se subsumir ao tipo específico previsto na alínea e, IV, art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966. Violação ao princípio da reserva legal não caracterizada.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/09/2009 MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não-fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. INFORMAÇÃO. VINCULAÇÃO. MANIFESTO. ESCALA. INAPLICABILIDADE. DA SOLUÇÃO INTERNA COSIT Nº 08/2008. A Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14 de fevereiro de 2008, refere-se à multa decorrente do registro intempestivo dos dados relativos aos embarques de exportação no Siscomex, na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, sendo inaplicável na hipóteses de prestação extemporânea de informação sobre a vinculação dos manifestos à escala, prevista no art. 22, II, d, da Instrução Normativa n° 800/2007. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. LEI No 10.833/2003. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Após as alterações da Lei nº 10.833/2003, a multa regulamentar por registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex deixou de ser enquadrada na hipótese legal de embaraço à fiscalização aduaneira, para se subsumir ao tipo específico previsto na alínea e, IV, art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966. Violação ao princípio da reserva legal não caracterizada. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/09/2009 MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. INFORMAÇÃO. VINCULAÇÃO. MANIFESTO. ESCALA. INAPLICABILIDADE. DA SOLUÇÃO INTERNA COSIT Nº 08/2008. A Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14 de fevereiro de 2008, referese à multa decorrente do registro intempestivo dos dados relativos aos embarques de exportação no Siscomex, na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, sendo inaplicável na hipóteses de prestação extemporânea de informação sobre a vinculação dos manifestos à escala, prevista no art. 22, II, “ d”, da Instrução Normativa n° 800/2007. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. LEI No 10.833/2003. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Após as alterações da Lei nº 10.833/2003, a multa regulamentar por registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex deixou de ser enquadrada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 00 78 /2 01 2- 61 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 na hipótese legal de embaraço à fiscalização aduaneira, para se subsumir ao tipo específico previsto na alínea “e”, IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/1966. Violação ao princípio da reserva legal não caracterizada. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS Presidente em exercício (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, na qual se discute a aplicabilidade de multa regulamentar decorrente do descumprimento do dever instrumental previsto no art. 22, II, “ d”, da Instrução Normativa n° 800/2007, cominada com fundamento na alínea “e”, IV, do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, na redação da Lei nº 10.833/2003. O acórdão recorrido, dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004, resumiu a controvérsia nos seguintes termos: (fls. 108): O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$10.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações de vinculação dos Manifestos às escalas em data posterior à data/hora da efetiva atracação. A embarcação ALIANÇA BRASIL 9000730 chegou ao Brasil no porto de RIO GRANDEBRRIG, no dia 15/09/2009, procedente de Montevideu, tendo atracado às 00:04:00h. A interessada, após ter informado os manifestos nº 1309501720268 e nº 1309501720322 tempestivamente, vinculouos à escalas de Rio Grande intempestivamente, em 14/09/2009, às 18:48:51h (fls. 33 e 35). O prazo para informação de vinculação de Manifesto à escala é de 48 (quarenta e oito) horas antes da chegada da embarcação. Neste caso específico, trata se de rota de exceção, sendo o prazo mínimo a ser observado é de 6 horas (fls. 20). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11684.720078/201261 Acórdão n.º 3802002.314 S3TE02 Fl. 128 3 Este fato caracteriza a omissão do dever de prestar informação sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (antes da atracação do veículo no porto) conforme estabelecido na norma de regência. O Recorrente, nas razões de fls. 114 e ss., pleiteia a reforma do acórdão assentado nas seguintes alegações: a) caracterização de denúncia espontânea; b) incidência da multa uma única vez por navio transportador; c) ausência de elemento essencial de validade estabelecido no art. 113, § 2º do CTN (Código Tributário Nacional), uma vez que não teria qualquer efeito no âmbito arrecadatório ou de fiscalização de tributos; d) que a penalidade, por ter sido instituída pelo art. 44 da Instrução Normativa nº 28/94, não pode ser mantida em face do princípio da reserva legal estabelecido no art. 97, V, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 26/06/2013 (fls. 113) e o protocolo do recurso, em 22/07/2013 (fls. 114 e 126). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. No caso em exame, o auto de infração foi lavrado porque o Recorrente, na condição de agente de carga, deixou de prestar, no prazo do art. 22, II, “d”, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, informação sobre a vinculação dos manifestos nº 1309501720268 e nº 1309501720322 à escala nº 1000043205 no Porto de Rio Grande/RS. Em razão disso, foi cominada a multa prevista na alínea “e”, IV, art. 107, do DecretoLei nº 37/1966, na redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Assim, estando devidamente caracterizados os pressupostos da sanção, impõese a manutenção da exigência fiscal. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Não cabe, ademais, a aplicação da Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14 de fevereiro de 2008. Esta referese à multa decorrente do registro intempestivo dos dados relativos aos embarques de exportação no Siscomex, na forma e nos prazos estabelecidos no art. 37 da IN SRF nº 28/ 1994. Já a hipótese dos autos, consoante relatado, diz respeito ao prestação extemporânea de informação sobre a vinculação dos manifestos à escala, prevista no art. 22, II, “ d”, da Instrução Normativa n° 800/2007. O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias” 1. “A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento” 2. “Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica” 3. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11684.720078/201261 Acórdão n.º 3802002.314 S3TE02 Fl. 129 5 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013). “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido.” (STJ. 1ª T. AgRg no REsp 884939/MG. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 19/02/2009). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos.” (STJ. 1ª S. EREsp 246295/RS. Rel. Min. José Delgado. DJ 20/08/2001, p. 344) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”, que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº CSRF/0400.574, de 19/06/2007 Acórdão nº 19200.096, de 06/10/2008 Acórdão nº 192 00.010, de 08/09/2008 Acórdão nº 10709.410, de 30/05/2008 Acórdão nº 10249.353, de 10/10/2008 Acórdão nº 10196.625, de 07/03/2008 Acórdão nº 10709.330, de 06/03/2008 Acórdão nº 10709.230, de 08/11/2007 Acórdão nº 10516.674, de 14/09/2007 Acórdão nº 105 16.676, de 14/09/2007 Acórdão nº 10516.489, de 23/05/2007 Acórdão nº 10809.252, de 02/03/2007 Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Acórdão nº 10809.029, de 22/09/2006 Acórdão nº 10194.871, de 25/02/2005). Nesse mesma linha, registrese ainda julgado da Terceira Seção de Julgamento, segundo o qual “não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações” (Acórdão 310200.689. 3a S/1a C/2a TO. S. de 30/07/2010). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Na Terceira Seção de Julgamento do CARF, acórdão da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, relatado pelo eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, admitiu a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11684.720078/201261 Acórdão n.º 3802002.314 S3TE02 Fl. 130 7 “NULIDADE LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Inexistência de disposição legal acerca de nulidade do lançamento quando não proferida decisão no prazo de 360 dias. MULTA ISOLADA. TRANSPORTADOR. INFORMAÇÕES RELATIVAS À EMBARCAÇÃO/CARGAS DENÚNCIA ESPONTNEA. Com a nova redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/66, é aplicável o instituto da denúncia espontânea também aos casos de multas de natureza administrativa aduaneira. Realizado o registro de informações no SISCOMEX após o prazo legal (atracação da embarcação), mas antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, configurase a denúncia espontânea. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (CARF. 3ª S. 1ª C. 1ª T.O. Acórdão nº 3101001.194. Rel. Conselheiro Luiz Roberto Domingo, s. de 13/12/2012). De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi “deixar claro” que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: “40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11684.720078/201261 Acórdão n.º 3802002.314 S3TE02 Fl. 131 9 circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributária. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: “Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada” 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Não procede, outrossim, a alegação de incompatibilidade com o art. 113, § 2, do CTN, uma vez que o dever instrumental debatido nos autos foi estabelecido visando à fiscalização dos tributos incidentes sobre o comércio exterior. Tampouco há qualquer violação ao princípio da reserva legal. Isso porque, com a nova redação do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, deixou de ser aplicável o art. 44 da IN SRF nº 28/19946. A conduta do sujeito passivo deixou de ser enquadrada na hipótese legal de embaraço à fiscalização aduaneira, para se subsumir ao tipo específico previsto na alínea “e”, IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, na redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. 5 ICHIHARA,Yoshiaki. Sanções tributárias – questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. 6 “Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11684.720078/201261 Acórdão n.º 3802002.314 S3TE02 Fl. 132 11 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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