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Numero do processo: 10830.907789/2012-54
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/10/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/10/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 77 89 /2 01 2- 54 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.907789/201254 Acórdão n.º 3801004.785 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001591/2001-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
REP Negado e REC Provido
Numero da decisão: 9303-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). REP Negado e REC Provido
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). REP Negado e REC Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 15 91 /2 00 1- 29 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.001591/200129 Acórdão n.º 9303002.883 CSRFT3 Fl. 899 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recursos Especiais, interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, contra Acórdão proferido pela Segunda Câmara Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtorexportador. 1NSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. Incluemse na base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos efetuadas de cooperativas a partir de novembro de 1999. MP nº1.8587/ 1999 e AD SRF nº 88/99. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SEL1C. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. O acórdão nega o aproveitamento dos créditos referentes aos insumos adquiridos por pessoa física e permite o seu aproveitamento no caso dos insumos adquiridos por cooperativas e afasta a aplicação da taxa selic. As controvérsias suscitadas pelo sujeito passivo se referem à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores relativos Fl. 899DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.001591/200129 Acórdão n.º 9303002.883 CSRFT3 Fl. 900 3 às aquisições de insumos de pessoas físicas e à incidência da taxa Selic sobre os ressarcimentos de créditos presumidos de IPI. Já a Fazenda Nacional recorre para reformar o acórdão que permitiu a inclusão dos valore correspondente a aquisição de cooperativas no valor do crédito presumido. Ambas as partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Vamos fazer a análise dos dois recursos concomitantemente. Aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização do ressarcimento pela selic. A matéria devolvida ao Colegiado, agora pelo contribuinte, cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.001591/200129 Acórdão n.º 9303002.883 CSRFT3 Fl. 901 4 Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Em face do exposto, voto pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 901DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.001591/200129 Acórdão n.º 9303002.883 CSRFT3 Fl. 902 5 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19515.720080/2013-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu adequamente o contraditório e o direito defesa, na forma da legislação vigente.
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE ASSINATURA NO AVISO DE RECEBIMENTO. POSSIBILIDADE.
O Aviso de Recebimento (AR) assinado e datado é o documento hábil e idôneo, para fim de comprovação da entrega da documentação no domicílio eleito pelo sujeito passivo e a ciência deste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Ausência momentânea do Conselheiro José Paulo Puiatti.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu adequamente o contraditório e o direito defesa, na forma da legislação vigente. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE ASSINATURA NO AVISO DE RECEBIMENTO. POSSIBILIDADE. O Aviso de Recebimento (AR) assinado e datado é o documento hábil e idôneo, para fim de comprovação da entrega da documentação no domicílio eleito pelo sujeito passivo e a ciência deste. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2254; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720080/201374 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.333 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 REGIME CUMULATIVO DE INCIDÊNCIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, incluindo as aquisições de insumos submetidos ao regime monofásico. RECEITA DECLARA NA DIPJ E REGISTRADA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. OMISSÃO DA TOTALIDADE OU PARTE DOS DÉBITOS NA DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A parcela dos débitos tributários declarada na DIPJ, que tem apenas natureza informativa, e não informada na DCTF, que tem natureza de confissão de dívida, para fim de cobrança devem ser lançados pela autoridade fiscal competente, sob pena de extinção pela decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 REGIME CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido a apropriação de créditos da Cofins, incluindo as aquisições de insumos submetidos ao regime monofásico. RECEITA DECLARA NA DIPJ E REGISTRADA NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. OMISSÃO DA TOTALIDADE OU PARTE DOS DÉBITOS NA DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A parcela dos débitos tributários declarada na DIPJ, que tem apenas natureza informativa, e não informada na DCTF, que tem natureza de confissão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 80 /2 01 3- 74 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 dívida, para fim de cobrança devem ser lançados pela autoridade fiscal competente, sob pena de extinção pela decadência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURADO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, que exerceu adequamente o contraditório e o direito defesa, na forma da legislação vigente. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE ASSINATURA NO AVISO DE RECEBIMENTO. POSSIBILIDADE. O Aviso de Recebimento (AR) assinado e datado é o documento hábil e idôneo, para fim de comprovação da entrega da documentação no domicílio eleito pelo sujeito passivo e a ciência deste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Ausência momentânea do Conselheiro José Paulo Puiatti. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 14/22), em que formalizada a exigência da Contribuição para o PIS, no valor de R$ 1.340.202,78, e da Cofins, no valor de R$ 6.185.550,64, relativas aos meses de janeiro a dezembro de 2008, que acrescidas de multa de ofício e juros moratórios, totalizam a importância de R$ 7.525.753,42. De acordo com os autos, o impugnante foi intimado pela fiscalização a apresentar vasta documentação contábil e fiscal, a seguir discriminada: balanço patrimonial; balancetes mensais; DRE; contratos sociais; relação de bens que compõe o ativo imobilizado (veículos, imóveis); arquivos contábeis no padrão ADE COFIS 55/2009; entre outros. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720080/201374 Acórdão n.º 3102002.333 S3C1T2 Fl. 101 3 De acordo com Relatório Fiscal de fls. 100/102, a fiscalização infomou, no período fiscalizado, a autuada havia informado nas DCTF valores dos débitos das referidas contribuições menores do que aqueles registrados na contabilidae e declarado na DIPJ. Em sede de impugnação, em síntese, a recorrente alegou que: a) não houve a ocorrência da materialização do fato jurídico tributável, sob o argumento de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) havia inovado, ao dar conhecimento do conteúdo das diretrizes internas da Receita Federal ao contribuinte; b) fazia jus aos créditos decorrentes da compra de óleo diesel, visto que suas operações de compra não estavam disciplinadas no art. 149 da Constituição Federal. Ademais, tal direito estava baseado no art. 10, XII, das Leis 10.833/2003 e 10.865/2004; c) os valores das subvenções, assim como valores transferidos para suas consorciadas e coligadas, não eram computados na determinação do lucro real (RIR, art. 443), e com base nos arts. 18 e 21 da Lei 11.941/2009, quando registradas em contas de resultado, poderiam ser excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. Para comprovar o alegado, requereu realização de diligência; d) não existiam deferenças a ser recolhidas, o implicava exigência em duplicidade, configurando bis in idem ou excesso de exação; e) a presunção de remuneração neste lançamento não poderia ser admitida para fim de criam contribuições previdenciárias; f) houve ilegalidade nos lançamentos, por violação dos princípios insertos no Decreto 70.235/1972 e na Lei 9.784/1999; g) os fatos narrados pela fiscalização não eram verdadeiros, pois não teria sido apontadas as contas da escrituração contábil de onde foram extraídos os dados para os lançamentos; h) o Relatório Fiscal era carente de subsídios sobre o lançamento fiscal, porque não indicara os fatos geradores e os valores dos rendimentos omitidos em relação aos recolhimentos realizados. Sequer a lista de documentos fora anexada aos autos; i) o lançamento da competência de janeiro de 2008 estava alcançado pela decadência, tendo em vista que só tomara ciência da autuação em 1/2/2013 e, como houve pagamento, ao caso, aplicarseia o disposto no art. 150, § 4º, do CTN; e j) a DIPJ e Dacon não tinha caráter declaratório de tributos, mas caráter meramente informativo, logo, tais documentos não tinham natureza de confissão de dívida, para efeitos de inscrição do saldo a pagar em Dívida Ativa da União (DAU). Em consequência, por ser um documento meramente informativo e não declaratório, não procedia o lançamento realizado com base nos valores do faturamento extraídos da DIPJ, tendo vista que a escrituração contábil regular foi devidamente apresentada, porém a autoridade fiscal não relacionou as contas, as folhas e qualquer dado que pudesse inferir que a escrituração foi auditada. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 689/690), em que, por unanimidade de votos, o pedido de diligência foi indeferido, a impugnação foi julgada improcedente e mantendo o créditotributário lançado, com base nos fundamentos resumido nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DE INSUMOS. REGIME CUMULATIVO. O direito a créditos de insumos para abatimento nas bases de cálculo do PIS e da Cofins só ocorre no regime nãocumulativo. O regime cumulativo, por ter uma alíquota inferior, não possui essa previsão legal. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. DIPJ. ARQUIVOS CONTÁBEIS. EXISTÊNCIA DE ERRO. OBRIGAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Tendo a fiscalização baseado o lançamento do crédito tributário na DIPJ declarada pelo contribuinte, assim como nos arquivos digitais com a contabilidade entregue pelo mesmo via intimação, considerando apenas como tributáveis as receitas operacionais relativas às prestações de serviço, tornase ônus desse provar a existência de erro em ambos elementos probatórios. A mera alegação da existência de erro desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar o lançamento do crédito tributário. LANÇAMENTO. ILEGALIDADE. Não há de se falar em ilegalidade ou carência de provas do procedimento fiscal se está devidamente demonstrado de onde foram obtidos os valores da base de cálculo, os recolhimentos efetuados e as diferenças apuradas. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Tendo o contribuinte realizado pagamento no período lançado, a decadência se dá após 5 anos da ocorrência do fato gerador. A prova da ciência enviada via correio será o correspondente AR Aviso de Recebimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DE INSUMOS. REGIME CUMULATIVO. O direito a créditos de insumos para abatimento nas bases de cálculo do PIS e da Cofins só ocorre no regime nãocumulativo. O regime cumulativo, por ter uma alíquota inferior, não possui essa previsão legal. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. DIPJ. ARQUIVOS CONTÁBEIS. EXISTÊNCIA DE ERRO. OBRIGAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720080/201374 Acórdão n.º 3102002.333 S3C1T2 Fl. 102 5 Tendo a fiscalização baseado o lançamento do crédito tributário na DIPJ declarada pelo contribuinte, assim como nos arquivos digitais com a contabilidade entregue pelo mesmo via intimação, considerando apenas como tributáveis as receitas operacionais relativas às prestações de serviço, tornase ônus desse provar a existência de erro em tais elementos probatórios. A mera alegação da existência de erro desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar o lançamento do crédito tributário. LANÇAMENTO. ILEGALIDADE. Não há de se falar em ilegalidade ou carência de provas do procedimento fiscal se está devidamente demonstrado de onde foram obtidos os valores da base de cálculo, os recolhimentos efetuados e as diferenças apuradas. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Tendo o contribuinte realizado pagamento no período lançado, a decadência se dá após 5 anos da ocorrência do fato gerador. A prova da ciência enviada via correio será o correspondente AR Aviso de Recebimento. Em 22/1/2014, a recorrente foi cientificada da referida decisão (fl. 699). Inconformada, em 13/2/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 700/720, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese (i) a questões preliminares atinentes a nulidade do lançamento por violação a princípios que regem o processo administrativo fiscal e irregularidades no lançamento e por decadência parcial do crédito tributário lançado, e ii) a questões de mérito sobre inocorrência do fato jurídico tributário, duplicidade do pagameto, dedução de créditos e de receitas não sujeitas a incidências das contribuições. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou (i) nulidade do lançamento baseada no argumento de que houve violação a princípios insertos no Decreto 70.235/1972 e na Lei 9.784/1999 e irregularidades no lançamento fiscal por ausência de provas e de elementos necessários à defesa e (ii) decadência parcial do crédito tributário lançado. Da violação a princípios constituicionais e processuais. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 No recurso em apreço, após mencionar e fazer breves considerações sobre alguns princípios constituicionais (legalidade, segurança jurídica, contraditório e ampla defesa e verdade material) a recorrente não indicou qual princípio fora violado nem apontou qualquer fato concreto que tenha resultado na violação dos citados princípios. No final, concluiu a recorrente que o nosso ordenamento jurídico não aceitava acusações sem provas nem que o acusado não tomasse ciência das acusações, inviabilizando a produção de provas em contrário. Tratase, evidentemtente, de alegação genérica que não se aplica ao caso em tela, haja vista que a recorrente foi regularmente cientificada das autuações e as provas utilizadas pela fiscalização foram por ela mesma fornecida, haja vista que o lançamento fora realizado com base nos dados extraídos da DIPJ, apresentada pela própria recorrente, e da sua escrituração contábil. Em suma, são alegações genéricas e desprovidas de qualquer sentido, porque baseada em meros argumentos teóricos desvinculados dos fatos relatados pela fiscalização e que serviram de fundamento para as atuações. Por essas razões, fica cabalmente demonstrada a improcedência da alegação em apreço. Das ilegalidades do lançamento. A recorrente alegou que as autuações era ilegais, porque não havia provas dos fatos apurados pela fiscalização e que o Relatório Fiscal que acompanhava os Autos de Infração era totalmente vago, pois sequer apontara as contas da escrituração contábil de onde foram extraídos os dados para lançamento. Sem razão a recorrente. Os valores das receitas que serviram de respaldo para as autuações foram declarados pela própria recorrente na DIPJ e confirmados pela fiscalização na sua escrituração contábil e todos documentos que comprovam tais fatos, além de serem fornecidos pela própria recorrente e que se encontram em sua posse, foram todos colacionados aos autos (fls. 30/90). No caso, embora no citado Relatório Fiscal, a fiscalização não tenha mencionado as referidas contas da escrituração contábil, de forma expressa, cabe ressaltar que consta dele remissão expressa no sentido de que os valores das receitas tributadas também constavam dos lançamentos anexos aos autos. E tais contas e respectivos lançamentos foram estraídos da contabilidade da autuada e consolidados nos Balancetes de fls. 30/40, elaborados e entregue pela própria autuada a fiscalização, que tenta, sem justificativa plausível, se fazer néscia e assim demonstrar que tem conhecimento de nada. E de acordo com os dados explicitados nos referidos Balancetes, verificase que, ao contrário do que alegou a recorrente, deles constam tanta as contas como os valores das receitas tributadas, cujos valores são idênticos aos que foram declarados na DIPJ do ano calendário de 2008. Além disso, analisando os questionados Autos de Infração e a documentação coligida aos autos pela fiscalização, chegase a conclusão que os lançamentos foram feitos em conformidade com disposto no art. 142 do CTN e que atendem todos os requisitos estabelecidos no art. 10 do PAF. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720080/201374 Acórdão n.º 3102002.333 S3C1T2 Fl. 103 7 Por essas razões, fica demonstrado a improcedência da alegação de ilegalidade dos referenciados lançamentos. Da decadência parcial do crédito tributário. A recorrente alegou que o lançamento do débito do mês de janeiro de 2008 estava alcançado pela decadência, tendo em vista que só tomara ciência da autuação em 1/2/2013 e, como houve pagamento, aplicarseia o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, que determina a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador. No caso, não existe controvérsia acerca da aplicação da regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. A discórdia reside quanto à data da ciência da autuada do procedimento fiscal. Para a recorrente a ciência ocorreu no dia 1/2/2013 e não no dia 31/1/2013, como entendera a Turma de Julgamento a quo. A razão está com o Órgão julgador, pois, analisando o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 96, verificase que a data de entrega nele escrita pelo preposto da autuada, que assinou o documento, como aquela aposta por carimbo pelo servidor da ECT, é 31/1/2013, portanto, as datas são coincidentes. Para contraditar a informação contida no referido AR, a recorrente alegou que a data de entrega nele inserida contrariava a informação do documento emitido pelo sítio da ECT na internet colacionado aos autos (fl. 734), com data de 19/2/2013, em que consignado que a entrega ao destinatário fora efetuada no dia 1/2/2013. Com efeito, compulsando o extrato do citado documento extraído da intenet, verificase que, embora nele conste a informação de que a data de entrega fora no dia 1/2/2013, tal informação não pode prevalecer em relação àquela contida no citado AR, onde consta a data posta de próprio punho pelo preposto da recorrente e confirmada por carimbo aposto por servidor do ECT, haja vista que, por força do disposto no art. 56, § Esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 23, § 2º, II, do Decreto 70.235/1972, doravante denominado de PAF, que, na hipótese de omissão da data do recebimento no AR, considera feita a intimação quinze dias após a data de expedição da intimação. Além disso, por se tratar de meio de prova determinada por lei, outro tipo de prova, obviamente, não pode prevalecer, a menos que comprovada a inidoneidade do primeiro, o que não ocorreu no caso em tela. Por todas essas razões, fica demonstrado que a data da ciência da recorrene das questionadas autuações ocorreu no dia 31/1/2013, conforme consignado no citado AR. Dessa forma, como o fato gerador das contribuições do mês janeiro de 2008 ocorreu em 31/1/2008, o direito de realizar o lançamento somente decairia a partir de 1/2/2013, quando completado o prazo quinquenal de decadência, estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN. Com base nessas considerações, fica demonstrado que não ocorreu a decadência alegada pela rocrrente, portanto, deve ser mantida a cobrança dos débitos das contribuições do mês de janeiro de 2008. II Das Questões Méritos Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 Previamente, cabe destacar que as receitas que foram objeto dos questionados lançamentos foram oriundas da prestação de serviços de transporte de passageiros, obrigatoriamente sujeitas ao regime cumulativo, por força do disposto nos arts. 10, XII, e 15, da Lei 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1oe 2odo art. 10 desta Lei; [...] (grifos não originais) De acordo com a Tabela de fl. 101, durante todos os meses do anocalendário de 2008, a recorrente declarou na DCTF valores inferiores aos declarados na DIPJ e informados nos livros e demonstrativos contábeis. A título de exemplo, cabe destacar a disparidade de valores informados no mês de dezembro de 2008, em que, de um faturamento declarado na DIPJ de R$ R$ 22.091.895,08, a autuada nada declorou na DCTF. Na peça recursal em apreço, a recorrente alegou que não houve a ocorrência da materialização do fato jurídico tributável, sob o argumento de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) havia inovado, ao dar conhecimento do conteúdo das diretrizes internas da Receita Federal ao contribuinte. Tratase de alegação sem qualquer nexo. Com efeito, qual a relação entre ocorrência do fato jurídico tributável e emissão de MPF? Evidemente, nenhuma. O MPF, enquanto previsto na legislação, tratavase de instrumento de controle administrativo das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, informando ao contribuinte a natureza, a abrangência, o prazo máximo e as pessoas designadas para a execução do procedimento fiscal. Tratase de requisito meralmente formal, sem qualquer vinculação com a concretização do fato gerador do tributo ou fato jurídico tributário. Ainda para justificar tão gritante disparidade entre os valores informados na DCTF e na DIPJ, a recorrente alegou que tinha direito à dedução de créditos na aquisição de insumos, especificamente, na compra de óleo diesel. Para recorrente, como tal produto encontravase sujeito ao regime de incidência monofásica, ela fazia jus ao crédito, pois tanto as pessoas jurídicas do regime cumulativo como as do regime não cumulativo poderiam se apropriar desse tipo de crédito. Sem razão a recorrente. De acordo com o disposto no art. 3º, II, da Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, somente o contribuinte que aufira receitas submetidas ao regime Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720080/201374 Acórdão n.º 3102002.333 S3C1T2 Fl. 104 9 não cumulativo faz jus ao direito de apropriar créditos sobre a aquisição de insumos e desde que aplicados na prestação de serviços ou produção de bens destinados à venda, cujas receitas estejam sujeitas ao regime não cumulativo. As receitas de prestação de serviços de transporte de passageiros, auferidas pela recorrente, conforme já mencionado, por expressa determinação do 10, XII, da Lei 10.833/2003, estão excluídas do regime não cumulativo. Por dessa condição, a recorrente não faz jus a crédito de espécie alguma, incluindo os relativos a aquisição de insumo submetido ao regime de cobrança monofásica, a exemplo do óleo diesel. A recorrente alegou que tinha direito de abater supostos valores provenientes de receitas de subvenção, em conformidade com o disposto no art. 21 da Lei 11.941/2009, a seguir transcrito: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e II – o valor do prêmio na emissão de debêntures, de que trata o art. 19 desta Lei. Sem razão a recorrente. A uma, porque não há provas nos autos de que tenha auferido tal tipo de receita. Aliás, ainda na fase de procedimento fiscal, a recorrente foi intimada e reintimada a justificar as diferenças das receitas não informadas na DCTF, tendo limitados a prestar as imprecisas informações de fls. 11/13. A duas, porque, ainda que a recorente tivesse auferido tal modalidade de receita ela não tinha direito a referida dedução, pois o referido preceito legal se aplica apenas as pessoas jurídicas submetidas ao regime de lucro real e optantes pelo Regime de Tributário de Transiçao (RTT) e que estivessem submetidas ao regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, do qual a recorrente estava excluído, por expressa determinação legal, conforme anteriormente mencionado. A três, porque, se no âmbito do regime cumulativo, por expressa determinação do caput do art. 3º da Lei 9.718/1998, a receita de subvenção não integra a base de cálculo das referidas contribuições, por não ser receita da atividade da atividade principal, certamente, ela não poderia ser excluída da receita bruta que integrava a base de cálculo das contribuições em referência. É oportuno ressaltar que, no âmbito do regime cumulativo, as hipóteses de exclusão da receita bruta, para fim de apuração da base de cálculo das citadas contribuições, são apenas aquelas definidas no art. 3º, § 2º, da Lei 9.718/1998. E da simples leitura do referido preceito legal, verificase que a receita de subvenção não integra o rol taxativo nele discriminado, portanto, incabível a alegada dedução. A quatro, porque, conforme já mencionado, a fiscalização incluiu na base de cálculo das referidas contribuições somente os valores das receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte de passageiros. Logo, como a suposta de receita de subvenção não foi Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 incluída na base cálculo, consequentemente, não há razão nem fundamento legal para ser realizada a pleiteada exclusão. Além de não provada nos autos a realização da alegada transferência, pelas mesmas razões apresentadas para não admitir a exclusão da receita de subvenção, também, por falta de previsão legal, não há como ser admitida qualquer dedução a título de supostos valores transferidos para outras pessoas jurídicas que fazem parte do consórcio contratado pelo Município de São Paulo para prestação de serviços de transporte público rodoviário. A recorrente alegou ainda que não havia diferenças a serem recolhidas, a não ser que se pretendesse exigir pagamento em duplicidade, bis in idem, mediante excesso de exação. Tratase de alegação fora de contexto e sem o menor sentido, pois os lançamentos em questão referemse apenas as parcelas dos débitos que não foram confessados nas respectivas DCTF e, consequentemente, não recolhidos. Por fim, alegou a recorrente que a DIPJ tinha caráter meramente informativo, logo, se não tinha natureza de confissão de dívida não poderia ser utilizado para efeitos de inscrição do saldo a pagar em Dívida Ativa da União (DAU). Em consequência, não procederia o lançamento realizado com base nos valores do faturamento extraídos da DIPJ, tendo vista que a escrituração contábil regular foi devidamente apresentada, porém a autoridade fiscal não relacionou as contas, as folhas e qualquer dado que pudesse inferir que a escrituração foi auditada. Mais uma vez não assiste razão a recorrente. Primeiro, porque a fiscalização auditou sim a contabilidade e com base nesse procedimento chegou a conclusão que os valores das receitas escriturados na contabilidade eram os mesmos informados na DIPJ. Segundo, porque, diferentemente do alegado pela recorrente, o fato de a DIPJ não ter natureza de confissão de dívida representa motivo necessário e suficiente para realização do lançamento das diferenças de débitos apuradas e não confessadas na DCTF, pois, sem a efetivação desse lançamento e uma vez completado o prazo quinquenal de decadência, certamente, tais débitos estariam definitivamente extintos. Com base nessas considerações, rejeitase todas as alegações suscitadas pela recorrente em relação ao mérito das questionadas autuações. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19515.720080/201374 Acórdão n.º 3102002.333 S3C1T2 Fl. 105 11 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 30 /01/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 11080.006359/2001-53
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
IRPF. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ADQUIRIDO POR HERANÇA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA.
O fato gerador do imposto sobre ganho de capital é a alienação e não a aquisição, assim importa para o lançamento a lei vigente quando da alienação e não no momento da aquisição. Havendo previsão legal para a exigência do ganho de capital e apurado o custo de aquisição conforme parâmetro legal, o lançamento deve ser mantido hígido, notadamente quando o recorrente não apresenta razão para invalidar o cálculo da autoridade fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL QUE INDEPENDE DE DOLO.
A multa de ofício é prevista em lei e deve ser aplicada conforme estatuída no dispositivo legal, sendo vedada sua redução. A multa de ofício aplicada nos autos não exige a presença de dolo.
JUROS DE MORA. SELIC. ILEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4.
JUROS DE MORA. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Os juros de mora devem ser exigidos conforme previstos em lei. Rejeita-se a alegação de bis in idem caracterizada pela incidência de juros sobre multa, pois não foi o que ocorreu nos autos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ADQUIRIDO POR HERANÇA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. O fato gerador do imposto sobre ganho de capital é a alienação e não a aquisição, assim importa para o lançamento a lei vigente quando da alienação e não no momento da aquisição. Havendo previsão legal para a exigência do ganho de capital e apurado o custo de aquisição conforme parâmetro legal, o lançamento deve ser mantido hígido, notadamente quando o recorrente não apresenta razão para invalidar o cálculo da autoridade fiscal. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL QUE INDEPENDE DE DOLO. A multa de ofício é prevista em lei e deve ser aplicada conforme estatuída no dispositivo legal, sendo vedada sua redução. A multa de ofício aplicada nos autos não exige a presença de dolo. JUROS DE MORA. SELIC. ILEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. JUROS DE MORA. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Os juros de mora devem ser exigidos conforme previstos em lei. Rejeitase a alegação de bis in idem caracterizada pela incidência de juros sobre multa, pois não foi o que ocorreu nos autos. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 63 59 /2 00 1- 53 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício 1998, anocalendário 1997, decorrente de apuração de omissão de ganho de capital na alienação de imóvel, conforme retratado no Relatório de Ação Fiscal (fls. 05/13), com acréscimo de multa de ofício de 75%. O lançamento reportase à: a) Alienação do terreno rural, com área de 62.917,22 m2. identificado na matrícula n° 79.007, junto ao Registro de Imóveis da 3a Zona de Porto Alegre. b) Valor total de alienação, em 01/12/1997, conforme cópia do Contrato de Promessa de Compra e Venda: R$ 1.300.000,00 e a parcela que coube ao contribuinte: R$ 650.000,00 (50% do total); e c) Custo de aquisição atualizado em reais na data da venda R$1.684,14, correspondente ao somatório das parcelas especificadas no Relatório de Ação Fiscal às fls. 10 e seguinte. Na impugnação, em resumo, alegouse: a) em razão de possuir apenas 50% do imóvel, recebeu pela alienação o valor de R$650.000,00; b) a operação é isenta pois foi a única venda, no período de cinco anos e correspondeu a cerca de 95% da área total do imóvel adquirido por herança deixada por José Bettio; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006359/200153 Acórdão n.º 2802003.289 S2TE02 Fl. 245 3 c) como era um imóvel rural em que havia benfeitorias, considerando o preço de mercado e aplicada a IN SRF 48/1998, não seria devido o imposto de renda; d) no imóvel alienado consta somente 0,25ha de terras adquiridas pelo impugnante, aplicadas as conversões de moeda e reduções legais e aplicado o preço de custo do imóvel, devidamente atualizado, não houve incidência do imposto de renda; em razão disto e de receber rendimentos de valor inferior ao limite que obrigava apresentar a Declaração de Ajuste Anual, não estava obrigado a prestar declarações; e) a Fiscalização deveria ter considerado o preço de mercado na data da aquisição do imóvel por herança e, se houvesse direito a tributar, utilizar como lucro apenas o valor excedente a R$440.000,00; f) a exigência de tributo somente pode ser feita com base em lei e quando recebido o imóvel por herança, em 1973, inexistia lei que autorizasse a incidência do imposto de renda; pois o Decreto Lei 94/1966, revogou a Lei 3.470/1958 e a Lei 7.731/1988 (rectius: 7.713/1988) é posterior à data em que herdou o bem, e , portanto, não pode retroagir; cita precedentes judiciais; g) não cabe a multa de ofício, pois não almejou ocultar, fraudar ou sonegar, tanto que a Fiscalização não teve dificuldade em apurar o suposto e “criado” crédito tributário; por analogia deve ser aplicado o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN; no mínimo deveria ter havido redução no valor da multa; h) a cobrança de juros moratório caracterizou confisco e/ou majoração ilegal da multa; os juros de mora são ilegais, pois não houve mora e os valores considerados devidos são atualizados pela variação da UFIR na data do Auto de Infração; a exigência de multa e juros configura bis in idem; i) impugnou os valores atribuídos aos imóveis e cálculos constantes do Relatório de Ação Fiscal por serem irreais e fictícios. A impugnação foi indeferida, em síntese, pelos fundamentos abaixo: a) não foram apresentadas as Declaração de Ajuste Anual dos exercícios 1996 e 1997, portanto, o imóvel não foi arrolado em qualquer declaração de bem e direitos; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 b) a tributação do ganho de capital é amparada pelo art. 3º, §§ 2º e 3º da Lei 7.713/1988 e pelo inciso I do art. 18 da Lei 8.134/1990, dispositivos consolidados nos art. 798, 799, 805 e 808 do RIR1994; c) o ganho de capital foi apurado conforme previsto nas Instruções Normativas 39/1993 e 31/1996, aplicáveis às alienações ocorridas em 1997; essas instruções disciplinaram o disposto nas Leis 8.383/1991, 8.981/1995 e 9.249/1995; d) o inciso II do art. 13 da IN SRF nº 31/1996 estabelece que no caso de bens adquiridos por herança, até 31/12/1994, considerase custo de aquisição o valor da avaliação judicial ou o valor atribuído pelos herdeiros, quando forem capazes, desde que haja concordância da Fazenda Pública Estadual/Municipal; e) não houve arbitramento do custo de aquisição, e sim apuração em conformidade com os documentos juntados aos autos e nos termos da legislação; f) o impugnante não juntou documento que comprove a existência e os custos das alegadas benfeitorias e, como se trata de alienação de imóvel rural, o custo de aquisição é o valor relativo à terra nua, portanto, despojado das benfeitorias, conforme art. 17, caput e parágrafo único, da IN SRF nº 31/1996; g) quanto às terras adquiridas, em 10/06/1998, de Terezina Atefani Bettio, não houve incorreção na apuração do custo e no Relatório de Ação Fiscal foi demonstrado como feito o cálculo, consoante trechos transcritos no acórdão recorrido (fls. 159/164 da numeração digital); h) como não era o único imóvel do contribuinte e o valor que recebeu superou os R$440.000,00 não há direito à isenção alegada; i) não houve aplicação retroativa da Lei 7.713/1988, pois fato gerador é a alienação do imóvel ocorrida em 1997 e não a sua aquisição; j) a IN SRF 48/1998 não tem aplicação para o fato gerador ocorrido em 1997, ainda assim, não se vislumbra que levaria a cálculo diverso; k) foi atribuído ao impugnante 50% do ganho de capital, equivalente a sua coparticipação no imóvel; l) os precedentes judiciais apontados pelo impugnante não possuem efeito vinculante; m) a multa de ofício que foi aplicada não requer a presença de dolo e, no âmbito administrativo, por estar expressamente prevista em lei, não se pode deixar de aplicála ou reduzir seu valor; n) os juros de mora possuem amparo em lei e assim deve ser mantida a exigência. O contribuinte faleceu em 02/07/2005 (fls. 177 e 240, da numeração digital). Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006359/200153 Acórdão n.º 2802003.289 S2TE02 Fl. 246 5 A ciência do acórdão ocorreu em 21/11/2005 (fls. 137) e o recurso voluntário (fls. 138/147) foi interposto pelo espólio, em 21/12/2005 (fls. 149). A peça recursal, essencialmente é uma reiteração das alegações expostas na impugnação. Unicamente foi acrescido que a Portaria nº 80/1979, em que se fundamenta a decisão recorrida, extrapola os dizeres da lei vigente, qual seja o DecretoLei 1.641/1978, que não contempla hipótese de ganho de capital na alienação de imóvel adquirido por herança e foi suprimida a impugnou dos valores atribuídos aos imóveis e cálculos constantes do Relatório de Ação Fiscal que na impugnação foram contestados como sendo irreais e fictícios. Foi negado seguimento ao recurso voluntário pela falta do arrolamento de bens, entre outras razões, (fls. 157/161) e deuse a inscrição em dívida ativa e ajuizamento. Reconhecida a inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens como requisito para seguimento do recurso voluntário, procedeuse o cancelamento da inscrição em dívida ativa (fls. 185) e devolução do processo para apreciação do recurso voluntário. Documentos anexos noticiam que a execução fiscal foi extinta sem julgamento do mérito (fls. 178/184). O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de outubro de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O recurso voluntário assentadase em um equívoco básico, o fato gerador é a alienação do imóvel em 1997 e não sua aquisição em 1973, por isto que o lançamento amparouse na Lei 7.713/1988. Não se tratou de aplicação retroativa da Lei 7.713/1988. Outro equívoco do recorrente buscar invalidar o lançamento e a decisão de primeira instância, atacando a Portaria MF nº 80/1979 ou alegando que a Lei 3.470/1958 estava revogada, posto que o lançamento não se baseou nesses diplomas legais e a decisão recorrida não se fundamentou na Portaria MF 80/1979. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O acórdão recorrido adequadamente rechaçou a tese de isenção, uma vez que não era alienação de único imóvel e o valor superou os R$440.000,00. Também não merece reparo o acórdão recorrido quando assinala que a IN SRF 48/1998 não tem aplicação em relação ao fato gerador ocorrido em 1997, pois entrou em vigor após esse período, bem como é irreparável o aresto no ponto em que consignou que as alegações envolvendo custos de benfeitorias devem ser rejeitadas porque não houve comprovação documental – o que não foi contestado no recurso voluntário e porque no caso de imóvel rural o custo de aquisição corresponde ao valor da terra nua. A apuração do ganho de capital foi minuciosamente demonstrada no Relatório de Ação Fiscal (fls. 05/13) e trechos desse Relatório foram transcritos na decisão recorrida para destacar como foi formado o custo de aquisição do imóvel alienado. Todavia, essencialmente limitandose a repetir a tese impugnatória de que não haveria previsão legal para exigência do ganho de capital sobre imóvel adquirido por herança, a peça recursal não contesta o detalhado cálculo adotado pela autoridade fiscal. A autoridade fiscal demonstrou que o custo de aquisição corresponde ao somatório de várias parcelas relativas à aquisição dos imóveis de matrículas nº 1.742, herdado em 1977, 56.185 e 56.186, ambos adquiridos por compra em venda em 1991. O custo de aquisição da parte herdada foi apurado a partir do valor dos autos do inventário (art. 13, II da IN SRF 31/1996), que também foi o que constou do Registro Imobiliário; ao passo que o custo de aquisição relativo às partes compradas foi considerado com base nas escrituras de compra e venda. Notese que o critério da IN SRF 31/1996, adotado no lançamento, corresponde ao previsto no inciso III do art. 16 da lei 7.713/1988. O acórdão recorrido adequadamente apontou a base legal para a tributação do ganho de capital e para calcular o custo de aquisição do imóvel adquirido por herança, contudo o recorrente não confronta os fundamentos do acórdão recorrido. Assim, o lançamento do imposto incidente sobre o ganho de capital deve ser mantido íntegro tal como apurado pela autoridade fiscal. A multa de ofício aplicada no percentual de 75% é prevista no art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, independente de dolo e não se aplica a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, pois não houve pagamento nem confissão espontânea da infração. A vinculação do Órgão Julgador à lei impede a redução do valor da multa. Quanto aos juros exigidos com base na SELIC, não cabe ao CARF apreciar alegação de confisco pois corresponderia a análise de inconstitucionalidade de lei, o que é vedado. Aplicamse as Súmulas CARF abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006359/200153 Acórdão n.º 2802003.289 S2TE02 Fl. 247 7 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A multa de ofício e os juros de mora possuem natureza jurídica distintas, sendo descabida a alegação de bis in idem. Outrossim, conforme demonstrado às fls. 15, os juros incidiram sobre o imposto (69,47% aplicado sobre o imposto de R$82.006,77) e não sobre a multa de ofício (exigida em 75% sobre o imposto de R$82.006,77). A atualização do valor do imposto deuse, exclusivamente, pela Selic, não houve a alegada correção do imposto pela variação da UFIR (fls. 15). Diante do exposto, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16327.720049/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 116.518.360,71, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 2. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 04 9/ 20 13 -6 2 Fl. 5669DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.669 2 Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 34.184.845,07, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 20.510.907,04, lavrados contra o interessado acima qualificado, pela DEINF São Paulo (SP), referente ao anocalendário de 2008. Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais encargos de juros moratórios. As infrações apuradas foram as seguintes: IRPJ 1) Amortização indevida de ágio na incorporação de sociedade. 2) Perda no recebimento de créditos deduzida indevidamente, por inobservância dos requisitos legais. 3) Omissão de receitas referente a cessão definitiva de direitos creditórios, gerando redução indevida de lucro sujeito à tributação. CSLL Lançamentos decorrentes da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cuja infração ocasionou insuficiência na determinação da base de cálculo destas contribuições. No Termo de Verificação (fls. 4.721/4.759) elaborado pela fiscalização consta o seguinte. 1) CESSÕES DE DIREITOS CREDITÓRIOS Em 2008, o Banco Bradesco Financiamentos S/A efetuou operações de cessão de crédito consignado com o BMC Fundo de Investimento Crédito Consignado INSS. Dessa forma, o Contribuinte foi intimado a apresentar as informações abaixo, referentes a essas cessões de direitos creditórios: 1) Contratos de Cessão de Crédito Consignado INSS para o BMC Fundo de Investimento Crédito Consignado INSS; 2) Contabilização das operações de cessão desses créditos, detalhando as contas COSIF, patrimoniais e de resultado; 3) Reconhecimento dos resultados dessas cessões para fins de apuração do Lucro Real. Em 30/01/2012 o contribuinte entregou resposta ao Termo de Intimação, apresentando documentos referentes a cessão de créditos. Foram celebrados seis contratos de cessão de créditos pelo valor total de R$726.672.633,48. Na resposta apresentou a contabilização das operações de cessão desses créditos, informando: 1) Valor da cessão dos créditos: R$726.672.533,48; 2) Valor contábil dos créditos: R$600.627.403,11 Resultado da Cessão (1 – 2) R$125.987.153,21 Foram reconhecidas nesse resultado despesas antecipadas de: Fl. 5670DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.670 3 1) Comissões: R$65.165.892,64 2) Seguros prestamistas: R$18.971.651,39 Dessa forma, o resultado líquido da cessão foi de R$ 41.849.610,18, a ser apropriado ao resultado pelo prazo da cessão. Na contabilização apresentada ficou evidenciado o reconhecimento de despesas antecipadas. Com relação ao reconhecimento dos resultados das cessões para fins de apuração do Lucro Real informou que os resultados com a cessão estão registrados na conta COSIF 7.1.1.05.006 Rendas de Empréstimos, sendo reconhecidos proporcionalmente ao prazo, da cessão para fins de apuração do Lucro Real, conforme nota do Balanço de publicação em 31/12/2008. O Banco Bradesco Financiamentos S/A reconheceu as despesas de comissões e seguros prestamistas de forma antecipada por ocasião da cessão dos créditos. Não fez o mesmo por ocasião do reconhecimento do resultado positivo, auferido na cessão. Está reconhecendo proporcionalmente ao prazo de cessão. Utilizou dois critérios diferentes. As despesas são reconhecidas de imediato e o resultado positivo ao longo do tempo. Esses critérios contraditórios reduzem o resultado no ano de 2008. Foram também entregues cópias dos seis Termos de Cessão de Direitos Creditórios, onde o Banco Bradesco Financiamentos (antigo Banco Finasa BMC) consta como Cedente dos direitos creditórios e BMC Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Credito Consignado consta como Cessionário. Os seis contratos foram analisados e a cláusula 2 desses Termos estabelece: "Pelo presente Termo de Cessão, o Cedente cede e transfere a Cessionária, sem qualquer direito de regresso ou coobrigação do Cedente, os Direitos Creditórios descritos na relação de Direitos Creditórios Cedidos, conforme descrito no Anexo A ao Contrato de Cessão, pelo Preço de Aquisição/Valor Negociado acima especificado, mediante crédito na Conta Corrente Autorizada conforme o caso, pelo que o Cedente dá à Cessionária a mais ampla, geral, irrevogável e irretratável quitação, para nada mais reclamar, seja a que tempo e título for". Considerando o disposto na cláusula 2 citada acima, o Banco Bradesco Financiamentos foi intimado em 29/11/2011 a apresentar as razões, com respaldo na legislação tributária, dos resultados dessas cessões estarem sendo reconhecidos proporcionalmente ao prazo da cessão para fins de apuração do Lucro Real, ao invés de terem sido reconhecidos integralmente por ocasião da cessão no ano de 2008. Em 15/01/2013 entregou resposta da intimação afirmando "Esclarecemos que as operações realizadas pelo Banco Bradesco Financiamentos seguiram práticas para apuração do resultado do exercício no caso aplicáveis". Também foi intimado em 08/01/2013 a apresentar quanto do resultado dessa cessão foi reconhecido no ano calendário de 2008. Respondeu em 15/01/2013 que no ano calendário de 2008 foi apropriado ao resultado do período o montante total de R$ 6.166.970,77. Em face da eficácia atual do art. 6º do Decretolei nº 1.598/77, não há dúvida de que a legislação tributária determina a obrigatória adoção do regime de competência Fl. 5671DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.671 4 para o registro de todas as mutações patrimoniais. As exceções são aquelas explicitadas na própria lei. No capítulo 3 do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações o item 3.1.5.3 trata do "Princípio da Realização da Receita", com o enunciado abaixo: "A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos, ou serviços produzidos o prestados pela Entidade são transferidos para outra Entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora..." Aplicando o enunciado ao caso em questão temos que o Banco Bradesco Financiamentos (antigo Banco Finasa BMC) transferiu para o BMC Fundo de Investimento Crédito Consignado INSS créditos de sua propriedade, com a anuência deste e mediante pagamento. Dessa forma deveria ter reconhecido a receita no momento da transferência. Porém, o resultado da cessão dos direitos creditórios não foi reconhecido por ocasião da cessão e sim pelo prazo da cessão. O Banco Bradesco Financiamentos (antigo Banco Finasa BMC) cedeu e transferiu ao BMC Fundo de investimento em Direitos Creditórios Credito Consignado, sem qualquer direito de regresso ou coobrigação do Cedente, os Direitos Creditórios descritos na relação de Direitos Creditórios Cedidos. Ou seja, foi uma cessão definitiva sem nenhuma coobrigação ou direito de regresso por parte do ao BMC Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Credito Consignado. Dessa forma, não existe nenhuma razão do resultado dessa cessão ser apropriado pelo prazo dos créditos. O resultado de R$ 41.849.610,18 deve ser sido reconhecido integralmente no ano de 2008, obedecendo aos princípios contábeis, regime de competência e legislação tributária. Reconheceu somente R$6.166.970,77. Considerando o exposto, o valor de R$35.682.639,41 será adicionado na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo da CSLL do ano calendário de 2008, conforme artigos 247, 248, 249, inciso II, 251, 273, 277 e 278 do RIR 99. 2) PERDAS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO O CONTRIBUINTE PAGOU E NÃO IMPUGNOU. [...] 3) DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO O Banco Bradesco Financiamentos reconheceu na Linha 22 da Ficha 05B da DIPJ no ano calendário 2008, "Encargos de Depreciação e Amortização", o valor de R$136.769.153,75. Foi intimado a apresentar a origem do valor, detalhando quais empresas foram incorporadas e também a apresentar fundamentos, cálculos, laudos de avaliação, fluxos de pagamentos e contabilização por ocasião das aquisições das empresas. Informou que no período de março a dezembro de 2008 foi amortizado o valor de R$83.819.039,83, referente à incorporação da Milão Holdings. Com relação à apresentação dos fundamentos, cálculos, laudos de avaliações, fluxos de pagamentos e contabilização por ocasião das aquisições das referidas empresas, informou que toda a documentação foi apresentada no atendimento da Ação Fl. 5672DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.672 5 Fiscal objeto do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) / Registro de Procedimento Fiscal (RPF) nº 081660020090005297. Nessa Ação Fiscal o valor de R$ 5.260.609,13, referente à amortização de ágio no mês de março de 2008, devido à incorporação da Milão Holdings, foi adicionado de ofício na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. A autuação é objeto do processo nº 16327.721708/201116. O montante de R$ 83.819.039,83 é referente à amortização de uma parcela do ágio de R$ 631.273.103,20, apurado na incorporação da Milão Holding Ltda CNPJ n° 08.427.524/000175 ("MILÃO"). O Termo de Verificação lista diversos documentos apresentados pelo interessado referente à reestruturação societária envolvendo do ágio acima referido. Da análise dos documentos apresentados, a fiscalização entendeu o seguinte: A parcela do ágio proveniente da inclusão das despesas de Ajustes de "Due Diligence" no resultado do mês de agosto de 2007 não está fundamentada em rentabilidade futura, na forma do disposto no inciso II, do § 2°, do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598/77. Assim, de plano, importaria glosar as despesas de Ajustes de "DueDiligence" na determinação do valor do ágio, e conseqüentemente, no valor das parcelas mensais de ágio até então amortizadas, por descumprimento do disposto no dispositivo legal acima citado. No entanto, ainda segundo a fiscalização, todo o ágio apurado na compra do BMC pelo BRADESCO não atendeu aos requisitos legais para a sua dedutibilidade. O ágio aqui tratado teve origem na aquisição do BMC pelo BRADESCO conforme "Instrumento Particular de Compromisso de Incorporação de Ações e Outras Avencas", celebrado em 23/01/2007, para aquisição de 100% das ações de emissão do BMC pelo BRADESCO, objeto de Fato Relevante publicado em 25 e 26/01/2007, em atendimento ao disposto na Instrução CVM n° 358, de 01/01/2002. As avaliações dos patrimônios das sociedades foram feitas conforme segue: 1) a valor contábil em Balanços Patrimoniais levantados pelo BRADESCO e BMC, em 31/12/2006, auditados pela PricewaterhouseCoopers e KPMG Auditores Independentes; 2) a valor econômico do BMC avaliado pela Ernest & Young Assessoria Empresarial Ltda. na mesma data; Em 31/12/2006, o capital social do BMC era de R$ 180.669.592,25, dividido em 110.939.034 ações ordinárias e 104.499.391 ações preferenciais. De acordo com os Balanços Patrimoniais específicos das sociedades levantados em 31/12/2006 foram apurados os seguintes Patrimônios Líquidos Contábeis: BMC R$ 284.584.311,99 BRADESCO R$ 24.636.361.909,09 A efetivação do investimento (aquisição) se deu em 24.08.2007, conforme Ata da AGE do Banco BMC, mediante critérios de relação de substituição de ações Fl. 5673DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.673 6 previamente definidos no "Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação da Totalidade das Ações Representativas do Capital Social do Banco BMC S/A", a saber: a) Foi atribuído o valor de R$ 789.559.000,00 às 215.438.425 ações do BMC, equivalente a R$ 3,664894041 por ação; b) Foi atribuído o valor de R$ 84,902779 por ação do BRADESCO, com base na cotação média diária das ações ordinárias e preferenciais de emissão do BRADESCO verificada nos pregões realizados na Bolsa de Valores de São Paulo, no período compreendido entre os dias 08 e 22/01/2007; c) Considerando o valor econômico de R$ 3,66489041 do BMC e o valor de R$ 84,902779 por ação do BRADESCO, a relação de troca foi de R$ 0,086331545 fração de ação do BRADESCO (0,043166014 fração de ação ordinária e 0,043165531 de ação preferencial) para cada ação de emissão do BMC, já considerado os efeitos da bonificação de 100% das ações efetivada na AGE do BRADESCO de 12/03/2007; d) Assim, foram atribuídas aos acionistas do BMC em substituição às ações de que eram proprietários, 18.599.132 novas ações nominativas escriturais, sem valor nominal, sendo 9.299.618 ordinárias e 9.299.514 preferenciais, representativas do capital social do BRADESCO, mantendose a mesma proporção de ações ordinárias e preferenciais existentes no capital social do BRADESCO na época da assinatura do compromisso para incorporação das ações de emissão do BMC. Importa salientar que para a avaliação econômicofinanceira do BMC, foi adotada a metodologia de Fluxo de Caixa Descontado. Este método é reconhecido como o que mais traduz o valor econômico de um empreendimento, sendo utilizado pela maioria das empresas, e é tido como o modelo que melhor determina o valor relativo entre companhias. Consiste na projeção do comportamento futuro dos parâmetros econômicos básicos do Banco. O valor do Banco BMC avaliado pela Ernest & Young foi de R$ 789.559.000,00, mesmo valor pago pelo Bradesco. Com vistas a antecipar os efeitos tributários da amortização do ágio, o BRADESCO, após a aquisição do BMC, desencadeou um processo de reorganização societária ocorrida no período de agosto de 2007 a abril de 2008, envolvendo a empresa Milão Holdings Ltda, o Banco FINASA S/A e o Banco BMC S/A (BMC, Bradesco Financiamento, contribuinte). Inicialmente, em 30/08/2007, o BRADESCO transferiu o investimento no BMC para a MILÃO, mediante aumento de capital e passou a deter cem por cento do capital social da MILÃO. Posteriormente, a MILÃO foi incorporada pelo Banco FINASA que era subsidiária integral do BRADESCO, e finalmente o Banco FINASA foi incorporado pelo próprio BMC que passou a ser subsidiária integral do BRADESCO, voltando a situação fática inicial, ou seja, o BRADESCO como detentor de cem por cento do Capital do BMC. Nesta reorganização societária o ágio, que inicialmente deveria ser amortizado pelo BRADESCO, passou a ser amortizado pela MILÃO, posteriormente pelo Banco FINASA que incorporou a MILÃO, e, finalmente, pelo próprio BMC que incorporou o Banco FINASA. Fl. 5674DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.674 7 Para o prosseguimento da análise dos fatos até então narrados, convém discorrermos sobre a empresa Milão Holdings Ltda. que recebeu o investimento do BRADESCO no BMC. A MILÃO, empresa de participação pertencente ao conglomerado Bradesco, nasceu em outubro de 2006, e tinha como sócios a União Participações Ltda. CNPJ n° 05.892.410/000108, com 99,90%, cujo sócio era a Bradesplan Participações CNPJ nº 61.782.769/000101 com 99,99% e o BRADESCO com 0,01% participação no capital social, e a própria Bradesplan Participações com 0,10% de participação no capital. O capital social era de R$1.000,00. Em 30/08/07 o BRADESCO transferiu o investimento no BMC mediante aumento do capital da MILÃO de R$ 789.559.000,00 a qual passou a deter 100% do Capital do Banco BMC S/A (BMC) que era de R$ 196.482.975,00. A sócia cotista Bradesplan Participações retirouse da sociedade em 29/04/2008, cedendo e transferindo 1 (uma) cota de que era titular ao BRADESCO. Em consequência, o BRADESCO passa a deter a totalidade do capital social da MILÃO, representado por 789.560.000 cotas. No recebimento do investimento do BRADESCO, a MILÃO realizou os seguintes lançamentos contábeis: Data: 30.08.2007 Débito: 1.3.1.1.1.181 Ativo Permanente Investimentos em Coligadas e Controladas Banco BMC S/A Valor: R$ 789.559.000,00 Crédito: 2.8.1.1.1.001 Passivo Patrimônio Líquido Capital Social Valor: R$ 789.559.000,00 Histórico: Vr. Ref. Aumento de Capital elevandoo de R$1.000,00 para R$789.560.000,00, com a emissão de 789.559.000 cotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada uma, com o Ativo Permanente (Investimentos) do Banco BMC S/A, conforme Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social – 2ª Alteração desta data. Débito: 1.3.1.1.2.047 – Ativo Ágio em Investimentos – Ágio Banco BMC S/A Valor: R$ 631.273.103,20 Crédito: 1.3.1.1.1.181 Ativo Permanente Investimentos em Coligadas e Controladas Banco BMC S/A Valor: R$ 631.273.103,20 Histórico: Valor referente ao Ágio relativo ao aumento do Capital Social mediante a emissão de 789.559.000 cotas do Banco BMC S/A Débito: 5.1.3.1.7.008 Operacionais Administrativas Despesas com Provisão para Amortização de Ágio Banco BMC S/A Valor: R$ 631.273.103,20 Crédito: 1.3.1.1.7.013 Ativo Permanente Investimentos em Coligadas e Controladas Provisão para Amortizações de Ágio em Investimento Banco BMC S/A Valor: R$ 631.273.103,20 Histórico: Vr. Ref. A provisão da Amortização do Ágio relativo ao aumento do Capital Social mediante a emissão de 789.559.000 cotas do BMC S/A Fl. 5675DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.675 8 O total do ágio amortizado pela MILÃO, no período compreendido entre 30/09/2007 a 31/03/2008, no valor de R$ 36.824.263,70, correspondente a sete parcelas de R$ 5.260.609,10, não teve qualquer efeito fiscal. Os lançamentos contábeis foram efetuados a débito da conta contábil COSIF n° 1.3.1.1.7.013 Provisão para amortização de ÁgioBanco BMC S/A e a crédito da conta do ativo COSIF n° 1.3.1.1.4.038 Ágio em investimentos Amortização de Ágio Banco BMC S/A. Na sequência do processo de reorganização societária, o Banco FINASA, após dois sucessivos aumentos de capital, a fim de promover o necessário equilíbrio patrimonial entre ele e a empresa MILÃO, incorporou a MILÃO, conforme Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação, firmado entre o Banco Finasa S/A (Sociedade Incorporadora) e Milão Holdings Ltda (Sociedade Incorporada), em 28/04/2008, e aprovado pela Assembleia Ordinária e Extraordinária realizadas cumulativamente, em 29/04/08. A Ata da AGOE que aprovou a incorporação foi arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP, em 03/12/2008. O motivo da incorporação alegado foi: "a reorganização societária objetivando transferência do controle societário do BMC, da MILÃO (sociedade incorporada) para o FINASA (sociedade incorporadora), como passo necessário para futuro alinhamento das linhas de negócios do FINASA e BMC, a ser implementado na sequência ao presente processo, ao mesmo tempo permitindo desde já a racionalização e, consequentemente, redução dos custos operacionais, administrativos e legais advindos da manutenção da MILÃO." A relação de troca de ações foi calculada entre os Patrimônios Líquidos Contábeis das sociedades apurados em Balanços Patrimoniais levantados em 31.03.2008. Aprovada a operação houve um aumento de capital no Banco FINASA de R$ 404.230.395,59, mediante a emissão de 531.987.517 novas ações ordinárias nominativas escriturais, sem valor nominal, que foram atribuídas ao BRADESCO, em substituição as 789.560.000 cotas de emissão da MILÃO, que foram extintas. Os lançamentos contábeis efetuados pelo Banco FINASA foram os seguintes: Data: 29.04.2008 Débito: 2.1.2.10.15.4 Ativo Permanente Investimentos em Coligadas e Controladas Outras Participações MEP Milão Holdings Valor: R$ 189.597.301,83 Débito: 2.1.2.10.15.4 Ativo Permanente Investimentos em Coligadas e Controladas Outras Participações MEP Ágio Milão Holdings Valor: R$ 631.273.103,20 Crédito: 6.1.1.00.004 Passivo Patrimônio Líquido Capital Social Ações ordinárias País Valor: R$789.559.000,00 Histórico: Incorporação de saldos da Milão Holdings 31/03/08 Em 30/04/2008 o Banco FINASA amortizou uma parcela do Ágio correspondente a 1/120 avos, no valor de R$5.260.609,19, totalizando até esta data 8/120 avos do valor do ágio, mediante o seguinte lançamento: Data: 30.04.2008 Fl. 5676DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.676 9 Débito: 8.1.9.99.00.6 Outras Despesas Operacionais Amortização de Ágio Valor: R$ 5.260.609,19 Débito: 1.8.8.92.00.4 Ativo Devedores Diversos Pais (conta interna 189509 5) Valor: R$ 5.260.609,19 Histórico: Reversão de amortização de Ágio Banco BMC Concluindo o processo de reorganização societária, o BMC incorporou o Banco FINASA, conforme Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação, firmado entre o Banco FINASA BMC S/A (BMC) (Sociedade Incorporadora) e Banco FINASA S/A (Sociedade Incorporada), datado de 28/04/2008, e aprovado em 30/04/08, conforme Ata da Assembleia Extraordinária, arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP em 10/11/09. O objetivo visado pela operação de incorporação foi: "a reorganização societária objetivando o alinhamento das linhas de negócios dos Bancos FINASA e BMC, o que dotará o BMC de estrutura de capital e operacional, compatíveis com o crescimento projetado das operações de crédito e de serviços financeiros, ao mesmo tempo permitindo desde já a racionalização e, consequentemente, redução dos custos operacionais, administrativos e legais decorrentes da unificação dessas estruturas". O cálculo da relação de troca de ações foi efetuado com base nos Patrimônios Líquidos Contábeis das sociedades apurados em Balanços Patrimoniais específicos levantados em 31.03.2008. O PL do BMC apurado foi de R$ 189.597.301,83 e o PL do Banco FINASA de R$11.890.473.871,94, que, considerados os efeitos subsequentes do aumento de capital efetivado em 3.4.2008, no valor de R$5.000.000,00, e do aumento por incorporação da Milão Holdings, efetivada em 29/04/08, no montante de R$ 404.230.395,59, e eliminandose, para efeito de relação de troca, o ajuste positivo de R$ 2.079.597,38 da Marcação de Títulos e Valores Mobiliários a Valor de Mercado e o valor do investimento no FINASA BMC no montante de R$ 189.597.301,83, que passou a deter por incorporação da MILÃO, em 29.04.2008, passa a totalizar R$11.698.796.972,73. Aprovada a operação de incorporação, o capital do BMC aumentou de R$ 180.669.592,25 para R$ 11.879.466.564,98, mediante a emissão de 13.293.281.972 novas ações ordinárias nominativas escriturais, sem valor nominal, atribuídas ao BRADESCO, em substituição as 15.396.204.781 ações de emissão do Banco FINASA, e que foram extintas. As outras 249.519.578 ações ordinárias, nominativas escriturais, sem valor nominal, de emissão do Banco FINASA eliminadas no cálculo da relação de troca, de titularidade do Bradesco, também foram extintas. Em consequência, as 215.438.425 ações ordinárias, nominativas escriturais, sem valor nominal, no valor de R$789.5559.00,00, representativas do capital social do BMC, foram transferidas ao Banco Bradesco S/A, uma vez que representavam o patrimônio líquido do BMC refletido no Banco FINASA. O resultado final destas sequências de operações de reorganização societárias é o retorno à situação fática vivida no momento da aquisição do BMC pelo BRADESCO, ou seja, o BRADESCO continua controlador do BMC, sendo que não ocorreu a alienação ou liquidação do investimento por incorporação, na forma do disposto no art. 386 do RIR/99, e o BMC prossegue com a amortização do Ágio gerado pela sua própria aquisição. Assim, concluise que este ágio não é passível de dedução, considerando que Fl. 5677DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.677 10 foi objeto de aquisição direta de ações e não passou ao patrimônio do BRADESCO por evento de incorporação. Podemos afirmar que um dos objetivos almejados pelo BRADESCO era manter a estrutura do BMC, um banco com forte atuação no mercado de crédito, voltado principalmente para operações de crédito às empresas de médio porte com garantias de recebíveis e empréstimos consignados às pessoas físicas, conforme item 6 do Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira do Banco BMC S/A, unindoo ao Banco FINASA, um banco com forte atuação no mercado de empréstimos e financiamentos e de veículos, e operações de Leasing. O Bradesco pretendeu desde o inicio, também, obter o incentivo fiscal presente nos arts. 7° e 8º da Lei n° 9.532/97, e, para alcançar este objetivo, promoveu indevidamente a antecipação da amortização do ágio previsto na referida norma, mediante reorganizações societárias. O incentivo fiscal pretendido consiste em computar como despesa o valor do ágio na aquisição de participação societária, antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento por incorporação, fusão ou cisão. Assim, tal benefício só poderia ser alcançado se ocorresse uma das hipóteses das operações citadas. O incentivo fiscal referido permite que uma empresa "A" (incorporadora) que incorporar outra empresa "B" (incorporada), da qual detenha a propriedade de participação societária, adquirida com ágio, cujo fundamento seja a expectativa de rentabilidade futura, amortize o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados após a incorporação, à razão de 1/60 avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Também é admitida a incorporação da empresa "A" pela empresa "B", às avessas. No caso concreto a empresa "A" (incorporadora) é o BRADESCO e a empresa "B" (incorporada) é o BMC. Se assim não proceder, fica o contribuinte enquadrado no artigo 391 do RIR/99, que determina que “as contrapartidas da amortização do ágio não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426.” Portanto, o ágio, a principio, não é amortizável na determinação do lucro real, a não ser no momento da alienação ou liquidação do investimento, conforme disposto no art. 426 do RIR/99, quando o ágio deve ser computado na determinação do valor contábil para efeito de apurar o ganho ou perda de capital. Diante do exposto, é fácil perceber que a MILÃO foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transportar o ágio e antecipar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na empresa veículo não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fezse necessário que este ágio fosse transportado para a empresa geradora de lucros suficientes à amortização do ágio, no caso para o Banco FINASA, e, posteriormente, ao BMC que amortiza o ágio fundamentado na sua própria rentabilidade. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. Com a incorporação da MILÃO, o Banco FINASA tornouse controladora do BMC. Posteriormente, o BMC incorporou o Banco FINASA, continuando a amortizar o ágio de si próprio. Sendo assim, se pode concluir que o FINASA também serviu de empresa veículo para a amortização do ágio. Fl. 5678DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.678 11 A MILÃO, na sua curta existência, permaneceu "inativa", e apresentou a Declaração de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, do ano calendário de 2007, com esse status. Na DIPJ do anocalendário de 2008 consta apenas uma operação: o recebimento do patrimônio do Banco BMC, em trânsito para o Banco FINASA, com ágio fundamentado em rentabilidade futura. Sua existência se justifica apenas para ser usada como veículo na realização de um planejamento tributário, aqui mediante reorganizações societárias em sequências preordenadas, desaparecendo em seguida por incorporação. No jargão do planejamento tributário a MILÃO é conhecida como sociedade fictícia: "a pessoa jurídica é apenas de papel, não materializa nenhum empreendimento que a lastreie; é mera sociedade de papel.” É criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto, pode desaparecer. Em resumo, o único papel da MILÃO em todo o processo foi: a) receber o patrimônio do BMC do BRADESCO, em 30/08/2007, seis dias após a realização da AGE do BMC que aprovou a sua aquisição pelo BRADESCO, em 24/08/07, carregando consigo o ágio apurado; b) ser incorporada pelo Banco FINASA, em 29/04/2008, desaparecendo oito meses após receber o patrimônio do BMC e; c) tornar possível a amortização do ágio. Para a justificação das razões econômicas que levaram o BRADESCO a transferir para a MILÃO o patrimônio do BMC, a fiscalização solicitou ao contribuinte, no item 7 da intimação lavrada em 02/06/2011, que apresentasse cópia do Ato Societário que transferiu a totalidade das ações de emissão do Banco BMC pertencentes ao BRADESCO, em 24/08/2007, por força do evento societário de aquisição das ações do Banco BMC S/A para a Milão Holdings Ltda, cuja ficha 52 da DIPJ, relativa ao ano calendário de 2007 Participação em Coligadas e Controladas revela participação de 100% no capital social do Banco BMC S/A. No entanto, não foi fornecido o documento solicitado e tampouco esclarecido os motivos da transferência. No seu lugar foi reapresentada a Ata da AGE do BMC de 24/08/2007 que aprovou a incorporação de ações. Face à ausência desta documentação, a fiscalização afirma que não existem motivos autônomos que justifiquem a utilização da empresa fictícia, nem, tampouco, das operações estruturadas em sequencia (step transacions) perpetradas. Salientese que não se nega ao contribuinte a liberdade individual de organizar seus negócios, de modo a pagar o menor tributo, mas questionase os meios do seu exercício. O próprio ordenamento jurídico impõe limites ao exercício dessa liberdade, constituindo abuso de direito a extrapolação destes limites. A fiscalização afirma que o encadeamento das step transacions, mediante a utilização da empresa fictícia MILÃO, teve como propósito tributário antecipar a amortização da despesa de ágio proveniente da aquisição do BMC. O planejamento tributário encadeado pelo BRADESCO consistiu em fraude à lei, prevista no artigo 166, VI, da Lei 10.406/2002 (Código Civil de 2002) “ É nulo o negócio jurídico quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa” Segundo Marco Aurélio Greco (Op. Cit. p. 241): "Nesta figura, estamos perante duas normas (ou uma norma e uma ausência de previsão expressa) do ordenamento: Fl. 5679DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.679 12 a) uma norma imperativa de tributação que se considera indesejada à qual o contribuinte não quer se submeter (a norma contornada): e b) uma norma ou uma ausência de previsão expressa, que o contribuinte utiliza para evitar a norma contornada (a norma de contorno). Na fraude à lei o contribuinte monta determinada estrutura negocial que se enquadre na norma de contorno para, desta forma, numa expressão coloquial, "driblar" a norma contornada. Com isto pretende fazer com que a situação concreta seja regulada pela norma de contorno, com o que ficaria afastada a aplicação da norma de tributação (ou tributação mais onerosa)." Adaptandose a definição ao presente caso, a fiscalização afirma: 1 Norma contornada: artigo 391, do RIR/99; Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426. 2 Norma de contorno: artigo 386 III cc § 6°, II, do RIR/99; Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior: (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) § 6° O disposto neste artigo aplica se, inclusive, quando: II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (...) 3 Situação concreta: aquisição pelo Banco Bradesco de 100% da participação societária do Banco BMC S/A, com ágio fundamentado em rentabilidade futura; 4 Estrutura negocial montada: utilização da MILÃO (empresa fictícia) para, após sua incorporação, tornar aplicável a norma de contorno, ou seja, a permissão para a antecipação da amortização do ágio para fins tributários. O BRADESCO estaria proibido de amortizar, para fins tributários, o ágio oriundo da aquisição do BMC, exceto no caso de alienação ou liquidação (incorporação) da participação societária, o que não ocorreu (norma contornada, art. 391, do RIR/99). Para fugir a esta proibição o BRADESCO montou uma estrutura negocial que se enquadrava à norma de contorno (artigo 386, III cc § 6°, II, do RIR/99), ou seja, usou a MILÃO, sua controlada, para servir de transporte do ágio para, logo após, promover a sua incorporação. Fl. 5680DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.680 13 Os atos praticados pelo contribuinte devem se revestir de razões econômico financeiras, comercial ou societária que os justifiquem, e não somente embutir exclusivamente a finalidade de pagar menos tributos. Desta forma, não há razão para se aceitar esta construção arquitetada pelo BRADESCO para antecipar a amortização do ágio para fins tributários, efetuada através da montagem de operações estruturadas em sequência, utilizandose de uma empresa fictícia. A despesa de amortização de ágio lançada pelo contribuinte em 31/12/2008, no valor de R$ 78.558.430,70, correspondente à amortização, no período de maio de 2008 a dezembro de 2008, afetou a apuração do lucro real no cômputo da Linha 22, da Ficha 05B, da DIPJ do anocalendário 2008 Encargos de Depreciação e Amortização, razão pela qual, será adicionada de ofício, na determinação do Lucro Real e da Base e Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), na forma do disposto nos artigos 249, inciso I, 251, 299, 324, §§ 25 e 49, e 325 do RIR/99. Inconformado, o interessado apresentou impugnação, em 20/02/2013 (fls. 4.782/4.893), alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente Reexame do período fiscalizado sem a autorização do superior hierárquico. Violação da lei por descumprimento do art. 906 RIR e do art. 42 do Decreto n° 7.574/2011. . que a presente ação fiscal possui respaldo no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n° 08.1.66.002010005572, de 22/12/2010, o qual nada registra acerca da CSLL. . que anteriormente à lavratura do presente mandado objeto deste processo, já havia outra ação fiscal, objeto de outro Mandado de Procedimento Fiscal (08.01.66 2009005297, em 10.11.2009), com foco na apuração do mesmo tributo, e mesmo período de apuração. . que a primeira ação fiscal somente foi encerrada em 08.12.2011, com a lavratura do Auto de Infração, tombado sob o n° 16327.721708/201116, no qual a infração imputada foi o aproveitamento indevido do ágio no anocalendário de 2008. . que, não obstante o mesmo ágio e mesmo anocalendário/período, os fatos atinentes ao presente processo foram objeto de duas fiscalizações distintas, baseadas em diferentes Mandados de Procedimento Fiscal – MPF. . que não consta no presente processo autorização expressa e escrita assinada pelo Delegado da Receita Federal da jurisdição da Contribuinte, conforme previsão contida no art. 906 do RIR/1999, e art. 42 do Decreto n° 7.574/2011, tendo havido um novo exame no período fiscalizado, sem a devida autorização escrita e assinada pela autoridade hierarquicamente superior, o que macula a 2ª fiscalização de vício insanável. . que é nulo o ato expedido pelo AFRB, sem autorização do seu superior hierárquico, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. . que não vale alegar que o MPF emitido substituiria tal autorização pois, ao contrário do MPF que é uma autorização geral, a autorização para o reexame de período já fiscalizado e, no caso, objeto de autuação, deve ser específica e expressa; cita ementas de acórdãos do CARF. Fl. 5681DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.681 14 No mérito Com relação à amortização do ágio. . que as reorganizações societárias do mundo financeiro têm dinâmica e regras próprias, só acessíveis para quem se aprofunda nos seus meandros e suas particularidades, que são especialmente complexos, quando envolve a movimentação de um grande conglomerado empresarial, como é o caso deste dos autos. . que não é de estranhar, portanto, que tenha escapado à fiscalização da Receita Federal do Brasil a realidade estratégica das instituições financeiras aqui discutidas. . que o BRADESCO, com o fim de conquistar o segmento de crédito ao consumo e poder enfrentar a acirrada concorrência: consignado, de automóveis, bens, pequenas empresas e correlatos, procedeu a uma reorganização societária no grupo, seja fortalecendo uma já controlada (FINASA), seja adquirindo outra empresa concorrente que vinha se destacando na praça (BMC). . que a FINASA (antigo Continental Banco S/A) foi adquirida pelo BRADESCO, desde o ano de 1998, com o objetivo negocial de atuar no ramo do crédito de automóveis. . que, como o crédito de consumo/popular é um segmento apartável das operações usuais do BRADESCO, não seria conveniente, por questões econômico empresariais, trazer essa frente de atuação para dentro da principal empresa do grupo, pois poderia causar perda de eficiência, já que as duas empresas (FINASA e BMC) precisariam de administração específica e especializada. . que tais instituições visam atender, também, não correntistas do BRADESCO, daí sendo mais eficazes atuando separadamente, pois, além de não criarem barreiras para clientes de outros bancos, poderiam fazer mais na busca de seduzir nova clientela para o BRADESCO, justamente pela excelência nos produtos e serviços ofertados. . que esse primeiro norte explica porque o BRADESCO não fez a negociação de forma a incorporar de imediato o BMC: o cumprimento de um propósito negocial maior. . que seria mais cômodo e bastante vantajoso para fins tributários, se este fosse o foco, adotar tal caminho, pois a amortização do ágio na aquisição do próprio BMC já poderia ser deduzida de pronto com o consequente ganho tributário. . que não se trata de operações visando ganho fiscal. Esse nunca foi o propósito da reorganização societária. Inclusive, toda a reorganização transcorreu durante um longo período de tempo de quase três anos (entre os anos de 2006 e 2009), até todas as etapas estarem consolidadas. . que causa perplexidade ver uma autuação acusando de ter havido uma reorganização societária com o "único e exclusivo" objetivo de obter vantagem fiscal por meio de uma suposta "empresa fictícia", utilizada em um planejamento tributário artificial, quando justamente o que não houve foi tal desiderato. . que, ao invés de incorporar o BMC, e passar tranquilamente a amortizar o ágio, o BRADESCO preferiu cumprir seu verdadeiro propósito negocial, com causa econômica, inserido em um contexto de um real plano de negócios. . que todas as operações tiveram como objetivo realizar um verdadeiro propósito negocial estratégico, real e legítimo, já que o Bradesco não precisava dessa Fl. 5682DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.682 15 reorganização societária complexa para usufruir da amortização do ágio, pois bastava incorporar de imediato BMC. . que, na dinâmica da real vida empresarial, os fatos acontecem em vista os propósitos negociais e as razões econômicosocietárias que justificam as realizações de negócios, que também devem obedecer às regras dos órgãos controladores, que, às vezes, é diversa da interpretação fiscal. . que o Bradesco fez a reorganização societária, porque era imperativo para um melhor posicionamento no mercado, para expansão dos seus negócios e para sua prática de governança, sem preocupação imediata com ganho tributário. . que em cumprimento às normas societárias e às Instruções CVM n° 319/1999 e n° 358/2002, o BRADESCO informou em 24.01.2007 aos seus acionistas, e em 08.08.2007 ao mercado, os Fatos Relevantes que justificaram o propósito negocial da operação de aquisição do BMC. . que a operação teve seu curso do ano de 2006 até o ano de 2009 e que o BMC (Banco Bradesco Financiamentos) permanece no grupo BRADESCO até hoje. . que essa operação não poderá jamais ser confundida com nenhuma outra, pois não guarda qualquer semelhança com quaisquer operações artificiais de ágio (p.ex. "casa e separa"). . que, acerca do preço de aquisição do BMC pelo BRADESCO, as partes estavam amparadas por laudos das mais respeitadas empresas do mundo. . que, especificamente para o BRADESCO, a conceituada empresa de consultoria Ernst & Young elaborou um Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira, no qual ficou fundamentada a rentabilidade futura, apurada com base em fluxo de caixa descontado, ficando detalhado o dispêndio de um ágio na aquisição. . que o ágio foi produzido entre partes independentes, sem vinculação. . que deve ser acentuado que o ágio, que ao final foi alvo da autuação, é o mesmo gerado na aquisição do BMC pelo BRADESCO. Ou seja, mesmo após todos os passos da reorganização empresarial, não surgiu acréscimo ao ágio, portanto não se trata de ágio das operações posteriores de reorganização, mas o mesmo da aquisição inicial do BMC. Não há, por conseguinte, ágio interno. . que o Laudo de Rentabilidade Futura não foi afetado pelo ajuste de due diligence. . que a due diligence decorreu da necessidade de serem cumpridas normas do BACEN e da CVM, no sentido de indicar os acertamentos que deveriam ser feitos para fins dos registros contábeis das operações societárias. . que só assim se chegou ao Patrimônio Líquido preciso, o que permitiu o cálculo definitivo do ágio, pois já se estava de posse do acréscimo avaliado por rentabilidade futura. . que o ágio contabilizado está conforme todos os requisitos legais. . que o ágio existe, foi pago e ficou comprovada a respectiva rentabilidade futura e a sua origem, o que não foi questionado pela autoridade fiscal. Fl. 5683DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.683 16 . que o BRADESCO, desde o ano de 1998, já possuía entre os seus negócios o FINASA, o qual executava uma atividade complementar às atividades exercidas pelo BMC. . que ao adquirir o BMC tinha, na verdade, como objetivo a incorporação dessas instituições, evitando redundâncias e desperdícios, mas, por razões operacionais, administrativas e necessidade dos ajustes de sistemas tecnológicos e cadastrais, isso não poderia acontecer de imediato. . que, nesse contexto, a utilização de MILÃO dentro dessa estrutura foi necessária para que o BRADESCO atingisse seus objetivos (integração de sistemas e das linhas de negócios, ampliação das operações de crédito ao consumo e fortalecimento do crédito consignado). . que, dentro do plano estratégico de reorganização do BRADESCO, para que pudesse expandir seus negócios na área de crédito, de tal modo que pudesse englobar não só o crédito de veículos, pessoas jurídicas, mas, também, os créditos consignados das pessoas físicas, clientes e não clientes, bem assim no intuito de criar sinergias e unificar sistemas tecnológicos e operacionais, era imprescindível que houvesse uma empresa para unificar todas as demais e propiciar a junção. . que a operação da transferência do controle do BMC, do BRADESCO para a MILÃO, acontecida na data de 30.08.2007, foi devidamente comunicada ao Bacen, como foi detalhado e explicitado o propósito negocial da operação, o que foi efetivamente autorizado e aprovado pelo Bacen, conforme comunicado datado de 14.10.2008. . que foi necessária a participação de MILÃO, uma holding com objeto social de participação no patrimônio de instituições financeiras, que cumpriu esse papel por 8 meses, até que houvesse a imprescindível integração dos sistemas administrativo operacionaltecnológico, e tudo já estivesse sido aprovado pelo BACEN, o que aconteceu em 14.10.2008. . que é inteiramente descabida e equivocada a acusação da ilustre autoridade fiscal de que MILÃO era uma "empresa veículo fictícia", tanto é que não houve qualquer acusação de simulação e não houve aplicação de multa agravada. A empresa existia desde o ano de 2006, tendo cumprido com as suas obrigações fiscais perante a Receita Federal do Brasil, e apresentado as respectivas declarações até a data em que, tendo cumprido a sua finalidade como holding patrimonial, foi incorporada pela FINASA no ano de 2008. . que, se existe algo fictício no entendimento da fiscalização, isso quer significar que há fingimento, algo ilusório, enganoso. Então, restaria concluir que houve no caso uma simulação, ao que a própria autoridade fiscal afastou. A fundamentação contraditória por si só já revela, de forma cristalina, o desacerto da autuação. . que toda a operação realizada foi feita sempre observando as normas legais e todas, sem exceção, tiveram motivação econômica e fundamento negocial para serem implementadas. . que a aquisição do BMC pelo BRADESCO e, posteriormente, a sua transferência a MILÃO está em conformidade com o planejamento negocial do grupo BRADESCO, que procurou centralizar as atividades de crédito ao consumo em uma única estrutura organizacional, tudo comunicado e autorizado pelo BACEN. Fl. 5684DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.684 17 . que seis dias após a aquisição de ações do BMC, o BRADESCO já realizou o aumento de capital na MILÃO. Após esse fato, decorreram alguns meses para que o FINASA incorporasse MILÃO, tendo em vista que tal fato somente poderia ocorrer após a aprovação do BACEN, e após o tempo para os ajustes de sistemas, tecnológicos, administrativos etc. . que um dia após a incorporação da MILÃO, o BMC incorporou a FINASA, restando assim cumprido o plano estratégico do BRADESCO. . que essa incorporação da FINASA pelo BMC, última fase do processo de reorganização societária, obedeceu também a um propósito de estratégia empresário negocial: é que o BMC é quem deveria permanecer, pois ele é que já tinha todos os contratos de crédito consignado com entes públicos, que não poderiam ser automaticamente repassados caso houvesse a alteração na pessoa jurídica contratada. . que, enfim, foi uma sucessão de eventos lícitos, marcada pelo melhor posicionamento econômico e administrativo de um conglomerado financeiro no mercado, dentro de uma estratégia empresarial, sem configurar planejamento tributário. Uma reorganização societária que primou pela transparência e perseguiu objetivos claros e definidos, com todos os atos aprovados pelo BACEN e CVM. . que todos os fatos ocorreram com a maior publicidade, por meio de comunicados públicos e com notória repercussão, bem assim com registro nas suas demonstrações financeiras. . que foram obedecidas todas as regras fiscais, contábeis e normas cogentes que disciplinam a reorganização societária, não tendo ocorrido qualquer violação de norma tributária ou tendo sido praticada qualquer infração. . que, mesmo que MILÃO não participasse do processo de reorganização, ainda assim terseia conseguido idêntico resultado final, tanto quanto à governança corporativa, como para fins de amortização de ágio, cujo direito permaneceria. . que o BACEN, no seu papel de proteger o sistema financeiro do Brasil, jamais iria aprovar uma operação desprovida de real motivação, montada artificialmente com a utilização de uma empresa fictícia. . que a possibilidade de dedução, da base de cálculo do Imposto sobre a Renda, dos valores amortizados referentes ao ágio gerado com base no fundamento econômico de rentabilidade futura, possui natureza de benefício fiscal e como todo incentivo revela a intenção do Estado de estimular ou desestimular determinadas condutas. . que para que haja o direito à dedução fiscal do ágio decorrente de aquisição de participação societária, o contribuinte deve cumprir os seguintes requisitos previstos no art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532/1997: (a) Adquirir de terceiro o investimento, por valor superior ao patrimônio líquido, bem como a existência do efetivo pagamento por tal investimento, seja mediante transferência de moedas seja por meio de transferência de bens; (b) O valor do investimento deve estar avaliado com fundamentação econômica de expectativa de rentabilidade futura, devidamente lastreado por laudo técnico que servirá de suporte para o registro da diferença entre o custo do investimento e o valor calculado com base no patrimônio líquido; (c) Ocorrência de fusão, incorporação ou cisão da investida ou investidora ou terceira entidade. . que a interpretação da fiscalização, de que o ágio gerado pela aquisição do BMC pelo BRADESCO, só poderia ser aproveitado pelo próprio BRADESCO (se Fl. 5685DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.685 18 incorporasse o BMC) ou pelo BMC (se incorporasse o Bradesco), é subjetiva e equivocada, já que o ágio é um ativo que pode ser transferido para terceiros em operações de reorganização posterior à aquisição. . que o que se pode coibir, na verdade, é que nas subsequentes operações societárias surja novo ágio, fato cuja ocorrência no caso presente sequer se insinuou, já que o valor do ágio comprovadamente sempre foi o mesmo (aquisição do BMC pelo Bradesco). . que todos os requisitos foram integralmente cumpridos pela Contribuinte, gerando o direito ao aproveitamento do ágio. . que, para que se caracterize determinada pessoa jurídica como empresaveículo para fins fiscais, devese analisar os meios utilizados, sobretudo sob dois aspectos: a) densidade econômica e jurídica com que a operação foi construída e b) análise dos atos negociais em conjunto no sentido de entender a função de determinada empresa no processo de reorganização societária. . que o fato de a empresa servir de suporte para o transporte de patrimônio não é, por si só, elemento indicativo de ilicitude ou violação da legislação tributária. . que, diferentemente das empresasveículo, são as empresas ou sociedades fictícias, que são aquelas pessoas jurídicas que, apesar de possuírem sócios, não exercem o seu objeto social. Apesar de juridicamente existentes, do ponto de vista formal, tais sociedades não exercem nenhum papel. Sua existência, inclusive, sempre se dá em curtíssimo período de tempo, na maioria das vezes em um único dia nasce e se extingue. . que, para que seja aceita a intermediação de uma terceira empresa no processo, mister se faz que sejam atendidos dois requisitos essenciais: (a) dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio; (b) e da operação não resulte economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo; cita ementa de acórdão do CARF. Assim, da participação de MILÃO concluise que: a. a existência de MILÃO não pode ser negada de fato ela teve existência real e efetiva, com participação na operação da reorganização societária; b. MILÃO exerceu o seu papel de holding, como consta no seu objetivo social, com vista a possibilitar a integração administrativooperacional do plano de negócios; c. MILÃO teve duração temporal 8 meses até ser completado o projeto negocial; d. dela não resultou aparecimento de novo ágio; e. se retirada MILÃO da operação, como já demonstrado, não resultaria economia de tributo diferente da que seria obtida sem a sua existência. que foram observadas as regras vigentes, não podendo sobreviver a autuação. . que a norma que a fiscalização acusa de estar a Contribuinte enquadrada foi o art. 166, VI, do Código Civil/2002, que prescreve taxativamente a nulidade para atos realizados com o único objetivo de fraudar à lei, nulidade esta que deve ser pronunciada pelo Poder Judiciário (art. 168, parágrafo único, CC/2002). Fl. 5686DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.686 19 . que expressão legal contida no Código Tributário Nacional – CTN, no que se refere à fraude (art. 149, inciso VII; art. 150 § 4º), não pode ser consignada como hipótese de fraude à lei (fraus legis), mas sim fraude no sentido de violação direta a determinada norma (contra legem), mediante conduta deliberada. E até por uma questão histórica do CTN, não se falava da figura da fraude à lei em matéria tributária, o que indica que o Código Tributário trata apenas da fraude como conduta que é passível de também ser alcançada pela norma penal, que é a fraude contrária à lei (contra legem). . que a figura da fraude à lei, por conseguinte, como tratada na Lei Civil é diferente daquela figura prevista na Lei tributária. . que se conclui que não se pode invocar os dispositivos da Lei Civil, no caso o art. 166, VI, como elemento justificador de lançamento tributário de ofício, quando se está diante da figura jurídica da fraude à lei. . que os órgãos administrativos possuem competência para fazer o lançamento de ofício do crédito tributário, a partir da valoração dos fatos jurídicos e provas, apurados através do procedimento administrativo tributário, mas, legalmente, aplicando a lei civil, não podem decretar nulidade, competência esta reservada ao Poder Judiciário. . que o sistema brasileiro não contém previsão legal nem sanção específica atinente ao aspecto da fraude à lei no direito tributário. Dessa forma, o que importará para o Direito Tributário é a atribuição das consequências jurídicas decorrentes de fraude à lei societária ou civil, mas nunca o uso da norma para justificar violação indireta de norma tributária. . que, a prevalecer a equivocada interpretação da autoridade fiscal, toda a reorganização societária ocorrida deveria ter sido também anulada, inclusive com providências societárias de desfazimento e junto ao BACEN e CVM, o que não ocorreu. . que a norma civil já contém a sua própria sanção, e, portanto, a respectiva incidência deverá se dar na sua completude e não só na parte que a interpretação subjetiva da autoridade fiscal entenda pertinente. . que se pode concluir que, apesar de o Fisco, na qualidade de interessado, possuir legitimidade para requerer a decretação de nulidade de negócio jurídico por fraude à lei, assim como para promover lançamento de ofício em função da decretação da nulidade, a Autoridade Fiscal não detém competência para aplicação da sanção de fraude à lei prevista no art. 166, inciso VI, do Código Civil. . que, ainda que se considere a possibilidade de a Administração Tributária poder requalificar os fatos jurídicos, quando presentes elementos de prova que apontem para a utilização de atos ou conjunto de atos tendentes a afastar a incidência de determinada norma tributária, a desconsideração ou requalificação do negócio jurídico deve estar lastreada em amplo conjunto probatório. Cita decisão proferida pelo STF, na qual decidiu que fraude não se presume. . que, apesar do caráter objetivo da figura da fraude à lei, há necessidade, por parte de quem alega, de comprovar a existência de negócio jurídico que extrapole a ratio legis da norma de contorno com objetivo de não atingir a ratio legis da norma contornada, o que não ocorreu. . que, no caso desta autuação, houve contradições insanáveis; que de acordo com a fl. 4757 do Termo de Verificação de Infração, a própria autoridade fiscal expressamente reconhece que não houve conduta ilícita ou violação da lei; contudo, de Fl. 5687DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.687 20 acordo com a lei tributária, em consonância com a nossa ordem jurídicoconstitucional, e com fundamento no art. 166, VI, do Código Civil, somente poderia haver lançamento de ofício, cobrança de tributo e imposição de penalidade quando a conduta do contribuinte violasse ou infringisse uma lei, conforme prevê o art. 149 do CTN, o art. 926 do RIR/1999 e arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. . que não tendo sido apurada e provada a ocorrência de infração ou violação da lei tributária, mas ao contrário, tendo a autoridade fiscal afirmado que não houve ilícito ou violação da lei tributária, não poderá haver a lavratura de auto de infração, cobrança de tributo ou imposição de penalidade. . que, diante dos argumentos suscitados, muito menos há que se falar em ocorrência de fraude à lei nesta autuação sem a demonstração, respaldada em um conjunto de provas, de que o negócio jurídico ultrapassou a ratio legis da norma de contorno a fim de evitar o encontro com a ratio legis da norma contornada. . que o fundamento legal da autuação é carente de elementos para fazer incidir a norma, o que faz a atuação ficar jejuna de fundamentação, portanto, também por isso, fica insubsistente a autuação. Com relação à cessão dos direitos creditórios . que, apesar de já estarem encerrados os anoscalendários de 2009 a 2012, a fiscalização apenas se preocupou com o reconhecimento do resultado especificamente no anocalendário de 2008. . que o lançamento não merece prosperar, seja em função do erro de interpretação da fiscalização, quanto ao critério da competência para o reconhecimento do aspecto temporal da obrigação tributária, seja pela impossibilidade do lançamento de ofício, em função da ocorrência da inobservância da regra do parágrafo 1º do art. 247 do RIR/1999. . que, como regra, a lei fiscal considera como período de competência aquele em que ocorre o fato gerador do tributo, aquele que se dá a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica do rendimento independentemente da disponibilidade financeira, reconhecendo como sendo este o momento em que deverão ser lançados contabilmente os débitos e créditos da pessoa jurídica. . que o lançamento de ofício ficou lastreado na equivocada premissa de que, com a celebração do termo de cessão, já haveria a transferência integral do direito e, consequentemente, haveria a aquisição da disponibilidade jurídica e econômica da receita. . que, conforme provado por meio da documentação carreada aos autos (Instrumento Particular de Contrato de Promessa de Cessão e Aquisição de Direitos Creditórios e outras Avenças), a verdade dos fatos é outra, já que houve a celebração de um contrato global que previa as regras da cessão, por meio do qual a contribuinte ficou apenas com a disponibilidade financeira (caixa) dos recursos, e não a jurídica. . que a verdade do contrato é que, apesar de não expressa em cada termo de cessão, a contribuinte e o BMC Fundos de Investimentos haviam firmado anterior compromisso global com as seguintes obrigações: (a) A contribuinte possuía o dever de celebrar contratos de cessão com o BMC Fundo de Investimentos, referente a toda operação de créditos consignados; (b) Contudo, se, após a operação de cessão de crédito, houvesse a quitação antecipada dos empréstimos consignados, o BMC Fundo de Investimentos tinha o direito ao ressarcimento dos valores pagos na cessão, Fl. 5688DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.688 21 conforme a cláusula 9.3 do contrato descrito a seguir; (c) Logo, apesar do ingresso no momento da realização dos termos de cessão, parte desses valores (resultado positivo) não estavam juridicamente disponíveis em face da condição prevista no contrato. . que, em outros termos, o BMC Fundo de Investimentos tinha o direito de ser ressarcido e, em contrapartida, o contribuinte possuía a obrigação de ressarcir a diferença entre a taxa de desconto dada ao cliente que adimpliu a sua dívida antecipadamente e aquela pactuada no contrato de cessão. . que o resultado efetivo da cessão era condicionado e só se aperfeiçoava posteriormente caso não houvesse a quitação antecipada dos empréstimos; que tanto é verdade, que do resultado da cessão apurado inicialmente, apenas 37% foi efetivamente concretizado e realizado, já que o restante do valor apurado (correspondente a 63%) foi ressarcido pelo contribuinte ao BMC Fundo de Investimentos. . que a referida obrigação não ficou expressa nos termos individuais de cessão (seis contratos), mas está expressamente consignada no contrato matriz (Instrumento Particular de Contrato de Promessa de Cessão e Aquisição de Direitos Creditórios e outras Avenças), celebrado entre o contribuinte e o BMC Investimentos, e parte integrante de cada contrato individual de cessão, conforme pode ser verificado na cláusula primeira. . que estamos diante de um contrato de cessão de crédito, cujo resultado financeiro para o cedente é condicionado juridicamente a um evento futuro e incerto; apesar de os créditos terem sidos transferidos, o resultado da cessão somente se concretizava à medida em que as parcelas eram pagas e não houvesse quitação antecipada do contrato; que só haveria o dimensionamento do efetivo ganho, se acontecesse o implemento da condição. O efetivo ganho (lucro) só ocorreria com o pagamento em cada período, caso não houvesse a liquidação antecipada. . que não poderia haver qualquer tributação no momento da cessão, visto que a disponibilidade jurídica somente aconteceria com o implemento da condição suspensiva. Caso essa não fosse implementada, não haveria disponibilidade jurídica de renda, e não teria existido o respectivo ganho. . que esse é o entendimento consagrado pela própria Administração Tributária. Cita Portaria MF nº 80/1979, item 7; Solução de Consulta nº 484, de 18/12/2009; Parecer Normativo CST nº 11, de 28/01/1976, item 4.1; Parecer Normativo CST nº 7, de 01/02/1976, item 5. . que os valores recebidos no momento da celebração do contrato de cessão no anocalendário de 2008 devem ser caracterizados como um simples recebimento antecipado, pois a condição para o aperfeiçoamento do resultado da operação ainda não tinha acontecido. . que o regime de reconhecimento de receita utilizado pela contribuinte obedeceu estritamente o regime de competência, haja vista que no anocalendário de 2008 não havia sido implementada, ainda, a condição para o reconhecimento do resultado do contrato de cessão. . que, ainda não se considere a correção do reconhecimento da receita por parte da contribuinte, o auto de infração é igualmente insubsistente, já que não houve redução indevida do lucro tributável como entende a fiscalização, haja vista que os valores foram reconhecidos e tributados nos anoscalendário subsequentes à celebração dos Fl. 5689DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.689 22 contratos de cessão, o que ensejaria a aplicação das regras do § 1º do art. 273 do RIR/1999 e do Parecer Normativo COSIT nº 02/1996. . que é dever da fiscalização apurar o valor líquido considerando os valores que foram reconhecidos e pagos em períodos subsequentes. Se todo o valor da inexatidão for reconhecido em período subseqüente, somente serão devidos juros e multa de mora, ex vi do citado art 273. . que, no caso em tela, a fiscalização não considerou a possibilidade das demais receitas terem sido reconhecidas em períodos subseqüentes; que no termo de intimação, lavrado em 08.01.2013, a Autoridade Fiscal sequer levantou a possibilidade das demais receitas terem sido reconhecidas, tendo a autuação sido por redução indevida do lucro real (art. 273, inciso II, do RIR/1999). . que, ao desconsiderar as circunstâncias táticas, a Autoridade Fiscal, data venia, acabou afrontando todo o comando normativo e procedimental do art. 273, especialmente os parágrafos 1º e 2º , bem assim o Parecer Normativo COSIT n° 2/1996. . que se o critério de reconhecimento de receita explicitado no item anterior não foi aceito, no máximo teríamos uma postergação no pagamento do imposto (art. 273, inciso I, do RIR/1999. . que a contribuinte auferiu substancial lucro nos período de 2009 a 2013, conforme pode ser observado nas DIPJs anexadas à presente impugnação. . que toda receita decorrente dos contratos de cessão com o BMC foi apropriada nos anoscalendário de 2009 a 2011 e, consequentemente, submetidas à tributação por meio da inclusão na base de cálculo do imposto. . que os resultados recebidos antecipadamente nas cessões no valor total de R$ 41.849.610,18, registrados na Conta 7.1.1.05.006 Rendas de Empréstimos, sub conta Lucro na Cessão, foram transferidos nas respectivas datas das cessões para a conta do passivo 4.9.9.92.004 Credores Diversos País sub conta Provisão Liquidação antecipada da cessão. . que, em função da ocorrência da quitação antecipada dos empréstimos consignados (condição reversa), o contribuinte foi obrigado a ressarcir ao BMC Fundo de Investimentos, o valor de R$ 26.878.563,61, conforme demonstrativo elaborado. . que o valor pago ao BMC Fundo de Investimento, no valor de R$ 26.878.563,61, foi registrado contabilmente a débito da Conta 4.9.9.92.004 Credores Diversos País subconta Provisão Liquidação antecipada da cessão e a crédito da conta de Caixa. . que o resultado apurado nas cessões para o BMC Fundo de Investimento, durante o ano de 2008, registrado na conta 4.9.9.92.004 Credores Diversos País subconta Provisão Liquidação foi reduzido para R$15.021.021,70, conforme demonstrativo elaborado. . que, ao contrário do apurado pela fiscalização, o resultado positivo da cessão dos créditos consignados INSS deveria ser de R$ 15.021.021,70, o qual foi contabilizado como receita e tributado para fins de IRPJ e CSLL nos anos de 2008 a 2011, conforme demonstrativo elaborado. . que o Parecer Normativo CST nº 57/1979 da RFB determina que era dever da própria autoridade fiscal proceder à recomposição dos lucros nos outros períodos, exatamente para evitar prejuízo para ambas as partes, seja Fisco, seja Contribuinte. Fl. 5690DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.690 23 . que não houve insuficiência no pagamento dos tributos devidos na multicitada operação, visto que todo resultado positivo da cessão foi reconhecido como receita no período de 2008 a 2011, não havendo dúvida de que, no caso, estamos diante de uma postergação de receita, nos moldes do inciso I do art. 273 do RIR, e não uma redução indevida do lucro real como, equivocadamente, enquadrou a fiscalização. Cita ementa de acórdão do CARF e Súmula 36 do CARF. . que tal equívoco macula o próprio conteúdo material do lançamento e não pode ser aperfeiçoado pela instância julgadora, sob pena de se alterar indevidamente os critérios jurídicos e fáticos do lançamento. Cita ementa de acórdão do CARF. Com relação à perda no recebimento de créditos . que, para a fiscalização, a contribuinte não teria supostamente obedecido as regras legais para dedução das perdas no recebimento de créditos. . que, mesmo confiando na correção do procedimento adotado, e na nulidade /improcedência da autuação, optou, por cautela, pelo recolhimento do tributo incidente sobre esta parte da infração, acrescidos de multa e de juros. . que, entretanto, na certeza que o auto de infração será anulado e a sua espontaneidade será readquirida, protesta, desde já, pelo reconhecimento do direito à restituição dos valores pagos a título de multa, em consonância com o art. 138 do Código Tributário Nacional. Com relação à CSLL . Impossibilidade de adição da parcela amortizada como ágio na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. que a Lei n° 7.689/1988, no seu artigo 2, estabelece taxativamente as hipóteses de adição e exclusão da base de cálculo da contribuição que, inclusive, foram utilizadas como enquadramento legal da infração. . que o art. 2º da Lei n° 7.689/1988 não possui lastro para justificar a adição da parcela amortizada do ágio na base de cálculo da CSLL e, assim, por consequência, o lançamento é completamente insubsistente em decorrência da falta de previsão legal. . que também se mostra incabível a utilização do art. 57 da Lei n° 8.981/1995 para justificar a possibilidade de adição da parcela amortizada do ágio, que foi considerada indedutível por suposta fraude à lei, na base de cálculo da CSLL. Cita ementas de acórdão do CARF. . que, por uma interpretação sistemática do mencionado dispositivo, chegase facilmente à conclusão de que a norma busca equiparar a forma de apuração (mensal, trimestral, anual) e de pagamento estabelecida para o IRPJ, o que não pode ser confundido como hipótese de unificação de base de cálculo entre o imposto e a contribuição. . que, na remota hipótese do cabimento da mencionada norma em abstrato, ainda assim ela não poderia ser utilizada no caso em tela, pois o art. 57 da Lei n° 8.981/1995 não foi citado como fundamento legal para o auto de infração. . que resta evidenciada a improcedência do lançamento de ofício, tendo em vista a impossibilidade jurídica de se adicionar a parcela do ágio amortizado, considerado indedutível pela fiscalização, à base de cálculo da CSLL. com relação à responsabilidade da sucessora pela multa punitiva Fl. 5691DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.691 24 . que o crédito tributário apurado decorreu de fatos realizados pelo Banco Finasa S/A , incorporado pela ora contribuinte. . que uma sucessora não deve responder por penalidades, afinal não deu causa a nenhuma infração passível de sofrer sanção. . que não pode ser onerada por punições decorrentes de ilícito praticado por outrem, salvo se na data da sucessão a penalidade já estiver incorporada ao passivo da empresa sucedida, hipótese prevista no art. 132 do CTN. Entendimento em sentido contrário violaria o princípio constitucional da pessoalidade, segundo o qual a pena não passará da pessoa do condenado. Cita ementa de acórdão do CARF. . que não se pode confundir a natureza de crédito tributário das penalidades, por descumprimento de obrigação acessória, com o tributo em si, visto que, não obstante a equiparação de tratamento dada pelo CTN, são figuras completamente diferentes. . que, após a edição da Portaria n° 586/2010, e em virtude do entendimento consolidado do STJ, em sede de procedimento especial para julgamento de Recursos Repetitivos, o enunciado n° 47 da Súmula do CARF não possui mais aplicabilidade. com relação aos juros sobre a multa de ofício . que a contribuinte, desde logo, se opõe a qualquer cobrança ou incidência de juros à taxa SELIC sobre o valor da multa lançada de ofício. A 8ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 7.818, de 16/10/2013 (fls. 5387/5469), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 MPF. ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, devendo ser mantida a autuação. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 (art. 7º, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98) referese à hipótese em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios Fl. 5692DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.692 25 futuros, caso em que a amortização poderá ser feita à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Não configurada tal hipótese, mantémse a glosa da amortização. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA SEM PROPÓSITO NEGOCIAL Nas operações estruturadas em sequência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas, sem propósito negocial, com utilização de empresa veículo para transferir ativo de uma empresa para outra, com o único intuito de reduzir tributação. FRAUDE À LEI. A ocorrência de fraude à lei torna inválido o planejamento tributário, devendo ser aplicada a norma de tributação que o contribuinte pretendeu evitar. OMISSÃO DE RECEITA. CESSÃO DEFINITIVA DE DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO. NÃO COMPROVADO. Uma vez que não restou demonstrado nos autos que a fiscalização aprofundou a investigação nos períodos subsequentes, em que vigoraram os contratos de cessão de crédito, para verificar se houve o reconhecimento de receita em exercício posterior ao de sua competência, hipótese que configuraria postergação e não omissão de receita, não há como manter o lançamento, em razão de insuficiência probatória e incerteza da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento tido como decorrente as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como pela multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. JUROS DE MORA JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Fl. 5693DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.693 26 Esclareço que o provimento parcial foi devido ao afastamento das exigências correspondentes à acusação de omissão de receitas em operações de cessão de direitos creditórios, mantendose a autuação em todos os demais aspectos. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multa) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. Ciente da decisão de primeira instância em 28/10/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 5473, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/11/2013 conforme carimbo de recepção à folha 5475. A extensa peça recursal (fls. 5476/5577) pode ser sintetizada como segue, segundo os tópicos em que se subdivide: I – Síntese dos fatos A recorrente resume o ocorrido, sob sua ótica. II – Os fundamentos da glosa de amortização do ágio A recorrente procura delimitar e detalhar as premissas e conclusões constantes do auto de infração. Afirma que o único argumento para a glosa da amortização do ágio teria sido o não atendimento aos requisitos legais para dedutibilidade, não tendo, contudo, sido apontada qualquer norma que houvesse sido violada ou infração praticada II.1 – O Fundamento fático da autuação Segundo a interessada, o questionamento da autuação residiria na reorganização societária, que alegadamente seria impeditiva do aproveitamento do ágio. São transcritos diversos trechos do Termo de Verificação Fiscal e da decisão recorrida, mediante os quais a recorrente pretende provar que o ágio teria sido gerado entre partes independentes, anteriormente à reorganização societária; que as autoridades teriam reconhecido que o ágio poderia ser aproveitado pelo próprio Bradesco, diretamente, ou pelo BMC, se incorporasse o Bradesco; que as operações societárias tiveram verdadeiro propósito negocial. II.2 – O Fundamento legal da autuação Sustenta a recorrente que o fundamento legal da autuação seria contraditório, na medida em que, por um lado, afirma a existência de fraude à lei e acusa a existe ncia de uma suposta “empresa fictícia”, configurando, implicitamente, simulação e, por outro lado, não aplica a multa qualificada, com o que reconheceria a licitude do procedimento. Acrescenta que a aplicação do art. 166, inciso VI, do Código Civil, implicaria a nulidade do negócio jurídico. Desta forma, a prevalecer a interpretação do Fisco, toda a reorganização societária deveria ter sido anulada, e não apenas os efeitos fiscais. III Da decisão recorrida Fl. 5694DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.694 27 A recorrente discorre sobre a decisão recorrida, buscando ressaltar os entendimentos sobre alguns pontos específicos, os quais serão rebatidos no tópico seguinte. IV – Razões para reforma da decisão recorrida IV.1 – Reexame do período fiscalizado sem a autorização do superior hierárquico. A recorrente sustenta que teria havido duas fiscalizações, com o mesmo objeto, mesmos períodos, mas sendo executadas com base em Mandados de Procedimento Fiscal diferentes e por AuditoresFiscais diferentes. O lançamento aqui discutido teria sido feito durante o segundo procedimento fiscal, e isso seria incontroverso nos autos. Por sua ótica, seria claro o reexame de período já fiscalizado, sem a devida autorização escrita e assinada por superior hierárquico, como exige o art. 906 do RIR/99. Sem essa autorização, o lançamento seria nulo. A recorrente também diverge o entendimento do julgador de primeira instância, segundo o qual o MPF supriria o requisito estabelecido na legislação. IV.2 e IV.3 – Da existência de propósito negocial A interessada detalha o contexto em que se deu a reorganização societária em comento, com o objetivo de demonstrar a existência de propósito negocial, com causa econômica, inserido em um real plano de negócios. Lembra que, se o objetivo fosse unicamente a economia tributária, esta teria sido obtida sem a necessidade da reorganização societária. Acrescenta a recorrente que, ainda que assim não se entenda, seria impossível fundamentar a glosa da amortização do ágio com base na teoria do propósito negocial, em face da inexistência de norma legal que outorgue competência à autoridade administrativa para efetuar lançamento em tais bases. Colaciona jurisprudência administrativa nesse sentido. IV.4 – Da inexistência de empresa veículo A recorrente combate a acusação de que teria empregado empresa veículo (aquela com finalidade de mera passagem, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto). Sustenta que, para fins tributários, “o intérprete deve observar se o meio utilizado violou norma tributária, foi abusivo, e, especialmente, não contém substância ou é desprovido de propósito negocial dentro da reorganização”. Colaciona jurisprudência administrativa que entende suportar sua tese. Busca, também, fazer a distinção entre empresa veículo e empresa fictícia. Nada disso teria ocorrido, em seu caso. Sobre a empresa Milão, conclui (fl. 5535): a. a existência da MILÃO não porde ser negada – de fato ela teve existência real e efetiva, com participação na operação da reorganização societária; b. MILÃO exerceu o seu papel de holding, como consta no seu objetivo social, com vista a possibilitar a integração administrativo operacional do plano de negócios; c. MILÃO teve duração temporal – 8 meses até ser completado o projeto negocial; d. Dela não resultou aparecimento de novo ágio; Fl. 5695DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.695 28 e. Se retirada MILÃO da operação, como já demonstrado, não resultaria economia de tributo diferente da que seria obtida sem a sua existência. IV.5 – Inexistência de Fraude à lei A recorrente busca distinguir, do ponto de vista doutrinário e legal, a conduta viciada por fraus legem daquelea viciada em virtude de ser contra legem. Sustenta que não haveira, no direito brasileiro, previsão legal nem sanção específica atinente ao aspecto da fraude à lei no direito tributário. Conclui que “apesar de o Fisco, na qualidade de interessado, possuir legitimidade para requerer a decretação de nulidade de negócio jurídico por fraude à lei, assim como para promover lançamento de ofício em função da decretação de nulidade, a Autoridade Fiscal não detém competência para aplicação da sanção de fraude à lei prevista no art. 166, inciso VI, do Código Civil”. Acrescenta que seria indispensável um robusto conjunto probatório a denotar o elemento indicativo do vício do ato. Não se poderia falar em fraude à lei sem a demonstração, respaldada em um conjunto de provas, de que o negócio jurídico ultrapassou a ratio legis da norma de contorno, a fim de evitar o encontro com a ratio legis da norma contornada. E o ônus dessa prova caberia à autoridade lançadora, que dele não teria dado conta. IV.6 – Da equivocada interpretação do art. 386 do RIR/99 (art. 7º da Lei nº 9.532/97) A recorrente discorre sobre o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977, traz uma visão histórica sobre o regramento do ágio e, nesse contexto, analisa o art. 7º da Lei nº 9.532/1997. O equívoco interpretativo alegado residiria no entendimento de proibição ou limitação para que uma terceira entidade participe do processo de reorganização societária. Colaciona jurisprudência administrativa e doutrina em apoio de sua tese. IV.7 – Impossibilidade de adição da parcela amortizada como ágio na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido A interessada reitera os argumentos anteriormente apresentados, no sentido de que IRPJ e a CSLL possuem normas distintas a determinar também distintas adições e exclusões ao lucro líquido, para fins de determinação das respectivas bases de cálculo. Não haveria previsão legal para a adição à base de cálculo da CSLL da despesa de amortização do ágio, ainda que considerada indedutível para o IRPJ. Por sua ótica, não serviria para tanto a disposição do art. 58 da Lei nº 8.981/1995. IV.8 – Da limitação da responsabilidade da sucessora pelas multas punitivas A recorrente sustenta que a sucessora somente poderia responder, se fosse o caso, pelo principal do débito, nunca por penalidades, com base em sua interpretação de dispositivos do CTN. Traz à colação o teor do acórdão proferido pelo STJ no REsp nº 932.012, sob o regime do art. 543C do CPC. Com isso, entende também que teria perdido sua aplicabilidade a Súmula CARF nº 47. IV.9 – Da não incidência dos juros sobre a multa de ofício A interessada discorre sobre a matéria, colacionando doutrina e jurisprudência administrativa em apoio a sua tese. Fl. 5696DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.696 29 V – Do recurso de ofício – Inexistência de omissão de receitas A recorrente reforça os argumentos anteriormente apresentados em sede de impugnação sobre este tema, concluindo que não teria ocorrido a materialidade do fato gerador, pois não houve a disponibilidade jurídica de renda na operação de cessão de créditos. VI – Conclusão A recorrente conclui com o pedido de provimento de seu recurso voluntário, com a declaração de nulidade da autuação. Subsidiariamente, pede a declaração de insubsistência da autuação. Ainda subsidiariamente, requer o cancelamento das multas de ofício e respectivos juros de mora. Pede, ainda, o desprovimento do recurso de ofício. Contrarrazões da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional, por seu Procurador, com base no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do CARF em vigor, apresentou suas contrarrazões (fls. 5618/5660) ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Após sintetizar, sob sua ótica, os fatos, a autuação, a decisão de primeira instância e o recurso voluntário, os argumentos da Fazenda podem ser sintetizados como segue, também por tópicos: II – PRELIMINAR: autorização para reexame de período já fiscalizado (art. 906 do RIR/99) Com base na análise da legislação, a Fazenda Nacional externa seu entendimento de que o MPF é instrumento válido para que o superior hierárquico externe seu consentimento a respeito do reexame de período já fiscalizado, tal como considerou o julgador em primeira instância. Acrescenta que o art. 906 do RIR/99 não seria norma definidora de competência para o lançamento, nem imporia forma definida para a autorização de que trata. III – DA IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DAS DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO III.1 – Operações que fundamentaram o surgimento e a transferência do ágio A Fazenda Nacional expõe, por sua ótica e com o apoio de ilustrações, os fatos essenciais de cada operação na reorganização societária levada a efeito entre o Banco BMC e o Grupo Bradesco. Ao final, conclui (fl. 5632, grifos no original): Ao analisar as reorganizações societárias descritas acima, verificase que o BANCO BRADESCO voltou a ocupar, ao término das operações, a mesma posição detinha quando adquiriu o BANCO BMC. A diferença é que, após todas as reorganizações societárias, o ágio inicialmente registrado pelo BANCO BRADESCO passou a ser controlado e aproveitado pelo próprio BANCO BMC. Nessa perspectiva, comparando a situação inicial, em 24/08/2007, com a situação final, em 30/04/2008, percebese claramente qual o resultado pretendido com as reorganizações societárias, qual seja: transferir o ágio gerado na aquisição do BANCO BMC para outras pessoas jurídicas do GRUPO BRADESCO, a fim de viabilizar o Fl. 5697DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.697 30 aproveitamento fiscal do ágio. Diante desses fatos, a Fiscalização entendeu que não restaram cumpridos os requisitos da legislação tributária, no tocante à possibilidade de dedução, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, das despesas com amortização do ágio. III.2 – Indedutibilidade do ágio: não preenchimento dos requisitos do art. 386 do RIR/99 a) Da ausência de “confusão patrimonial” entre as investidas e a real investidora. A Fazenda Nacional afirma que, em face da integralização do aumento de capital da MILÃO, seguida das incorporações dessa empresa e do BANCO FINASA, não teria havido a “confusão patrimonial” exigida pelo art. 386 do RIR/99. Acrescenta que não basta a existência do ágio para garantir sua dedutibilidade, seria necessário cumprir determinados requisitos legais para tanto. Especificamente, seria indispensável que o real investidor se confunda com seu investimento. Sustenta que o real investidor seria o Banco Bradesco e a investida seria o Banco BMC. O ágio teria sido apenas transferido para a MILÃO e o BANCO FINASA. A união patrimonial entre o real investidor e a investida nunca teria ocorrido. b) Ausência de propósito negocial: artificialidade das operações A Fazenda Nacional insiste em que, desde o começo, o Grupo Bradesco tinha a intenção de manter a existência do Banco BMC, em razão de disposições contratuais entre essa entidade e o poder público. Não haveria, dessa forma, a confusão patrimonial entre investidor e investida. Assim, a reorganização societária teria tido o único fim de transferir o ágio para a MILÃO, utilizada com empresa veículo, tal como afirmou o Fisco, e para o Banco Finasa. A artificialidade das operações restaria, então, demonstrada. IV – DA IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA DESPESA COM A AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL A Fazenda Nacional transcreve os arts. 20, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/1977 e sustenta que a amortização do ágio, na situação sob análise, teria surgido de lei de natureza fiscal, e não de norma específica de contabilidade. Em suas palavras (grifos no original, fls. 5644/5645): Cumpre observar que a legislação fiscal que autorizou a contabilização do custo de aquisição do investimento em duas subcontas distintas, uma para o ágio e outra para o patrimônio líquido, determinou, em contrapartida, a neutralidade da amortização do ágio para fins da apuração do IRPJ. Com efeito, o art. 25 do DecretoLei 1.598/1977 foi expresso ao prever que a amortização do ágio NÃO será computada na determinação do lucro real. Por outro lado, o mencionado dispositivo legal faz a ressalva de que, observado o disposto no art. 33 do mesmo DecretoLei 1.598/1977, a amortização do ágio poderia ser utilizada para determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido. [...] Portanto, não restam dúvidas que, no caso do presente processo administrativo, o único dispositivo que poderia fundamentar eventual dedução da despesa com a amortização do ágio seria o inciso III do art. 386 do RIR/99. Isso porque não há que Fl. 5698DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.698 31 se falar em alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada, muito menos em ganho ou perda de capital. [...] No caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não há que se falar nessa renúncia fiscal. Assim, ao contrário do que defende o recorrente, a dedutibilidade na CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em face da ausência de norma que preveja a adição dessa rubrica, a despesa com a amortização de um ágio, mesmo dedutível para fins de IRPJ, não é dedutível para a CSLL porque não há previsão legal a autorizando. Conclui a Fazenda Nacional que, ainda que o ágio registrado pelo contribuinte seja tido por dedutível na apuração do IRPJ, tal entendimento não poderia ser estendido à CSLL, por falta de norma autorizativa de tal dedução. Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. V – DA POSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA MULTA EM FACE DA SUCESSORA: controle comum entre sucedida e sucessora A Fazenda Nacional enfatiza que todas as amortizações indevidas de ágio ocorreram em pessoas jurídicas que compunham o mesmo grupo empresarial. Tanto o BANCO FINASA quanto o BANCO BMC estavam submetidos ao controle comum do GRUPO BRADESCO. Com isso, tem por aplicável a Súmula CARF nº 47. No que toca ao REsp nº 923.012, sustenta que o STJ não teria analisado a questo das multas aplicadas a pessoas jurídicas que integravam o mesmo grupo empresarial. A situação fática submetida aos Ministros do STJ, naquela ocasião, seria diferente do que trata o presente processo administrativo. VI – DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA A Fazenda Nacional aduz razões pelas quais entende correta a incidência de juros sobre a multa. VII – DO PEDIDO A Fazenda Nacional conclui com o pedido de desprovimento do recurso voluntário e provimento do recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Fl. 5699DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.699 32 A respeito da infração identificada como “Omissão de receita referente a cessão definitiva de direitos creditórios”, no valor total de R$ 35.682.639,41, um dos fundamentos adotados pelo julgador, em primeira instância, para afastar as exigências foi de que “a fiscalização não aprofundou a investigação para os períodos subsequentes, com o intuito de verificar se a hipótese versada nos autos não seria de mera postergação de receita, o que ensejaria autuação de multa e juros de mora, e não de redução indevida de lucro” (fl. 5450). Concluiu, assim, pela insubsistência do lançamento “por falta de certeza da ocorrência do fato gerador” (fl. 5454). Penso que o afastamento de crédito tributário regularmente constituído exige maiores cautelas. Por um lado, não se pode negar que o Fisco, ao investigar a apropriação de receitas decorrentes da cessão de créditos, deparandose com o que identificou como inobservância do regime de competência, poderia ter intimado a então fiscalizada a comprovar que o restante das receitas, não apropriadas ao resultado do anocalendário 2008, teria sido levada à tributação nos períodos subsequentes. Do exame dos autos, não encontro tal intimação, e a autuação foi feita como redução indevida do lucro líquido. Por outro lado, em se tratando de acusação de omissão de receitas, a autuada traz como tese de defesa a alegação de que a diferença autuada teria sido parcialmente restituída ao BMC Fundo de Investimentos (R$ 26.878.563,61), por força de disposições contratuais, e o restante teria sido apropriado ao resultado dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, de tal forma que estaria perfeitamente caracterizada a postergação de pagamento do imposto. Do exame dos autos, encontro diversas planilhas (fls. 5309/5379), elaboradas pela interessada, supostamente a partir de seus registros contábeis, as quais serviriam como validação dos quadros demonstrativos que constam da peça impugnatória (fls. 4874/4877). Entretanto, tratase de planilhas a suportar demonstrativos, ou seja, em ambos os casos elaboradas pelo próprio contribuinte. Não encontro nos autos cópias de livros contábeis nem de documentos que lastreassem a contabilidade. Entendo que há, aqui, deficiência probatória que não pode ser imputada unicamente a uma das partes. Se a Fiscalização poderia ter aprofundado suas investigações, também a autuada poderia ter feito prova mais robusta de sua alegação de defesa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora adote as seguintes providências: a) Intime a interessada a apresentar documentos que comprovem sua afirmação de que teria restituído a quantia de R$ 26.878.563,61 ao BMC Fundo de Investimento por exigências dos contratos de cessão de créditos aqui analisados. (Quadro à fl. 4876, § 401 da impugnação). b) Intime a interessada a apresentar os registros contábeis correspondentes ao item acima, acompanhados do respectivo lastro documental (por exemplo, comprovação de transferência bancária). c) Intime a interessada a apresentar os registros contábeis correspondentes à apropriação ao resultado, nos anos Fl. 5700DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720049/201362 Resolução nº 1302000.365 S1C3T2 Fl. 5.700 33 calendário 2008, 2009, 2010 e 2011, do montante de R$15.021.021,70, a título de resultado dos contratos de cessão de créditos aqui analisados. (Quadro à fl. 4876, §§ 403 e 405 da impugnação). d) Examine toda a documentação anteriormente referida, ainda que por amostragem, e se manifeste, de modo conclusivo, acerca da alegação da interessada de que não teria ocorrido insuficiência no pagamento de tributos, mas tão somente postergação de receita (§ 409 da impugnação, fl. 4877) Do resultado da diligência deve ser dada ciência ao sujeito passivo, abrindolhe prazo adequado para, se assim desejar, se manifestar nos autos. Na sequência, o processo deverá retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 5701DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19647.012812/2009-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/09/2009 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.415
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 28 12 /2 00 9- 77 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 4 3 NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 5 4 que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 6 5 extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 7 6 concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 8 7 HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 9 8 positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.012812/200977 Acórdão n.º 3801004.415 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15586.000734/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA.
Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação.
CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS.
As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública.
ÔNUS DA PROVA.
Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. ÔNUS DA PROVA. Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 34 /2 01 0- 11 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000734/201011 Acórdão n.º 2403002.770 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório a quo, compulsei com os autos e tendo corroborado, com grifos de minha autoria, abaixo, o transcrevo na íntegra: "Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.252.6136 consolidado em 27/07/2010), no valor de R$ 46.602,05; acrescidos de juros e multa de ofício, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 78/83), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no período de 01/2006 a 12/2007. 2. Ainda segundo o referido relatório: 2.1. constituem fatos geradores das contribuições lançadas: as parcelas in natura fornecidas pela empresa a seus empregados, por meio da contratação de serviços AlimentaçãoConvênio, sem o amparo da Lei n° 6.321 de 14/04/1976. benefícios de assistência médica, seguros e previdência complementar os quais não foram disponibilizados a todos os segurados da empresa empregados e dirigentes, não atendendo portanto ao pressuposto legal da não incidência tributária; 2.2. integram a notificação os seguintes levantamentos: ALI Alimentação; AM1 Assistência Médica ; SEI Seg. e Previdência Privada; SP1 Seg. e Previdência Privada e; TA1 Ticket Alimentação 2.3. em respeito ao princípio da retroatividade benigna, prevista no art.106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional CTN, efetuouse a comparação entre as penalidades aplicadas com fundamento na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores (legislação anterior) e a legislação superveniente (atual Fl. 566DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Lei n° 11.941/2009),sendo esta mais benéfica ao contribuinte, conforme Relatório de Comparação de Multa em anexo. Da Impugnação 3. Inconformada com o lançamento, que tomou ciência em 02/08/2010, a empresa apresentou Impugnação (fls. 160/179), acompanhada dos documentos de fls. 180/317, argumentando, em síntese: 3.1. a tempestividade; as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho equiparáveis, de certo modo, à própria lei, da qual podem inclusive divergir, desde que sejam em benefício do trabalhador (ou até mesmo em prejuízo daquele, nas hipóteses autorizadas pela CF/1988); a convenção Coletiva possui o status quo de norma pela Constituição Federal de 1988 e pela CLT; as duas convenções coletivas dos funcionários vinculados à impugnante (SINPRO ES e SAAE/ES) estabelecem que o ticket alimentação não se integra ao salário e, conseqüentemente, ao conceito de remuneração. Estipularam que tal benefício se equipara ao PAT, ou seja, tal concessão é meramente de natureza indenizatória; considerando que quem define o que é ou não salário e/ou remuneração para fins de contribuição previdenciária são as normas trabalhistas, e ainda a convenção estipula que o ticketalimentação não é salário, outra não pode ser a conclusão de que a referida rubrica não integra o conceito de salário, que, por conseqüência, torna impossível abarcar no conceito de remuneração; para corroborar suas alegações cita jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; o ticket alimentação do caso em concreto, não é salário, mas sim indenização; o fiscal sustentou que a contribuinte não disponibilizou a todos os segurados da empresa planos de previdência privada complementar, de saúde assistência médica e seguro de vida, contudo tal argumento não pode prosperar; após citar o art. 28, §9°, alíneas "p" e "q" da Lei n° 8.212/1991, afirma que não é necessário que todos os empregados adiram ao plano de previdência privada complementar, basta que o contribuinte disponibilize a todos os empregados e dirigentes, e isso foi realizado; Fl. 567DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000734/201011 Acórdão n.º 2403002.770 S2C4T3 Fl. 4 5 parte dos funcionários e dirigentes (menor parte da empresa) não aderiu ao benefício do plano de previdência privada por vontade própria; comprovase por meio da Convenção Coletiva do SINPRO ES e SAAE/ES, e pelos próprios documentos informados no auto de infração (anexos II a V), que o plano de previdência privada foi posto à disposição de todos os funcionários e dirigentes atendendo aos preceitos legais; o autuante equivocouse ao argumentar que determinada cláusula da convenção do SAAEES, supostamente haveria extinguido o plano de previdência privada, pois a determinação da extinção era referente à Convenção Coletiva de 2005/2006 e, jamais do plano de Previdência Privada da Convenção do biênio 2006/2007; 3.13. as convenções coletivas também demonstram não se tratar de remuneração os planos de assistência médica e seguro de vida, não devendo incidir contribuição previdenciária nestes casos;nem mesmo custeado pela contribuinte o plano de saúde é, motivo pelo qual se indaga qual o embasamento legal que demonstra, neste caso, a natureza remuneratória da referida rubrica; em virtude do exposto, requer seja anulado ou julgado improcedente o auto " in ação ora combatido, desconstituindo o tributo apurado, a multa aplicada, bem como os juros. DA APENSAÇÃO 4. Foram juntados ao presente, por apensação, o processo de n°15586.000737/201046 (segurados) e 15586.000740/201060 (terceiros), fls. 159. 5. É o Relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 18 de abril de 2001, exarou Acórdão de n°1236.750, fls.320, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls.501, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De plano, ressaltese que o presente Auto de Infração está sendo julgado em conjunto com os processos de n°15586.000737/201046 (SEGURADOS) e n°15586.000740/201060 (TERCEIROS), por estarem reciprocamente vinculados aos créditos apurados. DO MÉRITO DO TICKET ALIMENTAÇÃO Na forma do registro no Relatório Fiscal, a empresa forneceu a seus empregados créditos em cartões para o pagamento de alimentação. Entendeu a Autoridade autuante que tais créditos caracterizaram vantagem econômica que integrase ao salário de contribuição por não estar abrangido pelas hipóteses legais de exclusão da incidência previdenciária, constantes do § 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991. Embora não conste no § 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991, no documento elaborado pelo Ministério do Trabalho e assinado pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na forma do disposto no item 11, b, do rol das Perguntas e Respostas ali contidas, admitese a utilização de cartões eletrônicos ou magnéticos fornecidos por empresas terceirizadas, verbis: "Quais as modalidades de execução do PAT? O PAT tem duas modalidades: a) Serviço Próprio (autogestão) – A empresa beneficiária assume toda a responsabilidade pela produção das refeições, desde a contratação de pessoal até a distribuição aos usuários. Ela mesma prepara a alimentação do trabalhador no próprio estabelecimento ou faz a distribuição de alimentos, inclusive não preparados (cestas de alimentos). b) Terceirização (serviços terceirizados) – O fornecimento das refeições, cestas de alimentos ou documentos de legitimação (impressos, cartões eletrônicos ou magnéticos) é contratado pela empresa Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) beneficiária junto às fornecedoras ou prestadoras de serviços de alimentação coletiva. Nessa modalidade, a empresa beneficiária deverá certificarse de que a fornecedora ou prestadora de serviços de alimentação coletiva está registrada no PAT, conforme o art. 8º da Portaria nº 03/2002." (..) Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000734/201011 Acórdão n.º 2403002.770 S2C4T3 Fl. 5 7 © 2005 – Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) É permitida a reprodução parcial desta obra, desde que citada a fonte. 1ª edição – 2005 – Tiragem: 5.000 exemplares 2ª edição – 2006 – Tiragem: 5.000 exemplares Edição e Distribuição: Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST) Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador (COPAT) Esplanada dos Ministérios, Bloco F, Anexo, Ala B, Sala 120 Tels.: (61) 33176660/6661/6662/6770 – Fax: (61) 3317 8263 Site: www.mte.gov.br/pat – Email: pat@mte.gov.br Muito embora o encimado, no período de ocorrência dos fatos geradores em questão a empresa não demonstrou estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Neste caso, o benefício concedido caracterizase como sendo vantagem econômica, integrando o saláriodecontribuição. Assim , não se vislumbra dar provimento às alegações do contribuinte. Apesar de concordar com o "decisium" a quo , fiz os destaque acima em razão de têlo acompanhado pelas conclusões necessitar explicitar a motivação de meu convencimento. No que concerne aos demais levantamentos enfrentados no voto em sede de impugnação, corroborando a íntegra do que fora argumentado pelo i. Julgador, por economia processual, nego provimento às alegações trazidas pelo contribuinte em sede recursal ressaltando, entretanto, aspectos no tocante à multa aplicada. MULTA MAIS BENÉFICA Embora no item 8 do Relatório Fiscal às fls. 252 a Autoridade autuante tenha registrado que a aplicação da multa efetuou comparação de valores e aplicou a mais benéfica , notase que ao manter a alíquota de 75% relativa à multas de ofício, na forma do dispositivo 35A da Lei n 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória MP 449/2008 o critério não observou o disposto no art. 35 do mesmo diploma legal incluído pela mesma sobredita Medida Provisória MP 449. Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD de fls.218, item 701, registra que a multa foi aplicada observando o comando do art. 35A com a redação dada pela Medida provisória 449, de 2008 , convertida na Lei n 11.941/2009. DO ART. 144 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Conforme o comando do art. 144 do Código tributário Nacional CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, verbis: " Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." À época dos fatos geradores , período 01/2006 a 12/2007, para aplicação das multas em comento vigiam os incisos I, II e III do alterado art. 35 da Lei n 8.212/91. A alteração supra ocorreu em razão da nova redação dada pela Medida Provisória MP 449/2008 para o art. 35, que, nas hipóteses de inadimplência com a União, decorrentes das contribuições sociais em tela prevê aplicação de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 verbis; "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei ° 11.941, de 2009) " DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O artigo 106, II, "c" do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000734/201011 Acórdão n.º 2403002.770 S2C4T3 Fl. 6 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.012356/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 12 35 6/ 20 08 -3 2 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (fls. 68 92) interposto pela Stefanini Consultoria e Assessoria em Informática S/A. e outros contra o acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – São Paulo (fls. 112133), que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração DEBCAD n.37.191.1001, relativamente às contribuições previdenciárias destinadas aos segurados, no período compreendido de 01/12/2002 a 31/12//2007, cuja ciência ocorreu em 23/12/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 34 39), a cobrança ora discutida tem origem nos seguintes fatos: DA AUTUAÇÃO Das contribuições devidas A Fiscalização constatou que a Recorrente deixou de recolher contribuições previdenciárias, no período de 12/2002 a 12/2007, correspondentes às diferenças encontradas entre os valores declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS (GFIP) e os constantes nas Guias de Previdência Social (GPS), apuradas através de planilhas e relatórios juntados aos autos. Segue abaixo trecho que descreve o objeto do lançamento: 7. O lançamento referese aos VALORES APURADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS, referente às diferenças entre a base de cálculo considerada pela empresa, declarada em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social e os recolhimentos efetuados. 8. As bases de cálculo das contribuições dos segurados empregados e demais informações complementares são as constantes dos arquivos entregues em meio digital à empresa, suja descrição, autenticação e detalhamento dos valores são apresentados nos próprios documentos eletrônicos, descritos no Recibo de Arquivos em Meio Digital, conforme cópia anexa. 10. As alíquotas aplicadas são as constantes do arquivo digital denominado Tabela de Alíquotas de Contribuição dos Segurados Empregados, de acordo com as tabelas de salários de contribuição vigentes no período de 12/2002 a 12/2007, relativamente à contribuição variável dos segurados empregados, calculada sobre a remuneração total, observados os limites mínimos e máximos de contribuição. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 4 3 14. Foram examinados e serviram de base para a presente autuação a escrituração contábil (Livro Diário) e Folha de Pagamento, apresentados pelo sujeito passivo em meio magnético, GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS e GPS), relativamente ao período 12/2002 a 12/2007, bem como os demais documentos apresentados na ação fiscal e devidamente relacionados nos Termos e Intimações lavrados. (fls. 3638) Formação de grupo econômico Ademais, o Auditor fiscal lavrou termo de sujeição passiva solidária, entre a Autuada, ora Recorrente, e as Empresas Stefanini Networking Comércio e Consultoria de Informática Ltda., S.G.E. Stefanini Gestão Empresarial Ltda., Stefanini Quality Tools Cons. de Sistemas Ltda., Stefanini Financials Cons. em Informática Ltda., Stefanini Training Treinamento em Informática Ltda., por se constituírem em grupo econômico, tendo justificado tal procedimento com base nos argumentos indicados a seguir: III DO GRUPO ECONÔMICO E DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 3. O Grupo STEFANINI é um grupo econômico regular de fato, cuja empresa controladora é a empresa STEFANINI PARTICIPAÇÕES S/C LTDA., C.N.P.J 04.300.0491000110, e são controladas as demais empresas constantes da Folha de Continuação do Auto de Infração e do Relatório Vínculos Relação de Vínculos, onde estão qualificadas na situação de "grupo econômico", reconhecido na Declaração IRPJ, ficha 52 Participação Permanente em Coligadas ou Controladas da empresa controladora perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, nos registros contábeis da STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÁTICA S.A., Contratos Sociais, Atas, Demonstrações Financeiras, e na internet, em sua página eletrônica http://www.stefanini.com.br, dentre outras fontes internas e externas. Caracterizado o grupo econômico, foram emitidos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária para as empresas integrantes situadas no país. Por fim, o Auditor Fiscal elaborou listagem dos responsáveis pela empresa, conforme demonstra a Relação de Representantes Legais (REPLEG). DA IMPUGNAÇÃO A Recorrente foi notificada em 23/12/2008 e, juntamente com as demais empresas que integravam o suposto grupo econômico, apresentou impugnação, alegando, dentre outros argumentos, que o relatório fiscal e seus anexos não esclarecem adequadamente o objeto da autuação, o que se verifica, por exemplo, da coluna “crédito diverso” do Relatório de Apropriação de Documentos apresentados (RADA), a qual apresenta informações divergentes em relação ao Discriminativo Analítico de Débito (DAD). Alega a Recorrente que não é possível identificar se a autuação envolve valores retidos por seus clientes, além de os valores recolhidos não terem sido integralmente reconhecidos, o que, se acontecesse, geraria a diferença de centavos. Aduz, por fim, que, no Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 5 4 auto, não há indicação da legislação que fundamenta a existência de grupo econômico, devendo esta acusação fiscal ser desconsiderada. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Após a análise das impugnações e os documentos que as acompanharam, a DRJ, na forma da Resolução nº 2.536, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que o Auditor Fiscal se manifestasse em relação aos documentos juntados e acerca da existência de grupo econômico, cujas ponderações seguem abaixo transcritas: Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram ou realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" na forma da Lei 6.404/76). Admitida, assim, a possibilidade jurídica dos "grupos econômicos de fato", é necessário, pois, que seja informado, pormenorizadamente, como se verificou a caracterização de tal grupo, isto porque o relatório fiscal faz referências a certos documentos, assim como aos registros contábeis e a outras fontes internas e externas, porém, sem discriminação e/ou especificação dos fatos verificados. (fl. 1923) DA INFORMAÇÃO FISCAL Sobreveio resposta da fiscalização, por meio da qual foi alegado o seguinte: Ausência de autenticação das cópias apresentadas Os Auditores Fiscais ressaltaram que os documentos anexados à Impugnação são cópias sem autenticação de qualquer espécie – nem do servidor da RFB atestando a apresentação dos originais ou do cartório – tampouco as assinaturas dos documentos estão com firma reconhecida, o que, no entender dos Auditores, seria indispensável e imprescindível, nos termos dos arts. 9º e 10º do Decreto nº 6.932/2009, art. 22 da Lei 9.784/99 e art. 300 do DecretoLei nº 2.848/1940. Vejamos as ponderações realizadas pelo Auditor em relação ao tema: Como não pode o serviço público recusar protocolo, sob pena de se permitir a alegação de cerceamento de defesa, os documentos foram recebidos pela RFB e agora adicionados ao processo digital (e processo), todavia não se revestem da necessária condição de prova válida, especialmente em se tratando de documentos com fraudes e/ou irregularidades constatadas pelo Fisco. Desde já são impugnados por este AuditorFiscal e não devem ser conhecidos tais documentos (cópias) sem qualquer tipo de autenticação e sem firma reconhecida [...]. Logo, após as retificações realizadas, determinou que, havendo alguma outra reclamação de inclusão de documentos de recolhimento ou abatimento do débito, estaria intimado a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da Informação Fiscal, mediante apresentação de cópia autenticada e com firma reconhecida, já que “TODOS os documentos apresentados como prova e anexados ao eprocesso são inservíveis”. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 6 5 Caracterização de grupo econômico Os Auditores Fiscais aduziram novas informações acerca do grupo de empresas, como: I. as empresas integrantes do grupo têm a marca “Stefanini”, que é o sobrenome dos sócios fundadores da empresa fiscalizada, assim como da pessoa jurídica controladora (holding); II. as empresas envolvidas desempenham atividades correlatas e esforços comuns, como atestam documentos oficiais e pesquisas efetuadas na internet; III. as empresas relacionadas como devedoras solidárias são todas controladas pela empresa Stefanini Participações Ltda. Alegações e elementos trazidos pelo sujeito passivo Alega que a ora Recorrente limitouse a apresentar documentos já apresentados, sem autenticação e/ou sem reconhecimento de firma, o que impede de serem considerados como elementos de prova válida. Com relação à alegação de nulidade diante do cerceamento do direito de defesa, o Auditor esclarece que as guias consideradas foram listadas no relatório RDA – Relatório de Documentos Apresentados, onde são apresentadas, inclusive, as guias de recolhimento referentes aos valores retidos (código 2631). Além disso, o Auditor alega que o Relatório RADA – Relatório de Apropriação dos Documentos Apresentados contém a discriminação dos valores apropriados nas competências com débito, os quais são preenchidos pelo sistema SAFIS – Sistema de Auditoria Fiscal, sem interferência manual, considerando os valores descontados dos segurados e aqueles declarados em GFIP, até alcançar os valores não declarados. Ressalta, ainda, que o sistema relaciona a cada competência o débito apurado, tanto que, em diversas competências, o sistema não identificou débitos, considerando justamente as apropriações efetuadas. Aduz que o relatório “Totais mensais por Rubrica” não é o relatório final da base de cálculo, mas, sim, relatório auxiliar e preliminar destinado a demonstrar a tributação atribuída pela empresa e pelo RFB, o qual foi utilizado antes da realização dos cruzamentos e dos ajustes finais feitos em relação às remunerações da Folha e da GFIP. Alega que, embora a empresa possua todos os dados, parece estar buscando tumultuar o julgamento, de modo que realiza a juntada de arquivos específicos denominados “Totalização Remuneração de Empregados”, ordenados por competência e estabelecimento, bem como envia cópias dos referidos relatórios para o contribuinte e responsáveis solidários, conforme demonstra trecho da informação fiscal abaixo transcrita: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 7 6 Resumindo, conforme o exposto, fica claro que nos valores lançados já constavam a base de cálculo mensal por segurado e o total da base de cálculo mensal, e agora estão sendo acrescentados os relatórios adicionais ora mencionados, diante das dúvidas apresentadas. Fato relevante que justifica a proposta de retificação de débito O Auditor Fiscal constatou que os documentos relacionados com a filial 0010 10 não estavam listados no RDA – Relatório de Documentos Apresentados, devido à falha originária do contribuinte, ora Recorrente, considerando que na JUCESP consta apenas a alteração do endereço da filial para Brasília (DF), sem constar a sua abertura na Junta Comercial. Sendo assim, foram considerados os recolhimentos realizados pela filial 001010, efetuados antes do início da ação fiscal. Em seguida, todas as empresas envolvidas foram devidamente intimadas, tendo todas se manifestado sobre os argumentos ali constantes. DO ACÓRDÃO DA DRJ Enviados os autos para a DRJ, esta julgou o lançamento parcialmente procedente através do acórdão de fls. 126353126373, por meio do qual foram enfrentados os argumentos trazidos pela Impugnante, ora Recorrente, conforme exposto em linhas a seguir: Da nulidade do lançamento A DRJ ressaltou que o relatório fiscal é suficientemente claro em relação à descrição do fato gerador que motivou o lançamento, que, no seu entendimento, corresponde à diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento e os declarados nas GFIP. Vejamos os exatos termos da decisão proferida pela DRJ: O relatório fiscal, correspondente ao Auto de Infração em questão (fls. 33 a 38) é suficientemente claro e preciso quanto aos fatos geradores que motivaram o lançamento, que consiste na diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento e os declarados nas GFIP, conforme itens 7, 8,10 e 14 desse relatório [...]. [Tais itens foram descritos em linhas acima no resumo do relatório fiscal]. Acrescentese a isso que integram a presente Autuação diversos anexos, dentre os quais destacamos os relatórios das remunerações de 2002 a 2007 (todos anexados ao eprocesso por este relator, na forma das fls. 117.806 a 126.160, que trazem os nomes de todos os empregados e as correspondentes remunerações de todo o período do lançamento (12/2002 a 12/2007), constantes das folhas de pagamento e as declaradas em GFIP, bem como as diferenças de remunerações existentes. Valores esses totalizados em conformidade com os relatórios apresentados pela fiscalização às fls. 1.994 a 2.020). (fls. 122 e 123). Em relação à conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a fiscalização reconheceu que, diante da ausência de documentos, deixou de deduzir os Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 8 7 recolhimentos efetuados pela filial de Brasília, mas que, por conta da apresentação os mesmos, a retificação do lançamento foi realizada e devidamente acatada pela turma de julgamento. Dos equívocos apontados A DRJ convalidou a constatação de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, em relação às retenções incidentes sobre as notas fiscais/ faturas de serviços, diante da impossibilidade de validação dos créditos alegados pela Recorrente por conta da ausência de apresentação dos documentos comprobatórios tanto na ação fiscal como na defesa. Ademais, a DRJ considerou que as GFIPs entregues pela Autuada nos dias oito, nove e dez do mês de maio de 2009 – e reapresentadas pelas empresas integrantes do grupo econômico –, em nada alteram o procedimento fiscal, porque foram transmitidas para o SEFIP/WEB após a lavratura do Auto de Infração. Grupo Econômico A DRJ reconhece que a baixa do processo em diligência possibilitou ao fiscal novas informações acerca do grupo de empresas, conforme indicado em linhas acima ao tratarmos sobre o resultado da diligência. Aduz, em seguida, que a própria Recorrente, ao apresentar sua impugnação, reconhece a formação de grupo econômico, o qual é comprovado através de trechos da referida peça. Mas, embora reconheça a existência de grupo econômico, não admite a decorrente corresponsabilização. Acrescenta que todas as impugnações apresentadas foram assinadas pela Stefanini Consultoria e Assessoria em Informática S/A, o que corrobora com a existência do grupo econômico. Ressalta, ainda, a impossibilidade de discussão sobre a inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91, já que a inconstitucionalidade de lei não pode ser objeto de questionamento em processo administrativo. Da inclusão dos sócios no relatório “REPLEG” A DRJ ressaltou que tal inclusão ocorre em caráter meramente informativo, não implicando a colocação dessas pessoas físicas no polo passivo da relação jurídica processual instaurada com a lavratura da presente notificação fiscal de lançamento de débito. Decadência Por fim, a DRJ, aplicando a contagem do prazo decadencial nos moldes do art. 150, §4º do CTN, tendo a ciência do lançamento ocorrido em 23/12/2008, reconheceu a decadência em relação às competências de 12/2002 a 11/2003. Dos juros moratórios A DRJ entendeu que a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários está respaldada no art. 34 da Lei 8.212/1991. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 9 8 DOS RECURSOS Em seguida, a Recorrente, bem como as demais empresas envolvidas no grupo econômico, apresentaram recursos voluntários, trazendo os seguintes argumentos: Do relatório fiscal e dos anexos A Recorrente alega que, da análise do relatório fiscal, assim como do RADA, não é possível identificar se o crédito aproveitado no lançamento é composto de valores declarados em GPS pagas ou de retenção pelos clientes da Recorrente ou se o somatório de ambos, ou, ainda, se se referem a outros créditos. Segue trecho do recurso, em que a Recorrente questiona os valores constantes no RADA: Em relação, especialmente, ao RADA (Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados), a Recorrente não compreende quais critérios foram utilizados para sua elaboração, tampouco tem conhecimento de como ou porque foi realizada a apropriação, nem mesmo qual foi a relação deste com o lançamento. Afinal. Não há qualquer informação clara a respeito de como foi confeccionado o relatório, ou mesmo a que se referem os valores ali mencionados. (fl. 48) A ausência da identificação dos créditos, de acordo com a Recorrente, impede a compreensão do cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal para o lançamento, e, por conseguinte, o exercício do seu direito de defesa. A Recorrente, então, alega que tais fatos configuram inobservância ao exposto no art. 142 do CTN, de modo que deve ser reconhecida a nulidade do lançamento. Dos recolhimentos e da retificação De acordo com a Recorrente, a DRJ ignorou os documentos juntados na impugnação, que demonstram que os valores lançados pelo Agente Fiscal não foram calculados levando em conta os valores pagos pela Recorrente em suas GPS’s mensais, de modo que se equivocou a DRJ ao afirmar que todos os valores recolhidos foram considerados no auto de infração. Dos recolhimentos A Recorrente alega, ainda, que as GFIP’s, desconsideradas pela DRJ por terem sido transmitidas após a lavratura do Auto de Infração, foram apresentadas apenas para confirmar as informações trazidas pela Recorrente, com o intuito de demonstrar que as diferenças apontadas pela Autoridade entre o valor declarado em GFIP e recolhido em GPS são inexistentes. Assim, em busca da verdade material, a Recorrente ressalta a necessidade de análise dos documentos apresentados, que foram, segundo suas próprias palavras, “ignorados pela Autoridade Julgadora e Autoridade Fiscal”. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 10 9 Considerando tal equívoco, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade com o consequente cancelamento do lançamento, também diante da inobservância dos preceitos previstos no art. 142 do CTN. Dos valores retificados A Recorrente alega que a autoridade fiscal equivocouse ao deixar de considerar os valores recolhidos pela filial de Brasília. Aduz, ainda, que, embora tal equívoco tenha decorrido da própria fiscalização, ela tentou imputar a responsabilidade à Autuada sob a alegação de que a empresa não estaria cadastrada na JUCESP. Defende a Recorrente que a filial está devidamente cadastrada na Junta Comercial de Brasília, bem como no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e que a ausência de consideração dos documentos pela Autoridade Fiscal foi equivoco exclusivo da fiscalização, o que enseja o reconhecimento da nulidade do lançamento. Além disso, alega que os valores recolhidos pela filial Brasília (00100) foram apropriados na base de cálculo do Auto de Infração ora analisado, mas parte foi apropriada aos Autos de Infração 37.198.6516 (principal/ parte patronal), 37.198.6508 (segurados) e 37.198.6524 (terceiros), correspondentes aos valores não declarados em GFIP, ou seja, verbas pagas pela Recorrente a título de reembolso de custos diretos e indiretos para e não pela prestação dos serviços realizados por seus empregados, que, segundo a Fiscalização, configuram verbas salariais. Desse modo, diante do equívoco na apropriação, requer sejam as verbas recolhidas pela filial Brasília (001010) e apropriadas indevidamente no Auto de Infração nº 37.198.6516, sejam integralmente consideradas no presente processo. Dos valores retidos A Recorrente alega que a existência de divergência entre os valores declarados e os recolhidos, relativas às retenções sofridas sobre as notas fiscais/faturas de serviços, fez com que o fiscal intimasse a Recorrente para apresentação dos documentos correspondentes. A ausência de apresentação da via original ou cópia autenticada ensejou a lavratura do Auto de Infração nº 37.198.6605. Isso porque, a Fiscalização teria considerado que, embora a empresa tenha apresentado os arquivos digitais referentes às faturas emitidas, foi alertada para a necessidade de apresentação de documentos originais ou cópias autenticadas, para os casos com destaque de retenção, considerando a existência de divergência entre os valores declarados e recolhidos. Segundo alega a Recorrente, o próprio fiscal solicitou a entrega dos arquivos em formato digital, conforme correspondência eletrônica encaminhada pelo Auditor Fiscal (fl. 126.342), a qual segue abaixo colacionada. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 11 10 Entretanto, a Recorrente informa que a apresentação da via original ou cópia autenticada de todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal, referentes ao período compreendido entre os anos de 2000 e 2007, envolveria tempo e custo elevados, considerando o grande porte da empresa. Ademais, ressalta que os documentos originais sempre estiveram à disposição da fiscalização para análise, mas que “nesse ponto quedouse inerte, não se interessou em analisálos” (fl. 126.485). Assim, no entender da Recorrente, também por esse motivo, o procedimento fiscalizatório foi maculado, devendo o lançamento ser cancelado em observância ao princípio da verdade material. Do grupo econômico Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 12 11 A Recorrente alega que a Autoridade Fiscal não apresentou provas válidas, nem elementos aptos a caracterizar a responsabilidade solidária entre o contribuinte e as demais empresas citadas nos autos, justamente porque tais provas não existem. Aduz, ainda, que, nos termos do art. 124, II do CTN, para que reste configurada a solidariedade tributária é necessária à configuração da solidariedade de fato ou de direito. A primeira não restou verificada já que apenas um sujeito figura no polo passivo dessa demanda, a segunda tampouco restou verificada visto que não há previsão legal que defina tal solidariedade. Desse modo, considerando que as demais empresas não apresentam qualquer relação com o fato típico, de modo que não seria possível realizar a cobrança das obrigações dele decorrentes. Ressalta, ainda, que a Lei nº 8.212/91, ao estabelecer a responsabilidade solidária de forma indiscriminada, extrapola as diretrizes estabelecidas no CTN, não podendo ser considerada válida. Aduz, ainda, que a definição de grupo econômico deve ser aquela constante na legislação trabalhista (art. 2º da CLT), por meio da qual a configuração de grupo econômico demanda a existência de mesma direção, controle ou administração, não sendo suficiente, portanto, a configuração de participações societárias em empresas comuns. Da inclusão dos sócios no Relatório “REPLEG” A Recorrente afirma, ainda, que a inclusão dos sócios administradores da empresa como responsáveis solidários pelo crédito tributário ora em discussão é também descabida, pois sequer existe previsão legal para tanto, já que os sócios não podem fazer parte do grupo econômico. Isso porque, de acordo com a Recorrente, o “REPLEG” foi incluído na Instrução Normativa nº 03/2005, a qual foi revogada pela Instrução Normativa nº 971/2009, não havendo mais nenhuma norma que determine a constituição e validade do “REPLEG” no processo administrativo fiscal. Juros moratórios A Recorrente alega que, em observância ao princípio da eventualidade, caso o lançamento não seja cancelado, não é devida a incidência de juros com base na taxa Selic sobre a multa, já que o art. 161 do CTN determina que os juros devam incidir somente sobre o crédito tributário, do qual não faz parte a multa aplicada, inexistindo respaldo legal para aplicação de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 13 12 VOTO Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo, e, portanto, dele conheço. Da análise dos autos, é possível constatar que, de fato, a Recorrente indicou, na planilha denominada “Relação de Diferenças Apontadas” (fl. 157 e 160 do processo nº 10830.012357/200887, o qual foi apensado ao processo ora analisado, conforme Termo de Apensação de fl. 66), valores superiores aos considerados pelos Auditores Fiscais no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 126.206 a 126.292 do processo nº 10830.012357/200887) a título de retenção das notas fiscais referentes à prestação de serviços. Além disso, conforme reiterado pela Recorrente – e ratificado pela Delegacia de Julgamento ao proferir o acórdão – as notas fiscais de prestação de serviço não foram consideradas hábeis para verificação do valor retido, tendo em vista a ausência de entrega dos documentos originais ou cópias autenticadas. A recusa da análise da referida documentação agrava a situação da Recorrente, que, com o objetivo de alcançar a verdade material, disponibilizou as mencionadas notas fiscais originais para análise dos Auditores Fiscais na sede da empresa. Ora, considerando a quantidade de documentos anexados ao processo, é plausível a alegação da Recorrente quanto à inviabilidade de juntada de cópia autenticada ou apresentação dos documentos originais à Fiscalização, justificandose, assim, a realização de diligência para análise dos documentos na sede da empresa fiscalizada, com o objetivo de atestar a adequação do levantamento realizado. Além disso, embora a Autoridade Fiscal, ao prestar informações, tenha alegado que analisou os documentos apresentados pelo Contribuinte, de acordo com os levantamentos realizados pela Fiscalização, incluindo o Relatório de Documentos Apresentados (RDA), não se verifica a análise dos documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582 do processo nº 10830.012357/200887. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que: a) o presente processo retorne à unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o contribuinte para que seja realizada diligência in loco na sede da Recorrente, com o objetivo de verificar se as notas fiscais que respaldam os valores retidos alegados pela Recorrente sofreram a devida retenção e, portanto, devem ser computadas como crédito para fins de apuração do crédito tributário; b) os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 161 – 582 do processo nº 10830.012357/200887 sejam efetivamente analisados, sendo elaborado novo levantamento fiscal que nos possibilite a conclusão dessa análise; c) sejam devidamente identificados os valores lançados como crédito (tratam se de GPS pagas e identificadas pelo Fisco ou de valores objeto de retenção pelos clientes da Recorrente, somatório de ambos, ou, ainda, outros créditos); Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10830.012356/200832 Resolução nº 2401000.400 S2C4T1 Fl. 14 13 d) valores recolhidos pela filial de Brasília (001010), CNPJ nº 58.069.360/001010, sejam apropriados na apuração da base de cálculo do Auto de Infração nº 37.191.0994 (patronal) e seus respectivos apensos 37.191.0986 (segurados) – presente processo –; 37.191.1001 (terceiros). Carolina Wanderley Landim. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10945.721263/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
IMPEDIMENTO. SUSPEIÇÃO. ELEMENTOS DE SUPORTE PARA A IMPUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se identificando nos autos elementos capazes de indicar que o agente fiscal integrante de equipe designada para promover a ação fiscal, estaria impedido ou sujeito à suspeição, descabe falar em nulidade do feito administrativo.
RECEITA AUFERIDA. DIFERIMENTO. ARTIFÍCIO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO.
Restando comprovado nos autos que a contribuinte fiscalizada, servindo-se de artifício contábil, deixou de oferecer à tributação recebimentos auferidos em virtude de contrato cujo serviço foi efetivamente prestado no prazo nele previsto, revela-se procedente a imputação de omissão de receitas e, diante do evidente dolo da conduta, a qualificação da penalidade aplicada.
CUSTOS. APROPRIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A apropriação de custos em obras distintas das que supostamente foram empregados, assim como em obras comprovadamente encerradas, na circunstância em que não são reunidos ao processo elementos capazes de criar convicção acerca da efetiva tributação das receitas a eles vinculadas, impõe a glosa por parte da autoridade fiscal. Tratando-se de prática reiterada e por longo período de tempo, afasta-se a possibilidade da ocorrência de equívoco na apropriação, o que autoriza a exasperação da penalidade aplicada.
INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODO DE APURAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. EFEITOS.
Tratando-se de inexatidão quanto ao período de escrituração de receita, em conformidade com mansa e pacífica jurisprudência desta instância julgadora, só se pode falar em postergação do pagamento do imposto na circunstância em que efetivamente o imposto que deixou de ser pago em determinado período o foi em período posterior. No caso vertente, em que, para os casos em que efetivamente foi identificado pagamento de imposto, a contribuinte foi autuada por postergação, e, para os casos em que não foi detectado pagamento, a tributação foi feita a título de redução indevida do lucro, o procedimento adotado pela autoridade autuante revela-se em perfeita sintonia com o entendimento consagrado pela jurisprudência administrativa.
Numero da decisão: 1301-001.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Wilson Fernandes Guimarães
Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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SUSPEIÇÃO. ELEMENTOS DE SUPORTE PARA A IMPUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não se identificando nos autos elementos capazes de indicar que o agente fiscal integrante de equipe designada para promover a ação fiscal, estaria impedido ou sujeito à suspeição, descabe falar em nulidade do feito administrativo. RECEITA AUFERIDA. DIFERIMENTO. ARTIFÍCIO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO. Restando comprovado nos autos que a contribuinte fiscalizada, servindose de artifício contábil, deixou de oferecer à tributação recebimentos auferidos em virtude de contrato cujo serviço foi efetivamente prestado no prazo nele previsto, revelase procedente a imputação de omissão de receitas e, diante do evidente dolo da conduta, a qualificação da penalidade aplicada. CUSTOS. APROPRIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A apropriação de custos em obras distintas das que supostamente foram empregados, assim como em obras comprovadamente encerradas, na circunstância em que não são reunidos ao processo elementos capazes de criar convicção acerca da efetiva tributação das receitas a eles vinculadas, impõe a glosa por parte da autoridade fiscal. Tratandose de prática reiterada e por longo período de tempo, afastase a possibilidade da ocorrência de equívoco na apropriação, o que autoriza a exasperação da penalidade aplicada. INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODO DE APURAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 12 63 /2 01 1- 19 Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.802 2 Tratandose de inexatidão quanto ao período de escrituração de receita, em conformidade com mansa e pacífica jurisprudência desta instância julgadora, só se pode falar em postergação do pagamento do imposto na circunstância em que efetivamente o imposto que deixou de ser pago em determinado período o foi em período posterior. No caso vertente, em que, para os casos em que efetivamente foi identificado pagamento de imposto, a contribuinte foi autuada por postergação, e, para os casos em que não foi detectado pagamento, a tributação foi feita a título de redução indevida do lucro, o procedimento adotado pela autoridade autuante revelase em perfeita sintonia com o entendimento consagrado pela jurisprudência administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.803 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas no período de DEZEMBRO de 2007; ii) glosa de custos relativamente aos períodos de DEZEMBRO de 2006 e DEZEMBRO de 2007; iii) redução indevida do lucro real no período de DEZEMBRO de 2006. Por bem descrever os argumentos trazidos em sede de impugnação pela contribuinte, os demais pedidos por ela formalizados, a diligência fiscal realizada e as contrarrazões oferecidas em relação a tal procedimento, reproduzo relato constante na decisão exarada em primeira instância. [...] 6. Cientificado dos autos na data de 22/12/2011, conforme AR de fl. 1067, tempestivamente, em 19/01/2012, o contribuinte encaminhou a impugnação de fls. 1071/1112, acompanhada dos documentos de fls. 1113/1549 e os constantes do processo n° 14486.000027/201243 (conforme informação de fls.1550 a 1553), que se resume a seguir: A SUSPEIÇÃO DA AUTORIDADE LANÇADORA E A CONSEQÜENTE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO a. Alega que o primeiro aspecto da impugnação diz respeito à suspeição da Sra. Lorete Berlanda, AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela condução da fiscalização e pela constituição do crédito tributário ora impugnado, com relação à empresa autuada Jota Ele Construções Civis Ltda; b. Explica que teve sua sede transferida de Foz do Iguaçu (PR) para Curitiba (PR) em 25/11/2010, nos termos da Quadragésima Alteração Contratual (fls. 3537), mas que, inexplicavelmente, no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 09.1.01.002011001899, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) em 01/03/2011 e onde já consta como domicílio da empresa o endereço de sua sede em Curitiba (PR), foram designados para realizar a ação fiscal AuditoresFiscais lotados na Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu (PR); c. Reclama que a fiscalização de empresa sediada em Curitiba (PR) se deu em Foz do Iguaçu (PR), mas nunca soube a justificativa para este fato, sendo a situação tão inusitada que, além deste auto de infração, da ação fiscal instaurada também resultou o crédito tributário contido no processo n° 10945.721263/201119, sendo que enquanto naquele feito a defesa deve ser protocolada em Foz do Iguaçu (PR), neste o protocolo precisa se dar em Curitiba (PR); Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.804 4 d. Destaca que a ação fiscal permanece em aberto com relação aos anos calendário 2008, 2009 e 2010, também pela Delegacia da Receita em Foz do Iguaçu (PR); e. Acrescenta situação mais grave do que essa, que macula o procedimento fiscal e, conseqüentemente, inquina de nulidade o crédito tributário em apreço. A Sra. Lorete Berlanda, AuditoraFiscal que comandou a fiscalização, jamais poderia ter atuado em caso envolvendo a impugnante, em razão de sua suspeição; f. Esclarece que a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação – SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, conforme contrato anexo (doc. n° 02). Fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, nos termos do contrato anexo (doc. n° 02), que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, CPF n° 524.562.50915. Fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na ação fiscal que resultou nos lançamentos ora impugnados, conforme comprova, ilustrativamente, o Termo de Intimação Fiscal n° 08/2011 (fls. 5961); g. Afirma que, após uma difícil negociação, a Sra. Lorete Berlanda alienou sua participação na referida SCP para o Sr. João Luiz Felix, sócio majoritário da impugnante. A Sra. AuditoraFiscal deixou o empreendimento em 06/11/2008, de acordo com o Termo de Transferência de Ações anexo (doc. n° 02), recebendo pelas ações vendidas a importância de R$ 27.862,80, em 13/11/2008, nos termos do documento de transferência bancária que também acompanha esta defesa (doc. n° 02); h. Considerando tais fatos, entende ser evidente a suspeição da Sra. Lorete Berlanda para realizar ação fiscal contra a Jota Ele Construções Civis Ltda., inclusive fora de seu domicílio tributário, que desde meados de 2010 é Curitiba (PR), nos termos dos artigos 18, 19 e 20 da Lei n° 9.784/99, além do art. 37 da CF; i. Conclui que a flagrante afronta ao princípio constitucional da impessoalidade é causa de suspeição da AuditoraFiscal Sra. Lorete Berlanda para comandar ação fiscal em face da impugnante, o que torna nulos os autos de infração em tela, lavrados por ela; j. Pede a declaração desta nulidade; OMISSÃO DE RECEITA k. Cita trecho do TVF; l. Alega que o contrato celebrado entre a empresa Send Empreendimentos e Participações Ltda. (contratante) e a impugnante (contratada) tinha dois objetos: i) a execução de 706,94 m2 de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m2 de reforma, totalizando 2.44l,06m2 de obras para a instalação das Lojas Renner, cujas obras serão realizadas de acordo com os projetos e memoriais descritivos, os quais passam a fazer parte integrante do presente instrumento; ii) a construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724 m2, e a adequação do atual piso GI para mais um andar de mall, cujas obras deverão ser realizadas de acordo com os projetos e memoriais descritivos, os quais passam a fazer parte integrante do presente instrumento; m. Explica que o item 1 deveria ser cumprido até 30/11/2007 e o item 2 tinha prazo previsto de 10 meses a contar da expedição do alvará de construção pela Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.805 5 Prefeitura Municipal de Cascavel; e que foi contratada para realizar duas obras, uma com 2.441,06 m e outra com 5.724 m , pelo preço total de R$ 7.200.000,00, sendo R$ 2.700.000,00 (R$ 1.106,08/m ) para o objeto descrito no item 1 e R$ 4.500.000,00 (R$ 786,16/m ) para a obra prevista no item 2; n. Justifica que nem teria sentido se assim não fosse, pois enquanto o custo da obra previsto no item 1 seria de R$ 1.843,46/m , a obra do item 2 teria o custo de R$ 471,70/m , ou seja, um valor cerca de 75% inferior, relativamente a trabalhos semelhantes; o. Afirma que a diferença seria injustificável; quanto ao motivo de a empresa ter contabilizado no anocalendário 2007 os R$ 4.500.000,00 como Resultado de Exercícios Futuros, explica que, conforme comprovação (doc. n° 03), o alvará de construção para a obra do item 2 foi expedido apenas em 19/09/2011, sendo que o trabalho não teve início antes devido a restrições junto ao Corpo de Bombeiros e à Prefeitura Municipal; p. Anota que, em novembro de 2007, logo após o compromisso firmado, a empresa enviou o projeto arquitetônico da respectiva obra para o Corpo de Bombeiros de Cascavel para fins de aprovação. O Corpo de Bombeiros exigiu, em função do aumento de um pavimento de loja e da altura da obra, que se executasse uma escada com no mínimo 5 metros de largura como rota de fuga, para atendimento da NBR 9077. Considerando que a empresa não tinha como executar a escada com acesso externo, o projeto ficou paralisado até que se decidiu construir a escada sobre a cabine de força existente na Avenida Toledo. Com a inserção da escada no referido local, o projeto do Corpo de Bombeiros restou aprovado em 25/11/2008; q. Segue narrando que, em 05/12/2008, o projeto foi protocolado na Prefeitura de Cascavel, que não aceitou a execução da escada conforme aprovação do Corpo de Bombeiros pelo fato de que parte dela seria implantada sobre a cabine, mas parte aumentaria a Taxa de Ocupação do Solo, que já estava extrapolada de acordo com o Código de Obras do Município de Cascavel. Em razão dos diversos ajustes no projeto, determinados pela Prefeitura de Cascavel, em 03/01/2011 a empresa substituiu a prancha n° 14/14 perante o Corpo de Bombeiros, alterando, principalmente, a área edificada; r. Esclarece que, após aproximadamente 3 anos de muito trabalho e exaustivas reuniões com os órgãos responsáveis, o projeto arquitetônico restou aprovado pela Prefeitura de Cascavel em 19/09/2011, com a liberação do alvará de construção, mas com a necessidade de alterações relativas ao rebaixamento da cabine de força existente no pavimento térreo para o subsolo e à execução de saída desta escada no pavimento térreo, onde antes era a cabine. Diante desta alteração da escada o projeto arquitetônico foi novamente protocolado no Corpo de Bombeiros em 31/08/2011, onde até hoje aguarda aprovação. Evidentemente, o início da obra só poderá ocorrer após a autorização do Corpo de Bombeiros, que deve aprovar o projeto; s. Conclui que o recebimento antecipado dos R$ 4.500.000,00 não pode ser tributado no anocalendário 2007, já que tal receita será reconhecida em exercício posterior àquele, no momento em que a obra for executada (seu início sequer ocorreu até 01/2012), de modo que se possam apropriar as respectivas despesas, apurandose daí o lucro sujeito à incidência de IRPJ e de CSLL, devendo os lançamentos do IRPJ e reflexos referentes à pretensa omissão de receitas ser considerados improcedentes; Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.806 6 t. Pede que, na remota hipótese de se entender que a tributação do valor de R$ 4.500.000,00 deve ocorrer no anocalendário 2007, adotando o posicionamento da autoridade lançadora no sentido de que tal receita advém da obra prevista no item 1 do contrato, as despesas necessárias à obtenção da receita sejam consideradas; u. Reclama que, embora de forma completamente equivocada, no processo administrativo n° 10945.721261/201111 a autoridade lançadora não acatou diversos custos atrelados ao imóvel vendido pela Sociedade em Conta de Participação SCP "Cascavel JL Shopping", cuja sócia ostensiva é a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda., apurando pretenso ganho de capital e invocando como um dos fundamentos o contrato em apreço, que foi executado pela impugnante e não pela SCP; v. Entende que, caso não se cancelem os autos de infração ora impugnados, o valor de R$ 1.212.679,20, reduzido pela fiscalização do custo de aquisição do imóvel vendido, deve ser levado em consideração como despesa dedutível para apuração do IRPJ e da CSLL referentes à receita de R$ 4.500.000,00; w. Assevera que o julgamento conjunto/simultâneo deste feito com o processo n° 10945.721261/201111 é medida que se impõe, inclusive porque ambos os casos tiveram origem numa única ação fiscal; A INEXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO QUANTO AO RECONHECIMENTO DAS RECEITAS DE OBRAS x. Contesta o trabalho da autoridade fiscal, que consistiu em antecipar, para o anocalendário 2006, receitas oferecidas à tributação pela empresa nos anos calendário 2007 e 2008, nos valores de R$ 3.475.921,05 e de R$ 1.210.458,79, respectivamente, conforme se verifica às fls. 1.009; y. Cita trecho do TVF; z. Argumenta que, embora sem concordar por completo com a sistemática de custo orçado prevista na legislação e utilizada pela impugnante, a autoridade lançadora acabou acatandoa. No entanto, adotou o critério de tributar as receitas no anocalendário 2006, quando, no seu entendimento, as obras foram encerradas, independentemente da continuidade das obras após sua entrega formal/simbólica ou da existência de créditos pendentes de recebimento, posicionamento este que não pode prevalecer; aa. Justifica que, para as quatro obras de construção por empreitada de longo prazo (denominadas "Infraero contrato TC 021EG/2005/0057", "Infraero contrato TC 022EG/2005/0057", "Infraero contrato TC 0002/2006 Viracopos" e "Fórum de Novo Hamburgo") que deram origem aos lançamentos, teve diversos ônus, despesas, custos, após o anocalendário 2006 e sendo assim poderia diferir o reconhecimento das respectivas receitas, nos termos do artigo 407 do RIR/99; bb. Para ilustrar, menciona a planilha elaborada pela fiscalização às fls. 365, relativa à obra "Infraero contrato TC 022EG/ 2005/0057", onde constam custos escriturados de R$ 830.062,90; cc. Afirma que a responsabilidade da impugnante por tais ônus está expressa no próprio termo de recebimento definitivo da referida obra (fls. 408410), onde consta que: “Conforme preceitua o Item 11.1, Letra C do Contrato, considerando a conclusão da instalação dos elevadores e a entrega dos documentos de projeto e manuais técnicos e do termo de compromisso de manutenção preventiva / corretiva Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.807 7 gratuita durante a vigência da garantia, a Comissão de Fiscalização, em comum acordo com o Representante da Contratada, considera os quatro elevadores integrantes do escopo do contrato entregues e recebidos, sem prejuízo a quaisquer discrepâncias que porventura venham, futuramente, a ser constatadas pela Comissão de Recebimento Definitivo, ainda a ser designada, cuja solução caberá à Contratada, sem quaisquer ônus à INFRAERO”; dd. Aponta que, nos termos da NBC T 10.23, do Conselho Federal de Contabilidade, deve, inclusive, haver provisão para garantia e manutenção das obras; ee. Acrescenta que a questão dos dispêndios também ocorreu nas demais obras, conforme demonstram as planilhas anexas (doc. n° 04), onde estão expressos, entre outras informações, os custos incorridos, o custo orçado, a receita do período base e o resultado computável na determinação do lucro líquido, cuja elaboração seguiu as regras da Instrução Normativa SRF n° 21/1979, citada pela autoridade lançadora, sendo que os documentos comprobatórios das respectivas despesas foram analisados por ela. Inevitavelmente a empresa tem diversos custos em momento posterior à entrega das obras; ff. Destaca um caso emblemático, retratado pelo documento de fls. 518519, no qual consta a solicitação do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul TJRS para que a impugnante solucione 36 (trinta e seis) pendências após a conclusão da obra. Evidentemente tais situações geram ônus para a empresa, o que lhe permite diferir a tributação das respectivas receitas. O reconhecimento de improcedência dos lançamentos é medida que se impõe; gg. Com relação à obra "Fórum de Novo Hamburgo", cita resposta do Egrégio TJRS, através do Ofício n° 293/2011DIR/DESPESA, acompanhado da Informação n° 411/11 DEAM (fls. 432433), à intimação da fiscalização; hh. Entende que a informação prestada pelo Egrégio TJRS elucida e comprova a defesa da impugnante, no sentido de que sempre são realizados serviços após a conclusão das obras, gerando custos. E mais, para o "Fórum de Novo Hamburgo" a autoridade lançadora não levou em considerou a data de conclusão da obra. Ora, o documento é expresso no sentido de que a obra foi concluída em 26/12/2005, mas, ainda assim, as receitas declaradas pela empresa nos anos calendário 2007 e 2008, nos valores de R$ 1.535.722,55 e de R$ 1.210.458,79, respectivamente, foram tributadas integralmente no anocalendário 2006 (fls. 1.009), quando, seguindo o critério adotado para as demais obras, a tributação deveria ocorrer no anocalendário 2005. Esta dubiedade de critérios para fatos idênticos é inadmissível ii. Defende que os valores de R$ 1.535.722,55 e de R$ 1.210.458,79 (totalizando R$ 2.746.181,34) devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento relativo ao anocalendário 2006. Por fim, conforme planilhas anexas (doc. n° 05), relativamente às obras "Infraero contrato TC 0002/2006 Viracopos" e "Fórum de Novo Hamburgo", ao final do anocalendário 2006 a impugnante não havia recebido, do total faturado, as importâncias de R$ 53.456,24 e de R$ 80.338,38, respectivamente, as quais também não podem fazer parte da exigência ora combatida, de acordo com a regra expressa no artigo 409 do RIR/99; jj. Conclui que inexistiu redução indevida do lucro real pela inexatidão na apuração das receitas de obras por empreitadas ou que o trabalho da autoridade autuante está incorreto e contraditório, de modo que os autos de infração são improcedentes; Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.808 8 OUTRO GRAVE EQUÍVOCO COMETIDO PELA FISCALIZAÇÃO QUANTO ÀS RECEITAS DE OBRAS ANTECIPADAS kk. Reclama que a fiscalização cometeu grave erro no que se refere aos autos de infração do anocalendário 2007. Conforme amplamente asseverado, a autoridade lançadora antecipou para o anocalendário 2006 receitas devidamente oferecidas à tributação pela empresa nos anoscalendário 2007 e 2008, nos valores de R$ 3.475.921,05 e de R$ 1.210.458,79, respectivamente (fls. 1.009). Para apuração dos tributos devidos no anocalendário 2006, a fiscalização levou em consideração o resultado apurado na DIPJ/2007, ou seja, o prejuízo de R$ 821.206,32 (fls. 17), com as alterações promovidas pelo lançamento de ofício (primeiro demonstrativo de fls. 1.036). No entanto, para o cálculo dos tributos lançados relativamente ao ano calendário 2007, a fiscalização sequer excluiu do total das infrações apuradas (R$ 7.317.741,47) o valor de R$ 3.475.921,05, que corresponde ao somatório das receitas devidamente declaradas pela empresa no anocalendário 2007 e que foram antecipadas para o anocalendário 2006, o que se evidencia com a comparação entre o segundo demonstrativo de fls. 1.036 e a DIPJ/2008, especificamente as fichas contidas às fls. 4344; ll. De acordo com a DIPJ/2008, deduz que, partindose de uma receita de prestação de serviços de R$ 23.614.970,90 (onde está incluído o valor de R$ 3.475.921,15) se chegou a um lucro líquido de R$ 3.966.547,70 e a um lucro real de R$ 60.030,10, considerando adições de R$ 8.870,90 e exclusões de R$ 3.898.665,90. No segundo demonstrativo de fls. 1.036, referente ao anocalendário 2007, a diminuição da receita de R$ 3.475.921,15, com a conseqüente alteração do resultado do período para prejuízo de R$ 3.390.163,85 (ao invés de lucro de R$ 60.030,10), é completamente ignorada e só se levam em conta as glosas de custos e a omissão de receita, nos valores de R$ 2.817.741,47 e de R$ 4.500.000,00, respectivamente, cuja soma perfaz R$ 7.317.741,47, para sobre este total se aplicar a compensação de prejuízo fiscal; mm. Sustenta que tal conduta é equivocada, censurável, configura evidente bis in idem e reclama imediata correção. Para apuração do IRPJ e seus reflexos do anocalendário 2007, devese expurgar da base de cálculo dos tributos a receita de R$ 3.475.921,15, antecipada pela fiscalização para 2006; nn. Reclama que, com a retirada dessa receita, a empresa passa a apresentar, ao invés de lucro real de R$ 60.030,10, prejuízo de R$ 3.390.163,85, considerando um lucro líquido de R$ 499.631,15, adições de R$ 8.870,90 e exclusões de R$ 3.898.665,90. Portanto, acaso não se considere improcedente o trabalho fiscal com relação à suposta redução indevida do lucro real (de acordo com os argumentos expostos no item 4 da impugnação), hipótese admitida unicamente para argumentar, ao menos é necessário que se leve em conta o prejuízo de R$ 3.390.163,85 do ano calendário 2007 (decorrente da exclusão da receita de R$ 3.475.921,15 antecipada para o anocalendário 2006) para apuração dos tributos lançados no período; oo. Detalha que a base de cálculo do IRPJ, antes da compensação de prejuízos, passa de R$ 7.317.741,47 para R$ 3.927.577,62. Deduzindose os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL na ordem de 30% (ou seja, R$ 1.178.273,29), a base de cálculo do IRPJ e da CSLL fica alterada de R$ 5.122.419,17 (R$ 719.354,19 + R$ 4.403.064,98 fls. 1.039 e 1.057) para R$ 2.749.304,33, sem levar em consideração as despesas de R$ 1.212.679,20 (relativas à redução do custo de aquisição do imóvel alienado pela SCP da qual a impugnante é sócia ostensiva), cuja defesa está no item 3 desta petição e, também, as despesas de Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.809 9 obras de R$ 2.817.741,47, em relação as quais a improcedência da glosa será demonstrada no próximo tópico da defesa; A INDEVIDA GLOSA DE CUSTOS DE OBRAS pp. Contesta a última "infração", relacionada à glosa de custos de obras, para os anoscalendário 2006 e 2007, nos valores de R$ 3.255.663,04 e de R$ 2.817.741,47, respectivamente, conforme demonstrativo de fls. 1.017; qq. Indica os motivos suscitados pela fiscalização para as glosas: "material não aplicado na obra", "data da nota fiscal posterior ao encerramento da obra", "endereço do fornecedor incompatível com o local da obra" e "local de entrega do material é diferente do local da obra"; rr. Destaca que nenhuma despesa glosada tem como justificativa eventual documento inidôneo e também não se questiona a materialidade dos custos, ou seja, a efetiva aquisição dos materiais/serviços e os respectivos pagamentos; ss. Cita trecho do TVF (fls. 1.017); tt. Enfatiza que, se tais dispêndios não podem compor o custo das obras identificadas pela fiscalização, eles representam, indubitavelmente, custo de outras obras ou despesas operacionais da empresa, as quais, por conseqüência, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo (para utilizar a expressão da autoridade autuante); uu. Pondera que, nos termos de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o custo referirse às obras "a" ou "b", salvo melhor juízo, não tem repercussão. Apenas para ilustrar tal colocação, às fls. 948 a autoridade lançadora identifica as glosas de custos de R$ 10.508,70 e de R$ 9.706,00 para a obra do "Tribunal de Contas de Pernambuco", ambos relativos ao fornecedor ABB Ltda., indicando como justificativa que o material foi utilizado na obra da "UNIFESP". No entanto, embora tenha diminuído o custo da obra do "Tribunal de Contas de Pernambuco", a fiscalização não agregou tais dispêndios ao custo da obra "UNIFESP". Todas as despesas glosadas foram completamente desprezadas pela fiscalização, como se não tivessem ocorrido, o que é inadmissível, embora todas sejam dedutíveis; vv. Recorre ao rt. 299 do RIR/99, e afirma que todas as despesas glosadas de obras, sem exceção, são necessárias, usuais ou normais e foram efetivamente pagas pela empresa, devendose reiterar que em nenhum momento a autoridade lançadora fez menção a eventual inidoneidade dos documentos ou à efetividade dos custos; ww. Cita doutrina; xx. Explica que todas as despesas glosadas (R$ 3.255.663,04 para o ano calendário 2006 e R$ 2.817.741,47 para o anocalendário 2007), por serem necessárias, normais ou usuais e terem sido efetivamente pagas, devem, obrigatoriamente, entrar no cômputo da apuração do resultado da empresa, de modo que também nesta parte os lançamentos não reúnem condições para prosperar; yy. Reclama ainda que a fiscalização promoveu diversas glosas presumindo que os materiais não foram aplicados, mormente pelo fato de que os fornecedores estariam distantes das obras (no caso do Presídio de Catanduvas, a distância gira em torno de 25 km). Ora, se os materiais não foram aplicados nas obras identificadas pela autoridade lançadora, evidentemente restaram utilizados em outras obras patrocinadas pela impugnante; Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.810 10 zz. Alega que tal presunção é inaceitável, pois cabe ao Fisco o ônus da prova quanto ao fato alegado, de acordo com o art. 333, inciso I do CPC e art. 9° do PAF; aaa. Insiste que inexiste prova da não aplicação dos materiais nas obras identificadas pela fiscalização. Cita jurisprudência do CARF; bbb. Reitera que as conclusões a que chegou a autoridade lançadora têm suporte apenas em presunções pessoais dela; e que os fatos em voga, no mínimo, envolvem circunstâncias bastante duvidosas, o que reclama a aplicação ao caso da regra do artigo 112, inciso II, do CTN, conforme decisões do CARF; "Infraero contrato TC 021EG/2005/0057" ccc. Menciona que, para esta obra, a planilha identificando as razões suscitadas pela fiscalização para promover a glosa de custos de R$ 268.171,11 encontrase às fls. 278. Com o objetivo de facilitar a visualização de Vossas Senhorias, toda documentação relativa ao caso (compreendendo notas fiscais, contratos, comprovantes de pagamento, entre outros) segue anexa, juntamente com referida planilha (doc. n° 06), sendo que isso se repetirá para as demais obras. Quando o motivo indicado para a glosa estiver relacionado a materiais não aplicados ou a documento com data posterior ao encerramento da obra, os fundamentos da defesa já estão acima delineados, no sentido de que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam, indubitavelmente, custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa; ddd. Alega que, com relação ao valor de R$ 30.000,00, da empresa Transmec Acessibilidade Comércio Importação e Exportação Ltda. (10/02/2006), a aplicação dos materiais, ou melhor, a aquisição dos equipamentos de elevação e sua efetiva utilização na obra em referência (aeroporto de Guarulhos) são demonstrados, inclusive, pelo contrato de compra e venda e pela respectiva proposta feita pelo fornecedor; eee. Quanto à empresa Gerdau Aços Longos S.A., explica que muitas vezes as mercadorias foram adquiridas em determinadas épocas para aproveitar condições de negócio e assim elas eram entregues no estabelecimento da empresa em Cascavel (PR), onde aguardavam determinado período até que fossem encaminhadas para as respectivas obras. No que se refere à nota fiscal n° 473 da empresa Elétrica Qualich Comércio de Materiais Elétricos Ltda., no valor de R$ 35.000,00, observase que ela foi emitida em 06/09/2006, portanto em data anterior àquela em que a autoridade lançadora considerou encerrada a obra (15/09/2006). Também por este motivo a glosa não pode prevalecer. Demonstrase, assim, a improcedência da glosa de custos de R$ 268.171,11 para o anocalendário 2006; "Infraero contrato TC 022EG/2005/0057" fff. Relativamente a esta obra, anexa planilha e as notas fiscais das despesas glosadas (doc. n° 07). Quanto ao anocalendário 2007, houve a glosa da totalidade dos custos escriturados, no valor de R$ 830.062,90, pois a obra teria se encerrado em 11/08/2006. Novamente argumentase, para as situações em que a glosa decorre, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados ou as notas fiscais têm data posterior ao encerramento da obra, que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.811 11 portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa. Quanto à nota n° 2222 da empresa Casa dos Pisos Comércio de Material para Construção Ltda. (R$ 9.435,41, de 18/10/2006), embora uma das justificativas para a glosa seja "transportador incompatível com o destino do material", sequer há identificação do transportador na nota. Ao que parece, tratase de outra presunção da fiscalização. A questão envolvendo a pessoa jurídica Gerdau Aços Longos S.A. já está explicitada nos argumentos relativos à obra anterior; ggg. Com relação à empresa Infibra Ltda., nota fiscal n° 176690, de 26/10/206, justifica que a glosa decorre de "custo não comprovado". O respectivo documento comprobatório segue anexo. As glosas de custos de R$ 180.634,64 e de R$ 830.062,90 para os anoscalendário 2006 e 2007, respectivamente, não podem prevalecer; "Construção do Fórum de Pelotas" hhh. No que se refere a esta obra, insiste na alegação de que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam, indubitavelmente, custo de outras obras ou despesas operacionais (nos termos do artigo 299 do RIR/99) e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa; iii. Conclui que são improcedentes as glosas de custos de R$ 777.648,73 e de R$ 36.958,83, respectivamente, no que se refere aos anoscalendário 2006 e 2007; "Construção do Fórum de Novo Hamburgo" jjj. Para o Fórum de Novo Hamburgo, afirma que a documentação comprobatória da improcedência destas glosas segue anexa, inclusive as notas fiscais que não teriam sido apresentadas à fiscalização (doc. n° 08); kkk. Repete que, para as situações em que a glosa decorre, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados ou as notas fiscais têm data posterior ao encerramento da obra, que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras (algumas delas identificadas pela fiscalização) ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa; lll. Acrescenta que o primeiro valor glosado (R$ 27.267,27, fls. 567) tem como causa, segundo a fiscalização, a apresentação apenas de cópia da nota fiscal da despesa. Ora, em nenhum momento se cogitou da adulteração do documento que se encontra às fls. 594, o qual retrata fielmente despesa com a instalação de um sistema de climatização no Fórum de Novo Hamburgo; mmm. Entende que se aplica ao caso a regra do artigo 845, § 1º, do RIR/99; Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.812 12 nnn. Observa que idêntica situação se verifica com as glosas de R$ 6.108,03 (Claiton Storck, 10/01/2006), cuja nota se encontra às fls. 598, de R$ 8.740,05 (Ferreira &Gerzelezak Ltda., 08/06/2006), cuja nota se encontra às fls. 607, de R$ 2.747,73 (NR Engenharia Ltda., 10/10/2006, cuja nota se encontra às fls. 706, de R$ 1.956,56 (Tintavel Tintas e Materiais de Construção Cascavel Ltda., 11/10/2006), cuja nota se encontra às fls. 707, de R$ 2.853,22 (Adair Ribeiro Carlin ME, 11/10/2006), cuja nota se encontra às fls. 709, de R$ 1.421,86 (Sergio Fernandes Rodrigues e Cia Ltda., 11/10/2006), cuja nota se encontra às fls. 710, de R$ 2.127,00 (Maracanã Materiais Elétricos Ltda., 16/10/2006), cuja nota se encontra às fls. 711, de R$ 2.916,62 (Sergio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda., 18/10/2006), cuja nota se encontra às fls. 712, de R$ 2.916,62 (Adair Ribeiro Carlin ME, 18/10/2006), cuja nota se encontra às fls. 713 e de R$ 1.966,56 (Tintavel Tintas e Materiais de Construção Cascavel Ltda., 15/12/2006), cuja nota se encontra às fls. 725; ooo. Argumenta que foge da razoabilidade o fundamento utilizado pela fiscalização, já que jamais se questionou a efetividade dessas despesas. Tal qual já ocorreu nos itens anteriores, não pode prevalecer a glosa de despesas levada a efeito pela fiscalização, de R$ 528.691,75 para o anocalendário 2006 e de R$ 1.231.365,65 para o anocalendário 2007; "UNIFESP" ppp. Anota que, da obra da "UNIFESP", é possível constatar que o real motivo das glosas foi, na imensa maioria dos casos, "Nota fiscal ou outro documento hábil para comprovação do custo não foi apresentado", embora também se invoque, para algumas situações, as justificativas tradicionais. No entanto, todos os documentos existem, seguem anexos (doc. n° 09) e passam a ser relacionados, seguindo a ordem da referida planilha: qqq. 26/01/2006: Lauxen & Chrusciak Ltda., NF n° 4526, valor de R$ 20.800,00; 13/04/2006: Belgo Siderúrgica S.A., NF n° 40328, valor de R$ 8.477,79; rrr. 13/04/2006: Fernando José Gonçalves Mendonça EPP, NF n° 20 e 24, valor total de R$ 14.791,69; sss. 28/04/2006: Benafer S.A. Indústria e Comércio, NF n° 98.589, valor de R$ 59.688,72 (mercadoria entregue em Cascavel, mas remetida para a obra, conforme indicado no próprio documento; ttt. 30/05/2006, 30/05/2006, 30/06/2006, 11/07/2006, 31/07/2006, 30/08/2006, 16/10/2006, 30/10/2006, 04/05/2007, 16/07/2007: ThyssenKrupp Elevadores S.A., valores de R$ 20.000,00, de R$ 50.000,00, de R$ 20.000,00, de R$50.000,00, de R$ 50.000,00, de R$ 50.000,00, de R$ 100.000,00, de R$ 140.000,00, de R$ 100.000,00 e de R$ 100.000,00, respectivamente (seguem anexos além dos comprovantes de pagamento, o contrato de compra e venda e seu aditivo); uuu. 05/06/2006: ABB Ltda., NF n° 2302, valor de R$ 6.747,50; vvv. 06/06/2006: Benafer S.A. Indústria e Comércio, NF n° 99.559, valor de R$ 56.019,60 (mercadoria entregue em Cascavel, mas remetida para a obra, conforme indicado no próprio documento; www. 30/06/2006: Alcoa Alumínio S.A., NF n° 151863, valor de R$ 6.613,43; xxx. 10/07/2006: AB Instalação de Ar Condicionado., NF n° 516, valor de R$ 14.237,27; Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.813 13 yyy. 11/08/2006: Placavel Comércio de Compensados Ltda., NF n° 15362, valor de R$ 8.670,80; zzz. 01/09/2006: José Gildivan Bento, NF n° 249, valor de R$ 12.517,00; aaaa. 01/09/2006: Etil Comércio de Material Elétrico Ltda., NF n° 81149, valor de R$ 8.383,05; bbbb. 09/10/2006: Indústria Dryko Ltda., NF n° 16170, valor de R$ 7.152,00; cccc. 02/01/2007: VBar Instalação de Ar Condicionado, NF n° 569, valor de R$ 14.420,00; dddd. 21/02/2007: MontAII Instalações e Montagens Ltda., NF n° 87, valor de R$ 7.014,48; eeee. 01/03/2007: Formiline Ind. de Laminados Ltda., NF 410034, valor de R$ 6.530,19; ffff. 01/03/2007: Formiline Ind. de Laminados Ltda., NF 410893, valor de R$ 23.103,98; gggg. 15/03/2007: VBar Instalação de Ar Condicionado, NF n° 595, valor de R$ 11.495,00; hhhh. 30/03/2007: FMC Ferezin Martins Com. Ltda., NF n° 16239, valor de R$ 9.637,39; iiii. 25/04/2007: Valtenor de Souza Brito, NF n° 005, valor de R$ 7.100,64; jjjj. 22/05/2007: MontAII Instalações e Montagens Ltda., NF 105, valor de R$ 7.329,00; kkkk. 15/06/2007: MontAII Instalações e Montagens Ltda., NF 107, valor de R$ 7.328,56; llll. 25/06/2007: VBar Instalação de Ar Condicionado, NF n° 620, valor de R$ 8.900,00; mmmm. 10/07/2007: Cummins Distr. De Motores Diesel e Equip. Ltda., NF n° 67825, valor de R$ 95.000,00; nnnn. 13/07/2007: Comercial Atroz Ltda., NF n° 420, valor de R$ 9.482,35; oooo. 25/07/2007: W Telecom Comércio e Serviços Ltda., NF n° 530, valor de R$ 6.000,00; pppp. 30/07/2007: Fernando José Gonçalves Mendonça EPP, NF n° 89, valor de R$ 5.000,00; qqqq. 08/08/2007: Farezin Martins Comercial Ltda., NF n° 22816, valor de R$ 7.606,02; rrrr. 29/08/2007: Multi Forros e Divisórias Ltda., NF n° 111, valor de R$ 33.926,41; ssss. 25/09/2007: Formiline Ind. de Laminados Ltda., NF 431273, valor de R$ 21.279,88; Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.814 14 tttt. 02/10/2007: Transfer Sistemas de Energia Ltda., NF n° 208, valor de R$ 5.848,55; uuuu. 05/10/2007: Transfer Sistemas de Energia Ltda., NF n° 216, valor de R$ 6.850,82; vvvv. 07/12/2007: Multi Forros e Divisórias Ltda., NF n° 41, valor de R$ 6.679,27; wwww. 13/12/2007: Comercial Atroz Ltda., NF n° 340, valor de R$ 8.608,20; e xxxx. 14/12/2007: Valtenor de Souza Brito, NF n° 034, valor de R$ 6.224,31; yyyy. Assevera que as glosas de custos desta obra também são improcedentes. Para as situações em que a glosa decorre, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados, cumpre reiterar que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa; zzzz. Conclui que o restabelecimento das despesas de R$ 704.09,85 para o anocalendário 2006 e de R$ 539.587,98 para o anocalendário 2007 é medida que se impõe; "Hospital Infantil Campo Largo" aaaaa. Para essa obra, observa que a glosa dos custos foi motivada pela não apresentação de nota fiscal ou outro documento hábil. Justifica que as notas fiscais existem e acompanham esta impugnação como doc. n° 10. É importante destacar, com relação à empresa Thyssen Krupp Elevadores S.A., que além dos comprovantes de pagamento, também segue anexo o respectivo contrato de compra e venda. A conferência é muito simples, bastando confrontar a planilha elaborada pela fiscalização com as notas que estão na seqüência. Quem sabe, dessa forma seja mais simples o trabalho para quem vai apreciar a defesa; bbbbb. Como neste ponto também há glosas que decorrem, presumidamente, do fato de que os materiais não foram aplicados, cumpre reiterar que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Além disso, a fiscalização não pode presumir a infração, sendo que a não utilização dos materiais nesta obra não restou provada. O fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização da obra (no entendimento da fiscalização), também não pode justificar a glosa. ccccc. Pede que sejam restabelecidas as despesas de R$ 539.254,28 e de R$ 134.425,66, respectivamente, para os anoscalendário 2006 e 2007; "Presídio de Catanduvas" ddddd. Para a obra do Presídio de Catanduvas, esclarece que ele fica muito próximo de Cascavel ou de Foz do Iguaçu (cerca de 25 km e de 150 km, respectivamente) e os fornecedores destas cidades prestaram serviços ou venderam mercadorias para a referida obra. Jamais se provou (aliás sequer se cogitou) nada em Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.815 15 sentido contrário. Novamente se está diante de uma absurda presunção da autoridade lançadora, que certamente será refutada por Vossas Senhorias; eeeee. Quanto às notas fiscais apresentadas somente por cópia, destaca que em nenhum momento se supôs que os documentos apresentados para a fiscalização fossem adulterados, os quais seguem anexos, juntamente com as notas fiscais supostamente não apresentados durante a ação fiscal (doc. n° 11). Invoca a aplicação ao caso da regra expressa no artigo 845, § 1º, do RIR/99, acima transcrita. Pugna pelo restabelecimento das despesas de R$ 122.868,03, relativamente ao ano calendário 2006; "Tribunal de Contas de Pernambuco" fffff. Para essa obra, afirma que o motivo da quase totalidade das glosas é a falta de apresentação das notas fiscais, e justifica que a efetividade das despesas é inquestionável e os documentos que deram suporte à contabilização seguem anexos (doc. n° 12). É nesta obra que a autoridade lançadora glosou custos de R$ 10.508,70 e de R$ 9.706,00, ambos relativos ao fornecedor ABB Ltda. (14/12/2006), indicando como justificativa que o material foi utilizado na obra da "UNIFESP" (fls. 948). No entanto, tais despesas, obviamente, não foram agregadas ao custo da obra UNIFESP. Devem ser restabelecidas despesas de R$ 134.295,65 e de R$ 45.340,55, respectivamente, para os anoscalendário 2006 e 2007; ggggg. Insiste que se as despesas não podem compor o custo desta obra, elas representam custo de outras obras ou despesas operacionais e, portanto, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo. Tais despesas não geraram nenhuma redução indevida de tributos a pagar. hhhhh. Conclui que não deduziu custos de forma indevida ou que o trabalho da autoridade fiscal está integralmente incorreto, de modo que os autos de infração são improcedentes. Pede que tais vícios insanáveis sejam reconhecidos por esta Delegacia de Julgamento; A AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150% iiiii. Cita trecho do TFV; jjjjj. Alega que estão expressos de forma superficial e sem o enquadramento da conduta da empresa nos tipos previstos nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, tal qual prevê o § 1º, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, argumentos para a qualificação da multa quanto à suposta, mas inexistente, omissão de receita; kkkkk. Com relação à glosa de custos de obras, aponta que a penalidade de 150% sequer está fundamentada; lllll. Questiona o motivo de a multa não ser de 75% para todas as situações, na medida em que o subjetivismo da autoridade lançadora para a majoração da multa, salvo engano, não está expresso no auto de infração ou no termo de verificação fiscal; mmmmm. Lembra que os atos administrativos são regidos por diversos princípios, dentre os quais se destaca, neste momento, o da motivação. Em razão desse primado a autoridade administrativa deve justificar todos os seus atos, conforme determina a Lei n° 9.784/99, em seu artigo 2°, caput e no § único, inciso VII; Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.816 16 nnnnn. Sustenta que o princípio da motivação dos atos administrativos foi flagrantemente desrespeitado pela autoridade lançadora, de modo que pela ausência de indicação dos pressupostos fáticos que levaram à exasperação da multa aplicada sobre os tributos apurados em razão da glosa de custos de obras, pugna, desde já, pela desqualificação da penalidade. ooooo. Acrescenta que, de acordo com o § 1º, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, a multa de ofício qualificada só tem cabimento se restar caracterizada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude ou conluio). E isso, efetivamente, não ocorreu no caso em tela, tanto que, salvo melhor juízo, a fiscalização sequer tentou enquadrar a conduta da empresa nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio; ppppp. Transcreve os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, para evidenciar que a conduta da impugnante não pode ser enquadrada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio. Reitera que a empresa contabilizou uma receita recebida na conta patrimonial de Resultado de Exercícios Futuros, ou seja, o respectivo valor estava devidamente informado em seus demonstrativos contábeis, sendo que a infração apurada pela fiscalização foi extraída da contabilidade da impugnante. A informação encontravase expressa da forma mais clara possível, sem nenhum engodo. Inexistiu dolo, a impugnante jamais pretendeu sonegar, fraudar ou agir em conluio; qqqqq. Argumenta que não se está diante de nota calçada, de nota fria, de recursos bancários movimentados em conta bancária de interposta pessoa, onde a sonegação, a fraude ou o conluio estão presentes. A impugnante continua entendendo que a receita considerada omitida pela fiscalização não era tributável no anocalendário 2007, em razão dos motivos especificados no item 3 da defesa. Esse posicionamento, com o qual a autoridade lançadora não concorda, fez com que não se contabilizasse tal valor em conta de resultado, mas como Resultado de Exercícios Futuros. Embora em conta equivocada, segundo ponto de vista da fiscalização, é inquestionável que a receita estava contabilizada. A divergência de posicionamento entre a contribuinte e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, relativamente a fato devidamente contabilizado, não caracteriza sonegação, fraude ou conluio e, conseqüentemente, não autoriza a exasperação da penalidade para o patamar de 150%. Devese reiterar que nenhuma infração foi cometida pela impugnante; rrrrr. Alega que a sonegação, a fraude e o conluio não se presumem e devem ser provados pela fiscalização. No caso, é inaceitável a exasperação da penalidade, pois não há prova de nenhuma conduta dolosa da empresa. Quanto aos custos glosados, é preciso destacar, ainda, que se não são dedutíveis para determinadas obras, conforme concluiu a fiscalização, são, nos termos do artigo 299 do RIR/99, já transcrito, despesas operacionais da empresa ou referemse a despesas de outras obras e nessa situação, de alguma forma, devem entrar no cômputo da apuração do resultado da impugnante. Conseqüentemente, tais despesas não geraram nenhuma redução indevida de tributos a pagar; sssss. Aduz que as despesas, sem exceção, são dedutíveis do resultado da empresa e nenhuma nota fiscal referente aos custos glosados é inidônea. As glosas decorrem de diferenças de critérios interpretativos entre a contribuinte e a fiscalização, mas também e por óbvio não envolvem dolo da empresa. É evidente, pois, o desacerto com relação à aplicação da multa de 150%; ttttt. Cita decisões do CARF; uuuuu. Insiste que a conduta da impugnante, de não tributar no anocalendário 2007 receita devidamente contabilizada como Resultado de Exercícios Futuros não Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.817 17 pode justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, pois tal situação não se enquadra em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Plenamente aplicável ao caso o Enunciado de Súmula n° 14 do CARF. Evidentemente e com maior razão não pode ser mantida a penalidade qualificada de 150% com relação aos tributos apurados em razão da glosa de despesas de obras, pois a autoridade lançadora não mencionou os motivos que autorizariam esta exasperação e tais despesas são dedutíveis do resultado da empresa, que jamais agiu com dolo. Os fatos em tela, no mínimo, geram fundada dúvida quanto às conclusões a que chegou a autoridade fiscal; vvvvv. Recorre ao artigo 112, incisos II e IV, do CTN; wwwww. Requer a desqualificação da multa de ofício; O PEDIDO xxxxx. Ao final, pugna, inicialmente, pela decretação de nulidade dos lançamentos em apreço (IRPJ e reflexos), em razão da suspeição da AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, Sra. Lorete Berlanda (item 2 da impugnação). Quanto ao mérito, requer seja reconhecida a improcedência dos autos de infração (IRPJ e reflexos), pois inexistiu omissão de receita de obras por empreitada (item 3 da impugnação), não houve redução indevida do lucro real (item 4 da impugnação) e nem tampouco a dedução indevida de despesas (item 6 da impugnação). Pede que se considere insubsistente o lançamento com relação ao anocalendário 2007, em razão dos graves equívocos cometidos pela fiscalização, conforme destacado no item 5 da impugnação. Reclama ainda pelo o afastamento da aplicação da multa qualificada de 150%, pois a conduta da impugnante não se enquadra em nenhuma das regras dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (item 7 da impugnação). Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas necessárias para o deslinde da questão. 7. Às fls. 1564/1567, consta petição protocolada pelo contribuinte em 06/03/2012, endereçado ao Delegado da DRF/Foz do Iguaçu, pela qual pugna pelo imediato encerramento da ação fiscal, seja em razão do domicílio fiscal da empresa, que desde 25/11/2010 é Curitiba (PR), seja pela suspeição da Sra. Lorete Berlanda, AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela fiscalização. Apresenta razões em teor similar à argüição de suspeição contida na impugnação. 8. O pleito foi indeferido, conforme Informação Fiscal de fls. 1568/1571, pelas seguintes razões: a) a autoridade outorgante do MPFF 0910100.2011.001899 é o Superintendente da Receita Federal da 9ª Região Fiscal, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/07, art. 6º, § 4°; b) o procedimento de fiscalização na interessada, sob execução de AuditoresFiscais lotados na DRF/Foz do Iguaçu, encontra previsão na Portaria RFB n° 11.371/07 e atende a critérios de melhor aproveitamento da mão deobra fiscal na 9ª Região Fiscal; c) não foram apresentados elementos que caracterizem ou indiquem suspeição da AuditoraFiscal Lorete Berlanda, nos termos do art. Lei n° 9.784/99; d) não foram apresentados elementos que indiquem ter havido qualquer conduta abusiva ou improbidade por parte dos Auditores Fiscais responsáveis pela fiscalização; e) não foram apresentados elementos que apontem a ocorrência de falha ou prejuízo na instrução processual; f) fiscalizações em andamento não são encerradas em razão de arguição de suspeição das autoridades fiscais responsáveis pelo procedimento, mas redistribuídas, caso se verifique a ocorrência de prejuízo ao sujeito passivo ou à instrução processual, o que não ocorreu no presente caso; g) sem a existência de motivos relevantes, haveria prejuízos indevidos à Administração Fiscal caso se procedesse a substituição da AuditoraFiscal no estágio atual da fiscalização. Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.818 18 9. À fl. 1573 consta despacho proferido por esta DRJ/Curitiba, em 23/07/2012, solicitando à DRF/Foz do Iguaçu que procedesse à diligência relativamente à seguinte relação de notas fiscais juntadas pela impugnante: i) Fórum Novo Hamburgo/RS: NF 6474 (valor R$ 27.267,27, fl. 1215); NF 637 (valor R$ 6.108,03, fl. 1220); NF 125 (valor R$ 8.740,05, fl. 1228); ii) Unifesp: várias notas fiscais (fls. 1235/1339); iii) Hospital Campo Largo: várias notas fiscais (fls. 1340/1452); iv) Presídio de Catanduvas: várias notas fiscais (fls. 1453/1497); v) Tribunal de Contas de Pernambuco: várias notas fiscais (fls. 1498/1544). Foi pedido que a fiscalização examinasse a documentação juntada na impugnação, referente aos custos glosados por motivo de falta de apresentação de nota fiscal original e custo não comprovado, e se pronunciasse acerca da procedência ou não do correspondente custo, com abertura de novo prazo para impugnação, a respeito das matérias objetos do presente procedimento. 10. Em procedimento de diligência, a DRF/Foz do Iguaçu intimou o contribuinte a apresentar notas fiscais, conforme termo de fls. 1576/1577, recebido em 02/08/2012, no que foi atendida, conforme resposta de fl. 1578, de 09/08/2012. Após analisar a documentação, a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 1579/1593 e Informação Fiscal de fls. 1594/1599, dos quais o contribuinte teve ciência em 03/09/2012, conforme AR de fl. 1645. 11. A impugnante juntou, em 03/10/2012, cópias de notas fiscais às fls. 1609/1643, e o arrazoado de fls. 1601/1608, no seguinte teor: yyyyy. Alega que a própria fiscalização já reconheceu que a glosa de custos de obras deve ser reduzida para R$ 2.003.851,04 (R$ 3.255.663,04 R$1.251.812,00) e para R$ 2.346.124,15 (R$ 2.817.741,47 R$471.617,32), respectivamente, no que se refere aos anoscalendário 2006 e 2007, mas que o trabalho permanece falho, pois várias notas fiscais apresentadas não foram consideradas; zzzzz. Relaciona cada uma delas (juntando novamente cópias dos documentos fiscais), iniciando pela obra da UNIFESP: a) 13/04/2006, R$14.791,69, Fernando José Gonçalves Mendonça EPP, nota fiscal n° 20 (R$ 3.346,14) e nota fiscal n° 24 (R$ 11.445,49); b) 10/07/2006, R$ 14.237,27, VB Ar Inst. e Man. de Sist. de Ar Cond. Ltda. ME, nota fiscal n° 516; e c) 02/01/2007, R$ 14.420,00, VB Ar Inst. e Man. de Sist. de Ar Cond. Ltda. ME, nota fiscal n° 569 (diante da assertiva da fiscalização, este custo deve ser considerado no ano de 2006); aaaaaa. Com relação à obra do Presídio de Catanduvas, anexa as seguintes notas: a) 11/01/2006, R$ 4.011,55, Maracanã Materiais Elétricos Ltda, nota fiscal n° 001741; b) 10/02/2006, R$ 3.641,35, Maracanã Materiais Elétricos Ltda, nota fiscal n° 001742; c) 10/03/2006, R$ 5.966,84, Sérgio Fernandes Rodrigues (fornecedor identificado na planilha como Adair Ribeiro Carlin ME), nota fiscal n° 208; d) 10/03/2006, R$ 2.469,00, Maracanã Materiais Elétricos Ltda. identificado na planilha como Mimehr Instalações Elétricas S/C, nota fiscal n° 001780; e) 17/03/2006, R$ 2.582,00, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia, nota fiscal n° 209; f) 17/03/2006, R$ 5.290,00, Karla A. Ghiraldi, nota fiscal n° 000481; g) 13/04/2006, R$ 7.056,81, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda (fornecedor identificado na planilha como Adair Ribeiro Carlin ME), nota fiscal n° 212; h) 13/04/2006, R$ 2.792,10, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda (fornecedor identificado na planilha como Adair Ribeiro Carlin ME), nota fiscal n° 213; i) 15/05/2006, R$ 4.284,00, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda., nota fiscal n° 215; j) 15/05/2006, R$ 6.338,42, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda., nota fiscal n° 216; Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.819 19 bbbbbb. Quanto à obra do Tribunal de Contas de Pernambuco, junta as seguintes notas fiscais: a) 26/04/2007, R$ 13.058,10, Fernando José Gonçalves Mendonça EPP, nota fiscal n° 76; b) 09/10/2007, R$ 4.805,00, P. Júnior Acessórios PI Esquadrias Ltda., nota fiscal n° 9204; cccccc. Quanto à obra do Fórum de Novo Hamburgo, junta as seguintes notas fiscais: a) 10/01/2006, R$ 6.108,03, Claiton Storck, nota fiscal n° 000637; b) 30/01/2006, R$ 4.084,08, Ortolan Instaladora Elétrica Ltda., nota fiscal n° 001387; c) 09/03/2006, R$ 9.055,34, Ortolan Instaladora Elétrica Ltda., nota fiscal n° 001402; d) 22/05/2006, R$ 7.398,91, Rubert Engenharia e Arquitetura Ltda. nota fiscal n° 001299; e) 08/06/2006, R$ 8.740,05, Ferreira & Gerzelezak Ltda., nota fiscal n° 000125; f) 18/08/2006, R$ 30,78, Silmar Comércio e Representação de Tintas Ltda, nota fiscal n° 176086; g) 10/10/2006, R$ 2.747,73, NR Engenharia Ltda., nota fiscal n° 000636; h) 11/10/2006, R$ 1.956,56, Tintavel Tintas e Materiais de Construção de Cascavel Ltda. (Helena Carlinda Ronchi), nota fiscal n° 024027 (se este serviço está relacionado à obra do Presídio de Catanduvas, como asseverou a fiscalização, o respectivo valor deve ser agregado àquela obra); i) 11/10/2006, R$ 2.853,22, Adair Ribeiro Carlin ME, nota fiscal n° 000164; j) 11/10/2006, R$ 1.421,86, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda., nota fiscal n° 000220; k) 16/10/2006, R$ 2.127,00, Maracanã Materiais Elétricos Ltda. nota fiscal n° 1919; l) 18/10/2006, R$ 2.916,62, Sérgio Fernandes Rodrigues & Cia Ltda., nota fiscal n° 000221; m) 18/10/2006, R$ 2.916,62, Adair Ribeiro Carlin ME, nota fiscal n° 000165 (se este serviço está relacionado à obra do Presídio de Catanduvas, como asseverou a fiscalização, o respectivo valor deve ser agregado àquela obra); n) 15/12/2006, R$ 1.966,56, Tintavel Tintas e Materiais de Construção de Cascavel Ltda., nota fiscal n° 024727; dddddd. Afirma que todas estas despesas, devidamente comprovadas, devem ser acrescidas aos custos de obras já reconhecidos pela fiscalização em sede de diligência, o que reduz ainda mais os valores da infração; eeeeee. Ressalta que, para alguns casos, a fiscalização justificou a glosa da despesa no fato de se ter apresentado apenas cópia do documento fiscal, mas que, em nenhum momento se cogitou da adulteração das notas fiscais, as quais retratam fielmente despesas com obras da autuada, sendo plenamente aplicável ao caso a regra do artigo 845, § 1° do RIR/99; ffffff. Entende que foge da razoabilidade o fundamento da fiscalização, pois jamais se questionou a efetividade dessas despesas, pois o trabalho fiscal foi extremamente exaustivo, inclusive com intimações a clientes da autuada. Caso houvesse alguma dúvida quanto à real existência dos custos, caberia à autoridade lançadora ter intimado os fornecedores, que certamente confirmariam e comprovariam a concretude dos negócios. Reitera que a apresentação de cópias de notas fiscais, cuja idoneidade jamais foi questionada, não pode justificar a glosa de despesas; gggggg. Aponta outro aspecto de grande relevância que diz respeito ao fato de que se determinados dispêndios não podem compor o custo das obras identificadas pela fiscalização, eles representam, indubitavelmente, custo de outras obras ou despesas operacionais da empresa, as quais, por conseqüência, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo (para utilizar a expressão da autoridade autuante). Em termos de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o custo referirse às obras "a" ou "b" não tem repercussão. Apenas para ilustrar tal colocação, às fls. 948 a autoridade lançadora identificou as glosas de custos de R$ 10.508,70 e de R$ 9.706,00 para a obra do "Tribunal de Contas de Pernambuco", ambos relativos ao Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.820 20 fornecedor ABB Ltda., indicando como justificativa que o material foi utilizado na obra da "UNIFESP". A confirmação dessa forma de agir está expressa também no relatório da diligência, item 2.4; hhhhhh. Explica que, embora tenha diminuído o custo da obra do Tribunal de Contas de Pernambuco, a fiscalização não agregou tais dispêndios ao custo da obra "UNIFESP", sendo tal conduta inaceitável; iiiiii. Insiste que, se determinados dispêndios não podem compor o custo das obras identificadas pela fiscalização, eles representam custo de outras obras ou despesas operacionais da empresa, as quais, por conseqüência, são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica; jjjjjj. Informa que, com a continuação desta ação fiscal foi lavrado outro auto de infração (processo n° 10945.721137/201237), do ano calendário 2007 (o qual já faz parte deste feito), 2008, 2009 e 2010. Neste novo processo, com relação à matéria, a (Fiscalização) agiu exatamente da forma acima destacada com relação às glosadas, exceto para uma situação. Cita trecho do TVF, à fl. 4355 e esclarece que a fiscalização realizou a transposição das despesas de uma obra para outra, mas apenas quando o resultado implicou no agravamento da situação da empresa (no caso, gerando um acréscimo de distribuição disfarçada de lucros de R$ 154.900,83); kkkkkk. Assevera que as contradições da autoridade lançadora são insustentáveis, pois a sistemática não pode ser adotada apenas quando há acréscimo do valor da infração, prejudicando a empresa. Fatos idênticos reclamam tratamento equânime e, ainda, em caso de dúvida, a interpretação tem que ser favorável ao contribuinte, conforme determina o artigo 112 do CTN. Se determinados dispêndios não podem compor o custo das obras identificadas pela fiscalização, eles representam, sem sombra de dúvidas, custo de outras obras ou despesas operacionais da empresa, as quais são dedutíveis do resultado da pessoa jurídica como um todo; llllll. Acrescenta que a fiscalização promoveu diversas glosas presumindo que os materiais não foram aplicados, mormente pelo fato de que os fornecedores estariam distantes das obras, sendo tal presunção inaceitável, pois cabe ao Fisco o ônus da prova quanto ao fato alegado, nos termos do artigo 9° § 2º, do Decretolei n° 1.598/77, do artigo 9° do Decreto n° 70.235/72 e do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil CPC. Contudo, inexiste prova da não aplicação dos materiais nas obras identificadas pela fiscalização, sendo as glosas de despesas improcedentes; mmmmmm. Destaca ainda que, às fls. 4.281 do processo n° 10945.721137/201237 (cópia do demonstrativo segue anexa), a própria autoridade lançadora, fazendo menção ao processo n° 10945.721263/201119 (caso em voga), reconhece que o valor de R$ 3.475.921,05 deve ser excluído da base de cálculo da exigência relativa ao anocalendário 2007, exatamente nos termos defendidos no item 5 da impugnação deste feito. Tudo isso demonstra que os autos de infração não podem prevalecer; nnnnnn. Invoca todos os fundamentos expostos na impugnação para requerer seja reconhecida a nulidade/improcedência dos lançamentos em apreço. Caso ainda persistam dúvidas, o que se admite apenas para argumentar, protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas necessárias para o deslinde da questão. 12. Foi lavrado processo de representação fiscal para fins penais, de número 10980.725787/201225, apensado ao processo n° 10945.721137/201237. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.821 21 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, apreciando as razões trazidas pelas defesas, decidiu, por meio do acórdão nº 0638.231, de 18 de outubro de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. DRF DE JURISDIÇÃO DIVERSA DA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, eis que não há, propriamente, um direito do contribuinte em ser fiscalizado somente por determinada Delegacia, já que a competência é da RFB como um todo. IMPEDIMENTO. SUSPEIÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DO AUTUANTE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O servidor deve declararse impedido, por motivo de interesse direto, participação processual ou litígio com o interessado, ou suspeito, em caso de amizade ou inimizade notória, sendo descabida a argüição de suspeição somente pelo fato de o autuante ter tido participação societária em empresa ligada ao contribuinte. MULTA QUALIFICADA. RECEITAS AUFERIDAS. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS. FRAUDE CONTÁBIL. DOLO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A reiterada prática de contabilizar receitas auferidas em determinado período em conta de Resultado de Exercícios Futuros, ali permanecendo até o último balancete apresentado à fiscalização, sem oferecêlas à tributação, caracteriza o dolo de sonegação, e portanto o evidente intuito de fraude que tipifica a multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. CUSTOS NÃO INCORRRIDOS NAS RESPECTIVAS OBRAS. CUSTOS INCORRIDOS APÓS O ENCERRAMENTO DA OBRA. FRAUDE CONTÁBIL. DOLO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A reiterada prática de atribuir custos a obras que, comprovadamente, não foram ali empregadas, e de registrar custos após o encerramento da obra, caracteriza o dolo de sonegação, e portanto o evidente intuito de fraude que tipifica a multa qualificada. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATO POR EMPREITADA GLOBAL. ESCRITURAÇÃO. CONTA DE RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS. Correto o lançamento por omissão de receitas, relativo a contrato por empreitada global, escriturado a débito de contas patrimoniais de Resultado de Exercícios Futuros, ali permanecendo sem transitar por conta de resultado. INEXATIDÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. CONTRATOS DE EMPREITADA. MANUTENÇÃO EM CONTA DE RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita autoriza o lançamento do IRPJ, se dela resultar redução indevida do lucro real em Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.822 22 qualquer período de apuração, situação esta que resta configurada quando o contribuinte aufere receitas de contratos de empreitada e mantém, em conta de Resultados de Exercícios Futuros, valores referentes a receitas de obras já encerradas. GLOSA DE CUSTOS. DIVERSIDADE DE OBRAS DE EMPREITADA. MISTURA DE CUSTOS. ÔNUS DA PROVA. A comprovação de que os custos foram incorridos em obra diversa do correspondente centro de custo contábil autoriza a glosa, sendo ônus do contribuinte provar que as receitas associadas àqueles dispêndios foram oferecidas à tributação. GLOSA DE CUSTOS. CONTRATOS POR EMPREITADA. NOTAS FISCAIS EMITIDAS APÓS O ENCERRAMENTO DA OBRA. Em contratos por empreitada, cabe glosar custos amparados por notas fiscais emitidas após a data do encerramento total da obra, considerando a data de recebimento final do contratante. GLOSA DE CUSTOS. CONTRATOS POR EMPREITADA. INDÍCIOS DE INCOMPATIBILIDADES. Em contratos por empreitada, cabe a glosa de custos em caso de indícios de incompatibilidades de endereço entre o destinatário da mercadoria e o local da obra, de natureza do material, de fretes para o transporte da mercadoria até a obra, ou de logística e viabilidade da operação. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE NOTA FISCAL ORIGINAL. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DE FALSIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA. Não cabe a glosa de custos motivada por falta de apresentação da nota fiscal original, diante da inexistência de indícios de falsificação, situação em que se confere à cópia do documento fiscal o mesmo valor probatório do original. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, Cofins e CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 1.728/1.783), por meio do qual reitera a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.823 23 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de autos de infração de IRPJ e reflexos, relativos aos anoscalendário 2006 e 2007. Por ocasião da mesma ação fiscal foram lavrados autos de infração dos mesmos tributos para os anos calendários 2007 a 2010 (processo administrativo n° 10945.721134/201237). Resumidamente, as imputações e constatações fiscais levaram às seguintes infrações: Infração 001 – Omissão de Receitas – Receitas não contabilizadas – Contrato de Construção “Cascavel JL Shopping” – Adição ao lucro real – Anocalendário 2007. (Fundamento legal: artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 e artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283, 288 e 408, todos do RIR/1999). Infração 002 – Custos ou despesas não comprovadas – Glosa de custos – Anocalendário 2006. (Fundamento legal: artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 407, todos do RIR/1999). Infração 003 – Redução indevida do lucro real – Inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita – Adição ao lucro real. (Fundamento legal: artigos 248, 249, inciso II, 251, 273 e 274, todos do RIR/1999). A decisão recorrida rejeitou a preliminar de nulidade, relativa à suspeição/incompetência da autoridade lançadora, e no mérito reduziu as despesas glosadas e realizou outros ajustes que serão adiante descortinados. Considerando, entretanto, que a preliminar suscitada desde a Impugnação foi renovada nas razões de Recurso Voluntário, de rigor o enfrentamento primeiro das questões a ela, preliminar, inerentes. I – PRELIMINAR I.1 – Suspeição/Incompetência da Autoridade Administrativa. Em relação a este item, convém relembrar que a contribuinte insurgese contra a atuação da Sra. Lorete Berlanda na condução dos trabalhos de Fiscalização que redundaram nos autos de infração ora analisados, porquanto ela, Sra. Lorete, Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, teria mantido relação comercial, inclusive de sociedade em determinado empreendimento, com a ora recorrente. Sustenta a contribuinte que reforçaria a suspeição e incompetência da autoridade autuante, que figurou durante toda a fiscalização, da qual sobreveio o lançamento de Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.824 24 outros autos de infração, o fato de que teve sua sede transferida de Foz do Iguaçu (PR) para Curitiba (PR) em 25/11/2010 (fls. 197198), porém o MPF em questão, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) em 01/03/2011 e onde já consta como domicílio da empresa o endereço de sua sede em Curitiba (PR), foram designados para realizar a ação fiscal Auditores Fiscais lotados na Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu/PR, situação que revelaria ainda mais a suspeição que permeia a condução dos trabalhos fiscalizatórios. Porém, o cerne da alegação de suspeição/incompetência da Autoridade Fiscalizadora, dáse ao revelar o fato de que a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda. (recorrente) é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, e que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, sendo que os fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na mesma ação fiscal. Segundo o arrazoando da contribuinte, em razão da participação comum nesta sociedade, seu sócio João Luiz Felix e a Sra. Lorete Berlanda, estabeleceram contato e participaram juntos de reuniões da empresa Cataratas Incorporadora e Administradora de Shopping Centers S.A., conforme ilustram as atas das assembleias ocorridas em 18/06/2002 e em 09/05/2008. A questão da suspeição, aliás, é tema sobre o qual a contribuinte tem se debatido desde que iniciados os trabalhos de fiscalização e diante dos aventados fatos, defende a contribuinte ser evidente a suspeição da Sra. Lorete Berlanda para realizar ação fiscal contra a Jota Ele Construções Civis Ltda., ainda mais, fora de seu domicílio tributário, reputando nulos os autos de infração em tela. Rememorados os fatos articulados na preliminar de nulidade, assento que a questão merece detida reflexão. Reflexão, aliás, que me parece ter sido prescindida pela decisão recorrida ao diminuir os efeitos das sérias alegações trazidas pela contribuinte. Digo isso não para desqualificar o enfretamento originário, tampouco para refutar por completo suas conclusões, proclamo, antes disso, que a questão extrapola os limites da aplicação da Súmula CARF nº 27, de inegável efeito, o argumento do desrespeito ao domicílio fiscal da contribuinte não foi arguido isoladamente, ao contrário, serviu para sustentar a tese da suspeição da Autoridade Administrativa, que a despeito de lotada em domicílio fiscal diverso daquele da contribuinte, reconhecido no próprio MPF, ficou encarregada de presidir os trabalhos de auditoria levados a efeito em contribuinte com a qual manteve relações que no mínimo podem ser consideras de proximidade incompatível com o ato de fiscalizar. Diante disso, reconheço o teor da Súmula CARF nº 27, segundo a qual “é válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”, entretanto, não me parece que o caso apresentado seja de mera incongruência de domicílio fiscal do autuado e do fiscal que conduziu os trabalhos, tampouco que parece que seja essa a alegação da recorrente, razão pela qual, a questão do domicílio tributário há de ser analisada juntamente com os demais argumentos, sem com isso, negarse o conteúdo sumulado já referido, entendendo apenas, insuficiente para o deslinde da questão. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.825 25 Como já referi acima, o ponto central da arguição da recorrente passa pelo fato de a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda., ora recorrente, ser sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, que foi também fiscalizada e autuada pela mesma auditora, sendo que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias justamente a Sra. Lorete Berlanda. Necessário depreender se desta relação, inegavelmente havida entre a contribuinte e a Autoridade lançadora, sobreveio mesmo a nulidade invocada pela recorrente. Neste propósito de enfretamento, antes mesmo de adiantar meu juízo sobre o tema, assinalo ser no mínimo estranhável o expediente adotado pela Autoridade lançadora, de sentirse apta e desimpedida para comandar ação fiscal contra empresa com a qual manteve relação de proximidade, volto a dizer, no mínimo estranhável, como também é estranhável que mesmo diante da alegação neste processo administrativo, a mesma autoridade administrativa tenha lavrado outros tantos autos de infração relacionados no PA nº 10945.721137/201237. Pareceme igualmente pouco acertada a decisão do Sr. Delgado da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, suscitado no PA nº 10945.721137/201237, considerarse satisfeito com as justificativas da senhora Lorete, mantendoa à frente da indigitada fiscalização. Tais decisões pessoais, ao que me é dado observar, internalizaram no processo administrativo ora apreciado e naquele referido acima, situações que seriam, a rigor, facilmente evitadas, bastando que os trabalhos fossem desempenhados por autoridade sobre a qual não pairasse qualquer controvérsia. Digo isso não para lançar, necessariamente, dúvida acerca da idoneidade da autoridade que conduziu os trabalhos, aliás, nem mesmo a contribuinte o fez. O que se deve ter em mente, contudo, é que o tumulto processual e prejuízos materiais advindos da permanência da Sra. Lorete prescindem de qualquer alegação de dolo ou máfé de sua parte. A questão que se coloca diz com os requisitos de validade do ato administrativo, espécie do qual faz parte o ato de lançamento. Ou seja, não se está a perquirir nem mesmo eventual prejuízo à contribuinte, pois o que se ventila é uma situação de pessoalidade mantida entre o agente estatal, encarregado do poder fiscalizatório e sancionatório, e o contribuinte sujeitado ao juízo, motivado que seja, deste mesmo agente estatal. Já adianto que não me parece congruente com o sistema jurídico vigente semelhante relação de pessoalidade. Não é aceitável que a fiscalização fique a cargo de quem manteve relações tão próximas, ainda que despidas de qualquer pecha, tendo a Sra. Lorete negociado ações, figurado no quadro acionário de terceira empresa, que foi sócia oculta em Sociedade em Conta de Participação, da qual foi sócia ostensiva a própria recorrente, me parece inegável sua suspeição para atuar neste feito. A mera narrativa dos fatos já revela a relação aproximada, sendo despiciendo até mesmo aventarse o inegável privilégio advindo do conhecimento dos fatos e rotinas da contribuinte, dos quais seguramente dispunha a Autoridade, e que por si só maculam o procedimento fiscalizatório. Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.826 26 Não se coaduna à inarredável impessoalidade do ato administrativo, grafada no artigo 37 da Constituição da República, tampouco à necessária higidez e transparência no processo administrativo fiscal, a conduta da Autoridade autuante. Não sobram dúvidas, tendo ela, Autoridade, sido sócia da recorrente, ainda que por intermédio de terceira pessoa jurídica, em empreendimento auditado, inclusive, tinha inequívoco interesse na matéria, a revelar o impedimento grafado no artigo 18, inciso I, da Lei nº 9.784/99. Assentado o impedimento da Autoridade autuante, oriundo de sua relação pessoal com a contribuinte, e tendo o resultado de sua atuação redundado em autos de infração que além de glosarem certos fatos impuseram multa qualificada, me parece que a decretação da nulidade do ato administrativo se impõe. E impõese justamente porque acoimado, como já adiantei acima, em um de seus atributos de validade. Sendo assim, mesmo que vislumbre que a hipótese dos autos redunda na incompetência da autoridade administrativa para lavrar os autos de infração, verifico que a nulidade nem mesmo precisaria satisfazer uma das hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, eis que o ato administrativo, desatendendo a regra maior do artigo 37 da CF, não reúne os atributos necessários ao plano eficacial, ou seja, dada a pessoalidade verificada, não pode o lançamento irradiar efeitos como ato administrativo que é. Acato, em conclusão, a preliminar de nulidade formulada pela contribuinte, e o faço para os fins de reconhecer a nulidade advinda do caráter pessoal da atuação da Autoridade lançadora, declarando nulos os autos de infração. I.2 – Da impossibilidade de complementação do lançamento Muito embora a contribuinte não tenha ventilado semelhante questionamento em suas razões recursais, não posso desconhecer o que trazido em sede de Razões Finais que me foram distribuídas e versam a questão relativa à continuidade dos procedimentos de auditoria encampados pela Sra. Lorete, os quais resultaram nos autos de infração contidos no PA nº 10945.721137/201237, do qual também sou relator e está pautado para esta ocasião de julgamento. Sendo assim, necessário registrar, muito mais para evidenciar a completa nulidade e a maneira pouco convencional com que atuou a Fiscalização, do que para proclamar algum conteúdo decisório de relevância neste processo específico, que de fato reconheço no âmbito do PA nº 10945.721137/201237, posterior a este, que em relação ao anocalendário 2007, houve inaceitável complementação de autuação, levada a efeito ao absoluto arrepio das regras procedimentais. II – DO MÉRITO Considerada a preliminar de nulidade contida no item I.1, a rigor nem mesmo se deveria procederse à análise material das imputações contidas no bojo do presente processo, contudo, entendo necessário o enfrentamento material para assegurar ampla defesa à contribuinte e evitar procrastinações processuais advindas de eventual rejeição colegiada da nulidade por mim reconhecida, fazendoo, o dito enfrentamento material, no entanto, sem arredar do meu convencimento primeiro de serem os autos de infração rigorosamente nulos. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.827 27 II.1 – Omissão de receitas – item 001 Neste item temse imputação de omissão de receitas, fruto da operação que deu origem à autuação sobre ganho de capital, lançada em nome da SCP Cascavel JL Shopping, (aquela que tinha como sócia uma empresa da qual a Autoridade era sócia) objeto do processo administrativo n° 10945.721261/201111. Segundo consignouse, o ganho de capital incidiu sobre operação de alienação de 90% de imóvel, descrito como um lote urbano com 8.690,00m2 com benfeitorias constantes de uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 26.444,70 m2 situada na Av. Toledo, 432, e uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 1.069,45m2, situada no mesmo endereço, pelo preço de R$ 24.624.000,00, sendo que o imóvel foi alienado para as empresas Send Empreendimentos e Participações Ltda., – CNPJ 02.001.679/000169 e Post Scriptum Empreendimentos Imobiliários Ltda., – CNPJ 09.081.710/000168, na proporção de 85,50% e 4,50%, respectivamente, conforme escritura pública, cópia às fls. 188/195. Segundo apurouse, o valor foi integralmente pago na data de assinatura do contrato (13/11/2007), em dinheiro, mediante transferência bancária, pelo qual a vendedora declarou haver recebido e dado quitação, transmitindo às compradoras todos os direitos de propriedade da parte alienada do imóvel, constando na escritura a previsão de um projeto de ampliação da edificação, objeto de contrato por empreitada global. Esse contrato foi assinado na mesma data de alienação do shopping (13/11/2007), entre recorrente, como contratada, e Send Empreendimentos e Participações Ltda, adquirente de 85,5% do Shopping de Cascavel (fls. 196/199). A partir do aludido contrato, desenvolveuse o raciocínio de que, presente a cláusula quinta da aludida avença se teria “a execução de 706,94 m2 de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m2 de reforma, totalizando 2.441,06m2 de obras para a instalação das Lojas Renner, o prazo de entrega da obra será em data de 30 de Novembro de 2007” e que o preço firmado, contido no item 1 da cláusula sétima apresenta o seguinte acordo: R$ 4.500.000,00 (Quatro milhões e quinhentos mil reais), que serão pagos da seguinte forma: a) R$ 3.600.000,00 (Três milhões e seiscentos mil reais) que serão pagos no ato da assinatura do presente instrumento; b) R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais) que serão pagos na data de inauguração das Lojas Renner, a qual esta prevista para 30 de novembro de 2007. Com esses fatos, foi que a Fiscalização constatou que os pagamentos teriam se dado conforme previsto e que os registros contábeis de fls. 200/201 indicam que, em 13/11/2007, além do aporte de R$ 24.624.000,00, relativo ao pagamento do shopping, foi efetuado o pagamento de R$ 3.600.000,00, e em 30/11/2007, mais R$ 900.000,00, mediante transferências bancárias para a conta nº. 156159, agência 34029 do Banco do Brasil. Acrescidos estes fatos (pagamentos), entendeu a Fiscalização que a contabilização dessas receitas foi realizada irregularmente, já que não transitaram por conta de resultado e conforme planilha de folha 202, teria havido dois lançamentos, um em 13/11/2007 (valor de R$ 3.600.000,00) outro em 30/11/2007 (R$ 900.000,00), ambos a débito da Conta Banco do Brasil (1.1.1.02.0001) e a crédito da Conta Send Empreendimentos e Participações Ltda (2.4.1.01.0102), sendo que esta última conta pertenceria ao grupo de contas patrimoniais de Resultado de Exercícios Futuros, e o seu saldo, nos balancetes de encerramento do ano de 2007, é de R$ 4.500.000,00 (fl. 513). Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.828 28 Com esse exercício a Fiscalização observou que esse saldo permaneceu na contabilidade até 31/12/2010 (fl. 207), último período de balancetes apresentados pela empresa, de sorte que haveria prova de auferimento de receitas sem oferecimento à tributação. Ou seja, em resumo, a considerada omissão de receitas seria proveniente do equivocado lançamento contábil a crédito em conta passiva de “Resultados de Exercícios Futuros – REF” como contrapartida ao ingresso em caixa de R$ 4.500.000,00 referentes à remuneração percebida pela Recorrente pela execução do Contrato de Construção para ampliação do Cascavel JL Shopping, porém, segundo a Autoridade autuante, o lançamento a crédito em conta passiva não se justificaria porquanto se trataria de contrato de curta duração, isto é, cuja execução encerrase no mesmo anocalendário de sua celebração e, portanto, – “não há que se falar em diferimento de receitas em contratos de curto prazo que, no caso, foi de um mês”, consoante regra do artigo 408 do RIR/99. A contribuinte, por seu turno, tem argumentado que a imputação decorre de erro na interpretação dos fatos, eis que o Contrato de Construção para ampliação do Cascavel JL Shopping não pode ser considerado de “curta duração”, porquanto suas obrigações prolongamse ao longo de diversos anoscalendário, sendo certo ainda sequer terem terminado, ao menos à época do protocolo do Recurso Voluntário, citando, por exemplo, a Cláusula Segunda, Item 2, e a Quinta, Item 2, do referido contrato (fls. 107), no propósito de assinalar que o contrato se amoldaria às regras do artigo 407 do RIR/99. Seguramente a autuação é equivocada e a decisão recorrida, neste item, merece reforma. Considero até mesmo desnecessária a citação de demais cláusulas contratuais para evidenciar o quanto superficial, pra dizer o mínimo, foi a justificativa dada pela Fiscalização para considerar o contrato de “curta duração” e com isso exigir os R$ 4.500.000,00 fossem tributados de pronto em vez de submeterem ao regramento do artigo 407 do RIR/99. Ora, a própria Fiscalização reconheceu que o contrato foi celebrado em 13 de novembro de 2007, não me parecendo aceitável dizer, ao mero fundamento de constarse prazo de execução com vencimento em 30 de novembro do mesmo ano, que o contrato seria de “curta duração”. Como bem demonstrado pela contribuinte, o contrato dispunha de dois objetos distintos: i) a execução de 706,94 m² de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m² de reforma, totalizando 2.441,06 m² de obras para a instalação das Lojas Renner; e ii) construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724 m², e a adequação do atual piso G1 para mais um andar de mal. Mesmo que considere desnecessária semelhante investigação para depreender que o contrato era, como ainda o é, de longa duração, confirase o teor das Cláusulas Segunda e Quinta (fl. 107): [...] CLÁUSULA SEGUNDA: O presente Instrumento particular visa à execução dos serviços de ampliação do CASCAVEL JL SHOPPING, sendo: [...] Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.829 29 2 – A construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724 m², e a adequação do atual piso G1 para mais um andar de mall, cujas obras deverão ser realizadas de acordo com os projetos e memoriais descritivos, os quais passam a fazer parte integrante do presente instrumento. CLÁUSULA QUINTA: O prazo global para a execução de todas as obras e serviços objeto deste Instrumento será: [...] 2 – Para o objeto número dois, ou seja, para a execução de mais um pavimento de garagem com aproximadamente 5.724 m², e a adequação do atual piso G1 para mais um andar de mall, o prazo de entrega da obra será de 10 (dez) meses a contar da data da expedição do alvará de construção emitido pela Prefeitura Municipal de Cascavel. [...] Torno a dizer, ainda que se considerasse apenas o primeiro objeto se estaria a falar na execução de mais de dois mil metros quadrados de obras, o que resulta incongruente com as elucubrações feitas pela Fiscalização, porém, a Recorrente noticia, consoante item 2, da Cláusula Quinta que o contrato foi celebrado em 13/11/2007 e não havia a expedição do alvará de construção até aquele momento, ou seja, nem mesmo a literalidade do contrato, foi respeitada pela Fiscalização, literalidade que evidencia que o contrato foi de longa duração, permitindo o diferimento das receitas, tal com realizado pela contribuinte, que sujeitaria a eventual glosa de acero ou não neste diferimento, jamais na vedação de fazêlo. Sendo assim, encaminho meu voto, neste item específico, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. II – Glosa de custos – item 002 Neste item da autuação impôsse glosa nos custos de várias obras executadas pela recorrente, sendo os fundamentos da Fiscalização, para impor a indedutibilidade das despesas os seguintes: i) a natureza do material/serviço discriminado na nota fiscal não seria compatível com a obra à qual o custo foi vinculado; ii) o local de entrega do material seria incompatível com a obra à qual o custo foi vinculado; iii) o endereço do fornecedor seria incompatível com a obra à qual o custo foi vinculado; iv) as notas fiscais foram emitidas posteriormente à data do “encerramento” da obra à qual o custo foi vinculado e; v) ausência de registro de pagamento das notas fiscais. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.830 30 Foi diante destas constatações, que a Fiscalização, com o ulterior respaldo da decisão recorrida, entendeu que consoante regra do artigo 407 do RIR/1999, o qual o resultado das obras deveria ser apurados por “centros de custos” – dessa forma, a indedutibilidade decorreria da não vinculação do custo à obra indicada ou da entrega em local diverso e por a fora. Esta foi a mesma sistemática utilizada pela Fiscalização no PA nº 10945.721137/201237, valendose da falta de correlação documental e até mesmo lógica, entre as despesas e a obra a qual foi atrelada, sem com isso, promoverse qualquer censura às despesas propriamente ditas. Ou seja, conquanto se tenha afirmado a necessidade de apuração do resultado por centro de custos, obra a obra, com vinculação correta do custo à obra, a Fiscalização e a decisão recorrida não se insurgiram contra os atributos ou condicionantes da dedutibilidade. Este ponto para mim é crucial, o lançamento, tal como realizado, muito embora sejam incontestáveis as incongruências apontadas, terminou por sancionar determinadas despesas sem nem mesmo alegar (comprovar muito menos) que a dita despesa não se revestia dos atributos para figurar como dedutível. Mas não é só, ao assim proceder quase a totalidade das despesas foram desconsideradas, mas desconsiderada não foi a contabilidade da empresa, tampouco sua tributação pelo lucro real, a revelar a inaceitável hipótese de tributação, nesta modalidade de apuração, sem as respectivas despesas, as quais, repito, não foram tidas como não usuais, não comprovadas, ou desnecessárias à manutenção da fonte produtiva, antes disso, foram desconsideradas ao fundamento de que não estariam, elas despesas, rigorosamente congruentes com a obra a qual foi formalmente indicada. Se é fato a premissa da decisão recorrida e da Fiscalização de que a despesa deve ser verificada à luz da receita que lhe é própria, também é fato que cumpria ao Fisco, em procedimento de glosa que lhe parecia necessário, ou julgar a escrituração da contribuinte imprestável e arbitrarlhe o lucro, ou demonstrar que as despesas eram em verdade indedutíveis à luz dos requisitos do artigo 299 do RIR/99, sob pena de terse, como se tem mesmo neste auto de infração, quase completa desconsideração das despesas sem a comprovação de serem elas indedutíveis. Assiste razão à contribuinte ao proclamar que a não imputação do custo a determinada obra poderia importar, quando muito, em sua desconsideração para os fins de apuração da proporção entre custos incorridos e os custos estimados, cujos efeitos deveriam ser a consideração daquela despesa para outra obra, já que não fora desqualificada como despesas dedutível. Tanto é improcedente a glosa, que a Fiscalização imputou multa qualificada, o que me parece outro indicativo de nulidade tratada no item I.1, fruto da pessoalidade na condução dos trabalhos, pois não me parece razoável que a contribuinte tenha perpetrado qualquer expediente com evidente intuito de fraude, dolo ou máfé, se as despesas deduzidas foram hígidas do ponto de vista dos atributos condicionantes. Assim verificado, torno a dizer que as glosas contidas neste tópico são rigorosamente improcedentes, provendo, neste item, o Recurso Voluntário. Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.831 31 III – Redução indevida do lucro real – inexatidão na apuração das receitas provenientes de contratos de longa duração Temse neste derradeiro item do auto de infração imputação segundo a qual, com base no artigo 273, inciso I, do RIR/99, teria a recorrente reduzido indevidamente o lucro real, em vista de inexatidão na apuração das receitas provenientes de diversos contratos de construção de longa duração. Extraise dos autos que a Fiscalização apoiouse em duas premissas para tais conclusões: i) o termo final para o reconhecimento de receitas diferidas com base no artigo 407 do RIR/99 seria o momento da entrega da obra; ii) a verificada inexatidão configuraria hipótese de redução indevida do lucro real, na medida em que tais receitas não reconhecidas no período de competência não teriam sido oferecidas à tributação. A contribuinte por sua vez, argumenta que a metodologia utilizada pela fiscalização para apurar as referidas inexatidões não encontra amparo na legislação de regência e nem mesmo as imputações fáticas seriam condizentes com a realidade dos contratos em questão. Entendo que igualmente neste item o auto de infração é improcedente. Como já destacado neste processo a Fiscalização reputou que as receitas provenientes dos contratos “Infraero TC021”, “Infraero TC022”, “Infraero TC0002 Viracopos” e “Fórum Novo Hamburgo” deveriam ser oferecidas à tributação, no máximo, até a data estipulada contratualmente para entrega da obra, isto é, 20/09/2006, 11/08/2006, 01/12/2006 e 24/08/2006, respectivamente, daí porque adicionouse ao lucro real da Recorrente relativo ao anocalendário 2006 todo o saldo credor das contas passivas de REF relativas a tais contratos acumulado em 31/12/2006, a despeito de terem sido tributadas em exercícios posteriores. A Recorrente elaborou tabela que bem expressa os fatos sucedidos: Aliás, que as receitas foram reconhecidas posteriormente é fato que nem mesmo a Fiscalização desconheceu (vide fl. 1.009), contudo, a improcedência do auto de infração já se evidencia ao verificarse que a fiscalização limitouse a adicionar o montante de R$ 4.686.379,84 no lucro real do anocalendário de 2006, sem realizar os correspondentes ajustes no lucro real apurado nos anoscalendário em que as receitas foram efetivamente tributadas (2007 e 2008). Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.832 32 Tal fato diz com a própria higidez da autuação, porquanto não me parece razoável supor que se lavre auto de infração por verificada inexatidão (não omissão pura e simples) no oferecimento de receitas à tributação sem considerarse a adição das receitas ao lucro real do período de competência e sua respectiva exclusão do lucro real do período ao qual foram adicionadas indevidamente, eis que não se pode conceber mesmo, como deuse no caso da recorrente, que haja correção somente na apuração do período de competência, como pretendeu a Autoridade Autuante. Ao abordar o tema a recorrente bem evidenciou que a Autoridade Autuante deixou de excluir do total de infrações apuradas com relação ao anocalendário 2007 (R$ 7.317.741,47) o valor de R$ 3.475.921,05, correspondente ao somatório das receitas devidamente declaradas pela empresa no anocalendário 2007 e que foram antecipadas para o anocalendário 2006, o que por si só, ao meu sentir, já invalida o auto de infração neste item. Não bastasse isso, me parece igualmente desacertado o entendimento da Fiscalização de que o termo final do diferimento das receitas seria a entrega formal (contratual) da obra ao tomador da empreitada. Novamente a postulação da recorrente me parece correta, eis que a legislação elenca dois marcos com base nos quais a receita diferida será oferecida à tributação, cuja escolha cabe mesmo ao contribuinte, sendo certo que nestes critérios não vejo a entrega formal da obra como marco definitivo, mormente ao se constatar que o fato de as obras serem “formalmente” entregues, raramente encerra as atividades da empreiteira nos ajustes e manutenções demandados pelo tomador da empreitada, tampouco faz com que cessem os custos decorrentes da obra. Sendo assim, entendo improcedentes as imputações e voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das sessões 11 de fevereiro de 2014 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.833 33 Voto Vencedor Em que pese os densos argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, decidiu de forma diversa. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas no período de DEZEMBRO de 2007; ii) glosa de custos relativamente aos períodos de DEZEMBRO de 2006 e DEZEMBRO de 2007; e iii) redução indevida do lucro real no período de DEZEMBRO de 2006. Tomando por base a mesma ordem utilizada pelo Relator em seu pronunciamento, discorro, a seguir, sobre as razões que levaram o Colegiado a divergir do entendimento ali esposado. Suspeição/Incompetência da Autoridade Administrativa Assinala o Ilustre Conselheiro Relator: [...] ..., o cerne da alegação de suspeição/incompetência da Autoridade Fiscalizadora, dáse ao revelar o fato de que a empresa Jota Ele Construções Civis Ltda. (recorrente) é sócia ostensiva da Sociedade em Conta de Participação SCP denominada CATARATAS JL SHOPPING, e que fez parte desta SCP, desde o ano de 2005, a empresa CATARATAS INCORPORADORA E ADMINISTRADORA DE SHOPPING CENTERS S.A., CNPJ n° 02.065.080/000199, que tinha como uma de suas sócias exatamente a Sra. Lorete Berlanda, sendo que os fatos ocorridos em tal SCP foram, inclusive, investigados na mesma ação fiscal. ... Neste propósito de enfretamento, antes mesmo de adiantar meu juízo sobre o tema, assinalo ser no mínimo estranhável o expediente adotado pela Autoridade lançadora, de sentirse apta e desimpedida para comandar ação fiscal contra empresa com a qual manteve relação de proximidade, volto a dizer, no mínimo estranhável, como também é estranhável que mesmo diante da alegação neste processo administrativo, a mesma autoridade administrativa tenha lavrado outros tantos autos de infração relacionados no PA nº 10945.721137/201237. Pareceme igualmente pouco acertada a decisão do Sr. Delgado da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu, suscitado no PA nº 10945.721137/201237, considerarse satisfeito com as justificativas da senhora Lorete, mantendoa à frente da indigitada fiscalização. Tais decisões pessoais, ao que me é dado observar, internalizaram no processo administrativo ora apreciado e naquele referido acima, situações que seriam, a rigor, facilmente evitadas, bastando que os trabalhos fossem desempenhados por autoridade sobre a qual não pairasse qualquer controvérsia. Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.834 34 Digo isso não para lançar, necessariamente, dúvida acerca da idoneidade da autoridade que conduziu os trabalhos, aliás, nem mesmo a contribuinte o fez. O que se deve ter em mente, contudo, é que o tumulto processual e prejuízos materiais advindos da permanência da Sra. Lorete prescindem de qualquer alegação de dolo ou máfé de sua parte. A questão que se coloca diz com os requisitos de validade do ato administrativo, espécie do qual faz parte o ato de lançamento. Ou seja, não se está a perquirir nem mesmo eventual prejuízo à contribuinte, pois o que se ventila é uma situação de pessoalidade mantida entre o agente estatal, encarregado do poder fiscalizatório e sancionatório, e o contribuinte sujeitado ao juízo, motivado que seja, deste mesmo agente estatal. Já adianto que não me parece congruente com o sistema jurídico vigente semelhante relação de pessoalidade. Não é aceitável que a fiscalização fique a cargo de quem manteve relações tão próximas, ainda que despidas de qualquer pecha, tendo a Sra. Lorete negociado ações, figurado no quadro acionário de terceira empresa, que foi sócia oculta em Sociedade em Conta de Participação, da qual foi sócia ostensiva a própria recorrente, me parece inegável sua suspeição para atuar neste feito. ... Não se coaduna à inarredável impessoalidade do ato administrativo, grafada no artigo 37 da Constituição da República, tampouco à necessária higidez e transparência no processo administrativo fiscal, a conduta da Autoridade autuante. Não sobram dúvidas, tendo ela, Autoridade, sido sócia da recorrente, ainda que por intermédio de terceira pessoa jurídica, em empreendimento auditado, inclusive, tinha inequívoco interesse na matéria, a revelar o impedimento grafado no artigo 18, inciso I, da Lei nº 9.784/99. Assentado o impedimento da Autoridade autuante, oriundo de sua relação pessoal com a contribuinte, e tendo o resultado de sua atuação redundado em autos de infração que além de glosarem certos fatos impuseram multa qualificada, me parece que a decretação da nulidade do ato administrativo se impõe. E impõese justamente porque acoimado, como já adiantei acima, em um de seus atributos de validade. Com o devido respeito, as peças reunidas ao processo não conduzem à conclusão estampada no referido pronunciamento, senão vejamos: a) a Auditora Fiscal da Receita Federal Lorete Berlanda, contra a qual insurgese a Recorrente alegando ser ela suspeita para “comandar” a ação fiscal, não era, nos termos da informação consignada no documento de fls. 1.568/1.571, a única responsável pela citada ação fiscal e não exerceu cargo de comando no procedimento; b) a ação fiscal em referência, diferentemente do sustentado na peça recursal, foi lastreada em Mandado de Procedimento Fiscal emitido pelo Superintendente Regional da Receita Federal (MPF REGIONAL1), revelandose assim absolutamente regular do ponto de vista dos controles administrativos da Receita Federal; 1 Tratandose de procedimento em relação à empresa domiciliada em jurisdição distinta da dos Agentes Fiscais mas dentro da mesma Região Fiscal, foi necessária a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Regional, cuja autoridade outorgante é o Superintendente da Receita Federal. Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.835 35 c) a referida auditora deteve, no período de 1993 a 2008, juntamente com outras cento e trinta pessoas, ações da pessoa jurídica CATARATA CIA SHOPPING que, a partir de 2005, passou a ser SÓCIA OCULTA da Sociedade em Conta Participação CATARATAS JL SHOPPING, da qual a fiscalizada era SÓCIA OSTENSIVA; d) a Auditora Fiscal deixou o empreendimento em 06 de novembro de 2008, recebendo pelas ações vendidas o montante de R$ 27.862,80, em 13 de novembro do mesmo ano; e) a alienação das ações por parte da Auditora Fiscal para o Sr. JOÃO LUIZ FÉLIX foi efetuada em operação normal, sendo certo que, se algum desentendimento tivesse ocorrido, o negócio não teria sido realizado; f) a Auditora Fiscal Lorete Berlanda afirmou que nunca teve contato com o Sr. JOÃO LUIZ FÉLIX, seja pessoalmente, seja por meio de telefone, e que todas as tratativas relacionadas à alienação das suas ações foram conduzidas pelo contador da CATARATA CIA SHOPPING. É esse, portanto, o contexto em que a ação fiscal empreendida contra a contribuinte foi instaurada. Embora a Recorrente faça menção à “UMA DIFÍCIL NEGOCIAÇÃO ENTRE AS PARTES”, não colaciona aos autos um único elemento capaz de confirmar o que alega, e mais, não traz qualquer tipo de esclarecimento acerca dos fatos que permitiriam caracterizar a negociação como difícil. Inexiste, pois, no processo, elementos que permitam concluir pela ocorrência de desavença ou pelo surgimento de inimizade notória entre a agente fiscal e o sócio da fiscalizada, assim como também não consta dos autos qualquer indicativo de conduta abusiva, improbidade ou cometimento de irregularidade por parte dela na execução do procedimento fiscalizatório, procedimento este que não foi efetivado sob o comando da Sra. Lorete Berlanda, mas, sim, sob a supervisão do Auditor Fiscal RAFAEL GARDOLINSK VENSON. Não existe nos autos, também, um único elemento capaz de indicar que a autuante tenha agido com arbitrariedade ou que tenha feito uso de qualquer informação que só poderia ter sido obtida em razão dos relacionamentos citados pela Recorrente. Com a devida vênia, arguir suspeição pelo fato de a agente fiscal, cumprindo com o seu dever legal, promover o lançamento, ato que é bom destacar, absolutamente vinculado, com certeza é argumento que não merece ser acolhido. Peço licença ao Ilustre Relator para, em sentido diverso ao por ele esposado, registrar que qualificações do tipo “estranhável”, “relação de proximidade”, “tumulto processual”, “prejuízos materiais”, “situação de pessoalidade”, na circunstância em que não restam devidamente comprovadas por meio de atos ou fatos que as justifiquem, revelamse absolutamente inócuas. Impossibilidade de complementação do lançamento Relativamente a esse item, o Ilustre Relator declina o seguinte entendimento, in verbis: Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.836 36 Muito embora a contribuinte não tenha ventilado semelhante questionamento em suas razões recursais, não posso desconhecer o que trazido em sede de Razões Finais que me foram distribuídas e versam a questão relativa à continuidade dos procedimentos de auditoria encampados pela Sra. Lorete, os quais resultaram nos autos de infração contidos no PA nº 10945.721137/201237, do qual também sou relator e está pautado para esta ocasião de julgamento. Sendo assim, necessário registrar, muito mais para evidenciar a completa nulidade e a maneira pouco convencional com que atuou a Fiscalização, do que para proclamar algum conteúdo decisório de relevância neste processo específico, que de fato reconheço no âmbito do PA nº 10945.721137/201237, posterior a este, que em relação ao anocalendário 2007, houve inaceitável complementação de autuação, levada a efeito ao absoluto arrepio das regras procedimentais. Como registrado acima, o questionamento não traduz, no presente processo, efeito decisório de qualquer natureza, motivo pelo qual não é merecedor de qualquer consideração. Omissão de receitas – item 001 Relativamente ao presente item, registra o Relator: Neste item temse imputação de omissão de receitas, fruto da operação que deu origem à autuação sobre ganho de capital, lançada em nome da SCP Cascavel JL Shopping, (aquela que tinha como sócia uma empresa da qual a Autoridade era sócia) objeto do processo administrativo n° 10945.721261/201111. Segundo consignouse, o ganho de capital incidiu sobre operação de alienação de 90% de imóvel, descrito como um lote urbano com 8.690,00m2 com benfeitorias constantes de uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 26.444,70 m2 situada na Av. Toledo, 432, e uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 1.069,45m2, situada no mesmo endereço, pelo preço de R$ 24.624.000,00, sendo que o imóvel foi alienado para as empresas Send Empreendimentos e Participações Ltda., – CNPJ 02.001.679/000169 e Post Scriptum Empreendimentos Imobiliários Ltda., – CNPJ 09.081.710/000168, na proporção de 85,50% e 4,50%, respectivamente, conforme escritura pública, cópia às fls. 188/195. Segundo apurouse, o valor foi integralmente pago na data de assinatura do contrato (13/11/2007), em dinheiro, mediante transferência bancária, pelo qual a vendedora declarou haver recebido e dado quitação, transmitindo às compradoras todos os direitos de propriedade da parte alienada do imóvel, constando na escritura a previsão de um projeto de ampliação da edificação, objeto de contrato por empreitada global. Esse contrato foi assinado na mesma data de alienação do shopping (13/11/2007), entre recorrente, como contratada, e Send Empreendimentos e Participações Ltda, adquirente de 85,5% do Shopping de Cascavel (fls. 196/199). A partir do aludido contrato, desenvolveuse o raciocínio de que, presente a cláusula quinta da aludida avença se teria “a execução de 706,94 m2 de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m2 de reforma, totalizando 2.441,06m2 de obras para a instalação das Lojas Renner, o prazo de entrega da obra será em data de 30 de Novembro de 2007” e que o preço firmado, contido no item 1 da cláusula sétima apresenta o seguinte acordo: R$ 4.500.000,00 (Quatro milhões e quinhentos mil Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.837 37 reais), que serão pagos da seguinte forma: a) R$ 3.600.000,00 (Três milhões e seiscentos mil reais) que serão pagos no ato da assinatura do presente instrumento; b) R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais) que serão pagos na data de inauguração das Lojas Renner, a qual esta prevista para 30 de novembro de 2007. Com esses fatos, foi que a Fiscalização constatou que os pagamentos teriam se dado conforme previsto e que os registros contábeis de fls. 200/201 indicam que, em 13/11/2007, além do aporte de R$ 24.624.000,00, relativo ao pagamento do shopping, foi efetuado o pagamento de R$ 3.600.000,00, e em 30/11/2007, mais R$ 900.000,00, mediante transferências bancárias para a conta nº. 156159, agência 34029 do Banco do Brasil. Acrescidos estes fatos (pagamentos), entendeu a Fiscalização que a contabilização dessas receitas foi realizada irregularmente, já que não transitaram por conta de resultado e conforme planilha de folha 202, teria havido dois lançamentos, um em 13/11/2007 (valor de R$ 3.600.000,00) outro em 30/11/2007 (R$ 900.000,00), ambos a débito da Conta Banco do Brasil (1.1.1.02.0001) e a crédito da Conta Send Empreendimentos e Participações Ltda (2.4.1.01.0102), sendo que esta última conta pertenceria ao grupo de contas patrimoniais de Resultado de Exercícios Futuros, e o seu saldo, nos balancetes de encerramento do ano de 2007, é de R$ 4.500.000,00 (fl. 513). Com esse exercício a Fiscalização observou que esse saldo permaneceu na contabilidade até 31/12/2010 (fl. 207), último período de balancetes apresentados pela empresa, de sorte que haveria prova de auferimento de receitas sem oferecimento à tributação. Ou seja, em resumo, a considerada omissão de receitas seria proveniente do equivocado lançamento contábil a crédito em conta passiva de “Resultados de Exercícios Futuros – REF” como contrapartida ao ingresso em caixa de R$ 4.500.000,00 referentes à remuneração percebida pela Recorrente pela execução do Contrato de Construção para ampliação do Cascavel JL Shopping, porém, segundo a Autoridade autuante, o lançamento a crédito em conta passiva não se justificaria porquanto se trataria de contrato de curta duração, isto é, cuja execução encerrase no mesmo anocalendário de sua celebração e, portanto, – “não há que se falar em diferimento de receitas em contratos de curto prazo que, no caso, foi de um mês”, consoante regra do artigo 408 do RIR/99. A contribuinte, por seu turno, tem argumentado que a imputação decorre de erro na interpretação dos fatos, eis que o Contrato de Construção para ampliação do Cascavel JL Shopping não pode ser considerado de “curta duração”, porquanto suas obrigações prolongamse ao longo de diversos anoscalendário, sendo certo ainda sequer terem terminado, ao menos à época do protocolo do Recurso Voluntário, citando, por exemplo, a Cláusula Segunda, Item 2, e a Quinta, Item 2, do referido contrato (fls. 107), no propósito de assinalar que o contrato se amoldaria às regras do artigo 407 do RIR/99. Seguramente a autuação é equivocada e a decisão recorrida, neste item, merece reforma. Considero até mesmo desnecessária a citação de demais cláusulas contratuais para evidenciar o quanto superficial, pra dizer o mínimo, foi a justificativa dada pela Fiscalização para considerar o contrato de “curta duração” e com isso exigir os R$ 4.500.000,00 fossem tributados de pronto em vez de submeterem ao regramento do artigo 407 do RIR/99. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.838 38 Ora, a própria Fiscalização reconheceu que o contrato foi celebrado em 13 de novembro de 2007, não me parecendo aceitável dizer, ao mero fundamento de constarse prazo de execução com vencimento em 30 de novembro do mesmo ano, que o contrato seria de “curta duração”. Como bem demonstrado pela contribuinte, o contrato dispunha de dois objetos distintos: i) a execução de 706,94 m² de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m² de reforma, totalizando 2.441,06 m² de obras para a instalação das Lojas Renner; e ii) construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724 m², e a adequação do atual piso G1 para mais um andar de mal. Mesmo que considere desnecessária semelhante investigação para depreender que o contrato era, como ainda o é, de longa duração, confirase o teor das Cláusulas Segunda e Quinta (fl. 107): [...] CLÁUSULA SEGUNDA: O presente Instrumento particular visa à execução dos serviços de ampliação do CASCAVEL JL SHOPPING, sendo: [...] 2 – A construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724 m², e a adequação do atual piso G1 para mais um andar de mall, cujas obras deverão ser realizadas de acordo com os projetos e memoriais descritivos, os quais passam a fazer parte integrante do presente instrumento. CLÁUSULA QUINTA: O prazo global para a execução de todas as obras e serviços objeto deste Instrumento será: [...] 2 – Para o objeto número dois, ou seja, para a execução de mais um pavimento de garagem com aproximadamente 5.724 m², e a adequação do atual piso G1 para mais um andar de mall, o prazo de entrega da obra será de 10 (dez) meses a contar da data da expedição do alvará de construção emitido pela Prefeitura Municipal de Cascavel. [...] Torno a dizer, ainda que se considerasse apenas o primeiro objeto se estaria a falar na execução de mais de dois mil metros quadrados de obras, o que resulta incongruente com as elucubrações feitas pela Fiscalização, porém, a Recorrente noticia, consoante item 2, da Cláusula Quinta que o contrato foi celebrado em 13/11/2007 e não havia a expedição do alvará de construção até aquele momento, ou seja, nem mesmo a literalidade do contrato, foi respeitada pela Fiscalização, literalidade que evidencia que o contrato foi de longa duração, permitindo o diferimento das receitas, tal com realizado pela contribuinte, que sujeitaria a eventual glosa de acero ou não neste diferimento, jamais na vedação de fazêlo. Sendo assim, encaminho meu voto, neste item específico, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (GRIFEI) A síntese dos fatos é a seguinte: a Recorrente, em 13 de novembro de 2007, alienou 90% do empreendimento denominado CASCAVEL JL SHOPPING CENTER para as empresas SEND EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (85,50%) e POST SCRIPTUM EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA (4,50%); na escritura de Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.839 39 alienação do SHOPPING foi feita referência a um contrato firmado na mesma data (13/11/2007), por meio da qual a SEND, adquirente de 85,5% do SHOPPING, contrata a Recorrente para promover obras de ampliação e reforma para fins de instalação das LOJAS RENNER; restou pactuado que o prazo de entrega da obra seria 30 de novembro de 2007; o preço estabelecido para o serviço contratado foi de R$ 4.500.000,00, a serem pagos da seguinte forma: R$ 3.600.000,00 na data da assinatura do contrato; e R$ 900.000,00 na data da inauguração das LOJAS RENNER (prevista para 30 de novembro de 2007). A Fiscalização, tomando por base esses fatos, verificou, após análise dos registros contábeis da fiscalizada, que em 13 de novembro de 2007, além do aporte de R$ 24.624.000,00, relativo ao pagamento da alienação do SHOPPING, foram recebidos ainda os montantes de R$ 3.600.000,00 e R$ 900.000,00, correspondentes à empreitada contratada. Relativamente aos valores de R$ 3.600.000,00 e R$ 900.000,00, constatou a Fiscalização que a contribuinte não os reconheceu como receita, tendo promovido o registro em conta representativa do grupo RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS. Aditou a Fiscalização que o saldo da conta na qual foi registrado os citados recebimentos (2.4.1.01.102 SEND EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA), era de R$ 4.500.000,00 nos balancetes de encerramento do ano de 2007, e, até 31 de dezembro de 2010, lá permanecia, isto é, até essa data, os valores não haviam sido reconhecidos como receita. A Fiscalização, por meio de diligências, coleta de informações e documentos fornecidos pela Prefeitura Municipal de Cascavel (alvará de construção, fls. 203; e certificado de conclusão de ampliação de obras – HABITESE, fls. 204), e, ainda, com base em informações colhidas na mídia, constatou que a obra contratada havia sido realizada no prazo, tendo, inclusive, verificado que a inauguração das LOJAS RENNER havia ocorrido na data prevista. Concluíram as autoridades autuantes, a partir dos elementos coletados, que restou fora de dúvida a intenção da fiscalizada de omitir receitas, utilizandose de artifício contábil para diferila como se resultante de um contrato de longo prazo fosse. Procedente, na visão do Colegiado, a conclusão exteriorizada na peça acusatória. Primeiramente, cabe destacar que o pronunciamento do Ilustre Relator no sentido de que o contrato aqui referenciado dispunha de dois objetos distintos é merecedor da seguinte consideração: de fato, o contrato em questão teve dois objetos, contudo, o questionamento da Fiscalização foi direcionado apenas para um desses objetos, qual seja, a ampliação e reforma para fins de instalação das Lojas Renner, e não para a construção de mais um pavimento de garagem e adequação de piso já construído. A análise empreendida pelo Ilustre Relator, portanto, revelase equivocada. O voto condutor da decisão de primeira instância descreve, com excelência, os fatos que serviram de base à imputação de omissão de receitas e demonstra, com suporte em provas robustas, a improcedência dos argumentos de defesa da Recorrente. Reproduzo, pois, fragmentos do pronunciamento feito em primeira instância acerca do presente item. Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.840 40 [...] 29. O exame dos fatos indica que não há reparos a fazer no lançamento. 30. A empresa fiscalizada Jota Ele Construções Civis Ltda tem como objeto social a indústria de construção civil, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção, compra e venda de imóveis, administração e locação de bens de terceiros e shopping centers, conforme cópia do contrato social e alterações às fls. 68/102. A presente ação fiscal foi deflagrada pelo Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 03/06, recebido em 14/03/2011, pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais dos períodos 2006 a 2008. Foram apresentados, às fls. 08/11, livros contábeis, contratos e documentos requisitados. 31. A fiscalização detectou três infrações nos resultados da empresa: i) omissão de receitas; ii) glosa de custos; iii) redução indevida do lucro real. No presente item analisase a primeira infração, e as demais são apreciadas na seqüência. 32. A omissão de receitas tem relação com a operação que deu origem à autuação sobre ganho de capital, lançada em nome da SCP Cascavel JL Shopping, objeto do processo administrativo n° 10945.721261/201111, julgado conjuntamente com o presente. O ganho de capital incidiu sobre operação de alienação de 90% de imóvel, descrito como um lote urbano com 8.690,00m2 com benfeitorias constantes de uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 26.444,70 m2 situada na Av. Toledo, 432, e uma edificação comercial (shopping center) em alvenaria medindo 1.069,45m2, situada no mesmo endereço, pelo preço de R$ 24.624.000,00. O imóvel foi alienado para as empresas Send Empreendimentos e Participações Ltda – CNPJ 02.001.679/000169 e Post Scriptum Empreendimentos Imobiliários Ltda – CNPJ 09.081.710/000168, na proporção de 85,50% e 4,50%, respectivamente, conforme escritura pública, cópia às fls. 188/195. Consta que o valor foi integralmente pago na data de assinatura do contrato (13/11/2007), em dinheiro, mediante transferência bancária, pelo qual a vendedora declarou haver recebido e dado quitação, transmitindo às compradoras todos os direitos de propriedade da parte alienada do imóvel. 33. Nessa referida escritura foi previsto um projeto de ampliação da edificação, objeto de contrato por empreitada global. Esse contrato foi assinado na mesma data de alienação do shopping (13/11/2007), entre a Jota Ele, como contratada, e Send Empreendimentos e Participações Ltda, adquirente de 85,5% do Shopping de Cascavel (fls. 196/199). De acordo com a cláusula quinta do pacto, “a execução de 706,94 m2 de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m2 de reforma, totalizando 2.441,06m2 de obras para a instalação das Lojas Renner, o prazo de entrega da obra será em data de 30 de Novembro de 2007”. Quanto ao preço firmado, o item 1 da cláusula sétima apresenta o seguinte acordo: 1 O preço para execução do objeto previsto no item 1 (um) da cláusula segunda, ou seja, a ampliação para instalação das lojas Renner, será de R$ 4.500.000,00 (Quatro milhões e quinhentos mil reais), que serão pagos da seguinte forma: a) R$ 3.600.000,00 (Três milhões e seiscentos mil reais) que serão pagos no ato da assinatura do presente instrumento; b) R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais) que serão pagos na data de inauguração das Lojas Renner, a qual esta prevista para 30 de novembro de 2007. 34. A fiscalização constatou que os pagamentos ocorreram conforme o previsto. Os registros contábeis de fls. 200/201 indicam que, em 13/11/2007, além do aporte de R$ 24.624.000,00, relativo ao pagamento do shopping, foi efetuado o Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.841 41 pagamento de R$ 3.600.000,00, e, em 30/11/2007, mais R$ 900.000,00, mediante transferências bancárias para a conta nº. 156159, agência 34029 do Banco do Brasil. 35. Por outro lado, restou verificado que a contabilização dessas receitas foi realizada irregularmente, já que não transitaram por conta de resultado. Conforme planilha de fl. 202, houve dois lançamentos, um em 13/11/2007 (valor de R$ 3.600.000,00) outro em 30/11/2007 (R$ 900.000,00), ambos a débito da Conta Banco do Brasil (1.1.1.02.0001) e a crédito da Conta Send Empreendimentos e Participações Ltda (2.4.1.01.0102). Esta última conta pertence ao grupo de contas patrimoniais de Resultado de Exercícios Futuros, sendo que seu saldo, nos balancetes de encerramento do ano de 2007, é de R$ 4.500.000,00 (fl. 513). A fiscalização observou que esse saldo permaneceu na contabilidade até 31/12/2010 (fl. 207), último período de balancetes apresentados pela empresa. 36. Sendo assim, havendo prova de auferimento de receitas, sem oferecimento à tributação, considero correta a exigência de ofício. 37. Na impugnação, o contribuinte alega que o contrato celebrado com a Send Empreendimentos e Participações Ltda tinha dois objetos: i) reforma e ampliação das Lojas Renner (2.441,06 m2); ii) a construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724 m2, e a adequação do atual piso GI para mais um andar de mall, com prazo previsto de 10 meses a contar da expedição do alvará de construção pela Prefeitura Municipal de Cascavel. Argumenta que o preço total era de R$ 7.200.000,00, sendo R$ 2.700.000,00 para a primeira obra e R$ 4.500.000,00 para a segunda. Justifica que nem teria sentido se assim não fosse, pois enquanto o custo da obra previsto no item 1 seria de R$ 1.843,46/m, a obra do item 2 teria o custo de R$ 471,70/m, ou seja, um valor cerca de 75% inferior, relativamente a trabalhos semelhantes. 38. No entanto, a explicação não convence. 39. De fato, no contrato de empreitada global, consta, à fl. 196, a previsão de execução das duas obras mencionadas pela impugnante, apesar de, no TFV, a fiscalização ter apontado somente a primeira execução. Assim, para fins do presente lançamento, somente possuem relevância os fatos relacionados à primeira obra, já que a segunda não foi objeto de questionamento. Na presente controvérsia, as questões relevantes referemse ao prazo e o preço da obra de reforma e ampliação das Lojas Renner, que a litigante sustenta, equivocadamente, serem de 10 meses a contar da expedição do alvará de construção pela Prefeitura Municipal de Cascavel, e de R$ 2.700.000,00. Ora, tais condições referemse à segunda obra, e não à que foi objeto dos lançamentos, conforme as cláusulas segunda, quinta e sétima do contrato, cuja redação não dá margem a qualquer dúvida: DO OBJETO CLÁUSULA SEGUNDA: O presente Instrumento Particular visa a execução dos serviços de ampliação do CASCAVEL JL SHOPPING, sendo: 1 – A execução de 706,94 m2 de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m2 de reforma, totalizando 2.44l,06m2 de obras para a instalação das Lojas Renner, cujas obras serão realizadas de acordo com os projetos e memoriais descritivos, os quais passam a fazer parte integrante do presente instrumento. Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.842 42 2 – A construção de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724m2, e a adequação do atual piso Gl para mais um andar de mall, cujas obras deverão ser realizadas de acordo com os projetos e memoriais descritivos, os quais passam a fazer parte integrante do presente instrumento. DOS PRAZOS CLÁUSULA QUINTA: O prazo global para a execução de todas as obras e serviços objeto deste Instrumento será: 1 – Para o objeto de numero um, ou seja, a execução de 706,94 m2 de obra de ampliação, e mais 1.734,12 m2 de reforma, totalizando 2.441,06m2 de obras para a instalação das Lojas Renner, o prazo de entrega da obra será em data de 30 de Novembro de 2007. 2 – Para o objeto de numero dois, ou seja, para a execução de mais um pavimento de garagem, com aproximadamente 5.724m2, e a adequação do atual piso Gl para mais um andar de mall, o prazo de entrega da obra será de 10 (dez) meses a contar da data da expedição do alvará de construção emitido pela Prefeitura Municipal de Cascavel. DO PREÇO CLÁUSULA SÉTIMA: O preço ajustado para o presente contrato nesta data é de R$ 7.200.000,00 (Sete milhões e duzentos mil reais), sendo: 1 – O preço para execução do objeto previsto no item 1 (um) da clausula segunda, ou seja a ampliação para instalação das lojas Renner, será de R$ 4.500.000,00 (Quatro milhões e quinhentos mil reais), que serão pagos da seguinte forma: a) R$ 3.600.000,00 (Três milhões e seiscentos mil reais) que serão pagos no ato da assinatura do presente instrumento; b) R$ 900.000,00 (Novecentos mil reais) que serão pagos na data de inauguração das Lojas Renner, a qual esta prevista para 30 de Novembro de 2007. 2 – O preço para execução do objeto previsto no item 2 (dois) da cláusula segunda, ou seja a ampliação para mais um piso de garagem e a adaptação do atual G1 para mall, será de R$ 2.700.000,00 (Dois milhões e setecentos mil reais), que serão pagos da seguinte forma: a) R$ 540.000,00 (Quinhentos e quarenta mil reais), que serão pagos na data da expedição do alvará pela Prefeitura Municipal de Cascavel; b) R$ 2.160.000,00 (Dois milhões cento e sessenta mil reais) que serão pagos em dez parcelas mensais e consecutivas de R$ 216.000,00 (Duzentos e dezesseis mil reais), mais os acréscimos decorrentes da aplicação do indexador CUB, vencendo a primeira na data de inicio das obras (objeto item 2) e as demais no mesmo dia dos meses subseqüentes, tomandose por base o índice relativo ao mês de OUTUBRO/2007. 40. Além disso, a fiscalização apurou, mediante procedimentos de diligências junto à Prefeitura de Cascavel, que as obras foram finalizadas dentro do prazo previsto (fls. 203/204), e acrescentou notícia veiculada no Jornal do Paraná, com data de 29/11/2007, divulgando a inauguração das Lojas Renner do Cascavel JL Shopping de Cascavel (fl. 206). Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.843 43 41. Assim, devem ser tidas por impertinentes as comprovações (doc. n° 03) no sentido de que o alvará de construção para a obra do item 2 foi expedido apenas em 19/09/2011, bem como demais explicações daí decorrentes, já que as correspondentes obras não foram objeto de questionamento pela fiscalização. 42. Na seqüência, a reclamante pede que o valor de R$ 1.212.679,20, reduzido pela fiscalização do custo de aquisição do imóvel vendido (processo 10945.721261/201111) seja levado em consideração como despesa dedutível para apuração do IRPJ e da CSLL referentes à receita de R$ 4.500.000,00. Alega que um dos fundamentos apontados pela fiscalização, ao glosar os custos, seria que o contrato foi executado pela impugnante e não pela SCP. 43. Infelizmente, não há como acolher tal pleito. No lançamento a título de ganho de capital, constituída nos autos do já mencionado processo n° 10945.721261/201111, a fiscalização recalculou o ganho de capital obtido na alienação de 90% do mesmo imóvel cujo serviço de ampliação é objeto da omissão de receitas que está sendo apreciada no presente item. Ocorre que o fato de o contrato de ampliação ter sido executado pela Jota Ele, e não pela SCP, não foi fator fundamental na apuração do ganho de capital. Efetivamente, apesar de, no TVF daquele processo (fls. 195, parágrafo 37), a autoridade fiscal ter mencionado que a responsabilidade pela execução da obra ficava a cargo da Jota Ele, as glosas foram efetuadas sob motivação diversa. A fiscalização glosou: i) custos relativos a bens estranhos ao imóvel alienado (máquinas e equipamentos, móveis e utensílios, equipamentos de CPD, com respectivas depreciações); e ii) custos escriturados após a data de alienação do imóvel (13/11/2007). Em ambas as situações, não há como “aproveitar” o que foi glosado na contabilidade da SCP, como despesa/custo dedutível na apuração do lucro real da Jota Ele, como quer a impugnante. 44. A primeira glosa correspondeu à inclusão, na composição do custo do imóvel alienado, de valores referentes à baixa de 90% do valor contabilizado nas contas “1.4.2.1.0001 – máquinas e equipamentos” (R$ 35.175,15), “1.4.2.3.0001 – veículos” (R$ 5.400,00), “1.4.2.4.0001 – móveis e utensílios” (R$ 95.069,22) e “1.4.2.7.0001 – equipamentos de CPD” (R$ 26.167,80), deduzidas de suas respectivas depreciações. O motivo da glosa foi que tais custos são estranhos ao imóvel alienado. Por outro lado, se tais bens foram escriturados na contabilidade da SCP é porque pertencem ao ativo imobilizado dessa sociedade, e não da Jota Ele. Logo, é inviável a dedução desses custos na apuração do lucro do contribuinte, já que os bens sequer lhe pertencem. 45. A segunda glosa foi motivada pelo critério cronológico, ou seja, a fiscalização desconsiderou as despesas/custos que foram contraídos em data posterior à da alienação do imóvel (3/11/2007), levando em conta que, a partir dessa data, o bem saiu do ativo da SCP e ingressou no acervo patrimonial do adquirente do imóvel, no caso, a Send Empreendimentos e Participações Ltda. Durante o procedimento de fiscalização, os autuantes perceberam, mediante análise por amostragem das notas fiscais, que grande parte dos gastos foram destinados para outras obras que também estavam sendo executadas pela Jota Ele. Como exemplo, são mencionadas, no TVF do processo 10945.721261/201111 (fl. 196), notas fiscais de materiais utilizados no edifício Porto Genova, situado em CuritibaPR (fls. 103, 105, 107); no prédio do Tribunal de Contas de Pernambuco, em RecifePE (fls. 118, 126, 130, 131, 133 a 136, 138, 140, 142 e 144); em localizações fora do Paraná (fls. 96, 98, 99, 101); em CuritibaPR ou RecifePE (fls. 99, 102, 104, 144, 146, 148 e 150). Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.844 44 46. Diante disso, não há como aceitar que os citados custos/despesas glosadas possam ser deduzidos na apuração do lucro real da Jota Ele, supostamente decorrentes de gastos empreendidos na execução de obras de ampliação das Lojas Renner do Shopping de Cascavel. No caso, foram identificadas receitas auferidas pelo contribuinte, não oferecidas à tributação, em relação às quais a impugnante alega a existência de despesas incorridas na execução dessas obras, que deveriam ser deduzidas na apuração do lucro real. No entanto, conforme visto acima, não há segurança quanto à correspondência entre as despesas e a receita objeto da autuação. 47. Por todo o exposto julgo procedentes os lançamentos, inclusive para as contribuições do PIS, Cofins e CSLL, já que decorrem dos mesmos fatos analisados para o IRPJ. Irretocáveis, para o Colegiado, as razões de decidir declinadas na instância a quo, motivos pelos quais concluiuse pela procedência dos lançamentos tributários relativamente a esse item. II – Glosa de custos – item 002 Relativamente à glosa de custos, registra o pronunciamento feito pelo Ilustre Relator: Neste item da autuação impôsse glosa nos custos de várias obras executadas pela recorrente, sendo os fundamentos da Fiscalização, para impor a indedutibilidade das despesas os seguintes: i) a natureza do material/serviço discriminado na nota fiscal não seria compatível com a obra à qual o custo foi vinculado; ii) o local de entrega do material seria incompatível com a obra à qual o custo foi vinculado; iii) o endereço do fornecedor seria incompatível com a obra à qual o custo foi vinculado; iv) as notas fiscais foram emitidas posteriormente à data do “encerramento” da obra à qual o custo foi vinculado e; v) ausência de registro de pagamento das notas fiscais. Foi diante destas constatações, que a Fiscalização, com o ulterior respaldo da decisão recorrida, entendeu que consoante regra do artigo 407 do RIR/1999, o qual o resultado das obras deveria ser apurados por “centros de custos” – dessa forma, a indedutibilidade decorreria da não vinculação do custo à obra indicada ou da entrega em local diverso e por a fora. Esta foi a mesma sistemática utilizada pela Fiscalização no PA nº 10945.721137/201237, valendose da falta de correlação documental e até mesmo lógica, entre as despesas e a obra a qual foi atrelada, sem com isso, promoverse qualquer censura às despesas propriamente ditas. Ou seja, conquanto se tenha afirmado a necessidade de apuração do resultado por centro de custos, obra a obra, com vinculação correta do custo à obra, a Fiscalização e a decisão recorrida não se insurgiram contra os atributos ou condicionantes da dedutibilidade. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.845 45 Este ponto para mim é crucial, o lançamento, tal como realizado, muito embora sejam incontestáveis as incongruências apontadas, terminou por sancionar determinadas despesas sem nem mesmo alegar (comprovar muito menos) que a dita despesa não se revestia dos atributos para figurar como dedutível. Mas não é só, ao assim proceder quase a totalidade das despesas foram desconsideradas, mas desconsiderada não foi a contabilidade da empresa, tampouco sua tributação pelo lucro real, a revelar a inaceitável hipótese de tributação, nesta modalidade de apuração, sem as respectivas despesas, as quais, repito, não foram tidas como não usuais, não comprovadas, ou desnecessárias à manutenção da fonte produtiva, antes disso, foram desconsideradas ao fundamento de que não estariam, elas despesas, rigorosamente congruentes com a obra a qual foi formalmente indicada. Se é fato a premissa da decisão recorrida e da Fiscalização de que a despesa deve ser verificada à luz da receita que lhe é própria, também é fato que cumpria ao Fisco, em procedimento de glosa que lhe parecia necessário, ou julgar a escrituração da contribuinte imprestável e arbitrarlhe o lucro, ou demonstrar que as despesas eram em verdade indedutíveis à luz dos requisitos do artigo 299 do RIR/99, sob pena de terse, como se tem mesmo neste auto de infração, quase completa desconsideração das despesas sem a comprovação de serem elas indedutíveis. Assiste razão à contribuinte ao proclamar que a não imputação do custo a determinada obra poderia importar, quando muito, em sua desconsideração para os fins de apuração da proporção entre custos incorridos e os custos estimados, cujos efeitos deveriam ser a consideração daquela despesa para outra obra, já que não fora desqualificada como despesas dedutível. Tanto é improcedente a glosa, que a Fiscalização imputou multa qualificada, o que me parece outro indicativo de nulidade tratada no item I.1, fruto da pessoalidade na condução dos trabalhos, pois não me parece razoável que a contribuinte tenha perpetrado qualquer expediente com evidente intuito de fraude, dolo ou máfé, se as despesas deduzidas foram hígidas do ponto de vista dos atributos condicionantes. Assim verificado, torno a dizer que as glosas contidas neste tópico são rigorosamente improcedentes, provendo, neste item, o Recurso Voluntário. (GRIFEI) Penso que, primeiro, devese contextualizar a apuração da infração por parte da Fiscalização. Nesse sentido, tomando por base o Termo de Verificação Fiscal de fls. 999/1.037, temos que: i) a Recorrente foi intimada a apresentar comprovantes de custos de algumas obras por empreitada; ii) por meio da realização de diversas diligências, foram solicitadas aos contratantes dos serviços da Recorrente planilhas de medição, notas fiscais emitidas com base nas medições, informações acerca do início e conclusão das obras, cópia de contratos e aditivos, entre outros documentos; iii) as notas fiscais emitidas para as contratantes tiveram por base medição, conforme previsto em contrato, na qual foi levada em conta o material efetivamente aplicado em cada etapa; Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.846 46 iv) na verificação por amostragem promovida pela Fiscalização, foram utilizados os seguintes critérios, relativamente às notas fiscais de comprovação de custos: análise da natureza do material discriminado na nota; confronto com as informações contidas em planilhas de medição enviadas pelos contratantes; verificação do local da entrega do material; verificação do endereço do fornecedor (natureza do material vendido, existência de custos com fretes para o transporte da mercadoria até a obra para a qual o custo foi alocado, logística e viabilidade da operação). A análise empreendida pela Fiscalização permitiu constatar: notas fiscais com rasuras que, ao que tudo indica, objetivaram acobertar o verdadeiro destino do material; registro no rodapé da nota ou em seu próprio corpo, de local de entrega incompatível com o endereço da obra para a qual o custo foi alocado; notas fiscais emitidas após a data do encerramento total da obra (considerada como tal a data de recebimento final do contratante); notas fiscais para as quais não há registro de pagamento; ausência de registro da fiscalização estadual do ICMS, nos casos em que a remessa de materiais envolveu outros estados,. A título ilustrativo, cuidou a Fiscalização de juntar ao processo notas fiscais exemplificativas das irregularidades apuradas. Por oportuno, transcrevo a seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal: [...] A título de exemplo do item c, acima descrito, dentre as notas fiscais glosadas pelo fato do endereço do fornecedor estar incompatível com o local da obra (geralmente este motivo de glosa está associado a outro), citamos as notas fiscais emitidas pela empresa de revenda de materiais de construção “L.A.G. Materiais de Construção Ltda”, cujo nome de fantasia é CIMENTEL, com endereço na cidade de CascavelPR. A maioria das notas fiscais desta empresa referese a cimento, cal ou vergalhão. As notas fiscais de materiais desta empresa foram apresentadas como comprovantes de custos de várias obras situadas no Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Curitiba, sem, contudo, haver conhecimento de transporte que comprove a remessa/trânsito destes materiais. Até porque não faz sentido comprar cimento (sacas) de um comerciante varejista em Cascavel para remeter para outros Estados em face dos custos com fretes. Na contabilidade, todos os pagamentos efetuados para esta empresa são efetuados sem a emissão de cheques, ou seja, via “caixa”. Além disto, fizemos um levantamento da conta “fornecedores” desta empresa e localizamos várias notas fiscais emitidas em 2006 e 2007, não baixadas da conta “fornecedor”, ou seja, continuam com o débitos em aberto na contabilidade. Estas notas fiscais, para as quais não houve pagamento ou baixa na contabilidade estão demonstradas na planilha intitulada “LAG falta pagto nf 07” (fl. 538). Quanto a esse específico item, o ato decisório recorrido traz considerações acerca dos critérios adotados pela Fiscalização para promover as glosas e apreciação minuciosa dos argumentos e documentos trazidos em sede de defesa pela contribuinte. Penso que sejam merecedoras de destaque as seguintes conclusões estampadas no voto condutor da decisão de primeiro grau: Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.847 47 a) a alegação genérica e abstrata da contribuinte de que o fato de o fornecedor ter endereço incompatível com a localização não poderia justificar a glosa, desacompanhada de comprovação de que o material foi efetivamente empregado na obra apontada, não pode ser acolhida, vez que a Fiscalização produziu provas concretas demonstrando que determinadas notas fiscais não poderiam se referir a gastos contabilizados nas contas indicadas pela empresa; b) um custo ou uma despesa só pode ser deduzido se a correspondente receita fizer parte da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, de modo que, se determinado custo foi contabilizado em conta associada a determinada obra, mas, na verdade, foi utilizado em obra diversa, o Fisco está autorizado a glosálo, eis que o oferecimento à tributação da receita correspondente revelase incerto; c) considerada uma contabilidade complexa, com múltiplas contas de receitas, custos e despesas, não se mostra razoável exigir que a Fiscalização descubra o correto centro de custo, obrigação esta que deve ser atribuída à contribuinte; d) o Fisco, diante de custo não aplicado à determinada obra, está autorizado a efetuar a glosa, desde que produza provas da falta de utilização na obra, já que este ônus lhe pertence; e) se o contribuinte alega que determinado custo engloba o custo total da pessoa jurídica, e nessa condição, seria dedutível na apuração do lucro real, ele deve provar sua alegação, nos termos do art. 333 do CPC, isto é, cabelhe o ônus de provar que as receitas da verdadeira obra em que o houve o dispêndio foi oferecida à tributação. Cabe destacar que, orientada por tais argumentos, integralmente acolhidos pelo Colegiado de segunda instância, a Turma Julgadora de primeiro grau acolheu alegações da Recorrente quando ela efetivamente produziu prova de que, embora o custo de determinada obra tenha sido registrado em conta diversa, a receita correspondente compôs o resultado tributável. Para determinadas glosas (“Infraero contrato TC 021EG/2005/0057”, “Infraero contrato TC 022EG/2005/0057”, “Construção do Fórum Pelotas – RS” e “Construção do Fórum Novo Hamburgo – RS), a autoridade fiscal aplicou multa qualificada. Referida qualificação teve por suporte a constatação de que a fiscalizada atribuiu custos às referidas obras que, comprovadamente, não foram nelas empregados. Ademais, restou detectado também registro de custos após o encerramento da obra. No caso, não se trata, à evidência, de simples erro contábil, como bem assegurou o ato decisório recorrido, mas, sim, de intenção deliberada de reduzir a incidência tributária, eis que a prática revelouse reiterada e por longo período de tempo. Acompanhando o decidido em primeira instância, o Colegiado pronunciou se, no que tange à exasperação da penalidade, pelo não acolhimento da alegação de falta de motivação na aplicação da sanção e pela improcedência da aplicação da súmula CARF Nº 14 e das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional. Pelas razões expostas, concluiu este Colegiado que o decidido em primeira instância não é digno de reparo. Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.848 48 Redução indevida do lucro real – inexatidão na apuração das receitas provenientes de contratos de longa duração O entendimento do Ilustre Relator resta refletido no seguinte pronunciamento: Temse neste derradeiro item do auto de infração imputação segundo a qual, com base no artigo 273, inciso I, do RIR/99, teria a recorrente reduzido indevidamente o lucro real, em vista de inexatidão na apuração das receitas provenientes de diversos contratos de construção de longa duração. Extraise dos autos que a Fiscalização apoiouse em duas premissas para tais conclusões: i) o termo final para o reconhecimento de receitas diferidas com base no artigo 407 do RIR/99 seria o momento da entrega da obra; ii) a verificada inexatidão configuraria hipótese de redução indevida do lucro real, na medida em que tais receitas não reconhecidas no período de competência não teriam sido oferecidas à tributação. A contribuinte por sua vez, argumenta que a metodologia utilizada pela fiscalização para apurar as referidas inexatidões não encontra amparo na legislação de regência e nem mesmo as imputações fáticas seriam condizentes com a realidade dos contratos em questão. Entendo que igualmente neste item o auto de infração é improcedente. Como já destacado neste processo a Fiscalização reputou que as receitas provenientes dos contratos “Infraero TC021”, “Infraero TC022”, “Infraero TC 0002 Viracopos” e “Fórum Novo Hamburgo” deveriam ser oferecidas à tributação, no máximo, até a data estipulada contratualmente para entrega da obra, isto é, 20/09/2006, 11/08/2006, 01/12/2006 e 24/08/2006, respectivamente, daí porque adicionouse ao lucro real da Recorrente relativo ao anocalendário 2006 todo o saldo credor das contas passivas de REF relativas a tais contratos acumulado em 31/12/2006, a despeito de terem sido tributadas em exercícios posteriores. A Recorrente elaborou tabela que bem expressa os fatos sucedidos: Aliás, que as receitas foram reconhecidas posteriormente é fato que nem mesmo a Fiscalização desconheceu (vide fl. 1.009), contudo, a improcedência do auto de infração já se evidencia ao verificarse que a fiscalização limitouse a adicionar o montante de R$ 4.686.379,84 no lucro real do anocalendário de 2006, sem realizar os correspondentes ajustes no lucro real apurado nos anoscalendário em que as receitas foram efetivamente tributadas (2007 e 2008). Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.849 49 Tal fato diz com a própria higidez da autuação, porquanto não me parece razoável supor que se lavre auto de infração por verificada inexatidão (não omissão pura e simples) no oferecimento de receitas à tributação sem considerarse a adição das receitas ao lucro real do período de competência e sua respectiva exclusão do lucro real do período ao qual foram adicionadas indevidamente, eis que não se pode conceber mesmo, como deuse no caso da recorrente, que haja correção somente na apuração do período de competência, como pretendeu a Autoridade Autuante. Ao abordar o tema a recorrente bem evidenciou que a Autoridade Autuante deixou de excluir do total de infrações apuradas com relação ao anocalendário 2007 (R$ 7.317.741,47) o valor de R$ 3.475.921,05, correspondente ao somatório das receitas devidamente declaradas pela empresa no anocalendário 2007 e que foram antecipadas para o anocalendário 2006, o que por si só, ao meu sentir, já invalida o auto de infração neste item. Não bastasse isso, me parece igualmente desacertado o entendimento da Fiscalização de que o termo final do diferimento das receitas seria a entrega formal (contratual) da obra ao tomador da empreitada. Novamente a postulação da recorrente me parece correta, eis que a legislação elenca dois marcos com base nos quais a receita diferida será oferecida à tributação, cuja escolha cabe mesmo ao contribuinte, sendo certo que nestes critérios não vejo a entrega formal da obra como marco definitivo, mormente ao se constatar que o fato de as obras serem “formalmente” entregues, raramente encerra as atividades da empreiteira nos ajustes e manutenções demandados pelo tomador da empreitada, tampouco faz com que cessem os custos decorrentes da obra. Sendo assim, entendo improcedentes as imputações e voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. No presente caso, a Fiscalização constatou que a Recorrente, na apuração do resultado correspondente aos contratos de longo prazo, regida pelo art. 407 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), utilizou o critério do laudo técnico para emitir as notas fiscais e o do custo incorrido/custo total para reconhecer contabilmente as receitas. Embora tenha entendido como pouco adequada a metodologia empregada, a Fiscalização acatou a diversidade de critérios. Respeitando a opção da Recorrente, a Fiscalização concluiu que, no máximo até a data da conclusão da obra, a diferença entre o preço global contratado para determinada obra, já faturado, e a receita apropriada contabilmente até a data do encerramento da obra, deveria ser reconhecida. Entretanto, o que restou constatado foi a contabilização de parte das receitas em anos calendário posteriores ao encerramento das respectivas obras. Assim, para os casos em que efetivamente foi identificado pagamento de imposto, a autoridade fiscal autuou a contribuinte por postergação do pagamento do imposto, e, para os casos em que não foi detectado pagamento, a tributação foi feita a título de redução indevida do lucro. Em sede de julgamento de primeira instância a imputação da infração foi mantida por entender a Turma Julgadora que, nos autos, existe farta documentação que efetivamente atestam que a Recorrente reduziu indevidamente o lucro real do período de 2006, mediante o procedimento de manter, em conta de Resultado de Exercícios Futuros, valores referentes a receitas correspondentes a obras já encerradas antes de 31 de dezembro de 2006. Apreciando os argumentos trazidos por meio da peça impugnatória, assinala a decisão a quo: Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.850 50 [...] 59. Na peça impugnatória, a interessada alega que, para as quatro obras de construção por empreitada de longo prazo, teria incorrido em diversos ônus, despesas, custos, após o anocalendário 2006, o que autorizaria o diferimento das respectivas receitas, nos termos do artigo 407 do RIR/99. Para ilustrar, menciona a planilha elaborada pela fiscalização às fls. 365, relativa à obra "Infraero contrato TC 022EG/2005/0057", onde constam custos escriturados de R$ 830.062,90 escriturados em 2007. Com relação a esta obra, a impugnante acrescenta que sua responsabilidade por tais ônus está expressa no próprio termo de recebimento definitivo da referida obra (fl. 409 item 10). 60. As alegações não convencem. O registro do custo em 2007 não serve como argumento, já que ele foi glosado pela fiscalização, justamente por ter sido escriturado após a entrega da obra, conforme será apreciado no próximo item. Quanto à citada cláusula contida no termo de recebimento, examinemos seu teor: Conforme preceitua o Item 11.1, Letra C do Contrato, considerando a conclusão da instalação dos elevadores e a entrega dos documentos de projeto e manuais técnicos e do termo de compromisso de manutenção preventiva / corretiva gratuita durante a vigência da garantia, a Comissão de Fiscalização, em comum acordo com o Representante da Contratada, considera os quatro elevadores integrantes do escopo do contrato entregues e recebidos, sem prejuízo a quaisquer discrepâncias que porventura venham, futuramente, a ser constatadas pela Comissão de Recebimento Definitivo, ainda a ser designada, cuja solução caberá à Contratada, sem quaisquer ônus à INFRAERO. (grifos originais) 61. Verificase, por simples leitura, que a cláusula acima transcrita representa uma espécie de ressalva ou garantia do bom funcionamento da obra que frisese foi entregue em 13/08/2006, conforme expresso no mesmo documento. No caso, o contribuinte, ao optar pelo critério da proporção de custos na apuração das receitas, ao final do ano calendário 2006, acabou por reconhecer receitas de apenas R$ 556.698,84, diante de um total de notas fiscais faturadas de R$ 1.625.387,31, já que o saldo da respectiva conta de REF (Resultado de Exercícios Futuros) correspondia àquela diferença (R$ 1.065.204,46), montante este que equivale a 65,5% do total. Esses lançamentos contábeis elaborados pela fiscalizada sugerem que os custos incorridos após 31/12/2006 representariam aproximadamente dois terços do custo total, o que é totalmente incompatível com o usual. Ora, gastos com garantia e/ou reparação são, pela própria natureza, eventuais, sendo totalmente inverossímil a alegação de custos ou despesas de valores tão elevados que justificassem o diferimento das receitas. 62. A interessada acrescenta que a questão dos dispêndios também ocorreu nas demais obras, conforme planilhas anexadas (doc. n° 04), cuja elaboração seguiu as regras da Instrução Normativa SRF n° 21/1979, citada pela autoridade lançadora, sendo que os documentos comprobatórios das respectivas despesas foram analisados por ela. A questão dos custos escriturados após as datas de entrega das obras serão melhor apreciadas no próximo item, referente à infração de glosa de custos. 63. Tampouco socorre à litigante a alusão ao caso emblemático do TJ/RS, que solicitou à Jota Ele que solucionasse 36 (trinta e seis) pendências após a conclusão da obra, conforme documento de fls. 518/519. Tratase de “Termo de Recebimento Provisório”, datado de 23/02/2006, emitido pelo representante do referido órgão judiciário, em que, de fato, consta uma relação de 36 pendências. Entretanto, no “Termo de Recebimento Definitivo”, à fl. 520, o contratante declara que “foram atendidas todas as pendências e complementações apontadas no Termo de Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.851 51 Recebimento Provisório”. Como esse termo foi emitido em 24/08/2006, ele não serve para sustentar a tese de ocorrência de elevados gastos posteriormente à entrega da obra. 64. Ainda com relação à obra "Fórum de Novo Hamburgo", a impugnante cita resposta do TJRS (Ofício n° 293/2011DIR/DESPESA), para concluir que sempre são realizados serviços após a conclusão das obras, gerando custos. Reclama ainda que a autoridade lançadora, caso tivesse levado em consideração a data de conclusão da obra (26/12/2005), deveria lançar os tributos em 2005. Foi destacado o seguinte trecho do Ofício: 3. No ano de 2006, foram emitidas duas notas fiscais, fls.0708, porém a execução dos serviços foi no ano de 2005. 4. Não dispomos de planilha de matérias aplicados no anocalendário de 2006, pois a obra encerrou em 2005. Em 2006 foram executadas correções para o Recebimento, não há acompanhamento do material utilizado neste caso. 5. A obra foi concluída em 26/12/2005. O Recebimento Provisório só se deu em 23 de fevereiro de 2006 devido a relação de serviços que deveriam ser corrigidos. Cópias dos Recebimentos a fls. 1011. Também foram realizados serviços de garantia após o ano de 2006, também não dispomos da relação de materiais, não houve desembolso deste Tribunal. 65. Ainda que o contratante tenha afirmado que a obra foi concluída em 26/12/2005, a fiscalização optou por considerála encerrada em 2006. Entendo que nenhuma irregularidade existe nessa decisão. Primeiro, porque no próprio Ofício n° 293/2011, à fl. 432, o TJ/RS afirma o encaminhamento de cópia das notas fiscais números 669, 670, 671 e 674, emitidas em janeiro de 2006. Segundo, porque, conforme explicado anteriormente, houve pendências que foram regularizadas entre as datas do recebimento provisório e definitivo, ou seja, entre 23/02/2006 e 24/08/2006. Além disso, ainda que se entenda que o encerramento tivesse ocorrido em 2005, a circunstância de a fiscalização ter apurado a infração para o ano de 2006 foi favorável ao contribuinte, de sorte que, quanto a esta reclamação, falta o requisito do interesse processual no pedido, que, a rigor, sequer mereceria ser conhecido. 66. Relativamente às obras "Infraero contrato TC 0002/2006 Viracopos" e "Fórum de Novo Hamburgo", a litigante argumenta que, ao final do anocalendário 2006, não havia recebido, do total faturado, as importâncias de R$ 53.456,24 e de R$ 80.338,38, respectivamente, conforme planilhas anexadas (doc. n° 05), e pede que tais quantias sejam excluídas da exigência, de acordo com o artigo 409 do RIR/99. À fl. 1140, o contribuinte juntou planilha de controle de recebimentos confrontado com o valor do contrato, da primeira obra citada, em que se verifica que o saldo de R$ 53.456,24 só foi recebido em 02/01/2007. Na outra planilha (fls. 1141/1142), da segunda obra, o último lançamento data de 07/04/2006, quando constava o saldo de R$ 80.338,38. O pedido de exclusão desses valores não procede, já que, em se tratando de regime de competência, o que importa é a data da operação, sendo irrelevante o momento do efetivo recebimento. Conforme demonstrativo de fl. 422, a data da última nota fiscal emitida para os serviços do aeroporto de Viracopos é de 13/12/2006, e as últimas notas fiscais relativas à obra do Fórum de Novo Hamburgo datam de janeiro de 2006, conforme mencionado anteriormente. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.852 52 67. Por todo o exposto, reputo procedentes os lançamentos do IRPJ atinentes à redução indevida do lucro real, para o ano calendário 2006, cujos fundamentos se estendem às exigências da CSLL, já que são oriundas dos mesmos fatos. Verificase, pois, a partir do pronunciamento esposado em primeira instância, que a alegação declinada pelo Ilustre Conselheiro Relator no sentido de que a autoridade fiscal limitouse a adicionar o montante apurado ao lucro real, sem realizar os ajustes nos anos em que as receitas foram tributadas, não encontra respaldo nos autos. Cumpre observar que, tratandose de inexatidão quanto ao período de escrituração de receita, em conformidade com mansa e pacífica jurisprudência desta instância julgadora, só se pode falar em postergação do pagamento do imposto na circunstância em que efetivamente o imposto que deixou de ser pago em determinado período o foi em período posterior. Como anotado anteriormente, “para os casos em que efetivamente foi identificado pagamento de imposto, a autoridade fiscal autuou a contribuinte por postergação do pagamento do imposto, e, para os casos em que não foi detectado pagamento, a tributação foi feita a título de redução indevida do lucro”, ou seja, atuou a referida autoridade em perfeita sintonia com o entendimento consagrado pela jurisprudência administrativa. No que tange ao fato de a autoridade autuante não ter excluído, do total de infrações apuradas com relação ao anocalendário 2007 (R$ 7.317.741,47), o valor de R$ 3.475.921,05, correspondente ao somatório das receitas devidamente declaradas pela empresa no anocalendário 2007 e que foram antecipadas para o anocalendário 2006, a questão não passou despercebida pela autoridade julgadora de primeira instância. Com efeito, o ato decisório recorrido assinala: [...] 68. O contribuinte tem razão, entretanto, quanto à reclamação de erro cometido na apuração do lucro real de 2007, pela fiscalização, que deixou de excluir do total das infrações apuradas (R$ 7.317.741,47) o valor de R$ 3.475.921,05, que corresponde ao somatório das receitas devidamente declaradas pela empresa no ano calendário 2007 e que foram antecipadas para o anocalendário 2006. De fato, conforme descrito pela fiscalização no TVF, à fl. 1009, em 2007 houve receitas reconhecidas totalizando R$ 3.475.921,05, que compuseram a base da inexatidão na apuração, adicionada em 2006. No entanto, conforme o item 5 do TFV (fl. 1036), na apuração do prejuízo fiscal de 2007, que resultou em R$ 2.195.322,44, o lucro líquido não foi ajustado pelas receitas indevidamente reconhecidas pelo contribuinte em 2007 e que foram adicionadas pela fiscalização em 2006. Essa correção é feita na presente decisão, e demonstrada ao final do voto, no item “Valores mantidos”. ... Valores mantidos ... 164. Na seqüência, têmse os demonstrativos para o ano 2007, devendo ser observado que a fiscalização incorreu em duplo erro material ao calcular a base de cálculo para a compensação de períodos anteriores. Conforme já explanado ao final do item “Mérito. Redução indevida do lucro real. Ano calendário 2006”, a Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.853 53 fiscalização deixou de excluir, do total das infrações apuradas (R$ 7.317.741,47), o valor de R$ 3.475.921,05, que corresponde ao somatório das receitas devidamente declaradas pela empresa no ano calendário 2007 e que foram antecipadas para o ano calendário 2006. Além disso, ao calcular o limite de 30% de compensação de períodos anteriores, no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 1036, o autuante considerou somente os valores das infrações apuradas, tendo chegado a um valor compensável de R$ 2.195.322,44, conforme detalhado na Tabela 6 abaixo. No caso, o cálculo deveria partir do “lucro líquido antes do IRPJ”, e considerar as adições e exclusões efetuadas pelo contribuinte em sua DIPJ/2008, da mesma forma como a compensação foi calculada para o ano de 2006. Esse lapso resultou num valor compensável superior ao devido, sendo que o erro se propagou na apuração do imposto devido, de forma favorável ao contribuinte, já que houve compensação a maior, e, conseqüentemente, o IRPJ foi apurado a menor. 165. A disparidade foi a tal ponto que, mesmo cancelando parte das glosas efetuadas pela fiscalização, o IRPJ apurado, partindose do cálculo correto da compensação, acabou sendo superior ao IRPJ exigido no auto de infração, conforme detalhado na Tabela 7. Dessa forma, levando em conta o princípio que veda a reformatio in pejus, o IRPJ mantido no presente acórdão será igual ao exigido no lançamento, para o ano de 2007. As mesmas inconsistências ocorreram na apuração da CSLL. Em sede de recurso, a contribuinte, tecendo considerações acerca dos procedimentos acima referenciados, afirma que a autoridade julgadora de primeira instância, embora tenha acolhido a sua arguição sobre a ausência de exclusão do montante de R$ 3.475.921,05, agravou a exigência. A alegação acima repousa no fato de ter sido constatado, em sede de julgamento de primeira instância, que a Fiscalização aplicou o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas levando em conta apenas as infrações apuradas. Ao refazer as bases de cálculo, inclusive com a desconsideração das receitas no montante de R$ 3.475.921,05, o resultado revelouse maior do que o apurado pela Fiscalização. Não obstante, conforme demonstra a transcrição do voto condutor da decisão combatida, não houve agravamento da exigência, eis que ela, a exigência, foi mantida no mesmo nível em que foi formalizada pela autoridade fiscal. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Redator Designado Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 10945.721263/201119 Acórdão n.º 1301001.379 S1C3T1 Fl. 1.854 54 Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Numero do processo: 15374.907215/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
DIREITO CREDITÓRIO. JULGAMENTO CONJUNTO. NECESSIDADE.
Tratando os autos de pedido de compensação envolvendo saldo negativo que encontra-se sendo analisado em outro feito administrativo, a reunião dos processos é medida que se impõe, especialmente na circunstância em que o primeiro dos processos sequer foi julgado em primeira instância e o segundo não teve o mérito apreciado.
Numero da decisão: 1301-001.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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JULGAMENTO CONJUNTO. NECESSIDADE. Tratando os autos de pedido de compensação envolvendo saldo negativo que encontrase sendo analisado em outro feito administrativo, a reunião dos processos é medida que se impõe, especialmente na circunstância em que o primeiro dos processos sequer foi julgado em primeira instância e o segundo não teve o mérito apreciado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 72 15 /2 00 8- 48 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 707 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 708 3 Relatório Sirvome do relatório constante da decisão de primeiro grau para retratar os fatos e as razões de defesa inicialmente trazidas pela contribuinte. Trata este processo da DCOMP nº 40509.30759.260906.1.7.024072. Por meio da Decisão DIORTDEMAC/RJO nº 144/2011 (fls. 406/408), que foi elaborada em face da declaração de nulidade do Despacho Decisório 775.529.405 (fl. 12) pelo Acórdão DRJ/RJ1 nº 1228.024 (fls. 278/280), o direito creditório pleiteado (no valor de R$142.338,27), referente a saldo remanescente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000, não foi reconhecido e não foi homologada a compensação. A DEMAC aponta, em suma, as seguintes razões: o crédito referente a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000 já foi analisado nos autos do processo nº 13706.003003/200199 (Parecer Conclusivo DIORTDEMAC/RJO nº 279/2009, cópia às fls. 341/395), sendo parcialmente reconhecido (foi convalidada a restituição do montante de R$23.428.549,79 e mantida a cobrança da parcela indevidamente restituída de R$3.467.223,50, tendo em vista ter sido restituído o valor de R$26.895.773,29); após, houve revisão da decisão pelo Parecer Conclusivo nº 094/2010, cópia às fls. 400/403 – contudo, em relação ao saldo negativo do ano calendário de 2000 não houve alteração, sendo confirmado o direito creditório reconhecido no valor de R$23.428.549,79; logo, a DCOMP nº 40509.30759.260906.1.7.024072 será considerada não homologada, tendo em vista que inexiste crédito remanescente. O interessado foi cientificado em 09/09/2011 (fl. 411) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 412/424), em 07/10/2011, alegando, em síntese, que: apurou saldo negativo de IRPJ, no ano calendário de 2000, no montante de R$27.038.111,56; apresentou pedido de restituição de parte do referido saldo negativo, no montante de R$26.895.773,29; a parte remanescente do saldo negativo, que não havia sido pleiteada no pedido de restituição, no valor histórico de R$142.338,27, foi utilizada na DCOMP nº 40509.30759.260906.1.7.024072; esta parcela decorre de IRRF por Telecine Programação de Filmes Ltda. sobre pagamentos efetuados à título de Juros sobre Capital Próprio, como segue (doc. 4); enquanto aguardava a apreciação do pedido de restituição constante do processo nº 13706.003003/200199, apresentou diversos pedidos de compensação; contra a decisão proferida no processo nº 13706.003003/200199, apresentou manifestação de inconformidade, que está pendente de julgamento (doc. 7); Fl. 708DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 709 4 a Decisão DIORTDEMAC/RJO nº 144/2011, que se baseou na proferida no processo nº 13706.003003/200199, está equivocada, pois o crédito adicional requerido na DCOMP nº 40509.30759.260906.1.7.024072 não havia sido pleiteado no outro processo e sequer foi examinado naqueles autos. Encerra solicitando seja reconhecido o direito creditório adicional do ano calendário de 2000, independentemente do desfecho do processo nº 13706.003003/200199 (mas, caso se entenda que o crédito não pode ser deferido em face da decisão proferida naqueles autos, o que se admite apenas para argumentar, requer o julgamento em conjunto). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1241.594, de 20 de outubro de 2011, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito creditório oriundo de saldo negativo constitui uma grandeza uma e, sendo objeto de análise em outro processo, só pode ser discutido na via recursal daquele processo. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 656/675, por meio do qual, historiando fatos relacionados a compensações promovidas e apreciadas em outros processos administrativos, bem como os termos da decisão proferida em primeira instância, sustenta: que, no que se refere à alegada preclusão consumativa do direito de ela apresentar motivos e fatos relativos a crédito do anocalendário de 2000, o entendimento do ato recorrido é totalmente equivocado e contrário ao adotado reiteradamente pelo CARF e pelo antigo Conselho de Contribuintes, que admitem ser possível, por aplicação do princípio da verdade material, a apresentação de novos fatos e provas apresentadas pelos contribuintes em momentos diversos no curso do processo administrativo; que, na medida em que anexou aos autos provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado, bem como demonstrou que o citado crédito não foi pleiteado no processo administrativo nº 13706.003003/200199, ele deve, em observância ao princípio da verdade material e da economia processual, ser agora analisado, sendo descabida a alegação de ter havido a preclusão consumativa do seu direito; que a apreciação extemporânea dos documentos que comprovam o crédito adicional de R$ 142.338,27 ainda mais se justifica pelo fato de que a sua não apresentação nos autos do processo administrativo nº 13706.003003/200199, foi motivada pela boa fé de sua parte, vez que não queria que o referido crédito, já pleiteado no presente processo e ainda pendente de análise, produzisse efeito também naquele outro processo; que, muito embora o saldo negativo de 2000 tenha sido objeto do processo administrativo nº 13706.002249/200224, apenso ao de nº 13706.003003/200199, o crédito nele pleiteado é inferior ao seu montante total, já que a parcela de R$ 142.338,27 é requerida no presente processo e não naquele, sendo, assim, muito mais razoável que a análise da efetividade do imposto retido na fonte de R$ 142.338,27, que dá origem à parcela do saldo Fl. 709DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 710 5 negativo de 2000 em discussão no presente processo, seja feita nos presentes autos, e não no processo nº 13706.003003/200199; que, caso a análise do crédito adicional (R$ 142.338,27) seja efetuada no processo nº 13706.003003/200199, a análise da compensação objeto do presente processo teria de ser sobrestada até que proferida decisão administrativa final naquele processo, já que, na hipótese de a argumentação expendida por ela na defesa lá apresentada vier a ser acolhida, o crédito apurado a seu favor corresponderia à totalidade do saldo negativo de 2000 (R$ 27.038.111,56), e, portanto, suficiente não só para respaldar a totalidade da restituição efetuada em seu favor, mas também para lastrear a compensação tratada no presente processo; que, além disso, deve ser ressaltado que o crédito de R$ 142.338,27 não foi examinado pelo Parecer Conclusivo nº 279/2009, que serviu de suporte para o Despacho Decisório comum aos processos nºs 13706.002249/200224 e 13706.003003/200199, nem invocado na manifestação de inconformidade apresentada naquele processo, de modo que a análise do citado crédito no processo nº 13706.003003/200199 teria de ser feita já em sede recursal, com a supressão de uma instância julgadora; que, caso o crédito de R$ 142.338,27 seja analisado no presente processo, a homologação da compensação não precisaria aguardar o encerramento do processo nº 13706.003003/200199, e isso não geraria qualquer prejuízo ao Fisco, haja vista que: a) na hipótese de ser dado provimento à manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 13706.003003/200199, o único efeito seria a validação da restituição já efetuada, no valor de R$ 26.895.773,29, já que nenhum outro crédito foi pleiteado naquele processo; e b) na hipótese de ser negado provimento à manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 13706.003003/200199, os cofres públicos não seriam prejudicados, já que seria mantida a cobrança de R$ 3.467.223,50, já formalizada por meio do processo nº 15374.002309/200748; que, caso prevaleça o entendimento de que o crédito de R$ 142.338,27 deve ser analisado no processo nº 13706.003003/200199, requer a reunião dos processos e o seu julgamento conjunto ou, ainda, o sobrestamento do julgamento do presente processo até que o daquele ocorra. É o Relatório. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 711 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de compensação tributária, em que o crédito indicado para o encontro de contas diz respeito a suposto saldo remanescente de SALDO NEGATIVO de IRPJ do ano calendário 2000. Descrevo, a seguir, em ordem cronológica, os fatos retratados nos autos. Em 26 de setembro de 2006, a contribuinte apresentou PER/DCOMP, na qual aponta SALDO NEGATIVO de IRPJ do ano de 2000 no montante de R$ 27.038.111,56, e indica crédito, para fins de compensação, no valor de R$ 142.338,27 (fls. 02/09). Em 18 de julho de 2008, por meio de Despacho Decisório (eletrônico), a Delegacia de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO) deixa de homologar a compensação pleiteada com fundamento na constatação de divergência entre informação contida na DIPJ e a registrada na Declaração de Compensação (fls. 10). Em 29 de agosto de 2008, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14). Em 07 de janeiro de 2010, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº 1228.024 (fls. 262/264), decreta a nulidade do Despacho Decisório emitido pela Derat/RJO. Em 26 de agosto de 2011, a Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO), por meio de novo Despacho Decisório, deixa de homologar a compensação pleiteada pela contribuinte, amparandose, para tal, no Parecer Conclusivo nº 144/2011 (fls. 363/364), que consigna, in verbis: [...] Em que pese o contribuinte não ter informado na DCOMP em comento no campo "Crédito Saldo Negativo de IRPJ" a existência de processo administrativo anterior, o crédito referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 já foi analisado nos autos do processo administrativo n° 13706.003003/200199 (Parecer Conclusivo n° 279/2009 DIORT/DERAT/RJO, cópias de fls. 325/352), sendo confirmado parcialmente a restituição do saldo negativo de 2000, no valor de R$ 23.428.549,79 (direito creditório reconhecido), mantendo a cobrança, formalizada no processo administrativo n° 15374.002309/200748, da parcela indevidamente restituída de R$ 3.467.223.50, tendo em vista que já tinha sido restituído um total de R$ 26.895.773.29. Após, esta DIORT/DEMACRJO, em procedimentos internos vinculados ao processo administrativo n° 13706.003003/200199, constatou a existência de divergências entre a fundamentação e as conclusões do Parecer Conclusivo n° Fl. 711DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 712 7 279/2009 da DIORT/DERATRJO, razão pela qual foi realizada revisão da referida decisão através do Parecer Conclusivo n° 094/2010, cópias de fls. 357/362. Contudo, em relação ao saldo negativo do anocalendário 2000, não houve alteração sendo confirmado o direito creditório reconhecido no valor de R$ 23.428.549.79, conforme o demonstrativo de Direito Creditório abaixo: ... Logo, a DCOMP n° 40509.30759.260906.1.7.024072 será considerada NÃO HOMOLOGADA, tendo em vista que inexiste crédito remanescente para a compensação da DCOMP em questão e que a mesma foi formalizada em 26/09/06, data esta anterior às decisões administrativas do processo n° 13706.003003/200199. Em 07 de outubro de 2011, a contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade (fls. 412/4241). Em 20 de outubro de 2011, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº 1241.594 (fls. 644/647) “nega provimento” à Manifestação de Inconformidade com base nos seguintes fundamentos: i) ausência de amparo legal para que se possa acolher a pretensão da contribuinte de considerar o valor de R$ 142.338,27 como parte não integrante do saldo negativo pleiteado anteriormente, e, por decorrência, de que seja promovida a sua análise de forma independente; ii) diante do exposto no item anterior, o crédito apontado no presente processo é o mesmo que já foi analisado no processo administrativo nº 13706.003003/200199, motivo pelo qual não cabe qualquer julgamento a seu respeito, visto ter ocorrido a preclusão consumativa quanto ao direito de o interessado apresentar fatos e motivos a ele concernentes. O que temos, em resumo, é que, a partir de pedido de compensação formalizado em 15 de outubro de 2001, foi procedida a análise do saldo negativo do ano calendário de 2000 por meio do processo administrativo nº 13706.003003/200199, tendo a unidade administrativa responsável pelo procedimento concluído que, no referido o ano, o citado saldo foi de R$ 23.428.549,79, e, na medida em que já teria sido restituído à contribuinte o montante de R$ 26.895.773,29, revelouse indevida a restituição de R$ 3.467.223,50. Não obstante a existência de processo no qual encontrase sendo apreciado o efetivo saldo negativo do ano calendário de 2000 (processo administrativo nº 13706.003003/200199), em 26 de setembro de 2006, por meio do presente processo, a Recorrente apresentou PER/DCOMP, fazendo referência ao mesmo saldo negativo de 2000, com o intuito de aproveitar crédito no valor de R$ 142.338,27. A pretensão primeira da Recorrente é ver apreciado no presente processo o direito creditório de R$ 142.338,28, pois, segundo alega, tal montante não foi pleiteado no processo administrativo nº 13706.003003/200199. É certo que tal pretensão não pode ser acolhida, vez que, ainda que o crédito em referência não tenha sido requerido nos autos do processo administrativo nº 1 Numeração do arquivo digitalizado. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 713 8 13706.003003/200199, me parece fora de dúvida que a integralidade do saldo negativo do ano calendário de 2000 foi apreciada no citado processo. Na linha do argumentado na instância a quo, independentemente de quantas sejam as compensações requeridas e de quais sejam os valores envolvidos, a análise de direito creditório representado por saldo negativo, uma vez empreendida em relação a qualquer das compensações pleiteadas, deve repercutir em todos os demais pedidos, ainda que tais pedidos estejam sendo objeto de análise em processos administrativos distintos. Não é por outra razão que, no âmbito deste Colegiado, predomina a decisão de que, em circunstâncias como a versada nos presentes autos, os pedidos devem ser reunidos para que possam ser apreciados de forma conjunta. Embora me alinhe ao entendimento esposado na decisão recorrida no sentido de que o direito creditório espelhado no presente processo (saldo negativo do ano calendário de 2000) constitui uma “grandeza una”, não cabendo, assim, o seu desmembramento em múltiplas apreciações, penso, em homenagem ao princípio da verdade material, que, na medida em que não existe decisão definitiva acerca do efetivo montante do saldo negativo em referência, deve ser acolhida a pretensão segunda da Recorrente, qual seja, a de que o julgamento da controvérsia instaurada no presente processo seja promovido em conjunto com a constante do processo administrativo nº 13706.003003/200199, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Nesse diapasão, penso ser relevante a informação consignada no Parecer Conclusivo nº 144/2011 de que a PER/DCOMP apreciada por meio do presente processo foi apresentada antes de qualquer decisão acerca das analisadas no processo nº 13706.003003/200199. Supero, com isso, a alegação da ocorrência de preclusão consumativa sustentada no ato decisório recorrido, para, privilegiando a verdade material, alinharme à orientação jurisprudencial predominante neste Colegiado no sentido de que, tratandose de atos não definitivamente julgados administrativamente que tenham por objeto o mesmo direito creditório, os processos administrativos correspondentes devem ser juntados para fins de apreciação conjunta. Registro que no Despacho Decisório de fls. 365, emitido pela Demac/RJO em 26 de agosto de 2011, consta a informação de que o processo administrativo nº 13706.003003/200199 encontravase pendente de julgamento em primeira instância, circunstância que de acordo com sistema de controle processos do Ministério da Fazenda (COMPROT) ainda permanece, eis que nele há registro de que o processo em questão foi movimentado para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora em 26 de setembro de 2014. Em vista do exposto, conduzo meu voto no sentido de decretar a NULIDADE da decisão de primeira instância, de modo que o pedido de compensação de que trata o presente processo seja julgado conjuntamente com os constantes do de nº 13706.003.003/2001 99. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 713DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 15374.907215/200848 Acórdão n.º 1301001.712 S1C3T1 Fl. 714 9 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 08/1 2/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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