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Numero do processo: 13808.001083/99-88
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
IRPJ E CSLL (REFLEXO). DESPESAS FINANCEIRAS - VARIAÇÕES MONETÁRIAS - NÃO COMPROVADAS. ESTORNO. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza postergação do pagamento de tributos o estorno de despesas financeiras em exercício posterior àquele em que haviam sido apropriadas indevidamente, se o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ano dessa reversão.
IRRF - LANÇAMENTO REFLEXO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO POR DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS. DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS NÃO CONFIGURADA.
A presunção de distribuição de lucro não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.
Numero da decisão: 1802-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marco Antonio Castilho e Marcelo Assis Guerra.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 IRPJ E CSLL (REFLEXO). DESPESAS FINANCEIRAS - VARIAÇÕES MONETÁRIAS - NÃO COMPROVADAS. ESTORNO. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza postergação do pagamento de tributos o estorno de despesas financeiras em exercício posterior àquele em que haviam sido apropriadas indevidamente, se o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ano dessa reversão. IRRF - LANÇAMENTO REFLEXO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO POR DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS. DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS NÃO CONFIGURADA. A presunção de distribuição de lucro não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.
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DESPESAS FINANCEIRAS VARIAÇÕES MONETÁRIAS NÃO COMPROVADAS. ESTORNO. POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza postergação do pagamento de tributos o estorno de despesas financeiras em exercício posterior àquele em que haviam sido apropriadas indevidamente, se o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ano dessa reversão. IRRF LANÇAMENTO REFLEXO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO POR DESPESAS FINANCEIRAS NÃO COMPROVADAS. DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS NÃO CONFIGURADA. A presunção de distribuição de lucro não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 10 83 /9 9- 88 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marco Antonio Castilho e Marcelo Assis Guerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 95/111 interposto contra decisão da 7ª Turma da DRJ/São Paulo (fls. 78/89) que julgou improcedente a impugnação, mantendo os autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL e IRRF), anocalendário 1995. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 78): (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: IRPJ. CSLL. GLOSA DE VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA. A redução indevida do resultado contábil mediante escrituração de variação monetária passiva em montante superior ao legalmente permitido é causa para o lançamento de oficio. O estorno do valor contabilizado a maior, efetuado em período posterior caso comprovado , não tem o condão de afastar a incidência tributária quando se verifica que esse procedimento contábil resultou em compensação de lucros com prejuízos futuros. IRRF. A redução indevida do lucro líquido mediante contabilização de variação monetária passiva em montante maior que o permitido, por sua natureza, permite presumir a distribuição de resultados, incidindo, dessa forma, o caput do artigo 44 da Lei n° 8.541/1992 (...) 1 – Infrações imputadas, conforme auto de infração de 29/07/1999: a) IRPJ (fls. 27/33): Custos ou despesas não comprovados Fato gerador 31/12/1995: valores tributáveis: R$ 61.750,00 e R$ 101.228,00. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13808.001083/9988 Acórdão n.º 1802000.867 S1TE02 Fl. 194 3 Enquadramento legal: RIR/94, arts. 193, 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 243, 247, 318 e inciso I. b) CSLL – reflexo (fls.34/37): Falta de recolhimento da CSLL Enquadramento legal: Lei nº 7.689/88, art. 2º e §§; Lei nº 8.981/95, art. 57 e Lei nº 9.065/95, art. 1º. c) IRRF reflexo (fls. 38/41): Imposto de Renda Retido na Fonte sobre redução indevida do lucro Enquadramento legal: Art. 739 do RIR/94; Art. 44 da Lei n° 8.541/92, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória n° 492/94, convalidada pela Lei n° 9.064/95; Art. 62 da Lei n° 8.981/95; Art. 44 da Lei n° 8.541/92, com a redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.064/95. 2 – Descrição dos fatos: A narrativa dos fatos, constante do Termo de Constatação de fls. 25/26, o qual é parte integrante dos autos de infração, é a seguinte: (...) 1. IRPJ Despesa não Comprovada — RS 61.750,00 No mês de abril de 1994 foi protocolado um pedido de parcelamento da COFINS cód. 2172, referente aos períodos de apuração de abril de 1992 a setembro de 1994, deferido e consolidado em novembro de 1995, gerando o processo administrativo de n° 13804000790/9482. O valor total do parcelamento (débito consolidado), composto pela contribuição e os encargos de multa e juros incidentes, totalizou um montante de R$ 32.243,53. O contribuinte optou pela apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no anocalendário de 1995, sob a forma de tributação do Lucro Real. Nos anos imediatamente anteriores foi feita a opção pela forma de tributação do Lucro Presumido. Quando iniciou a escrituração comercial, o contribuinte levantou um Balanço de Abertura em 02 de janeiro de 1995. Neste balanço, escriturado no "Exigível a Longo Prazo" , consta o registro da obrigação da "COFINS — Parcelamento", no valor de R$ 21.580,43. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL 4 No decorrer do mês de janeiro de 1995, no dia 31 especificamente, o contribuinte efetuou um lançamento no Livro Razão n° 01, no valor de R$ 61.750,00, com o seguinte histórico "acréscimos legais s/ parcelamento COFINS". O valor dos acréscimos legais, escriturado pelo contribuinte no grupo de Despesas Financeiras em conta denominada" 32.05.01 — 2390032 — Variações Monetárias Passivas", não guarda paridade com o valor do parcelamento registrado no Balanço de Abertura, nem tampouco, com os valores consolidados pela Secretaria da Receita Federal. Em 08/07/99, lavramos um "Termo de Constatação", onde foi solicitado ao contribuinte que apresentasse um demonstrativo com a composição do financiamento da COFINS e dos valores de encargos apropriados ao resultado do período. O contribuinte não comprovou a composição do valor registrado, e, por este motivo, estamos glosando a respectiva despesa, adicionandoa ao resultado do anocalendário, reconstituindo o lucro real, e, como conseqüência, constituindo o crédito tributário por meio de "Auto de Infração" nesta data. 2. IRPJ Despesa não Comprovada — R$ 101.228,00 Considerando os fatos apurados e relatados no "item 1" acima, constatamos ainda que, no dia 31 de novembro de 1995, o contribuinte efetuou novo lançamento, desta vez no Livro Razão n° 02, no valor de R$ 101.228,00, registrado na mesma conta contábil e com o mesmo histórico citados anteriormente. O valor do lançamento efetuado consta do "Termo de Constatação" apresentado ao contribuinte em 08/07/99, e está sendo autuado nos termos citados no último parágrafo do "item 1" acima. 3. CSLL / IRRF — Reflexos Em conseqüência dos valores apurados e autuados nos itens anteriores foram gerados os Autos de Infração — Reflexos, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF. O valores das despesas glosadas, que deram origem ao Auto de Infração — Reflexo referente à CSLL, a exemplo do que ocorreu com o IRPJ, foram adicionados ao resultado tributável, para os efeitos de apuração da base de cálculo da respectiva contribuição. 4. Ajustes Internos 5. Fica o contribuinte ciente de que deverá ajustar os seus controles de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e de bases negativas da CSLL, nos termos do "Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais" e do " Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas", anexos a este Termo. (...) Razões da impugnação apresentada na primeira instância, em síntese: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13808.001083/9988 Acórdão n.º 1802000.867 S1TE02 Fl. 195 5 que o prazo dado pela fiscalização, de 5 dias, foi exíguo; que o saldo do débito da Cofins em 01/01/95 balanço de abertura – era R$ 21.580,43; que o valor desse débito consolidado pela RFB, até novembro/95, totalizou R$ 32.243,53; que, portanto, houve um acréscimo de débito de R$ 10.663,10; que, por outro lado, na conta contábil código 3.2.05.01 239000.2 “Variações Monetárias Passivas, constam os seguintes lançamentos: · Débito no valor de R$ 61.750,00 em 01/95; · Débito no valor de R$ 101.228,00 em 11/95; · Credito no valor de R$ 141.298,21 em 01/97 (estorno); que, por conseguinte, ocorreu excesso de dedução de despesa de variação monetária passiva em 1995 no valor de apenas R$ 11.016,69, e não R$ 162.978,00; que considerando o resultado apurado em 1995 de R$ 16.432,94 (prejuízo fiscal), procedendose o ajuste, a empresa teria base de cálculo negativa para IRPJ e CSLL no valor de R$ 5.416,25; que, portanto, a exigência fiscal deve ser declarada improcedente. A decisão a quo, como já citada anteriormente, rechaçou as razões aduzidas pela contribuinte, mantendo os autos de infração. Ciente da decisão a quo, da qual tomou ciência em 01/10/2007 (fl. 90verso), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 29/10/2007 de fls. 95/111, juntando, ainda, os documentos (fls. 112/145), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, o estorno efetuado no ano de 1997, no valor de R$ 141.298,21, tem estrita correlação com os lançamentos efetuados em 1995; que o estorno da despesa de variação monetária passiva registrada a maior no anocalendário de 1995 está claramente demonstrada na reversão a título de VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA no anocalendário de 1997, conforme lançamentos de AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORESPARCELAMENTO COFINS, constantes das folhas do Livro Razão Analítico (fls. 143/144); que, ainda, juntou folhas (cópias de folhas) do Livro Razão referente à conta COFINS PARCELAMENTO (conta de natureza passiva) movimentada nos anoscalendário de 1996 e 1997 (doc. 03), corroborando que a conta movimentada é a mesma que recebeu o ajuste dos encargos contabilizados a maior no ano de 1995; que, no caso, houve postergação do pagamento dos tributos do ano calendário 1995 para 1997 inobservância do regime de competência (RIR/94, art. 219); Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL 6 que a fiscalização deveria ter efetuado a recomposição da base de cálculo dos tributos, e ter exigido apenas a diferença, com os respectivos acréscimos legais; que é descabida a posição da DRJ de que a receita reconhecida pelo estorno da variação monetária no ano de 1997 foi à custa de prejuízo do exercício, e que por esse motivo a regra de postergação é vedada pela legislação. Até porque, ao provocar a redução do prejuízo do exercício em face do reconhecimento da receita no ano de 1997, a empresa deixou de compensar tal parcela em períodos subseqüentes, o que acarretou a majoração do lucro real do exercício futuro. Isso a fiscalização deixou de verificar e analisar (efeitos decorrentes); que, ainda, a fiscalização deixou de deduzir a CSLL na determinação do lucro real e da própria base de cálculo da CSLL, pois a Lei nº 9.316/96 ( art. 1º) é inaplicável no ano 1995; que em relação IRRF, ainda que se pudesse falar em distribuição de resultado, incabível a exigência, pois, até o ano calendário de 1995, tal exação fiscal estava amparada pelo art. 44, da Lei nº 8.541/92 que, posteriormente, veio a ser revogado, recebendo a matéria um tratamento mais benéfico; que o citado dispositivo legal, ao dispor sobre a forma de tributação do IRRF no caso de redução de lucro líquido, atribuiu caráter de penalidade, tanto que se encontra reproduzida no Capítulo II do Título IV, DAS PENALIDADES na Lei nº 8.541/92. que a suposta redução de lucro líquido no períodobase de 1995, decorreu exclusivamente da contabilização indevida de Variação Monetária Passiva – Despesas Financeiras para atualização da conta COFINS — PARCELAMENTO do passivo exigível a longo prazo, cuja natureza, por sua clareza e evidência, não autoriza a presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o de seus sócios (Lei nº 8.541/92, art. 44, § 2º). Por fim, a recorrente, com base nessas razões, pediu o cancelamento dos autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL e IRRF). É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13808.001083/9988 Acórdão n.º 1802000.867 S1TE02 Fl. 196 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos. Portanto, dele conheço. As exigências fiscais (IRPJ e reflexos: CSLL e IRRF), objeto da lide, têm como origem a glosa de “Variações Monetárias Passivas – Despesas Financeiras” não comprovadas pela recorrente no valor de R$ 162.978,00 quanto ao anocalendário 1995. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL. INOCORRÊNCIA A recorrente reconheceu – em suas razões – que houve escrituração de despesas financeiras a maior (Varições Monetárias Passivas) no anocalendário 1995 (fls. 10 e 13), tendo como contrapartida conta contábil de natureza passiva – Exigível de Longo Prazo – “Cofins Parcelamento”; porém aduziu que as exigências do IRPJ e da CSLL não podem prosperar, pois teria ocorrido postergação do pagamento dessas exações fiscais para o ano calendário 1997, em face de estorno ou reversão de R$ 141.298,21 nessa conta de natureza passiva “Cofins Parcelamento.” Nesse sentido, a empresa comprovou nos autos, conforme cópia de folhas do livro Razão Analítico (fls. 143/144), que: a) em 31/01/97, na conta contábil Cofins Parcelamento –, houve lançamento a débito = R$ 141.298,21 (fl. 143). b) em contrapartida, ainda em 31/01/97, na conta contábil Variações Monetárias Ativas Receitas Eventuais –, houve lançamento a crédito –R$ 141.298,21 (fl. 144). Entretanto, não restou configurada a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, pois nos anoscalendário 1995 e 1997 a empresa apurou prejuízos fiscais, conforme documentos de fls. 22/24 e 67. No que concerne à postergação do pagamento do imposto, o art. 219 do RR/94 assim dipõe: "Art. 219. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou de dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (Decretolei n° 1.598, de 1977, art. 6°. § 5º); I a postergação do pagamento para período de apuração posterior ao em que seria devido; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL 8 II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou de dedução feita pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §° do art. 247 (Decretolei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 6º). § 2° O disposto no parágrafo anterior e no § 2° do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (Decretolei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 7° e Decretolei n° 1.967, de 23 novembro de 1982, art. 16)." Ainda, o art. 193 do RIR/94, redação atualizada pelo RIR/99 (art. 247), dispõe: Art.247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). §2ºOs valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §4º). §3ºOs valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro RealLALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Extraise dos comandos legais citados que, para configuração da postergação, exigese a comprovação do efetivo pagamento (recolhimento) dos tributos, não bastando a simples alegação de postergação. Nesse sentido, também o Parecer Normativo CST n° 02/96, que considera parcela postergada do imposto de determinado períodobase, quando a pessoa jurídica comprova a postergação e espontaneamente paga em período posterior, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto em períodobase. Se procedido o pagamento espontâneo, esse fato deve ser considerado no momento do lançamento de ofício para exigirse exclusivamente os acréscimos relativos a juros e multas. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13808.001083/9988 Acórdão n.º 1802000.867 S1TE02 Fl. 197 9 Por sua vez, a Instrução Normativa n° 51/1995 estatui que "para efeito da determinação do lucro real, as exclusões do lucro líquido, em anoscalendário subseqüentes ao que deveria ter sido procedido o ajuste, não poderão produzir efeito diverso daquele que seria obtido, se realizado na data prevista." Em consonância com os atos legais e normativos acima citados, a postergação ocorre quando for apurado em exercício anterior o pagamento de imposto a menor, e, em exercício posterior, corrigido o erro, recolhese essa diferença de exação fiscal, mediante apropriação do valor tributável do exercício pretérito. No caso, a recorrente tentou corrigir o erro cometido no anocalendário 1995; para isso, adicionou, na apuração do resultado do anocalendário 1997, o valor da reversão na conta do passivo de Longo Prazo – Cofins Parcelamento, escriturando, em contrapartida, conta de resultado: “Variações Monetárias Ativas Receitas Eventuais –, no valor de R$ 141.298,21 (fl. 144). Não restou comprovado pagamento do IRPJ e da CSLL, pois informou apuração de prejuízo fiscal nos anoscalendário relacionados: 1995 e 1997. Essa situação, por conseguinte, não configurou postergação de pagamento do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, trascrevo precedentes jurisprudenciais do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF: IRPJ — PREJUÍZO FISCAL. — COMPENSAÇÃO —LIMITE. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. — HIPÓTESE. — INOCORRÊNCIA. Na revisão, de ofício, da declaração de rendimentos apresentada por pessoa jurídica, em período no qual foi compensado prejuízo fiscal excedente do limite previsto no artigo 42 da Lei nº 8.981, de 1995, é dever da autoridade revisora verificar se, no intervalo de tempo compreendido entre o anocalendário sob revisão e a data da autuação, o contribuinte obteve lucros em níveis suficientes para absorver os excessos apurados, no todo ou em parte, e, em não sendo confirmado fato, inocorre a hipótese de postergação do pagamento do imposto.(Acórdão 10195.479, sessão de 26/04/2006, Relator SebastiãoRodrigues Cabaral). ESCRITURAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS — POSTERGAÇÃO — INOCORRÊNCIA — Não caracteriza postergação do pagamento do imposto a escrituração de despesas ou custos no ano subseqüente àquele em que foram realizadas, quando em ambos os anos a contribuinte apurou prejuízo fiscal.(Acordão 10517.348, sessão de 16/12/2008, Relator Paulo Jacinto do Nascimento). Portanto, não restou configurada a alegada postergação de pagamento das exações fiscais do anocalendário 1995 para 1997. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL 10 BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E REFLEXO (CSLL) Argumentou a contribuinte que a base de cálculo dessas exações fiscais deve ser reduzida em R$ 10.663,10, pois, seja a título de variação monetária, ou de multa moratória e juros, a verdade é que no ano de 1995 ocorreu efetiva despesa sobre o parcelamento da Cofins no montante de R$ 10.663,10, fato não considerado no julgamento ora combatido, o que é uma incoerência Não tem razão a recorrente. Quanto à efetiva despesa sobre o parcelamento da Cofins, anocalendário 1995, no montante de R$ 10.663,10 (valor final R$ 32.243,53 – valor inicial R$ 21.580,43) , tal quantia sequer foi objeto de autuação, pois foram glosadas apenas as despesas financeiras – Variações Monetárias Passivas escrituradas e não comprovadas. Nesse sentido, transcrevo a descrição dos fatos constante do Termo de Constatação, o qual é parte integrante dos autos de infração (fl. 25): (...) O valor dos acréscimos legais, escriturado pelo contribuinte no grupo de Despesas Financeiras em conta denominada" 32.05.01 — 2390032 — Variações Monetárias Passivas", não guarda paridade com o valor do parcelamento registrado no Balanço de Abertura, nem tampouco, com os valores consolidados pela Secretaria da Receita Federal. (...) A decisão recorrida, nessa parte, andou bem. Por isso, como razão de decidir, transcrevo o fundamento do voto condutor dessa decisão, in verbis (fl. 85): (...) 20. Segundo o contribuinte fez constar em seu balanço de 01/01/1995, o valor da COFINS a pagar era de R$ 21.580,43. Esses mesmos créditos, objeto de parcelamento, foram consolidados pela administração tributária como R$ 22.024,38, segundo documento acostado aos autos pela impugnante (doc. 02 fl. 57). Desse modo, posso concluir que a variação monetária possível de ser reconhecida deveria corresponder à diferença entre esses valores. Portanto, se houvesse valor a ser reconhecido a título de variação monetária passiva dos débitos de COFINS relativos ao período de abr/1992 a dez/1994, o montante dessa variação seria de R$ 493,95. 21. No entanto, se a fiscalização, por um lado, se limitou a informar apenas os valores excluídos indevidamente, por outro lado, a interessada não fez juntar aos autos o seu livro Razão, de forma a evidenciar que os únicos valores deduzidos a título de variação monetária da COFINS devida entre janeiro de 1992 e dezembro de 1994 foram aqueles objeto da glosa promovida pela autoridade fiscal. Dessa forma, considero não demonstrado que a impugnante deixou de se beneficiar da despesa correspondente ao efetivo valor da correção monetária dos débitos de COFINS. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13808.001083/9988 Acórdão n.º 1802000.867 S1TE02 Fl. 198 11 (...) Ademais, o valor de R$ 10.663,10 – que a contribuinte pretendeu subtrair da base de cálculo do IRPJ e da CSLL – na verdade – corresponde aos acréscimos legais do Parcelamento deferido em 28/12/1995: Juros de Mora R$ 5.814,06 R$ e Multa moratória R$ 4.404,54 (fl. 57). Ora, essas parcelas adicionais possuem natureza diversa das despesas financeiras – Variações Monetária Passivas escrituradas antes da aprovação do Parcelamento; logo não podem ser subtraídas, para reduzir o montante das despesas glosadas do ano calendário 1995. A recorrente alegou, também, que a fiscalização não teria subtraído a CSLL da sua própria base de cálculo. Não procede tal alegação. Nesse sentido, consta do demonstrativo – anexo ao auto de infração da CSLL (fl. 34): valor da infração R$ 162.980,00 – prejuízo compensado R$ 24.596,72 = R$ 138.381,28 – CSLL R$ 12.580,11 = R$ 125.801,17 x 10% = R$ 12.580,11 (CSLL). Portanto, como demonstrado, houve, sim, a subtração da CSLL da sua própria base de cálculo. A contribuinte, também, alegou que a despesa de CSLL de R$ 12.580,11 não não fora subraída da base de cálculo do IRPJ. Consta do demonstrativo – anexo ao auto de infração do IRPJ (fl. 30): valor da infração R$ 162.980,00 – prejuízo compensado R$ 16.432,94 = R$ 146.545,06 x 25% = R$ 36.636,26. Não houve, realmente, a alegada subtração. Quando do lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL (exação reflexa), está (CSLL) não configurou “despesa incorrida”, pois passível de recurso (incerteza jurídica quanto à existência dessa despesa na data do lançamento fiscal). É vedada a dedução de débito da CSLL, com exigibilidade suspensa, da base de cálculo do IRPJ, enquanto não houver pagamento dessa despesa tributária, conforme art. 8º da Lei nº 8.541/92, in verbis: Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, § 5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia. Como demonstrado, não há ajuste a fazer na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL 12 Por conseguinte, devem ser mantidas as exigências do IRPJ e CSLL (reflexo). IRRF – REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO – DISTRIBUIÇÃO AUTOMÁTICA DE LUCROS AOS SÓCIOS (Lei nº 8.541/92, art. 44): O fisco imputou a infração redução indevida do lucro líquido, por conta da dedução de despesas não comprovadas (variações monetárias passivas – despesas financeiras), fato que teria implicado distribuição automática de lucros aos sócios ou acionistas, com tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 25%. A recorrente alegou que o dispositivo teria natureza jurídica de penalidade, e que foi revogado pela Lei nº 9.249/95; que, por conseguinte, deve ser afastada a exigência fiscal, nessa parte, pois o tipo penal deixou de existir; que – se restar vencida nesse ponto – a exigência, também, não pode prosperar, pois, deduções indevidas –, por sua natureza, não autorizam a presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos sócios, pela dicção do § 2º do art. 44 da Lei nº 8.451/92. Diversamente do alegado pela recorrente, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 não tem natureza penal, mais, sim, de imposição tributária (hipótese de incidência de imposto). Não obstante, a infração não pode prosperar, pois, conforme consta do 2º do art. 44 da Lei nº 8.541/92, as deduções indevidas, como no caso, estão excluídas das hipóteses que autorizam a presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica aos sócios. A propósito, dispõe o art. 44 da Lei nº 8.541/92: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do Imposto sobre a Renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do Imposto sobre a Renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. (grifo meu) Em verdade, a infração imputada deve ser afastada por não se subsumir ao caput do art. 44 da Lei nº 8.541/92, pois sequer houve pagamento ou desembolso do dispêndio não comprovado (despesa financeira variação monetária passiva escriturada a maior – conta de resultado, cuja contrapartida foi escriturada em conta contábil do passivo “Cofins Parcelamento”) quanto ao anocalendário 1995 (despesa glosada pelo fisco) que pudesse autorizar a presunção de distribuição de lucros da pesssoa jurídica para os sócios. Por conseguinte, deve ser afastada a infração em tela. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13808.001083/9988 Acórdão n.º 1802000.867 S1TE02 Fl. 199 13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 15987.000232/2009-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 32 /2 00 9- 25 Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 603.773,87. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 26, de 7 de março de 2012, fls. 430 a 440, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 106.862,06, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITOS REQUERIDOS CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 10/07 437.941,91 371.700,12 437.941,91 66.241,79 11/07 134.982,35 112.099,98 134.982,35 22.882,37 12/07 137.711,67 119.973,77 137.711,67 17.737,90 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000232/200925 Acórdão n.º 3403002.980 S3C4T3 Fl. 1.049 3 Total 106.862,06 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 453 a 481, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.217, de 4 de março de 2013, fls. 675 a 723, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 776 a 827, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000232/200925 Acórdão n.º 3403002.980 S3C4T3 Fl. 1.050 5 Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 776 a 827 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.217, de 4 de março de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. Em atendimento aos Despachos de fls. 634/636, o valor do crédito deferido foi pago por meio da emissão da Ordem Bancária 2012OB801222 em 18/09/2012, fls. 669, conforme despacho de fls. 674, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000232/200925 Acórdão n.º 3403002.980 S3C4T3 Fl. 1.051 7 ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000232/200925 Acórdão n.º 3403002.980 S3C4T3 Fl. 1.052 9 recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/10/2007 a 31/12/2007, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000232/200925 Acórdão n.º 3403002.980 S3C4T3 Fl. 1.053 11 Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000232/200925 Acórdão n.º 3403002.980 S3C4T3 Fl. 1.054 13 Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720145/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela autoridade executora.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202-001.505, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.505, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 45 /2 00 7- 51 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pela Autoridade Executora, relativo ao Acórdão nº 2202001.505, de 29/11/2011. Aduz a Embargante, que notase que o lançamento só tem uma infração a alteração do valor da terra nua, e o acórdão se manifesta só sobre esse ponto, sendo favorável ao contribuinte. Entretanto a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim nota se que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Registrese que o voto do acórdão embargado foi por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato da contradição ser evidente. A presidência da Câmara, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10540.720145/200751 Acórdão n.º 2202002.609 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto a contradição no acórdão, pois a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim notase que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Assiste razão a Autoridade Executora, ocorreu a contradição apontada. A conclusão do voto condutor é no sentido de dar provimento, mas por lapso ficou consignado dar provimento parcial. Na verdade o acórdão dá provimento ao recurso restabelecendo o valor declarado pelo recorrente como valor da terra nua – VTN. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.505, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10840.720706/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Preliminar Rejeitada.
Numero da decisão: 1402-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 07 06 /2 01 1- 14 Fl. 904DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. INSS Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para Seguridade Social (INSS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminar Rejeitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório MARLENE HELENA DO NASCIMENTO OLIVEIRA – EPP, firma individual, já qualificada nos presentes autos, inconformada com a decisão proferida no acórdão nº 0625.446, de 10/02/2010, pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Consta dos autos que, em ação fiscal levada a efeito, restou comprovado que a contribuinte ofereceu a tributação, a título de receitas de vendas no anocalendário de 2006, o valor de R$ 557.723,29, enquanto que a movimentação financeira em sua conta corrente bancária foi de R$ 5.792.873,36. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, sob o entendimento de que a fiscalizada cometeu crime contra a ordem tributária e incorreu na prática de sonegação fiscal, ao omitir da apuração mensal do Simples e em sua DSPJ parte das receitas auferidas. Sendo que sobre a omissão de receitas caracterizada por depósitos não comprovados e na insuficiência de recolhimento foi aplicada a multa de ofício normal de 75%. A fiscalização responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal, os fatos relativos às infrações cometidas que, em apertada síntese, estão assim lastreadas: que iniciou as investigações pelo exame do Livro Razão, onde ficou demonstrado que a contribuinte não mantinha escrituração regular de sua movimentação financeira e bancária; que observou, no curso da ação fiscal, que o total de lançamentos a créditos em contas bancárias montava R$ 6.591.701,28, dos quais foram excluídos aqueles que correspondiam a transferências entre contas de mesma titularidade e os depósitos identificados, o que resultou no valor de depósitos a serem comprovados de R$ 4.145.007,94; que apesar de intimada a comprovar a origem dos recursos depositados, a contribuinte se manteve inerte; que com relação aos valores da movimentação bancária da contribuinte há depósitos correspondentes a créditos por desconto de títulos, desconto de cheques ou oriundos de cobrança bancária, que aguardam correspondência com operações comerciais, cuja identificação foi possível por meio dos extratos de desconto – borderôs – fornecidos pelas instituições financeiras e pelos próprios extratos bancários; que os elementos trazidos aos autos permitem afirmar que, durante o ano de 2006, a contribuinte auferiu receitas de vendas identificadas e comprovadas no valor de R$ 3.380.841,31 que, cotejadas com a receita declarada, indicam a omissão de receitas em quase todos os períodos de apuração, que totalizam R$ 2.823.118,02; que a conduta de omissão de receitas ocorreu de forma reiterada, que implicou no recolhimento a menor dos tributos devidos ao Simples em todos os meses do ano calendário fiscalizado, o que afasta a hipótese de erro; Fl. 906DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que os valores relativos aos depósitos bancários de origem não comprovada superaram os valores da omissão supramencionada, o que levou à apuração de omissão de receitas com base na presunção legal prevista no art. 42, da Lei 9.430/96, no valor de R$ 1.032.968,54; que como a contribuinte cometeu crime contra a ordem tributária e incorreu na prática de sonegação de fiscal, pois omitiu da apuração mensal do Simples e em sua DSPJ parte das receitas auferidas em cada um dos meses do anocalendário de 2006, foi aplicada a multa no patamar de 150%, prevista no inciso II, do art. 444, da Lei 9.430/96, sobre a omissão de receitas apuradas com base nos extratos bancários; que lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária em face da Sra. Marlene Helena do Nascimento Oliveira e o Sr. Amauri Aparecido Lemos de Oliveira, que, efetivamente, exerciam a administração da empresa, pois mantinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, e a prática de sonegação fiscal, nos termos do art. 135, III, e 137, I, todos do CTN; que assim, comprovada o auferimento de lucro bruto superior ao limite para enquadramento no Simples no anocalendário de 2006, foi expedido o Ato Declaratório Executivo ADE 57, de 21 de março de 2011, cujos efeitos retroagiram ao dia 1º de janeiro de 2007, para excluíla do regime de tributação especial; que foi formalizada Representação Fiscal para fins penais, por intermédio do Processo 15956.000053/201170, já que no curso da ação fiscal restou comprovado, ao menos em tese, os crimes definidos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90. Ao tomar ciência dos autos de infração lavrados, apresentou Impugnação onde defendeu, em apertadíssima síntese, o que se segue: que a quebra do sigilo bancário foi procedida de forma ilegal; que não foi considerado pela fiscalização que os descontos de cheques efetuados nas contascorrentes da contribuinte decorreram da movimentação de capital de giro; que inexistiu a aquisição de bens pela contribuinte durante o período de apuração, e que a movimentação bancária só ocorreu para compra e venda das mercadorias que são comercializadas pela Empresa; que existem valores em duplicidade, uma vez que foram considerados quando do depósito e novamente quando de sua liberação; que sobre os depósitos oriundos de contacorrente de titularidade do Sr. Aníbal Lemes de Oliveira, informa que eles consistem em empréstimos pessoais, que não podem ser caracterizados como receitas passíveis de tributação; que meros depósitos não são suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receitas. Ao ser submetido sua Impugnação a julgamento, os membros da 2ª Turma da DRJ/Curitiba PR, em 07 de julho de 2011 o proveram parcialmente, conforme se extrai de sua ementa: Fl. 907DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 4 5 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DEPÓSITOS. DUPLICIDADE. Devem ser expurgados do lançamento os valores de depósitos bancários comprovadamente considerados em duplicidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificados da decisão de Primeira Instância e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que para amparar e apurar possíveis irregularidades praticadas pela contribuinte, a fiscalização emitiu diversos ofícios para as instituições bancárias, para que lhe fossem fornecidos os extratos bancários da movimentação das contas correntes da titularidade da empresa; Fl. 908DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que com o fornecimento dos extratos bancários a fiscalização, foi apurado que houve suposta omissão de receita, tendo em vista diversos “depósitos de origem não comprovadas”; que a via eleita pela Secretaria da Receita Federal para obtenção dos extratos bancários não se mostra legal, pois a vida em sociedade pressupõe segurança e estabilidade, e não a surpresa. Para garantir isso, é necessário o respeito à inviolabilidade das informações do cidadão em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana; que a exceção para mitigar esta regra só pode vir por ordem judicial e para instrução penal. O sigilo das operações financeiras das pessoas físicas e jurídicas advém do direito constitucional elencado no inciso X e XII, do art. 5º, da CF; que com a quebra de seu sigilo, terceiros foram afetados quanto à garantia constitucional da inviolabilidade do sigilo, vez que mantinham relação direta com a empresa, como ocorreu com o Sr. Aníbal Lemes de Oliveira; que o sigilo de dados bancários confidenciais também diz respeito às pessoas jurídicas, sendo que ocorre infringência de garantia constitucional, quando efetivada fora das hipóteses previstas na LC 105/01; que a contribuinte tem relações jurídicas distintas com o fisco e com as instituições financeiras, visto que o sigilo inerente a cada uma destas atividades devem ser mantidas em seus respectivos âmbitos; que a quebra do sigilo bancário somente pode ser decretada em caráter excepcional, caso que não ocorreu no presente caso, já que não houve autorização judicial para tanto; que ao agir dessa forma permite a banalização dos direitos que a CF tenta proteger. Assim, utilizado meio ilícito – quebra de sigilo bancário – para a obtenção de provas, contra a contribuinte, o auto deve ser julgado insubsistente, bem como serem declaradas nulas as penalidades aplicadas; que não foi considerado que os descontos de cheques efetuados nas contas correntes da empresa são decorrentes de movimentação de capital de giro e que não são uma forma de receita, e sim uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor; que não houve aquisição de bens, sejam móveis, sejam imóveis, pela contribuinte durante o período de apuração da infração, sendo que a movimentação bancária somente ocorreu para compra e venda das mercadorias que são por ela comercializados; que existem vários valores que foram considerados em duplicidade, vez que foi considerado quando do depósito e novamente considerados quando os depósitos são liberados; que com relação aos depósitos oriundos de conta corrente de titularidade do Sr. Aníbal Lemes de Oliveira, informa que tais valores consistem em empréstimos pessoais, não podendo, desta forma, serem caracterizados como receitas passíveis de tributação; que, assim, tais valores deverão ser apurados e descontados do valor de “depósitos de origem não comprovada”; Fl. 909DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 5 7 que meros depósitos não são e nunca foram documentos suficientes para comprovar e fundamentar uma possível omissão de receitas, conforme doutrina de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário; que os depósitos foram tomados como um indício de omissão de receita que não conseguem formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita; que indícios, para que se tornem presunções válidas, necessitam de uma prova que consubstancie, o que não ocorreu no caso dos autos. É o relatório. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de crédito tributário referente aos tributos integrantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A infração apurada pelo Fisco foi à omissão de receitas, quantificadas mediante depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. Entre outras razões recursais, o sujeito passivo argúi a inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei complementar nº 105/2001, fundamento legal mediante o qual a fiscalização teve acesso, administrativamente, à movimentação bancária da pessoa jurídica fiscalizada. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração/simples de IRPJ, CSLL, PIS , INSS e COFINS, totalizando um crédito tributário de R$ 1.359.128,44. Inicialmente é de se observar, que apesar de constar nos autos Termo de Sujeição Passiva Solidária da Sra. Marlene Helena do Nascimento Oliveira e do Sr. Amauri Aparecido Lemos de Oliveira sob o argumento de que, efetivamente, exerciam a administração da empresa, já que mantinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, e a prática de sonegação fiscal, nos termos do art. 135, III, e 137, I, todos do Código Tributário Nacional, os mesmos não apresentaram nenhuma defesa durante a fase impugnatória e agora na fase recursal, razão pela qual não há nenhuma razão para manifestação deste relator. A decisão recorrida entendeu que caso não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. Bem como entendeu que apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. Por fim, firmou o entendimento de que tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a recorrente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo Fl. 911DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 6 9 legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: utilização da Lei nº 10.174, de 2001 e Lei Complementar nº 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, não cabe razão a suplicante pelos motivos que se seguem. Como se vê o aspecto divergente estaria no entendimento que a suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos. O presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos arts. 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declaradas pelos contribuintes. É sabido, que o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. Ora, as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Fl. 912DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 CARF.(Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgado pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às Instituições Financeiras. Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, é de se rejeitar a preliminar argüida pela Recorrente. No que diz respeito à presunção de omissão de receita baseada em depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada esclareçase inicialmente, que a autuação do IRPJ – Simples teve com base legal, entre outros, o art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Portanto, eventuais omissões de receitas apuradas no ano calendário de 2006, cujo mérito será analisado adiante, devem ser, de fato, tributadas sob o regime de tributação a que estivesse submetida à interessada no período, no caso, sob a sistemática do Simples. Sendo optante pelo SIMPLES, a autuada estava sujeita às determinações contidas na Lei nº 9.317, de 1996, que assim dispõe: Art. 7º [...] § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. [...] Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 7 11 De acordo com o transcrito acima, aplicamse à empresa optante pelo SIMPLES todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência do imposto sobre a renda, e especificamente a prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com a alteração da Lei nº 9.481, de 1997. No mérito a contribuinte contestou a tributação dos depósitos bancários sob a argumentação de que os depósitos não representam receita e alegou inadmissibilidade de lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários. Nenhuma razão assiste a contribuinte como ficará demonstrado. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado, exclusivamente, depósitos bancários sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos da recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Como se vê, nos dispositivos legal mencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada à origem dos recursos tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como sendo receitas tributáveis e omitidas na DIPJ, efetuando os lançamentos do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não Fl. 915DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 8 13 for comprovada a vinculação da percepção das receitas com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar de receitas tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que a recorrente, embora intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores Fl. 916DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracteriza omissão de receitas e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que a suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de receitas, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá a suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento ou receitas (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Da análise dos autos se constata que a autoridade lançadora procedeu exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, a fiscalização relacionou em planilha os depósitos, após excluir aqueles decorrentes de transferências de mesma titularidade, os estornos e demais créditos que não decorrentes da atividade comercial, e intimou a empresa a comprovar a origem do numerário depositado/creditado em suas contas. A contribuinte não tendo apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Como nas fases de fiscalização e de impugnação, agora na fase recursal, a contribuinte nada trouxe aos autos que servissem de provas do que alegou, ou seja, que os valores em suas contas não lhe pertenciam. Tal fato respalda o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. O cerne da autuação é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, cuja tributação se deu com amparo na presunção legal de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Razão pela qual, tendo em vista a sua opção pela forma de tributação – Fl. 917DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10840.720706/201114 Acórdão n.º 1402001.632 S1C4T2 Fl. 9 15 SIMPLES, pois tratandose de empresa optante pelo SIMPLES, suas receitas são tributadas consoante o disposto no art. 2º, § 2º, da Lei nº 9.317, de 1996, verbis: Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A recorrente ao receber os valores das vendas realizadas, a empresa não o fez em nome ou por conta de outrem, mas em nome e por conta próprios. A receita é integralmente sua, muito embora o lucro da operação signifique apenas uma fração do valor recebido, o que, aliás, acontece com praticamente todas as atividades, sejam comerciais, sejam civis. Assim, a receita bruta será o produto das vendas, envolvendo todo o montante recebido e não apenas o resultado. Infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para Seguridade Social (INSS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pela Recorrente e, no mérito, negar provimento. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 918DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13807.011807/2002-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
Ementa:
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE IPI. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. DEMORA NA APRECIAÇÃO. OBSTÁCULO DO FISCO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 411/STJ. ART. 62-A DO RICARF.
A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, pacificou entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da não-cumulatividade. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.
Diante disso, a jurisprudência do STJ tem entendido que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 01/10/2013, DJe 07/10/2013; e REsp 1240714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013).
Nesse contexto, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art 62-A do RICARF, autorizando-se a incidência da Taxa SELIC.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE IPI. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. DEMORA NA APRECIAÇÃO. OBSTÁCULO DO FISCO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 411/STJ. ART. 62-A DO RICARF. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, pacificou entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da não-cumulatividade. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Diante disso, a jurisprudência do STJ tem entendido que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 01/10/2013, DJe 07/10/2013; e REsp 1240714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013). Nesse contexto, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art 62-A do RICARF, autorizando-se a incidência da Taxa SELIC. Recurso voluntário provido em parte.
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RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. PROTOCOLO. Recorrente CIA LECO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE IPI. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. DEMORA NA APRECIAÇÃO. OBSTÁCULO DO FISCO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 411/STJ. ART. 62A DO RICARF. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, pacificou entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da nãocumulatividade. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Diante disso, a jurisprudência do STJ tem entendido que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 01/10/2013, DJe 07/10/2013; e REsp 1240714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013). Nesse contexto, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art 62A do RICARF, autorizandose a incidência da Taxa SELIC. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 18 07 /2 00 2- 12 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Declaração de Compensação de débitos da COFINS – período de apuração novembro de 2002, dezembro de 2002 e janeiro de 2003, com crédito de ressarcimento de Imposto sobre produtos industrializados (IPI) relativo a saldo credor acumulado no 3º trimestre de 2002, no montante R$ 766.801,16 (setecentos e sessenta e seis e oitocentos e um reais e dezesseis centavos). Ante ao pedido, sobreveio despacho decisório (fls. 157 e SS.) que, de acordo com o art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI, no montante de R$ 679.894,11 e homologou parcialmente as compensações até o limite do crédito a ser reconhecido, glosando dessa forma o montante de R$ 86.907,05 (oitenta e seis mil, novecentos e sete reais e cinco centavos), em razão de haver escrituração indevida das notas fiscais de compras de insumos do período. Cientificada do despacho, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando ser cabível a aplicação de juros de mora calculados pela variação Selic ao crédito reconhecido, da data do protocolo do pedido, até seu efetivo pagamento ou compensação. (fls. 166 e ss.), a qual a DRJ julgou improcedente (fl. 210 e ss.). Todavia, na ótica da DRJ, a Lei nº 9.250 de 1995, estabeleceu a incidência de juros equivalentes à taxa Selic sobre o valor a ser restituído em espécie ou compensado, em face da ocorrência de pagamento indevido ou a maior, não alcançando créditos escriturais de IPI. Ademais, atualmente, há vedação expressa à aplicação da taxa Selic nos casos de ressarcimento de saldo credor de IPI, com base no art. 72 da IN nº 900, de 2008. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 225 e ss.) alegando que não existe nenhuma disposição vedando a incidência da atualização monetária ou de juros sobre créditos de IPI. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13807.011807/200212 Acórdão n.º 3202001.246 S3C2T2 Fl. 259 3 Alega ainda, que o direito da Contribuinte estaria expresso na Lei nº 9.250/96, em razão de “ressarcimento” ser uma espécie de “restituição”, estando dessa forma contemplado todos os efeitos da referida legislação. Não sendo considerado “ressarcimento” uma espécie de “restituição”, alega a recorrente que seria aplicável, por analogia, ao caso em comento o art. 39, §4º, da Lei. 9.250/95, pois, considerando que sobre a recuperação de valores por compensação aplicase a taxa Selic, por analogia também deve ser admitido o mesmo efeito sobre o crédito em tela, também utilizado para fins de compensação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Entendo que merece acolhida o pleito da recorrente. Com efeito, a Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, pacificou entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da não cumulatividade. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Eis a ementa do Resp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Há, também, na espécie, a Súmula 411/STJ ,orientando, de forma ampla, que a resistência ilegítima ao reconhecimento do crédito de IPI atrai a aplicação da SELIC: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Diante disso, jurisprudência do STJ tem aplicado o leading case e a Súmula acima destacados, entendendo que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic, para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 01/10/2013, DJe 07/10/2013; e REsp 1240714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013). Confirase: PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO NA VIA ADMINISTRATIVA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. SÚMULA 83/STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AFRONTA AOS ARTS. 49 E 111 DO CTN E AO ART. 20, §4º, DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA DE PROVA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal a quo determinou a incidência de correção monetária no montante indevidamente recolhido e restituído administrativamente, uma vez que transcorreu um grande lapso temporal, em que os valores foram corroídos pela inflação.Incidência da Taxa Selic. [...] Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13807.011807/200212 Acórdão n.º 3202001.246 S3C2T2 Fl. 260 5 4. Ademais, a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, pacificou entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da não cumulatividade. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Diante disso, é unânime a orientação da Segunda Turma de que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic. Súmula 83/STJ (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2013, DJe 07/10/2013) *** TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. [...] 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). (REsp 1240714/PR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013) Nesse contexto, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art 62A do RICARF, segundo o qual a demora na apreciação do pedido de ressarcimento caracteriza resistência ilegítima do Fisco ao pleito contribuinte, a justificar a aplicação da Taxa SELIC. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 No que diz respeito ao termo inicial da aplicação da SELIC, o STJ ainda não firmou posição definitiva. Sua Segunda Turma entende que ela deve incidir a partir do protocolo do pedido de ressarcimento (AgRg no AREsp 335.762/SP), enquanto que a Primeira Turma estabelece com dies a quo um ano depois do pedido do protocolo do pedido de ressarcimento, pois este seria o prazo fixado para sua apreciação pelo art. 24 da Lei 11.457/2007 (REsp 1240714/PR). Considerando que ainda não há decisão vinculante do STJ acerca do termo inicial da contagem da SELIC, depois de protocolado o pedido de ressarcimento, entendo que estamos livres para apreciar essa questão. Ao meu juízo, o mais correto é aplicar a SELIC a partir do dia em que o Fisco encontrase em mora, de acordo com a legislação vigente à época do protocolo do pedido de ressarcimento (tempus regit actum). Para os pedidos de ressarcimento anteriores à Lei nº 11.457/2007, como é o caso dos autos, o prazo máximo para conclusão de sua análise é de sessenta dias, nos termos do art. 49 da Lei nº 9.784/1999. Por essa razão, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar seja aplicada a Taxa SELIC aos créditos de IPI, sessenta dias depois do protocolo do pedido de ressarcimento até a apreciação deste pela Administração. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004761/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.236
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 47 61 /2 01 0- 85 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado e cientificado ao sujeito passivo acima identificado em 19/11/2010, de contribuições arrecadadas para os Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados considerados empregados da autuada, frente à desconsideração da prestação de serviço por interposta pessoa jurídica, no período de 10/2005 a 12/2009. O Relatório Fiscal de fls.35/38, assim se manifesta sobre o lançamento: Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, na empresa INDÚSTRIA TEXTIL CEDRENSE LTDA EPP constatouse que esta não dispunha de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social. Quando iniciou suas atividades, em 12/01/1999, a empresa operou com o máquinário e também fez uso das instalações da massa falida "FEUZER INDUSTRIA TEXTIL LTDA", CNPJ 80.759.095/000160, cujo sindico era o Sr. Dino Dalcegio, sócio administrador da DALTEX DALCEGIO TEXTIL LTDA, constituída em 28/03/2001. A partir da sua constituição, a DALTEX passou a trabalhar, também, com os empregados da CEDRENSE, e esta, utilizava as instalações e maquinários cedidos pela representada para a realização de seu objetivo social. Pretendeuse desta forma elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada, deixando que os empregados permanecessem na empresa optante pelo SIMPLES e prestassem serviços na DALTEX, cujo faturamento sempre foi muito superior que o da CEDRENSE. Foram CARACTERIZADOS SEGURADOS EMPREGADOS da DALTEX , os sócios e os empregados formalmente registrados na empresa INDUSTRIA TEXTIL CEDRENSE LTDA, a seguir qualificada: EMPRESA: INDÚSTRIA TEXTIL CEDRENSE LIDA EPP CNPJ : 02.981.424/000100 ENDEREÇO: RODOVIA ANTONIO MERiSIO, KM 01 DOM JOAQUIM BRUSQUE/SC Após impugnação, Acórdão de fls. 148/159, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alegou em síntese: a) a irregularidade do MPF porque a expedição eletrônica do mesmo não é suficiente para cientificar o sujeito Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.004761/201085 Acórdão n.º 2302003.236 S2C3T2 Fl. 206 3 passivo, devendo ser anulado o lançamento por vício formal; b) que não houve infração, ou simulação à legislação; c) que as empresas estão situadas a 15km de distância uma da outra, não estando no mesmo prédio e não havendo como a recorrente utilizar empregados da CEDRENSE; d) que não há grupo econômico e a fiscalização apenas presumiu fatos; e) que não há parentesco entre os sócios das empresas, que também praticam atividades diversas; f) que não há qualquer ingerência da recorrente na CEDRENSE; g) que sempre manteve a média de 50 empregados e todos os empregados da linha de produção são seus; h) que possui liquidez para solver seus compromissos, não necessitando de outra empresa para tanto. Requer que seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração e afastada a exigência do crédito constituído. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls.148/159, em 22/08/2013, fls.162, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 23/08/2013, fruindo até 23/09/2013. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 24/09/2013, conforme documento de fls. 185 e Termo de Perempção às fls. 184, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.004761/201085 Acórdão n.º 2302003.236 S2C3T2 Fl. 207 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720624/2011-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CUSTOS OU DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo reunir a documentação necessária para comprovação dos custos ou despesas registrados na sua escrituração contábil.
Numero da decisão: 1103-000.987
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar as preliminares por unanimidade e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Roberto Armond e Gilberto Baptista que votaram pela conversão do julgamento em diligência para ofertar à contribuinte a oportunidade complementar a documentação relativa a rateio de despesa.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CUSTOS OU DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo reunir a documentação necessária para comprovação dos custos ou despesas registrados na sua escrituração contábil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar as preliminares por unanimidade e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Roberto Armond e Gilberto Baptista que votaram pela conversão do julgamento em diligência para ofertar à contribuinte a oportunidade complementar a documentação relativa a rateio de despesa. Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva.
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COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo reunir a documentação necessária para comprovação dos custos ou despesas registrados na sua escrituração contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado rejeitar as preliminares por unanimidade e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Roberto Armond e Gilberto Baptista que votaram pela conversão do julgamento em diligência para ofertar à contribuinte a oportunidade complementar a documentação relativa a rateio de despesa. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 24 /2 01 1- 36 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Os autos tratam de recursos de ofício e voluntário contra o Acórdão nº 16 36.011/2012, da 4ª Turma da DRJ/São Paulo ISP (fls. 266)1. Extraise do relatório da decisão contestada: "O interessado foi autuado, em 02/09/2011, no IRPJ e na CSLL, por glosa de custos e/ou despesas não comprovados do anocalendário de 2006, quando estava no regime de lucro real trimestral, no valor total de R$ 5.128.415,53, incluindo imposto, contribuição, multas de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2011 (fls. 1 a 67, no eprocesso). O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 51 a 53 no eprocesso dá conta de que: 1 a fiscalizada atua na intermediação entre compradores e vendedores de diversos produtos por meio de domínio próprio na Internet, com liquidação através de cartões de crédito, sendo ligada a um grupo que atua em outros países; sua controladora, MERCADOLIBRE INC., foi constituída de acordo com as leis dos EUA, com sede em 15 East North Street, Dover, Kent County, Delaware; 2 no curso da ação fiscal a fiscalizada mudou seu domicílio fiscal original, Rua Arandú, 281 em São Paulo, Capital, para o Município Santana de Parnaíba; no início do procedimento estava sob jurisdição da DEFICSPO, de forma que esta preveniu sua jurisdição; 3 o razão de despesas mostra que o grupo 690 agasalhava R$ 6.775.824,84 referentes a rateio de despesas entre as empresas do grupo; 4 em 14/03/2011, o contribuinte foi intimado a justificar tal valor e apresentar documentação probante referente a tal desembolso; 5 em 06 de julho de 2011, o contribuinte informou que eram despesas operacionais referentes a rateio de despesas administrativas a serem pagas à MercadoLibre, Inc., sociedade constituída no Estado de Delaware, EUA, com sede em 1111 Brickell Av., Miami, Estado da Flórida; 6 foi apresentado o contrato de compartilhamento de custos e despesas administrativas, em espanhol, datado de 01/10/2005, assim como praticamente toda a documentação, contendo os tipos de custos e despesas objeto de rateio; no item XV do contrato consta que o mesmo será regido pelas leis do Estado da Flórida, EUA; 7 juntamente ao referido contrato encontrase cópia de razão e notas de débito trimestrais, em dólares norteamericanos, emitidas por Mercado Libre (Delaware); 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 512DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 4 3 8 é de destacar que as despesas objeto do referido contrato não ocorreram em território nacional nem estão sendo reembolsadas por/a grupo econômico que desenvolva atividades no Brasil; 9 mais especificamente, o que ocorre é o reembolso pela fiscalizada à MercadoLibre, Inc por despesas pretensamente incorridas fora do território nacional e com documentação probante só existente no exterior; 10 tal procedimento está em desacordo com o art. 299 do RIR/99, vez que são três os requisitos que habilitam determinado gasto a ser considerado como despesa operacional dedutível, a saber: que o gasto seja (I) incorrido, (II) necessário ou útil para a manutenção da atividade e por fim (III) comprovado; 11 tais requisitos também são abarcados pelo Parecer Normativo CST 58/77 que define que despesas incorridas são as de competência do período de apuração e relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa; 12 tais pressupostos não estão presentes no rateio dessas despesas, motivo pelo qual será glosado, tanto para o IRPJ como para a CSSL. Os Autos de Infração constam às fls. 53 a 63, no eprocesso. A empresa apresentou impugnação, em 30/09/2006 (fls. 88 a 120, no e processo), por meio de suas advogadas (fls. 120 a 135, no eprocesso), acostando elementos (fls. 136 a 176, no eprocesso)." A contribuinte apresentou a DIPJ/2007 com indicação de apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro real trimestral (fls. 105). O órgão de primeira instância julgou o lançamento, relativo a fato gerador do 4º trimestre de 2006 (31/12/2006), procedente em parte, por unanimidade, assim resumindo a decisão: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, de forma que não há nulidade. Preliminar indeferida. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 GLOSA. DESPESA NÃO COMPROVADA. 4º TRIMESTRE. A despesa supostamente compartilhada não foi comprovada, de modo que a glosa está correta, exceto pelo valor que extrapola o trimestre e que deve ser exonerado. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no mérito do IRPJ repercute no auto reflexo." Fl. 513DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 5 4 Determinouse no aresto a redução da base de cálculo pela exclusão de valores da despesa que seriam correspondentes aos três primeiros trimestres de 2006. Cientificada da decisão por via postal, a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário no dia 24/08/2012 (fls. 277, 297 e 510). Suscitou preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância. Informou ser empresa de tecnologia dedicada a atividades de comércio eletrônico ou virtual (ecommerce), na modalidade C2C consumer to consumer, possibilitando a terceiros, pessoas físicas e jurídicas, a negociação de produtos e serviços entre si. Os negócios do grupo MercadoLivre estariam organizados a partir de uma mesma plataforma tecnológica nos EUA, o que significaria a hospedagem de toda a infraestrutura de armazenamento e processamento dos sites em empresa daquele país, contratada pela sua controladora MercadoLibre Inc. A padronização dos negócios em 13 países estaria garantida pela realização por MercadoLibre Inc. (nos EUA) e MercadoLibre S/A (na Argentina, atual MercadoLibre SRL) de praticamente todas as atividades administrativas das empresas do grupo, tais como tecnologia da informação, recursos humanos, marketing, planejamento estratégico, etc. Afirmou não dispor, no anocalendário 2006, de equipamentos e recursos humanos suficientes para suportar os serviços de internet e atividades administrativas, utilizando a estrutura organizacional da empresa argentina, cujos funcionários atuariam em benefício das demais integrantes do grupo. Alegou caber à fiscalização o ônus de provar a infração indicada, assegurou que a documentação apresentada permitiria identificar a necessidade e a efetividade da despesa decorrente do contrato de rateio, a sua natureza e os pagamentos. Reclamou por ter sido intimada apenas uma vez a respeito dessa matéria durante a fase investigatória. Refutou o lançamento de CSLL, por entendêlo sem amparo legal, e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, com base nas razões comuns aos que se insurgem contra tal exigência. Requereu a rejeição do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos de admissibilidade. Devem, portanto, ser conhecidos. Preliminares O lançamento seria nulo por ausência de especificação do motivo da rejeição da dedução das despesas rateadas, limitandose a autoridade fiscal a afirmar genericamente inobservância das condições exigidas no art. 299 do RIR/1999, segundo alegado no recurso voluntário. O suposto vício apontado se confunde com o próprio mérito do lançamento, relativo à caracterização da infração indicada, não tratando de falhas relacionadas aos aspectos formais de constituição do ato de lançamento. Mesmo assim, vêse que a alegação é descabida, a autoridade fiscal deixou clara a motivação do lançamento. No TVF (fls. 135 e 220), constou a ausência de prova documental adequada das despesas. Os documentos apresentados estariam redigidos em língua estrangeira, sem tradução oficial, além da ausência da documentação relativa às despesas realizadas no exterior. A procedência da acusação fiscal será adiante avaliada, por ocasião do exame de mérito. Alegouse também nulidade da decisão recorrida, que teria aperfeiçoado o lançamento, inovando os seus fundamentos, para suprir a sua précária motivação. É igualmente descabida a segunda nulidade suscitada. O autor do voto condutor do acórdão atacado teceu comentários a respeito das condição gerais para dedução de despesas, concluindo pela ausência de comprovação documental, ratificando as razões indicadas pela autoridade fiscal, como se vê adiante: "O contrato de compartilhamento em português, ainda mais sem a devida tradução juramentada (fls. 52 e 152 a 176, no eprocesso) nos termos da lei, e as Notas de Débito não são suficientes para provar a realização dos serviços. Afinal, não houve acesso aos documentos que originaram esses gastos, de modo que não foi possível apreciar a sua exata natureza. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 7 6 Da mesma forma, não houve acesso ao documentário hábil a demonstrar a efetiva realização dos serviços, e muito menos sua aplicabilidade à impugnante." Mérito Conforme relatado, tratase de glosa de rateio de supostas despesas realizadas fora do Brasil no âmbito do Grupo Mercado Livre, dedicado ao comércio pela internet (e commerce), possibilitando a terceiros, pessoas físicas e jurídicas, a negociação de produtos e serviços entre si, segundo informado no recurso voluntário. A contribuinte assim resumiu o seu entendimento a respeito da decisão recorrida: " ... o v. acórdão recorrido deve ser parcialmente reformado, determinandose o cancelamento integral das exigências fiscais, na medida em que os argumentos constantes nessa decisão não se conformam à situação fática dos autos, não encontram amparo na legislação tributária vigente, bem como destoam do entendimento consolidado na jurisprudência administrativa a respeito da matéria 'sub judice'." Inicialmente, registrese que o rateio de despesas resulta de técnica de compartilhamento de estrutura organizacional de grupos societários, acolhida pela jurisprudência administrativa desde que observadas as condições legais para dedução de despesas. O art. 299 do RIR/19992 define como operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Necessárias são aquelas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, segundo prescreve o §2º do referido dispositivo legal. A longa e consolidada jurisprudência administrativa acolhe o entendimento de que custos e despesas são dedutíveis quando necessários à atividade da pessoa jurídica, relativos à contraprestação de algo recebido (efetividade), corroborados por documentação adequada (idônea) e regularmente registrados na contabilidade. Incumbe ao Fisco provar a existência do fato gerador tributário, em regra. Assim determina o art. 9º do Decretolei 1.598/19773, em especial o § 2º: "Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. 2 Matriz legal: art. 47 da Lei 4.506/1964. 3 Correspondente aos art. 174 do RIR/80; art. 223 do RIR/94 e art. 276, 923, 924 e 925 do RIR/99. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 8 7 § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração." Semelhante comando é encontrado no art. 79 do Decretolei 5.844/19434: "Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: (...) §1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...)" Bem se vê que cabe à fiscalização descrever corretamente a infração e reunir todos os seus elementos probatórios. Nessa linha, é a lição de Paulo Celso Bonilha5: "Como bem salientou o saudoso e ilustre professor, que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma “relevatio ab onere agendi” e não uma “relevatio ab onere probandi”, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma executória, mas esse atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão." 6 Não é diferente a pacífica jurisprudência administrativa, abaixo exemplificada: "IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS ÔNUS DA PROVA Nos casos de lançamento por omissão de receitas, excetuandose as presunções legais, incumbe a Fazenda provar os pressupostos do fato gerador da obrigação e da constituição do crédito.(Acórdão 10807.124). ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser 4 Correspondente aos art. 678, §2º, do RIR/80; art. 894, §1º, do RIR/94 e art. 845, §1º, do RIR/99. 5 “Da Prova no Processo Administrativo Tributário”, São Paulo, Dialética, 2ª edição, 1997, pág.75. 6 O “saudoso e ilustre professor” a quem se refere Bonilha é Gian Antonio Micheli. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 9 8 compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. (Acórdão 10320.594). PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, a prova da ocorrência do fato gerador tributário. (Acórdão 103 21.466)." No entanto, invertese o ônus da prova no caso de custo ou despesa, itens redutores da base de cálculo tributável, consagrandose o entendimento de cabimento ao sujeito passivo da comprovação da legitimidade do seu lançamento contábil. Segundo a prestigiosa orientação de Antônio da Silva Cabral7: "Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte." Nessa linha de interpretação, devese avaliar se os esclarecimentos e documentos fornecidos pela contribuinte autuada foram suficientes para comprovação dos valores rateados e deduzidos na determinação das bases de cálculo tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL. O "Contrato de Compartilhamento de Custos e Despesas Administrativas" (fls. 236), em língua portuguesa, com 9 anexos, firmado entre a contribuinte autuada e a sua controladora MercadoLibre, Inc. na Cidade de São Paulo, em 1º/10/2005, previu o compartilhamento de uso e dispêndios relativos às atividades de tecnologia da informação (Anexo 1), suporte jurídico (Anexo 2 e 8), recursos humanos (Anexo 3), marketing (Anexo 4), coordenação e padronização de Website (Anexos 5 e 7), financeira e contábil (Anexo 6) e banking internacional (Anexo 9). Em exame inicial, percebese no contrato de rateio a existência de falha formal, a ausência de identificação dos representantes das partes contraentes, constando apenas as suas assinaturas, e de testemunhas. Segundo as cláusulas 2.1 e 3.2, o compartilhamento das despesas deve ser feito por rateio apoiado na receita bruta da beneficiária, reembolsado com base em notas de débito trimestrais emitidas pela controladora. Tais demonstrativos (notas) formam as fls. 131/134, com valores indicados em Dólares norteamericanos (USD). Os valores deduzidos em moeda nacional (Real) nos 4 trimestres do ano calendário 2006 constam do demonstrativo juntado pela autoridade fiscal, extraídos do livro Razão (fls. 130). Nada há nos autos comprovação da composição da despesa rateada, deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Já registrara a autoridade fiscal no TVF a ausência de documentação: " ... o que ocorre é o reembolso pela fiscalizada à MercadoLibre, Inc. por despesas pretensamente incorridas fora do território nacional e com documentação probante só existente no exterior." 7 "Processo Administrativo Fiscal", São Paulo, Saraiva, 1993, pág. 298. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 10 9 Também destacou a Turma recorrida: "Afinal, não houve acesso aos documentos que originaram esses gastos, de modo que não foi possível apreciar a sua exata natureza. Da mesma forma, não houve acesso ao documentário hábil a demonstrar a efetiva realização dos serviços, e muito menos sua aplicabilidade à impugnante." Os contratos de prestação de serviços firmados pela empresa argentina (MercadoLibre S/A), email corporativo, relação de empregados, nota de débito, contrato de câmbio, resumo de despesas de cost sharing, etc., trazidos aos autos com o recurso voluntário (fls. 349/508), revelam indícios de compartilhamento da estrutura corporativa mas não comprovam os dispêndios no exterior e o efetivo rateio. Com efeito, a contribuinte não apresentou a documentação necessária para respaldar o seu registo contábil de despesa, mesmo dispondo das oportunidades para fazêlo, durante o procedimento de fiscalização, independentemente da quantidade de intimações expedidas, e nas fases de impugnação e recursal. A parcela excluída na decisão recorrida, relativa aos 3 primeiros trimestres do anocalendário 2006, alvo do recurso de ofício, encontrase detalhada no demonstrativo de fls. 130, indicando as despesas por trimestres, conforme quadro abaixo: Período/2006 Valor (R$) Decisão trimestre 1 1.518.434,32 excluído trimestre 2 1.594.790,36 excluído trimestre 3 1.728.350,82 excluído trimestre 4 1.934.249,34 mantido Total 6.775.824,84 Conforme relatado, a contribuinte apurou IRPJ e CSLL pelo regime de tributação do lucro real trimestral, o que se confirma na DIPJ/2007 (fls. 105), enquanto os autos de infração indicam a ocorrência do fato gerador em 31/12/2006 (fls. 140 e 145), o que corresponde ao 4º trimestre de 2006. Dessa forma, constatase o acerto da decisão de primeira instância excluindo as parcelas das despesas correspondentes aos períodos de apuração não abrangidos pelo lançamento tributário. A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento ex officio encontra fundamento legal no art. 161 do CTN e nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/1996. Nessa linha interpretativa são os precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais adiante indicados: "JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, Fl. 519DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 11 10 assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651/2007) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101 00.539/2010)" Em recente julgado, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça ratificou esse entendimento (AgRg no REsp 1.335.688PR, Relator Ministro Benedito Gonçalves, em 04/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: 'É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.' (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." Bem se vê que o tema se encontra pacificado nos âmbitos administrativo e judicial, devendose manter a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, constituindo também ela, a multa, crédito tributário da União sem distinção do valor do tributo exigido para fins de compensação decorrente do atraso de pagamento. Como o processo também trata de lançamentos do tipo conexo, decorrente ou reflexo, a decisão relativa ao auto de infração matriz (IRPJ) deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo (CSLL), no que couber, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Não é demais lembrar que despesas não comprovadas alteram o lucro líquido, base de cálculo da CSLL. Conclusão Pelo exposto, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 520DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.720624/201136 Acórdão n.º 1103000.987 S1C1T3 Fl. 12 11 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16682.902645/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.
Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado nos PER/DCOMPs, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 1o trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado nos PER/DCOMPs, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 1o trimestre de 2010, mas sem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 26 45 /2 01 2- 39 Fl. 5449DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.450 2 homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao 1º trimestre do ano calendário de 2010, no valor original de R$ 14.306.213,03, por meio da apresentação de diversos PER/DCOMPs transmitidos entre 3/3/2011 e 9/4/2012 (fls. 2.053 a 2.831). O despacho decisório eletrônico de fl. 2.834, lavrado em 1º/8/2012, não reconheceu o crédito por inexistência de saldo negativo, já que, no período, a DIPJ 2011 indicava imposto de renda a pagar de R$ 8.907.477,39. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 4 a 24), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 2.842 a 2.844): ao final do 1º trimestre/2010, apurou imposto de renda devido no valor de R$ 23.975.124,14, que, considerando as deduções e o IRRF no valor de R$ 15.067.646,75, chegouse ao saldo a pagar no valor de R$ 8.907.477,39, conforme indicado na Linha 21 da Ficha 12 A da DIPJ/2011. recolheu o valor de R$ 40.012.954,02, com código de receita 0220 e período de apuração 31/03/2010, gerando crédito a compensar de R$ 31.105.476,63, nos termos do artigo 2º da IN SRF nº 900/2008. da DCOMP discutese apenas parte do valor a que tem direito, de R$ 14.306.213,03. Fl. 5450DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.451 3 a DIPJ não traz campo específico para que o contribuinte indique o valor pago do tributo por meio de DARF, o que permitiria ao sistema eletrônico identificar o pagamento superior ao imposto a pagar. não houve apreciação de forma completa das informações relativas ao direito creditório, que sempre estiveram em poder do Fisco, notadamente o DARF e a DCTF. a análise cingiuse à comparação das informações contidas na DIPJ com aquelas declaradas na DCOMP, como afirma o próprio Despacho Decisório, provavelmente de limitação ou falta de parametrização do sistema eletrônico, trazendo prejuízo à interessada. a maneira correta de apurar a existência ou não de direito creditório envolve a consideração dos pagamentos efetuados relativos ao período de apuração, o que seria possível até para os sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. sendo incontestável o pagamento no valor de R$ 40.012.954,02, a apuração do direito creditório deveria considerar o resultado da DIPJ/2011 e este recolhimento, com apuração de crédito no valor de R$ 31.105.476,12. aduz que deve ser afastada qualquer alegação de erro no preenchimento da DCOMP quanto à natureza do crédito, se saldo negativo ou pagamento a maior. o artigo 2º não faz qualquer diferenciação entre “saldo negativo” ou “pagamento indevido”. tendo em mente que o saldo negativo ocorre com a verificação de que a soma dos pagamentos a título de estimativa e/ou das retenções superou o valor do tributo efetivamente devido, fica claro que o “saldo negativo” nada mais é do que um gênero da espécie “pagamento a maior”. o único momento que “saldo negativo” é mencionado na IN SRF nº 900/2008 ocorre apenas para explicitar uma peculiaridade deste gênero de pagamento a maior, qual seja, o respeito ao prazo de apuração para formalização do pedido de restituição de compensação/tributação, definido no artigo 4º do diploma legal, o que não altera sua natureza. a Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 6º, §1º, inciso II, afirma expressamente que o saldo negativo é um gênero da espécie “pagamento a maior”. o próprio legislador utiliza expressões “saldo negativo” e “montante pago a maior” como sinônimos, reforçando o fato de que entre eles não há diferença, exceção feita ao prazo para requerimento previsto no artigo 4º da IN SRF nº 900/2008. não obstante inexistência de suporte normativo, a diferenciação entre pagamento indevido ou a maior só existe no programa fornecido aos contribuintes para preenchimento eletrônico dos PER/DCOMP, que os separa em fichas diversas, o que não tem o condão de, per si, alterar a natureza jurídica dos institutos ora em discussão. pouco importa que o contribuinte tenha utilizado a ficha “pagamento indevido” ou “saldo negativo”, desde que tenha cumprido os requisitos normativos para a efetivação da compensação requerida. Fl. 5451DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.452 4 na hipótese de considerar que houve erro de preenchimento na DCOMP, o mesmo é de ordem formal, não transformando a realidade, e não prejudicando a idoneidade dos créditos. a autoridade administrativa deve observar o princípio da verdade material, procedendo à coleta de todos os dados e informações que lhe possam auxiliar na verificação do cumprimento das obrigações tributárias. é entendimento consolidado no CARF e das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que reconhecem a prevalência da verdade material sobre erros formais no preenchimento de pedidos de compensação, sendo passíveis de correção de ofício. o CARF já se pronunciou no sentido de que o pedido deve ser apreciado mesmo que haja confusão por parte do contribuinte entre “pagamento a maior” e “saldo negativo”, citando ementa de acórdãos e trechos do acórdão nº 140200.350. indubitavelmente, o direito creditório deve prevalecer sobre o suposto equívoco no preenchimento da DCOMP. preencheu a DCOMP com valor correto do crédito a compensar (R$ 14.306.213,03), espécie do tributo (IRPJ) e aspecto temporal (1º trimestre/2010), devendo a compensação ser homologada. Finaliza protestando por todos os meios de prova e realização de diligência. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 2.841 a 2.847): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA NÃO FORMULADO. Considerarse á não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A juntada de documentos em momento posterior à apresentação da impugnação requer a comprovação de umas das condições prevista no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o que não ocorreu nos autos. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. Fl. 5452DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.453 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não se admitiu o pedido de juntada posterior de documentos, por não ter se comprovado uma das exceções do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972, mantendose a regra geral de apresentação das provas documentais na impugnação; b) indeferiuse os pedidos de diligência, por não ter sido motivado e acompanhado dos quesitos referentes aos exames desejados e por se considerar que os documentos constantes nos autos já eram suficientes para a formação da convicção do julgador; c) as autoridades administrativas não se encontram cingidas em sua atividade à orientação firmada na jurisprudência, quer administrativa, quer judicial, sendo pertinente, tãosomente, conhecer e decidir sobre a conformidade do ato à lei; d) o crédito de saldo negativo tem natureza diversa do crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo que sua principal diferença reside na data a ser considerada para o surgimento do seu direito creditório. Enquanto o primeiro surge no fim do exercício, o segundo, na data do pagamento; e) a autoridade a quo não poderia considerar o pagamento no valor de R$ 40.012.954,02 na apuração do saldo negativo de IRPJ, objeto de compensação da DCOMP. O recolhimento ocorreu em 30/4/2010, após o encerramento do 1º trimestre/2010; f) a legislação tributária não permite que crédito decorrente de pagamento a maior seja tratado como crédito de saldo negativo. No caso do saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre/2010, começa a incidência dos juros em 1º/4/2010, enquanto que, para o pagamento indevido ou a maior, recolhido em 30/4/2010, os juros são acumulados a partir de 01/05/2010; g) concluise, portanto, não se tratar de mero erro formal o preenchimento da DCOMP ao solicitar crédito de saldo negativo ao invés de crédito de pagamento indevido. Se houve erro no preenchimento, este concerne ao próprio direito pleiteado. Neste contexto, não pode a autoridade julgadora analisar crédito diverso do que foi pedido, pois consistiria uma inovação do pedido, o que não é permitido na legislação tributária. A competência original para análise do direito creditório é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, no caso, a DEMAC. Cabe às Delegacias de Julgamento a apreciação de manifestação de inconformidade apresentada no caso de indeferimento do pedido ou deferimento parcial. Além disso, a retificação da Declaração de Compensação, alterando a natureza do crédito, somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 77 da IN nº 900, de 2008); h) portanto, considerando que são créditos de naturezas distintas, correto o Despacho Decisório no sentido de que não foi apurado saldo negativo de IRPJ no 1º trimestre de 2010, deixando de considerar o pagamento recolhido em 30/4/2010, no valor de R$ 40.012.954,02. Fl. 5453DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.454 6 RECURSO AO CARF Na fl. 2.853, a unidade de origem atestou a ciência do julgamento por decurso de prazo em 26/6/2013, 15 dias depois da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, Módulo eCAC, do sítio da Internet da Receita Federal. Em 11/7/2013 (fl. 2.855), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 2.856 a 2.881, acompanhado dos documentos de fls. 2.882 a 2.927, onde repete os argumentos da manifestação de inconformidade, em especial que: (i) existe incontestável crédito a compensar a seu favor, resultante do recolhimento a maior do IRPJ referente ao 1º trimestre do anocalendário de 2010; (ii) o Fisco incorreu em equívoco na apreciação de tal direito creditório, ignorando recolhimento efetuado pelo contribuinte relativo ao período citado; (iii) o conceito de “saldo negativo” é gênero da espécie “pagamento a maior”, tendo ambos a mesma natureza de “pagamento indevido”; e, por fim, (iv) a forma como o PER/DCOMP foi apresentado não acarretou qualquer prejuízo ao Fisco, pois estavam presentes todos os requisitos da compensação, que são os corretos valor do crédito a compensar (R$ 14.306.213,03), espécie de tributo (IRPJ), e seu período de apuração (aspecto temporal – 1º trimestre do anocalendário de 2010). Afirmou, também, que o CARF já julgou casos semelhantes da forma proposta nos seguintes acórdãos: 140200.350, 130100.449, 140200.568 e 120100245. Extraiu dessas decisões os seguintes critérios para a verificação quanto a existência de um mero erro formal na indicação da natureza do direito creditório: (i) identidade entre valor do crédito apontado na DCOMP e aquele que efetivamente se pretendia compensar; e (ii) coincidência do anocalendário da sua apuração. Acrescentou que se deve considerar outra importante variável fática presente no caso ora analisado: seja a natureza jurídica “saldo negativo”, seja “pagamento indevido ou a maior”, o crédito decorre, a todo tempo, de IRPJ indevidamente recolhido. Finalizou afirmando a higidez do crédito compensado, mas solicitou a conversão do julgamento em diligência caso restem dúvidas sobre o fato. Ao final, pugnou pela homologação integral das compensações, bem como requereu que as intimações fossem feitas no endereço dos procuradores, que também fossem enviadas cópias ao contribuinte, que pudesse provar seu direito pela juntada de novos documentos, e que pudesse realizar sustentação oral quando do julgamento no CARF. Em 2/10/2013 (fl. 2.931), o contribuinte apresentou a petição de fls. 2.933 a 2.937, acompanhada dos documentos de fls. 2.938 a 5.446, onde apresentou argumentos complementares ao recurso voluntário para afastar quaisquer questionamentos que pudessem pairar quanto à eventual utilização em duplicidade do mesmo direito creditório. Nesse sentido, apresentou uma relação completa de todas as DCOMPs transmitidas desde o período de apuração do crédito em discussão até os dias de hoje, demonstrando que somente se utilizou do crédito em discussão até o limite de R$ 31.105.476,63. Para reforçar o argumento, trouxe ainda declaração firmada pelo seu representante legal para assuntos contábeis e fiscais, na qual ele declara, expressamente, não ter ocorrido a utilização do crédito ora discutido em duplicidade. Fl. 5454DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.455 7 Este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 5.448. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nas declarações de compensação sob análise, o contribuinte indicou como crédito saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre de 2010 no valor original de R$ 14.306.213,03, mas teve seu direito negado por despacho decisório eletrônico que verificou que, ao invés de ter informado saldo negativo na DIPJ do período, apurou imposto a pagar. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou erro de preenchimento dos PER/DCOMPs, informando que o crédito se refere a pagamento a maior do IRPJ do 1º trimestre de 2010, já que apurou imposto a pagar de R$ 8.907.477,39, mas recolheu R$ 40.012.954,02 em DARF. Concluiu que o indébito é de R$ 31.105.476,63, tendo utilizado nos PER/DCOMPs apenas parte desse valor (R$ 14.306.213,03). A decisão recorrida não admitiu o argumento, alegando se tratar de inovação do pedido e não ser possível a retificação da declaração de compensação, alterando a natureza do crédito, após a prolação de despacho decisório que não homologou a compensação. Acrescentou que o crédito de saldo negativo tem natureza diversa daquele decorrente de pagamento indevido ou a maior, em especial com respeito à data do surgimento do direito creditório, o que implicaria em incidência de juros em valores diferentes. Já o recorrente defende que a natureza dos créditos é a mesma, sendo o saldo negativo espécie de pagamento indevido, e que a correção do equívoco não traria qualquer prejuízo ao Fisco. O recurso merece provimento parcial. O erro de declaração é evidente. Na DCTF relativa ao 1º trimestre de 2010, o contribuinte informou débito de imposto de renda com base no lucro real trimestral de R$ 23.213.690,41 e o vinculou a pagamento de R$ 40.012.954,02 (fl. 74). Na fl. 71, consta cópia de DARF nesse valor. Já na DIPJ 2011, no cálculo do imposto de renda do 1o trimestre de 2010, o sujeito passivo partiu de um imposto sobre o lucro real de R$ 23.975.124,14, e, após as exclusões que informou ter direito, apurou saldo a pagar de imposto de renda no valor de R$ 8.907.477,39 (fl. 183). Fl. 5455DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.456 8 Dessa forma, é cristalino o equívoco ao se apontar, como crédito em PER/DCOMP, de saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre de 2010, já que sempre se apurou imposto a pagar, tendose efetuado o recolhimento a esse título. Observese que o recorrente não busca alterar substancialmente seu direito creditório. Ao contrário, indica crédito do mesmo tributo e período de apuração, mas apenas demonstra que se equivocou ao apontar se tratar de saldo negativo, quando na verdade procedera a recolhimento a maior. É verdade que o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, somente permite a retificação de declaração de compensação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, caso ela seja enviada antes da decisão administrativa que analise o direito creditório (regra atualmente em vigor no art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012). Mas me parece razoável que critério semelhante deva ser utilizado pelo julgador administrativo quando a verificação da inexatidão material se der apenas após a não homologação do crédito. No caso, devese aplicar, por analogia, as disposições do art. 147 do Código Tributário Nacional, que versa sobre lançamento por declaração, abaixo transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Assim, a regra do §1º em tudo se coaduna com as normas das instruções normativas acima citadas, só permitindo a retificação de declaração pelo próprio contribuinte antes da notificação do lançamento. Mas o §2º determina que a autoridade administrativa retifique de ofício a declaração diante de erros apuráveis pelo seu exame. Por analogia, o mesmo procedimento poderia ser feito pela autoridade que apreciasse a declaração de compensação: constatandose o evidente erro de informação do crédito, devese analisálo de acordo com sua verdadeira natureza. Aliás, tal procedimento é bastante comum quando o contribuinte pede a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, ou então de estimativas mensais, e a análise se dá como se fosse saldo negativo do fim do exercício. Fl. 5456DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.457 9 Contudo, esse procedimento não foi possível, pois a análise se deu por meios informatizados, que somente comparou campos do PER/DCOMP e da DIPJ. Entretanto, se é admissível tal rotina para o processamento em massa dos PER/DCOMPs aguardando análise, esperase mais cuidado e bom senso na análise individual dos recursos contra essas decisões automatizadas. Não se está aqui a defender ser possível se promover alterações substanciais nas declarações de compensação em sede de recurso. Recordese: o contribuinte nunca apurou saldo negativo, demonstrou que efetuou recolhimento a maior do imposto a pagar apurado e está pleiteando a análise de crédito do mesmo tributo e período. Diante de erro facilmente constatável, e com a apresentação de argumentos e provas convincentes da verdadeira natureza do crédito, devese analisar o pedido com base no direito creditório realmente existente, em homenagem ao princípio da verdade material. Já a preocupação da decisão recorrida quanto à incidência dos juros não tem fundamento. É evidente que se dará ao crédito efetivamente existente o tratamento jurídico a ele apropriado. Tratandose de pagamento indevido, a fluência dos juros se dará a partir do mês subsequente ao indébito. Analisandose a jurisprudência do CARF, verificase que, por diversas vezes, admitiuse a análise do pedido com base na verdadeira natureza do crédito, quando comprovado o erro de declaração, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO A MAIOR DE CSLL. TRATAMENTO DE INEXATIDÕES MATERIAIS. INOVAÇÃO NO PEDIDO INICIAL. INOCORRÊNCIA. Inexatidões materiais sanáveis pelas simples análise das informações constantes da própria DCOMP não justificam uma negativa em definitivo da compensação. Se a origem do crédito é exatamente a mesma, não cabe falar em inovação no pedido inicial. Estava evidente que o crédito era decorrente de pagamento trimestral a maior, e não de saldo negativo anual. Restando afastado o fundamento que levou à negativa do crédito, devem os autos retornar à Delegacia de origem, para que seja reexaminada a Declaração de Compensação. (Acórdão nº 1802001.537, 2ª Turma Especial, sessão de 5 de fevereiro de 2013, relator Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa) ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, Fl. 5457DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.458 10 mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. (Acórdão nº 110100.590, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 4 de outubro de 2011, relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa) COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DETERMINAÇÃO PARA QUE OS AUTOS RETORNEM À ORIGEM PROSSEGUIMENTO DA ANÁLISE DO PEDIDO. Constatado o efetivo pagamento de valores a maior e de erro no preenchimento da DCOMP, provémse parcialmente o recurso para determinar o retorno dos autos à origem para prosseguimento da análise do pedido, alocando os valores comprovadamente pagos a maior, para compensação dos débitos de IRPJ e CSLL informados pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 140200350, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. Em princípio, é inadmissível a retificação de PER/DCOMP posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. No entanto, em se tratando de erro prontamente apurável pelo exame da Autoridade Administrativa, esse erro pode ser corrigido. É o que sucede quando o tipo de crédito trazido à compensação é “pagamento indevido/a maior”, mas o valor e o período coincidem com o saldo negativo do mesmo tributo, conforme apurado em DIPJ. Nessa situação deve a Autoridade Administrativa dar ao crédito alegado o tratamento adequado de saldo negativo e prosseguir na apreciação da compensação declarada. (Acórdão nº 130100.449, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Fl. 5458DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16682.902645/201239 Acórdão n.º 1102001.124 S1C1T2 Fl. 5.459 11 sessão de 15 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha) Dessa forma, afastase o fundamento do despacho decisório e da decisão recorrida de negar o direito à compensação pela inexistência de saldo negativo de IRPJ, devendose analisar o pedido com base em crédito decorrente de pagamento a maior do imposto de renda do 1o trimestre de 2010. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pois as provas e argumentos trazidos na impugnação e no voluntário não foram apreciados. Não se verificou, por exemplo, se a apuração do imposto de renda está correta e se o pagamento a maior não foi utilizado. Em situações como essa, em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, penso que, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindose ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. A simples conversão em diligência para decisão por esta Turma suprimiria indevidamente o direito à discussão do mérito em primeira instância. Nessa análise, caso a autoridade fiscal entenda que as provas trazidas aos autos são insuficientes, deve intimar o contribuinte a completála, explicitando detalhadamente quais os documentos que devem ser trazidos, e só então elaborar decisão definitiva sobre a matéria. Dessa forma, deve o processo retornar a unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer, ao crédito utilizado nos PER/DCOMPs, a natureza de pagamento a maior do imposto de renda do 1o trimestre de 2010, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 5459DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 06/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 10435.003076/2008-04
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2007
COMPENSAÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Inadmissível a compensação de crédito que decorra de decisão judicial não transitada em julgado, conforme determinação legal emanada do Código Tributário Nacional e legislação correlata.
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Consoante dispõe o art. 151, III do CTN suspendem a exigibilidade do crédito tributário os recursos e reclamações até a decisão administrativa definitiva.
Numero da decisão: 1803-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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DE COUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2007 COMPENSAÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Inadmissível a compensação de crédito que decorra de decisão judicial não transitada em julgado, conforme determinação legal emanada do Código Tributário Nacional e legislação correlata. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Consoante dispõe o art. 151, III do CTN suspendem a exigibilidade do crédito tributário os recursos e reclamações até a decisão administrativa definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 30 76 /2 00 8- 04 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Relatório IRMÃOS COUTINHO IND. DE COUROS S/A, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ , interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de auto de infração — CSLL, lavrado contra o contribuinte acima qualificado, e a ele cientificado em 25.11.2008 (fls.41), relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005 e 2007, através do qual foi constituído crédito tributário, no valor de R$ 3.252,19, abrangendo a constituição de crédito tributário referente a CSLL que deixou de ser retida na fonte em pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas de direito privado. Tratase de débito remanescente após a decisão administrativa que considerou as declarações especificadas como indevidas ou nãodeclaradas, Houve aplicação da multa de oficio qualificada (150%), quanto aos débitos identificados nas declarações apresentadas, prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, e depois na redação dada pela MP 351/07, no art.44, I e § 1° da Lei 9.430/96. No campo "Descrição dos Fatos" do auto de infração, às fls,04, co st, a seguinte infração: "001 — CSLL NÃO RETIDA NA FONTE EM PAGAMENTOS EFETUADOS POR PJ A OUTRAS PJ DE DIREITO PRIVADO". Conforme a autoridade autuante, foram indeferidos os pedidos de ressarcimento de 1P1 cumulados com pedidos de homologação das compensações de débitos mediante o Despacho Decisório DRF/CRU 214/2007, no âmbito do processo n° 10435.000143/200316 que, tomando por base o disposto na Lei 9.430/96, art.74, §12, II, "b" e "d", reconheceu a situação de Declarações de Compensação (DCOMP) Não Declaradas, remanescendo em aberto os saldos devedores de IRPJ, correspondente aos débitos fiscais informados nas DCOMP consideradas "nãodeclaradas", nos vencimentos 31.03.2003, 30.06,2003, 30.09.2003, 31.12.2003, 31.03.2006, 30.09.2006 e 31.12.2006, nos respectivos valores originários apontados no auto de infração, às fls.04. Além dos juros de mora, aplicados conforme a variação da Taxa SELIC, pelo decurso de tempo contado desde a data de vencimento de cada obrigação; foram aplicadas multas de 150% para os débitos cujos fatos geradores ocorreram até 21.01.2007, por força do disposto no art.44,11, da Lei 9.430/96, e para os fatos geradores ocorridos entre 22/01/2007 e 14/06/2007, com base no art.44,I e §1° da Lei 9.430/96, c/a redação dada pela W 351/07. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.003076/200804 Acórdão n.º 1803002.135 S1TE03 Fl. 93 3 Em 28.04.2005, a ora impugnante protocolou documento, anexado às fls. 383/384 do processo 10435.000143/200316 (matriz), informando que antes mesmo de obter resposta formal administrativa ao seu pedido de ressarcimento de IPI combinado com pedido de homologação das compensações declaradas, soube extraoficialmente, no âmbito mesmo da DRF/CRU, que seria indeferido o seu pedido com base na análise de auditores fiscais. Assim, entendeu ser necessário ingressar em Juizo com Mandado de Segurança, para prevenir possível inscrição em CADIN, dos débitos que pretendia ver compensados, o que traria prejuízos a suas atividades industriais. Trouxe aos autos daquele processo supramencionado cópias de folhas do processo judicial referente a Apelação em Mandado de Segurança (AMS) n° 88372PE (fls. 386 a 396verso), informando a sentença judicial proferida nos autos do Processo n° 2003.83.00.0123299, bem como a decisão proferida pelo TRF/5a Região, dando provimento em parte à apelação da IRCOSA. Consta também, no processo matriz, a informação obtida no sítio eletrônico do TRF/5 8 Região de que até 30.03.2006 não havia decisão judicial transitada em julgado (fls.1.180/1.182, no processo 10435.00143/200316), O lançamento da multa qualificada supramencionada deveuse ao comando constante no Despacho Decisório DRF/CRU n° 214/2007, exarado no âmbito do processo — matriz (cópia às fls.11/24 do presente processo). Naquele processo fora pleiteado o ressarcimento de créditos de IPI cumulado com pedido de homologação das compensações apresentadas em formulário padrão e/ou transmitidas eletronicamente, tendo sido indeferidos os pedidos e, além disso, as compensações foram, uma parte delas consideradas indevidas, e outra parte delas consideradas nãodeclaradas. Foram consideradas compensações indevidas as apresentadas mediante declaração apresentada antes da vigência da Lei 11.051/2004, e consideradas "nãodeclaradas" as compensações apresentadas a partir da vigência dessa Lei. Consta do Despacho Decisório 214/2007, conforme cópia neste processo às f1s.21: "...que tanto as DCOMPs indevidas (Tabela III), por total ausência de créditos passíveis de restituição, quanto as DCOMP não declaradas (Tabela R9, por tentativa de utilização de ‘crédito prêmio' do DL 491/69, se utilizaram de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição em lei, ora contrariando o art. 170A do CTN e o art. 74, §12, II, d, ora o art. 74, §12, b, observase que todas estas DCOMPs (tabelas III e IV) incidiram no pressuposto de evidente intuito de fraude, e, como tais, estão sujeitas à multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), do art.44, II, da Lei 9.43011996, sobre o Valor indevidamente compensado". Em relação a todas essas compensações pretendidas, o suposto crédito adviria de "créditoprêmio de IPI" instituído pelo Dl 491/69, reconhecido mediante decisão judicial que, entretanto, ainda não transitara em julgado, flagrandose infração ao disposto no art.170A, do CTN, bem como ao disposto no art.74, §12, II, "b" e "d", da Lei 9.430/96, c/a redação dada pela Lei Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 11.051/2004. Os débitos que a interessada pretendia compensar referiamse a IRPJ cujos fatos geradores foram indicados às fls.04, com vencimentos em 2005 e 2007. No caso das declarações de compensação entregues antes da vigência da Lei 11.051/2004, apresentando compensações indevidas, os débitos que a interessada pretendia compensar, havidos até novembro/2004, constituem confissão de dívida dotada de exigibilidade. Tais débitos, segundo a Intimação n° 251/2007, às fls.09, foram transferidos para cobrança no âmbito do processo rf 10435.720072/200703. Segundo o mesmo documento, os débitos remanescentes referentes às compensações consideradas "nãodeclaradas" foram transferidos para o processo n° 10435.720073/200740. Conforme consignou o i. auditor fiscal autuante às fls.39/40 de forma resumida, e melhor explicitado às fls.48 do processo conexo n° 10435.000177/200877 (constante desta mesma pauta), nos segundo e terceiro parágrafos, no Termo de"Encerramento daquela Ação Fiscal, ipsis literis: "Enfim consta explicitamente reconhecida no DESPACHO DECISÓRIO n"214, de 25 de abril de 2007, caracterização de que ... se utilizou de créditos não passíveis de compensação por expressa disposição em lei, nas DCOMPs apresentadas à SRF, a partir de fevereiro de 2003, e que efetivamente corresponderiam, cumulativamente a créditoprêmio (..), e esse com decisão judicial não transitada em julgado, nos termos do §12, II, do art. 74, da Lei n° 9.430196, eventos tidos como suficientes configuradores da falsidade das declarações (DCOMPs) apresentadas, procedimento suficiente para deixar caracterizado o aspecto volitivo da conduta delitiva, porquanto buscou a empresa, através das pessoas dos seus dirigentes, obter vantagem fiscal injusta. Portanto, consta definido no decisório da Autoridade Fiscal da SRF em Caruaru (PE) que as DCOMPs apresentadas incidiram no pressuposto de evidente intuito de fraude, porquanto configurado o dolo previsto no art, 71 da Lei n ° 4.502164, e como tal, estão sujeitos à multa isolada qualificada (percentual previsto no inciso I, do caput do art. 44, da Lei n° 9.430196, duplicado na forma do seu art. 1 ° tendo como base de cálculo o valor do tributo/débito indevidamente compensado ". (Grifos da autoridade lançadora). Registrase que neste processo consta, às fls.39/40, uma versão mais resumida de Termo de Encerramento da Ação Fiscal, quando comparada ao encontrado no processo matriz, porém ambos preparados pelo mesmo auditor fiscal autuante e mantêm a mesma linha de raciocínio empregada em todas as autuações que decorreram do Despacho Decisório n°214/2007. Conforme consta do referido Despacho Decisório n° 214/2007, quanto a esses débitos remanescentes indicados nas DCON Ps consideradas "não declaradas” por não haverem sido incluídos em DCTF demandaram constituição do crédito tributário pela via do lançamento, caso do presente processo, acrescido da multa de oficio qualificada, pelas razões acima explicitadas (de 150%), constituindo esses dois aspectos do lançamento o objeto específico deste processo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.003076/200804 Acórdão n.º 1803002.135 S1TE03 Fl. 94 5 Conforme se vê às fls.49150 do processo n° 10435.003177/2008 77, constante da mesma pauta de julgamento que ora se desenvolve, com observação pertinente também à situação descrita no presente processo, o auditor fiscal autuante fez a seguinte advertência: "Os débitos fiscais das DCOMPs não declaradas, no que deixaram de ser incluídos em DCTF, estão sendo objeto de lançamento de oficio ('Tabela T), na conformidade do DESPACHO DECISÓRIO n°214, de 25 d agosto de 2007. Os débitos constituídos nestes termos, com a aplicação da multa de ofício, no caso qualificada, pelas mesmas razões anteriormente expostas, impede o lançamento da multa isolada, em face da impossibilidade da coexistência simultânea dessas penalidades. É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n ° 0104.987 de 1510612004) ". A fim de evitar o bis in idem de penalidades, e seguindo a mesma lógica que presidiu todos os lançamentos decorrentes do DESPACHO DECISÓRIO 214/2007, o auditor fiscal autuante, partindo da premissa de haver falsidade nas declarações apresentadas pelo sujeito passivo, lançou a multa prevista no art.44, H, da Lei 9.430/96 (redação posteriormente alterada, pela Lei 11.488/2007, para configurar como enquadramento legal o art.44, I combinado com o §1°, da Lei 9.430/96 (fls.40; ver também no processo n° 10435.003177/200877, fl.49, in fine, e fl.50, início). Em consonância com os termos previstos no caput, e § 2°, do art.18 da Lei 10.833/2003, segundo linha de raciocínio seguida nas diversas autuações decorrentes daquele mesmo despacho decisório. O lançamento foi cientificado à interessada em 25.11.2008 (AR de fls.41), que apresentou a tempestiva impugnação de fls.42/47, em 24.12.2008. A contestação do autuado, em resumo, alega que: 1. Primeiramente, não pode prosperar o lançamento da multa de 150% sobre os débitos que pretendia compensar, ordenado pela DRF/CRU no Despacho Decisório 214/2007, porque esta decisão ainda não transitou em julgado (sic), ou seja, foi objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento no processo n° 1043 5.00014312003 16. 2. Por outro lado, a vedação à compensação antes que haja trânsito em julgado da decisão judicial que a conceder, conforme art. 170A do CTN, bem assim no art.74, §12,II,d, da Lei 9.430/96 c/a redação dada pela Lei 11.051/2004, não se aplica ao caso em exame. Primeiro, porque o pedido de ressarcimento foi anterior à Lei 11.051/2004, pelo que seus efeitos não podem atingilo. Ademais, a necessidade de aguardar o trânsito em julgado só faz sentido quando o crédito em si, ou seja, o próprio valor monetário está sendo discutido em juízo, havendo que se aguardar simplesmente porque o fisco ainda não saberia o valor do crédito. No presente caso não se discutiu Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 judicialmente o quantum do crédito, apenas o direito a haver um créditoprêmio, bem como o direito de compensar esse crédito com débitos próprios ou transferilo a terceiros. Aliás, o TRF/5a Região reconheceu expressamente nos autos da Apelação Cível n° 88.372PE (processo judicial n° 2003.83.00.0123299) o direito da ora impugnante ao créditoprêmio de IPI. Embora tal decisão não tenha ainda transitado em julgado, produziu efeitos imediatos, não estando sujeita a recurso no efeito suspensivo, e, portanto, foram corretas as compensações procedidas sob condição resolutória de ulterior homologação pela SRF. 3. Por isso deve ser afastada por completo a aplicação de multa qualificada, assim como as levianas alegações de "evidente intuito de fraude". Ora, tendo havido autorização judicial para a compensação sob condição resolutiva, não há que Áe falar em fraude. A decisão judicial se sobrepõe às eventuais interpretações restritivas e literais que a administração tributária faça das leis e instruções normativas. Nem sequer é devida a multa isolada, haja vista o respaldo judicial para a ação da defendente. 4. Assim, seja porque a defendente sempre agiu em conformidade com a autorização judicial para compensar seus créditos perante a Fazenda Federal, seja porque não houve ainda decisão final administrativa sobre o pleito originariamente veiculado no processo identificado no parágrafo precedente, não há como prevalecer a multa aplicada. 5. Ademais, ainda que fosse devida a multa, o que não se admite pelo antes exposto, essa jamais poderia ser exígída no percentual de 150%. O Conselho de Contribuintes já decidiu em sentido contrário à aplicação da multa qualificada de 150% apenas por se tratar de créditoprêmio, a exemplo do que se vê nas ementas colacionadas às fls.45/46. Em face do exposto, preliminarmente requer que sejam reunidos ao processo original todos os processos relativos aos lançamentos das multas decorrentes daquela decisão parcial contrária à homologação havida no âmbito do processo (original) n° 10435.000143/200316, em relação ao qual o ora impugnante apresentou recurso voluntário, para serem todos decididos simultaneamente, nos termos previstos no §3° do art.18 da Lei n° 10.833/2003. (Ver fls.58 do processo n° 10435.003177/200877). Por fim, demonstrado que a defendente estava amparada por decisão judicial que autorizava a compensação, requer ,que seja julgada improcedente a ação fiscal. Sucessivamente, caso assim não entenda a DRJ, requer a exclusão da multa, eis que a interessada agiu amparada por decisão judicial, bem como a suspensão do processo até o que seja julgado o recurso interposto contra o Despacho Decisório 214/2007, bem como até que se dê o trânsito em julgado do acórdão proferido com relação ao processo judicial n° 2003.83.00.0123299 (Mandado de Segurança), o qual reconheceu o direito à compensação (fls.47). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.003076/200804 Acórdão n.º 1803002.135 S1TE03 Fl. 95 7 A DRJ RECIFE (PE), através do acórdão nº 1126.176, de 13 de maio de 2009 (fls. 67/81), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração : 30/09/2005 a 31/03/2007 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE LANÇAMENTO. Não há impedimento legal a que a autoridade fiscal na origem envide os preparativos cabíveis para a continuidade da cobrança dos débitos que remanesceram em aberto, havendo mesmo que cuidar de . evitar a decadência Justificase a lavratura de autos de infração para constituição imediata dos créditos correspondentes aos débitos identificados naquelas DCOMP consideradas não declaradas, os quais a ora impugnante pretendia compensar. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS REMANESCENTES. Após a inconformidade formalizada tempestivamente contra a decisão exarada no Despacho Decisório DRF/CRU 214/2007, dando início ao processo administrativo fiscal, segundo o rito do Decreto 70.235172, os débitos remanescentes encontramse com suas exigibilidades suspensas por força de lei. Quanto ao mérito do crédito prêmio, conforme restou acentuado no voto condutor do acórdão proferido por esta Turma com relação ao processo matriz (n° 10435.0001431200316), a Administração Tributária deverá respeitar o que ficar decidido, com trânsito em julgado, na instância judicial. NÃO COMPROVADA A ACUSAÇÃO DE FRAUDE.INCABÍVEL A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. No caso concreto é inconcebível admitir como se fraudes fossem as compensações formuladas, embora consideradas não declaradas pela autoridade fiscal, mormente quando estejam pendentes de decisão final administrativa e/ou decisão judicial transitada em julgado. O contrário seria militar contra garantias essenciais asseguradas constitucionalmente aos contribuintes administrados. É improcedente a qualificação da multa lançada. REUNIÃO DOS PROCESSOS REFLEXOS. SEGURANÇA JURÍDICA. Ressalvada a exceção vislumbrada, à primeira vista, pela administração da DRJ/REC que, em face das regras de competência a que se submetem as DRJ'S, decidiu, antes deste julgamento, enviar à DRJ/FOR o volume do processo relativo ao lançamento que constitui o crédito tributário correspondente ao imposto de exportação remanescente e aplica a correspondente multa qualificada pela suposta fraude (processo n° 10435.003441/200872); nos demais casos, tanto os processos relativos aos lançamentos que decorreram da decisão que considerou não declaradas as compensações, quanto os que resultaram em lançamentos relativos aos débitos listados nas Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 declarações de compensação consideradas indevidas, todos, foram distribuídos ao mesmo relator nesta DRJ/REC, todos os volumes contendo as peças de autuação e as de impugnação referentes aos demais lançamentos dos diversos débitos que remanesceram com as respectivas multas qualificadas por decorrência da acusação de suposta fraude. Houve, na prática, saneamento do procedimento pelo envio a julgamento, nesta primeira instância, do conjunto de processos decorrentes do processo matriz 10435.000143/200316, a fim de suprir o comando legal de reunilos nos mesmos autos. Por economia processual, a título de se alinhar com a finalidade essencial da norma que comanda a reunião dos processos, procedeuse ao envio conjunto para julgamento. Na eventualidade de haver recurso voluntário, recomendase o mesmo cuidado, devendose incluir no conjunto, dessa vez, também o processo reflexo n° 10435.003441/200872. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão em 15/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 85), apresentou o recurso voluntário em 14/08/2009 fls. 86/90, onde reafirma seu direito à compensação antes do trânsito em julgado do processo judicial, devendo ser declarado insubsistente o lançamento de ofício. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração CSLL, contendo exigência dos fatos geradores 30/09/2005, 30/11/2005, 28/02/2007 e 31/03/2007, lavrado em decorrência da apresentação de DCOMP considerada não declarada (utilização de crédito prêmio DL 491/69) e antes do trânsito em julgado de ação judicial. Alega a recorrente em síntese: a) O lançamento remanescente não merece prosperar pois o processo administrativo nº 10435.000143/200316, onde consta o malsinado despacho decisório que indeferiu o ressarcimento ao crédito premio ainda não tem decisão definitiva; b) Serem inaplicáveis ao caso as restrições do Art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74, § 12, inciso II, alínea “d” da Lei nº 9.430/96, considerando que na ação judicial não se discute o valor do crédito mas apenas o direito ao crédito prêmio do DL 491/69; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.003076/200804 Acórdão n.º 1803002.135 S1TE03 Fl. 96 9 c) Que possui direito reconhecido na ação judicial 2003.83.00.0123299, conforme decisão do TRF 3ª Região, cuja decisão embora não tenha transitado em julgado, não comporta recursos com efeitos suspensivos tendo aplicação imediata para efeito de compensação; d) Que seja determine claramente a suspensão do crédito tributário até que seja definitivamente julgado o recurso voluntário do Despacho Decisório 214/2007 contido no processo administrativo nº 10435.000143/200316 e o trânsito em julgado do acórdão proferido no mandado de segurança nº 2003.83.00.0123299, que reconheceu o direito à compensação. Não assiste razão à interessada. Com efeito, com relação ao processo administrativo fiscal nº 10435.000143/200316, que contém o despacho Decisório 214/2007, que indeferiu o direito creditório relativo ao ressarcimento de crédito prêmio, este tem decisão definitiva do CARF com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 04/01/1993 a 19/12/2002 MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA SÚMULA CARF n° 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria diferenciada da constante do processo judicial. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITOS FINANCEIROS EM DISCUSSÃO JUDICIAL A homologação de compensação de débitos fiscais, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp) e/ ou a transmissão de pedido de ressarcimento/declaração de compensação (Per/Dcomp), utilizandose de créditos financeiros em discussão na esfera judicial, está condicionada ao determinado na respectiva decisão judicial. (Acórdão 330100.671 – 3ªa Câmara / I a Turma Ordinária/ 3ª Seção, em 30 de setembro de 2010). Transcrevo o voto do relator José Adão Vitorino de Morais acompanhado por unanimidade pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, da 3ª SEJUL: Conforme se verifica dos autos e a própria recorrente reconheceu, o ressarcimento dos créditosprêmio do IPI utilizados nas declarações de compensação (Dcomps) e nos pedidos de ressarcimentos/declarações de compensações (Per/Dcomps) transmitidos por ela, bem como as suas compensações foram objeto de ação judicial, processo tf\ 2003.83.00.0123299, AMS 88372PE, interposta perante a Justiça Federal em Pernambuco. Ora, a opção da recorrente pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 idêntico pedido nas instâncias, administrativa e judicial, implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei n° 1.737, de 1979, art. Io , § 2o. Tratase de matéria já sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos termos da Súmula n° 01 que assim dispõe, in verbis: "SÚMULA n" 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria diferenciada da constante do processo judicial. " Assim, em relação ao direito de a recorrente se ressarcir dos créditosprêmio do IPI, bem como o direito a sua compensação, mediante apresentação de Dcomps e/ ou transmissão de Per/Dcomps, não se toma conhecimento, aplicandose esta súmula. Quanto à compensação créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, com débitos fiscais vencidos, mediante a apresentação de Dcomps e ou transmissão de Per/Dcomps, inexiste amparo legal para sua realização. A Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 74, com a redação determinada pela Medida Provisória (MP) n° 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, que trata de compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, assim dispõe, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. grifamos § 1" A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...). § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10435.003076/200804 Acórdão n.º 1803002.135 S1TE03 Fl. 97 11 (...)." Conforme consta do caput desse artigo, a compensação de créditos financeiros em discussão judicial com débitos fiscais próprios vencidos, mediante a apresentação de Dcomps e/ou transmissão de Per/Dcomps, somente é permitida depois do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Além disto, a decisão judicial vigente condicionou a compensação dos créditosprêmio do IPI em discussão judicial somente depois do trânsito em julgado da respectiva decisão. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, voto por não tomar conhecimento do recurso voluntário, quanto às matérias opostas nas administrativa e judicial, ou seja, o direito ao ressarcimento dos créditosprêmio do IPI, bem direito a sua compensação, mediante a apresentação de Dcomps e ou Per/Dcomps, e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Resta claro portanto, que a decisão emanada da Turma Julgadora da Terceira Seção do CARF sepultou qualquer possibilidade de compensação dos créditos, antes do trânsito em julgado da ação judicial, pois evidente a impossibilidade mesmo antes da Lei nº 11.054/2004. Há de se considerar adicionalmente, que as compensações foram realizadas em 2005 e 2007, já sob a égide da redação dada pela Lei 11.054/2004, sendo portanto infundadas as alegações da recorrente. Assim, fazendose necessidade de que o contribuinte obtenha o reconhecimento judicial para o indébito que pretende utilizar na compensação sujeitase às restrições do art. 170A do CTN e art. 74, § 12, II, “d” da Lei nº 9.430/96. Com relação a suspensão da exigibilidade do crédito tributário esta se dá até a decisão definitiva do presente processo, nos termos do art. 151, III do CTN, não havendo previsão para a manutenção da suspensão até o trânsito em julgado da ação judicial por falta de previsão legal. Caso pretenda manter a suspensão dos seus débitos tributários deve a recorrente após a decisão definitiva do CARF, intentar uma das modalidades de suspensão do crédito tributário, previstas nos demais incisos do Art. 151 do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13907.000261/2002-38
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
SIMPLES. IMPEDIMENTO LEGAL. ATIVIDADE VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM RECEBIMENTO DE COMISSÕES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS.
Restando devidamente comprovado nos autos que a empresa exerce atividade vedada ao regime de tributação regido pela sistemática do Simples Federal, consoante prescrito no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.316/97 deve ser mantido o indeferimento da opção retroativa ao sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado.
Numero da decisão: 1801-002.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 SIMPLES. IMPEDIMENTO LEGAL. ATIVIDADE VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM RECEBIMENTO DE COMISSÕES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. Restando devidamente comprovado nos autos que a empresa exerce atividade vedada ao regime de tributação regido pela sistemática do Simples Federal, consoante prescrito no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.316/97 deve ser mantido o indeferimento da opção retroativa ao sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado.
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IMPEDIMENTO LEGAL. ATIVIDADE VEDADA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM RECEBIMENTO DE COMISSÕES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. Restando devidamente comprovado nos autos que a empresa exerce atividade vedada ao regime de tributação regido pela sistemática do Simples Federal, consoante prescrito no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.316/97 deve ser mantido o indeferimento da opção retroativa ao sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 7. 00 02 61 /2 00 2- 38 Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório O presente litígio já foi previamente analisado em sessão anterior, resolvendo o colegiado converter o julgamento na realização de diligências com o intuito de dirimir dúvidas relevantes à formação do convencimento desta Turma Julgadora. Aproveito trechos do relatório e voto da Resolução nº 1801000.149, deliberada em 12 de setembro de 2012, efls. 833 a 837, para historiar os fatos: “A empresa recorre do Acórdão nº 0617.094/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, fls. 447 a 450, que manteve o indeferimento da solicitação para inclusão retroativa no regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – Simples Federal, à data de 01/01/2001. [...] Alega que vem recolhendo e declarando pelo Simples desde essa data e em 27/12/2000 deixou clara sua intenção de adesão à sistemática, conforme consulta à Secretaria da Receita Federal, fl. 7. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em Londrina/PR indeferiu o pedido, porque é vedada ao Simples a atividade exercida pela empresa de "Comércio varejista e representações de máquinas e equipamentos para indústria" é, no tocante à atividade de representação comercial, vedada ao Simples, conforme art. 9o, XIII da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, fls. 39/40. [...] Reafirma que a atividade de comércio varejista não se confunde com a da pessoa física que presta serviços de representação comercial, por se tratar de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Diz que não há como se confundir prestação de serviço com venda de bens, a primeira é pessoal, realizada pelos próprios componentes da sociedade ou por ela contratados; a segunda pressupõe uma unidade econômica e jurídica sob estrutura empresarial, na qual são agrupados e coordenados os fatores materiais e humanos, inclusive de qualificação diferente dos titulares da sociedade, necessários à consecução dos objetivos sociais e ao desenvolvimento da atividade. Acosta por amostragem o livro de Registro de Saídas dos anos 2001 e 2002 da empresa, para demonstrar que tem como atividade a venda de mercadorias no comércio. [...] Voto A empresa pleiteou a inclusão no Simples, fl. 1, declarando que o seu objeto social é "Comércio Varejista e Representações de Máquinas e Equipamentos para a Indústria"(Grifouse.): no cadastro CNPJ declarouse em 19/06/2000, como comércio varejista, alterado em 21/10/2004 para comércio atacadista, fl. 96; no respectivo site na internet identificase como empresa de comércio e representações, trabalhando na venda e representação e distribuição de máquinas. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13907.000261/200238 Acórdão n.º 1801002.037 S1TE01 Fl. 3 3 Apresentou junto com a impugnação folhas do livro Registro de Saídas dos anos calendário 2001 e 2002 onde, a par de vendas de mercadorias, a maior parte dos valores significativos se refere a "Rem. P/Demonstração" ou "Devol. Demonstração". A diligência foi solicitada porque a amostragem de folhas do livro Registro de Saídas não permitiu tirar conclusões; na diligência, constatouse que a Prefeitura Municipal de Arapongas, fl. 435 atestou que a empresa consta no Cadastro de Contribuinte Municipal sob n° 27435 e anexa dois relatórios de recolhimento de ISQN relativos aos anos 2001 e 2002, fls. 437/439, portanto, prestou serviços nesses anos; e o extrato da declaração Simplificada do anocalendário 2005, confirma a prestação de serviços, fl. 445; já o Core/PR, Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Paraná informou, fl.443, que a empresa teve seu registro deferido em 01/09/1991, recolheu anuidades de 1991 a 2006 e permanece sob status de ativa. Assim, concluise que a empresa exerceu atividade vedada de representação comercial.” Irresignada e tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 454 a 460, argumentando, em apertada síntese, que: a) exerce atividade de comércio, ou seja, compra e venda de mercadorias, conforme atesta a 11ª alteração contratual e demais; b) não pratica ou exerce puramente a representação comercial, vale dizer, prestação de serviços; da totalidade das notas fiscais relativas aos anoscalendários de 2001 e 2002, anexadas aos autos, verificase que a empresa tem preponderância na venda de mercadorias; c) decisões do STJ – Superior Tribunal de Justiça, do TRF – Tribunal Regional Federal da 4ª Região e a Súmula nº 184/STJ defendem que as microempresas que se dedicam à representação comercial não podem ser equiparadas àqueles que prestam serviços de corretagem, sendo isentas de Imposto de Renda; d) representante comercial, conforme conceituado no art. 1º da Lei nº 4.886/95 é aquele que “exerce a representação comercial autônoma pessoa jurídica ou pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios.”; esta não é a atividade da empresa; a empresa não realiza qualquer atividade de agenciamento ou de intermediação. [...] VOTO [...] Para vedar o ingresso da recorrente ao regime favorecido há que colherse provas substanciais de que a empresa, de fato, pratica uma das atividades vedadas expressas na norma tributária. Destarte, mister é que o processo retorne em diligência para que a autoridade fiscal: 1) Verifique junto à empresa os talonários fiscais de prestação de serviços e junte ao processo cópias das Notas Fiscais de Serviços que comprovem haver a Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 recorrente praticado atos de representação comercial nos anos em que solicita a inclusão retroativa ao Simples; 2) Intime as pessoas jurídicas parceiras indicadas no sítio do grupo econômico “Lampe” 1 a esclarecerem se a recorrente é representante comercial de suas marcas e mercadorias, praticando a atividade de intermediação e agenciamento na venda de seus produtos; em caso de resposta afirmativa, informar se esta atividade foi praticada nos anos em comento e/ou em quais períodos.” A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas lavrou a Informação Fiscal de efls. 1327 a 1332 e carreou aos autos os documentos juntados às efls. 842 a 1301, a saber: a) 07 Notas Fiscais de Prestações de Serviços – empresa Eberle S/A – efls. 852 a 858; b) 34 Notas Fiscais de Prestação de Serviços de 2001 – efls. 859 a 930; c) 52 Notas Fiscais de Prestação de Serviços de 2002 – efls. 931 a 1052; d) Intimações Fiscais a empresas ‘parceiras” e respectivas respostas – efls. 1.133 a 1301. Devidamente cientificada dos trabalhos fiscais, a recorrente respondeu às e fls. 1.339 a 1341 que não pratica a atividade de intermediação comercial e apresenta novas declarações de quatro das empresas intimadas que contradizem as primeiras declarações prestadas ao fisco, nas quais esclarecem que a recorrente não é sua representante comercial – e fls. 1342 a 1345. É o relatório. Passo ao voto. 1 http://lampe.com.br/empresa/parcerias.php Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora O recurso já foi conhecido , por tempestivo, à época da Resolução nº 1801 000.149. Dispõe o artigo 192 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99): Art. 192. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (Lei nº 9.317, de 1996, art. 9º, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 6º): [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13907.000261/200238 Acórdão n.º 1801002.037 S1TE01 Fl. 4 5 dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifos não pertencem ao original) O Simples Federal foi instituído pela Lei nº 9.317/96 editada para disciplinar favor fiscal visando o desenvolvimento empresarial das micro empresas e empresas de pequeno porte e vigorou até a instituição de nova sistemática criada pela Lei Complementar nº 123/06, conhecida por Super Simples ou Simples Nacional. Tratase de sistemática de tributação diferenciada, simplificada e favorecida (destaquei) e, por conseguinte, a legislação de regência deve ser interpretada de forma restritiva pelo operador do direito tributário, a fim de privilegiarse os princípios da isonomia tributária e da justiça fiscal. O legislador vedou às empresas que praticam atos de representação comercial ou assemelhados o ingresso à sistemática, devendose verificar, no presente caso, se a recorrente enquadrase neste ramo de atividades. Cumpre observar que a Turma Julgadora de Primeira Instância já havia buscado in loco e in concreto subsídios para sanear a dúvida e constatou, em apertada síntese, que a recorrente: a) (...) no respectivo site na internet identificase como empresa de comércio e representações, trabalhando na venda e representação e distribuição de máquinas; b) .(...) folhas do livro Registro de Saídas dos anoscalendário 2001 e 2002 onde, a par de vendas de mercadorias, a maior parte dos valores significativos se refere a "Rem. P/Demonstração" ou "Devol. Demonstração"; c) (...) constatouse que a Prefeitura Municipal de Arapongas, fl. 435 atestou que a empresa consta no Cadastro de Contribuinte Municipal sob n° 27435 e anexa dois relatórios de recolhimento de ISQN relativos aos anos 2001 e 2002, fls. 437/439, portanto, prestou serviços nesses anos; d) (...) o extrato da declaração Simplificada do anocalendário 2005, confirma a prestação de serviços, fl. 445; e) (...) o Core/PR, Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Paraná informou, fl.443, que a empresa teve seu registro deferido em 01/09/1991, recolheu anuidades de 1991 a 2006 e permanece sob status de ativa. Daí haver formado o convencimento de que a recorrente pratica atividade vedada ao ingresso na sistemática do Simples Federal. Em razão da recorrente reiterar que não praticava atividade de intermediação de negócios mercantis, houve por bem este colegiado buscar novos elementos para dissipar qualquer dúvida quanto às atividades prestadas pela recorrente, se vedadas pela norma ou não ao sistema de favorecimento de tributação. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Antes porém da análise do resultado das diligências solicitadas, deve restar claro, e já restou consignado na Resolução nº 1801000.149/12, o entendimento deste colegiado quanto à preponderância de atividades praticadas pela empresa optante ao Simples, (...) que não é relevante para a vedação imposta a proporção das atividades exercidas pela empresa que pretende se beneficiar do favor fiscal. A recorrente pode exercer a atividade do comércio, mas se também presta os serviços de representante comercial, permanece a vedação para optar pelo Simples. Destarte, pouco lhe socorre a exibição das Notas Fiscais de Vendas, que, per si, são inábeis para afastar a existência da emissão de Notas Fiscais de Serviços. De igual forma, afastouse os julgados apresentados pela recorrente que dissociam a atividade de representante comercial e da atividade de corretagem, por inoportuna ao caso analisado, visto que (...) estas decisões não se aplicam à Lei nº 9.613/96, que disciplina especificamente o favor fiscal concedido às microempresas e empresas de pequeno porte. O Simples Federal foi expressamente vedado tanto às empresas que prestam serviços de corretagem, quanto para aquelas que prestam serviços de representação comercial. As duas atividades estão expressas na norma tributária como impeditivas para a adesão ao regime de tributação favorecido, diferenciado e simplificado – Simples. Não há qualquer analogia por parte do operador do direito, assemelhando o trabalho do representante comercial àquele exercido pelo corretor, mas sim, repriso, vedação expressa na norma que instituiu o Simples Federal e traçou os limites para usufruir de um benefício fiscal. Assim está preceituado no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.617/96 as atividades vedadas para as empresas, ainda que micro ou de pequeno porte, optarem pelo regime Simples. Em se analisando o caso em concreto quanto à atividade exercida pela empresa, embora resista veemente a se considerar como praticante de atividade de intermediação de negócios mercantis ou agenciamento, verificase pelos documentos acostados aos autos, primordialmente, às Notas Fiscais de Serviços emitidas nos anos em questão, que a empresa recebe habitual e reiteradamente o pagamento de comissões por vendas de mercadorias/produtos de outras empresas. Ou seja, trabalha por conta de terceiros, vendendo produto alheio – efls. 859 a 1052. Há que se destacar, por relevante, as fls. do livro Razão da empresa Dambroz S/A Indústria Mecânica e Metalúrgica, que espelham as intermediações negociais efetuadas pela recorrente que ensejaram o pagamento de comissões em seu favor nos anoscalendários de 2001 e 2002 – efls. 1343 e 1344 e a declaração da empresa de que a recorrente praticava “indicação de negociação” efls. 1342. De igual forma, as empresas Fábrica de Máquinas Lampe Ltda. e Indústria e Comércio de Máquinas Águia Ltda, em declarações trazidas pela própria recorrente, afirmam que “houve apenas esporádica e eventual indicação de negociação” – efls. 1346 e 1347. Observese que estas três empresas, quando intimadas pela fiscalização, responderam: Fábrica de Máquinas Lampe Ltda – efls. 1134: “(...) esclarecer que a empresa Lampe Comércio de Máquinas para Madeira Ltda – ME, com CNPJ (...), exerce a função de Intermediação e Agenciamento de nossos produtos para a região do Norte do Estado do Paraná, e também afirma que foi praticada atividade nos anos de 2001 e 2002 e continua até a presente data.” Dambroz S/A Indústria Mecânica e Metalúrgica – efls. 1157: Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13907.000261/200238 Acórdão n.º 1801002.037 S1TE01 Fl. 5 7 “(...) declaramos que foi nosso Representante Comercial desde 08/04/1996 até 28/12/2007, conforme razão contábil em anexo. No período solicitado (...) segue abaixo as Notas Fiscais emitidas:” *obs: o Razão Contábil espelha comissões pagas até 28/12/2007 – efls. 1160 a 1163 Ind. E Com. de Máquinas Águia Ltda – efls. 1223/1224: “Respaldado na produção de máquinas para beneficiamento, específicos, de madeiras, ao participar de Feiras Industriais, nos idos de 2002, fomos contatados por empresas do Grupo LAMPE que patentearam interesse em intermediar vendas dos nossos produtos. Arguiram, na ocasião, um potencial logístico/mercadológico bastante significativo, o que nos levou a tratar as bases das comissões (de 5% a 10%), a serem pagas à LAMPE em eventuais vendas por ela referendada. Avençadas as bases negociais, foram fornecidos à LAMPE catálogos e lista de preços de nossos produtos. Posto isto, em 16/9/2002, fornecemos o primeiro orçamento à cliente nominado pela LAMPE. Após este sucederamse outros orçamentos ao longo dos anos (de 2002 a 2013). Todavia, digase de passagem, não numa quantidade significativa. [...] Após o fechamento, da compra e venda, com cliente ref endado pela LAMPE, esta emitia nota fiscal e nós procedíamos ao pagamento da mesma, que equivalia à comissão, sobre os valores efetivamente negociados. [...]” Outra empresa, Baldan Máquinas e Equipamentos Ltda, respondeu à intimação fiscal às efls. 1210, por intermédio do sócio Fernando Baldan: “ (...) a empresa Lampe Comercio de Maquinas para Madeira Ltda ME foi representante comercial de nossas mercadorias, praticando a atividade de intermediação e agenciamento na venda de nossos produtos. (...) a atividade de intermediação e agenciamento na venda dos produtos foi praticada pela empresa identificada no item 1 nos anos de 2001 e 2002, bem como até o ano de 2010." Às efls. 1.345, para a recorrente, esta empresa apresenta outra declaração firmada pelo Diretor Comercial, contradizendose inteiramente, dizendo que a recorrente somente comprava e vendia seus produtos; todavia, não apresentou nenhuma Nota Fiscal de venda emitida em favor da recorrente. Por derradeiro, a empresa IV Máquinas e Equipamentos S/A informou que : “(...) foi nosso representante comercial apenas nos exercícios de 2001 e 2002, praticando a atividade de intermediação de nossos produtos" Destarte, resta plenamente configurado que a recorrente recebeu comissões de várias empresas por intermediar negociações mercantis, irrelevante para este litígio se Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 firmou ou não contrato formal de representação comercial. A vedação é para a atividade de representação comercial e assemelhados, e, no próprio teor do artigo 1º da Lei nº 4.886/95, citado pela recorrente, representante comercial é aquele que “exerce a representação comercial autônoma pessoa jurídica ou pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios.” Resta, por conseguinte, comprovado que as atividades praticadas pela recorrente, preponderantes ou não, de intermediação em negócios mercantis (de qualquer forma) evidenciadas pelo recebimento de comissões sobre vendas de produtos não próprios (grifei) ensejam a vedação à adesão à sistemática do regime favorecido do Simples Federal, devendo ser mantido acórdão recorrido em sua integralidade. No mesmo diapasão, as Soluções de Consulta para casos assemelhados, em que as empresas recebem comissões por serviços prestados a terceiros, nºs: 218/03 (SRRF 8ª RF); 189/01 e 131/01 (SRRF 6ª RF); 159/05 (SRRF 9ª RF); 44/04 (SRRF 5ª RF); 367/03 (SRRF 7ª RF); e 24/03 (SRRF 6ª RF), cuja ementa transcrevo: REPRESENTANTE COMERCIAL. A prestação de serviços de coleta, entrega e distribuição, de mercadorias produzidas e comercializadas por terceiros, bem como exposição em loja, visita a clientes em potencial, telemarketing, caracteriza o exercício da atividade de representante comercial por conta de terceiros ou assemelhado, impedindo a opção pelo Simples. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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