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Numero do processo: 15586.720315/2016-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014
NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DA. MATÉRIA QUE NÃO PODE SER APRECIADA PELO CARF. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados sob o índice da Taxa Selic. Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 3302-005.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente))
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DA. MATÉRIA QUE NÃO PODE SER APRECIADA PELO CARF. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados sob o índice da Taxa Selic. Súmula CARF nº 4.
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NÃO COMPROVAÇÃO. Não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DA. MATÉRIA QUE NÃO PODE SER APRECIADA PELO CARF. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados sob o índice da Taxa Selic. Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente)) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 03 15 /2 01 6- 86 Fl. 446DF CARF MF Processo nº 15586.720315/201686 Acórdão n.º 3302005.684 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o Pasep, no período de junho de 2011 a dezembro de 2012, exigindoselhe contribuição no valor de R$ 1.759.769,48, multa de R$ 1.319.827,04 e juros de R$ 745.589,83, perfazendo o total de R$ 3.825.186,35, conforme auto de infração de fls. 2/8. O enquadramento legal encontrase à fl. 3. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 10/16, foram apuradas diferenças, para o período acima, entre os valores declarados e pagos do Pasep e aqueles apurados pela fiscalização e demonstrados nas planilhas de fls. 17/18. Por entender que a infração apurada constitui crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 1º, da Lei nº 8.137, de 1990, a fiscalização também encaminhou a Representação Fiscal para Fins Penais para o Ministério Público. Cientificada do auto de infração, a interessada apresentou impugnação, às fls. 326/336, alegando, preliminarmente, em resumo, que o lançamento seria nulo porquanto o auto contestado apresenta descrição genérica da infração e que não estão presentes todos os elementos indispensáveis ao lançamento, o que impossibilitaria o exercício do direito de defesa. Ainda em preliminar alega que o lançamento descumpre os princípios constitucionais da autonomia do ente federado, da legalidade, do não confisco e do direito de propriedade. Quanto ao mérito, alega que não foram solicitados pelo Fisco cópia dos documentos contábeis de pagamento da contribuição. Argúi que procedeu ao recolhimento de forma correta, apresentando toda a documentação referente aos exercícios questionados, bem assim a tabela de valores arrecadados e recolhidos. Requer ainda que seja explicado de onde foram retirados os dados utilizados pela fiscalização para a elaboração da base de cálculo do Pasep, visto que procedeu a todos os recolhimentos, conforme documentos que anexa, frisando que o fiscal não solicitou ao contribuinte as informações processuais anexadas Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15586.720315/201686 Acórdão n.º 3302005.684 S3C3T2 Fl. 4 3 que serviram para elaborar as planilhas com as diferenças apuradas. Em relação ao lançamento da multa e juros, alega que tal imposição adquire conotação de confisco, contrariando o art. 146 da Constituição Federal. Assim, requer exclusão da cobrança de juros e multa ou que seja determinada a quantia razoável a título de multa. Quanto aos juros, argumenta que sua cobrança contraria o art. 192, § 3º, da Constituição, que os limita em 12% ao ano. Reclama também do anatocismo no cálculo dos juros, o que caracterizaria a usura, que é vedada pelos nossos tribunais. O Acórdão 1463.307, da 4ª Turma da DRJ/RPO, Sessão de 25 de outubro de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, recebendo a seguinte ementa (efl. 379): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2012 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o contribuinte demonstra compreender as infrações apuradas e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 15586.720315/201686 Acórdão n.º 3302005.684 S3C3T2 Fl. 5 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. À efl. 393 há um Termo de Perempção, uma vez ter sido o contribuinte devidamente notificado da decisão do acórdão da DRJ, sem, contudo, interpor o Recurso Voluntário ou mesmo quitar de forma amigável os valores lançados. Seguiramse dessa forma as tentativas de cobrança dos valores apontados como devidos, com o envio de cartas com a descrição dos valores e a informação de que a falta de pagamento ocasionaria a inscrição em divida ativa e cobrança judicial. Em 17/02/2017, foi encartado aos autos um termo de análise de solicitação de juntada, registrada na data de 15/12/2016, cujo o documento do qual se solicitava a juntada tratavase do recurso voluntário interposto pelo município recorrente (efls. 403 e segs.). Conforme podemos observar dos documentos acima mencionados, o recorrente de forma equivocada fez constar número de processo diverso do que aqui se analisa, equivoco esse cometido também quando da feitura do termo de análise de solicitação de juntada. Não obstante a situação acima descrita, a peça recursal faz menção aos fatos discutidos nos presentes autos, indicando, agora de forma correta, o número do AI do qual se defende, e repisando todas as alegações que compuseram a manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso de voluntário trata de matéria da competência deste Conselho, é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, por tais razões deles tomo conhecimento. Não havendo matérias relacionadas a preliminares no Recurso Voluntário interposto pela recorrente, passase à análise do mérito. I Preliminar Nulidade do auto de Infração Segundo as alegações do município recorrente o auto de infração estaria eivado de vício que lhe causaria a nulidade, pois apresentaria de forma genérica a descrição da infração, além de não contar com elementos necessários e essenciais do lançamento. Entretanto, não assiste razão ás alegações do recorrente, uma vez que não restaram demonstrados de forma cabal os vícios que possivelmente levariam à nulidade do autos, esses trazidos de forma expressa pelo art. 59 do Decreto 70.235/72. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 15586.720315/201686 Acórdão n.º 3302005.684 S3C3T2 Fl. 6 5 Temos ainda que, referida nulidade é totalmente afastada na medida em que o recorrente defendese de todas as imposições trazidas pelo auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à sua defesa II Do Mérito No que tange ao questionamento dos valores levantados pela fiscalização, convém ressaltar que, para tanto foram utilizadas planilhas explicativas, onde podemos observar as bases de cálculo utilizadas, as exclusões determinadas por lei, inclusive a exclusão dos valores recolhidos a menor por parte do contribuinte. Esclarecese ainda, que mesmo os documentos trazidos a destempo que demonstram o pagamento da contribuição por parte do contribuinte recorrente, já haviam sido considerados pela fiscalização, conforme se verifica das planilhas de efls. 17/18. Em seu recurso voluntário, onde se repisa todos os argumentos trazidos em impugnação, aponta o recorrente a suposta afronta a princípios constitucionais como da autonomia do ente federado, da legalidade, do não confisco e ofensa ao direito de propriedade, e a suposta ocorrência de anatocismo. Pois bem. Preliminarmente, quanto à alegação de que a multa possui caráter confiscatório, impende ressaltar que o princípio do nãoconfisco, estabelecido na Constituição Federal, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além do mais, a multa imposta, independente do seu quantum, decorre de lei e deve ser aplicada pela autoridade tributária sempre que for identificada a subsunção da conduta à norma punitiva, haja vista o disposto no art. 142, § único, do CTN: Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, tendo em vista que multa imposta decorre de lei, a qual deve ser compulsoriamente aplicada, sob pena de responsabilidade funcional, não cabe à fiscalização e nem a este Conselheiro afastar a sua aplicação sob o argumento que estaria ofendendo os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade. Ademais, a arguição de inconstitucionalidade das disposições legais e regulamentares não se presta na esfera administrativa, cabendo ao judiciário dispor a respeito (vide art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972). No âmbito deste Conselho, a matéria foi objeto da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. O município recorrente também alegou que era indevida a cobrança de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, matéria há muito superada pela firme jurisprudência do STJ e do STF, em sede de julgamento, respectivamente, sob regime Fl. 450DF CARF MF Processo nº 15586.720315/201686 Acórdão n.º 3302005.684 S3C3T2 Fl. 7 6 dos recursos repetitivos e de repercussão geral, e sumulada por este Conselho, por meio da Súmula CARF nº 4, cujo enunciado segue transcrito: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, conforme apontado acima, as alegações trazidas pelo recorrente em suas peças de defesa não merecem prosperar. III Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, contudo, negandolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720057/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 57 /2 01 1- 11 Fl. 59266DF CARF MF Processo nº 10410.720057/201111 Acórdão n.º 3401004.975 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59267DF CARF MF Processo nº 10410.720057/201111 Acórdão n.º 3401004.975 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos Fl. 59268DF CARF MF Processo nº 10410.720057/201111 Acórdão n.º 3401004.975 S3C4T1 Fl. 5 4 PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Fl. 59269DF CARF MF Processo nº 10410.720057/201111 Acórdão n.º 3401004.975 S3C4T1 Fl. 6 5 Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas Fl. 59270DF CARF MF Processo nº 10410.720057/201111 Acórdão n.º 3401004.975 S3C4T1 Fl. 7 6 fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo Fl. 59271DF CARF MF Processo nº 10410.720057/201111 Acórdão n.º 3401004.975 S3C4T1 Fl. 8 7 contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59272DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004739/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que se verifique a ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, para se submeter à disposição do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
AQUISIÇÕES DE INSUMOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Os valores constantes de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato não podem servir de base para apuração de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa, principalmente se a suposta adquirente não comprova a efetividade das operações.
Numero da decisão: 3401-005.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Cássio Schappo, unicamente no que se refere à decadência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que se verifique a ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, para se submeter à disposição do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores constantes de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato não podem servir de base para apuração de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa, principalmente se a suposta adquirente não comprova a efetividade das operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Cássio Schappo, unicamente no que se refere à decadência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que se verifique a ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, para se submeter à disposição do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores constantes de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato não podem servir de base para apuração de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa, principalmente se a suposta adquirente não comprova a efetividade das operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Cássio Schappo, unicamente no que se refere à decadência. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 39 /2 00 9- 65 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 229 2 Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: 1. A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de auto de infração de COFINS relativa ao período de apuração de 29/02/2004 (auto de infração e respectivos demonstrativos de cálculo às fls. 128/132 a numeração indicada neste ato se refere a do processo digital). 2. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 124/127) que: segundo pesquisas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificouse que o principal fornecedor da fiscalizada INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA –ME, CNPJ 52.593.084/000118, encontrase com situação cadastral INAPTA, por ser considerada INEXISTENTE DE FATO, desde 01/01/2003. a citada empresa foi declarada INAPTA, por INEXISTENTE DE FATO, mediante a emissão do Ato Declaratório Executivo n° 25/2007 (Processo Administrativo Fiscal n° 15889.000341/200799), produzindo os efeitos a partir de 01/01/2003. com o intuito de verificar a efetiva realização da operação comercial/financeira, já que os valores das aquisições de matériasprimas são de grande monta e o fornecedor se enquadra como microempresa, solicitamos à fiscalizada que fornecesse o documentário fiscal de aquisições efetuadas junto à citada empresa, bem como os comprovantes de pagamentos. de posse do documentário fiscal, procedemos à análise dos mesmos e constatamos que as notas fiscais de venda não continham os dados relativos à empresa transportadora e ao Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 230 3 recebimento dos produtos. Essas notas fiscais, embora fossem de valores elevados, não foram pagas junto à rede bancária, mas mediante cheques pagos diretamente à empresa fornecedora, sendo esses procedimentos passíveis de irregularidades. diante disso, foram glosados os créditos da Cofins não cumulativa referentes às compras acima mencionadas. 3. As disposições legais e valores do crédito tributário constituído encontramse discriminados nos autos de infração mencionados acima. 4. Em 30/11/2009 foi emitido Termo de ReRatificação (fl. 122), para retificar a data do Termo de Encerramento anteriormente lavrado, para 30/11/2009, e ratificar os demais elementos e informações constantes dos Termos de Verificação Fiscal. Nessa data, também foi lavrado o auto de infração, bem como foi dada ciência deste ao contribuinte. 5. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 135/146, alegando, em síntese, o seguinte: por ser a Cofins sujeita ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, consoante determinado pelo artigo 150, § 4º, do CTN, quando ausente a demonstração de dolo, fraude e simulação. quando da ciência do auto de infração em comento, em 01/12/2009, já se encontrava decaído o direito de a Fazenda proceder à glosa dos créditos descontados da contribuição em pauta; por conseguinte, inexigíveis são as diferenças apuradas pela fiscalização relativamente ao primeiro trimestre de 2004, devendo ser declarado extinto pela decadência o débito tributário em apreço. a fornecedora somente fora declarada inapta em 2007, não devendo, desta forma, dar a essa declaração efeitos retroativos à data das operações realizadas entre essa fornecedora e a impugnante, com fito de desconsiderálas. desse modo, tendo em vista que na época das operações glosadas a referida empresa estava regularmente apta, não poderá a impugnante, que realizou a operação de boafé, ser responsabilizada, já que não cabe a esta o dever de fiscalização, atividade essa ínsita da administração pública, sendo, portanto, incabível a glosa dos valores oriundos de tais operações. deve ser considerada procedente a presente impugnação." (seleção e grifos nossos). 2. Em 08/03/2012, a 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1636.529, situado às fls. 176 a Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 231 4 186, de relatoria do AuditorFiscal Teresa Atsuko Yuasa, que entendeu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação em que se verifique a ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, para se submeter à disposição do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE DE FATO. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores constantes de notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato não podem servir de base para apuração de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa, principalmente se a suposta adquirente não comprova a efetividade das operações. 3. A contribuinte foi intimada mediante obtenção, a pedido, de cópia dos arquivos digitais da decisão em 21/08/2012, em conformidade com termo de entrega de documentos em meio digital situado à fl. 187, e, em 20/09/2012, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 195 a 208, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco,Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com as seguintes ressalvas. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 232 5 5. Reproduzimos, abaixo, voto proferido no acórdão objeto de recalcitrância por parte da ora recorrente quanto à alegação de decadência: "6. A interessada alega que teria ocorrido a decadência. 7. Sobre a matéria, convém assinalar que as contribuições sociais estavam sujeitas ao prazo estabelecido pelo art. 45 da Lei nº 8.212/1991. 8. Porém, em sessão realizada em 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no Diário da Justiça (DJ) e no Diário Oficial da União (DOU) em 20/06/2008 com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 9. A citada súmula é de observância obrigatória pela Administração Pública, de acordo com a Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103A da Constituição Federal, estabelecendo esta lei, em seu artigo 2º, o 10. Assim, tendo sido declarado inconstitucional, por meio de Súmula Vinculante, pelo STF, o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, deve ser observado, agora, pela Administração Pública, o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN) – Lei nº 5.172, de 25/10/1966. 11. Com o objetivo de disciplinar a matéria na esfera administrativa, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008 — aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008 —, no qual, além de apresentar orientações gerais a respeito da aplicação da Súmula nº 8, discorre acerca das várias formas de contagem dos prazos de decadência e prescrição previstos no referido Código, (...) Ressaltese que o citado Parecer possui força normativa, vinculando a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, conforme disposto no artigo 42 da Lei Complementar nº 73, de 10/02/1993 (...) Do exposto acima, concluise que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo pagamento, ainda que parcial, e não ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, devese aplicar o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, segundo o qual o prazo de decadência começa a fluir a partir da ocorrência do fato gerador 15. Por outro lado, inexistindo pagamento ou verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o disposto Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 233 6 no art. 173, I, do CTN, cujo início do prazo decadencial se dá no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado: (...) 16. Relativamente ao período de apuração de 29/02/2004, não houve recolhimento de Cofins, conforme mostra a pesquisa constante do arquivo “Documentos Comprobatórios –Outros – Pagamentos”. 17. Assim, deve ser aplicada a regra decadencial contida no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Uma vez que o lançamento poderia ser efetuado ainda em 2004, devese ter como termo inicial da contagem do prazo decadencial a data de 01/01/2005, com o seu término em 31/12/2009. 18. Destarte, concluise que na data em que a interessada tomou ciência do lançamento, em 30/11/2009 (fl. 131), ainda não havia decorrido o prazo qüinqüenal para o fisco constituir o lançamento" (seleção e grifos nossos). 6. Reproduzimos, abaixo, voto proferido no acórdão objeto de recalcitrância por parte da ora recorrente quanto à alegação de mérito: "22. Notese que, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 124/127), consignouse que: Com base nessa Relação de Matérias Primas Produtos de Embalagens Fornecedores, relativos às compras efetuadas nos anoscalendário de 2003 e 2004: constamos que os produtos de maior valor foram adquiridas do fornecedor INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ nº 52.593.084/000118— que, segundo pesquisas aos sistemas informatizados na SRF, verificouse que o referido fornecedor se encontra com situação cadastral perante a SRF como INAPTA, com motivo de situação cadastral INEXISTENTE DE FATO, desde 01/01/2003. A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA— ME — CNPJ n° 52.593.084/000118, foi declarada INAPTA, por INEXISTENTE DE FATO, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 25/2007, cujo procedimento consta nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 15889.000341/200799, de 28/08/2007, produzindo os efeitos a partir de 01/01/2003. – g.n. 23. Carece de veracidade a assertiva da impugnante de que a empresa fornecedora teria sido considerada inapta somente em 2007. De acordo com o texto acima reproduzido, cujo teor goza de fé pública, a consulta realizada pela autoridade lançadora nos sistemas informatizados da então Secretaria da Receita Federal indicou que a empresa Indústria e Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 234 7 Comércio de Bebidas Nuvem de Prata Ltda –ME foi declarada como inapta em 01/01/2003, por ser considerada inexistente de fato. 24. Esclareçase que, uma vez detectada irregularidade que possa implicar a baixa da inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), há a necessidade de se instaurar procedimento administrativo, como foi o caso da formalização do Processo n° 15889.000341/200799. Tal procedimento resultou na emissão do Ato Declaratório Executivo n° 25/2007, o qual corroborou a informação já constante no banco de dados desta secretaria, de que se tratava de sociedade que existia apenas formalmente, mas não de fato. 25. Conquanto referido ato declaratório tenha sido emitido somente em 2007, este produziu efeitos desde o momento em que a empresa foi considerada inapta por ser inexistente de fato, ou seja, a partir de 01/01/2003, conforme consulta às informações cadastrais processadas nos sistemas informatizados da Receita Federal, feita pela autoridade lançadora. 26. Nesse diapasão, há de se consignar que, de acordo com o art. 82 da Lei 9.430/1996, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral da Pessoa Jurídica tenha sido considerada inapta é incapaz de produzir efeitos tributários. 27. A IN SRF 200/2002, vigente à época em que a referida sociedade foi considerada inapta, disciplinou a matéria da seguinte forma: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas nos itens 1 e 3 da alínea "c" do inciso I do art. 48, por cinco ou mais exercícios consecutivos e, intimada, não regularizou sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; III inexistente de fato; IV pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (...) Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 235 8 documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação, formulada por AFRF, consubstanciado com elementos que evidenciem qualquer das situações referidas neste artigo. Art. 38. O Delegado da Receita Federal, Delegado da Receita Federal de Administração Tributária, Delegado da Delegacia Especial de Instituições Financeiras, Inspetor da Receita Federal (IRF) classes Especial "A" e "B" e classe "A", com jurisdição sobre o domicílio fiscal da pessoa jurídica, acatando a representação referida no parágrafo único do art. 37, intimará a pessoa jurídica a, no prazo de trinta dias, regularizar sua situação perante o CNPJ ou contrapor as razões da representação. Art. 39. Na falta de atendimento à intimação referida no art. 38 ou quando não acatadas as contraposições apresentadas, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica será declarada inapta por ato do respectivo titular da DRF, Derat, Deinf ou da IRF, no qual serão indicados o nome empresarial e respectivo número de inscrição da pessoa jurídica. (...) Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1o Os valores constantes do documento de que trata este artigo não poderão ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas; III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa ao tributos e contribuições administrados pela SRF. § 2o Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou jurídica beneficiária do documento. (...) § 5o O disposto no § 1o não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 236 9 mercadorias ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6o A pessoa jurídica que não efetuar a comprovação de que trata o § 5o deste artigo sujeitarseá ao pagamento do imposto de renda na fonte na forma do art. 61 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago, constante dos documentos. – g.n. 28. O § 1o do art. 43 da IN SRF 200/2002 estabelece que os valores constantes de documento de sociedade inapta não poderão ser utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa ao tributos e contribuições administrados pela Fazenda Pública. 29. Cabe ressaltar que a IN RFB 1.183/2011, que atualmente se encontra em vigor, traz o seguinte enunciado: Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; g.n. 30. Notese ainda que a fiscalização constatou algumas evidências que reforçam a tese de ineficácia jurídica das operações consignadas nas notas fiscais, como o fato de esses documentos não conterem a indicação do recebimento dos produtos; além disso, os pagamentos, apesar de serem de elevada monta, não foram feitos junto à rede bancária, mas mediante cheques pagos diretamente à empresa fornecedora. 31. Tais fatos convergiram ao entendimento de que as notas fiscais emitidas pela empresa Indústria e Comércio de Bebidas Nuvem de Prata Ltda –ME (sociedade inexistente de fato) objetivaram dar contornos de legalidade às supostas "aquisições de produtos”, com o intuito de gerar créditos a serem utilizados para dedução da contribuição devida. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 237 10 32. Importante reconhecer, no entanto, que é possível desconstituir o lançamento fiscal se o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços, comprovar o efetivo recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, consoante preconiza o § 5º acima transcrito. 33. Acrescentese que, a teor das normas da legislação tributária federal, a escrituração contábil somente constitui prova a favor do contribuinte quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma inequívoca os fatos registrados. Cabe ao contribuinte, portanto, manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações que alteraram sua situação patrimonial. (...) 35. Assim, considerandose que as aquisições podem gerar créditos passíveis de desconto da contribuição devida, é ônus da contribuinte provar a efetividade dessas operações. 36. Todavia, na presente situação, a interessada não carreou aos autos as provas materiais necessárias para demonstrar a efetiva entrada dos produtos discriminados nas notas fiscais emitidas pela Indústria e Comércio de Bebidas Nuvem de Prata Ltda – ME, tendo se cingido a alegar que, à época das operações em tela, essa empresa estava regularmente apta, o que, como já se demonstrou, não é correto. 37. Destarte, como tais compras de matériasprimas não estão lastreadas por documentos hábeis e idôneos, cabe a glosa dos créditos correspondentes. 38. Devese, portanto, manter integralmente a exigência fiscal" (seleção e grifos nossos). 7. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.004739/200965 Acórdão n.º 3401005.040 S3C4T1 Fl. 238 11 § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 8. Com base nesses fundamentos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660465/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 65 /2 01 2- 51 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660465/201251 Acórdão n.º 3401004.866 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660465/201251 Acórdão n.º 3401004.866 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660465/201251 Acórdão n.º 3401004.866 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660465/201251 Acórdão n.º 3401004.866 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660465/201251 Acórdão n.º 3401004.866 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660465/201251 Acórdão n.º 3401004.866 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721705/2011-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
RECEITA DA VENDA DE AÇÕES DECORRENTES DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. INCIDÊNCIA.
O relevante para as normas de incidência do PIS/PASEP é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreende-se que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência do PIS/PASEP como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmou-se, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessa contribuição social, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
RECEITA DA VENDA DE AÇÕES DECORRENTES DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. INCIDÊNCIA.
O relevante para as normas de incidência da COFINS é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreende-se que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência da COFINS como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmou-se, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessa contribuição social, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9101-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 RECEITA DA VENDA DE AÇÕES DECORRENTES DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. INCIDÊNCIA. O relevante para as normas de incidência do PIS/PASEP é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreende-se que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência do PIS/PASEP como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmou-se, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessa contribuição social, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 RECEITA DA VENDA DE AÇÕES DECORRENTES DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. INCIDÊNCIA. O relevante para as normas de incidência da COFINS é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreende-se que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência da COFINS como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmou-se, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessa contribuição social, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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INCIDÊNCIA. O relevante para as normas de incidência do PIS/PASEP é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreendese que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência do PIS/PASEP como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmouse, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessa contribuição social, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 RECEITA DA VENDA DE AÇÕES DECORRENTES DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. INCIDÊNCIA. O relevante para as normas de incidência da COFINS é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreendese que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência da COFINS como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmouse, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 05 /2 01 1- 82 Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.898 2 dessa contribuição social, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1102001.221 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em que figura como interessado TOV CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). Vale observar que o processo foi distribuído originalmente à 3a Seção, que declinou de sua competência para a 1a Seção quando do julgamento do recurso voluntário, por se tratar de auto de infração reflexo do lançamento de IRPJ e CSLL no processo administrativo n. 16327.721704/201138. A aludida decisão restou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. Quando a decisão a ser proferida no processo principal venha a ter reflexo diretamente em processo submetido à apreciação de outra Turma, este deve ser àquela Turma remetido, evitandose, assim, decisões contraditórias entre as Turmas. Recurso Voluntário Não Conhecido Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.899 3 Por sua vez, o acórdão recorrido, proferido pela Turma a quo (2a Turma Ordinária, 1a Câmara, 1a Seção), rejeitou a preliminar de nulidade e deu provimento ao recurso voluntário, restando assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. ALIENAÇAÕ DAS AÇÕES RECEBIDAS. Apesar de o recebimento de ações em troca de títulos patrimoniais nos processos de desmutualização ter denotado devolução do patrimônio das associacõ̧es civis representativas das antigas bolsas, configurando ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL, a alienaçaõ posterior dessas acõ̧es não caracteriza operacã̧o de conta própria por não possuir a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pelas sociedades corretoras de valores. Por isso, não configura receita tributável no âmbito do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS. ALIENAÇAÕ DAS AÇÕES RECEBIDAS. Apesar de o recebimento de ações em troca de títulos patrimoniais nos processos de desmutualização ter denotado devolução do patrimônio das associacõ̧es civis representativas das antigas bolsas, configurando ganho de capital tributável pelo IRPJ e pela CSLL, a alienaçaõ posterior dessas acõ̧es não caracteriza operacã̧o de conta própria por não possuir a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pelas sociedades corretoras de valores. Por isso, não configura receita tributável no âmbito do PIS. Recurso Voluntário Provido A PFN interpôs, então, recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo quanto à incidência de PIS e de COFINS sobre as receitas auferidas na venda de ações recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualizaçaõ” das bolsas de valores (efls. 2774 e seg.). O referido recurso foi admitido por despacho (efls. 2805 e seg.) O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, nas quais apresenta fundamentação para o seguinte pedido (efls. 2814 e seg.): Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.900 4 O processo foi encaminhado para julgamento pela 3a Turma da CSRF (3a Seção), a qual também declinou de sua competência em benefício desta 1a Turma da CSRF (1a Seção). O acórdão n. 9303004.226 restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECEITAS DE ALIENAÇÕES DE AÇÕES. LANÇAMENTO DE IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015, a competência para julgamento de recurso especial contra decisões proferidas pelos colegiados do CARF relativas a tributação reflexa às infrações à legislação do Imposto de Renda é da Primeira Turma da CSRF. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. Acolho, portanto, os mesmos fundamentos do referido despacho para conhecer o recurso interposto. Adentrando no mérito, compreendo que o acórdão recorrido não merece reparos, razão pela qual adoto os seus fundamentos como razão de decidir: “Assim, a controvérsia reside em verificar se era necessária a classificação das ações no ativo circulante e, mesmo que isso fosse necessário, se está correto o enquadramento dos valores auferidos nas operações de alienação nos conceitos de faturamento/receita bruta. Como se viu na transcrição do voto proferido no outro processo, na desmutualização, ocorreu uma dissolução parcial das associações civis representativas das antigas bolsas de valores, com devolução aos associados de suas parcelas do patrimônio na forma de ações das sociedades anônimas representativas das novas bolsas de valores. Portanto, as ações recebidas constituíam participações em outras sociedades (as novas bolsas). Tinham, pois, natureza de investimentos e, como tais, poderiam ser contabilizados no ativo circulante ou permanente, dependendo da intenção de negociação, se imediata ou não, respectivamente. Como, de fato, havia o compromisso de negociar as ações, em sintonia com as normas de caráter contábil (Ofício Circular no 225/07) e societário (artigo 179 da Lei das S.A.), elas talvez devessem ter sido classificadas no ativo circulante. Ainda assim, há que se investigar se as operações de alienação das ações se enquadravam efetivamente nos conceitos de faturamento/receita bruta previstos na Lei no 9.718/98. O conteúdo desses conceitos não se encontra na própria lei. Sua tentativa de definir o conceito de receita bruta (e por via transversa o faturamento) no § 1o do artigo 3o, o qual sugeria que a receita bruta é “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”, como acima dissemos, foi declarada inconstitucional pelo STF. É que a Constituição, na redação original do seu artigo 195, I, dizia que a competência para a instituição Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.901 5 das contribuições para a seguridade social deveria tomar como base, além da folha de salários e do lucro, o faturamento. E a ideia corrente de faturamento coincidia com a de receita bruta insculpida na legislação do imposto de renda, mais precisamente, no artigo 12 do DecretoLei no 1.598/77 (em sua redação original anterior à alteração promovida pela Lei no 12.973/14 para os fatos geradores que ocorrerem a partir de 2015), qual seja, “compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados”. Ou seja, a lei pretendia estender o conceito às receitas não operacionais. Assim, para o presente caso, importa verificar se as operações de alienação das ações configuram operações de conta própria. A meu ver, não se pode considerar que as ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais possuíam a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pela recorrente. É certo que, conforme indica seu objeto social, a compra e venda de títulos e valores mobiliários pode se dar por conta própria ou de terceiros. Contudo, mesmo os comprados por conta própria, para futura negociação, são adquiridos em condições normais de mercado, dentro do espírito especulativo que envolve as transações cotidianas de compra e venda nas bolsas de valores. Esses, sim, caracterizam operações de conta própria das sociedades corretoras de valores. Por outro lado, as ações recebidas nos processos de desmutualização possuem uma conotação diferente. De certa forma, tem razão a recorrente quando alega que as ações foram recebidas e não adquiridas. Por isso, não se reveste daquela condição normal de mercado que caracteriza as operações de conta própria. (...)” Voto, assim, para CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.902 6 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Com as vênias de estilo ao ilustre relator, Luís Flávio Neto, seguem as razões por que dele divirjo. Antes, porém, é preciso relembrar os fatos da causa, devidamente retratados, em boa síntese, no relatório da decisão recorrida: " Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.333 a 2.363), trata se de auto de infração reflexo do lançamento de IRPJ e CSLL (processo administrativo nº 16327.721704/201138). O AuditorFiscal inicia relatando como ocorreram os processos de desmutualização da Bovespa (em 28 de agosto de 2007) e da BM&F (1º de outubro de 2007), explicando que tiveram como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social das então associações para entidades organizadas sob a forma de sociedades por ações. O acesso das sociedades corretoras aos sistemas de negociação da bolsa, bem como o acesso dos agentes de compensação e liquidação aos sistemas administrados pela CBLC, passou a decorrer de relação contratual desvinculada da participação societária (relação mutual). No caso da Bovespa, houve a sua cisão parcial (permanecendo 0,03% do patrimônio na associação) e incorporação do patrimônio cindido na Bolsa de Valores de São Paulo S/A (BVSP) e na Bovespa Holding S/A. Em seguida, a Bovespa Holding incorporou as ações da BVSP, tornandose controladora de 100% do seu capital. Cada associado recebeu, pela incorporação da parcela cindida da associação, 570.535 ações da Bovespa Holding por título patrimonial, e, pela incorporação de ações da BVSP pela Holding, mais 136.227 ações, totalizando, assim, 706.762 ações da Bovespa Holding por cada um dos 758 títulos patrimoniais que compunham o patrimônio da Bovespa. O valor patrimonial unitário das ações de emissão da Bovespa Holding em 28.08.2007, para fins de registro contábil, foi determinado em, aproximadamente, R$ 2,22, totalizando R$ 1.568.803,71, permanecendo um valor residual de R$ 8,46 para cada título, que permaneceu no ativo permanente, tudo conforme o Ofício Circular Bovespa nº 225, de 18.09.2007. Após a desmutualização, a partir de 26.10.2007, foi iniciada a Oferta Pública Inicial de 250.492.283 ações de emissão da Bovespa Holding, pelo preço unitário de R$ 23,00, acrescida de um lote suplementar de 37.573.842 ações, resultando numa distribuição total 288.066.125 ações. A desmutualização da BM&F consistiu na cisão parcial da associação e incorporação da parcela cindida pela companhia aberta Bolsa de Mercadorias e Futuros – BM&F S/A, que assumiu as atividades comerciais da associação, permanecendo nesta apenas as atividades educacionais, assistenciais e esportivas. Na data da desmutualização havia: 83 títulos de Membro de Compensação, com valor patrimonial por título de R$ 4.961.610,00, correspondendo a 4.961.610 ações por título; 81 títulos de Corretora de Mercadorias, com valor patrimonial por título de R$ 4.898.015,00, correspondendo a 4.898.015 ações por título; 67 títulos de Operador Especial, com valor patrimonial por título de R$ 1.335.141,00, Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.903 7 correspondendo a 1.335.141 ações por título; 387 títulos de Sócio Efetivo, com valor patrimonial por título de R$ 10.000,00, correspondendo a 10.000 ações por título. Após a desmutualização, em 15.11.2007, houve a primeira venda de ações de emissão da BM&F S/A, correspondendo a 10% do total de ações, conforme compromisso dos acionistas vendedores. A partir de 29.11.2007 foi iniciada a Oferta Pública Inicial das demais ações, pelo preço unitário de R$ 20,00, sendo 260.160.736 ações no lote principal e 39.024.110 no lote suplementar. O AuditorFiscal descreve os instrumentos subscritos pela TOV, a fim de participar das ofertas públicas iniciais das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A: Procuração para a Bovespa Holding praticar os atos necessários à obtenção do registro do IPO, de 27.09.2007; Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças, entre a TOV e a Bovespa Holding, de 27.09.2007; Anexo II – B – Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Jurídica), e Anexo IV – B – Contrato de Indenização e Outras Avenças (Pessoa Jurídica), subscritos pela TOV e pela BM&F S/A em 1º.11.2007. O autuante elaborou os seguintes quadros, especificando as alienações das ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A: Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.904 8 No que se refere às 1ª, 3ª e 4ª alienações, os ganhos obtidos não foram contabilizados no resultado da TOV, e portanto não foram oferecidos à tributação do PIS e da COFINS, sendo contabilizados na pessoa jurídica como obrigações relativas a reduções do capital social, cujas quotas seriam resgatadas mediante a entrega daquelas ações ao sócio beneficiário. O autuante afirma, no entanto, que os ganhos obtidos pertencem à TOV, conforme razões expostas no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL (processo nº 16327.721704/201138), de forma que são tributáveis na pessoa jurídica, e não na pessoa física. A 2ª alienação, de 489.802 ações da BM&F S/A, foi realizada para uma investidora especial, um fundo de investimento integrante do grupo Private Equity General Atlantic, por meio de contrato denominado “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S/A e Outorga de Poderes”, subscrito pela TOV no dia 1º de novembro de 2007. Neste caso, o ganho foi contabilizado no resultado da TOV, porém não foi oferecido à tributação do PIS e da COFINS. Registra a autoridade fiscal que os ganhos obtidos na alienação de ações de emissão da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, nos respectivos IPO’s, foram reclassificadas da pessoa física para a pessoa jurídica, conforme consta no processo nº 16327.721704/201138, relativo ao IRPJ e à CSLL. Afirma que a atividade principal ou acessória das instituições financeiras, e por isso a caracterização do seu faturamento ou receita bruta, está definida no artigo 17 da Lei nº 4.595/64 como sendo “a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros”. No caso das sociedades corretoras, o artigo 2º do Regulamento Anexo à Resolução CMN nº 1.655/1989 define que o seu objeto social, entre outras atividades, abrange a compra e venda de títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, o que também consta como objeto social da TOV, conforme a cláusula segunda do seu contrato social, como disposto na 60ª Alteração Contratual, de 30.06.2007. Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.905 9 Conclui o autuante que as operações com títulos e valores mobiliários (como é o caso das ações) são típicas da atividade empresarial da autuada, e por isso os ganhos obtidos devem ser incluídos na receita bruta, e consequentemente na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme artigos 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º daLei nº 9.718/98. A própria Bovespa, no Ofício Circular nº 225/2007, recomendou às associadas a contabilização das ações recebidas de emissão da Bovespa Holding S/A no ativo circulante, caso a decisão fosse a de considerálas como “títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou no ativo permanente, se a decisão fosse a de considerálas como investimento. Dessa forma, a contabilização correta para as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, que estavam comprometidas com os respectivos IPO’s, era no ativo circulante, em subconta específica de Títulos de Renda Variável, até a alienação, e a receita obtida deveria ser contabilizada no resultado em subconta específica Rendas de Títulos de Renda Variável, conforme as Normas Básicas do Cosif. A TOV subscreveu, logo após o recebimento das ações, vários documentos com o objetivo de alienálas, demonstrando que era essa a sua real intenção, ou seja, as ações recebidas deveriam ser classificadas no ativo circulante. O fato de todas as ações alienadas em 2007 terem sido recebidas cerca de dois meses antes da alienação demonstra que não havia a intenção de permanência que justificasse a contabilização no ativo permanente, e, consequentemente, a receita da alienação como não operacional. Os ganhos obtidos na venda das ações nos IPO’s foram considerados como tendo sido auferidos pelo sócio, conforme anteriormente exposto, enquanto que aqueles auferidos na venda das ações da BM&F S/A para o investidor institucional foram contabilizados indevidamente na conta de resultado “Lucros em Trans. C/Vals. e Bens – Lucro na Alienação de Invest.”, conta esta que trata da contabilização de receitas não operacionais na alienação de investimentos registrados no ativo permanente caracterizados pela intenção de permanência. Por isso, não sofreram tributação pelo PIS e pela COFINS. Ressalta o AuditorFiscal que a Instrução Normativa SRF nº 247/2002 contém planilha de cálculo das contribuições em comento, incluindo, entre as contas tributáveis, a de “Rendas de Títulos de Renda Variável”. Conclui que os ganhos obtidos nas alienações em 2007 compõem a receita bruta ou faturamento da TOV, sujeitos à incidência do PIS e da COFINS. O autuante relata ainda que a TOV impetrou mandados de segurança que contestam a incidência da COFINS (MS nº 002027314.2000.4.03.6100) e do PIS (MS nº 2006.38.10.0038036) com base na Lei nº 9.718/98, obtendo sentenças no sentido de não ser compelida ao pagamento do PIS e da COFINS nos moldes do §1º, artigo 3º da Lei nº 9.718/98, e ambas as ações encontravamse, na época da lavratura dos autos de infração, pendentes de julgamento em segunda instância. Tais decisões, ao seu ver, não repercutem no lançamento do PIS e da COFINS, já que as contribuições foram calculadas sobre a receita bruta como definida nos artigos 2º e 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei nº 9.718/98. Observa que o STF julgou inconstitucional apenas o §1º do artigo 3º daquela lei, e que o entendimento daquela Corte é o de que o faturamento é o resultado econômico das operações Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.906 10 empresariais típicas, como é o caso da receitas da venda das ações pelas sociedades corretoras. Cita o agente fiscal, também, o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, que esposa o entendimento de que as atividades do setor financeiro e de seguros podem ser classificadas como serviços para fins tributários, sujeitandose à incidência do PIS e da COFINS. Também faz referência a decisões recentes dos nossos Tribunais em que ficou assentado o entendimento de que o faturamento das instituições financeiras abrange as receitas financeiras, posto que advindas das suas atividades econômicas típicas. Por todos os motivos expostos, foi realizado o lançamento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme tabela abaixo: Assim expostos os fatos, é preciso ter em conta que, de acordo com a Fiscalização, a recorrida subscreveu ações de sociedades anônimas mediante recursos provenientes da devolução do patrimônio de instituições isentas. A recorrida pondera que não houve extinção de associações com devolução de capital à associada e, sim, cisão de associações sem fins lucrativos, cujos patrimônios foram vertidos para sociedades resultantes da cisão. Em primeiro lugar, não se pode admitir a tese defensiva que sustenta a realização de cisão com a versão de parte do patrimônio das associações para sociedades anônima. Registrese que, nos termos do artigo 53 do vigente Código Civil, "constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos". Essa redação mereceu a crítica que deu lugar ao Enunciado nº 534 do Conselho da Justiça Federal, segundo o qual "as associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa." Vale considerar que a finalidade institucional, sempre de índole não lucrativa, justifica os benefícios e as vantagens que acabam redundando em aumento do patrimônio das associações. Como é cediço, certos propósitos associativos mobilizam o Poder Público e particulares a conceder benesses, regalias e privilégios como forma de estímulo ou apoio à consecução dos fins que motivaram a constituição das associações. Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.907 11 O Direito não admite a distribuição do patrimônio da associação aos associados, já que as contribuições destes, bem como os benefícios e as vantagens proporcionados por terceiros, inclusive pelo Poder Público, objetivam, em última instância, a realização dos fins almejados pela associação. Coerentemente com tal concepção, o artigo 61, caput, do Código Civil de 2002 prevê que, "em caso de dissolução da associação, o remanescente do patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do patrimônio relativas aos associados contribuintes, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." Percebase também que a lei de modo algum autoriza a destinação do remanescente do patrimônio líquido para entidade que não tenha fins idênticos ou semelhantes ao da associação dissolvida. Em consonância com o artigo 61, § 2º, do Código Civil/2002, caso inexista no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição com fins idênticos ou semelhantes, o que remanescer de seu patrimônio deverá ser transferido à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. À vista do regramento civil das associações, é inquestionável a proibição da versão do patrimônio de uma associação para uma sociedade anônima. Também é inquestionável que as associações não se sujeitam à cisão, instituto do Direito específico das sociedades. Para tal conclusão, basta rememorar que o Livro II do Código Civil/2002 cuida do Direito das Empresas, dividido em Títulos. Ao Título II cabem as regras referentes às sociedades, iniciandose com o conceito de contrato de sociedade estipulado em seu artigo 981: "celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados." (grifei) Aqui já se verifica uma distinção essencial: a sociedade persegue o lucro, ao passo que a associação, não. Continuando a exploração topográfica do Título II, dividido em capítulos: justamente o capítulo X trata da transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades. Óbvio, pois, que não há espaço à afirmação de que se aplicam as regras relativas à cisão às associações. Por essa razão, a disciplina do parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 não é aplicável às associações, conforme se depreende do texto do mencionado dispositivo legal: "Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação." Segundo o artigo 44 do Código Civil em vigor, são pessoas jurídicas de direito privado: as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas (incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003), os partidos políticos (incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) e as empresas individuais de responsabilidade limitada (incluído pela Lei nº 12.441, de 2011). A partir desse dispositivo legal, inferese que o parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 não incide na transferência de bens e direitos de entidades isentas para o patrimônio de toda e qualquer pessoa jurídica, uma vez que as associações não podem ser Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.908 12 objeto de incorporação, fusão ou cisão. Há, entretanto, pessoas jurídicas isentas que não têm a natureza de associação. Desde que estas estejam autorizadas a se submeter a operações de incorporação, fusão ou cisão, serão regidas pela regra do parágrafo único do artigo 16 citado, quando transferirem bens e direitos para o patrimônio de outras pessoas jurídicas, em decorrência daquelas operações, exceto se houver norma especial que determine de outro modo. No mesmo rumo, não se pode dizer que o artigo 2.033 do vigente Código Civil estabelece que toda e qualquer pessoa jurídica pode realizar operação de transformação, incorporação, cisão ou fusão, verbis: "Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código." Definitivamente, tal dispositivo remete ao próprio Código, salvo nos casos previstos em lei especial, os atos constitutivos das pessoas jurídicas e as operações de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Ora, é o próprio Código Civil que não autoriza as associações a se submeter a tais operações. Reiterando o que se adiantou, não há norma no Código Civil ou em lei especial que preveja a operação de transformação, incorporação, cisão ou fusão para associações. O próprio conceito legal de associação autoriza a conclusão de que a exploração de atividade lucrativa por pessoa jurídica que anteriormente gozava de vantagens e benefícios por não perseguir o lucro, implica dissolução desta. Com razão a Fazenda Nacional, contudo, ao expor que, "ainda que admitíssemos a aplicação de institutos como a transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias ao presente caso, apenas para se evitar eventual solução de continuidade das atividades desenvolvidas pelas Bolsas, ainda assim, dada a nítida disparidade de regimes, não há como fugir à conclusão (como manda a lei) de que os associados receberam de volta patrimônio e, ato contínuo, ainda que na mesma folha de papel, utilizaramse do mesmo para a integralização de ações em sociedade anônima." (grifei) Já delineados esses aspectos jurídicos preliminares, carreiase o debate, em seguida, para a certificação da obtenção, por parte da recorrida, de receita proveniente da alienação das ações recebidas em decorrência da desmutualização da Bovespa e da BM&F. Na oportunidade, chamase a atenção para o Termo de Verificação Fiscal às efls. 2.235/2.303, onde estão consignadas relevantes informações coligidas no excepcional trabalho de auditoria, as quais desmontam a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. " [...] Desmutualização da Bovespa em agosto de 2007. A denominada operação de desmutualização da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), em síntese, foi um processo aprovado pelos associados da Bovespa e pelos acionistas da Cia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e da Bovespa Serviços e Participações S.A. BSP (que teve a sua razão social alterada para Bolsa de Valores de São Paulo S.A. BVSP), no dia 28 de agosto de 2.007, que teve como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social da Bovespa (associação civil, sem Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.909 13 fins lucrativos), para outras duas entidades organizadas sob a forma de sociedades por ações: a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A. BSP (BVSP). O processo consistiu na cisão parcial da Bovespa (redução do seu patrimônio em 99,97%, permanecendo somente 0,03% do valor total) e incorporação do patrimônio cindido, parte na BSP (BVSP) e parte na Bovespa Holding. Em seguida, houve a incorporação de ações da BVSP pela Bovespa Holding S.A. que se tornou controladora de 100% do seu capital. Pela incorporação da parcela cindida da Associação Bovespa pela Bovespa Holding, cada associado recebeu, por cada título patrimonial devolvido, 570.535 ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A. e, pela incorporação de ações da BVSP pela Bovespa Holding S.A, cada associado recebeu mais 136.227 ações, totalizando, portanto, 706.762 ações por cada um dos 758 títulos patrimoniais que compunham o patrimônio da Bovespa. E conforme o Ofício Circular Bovespa n° 225, de 18 de setembro de 2.007, para efeito de registro contábil, o valor patrimonial unitário das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., em 28 de agosto de 2.007, após os efeitos da reestruturação societária, foi determinado em, aproximadamente, R$2,22, totalizando, portanto, o valor de R$1.568.803,71, havendo ainda um valor residual de R$86,46, para cada título, que deve permanecer no ativo permanente. Como consequência dessa reorganização societária, o acesso das sociedades corretoras aos sistemas de negociação administrados pela BVSP, bem como o acesso dos agentes de compensação e liquidação aos sistemas administrados pela CBLC, passou a decorrer de relação contratual desvinculada da participação societária (relação mutual). Oferta Pública Inicial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A. Encerrada a desmutualização da Bovespa, iniciouse a oferta pública secundária de 250.492.283 Ações de emissão da Bovespa Holding S.A. de titularidade dos Acionistas Vendedores (lote inicial), a partir de 26 de outubro de 2.007, pelo preço unitário de R$23,00 por ação. A oferta foi acrescida de um lote suplementar de 37.573.842 ações, resultando numa distribuição total ao público de 288.066.125 ações. Desmutualização da BM&F em outubro de 2007. O processo de desmutualização da BM&F foi aprovado pelos associados em assembleia geral realizada no dia 20 de setembro de 2.007, com efeitos a partir do dia 1o de outubro de 2007, e consistiu na cisão parcial da BM&F e a incorporação da parcela cindida (R$1,28 bilhão) pela companhia aberta intitulada Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F S.A. Esta assumiu todas as atividades comerciais até então desenvolvidas pela associação BM&F, que manteve somente as atividades educacionais, assistenciais e esportivas. Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.910 14 A BM&F era constituída sob a forma de associação e os títulos de sócios eram divididos por categorias de acordo com a atuação do seu detentor na bolsa, sendo que as principais eram: Membro de Compensação, Corretora de Mercadorias, Operador Especial e Sócio Efetivo. Após diversas emissões, recompras e cancelamentos de títulos, havia, na época da desmutualização, 618 dessas quatro categorias, em poder de terceiros, que foram convertidas em 901.877.292 ações de emissão da BM&F S.A. A tabela abaixo apresenta a quantidade de títulos, por categoria, o valor patrimonial e a quantidade de ações de emissão da BM&F S.A. recebidas por cada título, na data da desmutualização da BM&F. [...] Oferta Pública Inicial das ações de emissão da BM&F S.A. Encerrado o processo de desmutualização da BM&F, houve a primeira venda de ações de emissão da BM&F S.A. correspondente a 10% do total das ações emitidas, no dia 15 de novembro de 2.007, conforme compromisso dos acionistas vendedores. Após essa primeira alienação, iniciouse a oferta pública das demais ações no mercado secundário, a partir de 29 de novembro, pelo preço estipulado de R$20,00 por ação, sendo, no lote principal, 260.160.736 ações ordinárias nominativas e, no lote suplementar, 39.024.110 ações de titularidade dos acionistas vendedores. Reorganização Societária das Companhias no ano de 2.008. No anocalendário de 2.008, houve várias reorganizações societárias envolvendo as companhias e respectivas empresas controladas. A principal delas, que é a que nos interessa, envolveu a companhia Nova Bolsa S.A., CNPJ n° 09.346.601/000125. Na data de 8 de maio de 2.008, as AGEs das respectivas companhias, aprovaram, entre outras questões: (i) a incorporação da BM&F S.A. pela Nova Bolsa S.A.; (ii) a incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A.; e (iii) uma nova denominação da Nova Bolsa S.A. que foi alterada para BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros. Nessa reorganização, os acionistas da BM&F S.A. receberam 1 (uma) ação ordinária da BM&FBovespa S.A. para cada 1 (uma) ação ordinária detida da BM&F S.A. Os acionistas da Bovespa Holding S.A. receberam 1,42485643 ação ordinária da BM&FBovespa S.A. para cada ação ordinária detida da Bovespa Holding S.A., bem como ações preferenciais resgatáveis, na proporção de 1 (uma) ação preferencial para cada 10 (dez) ações detidas da Bovespa Holding S.A. [...] Participação da TOV na IPO da Bovespa Holding S.A. Instrumentos Subscritos Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.911 15 A fim de participar da oferta pública inicial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., a TOV, no dia 27 de setembro de 2.007, subscreveu os seguintes instrumentos: (i) Procuração que outorga poderes para a Bovespa Holding S.A. a praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Companhia, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer forma de transferência dessas ações, ficando desde logo autorizada a realizar a oferta de até 4.500.000 ações da Companhia; e (ii) Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças, entre a TOV e a Bovespa Holding. As principais cláusulas são as seguintes. [...] Participação da TOV na IPO da BM&F S.A Instrumentos subscritos Em relação à negociação de ações de emissão da BM&F S.A., na oferta pública inicial de distribuição secundária das referidas ações, a TOV e a BM&F S.A. subscreveram, no dia 1o de novembro de 2.007, os seguintes contratos: (i) Anexo II B Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Jurídica) e (ii) Anexo IVB Contrato de Indenização e Outras Avenças (Pessoa Jurídica), cujas cláusulas principais são as seguintes: [...] Aspectos das três reduções de capital no ano de 2007 Em relação à cada uma das três reduções de capital, no ano de 2.007, ressaltamos os seguintes aspectos, a seguir: A primeira redução de capital social ocorreu na 59a Alteração Contratual, de 30 de junho de 2.007. O capital social de R$3.667.000,00 foi reduzido para R$2.384.500,00, ou seja, uma redução de R$1.282.500,00. A liquidação seria feita mediante a entrega de um título patrimonial da Bovespa, pelo valor contábil de R$1.282.222,60, e o restante de R$277,40 em moeda corrente nacional. O referido ato foi publicado no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte na data de 28 a 30 de julho de 2.007 (sábado, domingo e segunda). A autorização do Banco Central do Brasil foi publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. As cláusulas que tratam da redução do capital social são as seguintes. [...] A segunda redução de capital social ocorreu na 61a Alteração Contratual, de 09 de agosto de 2.007. O capital social de R$13.303.000,00 foi reduzido para R$3.302.999,22, ou seja, uma redução de R$10.000.000,78. Neste instrumento não havia sido estipulada a forma de liquidação. O referido ato foi publicado no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte na data de 28 de agosto de 2.007. A autorização do Banco Central do Brasil foi publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. As cláusulas que tratam da redução do capital social são as seguintes: Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.912 16 [...] Somente no dia 18 de setembro de 2.007, os quotistas deliberaram que a liquidação da redução de capital aprovada na 61a Alteração Contratual, de 09 de agosto de 2.007, no montante de R$10.000.000,78, seria efetuada mediante a entrega ao sócio FERNANDO FRANCISCO BROCHADO HELLER dos seguintes ativos: 4.240.572 ações da BOVESPA HOLDING S/A pelo valor contábil de R$9.412.822,26; e, Em espécie, R$587.178,52. A ata dessa reunião foi publicada no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte, na data de 18 de outubro de 2.007. A terceira redução de capital social ocorreu na 64a Alteração Contratual, de 29 de outubro de 2.007. O capital social foi reduzido de R$6.948.762,51 para R$2.540.746,04, ou seja, uma redução de R$4.408.016,47. A liquidação seria feita mediante a entrega, ao sócio, de 4.408.015 ações de emissão da BM&F S.A., pelo valor contábil de R$4.408.015,00, mais R$1,47 em espécie. O referido ato foi publicado no Jornal do Comércio de Belo Horizonte na data de 13 de novembro de 2.007. A autorização do Banco Central do Brasil foi publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. As cláusulas que tratam da redução do capital social são as seguintes: [...] Análise das três reduções de capital social em 2.007. A primeira redução de capital social ocorreu na 59a Alteração Contratual, de 30 de junho de 2.007, no valor de R$1.282.500,00, sendo que, desse total, a redução de R$ 1.282.222,60 seria liquidada mediante a entrega ao sócio FERNANDO FRANCISCO BROCHADO HELLER (detentor de 99,99% do capital social) de um título patrimonial da Bovespa. O restante, de R$277,40, em espécie. O referido ato foi publicado no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte na data de 28 a 30 de julho de 2.007 (sábado, domingo e segunda). A autorização da redução do capital social pelo Banco Central do Brasil foi publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. Conforme relatado, a legislação do Sistema Financeiro Nacional dispõe que é de competência do Banco Central do Brasil a prévia autorização das alterações contratuais e, no caso, ela ocorreu na data de 14 de fevereiro de 2.008, data da publicação no D.O.U. Dessa forma, somente a partir dessa data, a TOV poderia efetuar o pagamento ou liquidação da redução ao sócio. Convém lembrar que o próprio instrumento da alteração contratual previa que "o pagamento ao sócio somente será efetuado após a aprovação do Banco Central do Brasil". Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.913 17 Assim, não há o que se falar em pagamento ou liquidação do resgate das quotas antes da prévia autorização do Banco Central, sendo contestável qualquer procedimento nesse sentido. Ressaltese que o título patrimonial da Bovespa que poderia ser entregue ao sócio a partir de 14 de fevereiro de 2.008 (data da publicação da autorização do Banco Central), não mais existia nessa data, pois, havia sido devolvido pela TOV à Bovespa quando da desmutualização desta, no dia 28 de agosto de 2.007, em troca de 706.762 mil ações de emissão da Bovespa Holding S.A. De fato, na data da desmutualização da Bovespa (28 de agosto de 2.007), a TOV detinha sete títulos patrimoniais que foram devolvidos à Bovespa, recebendo, em troca, 4.947.334 ações de emissão da Bovespa Holding S.A (706.762 mil por cada título). Portanto, não houve a liquidação ou pagamento da redução mediante a entrega de um título patrimonial da Bovespa ao sócio, nem antes, nem depois da prévia autorização do Banco Central. [...] Não é por demais mencionar que a Resolução Bacen n° 2.690, de 1o de fevereiro de 2.000, que disciplina a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores, dispõe que somente pode ser admitida como membro da bolsa de valores a sociedade, detentora de título patrimonial, cuja admissão deve ser aprovada pelo Conselho de Administração e, posteriormente, comunicada à CVM (arts. 18, inciso IX, 24 e 26). E para funcionar e exercer a intermediação dos negócios nas bolsas de valores, a Sociedade deverá obter a autorização do Banco Central do Brasil (art. 8o da Lei n° 4.728, 14 de julho de a.965). Vêse, portanto, que a disposição de entregar um título patrimonial da Bovespa ao sócio, pessoa natural, encontra barreiras regulamentares e estatutárias, ou seja, não há ressonância nas normas que disciplinam o funcionamento do mercado de capitais. Pelo exposto, não houve a efetiva entrega de um título patrimonial da Bovespa ao sócio, conforme intenção demonstrada na alteração contratual, ou seja, a TOV detinha a disponibilidade jurídica do título, para todos os efeitos, até a data da desmutualização (28 de agosto de 2.007), quando foi devolvido em troca de 706.762 ações de emissão da Bovespa Holding S.A.. Assim, considerando que o último valor atribuído para um título patrimonial da Bovespa foi definido pelo Ofício Circular Bovespa n° 225/2007 em R$ 1.568.803,71, este é o valor que deve ser atribuído para fins de registro contábil e fiscal, e, consequentemente, das 706.762 ações recebidas de emissão da Bovespa Holding S.A.. A segunda redução de capital social ocorreu na 61a Alteração Contratual, de 9 de agosto de 2.007. O capital social de R$ 13.303.000,00 foi reduzido para R$ 3.302.999,22, ou seja, uma redução de R$ 10.000.000,78, sendo que, nesse momento, não havia a definição expressa da forma de sua liquidação, ou seja, o objeto (o ativo) a ser entregue ao sócio, o qual Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.914 18 poderia se entender, naturalmente, que seria em moeda corrente nacional. O referido ato foi publicado no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte na data de 28 de agosto de 2.007. A autorização da redução do capital social pelo Banco Central do Brasil foi publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. Somente na reunião de sócios, no dia 18 de setembro de 2.007, cuja ata foi publicada no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte, no dia 18 de outubro de 2.007, deliberouse que a liquidação da redução de capital aprovada na 61a Alteração Contratual, de 9 de agosto de 2.007, no montante de R$10.000.000,78, seria efetuada mediante a entrega, ao sócio FERNANDO FRANCISCO BROCHADO HELLER, de 4.240.572 ações de emissão da BOVESPA HOLDING S/A pelo valor contábil de R$ 9.412.822,26; e, em espécie, R$ 587.178,52. Essa ata, que, na realidade é uma alteração das cláusulas da 61a Alteração Contratual, por alterar o objeto a ser entregue ao sócio (de moeda corrente nacional para 4.240.572 ações de emissão da BOVESPA HOLDING S/A), não foi levada para aprovação do Banco Central do Brasil, conforme se depreende da relação dos instrumentos da TOV, aprovados por essa autarquia no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. Inicialmente, cabe registrar que, na desmutualização da Associação Bovespa, ocorrida no dia 28 de agosto de 2.007, a TOV recebeu o total de 4.947.334 ações de emissão da Bovespa Holding S.A. pela devolução de sete títulos patrimoniais. A quantidade de 4.240.572 ações de emissão da Bovespa Holding S.A. corresponde à devolução de seis títulos patrimoniais (706.762 ações por cada título). Conforme relatado, a legislação do Sistema Financeiro Nacional dispõe que é de competência do Banco Central do Brasil a prévia autorização das alterações contratuais e, no caso, ela ocorreu na data de 14 de fevereiro de 2.008, data da publicação no D.O.U. Dessa forma, somente a partir dessa data, a TOV poderia efetuar o pagamento ou liquidação da redução ao sócio Convém lembrar que o próprio instrumento da alteração contratual, publicado no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte, na data de 28 de agosto de 2.007, previa que "o pagamento ao sócio somente será efetuado após a aprovação do Banco Central do Brasil". Assim, não há o que se falar em pagamento ou liquidação do resgate das quotas, antes da prévia autorização do Banco Central, sendo contestável qualquer procedimento nesse sentido. Ressaltese que, a quantidade de ações de emissão da Bovespa Holding S.A. que poderia ser entregue ao sócio, a partir da data de 14 de fevereiro de 2.008 (data da publicação da autorização do Banco Central), estipulada na ata de reunião de sócios, publicada no dia 18 de outubro de 2.007, não mais existia na sua disponibilidade jurídica, pois, uma parte havia sido alienada pela TOV na oferta pública inicial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A que se iniciou no dia 26 de outubro de 2.007. Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.915 19 De fato, nessa data (26 de outubro de 2.007) houve o início da oferta pública inicial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A. e a TOV detinha 4.947.334 ações (correspondente à devolução de sete títulos patrimoniais da Bovespa Associação). Como era de seu interesse em participar da oferta pública inicial, a TOV, como acionista vendedora, subscreveu o instrumento denominado "Procuração", de 27 de setembro de 2.007, outorgando à Bovespa Holding S.A. amplos poderes para negociar, em seu nome, a quantidade máxima de 4.500.000 dessas ações. E, ainda, para concretizar essa negociação, a TOV e a Bovespa Holding S.A. subscreveram o instrumento denominado "Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças", também na data de 27 de setembro de 2.007, dispondo sobre as obrigações das partes para o cumprimento do Mandato. E, de fato, a quantidade de 4.500.000 ações foi inteiramente negociada na oferta pública inicial que se iniciou no dia 26 de outubro de 2.007. Portanto, não houve a liquidação ou pagamento da redução do capital social mediante a entrega de 4.240.572 ações de emissão da Bovespa Holding S.A. ao sócio, nem antes, nem depois da prévia autorização do Banco Central. [...] Ressaltese que, embora publicada somente no dia 28 de agosto de 2.007, a ata de reunião dos sócios que deliberou pela redução do capital social, por excessivo, (onde consta a data de 9 agosto de 2.007), ocorreu seis dias após a data da ata de reunião que deliberou pelo aumento (3 de agosto de 2.007) mediante incorporação de reservas de capital. No caso de aumento de capital, o referido ato societário não está sujeito à publicação, conforme se depreende do Código Civil (arts. 1082 a 1084), porém, está sujeito à autorização prévia pelo Banco Central do Brasil que, no caso, ocorreu na data de 14 de fevereiro de 2.008. Importante destacar que, após outorgar, como acionista vendedora, amplos poderes à Bovespa Holding S.A. para representála nas negociações das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., na oferta pública inicial (até a quantidade de 4.500.000 ações), mediante o instrumento denominado de "Procuração", subscrito em dia 27 de setembro de 2.007, se comprometendo, inclusive, a indenizar a Bovespa Holding S.A., caso houvesse desistência, conforme condições pactuadas no instrumento denominado "Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças", subscrito, também, no dia 27 de setembro de 2.007, a TOV publicou no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte, na data de 18 de outubro de 2.007, a ata de reunião de sócios definindo que a liquidação da redução do capital social, ao sócio, referente à 61a Alteração Contratual, seria feita com a entrega de 4.240.572 ações de emissão da Bovespa Holding S.A.. Convém ressaltar que o referido "Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças" estipulou que, em caso de alteração da quantidade de ações ordinárias ofertada, conforme indicada no Mandato, ou Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.916 20 descumprimento das suas obrigações, como a desistência, até a conclusão da Oferta, a TOV deveria indenizar a Companhia o equivalente a R$ 20,00 por cada uma das 4.500.000 ações, ou seja, praticamente não havia como renunciar à sua participação na oferta pública inicial. Vislumbrase, portanto, uma situação inusitada, ou seja, o mesmo objeto (ações de emissão da Bovespa Holding S.A.) sendo incluído em dois negócios jurídicos distintos: primeiro, em 27 de setembro de 2.007, a TOV, como acionista vendedora, havia aderido à participação na oferta pública inicial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., de sua titularidade, de forma irretratável e irrevogável, em razão do alto valor indenizatório de R$20,00 por ação, e, depois, em 18 de outubro de 2.007 (data da publicação no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte), porém, pouco antes da oferta pública inicial, ou seja, no meio desse complexo processo, definiu que a liquidação da redução do seu capital social (61a Alteração Contratual) seria feita mediante a entrega dessas mesmas ações. [...] A ordem cronológica de apenas alguns fatos, acima sintetizados, demonstra que a TOV tinha pleno conhecimento da realização de oferta pública inicial de distribuição secundária das ações de emissão da Bovespa Holding S.A. desde, pelo menos, a data da desmutualização da Bovespa (28 de agosto de 2.007), quando publicou (em 18 de outubro de 2.007) a ata que deliberou pela redução de capital mediante a entrega das referidas ações. Entretanto, todos os atos societários relacionados com o aumento ou a redução do capital social da TOV não influenciaram, em absolutamente nada, a sua participação na desmutualização da Bovespa, na abertura do capital da Bovespa Holding S.A. e na consequente oferta pública inicial das referidas ações, ou seja, ficaram à margem de todo esse complexo processo de reorganização societária. Além disso, como se verá mais adiante, os fatos demonstram que a TOV efetivamente participou da oferta pública inicial das ações de emissão da Bovespa Holding S.A., de sua titularidade, conforme o respectivo Prospecto e os instrumentos denominados "Procuração" e "Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças" subscritos pela TOV, no dia 27 de setembro de 2.007, prevalecendo, portanto, tais negócios jurídicos sobre aquele que trata da entrega, ao sócio, das referidas ações para fins de pagamento ou liquidação da redução do capital social (61 "Alteração Contratual). É importante ressaltar que a definição de entregar as ações de emissão da Bovespa Holding S.A., ao sócio, pela redução do capital social (61aAlteração Contratual) foi publicada no dia 18 de outubro de 2.007, portanto, é posterior aos instrumentos subscritos pela TOV, na data de 27 de setembro de 2.007, relativos à sua participação na oferta pública inicial, denominados de "Procuração" e "Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças", e, também, ao Prospecto Preliminar da Oferta Pública das Ações de Emissão da Bovespa Holding S.A., de 5 de Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.917 21 outubro de 2.007, onde consta a TOV como acionista vendedora de 4.500.000 ações. E como se depreende do Código Civil (arts. 1.082 a 1.084) a publicação da ata da assembleia de acionistas ou da reunião de quotistas (e não a data dessa ata) que deliberou pela redução do capital social é procedimento necessário e essencial para a eficácia do negócio jurídico. Ressaltese que, o sucesso da desmutualização da Bovespa, no dia 28 de agosto de 2.007, era a realização de uma fase essencial ao processo de reorganização societária que se iniciou muito tempo antes dessa data, pois, requereu todo um planejamento estratégico de longo prazo, cujo objetivo final era transformar a Bovespa em uma sociedade de capital aberto, com fins lucrativos. Tal processo, no Brasil, foi uma necessidade premente em razão da globalização e a ampla concorrência entre as principais bolsas de valores do mundo que, também, se tornaram empresas de capital aberto. Essa reorganização, no Brasil, se tornou inadiável com a abertura do capital da maior de todas, a da Bolsa de Valores de Nova York, em 6 de março de 2.006. Por fim, cabe ressaltar que, após a oferta pública em 2.007, restou um saldo de 447.334 ações de emissão da Bovespa Holding S.A. que pertenceria ao sócio controlador, por conta das duas primeiras reduções do capital social e, portanto, tal quantidade poderia ser entregue ao sócio a partir da autorização do Banco Central, que, nesse caso, foi aprovada e publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. Entretanto, constatamos que essa transferência não aconteceu. De fato, (i) daquele saldo, uma parte foi alienada em abril de 2.008 (178.933 ações), conforme demonstrativo apresentado pela TOV; (ii) o restante, de 268.402 ações de emissão da Bovespa Holding S.A., foi substituído por 382.432 ações de emissão da BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, conforme a relação de troca das ações aprovada na ata que deliberou a reorganização societária, em 8 de maio de 2.008; e (iii) as 382.432 ações de emissão da BM&FBovespa S.A., de titularidade da TOV, foram alienadas em 22 de outubro de 2.008, conforme demonstrativo apresentado. Dessa forma, na referida reorganização societária, a TOV, como acionista da Bovespa Holding S.A. passou a ser acionista da BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (e não o sócio controlador) até a data da alienação total das ações dessa companhia, em outubro de 2.008. Em suma, em nenhum momento houve efetivamente uma transferência da propriedade das ações de emissão da Bovespa Holding S.A. ou mesmo da BM&FBovespa S.A. para o sócio, nem antes, nem depois, da autorização do Banco Central. Depreendese, portanto, que não havia intenção de transferir a titularidade das referidas ações da TOV para o seu sócio controlador, detentor de 99,99% do seu capital social. Em 2.008, a TOV repassou ao sócio a liquidação financeira recebida decorrente da venda das ações realizada em 2.007. Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.918 22 A terceira redução de capital social ocorreu na 64a Alteração Contratual, de 29 de outubro de 2.007. O capital social foi reduzido de R$6.948.762,51 para R$2.540.746,04, ou seja, uma redução de R$4.408.016,47, sendo que a liquidação se daria com a entrega ao sócio de 4.408.015 ações de emissão da BM&F S.A., pelo valor contábil de R$4.408.015,00, mais R$1,47 em espécie. O referido ato foi publicado no Jornal do Comércio de Belo Horizonte na data de 13 de novembro de 2.007. A autorização da redução do capital social pelo Banco Central do Brasil foi publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. Inicialmente, cabe registrar que a desmutualização da BM&F foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária do dia 20 de setembro de 2.007, mas, com efeitos a partir do dia Io de outubro de 2.007. Nesse processo, a TOV recebeu o total de 4.908.015 ações de emissão da BM&F S.A. pela devolução de um título patrimonial de corretora de mercadorias e de um título de sócio efetivo. Conforme relatado, a legislação do Sistema Financeiro Nacional dispõe que é de competência do Banco Central do Brasil a prévia autorização das alterações contratuais e, no caso, ela ocorreu na data de 14 de fevereiro de 2.008, data da publicação no D.O.U. Dessa forma, somente a partir dessa data, a TOV poderia efetuar o pagamento ou liquidação da redução do capital social ao sócio. Convém lembrar que o próprio instrumento da alteração contratual, publicado no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte, na data de 13 de novembro de 2.007, previa que "o pagamento ao sócio somente será efetuado após a aprovação do Banco Central do Brasil". Assim, não há o que se falar em pagamento ou liquidação do resgate das quotas, antes da prévia autorização do Banco Central, sendo contestável qualquer procedimento nesse sentido. Ressaltese que, a quantidade de ações de emissão da BM&F S.A. que poderia ser entregue ao sócio a partir da data de 14 de fevereiro de 2.008, não mais existia, pois, uma parte havia sido alienada pela TOV na oferta pública inicial das ações de emissão da BM&F S.A. que se iniciou no dia 29 de novembro de 2.007. De fato, como era de seu interesse em participar da oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da BM&F S.A., a TOV subscreveu, no dia Io de novembro de 2.007, o instrumento denominado "Anexo II B Termo de Adesão e Procuração Pessoa Jurídica", aderindo à oferta e se comprometendo a participar com a quantidade de 4.400.000 ações, de sua titularidade. Nesse instrumento, outorgou plenos poderes a BM&F S.A. para representála e praticar todos os atos necessários para a obtenção do registro da Oferta, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência das ações ofertadas. E para concretizar essa negociação, a TOV e a BM&F S.A. subscreveram o instrumento denominado "Anexo IVB Instrumento Fl. 2918DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.919 23 Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças", também na data de Io de novembro de 2.007, dispondo sobre as obrigações das partes para o cumprimento do Mandato, entre as quais uma indenização de R$30,00, por ação, à TOV, em caso de descumprimento das suas obrigações, como a redução da quantidade de ações a serem alienadas na Oferta ou a revogação do Mandato. Ou seja, tornou irretratável e irrevogável a participação da TOV na oferta pública inicial das ações de emissão da companhia em razão do alto valor indenizatório. E, de fato, todas as 4.400.000 ações, de sua titularidade, foram negociadas na oferta pública, que se iniciou no dia 29 de novembro de 2.007. Portanto, não houve a liquidação ou pagamento da redução do capital social mediante a entrega de 4.408.015 ações de emissão da BMF& S.A. ao sócio, nem antes, nem depois da prévia autorização do Banco Central. [...] Ressaltese que, embora publicada somente no dia 13 de novembro de 2.007, a ata de reunião dos sócios que deliberou pela redução do capital social, por excessivo (onde consta a data de 29 de outubro de 2.007), ocorreu após cinco dias da data da ata de reunião que deliberou pelo aumento (24 de outubro de 2.007) mediante incorporação de reservas de capital e lucros acumulados. E, diferentemente das exigências legais em relação à redução do capital social, a deliberação pelo aumento não está sujeita à sua publicação, conforme se depreende do Código Civil (arts. 1082 a 1084), porém, está sujeita à autorização prévia pelo Banco Central do Brasil que, no caso, ocorreu na data de 14 de fevereiro de 2.008. Importante destacar que, após outorgar, como acionista vendedora, amplos poderes à BM&F S.A. para representála nas negociações das ações de emissão da referida companhia, na oferta pública inicial (até a quantidade de 4.400.000 ações), mediante os instrumentos denominados de "Anexo II B Termo de Adesão e Procuração Pessoa Jurídica" e "Anexo IVB Contrato de Indenização e Outras Avenças (Pessoa Jurídica)", subscritos, ambos, no dia 01 de novembro de 2.007, a TOV publicou no jornal Diário do Comércio de Belo Horizonte, na data de 13 de novembro de 2.007, a ata de reunião de sócios que deliberou pela redução de capital social, no valor de R$4.408.016,47, definindo que a liquidação seria efetuada mediante a entrega de 4.408.015 ações de emissão da BM&F S.A., pelo valor contábil de R$4.408.015,00, mais R$1,47 em espécie. Vislumbrase, portanto, uma situação inusitada, ou seja, o mesmo objeto (ações de emissão da BM&F S.A.) sendo incluído em dois negócios jurídicos distintos: primeiro, em Io de novembro de 2.007, a TOV, como acionista vendedora, havia aderido à participação na oferta pública inicial das ações de emissão da BM&F S.A., de sua titularidade, de forma irretratável e irrevogável, em razão do alto valor indenizatório de R$30,00 por ação e, depois, em 13 de novembro de 2.007 (data da publicação da terceira redução de capital social), porém, pouco antes da oferta pública inicial, ou seja, no meio desse complexo processo, definiu que a liquidação da redução do seu Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.920 24 capital social (64a Alteração Contratual) seria feita mediante a entrega dessas mesmas ações. Para melhor clareza, registramos, cronologicamente, alguns fatos que marcaram o processo de desmutualização da BM&F Associação até a oferta pública inicial das ações de emissão da BM&F S.A. a fim de verificar o contexto em que se encontraram os atos referentes à terceira redução de capital social da TOV de que trata a 64a Alteração Contratual (em negrito) [...] A ordem cronológica de apenas alguns fatos, acima sintetizados, demonstra que a TOV tinha pleno conhecimento da realização de oferta pública inicial de distribuição secundária das ações de emissão da BM&F S.A. desde, pelo menos, a data da A.G.E. que aprovou a desmutualização da BM&F (20 de setembro de 2.007), quando publicou (em 13 de novembro de 2.007) a ata que deliberou pela redução de capital mediante a entrega das referidas ações. Entretanto, todos os atos societários relacionados com o aumento ou a redução do capital social da TOV não influenciaram, em absolutamente nada, a sua participação na desmutualização da BM&F, na abertura do capital da BM&F S.A. e na consequente oferta pública inicial das ações de emissão da BM&F S.A., ou seja, ficaram à margem de todo esse complexo processo de reorganização societária. É importante ressaltar que a definição de entregar as ações de emissão da BM&F S.A., ao sócio, pela redução do capital social (64a Alteração Contratual) foi publicada no dia 13 de novembro de 2.007, portanto, é posterior aos instrumentos subscritos pela TOV, no dia Io de novembro de 2.007, relativos à sua participação na oferta pública inicial das ações de emissão da BM&F S.A., denominados de "Anexo II B Termo de Adesão e Procuração Pessoa Jurídica" e "Anexo IVB Contrato de Indenização e Outras Avenças (Pessoa Jurídica)", e, também, ao Prospecto Preliminar da Oferta Pública das Ações de Emissão da BM&F S.A., de 9 de novembro de 2.007, onde consta a TOV como acionista vendedora de 4.400.000 ações. E como se depreende do Código Civil (art. 1.082 a 1.084) a publicação da ata de assembleia de acionistas ou da reunião de quotistas (e não a data dessa ata) que deliberou pela redução do capital social é procedimento necessário e essencial para a eficácia do negócio jurídico. Além disso, como se verá mais adiante, os fatos demonstram que a TOV efetivamente participou da oferta pública inicial das ações de emissão da BM&F S.A, conforme o respectivo Prospecto e os instrumentos denominados "Anexo II B Termo de Adesão e Procuração Pessoa Jurídica" e "Anexo IVB Contrato de Indenização e Outras Avenças (Pessoa Jurídica)", subscritos pela TOV, no dia 01 de novembro de 2.007, prevalecendo, portanto, tais negócios jurídicos sobre aquele que trata da entrega, ao sócio, das referidas ações, para fins de pagamento ou liquidação da redução do capital social (64aAlteração Contratual). Ressaltese que, da mesma forma que a desmutualização da Bovespa, a da BM&F, aprovada na A.G.E. do dia 20 de setembro de 2.007, com efeitos a Fl. 2920DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.921 25 partir de Io de outubro de 2.007, também era a realização de uma fase essencial ao processo de reorganização societária que se iniciou muito tempo antes dessa data, pois, requereu todo um planejamento estratégico de longo prazo, cujo objetivo final era transformar a BM&F em uma sociedade de capital aberto, com fins lucrativos. Tal processo, no Brasil, foi uma necessidade premente em razão da globalização e a ampla concorrência entre as principais bolsas de valores do mundo que, também, se tornaram empresas de capital aberto. Por fim, cabe ressaltar que, após a oferta pública inicial em 2.007, restou um saldo de 18.213 ações de emissão da BM&F S.A., sendo que, desse total, 8.015 ações pertenceriam ao sócio controlador, por conta da terceira redução do capital social e, portanto, tal quantidade poderia ser entregue ao sócio a partir da autorização do Banco Central, que, nesse caso, foi aprovada e publicada no D.O.U., Seção 3, do dia 14 de fevereiro de 2.008. Entretanto, constatamos que essa transferência não aconteceu. De fato, as 18.213 ações de emissão da BM&F S.A. foram substituídas por 18.213 ações de emissão da BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, conforme a relação de troca de ações aprovada na ata que deliberou a reorganização societária, em 8 de maio de 2.008. Dessa forma, na referida reorganização, a TOV, como acionista da BM&F S.A. passou a ser acionista da BM&FBovespa S.A. (e não o sócio controlador) e a quantidade de 18.213 ações de emissão da BM&FBovespa S.A. continua na titularidade da TOV, e não do sócio. Em suma, em nenhum momento houve efetivamente uma transferência da propriedade das ações de emissão da BM&F S.A. ou mesmo da BM&FBovespa S.A. para o sócio, nem antes, nem depois, da autorização do Banco Central. Depreendese, portanto, que não havia intenção de transferir a titularidade das referidas ações da TOV para o seu sócio controlador, detentor de 99,99% do seu capital social. Em 2.008, a TOV repassou ao sócio a liquidação financeira recebida decorrente da venda das ações realizada em 2.007." Todo o relato acima aponta inequivocamente para o despropósito da alegação de erro na identificação do sujeito passivo, erigida com o pretenso apoio do argumento de que seria a pessoa física do controlador da TOV o contribuinte da obrigação tributária surgida com a alienação das ações. Os elementos fáticos relacionados no Termo de Verificação Fiscal adrede citado não deixam dúvida de que a recorrida auferira receita na venda das ações em oferta pública, bem como na alienação a fundo de investimento integrante do grupo Private Equity General Atlantic, por meio de contrato denominado “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S/A e Outorga de Poderes". A despeito dos fatos suprarreferidos, o voto condutor da Turma a quo adotou a seguinte linha de raciocínio para prover o recurso voluntário: "Assim, para o presente caso, importa verificar se as operações de alienação das ações configuram operações de conta própria. Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.922 26 A meu ver, não se pode considerar que as ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais possuíam a mesma natureza mercantil contida nos títulos e valores mobiliários ordinariamente negociados pela recorrente. É certo que, conforme indica seu objeto social, a compra e venda de títulos e valores mobiliários pode se dar por conta própria ou de terceiros. Contudo, mesmo os comprados por conta própria, para futura negociação, são adquiridos em condições normais de mercado, dentro do espírito especulativo que envolve as transações cotidianas de compra e venda nas bolsas de valores. Esses, sim, caracterizam operações de conta própria das sociedades corretoras de valores." Impõese que se objete, de plano. Com efeito, as ações ingressaram no patrimônio da recorrida de um modo incomum, porém o fato de não terem sido adquiridas "dentro do espírito especulativo que envolve as transações cotidianas de compra e venda nas bolsas de valores" não é causa para afastar a receita obtida, na venda das ações, do campo de incidência do PIS/PASEP e da COFINS. Inexiste, pois, tal regra isentiva. Também devese registrar que a alienação se efetivou, sim, em operação de conta própria, pois as ações não foram negociadas em nome de terceiros. Sabese que as operações de conta alheia se efetuam mediante consignação, comissão ou ordem. Não é disso que versam os autos. Não se pode perder de vista que essas alienações em oferta pública, ou mesmo de forma direta para um comprador em mercado de balcão, foram realizadas no âmbito das atividades empresariais que constituem o objeto da recorrida. Nessa ordem de ideias, tais receitas, decorrentes da venda das ações, ajustamse ao conceito de faturamento, assim entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas. Vale rememorar que o relevante para as normas de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP é a identidade entre a receita bruta e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. Por tal perspectiva, compreendese que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, não alterou o critério definidor da base de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP como o resultado da atividade econômica vinculada aos objetivos sociais do contribuinte. Firmouse, pelo contrário, a noção de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. À vista do exposto, conheço do Recurso Especial fazendário para lhe dar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 2922DF CARF MF Processo nº 16327.721705/201182 Acórdão n.º 9101003.537 CSRFT1 Fl. 2.923 27 Fl. 2923DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.903801/2011-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PAGAMENTO INDEVIDO. PRAZO PARA REQUERER REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
Conforme decisão proferida pelo STF no RE nº 566521, em regime de repercussão geral, a partir de 09 de junho de 2005, o prazo para a apresentação dos pedidos de restituição no caso de pagamento indevido é de 5 (cinco) anos, contado da data do pagamento.
Este entendimento deverá ser reproduzido por este Colegiado, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3002-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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PRAZO. Recorrente FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO. PRAZO PARA REQUERER REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Conforme decisão proferida pelo STF no RE nº 566521, em regime de repercussão geral, a partir de 09 de junho de 2005, o prazo para a apresentação dos pedidos de restituição no caso de pagamento indevido é de 5 (cinco) anos, contado da data do pagamento. Este entendimento deverá ser reproduzido por este Colegiado, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 38 01 /2 01 1- 51 Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.679 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 1629/1631 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 31781.83195.050607.1.3.042259, transmitida em 05 de junho de 2007, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 24.780,93, que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) – IN SRF 89/2001, mediante Darf, código 9558, em 30 de abril de 2002, no valor de R$ 241.917,20, relativo ao período de apuração de dezembro de 2001, com vencimento em 30 de abril de 2002. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília DF pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 23, emitido em 06 de junho de 2011, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o crédito utilizado na Declaração de Compensação é decorrente do recolhimento a maior realizado a título de PIS, relativamente ao período de janeiro de 1997 a agosto de 2001, aproveitando se da anistia prevista no artigo 5º da Medida Provisória nº 2.222/2001. Defende a interessada que o recolhimento a maior efetivouse por meio de Darf no valor de R$ 241.917,20 (em anexo) e que as informações da Dcomp estão em absoluta consonância com os dados do referido Darf. A contribuinte informa, ainda, que a Dcomp, objeto do Despacho Decisório, está vinculada ao Pedido de Restituição nº 12203.05912.270207.1.2.045241, por meio da qual pleiteou o crédito ora utilizado. Explica a contribuinte, que o equívoco deve estar no sistema da RFB, uma vez que informou erroneamente a data de vencimento como 30 de abril de 2001, quando, no Darf original e na Dcomp, estão como 30 de abril de 2002. Diante dos argumentos da contribuinte e em consulta aos sistemas da RFB, solicitouse diligência à autoridade fiscal, às folhas 56 e 57, a fim de verificar se, de fato, a contribuinte pagou a maior o valor pleiteado, bem como se utilizou o referido crédito para fins de compensação com outros débitos. Em resposta, a autoridade fiscal juntou aos autos os documentos de folhas 61 a 1.604, bem como Informação Fiscal às folhas 1.605 a 1.608. Inicialmente, a autoridade fiscal informa que, intimada a esclarecer os fatos, a contribuinte alega que os pagamentos indevidos de PIS, no montante de R$ 876.236,25, referemse aos períodos de apuração entre janeiro de 1997 a agosto de 2001, uma vez que efetuou recolhimentos no montante de R$ 2.122.444,56, quando deveria ter recolhido o valor de R$ 1.246.208,33 (considerando principal acrescido de juros), conforme documentos que junta aos autos. Em consulta aos sistemas da RFB, a autoridade fiscal informa que o Darf, no valor de R$ 241.917,20, não localizado pelo sistema, se encontra entre os pagamentos efetuados pela contribuinte no período entre janeiro de 2002 e junho de Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.680 3 2002, o qual, em conjunto com mais 33 Darf, totalizam R$ 2.122.444,56 (principal + juros). Esclarece a autoridade fiscal que os pagamentos, no montante de R$ 2.122.444,56 (principal e juros), foram efetuados pela contribuinte em razão da desistência de contestação ao auto de infração, lavrado em 26 de junho de 2001, relativamente ao PIS (correspondente ao período de apuração de janeiro de 1996 a dezembro de 2001), no total de R$ 273.472.239,47, formalizado no processo nº 10166.007908/200102. E, prossegue relatando que, diante da desistência de contestação da contribuinte, foi efetuada revisão de ofício dos lançamentos de PIS, constantes do processo nº 10166.007908/200102. Assim, após o confronto entre os pagamentos efetuados com os débitos resultantes da revisão de ofício, ainda restaram em cobrança débitos no montante de R$ 1.348.961,38 (principal e juros). Tal cobrança encontrase suspensa por medida judicial (depósito judicial) sem decisão transitada em julgado. A autoridade fiscal conclui, assim, que o pagamento efetuado mediante Darf (código 9558), no valor de R$ 241.917,20, código 9558, em 30 de abril de 2002, encontrase entre os Darf levados em consideração no confronto entre os pagamentos efetuados com os débitos resultantes da revisão de ofício, os quais encontramse sob avaliação do Poder Judiciário. Ademais, informa a autoridade fiscal que, em consulta aos sistemas da RFB, verificou que a contribuinte transmitiu Dcomp, de pagamento indevido ou a maior em 2007, no total de R$ 876.236.25, dos quais R$ 851.401,11 já foi homologado pelo sistema. Tais Dcomp tiveram como base os pagamentos realizados sob código 9558 e débito de PIS no montante de R$ 1.227.638,06. Ciente do resultado da diligência, a contribuinte apresentou sua defesa, às folhas 1.616 a 1.623. Inicialmente, a interessada alega que a autoridade fiscal não enfrentou diretamente os questionamentos e verificações solicitadas por esta DRJ, restringindose a concluir que o pagamento efetuado encontrase entre aqueles levados em consideração quando da lavratura do Auto de Infração de PIS, objeto de lançamento definitivo nos autos do processo nº 10166.007908/200102. Informa a interessada que os débitos fiscais constituídos no citado processo decorrem da inclusão na base de cálculo da contribuição das “contribuições destinadas à constituição de provisões e reservas técnicas” e da “venda de ativo imobilizado”, e são objeto de discussão judicial, para o qual foi efetuado depósito do montante integral dos créditos tributários. Prossegue a interessada afirmando que as Dcomp transmitidas em 2007, informadas pela autoridade fiscal, não têm relação com os créditos solicitados na PER/Dcomp objeto do Despacho Decisório ora contestado. Afirma que o crédito pleiteado tem origem no recolhimento a maior de PIS, apurado no período de janeiro de 1997 a agosto de 2001, cujo pagamento foi realizado nos moldes do Programa de Anistia Fiscal, instituído pelo art. 5º da MP nº 2.222/2001. E, que o recolhimento a maior efetivouse por meio do DARF no valor total de R$ 241.917,20, recolhido em 28 de março de 2001, sendo a Dcomp vinculada ao Pedido de Restituição nº 12203.05912.270207.1.2.045241. A fim de confirmar sua alegação apresenta relação de pagamentos, às folhas 1.618 e 1.619, no montante de R$ 2.032.043,02, os quais foram efetuados a maior. Desta forma, alega que tem direito ao crédito de R$ 24.780,93, uma vez que o valor Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.681 4 efetivamente devido corresponde ao montante de R$ 1.227.638,06, conforme demonstra. Ainda no mérito, a interessada argumenta que o pagamento, origem do crédito pleiteado, foi recolhido com atualização equivocada, uma vez que para a atualização da segunda parcela dos débitos de PIS deveria considerar apenas 1% e, não, 2,53% correspondente à Selic de janeiro, de 1,53%, somada a 1% de fevereiro (data do vencimento). Vale registrar a localização dos seguintes documentos, não expressamente mencionada no relatório supra: i) manifestação de inconformidade (fls. 02/07); ii) PER/DCOMP nº 31781.83195.050607.1.3.042259 (fls. 09/13); iii) DARF e comprovante de arrecadação (fl. 15 e 22); PER/DCOMP nº 12203.05912.270207.1.2.045241 (fls. 17/20). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 1629/1636) consignou que a não localização do DARF, que levou à conclusão adotada no Despacho Decisório, decorreu de erro do próprio contribuinte, ao prestar informações divergentes no referido documento e no PER/DCOMP. A decisão registrou que, no intuito de demonstrar os valores pagos a maior, o contribuinte juntou a planilha de fls. 79/83, onde incluiu pagamentos não comprovados nos autos, o que retira a veracidade do demonstrativo apresentado à fl. 84. Assim, a conclusão atingida foi de ausência de comprovação nos autos de que houve pagamento a maior quando do parcelamento decorrente da adesão do contribuinte ao Regime Especial de Tributação RET (MP nº 2.222/2001), e de que o valor informado na DCOMP faz parte dos pagamentos realizados em razão da adesão ao referido parcelamento (vide tabela de fls. 1634/1635). A primeira instância também rejeitou o argumento do contribuinte de que teria realizado o pagamento com atualização equivocada, o que também serviria a justificar o crédito, pelas seguintes razões que apresenta: i) o contribuinte inovou, não podendo ser apreciado tal argumento, pois, só quando intimado da diligência, alegou pagamento a maior a título de juros Selic; ii) toda a argumentação do contribuinte para a existência do crédito foi de que decorreu de pagamento a maior de principal, e não de juros Selic; iii) os valores dos juros e do crédito pleiteado são divergentes; iv) perda do prazo de cinco anos para pleitear restituição de pagamento a maior de juros. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.682 5 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 18/05/17 (vide AR à fl. 1643 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 16/06/17, Recurso Voluntário (fls. 1646/1661). Em seu recurso, o contribuinte arguiu, preliminarmente, nulidade no processo por cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, diante da falta de apreciação das razões complementares e requerimento constantes das fls. 1616/1623. Sobre tal requerimento, alegou não ter trazido inovação na tese de defesa. Arguiu, também, que a Informação Fiscal nº 1077/2016 (fls. 1605/1607) alterou substancialmente os motivos de fato e a fundamentação legal lançados no despacho decisório inicial. No mérito, alegou certeza e liquidez dos créditos glosados pela DRF de origem. As razões apresentadas foram, basicamente, as já trazidas em suas manifestações anteriores no processo, a seguir resumidas: i) os débitos de PIS são objeto de questionamento judicial, em cujo processo há depósito judicial; ii) o crédito utilizado na DCOMP sob análise é oriundo de recolhimento a maior de PIS apurado no período de janeiro de 1997 a agosto de 2001, cujo pagamento decorreu do Programa de Anistia Fiscal instituído pela MP nº 2222/01; iii) o DARF em questão foi recolhido com atualização monetária equivocada, o que gerou os créditos utilizados na DCOMP objeto do feito. O recorrente pretende demonstrar, nos quadros de fls. 1658/1660, que o valor recolhido foi superior ao devido. Em seus pedidos, requereu a declaração de nulidade do acórdão recorrido, para: i) baixar os autos em diligência com a finalidade de verificação do crédito pela DRF/DF ou ii) determinar o rejulgamento da manifestação de inconformidade pela DRJ/FNS, considerando que não houve inovação na tese de defesa. No caso de se adentrar no mérito, requereu a reforma do acórdão, para ser reconhecido o crédito pleiteado, homologada a DCOMP transmitida e extinto o respectivo débito fiscal. Não juntou nova documentação. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da preliminar de nulidade. Da análise da prejudicial de mérito quanto ao prazo para requerer repetição do indébito. Decisão do STF em sede de repercussão geral (RE 566521). Consoante acima narrado, o recorrente arguiu, em seu recurso voluntário, preliminarmente, nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, diante da falta de apreciação das razões complementares e requerimento constantes das fls. 1616/1623. Alegou, também, que a Informação Fiscal nº Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.683 6 1077/2016 (fls. 1605/1607) alterou substancialmente os motivos de fato e a fundamentação legal lançados no despacho decisório inicial, autorizandoo, portanto, a apresentar razões e documentação complementar à manifestação de inconformidade originalmente apresentada. O fundamento adotado pela DRJ ao assim proceder foi de que o recorrente teria inovado na tese de defesa. É o que se verifica da transcrição a seguir: A fim de justificar seu crédito, a contribuinte alega quando tomou ciência do relatório fiscal decorrente da diligência, ainda, que o pagamento, origem do crédito pleiteado, foi recolhido com atualização equivocada, uma vez que para a atualização da segunda parcela dos débitos de PIS deveria considerar apenas 1% e, não, 2,53% correspondente à Selic de janeiro, de 1,53%, somada a 1% de fevereiro (data do vencimento). Diante do argumento posto neste item, podese dizer de pronto que não tem razão a contribuinte. De se ver. Primeiro, porque a contribuinte inovou em sua manifestação ao afirmar que o crédito tem origem também no recolhimento a maior dos juros Selic quando do pagamento dos valores decorrentes do parcelamento por adesão ao RET. Observese que na manifestação inicial, bem como ao ser intimada pela autoridade fiscal, a contribuinte não fez referência aos fatos alegados. Somente quando intimada do resultado da diligência, a contribuinte alegou o pagamento a maior de juros Selic. Desta forma, como no âmbito das compensações declaradas pelos contribuintes, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente declarado em declaração de compensação, não há como se analisar o pleito no âmbito deste processo. Neste ponto, entendo que assiste parcial razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante será devidamente analisado a seguir. Da análise dos presentes autos, é possível constatar a seguinte sequência de fatos: (i) o contribuinte pretende o reconhecimento de crédito oriundo de pagamento a maior realizado por meio de DARF; (ii) o despacho decisório informa a negativa do direito creditório pleiteado em razão da não localização do DARF informado; (iii) o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade por meio da qual aponta o erro que teria levado à Receita Federal à não localização do DARF em questão, requerendo, então, o reconhecimento do seu direito creditório; (iv) em diligência realizada nos autos, a fiscalização informa ter localizado o DARF, contudo, tendo em vista que apenas a sua localização não é suficiente para confirmar se o recolhimento fora realizado a maior, determina que o contribuinte seja intimado para que apresente a documentação necessária à comprovação do crédito pleiteado, tendo constado da informação fiscal, de forma expressa a seguinte informação: À equipe de Apoio da DIORT/DRF/BSB Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.684 7 para que cientifique o contribuinte do teor deste documento, concedendo prazo de 30 dias para eventual aditamento à manifestação de inconformidade. (v) em seguida, o contribuinte apresenta as informações complementares de fls. 1616/1623 dos autos. Diante do contexto fático acima apresentado, entendo que as informações complementares apresentadas pelo contribuinte às fls. 1616/1623, as quais decorreram justamente de nova fundamentação trazida pela fiscalização, deveriam sim ser apreciadas pela DRJ. Apresentase, portanto, incorreta a fundamentação constante da decisão recorrida quanto a este ponto. Contudo, apesar de ter apresentado este argumento preliminar, a DRJ seguiu com a sua fundamentação, assim dispondo: Segundo que o valor dos juros Selic relativo ao pagamento, referenciado como origem do crédito na Dcomp, importa em R$ 11.848,53, enquanto que o crédito contestado é de R$ 24.780,93 (v. folha 1.608). Ademais, toda a argumentação da contribuinte de origem do crédito se refere ao pagamento a maior do valor principal e não dos juros Selic. Terceiro, é que o prazo para pleitear restituição de pagamento indevido ou maior decai em cinco anos contados da data do pagamento que ocorreu em 30 de abril de 2002. Portanto, não há como se acatar a alegação de pagamento a maior ou indevido de juros Selic quando da apresentação da manifestação de inconformidade decorrente de resultado de diligência, em setembro de 2016. Quanto ao segundo argumento apresentado, da mesma forma, entendo que a lógica apresentada pela DRJ neste ponto não levaria, por si só, ao indeferimento do pleito do contribuinte. Isso porque, caso confirmado que o valor do crédito corresponderia ao valor de R$ 11.848,53, ao invés do valor de R$ 24.780,93, originalmente requerido pelo contribuinte, a conclusão natural seria do deferimento parcial do pleito apresentado e não do seu indeferimento. Passase, então, à análise do último fundamento apresentado pela decisão da DRJ, de que o prazo para pleitear a restituição teria decaído no caso concreto aqui analisado. Quanto a este ponto, entendo correta a conclusão a que chegou a decisão recorrida. Isso porque, como é cediço, o prazo que o contribuinte possui para requerer restituição de valores pagos a maior é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, que no presente caso ocorreu em 30/04/2002. Sendo assim, verificase que o contribuinte possuía até 30/04/2007 para requerer a restituição do valor em referência. Acontece que a DCOMP aqui analisada apenas foi apresentada em 05/06/2007 (vide fl. 09 dos autos). Quanto aos fundamentos apresentados pela DRJ, é importante que se faça uma ressalva. Na contagem do prazo em questão, deverá ser levado em consideração a data em que o contribuinte requereu inicialmente a compensação por suposto recolhimento a maior, e não a data de setembro de 2016, em que teria se manifestado sobre o resultado da diligência. De toda forma, ainda que se considere o prazo em que o recorrente apresentou o pedido de compensação, verificase que o prazo de 5 (cinco) anos já havia se encerrado. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 10166.903801/201151 Acórdão n.º 3002000.280 S3C0T2 Fl. 1.685 8 Quanto a este assunto, não é demais registrar que, embora já se tenha, no passado, discutido acerca da contagem deste prazo ser estendida para 10 (dez) anos (tese dos cinco mais cinco), este tema encontrase atualmente pacificado por meio de decisão do STF em repercussão geral (RE 566521), cuja observância apresentase imperativa a este órgão de julgamento, por força do disposto no art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno deste Conselho. Nesse sentido, trazse à colação decisão recente proferida pela Câmara Superior desta Seção de Julgamento sobre a matéria: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/11/1995 a 15/03/1996 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. (Acórdão nº 9303006.535 de 15/03/2018) Sendo assim, uma vez que o pedido de compensação aqui analisado fora apresentado tão somente em 05/06/2007, ou seja, posteriormente à vacatio legis da LC 118/2005, ocorrida em 09 de junho de 2005, aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, o qual se encerrou em 30/04/2007. Diante das razões acima apresentadas, embora entenda que a decisão recorrida tenha apresentado, no seu conteúdo, determinados fundamentos equivocados, penso que este fato não torna a torna nula. Até porque, no meu entender, a fundamentação apresentada acerca do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para pleitear restituição, com as ressalvas acima postas, é válida e suficiente para negar o pleito do contribuinte. Nesse contexto, ainda que a tese de mérito do contribuinte seja válida, ou seja, ainda que o pagamento realizado através do DARF em referência tenha sido superior ao valor efetivamente devido, em decorrência da adoção incorreta dos critérios de atualização, não resta dúvidas que a pretensão do contribuinte, in casu, esbarra no transcurso do prazo quinquenal acima analisado (prejudicial de mérito). Sendo assim, resta prejudicada a análise meritória pretendida pelo contribuinte, acerca do pagamento ter sido realizado a maior. 2. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 1685DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.902581/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2009
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas.
O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares.
Numero da decisão: 1401-002.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas jurídicas. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 25 81 /2 00 9- 92 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte apresentada em virtude de não ter reconhecido o direito creditório pleiteado e de não homologar a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP, para manter o crédito tributário exigido. Ao compulsar dos autos, percebese que “a matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico , exarado pela Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC, no qual não foi homologada a DCOMP, sob o argumento de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Diante disto, a Derat/SC – Florianópolis, não homologou a compensação declarada, exigindo o recolhimento dos débitos, com os respectivos acréscimos legais. Exigiu se os valores devedores indevidamente compensados. A Ciente da autuação, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: 1. PRELIMINAR: DA DECISÃO JUDICIAL QUE DECLAROU A NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS PRESTADOS PELA REQUERENTE AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA A EDIÇÃO DO ATO IMPUGNADO: Diz que há uma questão prejudicial à lavratura do Despacho Decisório, tendo em vista que fora judicialmente reconhecida a natureza hospitalar dos serviços de patologia, autorizando lhes a aplicar o percentual de 8% (IRPJ) e 12%CSLL, para efeitos de determinação da base de calculo (lucro presumido)”. 2. NO MÉRITO: O contribuinte alegou haver ingressado com ação ordinária junto à 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí/SC, que recebeu o nº 500001672.2010.404.7208, objetivando o reconhecimento do direito de recolher o IRPJ e a CSLL aplicando os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta e, ainda, o direito de compensar os recolhimentos a maior já efetuados (alíquota de 32%). 3. Diz que obteve decisão judicial que suspendeu a exigibilidade em relação aos créditos tributários correspondentes. E que, uma vez reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços prestados não restam dúvidas no sentido de que a compensação levada a efeito, cujo crédito apurado decorre de pagamentos indevidos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 4 3 de IRPJ e CSLL, pela aplicação equivocada do percentual de 32% é plenamente legítima, devendo, pois, ser homologado o procedimento de compensação. E que, partindo da premissa que o crédito utilizado para compensação é plenamente legitimo, o entendimento externado no r. Despacho Decisório, configura uma hipótese de negativa de vigência ao disposto no art. 74, da Lei n. 9.430/96”. 4. Requereu que seja: "(a) recebida a presente manifestação de inconformidade, para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional; (b) decretada a nulidade do r. Despacho ...; ou, então, (c) seja este integralmente reformado, tendo em vista que fora reconhecida judicialmente a natureza hospitalar dos serviços de patologia prestados”. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2009. DIREITO CREDITÓRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Não encontra amparo legal a pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. 1. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. 2. Somente o trânsito em julgado da decisão judicial no processo no qual se discute a determinação do crédito do contribuinte pode atribuir a este os requisitos de liquidez e certeza sem os quais a compensação declarada não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Isto porque, segundo entendimento da Turma, a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. E que, além disso, cumpre observar que se encontra prejudicada a apreciação do mérito do direito ao crédito e de sua compensação, na medida em que não encontra amparo à pretensão de discutir, na esfera administrativa, matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, dada a supremacia hierárquica da esfera judicial”. E no que tange à possibilidade de se compensar os indébitos discutidos na ação ordinária ajuizada pela impugnante, notase que “nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, citado na própria sentença, é vedada a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 5 4 Conclui a turma julgadora que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Dessa forma, a manifestação fora julgada improcedente, culminandose com a não homologação da compensação objeto da DCOMP. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando seguintes as razões: 1. DA PROTEÇÃO DA SEGURANÇA JURÍDICA DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ: Aduz que a compensação levada a efeito, pautouse por entendimento já preconizado pela própria administração fazendária, o acórdão recorrido acabou vulnerando os princípios da segunda jurídica, da proteção da confiança e da boafé, devendo, portando, ser modificado. 2. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170 A (CTN): Aduz que ao se tratar de compensação de indébito resultante de enquadramento legal equivocado, não tem aplicabilidade o disposto no art. 170A, já que nessa hipótese, para constatarse a configuração do indébito, não haverá necessidade de pronunciamento judicial. E que, em decorrência do recolhimento de tributo a maior, a recorrente tem direito ao justo ressarcimento do indébito mediante exercício do direito protestativo de compensação, independentemente de prévia autorização judicial ou administrativo. 3. DA VERIFICAÇÃO E APURAÇÃO DO INDÉBITO RELATIVO AO CRÉDITO COMPENSADO: Afirma que em razão dos amplos poderes de fiscalização da Receita Federal, a compensação levada a efeito não deveria ter sido rejeitada de plano eventualmente pela falta de retificação da DCTF em que fora declarado o tributo indevido. Informa que tal entendimento é baseado no art. 165, II do CTN, em que assegura que a restituição (no caso por compensação) do pagamento indevido mesmo quando o tributo for recolhido a maior em função de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação de alíquota aplicada, no calculo do montante de debito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento 4. Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para modificar o acórdão recorrido, homologandose a compensação pleiteada. É o relatório do essencial. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.553, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902599/2011 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.553): "[...] O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide versa sobre o direito de compensar a diferença de alíquotas do IRPJ e CSLL atribuídos por força da utilização do percentual reduzido de 8% e 12% na apuração do lucro presumido por ocasião da equiparação hospitalar, desde que o contribuinte seja constituído de fato e de direito como sociedade empresária. Não é caso novo nesse Conselho. A DRJ manteve o crédito tributário sob o entendimento de que “somente após o trânsito em julgado de decisão judicial que reconheça direito creditório é que pode a empresa pleitear na via administrativa a compensação, observados ainda os demais requisitos da legislação pertinente”. Entretanto, como bem observado pela DRJ “a DCOMP foi transmitida anteriormente à ação ordinária, impetrada em 2010, conforme trecho da sentença anexado aos autos, de modo que o crédito, quando utilizado na compensação declarada, não tinha amparo nem fundamento na ação judicial invocada pela interessada. Não é caso novo nesse Conselho a análise sobre as alíquotas aplicáveis e o enquadramento como serviços de natureza hospitalar. DO ENQUADRAMENTO DE SERVIÇOS HOSPITALARES: É cediço, que o Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria atinente à aplicação de alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. O critério eleito é de cunho objetivo e concerne “à natureza do serviço que deve ser relacionado à promoção da Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 7 6 saúde e ter custo diferenciado, excluídas, assim, as receitas decorrentes de simples consultas médicas e demais atividades administrativas”, senão vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 8 7 médicos". (STJ, REsp 1.369.763/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24/6/2013; AgRg no REsp 1.383.586/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1/10/2015). Coadunase ao entendimento pacificado do STJ, o seguinte julgado: Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015. Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Forçoso reconhecer, portanto, o direito da empresa recorrente ao recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, no mesmo patamar exigido das entidades prestadoras de serviços hospitalares, previsto nos arts. 15, § 1º, III, "a" (IRPJ) e 20 da Lei n. 9.249∕95 (CSLL). Desta feita, restandolhe assegurado o direito ao recolhimento no mesmo patamar das prestadoras de serviços hospitalares, também lhe é assegurado o direito à restituição ou compensação dos valores pagos a maior. FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DO ADVENTO DA LEI Nº 11.727/08: Em que pese não tenha sido objeto da decisão recorrida vez que a mesma não adentrou ao mérito, cumpre enfrentar a matéria. O critério adotado de constituição da empresa como sociedade empresarial e a tributação diferenciada quanto às alíquotas no IRPJ e CSLL, somente foi implementado com o advento da Lei nº 11.727/2008. Antes, porém, vigorava a Lei nº 9.249/95 que não estabelecia tais parâmetros de sociedade empresarial como condição para a tributação e aplicação das Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 9 8 alíquotas reduzidas do IRPJ (8%) e da CSLL (12%) às receitas provenientes de serviços hospitalares. Acerca do efeito vinculante para a Administração Tributária Federal de teses jurisprudências pacificadas, fazse necessário a transcrição da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1 de 12 de fevereiro de 2014: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ...V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8oda portariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 10 9 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendose em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014). Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 11 10 Ocorre que, somente após o advento da Lei 11.727/08 é que houve a instituição do requisito legal de ser uma sociedade empresária para poder usufruir do beneficio legal da tributação favorecida. Antes de janeiro de 2009, os contribuintes poderiam estar organizados sob a forma de sociedade simples, sem que isso interferisse na obtenção do referido benefício fiscal. Não há obrigatoriedade de ser constituída como sociedade empresária para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/01/2009, data em que passou a produzir efeitos o art. 29 da Lei n. 11.727/2008. Somente após esta data, é que se deve observar as alterações e imposições trazidas pelo texto legal. In casu, o auto de infração fora lavrado com exigências tributárias referentes aos anoscalendários de 2006/2007/2008, de modo que as alterações trazidas pela Lei nº 11.727/08 não podem retroagir para abarcar fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei. Ademais, admitir a modulação dos efeitos da Lei 11.727/2008 para fatos pretéritos, é aceitar uma modificação de critério jurídico vedado pelo art. 146 do CTN, na medida em que se traz eficácia retroativa aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (CTN). [grifase]. Outrossim, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido, inclusive tratandose acerca da irretroatividade da lei para fatos pretéritos, a saber: As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda à receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. (STJ Tema 217). [grifo nosso]. Diante do exposto, verificandose que o fiscalizada presta serviços laboratoriais de análises clínicas, serviços esses que estão inseridos no conceito de atividades hospitalares e levando em consideração a irretroatividade da Lei 11.727/08 para fatos geradores pretéritos, faz jus a contribuinte ao recolhimento do IRPJ e da CSLL às alíquotas de 8% e 12%, nos Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10909.902581/200992 Acórdão n.º 1401002.555 S1C4T1 Fl. 12 11 termos da Lei nº 9.249/95 (arts. 15, § 1º, inciso III, alínea a, e 20, caput). CONCLUSÃO: Dessa forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, razão pela qual lhe assiste o direito de compensar os pagamentos feitos a maior. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000965/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRRF. COMPROVAÇÃO. NOTA FISCAL E DARF DE RECOLHIMENTO. SUFICIÊNCIA.
A apresentação pela agência de publicidade de nota fiscal acompanhada do DARF de recolhimento do IRRF é suficiente para o aproveitamento do valor de fonte na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1302-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRRF. COMPROVAÇÃO. NOTA FISCAL E DARF DE RECOLHIMENTO. SUFICIÊNCIA. A apresentação pela agência de publicidade de nota fiscal acompanhada do DARF de recolhimento do IRRF é suficiente para o aproveitamento do valor de fonte na composição do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 09 65 /2 00 3- 15 Fl. 1471DF CARF MF 2 Adoto o relatório constante da Resolução desta Turma Ordinária (fl.1388), por bem descrever os fatos: O presente caso versa sobre pedido de compensação apresentado pela empresa Recorrente, a qual se dedica à prestação de serviços publicitários, se submetendo à tributação de imposto de renda através da sistemática de recolhimento mediante retenção na fonte (IRRF), na forma prevista em IN SRF n. 123/92. A lide gira em torno de divergências entre a composição do saldo negativo de IRPJ da Recorrente no anocalendário de 1999, o qual foi utilizado para compensações com débitos próprios. Segundo o Parecer de fls. 510, referido saldo negativo decorre do “Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF maior que o IRPJ devido” (fls. 511). A Recorrente informou em DIPJ que sofreu mais retenções do que o valor informado pelas fontes pagadoras em DIRF. Assim, a Recorrente foi intimada a apresentar os “comprovantes de (...) IRRF, inclusive de aplicações financeiras do anocalendário de 1999” (fl. 511). O parecer relata o seguinte (fls. 512 e ss.): Em 24 de janeiro de 2008, o contribuinte atendeu à intimação encaminhado os documentos de folhas 403 a 488. No resumo da Dirf de folha 367, verificase que as retenções na fonte que apresentam divergências com as informações do contribuinte são as de códigos 1708 e 8045. No que tange ao código 8045 observase que o contribuinte apresentou DARFs (folhas 407 a 425) como forma de comprovação das retenções na fonte. Ocorre que a legislação não prevê tal Documento como forma de comprovação das retenções. Informa o contribuinte haver recolhido o IRRF conforme determina o art 3º, abaixo reproduzido, da Instrução Normativa SRF n° 123, de 20 de novembro de 1992. (...) Ocorre que esta retenção referese aos casos em que a agência de publicidade repassa os valores pagos pelo anunciante a empresas de rádio, televisão, jornais, etc, isto e, gastos feitos com terceiros em nome da agência, mas reembolsáveis, pelo anunciante. Neste caso, a agência de propaganda somente efetua a intermediação, mediante a contratação e pagamento dos serviços, por conta e ordem do anunciante, pois na realidade a contratante do serviço é o anunciante, por isso essa forma especial de retenção na fonte. Referente ao código 1708, o contribuinte encaminha notas Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.472 3 fiscais (folhas 427 a 473) com o intuito de comprovar as retenções na fonte. A legislação também não prevê comprovação de IRRF através de notas fiscais. Portanto, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum Comprovante de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de valor não declarado em Dirf pelas fontes pagadoras, será considerado, para o cálculo do saldo negativo dos quatro trimestres do anocalendário de 1999, os valores informados pelas fontes pagadoras em Dirf (folhas 380 a 400). Assim procedendo, a DRF/NHO decidiu por homologar os créditos tributários apenas no que se referia aos valores constantes das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, desconsiderando, assim, os valores apresentados pela Recorrente. Inconformada, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 588/593) onde aduz pela improcedência da decisão prolatada pela autoridade fiscal. Em resumo, alega posto que (i) a empresa teria efetivamente arcado com o ônus do pagamento do tributo, conforme DARF’s e notas fiscais por ela carreados; (ii) que a mera inconformidade dos dados apresentadas pela Contribuinte e as DIRF’s prestadas pelas fontes pagadoras não seria suficiente ao afastamento dos pagamentos por ela arcados e, por consequência dos créditos a que teria direito. No entanto, a despeito do argumentado pela Recorrente, sobreveio decisão da DRJ em fls. 1185/1187 (a qual, frisese, foi parcialmente digitalizada e juntada aos presentes autos) mantendo a decisão da Autoridade Fiscalizadora quanto ao reconhecimento parcial dos créditos declarados, conforme se asseverou pela leitura conjunta dos documentos juntados em seguida. Ainda descontente, a Contribuinte apresenta o presente Recurso Voluntário (fls. 1196/1204) onde aduz, mais uma vez, pela ampla procedência da documentação por ela apresentada como apta e idônea à constatação da existência de crédito referente a saldo negativo, bem como o consequente reconhecimento do direito ao aproveitamento dos referidos créditos. Em sessão de 11 de março de 2014 desta Turma Ordinária, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: Dessa forma, buscando prestigiar a verdade material, entendo necessário que o julgamento seja convertido em diligência para averiguar para os seguintes fins: i) À Secretaria, para providenciar a juntada da íntegra do acórdão da DRJ, que foi apenas parcialmente digitalizada; Fl. 1473DF CARF MF 4 ii) Ao AFRFB, para verificar o efetivo recolhimento, datas, fatos geradores e códigos dos DARF´s juntados ao processo, se houve ou não Redarf; iii) Ao AFRFB, verificar se a receita, correspondente aos créditos do IRRF referente documentos juntados pela recorrente, foram tributadas nas respectivas competência (juntar planilha quanto ao período); iv) Ao AFRFB, verificar, junto às fontes de retenção, se o montante dos valores de IRRF constante nas notas fiscais e pelos DARF juntadas pela recorrente já estão compondo o saldo das DIRF por eles entregues, ou devem ser acrescidos aos valores já declarados; v) Ao AFRFB, esclarecer se a diferença entre o IRRF declarado em DIRF e o que a Recorrente procura comprovar pode ser considerada como pagamento indevido ou a maior? vi) Ao AFRFB, apresentar quaisquer esclarecimentos adicionais que entender cabível. Assim, foi juntada cópia integral do Acórdão 1016.451, da 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre (fls.1398 a 1403). À folha 1451 foi juntado o Relatório de Diligência cujos excertos relevantes abaixo transcrevo: (...) Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.473 5 3. Abaixo demonstrativo resumido dos valores envolvidos: 4. Intimada a comprovar os valores de IRRF, deduzidos do IR devido, a empresa não apresentou os comprovantes de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora, mas, sim, Notas Fiscais de sua emissão com demonstrativo da retenção e os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF – por ela recolhidos (fls. 405 a 490 deste processo). 5. O indeferimento dos valores de IRRF foi alicerçado na legislação do Imposto de Renda, sendo citados os artigos 815, Fl. 1475DF CARF MF 6 942 e 943 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda , principalmente o § 2º do art. 943, o qual dispõe que “O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitidos em seu nome pela fonte pagadora...” (fls. 511 a 513 deste processo) (GRIFOUSE). 6. Após a DRJ ter mantido, por unanimidade, a decisão da DRF de origem (fls. 1185 a 1187), indeferindo a manifestação de inconformidade protocolada às fls. 588 a 1083, a empresa interpôs Recurso Voluntário ao CARF (fls. 1196 a 1386) que converteu o julgamento em Diligência, e o processo foi encaminhado para esta DRF para atendimento dos itens dessa Resolução i) ao vi) (fls. 1393 e 1394). Após breve relato, passa se à diligência. 7. Item i) Providenciar a juntada da íntegra do acórdão DRJ. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade foi juntado às fls. 1398 a 1403. 8. Item ii) Verificar o efetivo recolhimento, datas, fatos geradores, códigos dos DARF juntados ao processo e a existência de Redarf. 8.1 Foi elaborada planilha em que foram confirmados, junto aos sistemas informatizados da RFB, as datas, os fatos geradores e os códigos dos DARF apresentados pelo contribuinte, às fls. 1405 a 1434. Registrese que não houve Redarf, que todos os documentos foram localizados, que se encontram alocados a débitos confessados pelo próprio contribuinte, e que há dois documentos recolhidos e não alocados a débito algum. 9. Item iii) Verificar se a receita correspondente aos créditos do IRRF foi tributada nas respectivas competências. 9.1 Juntaramse DIPJ, planilha demonstrativa dos trimestres do anocalendário de 1999, em que foram oferecidas à tributação as receitas de prestação de serviço e as receitas financeiras, e comparativo dos valores (fls. 1435 a 1442). Verificouse que as receitas de prestação de serviço foram oferecidas à tributação de maneira suficiente em suas respectivas competências e que, porém, o valor declarado em DIPJ de receitas financeiras não foi suficiente, restando uma diferença faltante na tributação de R$ 12.395,95 (diferença entre R$ 309.540,00, declarado em DIPJ, e R$ 321.935,95, declarado pelas fontes pagadoras em DIRF). 10. Item iv) Verificar, junto às fontes de retenção, “se o montante dos valores de IRRF constante nas notas fiscais e pelos DARF juntadas pela recorrente já estão compondo o saldo das DIRF por eles entregues, ou devem ser acrescidos aos valores já declarados”. 10.1 As fontes pagadoras foram intimadas, conforme dossiês vinculados, e quem atendeu à intimação afirmou, consoante Quadro de Resultados e de Resumo das intimações, que todos os Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.474 7 valores apresentados em Notas Fiscais já estão declarados em DIRF, ou seja, todos os valores cuja comprovação o contribuinte quis realizar por meio de Nota Fiscal não devem ser acrescidos aos já declarados na DIRF. Registrese que houve intimações sem resposta, porém foi uma amostragem de 50% de atendimento, visto que o anocalendário de 1999 mostrase muito antigo e que, por isso, as empresas relataram dificuldades em encontrar os documentos (fls. 1443 a 1449). 11. Item v) Esclarecimentos sobre se a diferença entre o IRRF declarado em DIRF e o que a recorrente procura comprovar pode ser considerada como pagamento indevido ou a maior. 11.1 O crédito pleiteado pelo contribuinte nesse processo refere se ao decorrente de Saldo Negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, valor que é oriundo da apuração de ajuste anual de diversas antecipações que o sujeito passivo pode fazer ao longo de um determinado anocalendário. Esse crédito é regido por legislação específica e somente algumas rubricas estão incluídas, e devem ser comprovadas, cada qual com suas peculiaridades calcadas em legislação. O art. 2º e §§ da Lei nº 9.430, de 1996, dispõem sobre a opção pelo pagamento do imposto de renda por estimativa e as deduções autorizadas do imposto devido; e seu art. 6º e §§ dispõem sobre o tratamento do saldo do imposto. Devese observar o Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000, de 1999. A IN RFB nº 1.300, de 2012, trata do saldo negativo em seu art. 4º, e o seu art. 11, dispõe: “Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto sobre a renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” 11.2. Por sua vez, o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior é decorrente de documento arrecadado quando houve um engano na base de cálculo do tributo ou simplesmente um equívoco no valor recolhido. Normalmente a DCTF relativa é retificada e o valor recolhido permanece disponível no sistema da RFB. O contribuinte deve comprovar o crédito por meio da contabilidade e documentação hábil e idônea; pode ter sido causado por um pagamento parcial ou totalmente indevido e também possui legislação específica regente – vide Lei nº 5.172, 1966, art. 165 a 169; IN RFB nº 1.300, de 2012, art. 2º e 3º. 11.3. Nesse contexto, a IN RFB nº 1.300, de 2012, traz em seus arts. 83 e 94 distinções entre as modalidades de crédito quanto a sua valoração e tratamento próprios, levando a crer que não se confundem. Inclusive os documentos, tanto eletrônico quanto formulário em papel, utilizados para efetuaremse os pedidos de Fl. 1477DF CARF MF 8 restituição ou as declarações de compensação desses dois tipos de crédito apresentam tópicos e escolhas específicas em cada modalidade que devem ser efetuadas pelo contribuinte requerente na hora de sua confecção. Portanto, afirmase que, s.m.j., esses dois créditos mencionados não devem ser confundidos. Cientificada do Relatório de Diligência, não houve manifestação da Recorrente. Destaco, finalmente, que foram juntados por apensação a estes processo os de nº 11065.900088/200899 e 11065.900103/200807 que tratam de declarações de compensação relativas ao crédito de saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre do anocalendário de 1999 no valor original total de R$ 2.742,33 e ao crédito de saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre do anocalendário de 1999 no valor original total de R$ 7.314,27, processos que serão tratados no momento oportuno no voto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Acórdão da DRJ foi cientificado em 13 de agosto de 2008 e o Recurso Voluntário apresentado em 10 de setembro de 2008, portanto, tempestivamente. A representação é regular conforme instrumento de folha 595. Assim, conheço do Recurso. A Dcomp em discussão neste processo é a retificadora declarada à folha 226 cujo pleito diz respeito aos quatro trimestres de 1999, nos seguintes valores: 1º Trimestre/1999: Saldo negativo de IRPJ R$2.742,33 2º Trimestre/1999: Saldo negativo de IRPJ R$7.314,27 3º Trimestre/1999: Saldo negativo de IRPJ R$6.805,62 4º Trimestre/1999: Saldo negativo de IRPJ R$17.446,07 A sistemática diferenciada de imposto na fonte em relação às operações que envolvem agências de publicidade e propaganda foi adotada pela Lei nº 7.450, de 1985 em seu artigo 53, in verbis: Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; II por serviços de propaganda e publicidade. Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.475 9 Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. A alíquota de 5% foi reduzida para 1,5% pelo artigo 6º da Lei n 9.064, de 1995. A Instrução Normativa nº 24, de janeiro 1986, disciplinou a execução da referida norma legal, tendo sido editado, em abril de 1986, o Parecer CST nº 7, para esclarecer pontos duvidosos ainda existentes à época. Posteriormente, a Instrução Normativa nº 123, de 1992 passou a disciplinar o assunto. Pois bem, cabe o esclarecimento inicial de que, nesta operação sui generis, estamos tratando de IRRF incidente na operação de prestação de serviços de publicidade e propaganda por parte de uma agência (prestadora do serviço e beneficiária do IRRF) e um anunciante (pessoa jurídica que expõe na mídia seu produto/serviço e Fonte Pagadora). A operação é sui generis, porque o recolhimento do IRRF se dá pela agência de publicidade (beneficiária do imposto), que deve, por expressa disposição do artigo 6º IN 123, declarar o valor em DCTF, embora faça o recolhimento "por ordem e conta do anunciante" (art. 3º da IN 123). Entendo que o motivo para a adoção desta sistemática seja no sentido de proteger a própria agência de publicidade do recolhimento de fonte em valores muito maiores que sua própria receita de serviços. Isto porque os pagamentos que recebe do anunciante incluem valores que serão repassados às empresas de rádio, televisão e mídia escrita e eletrônica e estes valores são significativamente maiores do que a receita de serviços. Caso o recolhimento fosse incumbência do anunciante, portanto, o base de cálculo incluiria todos esses valores, o que não acontece com a atribuição de recolhimento à agência que, conhecedora dos valores que serão repassados, pode abatêlos da base de cálculo, como prevê o § único do artigo 53 da Lei e o artigo 2º da IN 123. De fato, é uma situação estranha que a própria agência tenha que comunicar os rendimentos e o IRRF ao anunciante para que este informe os valores em DIRF (art. 4º da IN 123) e, também é estranho que a confirmação do recolhimento deste imposto declarado em DIRF deva ser feita no beneficiário e não na fonte pagadora. Mas é assim que é. Portanto está realmente equivocado o entendimento da DRJ de Porto Alegre quando consigna: O anunciante emitirá Dirf indicativa dos rendimentos e do IRRF decorrentes dos serviços prestados pelas empresas de rádio, televisão, jornais, publicidade ao ar livre ("out door"), cinema e revistas. O anunciante e a agência de publicidade são solidariamente responsáveis pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Assim, sem sentido a agência de propaganda querer compensar IRRF relativo a rendimento Fl. 1479DF CARF MF 10 auferido por terceiro (empresas de rádio, televisão, jornais, publicidade ao ar livre ("out door"), cinema e revistas). Esse terceiro é que poderá compensar o IRRF diante do comprovante de retenção emitido pelo anunciante, nos termos do art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985, sobre o qual discorrerei a seguir. Inviável, portanto, o pleito. O artigo 7º da Instrução Normativa nº 123, de 1992 afasta qualquer dúvida quanto à definição do beneficiário do IRRF: Art. 7o O imposto de renda na fonte poderá ser deduzido do imposto apurado mensalmente na forma do art. 38 da Lei no 8.383, de 1991, assim como do imposto estimado em cada mês, caso a agência de propaganda tenha optado pela faculdade prevista nos arts. 39, 86 ou 87 da mesma lei.(grifei) Como o IRRF relativo aos códigos 8045 IRRF Outros Rendimentos e 1708 IRRF Remuneração de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica são os que apresentam discrepância entre as DIRF e a DIPJ, afirmo, de antemão, em relação ao código 8045, que os DARF e as notas fiscais de serviços são prova mais do que suficiente para a comprovação do direito creditório do Recorrente com fundamento de saldo negativo de IRPJ e não como pagamento indevido ou a maior. Dito isto, no Parecer de folhas 510 a 517, que instrui o Despacho Decisório de folha 518, a autoridade administrativa decide em relação a cada trimestre. Se não vejamos: 1º Trimestre de 1999 Ao final do primeiro trimestre do anocalendário de 1999, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.742,32 (dois mil, setecentos e quarenta e dois reais, trinta e dois centavos), decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF maior que o IRPJ devido (folha 362). Assim solicita compensação do saldo negativo em tela, conforme Declarações de Compensação de folhas 01, 02, 228, 229 e 224. Tendo em vista que no trimestre em questão o contribuinte informa haver sofrido retenções na fonte no valor de R$ 21.590,59 (vinte e um mil, quinhentos e noventa reais, cinqüenta e nove centavos), e que as fontes pagadoras, por meio de Declarações do imposto de Renda Retido na Fonte Dirf (folhas 367 a 377 e 380 a 400), informaram para este trimestre o valor de R$ 16.765,16 (dezesseis mil, setecentos e sessenta e cinco reais, dezesseis centavos) referente as retenções, o interessado foi intimado, através do Termo de Intimação para Comparecimento ao Processo n" 24/2008 (folha 378), a apresentar os Comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte, inclusive de aplicações financeiras do anocalendário de 1999 (exercício 2000). Deve ser lembrado o que dispõe o art. 815, abaixo reproduzido, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999. (...) Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.476 11 Em 24 de janeiro de 2008, o contribuinte atendeu ã intimação encaminhado os documentos de folhas 403 a 488. No resumo da Dirf de folha 367, verificase que as retenções na fonte que apresentam divergências com as informações do contribuinte são as de códigos 1708 e 8045. No que tange ao código 8045 observase que o contribuinte apresentou DARFs (folhas 407 a 425) como forma de comprovação das retenções pa fonte. Ocorre que a legislação não prevê tal Documento como forma de comprovação das retenções. Informa o contribuinte haver recolhido o IRRF conforme determina o art 3º, abaixo reproduzido, da Instrução Normativa SRF n° 123, de 20 de novembro de 1992. (...) Ocorre que esta retenção referese aos casos em que a agência de publicidade repassa os valores pagos pelo anunciante a empresas de rádio, televisão, jornais, etc, isto e, gastos feitos com terceiros em nome da agência, mas reembolsáveis, pelo anunciante. Neste caso, a agência de propaganda somente efetua a intermediação, mediante a contratação e pagamento dos serviços, por conta e ordem do anunciante, pois na realidade a contratante do serviço é o anunciante, por isso essa forma especial de retenção na fonte. Referente ao código 1708, o contribuinte encaminha notas fiscais (folhas 427 a 473) com o intuito de comprovar as retenções na fonte. A legislação também não prevê comprovação de 1RRF através de notas fiscais. Portanto, tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhum Comprovante de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de valor não declarado em Dirf pelas fontes pagadoras, será considerado, para o cálculo do saldo negativo dos quatro trimestres do anocalendário de 1999, os valores informados pelas fontes pagadoras em Dirf (folhas 380 a 400). Assim, os valores retidos na fonte, de acordo com Dirfs encaminhadas pelas fontes pagadoras, no primeiro trimestre de 1999 alcançou R$ 16.765,16 (dezesseis mil, setecentos e sessenta e cinco reais, dezesseis centavos). (...) Dessa forma, resta ao contribuinte saldo negativo de IRPJ, referente ao 1° trimestre de 1999, o valor de R$ 2.083,11 (dois mil e oitenta e três reais, onze centavos).(grifei) Assim, a empresa requereu um crédito de R$2.742,33 e lhe foi concedido o valor de R$2.083,11. Todavia este valor foi integralmente utilizado para compensar débito de IRRF de Juros sobre Capital Próprio relativo a julho de 2002. Permanece, desta forma, em litígio neste trimestre o valor de R$659,22. Fl. 1481DF CARF MF 12 Às folhas 1405 e seguintes são juntadas telas dos sistemas da Receita Federal relativos a DARF recolhidos pela RBA no código 8045 IRRF Outros Rendimentos, utilizado para retenções relativas à serviços prestados por agências de propaganda. São os seguintes os valores recolhidos relativos a fatos geradores ocorridos no 1º trimestre: folha 1405:.........................................R$889,08 ...........................................................R$735,30 folha 1406..........................................R$1.459,63 ...........................................................R$15,78 folha 1407..........................................R$254,40 ............................................................R$1.477,14 folha 1408...........................................R$59,70 ............................................................R$69,00 folha 1409...........................................R$245,20 ............................................................R$160,87 folha 1410...........................................R$130,17 ............................................................R$42,09 folha 1411...........................................R$150,22 Total....................................................R$5.688,58 Segundo a diligência realizada, não houve REDARF e os valores foram alocados aos referidos débitos. Conforme tabelas de folhas 1446, o rendimento bruto e o IRRF constantes das DIRF no código 8045 e relativos ao 1º trimestre de 1999 são de R$59.898,53 e R$1.059,41, respectivamente. A relação do valor recolhido em DARF pela empresa (R$5.688,58) e o valor reconhecido pelo Despacho Decisório (DIRF R$1.059,41) indica que restam R$4.629,17 para um crédito litigado de R$659,22. Há provas suficientes no processo para a concessão do valor requerido e não concedido, no total de R$659,22 no 1º Trimestre de 1999, sendo desnecessária a análise dos IRRF código 1708. 2º Trimestre de 1999 Ao final do 2° trimestre do anocalendário de 1999, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 7.314,27 (sete mil, trezentos e quatorze reais, vinte e sete centavos), decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF maior que o IRPJ devido. Assim solicita compensação Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.477 13 deste saldo negativo, conforme Declarações de Compensação de folhas 01, 02, 228, 229 e 224. Tendo em vista que no trimestre em questão o contribuinte informa haver sofrido retenções na fonte no valor de R$ 28.287,84 (vinte e oito mil, duzentos e oitenta e sete reais, oitenta e quatro centavos), e que as fontes pagadoras, por meio de Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf (folhas 367 a 377 e 380 a 400), informaram para este trimestre o valor de R$ 23.310,13 (vinte e três mil, trezentos e dez reais, treze centavos) referente às retenções, o interessado foi intimado, através do Termo de Intimação para Comparecimento ao Processo nº 24/2008 (folha 378), a apresentar os Comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte, inclusive de aplicações financeiras do anocalendário de 1999 (exercício 2000). Pelos motivos já explanados acima, será considerado o valor retido na fonte de acordo com Dirfs encaminhadas pelas fontes pagadoras, que informaram haver retido do contribuinte a soma R$ 23.310,13 (vinte e três mil, trezentos e dez reais, treze centavos) no 2° trimestre do anocalendário de 1999. (...) Dessa forma, resta ao contribuinte referente ao trimestre de 1999 um saldo negativo de IRPJ no valor total de R$ 2.336,56 (dois mil, trezentos c trinta e seis reais, cinqüenta c três centavos). Assim, a empresa requereu um crédito de R$7.314,27 e lhe foi concedido o valor de R$2.336,56. Todavia este valor foi integralmente utilizado para compensar débito de IRRF de Juros sobre Capital Próprio relativo a julho de 2002. Permanece, desta forma, em litígio neste trimestre o valor de R$4.977,71. Às folhas 1405 e seguintes são juntadas telas dos sistemas da Receita Federal relativos a DARF recolhidos pela RBA no código 8045 IRRF Outros Rendimentos, utilizado para retenções relativas à serviços prestados por agências de propaganda. São os seguintes os valores recolhidos relativos a fatos geradores ocorridos no 2º trimestre: folha 1411:.........................................R$552,79 folha 1412..........................................R$164,59 ...........................................................R$400,27 folha 1413..........................................R$415,69 ............................................................R$160,94 folha 1414...........................................R$1.046,61 ............................................................R$192,68 Fl. 1483DF CARF MF 14 folha 1415...........................................R$52,38 ............................................................R$450,85 folha 1416...........................................R$130.92 ............................................................R$980,66 folha 1417...........................................R$754,87 ............................................................R$845,27 folha 1418...........................................R$65,75 Total....................................................R$6.214,27 Segundo a diligência realizada, não houve REDARF e os valores foram alocados aos referidos débitos. Conforme tabelas de folhas 1446, o rendimento bruto e o IRRF constantes das DIRF no código 8045 e relativos ao 2º trimestre de 1999 são de R$124.965,32 e R$1.884,01, respectivamente. A relação do valor recolhido em DARF pela empresa (R$6.214,27) e o valor reconhecido pelo Despacho Decisório (R$1.884,01) não autoriza a concessão do direito creditório por si só, uma vez que restam R$4.330,69 e o crédito litigado perfaz R$4.977,71. Fazse necessária a análise dos argumentos atinentes aos recolhimentos no código 1708 que a Recorrente pretende demonstrar com a juntada das notas fiscais com o destaque dos valores a título de IRRF. Entendo que a comprovação prevista na lei é o comprovante emitido pela fonte pagadora. A prova por outros meios pode ser permitida, mas os elementos devem servir de convencimento cabal do julgador o que não é alcançado apenas pela nota fiscal, sendo necessária a juntada de outros elementos, tais como a prova do valor recebido no extrato bancário ou outro meio. Assim, com relação às retenções no código 1708 indefiro o pedido de reconhecimento do direito creditório. Há provas suficientes no processo para a concessão do valor de R$4.330,69 no 2º Trimestre de 1999. 3º Trimestre de 1999 Ao final do 3º trimestre do anocalendário de 1999, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 6.805,62 (seis mil, oitocentos e cinco reais, sessenta e dois centavos), decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF maior que o IRPJ devido. Assim solicita compensação do saldo negativo em questão, conforme Declarações de Compensação de folhas 01, 02, 228, 229 e 224. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.478 15 Tendo em vista que no trimestre em questão o contribuinte informa haver sofrido retenções na fonte no valor de R$ 19.113,67 (dezenove mil, cento e treze reais, sessenta e sete centavos), e que as fontes pagadoras, por meio de Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf (folhas 367 a 377 e 380 a 400), informaram para este trimestre o valor de R$ 13.191,22 (treze mil, cento e noventa e um reais, vinte e dois centavos) referente as retenções, o interessado foi intimado, através do Termo de Intimação para Comparecimento ao Processo nº 24/2008 (folha 378), a apresentar os Comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte, inclusive de aplicações financeiras do anocalendário de 1999 (exercício 2000). Pelos motivos já explanados anteriormente, será considerado o valor retido na fonte de acordo com Dirfs encaminhadas pelas fontes pagadoras, que informaram haver retido do contribuinte a soma R$ 13.191,22 (treze mil, cento e noventa e um reais, vinte e dois centavos) no 30 trimestre do anocalendário de 1999. (...) Dessa forma, o contribuinte tem direito ao valor de R$ 883,17 (oitocentos e oitenta e três reais, dezessete centavos) referente a saldo negativo de IRPJ do 3° trimestre de 1999. Assim, a empresa requereu um crédito de R$6.805,62 e lhe foi concedido o valor de R$883,17. Todavia este valor foi integralmente utilizado para compensar débito de IRRF de Juros sobre Capital Próprio relativo a julho de 2002. Permanece, desta forma, em litígio neste trimestre o valor de R$5.922,45. Às folhas 1405 e seguintes são juntadas telas dos sistemas da Receita Federal relativos a DARF recolhidos pela RBA no código 8045 IRRF Outros Rendimentos, utilizado para retenções relativas à serviços prestados por agências de propaganda. São os seguintes os valores recolhidos relativos a fatos geradores ocorridos no 3º trimestre: folha 1418..........................................R$1.434,49 folha 1419..........................................R$301,36 ...........................................................R$534,92 folha 1420..........................................R$661,19 ...........................................................R$181,56 folha 1421..........................................R$827,36 ...........................................................R$152,56 folha 1422..........................................R$475,98 ...........................................................R$524,25 Fl. 1485DF CARF MF 16 folha 1423..........................................R$792,99 ...........................................................R$277,53 folha 1424..........................................R$528,59 ............................................................R$337,71 Total....................................................R$7.030,49 Segundo a diligência realizada, não houve REDARF e os valores foram alocados aos referidos débitos. Conforme tabelas de folhas 1446, o rendimento bruto e o IRRF constantes das DIRF no código 8045 e relativos ao 2º trimestre de 1999 são de R$91.763,47 e R$1.245,35, respectivamente. A relação do valor recolhido em DARF pela empresa (R$7.030,49) e o valor reconhecido pelo Despacho Decisório (DIRF R$1.245,35) não autoriza a concessão do direito creditório por si só, uma vez que restam R$5.785,10 e o crédito litigado perfaz R$5.922,45. Fazse necessária a análise dos argumentos atinentes aos recolhimentos no código 1708 que a Recorrente pretende demonstrar com a juntada das notas fiscais com o destaque dos valores a título de IRRF. Entendo que a comprovação prevista na lei é o comprovante emitido pela fonte pagadora. A prova por outros meios pode ser permitida, mas os elementos devem servir de convencimento cabal do julgador o que não é alcançado apenas pela nota fiscal, sendo necessária a juntada de outros elementos, tais como a prova do valor recebido no extrato bancário ou outro meio. Assim, com relação às retenções no código 1708 indefiro o pedido de reconhecimento do direito creditório. Há provas suficientes no processo para a concessão do valor de R$5.785,10 no 3º Trimestre de 1999. 4º Trimestre de 1999 Ao final do 4º trimestre do anocalendário de 1999, o contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 17.446,07 (dezessete mil, quatrocentos e quarenta e seis reais, sete centavos), decorrente de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF maior que o IRPJ devido. Assim solicita compensação do saldo negativo em questão, conforme Declarações de Compensação de folhas 01, 02, 228, 229 e 224. Tendo em vista que no trimestre em comento o contribuinte informa haver sofrido retenções na fonte no valor de R$ 26.989,54 (vinte e seis mil, novecentos e oitenta e nove reais, cinqüenta e quatro centavos), e que as fontes pagadoras, por meio de Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf (folhas 367 a 377 e 380 a 400), informaram para este trimestre o valor de R$ 17.047,43 (dezessete mil e quarenta e sete reais, quarenta e três centavos) referente as retenções, o interessado foi intimado, através do Termo de Intimação para Comparecimento Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.479 17 ao Processo n" 24/2008 (folha 378), a apresentar os Comprovantes do Imposto de Renda Retido na Fonte, inclusive de aplicações financeiras do anocalendário de 1999 (exercício 2000). Pelos razões já explanadas anteriormente, será considerado o valor retido na fonte de acordo com Dirfs encaminhadas pelas fontes pagadoras, que informaram haver retido do contribuinte a soma R$ 17.047,43 (dezessete mil, quarenta c sete reais, quarenta e três centavos) no 4º trimestre do anocalendário de 1999. (...) Dessa forma, resta ao contribuinte o valor de R$ 7.503,96 (sete mil, quinhentos e três reais, noventa e seis centavos) referente a saldo negativo de IRPJ do 4° trimestre de 1999. Assim, a empresa requereu um crédito de R$17.446,07 e lhe foi concedido o valor de R$7.503,96. Todavia, deste valor R$477,09 foi utilizado para compensar débito de IRRF de Juros sobre Capital Próprio relativo a julho de 2002, remanescendo um crédito de 7.026,86. Permanece, desta forma, em litígio neste trimestre o valor de R$9.942,11. Às folhas 1405 e seguintes são juntadas telas dos sistemas da Receita Federal relativos a DARF recolhidos pela RBA no código 8045 IRRF Outros Rendimentos, utilizado para retenções relativas à serviços prestados por agências de propaganda. São os seguintes os valores recolhidos relativos a fatos geradores ocorridos no 4º trimestre: folha 1425..........................................R$1.635,59 ...........................................................R$555,46 folha 1426..........................................R$445,94 ...........................................................R$565,13 folha 1427..........................................R$86,04 ...........................................................R$1.945,03 folha 1428..........................................R$106,46 ...........................................................R$298,07 folha 1429..........................................R$24,69 ...........................................................R$419,73 folha 1430..........................................R$262,31 ...........................................................R$1.004,47 folha 1431..........................................R$119,49 ............................................................R$589,88 Fl. 1487DF CARF MF 18 folha 1432...........................................R$3.094,49 ............................................................R$76,57 Total....................................................R$11.229,35 Segundo a diligência realizada, não houve REDARF e os valores foram alocados aos referidos débitos. Conforme tabelas de folhas 1446, o rendimento bruto e o IRRF constantes das DIRF no código 8045 e relativos ao 2º trimestre de 1999 são de R$87.339,28 e R$1.286,82, respectivamente. A relação do valor recolhido em DARF pela empresa (R$11.229,35) e o valor reconhecido pelo Despacho Decisório (DIRF R$1.286,82) indica que restam R$9.942,53 para um crédito litigado de R$9.942,11. Há provas suficientes no processo para a concessão do valor requerido e não concedido, no total de R$9.942,11 no 4º Trimestre de 1999, sendo desnecessária a análise dos IRRF código 1708. Processo nº 11065.900088/200899 Apensado Neste processo a Empresa apresenta Dcomp requerendo crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre de 1999. Despacho Decisório Eletrônico, nº de rastreamento 749318734 (fl. 15), considerou extinto o direito de utilização do direito creditório por decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão da Dcomp e a data de apuração do saldo negativo. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o prazo começaria a contar da data da extinção do crédito tributário e que este só operaria com a homologação tácita ou expressa do artigo 150 § 4º do CTN. Alternativamente, requer que seja aceito como termo a quo a data da entrega da declaração do imposto de renda, ou, alternativamente, o encerramento do exercício. A 5ª Turma da DRJ de Porto Alegre em sessão datada de 17 de dezembro de 2008, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A Empresa apresenta Recurso Voluntário alegando, resumidamente, que a decisão da DRJ aplica os arts. 3º e 4º da LC 118/05 para fatos ocorridos antes de sua vigência e que a decisão não enfrentou os demais argumentos do Recorrente. A 3ª Turma Especial em sessão de 27 de janeiro de 2011 deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da declaração de compensação, devendo o órgão de origem pronunciarse quanto ao mérito do pedido. Foi emitido novo DD considerando nãodeclarada a compensação por duplicidade de pedido, uma vez que já havia Dcomp pleiteando o mesmo crédito. A Empresa, então, apresentou recurso hierárquico requerendo o sobrestamento do processo até o julgamento do 11065.000965/200315. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.480 19 A Superintendência da 10ª Região Fiscal no Parecer 69 SRRF10/Disit (fl 110) reforma o DD pois ainda não havia decisão da autoridade competente na data de transmissão da segunda Dcomp. A Delegacia de Novo Hamburgo emite novo Despacho Decisório, de nº 1276/2012 (fls. 119 e seguintes) decidiu nos seguintes termos: 24. Desse modo, não há como a DRF jurisdicionante proferir qualquer decisão. Uma que o direito creditório já foi analisado e encontrase em litígio administrativo; outra que, por consequência, não é sabido o valor do crédito que será utilizado na compensação do processo nº 11065.000965/200315, tampouco o valor do crédito que poderá remanescer, ou não, para os débitos declarados na DCOMP do presente processo. 25. Portanto, s. m. j., não resta alternativa, senão apensar o presente processo ao principal de nº 11065.000965/200315, atualmente no CARF, e suspender a cobrança dos débitos aqui declarados, sob pena de, no caso de exarar decisão, ocorrer conflito e utilização indevida ou a maior do crédito pleiteado, podendo haver, dessa forma, prejuízo ao erário público. 26. Ante o exposto, com base no artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, na Competência Delegada pela Portaria DRF/NHO Nº 46, de 19 de julho de 2012, publicada no DOU de 23 de julho de 2012, e nos termos da Legislação do Imposto de Renda: I) REFORMASE o Despacho Decisório DRF/NHO/Seort nº 298/2012, às fls. 84 a 87, de 06 de julho de 2012, para fins de afastar a aplicação da hipótese de compensação não declarada; II) DECIDESE pela APENSAÇÃO do presente processo ao processo principal em trâmite no CARF, controlado sob nº 11065.000965/200315, tendo em vista que o direito creditório aqui pleiteado encontrase lá em litígio administrativo, evitandose assim decisões conflitantes ou prejuízo ao erário público (sic). Neste processo já há decisão quanto ao crédito tributário requerido no 1º trimestre de 1999: foi reconhecido o direito creditório não concedido no valor de R$659,22. Este valor, após as compensações requeridas neste processo, é que deverá ser considerado na Dcomp objeto do processo 11065.900088/200899. Processo nº 11065.900103/200807 Apensado Nesse processo a Empresa apresenta Dcomp buscando compensar direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1999. Fl. 1489DF CARF MF 20 Despacho Decisório Eletrônico (fl. 15), considerou extinto o direito de utilização do direito creditório por decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão da Dcomp e a data de apuração do saldo negativo. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o prazo começaria a contar da data da extinção do crédito tributário e que este só operaria com a homologação tácita ou expressa do artigo 150 § 4º do CTN. Alternativamente, requer que seja aceito como termo a quo a data da entrega da declaração do imposto de renda, ou, alternativamente, o encerramento do exercício. A 5ª Turma da DRJ de Porto Alegre em sessão datada de 17 de dezembro de 2008, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A Empresa apresenta Recurso Voluntário alegando, resumidamente, que a decisão da DRJ aplica os arts. 3º e 4º da LC 118/05 para fatos ocorridos antes de sua vigência e que a decisão não enfrentou os demais argumentos do Recorrente. A 3ª Turma Especial em sessão de 27 de janeiro de 2011 deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a tempestividade da declaração de compensação, devendo o órgão de origem pronunciarse quanto ao mérito do pedido. A Procuradoria da Fazenda entra com Recurso Especial requerendo que seja reconhecida a decadência da pretensão de restituição postulada pelo contribuinte. É negado seguimento ao recurso conforme Despacho do Presidente da 4ª Câmara, que foi confirmado pelo Presidente da CSRF (fl. 144). A Delegacia de Novo Hamburgo emite novo Despacho Decisório, de nº 664/2012 (fls.165 e seguintes), em 6 de julho de 2012, decidindo pela extinção do processo por duplicidade de pedido, determinando o arquivamento. Em manifestação de inconformidade, a Empresa sustenta não haver duplicidade de pedido e pedindo a análise do mérito. Em 24 de agosto de 2012 a DRF Novo Hamburgo emite novo Despacho Decisório, revendo de ofício o anteriormente expedido e considerando a compensação não declarada. A RBA impetra recurso hierárquico e a Disit da Superintendência da 10ª Região Fiscal reforma a decisão, uma vez que não havia decisão da autoridade competente em relação à Dcomp anterior quando da transmissão da atual. Por fim, no Despacho Decisório de nº 1117/2012 (fl. 226), a Delegacia encaminha a questão da seguinte forma: 25. Desse modo, não há como a DRF jurisdicionante proferir qualquer decisão. Uma que o direito creditório já foi analisado e encontrase em litígio administrativo; outra que, por consequência, não é sabido o valor do crédito que será utilizado na compensação do processo n° 11065.000965/200315, tampouco o valor do crédito que remanescerá para os débitos declarados na DCOMP do presente processo. 26. Portanto, s. m. j., não resta alternativa, senão apensar o presente processo ao principal de n° 11065.000965/200315, Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 11065.000965/200315 Acórdão n.º 1302002.921 S1C3T2 Fl. 1.481 21 atualmente no CARF, e suspender a cobrança dos débitos aqui declarados, sob pena de, no caso de exarar decisão, ocorrer conflito e utilização indevida ou a maior do crédito pleiteado, podendo haver, dessa forma, prejuízo ao erário público (sic). 27. Ante o exposto, com base no artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, na Competência Delegada pela Portaria DRF/NHO N° 46, de 19 de julho de 2012, publicada no DOU de 23 de julho de 2012, e nos termos da Legislação do Imposto de Renda: I) REFORMASE o Despacho Decisório DRF/NI IO/Seort n° 800/2012, às fls. 127 a 130, de 24 de agosto de 2012, para fins de afastar a aplicação da hipótese de compensação não declarada; II) DECIDESE pela APENSAÇÃO do presente processo ao processo principal cm trâmite no CARF, controlado sob n° 11065.000965/200315, tendo em vista que o direito creditório aqui pleiteado encontrase em litígio administrativo. Neste processo já há decisão quanto ao crédito tributário requerido no 2º trimestre de 1999: foi reconhecido o direito creditório não concedido no valor de R$4.330,69. Este valor, após as compensações requeridas neste processo, é que deverá ser considerado na Dcomp objeto do processo 11065.900103/200807. Nesta perspectiva, dou provimento parcial a Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório, além do já concedido conforme Parecer de folhas 510 a 517, que instrui o Despacho Decisório de folha 518, a seguir discriminado: 1º trimestre de 1999 direito creditório concedido neste julgado:........R$659,22 2º trimestre de 1999 direito creditório concedido neste julgado:........R$4.330,69 3º trimestre de 1999 direito creditório concedido neste julgado:........R$5.785,10 4º trimestre de 1999 direito creditório concedido neste julgado:........R$9.942,11 A Secretaria da 3ª Câmara deve providenciar a juntada integral desta decisão nos processos apensados: 11065.900088/200899 e 11065.900103/200807. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 1491DF CARF MF 22 Fl. 1492DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.003354/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA E OFENSA A VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária) e intimado o contribuinte a se manifestar em todas as fases do trabalho fiscal. O processo observou fielmente os princípios do contraditório e ampla defesa dos quais a verdade material é mero corolário
DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38)
VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-004.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de cancelar o agravamento da multa de ofício. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que, manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA E OFENSA A VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária) e intimado o contribuinte a se manifestar em todas as fases do trabalho fiscal. O processo observou fielmente os princípios do contraditório e ampla defesa dos quais a verdade material é mero corolário DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38) VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
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NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA E OFENSA A VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária) e intimado o contribuinte a se manifestar em todas as fases do trabalho fiscal. O processo observou fielmente os princípios do contraditório e ampla defesa dos quais a verdade material é mero corolário DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. FATO GERADOR "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 33 54 /2 00 4- 41 Fl. 362DF CARF MF 2 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de cancelar o agravamento da multa de ofício. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que, manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 310/312): O contribuinte, acima identificado, foi, em decorrência de ação fiscal, autuado e notificado a recolher as importâncias constantes do Auto de Infração de fls. 1541158, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, anocalendário 1999, cujo valor apurado foi R$ 2.607.560,89 de imposto, R$ 2.029.725,39 de juros de mora ( calculados até 26/10/2004) e R$ Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10855.003354/200441 Acórdão n.º 2202004.612 S2C2T2 Fl. 363 3 2.933.506,00 de multa proporcional , totalizando o crédito tributário de R$ 7.570.792,28. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação Fiscal de fls.1501151. Os fatos geradores, valores tributáveis e percentuais de multa de ofício (agravada para 112,50%) estão especificados á fl.1551156. Enquadramento Legal: Art. 42 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 4° da • Lei 9.481/97; Art. 21 da Lei 9.532/97 e Art. 849 do RIR99. Cientificado em 30/12/2004, por meio de Edital de fls. 159 e inconformado com a autuação sofrida, o contribuinte, apresentou, em 31/01/2005 ( fl. 163), por intermédio de procurador legalmente habilitado ( fl. 184), a impugnação de fls. 163 a 183, alegando, em síntese: 1) preliminarmente sustenta que não houve clareza e precisão na autuação, pois o fiscal teria citado artigos de maneira genérica, o que teria impossibilitado a compreensão exata das infrações. O auto de infração não teria obedecido aos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, de maneira que restaria cerceado o direito de ampla defesa, ensejando a decretação de nulidade de oficio; 2) no mérito, pleiteia ter ocorrido a decadência em relação ao lançamento dos depósitos bancários ocorridos até 26/11/1999. Argumenta ser o lançamento em questão da modalidade por homologação, o que faria incidir o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4° do CTN; 3) o lançamento teria sido lavrado em ofensa ao princípio da irretroatividade das leis. Isso teria ocorrido uma vez que foram utilizadas informações colhidas das instituições financeiras a título de obediência da legislação da CPMF. Essa mesma legislação vedava a utilização das informações a esse título fornecidas para o lançamento de outros tributos. Não poderia legislação posterior autorizar o uso das informações da CPMF para períodos anteriores à sua publicação. 4) sobre o lançamento com base em depósitos bancários alega que estes não representam acréscimo patrimonial e, portanto, não podem sustentar o lançamento do imposto de renda. Cita a Fl. 364DF CARF MF 4 Súmula 182 do TFR e jurisprudência administrativa para apoiar seu argumento; 5) protesta contra a aplicação da multa de 112,5%, pois a ausência de manifestação do impugnante durante o procedimento em nada corroborou para que fossem criadas dificuldades à atuação da fiscalização. Junta jurisprudência administrativa que apoiaria seus argumentos. 6) por derradeiro, insurgese contra a aplicação da Taxa Selic co de mora. Esta 5 ª Turma, resolveu, em 12/04/06, converter o julgamento em diligência tendo em vista terem sido juntados documentos que davam conta da existência de ação judicial relativa ao MPF que ensejou a lavratura do auto de infração, fls. 202/203. Como resultado da diligência, foram juntados os documentos de fls. 2041232. 0 conteúdo de tais documentos revela que o impugnante impetrou o Mandado de Segurança de n° 2003.61.05.0032588 na 8' Vara da Justiça Federal de Campinas por meio do qual requer seja o Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.04.002002007321 anulado, bem como sejam também anulados todos os atos e termos atinentes por entender estarem acometidos de inúmeras inconstitucionalidades e ilegalidades, fls. 226. A certidão de fls. 231/232, por sua vez, nos informa que houve manifestação do Poder Judiciário no sentido de suspender o MPF 08.1.10.00 2004003932 e o auto de infração correspondente. Diante dessas circunstâncias, em sessão de 11 de janeiro de 2007, foi proferido o Acórdão n° 1717.185 ( fls. 234/238), em que, por unanimidade de votos, os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII, decidiram não conhecer da impugnação apresentada, em face da ocorrência da concomitância de discussão judicial. Posteriormente, apreciando o Recurso Voluntário interposto pelo interessado( fls.258/272), a 4a Câmara/2a Turma Ordinária do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em Sessão de 4 de março de 2009, proferiu o Acórdão 340200.009, em que, por unanimidade de votos, acordou anular a decisão de Primeira Instancia e determinar o retorno dos autos para análise e deslinde do mérito. É o que, a seguir, daremos cumprimento. Em 20 de abril de 2010 a 5ª Turma da DRJ/SP2, ao analisar o mérito, negou provimento à Impugnação, em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 309/310): Assunto : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10855.003354/200441 Acórdão n.º 2202004.612 S2C2T2 Fl. 364 5 Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. DECADENCIA. NATUREZA DO LANÇAMENTO. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme o disposto no art. 173, I do CTN DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas( Art.144, § 1' do CTN) A Lei Complementar n° 105/2001 e a Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas ire rmações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. MULTA AGRAVADA O não atendimento às intimações expedidas no curso da ação fiscal no prazo estipulado dá ensejo ao agravamento da multa de oficio. TAXA SELIC A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência e juros de mora com base na Taxa Selic, decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. Fl. 366DF CARF MF 6 Cientificado da referida decisão (AR fls. 331 de 31 de agosto de 2010) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 333/348 no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação. Em 22 de janeiro de 2013, a turma decidiu, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do §3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012 (fls. 352). É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DE DEFESA E DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Alega a Recorrente que o Auto de Infração é nulo, uma vez que "ao não descrever a situação a qual é imputada a ocorrência do fato gerador, bem como todos os dispositivos legais necessários para a configuração da infração, tem o Recorrente cerceado o seu direito de elaborar de forma completa e pertinente a sua competente defesa. A simples leitura do relatório permite concluir que o lançamento identificada claramente todos os elementos relativos ao aspecto quantitativo da obrigação tributária (base de cálculo, alíquotas, multa, juros e correção monetária). Além disso, o lançamento foi perfeitamente pormenorizado, tendo sido, inclusive, objeto de diligência e retificação antes mesmo que fosse julgado pela DRJ. Resta nítido que o lançamento cumpriu todos os requisitos legais e que o processo obedeceu, fielmente, os princípios do devido processo legal e do contraditório, motivo pelo qual, rejeito a preliminar suscitada. 1.2) DECADÊNCIA DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS MESES DE JANEIRO A DEZEMBRO DE 1999 De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150 §4ºdo CTN. Assim, o crédito tributário relativo aos meses de janeiro a dezembro de 1999, referente a omissão de rendimentos de depósitos bancários de origem não comprovada estariam decaídos. Isso porque como o auto de infração foi lavrado em 26 de novembro de 2004. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10855.003354/200441 Acórdão n.º 2202004.612 S2C2T2 Fl. 365 7 Incorretas as alegações do Recorrente. É entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 1999. Em face do exposto, rejeito a preliminar 2) MÉRITO 2.1) VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE Alega o Recorrente que o Auto de Infração seria nulo, uma vez que o fiscal se valeu do disposto no §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, conferindo ao referido dispositivo eficácia retroativa. Em primeiro lugar, é importante destacar que ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase sumulada conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, ainda que fosse possível a este conselho se manifestar sobre alegações de ofensa ao princípio da irretroatividade, tal alegação não procede. Em relação a alegação de ofensa ao princípio da irretroatividade, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências Fl. 368DF CARF MF 8 ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrentei que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10855.003354/200441 Acórdão n.º 2202004.612 S2C2T2 Fl. 366 9 É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 370DF CARF MF 10 o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.2) DA INCORRETA APLICAÇÃO DA MULTA DE 112,5% A multa de ofício agravada, no percentual de 112,55%, foi aplicada com base no artigo 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 2o As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; O contribuinte não apresentou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante o Termo de Início da Ação Fiscal e o Termo de Reintimação Fiscal. Também não apresentou resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, no qual foi solicitada a comprovação da origem dos créditos em suas contas bancárias. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10855.003354/200441 Acórdão n.º 2202004.612 S2C2T2 Fl. 367 11 No entanto, esse procedimento do contribuinte em nada obstaculizou a atividade fiscal, pois os extratos bancários foram solicitados mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, foilhe imputada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ou seja, o não atendimento das intimações da autoridade fiscal não prejudicou a atividade fiscalizatória, pois a autuação se deu por presunção legal. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente a ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202.003.653, data de publicação: 24/03/2015, relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. (Acórdão nº 2201002.241, data de publicação: 07/01/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia). MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. (Acórdão nº 2202003.021, data de publicação:10/04/2015, relator Antonio Lopo Martinez). Assim, deve ser desagravada a multa de ofício, reduzindose o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. 2.3) INAPLICABILIDADE DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC O Recorrente reitera a alegação de impossibilidade de se calcular os juros com base na taxa SELIC em razão da sua ilegalidade. Improcedente a alegação da Recorrente. A aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários é matéria pacificada no âmbito deste conselho conforme se verifica pela Súmula 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 372DF CARF MF 12 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%.. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Declaração de Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Não obstante as razões da D. Relatora, divirjo de seu posicionamento quanto ao agravamento da multa. Tenho que ao lado de direitos, a Constituição Federal estabelece deveres, dentre os quais o de pagamento de tributos, pois estes são uma contribuição necessária para que o Estado cumpra as tarefas que lhe foram estabelecidas no texto constitucional. De sua parte, o STF reconhece que a regra matriz de responsabilidade traz deveres, por vezes implícitos, "de colaboração com a Administração Tributária", vide RE nº 562.276/PR (j. 03/11/2010). Nessa senda, regra o § 2º do art. 44 da Lei nº 9.4630/96, conforme redação vigente à época dos fatos: Art. 44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos;(Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991;(Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10855.003354/200441 Acórdão n.º 2202004.612 S2C2T2 Fl. 368 13 Pois bem, conforme narrado pela relatora, o contribuinte não apresentou os extratos bancários solicitados pela autoridade fiscal mediante o Termo de Início da Ação Fiscal e o Termo de Reintimação Fiscal, tampouco resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal, no qual foi solicitada a comprovação da origem dos créditos em suas contas bancárias. Por conseguinte, na espécie, independentemente de considerações adicionais, resta na conduta do contribuinte objetivamente caracterizado o descumprimento do disposto na alínea 'a' do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo a multa agravada fruto, portanto, de disposição legal expressa, a qual não cabe este colegiado afastar. A par disso, vale observar que a sanção imposta não pode ser "absorvida" via aplicação transversa do conhecido princípio da consunção pela apuração da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Vejase que os regramentos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não buscam sancionar o contribuinte, mas sim permitir à administração tributária, mediante operação da presunção legal, quantificar o acréscimo patrimonial decorrente da existência de sinais presuntivos de riqueza não submetida à tributação, no caso, créditos bancários cuja origem não foi justificada pelo eventual fiscalizado. Então, cabe reiterar que a Lei nº 9.430/96 traz disposições distintas art. 42 vis a vis § 2º do art. 44 aplicáveis a hipóteses de incidência delineadas normativamente de forma bastante diversas. E, a respeito da jurisprudência administrativa carreada pela D. Relatora, com a devida vênia, registrese que há posicionamentos dela divergentes nas chamadas câmaras baixas, vide, ilustrativamente, o Acórdão nº 2301005.199 (j. 07/03/2018). Além, disso, tal entendimento não mais prevalece na CSRF, conforme se afere dos termos dos Acórdãos nos 9101003.426 (j. 06/02/2018), 9101003.282 (j. 07/12/2017), 9202003.673 (j. 09/12/2015), 9202003.830 (j. 08/03/2016), sendo que deste último se extrai a respectiva ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS CABIMENTO. Correta a aplicação da multa, no caso de lançamento de ofício, nos percentuais de 112,5% (cento e doze e meio por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), quando o contribuinte deixe de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal. Por essas razões, dissinto, no particular, do entendimento exposto no voto da D. Relatora. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 374DF CARF MF 14 Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.938420/2009-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO LEGAL.
Não pode ser objeto de compensação o indébito informado em declaração de compensação anterior, cuja homologação foi indeferida pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO LEGAL. Não pode ser objeto de compensação o indébito informado em declaração de compensação anterior, cuja homologação foi indeferida pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTERIORMENTE NÃO RECONHECIDO. VEDAÇÃO LEGAL. Não pode ser objeto de compensação o indébito informado em declaração de compensação anterior, cuja homologação foi indeferida pela autoridade competente, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 84 20 /2 00 9- 59 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10680.938420/200959 Acórdão n.º 3002000.266 S3C0T2 Fl. 38 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 13.587,03, relativo ao período de apuração junho/2003, com débitos de IRPJ (fls. 10 a 14). Por meio de Despacho Decisório à fl. 9, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte decidiu não homologar compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que possuía créditos de PIS/Cofins a compensar no valor de R$ 162.624,42, relativos ao período de 11/2002 a 03/2004, e que cometeu o lapso de não retificar a DCTF, o que foi sanado após o Despacho Decisório (fl. 2). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 42.877 (fls. 18 e 19), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que a unidade de origem levou em consideração o valor retificado do débito de Cofins ao denegar o pedido e que nenhum documento foi juntado aos autos para demonstrar que haveria algum valor disponível para compensação. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Constatada a utilização integral do crédito para a quitação de débitos do contribuinte, deve ser mantido o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 29/04/2013, conforme AR à fl. 24, e protocolizou seu recurso voluntário em 22/05/2013, conforme carimbo na página inicial da peça recursal, à fl. 25. Em seu Recurso Voluntário (fls. 25 a 28), o contribuinte informa que, anteriormente a esta declaração de compensação, utilizou o pagamento a maior de Cofins para compensar débito de IRPJ no valor R$ 53.902,80. Como a compensação não foi homologada, a DRF exigiu o pagamento, que foi realizado por meio de Darf, que teria sido anexado aos autos. A recorrente afirma que na compensação do presente processo informou o crédito objeto da Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10680.938420/200959 Acórdão n.º 3002000.266 S3C0T2 Fl. 39 3 decisão denegatória por entender que, uma vez não aceito na primeira compensação, estaria disponível para compensações posteriores. Prosseguindo em sua argumentação, afirma que em momento algum a Fazenda Nacional questionou a existência do crédito, sua origem ou legalidade, donde se conclui que os créditos existem e estão disponíveis. Entende que há equívoco ao se considerar como débito total o valor de R$ 4.740,71 declarado na DCTF somado ao outro débito do PER/Dcomp e exigido por meio do processo 10680.938680/200924. Por fim, conclui que “se há informação de compensação, pagamento e retificação da DCTF não podem os valores serem somados para nova cobrança” e que a compensação não pode ser negada sob a alegação de que o débito declarado e o valor efetivamente pago estavam corretos. O Recurso foi instruído apenas com atos constitutivos e de representação da empresa. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Ao longo deste processo, diante da decisão que nega a compensação por não haver mais crédito disponível para esse fim, o contribuinte se limitou a trazer explicações e alegações, mas nunca produziu qualquer prova. É cediço que a compensação somente é autorizada para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) E a demonstração dessa certeza e liquidez está a cargo de quem pleiteia. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é pacífico que a prova do direito é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10680.938420/200959 Acórdão n.º 3002000.266 S3C0T2 Fl. 40 4 para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Dessa forma, em relação ao montante nãoreconhecido pela DRJ, nada há a acrescentar, pois as alegações trazidas para este julgamento pela recorrente em nada alteram a apreciação da matéria – permanece sem comprovação a existência do crédito que se pretende compensar. Todavia, há que se abordar o fato de o contribuinte pretender reutilizar um crédito que já havia sido objeto de compensação não homologada, pelo mesmo motivo que a compensação destes autos: utilização para quitação de outros débitos. Tal procedimento é vedado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996, transcrito na versão vigente quando da transmissão do PER/Dcomp: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifado) Em relação à argumentação de que haveria equívoco na apuração dos débitos, com fundamento em informações constantes em outro processo administrativo, que não teve suas peças relevantes juntadas a estes autos pela recorrente, não há o que comentar. Cabe ao contribuinte instruir seu recurso com a documentação que julgue apropriada para esclarecer e convencer o julgador de seu direito creditório. Em não se ocupando de seu encargo, nada há a apreciar. Pelo exposto, diante da ausência de provas e da vedação legal para efetuarse a compensação na forma pretendida pela recorrente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10680.938420/200959 Acórdão n.º 3002000.266 S3C0T2 Fl. 41 5 Fl. 41DF CARF MF
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