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Numero do processo: 14485.000573/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/04/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/08/2002 a 31/12/2002, 01/03/2003 a 31/08/2003, 01/04/2005 a 31/05/2007
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, declarar a decadência até a competência 08/2002.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 30/04/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/08/2002 a 31/12/2002, 01/03/2003 a 31/08/2003, 01/04/2005 a 31/05/2007 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 05 73 /2 00 7- 27 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000573/200727 Acórdão n.º 2401003.666 S2C4T1 Fl. 282 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 15.874 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.081.7907. A exigência em questão recaiu sobre as contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, conforme folhas de pagamento apresentadas durante o procedimento de auditoria fiscal. Cientificada do lançamento em 25/09/2007, a empresa ofertou impugnação (fls. 75/79), cujas razões não foram acatadas pelo órgão a quo, que decidiu pela procedência integral da lavratura (ver fls. 174/190). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso (fls. 193/199), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o lançamento é nulo posto que a sua fundamentação legal é deficiente, na medida em que a menção das normas aplicáveis apenas no Relatório de Fundamentos Legais não permite a perfeita compreensão pelo contribuinte, posto que a apresentação da legislação é por demais genérica, ocasionandolhe cerceamento ao direito de defesa; b) todos os fatos geradores ocorridos até 25/09/2002 foram alcançados pela decadência; c) por ser empresa urbana, não pode ser compelida a recolher a contribuição destinada ao INCRA; d) não é sujeito passivo da contribuição destinada ao SEBRAE, a uma porque a exação é inconstitucional, por não ter sido criada por lei complementar, a duas porque não é microempresa ou empresa de pequeno porte; e) enquanto não houver lei definindo o alcance do termo “atividade preponderante”, não se pode exigir à contribuição para financiamento dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial; f) não é devedora da contribuição ao SESC/SENAC, haja vista que é empresa do ramo de prestação de serviços; g) devem ser afastados os acréscimos legais, em razão das dificuldades financeiras experimentadas pela empresa, principalmente em razão de discórdia entre os seus sócios. Pede o cancelamento da lavratura. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Posteriormente a empresa apresentou requerimento de desistência parcial do , fl. 219/220. A desistência envolveu as competências de 09/2002 a 05/2007. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14485.000573/200727 Acórdão n.º 2401003.666 S2C4T1 Fl. 283 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Todavia, devese conhecer desta apenas na parte não incluída no pedido de desistência. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, verificase que, embora não tenha sido acostado o Relatório de Documentos Apresentados, onde são apresentados os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF leva à conclusão de que havia pagamentos de contribuições, uma vez que consta menção à análise de comprovantes de recolhimento. Por outro lado, verificase que, na NFLD n. 37.081.7893, somente há exigência da contribuição dos segurados para o período de 04/2005 a 05/2007, o que me leva a crer que para as competências anteriores o fisco identificou recolhimentos parciais. Assim, devese aferir a decadência pela regra do § 4. do art. 150 do CTN. Esse entendimento leva ao reconhecimento da decadência para as competências até 08/2002, haja vista que a ciência do lançamento ocorreu em 25/09/2007. Considerando que as competências de 09/2002 a 05/2007 foram objeto da desistência do recurso, deixo de apreciar as demais razões recursais. Conclusão Voto por conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por afastar em razão da decadência as competências até 08/2002. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908003/2011-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 80 03 /2 01 1- 20 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908003/201120 Acórdão n.º 3801003.729 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908003/201120 Acórdão n.º 3801003.729 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908003/201120 Acórdão n.º 3801003.729 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908003/201120 Acórdão n.º 3801003.729 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908003/201120 Acórdão n.º 3801003.729 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 77DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908003/201120 Acórdão n.º 3801003.729 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.720946/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. COMPETÊNCIA.
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Numero da decisão: 2201-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720946/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.533 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente MANOEL RICARDO CALHEIROS D'AVILA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 46 /2 00 9- 11 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720946/200911 Acórdão n.º 2201002.533 S2C2T1 Fl. 3 3 Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 146.895,81, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Manoel Ricardo Calheiros D'Avila apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 14 de agosto de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.746, decidiram por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Posteriormente, em sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, o Colegiado, por meio do Acórdão nº 2201 001.966, de 23 de janeiro de 2013, acolheu os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.746, de 14 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720946/200911 Acórdão n.º 2201002.533 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão insta examinar, de antemão, a preliminar suscitada pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui à União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, conforme prevê o inciso I do art. 157 da CF, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, não há relação entre o dever de reter o imposto e o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado da Bahia. Dessarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. No que tange à alegação de constituição inadequada da exigência, como a matéria se confunde com o mérito, será examinada mais adiante. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da Lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de idéias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Embora alegue a defesa que a verba recebida pelos servidores estaduais é exatamente igual àquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação, penso que não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e Ministério Público Federal, respeitando a interpretação do STF. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720946/200911 Acórdão n.º 2201002.533 S2C2T1 Fl. 5 7 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. No que toca à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributável, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos auferidos, esse erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Desse modo, o erro é escusável e, consequentemente, inaplicável a multa de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessa conformidade, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões da STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidou se o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) (grifei) Depreendese da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora. Por fim, cumpre registrar que as decisões administrativas ou judiciais, sem caráter vinculante, não obrigam os julgadores dos processos administrativos fiscais, assim como os pareceres emitidos por ilustres doutrinadores, a exemplo do Dr. Roque Antônio Carrazza e do Dr. Paulo Modesto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720946/200911 Acórdão n.º 2201002.533 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13839.000542/00-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/03/1996 a 25/06/1997
DRAWBACK SUSPENSÃO - FUNGIBILIDADE
Não obrigatoriedade de manutenção de controle do estoque importado e do estoque nacional para a comprovação do cumprimento do Ato Concessório havendo fungibilidade entre o insumo nacional e o importado, sendo relevante a verificação entre o que foi importado e a quantidade exportada.
LIVROS REGISTROS DE INVENTÁRIO, REGISTRO DE ENTRADAS E SAÍDAS.
Há que se reconhecer a apresentação dos Livros, ainda que autenticados na Junta Comercial após o início da Fiscalização, posto que relevante elemento de prova que não pode ser olvidado pela Fiscalização, ainda mais quando em conjunto com outros elementos de controle de inventário e estoque mantidos pelo Recorrente.
DESCUMPRIMENTO DO DRAWBACK. AUSÊNCIA DE LIVRO REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE.
Adotando-se a premissa da possibilidade de cumprimento do drawback suspensão com bens fungíveis deixa de ser relevante o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, para fins de verificação de controle separado do insumo importado e do nacional, sobretudo quando a própria Fiscalização consegue verificar a quantidade de insumos utilizados no produto exportado pelos registros da própria Recorrente.
CUMPRIMENTO PARCIAL DO DRAWBACK SUSPENSÃO. NÃO CÔMPUTO DE EXPORTAÇÕES REALIZADAS TANTO FORA COMO ANTES DO PRAZO ASSINADO NO AC. RE´s RETIFICADOS APÓS A AVERBAÇÃO.
Não podem ser considerados, para fins de cumprimento parcial do regime de drawback, as exportações realizadas tanto antes como depois do prazo assinado pelos Atos Concessórios.
Mas há que se aceitar a correção da classificação fiscal e do vínculo da exportação no Registro de Exportação efetuada após a averbação, anteriormente ao prazo de início da Fiscalização, o que demonstra que a Recorrente, ciente de seu mero lapso, corrigiu o seu procedimento, circunstância relevante a ser considerada pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o cumprimento parcial dos Atos Concessórios objeto do presente processo pela Recorrente, incluindo-se no cômputo do cumprimento parcial os REs que foram afastados por suposta ausência de classificação fiscal e aqueles vinculados ao drawback suspensão após a averbação, anteriormente não reconhecidos pela Fiscalização e pela Decisão da DRJ, considerando, no entanto, o percentual de 40,78% encontrado pela Fiscalização de utilização de insumo no produto exportado. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern e Helder Massaaki Kanamaru. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti apresentaram declarações de voto. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente a Dra. Rita de Cássia C. Teixeira. OAB/SP no 111.992
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Helder Massaaki Kanamaru e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/03/1996 a 25/06/1997 DRAWBACK SUSPENSÃO - FUNGIBILIDADE Não obrigatoriedade de manutenção de controle do estoque importado e do estoque nacional para a comprovação do cumprimento do Ato Concessório havendo fungibilidade entre o insumo nacional e o importado, sendo relevante a verificação entre o que foi importado e a quantidade exportada. LIVROS REGISTROS DE INVENTÁRIO, REGISTRO DE ENTRADAS E SAÍDAS. Há que se reconhecer a apresentação dos Livros, ainda que autenticados na Junta Comercial após o início da Fiscalização, posto que relevante elemento de prova que não pode ser olvidado pela Fiscalização, ainda mais quando em conjunto com outros elementos de controle de inventário e estoque mantidos pelo Recorrente. DESCUMPRIMENTO DO DRAWBACK. AUSÊNCIA DE LIVRO REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. Adotando-se a premissa da possibilidade de cumprimento do drawback suspensão com bens fungíveis deixa de ser relevante o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, para fins de verificação de controle separado do insumo importado e do nacional, sobretudo quando a própria Fiscalização consegue verificar a quantidade de insumos utilizados no produto exportado pelos registros da própria Recorrente. CUMPRIMENTO PARCIAL DO DRAWBACK SUSPENSÃO. NÃO CÔMPUTO DE EXPORTAÇÕES REALIZADAS TANTO FORA COMO ANTES DO PRAZO ASSINADO NO AC. RE´s RETIFICADOS APÓS A AVERBAÇÃO. Não podem ser considerados, para fins de cumprimento parcial do regime de drawback, as exportações realizadas tanto antes como depois do prazo assinado pelos Atos Concessórios. Mas há que se aceitar a correção da classificação fiscal e do vínculo da exportação no Registro de Exportação efetuada após a averbação, anteriormente ao prazo de início da Fiscalização, o que demonstra que a Recorrente, ciente de seu mero lapso, corrigiu o seu procedimento, circunstância relevante a ser considerada pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LIVROS REGISTROS DE INVENTÁRIO, REGISTRO DE ENTRADAS E SAÍDAS. Há que se reconhecer a apresentação dos Livros, ainda que autenticados na Junta Comercial após o início da Fiscalização, posto que relevante elemento de prova que não pode ser olvidado pela Fiscalização, ainda mais quando em conjunto com outros elementos de controle de inventário e estoque mantidos pelo Recorrente. DESCUMPRIMENTO DO DRAWBACK. AUSÊNCIA DE LIVRO REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE. Adotandose a premissa da possibilidade de cumprimento do drawback suspensão com bens fungíveis deixa de ser relevante o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, para fins de verificação de controle separado do insumo importado e do nacional, sobretudo quando a própria Fiscalização consegue verificar a quantidade de insumos utilizados no produto exportado pelos registros da própria Recorrente. CUMPRIMENTO PARCIAL DO DRAWBACK SUSPENSÃO. NÃO CÔMPUTO DE EXPORTAÇÕES REALIZADAS TANTO FORA COMO ANTES DO PRAZO ASSINADO NO AC. RE´s RETIFICADOS APÓS A AVERBAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 05 42 /0 0- 17 Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 2 Não podem ser considerados, para fins de cumprimento parcial do regime de drawback, as exportações realizadas tanto antes como depois do prazo assinado pelos Atos Concessórios. Mas há que se aceitar a correção da classificação fiscal e do vínculo da exportação no Registro de Exportação efetuada após a averbação, anteriormente ao prazo de início da Fiscalização, o que demonstra que a Recorrente, ciente de seu mero lapso, corrigiu o seu procedimento, circunstância relevante a ser considerada pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o cumprimento parcial dos Atos Concessórios objeto do presente processo pela Recorrente, incluindose no cômputo do cumprimento parcial os RE’s que foram afastados por suposta ausência de classificação fiscal e aqueles vinculados ao drawback suspensão após a averbação, anteriormente não reconhecidos pela Fiscalização e pela Decisão da DRJ, considerando, no entanto, o percentual de 40,78% encontrado pela Fiscalização de utilização de insumo no produto exportado. Vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern e Helder Massaaki Kanamaru. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti apresentaram declarações de voto. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela recorrente a Dra. Rita de Cássia C. Teixeira. OAB/SP no 111.992 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Helder Massaaki Kanamaru e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Contra a WITCO DO BRASIL LTDA., que passou a se denominada CHEMTURA INDÚSTRIA QUÍMICA DO BRASIL LTDA., ora Recorrente, foram lavrados autos de infrações relativos ao Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados vinculados à importação (fls. 12/20), em decorrência do não adimplemento, na Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.143 3 visão das Autoridades Fazendárias, total do regime aduaneiro de Drawback, na modalidade suspensão, objeto dos atos concessórias no 001896/0529 e 001897/0530. As Autoridades Fazendárias fundamentaram as suas conclusões com base nos seguintes fatos, abaixo resumidamente descritos: AC nº 001896/0529 e 001897/0530 inexistência de controle de produção e de estoques para insumos importados e produtos exportados; livros Registro de Inventário e Registro de Entradas e Saídas em desacordo com os requisitos legais. AC nº 001896/0529 descumprimento das quantidades e valores pactuados no AC quanto aos produtos a serem exportados; ausência de averbação do número do AC no Registro de Exportação exportação de mercadorias com classificação fiscal diversa da pactuada no AC; AC nº 001897/0530 ausência de averbação do número do AC no Registro de Exportação; não enquadramento das exportações no código próprio de drawback modalidade suspensão; exportação de mercadoria com classificação fiscal diversa daquela informada no AC; exportação de mercadoria em data anterior ao ingresso do insumo importado no estabelecimento industrial; Verificou, ainda, a Fiscalização discrepância entre a relação insumo/produto informada pelo Recorrente após verificação nos documentos internos de produção da própria Recorrente. E com base nessa discrepância existente na visão da Fiscalização, ela concluiu que que a Recorrente poderia destinar uma parcela do insumo na fabricação de produtos no mercado interno (produto L540). Nesse sentido, a Fiscalização, entendendo que houve total descumprimento de ambos os AC’s efetuou o lançamento de ofício dos tributos suspensos aplicando a multa respectiva, com exigência de juros de mora. A Recorrente apresentou Impugnação, em que, inicialmente, alega que parte dos tributos constantes em Declaração de Importação já havia sido paga, em quantia excedente àquela que foi autorizada no AC, motivo pelo qual pugna pela nulidade do ato que, em seu juízo, deveria ter levado o pagamento em consideração. Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 4 Aduz ainda que o inadimplemento parcial dos AC´s não o desnaturam por completo, sendo, eventualmente, devido o Imposto sobre a parcela não exportada. Sustenta que o princípio da vinculação física, utilizado pela Fiscalização, não corresponde ao princípio que rege a operação de drawback, vez que a característica do insumo importado seria justamente a sua fungibilidade, sendo relevante, pois, que o produto final seja exportado. Defende que pode fazer uso de qualquer meio de prova para demonstrar que preenche todas as condições atinentes ao regime, que não precisar ser por meio de sua escrituração fiscal, eis que para fins de verificação do cumprimento dos termos constantes no AC os livros destacados no relatório fiscal em nada acrescentariam, sendo possível fazer prova por meio de do Livro de Controle de Produção e Estoques, além das Di´s que comprovam as importações e os documentos que a instruíram. Ressalta que por meio de ordens de serviço controla internamente a produção diária, sendo que nessas ordens estão detalhadas a movimentação do estoque, e que posteriormente todas essas informações são consolidadas em relatórios de movimentação mensal de matériasprimas e de produtos acabados, atendendo as disposições do artigo 283 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados. Afirma que realmente se equivocou ao apresentar, de maneira incompleta, registros de exportação sem as alterações que promoveu anteriormente ao início da fiscalização ou mesmo registros que não estariam relacionados aos AC ou não se referiram ao regime de drawback. E que ao verificar tais equívocos resolveu retificálos, mas a Fiscalização não os considerou por entender que tais documentos haviam sido alterados pela Recorrente na tentativa de evitar sanções pecuniárias. Relaciona a documentação relacionada ao AC na forma de planilha bem como junta aos autos os registros de exportação completos (fls. 1.301/1.674). Alega ainda que por política de exportação decidiu que os produtos Niax 540C e L540 deveriam conter 43% do insumo importado, ao invés do percentual de 47% constante no AC 001896/0529, mas que esses produtos seriam idênticos. Conclui que apenas 1.720 Kg do insumo importado objeto do AC 0018 96/0529 não foi exportado sob o regime de drawback, sendo que os impostos referentes a tal quantia teriam sido devidamente recolhidos, nos termos do artigo 319, inciso I, “c” e § único do Regulamento Aduaneiro. Aduz, ainda, que a exportação da mercadoria após o prazo de validade do AC seria uma forma de providenciar a devolução ao exterior da mercadoria não utilizada, mas, mesmo nesse caso, estaria cumprindo a função do regime. Alega que muito embora conste em alguns RE´s erroneamente a classificação do produto exportado 3910.00.0500 e também 2915.90.0202, as notas fiscais a ele relacionadas trazem a informação correta 3910.00.9900, conforme especificado no AC. Alega ainda que determinadas alterações nos RE´s ocorreram antes do início da fiscalização, não havendo, de nenhuma forma, intenção de ludibriar o fisco. Relativamente ao código incorreto encontrado pela Fiscalização, justifica afirmando que as informações apresentadas não estavam realmente em ordem, mas que, verificando o seu equívoco, as apresentou posteriormente, sendo que as retificações ocorreram todas antes do início da fiscalização, não havendo motivo para que não sejam aceitas. Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.144 5 Afirma que em sua produção realiza o reprocessamento do produto, com base na ISO 9002, e que realizando esse processamento a quantidade do produto L540 apresentou redução e o percentual referente à matéria prima apresentou ligeiro aumento de 40,78% a 43%. Alega que ao descumprir parcialmente o AC apenas deve ser exigido o tributo proporcional ao seu descumprimento e no que se refere ao IPI, afirma que possui o direito ao crédito do Imposto, já que o teria pago na saída promovida no mercado interno. Defende que readquiriu a espontaneidade em razão da inércia da Fiscalização, principalmente quanto à apresentação de livros, bem como em relação à solicitação de averbação do RE. Diante das informações constantes na Impugnação da Recorrente, a DRJ de Fortaleza converteu o julgamento em diligência para o deslinde de inúmeras questões levantadas, dentre as quais o pagamento parcial realizado pelo Recorrente, sobre as alterações em RE´s efetuados após procedimento de averbação e sobre a espontaneidade ou não do pagamento dos tributos pela Recorrente. Diante das informações, o processo foi julgado, em primeira instância, decidindose pelo provimento parcial à impugnação, considerando devido crédito tributário relativo ao II no valor de R$ 152.177,14 e ao IPI, no valor de R$ 186.906,22, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. A decisão ainda exonerou o Recorrente do crédito tributário do II no valor de R$ 17.571,24 e R$ 20.429,67, e das respectivas multa e juros discriminados. A decisão baseia se no denominado princípio da vinculação física que seria aplicável ao drawback, para concluir que o Recorrente não demonstrou o efetivo controle do Estoque e da Produção, prova essa que seria imprescindível, na visão da Fiscalização, para atender ao Princípio da Vinculação Física. Por essa razão que o controle paralelo, por ordem de serviço e os Livros Registro de Inventário, Entradas e Saídas não foram aceitos pela Fiscalização que, quanto aos Livros, entendeu que não estavam em conformidade com a legislação por lhes faltar o visto pelo Fisco Estadual. Decidiu a DRJ que os livros foram apresentados à Fiscalização com registro na Junta Comercial em data posterior ao Termo de Início da Fiscalização, e que, portanto, teria havido irregularidade quanto aos livros, sobretudo por estarem desacompanhados do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. A decisão aborda ainda que não houve comprovação do total das exportações e que, portanto, não seria pertinente a comparação dos valores das exportações, indicadas no relatório, com o valor estipulado no ato concessório, para fim de se apurar o cumprimento do pactuado. E a Recorrente não comprovou que tenha havido alteração no AC pelo SECEX, no tocante à quantidade e aos valores das mercadorias a serem exportadas. A DRJ decidiu que a alegação de que havia apenas uma diferença de 1.720 Kg de insumos não exportados não foi devidamente evidenciada pela Recorrente, assim como que as normas de comércio exterior tem caráter extrafiscal, sendo que as normas do Drawback que teriam sido descumpridas se referem a elementos essenciais do regime (quantidade e valor das mercadorias exportadas). Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 6 A DRJ consignou em sua decisão que vencido o prazo do AC sem que tenha havido a exportação extinguese a suspensão tributária. Especificamente, o prazo para exportação previsto no AC no 01896/0529 era 15/02/1997. Mas o RE no 97/0148782001, vinculado a esse AC, registrado em 26/02/1997, constou a cláusula shipped on board em 03/03/1997, daí porque a exportação excedeu o prazo previsto no Ato Concessório. O RE 97/0126171001 também vinculado ao AC foi registrado em 19/02/1997, tendo também excedido o prazo previsto no Ato Concessório. A alegação da Recorrente que o prazo não foi cumprido por motivos alheios à sua vontade não socorre a Recorrente, uma vez que o prazo venceu por diversos dias, segundo a Fiscalização, não se aplicando, no presente caso, o artigo 319 do Regulamento Aduaneiro/1985. Desse modo, considerando que houve exportação de produtos fora do período concessivo do drawback configurase a inadimplência, o que, segundo a Fiscalização, levaria ao descumprimento do regime como um todo. A DRJ também contemplou em sua decisão a existência de três RE´s cuja classificação fiscal não reflete aquela constante no AC. Ou seja, teria havido exportação de produto com classificação diversa daquela previsto no AC, o que configuraria inadimplemento. Relativamente ao AC 01896/0530 a DRJ aplicou o mesmo raciocínio quanto à inexistência de controle da produção e do estoque e sobre a ausência de requisito legal quanto aos livros registro de inventário, registro de entradas e registro de saídas. E decidiu ainda que há diversos RE´s em que não constou a vinculação ao AC e que a Recorrente teria efetuado a retificação após a averbação, mas tais alterações não se enquadram como alterações com aprovação automática. Segundo a decisão, ainda que as alterações tenham sido solicitadas antes do início do procedimento fiscal, a falta das informações acrescentadas após a averbação prejudicou sobremaneira os controles aduaneiros e que ainda que o Siscomex aceite eventuais alterações não significa que toda e qualquer modificação do RE deva ser aceita sem restrições. Assim, concluiu a decisão pela inadmissibilidade dos RE´s, os quais não continham, no momento do despacho de exportação, informações relevantes, pelos quais os responsáveis pelos controles aduaneiros poderiam cerificar a vinculação ao regime de drawback. A DRJ aborda que houve exportação de mercadoria com classificação fiscal diversa da pactuada no AC, sendo que apesar de a Recorrente alegar que consta o código correto no RE, este foi colocado após a averbação, sendo que dos quatro RE´s levantados pela Fiscalização, apenas um deles RE nº 98/0169365001 foi aceito pela Fiscalização. Na decisão também constou que a Recorrente chegou a realizar exportações anteriormente ao prazo previsto no AC, que ocorreram em momento anterior à própria entrada do insumo importado, o que feriria o AC, que dispõe que a exportação deve ocorrer no prazo estipulado, sendo esse prazo posterior à importação dos produtos. No mesmo sentido, a DRJ decidiu que qualquer alteração percentual de 47% para 40,78%, como verificado pela Fiscalização, deveria ter sido objeto de aditivo, o que, em conjunto com as demais falhas, levaria ao inadimplemento total do regime. Por fim, quanto a alegada espontaneidade da Recorrente, a DRJ reconhece que a partir de 20/02/2000 a Recorrente havia recuperado a espontaneidade, podendo efetuar o pagamento dos tributos suspensos. Porém, segundo a decisão, seria devida a multa de mora, Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.145 7 acrescida de juros, sendo que os DARF´s de Imposto de Importação e IPI confirmados pela DRFJundiaí referemse somente à DI 97/03882250, e não à DI 96/024544. Nesse caso específico, a DRJ, por não reconhecer a relevação da multa de mora, e considerando que a Recorrente recolheu o II e IPI sem multa de mora, efetuou a imputação proporcional de pagamentos. A Recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, reafirmando suas alegações anteriores, nos seguinte sentido: Não haveria necessidade de cumprimento de vinculação física, mas sim de financeira no drawback; A venda de produto no mercado interno não tem o condão de invalidar o regime de drawback, desde que sem prejuízo do compromisso de exportação assumido; O drawback seria um incentivo à exportação e não um favor fiscal; Haveria fungibilidade entre o produto importado e o produto nacional, utilizado como insumo, o que vem sendo reconhecido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Da possibilidade do cumprimento parcial. Segundo a planilha apresentada pela Recorrente para, segundo seu raciocínio, melhor reordenar as informações, teria cumprido 86,40% e 92,90% dos ACs. Segundo a Recorrente, as destinações constantes no artigo 319, inciso I, do Regulamento Aduaneiro seriam bastantes para a liquidação do drawback e caso sejam cumpridas evidenciariam que houve, efetivamente, liquidação da operação, não descaracterizando o drawback. Sobre a Decisão, a Recorrente defende que ela se baseia em premissa errônea, com a exigência de vinculação física e, por essa razão, passou a afastar provas, a considerálas insuficientes e todos os atos praticados incorretos. Sobre a exportação realizada posteriormente repete a sua defesa, afirmando que destinou, na data do AC, o produto para exportação, que ocorreu posteriormente por motivos alheios à sua vontade. Defende que o artigo 319 do RA trata da fungibilidade do drawback e mesmo que a empresa não exporte, mas cumpra uma das três destinações previstas, não resultam em descaracterização do drawback. Por fim, a Recorrente renova os seus argumentos, procurando contrariar todos os pontos abordados na Decisão, ressaltando, quanto a espontaneidade, que cabe a alegação de que não goza das prerrogativas da denúncia espontânea ao apresentar Livros de Registro de Inventário, Livros Registro de Entradas e Solicitação de Averbação de RE´s, visto que readquiriu sua espontaneidade por conta da inércia da Fiscalização. É o relatório. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 8 Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator Conforme consignado no Relatório, tratase de discussão de enorme complexidade, que não se cinge ao clássico embate entre a vinculação física e a financeira no regime de drawback suspensão, sobre a qual adoto posição em favor da vinculação financeira, como será abordado adiante. Contudo, a discussão nos presentes autos vai muito mais além, eis que, em minha opinião, apenas e tãosomente tangencia a lide entre a vinculação física e a financeira, passando sobre a utilização de produtos em quantidade inferior ao constante em Ato Concessório, a alegados descumprimentos de caráter formal quanto ao RE´s e até exportações realizadas além do prazo estipulado para ocorrerem, resultando na dúvida quanto à possibilidade de cumprimento parcial do regime de quais drawback suspensão. Há, portanto, uma grande variedade de matérias que constituem a divergência entre a Decisão e o Recurso Voluntário, que merecem ser objeto de exame objetivo nos presentes autos. De qualquer maneira, fazse importante observar que a Decisão “a quo” considerou o regime de drawback suspensão totalmente inadimplido, levando em conta um conjunto de elementos que estariam no cerne do próprio regime e, portanto, a sua ausência impediria o reconhecimento de que teria havido cumprimento parcial. O elemento essencial seria a ausência dos Livros de Controle da Produção e do Estoque para insumos importados e produtos exportados, assim como a alegada falha nos Livros de Registros de Entrada e Saída, que estariam em desacordo com a legislação, circunstância essa aplicável a ambos os Atos Concessórios (AC nº 001896/0529 e 0018 97/0530). A Recorrente, por sua vez, demonstrou realizar um controle paralelo da produção e do estoque, em que utiliza um sistema de ordens de serviço, alegando que seria impossível o controle em separado de um estoque de produtos importados e outro, da mesma natureza, de produtos nacionais, inclusive porque tais produtos são fungíveis, não se aplicando tal diferenciação em razão da procedência do produto. De fato, tenho como prescindível o controle da produção e do estoque, sobretudo porque entendo que não há uma exigência expressa para que o contribuinte e, no presente caso, a Recorrente seja obrigada a realizar um controle separado do produto importador e a comprovar fisicamente que todos os insumos importados foram fisicamente exportados, no produto final. Ou seja, a Fiscalização e, posteriormente, a Decisão combatida pelo Recurso Voluntário concluem pelo descumprimento do regime de drawback, utilizando como um dos fundamentos a ausência do Livro de Controle da Produção e do Estoque por se apegarem ao critério físico de cumprimento do regime de drawback suspensão, razão pela qual tal forma de controle seria, nessa linha de raciocínio, imprescindível para demonstrar que os produtos importados foram efetivamente vertidos ao produto exportado. Aliás, analisando os artigos 338 a 344 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, posteriormente revogado pelo Decreto nº Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.146 9 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, não divisei nenhum dispositivo que expressamente disponha sobre a necessidade de vinculação física ou que remeta ao suposto “princípio”. O “caput” do artigo 341 dispõe que as mercadorias admitidas no regime de drawback “deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas”, regra essa totalmente esperada, uma vez que o regime de drawback faz com que as mercadorias importadas com suspensão sejam utilizadas como insumos em produto final a ser exportado, de maneira a incentivar a exportação: Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. O próprio artigo 310 do Decreto nº 91.030/1985, Regulamento Aduaneiro/1985, citado pela Decisão da DRJ, em nada dispõe sobre o denominado princípio da vinculação física, oposto em face da Recorrente. Da análise dos dispositivos citados verificase, portanto, que o drawback suspensão, regime aduaneiro especial de incentivo à exportação, caracterizase pela importação, com suspensão de tributos, de mercadorias a serem destinadas a processo de industrialização, no sentido amplo, as quais serão, no prazo assinado pelo Ato Concessório, exportadas. A legislação, nesse sentido, não cogita, naturalmente, de mercadoria nacional, uma vez que o incentivo à exportação (e ao exportador industrial) constitui um benefício à utilização do bem importado no bem de produção nacional a ser exportado, de modo a tornálo mais competitivo no mercado externo. Na realidade, todas as regras regulamentares decorrem do disposto no artigo 78 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, que prevê no capítulo das importações vinculadas às exportações as três modalidades — restituição, suspensão e isenção — sem expressamente designálas drawback, sendo que no que se refere à suspensão estabelece que ela se aplica sobre o pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada, conforme segue: “Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 10 II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...) § 3o Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1o do art. 75.” Concluise, pois, que de forma consistente, ao longo dos anos, a legislação determina que o drawback suspensão, na qualidade de incentivo à exportação, constitui benefício de suspensão dos tributos incidente na importação de mercadorias estrangeiras, que, sob o regime, ingressam no país sob a condição resolutiva da suspensão, condição está que se cumpre quando o importador demonstra que realizou a exportação de mercadoria em que houve a utilização, sob a forma de industrialização, do bem originalmente ingressado no país. Haveria, portanto, um princípio da vinculação física. Os estudiosos do Direito Constitucional, dentre os quais podemos citar Paulo Bonavides (2000, p. 259), Eros Roberto Grau (2006, p. 164) e José Afonso da Silva (1997, p. 9495), animados pelas contribuições de Robert Alexy (2008, p. 8586) e Ronald Dworkin (2002, p. 39), classificam as normas jurídicas entre princípios e regras. Nessa linha, importantes são as palavras de Paulo Bonavides (2000, p. 259): “Tudo quanto escrevemos fartamente acerca dos princípios, em busca de sua normatividade, a mais alta de todo o sistema, porquanto quem os decepa arranca raízes da árvore jurídica, se resume no seguinte: não há distinção entre princípios e normas, os princípios são dotados de normatividade, as normas compreendem regras e princípios, a distinção relevante não é, como nos primórdios da doutrina, entre princípios e normas, mas entre regras e princípios, sendo as normas o gênero, e as regras e os princípios a espécie. Daqui já se caminha para o passo final da incursão teórica: a demonstração do reconhecimento da superioridade e hegemonia dos princípios na pirâmide normativa; supremacia que não é unicamente formal, mas, sobretudo material, e apenas possível na medida em que os princípios são compreendidos e equiparados e até mesmo confundidos com os valores, sendo, na ordem constitucional dos ordenamentos jurídicos, a expressão mais alta da normatividade que fundamento a organização do poder.” Esta distinção, longe de se enquadrar como mera querela acadêmica, possui um enorme efeito prático na própria aplicação do Direito, sendo um importante instrumento para se mensurar o grau de eficácia de uma norma jurídica e sua abrangência. Na visão de Roque Antonio Carraza (1998, p. 31), princípio é “um enunciado lógico, implícito ou explícito, que, por sua grande generalidade, ocupa posição de Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.147 11 preeminência nos vastos quadrantes do Direito e, por isso mesmo, vincula, de modo inexorável, o entendimento e a aplicação das normas jurídicas que com eles se conectam.” No mesmo sentido, Celso Antônio Bandeira de Mello (2006, p. 912913), afirma: Princípio [...] é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondolhes o espírito e servindo de critério para a sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome sistema jurídico positivo. Diante das manifestações acima transcritas, depreendese claramente a distinção entre princípios e regras, sendo que os princípios são sempre adjetivados como informadores, alicerces do sistema jurídico e que, na Constituição Federal, possuem forte carga valorativa. Por mais romântico que seja o enquadramento de uma norma como princípio com base na sua suposta característica de coluna de um sistema jurídico, de seu suposto grau de abstração, e de sua carga valorativa, não pensamos que a mera declaração dessas características seja suficiente para se distinguir entre princípios e regras. Há, portanto, que se recorrer a Robert Alexy (2008, p. 8690) e Ronald Dworkin (2002, p. 3946) nessa empreitada, ou às obras nacionais produzidas, majoritariamente, pelos estudiosos de Direito Constitucional. Ronald Dworkin (2002, p. 3941) relaciona inúmeras distinções entre princípios e regras, dentre as quais podemos citar, a título de exemplo, a de que o princípio, ao possuir maior grau de abstração, se aplica a inúmeros casos, diferentemente da regra, que possui aplicação mais restrita. Ademais, segundo Ronald Dworkin (2002, p. 3940), as regras sujeitamse a aplicação do tudo ou nada. Ou seja, ou são válidas e se aplicam; ou não se aplicam, por inválidas. Ocorrendo os fatos por elas previstos, a regra será aplicável e viceversa, ao passo que os princípios não seguem esse comando, sendo aplicáveis ou não em conformidade com o peso em cada caso. Ana Paula de Barcellos (2008, p. 5152), que explora muito bem a distinção entre princípios e regras, aduz que, quanto ao conteúdo, “os princípios estão mais próximos da idéia de valor e de direito [...] ao passo que as regras têm um conteúdo diversificado e não necessariamente moral.” E a mencionada autora continua afirmando que, no que se refere à estrutura linguística: [...] os princípios são mais abstratos que as regras, em geral não descrevem as condições necessárias para sua aplicação [... ] aplicamse a um número indeterminado de situações. Em Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 12 relação às regras, diferentemente, é possível identificar, com maior ou menor trabalho, suas hipóteses de aplicação (BARCELLOS, 2008, p. 5354). Assim, em decorrência de todos esses ensinamentos, podemos concluir, sem maiores esforços, que não existe um princípio da vinculação física, sendo na realidade um equívoco semânticojurídico denominarse “princípio” a qualquer regra semelhante relacionada ao drawback, posto que não há nenhuma carga valorativa e sequer de abstração, mas sim um mandamento aplicado ao próprio regime aduaneiro especial. Não se verifica um princípio aplicável a inúmeras situações jurídicas, mas sim, quando muito, uma simples regra, a ser analisada em seguida, que não dispõe direta e expressamente sobre a vinculação física, mas que, em nosso pensar, decorre mesmo do próprio regime de drawback, aplicandose no sentido “tudo” ou “nada”. E, como observado anteriormente, não se verifica da análise dos dispositivos supra transcritos não divisei nenhum mandamento expresso dirigido ao importador (no presente caso, a Recorrente) que determine diretamente a vinculação física no drawback suspensão, uma vez que a denominada vinculação física decorre, na realidade, da própria natureza desse tipo de incentivo à exportação. Se se tratar de bem fungível, em que não há diferenciação nenhuma entre a matériaprima nacional e a importada, a par da ausência de obrigação expressa ao contribuinte exportador de manter tais estoques separados, em conformidade com a sua procedência, o que, por si só, seria de discutível constitucionalidade, constitui um sem sentido jurídico exigirse que sendo um produto X exatamente igual a outro produto X, que a Recorrente demonstre a diferença entre o X importador e o X nacional, para fins de cumprimento do Regime. Ou seja, ainda que a vinculação física decorra do próprio regime de drawback, não há um dispositivo com força de Lei que obrigue o contribuinte a manter estoques separados de produto importado e de produto nacional, como meio de comprovação do cumprimento do regime de drawback. Ainda mais quando o próprio Ato Concessório, que possui todas as condições do regime aduaneiro de drawback suspensão, não traz em seu bojo tal obrigação ou, pelo menos, um aviso de que a não observância de tal detalhe entre os produtos “X” pode resultar na exigência de tributos suspensos. A fungibilidade entre os insumos, quando presente no processo produtivo, em nosso entendimento, seria bastante para demonstrar o cumprimento do regime, caso haja comprovação de utilização da quantidade dos insumos no produto resultado exportado, e isso porque as autoridades fazendárias, a seu turno, não conseguem demonstrar que o contribuinte não utilizou os insumos importados no produto exportado. Em outras palavras, não há como se afirmar com segurança que o Recorrente não cumpriu o ato concessório se a sua produção admite produtos fungíveis, nacionais e importados, e ele demonstrou que todo o produto importado foi, quantitativamente, vertido ao produto resultante exportado. Assim, me parece extremamente frágil a alegação de descumprimento de um regime de drawback fundada no rigor da vinculação física, em que se exige, sem prévia determinação legal, a separação física entre o estoque importado e o nacional, e ainda não se reconhece a demonstração quantitativa de que o insumo fungível importado foi vertido no produto resultante exportado. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.148 13 E a sensação de fragilidade decorre, na realidade, do procedimento desproporcional e não razoável de tal exigência, que se torna uma verdadeira condição, requerendose do contribuinte conduta não prevista legalmente, não se satisfazendo com a comprovação quantitativa de utilização do insumo do mesmo tipo, quantidade e qualidade do importado. Corroborando o quanto descrito, o Superior Tribunal de Justiça, conforme se verifica por meio da ementa dos julgados no Recuso Especial nº 341.285 RS e Recurso Especial nº 413.564 – RS, abaixo transcritos, firmou o entendimento de que havendo equivalência (fungibilidade) entre o insumo importado e o nacional há que se reconhecer o cumprimento do regime, sendo não razoável a necessidade de manutenção de dois estoques, um com produto importado e outro com produto idêntico, conforme o nosso exemplo, apenas para atender à exigência de vinculação física exigida pelas autoridades fazendárias: TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. SODA CÁUSTICA IMPORTADA. CELULOSE EXPORTADA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÍSICA. DESNECESSIDADE. EQUIVALÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte importou soda cáustica para ser utilizada como insumo na produção de celulose a ser posteriormente exportada, no regime de drawback, modalidade suspensão. 2. A empresa adquiriu a soda cáustica também no mercado interno e, por questões de segurança e custo, utilizou indistintamente o produto importado e o nacional na produção da celulose exportada. 3. É incontroverso que a contribuinte cumpriu o compromisso de exportação firmado com a CACEX. Assim, a quantidade de soda cáustica importada foi efetivamente empregada na celulose exportada. 4. Seria dezarrazoado exigir que a fábrica mantivesse dois estoques de soda cáustica, um com o produto importado e outro com conteúdo idêntico, porém de procedência nacional, apenas para atender à exigência de identidade física exigida pelo fisco. 5. O objetivo da legislação relativa ao drawback, qual seja a desoneração das exportações e o fomento da balança comercial, independe da identidade física entre o produto fungível importado e aquele empregado no bem exportado. É suficiente a equivalência, o que ocorreu in casu, sem que se cogite de fraude ou máfé. 6. Precedente da Primeira Turma. 7. Recurso Especial não provido. Recurso Especial nº 341.285 RS Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 14 TRIBUTÁRIO. DRAWBACK. SODA CÁUSTICA. EMPREGO DE MATÉRIAPRIMA IDÊNTICA NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO EXPORTADO. BENEFÍCIO FISCAL. 1. É desnecessária a identidade física entre a mercadoria importada e a posteriormente exportada no produto final, para fins de fruição do benefício de drawback, não havendo nenhum óbice a que o contribuinte dê outra destinação às matérias primas importadas quando utilizado similar nacional para a exportação. 2. In casu, o acórdão de segundo grau decidiu que o fato de a empresa ter empregado similar nacional da soda cáustica importada na industrialização da celulose que foi exportada não implica a desconstituição do benefício da suspensão do tributo. 3. Recurso especial nãoprovido. (Recurso Especial nº 413.564 – RS) Dessa forma, verificandose a existência de fungibilidade entre o insumo importado e o nacional, há que se aceitar o cumprimento do regime, ainda que de forma parcial, pela Recorrente, conforme será abordado adiante, sem que ela seja obrigada a manter estoques separados entre produto importado e nacional. Por outro lado, a Fiscalização, o que foi ratificado pela DRJ, não aceitou os Livros Registro de Inventário, Entradas e Saídas, sob o fundamento que não estavam em conformidade com a legislação por lhes faltar o visto pelo Fisco Estadual. Os Livros foram apresentados, decidiu a DRJ, com registro na Junta Comercial em data posterior ao Termo de Início da Fiscalização, e que, portanto, teria havido irregularidade quanto aos livros. A Decisão da DRJ está vazada no artigo 269 do Decreto nº 87.891/1982, que aprovou o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, o qual dispõem em seu “caput” que os “livros só poderão ser usados depois de visados pela repartição competente do fisco estadual, salvo se esta dispensar a exigência de os livros forem registrados na Junta Comercial.” Observe que a Fiscalização não apontou o dispositivo legal que determina a não aceitação dos Livros pelo fato de não terem sido visados pelo Fisco Estadual, sobretudo por se tratar de matéria do Imposto sobre Produtos Industrializados, em determinação, aliás, anterior à própria Constituição de 1988, veiculada por Decreto. Por outro lado, não consta nenhuma determinação no citado dispositivo quanto a não aceitação dos Livros registrados na Junta Comercial quando esses mesmos Livros são apresentados à Fiscalização depois do início do procedimento, ou mais especificamente, posteriormente ao Termo de Início de Fiscalização. Ora, não se trata de espontaneidade ou não, mas sim de elemento de prova, apresentado para a Fiscalização, que, simplesmente, não foi aceito por ter sido registrado posteriormente ao Termo de Início de Fiscalização, sendo que não há nenhum dispositivo que contenha tal determinação ou que disponha sobre a não aceitação de tal importante prova. No âmbito administrativo a não aceitação desse elemento de prova ganha maior intensidade, uma vez que são as provas que constituem a denominada verdade material, a ser buscada no curso do processo pelas partes e pelos julgadores, sendo que o mesmo raciocínio se aplica ao procedimento fiscalizatório. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.149 15 E considerando a ausência do Livro Registro de Controle da Produção de Estoque e com a não aceitação dos demais Livros apresentados a Fiscalização entendeu que a Recorrente descumpriu o drawback, apegandose à vinculação física como sua bussola para lavrar o auto de infração. Entendo, pois, que o Livro Registro de Inventário, de Entradas e de Saídas deveria sim ter sido aceito pela Fiscalização, posto que apresentado em conformidade com os requisitos legais — com registro na Junta Comercial —, sendo importante elemento de prova, em conjunto com outros elementos de utilização da Recorrente para demonstrar o controle do estoque e a utilização dos bens fungíveis objeto dos AC´s na exportação. Dessa forma, se o cerne do litígio, como apontado pela Decisão, consiste em saber se a Recorrente infringiu o princípio da vinculação física, bem como se deveria manter o Livro ou fichas de controle da produção ou sistema “similar”, que permitisse controles de estoques, e se os Livros Registro de Inventário, Entradas e Saídas teriam o condão de suprir os controles necessários, entendo que a Recorrente não descumpriu totalmente o regime de drawback. Na realidade, toda essa exigência decorre da premissa assumida pela Fiscalização, ratificada pela DRJ, que a Recorrente deveria manter controle físico de seu estoque importado e nacional, para fins de comprovação dos AC´s, premissa esta, repito, não expressa na legislação e que decorre, ao meu ver, de um posicionamento da Fiscalização. Isso porque, considerando bens importados fungíveis, considero um exagero, uma exigência desproporcional e não razoável, não prevista expressamente na legislação que, conforme a própria Decisão reconheceu, previa apenas “implicitamente”, que a Recorrente seja obrigada a tal controle físico do bem importado vertido ao produto final exportado. Basta, nessa linha de raciocínio, que a Recorrente demonstre a utilização do bem objeto do ato concessório para a produção do produto final efetivamente exportado, para que se reconheça o devido cumprimento do Ato Concessório. Contudo, entendo que a divergência, como observado anteriormente, não se restringe apenas à vinculação física ou financeira do bem importado, mas também a inúmeros outros pontos levantados pela Fiscalização, que foram objeto de contraditório e, posteriormente, decididos pela DRJ. A Decisão aborda que a Recorrente não obteve êxito em demonstrar o cumprimento total das exportações, vinculadas ao drawback, e que, mesmo que se admitisse a comprovação, a Recorrente teria incorrido em descumprimento no tocante às quantidades e aos valores das mercadorias a serem exportadas, as quais foram alteradas pela Recorrente sem a devida alteração no Ato Concessório. Nesse aspecto, julgo relevante observar que a própria Recorrente alegou que em razão de sua política de exportação e negociação posterior resolveu alterar os percentuais de composição dos produtos a exportar, definidos em laudo técnico, circunstância esta que resultou na redução de 47% do produto Niax 540 C em 43% Na visão da Recorrente houve a exportação de 108.000 Kg do produto L585 de concentração 47% e 43.000 Kg de L540, na concentração 43%, o que resultaria, por Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 16 simples regra de três, em 69.250 Kg de insumos que foram exportados, restando, portanto, apenas 1.720 Kg a serem exportados. E em relação a essa quantia específica a Recorrente defende que teria efetuado o pagamento dos tributos suspensos. A Fiscalização, pelo que foi acatada pela DRJ, aduz diversamente que o percentual não seria de 43%, mas sim de 40,78%, e que em razão das demais infrações o descumprimento seria total. Com efeito, não me parece, inclusive em razão das outras falhas apontadas pela Fiscalização e do percentual diversos apontados pela Fiscalização, que somente 1.720 Kg não foram exportados pela Recorrente. Porém, é inquestionável que a Recorrente efetivamente exportou grande quantidade de produtos resultantes de insumos objetos de Ato Concessório, tendo, pois, pelo menos, havido nesse ponto cumprimento parcial do regime de drawback. A Decisão consigna que diversos Registros de Exportação utilizados como prova pela Recorrente não foram vinculados ao Ato Concessório em causa, e não constam com o código próprio do drawback suspensão. Em verdade, na Decisão consta que os RE´s citados pela Fiscalização foram alterados após a averbação e que desses RE´s apenas alguns deles constariam como aprovação automática. Ainda, segundo a Decisão, determinados RE´s tiveram seu código de enquadramento alterado após a averbação para o código 81101 (drawback suspensão comum), pois antes estavam com o código 80000 (exportação normal). Segundo a Decisão, embora tais alterações tenham sido solicitadas anteriormente ao início do procedimento fiscal, a falta das informações acrescentadas após a averbação teria prejudicado os controles aduaneiros e, ainda que o SISCOMEX aceite tais alterações, não significa que elas devam ser aceitas sem restrições. Mais uma vez, não vejo um fundamento sólido na negativa da Decisão quanto ao reconhecimento dos RE´s, mesmo aqueles de aprovação não automática, uma vez que tais alterações foram lançadas antes mesmo de qualquer procedimento fiscalizatório, o que demonstra que a Recorrente se deu conta de ter cometido um mero equívoco formal no registro e o corrigiu. Não aceitar tais alterações constitui num rigorismo sem paralelo, não previsto na legislação, de maneira que afasto quanto aos RE´s apontados na Decisão a mácula que lhes foi atribuída inicialmente pela Fiscalização. Igualmente, a Decisão aponta que três RE´s não poderiam ser aceitos, uma vez que constariam a classificação fiscal 3910.00.0500 (silicones em dispersões – emulsões e suspensões – ou soluções), mas que os produtos a serem exportados previstos no AC são classificados no código 3910.00.9900 (outros silicones em forma primária). A Decisão reconhece que o código correto foi registrado nos respectivos RE´s, mas não os aceita por terem sido colocados após a averbação, motivo pelo qual, apesar de constar na nota fiscal o código correto, os RE´S não poderiam ser aceitos. Pelas mesmas razões abordadas anteriormente, considerando que a Recorrente retificou a informação constante no Registro de Exportação antes mesmo do início do procedimento fiscal, e que essa informação, a informação correta, constava em outros documentos da operação, e.g., nota fiscal, não há fundamento para a negativa do Registro de Exportação. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.150 17 Dessa forma, concluo pela aceitação dos RE´s apontados pela Fiscalização, e reconhecidos pela DRJ com a falha inicialmente apontada, que ora afasto, para fins de cômputo do cumprimento parcial por parte da Recorrente. Relativamente à discussão que houve exportação antes do próprio prazo do Ato Concessório, tem total razão à Fiscalização e correto o julgamento da DRJ, pois, por óbvio, que apenas ingressam no regime de drawback suspensão as exportações realizadas dentro do prazo fixado no Ato Concessório, pois este é o prazo que o contribuinte necessita para importar insumos como suspensão dos tributos na importação e para produzir as mercadorias que, ao final, serão exportadas contendo o insumo. Tal raciocínio, por conseguinte, vale tanto para as exportações realizadas antes do prazo do AC como para aquelas efetuadas após o prazo, ainda que por motivos alheios à vontade da Recorrente, cujos RE´s não podem ser computados como cumprimento dos Atos Concessórios. Assim, houve excesso de prazo em relação aos RE´s nº 97/0148782001 e 97/0126171001 (AC nº 01896/0529), os quais devem ser afastados para fins de cômputo do cumprimento parcial do drawback suspensão por parte da Recorrente. Ademais, não posso deixar de considerar que o artigo 319 do antigo Regulamento Aduaneiro, aplicável aos fatos geradores objeto do presente processo administrativo, não pode ser utilizado como fundamento da alegada fungibilidade do drawback e sequer como forma alternativa de cumprimento do Ato Concessório. Em outras palavras, de acordo com a Recorrente, mesmo que ela não exporte, mas cumpra uma das três destinações constantes no artigo 319 não restaria descaracterizado o regime de drawback. Ora, não é o que se depreendo do artigo 319 do Regulamento Aduaneiro, que dispõe simplesmente sobre as consequências do não cumprimento do drawback, de modo que não há forma de juridicamente transformar um antecedente de não cumprimento que leva a três consequências alternativas em um cumprimento integral como a realização de uma das sanções dispostas no dispositivo. Por fim, no tocante à discussão acerca da espontaneidade ou não da Recorrente, a própria Decisão reconhece que a partir de 20/02/2000 a Recorrente havia recuperado a espontaneidade, o que lhe daria a faculdade de efetuar o pagamento dos tributos suspensos, em conformidade com o artigo 138 do Código Tributário Nacional. De qualquer forma, a Recorrente não alegou expressa e especificamente que a denúncia espontânea importaria exoneração da multa moratória, mas tãosomente se limitou a pleitear sua espontaneidade quanto a apresentação de seus Livros Fiscais. Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o cumprimento parcial dos Atos Concessórios objeto do presente processo pela Recorrente, incluindose no cômputo do cumprimento parcial os RE´s que foram afastados por suposta ausência de classificação fiscal e aqueles vinculados ao drawback suspensão após a averbação, anteriormente não reconhecidos pela Fiscalização e pela Decisão da DRJ, considerando, no entanto, o percentual de 40,78% encontrado pela Fiscalização de utilização de insumo no produto exportado. Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 18 E determino o retorno dos autos à primeira instância, de maneira que em observância às conclusões ora adotadas a Fiscalização proceda ao recálculo do crédito tributário devido. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.151 19 Declaração de Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Busco por meio da presente declaração de voto motivar meu entendimento especificamente em relação à necessidade de vinculação física no regime denominado no Brasil de “drawback”, tendo em vista a recorrente discussão do tema e a aura de controvérsia que sob ele paira. Ao final, teço ainda considerações sobre as especificidades do presente processo. 1 O “DRAWBACK BRASILEIRO” (Ou: a deturpação do conceito de Drawback no Brasil) É preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um “drawback” brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como “drawback”. O “drawback” já era tratado na célebre “Riqueza das Nações” de Adam Smith, em 1776, na qual se dedica um capítulo (Capítulo IV – “Dos drawbacks”, do Livro IV – “Dos sistemas de política econômica”): Os comerciantes e os fabricantes não se contentam com o monopólio do mercado interno, mas desejam da mesma forma o máximo possível de vendas para o exterior de suas mercadorias. Seu país não possui nenhuma jurisdição sobre nações estrangeiras e, portanto, raramente pode proporcionar monopólio lá. Eles são geralmente obrigados, por isso, a contentarse em solicitar determinados incentivos à exportação. Desses incentivos, os denominados drawbacks parecem ser os mais razoáveis. (...) Os direitos (de importação) que foram impostos desde o antigo subsídio são, em grande parte, totalmente devolvidos após a exportação. Essa regra geral, entretanto, é passível de grande número de exceções; e a teoria dos drawbacks se tornou matéria muito mais simples do que era quando de sua primeira instituição. Na exportação de algumas mercadorias estrangeiras, das quais se esperava que a importação em muito superasse o necessário para o consumo interno, a totalidade dos direitos (de importação) era devolvida, sem reter nem a metade do antigo subsídio. (...)1 1 Tradução livre do texto de “An inquiry into the nature and causes of The Wealth of Nations”: (“Merchants and manufacturers are not contented with the monopoly of the home Market, but desire likewise the most extensive foreign sale for their goods. Their country has no jurisdiction in foreign nations, and therefore can seldom procure them any monopoly there. They are generally obligated, therefore, to content themselves with petitioning for certain encouragements to exportation. Of these encouragements, what are called drawbacks seem to be the most reasonable. (…) The duties which have been imposed since the old subsidy, are, the greater part of them, wholly drawn back upon exportation. This general rule, however, is liable to a great number of exceptions; and Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 20 Pouco antes, na mesma obra (Capítulo I do Livro IV), explicase que: Drawbacks são concedidos em duas diferentes ocasiões. Quando os fabricantes domésticos estivessem sujeitos a qualquer direito (de importação) ou imposto (sobre o consumo), a totalidade ou uma parte destes era frequentemente devolvida após a exportação; e quando mercadorias estrangeiras sujeitas a um direito (de importação) fossem importadas, a fim de serem exportadas novamente, a totalidade ou uma parte deste direito era às vezes devolvida depois de tal exportação. (...)2 O “drawback”, assim, é inequivocamente, como sugere a própria formação da palavra, em inglês (“drawback”), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Tal definição está em perfeita sintonia com o que se entende hoje internacionalmente como drawback: “o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback”.3 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.4 the doctrine of drawbacks has become a much less simple matter than it was at their first institution. Upon the exportation of some foreign goods, of which it was expected that the importation would greatly exceed what was necessary for home consumption, the whole duties are drawn back, without retaining even half of the old subsidy. (…)”. A obra clássica completa pode ser encontrada na biblioteca virtual da Universidade Penn State/USA, disponível em: <www2.hn.psu.edu/faculty/jmais/adamsmith/wealthnations.pdf>Acesso em 09.jul.2014. 2 Idem. Tradução livre de: “Drawbacks are given upon two different occasions. When the home manufacturers were subject to any duty or excise, either the whole or a part of it was frequently drawn back upon their exportation; and the foreign goods liable to a duty were imported, in order to be exported again, either the whole or a part of this duty was sometimes given back upon such exportation”. 3 Definição extraída do Anexo Especifico “F” da Convenção Internacional para Simplificação e Harmonização de Regimes/Procedimentos Aduaneiros” (Convenção de Kyoto Revisada). A Convenção de Kyoto foi adotada em 1973 (nos idiomas oficiais da OMA, inglês e francês, respectivamente, “International Convention on the Simplification and Harmonization of Customs Procedures” e “Convention Internationale pour la Simplification et L’harmonisation des Regimes Douaniers”), e entrou em vigor em 25/09/1974, tendo passado por um processo de revisão no período de 1995 a 1999, resultando na chamada “Convenção de Kyoto Revisada”, que entrou em vigor em 03/02/2006, e hoje é aplicada em países que representam mais de 80% do comércio mundial (o Brasil, que é o único dos doze maiores países do mundo que ainda não aderiu à Convenção, manifestou expressamente interesse na adesão em novembro de 2011, em conferência da Organização Mundial de Aduanas realizada em São Paulo/2011, e já forma iniciados os trâmites para incorporação do texto da Convenção a nosso ordenamento jurídico). O texto da definição corresponde a tradução livre das versões em francês ("drawback: le montant des droits et taxes à l’ importation remboursé en application du régime du drawback”), e em inglês (“drawback: means the amount of import duties and taxes repaid under the drawback procedure”). O texto da convenção revisada, em ambos os idiomas, está disponível em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 4 Idem. Tradução livre da versão em francês ("régime du drawback: le régime douanier qui permet, lors de l’ exportation de marchandises, d’ obtenir le remboursement total ou partiel des droits et taxes à l’ importation qui ont frappé, soit ces marchandises, soit les produits contenus dans les marchandises exportées ou consommées au cours de leur production”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“drawback procedure: means the Customs procedure which, when goods are exported, provides for a repayment total or partial to be made in respect of the import duties and taxes charged on the goods, or on materials contained in them or consumed in their production”), do Anexo F da Convenção de Kyoto Revisada. Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.152 21 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo “remissão”). A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como “remissão”, em seu art. 37, dispondo que seria concedida “remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira”.5 E tal regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs em seu art. 6o que “o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos”. Estava “criado” pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: “nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos”. Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).6 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei no 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)7 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente8) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei no 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida 5 A grafia ‘drawback’ era usual, no Brasil, à época. Hoje, preferese drawback, termo inglês que não encontra correspondente no francês e no espanhol. Em Portugal, até hoje o termo drawback é traduzido como ‘draubaque’. Na Itália, como ‘rimborso’. 6 Dispunha o artigo: “A aplicação do regime do ‘drawback’ farseá mediante: a) suspensão do pagamento do imposto devido, condicionada a plano de importação e exportação previamente aprovado, até a comprovação da exportação; b) franquia do imposto sobre importação posterior de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à de origem estrangeira utilizada no produto exportado; e c) restituição do imposto pago. 7 Não obstante tenha sido alguns meses antes publicada a Lei no 5.025, de 10/06/1966, tratando em dois artigos de “drawback” (um deles, o art. 55, especificamente referindose a isenção). 8 Visto que internacionalmente a expressão drawback designava exclusivamente a restituição, e o Decretolei, em sua Exposição de Motivos (no 867, de 18/11/1966), expressamente afirmava espelharse em “Códigos Aduaneiros modernos” na disciplina da temática aduaneira. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 22 (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). Concordamos com LOPES FILHO quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques.9 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do ex Secretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques)10 como tantas outras decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro11; b) o ‘drawbackrestituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as exportações12; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo.13 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas 9 LOPES FILHO, Osíris de Azevedo. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 9192. 10 A título ilustrativo, citese que o Glossário de Termos Aduaneiros e Comércio Exterior da ALADI define como ‘reposição de matériasprimas’ o “regime aduaneiro que permite importar, com isenção dos gravames respectivos, mercadorias equivalentes a outras que, havendo pago anteriormente esses gravames, foram utilizadas na produção de artigos exportados previamente a título definitivo” (Disponível em: <http://www.aladi.org/nsfaladi/glosario.nsf>. Acesso em: 09.jul.2014). MEIRA denomina esta ‘modalidade’ de drawbacksubstituição (MEIRA, Liziane Angelotti. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 219). 11 Aliás, tal isenção está relacionada no art. 136 (inciso II, alínea ‘g’). A disciplina da isenção, contudo, foi deslocada da Seção de Isenções para o Livro referente a Regimes Aduaneiros Especiais, pela adoção da nomenclatura inadequada, que remonta à década de 60. Fossem as isenções regimes aduaneiros especiais, todas deveriam estar disciplinadas no Livro IV do Regulamento Aduaneiro. Fosse o drawbackisenção um regime aduaneiro especial, e não uma isenção concedida no regime comum de importação, não haveria necessidade de tê lo expressamente mantido na Lei no 8.032, de 12/4/1990 (arts. 2o, II, ‘g’, e 3o, I). 12 Assim como defendemos o posicionamento da disciplina do drawbackisenção na Seção referente a isenções do Regulamento Aduaneiro, o drawbackrestituição melhor ficaria posicionado ao lado das restituições em decorrência do regime comum de importação, no art. 110 do mesmo regulamento. 13 No Capítulo 1 do Anexo Específico ‘F’ da Convenção de Kyoto revisada encontramos a definição de aperfeiçoamento ativo: “regime aduaneiro que permite receber em um território aduaneiro, com suspensão dos tributos incidentes na importação, certas mercadorias destinadas a sofrer uma transformação, processamento ou reparo e a serem posteriormente exportadas”. O texto corresponde à tradução livre da versão em francês ("perfectionnement actif: le régime douanier qui permet de recevoir dans un territoire douanier, en suspension des droits et taxes à l’ importation, certaines marchandises destinées à subir une transformation, une ouvraison ou une réparation et à être ultérieurement exportées”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“inward processing: means the Customs procedure under which certain goods can be brought into a Customs territory conditionally relieved from payment of import duties and taxes, on the basis that such goods are intended for manufacturing, processing or repair and subsequent exportation”), e está disponível, em ambos os idiomas, em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.153 23 possuem supedâneo legal.14 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de no 8.402/1992 (art. 3o, § 2o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. Não se tem dúvida de que a insistência em utilizar terminologia dissonante do resto do mundo dificulta negociações internacionais15 e faz com que se exija cautela em estudos comparados sobre a matéria. Daí nossa preocupação em não comparar grandezas diferentes na labuta empreendida nos tópicos seguintes. Trataremos do “drawback brasileiro” (em suas três “modalidades”), comparandoas, quando necessário, aos institutos congêneres existentes internacionalmente. 2 A vinculação física no “DRAWBACK BRASILEIRO” e sua gradativa flexibilização (Ou: o “drawback brasileiro”, da vinculação física à fungibilidade) Como destacado no tópico anterior, as primeiras regulamentações do “drawback brasileiro” (em suas três modalidades), veiculadas pelos Decretos no 50.485/1961 e no 53.967/1964, já estabeleciam expressamente a necessidade de vinculação das mercadorias às finalidades para as quais foram admitidas no regime. E as finalidades eram as mesmas, em ambos os decretos (art. 2o): utilização direta na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; complementação de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados; beneficiamento no país e posterior exportação; e reparação, recondicionamento ou reconstrução de máquinas, equipamentos, embarcações e aeronaves admitidos no país temporariamente, quando consignados a estaleiros ou oficinas de reparo e manutenção. E sobre o tema não parece haver dissonância entre as normas regulamentares e o comando do art. 78 do DecretoLei no 37/1966: “Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: 14 A situação, em verdade, é ainda pior, dado que normas de hierarquia inferior a decreto acabaram por criar ainda verdadeiras submodalidades de drawback (v.g. Portaria SECEX no 23, de 14/07/2011 que trata de drawback intermediário art. 88, drawback embarcação art. 69, I, e drawback para fornecimento no mercado interno art. 69, II). 15 Vejase, por exemplo, o 13o protocolo adicional ao ACE no 18, no âmbito do MERCOSUL, incorporado ao ordenamento jurídico nacional pelo Decreto no 1.700, de 14/11/1995, que, em seu art. 7o, dispõe que “os países signatários poderão conceder a seus exportadores esquemas de ‘draw back’ ou admissão temporária, segundo a terminologia utilizada para esses efeitos até o presente nos países signatários” (recordese que todos os signatários, exceto o Brasil, classificam o que entendemos por “drawbacksuspensão” como “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo”). Nem o Código Aduaneiro do MERCOSUL, aprovado pela Decisão CMC no 27/2010, conseguiu uniformizar a terminologia, tendo uma Seção denominada “admissão temporária para aperfeiçoamento ativo” (arts. 56 a 63), que alberga o que entendemos no Brasil por “drawbacksuspensão”, permitindonos continuar com a denominação divergente do restante do mundo no item 3 do art. 63: “a adoção do disposto nesta Seção não afetará as denominações específicas adotadas pelos Estados Partes para situações em que haja aperfeiçoamento ativo”. Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 24 I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (...) § 3o Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1o do art. 75.” (grifo nosso) Reparese que nas três “modalidades” a mercadoria exportada tem que ser efetivamente a que foi anteriormente importada. Nenhuma flexibilização da vinculação física, assim, naquele momento. E adicionese que o DecretoLei permite a aplicação subsidiária do § 1o do art. 75 (que trata de condições para a admissão temporária, entre as quais a identificação dos bens e sua utilização exclusiva nos fins previstos). Na disciplina regulamentar posterior, externada pelo Decreto no 68.904/1971, começam a surgir flexibilizações na identidade física entre os produtos importados e exportados (destacandose a possibilidade de aplicação do regime (art. 2o, §1o) a “matéria prima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem o benefício, a critério do órgão responsável pela concessão do drawback”. O Regulamento Aduaneiro de 1985, aprovado pelo Decreto no 91.030/1985, em seus arts. 314 a 334, tratou do “drawback brasileiro”, em suas três “modalidades”, mantendo a flexibilização prevista no art. 2o, §1o do Decreto no 68.904/1971 em seu art. 315, §1o. Com a alteração efetuada no §2o do art. 315, pelo Decreto no 4.257/2002, surge outra flexibilização, permitindose a aplicação do regime a “matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior” (CAMEX). Vejase que a ampliação permitiu, por exemplo, a importação de farelo de milho para alimentar pintos que, depois de adultos, seriam exportados. Impossível estabelecer se vinculação física neste caso. Por óbvio, no momento da exportação, não acompanhará o frango todo o farelo por ele comido durante a criação. Por isso é que nesses casos excepcionais passouse a prever disciplina específica, no §3o do mesmo art. 315, restringindo a aplicação do regime aos “limites quantitativos e qualitativos constantes de laudo técnico emitido, nos termos fixados pela Secretaria da Receita Federal, por órgão ou entidade especializada da Administração Pública Federal”; e “a empresa que possua controle contábil de produção em conformidade com normas editadas pela Secretaria da Receita Federal”. É a flexibilização sem prejuízo do controle aduaneiro. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.154 25 No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) o “drawback” foi tratado nos arts. 335 a 355, sendo mantidas no art. 336 as flexibilizações anteriores, e adicionadas outras duas, específicas da “modalidade suspensão”. A primeira delas é derivada de lei (no 8.032/1990, art. 5o, com a redação dada pela Lei no 10.184/2001), e não se refere exatamente à flexibilização da vinculação física, mas da própria exportação, admitindo que o regime seja aplicável a mercadoria destinada a fornecimento no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo BNDES, com recursos captados no exterior. A segunda, contudo, existente no art. 339, resultou em equivocadas interpretações. Dispõe o artigo: “o regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar”. Houve quem sustentasse, a partir do texto do art. 339, que estaria totalmente afastada a vinculação física quando a SECEX emitisse Ato Concessório com expressa referência ao comando, indicando que haveria acompanhamento do fluxo financeiro e que havia compatibilidade entre as mercadorias importadas e exportadas. A essa corrente devese opor a distinção entre as atribuições da SECEX (adstritas à concessão e deliberação sobre o drawback hoje no art. 16, IV do Decreto no 7.096/2010) e as atribuições fiscalizadoras da RFB. A matéria hoje já é inclusive sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/MF: Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Não poderia, assim, a manifestação efetuada a critério da SECEX impedir eventual ação fiscal para verificar o cumprimento dos dispositivos normativos relacionados ao regime. Seria a flexibilização em prejuízo do controle aduaneiro. É preciso esclarecer que o texto do art. 339 não está a dispensar o cumprimento dos demais dispositivos referentes a drawback, mas apenas a permitir à SECEX simplificar seu trabalho, poupandoa de análises pormenorizadas para efeito de concessão e de verificação do cumprimento (e não poupando o importador/exportador de controles contábeis e de segregação, ou impedindo a RFB de efetuar controles afetos à fiscalização). E isso veio a ser expressamente aclarado com a redação do parágrafo único do art. 387 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009), na redação dada pelo Decreto no 7.213/2010. Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 26 Antes de ingressar mais profundamente no Regulamento Aduaneiro de 2009 (ainda vigente), cabe destacar que em 2003, o instituto internacionalmente conhecido como compensação equivalente16 passou a fazer parte da legislação aduaneira brasileira, ainda que de forma tímida, com o art. 60 da Lei no 10.833/2003:17 “Art. 60. Extinguem os regimes de admissão temporária, de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, de exportação temporária e de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, aplicados a produto, parte, peça ou componente recebido do exterior ou a ele enviado para substituição em decorrência de garantia ou, ainda, para reparo, revisão, manutenção, renovação ou recondicionamento, respectivamente, a exportação ou a importação de produto equivalente àquele submetido ao regime. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos seguintes bens: I partes, peças e componentes de aeronave, (...) II produtos nacionais exportados definitivamente, ou suas partes e peças, que retornem ao País, mediante admissão temporária, ou admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, para reparo ou substituição em virtude de defeito técnico que exija sua devolução; e III produtos nacionais, ou suas partes e peças, remetidos ao exterior mediante exportação temporária, para substituição de outro anteriormente exportado definitivamente, que deva retornar ao País para reparo ou substituição, em virtude de defeito técnico que exija sua devolução. § 2o A Secretaria da Receita Federal disciplinará os procedimentos para a aplicação do disposto neste artigo e os requisitos para reconhecimento da equivalência entre os produtos importados e exportados.” (grifo nosso) 16 Presente em diversos códigos aduaneiros do mundo, no tratamento da admissão temporária para aperfeiçoamento ativo (equivalente, em termos, ao nosso “drawbacksuspensão”), a compensação equivalente é uma clara flexibilização da vinculação física, permitindo que se utilizem na industrialização (no aperfeiçoamento) mercadorias equivalentes, definidas no Anexo “F”, Capítulo 1 da Convenção de Kyoto Revisada (e também no Anexo “F”, Capítulo 3, referente a Drawback) como “as mercadorias nacionais ou importadas idênticas em descrição, qualidade e características técnicas àquelas importadas para aperfeiçoamento ativo que elas substituem”. A tradução livre corresponde aos textos originais em francês (“marchandises équivalente: les marchandises nationales ou importées identiques par leur espèce, leur qualité et leurs caractéristiques techniques à celles qui ont été importées en vue d’ une opération de perfectionnement actif et qu'elles remplacent”) e inglês (“equivalent goods means domestic or imported goods identical in description, quality and technical characteristics to those imported for inward processing which they replace”), ambos disponíveis em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 17 Em verdade, a ‘compensação equivalente’ já havia sido instituída, no Brasil, no art. 21 da Medida Provisória no 38, de 14/5/2002 (que perdeu a eficácia desde a edição por não ter sido apreciada pelo Congresso Nacional, cf. Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional de 10/10/2002), no art. 19, II da Medida Provisória no 75, de 24/10/2002 (rejeitada na Câmara dos Deputados, cf. Ato Declaratório do Presidente da casa legislativa datado de 18/12/2002), e no art. 44 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (finalmente convertida na Lei no 10.833, de 2003). Há ainda ume espécie de “compensação equivalente”, de disciplina totalmente infralegal, no “regime” denominado de REPEX, instituído no Brasil pelo Decreto no 3.312, de 24/12/1999 (e hoje disciplinado nos arts. 463 a 470 do Regulamento Aduaneiro de 2009). Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.155 27 Novamente há flexibilização da vinculação física, sem prejuízo do controle aduaneiro, pois restrita a casos específicos, e sob os requisitos e procedimentos estabelecidos pela RFB. E tais requisitos e procedimentos foram inicialmente estabelecidos na Instrução Normativa SRF no 328, de 28/11/2003, estando hoje previstos na Instrução Normativa RFB no 1.361, de 21/05/2013. Passa, assim, a haver previsão legal para exportação de produto que não corresponde fisicamente ao importado para industrialização, mas é idêntico a ele, ainda que em casos muito restritos. E uma leitura alargada do texto do art. 60, entendendo que o comando seria ainda aplicado a outros casos, além de afrontar a literalidade do dispositivo, tornaria inócuas as restrições, negando o próprio objetivo do texto legal, pois não faria sentido nenhum estabelecer a compensação equivalente a tais segmentos se eles (assim como todos os demais) já a tivessem. Assim, o Regulamento Aduaneiro de 2009, em sua redação original, tem poucas alterações em relação ao regulamento anterior, no que se refere a “drawback”. Contudo, o tema foi objeto de substanciais alterações efetuadas no Regulamento pelos Decretos no 7.213/2010 e no 8.010/2013. Isso porque começou a tomar corpo uma intensificação da flexibilização da vinculação física, chegandose ao que se denomina usualmente como a aplicação da fungibilidade no regime. Tal intensificação deriva de comandos legais editados no final da década passada e no início desta década, e que estão sendo paulatinamente regulamentados. A Lei no 11.945/2009, por exemplo, que cria em seu art. 12 uma variante de “drawbacksuspensão brasileiro”, que veio a ser denominada em norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) de drawback integrado suspensão, permitindo a combinação de mercadorias nacionais e importadas no processo de industrialização para exportação, disciplina a flexibilização em seu art. 14: “Art. 14. Os atos concessórios de drawback, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei, poderão ser deferidos, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, levandose em conta a agregação de valor e o resultado da operação. § 1o A comprovação do regime poderá ser realizada com base no fluxo físico, por meio de comparação entre os volumes de importação e de aquisição no mercado interno em relação ao volume exportado, considerada, ainda, a variação cambial das moedas de negociação. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” (grifo nosso) Vejase que o texto da lei trata de forma mais ponderada a já citada relação entre as competências da SECEX (concessão e deliberação) e da RFB (fiscalização do regime). Não poderia um órgão estabelecer medidas em detrimento do controle do outro. Daí a necessidade de ato conjunto. E tal ato corresponde atualmente à Portaria Conjunta RFB/SECEX no 467, de 25/03/2010. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 28 A mesma Lei no 11.945/2009, em seu art. 12, §1o, com a redação dada pela Lei no 12.058/2009, alça ao status legal disposição que há tempos já habitava normas infralegais, permitindo a aplicação do “regime, na modalidade de suspensãointegrado”, a “aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantes intermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação”, e, em seu art. 13, prorroga excepcionalmente por um ano Atos Concessórios de Drawback vencidos de 01/10/2008 a 31/12/2009.18 A Lei no 12.350/2010, de forma semelhante ao art. 12 da Lei no 11.945/2009 (que criou a variante de “drawbacksuspensão brasileiro” posteriormente denominada de drawback integrado suspensão), criou, em seu art. 31, a variante de “drawbackisenção brasileiro”, que a norma infralegal (Portaria Secex no 23/2011) denominou de drawback integrado isenção). A novidade fica por conta da definição legal de “mercadoria equivalente”, no § 4o do citado art. 31: “a mercadoria nacional ou estrangeira da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquirida no mercado interno ou importada sem fruição dos benefícios referidos no caput, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo”. A disciplina do “drawback integrado isenção” também é conjunta (RFB/SECEX), conforme estabelece o art. 33 da lei, já tendo sido editada nesse sentido a Portaria Conjunta RFB/SECEX no 3, de 17/12/2010. Vejase que o Brasil, com claro fundamento na noção de “mercadoria equivalente” da Convenção de Kyoto Revisada, já referida neste estudo, dá mais alguns passos na jornada iniciada com o art. 60 da Lei no 10.833/2003. Mas é no art. 32 da Lei no 12.350/2010, alterando a disposição do art. 17 da Lei no 11.774/2008, que saltase para o explícito fundamento legal que viabiliza a flexibilização da vinculação física (ou a fungibilidade) no “drawback brasileiro, nas modalidades de isenção e suspensão”:19 “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado 18 A “prorrogação” de Atos Concessórios de “Drawback” (inclusive os já vencidos, no que se revela inadequada a terminologia “prorrogação”) por lei passou a ser medida recorrente nos últimos tempos. A aqui referida, apesar de inexistente no texto da Medida Provisória no 451/2008, e nas 64 Emendas apresentadas pelos parlamentares, acabou presente no projeto de Lei de Conversão apresentado pelo relator, na Câmara dos Deputados (e na Lei resultante da conversão, de no 11.945/2009), sob a justificativa de ser reputada como importante “para a economia brasileira voltar ao ritmo de crescimento anterior à eclosão da crise financeira mundial”. Cabe ainda citar a Lei no 12.249/2010 (que em seu art. 61, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2010, inclusive aqueles já prorrogados excepcionalmente com base na Lei no 11.945/2009); a Lei no 12.453/2011 (que, em seu art. 8o, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2011, inclusive aqueles já prorrogados excepcionalmente com base nas Leis no 11.945/2009 e no 12.249/2010); a Lei no 12.782/2013 (que, em seu art. 20, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2013, agora excluindo os já prorrogados excepcionalmente com base nas leis anteriores); e a Lei no 12.995/2014 (que, em seu art. 16, “prorroga” Atos Concessórios vencidos em 2014, exclusivamente para “produtos de longo ciclo de produção”, e também excluindo os já prorrogados excepcionalmente com base nas leis anteriores). 19 Aqui também cabe destacar que, em verdade, o fundamento legal já existia, ainda que mais modesto, desde setembro de 2008, com o advento da Lei no 11.774/2008, mas restrito a produtos nacionais, vinculados à aplicação do disposto no § 1o do art. 59 da Lei no 10.833/2003 (admissão por outro beneficiário, com vistas a execução de etapa da cadeia industrial). Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.156 29 interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” (grifo nosso) Descontadas as imperfeiçoes terminológicas, que normalmente derivam do excesso de denominações que temos para idênticos regimes aduaneiros no Brasil, 20 o artigo apresenta de forma cristalina o fundamento legal viabilizador da referida flexibilização. Contudo, é nítido que o comando legal carece de disciplina tanto pelo Poder Executivo (responsável por estabelecer termos, limites e condições) quanto pela SECEX e pela RFB, conjuntamente (responsáveis pela disciplina conjunta do tema). Novamente o legislador, de forma cautelosa, promoveu a flexibilização com preocupação sobre o impacto que a medida teria no controle aduaneiro, deixando aos órgãos técnicos a disciplina da matéria, antes da entrada em operação da nova sistemática. Isso resta claro no texto da exposição de Motivos da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010 (que foi convertida na Lei no 12.350/2010): “Temos a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência Projeto de Medida Provisória que: (...) d) altera o art. 17 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008, que dispõe sobre a fungibilidade de produtos adquiridos nos regimes aduaneiros suspensivos, permitindo que o Poder Executivo regulamente a matéria; (...) 20 A menção a “regimes aduaneiros suspensivos” existente no texto original do art. 17 da Lei no 11.774/2008 não parecia objetivar especificamente o “drawback”, por estar restrita ao disposto no § 1o do art. 59 da Lei no 10.833/2003 (comando que possibilitou a solidariedade no “regime aduaneiro especial” de RECOF entreposto industrial sob controle informatizado”, disciplinado nos arts. 420 a 430 do Regulamento Aduaneiro de 2009, e totalmente sob a tutela da RFB, tanto no que se refere a concessão quanto fiscalização). Isso fica claro pela leitura do § 2o do mesmo art. 59 da Lei no 10.833/2003, que destacava ser da RFB a competência para “disciplinar a aplicação dos regimes aduaneiros suspensivos de que trata o caput, e estabelecer a os requisitos, as condições e a forma de registro da anuência prevista para a admissão da mercadoria, nacional ou importada, no regime”. A menção no texto atual, por sua vez, parece desejar, de forma oposta, ser específica ao drawback, seja porque o art. 32 da Lei no 12.350/2010 está inserido no Capítulo III, denominado “Do Drawback” (que abrange os arts. 31 a 33), ou porque estabelece disciplina conjunta, o que só é compatível com o regime de “drawback brasileiro, nas modalidades de suspensão e isenção”. De qualquer forma, tanto a redação original (que parecia esquecer o “drawback”), quanto a atual (que parece esquecer o RECOF) resta patente que passou da hora de o Brasil utilizar a terminologia internacional em relação à matéria: (admissão temporária para) aperfeiçoamento ativo, e não drawbacksuspensão, RECOF, RECOM ... Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 30 16. O art. 8o propõe alteração no art. 17 da Lei no 11.774, de 2008, que dispõe sobre a possibilidade da fungibilidade de bens adquiridos, tanto por importação como no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos federais e ao abrigo de regimes aduaneiros especiais, quando destinados à industrialização para exportação. Tratase de revisão da redação original, que havia alicerçado sua base no art. 59 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e agora passa a ser aplicada de forma autônoma, desde que regulamentada pelo Poder Executivo. (...)” (grifo nosso) Em recente alteração do Regulamento Aduaneiro, o Decreto no 8.010, de 16/05/2013, trouxe o novo comando legal para o art. 402A da norma regulamentar, sem qualquer alteração (ou disciplina) do texto da lei, mas esclarecendo, no §2o do artigo, que a aplicação “fica condicionada à edição de ato normativo específico conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior”. Mais uma vez resta patente a tecnicidade do tema, que está sendo tratado conjuntamente entre RFB e SECEX, aguardando se para breve a publicação do ato normativo conjunto que finalmente colocará em operação, com as restrições que estabelecer, a flexibilização da vinculação física, ou a fungibilidade em regimes aduaneiros suspensivos (mais objetivamente os conhecidos como “drawback integrado suspensão” e “drawback integrado isenção”. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao qual é vinculada a SECEX, ciente de que ainda não opera, pelas regras atuais, a fungibilidade, noticiou recentemente (29/04/2014) em seu sítio web que:21 “Rio de JaneiroRJ (29 de abril) Durante abertura do Seminário de Operações de Comércio Exterior, realizado hoje, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Renato Agostinho, anunciou duas medidas de simplificação para a utilização do regime drawback, que permite (sic) a desoneração de tributos nas importações ou compras domésticas de insumos usados na fabricação de produtos exportados. A primeira é o lançamento de um sistema eletrônico para o processamento do drawback isenção, mecanismo aplicado na reposição de insumos que foram anteriormente utilizados na produção de bens já exportados. “Esta é a última operação, relacionada ao Decex, que é feita ainda por papel. Com o lançamento do sistema, no segundo semestre deste ano, poremos fim ao uso do papel e todas as operações serão realizadas de forma digital”, disse o diretor. No ano passado, US$ 8 bilhões foram exportados ao amparo do regime drawback isenção. Outra medida prevista para breve é a edição de uma portaria conjunta da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) do Ministério da Fazenda, que tratará da questão da fungibilidade 21 Pesquisa feita no sítio web do MDIC , no campo “busca”, com a palavra “fungibilidade”. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=5¬icia=13134>. Acesso em 09.jul.2014. Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.157 31 das mercadorias relacionadas à concessão de drawback. “Esta medida é importante para eliminar a necessidade de segregação nos estoques dos insumos pelo exportador, o que representa hoje um custo que pode ser dispensado com regras mais claras para a administração do regime”, explicou Agostinho. (...)” (grifo nosso) Nesse contexto, o Brasil migra, em algumas décadas, de um cenário de estrita vinculação física a um ambiente no qual parece que a regra será a fungibilidade, nos termos a serem estabelecidos em norma conjunta da RFB e da SECEX. 3 Considerações sobre a “fungibilidade” no “drawback brasileiro” (ou: A discussão econômica e a discussão jurídica do tema) Conforme exposto no tópico anterior, o “drawback brasileiro” ainda é regido, em regra, pela vinculação física, já havendo algumas mitigações, externadas em atos normativos emanados nas últimas décadas. Não se tem dúvidas sobre as vantagens que há, do ponto de vista econômico, na implementação de uma sistemática em que se possam reduzir custos com segregação de estoques e atividades afins. A otimização de recursos (tanto dos operadores do regime quanto das instituições concedentes e fiscalizadoras) certamente impactará positivamente no comércio exterior brasileiro. E a tecnologia da informação, ferramenta chave na operacionalidade das atividades aduaneiras, permitindo a coexistência da celeridade com a segurança, representa indubitavelmente a saída para o controle eficaz da elevada quantidade de dados a analisar em relação ao regime. A celeridade e a simplificação das atividades aduaneiras (sem prejuízo da segurança) é preocupação internacional atualíssima, sendo o principal tema tratado, por exemplo, na última Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Bali (dezembro/2013), sob o título “facilitação comercial”, gerando um pacote de medidas alinhadas à já citada Convenção de Kyoto Revisada. Não se tem dúvidas, assim, de que o Brasil está trilhando caminho alinhado com as melhores práticas internacionais. Mas essa análise econômica não tem o condão de sobrepor a análise jurídica do tema, que realizamos no tópico anterior, concluindo por variadas razões que as disposições sobre fungibilidade do art. 17 da Lei no 11.774/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei no 12.350/2010, não são autoaplicáveis, e pendem do estabelecimento de uma disciplina conjunta pela SECEX e pela RFB, que já está inclusive em elaboração. Assim, divergimos frontalmente dos posicionamentos (digase, minoritários), externados em julgamentos do CARF22 e na doutrina23, de que já seria aplicável a fungibilidade 22 Luiz Henrique Travassos Machado presenteoume com cópia de sua dissertação de mestrado na Universidade Cândido Mendes, intitulada “Regime Aduaneiro Especial de Drawback: exoneração fiscal como fomento ao desenvolvimento econômico”, defendida em 2012. No detalhado trabalho, o autor efetua, entre outros, Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 32 no “drawback brasileiro”, por carecer tal argumento de fundamentação jurídica, diante do aqui analisado. É preciso analisar a questão de forma isenta e científica, sem partir de premissas equivocadas/preconcebidas ou de análises comparadas de institutos de natureza diversa, ou ainda de análise econômica em detrimento do teor de leis vigentes. 4 O caso concreto No caso em análise, o autuante revela o entendimento pela necessidade de vinculação física, o que não é surpresa, seja porque esse é o posicionamento expresso na legislação e dominante neste tribunal administrativo, seja porque o autuante é o próprio autor do artigo aqui citado sobre a natureza jurídica do regime, publicado em 2013. Mas a autuação não gira em torno somente da inexistência de vinculação física. Como relatado, o auto se refere a descumprimento de dois atos concessórios de “drawback suspensão” (no 001896/0529, emitido em 15/02/1996, com relatório de comprovação no 001897/0001951, emitido em 18/03/1997, e no 001897/0530, emitido em 11/03/1997, com relatório de comprovação no 200099/0004172, emitido em 18/02/1999). É importante, assim, posicionar temporalmente tais atos concessórios na estrutura cronológica trazida no item 2 desta declaração de voto. Vejase que na data de emissão dos atos concessórios (e à data de comprovação) sequer existia o comando regulamentar que trata do fluxo financeiro (ainda que de forma limitada, como aqui esclarecido), inaugurado no ordenamento jurídico em 2002 (art. 339 do Decreto no 4.543/2002). Não há, assim, que se contrapor fluxo físico com fluxo financeiro (de previsão normativa inexistente à época), nem que se cogitar a autoaplicação retroativa de qualquer dos dispositivos legais e regulamentares que sucederam em décadas os fatos narrados e o regime concedido. levantamento estatístico do tratamento no CARF (e no antigo Conselho de Contribuintes) do tema da fungibilidade no “drawback”, de 2003 a 2010, encontrando 34 acórdãos reconhecendo a necessidade de vinculação física, e dois a afastando, entre outras variantes mitigadas. Realizando busca no sítio web do CARF, nos anos de 2011 a 2014, com a palavra “fungibilidade” ou com a expressão “vinculação física” atreladas a “drawback” (ementa+decisão) encontrei 1 resultado em 2014 (Acórdão no 3102.002.127, com decisão majoritária em favor da necessidade de vinculação física), outro em 2013 (Acórdão no 3202.000.878, no qual a matéria foi decidida por qualidade, em favor da necessidade de vinculação física) 4 em 2012 (Acórdãos no 3102001.439, no 3102001.494 e no 3802000.837, unânimes em favor da necessidade de vinculação física; e no 3101000.884, majoritariamente favorável à necessidade de vinculação física) e 1 em 2011 (Acórdão no 3202000.403, unânime em favor da necessidade de vinculação física). 23 Outra obra que chegou a minhas mãos recentemente foi “Drawback e a inexigibilidade de vinculação física”, de Victor Bovarotti Lopes (Almedina, 2012). O objetivo da obra, como se destaca logo de início, é “demonstrar a inexigibilidade de vinculação física entre os insumos adquiridos e os produtos exportados (sic) através das operações realizadas sob o regime de drawback”. Assim, o estudo é fundado na preconcepção de que opera a fungibilidade no regime, apontando como críticas à exigência de vinculação física (Capítulo 3) possíveis violações aos princípios da segurança jurídica, da isonomia, da impessoalidade, da finalidade, da proporcionalidade e da legalidade, e realizando estudo comparado com acordo da OMC referente a defesa comercial (subsídios). Também nessa obra há substancial coletânea de jurisprudência do CARF sobre o tema, demonstrando que há alternância de entendimentos, e que nas composições atuais a predominância é de acolhida da necessidade de vinculação física. Em oposição, citese outra análise do tema, efetuada por Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” (MP, 2013), ao final do artigo intitulado “A natureza jurídica do regime aduaneiro de drawback”, com a conclusão pela exigência de vinculação física, por disposição legal expressa, por entendimentos da Administração, pela disposição constante do art. 56 do Código Aduaneiro do MERCOSUL, pela leal concorrência, pela análise de decisão do STJ e pelo reconhecimento (este também presente na obra de Lopes) de que o drawback teria natureza jurídica de isenção condicionada. Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.158 33 O cenário da autuação é o da década de 90, na qual se aplicava basicamente o Regulamento Aduaneiro de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985). O auto de infração foi lavrado em 06/04/2000, com ciência pessoal a representante da empresa na mesma data. A impugnação (fls. 698 a 753). A DRJ inicialmente converte o julgamento em diligência (fls. 1682 a 1691), para que a unidade local se pronunciasse sobre as alegações de recolhimento e juntasse a completude dos RE mencionados, manifestandose sobre a espontaneidade nos recolhimentos, elaborando relatório circunstanciado. A unidade local informa, em 18/11/2009 (fl. 1740), que juntou os RE (fls. 1704 a 1739) e comprovou os pagamentos. Cientificada a empresa (fl. 1741), sua manifestação (fls. 1742 a 1744) é no sentido de os extratos completos não foram apresentados, descumprindo o demandado pelo julgador. A DRJ julga o processo em 25/02/2011 (fls. 1748 a 1791), afastando da autuação os montantes referentes a quantias já recolhidas (em relação às DI no 97 03882250/001 e 05407681/001), realizando imputação proporcional tendo em vista que o recolhimento foi desacompanhado da multa de mora. Em seu recurso voluntário (fls. 1808 a 1848), a empresa reitera as alegações expressas na impugnação, principalmente sobre fungibilidade e possibilidade de cumprimento parcial do regime, silenciando sobre a imputação do pagamento efetuada pela DRJ. As declarações de importação/adições objeto da autuação são as de no 96 024544/001, de 11/03/1996; 96028574/001, de 21/03/1996; 96053583/001, de 24/05/1996; e 96055254/001, de 29/05/1996 (vinculadas ao AC de final 0529); e 9703882250/001, de 13/05/1997; 9704919255/001, de 12/06/1997; 9705203423/001, de 19/06/1997; 97 05206961/001, de 19/06/1997; e 9705407681/001, de 25/06/1997 (vinculadas ao AC de final 0530). O insumo importado é sempre o mesmo: “silicone surfactant Y6857” (NCM 3402.13.00). E os produtos exportados são “silicona L585”; “silicone sufractant NIAX 540C” e “fluido de silicona L540”, todos classificados na NCM 3910.00.99. O processo produtivo consiste em diluição, sem perda, do insumo importado em dipropileno glicol (DPG), utilizando misturador industrial em rotação constante pelo tempo de trinta minutos, para obtenção do produto a exportar. No Ato Concessório de final 0529 (fl. 127 e seguintes) a empresa pede, em 15/02/1996, para importar com suspensão 70.970 Kg de “Y6857” (valor de US$ 577.333,00), comprometendose a exportar 100.000 Kg de “L585” (valor de US$ 530.000,00), 36.000 Kg de “540C” (valor de US$ 205.200,00) e 15.000 Kg de “L540” (valor de US$ 80.250,00), até 15/02/1997. Pelos anexos ao relatório de comprovação SECEX, a empresa importa, por meio das 4 declarações de importação relacionadas, um total de 70.941,67 Kg de “Y6857” (valor de US$ 583.123,22), e exporta, por meio de 11 operações, 108.000 Kg de “L585” (valor de US$ 572.400,00), e, por meio de 14 operações, 43.000 Kg de “L540” (valor de US$ 230.050,00). No Ato Concessório de final 0530 (fl. 365 e seguintes) a empresa pede, em 11/03/1997, para importar com suspensão 70.970 Kg de “Y6857” (valor de US$ 577.333,00), comprometendose a exportar 100.000 Kg de “L585” (valor de US$ 530.000,00), 36.000 Kg de “540C” (valor de US$ 205.200,00) e 15.000 Kg de “L540” (valor de US$ 80.250,00), até 11/03/1998. Pelos anexos ao relatório de comprovação SECEX, a empresa importa, por meio das 5 declarações de importação relacionadas, um total de 70.725,64 Kg de “Y6857” (valor de US$ 594.862,77), e exporta, por meio de 9 operações, 90.000 Kg de “L585” (valor de US$ Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 34 477.000,00), e, por meio de 10 operações, 42.000 Kg de “L540” (valor de US$ 215.428,03), nacionalizando 8.685,64 Kg do insumo (valor de US$ 71.142,51), com pagamento de tributos e penalidades (fls. 374/375). Conforme de registra no Relatório Fiscal, foram fiscalizados quatro atos concessórios, versando a autuação somente sobre os dois nos quais se apurou descumprimento do regime. No Termo de Início de Fiscalização, de 23/11/1999, o fisco solicita à empresa o detalhamento das entradas e saídas de insumos importados e produtos exportados, não tendo a empresa apresentado “livros ou fichas de controle de produção, ou sistema de controle similar”, e, posteriormente, reconhecido que não escriturava tais livros (em 21/12/1999, data em que apresenta livros de Registro de Inventário de 1995 a 1998), que o fisco destaca serem de escrituração obrigatória, conforme RIPI/1982 e RIPI/1998. Sem tais controles, não haveria como demonstrar o efetivo emprego dos insumos importados nos produtos exportados. Os livros de registro de inventário de 1995 a 1998, por sua vez, que poderiam auxiliar na demonstração, possuem todos Termos de Abertura (e de Encerramento) registrados na Junta Comercial em 16/12/1999, portanto, depois do início do procedimento fiscal, não permitindo a convicção de que tais livros já se encontravam escriturados antes do início da ação fiscal. Ademais, tais livros também são de escrituração obrigatória, e somente poderiam ser usados depois de visados pelo fisco estadual, salvo se dispensados e registrados na Junta Comercial. Não há, assim, como têlos a título de elementos probatórios da vinculação dos insumos importados aos produtos exportados. Também os Livros de Registro de Entrada e Saída da empresa de 1995 a 1998 possuíam Termos de Abertura (e de Encerramento) registrados na Junta Comercial em 16/12/1999, portanto, depois do início do procedimento fiscal. Assim, a empresa não apresentava ao fisco (e não mantinha) qualquer escrituração regular que permitisse a efetiva vinculação dos insumos importados aos produtos exportados. Em sua defesa, a empresa junta planilha (doc. 9 fls. 934 e 935), que afirma ter sido solicitada pelo fisco (e, depois, por este desconsiderada) na qual informa a data de entrada do insumo (com detalhamento de DI, NF de entrada, NCM, descrição e quantidade) e a data de saída dos produtos (com detalhamento de RE, NF de saída, NCM, descrição e quantidade), bem como os estoques de insumo (descrição, NCM e quantidade). Junta ainda cópias integrais de RE que afirma terem sido entregues de forma incompleta ao longo da fiscalização. Acordamos com a recorrente no sentido de que não são somente os referidos livros que comprovam a vinculação dos insumos importados (em que pese sejam de escrituração obrigatória) com os produtos exportados. Poderia a empresa ter demonstrado por qualquer meio em direito admissível que efetivamente utilizou os insumos na industrialização para exportação. E a planilha apresentada seria um bom começo, se não fosse incompatível com as demais informações prestadas pela própria recorrente (mormente em relação às diferenças na relação insumo/produto). O que se percebe nos autos não é uma simples recusa do fisco em utilizar os dados da planilha, mas uma impossibilidade de cotejar os dados da planilha com as operações efetivamente praticadas pela empresa. Parece que a questão da fungibilidade, na forma em que compreendida pela empresa, a dispensava de se preocupar não só com o detalhamento individualizado das entradas Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.159 35 e saídas, mas com a própria cronologia das operações. Isso se percebe por excerto do recurso voluntário (fl. 1841), no qual se afirma que: [...] pela própria definição do instituto do Drawback, a mercadoria importada deve ser insumo, utilizado para a confecção de um novo produto a ser exportado. A característica do insumo é justamente sua fungibilidade, pois, aplicado ao produto, perde sua identidade, passando a compor a identidade do produto final, e, sendo usado insumo idêntico, de mesma qualidade e quantidade, teremos o mesmo produto final, como demonstrado no item “Da fungibilidade da Mercadoria Utilizada”. Pela própria natureza do insumo, ele pode ser substituído por outro de igual qualidade e quantidade desde que não altere a essência da mercadoria industrializada da qual ele fará parte. (grifo nosso) Assim, a empresa parecia entender que tinha direito a um regime que não corresponde àquele que a SECEX lhe concedeu (e que a RFB estava a fiscalizar), além de alargar o entendimento historicamente encontrado neste CARF sobre a fungibilidade. Mas ainda que o entendimento sobre a fungibilidade fosse restrito, incumbe recordar que, como exposto no tópico 3 desta declaração de voto, os posicionamentos mais recentes do CARF são pela necessidade de comprovação da vinculação física para adimplemento do regime (vários deles externados de forma unânime): “[...] 1. É da incumbência do beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. 2. Não se presta como meio de prova do regime drawback suspensão, o Registro de Exportação (RE) que não contenha o código do regime e a informação do fabricante do produto exportado. DRAWBACK, MODALIDADE DE SUSPENSÃO. INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. INADIMPLEMENTO DO REGIME. EXIGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. 1. O princípio da vinculação é de observância obrigatória no âmbito do regime de drawback, modalidade suspensão, que exige que os insumos importados devem ser aplicados no produto exportado, integrandoo fisicamente ou se consumindo no processo de produtivo. 2. O descumprimento do princípio da vinculação física implica descumprimento do regime drawback suspensão e, em consequência, exigência dos tributos suspensos, em face da aplicação do regime, com os devidos acréscimos legais.” (Acórdão no 3102002.127, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, maioria, sessão de 28.jan.2014) [...] DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 36 respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária. [...]. (Acórdão no 3202000.878, Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, qualidade, sessão de 21.ago.2013) [...] O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. [...]. (Acórdão no 3102 001.494, Rel. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, unânime, sessão de 22.mai.2012) [...] O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. [...]. (Acórdão no 3102 001.439, Rel. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, unânime, sessão de 24.abr.2012) [...] DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. INOBSERVÂNCIA EM PARTE. INADIMPLEMENTO PARCIAL DO REGIME. EXIGIBILIDADE DOS CORRESPONDENTES TRIBUTOS SUSPENSOS. POSSIBILIDADE. O cumprimento do princípio da vinculação física é requisito essencial para o adimplemento do compromisso de exportação assumido no ato concessório do regime drawback suspensão. Por conseguinte, a não comprovação que parte dos insumos importados não foram aplicados no ciclo de produção do produto final exportado caracteriza o inadimplemento parcial do regime e a imediata exigibilidade dos tributos suspensos, acrescidos dos consectários legais devidos, correspondentes à parcela do regime inadimplida. [...].(Acórdão no 3802000.837, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, unânime, sessão de 13.fev.2012) [...] DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DE VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE OS INSUMOS IMPORTADOS E OS PRODUTOS EXPORTADOS. INADIMPLEMENTO. A concessão do regime condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decretolei no 37/66). A modalidade de suspensão no regime de drawback segue o requisito básico de submissão ao princípio de vinculação física entre o insumo importado e o produto objeto de exportação, por ser essa uma regra básica do regime. [...].(Acórdão no 3802000.837, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, unânime, sessão de 21.nov.2011) Apesar de a simples impossibilidade de vinculação física já macular o cumprimento efetivo dos Atos Concessórios, a fiscalização apurou ainda outras divergências. A primeira divergência narrada é a divergência de valores e peso em relação ao pactuado e informado no Relatório de Comprovação (a empresa comprometeuse a exportar 36.000 Kg de Niax 540C e não exportou nada; comprometeuse a exportar 100.000 Kg de L 585 e exportou 108.000 Kg, e comprometeuse a exportar 15.000 Kg de L540 e exportou Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.160 37 43.000Kg). Percebese aí brutal divergência entre o que foi permitido à empresa no regime e o que ele efetivamente fez, sem que tivesse havido qualquer aditivo ao Ato Concessório. Sobre tal divergência afirma a empresa que por política de exportação (posterior à emissão do Ato Concessório), resolveuse que os produtos “Niax 540C” e “L540” deveriam ter 43% de insumo, ao invés de 47% (como consta no AC), e que ambos os produtos são idênticos e de mesma classificação fiscal. Assim, a empresa teria exportado 108.000 Kg de “L585” na concentração de 47% e 43.000 Kg de “L540” na concentração de 43%, restando apenas diferença de 1.720 Kg, tendo a empresa pago os tributos correspondentes, conforme art. 319, I, “c” do Regulamento Aduaneiro. Outra divergência se refere à ausência de indicação nos documentos de exportação (RE) de que se tratava de operação ao amparo de Ato Concessório de drawback suspensão em diversos registros (v.g. RE no 96/02283200001; 96/05132060001; e 96/09965710001, assim como 97/1162482001; 97/1047547001; 97/0609943001; 97/0572692001; 97/0377120001/ 97/0736422001; 98/0133140001; 97/0716751001; e 97/0740984001). O RE tem um campo próprio no qual deve obrigatoriamente ser informado o número do AC (campos 02f/23). Sobre tal divergência afirma a empresa que o campo próprio para prestação da informação é o 24, que não foi analisado pelo fiscal (tendo em vista que os RE dos autos estão com folhas faltando, e que foram de início entregues RE equivocadamente cf. fls. 725/726, 730/731 e 732/733). A terceira divergência apurada é a exportação de mercadorias após o vencimento do prazo de validade do Ato Concessório (RE no 97/0126171001 e 97/0148782 001). Sobre tal divergência afirma a empresa que as mercadorias saíram de seu estabelecimento um dia antes do vencimento do Ato Concessório, e só não foram embarcadas a tempo por fatores alheios a sua vontade. A quarta divergência se refere a exportação de mercadorias em data anterior à entrada do insumo na fábrica, comparandose a nota fiscal de entrada no 691, de 21/05/1997 (que ampara a primeira importação DI no 97/03882250, registrada ao amparo do Ato Concessório, em 13/05/1997) e a nota fiscal de saída no 8896, de 30/04/1997. Sobre tal divergência afirma a empresa que a autoridade aduaneira partiu da errônea premissa da vinculação física, devendo prevalecer a fungibilidade. A quinta divergência se refere a exportação de mercadorias com classificação tarifária diferente da permitida no Ato Concessório (RE no 96/0228320001; 96/0249695001; 96/0335475001; 96/0513206001; e 96/0610981001; assim como 97/0672797001; 98/0169365001; 97/1047547001; e 97/0572692001). Sobre tal divergência afirma a empresa que as classificações estavam incorretas no documento de exportação, mas estavam corretas nas notas fiscais que os ampararam. A sexta e última divergência se refere à discrepância detectada entre a relação insumo/produto informada pela empresa (de que seriam necessários 0,47 Kg do insumo importador – Y6857 – para produzir 1 Kg da mercadoria exportada – L540, L540C e L585) e a apurada de fato pela fiscalização a partir de registros internos de produção da empresa (de que seriam necessários, em média, 0,4715 para o produto L585 e 0,4078 para o produto L 540, sendo que a maior parte da produção é do produto L540). Sobre tal divergência afirma a empresa que o fisco deveria, ao detectar tal discrepância, demandar laudo técnico a ser proferido por autoridade competente. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 38 Tais divergências, a nosso ver, servem na autuação somente de endosso à tese de que os controles da empresa apresentados à fiscalização são inaptos à comprovação do adimplemento do regime. Não temos dúvida, por exemplo, de que não se pode comprovar a exportação da mercadoria (produto final) antes mesmo da importação do insumo. E só a compreensão alargada de fungibilidade da recorrente justificaria tal descumprimento, compreensão essa que não foi acolhida nem no voto condutor deste acórdão, que reconheceu não estar comprovado o regime em relação a tal operação. Até acataríamos alguns dos argumentos externados pela recorrente, como o referente à incorreção nas classificações, suprida nas notas fiscais, ou o relativo aos RE retificados antes do início da fiscalização, mas diante da impossibilidade de se saber ao certo quais operações de exportação correspondem exatamente a quais insumos importados ao amparo do regime, não há como partir para esse segundo nível de análise. Assim, caso desejasse a empresa obter da SECEX regime diverso do “drawback brasileiro” previsto na legislação, deveria têlo especificamente solicitado, assim como deveria ter solicitado aditivos do Ato Concessório caso discordasse, por exemplo, da relação insumo/produto ali externada. Tendo solicitado à SECEX regime com regramento previsto na legislação vigente, deveria a empresa seguir tal regramento. E não se aceita como argumento a alegação de que a empresa não tinha conhecimento de que era necessária a vinculação física no momento do Ato Concessório, pois a própria SECEX, que concede os Atos em relação ao regime, expressamente reconhece (e divulga) que a fungibilidade ainda não é um atributo do “drawback brasileiro”. Há que se reconhecer, então, que não restou comprovado o adimplemento das condições do regime, que não se resumem a exportar, mas a exportar utilizando as mercadorias importadas (à exceção daqueles casos em que a legislação expressamente excepcionou a necessidade de vinculação física). Assim, manifesto discordância em relação ao relator no que se refere ao tema da exigência de vinculação física para o regime denominado no Brasil de “drawback suspensão”. Rosaldo Trevisan Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA Processo nº 13839.000542/0017 Acórdão n.º 3403003.054 S3C4T3 Fl. 6.161 39 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Ivan Allegretti O contribuinte apresenta um processo produtivo simples. Ao menos no período compreendido no lançamento, realiza o processamento sempre dos mesmos insumos, obtendo o mesmo e único produto final, e repetindo – podese dizer, previsível e monotonamente – a exportação dos mesmo produtos. Diante disso, entendo que não há qualquer razão para negar validade às retificações que realizou nos Registros de Exportação (RE), mesmo porque foram retificados apenas para constar a vinculação ao Ato Concessório do drawback. Por isso, no contexto deste caso cocnreto, entendo que as exportações objeto dos RE retificados podem e devem ser considerados como prova do cumprimento do regime. Quanto à questão da fungibilidade dos insumos, entendo ser necessário também fazer algumas considerações. Não tenho dúvida de que entre a matériaprima importada e o produto exportado existe uma vinculação lógica e necessária, que é inerente à inteligência do drawback, e sem a qual não haveria amparo ao seu reconhecimento. Mas a legislação não previu que procedimento adotar nos casos em que os insumos sào bens fungíveis, os quais são aplicados indistintamente no mesmo produto que é exportado e vendido no mercado interno. Nestas hipóteses em que não se faz diferença de qualidade entre o insumo nacional e o importado, que são armazenados em comum, misturados, nem há diferença no produto final, que é o mesmo, podendose evidenciar que os referidos insumos são aplicados neste mesmo produto final, que é o mesmo enviado para o exterior e vendido no mercado nacional, não vejo qualquer sentido em se pretender exigir do contribuinte que demonstre a junção física exclusiva do insumo importado ao produto exportado. Ora, se a SECEX, que é o órgão resposável pela análise do processo produtivo e dos insumos que se pretende importar, permite expressamente a importação de um bem fungível, não se pode admitir que a Receita utilize de um outro critério, que apenas seria aplicável para bens nãofungíveis, de qualidade diferenciada quanto ao insumo ou ao produto final, pretendendo a comprovação de que todo e esclusivamente o insumo importado aderiu fisicamente ao produto exportado. As normas relacionadas ao tema contém critérios e mecanismos que buscam identificar o desvio do produto importado, cuidando de não permitir que usufrua do benefício fiscal aquele contribuinte que não promove as exportações de que se comprometeu a fazer. Não se quer que o contribuinte cometa desvios: (a) nem revenda o insumo importado no mercado interno, (b) nem de qualquer maneira deixe de aplicálo na produçào de produtos, os quais devem ser exportados nos volumes a que se comprometeu o contribuinte. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA 40 Assim, nos casos em que o insumo é um bem nãofungível, permitindo identificar que tal insumo importado tenha sido integrado fisicamente no produto final, então podese utilizar deste tipo de veriricação para comprovar o atendimento do drawback. Mas nos casos em que o insumo é fungível, não se pode levar ao extremo a pretensão de segregar os insumos nacional e importado de mesma qualidade, os quais são guardados juntos, para querer identificar se o produto final agregou fisicamente o insumo importado. No caso concreto houve a importação e efetiva aplicação do insumo fungível no processo produtivo, sendo o produto final integrado indistintamente por insumos nacionais e importados, devese reconhecer o cumprimento do drawback se a quantidade de produtos exportados utilizou o volume de matériaprima importada com isenção. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinad o digitalmente em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por LUIZ ROGER IO SAWAYA BATISTA
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Numero do processo: 13707.000532/2002-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS. DESCABIMENTO.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Súmula CARF nº 82:
Numero da decisão: 1302-001.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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DESCABIMENTO. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Súmula CARF nº 82: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 05 32 /2 00 2- 10 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13707.000532/200210 Acórdão n.º 1302001.533 S1C3T2 Fl. 165 2 ABBOTT LABORATORIOS DO BRASIL LTDA, sucessora por incorporação de KNOLL PRODUTOS QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS LTDA , já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 2.799.118,44, discriminado no Auto de Infração à fl. 7. Peço vênia para reproduzir o sucinto e objetivo relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância: Tratase de processo de auto de infração (fls. 05/13) relativo a débito de CSLL por estimativa dos períodos de março de 1997, no valores de R$ 158.808,61 e 878.901,20 totalizando R$ 1.037.709,81, multa de R$ 778.282,36 e juros de R$ 983.126,27 totalizando R$ 2.799.118,44. O auto foi lavrado em virtude de ausência de localização do pagamento. O contribuinte apresentou impugnação em 24/01/2002 alegando pagamento. Na revisão de ofício efetuada (fl. 30) foi alocado o DARF de R$ 158.808,61 e parte do DARF de 878.901,20 visto que R$ 862.167,24 estava alocado CSLL relativa ao anocalendário de 1996. Assim restou um saldo remanescente de contribuição no valor de R$ 862.167,24. A interessada foi cientificada (fl. 33) em 23/05/2011 e apresentou impugnação (fl. 36/43) em 14/06/2011 alegando que o valor de R$ 878.901,20 foi informado indevidamente visto que entendeu que deveria informar o débito pela data de pagamento. Assim o valor de R$ 862.167,24 referese a CSLL do anocalendário de 1996 que foi paga em 31/03/1997 no valor de R$ 878.901,20. Acrescenta ainda que segundo a DIRPJ/1998 a CSLL do primeiro trimestre de 1997 não ultrapassa 432.841,31 que está plenamente quitado. A 8ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1238.912, de 26/07/2011 (fls. 140/144), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. LANÇAMENTO DE ESTIMATIVA Após o encerramento do exercício, não é cabível o lançamento da estimativa, somente do imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13707.000532/200210 Acórdão n.º 1302001.533 S1C3T2 Fl. 166 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 148), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, tratase de auto de infração eletrônico para constituição de crédito tributário de estimativa de CSLL, da competência do mês de março de 1997, com acréscimos de multa de 75% e juros de mora. Eis como abordou a matéria o Julgador em primeira instância (fl. 143): O regime de estimativa se constitui em mera antecipação de tributo eventualmente devido quando da apuração de sua efetiva base imponível. Com a edição de Lei 9.430/1996 (art. 44, IV), para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, deve ser aplicada isoladamente a multa de ofício no caso de procedimento de ofício que constata a falta ou insuficiência de pagamento do imposto ou contribuição apurado com base na estimativa mensal. Após o encerramento do exercício, diante de falta de recolhimento mensal por estimativa, somente seria cabível o lançamento de multa isolada e do imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto de acordo com o previsto no artigo 16 da IN 93/97. Deixo de apreciar as demais questões alegadas pela interessada por perda de objeto. Não faço reparos ao acima exposto. Com efeito, a jurisprudência administrativa é pacífica no sentido da improcedência do lançamento de estimativas, cabendo somente, se for o caso, o lançamento de multa exigida isoladamente, por falta ou insuficiência de recolhimento, nas condições previstas em lei. A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 82, a seguir reproduzida, pelo que considero desnecessário tecer maiores comentários. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13707.000532/200210 Acórdão n.º 1302001.533 S1C3T2 Fl. 167 4 Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10930.721555/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a apresentação de defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado.
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA
Estando preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF.
Numero da decisão: 1302-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por cerceamento de defesa quando foi oportunizada ao recorrente a apresentação de defesa, inclusive com juntada de documentação necessária a provar o direito alegado. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Estando preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 15 55 /2 01 1- 11 Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.346 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por ÁGUIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA ME. contra o Acórdão no 0637.813, de 16/08/2012, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) Manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 33 (fl.1.869), de 02/06/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 01/01/2007; b) Manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/LON nº 34 (fl.1.870), de 02/06/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Nacional, desde 01/07/2007, em face da extrapolação do limite de receitas; c) A impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos nos meses de abril a dezembro do ano calendário de 2006 e; a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009. Dos atos de Exclusão ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 33, DE 02/06/2011 1. O ADE nº 33, de 02/06/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 1.861/1.863, onde restou demonstrado que a contribuinte em análise, auferiu no ano calendário de 2006 receita no importe de R$11.808.927,58, com base na escrituração por ela mantida e na movimentação bancária, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$2.317.694,20, tendo sido omitido o importe de R$9.491.233,38. A autuação, contudo, se limita ao montante de R$6.618.089,07, posto que o primeiro trimestre de 2006 já havia sido atingido pela decadência. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 9º, inciso II e artigo 13, inciso II, ambos da Lei nº 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO Nº 34, DE 02/06/2011 2. O ADE nº 34, de 02/06/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 1.864/1.866, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão obrigatória do Simples Nacional, prevista no artigo 12, inciso I da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007 e artigo 5º, inciso XI da Resolução Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, por excesso de receita bruta em relação ao limite de R$2.400.000,00 no anocalendário de 2006. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no inciso I do artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, combinado com os já mencionados artigo 12, inciso I da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007 e artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, sendo que os efeitos obedecem ao disposto no artigo 6º, inciso VII da Resolução CGSN nº 15, de 2007. 3. Cientificada das exclusões em 07/06/2011, fl.1.875, não apresentou manifestação de inconformidade. Das autuações DO LANÇAMENTO PELO SIMPLES 4. Dando prosseguimento à ação fiscal, em 26/10/2011, foram lavrados os autos de infração de fls. 1.973/2.043, onde se exige o crédito tributário de R$71.289,08 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples (fl.1.994), R$52.201,57 de Contribuição ao PIS Simples (fl.2.003), R$71.289,08 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples (fl.2.012), R$209.302,11 de Cofins Simples (fl.2021), R$40.693,29 de IPI Simples (fl.2.030) e, R$606.122,74 de Contribuição ao INSS Simples (fl.2.039), referente aos fatos ocorridos nos meses de abril a dezembro de 2006, todos acrescidos de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, totalizando R$2.398.786,77. 5. As infrações que estão sendo imputadas ao sujeito passivo estão minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 459/464 e qualificamse por omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não declarados e, insuficiência de recolhimentos decorrente da alteração da faixa de tributação. 6. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, §1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, e; art. 186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, a alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 de 1970, art. 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º,alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º, art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e) para o IPI, artigos 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “e”, 5º, § 2º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 1996, artigo 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e artigos 2º, 3º, 34 , 35, 122 e 127 do RIPI Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.347 5 de 2002 e; f) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. 7. A razão utilizada para o calculo da multa de ofício é 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996. DO ARBITRAMENTO 8. Também foram lavrados os autos de infração de fls. 2.044/2.089, onde se exige o crédito tributário de R$434.692,06 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fl.2.049), R$157.123,24 de contribuição ao PIS (fl.2.062), R$730.482,03 de Cofins (fl.2.076) e, R$264.290,33 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fl.2.85), com base no arbitramento do lucro, acrescidos de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, totalizando R$3.314.851,90. 9. O suporte legal para a exigência dos tributos obedece ao seguinte: a) IRPJ – artigos 27, inciso I e 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigos 532 e 537 do RIR/99; b) PIS base legal os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7 de 07/09/1970, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995 e, artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002; c) COFINS artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002 e; d) CSLL – artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430 de 1996, artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002 e art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.727, de 2008. 10. Aqui, está sendo imputada omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. 11. O sujeito passivo foi cientificado da exigência em 31/10/2011, conforme AR de fl. 2.190. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 04/11/2011 (fl. 92). Na sequência, apresentou impugnação em 25/11/2011 (fl. 2.199/2.253), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 2.266/2.286): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2007 EXCLUSÃO AO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. Considerase definitivo o ADE que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples e que não foi contestado no prazo estabelecido pela legislação de regência. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 SIMPLES. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito do sujeito passivo mantida em instituição financeira, quando, regularmente intimado, deixa de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados. A presunção legal de omissão de receita tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que, por sua vez, pode afastála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 EXCLUSÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXCESSO DE RECEITAS. Considerase definitivo o ADE que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples Nacional e que não foi contestado no prazo estabelecido pela legislação de regência. EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQUÊNCIAS. A legislação da Simples prevê que ao ser excluído do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 LUCRO ARBITRADO. À falta da escrituração regular para adoção do lucro real, no ano em que operados os efeitos da exclusão do Simples Federal, ou para opção pelo lucro presumido, no ano em que operados os efeitos da exclusão do Simples Nacional, impõese o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Publicada uma lei, pressupõese que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, que cuida do controle a posteriori, não pode deixar de ser aplicada estando em vigor. Ademais, Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.348 7 ressaltase que as autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre arguição de inconstitucionalidade de lei, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, desserve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO DE DIREITO CONSTITUCIONAL. INOCORRÊNCIA A utilização de informações e documentos alusivos a operações e serviços de instituições financeiras não constitui violação do dever de sigilo quando prestados à Administração Tributária com observância de dispositivos previstos no ordenamento jurídico. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 03/09/2012 (fl. 2.297), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 19/09/2012 (fl. 2.298/2.332), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: i) Preliminarmente, a declaração de ilegalidade do lançamento tributário por se fundamentar apenas em extratos bancários requisitados diretamente às instituições financeiras por RMF; ii) Cerceamento do direito de defesa pela recusa do fiscal em conceder o prazo requerido; iii) No mérito, que a administração tributária interpreta pelos artigos 197 e 198, ambos do CTN, com base no §1º, do art. 145, da CF, a possiblidade de quebra do sigilo bancário do contribuinte, o que seria ilegal segundo entendimento do STF; Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 iv) Que através de seu enunciado sumulado de n.º 182, o STJ objetivou findar com a possibilidade de quebra do sigilo bancário por iniciativa da autoridade administrativa, reduzindo a força do art. 197, II, do CTN; v) Que segundo a doutrina, o sigilo bancário e fiscal não pode ser quebrado pelas autoridades administrativas, mas tão somente com autorização judicial, sendo ilegal o lançamento combatido; vi) Que o procedimento da autoridade fazendária contraria o art. 5º, da CF, caracterizandose como ato arbitrário e inconstitucional; vii) Que a exceção do parágrafo único (vigente à época), do art. 198, do CTN, referese aos casos em que há processo judicial instaurado, através de decisão judicial de quebra de sigilo; viii) Que o ato arbitrário no procedimento fiscal fere os princípios constitucionais, como o da legalidade e de segurança jurídica, entre outros; ix) Que se deve aplicar ao caso a súmula n.º 473/STF, a fim de que seja anulado todo o procedimento devido sua ilegalidade, conforme a súmula 182/STJ; x) Que segundo o art. 5º, LVI, da CF, deve também ser declarado nulo o lançamento tributário, pois se fundamentou em prova ilícita; xi) Que o STF, em controle difuso, já decidiu pela necessidade de autorização judicial para que seja possível proceder a quebra do sigilo bancário; xi) Que os conceitos de receita e renda são distintos e que, por isto, não poderia a recorrente ser penalizada por omissão de receitas por pela análise dos extratos bancários, pois existiriam valores de terceiros que apenas transitaram em suas contas; xii) Que a autoridade fiscal apresentou duas matrículas durante o procedimento fiscalizatório (n.º 0953969; n.º 00877246), o que causa incerteza sobre sua competência e nulidade do lançamento; xiii) Que se deve observar o que já foi decidido no RE n.º 389.808. É o relatório. Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.349 9 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DAS PRELIMINARES No tocante ao argumento de ilegalidade do lançamento tributário, pois este se fundamentou em extratos bancários requisitados às instituições financeiras pela autoridade fiscal através de RMF, irei tratar a matéria na análise de mérito, pois as razões de defesa se confundem. Outrossim, quanto ao alegado cerceamento de defesa da recorrente durante o procedimento fiscalizatório, porquanto supostamente existiu recusa da autoridade fiscal a conceder prazos maiores para entrega de documentos solicitados, há de ser fazer uma breve análisa fática dos autos. Observase que a recorrente foi intimada do início do procedimento fiscal em 20/10/2010, através do TIPF juntado aos autos às fls. 61/62, quando ficou intimada a apresentar em 20 dias seus documentos constitutivos, fiscais, contábeis, dentre outros, relativo aos anoscalendário de 2006 a 2010. Por consequência, em 11/11/2010, a recorrente realizou a solicitação de prorrogação de prazos para apresentação dos documentos solicitados (fls. 63), pois os teria requerido às instituições bancárias e ao contador, mas ainda não os tinha recebido integralmente. A autoridade fiscal atendeu ao pedido da recorrente, concedendo a prorrogação por mais 20 dias para apresentação dos documentos solicitados através do TIPF, consoante se observa do Termo constante às fls. 64/65, cientificado à recorrente em 22/11/2010. Vencido o prazo acima, mais especificamente, em 22/12/2010, não havendo a recorrente se manifestado ou apresentado quaisquer documentos a autoridade fiscal, esta foi intimada da lavratura do TIF 01 (fls. 66/67), através do qual se concedeu o prazo de mais 20 dias para entrega da documentação solicitada pelo TIPF e a cientificou que a falta de seu cumprimento poderia ensejar a requisição direta de sua movimentação bancária às instituições financeiras. Foi então que a recorrente, em 06/01/2011, apresentou parcialmente a documentação solicitada (fls. 68), apenas quanto ao anocalendário de 2010. Desta maneira, frisase, sem qualquer justificativa ou nova solicitação de prorrogação, não foi entregue Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 nenhuma documentação relativa aos períodos de 2006 a 2009, bem como nenhum extrato bancário. Ademais, como narrou a autoridade fiscal através do TVF (fls. 2.175/2.184), mesmo os poucos documentos entregues pela recorrente não puderam ser aproveitados, pois estavam em desacordo com as normas contábeis e fiscais, ensejando inclusive medidas fiscais através de outros lançamentos tributários. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa ou qualquer prejudicialidade em desfavor da recorrente neste ponto, pois esta foi reiteradamente intimada a apresentar a documentação necessária ao deslinde do procedimento fiscal, sendolhe concedido por mais de uma vez prazo complementar. Ressaltase, ainda, que quando da entrega dos poucos documentos disponibilizados espontaneamente à fiscalização, a recorrente sequer apresentou justificativa ou solicitação de novo pedido de prorrogação de prazo, deixando ao menos a impressão que não tinha a intenção ou possiblidade de disponibilizar os documentos faltantes. Tal circunstância se evidencia ainda mais ao se verificar que tanto em sua impugnação quanto no recurso voluntário a recorrente não apresentou qualquer novo documento ou argumentos convincentes sobre a falta de oportunização de tempo hábil para apresentalos. Outrossim, não fosse tais fatos suficientes, é amplamente reconhecido por este Conselho que a fase de fiscalização que se desenrola até a lavratura do auto de infração constitui procedimento inquisitorial, de forma que não há de se falar em contraditório ou ampla defesa antes da apresentação de impugnação. Vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. LEI Nº 10.174/2001. APLICAÇÃO RETROATIVA. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente (Súmula CARF nº 35). DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro .(CARF. Acórdão n°. 2201002.402, processo n°. 10640.001765/200255. Relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA. Data da Publicação: 17/07/2014). (grifo não original). Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.350 11 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. (...) (CARF. Acórdão n°. 3302002.291, processo n°. 11968.000793/200730. Relator: ALEXANDRE GOMES. Data da Publicação: 16/07/2014). (grifo não original). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. (...). DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).(CARF. Acórdão n°. 2201 002.395, processo n°. 10215.720627/200965. Relator: LUCIVALDO MOURAO CAVALCANTE. Data da Publicação: 30/07/2014). (grifo não original). Ademais, ainda que assim não fosse, pela análise dos documentos que instruíram a fiscalização, carreados ao presente processo, notase que não houve qualquer obscuridade quanto à fundamentação que deu gênese ao auto de infração imposto, sendo que o AFRFB procedeu, em todos os momentos, com a devida diligência, detalhando todos os aspectos fiscalizados no TVF de fls. 2.175/2.184. Também nesse sentir, notese que é firme a posição deste Conselho no sentido de que não ocorre cerceamento de defesa quando a autoridade fiscalizadora cumpre com os requisitos legais exigidos para a lavratura do auto de infração, descrevendo de maneira inteligível os fatos e fundamentos que lhe embasam: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, critérios legal e normativo adequados no cálculo do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. A ausência do MPF ou a falta da prorrogação do prazo nele fixado não se constitui ato essencial à validade do lançamento e não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. (CARF. Acórdão n°. 2102002.837, processo n°. 18471.000061/200771. Relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO. Data da Publicação: 02/06/2014). (grifo não original). Dessa maneira, por ter o AFRFB agido com a devida diligência na exposição dos motivos que deram gênese à exação combatida, não se verifica qualquer cerceamento de defesa, conforme previsto em artigo 59, do Decreto 70.235/72, em relação à recorrente. Por esse motivo, voto por negar provimento às alegações preliminares apresentadas pela Recorrente. 2. DO MÉRITO 2.1. Da inexistência de nulidade do procedimento fiscal por se embasar em informações advindas de RMF Alegam os recorrentes vício formal no auto de infração, o que culmina em sua nulidade, por terse o AFRFB utilizado de prova ilícita para embasar a investigação fiscal, qual seja, a utilização de extratos de movimentação bancária solicitados por RMF, protegidos por sigilo bancário. Contudo, em que pese todo o arrazoado pela recorrente, é certo que a autoridade fazendária está adstrita à aplicação do comando legal sob pena de responsabilidade funcional. Neste sentir, a Lei Complementar n.º 105/2001, em seu art. 6º, possui o seguinte texto: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Dessa maneira, ao tratarmos da conformidade dos procedimentos realizados pela autoridade fiscal quando do procedimento administrativo ora em tela, vêse que a realização da Requisição de Movimentação Financeira (RMF) é regulada pelo Decreto n° 3.724/2001, o qual, de maneira específica, determina uma série de requisitos à regular obtenção das informações financeiras do contribuinte. Neste sentido, o artigo 4°, do mencionado Decreto, especialmente em seus §§5° e 6°, impõe procederes específicos que devem ser observados pelos entes da administração pública, nos termos seguintes: Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.351 13 Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o TDPF (...) §2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do procedimento fiscal. (...) §5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil encarregado da execução do procedimento fiscal ou pela chefia imediata. § 6° No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (grifos não originais) Notese que o § 6° determina a necessidade de demonstrar que o RMF se trata de medida indispensável à realização da fiscalização. Indispensabilidade essa que, nos termos do próprio § 6°, deve ser aferida pelas situações descritas no artigo 3° do mesmo Decreto, o qual determina, in verbis: Art. 3º. Os exames referidos no §5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país com tributação favorecida ou beneficiária de regime fiscal de que tratam os art. 24 e art. 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato; e XII intercâmbio de informações, com fundamento em tratados, acordos ou convênios internacionais, para fins de arrecadação e fiscalização de tributos. Assim, pela leitura dos dispositivos legais acima, fica claro que a quebra do sigilo financeiro, mediante RMF, carece de anterior intimação do contribuinte para apresentação dos documentos bancários, bem como a comprovada caracterização de uma das hipóteses de indispensabilidade descritas nos artigo 3°, a qual deve ser demonstrada e fundamentada por meio de relatório circunstanciado a ser elaborado pelo AFRFB, tratandose de expediente regido por estritos critérios materiais e formais. Analisando os autos, verifico estarem preenchidos os requisitos legais nas RMFs expedidas, razão pela qual não há que se falar em ilegalidade na obtenção das informações de movimentações bancárias da recorrente. Isto porquanto a recorrente foi intimada diversas vezes para apresentação da documentação bancárias (fls. 61/61; 64/65; 64/67). Posteriormente, ante a falta de atendimento às intimações quanto à apresentação dos extratos bancários, o AFRFB elaborou a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls. 286/289), onde consta a caracterização de uma das hipóteses de indispensabilidade da medida, conforme art. 3º, do Dec. n° 3.724/2001, bem como a fundamentação por relatório circunstanciado, demonstrando a estrita observância aos requisitos para emissão das RMFs (fls. 290/341). A constitucionalidade do dispositivo legal é discutível, sendo inclusive objeto de análise em ADI no Supremo Tribunal Federal, entretanto, até que haja a manifestação definitiva daquele tribunal quanto à matéria, não compete a esse Conselho se manifestar sobre tal desiderato, em respeito ao entendimento já sumulado transcrito abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido, é incabível a análise de constitucionalidade de dispositivo legal, por previsão expressa do art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, senão vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A decisão proferida no RE n.º 389.808/PR, utilizada na argumentação da recorrente, ainda não preenche o requisito da definitividade exigido pelo art. 62A do RICARF (Portaria MF n.º 256/2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10930.721555/201111 Acórdão n.º 1302001.534 S1C3T2 Fl. 2.352 15 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Resta consignar, ainda, não ser possível considerar a alegação da recorrente de que houve confusão com os conceitos de renda e receita, uma vez que ao considerar sua movimentação bancária estarseia se considerando receitas de terceiros que apenas transitavam em sua conta. Isto pois, a recorrente meramente argumenta de forma genérica e em poucas linhas, além de não instruir devidamente seu recurso a fim de demonstrar de maneira cabal quais seriam as receitas consideradas como base de cálculo do lançamento tributária que não lhe pertenciam, possibilitando os devidos ajustes acaso fosse possível. Por derradeiro, quanto à arguição de suposta incompetência da autoridade fiscal e, por consequência nulidade do lançamento, tendo em vista ter apresentado duas matrículas durante o procedimento fiscal, melhor sorte não lhe assiste. Bastaria a recorrente consultar o MPF (09.1.02.002010016210) no sítio eletrônico da Receita Federal, com o código de acesso informado através das intimações fiscal (fls. 69, por exemplo), para verificar que os auditores possuem duas matrículas distintas, denominadas SIPE e SIAPE, pelo que não prosperam os argumentos da recorrente. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, pois não há vício ou nulidade no lançamento tributário por ter o AFRFB utilizado de RMF durante o procedimento fiscalizatório. 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto, mantendose integralmente o crédito tributário. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10314.001693/2008-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/02/2008
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/02/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/02/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 93 /2 00 8- 33 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001693/200833 Acórdão n.º 3803006.559 S3TE03 Fl. 325 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/02/2008 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 08/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 22/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001693/200833 Acórdão n.º 3803006.559 S3TE03 Fl. 326 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001693/200833 Acórdão n.º 3803006.559 S3TE03 Fl. 327 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001693/200833 Acórdão n.º 3803006.559 S3TE03 Fl. 328 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento, quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 36592.001483/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 65 92 .0 01 48 3/ 20 06 -9 8 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 36592.001483/200698 Resolução nº 2402000.467 S2C4T2 Fl. 58 2 Tratase de pedido de restituição formulado em 25/10/2006 (fls. 02) visando a restituição da diferença entre a contribuição retida pela empresa tomadora e as contribuições dos empregados lançadas em folha de pagamento da Recorrente, no período de 04/2003 a 02/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina informou que a Recorrente, embora tenha objeto social não impeditivo à opção pelo SIMPLES, vinha exercendo atividade impeditiva, nos termos do art. 9º, inc. XII, alínea “f” da Lei nº 9.317/96, haja vista que seus empregados fazem parte da estrutura organizacional da empresa tomadora (frigorífico), pertencente ao mesmo grupo econômico, e vinha realizando a sua atividadefim com o objetivo de não recolher as contribuições previdenciárias (fls. 456/460). A SAFIS sugeriu que o processo fosse sobrestado até a decisão quanto aos valores levantados junto à tomadora dos serviços King Meat Alimentos do Brasil S.A., em razão da caracterização do grupo econômico (fl. 462). A Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Londrina juntou aos autos acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.70.010070706, impetrado pela Nitridor Serviços de Magarefetização e Equídeo Ltda., determinando que o presente pedido de restituição fosse examinado dentro do prazo de 60 dias (fls. 465/471). A Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT proferiu despacho decisório considerando o pedido improcedente, sob o argumento de que não foi possível apurar o crédito previdenciário relativo ao presente pedido de restituição, haja vista que este depende da decisão administrativa definitiva a respeito do lançamento fiscal efetuado, onde se configurou o vínculo empregatício entre os empregados da Recorrente e a empresa tomadora, bem como consignou que a Recorrente estava exercendo atividade impeditiva à inscrição no SIMPLES (fls. 480/484). A Recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 489/491) alegando que: (i) a DRJ julgou antecipadamente as questões que estão em fase de defesa na esfera administrativa; e (ii) em nenhum momento recebeu qualquer notificação comunicandoa de exclusão do SIMPLES, inexistindo motivo para o indeferimento do presente pedido de restituição. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR julgou o pedido de restituição improcedente (fls. 496/503), sob os argumentos de que: (i) a Recorrente está impedida de optar pelo SIMPLES; (ii) a empresa que está impedida de participar do SIMPLES deve recolher as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros; (iii) a Recorrente não rebateu as informações fiscais no que tange à impossibilidade de estar no SIMPLES; (iv) o despacho decisório foi devidamente fundamentado; (v) a Recorrente não apresentou qualquer prova que pudesse contradizer o argumento de que atua como uma empresa interposta; (vi) todos os lançamentos efetuados em face da empresa tomadora foram julgados favoráveis ao fisco; e (vii) a Recorrente foi excluída do SIMPLES em 30/06/2007, não retornando posteriormente ao regime especial. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 36592.001483/200698 Resolução nº 2402000.467 S2C4T2 Fl. 59 3 A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 515/517) alegando que: (i) não recebeu qualquer notificação sobre a sua exclusão do SIMPLES, não havendo correlação entre o pedido de restituição e a fundamentação contida na decisão; e (ii) de acordo com a decisão, a Recorrente teria sido excluída do SIMPLES em 30/06/2007, porém o pedido de restituição abrange o período de 01/04/2003 a 28/02/2006. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 36592.001483/200698 Resolução nº 2402000.467 S2C4T2 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando o processo, verificase que há óbices para a realização do presente julgamento. Da análise das peças que compõem os autos, constatase que o pedido de restituição da Recorrente foi indeferido por irregularidades encontradas na empresa, as quais deram início a notificações de débito. De acordo com a DRJ (fl. 501), as NFLD’s constituídas foram as de nº 35.504.3840, 35.504.3858, 35.504.3866, 35.504.3874, 35.504.3882, 35.504.3890, 35.923.9056 e 35.923.9064. Contudo, em relação a tais NFLD’s, a única informação que consta nos autos é a de que elas teriam sido julgadas procedentes, não sendo possível afirmar se já foram julgadas por este Conselho ou se já foram encerradas. Assim, tendo em vista que o argumento para o indeferimento do presente pedido de restituição reside no fato de haver notificações de débito contra a empresa, tornase imperioso a realização de diligência para que as autoridades administrativas informem o status atual de cada uma das NFLD’s mencionadas acima, bem como para que sejam juntadas (ou apensadas) a este processo cópias integrais de cada uma das NFLD’s. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a providência determinada acima seja realizada, devendo a Recorrente ser intimada a se manifestar sobre a informação fiscal no prazo de 30 dias. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722593/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. BASE
DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE
O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea tdo § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição, o que dispensa sua declaração em GFIP.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.768
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos
Praia de Lima.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição, o que dispensa sua declaração em GFIP. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 93 /2 00 9- 76 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de bolsas de estudo, consideradas como salário de contribuição. O r. acórdão – fls 369 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · De acordo com a política de RH, o benefício alcança somente pessoas integrantes de sua estrutura interna empregados e dirigentes. · O posicionamento da primeira instância administrativa, além de ser totalmente dissonante da legislação de regência, também não se coaduna com os entendimentos dos julgadores de segunda instância (2o Conselho de Contribuintes / CARF), bem como com recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que entende que bolsa de estudo, inclusive para nível superior, é verba de natureza indenizatória, concedida para o trabalho e não pelo trabalho. · Ao analisarem o caso concreto, os julgadores de primeira instância administrativa concluíram que o lançamento foi realizado de forma correta, não tendo o Recorrente apresentado provas que demonstrassem que os benefícios (concessão de bolsas de estudo) eram destinados para capacitação e qualificação profissional, vinculados à atividade da empresa. · Reiterese, ademais, que as bolsas de estudo eram fornecidas para o trabalho e não pelo trabalho, não correspondendo, portanto, a verba salarial. · Requer o BANCOOB o conhecimento e provimento deste Recurso. Em razão da preponderância do princípio o verdade material, o Recorrente reitera todos os argumentos já consignados por ocasião da apresentação da sua impugnação, argumentos esses desconsiderados pelo julgador de primeira instância, em especial, a necessidade de se comandar diligência para verificar a ocorrência das falhas apontadas desde a Impugnação apresentada pelo Recorrente. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DO PEDIDO DE PERÍCIA O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas carreadas aos autos. O pedido de diligência foi indeferido uma vez que foi considerado prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção, que assim se manifestou. Dessa forma, indeferese pedido de Perícia, pois tal providência revelase desnecessária tendo em vista que não houve questionamento quanto ao valor do crédito lançado, mas apenas discussão quanto à natureza jurídica da rubrica “Bolsa de Estudo”,considerada como salário de contribuição. Vejamos a legislação pertinente art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Não obstante, o decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por fim os §§1º e 4º consideram não formulados os pedidos que não atendam aos requisitos elencados e determinam que toda prova seja apresentada quando da impugnação. Transcrevemos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 6 5 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) O impugnante – fls 394 formulou pedido de perícia sem apresentar os necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, e da fundamentada negativa apresentada pelo julgador de 1º grau, irretocável a decisão proferida. DAS BOLSAS DE ESTUDO O ponto controverso apontado cingese decidir se bolsas de estudo oferecidas para as modalidades de graduação e pósgraduação configuram salário de contribuição. Vejamos a legislação a respeito – lei 8.212/91: Art. 28. ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do Art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Alínea acrescentada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97 e convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97 Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98 (grifei) Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 7 6 Da legislação retro, temos que avaliar se cursos de graduação e pós graduação se enquadram como “a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”. A evolução das relações de trabalho e das atividades desenvolvidas, há muito exigem uma formação multidisciplinar de seus atores. A busca de atividades que levem a um desenvolvimento cognitivo, seja ele qual for, influencia na qualidade do empregado e, dessa feita, o melhor qualifica e o capacita. Nesse sentido também já aponta a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE AUXÍLIOEDUCAÇÃO DE EMPRESA (PLANO DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL). DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que considerou não incidir contribuição previdenciária sobre as verbas referentes ao auxílioeducacional de empresa (plano educacional), por considerar que as mesmas não integram o saláriodecontribuição. 2. O § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, com as alterações efetivadas pela Lei nº 9.528/97, passou a conter a alínea 't', dispondo que 'não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente, o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. 3. Os valores recebidos como 'formação profissional incentivada não podem ser considerados como salário in natura, porquanto não retribuem o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, afinal, investimento na qualificação de empregados não há que ser considerado salário. É um benefício que, por óbvio, tem valor econômico, mas que não é concedido em caráter complementar ao salário contratual pago em dinheiro. Salário é retribuição por serviços previamente prestados e não se imagina a hipótese de alguém devolver salários recebidos. 4. Recurso não provido." (RESP 365.398/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 18/3/2002) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. Os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar aos seus empregados, não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 8 7 remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. A Lei nº 9.528/97, ao alterar o § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, que passou a conter a alínea 't', confirmou esse entendimento, reconhecendo que esses valores não possuem natureza salarial. Precedente desta Corte. Agravo regimental improvido." (AGRESP 328.602/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 2/12/2002) PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido.(AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.330.484 – RS, 1ª Turma, Min. Luiz Fuz. Julgado em 18.11.2010 Esta Turma já apreciou a mesma matéria do contribuinte em questão, nos autos do processo 10166.722598/200907, também decidindo pela não incidência previdenciária. Assim sendo, o pagamento de bolsas de graduação e pósgraduação pode ser enquadrado na exceção legal, não se configurando como base de cálculo de contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722593/200976 Acórdão n.º 2803003.768 S2TE03 Fl. 9 8 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 16327.001249/2005-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
CSLL. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
O artigo 41, parágrafo único, c/c o art. 57, da Lei n° 8.981, de 1995, proíbem a dedução de tributos com a exigibilidade suspensa nas hipóteses dos incisos II a IV do art. 151, do CTN.
Numero da decisão: 9101-001.850
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), José Ricardo da Silva, Moises Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado), Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plinio Rodrigues de Lima (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
PLÍNIO RODRIGUES LIMA Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente - Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSE RICARDO DA SILVA, PLINIO RODRIGUES DE LIMA (suplente convocado), MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA (suplente convocado). VALMAR FONSECA DE MENEZES, MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (Vice- Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O artigo 41, parágrafo único, c/c o art. 57, da Lei n° 8.981, de 1995, proíbem a dedução de tributos com a exigibilidade suspensa nas hipóteses dos incisos II a IV do art. 151, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), José Ricardo da Silva, Moises Giacomelli Nunes da Silva (suplente convocado), Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada) e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plinio Rodrigues de Lima (suplente convocado). (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA – Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 49 /2 00 5- 11 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.280 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSE RICARDO DA SILVA, PLINIO RODRIGUES DE LIMA (suplente convocado), MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA (suplente convocado). VALMAR FONSECA DE MENEZES, MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (Vice Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 302/332) interposto pelo contribuinte com fundamento no artigo 67 e seguintes do Regimento Interno do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria/MF n° 256/09. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 140100.16 (fls. 270/273), por meio do qual os membros da 1 ª Turma ordinária, da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade e, no mérito, negaram provimento ao recurso. O acórdão recorrido foi assim ementado: “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de incerteza e de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por se tratar de provisão.” Preliminarmente, afirmou que o auto de infração lavrado é nulo, pois contém enquadramentos legais alternativos e absolutamente incompatíveis entre si, fato este que afetou a fundamentação do ato administrativo do lançamento e comprometeu o seu direito de defesa. Nesse ponto, trouxe como paradigma o acórdão n° 20303.737, assim ementado: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.281 3 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO COM FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE TERMO COMPLEMENTAR COM CAPITULAÇÃO LEGAL DEFEITUOSA Segundo o inciso IV do art. 10 do Decreto no 70.235/72, a disposição legal infringida é requisito formal indispensável ao auto de infração, para propiciar a ampla defesa constitucional. Processo que se anula ab initio.” Ademais, o contribuinte esclareceu que impetrou Mandado de Segurança (n° 99.00140404 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ) para questionar a legalidade e constitucionalidade da sistemática imposta pela Lei 9.718/98 para a apuração da COFINS e que realizou depósito judicial da parcela correspondente à contribuição sobre "receitas decorrentes de contratos de seguros”. Ressaltou que, estando essas parcelas com sua exigibilidade suspensa, reconheceu, em resultado, a contrapartida do passivo constituído para fazer frente à COFINS cuja base de cálculo foi ampliada pela Lei 9.718/98 e adicionoua à base de cálculo do IRPJ, em atenção ao mandamento contido no art. 41, da Lei 8.981/95, mas a deduziu da base de cálculo da CSLL por falta de disposição legal que o determinasse, o que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração. Nesse contexto, no mérito, quanto à caracterização dos tributos com exigibilidade suspensa como provisões contábeis, sob o fundamento de que existe uma "situação de incerteza e de solução indefinida" da obrigação tributária, afirmou que o entendimento é equivocado. Argumentou que no caso não existe provisão, já que esta se caracteriza por uma "situação de incerteza e de solução indefinida" da obrigação tributária, mas trata de um passivo exigível, obrigação legal. Ressaltou que é possível realizar a dedução de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, bem como que o artigo 41, da Lei n° 8.981/95, que proíbe a dedução de tributo com exigibilidade suspensa, aplicase somente ao IRPJ, não estendendo seus efeitos à CSLL. Afirmou que também nesse ponto a decisão recorrida diverge da jurisprudência deste Conselho e trouxe como paradigma os acórdãos n° 110300.261 e 10709.534, assim ementados: “TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — DEDUTIBILIDADE. Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte temse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar — diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.282 4 As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL". (10300.261) “CSLL DISCUTIDA JUDICIALMENTE — NATUREZA DE CONTA PASSIVA. Não pode o fisco transformar uma conta de passivo real em conta de provisão, cujo conceito contábil não se amolda as obrigações decorrentes de lei, caso dos tributos, somente pelo fato de, momentaneamente, estar a exação com exigibilidade suspensa. Inaplicável, portanto, o inciso I do art. 13 da Lei 9.249/95 para fazer incidir o art. 2° da Lei 7.689/88. Também são dedutíveis os juros calculados sobre a conta passiva que registra CSLL discutida judicialmente." (107 09.534) Portanto, o Recorrente pretende a reforma do acórdão proferido para cancelamento do auto em razão da nulidade e, se esta não for reconhecida, para descaracterização dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 392 a 397 e destacou a distinção entre os conceitos de provisão e despesa, afirmando que a despesa representa o dispêndio realizado, o gasto consumado, enquanto a característica que determina uma provisão é a sua projeção para o futuro; é uma forma de retenção que visa atender despesas supervenientes. Sustentou que é evidente que um tributo cuja exigibilidade encontrase suspensa não representa um gasto atual e presente, mas sim um dispêndio provável, o qual permanecerá incerto enquanto o crédito estiver sendo discutido, isto porque, tributo com exigibilidade suspensa não é tributo pago. Por fim, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão em debate referese à análise da possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL de tributos com exigibilidade suspensa em razão da existência de depósito judicial. Para solucionar a questão em debate é necessário definir a natureza do depósito efetuado, ou seja, se este deve ser considerado como provisão contábil ou despesa dedutível. No caso, o tributo cuja dedutibilidade para fins do IRPJ e da CSLL está sendo questionada foi constituído através da DCTF, tornando obrigatório o recolhimento, isto porque, a ausência do recolhimento constituiria o contribuinte em mora. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.283 5 Assim, ao realizar o depósito judicial, o recorrente pretendeu suspender a exigência do crédito tributário, evitando a incidência de juros e multa de mora e “garantir” que o débito será pago em caso de seu futuro insucesso na ação judicial. Desta maneira, é possível afirmar que o recolhimento é uma obrigação certa, com valor e vencimento definidos. Por sua vez para que seja constituída uma provisão, a mesma deve ter incerto o valor ou o prazo em que será demandado o esforço financeiro para suportar a obrigação, conforme podemos ver a orientação contábil. Além disso, uma provisão deve ser reconhecida para proteção financeira dos administradores e acionistas, servindo para evitar surpresas futuras relacionadas a desembolsos não previstos, e neste caso em concreto, o desembolso financeiro já ocorreu. “DELIBERAÇÃO CVM Nº 489, DE 03/10/05 CPC 25 Provisões e outros passivos As provisões podem ser distinguidas de outros passivos, tais como contas a pagar a fornecedores e provisões derivadas de apropriações por competência, porque há incertezas sobre o tempo ou o valor dos desembolsos futuros exigidos na liquidação.” Ademais, se tais custos tributários não forem considerados como despesas dedutíveis, o resultado que serviria como base de cálculo dos tributos seria aumentada e haveria a situação de tributação sem que houvesse a disponibilidade financeira, pois o caixa foi reduzido para que pudesse ser feito o depósito judicial. No caso concreto, o valor do débito tributário não pode ser considerado como uma provisão, pois nenhuma das situações para classificálo como provisão foi atendida, haja vista que o valor não é incerto por ter sido confessado pelo próprio contribuinte através da DCTF e o esforço financeiro para suportar a obrigação também já ocorreu no momento do depósito judicial. “DELIBERAÇÃO CVM Nº 489, DE 03/10/05 CPC 25 Contingências ativas 33. Os ativos contingentes não são reconhecidos nas demonstrações contábeis, uma vez que pode tratarse de resultado que nunca venha a ser realizado. Porém, quando a realização do ganho é praticamente certa, então o ativo relacionado não é um ativo contingente e o seu reconhecimento é adequado. 34. O ativo contingente é divulgado, como exigido pelo item 89, quando for provável a entrada de benefícios econômicos. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.284 6 35. Os ativos contingentes são avaliados periodicamente para garantir que os desenvolvimentos sejam apropriadamente refletidos nas demonstrações contábeis.” Se for praticamente certo que ocorrerá uma entrada de benefícios econômicos, o ativo e o correspondente ganho são reconhecidos nas demonstrações contábeis do período em que ocorrer a mudança de estimativa. Se a entrada de benefícios econômicos se tornar provável, a entidade divulga o ativo contingente. Por ter sido efetuado o depósito judicial, podemos classificar esta disputa como sendo uma contingência ativa e não uma contingência passiva a ser revertida, pois o passivo declarado é uma obrigação legal e não uma provisão ou uma contingência passiva. Tanto isso é verdade que se o contribuinte perder a disputa judicial nada mais precisará ser feito, pois o desembolso financeiro já foi feito, e, em caso de êxito no processo judicial, a empresa resgatará o valor do depósito judicial efetuado, momento em que deverá oferecer este ganho à tributação. Vale ressaltar que o raciocínio desenvolvido acima é válido apenas para situações que envolvem tributo com exigibilidade suspensa em razão da existência de depósito judicial e não alcança as demais hipóteses previstas no artigo 151 do CTN. Por todo o exposto e tendo em vista que no caso em análise não estão presentes as características de uma provisão, quais sejam: incertezas sobre o tempo ou o valor dos desembolsos futuros, entendo correta a dedução do valor do tributo depositado da base de cálculo da CSLL. Assim, dou provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator Designado. O I. Conselheiro definiu com precisão a matéria objeto do presente recurso, a seguir transcrita: A questão em debate referese à análise da possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL de tributos com exigibilidade suspensa em razão da existência de depósito judicial. Em que pese o entendimento do I. Conselheiro, ouso divergir quanto à parcela da COFINS, com depósito judicial efetuado nos autos do mandado de segurança n° Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.285 7 99.00140404, não adicionada à base de cálculo da CSLL, cuja exigibilidade encontrase suspensa conforme o disposto no CTN, art. 151, II. Os fundamento legais para a proibição da referida dedução consta do artigo 41, parágrafo único, e do art. 57, da Lei n° 8.981, de 1995, verbis: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuicões cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. (...) Art. 57. Aplicamse à Contribuicão Social sobre o Lucro (Lei no 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuracão e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei no 9.065, de 1995) Os referidos dispositivos legais não atribuem aos depósitos judiciais a natureza de provisão, mas proíbem a dedução da despesa incorrida durante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Conforme a doutrina de Edmar Oliveira de Andrade Filho (in Imposto de Renda das Empresas, 10 ed, São Paulo, Atlas, 2013, pp. 377 a 378): (...) Ademais, a lei vigente (Lei n° 8.981/95), ao contrário do que fazia a anterior (Lei n° 8.241/92), não equipara o valor do tributo contestado a uma provisão; a lei em vigor diz que a dedução não pode ser feita apenas no período em que houver a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nas hipóteses da exigibilidade dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. A proibição de dedução, no citado período, incide sobre despesa incorrida e não sobre mera provisão; a despesa incorrida, neste caso, não é imediatamente dedutível; é necessário que a suspensão da exigibilidade deixe de existir. Assim, uma vez ultrapassado este período – da suspensão da exigibilidade – ou determinada a suspensão por outro motivo que não os constantes dos incisos II a IV do artigo 151, os valores imputados ao resultado são dedutíveis sem que o sujeito passivo deva aguardar o término do processo judicial. Portanto, durante o período de suspensão, a parcela da COFINS não pode ser deduzida da base de cálculo da CSLL. Razão pela qual nego provimento ao presente recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.001249/200511 Acórdão n.º 9101001.850 CSRFT1 Fl. 1.286 8 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 21/11/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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