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5783852 #
Numero do processo: 15374.923102/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  GILSON MACEDO  ROSENBURG  FILHO  (Presidente  Substituto),  MARIA  APARECIDA  MARTINS  DE  PAULA,  FERNANDO  LUIZ  DA  GAMA  LOBO  D’EÇA,  FENELON  MOSCOSO  DE  ALMEIDA  (Substituto),  JOÃO  CARLOS  CASSULI  JUNIOR,  FRANCISCO  MAURICIO  RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente  Sessão Ordinária.    Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/2009­71  Acórdão n.º 3402­002.551  S3­C4T2  Fl. 304          3   Relatório  Trata­se de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de  débito  de  IRPJ,  com  crédito  decorrente  de  pagamento  considerado  a maior,  a  título  de  PIS,  atinente ao período de apuração 03/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da  Perd/Comp juntada aos autos (fls. 03/07).  A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 09), pela não  homologação  da  compensação  efetuada,  pela  inexistência  do  direito  creditório  pleiteado,  em  virtude  de  o  pagamento  do  qual  seria  oriundo  já  ter  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  outros débitos da Contribuinte.    DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE    O  contribuinte  apresentou,  tempestivamente,  Manifestação  de  Inconformidade (fls. 11/14) em face ao referido despacho.  Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição  para o PIS, no montante de R$24.960,57 está  incorreto;  sendo que o valor correto do débito  corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$23.747,03.  Ressalta que o  crédito original  informado no PER/DCOMP  (fls.  03/07),  no  valor de R$1.213,54 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado.  Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção  do referido crédito.    DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro  II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 13­31.792  (fls. 64 a 66), de 19/11/2010, nos seguintes termos:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  COMPENSAÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAR.  Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP,  cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado..  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     4 Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002.  ÔNUS  DA  PROVA.  ALEGAÇÃO  DESACOMPANHADA  DE  PROVA.  Cabe  ao  impugnante  trazer  juntamente  com  suas  alegações  impugnatórias  todos  os  documentos  que  dêem  a  elas  força  probante.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido     Para a DRJ, o Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor  devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 03 de 2002, se o confessado na DCTF  ou  aquele  informado  em  DIPJ.  Para  o  órgão  julgador,  o  Contribuinte  deveria  ter  trazido  documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o  que ocorreu, para  a DRJ,  foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo  que votou­se no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo­ se  integralmente  o  despacho  decisório  recorrido,  conservando  exigível  a  cobrança  do  débito  não compensado.    DO RECURSO  Cientificado  do  Acórdão  de  Primeira  Instância,  o  contribuinte  apresentou  tempestivamente o recurso voluntário.  O  recorrente  trouxe,  novamente,  todos  os  fatos  alegados  em  sede  de  Manifestação de Inconformidade.  Apresentou,  ainda,  Livro  de  Balancetes  Retificadores  (doc.  06)  onde,  segundo  o  recorrente,  resta  clara  a  existência  de  um  crédito  em  seu  favor  no  montante  de  R$1.213,54.  Ao  fim  requer  o  recebimento  do  recurso  voluntário  e  seu  regular  processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral  do crédito de PIS informado, homologando a compensação objeto do recurso.  DA DILIGÊNCIA DO CARF  Em 01/09/2011, às  fls. 140  (n.e.),  através da Resolução nº 3402­000.295, o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  acordou  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  sustentando  que  os  balancetes  retificadores  apresentados  não  contêm  a  comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário.  Ao final requereu as seguintes providências:    1  –  Intime  o  contribuinte  a  apresentar  a  cópia  dos  Livros  de  Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento,  especificamente  quanto  ao  período  objeto  deste  processo  administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de  encerramento;  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/2009­71  Acórdão n.º 3402­002.551  S3­C4T2  Fl. 305          5 2 –  Intime  o  contribuinte a  apresentar  cópia  fiel  e autenticada  pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao  período  objeto  deste  processo  administrativo,  contendo  os  lançamentos  que  compõem  os  Balancetes  anexados  ao  recurso  voluntário  ora  sob  julgamento,  como  também  os  próprios  Balancetes,  nos  termos  da  legislação  pertinentes  aos  livros  societários,  que  contenha  ainda  os  Termos  de  Início  e  Encerramento respectivos;  3  –  Que  a  Repartição  de  Origem  certifique  que  as  cópias  acostadas  correspondam  ao  que  contam dos  originais  contidos  no Livro Diário e respectivos Balancetes.   4  –  Finalmente,  que  a  Repartição  de  Origem  se  manifeste,  através  de  relatório  circunstanciado,  se  o  crédito  apontado  na  DIPJ  do  contribuinte  está  em  consonância  com  os  dados  contidos  no  Livro  Diário  e  Livro  de  Balancetes,  referente  ao  período  objeto  deste  processo  administrativo,  certificando  a  existência  ou  não  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  pelo  contribuinte.    DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE  Intimado às fls. 147, na data de 29/10/2013, às fls. 153 (n.e.), o contribuinte  apresentou  sua manifestação  referente  à  diligência  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF.   Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª  Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente.  Intimado  às  fls.  278,  o  contribuinte,  às  fls.  283,  manifestou­se  acerca  do  relatório de diligência fiscal, concordando com o mesmo.    DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume,  numerado  até  a  folha  295  (duzentos  e  noventa  e  cinco),  estando,  portanto  apto  para  análise  desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF.    É o relatório.    Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     6   Voto             João Carlos Cassuli Junior – Relator,  Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do  feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o  Regimento  Interno  deste  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  o  recorrente  poderá,  em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue:    Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.  § 1° A desistência será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2°  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já  ter  ocorrido  decisão  favorável  ao  recorrente,  descabendo  recurso  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  por  falta  de  interesse.    Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados  a seguir colacionados:     Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/12/2009  a  31/07/2010  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  DESISTÊNCIA.  A  desistência  de  recurso,  formulada  mediante  requerimento  expresso  do  sujeito  passivo  coligido  aos  autos,  implica  o  seu  não  conhecimento  em  razão  da  perda  do  objeto.  Recurso  Voluntário  Não  Conhecido.  (3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302­002.979 em 18.02.2004)    Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/12/2006  a  31/08/2007  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  DESISTÊNCIA.  NÃO  CONHECIMENTO.  A  protocolização  de  Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo  pelo  Recorrente  implica  o  não  conhecimento  do  Recurso  Voluntário  interposto,  em  virtude  da  perda  do  seu  objeto.  Recurso  Voluntário  Não  Conhecido.  (3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária / ACÓRDÃO 2302­002.424 em 02.05.2013)  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.923102/2009­71  Acórdão n.º 3402­002.551  S3­C4T2  Fl. 306          7       Ante o exposto, vota­se pelo não conhecimento do recurso.    É como voto.    (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator.                                Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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5744714 #
Numero do processo: 15540.720195/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária “diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”. A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 – Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”. Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira – RMF ao Banco Unibanco, “requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente”. Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é “absolutamente falsa”. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada “com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um “laranja”. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho “deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc.” Em seguida, esclareceu que “esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como ‘rendimento’, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração”. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum “contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.”. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que “a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros”. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, “os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, por se tratar de tema em repercussão geral, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. RELATÓRIO Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal SAPAC da DRF em Niterói, em razão da expressiva movimentação financeira (R$ 43.180.429,29), no ano-calendário de 2007, confrontada com a receita bruta declarada (R$ 1.722.856,89), configurando assim, um indício de omissão de receita da ordem de R$ 41.457.572,40. No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio da Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, contra Hugo Cecílio de Carvalho, referente a irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO ADM. E SERVIÇOS LTDA., com utilização de outras empresas, dentre elas a autuada. Segundo relatou a autoridade fazendária “diversos pontos da denúncia evidenciam fatos que demonstram a existência de confusão patrimonial entre as várias empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há relatos de movimentações de recursos de uma empresa na outra, transações atípicas com cheques, troca de cheques entre empresas, sócios e terceiros, confusão nas despesas com pessoal, utilização de folha de pagamento única para várias empresas, despesas com funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”. A SAPAC verificou que referente ao ano-calendário de 2008, DIPJ na modalidade de Lucro Presumido, a autuada declarou receita bruta no montante de R$ 3.858.912,34, em desconformidade com a movimentação financeira apurada por meio da DIMOF-crédito (R$91.152.624,65), e das informações de compras de terceiros (R$ 75.301.188,53). Já no tocante ao ano-calendário de 2009, a DIPJ foi apresentada pelo Lucro Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na DIMOF-crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84). Desta forma, a ação fiscal que tinha como período de análise apenas o ano-calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos-calendários de 2008 e 2009. Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de 10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários. Em resposta o contribuinte apresentou documentos contábeis e fiscais. No entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15 dias para tanto. Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi expedido Termo de Reintimação no qual se ressaltou que a não apresentação dos extratos bancários ensejaria a quebra do sigilo bancário. Nesta mesma ocasião, o interessado foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos referentes a origem de recursos movimentados em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da pessoa responsável por compras de fornecedores e demais despesas nos anos objeto de fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ Lagos, e ou em conjunto, das empresas sediadas no mesmo endereço; informar porque tais Demonstrativos são mensalmente enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte, uma vez que o mesmo não integra nenhuma sociedade das empresas localizadas e em operação no citado endereço. Além disso, intimou-se ainda o fiscalizado para apresentar os Livros Diário e Razão concernentes ao ano-calendário de 2009, contendo lançamentos dia-a-dia, conforme determina o RIR/99. Primeiramente, em 22/06/2011, o contribuinte efetuou a entrega dos Livros Diário e Razão. Em 11/07/2011, o fiscalizado prestou os seguintes esclarecimentos (proc. fls. 629 a ): A propriedade do imóvel é da firma DISFRIO ADMINISTRAÇÂO E SERVIÇOS LTDA. Noticiou que a empresa está em processo de baixa desde 21/02/2011, portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no endereço Av. Nelore 200 – Cabo Frio, não possuem nenhuma ligação com a M J Lagos ou sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão. Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009, foram assinados pelos procuradores legais da empresa, Peter Malheiros Maciokas e Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge Magno Vasco da Silva. Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte isoladamente, pois não havia relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”. Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo tem interesses na empresa, por ser sócio capitalista da M J lagos e delegava a seu filho o controle financeiro, ficando por conta do Sr. Antônio Silva Duarte apenas a orientação mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda asseverou que solicitou ao banco Unibanco a entrega dos extratos bancários do exercício de 2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega. A autoridade fazendária relatou que, em 13/07/2011, foram emitidas Requisições de Informação sobre movimentação financeira – RMF ao Banco Unibanco, “requisitando, além dos extratos de movimentação de conta-corrente, relativos ao ano de 2008, os dados constantes na ficha cadastral do sujeito passivo, e instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a conta-corrente”. Em 30/08/2011, a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Solicitação de Esclarecimentos nº 01, a manifestar-se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros (FOKO COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS, GRAU DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741). Em resposta, os sócios da contribuinte, Manoel Gonçalves Costa Moreira e Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa GRAU referem-se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a fiscalizada somente está em nosso nome por problemas de ordem particular dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a tais empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não tem e nunca teve qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M J Lagos. Ressaltou que a afirmação de que recebe relatórios e outros documentos é “absolutamente falsa”. Por fim, informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria Regional da República, os esclarecimentos prestados pela empresa fiscalizada “com o propósito de demonstrar que o(s) sócio(s) de direito e/ou de fato da MJ Lagos está (ão) tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”. Em 02/02/2012, a autoridade fiscalizadora solicitou novamente documentação contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma, foi expedido RMF para o Banco Bradesco. O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários. De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto. Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor declarado de R$ 1.722.855,63, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 42.732.926,18, para o período. Referente ao ano de 2008, apurou-se o total de R$ 91.320.195,55 correspondente aos depósitos de origem não comprovada, que deduzido do valor de R$ 1568.991,15, verificou-se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40. A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração em questão, foram excluídos os valores referentes a estornos, empréstimos, transferências da mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque. No que concerne ao ano-calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração com opção pelo Lucro Real. No entanto, mesmo após diversas intimações não apresentou à Fiscalização os livros contábeis e fiscais, tais como Diário, registro de Inventário, Razão, apuração do Lucro Real, bem como os documentos comprobatórios de seu passivo, e, ainda apresentou elevados saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à entrega dos livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada. Desta forma, a fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530, I do RIR/99 que dispõe sobre o arbitramento do lucro. Considerou-se para efeito de cálculo a Receita Bruta conhecida, qual seja, aquela composta dos valores verificados pela fiscalização, de conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON. O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contra-denúncias e acusações de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J Lagos Distribuidora de Alimentos Ltda., objeto desta fiscalização, estão formalizadas oficialmente, em Inquérito Policial, procedimento investigatório na 2ª Vara Criminal da Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal. Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta DRF nomear os efetivos integrantes do conluio sem a indispensável ação policial, o fisco remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o caso requer, dispensada a formalização específica, nos termos do § 3º do art. 3º, da Postaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de sonegação e de conluio, bem como crimes contra a ordem tributária. Desta forma, aplicou a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada. Em 19/06/2012, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS referente aos anos-calendário de 2007 e 2008 por omissão de receita, e Autos de Infração de IRPJ e CSLL, ano-calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha. A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982). De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a despeito do relatado no Auto de Infração como fundamento para o arbitramento do lucro, a empresa possui todos os livros e documentos necessários à fiscalização e os mesmos foram tempestivamente entregues ao fiscal. Ademais, o Termo de Devolução dos Livros e Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros e documentos. Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os respectivos valores dos impostos já pagos e não deduzidos pelo fiscal e que serviram de amparo para o levantamento efetuado, redundaram em erro da fiscalização. Desta forma, o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. No que concerne à denúncia realizada pelos senhores Antônio Silva Duarte e Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr. Manoel Gonçalves Costa Moreira que consta como sócio da empresa fiscalizada, apenas um “laranja”. Esclareceu por fim, que a denúncia do Sr. Antônio Silva Duarte contra o Sr. Hugo Cecílio de Carvalho “deve-se ao fato de que, Manoel Gonçalves Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”. Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são os verdadeiros donos (ocultos) da fiscalizada. Ademais, a contribuinte afirmou que também pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois. No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal. Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é absoluta. Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores a conta correspondente e etc.” Em seguida, esclareceu que “esses fatos podem justificar, no todo ou em parte, a movimentação bancária não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como ‘rendimento’, para fins de cobrança do imposto de renda. É necessário comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na respectiva declaração”. Por fim, fez referência à antiga súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da quebra do sigilo bancário. Ressaltou que todos os documentos estavam à disposição da autoridade fiscalizadora, e, no entanto, o fiscal alegou não ter recebido nenhuma explicação, quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá-lo. Ressaltou que a pretensa omissão de receitas imputada à contribuinte é por “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no texto legal apontado como infringido. Por fim, a Impugnante afirmou a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial. Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058). Preliminarmente, o órgão julgador a quo se manifestou sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada. Em sede de Impugnação, a fiscalizada alegou que efetivamente apresentou os documentos referentes ao ano-calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do Livro Diário. No entanto, ressaltou que tal livro foi escriturado com partidas mensais e não diárias como determina a legislação. A DRJ asseverou ainda que não há que se falar em apresentação dos demais livros e documentos solicitados para o ano-calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado refere-se ao ano-calendário de 2007. Concluiu o órgão julgador que a despeito das diversas intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara e indubitável a escrituração da interessada para o ano-calendário de 2009, motivo pelo qual o Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento. Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário. A autoridade fazendária alegou que a autuada apresentou apenas justificativas vagas e genéricas para justificar a movimentação financeira investigada durante o procedimento fiscal, pois afirmou ser comum “contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para outra, sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente etc.”. No entanto, A DRJ ressaltou que a Impugnante não trouxe à colação, especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação bancária. Não individualizou os lançamentos oriundos de suas contas correntes que estariam sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do computo do valor tributável. A contribuinte ainda questionou a atuação do Fisco por não ter descontado os valores relativos aos tributos já recolhidos referente à infração de omissão de receita. O Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a Turma ainda ressaltou que diferentemente do efetuado no caso do arbitramento, em que os valores já recolhidos foram devidamente descontados no computo das exigências constantes dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de comprovação da origem dos depósitos. A contribuinte ainda afirmou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº 105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de tais dispositivos legais, o órgão fazendário ressaltou que não possui competência para apreciar a inconstitucionalidade de dispositivos legais vigente. Por fim, o Colegiado frisou que não houve qualquer manifestação quanto às demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal matéria encontra-se acobertada pelo manto da preclusão. O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101). Preliminarmente, a Recorrente mais uma vez invocou a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado o arbitramento do lucro, qual seja: não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Ademais, a Postulante afirmou que os valores dos tributos já pagos não foram deduzidos. No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou prejudicada, ante a apresentação de todos os livros e documentos fiscais. Ressaltou que “a falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros”. Mais uma vez afirmou que algumas atividades consideradas normais da empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu que a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito bancário como “rendimento”. Referente à quebra do sigilo bancário, o contribuinte entendeu que deve ser reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado. Ademais, ressaltou que todos os documentos foram colocados à disposição da fiscalização. Quanto ao arbitramento do lucro, a Recorrente relatou que segundo entendimento do 1º Conselho de Contribuintes, “os lançamentos contábeis individualizados, apenas com indicação de data única do final do mês, não caracteriza registro em partidas mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”. Acrescentou que segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos Fiscal, para que se proceda o arbitramento do lucro, é necessário que o contribuinte seja previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu no caso em análise. Segundo a Postulante, o lucro arbitrado deve ser determinado mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005. Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a iniciativa do arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%. Ademais, não há nenhum indício de fraude ou conluio, não sendo, portanto, lícita a aplicação da multa em dobro. É o relatório. VOTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 3          2 RELATÓRIO      Consta do Termo Complementar à Descrição dos Fatos (proc. fls. 94 a 521), que  a ação fiscal teve início por meio de uma seleção interna da Seção de Programação, Avaliação  e  Controle  da  Atividade  Fiscal  SAPAC  da  DRF  em  Niterói,  em  razão  da  expressiva  movimentação financeira  (R$ 43.180.429,29), no ano­calendário de 2007, confrontada com a  receita  bruta  declarada  (R$  1.722.856,89),  configurando  assim,  um  indício  de  omissão  de  receita da ordem de R$ 41.457.572,40.  No curso da ação fiscal, foi recebida denúncia realizada pelos senhores Antônio  da  Silva  Duarte  e  Cláudio  Lopes  Duarte,  contra  Hugo  Cecílio  de  Carvalho,  referente  a  irregularidades  cometidas  dentro  da  empresa  DISFRIO  ADM.  E  SERVIÇOS  LTDA.,  com  utilização de outras empresas, dentre elas a autuada.  Segundo  relatou  a  autoridade  fazendária  “diversos  pontos  da  denúncia  evidenciam  fatos  que  demonstram  a  existência  de  confusão  patrimonial  entre  as  várias  empresas denunciadas, as quais parecem formar um grupo econômico (GRUPO BOIBOM). Há  relatos  de  movimentações  de  recursos  de  uma  empresa  na  outra,  transações  atípicas  com  cheques,  troca  de  cheques  entre  empresas,  sócios  e  terceiros,  confusão  nas  despesas  com  pessoal,  utilização  de  folha  de  pagamento  única  para  várias  empresas,  despesas  com  funcionários que não exercem atividades na empresa, pagamentos de despesas de uma empresa  por outra, pagamentos com recursos da empresa de despesas particulares de terceiros etc.”.  A  SAPAC  verificou  que  referente  ao  ano­calendário  de  2008,  DIPJ  na  modalidade  de  Lucro  Presumido,  a  autuada  declarou  receita  bruta  no  montante  de  R$  3.858.912,34,  em  desconformidade  com  a  movimentação  financeira  apurada  por  meio  da  DIMOF­crédito  (R$91.152.624,65),  e  das  informações  de  compras  de  terceiros  (R$  75.301.188,53).  Já  no  tocante  ao  ano­calendário  de  2009,  a  DIPJ  foi  apresentada  pelo  Lucro  Real, com receita bruta declarada (R$ 79.317.943,61), movimentação financeira constante na  DIMOF­crédito (R$ 93.689.813,12) e compras declaradas (R$ 74.973.327,84).  Desta  forma,  a  ação  fiscal  que  tinha  como  período  de  análise  apenas  o  ano­ calendário de 2007, foi estendida para alcançar os anos­calendários de 2008 e 2009.  Com a extensão da ação fiscal, a empresa foi intimada a apresentar, no prazo de  10 dias, os extratos bancários do ano de 2008, bem como as fichas de abertura das respectivas  contas bancárias, identificando o sujeito passivo, responsáveis e contribuintes solidários.  Em  resposta  o  contribuinte  apresentou  documentos  contábeis  e  fiscais.  No  entanto, deixou de apresentar os extratos bancários. Desta forma, foi concedido o prazo de 15  dias para tanto.  Decorrido o prazo supra, não houve manifestação do contribuinte. Destarte, foi  expedido  Termo  de  Reintimação  no  qual  se  ressaltou  que  a  não  apresentação  dos  extratos  bancários  ensejaria  a  quebra  do  sigilo  bancário.  Nesta  mesma  ocasião,  o  interessado  foi  Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 4          3 intimado  a  apresentar  alguns  esclarecimentos  referentes  a origem de  recursos movimentados  em conta corrente junto aos Bancos Bradesco e Unibanco; confirmar a propriedade do imóvel  onde se localiza a empresa, devendo identificar as demais firmas ali instaladas; a indicação da  pessoa  responsável  por  compras  de  fornecedores  e  demais  despesas  nos  anos  objeto  de  fiscalização, assim como quem assinava a contratação e demissão dos funcionários; apresentar  cópia dos Relatórios Gerenciais, acompanhados dos Demonstrativos Físicos Financeiros da MJ  Lagos,  e  ou  em  conjunto,  das  empresas  sediadas  no mesmo  endereço;  informar  porque  tais  Demonstrativos  são  mensalmente  enviados  ao  Sr.  Cláudio  Lopes  Duarte,  uma  vez  que  o  mesmo  não  integra  nenhuma  sociedade  das  empresas  localizadas  e  em  operação  no  citado  endereço.  Além  disso,  intimou­se  ainda  o  fiscalizado  para  apresentar  os  Livros Diário  e  Razão  concernentes  ao  ano­calendário  de  2009,  contendo  lançamentos  dia­a­dia,  conforme  determina o RIR/99.  Primeiramente,  em  22/06/2011,  o  contribuinte  efetuou  a  entrega  dos  Livros  Diário e Razão.  Em  11/07/2011,  o  fiscalizado  prestou  os  seguintes  esclarecimentos  (proc.  fls.  629 a ):  A  propriedade  do  imóvel  é  da  firma  DISFRIO  ADMINISTRAÇÂO  E  SERVIÇOS  LTDA.  Noticiou  que  a  empresa  está  em  processo  de  baixa  desde  21/02/2011,  portanto, desde março de 2010 não exerce qualquer atividade e que as empresas sediadas no  endereço Av. Nelore  200  – Cabo Frio,  não  possuem nenhuma  ligação  com  a M  J Lagos  ou  sequer são coligadas. Desta forma, entendeu restar afastada qualquer hipótese de fusão.  Os cheques de compras e demais despesas, referentes aos anos de 2007, 2008 e  2009,  foram  assinados  pelos  procuradores  legais  da  empresa,  Peter  Malheiros  Maciokas  e  Mariana Neves Perez. Ademais, a contratação e demissão dos funcionários era feita por Jorge  Magno Vasco da Silva.  Os relatórios gerenciais da contribuinte eram “enviados mensalmente ao Sr.  Cláudio  Lopes  Duarte  e  Antônio  Silva  Duarte  isoladamente,  pois  não  havia  relatório em conjunto, e tal relatório era de interesse das pessoas citadas”.  Os relatórios gerenciais “eram enviados ao Sr. Cláudio Lopes Duarte em razão  de o mesmo ser filho do Sr. Antônio Silva Duarte, e por ordem e indicação deste, e o mesmo  tem  interesses  na  empresa,  por  ser  sócio  capitalista  da M  J  lagos  e  delegava  a  seu  filho  o  controle  financeiro,  ficando  por  conta  do  Sr.  Antônio  Silva  Duarte  apenas  a  orientação  mercadológica promovendo reuniões mensalmente com os vendedores”. O contribuinte ainda  asseverou que solicitou  ao banco Unibanco a  entrega dos  extratos bancários do  exercício de  2008, tendo o este estipulado prazo de 20 dias para a entrega.  A  autoridade  fazendária  relatou  que,  em  13/07/2011,  foram  emitidas  Requisições  de  Informação  sobre  movimentação  financeira  –  RMF  ao  Banco  Unibanco,  “requisitando, além dos extratos de movimentação de conta­corrente, relativos ao ano de 2008,  os  dados  constantes  na  ficha  cadastral  do  sujeito  passivo,  e  instrumento  de  procuração  outorgando poderes para terceiros movimentar a conta­corrente”.  Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 5          4 Em 30/08/2011, a contribuinte foi  intimada, por meio do Termo de Solicitação  de Esclarecimentos nº 01, a manifestar­se sobre os diversos pagamentos realizados a terceiros  (FOKO  COMÉRCIO  E  DISTRIBUIDORA  DE  BEBIDAS,  GRAU  DISTRIBUIDORA  DE  BEBIDAS E PETER MALHEIROS MACIOKAS), nos anos de 2008 e 2009 (proc. fls. 741).  Em  resposta,  os  sócios  da  contribuinte,  Manoel  Gonçalves  Costa  Moreira  e  Carlos Jorge da Silva Francisco informaram que os pagamentos realizados a favor da empresa  GRAU referem­se a distribuição de lucros da fiscalizada, depositados a ordem do Sr. Antônio  Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, que também são donos da MJ Lagos. Ressaltou que “a  fiscalizada  somente  está  em  nosso  nome  por  problemas  de  ordem  particular  dos  senhores  Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, porém, os reais donos são eles”. Referente aos  pagamentos feitos ao Sr. Peter Malheiros Maciokas, relatou que “o mesmo era funcionários dos  senhores Antônio Silva Duarte e Cláudio Lopes Duarte, e os depósitos eram feitos por ordem  dos indigitados senhores”. O Sr. Antônio Silva Duarte, sócio das empresas FOKO e GRAU, foi  intimado em 17/08/2011, a prestar esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados a  tais  empresas. Em 01/09/2011, o Sr. Antônio categoricamente afirmou que não  tem e nunca  teve  qualquer relacionamento societário, administrativo, financeiro ou comercial com a empresa M  J  Lagos.  Ressaltou  que  a  afirmação  de  que  recebe  relatórios  e  outros  documentos  é  “absolutamente falsa”. Por fim,  informou que encaminhou à Polícia Federal e à Procuradoria  Regional  da  República,  os  esclarecimentos  prestados  pela  empresa  fiscalizada  “com  o  propósito  de  demonstrar  que  o(s)  sócio(s)  de  direito  e/ou  de  fato  da  MJ  Lagos  está  (ão)  tentando desviar o foco da presente investigação e assim atrapalhar o alcance da verdade real  dos fatos, e também para que seja apurada a ilicitude destas declarações falsas”.  Em  02/02/2012,  a  autoridade  fiscalizadora  solicitou  novamente  documentação  contábil e fiscal referente aos anos de 2007, 2008 e 2009. O que não foi atendido. Desta forma,  foi expedido RMF para o Banco Bradesco.  O Banco Bradesco encaminhou os extratos bancários.  De posse dos extratos bancário, foi elaborado novo Termo de Intimação Fiscal  no qual foram relacionadas as operações a crédito das contas correntes movimentadas nos anos  de 2007 e de 2008, para que fosse apurada a origem dos recurso que possibilitaram os referidos  depósitos. Foi concedido o prazo de 10 dias para tanto.  Foi apurado o montante de R$ 44.455.781,81, correspondente aos depósitos de  origem não comprovada, para o período de maio a dezembro de 2007, que deduzido do valor  declarado  de  R$  1.722.855,63,  verificou­se  omissão  de  receita  na  importância  de  R$  42.732.926,18, para o período.  Referente  ao  ano  de  2008,  apurou­se  o  total  de  R$  91.320.195,55  correspondente  aos  depósitos  de  origem  não  comprovada,  que  deduzido  do  valor  de  R$  1568.991,15, verificou­se omissão de receita na importância de R$ 89.751.204,40.  A autoridade fazendária ressaltou que do montante lançado no Auto de Infração  em questão,  foram excluídos os valores  referentes a estornos, empréstimos,  transferências da  mesma titularidade, acertos e devoluções de cheque.  No que concerne ao ano­calendário de 2009, a fiscalizada apresentou declaração  com  opção  pelo  Lucro Real. No  entanto, mesmo  após  diversas  intimações  não  apresentou  à  Fiscalização  os  livros  contábeis  e  fiscais,  tais  como  Diário,  registro  de  Inventário,  Razão,  Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 6          5 apuração do Lucro Real,  bem como os documentos  comprobatórios de  seu passivo,  e,  ainda  apresentou elevados  saldos de caixa sem registro, bem como se omitiu quanto à  entrega dos  livros e documentos contábeis e fiscais que permitisse aferir as bases de cálculo dos tributos e  contribuições federais devidos, apesar de intimada e reintimada.  Desta  forma, a  fiscalização entendeu ser aplicável o art. 530,  I do RIR/99 que  dispõe  sobre  o  arbitramento  do  lucro.  Considerou­se  para  efeito  de  cálculo  a  Receita  Bruta  conhecida,  qual  seja,  aquela  composta  dos  valores  verificados  pela  fiscalização,  de  conformidade com as importâncias lançadas nas DIPJ, DCTF e DACON.  O auditor fiscal ainda relatou que “as denúncias, contra­denúncias e acusações  de irregularidades cometidas dentro da Empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda.,  onde se encontram instaladas várias outras empresa, dentre elas a Empresa M J  Lagos  Distribuidora  de  Alimentos  Ltda.,  objeto  desta  fiscalização,  estão  formalizadas  oficialmente,  em  Inquérito  Policial,  procedimento  investigatório  na  2ª  Vara  Criminal  da  Comarca de Campos dos Goyatacazes e processo administrativo fiscal.  Assim, a autoridade fazendária asseverou que “em face da impossibilidade desta  DRF  nomear  os  efetivos  integrantes  do  conluio  sem  a  indispensável  ação  policial,  o  fisco  remeterá todo o material disponível ao Ministério Público Federal, apara as providencias que o  caso  requer, dispensada  a  formalização específica, nos  termos do § 3º do art. 3º, da Postaria  RFB nº 2.439, de 21/12/2010”. Por fim, o auditor fiscal afirmou restarem claros os indícios de  sonegação  e de conluio,  bem como crimes  contra  a ordem  tributária. Desta  forma,  aplicou a  multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua forma qualificada.  Em  19/06/2012,  foram  lavrados  os  Autos  de  Infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS,  COFINS  referente  aos  anos­calendário  de  2007  e  2008  por  omissão  de  receita,  e  Autos  de  Infração de IRPJ e CSLL, ano­calendário 2009, arbitramento do lucro por escrituração falha.  A contribuinte apresentou Impugnação em 13/07/2012 (proc. fls. 2963 a 2982).  De início a interessada afirmou que a notificação está eivada de nulidade, pois, a  despeito  do  relatado  no Auto  de  Infração  como  fundamento  para  o  arbitramento  do  lucro,  a  empresa  possui  todos  os  livros  e  documentos  necessários  à  fiscalização  e  os mesmos  foram  tempestivamente  entregues  ao  fiscal.  Ademais,  o  Termo  de  Devolução  dos  Livros  e  Documentos desmente a afirmação do Auto de Infração que diz que não ter recebido tais livros  e documentos.  Concluiu que a falta de consideração dos livros e documentos apresentados e os  respectivos  valores  dos  impostos  já  pagos  e  não  deduzidos  pelo  fiscal  e  que  serviram  de  amparo  para  o  levantamento  efetuado,  redundaram  em  erro  da  fiscalização.  Desta  forma,  o  Auto de Infração encontra­se eivado de nulidade, pois em desacordo com o previsto no artigo  142 do Código Tributário Nacional.  No  que  concerne  à  denúncia  realizada  pelos  senhores Antônio  Silva Duarte  e  Claudio Lopes Duarte em face de Hugo Cecílio de Carvalho, a Impugnante asseverou que os  denunciantes na verdade são sócios da empresa BOIBOM Carnes Ltda., e que o imóvel locado  pela Impugnante pertence à empresa DISFRIO Administração e Serviços Ltda., de propriedade  do Sr. Antônio Silva Duarte. Destarte, a Postulante questionou como os denunciantes alegaram  diversas irregularidades cometidas dentro da empresa DISFRIO pelo Sr. Hugo, se tal empresa  Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 7          6 pertence ao Sr. Antônio Silva Duarte. Concluiu que o Sr. Antônio Silva Duarte é na verdade  sócio oculto da firma M J Lagos e responsável pelas irregularidades cometidas, sendo o Sr.  Manoel  Gonçalves  Costa  Moreira  que  consta  como  sócio  da  empresa  fiscalizada,  apenas  um  “laranja”.  Esclareceu  por  fim,  que  a  denúncia  do  Sr.  Antônio  Silva  Duarte  contra  o  Sr.  Hugo  Cecílio  de Carvalho  “deve­se  ao  fato  de  que, Manoel  Gonçalves  Costa Moreira, casando dos abusos de Antônio Duarte, vendeu uma das empresas que estavam  em seu nome (mas que de fato era de Antônio Silva Duarte) para Hugo desencadeando a partir  daí dezenas de denúncias, com o fito de prejudicar Hugo”.  Ressaltou ainda, que, referente ao envio de Demonstrativos Físicos Financeiros  ao Sr. Cláudio Lopes Duarte e Antônio Silva Duarte, isto se dava tendo em vista que estes são  os  verdadeiros  donos  (ocultos)  da  fiscalizada. Ademais,  a  contribuinte  afirmou  que  também  pertencem a estes senhores as empresas FOKO Comércio e Distribuidora de Bebidas Ltda. e  GRAU Distribuidora de Bebidas Ltda., firmas para as quais era enviado numerário da empresa  fiscalizada. Desta forma, requereu o redirecionamento do Auto de Infração para os dois.  No mérito, a Impugnante afirmou que a presunção legal a favor do Fisco, resta  prejudicada, ante a comprovação da apresentação de todos os livros e documentos ao fiscal.  Ademais, entendeu que a presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 não é  absoluta.  Relatou que “é comum contribuintes sacarem valores, utilizarem parcialmente, e  depositarem o restante novamente nas mesmas contas, transferirem valores de uma conta para  outra,  sacarem  valores  para  realizar  um  negócio  qualquer,  o  qual  posteriormente  não  é  concretizado,  com o  retorno  integral  dos valores  a  conta correspondente  e etc.” Em seguida,  esclareceu que “esses  fatos podem  justificar, no  todo ou em parte,  a movimentação bancária  não declarada, razão pela qual a fiscalização não pode simplesmente considerar cada depósito  bancário  como  ‘rendimento’,  para  fins  de  cobrança  do  imposto  de  renda.  É  necessário  comprovar que o depósito não declarado equivale a algum rendimento omitido na  respectiva  declaração”.  Por  fim,  fez  referência  à  antiga  súmula  nº  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos.  Ainda levantou como matéria de mérito, a ilicitude da prova obtida por meio da  quebra  do  sigilo  bancário.  Ressaltou  que  todos  os  documentos  estavam  à  disposição  da  autoridade  fiscalizadora, e, no entanto, o  fiscal alegou não  ter  recebido nenhuma explicação,  quebrando assim o sigilo bancário da Impugnante sem mandado judicial a respaldá­lo.  Ressaltou  que  a  pretensa  omissão  de  receitas  imputada  à  contribuinte  é  por  “divergência entre a receita declarada e os depósitos bancários”, situação esta não descrita no  texto legal apontado como infringido.  Por  fim,  a  Impugnante  afirmou  a  inconstitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário pela autoridade fazendária sem autorização judicial.  Em 27/08/2012, a 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente, por  unanimidade de votos, a Impugnação (proc. fls. 3037 a 3058).  Preliminarmente,  o  órgão  julgador  a  quo  se  manifestou  sobre  a  alegação  de  cerceamento do direito de defesa levantada pela autuada.  Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 8          7 Em  sede  de  Impugnação,  a  fiscalizada  alegou  que  efetivamente  apresentou  os  documentos referentes ao ano­calendário de 2009. O Colegiado confirmou a apresentação do  Livro Diário. No  entanto,  ressaltou  que  tal  livro  foi  escriturado  com  partidas mensais  e  não  diárias como determina a legislação.  A DRJ  asseverou  ainda  que  não  há  que  se  falar  em  apresentação  dos  demais  livros e documentos solicitados para o ano­calendário de 2009, pois o Livro Razão apresentado  refere­se  ao  ano­calendário  de  2007. Concluiu  o  órgão  julgador  que  a  despeito  das  diversas  intimações, a interessada não apresentou os livros e documentos aptos a conferir de forma clara  e indubitável a escrituração da interessada para o ano­calendário de 2009, motivo pelo qual o  Fisco realizou a apuração do lucro por meio do arbitramento.  Destarte, o colegiado afastou a alegação de cerceamento de defesa.  No mérito, a contribuinte questionou a presunção prevista no art. 42 da Lei nº  9.430/96, afirmando que não seria absoluta, cabendo, sim, apresentação de prova em contrário.  A  autoridade  fazendária  alegou que  a  autuada  apresentou  apenas  justificativas  vagas  e  genéricas  para  justificar  a  movimentação  financeira  investigada  durante  o  procedimento  fiscal,  pois  afirmou  ser  comum  “contribuintes  sacarem  valores,  utilizarem  parcialmente e depositarem o restante novamente nas mesmas contas,  transferirem valores de  uma  conta  para  outra,  sacarem  valores  para  realizar  um  negócio  qualquer,  o  qual  posteriormente não é concretizado com o retorno integral dos valores à conta correspondente  etc.”.  No  entanto,  A  DRJ  ressaltou  que  a  Impugnante  não  trouxe  à  colação,  especificamente, quais casos correspondiam a que lançamentos relativos à sua movimentação  bancária. Não  individualizou os  lançamentos oriundos de  suas  contas  correntes que estariam  sendo objeto de exigência, cuja força probante, por meio documental poderiam ser afastados do  computo do valor tributável.  A contribuinte  ainda questionou a  atuação do Fisco por não  ter descontado os  valores  relativos  aos  tributos  já  recolhidos  referente  à  infração  de  omissão  de  receita.  O  Colegiado relatou que, no caso dos depósitos bancários, não foram segregados quais as receitas  estariam declaradas na DIPJ e quais seriam apuradas durante o procedimento fiscal. Ademais, a  Turma  ainda  ressaltou  que  diferentemente  do  efetuado  no  caso  do  arbitramento,  em  que  os  valores  já  recolhidos  foram  devidamente  descontados  no  computo  das  exigências  constantes  dos Autos de Infração, está correto o cálculo fundado em omissão de receitas por ausência de  comprovação da origem dos depósitos.  A  contribuinte  ainda  afirmou  a  ilegalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário,  pois  realizado sem respaldo de decisão judicial, o que entendeu motivar a nulidade do procedimento  fiscalizatório. A DRJ, fundada no artigo 1º, § 3º, III e artigo 6º, ambos da Lei Complementar nº  105/01, bem como no Decreto nº 3.724/01, artigo 2º, § 5º, artigo 3º, V e artigo 4º, a requisição,  acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independe de autorização judicial. Já  quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade  de  tais  dispositivos  legais,  o  órgão  fazendário  ressaltou  que  não  possui  competência  para  apreciar  a  inconstitucionalidade  de  dispositivos  legais vigente.  Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 9          8 Por  fim,  o  Colegiado  frisou  que  não  houve  qualquer  manifestação  quanto  às  demais bases da autuação, nem mesmo sobre a aplicação da multa qualificada. Desta forma, tal  matéria encontra­se acobertada pelo manto da preclusão.  O Recurso Voluntário foi interposto em 26/09/2012 (proc. fls. 3070 a 3101).  Preliminarmente,  a  Recorrente  mais  uma  vez  invocou  a  nulidade  do  Auto  de  Infração sob o argumento de que não se verificou a hipótese levantada para que fosse realizado  o  arbitramento  do  lucro,  qual  seja:  não  possuir  escrituração  na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais.  Ademais,  a  Postulante  afirmou  que  os  valores  dos  tributos  já  pagos  não  foram  deduzidos.  No mérito, a contribuinte alegou que a presunção legal a favor do Fisco restou  prejudicada,  ante  a  apresentação  de  todos  os  livros  e  documentos  fiscais.  Ressaltou  que  “a  falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são  suficientes  para  sustentar  a  desclassificação  da  escrituração  contábil  e  o  consequente  arbitramento dos lucros”.  Mais  uma  vez  afirmou  que  algumas  atividades  consideradas  normais  da  empresa, por si só, justificam a movimentação bancária não declarada. Desta forma, concluiu  que  a  fiscalização  não  pode  simplesmente  considerar  cada  depósito  bancário  como  “rendimento”.  Referente  à  quebra  do  sigilo  bancário,  o  contribuinte  entendeu  que  deve  ser  reconhecida a sua ilicitude vez que afronta os direitos individuais do contribuinte fiscalizado.  Ademais,  ressaltou que  todos os documentos  foram colocados  à disposição da  fiscalização.  Quanto  ao  arbitramento  do  lucro,  a  Recorrente  relatou  que  segundo  entendimento  do  1º  Conselho  de Contribuintes,  “os  lançamentos  contábeis  individualizados,  apenas  com  indicação  de  data  única  do  final  do  mês,  não  caracteriza  registro  em  partidas  mensais, de forma a dar imprestabilidade à escrituração e motivar o arbitramento do lucro”.  Acrescentou que  segundo decisão unanime do Conselho Superior de Recursos  Fiscal,  para  que  se  proceda  o  arbitramento  do  lucro,  é  necessário  que  o  contribuinte  seja  previamente intimado a providenciar a regularização da escrita, e concluiu que isto não ocorreu  no caso em análise.  Segundo  a  Postulante,  o  lucro  arbitrado  deve  ser  determinado  mediante  a  aplicação do percentual de 9,6%, conforme determina o art. 16 da Lei nº 9.249/2005.  Já quanto à aplicação da multa na sua forma qualificada, o Recorrente asseverou  que o art. 538 do RIR/99 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96, determina que sendo a  iniciativa do  arbitramento do Fisco, sobre o imposto de renda será aplicada a multa de ofício de 75%.  Ademais,  não  há  nenhum  indício  de  fraude  ou  conluio,  não  sendo,  portanto,  lícita a aplicação da multa em dobro.  É o relatório.    Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 10          9 VOTO Nara Cristina Takeda Taga, Conselheira Relatora  Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazem­se necessárias algumas  observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF.  A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite  às  instituições  financeiras, por meio de RMF, as  informações pertinentes ao contribuinte  sob  fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei.   A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle  concentrado  de  constitucionalidade  como  em  Recurso  Extraordinário,  estando  ambos  pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal.  De  acordo  com  o  previsto  no  art.  62­A,  §  1º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho ­ RICARF (Portaria MF nº 256/2009),  reconhecida a repercussão geral em sede de  Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser  sobrestados. Confira­se:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar o  julgamento dos  recursos  extraordinários da mesma matéria, até que  seja  proferida decisão nos termos do art. 543­B. (grifei)  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator  ou  por  provocação das partes.   Ocorre  que  desde  23/10/2009,  o  STF  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir:  “Constitucional.  Sigilo Bancário. Fornecimento de  Informações  sobre Movimentação  Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar  nº  105/2001).  Possibilidade  de  aplicação  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. Relevância  jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”.  Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre  RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, deveriam ficar sobrestados aguardando o  julgamento  da  repercussão  geral  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  tendo  em  vista  que  cabe  a  este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico.  .É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Nara Cristina Takeda Taga ­ Relatora  Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15540.720195/2012­10  Resolução nº  1101­000.082  S1­C1T1  Fl. 11          10       Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 13971.005271/2009-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3403-003.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004 Ementa: IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1643; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1.235          1 1.234  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.005271/2009­62  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.416  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de novembro de 2014  Matéria  AI­IPI  Recorrente  INDUSTRIAL E AGRÍCOLA RIO VERDE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 31/12/2003 a 15/12/2004  Ementa:  IPI.  DECADÊNCIA.  AUSÊNCIA  DE  PAGAMENTO.  ART.  173,  I  DO  CTN. RESP N. 973.733/SC.  Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do  CTN,  conforme entendimento do STJ  expresso no REsp no  973.733/SC, na  sistemática do art. 543­C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por  este  tribunal  administrativo,  tendo  em  vista  o  art.  62­A  do  Anexo  II  do  RICARF.       Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.     ROSALDO TREVISAN ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente  da  turma),  Rosaldo  Trevisan  (relator),  Alexandre  Kern,  Ivan  Allegretti,  Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 71 /2 00 9- 62 Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN     2 Relatório  Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 15/12/2009 (fls. 1099 a  1109,  com  ciência  em  16/12/2009  ­  fl.  1101)1  para  exigência  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI (de dezembro de 2003 a novembro de 2004), acrescido de juros de mora  e multa de 75%, no total de R$ 1.144.447,80), por falta de recolhimento em virtude de dedução  de créditos indevidos.  No  Termo  de  Verificação  de  Infração  (TVI)  de  fls.  1111  a  1113,  narra  a  fiscalização que: (a) a ação fiscal  tratou também da análise de PER/DCOMP (de final 7403),  tratado  no  processo  administrativo  no  13971.005271/2009­62;  (b)  durante  o  procedimento,  apurou­se  que  a  empresa  escriturou  de  julho/1999  a novembro/2004  créditos  “fictos” de  IPI  (oriundos da aquisição de insumos não onerados, tributados à alíquota zero, não tributados ou  isentos), utilizando­os na dedução do IPI apurado e devido nos respectivos períodos, conforme  se  registra  no  LAIPI,  acarretando  falta  de  recolhimento  de  julho/1999  a  outubro/2004  e  recolhimento  a  menor  em  novembro/2004;  (c)  intimada  a  justificar  os  créditos,  a  empresa  informou estar amparada por decisão judicial (fls. 1040/1079); (d) ocorre que a demanda, além  de  não  estar  definitivamente  julgada,  presta­se  a  tema  diverso:  apurar  créditos  em  relação  a  aquisição de  insumos utilizados na  industrialização de produtos desonerados do  tributo; e (e)  torna­se assim devida a quantia indevidamente abatida com os descontos dos créditos “fictos”  de IPI.  A  empresa  apresenta  sua  impugnação  em  22/12/2009  (fls.  1136  a  1154),  sustentando  basicamente  que:  (a)  houve  decadência  em  relação  aos  débitos  anteriores  a  novembro de 2004, conforme art. 150, § 4o do CTN, tendo havido pagamento antecipado; e (b)  “caso se entenda que os valores declarados em DIPI e DCTF configuram confissão de débito  passível de exigência, importa ressaltar que também encontram­se extintos, pela prescrição).  Em  27/02/2013  ocorre  o  julgamento  de  primeira  instância  (fls.  1170  a  1173),  no  qual  se  decide  unanimemente  pela  procedência  parcial  da  impugnação,  sob  os  argumentos de que:  (a) com base no LAIPI, verifica­se que não houve pagamento de  IPI até  outubro  de  2004,  e  que  nos  períodos  de  novembro  de  dezembro  de  2004,  embora  seja  registrado débito, não há prova de realização de pagamentos; (b) opera, assim, a regra do art.  173, I do CTN, configurando­se a decadência para os fatos geradores de dezembro de 2003; (c)  não há que  se  falar  em prescrição, pois  a exigibilidade do  crédito  lançado está  suspensa por  iniciativa do sujeito passivo, que apresentou  impugnação à autuação; e  (d) não há defesa em  relação  ao  mérito  (deduções  de  créditos  “fictos”  de  IPI),  não  se  instaurando  o  litígio,  nos  termos do art. 17 do Decreto no 70.235/1972.  Cientificada  do  acórdão  da  DRJ  em  10/04/2013  (cf.  AR  à  fl.  1182),  a  empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/04/2013 (fls. 1184 a 1201), no qual  reitera os  posicionamentos  externados  na  impugnação,  acrescentando que  “mesmo não  tendo havido  o  pagamento, é possível haver a homologação de toda a atividade desenvolvida pelo contribuinte  para apurar o crédito tributário”.  É o relatório.                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/2009­62  Acórdão n.º 3403­003.416  S3­C4T3  Fl. 1.236          3   Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  Como já destacado na decisão de piso, a recorrente sequer discute o mérito da  autuação, concentrando sua argumentação de defesa tão somente na preliminar de decadência  (com linha alternativa defendendo a prescrição).  Em  relação  à  decadência,  afirmava  a  empresa  na  impugnação  que  tendo  havido pagamento antecipado, a regra aplicável era a do art. 150, § 4o do CTN.  Em sede  recursal,  ao mesmo  tempo em que mantém  tal  linha,  sustenta  que  “mesmo não  tendo havido o pagamento, é possível haver a homologação de  toda a atividade  desenvolvida  pelo  contribuinte  para  apurar  o  crédito  tributário”,  não  apresentando  qualquer  documento que comprove ter havido pagamento no período autuado.  Não merece prosperar tal entendimento, que somente pode ser encontrado em  vetusta jurisprudência administrativa (como a trazida no recurso voluntário).  Diante da ausência de pagamento antecipado, aplicável é a regra do art. 173  do CTN, conforme entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do  art.  543­C  do  CPC,  e,  portanto,  de  observância  obrigatória  por  este  tribunal  administrativo,  tendo  em  vista  o  art.  62­A  do Anexo  II  do  Regimento  Interno  deste  CARF,  aprovado  pela  Portaria MF no 256, de 22/6/2009:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO. TRIBUTO  SUJEITO A LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150,  § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  quinquenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  quinquenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do CPC,  e  da Resolução STJ  08/2008.  (REsp  973733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso)  Nesse  sentido  já  decidiu  recentemente  esta  3a  Turma  Ordinária  de  forma  unânime (inclusive com a composição atual):  “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173,  I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a  regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme  entendimento  do  STJ  expresso  no  REsp  no  973.733/SC,  na  sistemática  do  art.  543­C do CPC,  e,  portanto,  de  observância  Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13971.005271/2009­62  Acórdão n.º 3403­003.416  S3­C4T3  Fl. 1.237          5 obrigatória  por  este  tribunal  administrativo,  tendo  em  vista  o  art. 62­A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403­002.298,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  em  relação  à  matéria,sessão de 25.jun.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos  no  3403­003.106  e  107,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime,sessão  de  23.jul.2014;  e  o  Acórdão  no  3403­003.305,  Rel.  Cons.  Rosaldo  Trevisan,  unânime  em  relação  à  matéria,sessão de 14.out.2014)  E uma simples pesquisa no sítio web do CARF permite a verificação de que a  matéria está realmente assentada no CARF, mas em sentido oposto ao que prega a recorrente  (v.g. Acórdãos no 3101­001.267, 3302­002.589, 3403­002.767, 9202­003.060, 9303­002.849 e  9303­002.857). Ademais, é vedado ao julgador, pelo Regimento Interno do colegiado, opor­se  ao entendimento expresso pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos.  Quanto  à  argumentação  alternativa  de  que  houve  prescrição,  também  não  merece acolhida,  seja porque não  se verifica  estarem os débitos  regularmente declarados  em  DCTF,  seja  porque,  como  destacou  o  julgador  de  piso,  foi  lavrada  autuação,  constituindo  o  crédito, que está em processo de discussão administrativa, inibindo a ocorrência da prescrição.    Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário apresentado.  Rosaldo Trevisan                                Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por ROSALDO TREVISAN

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Numero do processo: 10283.003958/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostra-se dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Mostra-se dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não se conheceu daquele apresentado pela empresa Brazshipping, por intempestivo. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos quanto à existência de uma única empresa. O Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça se declarou impedido de votar. Participou do julgamento o Conselheiro Denes Brito. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Flávio de Sá Munhóz OAB/SP 131441. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Denes Brito, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10          1 9  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.003958/2004­19  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.834  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2014  Matéria  ADUANA­ IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA/IRREGULAR  Recorrente  BRAZSHIPPING MARÍTIMA LTDA.,  TCE INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. E  SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000  ATO  DECISÓRIO.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA. INEXISTÊNCIA.  Na  esteira  do  art.  59  do  Decreto  nº  70.235/72,  os  vícios  que  acarretam  a  nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a  preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena  validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do  direito  de  defesa  quando  é  franqueado  ao  contribuinte  o  acesso  a  todos  os  documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000  UTILIZAÇÃO  DE  DOCUMENTOS  MANIPULADOS.  DOLO.  OCORRÊNCIA.  Mostra­se  dolosa  a  conduta  deliberada  de  utilizar  faturas  comerciais  cujas  informações  foram  manipuladas  pelo  próprio  importador,  na  instrução  do  despacho  aduaneiro  de  mercadorias  de  procedência  estrangeira,  ainda  que  destinadas à Zona Franca de Manaus.  IMPORTAÇÃO.  DESPACHO  ADUANEIRO.  UTILIZAÇÃO  DE  DOCUMENTOS  FALSOS.  INFRAÇÃO  AO  ART.  463,  I  DO  RIPI/98.  CONFIGURAÇÃO.  A  utilização  de  faturas  comerciais  manipuladas  pelo  importador  para  instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita  no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para  consumo,  ou  consumo  de  produto  de  procedência  estrangeira  introduzido     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 58 /2 00 4- 19Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     2 clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que  tenha  entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que  tenha  havido  registro  da  declaração  da  importação  no  SISCOMEX,  ou  desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento  aos recursos das empresas TCE e SDW nos termos do voto do relator e, por unanimidade, não  se  conheceu  daquele  apresentado  pela  empresa  Brazshipping,  por  intempestivo.  Vencido  o  Conselheiro  Júlio  Ramos  quanto  à  existência  de  uma  única  empresa.  O  Conselheiro  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça  se  declarou  impedido  de  votar.  Participou  do  julgamento  o  Conselheiro  Denes  Brito.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  Dr.  Flávio  de  Sá  Munhóz  OAB/SP 131441.    Júlio César Alves Ramos – Presidente    Robson José Bayerl – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Denes  Brito,  Robson  José  Bayerl,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  Cláudio  Monroe  Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.  Relatório  Versa o presente processo sobre lançamento de multa regulamentar prevista no  art. 83, caput e inciso I, da Lei n° 4.502/1964, alterada pelo art. 1° do Decreto­Lei n° 400/68.  Tendo em conta a riqueza de detalhes e a necessária transcrição minuciosa dos  fatos ensejadores do lançamento, para confecção do presente aresto, adoto parte do relatório da  decisão de primeiro grau administrativo, verbis:  “De  acordo  com  a  descrição  dos  fatos  constante  do  Auto  de  Infração,  as  empresas  autuadas,  TCE Comércio  e  Serviços  em Tecnologia  e  Informática Ltda.  (TCE),  SDW  Serviços  Empresariais  Ltda.  (SDW)  e  Brazshipping  Marítima  Ltda.  consumiram  e  entregaram  a  consumo  produtos  de  procedência  estrangeira  importados  fraudulentamente.  Segundo  afirma  a  fiscalização,  foram  cometidas  infrações cambiais e  fiscais, além de crimes,  ficando as autuadas sujeitas à multa  equivalente  ao  valor  comercial  da mercadoria,  conforme demonstrativo anexo, de  fls. 632 (Volume 3).  3.  Ainda  conforme  o  relatório  da  fiscalização,  são  prestados  os  seguintes  esclarecimentos:  Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 11          3 3.1  a  fraude  consistiu,  principalmente,  na  falsificação  e  adulteração  de  invoices  e na constituição  fraudulenta das autuadas. As  infrações constatadas são  referentes a operações de importação ocorridas em 2000;  3.2  a  TCE  e  a  SDW  foram  diversas  vezes  autuadas  por  falsificações  e  adulterações de documentos necessários ao despacho aduaneiro;  3.3 para  ilustrar como ocorriam as  fraudes, são utilizados como paradigma  os  procedimentos  de  números  10283.002649/2004­21  (fls.  20­43)  e  10283.002594/2004­50 (fls. 44­57), haja vista que a organização criminosa seguia  a  mesma  rotina  há  vários  anos,  o  que  quer  dizer  que  as  fraudes  apuradas  não  diferem substancialmente;  3.4  no  processo  n°  10283.002594/2004­50  verificou­se  que  a  invoice  n°  C290109 (etiqueta 1 ­B, fls. 51) foi emitida pela empresa JEAN CO. LTD., situada  em Taiwan,  acobertando mercadorias  exportadas  ao Brasil  para  a  empresa TCE,  no valor de USD 592,000.00 e que nela há ordem administrativa para superfaturar  os preços dos produtos em 30%, retirando­se USD 3,000.00 do valor superfaturado;  3.5 há descrição resumida e genérica das mercadorias estrangeiras e o Term  of Payment de 0/A45 days;  3.6  a  essa  invoice,  relaciona­se  o  conhecimento  marítimo  n°  PK/MAN  0030/99 (etiqueta 1­E, fls. 56) que também aponta como shipper a JEAN CO. LTD.;  3.7 há outra via da invoice n° C290109 (com etiqueta 1A, fls. 45­50) emitida  pela  Kelsey  Commercial  S/A,  sediada  nas  Ilhas  Virgens  Britânicas,  conhecido  Paraíso  Fiscal,  acobertando  as  mesmas  mercadorias,  porém,  com  o  valor  superfaturado  em  30%,  retirados  os  USD  3,000.00,  e  com  descrição  especifica  itemizada;  3.8  nesta  via,  o  Term  of Payment  declarado  é  ‘ADVANCE PAYMENT US$  610,000.00  +  DRAF  AT  SIGHT  US$  156,000.00’,  ou  seja,  esse  documento  foi  emitido  no  Brasil,  conforme  o  número  e  ordem  referida  na  outra  invoice  (com  etiqueta  1­B,  fls.  51),  pois  esta  via  tem  descrição  específica  das  mercadorias,  necessárias  à  fruição  dos  benefícios  fiscais,  valor  30%  maior  e  simulação  do  exportador;  3.9  a  esta  invoice  irregular,  corresponde  outra  via  do  conhecimento  n°  PK/MAN 0030/99  (com etiqueta 1­F,  fls. 57), que  também aponta como shipper a  empresa Kelsey Commercial S/A, nas Ilhas Virgens Britânicas;  3.10  as  vias  da  invoice  e  do  BL  estão  em  duplicidade  e  com  dados  controversos;  3.11  o  despacho  aduaneiro  foi  instruído  pelas  vias  falsas/adulteradas  da  invoice (etiqueta 1A, fls. 45­50) e do BL (etiqueta 1­F, fls. 57), tendo em vista que as  informações  do  valor,  do  exportador,  do  termo  de  pagamento  e  da  descrição  das  mercadorias na Declaração de Importação correlata n° 99/0960874­0 (fls. 52­55),  são aquelas constantes de ambos os mencionados documentos irregulares;  3.12 a operação cambial decorre dos dados informados na DI, de modo que o  fechamento  de  câmbio  se  deu  conforme  os  dados  simulados,  enviando­se  divisas  para o paraíso  fiscal,  Ilhas Virgens Britânicas, por meio do superfaturamento das  importações e simulação do exportador;  Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     4 3.13 o dolo fica caracterizado nas mensagens eletrônicas de fls. 64­79 e 183­ 322;  3.14  no  processo  n°  10283.002649/2004­21,  como  nos  demais  processos  e  neste  Auto  de  Infração,  há  a  invoice  n°  M291297  (etiqueta  1­B,  fls.  33)  emitida  também pela empresa JEAN CO. LTD. acobertando mercadorias no valor de USD  74,817.00,  correspondente  ao  BL  n°  NYKS490267373  (etiqueta  1­E,  fls.  40)  indicando como shipper a JEAN (M) SDN. BHD;  3.15  a  via  falsa  (etiqueta  1­A/1,  fls.  27­32)  simula  a  emissão  pela  Kelsey  Commercial  S/A,  totalizando  USD  97,262.10  e  os  outros  itens,  como  terms  of  Payment, também foram simulados;  3.16 referente à via  falsa/adulterada da invoice,  também há outra do BL n°  NYKS490267373  (etiqueta  1­F,  fls.  41)  do  qual  consta  como  shipper  a  KELSEY  COMMERCIAL S/A;  3.17 há mais uma via da invoice falsa/adulterada (etiqueta 1­A, fls. 21­26), ou  seja, três vias diferentes da mesma invoice;  3.18  ainda  nesse  processo,  foi  apurado  que,  em  diversas  ocasiões,  era  simulado o  nome  do  importador,  ora  sendo a  TCE,  ora  a  SDW,  citando­se  como  exemplo  o  BL  NYKS490261769,  em  que,  numa  via  (etiqueta  2­E,  fls.  42),  o  consignee (importador) é a TCE e na outra via é a SDW (etiqueta 2­17, fls. 43);  3.19  no  jogo  de  documentos  de  fls.  685­802  (volume  3),  há  a  invoice  verdadeira ("B"), n° C290123 (fls. 700), acobertando mercadorias no valor de US$  1.300.000,00,  com  prazo  para  pagamento  de  0/45  days,  emitida  por  JEAN  CO.  LTD., sediada em Taiwan, com ordem para superfaturar em 30% as mercadorias;  3.20  há  ainda  a  fatura  "A"  (fls.  685­699),  emitida  pela  KELSEY  COMMERCIAL  S.A.,  sediada  nas  Ilhas  Virgens  Britânicas,  com  valor  superfaturado em 30% em relação à via verdadeira (US$ 1.687.400,00), com prazo  para  pagamento  ‘advanced  payment  US$  629,200,00  /  Suplier  credit  US$  1.058.200,00’, tendo o mesmo número da invoice verdadeira;  3.21  existe  a  participação  do  representante  nacional  do  transportador  estrangeiro, Brazshipping Marítima Ltda, que emitiu o Conhecimento de Carga n°  PK/MAN  0038/99  (fls.  802),  do  qual  consta  como  shipper  a  empresa  Kelsey,  de  acordo  com  os  dados  da  invoice  "A"  falsificada/adulterada,  embora  houvesse  emitido  outro  BL  com  o  mesmo  número  (fls.  801),  no  qual  consta  como  shipper  JEAN (M) BND, tendo recebido em 12/01/2000 por fac­simile;  3.22 na via falsa/adulterada do conhecimento de carga consta o carimbo da  Brazshipping Marítima Ltda (fls. 802);  3.23  a TCE  e  a SDW são vinculadas ao grupo CCE, acusado de  fraudar o  regime ZFM;  3.24 as simulações, fraudes e dolo também estão provados em dois relatórios:  o primeiro emitido em 08/08/2003 (fls. 58­79) e o segundo expedido em 13/01/2004  (fls. 80­386);  3.25  conforme  citados  relatórios,  a  TCE  e  SDW  foram  constituídas  com  a  finalidade  específica  de  fraudar  o  Estado  sendo  geridas  por  um  único  grupo  de  pessoas;  3.26  o  esquema  continua  em  atividade,  haja  vista  ter  sido  aberta  filial  paulista da SDW, em 03/11/2003, cujo diagnóstico fiscal era ‘irregular’, à época, e  atualmente é ‘regular’, e ter sido alterada a razão social da TCE, em 11/10/2003;  Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 12          5 3.27  tanto a matriz da TCE,  localizada em Manaus, quanto a  filial paulista  estão com o diagnóstico fiscal ‘irregular’;  3.28  embora  a  inexistência  fática  das  autuadas  TCE  e  SDW  tenha  sido  comprovada  pela  Receita  e  pelo  Ministério  Público  Federal  e  de  já  ter  sido  proposta a inaptidão de ambas as empresas, o grupo investigado continua a operar;  3.29 as alterações processadas nos cadastros e na composição societária das  autuadas,  TCE  e  SDW,  são  atos  que  visam  apenas  livrar  as  pessoas  físicas  relacionadas nos dois relatórios antes mencionados das penalidades legais (os fatos  aqui verificados foram praticados em 2000, não sendo, alcançados por esses atos);  3.30 após ter sido iniciada esta investigação, autorizada pela Justiça Federal,  o bloco SDW/TCE tem realizado diversas mudanças no seu quadro social visando  não vincular nomes de sócios ilustres ao esquema existente desde 1998 pelo menos;  3.31  os  fraudadores  falsificaram  invoices  e  conhecimentos  marítimos  de  diversas empresas, até de grupos transnacionais famosos mundialmente;  3.32 dentre outras provas, juntam­se as invoices falsificadas e adulteradas da  General Eletric Company (fls. 394­397), sendo que as respectivas vias verdadeiras  dos documentos estão juntadas as fls. 398­401;  3.33  a  GE  Plastics  afirma  que  não  emitiu  as  faturas  internacionais  falsificadas, quando respondeu aos expedientes oficiais (fls. 390­393), daí que foi a  TCE/SDW quem o fez;  3.34  os  documentos  estão  agrupados  em  jogos  numerados  (fls.  632),  sendo  que, depois do número do jogo, as invoices falsas estão etiquetadas com a letra "A",  a original/verdadeira com "B", o packing list regular com "C", a DI correlata com o  signo ‘D’ e o conhecimento com "E";  3.35 todas as vias  falsificadas­adulteradas  (A) seguem o modelo  tipográfico  (fls. 389), não trazendo quaisquer verossimilhanças com a original­verdadeira (B);  3.36 todas as faturas que têm esta tipografia são falsas (fls. 389);  3.37  é  fácil  comprovar  as  fraudes,  bastando  cotejar  a  invoice  "A"  (via  falsa/adulterada utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada  com "B" (a original/verdadeira, emitida pelo exportador), por onde se constata que  as diferenças são gritantes;  3.38  os  documentos  estavam  arquivados  juntos,  quando  foram  apreendidos  em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.4595­3;  3.39 o esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados aqui  segue o roteiro já identificado em ocorrências anteriores, que envolvem a empresa  CCE e outras do grupo, como a DM, tendo por intuito fraudar os cofres públicos e o  regime da Zona Franca de Manaus;  3.40  constam  deste  esquema  pessoas  físicas  que  são  sócias  em  várias  indústrias importadoras situadas na ZFM, dentre elas a TCE e a SDW;  3.41 as pessoas que comandam o esquema estão listadas as fls. 424­454 e os  nomes dos comandados constam do primeiro relatório (fls. 58­79) e do segundo (fls.  80­386), sendo estes os responsáveis pela operacionalização das fraudes;  Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     6 3.42  há  procedimentos  provando  a  falsificação/adulteração  de  invoices  e  conhecimentos  marítimos,  envolvendo  também  o  transportador  internacional  das  cargas  nos  episódios  irregulares  e,  por  isso,  em  alguns  casos,  foram  autuados,  concomitantemente, as empresas TCE, SDW e diversos  transportadores marítimos,  quando se provou também a falsificação de conhecimentos marítimos;  3.43  as  empresas  TCE  e  SDW  têm  sócios  vinculados  a  outras  empresas  fraudadoras do regime da ZFM, que também por meio da emissão de invoices e de  BL  falsos,  introduziram  mercadorias  estrangeiras  irregularmente  no  País,  consumindo­as e/ou entregando­as a consumo posteriormente;  3.44 como exemplo inicial das vinculações, além de as empresas TCE e SDW  haverem funcionado no mesmo local físico (imóvel de propriedade da CCE), cita­se  o  fato  de  o  Sr.  Isaac  Sverner,  figura  central  na  constituição  de  sociedades  que  cometeram  vários  ilícitos  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ser  sócio  majoritário  da  empresa TCE;  3.45 complementando o esquema, um dos sócios da SDW, Sr. Raphael Ades,  mantém vinculo familiar com o Sr. César Ades, que é parceiro do Sr. Isaac Svemer  na TCE;  3.46  é  um  ciclo  fraudador  e  vicioso  que,  ao  que  tudo  indica,  controlava  também  a  empresa  beneficiária  das  remessas  de  divisas  (geralmente  a  Kelsey  Commercial  S/A  nas  Ilhas Virgens Britânicas),  pois  constam  tomadas de decisões  administrativas  relativamente  a  esta  entidade  nas  correspondências  anexadas  aos  relatórios;  3.47 conforme se constata na cláusula 45 do contrato social da empresa SDW  (fls. 624­625), esta era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela TCE;  3.48  o  art.  136  do  Código  Tributário  Nacional;  art.  438  do  Decreto  n°  2.637/1998  e  art.  95,  inciso  I,  do  Decreto­lei  n°  37/1966,  capitulam  as  ações  irregulares, nos quais, verifica­se que a infração tributária é objetiva;  3.49  houve  simulação/fraude/dolo  na  constituição  e  gerência  das  empresas  TCE e SDW;  3.50 As simulações, fraudes e dolo estão também provadas nos dois relatórios  juntados,  em  cujos  expedientes  há  correspondências  eletrônicas,  provando  a  organização  hierárquica  do  esquema  e  a  vontade  explicita  de  lesar  a  economia  nacional;  3.51  as  empresas  SDW  e  TCP  são  uma  única  empresa  ­  a mesma unidade  econômica ­ formalizada desta forma bipartida tão­somente para fraudar o Erário e  para  usufruir  duplamente  os  saldos  de  importação autorizados pela Suframa, por  meio de aprovação de dois Processos Produtivos Básicos (PPB) distintos;  (...)  3.55  a  SDW  e  a  TCE  são  uma  só  empresa  formalizada  por  pessoas  físicas  vinculadas entre si;  3.56 o parágrafo único, da clausula 45 de uma das vias do contrato social da  empresa  SDW  (fls.  607­626),  nomeia  como  diretores  delegados  para  exercerem  o  comando administrativo da citada empresa as mesmas pessoas fisicas responsáveis  pela TCE, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades;  3.57  as  empresas  TCE  e  SDW  tinham  como  administradores  as  mesmas  pessoas físicas;  Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 13          7 3.58 nos relatórios de Diligência Fiscal (fls. 507­585) consta que: a SDW e a  TCE  estavam  estabelecidas  no mesmo  imóvel,  tratando­se,  de  fato,  de  uma  única  empresa; o endereço 21­A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na  realidade,  um  único  imóvel  com  divisões  internas,  ocupadas  por  essas  pessoas  jurídicas; o imóvel encontra­se, atualmente, sublocado à WMTM Equipamentos de  Gases Ltda., pelo Sr. Romero Reis, o qual é locatário do imóvel locado pela CCE da  Amazônia,  proprietária  do  imóvel;  considerando­se  os  dois  endereços  em  que  estiveram  estabelecidas,  num  mesmo  período  de  tempo  e  as  declarações  do  Sr.  Wilson César da C. Couto e  também a  inveracidade da existência do endereço de  número  21­A,  verificam­se  indícios  de  que  havia  um  propósito  fraudulento  na  atuação das pessoas jurídicas, pelo artifício de se passarem por empresas distintas;  (...)  3.80  a  descrição  das  mercadorias  nas  invoices  "A"  (falsas/adulteradas),  sempre  em  língua  portuguesa,  é  exatamente  aquela  constante  do  Processo  Produtivo  Básico  (PPB)  autorizado  pela  Suframa,  tendo  como  motivo  dessa  simulação  fazer  com  que  as  mercadorias  se  enquadrem  no  PPB  aprovado  pela  Suframa (fls. 455 ­506);  3.81  as  correlatas  vias  originais/verdadeiras,  que  estão  seguidamente  anexadas  às  falsas  (fls.  398­401),  têm  a  mesma  numeração  das  vias  falsificadas/adulteradas,  embora sejam completamente diferentes das  ‘fabricadas’,  conforme o modelo tipográfico para falsificação (fls. 389);  3.82  o  escritório  da  Receita  Federal  nos  Estados  Unidos  (fls.  391)  e  a  Procuradoria  da  República  no  Amazonas  (fls.  390)  remeteram  ao  grupo General  Eletric  (GE),  questionamentos  sobre  a  emissão  das  invoices  nos  0370025201  (fls.  394),  0370025401  (fls.  395),  0370025501  (fls.  396)  e  0388365601  (fls.  397),  das  quais  constam  a  marca  oficial  e  a  suposta  subscrição  de  funcionário  daquela  empresa;  3.83  a  GE  Plastics  (fls.  392­393),  referindo­se  às  vias  de  acordo  com  o  modelo de  fls. 389,  respondeu:  ‘As  três  faturas que V. Sas. anexaram à carta não  são as  faturas  originais  que  a GE Plastics  apresentou ao Banco Boa Vista  Inter­ Atlântico para estas três transações de importações (...)”  (...)  3.93 a empresa Brazshipping atuou perante a Alfândega do Porto de Manaus  como  representante  regular  e  legal  do  transportador  internacional  no  Brasil  (Sasia),  conforme  comprovam  os  cartões  de  credenciamento  as  fls.  884­896,  devendo  ser  considerada  como  parte  legitima  para  figurar  no  pólo  passivo  da  obrigação tributária, por ser responsável pelos atos praticados pelo representado;  3.94  no  BL  falso  consta  o  carimbo  da  empresa  Brazshipping,  com  a  assinatura do seu representante (fls. 676, 684, 802);  3.95  o  transporte  de  mercadorias  subordina­se  a  várias  regras  legais,  que  embutem no desempenho da atividade uma série de deveres,  como por exemplo, a  declaração da natureza da mercadoria no  conhecimento marítimo  (BL),  realizada  pelo  transportador,  deve  estar  de  acordo  com  o  produto  que  está  sendo  transportado;  (...)”  Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     8 Em  impugnação  a  Brazshipping  Marítima  Ltda.  destacou  que  se  limitaria  a  rebater a sua inclusão no pólo passivo, bem como, a imputação da responsabilidade tributária  solidária; que o auto de infração seria nulo por falta de clareza quanto à norma por ela violada,  que a adulteração dos conhecimentos de transporte (BL) não foi provada, mas baseada apenas  em  indícios;  que  a  legislação  permite  a  alteração/correção  de  tais  documentos;  que  é  equivocado  o  entendimento  que  o  armador  da  embarcação  ou  seu  representante  tenham  contribuído para a consumação do ilícito; que sua responsabilidade se restringiria ao transporte  de  mercadorias  desacompanhadas  da  documentação  comprobatória  de  sua  origem;  que,  na  condição  de  agência  representante,  seria  simples  mandatária  do  armador  estrangeiro;  que  o  termo  de  responsabilidade  assinado  não  possuiria  amparo  jurídico­legal;  e  que  não  haveria  qualquer interesse jurídico comum em relação às demais autuadas.  As  empresas  TCE  Comércio  e  Serviços  em  Tecnologia  e  Informática  Ltda.  (TCE)  e  SDW  Serviços  Empresariais  Ltda.  (SDW)  alegaram  a  inocorrência  das  infrações  apontadas pela autuação; que não haveria qualquer irregularidade na formação societária das  pessoas jurídicas; que o conceito de fraude encontra­se inserto no art. 72 da Lei nº 4.502/64;  que as normas interpretativas devem ser aplicadas restritivamente; que a caracterização do dolo  exige a demonstração do diferimento, redução ou supressão do tributo; que a fiscalização parte  de suposições e presunções para atingir suas conclusões; que as faturas tidas como falsas são  documentos “pro forma”, emitidas para atender às exigências aduaneiras, sendo procedimento  corriqueiro  nas  transações  comerciais  internacionais;  que  a  fatura  “pro  forma”  emitida  pelo  exportador  estrangeiro  nem  sempre  traz  as  informações  necessárias  ao  preenchimento  da  declaração  de  importação;  que  os  elementos  divergentes  entre  as  faturas,  detectados  e  relacionados pela autuação, não levam à conclusão de falsidade dos documentos; que entre os  documentos, mormente à luz das respostas fornecidas pela GE Plastics, existiriam apenas erros  administrativos  na  confecção  das  faturas  “pro  forma”,  o  que  não  implicaria  a  imposição  da  multa  prevista  no  art.  463,  I  do RIPI/98;  que  não  se  tratariam  de  importações  clandestinas,  fraudulentas ou irregulares; que não houve irregularidades na importação; que a regularidade  das  operações  estaria  comprovada;  que,  a  seu  tempo,  o  desembaraço  das  mercadorias  sem  qualquer exigência seria prova da inexistência da fraude; que ambas as pessoas jurídicas foram  regularmente  constituídas  e  são  independentes  na  consecução  de  suas  atividades,  além,  de  possuírem  objetos  sociais  distintos;  que  a  fiscalização  reconheceu  a  existência  de  duas  empresas  distintas  com  linhas  de  produção  autônomas;  que  a  legislação  permite  o  funcionamento de duas empresas em um mesmo endereço, assim como o compartilhamento da  mesma área; que não houve devolução da documentação apreendida em operação específica,  em  verdadeiro  cerceamento  do  direito  à  ampla defesa, motivo  pelo  qual o  lançamento  seria  nulo; que a prova da infração foi obtida por meio ilícito; que houve violação a dispositivos da  Lei nº 9.784/99; e, que não foi demonstrado o interesse comum a justificar a responsabilidade  tributária solidária entre as autuadas.  Posteriormente  foram protocoladas  petições pugnando pela  juntada de parecer  jurídico  e  outros  documentos  que  autorizariam  as  impugnantes  TCE  e  SDW  a  emitirem  as  faturas comerciais “pro forma”, o que viria a corroborar a inexistência da fraude.  A  DRJ  Fortaleza/CE  manteve  integralmente  o  lançamento  em  decisão  assim  ementada:  “PARECER JURÍDICO APRESENTADO APÓS O DECURSO DO PRAZO  IMPUGNATÓRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não  se conhece de argumentos apresentados, na  forma de parecer, após o  transcurso do prazo impugnatório.  Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 14          9 ARGÜIÇÃO  DE  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  FORNECIMENTO DE CÓPIA DA PROVA DOCUMENTAL.  Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento  de  que  não  foi  devolvida  a  documentação  apreendida  no  curso  da  ação  fiscal, uma vez que a prova documental em que se baseou o auto de infração  encontra­se  acostada  aos  autos  possibilitando  o  exame  por  parte  da  defendente.  ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.  Não há que se falar em nulidade quando o auto de infração está devidamente  fundamentado  na  legislação  tributária  apropriada  e  instruído  com  os  elementos de prova em que se baseou o lançamento.  LICITUDE DA PROVA. BUSCA E APREENSÃO.  A assinatura do representante legal da empresa no termo circunstanciado da  busca  e  apreensão  não  é  requisito  exigido  pela  lei,  de  modo  que  a  sua  ausência  não  torna  ilícita  a  prova  obtida,  estando  referido  documento  assinado por duas testemunhas. A descrição genérica, no citado termo, dos  documentos  apreendidos,  não  invalida  a  prova  colhida,  quando  posteriormente é realizado o exame de toda a documentação, detalhando­se  o seu conteúdo.  LEGITIMIDADE PASSIVA.  Estando  comprovado  nos  autos  que  o  agente marítimo  atuou  efetivamente  como  representante  do  transportador  estrangeiro,  torna­se  responsável  solidário, por expressa determinação legal.  APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL.  A prova documental deve ser apresentada pela defendente juntamente com a  impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei.  PEDIDO DE DILIGÊNCIA  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  diligencia  quando  prescindível  para  instrução  do  processo  e  solução  do  litígio.  É  descabida  a  juntada  de  documentos impertinentes à matéria discutida nos autos.  IMPORTAÇÃO  FRAUDULENTA.  FALSIFICAÇÃO  DE  FATURA  COMERCIAL E CONHECIMENTO DE CARGA.  Comprovada  a  falsidade  das  faturas  comerciais  que  instruíram  as  Declarações de  Importação,  com vista à  obtenção de vantagens  indevidas,  fica  caracterizada  a  importação  fraudulenta,  sujeitando  o  importador  à  multa prevista na legislação.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Respondem  solidariamente  pela  infração  aqueles  que,  de  qualquer  forma,  concorram para sua prática, ou dela se beneficiem.  Lançamento Procedente”  Devidamente  cientificados  os  contribuintes TCE e SDW  interpuseram  recurso  voluntário conjunto onde sustentaram, preliminarmente, i) a nulidade da decisão proferida em  Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     10 face da participação, no julgamento, de autoridade administrativa impedida, falta de apreciação  de  parecer  jurídico  e  razões  complementares,  presunção  de  falsidade  de  documentos  não  vinculados  ao  lançamento,  falta  de  juntada  de  documentos  solicitados  pela  empresa;  e,  ii)  cerceamento  do direito de defesa pela  falta de acesso aos documentos  e utilização de prova  ilícita. No mérito, principiou fixando a acusação fiscal – importação fraudulenta –, em seguida  discorreu  sobre  o  conceito  de  fraude  e  as  regras  atinentes  às  normas  sancionatórias  para  concluir  pela  sua  inocorrência  no  caso  dos  autos;  defendeu  a  inaplicabilidade  da multa  por  fraude à importação, por entender inexistente uma “importação”, propriamente dita, na entrada  de produtos na ZFM,  referenciando a parecer  juntado; asseverou a  inaplicabilidade da multa  administrativa infligida por ausência de tipicidade; rechaçou a existência de irregularidades nas  operações efetuadas; acentuou a regularidade na constituição das pessoas jurídicas, destacando  que  a  própria  fiscalização,  quando  do  procedimento  de  vistoria  realizado,  reconheceu  a  existência  de  linhas  de  produção  autônomas;  e,  por  fim,  que  não  haveria  que  se  falar  em  empresas  coligadas,  bem  assim,  que  está  revestida  de  plena  legalidade  o  funcionamento  de  pessoas jurídicas distintas no mesmo endereço.  Brazshipping  Marítima  Ltda.,  cientificada  em  16/05/2006,  por  via  postal  (fl.  1.273), protocolizou diretamente neste Conselho Administrativo peça recursal inominada, em  07/11/2012,  onde  requer manifestação  e  posicionamento  quanto  à  sua  legitimidade  passiva,  questão que deve ser conhecida ex officio por se tratar de matéria de ordem pública.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  Preliminarmente, manifesto­me quanto à peça patrocinada pelo contribuinte  Brazshipping Marítima Ltda., descabendo qualquer debate quanto à perempção de seu direito a  recurso, bastando a referência ao intervalo de aproximadamente 06 (seis) anos entre a petição e  a  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  que  lhe  foi  desfavorável.  A  intempestividade  é  chapada.  Acerca  da  justificativa  apresentada  para  não  interposição  do  competente  recurso voluntário  ­  impossibilidade de  realização do depósito recursal  ­, é bem verdade que  esta  exigência  consubstanciava  requisito  de  admissibilidade  do  recurso,  entretanto,  esta  verdadeira “garantia de instância” foi suprimida pelo Supremo Tribunal Federal pela Súmula  Vinculante nº 211, publicada no Dje nº 210 de 10/11/2009 (DOU de 10/11/2009, pág. 1), e, no  entanto,  o contribuinte somente protocolizou esta “reclamação” em 07/04/2012, sem deduzir  qualquer motivo para tal demora.  Ora, se o depósito recursal era o motivo para não apresentação do recurso, a  fluência de quase 40 (quarenta) meses entre a extinção do requisito e o protocolo da peça sub  examine, por si só, lança por terra qualquer possibilidade de acolher o argumento.  No  tocante  ao  reconhecimento  de  ofício  pela  autoridade  julgadora  administrativa da legitimidade para figurar no pólo passivo do lançamento, por ser questão de  ordem  pública,  equivoca­se  o  reclamante  em  sua  premissa,  posto  que,  sendo  o  direito  tributário, assim como o direito penal, legislação de exceção2, uma vez que restringe direitos                                                              1 "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de  recurso administrativo."  2 Daí porque a submissão, dentre outros, ao princípio da tipicidade cerrada e da reserva legal, dentre outros.  Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 15          11 constitucionais  magnos  –  a  liberdade  e  a  propriedade  –,  tudo  o  que  dissesse  respeito  à  exigência  tributária,  segundo  este  raciocínio,  seria  caracterizado  como  matéria  de  ordem  pública, de sorte que o procedimento contencioso dispensaria qualquer formalidade e todos os  processos administrativos deveriam ser encaminhados para revisão, independente do interesse  do contribuinte em recorrer.  A meu sentir, a pretensão do contribuinte configura, na verdade, revisão de  ofício  e  não  julgamento  administrativo,  o  que  exigiria,  nos  termos  do  art.  145  do  Código  Tributário Nacional,  a verificação de quaisquer das hipóteses do art. 149 do mesmo diploma  para sua realização, o que não vislumbro no presente processo. Demais disso, aludida revisão  de ofício, se cabível, seria atribuição do próprio órgão do qual emanou o ato administrativo.  De outra banda, os arts. 33 e 37 do Decreto nº 70.235/72,  são  taxativos ao  estabelecer que o julgamento em segunda instância far­se­á de acordo com o regimento interno  do  CARF,  bem  assim,  prevêem  a  necessidade  do  competente  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  formalmente  hígido  e  protocolado  dentro  do  prazo  de  trinta  de  dias  da  ciência  da  decisão de piso, para manifestação das turmas julgadoras componentes deste sodalício.  Neste  sentido  é  a  redação  do  art.  1º  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09:  “Art.  1°  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  órgão  colegiado,  paritário,  integrante  da  estrutura  do  Ministério  da  Fazenda,  tem  por  finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância,  bem  como  os  recursos  de  natureza  especial,  que  versem  sobre  a  aplicação  da  legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do  Brasil.” (destacado)  Como  se  observa,  não  se  encarta  dentre  as  atribuições  deste  Conselho  Administrativo o  exame de petições ou  reclamações que busquem o exame de questões não  regularmente recorridas, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e do RICARF, ainda que sob o  pálio de se tratar de supostas questões de ordem pública.  Com estas considerações, voto por não conhecer da petição apresentada.  Na  seqüência,  relativamente  ao  recurso  manobrado  por  TCE/SDW,  em  conjunto, confirma­se sua tempestividade, bem como, o preenchimento dos demais requisitos  para sua admissibilidade, devendo ser conhecido.  Cumpre, inicialmente, enfrentar as questões preliminares opostas, o que, em  função  da  quantidade  de  vícios  apontados,  será  realizado  pela  sua  apartação  em  rubricas  distintas: vícios formais e vícios materiais.  1  PRELIMINARES  1.1  VÍCIOS FORMAIS  Sob este título serão analisadas as alegações de nulidade da decisão proferida  em  face  da  participação  no  julgamento  de  autoridade  administrativa  impedida,  falta  de  apreciação de parecer jurídico e razões complementares, presunção de falsidade de documentos  não vinculados ao lançamento e a falta de juntada de documentos solicitados pela empresa.  Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     12 Neste  passo,  mostra­se  improcedente  o  reclamo  quanto  ao  pretenso  impedimento de julgador, eis que, segundo o recurso, o AFRFB Luis Carlos Maia Cerqueira,  na  qualidade  de  Inspetor  da  Alfândega  do  Porto  de Manaus,  teria  assinado  o Mandado  de  Procedimento Fiscal – MPF do procedimento fiscal que culminou no lançamento sob vergasta,  contudo, examinando o documento juntado pelo recorrente, verifica­se que não há vinculação  direta  entre  aludido  documento  e  o  lançamento  ora  combatido,  bastando  verificar  que  os  auditores  fiscais designados  não  são  os mesmos que  lavraram o  auto  de  infração,  revelando  tratar­se de procedimentos fiscais distintos a que se submeteram os recorrentes.  Demais  disso  e  diversamente  do  que  defendem,  o  “impedimento”  a que  se  refere  o  regimento  interno  da  SRF  citado  exige  a  participação  efetiva  da  autoridade  administrativa na ação fiscal, o que não se dá pela simples emissão do MPF, que, por si só, não  deflagra  o  início  do  procedimento  fiscal,  mas  tão  somente  determina  a  sua  execução,  daí  porque não há que se falar em “impedimento”.  Como  pacificado  ainda  à  época  dos  Conselhos  de  Contribuintes,  o  procedimento  fiscal,  nos  termos da  legislação que  rege o processo administrativo fiscal,  tem  início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente cientificando o  sujeito passivo, ou seu preposto, da obrigação tributária, o que não deve ser confundido com a  emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.  Da mesma  forma,  não merece  acolhida  a  alegação  de  nulidade  da  decisão  recorrida  por  ausência  de  manifestação  sobre  parecer  jurídico  e  razões  complementares.  A  uma, porque parecer é opinião técnica sobre determinado assunto e, como tal, não se qualifica  como prova, daí porque não tem de ser objeto específico de julgamento, muito menos sopesado  na fundamentação da decisão; e, a duas, porque, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as  razões  de  fato  e  de  direito,  além  das  provas  documentais  de  que  se  dispõe,  devem  ser  apresentadas na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outra  oportunidade,  de  tal  forma que, à exceção das ressalvas do parágrafo quarto do mesmo dispositivo – que no caso  vertente,  à  época não  foram demonstradas –, não  tem a  autoridade  julgadora de piso que se  manifestar a seu respeito.  Em outra vertente, os recorrentes aduzem que houve presunção de falsidade  de documentos em operações de importação, inclusive pelas “divergências apuradas em faturas  emitidas  em  outros  períodos  que  não  o  autuado!”,  o  argumento,  porém,  imbrica­se  com  o  próprio mérito da causa, razão porque será examinado no momento apropriado do voto.  Relativamente à “falta de juntada de documentos solicitados pela empresa”,  os recorrentes não indicam quais seriam os “documentos solicitados pela empresa” e que não  foram juntados pela autoridade fiscal ao processo, parecendo­me mais um argumento retórico  do que propriamente uma alegação de defesa, o que leva à refutação da alegação.  1.2  VÍCIOS MATERIAIS  Nesta oportunidade serão examinadas a  falta de acesso aos documentos e a  ilicitude na obtenção da prova.  Conveniente  destacar,  neste  ínterim,  que  o  acesso  à  prova,  como  averbado  pelos próprios recorrentes,  fez­se mediante cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão  expedido nos autos do processo judicial 2003.32.00.004595­3, em trâmite na 2ª Vara da Justiça  Federal  do Amazonas,  encontrando­se os documentos  arrecadados em poder das autoridades  fiscais e do Ministério Público Federal, por força de ordem judicial específica.  Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 16          13 Então, tendo em conta que o Ministério Público Federal é o dominus littis, o  responsável  pela  ação  penal  decorrente  da  infração  fiscal,  a  Administração  Tributária  não  deteria,  sozinha,  a  livre  disponibilidade  da  documentação  apreendida,  o  que  a  impediria  de  devolvê­la aos contribuintes sem anuência do parquet. Além do que, todos os documentos que  embasaram a imputação de fraude, pela falsificação de documentos utilizados no despacho de  importação,  encontram­se  nestes  autos  administrativos  a  que  os  recorrentes  tiveram  amplo  acesso.  Se  entendiam  os  recorrentes  que  necessitavam  de  outros  elementos,  além  daqueles  já  coligidos  ao  processo,  cabia­lhes  especificá­los  e  requerer  o  fornecimento  de  cópias.  Aliás,  mais  uma  vez  a  argumentação  mostra­se  fluida,  eis  que  os  interessados  não  esclarecem quais seriam aludidos documentos não entregues pela fiscalização e que, pela sua  robusteza,  teriam  a  capacidade  de  profligar  a  fraude  que  lhes  é  atribuída,  valendo  aqui  o  recurso ao princípio pás de nullité sans grief, consoante a qual não há declaração de nulidade  se não houver prova do efetivo prejuízo causado à defesa.  Por  pertinente,  não  se  diga  que,  cuidando­se  de  nulidade  absoluta,  onde  o  prejuízo é presumido, não se aplicaria  tal regra, pois os tribunais superiores vem entendendo  que este princípio também se estende a estas hipóteses, como se extrai dos seguintes julgados:  STJ (HC 99996 / SP) e STF (HC 85.155/SP, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJU 15.04.05 e AI­ AgR. 559.632/MG, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJU 03.02.06).  Atinente à suposta ilicitude da prova ou mesmo da sua obtenção, acentuo que  a sua apropriação em estabelecimento dos contribuintes respaldou­se em mandado de busca e  apreensão  expedido  por  autoridade  judicial  competente,  de  forma  que  a  invalidade  de  tal  procedimento, se existente, deve ser discutido em âmbito judicial, como bem apontou a decisão  recorrida, verbis:  “É importante ressaltar que não compete a este órgão  julgador  administrativo se pronunciar quanto à admissibilidade ou não do  mandado  de  busca  e  apreensão,  assim  como  a  respeito  do  atendimento  de  seus  requisitos  formais,  vez  que  tal  apreciação  foi  submetida  ao  crivo  do  Poder  Judiciário,  o  qual,  como  se  sabe,  julgou  pela  pertinência  da  apreensão  dos  documentos  da  impugnante.  Qualquer  apreciação  administrativa  valorativa  sobre o mandado em evidência representaria ofensa ao Princípio  da Jurisdição Única.” (destaque no original)  Já o câmbio dos documentos de interesse da Administração Tributária, para  exigência  dos  tributos  e  penalidades  aplicáveis,  efetivou­se  por  intermédio  do  competente  processo administrativo com acesso a todos os recursos e faculdades garantidos pela legislação  de regência do procedimento contencioso fiscal, de modo que não vislumbro qualquer mácula  na sua produção e entronização nestes autos.  Também não prospera a alegação de necessidade de certificação do conteúdo  ou  origem  das  mensagens  telemáticas  obtidas,  ao  passo  que  os  transmitentes  foram  identificados  e  todos eles  têm relação, direta ou  indireta,  com as pessoas  jurídicas autuadas,  mesmo porque, tais documentos não são os elementos principais a lastrear o lançamento, mas  indícios que corroboram a prática fraudulenta.  Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     14 2  MÉRITO  Ultrapassadas as questões preliminares passa­se ao mérito.  Para melhor esclarecer o objeto de autuação sirvo­me de excerto da decisão  de primeiro grau administrativo, verbis:  “A alusão da fiscalização às faturas nos M291297 e C290109 (fls. 33 e 51), é  feita a titulo  ilustrativo, uma vez que a multa exigida no presente processo não se  relaciona  às  citadas  faturas,  as  quais  foram  objeto  dos  processos  nºs  10283.002649/2004­21  e  10283.002594/2004­50.  O  caso  concreto  se  refere  as  faturas comerciais e DIs correspondentes relacionadas às fls. 632.  Com  o  mesmo  objetivo,  a  fiscalização  menciona,  dentre  outras  provas,  invoices  emitidas  pela  empresa  General  Eletric  Company  nºs  0370025201,  0370025401, 0370025501 e 0388365601  (fls. 398­401), que  foram substituídas no  despacho  por  faturas  falsas  emitidas  pelo  importador,  com  a mesma  numeração,  mas com layout diferente (fis. 394­397). Ao ser questionada pela fiscalização, a GE  Plastics  respondeu  que  não  emitiu  as  faturas  que  instruíram  os  despacho  de  importação (fls. 390­393).  Portanto, além de demonstrar que há precedentes da prática ilícita por parte  da autuada, o comentário em relação às faturas mencionadas nos dois parágrafos  acima  serve  apenas  de  paradigma para  ilustrar  como  se perpetrou  a  adulteração  das faturas comerciais nos diversos despachos de importação, pois as constatações  em  relação  às  demais  faturas,  em  linhas  gerais,  seguem  esse  mesmo  padrão.”  (destacado)  Preambularmente,  registro  que  a  infração atribuída aos  recorrentes  consiste  entregar a consumo ou consumir produtos importados irregularmente, mediante a utilização de  faturas  irregulares,  mais  especificamente,  faturas  confeccionadas  pelos  próprios  recorrentes  TCE/SDW (item IV.2.2.2 do recurso voluntário) ­ o que será esclarecido mais detalhadamente  adiante  ­,  para  instrução das declarações de  importação  registradas,  fato este não contestado  diretamente pelos recorrentes, que em sua irresignação tentam justificar o modus operandi ou  afastar as hipóteses para a manutenção do lançamento.  Nesta  empreitada,  aduzem os  recorrentes  a  decisão  de  piso,  ao  examinar o  lançamento, textualmente imputou­lhes a prática de importação fraudulenta (item 131) e, após  socorrerem­se do conceito de “fraude” constante do art. 72 da Lei nº 4.502/64, concluíram pela  sua  inocorrência,  tendo  em  conta  que  não  houve  redução,  diferimento  ou  supressão  de  pagamento  de  tributo  como  conseqüência  da  prática  adotada,  o  que,  sob  seu  prisma  seria  condição  sine  qua  non  para  configuração  da  fraude,  tanto  assim,  afirmam,  que  não  houve  exigência de tributo no auto de infração, mas tão somente de multa administrativa.  É certo que o art. 72 da Lei nº 4.502/64 conceitua fraude como “toda ação ou  omissão dolosa  tendente a  impedir ou  retardar,  total  ou  parcialmente, a ocorrência do  fato  gerador da obrigação  tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento”, entretanto, não é menos verdade que o termo “fraude”, como de resto boa parte  das palavras na língua portuguesa, é polissêmico e possui uma gama de significados, mesmo na  seara jurídica, sendo que a decisão recorrida utilizou­se do termo “fraude” como sinônimo de  ocultação da verdade, como se infere da seguinte passagem do voto condutor:  “204. Assim, em matéria aduaneira, a fraude assume uma feição  própria,  de  modo  que  o  termo  ‘importação  fraudulenta’  transcende a conduta dolosa de tão­somente evitar ou reduzir o  Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 17          15 pagamento  de  tributo,  não  se  restringindo à  ‘fraude’,  tal  como  conceituada  no  art.  72  da  Lei  n°  4.502/1964,  de  feição  estritamente  tributária.  Envolve  também  as  ações  dolosas  empreendidas para burlar os controles aduaneiros, com o intuito  de  lograr  benefícios  ilicitamente,  com  p.  ex.,  obter  vantagens  cambias, remeter divisas irregularmente etc.  205.  Em  tais  situações,  pode  ocasionalmente  não  haver  insuficiência ou falta de recolhimento de impostos, porém não se  há de negar a caracterização da  importação como fraudulenta,  porquanto  resta  evidente  a  ação  dolosa  em  ilidir  o  controle  aduaneiro  para  fruição  de  vantagens  ilícitas  em  detrimento  da  economia nacional, bens  jurídicos que a norma visa assegurar.  Então,  em  relação  a  operações  aduaneiras,  seria  um  contra­ senso exigir que a fraude se caracterizasse unicamente pela falta  ou  insuficiência  de  pagamento  dos  impostos  incidentes  na  importação.  206.  No  ordenamento  jurídico  encontramos  exemplos  dessa  acepção, em que a importação fraudulenta não necessariamente  implica supressão ou redução do  imposto devido. É o caso art.  23 do Decreto­Lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação  dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002  (DOU  31/12/2002),  que  pune  uma  espécie  de  importação  fraudulenta, caracterizada pela ocultação do sujeito passivo, do  real  vendedor,  comprador  ou  de  responsável  pela  operação,  mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros,  mesmo  não  havendo  repercussão  no  recolhimento do imposto.  207. Assim,  ‘importação  fraudulenta’  significa  importação com  fraude ao controle aduaneiro, mitigando­se a feição estritamente  tributária  de  ‘reduzir  ou  evitar  o  pagamento  do  imposto’  ocorrendo nos casos em que a falsificação ou a adulteração de  documentos  acarrete  dano  ao  citado  controle, mesmo  que  não  haja repercussão no tratamento tributário.  208.  A  propósito  observe  ­se  o  lúcido  ensinamento  de  ROOSEVELT  BALDOMIR  SOSA:  ‘consiste  a  falsidade  documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso,  ou  alterá­lo  total  ou  parcialmente de modo a  iludir o  controle  administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que  é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a  verdade’ (Comentário à  lei aduaneira: Regulamento Aduaneiro,  São  Paulo:  Aduaneiras,  1993,  vol.  III,  p.  187)  (destaquei).”  (destaques no original)  Ou seja, mesmo não sendo devido tributo algum em decorrência da utilização  de faturas irregulares, o que, em tese, poderia afastar a qualificação da infração como “fraude”,  segundo o conceito da Lei nº 4.502/64 (art. 72), não é possível desqualificar a conduta como  fraudulenta, na acepção vincada na decisão reclamada, assim entendido o expediente utilizado,  o  artifício  ou  ardil,  destinado  a  burlar  os  controles  aduaneiros,  que  no  caso  concreto  se  consubstanciou na utilização de documentos inverídicos, faturas comerciais manipuladas pelo  próprio importador.  Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     16 Outrossim, vale lembrar que o dispositivo em que incurso os contribuintes –  art. 83, I da Lei nº 4.502/64 – dispõe que são apenados com multa igual ao valor da mercadoria  aqueles  que  entregarem  ao  consumo,  ou  consumirem  produto  de  procedência  estrangeira  introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha  entrado  no  estabelecimento,  dele  saído  ou  nele  permanecido  desacompanhado  da  nota  de  importação ou da nota­fiscal.  O  fato  de  não  se  apurar  supressão  de  tributo  ou  mesmo  o  emprego  dos  insumos importados no processo produtivo do contribuinte, a meu juízo, não significa refutar a  prática  deliberada  de  se  utilizar  dolosamente  de  documentos  contrafeitos  para  instrução  de  despacho aduaneiro.  Aliás, relativamente à caracterização e individualização da falsidade, entendo  que a decisão recorrida bem abordou a questão, elaborando minudente relato de sua ocorrência  (fls. 1235/1238), que adoto também como razão fática de decidir:  “Embora  negue  a  falsidade  no  tocante  ao  conteúdo  dos  documentos,  a  própria  impugnante  admite  que  as  faturas  que  instruíram  o  despacho  foram  confeccionadas  por  ela,  tendo  como  objetivo  suprir  a  suposta  ausência  de  informações  nas  faturas  comerciais  emitidas  pelo  exportador,  as  quais,  segundo  alega, nem sempre apresentavam todos os requisitos necessários  para  o  preenchimento  correto  da  DI,  tais  como  a  descrição  detalhada  dos  produtos  importados,  unidades  de  medidas  compatíveis com os padrões brasileiros etc.  (...)  Registre­se que, como reconhece a defendente, tal procedimento  não encontra amparo na  legislação. Ademais, não se vislumbra  o  alegado  óbice  ao  preenchimento  da  DI,  com  base  na  fatura  efetivamente  emitida  pelo  exportador,  a  qual  retrata  com  fidelidade  a  descrição  da mercadoria  negociada,  prestando­se,  se  for  o  caso,  outras  informações  adicionais  na DI  de modo  a  descrever  a  mercadoria  de  forma  mais  completa  possível  com  especificação detalhada de suas características. (...)  Não prospera a alegação de que a invoice ‘A’ (falsa) seria uma  fatura pro forma, emitida para atender às exigências da Aduana  quando  do  desembaraço  de  mercadorias  importadas,  e  muito  menos  que  tal  documento  refletiria  as  mesmas  informações  constantes da invoice verdadeira (invoice ‘B’).  Em  primeiro  lugar,  o  que  a  litigante  chama  de  ‘fatura  pro  forma’,  na  verdade,  é  o  documento  por  ela  expedido  para  instruir o despacho fazendo­se passar por fatura comercial, não  se  devendo  confundir  com  o  que  se  denomina  tecnicamente  de  fatura pro forma no comércio internacional.(...)  Não  prospera  a  alegação  de  que  o  documento  emitido  pelo  importador  reflete  substancialmente  as mesmas  informações  da  fatura  verdadeira  emitida  pelo  exportador.  Das  três  faturas  emitidas pelo importador anexadas aos autos (invoice ‘A’), duas  estão  acompanhadas  das  respectivas  faturas  verdadeiras  (invoice ‘B’) (fls. 677­678 e 685­700).  Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 18          17 Verifica­se que as  faturas emitidas pelo  importador possuem as  mesmas  numerações  das  correspondentes  faturas  verdadeiras,  ou seja, existem dois documentos para cada operação de compra  e  venda,  com  mesma  numeração,  porém  com  layout  diferente.  Como observou a fiscalização, o layout das faturas emitidas pelo  importador  segue  exatamente o mesmo padrão  tipográfico e de  caracteres  (formato  e  tamanho  das  letras  e  números),  tal  qual  detectado  em  outras  importações  nas  quais  os  exportadores  eram diferentes (fls. 394­401).  Cotejando­se  os  documentos  emitidos  pelo  importador  com  os  verdadeiros,  evidencia­se  a  divergência  de  informações  seja no  tocante  ao  preço,  descrição  da  mercadoria,  quantidade,  peso,  nome do exportador e termo de pagamento.  Nas  faturas comerciais emitidas indevidamente pelo  importador  que  apresentam  divergência  no  tocante  à  descrição  da  mercadoria em relação à  fatura verdadeira, não havendo como  concluir  que  tal  discrepância  possa  ser meramente  atribuída  a  detalhamento da mercadoria, pois não se pode estabelecer uma  correlação  entre  a  descrição  da  mercadoria  contida  no  documento  verdadeiro  e  no  falso.  Na  fatura  verdadeira  de  fls.  700,  a  descrição  efetuada  pelo  exportador  transforma­se,  na  fatura  confeccionada  pelo  importador  de  fls.  685­699,  em  dezenas de  itens compostos por até milhares de peças, as quais  não constam expressamente no documento original nem se pode  inferir que realmente compõem a mercadoria importada.  Diante  dessas  constatações  não  se  pode  considerar  que  as  invoices emitidas pelo importador contenham tão­somente erros  ou  equívocos  quando  do  seu  preenchimento,  porquanto  houve  adulteração  de  valores  da  transação,  de  termos  de pagamento,  da descrição da quantidade e peso das mercadorias, do nome do  exportador, elementos que retratam as informações substanciais  dos documentos. A fiscalização afirma ainda incisivamente que a  descrição das mercadorias contida nas faturas por emitidas pelo  importador  (documentos  ‘A’)  é  exatamente  aquela  prevista  no  Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, com  o objetivo de fazer com que as mercadorias se enquadrarem no  referido  PPB,  não  tendo  a  impugnante  contestado  essa  afirmação.  Das três faturas emitidas pelo importador, uma está anexada aos  autos sem estar • acompanhada da respectiva fatura verdadeira,  como observou a defendente (fls. 633 ­637).  Todavia,  com relação a  esse documento,  pode­se concluir,  com  base  nas  declarações  da  própria  impugnante,  que  consiste  em  fatura emitida por ela, uma vez que foi o documento que instruiu  o despacho aduaneiro.  Ademais, verifica ­se que essas três faturas possuem exatamente  o  mesmo  layout,  que  é  idêntico  ao  das  faturas  emitidas  irregularmente  pelo  importador,  detectadas  em  outras  importações  (fls.  394­401),  seguindo  o  mesmo  padrão  de  discriminação detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos  Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     18 de  caracteres  (formato  e  tamanho  das  letras  e  números),  conforme  modelo  tipográfico  de  fls.  389.  Como  afirma  a  litigante,  no  comércio  internacional,  inexistem  formatações  especificas  para  a  emissão  de  faturas  e,  por  isso  mesmo,  o  natural é que os documentos emitidos por diversos exportadores  tenham  diferentes  formas  de  apresentação  gráfica.  Para  efeito  comparativo,  se  consideradas  as  faturas  de  fls.  394­401,  em  nome  do  exportador  GE  Plastics,  nos  Estados  Unidos  (o  qual  declarou não ser a emissor dos documentos) e as faturas a que  se  refere  este  processo,  constata­se  que  embora  supostamente  emitidas por empresas diferentes, situadas em países igualmente  distintos  e  em  datas  cronologicamente  bem  distantes,  têm  a  mesma estrutura gráfica na sua confecção, praticamente mesma  diagramação, e idêntica tipologia alfanumérica.  (...)  É  o  caso  da  fatura  desacompanhada  do  correspondente  documento  verdadeiro  (fls.  633­637).  A  conclusão  acerca  da  falsidade  dessa  fatura  esta  assentada  em  elementos  convergentes:  possui  exatamente  o  mesmo  layout  das  demais  faturas,  inclusive  daquelas  relativas  a  exportadores  diferentes  (fls.  394­401);  esse  layout  é  idêntico  ao  das  demais  faturas  emitidas  irregularmente  pelo  importador,  conforme  modelo  tipográfico de fls. 389; segue o mesmo padrão de discriminação  detalhada de partes e peças, com os mesmos tipos de caracteres  (formato  e  tamanho  das  letras  e  números),  o  que  induz  à  conclusão acerca da divergência na descrição da mercadoria em  relação ao documento verdadeiro. Tais elementos são rematados  pela  confissão  do  importador  de  que  também  emitiu  esse  documento.  (...)”  Diante  desse  contexto,  a  meu  ver,  o  dolo  da  conduta  ilícita  é  patente  e  inequívoco, não havendo motivo plausível que o justifique.  Uma vez demonstrada nos autos a prática infracional, como dito consistente  na burla aos controles aduaneiros mediante o uso de documentos falsos, tenho como admissível  e  possível  qualificá­la  como  fraudulenta,  ocasionando  a  irregularidade  no  procedimento  de  importação, que representa outro núcleo da infração atribuída aos contribuintes.  Também não prospera a assertiva de inaplicabilidade da multa infligida pela  suposta  inocorrência de verdadeira operação de “importação” quando destinados os produtos  estrangeiros à Zona Franca de Manaus, como defendem os recorrentes, haja vista que a isenção  de  tributos  nestas  hipóteses  não  tem  o  condão  de  desvirtuar  a  natureza  da  operação,  que  continua  a  corresponder  à  entrada,  no  território  brasileiro,  de  mercadoria  de  procedência  estrangeira.  O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/02, em seu Título  III (Dos Regimes Aduaneiros Aplicados em Áreas Especiais), Capítulo I (Da Zona Franca de  Manaus), a todo tempo faz referência à entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de  Manaus  como “importação”,  e.g.  arts.  453  e  455,  este último,  em especial,  destaca que “as  importações  no  regime  de  que  trata  este  Capítulo  (I)  estão  sujeitas  a  licenciamento  não­ automático,  previamente  ao  despacho  aduaneiro,  com  a  expressa  anuência  da  Superintendência da Zona Franca de Manaus.” (destaquei)  Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 19          19 O  Decreto  nº  91.030/85,  que  aprovou  o  Regulamento  Aduaneiro  então  vigente, por intermédio de seu art. 395, § 1º, era categórico ao estabelecer que “os despachos  de bens importados objeto dos benefícios do Decreto­lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967,  deverão ser processados na repartição que jurisdiciona o porto de Manaus”.  É notório que a legislação aduaneira não faz distinção entre a importação de  mercadorias destinadas a áreas agraciadas com benefícios fiscais daquelas sujeitas ao regime  geral de  tributação,  significando  importação, em qualquer situação, a entrada de produtos de  procedência estrangeira em território nacional.  Destaca­se,  então,  que  o  elemento  nuclear  da  importação,  para  fins  tributários,  não  é  a  incidência  tributária  propriamente,  mas  sim  a  entrada  em  território  brasileiro de mercadoria de procedência estrangeira.  Neste diapasão, entendo que a utilização de documentos irregulares (faturas  falsificadas) para proceder ao despacho aduaneiro de importação, ainda que destinada à Zona  Franca  de Manaus,  enquadra­se  à  perfeição  à  conduta  descrita  pelo  art.  463  do Decreto  nº  2.637/98, que impõe, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, multa  igual  ao  valor  comercial  da  mercadoria  ou  ao  que  lhe  for  atribuído  na  nota  fiscal,  respectivamente, àqueles que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência  estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente  ou  que  tenha  entrado  no  estabelecimento,  dele  saído  ou  nele  permanecido  sem  que  tenha  havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de  Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decreto­Lei  nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª).  A propósito, como reconhecem os próprios recorrentes, as condutas descritas  no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98) não são autônomas, mas simples variantes de  irregularidades no procedimento de importação de mercadorias de procedência estrangeira em  território nacional, o que, repito, açambarca a prática de utilizar documentos falsos para instruir  aludido procedimento de liberação das mercadorias.  Dessarte, se não há autonomia das expressões contidas no preceptivo em tela,  deduz­se que pouco importa o enquadramento da conduta realizada pelas autoridades fiscais, se  importação  fraudulenta  ou  importação  irregular,  uma  vez  que  todas  elas  convergem  para  o  mesmo  resultado,  que  é  a  prática  de  irregularidades  em  operações  de  importação,  o  que  definitivamente ocorreu na presente situação, o que  implica  infalivelmente na  imposição das  penalidades indicadas.  Como  dito  linhas  atrás,  os  próprios  recorrentes  afirmam,  na  peça  recursal  (item IV.2.2.3), que emitiam tais faturas “pro forma” para viabilizar o desembaraço aduaneiro,  arregimentando suas razões para tanto; todavia, nos documentos de fls. 51 a 53, verifica­se que  estas  faturas  foram  impressas  e  assinadas,  inclusive,  como  se  expedidas  pelo  exportador  estrangeiro.  De  fato,  foram  coligidas  declarações  devidamente  vertidas  por  tradutor  juramentado, de emissão de Daewoo Corporation, sediada na Coréia do Sul, e Jean Co. Ltd.,  sediada na China, aduzindo que, em razão da complexidade da legislação aduaneira brasileira,  mediante acordo firmado com TCE/SDW, permitiam que ambas “reimprimissem” as faturas  em conformidade com suas necessidades para nacionalização das mercadorias importadas.  Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     20 Contudo, estes “acordos” firmados, em minha opinião, não têm valor perante  a  legislação  aduaneira  brasileira,  pois,  como  bem  destacado  pela  decisão  ora  combatida,  o  regulamento aduaneiro então vigente, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, em seu art. 425, §  2º, dispunha expressamente que as emendas, ressalvas ou entrelinhas feitas na fatura deveriam  ser autenticadas pelo emitente, o que não ocorreu no caso dos autos.  Como não bastasse, a par de tais “declarações” serem emitidas ex post facto,  isto é, após a concretização dos fatos, sugere a redação adotada em ambos os documentos que  se  trata  de  textos  previamente  “encomendados”,  porquanto  não  há  como  reconhecer  coincidência  tão  grande  entre  seus  termos,  a  ponto  de  prestarem  as  empresas  exportadoras  declarações  incrivelmente  similares,  considerando  que  são  sociedades  instaladas  em  países  distintos, China e Coréia do Sul.  A título exemplificativo, transcrevo os seguintes trechos destes documentos:  “A relação estabelecida para atender as normas brasileiras foi uma operação  CKD (Complete Knock Down) na qual as fabricas da Daewoo Telecom na Coreia  e/ou China costumavam remeter um kit CKD completo para ser montado no Brasil  na  fábrica  da  TCE  e/ou  da  SDW  em Manaus  com  a  qualidade,  procedimentos  e  coordenação da tecnologia Daewoo Telecom. Nosso pessoal de produção e técnico  varias vezes visitou a fábrica da TCE e da SDW em Manaus a fim de dar suporte a  linha de produção piloto de novos produtos.  Uma vez que as normas  de  exportação  relativas a  componentes da China e  Coréia eram muito complicadas e as normas de importação do Brasil eram ainda  mais  complicadas  no  que  se  refere  a  liberação  alfandegária,  a Daewoo  Telecom  estabeleceu  um  acordo  que  permitia  a  TCE/SDW  reemitir  as  faturas  no Brasil  já  que  a  documentação  de  exportação  padrão  que  acompanhava  os  kits  exportados  pela Daewoo Telecom não  continha  informações  detalhadas  suficientes,  conforme  exigido pela alfândega brasileira.” (Daewoo Telecom)    “As  exportações  para  a TCE  e a  SDW  foram  estruturadas  como operações  CKD,  com base  nas  quais  as  fábricas  da  JEAN na Malásia  e/ou China enviavam  kits  CKD  completos  para  serem montados  localmente  em Manaus,  na  fábrica  da  TCE,  com a  qualidade, os procedimentos  e a  coordenação da JEAN,  e ate  com o  eventual suporte do pessoal técnico e de produção da própria JEAN.  Tendo  em  vista  (i)  os  complexos  regulamentos  da  China  e  da  Malásia  relativos  a  exportação  de  componentes  de  informática;  (ii)  as  complexas  normas  aplicáveis ao  desembaraço  aduaneiro  no Brasil;  (iii)  a  falta  de  preparo  de nossa  equipe  local;  (iv)  nossa  dificuldade  interna  ern  atender  algumas  solicitações  detalhadas  do  pessoal  da  TCE  e  (v)  a  conseqüente  falta  de  determinadas  informações  detalhadas  em  nossas  faturas  com  relação  aos  componentes  exportados, a JEAN autorizou a TCE e a SDW a emitirem novas faturas no Brasil,  de acordo com os regulamentos do desembaraço aduaneiro.” (Jean Co. Ltd.)  Portanto, não vejo como aceitar as preditas autorizações, como documentos  revestidos de validade jurídica para alteração e reimpressão das faturas comerciais, seja a que  pretexto for, para modificação substancial da descrição, preço e peso dos produtos importados,  como ocorrido, o que só reforça a irregularidade da documentação que instruiu o despacho de  importação.  Da mesma forma, não deve ser acolhida a ponderação segundo a qual, o fato  de as mercadorias  importadas terem sido desembaraçadas normalmente, mediante o emprego  destas  faturas  “pro  forma”,  demonstraria  a  improcedência  do  lançamento,  porquanto  as  Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10283.003958/2004­19  Acórdão n.º 3401­002.834  S3­C4T1  Fl. 20          21 contrafações  foram  confirmadas  tão  somente  após  a  realização  do  desembaraço,  em  procedimento de  revisão  de  lançamento,  com sustentáculo no  art.  149 do Código Tributário  Nacional.  Na mesma  toada,  insubsistente o  argumento que deveriam ser aplicadas  ao  caso as penalidades previstas na legislação aduaneira, tendo em conta que a fraude teria sido  praticada  no  curso  do  despacho  de  importação,  haja  vista  que  a  conduta  subsume­se  perfeitamente àquela  infração  tipificada pela  legislação do  IPI  (art. 463 do RIPI/98), mesmo  porque o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não da classificação legal  que se lhes atribua.  Demais disso,  os produtos  importados,  segundo consta, eram destinados ao  processo  produtivo  dos  recorrentes,  caracterizando­se,  nesta  condição,  como matéria­prima,  material intermediário ou de embalagem, o que atrairia a incidência da legislação deste imposto  (IPI).  Como não bastasse, as modificações das faturas (invoices), consoante relato  fiscal,  visavam,  dentre  outros  objetivos,  a  adequação  dos  insumos  importados  ao  Processo  Produtivo  Básico  (PPB)  dos  recorrentes,  tal  como  aprovado  pelo  órgão  anuente,  no  caso,  a  SUFRAMA.  Também não aproveita às recorrentes a alegação que as faturas “pro forma”  correspondiam exatamente às mercadorias submetidas ao despacho aduaneiro de importação,  por ocasião do registro da DI, ao passo que a fraude imputada é justamente a apresentação de  um documento mercantil (invoice) que não é reconhecido como de sua emissão pelo suposto  exportador,  o  que  acarreta  a  sua  falsidade  e  implica  no  fato  que  aludidas  mercadorias  não  estavam devidamente amparadas por documentação hábil a instruir o despacho de importação,  no momento de sua realização.  Quanto à regularidade na constituição das recorrentes, tem­se que a pretensa  legalidade de funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço ­ o que já seria por  si só discutível ­, sob a ótica da legislação do IPI, não é admissível, quando se está a falar de  unidades produtivas, como o caso dos autos.  Nos  termos  do  art.  487,  II  e  III,  do  RIPI/98  (Decreto  nº  2.637/98),  as  expressões "fábrica" e "fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, sendo que a  expressão "estabelecimento", em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas  atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas,  galpões  e  áreas  contínuas  muradas,  cercadas  ou  por  outra  forma  isoladas,  em  que  sejam,  normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza.  A partir desta definição não vislumbro como um único estabelecimento possa  pertencer  simultaneamente  a  duas  pessoas  jurídicas  distintas,  não  militando  em  favor  dos  recorrentes  o  pretenso  reconhecimento  por  parte  da  autoridade  fiscal  que  haveria  linhas  de  produção autônomas, uma vez que a existência de “linhas de produção autônomas” dentro de  um mesmo espaço físico ou prédios contíguos, não isolados, mas dentro de uma mesma área  delimitada, não conduz à conclusão de existência de estabelecimentos distintos.  Frise­se,  a  existência  de  linhas  de  produção  autônomas  não  significa ou  se  confunde com a existência de estabelecimentos distintos, pois, como se depreende do aludido  art.  487,  III,  o  estabelecimento  é  caracterizado  como  sendo  o(s)  prédio(s)  em  que  são  Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS     22 exercidas atividades geradoras de obrigações do tributo, nele compreendidos, unicamente, as  dependências  internas,  galpões  e  áreas  contínuas  muradas,  cercadas  ou  por  outra  forma  isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra  natureza,  de  tal  sorte  que  um  estabelecimento  pode  comportar  tantas  linhas  de  produção  autônomas quanto seu espaço permitir, sem que isso o descaracterize. Entretanto, a recíproca  não  é  verdadeira,  pois  as  linhas  de  produção  autônomas  dentre  um  mesmo  espaço  físico  contínuo ou em prédios contíguos, porém, não cercados, murados ou isolados como unidades  independentes  não  se  caracterizam  como  estabelecimentos  distintos,  como  pretendem  os  recorrentes.  Pelo quadro  estampado, somado às constatações arroladas pela  fiscalização  tais como, funcionamento das pessoas jurídicas no mesmo endereço, compartilhamento da área  administrativa e áreas de entrada e saída, o fato dos produtos industrializados pela TCE serem  adquiridos  pela  SDW,  a  incumbência  da  gerência  das  pessoas  jurídicas  a  pessoas  comuns  ambas ou  interligadas por laços familiares, dentre outros, direcionam à conclusão que há, de  fato, confusão administrativa e patrimonial entre as pessoas jurídicas em destaque, cuidando­ se,  sob  o  ponto  de  vista  fático  e  prático,  de  uma  única  pessoa  jurídica,  motivo  mais  que  suficiente para imputação da responsabilidade tributária solidária, que, por seu turno, não foi  especificamente contestada.  Por  derradeiro,  em  relação  à  solicitação  de  diligência  junto  aos  armazéns  gerais Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., Aurora da AmazôniaTerminais e Serviços  Ltda. e Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas, formalizada no  curso da peça de defesa, reputo­a desnecessária para o deslinde de qualquer questão, porque as  próprias recorrentes, como consignado alhures, reconheceram que se utilizaram de faturas por  elas  mesmas  confeccionadas,  em  substituição  às  originais,  para  a  instrução  do  despacho  aduaneiro, de modo que a diligência, a meu sentir, mostra­se desnecessária.  3  CONCLUSÃO  Em  síntese,  entendo  que  o  lançamento  e  a  decisão  recorrida  devem  ser  mantidos  pelos  seus  próprios  e  sólidos  fundamentos,  não merecendo qualquer  reparo,  razão  pela qual nego provimento ao recurso.    Robson José Bayerl                              Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 16004.000595/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO - ABANDONO DA ESCRITA. Se as irregularidades apontadas pela fiscalização na escrituração contábil do contribuinte não for de monta a tornarem-na imprestável para a apuração do lucro real, não se justifica a alteração do critério adotado pelo contribuinte, resultando em improcedência do lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA (CSLL, PIS e COFINS). Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1301-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros os Conselheiros: Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 3          2 da  Silva  Lucas,  Cristiane  Silva  Costa  (Suplente  Convocada)  e  Carlos  Augusto  de  Andrade  Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.    Relatório  Em  julgamento,  recurso  interposto  em  face  da  decisão  da  3ª  Turma  de  Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, considerou procedente  em  parte  a  impugnação  apresentada  contra  os  autos  de  infração  lavrados  em  face  de  Frigoespanha  Com.  de  Carnes  Ltda.  EPP,  formalizando  exigências  de  créditos  tributários  referentes  a  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS,  alcançando  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos­ calendário de 2005 e 2006. A improcedência parcial resultou apenas em reduzir as exigências  de PIS e de COFINS.  A  Fiscalização  arbitrou  o  lucro  da  empresa  com  base  no  art.  530,  II  do  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (Regulamento  do  Imposto  de  Renda  ­  RIR,  de  1999), tendo em vista que a escrituração mantida pela contribuinte foi considerada imprestável  para  determinação  do  lucro  real,  em  virtude  de  práticas  fraudulentas,  vícios,  erros  e  deficiências relatadas no Termo de Constatação Fiscal (TCF).  Descreve  a  autoridade  fiscal  que  em  agosto  de  2008,  a  contribuinte  foi  inicialmente  intimada a  apresentar  os  livros Diário, Razão, Registro  de Entrada, Registro  de  Saída,  Registro  de  Apuração  do  ICMS,  Registro  de  Apuração  do  IPI,  Lalur,  Registro  de  Apuração do ISS, livros auxiliares, livro Registro de Empregados, notas fiscais de entrada e de  saída, extratos bancários, etc.  A  apresentação  foi  parcial  (contrato  social,  Livros  Registro  de  Entradas,  Saídas e Apuração do ICMS, relativos a 2005 e 2006, Livro Registro de Inventário de 2005 e  2006, e extratos do Banco do Brasil de maio/2005 a dezembro/2006 de duas contas bancárias e  extrato  do  Banco  Mercantil  do  Brasil  de  fevereiro/2005  a  dezembro/2006),  que  motivou  reintimação, em 03 de novembro, para entregar os documentos e livros solicitados na primeira  intimação e ainda não apresentados, bem assim a  justificar as  inconsistências verificadas em  várias  linhas  das  DIPJ  dos  anos­calendário  de  2005  e  2006  e  no  item  "outros  créditos  a  descontar" da Dacon, acompanhada dos respectivos comprovantes.   Em  dezembro  de  2008,  a  contribuinte  apresentou  o  Livro  de  Registro  de  Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências n° 01 e informou não possuir os  livros  Registro  de  Apuração  do  IPI,  Registro  de  Apuração  do  ISS  e  livros  auxiliares.  Em  19/01/2009 foi apresentado o livro Ficha de Registro de Empregado de sua filial localizada na  Rua Espanha em São José do Rio Preto, e em 21/01/2009 foi entregue o livro Ficha de Registro  de Empregados de sua matriz localizada em Onda Verde.  Novamente  intimada  em  22/12/2009  a  apresentar  os  livros  Diário,  Razão,  livros  auxiliares  para  cada  grupo  de  pessoas  ou  de  documentos  e  o  Lalur,  a  contribuinte  entregou os livros Diário e Razão em 09/03/2010.  A Fiscalização aponta a existência de diversas inconsistências constatadas no  exame procedido, relatando algumas delas (fls. 5087 e seguintes do processo digitalizado). Tais  inconsistências,  num  total  de  9,  são  lançamentos  no  Livro Diário  nº  01,  dos  quais  em  8  se  Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 4          3 debita Caixa Geral e se credita Banco do Brasil, com o histórico “Vr. Ch. Emitido p/ Sup. de  Caixa N.” enquanto o extrato do Banco do Brasil traz outros históricos, quais sejam” TED sem  cobrança de CPMF”,  “Tarifa  emissão TED/DOC”,  “Débito Serviços de Cobrança” e  “Tarifa  Emissão Cheque”. Em um dos  lançamentos  inconsistentes mencionados  no TVF  se debita  a  conta  "BANCO DO BRASIL S/A"  e  se  credita  a  conta  "CAIXA GERAL",  com o  histórico  "DEPÓSITO",  enquanto  que  o  extrato  do  Banco  do  Brasil  apresenta  como  histórico  a  informação "Cobrança”.  Anota  a  Fiscalização  que  as  inconsistências  relatadas  representam  todas  as  operações bancárias da FRIGOESPANHA no Banco do Brasil S/A. Agência 4018­5  ­ Conta  7.996­0, no mês em que esta conta começou a ser movimentada (maio de 2005) e considerou  esse período como amostra representativa do restante do ano de 2005 e do ano de 2006, para  concluir que a escrituração contábil da contribuinte revela indícios de fraudes e contêm vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornam  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira, principalmente a bancária (Artigo 530, inciso II do RIR/99).   Ponderou que todos os lançamentos contábeis que registraram a informação  "'VR. CH. EMITIDO P/SUP. DE CAIXA N' no mês de maio de 2005 (primeiro em que a conta  foi movimentada) mostraram ser falsos, não existindo nos extratos bancários nenhuma emissão  de cheques para suprimento de caixa. Aduziu que em todo o restante do período fiscalizado o  exame  da  escrituração  contábil  da  referida  conta  no Banco  do Brasil  S/A.,  tanto  nos  Livros  Diário  como  nos  Livros  Razão,  revela  centenas  e  centenas  de  lançamentos  com  o  histórico  "VR. CH .EMITIDO P/SUP.DE CAIXA N.". E concluiu:.  Isso  indica  que  a  escrituração  contábil  da  FRIGOESPANHA  referente ao restante do período fiscalizado está também viciada  (de junho de 2005 a dezembro de 2006).  O Termo de Verificação indica também a existência de inconsistências entre  os registros contábeis e os extratos bancários com lançamentos contábeis por ela considerados  fictícios  e  lançamentos  "consolidados”,  os  quais  foram  relatados  às  fls.  5089  a  5093  do  processo digitalizado.  Constatou que os livros Diário n°s 1 e 2, relativos a 2005, não contemplam a  escrituração da conta n° 7997­9 do Banco do Brasil, apesar de essa conta ter sido movimentada  a  partir  de  30/05/2005,  e  no  livro  Registro  de  Inventário  os  valores  do  estoque  final  em  31/12/2005 e 31/12/2006 são completamente diferentes daqueles apurados nos livros Diário e  Razão,  inclusive  nos  Balanços  Patrimoniais  e  nos  Balancetes  de  Verificação  transcritos  no  Diário, e nas DIPJ.  Verificou que o livro Razão n° 04 fere o art. 269 do RIR, de 1999, uma vez  que há grandes  intervalos em branco entre as páginas 63 e 67 (fls. 2301 a 2305 do processo  físico, fls. 3809 a 3914 do processo digitalizado) e o Lalur n° 01 e 02 (entregues em abril de  2010), nos quais foram constatadas várias deficiências e erros.  Lastreada  no  fato  de  a  escrituração  da  contribuinte  ter  revelado  evidentes  indícios  de  fraudes,  além  de  ter  erros  ou  deficiências  que  a  tornam  imprestável  tanto  para  identificar à efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, como para determinar o lucro  real, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro com base nas informações prestadas  em GIA.  Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 5          4 Registrou a autoridade fiscal:  “Verificamos  que as  receitas declaradas nas GIA apresentadas  pela FRIGOESPANHA ao  fisco estadual estão com valores na  mesma  ordem  de  grandeza  aos  informados  em  DIPJ  ­  Declaração de  Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa  Jurídica ­ a Receita Federal do Brasil e aos  informados na  contabilidade  (Diário  e  Razão).  Também  verificamos  que  as  receitas  contabilizadas  no  Diário  e  Razão  pela  FRIGOESPANHA  apresentam  um  somatório  anual  um  pouco  menor do que o somatório das receitas informadas em GIA, no  ano  de  2005.  Porém,  como  já  constatamos  que  a  escrituração  contábil  da  FRIGOESPANHA  é  "imprestável  tanto  para  identificar a efetiva movimentação  financeira e bancária, como  para  determinar  o  lucro  real  (Artigos  530  e  256  do  RIR/99)",  não se deve usar as receitas escrituradas na contabilidade como  base  de  cálculo  dos  tributos  a  serem  lançados  de  ofício,  na  sistemática  do  Lucro  Arbitrado.  Deve­se  sempre  ter  em  mente  que a conta nº 7.997­9 da agência no 4018­5 do Banco do Brasil  S/A  foi  mantida  à  margem  da  contabilidade  da  FRIGOESPANHA  no  ano  de  2005.  Portanto,  nada  mais  compreensível  do que o  somatório das  receitas escrituradas na  contabilidade  da  FRIGOESPANHA  em  2005  ser menor  que  o  somatório  das  receitas  informadas  em  GIA  ao  fisco  estadual  paulista referentes àquele ano.  No que diz respeito à DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos  Tributários  Federais­,  a  FRIGOESPANHA  entregou  as  duas  DCTF  semestrais  referentes  ao Ano­calendário  2005  e  as  duas  DCTF  semestrais  referentes  ao  Ano­calendário  2006  na  época  devida  (fls.  835).  Todavia,  há  pouca  correspondência,  convergência,  entre  essas  DCTF  e  as  DIPJ  entregues  também  pela  FRIGOESPANHA.  Em  relação  ao  primeiro  e  ao  segundo  semestres de 2005, as respectivas DCTF entregues informam que  "não  existem  débitos",  porém,  a  DIPJ  referente  ao  Ano­ calendário 2005 informa um débito de CSLL de R$1.281,01 e um  débito de  IRPJ de R$ 2.135,01  referentes ao  segundo  trimestre  de  2005,  ambos,  aliás,  devidamente  recolhidos  pela  FRIGOESPANHA  no  dia  29/07/2005  (fls.  836­  839;  510;  848­ 849). A DCTF referente ao primeiro semestre de 2006 retrata a  correspondente  DIPJ,  ao  apresentar  um  débito  de  IRPJ  de  R$1.559,72  e  um  débito  de  CSLL  de  R$953,83  referentes  ao  segundo  trimestre  de  2006,  ambos  devidamente  recolhidos  no  dia  31/07/2006  (fls.  840­842;  540;  853­854).  Já  a  DCTF  referente  ao  segundo  semestre  de  2006  confere  com  os  correspondentes  DACON  ­  Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  ­,  ao  apresentar  dois  débitos  de  PIS  no  regime não­cumulativo nos valores de R$538,27 e R$2.043,89 e  também dois débitos de COFINS no regime não­cumulativo nos  valores de R$2.477,20 e R$9.414,29, todos referentes aos meses  de novembro e dezembro de 2006 e devidamente recolhidos pela  FRIGOESPANHA (fls. 843­847; 753­754, 760 [verso], 767­768,  774  [verso];  855­858).  Os  recolhimentos  de  IRPJ  e  de  CSLL  serão  devidamente  descontados  dos  tributos  devidos  apurados  Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 6          5 nos respectivos autos de infração ora lavrados. De outra parte,  os dois recolhimentos de PIS no regime não­cumulativo e os dois  recolhimentos de COFINS no regime não­cumulativo não serão  descontados nos autos de infração respectivos, já que não existe  regime  não­cumulativo  para  o  PIS  e  para  a  COFINS  na  sistemática  do  Lucro  Arbitrado  (Lei  no  10.637/2002  e  Lei  no  10.833/2003).”  Em impugnação tempestiva a interessada suscitou a decadência do direito de  lançar o IRPJ e à CSLL, relativamente aos fatos geradores ocorridos no 1° trimestre de 2005 e  nos meses de janeiro a maio de 2005, quanto ao PIS e à Cofins.   Quanto  o mérito  propriamente  dito,  alegou  que  não  foi  apontada  nenhuma  irregularidade  que  justificasse  o  arbitramento  do  lucro,  e  que  as  divergências  apontadas  no  Termo de Constatação e que foram apuradas na escrituração do ano­calendário de 2005 não a  invalidam,  quando  muito  poderiam  proporcionar  glosas  que  alterariam  ou  não  o  lucro  real  daquele ano. Todos os documentos e livros fiscais e contábeis solicitados foram apresentados e  a escrituração foi elaborada de acordo com as leis comerciais e fiscais, tendo sido elaboradas as  demonstrações financeiras.  Aduziu  que  o  fato  de  ter  registrado  a  soma  de  vários  valores  levados  a  depósito na conta bancária, no mesmo dia, ao invés de contabilizar um a um, não é motivo para  a desclassificação da contabilidade. Que a inexistência de emissão de cheques para suprimento  de  caixa,  em  desconformidade  com  o  histórico  dos  lançamentos  contábeis,  corresponde  a  deslize  cometido  pelo  contabilista  que  transferiu  para  o  caixa  o  valor  que  saiu  do  banco  diretamente  para  pagamento  de  contas,  duplicando  o  lançamento:  ao  invés  de  debitar  o  beneficiário  do  pagamento  e  creditar  o  banco,  debitou  o  caixa  e  creditou  o  banco  e  depois  debitou o beneficiário e creditou o caixa, caminho esse que não altera o resultado da operação.  Acrescentou  ser  uma  falácia  afirmar  que  escrituração  da  conta  bancária  relativa ao mês de maio de 2005 é representativa dos anos de 2005 e 2006, permitindo concluir  que a escrituração contábil do contribuinte revela indícios de fraudes e contém vícios, erros ou  deficiências  que  a  tornam  imprestável.  Ponderou  que  os  erros  apontados  pelo  autuante  na  forma de contabilização de algumas operações não levam à imprestabi1idade da escrituração, e  que,  ainda  que  houvesse  de  fato  alguma  falha  no mês  de maio  de  2005,  não  seria  possível  concluir que essa falha se perpetuou pela contabilidade de todos os períodos investigados.  Afirmou que a conta bancária 7.997­9 do Banco do Brasil não foi escriturada  em 2005, mas as operações realizadas por meio dessa conta bancária  foram contabilizadas, e  exemplifica  com  alguns  lançamentos  a  débito  indicando  a  correspondente  contabilização  no  Diário. Asseverou que nada ficou sem contabilizar e não foi apurada omissão de receitas, e que  os valores informados nas DIPJ são superiores aos valores das GIA tomados como base para o  arbitramento.   Acrescentou que as falhas apontadas pelo autuante não impedem a apuração  de seu  lucro, sobretudo em razão do  reconhecimento  implícito da fiscalização de que não há  indícios de omissão de receitas.  Invocou o fato de a fiscalização utilizar­se apenas da contabilidade do ano de  2005,  relacionando 9  itens que acredita serem inconsistentes, porém sem comprovar,  e ainda  Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 7          6 assim,  arbitrou  também  todo  o  ano  de  2006,  no  qual  sequer  foi  encontrada  ou  mesmo  mencionada qualquer inconsistência.  Alegou  que  se  custos  ou  despesas  operacionais  que  não  são  comprovados  devem ser glosados, não se justificando seja desprezada toda a escrituração e arbitrado o lucro.  Afirmou que a fiscalização agiu incorretamente ao efetuar o arbitramento dos  lucros, motivo pelo qual os autos de infração devem ser cancelados.  Disse não constar no Termo de Constatação Fiscal e nem no auto de infração  o motivo que levou a fiscalização à qualificação da multa, sendo nulo o ato administrativo por  falta de motivação. Ponderou que a falta de escrituração de algum movimento financeiro não é  justificativa  para  o  agravamento  da  penalidade,  e  que  a  qualificação  da multa  só  é  possível  quando se revelar o evidente intuito de fraudar o Fisco, o que deve estar comprovado nos autos.  Observou  que  nenhuma  das  supostas  irregularidades  denunciadas  pelo  Fisco  foi  objeto  de  tributação que lhes correspondessem, isto é, não resultaram em "omissão de receitas", "glosa de  custos", "glosa de despesas operacionais" ou infração de qualquer natureza.  Postulou  pelo  desconto  dos  valores  recolhidos  a  título  de  PIS  e  Cofins,  conforme documentos no processo.  A  Turma  de  Julgamento  rejeitou  a  decadência  arguida,  e  considerou  parcialmente procedente apenas para descontar os valores de PIS e COFINS já recolhidos, nos  termos da ementa a seguir:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2005, 2006  ARBITRAMENTO DO LUCRO  O  lucro  da  pessoa  jurídica  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro  real  será  arbitrado  quando  sua  escrituração  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária, e para determinar o lucro real.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2005, 2006  TRIBUTAÇÃO REFLEXA  Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento  adotado  no  principal,  em  virtude  da  relação  de  causa  e  efeito  que os vincula.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2006  RECOLHIMENTOS  EFETUADOS.  DEDUÇÃO.  Admite­se  a  dedução, na apuração da Cofins exigida no auto de infração, dos  recolhimentos espontâneos efetuados pelo sujeito passivo.  Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 8          7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2006  RECOLHIMENTOS EFETUADOS. DEDUÇÃO.  Admite­se  a  dedução,  na  apuração  do  PIS  exigido  no  auto  de  infração,  dos  recolhimentos  espontâneos  efetuados  pelo  sujeito  passivo.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005, 2006  DECADÊNCIA.  DOLO  COMPROVADO.  IRPJ.  CSLL.  PIS.  COFINS.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  rever  lançamento  por  homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo,  fraude  ou  simulação,  extingue­  se  no  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado.  MULTA DE OFICIO QUALIFICADA.  Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação  da multa no percentual de 150%.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Ciente da decisão em 12 de novembro de 2010, a interessada ingressou com  recurso em 10 de dezembro seguinte.  Reitera a preliminar de decadência, considerando ser descabida a alegação de  fraude e consequente qualificação da multa.  Quanto ao mérito,  reedita as  razões declinadas na  impugnação,  inserindo as  seguintes observações:  “(...) no presente caso nenhuma irregularidade foi apontada que  justificasse  o  arbitramento  do  lucro.  Os  documentos  fiscais  e  todos os livros fiscais e contábeis solicitados foram apresentados  e a escrituração foi elaborada de acordo com as leis comerciais  e  fiscais,  tendo  sido  elaboradas  as  demonstrações  financeiras.  Não  há  que  se  falar  em  dificuldade  para  realização  dos  trabalhos fiscais. Até as notas fiscais de entradas e saídas foram  entregues.  Dos  livros  e  documentos  apresentados  em  respostas  às  intimações,  o  Fisco  extraiu  e  anexou  ao  processo,  cópia  dos  Livros Registro de Entradas (as. 33 a 61 e 146 a 173), Registro  de Saídas (Fls. 62 a 119 e 174 a 211), Registro de Apuração de  ICMS (Fls. 120 a 145 e 212 a 237), extratos de contas bancárias  movimentadas nos períodos (Fls.238 a 494 e 871 a 880), Diário  Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 9          8 (fls. 995 a 17Q1­v), LALUR (Fls. 1782 a 1819), Razão Analítico  (Fls.  1820  a  2920).  E  mais,  Livro  de  Registro  de  Empregados  (que não se sabe a razão) e fotos do estabelecimento quando lá  compareceu  para  dar  continuidade  à  fiscalização  (Fls.  992  a  994). Não foi extraído cópia dos demais documentos. Através do  Termo de Devolução de Documentos de 03/02/2010 (as. 864), o  Senhor  Auditor  devolveu  toda  a  documentação  que  lastreou  a  contabilidade de 2005 e 2006, recebida em 20/04/2009.  Deste  procedimento  cabe  uma  observação muito  importante.  0  Senhor Auditor ficou com toda a documentação contábil em seu  poder por mais de 9 (nove meses) e nenhuma intimação expediu  com relação a ela. Não pediu esclarecimentos sobre as receitas  contabilizadas e nem pediu que se comprovasse o pagamento de  custos ou despesas. Nada. Absolutamente nada. Ficou claro com  o  seu  comportamento,  que  após  o  cotejamento dos  documentos  com a contabilidade, nenhuma dúvida perdurou que o instigasse  à pesquisa mais profunda. Por outro giro, denota claramente a  sua satisfação com as verificações que procedeu.  A decisão da DRJ em nada  inovou, relatando o  julgador que a  escrituração  da  recorrente  apresentada  à  fiscalização  contém  lançamentos  resumidos  e  outros  lançamentos  que  não  refletem  as efetivas operações ocorridas.  Certo  é  que  estes  lançamentos  não  invalidam  a  escrituração,  quando muito, poderiam proporcionar glosas que alterariam ou  não o lucro real do ano de 2005 e só desse período, já que foram  apuradas apenas no ano calendário de 2005, numa amostragem  sem nenhum critério.  Ainda,  na  página  9  da  decisão,  o  julgador  relatou  que  a  recorrente registrou a soma de vários valores levados a depósito  na conta bancária, no mesmo dia, ao invés de contabilizar um a  um.  Ora,  nobres  julgadores,  as  operações  já  foram  justificadas  na  impugnação administrativa, que o julgador de primeira instância  sequer se ateve em analisar, buscando somente uma saída para  justificar o arbitramento do lucro.  Para  que  não  paira  dúvidas,  a  recorrente  extraiu  da  impugnação, o que discorreu sobre o assunto. Em síntese:  "Nenhuma  dessas  divergências  macula  a  contabilidade.  Apenas  mostra  imperfeição  na  técnica  contábil.  0  que  tentou esconder o contabilista ao registrar a soma de vários  valores  levados  a  depósito  no  conta  bancária,  no  mesmo  dia,  ao  invés  de  contabilizar  um  a  um?  Qual  a  fraude  praticada?  Qual  tributo  pretendeu  deixar  de  apurar  com  essa  conduta? Qual  a  omissão  ­  se  todos  os  valores  estão  registrados?  Tomamos por exemplo o item 5 da página 9 do Termo. Na  página  178  do  Diário  n°  2  (fis.  1283  —  verso),  o  Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 10          9 lançamento  0  9023  de  15/12/2005,  registra  a  débito  de  banco e a crédito de caixa, o depósito no Banco do Brasil,  conta  7.996­  0,  no  valor  de  R$  33.957,44,  Esse  valor  é  exatamente a soma dos depósitos de R$17,79, R$120,58, R$  32.922,46,  R$  535,61  e  R$  361,00  apontados  no  extrato  bancário às fls. 267 e fls. 268. Isso dificultou a apuração do  lucro real?  É o caso também do item 8, página 10 do Termo. Os valores  depositados são de R$ 320,00, R$ 13.665,00, R$ 4.555,00,  R$ 4.555,00, R$ 4.555,00, R$ 24,38 e R$ 131,86 apontados  no extrato às fls. 267. Na contabilidade, no dia 21/12/2005  há  o  registro  de  n°  9228 na  página  190  do Diário  n°  2  a  débito do banco e crédito de caixa no valor de R$ 27.806,24  (fls.  1289  ­  verso)  que  é  exatamente  a  soma  daqueles  valores. Essa  imperfeição  na  contabilidade  é motivo  para  sua desclassificação?  E não foi somente neste quesito que a decisão da DRJ manteve o  que  o  Auditor  entendeu  correto.  Como  já  esclarecido  naquele  momento,  o  Sr.  Auditor  acusa  em  outro  tópico  que  todos  os  lançamentos contábeis do mês de maio de 2005 que registram a  informação sob a rubrica Vr. Ch. Emitido p/sup. De caixa n." se  mostraram  ser  (sic)  falsos,  ou  seja,  pelo  exame  dos  extratos  bancários  não  existiu  nenhuma  emissão  de  cheques  para  suprimento de caixa.  Realmente  assiste  razão  ao  Auditor  na  afirmativa  de  que  não  existe cheque emitido para suprimento de caixa. Por outro giro,  não  tem  razão  quando afirma que  "...  o  histórico  dos  registros  contábeis não retrata a verdade material dos fatos descritos nos  extratos  bancários..."  Ora,  o  único  deslize  cometido  pelo  contabilista foi transferir para o caixa o valor que saiu do banco  diretamente para pagamento de contas.  0  caminho  escolhido  para  registro  das  operações  na  contabilidade  foi o mais difícil. 0  lançamento  foi duplicado. Ao  invés de debitar o beneficiário do pagamento e creditar o banco,  debitou  o  caixa  e  creditou  o  banco  e  depois  debitou  o  beneficiário  e  creditou  o  caixa.  0  caminho  tomado  em  nada  altera o resultado da operação.  Transcrevemos abaixo os exemplos citados na impugnação como  prova  de  que  o  numerário  utilizado  para  pagamento  de  obrigações da empresa saiu do banco:  (..omitido...)  Os  pagamentos  foram  efetuados  com  recursos  depositados  na  conta  bancária,  ESSA  É  A  VERDADE  MATERIAL.  A  forma  adotada  pelo  contabilista  não  tem  que  ser  necessariamente  do  agrado  do  Senhor  Auditor.  0  que  importa  é  que  a  operação  é  legal  e  está  informada.  Em  nenhum  momento  essa  forma  de  contabilização, buscou camuflar fatos ou fraudar operações que  pudessem alterar o resultado fiscal.  Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 11          10 A respeito da conta não escriturada em 2005, mas apenas em 2006 (7.997­9),  reitera  que  as  operações  realizadas  através  dessa  conta  bancária,  foram  sim,  contabilizadas  reportando­se  aos  exemplos  apontados  na  impugnação  administrativa,  e  invoca  os  seguintes  acórdãos do Conselho:  IRPJ.  ARBITRAMENTO  DOS  LUCROS.  MOVIMENTO  BANCÁRIO.  CONTABILIZAÇÃO.  A  falta  de  escrituração  de  contas  correntes  bancárias,  por  si  só,  não  autoriza  ao  Fisco  proceder ao arbitramento do  lucro, competindo­lhe demonstrar  cabalmente,  que  essa  falha  na  escrituração  constitui  vicio  insanável,  que  a  torna  imprestável  para  determinar  o  lucro  real' (Acórdão CRSF 01­03.113). A prova de que o movimento  bancário  foi  lançado  na  conta  Caixa  descaracteriza  a  necessidade  do  arbitramento  (destacamos).  Recurso  voluntário  provido." (Acórdão nº: 105­16.232 ­ QUINTA CÂMARA).  DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO CONTABILIZADO — Logrando o  contribuinte comprovar que o movimento bancário, embora não  registrado em conta apropriada,  figura no movimento da conta  caixa.,  insubsistente  torna­se  o  arbitramento  dos  lucros."(AC.  CSRF/01­1 1163/91, DO 26.10.94).  Acrescenta que a Delegacia de Julgamento apenas ratificou o lançamento, se  abstendo de fazer análise sobre a parte técnica que a impugnação trouxe em seu conteúdo.  Reitera que o Auditor­ Fiscal não apurou omissão de receita, nem ao menos  presunção, e que na página 15 do Termo relata que as GIA apresentadas ao fisco estadual estão  com valores da mesma ordem de grandeza aos informados nas DIPJ.   Aponta que, na verdade, os valores informados nas DIPJ são superiores aos  valores das GIA tomados como base para o arbitramento, o que seria mais uma prova de que o  fato  de  as  operações  terem  sido  contabilizadas  como  realizadas  no  caixa  e  não  na  conta  bancária,  em  nada  alterou  o montante  da  receita  do  ano,  nada  ficando  sem  contabilizar,  e  a  falha na escrituração não foi cometida com o fito de esconder as operações do fisco, que foram  todas contabilizadas no caixa, não sendo detectada omissão de receita em nenhum período.  Assevera  que  todas  as  operações  que  constavam  da  conta  bancária  foram  contabilizadas  e  os  valores  Declarados  (DIPJ)  são  maiores  que  os  lançados  na  GIA,  como  demonstra a planilha abaixo:  Período  GIA    DIPJ  2005  1º Trimestre  2º Trimestre  3º Trimestre  4º Trimestre  TOTAL DO ANO  (base do arbitramento)  550.500,67  723.409,56  660.785,42  893.196,30  2.827.891,95    584.114,61  724.137,56  661.483,942  900.360,15  2.870.096,26  2006  1º Trimestre  2º Trimestre  3º Trimestre  (base do arbitramento)  608.815,25  978.209,06  1.031.103,28    623.608,56  982.809,12  1.031.196,28  Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 12          11 4º Trimestre  TOTAL DO ANO  1.390.739,92  4.007.867,52  1.392.342,12  4.029.756,08  TOTAL GERAL   6.835.759,47  6.899.852,34  Diz que as informações acima evidenciam ser notório o erro, intencional ou  não,  do  Senhor  Auditor,  ao  afirmar  na  página  16  do  Termo  que  os  valores  de  2005  são  inferiores aos valores da GIA, bem como deixam claro que a falta de contabilização da conta  bancária 7.997­0 do Banco do Brasil, de maio a dezembro de 2005, mas com a contabilização  das operações que transitaram pela conta, em nada alterou o resultado do período.  Frisa  que,  em  atropelo  aos  fatos,  a  fiscalização  utilizou­se da  contabilidade  do  ano de 2005,  relacionando apenas 09  (nove)  itens que acredita  serem  inconsistentes,  sem  comprovar,  e ainda assim, de forma desesperada, arbitrou  também todo o ano de 2006, onde  sequer  foi  encontrada  ou  mesmo  mencionada  qualquer  inconsistência  para  este  ano  (vide  relação  n°  01  a  09  pág.  5/7,  do Termo  de Constatação  Fiscal  ­  fls.  2972  a  2974  ­  processo  físico).  Questiona qual procedimento que a fiscalização utilizou para concluir que a  escrituração  contábil  do  ano  de  2006  revela  indícios  de  fraudes  e  vícios  que  a  tornam  imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, e indaga onde há inconsistência  na contabilidade do ano de 2006.  Assevera que o  fato de a  fiscalização  ter utilizado  "uma amostra do mês de  maio de 2005" de per si, é motivo suficiente para o cancelamento do procedimento fiscal com  relação  ao  ano­calendário  de  2006,  eis  que o  fisco  sequer  analisou  a  contabilidade para  este  ano.  Reitera o já afirmado na impugnação: (i) que nenhuma omissão de receita foi  detectada pela fiscalização; (ii) que a recorrente não omitiu nenhum registro fiscal; (iii) que não  houve depósito bancário sem comprovação; (iii) que todas as operações foram contabilizadas;  (iv) que se custos ou despesas operacionais não são comprovados, manda a legislação que eles  sejam  glosados  nos  trabalhos  de  auditoria  fiscal  e  não  que,  ao  arbítrio  do  fisco,  toda  a  contabilidade seja desprezada e se pratique o arbitramento do lucro.  Ressalta que em nenhum momento a fiscalizada foi solicitada ou intimada a  providenciar  a  reconstituição  da  escrita  fiscal,  o  que  demonstra  que  a  fiscalização  acatou  a  escrituração  da  forma  em  que  se  encontrava,  até  porque  a  escrituração  preenche  todas  as  condições  pertinentes  perante  a  legislação  comercial  e  fiscal. No  entanto,  estranhamente,  no  momento  do  encerramento  da  ação  fiscal,  ou  seja,  depois  de  09  (nove) meses  de  posse  dos  documentos  fiscais,  o Sr. Auditor Fiscal,  entendeu  por  considerar  a  escrituração  imprestável  para  a determinação do  lucro  real,  e  impor de  forma maliciosa  aos olhos  de qualquer um, o  arbitramento do lucro dos períodos de 2005 e 2006.  Reafirma  que  não  existe motivo  suficiente  para  que  a  escrituração  contábil  seja  declarada  como  imprestável,  destacando  que  nos  meses  de  janeiro  a  abril  de  2005,  a  Fiscalização nada apontou de irregularidade, ainda que essa irregularidade exista apenas na sua  ótica.  E,  sobre desclassificação  de  escrituração  contábil  reporta­se  ao Acórdão  da  CSRF nº 01­03.471, de 24 de julho de 2001, que manifesta o entendimento de que “o fato de a  autuada não  ter procedido ao  registro no Livro Caixa de  sua movimentação  financeira não  Fl. 5255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 13          12 autoriza por si só a rejeição da escrituração e. o consequente arbitramento do lucro mormente  se  o  contribuinte  ainda  na  fase  de  auditoria  franqueia  à  fiscalização  os  seus  extratos  bancários,  os  quais  evidenciam  que  toda  a  movimentação  bancária  é  compatível  com  as  receitas escrituradas no Livro Caixa”.  Reitera as razões declinadas na impugnação para contestar a qualificação da  penalidade,  insistindo  haver  no  processo  ausência  inegável  do  elemento  subjetivo  do  dolo.  Afirma  que  os  autos  evidenciam  que  a  fiscalização  utilizou­se  de  presunção  tanto  na  determinação da matéria tributável como na caracterização da fraude alegada.’  Repete a  solicitação de desconto dos valores de PIS e Cofins  já  recolhidos,  pleito sem objeto, uma vez que já deferido em primeira instância.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Valmir Sandri, Relator  Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  A decisão quanto à decadência está vinculada à questão da caracterização da  fraude, o que impõe a inversão na ordem de apreciação.  Como visto do relatório, a solução do litígio reside em definir se foi correto o  abandono  da  apuração  dos  tributos  feitos  pela  contribuinte,  com  base  no  lucro  real,  substituindo­o pelo lucro arbitrado.  O  fundamento  legal  indicado  pela  autoridade  fiscal  para  abandonar  a  apuração feita pela contribuinte foi o art. 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda  (Decreto nº 3000, de 1999), que dispõe:  "Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano  calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430,  de 1996, art. 19:  (...)  II ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou  b) determinar o lucro real;  Entendeu  a  autoridade  fiscal  que  “a  escrituração  da  FRIGOESPANHA  é  fraudulenta, eivada de falsidade ideológica em muitos dos registros de operações bancárias,  Fl. 5256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 14          13 contendo vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável tanto para identificar a efetiva  movimentação financeira e bancária, como para determinar o lucro real (Artigos 530 e 256 do  RIR/99).”  O ponto de partida da  autoridade  fiscal  para  concluir  que  a  escrituração  da  empresa era fraudulenta, eivada de falsidade ideológica em muitos dos registros de operações  bancárias,  foi  a  constatação  de  registros,  no  livro  Diário  Geral,  de  lançamentos  a  título  de  suprimento de caixa, tendo como contrapartida conta representativa de Banco do Brasil.   Comparando a escrituração do Diário com os extratos do Banco do Brasil,  constatou  inconsistência  entre  os  registros  contábeis  e  os  históricos  dos  lançamentos  nos  extratos bancários, apontou objetivamente os oito suprimentos registrados no mês de maio de  2005 (afirmando que esse mês servia de amostra, pois os lançamentos a esse título se repetiam  por todo o período), como demonstrado abaixo:  Data  Valor  contabilizado  como  suprimento     Observações a partir dos extratos bancários  27/05/2005  20.000,00  O histórico é TED­ sem cobrança de CPMF  27/05/2005  10,00  O histórico é Tarifa de emissão de DOC/TED  27/05/2005  114,26  O histórico é Débito Serviço Cobrança  30/05/2005  15.000,00  O histórico é TED­ sem cobrança de CPMF  30/05/2005  10,00  O histórico é Tarifa de emissão de DOC/TED  30/05/2005  237,80  O histórico é Débito Serviço Cobrança   30/05/2005  100,00  O histórico é Tarifa Contrat. Desconto de Título  30/052005  100,00  O histórico é Tarifa desconto de Cheque.  Embora  a  autoridade  fiscal  não  tenha  indicado  objetivamente  os  demais  registros  no  Diário  Geral  a  título  de  suprimento  de  caixa,  afirmou  que  em  todo  o  período  fiscalizado  (2005  e  2006)  há  centenas  de  lançamentos  a  esse  título,  sem  que  tenha  existido  emissão de cheques nesse valor.  Realmente, analisei o Diário de todo o ano de 2005 e do mês de  janeiro de  2006  (como  amostra  do  ano)  para  verificar  a  procedência  da  afirmativa  fiscal,  e  constatei  vários  lançamentos  do mesmo  tipo  (alguns  de  valor  irrisório,  como  R$  0,61,  R$  12,41,  R$  10,00, R$ 13,79, etc.) nos meses de agosto (6 registros), novembro (41 registros), e dezembro  (46 registros) de 2005 e janeiro de 2006 (31 registros), com históricos variados: devolução de  cheque depositado, cheque compensado, débito de  serviço de cobrança,  pagamento de  título,  etc..   Outras  irregularidades  identificadas  pela  autoridade  fiscal  foram:  (i)  a  consolidação,  num  único  registro  contábil,  de  mais  de  um  lançamento  constante  do  extrato  bancário; (ii) a não contabilização, no ano de 2005, de uma das contas mantidas no Banco do  Brasil (a partir de 2006 ela foi contabilizada); (iii) a divergência entre os valores dos estoques  finais  registrados  no  Livro  Registro  de  Inventário  com  os  apurados  na  contabilidade  e  registrados no balanço e com os  informados pela empresa nas DIPJ;  (iv) erro na Parte B do  LALUR,  no  Controle  da  base Negativa  da CSLL;  (v)  falta  de  assinatura  do  contabilista  no  LALUR;  (vi)  falta  de  adição,  no  segundo  semestre  de  2006,  de  despesa  indedutível  de  R$  102,16 (multa de trânsito); (vii) intervalos em branco no Livro Razão, entre as páginas 63 a 67.  Fl. 5257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 15          14 É  consabido  que  o  arbitramento  do  lucro  é  medida  extrema,  adotável  na  impossibilidade  de  apurar  o  lucro  real.  A  meu  juízo,  as  irregularidades  apontadas  pela  autoridade  fiscal  nos  presentes  autos  não  justificam  o  abandono  da  apuração  do  lucro  real.  Explico.  O primeiro  fato que chama atenção é que a autoridade fiscal estribou­se na  inconsistência dos registros contábeis a título de suprimento de caixa, em divergência com os  históricos dos  lançamentos nos extratos bancários. Observo que foram apresentados  todos os  livros contábeis e fiscais, as notas fiscais, todos os extratos bancários e que não houve uma só  intimação para a contribuinte esclarecer e comprovar as divergências.  As inconsistências detectadas nos registros a título de suprimentos de caixa,  bem como a constatação de que fatos descritos nos extratos bancários não foram escriturados  separada e individualizadamente na contabilidade da empresa, sendo consolidados num único  lançamento,  como  descrito  às  fls.8/12  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  5089/5093  digitalizado), não constituem razão suficiente para considerar a escrituração  imprestável para  apuração  do  lucro  real,  sem  um  aprofundamento  na  investigação.  Nem  mesmo  a  não  escrituração, no ano de 2005, de uma das contas bancárias mantidas pela empresa no Banco do  Brasil,  justifica  o  desprezo  da  apuração  do  lucro  real,  eis  que  a  contribuinte  entregou  à  fiscalização todos os extratos a ela correspondentes.  Atente­se  que  a  autoridade  fiscal  esteve  na  posse  dos  livros  contábeis  e  fiscais da empresa, das notas fiscais e de todos os extratos bancários (inclusive da conta que só  foi contabilizada a partir de 2006), por um período de 9 meses.   Não  se  compreende  que,  tendo  constatado  inconsistências  nos  registros  a  título  de  suprimento  de  caixa,  a  autoridade não  tenha  intimado  a  contribuinte  a  justificá­las,  com  as  provas  correspondentes.  De  qualquer  forma,  mesmo  que  achasse  que  os  extratos  bancários  representam  prova  suficiente  da  inexistência  dos  suprimentos,  não  demandando  esclarecimentos (o quê não me parece razoável), o procedimento ordinário seria ajustar a conta  “Caixa” para dela excluir os suprimentos não comprovados e apurar eventuais saldos credores  de caixa, que seriam tidos como omissão de receita.   Além  das  inconsistências  dos  registros  de  suprimentos  de  Caixa  (que  eventualmente poderiam acobertar omissão de receitas, passíveis de ser averiguadas a partir de  saldo credor de Caixa), para a conta bancária não contabilizada em 2005 a Fiscalização poderia  ter intimado a contribuinte a comprovar a origem dos créditos constantes dos seus extratos (que  foram  fornecidos pelo  sujeito passivo),  a  fim de pesquisar  eventual omissão de  receitas  com  base no art. 42 da Lei nº 9.430/96.  Divergência  entre  os  valores  dos  estoques  finais  registrados  no  Livro  Registro  de  Inventário  com os  apurados  na  contabilidade  e  registrados  no  balanço  e  com os  informados  pela  empresa  nas  DIPJ  não  invalidam  a  apuração  do  lucro  real,  e  poderiam  ser  objeto de ajuste, de ofício, na apuração do “custo das mercadorias vendidas”. Da mesma forma,  a falta de adição da despesa indedutível (multa de trânsito).   Assim,  não  vejo,  nas  irregularidades  constatadas  pela  fiscalização,  justificativa para o abandono do critério de apuração utilizado pela contribuinte (lucro real), e  considero improcedentes os lançamentos, decisão que absorve a questão da decadência.  Fl. 5258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16004.000595/2010­83  Acórdão n.º 1301­001.576  S1­C3T1  Fl. 16          15      Quanto  aos  lançamentos  decorrentes  (CSLL,  PIS  e  COFINS),  devem  observar  o  mesmo procedimento adotado no lançamento principal (IRPJ), em virtude da relação de causa  e efeito que os vincula.  Isto posto, DOU provimento ao recurso voluntário.   É como voto.  Sala das Sessões, em 29 de julho de 2014.  (documento assinado digitalmente)  Valmir Sandri                                Fl. 5259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI

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Numero do processo: 10166.904919/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto processual relativo a tempestividade da apresentação do aditamento a manifestação de inconformidade. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 86          1 85  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.904919/2009­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.549  –  3ª Turma Especial   Sessão de  04 de fevereiro de 2015  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  VIA EMPREENDIMENTOS IMOBILÁRIOS S/A   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2005  RECONHECIMENTO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ANÁLISE  INTERROMPIDA.   Inexiste  reconhecimento  implícito de direito  creditório quando a apreciação  da Per/DComp restringe­se a aspecto processual relativo a tempestividade da  apresentação  do  aditamento  a  manifestação  de  inconformidade.  A  homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma  vez  superado  este  ponto,  depende  da  análise  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade do crédito pela DRJ que originalmente proferiu a decisão de  primeira instância.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Arthur  José  André  Neto,  Fernando  Ferreira  Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues  e Carmen Ferreira  Saraiva.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 19 /2 00 9- 81 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 87          2 A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nº  29838.68089.150405.1.3.04­9807,  apresentada em 15.04.2005, utilizando­se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto  sobre a  renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$105.953,75, contido no  DARF no total de R$185.927,02 recolhido em 31.03.2004, apurado pelo regime de tributação  com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório  Eletrônico,  fl.  02,  as  informações  relativas ao reconhecimento do direito creditório  foram analisadas das quais se concluiu pelo  indeferimento do pedido:  Limite  do  crédito  analisado,  correspondente  ao  valor  do  crédito  original  na  data de transmissão informado no PER/DCOMP: 105.953,75  A  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados um ou mais pagamentos, abaixo  relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados o PER/DCOMP [...]  Diante  da  inexistência  do  crédito,  NÃO  HOMOLOGO  a  compensação  declarada. [...]  Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de  1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Cientificada  em 02.04.2009,  fl.  10,  a Recorrente  apresentou  a manifestação  de inconformidade em 08.04.2009, fl. 01, solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor  cobrado já estaria incluso no processo nº 10166.900226/2008­39.  A manifestação de inconformidade foi objeto de análise, conforme Despacho  do Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF, fl. 12, resultando na devolução dos autos ao órgão  de origem:  Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 02, emitido eletronicamente  em 25/03/2009, a autoridade competente não homologou a compensação declarada  pelo  contribuinte  no  PER/DCOMP  n°.  29838.68089.150405.1.3.04)807,  tendo  em  vista que não  foi  confirmado o  crédito utilizado,  relativo  a pagamento  a maior no  valor  original  de  R$105.953,75,  proveniente  de  recolhimento  efetuado  em  31/03/2004,  através  de  DARF  no  valor  de  R$185.927,02,  o  qual  foi  totalmente  utilizado para extinguir débito declarado em DCTF.  Conseqüentemente, diante da não homologação, o sujeito passivo foi intimado  a efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado.  Cientificado do despacho denegatório, por via postal, em 02/04/2009 (fl. 10),  o  interessado  apresentou  em  08/04/2009  a  petição  acostada  à  fl.  01,  na  qual,  em  síntese, não contesta o direito creditório não reconhecido mas a cobrança do débito,  que informa ter sido objeto de outra compensação, constante dos autos do processo  n° 10166.900226/2008­39.  Desta  forma,  não  havendo  reclamo  contra  o  direito  creditório,  a  matéria  tratada  no  requerimento  não  comporta  julgamento  de  primeira  instância  por  esta  DRJ,  razão  pela  qual  retorno  os  autos  ao  órgão  de  origem,  para  as  providências  cabíveis.  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 88          3 O processo foi enviado para cobrança amigável, pois, de acordo com o órgão  de  origem,  o  valor  cobrado  não  corresponde  a  nenhum  dos  débitos  inclusos  no  processo  mencionado pela Recorrente.  Notificada em 28.08.2012, fl. 17, inconformada com Despacho do Presidente  da  2ª  Turma  da  DRJ/BSA/DF,  a  Recorrente  opôs  nova  peça  de  defesa  que  denominou  “manifestação de inconformidade” em 05.09.2012, fls. 19­22, argumentado:  05. Considerando que a elaboração de forma incoerente, da fundamentação da  cobrança,  deixando  de  evidenciar  a  informação  de  que  o  valor  de  R$518.160,02  trata­se  exclusivamente  de  um  crédito  legítimo  declarado  nos  Per/DComp  n°  30552.16502.150305.1.7.04.3079;  38539.03005.060405.1.7.04.0709  e  23965.92028.110505.1.7.04.8013,  sob  a  natureza  de  um  pagamento  indevido  ou  a  maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ, declarado no  valor de R$1.819.934,76, na DIPJ 2005 entregue de forma tempestiva, objeto deste  facilmente  evidenciado  na  sua  página  de  n°  11,  ficha  12A,  de  fundamental  importância para o bom exame da matéria;  cumpre de  início  fazer breve histórico  sobre este assunto.  06.  Por  motivo  desse  saldo  negativo  de  [IRPJ]  de  R$1.819.934,76,  foram  informados  equivocadamente  em  outras  Per/DComp  um  valor  divergente,  onde  a  base de cálculo negativa do imposto seria de R$1.301.774,74 e não o que realmente  era  devido.  A  regularização  dessa  situação,  que  em  princípio  seria  de  simples  solução, poderia ser ocasionada mediante a retificação das Per/DComp já emitidas,  procedimento  que  a  via  tentou  realizar, mas  que  se  revelou  impossível,  tendo  em  vista  a  não  possibilidade  desta  retificação  após  o  início  do  procedimento  administrativo. Com o intuito de ilustrar o desdobramento da origem do valor deste  crédito em questão, fixa­se o quadro:    Valor Base Negativa IRPJ ­ DIPJ (Correto)  1.819.934,76  Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp  (1.301.774,74)  Diferença [IRPJ] a maior DIPJ  518.160,02    07. Sobretudo, cumpre­se destacar, que a diferença apontada entre a DIPJ e as  Per/DComp,  que  é  de R$518.160,02,  foi  compensada  pela  via  nos Per/DComp  n°  30552.16502.150305.1.7.04.3079;  38539.03005.060405.1.7.04.0709  e  23965.92028.110505.1.7.04.8013.  08. Assim, diante dos argumentos apresentados, não tendo sido comprovada a  falta de  liquidação do valor  em cobrança  [...],  deve  ser extinto o  crédito  tributário  ora requerido por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento. [...]  09. Estamos certos de que demonstramos, à exaustão, a ilegalidade de que se  reveste o lançamento da cobrança em referência.  10. Diante das razões expostas, a empresa pleiteia o deferimento  integral da  presente  peça  de  manifestação  de  inconformidade  e,  em  conseqüência,  sejam  declarados  improcedentes  todos  os  lançamentos  ora  contestados,  como  também  o  cancelamento do Despacho Decisório [...].  Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03­ 52.317, de 24.05.2013, fls. 33­37:   Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 89          4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Data do fato gerador: 31/03/2004   MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  PETIÇÃO  EXTEMPORÂNEA. PRECLUSÃO   Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora  do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento,  não  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  nem  comporta  julgamento  de  primeira instância   Manifestação de Inconformidade Não Conhecida   Outros Valores Controlados  Notificada em 21.08.2013, fl. 43, Recorrente apresentou o recurso voluntário  em  20.09.2013,  fls.  45­67,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade.  Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.   Acrescenta que:  II  DA  PRELIMINAR  DA  NULIDADE  DAS  DECISÕES  DA  DRJ.  DO  FLAGRANTE CERCEAMENTO DO DIREITO D E DEFESA. DA AUSÊNCIA D  E APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS D E DEFESA:  No  presente momento,  necessário  se  faz  reiterar  os  seguintes momentos  do  processo,  os  quais  estão  intrinsecamente  vinculados  ao  cerceamento  do  direito  de  defesa comprovadamente ocorrido, quando da apresentação da primeira irresignação  em face da não homologação da compensação realizada.  Repita­se,  após  a  ciência  do  Despacho  que  não  homologou  a  compensação  realizada, houve apresentação de manifestação de  inconformidade  [...],  a qual  fora  devidamente processada, onde sobreveio Despacho de encaminhamento [..] lavrado  pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do  Brasil  em  Brasília/DF,  manifestando­se  no  sentido  de  que:  (i)  que  a  referida  manifestação de inconformidade [...] apresentada, fora recebida tempestivamente, ou  seja,  dentro  do  prazo  de  30  dias;  (ii)  que  houve  a  instauração  da  fase  litigiosa  comportando  julgamento  em  primeira  instância  com  base  no  Ato  Declaratório  Normativo COSIT n.° 15/2009; (iii) ao final, determinou a remessa dos autos à DRJ  de Brasília para análise de impugnação proposta pela Recorrente. [...]  Ocorre  que  de  forma  indevida  e  em  desobediência  flagrante  à  verdade  material, a fungibilidade recursal e o Decreto n.° 70.235/72 que regula a tramitação  do  processo  administrativo  fiscal  no  âmbito  federal,  houve  lavratura  de Despacho  [...]  de  devolução,  onde  foram  gravadas  as  seguintes  informações:  (i)  que  a  Recorrente não teria contestado o direito creditório em face da não homologação do  Per/DComp; (ii) que como não houve o suposto reclamo da Recorrente, o processo  não comportaria julgamento de primeira instância, razão pela qual se determinou o  retorno dos autos à origem.  Depreende­se  da  leitura  da  decisão  recorrida  que  o  entendimento  da Turma  Julgadora  não  merece  prosperar,  na  medida  em  que  esta  deixou  de  acolher  os  argumentos  suscitados  pela  Recorrente  quando  da  apresentação  da  primeira  manifestação de inconformidade [...], onde fora induzida a erro pela confusão havida  no preparo dos autos para julgamento, haja vista que [...] a unidade preparadora faz  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 90          5 uma afirmação, ao passo [...] existe  informação em sentido diametralmente oposto.  [...]  Como  pode  constar  a  informação  [...]  dos  autos  que:  (i)  a manifestação  de  inconformidade [...] apresentada fora recebida tempestivamente, ou seja, dentro do  prazo de 30 dias; (ii) houve a instauração da fase litigiosa comportando julgamento  em primeira instância com base no Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 15/2009;  (iii)  fora  determinada  a  remessa  dos  autos  à  DRJ  de  Brasília  para  análise  de  impugnação;  e,  posteriormente,  por  intermédio  de Despacho  de Devolução  [...],  a  mesma DRJ/BSB  que  agora  teve  competência  para  apreciar  o  caso  ([...],  afirmou  anteriormente  que  não  o  teria  para  dar  alicerce  à  sua  conduta  flagrantemente  omissa???  Importante  se  faz  gravar  que  quando  da  apresentação  da  primeira  manifestação  de  inconformidade  [...]  ,  a  própria  unidade  preparadora  e/ou  a  DRJ/BSB  tinha  a  obrigação  legal,  tendo  em  vista  os  fundamentos  de  defesa  e  a  verdade material que rege o processo administrativo fiscal, de requerer informações  e/ou avocar o processo administrativo fiscal n.° 10166.900226/2008­39, até porque  na data em que fora apresentada a primeira manifestação de inconformidade, ambos  os  casos,  ou  seja,  esse  processo  administrativo  e  o  da  origem  do  crédito  (PA  10166.900226/2008­39).  estavam no Serviço  de Controle  e  Julgamento  da  própria  DRJ/BSB. [...].  Assim, resta claro que a Recorrente não pode ser apenada pelo descompasso  entre a unidade preparadora e o órgão julgador, o qual, este último, tem o dever legal  de  emanar  suas  decisões  com  base  na  verdade  material  e  na  instrumentalidade  processual  de  forma  fundamentada  e  sem  preterição  do  direito  de  defesa  como  ocorreu no caso dos presentes autos.  Assim  sendo,  conforme  se  passará  a  demonstrar,  o Despacho  de  devolução  [...] deverá ser anulado, bem como o Acórdão recorrido que fora proferido pela d. 2º  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Brasília,  pois  ambos  encontram­se  eivados  de  nulidade,  uma  vez  que  deixaram  de  apreciar  tanto  o  fundamentos da primeira manifestação de inconformidade, tal como ocorreu quando  da apresentação da segunda irresignação das razões de defesa suscitadas.  Dispõe o Decreto n.° 70.235/72, com a redação que lhe foi alterada pela Lei  n.° 8.748/93, em seu artigo 31, ao referir­se à decisão exarada em primeira instância  administrativa [...].  Nota­se,  portanto,  que  a  legislação  regente  é  clara  em  estabelecer  que  a  decisão  emanada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  deve  conter  expressamente  todas  as  razões  de  defesa  suscitadas  pela  Recorrente.  Trata­se,  portanto,  de  um  requisito  indispensável  à  garantia  do  devido  processo  e  ao  seu  processamento para que não haja preterição do direito de defesa tal como ocorreu.  No mesmo Decreto, especificamente no comando legal insculpido no art. 59,  inciso II, encontra­se a seguinte previsão no que concernente a nulidade despachos e  decisões [...].  Percebe­se,  dessa  forma,  que  o  mencionado  dispositivo  legal  é  claro  ao  mencionar que é nula a decisão de primeira  instancia administrativa que cerceia o  direito de defesa do contribuinte e é o que ocorreu no presente caso, na medida em  que  o  Despacho  de  devolução  dos  autos  não  analisou  sequer  os  fundamentos  constantes  da  irresignação  da  Recorrente,  mesmo  levando­se  em  consideração  de  que  a Recorrente  teve  o  cuidado  de  juntar,  à  época,  a  íntegra  da manifestação  de  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 91          6 inconformidade  protocolizada  nos  autos  do  Processo  Administrativo  Fiscal  n.°  10166.900226/2008­39. [...]  Com isso, conclui­se que: (i) é requisito indispensável da decisão de primeira  instância administrativa fiscal federal a abordagem expressa de todos os aspectos e  argumentos  levantados  na  peça  impugnatória;  (ii)  o  não  cumprimento  de  tal  obrigatoriedade enseja caracterização de cerceamento do direito de defesa; e (iii) a  caracterização do cerceamento de defesa implica na nulidade da decisão de primeira  instância.  No presente caso, observa­se que a primeira manifestação de inconformidade  apresentada pela Recorrente demonstrou a não procedência do Despacho Decisório  [...]  que  não  homologou  a  compensação  realizada  pela  Recorrente,  onde  à  época,  houve manifestação desta no sentido de que o valor referido na compensação citada  já  estava  incluído  nos  autos  do  Processo  Administrativo  Fiscal  n.°  10166.900226/2008­39,  onde  inclusive,  fora  juntada  a  íntegra  da manifestação  de  inconformidade [...] e,  inclusive, ao final, houve requerimento de cancelamento do  presente caso, em razão de que o valor aqui  referido  já'  fazia parte do outro caso,  qual seja, cite­se novamente, o Processo Administrativo n.° 10166.900226/2008­39.  Contudo, na decisão  recorrida, os Srs.  Julgadores que se  limitaram  [...]  a  se  manifestar  no  sentido  de  que  não  constava  contestação  do  direito  creditório,  houveram  por  bem  ulteriormente  em  julgar  o  processo  através  do  acórdão  ora  recorrido, em total descompasso com as normas que regem a tramitação e a análise  dos processos administrativos fiscais no âmbito federal.  Em outras palavras, o que a DRJ/BSB fez, em ambas as decisões, quais sejam,  na decisão [...] e no acórdão recorrido, foi deixar à margem da lei suas decisões em  flagrante  desobediência  com  a  fungibilidade  recursal,  bem  como  do  princípio  da  verdade material.  De fato, na íntegra da decisão, é possível verificar que a própria DRJ/BSB [...]  dos  autos  grava  que  a  primeira  petição  da  Recorrente  tem  a  natureza  jurídica  de  manifestação de inconformidade, pelo que se verifica com tal alegação o verdadeiro  descompasso da Decisão lavrada [...], na medida em que resta claro e provado que o  órgão  julgador  não  analisou  em  nada  as  manifestações  da  Recorrente,  seja  na  primeira  peça  de  inconformidade,  seja  na  segunda manifestação  que  fora  julgada  ulteriormente.  Apenas a título de exemplificação, como pode a d. DRJ/BSB afirmar que se  trata  de  manifestação  de  inconformidade  e  não  julgar  pelo  simples  e  incorreto  motivo  de  que  a  Recorrente  não  teria  contestado  seu  direito  creditório  e,  em  momento  posterior,  afirmar  que  os  fundamentos  são  extemporâneos???  Data  máxima  venia,  um  verdadeiro  absurdo  jurídico  tais  manifestações,  em  especial  porque ferem de forma inconteste as normas que regulam o processo administrativo  fiscal no âmbito federal.  Ou seja, nesse ponto, como ocorreu em diversos outros do presente caso [...] a  Turma  Julgadora  simplesmente  deixou  de  apreciar  as  razões  da  primeira  manifestação  de  inconformidade  suscitadas  pela  Recorrente  na  peça  apresentada  [...],  em  total  ofensa  aos  artigos  31  e  59,  II  do  Decreto  que  regula  o  Processo  Administrativo Fiscal. Trata­se, portanto, de nítido cerceamento do direito de defesa  em desfavor da Recorrente. [...]  Dessa forma, estando devidamente demonstrado que a Turma Julgadora, seja  na  lavratura  do  Acórdão  recorrido  [...],  seja  no  Despacho  de  devolução  [...]  se  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 92          7 eximiu  do  seu  dever  contido  nos  artigos  31  e  59  inciso  II,  ambos  do Decreto  n.°  70.235/72, tem­se que as decisões por ela emanadas padecem de nulidade, devendo  tal  fato  ser  reconhecido  por  esta  colenda  Turma  Julgadora,  para  que  os  autos  do  presente processo administrativo  sejam devolvidos  à Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em Brasília,  a  fim de  que  eles,  relativamente  aos  fundamentos das  manifestações  de  inconformidade  apresentadas,  profiram  uma  nova  decisão  abordando todos os argumentos suscitados pela Recorrente.  III ­ DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.  Não obstante os fundamentos acima expostos sejam mais do que suficientes  para determinar a declaração de nulidade de todo o processo a partir do Despacho de  devolução  [...],  uma  vez  que  em  completo  desacordo  com  as  regras  que  regem  o  processo  administrativo  fiscal,  a  manifestação  de  não  homologação  através  do  Despacho Decisório  [...]  não  pode  ser  considerada  lídima para  fundamentar o não  aproveitamento do crédito tributário a que tem direito a Recorrente tendo em vista a  flagrante desconsideração do Princípio Da Verdade Material.  Isso porque tal Despacho decisório fora lavrado unicamente em dados que não  correspondem à verdade dos acontecimentos e sim em meras suposições, o que, por  si só, não têm o condão de gerar a não homologação do aclarado crédito tributário  que faz jus a Recorrente.  Ou seja, em todos os fundamentos constantes do Despacho decisório que não  homologou  a  compensação  realizada,  a  Auditoria  Fiscal  afasta  toda  a  verdade  material  e  não  reconhece  o  crédito  da  Recorrente, motivo  pelo  qual  desconsidera  integralmente todas as provas juntadas quando da apresentação das manifestações de  inconformidade  que  comprovam  de  forma  inconteste  a  existência  de  crédito  em  favor da Recorrente. [...]  Verifica­se,  ainda,  a  elaboração  de  forma  incoerente  da  fundamentação  da  cobrança  pelo  Despacho  Decisório  que  não  homologou  a  compensação  que  a  Recorrente faz jus, haja vista que a RFB deixou de constatar a informação de que o  valor de R$518.160.02 trata­se exclusivamente de um crédito legítimo declarado nos  Per/DComp n° 30552.16502.150305.1.7.04.3079, 38539.03005.060405.1.7.04.0709  e 23965.92028.110505.1.7.04.8013. sob a natureza de um Pagamento Indevido ou a  Maior, sendo que esse valor é advindo de um saldo negativo de IRPJ declarado no  valor de R$1.819.934.76. na DIPJ 2005 entregue de  forma  tempestiva,  objeto que  pode ser facilmente evidenciado na sua página n° 11, especialmente na ficha 12A.  É necessário esclarecer que o saldo negativo de R$1.819.934,76 (que consta  na DIPJ de 2005 como saldo de pagamento informado equivocadamente em outras  Per/DComp  com  valor  divergente,  onde  a  base  de  cálculo  negativa  naquela  informação repassada ao Fisco seria de R$1.301.774,74, o que não corresponde com  o valor real para homologação da presente compensação, ou seja, o que realmente é  lídimo  para  efeitos  de  compensação  em  favor  da  Recorrente  é  o  primeiro  valor  gravado, qual seja: R$1.819.934,76.  A  regularização  dessa  situação,  que  em  princípio  seria  de  simples  solução,  poderia  ser  ocasionada  mediante  a  retificação  das  Per/DComp  já  emitidas,  procedimento que se tentou realizar, mas que se revelou impossível, tendo em vista a  não possibilidade desta retificação após o início do procedimento administrativo.  Com o  intuito de  ilustrar o desdobramento da origem do valor deste crédito  em questão, segue­se o quadro didático abaixo:  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 93          8   Valor Base Negativa IRPJ ­ DIPJ (Correto)  1.819.934,76  Valor Negativo Informado equivocadamente nas Per/DComp  (1.301.774,74)  Diferença IRPJ a maior DIPJ  518.160,02    Ainda,  de  suma  importância  cumpre­se  destacar,  que  a  diferença  apontada  entre  a  DIPJ  e  as  Per/DComp,  que  é  de  R$518.160,02,  foi  compensada  pela  Recorrente  nos  seguintes  Per/DComp  n°s  30552.16502.1503|05.1.7.04.3079;  38539.03005.060405.1.7.04.0709 e 23965.92028.110505.1.7.04.8013.  Assim,  diante  dos  argumentos  acima  apresentados,  não  tendo  sido  comprovada a falta de liquidação do valor em cobrança [...] deve ser homologada a  compensação  realizada  com  a  consequente  reforma  do Acórdão  recorrido  lavrado  pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF.  Assim  sendo,  prova­se.  ab  initio,  que  os  argumentos  para  homologação  do  crédito a que a Recorrente  faz  jus devem ser analisados a  fundo, haja vista os ora  citados fundamentos da presente peça administrativa fiscal.  Com  efeito,  para  a  garantia  do  procedimento  administrativo  correto,  bem  como  para  análise  do  processo  administrativo  com  um  todo,  se  faz  necessária  a  utilização de provas veementes para garantir  o batismo da  certeza,  isso porque  tal  procedimento deve reger toda atividade administrativo­tributária.  Assim, com relação aos créditos tributários que têm direito a Recorrente, não  cabe prosperar a alegação administrativa de não homologação do crédito existente,  ainda  mais  quando  se  verifica  claramente  a  existência  de  pagamento  a  maior  e  efetivo crédito que dá lastro para que seja deferida a compensação realizada.  Dessa  forma,  em  razão  do  princípio  da  verdade  material,  corolário  da  legalidade,  não  pode  o  Fisco  deixar  de  proceder  à  análise  dos  fatos  jurídicos  tributários e de todos os documentos (obrigações acessórias) já juntados no presente  caso, sob pena de não homologar crédito com clareza solar que a Recorrente faz jus.  [...]  No presente caso, verifica­se que a Administração Fiscal não se preocupou em  apurar  a  verdade  material  dos  fatos,  haja  vista  que,  não  obstante  ter  diversas  informações  e  documentos  sobre  todas  as  operações  realizadas  pela  Recorrente,  delas  não  tomou  conhecimento  ou  examinou­as  de  forma  equivocada,  arbitrária  e  desmedida.  Indaga­se,  diante  de  tantas  informações  e  documentos!  Preocupou­se  o  Auditor  Fiscal  e  a  Administração  Tributária  em  apurar  a  verdade  durante  todo  o  procedimento administrativo de fiscalização??? Com certeza: NÃO.  Assim,  repita­se,  o  presente  caso  está  intrinsecamente  relacionado  com  o  Processo  Administrativo  n.°  10166.900226/2008­39,  o  qual  juntamente  com  a  contabilidade  da Recorrente  prova  a  origem  do  crédito  existente,  especialmente  o  pagamento a maior realizado.  Então,  não  merece  prosperar  a  não  homologação  do  crédito  a  que  a  Recorrente tem direito, o qual não fora homologado via Despacho decisório que teve  entendimento  idêntico  gravado pela  d. DRJ/BSB,  eis  que  resta  comprovado que  o  crédito  apurado  pela  Recorrente  é  lídimo  e  deverá  ser  aproveitado,  em  face  do  princípio da verdade material.  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 94          9 Passados  esses  fundamentos,  conclui­se que a presente  compensação deverá  ser  homologada  em  obediência  à  verdade  material,  bem  como  pela  inconteste  demonstração do direito creditório como feito anteriormente.  IV  ­  A  CONTABILIDADE  COMO  PROVA  EM  FAVOR  DA  RECORRENTE.  No  exercício  regular  de  suas  atividades,  as  empresas  devem  manter  contabilidade societária e  fiscal, de modo que  todos os  interessados nas operações  das empresas (funcionários, diretoria, Fisco, etc.) possam visualizar a sua verdadeira  situação e tenham subsídios para tomar suas decisões e cumprir os seus respectivos  ofícios.  Os lançamentos contábeis, na verdade, refletem os diversos fatos econômicos  ocorridos  na  vida  da  empresa,  produzindo  as  informações  desejadas  pelos  "consumidores" dos relatórios/informes contábeis.  Nesses  termos,  é  necessário  ter­se  em  mente  que  a  ocorrência  dos  fatos  econômicos  sempre  será  materializada  por  meio  de  documentos,  razão  pela  qual  todo  o  lançamento  contábil  deve  ter  lastro  em  documento  que  indique  o  fato  econômico contabilizado. [...]  Resta  claro,  portanto,  que  a  contabilidade  feita  pela  Recorrente  constitui­se  prova  em  seu  favor,  sendo  certo  afirmar  que  a  total  desconsideração  das  razões  expostas nas manifestações de inconformidade, faz surgir de forma aclarada que a d.  Fiscalização sequer teve o cuidado de levantar1 informações contundentes antes da  não homologação da compensação aqui discutida.  Visto  isso,  cumpre  esclarecer  relevante  questão  acerca  dos  documentos  que  dão suporte aos negócios jurídicos objeto de contabilização. Isto porque, conforme  se depreende do já aludido artigo 923 do RIR/99, a contabilidade somente faz prova  em favor do contribuinte se lastreada em "documentos hábeis". [...]  Sendo assim, é de se concluir que um documento hábil para a escrita contábil  é  aquele  que  consubstancie  fisicamente  um  negócio  jurídico  (que  implique  em  alteração patrimonial na empresa) com cumprimento aos ditames legais.  Logo,  o  lançamento  contábil  calcado  em  documentos  que  condizem  com  a  realidade  factual  faz  prova  a  favor  do  contribuinte,  devendo  o  Fisco,  sempre  aprofundar e levantar as informações corretas antes da não homologação do crédito  a que faz jus a Recorrente, o que não foi feito no caso dos presentes autos de forma  inconteste. [...]  Por  todo  o  exposto,  queda  nítido,  que  a  escrita  contábil  do  contribuinte,  lastreada em instrumento válido juridicamente, t em poder de prova em sua benesse  no que tange ao direito creditório da Recorrente considerado corretamente pela RFB,  sendo dever do Fisco, que não fora caso almeje fundamentar sua decisão sobre a não  homologação  do  crédito  a  que  faz  jus  a  Recorrente,  em  considerar  todos  os  documentos e os lançamentos contábeis devidamente realizados por esta, o que não  foi feito até o presente momento.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.   Conclui que:  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 95          10 Desde  logo,  se  requer,  quando  da  chegada  dos  autos  no  CARF  o  sobrestamento  do  feito  para  julgamento  em  conjunto  com  os  Processos  Administrativos  n.°s  10166.900222/2008­51  e  10166.900226/2008­39,  ambos  em  trâmite na Primeira Seção de Julgamento do CARF na medida em que tais processos  estão intrinsecamente ligados (origem do crédito) ao caso presente e deverá haver o  julgamento em conjunto pela mesma Turma.  Em face de todo o exposto e reiterando todos os termos das manifestações de  inconformidade  apresentadas,  requer  o  acolhimento  da  preliminar  de  nulidade  das  decisões emanadas pela d. DRJ/BSB por flagrante cerceamento do direito de defesa  e/ou das razões de mérito do presente Recurso Voluntário, com a reforma integral do  r. Acórdão  recorrido  [...]  a  fim  de  que  seja  homologada  a  compensação  realizada  pela  Recorrente,  reconhecendo­se  o  crédito  tributário  ora  em  discussão  e  arquivando­se o presente processo administrativo fiscal aqui entabulado.  Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  É o Relatório.  Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora   O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional  (§ 11 do  art.  74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996).  Em preliminar tem cabimento a análise da tempestividade da apresentação do  aditamento a manifestação de inconformidade.  As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com  os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo.  Por esta  razão há previsão de que a pessoa jurídica seja  intimada para apresentar sua defesa,  inclusive,  por  via  postal  no  domicílio  fiscal  constante  nos  registros  internos  da  RFB,  procedimento este que deve estar comprovado nos autos.  Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deve cientificar  o  sujeito  passivo  e  intimá­lo  a  efetuar,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  Despacho  Decisório  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.  É  facultado  ao  sujeito  passivo,  no  prazo  referido  apresentar  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação.  Ainda  contra  a  decisão  de  primeira  instância,  cabe  recurso  voluntário  para  reexame  da  sucumbência,  que  tem  efeito  suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência 1.                                                               1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de  março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de  1996 e art. 182 do Código de Processo Civil.  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 96          11 O prazo legal de instauração da fase litigiosa no procedimento é peremptório,  já  que  não  pode  ser  reduzido  ou  prorrogado  pelas  partes.  Considera­se  definitivo  o  ato  decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha  sido interposta.  Cientificada  em  02.04.2009,  a  Recorrente  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade em 08.04.2009 solicitando o cancelamento do processo, pois, o valor cobrado  já  estaria  incluso  no  processo  nº  10166.900226/2008­39.  Tem­se  que  no  Despacho  do  Presidente da 2ª Turma da DRJ/BSA/DF restou esclarecido que “não havendo reclamo contra o  direito  creditório,  a  matéria  tratada  no  requerimento  não  comporta  julgamento  de  primeira  instância  por  esta  DRJ,  razão  pela  qual  retorno  os  autos  ao  órgão  de  origem,  para  as  providências cabíveis”, tendo em vista o art. 224 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela  Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012.   Notificada  em  28.08.2012  e  discordando  do Despacho  do  Presidente  da  2ª  Turma da DRJ/BSA/DF,  a Recorrente opôs  em 05.09.2012 aditamento  à peça de defesa que  denominou  “manifestação  de  inconformidade”  contra  a  não  homologação  dos  débitos  originalmente confessados no Per/DComp objeto de análise nos presentes autos.  A motivação que está registrada no Voto Condutor do Acórdão recorrido é a  seguinte:   Revisitando o Decreto [nº 70.235, de 06 de março de 1972] verificamos que a  impugnação/manifestação de inconformidade, formalizada por escrito, instruída com  os documentos em que se  fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  com  jurisdição  sobre  o  domicílio  tributário  do  sujeito  passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data  da  ciência  da  intimação  da  exigência  (no  caso  em  baila  o  Despacho  Decisório),  instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15).  Instaurada a fase litigiosa do procedimento, eventual petição, apresentada fora  do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento,  não  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  nem  comporta  julgamento  de  primeira instância.  Não podemos perder de vista que os motivos de fato e de direito em que se  fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir devem ser  apresentados na  impugnação, ou seja, no prazo de  trinta dias,  contados da data da  ciência do despacho decisório, precluindo o direito de o requerente fazê­lo em outro  momento processual.  Em suma, a petição  intitulada Manifestação de  Inconformidade, apresentada  em  05/09/2012  (fls.  18  a  21  e  anexos),  em  face  da  sua  extemporaneidade,  não  instaura fase litigiosa já  instaurada, via de conseqüência, não comporta julgamento  de primeira instância.  Ex  positis,  voto  por  não  conhecer  da  manifestação  de  inconformidade  interposta pela interessada.  Verifica­se  que,  em  face  da  não  homologação  dos  débitos  confessados  no  Per/DComp objeto de análise nos presentes autos, a Recorrente opôs a peça de defesa, que tem  natureza jurídica de aditamento à manifestação de  inconformidade originalmente apresentada  no tempo, na forma e no lugar previstos em lei, pois o fez antes que fosse proferido o Acórdão  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 97          12 da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF. Por essa razão, a preclusão temporal está afastada, haja vista que  não houve o descumprimento do prazo para a prática do ato processual.  Na decisão de primeira  instância de  julgamento  foi afastada a possibilidade  de  análise  do  Per/DComp  ao  argumento  de  que  o  referido  aditamento  a  manifestação  de  inconformidade foi apresentado intempestivamente. Por essa razão, não foi analisada a efetiva  existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação  do  mérito  pela  autoridade  administrativa  competente,  quanto  aos  demais  requisitos  para  homologação da compensação para evitar a supressão de instância.  Tem­se  que  inexiste  reconhecimento  implícito  de  direito  creditório  no  caso  em que a apreciação da Per/DComp restringe­se a aspecto processual relativo a tempestividade  da  apresentação  do  aditamento  a  manifestação  de  inconformidade.  A  homologação  da  compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende  da  análise  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  que  originalmente  proferiu  a  decisão  de  primeira  instância.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento  se  submete  ao  rito  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de março  de  1972,  inclusive  para  os  efeitos  do  inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente  da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu  favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza,  ou assim definidos em preceitos legais3.   Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  cabe  à  Recorrente  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar                                                              2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  3 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 98          13 livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Para  que  haja  o  reconhecimento  do  direito  creditório  é  necessário  um  cuidadoso  exame  do  pagamento  a maior  de  tributo,  uma  vez  que  é  absolutamente  essencial  verificar  a  precisão  dos  dados  informados  em  todos  os  livros  de  registro  obrigatório  pela  legislação  fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base  para escrituração comercial e fiscal.  Cabe  à  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações,  já  que  o  procedimento  de  apuração  do  direito  creditório  não  prescinde  da  comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos  termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.  A  pessoa  jurídica  pode  deduzir  do  tributo  devido  o  valor  dos  incentivos  fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado  sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no  lucro real anual,  para  efeito de determinação do  saldo de  IRPJ ou de CSLL a pagar ou  a  ser  compensado no  encerramento do ano­calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4.  A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do  crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins  de  compensação  com  débitos  tributários,  cuja  matéria  é  tratada  em  sede  de  norma  complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária  abrange  as  normas  complementares  que  incluem  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas  superiores,  necessários  à  perfeita  execução  das  leis.  Como  têm  caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo  operar  efeitos  retroativos  para  atingir  fatos  anteriores  ao  seu  advento.  Assim,  em  relação  à  compensação  tributária,  tem­se  que  o  permissivo  regulamentar  de  utilização  do  crédito  proveniente  de  pagamento  mensal  a  maior  de  estimativa  do  IRPJ  e  da  CSLL  alcança  o  Per/DComp formalizado antes da sua vigência5.  O  pedido  inicial  da  Recorrente  referente  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado  do  valor  de  IRPJ  ou  de  CSLL  determinado  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  pode  ser  analisado,  uma  vez  que  o  “pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição  ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84.   Cumpre registrar,  inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada  de  uma  nova  decisão  quanto  ao  mérito  de  sua  compensação,  os  débitos  compensados                                                              4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e  art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73  da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional,  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.300,  de  20  de  novembro  de  2012,  art.  269  do  Código  de  Processo  Civil,  Lei  Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83  da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.   Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 99          14 permanecem  com  a  exigibilidade  suspensa,  por  não  se  verificar  decisão  definitiva  acerca  de  seus procedimentos. E,  caso  tal  decisão não  resulte na homologação  total  das  compensações  promovidas, deve­lhe ser facultada a oposição de novo recurso voluntário, possibilitando­lhe a  discussão  do mérito  da  compensação  nas  duas  instâncias  administrativas  de  julgamento,  nos  termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726.  Os  efeitos  do  acatamento  da preliminar  da  possibilidade  de  deferimento  da  Per/DComp  e  acatamento  do  aditamento  à  manifestação  de  inconformidade  originalmente  apresentada,  afastamento  a  preliminar  de  sua  intempestividade,  impõe,  pois,  o  retorno  dos  autos  à  DRJ/BSA/DF  para  que  seja  analisado  o  mérito  do  pedido,  ou  seja,  a  origem  e  a  procedência  do  crédito  pleiteado,  em  conformidade  com  a  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais,  desde  que  comprovada  por  documentos  hábeis,  segundo  sua natureza, ou assim definidos em preceitos  legais, bem como com os registros internos da  RFB. Também devem ser  examinados  conjuntamente os Per/DComp que  tenham por base o  mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7.  Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário  para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora  para apreciar o acatamento do aditamento à manifestação de inconformidade como tempestivo  e o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de IRPJ,  código 2362, no valor de R$105.953,75, contido no DARF no total de R$185.927,02 recolhido  em  31.03.2004, mas  sem  homologar  a  compensação  por  ausência  de  análise  do mérito  pela  DRJ/BSA/DF, com o conseqüente retorno dos autos a essa unidade da RFB, para verificação  da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido no Per/DComp, inclusive no  que  diz  respeito  à  juntada  por  anexação  dos  processos  administrativos,  cujas  declarações  tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                                              6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300,  de 20 de novembro de 2012.  7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto­lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24  de abril de 2008.  8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008.                Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10166.904919/2009­81  Acórdão n.º 1803­002.549  S1­TE03  Fl. 100          15               Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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5740541 #
Numero do processo: 13210.000216/2007-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/04/2004 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Numero da decisão: 2403-002.747
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em decorrência da sua intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues ePaulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 Participaram do  presente  julgamento,  os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari  (Presidente), Marcelo Magalhães  Peixoto,  Elfas  Cavalcante  Lustosa Aragão  Elvas,  Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues ePaulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13210.000216/2007­26  Acórdão n.º 2403­002.747  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 01­12.052  da 4ª Turma, que julgou o lançamento procedente.  O  lançamento  e  a  impugnação  foram  assim  relatadas  no  julgamento  de  primeira instância:    Trata­se  de  Auto  de  Infração  ­  AI  DEBCAD  n°  35.946.954­0,  lavrado  pela  fiscalização  contra  a  empresa  acima  identificada,  de acordo com fls.  iniciais e Relatório Fiscal da Infração de fl.  12, em razão de haver  infringido o disposto no art. 33, §§ 2° e  3°, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n° 3.048, de 06.05.1999.  Segundo o mencionado Relatório, a empresa deixou de exibir:  os Empenhos da saúde do ano de 2001 (exceto abril de 2001);  os Empenhos de 12/2002 (incompleto); as pastas  identificadas  como 06/16 e 11/16, do mês de fevereiro de 2003 (despesas da  prefeitura);  caixa  identificada  como  02/02,  do  mês  11/2003  (despesas da prefeitura); caixa  identificada com  i°  'A, do mês  de  12/2003  (despesas  da  Prefeitura);  Empenhos  do  mês  de  março de 2004 referentes à saúde; todos os Empenhos do mês  de  01/2004  (despesas  da  Prefeitura);  todos  os  Empenhos  do  mês  de  03/2004  (despesas  da  Prefeitura);  e  as  caixas  identificadas  como  01/03  e  03/03  do  mês  abril  de  2004  (despesas da Prefeitura).  Informa ainda o Relatório Fiscal que a infração é lavrada em  nome  da  Prefeita Municipal,  em  atendimento  ao  disposto  no  artigo 41, da Lei n° 8212/91.  Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito,  foi aplicada multa no valor de R$11.569,50 (onze mil quinhentos  e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos), na forma prevista  no  art.  92  e  102,  da  Lei  n°  8.212/91,  c/c  art.  283,  II,  "j"  e  art.1373,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  —  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/99.  O  valor  da  multa  foi  atualizado pela Portaria MPS/GM n° 342, de 16/08/06.  A  autuada  foi  pessoalmente  cientificada  da  autuação  em  28/02/2007,  conforme  AR  —  Aviso  de  Recebimento  dos  CORREIOS  (fl.  14).  Em  09/03/2007,  a  interessada  apresentou  defesa  tempestiva  (fls.  32/34),  reclamando,  em  síntese,  que:  "Todos  os  documentos  solicitados  pela  fiscalização  foram  disponibilizados,  não  havendo  qualquer  intimação  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 comunicando  sobre  outros  documentos  faltantes.  Se  os  documentos  referenciados  na  infração  deixaram  d  ser  disponibilizados,  nada  correto  do  que  comunicar  ao  funcionário  encarregado  da  fiscalização  para  as  providências  cabíveis.  Se  documentos  não  foram  apresentados,  não  há  nenhum  dolo  por  parte  da  municipalidade.  O  que  houve,  no  nosso  entendimento,  foi  um  grande  volume  de  documentos  solicitados  (mais  de  3.000  pastas). Aquilo  que  foi  relacionado  como  faltante  é  irrisório,  porém  só  poderíamos  providenciá­los  mediante  comunicação do fiscal".  A defendente finaliza sua defesa, informando que está colocando  à  disposição  da  fiscalização  os  documentos  elencados  no  relatório  fiscal  da  infração,  podendo  a  qualquer  momento  ser  examinado  pela  auditoria  da  Receita  Previdenciária.  Solicita  ainda a relevação da multa.    Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde  alega/questiona, em síntese:    · Os  documentos  solicitados  pela  fiscalização  foram  disponibilizados,  ocorrendo que, pelo volume de mais de 3.000  (pastas) apresentadas,  seria  bem  provável,  que  o  ilustre  auditor  tenha  deixado  de  analisar  algumas,  tanto  é  que  todas  as  pastas  inclusive  as  que  supostamente  não teriam sido disponibilizadas estavam no mesmo local, ou seja, no  escritório de contabilidade,  tendo o auditor analisado os documentos  lá.  · Foram colocadas à disposição as referidas pastas e informado que não  houve má fé do servidor público o Sr. José Brito da Silva (Secretário  de  Administração),  colocado  à  disposição  do  auditor  para  apresentação  dos  documentos  solicitados,  pois  como  já mencionado  antes,  o volume de documentos  apresentados  era  enorme,  com mais  de 3000 pastas.  · Impossibilidade da lavratura do auto em nome da prefeita.  · Por força da Lei 9.476/97, foi concedida Anistia aos agentes políticos  e  aos  dirigentes  de  órgãos  públicos  estaduais,  do Distrito  Federal  e  Municipais  a  quem,  porventura,  tenham  sido  impostas  penalidades  pecuniárias decorrentes do artigo 41 da Lei 8.212/91.    É o relatório.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13210.000216/2007­26  Acórdão n.º 2403­002.747  S2­C4T3  Fl. 4          5     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator    O  recurso  foi  interposto  intempestivamente,  o  que  impede  a  sua  admissibilidade.   O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 13/10/2008 e o prazo  para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerando­se que na contagem é excluído  o  dia  do  início,  o  prazo  venceria  no  dia  12/11/2008. O  notificado  interpôs  o  recurso  no  dia  13/11/2008, portanto fora do prazo normativo, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de  06 de maio de 1972.    CONCLUSÃO    Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua  intempestividade.  É como voto.    Carlos Alberto Mees Stringari                                 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10880.910870/2008-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 61          1  60  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.910870/2008­40  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.690  –  3ª Turma Especial   Sessão de  11 de novembro de 2014  Matéria  PIS ­ COMPENSAÇÃO  Recorrente  CONSTRUTORA PAULO MAURO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999  DESPACHO  DECISÓRIO.  NÃO  APRECIAÇÃO  DA  DCTF  RETIFICADORA. CANCELAMENTO.  Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido,  observando­se  as  informações  prestadas  em DCTF  retificadora  apresentada  anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de  diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza  do direito creditório pleiteado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso  para  cancelar  o  despacho  decisório,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes  de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 70 /2 00 8- 40 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/2008­40  Acórdão n.º 3803­006.690  S3­TE03  Fl. 62          2  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte  supra  identificado  para  se  contrapor  à  decisão  da DRJ  São  Paulo  I/SP  que  julgou  improcedente  a  Manifestação de Inconformidade apresentada.  O  contribuinte  havia  transmitido  Declaração  de  Compensação,  em  que  pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 2.563,14, decorrente de  alegado pagamento a maior.  Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em  20/08/2008,  a  repartição  de  origem  não  homologou  a  compensação,  pelo  fato  de  que  o  pagamento  efetuado  já  havia  sido  integralmente  utilizado  na  quitação  de  outros  débitos  do  contribuinte.  Irresignado,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  e  requereu  a  reforma  do  despacho  decisório,  alegando  que  apresentara DCTF  retificadora,  em  31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado.  Junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  trouxe  aos  autos  cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora.  A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparando­se nos  seguintes fundamentos:  a)  falta de comprovação do crédito pleiteado;  b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho  Decisório  não  tem  o  condão,  por  si  só,  de  infirmar  ou modificar  a  decisão  da  repartição  de  origem;  c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição  definitiva do  crédito  tributário,  sendo defeso  ao  Fisco,  sem que  o Sujeito Passivo  comprove  cabalmente  a  ocorrência  de  equívocos,  alterar,  ex  officio,  as  informações  prestadas  pelo  Contribuinte”;  d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e  de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir,  como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de  forma indevida”;  e)  “ao  instruir  o  processo  somente  com  cópia  da  DCTF  Retificadora  transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem  do crédito”.  Cientificado  da  decisão  em  25/11/2011,  o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  em 22/12/2011,  requereu  a homologação da  compensação e  repisou o  argumento  relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/2008­40  Acórdão n.º 3803­006.690  S3­TE03  Fl. 63          3  transmitida após  a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade  material.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O  recurso  é  tempestivo,  atende  as  demais  condições  para  a  sua  admissibilidade e dele tomo conhecimento.  De  pronto,  registre­se  que,  junto  à  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa  anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente,  em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da  repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento.  Ainda  que  se  considere  que,  nos  processos  administrativos  originados  de  pleito  do  interessado,  como  o  de  pedidos  de  restituição/ressarcimento  e  de  declarações  de  compensação,  deva  prevalecer  o  princípio  do  dispositivo,  no  sentido  de  que  a  atividade  probatória  é  ônus  do  pleiteante,  não  se  pode  ignorar  que,  no  presente  caso,  as  informações  adicionais  fornecidas  por  meio  de  DCTF  retificadora  não  foram  consideradas  pela  Administração  tributária  na  prolação  do  despacho  decisório  sobre  o  qual  se  controverte  nos  autos.  No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita  Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo.  Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007,  vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou  efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”.  Valendo­se  do  disposto  no  art.  147  e  §§  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente,  ao  lançamento por homologação  (já que no disciplinamento deste último  tipo de  lançamento  não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior  à notificação do sujeito passivo, a este  é assegurado o direito de  retificar as  informações  até  então  prestadas  à  autoridade  administrativa,  o  que,  por  outro  lado,  não  exclui  o  ônus  de  comprovação das alterações promovidas.                                                              1 Art.  147. O  lançamento  é  efetuado  com  base  na  declaração  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiro,  quando um ou  outro,  na  forma  da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis à sua efetivação.  § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só  é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.  §  2º  Os  erros  contidos  na  declaração  e  apuráveis  pelo  seu  exame  serão  retificados  de  ofício  pela  autoridade  administrativa a que competir a revisão daquela.    Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/2008­40  Acórdão n.º 3803­006.690  S3­TE03  Fl. 64          4  Note­se  que,  tendo  sido  a  DCTF  retificadora  transmitida  anteriormente  à  emissão  de  qualquer  ato  da  Administração  tributária  tendente  a  confirmar  ou  não  os  dados  anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte  da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados.  Além  disso,  nos  termos  do  disposto  no  inciso  III,  do  §  2º,  do  art.  11  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  786,  de  20072,  considera­se  ineficaz  a  retificação  da  DCTF  promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não  consta  dos  autos  a  ocorrência  de  intimação  anterior  à  data  da  transmissão  da  DCTF  retificadora.  Poder­se­ia  argumentar  que,  embora  a  retificação  tivesse  sido  realizada  anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da  declaração  de  compensação,  o  que  inviabilizaria,  hipoteticamente,  a  sua  consideração  no  momento  da  realização  do  encontro  de  contas  (DCTF  versus PER/DCOMP).  Contudo,  esse  raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não  podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração.  Neste  ponto,  mostra­se  oportuno  transcrever  trecho  do  voto  condutor  do  acórdão  nº  3302­01.797,  de  26  de  setembro  de  2012,  da  lavra  do  Presidente  da  2ª  Turma  Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora  externado:  No  caso  em  tela,  o  indébito  pode  existir  e,  existindo,  tem  o  contribuinte  direito  à  sua  repetição,  nos  termos  do  art.  165  do  CTN  e  na  forma  prescrita  na  IN  RFB  nº  900/2008.  Portanto,  deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito  creditório  pleiteado  manifestar­se  sobre  a  legitimidade  dos  débitos  declarados  na DCTF  retificadora  (...)  e,  se  for  o  caso,  apurar  o  crédito  a  restituir  e  homologar  as  compensações  realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja,  não apurando crédito a restituir ou apurando em valor  inferior  ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo­ lhe  prazo  para  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade. (Processo nº 10166.911472/2009­05, fl. 208)  No mesmo sentido, tem­se o acórdão nº 08­21223, de 27 de junho de 2011,  da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe:  ASSUNTO:  Normas  de  Administração  Tributária   Ano­calendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004  EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF  RETIFICADORA  DE  DÉBITO,  ENTREGUE  ANTES  DA  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  QUE  NÃO  HOMOLOGOU  A  COMPENSAÇÃO.  EFEITO PROBANTE. A DCTF  retificadora  que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue  antes  da  ciência  do  despacho decisório  que não homologou a  compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é                                                              2    §  2º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto  alterar  os  débitos  relativos  a  impostos  e  contribuições:  (...)  III ­ em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal.  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910870/2008­40  Acórdão n.º 3803­006.690  S3­TE03  Fl. 65          5  justamente  o  pagamento  a  maior  do  tributo/contribuição  retificado,  deve  ser  aceita  como  prova  do  direito  creditório  pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o  indeferimento  de  tal  direito  se  dera  tão­somente  pela  vinculação  do  mesmo  pagamento  ao  débito  informado  na  DCTF  original.  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE.  O DACON é mera declaração  informativa,  não  se  constituindo  em  instrumento  de  confissão  de  dívidas  tributárias  nem  em  veículo  de  inscrição  destas  em  Dívida  Ativa  da  União.  A  informação  prestada  em  DACON,  desacompanhada  de  graves  elementos  de  convicção,  não  é  suficiente  para  provar  a  existência  de  direito  creditório  pleiteado  em  declaração  de  compensação. (grifei)  Uma  vez  que,  no  presente  caso,  a  não  homologação  da  compensação  declarada  decorrera  apenas  da  vinculação  do  pagamento  ao  débito  informado  na  DCTF  original,  deve  ser  aceita  como  prova  a  DCTF  retificadora  transmitida  antes  da  emissão  do  despacho decisório.  Diante  do  exposto,  em  respeito  aos  princípios  da  ampla  defesa  e  do  contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o  despacho decisório,  determinando­se  à  autoridade  administrativa  a  reapreciação  do  pleito  do  Recorrente,  considerando  as  informações  prestadas  na  DCTF  retificadora,  sem  prejuízo  da  realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do  direito creditório pleiteado.  O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizando­lhe, no  caso  de  decisão  denegatória  do  direito,  ainda  que  parcial,  o  prazo  regulamentar  para  se  pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 11442.000202/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11442.000202/2010­59  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.421  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de outubro de 2014  Matéria  Incidência Monofásica  Recorrente  SAMAVE SOCIEDADE ASSISENSE DE MAQUINAS E VEICULOS  LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007  PEDIDO  RESSARCIMENTO.  CRÉDITO  DE  PIS/PASEP  E  COFINS  INCIDENTES  SOBRE  PRODUTOS  SUJEITOS  A  TRIBUTAÇÃO  MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.  No  regime  monofásico  de  tributação  não  há  previsão  de  ressarcimento  ou  restituição  de  tributos  pagos  na  fase  anterior da  cadeia  de  comercialização,  haja vista que a incidência efetiva­se uma única vez, portanto, sem previsão  de  fato gerador  futuro  e presumido, como ocorre no  regime de substituição  tributária para frente.  Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal  para  o  pedido  de  ressarcimento  da Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  para  a  COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  relator. O  conselheiro Andrada Canuto Natal  votou pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente.   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 02 02 /2 01 0- 59 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 3          2 Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez,  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Mônica  Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.    Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 4          3   Relatório  Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio  do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos  da  COFINS  Não­Cumulativa.  A  interessada  não  transmitiu  Declarações  de  Compensação  vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado.  Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que  os  supostos  créditos  pleiteados  no  PER  foram  motivados  pela  comercialização  de  veículos  automotores  classificados  na  Tabela  TIPI  nas  classificações  fiscais  87032100,  87043190,  87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei  n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando  a  reforma  do  Despacho  Decisório,  com  uma  rica  argumentação  onde  discorre  sobre  dois  marcos  normativos  importantes  que  não  teriam  sido  observados:  o  art.  17  da Lei  11.033,  de  2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em  regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática  de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns  casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º  das  referidas  leis,  respectivamente  para  a  Cofins  e  o  PIS,  o  que  teria  eliminado  qualquer  discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito  sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva.  A DRJ de Ribeirão Preto/SP  julgou  improcedente  o  pedido  da  contribuinte  sendo o acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  VENDAS  EFETUADAS  COM  ALÍQUOTA  ZERO.  MANUTENÇÃO  DO  CRÉDITO.  COMERCIANTES  ATACADISTAS  E  VAREJISTAS  DE  AUTOMÓVEIS  E  PEÇAS.  INEXISTÊNCIA  DE  DIREITO  DE  CRÉDITO.  Em  razão  da  técnica  legalmente  implementada  de  tributação  concentrada  nos  fabricantes  e  importadores  de  automóveis  e  peças,  as  receitas  auferidas  pelos  comerciantes  atacadistas  e  varejistas  com  a  venda  desses  produtos  são  submetidas  à  alíquota  zero  de  PIS  e  Cofins,  sendo  expressamente  vedado  o  aproveitamento  de  créditos  em  relação  às  aquisições  desses  bens.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 5          4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando  as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade.  É o que importa relatar.  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl,  O  recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade,  portanto dele tomo conhecimento.  A Recorrente  pleiteou  o  ressarcimento  dos  valores  atualizados  da COFINS  incidente  sobre  aquisição de veículos  automotores  classificados  na Tabela TIPI nas posições  87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001.  No  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS,  os  veículos  automotores,  bem  como  as  autopeças mencionadas nos anexos  I e  II da  lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao  regime de  tributação  monofásica  desde  o  advento  desse  diploma  legal,  cujos  artigos.  1º  e  3º,  após  as  alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação:  Art.  1º. As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  as  importadoras  de  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  n.º  4.070,  de  28  de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita  bruta  decorrente  da  venda  desses  produtos,  ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os  Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social ­ COFINS, às alíquotas de  2%  (dois  por  cento)  e  9,6%  (nove  inteiros  e  seis  décimos  por  cento), respectivamente.  (...)  Art.  3º  As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  os  importadores,  relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I  e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de:  (Redação dada pela  Lei nº 10.865, de 2004)  I ­ 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento),  respectivamente,  nas  vendas  para  fabricante:  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004)  a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou  (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando  destinadas  à  fabricação  de  produtos  neles  relacionados;  (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 7          6 II  ­ 2,3%  (dois  inteiros e  três décimos por cento) e 10,8%  (dez  inteiros e oito décimos por cento),  respectivamente, nas vendas  para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  §  1º  Fica  o  Poder  Executivo  autorizado,  mediante  decreto,  a  alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive  em  decorrência  de  modificações  na  codificação  da  TIPI.  (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004)  §  2º  Ficam  reduzidas  a  0%  (zero  por  cento)  as  alíquotas  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS,  relativamente à  receita  bruta  auferida  por  comerciante  atacadista  ou  varejista,  com  a  venda  dos  produtos  de  que  trata:(Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  I ­ o caput deste artigo; e   II  – o caput do art.  1º  desta Lei,  exceto quando auferida pelas  pessoas  jurídicas  a  que  se  refere  o  art.  17,  §  5o,  da  Medida  Provisória nº 2.189­49, de 23 de agosto de 2001.  O sistema de  incidência monofásica  consiste  na  concentração  de  tributação  das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência  de  alíquotas  mais  elevadas  nas  etapas  de  produção  e  importação,  desonerando­se  as  fases  seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador  ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais  incidência  dessas  contribuições  nas  vendas  realizadas  nas  etapas  seguintes  da  cadeia  econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que  normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial.  Essa  sistemática  foi  instituída  nos  termos  dos  artigos  acima  apontados  que  estabeleceu  o  regime  de  incidência  monofásica,  na  origem,  ou  seja,  nos  fabricantes  e  importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso:  Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que  alude o dispositivo.  (...)  § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão  uma única vez.  Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o  recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito),  deixando  de  ser  contribuintes  substitutos  dos  demais  intervenientes  nas  etapas  de  comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas).  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 8          7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas  provenientes  das  vendas  desses  produtos  ficaram  excluídas  do  pagamento  das  referidas  Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado.  Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação  dos  fabricantes e varejistas passaram a  ser  realizadas de  forma autônoma. Em decorrência, o  que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas  subseqüentes.  Logo,  a  incidência  das  mencionadas  contribuições  sobre  os  fabricantes  ou  importadores,  assim  como  os  pagamentos  por  eles  realizados  são  considerados  definitivos,  independentemente  de  qual  seja  o  desfecho  que  venham  ter  os  fatos  geradores  posteriores  à  aquisição dos produtos para revenda.  Nesse  sentido,  é pertinente  trazer  à  colação o  entendimento dos  renomados  Professores  Sacha Calmon Navarro Coêlho  e Misabel Abreu Machado Derzi,  externados  no  excerto  extraído  da  Revista  Dialética  de  Direito  Tributário  n.º  86,  página  113,  a  seguir  transcrito:  “...  cabe  agora  dizer  que  no  caso  em  exame  não  temos  substituição  tributária  e  tampouco  não­incidência  (imunidade,  isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente,  a da tributação monofásica”. (grifos do original)  Logo,  a  eficácia  das  modificações  introduzidas  pela  MP  n.º  1.991­15,  de  2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado  no seu art. 46, II, verificou­se, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a  partir  daí,  o  regime  de  substituição  tributária.  Ressalte­se,  ainda,  que  o  referido  dispositivo  constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158­ 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001,  não carece de reedição.  Assim, a MP n.º 1.991­15, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição  tributária  aplicável  às  duas  Contribuições,  determinando  a  tributação  em  uma  única  fase  (monofásica). Por sua vez, a MP 1.991­18, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865,  de  2004,  sem  alterar  o  regime  jurídico  de  incidência  monofásica,  modificaram  apenas  as  alíquotas aplicáveis as operações em análise.   Nesse  sentido,  no  regime  monofásico  de  incidência  não  há  previsão  de  ressarcimento ou  restituição de  tributos pagos na  fase anterior da cadeia de comercialização,  haja vista que a incidência efetiva­se uma única vez.  No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero  aplicável às operações de venda de veículos, ela  teria direito ao crédito relativo às aquisições  dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17  da Lei n.º 11.033, de 2004.  Não  assiste  razão  a  Recorrente.  O  citado  preceito  legal,  não  comporta  tal  conclusão, conforme observa­se de sua redação, in verbis:  Art.  17.  As  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero) ou não  incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da  COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos  vinculados a essas operações.  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 9          8 Da  leitura  do  transcrito  comando  legal,  resta  indubitável  que  ele  se  aplica,  exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que  tenham  antes  sofrido  a  tributação  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  segundo  sistemática da não­cumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame.  Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de  2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos  objetos da presente discussão.  Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados”  às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não­incidência das contribuições para o  PIS/Pasep  e  Cofins,  o  dispositivo  em  análise,  na  verdade,  está  se  referindo  aos  créditos  relativos  aos  custos,  encargos  e  despesas  legalmente  autorizados  a  gerar  créditos  das  ditas  Contribuições, no âmbito do regime de incidência não­cumulativa, sem contudo alterar a força  normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de  2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos  revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de  incidência monofásica em apreço.  Ademais,  tendo em conta  a natureza  específica  de  cada uma das  formas de  incidência  —  e  não  regime  de  tributação  —  das  citadas  Contribuições  anteriormente  abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I  do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei  11.033, de 2004.  Na  verdade,  ambos  os  preceitos  legais  tratam  de  sistemáticas  distintas  de  incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança  por  meio  de  outra  sistemática,  sem  que  haja  grave  distorção  nos  regimes  de  apuração  e  cobrança das referidas Contribuições.  Em  consideração  ao  caso  tomo  a  liberdade  de  apontar  a  expressão  do  parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a  saber (os destaques são nossos):  8. Sem prejuízo  de  convivência  harmoniosa  com  a  incidência  não cumulativa do PIS/Pasep,  foram excluídos do modelo, em  vista  de  suas  especificidades,  as  cooperativas,  as  empresas  optantes  pelo  Simples  ou  pelo  regime  de  tributação  do  lucro  presumido,  as  instituições  financeiras  e  os  contribuintes  tributados em regime monofásico ou de substituição tributária.  Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e  não  intersectáveis  e  na  condição  de  Conselheiro,  ao  qual  a  discussão  da  óbvia  inconstitucionalidade, não é permitida.  Até  tenho  me  posicionado  que  quando  a  empresa  opera  com  produtos  do  sistema monofásico e no  regime da não­cumulatividade, poderá descontar créditos quanto  às  máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não  como  se  pretende  no  presente  caso,  porque  para  a  revenda  esse  aproveitamento  é  expressamente vedado.  Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 10          9 Assim,  os  comerciantes  distribuidores,  atacadistas  e  varejistas  que  comercializam  mercadorias  sujeitas  ao  regime  de  incidência  monofásica  —  mecanismo  de  incidência monofásica,  forma de  incidência monofásica ou qualquer  sinonímia que se queira  dar  à  essa  forma  de  incidir  —,  mesmo  que  submetidos  ao  regime  não­cumulativo,  são  proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos  para  revenda. Essa  restrição  é  específica  aos  produtos  sujeitos  à  incidência monofásica  adquiridos  para  revenda,  portanto,  a  aquisição  de  produtos  submetidos  à  incidência  monofásica  para  serem  utilizados  em  processos  de  industrialização  ou  prestação  de  serviços  (insumos), não estão abrangidos pela restrição.  A  título  de  exemplo,  suponhamos  que  uma  fábrica  de  automóveis  adquira  filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação  daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que  as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a  Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas.  É verdade que  a Presidência da República vem  tentando,  sistematicamente,  restringir através de Medidas Provisórias  (MP's),  a  apropriação dos  créditos  sobre os  custos,  despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia,  essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei.  Assim,  podemos  concluir  que  é  admitido  aos  atacadistas  e  varejistas  o  desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda  dos  produtos  sujeitos  ao  regime monofásico  das  contribuições,  ou  seja,  a  restrição  abrange  apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo.  O  referido  artigo 17  foi  antes da  conversão da Lei  expresso no  artigo16 da  MP  206/2004,  cuja  justificativa  na  exposição  de  motivos  é  simplória  expressando  que  “as  disposições  do  art.  16  visam  esclarecer  dúvidas  relativas  à  interpretação  da  legislação  da  Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o  crédito  das  contribuições  relativos  aos  custos,  encargos  e  despesas  legalmente  autorizados  a  gerar  créditos  devem  permanecer  e  que  a  restrição  é  com  relação  aos  produtos  destinados  à  revenda.  No  mais,  se  serve  para  esclarecer  dúvidas,  não  serve  para  inovar,  garantindo  um  direito novo, diferente do ante existente.  Cabe destacar ainda que  existe uma diferença marcante  entre a previsão de  alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no  inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita  de venda da  cobrança das  citadas Contribuições,  ao passo que a  segunda  tem por objetivo  a  implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica.  No  caso  em  tela,  caso  fosse  acatado  o  entendimento  esposado  pela  Recorrente,  o que  se  admite apenas para  fins  argumentativos,  teria direito  ao  crédito  tanto o  comerciante  atacadista,  quando  houver,  como,  por  ex.,  no  caso  de  distribuidoras  de  combustíveis,  quanto  o  varejista.  Em  decorrência,  com  a  fruição  dos  créditos  por  ambos  os  contribuintes,  chegar­se­  ia  ao  absurdo  de  a  Fazenda  Nacional  recolher  um  valor  para  em  seguida devolvê­lo em dobro.  Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico,  seja  pelo  lado  racional  que  norteia  a  técnica  da  tributação  concentrada,  as  receitas  dos  comerciantes  atacadistas  e  varejistas  decorrentes  das  vendas  de  automóveis  estão  sujeitas  à  Fl. 162DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000202/2010­59  Acórdão n.º 3301­002.421  S3­C3T1  Fl. 11          10 alíquota  zero  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e Cofins,  sendo  expressamente  vedado,  de  outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e  importadores,  únicos  responsáveis  pela  apuração  e  recolhimento  das  ditas  Contribuições  incidentes em toda a cadeia de venda.  Tenho,  por  fim,  que  explicitar  que  o  que  existe  é  um  mecanismo  de  incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime  da  não­cumulatividade  que  permite  a  apuração  de  créditos  dentro  dos  limites  também  delimitados  pelo  legislador  pátrio,  estando  os  produtos  sujeitos  à  incidência  monofásica,  quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos.  Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das  referidas Contribuições, por expressa determinação legal.  Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário.  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator                                Fl. 163DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 11050.001268/2004-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.
Numero da decisão: 3201-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Erika Costa Camargos Autran e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente conselheiro Daniel Mariz Gudiño e ausente justificadamente conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 171          1 170  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11050.001268/2004­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­001.836  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO II IPI  Recorrente  NAVEGAÇÃO GUARITA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002  DECISÃO  JUDICIAL.TRÂNSITO  EM  JULGADO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no  Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  JOEL MIYAZAKI  ­ Presidente.   CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Joel  Miyazaki  (presidente), Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Erika Costa  Camargos  Autran  e  Luciano  Lopes  de  Almeida Moraes.  Ausente  conselheiro  Daniel  Mariz  Gudiño e ausente justificadamente conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo    Relatório  Por  bem descrever  a matéria  de que  trata  este  processo,  adoto  e  transcrevo  abaixo o relatório que compõe a Resolução nº 303­01.517:      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 12 68 /2 00 4- 21 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     2 Trata­se de Autos de Infração (fls.01/07 e 08/15), concernentes a  exigências  de  Imposto  de  Importação,  acrescidos  de  juros  de  mora  e multa de mora  (fls.01/07) e  de  Imposto  sobre Produtos  Industrializados vinculados ao II, acrescidos de juros de mora e  multa  proporcional  (fls.08/15),  pelos motivos  aduzidos  no  item  'descrição dos fatos', constantes às fls.01 e 08, quais sejam:  o  importador,  por  meio  de  Declaração  de  Importação  —  DI  01/0672207­1,  registrada em 06/07/2001,  submeteu a despacho  duas  unidades  de  Guincho  Manual  para  Bote  de  Resgate,  classificadas  na  posição  fiscal  da NCM 8425.39.10 —  "Outros  Guinchos  e  cabrestantes,  capacidade  <=  100t",  aliquotas  de  14%  e  10%  respectivamente  para  o  II  e  IPI,  e  3  unidades  de  Defensas  Infláveis  Yokohama  para  uso  Navio­para­Navio,  classificados na posição fiscal da NCM 4016.94.00 — "Defensas  para  atracar  embarcações  de  borracha  vulcanizada  não  endurecida",  aliquotas  de  18,5%  e  8%  para  o  II  e  IPI,  respectivamente;  na  presente  DI  a  empresa  solicitou  a  isenção  do  II  e  IPI,  fundamentada no art. 2°, inciso II, alínea "j", e art. 3°, inciso I,  ambos  da  Lei  n°  8.032/90;  no  curso  do  despacho,  o  Agente  Fiscal  de  Receita  Federal  responsável  exigiu  que  a  empresa  apresentasse  "declaração  de  que  as  mercadorias  importadas  serão  utilizadas  para  reparo  ou  manutenção  de  aparelho,  instrumento,  máquina  ou  equipamento  de  procedência  estrangeira instalados ou em funcionamento do pais";  ao responder a exigência supra descrita, a empresa informa que  as  peças  são  destinadas  à  manutenção  da  embarcação  Guarapuava,  de  construção  e  bandeira  brasileiras;  todavia,  conforme disposto no art. 111, inciso II, do CTN; arts. 15, inciso  VII,  • 17 e 19 do Decreto­Lei n° 37/66; e arts. 132, 200 e 205,  inciso  VIII,  alínea  "b",  do  Regulamento  Aduaneiro  —  RA,  Decreto n° 91.030/85, concluiu­se que os bens, ora importados,  não  fazem jus à  isenção pleiteada, pelo  fato de as mercadorias  serem  destinadas  a  reparo,  revisão  e  manutenção  de  embarcação nacional, não alcançada pela legislação vigente;  tendo  em  vista  a  conclusão  supra  exposta,  procedeu­se  nova  exigência no sentido de impor ao importador o recolhimento dos  tributos  incidentes na importação em foco, com a apresentação  dos pertinentes DARFs, e a conseqüente retificação da DI;  isto  porque,  segundo  o  art.  200  do  RA,  a  anotação  de  inexistência de similar nacional é condição indispensável para o  despacho aduaneiro com isenção do imposto;  somente  seria  dispensado  o  exame  da  similaridade  se  as  mercadorias  fossem  utilizadas  para  reparo  ou  manutenção  de  aparelho, instrumento, máquina ou equipamento de procedência  estrangeira instalados ou em funcionamento no pais;  tal anotação de inexistência de similar nacional deve constar da  respectiva LI, outrossim, de acordo com declaração emitida pelo  próprio  importador;  os  produtos  importados  "destinam­se  ao  reparo,  revisão  e  manutenção  do  N/T  Guarapuava,  de  construção e bandeira brasileiras";  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/2004­21  Acórdão n.º 3201­001.836  S3­C2T1  Fl. 172          3 inconformado  com  a  exigência,  o  importador  propôs  a  ação  ordinária n° 2001.71.01.001254­8, na qual foi concedida a tutela  antecipada  nos  seguintes  termos:  "Pelo  exposto,  concedo  a  antecipação  da  tutela  para  o  efeito  de  liberar  as  mercadorias  referidas  nas  fls.  34­35  (DI  n°  01/0672207­1),  mediante  a  comprovação  de  depósito  em  conta  remunerada  junto  a  caixa  econômica federal, dos valores de R$ 13.684,18 a  título de II e  R$  9.916,22  a  título  de  IPI,  suspendendo  a  exigibilidade  do  crédito tributário na forma do art. 151, V, do CTN";  contudo, os  valores  somente  foram depositados  em 20/07/2001,  data  posterior  ao  registro  da  DI  (06/07/2001),  e  sem  os  acréscimos legais cabíveis para o II;  conforme  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  n°  00010/1997,  sobre o II devido cabe a multa de mora prevista no art. 61 da Lei  n° 9.430/96;   sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, prevê o  art. 151 do CTN;  sobre o depósito do montante integral, conforme disposto no art.  4°, do Decreto­ Lei n° 1737/79, para suspensão da exigibilidade,  dever  ser  efetuado  pelo  valor  monetariamente  atualizado  do  crédito, acrescido de multa e juros de mora cabíveis, calculados  a partir da data do vencimento do tributo ou contribuição até a  data do depósito;  lavrou­se  o  AI  para  constituição  do  crédito  tributário  decorrente,  que  nos  termos  do  inciso  V  do  art.  151  do  CTN,  encontra­se  com  sua  exigibilidade  suspensa,  por  força  da  antecipação da tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n°  2001.71.01.001254­8;  os  bens  importados  não  fazem  jus  à  isenção  do  IPI  pleiteada,  visto  que  os  mesmos  não  fazem  jus  à  isenção  do  II,  também  pleiteada, razão pela qual o IPI é sujeito aos mesmos efeitos do  II;  da mesma forma, o valor devido para o IPI também foi objeto de  depósito judicial, todavia, os valores somente foram depositados  em 20/07/01, data posterior ao registro da DI (06/07/01) e sem  os acréscimos legais cabíveis para o II.  Acompanham  os  referidos  AIs  os  documentos  de  fls.16/33.  Capitulou­se a  exigência  da  diferença  de  II  nos  artigos  1°,  77,  inciso I, 80, inciso I, alínea "a", 83, 86, 87, inciso I, 89, inciso II,  99, 100, caput e § único, 103, 111, 112, 129/136, 411/413, 416,  418, 455, 456, 499 e 500, incisos Te IV, 501, inciso III, 542 Cio  R.A., aprovado pelo Decreto 91.030/85.  No que tange à multa e juros de mora aplicados no II, capitulou­ se  a  exigência,  respectivamente,  no  art.  530  do  Regulamento  Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85 c/c art. 61, § 2°,  da Lei n° 9.430/96, e no art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/96.  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     4 Com  relação  à  exigência  de  IPI,  capitulou­se  a  exigência  nos  artigos 2°, 15, 16, 17, 20, inciso I, 23, inciso I, 28, 32, inciso I,  109, 110, inciso I, alínea ­`a' e inciso II, alínea„`a', 111, § único,  inciso II, 112, inciso III, 114, 117, 118, inciso I, alínea 'a', 183,  inciso  I,  185,  inciso  I,  438  e  439,  do  RIPI/98,  aprovado  pelo  Decreto n° 2.637/98.  Quanto à exigência de multa e  juros de mora aplicados no IPI,  capitulou­se a exigência, respectivamente, no art. 442 e 443 do  RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.637/98, art. 61, § 2°, da Lei  n° 9.430/96; e no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96.  Ciente  do  Auto  de  Infração,  o  contribuinte  apresentou  Impugnação às fis.36/48, na qual alega, em suma, que:  o  ato  administrativo  de  lançar  a  título  de  IPI  e  II  não  deve  prosperar,  em  face  do  trâmite  da  ação  judicial  processada  perante a 2 Vara do Rio Grade/RS;  o  valor  do  imposto  cobrado  no  lançamento  é  objeto  da  ação  judicial e vice­versa;   o  ato  administrativo  está  sobrepondo­se  à  competência  da  jurisdição do Poder Judiciário;  não há que se falar em prescrição do crédito da União em face  da suspensão legal da exigibilidade;  os depósitos serão convertidos em renda da União, em caso de  eventual improcedência dos pedidos do contribuinte;  depositou o valor integral do crédito, razão pela qual não deve  prosperar  os  acréscimos  exigidos  no  AI  sob  a  alegação  de  retardamento  do  depósito  judicial  entre  a  data  devida  e  a  efetivamente  recolhida,  eis  que  deveriam  ter  sido  alegados  na  contestação,  para  que  o  contribuinte  então  complementasse  eventual depósito insuficiente;  os  valores  depositados  correspondem  a  100%  do  valor  do  imposto;  a administração pública, realiza, paralelamente à ação judicial,  o  lançamento  complementar  de  maior  valor,  isto  porque  a  correção que se aplica aos depósitos  judiciais é bem  inferior a  Taxa Selic que aplica sobre os impostos cobrados;  verifica­se  erro  material  nos  valor.  es  lançados  no  AI,  pois  a  fiscalização lançou multas,  juros, encargos e correções sobre o  valor integral do imposto por ela lançado;  como  se  infere  do  lançamento,  haveria  uma  pequena  diferença  relativa  ao  período  entre  a  autorização  judicial  e  o  depósito,  diferença  que  deveria  ter  sido  alegada  em  contestação  pela  Fazenda Nacional;  o  valor  lançado  deveria  ser  deduzido  do  valor  principal  depositado,  assim  sendo,  os  acréscimos  aplicados  pelo  fisco  teriam  como base  de  cálculo  apenas  a  diferença  do  depósito  e  não o valor integral;  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/2004­21  Acórdão n.º 3201­001.836  S3­C2T1  Fl. 173          5 os acréscimos aplicados  teriam como base de cálculo apenas a  diferença do depósito e não sobre o valor integral;  devido a falta de estaleiro no Rio Grande, a empresa é obrigada  a  reparar  e  realizar  a  manutenção  das  suas  próprias  embarcações;  as  clientes,  Copesul  e  Petrobrás,  contratam  os  serviços  de  transporte, desde que as embarcações e os equipamentos sejam  certificados  por  sociedade  classificadora  de  igual  categoria,  dentre estas, Bureau Ventas Marítima & Offshore;  atualmente  está  concluindo  os  reparos  e  a manutenção do N/T  Guarapuava,  exclusivamente,  para  transporte  de  óleo  combustível  à  Petrobrás;  para  conclusão  da  obra  N/T  Guarapuava  foram  necessários  vários  equipamentos  de  origem  estrangeira,  visto  que  os  equipamentos  nacionais,  quando  similares  aos  estrangeiros,  não  atendem,  entre  outras,  as  exigências  de  preço  e  certificação,  razão  pela  qual  os  objetos  materiais do presente AI foram adquiridos no exterior;  não  havendo  as  certificações,  os  referidos  materiais  ficam  impossibilitados de serem aplicados no reparo e manutenção de  navios destinados ao transporte de cargas perigosas;  em  outros  Estados,  referidos  componentes  para  reparo  e  construção  de  navios,  nacionais  e  estrangeiros,  são  internados  isentos do II e IPI;  outras DRFs liberam os II e IPI com fulcro nos arts. 2°, II, "j" e  2°, I, da Lei n° 8.032/90, c/c arts. 132 e 205, VIII, "b", do RA;  a exigência do II e IPI, além de rejeitar o previsto expressamente  em  lei  ordinária,  rejeita  também  a  isenção  pela  ausência  de  similar nacional a que alude o RA; .  o  indeferimento baseado na existência de similar nacional para  os  produtos  descritos  na DI  carece  de  fundamento,  vez  que  os  produtos  brasileiros,  não  satisfazem  os  requisitos  da  similaridade  quanto  à  qualidade,  especificações  adequadas,  preço  e  prazo  de  entrega,  exigidos  pelo  art.  181,  §  único,  do  Decreto n°91.030/86, do RA;  as isenções do II e IPI estão previstas na Lei n° 8.032/90, art. 2°,  II, "j" e art. 3°, I, c/c art. 1°, IV da Lei n° 8.402/92 e arts. 132 e  205, VIII, "b", sendo estas condicionadas na própria Lei, razão  pela  qual,  a  res  e  os  respectivos  destinos  de  aplicação  devem,  necessariamente,  ser  em  aeronaves  e  navios,  sejam  eles  brasileiros ou não;  ao contrário do que afirmou a Receita Federal do Rio Grande, o  preceituado no art. 132, do RA, contempla, sim, as  isenções de  produtos importados;  os  arts.  132  (parte  inicial)  e  130  do RA,  ao  exigir  os  impostos  indevidos, é  fruto de interpretação hostil às normas tributárias,  pois  não  integrou  os  pleitos  de  isenções  para  partes,  peças  e  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     6 componentes  destinados  ao  reparo,  revisão  e  manutenção  de  aeronaves;  as isenções contidas na Lei n° 8.032/90 são auto­aplicáveis, não  se cogitando similaridade, independentemente do RA;  no que tange ao uso destino das peças importadas, é importante  frisar que: 1) várias vezes atendeu as retificações impostas pela  autoridade  fiscal;  2)  em  25.05.01,  declarou  expressamente  que  os  componentes  importados  destinavam­se  ao  uso  na  embarcação Guarapuava,  de  fabricação  e  bandeira  nacionais;  3)  a  afirmação  do  texto  de  indeferimento  não  procede  quando  afirma  que  "uma  vez  que  a  declaração  solicitada  não  ­  foi  satisfatória  quanto  a  utilização  das  peças  em  máquina  de  procedência instalada na embarcação...";  quanto  ao  não  acolhimento  das  isenções  previstas  na  Lei  n°  8.032/90, ressalta­se que: 1) a parte inicial do texto do art. 132,  diz que as isenções previstas em leis, devem ser observadas; 2) o  aludido  art.  132  contempla  duas  espécies  de  isenções,  as  primeiras,  previstas  em  lei  e  auto­aplicáveis  como  nelas  estão  escritas, e as segundas, que nasceram no RA e devem respeitar  as  condições  nele  impostas;  3)  o  RA  não  criou  restrições  às  isenções  da  Lei;  4)  a  decisão  denegatória  olvidou­se  da  expressão contida no art. 132 do RA: "Observadas as exceções  previstas em lei...";  no que se refere ao não conhecimento do requisito de exclusão  da similaridade, argumenta­se que: 1) não há que se cogitar em  similaridade uma vez que as isenções do II e do IPI decorrem de  lei  auto  aplicável;  2)  ainda  que  houvesse  a  similaridade,  a  autoridade  fiscal  deveria  respeitas  as  condicionantes  dos  art.s  188, 189 e 190 do RA; 3) se admitido o indeferimento em razão  da  similaridade,  a  autoridade  fiscal  teria  lesado  os  pré­ requisitos dispostos nos arts. 188, 189 e 190, do RA; 4) rejeitou  a aplicação dos preceitos legais (arts. 188/190 do RA) favoráveis  ao contribuinte; 5) os produtos nacionais não satisfazem quanto  à qualidade, especificações adequadas, preço e prazo de entrega  (art. 181 do RA); 6) os produtos nacionais não satisfazem quanto  à  certificação  por  empresa  classificadora  de  categoria  internacional;  duas  conseqüências  nefastas  do  uso  de  partes,  peças  e  componentes  em  embarcações  destinadas  ao  transporte  de  cargas  perigosos,  quando  não  certificadas  por  empresa  habilitada são: 1) o navio não receberá classificação do Bureau  Ventas,  para  o  transporte  de  cargas  perigosas;  e  2)  impossibilitado de transportar essas cargas, para cuja finalidade  foi  construído,  transformar­se­á  em  sucata,  com  todos  os  prejuízos decorrentes;  as  mercadorias  impostas,  cujos  preços  serviram  de  base  de  cálculo  dos  valores  lançados  a  título  de  II  e  IPI,  não  possuem  similar  nacional,  o  que  apresenta  como  ponto  de  discordância  ensejador de prova pericial, tornando­se inexigíveis o II e o IPI,  a teor do RA.  Indica  o  engenheiro  Jorge  Alberto  Pena,  como  seu  perito,  apresentado  quesitos.  Ante  o  exposto,  requer  a  realização  de  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/2004­21  Acórdão n.º 3201­001.836  S3­C2T1  Fl. 174          7 perícia  técnica  a  fim  de  comprovar  que  as  importações  objeto  deste lançamento não possuem similar nacional.  Outrossim, demonstrada a insubsistência do presente AI, requer  seja o mesmo cancelado tornando sem efeito o valor do crédito  fiscal lançado.  Instruem  a  impugnação  os  documentos  de  fls.49/74,  dentre  os  quais,  rol  de  quesitos  (fls.49);  cópia  do  AI  (fls.50/64);  procuração (fls.65); e alteração contratual (fls.66/74).  Os  autos  foram  encaminhados  para  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Florianópolis —  SC,  a  qual  julgou  procedente  o  lançamento  (fls.76/83),  nos  termos  da  seguinte  ementa (fls.76):  "ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 06/07/2001   AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS.  A  propositura  de  qualquer  ação  judicial  anterior,  concomitantemente  ou  posterior  a  procedimento  fiscal,  com  o  mesmo  objeto  do  lançamento,  importa  em  renúncia  ou;  desistência  à  apreciação  da  mesma  matéria  na  esfera  administrativa.  Assim,  o  apelo  interposto  pelo  sujeito  passivo,  não deve ser conhecido no âmbito administrativo.  MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA.  I  ,  A  constituição  do  crédito  tributário  deve  ser  acrescida  de  multa de mora quando , vise a prevenir a decadência, nos casos  de procedimento cautelar acompanhado de depósito judicial.  Lançamento Procedente."   Irresignado com a decisão de primeira instância, o contribuinte  apresenta  tempestivo Recurso Voluntário às  fis.93/104, no qual  alega em síntese que:   o  inconformismo  não  é  em  relação  à  constituição  do  crédito  tributário, mas, sim, em relação a aplicação de multa moratória  sobre  tributo  depositado  judicialmente,  cujos  valores  serão  convertidos  em  renda  em  caso  de  improcedência  do  processo  judicial;  nesse sentido, não pode tornar­se definitivo o crédito tributário  em  foco,  vez  que  nele  foram  acrescidas multas moratórias,  em  desconformidade com a legislação que trata desta matéria; .  a  decisão  judicial  que  deferiu  a  medida  liminar  não  é  mais  passível  de  alteração  visto  que  foi  confirmada por  sentença  de  mérito prolatada em 13/12/2004;  quanto à multa imputada pelo atraso no pagamento 'do tributo,  cita o art. 151, inciso V, CTN;  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     8 a  questão  da  multa  acima  exposta,  já  tem  entendimento  sumulado  no  âmbito  do  STF,  e  a  doutrina  trilha  o  mesmo  caminho,  no  sentido  de  que  denegada  a  ordem  de  segurança  pleiteada, retorna­se ao statu quo ante;  os  julgados  colacionados  nos  autos  (fis.96199),  sem  exceção,  tratam  de  casos  nos  quais  as  medidas  liminares  foram  revogadas, ou por recurso, ou por sentença de mérito, contudo,  como se sabe, este não é o caso dos presentes autos, vez que o  contribuinte teve sua liminar deferida e confirmada por sentença  de mérito;  o art. 63, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/96, dispõe sobre a exclusão  da  multa  moratória  nas  hipóteses  liminar,  acompanhada  de  depósito;  o Relator da DRJ se utilizou de entendimento diverso do disposto  no art. 63 da Lei n° 9.430/96;  o art. 2°, II, "j", e art. 3 0, I, da Lei n° 8.032/90, isenta do II as  "partes,  peças  e  componentes  destinados  ao  reparo,  revisão  e  manutenção de aeronave e embarcações", o que evidencia que o  contribuinte,  por  estar amparado por  essa  legislação,  faz  jus à  isenção  dos  impostos  referentes  à  importação  de  produtos  não  similares  aos  nacionais,  estando  os  produtos  objeto  da  importação, contemplados nos arts. 132 e 138 do RA vigente à  época (Decreto n° , 91.030/85);  o depósito judicial do seu montante integral, nos termos do art.  151, II do CTN, é uma das forma de suspensão da exigibilidade  do crédito  tributário e, embora a norma não pormenorize neste  aspecto, a doutrina reconhece como conseqüência desta medida,  a  exclusão  da  correção  monetária,  dos  juros  e  da  multa  do  crédito tributário depositado;  não  há  necessidade  de  cobrança  de  acréscimos  pela mora,  vez  que o depósito  judicial  já  tem por  finalidade aforrar o devedor  da mora e das suas conseqüências;  o depósito  judicial  é  feito em conta  vinculada, com rendimento  (juros  e  correção  monetária)  que  serão  revertidos  a  favor  do  vencedor da causa;  no  caso  da  decisão  ser  favorável  à  Fazenda  Pública,  esta  converterá  o  depósito  em  renda,  devidamente  corrigido  e  remunerado com o juros da caderneta de poupança;  a multa é descabida dada a inexistência da mora.  Para corroborar o alegado, o contribuinte  transcreve a súmula  450,  do  STF;  parte  do  julgamento  relatado  pelo  Ministro  Franciulli Netto e ementa no sentido de que denegada a ordem  de segurança pleiteada, retorna­se ao statu quo ante; art. 63, §§  1°  e  2°,  Lei  n°  9.430/96,  sobre  a  exclusão  da multa moratória  nas  hipóteses  liminar,  acompanhada  de  depósito;  art.  151  do  CTN,  lição  de  Sacha  Calmon  Navarro  Coelho  e  de  Laudio  Camargo Fabtetti, no que se refere a exclusão de multa, juros e  correção  monetária  no  lançamento  no  caso  de  haver  depósito  judicial.  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001268/2004­21  Acórdão n.º 3201­001.836  S3­C2T1  Fl. 175          9 Diante do exposto, requer seja reformada a decisão de primeira  instância,  a  fim  de  que  seja  provido  o  presente  Recurso,  desconstituindo  o  AI  e  tornando  sem  efeito  o  débito,  ora  hostilizado.  A DRF em Rio Grande, anexa às fls.107/113, cópia do Acórdão  proferido nos autos da Ação Ordinária n° 2001.71.01.001253­6,  com o fito de instruir o presente processo administrativo.  Os autos  foram distribuídos a este Conselheiro  em 13/08/2008,  constando numeração até a f1.113, penúltima.  Desnecessário  o  encaminhamento  do  processo  à  Procuradoria  da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário  interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314,  de 25/08/99.  O processo foi distribuído ao Conselheiro Nilton Luiz Bártoli.  Em 10/12/2008,  os Membros  da Terceira Câmara  do Terceiro Conselho  de  Contribuintes,  por  unanimidade  de  votos,  resolveram  converter  o  julgamento  em  diligência,  para verificar a ocorrência de trânsito em julgado da decisão judicial.  Em  atendimento  ao  procedimento  de  diligência,  foi  anexado  aos  autos  certidão narratória, emitida pela 29ª Vara Federal e Juizado Especial Federal Criminal de Rio  Grande,  que  certifica,  mediante  consulta  feita  nos  autos  da  Execução  de  Sentença  contra  a  Fazenda  Pública  n°  2001.71.01.001254­8,  em  que  são  partes  Navegação  Guarita  Ltda.  e  a  União Federal, que consta certidão de trânsito em julgado do processo de conhecimento datada  de 01/08/2008.   Retornando  o  processo  ao  CARF,  o  mesmo  foi  distribuído  para  este  Conselheiro.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele tomo conhecimento.  Conforme disposto no relatório, a Recorrente ingressou com Ação Ordinária  nº  2001.71.01.001254­8  com  pedido  de  isenção  do  imposto  de  importação  e  do  imposto  de  produtos industrializados, consoante arts. 2° e 3° da Lei 8.032/90, art. 1° da Lei 8.402/92, em  relação  à  importação  de  peças  partes  para  a  manutenção  da  embarcação  Guarapuava,  DI  01/0641451 –2.  A  Recorrente  obteve  decisão  judicial  favorável,  cujo  trânsito  em  julgado  ocorreu em 01/08/2008, conforme documentos anexados aos autos.  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO     10 Desta forma, a questão ora debatida vincula­se ao reconhecimento de decisão  judicial transitada em julgado, que reconheceu o direito a isenção pleiteado pela recorrente.  Assim,  em virtude do  trânsito  em  julgado da decisão  judicial  proferida nos  autos da Ação Ordinária nº 2001.71.01.001254­8, que entendeu pela isenção do II e do IPI na  importação  da mercadoria  descrita  na DI  n°  01/0641451­2,  e  que  os  valores  exigidos  neste  Auto de Infração referem­se a matéria sub­judice, o mesmo deve ser cancelado, reconhecendo­ se a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional.  Por  conseguinte,  em  face  do  exposto,  DOU  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário.  Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto ­ Relator                                Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO

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