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Numero do processo: 14090.000010/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005
COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Além da vedação, disposta na legislação tributária, de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se poderia admitir, por meio do recurso voluntário, a alteração do pedido original ou da sua causa de pedir, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica, mormente quando a modificação pleiteada pela recorrente está desacompanhada da documentação que lhe sustentaria.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Além da vedação, disposta na legislação tributária, de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se poderia admitir, por meio do recurso voluntário, a alteração do pedido original ou da sua causa de pedir, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica, mormente quando a modificação pleiteada pela recorrente está desacompanhada da documentação que lhe sustentaria. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 00 00 10 /2 00 7- 72 Fl. 234DF CARF MF 2 De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Campo Grande que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. TRIBUTO NÃO ADMINISTRADO PELA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que o crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versam os autos especificamente sobre quatro declarações de compensação, originalmente formalizadas no processo n° 14090.000048/2006641, nas quais a contribuinte informou créditos pertinentes a ação judicial nº 1998.36.00.0061933, em trâmite no STF, conforme quadro abaixo: Mediante o DESPACHO DECISÓRIO DRF/CBA n° 158 (efls. 45/50), de 05/02/2007, a autoridade administrativa assim decidiu sobre o pleito da contribuinte: (...) QUANTO AO CRÉDITO 5. De acordo com as informações prestadas pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — SACAT a respeito da ação judicial n° 1998.36.00.0061933 (fls. 18 a 21 e 41), verificouse que a referida ação judicial não versa sobre tributos ou contribuições administrados pela SRF, não consta a informação de que a ação judicial transitou em julgado e a decisão, até o momento, é desfavorável ao interessado. Como se observa no documento de folha n° 20, o contribuinte é parte da ação (impetrante) e o impetrado é o Chefe de Arrecadação do INSS em Mato Grosso, concluindose o acima externado. 1 [Despacho Decisório] (...) 2. O presente processo foi formalizado devido ao desmembramento de parte dos documentos do processo n° 14090.000048/200664, pois a ação judicial ora em apreço se refere a crédito diferente da ação judicial presente no processo de origem (fl. 01). Procedeuse também a transferência dos débitos (fl. 22). (...) Fl. 235DF CARF MF Processo nº 14090.000010/200772 Acórdão n.º 3402004.313 S3C4T2 Fl. 235 3 6. A Lei n° 11.051/04 altera o art. 74 da Lei n° 9.430/96 (§ 3°), acrescentandolhe os §§ 12, 13 e 14, vazados nos seguintes termos: "Art. 74. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3 ºdeste artigo; II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (...)" 7. Desta forma, têmse duas situações distintas: a) os PER/DCOMPs n°40127.24367.140105.1.3.570283 (fls. 06 a 09) e n° 03083.23227.140205.1.3.575691 (fls. 14 a 17) transmitidos, respectivamente, em 14/01/2005 e 14/02/2005 são alcançados pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União — DOU em 30/12/2004; b) os PER/DCOMPs n° 14337.80846.141204.1.3.572824 (fls. 02 a 05) e n° 38490.67038.121104.1.3.570268 (fls. 10 a 13) transmitidos, respectivamente, em 14/12/2004 e 12/11/2004 não são alcançados pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União — DOU em 30/12/2004. 8. Portanto, os PER/DCOMPs do item "7.a" são considerados não declarados com base no art. 74, §12, II, alínea "d" e "e" (transcrito no item 6). Também se aplica aos mesmos o estabelecido no §13 do mesmo artigo, de modo que o débito não é extinto, a declaração de compensação não constitui confissão de dívida e o sujeito passivo não faz jus aos prazos e aos recursos facultados aos declarantes regulares. (...) 9. Aos PER/DCOMPs do item "7.h" aplicase o estabelecido no art. 26, §3°, VI da IN SRF n° 460/04 para serem considerados não homologados. "Art. 26 (...) (...) § 3" Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1°: (.) VI— o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF;" (...) Conclusão 14. Por todo o exposto, proponho: a) CONSIDERAR NÃO DECLARADOS os PER/DCOMP n° 40127.24367.140105.1.3.570283 (fls. 06 a 09) e n° Fl. 236DF CARF MF 4 03083.23227.140205.1.3.575691 (fls. 14 a 17), nos termos do artigo 74, § 12, inciso II, alínea "d" e "e" da Lei n° 9.430/1996; b) CONSIDERAR NÃO HOMOLOGADOS os PER/DCOMPs n° 14337.80846.141204.1.3.572824 (fls. 02 a 05) e n° 38490.67038.121104.1.3.570268 (fls. 10 a 13) , nos termos do art. 26, §3°, VI da IN SRF n° 460/04; c) ENVIAR a Representação SAORT/DRFCUIABÁ N° 028/07 à Seção de Fiscalização — SAFIS a fim de tomar as providencias de sua competência. 15. Destaquese que em conformidade com o § 13, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996 contra o presente despacho decisório, em relação ao item "a" da conclusão acima, não cabe manifestação de inconformidade. (...) A interessada apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a homologação dos créditos referentes à PER/DCOMP n° 14337.80846.141204.1.3.572824 e 38490.67038.121104.1.3.570268, sob as seguintes alegações: a) não há necessidade de o crédito do contribuinte ser desta ou daquela espécie, bastando apenas a liquidez e a certeza para conferir o direito à compensação; e b) os créditos objeto da compensação são oriundos de ação judicial transitada em julgado e se referem a tributos do âmbito federal (PIS/PASEP). A Delegacia não acolheu os argumentos da interessada vez que, no Mandado de Segurança n° 1998.36.00.0061933, constam como apelados o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação — FNDE, o que confirma a conclusão do despacho decisório de que o alegado crédito a favor da contribuinte não se refere a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Cientificada em 18/02/2010, a contribuinte interpôs o recurso voluntário em 17/03/2010, alegando, resumidamente, que: 2. PREMILINARMENTE O auto de infração atacado não deve prosperar produzindo efeitos jurídicos válidos, em face de flagrante invalidade por vicio de legalidade, qual seja, causa (pressuposto lógico). (...) 2. DOS FUNDAMENTOS (...) Os créditos objeto da compensação são oriundos de Ação Judicial Transitada em Julgado, processo n° 1998.36.00.006195 9, SJMT, tributos estes do âmbito federal, qual seja PIS/PASEP (FLS. 02/17). Ocorre que, o responsável pela transmissão dos PER/DCOMP, erroneamente indicou o número do processo judicial 1998.36.00.61933STF, quando na verdade deveria ter indicado o processo n" 1998.36.00.0061959SJMT, a mesma ação judicial do processo de origem 14090.000048/200664. Segundo informações prestadas pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário — SACAT, os créditos judiciais do processo 1998.36.00.0061959SJMT já haviam sido apurados no processo n.° 10183.001385/200336. Ademais, tratase de crédito líquido e certo que deverá ser compensado, nos termos da legislação tributária. (...) Fl. 237DF CARF MF Processo nº 14090.000010/200772 Acórdão n.º 3402004.313 S3C4T2 Fl. 236 5 2.1 Da Ilegalidade da Multa Isolada (...) Portanto, a MULTA ISOLADA é ato ilegal e nulo de pleno direito pelo que PUGNA pela sua declaração de nulidade e subseqüente extinção. (...) 3.1. Da ausência de previsão legal da multa isolada dos DCOMP 10/2004 12/2004 (...) Pois bem, situado o contexto fático e a legislação pertinente, faz se mister, neste momento, reconhecer a ilegitimidade da aplicação da multa isolada no tocante aos DCOMP protocolizados entre 10/2004 e 12/2004, reduzindose a multa para o valor de R$ 1.035,38, referente apenas ao DCOMP n° 03083.23227.140205.1.575691. (...) Mediante a Resolução n° 3101000.259 1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, de 25 de outubro de 2012, o julgamento foi convertido em diligência pelo CARF, nos seguintes termos: (...) Entretanto, a Recorrente em seu recurso voluntário e anteriormente alega que: "Que os créditos objeto da compensação são oriundos de Ação Judicial Transitada em Julgado, processo n° 1998.36.00.006195 9, SJMT, tributos estes do âmbito federal, qual seja PIS/PASEP (fls. 02/17)." E... "Informa que o responsável pela transmissão dos PER/DCOMP, erroneamente indicou o número do processo judicial 1998.36.00.61933 STF, quando na verdade deveria ter indicado o processo n° 1998.36.00.0061959SJMT, a mesma ação judicial do processo de origem 14090.000048/200664." Contudo, como há um indício de direito de crédito da Recorrente contra a Fazenda Nacional que motivou o pedido de compensação e em nome da verdade material, que não permite não querer ver a verdade, exigindo do Contribuinte através de Auto de Infração tributos, considerados não declarados e compensações não homologadas, proponho o retorno dos autos a Repartição de Origem, para que notifique o Contribuinte Recorrente, a apresentar, a os seguintes documentos: O transito em julgado das ações se houver de n° 1998.36.00.61933 STF e do processo 1998.36.00.0061959 SJMT; Esclarecimentos quanto a que ação corresponde às compensações desse processo; E a Repartição de Origem que examine os documentos apresentados e verifique se há saldo de crédito para ser compensado com os débitos desse processo. Realizada as diligências propostas, da sua conclusão deve ser dado ciência a Recorrente para que se desejar faça sua manifestação final, para depois retorne o processo para esse Fl. 238DF CARF MF 6 Conselho — CARF que em conjunto com as demais questões seja proferido o seu julgamento. (...) A contribuinte foi intimada mediante a INTIMAÇÃO N° 0600/13 SEORT/DRFCUIABÁ/MT, de 01 de julho de 2013, para apresentar os documentos demandados pelo CARF, e, tendo sido dela cientificada em 15/07/2013, nada apresentou até o presente momento. O processo retornou ao CARF em 27/09/2016 e foi a mim sorteado e redistribuído em 26/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Esclareçase, inicialmente, que a exigência da multa isolada em face das compensações consideradas não homologadas e não declaradas, objeto da Representação SAORT/DRFCUIABÁ N° 028/07, não foi formalizada no presente processo, mas no de número 10183.000921/200891, cujos débitos foram objeto de parcelamento. Dessa forma, não se conhece aqui das alegações da recorrente relativas à referida multa (preliminar de nulidade do auto de infração, "Ilegalidade da Multa Isolada", e "ausência de previsão legal da multa isolada dos DCOMP 10/2004 12/2004"). Quanto ao mérito específico do presente processo, a recorrente alega simplesmente que teria indicado erroneamente o número do processo judicial como 1998.36.00.61933STF, quando, na verdade, deveria ter indicado o processo nº 1998.36.00.0061959SJMT. No entanto, ela não trouxe aos autos qualquer elemento que comprovasse o erro alegado ou o direito creditório decorrente da outra ação judicial. Como se sabe, caberia à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar os elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Não obstante isso, foi oferecida nova oportunidade à recorrente pelo então Colegiado, com a conversão do julgamento em diligência para comprovação do direito creditório alegado, mas ela não atendeu à intimação específica para esse fim. Em consulta ao sítio do TRF 1ª Região, consta somente que a interessada é parte no mandado de segurança nº 1998.36.00.0061959, impetrado junto a 2ª Vara Federal do Mato Grosso, que trataria de questões relativas ao Finsocial, não se podendo daí deduzir que ela teria direito creditório decorrente desta ação ou de que não teria utilizado estes eventuais créditos em outro pedido administrativo de compensação. Além da ausência de documentação hábil a comprovar o direito creditório pleiteado, em face da ação judicial original ou daquela identificada no recurso voluntário, tem se, nos autos, a questão de inovação do pedido original. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 14090.000010/200772 Acórdão n.º 3402004.313 S3C4T2 Fl. 237 7 Quanto à possibilidade de retificação das declarações de compensação, além da vedação de retificação da declaração de compensação após a decisão administrativa acerca do pedido2, não se poderia admitir, por meio do recurso voluntário, a alteração do pedido original, por questões da própria delimitação da lide com o pedido original, do devido processo legal e de segurança jurídica. Nessa esteira, foi decidido no Acórdão nº 3201001.794 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 15 de outubro de 2014, em voto vencedor do Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que descabe, após o despacho decisório, a retificação de declaração de compensação tributária para a modificação da origem do direito creditório, nesses termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. MODIFICAÇÃO DA ORIGEM DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO PROCESSUAL. VEDAÇÃO. ESTABILIZAÇÃO DO PEDIDO. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do despacho decisório, em face da estabilização do pedido. Descabe a retificação de declaração de compensação tributária após ciência do despacho decisório, para a modificação da origem do direito creditório, pois a alteração ou mudança do pedido configura inovação processual vedada, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo PER/DCOMP para compensação pleiteada. (...) VOTO VENCEDOR (...) 2 Instrução Normativa RFB nº1300, de 20 de novembro de 2012 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2012, seção 1, pág. 34): Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Art. 90. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. § 2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Fl. 240DF CARF MF 8 A DRF/Santo André, então, emitiu despacho decisório negando a compensação, posto não ter localizado o DARF aludido pela recorrente em seu PER/Dcomp. A recorrente, em sede de impugnação, afirmou que o crédito, na verdade, decorre de créditos apurados no regime da não cumulatividade, que não teria sido descontados. Em sendo estes os fatos em lide, entendo que o pleito não pode ser deferido, mostrandose correta a decisão recorrida. Isto porque não é permitida a alteração do pedido ou da causa de pedir após ciência do despacho decisório, em face da estabilização do pedido. A retificação de PER/Dcomp, após ciência de despacho decisório, somente é possível para correção de inexatidões materiais, que não é o caso. Por inexatidões materiais no preenchimento dos PER/Dcomp entendese os lapsos manifestos que se percebem de plano; aqueles que, claramente, não traduzem o pensamento ou vontade do contribuinte. Consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento, etc. A pretensão da recorrente, ao contrário, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (novo pedido de inclusão de pretensos créditos). Tal pleito exige a apresentação de novo PER/Dcomp. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (...) Também neste sentido decidiuse no Acórdão nº 1803000.676 – 3ª Turma Especial, de 10 de novembro de 2010, sob a relatoria do Conselheiro Walter Adolfo Maresch: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOVAÇÃO NO DIREITO CREDITÓRIO FORMULADO PERANTE A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte inovar o pedido formulado regularmente perante a Administração Tributária da unidade de origem, pois sua apreciação implicaria supressão de instância, vedada no rito do processo administrativo fiscal tributário importando em preclusão da matéria ventilada. (...) VOTO (...) A aceitação da alteração completa do pedido formulado nas Declarações de Compensação implicaria em supressão de instância o que é vedado no rito do processo administrativo fiscal tributário federal (Decreto nº 70.235/72, art. 16, inciso III), importando em preclusão da nova matéria ventilada. Assim, não tendo o direito creditório sofrido apreciação na unidade de origem e tampouco pelo órgão julgador de primeira instância, inovando a recorrente no pedido formulado originariamente perante a Administração Tributária, não é Fl. 241DF CARF MF Processo nº 14090.000010/200772 Acórdão n.º 3402004.313 S3C4T2 Fl. 238 9 possível analisar o teor do suposto direito creditório originado em períodos anteriores. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721264/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DOS JULGADORES DISTINTA DA EMBARGANTE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A adoção pelos julgadores de interpretação da legislação distinta à da embargante, por si só, não demonstra contradição do acórdão quando os elementos da decisão permitem identificar racional coerente em termos de aplicação das normas ao caso concreto e harmonização entre as normas suscitadas.
Numero da decisão: 1201-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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INTERPRETAÇÃO DOS JULGADORES DISTINTA DA EMBARGANTE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A adoção pelos julgadores de interpretação da legislação distinta à da embargante, por si só, não demonstra contradição do acórdão quando os elementos da decisão permitem identificar racional coerente em termos de aplicação das normas ao caso concreto e harmonização entre as normas suscitadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 64 /2 01 3- 81 Fl. 1589DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls. 1523) em que a CONTRIBUINTE, ora Embargante, alega existirem OMISSÕES e CONTRADIÇÕES no Acórdão nº 1201001.394 proferido por esta 1ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E GRATIFICAÇÕES PERCEBIDAS POR ADMINISTRADORES. INDEDUTIBILIDADE. LEI 10.101, DE2000. Por força dos artigos 303 e 463 do RIR/99 são indedutíveis as despesas incorridas com o pagamento de gratificações e de participação no lucro a administradores. A Lei nº 10.101, de 2000, foi instituída para regulamentar o inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal, o qual trata de direito dos trabalhadores empregados. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Segundo a Embargante, o acórdão incorreu em OMISSÕES E CONTRADIÇÕES que sintetizo abaixo. i) omissão quanto às provas acostadas aos autos, vez que os julgadores não analisaram as provas juntadas aos autos, que comprovariam a existência de vínculo empregatício entre a Embargante e os Diretores; ii) contradição quanto à existência ou inexistência de vínculo empregatício, vez que o acórdão afirma em determinado trecho que a definição sobre a existência de vínculo empregatício depende de aprofundamento minucioso do caso concreto e, na sequência, traz conclusão baseada exclusivamente em um trecho pontual do Estatuto Social da Embargante, restando flagrante contradição entre as premissas e a conclusão do acórdão; iii) contradição quanto à necessidade de análise do vínculo empregatício dos diretores, vez que o acórdão, primeiro, menciona que "O cerne da discussão, em dúvida, deve nortear a existência ou não de vínculo empregatício por parte dos diretores da recorrente" para, Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.838 S1C2T1 Fl. 3 3 após isso, concluir que " Assim, ainda que se admita que tais diretores e administradores teria relação de emprego com a Recorrente (...) temos que os valores de PLR pagos seriam indedutíveis em razão do disposto no art. 303 do RIR/99 (...)"; iv) contradição quanto aos conceitos de "Diretor Empregado" e "Diretor Administrador", o acórdão "dá a entender" que os Diretores seriam sempre administradores, embora possam ser também empregados em alguns casos, havendo, portanto uma dicotomia entre o Diretor Administrador Estatutário e o Diretor Administrador Empregado, o que demonstra claro equívoco e v) omissão quanto à ausência de fundamentação para a glosa dos valores pagos a título de bônus e bônus diferido vez que o acórdão recorrido "sequer traçou uma linha" no acórdão para justificar a ausência de motivação da autuação quanto às glosas de tais verbas. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise dos vícios apontados. A Embargante traz uma série de omissões e contradições do acórdão embargado. Assim, de forma a tornar mais objetivo e didático o desenvolvimento deste voto, passarei a analisar os itens descritos no relatório acima no formato de perguntas e respostas. 1) Há omissão no acórdão quanto às provas acostadas aos autos que, segundo a Embargante, comprovariam a existência de vínculo empregatício entre a Embargante e os Diretores? Não. O racional adotado pelo acórdão embargado quando da análise de mérito, deixa claro que entendeu a turma de julgamento que a documentação acostada, inclusive, o estatuto social, foi insuficiente para que a turma concluísse pela existência de vínculo empregatício entre os diretores e a Embargante. Além disso, entendo que os julgadores deste Conselho não têm a obrigação de fazer referência a cada um dos argumentos ou das provas apresentadas pelas partes nos autos do processo. Me parece claro que os documentos trazidos aos autos foram analisados, contudo, restaram insuficientes para convencer esta turma de julgamento acerca da improcedência do lançamento fiscal. Cabe reforçar, já é pacifico neste Conselho o entendimento de que o julgador não precisa rebater todos os argumentos (acompanhados de provas) apresentados pela parte se, Fl. 1591DF CARF MF 4 o argumento abordado na decisão já se mostra suficiente para a formação da opinião do julgador. Assim, improcedente o argumento de omissão do acórdão embargado trazido pela Embargante. 2) Há contradição no acórdão quanto à existência ou inexistência de vínculo empregatício dos diretores da Embargante? Não. Isso porque, o acórdão faz uma análise objetiva das provas trazidas aos autos para concluir pela inexistência de vínculo empregatício, conforme trecho abaixo que transcrevo: De pronto, com as provas trazidas aos autos, o maior indício aponta para o fato de que os diretores estatutários são administradores da empresa. O Estatuto Social, claramente concede exclusivamente aos Diretores o poder de “determinar e executar as diretrizes e a política para os negócios da sociedade”. Ademais, “a Diretoria será o órgão executivo da Sociedade, cabendolhe, dentro da orientação traçada pela Assembléia Geral e pelo Diretor Presidente,assegurar o funcionamento regular da Sociedade, ficando investida pela Assembléia Geral de poderes para praticar, todos e quaisquer atos relativos aos fins sociais.” Por fim, “Compete à Diretoria: (i) coordenar o andamento das atividades normais da Sociedade, incluindo a implementação das diretrizes e políticas fixadas em Assembléias Gerais e/ou, pelo Diretor Presidente em relação à área comercial, financeira, técnica, administrativa e de Planejamento da Sociedade; e (ii) praticar outros atos que lhe venham a ser especificados pela Assembléia Geral ou pelo Diretor Presidente.” Assim, não vejo aqui a contradição suscitada pela Embargante, vez que o trecho acima destacado deixa claro o processo de análise de documentos e argumentos seguido de conclusão lógica. 3) Há contradição no acórdão quanto à necessidade de análise do vínculo empregatício dos diretores? Não. De fato, creio que a Embargante traz à discussão tal contradição em razão do seguinte trecho do acórdão ora embargado: Contudo, me parece que tal discussão é dispensável para o deslinde da discussão aqui posta, vez que a possibilidade de Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16327.721264/201381 Acórdão n.º 1201001.838 S1C2T1 Fl. 4 5 dedução do PLR pagos aos diretores independe do fato desses serem ou não empregados. De qualquer forma, não enxergo tal contradição no acórdão. Isso porque, o acórdão procura fazer uma análise completa do contexto fático da Embargante para na sequência aplicar a norma, neste caso, referente à possibilidade de dedução dos valores pagos à título de bônus e bônus diferido. O racional do voto foi no sentido de que o fundamento mais relevante é o disposto no artigo 303 do RIR/99 que veda tal dedução, mas não é o único fundamento do acórdão que também aborda e interpreta o disposto nos artigos 359 e 462 do RIR/99 cuja correta aplicação depende da circunstância de serem os beneficiários dos pagamentos empregados ou não da fonte pagadora. 4) Há contradição no acórdão quanto aos conceitos de "Diretor Empregado" e "Diretor Administrador"? Não. Segundo a embargante o acórdão aplica racional de que os Diretores seriam sempre administradores, embora possam ser também empregados em alguns casos, havendo, portanto uma dicotomia entre o Diretor Administrador Estatutário e o Diretor Administrador Empregado, o que demonstra claro equívoco. Me parece que o argumento aqui posto, tratado como contradição pela Embargante, nada mais é que puro inconformismo da Embargante com a interpretação dada pelos julgadores aos conceitos de Diretor Empregado e Diretor Administrador. Neste ponto, devo dizer que não configura contradição da decisão toda e qualquer interpretação adotada pelos julgadores que diferem daquela que fora adotada pela Contribuinte. Tratase de mera diferença de ponto de vista e não de contradição. Não obstante a qualidade dos argumentos de defesa trazidos pela ora Embargante, seria pretensioso entender que toda e qualquer opinião distinta configure uma contradição. 5) Há omissão no acórdão quanto à ausência de fundamentação para a glosa dos valores pagos a título de bônus e bônus diferido? Não. O acórdão ora Embargado, assim como o fez a decisão da DRJ, discorre exatamente sobre o racional adotado pela fiscalização e respectivos fundamentos utilizados. O fato da glosa alcançar também o bônus diferido é mera consequência do fato da normas aplicáveis ao caso não diferenciarem o tratamento dado ao bônus em razão de sua forma de pagamento se imediato ou diferido. Assim, entendo que não existe a omissão alegada pela Embargante. Conclusão Fl. 1593DF CARF MF 6 Diante do exposto, NÃO ACOLHO dos Embargos de Declaração apresentados. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720059/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011
FALTA DE INDICAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. OUTRAS HIPÓTESES. INOCORRÊNCIA.
A nulidade somente se apresenta quando os atos e termos são lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões são proferidos por autoridade incompetente ou quando há preterição do direito de defesa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. RETROAÇÃO A FATOS OCORRIDOS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE.
A decadência se conta a partir da ocorrência do fato gerador, não havendo base legal para contagem do prazo a partir de fatos ocorridos anteriormente à sua ocorrência, mesmo que repercutam no cálculo do tributo devido.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
ÁGIO GERADO EM OPERAÇÃO ENVOLVENDO EMPRESA DO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.
A legislação que permite a amortização fiscal do ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura é nacional, devendo ser aplicada tão somente às empresas nacionais que adquirem investimentos com ágio. A extensão ao alcance das regras fiscais a reais adquirentes domiciliados no exterior, deve ser afastado pela fiscalização e o ágio amortizado deve ser objeto de glosa fiscal, justificada também em razão do desconhecimento do tratamento fiscal dispensado ao ágio no país de domicílio do real adquirente.
ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL.
A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária.
MULTA QUALIFICADA. NÃO OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. DESCABIMENTO.
A aplicação da multa de ofício qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio não deve ser mantida quando as razões que a motivaram não tiveram o condão de afrontar lei, a qual permitia interpretação diversa da que entendeu a autoridade fiscal. O ágio internalizado é instituto que gera muitas controvérsias em razão de carência de dispositivo inequívoco na legislação. A proibição de sua amortização decorre de interpretação da regra fiscal, de que o referido benefício somente pode ser aplicado às empresas nacionais. Além disso, a avaliação do propósito negocial da operação de geração e de amortização do ágio é exercício cuja conclusão não apresenta qualquer sincronismo por parte dos avaliadores. Somando-se a isso a publicidade dada aos instrumentos que deram azo à operação que gerou o ágio e sua amortização fiscal, tem-se que a suposta conduta simulatória fraudulenta não restou caracterizada, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Numero da decisão: 1401-001.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário: i) em relação à glosa de amortização de ágio; neste ponto votaram pelas conclusões os Conselheiros Livia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. A Conselheira Livia De Carli Germano apresentará declaração de voto; ii) no que se refere à alegação de improcedência da multa de ofício. Também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a incidência da multa de ofício qualificada. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito aos juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011 FALTA DE INDICAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. OUTRAS HIPÓTESES. INOCORRÊNCIA. A nulidade somente se apresenta quando os atos e termos são lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões são proferidos por autoridade incompetente ou quando há preterição do direito de defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. RETROAÇÃO A FATOS OCORRIDOS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE. A decadência se conta a partir da ocorrência do fato gerador, não havendo base legal para contagem do prazo a partir de fatos ocorridos anteriormente à sua ocorrência, mesmo que repercutam no cálculo do tributo devido. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 ÁGIO GERADO EM OPERAÇÃO ENVOLVENDO EMPRESA DO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a amortização fiscal do ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura é nacional, devendo ser aplicada tão somente às empresas nacionais que adquirem investimentos com ágio. A extensão ao alcance das regras fiscais a reais adquirentes domiciliados no exterior, deve ser afastado pela fiscalização e o ágio amortizado deve ser objeto de glosa fiscal, justificada também em razão do desconhecimento do tratamento fiscal dispensado ao ágio no país de domicílio do real adquirente. ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária. MULTA QUALIFICADA. NÃO OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. DESCABIMENTO. A aplicação da multa de ofício qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio não deve ser mantida quando as razões que a motivaram não tiveram o condão de afrontar lei, a qual permitia interpretação diversa da que entendeu a autoridade fiscal. O ágio internalizado é instituto que gera muitas controvérsias em razão de carência de dispositivo inequívoco na legislação. A proibição de sua amortização decorre de interpretação da regra fiscal, de que o referido benefício somente pode ser aplicado às empresas nacionais. Além disso, a avaliação do propósito negocial da operação de geração e de amortização do ágio é exercício cuja conclusão não apresenta qualquer sincronismo por parte dos avaliadores. Somando-se a isso a publicidade dada aos instrumentos que deram azo à operação que gerou o ágio e sua amortização fiscal, tem-se que a suposta conduta simulatória fraudulenta não restou caracterizada, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário: i) em relação à glosa de amortização de ágio; neste ponto votaram pelas conclusões os Conselheiros Livia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. A Conselheira Livia De Carli Germano apresentará declaração de voto; ii) no que se refere à alegação de improcedência da multa de ofício. Também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a incidência da multa de ofício qualificada. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito aos juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. OUTRAS HIPÓTESES. INOCORRÊNCIA. A nulidade somente se apresenta quando os atos e termos são lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões são proferidos por autoridade incompetente ou quando há preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. RETROAÇÃO A FATOS OCORRIDOS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE. A decadência se conta a partir da ocorrência do fato gerador, não havendo base legal para contagem do prazo a partir de fatos ocorridos anteriormente à sua ocorrência, mesmo que repercutam no cálculo do tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ÁGIO GERADO EM OPERAÇÃO ENVOLVENDO EMPRESA DO EXTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 59 /2 01 3- 25 Fl. 5749DF CARF MF 2 A legislação que permite a amortização fiscal do ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura é nacional, devendo ser aplicada tão somente às empresas nacionais que adquirem investimentos com ágio. A extensão ao alcance das regras fiscais a reais adquirentes domiciliados no exterior, deve ser afastado pela fiscalização e o ágio amortizado deve ser objeto de glosa fiscal, justificada também em razão do desconhecimento do tratamento fiscal dispensado ao ágio no país de domicílio do real adquirente. ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. A amortização fiscal do ágio somente tem amparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7º da Lei 9.532/1997 (fusão, cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária. MULTA QUALIFICADA. NÃO OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. DESCABIMENTO. A aplicação da multa de ofício qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio não deve ser mantida quando as razões que a motivaram não tiveram o condão de afrontar lei, a qual permitia interpretação diversa da que entendeu a autoridade fiscal. O ágio internalizado é instituto que gera muitas controvérsias em razão de carência de dispositivo inequívoco na legislação. A proibição de sua amortização decorre de interpretação da regra fiscal, de que o referido benefício somente pode ser aplicado às empresas nacionais. Além disso, a avaliação do propósito negocial da operação de geração e de amortização do ágio é exercício cuja conclusão não apresenta qualquer sincronismo por parte dos avaliadores. Somandose a isso a publicidade dada aos instrumentos que deram azo à operação que gerou o ágio e sua amortização fiscal, temse que a suposta conduta simulatória fraudulenta não restou caracterizada, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário: i) em relação à glosa de amortização de ágio; neste ponto votaram pelas conclusões os Conselheiros Livia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. A Conselheira Livia De Carli Germano apresentará declaração de voto; ii) no que se refere à alegação de improcedência da multa de ofício. Também por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a incidência da multa de ofício qualificada. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito aos juros sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Declarouse impedido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.750 3 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1262.148, de 13 de dezembro de 2013, manteve a autuação fiscal. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ devido nos anos calendário 2010 e 2011, decorrentes de glosa de amortização indevida de ágio, baseado em expectativa de rentabilidade futura da recorrente. O referido ágio decorre da operação de venda da Companhia Brasileira de Distribuição (doravante denominada CBD), pertencente ao grupo brasileiro Pão de Açúcar, para o grupo supermercadista francês Casino Guichard Perachon S.A. (doravante denominado Casino). Outrossim, foi lançado auto de infração que trata dos mesmos fatos aqui narrados, mas referente aos períodos de 2007, 2008 e 2009, e que constam no processo 16561.720195/201234. Por bem delineado, transcrevo o relatório proferido pela turma da DRJ/RJ1 referente a este processo. (Início da transcrição do acórdão da DRJ/RJ1) Trata o presente processo do auto de infração de fls. 4943 a 4957, lavrado pela DEMAC/SPO, no qual consta o ajuste de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), relativos aos anoscalendário de 2010 e 2011, nos valores de R$ 1.366.990,07 e R$ 0,00, respectivamente, e a exigência de IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 160.766.995,76, multa de ofício qualificada no percentual de 150 % e juros de mora. Fl. 5751DF CARF MF 4 Tal autuação se deu em continuidade de fiscalização referente aos anos calendário de 2007 a 2009, que culminou no lançamento formalizado no processo administrativo fiscal nº 16561.720195/201234, pelas mesmas razões do auto de infração de que trata o presente processo. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 4946 e do termo de verificação fiscal de fls. 4905 a 4942, os lançamentos se devem a apuração da amortização indevida de ágio na aquisição do controle acionário da autuada pelo grupo supermercadista francês Casino Guichard Perachon S.A. com a base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica dos anoscalendário de 2010 e 2011, por ter sido considerado artificial o conjunto de atos societários que culminaram com a amortização tributária dos intangíveis efetuada pela fiscalizada, bem como de compensações indevidas de prejuízos fiscais, tendo em vista as reversões de prejuízos após as glosas de amortizações do ágio. A autuação apresenta como fundamento legal os artigos 3º da Lei nº 9.249/95, 247, 248, 251, 299, 324, 385 e 386, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), e os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, em relação aos valores não amortizáveis. Cientificada pessoalmente em 24/06/2013, por meio de procurador regularmente constituído, a interessado apresentou em 23/07/2013 impugnação de fls. 4985 a 5103, acompanhada dos documentos de fls. 5107 a 5477, nas quais, alega, preliminarmente, em síntese: 1. a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, na medida que a autoridade fiscal deixou de apontar o dispositivo legal infringindo, em virtude de suposta simulação dos negócios jurídicos celebrados pela impugnante que dessem azo a autuação, conforme estabelece o art. 12, do Decreto nº 7.574/2011, bem como apontou dispositivo que não corresponde à regulamentação vigente a dedutibilidade do ágio (art. 299 do RIR/99); 2. a decadência do direito da Fazenda de questionar a dedutibilidade das amortizações do ágio gerado em decorrência das operações societárias realizadas em 08/07/2005, 22/06/2005, 30/06/2006 e 20/12/2006, e de constituir o crédito tributário, tendo em vista que a lavratura dos autos de infração ora impugnados se deu em 24/16/2013, ante ao disposto no art. 150, § 4º, do CTN, haja vista que o IRPJ é tributo sujeito ao lançamento por homologação. E no mérito, que: 1. atendeu a todos os requisitos legais para aplicar a dedução fiscal do ágil pago na aquisição de participação societária em coligada ou controlada, registrando tais fatos em sua escrituração em conformidade com o disposto no art. 386, do RIR/99, nos arts. 13 e 14 da Instrução CVM nº 247/96, nos arts 1º e 3º, da Instrução Normativa SRF nº 11/99, e no art. 6º da Instrução CVM nº 319/99, pois efetuou o que se convencionou chamar de incorporação invertida, quando a impugnante incorporou sua controladora (Vieri), citando em seu favor precedentes administrativos do então Conselho de Contribuintes; 2. o mais lógico, natural e adequado à realidade fática do caso seria a incorporação da Vieri pela impugnante, haja vista que esta última é a empresa operacional com inúmeras filiais; 3. o ágio nada mais é do que parte do custo de aquisição desdobrado na forma imposta pela legislação, como conseqüência da adoção do Método de Equivalência Patrimonial, e que após a extinção da participação societária que lhe deu origem, por incorporação, deve ser considerado como despesa sui generis decorrente da baixa como custo de aquisição do investimento extinto; Fl. 5752DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.751 5 4. o conjunto de operações societárias implementado teve como escopo viabilizar a aquisição inicial de participação, pelo Grupo Casino, no capital social da impugnante, e assim, a entrada no mercado brasileiro, que possuía alto valor estratégico para o Grupo Casino, contribuindo para a consolidação da impugnante como líder do setor de supermercados no País, superando seu maior rival, o Carrefour, e, posteriormente, decorrido um prazo para que o Grupo Casino pudesse conhecer os negócios da impugnante e avaliar o retorno dos investimentos e a perspectiva de crescimento da impugnante e do próprio País, possibilitar a aquisição do controle compartilhado da impugnante pelos Grupos AD e Casino, além de reduzir ainda mais o endividamento e possibilitar a continuidade de expansão da impugnante, possuindo, portanto, propósitos negociais, realizado entre partes não relacionadas, com efetivo aporte de recursos por parte do Grupo Casino, e efetuados com transparência e pautados na boafé de todos os envolvidos, em total consonância com o ordenamento jurídico brasileiro, não tendo havido nenhuma ocultação, artificialidade ou premeditação, como tenta fazer crer a Fiscalização; 5. que a operação teve como objetivo a aquisição do cocontrole da impugnante, não o de gerar ágio, pois para o Grupo Casino, quanto menor fosse o preço, maior “apetite” teria para efetuar a aquisição, pois seria melhor para a adquirente pagar $1.000, do que pagar $1.500 para recuperar $125 (= 25% de $500), correspondente ao ágio da aquisição, pois o ágio gerado, é apenas conseqüência e implica numa recuperação do preço pago apenas parcial, na ordem de 25%, diluída em no mínimo cinco anos e sem sujeição de qualquer indexação monetária; 6. defende a legalidade da opção de constituição e utilização de holdings nacionais para se fazer aquisição de participação societária de empresas nacionais por grupos estrangeiros, inclusive com vistas na fruição de benefícios fiscais, com fulcro no § 3º do art. 2º, da Lei nº 6.404/76, e afirma que a não utilização desse tipo de sociedade por grupos estrangeiros, com exigência de realização de investimentos diretos, inviabilizaria a fruição do benefício fiscal de que trata o presente processo, em afronta aos princípios da isonomia e não discriminação, este último positivado no art. 24 do Tratado para Evitar dupla Tributação, celebrado entre o Brasil e a França, promulgado pelo Decreto nº 70.506/72; 7. contrapõese a afirmação do Fisco de que as holdings Masmanidis e Vieri atuaram como empresasveículo, revestidas de artificialidade em sua constituição, afirmando que as mesmas atuaram efetivamente como holdings durante suas existências, participando de assembléias estatutárias, recebendo e distribuindo dividendos e efetuando o recolhimento dos tributos incidentes sobre sua atividade, dentre outros atos próprios de holdings; 8. afirma a impertinência da alegação do fisco do aproveitamento em duplicidade da amortização de ágio por utilização de “empresaveículo”, uma vez que incorreta e não guarda relação com a matéria objeto dos autos; 9. procura demonstrar através da jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a correção da geração e aproveitamento fiscal de ágios no contexto de reorganizações societárias complexas, mesmo com a utilização de “empresasveículo”. 10. insurgese contra a aplicação da multa de oficio, pois teria agido conforme a jurisprudência administrativa anteriormente mencionada, causa excludente da aplicação da penalidade, com fundamento no art. 76, da Lei nº 4.502/64; e em relação a majoração desta em 150 %, por inexistência de simulação e por ausência de comprovação do evidente intuito de fraude por parte da fiscalizada nas operações societárias realizadas com a devida publicidade, tendo inclusive a fiscalização em Fl. 5753DF CARF MF 6 diversas passagens do termo de verificação fiscal explicitado que a impugnante teria realizado “uma interpretação equivocada da legislação tributária”, o que demonstra o reconhecimento de inexistência de intenção em fraudar, motivo de qualificação da multa; 11. insurgese quanto a cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, sob a alegação de vício de legalidade dos art. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002. Por fim, requer que seja conhecida e provida sua impugnação, para o fim de ser a exigência fiscal cancelada na sua totalidade, restabelecendo o saldo do prejuízo fiscal glosado e o arquivamento do processo administrativo instaurado. (Término da transcrição do acórdão da DRJ/RJ1) O processo foi distribuído para a 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1), que julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 1262.148, de 13 de dezembro de 2013, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 ERRO DE CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa, por suposto erro de capitulação legal da infração, quando a descrição dos fatos na autuação permite a impugnante conhecer das condutas que lhe são atribuídas, e esta se defende de todos fatos na sua impugnação. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. EFEITOS. O transcurso do prazo decadencial impede a fazenda pública de constituir o crédito tributário mediante a atividade administrativa do lançamento, não impedindo, contudo, a fiscalização de considerar fatos anteriores a ocorrência do fato gerador que tragam repercussões no cálculo do montante de tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ÁGIO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA SEM MUDANÇA DE CONTROLE ACIONÁRIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA. O ágio na aquisição de participação da sociedade nacional por sociedade estrangeira, mediante interposição de holdings que foram sucessivamente incorporadas pelas autuada, sem alteração da composição do controle acionário da mesma, não tem fundamento econômico, logo é indedutível. Fl. 5754DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.752 7 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INCORPORAÇÃO REVERSA. DOLO. CABIMENTO A conduta planejada consubstanciada na incorporação reversa com o único propósito de gerar ágio artificial por meio da utilização de empresa veículo, adquirida tãosomente para este fim, opera no sentido de se concluir que existiram atos preparatórios e de execução que analisados objetivamente, compõem percurso notoriamente utilizado para lesar o Erário Público, devendo a autuação ser realizada com multa agravada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. Após julgamento na instância a quo, a outrora impugnante foi cientificada da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 93/2014 na data de 13/01/2014 (Termo de Vista, Ciência e Recebimento de efl. 5548), assim como tomou ciência pessoal do Termo de Ciência e Recebimento de Intimação na data de 19/07/2013 (efl. 5358). Insatisfeita com a decisão da DRJ/RJ 1, a empresa apresentou tempestivamente (em 10/02/2013) Recurso Voluntário (efls. 5550 a 5674), em que apresentou basicamente os mesmos argumentos trazidos na impugnação, alterados parcialmente para combater razões de decidir da delegacia de julgamento, os quais passo a resumir abaixo: (i) O fato de a Recorrente ter compreendido a acusação e ter contestado as alegações da D. Fiscalização, não afasta a nulidade decorrente da falta de indicação clara e precisa do fundamento legal do lançamento. Tratandose de acusação de simulação e desconsideração dos atos e negócios jurídicos formalmente realizados (incorporação da Vieri), o Agente Fiscal indiretamente utilizouse do disposto no art. 116, parágrafo único, do CTN, que sequer foi regulamentado por lei ordinária; (ii) Efetivamente transcorreu o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, pois o ágio foi gerado e a incorporação realizada mais de 5 (cinco) anos antes da data da lavratura dos Autos de Infração; (iii) A afirmação do Acórdão de que as operações foram realizadas entre empresas do mesmo grupo econômico é totalmente desvinculada da realidade dos fatos, tanto é assim que a própria Fiscalização reconhece que a aquisição originariamente se deu entre partes não relacionadas, com efetivo pagamento de ágio; (iv) Houve mudança gradual no percentual de participação societária dos acionistas na Recorrente; (v) A utilização de holdings para exercício do cocontrole da Recorrente se justifica por questões totalmente negociais e extra fiscais; (vi) Ao contrário do que restou afirmado pela Decisão recorrida, as holdings Masmanidis e Vieri, posteriormente incorporadas, não tiveram existência efêmera e não há identidade absoluta no papel desempenhado pelas holdings criadas após as incorporações (Sudaco e Wilkes); Fl. 5755DF CARF MF 8 (vii) A incorporação das sociedades investidoras (Masmanidis e Vieri) era condição essencial para a fruição do "benefício fiscal" concedido pela legislação, que tem objetivo de incentivar a realização de operações de fusões e aquisições; (viii) A exigência de "junção" por incorporação entre a empresa controladora, financiadora da aquisição, e a adquirida, para fruição do benefício, implica inviabilidade de fruição do "benefício" por estrangeiros, em afronta à igualdade de tratamento que deve ser praticada em relação ao investimento estrangeiro, assegurada de forma expressa pela Constituição, pela legislação interna e pela Convenção BrasilFrança para evitar a dupla tributação; (ix) Em todo e qualquer caso em que ocorre a dedução fiscal da amortização de ágio, independentemente da utilização de "empresaveículo", o custo de aquisição do acionista resta sempre preservado, pelo que a afirmação de que a utilização de "empresaveículo" gere duplicação do ágio no âmbito do investidor decorre de uma incompreensão do disposto nos artigos 386, 391 e 426 do RIR/99, do método de equivalência patrimonial e da referência do que vem a ser "custo" para fins de cálculo de ganho de capital; (x) Ainda que o lançamento não tivesse que ser integralmente cancelado, a penalidade não pode ser mantida, especialmente em percentual agravado, tendo em vista que a Recorrente agiu em consonância com a jurisprudência vigente à época dos fatos bem como com o atual entendimento desse E. CARF, que já convalidou operações semelhantes de aquisição por meio de holdings além disso, jamais houve ação dolosa, por parte da Recorrente, tendente a reduzir o tributo devido, tampouco simulação na constituição das empresas e ocultação das operações realizadas. A Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões ao Recuso Voluntário (efls. 5690 a 5733) em que traçou as linhas com que a fiscalização motivou seu lançamento tributário, fincando seu principal argumento, para manutenção do auto de infração, no fato do ágio ter sido gerado no exterior. O presente processo foi distribuído para julgamento, cabendo a mim sua Relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Entendo que devo enfrentar as questões mais importantes para o deslinde da causa, as quais foram postas no termo de verificação fiscal e no recurso voluntário: i) Definição de grupo econômico e empresas ligadas para fins de caracterização de ágio interno. Fl. 5756DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.753 9 ii) Amortização de ágio decorrente de aquisição de participação por empresa originária em outro país, embora finalizada por empresa (veículo) constituída no Brasil. Violação do princípio da isonomia, ao eventualmente atribuir efeito tributário distinto entre empresas domiciliadas no Brasil e no exterior. Necessidade, ou não, da confusão patrimonial entre a empresa originariamente adquirente e a empresa adquirida. iii) Fraude (simulação) em operação cujo ágio foi gerado em venda de ações (ou incorporação de ações, ou permuta de ações/ativos) entre partes independentes e a cujos documentos foram dados publicidade como registros nos órgãos competentes. Procurarei abordar todos os temas acima ventilados, a partir da disposição cronológica contida na peça de Recurso Voluntário: NULIDADE DO LANÇAMENTO Segundo a recorrente, a fiscalização deixou de trazer no auto de infração a indicação clara e precisa da fundamentação legal contida no 167 do Código Civil (Lei 10.406/2002), que trata de atos simulatórios, cerceando seu direito de defesa. Veja o trecho legal: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Além disso, aduz que o simples argumento de que a parte autuada entendeu plenamente o que lhe fora imputado não é suficiente para convalidar o lançamento tributário, pois calcado pelo vício de nulidade. Pois bem. Ab initio, observo que o lançamento tributário em comento foi efetuado em obediência ao disposto no artigo 142, do CTN, e somente se materializou após a autoridade fiscal estar convicta da ocorrência do fato gerador do tributo aqui discutido: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 5757DF CARF MF 10 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, por sua vez, somente admite como hipótese de nulidade do lançamento o seguinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(gn) O argumento da recorrente de que não foi citado o art. 167 do CC/2002 não merece ser acolhido para fins de reconhecimento do cerceamento de defesa. A fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado. Entender que a falta de dispositivo legal, não obstante a descrição pormenorizada dos fatos apurados, pode ocasionar prima facie o cerceamento do direito de defesa, nos levaria a padecer a um retrocesso que tanto se combate ao buscarmos o enriquecimento da hermenêutica jurídica. É óbvio que não se está aqui a militar em favor da completa falta de fundamentação legal de um ato jurídico, o que não se pode admitir, mas tão somente tenho em mente que deve ser sopesada tal ausência com o prejuízo causado à parte que a alega. No caso concreto, não vislumbro prejuízo à recorrente, uma vez que, como bem andou a decisão de piso, a recorrente entendeu perfeitamente o que lhe fora imputado, conforme se observa em suas peças recursais de impugnação e recurso voluntário. Por conseguinte, entendeu que a fiscalização fundamentou seu lançamento com base no parágrafo único do artigo 116 do CTN, o qual, para sua aplicação, necessitaria de norma reguladora ainda inexistente, o que ensejaria a nulidade do lançamento tributário. Observese a redação legal: Art. 116 (CTN) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Primeiramente, entendo que a conclusão da recorrente é equivocada, pois em momento algum a fiscalização citou o dispositivo legal em referência. A fiscalização reproduziu no TVF que os atos meramente formais estabelecidos entre as empresas tiveram motivação exclusivamente tributária, não necessitando lançar mão do parágrafo único do artigo 116 do CTN para fundamentar o lançamento fiscal. E mesmo que a fiscalização tivesse realmente se utilizado da referida norma, ao contrário do que prega a recorrente, entendo que o referido dispositivo legal é norma Fl. 5758DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.754 11 plenamente vigente em nosso ordenamento jurídico, pois se trata de norma de eficácia plena. O que vejo da leitura do diploma legal é que os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária apenas servirão para determinar a forma como a autoridade tributária deverá desconsiderar os atos dissimulados, mas sua não regulação não proíbe as ações perpetradas pela fiscalização no intuito de coibir planejamentos tributários abusivos. Aliás, entender ao revés somente convalida um retrocesso que vai de encontro ao que se apregoa em relação à evolução sociológica1 da aplicação das normas ao dinamismo das alterações fáticas. Por fim, convém mencionar que o disposto no artigo 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972 foi estritamente obedecido pela autoridade fiscal no lançamento aqui debatido: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Desta forma, entendo que o alegado cerceamento de defesa, tampouco outra hipótese de nulidade, não se perfizeram no lançamento deste auto de infração. Assim, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. PREJUDICIAL DE MÉRITO Decadência contada a partir da geração do ágio ou do evento de incorporação A recorrente alega que o prazo decadencial do direito de a fazenda pública efetuar o lançamento tributário decorrente do ágio deve ser contado a partir de sua geração (ágio) ou, no máximo, do evento de incorporação. Como no caso concreto as operações que geraram o ágio amortizado foram realizadas em 08/07/2005, 22/06/2005 e 30/06/2006, e a ciência, pela empresa, do lançamento tributário se deu em 20/12/2012, o lançamento estaria alcançado pela decadência. Alega ainda 1 A interpretação sociológica, por seu turno, assemelhase à busca da vontade da lei. Focando o presente, tenta verificar o sentido das palavras imprecisas analisandose os costumes e os valores atuais da sociedade. Fonte:http://introducaoaodireito.info/wp/?p=615 Fl. 5759DF CARF MF 12 que, na melhor das hipóteses para o reconhecimento da decadência, como a incorporação da holding Vieri ocorreu em 20/12/2006, o lançamento também estaria alcançado pela decadência Entendo que não tem razão a recorrente. O prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador do tributo (§4º do art. 150 do CTN) lançamento por homologação ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inc. I do art. 173 do CTN) lançamento direto. Ou seja, a contagem do prazo decadencial tem pertinência com o fato gerador do tributo, com o fato que reduziu a base de cálculo do tributo, não cabendo interpretar que os eventos de geração do ágio e de incorporação têm seus efeitos diferidos no tempo para fins do pagamento do IRPJ decorrente da amortização de ágio, como quer fazer crer a recorrente. Conforme bem concluiu a decisão de piso, a decadência impede o fisco tão somente de constituir o crédito tributário após o transcurso do prazo decadencial, que no caso do lançamento por homologação tem início na data da ocorrência do fato gerador do tributo, e não de examinar fatos ocorridos anteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que tragam repercussões para o cálculo do montante devido, como no caso presente. Pensar dessa maneira seria criar uma nova forma de contagem do prazo decadencial sem previsão legal para tanto. Assim, nego provimento quanto a este ponto. MÉRITO Disciplina do Ágio e o Direito à Amortização A recorrente traça considerações sobre o ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura e o direito à sua amortização fiscal: Que a fiscalização se equivoca ao utilizar o termo investimento como sinônimo de patrimônio, e não de participação societária, bem como atribuiu ao ágio a denominação de intangível, quando na verdade ele é custo de aquisição de participação societária. Que a regra geral abstraída dos artigos 391 e 426 do RIR/1999 estabelece que a dedução integral fiscal do ágio pode se materializar quando a participação societária a que ele estiver atrelado for objeto de alienação ou baixa. Que a fiscalização cometeu um equívoco ao não considerar a subscrição de capital de participação societária em outra sociedade como uma hipótese de alienação. Que o ágio em questão nada mais é do que uma despesa sui generis decorrente da baixa como custo de aquisição do investimento extinto, com regras próprias e específicas de dedutibilidade, reconhecendo o acerto da fiscalização ao interpretar que o ágio representa um "benefício" conferido pelo legislador. Feitas tais considerações, completa que os requisitos legais para a fruição da dedutibilidade do ágio são: (i) que o ágio seja justificado pela rentabilidade futura do Fl. 5760DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.755 13 investimento; (ii) que haja uma incorporação da controlada pela controladora, ou viceversa; e (iii) que seja respeitado o limite de amortização de 1/60 por mês (20% ao ano). Com base no TVF, alega que a fiscalização não questionou os itens (i) e (iii) acima, bem como não traçou uma linha sequer sobre a solenidade e observância às regras de regência das citadas incorporações. Da mesma forma, procedeu a turma julgadora. Assim, conclui que atendeu todas as condições impostas por lei, uma vez que não há nenhuma outra restrição legal ao direito à amortização fiscal do ágio. Por fim, não obstante a DRJ ter adotado a mesma linha da fiscalização, de que são artificiais as operações societárias consistentes na criação de holdings para aquisição do investimento na recorrente, constituídas apenas para posteriormente serem incorporadas, permitindose assim a amortização do ágio, reafirma o propósito negocial de toda a operação, assegurando ainda que tal operação não foi realizada dentro do mesmo grupo econômico. Pois bem. Relato dos Fatos Antes de trazer aqui comentários a respeito do instituto do ágio e do direito de sua amortização fiscal, cumpre descrever as operações societárias que geraram o ágio e sua posterior amortização fiscal. Peço licença à Procuradoria da Fazenda Nacional para me servir de trecho das contrarrazões de recurso voluntário juntada ao processo (efls. 5706 a 5710): (início de trecho das contrarrazões ao recurso voluntário) (...) • 03/05/2005 o Grupo AD e o Grupo Casino celebram um Acordo de Associação pelo qual ajustam o exercício do controle compartilhado da COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (CBD) através da holding brasileira VIERI PARTICIPAÇÕES S.A.. • 08/07/2005 em face da formalização do Acordo de Associação acima citado, a empresa francesa SEGISOR (controladora do Grupo Casino) transfere a sua subsidiária brasileira MASMANIDIS PARTICIPAÇÕES LTDA as empresas ZABALETA, ONYX 2007, GEANT FIN e ONYX 2006 (empresas cujo patrimônio fora formado apenas com recursos depositados em contas bancárias). Em seguida, a MASMANIDIS transfere ao Grupo AD essas quatro empresas e 2.236.310 mil ADR's da CBD, e, em troca, recebe 62,2% da VIERI pelo valor de 2.105.268.103,00. Em razão dessa operação, a MASMANIDIS registra um ágio relativo a VIERI no valor de R$ 1.300.619.420,00 (Ágio I). • 22/06/2005 utilizando ações da CBD que foram adquiridas ao longo dos anos de 1999 a 2002, a SEGISOR integraliza o capital da VIERI com 6,6% das ações que representam o capital social da CBD pelo valor de R$ 199.364.000,00. Em face dessa operação, a VIERI registra um ágio relativo a CBD no valor de R$ 119.746.000,00 (Ágio II). • 30/06/2006 utilizando mais uma vez as ações adquiridas durante o período de 1999 a 2002, a SEGISOR integraliza o capital da MASMANIDIS com Fl. 5761DF CARF MF 14 12,5% das ações que representam o capital social da CBD pelo valor de R$ 1.197.283.263,00. Em razão dessa operação, a MASMANIDIS registra um ágio relativo a CBD no valor de R$ 648.809.436,77 (Ágio III). Ao final das operações até aqui citadas, a estrutura do controle acionário da CBD pode ser assim resumida: • 14/08/2006 a SEGISOR adquire participação na pessoa jurídica SUDACO PARTICIPAÇÕES LTDA e integraliza o seu capital com a totalidade do investimento que detinha na MASMANIDIS. Fl. 5762DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.756 15 • 28/09/2006 a VIERI incorpora a MASMANIDIS e absorve o ágio relativo a suas próprias ações no valor de R$ 119 milhões (Ágio I) e aquele relativo a CBD no valor de R$ 649 milhões (Ágio III). Fl. 5763DF CARF MF 16 • 27/11/2006 a SUDACO e o Grupo AD constituem a pessoa jurídica WILKES PARITICIPAÇÕES S.A. e integralizam o seu capital com os investimentos totais que detinham na VIERI. Fl. 5764DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.757 17 • 20/12/2006 a CBD incorpora a VIERI, absorve os três ágios registrados e passa a deduzilos fiscalmente. A partir dessa data o controle acionário da CBD passou a ser o seguinte: (término de trecho das contrarrazões ao recurso voluntário) Agora, trarei alguns comentários a respeito do instituto do ágio e seus efeitos contábeis e fiscais. O ágio, segundo Heleno Torres2, representa o preço adicional, quando participações societárias ou ativos de uma empresa são adquiridas por um custo de aquisição superior ao valor contábil registrado nas demonstrações financeiras. O preço do custo adicional é a sua causa jurídica. O ágio só surge porque houve disposição de pagar um maior preço, a título de custo de aquisição, superior ao valor contábil do empreendimento. Até a edição da Lei nº 9.532/1997 (popularmente conhecida como Lei das Privatizações), o tratamento fiscal do ágio tinha como fundamento o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/77: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e 2 TORRES, Heleno Taveira. O ágio fundamentado por rentabilidade futura e suas repercussões tributárias. Fl. 5765DF CARF MF 18 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Assim, o ágio deveria ser fundamentado em uma (ou mais de uma) das hipóteses elencadas no seu § 2º. Digo "mais de uma" porque entendo, ao contrário de alguns militantes do direito tributário, que o ágio poderia ter como parte de seu fundamento econômico, por exemplo, a diferença de valor de mercado superior ao custo registrado na contabilidade e como parte remanescente do custo de aquisição o fundamento na expectativa de rentabilidade futura. Tanto o é que a partir da Lei nº 11.638/2007 e os pronunciamentos editados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi esclarecido que, antes de se calcular do ágio por rentabilidade futura (hoje denominado goodwill), devese verificar o valor da maisvalia3 dos ativos e passivos adquiridos. Posteriormente, com a edição da Lei nº 12.973/2014, atribuiuse efeito fiscal4 aos atos normativos contábeis referentes ao ágio. Como não havia previsão explícita sobre o tratamento do ágio na baixa da empresa adquirida, entendiase que, na hipótese de sua baixa ou realização (por alienação, por exemplo), o ágio surgido na operação era baixado integralmente. Assim, durante a vigência isolada do art. 20 supra, empresas lucrativas se aproveitaram de sua interpretação para desenvolver planejamentos tributários com o fito de adquirir empresas deficitárias, desembolsando valores exorbitantes como custo de aquisição e contabilizando, com isso, valor relevante de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. Assim, ao baixar o investimento adquirido com ágio, a empresa serviase do benefício fiscal de baixar integralmente o valor do ágio, reduzindo como isso a base de cálculo do IRPJ. Com a edição da Lei nº 9.532/1997, à figura do ágio despenderam tratamento distinto àquele permitido pelo art. 20 do Decretolei supra, justamente com objetivo de obstaculizar os planejamentos abusivos acima destacados. Deste modo, a Lei nº 9.532/1997 postergou o prazo de amortização do ágio surgido em decorrência de rentabilidade futura, permitindo sua amortização, no caso de evento 3 Segundo a Interpretação Técnica ICPC 09 (R2), do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, a maisvalia é a diferença entre o valor justo dos bens e o seu valor contábil. 4 A partir da vigência da lei nº 12.973/2014, a maisvalia será realizada na medida da realização do bem a que estava atrelada, como, por exemplo, a depreciação fiscal do bem. Fl. 5766DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.758 19 de incorporação, fusão e cisão, no máximo, em 1/60 (um sessenta avos)5, quer dizer, no máximo em 20% ao ano do valor pago pelo ágio. Veja a redação: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.203) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do §2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do §2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: 5 Na redação original da Lei 9.532/1997, a empresa tinha um prazo máximo para início da amortização fiscal do ágio, que era de 10 (dez) anos do evento de incorporação, fusão ou cisão, sendo também estabelecido um prazo máximo de 20% ao ano de amortização fiscal. Após alteração promovida pela Lei 9.718/1998, restou estabelecido somente o piso máximo de 20% ao ano de amortização fiscal. Fl. 5767DF CARF MF 20 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Como faz parte do custo de aquisição, em investimentos avaliados pelo MEP, o ágio deve ter o mesmo tratamento fiscal de anulação dos efeitos decorrentes da variação patrimonial na investida. Assim, para fins fiscais, a amortização contábil do ágio, deve ser anulada na parte A do livro fiscal de apuração do lucro real (Lalur), e controlada, na parte B do Lalur, para posteriormente ser incorporada ao custo de aquisição do investimento. O ágio, por sua vez, vai sendo amortizado contabilmente em razão da apuração do resultado que o gerou. Na medida em que a investida apresenta o lucro, a investidora vai amortizando contabilmente o ágio, porque pagou por aquela mais valia6 justamente por ter uma expectativa de que aquele investimento iria gerar um retorno positivo. Veja trecho no item 148 do Termo de Verificação Fiscal (efl. 4937 e 4938): 6 A mais valia aqui trazida tem a acepção de ágio, e não da mais valia decorrente da diferença entre o valor justo e o valor contábil do bem, trazida pelas alterações promovidas pela Lei 11.638/2007 e Lei 12.973/2014. Fl. 5768DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.759 21 Tecidas essas considerações, devo enfrentar os pontos trazidos pela recorrente: Não concordo com alegações de que o direito à amortização do ágio não seria um benefício fiscal, em razão da Lei nº 9.532/1997 ter supostamente ampliado o prazo de amortização do ágio para 20% ao ano, reduzindo, com isso, um direito que se perfazia imediatamente no evento de baixa do patrimônio adquirido. Mesmo que se entendesse que houve mitigação do direito à amortização, isto não altera a natureza jurídica do direito à amortização do ágio. Ora, não é porque se altera o direito à utilização de um benefício que se pode concluir que tal benefício deixa de ter essa natureza (ou que, ainda, nunca teve). Em uma situação hipotética, é como se uma lei, que alterasse a base de redução do cálculo do lucro da exploração, impondo uma porcentagem de redução menor, desnaturasse o enquadramento do lucro da exploração como beneficio fiscal. O que deve ser cotejado é o tratamento dispensado ao instituto que se quer aferir com os demais institutos similares e verificar se os entes sujeitos à regra geral aproveitam em menor escala de vantagem fiscal, ou não têm benefício algum. Trazendo essa premissa para um plano de concretude, e aplicando o mesmo exemplo acima, basta verificar se o tratamento dispensado às empresas que calculam o lucro da exploração, mesmo tendo sua base de cálculo de benefício reduzida em virtude de alteração legal, ainda assim se servem de vantagem fiscal sobre as empresas que calculam o lucro real nos termos da regra geral da legislação fiscal, ou seja, sem a possibilidade de cálculo pelo lucro da exploração. Fl. 5769DF CARF MF 22 Assim caminha o ágio. O ágio deveria apenas fazer parte do custo de aquisição da participação adquirida e somente ensejar efeitos fiscais no momento da baixa (por alienação) do bem adquirido. Permitida a amortização fiscal do ágio, nas hipóteses previstas no art. 7º da Lei 9.532/1997, o direito à amortização transmutouse em um benefício fiscal, o qual somente é atribuído às empresas que ali se enquadram. Caso não se encaixe assim, ressurge a regra geral de que o ágio não é amortizável fiscalmente, tão somente fazendo parte do custo de aquisição e, desta forma, deve ser tratado como tal. Por um lado, tenho que concordar com a recorrente que o ágio foi gerado entre partes independentes. Não é porque são empresas que já possuíam participação conjunta em uma investida devem se tornar dependentes entre si, ou pertencentes a um mesmo grupo econômico. O grupo Casino não tem os mesmos controladores do grupo Pão de Açúcar, razão pela qual não há que se falar em ágio surgido dentro de um mesmo grupo econômico. A relação de dependência entre empresas é bem definida pela Lei 12.973/2014 que, apesar de ter sido editada após os fatos geradores aqui tratados, pode ser utilizada como parâmetro para a questão lançada pela fiscalização: Art. 25. Para fins do disposto nos arts. 20 e 22, consideramse partes dependentes quando: (Vigência) I o adquirente e o alienante são controlados, direta ou indiretamente, pela mesma parte ou partes; II existir relação de controle entre o adquirente e o alienante; III o alienante for sócio, titular, conselheiro ou administrador da pessoa jurídica adquirente; IV o alienante for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro das pessoas relacionadas no inciso III; ou V em decorrência de outras relações não descritas nos incisos I a IV, em que fique comprovada a dependência societária. Parágrafo único. No caso de participação societária adquirida em estágios, a relação de dependência entre o(s) alienante(s) e o(s) adquirente(s) de que trata este artigo deve ser verificada no ato da primeira aquisição, desde que as condições do negócio estejam previstas no instrumento negocial. Da leitura art. 25 acima, somente a situação descrita no parágrafo único poderia dar guarida a uma relação de dependência entre as empresas. Porém, no ato da primeira aquisição do grupo Casino por ações da CBD, tal relação era inexistente, o que afasta a pretensão da fiscalização de enquadrar a operação como decorrente de empresas de um mesmo grupo econômico. Quanto ao argumento da recorrente de que houve propósito negocial na operação que gerou o ágio e deu o direito à sua amortização, tenho a dizer que o referido propósito negocial deve estar presente em duas etapas do processo de utilização fiscal do ágio: 1º) Geração do ágio Na aquisição do investimento com ágio, o propósito negocial se faz presente quando o ágio é gerado entre partes independentes e há pagamento de preço pelo investimento adquirido. Fl. 5770DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.760 23 2º) Amortização fiscal do ágio Além das condições acima, o propósito se faz presente quando ocorre a confusão patrimonial entre adquirida e adquirente, sendo a empresa que suportou o ônus domiciliada no Brasil. Entendo que houve um fundamento econômico na operação de aquisição de participação da CBD por parte do Casino, veja: Fato Relevante7 Renovando a confiança que sempre teve no Brasil, nas suas instituições e na sua economia, o Grupo Pão de Açúcar decidiu dar mais um passo importante para ampliar ainda mais sua presença no mercado nacional. O Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Casino da França resolvem consolidar as suas bemsucedidas relações comerciais já em curso há seis anos, fazendo uma operação em que todos saem fortalecidos. O objetivo básico desta transação é dar liquidez a uma parte do imobilizado do Grupo Pão de Açúcar e com esses recursos reduzir o endividamento de curto e longo prazo e dar continuidade ao plano de expansão do Grupo Pão de Açúcar. Isto significa crescimento, ganhos de produtividade, geração de emprego e reforço no compromisso de atender bem o consumidor brasileiro. Entendo também que houve propósito negocial na geração do ágio. As empresas eram independentes, houve pagamento de preço pela aquisição do investimento e houve elaboração de laudo de avaliação do investimento não questionado pela fiscalização. Entretanto, quanto ao propósito das operações engendradas com o fito de amortizar o ágio fiscal aqui no Brasil, entendo que não tem razão a recorrente: O ágio, como já destacado aqui, é um benefício fiscal que necessita, assim como todo benefício, de preenchimento de condições para seu usufruto. Como visto, uma das condições essenciais para o direito à amortização do ágio, é que o real adquirente do investimento seja empresa domiciliada no Brasil. É esta condição que percebo não ter sido preenchida no caso vertente, pois o real adquirente do negócio é domiciliado na França (empresa Segisor). Logo, o ágio pertence a empresa não residente no Brasil. O que deduzo é que a recorrente intentou apenas estabelecer o requisito formal do ágio, para aproveitálo fiscalmente. Assim, encadeou uma série de operações que tinham objetivo meramente tributário. A Segisor é a real adquirente do investimento, pois foi ela quem transferiu todos os recursos necessários para que suas holdings adquirissem ações da CBD (dinheiro, ações da própria CBD, ADR's da CBD). As holdings criadas após o processo de reorganização societária Sudaco e Wilkes não possuíam propósito operacional nenhum, como toda holding é, mas se demonstrou que somente foram criadas para internalizar o ágio e amortizálo. A falta de propósito nas operações que internalizaram o ágio tornase mais patente em relação aos ágios II e III, gerados no exterior para serem aproveitados no Brasil. A formação destes ágios já havia se dado há pelo menos 4 anos antes das operações societárias, sendo que os ágios pertenciam à empresa Segisor, na França. No entanto, após todo esse 7 Extraído do site: http://www.gpari.com.br/arquivos/GPA_FR_20050504_port.pdf Fl. 5771DF CARF MF 24 período em que os ágios estava na empresa no exterior é que resolveram internalizálos, com o único objetivo fiscal de amortizálos. Além disso, não se sabe se o ágio que foi transferido para o Brasil realmente foi contabilizado corretamente pela real adquirente, pois se sujeita às normas contábeis do país de seu domicílio (França). Desta forma, como o ágio original, que se pretendeu internalizar, não se sujeitou às regras brasileiras, não se pode aceitar a operação de internalização do ágio para fins fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifestou a esse respeito, nas contrarrazões apresentadas (efl. 5716): Desta feita, pelo exposto, demonstrase que a dedutibilidade dos ágios em questão é indevida, antes de tudo, pela impossibilidade de se analisar a sua validade com base nas verdadeiras operações de aquisição de investimento. Como as verdadeiras operações foram realizadas pela SEGISOR, a qual é residente na França, não há como aferir se houve o cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação brasileira. Não há como autorizar a dedução no Brasil de uma despesa que foi realizada no exterior. Quanto à confusão patrimonial a que se refere a lei que concede o benefício de amortização fiscal do ágio, a fiscalização bem fundamentou seu auto de infração, ao trazer informação de que não houve a referida confusão patrimonial entre adquirente e adquirida, conclusão com a qual compartilho (efls. 4935). Além disso, a PFN alega que a real adquirente é quem tem direito à amortização do ágio, revelando que empresas veículos não poderiam amortizar o ágio, pois não se sacrificaram financeiramente para aquisição do investimento com ágio. A Lei nº 9.532/1997 somente permite a amortização fiscal do ágio (que deve ser interpretada restritivamente, por se tratar de um benefício que decorre de renúncia de receita por parte do Estado) por quem suportou o ônus de adquirir investimento com ágio, não cabendo a amortização a quem recebeu investimento com ágio suportado por terceiros. Não entendo dessa forma. Acho que as situações devem ser analisadas caso a caso. Nem sempre empresas veículos são criadas com objetivo tão somente de permitir o aproveitamento indevido do ágio. Empresas que se revestem de formalidades, e que têm propósito em período consideravelmente superior à operação societária, eventualmente podem ser aceitas como empresas veículos. Por outro lado, no caso presente, a utilização deste artifício pela recorrente somente teve intenção de trazer o ágio que foi gerado no exterior. Apesar de terem ocorrido de fato, todas as criações e incorporações das empresas utilizadas para transferir o ágio internamente somente convalidaram o interesse meramente fiscal da real adquirente do negócio. Afronta ao tratamento isonômico entre empresas brasileiras e estrangeiras Fl. 5772DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.761 25 Quanto à alegação de que houve violação ao tratamento isonômico dispensado ao capital estrangeiro, entendo que não se aplica ao caso em discussão. O direito à amortização fiscal do ágio é um benefício fiscal, que, por sua vez, é aplicável às empresas que se submetem à legislação pátria. Assim, empresas domiciliadas fora do Brasil não podem usufruir de tal benefício. Duplicidade do ágio Quanto à duplicidade do ágio, entendo que tal discussão deve ser superada, pois minhas razões de decidir perpassam por este ponto. Improcedência da Multa de Ofício A empresa alega improcedência da aplicação da multa de ofício, pois, à época da utilização do benefício fiscal do ágio, a jurisprudência do CARF favorecia a amortização fiscal conforme efetuou a recorrente. Cita, para isso, permissivo legal contido no art. 76 da Lei 4.502/1964: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: I aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, procurarem espontâneamente, a repartição fazendária competente, para denunciar a falta e sanar a irregularidade, ressalvados os casos previstos no art. 81, nos incisos I e II do art. 83 e nos incisos I, Il e III do art. 87; II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. De início, convém observar que o julgador do CARF deve se basear no seu livre convencimento para emitir opiniões sobre dadas matérias. Desta forma, mesmo que a recorrente tenha colacionado jurisprudência favorável ao seu pleito, ressalto que este julgador não é obrigado a seguir orientação dada por turma ordinária desta 2ª instância. A jurisprudência apenas serve como bússola aos julgadores, Fl. 5773DF CARF MF 26 para que formem sua convicção sobre determinada matéria, mas não é dado a ela o status de norma cogente. O artigo 100 do CTN é quem define quais são as normas complementares da legislação tributária: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;(negrejei) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Entretanto, o citado dispositivo legal, mais precisamente o inciso II acima, não pode ser aplicado ao presente caso, por inexistência de lei que atribua eficácia normativa à referida norma aqui colacionada. Exceções a esta regra estão elencadas nas Súmulas do CARF, que devem ser seguidas com rigor pelos órgãos de julgamento administrativo. Entretanto, no presente caso, também não há orientação sumulada no sentido de aceitar o pedido da recorrente. Assim também caminha o entendimento proferido no Parecer Normativo CST nº 390/1971, que posteriormente foi atualizado pelo Parecer Normativo Cosit nº 23/2013, o qual manteve o mesmo entendimento: Assunto: Decisões de Conselho de Contribuintes não constituem normas complementares da legislação tributária porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. (...) 4. Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. (...) Além disso, a multa de ofício é estabelecida pelo art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e não contempla norma de exceção quanto ao IRPJ. Fl. 5774DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.762 27 A legislação em que consta o dispositivo legal trazido pela recorrente para pugnar pela exoneração da multa de ofício (art. 100 da Lei 4.502/1964) é específica do IPI (antigo Imposto sobre Consumo), portanto em nada se aplica ao IRPJ objeto desta autuação. E, mesmo que se venha argumentar que a referida norma se aplica ao IRPJ, pois no caso de qualificação de multa de ofício a base legal consta nos artigos 71, 72 e 73 da mesma lei, que se aplica ao IRPJ, convém afastar tal pleito, pois referidos artigos somente são aplicados aos demais tributos além do IPI por expressa disposição das leis que os regem no caso do IRPJ, é o § 1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. Por fim, o Acórdão nº 10609.343, da 6ª C, do 1º CC, trazido pela Recorrente: "Para que se possa caracterizar simulação é necessário que o ato não pudesse ser realizado, fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão. Se não houve isso, não há como qualificarse a operação de simulada. Os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação dos atos praticados, portanto, se os atos praticados eram lícitos, as eventuais consequências contrárias ao fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal e não de evasão ilícita..." não se enquadra ao presente caso, para fins de exoneração da multa de ofício de 75%. Poderia, talvez, ser analisado em relação à multa qualificada de 150%, o que será discutido mais adiante. Desta feita, afasto o pedido de exoneração da multa de ofício de 75%. Multa Qualificada A recorrente invoca a exoneração da multa qualificada em razão da "...inexistência de simulação e por ausência de comprovação do evidente intuito de fraude por parte da fiscalizada nas operações societárias realizadas com a devida publicidade, tendo inclusive a fiscalização em diversas passagens do termo de verificação fiscal explicitado que a impugnante teria realizado “uma interpretação equivocada da legislação tributária”, o que demonstra o reconhecimento de inexistência de intenção em fraudar, motivo de qualificação da multa." Entendo que assiste razão à recorrente. O direito à amortização fiscal do ágio é assunto que traz bastante controvérsia no âmbito administrativo e judicial. A legislação anterior à vigência da Lei 12.973/2014 (conversão da MP 627/2013), no que se refere ao tratamento do ágio, não trazia regras muito claras quanto à sua aplicação, principalmente quanto ao ágio decorrente de aquisição efetuada com pagamento de preço e exercida entre partes independentes, em que a empresa adquirente estivesse domiciliada no exterior. Na maioria dos casos de ágio, as empresas serviamse de brecha legal para poder reduzir a carga tributária do IRPJ, como é o caso aqui em comento. Esta premissa, por si só, já nos induz à aplicar o benefício da dúvida, afastando a aplicação da referida multa. Mas não é só! Fl. 5775DF CARF MF 28 A aplicação da multa qualificada pressupõe a prática da conduta ilícita e a intenção em lesar o fisco. É uma exceção às condutas praticadas pelos contribuintes. Não pode a exceção virar a regra. No caso concreto, não há nenhum fato indicador da intenção em fraudar o fisco. A empresa utilizouse de instrumentos legais de operação de reorganização societária com objetivo de reduzir a carga tributária. Não é porque o objetivo, como já visto alhures neste voto, era meramente fiscal, que se deve travestir como conduta fraudulenta. Os atos societários foram todos publicados, a fiscalização teve acesso aos documentos que surgiram na operação societária, não há documentos que se revestem de uma formalidade que se contradiz ao que foi praticado. Não quero aqui tornar a mera publicidade dos atos norma imperativa no intuito de descaracterizar a fraude ou simulação decorrentes de ações perpetradas pelas empresas envolvidas em processo de reorganização societária com objetivo de reduzir sua carga tributária, e, com isso, tornála suficiente (publicidade) para afastar a aplicação da multa qualificada. Entretanto, no caso concreto, tanto a publicidade dos atos o fisco teve (ou poderia ter) acesso às informações contidas nos documentos societários e fiscais , quanto à origem do ágio decorrente de operação entre partes independentes e com pagamento de preço , afastam uma possível constatação de conduta fraudulenta por parte da recorrente. Desta feita, não presentes nenhuma das características que pudessem imputar uma conduta fraudulenta à recorrente, voto por afastar a multa qualificada. Juros sobre Multa de Ofício A recorrente alega vício de legalidade dos art. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002 e pede pelo afastamento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 5776DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.763 29 Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da conjugação dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para exonerar a multa qualificada, mantendo a ofício no patamar de 75%. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano Fl. 5777DF CARF MF 30 Solicitei expressar meu voto neste acórdão tendo em vista que, na votação ocorrida no Colegiado, acompanhei o ilustre relator em suas conclusões, mas por outros fundamentos, no que fui acompanhada pela maioria. Concordo com o relator que está correta a glosa da despesa com amortização de ágio no caso em questão. Entretanto, entendo que não há provas suficientes a corroborar a afirmação de que a Sergisor é a verdadeira adquirente do investimento na CBD, até porque, no meu entender, isso necessariamente envolveria admitir que as holdings Masmanidis e Vieri nunca existiram e não passaram de empresas "veículo", meramente simuladas (simulação absoluta). Pelo contrário, entendo que as provas dos autos levam à conclusão de que, como holdings, tais pessoas jurídicas parecem ter cumprido o seu papel de adquirentes do investimento da CBD. Tanto tais empresas foram necessárias à estrutura que, após a sua suposta extinção via incorporação, foram imediatamente substituídas por sociedades holdings que passaram a ocupar o mesmo papel societário e negocial que elas antes exerciam. E aí está o cerne da questão. Quando se analisam as operações de incorporação praticadas (as quais supostamente dariam ensejo ao início da amortização dos ágios ora contestados), percebese que não há substancial diferença entre a situação final e o status inicial a não ser pelo nome e número de CNPJ das holdings, que de Masmanidis e Vieri passaram a respectivamente Sudaco e Wilkes. Em outras palavras, o caso aqui não foi de simulação da existência das holdings, mas de simulação de sua extinção via incorporação. O Termo de Verificação Fiscal trilha esse caminho e traz provas dessa circunstância em diversas de suas passagens, valendo destacar as seguintes: (...) Fl. 5778DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.764 31 (...) (...) (...) (...) (...) Fl. 5779DF CARF MF 32 (...) (...) Fl. 5780DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201325 Acórdão n.º 1401001.903 S1C4T1 Fl. 5.765 33 (...) 146. (...) (...) Não obstante as afirmações acima transcritas, em sua conclusão o Termo de Verificação Fiscal acaba por desconsiderar toda a estrutura de aquisição ocorrida no Brasil, em especial quando afirma que "A condição de dedutibilidade do ágio só seria atendida, no caso, se a CBD incorporasse a Sergisor" (item 115). É dessa conclusão que este voto discorda. Isso porque, vale repetir, nos autos há provas apenas de que a extinção de Masmanidis e Vieri ocorreu meramente em termos formais e de que tais sociedades permaneceram "vivas" e atuantes sob os prismas societário e negocial, sob outros nome e CNPJ. E, se permaneceram vivas, é porque continuaram cumprindo o seu papel de holdings adquirentes dos investimentos com os ágios ora contestados. (assinado digitalmente) Livia de Carli Germano Fl. 5781DF CARF MF 34 Fl. 5782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006434/99-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1989, 1990
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Ausente os efeitos infringentes dos embargos, quando embora acolhidos, a correção de erro de grafia ou de data transcrita no relatório ou voto do acórdão, não altera o dispositivo do julgado.
Numero da decisão: 9202-005.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9202-01.912, de 30/11/2011, para sanar a contradição apontada no erro material, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ERRO MATERIAL. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Ausente os efeitos infringentes dos embargos, quando embora acolhidos, a correção de erro de grafia ou de data transcrita no relatório ou voto do acórdão, não altera o dispositivo do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 920201.912, de 30/11/2011, para sanar a contradição apontada no erro material, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 64 34 /9 9- 88 Fl. 228DF CARF MF 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente pedido de retratação convertido em embargos inominados trata de pedido de correção de erro material motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 10616.640, proferido pela 3ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de pedido de restituição de indébitos do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), recolhidos no período de 1990, 1991 e 1992 (fl. 13), relativos aos respectivos anos de apuração: 1989, 1990 e 1991. O pedido de restituição foi protocolado em 25/11/1999, quando também foi protocolado pedido de compensação de débitos da COFINS, apurados no período de novembro de 1999 a fevereiro de 2000, vencidos em 15/12/1999, 14/01/2000, 15/02/2000 e 15/03/2000. A Delegacia da Receita Federal em Goiânia (GO) indeferiu a solicitação, considerando ter ocorrido a decadência do débito de pleitear a restituição. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade do despacho decisório, fundamentando sua defesa no art. 35 da Lei 7.713/96, arguindo que a inconstitucionalidade do ILL incidente sobre o lucro das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, cujo contrato social não previsse a distribuição automática e imediata do lucro apurado aos sócios foi reconhecida pela IN SRF nº 63, de 24 de julho de 1997. Aduziu, ainda, que a contagem do prazo quinquenal para pleitear a restituição de valores de ILL indevidamente recolhidos deve ter como termo inicial a data da publicação da IN SRF nº 63/97, citando julgados do Conselho de Contribuintes que votaram neste mesmo sentido. A DRJ/BSA, através de despacho decisório, aplicou a decadência. Às fls. 105/122, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requereu, em síntese, o reconhecimento do direito à restituição dos recolhimentos inconstitucionais de ILL no prazo de 10 anos, alegando que no período de 1989 a 1992 não houve distribuição do lucro líquido aos sócios quotistas; reconhecimento do crédito para futuras compensações com débitos de demais tributos arrecadados pela Receita Federal; que a Receita continuasse expedindo Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, tendo em vista que as compensações foram regularmente informadas em DCTF, bem como havia ainda pendência de julgamento dos recursos nos processos lá citados e, em fim, que fosse mantidas ou suspensa a exigibilidade das compensações regularmente efetuadas e informadas no Pedido de Compensação e DCTF. A 6ª Câmara da 1ª Conselho de Contribuintes, às fls. 131/142, afastou a preliminar de decadência do direito do Contribuinte pleitear a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido, determinando o retorno do processo para a DRJ para o julgamento das demais questões. Através decisão de Embargos de Declaração, a 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, manifestouse novamente, às fls. 145/148, para julgar o mérito, observando ter ocorrido lapso na manifestação anterior, na qual deixou de analisar o mérito sobre a Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10120.006434/9988 Acórdão n.º 9202005.382 CSRFT2 Fl. 10 3 inconstitucionalidade do ILL. Desta forma, decidiu favoravelmente ao Contribuinte, DANDO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Às fls. 153/166, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável ao prazo prescricional, eis que o acórdão recorrido afirmou que o direito à restituição do tributo pago indevidamente, e, consequentemente, o prazo para o pedido de restituição, nasce com a edição da medida que reconheça a inconstitucionalidade da cobrança, no caso, a IN 63/97; porém, o entendimento do acórdão paradigma, que também julgou o reconhecimento da inconstitucionalidade da exação, na hipótese do Finsocial (editada pela MP 1.110/95), não significaria determinação para restituição ou compensação tributária, mas, apenas, ordem, de não constituição do crédito tributário. Portanto, o prazo para a apresentação do pedido de restituição ou de compensação do tributo indevidamente pago (porque a lei que o teria instituído seria inconstitucional), extinguirseia após cinco anos, contados da data do pagamento. Outra matéria trazida para análise através do Recurso Especial da União referiuse à força normativa que a Resolução nº 82 do Senado deu ao RE nº 172.058/SC, “que não restringe a inconstitucionalidade à disponibilidade jurídica ou não, mas ao fato de constar ou não, no contrato social, cláusula a respeito de distribuição de lucros”. Explicou o Recorrente que o STF, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713/88 no RE nº 172.058/SC, a inconstitucionalidade somente abrangerá os sócios quotistas quando o contrato social for omisso sobre a distribuição de lucros, não se permitindo interpretação extensiva nesse ponto. Às fls. 171/175, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso em relação apenas à divergência relativa ao mérito da restituição em razão do exame do contrato social da contribuinte, já que, em relação à alegada divergência sobre decadência, restou descaracterizada em virtude de os acórdãos recorrido e paradigma versarem sobre situações diversas. Às fls. 178/183, a Fazenda Nacional interpôs Agravo contra a decisão que negou seguimento em parte ao Recurso Especial por ela apresentado. Às fls. 185, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais realizou Reexame de Admissibilidade do Agravo apresentado pela União, rejeitando o recurso e mantendo o Despacho anterior. Devidamente cientificado à fl. 189, o Contribuinte mantevese inerte. Às fls. 191/198, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Devidamente cientificado à fl. 208, o Contribuinte apresentou, às fls. 209/210, um pedido de reconsideração em face do Acórdão a quo, com base no art. 56, § 1º da Lei 9.784/99, em virtude de equívoco na data de protocolo de 16/11/2001 e não 25/11/1999, ocasionando decaído o direito ao crédito e por conseguinte à homologação da compensação. Assim, devido ao erro material, requereu a retificação do julgado, com a consequente extinção das cobranças e com a homologação das compensações efetuadas. Fl. 230DF CARF MF 4 Novamente, às fls. 225, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais analisou o processo, ADMITINDO o pedido de reconsideração do Contribuinte na forma de Embargos de Declaração, retornando os autos para reapreciação da matéria. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Contribuinte apresentou, às fls. 209/210, um pedido de reconsideração, que restou convertido em embargos inominados, em face do Acórdão a quo, com base no art. 56, § 1º da Lei 9.784/99, em virtude de equívoco na data de protocolo de 16/11/2001 e não 25/11/1999, ocasionando decaído o direito ao crédito e por conseguinte à homologação da compensação. Assim, devido ao erro material, requereu a retificação do julgado, com a conseqüente extinção das cobranças e com a homologação das compensações efetuadas. Compulsando os autos observo que as fls. 47 e 49 da numeração manual, tanto a documentação anexada pelo Contribuinte quanto o relatório da Delegacia Regional Federal de GO apontam para a data correta de protocolo do pedido de restituição, qual seja dia 25.11.1999. Desse modo deve ser sanado o erro material constante do acórdão 920201.912, proferidos nestes autos. Onde se lê: No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 16/11/2001. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como os recolhimentos indevidos a que se refere ocorreram em 30/04/1991 e 30/05/1991, é de se reconhecer que houve a decadência sustentada pela Fazenda Nacional. Leiase: No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 25.11.1999. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como os recolhimentos indevidos a que se refere ocorreram em 30/04/1991 e 30/05/1991, não houve a decadência sustentada pela Fazenda Nacional. A correção material do equivoco na data, não altera o resultado final do julgado, cujo dispositivo já negava provimento ao Recurso do Procurador. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Diante do exposto admito os embargos opostos pelo contribuinte. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10120.006434/9988 Acórdão n.º 9202005.382 CSRFT2 Fl. 11 5 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.001052/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
Numero da decisão: 3301-003.992
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 52 /2 00 9- 20 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3301003.992 S3C3T1 Fl. 225 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 78/88): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3301003.992 S3C3T1 Fl. 226 3 estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, que impõe ao transportador a obrigação de prestar informações sobre a carga transportada, e também a do art. 107 desse mesmo Diploma Legal, definindo o descumprimento dessa obrigação como infração autônoma, sujeita à multa, nos termos do inciso IV, alínea “e”, desse artigo. 8) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 9) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 10) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 5/3/2009 e apresentou impugnação (fls. 5861) em 24/3/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) O atraso na prestação da informação se deu por razões alheias à vontade da impugnante, pois os dados que deveriam ter sido disponibilizados pelos exportadores no porto de origem não foram apresentados a tempo. b) A conduta da impugnante (atraso no pedido de retificação) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3301003.992 S3C3T1 Fl. 227 4 com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação nem causou embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que essa conduta pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.783 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 78/88), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/07/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre carga transportada na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3301003.992 S3C3T1 Fl. 228 5 A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 94/103), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.269– 1ª Turma Especial (fls.122/130), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 145/151), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100410 – 1ª Câmara (fls 153/154), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 159/167). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.615– 3ª Turma (fls. 208/216) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 216): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3301003.992 S3C3T1 Fl. 229 6 para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 94/103) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação de conhecimento de embarque fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.001052/200920 Acórdão n.º 3301003.992 S3C3T1 Fl. 230 7 dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 230DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912133/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.846
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 33 /2 01 2- 53 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.873, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912133/201253 Acórdão n.º 3301003.846 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.002752/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL.
Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado, adotando-se a interpretação do colegiado à época do acórdão recorrido. Para fins de aplicação da contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, deve-se considerar o recolhimento das contribuições efetuado pela empresa como um todo. Havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, tal fato implica considerar também, por competência, como antecipação de pagamento das contribuições da parte da empresa.
Numero da decisão: 2401-004.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, sem efeitos modificativos, para sanar a omissão apontada.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado, adotando-se a interpretação do colegiado à época do acórdão recorrido. Para fins de aplicação da contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, deve-se considerar o recolhimento das contribuições efetuado pela empresa como um todo. Havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, tal fato implica considerar também, por competência, como antecipação de pagamento das contribuições da parte da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, sem efeitos modificativos, para sanar a omissão apontada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
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PAGAMENTO ANTECIPADO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ESCOLA ANTONIETTA E LEON FEFFER ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. Acolhemse os embargos declaratórios, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado, adotandose a interpretação do colegiado à época do acórdão recorrido. Para fins de aplicação da contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, devese considerar o recolhimento das contribuições efetuado pela empresa como um todo. Havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, tal fato implica considerar também, por competência, como antecipação de pagamento das contribuições da parte da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 27 52 /2 00 7- 44 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 18184.002752/200744 Acórdão n.º 2401004.943 S2C4T1 Fl. 976 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos, sem efeitos modificativos, para sanar a omissão apontada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Fl. 976DF CARF MF Processo nº 18184.002752/200744 Acórdão n.º 2401004.943 S2C4T1 Fl. 977 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 964/968, contra o Acórdão nº 2401003.812, da relatoria da Conselheira Carolina Wanderley Landim, o qual está juntado às fls. 938/962. 2. Alega a embargante a existência de omissão no v. acórdão, uma vez que não foi justificado a razão pela qual se acatou o recolhimento de contribuições dos segurados como antecipação de pagamento para fins de aplicação do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 22 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), quando, no caso em tela, o lançamento de ofício se refere à contribuição patronal. 3. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 22/05/2015, que interpôs os embargos de declaração em 12/06/2015 (fls. 963 e 969). 4. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara na reunião do mês de janeiro de 2017. 5. Previamente, os aclaratórios haviam sido admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini (fls. 971/973). É o relatório. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 18184.002752/200744 Acórdão n.º 2401004.943 S2C4T1 Fl. 978 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 7. De acordo com o voto da Conselheira Relatora Carolina Wanderley Landim, que restou vencedor na matéria relativa à decadência, a aplicação da contagem na forma do § 4º do art. 150 do CTN, com exclusão do crédito tributário lançado até a competência 04/2005, está assim justificada (fls. 949): (...) Admitindo a segunda hipótese, há que se recontar o prazo decadencial. Pois bem, tendo a notificação do segundo relatório fiscal ocorrido no dia 05.05.2010, encontramse decaídas as parcelas anteriores a maio de 2005, em face da aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN. Entendo aplicável o referido dispositivo em face da existência de recolhimentos das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados, porém retidas e recolhidas pela Recorrente, no período abrangido pela fiscalização. (...) (GRIFOUSE) 8. Ressalvo o meu ponto de vista contrário ao entendimento vencedor no julgamento do recurso voluntário, visto que o pagamento antecipado, para fins da regra de contagem do § 4º do art. 150 do CTN, impõe a existência de recolhimentos de mesma natureza, considerando a regramatriz de incidência tributária. De mais a mais, o lançamento de ofício compreendeu não só contribuições previdenciárias patronais, como também contribuições devidas a terceiros, não destinadas a seguridade social. 9. Porém, devese ater ao exame dos embargos declaratórios interpostos, os quais têm cabimento limitado, tão somente para sanar vícios formais previamente tipificados na legislação. A atribuição de efeitos modificativos ao acórdão recorrido, por meio dos embargos de declaração, é medida excepcional. Em outras palavras, para viabilizar a rediscussão de mérito da questão decidida pelo Colegiado é necessária a utilização pelo interessado da via recursal apropriada para tal fim. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 18184.002752/200744 Acórdão n.º 2401004.943 S2C4T1 Fl. 979 5 10. De todo modo, reconheço a existência de omissão no ato decisório, dada à sua incompletude no tocante à explicitação das razões para utilização de valores recolhidos relativos à contribuição previdenciária dos segurados, a qual nem mesmo foi objeto da autuação. Tal situação caracteriza vício de forma, de maneira que se agrega na sequência fundamentos adicionais à decisão embargada, mantidas, todavia, as conclusões do julgado na parte dispositiva. 11. Tendo em conta a composição da Turma à época do julgamento, prevalecia, por maioria, o entendimento de que deverseia considerar o recolhimento das contribuições efetuado como um todo, quando decorrem de um único fato gerador, qual seja, a prestação de serviços remunerados pelos trabalhadores. 12. Em consequência, para fins de aplicação da contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, tal fato implicava considerar também, por competência, como antecipação de pagamento das contribuições da parte da empresa. 13. À vista disso, cumpre acolher os declaratórios para correção do vício apontado pela Fazenda Nacional, na forma alhures explicitada, porém sem atribuirlhes efeito modificativo, mantendose, por conseguinte, a exclusão do lançamento das contribuições até 04/2005, em face da aplicação da decadência quinquenal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos declaratórios e, no mérito, DOU PROVIMENTO aos aclaratórios, sem efeitos modificativos, para sanar a omissão existente no Acórdão nº 240103.812. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 979DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000066/2003-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT).
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 243 1 242 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10070.000066/200381 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.160 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS SA MBR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 178 a 2071) interposto pelo contribuinte contra o Acórdão nº 20218.468, de 22 de novembro de 2007 (fls. 166 a 173), com fulcro no 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 00 66 /2 00 3- 81 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 244 2 art. 56, inc. II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, RICC, c/c o art. 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007 RI CSRF. O acórdão recorrido está assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO 1P1. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos não tributados (NT). CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IP1. Para créditos que se revelem inexistentes, ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. Recurso negado. Em síntese, o acórdão decidiu que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram Crédito Presumido de IPI – CPIPI. Quanto aos acréscimos de juros pela taxa Selic ao valor do ressarcimento, por falta de amparo legal, indeferiuse o pleito. No recurso especial, o contribuinte suscitou dissídio jurisprudencial quanto ao direito a ressarcimento do CPIPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, em relação à exportação de produtos NT, bem como em relação à incidência da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento de IPI. No mérito, argumenta, em síntese, que o beneficio do CPIPI foi concedido ao contribuinte exportador de mercadorias nacionais, independentemente, da classificação na TIPI da mercadoria exportada. Acrescenta finalmente que desde o protocolo do seu pedido até a presente data já transcorreu um longo período, portanto, se os valores dos créditos presumidos de IPI devem ser seguidos da atualização monetária, para recompor esses valores dos efeitos da inflação, tal como concluiu os acórdãos apontados como paradigmas. Por meio do Despacho nº 330000.006, de 5 de abril de 2012 (fl. 242), o Presidente da 3ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 238/239). A PFN invocou a aplicação da Súmula CARF nº 20. É o Relatório. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 245 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade O contribuinte foi intimado do acórdão recorrido, em 18/05/2009 (cfe. termo de ciência pessoal do patrono, fl. 174). O apelo formulado em 01/06/2009 (cfe. carimbo de protocolo aposto na fl. 178) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma, que, a partir de circunstâncias fáticas similares, deram diversa interpretação à lei tributária. Assim, presentes os pressupostos recursais, o arrazoado de fls. 178 a 207 merece ser conhecido como recurso especial contra o Acórdão nº 20218.468, de 22 de novembro de 2007. Mérito – Direito de fruição do crédito presumido do IPI sobre o valor das receitas de exportação de produtos NT A matéria em julgamento é corriqueira. Peço licença para adotar como razão de decidir os fundamentos do Voto Vencedor que redigi para o Acórdão nº 9303004.177, forte no § 3º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Relator O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS. incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 246 4 referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3a Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Des.Federal Roberto Jeuken, 3a T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3aT.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5a Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2a T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema. é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação "NT" na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e. portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar ê de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI. não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O beneficio fiscal chamado "Crédito Presumido de IPI Exportações" consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1o da Lei 9.363/96: "Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará Jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento dos contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo ". Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 247 5 "Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior ". Considerandose, então, que o artigo 1o da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estímulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi avocação do pais ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis. trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito. esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que "considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto". Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 248 6 É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI. conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2º do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25.06.98). "Art. 2º Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.º 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13) " Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4º do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8º do RIP1/98. que prescreve: Art. 8º Estabelecimento industrial è o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual. cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão "produtora e exportadora". Bastaria o uso da palavra "exportadora". Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1o da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. E da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica "que provém do latim hermenêutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis. a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 249 7 È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1o da Lei 9.363/96, aponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área. sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Principio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou. no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 250 8 Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão Ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão n° 202.16.066: "A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante ás aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados á exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 2º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal o crédito é destinado, tãosomente, ás empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3o da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT /Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não ê considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 251 9 foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IP1 conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória n° 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de 1P1 nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI". Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3o, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIP/I82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como "de industrialização", da qual cumulativamente, resulte um produto ''tributado", ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. "Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art 3º)." Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 252 10 Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em ''Tudo sobre o IPI, 4aedição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: "Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, o condicionamento/reacondicionamento e renovação e recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto' (art. 8º). As expressões ‘fábrica' e ‘fabricante' são equivalentes a ‘'estabelecimento industrial', como definido acima (art. 48711). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte — sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (não tributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrial tacão pelo artigo 5º do RIPI." O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão "NT" aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI qual seja o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o não reconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 253 11 Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (..) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...)." Lógico que "produção" conformase na atividade do "produtor ". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, "estabelecimento produtor" é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: "Art. 3º Considerase estabelecimento produtor iodo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto." Considerandose, então, que o art. l° da Lei n° 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao "estabelecimento produtor e exportador", e que o art. 3o da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, consequentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como "NT" na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI: A legislação que trata do especifico beneficio do crédito presumido do IPI determina que as "mercadorias" devam decorrer de "estabelecimento produtor", o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 254 12 Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário: III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 255 13 direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O principio mais especifico em relação ao IPI é o principio constitucional da não cumulatividade do IPI. transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: "O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o principio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas. como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10070.000066/200381 Acórdão n.º 9303005.160 CSRFT3 Fl. 256 14 Aqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto dar provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Mérito – Acréscimo de juros SELIC ao valor de ressarcimento de créditos de IPI Não estivesse prejudicado pela inexistência do direito ao ressarcimento, a matéria teria o tratamento preconizado pelo § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, com a reprodução do decidido pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, que declinou expressamente que: [...] 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). [...] Reitero todavia que, em face da inexistência do direito ao ressarcimento, não há falar em correção do seu valor. Conclusão Com tais considerações, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001461/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Não comprovado o vício de omissão suscitado pela embargante, rejeita-se os embargos de declaração e ratifica-se o acórdão embargado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-004.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e ratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A OMISSÃO. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Não comprovado o vício de omissão suscitado pela embargante, rejeitase os embargos de declaração e ratificase o acórdão embargado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e ratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 61 /2 00 8- 39 Fl. 493DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração (fls. 464/470), tempestivamente opostos pela contribuinte, com o objetivo de suprir suposto vício de omissão no acórdão nº 3302 002.011, proferido por este Colegiado na Sessão de 19 de março de 2013. Por meio dos referidos embargos, a recorrente alegou vício omissão no citado acórdão, com base no argumento de que o Relator do voto condutor julgado embargado, ao analisar os fatos relatados nos presentes autos, equivocadamente, entendera que todos os débitos objeto da presente autuação, indicados como compensados nos autos do processo nº 13003.000.439/200224, foram objeto de desistência da compensação, para inclusão no PAES, razão pela qual entendeu que não havia duplicidade de cobrança, uma das alegações do recurso voluntário. Por meio do despacho de admissibilidade de fls. 489/490, os embargos foram admitidos em razão do julgado embargado apresentar obscuridade, conforme explicitado nos excertos que seguem transcritos: Aparentemente, os débitos objeto deste processo não foram objeto de desistência da compensação e posterior inclusão no PAES. No entanto, isso não está claro no voto condutor, posto que afirma, porém não demonstra, que os referidos débitos foram objeto de desistência da compensação. Tal fato precisa ser esclarecido (e, se for o caso, reapreciado o argumento de duplicidade de cobrança do débito) podendo, para isso, a Turma de Julgamento socorrerse da DRF de origem. Constato a obscuridade apontada, com base nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF no 256/2009, com a redação da Portaria MF no 586/2010) entendo procedente a alegação da embargante e dou seguimento ao presente embargos declaratórios. Na Sessão de 23 de junho de 2016, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de omissão/obscuridade. No entendimento deste Relator, os presente embargos não merecem prosperar, porque não houve a omissão suscitada pela recorrente e tampouco a obscuridade alegada no mencionado despacho de admissibilidade. De fato, a leitura atenta do voto condutor do julgado revela que, ao contrário do alegado pela embargante, o nobre Relator do voto condutor do julgado embargado, inequivocamente, pronunciouse sobre a questão atinente à duplicidade de lançamento. Para espancar qualquer dúvida a respeito, reproduzse os excertos extraídos do referido voto, que seguem transcritos: Descabe razão à Interessada. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302004.722 S3C3T2 Fl. 494 3 Conforme jurisprudência pacífica do Carf, a apresentação de ação judicial, ainda que haja suspensão da exigibilidade do crédito, não é obstáculo à constituição do crédito tributário. Pelo contrário, o art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, exige tal lançamento. Ademais, os débitos declarados em DCTF e vinculados a hipótese de extinção, suspensão ou exclusão de crédito tributário não representam confissão de dívida. Não haveria, ainda, o que temer em relação ao presente auto de infração, uma vez que os valores não seriam exigidos em duplicidade e somente seriam eventualmente exigidos se houvesse alteração da decisão que impediu a não homologação das compensações. Ademais, também não haveria cobrança se, eventualmente, a Interessada obtivesse algum sucesso com o seguimento das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação (o que, efetivamente, não se verificou posteriormente). Em relação ao estado do atual processo à época do julgamento de primeira instância, a DRJ esclareceu que a Interessada obteve, em agravo de instrumento em processo de mandado de segurança, a vedação à não homologação das compensações, o que levou à lavratura do auto de infração. (grifos não originais) De fato, embora não tenha manifestado de forma exaustiva sobre o assunto, inequivocamente, o nobre Relator do acórdão deixou expressamente consignado que, os débitos declarados em DCTF, vinculados a hipótese de extinção, suspensão ou exclusão de crédito tributário, não representavam confissão de dívida, logo não era obstáculo à constituição do crédito tributário mediante de lançamento de ofício. E esse entendimento está em consonância com o disposto com no art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, vigente na época dos fatos, que determinava que a RFB promovesse o lançamento de ofício de todas as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos administrados pelo referido órgão. Essa sistemática perdurou até 31/10/2003, data publicação da MP 135/2003, cujo art. 18 derrogou o referido art. 90 da MP 2.15835/2001, e estabeleceu que o lançamento de ofício de que tratava esse artigo, limitarseia à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em consonância com esse novel preceito legal, em relação a aplicação da multa de ofício, em consonância com o que fora decidido na decisão de primeira instância, o nobre Relator decidiu, acertadamente, que a cobrança de multa ofício deveria ser mantida em Fl. 495DF CARF MF 4 relação aos débitos do IPI não declarados em DCTF, conforme consignado no fragmento a seguir transcrito: Em relação à multa de ofício, também cabe razão à Primeira Instância, uma vez que o disposto no art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, referese à hipótese de débito declarado em DCTF. Somente nesses casos é que a multa de ofício não seria aplicável, conforme decidiu a DRJ. Com base no exposto, fica demonstrado que, ao contrário do alegado, no julgado recorrido houve expressa menção que o presente lançamento foi feito corretamente e que, apenas em relação, a parcela dos débitos não declarados em DCTF, cabia a cobrança da multa de ofício, conforme consignado na exaustiva e bem fundamentada decisão de primeira instância. Também não há a alegada obscuridade, suscitada no despacho decisório, quanto a desistência da inclusão dos débitos no PAES, haja vista que, no referido voto, em relação a esse assunto, o nobre Relator limitouse apenas em relatar o que fora decidido no âmbito do processo de compensação (processo nº 13003.000.439/200224), segundo exposto nos trechos que seguem transcritos: Meses após as compensações, a Interessada apresentou pedidos de cancelamento das declarações para incluir os débitos no Paes, tendo sido o pedido de parcelamento inicialmente indeferido. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade relativa ao parcelamento. Posteriormente, a DRF/POA indeferiu as compensações, considerando os não declaradas, negado seguimento à manifestação de inconformidade. Tendo apresentado mandado de segurança contra o não recebimento da manifestação de inconformidade, a DRJ /FLS decidiu declarar a nulidade parcial do despacho decisório, deferindo a desistência das compensações e abstendose de se manifestar a respeito do Paes, ressaltando que, caso não fossem os débitos incluídos no parcelamento, deveria a DRF providenciar a sua cobrança. A DRJ verificou não haver impedimento a que a Interessada desistisse das compensações. A seguir, de forma correta, a primeira instância concluiu que não se haveria que falar em extinção de crédito tributário por meio das referidas compensações. Não só a falta de previsão sobre a compensação de créditos apurados por terceiros implica a não extinção dos referidos créditos, como também o fato de que o não reconhecimento da possibilidade de extinção era, à época, impedido por decisão judicial. Vale dizer, havia verdadeiro litígio judicial em relação à matéria, o que, por si só, impediria a extinção dos créditos. (grifos não originais) De acordo com os trechos em destaque, resta esclarecido que, no âmbito do processo de compensação, houve decisão definitiva quanto à inclusão dos débito no PAES, já que tal decisão não foi conhecida, em grau de manifestação de inconformidade, pela DRJ. Portanto, não existe qualquer obscuridade sobre esse ponto, que, conforme se extrai dos Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302004.722 S3C3T2 Fl. 495 5 excertos transcritos, foi julgado no âmbito do processo de compensação e decidido, em caráter definitivo, o indeferimento da inclusão no PAES dos débitos objeto da presente autuação. Por todo o exposto, votase por conhecer dos presentes embargos de declaração e rejeitarlhe integralmente, para ratificar o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 497DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000175/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 200.3
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de
contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto ri° 70235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a nulidade do acórdão de primeira instância suscitada pela recorrente, dando provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rogério Garcia Peres
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 200.3 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto ri° 70235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Recurso Voluntário Provido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto ri° 70235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a nulidade do acórdão de primeira instância suscitada pela recorrente, dando provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rogério Garcia Peres. 1 --,, 7-,t,N ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora _, .._ .. . . .. .. EDITADO EM: 12 AGO 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pallastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. i Relatório A empresa teve contra si lavrados vários Autos de Infração pelos quais exige- se o pagamento das multas moratórias devidas pelos atrasos nos recolhimentos de tributos federais, a saber: CSLL — fis. 18 a 24 deste processo; IRRP — processo administrativo n° 19740.000170/2007-33; IRPJ — Estimativas — processo administrativo n°19740.000171/2007-88; IRRF - diversos — processo administrativo if 19740.000174/2007-11. Na impugnação, a autuada informa que está discutindo em juízo os valores autuados porque entende serem indevidos, urna vez acobertados pelo instituto da denúncia espontânea preceituada no artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN., Esclarece que na ação judicial de natureza declaratória n° 99.011582-1 depositou os valores litigiosos e estes depósitos ensejam o cancelamento das autuações. A Quinta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro / RJ — 1 exarou o Acórdão n° :12-16949/07, não conhecendo da impugnação interposta pelos seguintes fundamentos: Da ação judicial concomitante Confbrme citado na peça imptignatória e comprovado pelos documentos acostados às fls. 47/64, verifica-se que a interessada, dentre Outras, ingressou com Ação Declaratória com pedido de Antecipação de Tutela de n° 99 0011582-1 na 17 Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, onde pede seja declarada inexistente a relação jurídica em .face da União Federal que as obrigue ao pagamento de multas, inclusive moratória, sempre que recolherem os tributos e contribuições, mesmo em atraso, mas antes de qualquer procedimento .fiscal, à luz do art 138 do CTN Assim, por tratar o piesente processo da mesma matéria levada à análise do Poder Judiciário, deve-se observar o disposto no Ato Declaratorio Normativo Cosit n° 03, de 14 de fevereiro de1996, que estabelece' "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;- - b) consequentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex , aspectos Minais do lançamento, base de cálculo, etc.); 2 Processo n° 19740.000175/2007-66 SI-TE01 Acórdão n " 1801-00228 Fl. 2 c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se .for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do C TN, De .fato, em razão do principio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. .5°, .D.CKE da Constituição Federal de 1988, a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa, Desse modo, a ação Judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. O processo administrativo é, assim, apenas uma alternativa, ou seja, uma opção, conveniente tanto para a administração como para os contribuintes, por ser um processo gratuito, sem a necessidade de interinediação de advogado e, gerahnente, com maior celeridade que a via judicial.. A propositura de ação judicial pelos contribuintes, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. De fato havendo deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa, Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Assim, não cabendo decidir de modo diverso do prpferido pelo Podei- Judiciário, não pode o .julgador administrativo conhecer da impugnação cujo mérito verse exclusivamente sobre matérias sub.judice. A recorrente, tempestivamente, interpõe o Recurso Voluntário de fls., 80 a 84 argumentando, em síntese, que o acórdão padece de nulidade porque não enfrentou os argumentos trazidos na impugnação sobre o fato de haver a empresa procedido aos depósitos judiciais do montante exigido pelo fisco. Argumenta que estando depositado o crédito tributário ora discutido não há como prosperar o lançamento fiscal, devendo ser cancelado, por força no disposto no artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional — CTN. Discorre sobre os princípios constitucionais que garantem o devido processo legal e, ao final, solicita que se dê procedência ao pedido de cancelamento do Auto de Infração em debate, por força do artigo 59, §30, do Decreto tf 70,235/72, ou declare-se nulo o acórdão de primeira instância. É o relatório, passo ao voto,. 3 Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES Conheço do recurso voluntário, por tempestivo, O cerne da discussão deste recurso está no fato de a recorrente entender que os depósitos judiciais que vêm vinculando à ação judicial ri' 99.0011582-1, de natureza declaratória, e em trâmite, possuem o condão de impedir o fisco de proceder à constituição dos créditos tributários que discute, no caso, pagamento da multa moratória incidente sobre tributos federais. Alega, preliminarmente, que este foi argumento da exordial e que não fora enfrentado pela turma julgadora de primeira instância, o que acarretaria a nulidade do julgamento, por flagrante cerceamento de defesa. Da leitura da peça inicial de defesa da contribuinte, verifico que, de fato, notificou o fisco da realização dos depósitos (e juntou aos autos documentos que corroboram esta informação). Embora tenha adentrado no fato de haver impetrado com a ação judicial por entender que seu procedimento está acobertado pelo instituto da denúncia espontânea, expressou claramente que entendia que estes depósitos impediriam de ser autuada. Assim versou, in verbis: [ 2. O valor em questão encontra-se Depositado Judicialmente em conta vinculada à Ação Declaratória n° 99.0011582-1. 2.1 isto posto, deve-se inicialmente salientar que, em 24/06/1999, a 1MPUGNANTE ajuizou a Ação Declaratória com pedido de antecipação de tutela (n o 99.0011582-1 - doc. 3), objetivando ver declarada a inexistência de relação jurídica em face da União Federal que a obrigue ao pagamento da multa de mora sobre o valor relativo a qualquer tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, espontaneamente recolhido em atraso, isto é, antes do início de qualquer procedimento fiscal, tendo em vista a ofensa flagrante dos dispositivos legais que estabelecem penalidades pecuniárias nestas situações à regra expressa no artigo 138 do Código Tributário Nacional 2.2. Naquele feito, passou a depositar judicialmente o valor da penalidade em questão, tendo assim procedido regularmente, inclusive, quanto a multa vinculada ao período de apuração objeto do auto de inflação ora impugnado, conforme Comprovantes de Arrecadação em anexo(doc.4). 2,3, Portanto, estando depositado o crédito tributário ora exigido, não há como prosperar o lançamento fiscal, tendo em vista o disposto no inciso lido artigo 151 do CTN. (grifos não pertencem ao original) A turma julgadora a quo deixou de conhecer a impugnação por estar sendo a penalidade imposta discutida no âmbito judicial, consoante orienta o Ato Declaratório Normativo Cosit n" 03/96, 4 Processo rf 19740 000175/2007-66 Si-TE01 Acendão n." 1801-00.228 Fl 3 Mas, assiste razão à recorrente, a Quinta Turma Julgadora não se pronunciou sobre os depósitos, pois não captou que este foi o âmago da questão trazida à lide administrativa e não o fato de se estar judicialmente discutindo a questão da espontaneidade versus multa moratória. Os depósitos judiciais, na realidade, não se confundem com a constituição do crédito tributário que se dá por duas formas, tributariamente se tratando: recolhimento espontâneo dos contribuintes (nos tributos cujo lançamento se dá por homologação — art. 150 CTN) ou de oficio, pela lavratura de Notificação ou Auto de Infração (nos casos das penalidades ou de tributos que não comportem a modalidade descrita no artigo 150 do CTN, pelo pagamento antecipado) É o caso. Sem a lavratura do Auto de Infração não se constitui o crédito erguido sobre as diferenças decorridas da mora no pagamento dos tributos. Daí ser o Auto de Infração totalmente procedente O que a recorrente requer, na verdade, e diz com suas próprias palavras é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevista no artigo 151, II, do CTN e aí confunde a constituição do crédito com a suspensão de sua exigibilidade. E suspensão de exigibilidade é procedimento a ser observado pela unidade de jurisdição da contribuinte (no serviço de controle do crédito tributário), que procederá ao cotejo entre os valores constituídos e aqueles depositados e suspenderá a exigibilidade, por observância ao artigo 151, II, do CTN. Pelo exposto, não é possível acolher as razões meritórias da recorrente ao solicitar que se supra a nulidade suscitada, cancelando, nesta instância, a autuação contra si imposta, nos termos do artigo 59, §3 0 , do Decreto n° 70,235/72, invocado. Voto no sentido de determinar a devolução dos autos à primeira instância de julgamento para enfrentar o mérito trazido na impugnação ofertada pela contribuinte, qual seja o fato de entender que os depósitos judiciais prévios do montante autuado impedem a lavratura do Auto de Infração, ANA DE BARROS FERNANDES Relatora
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