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Numero do processo: 10925.904991/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 49 91 /2 01 2- 75 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.904991/201275 Acórdão n.º 3401004.220 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.972 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10925.904991/201275 Acórdão n.º 3401004.220 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.904991/201275 Acórdão n.º 3401004.220 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.904991/201275 Acórdão n.º 3401004.220 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008509/2009-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica.
Numero da decisão: 2001-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 85 09 /2 00 9- 70 Fl. 291DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 51/55), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2007, anocalendário de 2006, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 45.385,84. O contribuinte apresentou impugnação (f. 3/45), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE de f. 242/256. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 262/278. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19647.008509/200970 Acórdão n.º 2001000.012 S2C0T1 Fl. 3 3 razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, nos casos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das Fl. 293DF CARF MF 4 despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 36202.004790/2006-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 47 90 /2 00 6- 77 Fl. 651DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 652DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 655DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 656DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 657DF CARF MF Processo nº 36202.004790/200677 Acórdão n.º 9202006.126 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910656/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 05/02/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/02/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 56 /2 01 1- 51 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910656/201151 Acórdão n.º 3402004.534 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.029, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 05/02/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910656/201151 Acórdão n.º 3402004.534 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910656/201151 Acórdão n.º 3402004.534 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910656/201151 Acórdão n.º 3402004.534 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904291/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/07/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 91 /2 01 2- 17 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 24698.85326.250112.1.3.047978, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 31/07/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 31/07/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10825.904291/201217 Acórdão n.º 1302002.438 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.004434/2010-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9101-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial quanto ao peri´odo de janeiro a maio de 2007 e, no me´rito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Flavio Franco Correa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que na~o conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do recurso quanto ao peri´odo a partir de junho de 2007, vencidos os conselheiros Luis Fla´vio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que na~o conheceram do recurso. No me´rito, quanto ao peri´odo a partir de junho de 2007, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exerci´cio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial quanto ao peri´odo de janeiro a maio de 2007 e, no me´rito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Flavio Franco Correa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que na~o conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do recurso quanto ao peri´odo a partir de junho de 2007, vencidos os conselheiros Luis Fla´vio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que na~o conheceram do recurso. No me´rito, quanto ao peri´odo a partir de junho de 2007, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exerci´cio).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado URBANO AGROINDUSTRIAL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial quanto ao período de janeiro a maio de 2007 e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Flavio Franco Correa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso e que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do recurso quanto ao período a partir de junho de 2007, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto (relator) e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que não conheceram do recurso. No mérito, quanto ao período a partir de junho de 2007, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 44 34 /2 01 0- 31 Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.361 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida URBANO AGROINDUSTRIAL LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão nº 1402001.369 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a possibilidade de exigência da multa de oficio isolada concomitante à multa proporcional em período anterior (2005, 2006 e 2007) e posterior à vigência da Lei 11.488/2007 (2007, 2008 e 2009). Ao analisar a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, a DRJ julgou parcialmente procedente, para cancelar os lançamentos a título de juros de mora (fls. 1.882 e seg. do eprocesso). Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (fls. 1.910 e seg. do eprocesso). Ao julgar esse recurso, a Turma a quo decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, por maioria de votos, rejeitar a arguição de decadência, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. O acórdão recorrido (fls. 384 e seg. do eprocesso) restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. DEDUÇÃO. REQUISITOS FORMAIS APARENTEMENTE PREENCHIDOS. NECESSIDADE DE AVALIAR A MATERIALIDADE DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO ÁGIO. O ágio se caracteriza pela diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição (art. 20, II, do DL 1.598, de 1.977). Para dedução do ágio como despesa em empresa que adquire participação societária, são necessários mais do que registros contábeis e atos contratuais formalmente perfeitos. É imprescindível a materialidade do ágio, isto é, um Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.362 3 desembolso por quem adquire. Não se concebe como despesa dedutível o ágio decorrente de atos societários ou reorganizações empresariais onde não houve desembolso da empresa que pretende deduzir o valor do ágio. MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnê leão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Entre os pontos decididos, então, a Turma a quo afastou a incidência de multa isolada cumulada com a multa de ofício, tanto em relação aos períodos tutelados pela Lei n. 11.488/2007 quanto em relação aos períodos anteriores. A PFN opôs embargos declaratórios (fls. 2.120 e segs do eprocesso), os quais foram acolhidos (fls. 2.125 e seg. do eprocesso) para apontar que não houve recurso de ofício pela DRJ, como havia sido consignado no acórdão embargado. O contribuinte também opôs embargos de declaração, os quais, contudo, foram rejeitados (fls. 2.232 e seg. do e processo). Por sua vez, a PFN interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação em relação a duas outras decisões proferidas por diferentes Turmas do CARF (fls. 2.133 e seg. do eprocesso). Em suas razões recursais, a PFN aduz, em síntese: que o entendimento da turma a quo de que multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL somente poderia ser aplicada no curso do anocalendário, Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.363 4 descabendo sua incidência após o encerramento do período não estaria fundado em dispositivo legal, mas em juízo de equidade; que o encerramento do anocalendário, ainda que constatada a inexistência de tributo devido ao final do período, não elide a incidência da multa prevista no art. 44, §1º, inc. IV, da Lei nº 9.430/96, uma vez que a Lei não dispensaria a cobrança de penalidade nesse caso, sendo, dessa forma, devida a multa exigida do autuado. que não há óbice a aplicação de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo, uma vez que este elemento apenas quantificaria o imposto ou a penalidade tributária, e não se confundiria com os fatos/atos que lhe deram origem. Sobre este aspecto, afirma ainda que a proibição do bis in idem pretenderia evitar a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes. Não resta totalmente claro no referido recurso se a insurgência recursal se refere apenas ao período pósLei n. 11.488/2007, como faz crer o seguinte trecho: “Em suma, o acórdão ora recorrido, proferido pela e. Turma Ordinária a quo, afastou a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei no 9.430/96, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória no 351/2007 (convertida na Lei no 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei no 9.430/96, por considerar ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício.” Em 26.09.2013, foi proferido despacho de admissibilidade do recurso especial, que lhe deu seguimento, identificando como objeto recursal exclusivamente o período pósLei n. 11.488/2007 (fls. 2.159 e seg. do eprocesso). Cientificado do recurso especial, o contribuinte apresentou contrarrazões, arguindo, em síntese (fls. 2.243 e seg. do eprocesso). Contudo, o Colegiado desta 1a Turma da CSRF verificou que o despacho de admissibilidade do recurso especial reconheceu a divergência a partir do acórdão 1401000.761 (terceiro acórdão citado como reforço argumentativo), deixando de analisar os dois primeiros acórdãos indicados como paradigmas de divergência (acórdãos nº 1302001.080 e n. 1202 000.964). Foi editada resolução de devolução dos autos à Câmara a quo, para nova análise de admissibilidade. Nesse seguir, foi proferido novo despacho pelo i. Presidente da 4a Câmara desta 1a Seção, o qual reconheceu divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas nº 1302001.080 e n. 1202000.964, de forma a dar seguimento ao recurso (efls. 2.310 e seg.). Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.364 5 Foi, então, oportunizada ao contribuinte a apresentação de novas contrarrazões ao recurso especial, as quais foram apresentadas (efls. 2.333 e seg.), nas quais pugnou pelo não conhecimento do recurso especial e, no mérito, pelo seu não provimento, seja pela incidência da Súmula CARF n. 105 para os períodos anteriores e posteriores a 2007, seja pelo vício no fundamento legal adotado para os períodos posteriores a 2007, pois o auto de infração teria feito referência apenas à legislação anterior à Lei 11.488/2007. Por fim, observase que o contribuinte informou nos autos a inclusão de parte dos débitos em programa de parcelamento. O contribuinte requereu a desistência quanto às matérias incluídas no programa, requerendo, contudo, o prosseguimento do feito quanto ao tema da concomitância das multas, que não teria sido parcelado (efls. 2.302 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Conhecimento. O contribuinte pugna pelo não conhecimento do recurso especial, requerendo seja reconhecida a (i) insubsistência recursal e (ii) incidência da Súmula CARF n. 105. Quanto à insubsistência recursal, aponta o contribuinte que o acórdão recorrido teria adotado dois fundamentos autônomos e suficientes para individualmente afastar a exigência da multa isolada: i) art. 138 do CTN e ii) impossibilidade de concomitância com a multa de ofício após o fim do exercício fiscal. Contudo, o recurso especial interposto teria se insurgido e trazido paradigmas exclusivamente quanto à segunda questão. Sobre essa questão, compreendo não assistir razão à recorrida. Destacase o trecho da ementa do acórdão recorrido: MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnê leaõ. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnê leaõ ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, oferecer os rendimentos ou lucros à tributacã̧o, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigen̂cia da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.365 6 Destacase, ainda, trecho do acórdão recorrido: “Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, em relação ao carnêleão ou as estimativas o disposto no artigo 138 do CTN. Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do pagamento dos tributos e juros. Em havendo o pagamento espontâneo do imposto devido e juros não se pode imputar ao contribuinte multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo os oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Dos fundamentos expostos resulta a seguinte indagação: Em que situações é devida multa isolada sem exigência da multa de ofício? Inicialmente, observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%.” Como se pode observar, o acordão recorrido cita o art. 138 do CTN com inferência a uma situação hipotética, qual seja, em que o contribuinte espontaneamente realiza o pagamento do tributo e dos juros antes de alguma ação fiscal, distinguindo a hipótese em que a fiscalização realiza do lançamento do tributo com multa de ofício. Ocorre que o caso dos autos é justamente essa segunda hipótese, em que o multa isolada foi lançada em face de ação fiscal, concomitantemente com a multa de ofício. O acórdão recorrido não adotou o art. 138 do CTN como razão de decidir autônoma, inclusive porque o presente caso não envolve denúncia espontânea realizada pelo contribuinte. Por sua vez, o segundo argumento aventado pelo contribuinte para o não conhecimento do recurso especial diz respeito à incidência da Súmula n. 105 do CARF. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.366 7 Como se viu, o presente processo administrativo, entre outras matérias, versa sobre a cumulação de multas de ofício e isolada (estimativas de IRPJ) em período anterior (2005, 2006 e 2007) e posterior à vigência da Lei n. 11.488/2007 (2007, 2008 e 2009). De início, é preciso delimitar a matéria ora trazida à análise deste Colegiado. Embora não esteja claro se a pretensão recursal da PFN abrange ambos os períodos, em relação ao período préLei 11.488/2007, não há dúvidas quanto à incidência da Súmula n. 105 do CARF, aprovada em 08.12.2014, que impossibilitaria o conhecimento de recurso especial sobre a matéria (RICARF, art. 67, § 3º): “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Segregados os aludidos períodos, fazse necessário decidir se cabe a este Colegiado, então, conhecer o mérito do recurso interposto pela PFN quanto aos períodos posteriores à edição da Lei n. 11.488/2007. Para tanto, fazse necessário analisar os efeitos trazidos pela Lei nº 11.488/2007 sobre o 44 da Lei nº 9.430/96, de forma a verificar se a Súmula n. 105 é igualmente aplicável aos períodos posteriores a 2007. Conforme sustenta a PFN, a divergência se estabeleceu pois, enquanto a Turma a quo afastou a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, por considerar ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício, os acórdãos paradigmas acima citados, mantiveram a cobrança de multa isolada exigida de contribuinte, devido ao não recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, e, também, manteve a cobrança da multa de ofício cobrada juntamente com o tributo devido, em relação à período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em sua redação original, o art. 44 da Lei n. 9.430/96 assim prescrevia: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Com a redação que lhe foi pela Lei n. 11.488/2007, o dispositivo passou a dispor: Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.367 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tanto no RICARF vigente à época da enunciação da Súmula n. 105 do CARF (08.12.2014) quanto no atual, em uma espécie de julgamento por amostragem, são levados à apreciação dos Conselheiros deste Tribunal, determinado número de julgados sobre a matéria, consideradas capazes de possibilitar a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere” 1. Os casos selecionados devem propiciar à ventilação dos mais relevantes argumentos no tocante a interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente da súmula deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Por esse arcabouço jurídico, atribuise à súmula do CARF, então, a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”2. Com a súmula, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação de todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF. Uma súmula do CARF é, portanto, veículo para ratio decidendi presente nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação, para que este seja obrigatoriamente aplicado a todos os processos que tratem da mesma matéria, por quaisquer julgadores deste Tribunal. Nesse seguir, a norma enunciada pelo CARF, por meio de súmula, deverá ser aplicada à generalidade dos processos que forem conduzidos em massa perante este Tribunal, com a reprodução a decisões in concreto da ratio decidendi em questão. Tratase a súmula do CARF, portanto, de norma geral e concreta3. Para a solução do presente caso, é preciso compreender essa relação de complementariedade: a ratio decidendi dos acórdãos paradigmas se desprendem da respectiva súmula, nem esta deve ser aplicável a hipóteses que não estariam abrangidas pela ratio decidendi dos referidos paradigmas. Em outras palavras, como a súmula é norma geral e concreta que veicula a ratio decidendi outrora presente em reiterados acórdão individuais e concretos, a sua aplicação é restrita às situações que sejam equivalentes àquelas tratadas nos referidos acórdãos paradigmáticos. A aplicação de uma súmula a um caso concreto pressupõe que as premissas fáticas e as normas questionadas neste sejam equivalentes às premissas fáticas e as normas questionadas nos paradigmas que ensejaram a súmula. 1 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. 2 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. 3 Vide, sobre o tema: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 3541. Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.368 9 A compreensão dos acórdãos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF é, portanto, fundamental para a correta aplicação desta. No caso, duas ratio decidendi podem ser abstraídas dos fundamentos dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF. A primeira delas é que pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais é absorvida pela multa de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: CSRF, 9101001.261, de 22/11/2011; Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Neste acórdão, houve a transcrição integral dos fundamentos adotados em outro julgamento da CSRF: acórdão CSRF/0105.838, de 15.04.2008, que restou assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. CSRF, 9101001.307, de 24/04/2012 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 (...) Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.369 10 MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. CARF, 3ª Turma Especial, 1ª Seção, 1803001.263, de 10/04/2012 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. A segunda ratio decidendi que se abstrair dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF é que não é cabível o lançamento de multa isolada, cuja base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: CSRF, 9101001.203, de 17/10/2011; Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. CSRF, 9101001.238, de 21/11/2011; Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.370 11 IRFONTE. AFASTAMENTO. O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. CARF, 1ªC/2ªTO, 110200.748, de 09/05/2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. (...) CARF, 4ªC/2ªTO, 1402001.217, de 04/10/2012 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentandose regular a exigência formalizada dentro deste prazo. Por sua vez, em relação aos tributos, havendo antecipação de recolhimentos o prazo é contado na forma do art. 150, §4o. do CTN. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). (...) Em todos esses julgados, portanto, compreendeuse não ser cabível o lançamento de multa isolada, quando: a sua base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício; pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deva ser absorvida pela multa de ofício. Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.371 12 É relevante, ainda, considerar a exposição de motivos da MP nº 351/07, a saber: (...) 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Voto, assim, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial da PFN. MÉRITO Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, passo à análise de seu mérito. O cerne da contenda consiste em saber se a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSL deve ser cobrada cumulativamente com a multa de ofício, na hipótese de auto de infração lavrado após o término do exercício fiscal. No caso, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 no art. 44 da Lei n. 9.430/96, a questão deve ser analisada com vistas à teoria da consunção. Esse é o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. No REsp nº 1.496.354/PR, o STJ decidiu ser necessário aplicar o princípio da consunção na interpretação do art. 44 da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, a fim de afastar a exigência da isolada, absorvida pela multa de ofício. A referida decisão restou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.372 13 contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1496354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção, para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada. A referida decisão restou assim ementada: Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.373 14 TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) É fundamental notar que a ratio decidendi presente nos referidos julgados do STJ, que se detiveram às aludidas normas sancionatórias após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, não é distinta das ratio decidendi adotada pelo CARF em seus reiterados julgados proferidos na vigência da redação original do art. 44 da Lei n. 9.430/96. É o que se observa dos fundamentos do acórdão 0105.838, proferido pela CSRF em 15.04.2008, da relatoria do então Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam ‘principio da consunção’. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ‘pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.374 15 estágio mais grave...’. E prossegue ‘no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave’. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo.” Nesse seguir, após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, o mesmo dilema quanto à consunção, anteriormente enfrentado pelo CARF, permanece presente e, conforme o entendimento mantido pelo STJ, deve ser solucionado da mesma forma: a impossibilidade de cobrança da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Compreendo que a solução adotada pelo STJ é a mais adequada, não havendo razão para afastarse a ratio decidendi da Súmula n. 105 para fatos ocorridos após a edição da Lei n. 11.488/2007, especialmente por força do princípio da consunção. Além disso, no acórdão 110200.748, referido acima entre os paradigmas da Súmula n. 105 do CARF, a então Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA consignou que o fundamento para a proibição da cumulação da multa de ofício com a multa isolada se daria pelo fato da base de cálculo desta estar compreendida na base de cálculo daquela, in verbis: “No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido”. A ratio decidendi adotada nesse julgado, mesmo proferido com vistas à redação original da Lei n. 9.430/96, é perfeitamente aplicável às normas sancionatórios estabelecidas pela Lei n. 11.488/2007: enquanto na redação original a base de cálculo na multa isolada e da multa de ofício seria idêntica, com a redação vigente a partir de 2007, não haverá necessária coincidência, embora seja certo que “o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício”. Compreendo, assim, que deve ser mantida a ratio decidendi que inspirou a prolação da Súmula n. 105 do CARF, inclusive nos fatos ocorridos sob a vigência da Lei n. 11.488/2007, como é o caso dos autos. Voto, portanto, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial interposto pela PFN e, se conhecido, para NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.375 16 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro Gerson Macedo Guerra Com relação ao conhecimento do Recurso da Fazenda, não vejo reparos a serem realizados no despacho de admissibilidade. Com relação ao mérito, entendo que merece reforma o Acórdão a quo. Primeiro, porque temos duas punições para duas condutas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Segundo, porque a tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre. Terceiro, porque considerando que a multa isolada é devida ainda que o Contribuinte apure prejuízo fiscal, ela é devida mesmo após encerrado o período de apuração. Nesse contexto, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, proferido no acórdão 1302001.080, que ouso transcrever: Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.376 17 Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.377 18 final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96 Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10920.004434/201031 Acórdão n.º 9101003.099 CSRFT1 Fl. 2.378 19 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado anocalendário, decidir se obedece ou não o art. 2º e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para manutenção da multa para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 2378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722065/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição em apreço não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IRPJ (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção) e, consequentemente, à persecução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Precedentes deste CARF.
AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao impugnante o ônus probatório daquilo que alega. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamentar uma solução que atenda ao pedido feito. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, a apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI,s) para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa.
COFINS NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM VALE ALIMENTAÇÃO. CESTA BÁSICA. IMPOSSIBILIDADE
Até 08/01/2009 as despesas com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003) não podem ser deduzidas, mesmo por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Por igual, não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com cestas básicas para empregados.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido (ementa) em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário quanto às despesas com aquisição de equipamentos de segurança e proteção (EPIs) para empregados; Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso quanto ao auxílio alimentação, uniformes e fardamentos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que davam provimento para esta parcela em razão de sua exigência em convenção coletiva de trabalho; e por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso quanto aos demais itens. Especificamente quanto ao item 4.4 do voto (os demais gastos e despesas glosados pelo Fisco), os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne votaram pelas conclusões, pela ausência de provas nos presentes autos para respaldar o crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição em apreço não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IRPJ (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção) e, consequentemente, à persecução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Precedentes deste CARF. AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao impugnante o ônus probatório daquilo que alega. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamentar uma solução que atenda ao pedido feito. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, a apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI,s) para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. COFINS NÃO CUMULATIVA. DESPESAS COM VALE ALIMENTAÇÃO. CESTA BÁSICA. IMPOSSIBILIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 65 /2 01 2- 80 Fl. 496DF CARF MF 2 Até 08/01/2009 as despesas com vale alimentação (artigo 3º, inciso X, das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003) não podem ser deduzidas, mesmo por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Por igual, não há previsão legal para o creditamento com base em despesas com cestas básicas para empregados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido (ementa) em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário quanto às despesas com aquisição de equipamentos de segurança e proteção (EPIs) para empregados; Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso quanto ao auxílio alimentação, uniformes e fardamentos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que davam provimento para esta parcela em razão de sua exigência em convenção coletiva de trabalho; e por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso quanto aos demais itens. Especificamente quanto ao item 4.4 do voto (os demais gastos e despesas glosados pelo Fisco), os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne votaram pelas conclusões, pela ausência de provas nos presentes autos para respaldar o crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de dois Autos de Infração, lavrados contra a empresa BRASANITAS EMPRESA BRASILEIRA DE SANEAMENTO E COMÉRCIO LTDA., a saber: (i) formalizado para a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 189.118,89 referente a fatos geradores entre 30/09/2007 e 31/12/2007, decorrente de glosa de custos/despesas na base de cálculo de apuração de créditos da contribuição. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 27/09/2012 (fl. 321); (ii) formalizado para a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 889.254,57, referente a fatos geradores entre 30/09/2007 e 31/12/2007, decorrente de glosa de custos/despesas na base de cálculo de apuração de créditos da contribuição. Esse valor Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 497 3 (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 27/09/2012 (fl. 331). Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 447/460): "(...) Foi anexado Termo de Verificação Fiscal onde os autuantes efetuaram detida análise, entre outros, em documentação apresentada pela empresa. Afirmaram que no curso da fiscalização, apurouse que, na formação da base de cálculo dos créditos, segundo a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, o contribuinte tomou em consideração contas contábeis de custos e despesas que não se enquadram nas previsões legais das leis n.10.637/02 (PIS) e n. 10.833/03 (COFINS), bem como na legislação posterior que as alterou ou interpretou. Inconformada a contribuinte apresentou, através de procurador, longa impugnação onde inicialmente fez referência aos fatos, expondo a seguir (relatado de forma sintética): Preliminar. Atividade realizada pela empresa (prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção predial) • tratase de empresa prestadora de serviços, que se dedica às atividades de limpeza e conservação em geral, manutenção predial, ajardinamento e paisagismo, controle de pragas e desinsetização, portaria, recepção, dentre outras. Como se dedica exclusivamente à atividade de prestação de serviços, necessita de mão de obra para a concretização do seu objeto social; • os dispêndios relacionados a materiais fornecidos pela empresa, além dos demais gastos inerentes à mão de obra utilizada na execução de seu objeto social, são necessários e intrínsecos ao desenvolvimento de suas atividades. Sem tais custos/despesas não conseguiria obter sua receita, na medida em que tais valores são elementos essenciais e relevantes para o processo produtivo (prestação dos serviços); • é nítido que os custos/despesas glosados, referentes a valores despendidos com equipamentos de proteção individual, uniformes, auxílio alimentação, cesta básica, assistência médica e todas as demais rubricas elencadas no anexo TVF, são necessários para que a empresa desenvolva sua atividade; • as empresas prestadoras de serviço necessitam da força humana para consecução das suas atividades, sendo evidente que todos os gastos/despesas atrelados à força humana (equivalente ao maquinário das empresas industriais) também são insumos, na medida em que sem eles tornase impossível a prestação do serviço. Direito. Indevida glosa de custos/despesas. Insumos diretamente relacionados à prestação dos serviços Fl. 498DF CARF MF 4 • houve glosas de diversos custos/despesas utilizados como crédito para apuração da COFINS relativa ao período de setembro a dezembro de 2007. Dentre os custos/despesas glosados encontramse valores gastos com uniformes e equipamentos de proteção individual, cesta básica, auxílio alimentação, serviços prestados por terceiros, exames clínicos e laboratoriais, entre outros. Contudo, a autuação não merece prosperar, na medida em que todos os custos/despesas são essenciais ao desenvolvimento da atividade empresarial, constituindose insumos intrínsecos à prestação dos serviços; • com fundamento no art. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, todos os bens e serviços adquiridos pela empresa e que sejam essenciais para a prestação dos seus serviços podem ser descontados na apuração do PIS/COFINS; • a empresa se utilizou como créditos na apuração da COFINS relativa ao período objeto do AI, todos os valores essenciais para o exercício da sua atividade, por se configurarem como insumos diretamente relacionados à prestação de seus serviços, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003; • todos os créditos glosados (elencados no TVF) são intrínsecos à atividade desenvolvida pela empresa. Foram glosados valores relativos a créditos oriundos de gastos com (1) uniformes e equipamentos de proteção individual, (2) cesta básica, (3) auxílio alimentação, (4) serviços prestados por terceiros, (5) exames clínicos e laboratoriais, etc. Tais quantias se tratam de dispêndios necessários e consumidos no desenvolvimento das atividades empresariais, tendo havido equivoco na glosa desses créditos; • quanto ao conceito de insumos, o entendimento do CARF é no sentido de que devem ser considerados todo e qualquer custo/despesa necessárias à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Também disciplinam os arts. 290 e 299 do RIR/99, que todos os valores glosados se tratam de custos inerentes à prestação de serviços, especialmente os relacionados a equipamentos, materiais, alimentos e demais gastos relativos à mão de obra utilizada na execução da atividade; • especificamente quanto à glosa de créditos oriundos dos gastos com auxilio alimentação, uniformes e EPIs, enganouse o Fisco ao fundamentar que tais insumos somente passaram a ser admitidos como créditos após a edição da Lei nº 11.898/2009. Essa lei incluiu o inciso X no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Mas é nítido que a inclusão da referida previsão legal serviu apenas para esclarecer, de forma expressa, que somente as empresas prestadoras de serviços de limpeza, manutenção e conservação podem se valer de tais créditos na apuração do PIS/COFINS, afastando esta possibilidade para os demais setores da economia; • o rol de despesas especificadas nos incisos do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, é meramente exemplificativo. Seu inciso II autoriza o creditamento de todos os insumos aplicados/consumidos na execução da atividade empresarial, o que deixa claro que a Fl. 499DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 498 5 possibilidade da utilização de determinado crédito depende da análise minuciosa do serviço desenvolvido por cada empresa; • a empresa tece algumas considerações sobre alguns insumos que jamais poderiam ter sido glosados: 1) despesas com auxilio alimentação e fornecimento de cestas básicas: o Fisco glosou os créditos oriundos de custos com fornecimento de cesta básica e auxílio alimentação, sob o fundamento de que referidos valores não se enquadrariam no conceito de insumos aplicados na prestação de serviços. Mas, por se tratar de empresa de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção em geral, que depende da força humana para a concretização de seu objeto social, todos os gastos inerentes ao fornecimento de materiais, equipamentos, benefícios, etc., à mão de obra por ela utilizada estão intrinsecamente ligados à sua atividade. Além disso, a Lei nº 11.898/2009 consignou expressamente que os valores gastos pelas empresas que exercem a atividade de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção com valerefeição ou alimentação tratamse de insumos inerentes a atividade; 2) despesas com uniformes e equipamentos de proteção individual EPIs: o Fisco glosou despesas com equipamentos de proteção individual e uniformes, sob o fundamento de que esses gastos não se enquadrariam no conceito de insumo aplicado ou consumido na prestação dos serviços. Disse, também, que somente a partir de 09/01/2009, com a inclusão dos incisos X nos arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 pela Lei nº 11.898/2009, é que passou a ser permitido o desconto de tal crédito por pessoas jurídicas que prestassem serviços de limpeza, conservação e manutenção em geral. Mas, como já dito, a referida lei só veio delimitar o setor da economia que poderia se aproveitar desses créditos, autorizando somente às pessoas jurídicas que prestam serviços de limpeza; 3) gastos com a realização de exames clínico, laboratoriais e despesas médicas: o Fisco glosou todos os custos/despesas utilizados como créditos relativos aos gastos com exames admissionais, perícia e assistência médica de seus funcionários, sob o fundamento de que o termo insumo não pode ser interpretado como qualquer gasto da pessoa jurídica, mas apenas os intrínsecos à sua atividade. Mas diante do fato de que a força humana é o elemento essencial para a prestação dos serviços e que os gastos em questão estão diretamente vinculados à mão de obra, é nítido que são insumos essenciais à prestação dos serviços. Exames admissionais e gastos com planos de saúde são imprescindíveis para manutenção da saúde dos empregados, e por esta razão estão intrinsecamente relacionados à prestação dos serviços; Fl. 500DF CARF MF 6 4) demais gastos/despesas indevidamente glosados: todos os demais gastos/despesas foram indevidamente glosados pelo Fisco. Como nos casos anteriores, também se referem a insumos diretamente relacionados à prestação dos serviços desenvolvidos pela empresa. Foram glosadas diversas despesas, dentre elas valores gastos com viagens, estadias e combustível necessário para o transporte dos funcionários, dentre outros. Mas estes custos/despesas se referem, sem exceção, a insumos intrinsecamente ligados à prestação dos serviços, podendo ser deduzidos como créditos na apuração da COFINS (art. 3º, II, da Lei n° 10.833/2003). • o AI impugnado deverá ser julgado totalmente improcedente, afastandose as glosas dos créditos realizadas, tendo em vista que todos os creditamentos realizados possuem amparo legal. Manutenção do desconto da multa em 50% • conforme os AI, foi concedida redução de 50% no valor da multa aplicada, caso o pagamento dos supostos débitos fosse efetuado em até o 30 dias contados do recebimento da intimação ou de 40% na hipótese de parcelamento dos supostos débitos neste mesmo prazo. Porém, se a empresa resolvesse discutir os débitos em questão na via administrativa (o que ocorreu), ela perderia aqueles descontos. Mas a CF (art. 5º, LIV e LV) assegura o princípio do devido processo legal, bem como o direito ao contraditório, inclusive na esfera administrativa, ou seja, o exercício do contraditório, por intermédio da apresentação de impugnação administrativa, constituise um direito da empresa assegurado no texto constitucional, não sendo lícito que ela seja punida pelo simples fato de ter exercido esse direito. Assim, na remota hipótese de se entender pela procedência dos AI, deverá ser mantida a redução dos descontos previstos, mesmo após o término do presente processo administrativo. Pedidos • a empresa requer seja o AI julgado totalmente improcedente, afastandose todas as glosas de créditos realizadas, tendo em vista que se referem exclusivamente a insumos diretamente relacionados e consumidos na prestação de serviços, possuindo o creditamento realizado amparo no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003; • protesta pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, bem como pela posterior juntada de documentos, inclusive aqueles que forem entendidos necessários; • requer sejam todas as intimações e avisos realizados no seu endereço, bem como no endereço de seus procuradores. A repartição de origem atestou a tempestividade da peça de contestação (fl. 445). É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 499 7 No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Porto Alegre (RS) nº 1055.371, de 25/06/2015, abaixo transcrito (fls. 447): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe à impugnante o ônus probatório daquilo que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro do regime de apuração de créditos pela nãocumulatividade. REGIME NÃOCUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção para empregados não geram direito a crédito no regime de apuração nãocumulativa, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas efetuadas com o fornecimento de alimentação aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da contribuição, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação dos serviços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro do regime de apuração de créditos pela nãocumulatividade. REGIME NÃOCUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Fl. 502DF CARF MF 8 IMPOSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção para empregados não geram direito a crédito no regime de apuração nãocumulativa, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas efetuadas com o fornecimento de alimentação aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da contribuição, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação dos serviços. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. A redução da multa de ofício é aplicada nos casos previstos em lei, de acordo com o momento em que se dá o pagamento ou pedido de parcelamento. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou judicial, bem como a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 27/07/2015 (fl. 489) a Recorrente foi devidamente cientificada pessoalmente pela DERAT/SÃO PAULO e não resignada com a decisão, a empresa em 18/08/2015 (fl. 490), interpôs o presente recurso voluntário, (fls. 463/486) o qual, repisa os argumentos de sua impugnação e em suma, alega as seguintes razões: a) PRELIMINARMENTE, informa que a atividade desenvolvida pela recorrente é de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção predial; Por intermédio da leitura do objeto social da recorrente, constatase que ela se dedica exclusivamente à atividade de prestação de serviços, sendo certo, por conseguinte, que necessita veementemente de mão de obra para a concretização do seu objeto social; b) aduz sobre a indevida glosa realizada pelo Fisco e considerada legítima pelo v. acórdão recorrido INSUMOS essenciais, intrínsecos e diretamente aplicados na prestação dos serviços; c) dentre os gastos glosados pela Fiscalização, encontramse os valores com (i) uniformes e equipamentos de proteção individual, (ii) cesta básica, (iii) auxílio alimentação, (iv) serviços prestados por terceiros, (v) exames clínicos e laboratoriais, entre outros; e que é notório que todos os bens e serviços relacionados intrinsicamente às atividades desenvolvidas pelos contribuintes são considerados como insumos e, por conseguinte, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, podem ser utilizados como créditos na apuração Fl. 503DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 500 9 do PIS e da COFINS; discorre sobre os itens glosados e cita diversos julgados na esfera administrativa e judicial; d) frente a tais considerações, demonstrados os equívocos incorridos pelas autoridades julgadoras de primeira instância, requer seja o acórdão recorrido integralmente reformado, a fim de que os lançamentos fiscais em epígrafe sejam julgados improcedentes, afastandose todas as glosas dos créditos realizadas, tendo em vista que se referem a insumos intrínsecos, essenciais e aplicados na prestação dos serviços exercidos pela Recorrente; e) requer, ainda, a sustentação oral de todas as alegações aqui arguidas perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, intimandose o patrono da recorrente para tanto; f) protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas; e Por fim, tendo em vista que ora recorrente é optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, requer sejam todas as intimações e avisos realizados por meio da sua caixa postal do eCAC, sob pena de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Consta dos autos que a Recorrente tem como atividade econômica preponderante a prestação de serviços, que se dedica às atividades de limpeza e conservação em geral, manutenção predial, ajardinamento e paisagismo, controle de pragas e desinsetização, portaria, recepção, entre outras, conforme se comprova por intermédio da Cláusula 2ª do seu Contrato Social anexado aos autos (fls. 380). Assim, toda a celeuma instaurada cingese em torno da validade do aproveitamentos de créditos de PIS e da COFINS, apurados no regime não cumulativo, na atividade de prestação de serviços, sendo certo, por conseguinte, que necessita de mão de obra para a concretização do seu objeto social. 3. Conceito de Insumos No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos do PIS e da COFINS. Fl. 504DF CARF MF 10 É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 501 11 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (...). Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. Em suma, o entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar neste caso sob exame, quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). 4. Dos Créditos GLOSADOS Pela leitura do objeto social da Recorrente (fls. 377/385), constatase que a empresa se dedica à atividade de prestação de serviços, por conseguinte necessita de mão de obra para a concretização de suas atividades. Fl. 506DF CARF MF 12 A empresa exerce, portanto, diversas atividades relacionadas à prestação de serviços, com fornecimento de mão de obra. Dessa forma, está sujeita à incidência de PIS/COFINS no regime nãocumulativo. A Recorrente argumenta em seu recurso que precisa de funcionários especializados para prestar os serviços que disponibiliza ao mercado e tais empregados, por sua vez, necessitam de equipamentos de proteção individual, uniformes, alimentação, dentre outros, para executar as suas atribuições. Diante disto, os valores glosados configuramse nitidamente insumos intrínsecos à atividade desenvolvida pela recorrente e, por tal razão, foram corretamente utilizados como créditos na apuração do PIS e da COFINS, nos termos das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Por outro lado, verificase no Termo de Verificação Fiscal (fls. 301/310), que a Fiscalização concluiu que a Recorrente teria considerado como insumos, na apuração das Contribuições em referência, gastos não vinculados a sua atividade fim. Na decisão de piso, restou consignado que: "(...) No entendimento da RFB, o conceito de insumo aplicável no âmbito do regime nãocumulativo de tributação para o PIS e a COFINS é aquele resultante do cruzamento dos arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com os arts. 66 da IN SRF nº 247, de 2002, e 8º da IN SRF nº 404, de 2004, ou seja, observada a legislação regimental, entendeu a Administração Tributária que elas, ao referirem a insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, teriam criado uma delimitação estrita, vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo/prestação dos serviços". "(...) Nesse contexto, observado o período analisado/auditado, não resultava possibilidade de apuração de créditos as despesas, dentre outras, relacionadas com equipamentos de proteção individual EPIs, uniformes, auxílio alimentação, cesta básica, gastos com viagens, estadias e combustível necessário para o transporte dos funcionários, serviços prestados por terceiros, assistência médica, exames clínicos e laboratoriais. Embora até possam ser relevantes e necessários, não são empregados diretamente na prestação dos serviços (não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na execução dos serviços),já que se tratam de elementos auxiliares/complementares àquele processo, se encontrando fora da literalidade dos dispositivos legais, ou seja, estão fora do alcance do conceito de insumo". (Grifei) O Fisco conclui que grande parte dessas despesas (discriminadas à fl. 313), se relacionam com a atividade meio da empresa, sendo que a possibilidade de apuração de créditos não decorre, para a contratada, de eventuais termos ou cláusulas constantes de contratos assinados, mas sim de disposições permissivas legais, normalmente mais restritivas, ou seja, a apuração de créditos no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, deve se dar apenas em relação àqueles expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Passo, então, a analisar os itens contestados no recurso voluntário. 4.1 Despesas com auxilio alimentação e fornecimento de cestas básicas Aduz a Recorrente que "(...) por se tratar a Recorrente de empresa de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção em geral, que depende veementemente da força humana para a concretização de seu objeto social, todos os gastos inerentes ao fornecimento de materiais, equipamentos, benefícios, etc, à mão de obra por ela utilizada estão intrinsecamente ligados à sua atividade. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 502 13 Além disso, a Lei 11.898/09 consignou expressamente que os valores gastos pelas empresas que exercem a atividade de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção com valerefeição ou alimentação tratamse de insumos inerente a tal atividade". Portanto, entende a empresa que não há dúvidas que os valores gastos a título de auxílio alimentação e cesta básica são (e sempre foram) insumos intrinsecamente ligados e consumidos na prestação de seus serviços e, nos termos do art. 3º, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, podem ser creditados na apuração da COFINS no regime não cumulativo. Já a Fiscalização, conforme registrado em seu TVF, glosou os créditos oriundos dos custos com fornecimento de cesta básica e auxílio alimentação despendidos pela Recorrente, sob o fundamento de que despesas efetuadas com o fornecimento de alimentação, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de crédito, por não ser enquadrarem no conceito de insumos aplicados na prestação de serviços. Pois bem. Quanto ao gasto com auxilio alimentação, para o melhor deslinde desta questão, há que se verificar o que define, para a apuração de créditos, os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. No que concerne a vale alimentação, a legislação de regência época dos fatos (2007), as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, expressamente restringem a possibilidade de creditamento a pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Há que se ressaltar que somente a partir de 09 de janeiro de 2009, com base na nova redação do inciso X desse mesmo artigo (Lei nº 11.898, de 2009), as pessoas jurídicas que explorem as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderão descontar créditos calculados em relação a seus dispêndios com valealimentação (também em relação a valetransporte, valerefeição, fardamento ou uniforme) fornecidos aos empregados. Assim, a Lei nº 11.898, de 2009, acresceu aos arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, nova hipótese de desconto de créditos no cálculo do PIS/COFINS no regime de apuração nãocumulativa, nos seguintes termos: Art. 24. O caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso X: “Art. 3º (...) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...)”Art. 25. O caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso X: “Art. 3º (...) Fl. 508DF CARF MF 14 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...)”Art. 28. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. (Grifei). Vale frisar que a lei acima entrou em vigor a partir de 09 de janeiro de 2009, e o período de apuração dos créditos de PIS e COFINS tratados nestes autos referemse ao período de apuração de 01/09/2007 a 31/12/2007. Em relação a cesta básica, ressaltase que não se pode confundir com vale refeição ou valealimentação, embora ambos sejam modalidades de execução do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) instituído pela Lei nº 6.321, de 1976. Segundo o dicionário Wikipédia, cesta básica é o nome dado a um conjunto formado por produtos utilizados por uma família durante um mês. Este conjunto, em geral, possui gêneros alimentícios, produtos de higiene pessoal e limpeza, o que no meu entender não gera direito ao crédito. Há que se considerar também que dispêndios com alimentação in natura não ensejam apuração de créditos, por absoluta falta de expressa previsão legal. Posto isto, concluise que somente a partir de 09 de janeiro de 2009 (publicação da Lei nº 11.898, de 2009), com base na nova redação do inciso X dos arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, é que as pessoas jurídicas que explorem as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção poderão descontar créditos calculados em relação a seus dispêndios com valealimentação e também em relação valerefeição fornecidos aos empregados Assim, voto no sentido de se manter as glosas perpetradas pelo Fisco com despesas com auxilio alimentação e fornecimento de cestas básicas, por falta de previsão legal à época dos fatos. 4.2 Despesas com uniformes e equipamentos de proteção individual EPIs. Aduz a Recorrente que a fiscalização glosou as despesas com equipamento de proteção individual e uniformes, também sob o descabido fundamento de que referidos gastos não se enquadrariam no conceito de insumo aplicado ou consumido na prestação dos serviços. "(...) Além disso, como já mencionado, aduziu que somente a partir de 09/01/2009, com a inclusão dos incisos X no art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 pela Lei 11.898/09, é que passou a ser permitido o crédito de gastos com uniformes e equipamento por pessoas jurídicas que prestem serviços de limpeza, conservação e manutenção em geral. Contudo, repitase, a referida lei só veio delimitar o setor da economia que poderia se aproveitar dos referidos créditos, autorizando somente às pessoas jurídicas que prestam serviços de limpeza, que é o caso da ora recorrente". a) Uniformes Como apontado pela Recorrente e consignada na decisão recorrida, a possibilidade de apuração de crédito com aquisição de uniformes ou fardamentos foi introduzida pela Lei nº 11.898, de 2009, com vigência a partir de 09/01/2009, sendo o crédito exclusivo de pessoas jurídicas que explorassem as atividades de prestação de serviços de Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 503 15 limpeza, conservação e manutenção. As demais pessoas jurídicas não poderiam descontar créditos em relação a tais custos/despesas. Observado o período objeto destes autos (01/09/2007 a 31/12/2007), é certo que em se tratando de pessoas jurídicas que exploravam atividades de prestação de serviços de limpeza e conservação, à época, as despesas efetuadas com o fornecimento, a seus empregados, de fardamento ou uniforme, não geravam direito a créditos a serem descontados do PIS/COFINS, por não se enquadrarem como insumos diretamente aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Portanto deve se mantida a glosa referente a este item, por falta de previsão legal à época dos fatos. b) Equipamentos de proteção individual EPIs Em relação a despesas com aquisição de equipamentos de segurança e proteção (EPIs) para empregados (tais como respiradores, óculos, luvas, botas, aventais, capas), como afirmado pela Recorrente em seu recurso, não há dúvidas de que os equipamentos de proteção individual fornecidos aos empregados tratamse de insumos, pois são utilizados diretamente na prestação dos serviços de limpeza, manutenção e conservação por ela prestados. "Durante a prestação dos referidos serviços, os empregados estão sempre com todos os equipamentos de proteção individual exigidos pela legislação trabalhista, como luvas, capacetes, botas, entre outros". Neste caso, fazse necessário observar que tais itens, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, correspondem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação, pois os materiais de proteção individual (EPIs), nitidamente são aplicados ou consumidos diretamente na prestação dos serviços. Portanto, esses dispêndios com aquisição dos equipamentos que estão relacionados com a atividade empresarial, ensejam direito a crédito, pois se tratam de insumos relacionados diretamente à prestação de serviços. Portanto, voto no sentido que seja revertido as glosas referente aos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), contidas nos grupos 3104207 e 3204207 do demonstrativo de fl. 313. 4.3 Gastos com a realização de exames clínicos, laboratoriais e despesas médicas. A fiscalização glosou também todos os custos e despesas utilizados como crédito relativos aos gastos com exames admissionais, perícia e assistência médica dos seus funcionários, sob o fundamento de que o termo insumo não poderia ser interpretado como qualquer gasto da pessoa jurídicas, mas apenas os intrínsecos à sua atividade empresarial. Argumenta a recorrente que "(...) Contudo, como visto acima, diante do fato de que a força humana é o elemento essencial para a prestação dos serviços da ora recorrente e que os gastos em questão estão diretamente vinculados à mão de obra, é nítido que se configuram insumos essenciais à prestação dos seus serviços. Isto é, como é notório, a força humana para as empresas do seguimento de serviços se equipara às máquinas para as empresas do ramo industrial, sendo certo que tanto Fl. 510DF CARF MF 16 a força humana como as máquinas necessitam constantemente de manutenção e reparos, pois são imprescindíveis à execução das respectivas atividades. Deveras, como é sabido, exames admissionais e gastos com planos de saúde são imprescindíveis para manutenção da saúde dos empregados que prestam serviços à recorrente e, por esta razão, estão intrinsecamente relacionados à prestação dos seus serviços". Não assiste razão à Recorrente neste tópico. Reprisandose, a Recorrente tem como atividade econômica preponderante a prestação de serviços, que se dedica às atividades de limpeza e conservação em geral, manutenção predial, ajardinamento e paisagismo, controle de pragas e desinsetização, portaria, recepção, entre outras. Os custos/despesas com realização de exames admissionais, clínicos, laboratoriais, perícias e assistência médica, planos de saúde, ainda que incorridas com mão de obra da empresa (destinado aos empregados da empresa), não geram direito a crédito de PIS e da COFINS, uma vez que como dito em tópicos anteriores, considerase insumo apenas os bens ou serviços que forem aplicados ou consumidos diretamente na prestação dos serviços executados pela empresa, devendo guardar relação intrínseca com a prestação desses serviços. Assim, quanto aos gastos com a realização de exames clínicos, laboratoriais e despesas médicas, planos de saúde, etc., devem ser mantidos as glosas relacionadas para esses itens constante à fl. 313. 4.4 Os demais gastos e despesas glosados pelo Fisco (relação fls. 302/308) Afirma a Recorrente que "(...) Conforme se infere por intermédio do Termo de Verificação Fiscal, foram glosadas ainda diversas despesas relativas ao período de setembro a dezembro do anocalendário de 2007, dentre elas valores gastos com manutenção e reparo de equipamentos, viagens e estadias, combustível necessário ao transporte dos funcionários da recorrente, entre outros". Na decisão recorrida restou consignado que "os gastos e despesas (viagens, estadias e combustível para transporte de funcionários), como dito, entendese como insumos utilizados na prestação de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Nesse passo, despesas indiretas com pessoal não se enquadram no conceito de insumo, por não atenderem à condição de serem diretamente aplicados ou consumidos nos serviços prestados pela empresa. Contudo, a Recorrente argumenta que em que pese o entendimento do Fisco, as glosas realizadas devem ser canceladas, tendo em vista que todos os custos e despesas se referem, sem exceção, aos insumos intrinsecamente ligados à prestação dos serviços da recorrente e que podem ser deduzidos como créditos na apuração do PIS e da COFINS, no termos do art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Verificase às fls. 301 a 308 do TVF, a relação dos bens e serviços que foram glosados pela fiscalização, bem como a justificava utilizada para fundamentar. Já na fl. 313, a fiscalização elaborou o ANEXO II ao Termos de Verificação Fiscal, que demonstra a "Apuração Consolidada Mensal da Base de Cálculo do Crédito de PIS/COFINS a ser Glosada ano 2007", em que se encontra listada, por numero da conta contábil, grupo/nome da conta e o mês de apuração, todas as glosas efetuadas nestes autos (incluindo os analisados nos tópicos anteriores). Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 504 17 Dentre os itens listados no Anexo, é possível verificar que os Bens do Ativo Imobilizado, Energia Elétrica e Energia Térmica, a fiscalização definiu que é possível a apuração de créditos sobre essas despesas. As demais despesas relacionadas no referido Anexo II, foram glosadas pela fiscalização, destacandose a referida fundamentação legal e as observações lá consignados. Pois bem. Analisando todos os itens do Anexo II (fl. 313), entendo que as algumas daquelas despesas, até poderiam enquadrarse em custos e despesas que se referem aos insumos intrinsecamente ligados à prestação dos serviços da Recorrente que poderiam ser deduzidas como créditos na apuração do PIS e da COFINS, no termos do art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tais como: os Serviços Terceiros PJ (3104267), Serviços Terceiros PJ (3104331); Combustíveis e Lubrificantes (3204221); Locação de Veículos (3204222); Manutenção e Reparos (3204226); Manutenção de Equipamentos (3204242); Serviços de Terceiros PJ (3204267); os Fretes e Carretos (3204273) e Serviços de Terceiros PJ (3204331). No entanto, verificase que quando de sua Impugnação e agora nesta fase de Recurso, as alegações da Recorrente não foram acompanhadas de qualquer prova, ainda que indiciária, que pudesse corroborar a versão apresentada pela empresa, tais como Notas Fiscais, contratos, cópia Livros contábeis, etc. No caso sob exame, o ônus da prova de tais fatos competiria à Recorrente, dado que não seria lícito atribuir à fiscalização o controle que as normas de escrituração contábil e fiscal exigem das sociedades empresárias. Muito embora tratase de Auto de Infração, por envolver a fruição de créditos de PIS e da COFINS, cabe à postulante o ônus da comprovação da sua existência. Tratase de postulado do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), adotado de forma subsidiária na esfera administrativotributária. O art. 373 do CPC (Código de Processo Civil) disciplina a distribuição do ônus probatório da seguinte forma: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Como se vê, estatuiuse por meio desta norma que o ônus da prova no processo civil incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, cada interessado, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo julgador na solução do litígio. Tratase de matéria de extremada importância em sede processual no que se refere à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do ônus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos Fl. 512DF CARF MF 18 casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9.° do Decreto n.° 70.235/1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto n.° 70.235/1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido se depreende da parte final do caput do art. 38, § 1º, do Decreto nº 7.574, de 2011, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do art. 57 do mesmo Decreto, que determina que a impugnação conterá os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe as provas encenadoras do lançamento. A distribuição do ônus da prova possui ainda certas características quando se trata de lançamentos tributários decorrentes de glosa de créditos de PIS/COFINS no regime da nãocumulatividade (possibilidade de dedução, do valor a ser recolhido, de créditos calculados sobre bens e serviços). No que se refere aos créditos, todavia, diante das particularidades deste regime tributário, verificase que eles se encontram na esfera do dever probatório dos contribuintes. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, qual seja, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Sendo os créditos deste regime tributário um benefício que permite ao contribuinte diminuir o valor do tributo a ser recolhido, cumpre ao contribuinte que quer usufruir deste benefício o ônus de provar que possui este direito. Exigese a apresentação de documentos comprobatórios da existência do direito creditório, ou seja, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito pleiteado. Não comprovado possuir este direito, seus créditos devem ser cancelados, sendo exigida a contribuição devida que estava acobertada por estes créditos. No caso sob análise, a Fiscalização sustenta suas glosas com base nas informações buscadas pelos Termos de Intimação lavrados, documentos disponibilizados pela empresa, planos de contas, Livros contábeis e fiscais verificados durante o procedimento fiscal. Já a Recorrente, em regra, não apensou aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações de seu recurso voluntário, limitandose, em muito, a protestar pela validade de créditos glosados e afirmando (sem anexar provas) que todos os custos e despesas se referem aos insumos intrinsecamente ligados à prestação dos serviços da Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.722065/201280 Acórdão n.º 3402004.781 S3C4T2 Fl. 505 19 Recorrente e que podem ser deduzidos como créditos na apuração do PIS e da COFINS, no termos do art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Conclusão Dessa forma, não tendo a contribuinte carreado aos autos elementos comprobatórios de seu alegado direito, devese manter, o entendimento do Fisco expressado no Termo de Verificação Fiscal e na decisão recorrida, com exceção dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), que deve ser revertido. 6. Sustentação Oral Requer, ainda, a sustentação oral de todas as alegações aqui arguidas perante este colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, intimandose o patrono da Recorrente para tanto. Pois bem. É cediço que em julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ou na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), é assegurada ao contribuinte oportunidade para propositura de sustentação oral, como previsto no RICARF art. 58, II, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Deve ser indeferido o pedido para que as intimações sejam efetuadas em nome do patrono da causa administrativa, pois, o Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, II, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra via com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. 6 Dispositivo Diante de tudo o que fora exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos a seguir sintetizados: (i) reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), conforme item 4.2, letra "b", deste voto; (ii) manter as demais glosas efetuadas pelo Fisco. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 514DF CARF MF 20 Fl. 515DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.904972/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Conforme já pacificado pela Súmula CARF n° 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Tendo sido verificada a liquidez e certeza do crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida.
Numero da decisão: 1301-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e homologar as compensações até o limite de crédito reconhecido, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Conforme já pacificado pela Súmula CARF n° 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Tendo sido verificada a liquidez e certeza do crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e homologar as compensações até o limite de crédito reconhecido, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 49 72 /2 00 9- 48 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 236 2 Leme Brisola Caseiro, Ângelo Abrantes Nunes, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação (DCOMP) nº 35465.57001.160508.1.7.047824 (fls. 1/5), o qual visa compensar recolhimento a maior de CSLL, efetuado em 31/10/2005, no valor requerido de R$ 205.983,21. A DRF, por meio de Despacho Decisório (fls. 06/07), ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por se tratar de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 09/21. Vejamos a síntese de suas alegações, conforme se depreende do acórdão relatado pela instância a quo: No período em questão, o contribuinte declarou em DCTF débito tributário relativo a estimativa mensal de IRPJ/CSLL, pagandoo. Posteriormente, verificando erro, transmitiu a devida DCTF retificadora, diminuindo tal débito. Depois de encerrado o anocalendário em questão, apresentou PER/DCOMP, aproveitandose da diferença entre o valor pago .e a quantia declarada na DCTF retificadora. • Para sua surpresa, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP, sob o argumento de que tal crédito tratavase de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado como dedução do imposto de renda mensal da pessoa jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ao para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. • Pelo que está acima exposto, fica muito evidente que, ainda que o tributo recolhido em demasia fosse considerado estimava mensal da IRPJ/CSLL, logo, passível de compensacão apenas após a constituição do saldo negativo ao final do período de, apuração, a compensação pleiteada pela requerente ainda seria legitima. • Ocorre que, quando a compensação foi pleiteada, o exercício já estava encerrado, logo, jamais o despacho decisório poderia ainda tratar tais recolhimentos como mera estimativa, tendo em conta que já era cediço o quantum devido no regime de apuração pelo lucro real anual. • Em síntese, por qualquer via tal recolhimento é indevido ou a maior, pois o montante da obrigação tributária já era conhecido quando a compensa cão foi pleiteada, sendo injustificável a motivação do despacho decisório, que alegou que o Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 237 3 recolhimento por estimativa só poderia servir para compor o saldo negativo do IRPJ/CSLL ao final do período de apuração. • Ocorre que o Despacho Decisório ora impugnado ignorou completamente o fato da ocorrência do erro no recolhimento, como foi exposto, tendo a integralidade do valor recolhido como tributo pago por estimativa. Na situação considerada pelo fisco, o valor da compensação darseia com a posterior verificação da existência de pagamento indevido, passível apenas no final do exercício, ao comparar o valor recolhido com o montante devido ao fim do período de apuração com base no regime de Lucro Real Anual. • Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, fundamentase em regra geral sem considerar as particularidades do caso concreto, no qual o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF. Situação bem diversa, talvez a que tenha fundamentado a decisão impugnada, é aquela na qual o contribuinte realiza pagamentos por estimativa mensal e os declara ao fisco e, em dado período de apuração, vislumbra que os recolhimentos superam o lucro real até aquele momento, porém, antes mesmo do encerramento do exercício, quando apenas então teria a condição de contemplar se os recolhimentos efetuados e declarados ao fisco eram ou não indevidos. • O caso da impugnante é bem diverso, o valor declarado ao fisco como devido por estimativa mensal de IRPJ/CSLL é inferior ao que foi recolhido, logo, inegável a caracterização de pagamento indevido. • Ocorre que o Despacho Decisório fundamenta a decisão nele contida igualando o caso da impugnante com a metodologia de apuração por estimativa presente no regime de lucro real anual, onde, na declaração anual de ajuste, vislumbrase se os recolhimentos estimados são superiores ou inferiores ao devido, resultando na constatação de pagamento indevido. • Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que "por tratarse de pagamento ao titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período". Como se vê, a decisão impugnada considera que o recolhimento efetuado pela impugnante era devido ao titulo de estimativa mensal, quando a DCTF do período de apuração em debate demonstrava valor inferior ao que foi efetivamente recolhido, constituindose assim em pagamento indevido. • A impugnante entende estar havendo um notório mal entendido por parte da SRF, quando pretende tratar de pagamento por estimativa o que não é, pois coma já foi exaustivamente exposto tratase de pagamento em excesso do recolhimento mensal por estimativa. De outra forma, pelo que pretende a SRF, jamais poderia haver pagamento indevido ou a maior quando o contribuinte fosse recolher a estimativa mensal, pois, em qualquer circunstância tal recolhimento seria considerado uma estimativa mensal, a ser totalizada ao final do exercício, e comparada com o quantum devido no Lucro Real anual. • A situação sobredita não pode merecer guarida jurídica, pois ignora completamente um fato da vida real de qualquer contribuinte, tão passível de ocorrer no cotidiano que há previsão legal para seu tratamento, que é o erro no cômputo do tributo devido pelo contribuinte, levandoo a recolher mais do que o exigido pela legislação. Pela decisão ora impugnada, tal realidade seria irrelevante quando trata Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 238 4 se de recolhimento por estimativa, pois o contribuinte estimando certo ou errado o valor do tributo mensal, tal estimativa seria dada como efetiva para efeito de comparação com o valor anual devido. • Obviamente, tal entendimento não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente apurou e recolheu. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. • Diante do exposto, resta evidente tratarse de recolhimento indevido, visto realizado em monta superior ao declarado em DCTF, justificandose o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. • Ainda que a hipótese levantada no Despacho Decisório merecesse guarida, apesar da notória impropriedade da decisão em aplicar regra genérica a caso especifico circunstancialmente diverso, outros detalhes táticos merecem especial atenção, pois de forma alguma poderiam ter sido completamente ignorados na motivação da decisão impugnada. • Posteriormente, percebendo que havia recolhido valor a maior, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, tendose ainda retificado a DCTF. • Diante dos fatos ignorados no Despacho Decisório, resta evidenciado que o recolhimento gerador do direito creditório pleiteado já era passível de comparação com o valor efetivamente devido para o anocalendário em questão. Isso porque, no momento da entrega da DIPJ, já se sabia qual era o IRPJ/CSLL efetivamente devido pelo regime de apuração do Lucro Real Anual. • O valor do IRPJ/CSLL devido no ano em questão havia sido informado ao fisco, quando da transmissão da DIPJ. Nestes termos, já era possível determinar que os recolhimentos realizados por estimativa mensal ao longo do exercício superavam o valor efetivamente devido no calendário, motivando a composição do saldo negativo demonstrado na Ficha 12 A da DIPJ mencionada. • De outro modo, é logicamente inviável admitir que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, já após o encerramento do resultado do ano ern questão, ainda, se pudesse tratar os recolhimentos efetuados naquele ano como estimativas mensais, quando já havia o aperfeiçoamento do quantum devido, manifestadamente inferior ao total recolhido ao longo do exercício. • Tal ilógica acepção tragada no despacho decisório afronta qualquer hermenêutica, ou mesmo, a mera etimologia do instituto defendido pelo fisco, qual seja, o da estimativa. Por definição de nossa pátria linguagem, estimativa é a previsão de um valor, circunstância ou resultado. Desta forma, é irrazoável admitir ainda se tratar de estimativa de recolhimento de tributo devido, quando já se sabe, e não apenas se estima, o valor definitivo da contribuição devida. Em simples questionamento: Como se pode considerar recolhimento estimado da IRPJ/CSLL de determinado anocalendário, quando o pedido de compensação se deu posteriormente? • Em que pese a impugnante ter por certo, como já foi exaustivamente demonstrado, tratarse de recolhimento indevido, pois recolheu valor de estimativa mensal superior aquele declarado ao fisco, ainda que se admitisse a ilógica tese do fisco, considerando tratarse de recolhimento por estimativa, logo, restrito a Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 239 5 composição de saldo negativo, no caso concreto em análise, também se trataria de saldo negativo, fato formalmente consignado na DIPJ transmitida pelo contribuinte. • Sabendo de tais fatos, a compensação pleiteada pela impugnante é devida por encontrar respaldo fático e legal, visto que, pelo que já foi fartamente exposto, a origem do crédito não homologado foi o pagamento indevido, seja por se tratar de recolhimento a maior quando comparado com o valor devido declarado em DCTF, seja pelo fato de já se ter, na época do pleito de compensação, a certeza de que tais recolhimentos excediam ao tributo devido no final do exercício em questão. • O direito a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontrase previsto no inciso II do art. 165 do CTN. • Para a fruição do direito, fazse necessária a ocorrência de pagamento indevido, decorrente de erro do contribuinte quando do recolhimento do tributo ou ainda, na extinção de decisão condenatória que cominava ao contribuinte o pagamento de tributo. • Dito isto, tendo em vista o que já foi relatado, resta evidente tratarse de recolhimento indevido. Ocorre que, em um primeiro momento, a impugnante declarou valor a titulo de estimativa mensal do IRPJ/CSLL devido. Em momento posterior, revisando o cômputo da monta devida, o contribuinte constatou erro da determinação do montante do débito, retificando a competente declaração (DCTF), informando que o valor correto seria outro menor. • Pelo exposto, fica notório que o fato descrito se alinha perfeitamente com a hipótese de recolhimento indevido prevista no art.165, II, do CTN, acima transcrito, por tratarse de inequívoco erro no cálculo do montante do débito, sendo importante salientar que o equivoco foi devidamente saneado e informado SRF através da retificação da DCTF do período. • Em relação a transmissão da DCTF retificadora é relevante relembrar o que dispõe o §1º do art. 9º da IN SRF n° 255/02, vigente à época dos fatos em debate, abaixo transcrito: Art. 9º. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1° A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. • Da leitura da norma acima, se extrai que, ao transmitir a DCTF retificadora informando valor de débito relativo a IRPJ/CSLL devida por estimativa inferior ao originalmente declarado, o novo valor declarado substituiu o anterior para todos os efeitos, tendo em vista que a declaração retificadora substitui integralmente a retificada. Desta feita, é inegável que o valor devido ao titulo da exação em debate é inferior ao que foi declarado, logo, alinhandose plenamente na figura de pagamento indevido, prevista no art. 165, II, do CTN. • Pelo que decidiu o despacho da SRF em impugnação, o contribuinte jamais erraria no recolhimento estimado de IRPJ e CSLL, quando sujeito ao lucro real anual, pois qualquer que fosse a monta recolhida estarseia sempre diante de Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 240 6 recolhimento por estimativa, negando o fato, até usual, de que o contribuinte pode erra no cálculo do débito. Se a própria norma (art. 165, II, CTN) previu a possibilidade de erro do contribuinte, jamais poderia o intérprete afastar tal comum, corriqueira e verossímil possibilidade. • Diante de tamanha impropriedade, parece ao contribuinte tratarse de mera confusão no trato das circunstâncias particulares do caso concreto por parte da SRF, que confundiu o recolhimento alvo do pedido de compensa cão com o valor mensal apurado com base no regime de estimativa, pois o valor recolhido foi superior ao valor da estimativa, logo, em parte indevido. O que não poderia ser alvo de compensa cão, pelas normas expostas como fundamento da decisão, é o valor do tributo calculado e recolhido ao titulo de estimativa, ou seja, o valor exato da exação devida sob o regime de estimativa e não eventuais recolhimentos a maior. • Sobre este fato, é importante analisar o que diz o inciso IV do §4° do art. 2° da Lei No. 9.430/96, abaixo transcrito, aplicável à IRPJ/CSLL, conforme art. 28 da Lei N°. 9430/96: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 ° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. • Como está claro na norma acima, o que está vinculado ao tributo devido no regime de apuração anual é o valor recolhido na forma do art. 2°, ou seja, o tributo calculado na forma ali prescrita, logo, o que foi pago em excesso não foi pago na forma prevista na lei, logo, não está inserido na vinculação sobredita. Sendo a norma omissa a qualquer valor eventualmente pago em excesso, por ausência previsão legal, jamais poderia a SRF pretender fazer tal vincula ção, uma vez que o legislador não o fez. • Neste exato sentido, o então Conselho de Contribuintes proferiu decisões pela possibilidade de compensa cão dos valores pagos a maior, de forma indevida, nos recolhimento de estimativas mensais de IR e CSLL já no mês subseqüente ao mesmo. Ainda mais flagrante é tal direito no caso em debate, quando a compensação foi feita apenas no exercício subseqüente, quando não mais há de ser falar em estimativa, visto que já era conhecido o quantum devido no exercício. • Tal entendimento pode ser exemplificado pelas seguintes decisões: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. (Acórdão 10516205, Processo No. 14033.000221/200528, 1 ° CC, Quinta Câmara, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves, Provimento por unanimidade). Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 241 7 [O contribuinte aduziu outros atos administrativos em seu favor] • Por tudo que foi exposto, resta claro o direito da impugnante, configurado que está o pagamento a maior, logo indevido, tendo em vista que excedente ao que preconiza o art, 2° da Lei 9.430/96, desta feita, alheio a vinculação dada aos recolhimentos por estimativa. Motivo este, pelo qual, o egrégio Conselho de Contribuintes tem reiteradamente reconhecido o erro da SRF ao vincular o pagamento excedente das estimativas mensais em debate. • Afora tudo o que 16 foi exposto, que deixa de forma induvidosa o direito da impugnante, o art. 858, §1°, II do RIR/99 • A justificativa trazida pelo fisco para negar neste e em outros casos a compensação de estimativas mensais de IR e CSLL seria o fato de não se saber, por ocasião do recolhimento, se haveria ou não recolhimento indevido, visto que ainda não se saberia a exação devida no regime anual. No caso em tela, tal justificativa não tem qualquer sentido pois, como já dito, a compensação foi pleiteada no ano seguinte, logo, quando já se sabia o valor da obrigação anual e, por conseguinte, já se tinha a certeza da impropriedade do recolhimento feito em demasia. Portanto, se o Fisco prefere fazer vista grossa à realidade do pagamento indevido, como já demonstrado, não pode negar que a hipótese levantada para negar a compensação não se aplica ao caso presente. • A própria SRF, através do Ato Declaratório SRF No. 3/00, reconhece o direito dos contribuintes em compensarem o saldo negativo do 1RPJ e CSSL já a partir de janeiro do ano calendário subseqüente, conforme se vê abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6º da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (G.N). • Da simples leitura da norma acima se extrai que, ainda que diante de insensata visão de não reconhecer como indevidos os recolhimentos alvo do pleito de compensação, a impugnante teria o direito de compensar os valores recolhidos. No caso em análise, pleiteouse a compensação dos mesmos apenas posteriormente, quando a norma torna passível de compensação, quando negativo, o tributo recolhido ao titulo de estimativa mensal já a partir de janeiro do exercício subseqüente. • Como fica evidente, ainda que os valores recolhidos a maior não fossem considerados como indevidos, logo passíveis de restituição ou compensação, na época em que as compensações foram pleiteadas já eram passíveis de compensação ao titulo de saldo negativo de 1RPJ/CSLL em relação ao ano calendário em questão. • Do exposto, se extrai que não ha como negar o direito da compensação pleiteada pelo contribuinte, de outra forma, terseia a insólita situação do Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 242 8 contribuinte ser obrigado a recolher o débito cuja compensação não foi homologada, tão somente para gerar novo direito creditório passível de restituição ou compensação. Isto é evidente, pois caso a compensação não seja homologada, o crédito fiscal usado na mesma, decorrente do pagamento a maior da estimativa ou na pior das hipóteses, constituinte de saldo negativo de IRPJ, ficaria novamente desvinculado, logo, passível de restituição ou compensação. • A absurda situação acima descrita parece há muito não mais existir no ordenamento jurídico pátrio, pois é de flagrante atentado ao principio da economia processual ou, em uma visão mais finalista, afronta o instituto da compensação, há décadas aplicável as relações obrigacionais e hoje prevista no art. 368 do Código Civil. • Em resumo, o fisco tem que restituir ou compensar os valores em debate de qualquer maneira, seja através da compensação já pleiteada, objeto do presente processo, ou em pedido futuro, pois ao negar a presente compensação, os valores recolhidos tornamse desvinculados de qualquer relação jurídica, devendo pois ser imediatamente restituídos ao contribuintes, pois de outra forma estaria caracterizado o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, possibilidade rechaçada pelo ordenamento pátrio. 5. Por fim, o administrado requereu: que fosse homologada a declaração de compensação, seja pelo fato do recolhimento objeto do pedido de compensação ter sido efetuado em monta superior ao que determina a lei, seja pelo fato deste valor, na época do pedido de compensação, já compor saldo negativo de IRPJ/CSLL; e que fosse cancelada a cobrança constante na intimação / despacho decisório.” A 4° Turma da DRJ/FOR prolatou o Acórdão n° 0818.527, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que não seria possível a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas em vistas à vedação contida na Instrução Normativa nº 600/05. "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO AO PAGAMENTO A MAIOR. ART. 10 DA IN SRF 600/2005. CARÁTER VINCULANTE. Por força do artigo 10 das INs SRF no 460, de 2004, e 600, de 2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 243 9 que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando que não há óbice legal para a compensação do pagamento a maior ou indevido de estimativas. Este colegiado, por meio do resolução nº 1102000.262 proferiu decisão, no sentido de converter o julgamento em diligência para que: (i) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005; e (ii) seja atestada de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de CSLL, com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. Às fls. 149/153, foi lavrado Relatório Fiscal conclusivo da diligência solicitada por este colegiado. Em atenção ao Relatório de Diligência, o contribuinte apresentou sua Manifestação (fls. 156/167). Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação não homologado por se tratase de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do imposto ou da contribuição devidos no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. A decisão deste colegiado sumarizou a problemática, nos seguintes termos: Conforme salientado em sede de relatório supra, a Contribuinte sustenta que em outubro de 2005 efetuou o recolhimento do valor de R$1.463.055,62 para pagamento do montante de estimativas de CSLL do mês de setembro de 2005. Citado montante, após a apresentação de DCTF retificadora (fls. 40/41), foi reduzido para R$1.232.800,35, razão pela qual restou caracterizado o recolhimento a maior de tributo devido naquele período (de R$230.255,17). O valor em referência, atualizado em 24.02.2006, totalizaria R$242.412,75. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 244 10 Notese que não foi juntada aos autos a Guia DARF correspondente ao recolhimento citado. Em 24.02.2006, a Contribuinte transmitiu a PER/DCOMP n. 29656.18898.240206.1.3.0488, retificada em 16.05.2008 pela PER/DCOMP n. 35465.57001.160508.1.7.04782 (fls. 1/5), por meio da qual pretendeu utilizar o crédito que entendia fazer jus para quitar débitos de IRPJ relativos aos meses de setembro e outubro de 2005 e COFINS relativa ao mês de dezembro de 2005, no valor total de R$ 216.859,23. São essas as compensações que são objeto desse processo administrativo. Consideradas tais compensações e o valor do crédito alegado, a Contribuinte entende ainda possuir saldo remanescente de direito creditório no valor de R$25.553,63. A decisão deste Colegiado reconheceu a possibilidade de compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior ao longo de determinado anocalendário, independentemente da formação do saldo negativo do período respectivo, nos termos da Súmula 84 do CARF. Desta forma, em vista à verificar a pretensão do contribuinte de compensar o valor do saldo negativo de CSLL em sua DIPJ e não o montante de estimativas recolhidas em outubro de 2005 (referente ao mês de setembro de 2005), já que fez constar dele (saldo negativo) o valor de tais estimativas, convertou o julgamento em diligência para que: (i) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2005; e (ii) seja atestada de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de CSLL, com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005. O Relatório de Diligência atestou que não foi transmitido nenhuma DCOMP, como origem do direito creditório, o saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2005, o que descarta a hipótese de duplicidade do direito creditório. Confirase: "Acrescentese que não há no Sistema de Informação desta Delegacia registro de compensação, utilizandose do saldo negativo do CSLL, anocalendário 2005." Destarte, destaca que o crédito pleiteado em DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal é suficiente para quitar os débitos declarados a compensar, excetuando a multa de mora no importe de R$ 32.446,65 Destaquese que em referência ao DARF, R$ 1.463.055,62, de que trata o PER/DCOMP nº 35465.57001.160508.1.7.047824, encontrase disponibilizado no Sistema de Informação desta Delegacia a parte de R$ 230.255,27. Assim, se a parte desse valor, R$ 205.983,21, pleiteada em DCOMP, for considerado como pagamento indevido, ainda assim, haveria a insuficiência do saldo de R$ 32.446,65, fls.146/148, para acobertar a compensação, em razão de multa de mora não computada pelo contribuinte. No tocante ao valor referente multa de mora, o contribuinte juntou comprovante de quitação, de modo que a compensação deve ser integralmente reconhecida, conforme fls 203/208. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 245 11 Pois bem, acompanho o entendimento deste Colegiado no tocante que o débito por estimativa possui fato gerador definido, isto é, base de cálculo e prazo de vencimento estabelecido pela legislação, de forma que o pagamento que superar o valor devido no período, apurado de acordo com a legislação de regência (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996), configura, sim, pagamento indevido (indébito tributário), passível de restituição ou compensação de imediato. Como bem apontou, a matéria tratada nestes autos foi objeto de Súmula neste Colegiado, qual seja, a Súmula CARF nº 84, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 84 – Pagamento indevido ou a maior a título e estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Adicionalmente, ressaltase que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Assim, frente a confirmação do direito creditório emitido pelo relatório conclusivo da diligência solicitada pela Colegiado, tendo a mesma atestado sua liquidez e certeza, bem como a quitação da multa de mora pelo contribuinte, entendo que a compensação pleiteada deve ser homologada. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de homologar a DCOMP nº 35465.57001.160508.1.7.047824 pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10380.904972/200948 Acórdão n.º 1301002.645 S1C3T1 Fl. 246 12 Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000976/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009
INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE.
A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva.
MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS.
Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa.
Numero da decisão: 2301-005.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991; (b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 225 1 224 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.000976/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.123 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente WIEST S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 76 /2 01 0- 34 Fl. 225DF CARF MF 2 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32A da Lei 8.212, de 1991; (b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por WIEST S/A., em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. De acordo com a fiscalização (fls. 48 a 59), o débito levantado abrange as contribuições da empresa, destinadas a financiar terceiros (salário educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), apurado com base em folha de pagamento, inclusive incluindo na análise, recibo de pagamento de salário e rescisão de contrato de trabalho, de forma que foram feitos os seguintes levantamentos: Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10920.000976/201034 Acórdão n.º 2301005.123 S2C3T1 Fl. 226 3 Levantamento: F1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F12 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento TD – CONTR SESI/SENAI FORA DA GFIP: Referente a Contribuições, ao SESI e ao SENAI, incidentes sobre a Remuneração de Segurado Empregado – SE declarada em GFIP. Contribuições estas não informadas em GFIP, aplicandose Multa de 24%; Levantamento: TD2 – CONTR SESI/SENAI FORA DA GFIP: Referente a Contribuições, ao SESI e ao SENAI, incidentes sobre a Remuneração de Segurado Empregado – SE declarada em GFIP. Contribuições estas não informadas em GFIP, aplicandose Multa de 24%; Na impugnação (fls. 61 a 89), foi alegado que os sóciosadministradores e o contador da impugnante não poderiam ser considerados devedores solidários, já que não havia ocorrido nenhuma das hipóteses que autorizariam a solidariedade, assim como as sociedades empresárias seriam regidas pelo princípio da separação patrimonial. Há também a alegação de inconstitucionalidade das contribuições ao INCRA e do salário educação. Também foi alegado o indevido cálculo da contribuição ao SEBRAE, que acabaria incidindo como adicional tanto da contribuição ao SESI quanto da contribuição ao SENAI. Ademais, há a alegação de que não poderia prosperar a incidência da taxa Selic, já que ela possui um caráter remuneratório, assim como as multas aplicadas possuem efeito confiscatório, além de não levarem em conta a possível boafé do contribuinte. O acórdão de primeira instância (fls. 103 a 111) referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO PARA APRECIAR ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao princípio da legalidade. Fl. 227DF CARF MF 4 MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNAÇÃO. Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto nº 70.235/72 para sua aceitação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 118 a 145) aduzindo em síntese o seguinte: a) alega que não tem razão a Turma julgadora ao asseverar que não poderia afastar a incidência da legislação em questão, ante a incompetência da autoridade julgadora administrativa para declarar a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, eis que é assente o entendimento no sentido de que cabe ao órgão julgador administrativo, como guardião da vontade do Estado, garantir que, na apreciação da legalidade do lançamento tributário, as condutas do contribuinte e do Fisco sejam avaliadas em consonância com os valores constitucionais inerentes ao ato; b) inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA e da contribuição ao salário educação, assim como a contribuição ao SEBRAE deveria ser cobrada como adicional ou da contribuição ao SESI ou da contribuição ao SENAI; b) que não pode prosperar a incidência da taxa de juros SELIC, conforme estabelecido pela Lei nº 9.528/97, pois constituise a mesma em espécie de juro remuneratório, não sendo este o tipo de juro previsto pelo CTN para obrigações tributárias; c) sustenta que as multas aplicadas, nos percentuais de 24% (fatos geradores até 11/2008), e 75% (fatos geradores a partir de 12/2008), não há como prosperarem eis que, além de não serem razoáveis, são totalmente desproporcionais aos fatos alegados, gerando efeito confiscatório, portanto inconstitucionais, assim, devem ser excluídas; d) que a recorrente, ao perceber a necessidade de complementar às GFIP`s anteriormente transmitidas, apresentou GFIP`s retificadoras, contudo, o Fisco substituiu todos os dados anteriormente enviados nas declarações originais pelas informações complementares apresentadas pela recorrente, gerando ausência relativa aos fatos geradores constados pela fiscalização, ressalta que não há que se falar em máfé por parte da empresa; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10920.000976/201034 Acórdão n.º 2301005.123 S2C3T1 Fl. 227 5 Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Em 16/10/2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.310 (fls. 157 a 162), que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos por ela nominados. As intimações (fls. 164 a 173) aos sujeitos nominados pela autoridade fiscal foram feitas em dezembro de 2013. Diante da devolução de grande parte das intimações pelos Correios, verificouse a necessidade de intimação por edital pelas Delegacias Regionais da localidade onde estão situadas as empresas a serem intimadas (fls. 202 a 204). Em resposta à intimação por edital, a RJN Indústria e Comércio de Produtos Metalúrgicos Ltda. apresentou petição (fls. 206 a 209) alegando que diante da caracterização de grupo econômico, as partes de fato deveriam ser intimadas do próprio Auto de Infração para que pudessem apresentar defesa, dando oportunidade ao contraditório e a ampla defesa, de modo que deveriam ser nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto – Relator. O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA (fls. 121 a 132), da contribuição ao salário educação (fls. 132 a 135) e da multa aplicada (fl. 144). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade. Da Contribuição ao SEBRAE No tocante às alegações relativa à contribuição ao SEBRAE, faço minhas as palavras do voto do Acórdão de Impugnação, no sentido de que a contribuição ao SEBRAE alcança tanto a contribuição ao SESI quanto a contribuição ao SENAI. Da Aplicação da Taxa Selic Com relação à alegação pela não aplicação da taxa de juros SELIC por esta ser uma espécie de juro remuneratório, esta não deve prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada no âmbito do CARF. Fl. 229DF CARF MF 6 Nesse sentido, cabe ressaltar a redação da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há reparos a ser feito no lançamento no que tange à aplicação da taxa SELIC. Da Questão da Boafé como Critério para Abrandamento da Multa Tal qual exposto no Acórdão de Impugnação (fls. 110 a 111), é importante citar o artigo 136 do Código Tributário Nacional, que determina a responsabilização objetiva pelo cometimento de infrações tributárias, conforme pode ser observado abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, resta claro que o legislador tributário adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos como a boafé ou máfé do infrator. Nesse sentido, não deve prosperar a alegação de boafé do contribuinte para um eventual abrandamento da pena. Multa e Retroatividade Benigna Considerando que a autuação abrange tanto o período anterior quanto posterior à inclusão dos artigos 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, cabe ressaltar que o artigo 106, III, c, do Código Tributário Nacional estabelece a aplicação da lei a fato pretérito quando cominar penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo da prática do fato, conforme pode ser observado abaixo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10920.000976/201034 Acórdão n.º 2301005.123 S2C3T1 Fl. 228 7 Nesse sentido, é possível observar no próprio Relatório de Fiscalização (fls. 53 a 57) que o fiscal fez o comparativo entre as multas potencialmente aplicáveis para determinar a aplicação da multa mais benéfica. Assim, foi aplicada multa de 24% (conforme artigo 35, II, a, da Lei nº 8.212/91 para as competências de 02/2007 a 11/2008, e a multa de 75% para os fatos geradores posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/08, conforme a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Ousamos divergir do referido entendimento no tocante ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08. Nesse sentido, entendo que o novo artigo 35 da Lei nº 8.212/91 somente poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo artigo 35. Por seu turno, o art. 35A da Lei nº 8.212/91, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Tal posição foi inclusive sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme pode ser observado no seguinte trecho do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. Fl. 231DF CARF MF 8 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 Na mesma linha, cumpre citar o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 Ante o exposto, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do Código Tributário Nacional. Da Questão do Cerceamento de Defesa das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo Econômico No tocante a alegação de cerceamento de defesa, eis o que a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 prevê que na hipótese do lançamento de crédito previdenciário de grupo econômico, todas as empresas serão cientificadas da NFLD, possibilitando a cada integrante (como responsável solidário) a apresentação de defesa, sendo Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10920.000976/201034 Acórdão n.º 2301005.123 S2C3T1 Fl. 229 9 ainda, assegurada a cada uma das impugnantes a vista do processo administrativo fiscal, conforme pode ser observado abaixo: Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1 Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1 'deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. No caso em tela, considerando que todas as pessoas jurídicas foram devidamente citadas, podendo exercer regularmente seu direito de defesa, dentro das normas previstas pela legislação em vigor, uma vez que houve a oportunidade de vista dos autos a todos os interessados, assim como prazo para impugnação e posterior manifestação, sendo permitida a extração de cópias dos documentos. Assim, sendo possibilitado as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico o pleno acesso aos autos do processo administrativo, fica afastada a alegação de cerceamento de defesa. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e darlhe parcial provimento para que as multas aplicadas estejam limitadas ao montante previsto no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91 no tocante ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à aplicação da multa prevista no art. 35, da Lei 8.212/91. Fl. 233DF CARF MF 10 Da multa aplicável em face à retroatividade benigna Primeiramente, para melhor análise da questão, vejamos o que dispõe a legislação de regência sobre as multas aplicáveis ao caso, antes e depois da entrada em vigor da MP 449/08: Antes da MP 449/08 Lei 8.212/91 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Após a MP 449/08 Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10920.000976/201034 Acórdão n.º 2301005.123 S2C3T1 Fl. 230 11 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, independente do nomen iuris dado a cada multa (ofício ou mora), em essência, todas são multas de mora, sendo aplicadas em razão da mora do contribuinte. A diferença é que a multa do art. 35, inciso I, alínea “c”, da Lei 8.212/91, e a multa do art. 61, da Lei 9.430/91, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso as contribuições, porém, espontaneamente, ou seja, sem que a fiscalização seja acionada. Por sua vez, a multa prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, e a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso, porém, de forma não espontânea, ou seja, após as contribuições serem lançadas de ofício pela fiscalização. Tal situação explica o porquê da Lei 8.212/91 incluir em seu art. 35, que trata da multa de mora, a multa de ofício prevista no inciso II, alínea “a”. Portanto, diante desse quadro, somente é possível compararmos recolhimento espontâneo com recolhimento espontâneo e recolhimento não espontâneo com recolhimento não espontâneo, da seguinte forma: Sendo assim, como a multa aplicável (de ofício) na sistemática anterior à MP 449/08, era a multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, a multa correspondente, na nova sistemática, é a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Além do mais, para que não paire qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade mais benéfica, devemos lembrar que na sistemática anterior, para o caso em análise, seria aplicada a multa de 24% mais a multa do CFL1 68, prevista no art. 32, § 5º, da Lei 1 Código de Fundamentação Legal Fl. 235DF CARF MF 12 8.212/91, em razão do contribuinte ter apresentado GFIP2 com omissão ou incorreção de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Na nova sistemática, porém, para o caso em análise, é aplicável apenas a multa de 75%, pois esta já engloba o não recolhimento e a pena por apresentação de GFIP como omissão ou incorreção. Pois bem, segundo se observa no item 7 da Primeira Parte do Relatório Fiscal, fl. 54, foi exatamente isso o que a fiscalização fez, concluindo pela aplicação da multa de 24% até a competência 11/2008, e da multa de 75% a partir da competência de 12/2008. De qualquer forma, cabe destacar que será verificada a multa mais benéfica a ser mantida quando do pagamento do presente crédito ou quando do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira 2 Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000977/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE.
A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva.
MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos.
PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS.
Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa.
Numero da decisão: 2301-005.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário na questão de responsabilidade solidária do grupo econômico; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Wesley Rocha, que acompanhavam o relator por suas conclusões; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveria, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 77 /2 01 0- 89 Fl. 146DF CARF MF 2 Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário na questão de responsabilidade solidária do grupo econômico; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Wesley Rocha, que acompanhavam o relator por suas conclusões; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32A da Lei 8.212, de 1991; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveria, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por WIEST S/A., em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. De acordo com a fiscalização (fls. 9 a 17), a recorrente deixou de incluir em GFIP as remunerações pagas a contribuintes individuais (diretores) e segurados empregados, de modo que foi aplicada multa de R$ 366.805,40, com base no artigo 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. Na impugnação (fls. 19 a 26), foi alegado que os sóciosadministradores e o contador da impugnante não poderiam ser considerados devedores solidários, já que não havia Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10920.000977/201089 Acórdão n.º 2301005.121 S2C3T1 Fl. 147 3 ocorrido nenhuma das hipóteses que autorizariam a solidariedade, assim como as sociedades empresárias seriam regidas pelo princípio da separação patrimonial. Ademais, há a alegação de que as multas são desarrazoadas e desproporcionais aos fatos alegados, de modo que a multa deveria ser reduzida para 20%, diante da boafé do contribuinte. O acórdão de primeira instância (fls. 49 a 53) referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/11/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO PARA APRECIAR ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao princípio da legalidade. MULT. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 59 a 65) aduzindo em síntese o seguinte: a) alega que não tem razão a Turma julgadora ao asseverar que não poderia afastar a incidência da legislação em questão, ante a incompetência da autoridade julgadora administrativa para declarar a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, eis que é assente o entendimento no sentido de que cabe ao órgão julgador administrativo, como guardião da vontade do Estado, garantir que, na apreciação da legalidade do lançamento tributário, as condutas do contribuinte e do Fisco sejam avaliadas em consonância com os valores constitucionais inerentes ao ato; e b) a multa aplicada no auto de infração não é razoável, sendo desproporcional aos fatos alegados, de forma que deve ser levada em consideração a boafé do contribuinte, assim como ela possui caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição. Fl. 148DF CARF MF 4 Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Em 16/10/2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.310 (fls. 77 a 82), que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos por ela nominados. As intimações (fls. 84 a 95) aos sujeitos nominados pela autoridade fiscal foram feitas em dezembro de 2013. Diante da devolução de grande parte das intimações pelos Correios, verificouse a necessidade de intimação por edital pelas Delegacias Regionais da localidade onde estão situadas as empresas a serem intimadas (fls. 124 a 126). Em resposta à intimação por edital, a RJN Indústria e Comércio de Produtos Metalúrgicos Ltda. apresentou petição (fls. 128 a 137) alegando que diante da caracterização de grupo econômico, as partes de fato deveriam ser intimadas do próprio Auto de Infração para que pudessem apresentar defesa, dando oportunidade ao contraditório e a ampla defesa, de modo que deveriam ser nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto – Relator. O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade da multa aplicada (fl. 2025) diante da ofensa ao princípio da vedação ao confisco (artigo 150, IV, da Constituição Federal). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Da Questão da Responsabilidade Tributária dos Diretores e do Contador da Empresa Tal qual exposto no Acórdão de Impugnação (fls. 2004 a 2006), as pessoas incluídas no polo passivo da obrigação principal são as constantes da folha de rosto do auto de infração e discriminadas no Relatório Fiscal, de modo que não houve atribuição de responsabilidade tributária aos diretores e contador da empresa relacionados nos Relatórios de Vínculos. Assim, não há que se falar em responsabilidade tributário dos diretores ou do contador da empresa no presente caso. Da Questão da Boafé como Critério para Abrandamento da Multa Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10920.000977/201089 Acórdão n.º 2301005.121 S2C3T1 Fl. 148 5 Tal qual exposto no Acórdão de Impugnação (fls. 2006 a 2007), é importante citar o artigo 136 do Código Tributário Nacional, que determina a responsabilização objetiva pelo cometimento de infrações tributárias, conforme pode ser observado abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, resta claro que o legislador tributário adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos como a boafé ou máfé do infrator. Nesse sentido, não deve prosperar a alegação de boafé do contribuinte para um eventual abrandamento da pena. Multa e Retroatividade Benigna Considerando que a autuação abrange tanto o período anterior quanto posterior à inclusão dos artigos 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, cabe ressaltar que o artigo 106, III, c, do Código Tributário Nacional estabelece a aplicação da lei a fato pretérito quando cominar penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo da prática do fato, conforme pode ser observado abaixo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, é possível observar no próprio Relatório de Fiscalização (fls. 53 a 57) que o fiscal fez o comparativo entre as multas potencialmente aplicáveis para determinar a aplicação da multa mais benéfica. Assim, foi aplicada multa de 24% (conforme artigo 35, II, a, da Lei nº 8.212/91 para as competências de 02/2007 a 11/2008, e a multa de 75% para os fatos geradores posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/08, conforme a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Ousamos divergir do referido entendimento no tocante ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08. Fl. 150DF CARF MF 6 Nesse sentido, entendo que o novo artigo 35 da Lei nº 8.212/91 somente poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo artigo 35. Por seu turno, o art. 35A da Lei nº 8.212/91, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Tal posição foi inclusive sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme pode ser observado no seguinte trecho do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10920.000977/201089 Acórdão n.º 2301005.121 S2C3T1 Fl. 149 7 Na mesma linha, cumpre citar o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 Ante o exposto, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do Código Tributário Nacional. Da Questão de Responsabilidade Solidária do Grupo Econômico Da leitura do relatório fiscal (fls. 58 e seguintes), notase que foi entendido que há caracterização de "grupo econômico de fato”, passível de responsabilização tributária nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, conforme pode ser observado abaixo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O dispositivo normativo supracitado é lacônico, ao não prever requisitos para que a responsabilidade tributária solidária de empresas de grupo econômico seja aplicável aos casos concretos. No caso em tela, não resta dúvida da existência de grupo econômico de fato, ainda que o grupo não esteja constituído como de direito na forma da Lei n° 6.404/76. No Fl. 152DF CARF MF 8 Relatório de Fiscalização, são trazidos diversos elementos que constatam a existência de grupo econômico de fato, tais quais informações obtidas no próprio sítio da empresa, transações entre partes relacionadas registradas nas contas contábeis, processo trabalhista, mandado de segurança para desbloqueio de contas, dentre outros. Todavia, não há que se confundir a responsabilidade solidária existente no âmbito trabalhista, prevista no artigo 2, §2º, da CLT — Consolidação das Leis do Trabalho, com a responsabilidade tributária. Nesse sentido, a existência de processo trabalhista no qual aplicouse a responsabilidade solidária a empresas do grupo não pode ser elemento preponderante para caracterização de grupo econômico para fins de responsabilidade tributária. Tampouco a mera existência de contas contábeis que denotam a existência de transações entre as empresas ou a menção no sítio da empresa de que se trata de grupo de empresas. Todos estes elementos somados indicam sim que se trata de grupo econômico de fato, mas não são passíveis de gerar uma responsabilidade tributária solidária. Para tanto, seria necessária a comprovação de que as empresas que integram o grupo econômico tenham alguma relação com o fato gerador. A responsabilidade tributária solidária do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91 seria aplicável caso fosse comprovado, por exemplo, que empregados são registrados em uma pessoa jurídica do grupo econômico, mas prestam efetivamente seus serviços em outra pessoa jurídica do grupo econômico. Assim, seria necessária a comprovação de ocorrência de uma "confusão patrimonial" entre empresas, caso em que haveria uma simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN). A partir da leitura do Relatório de Fiscalização, não parece ser o caso concreto, uma vez que não houve comprovação de simulação ou de “confusão patrimonial”, além do que há empresas do grupo econômico situadas em diferentes cidades, algumas em diferentes estados da federação, o que denota substância econômica. Assim, não deve prosperar a sujeição passiva das pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico de fato, devendo somente a Wiest S.A. permanecer como sujeito passivo da obrigação tributária. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e darlhe parcial provimento para (i) as multas aplicadas estejam limitadas ao montante previsto no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91 no tocante ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08, e (ii) exclusão dos sujeitos passivos autuados por responsabilidade solidária em virtude de pertencerem a um mesmo grupo econômico. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10920.000977/201089 Acórdão n.º 2301005.121 S2C3T1 Fl. 150 9 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à aplicação da multa prevista no art. 35, da Lei 8.212/91, e quanto ao afastamento da sujeição passiva das empresas integrantes do Grupo Econômico. Da multa aplicável em face à retroatividade benigna Vejamos, primeiramente, o que dispõe o Código Tributário Nacional quanto à aplicação da penalidade menos severa: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da exegese dos dispositivos transcritos acima, aplicase a lei ao fato pretérito na hipótese de cominar penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo dos fatos. Então, no caso de mudança da legislação, como ocorre em relação à MP 449/08, temos que comparar o conjunto das penalidades aplicáveis na sistemática vigente ao tempo da infração com a nova sistemática. Dessa forma, somamse as multas aplicáveis na sistemática anterior, decorrentes do descumprimento da obrigação principal e da obrigação acessória, e somamse as novas multas aplicáveis, comparandose os resultados da seguinte forma: Sendo assim, para a comparação, precisamos saber quais multas são aplicáveis antes e depois da MP 449/08. Fl. 154DF CARF MF 10 Antes da MP 449/08 Na sistemática anterior à MP 449/08, o não cumprimento da obrigação principal importava na aplicação da multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea "a", da Lei 8.212/91: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Por sua vez, no caso de não cumprimento da obrigação acessória, referente à GFIP, eram aplicadas as seguintes multas, previstas no art. 32 da Lei 8.212/91: Art. 32 [...] [...] § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. Tais multas podem ser assim ser resumidas: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10920.000977/201089 Acórdão n.º 2301005.121 S2C3T1 Fl. 151 11 Infração Multas da sistemática anterior Não declarar (não fazer GFIP). Art. 32, § 4º ‐ CFL1 67 Declarar com incorreções ou omissões relacionadas às contribuições. Art. 32, § 5º ‐ CFL 68 Declarar com incorreções ou omissões não relacionadas às contribuições. Art. 32, § 6º ‐ CFL 69 Pois bem, no caso em tela, a infração corresponde à omissão, em GFIP, de bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2007 a 11/2008. Logo, se trata de infração do CFL 68. Portanto, na sistemática anterior à MP 449/08, são aplicáveis as seguintes multas: Multa da Obrigação Principal 24% Multa da Obrigação Acessória CFL 68 Após a MP 449/08 Agora, na sistemática vigente após a MP 449/08, o não cumprimento da obrigação principal importa na aplicação da multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No caso de não cumprimento da obrigação acessória, referente à GFIP, a Lei 8.212/08, com as mudanças introduzidas pela MP 449/08, prevê as seguintes multas: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será 1 Código de Fundamentação Legal Fl. 156DF CARF MF 12 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Tais multas podem ser assim resumidas: Infração Multas da nova sistemática Não declarar (não fazer GFIP). Art. 32‐A, inciso II ‐ CFL 77 Declarar com incorreções ou omissões relacionadas ou não às contribuições. Art. 32‐A, inciso I ‐ CFL 78 Portanto, numa análise imediata, seriam aplicáveis ao presente caso as seguintes multas: Multa da Obrigação Principal 75% Multa da Obrigação Acessória CFL 78 Acontece, porém, que a multa de 75% não permite a aplicação concomitante da multa do CFL 78, no caso de incorreção ou omissão relacionada às contribuições. Vejamos, novamente, o que diz o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Grifo nosso) Conforme se observa, a multa de 75% pune, ao mesmo tempo, três infrações à lei: não recolher, não declarar e declarar com inexatidão, sendo essas duas últimas infrações correspondentes ao CFL 77 e ao CFL 78, respectivamente. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10920.000977/201089 Acórdão n.º 2301005.121 S2C3T1 Fl. 152 13 Assim, a aplicação da multa de 75%, junto com a multa do CFL 78 (no caso de incorreção ou omissão relacionada às contribuições), importa em bis in idem, o que não é permitido, pois teremos o mesmo Ente aplicando duas multas (previstas em normas distintas), em face do mesmo contribuinte e do mesmo fato gerador. Dessa forma, com base na nova sistemática, deve ser aplicada no caso em análise apenas a multa de 75%, não sendo cabível a aplicação das disposições contidas no art. 32A. Nesses termos, deve ser feita a seguinte comparação: No caso em tela, segundo consta do item 4 do Relatório Fiscal, fls. 12 a 17, foi efetuada a comparação das penalidades, com vista a aplicação daquela que fosse mais benéfica ao contribuinte, concluindose pela aplicação da multa prevista no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, nos seguintes termos: k) Sendo assim, em respeito ao disposto no Artigo 106, Inciso II, “c” do Código Tributário Nacional, realizamos a comparação entre as penalidades antes e depois da entrada em vigor da Medida Provisória 449/08. l) O Quadro 1, da Planilha Comparativo Penalidade Antes e Depois da MP 449/08, apresenta as competências integrantes deste Auto de Infração, onde a multa mais benéfica é a prevista no Art. 32, § 5º da Lei 8.212/91. (Grifo no original) Sendo assim, entendo por correto o procedimento adotado pela fiscalização. De qualquer forma, nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09, lembramos que o cálculo da multa mais benéfica deve ser procedido no momento do pagamento ou do parcelamento, ou, caso não sejam efetuados, no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Da responsabilidade solidária das empresas integrantes do Grupo Econômico Antes de considerações outras, vejamos qual foi o entendimento consignado pelo Relator, em seu Voto: Todos estes elementos somados indicam sim que se trata de grupo econômico de fato, mas não são passíveis de gerar uma responsabilidade tributária solidária. Para tanto, seria necessária a comprovação de que as empresas que integram o Fl. 158DF CARF MF 14 grupo econômico tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal nos termos do artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. Como se vê, o Relator reconhece a existência de Grupo Econômico de fato, porém, entende que a sua mera existência não gera a responsabilidade solidária das empresas integrantes, pois, em sua ótica, para tal responsabilidade, seria necessária, também, a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, porém, não comungamos desse entendimento. No tocante às contribuições devidas à Seguridade Social, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu art. 30, inciso IX, a responsabilidade solidária das empresas integrantes de Grupo Econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a Lei de Custeio da Seguridade Social prevê a responsabilidade solidária ex lege e objetiva das empresas integrantes de Grupo Econômico, ou seja, basta que uma empresa faça parte de um Grupo Econômico para que se tenha por configurada a sua responsabilidade solidária por débitos previdenciários das demais empresas do grupo. Ademais, segundo se infere do item 8 do Relatório Fiscal constante do processo 10920.000972/201056, fls. 58 a 85, que trata da “Caracterização de Existência de Grupo Econômico”, há, no caso em tela, uma ligação umbilical entre as empresas integrante do grupo, ligação esta que se dá na área jurídica, contábil, societária e comercial, sendo inegável o interesse das empresas pelos fatos jurídico/tributários afetos às empresas do grupo. Portanto, diante do quadro que se apresenta, não vejo como afastar a responsabilidade solidária das empresas integrantes do Grupo Econômico. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 159DF CARF MF
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