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Numero do processo: 15374.923102/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 31 02 /2 00 9- 71 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/200971 Acórdão n.º 3402002.551 S3C4T2 Fl. 304 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de PIS, atinente ao período de apuração 03/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 03/07). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 09), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o PIS, no montante de R$24.960,57 está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$23.747,03. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 03/07), no valor de R$1.213,54 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.792 (fls. 64 a 66), de 19/11/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado.. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 03 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso voluntário. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 06) onde, segundo o recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$1.213,54. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 140 (n.e.), através da Resolução nº 3402000.295, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/200971 Acórdão n.º 3402002.551 S3C4T2 Fl. 305 5 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 147, na data de 29/10/2013, às fls. 153 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 278, o contribuinte, às fls. 283, manifestouse acerca do relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 295 (duzentos e noventa e cinco), estando, portanto apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior – Relator, Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/200971 Acórdão n.º 3402002.551 S3C4T2 Fl. 306 7 Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720195/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
RELATÓRIO
Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40.
No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada.
Segundo relatou a autoridade fazendária diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc..
A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53).
Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84).
Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009.
Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários.
Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto.
Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço.
Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99.
Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão.
Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ):
A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão.
Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva.
Os relatórios gerenciais da contribuinte eram enviados mensalmente ao Sr.
Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas.
Os relatórios gerenciais eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega.
A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira RMF ao Banco Unibanco, requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente.
Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741).
Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é absolutamente falsa. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas.
Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco.
O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários.
De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto.
Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período.
Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40.
A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque.
No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada.
Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON.
O auditor fiscal ainda relatou que as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda.,
onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal.
Assim, a autoridade fazendária asseverou que em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada.
Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha.
A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982).
De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos.
Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional.
No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr.
Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um laranja. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo.
Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois.
No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal.
Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta.
Relatou que é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc. Em seguida, esclareceu que esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos.
Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo.
Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido.
Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial.
Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058).
Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada.
Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação.
A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento.
Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa.
No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário.
A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc..
No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável.
A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos.
A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente.
Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão.
O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101).
Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos.
No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros.
Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado.
Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização.
Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro.
Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise.
Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005.
Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%.
Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro.
É o relatório.
VOTO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.. A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas. Os relatórios gerenciais eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira RMF ao Banco Unibanco, requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente. Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é absolutamente falsa. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um laranja. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc. Em seguida, esclareceu que esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como rendimento. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. VOTO
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 19 5/ 20 12 -1 0 Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no anocalendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária “diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”. A SAPAC verificou que referente ao anocalendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOFcrédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao anocalendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOFcrédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anoscalendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 4 3 intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimouse ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao anocalendário de 2009, contendo lançamentos diaadia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 – Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”. Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira – RMF ao Banco Unibanco, “requisitando, além dos extratos de movimentação de contacorrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a contacorrente”. Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 5 4 Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestarse sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referemse a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é “absolutamente falsa”. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada “com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificouse omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurouse o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificouse omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao anocalendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 6 5 apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerouse para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contradenúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anoscalendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, anocalendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontrase eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 7 6 pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um “laranja”. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho “devese ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc.” Em seguida, esclareceu que “esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como ‘rendimento’, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração”. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldálo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 8 7 Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao anocalendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o anocalendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado referese ao anocalendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o anocalendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum “contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.”. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 9 8 Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontrase acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que “a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros”. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, “os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 10 9 VOTO Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. .É como voto. (documento assinado digitalmente) Nara Cristina Takeda Taga Relatora Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/201210 Resolução nº 1101000.082 S1C1T1 Fl. 11 10 Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13971.005271/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004
Ementa:
IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3403-003.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 71 /2 00 9- 62 Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 15/12/2009 (fls. 1099 a 1109, com ciência em 16/12/2009 fl. 1101)1 para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (de dezembro de 2003 a novembro de 2004), acrescido de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 1.144.447,80), por falta de recolhimento em virtude de dedução de créditos indevidos. No Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 1111 a 1113, narra a fiscalização que: (a) a ação fiscal tratou também da análise de PER/DCOMP (de final 7403), tratado no processo administrativo no 13971.005271/200962; (b) durante o procedimento, apurouse que a empresa escriturou de julho/1999 a novembro/2004 créditos “fictos” de IPI (oriundos da aquisição de insumos não onerados, tributados à alíquota zero, não tributados ou isentos), utilizandoos na dedução do IPI apurado e devido nos respectivos períodos, conforme se registra no LAIPI, acarretando falta de recolhimento de julho/1999 a outubro/2004 e recolhimento a menor em novembro/2004; (c) intimada a justificar os créditos, a empresa informou estar amparada por decisão judicial (fls. 1040/1079); (d) ocorre que a demanda, além de não estar definitivamente julgada, prestase a tema diverso: apurar créditos em relação a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos desonerados do tributo; e (e) tornase assim devida a quantia indevidamente abatida com os descontos dos créditos “fictos” de IPI. A empresa apresenta sua impugnação em 22/12/2009 (fls. 1136 a 1154), sustentando basicamente que: (a) houve decadência em relação aos débitos anteriores a novembro de 2004, conforme art. 150, § 4o do CTN, tendo havido pagamento antecipado; e (b) “caso se entenda que os valores declarados em DIPI e DCTF configuram confissão de débito passível de exigência, importa ressaltar que também encontramse extintos, pela prescrição). Em 27/02/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1170 a 1173), no qual se decide unanimemente pela procedência parcial da impugnação, sob os argumentos de que: (a) com base no LAIPI, verificase que não houve pagamento de IPI até outubro de 2004, e que nos períodos de novembro de dezembro de 2004, embora seja registrado débito, não há prova de realização de pagamentos; (b) opera, assim, a regra do art. 173, I do CTN, configurandose a decadência para os fatos geradores de dezembro de 2003; (c) não há que se falar em prescrição, pois a exigibilidade do crédito lançado está suspensa por iniciativa do sujeito passivo, que apresentou impugnação à autuação; e (d) não há defesa em relação ao mérito (deduções de créditos “fictos” de IPI), não se instaurando o litígio, nos termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972. Cientificada do acórdão da DRJ em 10/04/2013 (cf. AR à fl. 1182), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/04/2013 (fls. 1184 a 1201), no qual reitera os posicionamentos externados na impugnação, acrescentando que “mesmo não tendo havido o pagamento, é possível haver a homologação de toda a atividade desenvolvida pelo contribuinte para apurar o crédito tributário”. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/200962 Acórdão n.º 3403003.416 S3C4T3 Fl. 1.236 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como já destacado na decisão de piso, a recorrente sequer discute o mérito da autuação, concentrando sua argumentação de defesa tão somente na preliminar de decadência (com linha alternativa defendendo a prescrição). Em relação à decadência, afirmava a empresa na impugnação que tendo havido pagamento antecipado, a regra aplicável era a do art. 150, § 4o do CTN. Em sede recursal, ao mesmo tempo em que mantém tal linha, sustenta que “mesmo não tendo havido o pagamento, é possível haver a homologação de toda a atividade desenvolvida pelo contribuinte para apurar o crédito tributário”, não apresentando qualquer documento que comprove ter havido pagamento no período autuado. Não merece prosperar tal entendimento, que somente pode ser encontrado em vetusta jurisprudência administrativa (como a trazida no recurso voluntário). Diante da ausência de pagamento antecipado, aplicável é a regra do art. 173 do CTN, conforme entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Nesse sentido já decidiu recentemente esta 3a Turma Ordinária de forma unânime (inclusive com a composição atual): “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/200962 Acórdão n.º 3403003.416 S3C4T3 Fl. 1.237 5 obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403002.298, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria,sessão de 25.jun.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.106 e 107, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime,sessão de 23.jul.2014; e o Acórdão no 3403003.305, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria,sessão de 14.out.2014) E uma simples pesquisa no sítio web do CARF permite a verificação de que a matéria está realmente assentada no CARF, mas em sentido oposto ao que prega a recorrente (v.g. Acórdãos no 3101001.267, 3302002.589, 3403002.767, 9202003.060, 9303002.849 e 9303002.857). Ademais, é vedado ao julgador, pelo Regimento Interno do colegiado, oporse ao entendimento expresso pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Quanto à argumentação alternativa de que houve prescrição, também não merece acolhida, seja porque não se verifica estarem os débitos regularmente declarados em DCTF, seja porque, como destacou o julgador de piso, foi lavrada autuação, constituindo o crédito, que está em processo de discussão administrativa, inibindo a ocorrência da prescrição. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10283.003958/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000
UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA.
Mostra-se dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus.
IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO.
A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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E SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 ATO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Na esteira do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, os vícios que acarretam a nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do direito de defesa quando é franqueado ao contribuinte o acesso a todos os documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostrase dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 58 /2 00 4- 19Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de multa regulamentar prevista no art. 83, caput e inciso I, da Lei n° 4.502/1964, alterada pelo art. 1° do DecretoLei n° 400/68. Tendo em conta a riqueza de detalhes e a necessária transcrição minuciosa dos fatos ensejadores do lançamento, para confecção do presente aresto, adoto parte do relatório da decisão de primeiro grau administrativo, verbis: “De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, as empresas autuadas, TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. (TCE), SDW Serviços Empresariais Ltda. (SDW) e Brazshipping Marítima Ltda. consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. Segundo afirma a fiscalização, foram cometidas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, ficando as autuadas sujeitas à multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, conforme demonstrativo anexo, de fls. 632 (Volume 3). 3. Ainda conforme o relatório da fiscalização, são prestados os seguintes esclarecimentos: Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 11 3 3.1 a fraude consistiu, principalmente, na falsificação e adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas. As infrações constatadas são referentes a operações de importação ocorridas em 2000; 3.2 a TCE e a SDW foram diversas vezes autuadas por falsificações e adulterações de documentos necessários ao despacho aduaneiro; 3.3 para ilustrar como ocorriam as fraudes, são utilizados como paradigma os procedimentos de números 10283.002649/200421 (fls. 2043) e 10283.002594/200450 (fls. 4457), haja vista que a organização criminosa seguia a mesma rotina há vários anos, o que quer dizer que as fraudes apuradas não diferem substancialmente; 3.4 no processo n° 10283.002594/200450 verificouse que a invoice n° C290109 (etiqueta 1 B, fls. 51) foi emitida pela empresa JEAN CO. LTD., situada em Taiwan, acobertando mercadorias exportadas ao Brasil para a empresa TCE, no valor de USD 592,000.00 e que nela há ordem administrativa para superfaturar os preços dos produtos em 30%, retirandose USD 3,000.00 do valor superfaturado; 3.5 há descrição resumida e genérica das mercadorias estrangeiras e o Term of Payment de 0/A45 days; 3.6 a essa invoice, relacionase o conhecimento marítimo n° PK/MAN 0030/99 (etiqueta 1E, fls. 56) que também aponta como shipper a JEAN CO. LTD.; 3.7 há outra via da invoice n° C290109 (com etiqueta 1A, fls. 4550) emitida pela Kelsey Commercial S/A, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido Paraíso Fiscal, acobertando as mesmas mercadorias, porém, com o valor superfaturado em 30%, retirados os USD 3,000.00, e com descrição especifica itemizada; 3.8 nesta via, o Term of Payment declarado é ‘ADVANCE PAYMENT US$ 610,000.00 + DRAF AT SIGHT US$ 156,000.00’, ou seja, esse documento foi emitido no Brasil, conforme o número e ordem referida na outra invoice (com etiqueta 1B, fls. 51), pois esta via tem descrição específica das mercadorias, necessárias à fruição dos benefícios fiscais, valor 30% maior e simulação do exportador; 3.9 a esta invoice irregular, corresponde outra via do conhecimento n° PK/MAN 0030/99 (com etiqueta 1F, fls. 57), que também aponta como shipper a empresa Kelsey Commercial S/A, nas Ilhas Virgens Britânicas; 3.10 as vias da invoice e do BL estão em duplicidade e com dados controversos; 3.11 o despacho aduaneiro foi instruído pelas vias falsas/adulteradas da invoice (etiqueta 1A, fls. 4550) e do BL (etiqueta 1F, fls. 57), tendo em vista que as informações do valor, do exportador, do termo de pagamento e da descrição das mercadorias na Declaração de Importação correlata n° 99/09608740 (fls. 5255), são aquelas constantes de ambos os mencionados documentos irregulares; 3.12 a operação cambial decorre dos dados informados na DI, de modo que o fechamento de câmbio se deu conforme os dados simulados, enviandose divisas para o paraíso fiscal, Ilhas Virgens Britânicas, por meio do superfaturamento das importações e simulação do exportador; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 3.13 o dolo fica caracterizado nas mensagens eletrônicas de fls. 6479 e 183 322; 3.14 no processo n° 10283.002649/200421, como nos demais processos e neste Auto de Infração, há a invoice n° M291297 (etiqueta 1B, fls. 33) emitida também pela empresa JEAN CO. LTD. acobertando mercadorias no valor de USD 74,817.00, correspondente ao BL n° NYKS490267373 (etiqueta 1E, fls. 40) indicando como shipper a JEAN (M) SDN. BHD; 3.15 a via falsa (etiqueta 1A/1, fls. 2732) simula a emissão pela Kelsey Commercial S/A, totalizando USD 97,262.10 e os outros itens, como terms of Payment, também foram simulados; 3.16 referente à via falsa/adulterada da invoice, também há outra do BL n° NYKS490267373 (etiqueta 1F, fls. 41) do qual consta como shipper a KELSEY COMMERCIAL S/A; 3.17 há mais uma via da invoice falsa/adulterada (etiqueta 1A, fls. 2126), ou seja, três vias diferentes da mesma invoice; 3.18 ainda nesse processo, foi apurado que, em diversas ocasiões, era simulado o nome do importador, ora sendo a TCE, ora a SDW, citandose como exemplo o BL NYKS490261769, em que, numa via (etiqueta 2E, fls. 42), o consignee (importador) é a TCE e na outra via é a SDW (etiqueta 217, fls. 43); 3.19 no jogo de documentos de fls. 685802 (volume 3), há a invoice verdadeira ("B"), n° C290123 (fls. 700), acobertando mercadorias no valor de US$ 1.300.000,00, com prazo para pagamento de 0/45 days, emitida por JEAN CO. LTD., sediada em Taiwan, com ordem para superfaturar em 30% as mercadorias; 3.20 há ainda a fatura "A" (fls. 685699), emitida pela KELSEY COMMERCIAL S.A., sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, com valor superfaturado em 30% em relação à via verdadeira (US$ 1.687.400,00), com prazo para pagamento ‘advanced payment US$ 629,200,00 / Suplier credit US$ 1.058.200,00’, tendo o mesmo número da invoice verdadeira; 3.21 existe a participação do representante nacional do transportador estrangeiro, Brazshipping Marítima Ltda, que emitiu o Conhecimento de Carga n° PK/MAN 0038/99 (fls. 802), do qual consta como shipper a empresa Kelsey, de acordo com os dados da invoice "A" falsificada/adulterada, embora houvesse emitido outro BL com o mesmo número (fls. 801), no qual consta como shipper JEAN (M) BND, tendo recebido em 12/01/2000 por facsimile; 3.22 na via falsa/adulterada do conhecimento de carga consta o carimbo da Brazshipping Marítima Ltda (fls. 802); 3.23 a TCE e a SDW são vinculadas ao grupo CCE, acusado de fraudar o regime ZFM; 3.24 as simulações, fraudes e dolo também estão provados em dois relatórios: o primeiro emitido em 08/08/2003 (fls. 5879) e o segundo expedido em 13/01/2004 (fls. 80386); 3.25 conforme citados relatórios, a TCE e SDW foram constituídas com a finalidade específica de fraudar o Estado sendo geridas por um único grupo de pessoas; 3.26 o esquema continua em atividade, haja vista ter sido aberta filial paulista da SDW, em 03/11/2003, cujo diagnóstico fiscal era ‘irregular’, à época, e atualmente é ‘regular’, e ter sido alterada a razão social da TCE, em 11/10/2003; Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 12 5 3.27 tanto a matriz da TCE, localizada em Manaus, quanto a filial paulista estão com o diagnóstico fiscal ‘irregular’; 3.28 embora a inexistência fática das autuadas TCE e SDW tenha sido comprovada pela Receita e pelo Ministério Público Federal e de já ter sido proposta a inaptidão de ambas as empresas, o grupo investigado continua a operar; 3.29 as alterações processadas nos cadastros e na composição societária das autuadas, TCE e SDW, são atos que visam apenas livrar as pessoas físicas relacionadas nos dois relatórios antes mencionados das penalidades legais (os fatos aqui verificados foram praticados em 2000, não sendo, alcançados por esses atos); 3.30 após ter sido iniciada esta investigação, autorizada pela Justiça Federal, o bloco SDW/TCE tem realizado diversas mudanças no seu quadro social visando não vincular nomes de sócios ilustres ao esquema existente desde 1998 pelo menos; 3.31 os fraudadores falsificaram invoices e conhecimentos marítimos de diversas empresas, até de grupos transnacionais famosos mundialmente; 3.32 dentre outras provas, juntamse as invoices falsificadas e adulteradas da General Eletric Company (fls. 394397), sendo que as respectivas vias verdadeiras dos documentos estão juntadas as fls. 398401; 3.33 a GE Plastics afirma que não emitiu as faturas internacionais falsificadas, quando respondeu aos expedientes oficiais (fls. 390393), daí que foi a TCE/SDW quem o fez; 3.34 os documentos estão agrupados em jogos numerados (fls. 632), sendo que, depois do número do jogo, as invoices falsas estão etiquetadas com a letra "A", a original/verdadeira com "B", o packing list regular com "C", a DI correlata com o signo ‘D’ e o conhecimento com "E"; 3.35 todas as vias falsificadasadulteradas (A) seguem o modelo tipográfico (fls. 389), não trazendo quaisquer verossimilhanças com a originalverdadeira (B); 3.36 todas as faturas que têm esta tipografia são falsas (fls. 389); 3.37 é fácil comprovar as fraudes, bastando cotejar a invoice "A" (via falsa/adulterada utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada com "B" (a original/verdadeira, emitida pelo exportador), por onde se constata que as diferenças são gritantes; 3.38 os documentos estavam arquivados juntos, quando foram apreendidos em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.45953; 3.39 o esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados aqui segue o roteiro já identificado em ocorrências anteriores, que envolvem a empresa CCE e outras do grupo, como a DM, tendo por intuito fraudar os cofres públicos e o regime da Zona Franca de Manaus; 3.40 constam deste esquema pessoas físicas que são sócias em várias indústrias importadoras situadas na ZFM, dentre elas a TCE e a SDW; 3.41 as pessoas que comandam o esquema estão listadas as fls. 424454 e os nomes dos comandados constam do primeiro relatório (fls. 5879) e do segundo (fls. 80386), sendo estes os responsáveis pela operacionalização das fraudes; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 3.42 há procedimentos provando a falsificação/adulteração de invoices e conhecimentos marítimos, envolvendo também o transportador internacional das cargas nos episódios irregulares e, por isso, em alguns casos, foram autuados, concomitantemente, as empresas TCE, SDW e diversos transportadores marítimos, quando se provou também a falsificação de conhecimentos marítimos; 3.43 as empresas TCE e SDW têm sócios vinculados a outras empresas fraudadoras do regime da ZFM, que também por meio da emissão de invoices e de BL falsos, introduziram mercadorias estrangeiras irregularmente no País, consumindoas e/ou entregandoas a consumo posteriormente; 3.44 como exemplo inicial das vinculações, além de as empresas TCE e SDW haverem funcionado no mesmo local físico (imóvel de propriedade da CCE), citase o fato de o Sr. Isaac Sverner, figura central na constituição de sociedades que cometeram vários ilícitos na Zona Franca de Manaus, ser sócio majoritário da empresa TCE; 3.45 complementando o esquema, um dos sócios da SDW, Sr. Raphael Ades, mantém vinculo familiar com o Sr. César Ades, que é parceiro do Sr. Isaac Svemer na TCE; 3.46 é um ciclo fraudador e vicioso que, ao que tudo indica, controlava também a empresa beneficiária das remessas de divisas (geralmente a Kelsey Commercial S/A nas Ilhas Virgens Britânicas), pois constam tomadas de decisões administrativas relativamente a esta entidade nas correspondências anexadas aos relatórios; 3.47 conforme se constata na cláusula 45 do contrato social da empresa SDW (fls. 624625), esta era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela TCE; 3.48 o art. 136 do Código Tributário Nacional; art. 438 do Decreto n° 2.637/1998 e art. 95, inciso I, do Decretolei n° 37/1966, capitulam as ações irregulares, nos quais, verificase que a infração tributária é objetiva; 3.49 houve simulação/fraude/dolo na constituição e gerência das empresas TCE e SDW; 3.50 As simulações, fraudes e dolo estão também provadas nos dois relatórios juntados, em cujos expedientes há correspondências eletrônicas, provando a organização hierárquica do esquema e a vontade explicita de lesar a economia nacional; 3.51 as empresas SDW e TCP são uma única empresa a mesma unidade econômica formalizada desta forma bipartida tãosomente para fraudar o Erário e para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela Suframa, por meio de aprovação de dois Processos Produtivos Básicos (PPB) distintos; (...) 3.55 a SDW e a TCE são uma só empresa formalizada por pessoas físicas vinculadas entre si; 3.56 o parágrafo único, da clausula 45 de uma das vias do contrato social da empresa SDW (fls. 607626), nomeia como diretores delegados para exercerem o comando administrativo da citada empresa as mesmas pessoas fisicas responsáveis pela TCE, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades; 3.57 as empresas TCE e SDW tinham como administradores as mesmas pessoas físicas; Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 13 7 3.58 nos relatórios de Diligência Fiscal (fls. 507585) consta que: a SDW e a TCE estavam estabelecidas no mesmo imóvel, tratandose, de fato, de uma única empresa; o endereço 21A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na realidade, um único imóvel com divisões internas, ocupadas por essas pessoas jurídicas; o imóvel encontrase, atualmente, sublocado à WMTM Equipamentos de Gases Ltda., pelo Sr. Romero Reis, o qual é locatário do imóvel locado pela CCE da Amazônia, proprietária do imóvel; considerandose os dois endereços em que estiveram estabelecidas, num mesmo período de tempo e as declarações do Sr. Wilson César da C. Couto e também a inveracidade da existência do endereço de número 21A, verificamse indícios de que havia um propósito fraudulento na atuação das pessoas jurídicas, pelo artifício de se passarem por empresas distintas; (...) 3.80 a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), sempre em língua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, tendo como motivo dessa simulação fazer com que as mercadorias se enquadrem no PPB aprovado pela Suframa (fls. 455 506); 3.81 as correlatas vias originais/verdadeiras, que estão seguidamente anexadas às falsas (fls. 398401), têm a mesma numeração das vias falsificadas/adulteradas, embora sejam completamente diferentes das ‘fabricadas’, conforme o modelo tipográfico para falsificação (fls. 389); 3.82 o escritório da Receita Federal nos Estados Unidos (fls. 391) e a Procuradoria da República no Amazonas (fls. 390) remeteram ao grupo General Eletric (GE), questionamentos sobre a emissão das invoices nos 0370025201 (fls. 394), 0370025401 (fls. 395), 0370025501 (fls. 396) e 0388365601 (fls. 397), das quais constam a marca oficial e a suposta subscrição de funcionário daquela empresa; 3.83 a GE Plastics (fls. 392393), referindose às vias de acordo com o modelo de fls. 389, respondeu: ‘As três faturas que V. Sas. anexaram à carta não são as faturas originais que a GE Plastics apresentou ao Banco Boa Vista Inter Atlântico para estas três transações de importações (...)” (...) 3.93 a empresa Brazshipping atuou perante a Alfândega do Porto de Manaus como representante regular e legal do transportador internacional no Brasil (Sasia), conforme comprovam os cartões de credenciamento as fls. 884896, devendo ser considerada como parte legitima para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, por ser responsável pelos atos praticados pelo representado; 3.94 no BL falso consta o carimbo da empresa Brazshipping, com a assinatura do seu representante (fls. 676, 684, 802); 3.95 o transporte de mercadorias subordinase a várias regras legais, que embutem no desempenho da atividade uma série de deveres, como por exemplo, a declaração da natureza da mercadoria no conhecimento marítimo (BL), realizada pelo transportador, deve estar de acordo com o produto que está sendo transportado; (...)” Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Em impugnação a Brazshipping Marítima Ltda. destacou que se limitaria a rebater a sua inclusão no pólo passivo, bem como, a imputação da responsabilidade tributária solidária; que o auto de infração seria nulo por falta de clareza quanto à norma por ela violada, que a adulteração dos conhecimentos de transporte (BL) não foi provada, mas baseada apenas em indícios; que a legislação permite a alteração/correção de tais documentos; que é equivocado o entendimento que o armador da embarcação ou seu representante tenham contribuído para a consumação do ilícito; que sua responsabilidade se restringiria ao transporte de mercadorias desacompanhadas da documentação comprobatória de sua origem; que, na condição de agência representante, seria simples mandatária do armador estrangeiro; que o termo de responsabilidade assinado não possuiria amparo jurídicolegal; e que não haveria qualquer interesse jurídico comum em relação às demais autuadas. As empresas TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. (TCE) e SDW Serviços Empresariais Ltda. (SDW) alegaram a inocorrência das infrações apontadas pela autuação; que não haveria qualquer irregularidade na formação societária das pessoas jurídicas; que o conceito de fraude encontrase inserto no art. 72 da Lei nº 4.502/64; que as normas interpretativas devem ser aplicadas restritivamente; que a caracterização do dolo exige a demonstração do diferimento, redução ou supressão do tributo; que a fiscalização parte de suposições e presunções para atingir suas conclusões; que as faturas tidas como falsas são documentos “pro forma”, emitidas para atender às exigências aduaneiras, sendo procedimento corriqueiro nas transações comerciais internacionais; que a fatura “pro forma” emitida pelo exportador estrangeiro nem sempre traz as informações necessárias ao preenchimento da declaração de importação; que os elementos divergentes entre as faturas, detectados e relacionados pela autuação, não levam à conclusão de falsidade dos documentos; que entre os documentos, mormente à luz das respostas fornecidas pela GE Plastics, existiriam apenas erros administrativos na confecção das faturas “pro forma”, o que não implicaria a imposição da multa prevista no art. 463, I do RIPI/98; que não se tratariam de importações clandestinas, fraudulentas ou irregulares; que não houve irregularidades na importação; que a regularidade das operações estaria comprovada; que, a seu tempo, o desembaraço das mercadorias sem qualquer exigência seria prova da inexistência da fraude; que ambas as pessoas jurídicas foram regularmente constituídas e são independentes na consecução de suas atividades, além, de possuírem objetos sociais distintos; que a fiscalização reconheceu a existência de duas empresas distintas com linhas de produção autônomas; que a legislação permite o funcionamento de duas empresas em um mesmo endereço, assim como o compartilhamento da mesma área; que não houve devolução da documentação apreendida em operação específica, em verdadeiro cerceamento do direito à ampla defesa, motivo pelo qual o lançamento seria nulo; que a prova da infração foi obtida por meio ilícito; que houve violação a dispositivos da Lei nº 9.784/99; e, que não foi demonstrado o interesse comum a justificar a responsabilidade tributária solidária entre as autuadas. Posteriormente foram protocoladas petições pugnando pela juntada de parecer jurídico e outros documentos que autorizariam as impugnantes TCE e SDW a emitirem as faturas comerciais “pro forma”, o que viria a corroborar a inexistência da fraude. A DRJ Fortaleza/CE manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: “PARECER JURÍDICO APRESENTADO APÓS O DECURSO DO PRAZO IMPUGNATÓRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de argumentos apresentados, na forma de parecer, após o transcurso do prazo impugnatório. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 14 9 ARGÜIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FORNECIMENTO DE CÓPIA DA PROVA DOCUMENTAL. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que não foi devolvida a documentação apreendida no curso da ação fiscal, uma vez que a prova documental em que se baseou o auto de infração encontrase acostada aos autos possibilitando o exame por parte da defendente. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não há que se falar em nulidade quando o auto de infração está devidamente fundamentado na legislação tributária apropriada e instruído com os elementos de prova em que se baseou o lançamento. LICITUDE DA PROVA. BUSCA E APREENSÃO. A assinatura do representante legal da empresa no termo circunstanciado da busca e apreensão não é requisito exigido pela lei, de modo que a sua ausência não torna ilícita a prova obtida, estando referido documento assinado por duas testemunhas. A descrição genérica, no citado termo, dos documentos apreendidos, não invalida a prova colhida, quando posteriormente é realizado o exame de toda a documentação, detalhandose o seu conteúdo. LEGITIMIDADE PASSIVA. Estando comprovado nos autos que o agente marítimo atuou efetivamente como representante do transportador estrangeiro, tornase responsável solidário, por expressa determinação legal. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada pela defendente juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Deve ser indeferido o pedido de diligencia quando prescindível para instrução do processo e solução do litígio. É descabida a juntada de documentos impertinentes à matéria discutida nos autos. IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. FALSIFICAÇÃO DE FATURA COMERCIAL E CONHECIMENTO DE CARGA. Comprovada a falsidade das faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação, com vista à obtenção de vantagens indevidas, fica caracterizada a importação fraudulenta, sujeitando o importador à multa prevista na legislação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Respondem solidariamente pela infração aqueles que, de qualquer forma, concorram para sua prática, ou dela se beneficiem. Lançamento Procedente” Devidamente cientificados os contribuintes TCE e SDW interpuseram recurso voluntário conjunto onde sustentaram, preliminarmente, i) a nulidade da decisão proferida em Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 face da participação, no julgamento, de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos não vinculados ao lançamento, falta de juntada de documentos solicitados pela empresa; e, ii) cerceamento do direito de defesa pela falta de acesso aos documentos e utilização de prova ilícita. No mérito, principiou fixando a acusação fiscal – importação fraudulenta –, em seguida discorreu sobre o conceito de fraude e as regras atinentes às normas sancionatórias para concluir pela sua inocorrência no caso dos autos; defendeu a inaplicabilidade da multa por fraude à importação, por entender inexistente uma “importação”, propriamente dita, na entrada de produtos na ZFM, referenciando a parecer juntado; asseverou a inaplicabilidade da multa administrativa infligida por ausência de tipicidade; rechaçou a existência de irregularidades nas operações efetuadas; acentuou a regularidade na constituição das pessoas jurídicas, destacando que a própria fiscalização, quando do procedimento de vistoria realizado, reconheceu a existência de linhas de produção autônomas; e, por fim, que não haveria que se falar em empresas coligadas, bem assim, que está revestida de plena legalidade o funcionamento de pessoas jurídicas distintas no mesmo endereço. Brazshipping Marítima Ltda., cientificada em 16/05/2006, por via postal (fl. 1.273), protocolizou diretamente neste Conselho Administrativo peça recursal inominada, em 07/11/2012, onde requer manifestação e posicionamento quanto à sua legitimidade passiva, questão que deve ser conhecida ex officio por se tratar de matéria de ordem pública. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Preliminarmente, manifestome quanto à peça patrocinada pelo contribuinte Brazshipping Marítima Ltda., descabendo qualquer debate quanto à perempção de seu direito a recurso, bastando a referência ao intervalo de aproximadamente 06 (seis) anos entre a petição e a ciência da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável. A intempestividade é chapada. Acerca da justificativa apresentada para não interposição do competente recurso voluntário impossibilidade de realização do depósito recursal , é bem verdade que esta exigência consubstanciava requisito de admissibilidade do recurso, entretanto, esta verdadeira “garantia de instância” foi suprimida pelo Supremo Tribunal Federal pela Súmula Vinculante nº 211, publicada no Dje nº 210 de 10/11/2009 (DOU de 10/11/2009, pág. 1), e, no entanto, o contribuinte somente protocolizou esta “reclamação” em 07/04/2012, sem deduzir qualquer motivo para tal demora. Ora, se o depósito recursal era o motivo para não apresentação do recurso, a fluência de quase 40 (quarenta) meses entre a extinção do requisito e o protocolo da peça sub examine, por si só, lança por terra qualquer possibilidade de acolher o argumento. No tocante ao reconhecimento de ofício pela autoridade julgadora administrativa da legitimidade para figurar no pólo passivo do lançamento, por ser questão de ordem pública, equivocase o reclamante em sua premissa, posto que, sendo o direito tributário, assim como o direito penal, legislação de exceção2, uma vez que restringe direitos 1 "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo." 2 Daí porque a submissão, dentre outros, ao princípio da tipicidade cerrada e da reserva legal, dentre outros. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 15 11 constitucionais magnos – a liberdade e a propriedade –, tudo o que dissesse respeito à exigência tributária, segundo este raciocínio, seria caracterizado como matéria de ordem pública, de sorte que o procedimento contencioso dispensaria qualquer formalidade e todos os processos administrativos deveriam ser encaminhados para revisão, independente do interesse do contribuinte em recorrer. A meu sentir, a pretensão do contribuinte configura, na verdade, revisão de ofício e não julgamento administrativo, o que exigiria, nos termos do art. 145 do Código Tributário Nacional, a verificação de quaisquer das hipóteses do art. 149 do mesmo diploma para sua realização, o que não vislumbro no presente processo. Demais disso, aludida revisão de ofício, se cabível, seria atribuição do próprio órgão do qual emanou o ato administrativo. De outra banda, os arts. 33 e 37 do Decreto nº 70.235/72, são taxativos ao estabelecer que o julgamento em segunda instância farseá de acordo com o regimento interno do CARF, bem assim, prevêem a necessidade do competente recurso voluntário, total ou parcial, formalmente hígido e protocolado dentro do prazo de trinta de dias da ciência da decisão de piso, para manifestação das turmas julgadoras componentes deste sodalício. Neste sentido é a redação do art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09: “Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” (destacado) Como se observa, não se encarta dentre as atribuições deste Conselho Administrativo o exame de petições ou reclamações que busquem o exame de questões não regularmente recorridas, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e do RICARF, ainda que sob o pálio de se tratar de supostas questões de ordem pública. Com estas considerações, voto por não conhecer da petição apresentada. Na seqüência, relativamente ao recurso manobrado por TCE/SDW, em conjunto, confirmase sua tempestividade, bem como, o preenchimento dos demais requisitos para sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Cumpre, inicialmente, enfrentar as questões preliminares opostas, o que, em função da quantidade de vícios apontados, será realizado pela sua apartação em rubricas distintas: vícios formais e vícios materiais. 1 PRELIMINARES 1.1 VÍCIOS FORMAIS Sob este título serão analisadas as alegações de nulidade da decisão proferida em face da participação no julgamento de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos não vinculados ao lançamento e a falta de juntada de documentos solicitados pela empresa. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Neste passo, mostrase improcedente o reclamo quanto ao pretenso impedimento de julgador, eis que, segundo o recurso, o AFRFB Luis Carlos Maia Cerqueira, na qualidade de Inspetor da Alfândega do Porto de Manaus, teria assinado o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF do procedimento fiscal que culminou no lançamento sob vergasta, contudo, examinando o documento juntado pelo recorrente, verificase que não há vinculação direta entre aludido documento e o lançamento ora combatido, bastando verificar que os auditores fiscais designados não são os mesmos que lavraram o auto de infração, revelando tratarse de procedimentos fiscais distintos a que se submeteram os recorrentes. Demais disso e diversamente do que defendem, o “impedimento” a que se refere o regimento interno da SRF citado exige a participação efetiva da autoridade administrativa na ação fiscal, o que não se dá pela simples emissão do MPF, que, por si só, não deflagra o início do procedimento fiscal, mas tão somente determina a sua execução, daí porque não há que se falar em “impedimento”. Como pacificado ainda à época dos Conselhos de Contribuintes, o procedimento fiscal, nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal, tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente cientificando o sujeito passivo, ou seu preposto, da obrigação tributária, o que não deve ser confundido com a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Da mesma forma, não merece acolhida a alegação de nulidade da decisão recorrida por ausência de manifestação sobre parecer jurídico e razões complementares. A uma, porque parecer é opinião técnica sobre determinado assunto e, como tal, não se qualifica como prova, daí porque não tem de ser objeto específico de julgamento, muito menos sopesado na fundamentação da decisão; e, a duas, porque, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as razões de fato e de direito, além das provas documentais de que se dispõe, devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra oportunidade, de tal forma que, à exceção das ressalvas do parágrafo quarto do mesmo dispositivo – que no caso vertente, à época não foram demonstradas –, não tem a autoridade julgadora de piso que se manifestar a seu respeito. Em outra vertente, os recorrentes aduzem que houve presunção de falsidade de documentos em operações de importação, inclusive pelas “divergências apuradas em faturas emitidas em outros períodos que não o autuado!”, o argumento, porém, imbricase com o próprio mérito da causa, razão porque será examinado no momento apropriado do voto. Relativamente à “falta de juntada de documentos solicitados pela empresa”, os recorrentes não indicam quais seriam os “documentos solicitados pela empresa” e que não foram juntados pela autoridade fiscal ao processo, parecendome mais um argumento retórico do que propriamente uma alegação de defesa, o que leva à refutação da alegação. 1.2 VÍCIOS MATERIAIS Nesta oportunidade serão examinadas a falta de acesso aos documentos e a ilicitude na obtenção da prova. Conveniente destacar, neste ínterim, que o acesso à prova, como averbado pelos próprios recorrentes, fezse mediante cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo judicial 2003.32.00.0045953, em trâmite na 2ª Vara da Justiça Federal do Amazonas, encontrandose os documentos arrecadados em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal, por força de ordem judicial específica. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 16 13 Então, tendo em conta que o Ministério Público Federal é o dominus littis, o responsável pela ação penal decorrente da infração fiscal, a Administração Tributária não deteria, sozinha, a livre disponibilidade da documentação apreendida, o que a impediria de devolvêla aos contribuintes sem anuência do parquet. Além do que, todos os documentos que embasaram a imputação de fraude, pela falsificação de documentos utilizados no despacho de importação, encontramse nestes autos administrativos a que os recorrentes tiveram amplo acesso. Se entendiam os recorrentes que necessitavam de outros elementos, além daqueles já coligidos ao processo, cabialhes especificálos e requerer o fornecimento de cópias. Aliás, mais uma vez a argumentação mostrase fluida, eis que os interessados não esclarecem quais seriam aludidos documentos não entregues pela fiscalização e que, pela sua robusteza, teriam a capacidade de profligar a fraude que lhes é atribuída, valendo aqui o recurso ao princípio pás de nullité sans grief, consoante a qual não há declaração de nulidade se não houver prova do efetivo prejuízo causado à defesa. Por pertinente, não se diga que, cuidandose de nulidade absoluta, onde o prejuízo é presumido, não se aplicaria tal regra, pois os tribunais superiores vem entendendo que este princípio também se estende a estas hipóteses, como se extrai dos seguintes julgados: STJ (HC 99996 / SP) e STF (HC 85.155/SP, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJU 15.04.05 e AI AgR. 559.632/MG, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 03.02.06). Atinente à suposta ilicitude da prova ou mesmo da sua obtenção, acentuo que a sua apropriação em estabelecimento dos contribuintes respaldouse em mandado de busca e apreensão expedido por autoridade judicial competente, de forma que a invalidade de tal procedimento, se existente, deve ser discutido em âmbito judicial, como bem apontou a decisão recorrida, verbis: “É importante ressaltar que não compete a este órgão julgador administrativo se pronunciar quanto à admissibilidade ou não do mandado de busca e apreensão, assim como a respeito do atendimento de seus requisitos formais, vez que tal apreciação foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, o qual, como se sabe, julgou pela pertinência da apreensão dos documentos da impugnante. Qualquer apreciação administrativa valorativa sobre o mandado em evidência representaria ofensa ao Princípio da Jurisdição Única.” (destaque no original) Já o câmbio dos documentos de interesse da Administração Tributária, para exigência dos tributos e penalidades aplicáveis, efetivouse por intermédio do competente processo administrativo com acesso a todos os recursos e faculdades garantidos pela legislação de regência do procedimento contencioso fiscal, de modo que não vislumbro qualquer mácula na sua produção e entronização nestes autos. Também não prospera a alegação de necessidade de certificação do conteúdo ou origem das mensagens telemáticas obtidas, ao passo que os transmitentes foram identificados e todos eles têm relação, direta ou indireta, com as pessoas jurídicas autuadas, mesmo porque, tais documentos não são os elementos principais a lastrear o lançamento, mas indícios que corroboram a prática fraudulenta. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 2 MÉRITO Ultrapassadas as questões preliminares passase ao mérito. Para melhor esclarecer o objeto de autuação sirvome de excerto da decisão de primeiro grau administrativo, verbis: “A alusão da fiscalização às faturas nos M291297 e C290109 (fls. 33 e 51), é feita a titulo ilustrativo, uma vez que a multa exigida no presente processo não se relaciona às citadas faturas, as quais foram objeto dos processos nºs 10283.002649/200421 e 10283.002594/200450. O caso concreto se refere as faturas comerciais e DIs correspondentes relacionadas às fls. 632. Com o mesmo objetivo, a fiscalização menciona, dentre outras provas, invoices emitidas pela empresa General Eletric Company nºs 0370025201, 0370025401, 0370025501 e 0388365601 (fls. 398401), que foram substituídas no despacho por faturas falsas emitidas pelo importador, com a mesma numeração, mas com layout diferente (fis. 394397). Ao ser questionada pela fiscalização, a GE Plastics respondeu que não emitiu as faturas que instruíram os despacho de importação (fls. 390393). Portanto, além de demonstrar que há precedentes da prática ilícita por parte da autuada, o comentário em relação às faturas mencionadas nos dois parágrafos acima serve apenas de paradigma para ilustrar como se perpetrou a adulteração das faturas comerciais nos diversos despachos de importação, pois as constatações em relação às demais faturas, em linhas gerais, seguem esse mesmo padrão.” (destacado) Preambularmente, registro que a infração atribuída aos recorrentes consiste entregar a consumo ou consumir produtos importados irregularmente, mediante a utilização de faturas irregulares, mais especificamente, faturas confeccionadas pelos próprios recorrentes TCE/SDW (item IV.2.2.2 do recurso voluntário) o que será esclarecido mais detalhadamente adiante , para instrução das declarações de importação registradas, fato este não contestado diretamente pelos recorrentes, que em sua irresignação tentam justificar o modus operandi ou afastar as hipóteses para a manutenção do lançamento. Nesta empreitada, aduzem os recorrentes a decisão de piso, ao examinar o lançamento, textualmente imputoulhes a prática de importação fraudulenta (item 131) e, após socorreremse do conceito de “fraude” constante do art. 72 da Lei nº 4.502/64, concluíram pela sua inocorrência, tendo em conta que não houve redução, diferimento ou supressão de pagamento de tributo como conseqüência da prática adotada, o que, sob seu prisma seria condição sine qua non para configuração da fraude, tanto assim, afirmam, que não houve exigência de tributo no auto de infração, mas tão somente de multa administrativa. É certo que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 conceitua fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, entretanto, não é menos verdade que o termo “fraude”, como de resto boa parte das palavras na língua portuguesa, é polissêmico e possui uma gama de significados, mesmo na seara jurídica, sendo que a decisão recorrida utilizouse do termo “fraude” como sinônimo de ocultação da verdade, como se infere da seguinte passagem do voto condutor: “204. Assim, em matéria aduaneira, a fraude assume uma feição própria, de modo que o termo ‘importação fraudulenta’ transcende a conduta dolosa de tãosomente evitar ou reduzir o Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 17 15 pagamento de tributo, não se restringindo à ‘fraude’, tal como conceituada no art. 72 da Lei n° 4.502/1964, de feição estritamente tributária. Envolve também as ações dolosas empreendidas para burlar os controles aduaneiros, com o intuito de lograr benefícios ilicitamente, com p. ex., obter vantagens cambias, remeter divisas irregularmente etc. 205. Em tais situações, pode ocasionalmente não haver insuficiência ou falta de recolhimento de impostos, porém não se há de negar a caracterização da importação como fraudulenta, porquanto resta evidente a ação dolosa em ilidir o controle aduaneiro para fruição de vantagens ilícitas em detrimento da economia nacional, bens jurídicos que a norma visa assegurar. Então, em relação a operações aduaneiras, seria um contra senso exigir que a fraude se caracterizasse unicamente pela falta ou insuficiência de pagamento dos impostos incidentes na importação. 206. No ordenamento jurídico encontramos exemplos dessa acepção, em que a importação fraudulenta não necessariamente implica supressão ou redução do imposto devido. É o caso art. 23 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (DOU 31/12/2002), que pune uma espécie de importação fraudulenta, caracterizada pela ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, mesmo não havendo repercussão no recolhimento do imposto. 207. Assim, ‘importação fraudulenta’ significa importação com fraude ao controle aduaneiro, mitigandose a feição estritamente tributária de ‘reduzir ou evitar o pagamento do imposto’ ocorrendo nos casos em que a falsificação ou a adulteração de documentos acarrete dano ao citado controle, mesmo que não haja repercussão no tratamento tributário. 208. A propósito observe se o lúcido ensinamento de ROOSEVELT BALDOMIR SOSA: ‘consiste a falsidade documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso, ou alterálo total ou parcialmente de modo a iludir o controle administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a verdade’ (Comentário à lei aduaneira: Regulamento Aduaneiro, São Paulo: Aduaneiras, 1993, vol. III, p. 187) (destaquei).” (destaques no original) Ou seja, mesmo não sendo devido tributo algum em decorrência da utilização de faturas irregulares, o que, em tese, poderia afastar a qualificação da infração como “fraude”, segundo o conceito da Lei nº 4.502/64 (art. 72), não é possível desqualificar a conduta como fraudulenta, na acepção vincada na decisão reclamada, assim entendido o expediente utilizado, o artifício ou ardil, destinado a burlar os controles aduaneiros, que no caso concreto se consubstanciou na utilização de documentos inverídicos, faturas comerciais manipuladas pelo próprio importador. Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Outrossim, vale lembrar que o dispositivo em que incurso os contribuintes – art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – dispõe que são apenados com multa igual ao valor da mercadoria aqueles que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal. O fato de não se apurar supressão de tributo ou mesmo o emprego dos insumos importados no processo produtivo do contribuinte, a meu juízo, não significa refutar a prática deliberada de se utilizar dolosamente de documentos contrafeitos para instrução de despacho aduaneiro. Aliás, relativamente à caracterização e individualização da falsidade, entendo que a decisão recorrida bem abordou a questão, elaborando minudente relato de sua ocorrência (fls. 1235/1238), que adoto também como razão fática de decidir: “Embora negue a falsidade no tocante ao conteúdo dos documentos, a própria impugnante admite que as faturas que instruíram o despacho foram confeccionadas por ela, tendo como objetivo suprir a suposta ausência de informações nas faturas comerciais emitidas pelo exportador, as quais, segundo alega, nem sempre apresentavam todos os requisitos necessários para o preenchimento correto da DI, tais como a descrição detalhada dos produtos importados, unidades de medidas compatíveis com os padrões brasileiros etc. (...) Registrese que, como reconhece a defendente, tal procedimento não encontra amparo na legislação. Ademais, não se vislumbra o alegado óbice ao preenchimento da DI, com base na fatura efetivamente emitida pelo exportador, a qual retrata com fidelidade a descrição da mercadoria negociada, prestandose, se for o caso, outras informações adicionais na DI de modo a descrever a mercadoria de forma mais completa possível com especificação detalhada de suas características. (...) Não prospera a alegação de que a invoice ‘A’ (falsa) seria uma fatura pro forma, emitida para atender às exigências da Aduana quando do desembaraço de mercadorias importadas, e muito menos que tal documento refletiria as mesmas informações constantes da invoice verdadeira (invoice ‘B’). Em primeiro lugar, o que a litigante chama de ‘fatura pro forma’, na verdade, é o documento por ela expedido para instruir o despacho fazendose passar por fatura comercial, não se devendo confundir com o que se denomina tecnicamente de fatura pro forma no comércio internacional.(...) Não prospera a alegação de que o documento emitido pelo importador reflete substancialmente as mesmas informações da fatura verdadeira emitida pelo exportador. Das três faturas emitidas pelo importador anexadas aos autos (invoice ‘A’), duas estão acompanhadas das respectivas faturas verdadeiras (invoice ‘B’) (fls. 677678 e 685700). Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 18 17 Verificase que as faturas emitidas pelo importador possuem as mesmas numerações das correspondentes faturas verdadeiras, ou seja, existem dois documentos para cada operação de compra e venda, com mesma numeração, porém com layout diferente. Como observou a fiscalização, o layout das faturas emitidas pelo importador segue exatamente o mesmo padrão tipográfico e de caracteres (formato e tamanho das letras e números), tal qual detectado em outras importações nas quais os exportadores eram diferentes (fls. 394401). Cotejandose os documentos emitidos pelo importador com os verdadeiros, evidenciase a divergência de informações seja no tocante ao preço, descrição da mercadoria, quantidade, peso, nome do exportador e termo de pagamento. Nas faturas comerciais emitidas indevidamente pelo importador que apresentam divergência no tocante à descrição da mercadoria em relação à fatura verdadeira, não havendo como concluir que tal discrepância possa ser meramente atribuída a detalhamento da mercadoria, pois não se pode estabelecer uma correlação entre a descrição da mercadoria contida no documento verdadeiro e no falso. Na fatura verdadeira de fls. 700, a descrição efetuada pelo exportador transformase, na fatura confeccionada pelo importador de fls. 685699, em dezenas de itens compostos por até milhares de peças, as quais não constam expressamente no documento original nem se pode inferir que realmente compõem a mercadoria importada. Diante dessas constatações não se pode considerar que as invoices emitidas pelo importador contenham tãosomente erros ou equívocos quando do seu preenchimento, porquanto houve adulteração de valores da transação, de termos de pagamento, da descrição da quantidade e peso das mercadorias, do nome do exportador, elementos que retratam as informações substanciais dos documentos. A fiscalização afirma ainda incisivamente que a descrição das mercadorias contida nas faturas por emitidas pelo importador (documentos ‘A’) é exatamente aquela prevista no Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, com o objetivo de fazer com que as mercadorias se enquadrarem no referido PPB, não tendo a impugnante contestado essa afirmação. Das três faturas emitidas pelo importador, uma está anexada aos autos sem estar • acompanhada da respectiva fatura verdadeira, como observou a defendente (fls. 633 637). Todavia, com relação a esse documento, podese concluir, com base nas declarações da própria impugnante, que consiste em fatura emitida por ela, uma vez que foi o documento que instruiu o despacho aduaneiro. Ademais, verifica se que essas três faturas possuem exatamente o mesmo layout, que é idêntico ao das faturas emitidas irregularmente pelo importador, detectadas em outras importações (fls. 394401), seguindo o mesmo padrão de discriminação detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 de caracteres (formato e tamanho das letras e números), conforme modelo tipográfico de fls. 389. Como afirma a litigante, no comércio internacional, inexistem formatações especificas para a emissão de faturas e, por isso mesmo, o natural é que os documentos emitidos por diversos exportadores tenham diferentes formas de apresentação gráfica. Para efeito comparativo, se consideradas as faturas de fls. 394401, em nome do exportador GE Plastics, nos Estados Unidos (o qual declarou não ser a emissor dos documentos) e as faturas a que se refere este processo, constatase que embora supostamente emitidas por empresas diferentes, situadas em países igualmente distintos e em datas cronologicamente bem distantes, têm a mesma estrutura gráfica na sua confecção, praticamente mesma diagramação, e idêntica tipologia alfanumérica. (...) É o caso da fatura desacompanhada do correspondente documento verdadeiro (fls. 633637). A conclusão acerca da falsidade dessa fatura esta assentada em elementos convergentes: possui exatamente o mesmo layout das demais faturas, inclusive daquelas relativas a exportadores diferentes (fls. 394401); esse layout é idêntico ao das demais faturas emitidas irregularmente pelo importador, conforme modelo tipográfico de fls. 389; segue o mesmo padrão de discriminação detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos de caracteres (formato e tamanho das letras e números), o que induz à conclusão acerca da divergência na descrição da mercadoria em relação ao documento verdadeiro. Tais elementos são rematados pela confissão do importador de que também emitiu esse documento. (...)” Diante desse contexto, a meu ver, o dolo da conduta ilícita é patente e inequívoco, não havendo motivo plausível que o justifique. Uma vez demonstrada nos autos a prática infracional, como dito consistente na burla aos controles aduaneiros mediante o uso de documentos falsos, tenho como admissível e possível qualificála como fraudulenta, ocasionando a irregularidade no procedimento de importação, que representa outro núcleo da infração atribuída aos contribuintes. Também não prospera a assertiva de inaplicabilidade da multa infligida pela suposta inocorrência de verdadeira operação de “importação” quando destinados os produtos estrangeiros à Zona Franca de Manaus, como defendem os recorrentes, haja vista que a isenção de tributos nestas hipóteses não tem o condão de desvirtuar a natureza da operação, que continua a corresponder à entrada, no território brasileiro, de mercadoria de procedência estrangeira. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, em seu Título III (Dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais), Capítulo I (Da Zona Franca de Manaus), a todo tempo faz referência à entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus como “importação”, e.g. arts. 453 e 455, este último, em especial, destaca que “as importações no regime de que trata este Capítulo (I) estão sujeitas a licenciamento não automático, previamente ao despacho aduaneiro, com a expressa anuência da Superintendência da Zona Franca de Manaus.” (destaquei) Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 19 19 O Decreto nº 91.030/85, que aprovou o Regulamento Aduaneiro então vigente, por intermédio de seu art. 395, § 1º, era categórico ao estabelecer que “os despachos de bens importados objeto dos benefícios do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, deverão ser processados na repartição que jurisdiciona o porto de Manaus”. É notório que a legislação aduaneira não faz distinção entre a importação de mercadorias destinadas a áreas agraciadas com benefícios fiscais daquelas sujeitas ao regime geral de tributação, significando importação, em qualquer situação, a entrada de produtos de procedência estrangeira em território nacional. Destacase, então, que o elemento nuclear da importação, para fins tributários, não é a incidência tributária propriamente, mas sim a entrada em território brasileiro de mercadoria de procedência estrangeira. Neste diapasão, entendo que a utilização de documentos irregulares (faturas falsificadas) para proceder ao despacho aduaneiro de importação, ainda que destinada à Zona Franca de Manaus, enquadrase à perfeição à conduta descrita pelo art. 463 do Decreto nº 2.637/98, que impõe, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente, àqueles que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). A propósito, como reconhecem os próprios recorrentes, as condutas descritas no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98) não são autônomas, mas simples variantes de irregularidades no procedimento de importação de mercadorias de procedência estrangeira em território nacional, o que, repito, açambarca a prática de utilizar documentos falsos para instruir aludido procedimento de liberação das mercadorias. Dessarte, se não há autonomia das expressões contidas no preceptivo em tela, deduzse que pouco importa o enquadramento da conduta realizada pelas autoridades fiscais, se importação fraudulenta ou importação irregular, uma vez que todas elas convergem para o mesmo resultado, que é a prática de irregularidades em operações de importação, o que definitivamente ocorreu na presente situação, o que implica infalivelmente na imposição das penalidades indicadas. Como dito linhas atrás, os próprios recorrentes afirmam, na peça recursal (item IV.2.2.3), que emitiam tais faturas “pro forma” para viabilizar o desembaraço aduaneiro, arregimentando suas razões para tanto; todavia, nos documentos de fls. 51 a 53, verificase que estas faturas foram impressas e assinadas, inclusive, como se expedidas pelo exportador estrangeiro. De fato, foram coligidas declarações devidamente vertidas por tradutor juramentado, de emissão de Daewoo Corporation, sediada na Coréia do Sul, e Jean Co. Ltd., sediada na China, aduzindo que, em razão da complexidade da legislação aduaneira brasileira, mediante acordo firmado com TCE/SDW, permitiam que ambas “reimprimissem” as faturas em conformidade com suas necessidades para nacionalização das mercadorias importadas. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 Contudo, estes “acordos” firmados, em minha opinião, não têm valor perante a legislação aduaneira brasileira, pois, como bem destacado pela decisão ora combatida, o regulamento aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, em seu art. 425, § 2º, dispunha expressamente que as emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deveriam ser autenticadas pelo emitente, o que não ocorreu no caso dos autos. Como não bastasse, a par de tais “declarações” serem emitidas ex post facto, isto é, após a concretização dos fatos, sugere a redação adotada em ambos os documentos que se trata de textos previamente “encomendados”, porquanto não há como reconhecer coincidência tão grande entre seus termos, a ponto de prestarem as empresas exportadoras declarações incrivelmente similares, considerando que são sociedades instaladas em países distintos, China e Coréia do Sul. A título exemplificativo, transcrevo os seguintes trechos destes documentos: “A relação estabelecida para atender as normas brasileiras foi uma operação CKD (Complete Knock Down) na qual as fabricas da Daewoo Telecom na Coreia e/ou China costumavam remeter um kit CKD completo para ser montado no Brasil na fábrica da TCE e/ou da SDW em Manaus com a qualidade, procedimentos e coordenação da tecnologia Daewoo Telecom. Nosso pessoal de produção e técnico varias vezes visitou a fábrica da TCE e da SDW em Manaus a fim de dar suporte a linha de produção piloto de novos produtos. Uma vez que as normas de exportação relativas a componentes da China e Coréia eram muito complicadas e as normas de importação do Brasil eram ainda mais complicadas no que se refere a liberação alfandegária, a Daewoo Telecom estabeleceu um acordo que permitia a TCE/SDW reemitir as faturas no Brasil já que a documentação de exportação padrão que acompanhava os kits exportados pela Daewoo Telecom não continha informações detalhadas suficientes, conforme exigido pela alfândega brasileira.” (Daewoo Telecom) “As exportações para a TCE e a SDW foram estruturadas como operações CKD, com base nas quais as fábricas da JEAN na Malásia e/ou China enviavam kits CKD completos para serem montados localmente em Manaus, na fábrica da TCE, com a qualidade, os procedimentos e a coordenação da JEAN, e ate com o eventual suporte do pessoal técnico e de produção da própria JEAN. Tendo em vista (i) os complexos regulamentos da China e da Malásia relativos a exportação de componentes de informática; (ii) as complexas normas aplicáveis ao desembaraço aduaneiro no Brasil; (iii) a falta de preparo de nossa equipe local; (iv) nossa dificuldade interna ern atender algumas solicitações detalhadas do pessoal da TCE e (v) a conseqüente falta de determinadas informações detalhadas em nossas faturas com relação aos componentes exportados, a JEAN autorizou a TCE e a SDW a emitirem novas faturas no Brasil, de acordo com os regulamentos do desembaraço aduaneiro.” (Jean Co. Ltd.) Portanto, não vejo como aceitar as preditas autorizações, como documentos revestidos de validade jurídica para alteração e reimpressão das faturas comerciais, seja a que pretexto for, para modificação substancial da descrição, preço e peso dos produtos importados, como ocorrido, o que só reforça a irregularidade da documentação que instruiu o despacho de importação. Da mesma forma, não deve ser acolhida a ponderação segundo a qual, o fato de as mercadorias importadas terem sido desembaraçadas normalmente, mediante o emprego destas faturas “pro forma”, demonstraria a improcedência do lançamento, porquanto as Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 3401002.834 S3C4T1 Fl. 20 21 contrafações foram confirmadas tão somente após a realização do desembaraço, em procedimento de revisão de lançamento, com sustentáculo no art. 149 do Código Tributário Nacional. Na mesma toada, insubsistente o argumento que deveriam ser aplicadas ao caso as penalidades previstas na legislação aduaneira, tendo em conta que a fraude teria sido praticada no curso do despacho de importação, haja vista que a conduta subsumese perfeitamente àquela infração tipificada pela legislação do IPI (art. 463 do RIPI/98), mesmo porque o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal que se lhes atribua. Demais disso, os produtos importados, segundo consta, eram destinados ao processo produtivo dos recorrentes, caracterizandose, nesta condição, como matériaprima, material intermediário ou de embalagem, o que atrairia a incidência da legislação deste imposto (IPI). Como não bastasse, as modificações das faturas (invoices), consoante relato fiscal, visavam, dentre outros objetivos, a adequação dos insumos importados ao Processo Produtivo Básico (PPB) dos recorrentes, tal como aprovado pelo órgão anuente, no caso, a SUFRAMA. Também não aproveita às recorrentes a alegação que as faturas “pro forma” correspondiam exatamente às mercadorias submetidas ao despacho aduaneiro de importação, por ocasião do registro da DI, ao passo que a fraude imputada é justamente a apresentação de um documento mercantil (invoice) que não é reconhecido como de sua emissão pelo suposto exportador, o que acarreta a sua falsidade e implica no fato que aludidas mercadorias não estavam devidamente amparadas por documentação hábil a instruir o despacho de importação, no momento de sua realização. Quanto à regularidade na constituição das recorrentes, temse que a pretensa legalidade de funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço o que já seria por si só discutível , sob a ótica da legislação do IPI, não é admissível, quando se está a falar de unidades produtivas, como o caso dos autos. Nos termos do art. 487, II e III, do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), as expressões "fábrica" e "fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, sendo que a expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza. A partir desta definição não vislumbro como um único estabelecimento possa pertencer simultaneamente a duas pessoas jurídicas distintas, não militando em favor dos recorrentes o pretenso reconhecimento por parte da autoridade fiscal que haveria linhas de produção autônomas, uma vez que a existência de “linhas de produção autônomas” dentro de um mesmo espaço físico ou prédios contíguos, não isolados, mas dentro de uma mesma área delimitada, não conduz à conclusão de existência de estabelecimentos distintos. Frisese, a existência de linhas de produção autônomas não significa ou se confunde com a existência de estabelecimentos distintos, pois, como se depreende do aludido art. 487, III, o estabelecimento é caracterizado como sendo o(s) prédio(s) em que são Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 exercidas atividades geradoras de obrigações do tributo, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza, de tal sorte que um estabelecimento pode comportar tantas linhas de produção autônomas quanto seu espaço permitir, sem que isso o descaracterize. Entretanto, a recíproca não é verdadeira, pois as linhas de produção autônomas dentre um mesmo espaço físico contínuo ou em prédios contíguos, porém, não cercados, murados ou isolados como unidades independentes não se caracterizam como estabelecimentos distintos, como pretendem os recorrentes. Pelo quadro estampado, somado às constatações arroladas pela fiscalização tais como, funcionamento das pessoas jurídicas no mesmo endereço, compartilhamento da área administrativa e áreas de entrada e saída, o fato dos produtos industrializados pela TCE serem adquiridos pela SDW, a incumbência da gerência das pessoas jurídicas a pessoas comuns ambas ou interligadas por laços familiares, dentre outros, direcionam à conclusão que há, de fato, confusão administrativa e patrimonial entre as pessoas jurídicas em destaque, cuidando se, sob o ponto de vista fático e prático, de uma única pessoa jurídica, motivo mais que suficiente para imputação da responsabilidade tributária solidária, que, por seu turno, não foi especificamente contestada. Por derradeiro, em relação à solicitação de diligência junto aos armazéns gerais Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., Aurora da AmazôniaTerminais e Serviços Ltda. e Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas, formalizada no curso da peça de defesa, reputoa desnecessária para o deslinde de qualquer questão, porque as próprias recorrentes, como consignado alhures, reconheceram que se utilizaram de faturas por elas mesmas confeccionadas, em substituição às originais, para a instrução do despacho aduaneiro, de modo que a diligência, a meu sentir, mostrase desnecessária. 3 CONCLUSÃO Em síntese, entendo que o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios e sólidos fundamentos, não merecendo qualquer reparo, razão pela qual nego provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000595/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
ARBITRAMENTO DO LUCRO - ABANDONO DA ESCRITA.
Se as irregularidades apontadas pela fiscalização na escrituração contábil do contribuinte não for de monta a tornarem-na imprestável para a apuração do lucro real, não se justifica a alteração do critério adotado pelo contribuinte, resultando em improcedência do lançamento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS e COFINS).
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1301-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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EPP. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO ABANDONO DA ESCRITA. Se as irregularidades apontadas pela fiscalização na escrituração contábil do contribuinte não for de monta a tornaremna imprestável para a apuração do lucro real, não se justifica a alteração do critério adotado pelo contribuinte, resultando em improcedência do lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS e COFINS). Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 05 95 /2 01 0- 83 Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 3 2 da Silva Lucas, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relatório Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados em face de Frigoespanha Com. de Carnes Ltda. EPP, formalizando exigências de créditos tributários referentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, alcançando fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2005 e 2006. A improcedência parcial resultou apenas em reduzir as exigências de PIS e de COFINS. A Fiscalização arbitrou o lucro da empresa com base no art. 530, II do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), tendo em vista que a escrituração mantida pela contribuinte foi considerada imprestável para determinação do lucro real, em virtude de práticas fraudulentas, vícios, erros e deficiências relatadas no Termo de Constatação Fiscal (TCF). Descreve a autoridade fiscal que em agosto de 2008, a contribuinte foi inicialmente intimada a apresentar os livros Diário, Razão, Registro de Entrada, Registro de Saída, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do IPI, Lalur, Registro de Apuração do ISS, livros auxiliares, livro Registro de Empregados, notas fiscais de entrada e de saída, extratos bancários, etc. A apresentação foi parcial (contrato social, Livros Registro de Entradas, Saídas e Apuração do ICMS, relativos a 2005 e 2006, Livro Registro de Inventário de 2005 e 2006, e extratos do Banco do Brasil de maio/2005 a dezembro/2006 de duas contas bancárias e extrato do Banco Mercantil do Brasil de fevereiro/2005 a dezembro/2006), que motivou reintimação, em 03 de novembro, para entregar os documentos e livros solicitados na primeira intimação e ainda não apresentados, bem assim a justificar as inconsistências verificadas em várias linhas das DIPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006 e no item "outros créditos a descontar" da Dacon, acompanhada dos respectivos comprovantes. Em dezembro de 2008, a contribuinte apresentou o Livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências n° 01 e informou não possuir os livros Registro de Apuração do IPI, Registro de Apuração do ISS e livros auxiliares. Em 19/01/2009 foi apresentado o livro Ficha de Registro de Empregado de sua filial localizada na Rua Espanha em São José do Rio Preto, e em 21/01/2009 foi entregue o livro Ficha de Registro de Empregados de sua matriz localizada em Onda Verde. Novamente intimada em 22/12/2009 a apresentar os livros Diário, Razão, livros auxiliares para cada grupo de pessoas ou de documentos e o Lalur, a contribuinte entregou os livros Diário e Razão em 09/03/2010. A Fiscalização aponta a existência de diversas inconsistências constatadas no exame procedido, relatando algumas delas (fls. 5087 e seguintes do processo digitalizado). Tais inconsistências, num total de 9, são lançamentos no Livro Diário nº 01, dos quais em 8 se Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 4 3 debita Caixa Geral e se credita Banco do Brasil, com o histórico “Vr. Ch. Emitido p/ Sup. de Caixa N.” enquanto o extrato do Banco do Brasil traz outros históricos, quais sejam” TED sem cobrança de CPMF”, “Tarifa emissão TED/DOC”, “Débito Serviços de Cobrança” e “Tarifa Emissão Cheque”. Em um dos lançamentos inconsistentes mencionados no TVF se debita a conta "BANCO DO BRASIL S/A" e se credita a conta "CAIXA GERAL", com o histórico "DEPÓSITO", enquanto que o extrato do Banco do Brasil apresenta como histórico a informação "Cobrança”. Anota a Fiscalização que as inconsistências relatadas representam todas as operações bancárias da FRIGOESPANHA no Banco do Brasil S/A. Agência 40185 Conta 7.9960, no mês em que esta conta começou a ser movimentada (maio de 2005) e considerou esse período como amostra representativa do restante do ano de 2005 e do ano de 2006, para concluir que a escrituração contábil da contribuinte revela indícios de fraudes e contêm vícios, erros ou deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, principalmente a bancária (Artigo 530, inciso II do RIR/99). Ponderou que todos os lançamentos contábeis que registraram a informação "'VR. CH. EMITIDO P/SUP. DE CAIXA N' no mês de maio de 2005 (primeiro em que a conta foi movimentada) mostraram ser falsos, não existindo nos extratos bancários nenhuma emissão de cheques para suprimento de caixa. Aduziu que em todo o restante do período fiscalizado o exame da escrituração contábil da referida conta no Banco do Brasil S/A., tanto nos Livros Diário como nos Livros Razão, revela centenas e centenas de lançamentos com o histórico "VR. CH .EMITIDO P/SUP.DE CAIXA N.". E concluiu:. Isso indica que a escrituração contábil da FRIGOESPANHA referente ao restante do período fiscalizado está também viciada (de junho de 2005 a dezembro de 2006). O Termo de Verificação indica também a existência de inconsistências entre os registros contábeis e os extratos bancários com lançamentos contábeis por ela considerados fictícios e lançamentos "consolidados”, os quais foram relatados às fls. 5089 a 5093 do processo digitalizado. Constatou que os livros Diário n°s 1 e 2, relativos a 2005, não contemplam a escrituração da conta n° 79979 do Banco do Brasil, apesar de essa conta ter sido movimentada a partir de 30/05/2005, e no livro Registro de Inventário os valores do estoque final em 31/12/2005 e 31/12/2006 são completamente diferentes daqueles apurados nos livros Diário e Razão, inclusive nos Balanços Patrimoniais e nos Balancetes de Verificação transcritos no Diário, e nas DIPJ. Verificou que o livro Razão n° 04 fere o art. 269 do RIR, de 1999, uma vez que há grandes intervalos em branco entre as páginas 63 e 67 (fls. 2301 a 2305 do processo físico, fls. 3809 a 3914 do processo digitalizado) e o Lalur n° 01 e 02 (entregues em abril de 2010), nos quais foram constatadas várias deficiências e erros. Lastreada no fato de a escrituração da contribuinte ter revelado evidentes indícios de fraudes, além de ter erros ou deficiências que a tornam imprestável tanto para identificar à efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, como para determinar o lucro real, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro com base nas informações prestadas em GIA. Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 5 4 Registrou a autoridade fiscal: “Verificamos que as receitas declaradas nas GIA apresentadas pela FRIGOESPANHA ao fisco estadual estão com valores na mesma ordem de grandeza aos informados em DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica a Receita Federal do Brasil e aos informados na contabilidade (Diário e Razão). Também verificamos que as receitas contabilizadas no Diário e Razão pela FRIGOESPANHA apresentam um somatório anual um pouco menor do que o somatório das receitas informadas em GIA, no ano de 2005. Porém, como já constatamos que a escrituração contábil da FRIGOESPANHA é "imprestável tanto para identificar a efetiva movimentação financeira e bancária, como para determinar o lucro real (Artigos 530 e 256 do RIR/99)", não se deve usar as receitas escrituradas na contabilidade como base de cálculo dos tributos a serem lançados de ofício, na sistemática do Lucro Arbitrado. Devese sempre ter em mente que a conta nº 7.9979 da agência no 40185 do Banco do Brasil S/A foi mantida à margem da contabilidade da FRIGOESPANHA no ano de 2005. Portanto, nada mais compreensível do que o somatório das receitas escrituradas na contabilidade da FRIGOESPANHA em 2005 ser menor que o somatório das receitas informadas em GIA ao fisco estadual paulista referentes àquele ano. No que diz respeito à DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, a FRIGOESPANHA entregou as duas DCTF semestrais referentes ao Anocalendário 2005 e as duas DCTF semestrais referentes ao Anocalendário 2006 na época devida (fls. 835). Todavia, há pouca correspondência, convergência, entre essas DCTF e as DIPJ entregues também pela FRIGOESPANHA. Em relação ao primeiro e ao segundo semestres de 2005, as respectivas DCTF entregues informam que "não existem débitos", porém, a DIPJ referente ao Ano calendário 2005 informa um débito de CSLL de R$1.281,01 e um débito de IRPJ de R$ 2.135,01 referentes ao segundo trimestre de 2005, ambos, aliás, devidamente recolhidos pela FRIGOESPANHA no dia 29/07/2005 (fls. 836 839; 510; 848 849). A DCTF referente ao primeiro semestre de 2006 retrata a correspondente DIPJ, ao apresentar um débito de IRPJ de R$1.559,72 e um débito de CSLL de R$953,83 referentes ao segundo trimestre de 2006, ambos devidamente recolhidos no dia 31/07/2006 (fls. 840842; 540; 853854). Já a DCTF referente ao segundo semestre de 2006 confere com os correspondentes DACON Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais , ao apresentar dois débitos de PIS no regime nãocumulativo nos valores de R$538,27 e R$2.043,89 e também dois débitos de COFINS no regime nãocumulativo nos valores de R$2.477,20 e R$9.414,29, todos referentes aos meses de novembro e dezembro de 2006 e devidamente recolhidos pela FRIGOESPANHA (fls. 843847; 753754, 760 [verso], 767768, 774 [verso]; 855858). Os recolhimentos de IRPJ e de CSLL serão devidamente descontados dos tributos devidos apurados Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 6 5 nos respectivos autos de infração ora lavrados. De outra parte, os dois recolhimentos de PIS no regime nãocumulativo e os dois recolhimentos de COFINS no regime nãocumulativo não serão descontados nos autos de infração respectivos, já que não existe regime nãocumulativo para o PIS e para a COFINS na sistemática do Lucro Arbitrado (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003).” Em impugnação tempestiva a interessada suscitou a decadência do direito de lançar o IRPJ e à CSLL, relativamente aos fatos geradores ocorridos no 1° trimestre de 2005 e nos meses de janeiro a maio de 2005, quanto ao PIS e à Cofins. Quanto o mérito propriamente dito, alegou que não foi apontada nenhuma irregularidade que justificasse o arbitramento do lucro, e que as divergências apontadas no Termo de Constatação e que foram apuradas na escrituração do anocalendário de 2005 não a invalidam, quando muito poderiam proporcionar glosas que alterariam ou não o lucro real daquele ano. Todos os documentos e livros fiscais e contábeis solicitados foram apresentados e a escrituração foi elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, tendo sido elaboradas as demonstrações financeiras. Aduziu que o fato de ter registrado a soma de vários valores levados a depósito na conta bancária, no mesmo dia, ao invés de contabilizar um a um, não é motivo para a desclassificação da contabilidade. Que a inexistência de emissão de cheques para suprimento de caixa, em desconformidade com o histórico dos lançamentos contábeis, corresponde a deslize cometido pelo contabilista que transferiu para o caixa o valor que saiu do banco diretamente para pagamento de contas, duplicando o lançamento: ao invés de debitar o beneficiário do pagamento e creditar o banco, debitou o caixa e creditou o banco e depois debitou o beneficiário e creditou o caixa, caminho esse que não altera o resultado da operação. Acrescentou ser uma falácia afirmar que escrituração da conta bancária relativa ao mês de maio de 2005 é representativa dos anos de 2005 e 2006, permitindo concluir que a escrituração contábil do contribuinte revela indícios de fraudes e contém vícios, erros ou deficiências que a tornam imprestável. Ponderou que os erros apontados pelo autuante na forma de contabilização de algumas operações não levam à imprestabi1idade da escrituração, e que, ainda que houvesse de fato alguma falha no mês de maio de 2005, não seria possível concluir que essa falha se perpetuou pela contabilidade de todos os períodos investigados. Afirmou que a conta bancária 7.9979 do Banco do Brasil não foi escriturada em 2005, mas as operações realizadas por meio dessa conta bancária foram contabilizadas, e exemplifica com alguns lançamentos a débito indicando a correspondente contabilização no Diário. Asseverou que nada ficou sem contabilizar e não foi apurada omissão de receitas, e que os valores informados nas DIPJ são superiores aos valores das GIA tomados como base para o arbitramento. Acrescentou que as falhas apontadas pelo autuante não impedem a apuração de seu lucro, sobretudo em razão do reconhecimento implícito da fiscalização de que não há indícios de omissão de receitas. Invocou o fato de a fiscalização utilizarse apenas da contabilidade do ano de 2005, relacionando 9 itens que acredita serem inconsistentes, porém sem comprovar, e ainda Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 7 6 assim, arbitrou também todo o ano de 2006, no qual sequer foi encontrada ou mesmo mencionada qualquer inconsistência. Alegou que se custos ou despesas operacionais que não são comprovados devem ser glosados, não se justificando seja desprezada toda a escrituração e arbitrado o lucro. Afirmou que a fiscalização agiu incorretamente ao efetuar o arbitramento dos lucros, motivo pelo qual os autos de infração devem ser cancelados. Disse não constar no Termo de Constatação Fiscal e nem no auto de infração o motivo que levou a fiscalização à qualificação da multa, sendo nulo o ato administrativo por falta de motivação. Ponderou que a falta de escrituração de algum movimento financeiro não é justificativa para o agravamento da penalidade, e que a qualificação da multa só é possível quando se revelar o evidente intuito de fraudar o Fisco, o que deve estar comprovado nos autos. Observou que nenhuma das supostas irregularidades denunciadas pelo Fisco foi objeto de tributação que lhes correspondessem, isto é, não resultaram em "omissão de receitas", "glosa de custos", "glosa de despesas operacionais" ou infração de qualquer natureza. Postulou pelo desconto dos valores recolhidos a título de PIS e Cofins, conforme documentos no processo. A Turma de Julgamento rejeitou a decadência arguida, e considerou parcialmente procedente apenas para descontar os valores de PIS e COFINS já recolhidos, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real será arbitrado quando sua escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, e para determinar o lucro real. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 RECOLHIMENTOS EFETUADOS. DEDUÇÃO. Admitese a dedução, na apuração da Cofins exigida no auto de infração, dos recolhimentos espontâneos efetuados pelo sujeito passivo. Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 RECOLHIMENTOS EFETUADOS. DEDUÇÃO. Admitese a dedução, na apuração do PIS exigido no auto de infração, dos recolhimentos espontâneos efetuados pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente da decisão em 12 de novembro de 2010, a interessada ingressou com recurso em 10 de dezembro seguinte. Reitera a preliminar de decadência, considerando ser descabida a alegação de fraude e consequente qualificação da multa. Quanto ao mérito, reedita as razões declinadas na impugnação, inserindo as seguintes observações: “(...) no presente caso nenhuma irregularidade foi apontada que justificasse o arbitramento do lucro. Os documentos fiscais e todos os livros fiscais e contábeis solicitados foram apresentados e a escrituração foi elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, tendo sido elaboradas as demonstrações financeiras. Não há que se falar em dificuldade para realização dos trabalhos fiscais. Até as notas fiscais de entradas e saídas foram entregues. Dos livros e documentos apresentados em respostas às intimações, o Fisco extraiu e anexou ao processo, cópia dos Livros Registro de Entradas (as. 33 a 61 e 146 a 173), Registro de Saídas (Fls. 62 a 119 e 174 a 211), Registro de Apuração de ICMS (Fls. 120 a 145 e 212 a 237), extratos de contas bancárias movimentadas nos períodos (Fls.238 a 494 e 871 a 880), Diário Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 9 8 (fls. 995 a 17Q1v), LALUR (Fls. 1782 a 1819), Razão Analítico (Fls. 1820 a 2920). E mais, Livro de Registro de Empregados (que não se sabe a razão) e fotos do estabelecimento quando lá compareceu para dar continuidade à fiscalização (Fls. 992 a 994). Não foi extraído cópia dos demais documentos. Através do Termo de Devolução de Documentos de 03/02/2010 (as. 864), o Senhor Auditor devolveu toda a documentação que lastreou a contabilidade de 2005 e 2006, recebida em 20/04/2009. Deste procedimento cabe uma observação muito importante. 0 Senhor Auditor ficou com toda a documentação contábil em seu poder por mais de 9 (nove meses) e nenhuma intimação expediu com relação a ela. Não pediu esclarecimentos sobre as receitas contabilizadas e nem pediu que se comprovasse o pagamento de custos ou despesas. Nada. Absolutamente nada. Ficou claro com o seu comportamento, que após o cotejamento dos documentos com a contabilidade, nenhuma dúvida perdurou que o instigasse à pesquisa mais profunda. Por outro giro, denota claramente a sua satisfação com as verificações que procedeu. A decisão da DRJ em nada inovou, relatando o julgador que a escrituração da recorrente apresentada à fiscalização contém lançamentos resumidos e outros lançamentos que não refletem as efetivas operações ocorridas. Certo é que estes lançamentos não invalidam a escrituração, quando muito, poderiam proporcionar glosas que alterariam ou não o lucro real do ano de 2005 e só desse período, já que foram apuradas apenas no ano calendário de 2005, numa amostragem sem nenhum critério. Ainda, na página 9 da decisão, o julgador relatou que a recorrente registrou a soma de vários valores levados a depósito na conta bancária, no mesmo dia, ao invés de contabilizar um a um. Ora, nobres julgadores, as operações já foram justificadas na impugnação administrativa, que o julgador de primeira instância sequer se ateve em analisar, buscando somente uma saída para justificar o arbitramento do lucro. Para que não paira dúvidas, a recorrente extraiu da impugnação, o que discorreu sobre o assunto. Em síntese: "Nenhuma dessas divergências macula a contabilidade. Apenas mostra imperfeição na técnica contábil. 0 que tentou esconder o contabilista ao registrar a soma de vários valores levados a depósito no conta bancária, no mesmo dia, ao invés de contabilizar um a um? Qual a fraude praticada? Qual tributo pretendeu deixar de apurar com essa conduta? Qual a omissão se todos os valores estão registrados? Tomamos por exemplo o item 5 da página 9 do Termo. Na página 178 do Diário n° 2 (fis. 1283 — verso), o Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 10 9 lançamento 0 9023 de 15/12/2005, registra a débito de banco e a crédito de caixa, o depósito no Banco do Brasil, conta 7.996 0, no valor de R$ 33.957,44, Esse valor é exatamente a soma dos depósitos de R$17,79, R$120,58, R$ 32.922,46, R$ 535,61 e R$ 361,00 apontados no extrato bancário às fls. 267 e fls. 268. Isso dificultou a apuração do lucro real? É o caso também do item 8, página 10 do Termo. Os valores depositados são de R$ 320,00, R$ 13.665,00, R$ 4.555,00, R$ 4.555,00, R$ 4.555,00, R$ 24,38 e R$ 131,86 apontados no extrato às fls. 267. Na contabilidade, no dia 21/12/2005 há o registro de n° 9228 na página 190 do Diário n° 2 a débito do banco e crédito de caixa no valor de R$ 27.806,24 (fls. 1289 verso) que é exatamente a soma daqueles valores. Essa imperfeição na contabilidade é motivo para sua desclassificação? E não foi somente neste quesito que a decisão da DRJ manteve o que o Auditor entendeu correto. Como já esclarecido naquele momento, o Sr. Auditor acusa em outro tópico que todos os lançamentos contábeis do mês de maio de 2005 que registram a informação sob a rubrica Vr. Ch. Emitido p/sup. De caixa n." se mostraram ser (sic) falsos, ou seja, pelo exame dos extratos bancários não existiu nenhuma emissão de cheques para suprimento de caixa. Realmente assiste razão ao Auditor na afirmativa de que não existe cheque emitido para suprimento de caixa. Por outro giro, não tem razão quando afirma que "... o histórico dos registros contábeis não retrata a verdade material dos fatos descritos nos extratos bancários..." Ora, o único deslize cometido pelo contabilista foi transferir para o caixa o valor que saiu do banco diretamente para pagamento de contas. 0 caminho escolhido para registro das operações na contabilidade foi o mais difícil. 0 lançamento foi duplicado. Ao invés de debitar o beneficiário do pagamento e creditar o banco, debitou o caixa e creditou o banco e depois debitou o beneficiário e creditou o caixa. 0 caminho tomado em nada altera o resultado da operação. Transcrevemos abaixo os exemplos citados na impugnação como prova de que o numerário utilizado para pagamento de obrigações da empresa saiu do banco: (..omitido...) Os pagamentos foram efetuados com recursos depositados na conta bancária, ESSA É A VERDADE MATERIAL. A forma adotada pelo contabilista não tem que ser necessariamente do agrado do Senhor Auditor. 0 que importa é que a operação é legal e está informada. Em nenhum momento essa forma de contabilização, buscou camuflar fatos ou fraudar operações que pudessem alterar o resultado fiscal. Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 11 10 A respeito da conta não escriturada em 2005, mas apenas em 2006 (7.9979), reitera que as operações realizadas através dessa conta bancária, foram sim, contabilizadas reportandose aos exemplos apontados na impugnação administrativa, e invoca os seguintes acórdãos do Conselho: IRPJ. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. MOVIMENTO BANCÁRIO. CONTABILIZAÇÃO. A falta de escrituração de contas correntes bancárias, por si só, não autoriza ao Fisco proceder ao arbitramento do lucro, competindolhe demonstrar cabalmente, que essa falha na escrituração constitui vicio insanável, que a torna imprestável para determinar o lucro real' (Acórdão CRSF 0103.113). A prova de que o movimento bancário foi lançado na conta Caixa descaracteriza a necessidade do arbitramento (destacamos). Recurso voluntário provido." (Acórdão nº: 10516.232 QUINTA CÂMARA). DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO CONTABILIZADO — Logrando o contribuinte comprovar que o movimento bancário, embora não registrado em conta apropriada, figura no movimento da conta caixa., insubsistente tornase o arbitramento dos lucros."(AC. CSRF/011 1163/91, DO 26.10.94). Acrescenta que a Delegacia de Julgamento apenas ratificou o lançamento, se abstendo de fazer análise sobre a parte técnica que a impugnação trouxe em seu conteúdo. Reitera que o Auditor Fiscal não apurou omissão de receita, nem ao menos presunção, e que na página 15 do Termo relata que as GIA apresentadas ao fisco estadual estão com valores da mesma ordem de grandeza aos informados nas DIPJ. Aponta que, na verdade, os valores informados nas DIPJ são superiores aos valores das GIA tomados como base para o arbitramento, o que seria mais uma prova de que o fato de as operações terem sido contabilizadas como realizadas no caixa e não na conta bancária, em nada alterou o montante da receita do ano, nada ficando sem contabilizar, e a falha na escrituração não foi cometida com o fito de esconder as operações do fisco, que foram todas contabilizadas no caixa, não sendo detectada omissão de receita em nenhum período. Assevera que todas as operações que constavam da conta bancária foram contabilizadas e os valores Declarados (DIPJ) são maiores que os lançados na GIA, como demonstra a planilha abaixo: Período GIA DIPJ 2005 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre TOTAL DO ANO (base do arbitramento) 550.500,67 723.409,56 660.785,42 893.196,30 2.827.891,95 584.114,61 724.137,56 661.483,942 900.360,15 2.870.096,26 2006 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre (base do arbitramento) 608.815,25 978.209,06 1.031.103,28 623.608,56 982.809,12 1.031.196,28 Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 12 11 4º Trimestre TOTAL DO ANO 1.390.739,92 4.007.867,52 1.392.342,12 4.029.756,08 TOTAL GERAL 6.835.759,47 6.899.852,34 Diz que as informações acima evidenciam ser notório o erro, intencional ou não, do Senhor Auditor, ao afirmar na página 16 do Termo que os valores de 2005 são inferiores aos valores da GIA, bem como deixam claro que a falta de contabilização da conta bancária 7.9970 do Banco do Brasil, de maio a dezembro de 2005, mas com a contabilização das operações que transitaram pela conta, em nada alterou o resultado do período. Frisa que, em atropelo aos fatos, a fiscalização utilizouse da contabilidade do ano de 2005, relacionando apenas 09 (nove) itens que acredita serem inconsistentes, sem comprovar, e ainda assim, de forma desesperada, arbitrou também todo o ano de 2006, onde sequer foi encontrada ou mesmo mencionada qualquer inconsistência para este ano (vide relação n° 01 a 09 pág. 5/7, do Termo de Constatação Fiscal fls. 2972 a 2974 processo físico). Questiona qual procedimento que a fiscalização utilizou para concluir que a escrituração contábil do ano de 2006 revela indícios de fraudes e vícios que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, e indaga onde há inconsistência na contabilidade do ano de 2006. Assevera que o fato de a fiscalização ter utilizado "uma amostra do mês de maio de 2005" de per si, é motivo suficiente para o cancelamento do procedimento fiscal com relação ao anocalendário de 2006, eis que o fisco sequer analisou a contabilidade para este ano. Reitera o já afirmado na impugnação: (i) que nenhuma omissão de receita foi detectada pela fiscalização; (ii) que a recorrente não omitiu nenhum registro fiscal; (iii) que não houve depósito bancário sem comprovação; (iii) que todas as operações foram contabilizadas; (iv) que se custos ou despesas operacionais não são comprovados, manda a legislação que eles sejam glosados nos trabalhos de auditoria fiscal e não que, ao arbítrio do fisco, toda a contabilidade seja desprezada e se pratique o arbitramento do lucro. Ressalta que em nenhum momento a fiscalizada foi solicitada ou intimada a providenciar a reconstituição da escrita fiscal, o que demonstra que a fiscalização acatou a escrituração da forma em que se encontrava, até porque a escrituração preenche todas as condições pertinentes perante a legislação comercial e fiscal. No entanto, estranhamente, no momento do encerramento da ação fiscal, ou seja, depois de 09 (nove) meses de posse dos documentos fiscais, o Sr. Auditor Fiscal, entendeu por considerar a escrituração imprestável para a determinação do lucro real, e impor de forma maliciosa aos olhos de qualquer um, o arbitramento do lucro dos períodos de 2005 e 2006. Reafirma que não existe motivo suficiente para que a escrituração contábil seja declarada como imprestável, destacando que nos meses de janeiro a abril de 2005, a Fiscalização nada apontou de irregularidade, ainda que essa irregularidade exista apenas na sua ótica. E, sobre desclassificação de escrituração contábil reportase ao Acórdão da CSRF nº 0103.471, de 24 de julho de 2001, que manifesta o entendimento de que “o fato de a autuada não ter procedido ao registro no Livro Caixa de sua movimentação financeira não Fl. 5255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 13 12 autoriza por si só a rejeição da escrituração e. o consequente arbitramento do lucro mormente se o contribuinte ainda na fase de auditoria franqueia à fiscalização os seus extratos bancários, os quais evidenciam que toda a movimentação bancária é compatível com as receitas escrituradas no Livro Caixa”. Reitera as razões declinadas na impugnação para contestar a qualificação da penalidade, insistindo haver no processo ausência inegável do elemento subjetivo do dolo. Afirma que os autos evidenciam que a fiscalização utilizouse de presunção tanto na determinação da matéria tributável como na caracterização da fraude alegada.’ Repete a solicitação de desconto dos valores de PIS e Cofins já recolhidos, pleito sem objeto, uma vez que já deferido em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A decisão quanto à decadência está vinculada à questão da caracterização da fraude, o que impõe a inversão na ordem de apreciação. Como visto do relatório, a solução do litígio reside em definir se foi correto o abandono da apuração dos tributos feitos pela contribuinte, com base no lucro real, substituindoo pelo lucro arbitrado. O fundamento legal indicado pela autoridade fiscal para abandonar a apuração feita pela contribuinte foi o art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999), que dispõe: "Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 19: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Entendeu a autoridade fiscal que “a escrituração da FRIGOESPANHA é fraudulenta, eivada de falsidade ideológica em muitos dos registros de operações bancárias, Fl. 5256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 14 13 contendo vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável tanto para identificar a efetiva movimentação financeira e bancária, como para determinar o lucro real (Artigos 530 e 256 do RIR/99).” O ponto de partida da autoridade fiscal para concluir que a escrituração da empresa era fraudulenta, eivada de falsidade ideológica em muitos dos registros de operações bancárias, foi a constatação de registros, no livro Diário Geral, de lançamentos a título de suprimento de caixa, tendo como contrapartida conta representativa de Banco do Brasil. Comparando a escrituração do Diário com os extratos do Banco do Brasil, constatou inconsistência entre os registros contábeis e os históricos dos lançamentos nos extratos bancários, apontou objetivamente os oito suprimentos registrados no mês de maio de 2005 (afirmando que esse mês servia de amostra, pois os lançamentos a esse título se repetiam por todo o período), como demonstrado abaixo: Data Valor contabilizado como suprimento Observações a partir dos extratos bancários 27/05/2005 20.000,00 O histórico é TED sem cobrança de CPMF 27/05/2005 10,00 O histórico é Tarifa de emissão de DOC/TED 27/05/2005 114,26 O histórico é Débito Serviço Cobrança 30/05/2005 15.000,00 O histórico é TED sem cobrança de CPMF 30/05/2005 10,00 O histórico é Tarifa de emissão de DOC/TED 30/05/2005 237,80 O histórico é Débito Serviço Cobrança 30/05/2005 100,00 O histórico é Tarifa Contrat. Desconto de Título 30/052005 100,00 O histórico é Tarifa desconto de Cheque. Embora a autoridade fiscal não tenha indicado objetivamente os demais registros no Diário Geral a título de suprimento de caixa, afirmou que em todo o período fiscalizado (2005 e 2006) há centenas de lançamentos a esse título, sem que tenha existido emissão de cheques nesse valor. Realmente, analisei o Diário de todo o ano de 2005 e do mês de janeiro de 2006 (como amostra do ano) para verificar a procedência da afirmativa fiscal, e constatei vários lançamentos do mesmo tipo (alguns de valor irrisório, como R$ 0,61, R$ 12,41, R$ 10,00, R$ 13,79, etc.) nos meses de agosto (6 registros), novembro (41 registros), e dezembro (46 registros) de 2005 e janeiro de 2006 (31 registros), com históricos variados: devolução de cheque depositado, cheque compensado, débito de serviço de cobrança, pagamento de título, etc.. Outras irregularidades identificadas pela autoridade fiscal foram: (i) a consolidação, num único registro contábil, de mais de um lançamento constante do extrato bancário; (ii) a não contabilização, no ano de 2005, de uma das contas mantidas no Banco do Brasil (a partir de 2006 ela foi contabilizada); (iii) a divergência entre os valores dos estoques finais registrados no Livro Registro de Inventário com os apurados na contabilidade e registrados no balanço e com os informados pela empresa nas DIPJ; (iv) erro na Parte B do LALUR, no Controle da base Negativa da CSLL; (v) falta de assinatura do contabilista no LALUR; (vi) falta de adição, no segundo semestre de 2006, de despesa indedutível de R$ 102,16 (multa de trânsito); (vii) intervalos em branco no Livro Razão, entre as páginas 63 a 67. Fl. 5257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 15 14 É consabido que o arbitramento do lucro é medida extrema, adotável na impossibilidade de apurar o lucro real. A meu juízo, as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal nos presentes autos não justificam o abandono da apuração do lucro real. Explico. O primeiro fato que chama atenção é que a autoridade fiscal estribouse na inconsistência dos registros contábeis a título de suprimento de caixa, em divergência com os históricos dos lançamentos nos extratos bancários. Observo que foram apresentados todos os livros contábeis e fiscais, as notas fiscais, todos os extratos bancários e que não houve uma só intimação para a contribuinte esclarecer e comprovar as divergências. As inconsistências detectadas nos registros a título de suprimentos de caixa, bem como a constatação de que fatos descritos nos extratos bancários não foram escriturados separada e individualizadamente na contabilidade da empresa, sendo consolidados num único lançamento, como descrito às fls.8/12 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5089/5093 digitalizado), não constituem razão suficiente para considerar a escrituração imprestável para apuração do lucro real, sem um aprofundamento na investigação. Nem mesmo a não escrituração, no ano de 2005, de uma das contas bancárias mantidas pela empresa no Banco do Brasil, justifica o desprezo da apuração do lucro real, eis que a contribuinte entregou à fiscalização todos os extratos a ela correspondentes. Atentese que a autoridade fiscal esteve na posse dos livros contábeis e fiscais da empresa, das notas fiscais e de todos os extratos bancários (inclusive da conta que só foi contabilizada a partir de 2006), por um período de 9 meses. Não se compreende que, tendo constatado inconsistências nos registros a título de suprimento de caixa, a autoridade não tenha intimado a contribuinte a justificálas, com as provas correspondentes. De qualquer forma, mesmo que achasse que os extratos bancários representam prova suficiente da inexistência dos suprimentos, não demandando esclarecimentos (o quê não me parece razoável), o procedimento ordinário seria ajustar a conta “Caixa” para dela excluir os suprimentos não comprovados e apurar eventuais saldos credores de caixa, que seriam tidos como omissão de receita. Além das inconsistências dos registros de suprimentos de Caixa (que eventualmente poderiam acobertar omissão de receitas, passíveis de ser averiguadas a partir de saldo credor de Caixa), para a conta bancária não contabilizada em 2005 a Fiscalização poderia ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos créditos constantes dos seus extratos (que foram fornecidos pelo sujeito passivo), a fim de pesquisar eventual omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Divergência entre os valores dos estoques finais registrados no Livro Registro de Inventário com os apurados na contabilidade e registrados no balanço e com os informados pela empresa nas DIPJ não invalidam a apuração do lucro real, e poderiam ser objeto de ajuste, de ofício, na apuração do “custo das mercadorias vendidas”. Da mesma forma, a falta de adição da despesa indedutível (multa de trânsito). Assim, não vejo, nas irregularidades constatadas pela fiscalização, justificativa para o abandono do critério de apuração utilizado pela contribuinte (lucro real), e considero improcedentes os lançamentos, decisão que absorve a questão da decadência. Fl. 5258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/201083 Acórdão n.º 1301001.576 S1C3T1 Fl. 16 15 Quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), devem observar o mesmo procedimento adotado no lançamento principal (IRPJ), em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Isto posto, DOU provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de julho de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 5259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10166.904919/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 19 /2 00 9- 81 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 87 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 29838.68089.150405.1.3.049807, apresentada em 15.04.2005, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$105.953,75, contido no DARF no total de R$185.927,02 recolhido em 31.03.2004, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. De acordo com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 105.953,75 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados o PER/DCOMP [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 02.04.2009, fl. 10, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 08.04.2009, fl. 01, solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/200839. A manifestação de inconformidade foi objeto de análise, conforme Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, fl. 12, resultando na devolução dos autos ao órgão de origem: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 02, emitido eletronicamente em 25/03/2009, a autoridade competente não homologou a compensação declarada pelo contribuinte no PER/DCOMP n°. 29838.68089.150405.1.3.04)807, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, relativo a pagamento a maior no valor original de R$105.953,75, proveniente de recolhimento efetuado em 31/03/2004, através de DARF no valor de R$185.927,02, o qual foi totalmente utilizado para extinguir débito declarado em DCTF. Conseqüentemente, diante da não homologação, o sujeito passivo foi intimado a efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. Cientificado do despacho denegatório, por via postal, em 02/04/2009 (fl. 10), o interessado apresentou em 08/04/2009 a petição acostada à fl. 01, na qual, em síntese, não contesta o direito creditório não reconhecido mas a cobrança do débito, que informa ter sido objeto de outra compensação, constante dos autos do processo n° 10166.900226/200839. Desta forma, não havendo reclamo contra o direito creditório, a matéria tratada no requerimento não comporta julgamento de primeira instância por esta DRJ, razão pela qual retorno os autos ao órgão de origem, para as providências cabíveis. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 88 3 O processo foi enviado para cobrança amigável, pois, de acordo com o órgão de origem, o valor cobrado não corresponde a nenhum dos débitos inclusos no processo mencionado pela Recorrente. Notificada em 28.08.2012, fl. 17, inconformada com Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, a Recorrente opôs nova peça de defesa que denominou “manifestação de inconformidade” em 05.09.2012, fls. 1922, argumentado: 05. Considerando que a elaboração de forma incoerente, da fundamentação da cobrança, deixando de evidenciar a informação de que o valor de R$518.160,02 tratase exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013, sob a natureza de um pagamento indevido ou a maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ, declarado no valor de R$1.819.934,76, na DIPJ 2005 entregue de forma tempestiva, objeto deste facilmente evidenciado na sua página de n° 11, ficha 12A, de fundamental importância para o bom exame da matéria; cumpre de início fazer breve histórico sobre este assunto. 06. Por motivo desse saldo negativo de [IRPJ] de R$1.819.934,76, foram informados equivocadamente em outras Per/DComp um valor divergente, onde a base de cálculo negativa do imposto seria de R$1.301.774,74 e não o que realmente era devido. A regularização dessa situação, que em princípio seria de simples solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas, procedimento que a via tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito em questão, fixase o quadro: Valor Base Negativa IRPJ DIPJ (Correto) 1.819.934,76 Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp (1.301.774,74) Diferença [IRPJ] a maior DIPJ 518.160,02 07. Sobretudo, cumprese destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as Per/DComp, que é de R$518.160,02, foi compensada pela via nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. 08. Assim, diante dos argumentos apresentados, não tendo sido comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...], deve ser extinto o crédito tributário ora requerido por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. [...] 09. Estamos certos de que demonstramos, à exaustão, a ilegalidade de que se reveste o lançamento da cobrança em referência. 10. Diante das razões expostas, a empresa pleiteia o deferimento integral da presente peça de manifestação de inconformidade e, em conseqüência, sejam declarados improcedentes todos os lançamentos ora contestados, como também o cancelamento do Despacho Decisório [...]. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 52.317, de 24.05.2013, fls. 3337: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 89 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PETIÇÃO EXTEMPORÂNEA. PRECLUSÃO Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Notificada em 21.08.2013, fl. 43, Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.09.2013, fls. 4567, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II DA PRELIMINAR DA NULIDADE DAS DECISÕES DA DRJ. DO FLAGRANTE CERCEAMENTO DO DIREITO D E DEFESA. DA AUSÊNCIA D E APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS D E DEFESA: No presente momento, necessário se faz reiterar os seguintes momentos do processo, os quais estão intrinsecamente vinculados ao cerceamento do direito de defesa comprovadamente ocorrido, quando da apresentação da primeira irresignação em face da não homologação da compensação realizada. Repitase, após a ciência do Despacho que não homologou a compensação realizada, houve apresentação de manifestação de inconformidade [...], a qual fora devidamente processada, onde sobreveio Despacho de encaminhamento [..] lavrado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, manifestandose no sentido de que: (i) que a referida manifestação de inconformidade [...] apresentada, fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 30 dias; (ii) que houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/2009; (iii) ao final, determinou a remessa dos autos à DRJ de Brasília para análise de impugnação proposta pela Recorrente. [...] Ocorre que de forma indevida e em desobediência flagrante à verdade material, a fungibilidade recursal e o Decreto n.° 70.235/72 que regula a tramitação do processo administrativo fiscal no âmbito federal, houve lavratura de Despacho [...] de devolução, onde foram gravadas as seguintes informações: (i) que a Recorrente não teria contestado o direito creditório em face da não homologação do Per/DComp; (ii) que como não houve o suposto reclamo da Recorrente, o processo não comportaria julgamento de primeira instância, razão pela qual se determinou o retorno dos autos à origem. Depreendese da leitura da decisão recorrida que o entendimento da Turma Julgadora não merece prosperar, na medida em que esta deixou de acolher os argumentos suscitados pela Recorrente quando da apresentação da primeira manifestação de inconformidade [...], onde fora induzida a erro pela confusão havida no preparo dos autos para julgamento, haja vista que [...] a unidade preparadora faz Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 90 5 uma afirmação, ao passo [...] existe informação em sentido diametralmente oposto. [...] Como pode constar a informação [...] dos autos que: (i) a manifestação de inconformidade [...] apresentada fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 30 dias; (ii) houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/2009; (iii) fora determinada a remessa dos autos à DRJ de Brasília para análise de impugnação; e, posteriormente, por intermédio de Despacho de Devolução [...], a mesma DRJ/BSB que agora teve competência para apreciar o caso ([...], afirmou anteriormente que não o teria para dar alicerce à sua conduta flagrantemente omissa??? Importante se faz gravar que quando da apresentação da primeira manifestação de inconformidade [...] , a própria unidade preparadora e/ou a DRJ/BSB tinha a obrigação legal, tendo em vista os fundamentos de defesa e a verdade material que rege o processo administrativo fiscal, de requerer informações e/ou avocar o processo administrativo fiscal n.° 10166.900226/200839, até porque na data em que fora apresentada a primeira manifestação de inconformidade, ambos os casos, ou seja, esse processo administrativo e o da origem do crédito (PA 10166.900226/200839). estavam no Serviço de Controle e Julgamento da própria DRJ/BSB. [...]. Assim, resta claro que a Recorrente não pode ser apenada pelo descompasso entre a unidade preparadora e o órgão julgador, o qual, este último, tem o dever legal de emanar suas decisões com base na verdade material e na instrumentalidade processual de forma fundamentada e sem preterição do direito de defesa como ocorreu no caso dos presentes autos. Assim sendo, conforme se passará a demonstrar, o Despacho de devolução [...] deverá ser anulado, bem como o Acórdão recorrido que fora proferido pela d. 2º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, pois ambos encontramse eivados de nulidade, uma vez que deixaram de apreciar tanto o fundamentos da primeira manifestação de inconformidade, tal como ocorreu quando da apresentação da segunda irresignação das razões de defesa suscitadas. Dispõe o Decreto n.° 70.235/72, com a redação que lhe foi alterada pela Lei n.° 8.748/93, em seu artigo 31, ao referirse à decisão exarada em primeira instância administrativa [...]. Notase, portanto, que a legislação regente é clara em estabelecer que a decisão emanada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento deve conter expressamente todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Tratase, portanto, de um requisito indispensável à garantia do devido processo e ao seu processamento para que não haja preterição do direito de defesa tal como ocorreu. No mesmo Decreto, especificamente no comando legal insculpido no art. 59, inciso II, encontrase a seguinte previsão no que concernente a nulidade despachos e decisões [...]. Percebese, dessa forma, que o mencionado dispositivo legal é claro ao mencionar que é nula a decisão de primeira instancia administrativa que cerceia o direito de defesa do contribuinte e é o que ocorreu no presente caso, na medida em que o Despacho de devolução dos autos não analisou sequer os fundamentos constantes da irresignação da Recorrente, mesmo levandose em consideração de que a Recorrente teve o cuidado de juntar, à época, a íntegra da manifestação de Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 91 6 inconformidade protocolizada nos autos do Processo Administrativo Fiscal n.° 10166.900226/200839. [...] Com isso, concluise que: (i) é requisito indispensável da decisão de primeira instância administrativa fiscal federal a abordagem expressa de todos os aspectos e argumentos levantados na peça impugnatória; (ii) o não cumprimento de tal obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento do direito de defesa; e (iii) a caracterização do cerceamento de defesa implica na nulidade da decisão de primeira instância. No presente caso, observase que a primeira manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente demonstrou a não procedência do Despacho Decisório [...] que não homologou a compensação realizada pela Recorrente, onde à época, houve manifestação desta no sentido de que o valor referido na compensação citada já estava incluído nos autos do Processo Administrativo Fiscal n.° 10166.900226/200839, onde inclusive, fora juntada a íntegra da manifestação de inconformidade [...] e, inclusive, ao final, houve requerimento de cancelamento do presente caso, em razão de que o valor aqui referido já' fazia parte do outro caso, qual seja, citese novamente, o Processo Administrativo n.° 10166.900226/200839. Contudo, na decisão recorrida, os Srs. Julgadores que se limitaram [...] a se manifestar no sentido de que não constava contestação do direito creditório, houveram por bem ulteriormente em julgar o processo através do acórdão ora recorrido, em total descompasso com as normas que regem a tramitação e a análise dos processos administrativos fiscais no âmbito federal. Em outras palavras, o que a DRJ/BSB fez, em ambas as decisões, quais sejam, na decisão [...] e no acórdão recorrido, foi deixar à margem da lei suas decisões em flagrante desobediência com a fungibilidade recursal, bem como do princípio da verdade material. De fato, na íntegra da decisão, é possível verificar que a própria DRJ/BSB [...] dos autos grava que a primeira petição da Recorrente tem a natureza jurídica de manifestação de inconformidade, pelo que se verifica com tal alegação o verdadeiro descompasso da Decisão lavrada [...], na medida em que resta claro e provado que o órgão julgador não analisou em nada as manifestações da Recorrente, seja na primeira peça de inconformidade, seja na segunda manifestação que fora julgada ulteriormente. Apenas a título de exemplificação, como pode a d. DRJ/BSB afirmar que se trata de manifestação de inconformidade e não julgar pelo simples e incorreto motivo de que a Recorrente não teria contestado seu direito creditório e, em momento posterior, afirmar que os fundamentos são extemporâneos??? Data máxima venia, um verdadeiro absurdo jurídico tais manifestações, em especial porque ferem de forma inconteste as normas que regulam o processo administrativo fiscal no âmbito federal. Ou seja, nesse ponto, como ocorreu em diversos outros do presente caso [...] a Turma Julgadora simplesmente deixou de apreciar as razões da primeira manifestação de inconformidade suscitadas pela Recorrente na peça apresentada [...], em total ofensa aos artigos 31 e 59, II do Decreto que regula o Processo Administrativo Fiscal. Tratase, portanto, de nítido cerceamento do direito de defesa em desfavor da Recorrente. [...] Dessa forma, estando devidamente demonstrado que a Turma Julgadora, seja na lavratura do Acórdão recorrido [...], seja no Despacho de devolução [...] se Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 92 7 eximiu do seu dever contido nos artigos 31 e 59 inciso II, ambos do Decreto n.° 70.235/72, temse que as decisões por ela emanadas padecem de nulidade, devendo tal fato ser reconhecido por esta colenda Turma Julgadora, para que os autos do presente processo administrativo sejam devolvidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, a fim de que eles, relativamente aos fundamentos das manifestações de inconformidade apresentadas, profiram uma nova decisão abordando todos os argumentos suscitados pela Recorrente. III DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Não obstante os fundamentos acima expostos sejam mais do que suficientes para determinar a declaração de nulidade de todo o processo a partir do Despacho de devolução [...], uma vez que em completo desacordo com as regras que regem o processo administrativo fiscal, a manifestação de não homologação através do Despacho Decisório [...] não pode ser considerada lídima para fundamentar o não aproveitamento do crédito tributário a que tem direito a Recorrente tendo em vista a flagrante desconsideração do Princípio Da Verdade Material. Isso porque tal Despacho decisório fora lavrado unicamente em dados que não correspondem à verdade dos acontecimentos e sim em meras suposições, o que, por si só, não têm o condão de gerar a não homologação do aclarado crédito tributário que faz jus a Recorrente. Ou seja, em todos os fundamentos constantes do Despacho decisório que não homologou a compensação realizada, a Auditoria Fiscal afasta toda a verdade material e não reconhece o crédito da Recorrente, motivo pelo qual desconsidera integralmente todas as provas juntadas quando da apresentação das manifestações de inconformidade que comprovam de forma inconteste a existência de crédito em favor da Recorrente. [...] Verificase, ainda, a elaboração de forma incoerente da fundamentação da cobrança pelo Despacho Decisório que não homologou a compensação que a Recorrente faz jus, haja vista que a RFB deixou de constatar a informação de que o valor de R$518.160.02 tratase exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079, 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. sob a natureza de um Pagamento Indevido ou a Maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ declarado no valor de R$1.819.934.76. na DIPJ 2005 entregue de forma tempestiva, objeto que pode ser facilmente evidenciado na sua página n° 11, especialmente na ficha 12A. É necessário esclarecer que o saldo negativo de R$1.819.934,76 (que consta na DIPJ de 2005 como saldo de pagamento informado equivocadamente em outras Per/DComp com valor divergente, onde a base de cálculo negativa naquela informação repassada ao Fisco seria de R$1.301.774,74, o que não corresponde com o valor real para homologação da presente compensação, ou seja, o que realmente é lídimo para efeitos de compensação em favor da Recorrente é o primeiro valor gravado, qual seja: R$1.819.934,76. A regularização dessa situação, que em princípio seria de simples solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas, procedimento que se tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito em questão, seguese o quadro didático abaixo: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 93 8 Valor Base Negativa IRPJ DIPJ (Correto) 1.819.934,76 Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp (1.301.774,74) Diferença IRPJ a maior DIPJ 518.160,02 Ainda, de suma importância cumprese destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as Per/DComp, que é de R$518.160,02, foi compensada pela Recorrente nos seguintes Per/DComp n°s 30552.16502.1503|05.1.7.04.3079; 38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. Assim, diante dos argumentos acima apresentados, não tendo sido comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...] deve ser homologada a compensação realizada com a consequente reforma do Acórdão recorrido lavrado pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Assim sendo, provase. ab initio, que os argumentos para homologação do crédito a que a Recorrente faz jus devem ser analisados a fundo, haja vista os ora citados fundamentos da presente peça administrativa fiscal. Com efeito, para a garantia do procedimento administrativo correto, bem como para análise do processo administrativo com um todo, se faz necessária a utilização de provas veementes para garantir o batismo da certeza, isso porque tal procedimento deve reger toda atividade administrativotributária. Assim, com relação aos créditos tributários que têm direito a Recorrente, não cabe prosperar a alegação administrativa de não homologação do crédito existente, ainda mais quando se verifica claramente a existência de pagamento a maior e efetivo crédito que dá lastro para que seja deferida a compensação realizada. Dessa forma, em razão do princípio da verdade material, corolário da legalidade, não pode o Fisco deixar de proceder à análise dos fatos jurídicos tributários e de todos os documentos (obrigações acessórias) já juntados no presente caso, sob pena de não homologar crédito com clareza solar que a Recorrente faz jus. [...] No presente caso, verificase que a Administração Fiscal não se preocupou em apurar a verdade material dos fatos, haja vista que, não obstante ter diversas informações e documentos sobre todas as operações realizadas pela Recorrente, delas não tomou conhecimento ou examinouas de forma equivocada, arbitrária e desmedida. Indagase, diante de tantas informações e documentos! Preocupouse o Auditor Fiscal e a Administração Tributária em apurar a verdade durante todo o procedimento administrativo de fiscalização??? Com certeza: NÃO. Assim, repitase, o presente caso está intrinsecamente relacionado com o Processo Administrativo n.° 10166.900226/200839, o qual juntamente com a contabilidade da Recorrente prova a origem do crédito existente, especialmente o pagamento a maior realizado. Então, não merece prosperar a não homologação do crédito a que a Recorrente tem direito, o qual não fora homologado via Despacho decisório que teve entendimento idêntico gravado pela d. DRJ/BSB, eis que resta comprovado que o crédito apurado pela Recorrente é lídimo e deverá ser aproveitado, em face do princípio da verdade material. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 94 9 Passados esses fundamentos, concluise que a presente compensação deverá ser homologada em obediência à verdade material, bem como pela inconteste demonstração do direito creditório como feito anteriormente. IV A CONTABILIDADE COMO PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE. No exercício regular de suas atividades, as empresas devem manter contabilidade societária e fiscal, de modo que todos os interessados nas operações das empresas (funcionários, diretoria, Fisco, etc.) possam visualizar a sua verdadeira situação e tenham subsídios para tomar suas decisões e cumprir os seus respectivos ofícios. Os lançamentos contábeis, na verdade, refletem os diversos fatos econômicos ocorridos na vida da empresa, produzindo as informações desejadas pelos "consumidores" dos relatórios/informes contábeis. Nesses termos, é necessário terse em mente que a ocorrência dos fatos econômicos sempre será materializada por meio de documentos, razão pela qual todo o lançamento contábil deve ter lastro em documento que indique o fato econômico contabilizado. [...] Resta claro, portanto, que a contabilidade feita pela Recorrente constituise prova em seu favor, sendo certo afirmar que a total desconsideração das razões expostas nas manifestações de inconformidade, faz surgir de forma aclarada que a d. Fiscalização sequer teve o cuidado de levantar1 informações contundentes antes da não homologação da compensação aqui discutida. Visto isso, cumpre esclarecer relevante questão acerca dos documentos que dão suporte aos negócios jurídicos objeto de contabilização. Isto porque, conforme se depreende do já aludido artigo 923 do RIR/99, a contabilidade somente faz prova em favor do contribuinte se lastreada em "documentos hábeis". [...] Sendo assim, é de se concluir que um documento hábil para a escrita contábil é aquele que consubstancie fisicamente um negócio jurídico (que implique em alteração patrimonial na empresa) com cumprimento aos ditames legais. Logo, o lançamento contábil calcado em documentos que condizem com a realidade factual faz prova a favor do contribuinte, devendo o Fisco, sempre aprofundar e levantar as informações corretas antes da não homologação do crédito a que faz jus a Recorrente, o que não foi feito no caso dos presentes autos de forma inconteste. [...] Por todo o exposto, queda nítido, que a escrita contábil do contribuinte, lastreada em instrumento válido juridicamente, t em poder de prova em sua benesse no que tange ao direito creditório da Recorrente considerado corretamente pela RFB, sendo dever do Fisco, que não fora caso almeje fundamentar sua decisão sobre a não homologação do crédito a que faz jus a Recorrente, em considerar todos os documentos e os lançamentos contábeis devidamente realizados por esta, o que não foi feito até o presente momento. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 95 10 Desde logo, se requer, quando da chegada dos autos no CARF o sobrestamento do feito para julgamento em conjunto com os Processos Administrativos n.°s 10166.900222/200851 e 10166.900226/200839, ambos em trâmite na Primeira Seção de Julgamento do CARF na medida em que tais processos estão intrinsecamente ligados (origem do crédito) ao caso presente e deverá haver o julgamento em conjunto pela mesma Turma. Em face de todo o exposto e reiterando todos os termos das manifestações de inconformidade apresentadas, requer o acolhimento da preliminar de nulidade das decisões emanadas pela d. DRJ/BSB por flagrante cerceamento do direito de defesa e/ou das razões de mérito do presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do r. Acórdão recorrido [...] a fim de que seja homologada a compensação realizada pela Recorrente, reconhecendose o crédito tributário ora em discussão e arquivandose o presente processo administrativo fiscal aqui entabulado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em preliminar tem cabimento a análise da tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do Despacho Decisório que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência 1. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 96 11 O prazo legal de instauração da fase litigiosa no procedimento é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta. Cientificada em 02.04.2009, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 08.04.2009 solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/200839. Temse que no Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF restou esclarecido que “não havendo reclamo contra o direito creditório, a matéria tratada no requerimento não comporta julgamento de primeira instância por esta DRJ, razão pela qual retorno os autos ao órgão de origem, para as providências cabíveis”, tendo em vista o art. 224 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Notificada em 28.08.2012 e discordando do Despacho do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, a Recorrente opôs em 05.09.2012 aditamento à peça de defesa que denominou “manifestação de inconformidade” contra a não homologação dos débitos originalmente confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos. A motivação que está registrada no Voto Condutor do Acórdão recorrido é a seguinte: Revisitando o Decreto [nº 70.235, de 06 de março de 1972] verificamos que a impugnação/manifestação de inconformidade, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência (no caso em baila o Despacho Decisório), instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Não podemos perder de vista que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser apresentados na impugnação, ou seja, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do despacho decisório, precluindo o direito de o requerente fazêlo em outro momento processual. Em suma, a petição intitulada Manifestação de Inconformidade, apresentada em 05/09/2012 (fls. 18 a 21 e anexos), em face da sua extemporaneidade, não instaura fase litigiosa já instaurada, via de conseqüência, não comporta julgamento de primeira instância. Ex positis, voto por não conhecer da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. Verificase que, em face da não homologação dos débitos confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos, a Recorrente opôs a peça de defesa, que tem natureza jurídica de aditamento à manifestação de inconformidade originalmente apresentada no tempo, na forma e no lugar previstos em lei, pois o fez antes que fosse proferido o Acórdão Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 97 12 da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF. Por essa razão, a preclusão temporal está afastada, haja vista que não houve o descumprimento do prazo para a prática do ato processual. Na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o referido aditamento a manifestação de inconformidade foi apresentado intempestivamente. Por essa razão, não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação para evitar a supressão de instância. Temse que inexiste reconhecimento implícito de direito creditório no caso em que a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) que originalmente proferiu a decisão de primeira instância. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 98 13 livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 99 14 permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novo recurso voluntário, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp e acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade originalmente apresentada, afastamento a preliminar de sua intempestividade, impõe, pois, o retorno dos autos à DRJ/BSA/DF para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade como tempestivo e o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ, código 2362, no valor de R$105.953,75, contido no DARF no total de R$185.927,02 recolhido em 31.03.2004, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela DRJ/BSA/DF, com o conseqüente retorno dos autos a essa unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido no Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/200981 Acórdão n.º 1803002.549 S1TE03 Fl. 100 15 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13210.000216/2007-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2004
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.747
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues ePaulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 21 0. 00 02 16 /2 00 7- 26 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues ePaulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13210.000216/200726 Acórdão n.º 2403002.747 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0112.052 da 4ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração AI DEBCAD n° 35.946.9540, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, de acordo com fls. iniciais e Relatório Fiscal da Infração de fl. 12, em razão de haver infringido o disposto no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.1999. Segundo o mencionado Relatório, a empresa deixou de exibir: os Empenhos da saúde do ano de 2001 (exceto abril de 2001); os Empenhos de 12/2002 (incompleto); as pastas identificadas como 06/16 e 11/16, do mês de fevereiro de 2003 (despesas da prefeitura); caixa identificada como 02/02, do mês 11/2003 (despesas da prefeitura); caixa identificada com i° 'A, do mês de 12/2003 (despesas da Prefeitura); Empenhos do mês de março de 2004 referentes à saúde; todos os Empenhos do mês de 01/2004 (despesas da Prefeitura); todos os Empenhos do mês de 03/2004 (despesas da Prefeitura); e as caixas identificadas como 01/03 e 03/03 do mês abril de 2004 (despesas da Prefeitura). Informa ainda o Relatório Fiscal que a infração é lavrada em nome da Prefeita Municipal, em atendimento ao disposto no artigo 41, da Lei n° 8212/91. Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada multa no valor de R$11.569,50 (onze mil quinhentos e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos), na forma prevista no art. 92 e 102, da Lei n° 8.212/91, c/c art. 283, II, "j" e art.1373, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O valor da multa foi atualizado pela Portaria MPS/GM n° 342, de 16/08/06. A autuada foi pessoalmente cientificada da autuação em 28/02/2007, conforme AR — Aviso de Recebimento dos CORREIOS (fl. 14). Em 09/03/2007, a interessada apresentou defesa tempestiva (fls. 32/34), reclamando, em síntese, que: "Todos os documentos solicitados pela fiscalização foram disponibilizados, não havendo qualquer intimação Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 comunicando sobre outros documentos faltantes. Se os documentos referenciados na infração deixaram d ser disponibilizados, nada correto do que comunicar ao funcionário encarregado da fiscalização para as providências cabíveis. Se documentos não foram apresentados, não há nenhum dolo por parte da municipalidade. O que houve, no nosso entendimento, foi um grande volume de documentos solicitados (mais de 3.000 pastas). Aquilo que foi relacionado como faltante é irrisório, porém só poderíamos providenciálos mediante comunicação do fiscal". A defendente finaliza sua defesa, informando que está colocando à disposição da fiscalização os documentos elencados no relatório fiscal da infração, podendo a qualquer momento ser examinado pela auditoria da Receita Previdenciária. Solicita ainda a relevação da multa. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Os documentos solicitados pela fiscalização foram disponibilizados, ocorrendo que, pelo volume de mais de 3.000 (pastas) apresentadas, seria bem provável, que o ilustre auditor tenha deixado de analisar algumas, tanto é que todas as pastas inclusive as que supostamente não teriam sido disponibilizadas estavam no mesmo local, ou seja, no escritório de contabilidade, tendo o auditor analisado os documentos lá. · Foram colocadas à disposição as referidas pastas e informado que não houve má fé do servidor público o Sr. José Brito da Silva (Secretário de Administração), colocado à disposição do auditor para apresentação dos documentos solicitados, pois como já mencionado antes, o volume de documentos apresentados era enorme, com mais de 3000 pastas. · Impossibilidade da lavratura do auto em nome da prefeita. · Por força da Lei 9.476/97, foi concedida Anistia aos agentes políticos e aos dirigentes de órgãos públicos estaduais, do Distrito Federal e Municipais a quem, porventura, tenham sido impostas penalidades pecuniárias decorrentes do artigo 41 da Lei 8.212/91. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13210.000216/200726 Acórdão n.º 2403002.747 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 13/10/2008 e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 12/11/2008. O notificado interpôs o recurso no dia 13/11/2008, portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. É como voto. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10880.910870/2008-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 70 /2 00 8- 40 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/200840 Acórdão n.º 3803006.690 S3TE03 Fl. 62 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 2.563,14, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/200840 Acórdão n.º 3803006.690 S3TE03 Fl. 63 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/200840 Acórdão n.º 3803006.690 S3TE03 Fl. 64 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/200840 Acórdão n.º 3803006.690 S3TE03 Fl. 65 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11442.000202/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 02 /2 01 0- 59 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 3 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/201059 Acórdão n.º 3301002.421 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11050.001268/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002
DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO.
O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.
Numero da decisão: 3201-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Erika Costa Camargos Autran e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Erika Costa Camargos Autran e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 171 1 170 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.001268/200421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.836 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO II IPI Recorrente NAVEGAÇÃO GUARITA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Erika Costa Camargos Autran e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Resolução nº 30301.517: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 12 68 /2 00 4- 21 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 2 Tratase de Autos de Infração (fls.01/07 e 08/15), concernentes a exigências de Imposto de Importação, acrescidos de juros de mora e multa de mora (fls.01/07) e de Imposto sobre Produtos Industrializados vinculados ao II, acrescidos de juros de mora e multa proporcional (fls.08/15), pelos motivos aduzidos no item 'descrição dos fatos', constantes às fls.01 e 08, quais sejam: o importador, por meio de Declaração de Importação — DI 01/06722071, registrada em 06/07/2001, submeteu a despacho duas unidades de Guincho Manual para Bote de Resgate, classificadas na posição fiscal da NCM 8425.39.10 — "Outros Guinchos e cabrestantes, capacidade <= 100t", aliquotas de 14% e 10% respectivamente para o II e IPI, e 3 unidades de Defensas Infláveis Yokohama para uso NavioparaNavio, classificados na posição fiscal da NCM 4016.94.00 — "Defensas para atracar embarcações de borracha vulcanizada não endurecida", aliquotas de 18,5% e 8% para o II e IPI, respectivamente; na presente DI a empresa solicitou a isenção do II e IPI, fundamentada no art. 2°, inciso II, alínea "j", e art. 3°, inciso I, ambos da Lei n° 8.032/90; no curso do despacho, o Agente Fiscal de Receita Federal responsável exigiu que a empresa apresentasse "declaração de que as mercadorias importadas serão utilizadas para reparo ou manutenção de aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira instalados ou em funcionamento do pais"; ao responder a exigência supra descrita, a empresa informa que as peças são destinadas à manutenção da embarcação Guarapuava, de construção e bandeira brasileiras; todavia, conforme disposto no art. 111, inciso II, do CTN; arts. 15, inciso VII, • 17 e 19 do DecretoLei n° 37/66; e arts. 132, 200 e 205, inciso VIII, alínea "b", do Regulamento Aduaneiro — RA, Decreto n° 91.030/85, concluiuse que os bens, ora importados, não fazem jus à isenção pleiteada, pelo fato de as mercadorias serem destinadas a reparo, revisão e manutenção de embarcação nacional, não alcançada pela legislação vigente; tendo em vista a conclusão supra exposta, procedeuse nova exigência no sentido de impor ao importador o recolhimento dos tributos incidentes na importação em foco, com a apresentação dos pertinentes DARFs, e a conseqüente retificação da DI; isto porque, segundo o art. 200 do RA, a anotação de inexistência de similar nacional é condição indispensável para o despacho aduaneiro com isenção do imposto; somente seria dispensado o exame da similaridade se as mercadorias fossem utilizadas para reparo ou manutenção de aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência estrangeira instalados ou em funcionamento no pais; tal anotação de inexistência de similar nacional deve constar da respectiva LI, outrossim, de acordo com declaração emitida pelo próprio importador; os produtos importados "destinamse ao reparo, revisão e manutenção do N/T Guarapuava, de construção e bandeira brasileiras"; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/200421 Acórdão n.º 3201001.836 S3C2T1 Fl. 172 3 inconformado com a exigência, o importador propôs a ação ordinária n° 2001.71.01.0012548, na qual foi concedida a tutela antecipada nos seguintes termos: "Pelo exposto, concedo a antecipação da tutela para o efeito de liberar as mercadorias referidas nas fls. 3435 (DI n° 01/06722071), mediante a comprovação de depósito em conta remunerada junto a caixa econômica federal, dos valores de R$ 13.684,18 a título de II e R$ 9.916,22 a título de IPI, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, V, do CTN"; contudo, os valores somente foram depositados em 20/07/2001, data posterior ao registro da DI (06/07/2001), e sem os acréscimos legais cabíveis para o II; conforme Ato Declaratório Normativo COSIT n° 00010/1997, sobre o II devido cabe a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96; sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevê o art. 151 do CTN; sobre o depósito do montante integral, conforme disposto no art. 4°, do Decreto Lei n° 1737/79, para suspensão da exigibilidade, dever ser efetuado pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido de multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do tributo ou contribuição até a data do depósito; lavrouse o AI para constituição do crédito tributário decorrente, que nos termos do inciso V do art. 151 do CTN, encontrase com sua exigibilidade suspensa, por força da antecipação da tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 2001.71.01.0012548; os bens importados não fazem jus à isenção do IPI pleiteada, visto que os mesmos não fazem jus à isenção do II, também pleiteada, razão pela qual o IPI é sujeito aos mesmos efeitos do II; da mesma forma, o valor devido para o IPI também foi objeto de depósito judicial, todavia, os valores somente foram depositados em 20/07/01, data posterior ao registro da DI (06/07/01) e sem os acréscimos legais cabíveis para o II. Acompanham os referidos AIs os documentos de fls.16/33. Capitulouse a exigência da diferença de II nos artigos 1°, 77, inciso I, 80, inciso I, alínea "a", 83, 86, 87, inciso I, 89, inciso II, 99, 100, caput e § único, 103, 111, 112, 129/136, 411/413, 416, 418, 455, 456, 499 e 500, incisos Te IV, 501, inciso III, 542 Cio R.A., aprovado pelo Decreto 91.030/85. No que tange à multa e juros de mora aplicados no II, capitulou se a exigência, respectivamente, no art. 530 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85 c/c art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96, e no art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/96. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 4 Com relação à exigência de IPI, capitulouse a exigência nos artigos 2°, 15, 16, 17, 20, inciso I, 23, inciso I, 28, 32, inciso I, 109, 110, inciso I, alínea `a' e inciso II, alínea„`a', 111, § único, inciso II, 112, inciso III, 114, 117, 118, inciso I, alínea 'a', 183, inciso I, 185, inciso I, 438 e 439, do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98. Quanto à exigência de multa e juros de mora aplicados no IPI, capitulouse a exigência, respectivamente, no art. 442 e 443 do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96; e no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Ciente do Auto de Infração, o contribuinte apresentou Impugnação às fis.36/48, na qual alega, em suma, que: o ato administrativo de lançar a título de IPI e II não deve prosperar, em face do trâmite da ação judicial processada perante a 2 Vara do Rio Grade/RS; o valor do imposto cobrado no lançamento é objeto da ação judicial e viceversa; o ato administrativo está sobrepondose à competência da jurisdição do Poder Judiciário; não há que se falar em prescrição do crédito da União em face da suspensão legal da exigibilidade; os depósitos serão convertidos em renda da União, em caso de eventual improcedência dos pedidos do contribuinte; depositou o valor integral do crédito, razão pela qual não deve prosperar os acréscimos exigidos no AI sob a alegação de retardamento do depósito judicial entre a data devida e a efetivamente recolhida, eis que deveriam ter sido alegados na contestação, para que o contribuinte então complementasse eventual depósito insuficiente; os valores depositados correspondem a 100% do valor do imposto; a administração pública, realiza, paralelamente à ação judicial, o lançamento complementar de maior valor, isto porque a correção que se aplica aos depósitos judiciais é bem inferior a Taxa Selic que aplica sobre os impostos cobrados; verificase erro material nos valor. es lançados no AI, pois a fiscalização lançou multas, juros, encargos e correções sobre o valor integral do imposto por ela lançado; como se infere do lançamento, haveria uma pequena diferença relativa ao período entre a autorização judicial e o depósito, diferença que deveria ter sido alegada em contestação pela Fazenda Nacional; o valor lançado deveria ser deduzido do valor principal depositado, assim sendo, os acréscimos aplicados pelo fisco teriam como base de cálculo apenas a diferença do depósito e não o valor integral; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/200421 Acórdão n.º 3201001.836 S3C2T1 Fl. 173 5 os acréscimos aplicados teriam como base de cálculo apenas a diferença do depósito e não sobre o valor integral; devido a falta de estaleiro no Rio Grande, a empresa é obrigada a reparar e realizar a manutenção das suas próprias embarcações; as clientes, Copesul e Petrobrás, contratam os serviços de transporte, desde que as embarcações e os equipamentos sejam certificados por sociedade classificadora de igual categoria, dentre estas, Bureau Ventas Marítima & Offshore; atualmente está concluindo os reparos e a manutenção do N/T Guarapuava, exclusivamente, para transporte de óleo combustível à Petrobrás; para conclusão da obra N/T Guarapuava foram necessários vários equipamentos de origem estrangeira, visto que os equipamentos nacionais, quando similares aos estrangeiros, não atendem, entre outras, as exigências de preço e certificação, razão pela qual os objetos materiais do presente AI foram adquiridos no exterior; não havendo as certificações, os referidos materiais ficam impossibilitados de serem aplicados no reparo e manutenção de navios destinados ao transporte de cargas perigosas; em outros Estados, referidos componentes para reparo e construção de navios, nacionais e estrangeiros, são internados isentos do II e IPI; outras DRFs liberam os II e IPI com fulcro nos arts. 2°, II, "j" e 2°, I, da Lei n° 8.032/90, c/c arts. 132 e 205, VIII, "b", do RA; a exigência do II e IPI, além de rejeitar o previsto expressamente em lei ordinária, rejeita também a isenção pela ausência de similar nacional a que alude o RA; . o indeferimento baseado na existência de similar nacional para os produtos descritos na DI carece de fundamento, vez que os produtos brasileiros, não satisfazem os requisitos da similaridade quanto à qualidade, especificações adequadas, preço e prazo de entrega, exigidos pelo art. 181, § único, do Decreto n°91.030/86, do RA; as isenções do II e IPI estão previstas na Lei n° 8.032/90, art. 2°, II, "j" e art. 3°, I, c/c art. 1°, IV da Lei n° 8.402/92 e arts. 132 e 205, VIII, "b", sendo estas condicionadas na própria Lei, razão pela qual, a res e os respectivos destinos de aplicação devem, necessariamente, ser em aeronaves e navios, sejam eles brasileiros ou não; ao contrário do que afirmou a Receita Federal do Rio Grande, o preceituado no art. 132, do RA, contempla, sim, as isenções de produtos importados; os arts. 132 (parte inicial) e 130 do RA, ao exigir os impostos indevidos, é fruto de interpretação hostil às normas tributárias, pois não integrou os pleitos de isenções para partes, peças e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 6 componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves; as isenções contidas na Lei n° 8.032/90 são autoaplicáveis, não se cogitando similaridade, independentemente do RA; no que tange ao uso destino das peças importadas, é importante frisar que: 1) várias vezes atendeu as retificações impostas pela autoridade fiscal; 2) em 25.05.01, declarou expressamente que os componentes importados destinavamse ao uso na embarcação Guarapuava, de fabricação e bandeira nacionais; 3) a afirmação do texto de indeferimento não procede quando afirma que "uma vez que a declaração solicitada não foi satisfatória quanto a utilização das peças em máquina de procedência instalada na embarcação..."; quanto ao não acolhimento das isenções previstas na Lei n° 8.032/90, ressaltase que: 1) a parte inicial do texto do art. 132, diz que as isenções previstas em leis, devem ser observadas; 2) o aludido art. 132 contempla duas espécies de isenções, as primeiras, previstas em lei e autoaplicáveis como nelas estão escritas, e as segundas, que nasceram no RA e devem respeitar as condições nele impostas; 3) o RA não criou restrições às isenções da Lei; 4) a decisão denegatória olvidouse da expressão contida no art. 132 do RA: "Observadas as exceções previstas em lei..."; no que se refere ao não conhecimento do requisito de exclusão da similaridade, argumentase que: 1) não há que se cogitar em similaridade uma vez que as isenções do II e do IPI decorrem de lei auto aplicável; 2) ainda que houvesse a similaridade, a autoridade fiscal deveria respeitas as condicionantes dos art.s 188, 189 e 190 do RA; 3) se admitido o indeferimento em razão da similaridade, a autoridade fiscal teria lesado os pré requisitos dispostos nos arts. 188, 189 e 190, do RA; 4) rejeitou a aplicação dos preceitos legais (arts. 188/190 do RA) favoráveis ao contribuinte; 5) os produtos nacionais não satisfazem quanto à qualidade, especificações adequadas, preço e prazo de entrega (art. 181 do RA); 6) os produtos nacionais não satisfazem quanto à certificação por empresa classificadora de categoria internacional; duas conseqüências nefastas do uso de partes, peças e componentes em embarcações destinadas ao transporte de cargas perigosos, quando não certificadas por empresa habilitada são: 1) o navio não receberá classificação do Bureau Ventas, para o transporte de cargas perigosas; e 2) impossibilitado de transportar essas cargas, para cuja finalidade foi construído, transformarseá em sucata, com todos os prejuízos decorrentes; as mercadorias impostas, cujos preços serviram de base de cálculo dos valores lançados a título de II e IPI, não possuem similar nacional, o que apresenta como ponto de discordância ensejador de prova pericial, tornandose inexigíveis o II e o IPI, a teor do RA. Indica o engenheiro Jorge Alberto Pena, como seu perito, apresentado quesitos. Ante o exposto, requer a realização de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/200421 Acórdão n.º 3201001.836 S3C2T1 Fl. 174 7 perícia técnica a fim de comprovar que as importações objeto deste lançamento não possuem similar nacional. Outrossim, demonstrada a insubsistência do presente AI, requer seja o mesmo cancelado tornando sem efeito o valor do crédito fiscal lançado. Instruem a impugnação os documentos de fls.49/74, dentre os quais, rol de quesitos (fls.49); cópia do AI (fls.50/64); procuração (fls.65); e alteração contratual (fls.66/74). Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis — SC, a qual julgou procedente o lançamento (fls.76/83), nos termos da seguinte ementa (fls.76): "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/07/2001 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitantemente ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou; desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo, não deve ser conhecido no âmbito administrativo. MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA. I , A constituição do crédito tributário deve ser acrescida de multa de mora quando , vise a prevenir a decadência, nos casos de procedimento cautelar acompanhado de depósito judicial. Lançamento Procedente." Irresignado com a decisão de primeira instância, o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário às fis.93/104, no qual alega em síntese que: o inconformismo não é em relação à constituição do crédito tributário, mas, sim, em relação a aplicação de multa moratória sobre tributo depositado judicialmente, cujos valores serão convertidos em renda em caso de improcedência do processo judicial; nesse sentido, não pode tornarse definitivo o crédito tributário em foco, vez que nele foram acrescidas multas moratórias, em desconformidade com a legislação que trata desta matéria; . a decisão judicial que deferiu a medida liminar não é mais passível de alteração visto que foi confirmada por sentença de mérito prolatada em 13/12/2004; quanto à multa imputada pelo atraso no pagamento 'do tributo, cita o art. 151, inciso V, CTN; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 8 a questão da multa acima exposta, já tem entendimento sumulado no âmbito do STF, e a doutrina trilha o mesmo caminho, no sentido de que denegada a ordem de segurança pleiteada, retornase ao statu quo ante; os julgados colacionados nos autos (fis.96199), sem exceção, tratam de casos nos quais as medidas liminares foram revogadas, ou por recurso, ou por sentença de mérito, contudo, como se sabe, este não é o caso dos presentes autos, vez que o contribuinte teve sua liminar deferida e confirmada por sentença de mérito; o art. 63, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/96, dispõe sobre a exclusão da multa moratória nas hipóteses liminar, acompanhada de depósito; o Relator da DRJ se utilizou de entendimento diverso do disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96; o art. 2°, II, "j", e art. 3 0, I, da Lei n° 8.032/90, isenta do II as "partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronave e embarcações", o que evidencia que o contribuinte, por estar amparado por essa legislação, faz jus à isenção dos impostos referentes à importação de produtos não similares aos nacionais, estando os produtos objeto da importação, contemplados nos arts. 132 e 138 do RA vigente à época (Decreto n° , 91.030/85); o depósito judicial do seu montante integral, nos termos do art. 151, II do CTN, é uma das forma de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, embora a norma não pormenorize neste aspecto, a doutrina reconhece como conseqüência desta medida, a exclusão da correção monetária, dos juros e da multa do crédito tributário depositado; não há necessidade de cobrança de acréscimos pela mora, vez que o depósito judicial já tem por finalidade aforrar o devedor da mora e das suas conseqüências; o depósito judicial é feito em conta vinculada, com rendimento (juros e correção monetária) que serão revertidos a favor do vencedor da causa; no caso da decisão ser favorável à Fazenda Pública, esta converterá o depósito em renda, devidamente corrigido e remunerado com o juros da caderneta de poupança; a multa é descabida dada a inexistência da mora. Para corroborar o alegado, o contribuinte transcreve a súmula 450, do STF; parte do julgamento relatado pelo Ministro Franciulli Netto e ementa no sentido de que denegada a ordem de segurança pleiteada, retornase ao statu quo ante; art. 63, §§ 1° e 2°, Lei n° 9.430/96, sobre a exclusão da multa moratória nas hipóteses liminar, acompanhada de depósito; art. 151 do CTN, lição de Sacha Calmon Navarro Coelho e de Laudio Camargo Fabtetti, no que se refere a exclusão de multa, juros e correção monetária no lançamento no caso de haver depósito judicial. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/200421 Acórdão n.º 3201001.836 S3C2T1 Fl. 175 9 Diante do exposto, requer seja reformada a decisão de primeira instância, a fim de que seja provido o presente Recurso, desconstituindo o AI e tornando sem efeito o débito, ora hostilizado. A DRF em Rio Grande, anexa às fls.107/113, cópia do Acórdão proferido nos autos da Ação Ordinária n° 2001.71.01.0012536, com o fito de instruir o presente processo administrativo. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 13/08/2008, constando numeração até a f1.113, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. O processo foi distribuído ao Conselheiro Nilton Luiz Bártoli. Em 10/12/2008, os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, resolveram converter o julgamento em diligência, para verificar a ocorrência de trânsito em julgado da decisão judicial. Em atendimento ao procedimento de diligência, foi anexado aos autos certidão narratória, emitida pela 29ª Vara Federal e Juizado Especial Federal Criminal de Rio Grande, que certifica, mediante consulta feita nos autos da Execução de Sentença contra a Fazenda Pública n° 2001.71.01.0012548, em que são partes Navegação Guarita Ltda. e a União Federal, que consta certidão de trânsito em julgado do processo de conhecimento datada de 01/08/2008. Retornando o processo ao CARF, o mesmo foi distribuído para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme disposto no relatório, a Recorrente ingressou com Ação Ordinária nº 2001.71.01.0012548 com pedido de isenção do imposto de importação e do imposto de produtos industrializados, consoante arts. 2° e 3° da Lei 8.032/90, art. 1° da Lei 8.402/92, em relação à importação de peças partes para a manutenção da embarcação Guarapuava, DI 01/0641451 –2. A Recorrente obteve decisão judicial favorável, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/08/2008, conforme documentos anexados aos autos. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 10 Desta forma, a questão ora debatida vinculase ao reconhecimento de decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu o direito a isenção pleiteado pela recorrente. Assim, em virtude do trânsito em julgado da decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária nº 2001.71.01.0012548, que entendeu pela isenção do II e do IPI na importação da mercadoria descrita na DI n° 01/06414512, e que os valores exigidos neste Auto de Infração referemse a matéria subjudice, o mesmo deve ser cancelado, reconhecendo se a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional. Por conseguinte, em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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