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Numero do processo: 11516.722397/2019-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM INDIVIDUALIZADA. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Caracteriza-se omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira em relação aos quais, devidamente intimado, o sujeito passivo não comprove sua origem mediante documentação hábil e idônea. É ônus do contribuinte comprovar de forma individualizada a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, de modo a permitir a identificação da fonte e da causa que lhe deu origem, sendo inaceitável alegações genéricas que não permitam fazer minimamente o cotejo envolvendo os valores que se pretenda afastar da base de cálculo.
Numero da decisão: 2202-011.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a relatora, que deu parcial provimento para excluir da base de cálculo do lançamento os seguintes valores: (i) R$ 1.418.392,02, relativo à quitação de obrigações financeiras da J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda.; (ii) R$ 110.000,00, relativo à alienação do imóvel no Condomínio Porto Ilhéus; e (iii) R$ 429.280,29, associados a comprovante de rendimentos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Valverde Ferreira da Silva. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela - Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva - Redator Designado Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva (Redator), Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela (Relatora), Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PEGORARO TOMAZELA

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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM INDIVIDUALIZADA. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Caracteriza-se omissão de rendimentos os valores creditados em instituição financeira em relação aos quais, devidamente intimado, o sujeito passivo não comprove sua origem mediante documentação hábil e idônea. É ônus do contribuinte comprovar de forma individualizada a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, de modo a permitir a identificação da fonte e da causa que lhe deu origem, sendo inaceitável alegações genéricas que não permitam fazer minimamente o cotejo envolvendo os valores que se pretenda afastar da base de cálculo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencida a relatora, que deu parcial provimento para excluir da base de cálculo do lançamento os seguintes valores: (i) R$ 1.418.392,02, relativo à quitação de obrigações financeiras da J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda.; (ii) R$ 110.000,00, relativo à alienação do imóvel no Condomínio Porto Ilhéus; e (iii) R$ 429.280,29, associados a comprovante de rendimentos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Valverde Ferreira da Silva. Fl. 1224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 2 Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva – Redator Designado Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Valverde Ferreira da Silva (Redator), Henrique Perlatto Moura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Andressa Pegoraro Tomazela (Relatora), Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Com a finalidade de resumir o presente caso, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: O interessado acima qualificado foi autuado, tendo sido lhe exigido o crédito tributário no montante de R$ 7.046.654,22, nele compreendidos imposto, multa de ofício qualificada de 150%, e juros de mora, relativo aos anos-calendários 2014 a 2016, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal(fls. 02 e seguintes). Tendo a Fiscalização entendido que, em tese, houve crime contra a ordem tributária, previsto na Lei nº 8.137, de 1990, arts. 1º e 2º, e pelo art. 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, o fato foi levado ao conhecimento do Ministério Público Federal, através da Representação Fiscal para Fins Penais. O contribuinte, às fls. 544 a 566, impugna tempestivamente o lançamento, juntando os documentos de fls. 567 a 1071, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Fl. 1225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 3 GANHO DE CAPITAL AL1ENAÇÃO de IMÓVEL - Apto 106 Bloco C - Cond. Água Verde Em 02 de junho de 2015 foi creditado na Conta de titularidade do Sr. Jaci Pasini junto ao Banco Bradesco o valor de R$ 140.986,61. Conforme apresentado quando dos esclarecimentos do Termo de Intimação n° 002, o valor lá creditado corresponde à metade produto da venda do imóvel unidade 1% do bloco C. do Conjunto Residencial Água Verde, devido à senhora Lindamir Salete Pasini. CPF 627.746.629-15, uma vez que a propriedade do imóvel, antes da venda, se deu em condomínio com Serafim Mantelli, CPF 219.957.459-87 e Santa Idelcy Mantelli, CPF 430.787.709-82, motivo pelo qual a sua venda posterior, gerou apenas receita de metade do valor imóvel ao contribuinte/impugnante. A alienação da quota parte de Jaci e Lindamir foi registrada na Declaração de Imposto de Renda, exercício 2016 da alienante Lindamir Salete Pasini, sendo que o valor foi creditado na conta do Sr. Jaci por mera comodidade do casal. Quando da lavratura do auto de infração, o Sr. auditor, reconhecendo que os valores creditados de R$ 140.986,61 na conta bancária do contribuinte, referia à venda do imóvel, afastou a omissão de receita sobre o valor. Ocorre que, verificada a ausência de declaração de ganho de capital realizado na alienação, promoveu a apuração retroativa e lançou multa de 75% sobre o valor total da alienação, desconsiderando a existência do condomínio sobre o bem. A matrícula atualizada do imóvel, juntada às fls. 491/494, demonstra de forma inequívoca que o bem estava em condomínio. Assim, para apuração do ganho de capital deveria ser lançado o valor de alienação que coube ao casal Jaci e Lindamir e não o valor total da venda R$ 285.000,00, tal como realizado pelo auditor fiscal às fls. 501/502. Desta forma, requer o reajuste do valor líquido da alienação lançado para apuração de ganho de capital referente à alienação do apartamento 106 do Bloco C, do Conjunto Residencial Água Verde, imóvel matrícula 137.689. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA 1 - VALORES PERTENCENTES À TERCEIROS Primeiramente, como já trazido anteriormente em resposta à intimação fiscal, importante esclarecer que o sr. Jaci Pasini é Vice-Presidente e um dos idealizadores da Cooperativa Habitacional Água Verdes das Palmeiras e da Cooperativa Habitacional Água Verdes das Palmeiras II. Na dinâmica que envolve as relações entre cooperados e as cooperativas, como será demonstrado documentalmente, por muitas vezes o contribuinte utilizou sua conta bancária de pessoa física para o recebimento de aportes para a cooperativa / pessoa jurídica, assim como para realizar os pagamentos para esta última. Fl. 1226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 4 Essa prática inclusive era utilizada pelo contribuinte também em favor da empresa J.Pasini e Cia Ltda, CNPJ sob o n° 10.937.678/0001-59, da qual é sócio administrador e não era detentora de conta bancária própria. Assim, parte expressiva dos depósitos bancários foram realizados em sua conta bancária apenas, pois os destinatários finais eram pessoas jurídicas sob sua responsabilidade - ou seja, não se tratava de receita do contribuinte, propriamente dita. 1.a - CRÉDITOS E RENDIMENTOS DE TERCEIROS - COOPERATIVA ÁGUA VERDES DAS PALMEIRAS I e II No período compreendido na fiscalização (2014 a 2016) verifica-se a realização de diversos depósitos por cooperados da Cooperativa Habitacional Água Ve rdes das Palmeiras e da Cooperativa Habitacional Água Verdes das Palmeiras II nas contas bancárias da pessoa física do contribuinte. Dentro desta sistemática, identifica-se de plano os depósitos realizados pelo Sr. Gordan Milinkovic, os quais atingem, no período, o valor total de R$ 160.786,00 (cento e sessenta mil, setecentos e oitenta e seis reais). Os valores depositados na Conta Corrente 13.863, Ag. 3174-7, do Banco do Brasil, de titularidade do contribuinte Jaci Pasini, tinham como destino o pagamento de parcelas devidas pela cooperada Janaina Ramos de Sousa, esposa do Sr. Gordan, para a Cooperativa Habitacional Água Verde das Palmeiras II, referente à aquisição de cotas relativas à Unidade Butiá-202. Na época dos depósitos, a cooperada, por morar no exterior, tinha dificuldades para efetuar a integralização das cotas, as quais eram realizadas com liquidação de boletos bancários emitidos pela Cooperativa. A maior parte das transferências tinham como origem a conta do Sr. Gordan Milinkovic, conforme se comprova pelo relatório emitido pelo agente financeiro do exterior e colacionado às fls. 413 do procedimento fiscal. Assim, na condição de diretor da Cooperativa e facilitador das operações envolvendo a Cooperativa e seus cooperados, o contribuinte recebia os valores transferidos em sua conta para então promover a quitação das parcelas da integralização ou reembolsar a despesa já antecipada. Nesta situação, não foram auferidos quaisquer rendimentos pelo contribuinte Jaci Pasini, vez que sua conta bancária foi utilizada tão somente para circular o pagamento efetivado entre a cooperada e cooperativa. Para demonstrar a prática, o contribuinte apresentou a certidão das transferências realizadas pelo Sr. Gordan, boletos e comprovantes de pagamento, que podem ser conciliados com os créditos recebidos em conta, demonstrando a higidez da operação. O contribuinte junta aos autos o mapa de pagamento das cotas referente à unidade Butiá-202 da Cooperativa Habitacional Águas Verdes das Palmeiras II, Fl. 1227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 5 que, aponta a data dos pagamentos das parcelas e os créditos recebidos pelo sr. Jaci Pasini. 1. b CRÉDITOS E RENDIMENTOS DE TERCEIROS - J. PASINI E CIA LTDA E J.PASINI INCORPORADORA LTDA A) Recebimentos prestação de serviço J. Pasini & Cia Ltda Conforme relatado anteriormente, o sr. Jaci Pasini, na qualidade de sócio administrador das empresas J.Pasini & Cia Ltda e J.Pasini Incorporadora Ltda, dentro do período fiscalizado, 2014 a 2016, utilizou suas contas bancárias de pessoa física para operações das pessoas jurídicas. Na época, pela ausência de conta banco da pessoa jurídica, se vislumbrou mais cômodo a utilização da conta bancária de titularidade da pessoa física do contribuinte, permitindo não só o recebimento dos valores da pessoa jurídica, como também o pagamento das despesas. Pelo livro diário e razão da J. Pasini & Cia Ltda, em confronto com os depósitos realizados na conta bancária do contribuinte, verifica-se de forma latente a prática. Todos os meses do período entre 2014 e 2016 foram emitidas pela J. Pasini & Cia Ltda notas fiscais de prestação de serviço em favor das Cooperativas e outros clientes, sendo que tais valores eram depositados na conta da pessoa física do contribuinte. Não apenas o sr. Jaci Pasini recebia em sua conta os valores de titularidade de J. Pasini & Cia Ltda, como realizava a quitação das obrigações financeiras desta, seja pagando títulos, seja como recolhendo valores de tributos devidos pela pessoa jurídica. B) Recebimentos - Alienação de imóveis - J. Pasini & Cia Ltda Ainda, na mesma sistemática, quando da venda de algum ativo de propriedade da J. Pasini & Cia Ltda, os recursos auferidos na negociação, em grande parte transitaram pela conta bancária da pessoa física, seja pela ausência de conta banco da pessoa jurídica, seja para facilitar a operação. Nesta sistemática, foram diversos os depósitos realizados na conta bancária da pessoa física, que tinham como destino pessoas jurídicas diversas. No dia 21 de novembro de 2014, as empresas CM. Garcia & Cia Ltda - ME, J.Pasini & Cia Ltda ME e JCD Arquitetos Associados Ltda ME alienaram o imóvel matrícula 33.094, registrado no 2o Ofício de Registro de Imóveis de Florianópolis para a Cooperativa Habitacional Água Verde das Palmeiras II, para edificação de conjunto habitacional. Dada a relação entre os representantes legais das alienantes e a Cooperativa adquirente do terreno, ficou acertado que os pagamentos pela aquisição do Fl. 1228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 6 imóvel seriam complementados pelos cooperados quando da integralização de suas cotas sociais. Ainda, por se tratar de três alienantes, CM. Garcia & Cia Ltda - ME, J.Pasini & Cia Ltda ME e JCD Arquitetos Associados Ltda ME, como meio de facilitar a operação, convencionou-se que os cooperados da adquirente creditavam o valor das cotas na conta do contribuinte Jaci Pasini, ficando este responsável pela distribuição, na proporção de cada uma das pessoas jurídicas. Nesta sistemática, foram depositados na conta bancária do contribuinte o valor total de R$ 1.047.207,49, os quais são pertencentes à CM. Garcia & Cia Ltda - ME, J.Pasini & Cia Ltda ME e JCD Arquitetos Associados Ltda ME, nas devidas proporções. Além dos valores decorrentes da alienação deste imóvel, no período objeto de fiscalização, ocorreram, ao menos, 5 (cinco) operações de venda de cotas da cooperativa habitacional de propriedade da J.Pasini Administração Ltda. Os preços das alienações das cotas de propriedade da J.Pasini Administração foram depositados na conta bancária da pessoa física, para pagamento de despesas da pessoa jurídica ou aquisição de novos bens pela empresa ou saque destinado à pessoa jurídica. Nesta linha, em 28 de abril de 2015, foram depositados valores na conta bancária do contribuinte, referente a créditos da J.Pasini Administração Ltda advindos da alienação de parte de suas cotas, da Cooperativa Águas Verdes, CNPJ 10.906.371/-0001-90, para o Sr. Deyvison de Sá Morais, CPF 083.906.999-58 e Sra. Dayane de Sá Morais, 083.908.489-70, pelo valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Ainda, referente à venda de cotas da Cooperativa Águas Verdes, foram creditados na conta da pessoa física, pertencentes à J.Pasini Administradora Ltda, mais de R$ 727.510,62 (setecentos e vinte e sete mil, quinhentos e dez reais e sessenta e dois centavos). As cotas foram adquiridas pela Sra. Silvia Eliana Fernandes, CPF 309.111.419-87, J.C. Buriti Transportes Rodoviários Ltda-ME, CNPJ 01.619.850/0001-35, Dniraide Cardoso Valente, CPF 660.579.579-20 e Solange Aparecida de Paula, CPF 014.204.628-06. Além dos créditos das vendas das cotas da J.Pasini Administradora, entrou nas contas do contribuinte o valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), em 18/05/2016, originado de transferência da pessoa jurídica. Esse valor, serviu para adimplemento de obrigações da própria empresa, não representando rendimentos da pessoa física. As operações mencionadas podem ser confirmadas pelas escriturações fiscais das empresas, afastando por completo qualquer omissão de receita por parte do Sr. Jaci Pasini. Fl. 1229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 7 CRÉDITOS DE RENDIMENTOS DE TERCEIROS - TÂNIA LÚCIA STAKONSKI DE LIMA Tal como já havia procedido quando da alienação de algumas das cotas da J.Pasini Administradora, por ocasião da venda das cotas da Sra. Tânia Lúcia Stakonski de Lima, CPF 572.831.500-30 para o Sr. Francisco Prestes Jacondino, CPF 048.838.759-03 e Sra. Nathália Broering Borba, CPF 057.866.259-07, os valores foram creditados na conta bancária do Sr. Jaci Pasini, vez que este figurava na condição de procurador da alienante. O preço das cotas, na época de R$ 350.109,06, foi depositado na conta do procurador/contribuinte em 18 de março de 2014 (RS 114.109,06) e 29 de outubro de 2014 (R$ 236.000,00), sendo posteriormente transferido para a Sra. Tânia, não representando qualquer tipo de rendimento para o contribuinte Jaci Pasini. EMPRÉSTIMOS Identificam-se nos valores creditados em conta bancária do Sr. Jaci Pasini, quantias de empréstimos realizados pelo contribuinte que acabaram retornando para seu patrimônio devido à devolução por parte dos mutuários. Ao seu filho, o contribuinte emprestou R$ 5.000,00, sendo devolvida a quantia, através de transferência bancária, em 29 de janeiro de 2014. Aos sobrinhos, Leonardo José Stakonski e André Cechinal, foram emprestados R$ 5.040,00 os quais foram devolvidos em duas parcelas iguais de R$ 2.520,00 nos dias 12 de agosto 2014 e 08 de setembro de 2014. Ao genro, Bruce Eduardo Strenks foram emprestados RS 11.000,00, sendo o valor devolvido no dia 14 de março de 2014. Não só aos familiares, mas também ao Condomínio Residencial Jardim Itália, no qual o contribuinte possui apartamento, foi realizado mútuo de R$ 13.986,00. Como o condomínio precisava realizar melhorias nas suas dependências e não tinha dinheiro em caixa para início das obras, o contribuinte, sempre no intuito de otimizar e das celeridades nos projetos, emprestou ao condomínio a quantia necessária. Realizado o empréstimo, o Condomínio Jardim Itália, realizou a devolução do valor em sete parcelas mensais, iguais e sucessivas de RS 1.998,00, cujo primeiro depósito ocorreu no dia 23 de janeiro de 2014 e último em 22 de julho de 2014. Assim, fica demonstrado que no período fiscalizado, especialmente no ano calendário 2014, que parte dos valores creditados em conta corrente do contribuinte, R$ 45.676,00, tinham como origem o pagamento de mútuo realizado naquele mesmo ano fiscal, não representando qualquer rendimento. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS A) ALIENAÇÃO IMÓVEL - Apto 304 Bloco Carandá - Vila das Palmeiras Fl. 1230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 8 Como já trazido na resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 002, no período do Exercício 2015, Ano-Calendário 2014, o contribuinte vendeu para sua filha, Ana Claudia Pasini, por R$ 173.000,00, o apartamento unidade 304 do Bloco Carandá do Condomínio Vila das Palmeiras. O valor foi depositado em conta bancária do contribuinte e devidamente declarado, como se infere da Declaração de Imposto de Renda 2014, de modo a afastar qualquer suposta omissão de receita. B) ALIENAÇÃO IMÓVEL - Apto 302 - Porto Ilhéus Apesar de reconhecido pelo auditor fiscal a alienação do imóvel matrícula 67.982, inclusive sendo tributado o ganho de capital, foi mantido o valor de entrada, de R$ 110.000,00 depositados na conta bancária do contribuinte como omissão de receita, com o que não se pode concordar. Como verificado pelo próprio auditor e constante na escritura pública de compra e venda (fls. 484/487), o imóvel foi vendido em maio de 2015 pelo valor de R$ 350.000,00 sendo que destes, R$ 110.000,00 (cento e dez mil reais) foram pagos com recursos próprios. Os valores foram depositados na conta bancária do contribuinte na seguinte proporção: RS 10.000,00 (dez mil reais) em 20/02/2015; Dep online – sem identificação R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) em 25/03/2015; Ted dividendos R$ 30.000,00 (trinta mil reais) em 25/05/2015 e R$ 30.000,00 (trinta mil reais)– sem identificação em 27/05/2015, totalizando o valor de R$ 110.000,00 (cento e dez mil reais). Assim, demonstrada a origem dos depósitos, requer o afastamento da presunção de omissão de rendimentos em relação estas rubricas. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS - J. PASINI & CIA LTDA A autuação fiscal tem por presunção que todo o valor depositado em conta bancária do contribuinte caracterizaria rendimentos tributáveis do contribuinte não levados à tributação. Conforme os comprovantes de rendimentos pagos e de impostos retidos na fonte emitidos pela empresa J. Pasini & Cia Ltda, o contribuinte teria recebido em 2014/2015/2016, o valor global de R$ 429.280,29. Assim, considerando a isenção dos valores efetivamente pagos ou distribuídos ao titular da empresa, nos termos do art. 14 da Lei Complementar n° 123/2006, devem ser excluídos os valores recebidos pelo contribuinte proveniente da empresa J. Pasini & Cia Ltda. TRANSFERÊNCIA DECORRENTE DA PRÓPRIA PESSOA FÍSICA Além da tributação com a aplicação de multa qualificada nas operações financeiras realizadas na conta bancária do contribuinte, o auditor fiscal aplicou igualmente a tributação sobre valores do próprio contribuinte. Fl. 1231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 9 No caso, em 30 de janeiro de 2014, 06 de maio de 2014 e 13 de janeiro de 2016 foram registradas transferências no valor total de RS 90.650,00. Tais transferências tiveram como origem a conta bancária existente em nome da Sra. Lindamir Salete Pasini, casada em regime de comunhão parcial de bens com o contribuinte. Assim, nos termos do art. 1.658 do Código Civil, os valores percebidos na constância do casamento se comunicam. Nesta perspectiva, tratando de valores transferidos entre marido e mulher, casados no regime de comunhão parcial de bens, deve se aplicar a exceção prevista no art. 42, §3°, I, da Lei 9.430/2006, afastando tais créditos para determinação de rendimentos omitidos. DA MULTA QUALIFICADA APLICADA - REDUÇÃO Por fim, além de levar à tributação valores creditados em conta bancária do contribuinte, foi aplicada ao contribuinte a multa qualificada de 150%. Todavia, para aplicação da multa qualificada, imperioso que esteja configurada a existência de AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, seja por fraude, conluio ou sonegação, o que não se verifica no caso em comento. Extrai-se do Relatório de Fiscalização (fls. 505/528) que a aplicação da qualificadora da multa se deu de forma automática, sem que fosse justificado ou apontada a ação ou omissão dolosa do contribuinte. Ademais, o contribuinte não agiu de forma dolosa. Não há nenhuma evidê ncia sólida capaz de, por si só, autorizar a conclusão de que o contribuinte agiu visando a omissão de receita. Pelo contrário, a documentação apresentada demonstra que inúmeras operações praticadas através da conta do contribuinte tinham por titularidade pessoas jurídicas, as quais realizavam todos os registros necessários e lançavam à tributação. Não é demais relembrar que créditos que entravam na conta da pessoa física eram de titularidade da pessoa jurídica, que, em todas as oportunidades, realizou o registro, através da emissão de Nota Fiscal, e lançou à tributação. Este fato, de pronto, repele por completo uma suposta tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal quanto à receita percebida. Não houve por parte do fisco qualquer indício que tenha o condão de caracterizar o dolo do contribuinte em omitir qualquer tipo de receita. Para aplicação da multa qualificada, não basta a mera presunção legal de omissão de receita, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses previstas nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 1232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 10 Outrossim, a presunção legal de omissão de receita transfere ao sujeito passivo a necessidade de demonstração da inexistência do fato ou da origem do crédito. Todavia, mesmo diante da impossibilidade de infirmar a presunção de omissão de receita, não há como se aplicar, quando ausentes os requisitos legais, a presunção de fraude, necessária para imputação da multa qualificada. Ressalte-se que, para aplicação da qualificadora, imprescindível que sejam demonstrados pelo fisco elementos suficientes que comprovem a intenção do contribuinte em deixar de recolher o tributo - que comprovem, por si, o dolo do contribuinte. Nesta linha de raciocínio o CARF firmou entendimento VINCULANTE de que é necessária a comprovação de uma das hipóteses dos art. 71, 72 e 73 da Lei 7.502/64 para aplicação da multa qualificada, mesmo quando da presunção legal de omissão de receita. Súmula CARF n° 25 - A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF n° 383. de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Desta forma, carente qualquer demonstração ou indícios que reflitam à vontade (dolo) do contribuinte em impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária de fato gerador de tributo, tendo sido aplicada a multa qualificada por mera decorrência da presunção legal de omissão de receita, imperioso se faz o afastamento da aplicação da qualificadora. CONCLUSÃO Requer o impugnante: A. Demonstrada a insubsistência da ação fiscal, dada a comprovação da origem dos créditos, requer seja acolhida a impugnação, afastando a aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos sobre os valores creditados em conta bancária do contribuinte; B. A redução do valor de ganho de capital apurado em relação ao imóvel apto 106, Bloco C, do Conjunto residencial Água Verdes, vez que aplicado indevidamente o valor líquido de alienação diverso ao praticado e efetivamente demonstrado; C. Subsidiariamente, na eventualidade de manutenção da presunção legal de omissão de receita, requer a exclusão da qualificadora da multa de ofício, vez que não apresentado qualquer fundamento para sua aplicação. Considerando o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente e-processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. Fl. 1233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 11 A DRJ julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEVOLUÇÃO DE EMPRÉSTIMOS A alegação da existência de empréstimos concedidos a terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados e do recebimento do pagamento do mútuo. MULTA QUALIFICADA A qualificação da multa somente pode ocorrer quando a Fiscalização provar, de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repetindo os argumentos apresentados por ocasião da Impugnação. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Andressa Pegoraro Tomazela, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. De início, cumpre mencionar que o Recorrente apresentou petição em 05/05/2026 requerendo a retirada de pauta do presente processo em razão da juntada de laudo pericial técnico independente para esclarecimento das operações financeiras e imobiliárias em discussão. O pedido de retirada de pauta é de análise do Presidente da Turma, que indeferiu em razão de ser Fl. 1234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 12 a juntada do laudo extemporânea. Isso porque o prazo para a juntada de documentos é por ocasião da apresentação da Impugnação, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Não tendo feito neste momento, precluiu-se o direito do Recorrente. Por essa razão, não conheço da referida petição. No mais, a DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação do contribuinte, da seguinte forma: ALIENAÇÃO IMÓVEL - Apto 106 Bloco C - Cond. Água Verde - O imóvel foi adquirido em 22/12/2014 por Lindamir Salente Pasini e seu esposo, Jaci Pasini, e Serafim Mantelli e sua esposa Santa Idelci Mantelli, pelo valor de R$ 159.624,58. Foi vendido em 02/06/2015, pelo valor de R$ 300.000,00. Fazendo-se o cálculo do ganho de capital da parte do imóvel pertencente ao contribuinte e seu cônjuge (50%), com o custo de aquisição e o valor de alienação proporcionais, de R$ 79.812,29 e R$ 150.000,00, respectivamente, apura-se o imposto de R$ 10.273,79. Aplicando-se a regra de 50% para cada cônjuge, foi mantida pela DRJ a tributação sobre o ganho de capital no montante de R$ 5.136,89. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS DE TERCEIROS - COOPERATIVA ÁGUAS VERDES DAS PALMEIRAS I e II - Os valores depositados na conta corrente de titularidade do contribuinte tinham como destino o pagamento de parcelas devidas pela cooperada Janaina Ramos de Sousa, esposa do Sr. Gordan, para a Cooperativa Habitacional Águas Verdes das Palmeiras II, referente à aquisição de cotas relativas à Unidade Butiá-202. Na época dos depósitos, a cooperada, por morar no exterior, tinha dificuldades para efetuar a integralização das cotas, as quais eram realizadas com liquidação de boletos bancários emitidos pela Cooperativa. O contribuinte junta boletos emitidos pela Cooperativa Habitacional Águas Verdes das Palmeiras II, tendo como pagador Janaina Ramos de Sousa e agendamentos de pagamento de títulos em sua conta do Banco do Brasil, que estão ilegíveis nos autos (fls. 416 a 430), e um relatório, na língua inglesa, que teria sido emitido pelo agente financeiro do exterior, referente a remessas feitas por Gordan Milinkovic para o autuado, nos anos 2014 a 2019. A DRJ entendeu que o referido relatório, por si só, não é suficiente para comprovar a origem dos depósitos bancários em questão. Contudo, foram considerados comprovados os depósitos bancários na conta do contribuinte, cujo valor coincide com os boletos, em que o pagador é Janaina Ramos de Sousa, e a data é aproximada ao do vencimento do boleto, no montante de R$ 39.567,00. Fl. 1235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 13 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS DE TERCEIROS - J. PASINI E CIA LTDA E J.PASINI INCORPORADORA LTDA - O contribuinte, na qualidade de sócio-administrador das empresas J. Pasini & Cia Ltda e J. Pasini Incorporadora Ltda, utilizou suas contas bancárias de pessoa física para operações das pessoas jurídicas, recebendo em sua conta os valores de titularidade de J. Pasini & Cia Ltda, bem como quitando as obrigações financei ras desta. A DRJ entendeu que escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos correspondentes nela registrados, a favor do contribuinte, desde que comprovados por documentos hábeis que os suporte. Porém, somente o Livro Razão, sem os documentos, no caso as notas fiscais emitidas pela empresa, cujos valores o contribuinte alega terem sido depositados em sua conta bancária, não prova o alegado. - Quando da venda de algum ativo de propriedade da J. Pasini & Cia Ltda ou de cotas de sua cooperativa habitacional de propriedade da J. Pasini & Cia Ltda, os recursos auferidos na negociação, em grande parte transitaram pela conta bancária da pessoa física, seja pela ausência de conta no banco da pessoa jurídica, seja para facilitar a operação. Assim, muitos depósitos que foram realizados na conta bancária da pessoa física tinham como destino pessoas jurídicas diversas. O contribuinte descreve as operações, argumentando que essas podem ser confirmadas pelas escriturações fiscais das empresas, afastando por completo qualquer omissão de receita por parte do Sr. Jaci Pasini. Contudo, não houve juntada de documentos comprovando o alegado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CRÉDITOS DE TERCEIROS - TÂNIA LÚCIA STAKONSKI DE LIMA - Por ocasião da venda das cotas da Sra. Tânia Lúcia Stakonski de Lima para o Sr. Francisco Prestes Jacondino e Sra. Nathália Broering Borba, os valores foram creditados na conta bancária do autuado, vez que este figurava na condição de procurador da alienante. O preço das cotas, na época de R$ 350.109,06, foi depositado na conta do procurador/contribuinte em 18 de março de 2014 (R$ 114.109,06) e 29 de outubro de 2014 (R$ 236.000,00), sendo posteriormente transferido para a Sra. Tânia, não representando qualquer tipo de rendimento para o contribuinte Jaci Pasini. Contudo, não houve juntada de documentos comprovando o alegado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - EMPRÉSTIMOS Fl. 1236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 14 - Alega o contribuinte que, nos valores creditados em suas contas bancárias, identificam-se quantias de empréstimos ao filho, sobrinhos, genro, como também ao Condomínio Residencial Jardim Itália, que acabaram retornando para seu patrimônio devido à devolução por parte dos mutuários. Há de se ressaltar que empréstimos realizados com terceiros, pessoa física ou jurídica, além de estarem consignados nas declarações de imposto de renda do mutuante e do mutuário, devem estar comprovadas, por meio de documentação hábil e idônea, a sua contratação, a efetiva transferência de numerário do credor para o tomador, coincidente em datas e valores, e a quitação pelo devedor da dívida contraída. É necessário também que seja compatível com os rendimentos e disponibilidades financeiras declarados pelo mutuante, nas respectivas datas de entrega e recebimento dos valores. Além do mais, é pertinente evidenciar que a informalidade dos negócios entre particulares diz respeito a garantias mútuas que não são exigidas em razão da confiança entre as partes, mas não se aplica à relação fisco-contribuinte que é formal e vinculada à Lei. O contribuinte não apresentou qualquer documentação que pudesse comprovar os alegados mútuos. ALIENAÇÃO IMÓVEL - Apto 304 Bloco Carandá - Vila das Palmeiras - O contribuinte vendeu o imóvel para sua filha, Ana Claudia Pasini, por R$ 173.000,00. O valor foi depositado em sua conta bancária e devidamente declarado. Contudo, não junta documentação que possa identificar os créditos que foram efetuados na conta corrente decorrente da transação mencionada. ALIENAÇÃO IMÓVEL - Apto 302 - Porto Ilhéus - O imóvel foi vendido em maio de 2015 pelo valor de R$ 350.000,00 sendo que R$ 110.000,00 foram pagos com recursos próprios. No registro do referido imóvel (fl. 485), consta que, na alienação, em 26/05/2015, R$ 110.000,00 foram pagos com recursos próprios. No entanto, o contribuinte não trouxe documentos que vinculem os alegados depósitos à alienação do imóvel em questão, sendo que no histórico dos depósitos mencionados consta dep online – sem identificação, ted dividendos e sem identificação. RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS - J. PASINI & CIA LTDA - Conforme os comprovantes de rendimentos pagos e de impostos retidos na fonte emitidos pela empresa J. Pasini & Cia Ltda, o contribuinte teria recebido rendimentos isentos, em 2014/2015/2016, no valor global de R$ 429.280,29. Assim, considerando a isenção dos valores efetivamente pagos ou distribuídos ao titular da Fl. 1237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 15 empresa, nos termos do art. 14 da Lei Complementar n° 123/2006, devem ser excluídos os valores recebidos pelo contribuinte proveniente da empresa J. Pasini & Cia Ltda. Para provar o alegado o impugnante junta os comprovantes de rendimentos anuais da empresa J. Pasini & Cia Ltda. Para a comprovação da origem dos depósitos bancários, há a necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, não sendo possível a dedução do valor global anual dos depósitos não comprovados. TRANSFERÊNCIA DECORRENTE DA PRÓPRIA PESSOA FÍSICA - O auditor fiscal aplicou a tributação sobre valores do próprio contribuinte. Em 30 de janeiro de 2014, 06 de maio de 2014 e 13 de janeiro de 2016 foram registradas transferências no valor total de R$ 90.650,00. Tais transferências tiveram como origem a conta bancária existente em nome da Sra. Lindamir Salete Pasini, casada em regime de comunhão parcial de bens com o contribuinte. O autuado não traz a comprovação do alegado, que poderia facilmente ser feita por meio dos extratos da conta bancária do cônjuge. MULTA DE OFÍCIO - É indevida a qualificação da multa de ofício no presente caso, já que não há nos autos um conjunto probatório suficiente para a comprovação de que o autuado tenha agido efetiva e dolosamente com sonegação e/ou fraude, devendo ser acolhida a impugnação para reduzir a multa de ofício para o percentual não qualificado de 75%. O Recorrente, por sua vez, alega ter apresentado todos os documentos necessários para a comprovação das alegações trazidas por ocasião da Impugnação. Os documentos de fls. 587 e seguintes se prestam a demonstrar os valores recebidos de Janaina Ramos de Sousa, para pagamento de boletos relativos à Cooperativa Hab. Água Verdes das Palmeiras II, sendo o Recorrente mero intermediário. Ocorre que os valores coincidentes com os boletos, em que o pagador é Janaina Ramos de Sousa, e a data é aproximada ao do vencimento do boleto, já foram considerados pela DRJ em seu provimento parcial. Para os demais documentos, não foi possível encontrar um “casamento” das informações. Em relação aos recebimentos pela pessoa física para quitações de obrigações financeiras da J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda., a DRJ havia entendido que, apesar da escrituração regular, o Livro Razão sem as notas fiscais correspondentes não se prestaria a comprovar o alegado. Nesse sentido, o Recorrente junta notas fiscais (fls. 1148 e seguintes). Entendo que tais documentos devem ser conhecidos e analisados, com base no artigo Fl. 1238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 16 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/72. Após a análise, entendo que as notas fiscais se prestam a comprovar todos os valores supostamente omitidos pelo Recorrente, razão pela qual dou provimento ao Recurso Voluntário especificamente neste item. Valores constantes das Notas Fiscais, que constam do Livro Razão de fls. 569 e seguintes: - R$ 1.200,00 - R$ 14.175,00 - R$ 5.848,00 - R$ 9.246,00 - R$ 20.207,00 - R$ 1.200,00 - R$ 5.895,00 - R$ 24.292,00 - R$ 23.302,00 - R$ 15.877,00 - R$ 15.858,00 - R$ 25.839,00 - R$ 24.546,00 - R$ 30.900,00 - R$ 22.744,00 - R$ 17.750,00 - R$ 27.286,00 - R$ 27.965,00 - R$ 24.757,00 - R$ 26.944,00 - R$ 23.215,00 - R$ 26.052,00 - R$ 28.048,00 - R$ 17.208,00 - R$ 26.395,00 - R$ 17.330,00 Fl. 1239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 17 - R$ 21.223,00 - R$ 11.630,00 - R$ 11.720,00 - R$ 24.514,00 - R$ 34.968,00 - R$ 10.945,00 - R$ 37.150,00 - R$ 14.092,00 - R$ 16.320,00 - R$ 37.840,00 - R$ 42.024,00 - R$ 17.285,00 - R$ 41.733,00 - R$ 15.736,00 - R$ 33.847,00 - R$ 24.904,00 - R$ 37.637,00 - R$ 17.657,00 - R$ 3.670,00 - R$ 78.759,00 - R$ 46.510,00 - R$ 56.406,00 - R$ 22.720,00 - R$ 31.297,00 - R$ 26.094,00 - R$ 18.469,00 - R$ 28.473,00 - R$ 28.818,00 - R$ 26.515,00 - R$ 24.214,00 Fl. 1240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 18 - R$ 31.710,00 - R$ 40.755,00 - R$ 33.715,00 Já os recursos decorrentes das alienações de ativos de propriedade da J. Pasini & Cia Ltda ou de cotas de sua cooperativa habitacional, transitaram pela conta bancária da pessoa física e tinham como destino pessoas jurídicas diversas. Apesar de as transações constarem das escriturações fiscais das empresas, o Recorrente não apresentou documentos complementares para comprovar o alegado. No que se refere aos empréstimos, também não há qualquer documento comprobatório. Da mesma forma, também não houve comprovação da venda do imóvel no Condomínio Vila das Palmeiras para sua filha Ana Claudia Pasini. Por esse motivo, mantenho a decisão da DRJ, em razão da insuficiência de provas documentais. A alienação do imóvel no Condomínio Porto Ilhéus (Apto 302), por sua vez, foi comprovada pela juntada do Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital (fls. 449-503), bem como do registro em cartório de sua transferência (fls. 471 e seguintes – Certidão de Matrícula nº 67.982). Assim, entendo que os valores omitidos relativos à alienação desse imóvel foram comprovados: quais sejam R$ 10.000,00 em 20/02/2015; R$ 40.000,00 em 25/03/2015; R$ 30.000,00 em 25/05/2015 e R$ 30.000,00 em 27/05/2015, totalizando o montante de R$ 110.000,00. Por essa razão, dou provimento ao Recurso Voluntário neste item também. Por fim, os rendimentos distribuídos ao titular da empresa, isentos nos termos do art. 14 da Lei Complementar n° 123/2006, foram comprovados por meio dos Informes de Rendimentos emitidos pela J. Pasini & Cia Ltda, que confirmam o pagamento do valor total de R$ 429.280,29 em 2014/2015/2016. Este documento é suficiente para comprovar a origem dos recursos. Assim, dou provimento ao Recurso Voluntário nestes itens. As transferências no valor total de R$ 90.650,00, efetuadas em 30/01/2014, 06/05/2014 e 13/01/2016 alegadas como do próprio contribuinte, eis que realizadas da conta bancária da Sra. Lindamir Salete Pasini, casada em regime de comunhão parcial de bens com o Recorrente, não foram comprovados. Sendo assim, mantenho a decisão da DRJ neste particular. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para excluir da base de cálculo do lançamento tributário os seguintes valores: (i) R$ 1.418.392,02, relativo a quitação de obrigações financeiras da J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda., comprovados por meio de notas fiscais; (ii) R$ 110.000,00, relativo à alienação do imóvel no Condomínio Porto Ilhéus (Apto 302); e (iii) R$ 429.280,29, por serem rendimentos isentos recebidos. Fl. 1241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 19 Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela VOTO VENCEDOR Conselheiro Marcelo Valverde Ferreira da Silva, redator designado À despeito de a relatora desenvolver seu raciocínio amparados em aspectos muito bem fundamentados, ouso discordar do resultado por ela proposto quanto ao parcial provimento do recurso voluntário, que considerou como comprovados depósitos nos montantes que somam (i) R$ 1.418.392,02, relativos a quitação de obrigações financeiras da J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda., comprovados por meio de notas fiscais; (ii) R$ 429.280,29, por serem rendimentos isentos recebidos; (iii) R$ 110.000,00, relativo à alienação do imóvel no Condomínio Porto Ilhéus (Apto 302). Ratifico que acompanho a relatora quanto aos demais depósitos por ela considerados como não comprovados que, por presunção legal contida no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, caracterizam-se como omissão de rendimento. Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar que a técnica adotada para a elisão da presunção relativa aplicável ao caso, encontra fundamento no § 3º, do artigo 42, da Lei n 9.430/1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu Fl. 1242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 20 somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). [...] Ainda que se possa argumentar que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não venha a exigir que o contribuinte apresente justificativa autônoma para cada depósito, a prova produzida deve identificar, de modo preciso, a origem dos recursos e sua correspondência com os créditos objeto da autuação. Logo, a impugnação deve permitir a vinculação da prova a cada crédito ou conjunto homogêneo de créditos apontados pela fiscalização, não cabendo alegações genéricas. Melhor dizendo, é necessária a produção de prova que permita afastar a presunção sobre cada crédito tributado ou sobre grupos de créditos adequadamente identificados e vinculados a uma mesma origem econômica. Para a adequação do termo "origem" ao comando normativo, não basta a identificação do depositante, sendo imprescindível a verificação da natureza do depósito recebido, ou melhor, a causa que o justificou, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, Só assim o ônus probatório exigido do sujeito passivo estará efetivamente satisfeito, diante do fato anterior presuntivo identificado pela fiscalização em seu desfavor. Portanto, cabe ao recorrente demonstrar que os depósitos não identificados tiveram por origem valores não tributáveis ou que já sofreram tributação. Na atividade probatória do contribuinte podem ser apresentados toda e qualquer prova passível de convencimento do julgador, o que não se confunde com o oferecimento de uma massa desconexa de documentos, sem a mínima preocupação de os vincular às origens presuntivas constatadas. Jamais se pode perder de vista que o exercício probatório é do sujeito passivo, haja vista o arcabouço normativo da infração presumida assim o impõe. Logo, ainda que se coloque à disposição do julgador uma grande quantidade de documentos, é seu dever processual fazer a devida correlação entre estes e os depósitos de origem não comprovada, sem o que, a presunção legal não se pode afastar. Senão vejamos, quais foram os argumentos e documentos apresentados pelo sujeito passivo, os quais no entender da relatora, foram suficientes para afastar a presunção legal contida no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. Quitações de obrigações financeiras de J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda Neste particular, a nobre relatora assentiu com a comprovação de origens no montante de R$ 1.418.392,02, que teriam sido comprovados com a emissão de documentos fiscais que totalizam este valor. Ainda, que muito embora a DRJ tivesse identificado às fls. 569 a 574, o Livro Razão, ele seria ineficaz se desacompanhados dos documentos que deram origem aos recursos. Fl. 1243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 21 Com a máxima vênia, o julgador de piso não pretendeu conferir ao recorrente o alcance dado pela relatora. O julgador concluiu que o livro Razão, sem os documentos, no caso as notas fiscais emitidas pela empresa, cujos valores o contribuinte alega terem sido depositados em sua conta bancária, são insuficientes para comprovar o alegado. Ademais, os documentos trazidos com a impugnação referem-se a agendamento e pagamento de títulos em nome da empresa J. Pasini & Cia Ltda, configurando-se débitos na sua conta bancária (fls. 587 a 1003). Logo, a exibição das notas fiscais por ocasião do recurso voluntário, ainda que se argumente que tais documentos se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972), carecem da devida vinculação aos depósitos de origem não comprovada, nada autorizando sua imediata aceitação como pretendeu a nobre relatora. Tal correlação inexiste, foi desenvolvida pelo recorrente ou pela própria relatora em favor deste, conforme se depreende do parágrafo abaixo: Em relação aos recebimentos pela pessoa física para quitações de obrigações financeiras da J. Pasini e Cia Ltda. e J. Pasini Incorporadora Ltda., a DRJ havia entendido que, apesar da escrituração regular, o Livro Razão sem as notas fiscais correspondentes não se prestaria a comprovar o alegado. Nesse sentido, o Recorrente junta notas fiscais (fls. 1148 e seguintes). Entendo que tais documentos devem ser conhecidos e analisados, com base no artigo 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/72. Após a análise, entendo que as notas fiscais se prestam a comprovar todos os valores supostamente omitidos pelo Recorrente, razão pela qual dou provimento ao Recurso Voluntário especificamente neste item. Mesmo que a situação envolva grande quantidade de depósitos não identificados, e se aduza que a prova seja extremamente penosa, mormente quando o caso concreto envolva pessoa física, isso não nos autoriza a proceder à exclusão genérica da base de cálculo, sob o argumento de que tais valores foram oriundos de receitas auferidas de pessoas jurídicas (ingressos) ou utilizados na quitação de suas obrigações (saídas), conforme precedente do acórdão 2201-005.446, abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. NEXO DE CAUSALIDADE. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. A comprovação da origem dos recursos depositados na conta bancária de titularidade do contribuinte deve ser feita de forma individualizada, apontando a correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, e de forma a atestar o nexo de causalidade entre os depósitos e os dispêndios que alega ser de terceiros. Ao acostar diversos documentos aos autos sem minimamente fazer qualquer cotejo dos valores de entradas de terceiros e saídas para pagamento de despesas destes mesmos Fl. 1244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 22 terceiros, o contribuinte não comprova nada e apenas transfere para a fiscalização o seu dever de comprovar suas alegações. Número da decisão: 2201-005.446 – Processo nº 10530.726878/2011-03 Penso ser este exatamente o caso enfrentado nestes autos. Não foi desenvolvido qualquer esforço probatório para se realizar o devido nexo de causalidade entre os depósitos de origem não comprovados, as receitas das pessoas jurídicas ou o cumprimento de suas obrigações perante terceiros. Sem a mínima correlação, tais origens não podem ser afastadas, sucumbindo a uma alegação genérica, sem a necessária força probante, razão pela qual não dou provimento ao pleito do recorrente. Rendimentos Isentos Recebidos O voto condutor desenvolvido pela relatora também considerou como justificados o montante de R$ 429.280,29 auferido pelo sujeito passivo a título de lucros ou dividendos distribuídos no período fiscalizado. Insisto nas considerações contidas no preâmbulo deste voto vencedor, sobre a técnica legal exigida para se afastar a presunção legal dada aos depósitos bancários de origem não comprovada. Neste sentido, divirjo da conclusão adotada pela ilustre relatora, na medida em que tomou por verdadeira as informações consignadas nas declarações de ajuste que se encontram as fls. 584 a 586. Data máxima vênia, esta informação não é suficiente para se formar a convicção de que os valores informados a título de lucros foram efetivamente pagos, muito menos que transitaram pelas contas bancárias do sujeito passivo, e que estariam dentre as bases de cálculo que compuseram o lançamento. Para que assim o procedesse, todos estes passos citados deveriam ter sido percorridos e superados na senda probatória. No entanto, em nosso sentir, a conclusão da suficiência dos Informes de Rendimentos não é bastante para afastar a presunção legal. Assim concluiu a relatora em seu voto condutor: Por fim, os rendimentos distribuídos ao titular da empresa, isentos nos termos do art. 14 da Lei Complementar n° 123/2006, foram comprovados por meio dos Informes de Rendimentos emitidos pela J. Pasini & Cia Ltda, que confirmam o pagamento do valor total de R$ 429.280,29 em 2014/2015/2016. Este documento é suficiente para comprovar a origem dos recursos. Assim, dou provimento ao Recurso Voluntário nestes itens. Este redator não afasta peremptoriamente a veracidade da informação trazida pelo recorrente, mas para que ela seja aceita, há que se dispender o esforço necessário a fim de que a presunção seja elidida, cujo ônus processual é do sujeito passivo. Assim não o sendo, se estará no campo de alegações genéricas, imprestáveis para se afastar a presunção legal, e, por este motivo não se pode acolher a pretensão da exclusão da base de cálculo do lançamento os montantes que constam dos Informes de Rendimentos. Fl. 1245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.996 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722397/2019-19 23 Venda do Imóvel no Condomínio Porto Ilhéus Por final, entendo que a análise do conjunto probatório não conduz a mesma conclusão da ilustre relatora, quanto ao afastamento do montante de R$ 110.000,00 relativo à venda da unidade do Condomínio Porto Ilhéus, os quais teriam sido pagos na seguinte forma: R$ 10.000,00 em 20/02/2015; R$ 40.000,00 em 25/03/2015; R$ 30.000,00 em 25/05/2015 e R$ 30.000,00 em 27/05/2015. Ocorre que em relação aos créditos, sequer se permite identificar o depositante (comprador), cujos históricos constam “dep online” e “ted dividendos”, de tal sorte que para este redator não se formou a convicção necessária para se afastar a presunção legal. Este foi exatamente o argumento utilizado pelo julgador de piso para a manutenção do lançamento. No entanto, a nobre relatora entendeu como suficientes os documentos translativos do imóvel. Assim sendo, tudo se resume à leitura do conjunto probatório, cuja atividade é pessoal, de tal sorte que seja suficiente para o julgador se convencer da situação crítica. Para este redator, o afastamento da presunção legal deve estar embasado em dois pilares: a identificação da fonte e a causa que lhe deu origem. Se algum destes pressupostos falhar, tem-se por não comprovada a origem, necessária para o afastamento da presunção legal. No caso concreto, duas situações militam em desfavor da prova produzida pelo recorrente: a ausência de identificação da fonte e a menção do histórico de “ted dividendos”. Tais apontamentos, a despeito da exibição de documentos translativos da propriedade do mencionado imóvel, no entender deste redator, não são suficientes para a formação de um encadeamento lógico entre os fatos alegados e os documentos apresentados, motivo pelo qual não posso acolher este tópico recursal. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo Valverde Ferreira da Silva Fl. 1246DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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11419801 #
Numero do processo: 16327.720097/2018-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMPRESA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. COFINS. Os bens objeto de arrendamento mercantil integram o ativo imobilizado das empresas de arrendamento mercantil, em razão de disposição expressa contida na Lei n. 6.099/74, artigo 3º, motivo pelo qual a receita que obtêm da respectiva alienação não integra a base de cálculo da contribuição da COFINS, haja vista o disposto no artigo 3º, §2º, inciso IV, da Lei n. 9.718/98. Uma vez demonstrada a inclusão das receitas de venda de alienação de bens do ativo imobilizado na base de cálculo das contribuições, e por não se tratar de receita operacional de arrendamento mercantil, deve ser, com base no art. 3º da Lei n. 9.718/1998, excluída da base de cálculo da COFINS.
Numero da decisão: 3202-003.735
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negava provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.734, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 16327.900246/2018-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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ARRENDAMENTO MERCANTIL INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMPRESA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. COFINS. Os bens objeto de arrendamento mercantil integram o ativo imobilizado das empresas de arrendamento mercantil, em razão de disposição expressa contida na Lei n. 6.099/74, artigo 3º, motivo pelo qual a receita que obtêm da respectiva alienação não integra a base de cálculo da contribuição da COFINS, haja vista o disposto no artigo 3º, §2º, inciso IV, da Lei n. 9.718/98. Uma vez demonstrada a inclusão das receitas de venda de alienação de bens do ativo imobilizado na base de cálculo das contribuições, e por não se tratar de receita operacional de arrendamento mercantil, deve ser, com base no art. 3º da Lei n. 9.718/1998, excluída da base de cálculo da COFINS. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negava provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.734, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 16327.900246/2018-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 45338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 EMPRESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE/NÃO CIRCULANTE. EXCLUSÃO DA RECEITA BRUTA. A legislação não autoriza as empresas de arrendamento mercantil a excluir da receita bruta a receita operacional decorrente da venda de bens destinados ao arrendamento mercantil registrados no ativo permanente/não circulante, para fins de cálculo da Cofins; somente a receita não operacional pode ser excluída da base de cálculo da contribuição. A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente solicita, em síntese: Que seja reconhecido o direito de exclusão, da base de cálculo da COFINS, das receitas provenientes da alienação de bens do ativo permanente, e, na sequência, homologado o Pedido de Restituição solicitado ou, ao menos, seja determinada a conversão do feito em diligência para que a DRJ analise a materialidade do crédito postulado, conforme autoriza o Regimento Interno do CARF (arts. 58, XIII e 59, I, dentre outros). É o relatório. Fl. 45339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais A controvérsia decorre da possibilidade ou não de exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas de venda de bens destinados ao arrendamento mercantil registrados no ativo permanente por determinação do art. 3º da Lei nº 6.099/74. O contribuinte aduz que, na origem, ofereceu tais receitas à tributação. Após, em procedimento de revisão interna, constatou equívoco na apuração da referida contribuição: não excluiu da receita bruta o valor relativo à venda de bens do ativo permanente, conforme lhe autorizaria o inciso IV do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Assim, retificou a DCTF e o Dacon e requereu a restituição do pagamento indevido ou a maior. No entanto, a fiscalização discorda do procedimento, aduzindo que somente as receitas não operacionais decorrentes da venda de bens registrados no ativo permanente podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins. “As receitas operacionais, decorrentes da venda de bens destinados ao arrendamento mercantil, embora registrados no ativo permanente, são tributadas”. Da análise conjunta da Lei nº 6.404/76 e da Lei nº 9.718/98 conclui-se que somente as receitas não operacionais decorrentes da venda de bens do ativo permanente/não circulante restam passíveis de exclusão da base de cálculo das contribuições. Tal entendimento encontra-se pacificado no âmbito da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil. A Instrução Normativa SRF nº 247/20021 elencou as receitas não operacionais decorrentes das vendas de bens do ativo permanente como uma exclusão da receita bruta; todavia, as receitas operacionais devem ser tributadas pela Cofins: o Anexo I inclui os lucros decorrentes da alienação de bens arrendados na base de cálculo da contribuição registrados na Conta COSIF 7.1.2.60.00-6. Nessa linha de entendimento, a DRJ concluiu que as receitas auferidas com a alienação de bens vinculados a operações de arrendamento mercantil ostentariam natureza operacional. Fl. 45340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 4 7 - RESULTADO CREDOR 7.1 - RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.2.60.00-6 LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS – Acresça-se que a conta 7.1.2.60.00-6 LUCROS NA ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS tem a função de “registrar os lucros apurados na venda do valor residual de bens arrendados que constituam receita efetiva da instituição no período”2, cuja base normativa é a IN BCB nº 273/2022. Portanto, referidas receitas devem serem oferecidas à tributação das contribuições, porquanto a exclusão da base de cálculo controvertida contempla tão somente as receitas não operacionais relativas à venda de bens do ativo permanente/não circulante. Não obstante o entendimento adotado pela DRJ, verifica-se que se mostra irrelevante o fato de a receita decorrente da alienação desses bens ter sido contabilizada em conta classificada, nos termos do COSIF, como receita operacional. Isso porque a natureza jurídica da operação evidencia tratar-se de receita oriunda da venda de ativo não circulante, hipótese que se subsume, de forma expressa, à disposição contida no art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718. Portanto, a classificação dos bens destinados à atividade de arrendamento mercantil no ativo não circulante encontra plena consonância com as disposições legais e infralegais aplicáveis à espécie. Precisamente em razão dessa natureza contábil e jurídica é que, quando de sua alienação, deve ser conferido o tratamento previsto no art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718. Com efeito, a finalidade da norma veiculada no referido dispositivo legal consiste em afastar da base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da venda de bens integrantes do ativo não circulante, por não se confundirem com receitas inerentes ao objeto social ordinariamente explorado pela pessoa jurídica. Trata- se, portanto, de receitas de natureza extraordinária, estranhas à atividade operacional típica do contribuinte. E justamente nessa hipótese se inserem as receitas oriundas da alienação de bens vinculados a contratos de arrendamento mercantil celebrados por instituições arrendadoras. Diversamente do entendimento reiteradamente adotado pela DRJ, tais receitas não possuem natureza operacional, uma vez que a atividade desempenhada pela instituição financeira não consiste na compra e venda de bens, mas sim na exploração de operações financeiras de arrendamento mercantil. Admitir entendimento diverso implicaria desnaturar a própria essência jurídica da atividade de arrendamento mercantil. Isso porque, caso se reconhecesse a alienação dos bens arrendados como atividade operacional típica da arrendadora, estar-se-ia equiparando a instituição financeira a empresa comercial dedicada à mercancia de bens, o que evidentemente não se coaduna com o regime jurídico aplicável às entidades autorizadas a operar no mercado financeiro. Assim, acolher a interpretação adotada pela DRJ, no sentido de que a receita decorrente da venda de bens arrendados configuraria receita operacional da Fl. 45341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 5 instituição financeira arrendadora, equivale, em última análise, a desconsiderar a natureza financeira da atividade de arrendamento mercantil, atribuindo-lhe indevidamente característica própria de atividade mercantil de compra e venda de bens. Ou seja, o que se sustenta, em verdade, é que o tratamento tributário aplicável decorre da natureza jurídica da operação realizada, a qual deve prevalecer sobre a classificação contábil atribuída aos respectivos registros. Nessa perspectiva, o simples fato de a receita em questão ser contabilizada, no âmbito do COSIF, em grupo de receitas operacionais não possui o condão de afastar a incidência do tratamento previsto no art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718, porquanto a disciplina tributária da hipótese deve observar a essência jurídica da operação, e não exclusivamente sua forma de escrituração contábil. Ademais, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado de forma reiterada e expressa no sentido da aplicabilidade do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718 às receitas decorrentes da alienação de bens objeto de arrendamento mercantil. Nesse sentido, merecem destaque as ementas abaixo transcritas: – Acórdãos n. 3402-008.069 a 3402-008.077, de 27.1.2021: “EMPRESA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. ALIENAÇÃO DE BENS ARRENDADOS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. COFINS. Os bens objeto de arrendamento mercantil integram o ativo imobilizado das empresas de arrendamento mercantil, em razão de disposição expressa contida na Lei n.. 6.099/74, artigo 3º, motivo pelo qual a receita que obtêm da respectiva alienação não integra a base de cálculo da contribuição da COFINS, haja vista o disposto no artigo 3º, §2º, inciso IV, da Lei n.. 9.718/98.” acórdão n. 3301-005.179, de 26.9.2018: “VALOR RESIDUAL GARANTIDO. Não cabe ao fisco questionar o valor residual garantido estipulado em contrato, tendo em vista que a lei permite às partes estipular livremente. Não há base legal para desconsiderar o VRG contratual para que seja aplicado outro. O VRG serve de garantia ao arrendador em relação ao bem arrendado, convertendo-se em preço de compra em caso de opção do arrendatário. No encerramento do contrato, por ser preço de compra do bem, o valor pactuado configura receita de ativo imobilizado, devendo ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, nos termos do art. 3º, § 2º, IV da Lei 9.718/1998. (...) “Uma vez demonstrada a inclusão das receitas de venda de alienação de bens do ativo imobilizado na base de cálculo das contribuições, e por não se tratar de receita operacional de arrendamento mercantil, deve ser, com base no art. 3º da Lei n. 9.718/1998, excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS.” Fl. 45342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 6 No mesmo sentido, citam-se os acórdãos n. 3102-001.720, de 30.1.2013, n. 3403- 002.431, de 22.8.2013, n. 3403-002.360, de 23.7.2013, n. 3101-001.598, de 25.3.2014, n. 3401-002.529, de 26.3.2014, n. 3403-003.424, de 13.11.2014, dentre outros. O voto condutor dos acórdãos n. 3402-008.069 a 3402-008.077, de 27.1.2021, reconheceu que: Há duas modalidades de arrendamento mercantil (operacional e financeiro), sendo que a instituição financeira em questão realiza arrendamento mercantil financeiro, que se dá quando “a arrendadora adquire no mercado bem móvel ou imóvel, por indicação do arrendatário, com a finalidade de ceder a ele o uso do bem, por determinado prazo, mediante certa remuneração. O arrendatário, que detém a posse direta do bem e o direito de utilizá-lo conforme suas finalidades, pode, ao final do contrato, devolver o bem arrendado, adquiri-lo pelo valor residual, ou renovar o contrato”; os bens em questão devem ser registrados no ativo imobilizado da instituição financeira, nos termos do art. 3º da Lei n. 6.099, de 1974, e também por que seriam “direitos não realizáveis no curso do exercício social subsequente, os bens arrendados não poderiam ser classificados no ativo circulante”; destacou que o STF, no julgamento do RE n. 547.245/SC, de Relatoria do Ministro Eros Grau, sob a sistemática da repercussão geral, decidiu que nas operação de leasing financeiro ocorre a incidência do ISS, sendo que o STJ, no REsp n. 1.060.210/SC (repetitivo), estabeleceu que o elemento central da operação é o financiamento, motivo pelo qual o ISS caberá ao município onde está situado o estabelecimento da instituição financeira ou equiparada com poderes para autorizar a operação; dessa forma, afirma que o núcleo do contrato é o financiamento para aquisição de um bem, e a base de cálculo do ISS é o preço do serviço, a operação é tributada sobre o valor das contraprestações mensais pagas ao arrendador durante a execução do contrato; – ressaltou que no REsp n. 1.099.212/RJ (Repetitivo – Tema 500), o STJ reconheceu que o VGR tem por função servir de garantia ao arrendador quanto à deterioração do bem arrendado, concluindo no sentido de que “o VRG não faz parte da remuneração de um serviço prestado (financiamento), mas mera garantia de preservação do investimento, que pode ser, inclusive, devolvida ao arrendatário. Portanto, não faz parte da receita operacional da Recorrente.” traçando paralelo com as regras do IRPJ e da CSL, a decisão afirma que a Lei n. 6.099, de 1998, estabelece que os bens arrendados devem ser registrados no ativo imobilizado da arrendadora, e apropriar despesas dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL sobre as respectivas quotas de depreciação (art. 12), enquanto o arrendatário – que não é proprietário do bem – incorre em despesas operacionais pelo valor das contraprestações periódicas pagas em razão do contrato (art. 11). “Encerrado o prazo estipulado, se o arrendatário realizar a opção de compra, o bem integrará seu ativo imobilizado tendo como custo o respectivo preço de opção (art. 15) e a arrendadora apurará ganho de capital pela diferença entre o valor em questão e o valor contábil do equipamento, a esta altura já diminuído pela depreciação acumulada (art. 13).” novamente utilizando as palavras da decisão, “toma-se por empréstimo as regras do RIR/99, vigentes em 2008, ao disciplinar que o resultado proveniente da alienação de bens do ativo permanente é classificado como ganho ou perda de capital, ou seja, resultado não operacional”; a decisão conclui, então, que a base de cálculo das contribuições é Fl. 45343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 7 composta pelos valores resultantes da prestação de serviços de financiamento, natureza do leasing financeiro, sendo que que as receitas decorrentes da venda de bens arrendados não compõem a base de cálculos dos serviços prestados (financiamento), logo são classificadas como receitas não operacionais, estranhas às atividades empresariais típicas e, portanto, sobre elas não incide a tributação do PIS e da COFINS no regime cumulativo; em conclusão, afirma: “Com efeito, no caso dos autos, se os bens arrendados são classificados como ativo imobilizado, diga-se, ativo permanente, é indubitável que as vendas desses ativos podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme prescritivos legais acima colacionados.” No mesmo sentido, também é possível encontrar precedentes judiciais: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITA AUFERIDA NA VENDA DE BENS OBJETO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. 1. Conforme prevê expressamente o art. 3º da Lei n. 6.099/74, os bens objeto de arrendamento mercantil firmado por instituição financeira estão incluídos no ativo imobilizado da empresa. 2. Cabível, assim, a exclusão das receitas oriundas das vendas de bens objeto de contratos de leasing da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, segundo a interpretação literal do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei n. 9.718/98. Não existindo vedação legal a qual determine que as instituições financeiras deixem de gozar do benefício em comento, descabe à autoridade fiscal fazê-la. Entendimento consagrado nos julgados do Conselho Administrativos de Recursos Fiscais. 3. E em nada altera o raciocínio a existência dos §§ 5º e 6º do mesmo artigo aplicável somente as pessoas jurídicas previstas no art. 22, § 1º, da Lei n. 8.212/91. Enquanto o parágrafo 2º enumera verbas que, por opção do legislador para e fins fiscais, não devem ser incluídas no conceito de receita bruta - base de cálculo de ambas as contribuições -, os parágrafos 5º e 6º relacionam "despesas", "perdas", "encargos" e "deságios", cujo montante poderá ser deduzido ou excluído para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS.” (TRF4, AC 5003129-23.2017.4.04.7100, PRIMEIRA TURMA, Relator ROGER RAUPP RIOS, juntado aos autos em 11/07/2018). Essa decisão foi confirmada pelo STJ, após recurso da Fazenda Nacional, no âmbito do Recurso Especial n. 1.801.858 – RS, do qual se transcreve o seguinte trecho: “Com efeito, a Lei n. 6.099/1974 ‘dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil’ e, ante o princípio da especialidade, deve reger a tributação referente à venda dos bens objeto de arrendamento mercantil. Consoante se extrai da lei, a venda do bem ao arrendatário, oportunizada pela cláusula de opção de compra, não desnatura o contrato de arrendamento e, por isso, não pode ser enquadrada como simples operação de compra e venda (arts. 1º Fl. 45344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 8 e 5º), a não ser na hipótese em que ‘a aquisição pelo arrendatário de bens arrendados é feita em desacordo com as disposições da lei’ (art. 11, § 1º). Coerentemente com o art. 3º, segundo o qual ‘serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil’, a lei determina a depreciação do bem como custo da pessoa jurídica arrendadora, considerada sua vida útil; e estabelece que ‘o saldo não depreciado’ será admitido como custo para efeito de apuração do lucro tributável pelo imposto de renda’ (arts. 12 e 13). Ademais, o art. 3º, § 2º, inc. IV, da Lei n. 9.718/1998 é claro ao excluir das bases de cálculo das contribuições ‘as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei n. 6.404/1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível’. E o referido inciso IV do art. 187 dispõe: ‘a demonstração do resultado do exercício discriminará o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas’. Nesse contexto, se mostra genérica a tese fazendária no sentido de que os bens se destinam à venda e seu produto seria espécie de receita operacional, uma vez que o objeto social se relaciona o arrendamento mercantil de seus bens. A legislação diferencia a receita derivada da contraprestação do contrato de arrendamento mercantil daquela proveniente da venda do ativo imobilizado. Ante o exposto, conheço em parte do recurso especial e nego-lhe provimento.” A decisão supracitada reconhece a diferença entre a receita derivada da contraprestação do contrato de arrendamento mercantil, objeto social da instituição que explora essa atividade, daquela proveniente da venda do ativo imobilizado, excluída da base de cálculo das contribuições. O mesmo entendimento foi manifestado pela 1ª Turma no julgamento do REsp n. 1.747.824/SP, de Relatoria da Ministra Regina Helena Costa, e que recebeu a seguinte ementa: “(...) ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). EXCLUSÃO DA RECEITA DECORRENTE DA ALIENAÇÃO DOS BENS ARRENDADOS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS NO REGIME CUMULATIVO. BENS QUE INTEGRAM O ATIVO PERMANENTE (NÃO CIRCULANTE) DA ARRENDADORA. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 3º DA LEI N. 6.099/1974 E 3º, § 2º, IV, DA LEI N.9.718/1998. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (...) V - Durante a vigência do arrendamento mercantil, a sociedade empresária arrendadora é proprietária dos bens arrendados, os quais integram o seu ativo permanente (não circulante), nos termos do art. 3º da Lei n. 6.099/1974. VI - O art. 3º, § 2º, IV, da Lei n. 9.718/1998, exclui da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS no regime cumulativo a receita oriunda da alienação de bens do ativo permanente (não circulante), previsão que alcance a receita decorrente da alienação dos bens objeto de operação de leasing na qual instituição financeira figura como arrendadora. Fl. 45345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.735 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.720097/2018-65 9 VII - Os §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 constituem normas especiais que convivem harmonicamente com as regras gerais previstas no § 2º do mesmo dispositivo de lei, razão pela qual as instituições financeiras descritas no art. 22, § 1º, da Lei n. 8.212/1991 podem deduzir da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS as receitas oriundas da alienação de bens do ativo permanente. VIII - Recurso Especial provido. (REsp n. 1.747.824/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 29/11/2022, DJe de 12/12/2022.) Diante de todo o exposto, impõe-se a reforma da decisão proferida pela DRJ, a fim de que seja reconhecido o direito da Recorrente à exclusão, da base de cálculo da COFINS, das receitas decorrentes da alienação de bens do ativo permanente. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 45346DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.746502/2019-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. ALEGADA CONTRARIEDADE COM AS PROVAS CONSTANTES DOS AUTOS E COM AS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SOBREPOSIÇÃO À ARGUMENTAÇÃO DE MÉRITO. REJEIÇÃO. Se o órgão julgador de origem errou por apreciar equivocadamente as provas apresentadas, por falhar na aplicação de precedentes vinculantes firmados pelo Supremo Tribunal Federal, além de orientações da própria administração tributária, tais questões se revelam matéria de fundo, próprias de revisão da fundamentação recursal (error in judicando), e não, propriamente, erro de procedimento ou de aplicação de normas regulamentares (error in procedendo). COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CUJA EXISTÊNCIA E VALIDADE SÃO OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 170-A do CTN, [é] vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A circunstância de haver orientação geral e vinculante sobre a matéria de fundo pertinente à tipologia do crédito não implica o afastamento desse texto legal.
Numero da decisão: 2202-012.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson - Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-07-16T10:48:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-07-16T10:48:32Z; Last-Modified: 2026-07-16T10:48:32Z; dcterms:modified: 2026-07-16T10:48:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-07-16T10:48:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-07-16T10:48:32Z; meta:save-date: 2026-07-16T10:48:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-07-16T10:48:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-07-16T10:48:32Z; created: 2026-07-16T10:48:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2026-07-16T10:48:32Z; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-07-16T10:48:32Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10880.746502/2019-94 ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 8 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE EVIK SEGURANCA E VIGILANCIA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. ALEGADA CONTRARIEDADE COM AS PROVAS CONSTANTES DOS AUTOS E COM AS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SOBREPOSIÇÃO À ARGUMENTAÇÃO DE MÉRITO. REJEIÇÃO. Se o órgão julgador de origem errou por apreciar equivocadamente as provas apresentadas, por falhar na aplicação de precedentes vinculantes firmados pelo Supremo Tribunal Federal, além de orientações da própria administração tributária, tais questões se revelam matéria de fundo, próprias de revisão da fundamentação recursal (error in judicando), e não, propriamente, erro de procedimento ou de aplicação de normas regulamentares (error in procedendo). COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS CUJA EXISTÊNCIA E VALIDADE SÃO OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 170-A do CTN, “[é] vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. A circunstância de haver orientação geral e vinculante sobre a matéria de fundo pertinente à tipologia do crédito não implica o afastamento desse texto legal. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Adoto o relatório elaborado por ocasião do julgamento da impugnação: DO PROCESSO 1. Trata de manifestação de inconformidade apresentada em face ao Despacho Decisório nº 03 de 26/12/2019, que glosou as compensações declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), referentes às competências 01/2017 a 12/2017. DO DESPACHO DECISÓRIO 2. Em 26/12/2019 foi proferido Despacho Decisório, por meio do qual não foi reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, o que implicou nas glosas de compensações de contribuições previdenciárias informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social nas competências 01/2017 a 12/2017. No referido Despacho Decisório, constam as seguintes informações: Relatório 1.Trata o presente, de processo de análise para glosas de Compensações de Contribuições Previdenciárias, efetuadas indevidamente em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, pelo contribuinte em epígrafe, no período de 01/2017 a 13/2017 na Matriz da empresa, bem como nas Filiais 01.111.567/0003-60, 01.111.567/0004-40, 01.111.567/0005-21, 01.111.567/0006-02, 01.111.567/0007-93, 01.111.567/0008 74, amparado pelas Portarias SRRF08/G nº 33/2016 e SRRF08 nº 52/2017, e com fundamento legal descrito acima. 2. As Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Fl. 2825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 3 Social - GFIP levadas em consideração nesta análise foram aquelas, que se encontravam no “STATUS”: 1 – Exportada, nesse período, situação preconizada pelo Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informação à 74/2019 Previdência Social – SEFIP. (IN RFB 880, de 16/10/2008). 3. A empresa foi intimada em 16/08/2019 (Intimação Fiscal DRFB/STS/SEORT nº 058/2019) conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem – Comunicado, a fim de detalhar a competência e valores, referentes à origem dos saldos credores utilizados, para os créditos das compensações de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP, nas competências 01/2017 a 13/2017, referentes à matriz da empresa, e nas filiais elencadas, conforme planilha anexada à Intimação Fiscal. A empresa foi reintimada através da Intimação Fiscal DRFB/STS/SEORT nº 74/2019, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 01/10/2019. DA ANÁLISE DOS FATOS DOCUMENTO VALIDADO 5. A empresa efetuou compensação nas GFIPs da matriz e filiais , período 01/2017 a 13/2017; após ter recebido as Intimações DRFB/STS/SEORT nº 58/2019 , apresentou demonstrativo dos valores das Retenções de 11%, anexa Notas Fiscais correspondentes a planilha apresentada, alegando que os valores discriminados configuram créditos a favor da empresa, justificando a dedução dos valores das contribuições previdenciárias nas competências elencadas, não demonstrou a origem dos saldos credores das compensações previdenciárias, o que está em desacordo com a Instrução Normativa RFB N.° 1.300, de 20/11//2012 e IN RFB 1. 717, de 17 de julho de 2017 em vigor, que regulamenta a Lei 8.212 de 24 de julho de 1991. 6. Na Intimação DRFB/STS/SEORT nº 74/2019, a empresa continuou não esclarecendo a origem do crédito compensado na GFIP’s , no período 01/2017 a 13/2017, anexa planilhas: Resumo da retenção onde relaciona competência, Valor da Retenção, Retenção Utilizada, Saldo da Retenção; - Relação Mensal da Retenção onde consta competência, número e Valor das Notas Fiscais, Valor da Retenção de 11%. Anexa também, cópias de SEFIP do período. 7. Concluímos que, não tendo a empresa demonstrado a origem do direito creditório, que arcou com as compensações previdenciárias declaradas em GFIP’s no período de 01/2017 a 13/2017, não restou alternativa, senão considerar como indevidas as compensações previdenciárias apontadas nessas competências, sujeitando-se o contribuinte à incidência das penalidades constantes dos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa RFB N.° 1.300, de 20/11//2012: (...) Fundamentos legais 8. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, bem como as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme caput do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, em nova redação dada pela Lei n° 11.941/2009, conforme transcrito abaixo: (...) Fl. 2826DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 4 Atendendo o disposto no caput do art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, que, desde a publicação da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, disciplina que as contribuições nele especificadas poderão ser restituídas ou compensadas nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012, tratou da questão: (...) 9. Portanto, o instrumento utilizado pelo sujeito passivo para fins de informação da compensação de contribuições previdenciárias é a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, mediante preenchimento de campos próprios, que reduzem o valor devido à Previdência Social, conforme artigo 56, §7° da Instrução Normativa RFB N.º 1.300/2012: (...) 10. A GFIP, por sua vez, constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, constituindo-se em termo de confissão de dívida, conforme dispõe o art. 32º da Lei n° 8.212, de 1991, c/c o art. 225º do Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, e com os art. 47, 456 e 460, da IN RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, in verbis: (...) DOCUMENTO VALIDADO 11. Cabe à fiscalização da Receita Federal do Brasil - RFB confirmar e validar as compensações declaradas em GFIP. Para tanto, é dever de a empresa prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme artigo 32, inciso III, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, abaixo transcritos: (...) 12. Repise-se que a GFIP constitui instrumento de confissão de dívida, podendo-se proceder à sua imediata inscrição em Dívida Ativa da União (DAU) em caso de não pagamento no prazo estipulado na legislação. É o que se depreende da leitura do Decreto-Lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, da Lei n° 8.212, de 1991, e do Decreto n° 3.048, de 1999, conforme segue: (...) 13. A entrega da GFIP tanto formaliza o cumprimento de obrigação acessória, quanto comunica a existência de crédito tributário, enquadrando-se perfeitamente nas prescrições dos §§ 1° e 2° do art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124, de 1984 (transcritos acima). O descumprimento da obrigação de apresentá-la no prazo fixado ou sua apresentação com incorreções ou omissões enseja a aplicação de multa isolada: ( ...) 14. Desta feita, se trata de documento que registra a concordância ou qualquer outra manifestação do contribuinte quanto aos elementos necessários à constituição do crédito tributário, quais sejam, os fatos geradores de contribuição previdenciária, sua base de cálculo, alíquota, competência, identificação do sujeito passivo e outras ocorrências que podem afastar seu pagamento ou diminuir o valor devido: (...) 15. Em suma, quando a lei ordinária reconhece como constituído o crédito tributário pela informação, declaração ou confissão do montante devido, fruto de apuração pelo próprio sujeito passivo, nada mais faz que confirme uma situação de fato, concedendo ao crédito o status de liquidez e certeza. 16. Diante dos fatos relatados e nos termos do art. 142 da Lei nº 5.172/66, Código Tributário Nacional - CTN, conclui-se que é privativa da Autoridade Administrativa a atividade de constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 2827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 5 correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. As modalidades de lançamento estão previstas nos artigos 147º ao 150º do CTN, em consonância com a previsão do art. 146, III, “b”, da Constituição Federal de 1988, que entre outras situações, determina lançamento do crédito pelo fato do não atendimento por parte da empresa, da apresentação dos documentos que poderiam elucidar a origem das compensações efetuadas. (...) DOCUMENTO VALIDADO 17. Abaixo, segue planilha demonstrativa do período da glosa de compensação de contribuições previdenciárias, e seus valores, como resultado da Auditoria de Compensação em todas as GFIP envolvidas: [...] 18. Por todo o exposto e, considerando que as compensações realizadas pelo sujeito passivo em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP no período de 01/2017 a 13/2017, na matriz e filiais elencadas acima, estão em desacordo com as normas legais aplicáveis, esta decisão é no sentido de as mesmas sejam consideradas indevidas, e os créditos tributários que foram supostamente liquidados retornem a condição de exigíveis nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil - RFB, desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previstos na legislação tributária vigente. 19. Encaminhado o presente para procedimento administrativo da ciência ao interessado, e demais providências atinentes, nos termos da decisão proferida. 2.1. Seguem acostados aos autos os termos de intimação mencionados pela autoridade fiscal. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DOCUMENTO VALIDADO 3. A empresa teve ciência do Despacho Decisório por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, em 07/01/2020, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72, apresentando por intermédio de seu procurador, manifestação de inconformidade (fls. 28 a 32) em 09/01/2020, juntando procuração, documentos de identificação e documentos comprobatórios, (fls. 33 a 2747), aduzindo as alegações que seguem adiante. DO EFEITO SUSPENSIVO 3.1. Salienta que a própria Receita Federal do Brasil, ao intimar a Recorrente do Despacho Decisório, do qual a mesma tomou ciência em 07/01/2020, ali consignou expressa e textualmente a possibilidade de contestação com efeito suspensivo nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que acrescenta também agasalhado pelas disposições do art. 151, III, c/c art. 110 e 201, todos dos CTN, sendo que a Procuradoria da Fazenda Nacional posiciona-se no sentido de que, após o advento da Lei nº 10.833/03 os recursos passaram a ter efeito suspensivo. 3.2. Aduz que de outra parte, o Superior Tribunal de Justiça reconhece que mesmo os recursos interpostos antes da supra referida lei são dotados de efeito suspensivo, justamente porque seu objetivo é o de impugnar a cobrança do tributo e, como tal, não se poderia admitir, antes mesmo da decisão final, no âmbito administrativo, o prosseguimento da exigência. 3.3. Conclui, pois, que a existência de defesa ou Fl. 2828DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 6 recurso administrativo interposto com fundamento em lei ou ato regulamentar que prevejam seu cabimento atrai, necessariamente, a aplicação da causa de suspensão prevista no inciso III, do artigo 151, do CTN. DOS FATOS 3.4. Alega que utilizou créditos previdenciários declarados regularmente em GFIP, informando a seguir que a origem decorre de situações diferentes, que descreve em duas partes: A) Parte deles originária do creditamento advindo da não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as chamadas “verbas indenizatórias”, diante do estabelecido pelo julgamento do REsp n. 1.230.957/RS, apreciado sob a sistemática do artigo 1.036, do CPC, e cuja decisão deve ser obedecida conforme dispõe o Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF; e B) Outra parte originária das retenções (11%) , art. 31, da Lei 8.212/91, devidamente consignadas nas Notas Fiscais emitidas pela empresa, utilizando os créditos previdenciários que foram lançados em suas GFIP’s ao longo do período 01/2017 a 13/2017, na Matriz da empresa, bem como das Filiais 01.111.567/0003-60, DOCUMENTO VALIDADO 01.111.567/0004-40, 01.111.567/0005-21, 01.111.567/0006-02, 01.111.567/0007-93, 01.111.567/0008-74, amparada pelas Portaria SRRF08/G nº 33/2016 e SRRF08 nº 52/2017, e com fundamento legal especificado, devidamente detalhado pela própria Receita Federal, os quais tendo sido objeto de GLOSA pela zelosa fiscalização, que rejeitou os referidos créditos, a Recorrente (EVIK SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA), através da interposição da presente Manifestação de Inconformidade, em recurso voluntário, na forma da lei, REQUER que os seus créditos previdenciários GLOSADOS no instrumento fiscal aqui impugnado, sejam – todos eles – submetidos à reavaliação da instância administrativa ad quem – especificamente a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto -, de modo que, nessa esfera recursal, a autoridade fiscal possa constatar – e confirmar – a legalidade e a legitimidade da aqui recorrente a todos os créditos que utilizou, focando essa reanálise especificamente se do valor tido como devido (ou compensações consideradas indevidas) apontado às fls. 20 do Despacho Decisório de R$.8.061.509,43 para que seja deduzido o valor das “Verbas Indenizatórias” e, sequencialmente, do valor que porventura venha remanescer, seja o mesmo auditado em confronto com as retenções que a empresa teve em suas notas fiscais, e cujo reexame a recorrente aqui propugna ao acurado crivo da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto (cuja competência para a Segunda Instância Administrativa foi informada à aqui Recorrente pela Intimação Fiscal DRFB/STS/SEORT N. 91/2019, datada de 27/12/2019, e da qual a Recorrente tomou ciência em 07/01/2020). DO DIREITO DAS PRELIMINARES 3.5. Afirma, que utilizou seus créditos previdenciários originados das duas possibilidades legais e jurídicas acima indicadas (Retenções de 11%, mais a não incidência das chamadas “verbas indenizatórias”), e tudo devidamente registrado/lançado/consignado nas respectivas GFIP’s, constantes desse processo. 3.6. Frisa que a fiscalização ao fazer a Auditoria, que resultou no Despacho Decisório objeto da peça de defesa, não considerou: (i) O legítimo e legal direito da aqui Recorrente em utilizar o valor Fl. 2829DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 7 do crédito advindo das chamadas “verbas Indenizatórias”, direito esse que foi formalmente postulado pela Recorrente propugnando o direito da mesma ao creditamento das nominadas “verbas Indenizatórias”, sendo que a Recorrente invoca, ali, o Recurso Representativo da Controvérsia (“Repetitivo”), nos termos do artigo 1.036 do Código de Processo Civil, já que referido aresto vincula todos os Tribunais de 2ª Instância, bem como os Juízos de 1º grau, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Parecer PGFN/CDA/CRJ n. 396/2013), a Procuradoria da Fazenda Nacional (Lei n. 10.522/2002, artigo 19, inciso V), além do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – (Portaria MF n. 256/2009, art. 62-A); ANEXO I; (ii) Quanto ao valor das retenções (11%), uma vez que a empresa recorrente sofreu essas retenções, devidamente destacadas em suas notas fiscais, o direito à sua utilização/creditamento decorre de expressa disposição legal, (Art. 31, da Lei 8.212/91, com os procedimentos disciplinados pela IN RFB 1.300, de 20/11/2012, concernente à época; (Vide a relação das Notas Fiscais acostadas anteriormente ao processo administrativo pela aqui recorrente, c/c Arrazoado ora juntado, como ANEXO II); DO MÉRITO DOCUMENTO VALIDADO 3.7. Observa que a Receita Federal do Brasil, através da intimação fiscal DRFB/STS/SEORT Nº 058/2019, acessada pelo Contribuinte em 16/08/2019, que deu início ao procedimento de verificação que resultou no Despacho Decisório objeto da presente Manifestação de Inconformidade -, questionava o valor global de R$.8.061.509,43. lançado pela Recorrente em suas GFIP’s no período em questão. 3.8. Comenta que desenvolvido o trabalho de verificação pela Fiscalização, o Despacho Decisório impugnado concluiu que as compensações “não esclarecidas” deveria permanecer no total inicialmente questionando pela RFB, qual seja seria de R$ 8.061.509,43 (fls. 20 do retro referido Despacho Decisório). 3.9. Prossegue observando que na Planilha que está das folhas 18 até 20 (do Despacho Decisório), tem-se o resultado da auditoria das compensações previdenciárias efetuada pela Fiscalização, sendo que a mesma não considerou nenhum crédito da Contribuinte, como se vê da conclusão do Despacho, especificamente às fls. 20 do mesmo, terminando por considerar que o valor total das compensações consideradas indevidas permanece no importe de R$ 8.061.509,43. 3.10. Frisa, que releva insistir que o valor das chamadas Verbas Indenizatórias, cujo legítimo direito a sua plena fruição decorre das disposições/decisões invocadas acima, sendo que sua devida análise e consideração está sendo enfatizada e expressamente requerida pela Recorrente neste Processo Administrativo, cuja decisão é aqui impugnada, não foi considerado, sequer mencionado, pela Auditoria Fiscal no levantamento que resultou no Despacho Decisório aqui impugnado, e cujo acolhimento e exame propugna, invocando o inteiro teor das razões, documentos e fundamentos legais e jurídicos trazidos a manifestação de inconformidade. 3.11. Argumenta por fim, que do valor tido como devido (ou compensações consideradas indevidas) apontado às fls. 20 do Despacho Decisório é de R$ 8.061.509,43, dele deve ser deduzido o valor das “Verbas Indenizatórias” e, sequencialmente, do valor que porventura venha remanescer, seja o mesmo auditado em confronto com as retenções que a empresa teve em suas notas Fl. 2830DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 8 fiscais, e cujo reexame a recorrente aqui propugna ao acurado crivo da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto (cuja competência para a Segunda Instância Administrativa foi informada à aqui Recorrente pela Intimação Fiscal DRFB/STS/SEORT nº 03/2019, datada de 27/12/2019). DOCUMENTOS ANEXADOS 3.12. Ressalta que anexa à Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (i) Petição e Documentos do procedimento judicial interposto pela Recorrente propugnando o direito desta ao creditamento das nominadas “verbas Indenizatórias”, sendo que a Recorrente invoca, ali, o Recurso Representativo da Controvérsia (“Repetitivo”), nos termos do artigo 1.036 do Código de Processo Civil, já que referido aresto vincula todos os Tribunais de 2ª Instância, bem como os Juízos de 1º grau, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Parecer PGFN/CDA/CRJ n. 396/2013), a Procuradoria da Fazenda Nacional (Lei n. 10.522/2002, artigo 19, inciso V), além do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – (Portaria MF n. 256/2009, art. 62-A); ANEXO I; DOCUMENTO VALIDADO (ii) O arrazoado anexo, demonstrando a fundamentação fática e jurídica do direito da aqui Recorrente que, havendo utilizado os créditos previdenciários lançados em suas GFIP’s ao longo do período 01/2017 até 13/2017, que tendo sido objeto de GLOSA pela zelosa fiscalização, que rejeitou os referidos créditos, a Recorrente (EVIK SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA), através da interposição da presente Manifestação de Inconformidade, REQUER que os seus créditos previdenciários GLOSADOS no instrumento fiscal aqui impugnado, sejam – todos eles – submetidos à reavaliação da instância administrativa ad quem – especificamente a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto, de modo que, nessa esfera recursal, a autoridade fiscal possa constatar – e confirmar – a legalidade e a legitimidade da aqui recorrente a todos os créditos que utilizou e, decorrentemente, ao final seja extinta a pretensa exigência fiscal. DO PEDIDO 3.13. Aduz que à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da glosa de contribuição previdenciária, materializada no Despacho Decisório aqui impugnado, já que a verificação fiscal ali realizada não avaliou (e não considerou) adequada e legalmente todos os créditos da Recorrente, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, com efeito suspensivo, em conformidade com o expresso comando do próprio ato aqui combatido, para que a Delegacia de Julgamento reanalise os pleitos da aqui Recorrente. 3.14. Prossegue ainda argumentando que se, ao final das compensações previdenciárias que utilizou, seja através de créditos advindos das retenções de 11% (onze por cento), seja através da não incidência das chamadas “verbas indenizatórias”, a cujo direito a aqui recorrente dispõe de decisão judicial inquestionável (ANEXO I), remanescer algum valor a recolher à Receita Federal do Brasil, a aqui Recorrente, ciosa de suas obrigações, providenciará o devido recolhimento, na forma e condições que a lei determinar e/ou possibilitar, cumprindo plena e integralmente suas obrigações tributárias. 3.15. Por fim, conclui enfatizando e requerendo na forma da lei, para que acolha a defesa em consonância com o art. 33, do Decreto nº 70.235/72, e art. 151, III, do CTN, que estabelece que, pendente de julgamento do Fl. 2831DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 9 recurso administrativo, nele compreendido o conceito de manifestação de inconformidade, fica suspensa a exigibilidade do débito, até julgamento definitivo. O órgão julgador de origem houve por bem manter o lançamento, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECLARADA EM GFIP. REQUISITOS LEGAIS. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A compensação das contribuições previdenciárias efetuada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), pelo contribuinte, pressupõe necessariamente a certeza e a liquidez do crédito apto a extinguir a obrigação tributária, que deverá ser provada por quem o declara, sob pena de ser considerada indevida. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação que rege a matéria, os valores indevidamente compensados em GFIP devem ser glosados. Cientificado do resultado do julgamento da impugnação em 12/09/2024, uma quinta-feira (fls. 2.798), o recorrente interpôs o presente recurso voluntário em 17/09/2024, uma terça-feira (fls. 2.800), em que se sustenta, sinteticamente: a) Ofende o princípio da segurança jurídica a não aplicação da tese vinculante do STJ (REsp 1.230.957/RS) sobre não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias, pois o artigo 62-A do Regimento Interno do CARF determina que decisões em sistema de recursos repetitivos vinculam todos os tribunais e órgãos da administração tributária; b) Contraria o disposto no artigo 31 da Lei 8.212/91 a glosa dos créditos oriundos de retenções de 11%, já que a parte-recorrente possui direito expresso ao creditamento dessas retenções devidamente consignadas nas notas fiscais emitidas; c) Vilipendia o direito ao contraditório e ampla defesa a omissão da autoridade lançadora em analisar adequadamente os créditos de verbas indenizatórias apresentados pela parte-recorrente, considerando que tais créditos foram formalmente postulados e documentados nos autos; d) Desrespeita o artigo 33 do Decreto 70.235/72 a negativa de efeito suspensivo ao recurso voluntário, pois a própria lei estabelece que tal recurso possui efeito suspensivo dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão; Fl. 2832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 10 e) Viola o artigo 151, III do Código Tributário Nacional a manutenção da exigibilidade do débito durante a pendência do recurso administrativo, já que a legislação prevê suspensão da exigibilidade enquanto não julgado o recurso; f) Ignora a jurisprudência vinculante do STJ sobre terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e primeiros 15 dias de afastamento por doença, conforme Tema Repetitivo 479, 478 e 737, que estabelecem não incidência de contribuição previdenciária sobre essas verbas; g) Desconsidera o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF que determina que decisões definitivas do STF e STJ em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos; h) Prejudica a parte-recorrente a não realização da auditoria completa solicitada, que deveria deduzir primeiro o valor das verbas indenizatórias do montante questionado de R$ 8.061.509,43 e somente depois confrontar o remanescente com as retenções de notas fiscais; i) Ofende o princípio da isonomia a tratamento desigual entre servidores públicos e empresas privadas quanto à natureza das verbas salariais, pois o STF decidiu em 2006 que somente parcelas incorporáveis ao salário sofrem incidência previdenciária, sendo vedado tratamento desigual conforme Constituição Federal; j) Desrespeita o artigo 195 da Constituição Federal a ampliação indevida da base de cálculo da contribuição previdenciária, já que a lei estabelece que a seguridade social será financiada mediante contribuições incidentes sobre folha de salários, receita ou faturamento e lucro, não abrangendo verbas de natureza indenizatória. Ante o exposto, pede-se a desconstituição do crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino, Relator 1 CONHECIMENTO Conheço do recurso voluntário, porquanto tempestivo e aderente aos demais requisitos para exame e julgamento da matéria. Fl. 2833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 11 2 PRELIMINARES 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO JULGAMENTO A parte-recorrente apresenta preliminar de nulidade, assim sintetizada: I. Nulidade por Falta de Análise Integral dos Créditos Apresentados A parte-recorrente alega que a fiscalização NÃO CONSIDEROU o legítimo e legal direito em utilizar o valor do crédito advindo das chamadas "verbas Indenizatórias", apesar da consistente documentação acostada às fls 70 até 205 dos autos administrativos; quanto ao valor das retenções (11%), uma vez que a empresa recorrente sofreu essas retenções, devidamente destacadas em suas notas fiscais, o direito à sua utilização/creditamento decorre de expressa disposição legal, Art. 31, da Lei 8.212/91, com os procedimentos disciplinados pela IN RFB 1.300, de 20/11/2012; II. Nulidade por Descumprimento do Dever de Reavaliação Administrativa A parte-recorrente REQUER que os seus créditos previdenciários GLOSADOS no instrumento fiscal aqui impugnado, sejam todos eles submetidos à reavaliação da instância administrativa ad quem, especificamente a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto, de modo que, nessa esfera recursal, a autoridade fiscal possa constatar e confirmar a legalidade e a legitimidade da aqui recorrente a todos os créditos que utilizou; III. Nulidade por Violação do Efeito Suspensivo do Recurso Voluntário A própria Intimação n. 404/2018, que INTIMOU a aqui Recorrente do v. ACÓRDÃO 16-85.109, da 13ª Turma da DRJ/SPO, estabelece textualmente que fica facultado ao Contribuinte interpor Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de 30 dias; tal prerrogativa encontra suporte na lei, art. 33 do Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, verbis: Art. 33- Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão; ademais, o efeito suspensivo, aqui invocado, está também agasalhado pelas disposições do Art. 151, III, c.c. Arts 110 e 201, todos dos CTN; conclui-se, pois, que a existência de defesa ou recurso administrativo interposto com fundamento em lei ou ato regulamentar que prevejam seu cabimento atrai, necessariamente, a aplicação da causa de suspensão prevista no inciso III, do artigo 151, do CTN; IV. Nulidade por Ausência de Fundamentação Adequada Em que pese a apreciação feita pela E. Turma Julgadora, entende a contribuinte que o julgamento não foi adequado à situação fática, tampouco adequado ao ordenamento jurídico, razão pela qual, deverá ser reformada; a fiscalização ao fazer a Auditoria, que resultou no Despacho Decisório objeto do presente Recurso Fl. 2834DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 12 Voluntário, NÃO CONSIDEROU o legítimo e legal direito da aqui Recorrente em utilizar o valor do crédito advindo das chamadas "verbas Indenizatórias"; V. Nulidade por Desobediência ao Regimento Interno do CARF A parte-recorrente invoca o inteiro teor das razões, documentos e fundamentos legais e jurídicos que trouxe, dentro do prazo legal, a este processo administrativo (fls 70 até 205); o artigo 62, parágrafo 1º, inciso II, alínea "a" e "b" é claro quanto à vedação aos membros das turmas de julgamento do CARF de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade; as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Rejeito as preliminares, porquanto a argumentação do recorrente se confunde com o exame das questões de mérito do recurso. De fato, se o órgão julgador de origem errou por apreciar equivocadamente as provas apresentadas, por falhar na aplicação de precedentes vinculantes firmados pelo Supremo Tribunal Federal, além de orientações da própria administração tributária, tais questões se revelam matéria de fundo, próprias de revisão da fundamentação recursal (error in judicando), e não, propriamente, erro de procedimento ou de aplicação de normas regulamentares (error in procedendo). O caráter material ou substancial do vício decorrente da má interpretação probatória pode ser confirmado a partir de precedentes deste CARF, como exemplificado a partir das seguintes ementas: Numero do processo:13603.720062/2007-79 Turma:3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:3ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016 Data da publicação:Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016 Ementa:Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/11/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os Fl. 2835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 13 equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação e indicação das normas de interpretação adotadas na reclassificação fiscal de mercadoria importada alcança a própria substância do crédito tributário, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. A ausência de motivação no Auto de Infração acarreta a sua nulidade, por vício material. Recurso Especial do Procurador Negado. Numero da decisão:9303-003.811 Decisão:Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em: (a) Por voto de qualidade, conhecer do recurso especial, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Maria Teresa Martínez López. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para o voto vencedor quanto à admissibilidade; e, (b) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Raquel Novais, OAB/SP nº 76.649, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto Vanessa Marini Cecconello - Relatora Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Nome do relator:VANESSA MARINI CECCONELLO Numero do processo: 11080.727602/2015-76 Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023 Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2023 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA, VALOR VIGENTE NA DATA DE APRECIAÇÃO DO RECURSO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme a Súmula Fl. 2836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 14 CARF nº 103. FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO NÃO VERIFICADO. ART. 142 DO CTN. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material diz respeito aos aspectos intrínsecos do lançamento e se relaciona com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, a teor do que dispõe o art. 142 do CTN. GILRAT. ENQUADRAMENTO. O fato da lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, preconizado no art. 5º, inc. II, e da legalidade tributária, art. 150, I, ambos da Constituição da República. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGISTRO NO CNAS E CEBAS. NECESSIDADE. ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. CONSTITUCIONALIDADE. STF. RE 566.622. O art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, foi julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Especial RE 566.622, em sua redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187- 13/2001, sendo exigível, à época de ocorrência dos fatos geradores, o registro junto ao Conselho Nacional de Assistência Social e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, para efeito de fruição do benefício de desoneração das contribuições devidas à seguridade social. As exigências para fruição do benefício fiscal encontram-se expressamente previstos em atos normativos, cabendo à parte interessada a prática dos atos necessários a torná-la apta à fruição do benefício. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, ressalvadas as expressas exceções, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquela objeto da decisão. Numero da decisão: 2202-009.823 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos de defesa, relativos ao AI/Debcad nº 51.036.046-7, de decadência, nulidade e desqualificação da multa de ofício; e na parte conhecida do recurso voluntário, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial, para declarar que a nulidade do AI Debcad nº 51.036.046-7 é por vício material, vencido o conselheiro Mário Hermes Soares Campos (relator) que negou provimento. Os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros e Martin da Silva Gesto votaram pelas conclusões com relação ao pedido de reconhecimento da imunidade da recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (documento assinado Fl. 2837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 15 digitalmente) Mário Hermes Soares Campos – Presidente e Relator (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sônia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Martin da Silva Gesto e Mário Hermes Soares Campos (Presidente). Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS Numero do processo:15504.000128/2009-16 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2022 Data da publicação:Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2022 Ementa:ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e de planejamento das atividades da Administração Tributária. Este instrumento não pode obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal, que decorre exclusivamente da Lei. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não constitui motivo suficiente para a nulidade do lançamento, especialmente quando não resultam em preterição do direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexistindo a demonstração probatória não há que se falar em nulidade no lançamento. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. EMPRESA COM MAIS DE UM ESTABELECIMENTO E MAIS DE UMA ATIVIDADE. ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADES AUTÔNOMAS DE NATUREZA NÃO RURAL. CONCEITO DE ATIVIDADE ECONÔMICA PREPONDERANTE DA EMPRESA. REGRA DE ENQUADRAMENTO ÚNICO PARA TODA A EMPRESA (MATRIZ E FILIAIS), INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 351 DO STJ, CONSTRUÍDA PARA O SAT/RAT/GILRAT, QUE PERMITE DIFERENCIAÇÃO PELO CNPJ. EMPRESA DE PESQUISA EM SUA CONCEPÇÃO ECONÔMICA INTEGRAL. Fl. 2838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 16 ATIVIDADE RURAL EM ESTABELECIMENTO/FILIAL DOTADO DE CNPJ. RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA DO ESTABELECIMENTO. PRETENDIDO ENQUADRAMENTO SUBSTITUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. RECOLHIMENTO CORRETO SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTOS DE TODOS OS EMPREGADOS E TRABALHADORES AVULSOS. Com exceção das agroindústrias, é vedada às empresas, compreendidas a partir de seu todo (matriz e filiais), integrada por todos os estabelecimentos com CNPJ, que exploram outra atividade econômica, além da atividade rural, a prerrogativa de apurar a contribuição patronal a seu cargo, referente aos empregados da área rural, tomando como base o valor da comercialização da produção rural. A empresa, concebida como um todo, que desempenha outra atividade econômica autônoma de natureza comercial, industrial ou de serviços não está sujeita à contribuição previdenciária patronal substitutiva incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção, mantendo a condição de sujeito passivo das contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, em relação à remuneração de todos os segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. A empresa (a pessoa jurídica), nessa conceituação, composta de sua matriz e filiais, e não cada estabelecimento de modo isolado, é a responsável pelo pagamento das contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento. OPERAÇÃO DE MÚTUO. NÃO COMPROVAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DOS FATOS PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. Para comprovação da operação de mútuo, firmado por instrumento particular, não se faz necessário o registro dos contratos de empréstimo em títulos e documentos, tampouco é exigido reconhecimento de firma para a sua validade, mas é imprescindível demonstrar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a ocorrência efetiva da operação de mútuo, sob pena do seu não reconhecimento. Não tendo o contribuinte comprovado a existência efetiva da operação de empréstimo, com suporte em documentação hábil e idônea, pode a fiscalização reclassificar os fatos, buscando a natureza dos fatos efetivamente ocorridos e lançar contribuições sociais previdenciárias relativo à entrega de numerários aos sócios sob o fundamento de que era decorrente de contrato de mútuo. Numero da decisão:2202-009.219 Decisão:Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Samis Antonio de Queiroz, Ricardo Chiavegatto de Lima (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Mário Hermes Soares Campo (Presidente). Nome do relator:LEONAM ROCHA DE MEDEIROS Fl. 2839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 17 Em verdade, os argumentos coligidos pelo recorrente demonstram insatisfação contra o resultado do julgamento, e não, propriamente, com o modo como ele foi conduzido, isto é, com suposta inobservância de rito, procedimento ou garantia processual. O acórdão está motivado e fundamentado, ainda que com o resultado não concorde o recorrente, e que, eventualmente, eles estejam em desconformidade com o direito federal. Ante o exposto, reiterado o exame das questões apresentadas no momento oportuno, durante o julgamento de mérito, REJEITO a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, violação do contraditório, contrariedade à ampla defesa e falha na observância do devido processo legal. Diante do exposto, rejeito o argumento. 3 MÉRITO 3.1 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS CUJA VALIDADE ESTÁ JUDICIALIZADA Em resumo, o recorrente sustenta: I. Compensação Originada de Retenções Previdenciárias (Art. 31 da Lei 8.212/91) A parte-recorrente sustenta que parte dos créditos utilizados originou- se das retenções de onze por cento realizadas pelas empresas tomadoras de serviços, conforme disposto no Art. 31 da Lei 8.212/91; tais retenções foram devidamente consignadas nas Notas Fiscais emitidas pela empresa ao longo do período de maio de 2013 até março de 2016; os créditos previdenciários decorrentes dessas retenções foram lançados em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); a fiscalização analisou essas retenções e considerou que foram inicialmente utilizadas para abatimento das contribuições previdenciárias devidas na GFIP do estabelecimento que sofreu a retenção na competência em que emitidas as respectivas Notas Fiscais, sendo que eventuais saldos foram utilizados para compensar as contribuições informadas em outros estabelecimentos; o direito à utilização e creditamento desses valores decorre de expressa disposição legal e dos procedimentos disciplinados pela Instrução Normativa RFB 1.300 de 20 de novembro de 2012, vigente à época. II. Compensação Originada da Não Incidência sobre Verbas Indenizatórias (Jurisprudência Vinculante) A parte-recorrente argumenta que outra parte dos créditos advém da não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as chamadas "verbas indenizatórias", fundamentada no julgamento do REsp 1.230.957/RS, apreciado sob a sistemática do artigo 1.036 do Código de Processo Civil; essa decisão possui caráter vinculativo aos demais órgãos do Poder Fl. 2840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 18 Judiciário e ao Poder Executivo, incluindo a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; a tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça estabelece que não incide contribuição previdenciária sobre terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença, por não se tratarem de verbas salariais ou ganhos habituais; a parte-recorrente demonstra que esses valores foram devidamente registrados e lançados nas respectivas GFIPs, e que a documentação comprobatória encontra-se nos autos administrativos (fls. 70 até 205); a fiscalização teria falhado ao não considerar esse direito creditório, apesar da decisão judicial inquestionável que rege a matéria; o artigo 62-A do Regimento Interno do CARF determina que tal decisão deve ser obedecida, e o § 2º do artigo 62 do mesmo regimento obriga os conselheiros a reproduzirem as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional. III. Distinção entre Créditos Consolidados e Créditos em Discussão Judicial Pendente A parte-recorrente esclarece que, embora tenha havido menção a créditos originados de decisões judiciais não transitadas em julgado, a maior parte dos créditos em questão refere-se às verbas indenizatórias já pacificadas pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, e não a meros direitos discutidos em juízo sem trânsito em julgado; o argumento central é que a aplicação do artigo 170-A do Código Tributário Nacional e do artigo 81 da Instrução Normativa RFB 1.300/2012, que impediam a compensação de créditos discutidos judicialmente sem trânsito em julgado, não se aplica aos créditos derivados da não incidência sobre verbas indenizatórias, pois estes já possuem fundamento jurídico consolidado e não dependem de trânsito em julgado de ação específica para serem reconhecidos como não devidos; a parte-recorrente requer que seja feito o abatimento do valor das verbas indenizatórias do montante total considerado indevido, para que apenas o remanescente seja auditado em confronto com as retenções. IV. Demonstração de Comprovação Parcial pela Própria Fiscalização A parte- recorrente destaca que a própria Receita Federal do Brasil, através do Despacho Decisório, já considerou comprovados e abateu do total questionado inicialmente o valor de R8.469.962,69, 𝑟𝑒𝑑𝑢𝑧𝑖𝑛𝑑𝑜𝑜𝑚𝑜𝑛𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒𝑑𝑒𝑅 25.130.460,88 para R$ 16.660.498,19; isso demonstra que a fiscalização reconheceu a possibilidade de compensação para parte dos créditos apresentados; a parte-recorrente argumenta que a mesma lógica de reconhecimento deve ser aplicada aos créditos restantes referentes às verbas indenizatórias e às retenções que foram indevidamente glosados, pois a documentação apresentada é consistente e segue os requisitos legais. À exceção do argumento III, aplica-se o art. 170-A do CTN. A superveniente orientação jurisprudencial, ainda que vinculante, enquanto geral e abstrata, sobre o mérito teórico da constitucionalidade de terminada exação, não afasta a necessidade de trânsito em Fl. 2841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 19 julgado de eventual sentença, se o tema tiver sido judicializado pelo contribuinte, no caso concreto. Nessa linha, parecem-me pertinente as considerações postas no artigo "Quando aplicar a lei virou superstição: Carf e coerência seletiva", de autoria de Ana Carolina Silva Barbosa e outros dois autores1, oferece uma análise crítica sobre uma recente decisão da 2ª Seção do Carf que teria, em tese, permitido a compensação de contribuições previdenciárias sem o necessário trânsito em julgado. Ao questionar a narrativa de que essa exigência legal seria uma mera "superstição" ou um formalismo arcaico, esses autores defendem que, na verdade, trata-se de um comando expresso e cristalino do artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Para esses autores, o debate transcende a simples formalidade processual. Eles argumentam que a exigência de trânsito em julgado, ratificada pelo entendimento da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo 346, é uma regra jurídica de aplicação obrigatória. Ao ignorar essa diretriz em favor de precedentes que interessam apenas ao contribuinte, a decisão não promove a esperada "coerência institucional", mas expõe uma seletividade preocupante. Esses autores alertam que, no sistema de precedentes, a coerência exige integridade: não é possível tratar certos precedentes como pilares fundamentais e outros, que contrariam o interesse momentâneo, como meros adornos dispensáveis. Além disso, esses autores ressaltam que o papel do Carf, enquanto órgão de controle de legalidade, é justamente zelar pela observância das normas estabelecidas pelo legislador. Ao decidir por conveniência ou tentar relativizar regras claras, abre-se espaço para a insegurança jurídica, isto é, justamente o oposto do objetivo que deveria nortear o sistema. Concluem, portanto, que aplicar a lei não pode ser confundido com superstição, pois a observância rigorosa do ordenamento jurídico e de suas regras vinculantes é, acima de tudo, um dever funcional e o pilar de uma administração tributária pautada pela verdadeira justiça e imparcialidade. Diante do exposto, rejeito esse feixe de argumentos recursais. 3.2 ALEGADA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS ALHEIOS À AÇÃO JUDICIAL Relembre-se o Argumento e respectivo Pedido que arbitrariamente nomeou-se III: III. Distinção entre Créditos Consolidados e Créditos em Discussão Judicial Pendente 1 Barbosa, A. C. S.,et. al. Quando aplicar a lei virou superstição: o Carf, o artigo 170-A do CTN e a coerência seletiva. Consultor Jurídico, São Paulo, 18 mar. 2026. Disponível em: <https://www.conjur.com.br/2026-mar-18/o-dia-em-que-aplicar-a-lei-virou-supersticao-o-carf-o-artigo-170-a- do-ctn-e-a-coerencia-seletiva>. Fl. 2842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 20 A parte-recorrente esclarece que, embora tenha havido menção a créditos originados de decisões judiciais não transitadas em julgado, a maior parte dos créditos em questão refere-se às verbas indenizatórias já pacificadas pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, e não a meros direitos discutidos em juízo sem trânsito em julgado; o argumento central é que a aplicação do artigo 170-A do Código Tributário Nacional e do artigo 81 da Instrução Normativa RFB 1.300/2012, que impediam a compensação de créditos discutidos judicialmente sem trânsito em julgado, não se aplica aos créditos derivados da não incidência sobre verbas indenizatórias, pois estes já possuem fundamento jurídico consolidado e não dependem de trânsito em julgado de ação específica para serem reconhecidos como não devidos; a parte-recorrente requer que seja feito o abatimento do valor das verbas indenizatórias do montante total considerado indevido, para que apenas o remanescente seja auditado em confronto com as retenções. A vacuidade e a ambiguidade da argumentação impede que se divise, no caso concreto, a existência de créditos tributários estranhos à ação judicial manejada pelo recorrente. De fato, não há nas razões recursais registro analítico de quais valores não teriam versado em ação judicial, com a indicação de quantias, períodos de apuração, nem de documentos comprobatórios. Com base estritamente no recurso voluntário, a parte-recorrente indica expressamente que as seguintes verbas não estariam ativamente em discussão judicial, por já possuírem sua não incidência previdenciária consolidada em jurisprudência vinculante do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.230.957/RS): a) terço constitucional de férias, pois o STJ firmou a tese, no Tema Repetitivo 479, de que tal verba possui natureza indenizatória/compensatória e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não incide contribuição previdenciária a cargo da empresa; b) aviso prévio indenizado, pois o STJ firmou a tese, no Tema Repetitivo 478, de que não incide contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título, por não se tratar de verba salarial; c) os quinze primeiros dias de afastamento por doença ou acidente, pois o STJ firmou a tese, no Tema Repetitivo 737, de que a importância paga pelo empregador ao empregado durante esse período não se enquadra na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. A parte-recorrente sustenta que essas verbas, englobadas sob a denominação "verbas indenizatórias", não dependem de trânsito em julgado de ações judiciais específicas para Fl. 2843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.003 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.746502/2019-94 21 ensejar o creditamento, pois sua exclusão da base de cálculo já se encontra pacificada por decisão definitiva proferida sob a sistemática dos artigos 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil, cuja observância é vinculante para a própria Receita Federal, a Procuradoria da Fazenda Nacional e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o artigo 62-A do Regimento Interno do CARF e o Parecer PGFN/CDA/CRJ n. 396/2013. Como se vê, não há uma relação necessária entre o argumento e a conclusão, pois a circunstância de o STJ ter decidido em precedente vinculante sobre certos créditos não implica que o contribuinte não os tenha incluído em sua ação. Far-se-ia necessário que o recorrente indicasse, de modo expresso e analítico, cada um dos créditos que não estariam na ação judicial. Sem esses dados, é impossível reverter as conclusões a que chegou o órgão julgador de origem. Diante do exposto, rejeito o argumento. 4 DISPOSITIVO Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares, e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 2844DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 CONHECIMENTO 2 PRELIMINARES 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO E DO JULGAMENTO 3 MÉRITO 3.1 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS CUJA VALIDADE ESTÁ JUDICIALIZADA 3.2 ALEGADA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS ALHEIOS À AÇÃO JUDICIAL 4 DISPOSITIVO

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Numero do processo: 10715.721205/2017-86
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 05/06/2017 EXTINÇÃO DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA APÓS VENCIDO PRAZO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO, REQUISITO OU PRAZO. PROCEDÊNCIA. É devida a multa por descumprimento de condição, requisito ou prazo fixado na concessão do regime de admissão temporária quando a providência de extinção do regime se dá além do prazo máximo previsto pela legislação aplicável ao caso. EXTINÇÃO DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA APÓS VENCIDO PRAZO. MULTA DE OFICIO SOBRE TRIBUTOS. INADIMPLÊNCIA DO REGIME. É devida a multa de ofício sobre os tributos suspensos que se tornaram exigíveis com a inadimplência do regime de admissão temporária, ou por descumprimento de condição, requisito ou prazo fixado na concessão do regime de admissão temporária, quando a providência de extinção do regime se dá além do prazo máximo previsto pela legislação aplicável ao caso.
Numero da decisão: 3002-004.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jorge Luis Cabral (substituto[a] integral), Marcelo Enk de Aguiar (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente). Ausente(s) o(a) conselheiro(a) Renata Casorla Mascarenas, substituído(a) pelo(a)conselheiro(a) Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: GISELA PIMENTA GADELHA

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MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO, REQUISITO OU PRAZO. PROCEDÊNCIA. É devida a multa por descumprimento de condição, requisito ou prazo fixado na concessão do regime de admissão temporária quando a providência de extinção do regime se dá além do prazo máximo previsto pela legislação aplicável ao caso. EXTINÇÃO DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA APÓS VENCIDO PRAZO. MULTA DE OFICIO SOBRE TRIBUTOS. INADIMPLÊNCIA DO REGIME. É devida a multa de ofício sobre os tributos suspensos que se tornaram exigíveis com a inadimplência do regime de admissão temporária, ou por descumprimento de condição, requisito ou prazo fixado na concessão do regime de admissão temporária, quando a providência de extinção do regime se dá além do prazo máximo previsto pela legislação aplicável ao caso. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 2 GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS – Relator Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jorge Luis Cabral (substituto[a] integral), Marcelo Enk de Aguiar (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente). Ausente(s) o(a) conselheiro(a) Renata Casorla Mascarenas, substituído(a) pelo(a)conselheiro(a) Marcelo Enk de Aguiar. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos ocorridos, adoto, na íntegra, o relatório do acórdão 108- 040.901 – 17ª TURMA/DRJ08: Versa este processo sobre auto de infração, no qual figura como autuada a TAM LINHAS AÉREAS S/A, CNPJ nº 02.012.862/0009-17, lavrado para exigência de multa (10%) pelo descumprimento do regime aduaneiro especial de admissão temporária aplicado ao bem objeto da Declaração da Importação (DI) nº 14/0949258-5 (fls. 45 a 48) e multa proporcional aos tributos aduaneiros suspensos na operação de importação (75%), cujo montante somou R$ 82.656,45. A referida admissão temporária, formalizada pelo processo administrativo nº 10715.723747/2014-41 (fls. 13 a 117), foi solicitada nos termos do artigo 5, inciso 5º, da IN RFB nº 1.361/2013, com prazo de validade de 6 meses (fl. 15). Pela via eletrônica, a interessada foi intimada para tomar ciência do auto de infração em 29/06/2017 (fl. 123), tendo ela apresentado impugnação e documentos em 27/07/2017 (fls. 126 a 150). A unidade preparadora reconheceu a tempestividade da impugnação (fl. 152). A defesa alegou que: Não incidência de tributos na importação de aeronaves, suas partes, peças e materiais de manutenção e reparo. 1. Não houve cobrança de multa de ofício relativa ao Imposto de Importação (II), isto porque a base de cálculo é zero; 2. Da mesma forma, o bem importado também goza de isenção para o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), embora incorretamente declarado no Termo de Responsabilidade, e alíquota zero para o PIS/COFINS-Importação; 3. O Decreto-lei nº 37/1966, desde a sua edição, já previa a isenção do II e do IPI às aeronaves, suas partes, peças e demais materiais de manutenção e reparo, importados por empresas nacionais concessionárias de linhas regulares de transporte aéreo. Reproduziu legislação (arts. 10 e 15, inc. XI, do DL nº 37/1966); 4. Posteriormente, em 1990, o Governo brasileiro editou a Lei n° 8.032, mantendo expressamente a isenção concedida às partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves. Reproduziu legislação (arts. 1º, 2º, inc. II, “j”, e 3º, inc. I, da Lei nº 8.032/1990); 5. Os dispositivos citados acima se encontram plenamente em vigor e são hoje regulamentados pelo Decreto n° 6.759/2009 Fl. 193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 3 (Regulamento Aduaneiro), que prevê as isenções do II e do IPI. Reproduziu legislação (arts. 136, inc. II, “i”, 174 e § 1º, e 245, inc. I, do Dec. nº 6.759/2009); 6. O referido dispositivo é claro ao dispor que haverá isenção do IPI quando os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao II for conferido. Ora, se no termo de responsabilidade consta como sendo zero o II, certamente o mesmo deveria ocorrer com o IPI, o que, entretanto, não foi observado na ocasião; 7. Não há, portanto, qualquer dúvida quanto à isenção ou alíquota zero para o II e IPI na entrada de aeronaves, suas partes, peças e materiais de manutenção e reparo, demonstrando nitidamente o intuito do governo brasileiro em exonerar qualquer tributação relacionada à importação destes bens; 8. Quanto ao PIS/COFINS-Importação, a Lei n° 10.865/2004, que os instituiu, previu a incidência de alíquota zero (0%) para as aeronaves e suas partes e peças. Essa lei foi modificada em 2004 e 2008 apenas para esclarecer alguns termos e incluir na alíquota zero os insumos, lubrificantes, tintas e outros materiais utilizados na manutenção e reparo de aeronaves. Reproduziu legislação (art. 8º, § 12, incs. VI e VII, da Lei nº 10.865/2004); 9. O inciso II do § 13 do artigo 8° da Lei nº 10.865/2004 determinou que o Poder Executivo regulamentasse a utilização da alíquota zero nas hipóteses tratadas no § 12, dentre as quais se encontram as partes, peças e materiais de manutenção e reparo de aeronaves. Reproduziu legislação (art. 8º, § 13, inc. II, Lei nº 10.865/2004); 10. Em obediência à Lei, regulamentando a alíquota zero (0%) para o PIS/COFINSImportação, o governo editou o Decreto n° 5.171, de 06 de agosto de 2004, que passou a prever de forma indubitável o não pagamento dos tributos nas operações de importação de aeronaves, suas partes, peças, componentes e materiais de manutenção e reparo. Esse Decreto encontra-se em vigor atualmente. Reproduziu legislação (art. 4º, incs. VI e VII, do Decreto nº 5.171/2004); 11. É imprescindível notar que há toda uma legislação devidamente regulamentada cumprindo a intenção do governo brasileiro de desonerar a importação das aeronaves, suas partes, peças e materiais de manutenção e reparo para cada um dos tributos federais incidentes na importação; 12. Nesse diapasão, sendo o bem submetido ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, não há que se falar na aplicação de multa cuja base de cálculo, que estará reduzida a zero, é o montante do tributo devido; Violação ao princípio do non bis in idem e a Súmula CARF nº 105. 13. A Súmula nº 105 do CARF apenas ratifica o que o ordenamento jurídico pátrio impõe, ou seja, a impossibilidade de dupla penalização do acusado em face da vedação ao bis in idem; 14. No caso, é nítida a impossibilidade de aplicação concomitante da multa pelo descumprimento do regime de admissão temporária, tida como isolada, e da multa de ofício; 15. Ambas as multas possuem na prática o mesmo fato gerador, qual seja, o descumprimento do regime de admissão temporária, visto que esta foi a ação que tornou possível a execução do termo de responsabilidade e, consequentemente, da aplicação da multa de ofício ora impugnada. Reproduziu trecho de voto proferido no âmbito do Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); 16. O descumprimento do regime de admissão temporária é meio necessário à execução dos tributos cujo termo de responsabilidade fora assinado, tendo em vista a suspensão/isenção destes até então; Do pedido. 17. Diante de todo o exposto, requer seja acolhida a presente impugnação, para que seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, bem como desconstituído o crédito tributário apurado Em sede de julgamento, os membros da 17ª Turma/DRJ08, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a Impugnação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Fl. 194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 4 FATO GERADOR: 05/06/2017 REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS, CONDIÇÕES OU PRAZO. MULTA. CABIMENTO. Comprovado pela fiscalização o descumprimento do prazo estabelecido para permanência no país de mercadoria ingressada sob regime aduaneiro especial de admissão temporária, cabível a aplicação da multa de 10% sobre o correspondente valor aduaneiro. ISENÇÃO DOS IMPOSTOS ADUANEIROS (II / IPI). PARTES, PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS AO REPARO, REVISÃO OU MANUTENÇÃO DE AERONAVES. Para fazer jus a isenção do Imposto de Importação (II) e do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), a importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão ou manutenção de aeronaves deve atender aos requisitos previstos no artigo 2º e 3º da Lei nº 8.032/90, bem como os previstos pelos artigos 174 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) e 54 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. PARTES, PEÇAS E COMPONENTES IMPORTADOS EMPREGADOS NO REPARO, REVISÃO OU MANUTENÇÃO DE AERONAVE CLASSIFICADA NA POSIÇÃO (NCM) 88.02. Na importação de partes, peças e componentes para emprego no reparo, revisão ou manutenção de aeronave classificada na posição (NCM) 88.02, o importador poderá se beneficiar da alíquota zero para o PIS/COFINSImportação desde que faça prova da posse ou propriedade da aeronave. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário, alegando a impossibilidade de concomitância da multa isolada com a multa de ofício nos termos da Súmula CARF n. 105; assim como a impossibilidade de aplicação de multa de ofício por haver um termo de responsabilidade constituindo o crédito tributário anteriormente à autuação. Ao fim, requer a nulidade do auto de infração. É o relatório. VOTO Gisela Pimenta Gadelha, Conselheira Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. O regime de admissão temporária permite a importação de bens com suspensão total ou parcial do pagamento dos tributos incidentes sobre a importação, desde que tais bens permaneçam no país por prazo determinado e sejam observadas as exigências previstas na legislação aplicável. Fl. 195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 5 As importações realizadas sob esse regime inserem-se no campo de incidência dos tributos sobre o comércio exterior, embora a exigibilidade do respectivo pagamento permaneça suspensa durante a vigência do benefício. Nesse contexto, o crédito tributário correspondente aos tributos federais incidentes na importação, cujo recolhimento foi suspenso em razão da concessão do regime, é formalizado mediante termo de responsabilidade. Em caso de descumprimento das condições assumidas, o crédito poderá ser exigido pela autoridade fiscal, acrescido das penalidades e encargos legais cabíveis. O Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), especialmente em seus artigos 353 e seguintes, com a redação conferida pelo Decreto nº 8.010/2013, disciplina o regime aduaneiro especial de admissão temporária e estabelece, em seu artigo 367, as hipóteses de extinção do regime: “Art. 353. O regime aduaneiro especial de admissão temporária é o que permite a importação de bens que devam permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento de tributos, ou com suspensão parcial, no caso de utilização econômica, na forma e nas condições deste Capítulo (Decreto-Lei no 37, de 1966, art. 75; e Lei no 9.430, de 1996, art. 79, caput). .Art. 358. Para a concessão do regime, a autoridade aduaneira deverá observar o cumprimento cumulativo das seguintes condições (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 75, § 1º, incisos I e III): I - importação em caráter temporário, comprovada esta condição por qualquer meio julgado idôneo; II - importação sem cobertura cambial; e III - adequação dos bens à finalidade para a qual foram importados. Art. 360. No ato da concessão, a autoridade aduaneira fixará o prazo de vigência do regime, que será contado do desembaraço aduaneiro. § 1º Entende-se por vigência do regime o período compreendido entre a data do desembaraço aduaneiro e o termo final do prazo fixado pela autoridade aduaneira para permanência da mercadoria no País, considerado, inclusive, o prazo de prorrogação, quando for o caso. § 2º Na fixação do prazo ter-se-á em conta o provável período de permanência dos bens, indicado pelo beneficiário. Art. 364. Será exigida garantia das obrigações fiscais constituídas no termo de responsabilidade, na forma do art. 759. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil disporá sobre os casos em que poderá ser dispensada a garantia a que se refere o caput (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 75, § 4º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). Art. 367. Na vigência do regime, deverá ser adotada, com relação aos bens, uma das seguintes providências, para liberação da garantia e baixa do termo de responsabilidade: I - reexportação; II - entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebê-los; III - destruição, às expensas do interessado; IV - transferência para outro regime especial; ou Fl. 196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 6 V - despacho para consumo, se nacionalizados. § 1º [.....]. § 9º Na hipótese de indeferimento do pedido de prorrogação de prazo ou dos requerimentos a que se referem os incisos II a V, o beneficiário deverá iniciar o despacho de reexportação dos bens no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão, salvo se superior o período restante fixado para a sua permanência no País.” Conclui-se, a partir dos dispositivos transcritos, que a extinção do regime exige que o beneficiário adote, em relação ao bem admitido temporariamente, uma das providências previstas no artigo 367 do Decreto nº 6.759/2009, quais sejam: reexportação; entrega à Fazenda Nacional; destruição às expensas do interessado; transferência para outro regime aduaneiro especial; ou despacho para consumo, na hipótese de nacionalização do bem. Cumpre destacar, ainda, que, em caso de indeferimento do pedido de prorrogação do prazo de permanência no regime, o despacho de reexportação deverá ser iniciado no prazo de trinta dias, contado da ciência da decisão administrativa. À época dos fatos, a Instrução Normativa RFB nº 1.361/2013 disciplinava a aplicação dos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária e de exportação temporária nos seguintes termos: Art. 5º Poderão ser submetidos ao regime de admissão temporária com suspensão total do pagamento de tributos incidentes na importação os bens, inclusive semoventes, admitidos ao amparo de acordos internacionais e os destinados a: I – [.....]; V - seu próprio beneficiamento, montagem, renovação, recondicionamento, acondicionamento, reacondicionamento, conserto, reparo ou restauração; VI – [.....]. Art. 23. Na vigência do regime, deverá ser adotada, com relação aos bens, uma das seguintes providências para extinção de sua aplicação: I - reexportação; II – [.....]. § 2º Tem-se por tempestiva a providência para extinção da aplicação do regime quando, no prazo de vigência, o beneficiário: I - em relação à providência prevista no inciso I do caput, registrar a DE e: a) der entrada dos bens em recinto alfandegado; b) apresentar os bens à unidade da RFB de saída; ou c) solicitar a conferência no local em que se encontra o bem, em situações de comprovada impossibilidade de sua armazenagem em local alfandegado ou, ainda, em outras situações justificadas, tendo em vista a natureza dos bens ou circunstâncias específicas da operação;” Assim sendo, depreende-se que o preceito normativo acima transcrito prevê a possibilidade de regular extinção do regime mediante a reexportação do bem, desde que, dentro do prazo de vigência da admissão temporária, sejam observados os seguintes requisitos: registro da Declaração de Exportação, ingresso do bem em recinto alfandegado e sua apresentação à unidade da Receita Federal do Brasil responsável pela saída do território nacional. Por outro lado, constatado o descumprimento das condições, requisitos ou prazos estabelecidos para fruição do regime, aplica-se a penalidade prevista no artigo 72 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nos seguintes termos: “Art. 72. Aplica-se a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro Fl. 197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 7 especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime;” Feitas essas considerações, passo a análise do presente caso. No caso, por meio do processo administrativo nº 10715.723747/2014-41, a Recorrente apresentou o “Requerimento de Solicitação do Regime de Admissão Temporária” (RAT) (fl. 15), para que fosse concedida a admissão temporária do bem acobertado pelo AWB nº 145- 42693991, pelo prazo de seis meses, para fins de conserto e reforma. Em 19/05/2014, a Recorrente registrou a DI nº 14/0949258-5, instruída pelo AWB nº 145-42693991, na qual foi declarada uma unidade de cabo direto do fan dos motores, serial number: 2559001, part number: 7455-4000-502, peso líquido de 340,00 kg, no valor de US$ 168.428,49. Posteriormente, através de Intimação datada de 23/06/2015 (fl. 65), a fiscalização solicitou à beneficiária esclarecimentos sobre o descumprimento do regime, sob pena de execução administrativa do termo de responsabilidade e lavratura de auto de infração para constituição do crédito tributário relativo às penalidades aplicáveis. De acordo com o documento de fl. 71, a beneficiária teve ciência dessa Intimação em 23/06/2015. Em 30/06/2015, ela solicitou dilação do prazo para atendimento da Intimação (fl. 75). Conforme verificado no relatório, o caso dos autos versa sobre lançamento de multa aduaneira por descumprimento de condição de regime de admissão temporária e de multa de ofício sobre o valor dos tributos suspensos, o qual foi ratificado pela DRJ. Na sequência, a fiscalização intimou à beneficiária para iniciar, no prazo de dez dias, os procedimentos de reexportação do bem, após o pagamento da multa prevista no artigo 72 da Lei nº 10.833/2003, sendo-lhe facultado, no mesmo prazo, registrar declaração de importação, na forma do artigo 31 da IN RFB nº 1.361/2013. Caso não fosse adotada, dentro do prazo fixado, uma das providências indicadas, a beneficiária ficaria sujeita ao previsto no artigo 32 da citada Instrução Normativa (fl. 85). Em razão do descumprimento do regime, a beneficiária foi intimada a recolher os tributos aduaneiros garantidos em termo de responsabilidade (R$ 79.377,11), sem prejuízo do lançamento através de auto de infração das multas e demais acréscimos legais (fl. 99), como efetivamente ocorreu. Entendo que ambas as multas devem ser mantidas. Diferentemente do alegado pela Recorrente, existe base legal para ambas as penalidades, as quais possuem diferentes critérios e motivações. O regime de admissão temporária é um regime aduaneiro especial em que os tributos incidentes na importação ficam suspensos por período determinado (vigência do regime), tornando-se isentos apenas diante da comprovação de cumprimento total do regime. Por ser um benefício conferido pela autoridade aduaneira, o não cumprimento das obrigações nos prazos e condições impostas implica em penalidade, qual seja, a multa de 10% do valor aduaneiro do bem. Fl. 198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 8 Como anteriormente citado, tais regras e procedimentos estão claramente dispostas nos arts. 360, 367 e 709 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6759/2009): Art. 360. No ato da concessão, a autoridade aduaneira fixará o prazo de vigência do regime, que será contado do desembaraço aduaneiro. § 1º Entende-se por vigência do regime o período compreendido entre a data do desembaraço aduaneiro e o termo final do prazo fixado pela autoridade aduaneira para permanência da mercadoria no País, considerado, inclusive, o prazo de prorrogação, quando for o caso. § 2º Na fixação do prazo ter-se-á em conta o provável período de permanência dos bens, indicado pelo beneficiário. [...] Art. 367. Na vigência do regime, deverá ser adotada, com relação aos bens, uma das seguintes providências, para liberação da garantia e baixa do termo de responsabilidade: I - reexportação; II - entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebê-los; III - destruição, às expensas do interessado; IV - transferência para outro regime especial; ou V - despacho para consumo, se nacionalizados. [...] Art. 709. Aplica-se a multa de dez por cento sobre o valor aduaneiro, no caso de descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime aduaneiro especial de admissão temporária ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo. [...] § 3º A aplicação da multa a que se refere o caput não prejudica a exigência dos tributos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. A mesma redação consta do art. 72 da Lei 10.833/2003: Art. 72. Aplica-se a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; e II – 5% (cinco por cento) do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A multa aplicada na forma deste artigo não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Assim, considerando que, apesar das intimações realizadas pela fiscalização em o prazo do regime de admissão temporária da recorrente foi extinto e não foram respondidas pela Fl. 199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 9 empresa os esclarecimentos solicitados e tampouco foram trazidos aos autos provas que demonstrem o devido cumprimento do regime dentro do prazo conferido, não restam dúvidas quanto à incidência da multa de 10%. A peça recursal, inclusive, também não defende o cumprimento do regime, focando na impossibilidade de cobrança das multas por suposto bis in idem. Como desdobramento dessa infração – descumprimento do regime de admissão temporária -, tem-se a perda dos benefícios do regime, ou seja, a revogação da suspensão conferida no momento do registro de importação. Consequentemente, os tributos suspensos passam a ser devidos e, por não terem sido pagos no momento do desembaraço, constam como débito tributário da recorrente passível de lançamento – processo 10715.723747/2014-41: Conforme dispõe o RA no que concerne o lançamento de tributos devidos, tem-se a possibilidade de cobrança não só de juros de mora sobre o valor devido, mas também de multa de ofício pelo pagamento a destempo, vejamos: Art. 725. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos impostos ou contribuições de que trata este Decreto: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso II; [...] Assim, resta claro que, por serem devidas com base em diferentes fundamentos, ambos previstos no RA e não excludentes, cabível o lançamento de ambas as multas. Tal possibilidade de cumulação das penalidades resta, inclusive, declarada no § 2º do art. 72 da Lei n. 10.833/2003 e no § 3º do art. 709 do RA. Por fim, quanto ao pedido de aplicação da Súmula CARF 105 ao presente caso, a referida Súmula trata de situação distinta da presente: Súmula 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício Conforme se depreende da leitura da Súmula, seu conteúdo restringe-se às antecipações tributárias federais no regime do lucro real e à vedação de dupla penalidade no ajuste anual, não se aplicando ao regime de Admissão Temporária, inserido no âmbito do direito aduaneiro, que possui sistemática e penalidades próprias. Ademais, conforme amplamente demonstrado, não há, no caso em análise, qualquer hipótese de bis in idem. Pelas razões acima expostas, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.442 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.721205/2017-86 10 Assinado Digitalmente GISELA PIMENTA GADELHA DANTAS Fl. 201DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10925.903490/2018-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL . Não se conhece de parte do recurso voluntário por manifesta falta de interesse recursal quando a Recorrente se insurge contra matéria na qual se sagrou vencedora na decisão de primeira instância. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. INOBSERVÂNCIA Viola o princípio da dialeticidade o recurso que não impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida, mormente quando o provimento recorrido foi favorável à parte, tornando as razões recursais dissociadas da realidade processual e inaptas a promover a reforma do julgado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito nos termos do artigo 170 do CTN. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito pleiteado e, não desincumbindo deste ônus, não há como reconhecer o direito creditório. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, entende-se por desnecessária a realização. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. O Conceito de insumo deve ser aferido a partir dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço dentro do desenvolvimento da atividade econômica do Contribuinte. CONCORDÂNCIA COM FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA RÉPLICA DAS RAZÕES IMPUGNATÓRIAS. APLICAÇÃO DO RICARF O Recorrente não apresentou em suas razões recursais fundamentos ou prova documental aptas a afastar as conclusões da decisão recorrida. Assim, mantém-se os fundamentos da decisão conforme art. 114, §12 do RICARF. VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, o art. 1º da Leinº 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. FRETE AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 188. Nos termos da súmula 188 do CARF É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 235. Nos termos da súmula nº 235 do CARF as despesas incorridas com embalagens para transporte de produto, quando destinadas à sua manutenção, preservação e qualidade, enquadram-se na definição de insumos fixada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Em regra geral, não são considerados insumos as despesas destinadas a viabilizar a atividade de mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de seguro e seguro de vida. As despesas com representação comercial não são consideradas insumos geradores de créditos não cumulativos, haja vista que não estão vinculadas à produção de bens, mas a outros setores da pessoa jurídica. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 217 CARF. Nos termos da Súmula nº 217 do CARF os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. O custo de aquisição de bens para o ativo imobilizado somente enseja o direito a crédito não cumulativo caso sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO. A revenda de leite in natura a granel deve ser efetuada obrigatoriamente com suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, implicando o estorno de eventuais créditos apurados na proporção das vendas efetuadas. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. RESSARCIMENTO. Apenas o crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins apurado com base no percentual de 50% das alíquotas básicas das contribuições, previsto no inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de recursos repetitivos (tema 1033 - RESP 1.767.945/PR) deve ser reconhecido o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055/21 sobre créditos não ressarcido ou não compensado a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-015.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas sobre fretes pagos na aquisição de leite in natura e material de embalagem, aplicando a correção da Selic nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055 de 06 de dezembro de 2021 sobre estes créditos adicionais a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima - Relatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Keli Campos de Lima, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: KELI CAMPOS DE LIMA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL . Não se conhece de parte do recurso voluntário por manifesta falta de interesse recursal quando a Recorrente se insurge contra matéria na qual se sagrou vencedora na decisão de primeira instância. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. INOBSERVÂNCIA Viola o princípio da dialeticidade o recurso que não impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida, mormente quando o provimento recorrido foi favorável à parte, tornando as razões recursais dissociadas da realidade processual e inaptas a promover a reforma do julgado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito nos termos do artigo 170 do CTN. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito pleiteado e, não desincumbindo deste ônus, não há como reconhecer o direito creditório. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, entende-se por desnecessária a realização. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. O Conceito de insumo deve ser aferido a partir dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço dentro do desenvolvimento da atividade econômica do Contribuinte. CONCORDÂNCIA COM FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA RÉPLICA DAS RAZÕES IMPUGNATÓRIAS. APLICAÇÃO DO RICARF O Recorrente não apresentou em suas razões recursais fundamentos ou prova documental aptas a afastar as conclusões da decisão recorrida. Assim, mantém-se os fundamentos da decisão conforme art. 114, §12 do RICARF. VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, o art. 1º da Leinº 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. FRETE AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 188. Nos termos da súmula 188 do CARF É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 235. Nos termos da súmula nº 235 do CARF as despesas incorridas com embalagens para transporte de produto, quando destinadas à sua manutenção, preservação e qualidade, enquadram-se na definição de insumos fixada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Em regra geral, não são considerados insumos as despesas destinadas a viabilizar a atividade de mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de seguro e seguro de vida. As despesas com representação comercial não são consideradas insumos geradores de créditos não cumulativos, haja vista que não estão vinculadas à produção de bens, mas a outros setores da pessoa jurídica. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 217 CARF. Nos termos da Súmula nº 217 do CARF os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. O custo de aquisição de bens para o ativo imobilizado somente enseja o direito a crédito não cumulativo caso sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO. A revenda de leite in natura a granel deve ser efetuada obrigatoriamente com suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, implicando o estorno de eventuais créditos apurados na proporção das vendas efetuadas. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. RESSARCIMENTO. Apenas o crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins apurado com base no percentual de 50% das alíquotas básicas das contribuições, previsto no inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de recursos repetitivos (tema 1033 - RESP 1.767.945/PR) deve ser reconhecido o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055/21 sobre créditos não ressarcido ou não compensado a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento.

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CONHECIMENTO PARCIAL. FALTA DE INTERESSE RECURSAL . Não se conhece de parte do recurso voluntário por manifesta falta de interesse recursal quando a Recorrente se insurge contra matéria na qual se sagrou vencedora na decisão de primeira instância. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. INOBSERVÂNCIA Viola o princípio da dialeticidade o recurso que não impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida, mormente quando o provimento recorrido foi favorável à parte, tornando as razões recursais dissociadas da realidade processual e inaptas a promover a reforma do julgado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito nos termos do artigo 170 do CTN. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito pleiteado e, não desincumbindo deste ônus, não há como reconhecer o direito creditório. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. DESNECESSIDADE. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Estando presentes nos autos todos os elementos de Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 2 convicção necessários à adequada solução da lide, entende-se por desnecessária a realização. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. O Conceito de insumo deve ser aferido a partir dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço dentro do desenvolvimento da atividade econômica do Contribuinte. CONCORDÂNCIA COM FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA RÉPLICA DAS RAZÕES IMPUGNATÓRIAS. APLICAÇÃO DO RICARF O Recorrente não apresentou em suas razões recursais fundamentos ou prova documental aptas a afastar as conclusões da decisão recorrida. Assim, mantém-se os fundamentos da decisão conforme art. 114, §12 do RICARF. VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, o art. 1º da Leinº 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. FRETE AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 188. Nos termos da súmula 188 do CARF É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 235. Nos termos da súmula nº 235 do CARF as despesas incorridas com embalagens para transporte de produto, quando destinadas à sua manutenção, preservação e qualidade, enquadram-se na definição de insumos fixada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 3 CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Em regra geral, não são considerados insumos as despesas destinadas a viabilizar a atividade de mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de seguro e seguro de vida. As despesas com representação comercial não são consideradas insumos geradores de créditos não cumulativos, haja vista que não estão vinculadas à produção de bens, mas a outros setores da pessoa jurídica. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 217 CARF. Nos termos da Súmula nº 217 do CARF os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. O custo de aquisição de bens para o ativo imobilizado somente enseja o direito a crédito não cumulativo caso sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO. A revenda de leite in natura a granel deve ser efetuada obrigatoriamente com suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, implicando o estorno de eventuais créditos apurados na proporção das vendas efetuadas. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. RESSARCIMENTO. Apenas o crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins apurado com base no percentual de 50% das alíquotas básicas das contribuições, previsto no inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. Fl. 258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 4 CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. De acordo com entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de recursos repetitivos (tema 1033 - RESP 1.767.945/PR) deve ser reconhecido o direito à correção da Selic, nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055/21 sobre créditos não ressarcido ou não compensado a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas sobre fretes pagos na aquisição de leite in natura e material de embalagem, aplicando a correção da Selic nos termos do artigo 148 da Instrução Normativa RFB nº 2055 de 06 de dezembro de 2021 sobre estes créditos adicionais a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima – Relatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Keli Campos de Lima, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente manifestação de inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que indeferiu parcialmente pedido de ressarcimento apresentado pelo Contribuinte relativo créditos de PIS não-cumulativa vinculado às receitas não tributadas no mercado interno, bem como crédito presumido apurado nos termos do art. 9-A da Lei nº 10.925, de 2004 relativo ao 1º trimestre de 2016. Fl. 259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 5 Após a análise dos pedidos e documentos apresentados a fiscalização apresentou relatório fiscal em que detectou a apropriação indevida de créditos vinculados à receita não tributada – mercado interno, relacionados a bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos e máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Além disso, deferiu parcialmente o ressarcimento de créditos presumidos calculados na forma do inciso V do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em razão da glosa de créditos relacionados à aquisição de leite in natura que foram revendidos, bem como indeferiu o ressarcimento de crédito presumido com fundamento no inciso III do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, relacionado à aquisição de insumos para a produção de rações. Informada a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujo fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: : 01/01/2016 a 31/03/2016 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revela-se prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora. VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, o art. 1º da Leinº 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. COOPERATIVAS. CRÉDITO BÁSICO. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS. VEDAÇÃO. As cooperativas somente podem descontar créditos básicos calculados sobre serviços adquiridos de não associados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n° 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a Fl. 260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 6 produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. INSUMO. ESSENCIALIDADE. RELEVÂNCIA. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n° 5/2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. CRÉDITO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. INSUMO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI. VESTIMENTAS. UNIFORMES. POSSIBILIDADE. Por se tratarem de bens especificamente exigidos pela legislação para viabilizar a atuação da mão de obra no processo produtivo, os equipamentos de proteção individual e os uniformes utilizados na atividade de produção de bens são considerados insumos passíveis de creditamento das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. INSUMOS. MATERIAL DE LIMPEZA. MATERIAL UTILIZADO EM LABORATÓRIO. INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA. POSSIBILIDADE. Os materiais de limpeza e de laboratório são considerados insumos, passíveis de créditos não cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins quando aplicados no ambiente produtivo da empresa fabricante de gênero alimentício, haja vista que a sua falta implica perda de qualidade do produto disponibilizado para venda. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao armazenamento e transporte dos produtos acabados, não geram direito a créditos de PIS/Pasep ou Cofins. CRÉDITOS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA MANUTENÇÃO PERIÓDICA DE PARTES DO ATIVO IMOBILIZADO. Os bens utilizados na manutenção periódica de partes do ativo imobilizado responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço da pessoa jurídica são considerados insumos geradores de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Fl. 261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 7 CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Em regra geral, não são considerados insumos as despesas destinadas a viabilizar a atividade de mão de obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de seguro e seguro de vida. CRÉDITOS. INSUMOS. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com representação comercial não são consideradas insumos geradores de créditos não cumulativos, haja vista que não estão vinculadas à produção de bens, mas a outros setores da pessoa jurídica. FRETE NA COMPRA DE BENS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Somente dão direito aos créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os custos com fretes sobre aquisições de bens e serviços que também proporcionam créditos das contribuições. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os dispêndios com fretes relativos às transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não ensejam o direito ao crédito nº regime não cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, uma vez que não são consideradas insumos. CRÉDITOS. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. Os créditos decorrentes de custos de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa devem ser calculados sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO. A revenda de leite in natura a granel deve ser efetuada obrigatoriamente com suspensão da incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, implicando o estorno de eventuais créditos apurados na proporção das vendas efetuadas. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. RESSARCIMENTO. Apenas o crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins apurado com base nº percentual de 50% das alíquotas básicas das contribuições, previsto no inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. Fl. 262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 8 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA APÓS 360 DIAS DO PROTOCOLO. A correção monetária dos créditos objetos de pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e de Cofins somente será cabível após decorridos 360 dias da data de protocolo desse pedido sem que tenha havido manifestação do Fisco. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada do acórdão recorrido, insurge a Recorrente por meio de Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento, aduzindo os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, em síntese: i. Reclassificação indevida do CST 53 para CST 50 ii. Direito ao crédito sobre os fretes pagos na aquisição de leite in natura iii. Embalagens adquiridas do fornecedor Tetra Pak LTDA. Reclassificação indevida do CST 51 para CST 53 iv. Conceito de insumos e direito ao crédito sobre: Iv,1. Materiais para laboratório e análise do leite. Materiais para limpeza e esterilização das máquinas industriais. Uniformes e materiais de proteção individual. Serviços de análise laboratorial. iv.2 . Combustíveis e lubrificantes. iv.3. Materiais de embalagem iv.4. Materiais para manutenção das máquinas, equipamentos e instalações industriais iv..5. Serviços de representação comercial. Transporte de funcionários. iv.6. Frete sobre vendas. Transferência de produção v. Glosas sem constituição de prova nem fundamentação legal. v.1 Bens do ativo imobilizado. Créditos com base na depreciação v.2 Bens do ativo imobilizado. Créditos com base no valor de aquisição vi. Direito ao crédito presumido vinculado às saídas com suspensão. vii. Habilitação do crédito presumido – programa mais leite saudável. viii. Crédito presumido calculado sobre notas resfriamento do leite. ix. Necessidade de diligência e perícia. Fl. 263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 9 x. Direito a correção monetária, a partir da data do protocolo dos pedidos ante o decurso do prazo de 360 dias para análise dos créditos. É o relatório. VOTO Conselheiro Keli Campos de Lima, Relatora. Da Admissibilidade. O Recurso é tempestivo , portanto no que tange a admissibilidade há que se fazer algumas considerações. A admissibilidade de qualquer recurso está condicionada ao preenchimento de requisitos intrínsecos e extrínsecos. Dentre os requisitos intrínsecos, destaca-se o interesse recursal, que se manifesta no binômio necessidade-utilidade. Ou seja, o recurso deve ser o meio necessário para que a parte obtenha um resultado mais favorável (útil) do que aquele proferido na decisão impugnada. O interesse em recorrer nasce da sucumbência, que é a situação de desvantagem ou prejuízo causada pela decisão. Sem sucumbência, não há interesse e, por consequência, o recurso não pode ser conhecido. No presente caso a Recorrente, repetindo integralmente as razões da manifestação de inconformidade, pleiteia em suas razões recursais créditos de:  Materiais para laboratório e análise do leite. Materiais para limpeza e esterilização das máquinas industriais. Uniformes e materiais de proteção individual. Serviços de análise laboratorial  combustíveis e lubrificante  Materiais para manutenção das máquinas, equipamentos  Embalagens adquiridas do fornecedor Tetra Pak LTDA. Reclassificação indevida do CST 51 para CST 53. Contudo, ao analisar a decisão recorrida, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), verifica-se que tal pleito já foi integralmente concedido em primeira instância. CRÉDITO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 10 CRÉDITO. INSUMO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI. VESTIMENTAS. UNIFORMES. POSSIBILIDADE. Por se tratarem de bens especificamente exigidos pela legislação para viabilizar a atuação da mão de obra no processo produtivo, os equipamentos de proteção individual e os uniformes utilizados na atividade de produção de bens são considerados insumos passíveis de creditamento das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. INSUMOS. MATERIAL DE LIMPEZA. MATERIAL UTILIZADO EM LABORATÓRIO. INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA. POSSIBILIDADE. Os materiais de limpeza e de laboratório são considerados insumos, passíveis de créditos não cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins quando aplicados no ambiente produtivo da empresa fabricante de gênero alimentício, haja vista que a sua falta implica perda de qualidade do produto disponibilizado para venda. CRÉDITOS. INSUMOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. POSSIBILIDADE. Os bens e serviços utilizados no tratamento de efluentes são considerados insumos uma vez que integram o processo de produção dos bens destinados à venda por imposição legal, gerando créditos no regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITOS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS NA MANUTENÇÃO PERIÓDICA DE PARTES DO ATIVO IMOBILIZADO. Os bens utilizados na manutenção periódica de partes do ativo imobilizado responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço da pessoa jurídica são considerados insumos geradores de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Ora, se a decisão de primeira instância foi favorável à Recorrente no ponto específico dos créditos, ela sagrou-se vencedora nesta matéria. Ao recorrer de uma decisão que lhe concedeu o direito pleiteado, esta busca um provimento jurisdicional que já possui, o que evidencia a total ausência de utilidade e necessidade do recurso neste tópico. Ademais, a peça recursal viola o princípio da dialeticidade, segundo o qual o recurso deve impugnar especificamente os fundamentos da decisão recorrida. A Recorrente limitou-se a repetir as mesmas razões apresentadas em sua manifestação de inconformidade inicial, sem se atentar que a decisão da DRJ, no que tange aos créditos, acolheu seus argumentos. A ausência de um ataque direto e específico aos fundamentos da decisão — o que seria impossível, visto que lhe foram favoráveis — transforma o recurso, neste ponto, em uma peça dissociada da realidade dos autos. Dessa forma, como o recurso, em relação aos referidos itens não preenche o requisito de admissibilidade, não será conhecido. Mérito: Fl. 265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 11 Como cediço cuida-se de pedido de ressarcimento apresentado pelo Contribuinte relativo créditos de PIS/Pasep não-cumulativo vinculado às receitas não tributadas no mercado interno, bem como crédito presumido apurado nos termos do art. 9-A da Lei nº 10.925, de 2004. Relativo ao 1º trimestre de 2016. Parte da a controvérsia cinge-se a apropriação de créditos das contribuições não cumulativas nos termos das nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, especificamente o que deve ou não ser considerado insumos para fins de creditamento. Assim, cumpre-nos tecer comentários acerca do conceito de insumos. 1. Do conceito de insumos: O princípio da não cumulatividade está inserido no texto constitucional e no que se refere às contribuições sociais está disciplinado no artigo 195, § 12, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não- cumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Por sua vez, as Leis Federais nº 10.637/02 (PIS) e n° 10.833/03 (COFINS), disciplinaram os bens e/ou serviço aptos a gerar o direito ao crédito, sendo certo que a não cumulatividade, pressupõe a existência de um ciclo econômico formado por várias operações, cuja finalidade é evitar o efeito “cascata” da tributação, compensando-se o valor referente ao tributo das operações anteriores com o valor a ser recolhido na operação seguinte, desonerando o Contribuinte pela repercussão econômica que um sistema de tributação cumulativo acarretaria no preço final do produto e/ou serviço. Assim, quando da aplicação da sistemática de não cumulatividade para a contribuição do PIS e da COFINS, foi adotado, conforme exposição de motivos da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003, o método subtrativo indireto. Tal método consiste no fato de que a não cumulatividade é obtida por meio da concessão de crédito fiscal sobre as compras (custos e despesas) definidos em lei, na mesma proporção da alíquota que registra as vendas (receitas), diferente do método do imposto sobre imposto que se compensa o montante devido na saída (vendas) com o valor efetivamente recolhido por ocasião da entrada (compras). Nesta linha de pensamento, acerca da não cumulatividade e sua efetividade para a atividade empresarial, valiosos são os ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins1 , em sua 1 MARTINS, Ives Gandra da Silva.Não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Ed. Quartier Latin, 2007. Fl. 266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 12 obra, explanando, inclusive, o método de apuração do crédito em cada cadeia (método subtrativo indireto), veja-se: “... apresentaremos a ideia de que, dentre as diversas sistemáticas de não- cumulatividade (neutralidade tributária) desenvolvidos pela doutrina, inclusive internacional, para o caso da Contribuição para o PIS e da COFINS foi adotado, expressamente (conferir a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 135), o Método Subtrativo Indireto. Pelo Método Subtrativo Indireto, a não- cumulatividade é alcançada por meio de concessão de crédito Fiscal sobre as compras (custos e despesas) definidas em lei, na mesma proporção da alíquota que grava as vendas (receitas). Trata-se, portanto, de uma sistemática distinta daquela adotada pela legislação do IPI e do ICMS, para quais aplica-se o Método de Imposto contra Imposto, isto é, compensa-se o montante devido na saída (vendas) com o valor efetivamente recolhido por ocasião da entrada (compras). No caso do Método Subtrativo Indireto, adotado pela Lei nº 10.637 de 2003, e pela Lei 10.833 de 2004, com as alterações posteriores, para a concessão do crédito Fiscal não se exige qualquer vinculação com o montante recolhido na etapa anterior, a ponto de ser indiferente se o fornecedor é optante pelo lucro presumido, pelo SIMPLES ou se tem suas vendas isentas. A transformação da Contribuição para o PIS e da COFINS em tributos não-cumulativos teve por finalidade (novamente conferir a Exposição de Motivos da medida provisória nº 135) a expansão da atividade comercial brasileira, quer com relação ao mercado interno que com relação às exportações...” Nesta perspectiva, se o Contribuinte adquiriu bens ou serviços que anteriormente tiveram a incidência do PIS e da COFINS, nasce neste ato de forma lógica o direito ao crédito, conforme disposto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que elencam as possibilidades de crédito fiscal, com base no insumo adquirido. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos Fl. 267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 13 classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Dentre as disposições acima colacionadas (idênticas para as mencionadas leis), a previsão contida no inciso II, do artigo 3º, que traz o direito de crédito sobre bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda é a grande motivadora das inúmeras discussões e atuações no que tange aos créditos de PIS e COFINS. Isto porque, como a legislação não trouxe um conceito definido de insumos e os critérios aplicáveis, deixaram uma verdadeira abertura para aplicação de entendimentos diversos. Assim, na tentativa de pacificar anos de discussões administrativas e judiciais o Superior Tribunal de Justiça – STJ no julgamento do RESP nº 1.221.170/PR –Tema 779 em sistemática de recursos repetitivos fixou o entendimento de que o “conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Vejamos: Fl. 268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 14 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Ressalte-se que no referido julgamento reconheceu-se a ilegalidade das restrições impostas pelas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e SRF nº 404/2004, vejamos: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e Fl. 269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 15 (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ( RESP nº 1.221.170/PR –Tema 779) Assim, para a correta aplicação do conceito de insumo há que observar a aplicação do “teste de subtração” proposto pelo Ministro Mauro Campbell Marque em seu Voto-Vogal no julgamento do RESP 1.221.170/PR , que consiste basicamente em verificar se ao subtrair o item da atividade, esta permanece ou não sendo desenvolvida ou sua subtração implica substancial perda da qualidade do produto ou serviço. Assim, ultrapassada a questão sobre o conceito de insumos a ser aplicado ao caso, cabe agora verificar se de fato a Recorrente trouxe elementos e documentos hábeis a comprovar efetivamente o direito de crédito sobre os itens glosados. Passemos à análise. 1.1. – Aquisição de Bens para Revenda (CST 53) Conforme se infere da decisão recorrida foi efetuada a glosa de créditos apropriados pela Recorrente em virtude de aquisições de mercadorias destinadas à revenda, haja vista que não se enquadram na previsão do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005 e, dessa maneira, não seriam passíveis de compensação e/ou ressarcimento. Aponta que se as mercadorias adquiridas para revenda que geram direito ao crédito de PIS/COFINS estão relacionadas a saídas tributadas, o crédito resultante de referidas aquisições não deve estar vinculado a receitas (vendas) não tributadas nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Assim, promoveu a adequação do CST. A Recorrente, os exatos termos da manifestação de inconformidade, afirma ser indevida do CST 53 para CST 50, com base no art. 79 da Lei nº 5.764/71, nas decisões proferidas pelo STJ, no sentido de não ser possível tributar as operações que envolvem os atos cooperativos, e em abalizada doutrina, destaca que as operações realizadas entre a cooperativa e seus associados se trata de não incidência tributária, vez que não se trata de negócio mercantil, mas sim de verdadeiro ato cooperativo. Com esse entendimento, assevera que os bens e serviços cujo CST foi reclassificado para o CST 50 geram receitas que integram o ato cooperativo e, portanto, existem saídas desses bens sem a incidência das contribuições. Pois bem. Considerando que, em seu Recurso Voluntário, a recorrente reproduz os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, e por entender que todas as alegações e matérias controvertidas foram devidamente dirimidas no v. acórdão recorrido, adoto a decisão recorrida, como fundamento no presente voto, nos termos do art. 114, §12 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 1.634/20232, reproduzindo-a parcialmente: 2 “Art. 114.(...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e(...)” Fl. 270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 16 “(...) Todavia, a exclusão das receitas de venda de bens a associados da base de cálculo das contribuições não autoriza a apropriação de créditos não cumulativos vinculadas às receitas não tributadas, como pretende a contribuinte, haja vista que tal exclusão não se trata de isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, mas de uma redução do valor do tributo. Essa questão já foi objeto de análise pela Cosit, por meio da Solução de Consulta nº 383, de 30 de agosto de 2017, cujo entendimento é vinculante no âmbito da RFB, conforme o art. 9º da IN RFB nº1.396, de 2013: 12. Em suma, a cooperativa, ao efetuar a venda de produtos a terceiros, aufere receita que compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No entanto, essa base de cálculo é ajustada mediante as exclusões previstas em lei. Em razão disso,exsurge a dúvida se tais exclusões permitem a manutenção, o ressarcimento e a compensação dos créditos apurados com fundamento no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Leinº 10.833, de 2003, vinculados a tais operações. 13. Para o deslinde da questão, releva entender a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo. Note-se que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. 14. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. 15. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005. 16. Esclareça-se, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Fl. 271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 17 Lei nº 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento.(...)(Grifou-se) Concluiu a referida Solução de Consulta que os créditos de que tratam o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória nº2.158-35, de 2001, o art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência (com terceiros não cooperados). Desse modo, em que pese o inconformismo da manifestante, é irretocável o procedimento adotado pela fiscalização devendo ser mantidas as glosas efetuadas, considerando a realocação dos valores que compõem a base de cálculo do crédito para o CST 50. (..) 1.2. Direito ao crédito sobre os fretes pagos na aquisição de leite in natura A decisão recorrida manteve a glosa sobre fretes ao na aquisição de leite in natura, haja vista que são despesas relacionadas à aquisição de bens que não foram tributados e, dessa forma não podem gerar o crédito pretendido. A Recorrente defende o direito ao crédito sobe o frete nas compras sobre leite in natura por se tratar de frete pago na coleta de leite junto aos produtores, que faz parte do custo da matéria prima, sendo que a aquisição de leite gera, inclusive, créditos presumidos. A este respeito este Colegiado já tem posição consolidade e sumulada no sentido de que é permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Vejamos: Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348 Assim, as glosas devem ser revertidas. 1.3. Materiais de embalagem. Fl. 272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 18 Neste item, as glosas relativas a matérias de embalagem relacionadas às despesas com a aquisição de “Película Strech Filme 500 x 0,017mm Industria”, destinada a embalar os paletes, e “Palet Padrão PBR”, por entender que a finalidade única é de transporte de mercadorias. Logo, por se tratar de material de embalagem destinado precipuamente no transporte de produtos acabados os gastos com embalagens utilizadas não podem ser acolhidos como insumos. Acontece que, também em relação a esta discussão este Colegiado já tem posição consolidade e sumulada no sentido que as despesas incorridas com embalagens para transporte de produto, quando destinadas à sua manutenção, preservação e qualidade, enquadram-se na definição de insumos fixada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Vejamos: SÚMULA CARF Nº 235 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 As despesas incorridas com embalagens para transporte de produto, quando destinadas à sua manutenção, preservação e qualidade, enquadram-se na definição de insumos fixada pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Acórdãos Precedentes: 9303-012.073, 9303-012.337, 9303-013.721, 9303- 014.002, 9303-014.884, 9303-015.322. Assim, as glosas devem ser revertidas. 1.4. Materiais para manutenção instalações industriais Quanto à glosa de créditos relacionados a bens utilizados na manutenção de instalações industriais, a Recorrente não trouxe qualquer argumento ou documento a apto a desconstituir a decisão recorrida e, considerando que se trata de réplica dos argumentos expostos na manifestação de inconformidade, adoto a decisão recorrida neste ponto, como fundamento no presente voto, nos termos do art. 114, §12 do RICARF . “(...) Quanto à glosa de créditos relacionados a bens utilizados na manutenção de instalações industriais, vê-se que o crédito referente ao ativo imobilizado na sistemática da não-cumulatividade está previsto no inciso VII e no inciso III do § 1º do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 15 da mesma Lei, nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 19 § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; Note-se que, nessa matéria, a contribuinte se equivoca quanto ao crédito passível de apuração, pois os bens utilizados na manutenção das instalações industriais não se subsumem ao conceito de insumos, pois não se vinculam ao processo produtivo. No caso, o que a lei garante é a apuração de crédito sobre os encargos de depreciação e amortização incidentes sobre as benfeitorias executadas nas instalações. Eles apenas podem gerar créditos na medida em que, respeitadas as regras legais, os custos de construção e benfeitorias passam a integrar o ativo e se habilitam a gerar créditos não cumulativos por força dos encargos de depreciação e amortização. Nesse contexto, não há reparos às glosas praticadas pela fiscalização. (...)” Assim, as glosas devem ser mantidas. 1.5. Serviços de representação comercial. Transporte de funcionários. Quanto as despesas com transporte de funcionários e despesas com representantes comerciais, Recorrente não trouxe qualquer argumento ou documento a apto a desconstituir a decisão recorrida e, considerando que se trata de réplica dos argumentos expostos na manifestação de inconformidade, também neste ponto adoto a decisão recorrida, como fundamento no presente voto, nos termos do art. 114, §12 do RICARF . Quanto às despesas com serviços de transporte de funcionários, destaca-se que, conforme o inciso VI do § 2º do art. 172 da Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 2019, as despesas destinadas a viabilizar a mão de obra empregada no processo produtivo não são consideradas insumos: Art. 172. Para efeitos do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes, que integram o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004,art. 21). § 2º Não são considerados insumos,entre outros: (...)VI – despesas destinadas a viabilizar a atividade de mão-de-obra empregada no processo de produção ou fabricação de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, cursos, plano de seguro e seguro de vida, ressalvado o disposto no inciso VI do art. 181. Fl. 274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 20 (...) Sobre os créditos sobre as despesas com serviços de representante comercial, relevante assentar que, considerando os critérios de essencialidade e relevância, as despesas relacionadas à comissão de vendas não foram consideradas insumos quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0). É o que dispõe o tópico 18 do Parecer Normativo Cosit/RFB, de 2012: 18. Deveras, essa conclusão fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...) equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cujas utilidade não é aplicada nesta atividade(“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representante, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propaganda, telefone e comissões”). (Grifou-se) Como demonstrado, devem ser mantidas as glosas efetuadas em relação aos dispêndios com serviços de transporte de funcionários e de representação comercial. Assim, as glosas devem ser mantidas. 1.6. Frete sobre vendas. Transferência de produção Neste ponto, a glosa realizada, que foi convalidada pela decisão recorrida, refere-se a fretes relacionados a produtos acabados – atrelados a saída de produtos – entre estabelecimentos da Recorrente – da matriz para filia. A Recorrente reconhece que se trata de fato de produtos acabados entre estabelecimentos, sustentando do direito de crédito por estar relacionado à viabilidade da operação, constituindo insumo. Neste ponto, o entendimento aplicado pela fiscalização e mantido pela DRJ encontra-se pacificado por este Colegiado por meio da Súmula CARF nº 217, vejamos: Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Assim, as glosas devem ser mantidas. Fl. 275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 21 1.7. Bens do ativo imobilizado. Créditos com base na depreciação. Créditos com base no valor de aquisição Neste ponto, foram glosados créditos relativos à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado que não são utilizados no processo produtivo, bem como relacionados a despesas com serviços, inseridos pela contribuinte na rubrica “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado”, os quais, contudo, não devem compor a base de cálculo dos créditos relativos a equipamentos, máquinas ou outros bens registrados no ativo imobilizado, em conformidade com a legislação de regência. A Recorrente argumenta que todos os bens do ativo imobilizado, cujos créditos foram glosados, não estão diretamente relacionados processo produtivo, porém, são necessários para a atividade. Aduz que a captação de água para limpeza industrial, a energia elétrica para as máquinas de produção e o tratamento de efluentes são funções essenciais do processo produto. E, quando aos serviços glosados, diz que se tratam de serviços de instalação e montagem de máquinas e equipamentos que compõem o custo de aquisição. A decisão recorrida manteve as glosas por deficiência probatória, uma vez que a Recorrente, não trouxe aos autos documentos que forneçam informações acerca dos bens nos quais os serviços de instalação e montagem foram aplicados. Assim, considerando que os argumentos apresentados em recursos são exatamente os mesmos da manifestação de inconformidade, também neste ponto adoto a decisão recorrida, como fundamento no presente voto, nos termos do art. 114, §12 do RICARF . “(...) Neste tópico, a fiscalização efetuou a glosa de créditos relativos à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado que não são utilizados no processo produtivo, bem como relacionados a despesas com serviços, inseridos pela contribuinte na rubrica “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado”, os quais, contudo, não devem compor a base de cálculo dos créditos relativos a equipamentos, máquinas ou outros bens registrados no ativo imobilizado, em conformidade com a legislação de regência. A contribuinte defende que todos os bens do ativo imobilizado, cujos créditos foram glosados, não entram diretamente no processo produtivo, porém, são necessários para a atividade. Aduz que a captação de água para limpeza industrial, a energia elétrica para as máquinas de produção e o tratamento de efluentes são funções essenciais do processo produto. E, quando aos serviços glosados, diz que se tratam de serviços de instalação e montagem de máquinas e equipamentos que compõem o custo de aquisição. O creditamento relativo a ativo imobilizado tem regramento específico, previsto no art. 3º, inciso VI e VII, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003: Fl. 276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 22 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...)§ 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...)III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...)§ 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Claro está que a permissão legal do crédito, descrita no inciso VI, restringe a tomada de créditos, calculados com base nos encargos de depreciação ou amortização, de bens incorporados ao ativo imobilizado que sejam efetivamente utilizados no processo produtivo, ou seja, a Lei vincula a aplicação do bem à prestação de serviço ou à produção de bens destinados à venda. Opcionalmente, de acordo com o § 14 da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito poderá ser calculado no prazo de quatro anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos sobre o valor correspondente a 1/48 do valor de aquisição do bem. E, a Lei nº 11.774, de 2008, e suas alterações, possibilitou o cálculo do crédito, sobre o custo de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços adquiridos a partir de julho de 2012. Os créditos glosados pela fiscalização, calculados pela contribuinte com base na depreciação acelerada incentivada (valor de aquisição), constam da tabela inserida no Relatório Fiscal: (...) Considerando a legislação acima citada em cotejo com o processo produtivo da empresa em tela, verifica-se que os bens utilizados no laboratório de análise do leite e no tratamento de efluentes estão vinculados ao processo produtivo, quer pela essencialidade, quer por imposição legal, devendo as respectivas glosas Fl. 277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 23 serem revertidas. De outro lado, devem ser mantidas as glosas referentes a bens utilizados no setor administrativo, os quais, evidentemente, não são utilizados no processo produtivo. A fiscalização também efetuou a glosa de créditos do ativo imobilizado calculados sobre o custo dos serviços contratados, discriminados na tabela abaixo reproduzida, “em razão de não se caracterizarem como valores de depreciação de bens, máquinas ou equipamentos”: (...) Ao contrário, a contribuinte entende que os serviços de instalação e montagem de máquinas do ativo imobilizado compõem o custo de aquisição dos bens do ativo imobilizado, sendo infundada a alegação da fiscalização. Como visto, a contribuinte apropriou créditos relacionados a serviços de instalação e montagem de bens registrados no ativo imobilizado, com base no valor de aquisição. Sobre o assunto, como visto anteriormente, a Lei nº 11.774, de 17 de setembro de 2008, e suas alterações, possibilitou o cálculo do crédito, sobre o custo de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços adquiridos a partir de julho de 2012, mediante a aplicação dos percentuais previstos no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. E sobre os valores que compõe o custo de aquisição de bens classificados no ativo imobilizado para fins de cálculo do respectivo crédito, o entendimento da RFB, manifestado na Solução de Consulta Cosit nº 133, de 17 de setembro de 2018, com efeito vinculante no âmbito da RFB, em conformidade com o art. 9º da IN RFB nº 1.396, de 2013, é de que o custo de aquisição inclui o preço de aquisição e os custos atribuíveis de forma direta à colocação do ativo no local e condição necessárias ao seu funcionamento: 23. Assim, na apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o custo relacionado aos bens classificados no ativo imobilizado, passível de utilização na apuração de créditos pela sistemática da não cumulatividade, inclui o preço de aquisição e os custos atribuíveis de forma direta à colocação do ativo no local e condição necessárias ao seu funcionamento, tais como os custos de instalação e montagem, desde que pagos à pessoa jurídica e ressalvados os demais casos vedados pela legislação aplicável. Em que pese a permissão para o cálculo do crédito em questão, a contribuinte não traz aos autos documentos que forneçam informações acerca dos bens nos quais os serviços de instalação e montagem foram aplicados. Diante da falta de informações, necessárias para a análise do crédito, devem ser mantidas as glosas efetuadas. (...)” 2. Das Glosas de Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial - (Programa Mais Leite Saudável) Fl. 278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 24 Neste tópico trata-se de glosa de créditos presumidos da atividade agroindustrial relacionados à aquisição de leite in natura comercializados (saídas com suspensão). Além disso, excluiu da base de cálculo do crédito presumido os valores relativos a serviços e deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de créditos presumidos calculados na forma do inciso V do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. O indeferimento do pedido relaciona-se a períodos anteriores à habilitação provisória no Programa Mais Leite Saudável. A decisão recorrida manteve as glosas os créditos calculados sobre leite in natura vendido com suspensão, mas no que tange no que se refere à exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos dispêndios com a contratação de serviços para o resfriamento do leite in natura, visando a conservação do até que ocorra a industrialização, acolheu a tese subsidiária da Recorrente reconhecendo o direito aos créditos básicos por entender que estão intrinsecamente relacionados ao processo produtivo da Recorrente. Referente ao deferimento parcial do pedido de ressarcimento de créditos presumidos calculados na forma do inciso V do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, entendeu a decisão recorrida que que está correto o procedimento fiscal que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado anteriormente a 24/06/2016, período em que a contribuinte não estava habilitada no Programa Mais Leite Saudável (provisória ou permanente), não havendo, desse modo, a possibilidade de ressarcimento do crédito presumido em questão Assim, considerando que em relação às vendas com suspensão e em relação ao deferimento parcial do pedido de ressarcimento de créditos presumidos calculados na forma do inciso V do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a Recorrente não razão traz qualquer argumento apto a desconstituir a decisão recorrida, também neste ponto adoto a decisão recorrida, como fundamento no presente voto, nos termos do art. 114, §12 do RICARF . “(...) A fiscalização deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito presumido calculados na forma do inciso V do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, (Programa Mais Leite Saudável), referente às aquisições de leite in natura a ser utilizado como insumo na industrialização. Segundo a fiscalização, “nas verificações realizadas, constatou-se que foi revendido leite cru refrigerado não aproveitado na atividade produtiva do contribuinte, cujas saídas ocorreram com suspensão da incidência de PIS/Cofins.” Dessa forma, efetuou a glosa de créditos presumidos da atividade agroindustrial relacionados à aquisição de leite in natura comercializados (saídas com suspensão). Além disso, excluiu da base de cálculo do crédito presumido os valores relativos a serviços utilizados como insumos, haja vista que a base de cálculo do crédito presumido está restrita aos valores de aquisições de leite. Sobre as glosas de créditos presumidos vinculados às vendas de leite in natura com suspensão das contribuições defende a manifestante que a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, é específica, garantidora do direito à manutenção do crédito, e Fl. 279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 25 posterior à Lei nº 10.925, 23/07/2004. Assim, entende que tem o direito de manter e utilizar os créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados às vendas com suspensão. De acordo com a autoridade fiscal, as vendas de leite resfriado in natura são operações que estariam sujeitas à suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, situação que impediria o aproveitamento do crédito presumido correspondente, justificando os ajustes nas bases de cálculo dos créditos presumidos. Portanto, a questão a ser examinada envolve a possibilidade de apuração, manutenção e aproveitamento de créditos presumidos nas aquisições de leite in natura efetuadas de pessoas físicas, de cooperados ou de pessoas jurídicas, especificadas na legislação correlata, quando vinculados a saídas com a suspensão da incidência das contribuições. A apuração de créditos presumidos para o setor agroindustrial tem fundamento nº disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Diz o comando: Lei nº 10.925, de 2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)§ 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);(Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013)II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)§ 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 26 ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. Nos termos do artigo transcrito, as cooperativas podem deduzir crédito presumido apurado sobre valor do leite in natura quando o utilizem na produção de mercadorias para a alimentação humana. Nesse contexto, quando utiliza o leite in natura, recebido de cooperados ou adquiridos de terceiros não cooperados, na fabricação de laticínios, a cooperativa pode deduzir os correspondentes créditos presumidos sobre o valor do leite recebido. No entanto, quando a cooperativa comercializa o leite in natura a granel para a indústria de transformação a operação se dá com suspensão das contribuições. Nessa medida, nos termos do inciso II do §4º, do art. 8º da citada Lei, fica vedado o aproveitamento do crédito presumido vinculado às operações com suspensão das contribuições. Por essa razão, a autoridade fiscal corretamente desconsiderou, na apuração do crédito presumido, os créditos calculados sobre leite in natura vendido com suspensão. (...)” Referente ao deferimento parcial do pedido de ressarcimento de créditos presumidos calculados na forma do inciso V do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, elucida a fiscalização que “é a partir do requerimento da habilitação provisória que a contribuinte está autorizada a aplicar o percentual de alíquota previsto no inciso IV do § 3º do art. 8º da lei nº 10.925/2004 para cálculo do crédito presumido do programa, bem como é a partir desta data que o crédito apurado se torna passível de ressarcimento/compensação.” Informa que a habilitação provisória no Programa Mais Leite Saudável, foi requerida ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, em 24/06/2016, sendo assim “o crédito do programa mais leite saudável apurado pelo contribuinte somente é calculado na forma do inciso IV do §3° do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 quando relativo a períodos posteriores a 24/06/2016. Por conseguinte, o Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 27 ressarcimento e a compensação também só são autorizados para créditos de períodos posteriores à referida data (no período de vigência da habilitação).” A contribuinte, contudo, entende que, em conformidade com o art. 4º do Decreto nº 8.533/2015, "o direito ao desconto de créditos calculados com a presunção de 50% das alíquotas básicas, aplica-se às pessoas jurídicas regularmente habilitadas, provisória ou definitivamente, nº Programa Mais Leite Saudável. O Decreto não está dizendo que o direito ao crédito nasce a partir do protocolo de Requerimento na MAPA. Destarte, a Impugnante, conforme comprovado pelo agente fiscalizador, está regularmente habilitada no referido programa, portanto, tem direito ao crédito presumido nos termos do art. 4º do Decreto nº 8.533/2015.” Conclui que se encontra habilitada nº Programa Mais Leite Saudável, portanto, a apropriação do crédito presumido deve ser mantida com a presunção de 50% (inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). O crédito presumido em tela está disposto no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925, 2004, in verbis: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013 )§ 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013)II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 28 exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)§ 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura , 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)IV - 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura , adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9º -A; (Incluído Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 29 pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência)V - 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura , adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9º-A. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência)§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012) § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplica-se também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8º É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. (Incluído pela Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9º O disposto no § 8º não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º , o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Como se nota, o parágrafo 3º do referido artigo determina os percentuais aplicáveis às alíquotas básicas do PIS/Pasep e da Cofins para apuração do crédito presumido previsto no caput do artigo. O artigo 4º da Lei nº 13.137, de 2015, criou mais dois percentuais (50% e 20%) aplicáveis para o caso de recebimento de Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 30 leite in natura, ao inserir no §3º da Lei nº 10.925, de 2004, os incisos IV e V acima transcritos. A vigência deste artigo 4º da Lei nº 13.137, de 2015, consoante disposto no inciso VI do artigo 26 da mesma lei, se deu a partir de 01 de outubro de 2015. O critério diferenciador para o sujeito passivo aplicar o percentual de 50% ou 20% à alíquota básica da contribuição é o fato de a pessoa jurídica estar ou não habilitada no Programa Leite Mais Saudável, na forma do artigo 9ª-A da Lei nº 10.925/2004. Caso esteja habilitada, aplica-se o percentual de 50%; em caso contrário, o percentual será de 20%. Ressalte-se que tal habilitação pode ser provisória ou a definitiva. A Lei nº 13.137, de 2015, também incluiu na Lei nº 10.925, de 2004, o art. 9º-A, o qual estabeleceu a possibilidade de os créditos presumidos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relacionados a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite in natura serem utilizados para ressarcimento em dinheiro ou compensação com débitos de outros tributos, obedecendo o seguinte cronograma: Art. 9º-A. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8º apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário a partir da referida data, para: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou II - ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. § 1º O pedido de compensação ou de ressarcimento do saldo de créditos de que trata o caput acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º somente poderá ser efetuado: I - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2010, a partir da data de publicação do ato de que trata o § 8º ; II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2011, a partir de 1º de janeiro de 2016; III - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2012, a partir de 1º de janeiro de 2017; IV - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2013, a partir de 1º de janeiro de 2018; V - relativamente aos créditos apurados no período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º , a partir de 1º de janeiro de 2019 (...) Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 31 § 8º Ato do Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo, estabelecendo, entre outros: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I - os critérios para aprovação dos projetos de que trata o inciso III do § 3º apresentados pelos interessados; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II - a forma de habilitação provisória e definitiva das pessoas jurídicas interessadas; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) III - a forma de fiscalização da atuação das pessoas jurídicas habilitadas. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 9º A habilitação provisória será concedida mediante a apresentação do projeto de que trata o inciso III do § 3º e está condicionada à regularidade fiscal de que trata o inciso I do § 3º . (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) Conforme estabelecido no § 8º, acima transcrito, o ato do Poder Executivo que regulamentou a matéria foi o Decreto nº 8.533, de 30 de setembro de 2015, o qual dispôs, nos art. 5º e 6º, que o crédito presumido apurado no percentual de 50% podem ser utilizados para compensação ou ressarcimento. O crédito apurado no percentual de 20% somente poderá ser utilizado para desconto das contribuições devidas em cada período de apuração: Art. 5 o Os créditos presumidos apurados na forma prevista no art. 4 o poderão ser utilizados para desconto da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração. Parágrafo único. O crédito presumido não aproveitado em determinado mês poderá ser aproveitado nos meses subsequentes. Art. 6 o Os créditos presumidos apurados na forma prevista no inciso I do parágrafo único do art. 4º poderão ser utilizados para: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, observada a legislação aplicável à matéria; ou II - ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. E, os artigos 7º e 17 do referido Decreto disciplinam a habilitação no Programa Mais Leite Saudável, nos seguintes termos: DOS REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO NO PROGRAMA MAIS LEITE SAUDÁVEL Art. 7 º São requisitos para habilitação no Programa Mais Leite Saudável e para fruição de seus benefícios: Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 32 I - a aprovação de projeto elegível ao Programa Mais Leite Saudável pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; II - a realização, pela pessoa jurídica interessada, de investimentos no projeto aprovado no âmbito do Programa Mais Leite Saudável, na forma prevista nos arts. 12 a 16; III - a regular execução do projeto aprovado no âmbito do Programa Mais Leite Saudável , nos termos estabelecidos pela pessoa jurídica interessada e aprovados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; IV - o cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou pela RFB para viabilizar a fiscalização da regularidade da execução do projeto aprovado no âmbito do Programa; e V - a regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos administrados pela RFB. [...] Da habilitação provisória Art. 17 . A pessoa jurídica poderá requerer ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento habilitação provisória no Programa Mais Leite Saudável. Parágrafo único. O requerimento de habilitação de que trata o caput poderá ser apresentado em qualquer unidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Art. 18 . São requisitos para a habilitação provisória da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável: I - apresentação do projeto de investimentos de que trata o inciso I do caput do art. 7 º ; e II - comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos administrados pela RFB. Art. 19 . A habilitação provisória da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável ocorrerá automaticamente com a apresentação do requerimento ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Sobre a questão, a Solução de Consulta Cosit nº 321, de 27 de dezembro de 2018, nº mesmo sentido ao exposto, elucidou várias questões: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EMENTA: LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. APROPRIAÇÃO. UTILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. É permitida a apuração dos créditos presumidos da Cofins estabelecidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação à aquisição de leite in Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 33 natura utilizado como insumo na produção dos produtos destinados à alimentação humana ou animal relacionados nº caput do mesmo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidas as condições previstas na legislação. Até 30 de setembro de 2015, os créditos presumidos em questão eram calculados com a alíquota de 60% (sessenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, para os produtos de origem animal classificados no Capítulo 4 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme previsto na antiga redação do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A partir de 1º de outubro de 2015, os créditos presumidos em questão são calculados com a alíquota de 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei n o 10.637, de 2002, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, no Programa Mais Leite Saudável; ou 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada no Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Cofins de que tratam os incisos IV e V do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, (dispositivos legais aplicáveis a partir de 1º de outubro de 2015) não aproveitados em determinado mês podem ser mantidos para utilização como desconto dos valores devidos dessa contribuição nos meses subsequentes. Todavia, apenas os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep previstos nº inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, (dispositivo legal aplicável a partir de 1º de outubro de 2015), que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. A apuração dos créditos presumidos da Cofins previstos no § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, está sujeita ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932, cujo termo inicial é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração, ou, no caso de apropriação extemporânea, o primeiro dia do mês subsequente àquele em que poderia ter havido a apuração. O saldo de créditos presumidos da Cofins apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite e de seus derivados classificados nos códigos da NCM mencionados no caput do art. 8º da referida Lei, existente em 30.09.2015, pode ser ressarcido em dinheiro ou compensado com outros tributos administrados pela RFB, conforme previsto Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 34 no cronograma estabelecido pelo art. 9º-A, § 1º, da mesma Lei nº 10.925, de 2004, sem que haja necessidade de habilitação da pessoa jurídica nº Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Cofins estabelecidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 364, DE 11 DE AGOSTO DE 2017. Dispositivos Legais: Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, XII, art. 8º e art. 9º-A; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º e 2º; Decreto nº 20.910/1931, art. 1º; IN RFB nº 1.590/2015; arts. 4º a 8º; IN SRF nº 660/2006, arts. 5º e 10; IN RFB nº 1.717/2017, arts. 48 e 53. (Grifou-se)ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. APROPRIAÇÃO. UTILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. É permitida a apuração dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep estabelecidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo na produção dos produtos destinados à alimentação humana ou animal relacionados no caput do mesmo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidas as condições previstas na legislação. Até 30 de setembro de 2015, os créditos presumidos em questão eram calculados com a alíquota de 60% (sessenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, para os produtos de origem animal classificados no Capítulo 4 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme previsto na antiga redação do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. A partir de 1º de outubro de 2015, os créditos presumidos em questão são calculados com a alíquota de 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei n o 10.637, de 2002, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, no Programa Mais Leite Saudável; ou 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada no Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep de que tratam os incisos IV e V do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, (dispositivos legais aplicáveis a partir de 1º de outubro de 2015) não aproveitados em determinado mês podem ser mantidos para utilização como desconto dos valores devidos dessa contribuição nos meses subsequentes. Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 35 Todavia, apenas os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep previstos nº inciso IV do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, (dispositivo legal aplicável a partir de 1º de outubro de 2015), que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. A apuração dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep previstos no § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, está sujeita ao prazo prescricional previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932, cujo termo inicial é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração, ou, no caso de apropriação extemporânea, o primeiro dia do mês subsequente àquele em que poderia ter havido a apuração. O saldo de créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite e de seus derivados classificados nos códigos da NCM mencionados no caput do art. 8º da referida Lei, existente em 30.09.2015, pode ser ressarcido em dinheiro ou compensado com outros tributos administrados pela RFB, conforme previsto no cronograma estabelecido pelo art. 9º-A, § 1º, da mesma Lei nº 10.925, de 2004, sem que haja necessidade de habilitação da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep estabelecidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 364, DE 11 DE AGOSTO DE 2017. Dispositivos Legais: Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, XII, art. 8º e art. 9º-A; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º e 2º; Decreto nº 20.910/1931, art. 1º; IN RFB nº 1.590/2015; arts. 4º a 8º; IN SRF nº 660/2006, arts. 5º e 10; IN RFB nº 1.717/2017, arts. 48 e 53. (Grifou-se) Em conclusão, o saldo de créditos presumidos referentes às aquisições de leite in natura a ser utilizado como insumo, existente em 30/09/2015 poderia ser compensado ou ressarcido de acordo com o cronograma previsto no §1º do art. 9º-A, sem que houvesse a necessidade de habilitação da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável. A partir de 1º de outubro de 2015, apenas os créditos presumidos das contribuições apurados por pessoa jurídica inscrita no Programa Mais Leite Saudável(provisória ou definitivamente) podem ser compensados ou ressarcidos. Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 36 Aplicando-se a legislação ao caso concreto, constatou-se que a contribuinte ingressou com o requerimento para habilitação no Programa Mais Leite Saudável junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA em 24/06/2016, data em que, segundo o art. 19 do Decreto nº 8.533, de 2015, ocorreu a habilitação provisória: Art. 19 - A habilitação provisória da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável ocorrerá automaticamente com a apresentação do requerimento ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Nota-se, por conseguinte, que está correto o procedimento fiscal que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido apurado anteriormente a 24/06/2016, período em que a contribuinte não estava habilitada no Programa Mais Leite Saudável (provisória ou permanente), não havendo, desse modo, a possibilidade de ressarcimento do crédito presumido em questão. Assim, as glosas devem ser mantidas. 3. Do Ônus da prova e necessidade de diligência e perícia. Insiste a Recorrente com o argumento de que a fiscalização apenas presumiu que não há o direito ao crédito por ter sido utilizado os bens em determinado setor ou por ter registrado o crédito em uma linha do Dacon e não em outra, que seria mais adequada. Ou ainda que os bens do ativo imobilizado não estão destinados à produção de bens ou que o CFOP não gera créditos. Aduz que cabe à fiscalização a prova da irregularidade. Sustenta ainda, que do despacho decisória se fundamenta em entendimentos próprios e subjetivos, distanciados das disposições legais e das orientações da Administração Tributária, bem como das decisões dos órgãos de jurisdição administrativa. Assim, pleiteia a realização de perícia ou diligência. Pois bem. O processo administrativo é regido por diversos princípios e um dos princípios norteadores é a busca verdade material, ou seja, o dever efetivo na busca da verdadeira realidade dos fatos. Assim, a análise de todos os fatos, informações e documentos que levem a apuração da realidade dos fatos não é uma faculdade, mas o dever dos agentes públicos e julgadores, não cabendo a estes deixar de analisar e apreciar provas que conduzam a elucidação dos fatos. Assim, o princípio da verdade material, embora norteador dos julgamentos deste, não tem a finalidade de suprir a inércia da parte no que tange à efetiva comprovação do direito postulado. O caso dos autos, trata de situação fática em que a fiscalização não conseguiu apurar a certeza e a liquidez de todos os créditos pleiteados a Delegacia de Julgamento manteve a conclusão fiscal, uma vez que nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil - Lei nº 5.869/1973 (vigente à época do pedido), compete à parte a comprovação do seu direito sendo certo que nos casos de pedido de ressarcimento de créditos é ônus do contribuinte demonstrar o direito creditório. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 37 Assim, como todos os documentos e argumentos apresentados pelo Recorrente no curso da fiscalização e em manifestação de inconformidade foi detidamente analisados em face da legislação aplicável ao caso. Ou seja, foi aplicado ao caso inquestionavelmente a busca da verdade material, contudo a Recorrente não foi diligente em comprovar a composição e existência dos créditos glosados. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, entende-se por desnecessária a realização. 4. Do direito à correção monetária. Por fim, a Recorrente insurge com argumento de que teria direito à correção monetária (pela taxa Selic) sobre os valores parcialmente deferidos a partir do pedido de ressarcimento. Tece considerações acerca dos créditos escriturais e restrições imposta aos aproveitamentos. Cita precedentes do STJ para amparar suas alegações. Ocorre que, assim como consignado na decisão Recorrida, o STJ no julgamento do tema repetitivo 1003 – RESP 1.767.945/PR – firmou entendimento de que é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), vejamos: “(...) O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). (...) Em face da vinculação aos precedentes judiciais, a Instrução Normativa RFB nº 2055 de 06 de dezembro de 2021, regulamentou a aplicação da correção monetária nos seguintes termos: Art. 148. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I - a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; II - for entregue a declaração de compensação ou for efetivada a compensação na GFIP; ou Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 38 III - for considerada efetuada a compensação de ofício, conforme a data definida nos incisos I e II do art. 96. (...) Art. 151. Não haverá incidência dos juros compensatórios sobre o crédito do sujeito passivo: I - se a restituição for efetuada no mesmo mês da origem do direito creditório; II - no caso de compensação de ofício ou compensação declarada pelo sujeito passivo, se a data de valoração do crédito ocorrer no mesmo mês da origem do direito creditório; III - no ressarcimento ou na compensação de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, ressalvado o disposto no art. 152; e IV - na compensação do crédito de IRRF relativo a juros sobre capital próprio e de IRRF incidente sobre pagamentos efetuados a cooperativas a que se referem o art. 81 e o caput do art. 82, respectivamente. Art. 152. Na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias da data do protocolo do pedido de ressarcimento, aplica-se à parcela do crédito não ressarcida ou não compensada o acréscimo de que trata o caput do art. 148. § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, será observado como termo inicial o 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia contado da data do protocolo do pedido de ressarcimento original. § 2º O termo final da valoração do crédito objeto de pedido de ressarcimento deverá ser: I - na hipótese de ressarcimento, quando a quantia for disponibilizada ao contribuinte; II - na hipótese de compensação declarada, quando houver a entrega da declaração de compensação original; e III - na hipótese de compensação de ofício, quando ela for considerada efetuada. Assim, o direito à correção da Selic se aplica sobre créditos a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento e não desde a data do protocolo como pretende a Recorrente, razão pela qual o recurso não deve ser provido neste ponto. Dispositivo: Diante do exposto voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, em dar parcial provimento para reverter as glosas sobre fretes pagos na aquisição de leite in natura e material de embalagem, aplicando a correção da Selic nos termos do artigo 148 da Instrução Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.133 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.903490/2018-67 39 Normativa RFB nº 2055 de 06 de dezembro de 2021 sobre estes créditos adicionais a partir do 361º dia da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima Fl. 294DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12448.911106/2018-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 199. A isenção do art. 4º, d, do Decreto-Lei nº 1.510/1976 se aplica a alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei nº 7.713/1988, desde que já completados cinco anos sem mudança de titularidade das ações na vigência do Decreto-Lei nº 1.510/1976. Não estão abrangidas pela regra isentiva as ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindo-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros.
Numero da decisão: 2301-012.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota - Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny(Presidente).
Nome do relator: MARCELLE REZENDE COTA

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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº 199. A isenção do art. 4º, “d”, do Decreto-Lei nº 1.510/1976 se aplica a alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei nº 7.713/1988, desde que já completados cinco anos sem mudança de titularidade das ações na vigência do Decreto-Lei nº 1.510/1976. Não estão abrangidas pela regra isentiva as ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindo-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota – Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Carlos Eduardo Avila Cabral, Diogo Cristian Denny(Presidente). RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição solicitado pelo Recorrente através do PER/DCOMP nº 31416.74147.270514.2.2.04-7705, no valor de R$11.625,52, referente a DARF com código 4600 (IRPF – ganhos de capital na alienação de bens duráveis, relativo a imposto sobre ganho de capital na alienação de quotas da Suissa Comércio e Indústria Ltda. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, negou o pedido em referência, nos termos do Despacho Decisório (e-fl. 50), sob o fundamento de que foram localizados dois pagamentos na data de arrecadação, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do ora Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. O Recorrente tomou ciência da decisão e apresentou sua Manifestação de Inconformidade às e-fls. 2/30. Diante das alegações colacionadas, a 5ª TURMA da DRJ em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve a negativa da restituição, com fundamento na inexistência de direito adquirido à não incidência prevista na alínea “d” do art. 4º do Decreto-lei n° 1.510/1976, por não ter sido concedida a prazo certo e sob condição onerosa, nos termos do artigo 178 do Código Tributário Nacional, conforme extrai-se do Acórdão nº 02-92.694 (e-fls.286/292). Inconformado com a referida decisão, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 299/332), pugnando, pelo reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 1300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 3 Ato contínuo, os autos foram julgados pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, a qual, por meio do Acórdão nº 2301-009.538, e-fls. 349/355, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a isenção com base no Decreto - Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e determinar a análise do direito creditório pela autoridade preparadora, conforme extrai-se da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2010 IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. Nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n. 7.713/1988. Em observância ao Acórdão do CARF, os autos retornaram para autoridade preparadora, a qual emitiu Despacho Decisório nº 3.137/2024, e-fls. 709/718, no qual foi deferido parcialmente o pedido de restituição controlado pelo PER/DComp 31416.74147.270514.2.2.04 7705 e pelo presente processo e reconhecido o direito creditório no valor original de R$463,86, nos termos da alínea “d”, art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510/76, Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 e arts. 5º, 6º, 7º, 8º e §2º, art. 16 da Instrução Normativa nº 84/2001. Insatisfeito, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (e-fls. 730/756), a qual foi analisada e julgada pela 5ª Turma da DRJ06, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa abaixo transcrita (e-fls. 1.022/1.039): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI Nº 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN 12/2018. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. AÇÕES BONIFICADAS ADQUIRIDAS APÓS 31/12/1983. INAPLICABILIDADE. A isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983. Incluem-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 4 O Recorrente obteve ciência do referido acórdão em 16/10/2025 (e-fl. 1.043) e interpôs Recurso Voluntário em 05/11/2025 (e-fls. 1.046/1.068), repisando às alegações da defesa inaugural, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ: (...) O despacho decisório ora recorrido (i) incorreu em nulidade, à medida em que carece de fundamentação e é pautado em presunção de nova aquisição de quotas; (ii) descumpriu ordem definitiva proferida pelo egrégio CARF, incorrendo em reformatio in pejus e em ofensa ao primado da moralidade administrativa, com o único fito de manter tributação reconhecidamente indevida; e (iii) desconsiderou a prova inconteste de que inexistiu nova aquisição de participação societária a partir de 31/12/1983. Nulidade do Despacho Decisório - Ausência de Fundamentação - Presunção de Nova Aquisição de Quotas O despacho decisório é nulo, por ser "fundamentado" de forma genérica e superficial, à medida que ignora dos documentos juntados aos autos e se pauta em presunção de nova aquisição de quotas, carecendo da devida motivação e desobedecendo a ordem exarada pelo CARF. O despacho decisório simplesmente deixou de cumprir ordem expressa do CARF, já transitada em julgado, que reconheceu o direito à isenção e consequente restituição ao Recorrente, pautando-se em uma suposta nova aquisição de quotas. (...) Descumprimento da Decisão Proferida pelo CARF – Imposição de Nova Condição – Reformatio in Pejus _ Moralidade Administrativa – Locupletamento Ilícito do Estado O recurso voluntário do Recorrente foi provido pelo CARF para reconhecer o seu direito à isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510/1976, decisão essa que veio, posteriormente, a transitar em julgado. Não cabe ao despacho decisório alterar ou ignorar o conteúdo material da decisão proferida pelo CARF. Diante disso e considerando a impossibilidade de reformatio in pejus, não há como se restringir o direito creditório, sendo de rigor a restituição integral do valor indevidamente recolhido pelo Recorrente. O CARF já garantiu o direito à restituição, com base nos documentos acostados nos autos e sem estabelecer qualquer restrição, a posição restritiva do despacho decisório macula o princípio da moralidade administrativa por tentar reiniciar discussão já sacramentada. O despacho decisório deixa de cumprir ordem já transitada em julgada, com o fito de manter a arrecadação já reconhecida como indevida, ensejando o locupletamento ilícito do Estado. O Direito à Devolução Integral do IRPF — Manutenção da Mesma Participação Societária desde 31/12/1983 Fl. 1302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 5 As restrições contidas no despacho decisório dizem respeito somente à suposta aquisição de nova participação societária, via "bonificação", depois de 31/12/1983, que não foram apontadas e nem objeto de restrição no acórdão do CARF. Inaplicabilidade do Conceito de Bonificação A conceituação de bonificação trazida como fundamento à restrição ao direito creditório constante do Parecer SEI 74/2018 não se aplica ao caso, que trata de sociedade limitada, não regulada pela Comissão de Valores Mobiliários — CVM e não sujeita a bonificação. Histórico Societário das quotas do Recorrente — Inexistência de alienação ou a aquisição de novas quotas Em 02/05/1983 , o Recorrente possuía 26 milhões de quota da Suissa, no valor de Cr$26.000.000,00, conforme reconhecido no despacho decisório e constar da 12a Alteração Contratual da Suissa. Dos atos societários acostados aos autos, percebe-se que, posteriormente a 31/12/1983, as quotas detidas pelo Recorrente, que em 26/07/2007 foram alienadas, passaram por diversas majorações de número, com o reflexo motivacional atinente à correção monetária e à incorporação de reservas já contidas na contabilidade. Acontece, entretanto, que o despacho decisório tratou tal atualização monetária e incorporação de reservas como se fossem aquisição de novas quotas. (...) Correção Monetária — Mera Recomposição do Capital — Inflação Acachapante do Período Conforme se verifica do quadro colacionado na manifestação de inconformidade, a principal alteração em acréscimo de número de quotas do Recorrente se deu em razão da correção monetária do capital, o que reforça o fato de que inexistiu nova aquisição depois de 31/12/1983, como presumido no despacho decisório. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em recurso repetitivo, retrata a posição jurídica de que a correção monetária é mera recomposição da moeda. (...) Incorporação de Reservas Não Implica em Nova Aquisição - Jurisprudência do CARF e do STJ O aumento no número de quotas do Recorrente se deu pela incorporação de reservas, o que não implica aporte de novo capital e, portanto, não pode ser considerado como emissão novas quotas, as quais estariam sujeitas à incidência do IRPF. Mesmo depois das sucessivas alterações de quantidades de quotas da empresa, o patrimônio detido pelo Recorrente foi mantido, sem que houvesse qualquer tipo de aquisição de novas quotas. (...) Fl. 1303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 6 O aumento do capital e emissão de novas quotas em decorrência da integralização de reservas não altera o patrimônio do acionista, no caso, o Recorrente, eis que mantém a mesma participação societária, independentemente do seu número de quotas. Em caso idêntico ao presente, o CARF já reconheceu que a incorporação de reserva não representa dinheiro ou aquisição nova, ensejando o direito à não-incidência do IRPF sobre esta parcela. Cita acórdãos do CARF (Processo no 13896.720528/2015-06 - Recurso Voluntário - Acórdão no 2201-005.564 — 2 a Seção de Julgamento / 2a Câmara / I a Turma Ordinária, sessão de 09/10/2019 e Processo no 11060.724059/2011-60 - Recurso Voluntário - Acórdão nº 2201-004.453 - sessão de 04/04/2018) e jurisprudência judicial que entende vir ao encontro de seus argumentos. Direito Adquirido — Quotas Emitidas até 31/12/1988 Jurisprudência do CARF Ainda que não se entenda pelo direito à devolução integral do IRPF, o que se coloca apenas para argumentar, de toda forma há de ser reconhecida, quando menos, a isenção do IRPF sobre as quotas bonificadas emitidas até 31/12/1988, nos termos da pacífica jurisprudência do CARF. (...) Por fim, o Recorrente pugna que seja julgado totalmente improcedente o presente Autos de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheira Marcelle Rezende Cota, Relatora Admissibilidade Conheço do Recurso Voluntário, uma vez tempestivo e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminar Da Nulidade – Ausência de Fundamentação – Inobservância da Decisão CARF O Recorrente sustenta que o despacho decisório seria nulo por ausência de fundamentação, por ter se baseado em presunção de aquisição de novas quotas e por supostamente descumprir o acórdão anteriormente proferido pelo CARF. Fl. 1304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 7 Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo Recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Despacho, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente PAF, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do Despacho Decisório, bem como dos demais anexos e informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do Despacho. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover a análise do direito creditório do recorrente demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos e motivos do seu indeferimento, não se cogitando na nulidade do procedimento. A exemplo da defesa inaugural, o Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que o Despacho encontra-se maculado por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do Recorrente discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o Despacho não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Fl. 1305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 8 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dito isto, especificamente quanto aos argumentos de presunção e da inobservância da decisão do CARF (anterior) já transitada em julgado, adoto as razões de decidir da primeira instância por muito bem enfrentar os argumentos, senão vejamos: O contribuinte, na manifestação de inconformidade, rebateu os argumentos expendidos no despacho decisório, apresentando suas razões de discordância, entre elas, explicitou seu entendimento de que na decisão do CARF inexistiu restrição por conta de bonificação, alegou que nunca houve aquisição de nova participação societária da Suissa, com aporte financeiro, mas alteração de capital por conta de correção monetária e alteração de patrimônio já incluso na Suissa. A manifestação de inconformidade é prova de que o contribuinte entendeu a motivação do despacho decisório, não havendo o alegado cerceamento do direito de defesa. Saliente-se que no despacho decisório, a autoridade administrativa consignou que “o Acórdão do CARF versou sobre a isenção do ganho de capital com base na alínea ‘d’, do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510/76 e o presente Despacho Decisório versa sobre o cálculo a ser restituído ao contribuinte (...)”. A manifestação de inconformidade ora analisada é prova de que o direito de defesa está sendo exercitado e de que não foi cerceado. Registre-se que, em relação às bonificações, o despacho decisório, em seu parágrafo 8, demonstra a análise dos documentos, não se tratando de mera presunção como alegado. 8. O contribuinte apresentou o contrato social e as alterações contratuais de nº 1 a 31 que demonstram algumas das alterações ocorridas no capital social mediante integralização de diversas verbas: reserva de capital a realizar, reservas de capital, lucros em suspenso, reserva de correção monetária do capital, reserva de incentivos fiscais, reserva de lucros em suspenso, incorporação do resultado do exercício, reserva de lucros, reserva de correção monetária, outras reservas, correção monetária do capital, lucros a disposição, reserva de correção do capital, saldo da conta adiantamento para futuro aumento de capital, lucros acumulados e reserva de reavaliação de imóveis. Nessas alterações, os aumentos do capital social resultaram em emissão de novas quotas que foram distribuídas aos sócios em número proporcional as que já possuíam (fls. 66 a 222 e 760 a 816). (...) Em face dos argumentos trazidos pelo interessado em sua manifestação de inconformidade de que o CARF já teria garantido o direito à restituição, com base nos documentos acostados nos autos e sem estabelecer qualquer restrição, de Fl. 1306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 9 que o despacho decisório ignorou a decisão do CARF ao considerar que não é isento o ganho de capital relativo a quotas distribuídas ao sócio decorrentes de bonificações a partir de 31/12/1983 por não constituir aquisição nova de participação societária e de que o despacho decisório não atendeu a ordem expressa do CARF sendo prescindível a sua reforma para que seja assegurado o seu direito creditório integral, mister assinalar que o recurso voluntário interposto pelo interessado teve provimento parcial para reconhecer a isenção com base no Decreto-Lei nº 1.510/1976, de 27 de dezembro de 1976, e determinar a análise do direito creditório pela autoridade preparadora. Saliente-se que o resultado do julgamento foi provimento parcial do pedido com o reconhecimento da isenção com base no Decreto-Lei nº 1.510/1976, se houvesse sido provimento integral do pedido, com verificação de todas as condições necessárias à restituição pleiteada, desnecessária seria a determinação da análise do direito creditório pela autoridade preparadora. Em processo administrativo fiscal referente a reconhecimento de direito creditório do sujeito passivo, em que há decisão pelo órgão julgador administrativo relativa a questão prejudicial, no caso, reconhecimento da isenção, incumbe à unidade local analisar as demais questões ainda não apreciadas no contencioso, incluindo a existência e a disponibilidade do valor pleiteado, a análise do enquadramento nas condições para a alegada isenção e a aferição do valor a restituir em sendo o caso. O acórdão do CARF é fundamentado no Ato Declaratório PGFN nº 12, de 25/06/2018, conforme excerto do voto a seguir transcrito: Neste caso, nos termos do art. 62, 1º, II, alínea "c", do RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, quando houver Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. Veja-se que o Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho de 2018, aprovado pelo Ministro da Fazenda, que autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluem-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros). Sendo assim, entende-se que o caso em tela está albergado pela hipótese delineada no referido Ato Declaratório. Fl. 1307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 10 No julgado do CARF não foi feita a análise do direito creditório, foi reconhecida a isenção com base no Decreto-Lei nº 1.510/1976, nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018. Por sua vez, no despacho decisório em comento, a autoridade administrativa, em cumprimento ao determinado no acórdão, considerando o reconhecimento da isenção com base no Decreto-Lei nº 1.510/1976, de 1976, nos termos do Ato Declaratório PGFN 12/2018, procedeu à análise do direito creditório relativo ao DARF no valor de R$11.625,52 com data de arrecadação de 11/07/2011, controlado pelo PER/Dcomp especificado no Relatório e pelo presente processo. Diante do exposto, não encontram fundamento no acórdão do CARF as alegações de desobediência à posição nele consignada, reformatio in pejus, restrição ilegal e presunção pela autoridade da DRF que prolatou o despacho decisório. Verifica-se que o despacho decisório, bem como a decisão de primeira instância explicitaram os fundamentos fáticos e jurídicos que conduziram ao reconhecimento parcial do direito creditório, consignando expressamente que a isenção prevista na alínea “d” do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510/1976 não alcançaria as quotas decorrentes de bonificações posteriores a 31/12/1983, adotando, para tanto, o entendimento veiculado no Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. Tanto é assim que o Recorrente apresentou extensa impugnação e posteriormente o recurso precisamente contra estes fundamentos, demonstrando ter compreendido integralmente as razões de decidir e exercido plenamente o contraditório e a ampla defesa. No mesmo sentido, depreende-se dos excertos transcritos que não procede a alegação de descumprimento do acórdão anteriormente proferido pelo CARF. O Acórdão então prolatado limitou-se ao reconhecimento da possibilidade de aplicação da isenção prevista na alínea “d” do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510/1976, determinando o retorno dos autos à autoridade preparadora para análise do direito creditório. A quantificação do crédito e a definição da parcela efetivamente abrangida pela isenção constituíam matérias remanescentes, cuja apreciação incumbia legitimamente à autoridade fiscal, conforme orientação constante do Parecer Normativo COSIT nº 2/2016. Não houve, portanto, rediscussão da matéria decidida pelo CARF, tampouco agravamento da situação jurídica do Recorrente, razão pela qual inexiste reformatio in pejus. Rejeito, assim, a preliminar suscitada. Mérito Do Direito Creditório – Ações Bonificadas Fl. 1308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 11 A controvérsia remanescente consiste em definir se a isenção prevista na alínea “d” do art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510/1976 alcança apenas as quotas detidas pelo Recorrente em 31/12/1983 ou também aquelas posteriormente originadas em decorrência de incorporações de reservas, lucros acumulados e demais eventos societários ocorridos após essa data. O acórdão anteriormente proferido pelo CARF reconheceu a aplicabilidade da isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510/1976, mas não examinou a extensão quantitativa do direito creditório. Ao proceder à apuração do crédito, a autoridade preparadora verificou que o contribuinte possuía 26.000.000 de quotas em 31/12/1983 e que, posteriormente, ocorreram diversas alterações do capital social, mediante incorporações de reservas e lucros, culminando na quantidade de quotas existente à época da alienação. Nesse contexto, a autoridade fiscal observou o entendimento vinculante consubstanciado no Ato Declaratório PGFN nº 12, de 2018, segundo o qual a isenção não alcança ações ou quotas bonificadas adquiridas após 31/12/1983. Com efeito, o referido ato interpretativo assentou que as participações societárias oriundas de incorporações de reservas e lucros constituem bonificações para fins de aplicação da regra de isenção, não podendo ser equiparadas às participações originalmente detidas em 31/12/1983. Por seu turno, o Recorrente, sustenta que não houve aquisição de patrimônio novo e que permaneceu inalterado seu percentual de participação societária, ensejando o direito à não incidência do IRPF sobre essas parcelas. Defende, ainda, que deve ser reconhecida a isenção do IRPF sobre as quotas bonificadas emitidas até 31/12/1988 em razão do disposto no art. 5º do Decreto Lei nº 1.510/91. A controvérsia ora submetida ao exame deste Colegiado insere-se em um conjunto de processos originados da mesma operação de alienação da participação societária detida pelo recorrente. Em razão de a venda ter sido ajustada para pagamento parcelado, o imposto incidente sobre o ganho de capital foi recolhido à medida do recebimento das respectivas parcelas, dando ensejo à apresentação de múltiplos pedidos de restituição (PER/DCOMP), cada qual relacionado ao respectivo recolhimento. Não obstante a autonomia formal de cada processo, a questão jurídica devolvida à apreciação desta Turma permanece substancialmente idêntica, recaindo sobre os mesmos pressupostos fáticos e jurídicos já anteriormente examinados por este Colegiado. Assim, por reputar inteiramente aplicáveis ao presente caso os fundamentos então adotados, peço vênia para transcrever e adotar, como razões de decidir, o entendimento firmado no Acórdão nº 2301-011.939, de relatoria da Ilustre Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, cuja fundamentação acompanhei integralmente: (...) Fl. 1309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 12 Relativamente à isenção em debate, prevista no art. 4º, “d”, do Decreto-Lei nº 1.510/76 e revogada pela Lei nº 7.713/88, impõe-se observar o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 199, de adoção obrigatória por seus conselheiros: A isenção do art. 4º, “d”, do Decreto-Lei nº 1.510/1976 se aplica a alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei nº 7.713/1988, desde que já completados cinco anos sem mudança de titularidade das ações na vigência do Decreto-Lei nº 1.510/1976. Importante ressaltar, ainda, o que preceitua o Ato Declaratório PGFN nº 12 de 25/06/2018: O PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, desta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluem-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” Não há dúvida, portanto, quanto à isenção do Imposto de Renda no Ganho de Capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos sem mudança de titularidade até a data da vigência da Lei n° 7.713/88. O benefício não se aplica, contudo, às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindo-se no conceito de bonificação as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. Como bem pontuado pelo Relator a quo, o entendimento de que a isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510/76 não se aplica às participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros adquiridas após 31/12/1983 decorre da impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de cinco anos sem alienação até a sua revogação pela Lei nº 7.713/88, conforme explicitado no Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF em que se baseou o Ato Declaratório PGFN nº 12 de 25/06/2018: Fl. 1310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 13 15. Como se vê, no que tange ao reconhecimento do direito adquirido à referida isenção a esteira do entendimento da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a isenção concedida pelo art. 4º, alínea "d", do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, pode ser aplicada a alienações ocorridas após a sua revogação pela Lei nº 7.713, de 1988, desde que já implementada a condição da isenção. Esse implemento da condição significa completar cinco anos como titular das ações na vigência do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976. 16. Nesse passo, as observações constantes do Item 1.22, alínea “u”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer da PGFN devem ser mantidas de maneira que o entendimento exarado nos votos aqui colacionados não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510, de 1976. O item 1.22, “u”, da lista de dispensa de contestar e recorrer da PGFN acima mencionado encontra-se reproduzido no mesmo Parecer: u) Alienação de participação societária - Decreto-lei 1.510/76 - Isenção - Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratando-se, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação à qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: ApelREEX 2007.71.03.002523-0, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4ª Região. OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações – aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a Fl. 1311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 14 aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a consequente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. (grifos no original) Resta claro, por conseguinte, que não há isenção do Imposto de Renda no Ganho de Capital decorrente da alienação de ações, bonificadas ou não, adquiridas após 31/12/1983. Como visto, as bonificações não fazem parte das ações originais, ainda que delas decorram. As participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros estão abrangidas pelo conceito de bonificação e, ao contrário do que defende o recorrente, não estão amparadas pela regra isentiva se adquiridas após 31/12/1983. A matéria foi objeto de julgamento recente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF do CARF em processo do qual o sujeito passivo também é parte, prevalecendo o entendimento aqui assentado (Acórdão nº 9202-011.770 de 11/04/2025): GANHO DE CAPITAL. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETO-LEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. ISENÇÃO. Há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31 de dezembro de 1983 e mantidas sem mudança de titularidade por, no mínimo, cinco anos, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Quaisquer ações, inclusive as decorrentes de bonificações, recebidas a partir de 1º de janeiro de 1984, não são abarcadas pelo benefício previsto no art. 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976. A decisão não destoa da jurisprudência deste Conselho: ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 12, DE 2018. Há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas, ou derivadas destas, adquiridas após 31/12/1983 (incluem-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros). (Acórdão nº 2102-003.443 de 07/08/2024) IRPF. GANHO DE CAPITAL. DECRETO-LEI No 1.510, de 1976. AUMENTO DE CAPITAL POSTERIOR. Fl. 1312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 15 O aumento de capital com emissão de novas ações após 31/12/1983, inclusive mediante aquisição de ações bonificadas oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros, não tem o condão de ensejar o direito adquirido do art. 4°, d, do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, como assevera a parte final do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018. (Acórdão nº 2401-006.764 de 11/07/2019) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDOS DENTRO DO PRAZO LEGAL. A alienação de ações recebidas, após 31/12/1983, a título de bonificação, sujeita se à incidência do imposto sobre a renda sobre o ganho de capital, não sendo, portanto, abarcada pela regra isentiva presente no art. 4º, d, do Decreto-Lei 1.510, de 1976. É aplicável ao caso o art. 111 do Código Tributário Nacional, o qual estabelece que a legislação que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica. (Acórdão nº 9202-008.473 de 17/12/2019) GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDOS DENTRO DO PRAZO LEGAL. Faz jus à isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na alienação de ações apenas as ações adquiridas até 31/12/1983. As ações e as bonificações posteriores não cumprem o requisito contido na legislação de regência. O Código Tributário Nacional estabelece que a legislação que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica. (Acórdão nº 9202-007.101 de 25/07/2018) Equivoca-se também o recorrente ao sustentar que haveria isenção do Imposto de Renda na alienação das quotas bonificadas emitidas até 31/12/1988 em razão do disposto no art. 5º do Decreto Lei nº 1.510/91. O Ganho de Capital na alienação, a partir da vigência da Lei nº 7.713/88, de participação societária adquirida por bonificação após 31/12/1983 está sujeito à tributação do Imposto de Renda, mesmo que esta bonificação esteja relacionada a ação adquirida até 31/12/1983. Relevante destacar os seguintes trechos do acórdão recorrido sobre o tema, cujas razões de decidir acompanho (e-fls. 1365/1368): Tendo em vista a alegação de que o direito à isenção se estende às ações bonificadas desde que cumulativamente tenham sido emitidas até 31/12/1988 e que as ações originárias também cumpram os requisitos para a aplicação do Decreto-lei nº 1.510/1976, devido ao disposto no art. 5º do referido Decreto-lei, cumpre salientar que, em consonância como o Ato Declaratório PGFN nº 12/2018, a Solução de Consulta Cosit nº 71, de 30 de março de 2021, publicada no DOU de 01/04/2021, tratou especificamente do tema ao se pronunciar sobre o Parecer Fl. 1313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 16 Normativo CST nº 68, de 23/09/1977, publicado no DOU de 30/09/1977. Transcrevem-se excertos da Solução de Consulta Cosit nº 71/2021: (...) O art. 5º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, foi revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988. A partir da vigência da Lei nº 7.713, de 1988, não há dispositivo legal que determine que, para efeitos da tributação do ganho de capital, presume se que as bonificações são adquiridas às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. As disposições da Lei nº 7.713/1988, art. 16, e da Lei nº 9.249/1995, art. 10, corroboram ser, para efeitos da tributação do ganho de capital, a data da aquisição de participações societárias por bonificações, decorrentes da capitalização de lucros ou reservas, a data da efetivação do aumento de capital. Conforme atos vinculantes citados neste voto, o reconhecimento da isenção prevista no Decreto-Lei nº 1.510/1976, com fundamento no direito adquirido, compreende tão somente as participações societárias, inclusive as bonificações decorrentes, efetivamente incorporadas ao patrimônio do contribuinte até 31/12/1983. Assim, na alienação, a partir da vigência da Lei nº 7.713, de 1988, de participação societária adquirida por bonificação após 31 de dezembro de 1983, o ganho de capital sujeita-se à tributação do IRPF. Tanto o Ato Declaratório PGFN nº 12, de 25 de junho de 2018, quanto a Solução Cosit nº 71, de 30/03/2021, vedam a aplicação da isenção na alienação de participações societárias adquiridas após 31 de dezembro de 1983, mesmo que por bonificação relacionada à participação societária adquirida até 31 de dezembro de 1983. A atividade de julgamento nesta instância, sendo plenamente vinculada, não comporta a aplicação de entendimentos diversos às orientações estabelecidas na legislação tributária, cabendo cumpri-las. Os fundamentos acima transcritos enfrentam, de forma exauriente, todas as alegações deduzidas pelo Recorrente. Para além do exposto, convém destacar que o regime jurídico da isenção previsto no Decreto-Lei nº 1.510/1976 submete-se à regra de interpretação literal estabelecida no art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. Tratando-se de benefício fiscal, não se admite interpretação ampliativa apta a estender seus efeitos para hipóteses não expressamente contempladas pelo legislador. Não cabe, portanto, ampliar o alcance do benefício fiscal para alcançar participações societárias surgidas posteriormente ao marco temporal expressamente delimitado pela legislação e pela interpretação institucional adotada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Fl. 1314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.193 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.911106/2018-06 17 Dessa forma, correta a conclusão da autoridade preparadora ao restringir a isenção às quotas efetivamente detidas em 31/12/1983, reconhecendo apenas parcialmente o direito creditório pleiteado. Neste contexto, deve ser mantido o Despacho Decisório. Conclusão Pelas razões acima expostas, voto por conhecer do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelle Rezende Cota Fl. 1315DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10983.917813/2016-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3202-000.596
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3202-000.591, de 15 de junho de 2026, prolatada no julgamento do processo 10983.903455/2016-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3202-000.591, de 15 de junho de 2026, prolatada no julgamento do processo 10983.903455/2016-91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de IPI. Fl. 50DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.596 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.917813/2016-43 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A recorrente interpôs recurso voluntário em face do sobredito acórdão, por meio do qual, em apertada síntese, repisa os supracitados argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais o conheço. Conforme Despacho Decisório, proferido nos autos do processo de habilitação de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado n. 16511.721047/2015-75, apresentado pela recorrente juntamente com a manifestação de inconformidade, à fl. 12, fora deferida a habilitação de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado referente à incidência do IPI em mercadoria importada revendida no mercado interno (processo judicial n. 5001142-68.2012.4.04.7215/SC). Resta claro que o crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado se refere ao pagamento de IPI. Sendo assim, a recorrente transmitiu o aludido PER/DCOMP n° 24517.93316.290 915.1.3.04-7004, a fim de compensar débito próprio de IPI decorrente de pagamento indevido ou a maior, em razão da aludida decisão judicial transitada em julgado, referente ao citado processo de habilitação de crédito n. 16511.721047/2015-75. A DRJ, por meio da decisão recorrida, confirmou a não homologação da compensação declarada, em razão da inexistência do crédito, conforme decidido por meio do Despacho Decisório Eletrônico (DDE), juntado às fls. 24-27, sob o argumento de que fora informado no sobredito PER/DCOMP que o crédito não era oriundo de ação judicial, bem como que consta em DCTF que o débito de IPI objeto de compensação fora quitado por meio de pagamento, conforme a fundamentação a seguir reproduzida: Nesse aspecto, a consulta ao PER/DCOMP nº 24517.93316.290 915.1.3.04- 7004– que foi preenchido e transmitido pelo interessado - trouxe que o Fl. 51DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.596 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.917813/2016-43 3 crédito com o qual o contribuinte pretendeu compensar os débitos nele informados era decorrente de pagamento indevido ou a maior de IPI, pagamento nº 5188737882, no valor de R$ 145.011,86. Também consta na ficha de dados iniciais do referido PER/DCOMP que crédito não era oriundo de ação judicial. Ademais, a consulta à DCTF 100.2010.2012.1891677745, referente ao mês de setembro de 2010, transmitida pelo interessado em 16/05/2012, e cujo tipo/status é “retificadora/ativa”, traz que naquele mês o débito de IPI da empresa era de R$ 145.011,86 e que foi quitado por meio de pagamento. Dessa forma, considerando que ambas as declarações transmitidas pelo próprio contribuinte – PER/DCOMP e DCTF– não corroboram a característica de débito de origem judicial, bem como de liquidez e disponibilidade do crédito com o qual o interessado pretendeu compensar os débitos de IRPJ e CSLL indicados no PER/DCOMP, não há reparos a fazer no DDE nº 113792805. A recorrente contesta a decisão proferida pela DRJ sob argumento de que o IPI objeto de compensação se refere à aludida ação judicial e, dessa forma, deve-se cumprir a ordem judicial, conforme a seguir transcrito: Na origem, cuida-se de PER/DCOMP que teve por objeto a compensação de créditos tributários recolhidos indevidamente aos cofres públicos, referentes a IPI, conforme reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação ordinária n° 5001142-68.2012.404.7215, da Justiça Federal de Santa Catarina. (...) Com a devida vênia, o DARF discriminado no PER/DCOMP representa efetivamente o pagamento, em 05/2011, de débitos de IPI (código 5123), fato que não se desconhece. Ocorre que foi reconhecida judicialmente a inexistência de relação jurídico-tributária a ensejar a incidência do IPI sobre as atividades da empresa, nos termos da r. decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça nos autos da ação ordinária n° 5001142- 68.2012.404.7215, transitada em julgado, conforme documentos anexos. Insta consignar que a compensação em tela encontra-se fundada em documentos que estão depositados em pedido de habilitação de crédito n° 16511.721047/2015-75, de junho de 2016, nesta mesma Delegacia, bem anterior à data da apresentação da PER/DCOMP. Nesse sentido, negar o direito à compensação, garantida explicitamente na r. decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, configura visível e dolosa resistência ao reconhecimento do crédito declarado do contribuinte e ao cumprimento de ordem judicial, imputando graves e ilícitos prejuízos materiais à empresa. Fl. 52DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.596 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.917813/2016-43 4 Com efeito, cabe salientar que a habilitação de crédito n° 16511.721047/2015-75 foi devidamente deferida pela própria autoridade administrativa, conforme despacho que também segue anexo. Cumpre assinalar que a mera informação no PER/DCOMP no sentido de que o crédito de IPI não é oriundo de ação judicial não pode obstar a compensação pretendida pela recorrente, se de fato tal crédito estiver abrangido pela decisão judicial transitada em julgado. Com efeito, mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório, nos termos da Súmula CARF n. 168. Outrossim, a confirmação, por meio de informação prestada em DCTF pela recorrente, no sentido de que o valor objeto de compensação fora quitado por meio de pagamento, apenas confirma que houve pagamento do valor de IPI objeto da compensação, e, portanto, também não é motivo para obstar a compensação pretendida, se o valor se referir ao decidido por meio da mencionada decisão judicial transitada em julgado. Neste caso, deve-se buscar a verdade material com vistas a cumprir o decidido pelo Poder Judiciário por meio da aludida decisão judicial transitada em julgado, não podendo eventual erro material no preenchimento do PER/DCOMP, acerca do crédito, se oriundo ou não de ação judicial, impedir o cumprimento da referida decisão judicial transitada em julgado. Importante destacar que a competência para análise do direito creditório pleiteado é da Unidade de Origem, a qual, por meio da autoridade fiscal, deve verificar se o crédito pleiteado está ou não abrangido pela decisão judicial transitada em julgado e decidir acerca da homologação ou não da compensação. No caso em questão, houve apenas a emissão de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), vale dizer, houve apenas a análise de informações constantes no sistema informatizado, não houve exame efetivo e fundamentado pela autoridade fiscal da relação do crédito (pagamento de IPI) com a decisão judicial transitada em julgado que concedeu à recorrente o direito ao não pagamento de IPI na revenda de mercadoria importada. Tal verificação é essencial para decidir acerca da compensação do valor de IPI sob exame. Sendo assim, entendo necessário converter o julgamento em diligência, à Unidade de Origem, para a autoridade fiscal verificar e esclarecer se o valor de IPI objeto da compensação em tela está abrangido pela mencionada Fl. 53DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3202-000.596 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.917813/2016-43 5 decisão judicial transitada em julgado, com base nas informações constantes no aludido processo de habilitação de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado n. 16511.721047/2015-75. Se preciso for, poderá a autoridade fiscal, evidentemente, intimar a recorrente a apresentar documentos e esclarecimentos. Após, deverá ser elaborado pela autoridade fiscal relatório conclusivo a respeito da matéria em questão, dado ciência do referido relatório à recorrente, bem como informado de que dispõe do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Cumprido o mencionado rito, retornem-se os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 54DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 17609.720065/2017-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESA DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Para a regularidade da dedução de despesas com instrução, é necessária a comprovação da efetividade dos pagamentos. Nos casos em que os pagamentos são realizados em espécie, é necessário comprovar a efetiva disponibilidade dos valores arrecadados, cotejando saques realizados com relação a cada pagamento glosado.
Numero da decisão: 2202-012.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA COM DESPESA DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Para a regularidade da dedução de despesas com instrução, é necessária a comprovação da efetividade dos pagamentos. Nos casos em que os pagamentos são realizados em espécie, é necessário comprovar a efetiva disponibilidade dos valores arrecadados, cotejando saques realizados com relação a cada pagamento glosado.

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COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Para a regularidade da dedução de despesas com instrução, é necessária a comprovação da efetividade dos pagamentos. Nos casos em que os pagamentos são realizados em espécie, é necessário comprovar a efetiva disponibilidade dos valores arrecadados, cotejando saques realizados com relação a cada pagamento glosado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Fl. 57DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.118 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17609.720065/2017-85 2 Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de notificação de lançamento expedida para exigir da parte Recorrente IRPF com relação a glosa de despesas de instrução por não ter sido comprovado o efetivo pagamento. Em sede de impugnação a Recorrente alega que se trata de despesa com dois dependentes menores de 21 anos, questionado apenas o valor de R$ 5.914,00, que teriam sido pagos à Rita Irene Stafin & Cia LTDA. Sobreveio o acórdão nº 02-101.742, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE (fls. 33- 35), que entendeu pela improcedência da impugnação dado que não teria sido comprovada a efetividade das despesas incorridas com instrução, de modo que as declarações apresentadas sem esta comprovação não seria prova suficiente para reverter a glosa, nos termos abaixo: Assim, uma vez que o sujeito passivo foi questionado acerca da efetividade do pagamento das despesas com instrução, a apresentação de declarações, desacompanhadas de documentação hábil e idônea, apta à comprovação inequívoca do pagamento (como, por exemplo, comprovantes de transferência bancária, extratos de cartão de crédito com as despesas devidamente identificadas, cópias de cheques microfilmados), não supre a falta apontada pela autoridade lançadora e não ampara a dedução pleiteada. (fl. 35) Cientificada em 09/09/2020 (fl. 44), a parte Recorrente interpôs Recurso Voluntário por correio em 09/10/2020 (fls. 50-52), em que alega que os pagamentos foram realizados em espécie, de modo que a declaração seria a única forma de comprovar o alegado e reapresenta a declaração de fl. 51. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Fl. 58DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.118 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17609.720065/2017-85 3 Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo. A lide versa sobre a comprovação de pagamento de despesas com instrução que teriam sido realizadas em espécie, sendo alegada a suficiência da declaração apresentada para convalidar a dedução pleiteada. Ocorre que, nos casos de pagamento em espécie, é necessário que a Recorrente demonstre a efetiva disponibilidade de recursos para que o pagamento seja convalidado, o que poderia ser feito pelo cotejo de saques para fazer frente às despesas recorrentes que teriam sido incorridas ao longo do ano calendário 2011. Dessa forma, ante a falta de comprovação da efetividade da despesa, adiro às razões do acórdão Recorrido, notadamente com relação ao trecho abaixo já colacionado no relatório: Assim, uma vez que o sujeito passivo foi questionado acerca da efetividade do pagamento das despesas com instrução, a apresentação de declarações, desacompanhadas de documentação hábil e idônea, apta à comprovação inequívoca do pagamento (como, por exemplo, comprovantes de transferência bancária, extratos de cartão de crédito com as despesas devidamente identificadas, cópias de cheques microfilmados), não supre a falta apontada pela autoridade lançadora e não ampara a dedução pleiteada. (fl. 35) Dessa forma, entendo pela improcedência do pleito recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e negar provimento. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 59DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11426876 #
Numero do processo: 10580.727165/2019-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jul 17 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2017 PROCESSO ADMINISTRATIVO. FASES. RECURSO NÃO CONHECIDO. Todos os sujeitos passivos autuados devem ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que a exigência seja cumprida ou para que cada um deles apresente impugnação. O processo administrativo desenvolve-se em fases. É a apresentação de impugnação que instaura a fase litigiosa do procedimento e permite o conhecimento de eventual recurso voluntário. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o relatório fiscal indica a natureza, origem, metodologia e todas as circunstâncias envolvidas na apuração do crédito tributário, permitindo ao contribuinte conhecê-las e, querendo, contraditá-las. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligências ou perícias quando entendê-las necessárias. Não padece de nulidade o Acórdão recorrido que se manifestou sobre o pedido da contribuinte e indicou as razões para indeferi-lo. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. Todo planejamento tributário minimamente elaborado constitui-se em um conjunto de atos que, analisados separadamente, um a um, não são contrários à lei. Mas se analisados de forma encadeada, como uma sequência, verifica-se ali o abuso à lei ou o abuso das formas admitidas em lei. Além disso, existe o fator tempo. Os atos acontecem de forma encadeada e em lapsos temporais que revelam sua ligação e a dependência entre eles, no sentido de assim constituírem o abuso à lei. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PROVAS E ALEGAÇÕES. A base de cálculo do lançamento foi aquela declarada pelo contribuinte em GFIP. Caberia ao recorrente apontar os valores que entende tratar-se de verbas que não deveriam, apesar de declaradas, integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias e apresentar os documentos comprobatórios, no curso do processo, e não esperar que fosse determinada uma diligência para que a autoridade fiscal fosse apurar a prova que a ele aproveita. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada, por ter sido configurada conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de suprimir/ocultar contribuições previdenciárias e de terceiros utilizando-se de meios fraudulentos. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, cabe ser observada a superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que alterou o percentual da Multa Qualificada, dando nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/96, reduzindo-a a 100%. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Nas hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, tem-se a responsabilidade pessoal de terceiros. O artigo 135 contempla uma regra de exceção, pois a regra é a responsabilidade da pessoa jurídica e não das pessoas físicas dela gestoras. Mas se esses terceiros agem dolosamente, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, correta a responsabilização a eles atribuída.
Numero da decisão: 2401-012.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários Jurandyr Machado de Souza, ACS Assessoria em Recursos Humanos Ltda, Jurandyr Machado de Souza EIRELI e ACS Administração de Condomínios Ltda. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pela responsável solidária Ana Maria Cavalcanti e negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte ACS Serviços Combinados para Apoio a Edifícios EIRELI, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial, para reduzir o percentual da multa aplicada a 100%, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, e da superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. Assinado Digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sáteles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Elisa Santos Coelho Sarto, Leonardo Nunez Campos e Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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FASES. RECURSO NÃO CONHECIDO. Todos os sujeitos passivos autuados devem ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que a exigência seja cumprida ou para que cada um deles apresente impugnação. O processo administrativo desenvolve-se em fases. É a apresentação de impugnação que instaura a fase litigiosa do procedimento e permite o conhecimento de eventual recurso voluntário. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o relatório fiscal indica a natureza, origem, metodologia e todas as circunstâncias envolvidas na apuração do crédito tributário, permitindo ao contribuinte conhecê-las e, querendo, contraditá-las. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligências ou perícias quando entendê-las necessárias. Não padece de nulidade o Acórdão recorrido que se manifestou sobre o pedido da contribuinte e indicou as razões para indeferi-lo. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. Todo planejamento tributário minimamente elaborado constitui-se em um conjunto de atos que, analisados separadamente, um a um, não são contrários à lei. Mas se analisados de forma encadeada, como uma sequência, verifica-se ali o abuso à lei ou o abuso das formas admitidas em lei. Além disso, existe o fator tempo. Os atos acontecem de forma encadeada e em lapsos temporais que revelam sua ligação e a dependência entre eles, no sentido de assim constituírem o abuso à lei. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PROVAS E ALEGAÇÕES. Fl. 3874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 2 A base de cálculo do lançamento foi aquela declarada pelo contribuinte em GFIP. Caberia ao recorrente apontar os valores que entende tratar-se de verbas que não deveriam, apesar de declaradas, integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias e apresentar os documentos comprobatórios, no curso do processo, e não esperar que fosse determinada uma diligência para que a autoridade fiscal fosse apurar a prova que a ele aproveita. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada, por ter sido configurada conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de suprimir/ocultar contribuições previdenciárias e de terceiros utilizando-se de meios fraudulentos. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, cabe ser observada a superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que alterou o percentual da Multa Qualificada, dando nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/96, reduzindo-a a 100%. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Nas hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, tem-se a responsabilidade pessoal de terceiros. O artigo 135 contempla uma regra de exceção, pois a regra é a responsabilidade da pessoa jurídica e não das pessoas físicas dela gestoras. Mas se esses terceiros agem dolosamente, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, correta a responsabilização a eles atribuída. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários Jurandyr Machado de Souza, ACS Assessoria em Recursos Humanos Ltda, Jurandyr Machado de Souza EIRELI e ACS Administração de Condomínios Ltda. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pela responsável solidária Ana Maria Cavalcanti e negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte ACS Serviços Combinados para Apoio a Edifícios EIRELI, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar Fl. 3875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 3 provimento parcial, para reduzir o percentual da multa aplicada a 100%, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, e da superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. Assinado Digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sáteles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Elisa Santos Coelho Sarto, Leonardo Nunez Campos e Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte acima identificado (ACS Serviços) foi lavrado Auto de Infração relativo a contribuições previdenciárias, incluindo a contribuição patronal (empresa), no valor de R$ 3.091.198, 28 e a GILRAT (3%), no valor de R$ 523.061,77, no período de 01/2015 a 12/2017. As exigências foram acrescidas de juros de mora e multa proporcional de 150% (folha 3). Juntamente com o contribuinte, foram apontados como responsáveis solidários, por força do artigo 124, I, do CTN: ACS ASSESSORIA EM RECURSOS HUMANOS, CONTABILIDADE E SERVICOS LTDA; JURANDYR MACHADO DE SOUZA EIRELI; ACS ADMINISTRACAO DE CONDOMINIOS LTDA. Além da responsabilidade solidária, a auditora fiscal enquadrou os sócios administradores JURANDYR MACHADO DE SOUZA e ANA MARIA CAVALCANTI SOUZA no artigo 135, III, do CTN (folha 92 a 94). No relatório fiscal que consta das folhas 24 e seguintes, narra a autoridade fiscal autuante, em suma, que o sujeito passivo foi excluído do SIMPLES Nacional por Ato Declaratório Executivo da DRF competente, em 30/10/2019 (com efeitos a partir de 01/01/2015). Foi constatado que as empresas, com sócios comuns, integram um grupo econômico de fato (ACS Serviços, ACS Assessoria, ACS Administração e JURANDYR Eireli) e excederam o limite global de receita permitido pela sistemática de apuração simplificada (folha 32). Diz a autoridade fiscal que verificou que as empresas atuam nas mesmas atividades ou em atividades complementares, muitas vezes de forma concomitante, prestando serviços a condomínios residenciais e comerciais no município e região (folha 34). Fl. 3876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 4 Descreve que os administradores Jurandyr e Ana Maria efetuaram operações societárias de forma e evitar o atingimento dos limites de receita global e a exclusão do SIMPLES. Além disso, as empresas compartilham o mesmo espaço físico e os mesmos recursos humanos, que são transferidos entre elas (folhas 41/2), e recursos financeiros (folha 46). Constatou ainda o relatório fiscal que o contribuinte não efetuou, em nenhuma competência, o recolhimento das contribuições previdenciárias da empresa (20%) e GILRAT sobre a folha de pagamento dos empregados utilizados na cessão de mão de obra (folha 54) e que o sujeito passivo agiu de forma deliberada e fraudulenta com o objetivo de se beneficiar indevidamente do regime tributário simplificado e assim reduzir o pagamento de tributos (folha 75/6). Em relação à apuração dos valores, diz o relatório fiscal que: i) As contribuições incidentes sobre as remunerações dos empregados foram apuradas sobre as bases declaradas nos campos “Base de cálculo Prev Social (sem 13º salário)” e “Base de cálculo 13º salário Prev Social” das GFIPs, extraídas dos relatórios do sistema GFIP WEB ... (folhas 81 e 458 e seguintes)1. ii) Na apuração do crédito tributário estão abatidas, no campo “deduções”, as contribuições previdenciárias recolhidas pelo sujeito passivo em DAS (documento de arrecadação do SIMPLES). Os valores deduzidos foram extraídos do campo “Informações sobre DAS Gerado na apuração - INSS/CPP” dos extratos mensais do SIMPLES Nacional nos casos em que há indicação “Sim” no campo “DAS Pago” ... (folha 82). Cientificados da exigência fiscal, o contribuinte e os seguintes responsáveis solidários apresentaram impugnações ao lançamento, com os tópicos: a) Ana Maria Cavalcanti Souza (folha 3506) – arrolamento de bens da sócia quotista e responsabilidade “solidária”; b) ACS Serviços Combinados EIRELI e “sócios outros” (folha 3638) – arrolamento de bens; responsabilidade dos sócios; do aviso prévio indenizado; natureza indenizatória do terço constitucional de férias, do auxílio-doença e das horas extras; alíquota mínima do SAT; inaplicabilidade de juros capitalizados e taxa Selic; e efeito confiscatório da multa aplicada. As impugnações foram analisadas em conjunto no Acórdão da 13ª Turma da DRJ08 (folha 3715 e seguintes), que decidiu considerá-las improcedentes e manter o crédito tributário em exigência, em suma com as seguintes razões: 1 De acordo com o item 130.1 do relatório fiscal, folha 81: “Para melhor visualização, os valores apurados estão segregados pela natureza das contribuições, ou seja, empresa, GILRAT e terceiros, e estão discriminados nos DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO, documentos que integram os autos de infração.” Fl. 3877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 5 a) Menciona o processo administrativo nº 10580.727301/2019-72 e destaca que não houve apresentação de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional (folha 3730); b) Diz que as preliminares de nulidade do lançamento fiscal arguidas não encontram amparo no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF); c) Diz que apesar das impugnantes pedirem a juntada posterior de provas, perícias e diligências, não foram observados os requisitos do artigo 16, §4º do PAF; d) Diz que a DRJ não é competente para apreciar manifestação contrária ao arrolamento de bens; e) Fala das verbas apontadas como “indenizatórias” pelas impugnantes. Enumera as seguintes: adicional noturno, insalubridade, hora-extra, salário-maternidade, terço constitucional de férias e férias indenizadas, adicional de periculosidade, salário família, aviso prévio, salário educação, auxílio-doença e auxílio creche; f) Diz que nenhuma planilha resumo ou folha de pagamento foi colacionada aos autos no sentido de corroborar ou demonstrar a existência de pagamentos com essas rubricas, limitando-se a peça impugnatória a teses jurídicas; g) Em relação ao SAT/GILRAT, diz que os conceitos de ‘atividade preponderante’, ‘grau de risco leve, médio ou grave’ são passíveis de serem complementados por decreto, ao regulamentar previsão legislativa e em face das decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça não subsiste mais dúvida quanto à constitucionalidade e legalidade da contribuição; h) Defende a legalidade da multa aplicada; i) Conclui, com base no que foi levantado pela fiscalização, pela existência do grupo econômico; j) Conclui, igualmente, pela ação dolosa e ilícita dos responsáveis pela empresa, enquadrados no artigo 135, do CTN; k) Fala da correta aplicação da taxa Selic; e l) Diz que, conforme o relatório fiscal, já foi feito o aproveitamento dos valores pagos na sistemática do SIMPLES neste lançamento e que o contribuinte não apontou erros nos valores. Em 02/10/2020 foi solicitada a juntada do recurso voluntário (folha 3755/6) pelo contribuinte ACS Serviços Combinados EIRELI. Em sede de recurso, aponta, em resumo que: a) Requereu a conversão do julgamento em diligência para que fossem apuradas as parcelas pagas a título de verbas indenizatórias a seus funcionários, excluindo-as do lançamento; Fl. 3878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 6 b) O julgador de 1ª instância negou o pedido, o que fere seu direito à ampla defesa e assim requer a nulidade da decisão recorrida; c) Não existiu interesse econômico comum nem abuso à legislação tributária, embora haja proximidade entre as empresas envolvidas. Fala das pessoas físicas Ana Maria e Jurandyr e da responsabilidade a eles atribuída com base no artigo 124, I do CTN; d) Os elementos relacionados pela autoridade fiscal não são suficientes para a configuração de grupo econômico, o que levou à soma do faturamento dessas empresas e a consequente exclusão do SIMPLES Nacional; e) Diz que seu planejamento tributário não foi abusivo e que não feriu a legislação tributária. Não se pode aplicar ao caso o artigo 116, do CTN; f) Diz que para se utilizar o art. 124, I, do CTN seria necessário mostrar a participação das Recorrentes na realização do fato gerador, na realização dos contratos perante terceiros para fins para os quais foram indicadas como responsáveis solidárias (folha 3774); g) Questiona quais fatos exatamente levaram à configuração do grupo econômico que levou à exclusão do SIMPLES; h) Volta a questionar, no mérito, a exclusão de parcelas indenizatórias da base de cálculo do lançamento. Pretende que seja “revisada a escrita da Recorrente” para que sejam identificadas tais parcelas (folhas 3777/8); i) Fala da inconstitucionalidade da multa aplicada, com efeito confiscatório, e, alternativamente, pede sua redução para 75% ou limitação a 100%; Também em 02/10/2020, foi juntado o recurso voluntário apresentado por Ana Maria Cavalcanti (folhas 3786/7), que trouxe, em suma, as seguintes razões: a) Indevida atribuição de responsabilidade ao sócio administrador, indicando o artigo 135, III, do CTN; b) Diz que (folha 3792) ou o contribuinte (ACS SERVICOS COMBINADOS PARA APOIO A EDIFICIOS EIRELI) é o sujeito passivo da obrigação tributária, ou, em razão do quanto previsto no artigo 135 do CTN, o sócio administrador é responsável pessoalmente, ou seja, exclusivamente, em substituição ao contribuinte na condição de sujeito passivo da relação obrigacional. Em 02/10/2020, foi juntado recurso voluntário apresentado por Jurandyr Machado de Souza (folhas 3795/6), com as seguintes razões: a) Não é sócio da ACS SERVICOS COMBINADOS PARA APOIO A EDIFICIOS EIRELI. Questiona a responsabilidade a ele atribuída em virtude da ação fiscal aqui em Fl. 3879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 7 debate. A caracterização de grupo econômico se dá na forma prevista no art. 124 do CTN; b) A responsabilidade prevista no art. 135 do CTN é uma responsabilidade pessoal, exclusiva e por substituição, hipótese na qual deixa de ser sujeito passivo da obrigação o contribuinte pessoa jurídica e passa a ser, em seu lugar, o sócio que agiu com infração à lei (folha 3801). Em 02/10/2020, foi apresentado recurso voluntário por ACS ASSESSORIA, JURANDYR EIRELI e ACS ADMINISTRAÇÃO (folha 3805/6), com as seguintes razões, em resumo: a) Não possuem ligação econômica com a pessoa jurídica ACS SERVICOS COMBINADOS PARA APOIO A EDIFICIOS EIRELI, inexiste grupo econômico e não se aplica o artigo 124, I, do CTN; b) Não houve planejamento tributário abusivo, sendo inaplicável o artigo 116, parágrafo único do CTN; c) Utilizaram-se de interpretação favorável da legislação do SIMPLES NACIONAL para fins de economia tributária, não extrapolando os limites legais; d) Trata das questões apontadas pela autoridade fiscal para caracterizar a existência do grupo econômico: unidade gerencial, vínculos familiares, movimentações frequentes entre os sócios, procurações com poderes entre os sócios, atividades econômicas semelhantes ou complementares, compartilhamento e transferência de empregados entre as empresas, transferências de recursos financeiros, confusão patrimonial e utilização de mesmas instalações administrativas rebatendo que não são suficientes para tal caracterização. Em 26/08/2020 foi emitida a Intimação nº 2.082/2020 (folha 3753) para cientificação dos sujeitos passivos, solidaria e pessoalmente responsabilizados, do Acórdão de 1ª instância. Constam destes autos: fl 3852 Aviso de Recebimento 05/10/2020 ACS Serviços Combinados EIRELI fl 3854 Aviso de Recebimento 18/12/2020 ACS Assessoria fl 3855 Aviso de Recebimento 18/12/2020 JURANDYR EIRELI fl 3856 Aviso de Recebimento 18/12/2020 ACS Administração fl 3857 Edital 21/01/2021 JURANDYR EIRELI fl 3858 Aviso de Recebimento 11/01/2021 - devolvido ao remetente Jurandyr Machado de Souza Fl. 3880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 8 fl 3859 Aviso de Recebimento 26/12/2020 - devolvido ao remetente Ana Maria Cavalcanti fl 3860 Edital 03/02/2021 Jurandyr Machado de Souza fl 3861 Edital 03/02/2021 Ana Maria Cavalcanti Em 20/01/2021, JURANDYR EIRELI, reagindo ao Edital afixado, diz que já apresentara recurso voluntário tempestivamente em 02/10/2020. O mesmo procedimento adotou Ana Maria (folha 3869). Na folha 3872, a Unidade preparadora disse que os recursos voluntários apresentados eram “tempestivos” e os encaminhou ao CARF. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Admissibilidade e delimitação da lide Conforme quadro acima elaborado, todos os avisos de recebimento e editais têm data de ciência posterior à apresentação dos recursos voluntários, que foram todos apresentados em 02 de outubro de 2020. Nas peças recursais, os contribuintes afirmam que foram cientificados por meio de sua caixa postal eletrônica e alegam a tempestividade dos recursos. No despacho de encaminhamento ao CARF (folha 3872), a Unidade preparadora atesta a tempestividade. Porém, o processo administrativo fiscal, regulamentado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) desenvolve-se em fases. De acordo com o PAF, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento (artigo 14). A Instrução Normativa RFB nº 1.862, de 27 de dezembro de 2018, trata do procedimento de imputação de responsabilidade tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A referida norma diz que todos os sujeitos passivos autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura do prazo estabelecido no inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, para que a exigência seja cumprida ou para que cada um deles apresente impugnação (art. 4º). O dispositivo supracitado diz ainda que o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento (art. 4º, §2º). Fl. 3881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 9 O ato administrativo em comento diz ainda que a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais (art. 5º). Mas isso não significa que a impugnação apresentada por um dos responsáveis solidários aproveita a todos os demais em relação ao desenvolvimento das fases do processo administrativo e o consequente direito de recorrer da decisão de 1ª instância. De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional no PARECER- SEI Nº 41/2019/CAT/PGACCAT/PGFN-ME: O vínculo de sujeição passiva é aspecto pessoal da hipótese de incidência e eventuais discussões acerca da legitimidade não aproveitam aos demais sujeitos passivos, sejam eles na condição de contribuinte ou responsável legal. A discussão administrativa ou judicial passível de extensão dos efeitos subjetivos aos demais sujeitos passivos deve ser de natureza comum, notadamente acerca dos aspectos objetivos da relação tributária (material, temporal e espacial). (destaquei) Nessa linha, a Instrução Normativa RFB nº 1.862, de 2018, faz discernimento entre dois possíveis argumentos da impugnação/recurso: o vínculo de responsabilidade e o crédito tributário. Vejamos: Art. 4º Todos os sujeitos passivos autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura do prazo estabelecido no inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, para que a exigência seja cumprida ou para que cada um deles apresente impugnação. § 1º A impugnação a que se refere o caput poderá ter por objeto o crédito tributário e o vínculo de responsabilidade, conforme o caso. (destaquei) Somente a contribuinte autuada ACS Serviços Combinados EIRELI (folha 3638) e a pessoa física Ana Maria Cavalcanti (folha 3506) apresentaram impugnações. Apesar de haver uma referência genérica a “sócios outros” na impugnação apresentada por ACS Serviços Combinados EIRELI, não se pode considerar que ali estavam incluídos os demais responsáveis solidários e a pessoa física Jurandyr, pois eles reconhecem em seus recursos que não apresentaram impugnação e inclusive alegam que não eram sócios ou que não configuravam grupo econômico com a autuada ACS Serviços. Vejamos: Os Recorrentes (ACS Assessoria, ACS Administração e Jurandyr EIRELI), que não chegaram a apresentar Impugnações ao Auto de Infração epigrafado, nos termos da Notificação originária e cuja decisão recorrida sobre ela se reflete, está sendo compelido a pagar e/ou impugnar/recorrer sobre tributos federais supostamente não declarados e/ou não recolhidos referente a contribuições previdenciárias e de terceiros/SAT supostamente não recolhidos pela pessoa jurídica da qual não possuem ligação econômica (ACS SERVICOS COMBINADOS PARA APOIO A EDIFICIOS EIRELI – CNPJ 17.764.245/0001-98), ... (folha 3807, destaquei) Fl. 3882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 10 .................................................................................................................................... O Recorrente (Jurandyr) , que não chegou a apresentar Impugnação ao Auto de Infração epigrafado, nos termos da Notificação originária e cuja decisão recorrida sobre ela se reflete, está sendo compelido a pagar e/ou impugnar/recorrer sobre tributos federais supostamente não declarados e/ou não recolhidos referente a contribuições previdenciárias e de terceiros/SAT supostamente não recolhidos pela pessoa jurídica da qual NÃO É SÓCIO (ACS SERVICOS COMBINADOS PARA APOIO A EDIFICIOS EIRELI – CNPJ 17.764.245/0001-98), ... (folha 3797, destaquei) A não apresentação de impugnação tempestiva não instaura a fase litigiosa para esses contribuintes, que deveriam, conforme atos administrativos acima mencionados, apresentar impugnações que especificassem exatamente suas razões. Assim, não se conhece dos recursos apresentados por Jurandyr Machado de Souza, ACS Assessoria em Recursos Humanos Ltda, Jurandyr Machado de Souza EIRELI e ACS Administração de Condomínios Ltda. Trataremos, portanto, do crédito tributário exigido em face de ACS Serviços Combinados EIRELI e do vínculo de sujeição passiva em relação a Ana Maria Cavalcanti, que impugnou e recorreu da decisão de 1ª instância. Importante ressaltar, antes, que o lançamento tributário decorre de um procedimento administrativo que excluiu a supracitada pessoa jurídica da sistemática do SIMPLES Nacional. Conforme destacou (destaques originais) a DRJ (folha 3730): 3.3. Ante ao casuísmo posto a lume, de suma importância mencionar que, consoante fls. 3.318, do processo administrativo nº 10580.727301/2019-72, não houve apresentação de Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional! Assim, não cabe discutir aqui se a empresa deveria ou não ter sido excluída do SIMPLES, o que cabe nestes autos é analisar a exigência fiscal considerando a já definida exclusão. Vejamos da jurisprudência deste Conselho: Acórdão 2001-0006.869, sessão de 23 de maio de 2024 REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES. EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO EM AUTOS PRÓPRIOS. A exclusão da sistemática de tributação SIMPLES enseja possibilidade de impugnação em autos próprios, onde se disponibiliza o contraditório e ampla defesa apropriados à formação de convicção do julgador. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir data em que se operarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às empresas em geral. Acórdão 2401-005.402, sessão de 03 de abril de 2018 Fl. 3883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 11 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA PRECLUSA. Havendo decisão definitiva em outro processo administrativo em que foi mantida a exclusão do Simples, não há como se manifestar sobre a matéria. Preliminar ACS Serviços Combinados EIRELI (folha 3759 e seguintes) alega nulidade da decisão recorrida porque alegou em sede de impugnação que algumas parcelas que integram a folha de pagamentos têm caráter indenizatório e, portanto, devem ser excluídas da base de cálculo do lançamento das contribuições sociais. Registra que a autoridade julgadora disse que caberia a ela, impugnante, comprovar o valor dessas parcelas, mas alega que “os documentos comprobatórios já estão nos autos” e em outros elementos do lançamento, cabendo a conversão do feito em diligência para que fossem deduzidos tais valores da base de cálculo. A DRJ registrou que a contribuinte apresentou apenas teses jurídicas sobre o caráter indenizatório dessas parcelas, mas não os valores e os documentos que comprovem o quanto delas está inserido na base de cálculo considerada pela autoridade fiscal. E negou o pedido para a realização de diligência. Entende-se que assiste razão ao julgador de 1ª instância e não se verifica que tenham sido apontadas, discriminadas e comprovadas tais parcelas remuneratórias pela Recorrente, a quem caberia fazê-lo, de modo a alterar a base de cálculo do lançamento. Vejamos que no relatório fiscal (folha 24) está escrito: 1.1. (Esse relatório...) Tem por objetivo explicar a natureza, origem, metodologia e todas as circunstâncias envolvidas na apuração do crédito tributário a seguir discriminado, constituído em nome do sujeito passivo em virtude da sua exclusão do SIMPLES Nacional, mediante ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/SDR Nº 0024/2019, de 30 de outubro de 2019, com base nos fatos apurados no processo nº 10580.727301/2019-72: (destaquei) Conforme já transcrito, a DRJ disse em sua decisão que não houve manifestação de inconformidade com o Ato de Exclusão do SIMPLES, no processo acima destacado (folha 3730). Registrou a autoridade fiscal sobre a apuração dos valores: As contribuições incidentes sobre as remunerações dos empregados foram apuradas sobre as bases declaradas nos campos “Base de cálculo Prev Social (sem 13º salário)” e “Base de cálculo 13º salário Prev Social” das GFIPs, extraídas dos relatórios do sistema GFIP WEB ... (folhas 81 e 458 e seguintes, destaquei) Assim, as bases consideradas foram declaradas em GFIP pelo próprio contribuinte. Ao declarar essas bases, o próprio contribuinte incluiu verbas indenizatórias? Compete a ele, no curso do processo, demonstrar exatamente quais, relativas a quais empregados e em que valores e competências. Fl. 3884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 12 Registrou a DRJ (folha 3736): 10.12. É consabido que a Impugnação deve ser acompanhada das provas que demonstram os fatos/versões sustentados pela Defendente, sem o que, seus argumentos não passam de meras alegações. 10.13. Nenhuma planilha resumo, nenhuma folha de pagamento ou resumo desta foi colacionada aos autos. Não se percebe qualquer esforço por parte do contribuinte, no sentido de corroborar ou demonstrar faticamente seus argumentos apresentando, apenas, ao longo de sua peça defensiva teses jurídicas. (destaquei) Não há cerceamento de defesa uma vez que de fato o relatório fiscal, como acima transcrito, indicou a natureza, origem, metodologia e todas as circunstâncias envolvidas na apuração do crédito tributário permitindo ao contribuinte conhecê-las e, querendo, contraditá-las. O julgador recorrido então manifestou-se expressamente sobre o pedido da contribuinte e indicou as razões que encontrou para indeferi-lo. Citem-se os artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Assim, não há nulidade na decisão de 1ª instância. Mérito Explica a autoridade fiscal, como registrado no relatório fiscal (folha 82): 133. Nas competências 01/2015 a 12/2017 o sujeito passivo era optante do SIMPLES Nacional e realizou cessão de mão de obra com a disponibilização de empregados na prestação de serviços contínuos em empresas tomadoras. Realizou também serviços contábeis e de assessoria administrativa e operacional a condomínios residenciais e comerciais que estariam, a princípio, enquadrados no Anexo III da LC nº 123/2006. 134. A atividade de cessão de mão de obra constitui impedimento à opção pelo SIMPLES salvo se realizada em serviços de limpeza ou conservação e vigilância, situações em que a atividade é enquadrada no Anexo IV da LC nº 123/2006 e o contribuinte é obrigado a recolher as contribuições previdenciárias da empresa (20%) e GILRAT conforme as regras impostas às empresas em geral, de acordo com disposições da LC nº 123/2006, art. 13, VI, art. 17, XII, e § 1º, e art. 18, §§ 5º- C e 5º-H. Fl. 3885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 13 135. Assim, as contribuições previdenciárias apuradas e lançadas de ofício (empresa 20% e GILRAT) em relação à folha de pagamento dos empregados utilizados na cessão de mão de obra são devidas independentemente da exclusão do SIMPLES tendo em vista que, ainda que não se operasse a exclusão, o sujeito passivo estaria enquadrado no regime de recolhimento do Anexo IV da LC nº 123/2006 em relação às atividades não impeditivas (serviço de limpeza). 136. Em virtude dessa circunstância, e para melhor visualização, a fiscalização procurou realizar o lançamento separando, na medida do possível, as remunerações relacionadas à atividade de cessão de mão de obra, nos serviços vedados ou não, e à atividade de contabilidade. (destaquei) A apuração foi feita da seguinte forma - em metodologia que está descrita no relatório fiscal, conforme aqui relatado -, tomando-se como exemplo o período 01/2015 (folhas 9 e 10): Passo 1 – Infração “CMO” (cessão de mão de obra) base de cálculo R$ 320.268,90 mais infração “serv. Contabilidade” base de cálculo R$ 77.697,37 = R$ 397.966,27. Esse valor está na folha 460, conforme a GFIPWEB (R$ 397.627,62 + R$ 338,65). Passo 2 – A esse total (R$ 397.966,27) foi aplicada a alíquota de 20%, apurada a contribuição social devida e foram descontados R$ 12.055,67 (conforme folha 10, coluna Deduções). Esse valor é a soma do que foi pago em DAS (Extrato do Simples Nacional), conforme folhas 339/340. Passo 3 – O valor então em exigência na competência 01/2015 é de R$ 64.053.78 mais R$ 15.539,47 menos R$ 12.055,67 igual a R$ 67.537,58, conforme consta na folha 17, onde também se demonstra o cálculo dos juros e multa incidentes sobre ele. Mas o recurso concentra-se em rebater a constatação de existência de um grupo econômico de fato, que levou à exclusão do SIMPLES (em outro processo). No recurso (folha 3767) a contribuinte lista oito constatações que foram presentadas pela autoridade fiscal para entender que as empresas envolvidas formam na realidade um grupo econômico. A recorrente fala em planejamento tributário lícito e interpretação legal permitida. Não é, porém, uma questão de planejamento tributário envolvendo interpretação legal, como sustenta a recorrente, mas são questões de fato que demonstram a existência de uma finalidade única, que foi repartida em quatro empresas, apenas para que as receitas e a massa salarial fossem divididas e assim elas pudessem apurar tributos pela sistemática do SIMPLES. Todo planejamento tributário minimamente elaborado constitui-se em um conjunto de atos que, analisados separadamente, um a um, não são contrários à lei. Mas se analisados de forma encadeada, como uma sequência, verifica-se ali o abuso à lei ou o abuso das formas admitidas em lei. Além disso, existe o fator tempo. Os atos acontecem de forma encadeada e em lapsos temporais que revelam sua ligação e a dependência entre eles, no sentido de assim constituírem o abuso à lei. Fl. 3886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 14 Segundo Marco Aurélio Greco2, como já citei no Acórdão 2202-003.964, sessão de 07 de junho de 2017, ao tratar de planejamento tributário, não há uma definição do que seja um plano, mas a experiência mostra que, como regra, há algumas características que se repetem cuja constância permite afirmar existir essa figura. Em síntese, menciona a circunstância de haver um objetivo escolhido previamente à escolha dos instrumentos a serem utilizados, ou seja, um predomínio do fim sobre o meio. O plano pode se materializar numa única operação ou em um conjunto delas; no segundo caso, importante é sublinhar que ele deve ser visto como uma unidade formada por uma pluralidade de negócios, o que implica o enquadramento no tipo tributário do negócio global (conjunto) e não de cada um separadamente. Nesse conceito, assumem importância o efeito prático e a intenção objetiva dos negócios. O autor segue dizendo que um plano tem como características o encadeamento de etapas, explicando que entre essas: a) a posterior só existe se ocorrer a anterior (e vice-versa) e b) a anterior “constrói” o pressuposto legal ou 'de fato' do cabimento e da realização da posterior. Aponta ainda, como características de um plano, buscar no arcabouço legal existente uma estrutura formal que sirva ao objetivo visado ainda que ela seja não usual e, por vezes, até mesmo inadequada ao caso concreto, e a neutralização de efeitos indesejáveis que adviriam dos negócios celebrados se eles se mantivessem com o perfil que lhes é próprio. Em relação a essas duas características, aponta a ocorrência de “coincidências” e a realização de condutas aparentemente conflitantes, que só se justificam se o conjunto for visto de outra perspectiva que não aquela apresentada pelo contribuinte. Conclui que, nessas hipóteses, a variável “tempo”, como se disse acima, em que os fatos ocorreram, pode assumir papel relevante para aferir a natureza do negócio global e levar à sua adequada qualificação jurídica. A partir da folha 3774, o recurso trata, uma a uma, das constatações pormenorizadamente tratadas no relatório fiscal, de onde destacamos: a unidade gerencial, as movimentações frequentes entre os sócios, procurações outorgando poderes entre os sócios, atividades econômicas semelhantes ou complementares, mesmas instalações e estrutura administrativa, compartilhamento e transferências de empregados entre as empresas, confusão patrimonial, transferências financeiras e ainda, como tratado no relatório fiscal (folhas 19 e 58, respectivamente): 19. De início, convém mencionar que todas as empresas utilizam o termo ACS no nome empresarial ou no nome de fantasia, conforme consultas ao CNPJ, e é com essa marca que o grupo é conhecido pelo público como sendo empresa única. (destaquei) 20. Verificamos que as empresas atuam nas mesmas atividades ou em atividades complementares, muitas vezes de forma concomitante, prestando serviços a condomínios residenciais e comerciais ... .................................................................................................................................. 2 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. 3ª ed. Dialética Editora, São Paulo: 2011, p. 125/126. Fl. 3887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 15 74. Como se observa, há confusão no que se refere a qual empresa assina o contrato ou a proposta, qual presta efetivamente o serviço, qual declara o tomador e os empregados em GFIP, as transferências de empregados entre as empresas e qual empresa emite a nota fiscal. A confusão operacional é característica de grupo econômico de fato. Assim, entende-se, por todas essas questões fáticas, concomitantes e com uma finalidade única, que assiste razão à autoridade fiscal na caracterização do grupo econômico. No recurso, trata-se da “exclusão de parcelas de natureza indenizatória e a conversão do julgamento em diligência” (folha 3776/3778) tópico sobre o qual já existe manifestação aqui, quando tratamos da preliminar de nulidade. O contribuinte repete, como já fizera na impugnação, que certas verbas, citem-se: a) adicional noturno; b) Hora-Extra; c) Salário-maternidade, d) Terço constitucional de férias; e) Férias indenizadas; f) Adicional de periculosidade; g) Salário família; h) Aviso prévio indenizado; i) j) Salário educação; Auxílio-doença; k) Auxílio creche são parcelas indenizatórias dedutíveis. Mas como já tratado aqui, a base de cálculo do lançamento foi aquela declarada pelo contribuinte em GFIP. Caberia ao recorrente apontar os valores exatamente que entende tratar-se de verbas que não deveriam, apesar de declaradas, integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias e apresentar os documentos comprobatórios, no curso do processo, e não esperar que fosse determinada uma diligência para que a autoridade fiscal fosse apurar a prova que a ele aproveita. Vejamos da jurisprudência desta Turma, no Acórdão 2401-008.685, sessão de 04 de novembro de 2020: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e Fl. 3888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 16 de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. (destaquei) Multa de ofício A multa de ofício foi aplicada no percentual de 150%, qualificada, por ter entendido a autoridade fiscal (folha 84) que havia “conduta dolosa do sujeito passivo de suprimir/ocultar contribuições previdenciárias e de terceiros utilizando meio fraudulento e planejamento abusivo, atuando em fraude ao Fisco”. Narra, dentre outras condutas, que (folha 85): 144. Visando descaracterizar situação de exclusão por excesso de receita bruta global, a empresa deixou de emitir notas fiscais ou emitiu notas fiscais com inclusão parcial dos custos dos serviços, a exemplo do custo da mão de obra e de encargos, reduzindo, assim, o valor da receita bruta em cada emissão e ao final do ano-calendário. Parte das notas fiscais foram emitidas considerando apenas o valor de taxa de administração do serviço. 145. O contribuinte deixou de informar tomadores de serviços em GFIP, descumprindo obrigação prevista na legislação previdenciária, para disfarçar a incompatibilidade entre a massa salarial e a receita bruta, bem como para omitir a realização de cessão de mão de obra em atividades vedadas ou não. A inexistência ou redução de tomadores de serviços em GFIP reduz os indícios de que a empresa esteja atuando na atividade de cessão de mão de obra. Entende-se que essas constatações, somadas às outras que descrevem a montagem de uma estrutura empresarial de forma a suprimir ou reduzir o pagamento de contribuições sociais, aqui já tratadas, amoldam-se aos conceitos previstos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, corretamente aplicada a qualificação da multa. Em relação ao percentual, que é definido em lei, e questões sobre proporcionalidade e confisco, cite-se a Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória neste julgamento: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Retroatividade benigna Não obstante, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, cabe ser observada a superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que alterou o percentual da Multa Qualificada, dando nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/96, reduzindo-a a 100%. Fl. 3889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 17 Responsabilidade pessoal de Ana Maria A contribuinte Ana Maria, à época dos fatos casada com Jurandyr, apresentou sua impugnação, conforme relatado, e o recurso voluntário questionando sua responsabilização “solidária” (folha 3789). Na sistematização do CTN, verifica-se a sujeição passiva indireta por transferência e por substituição. Na primeira hipótese, existem as subdivisões: por solidariedade, por sucessão e por responsabilidade. Nas hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, tem-se a responsabilidade pessoal de terceiros. O artigo 135 contempla uma regra de exceção, pois a regra é a responsabilidade da pessoa jurídica, e não das pessoas físicas dela gestoras. Esses terceiros agem dolosamente, nos casos em que tiverem praticado atos com excesso de poderes ou infração à lei. O ilícito é prévio ou concomitante à obrigação tributária e não se resume ao não pagamento dos tributos. O relatório fiscal utiliza os artigos 124, I, do CTN (folha 90) para, de acordo com a autoridade fiscal, apontar como devedores “solidários”, em virtude da existência de um grupo econômico de fato, a partir das características apontadas neste voto, as empresas ACS Serviços Combinados EIRELI, ACS Assessoria Ltda., ACS Administração Ltda., e Jurandyr Machado de Souza EIRELI, “com atuação conjunta em atividades relacionadas e convergentes” (folha 88), tendo sido caracterizado o interesse comum na situação que configura o fato gerador das obrigações em discussão, ou seja, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias. Além disso, utilizando o artigo 135, III, do CTN, aponta a responsabilidade pessoal dos sócios administradores Jurandyr e Ana Maria, em virtude da atuação deliberada para a supressão do pagamento de tributos, inclusive evitar que fosse ultrapassado o limite de receita bruta, empregando “artifícios como falta de emissão de notas fiscais, simulações de retiradas dos sócios dos quadros e utilização de procurações com outorga de amplos, gerais e ilimitados poderes de gestão foram utilizados com tal objetivo” (folha 93). Verificou-se também “A falta de escrituração de Livro Caixa, impedindo a completa identificação da movimentação financeira da empresa, da receita bruta e das despesas pagas (...)” (folha 93). Com essas condutas, que não são negadas no recurso, entendo que a recorrente está devidamente enquadrada no que sustenta, com bastante precisão, a peça recursal ao dizer que “a responsabilidade admitida pelo Direito Tributário é aquela decorrente da prática de terceiros relacionada ao ato que extrapola os limites do exercício da função que lhe compete, resultando no inadimplemento do tributo ou na própria ocultação do fato jurídico tributário e não aquela que decorre do mero inadimplemento de uma obrigação tributária...” (destaquei, folha 3790/1). E prossegue o recurso dizendo que (folha 3791): Fl. 3890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 18 Na função de sócio gerente, tal responsabilização recairia se, em algum momento, tivesse a Recorrente agido em desconformidade com a legislação societária ou comercial com o fito de, por exemplo, modificar as atividades e informações fiscais da empresa; ocultar patrimônio; evadir-se de fiscalização; como acontece, por exemplo, nos casos de dissolução irregular da sociedade. 18. Mas não. Aqui, a Recorrente, nunca agiu em desconformidade com a lei, transmitiu todas as informações necessárias e válidas à autoridade fiscal, como, por exemplo, as DCTF, as ECF, as DIPJ, dando amplo conhecimento ao Fisco do seu faturamento, do seu lucro, do seu patrimônio e da continuidade das atividades da empresa. (destaquei) Mas o que está descrito no relatório fiscal e demonstrado nos autos é exatamente o contrário: que não houve a correta informação da receita bruta, que foram usados artifícios para que não aparecessem incompatibilidades entre a receita e a folha de pagamento e que mesmo ciente das irregularidades em relação ao SIMPLES, os gestores assim procederam (folha 93): Quando o sujeito passivo impedido permanece no regime tributário do SIMPLES, inclusive informando em GFIP a situação de opção (código 2), deixa de declarar e recolher contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores que lhe prestaram serviços, infringindo a Lei nº 8.212/91, art. 30, I, “b”, e art. 32, IV, além das contribuições de terceiros; 172.1. Ressalta-se que ainda que inexistisse situação excludente o sujeito passivo incorreria na mesma infração visto que prestou serviços em atividades enquadradas na forma do Anexo IV da LC nº 123/2006 (cessão de mão de obra em serviços de limpeza, por exemplo), caso em que estaria obrigado a recolher as contribuições patronal (20%) e GILRAT. 173. As condutas mencionadas constituem infrações a Leis ou ao contrato social e implicam a responsabilização dos administradores/representantes da empresa. Assim, entendo que está correta a responsabilidade imputada à recorrente Ana Maria Cavalcanti. Conclusão Em conclusão, VOTO por não conhecer dos recursos apresentados por Jurandyr Machado de Souza, ACS Assessoria em Recursos Humanos Ltda, Jurandyr Machado de Souza EIRELI e ACS Administração de Condomínios Ltda. VOTO por conhecer dos recursos voluntários apresentados por ACS Serviços Combinados para Apoio a Edifícios EIRELI e Ana Maria Cavalcanti. Em relação ao recurso de ACS Serviços Combinados para Apoio a Edifícios EIRELI, VOTO por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial para reduzir o percentual da multa aplicada a 100%, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, e da superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. Em relação ao recurso apresentado por Ana Maria Cavalcanti, VOTO por negar provimento. Fl. 3891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.647 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10580.727165/2019-11 19 Assinado Digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 3892DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11420845 #
Numero do processo: 10880.929725/2012-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. CABIMENTO. Constatada a inexatidão material na parte dispositiva do Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado.
Numero da decisão: 1002-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para tão somente corrigir a decisão para conhecer e negar provimento, confirmando-se a inexatidão material na parte dispositiva do Acórdão. Assinado Digitalmente Ricardo Pezzuto Rufino – Relator Assinado Digitalmente Aílton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ailton Neves da Silva (Presidente), Luis Angelo Carneiro Baptista (Substituto Integral), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ricardo Pezzuto Rufino.
Nome do relator: RICARDO PEZZUTO RUFINO

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INEXATIDÃO MATERIAL. CABIMENTO. Constatada a inexatidão material na parte dispositiva do Acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para tão somente corrigir a decisão para conhecer e negar provimento, confirmando-se a inexatidão material na parte dispositiva do Acórdão. Assinado Digitalmente Ricardo Pezzuto Rufino – Relator Assinado Digitalmente Aílton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ailton Neves da Silva (Presidente), Luis Angelo Carneiro Baptista (Substituto Integral), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ricardo Pezzuto Rufino. Fl. 185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 2 RELATÓRIO O caso trata do não reconhecimento de crédito de saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário de 2002. A Autoridade Tributária, ao analisar o pedido, concluiu pela inexistência de direito creditório, sob o fundamento de que não houve comprovação suficiente das retenções na fonte que comporiam o saldo negativo, bem como pela ocorrência de prescrição em relação a parte das compensações declaradas. Assim, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente, mantendo-se a decisão administrativa. A fundamentação destacou que o ônus da prova cabe ao contribuinte, sendo indispensável a demonstração de crédito líquido e certo para fins de compensação. Ressaltou-se ainda que, na ausência de documentos hábeis — como comprovantes de retenção na fonte —, não é possível reconhecer o crédito pleiteado. Ademais, entendeu-se que o prazo de cinco anos para pleitear restituição deve ser contado da data da extinção do crédito tributário, ocorrida em 31/12/2002, afastando a tese de contagem a partir da entrega da DIPJ. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ausência de prévio procedimento fiscalizatório, o que teria cerceado seu direito de defesa. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência para que as fontes pagadoras fossem intimadas a apresentar documentos comprobatórios das retenções. No mérito, a recorrente sustentou a validade do crédito, afirmando que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto retido é da fonte pagadora, não podendo o contribuinte ser prejudicado por eventual inadimplemento desta. Quanto ao prazo, defendeu que não há prescrição para aproveitamento de saldo negativo de IRPJ ou, alternativamente, que o prazo deveria ser contado a partir da entrega da DIPJ, momento em que o crédito se torna certo e exigível. Argumentou ainda que a apresentação do PER/DCOMP dentro do prazo legal seria suficiente para afastar a prescrição. Referido Recurso Voluntário foi julgado pelo Acórdão CARF nº 1002-003.169 – 1ª Seção de Julgamento/ 2ª Turma Extraordinária, de 16/01/2024 (fls. 143 a 166), conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Fl. 186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 3 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DA DECISÃO QUE RECONHECEU A EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS. CABÍVEL SOMENTE PARA O INÍCIO DA COMPENSAÇÃO. O prazo para realizar a compensação de valores reconhecidos por meio de decisões administrativas, a teor do artigo 165, III, combinado com o artigo. 168, II, ambos do Código Tributário Nacional, é de cinco anos. Portanto, dispõe a contribuinte de cinco anos para iniciar a compensação, contados a data em que se tornar definitiva a decisão administrativa que reconheceu o direito ao crédito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O marco inicial de contagem do prazo decadencial para a restituição/compensação de saldo negativo de CSLL inicia-se após a entrega da declaração de rendimentos (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Referida decisão foi objeto dos presentes embargos de declaração (fls. 172 a 178) em razão da constatação de inexatidão material, nos seguintes termos: DOS FATOS Trata presente processo de Saldo Negativo de IRPJ, do ano-calendário 2002, com decisório com número de rastreamento 022413499, emitido eletronicamente em 04/05/2012, referente ao crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 09372.92784.220709.1.7.02-9509. No referido despacho, não foi reconhecido o direito creditório: Fl. 187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 4 Como se observa na imagem detalhada abaixo, das Retenções na fonte informadas pelo interessado (R$ 357.652,81), foram confirmadas apenas o valor de R$ 159.202,59. Importante salientar que a glosa acima relatada, por si só, já foi suficiente para negar INTEGRALMENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte: Valor do saldo negativo disponível = Parcelas confirmadas (R$ 164.952,58) limitado ao somatório das parce-las na DIPJ) - IRPJ devido (R$ 285.711,47), limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. R$ 164.952,58 - 285.711,47 = R$ -120.758,89 Valor do saldo negativo: R$ 0,00 Adicionalmente ao relatado acima, foi também decidido, no referido despacho, que alguns PER/DCOMP’s teriam sido transmitidos após o prazo legal: Fl. 188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 5 Ato contínuo, o contencioso administrativo foi instaurado com a apresentação de Manifestação de Inconformidade de folhas 33 a 74, sendo esta julgada improcedente pelo Acórdão nº 10-68.034 - 1ª Turma da DRJ/POA, de 13 de fevereiro de 2020 (fls. 77 a 82). Ciente da decisão de primeira instância, a interessada interpôs o Recurso Voluntário, de folhas 87 a 140, no qual requer, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório ou conversão do julgamento em diligência. Solicita ainda que, caso fossem superados os argumentos apresentados acima, o acórdão ora recorrido não poderia ser mantido, pois o valor do saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2002 da Recorrente encontrar-se-ia em total regularidade, de modo que o crédito utilizado se mostraria suficiente para a quitação de todos os débitos envolvidos. Adicionalmente alega que “não deve persistir o argumento segundo o qual algumas das PER/DCOMPs teriam sido transmitidas foram do prazo prescricional, uma vez que a Recorrente, conforme exposto na Manifestação de Inconformidade, somente tomou conhecido dos valores de saldo negativo de IRPJ Fl. 189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 6 em 30 de junho de 2003, momento de entrega da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), bem como pelo fato de que o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ é imprescritível, já que é renovado a cada novo período de apuração em que o contribuinte se mantém em atividade, na linha da jurisprudência do E. CARF”. Requer, por fim, o provimento do recurso para reconhecer a totalidade do crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002 e possibilitar a homologação integral das compensações pleiteadas, com a consequente extinção dos respectivos débitos. Referida contestação foi julgada pelo Acórdão CARF 1002-003.169 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária, de 16 de janeiro de 2024 (fls. 143 a 167), decisão objeto dos presentes embargos. DA DECISÃO EMBARGADA Da leitura do Acórdão CARF nº 1002-003.169, verifica-se que o julgado analisou primeiramente as possibilidades de nulidade e a conversão em do julgamento em diligência. Ambas as possibilidades foram afastadas. No escopo da lide o relator destaca que houve dois motivos (já citados acima) para a não homologação dos referidos PER/DCOMPs: 1 - Ausência de comprovação das retenções; 2 - PER/DCOMPs não homologados por extemporaneidade. Relativamente ao primeiro caso, foi julgado que o Acórdão da DRJ está correto não assistindo razão ao contribuinte, mantendo as glosas para as DCOMPs consideradas “não extemporâneas”. Já para o segundo caso, entende o relator que “assiste razão ao contribuinte quando sustenta que o termo inicial para a contagem do prazo para a transmissão dos PER/DCOMPs se daria a partir da entrega da DIPJ, no caso em tela, no dia 30 de Junho de 2003, de modo que relegaria a tempestividade dos PER/DCOMPs acima mencionados”. Fl. 190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 7 DA INEXATIDÃO MATERIAL Entendo haver a ocorrência da inexatidão material quando, ainda que haja o reconhecimento pelo colegiado que contribuinte respeitou o prazo de cinco anos para a entrega de todas as DCOMPS não sendo portanto extemporâneas, em sua CONCLUSÃO, decide pela reforma da decisão da Delegacia de Julgamento, para re-conhecer a compensação do crédito adicional para as referidas DCOMPS cuja a extemporaneidade foi afas-tada. Entretanto, como já foi relatado, inexiste crédito adicional, tendo em vista a não comprovação, pelo contribuinte, das retenções na fonte, objeto de glosa. DA COMPETÊNCIA Fl. 191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 8 Nos termos art. 116, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, de 21 de dezembro de 2023, cabe ao titular da unidade da administração tributária encarregada pela liquidação e execução do acórdão a oposição de embargos junto ao CARF: Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (...) V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou O art. 117 do mesmo dispositivo trata da possiblidade de embargos inominados nos casos em que forem apuradas inexatidões materiais: Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto e o erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, considerando o contido nos arts. 116 e 117 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, de 21 de dezembro de 2023, propõe-se o encaminhamento dos presentes ao Sr. Delegado Especial da Receita Federal em São Paulo SP, titular da unidade de administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, para ciência do Acórdão CARF 1002-003.169 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária, de 16 de janeiro de 2024 (fls. 143 a 167), submetendo-se os presentes embargos para apreciação e, estando de acordo, oposição junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Os embargos de declaração foram recebidos às fls. 181 a 183: Trata-se de embargos de declaração opostos pela DERAT SPO em face do Acórdão nº 1002-003.169, de 16 de janeiro de 2024, por meio do qual a 2ª Turma Extraordinária da 1ª Seção assim se manifestou: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (...) Fazenda Nacional teve ciência da decisão e não apresentou recurso (fls. 169). A DERAT SPO, ao receber o processo, apresentou embargos (fls. 173) sob o argumento de que a decisão teria incorrido em inexatidão material, nos seguintes termos: Fl. 192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 9 (...) Apresentados os argumentos, passo à análise. Como visto, trata-se de indicação de possível inexatidão material na conclusão do acórdão, ante o entendimento de que não haveria crédito adicional, ante a não comprovação, pelo contribuinte, das retenções na fonte que foram glosadas. Por se tratar de eventual erro material não se faz necessária a verificação de tempestividade dos embargos, bastando a legitimidade da autoridade embargante, requisito que se encontra atendido, posto que os embargos foram assinados pelo Delegado da DERAT SPO. Quanto ao pleito, trata-se de questionamento objetivo suscitado pela unidade da RFB encarregada de liquidar o teor da decisão, razão pela qual entendo ser pertinente a manifestação do Colegiado quanto ao ponto suscitado pela Embargante. Conclusão: Pelo exposto, e com fulcro nos artigos 116 e 117 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO os embargos apresentados pela DERAT SPO, a fim de que a inexatidão material indicada seja objeto de manifestação pelo Colegiado. Tendo em vista que o Relator do acórdão embargado não mais integra este Colegiado, os autos devem ser encaminhados à DIPRO/COJUL, nos termos do artigo 89, §7º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, para sorteio de novo relator, no âmbito desta turma, para apreciação dos embargos e posterior inclusão em pauta de julgamento. Com o novo sorteio dos autos, mediante Despacho de fl. 184, os referidos embargos de declaração foram admitidos para a verificação da inexatidão suscitada e os autos vieram a mim para dar prosseguimento no julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Pezzuto Rufino – Relator Os embargos de declaração atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos dos artigos 116 e 117, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023: Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. (...) Fl. 193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 10 Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Será dada ciência ao requerente do despacho que indeferir o requerimento previsto no caput Trata-se de embargos de declaração opostos pela unidade da Administração Tributária encarregada da liquidação e execução do Acórdão nº 1002-003.169, de 16/01/2024, da 2ª Turma Extraordinária da 1ª Seção. Tais embargos foram admitidos às fls. 181 a 183. Conforme exposto, os embargos de declaração foram opostos em razão da identificação, pela unidade responsável pela execução da liquidação do acórdão, de erro material em sua conclusão, a qual consignou a inexistência de crédito adicional em virtude da não comprovação, pelo contribuinte, das retenções na fonte anteriormente glosadas; não obstante, de forma contraditória, a parte dispositiva do acórdão registra o provimento parcial do recurso. Verifica-se a ocorrência de inexatidão material no acórdão, uma vez que, embora o colegiado tenha reconhecido que o contribuinte observou o prazo quinquenal para a apresentação de todas as DCOMP, afastando-se, portanto, a alegação de extemporaneidade, concluiu, de forma incoerente, pela reforma da decisão da Delegacia de Julgamento para reconhecer a compensação de suposto crédito adicional em relação a tais declarações, conforme conclusão do Relator: CONCLUSÃO Posto isso, conheço do Recurso Voluntário, restando comprovado por documentos hábeis bem como alicerçados em jurisprudências do I. Superior Tribunal de Justiça e, considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, pelos motivos anteriormente expostos, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto, reformando a decisão da Delegacia de Julgamento, para reconhecer a compensação do crédito adicional pretendido apenas nos seguintes PER/DCOMPs: 01696.66091.280308.1.3.02-5781, 06435.36303.300408.1.3.02- 9927, 09646.99253.080508.1.3.02-7729, 07457.08217.150508.1.3.02-0027, 10776.88584.280508.1.3.02-0904, 22351.81156.060608.1.3.02-3688, 01350.99864.100608.1.3.02-0953 e 16335.57913.130608.1.3.02-4700, até o limite do crédito disponível. Todavia, conforme já consignado nos autos, não há crédito adicional a ser reconhecido, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar as retenções na fonte que Fl. 194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.315 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.929725/2012-19 11 deram origem ao crédito pleiteado, as quais foram regularmente glosadas pela Autoridade Tributária. Assim, ainda que superada a questão temporal relativa à tempestividade das DCOMPs, subsiste óbice material intransponível ao reconhecimento do crédito, qual seja, a ausência de comprovação de sua existência. Desse modo, impõe-se a correção do erro material, a fim de adequar a conclusão do acórdão aos seus próprios fundamentos, afastando-se o reconhecimento indevido de crédito adicional. Desse modo, confirmando-se a inexatidão material na parte dispositiva do Acórdão, devem os presentes Embargos serem acolhidos, sem efeitos infringentes, tão somente para corrigir a decisão neste ponto e, por consequência, a parte dispositiva do Acórdão, que passa a ter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, negar provimento”. É como voto. Assinado Digitalmente Ricardo Pezzuto Rufino Fl. 195DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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