Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11065.914566/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento.
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.914566/2009-29
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291224
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.406
nome_arquivo_s : Decisao_11065914566200929.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 11065914566200929_5291224.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5060198
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174003363840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 103 1 102 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.914566/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.406 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TOP VISION CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência determinada pela Delegacia de Julgamento. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 66 /2 00 9- 29 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 104 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS, no valor de R$ 64,45, e não homologara a respectiva declaração de compensação (PER/DCOMP), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, alegando que teria ocorrido erro de fato no preenchimento das declarações (DCTF, DIPJ e Dacon), erros esses não saneados à época por meio de retificação. Alegou o então Manifestante que tal equívoco poderia ser comprovado em sua contabilidade, pois que a contribuição devida se encontraria devidamente escriturada, e que, em decorrência do princípio da verdade material, que autoriza a autoridade administrativa a considerar todas as provas produzidas no processo administrativo, ainda que não declaradas no momento próprio, os novos dados apontados deveriam ser considerados na apuração dos fatos efetivamente ocorridos. Junto à Manifestação de Inconformidade o contribuinte trouxe aos autos, dentre outras, cópias do comprovante de pagamento e de folhas do seu livro Razão. Tendo sido detectados pela DRJ Porto Alegre/RS elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado, o presente processo foi remetido em diligência à repartição de origem, para que se analisasse e demonstrasse a composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração sob comento. Em resposta à diligência requerida, a repartição de origem, a par dos esclarecimentos e documentos apresentados pelo interessado, concluiu que, de acordo com o balancete, apurouse que não fora incluída na base de cálculo da contribuição a totalidade das receitas auferidas, dentre as quais, as receitas financeiras, o que, segundo a Fiscalização, contrariaria o disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse no sentido de que o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já havia declarado inconstitucional a majoração da base de cálculo da contribuição determinada pela Lei nº 9.718, de 1998, decisão essa que deveria ser seguida pela Administração Pública, por força do contido no art. 26A, § 6°, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A DRJ Porto Alegre/RS não acolheu a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 105 3 Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 Ementa: ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011) e houve sua expressa revogação pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, reconhecese o crédito advindo de recolhimento efetuado sobre receitas financeiras, que não se enquadrem no conceito de faturamento, adotado pela Lei complementar nº 70, de 1991. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator a quo que, não obstante caber razão ao contribuinte quanto à alegação de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no presente caso, apurouse um valor original total da contribuição a recolher de R$ 10.247,98, valor esse que, após a exclusão do valor da contribuição apurado sobre receitas financeiras, no montante de R$ 46,74, contrastado com o recolhido de R$ 3.475,75, indicaria que o valor total a recolher apurado na diligência seria superior à soma do valor originalmente recolhido com o crédito obtido pela exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição. Arguiu, ainda, que o contribuinte, embora tivesse alegado a ocorrência de erro material para justificar a existência do suposto crédito, não contestara expressamente os cálculos do resultado da diligência, limitandose a reclamar contra o alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, não tendo rebatido nem mesmo a afirmação contida no relatório de diligência quanto à insuficiência da comprovação dos alegados créditos. Cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS, o contribuinte reiterou seu pedido de reconhecimento total do direito creditório e respectiva homologação da compensação, alegando que, na realização da diligência, a Fiscalização equivocarase duas vezes: a primeira, quando não excluíra dos cálculos da contribuição as receitas financeiras e, a segunda, por não ter considerado o fato, devidamente comprovado na Manifestação de Inconformidade, de que a apuração por ele efetuada se dera pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, de acordo com a autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002. Alegou, também, o Recorrente, que o pagamento da contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente em maio de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, conforme jurisprudência do CARF. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 106 4 Aduziu, ainda, que outro motivo que o levara a não rebater os cálculos procedidos pela Fiscalização foi o fato de que tal discussão não seria objeto deste processo, uma vez que a controvérsia se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, restou controvertida nesta instância apenas a existência ou não do direito creditório reclamado, uma vez que a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo, decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), já fora acolhida pela autoridade julgadora de primeira instância. Primeiramente, o Recorrente alega que, com base na autorização prevista no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 20021, ele teria calculado a contribuição pelo regime de caixa, decorrendo daí a divergência na apuração por ele efetuada e a realizada pela Fiscalização. O cálculo da contribuição com base no regime de caixa já se encontrava autorizado pelo art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, aplicandose, portanto, à contribuição apurada em outubro de 2002, que corresponde ao período sob análise nestes autos. Segundo o Recorrente, essa particularidade (apuração pelo regime de caixa) encontrarseia comprovada desde a Manifestação de Inconformidade. Contudo, compulsando os autos, não se constata da Manifestação de Inconformidade, nem de seus anexos, nem mesmo da Manifestação de Inconformidade Complementar, que o contribuinte tivesse comprovado ou alegado tal condição. Conforme o julgador de primeira instância já havia atestado, o então Manifestante não se insurgira quanto aos cálculos efetuados na diligência fiscal, restringindose sua contrariedade à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Temse por definitiva, portanto, a questão relativa aos cálculos efetuados pela Fiscalização em procedimento de diligência por falta de expressa impugnação por parte do interessado, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19722, configurandose a preclusão processual, pelo fato de os argumentos terem sido apresentados em momento posterior ao definido na legislação processual administrativa. 1 Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput , está condicionada à adoção do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 107 5 Além disso, ainda que se superasse a preclusão, nos termos do parágrafo único do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, assim como do art. 2º da IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998, para se valer do regime de caixa na apuração da Cofins e da contribuição para o PIS, o sujeito passivo deveria ser optante pelo lucro presumido na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), condição essa não satisfeita, pois, de acordo com a página 4 do PER/DCOMP, o débito de IRPJ que se pretendia compensar fora calculado sobre o lucro real (estimativa mensal), inexistindo outro elemento de prova nos autos que infirme tal constatação. Nesse sentido, além do fato de a discussão da matéria já ter se tornado definitiva na esfera administrativa por ausência de expressa contestação, não assiste razão ao Recorrente ao alegar o direito à apuração da contribuição com base no regime de caixa, tendo em vista tanto a falta de prova de tal alegação, quanto o não preenchimento dos requisitos para essa opção. No que tange à alegação do Recorrente de que o pagamento da contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, desde maio de 2007, em razão do que a apuração por ele efetuada já havia se tornado definitiva, não sendo passível de revisão por parte da Fazenda Pública, há que se ressaltar que, se de um lado tal argumento lhe favorece, de outro, vai de encontro a seus argumentos de defesa. Não obstante tal matéria relativa à decadência não ter sido apresentada na instância anterior, por se tratar de matéria de ordem pública, ela deve ser apreciada neste julgamento. Efetivamente, na data da realização da diligência requerida pela Delegacia de Julgamento (19/9/2011), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente. Contudo, a repartição de origem, a par dos recálculos efetuados, não pretendeu exigir do sujeito passivo a diferença de tributo então apurada, tendo procedido ao exame da base de cálculo justamente para verificar se o direito creditório pleiteado encontrarseia confirmado na escrituração contábilfiscal, tudo em conformidade com o regramento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19963. Tal verificação é condição inerente ao procedimento de homologação dos pleitos da espécie, sem o qual, não se poderia confirmar o que fora declarado pelo interessado. Efetuado o cálculo da contribuição devida, com base na escrituração contábil fiscal, cujo valor apurado fora confrontado com o pagamento efetuado pelo sujeito passivo, concluiu a Fiscalização pela inexistência do crédito declarado, situação essa que remanesceu 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 108 6 mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo procedida pela Delegacia de Julgamento. Além da inexistência de prova infirmativa dos resultados da diligência realizada, temse que a DCTF retificadora, manejada para possibilitar “a abertura” do crédito informado na PER/DCOMP”, conforme o próprio Recorrente alegara, não produziu nenhum efeito, pois, na data de sua transmissão (28/10/2009), o pagamento efetuado relativo à contribuição devida em maio de 2002 já se encontrava homologado tacitamente, não sendo mais passível de alteração, conforme o próprio Recorrente atestara. Aqui, vale destacar que a alegação de que a controvérsia presente nos autos se restringiria à incidência ou não da contribuição sobre receitas financeiras, não abarcando a discussão sobre os cálculos efetuados na apuração da contribuição, se mostra desfavorável à defesa do Recorrente, pois, nessa situação, uma vez descabida a retificação da DCTF, conforme acima apontado, temse que todos os dados declarados em sua DCTF original deverão prevalecer, desfavorecendo de todo o seu pleito, pois, foi com base nesses dados declarados que se emitiu o despacho decisório denegatório do direito creditório sobre o qual se controverte nos autos. Conforme já dito, mesmo após a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da contribuição, o pagamento efetuado não foi suficiente para quitar o débito apurado. Nesse sentido, constatase que todos os argumentos de defesa do Recorrente não encontram respaldo nos elementos fáticos presentes nos autos, nem na legislação tributária aplicável. Vale ressaltar, portanto, que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo durante a realização da diligência requerida pela DRJ Porto Alegre/RS. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19724, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.914566/200929 Acórdão n.º 3803004.406 S3TE03 Fl. 109 7 tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada em ampla auditoria fiscal. Em seu Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que infirmasse os cálculos da Fiscalização, o contribuinte nada traz aos autos. Nesse contexto, voto por NÃO CONHECER dos argumentos de defesa trazidos aos autos apenas em sede de recurso, em razão da preclusão processual, e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903586/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.903586/2009-77
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289142
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.444
nome_arquivo_s : Decisao_10875903586200977.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10875903586200977_5289142.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5051512
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174013849600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 101 1 100 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.903586/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.444 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente TRANSPORTADORA BELMOK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 33892.34782.270106.1.3.045090, fls. 35/39, em que utilizou como crédito pagamentos supostamente a maior de Cofins, no valor de R$ 29.678,06. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 35 86 /2 00 9- 77 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Despacho Decisório eletrônico, de 9 de abril de 2009, da DRF/Guarulhos, fl. 34, não homologou a DComp por não ter sido localizado o DARF indicado. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3/5, a Contribuinte argüiu, sucintamente, que do pagamento relativo ao DARF de R$ 36.043,27, do período de apuração agosto de 2002, detectara pagamento a maior na importância utilizada na compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, fl. 46/49, considerou que a pretensão da Interessada de infirmar os dados por ela própria fornecidos devia estar calçada em provas documentais robustas, e ausente nos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente A legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Cientificada da decisão em 13 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 78/96, em 19 de março de 2012, em que inaugura dois novos argumentos, segundo os quais a origem do seu crédito teria sido: a) o alargamento indevido da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento e consequente declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); b) exclusão da base de cálculo do(a) PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, amparada pelo art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parágrafo único, Lei 9.718/98; e c) exclusão da incidência do(a) PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903586/200977 Acórdão n.º 3803004.444 S3TE03 Fl. 102 3 Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é intempestivo, dele não se podendo conhecer. É o voto. Sala das sessões, 21 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000068/2006-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO
AUTO DE INFRAÇÃO - NORMAS PROCESSUAIS - Padecerá de nulidade o auto de infração que não observar o período-base correspondente ao lucro apurado por empresa controlada sediada no exterior. É elemento indispensável ao lançamento a observação correta do período-base de incidência do tributo em questão.
RECURSO DE OFÍCIO
ERRO QUANTO A DATA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL - Improcede o lançamento efetuado com erro em relação a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1101-000.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, mas foi interrompido o julgamento em razão de vistas concedidas à Conselheira Edeli Pereira Bessa. Prosseguindo nesta sessão, relativamente ao recurso voluntário: 1) por maioria de votos, foi REJEITADA a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, e 2) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Farão declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
Nome do relator: José Ricardo da Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : RECURSO VOLUNTÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO - NORMAS PROCESSUAIS - Padecerá de nulidade o auto de infração que não observar o período-base correspondente ao lucro apurado por empresa controlada sediada no exterior. É elemento indispensável ao lançamento a observação correta do período-base de incidência do tributo em questão. RECURSO DE OFÍCIO ERRO QUANTO A DATA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL - Improcede o lançamento efetuado com erro em relação a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16561.000068/2006-77
conteudo_id_s : 5304148
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1101-000.744
nome_arquivo_s : Decisao_16561000068200677.pdf
nome_relator_s : José Ricardo da Silva
nome_arquivo_pdf_s : 16561000068200677_5304148.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, mas foi interrompido o julgamento em razão de vistas concedidas à Conselheira Edeli Pereira Bessa. Prosseguindo nesta sessão, relativamente ao recurso voluntário: 1) por maioria de votos, foi REJEITADA a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, e 2) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Farão declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
id : 5150071
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174035869696
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-09-13T18:58:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-09-13T18:58:51Z; Last-Modified: 2013-09-13T18:58:51Z; dcterms:modified: 2013-09-13T18:58:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7d5a86f0-6d54-44d7-b5b7-49386a541db5; Last-Save-Date: 2013-09-13T18:58:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-09-13T18:58:51Z; meta:save-date: 2013-09-13T18:58:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-09-13T18:58:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-09-13T18:58:51Z; created: 2013-09-13T18:58:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 50; Creation-Date: 2013-09-13T18:58:51Z; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-09-13T18:58:51Z | Conteúdo => Si -Cl Ti Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16561.000068/2006 -77 Recurso n° De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1101-000.744 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria IRPJ E CSLL Recorrentes BOSTON NEGOCIOS E PARTICIPACOES LTDA FAZENDA NACIONAL RECURSO VOLUNTÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO - NORMAS PROCESSUAIS - Padecerá de nulidade o auto de infração que não observar o período-base correspondente ao lucro apurado por empresa controlada sediada no exterior. É elemento indispensável ao lançamento a observação correta do período-base de incidência do tributo em questão. RECURSO DE OFÍCIO ERRO QUANTO A DATA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL - Improcede o lançamento efetuado com erro em relação a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso de oficio, votando pelas conclusões os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, mas foi interrompido o julgamento em razão de vistas concedidas à Conselheira Edeli Pereira Bessa. Prosseguindo nesta sessão, relativamente ao recurso voluntário: 1) por maioria de votos, foi REJEITADA a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, e 2) por maioria de votos, foi DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Farão declaração de voto os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. s VALMAR FONSE E MENEZES - Presidente. - Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101 -000.744 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Ricardo da Silva e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente). 2 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-Cl T1 Acórno n.° 1101-000.744 Fl. 3 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pela COMPANHIA BOSTON NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., (fls. 23/61 v. 3), contra decisão da 5' Turma da DRJ de São Paulo I, consubstanciada no Acórdão no 16-19.519, de 18 de novembro de 2008 (fl. 03/14, v. 3), que julgou os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL procedentes em parte. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 75/79, v. 1), os trabalhos fiscalizatórios foram iniciados corn o intuito de verificar o cumprimento de obrigações tributárias por parte da Recorrente, referentes ao recolhimento de IRPJ e seus reflexos, nos anos-calendário 2001 a 2003. Assim, depois de cientificada - ocorrida em 15/02/2005 - do MPF para verificar o cumprimento de suas obrigações tributárias, a mesma foi intimada a informar suas participações empresariais no exterior, apresentando, assim, as documentações correspondentes. Destaca a fiscalização que a constituição da Recorrente se deu em 06 de dezembro de 1999, mediante a subscrição, pelo Bank Boston Múltiplos, de sua participação na empresa BankBoston Latino Americano S/A, passando, assim, a ser controlada pela Recorrente. No dia 21 de dezembro de 2001, informa A. fiscalização que a Recorrente constituiu a BBLA Holding Europe, SL, sediada em Madrid, na Espanha, por intermédio de entrega de 100% das ações que detinha do BankBoston Latino Americano S/A. Contudo, destaca que, da "Escritura de constitucion de la sociedad mercantil de responsabilidad limitada denominada BBLA Holding Europe, S.L", o aporte das ações do BankBoston Latino Americano S/A foi calculado corn base em seu balanço de 30 de setembro de 2001, cujos números são: Fonte Dem Financ (Euros) 30/09/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415 Patrimônio Liquido 224.948.970 Não obstante, constatou-se que, consoante o Relatório e Parecer do Fiscal Bernades, Sismeiro e Associados, para o exercício findo em 31 de dezembro de 2001 do "BankBoston Latino Americano S/A", seu patrimônio liquido, em euros, naquela época, era: fl J 3 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 4 Balanço em Euros 31/12/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256,614 Lucro do Exercício 62.935.558 Patrimônio Liquido 286.370.113 Ocorre que o lucro da controlada BankBoston Latino Americano S.A, em setembro de 2001 era de € 1.512.415 - data esta de seu balanço utilizado para aportar às ações-, e em dezembro do mesmo ano - data esta da constituição da BBLA Holding Europe - passou a ser de € 62.935.558. Assim, intimou-se a Recorrente, a fim de que esta informasse os motivos da diferença, tendo se restringido a dizer que esta refletia a contabilidade da BBLA Europe e o balanço da BNP Brasil mediante registro de Equivalência Patrimonial. Contudo, entendeu a fiscalização que as informações prestadas pela Recorrente não conferiria com o "Balance de Siluacion" da BBLA Holding Europe — Madrid, de 31/12/2001, pois neste consta uma participação, de patrimônio liquido, no valor de € 224.946.951,00, que seria o mesmo do BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) de 30 de setembro de 2001, e um prejuízo de € 43,32 (fls. 77, volume 1). Destaca, também, a fiscalização que, consoante as respostas que a Recorrente prestou às intimações, confirmadas pelas Declarações de IRPJ, os tributos referentes à. Controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) não foram pagos, tanto no Brasil, quanto no exterior, em virtude de ela ter, até 18 de dezembro de 2001, gozado do beneficio da isenção de IRC ao abrigo do artigo 41 do Estatuto dos Beneficios Fiscais, já que exercia suas atividades na Zona Franca exterior da Ilha de Madeira (fls. 77, volume 1). Por entender a fiscalização que, em dezembro de 2001, a Recorrente utilizou a seu favor todo o investimento no BankBoston Latino Americano S.A para efetivar seu investimento na BBLA Holding Europe, teria ocorrido o emprego do valor dos lucros auferidos pela controlada BanBoston Latino Americano S.A no exterior a favor da Recorrente. Assim, nos termos do art. 394 do RIR199, esses lucros são considerados pagos (item d, II, do §4 0) e disponibilizados (II, do §3°), e não oferecidos à tributação. Destarte, o presente auto de infração complementaria o crédito tributário constituído no processo fiscal 16327.000299/2006-53, e corresponderia à tributação da diferença entre o lucro da BankBoston Latino Americano S.A apurado em 30/09/2001, e o lucro apurado em 31/12/2001. Com força no art. 143 do CTN, procedeu à fiscalização a conversão dos valores em euros para reais, por intermédio da taxa de câmbio de 21/12/2001, cujo valor era de 2,07665, data esta a mesma do fato gerador do Auto de Infração anterior (fls. 78, volume 1). 4 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 5 0 contencioso administrativo foi instaurado, em 11 de janeiro de 2007, com a apresentação de Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 155/172), cujos argumentos se seguem: a) as exigências tributárias discutidas nestes autos são uma complementação da que foi formalizada no Processo n°16327.000299/2006-53, decorrente, pois, da ação fiscal iniciada com amparo no MPF em epígrafe. Para respaldar os lançamentos, o referido MPF foi prorrogado até 17.03.2006, como enfatizado pela autoridade julgadora de primeira instância quando do julgamento da matéria tributária naquele processo, a qual fez referência ao Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF no voto condutor do Acórdão n° 16-10.180, 5' Turma da DRJ/SPOI, de 22.08.2006; b) o MPF é o instrumento legal (Portaria SRF 1.265, de 1999) que confere competência especifica para que a autoridade fiscal instaure a fiscalização e limite o tempo, a matéria tributária e os fatos geradores a serem examinados; c) do dia 17/03/2006 e diante, não se teve prorrogação tendente a validar o prosseguimento da ação fiscal e a lavratura do Auto de Infração ora contestado; d) a presente autuação ocorreu em 13/12/2006, fora do prazo assinalado para a prorrogação; e) os atos administrativos da autoridade fiscal devem ser cancelados, haja vista terem sido praticados sem autorização legal, conforme Portaria SRF 3.007/01; f) os Autos de Infração de IRPJ e reflexo da CSLL, complementares, foram lavrados fora do prazo legal e por autoridade fiscal incompetente, conforme arts. 15 e 16 e seu parágrafo único, que admite a convalidação dos atos praticados com base em MPF extinto, mediante a emissão de novo MPF, desde que não seja indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto; g) a autoridade fiscal que lavrou os presentes autos de infração é a mesma que atuou no Processo 16327.000299/2006-53; h) a exigência fiscal tem como valor tributável a diferença apurada entre o lucro do exercício em 31/12/2001, e o consignado no balanço de que trata o Relatório e parecer do Fiscal Dnico, Bernardes, Sismeiro e Associados, apontado pela fiscalização, e o lucro do exercício levantado pela controlada BankBoston Latino Americano S.A, em demonstrações financeiras datadas de 31/12/2001; i) no processo 16327.000299/2006-53 já se discutiu a tributação dos lucro auferidos no exterior; 5 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-C ITI Fl. 6 j) o cerne da questão é a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; k) para a autoridade fiscal, o fato imponivel está disciplinado no art. 25 2, § 2° e 3°, da Lei n°9.249, de 1995, art. 16 da Lei n°9.430, de 1996, e arts. 249, inciso II, e 394, do RIR, de 1999. Sob sua ótica, são passíveis de tributação não apenas os lucros auferidos no exterior e levantados no balanço patrimonial em 30.09.2001, mas também a diferença de lucros apurada posteriormente por ocasião do término do ano-calendário de 2001; 1) contudo, com o advento da Lei 9.249, de 1995, os lucros auferidos no exterior passaram a ser tributados pelo da universalidade da renda em face ao contexto internacional da economia; m) a partir de 1° de janeiro de 1998, corn a edição da Lei 9.532/97, tais lucros passaram a ser tributados no momento em que fossem disponibilizados para a empresa controladora no Pais, ficando sujeitos à sua adição ao lucro liquido do exercício, para efeito de determinação do lucro real; n) o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade, econômica ou jurídica, da renda, considerando-se o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e de proventos de qualquer natureza, entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos na renda, art. 43 do CTN; o) a Lei 9.532/97 nos ensina que a tributação dos lucros auferidos no exterior deve ocorrer na data da disponibilidade dos lucros para a empresa controladora, no Brasil, considerando-se ocorrida na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior; p) a Lei Complementar 104/01 acrescentou o §2° no art. 43 do CTN para solucionar o seu conflito com a Lei 9.532/97; q) a MP 2.158-35/01 foi editada para estabelecer as condições e o momento da disponibilidade dos lucros para efeito de sua tributação, conforme condições constantes em seu art. 74; r) com sua edição, restou revogado, tacitamente, o art. 1° da Lei 9.532/07; s) a constituição da empresa BBLA Holding Europe SL, com o aporte de ações da empresa BankBoston Latino Americano, deve ser analisado luz deste novo regramento, vez que o fato ocorreu em 21/12/2001, época esta que vigorava a MP 2.158-35/2001; t) como os lucros apurados pela controlada BankBoston Latino Americano, no exterior, não estavam tributados na data de eficácia da MP, devem ser considerados disponibilizados para a Recorrente somente na data do balanço patrimonial de 30/09/2001, conforme o art. 74 da referida MP; 6 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 7 u) não se pode negar observância a este regramento em virtude da Lei 9.249/95, embora vigente, prever como regra geral no caput do art. 25 que os lucros auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano e, no caso sob exame, o fato imponivel de tributação dos lucros no exterior ocorreu no curso do ano-calendário de 2001, antes de 31 de dezembro; v) os §§ 2° e 3, do art. 25 da Lei 9.249, invocados pela fiscalização, não tem aplicação, pois eles prevêem, nos seus incisos III, a hipótese de tributação no curso do exercício se a pessoa jurídica se extinguir, o que não ocorreu com a Recorrente; w) a hipótese de incidência do imposto somente ocorreu em 30/09/2001, data da contabilização dos lucros para fins de constituição da BBLA Holding Europe SL, estando sujeito ao comando normativo do art. 74 da MP 2.158-35/01; x) como o evento societário ocorreu em 21/12/2001, não pode a fiscalização atribuir como lucros no exterior valores apurados posteriormente em balanço datado em 31/12/2001, pois a incompatibilidade de datas é evidente, o que desmonta a tese da fiscalização de que há diferença de lucros no exterior a ser tributada; y) como o fato gerador do IR se dá com a disponibilidade jurídica dos lucros no exterior para a Recorrente, e a apuração dos lucros no Balanço Patrimonial ocorreu em 30/09/2001, não há dúvidas de que somente o valor de € 1.512.415,00 deveria ser adicionado ao lucro liquido para determinar o lucro real do exercício, ano-calendário 2001; z) a escolha da data para levantamento do balanço patrimonial não foi aleatório, e o resultado espelha a situação até o terceiro trimestre do ano de 2001, findo em 30/09/2001; aa) os valores apurados neste momento contábil representam o efetivo de aporte de ações para a constituição da BBLA Holding Europe SL; bb) os seus atos constitutivos somente foram registrado em 21/12/2001 data esta que passou a ter personalidade jurídica, por questões burocráticas; cc) a diferença de €61.423.143,00 (€ 1.512.415- € 62.935.558), objeto desta demanda, faz parte do resultado da nova empresa: BBLA Holding Europe SL, devendo ser disponibilizada, para fins de tributação, somente em 31/12/2002, conforme parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35/01; dd) assim, o fato gerador do IR sobre a diferença do resultado contábil em 31/12/2001 ocorreu em 31/12/2002, devendo os créditos tributários de IRPJ e CSLL ser tornados insubsistentes, por estarem carecedores de liquidez e certeza; 7 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-cl TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 8 ee) quanto a taxa de câmbio aplicável, informa que o procedimento fiscal está equivocado. Isto porque, o art. 43 do CTN é norma geral de conversão de valores expressos em moeda estrangeira para a nacional, enquanto o §4°, do art. 25, da Lei 9.249/95 é regra especifica de conversão; ff)assim, os lucros devem ser convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da controlada, ou seja, devem ser realizadas com base na taxa de câmbio vigente em 31/12/2002, correspondente ao Balanço Patrimonial nessa data levantado, qual seja, 2,05854; gg) o valor ratificado da base de calculo passara de R$ 127.554.369,90 para R$ 126.441.996,79, com reflexo no valor da multa de oficio aplicada (75%) e dos juros moratórios (83,13%); hh) ao final, pede seu deferimento. No dia 06/07/2007, a relatora do presente processo propôs, ao presidente da 5a Turma da Delegacia Regional de Julgamento da Secretaria da Receita Federal em São Paulo I —SPOT, o qual foi acatado na mesma data, a conversão do julgamento em diligência (fls.191/193), para que a fiscalização: ii) fornecesse elementos e suporte documental hábeis a respaldar uma constatação positiva de que os lucros da controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA Holding Europe, SL (BBLA-Madrid), podendo a comprovação ser extraída dos autos do processo 16327.000299/2006-53 ou obtidos junto à Recorrente; e jj) elaborasse Relatório Final de Diligência, respondendo a seguinte indagação: "a hipótese de incidência relativa à diferença", observada a necessidade de outro lançamento, de crédito tributário com fato gerador em 31/12/2002, na eventual impossibilidade de atendimento à providência inicial. Em cumprimento à diligência determinada pela autoridade julgadora de l a instancia, originou-se o MPF-Fiscalização 0817100-2007-00120-0 (fls. 195, volume 1), cuja ciência à Recorrente foi dada em 12 de setembro de 2007, e que decorreu do MPF-Diligência 0817100-2007-00112-0 (fls. 194, volume 1), de 03 de setembro de 2007, onde se constatou infrações à legislação tributária, redundando na lavratura de Autos de Infração Complementar, nas seguintes balizas: 1 - Adições não computadas na apuração do Lucro Real — Lucros Auferidos no Exterior (2001), fato gerador: 31/12/2002. (fls. 41, volume 2) Enquadramento legal: art. 25, §§2° e 3° da Lei 9.249/95 Art. 16 da Lei 9.430/96; Arts. 249, II, e 394, do RIR/99; Parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35/01 8 Processo n° 16561.000068/2006-77 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 9 2- CSLL — Falta de recolhimento da Contribuição Liquido (fls.47, volume 2) Ausência de adição ao lucro liquido do período, na real, dos lucros auferidos no exterior no período sucursais, controladas, ou coligadas. Fato gerador: 31/12/2002 Enquadramento legal: art. 2° e §§, da Lei 7.689/88; Art. 19 da Lei 9.249/95; Art. 1° da Lei 9.316/96 e art, 28 da Lei 9.430/96; Art. 6° da MP 1.858/99 e reedições. Social sobre o Lucro determinação do lucro de 2001, por filiais, No Termo de Verificação Fiscal (fls. 50/55), explica a autoridade autuante kk) a diferença de lucros da BLA-Lisboa (ex-Madeira), apurada entre outubro e dezembro de 2001, que não foi disponibilizada naquele ano, porque não utilizada na subscrição de capital da BBLA-Madrid, e não integrou o patrimônio da espanhola a partir de janeiro de 2002 deve ser considerada como lucro auferido pela Recorrente no exterior, no ano de 2001, através de sua controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa); 11) os lucros auferidos pela controlada BBLA-Lisboa, ex-madeira no exterior foram apurados no Balanço de 30 de setembro de 2001; mm) que não foram oferecidos A tributação; nn) que deveriam ter sido adicionados ao lucro liquido da Recorrente, e por não terem sido adicionados, foram objeto de lançamento tributário, através de Auto de Infração lavrado por esta fiscalização em 16/03/2006, objeto do Processo 16327.000299/2006-53; oo) a diferença de lucros referentes A controlada BankBoston Latino Americano S.A., de Lisboa, apurada no período de outubro a dezembro de 2001, e não disponibilizada em 2001, porque não utilizada na constituição da BBLA-Madrid, deve ser considerada disponibilizada em 31 de dezembro de 2002, nos termos do parágrafo único do art. 74, da MP 2.158-35/01; pp) no presente Auto de Infração Complementar, foi considerado a diferença entre os lucros de 30 de setembro de 2001 e o efetivo Lucro do Exercício de 2001, e que seu valor efetivo em euros 6: que: 9 Processo n° 16561.000068/2006-77 si -cl TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 10 Lucro do Exercício (euros) dez/01 62.935.558 set/01 1.512.415 Diferença 61.423.143 qq) a conversão da diferença em euro foi realizada com fulcro no art. 143 do CTN, pela taxa de câmbio de 3.7012, referente a 31/12/2002 — data do fato gerador; rr)foi obtido, com sua conversão o valor de R$ 227.339.336,87 (duzentos e vinte e sete milhões, trezentos e trinta e nove mil, trezentos e trinta e seis reais e oitenta e sete centavos), que deveriam ter sido adicionados ao lucro liquido da Recorrente; ss) o lucro auferido no exterior e não oferecido à tributação é objeto do presente lançamento tributário, o qual é refeito por determinação da relatora de primeira instância do presente processo, com base em nova fundamentação legal (parágrafo único do art. 74, da MP 2.158- 35/01), alterando-se a data do fato gerador para 31/12/2002; tt) que o Auto de Infração Complementar é lavrado com guarida no art. 18, §3°, do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 8.748/93; Cientificada dos Autos de Infração Complementares em 31/10/2007 (fls. 55, do volume 2), foi apresentada Manifestação de Inconformidade Fiscal (fls. 73/120, volume 2), com os seguintes argumentos: uu) o lançamento é um procedimento administrativo decorrente de atividade vinculada e obrigatória da autoridade fazenddria, nos termos do art. 142 do CTN; vv) como o art. 142 do CTN estabelece somente a competência geral, o Decreto 70.235/72 veio para estabelecer alguns limites a essa competência genérica, conforme se extrai de seu art. 7°, inciso I; ww) o art. 59, I, do indigitado decreto cuidou das nulidades, e que, embora especifique tais hipóteses, não pode ser interpretado de forma restritiva, sob pena de agredir o art. 100, I, do CTN; xx) a introdução do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, pela portaria SRF 1.265/99 foi um marco histórico na relação entre a administração tributária federal e os contribuintes; 1 0 Processo n° 16561.000068/2006-77 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 11 yy) o MPF é um pré-requisito à abertura de procedimento fiscal, e constitui- se em verdadeira atribuição de "competência especifica" A. autoridade autuante, estabelecendo os limites exatos da atuação dos AFRFB; zz) sua inobservância o torna nulo, apesar de respeitar a competência genérica disposto no art. 142 do CTN; aaa)o art. 2° da portaria RFB 4.066/07 classifica o gênero MPF, nas espécies Fiscalização e Diligência; bbb) que o inciso II de seu art. 3° conceitua o MPF de Diligência como "ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigências de instrução processual; ccc)o Auto de Infração ora combatido teve como origem o "Pedido de Diligência" formulado pela DRJ/SPOI, cujo propósito era para esclarecer, mediante suporte documental, que os lucros apurador pela BBLA/PORTUGAL, no período compreendido entre 30/09/01 e 31/12/01, de € 61.423.145, foram, efetivamente, utilizados no aporte de suas ações para a constituição da BBLA/ESPANHA, ou apontar, caso os lucros tivessem sido apurados no balanço encerrado em 31/12/01, a necessidade de novo lançamento tributário e, em qualquer das hipóteses, intimar a Recorrente para, de acordo com o art. 44 da Lei 9.784/99, manifestar-se no prazo de 10 dias, antes da devolução do processo àquela instancia julgadora; ddd) a autoridade diligente, em 12/09/07, sem elaborar o Relatório de Diligência e dele dado ciência a Recorrente, emitiu o MPF 08.1.71.00- 2007-00120-0, e lavrou os Autos de Infração ora impugnados; eee)agindo dessa forma, afrontou seu direito á. ampla defesa e ao contraditório, esculpido no inciso XXXIII, do art. 5° da CF, c/c o art. 44, da Lei 9.784/99, que rege o Processo Administrativo Fiscal, desobedecendo, em conseqüência, o determinado pela DRJ/SPOI; fff) em virtude do ocorrido, todos os atos por ela praticados após o encerramento do procedimento de diligência se tornaram nulos, principalmente o lançamento decorrente do MPF 09.1.71.00-2007- 00120-0, nos termos do inciso II, do art. 59, do Decreto 70.235/72; ggg) o §3°, do art. 18, do Decreto 70.235/72, somente permite a lavratura de Auto de Infração Complementar quando se constata incorreção, omissão ou inexatidão no lançamento objeto da diligência, que pudesse resultar em agravamento da exigência inicial, na inovação ou alteração da fundamentação legal, o que não ocorreu; hhh) conforme Termo de Verificação Fiscal, ficou claro que a nova fundamentação legal apontada alterou o fato gerador do IRPJ, já que anteriormente se tinha entendido ter ocorrido no dia 31/12/01, e com a nova lavratura se fixou o dia 31/12/02; II Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 12 iii) a situação descrita pela autoridade autuante no item 3.1 do "Termo de Verificação Fiscal" deixa claro, em face da nova fundamentação legal nele apontada, que houve alteração do fato gerador do IRPJ, quer da data de sua ocorrência, de 31/12/01 para 31/12/02, quer da sua materialidade - de disponibilização de lucros pelo pagamento, em face do evento societário de constituição da BBLAFESPANI para disponibilização, em 31/12/02 de lucros apurados em 31/12/01 -, como também, em razão da taxa de câmbio então adotada, da base tributável, que passou de R$ 127.554.369,90 para R$ 227.339.336,87; jjj) no final do procedimento fiscal houve, claramente, nova constituição de um crédito tributário, demonstrando a inexistência de complementaridade entre o presente Auto de Infração e o lavrado no PAF 16327.000068/2006-53; kkk) a intenção da autoridade autuante, ao proceder desta forma, foi a de evitar a ocorrência de decadência do direito de constituir o indigitado crédito tributário, pelo decurso do prazo de cinco anos, art. 173, I, do CTN; 111) incorreu em excesso de exação, o que é vedado pela legislação pátria, razão pela qual não pode prosperar o Auto de Infração combatido; mmm) o lançamento complementar não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas no art. 145, III e 149 do CTN; nnn) é vedada à Administração Tributária, em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas, introduzir modificações benéficas, ou não, ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados, nos termos do art. 146 do CTN; 000)na época de constituição da BBLA/ESPANHA, em 21/12/01, já vigorava a MP 2.158-35/01, que dispõe sobre a presunção legal da data de disponibilização dos lucros e não distribuídos até 31/12/01; ppp) quando da lavratura do Auto de Infração objeto do PAF 16327.0000068/2006-77, deveria, de oficio, a autoridade fiscal ter aplicado a referida MP; qqq) após o advento da Lei 9.249/95, os lucros apurados por controladas no exterior, até então não sujeitos à tributação do IRPJ no Brasil, passaram a sê-lo e, nos termos do seu art. 25, caput e §2°, II, nos mesmos moldes da legislação pátria e no próprio ano em que apurados; rrr) a partir de 01/01/98 tais lucros passaram a ser computados na determinação do lucro real somente no momento em que fossem, nos termos do disposto nos §§1° e 2°, do art. 1°, da Lei 9.532/97, disponibilizados para a controladora ou coligada domiciliada no Brasil; sss) o legislador, agindo dessa forma, criou nova espécie de fato gerador para o IRPJ, espécie esta não prevista no art. 43 do CTN; 12 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 13 ttt) como essa criação poderia criar discussão sobre sua aplicação, o legislador fiscal, em obediência ao art. 146, III, "a", da CF, editou a LC 104/01, para acrescentar o §2°, ao art. 43, do CTN; uuu) para dar cumprimento ao novo comando, editaram-se a MP 2.158-35/01, onde ficou estabelecido as condições e o momento da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, conforme disciplinado no caput do art. 74, o qual revogou, tacitamente, a teor do disposto no §1°, in fine, do art. 2° do Decreto-Lei 4.657/42, o art. 1° da Lei 5.532/97; vvv) o art. 25 da Lei 9.249/95, caput e §2° passou a ter sua consonância restabelecida, e os lucros das controladas/coligadas no exterior voltaram a compor a determinação do lucro real das controladoras ou coligadas, no Brasil, no mesmo exercício em que apurados; www) após 21/12/01, a BBLA/PORTUGAL passou a ser controlada pela BBLA/ESPANHA, motivo suficiente para afastar, no caso vertente, a hipótese de disponibilização de lucros a que alude o disciplinado pelo art. 74 da MP 2.158-35-01, quer da BBLA em favor da Recorrente, quer da BBLA, com sede em Portugal, em beneficio da BBLAHE, na Espanha; xxx) tentar aplicar a legislação pátria a pessoas jurídicas relacionadas e ambas com sedes no exterior, estas sujeitas as leis dos países em que situam, ultrapassa os limites legais de que dispõe a autoridade fiscal brasileira, já que invade, de forma inadmissível, a competência daqueles entes tributantes; yyy) ainda que a BBLA/ESPANHA estivesse obrigada, por força da legislação brasileira, o que se admite a titulo argumentativo, a avaliar o investimento na BBLA/PORTUGAL, sua controlada, pelo método da Equivalência Patrimonial, a variação decorrente dos lucros da BBLA, apurados em 31/12/01 e não distribuídos, não teriam efeitos tributários na Recorrente, por estarem subsumidos ao disposto pelas legislações de Portugal e Espanha; zzz) ainda que a BNP tenha incorrido em erro em sua escrituração contábil, a afirmação da autoridade autuante, constante do item 1.10 do Termo de Verificação Fiscal, de que a BBLAHE não refletiu em seu patrimônio os lucros apurados pela BBLA entre outubro e dezembro de 2001, não pode servir de fundamento para considerá-los como lucros auferidos pela Recorrente no exterior em 31/12/01, e disponibilizados em 31/12/02, visto que tal não encontra respaldo no art, 25, §2°, I, da Lei 9.249/95, c/c os arts. 384, 387, 388 e 389 do RIR199; aaaa) os créditos tributários lançados com base nos lucros apurados pela BBLA/PORTUGAL, em 31/12/01, e jamais disponibilizados em favor da Recorrente em 31/12/02, carecem de certeza e liquidez, devendo a autoridade julgadora declarar improcedente a autuação em questão; 13 Processo n° 16561.000068/2006-77 Si-Cl Ti Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 14 bbbb) o Termo de Verificação Fiscal constatou, de forma clara, que o BBLA/ESPANHA, desde sua constituição, esteve e se encontra sob a jurisdição do Estado Espanhol, posto que sediada em Madrid; cccc) também reconhecer ser a BBLA/PORTUGAL uma empresa controlada por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, seja pelo BankBoston Banco Múltiplo S/A, até 27/12/99, seja pela Boston Negócios e Participações Ltda., até 21/12/01, quando passou a ser controlada diretamente pelo BBLA/ESPANHA, com sede em Madrid; dddd) outro ponto reconhecido, expressamente no item 1.9, foi de se encontrar o BBLA, no que diz respeito ao tratamento tributário dos resultados de suas atividades econômicas realizadas até 21/12/01, data da ocorrência do evento societário de constituição da BBLA/ESPANHA, sob o albergue de Tratado Internacional Contra a Dupla Tributação, firmado entre o Brasil e Portugal; eeee) em 5 de janeiro de 1976 foi promulgado o Decreto 76.975, onde passou a vigorar a Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, o qual se encontra, ainda, em plena vigência; ffff)conforme se extrai de seus arts. 7 0 e 10°, os lucros auferidos pela BBLA/ESPANHA, entre 30/09/01 e 31/12/01, em decorrência das atividades econômicas exercidas no Estado Espanhol por meio de estabeleicmento estável, só poderiam ser tributados naquele Estado Contratante, visto que a a BBLA/ESPANHA não exercia sua atividade no Brasil; gggg) o fato de a empresa sediada em um outro Estado Contratante ser controlada por sociedade residente ern outro Estado Contratante, como no caso vertente, em que a BBLA/ESPANHA era controlada pela BNP, não caracteriza, por si só, a existência de estabelecimento estável nesse outro Estado Contratante, não se aplicando, na espécie aqui discutida, o que dispõe o item 1 do art. 7 da tratado em comento; hhhh) ainda na dicção do item 1 do art. 10 do tratado, destaca a Recorrente que os dividendos eventualmente pagos pela BBLA/ESPANHA a seus sócios ou acionistas sediados no Brasil poderiam, esses sim, sofrer, nos termos da legislação brasileira, a incidência do imposto sobre a renda; iiii) contudo, não se pode equiparar os lucros auferidos pela BBLA/ESPANI-IA em suas atividades desenvolvidas na Espanha com os dividendos a que alude o item 4 do artigo 10, visto que não houve nenhuma remessa, pagamento ou creditamento em favor da Recorrente, sua controladora no Brasil; jjjj) o próprio Termo de Verificação Fiscal, em momento algum fez menção ao pagamento de dividendos, tampouco 6. remessa, pagamento, este no sentido estrito do termo, ou ao crédito de lucros, por parte do 14 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101 -000.744 Fl. 15 BBLA/ESPANHA, em beneficio da Recorrente, a BNP, pelo simples motivo de que tal fato não ocorreu; kkkk) uma possível alegação de que o tratamento tributário objeto da Convenção Internacional em apreço não teria supremacia sobre as leis internas vão por terra por uma simples leitura do §2°, do art. 5°, da Constituição Federal, c/c o art. 98 do CTN; 1111) como a celebração dos tratados é ato de competência conjunta do Chefe do Poder Executivo e do Congresso Nacional, é inadmissível sua revogação ou denúncia por ato do Poder Legislativo; mmmm) assim, não poderia a Lei 9.532/97 se sobrepor aos Tratados/Convenções Internacionais contra a Dupla Tributação, celebrados pela República Federativa do Brasil com outros Estados Contratantes; nnnn) tendo em vista que o fato gerador relativo aos lucros apurados pela BBLA/PORTUGAL no encerramento do ano-calendário 2001 ocorreu em 31/12/01, e foi alcançado, como disciplinado no art. 150, §4° do CTN, pela decadência em 31/12/06, muito antes de iniciado, em 03/09/07, o procedimento fiscal objeto do MPF 08.1.71.00-2007-00112- 0, deve a autoridade julgadora reconhecer e declarar a improcedência do crédito tributário do IRPJ dele decorrente; 0000) o Auto de Infração, ao quantificar os lucros tidos como disponibilizados pela BBLA em favor da Recorrente incorreu em erro, pois apontou, como fundamento para converter o valor da base tributável, no montante de € 61.423.143, o art. 143, o que ocasionou, por conseqüência, a adoção da taxa de câmbio válida para o dia 31/12/02, correspondente a R$ 3,7012/€; PPPP) contudo, como se extrai do art 143 do CTN e do §4° do art. 25, da Lei 9.249/95, os lucros serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada; qqqq) assim, no caso vertente, para a conversão da base tributável, deveria ser utilizado a taxa de câmbio do dia 31/12/01, a qual era de R$ 2,05854/€, e não a data da suposta disponibilização, o que implicaria a retificação da base de cálculo para R$ 126.441.996,79, com amplos reflexos nos créditos tributários do IRPJ e da CSLL; rrrr) ao final, pede seu provimento. No dia 08 de outubro de 2008, a Recorrente juntou, às fls. 152/164, volume 2, aditivo 6. Manifestação de Inconformidade, onde se extrai os seguintes argumentos: 15 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 16 ssss)o fato de não ter a Recorrente adicionado, na determinação do lucro real do ano-calendário 2002, os lucros auferidos pela BBLA/PORTUGAL no período de 30/09/01 a 31/12/01, nem tampouco tê-los computado no Patrimônio da BBLA/ESPANHA a partir de janeiro de 2002, não serve para sustentar a afirmação de ter ela infringido o disciplinado pelo art. 25 da Lei 9.250/95, e pelo parágrafo único do art. 74, da MP 2.158- 35/01; tttt) para afastar tal entendimento, basta recorrer-se ao disciplinado pelos artigos 1 0, §6° e 6° da IN SRF 213/02, e art. 38 do Código do Comércio da Espanha, onde diz que "Será seguido o principio da prudência valorativa. Este principio, obrigará, em todo caso, a reunir no balanço s6 os lucros realizados na data de seu encerramento", e que "os elementos do imobilizado e do circulante serão contabilizados, sem prejuízo do disposto no artigo seguinte, pelo preço de aquisição ou pelo custo de produção"; uuuu) por intermédio dessa combinação, salta evidente a obrigatoriedade da BBLA/ESPANHA de escriturar os investimentos em sua controlada pelo preço de aquisição, não havendo que se falar, como quis sustentar a autoridade autuante, Equivalência Patrimonial da participação societária na BBLA/PORTUGAL; vvvv) desta forma, a tese esposada pela autoridade autuante, agasalhada pela DRJ/SPOI no Pedido de Diligência, e ensej adora do presente Auto de Infração, de ter a BBLA/ESPANHA deixado de registrar os lucros da BBLA/PORTUGAL em seu Patrimônio Liquido não prospera por ter feito em absoluto respeito A. determinação legal; vvwww) ao não considerar o inserto na IN SRF 213, de 7 de outubro de 2002, que possui fundamento de validade em lei, decorre a afronta ao Principio da Estrita Legalidade ao qual se subordina o exercício das funções fiscalizadora e julgadora da SRF; xxxx) ao querer impor, A. requerente, a obrigatoriedade de computar, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, o acréscimo patrimonial auferido pela BBLA/PORTUGAL, tanto a autoridade fazenddria, na formalização do Auto de Infração, como a DRJ, no julgamento da impugnação oferecida anteriormente, subverteram a relação jurídico- tributária existente entre o sujeito passivo (a requerente) e o fisco no Brasil, extrapolando, com o fim de tributar lucro auferido por uma terceira empresa (a BBLA/PORTUGAL), sem vinculo direto, a relação societária existente entre a querente, com sede no Brasil, e sua controlada (a BBLA/ESPANHA) na Espanha; YYYY) exigir da BBLA/ESPANHA o reconhecimento, por meio de escrituração em seu registros contábios, do lucro da BBLA/PORTUGAL 6, além de infringir a IN SRF 213/01, obrigar que a empresa espanhola desobedeça ao seu próprio ordenamento jurídico e, sob pena de não fazendo, punir sua controladora no Brasil senão o fizer; 16 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdao n.° 1101-000.744 Fl. 17 zzzz) menciona, ainda, a impossibilidade de aplicação, para efeito de apuração dos lucros da BBLA/ESPANHA no encerramento do ano- calendário 2001, o quanto inserto no art. 121, do Capitulo XI, da Lei 43/1995 (Lei Espanhola de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica); aaaaa) o referido normativo, que obriga as empresas com sede no território espanhol a computar, para o fim de apuração da base tributável no encerramento do exercício fiscal e dentro do principio da Transparência Fiscal Internacional, as rendas positivas auferidas por sua(s) controlada(s) no exterior, como no caso a BBLA/PORTUGAL, não alcançava, no entanto, a BBLA/ESPANHA, posto ter sido ela constituída nos moldes de uma "ETVE — Entidad de Tenencia de Valores Extranjeros", bbbbb) sob esse regime especial, sobre o qual não podia a legislação brasileira se sobrepor, tem-se que as rendas positivas auferidas pela BBLA/PORTUGAL em 31/12/01 não preisavam ser imputadas na apuração dos resultados da BBLA/ESPANHA daquele exercício, como fez crer a autoridade autuante, como a posterior exclusão da base tributável, quando distribuídos, dos beneficios (lucros-dividendos) delas decorrentes; ecccc) podia a BBLA/ESPANHA, com o propósito de evitar a dupla tributação (Espanha/Portugal), deduzir do IR devido em 31/12/01, o valor efetivamente satisfeito, na parte da renda imputada c/ou incidente sobre os dividendos distribuídos pela BBLA/PORTUGAL; ddddd) contudo, a fiscalização, em momento algum, observou a legislação em referência, motivo este para comprovar todo o equivoco cometido na lavratura do Auto de Infração; A 5a Turma da DRJ/SPOI, ao apreciar o mérito, julgou parcialmente procedente o lançamento, tendo recorrido de oficio sobre a parcela do lançamento que foi excluída pela mesma, conforme se extrai da ementa: ASSUNTO-IMPOSTO-SOBRE--A-RENDA DE PESSOA - 40- JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR. POSSIBILIDADE. Quando forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente a matéria modificada. MESMOS FATOS E MATÉRIA. COEXISTÊNCIA DE DUAS AUTUAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. 17 Processo n° 16561.00006812006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT1 Fl. 18 Impossível a existência de duas autuações sobre os mesmos fatos e a mesma matéria. APORTE DE AÇÕES. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇ, 710 DE LUCROS. Na utilização de ações de controlada sediada no exterior para a constituição de outra empresa, há o emprego de lucros da controlada, em favor da controladora, o que configura hipótese de disponibilização. ERRO QUANTO À DATA DO FATO GERADOR E À M4 TERIA TRIBUTÁVEL. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a autuação efetuada com erro quanto ã data do fato gerador e à matéria tributável. CSLL. DECORRÊNCIA. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica- se ã tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte Com relação a parcela excluída da tributação, relativa ao segundo auto de infração, lavrado por ocasião da realização da diligência fiscal, a turma de julgamento interpôs recurso de oficio. Cientificada da decisão de primeira instância (fls. 20, volume 3), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário (fls. 22/61), no qual, em apertada síntese, argumenta que: eeeee) considerando o tempo transcorrido entre 30 de setembro de 2001 (data do balanço da BBLA-Lisboa utilizado para o aporte das ações) e 21 de dezembro de 2001 (data da Escritura de constituição da BBLA- Madrid), concluiu a autoridade autuante que o lucro da BBLA-Lisboa, que era de e 1.512.415 em setembro, passou a ser de € 62.935.558, em dezembro de 2001; fffff) contudo, a premissa adotada pela autoridade fiscal, de que a parcela de € 61.423.143 do lucro do ano-calendário 2001 teria sido realizada em 21/12/01, não encontrou nenhum fundamento contábil e/ou fiscal na documentação entregue pela Recorrente, inclusive contrariando o expressamente descrito no item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal, que reconheceu ter sido ele apurado em 31/12/01; ggggg) a conclusão de que aquela parcela do lucro da BBLA-Lisboa teria sido utilizada em 21/12/01 como aporte de capital na BBLA-Madrid, não encontra suporte na documentação relativa ao evento societário em questão, conforme expressamente reconhecido pela própria autuante no 18 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 FL 19 curso do procedimento fiscal tratado nos autos do PAF 16327.000299/2006-53; hhhhh) que a julgadora não tinha dúvida sobre a data de apuração, pela BBLA-Lisboa, da parcela de lucros de € 61.423.143, ou seja, em 31/12/01 (item 4 do Pedido de Diligência), como também não ter sido tal parcela utilizada na subscrição do capital da BBLA-Madrid, em 21/12/01, posto que referido evento teve por base, em absoluta linha com o disciplinado pela legislação pátria, o balanço levantado em 30/09/01, incluindo todo o lucro até então apurado no exercício, de € 1.512.415 (item 2 do Pedido de Diligência); itin)que reconheceu, expressamente, o equivoco cometido pela autoridade autuante, pois, em afronta ao principio da verdade material, "considerou que todos os lucros apurados no balanço da BBLA-Lisboa, encerrado em 31/12/01, foram empregados pela autuada na constituição da BBLA- Madrid, ocorrido em 21/12/2001", fato esse mais do que suficiente para julgar improcedente a autuação; jijii)a legislação que vigorava na Espanha, em 31/12/01, particularmente o Código do Comércio de 1885, faz-se necessário julgar improcedente o afirmado pela autoridade no Termo de Verificação Fiscal e no Auto de Infração; kkkkk) que a afirmação da autoridade de que, a partir do "Balance de Situacion" do BBLA/ESPANHA de 31/12/01, o resultado no encerramento daquele exercício foi um prejuízo de C 43,32, e que o valor da participação do BBLA/ESPANHA no BBLA/PORTUGAL foi de € 224.946.951,00, valor este correspondente ao Patrimônio Liquido do BBLA/PORTUGAL, apurado por ocasião do balanço levantado em 30/09/01, não pode prosperar; 11111)o fato da Recorrente não ter adicionado, na determinação do lucro real do ano-calendário 2002, os lucros auferidos pela BBLA/PORTUGAL no período 30/09/01 a 31/12/01, nem tampouco te-los computado no Patrimônio da BBLA/ESPANHA a partir de janeiro de 2002, não serve para sustentar a afirmação de ter ela infringido o disciplinado pelo art. 25 da Lei 9.250/95, e pelo parágrafo único do art. 74, da MP 2.158- 35/01; mrnmmm) que o art. 10 e seu §60, o art. 6° da IN SRF 213/02, e o art. 38 do Código do Comércio da Espanha, nos ensina que a BBLA/ESPANHA era obrigada a escriturar seus investimentos em sua controlada pelo preço de aquisição, e não pelo principio da Equivalência Patrimonial da participação societária na BBLA/PORTUGAL; nnnnn) assim, o argumento de que a BBLA/ESPANHA deixou de registrar os lucros da BBLA/PORTUGAL em seu Patrimônio Liquido não pode prosperar, por ter feito em absoluto respeito à determinação legal; 'u 1 9 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 20 00000) assim, caso apurados lucros na BBLA/ESPANHA re que estes deveriam ser disponibilizados em favor da Recorrente; ppppp) o Termo de Verificação Fiscal constatou que, desde a constituição da BBLAHE, esta esteve sob a jurisdição do Estado Espanhol, posto que sediada em Madrid; qqqqq) também reconheceu que a BBLA é uma empresa controlada por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, seja pelo BankBoston Banco Múltiplos S/A, até 27/12/99, seja pela Boston negócios e Participações Ltda, até 21/12/01, quando passou a ser controlada diretamente pelo BBLAHE, com sede em Madrid; rrrrr) a fiscalização também reconheceu que o BBLA, no que diz respeito ao tratamento tributário dos resultados de suas atividades econômicas realizadas até 21/12/01, data da ocorrência do evento societário de constituição da BBLAHE, sob o albergue de Tratado Internacional Contra a Dupla Tributação, firmado entre o Brasil e Portugal; sssss) desde o dia 5 de janeiro de 1976, quando foi promulgado o Decreto 76.975, passou a vigorar, entre a República Federativa do Brasil e o Estado Espanhol, a Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evassão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda, o qual encontra-se em plena vigência; ttttt)os lucros auferidos pela BBLAHE entre 30/09/01 e 31/12/01, por conta da Convenção firmada pelo Brasil com o Estado Espanhol, deveriam ser tributados pela Espanha, já que lá exercia suas atividades; uuuuu) somente os dividendos, eventualmente, pagos pela BBLAHE a seus sócios ou acionistas sediados no Brasil que poderiam sofrer, nos termos da legislação brasileira, a incidência do IR; vvvvv) não se pode equiparar os lucros auferidos pela BBLAHE em suas atividades desenvolvidas na Espanha com os dividendos a que alude o item 4 do artigo 10, do Tratado, visto que não houve nenhuma remessa, pagamento ou creditamento em favor da Recorrente, sua controladora no Brasil; wwwwvv) em momento algum o Termo de Verificação Fiscal fez menção ao pagamento de dividendos, tampouco à messa, pagamento, este no sentido estrito do termo, ou ao crédito de lucros, por parte da BBLAHE, em beneficio da Recorrente, a BNP, pelo simples motivo de tal fato não ter ocorrido; xxxxx) ao final, pede o provimento de seu recurso. Intimada a Fazenda Nacional, a mesma apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 107/134, Volume 3), com os seguintes argumentos: -4 20 Processo n 0 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 21 yyyyy) compulsando os autos verifica-se que o MPF-F n" 08.1.71.00- 2005-00015-0 (fls. 01/06) acompanhado de Termo de Inicio da Ação Fiscal foi lavrado por autoridade competente (Auditores da Receita Federal João Carlos de Souza — Matric. 0024792 e Ely Santos — Matric. 0065329), cuja ciência foi dada ao representante do contribuinte em 15/02/2005. Aludido MPF-F deu origem do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal (fls. 62/75), cientificado o contribuinte em 13/12/2006; zzzzz) As fls. 176/179 os presentes autos foram baixados em diligência por meio da expedição do MPF-1) n" 08.1.71.00.-2007-00112-0, cujos responsáveis eram os Auditores da Receita Federal do MPF-F já citado e a ciência do contribuinte foi apostada em 24/09/2007, conforme se infere As fls. 179/180. Aludido MPF-1) deu origem a lavratura de Auto de Infração Complementar e Termo de Verificação Fiscal (fls. 235/251), cuja ciência do contribuinte foi dada em 31/10/2007; aaaaaa) a diligência foi devidamente realizada, tendo a Recorrente sido cientificada em 31/10/2007 da lavratura do Auto de Infração Complementar resultado daquele MPF-D; bbbbbb) o fato da Recorrente não ter sido cientificada do Relatório de Diligência elaborado não implica ofensa ao inciso II, do art. 59, do Decreto 70.232/72, já que foi lavrado Auto de Infração Complementar, cuja ciência foi dada a Recorrente; ccccec) em caso similar, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu no Acórdão 103-19.930; dddddd) os argumentos de defesa apresentados pela Recorrente demonstram que a mesma compreendeu perfeitamente as razões de fato e o enquadramento legal em que se fundou a autuação, o que contradiz a acusação de insuficiência de elementos demonstrativos da natureza das infrações que lhe foram imputadas; eeeeee) a jurisprudência do Conselho de Contribuintes também se alinha a tal entendimento, conforme se extrai dos Acórdão 104-19340 e 202- 14920; ffffff) os autos de infração foram lavrados com permissão legal, nos termos do referido artigo, já que a autoridade competente, após a realização de diligência, verificando incorreção no lançamento originário, agravando a existência, lavrou Auto de Infração Complementar, dele dando ciência a Recorrente; gggggg) não houve nenhuma mácula As normas legais invocadas pela Recorrente, motivo pelo qual devem ser desconsiderados tais argumentos; hhhhhh) no momento da concretização do negócio jurídico (21/12/2002), a fiscalização realizada do Processo Administrativo 16327.000299/2006- 21 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101 -000.744 Fl. 22 53 não levou em consideração a diferença de E 61.423.413, apesar de que referido valor já constava do balanço da BBLA-Lisboa de setembro de 2001, embora com outra rubrica, qual seja, lucro suspenso, em face da isenção do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), nos termos do artigo 41 do Estatuto dos Benefícios Fiscais, por exercer suas atividades na Zona Franca Exterior da Madeira; min) os lucros oriundos do exterior estão sujeitos A tributação em virtude do que dispôs, inicialmente, o art. 25, da Lei 9.249/95; JJEJ) que o RIR199, em seus arts. 249 e 394 e a Lei 9.430/96, em seu art. 16, disciplinam, de forma clara, a matéria; Iddddck) segundo as disposições referidas, a tributação sobre os lucros auferidos por meio de controladas, regra geral, serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano Entretanto, se tais lucros foram auferidos por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real, quando disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil; 111111) não resta dúvidas de que a disponibilização dos lucros auferidos pela Recorrente efetivou-se no momento do aporte de 100% de suas ações do BankBoston Latino Americano S/A e a sua utilização na constituição da BBLA/Madrid; mmmmmm) contudo, cinge-se a questão na quantificação do referido valor; nnrmnn) a partir de declarações da própria recorrente no momento da constituição da BBLA/Madrid e até 18 de dezembro de 2001 a mesma se beneficiou da isenção de IRC ao abrigo do artigo 41 0 do Estatuto dos Beneficios Fiscais, dado que a sua atividade foi exercida na Zona Franca exterior da Madeira. Assim, a diferença apurada entre o balanço do aporte de ações (30/09/2001) e o realizado 31/12/2001 proveio dessa isenção, posto que a mesma deixou de existir entre a concretização dos referidos balanços; 000000) por ocasião do balanço de 30109/2001, quando ainda estava em vigor a referida isenção, o lucro referente a diferença de E 61.423.413, apesar já constar no balanço da BBLA-Lisboa, encontra-se sob a rubrica de lucro suspenso, em face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (1RC). De outro lado, quando da apuração do balanço de 31/12/2001 a isenção, que vigorou até 18/12/2001, deixou de existir e o lucro de suspenso e passou a estar disponível à controladora brasileira, devendo,portanto, estar sujeito A. tributação; pppppp) como o aporte ocorreu em 21 de dezembro de 2001, evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida 22 o Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 23 data, independentemente de sua classificação contábil, configurando a hipótese legal de disponibiiização e tributação de lucros; qqqqqq) a isenção concedida A. BBLA-Lisboa na elide a tributação dos lucros, no Brasil, quando sua disponibilização à controladora brasileira; arm) a referida isenção vigorou apenas até 18 de dezembro de 2001, como dito anteriormente; ssssss) não se aplica a Convenção destinada a evitar a Dupla Tributação e Prevenir a evasão fiscal em matéria de imposto sobre a Renda, por não se tratar de dupla tributação, mas sim única tributação de empresa brasileira e com sede no Brasil que auferiu lucro em virtude de negócios realizados no exterior; tttttt) o lançamento não refere-se a dividendos pagos pela BBLA/Madrid à Recorrente, mas sim valores auferidos pela Recorrente na empresa BBLA/Portugal e, posteriormente, utilizados na constituição da BBLA/Madrid; uuuuuu) assim, há de se considerar, também, o montante de € 61.423.413, bem como o valor de € 1.512.415,13, tributado nos autos do processo 16327.000299/2006-53, disponibilizado em 21 de dezembro de 2001, data esta do fato gerador; vvvvvv) a Recorrente não se insurgiu, em sede de Recurso Voluntário, acerca da taxa de câmbio aplicável a espécie, motivo de preclusdo da matéria em tela; )ao final, requer que seja negado provimento ao recurso voluntário da Recorrente. o relatório. 23 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI AcOrclao n.° 1101-000.744 Fl. 24 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Em apreciação recursos voluntário e de oficio. Ambos atendem os pressupostos de admissibilidade, portanto ambos devem ser conhecidos. Como visto do relato, trata-se de lançamento a titulo de lucro auferido no exterior por empresa controlada. A exigência fiscal constante no presente processo administrativo refere-se a lançamento complementar a outra autuação, a qual foi objeto do Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53. Assim, o evento societário realizado em 21 de dezembro de 2001 acarretou o lançamento de oficio em ambos processos. De acordo com a autoridade autuante, a recorrente, com sede no Brasil, constituiu em data 21 de dezembro de 2001, uma empresa com o controle total da mesma com sede em Madri, Espanha, denominada BBLA Holding Europe SL, integralizando no capital desta a totalidade das ações que possuía do BankBoston Latino Americano S/A, tendo como base o balanço realizado pelo BankBoston Latino Americano em data de 30 de setembro de 2001, conforme o quadro constante no Relatório Fiscal (fls. 72): Fonte Dem. Financ (euros) 30/09/01 (em euros) Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultado Transitado 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415 Patrimônio Liquido 224.946.970 A autoridade fiscal entendeu que a operação acima descrita teria dado origem a ocorrência do fato gerador do NUJ em decorrência do emprego dos lucros acumulados pelo BankBoston Latino Americano S/A em favor da empresa Boston Negócios e Participações Ltda., conforme previsto pelo artigo 1° da Lei 9.532/1997. Nessas condições foi constituído o crédito tributário em razão do emprego dos lucros acumulados no exterior até 30 de setembro de 2001 por parte da recorrente. A disponibilização dos lucros ocorreu em 21 de dezembro de 2001, sendo que o primeiro auto de infração constituído no presente processo incluiu tão somente os lucros acumulados até o dia 30 de setembro do mesmo ano, de acordo com o balanço realizado. No balanço realizado pela empresa controlada sediada no exterior, em data de 30/09/2001, no primeiro auto de infração (Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53) 24 Processo no 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 25 foram incluídos os lucros acumulados correspondentes ao seguinte montante: € 19.939.531 (reservas) + € 146.256.614 (resultado transitado) + € 1.512.415 (lucro do exercício), que totaliza € 167.708.560. As fls. 328 do presente processo consta o Termo de Fiscalização do Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53, correspondente aos lucros tributados naquele. Assim, no primeiro auto de infração conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal (cópia às fls. 328) relativa a ação fiscal constante no processo n° 16327.000299/2006-53, foram tributados os lucros acumulados de € 167.708.560,13, até 30/09/2001, data do balanço levantado para o evento de transferência da participação societária ocorrido em 21/12/2001. No presente processo sob julgamento, na verdade existem dois autos de infração complementares, ambos exigindo uma diferença em razão do mesmo fato anteriormente citado, ocorrido em 21/12/2001 e que também serviu de base para a lavratura do auto de infração anterior conforme o processo administrativo n° 16327.000299/2006-53 (resultante da primeira ação fiscal levada a efeito). Ressalte-se que Turma de Julgamento de primeira instancia determinou a realização de diligência fiscal (fls. 176 a 178), para que fossem fornecidos elementos e suporte documental "hábeis a respaldar uma constatação positiva de que 6' 61.423.143 dos lucros da controlada BankBoston Latino Americano S/A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA Holgin Europe, S.L. (BBLA-Madrid)". A fiscalização limitou-se à lavratura de novo auto de infração, sem trazer aos autos os elementos solicitados pelos julgadores de primeiro grau, cujo lançamento foi, posteriormente, cancelado pela DRJ, portanto, o questionamento suscitado pelos julgadores resultou sem atendimento. Pelo que se depreende dos presentes autos e também da diligência determinada pela DRJ em Sao Paulo, haveria uma parcela de resultado a ser tributada, que o primeiro auto de infração deveria ter incluído e deixou de fazê-lo, o que daria ensejo à lavratura de um auto de infração complementar. Ou seja, em razão do evento ocorrido em 21/12/2001, quando houve a disponibilização dos lucros apurados pela controlada da Recorrente no exterior, o primeiro auto de infração (Processo n° 16327.000299/2006-53) deveria tributar os lucros apurados até esta data (21/12/2001), e não os lucros apurados tão somente até 30/09/2001, data do balanço levantado pela empresa apenas para efeito societário, para proceder à integralização. Diante disso, resultou sem tributação todo o lucro apurado pela empresa controlada no período de 30/09/2001 a 21/12/2001. Este é o resultado que deveria ser tributado no auto de infração complementar, segundo a legislação de regência. 0 artigo 1° da Lei n° 9.532/1997 estabelece a tributação dos lucros auferidos no exterior até o momento de sua disponibilização para a empresa no Brasil, disponibilização esta que poderia se dar com o pagamento destes lucros. Citado diploma legal estipulou várias hipóteses de pagamento, inclusive quando houver o emprego do valor em favor da beneficiária. Esta é a situação jurídica estipulada em lei como suficiente para a ocorrência do fato gerador. 25 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI -C ITI AcOrclao n.° 1101 -000.744 Fl. 26 A citada lei determinou a forma da tributação do resultado apurado por empresa controlada no exterior através da adição ao lucro em 31 de dezembro de cada ano em que ocorrer a disponibiliza9do, e não na data da ocorrência da mesma. Nesse sentido cabe destacar o voto do ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido, no Acórdão n° 101-96.601: "Da exegese dos dispositivos apresentados vê-se que a matéria tributável é o lucro auferido no exterior por sociedade domiciliada no Brasil, por intermédio de suas sucursais, filiais, controladas ou coligadas, que sejam disponibilizados aquela (artigo 1°). Os lucros serão considerados disponibilizados, no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento (letra b do parágrafo 1'). 0 parágrafo 20 cria uma presunção de que o lucro será considerado pago, quando ocorrido o emprego do valor em favor da beneficiária. Falta definir apenas se a alienação da participação societária de coligada no exterior se enquadraria na expressão "o emprego do valor em favor da beneficiária". A luz dos dispositivos supra citados, não resta dúvida de que ao alienar sua participação societária em sua coligada no exterior a coligada brasileira beneficiou-se do valor dos lucros auferidos por aquela, representado, tal beneficio, pelo acréscimo no valor das ações alienadas, em decorrência da valorização do patrimônio liquido pelos lucros auferidos e acumulados nele. Portanto, a disponibilização dos lucros se deu na data da alienação da participação societária (maio de 2000), devendo ser adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro daquele ano-calendário, sendo este o momento temporal do fato gerador da obrigação tributária. A ciência dos lançamentos se deu em 30 de setembro de 2005, portanto tempestivamente, não tendo ocorrido a suscitada decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário." Como se viu no voto acima descrito, a norma legal fixou dois momentos para efeito da hipótese de incidência dos lucros no exterior: (a) o momento da disponibilização, como condição da própria tributação, e (b) o momento efetivo da tributação, que se consuma em 31 de dezembro. Com efeito, o artigo 43 do CTN prevê o fato gerador do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 43. 0 imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (..)" O parágrafo 2' do artigo acima, incluído pela Lei Complementar n° 104/01, veio legitimar as regras de tributação dos lucros auferidos no exterior, prevendo que a lei estabeleceria o momento da ocorrência do fato gerador com a disponibilização dos lucros, 26 Processo n 0 16561.000068/2006-77 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 27 verbis: " § 2° Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela LC n° 104, de 10.1.2001)" A Lei no 9.532/1997 fez exatamente isso, dispôs sobre o momento em que se davam a disponibilização dos resultados do exterior "para fins de incidência" do Imposto de renda. Assim, fixou vários momentos como elemento necessário para a ocorrência do fato gerador do tributo e, dentre eles, o elemento denominado "emprego do valor". Além disso, e estabeleceu que a sua tributação ocorre no dia 31 de dezembro, a saber: "Art. I° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas sera() adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) § 1° Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (.) § 2° Para efeito do disposto na alínea "h" do parágrafo anterior, considera-se: (.) b) pago o lucro, quando ocorrer: 4. o emprego do valor, em favor da beneficiaria, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. 0 pagamento e/ou emprego do valor é condição sine qua non para a ocorrência do fato gerador. Faz parte do próprio elemento material da hipótese de incidência. Se o fato gerador é o pagamento, a base de cálculo da tributação será o valor efetivamente pago. Sobre o aspecto material e a base de cálculo do tributo Geraldo Ataliba ensina: "41.1 0 aspecto mais complexo da hipótese de incidência é o material. Ele contém a designação de todos os dados de ordem objetiva, configuradores do arquétipo em que ela (Ii. i.) consiste; é a própria consistência material do fato ou estado de fato descrito pela hi.; é a descrição dos dados substanciais que servem de suporte à hi. Este aspecto dá, por assim dizer, a verdadeira consistência da hipótese de incidência. Contém a indicação de sua substancia essencial, que é o que de mais importante e decisivo há em sua configuração. (..) Fornece o critério básico, para se responder "quanto é devido ", além de servir de fulcro para o discrimen que permite formular a única classificação jurídica dos tributos, desdobrando-os em espécies e subespécies. 27 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 28 42.1 A perspectiva dimensional da hipótese de incidência se costuma designar por base de calculo, base tributável ou base imponivel. A base imponivel é insita a hipótese de incidência. E atributo essencial, que, por isso, não deixa de existir em nenhum caso. Todo tributo tem base de cálculo, por exigência constitucional (sublinhada por Paulo Barros Carvalho, ao demonstrar a inconstitucionalidade dos chamados tributos fixos). Ela fornece critério para determinação do quantum tributário. 43. Definição de base imponivel 43.1 Base imponivel é uma perspectiva dimensivel do aspecto material da h. 1. que a lei qualifica, com a finalidade de fixar critério para a determinação, em cada obrigação tributária concreta, do quantum debetur. padrão ou referência para medir um fato tributário" (Aires Barreto, ob. Cit., p. 38) 1 Assim, o valor a ser tributado como materialidade (base de cálculo) do fato gerador sad todo o lucro disponibilizado até a data do evento, até a data da disponibilização com o pagamento/emprego, que se deu, no caso dos autos, em 21/12/2001. Este resultado apurado, nos termos do artigo 10 da Lei no 9.532/1997, deverá ser adicionado ao lucro liquido para efeito de apuração do lucro real da empresa controladora no Brasil em 31/12/01. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, em seu Perguntas e Respostas, determina que: "094 Se ocorrer a absorção do patrimônio da filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior, como são tributados os lucros não disponibilizados por estas entidades? Ocorrendo a absorção do patrimônio da filial, sucursal, controlada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil, APURADOS ATÉ A DATA DO EVENTO serão considerados disponibilizados, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário do respectivo evento." A Instrução Normativa SRF n° 213/2002, especificamente no §5° do artigo 2°, é no mesmo sentido: "Art. 2° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão computados para fins de determinação do lucro real e da base de calculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliado no Brasil. 52 Ocorrendo a absorção do património da filial, sucursal, controlada ou coligada por empresa sediada no exterior, os lucros ainda não tributados no apurados até a data do evento, serão considerados disponibilizados, devendo ser computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, no balanço levantado em 31 de -^ H i pótese de incidência tributária. —6. Ed. -- São Paulo : Malheiros editores, 2006, página 106, 107 e 108 28 Processo n0 16561.000068/2006-77 Acórdao n.° 1101-000.744 SI-CITI Fl. 29 dezembro do ano-calendário do respectivo evento.' Portanto, a principio, para a corrente que entender haver disponibilização na operação societária em tela, há efetivamente uma parcela do lucro que deixou de ser tributada no auto de infração objeto do PAF n° 16327.000299/2006-53, que se restringiu a tributar os lucros apurados no balanço levantado em 30/09/2001, ao invés de tributar os resultados apurados até a data da ocorrência do fato gerador, que se deu em 21/12/2001, com o emprego do valor em razão da transferência da participação societária. 0 auto de infração complementar deveria tributar todo o lucro apurado de 30/09/2001 até o momento do evento em 21/12/2001. Mas não o fez! Ao invés de tributar os lucros apurados no exterior de 30/09/2001 a 21/12/2001, os dois autos de infração complementares - que estão no presente processo - cuja diferença de um para o outro detalharemos adiante, na verdade, exigem o tributo, de forma equivocada, sobre o lucro apurado de 30/09/2001 a 31/12/2001. De fato, ambas as autuações (constantes nos presentes autos) supostamente complementares tributam o valor de E 61.423.143, correspondente a diferença entre o lucro apurado de € 62.935.558 de 31/12/2001 e o lucro de e 1.512.415 apurado até 30/09/2001, o que em minha opinião viola a regra clara do artigo 1°, da Lei n° 9.532/95, que determina a tributação dos lucros disponibilizados até o evento que gerou a disponibilização, no caso, 21/12/2001. Além de ser contrário as regras acima mencionadas, que determinam a tributação do lucro apurado até a data do evento de disponibilização, que no caso ocorreu em 21/12/2001, teríamos um problema de sujeição passiva, em razão do procedimento adotado pelo auto de infração. O Bankboston Latino Americano S/A apurou no ano calendário de 2001 um lucro de € 62.935.558. 0 lucro, como é sabido, é formado pelos resultados apurados ao longo de todo o ano-calendário. Este resultado pode ser apurado em qualquer data do ano-calendário, bastaria levantar um balanço para tanto corn base na contabilidade da empresa. Em 21/12/2001 houve, no entender da fiscalização, a disponibilização de parte daquele lucro do ano de 2001 em favor da empresa no Brasil. Todo o lucro apurado até aquela data deveria ser atribuído, para efeito de tributação no Brasil, a empresa que detinha a sua participação. Acontece que o resultado apurado a partir de 22/12/2001, não mais pertence a empresa brasileira, pois a Bankboston Latino Americano S/A, passou a ser de titularidade da BBLA Holding Europe. Assim, o lucro apurado de 22/12/2001 a 31/12/2001 é de titularidade da empresa BBLA Holding Europe, e não mais da empresa Boston Negócios E Participações Ltda. Cabe ressaltar que a forma e o moto como it_u p-esultaclo a urado de 22/12/2001 a 31/12/2001 deve ser tributado no Brasil não é objeto dos presentes autos, pois estamos julgando os lucros que devem ser tributados em razão do evento ocorrido em 21/12/2001. A Turma de Julgamento de primeira instancia detectou esse problema por ocasião do 29 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101 -000.744 SI -C 1 T1 Fl. 30 julgamento do primeiro auto de infração, convertendo o mesmo em diligencia. Disse a DRJ, em síntese: "10. Contudo, indaga-se se a hipótese de incidência relativa a diferença de €' 61.423.143 é o momento do evento societário de aporte de ações (em 21.12.2001) ou o encerramento do balanço (em 31.12.2001). 14. Finalmente, proponho sejam os autos baixados em diligência à fiscalização, para que esta: forneça ao julgamento elementos e suporte documental (podem ser emprestados dos autos do processo n° 16327.000299/2006-53 ou obtidos juntamente à contribuinte) hábeis a respaldar uma constatação positiva de que C 61.423.143 dos lucros da controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA HOLDING EUROPE, S.L. (BBLA-Madrid); b) elaborar Relatório Final de Diligência, com resposta ci indagação sintetizada no item 10, observada a necessidade de outro lançamento, de credito tributário com o fato gerador em 31.12.2002, na eventual impossibilidade de atendimento providência inicial (item 14.a)." Mas veja que a DRJ colocou o problema centrado na diferença apurada de € 61.423.143, se esta corresponderia à diferença dos lucros no momento do evento societário de aporte de ações (em 21.12.2001) ou no encerramento do balanço (em 31.12.2001), quando na verdade o problema seria outro, mais precisamente qual o valor efetivo do lucro apurado pela BOSTON NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., de 30/09/2001 a 21/12/2001, data em que ocorreu a disponibilizacão. O fato é que nenhum dos dois autos de infração complementares determinam o valor efetivo do lucro apurado de 30/09/2001 a 21/12/2001, que deveria ter sido tributado no auto de infração objeto do PAF n° 16327.000299/2006-53 e não o foi. Pois bem, a despeito de não haver a menor dúvida de que o valor de € 61.423.143 correspondia à diferença do lucro apurado em 31/12/2001 (€ 62.935.558) e o lucro que já fora tributado em 30/09/2001 (€ 1.512.415), a diligência foi realizada e a resposta confirmou aquela informação. Mas, ao invés de corrigir o erro anteriormente praticado, a fiscalização resolveu cancelar o primeiro auto de infração e, a partir dai, lavrou um novo auto de infração, tributando o mesmo valor de € 61.423.143, como se esse lucro tivesse sido disponibilizado em 31/12/2002, em razão da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. Eis as razões para agir dessa forma: "RELATÓRIO Sr. Chefe, Encarregada de efetuar a Diligência solicitada pela Relatora Noemia Naoe Murakami, da 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ I / SPO), e na impossibilidade de atender à providência inicial do 0/ \• 30 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT I Fl. 31 item 14.a, para fornecer "ao julgamento elementos e suporte documental (..) hábeis e respaldar uma constatação positiva" de que a diferença dos lucros, no valor de C 61.423.143, encontrada entre os balanços de outubro e dezembro de 2001, da Controlada "BankBoston Latino Americano SA." (BBLA-Lisboa) foi efetivamente utilizada "no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA HOLDING EUROPE, S.L. (BBLA-Madrid), passamos a relatar, com base no Termo de Verificação Fiscal" de fls. 248 a 251: • A BBLA-Madrid não registrou aquela diferença em seu Patrimônio Liquido e não é possível a constatação positiva de que a Contribuinte utilizou, sim lucros da Controlada BBLA-Lisboa no total de f" 62.935.558, para constituição da empresa BBLA-Madrid. • A diferença dos lucros, portanto, não foi utilizada na subscrição de capital da BBLA-Madrid; • Tampouco passou a integrar o patrimônio da empresa espanhola a partir de janeiro de 2002; • E muito menos constou das demonstrações financeiras e fiscais da Contribuinte, para que fosse oferecida a tributação, embora tenha constado das demonstrações financeiras da empresa de Lisboa (ex-Madeira). Assim, não tendo a diferença de C 61.423.143 sido utilizada no momento do evento societário de aporte de ações (21/12/2001), mas apurada no encerramento do balanço (em 31/12/2001), respondendo ci questão do item 10 e concordando com o item 12 da solicitação da Relatora, a hipótese de incidência seria a data de 31 de dezembro de 2002, nos termos do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória n°2.158-35 de 2001. Configurada a necessidade de outro lançamento de crédito tributário com o fato gerador em 31.12.2002, e considerando-se a exiguidade do prazo, procedeu-se, no dia 31 de outubro de 2007, ao referido lançamento, através de Auto de Infração Complementar, nos termos do artigo 18, §, 3°, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, tendo sido dada ciência na mesma data, ao representante da fiscalizada, e concedido o prazo de 30 dias para impugnação. Atendido portanto o MPF em epígrafe, com a Lavratura de Auto de Infração Complementar (folhas a , incluindo esta, por mim numeradas e rubricadas), proponho que o presente Processo seja encaminhado a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (DICA T) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT-SPO), para que ali seja juntada a ele eventual impugnação apresentada pelo autuado, do lançamento ora constituído e em seguida encaminhado a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo (DRJ I / SPO)." Ou seja, o segundo auto de infração, constituído para complementar o primeiro, simplesmente abandonou o evento ocorrido ern 21/12/2001, agindo em desrespeito A. legislação tributária. Além disso, a própria autoridade autuante constatou o erro praticado em relação ao primeiro auto de infração procedendo ao cancelamento do mesmo com a lavratura de outro para substituf-lo. Até se poderia cogitar da existência de dois autos de infração, um tributando o lucro apurado de 30/09/2001 até 21/12/2001, que seria adicionado ao resultado de 31/12/2001 da empresa brasileira, e outro tributando o resultado apurado de 22/12/2001 a 31/12/2001, que seria adicionado em 31/12/2002 em razão da MP 2.158-35 de 2001. Mas não foi isso que foi 01\i Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT I Fl. 32 feito, lamentavelmente, em nenhum dos dois atos de infração. E nem se diga que a única demonstração de resultado existente seria a de 30/09/2001, usada para a transferência do controle da empresa Bankboston Latino Americano S/A, não existindo qualquer documento da empresa que apurasse o lucro até 21/12/2001. Ora, para essas situações a regra da Instrução Normativa SRF no 38/1997 é clara ao determinar: "Art. 10. (..) ,sSs 1° Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no pais de domicilio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. 0 evento societário se deu em 21/12/2001, sendo que a empresa em Portugal, Bankboston Latino America, utilizou o balanço realizado no mês de setembro, isto 6, de mais de 60 dias antes daquele evento. Se a lei daquele Pais não determina o levantamento de um balanço especifico para a data do evento, deveriam as autoridades administrativas brasileiras exigir a elaboração destas demonstrações, onde se apurasse o lucro efetivo no período compreendido entre 30/09/2001 até 21/12/2001, para efeito de tributação no Brasil, nos exatos termos da norma acima mencionada. Abaixo reproduzo os argumentos utilizados pela turma julgadora para cancelar o segundo auto de infração e manter o primeiro. Diz aquela decisão: "0 presente processo foi originalmente analisado por outra julgadora desta 50 Turma da DRI/SPOI, que, por excesso de zelo, resolveu converter o julgamento em diligencia, para que a Auditora Fiscal autuante fornecesse ao julgamento "elementos e suporte documental hábeis a respaldar uma constatação positiva de que 6' 61.423.143 dos lucros da Controlada BankBoston Latino Americano S.A (BBLA-Lisboa) foram efetivamente utilizados no aporte de suas ações para constituição da empresa BBLA HOLDING EUROPE, S.L. (BBLA-Madrid)". Ocorre que, apesar de a Auditoria Fiscal autuante afirmar que a diferença de C 61.423.143 não foi utilizada no momento do evento societário de aporte das ações (21/12/2001), entendo que há (e iti havia, antes da conversão do julgamento em diligencia) prova de que a referida diferença foi, efetivamente, utilizada no aporte de ações. Isso porque o referido valor já constava do balanço da BBLA-Lisboa se setembro de 2001, embora com outra rubrica. Não constava como lucro do exercício, mas como lucro suspenso, em face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (IRC), nos termos do artigo 41 do "Estatuto dos Beneficios Fiscais", por exercer suas atividades na "Zona Franca Exterior da Madeira". Como em 21 de dezembro de 2001, a contribuinte aportou a totalidade das ações que detinha na controlada BBLA-Lisboa para constituir a BBLA Holding Europe, S.L. (Madrid), evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida data, independentemente de sua classificação contábil, 32 Processo n° 16561.000068/2006-77 Acórdão n.° 1101-000.744 SI-CIT1 Fl. 33 configurando a hipótese legal de disponibilização — e tributação — de lucros, conforme item 4, alínea b, §2°, artigo 1°, da Lei n° 9.532/97 (artigo 394 do RIR/99), in verbis: (.) Destaque-se que a isenção concedida à BBLA-Lisboa não elide a tributação dos lucros, no Brasil, quando de sua disponibilização a controladora brasileira. Ademais, a referida isenção vigorou apenas até 18 de dezembro de 2001. Dessa forma, há que se considerar também o montante de e 61.423.143 (assim como o montante de 6' 1.512.415,13 tributado nos autos do processo n° 16327.000299/2006-53) disponibilizado em 21 de dezembro de 2001 (data do fato gerador), estando correta a sua conversão para reais pela taxa de câmbio de 2,07665, vigente na referida data. Assim, há que se considerar procedentes os Autos de Infração de fls. 60/63 e 65/68 (ano-calendário 2001)." Ora, se o valor de € 61.423.143 já estava no balanço de 30/09/2001, como afirma a DRJ, então já seria objeto do auto de infração objeto do PAF no 16327.000299/2006-53, constituindo o presente auto uma duplicidade de autuação. Com a devida vênia, não é isso. Na verdade, após compulsar os autos, não foi encontrado qualquer documento que desse a esta afirmativa uma sombra de verossimilhança. Alias, a decisão sequer cita as folhas dos autos em que o suposto documento lhe daria respaldo. Ao analisar o balanço da Bankboston Latino Americano de 31/12/2001 (fls. 479), verifica-se que está registrado o valor de € 62.935.558 como resultado do exercício de 2001, apurado em 31/12/2001. E mais, a "Proposta de Aplicação de Resultados" do Conselho de Administração (fls. 477), propôs que os "Lucros do Exercício de 2001, no montante de 62.935.558 euros, tenham a seguinte aplicação Para Reserva Legal 6.293.556 euros Para Resultados Transitados 56.642.002 euros" Portanto, não ha dúvida que o valor de € 62.935.558 corresponde ao resultado apurado no ano calendário de 2001. No presente processo consta a informação no Termo de Verificação Fiscal do primeiro auto de infração, objeto do Processo Administrativo n° 16327.000299/2006-53, anexado aos presentes autos as fls. 329, de que o valor tributado foi de € 167.708.560. Pois bem, analisando o balanço de 31/12/2001 do BankBoston Latino Americano, em que há a coluna denominada "ano anterior", isto 6, o valor dos resultados acumulados até o ano de 2000, somando o valor de € 13.850.662 (reservas), de € 91.456.789 (resultados transitados) e € 60.888.694 (lucro do exercício), chegaremos a soma de € 166.196.145. Ou seja, até o ano de 2000 havia resultados apurados da ordem de € 166.196.145. Se somarmos este valor ao resultado apurado pela fiscalização de 01/01/2001 até 30/09/2001, da ordem de € 1.512.415, encontraremos exatamente aquele valor tributado no auto de infração objeto do PAF n° 16327.000299/2006-53. Alias, naquele TVF consta uma tabela demonstrado (6‘ . 33 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 34 isto: Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415,13 LUCROS ACUMULADOS 167.708.560,13 Os números são os mesmos do TVF do PAF no 16327.000299/2006-53 (€ 19.939.531 + € 146.256.614 = € 166.196.145) e no presente processo (€ 13.850.662 + € 91.456.789 + € 60.888.694 = € 166.196.145). A diferença é que o TVF daquele processo utilizou a coluna do ano de 2001 do balanço de fls. 475, em que o lucro do ano anterior já fora totalmente destinado para reservas e resultado transitados, enquanto que no nosso calculo acima utilizamos a coluna do ano de 2000. O fato é que não ha nenhum documento nos autos que respalde a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que o valor de € 61.423.143 já estava no balanço de 30/09/2001 e deve ser considerado disponibilizado em 21/12/2001. Desta forma, não vejo como manter as autuações fiscais, que deixaram de aplicar corretamente a legislação atinente A. matéria acima apontada, com a utilização indevida do período base tributável. Por estas razões dou provimento ao Recurso Voluntário e nego provimento ao Recurso de Oficio, cancelando ambos os autos de infração. ator 34 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 35 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente é necessário definir qual lançamento deve ser analisado em seu mérito. Consoante relatado, ern 13/12/2006 a autoridade lançadora formalizou lançamento complementar ao contido nos autos de processo administrativo n° 16327.000299/2006-53, pretendendo alcançar parcela de lucro auferido pela autuada por intermédio do BankBoston Latino Americana S/A, entre 30/09/2001 e dezembro de 2001, no montante de E 61.423.143, o que resultou na exigência de IRPJ e CSLL devidos no ano-calendário 2001. Contudo, em razão de questionamentos apresentados em diligência solicitada pela autoridade julgadora de 1a instância, a autoridade lançadora alterou seu entendimento, afirmando que a parcela de 61.423.143 deveria ser considerada disponibilizada apenas em 31/12/2002, formalizando nova exigência para este ano-calendário, cientificada A. contribuinte em 31/10/2007. Dispõe o Decreto n° 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in ,fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) § 1° Deferido o pedido de perícia, ou determinada de oficio, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 1993) § 2° Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juizo da autoridade. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) § 3° Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) (negrejou-se) Nestes termos, caberia cogitar se a autoridade lançadora pode alterar a exigência inicialmente formalizada para atribuir nova natureza jurídica à base de cálculo apurada, e corrigir o fundamento legal e o período de apuração originalmente indicados no lançamento. A dúvida remete, necessariamente, as disposições correlatas do Código Tributário Nacional: Art. 145. 0 lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pod ser alterado em virtude de: 35 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 36 1 - impugnação do sujeito passivo; - recurso de oficio; III - iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, ern relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Interpretando conjuntamente o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e o art. 145 do CTN, pode-se concluir que a autoridade lançadora, em razão de diligência solicitada pela autoridade julgadora ao apreciar impugnação do sujeito passivo, pode alterar o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo para corrigir incorreções, omissões ou inexatidões, ainda que disto resulte agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, bastando que, para isto, seja lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, e assegurado o direito de defesa ao interessado. Todavia, o art. 146 do CTN assegura ao sujeito passivo a parcial imutabilidade dos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, de modo que a modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial somente produza efeitos em relação a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, seria necessário definir se esta norma limita, de alguma forma, o âmbito de aplicação do art. 18 do Decreto n° 70.235/72. Desnecessário, porém, maior aprofundamento neste tema, pois o Decreto n° 7.574/2011, ao regulamentar o processo de determinação e exigência de créditos tributários da Unido, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim tratou o lançamento complementar: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, espectficos em relação a matéria modificada (Decreto re 70.235, de 1972, art. 18, ,§' 3', com a redação dada pela Lei IF 8.748, de 1993, art. 1 0L). WO lançamento complementar será formalizado nos casos: I - em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou V b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamen identificada; ou 36 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 37 II- em que forem constatados fatos novos, subtraidos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da Kilo fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência in iciaL §2 0 auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I - complementar o lançamento original; ou II - substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3" Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente a matéria modificada. §210 auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. 00 julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no 5Ss 4' será objeto de um único acórdão. (negrejou-se) Como se vê, o §1 0 do art. 41 do Decreto n° 7.574/2011 é taxativo: somente é possível o lançamento complementar quando a descrição dos fatos é incompatível com a apuração da base de calculo do lançamento original, que por incorreção ou omissão no valor tributável, ou quando há fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora, que implicam o agravamento da exigência inicial. 0 motivo da formalização da segunda exigência não se enquadra em nenhuma destas hipóteses. A mesma base imponivel foi submetida a tributação sob outro fundamento e em outro período de apuração, sem que nenhum fato novo tivesse sido subtraído ao conhecimento da autoridade lançadora. Em verdade, a segunda exigência resulta de uma nova interpretação acerca dos dispositivos legais aplicáveis ao fato desde antes conhecido: o lucro auferido pela autuada por intermédio do BankBoston Latino Americano S/A entre 30/09/2001 e dezembro de 2001, no montante de € 61.423.143. Portanto, por extrapolar os limites formais estabelecidos para formalização de lançamento complementar, deve ser declarada nula a segunda exigência. Na medida em que o crédito tributário nela veiculado já havia sido exonerado na decisão de l a instancia, inclusive ensejando o seu reexame necessário, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio. Quanto A. primeira exigência, a contribuinte apresenta argumentos que antecedem a apreciação da conexão do litígio presente nestes autos ao litígio decorrente da exigência formalizada nos autos do processo administrativo n° 16327.000299/2006-53, atacando diretamente a decisão de l' instancia na parte em que afastou os questionamentos formulados em diligência, e declarou a prevalência do primeiro lançamento complementar. , 37 Processo no 16561.000068/2006-77 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 38 Segundo exposto em sustentação oral, a presente exigência estaria viciada porque pretendeu tributar o lucro não alcançado pelo processo administrativo n° 16327.000299/2006-53, de 30/09/2001 até a data do evento que resultaria na disponibilização dos lucros tributados (21/12/2001), mas equivocadamente tributou parcela correspondente ao lucro incorrido de 30/09/2001 a 31/12/2001. 0 vicio estaria patente nos quesitos formulados pela autoridade julgadora de l a instancia, ao encaminhar os autos em diligência, quesitos estes assim sintetizados pela recorrente: (i) fosse esclarecido o momento da ocorrência do fato gerador dos créditos tributários e; (it) fosse comprovado que houve a efetiva utilização da diferença de 6 61.423.143 no aporte de ações da controlada na data do evento de 21.12.2001. Quanta A. determinação do lucro incorrido até a data do evento, observa-se que o valor tributado foi obtido pela Fiscalização após intimar a contribuinte a esclarecer qual parcela corresponderia a lucro/prejuízo dentre os valores contabilizados na conta razão do investimento (Conta número SIN 211816 BANKBOSTON LATINO AMERICANO S/A), cujo saldo inicial de R$ 599.739.826,75, em 01/10/2001, foi alterado por registros de equivalência patrimonial e encerrou o ano, em 31/12/2001, com saldo de R$ 407.130.002,60 (fl. 10). Em resposta, a contribuinte apresentou planilha contendo a taxa de câmbio utilizada na contabilização da participação no exterior no ano de 2001, inclusive com a composição do montante informado no termo de intimação a titulo de exemplo, balancetes Mensais, em reais, da BBLA Portugal, referente ao ano-calendário de 2001, utilizados para o cálculo da equivalência patrimonial, e relatórios internos suporte para cálculo da Equivalência Patrimonial da Boston Negócios e Participações Ltda. Posteriormente, apresentou também balancetes da BBLA em Euros. Tais documentos possivelmente são aqueles juntados aos autos depois do Termo de Constatação Fiscal, no qual a autoridade lançadora comparou o balanço de 30/09/2001, que serviu de base para o aporte de ações do BankBoston Latino Americano S/A na BBLA Holding Europe, com o Relatório e Parecer do Fiscal Único, Bernardes, Sismeiro e Associados, para o exercício findo em 31 de dezembro de 2001 do "BankBoston Latino Americano S.A.", e acrescentou: 1.7. Considerando-se o tempo transcorrido entre 30 de setembro de 2001 (data do balanço do "BankBoston Latino Americano S.A." utilizado para o aporte das ações) e 21 de dezembro de 2001 (data da Escritura de constituição da BBLA HOLDING EUROPE, S.L.), vemos que o lucro do exercício de 2001 do Banco de Portugal, que era de 6 1.512.415 em setembro passou a ser 6 62.935.558 , em dezembro de 2001. 1.8 Intimada a informar sobre aquela diferença, a Contribuinte informou apenas que o valor referente à diferença entre o lucro do exercício de 2001, subtraído do lucro auferido até setembro de 2001, utilizado para a capitalização das cotas detidas pela BNP na empresa espanhola, "está refletido na contabilidade da BBLA Europe c, por conseguinte, no balanço da BNP Brasil mediante registro da Equivalência Patrimonial" [documento de fl. 108] 661 38 Processo n° 16561.000068/2006-77 Sl-CITI Acórdão n.° 1101-060.744 Fl. 39 1.9. Tal informação entretanto não confere com o "Balance de Situacion" da BBLA Holding Europe - Madrid, de 31/12/2001, em que consta uma participação (Patrimônio Liquido) de 6224.946.951,00 — o mesmo Patrimônio Liquido do "BankBoston Latino Americano S.A." (BBLA-Lisboa) de 30 de setembro de 2001, conforme inciso 1.5, - e nenhum lucro, pelo contrário, um prejuízo de 643,32. [documento de fl. 110] 1.10 Segundo resposta as intimações, confirmada pelas Declarações de IRPJ, não houve pagamento de tributos (sobre o lucro) referentes Controlada "BankBoston Latino Americano S.A." (BBLA-Lisboa), nem no exterior, nem no Brasil. Até porque, segundo o Relatório já referido, "(..) ate 18 de dezembro de 2001, o Banco se beneficiou da isenção de IRC ao obrigo do artigo 41" do Estatuto dos Beneficias Fiscais, dado que a sua actividade foi exercida na Zona Franca exterior da Madeira." Após reproduzir o direito aplicável, a autoridade lançadora concluiu que: 2.3 Analisando os documentos fornecidos, verificamos que, tendo a Contribuinte BOSTON NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., em dezembro de 2001, utilizado a seu favor todo o seu investimento no "BankBoston Latino Americano S.A." de Lisboa, para efetivar seu investimento na "BBLA HOLDING EUROPE, S.L."- Madrid, ocorreu o emprego do valor dos lucros auferidos pela Controlada (BBLA-Lisboa) no exterior, a favor da Contribuinte. Portanto, nos termos do Artigo 394 do RIR199, esses lucros são considerados pagos (item d, inciso II, do § 4°) e disponibilizados (inciso lido § 30) e não oferecidos à tributação. 2.4 No Auto de Infração lavrado em 16/03/2006 — Processo 16327.00029912006- 53 - , os lucros auferidos pela Controlada (BBLA- Lisboa) no exterior haviam sido calculados a partir do Balanço de 30 de setembro de 2001, conforme já explicado no inciso 1.5. No presente Auto de infra cão, em coniplementação, estamos considerando a diferença já explicitada, entre os lucros de 30 de setembro de 2001 e o efetivo Lucro do Exercício de 2001, conforme quadro a seguir, em euros: [..-] Deste relato, observa-se que a autoridade lançadora intimou a contribuinte, apenas, a esclarecer qual parcela da equivalência patrimonial relativa ao BankBoston Latino Americano S/A corresponderia a lucro, e a contribuinte informou o valor total auferido em 2001 ($67.379.328,00 euros) que comparado com o lucro auferido até setembro/2001 ($1.512.415 euros) resultaria na diferença de $ 65.866.913 euros. Em momento algum a contribuinte foi intimada a informar o lucro auferido até 21/12/2001. Os comentários feitos pela Fiscalização acerca da inexistência de lucro reconhecido na BBLA Holding Europe, em razão de equivalência patrimonial decorrente do investimento no BankBoston Latino Americano S/A eventualmente poderia dar fundamento à conclusão fiscal de que todo o lucro auferido pelo BankBoston Latino Americano S/A foi gerado até 21/12/2001, mas a transcrição acima deixa claro que a Fiscalização não deu mais este passo para construção do fato jurídico tributável. A dúvida exposta na diligência solicitada pela autoridade julgadora de instância deixa transparecer que o lançamento não estava adequadamente fundamentado: 39 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 40 4. A autoridade fiscal considerou que todos os lucros apurados (6' 10 62.935.558) no balanço da BBLA-Lisboa, encerrado em 31.12.2001, foram empregados pela autuada na constituição da BBLA-Madrid, ocorrida em 21.12.2001, não obstante a diferença de 6' 61.423.143 ter sido reconhecida somente no balanço encerrado em 31.12.2001. 5. A presente diligência volta-se a esclarecer qual o momento do fato gerador dos créditos tributários correspondentes à diferença de lucros da controlada oriunda do confronto dos dois balanços analisados (de 30.09.2001 e de 31.12.2001). 6. No tocante ao fato gerador da autuação, a contribuinte, em suas razões de impugnação, argumenta que a fiscalização não pode atribuir ao evento societário ocorrido em 21.12.2001 parcela de lucros apurada posteriormente, em balanço datado de 31.12.2001 (ft. 153). Sustenta que a diferença de 6' 61.423.143 faz parte do resultado da nova empresa (BBLA- Madrid), devendo ser considerada disponibilizada somente em 31.12.2002, conforme previsto no parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, cuja vigência iniciou-se em 24.08.2001. 7. Nesse aspecto, a autoridade autuante relatou (itens 1.9 e 1.10, fl. 73) que, inversamente ao que foi alegado pela contribuinte a fl. 108 ("tal valor está refletido na contabilidade da BBLA Europe, e, por conseguinte, no balanço da BNP Brasil mediante registro da Equivalência Patrimonial), essa diferença não foi contabilizada pela BBLAMadrid, empresa constituída em 21.12.2001. Isso porque, no "Balance de Situacion" da BBLA-Madrid encerrado em 31.12.2001 (ft . 110), a autoridade fiscal verificou constar uma participação (Patrimônio Liquido) de 6' 224.946.951,00, valor coincidente com o Patrimônio Liquido do BBLA-Lisboa, registrado em 30.09.2001, e no qual estariam computados lucros de apenas 6' 1.512.415. 8. Ern que pesem as corretas constatações da autoridade fiscal, de caráter negativo — (i) de que não houve pagamento de tributos sobre a diferença de lucros apurados entre setembro e dezembro de 2001, e (ii) de que a BBLA -Madrid também não registrou essa diferença em seu Patrimônio Liquido; cumpre observar que essa diferença somente pode ser atribuida ao evento societário se houver a constatação positiva de que a contribuinte utilizou, sim lucros da controlada BBLA-Lisboa no total de f 62.935.558, para constituição da empresa BBLA-Madrid, pois este é o evento societário que justificaria a constituição da diferença com data em 31.12.2001 conforme consta no Auto de Infra cão. 9. Com efeito, as constatações fiscais (de que a contribuinte não ofereceu tributação a diferença de E 61.423.143 e de que a BBLA-Madrid não registrou essa diferença em seu Patrimônio Liquido) comprovam a necessidade de autuação sobre a diferença de lucros da BBLA -Lisboa verificada entre o balanço encerrado em 30.09.2001 e o balanço encerrado em 31.12.2001. 10. Contudo, indaga-se se a hipótese de incidência relativa is diferença de E, 61.423.143 é o momento do evento societário de aporte de ações (e 21.12.2001) ou o encerramento do balanço (em 31.12.2001). 40 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CIT I Acórddo n.° 1101-000.744 Fl. 41 11. A primeira hipótese depende da constatação positiva (vide item 8) de que todos os lucros apurados pela BBLA-Lisboa no exercício de 2001 foram utilizados para constituição da BBLA-Madrid, em 21.12.2001. Nesse caso, o lançamento deve estar respaldado em elementos que infirmem a deliberação da contribuinte acerca do montante de lucros utilizados, conforme escritura de constituição da BBLA-Madrid. 12. Na segunda hipótese, de a diferença de lucros não ter sido utilizada na constituição da BBLA-Madrid, tendo sido apurada em 31.12.2001, a hipótese de incidência seria 31.12.2002, dada a sua subsunção ao parágrafo único do art. 74 da Medida 110 Provisória n°2.158-35, de 2001. Correto o entendimento acima firmado: o lançamento deve estar respaldado em elementos que infirmem a deliberação da contribuinte acerca do montante de lucros utilizados, conforme escritura de constituição da BBLA-Madrid. Deveria a Fiscalização demonstrar que os lucros auferidos pelo BankBoston Latino Americano de 01/10/2001 a 21/12/2001, ou 31/12/2001, foram também utilizados para aquela finalidade, se a tributação está incidindo porque houve disponbilização daqueles lucros presumida a partir do emprego de seu valor. Veja-se que na decisão recorrida o primeiro lançamento foi mantido por se entender comprovada a utilização dos lucros auferidos depois de setembro/2001: Ocorre que, apesar de a Auditora Fiscal autuante afirmar que a diferença de E 61.423.143 não foi utilizada no momento do evento societário de aporte das ações (21/12/2001), entendo que há (e já havia, antes da conversão do julgamento em diligência) prova suficiente de que a referida diferença foi, efetivamente, utilizada no aporte de ações. Isso porque o referido valor já constava do balanço da BBLA-Lisboa de setembro de 2001, embora corn outra rubrica. Não constava como lucro do exercício, mas como lucro suspenso, em face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (IRC), nos termos do artigo 41 do "Estatuto dos Beneficios Fiscais", por exercer suas atividades na "Zona Franca Exterior da Madeira". Acrescentou, ainda, que se ern 21 de dezembro de 2001, a contribuinte aportou a totalidade das ações que detinha na controlada BBLA-Lisboa para constituir a BBLA Holding Europe, S.L. (Madrid), evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida data, independentemente de sua classificação contábil. Talvez a autoridade julgadora tenha vislumbrado o mencionado lucro suspenso em um dos itens que foram assim consolidados no Termo de Constatação Fiscal: Fonte Dem Financ (Euros) 30/09/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 1.512.415 Patrimônio Liquido 224.946.970 41 Processo n° 16561.000068/2006-77 Sl-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 42 Dificilmente, porém, o valor em debate estaria ai computado, pois a demonstração de 31/12/2001 da qual se vale a Fiscalização, juntada à fl. 101,foi por ela assim resumida: Fonte Dem Financ (Euros) 31/12/2001 Capital Subscrito 57.238.410 Reservas 19.939.531 Resultados Transitados 146.256.614 Lucro do Exercício 62.935.558 Patrimônio Liquido 286.370.113 Como se vê, a única conta alterada, dentro do Patrimônio Liquido, é aquela representativa de lucro do exercício, inexistindo qualquer permuta entre contas patrimoniais. Por sua vez, o acordo mencionado na diligência quantifica em € 224.946.951 o discutido aporte. De toda sorte, se esta não foi a fonte utilizada pela autoridade julgadora de 1a instância para suas conclusões, não ha outro elemento nos autos do qual se pudesse extrair o conteúdo por ela afirmado. Acrescente-se, por fim, que o segundo lançamento formalizado nestes autos apenas confirma a impossibilidade de se provar o fato que fundamenta a primeira exigência. Alias, estas foram as palavras da fiscal autuante ao encerrar os trabalhos que resultaram no segundo lançamento: • A BBLA -Madrid não registrou aquela diferença em seu Patrimônio Liquido e não é possivel a constatação positiva de que a Contribuinte utilizou, sim lucros da Controlada BBLA -Lisboa no total de 6'62.935.558, para constituição da empresa BBLA-Madrid. • A diferença de lucros, portanto não foi utilizada na subscrição de capital da BBLA-Madrid; • Tampouco passou a integrar o patrimônio da empresa espanhola a partir de janeiro de 2002; • E muito menos constou das demonstrações financeiras e fiscais da Contribuinte, para que fosse oferecida à tributação, embora tenha constado das demonstrações financeiras da empresa de Lisboa (ex-Madeira). Na medida em que se reputou nulo o segundo lançamento formalizado nestes autos, é forçoso concluir que os fatos aqui provados são insuficientes para justificar a exigência inicial em debate. Por estas razões, além de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, o presente voto é também para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. WW0L- EDELI PEREIRA BESSA 42 Processo n° 16561.000068/2006-77 Sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 43 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Relatório dos pontos relevantes para a declaração de voto: Conforme termo de verificação fiscal (proc. fls. 71 a 75), lavrado em 13/01/2006, o contribuinte (Boston Negócios e Participações) constituiu a BBLA Holding Europe SL, em 21/12/2001, pela entrega de 100% das ações que detinha do Bank de Boston Latino Americano S.A., mas calculou o aporte com base no balanço do Bank de Boston Latino Americano S.A., de 30/09/2001, que computava como lucro do exercício o montante de E 1.512.415. De outra banda, o Fisco identificou que o lucro do exercício, em 31/12/2001, era de € 62.935.558. Para esclarecer a situação, a fiscalização intimou o contribuinte a informar o montante de lucro utilizado no aporte feito em 21/12/2001. No entanto, este respondeu apenas que a diferença entre de lucro entre os 2 balanço estaria refletida na contabilidade BBLA Holding Europe SL mediante equivalência patrimonial (proc. fl. 108 e 109). A fiscalização alega que a informação do contribuinte não procede, porque consta do balanço de 31/12/2001 do BBLA Holding Europe SL uma participação de valor idêntico ao patrimônio liquido do Bank de Boston Latino Americano S.A em 30/09/2001. Por fim, considerando que no auto de infração lavrado em 16/03/2006 foi considerado apenas o lucro informado no balanço de 30/09/2001, e considerando que na operação de 21/12/2001 foi utilizado todo o investimento no Bank de Boston Latino Americano S.A, foi lavrado auto de infração complementar para tributar a diferença de € 61.423.143 (= € 62.935.558 - € 1.512.415), convertido pela taxa de câmbio de 21/12/2001 (2,07665). Assim, foram adicionados R$ 127.554.369,90 no lucro liquido ajustado, para fins de apuração de IRPJ e CSLL de 2001 (proc. fls. 59 a 69). O contribuinte impugnou a exigência (proc. fls. 141 a 157), questionando a validade do mandado de procedimento fiscal (MPF) e a legislação aplicada pelo fiscal. Diz que, como o evento ocorreu em 21/12/2001, na vigência do art. 74 da MP n°2.158-35, de 2001, "devem ser considerados disponibilizados para a Recorrente na data do balanço patrimonial de 30.09.2001, conforme determina o art. 74 da referida Medida Provisória". Adiciona que a fiscalização não pode atribuir como lucros no exterior valores apurados posteriormente ao evento societário, ocorrido em 30/09/2001, tal como pretendeu ao usar as informações do balanço de 31/12/2001. Explica que o montante aportado foi aquele identificado no balanço de 30/09/2001 e que o evento só ocorreu em 21/12/2001 por questões burocráticas. Afirma que a diferença de € 61.423.143 deve ser tributada em 31/12/2002, como determina o parágrafo único do art. 74, da Medida-provisória n°2.158-35, de 2001, e que a taxa de câmbio deveria ser a do dia 31/12/2001 (2,05854). Em 06/07/2007, é solicitada diligência para determinar "se a hipótese de incidência relativa a diferença de E 61.423.143 é o momento do evento societário de aporte de ações (em 21.12.2001) ou o encerramento do balanço (em 31.12.2001)" (proc. fls. 176 a 179). 43 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 44 Em 31/10/2007, é lavrado termo de verificação fiscal (proc. fls. 246 a 251), onde se afirma que o lucro apurado de outubro a dezembro de 2001, pelo Bank de Boston Latino Americano S.A, não foi utilizado na subscrição de capital da BBLA Holding Europe SL. Por isso, o lucro não foi disponibilizado durante 2001. Explica que, em razão do parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.158-35, de 2001, o lucro deve ser considerado disponibilizado em 31/12/2002. Informa que, por determinação da relatora do processo, em julgamento na 5a turma da DRJ I em São Paulo, foi lavrado novo auto de infração (proc. fls. 232 a 244), nos termos do art. 18 do Decerto 70.235, de 1972. Diz que, neste novo auto, foi adicionado R$ 227.339.336,87, pela conversão da diferença de € 61.423.143 pela taxa de cambio de 31/12/2002 (3,7012). A ciencia do termo foi dada em 31/10/2007. Relatório de diligência (proc. fls. 266 a 267) explica que, frente a impossibilidade de fornecer ao julgador elementos que comprovem a utilização dos E 61.423.143 no aporte para constituição da BBLA Holding Europe SL, seguiu a determinação da relatora e fez novo lançamento considerando o fato gerador ocorrido em 31/12/2002. Informa que o contribuinte foi cientificado da nova exigência e do prazo para impugnar. Em 29/11/2007, o contribuinte impugna a nova exigência (proc. fls. 269 a 316). Diz que a autoridade julgadora tinha todos os elementos para julgar o auto de infração complementar original, pois reconhecia que os € 61.423.143 não haviam sidos aportados na nova empresa. No entanto, ao invés de se limitar a julgar, a autoridade julgadora converteu-se em autoridade preparadora, determinando diligencia de caráter protelatório. Alega que a nova autuação extrapolou os limites do art. 18 do Decreto 70.235, de 1972, pois efetuou lançamento com alteração da materialidade e do fundamento legal do lançamento original. Explica que a data do fato gerador foi alterada de 21/12/2001 para 31/12/2002, que o fato gerador foi alterado de disponibilização em face da utilização para disponibilização em razão de dispositivo legal, e que a taxa de conversão também foi alterada. Argumenta que foi constituído um novo crédito tributário e não um lançamento complementar. Explica que existem dois lançamentos feitos com base nos lucros apurados pelo Bank de Boston Latino Americano S.A., ambos em discussão administrativa e com pressupostos legais diferentes. O contribuinte reitera sua tese de que o aporte foi feito com base no balanço de 30/09/2001 e argumenta que, após 21/12/2001, os lucros do Bank de Boston Latino Americano S.A passaram a ser da BBLA Holding Europe SL. Por isso, não ha como pretender tributar o lucro da Bank de Boston Latino Americano S.A. auferido entre 30/09/2001 e 31/12/2001. Diz que, por força de tratado Brasil-Espanha, o lucro da BBLA Holding Europe SL de 30/09/2001 a 31/12/2001 esta infenso à tributação. Também, alega a decadência, eis que a determinação do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158-35, de 2001, não alterou a ocorrência do fato gerador para 31/12/2002, mas apenas determinou tal data para oferecimento a tributação. Por isso, a possibilidade de lançar o lucro apurado de 30/09/2001 a 31/12/2001 teria decaído em 31/12/2006. Por fim alega erro na conversão. Em 06/10/2008, o contribuinte junta informações sobre a legislação da Espanha (proc. fls. 349 a 360). Em 18/11/2008, a 5' Turma da DRJ I em Sao Paulo cancela o segundo auto complementar, recorrendo de oficio desta decisão, e mantém o primeiro auto de infração complementar (proc. fls. 413 a 424). Conforme a turma, embora o segundo auto pudesse ser lavrado, nos termos do § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, os dois autos não podem coexistir. 44 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 45 Diz que a primeira autuação foi cientificada dentro do período de validade do MPF e que a diferença de E 61.423.143 constava do balanço de 30/09/2001 como lucro suspenso, em razão de isenção. Explica que "como em 21 de dezembro de 2001, a contribuinte aportou a totalidade das ações que detinha na controlada BBLA-Lisboa para constituir a BBLA Holding Europe, S.L. (Madrid), evidentemente utilizou a totalidade dos lucros auferidos até a referida data independentemente de sua classificação contábil, configurando a hipótese legal de disponibilização — e tributação - de lucros, conforme item 4, alínea b, §2°, artigo 10 , da Lei n° 9.532/97 (artigo 394 do R1R/99)". Esclarece que a isenção não afeta a tributação, no Brasil, do lucro disponibilizado e que, além disso, a isenção só vigorou até 18/12/2001. Diz que o segundo auto de infração é improcedente porque o lucro já havia sido disponibilizado em 21/12/2001. Em 08/12/2008, o contribuinte é cientificado do acórdão (proc. fl. 430). Em 07/01/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 432 a 471), onde repete seus argumentos e diz juntar balancete do Bank de Boston Latino Americano S.A. de setembro de 2001, indicando o lucro de 1.512.415. A PGFN apresentou contra razões (proc. fls. 517 a 527). Declaração de voto: Frente aos fatos constantes no processo e acima resumidos, é necessário admitir que o segundo auto de infração complementar contém dois vícios igualmente graves, nenhum deles superável pelo art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972: 1°) o segundo auto foi lavrado por determinação de autoridade julgadora da DRJ, relatora do processo em que se discutia o primeiro auto de infração complementar; 2°) o segundo auto teve por fato tributável o mesmo (ou parte do mesmo) fato tributável do primeiro auto de infração, sem que o primeiro auto tivesse sido anulado. Ora, cada uma destas causas, mesmo em separado, é suficiente para determinar a nulidade do segundo auto de infração complementar. De fato, considerando o processo administrativo, quer como um método alternativo de solução de litígio, quer como uma processo pelo qual se controla a legalidade do lançamento, não é admissivel que o julgador determine que seja feito lançamentos sobre a matéria que deveria julgar. Também, não é admissivel a coexistência de dois lançamentos diferentes sobre o mesmo fato, pois nesta situação, ao invés do segundo lançamento ser um lançamento novo, na verdade é um lançamento alternativo. Dessarte, por estas razões, o segundo lançamento complementar é nulo. Assim, voto por negar provimento ao recurso de oficio, acompanhando o relator pelas conclusões. Já quanto ao primeiro lançamento complementar, o que se discute é a procedência ou não do lançamento. A lide não versa sobre eventual nulidade. Mesmo porque o lançamento atende a todos os requisitos formais e não há cerceamento de defesa. Assim, o que cabe avaliar é a procedência do lançamento, frente aos elementos e argumentos apresentados no processo. Nessa linha, cabe notar que o contribuinte integralizou capital no BBLA Holding Europe SL (nova investida) utilizando suas ações no Bank de Boston Latino Americano S.A (antiga investida). Conforme legislação, esta é uma das hipóteses legais de disponibilização de lucro. A operação foi registrada em 21/12/2001, mas o contribuinte utilizou — - - 45 Processo n° 16561.000068/2006-77 S I-CIT I Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 46 um balanço de 30/09/2001, alegando ser esta a data do evento. De fato, o contribuinte informa na sua impugnação (proc. fl. 154) que: Não foi aleatória a escolha desta data para levantamento do balanço patrimonial. Este resultado espelha a situação até o terceiro trimestre do ano de 2001, findo em 30.09.2001, e os valores apurados neste momento contábil representam o efetivo de aporte de ações para constituição da BBLA Holding Europe S.L. Por questões burocráticas, os seus atos constitutivos somente foram registrados em 21.12.2001, passando a ter personalidade jurídica a partir desta data. Em resumo, o contribuinte entende que: 1) a operação teria ocorrido em 30/09/2001, sendo o aporte quantificado com base no balanço levantado nesta data; 2) o atraso no registro decorreu de problemas burocráticos; 3) e esse atraso não altera a data da operação, que deve ser 30/09/2001. De outra banda, o Fisco entende que a operação ocorreu no momento do registro, em 21/12/2001. E importante destacar que é esta a divergência entre Fisco e contribuinte e é a partir dela que é feito o lançamento. Vale notar que tal divergência de interpretação sobre o momento em que ocorre a operação (que determina o momento da disponibilização dos lucros) não teria maiores efeitos caso não existisse uma expressiva diferença entre o lucro apurado em 30/09/2001 e o lucro apurado em 31/12/2001. Porém, a diferença existe e é grande. 0 lucro em 31/12/2001 é de € 62.935.558, enquanto o lucro apurado em 30/09/2001 é de € 1.512.415. Portanto, a análise da pertinência do lançamento tem de ser feita considerando: 1°) quem está com a razão sobre o momento do aporte; 2°) caso se entenda que é o Fisco que tem razão sobre o momento do aporte, cabe verificar se a quantificação feita pela fiscalização é razoável, frente aos dados que a fiscalização poderia encontrar. Assim,cabe recapitular que, conforme o relatório fiscal, o contribuinte foi intimado a esclarecer a situação, mas respondeu evasivamente, dizendo que a diferença de lucro (entre os balanços de 30/09/2001 e de 31/12/2001) estaria refletida na contabilidade da nova investida, BBLA Holding Europe SL (proc. fl. 73). Analisando os autos, constata-se que de fato a fiscalização tentou esclarecer a situação, por meio de intimação, lavrada em 20/07/2006. Nessa intimação se solicita, dentre outros, "apresentar demonstrações financeiras da BBLA-Portugal, mês a Ines, para o ano de 2001, tanto em euros quanto em reais" (proc. fls. 10). No mesmo documento, consta o não usual esclarecimento das razões da intimação, onde é informado ao contribuinte que "tal explicação se faz necessária pelas seguintes razões: 1) as contas da transferência do investimento de Portugal para Madrid (datado de 21 de dezembro de 2001) teriam sido feitas calculando o Patrimônio Liquido (e os lucros dentro dele) com a data de 30 de setembro de 2001; 2) em 30 de setembro de 2001, o BBLA-Portugal, apresentava Lucro para o Exercício de 2001 no valor de 1.512.415 euros, , 46 Processo n° 16561.000068/2006-77 S 1-C1 Ti Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 47 apenas; 3) em 31 de dezembro de 2001, entretanto, o mesmo BBLA -Portugal apresentou um Lucro para o Exercício de 2001 no valor total de 62.935.558 euros; ..." (proc. fl. 11). A intimação foi postada e recebida em 27/07/2006 (proc. fl. 12). 0 contribuinte solicitou prorrogação de prazo (proc. fl. 13). Em 10/10/2006, o contribuinte informou estar apresentando balancetes do BBLA em euros (proc. fl. 15). Vale notar que, não obstante a relevância destes balancetes para o deslinde do caso - em especial os referentes a setembro, outubro, novembro e dezembro de 2001, que podem determinar os momentos de formação dos lucros de 2001-, eles não foram anexados aos autos, nem pelo Fisco e nem pelo contribuinte. Em outra resposta do contribuinte à intimação (proc. fl. 108), ele informa que "o ato societário referente a constituição da BBLA Europe (Espanha) apresenta dados extraídos do balancete da BBLA Portugal do mês de Setembro de 2001 com lucro do exercício do ano-calendário 2001 de $ 1.512.415 euros". O contribuinte também informa que "lido obstante a utilização dos valores com base nos controles contábeis de Setembro de 2001, a BBLA Portugal auferiu lucro do Exercício de 2001 de $ 67.379.328,00 euros que, subtraído do lucro auferido até Setembro, $ 1.512.415 euros, perfaz um montante de $ 65.866.913,00". Ainda, o contribuinte diz explicar a situação informando que "destarte, tal valor esta refletido na contabilidade da BBLA Europe, e, por conseguinte, no balanço da BNP Brasil mediante registro da Equivalência Patrimonial". Frente as razões da intimação e a resposta do contribuinte, cabe destacar dois pontos. Primeiro, é preciso lembrar que a divergência entre fisco e contribuinte é quanto ao momento do evento, com a conseqüente diferença de valores aportados. Segundo é que o Fisco tentou esclarecer a situação, mas a explicação dada pelo contribuinte não explicou nada, nem respondeu As questões centrais que são: 1) o momento da operação; 2) os lucros existentes no momento da operação. Portanto, se percebe que a fiscalização tentou determinar os lucros existentes em 21/12/2001 (momento em que considerou efetivada a operação), intimando o contribuinte esclarecer a situação. Mas não obteve a colaboração do contribuinte. verdade que o Fisco poderia ter feito a indagação de modo direto, como o I. Relator José Ricardo entende que deveria ter sido feito. Por exemplo, o fiscal poderia ter intimado o contribuinte a informar os lucros em 21/12/2001 (data em que o Fisco entende que ocorreu o evento) ou a apresentar balanço de tal data. Mas, o fato de não fazê-lo, não prejudica o auto de infração. preciso considerar que o contribuinte já havia informado (e ratificou) que o balanço levantado para a operação foi o de 30/09/2001. Portanto, se o contribuinte sustenta que o balanço correto é o de 30/09/2001, não é possível obrigá-lo a apresentar balanço de outra data e é razoável que a fiscalização procurasse esclarecer a situação da forma que fez. importante notar que o modo pelo qual agiu a fiscalização oportunizou ao contribuinte informar o lucro em 21/12/2001. Mas, como se viu, o contribuinte preferiu ser vago sobre a questão: 1) não explicando porque adota para fins de definição do aporte um balanço de mais de 80 dias antes do registro da operação (com um lucro tão menor do que o apurado na data do registro); 2) nem apresentando o balanço da data que ocorreu o registro da operação (se acaso o lucro neste momento fosse muito diferente do lucro em 31/12/2001). Na 47 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 48 verdade, a resposta do contribuinte é vaga mas está coerente com o seu entendimento de que a operação ocorreu em 30/09/2001, embora o registro tenha sido em 21/12/2001. Assim, é razoável que, perante a falta de explicações e/ou a falta da indicação do lucro em 21/12/2001 pelo contribuinte, o Fisco adote o balanço de 31/12/2001, para fins de quantificação dos lucros existentes na data que considera ocorrida a operação, que foi em 21/12/2001. Afinal, se a operação ocorreu em 21/12/2001, é muito mais razoável utilizar um balanço levantado 10 dias depois do evento (com 2 fins de semana e um feriado de Natal), como fez o Fisco, do que a utilizar um balanço levantado 82 dias antes, como o adotado pelo contribuinte. E fundamental considerar que, na atividade fiscal, quando não é possível obter o exato valor econômico de fato tributável, é razoável considerar aquele que melhor retrate o fato. Esta ferramenta, além de ser válida normalmente, é a única que resta ao Fisco quando a exata quantificação depende apenas do contribuinte e este nega sua colaboração. Neste sentido, embora inaplicável por ser posterior ao fato tributável, vale observar que o art. 5 0 da IN SRF n° 213, de 2002, chega mesmo a admitir o arbitramento dos lucros em controlada no exterior que não disponha de sistema contábil que permita a apuração de seus resultados. No presente caso, ocorreu exatamente isso: frente a falta de colaboração do contribuinte, o Fisco quantificou o fato tributável com o elemento mais razoável disponível. Inclusive diga-se que, ficando determinado que a data do evento foi em 21/12/2001, a quantificação do Fisco é muito mais adequada do que a proposta pelo contribuinte, que consiste na utilização de um balanço muito mais distante. Ou seja, o balanço adotado pelo contribuinte s6 seria razoável caso se entenda que a operação ocorreu em 30/09/2001. Caso se entenda, como o Fisco entendeu, que o evento ocorreu em 21/12/2001, o balanço adotado pelo contribuinte não faz o menor sentido. Em resumo, o que ocorreu foi o seguinte: 1) o contribuinte se negou a esclarecer porque utilizou um balanço de 82 dias antes do evento, com um lucro de C 1.512.415, quando um balanço de 10 dias após o evento mostrava um lucro de €62.935.558; 2) o Fisco entendeu que a operação ocorreu em 21/12/2001; 3) o contribuinte não forneceu o balanço de 21/12/2001; 4) o Fisco adotou o balanço de 10 dias após o evento. Portanto, a decisão fiscal foi adequada e necessária. Mas, vale notar que a inércia do contribuinte em esclarecer a situação não ficou apenas na fase de auditoria. de se destacar que em nenhum momento do processo, nem nas duas impugnações, e nem no recurso, o contribuinte se preocupa em informar o lucro em 21/12/2001. Por outro lado, o contribuinte pretende que o lançamento seja cancelado exatamente por não ser feito com base no balanço de 21/12/2001. 48 Processo n° 16561.000068/2006-77 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 49 Ora, sendo a única pessoa que poderia dar tal informação, e devendo ter interesse em demonstrar os fatos (caso o balanço de 31/12/2001 não retratasse adequadamente a situação de 21/12/2001), não há explicação para o contribuinte não esboçar qualquer atitude neste sentido, durante tanto tempo. No entanto, a defesa do contribuinte consiste em insistir em teses jurídicas sobre a tributação de lucro obtido no exterior, ou insistir que o balanço usado pela fiscalização não foi o da data que o Fisco entendeu ter ocorrido o evento. Cabe resumir como a lide chega ao Carf. A primeira discordância entre contribuinte e Fisco é a determinação do momento em que deve ser considerada feita a operação. 0 contribuinte defende que foi feita em 30/09/2001, sendo o atraso no registro mero problema burocrático, por isso defende o uso do balanço de 30/09/2001. 0 Fisco entende que a operação ocorreu em 21/12/2001 e, após buscar sem sucesso explicações/informações junto ao contribuinte, usa o balanço mais próximo da data do evento. 0 contribuinte, ao invés de contestar a data adotada pelo Fisco para o evento, ou demonstrar que o lucro em 21/12/2001 era menor que o lucro de 31/12/2001, alega apenas que o Fisco usou o balanço errado. Assim, o contribuinte desiste de discutir o momento da operação e passa a alegar erro formal da fiscalização, dizendo que o Fisco deveria ter adotado um balanço de 21/12/2001, quando é ele quem não fornece tal dado ao Fisco. Pior, pretende com isso justificar a utilização do balanço de 30/09/2001, que declara um lucro quase 60 vezes menor e que não corresponde a data que ele parece finalmente admitir para a operação. Porém, tal expediente não pode prosperar, principalmente quando: 1) o contribuinte parece concordar que a data do evento é 21/12/2001, e não 30/09/2001 2) o auto de infração se baseia em tão razoável quantificação do lucro na data do evento, frente a falta de informação do exato lucro pelo contribuinte. Portanto, analisando o processo sob este enfoque caberia aceitar o emprego do lucro apurado no balanço de 31/12/2001, e considerá-lo disponibilizado no evento de 21/12/2001. Isso implicaria em concordar com o acerto do lançamento. Mas, algumas menções esparsas no processo, bem como afirmação textual da turma julgadora, mostram que outro aspecto da situação é importante e deve ser considerado. De fato, embora a fiscalização não explicite as razões que a fizeram adotar o balanço de 31/12/2001, é possível existir outra motivação, além da ausência de informação do contribuinte e da proximidade temporal da apuração com o evento. No voto encampado pela turma julgadora, é dito que a diferença de € 61.423.143 constava do balanço de 30/09/2001 como lucro suspenso, em razão de isenção, e por isso deve ser considerada disponibilizada no aporte feito em 21/12/2001. A passagem onde consta tal afirmação, que foi fundamento da decisão, 6 a seguinte @roc. fl. 423): Isso porque o referido valor já constava do balanço da BBLA -Lisboa de setembro de 2001, embora com outra rubrica. Não constava como lucro do exercício, mas corno lucro suspenso, ern face da isenção do "Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas" (IRC), nos termos do artigo 41 do "Estatuto dos Beneficios Fiscais", por exercer suas atividades na "Zona Franca Exterior da Madeira". 49 Processo n° 16561.000068/2006-77 si -CITI Acórdão n.° 1101-000.744 Fl. 50 Além disto, vale notar que o Bank de Boston Latino Americano S.A mudou- se para Lisboa em 19/12/2001 (proc. 11. 32), passando a exercer sua atividade fora da Zona Franca da Madeira (proc. fl. 97). Já o termo de verificação fiscal do segundo auto de infração complementar (fl. 248), citando relatório, que não consta dos autos e provavelmente está no processo 16327.000299/2006-53, diz que "segundo o Relatório jc't referido no item 1.6,.... "( ..) até 18 de dezembro de 2001, o Banco (se) beneficiou da isenção de IRC ao abrigo do artigo 410 do Estatuto dos Benefícios Fiscais, dado que a sua actividade foi exercida na Zona Franca Exterior da Madeira. "(A 107)". Isso confirma que, de fato, até 18/12/2001, o contribuinte exercia atividade em região que o isentava de tributação. Por isso, o comentário feito pela julgadora pode estar correto e o lucro em discussão estar reconhecido no balanço de 30/09/2002, como lucro suspenso. 0 que justificaria plenamente a utilização do lucro estampado no balanço de 31/12/2001. Assim, pode ser que os balancetes mensais de 2001, na sua versão completa (pois o balancete de 30/09/2001, juntado com o recurso voluntário está incompleto), esclareçam definitivamente a questão. Enfim, é possível que a razão da escolha da fiscalização de utilizar o balancete de 31/12/2001 para quantificar o lucro disponibilizado, explicada mas não explicitada, tenha 2 bases, ambas válidas: la) ausência de informação do contribuinte e adequação do balanço utilizado como o melhor elemento disponível para indicar o lucro em 21/12/2001; 2) registro do lucro em conta de lucro suspenso, desde antes da operação. Mas, para bem verificar estas duas possibilidades é preciso examinar os balancetes mensais de 2001, que foram apresentados ao Fisco, mas não foram juntados ao processo, tal como alguns outros documentos mencionados. Por estas razões, voto por converter o processo em diligência, para que: 1) sejam juntados os balancetes Loyiplgkls do Bank de Boston Latino Americano S.A de todos os meses de 2001; 2) seja informado se, além do lucro do exercício, constou como lucro suspenso algum valor nos meses de setembro a dezembro de 2001, informando o exato valor em caso positivo; 3) seja juntado o relatório do processo n° 16327.000299/2006-53. Não sendo o julgamento convertido em diligência, voto pela improcedência do recurso voluntário. Sala de sessões, 11 de junho de 2012. ar os Eduardo de Almeida Guerreiro. 50
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720207/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO
Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social.
Eventuais recolhimentos efetuados, no período, na sistemática do SIMPLES, via DARF, devem ser considerados pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.755
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária - CPP.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. Eventuais recolhimentos efetuados, no período, na sistemática do SIMPLES, via DARF, devem ser considerados pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15868.720207/2012-13
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303036
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.755
nome_arquivo_s : Decisao_15868720207201213.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15868720207201213_5303036.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária - CPP. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5142124
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174064181248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720207/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.755 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente SONECA COLCHÕES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SIMPLES. ADESÃO. NÃO COMPROVAÇÃO Não demonstrada a adesão ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, são devidas as contribuições patronais à Seguridade Social. Eventuais recolhimentos efetuados, no período, na sistemática do SIMPLES, via DARF, devem ser considerados pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária CPP. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 07 /2 01 2- 13 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão que bem sintetiza os autos lavrados. ▪AIOP relativo à parte patronal e SAT/RAT Debcad n.º 51.006.8693, no valor de R$ 67.935,57; ▪AIOP relativo a contribuições a terceiros Debcadn.º 51.006.8707, no valor de R$ 12.702,79; Informa o Relatório Fiscal (fls. 133/135) que, tendo a empresa sido incluída no Simples Nacional a partir de 01/01/2010, as bases de cálculo foram obtidas dos valores constantes nas folhas de pagamento e GFIP da autuada para os estabelecimentos matriz e filial, à exceção do contribuinte individual Marcos Eduardo Simon de Campos, cujos honorários foram extraídos da contabilidade da empresa, uma vez que tal remuneração não foi declarada em GFIP. O r. acórdão – fls 274 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os autos de infração lavrados. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Conquanto a peticionária tenha asseverado que seu ingresso no regime Simples Nacional tenha ocorrido a partir de 01/01/2009 consoante prova o TERMO DE DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, para a Fiscalização a recorrente teria sido admitida no regime Simples Nacional apenas a partir de 01/01/2010. · Em relação ao exercício de 2009, indicado nos autos de infração acostados aos autos, embora a Fiscalização tenha apontado que a recorrente não teria pago as contribuições sociais devidas nosaludidos exercícios, isso, com todo respeito, não corresponde à realidade, sobretudo porque as referidas contribuições foram recolhidas na forma da legislação atinente ao Simples. · Consta do TERMO DE DEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL, logo abaixo da razão social da contribuinte, que “sua opção pelo Simples Nacional está confirmada com efeitos a partir de 01/01/2009” (sublinhado da transcrição). · Necessidade de compensação das contribuições sociais apontadas como devidas com aquelas já recolhidas na forma do regime simples nacional. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 5 4 · Equivocada capitulação legal das multas aplicadas à recorrente e a possibilidade de sua relevação ou redução. as multas aplicadas à recorrente jamais poderiam ultrapassar o percentual de 20% (vinte por cento) sobre o suposto débito previdenciário, não podendo, assim, em hipótese alguma, atingir o percentual de 75% (setenta e cinco por cento)utilizado pela Fiscalização. · Inobservância da vedação constitucional ao confisco e o princípio da razoabilidade ou da proporcionalidade. · Requer seja conhecido o presente recurso e acolhidos os argumentos ora expendidos, para o fim de cancelar ou tornar insubsistentes os autos de infração e imposição de multa nº 51.006.8693 e 51.006.870 7. Caso o pedido formulado acima não seja acolhido, o que se admite apenas para argumentar, pedese ainda, deforma sucessiva, seja reformado o acórdão recorrido de forma parcial, a fim de que sejam considerados e devidamente compensados os recolhimentos das contribuições sociais realizados na forma do regime Simples Nacional durante o exercício de 2009. Por fim, reitera a recorrente sejam as multas impostas relevadas ou ao menos minoradas, dada a completa ausência de dolo ou máfé por ocasião do recolhimento das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O ponto controverso a ser dirimido cingese a decidir se, no ano de 2009, a recorrente encontravase ou não regularmente inscrita no SIMPLES. Os documentos acostados às fls 272 e 273, referentes a consulta dos sistemas informatizados da receita federal demonstram que a recorrente não estava inclusa no sistema simplificado no período em questão. No corpo de seu recurso e da impugnação apresentada, temos a colagem de termo de deferimento de opção, sem ter sido anexado o documento a qual se refere ou como o mesmo foi obtido. Dessa feita, tenho como não afastado o que consta das consultas realizadas nos sistemas oficiais da receita federal, onde demonstra a opção a partir de 01.01.2010. Correta assim a análise da r decisão, nesses termos: Quanto à afirmação, por parte da interessada, de estar inscrita desde 01/01/2009, tendo anexado, em sua impugnação, trecho do Termo de Deferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls. 246), de acordo com pesquisa efetuada no sistema Simples Nacional – Entes Federados (fls. 273), no calendário do histórico da opção, constatase a ocorrência, em janeiro/2009, do evento “Período Nulo”. No mesmo gráfico, é possível visualizar claramente a data do início da vigência da opção, de onde concluise não ter tido eficácia o Deferimento da Opção apresentado, devendo ser o dia 01/01/2010 considerado como data inicial da referida opção. DA MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício aplicada encontrase regida pelo art. 35A da Lei nº 8.212/1991, o qual determina a aplicação conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/199, no percentual de 75%(setenta e cinco por cento), que transcrevo. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... Fl. 314DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 7 6 Dessa feita, correta a aplicação do índice pelo auditor autuante. PARCELAS PAGAS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. APROVEITAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES. Requer ainda o contribuinte o aproveitamento das parcelas recolhidas ao SIMPLES, via DARF. Vejamos o arcabouço legal envolvido na questão. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: ... VI Contribuição Patronal Previdenciária CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5ºC do art. 18 desta Lei Complementar; ____________ Lei 11.457/09: Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2o desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2o desta Lei." _____________ Do que posto, tenho que não há que se falar em compensação da contribuição recolhida na sistemática da LC 123/06, pois efetivamente se trata de recolhimento de contribuição patronal previdenciária. Assim sendo, na apuração do que devido, a administração tributária deve considerar os recolhimentos em DARF correspondentes a tal parcela, na forma dos anexos da prefalada lei. Nessa linha, temos a súmula 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15868.720207/201213 Acórdão n.º 2803002.755 S2TE03 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que a Administração Tributária considere os recolhimentos realizados em DARF referentes à Contribuição Patronal Previdenciária CPP. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908206/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10875.908206/2009-91
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291175
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-000.125
nome_arquivo_s : Decisao_10875908206200991.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10875908206200991_5291175.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5060149
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174067326976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 97 1 96 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908206/200991 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.125 – 2ª Turma Especial Data 25 de junho de 2013 Assunto Dcomp Eletrônico – Pagamento a maior ou indevido Recorrente Laboratórios Pfizer Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 60/64), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 6/ 20 09 -9 1 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 98 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 14/03/2003. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 66 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 69/76, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 79/86), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 87/92, e cópias Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 99 3 de DARF (fls. 93/94). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908206/200991 Resolução nº 3802000.125 S3TE02 Fl. 100 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 79) que as receitas financeiras do mês de fevereiro/2003 correspondem a R$ 419.753,05, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 12.592,59. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 85. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 85, notadamente: “outras receitas” e “remuneração de cobrança”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900967/2008-00
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Conselho, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinada digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinada digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Dérouléde (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10850.900967/2008-00
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305037
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-000.512
nome_arquivo_s : Decisao_10850900967200800.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10850900967200800_5305037.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Conselho, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinada digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinada digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Dérouléde (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5156886
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174073618432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.900967/200800 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.512 – 1ª Turma Especial Data 25 de junho de 2013 Assunto NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente MERCADÃO DE TRATORES RIO PRETO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Conselho, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinada digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinada digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Dérouléde (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 96 7/ 20 08 -0 0 Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1436.295, de 12 de janeiro de 2012, da 4ª. Turma da DRJ/RPO, referente ao processo administrativo n° 10850.900967/200800, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 23/28) de crédito da Cofins de junho de 2004, no valor de R$ R$8.398,68, com débito de IRPJ de agosto de 2004, no mesmo valor. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório de fls. 135/136, não homologou a compensação declarada, em razão da inexistência de saldo referente ao recolhimento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido integralmente alocado para extinção de débito declarado pela própria contribuinte. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1/8, alegando ter cometido erro de preenchimento da DCTF e do Dacon do período a que se refere o indébito. Argumentou que na DCTF não deveria ter constado débito da Cofins de junho de 2004, pois na verdade foi apurado saldo credor no respectivo mês, conforme demonstrativos da DIPJ/2005 original (fls. 31/32). O erro, reproduzido também no Dacon do segundo trimestre de 2004, deveuse ao fato de a contribuinte ter considerado como receitas sujeitas à alíquota zero o montante de R$ 2.735.382,45, enquanto o correto seria R$ 3.413.500,00, com comprovam as notas fiscais apresentadas por cópia (fls. 97/129). Como tal parcela é redutora da receita total,na apuração da base de cálculo da contribuição, sua correção resultaria na apuração de saldo de crédito no mês, e não Cofins a pagar. Para sanar esses equívocos, apresentou a DCTF retificadora de fls. 33/76 e o Dacon retificador de fls. 79/94. A DRJ/RPO proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 4 3 “ASSUNTO:NORMASGERAISDEDIREITOTRIBUTÁRIO Datadofatogerador:15/07/2004 REPETIÇÃODEINDÉBITO.LIQUIDEZECERTEZA. Osvaloresrecolhidosamaiorouindevidamentesomentesãopassíveisde restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidezecerteza. ManifestaçãodeInconformidadeImprocedente DireitoCreditórioNãoReconhecido” Ocorreu que a recorrente recolheu aos cofres públicos federais a título de COFINS tendo em vista equívocos praticados na apuração do referido tributo. Dentre tais, considerou como tributável, vendas de produtos cuja alíquota da contribuição é 0%. Verificado o equívoco, realizou a contribuinte PER/DCOMP em 09/03/2007, que restou indeferido, sendo posteriormente apresentado manifestação de inconformidade que restou novamente indeferida, entendendo a DRJ/RPO que a DCTF retificadora (fls. 3376) e o Dacon retificador (fls. 7994), não teriam o condão de alterar por si só o despacho decisório que indeferiu o direito creditório. Aduz a DRJ/RPO que a alegação deveria vir acompanhada de documentação comprobatória da existência de pagamento a maior, sendo o ônus da comprovação da contribuinte. Alega a recorrente, a fl. 162, que “A base da compensação pelo pagamento indevido foram as notas fiscais relacionadas na manifestação de inconformidade. Documentos de emissão obrigatória por Lei com validade jurídica, cuja falta de emissão acarreta penalidades tributárias e penais. A negativas ao provimento da manifestação de inconformidade com fulcro nas alegações dos julgadores, colocam dúvidas se tais documentos possuem de fato o condão de arrecadar e validar operações mercantis. Nesse passo, considerando a falta de vinculação dos julgadores de primeira instância, faz juntada a recorrente de todo seu acervo documental, contábil e fiscal.” Tal como alegado no Recurso Voluntário, a recorrente fez de fato a juntada de 3848 páginas de documentos contábeis e fiscais, conforme se verifica a fls. 1754022 deste processo administrativo. Postula o provimento do recurso, a reforma da decisão, o direito de provar o alegado e o apensamento ao processo 10850.900966/200857, Acórdão 1436.294, para fazer prova emprestada dado o enorme volume documental, em face do princípio da economia processual. É o sucinto relatório. Fl. 4035DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Verificase que a recorrente realizou a juntada de 3848 páginas de documentos contábeis e fiscais, conforme se verifica a fls. 1824030 deste processo administrativo, buscando provar a certeza e liquidez do crédito tributário. Tenho defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem afastar as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição, bem como da juntada de novos documentos fiscais e contáveis comprobatórios do direito alegado. Se o processamento administrativo do pedido de restituição somente pode ser realizado após a retificação da DCTF e DACON, isto em nada afeta o direito material à repetição do indébito. Como a Recorrente não foi intimada previamente a provar a existência do crédito pleiteado, a decisão da autoridade da RFB fundou se unicamente nas informações constantes da DCTF e DACON apresentada pela Recorrente e, por elas, concluiu que não há indébito. Por outro lado, se a Recorrente tivesse apresentado a DCTF e DACON retificadoras antes da transmissão do pedido de restituição, bem como dos demais documentos contábeis e fiscais juntados quando da interposição deste Recurso Voluntário, poderia ter sido tornado líquido e certo o crédito pleiteado. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF e DACON retificadoras, não exclui o direito da Recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo restituição o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e à compensação, se for o caso. Afastado, portanto, a razão alegada pela DRF de origem para indeferir o pedido da recorrente, é inequívoco o direito de a recorrente ver apreciado, pela mesma DRF de origem, as provas do direito alegado e a conseqüente apuração do valor do indébito alegado. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Fl. 4036DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 6 5 Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar as compensações declaradas. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da Recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à Recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Neste sentido, assim já restou decidido neste Colendo Conselho, conforme ementa transcrita do julgado abaixo: Processo nº 10283.902681/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.104 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente YAMAHA MOTOR DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve se apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (grifouse) Quanto ao pedido de apensamento ao processo 10850.900966/200857, voto por indeferir tal pedido, haja vista que a mesma prova já foi juntada naquele processo, conforme pode ser verificado a fls. 1754022, do processo mencionado. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de São José do Rio Preto (SP) para: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela Recorrente, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e, se for o caso, homologue as compensações declaradas pela Recorrente; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Fl. 4037DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.900967/200800 Resolução nº 3801000.512 S3TE01 Fl. 7 6 É o meu voto. (assinada digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 4038DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12269.002817/2008-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.138
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12269.002817/2008-16
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5294124
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-000.138
nome_arquivo_s : Decisao_12269002817200816.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 12269002817200816_5294124.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5078198
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174087249920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1256; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 162 1 161 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.002817/200816 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2403000.138 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 24 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente DOCTOR CLIN OPERADORA DE PLANOS DE SAUDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 02 81 7/ 20 08 -1 6 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 163 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 1032.020 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.062.3665, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.763.762,32. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social devida pela contratação de serviços de cooperativas médicas de trabalho, nas competências entre 01/2003 e 12/2006. O Relatório Fiscal informa: O fato gerador da obrigação previdenciária tem como base a analise da DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte confrontada com os contratos celebrados entre a empresa Dr. Clin (tomadora dos serviços) com as cooperativas de serviços médicos que lhe prestaram serviços, bem como com os lançamentos da escrituração contábil, apurado conforme descrito abaixo: COP Levantamento relativo à contribuição incidente sobre os serviços das Notas Fiscais e faturas das cooperativas médicas contratadas nas competências 01/2003 a 12/2006 e que não foram declaradas em GFIP's.Observase, em relação ao cálculo dos acréscimos legais, que o Relatório Fiscal apresenta o quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11.941/2009. Deixar a empresa, de informar mensalmente ao Fisco Federal por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, configura, em tese, ilícito penal, que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. A Recorrente teve ciência do AIOP em 11.07.2008, via Aviso de Recebimento – AR, às fls. 33. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Sintético do Débito DSD é de 01/2003 a 12/2006. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 164 3 O contribuinte teve ciência do lançamento fiscal em 11 de julho de 2008, apresentando impugnação tempestiva em 11 de agosto de 2008. Alega a decadência parcial do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e junho de 2003. Refere a Súmula Vinculante n° 08. Apresenta diversos argumentos acerca da inconstitucionalidade da contribuição objeto do presente lançamento, fundamentada no artigo 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99. Afirma que o Auto de Infração AI teve como base as informações constantes na DIRF, onde consta a data do pagamento das notas fiscais, enquanto o fato gerador ocorre na data da emissão das faturas com a respectiva prestação dos serviços. Assim, o lançamento deve ser anulado para que constem as informações e valores existentes nas notas fiscais em anexo, conforme planilha que acompanha a impugnação. Prossegue, alegando que deve ser excluído o valor de R$ 48.571,90, referente aos valores pagos à Cooperativa dos Anestesistas de Porto Alegre, lançado em duplicidade, conforme planilha em anexo. Argumenta que as penalidades aplicadas possuem caráter confiscatório, concluindo que a multa deve ser revista e reduzida para índice não superior a 20% (vinte por cento) do valor apurado. Quanto à taxa SELIC, alega que não pode ser aplicada cumulativamente com outros índices de reajustamento. Portanto, ou se aplica a taxa SELIC ou se aplica a multa de 20%, não podendo prosperar a aplicação de multa de 100% cumulada com a taxa SELIC. Ao final requer, em preliminar, seja reconhecida a decadência de valores cujos fatos geradores ocorreram antes de julho de 2003. No mérito, requer a anulação do Aulo de Infração: a) em razão da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição sobre as notas fiscais e faturas referentes aos serviços prestados por cooperativas de trabalho; e b) para que constem os valores existentes nas notas fiscais de serviço em anexo e não os constantes das DIRF (diferença entre período de competência e data de pagamento). Também requer a exclusão do valor de R$ 48.571,90, lançado em duplicidade, referente à Cooperativa dos Anestesistas de Porto Alegre. Em relação às multas impostas, deverão ser excluídas ou reduzidas para o máximo de 20% sobre o débito restante, uma vez caracterizado o efeito confiscatório e observado precedentes do STF Posteriormente, em 03 de novembro de 2009, o sujeito passivo protocolizou na Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF, fl. 90, requerimento de desistência parcial da impugnação, relativamente ao período de 07/2003 a 12/2006, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Após o desmembramento, o crédito lançado corresponde a R$ 267.448,57 (duzentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), valor consolidado em 25/06/2008, abrangendo o período de 01/2003 a 06/2003, conforme DD Discriminativo do Débito, fls. 105/106. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 165 4 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1032.020 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003 Auto de Infração n° DEBCAD 37.062.3665 1.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Foge a alçada do contencioso administrativo fiscal afastar a aplicação da legislação tributária vigente, sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. 2. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de não haver pagamento antecipado do tributo a ser homologado, o prazo decadencial qüinqüenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Decadência não configurada. 3. ÔNUS DA PROVA. A impugnante tem o ônus da prova acerca daquilo que alega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) da decadência; (ii) inconstitucionalidade; (iii) caráter confiscatório da penalidade aplicada. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 166 5 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 1032.020 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre RS que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.062.3665, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.763.762,32. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social devida pela contratação de serviços de cooperativas médicas de trabalho, nas competências entre 01/2003 e 12/2006. O Relatório Fiscal informa: O fato gerador da obrigação previdenciária tem como base a analise da DIRF Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte confrontada com os contratos celebrados entre a empresa Dr. Clin (tomadora dos serviços) com as cooperativas de serviços médicos que lhe prestaram serviços, bem como com os lançamentos da escrituração contábil, apurado conforme descrito abaixo: COP Levantamento relativo à contribuição incidente sobre os serviços das Notas Fiscais e faturas das cooperativas médicas contratadas nas competências 01/2003 a 12/2006 e que não foram declaradas em GFIP's.Observase, em relação ao cálculo dos acréscimos legais, que o Relatório Fiscal apresenta o quadro comparativo a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte considerandose as alterações trazidas na legislação pela Lei 11.941/2009. Deixar a empresa, de informar mensalmente ao Fisco Federal por intermédio das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP's, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, configura, em tese, ilícito penal, que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. Posteriormente, em 03 de novembro de 2009, o sujeito passivo protocolizou na Delegacia da Receita Federal do Brasil DRF, fl. 90, requerimento de desistência parcial da impugnação, relativamente ao período de 07/2003 a 12/2006, para efeito do que dispõe a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.002817/200816 Resolução nº 2403000.138 S2C4T3 Fl. 167 6 Após o desmembramento, o crédito lançado corresponde a R$ 267.448,57 (duzentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), valor consolidado em 25/06/2008, abrangendo o período de 01/2003 a 06/2003, conforme DD Discriminativo do Débito, fls. 105/106. Da necessidade de verificação de recolhimentos A Recorrente teve ciência do AIOP em 11.07.2008, via Aviso de Recebimento – AR, às fls. 33. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Sintético do Débito DSD é de 01/2003 a 12/2006. Após a desistência parcial do Recurso, o período objeto do auto de infração, é de 01/2003 a 06/2003. Desta forma, para efeitos de apreciação da preliminar de decadência, se faz necessário o envio dos autos para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente informe se: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 06/2003; (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 12/2006; CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente verifique e informe, a este E. Conselho: (a) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há o registro de recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 06/2003; (b) nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, há recolhimentos feitos pela Recorrente entre as competências 01/2003 a 12/2006. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.016111/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.160
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que votaram pela análise das demais questões sob o entendimento de que o Recorrente não discutia a quebra do sigilo bancário através de procedimento administrativo. Fez sustentação oral, seu representante legal, Alan Luiz Tavares e Silva, RG nº 1988391 – DGPC-GO
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10120.016111/2008-91
conteudo_id_s : 5300312
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2202-000.160
nome_arquivo_s : Decisao_10120016111200891.pdf
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10120016111200891_5300312.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que votaram pela análise das demais questões sob o entendimento de que o Recorrente não discutia a quebra do sigilo bancário através de procedimento administrativo. Fez sustentação oral, seu representante legal, Alan Luiz Tavares e Silva, RG nº 1988391 – DGPC-GO
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 5124357
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174152261632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2074; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.016111/200891 Recurso nº 502.215 Resolução nº 220200.160 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 8 de fevereiro de 2012 Assunto Depósitos Bancários Recorrente PAULO CESAR FARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO CESAR FARIA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior, que votaram pela análise das demais questões sob o entendimento de que o Recorrente não discutia a quebra do sigilo bancário através de procedimento administrativo. Fez sustentação oral, seu representante legal, Alan Luiz Tavares e Silva, RG nº 1988391 – DGPCGO. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, PAULO CESAR FARIA, foi lavrado, por Auditor — Fiscal da DRF/ Goiânia GO, o Auto de Infração de fls.916/927, cuja ciência se deu em 26/11/2008 (fl.1376) O valor do crédito tributário apurado é de R$ 5.336.044,16 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originouse na constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de deposito ou de investimento, mantidas nas Instituições financeiras listadas em anexo ao Auto de Infração, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Demonstrativos integrantes do Auto de Infração. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 26 de dezembro de 2008, impugnação ao lançamento, 'As fls.932/956, mediante as alegações relatadas a seguir: Esclarece que, ao longo do ano fiscalizado, foram realizadas operações financeiras de troca de favores entre ele e algumas pessoas de seu relacionamento na regido, que consistia no empréstimo de folhas de cheques do autuado, para que pudesse lastrear operação financeira, dando em garantia o referido cheque. Quando do vencimento da operação contratada, o cheque vai a compensação e o numerário para cobrir a operação é depositado pela pessoa beneficiária da folha do cheque ou por terceiros a sua ordem, via transferência bancária TED, ou depósito em conta corrente. Tais transações envolveram vários cheques, montam a R$4.364.830,97 e foram realizadas com as empresas do grupo COTRIL e seus sócios, ou pessoa de sua ligação, tudo na base da confiança, da amizade, declarados e reconhecidos pelos favorecidos, conforme declarações prestadas por eles. (doc. 26/35) A impugnação enumera todos os depósitos alegadamente decorrentes de transações envolvendo empréstimos de cheques para lastrear empréstimos a pessoas de seu relacionamento, relacionandoos As provas apresentadas, pretendendo justificar depósitos no montante de R$4.364.830,37, conforme documentação enumerada de 01 a 18. Lista, ainda depósitos cuja origem explica como decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade (doc.19), empréstimos oriundos de Conta Garantida (doc.20), devolução de empréstimo (doc.21), desconto de cheques de ter eiros (doc.22), receitas da atividade rural (doc.23 e 24) decorrentes de depósitos feitos, pelo frigorífico FRIBOI, e outros depósitos decorrentes da atividade rural. Explica ter efetuado intensa movimentação bovina, compra e venda, para empreender confinamento bovino e, levando em conta os diversos boatos no meio agro pecuário, notadamente no que diz respeito a epidemias de febre amarela e outros, a carne sofreu restrições em alguns paises, por conseqüência, houve uma queda nos preços internos, levando os empresários que trabalha com engorda de animal em confinamento ao prejuízo. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 3 3 Por ter tido prejuízo no ano, entendeu que não era necessária a inclusão na declaração de Imposto de Renda Pessoa Física ano base dois mil e quatro, dos dados do livro caixa, ou seja, a apresentação de receita e despesas, com isto não preencheu o anexo rural exigido, o que teria ensejado distorções, entre os valores efetivamente recebidos com os que foram declarados, aparentando omissão de receitas. Assim, entende ter apresentado provas para justificar depósitos nos seguintes montantes: 1. R$4.364.830,37 referentes a cheques emprestados, de favor, relacionados nos documentos de n° 01 ao 18; 2. receita da atividade rural R$1.151.611,76 e R$2.770.880,38 (documento n° 23); 3. transferência bancária da mesma titularidade R$80.000,00 (documento 19); 4. devolução de empréstimos R$13.052,68 (documento n° 21); 5. liberação de empréstimos bancários R$ 300.000,00 (documento 20); 6. desconto de cheques R$ 70.000,00 (documento 22) A soma desses valores totaliza R$8.750.375,19, e os respectivos depósitos estariam devidamente justificados e superariam o valor de R$8.745.681,97 autuado pelo fiscal. No ano base em questão, o contribuinte, realizou durante o ano, notadamente mais no segundo semestre, uma intensa movimentação bovina, compra e venda, para empreender o chamado confinamento bovino, que consiste no fechamento de uma determinada quantidade de animais com tratamento intensivo por um curto período, a fim de ganhar peso e vender o animal o mais rápido possível. Justamente neste ano, levando em conta os diversos boatos no meio agro pecuário, notadamente no que diz respeito a epidemias de febre amarela e outros, a carne, uma comoditie internacional, sofreram restrições em alguns paises, por conseqüência, houve uma queda nos preços internos, levando aos empresários que trabalha com engorda de animal em confinamento ao prejuízo. Alguns dos depósitos listados pelo autuante como falta de origem, seriam resultados da venda de bovinos a frigoríficos, com emissão de nota fiscal, com desconto de NPR, com créditos levados h. conta corrente bancária. Por ter 'realizado prejuízo no ano, entendeu o impugnante, que nã tJera necessária a inclusão na declaração de Imposto de Renda Pessoa Física ano base dois mil e quatro, dos dados do livro caixa, ou seja, a apresentação de receita e despesas, com isto não preencheu o anexo rural exigido. A falta da inclusão dos números, principalmente os da receita da atividade rural, na sua declaração ensejou distorções, entre os valores efetivamente recebidos e os que foram declarados, levando a crer uma omissão de receitas. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 4 4 A documentação que deram origem ao livro caixa rural, elide também, valores lançados pelo autuante como omissão de receitas. Cumpre ressaltar que, em 27 de maio de 2009, foi proferido o Acórdão n°. 03 31.148 — 3 a Turma da DRJ/BSA, julgando procedente em parte o lançamento. Posteriormente, em 18/06/2009, o contribuinte apresenta requerimento a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiania, para que os autos fossem devolvidos . Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia para que fosse analisada a alegação de que o relator do acórdão acima mencionado teria deixado de apreciar provas apresentadas com a impugnação, o que constituiria lapso manifesto, possibilitando a correção do acórdão, nos termos do artigo 32, do Decreto n° 70.235/72. A DRJ Brasília ao apreciar o lançamento neste segunda oportunidade, julgouo procedente em parte, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 REVISÃO DE ACÓRDÃO Materializadas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão revisado, há que ser proferido novo acórdão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora com base nos documentos apresentados, apresentou arrazoado onde conclui sua avaliação sobre os documentos apresentados: A) EMPRÉSTIMOS DE CHEQUES. DOCUMENTO n°01 No dia 10/11/2003, foi emitido o cheque do impugnante n° 206045 do HSBC, no valor de R$135.000,00 com vencimento para o dia 19/01/2004 (fl.972), que, juntamente com outro, serviu para lastrear a operação de descontos de cheques realizados junto ao Banco Rural (fls.976/979). No dia do vencimento, 19/01/2004, ao mesmo tempo em que o cheque era descontado, foram efetuados dois depósitos na conta do interessado, um de R$132.000,00 e outro de R$3.515,00, totalizando R$135.515,00. Notese que a CPMF calculada sobre o montante de R$135.000,00, equivale a R$513,00. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 5 5 Assim, considero como justificados os créditos ocorridos na conta corrente do interessado totalizando R$135.515,00. DOCUMENTO 02 No dia 10/11/2003, foi emitido cheque do HSBC, n° 203046 no valor de R$135.000,00, com vencimento para 18/02/2004 (fl.986), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos de crédito com o Banco Rural (f1.990), em nome da Cotril Agropecuária Ltda., com vencimento em 19/02/2004. O cheque foi descontado em 18/02/2009, mesmo dia em que a Cotril e seu sócio, Henrique Pereira de Avila efetuaram duas TED's, uma de R$50.000,00 e outra de R$52.000,00, além de um depósito de R$32.558,00 (fls.995 a 999), totalizando R$134.558,00. Considero que esses créditos estão justificados e serão excluídos da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 03 Cheque HSBC n° 260584, emitido em 13/01/2004, com vencimento para 31/05/2004, no valor de R$373.000,00 (fls.1005/1006), no mesmo dia, 13/01/2004, foi efetuada operação de desconto de títulos na cooperativa CREDIGOIAS CARNE, em nome de Henrique Pereira de Avila, sócio da empresa Cotril Agropecuária Ltda. (fls./1008/1011). No vencimento, em 31/05/2008, a empresa Cotril Agropecuária Ltda. emitiu um TED no valor de R$373.000,00, diretamente para conta 305697, do HSBC. (fl .1014). Considero que esse depósito está justificado, uma vez que toda a operação está documentada e há coincidência de datas e valores DOCUMENTO 04 Cheque do HSBC, no 307196, emitido em 27/02/2004, com vencimento para 30/06/2004, no valor de R$ 410.400,00 (fls.1018/1019), que lastreou operação de desconto de títulos realizada no Banco Rural, em nome, de Thiago Marques de Avila (fl.doc.0402), com o Sr. Henrique Pereira de Avila como avalista. No dia 30/06/2008 ocorreu transferência bancária, creditada diretamente na conta 305697 do contribuinte no HSBC, no valor de R$415.000,00, feita pela Cotril (fl.1026), montante que sera estornado da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 05 Cheque HSBC no 348490, emitido em 02/03/2004 com vencimento para 10/07/2004, no valor de R$ 410.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fl.1030), que lastreou operação de desconto realizado no CREDIGOIASCARNE, em nome de Cotril Agropecuária Ltda. (111033), com vencimento em 12/07/04, data em que o cheque foi descontado e efetuado o retorno via Transferência Bancária TED , no valor de R$410.000,00, na conta do HSBC n° 305697, a partir da conta 1679577, na agência 2486, do HSBC, cujo titular é a Cotril (fl.1040). Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 6 6 Desse modo, esse crédito na conta do interessado, no montante de R$410.000,00, ocorrido em 12/07/04, deve ser estornado da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 06 Cheque do HSBC, n° 307194, emitido em 27/02/2004 com vencimento para 13/07/2004, no valor de R$ 410.400,00, em favor de Marcos Pereira de Avila. (fl.1044), lastreou operação de desconto de títulos realizada com o Banco Rural (fls.1046/1048). No dia 13/07/2004, houve Transferência Bancária — TED, no valor de R$412.300,00 (fl.1051/1052), creditado na conta do contribuinte, n° 305697 no HSBC, sendo que a diferença de R$ 1.900,00 referese, alegadamente, a acerto de CPMF. Considero que o depósito no valor de R$412.300,00, ocorrido em 13/07/04, está justificado, uma vez que as datas coincidem com os documentos apresentados e o valor é muito próximo, principalmente, levandose em conta que a CPMF calculada sobre R$410.400,00 é de R$1.559,52. DOCUMENTO 07 Cheque do HSBC, n° 364576, emitido em 23/04/2004, com vencimento para 20/08/2004, no valor de R$80.000,00, em favor de Domingos Pereira de Avila Júnior, sócio da Cotril (fls.1058/1059), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos, no Banco do Brasil (f1.1061). Este cheque teria sido pago por meio de dois créditos em conta corrente do interessado nos dias 21/05/2004; R$77.780,00 e 26/08/2004, no importe de R$2.500,00. Apesar do fato de a soma dos dois depósitos totalizar montante bem próximo do valor do cheque, não há explicações para justificar o pagamento de quase a totalidade do empréstimo três meses antes do vencimento, uma vez que o vencimento da operação ocorreria em 20/08/2004, e o depósito de R$77.780,00, na conta do contribuinte, ocorreu em 21/05/2004. Assim, esses depósitos não serão considerados justificados. DOCUMENTO 08 Cheque HSBC, n° 377068, emitido em 03/06/2004 com vencimento para 20/09/2004, no valor de R$500.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fls.1071/1072), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos realizada no Banco do Brasil, (fls.1075/1084). O pagamento do cheque teria sido efetuado via transferências entre contas nos dias 20/09, no valor de R$325.980,00 e 11/10 no valor de R$50.000,00, além de depósito diretamente na conta a importância de R$125.000,00, em 20/09/2004 (fls.1086/1090). Considero que os valores depositados, e as datas dos depósitos estão coerentes com a operação alegada pela defesa, de maneira que os depósitos listados no parágrafo anterior serão considerados como justificados. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 7 7 DOCUMENTO 09 Cheque do HSBC, no 3487809, emitido em 21/07/2004, com vencimento para 20/09/2004, no valor de R$ 328.000,00, em favor de Lourival Gabriel de Oliveira, (fl.1094), utilizado para lastrear operação de desconto de títulos realizada no Banco Rural (fls.1097/1100). No dia do vencimento da operação, 20/09/2004, foi efetuado depósito na conta do interessado, no montante de R$329.508,00, sendo que a diferença (R$1.508,00) seria devido aos encargos de CPMF. 0 valor calculado para a CPMF, à aliquota de 0,38% seria de R$1.246,40. Considero que o depósito acima mencionado está justificado pelos documentos presentes nos autos, uma vez que há coincidência de datas e os valores são muito próximos, devendo se excluído da base de cálculo o montante de R$329.508,00. DOCUMENTOS 10 E 12 Cheque HSBC n° 387803, emitido em 07/06/2004 com vencimento para 30/09/2004, no valor de R$164.000,00 em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fl.1108), utilizado para lastrear operação de desconto realizada no Banco flail (fl.1112). Cheque HSBC n° 387806, emitido em 29/06/2004 com vencimento para 20/09/2004, no valor de R$ 148.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (fl.1131), utilizado para lastrear operação modalidade conta garantida, com caução e custódia de cheque, realizada no Banco Bradesco. (fl.1134/1152). Esses dois cheques totalizam R$310.000,00 e teriam sido pagos pelo Grupo Cotril por meio dos depósitos na conta do contribuinte, nos valores de R$300.000,00 e R$11.000,00, ambos em 11/10/04. Devido a compatibilidade de datas e valores, bem como a identificação dos depositantes como sendo os beneficiários dos cheques emitidos pelo interessado, considero como justificados os depósitos acima listados. DOCUMENTO 11 Cheque do Banco Rural, n° 88105, emitido em 22/07/2004 com vencimento para 30/08/2004, no valor de R$150.627,00, em favor de Boi Vida Nutrição Ltda. (fl.1122), que teria sido pago por meio de transferências bancárias — TED nos valores de R$15.000,00 e R$132.000,00, diretamente na conta 305697 do HSBC, respectivamente em 20 e 23 de Setembro (fls.1126/1127). 0 crédito de R$132.000,00 foi feito pela Cotril Motors Ltda., e—não está identificado quem teria efetuado o depósito de R$15.000,00, não há como estabelecer vinculação entre os créditos efetuados na conta do sujeito passivo e o cheque emitido, nem a razão pela qual o cheque foi passado. De modo que será mantido inalterado o lançamento nesse particular. DOCUMENTO 12 Este item foi analisado conjuntamente com o item 10. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 8 8 DOCUMENTO 13 Cheque do HSBC, n° 387807, emitido em 24/06/2004 com vencimento para 01/11/2004, no valor de R$200.000,00, em favor de Cotril Agropecuária Ltda. (11.1158), utilizado para lastrear operação de descontos realizada no banco Rural, realizada em 24/06/200 (fl.1161). No dia 03/11/2004, a Cotril Agropecuária efetuou transferência de R$201.000,00 para a conta do interessado. Considero como justificado o depósito de R$201.000,00, em 03/11/04, uma vez que ha. compatibilidade de datas e valores com as provas apresentadas. DOCUMENTOS 14 E 15 Cheques do HSBC n° 387815 e n° 387816, emitidos em 30/09/2004 com vencimento para 30/11/2004 nos valores de R$47.000,00 e R$192.000,00 em favor de Cotril Ltda. (fls.1169 e 1187), teriam gerado os depósitos de R$200.000,00 em 29/11/2004 e R$39.000,00 em 30/11/2004. Estes cheques foram descontados em instituições financeiras em favor da Cotril, conforme documentos de fls.1172/1178 e 1191/1192, de maneira que, devido A. coincidência de datas e valores, os depósitos de R$200.000,00, em 29/11/04, e R$39.000,00, em 30/11/04, serão considerados justificados e excluídos da base de cálculo do imposto de renda. DOCUMENTO 16 A defesa pretende justificar depósitos nos seguintes valores: R$72.7 ,00, em 01/03/04, R$30.000,00, em 06/09/04 e R$44.766,97, em 16/12/04, sob o argumento de que decorreriam de uma operação de empréstimo de cheques para desconto no banco Bradesco, no valor de R$ 148.000,00, sendo que o cheque foi emitido em 02/09/2004, com vencimento para 13/09/2004. Apesar de os depósitos totalizarem (R$147.506,97) valor próximo ao do cheque emitido, R$148.000,00, não há explicações para o fato de a Cotril, empresa com dificuldades financeiras que a teriam levado a pedir cheques emprestados ao sujeito passivo, ter efetuado pagamentos antecipados ao interessado, fato que descaracteriza a necessidade de efetuar a operação alegada. Assim, os depósitos listados nesse tópico não serão considerados justificados, mantendose o lançamento inalterado nesse particular. DOCUMENTO 17 A defesa pretende justificar os créditos listados a seguir sob o argumento de que se refeririam a empréstimos feitos pelo grupo Cotril a ele, sendo que ao final, teria sido feito encontro de contas no qual o interessado teria emitido um cheque no valor de R$410.000,00, do Cheque HSBC, conta n° 387810, emitido em 02/08/2004 com vencimento para 10/12/2004, em favor de Cotril Agropecuária Ltda, utilizado para lastrear operação de descontos. (fls.1224/1256). Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 9 9 Os depósitos a serem justificados teriam ocorrido nas seguintes datas e valores: 05/01R$13.600,00; 12/01 — R$50.000,00; 30/01 R$31.000,00; 30/01 — R$25.000,00; 30/01 — R$14.000,00; 03/03 R$50.000,00; 10/03 R$10.862,00; 17/03 R$50.000,00; 23/03 R$130.000,00; 03/09 R$20.000,00; 07/12 R$1.842,00; 10/12 R$17.755,00. Não há como acatar os argumentos do interessado, uma vez que não é possível estabelecer vinculação entre os depósitos listados e o cheque emprestado. DOCUMENTO 18 Cheque HSBC 0 455455, no valor de R$149.412,05, emitido em 02/09/2004, emprestado ao amigo, Domingos Pereira de Avila Júnior, sócio da Cotril, com recursos oriundos de titulo descontada operação rural. (fls.1258/1269). 0 empréstimo teria sido pago por meio dos seguintes depósitos nas contas do sujeito passivo: 20/08/2004R$7.424,00; 04/10/2004 R$58.000,00; 20/12/2004 R$48.700,00; 04/01/2005R$37.000,00. Não há como estabelecer conexão entre o alegado empréstimo feito ao amigo e os depósitos efetuados nas contas do contribuinte, mesmo porque um dos depósitos listados foi feito antes mesmo da data em que o interessado emitiu o cheque. B) TED DE MESMA TITULARIDADE DOCUMENTO 19 Deve ser excluído o crédito referente à transferência entre contas do próprio contribuinte, ocorrido em 27/05/04, no montante de R$80.000,00, uma vez que teve como origem a conta n° 880000510, da agência 0091, do Banco Rural, para a conta 4 70 0305697, no banco HSBC, ambas do contribuinte em conjunto com sua esposa (fls.1275/1276). Esse depósito será excluído da base de cálculo do imposto de renda. C) EMPRÉSTIMO CONTA GARANTIDA DOCUMENTO 20 Está perfeitamente demonstrado nos autos que o crédito de R$300.000,00, ocorrido em 12/07/04, decorre de empréstimo efetuado pelo Banco Rural pela modalidade Conta — Garantida, conforme declaração do banco As fls.1281, devendo ser excluído da base de cálculo do imposto de renda. • D) DEVOLUÇÃO DE EMPRÉSTIMO DOCUMENTO 21 A declaração apresentada pela defesa, emitida pelo Sr. José Fernando de Barros é insuficiente para comprovar a operação de mútuo alegada, cujo pagamento teria ocasionado o depósito de R$13.052,68, em 02/06/04, que será mantido como tributável. E) DESCONTO DE CHEQUE DE TERCEIROS. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 10 10 DOCUMENTO 22 A defesa afirma que o depósito de R$70.000,00, ocorrido em 30/04/04, decorre de empréstimo de cheque emitido por Henrique Pereira de Avila (fl.1299). Realmente, está comprovado que o interessado utilizou o mencionado cheque para lastrear operação de desconto de titulo com o Banco HSBC (fls.1291/1298), e o depósito do cheque na conta do interessado faz parte da operação, entretanto, não está clara a motivação pela qual o cheque chegou As mãos do contribuinte. • Não há provas de que se trata de mútuo ou de que o contribuinte tenha ressarcido o emitente do cheque. Assim, o lançamento referente ao depósito do cheque na conta do interessado deve ser mantido inalterado nesse particular, uma vez que não está justificado o motivo pelo qual o cheque foi repassado ao interessado. Fl) RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL DOCUMENTO 23 0 interessado apresenta provas de que vários depósitos considerados como tributáveis em suas contas correntes, totalizando R$1.153.424,61, foram efetuados pelo frigorifico FRIBOI, conforme documentos de fls.1302/1320, além disso, apresenta documentos demonstrando ter efetuado vendas de gado a esta empresa, no importe de R$1.151.611,76, conforme notas fiscais apresentadas com a impugnação. Estes depósitos, listados a seguir, serão considerados como justificados e excluídos da base de cálculo do imposto de renda: 17/02R$200.000,00; 20/08 R$72.880,00; 30/09R$164.000,00; 09/12 R$207.356,51; 09/12R$70.608,49; 09/12R$70.608,49; 09/12 R$116.167,94; 16/12R$50.233,03 e 23/12R$8.601,64, na conta corrente ,19700305697, no HSBC. Também devem ser excluídos os depósitos feitos pelo FRIBOI, em 02/09/04, no SICOOB — Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil, nos montantes de R$172.030,00 e R$91.547,00. Todos esses depósitos, relacionados a venda de gado ao FRIBOI, montam a R$1.153.424,61, valor que será excluido da base de cálculo do imposto de renda. F2) DESCONTOS DE NPR. DOCUMENTO 24 O interessado comprova a realização de várias operações de crédito bancário realizadas com o Banco Rural, que justificam depósitos ocorridos na conta corrente mantida neste banco, levados a tributação como não justificados (fl.914). fl.1323, o interessado apresenta cópia de Cédula de Crédito Rural, no valor de R$409.514,57, assinada em 26/07/2004, tendo como suporte as notas fiscais de entrada do Friboi, no 6062 e 6063, nos valores de R$290.409,45 e R$119.105,12 (fls.1325 e 1326), totalizando R$409.514,57. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 11 11 Nesse mesmo dia (26/07/2004), houve depósito na conta do contribuinte no importe de R$401.935,66 (fl.161), sob a rubrica "LIQ. DESCONTO", tributado pela fiscalização como ocorrido em 26/08/2004. A diferença entre o valor da Cédula de Crédito Bancário e o montante depositado se deve a juros previstos no contrato. Desse modo, será excluído da base de cálculo o montante de R$401.935,66, tributado em 26/08/2004. As notas fiscais de entrada número 7104 e 7105, totalizando R$219.736,57 (fls.1327 e 1328), serviram de suporte a duas Cédulas de Crédito, nos montantes de R$19.736,57, emitida em 23/09/04 (f1.1330) e R$200.000,00, emitida em 20/09/04 (fl.1333). Estes documentos justificam os depósitos nos valores de R$195.263,48, em 20/09/04 e R$19.736,57, em 22/10/04. As notas fiscais de entrada do Friboi, de números 6789 e 6790 (fls.1340/1341), emitidas em 01/09/04, totalizando R$337.078,63, lastrearam Cédula de Crédito Bancário no mesmo valor, emitida em02/09/2004, com vencimento em 01/10/04, e o conjunto probatório justifica o depósito da importância de R$337.078,63, ocorrido em 01/10/04 levado a tributação pela fiscalização (fl.914). As notas fiscais de entrada de números 7306 e 7307, emitidas em 05/10/2004 (fls.1344/1345), totalizando R$74.889,67, serviram de garantia para Cédula de Crédito, emitida em 11/10/2004, no mesmo valor, que teria ocasionado de R$73.499,20, na mesma data. As notas fiscais de entrada de números 7840, 7841, 7854, 7855 e 871, totalizando R$374.559,55, emitidas nos dias três, quatro e cinco de novembro, lastrearam operação de crédito que justificam depósito ocorrido em 16/11/04, no valor de R$369.333,68. A nota fiscal de entrada n° 7960, emitida em 1 OR 1/2004 (fl.1354), lastreou Cédula de Crédito Bancário, no valor de R$300.000,00 (fl.1352), emitida em 10/11/2004, que justifica depósito no valor de R$293.338,75, no mesmo dia (fl.914). A defesa apresenta (fl.577), cópia de Cédula de Desconto Bancário, emitida em 08/11/2004, no valor de R$1.010.000,00 (fl.577), que justifica depósito ocorrido em 08/11/2004, no valor de R$987.573,79, sob a rubrica "LIQ COBRANÇA".Também está comprovado que o crédito de R$62.911,85, ocorrido na conta 950171328, da agência 0091, do Banco Rural, decorre de operação de crédito lastreada em direito do contribuinte a receber do Friboi (documento de fl.533), de maneira que este valor também sera excluído da base de cálculo do imposto de renda. De acordo com a documentação apresentada, a autoridade julgadora considerou como justificados créditos no montante de R$2.740.671,61, uma vez que os respectivos depósitos tiveram origem em descontos de NPR..Desse modo, considero como justificados depósitos que totalizam R$7.735.957,22, que serão excluídos da base de cálculo do imposto de renda. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 12 12 Tendo em vista o montante exonerado, a autoridade julgadora recorre de ofício ao CARF. Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou em 14/10/2009, o Recurso Voluntário, de fls. 1507/1522, onde reitera os pontos apresentados na impugnação, trazendo novos documentos aos autos. É o relatório. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 13 13 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No caso concreto observase que os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) requerida pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada. Nesse contexto parte da discussão se desloca para a análise do fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.016111/200891 Resolução n.º 220200.160 S2C2T2 Fl. 14 14 Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720951/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10280.720951/2010-33
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5290172
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.915
nome_arquivo_s : Decisao_10280720951201033.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10280720951201033_5290172.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5053410
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174166941696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 176 1 175 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720951/201033 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.915 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria Cofins PER/DCOMP Recorrente J C MARANHÃO COMERCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário interposto após decorrido o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 51 /2 01 0- 33 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 177 2 Relatório Por economia processual transcrevo abaixo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que descreve bem os fatos. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS (fls. 3/5), no valor de R$ 67.045,74, relativo ao 2º trimestre/2006. Constam dos autos DCOMP com a utilização do crédito. A DRF/Belém indeferiu o pleito sob o argumento de que o indeferimento dos créditos está amparado na legislação vigente, que exclui das possibilidades de compensação de créditos aqueles originados de operações monofásicas, e, que nesta sistemática (tributação concentrada), a tomada de créditos por comerciantes atacadistas e varejistas é expressamente vedada pelo ordenamento jurídico pátrio, conforme indica a alínea b, inciso I, do Art. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Por via de conseqüência as DCOMP não foram homologadas. Cientificada em 20/05/2011 (AR à fl. 94) a interessada apresentou, tempestivamente, em 15/06/2011, manifestação de inconformidade (fls. 95/114) na qual alega que: a) Com o advento da Lei n° 11.033, de 2004, os revendedores de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, quando adquirirem produtos sujeitos à alíquota 0 (zero) na saída, como ocorre com os sujeitos a tributação "monofásica", poderão proceder a escrituração e manutenção do PIS e da COFINS decorrente das aquisições realizadas dos fabricantes e importadores; b) O artigo 17, da Lei n° 11.033/04, autoriza a manutenção pelo revendedor dos créditos decorrentes de venda com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; c) Diante da clareza do art. 17, da Lei n° 11.033/04, não há como negar aos atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, determinadas máquinas e veículos, autopeças, pneus e câmaras de ar etc.) o direito ao crédito relativo à aquisição destes produtos; d) A vedação aos créditos nos casos de incidência monofásica, bem como dos produtos constantes da Lei n° 10.485/02, apenas prevalecia enquanto em vigor a redação original da Lei n° 10.833/03, em especial incisos III e IV, do § 3º , do art. 1º; e) No que tange as vendas dos produtos e mercadorias arrolados no § 1º , do art. 2º, da Lei n° 10.833/03, somente os produtores e Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 178 3 importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias e produtos; f) E mesmo que se entenda que a restrição do § 1º , do art. 2º , da Lei n° 10.833/03 alcançava as vendas por comerciantes atacadistas e varejistas, também após as alterações perpetradas pela Lei n° 10.865/04, o que se admite por mera hipótese, tal restrição restou afastada pelo art. 17, da Lei n° 11.033/04; g) O referido art. 17, da Lei n° 11.033/04, a claras luzes, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria alcance do direito de crédito revogou o comando do art. 3°r L bf da Lei n° 10.833/03. que negava o aludido direito ao crédito, nos termos do art. 2º, § I o , da Lei de Introdução ao Código Civil; h) A RFB a partir de 2007 além de negar vigência à Lei Federal, passou a Constituição Federal, ao desrespeitar o princípio da igualdade tributária previsto em seu art. 150, II; i) O princípio da igualdade proíbe que seja estabelecido um tratamento diferenciado entre os contribuintes em uma mesma situação sem que haja critérios legitimadores dessa diferenciação entre os mesmos. j) Para que haja discriminação, devem existir motivos razoáveis para tal. No caso em questão, inexiste motivação para o ato segregador, razão pela qual a negativa de manutenção dos créditos ora pleiteados viola o princípio da igualdade tributária, como será demonstrado a seguir; k) Ademais, o próprio artigo 17 da Lei n° 11.033/2004 não faz (e nem poderia) nenhuma distinção em relação à forma de tributação da origem do crédito. Aliás, a parte final do dispositivo, exige apenas que os créditos estejam vinculados a essas operações de venda; l) Desta forma, concluise que qualquer limitação à manutenção dos créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime "monofásico", estando o contribuinte vinculado à sistemática da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Ao analisar a manifestação de inconformidade a DRJ/BelémPA, emitiu o seguinte Acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 179 4 CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega em síntese os seguintes pontos: que as decisões adotadas pela RFB refletem apenas uma interpretação casuística praticada pela Administração para negar um direito latente ao contribuinte conferido pelo art. 17 da Lei n° 11.033/2004; que por meio da Lei nº 10.865/2004, que trouxe várias alterações às Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita auferida pelos comerciantes atacadistas e/ou varejistas de máquinas e veículos classificados nos códigos 8429, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 8701, 8702, 8703, 8704, 8705 e 8706 da TIPI, foram reduzidas a zero, pelo fato de tais produtos estarem sujeitos à tributação monofásica, nos termos do art. 3º, § 2º, II e art. 1º da Lei nº 10.485/2002; que por conta do regime monofásico o recolhimento das contribuições se dá em uma única etapa da cadeia produtiva, no caso pelos fabricantes e importadores, o que não significa que esta operação não sofre tributação em relação aos comerciantes atacadistas e varejistas, pois ela é tributada à alíquota zero; que a partir do advento da Lei nº 10.865/2004, as receitas do regime monofásico passaram a se submeter à sistemática da nãocumulatividade; que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, garante o aproveitamento do crédito quando adquirem produtos sujeitos à alíquota zero na saída, como ocorre com os sujeitos à tributação monofásica; que os produtos classificados legalmente como monofásicos em regra, possuem isenção ou sofrem incidência à alíquota zero, garantindo o direito a crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004; que o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, possibilitou aos contribuintes no caso de obterem saldo credor do PIS e da Cofins decorrente da aquisição de produtos sujeitos a alíquota zero (na saída), de procederem à extinção do crédito tributário por meio do instituto da compensação; cita algumas soluções de consulta emitidas pela RFB sobre o aproveitamento de créditos de produtos saídos com alíquota zero; que a vedação ao aproveitamento do crédito previsto no art. 3º, I, “b” da Lei 10.833/2003 só se aplicam aos produtores e importadores dos produtos especificados e não aos atacadistas e revendedores; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 180 5 que mesmo que se entenda que as restrições impostas pelo art. 3º, I, “b” da Lei 10.833/2003 alcançava as vendas por comerciantes atacadistas e varejistas, o que se admite por mera hipótese, esta restrição foi afastada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004; aborda sobre a ilegalidade da IN SRF nº 594/2005 pois editada em contrariedade ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004; defende que negar o direito ao crédito, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, viola o princípio da igualdade tributária previsto no art. 150, II da Constituição Federal, pois o legislador ao colocar os adquirentes dos produtos com tributação concentrada (denominado pela legislação como monofásico) nas regras da nãocumulatividade da apuração do PIS e da Cofins, pretendeu darlhes uma compensação, concedendo a todas pessoas jurídicas sujeitas a esta sistemática a possibilidade de aproveitamento do crédito nas aquisições dos produtos monofásicos e vendidos com alíquota zero; Por fim solicita seja julgado procedente o recurso voluntário para que seja declarado ao recorrente comerciante de produtos sujeito a tributação monofásica o direito à manutenção dos créditos de PIS e Cofins decorrentes dos produtos adquiridos para revenda, com base no art. 17 da Lei 11.033/2004. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10280.720951/201033 Acórdão n.º 3301001.915 S3C3T1 Fl. 181 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso não satisfaz os pressupostos recursais, uma vez que é intempestivo, portanto, dele não se toma conhecimento. O processo administrativo fiscal foi regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e tem status de lei ordinária. O prazo para a interposição do recurso voluntário está estabelecido no art. 33, deste diploma legal, in verbis: Art. 33 Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão"(... )(grifouse) O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 08/03/2012, conforme aviso de recebimento constante da fl. 136. O próprio contribuinte confirma a ciência nesta data no preâmbulo de seu recurso à fl. 137. O recurso voluntário foi interposto em 12/04/2012, conforme carimbo de protocolo constante da fl. 137. O despacho de encaminhamento da unidade preparadora, ARF/AnanindeuaPA, fl. 174, confirma que o recurso foi apresentado em 12/04/2012. O comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no CNPJ, juntado ao recurso, fl. 173, foi retirado pela internet em 11/04/2012, também após trinta dias, o que afasta qualquer hipótese de que o recurso tenha sido entregue em data anterior. Comprovado está que o recurso voluntário foi interposto intempestivamente, uma vez que foi apresentado fora do prazo de 30 dias contados da ciência de decisão de 1ª instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual não se toma conhecimento do recurso voluntário. Além do mais, nos autos administrativo não consta informação a respeito de uma possível dilatação deste prazo e a interessada não discutiu a tempestividade de seu recurso. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, tendo em vista que foi apresentado intempestivamente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720266/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IRPJ. ARBITRAMENTO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CUSTO DEVIDAMENTE COMPROVADO.
Caracterizada a existência de atividade imobiliária, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do RIR/99. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente.
As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindo-se da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (inteligência do caput do art. 534 do RIR/99). Nas hipóteses em que o Fisco busca aferir o custo dos imóveis vendidos e encontra resistência por parte do fiscalizado, o qual, intimado e reintimado, deixa de apresentar os documentos comprobatórios dos custos, inclusive em sede de impugnação/recurso, far-se-á o lançamento com os elementos de prova disponíveis, nos termos do art. 841, II, c/c art. 845, II, ambos do RIR/99.
INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DECLARADO E RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA.
Ocorrendo a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, deve-se deduzir do imposto de renda da pessoa jurídica lançado de ofício o saldo de imposto de renda da pessoa física declarado e recolhido ao Fisco.
Numero da decisão: 1402-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Carlos Pelá deu provimento parcial ao recurso de ofício por fundamentos distintos, e votou pela aplicação daqueles coeficientes.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 IRPJ. ARBITRAMENTO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CUSTO DEVIDAMENTE COMPROVADO. Caracterizada a existência de atividade imobiliária, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do RIR/99. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindo-se da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (inteligência do caput do art. 534 do RIR/99). Nas hipóteses em que o Fisco busca aferir o custo dos imóveis vendidos e encontra resistência por parte do fiscalizado, o qual, intimado e reintimado, deixa de apresentar os documentos comprobatórios dos custos, inclusive em sede de impugnação/recurso, far-se-á o lançamento com os elementos de prova disponíveis, nos termos do art. 841, II, c/c art. 845, II, ambos do RIR/99. INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DECLARADO E RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA. Ocorrendo a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, deve-se deduzir do imposto de renda da pessoa jurídica lançado de ofício o saldo de imposto de renda da pessoa física declarado e recolhido ao Fisco.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12571.720266/2012-29
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285168
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-001.425
nome_arquivo_s : Decisao_12571720266201229.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 12571720266201229_5285168.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Carlos Pelá deu provimento parcial ao recurso de ofício por fundamentos distintos, e votou pela aplicação daqueles coeficientes. Leonardo de Andrade Couto - Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5019921
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174170087424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 617 1 616 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720266/201229 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.425 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria IRPJ ARBITRAMENTO ATIVIDADE IMOBILIÍARIA Recorrentes IVO PAGANINI FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRPJ. ARBITRAMENTO. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. CUSTO DEVIDAMENTE COMPROVADO. Caracterizada a existência de atividade imobiliária, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do RIR/99. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (inteligência do caput do art. 534 do RIR/99). Nas hipóteses em que o Fisco busca aferir o custo dos imóveis vendidos e encontra resistência por parte do fiscalizado, o qual, intimado e reintimado, deixa de apresentar os documentos comprobatórios dos custos, inclusive em sede de impugnação/recurso, farse á o lançamento com os elementos de prova disponíveis, nos termos do art. 841, II, c/c art. 845, II, ambos do RIR/99. INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA DECLARADO E RECOLHIDO PELA PESSOA FÍSICA. Ocorrendo a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, devese deduzir do imposto de renda da pessoa jurídica lançado de ofício o saldo de imposto de renda da pessoa física declarado e recolhido ao Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 02 66 /2 01 2- 29 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 618 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O conselheiro Carlos Pelá deu provimento parcial ao recurso de ofício por fundamentos distintos, e votou pela aplicação daqueles coeficientes. Leonardo de Andrade Couto Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Moisés Giacomelli da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 619 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício relativo a IRPJ e reflexo de CSLL exigido do contribuinte após equiparação a pessoa jurídica. O contribuinte, em sua pessoa física, promoveu a incorporação de prédio em condomínio amoldando a situação fática à hipótese legal de equiparação à pessoa jurídica (art. 150, §1°, III, do Decreto n° 3.000/1999; Decreto Lei nº 1.381/1974, arts. 1º e 3º, III; e DecretoLei nº 1.510/1976, art. 10, I). Contudo, havia tributado os rendimentos das alienações de imóveis em sua declaração de renda de pessoa física. Intimado a respeito da equiparação a pessoa jurídica, o próprio contribuinte providenciou a formalização da pessoa jurídica IVO PAGANINI. A Fiscalização procedeu ao arbitramento de lucros em razão de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, não sendo possível, portanto, tributar seus resultados com base no lucro real (art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda para o ano de 1999 – RIR/99). Para tanto, utilizouse do disposto no art. 534 RIR/99, ou seja, a base de cálculo para fins de arbitramento foi considerada a diferença entre a receita bruta e custos devidamente comprovados. O contribuinte, intimado e reintimado, deixou de apresentar a documentação comprobatória dos custos das unidades vendidas. A respeito da impugnação do contribuinte, transcrevo trecho do relatório da decisão recorrida que bem resume as razões de irresignação do contribuinte: Regularmente intimada por via postal em 23/08/2012 (AR à fl. 538), a interessada apresentou, em 18/09/2012, a tempestiva impugnação de fls. 540543, instruída com os documentos de fls. 544581, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que, conforme exposto no item V do Termo de Verificação Fiscal, o lucro arbitrado foi fixado em valor absolutamente idêntico ao valor das alienações; b) que ao assim proceder, a autoridade fiscal descumpriu duas regras básicas impostas na ordem jurídicotributária: (i) descumpriu o art. 534 do RIR de 1999, que dispõe que o lucro arbitrado das empresas imobiliárias é calculado sobre a receita bruta de vendas deduzida dos custos dos imóveis vendidos; (ii) descumpriu o art. 532 do RIR de 1999, que determina a aplicação do percentual de 9,6% de arbitramento do lucro; c) que embora, equivocadamente, tenha declarado esses custos como deduções do Livro Caixa, devese atentar para a verdade material, que demonstra que houve custos para construção dos imóveis vendidos; que autoridade fiscal utilizou percentual de 100% do valor das alienações para fixar o lucro arbitrado, em procedimento totalmente irregular e em desacordo com as normas vigentes; d) conclui que os autos de infração de IRPJ e reflexos devem ser cancelados, dados os vícios e incorreções apontados. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 620 4 A decisão de primeira instância manteve parcialmente a exigência (fl. 589 a 597), e sua ementa ficou assim redigida: EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. INCORPORAÇÃO DE PRÉDIOS EM CONDOMÍNIO. As pessoas físicas que promovem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos equiparamse à pessoa jurídica e se sujeitam às regras de tributação aplicáveis às empresas em geral. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Na impossibilidade material de apurar o lucro da pessoa jurídica, pela falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabe à autoridade fiscal apurar o imposto com base no arbitramento do lucro. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas que se dedicam à exploração de atividades imobiliárias é apurado mediante aplicação do percentual de 9,6% da receita bruta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECORRÊNCIA. CSLL, COFINS E PIS. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, à Cofins e ao PIS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do montante do crédito tributário exonerado, recorreuse de ofício a este Colegiado. A autoridade preparadora apresentou embargos de declaração(fls. 598 a 601), requerendo que a Turma Julgadora se manifestasse a respeito de suposto lapso manifesto no acórdão lavrado. Tal lapso decorreria da conclusão equivocada da DRJ quanto à aplicação concomitante dos arts. 532 e 534 do RIR/99 (bases de cálculo do lucro arbitrado baseados em coeficientes de arbitramento e/ou arbitramento das atividades imobiliárias, respectivamente). Aduziu ainda a embargante que não haveria base legal para compensação do imposto de renda declara/recolhido pelo contribuinte como pessoa física. Às fls. 603 e 604, o Presidente da Turma julgadora exarou despacho no sentido de que os embargos propostos pela autoridade julgadora não diziam respeito a qualquer lapso manifesto relativo à decisão recorrida, mas sim quanto ao próprio mérito do lançamento Fl. 620DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 621 5 efetuado. Aduziu ainda razões complementares que, a seu ver, justificariam a aplicação concomitante dos arts. 532 e 534 do RIR/99 para o arbitramento dos lucros das empresas que se dediquem à atividade imobiliária. Conclui que o crédito tributário exonerado, em razão do recurso de ofício, seria alvo de análise do CARF, a quem competiria analisar a correição, ou não, do julgado em questão. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário (fls. 612 a 615), reiterando seus argumentos da impugnação e alegando nulidade da decisão recorrida em razão de suposta alteração do critério jurídico da autuação (decisão da DRJ concluiu por aplicar o art. 532 do RIR/99 – lucro arbitrado a partir de coeficientes de presunção de lucro posicionamento diverso da autoridade autuante). É o relatório. Voto 1 ADMISSIBILIDADE O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 14/02/2013 (fl. 607), apresentando recurso voluntário em 11/03/2013 (fl. 612). Desse modo, considerando a tempestividade do recurso interposto, e do preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR Alega o recorrente que a decisão recorrida seria nula por alterar a fundamentação jurídica da autuação. Conforme relatado, a Fiscalização entendeu que no arbitramento de lucros de empresa que desempenha atividade imobiliária devese aplicar o art. 534 do RIR/99 (base de cálculo seria a diferença entre a receita bruta e os custos comprovados), enquanto a decisão recorrida entendeu que, após aplicação do art. 534 do RIR/99 deveriam ser aplicados os coeficientes de arbitramento previstos nos arts. 519 c/c 532, ambos do RIR/99. Entendo que a discussão do tema diz respeito ao próprio mérito da autuação e, em qualquer hipótese, não redundaria em alteração da fundamentação jurídica da autuação, ainda mais que o raciocínio impingido pela autoridade julgador foi extremamente favorável ao recorrente. Entender que divergências entre a Fiscalização e as autoridades julgadoras a respeito da apuração da base de cálculo de qualquer tributo, por si só, leve à nulidade da decisão recorrida, implicaria concluir que, nessas hipóteses, ou o lançamento seria mantido em sua integralidade, ou cancelado integralmente, o que não me parece razoável. Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 622 6 3 MÉRITO O litígio repousa sob duas matérias autônomas: · a possibilidade de dedução, para fins de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que trata o art. 5341 do RIR/99, dos custos comprovados supostamente comprovados; · a aplicação, ao caso concreto, das normas de apuração do lucro arbitrado prevista no art. 5322 do RIR/99. Por oportuno, frisese que não há litígio quanto à equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. 3.1 DA DEDUÇÃO DOS CUSTOS PARA FINS DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO LUCRO ARBITRADO Em relação à apuração da base de cálculo do lucro arbitrado admitirseia a dedutibilidade dos custos se devidamente comprovados. Não obstante, os únicos documentos acostados aos autos não dizem respeito à construção dos imóveis que compõem a receita bruta objeto da autuação. A esse respeito, transcrevo excerto da decisão recorrida que muito bem analisou a questão: Contudo, da análise dos autos verificase que os custos discriminados pela impugnante na planilha de fls. 570581, cuja documentação foi apresentada no curso da ação fiscal, correspondem à aquisição de mercadorias entregues e a serviços prestados em endereços diversos do Edifício Residencial Vera Regina (à Rua Barão de Capanema, 544, Guarapuava/PR), ou seja, referemse a custos de outras obras, de modo que valor algum deve ser deduzido do valor tributável em análise. (grifo nosso) Ressaltese que, embora intimado por diversas oportunidades a apresentar a documentação comprobatória dos custos incorridos na construção dos imóveis a que se refere a autuação, o contribuinte quedouse inerte. Entendo que a Fiscalização agiu corretamente buscando a verdade material, tentando alcançar os custos incorridos pelo contribuinte. De maneira diversa, é fácil constatar 1 “Art. 534. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado (Lei nº 8.981, de 1995, art. 49, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio trimestre (Lei nº 8.981, de 1995, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º)”. 2 “Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I)”. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 623 7 que o recorrente preferiu não apresentar tais documentos justamente para, em sua defesa, alegar a incorreção do procedimento do Fisco. A incompatibilidade dos atos processuais praticados pelo recorrente é mais do que evidente. Intimado a apresentar os documentos comprobatórios de custos, não o fez. Entendo que a Fiscalização não pode ficar a mercê do comportamento refratário do fiscalizado. Diversas teorias tratam da questão da produção de provas nestas situações. Uma das teses que mais ganha relevo atualmente é a chamada dinamização do ônus da prova, tendo na obra “Ônus Dinâmico da Prova”, de Artur Carpes, excepcional contribuição para o desenvolvimento do tema. Tal obra surgiu da dissertação de mestrado do autor, cujo inteiro teor está disponível no sítio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Prova e participação no processo civil : a dinamização dos ônus probatórios na perspectiva dos direitos fundamentais).3 Mais especificamente a respeito da inviabilidade da prova por ato da parte é tratado com maestria pelo doutrinador. Vejase: A inviabilidade da prova por ato da parte pode se dar através da sua destruição, do seu perecimento quando se faz necessária a conservação ou mesmo porque sua produção depende única e exclusivamente de conduta da parte quando esta deve se submeter a determinado exame, por exemplo. Nos casos em que a inviabilidade da prova se dá por ato da parte onerada, a solução darseá pela funcionalidade da regra de julgamento, caso esta não consiga, através de outros meios ou fontes, alcançar ao processo aquilo que se pretendia através da prova inviabilizada. Todavia, a questão ganha contornos problemáticos quando sobre a parte responsável pela inviabilidade da produção da prova não recai o ônus probatório, decorrendo, assim, impossibilidade na produção da prova e respectiva impossibilidade na tarefa de se desincumbir do ônus probandi gerando, na esteira do que se sustentou supra, vedação do direito fundamental à prova. O comportamento da parte quanto à conservação das provas e a viabilidade de sua produção, especialmente quando revestido de culpa ou dolo, poderá exercer a função de um argumento de prova, hipótese que abre a porta a um valoroso e renovado debate, principalmente quando se desembarca na era do processo cooperativo, período informado por um movimento de reforço nos postulados éticos, e cujos reflexos poderão ser visualizados na disciplina dos ônus probatórios. 4 (grifo nosso) Sem dúvida, o comportamento da parte pode, em determinado grau, influenciar o convencimento do julgador. Com a maestria que lhe é peculiar, Darci Guimarães Ribeiro, em sua célebre obra “Provas Atípicas”, assevera que: [...] 4) o art. 332 do CPC prevê: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste 3 Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/14251>. Acesso em: 25 jun 2013. 4 CARPES, Artur Thompsen. Prova e participação no processo civil : a dinamização dos ônus probatórios na perspectiva dos direitos fundamentais. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/14251>. Acesso em: 25 jun 2013, p. 99. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 624 8 Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa”. E o comportamento processual das partes é um meio legal, porque não é ilegal, moralmente legítimo, não está especificado neste código, porém é hábil para provar a verdade de um fato, em que se funda a ação ou a defesa; 5) o processo sem eu sentido social ou, como querem alguns, instrumental, é um instrumento público eficaz, legítimo e verdadeiro de realização da justiça que foi colocado à disposição das partes pelo Estado, para que elas possam buscar a prestação da tutela jurisdicional, e nenhum instrumento de justiça pode sobreviver fundado em mentira, em conduta ímproba, em máfé, motivo pelo qual o comportamento da partes influenciará a convicção do juiz; 5 [...] Ora, quem dispunha dos elementos comprobatórios dos custos das unidades imobiliárias alienadas era o próprio recorrente. A autoridade autuante concedeu prazos dilatados para apresentação de tais documentos. A recorrente, por sua vez, não os alcançou. Diante do impasse, entendo que a Fiscalização agiu corretamente. Senão vejamos. Primeiro por desincumbirse de seu dever probatório, uma vez que comprovou o auferimento de receitas auferidas pela empresa individual. Em seguida por tentar alcançar a correição na determinação da base de cálculo ao buscar quantificar os custos – devidamente comprovados a serem abatidos das receitas a fim de quantificar a base de incidência do lucro arbitrado. O recorrente, por sua vez, possuía o ônus de ao menos alcançar ao Fisco os documentos que comprovassem os custos em questão. Assim, não restou outra opção à autoridade autuante senão desconsiderar as deduções de custos não lastreadas em documentação. Frisese: sequer se pode falar em documentação hábil e idônea, pois, em relação às unidades imobiliárias alienadas, nenhum documento foi apresentado. O dever probatório do Fisco, a meu ver, restou comprovado. Ao recorrente caberia comprovar a existência de documentos que respaldassem os custos das unidades imobiliárias alienadas. Preferiu não fazêlo como forma de argumento de defesa. Concluo que dar guarida ao argumento do contribuinte afronta a máxima do venire contra factum proprium, ou seja, vedação ao comportamento contraditório. Em outras palavras: não se pode conceber que alguém possa se beneficiar da própria torpeza. Bastaria a apresentação da documentação para que a base de cálculo fosse perfeitamente levantada pela autoridade fiscal. Contudo, a recorrente buscou agir de forma a impossibilitar tal correição no procedimento. Seu comportamento, a meu ver, é o forte indício a me convencer de que lhe faltou lealdade processual, sobreprincípio processual que, segundo Darci Guimarães Ribeiro, se sobrepõe aos demais6. Diante da recalcitrância do contribuinte incidem, portanto, as regra dos arts. 841, II, e 845, II, ambos do RIR/99 que rezam que o lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente (art. 841, II) e abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com 5 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 126. 6 RIBEIRO, Darci Guimarães. Provas Atípicas. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998, p. 120. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 625 9 as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (art. 845,II). Em situação semelhante, a jurisprudência do CARF consolidou entendimento de que não é possível conceberse o lançamento condicional. Nesse sentido foi expedida a Súmula CARF nº 49 que dá validade ao lançamento com base no lucro arbitrado quando o contribuinte, devidamente intimado durante o procedimento fiscal, apresenta sua escrituração somente em sede de recurso. Entendo que estamos diante de situação do mesmo quilate, em que o contribuinte busca anular lançamento baseado em seu próprio comportamento anterior, lastreado na negativa de apresentação de documentação que possibilitaria outro escopo no trabalho fiscal. Aqui, ainda, incide um agravante: nem em suas peças de defesa comprovouse o custo das unidades vendidas. Desse modo, nesse ponto da autuação, entendo perfeita a conclusão da Fiscalização e também da decisão recorrida. 3.2 DA APLICAÇÃO SIMULTÂNEA DOS ARTIGOS 532 E 534 DO RIR/99 Conforme dito, a questão da aplicação simultânea dos artigos 532 (coeficientes de arbitramento) e 534 (regra específica para arbitramento de lucros de empresas que desenvolvam “atividades imobiliárias”), ambos do RIR/99, foi o principal motivo da exoneração de crédito tributário na decisão recorrida. À fl. 595 do julgado de primeira instância (item 27), mostrase evidente que entendeu a Turma julgadora ser possível a aplicação concomitante de ambos os dispositivos. Aliás, mais evidente ainda é o entendimento firmado pela autoridade a quo de que se aplica o art. 532 do RIR/99 (coeficientes de arbitramento) para determinação da base de cálculo arbitrada do IRPJ das pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio. Entendo, contudo, que há norma específica a regular a determinação da base de cálculo do IRPJ arbitrado das pessoas jurídicas que se dediquem a “atividades imobiliárias”. Neste contexto, o arbitramento do lucro deve ser procedido nos termos do art. 534, caput e parágrafo único, do mesmo RIR/99, sem a aplicação dos coeficientes de arbitramento de lucro de que trata o art. 532, c/c arts. 518 e 519, todos do RIR/99, tal qual realizado pela Fiscalização. As regras de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado de que tratam os artigos 532 e 534 do RIR/99 não são aplicáveis simultaneamente, o que reforça a insubsistência da tese defendida pela decisão recorrida. Nesse sentido, há farta jurisprudência do CARF, conforme se observa a seguir: ARBITRAMENTO DE LUCROS ATIVIDADE IMOBILIÁRIA BASE DE CÁLCULO As regras legais que permeiam o arbitramento de lucros na esfera do IRPJ não se confundem com as que regem outros regimes de tributação. Sobrelevase na atividade imobiliária um tratamento pontual mais distante do que se empresta às outras atividades. Diversamente das demais em que a legislação estabelecera um coeficiente que deveria incidir sobre a integralidade da base de cálculo, Fl. 625DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 626 10 desconsiderandose inclusive quaisquer custos, na hipótese de pessoas jurídicas que se dedicam à venda de imóveis o legislador permitira a dedutibilidade do custo do imóvel, desde que comprovado. 1º CC. / 7ª Câmara / ACÓRDÃO 10707.676 em 16.06.2004. Publicado no DOU em: 02.03.2005. ARBITRAMENTO CONSTRUÇÃO DE PRÉDIOS DE APARTAMENTOS PARA VENDA DE UNIDADES IMOBILIÁRIAS AUTÔNOMAS As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de unidades autônomas de prédios residenciais por elas construídos, tendo seus resultados arbitrados por falta de escrituração comercial, adotarão como base de cálculo do IRPJ o valor da receita bruta deduzido dos custos devidamente comprovados. 1º CC. / 5ª Câmara / ACÓRDÃO 10515.303 em 13.09.2005. Publicado no DOU em: 07.03.2006 Ressalto excerto do voto condutor do primeiro aresto transcrito acima (Acórdão 10707.676), de lavra do então Conselheiro Neicyr de Almeida: “Em relação ao custo irrisório, reiterase que somente são aproveitados os custos lastreados em documentos hábeis e idôneos. Portanto mais do que argumentos, imporseia a juntada dos elementos críveis para que se apreciasse o apelo recursal nesse âmbito.” A respeito do tema, a doutrina também se manifesta sobre a prevalência da norma específica sobre a regra geral. Hiromi Higuchi, por exemplo, conclui que “O art. 16 da Lei nº 9.249, de 1995, apesar de ter regulado inteiramente a matéria para determinação do lucro arbitrado, quando a receita da atividade da pessoa jurídica é conhecida, o art. 534 do RIR/99 manteve o arbitramento diferenciado para as empresas imobiliárias.” 7 A esse respeito, outros pontos merecem destaque. A decisão recorrida considerou que a receita bruta das atividades imobiliárias, em caso de lucro arbitrado, seria calculada com base no art. 534 do RIR/99 (receita menos custo devidamente comprovado). É possível extrair tal conclusão pelo fato de a Turma julgadora entender que sobre o valor calculado com base em tal dispositivo deverseia aplicar os coeficientes de arbitramento de lucro. Contudo, convém relembrar que: o art. 518 do RIR/99 dispõe que a base de cálculo do lucro presumido será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração; o caput do art. 519 do regulamento determina que considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único, o qual, por sua vez, reza que a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, não se incluindo as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário; 7 HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda das Empresas. Interpretação e prática. Atualizado até 10012007. 32. ed. São Paulo: IR Publicação Ltda, 2007, p. 499. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 627 11 os parágrafos do art. 519 do mesmo diploma relacionam os coeficientes de presunção de lucro para as diversas atividades, sempre aplicáveis, conforme determina o art. 518, sobre a respectiva receita bruta; já o art. 532 do regulamento determina que o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento. Obviamente, tais coeficientes são aplicáveis sobre a receita bruta, tal qual determinam os demais dispositivos sobre o lucro presumido; conforme se observa, tanto para o lucro presumido (arts. 518 e 519, em todos os casos), quanto para o lucro arbitrado (regra geral), determinase a base de cálculo presumida ou arbitrada mediante a aplicação de coeficientes determinados por lei sobre a receita bruta auferida em cada período de apuração (trimestral), acrescidos das demais receitas não contidas na receita bruta; por outro lado, determina o art. 534 que “as pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados, deduzindose da receita bruta trimestral o custo do imóvel devidamente comprovado”. (grifo nosso) Ora, se o art. 534 determina que as “empresas imobiliárias” terão seus lucros arbitrados consideradose a diferença entre a receita bruta e o custo do imóvel devidamente comprovado, incorreta a conclusão de que tal diferença seja a própria receita bruta. Contudo foi isso que fez a decisão recorrida ao concluir que devese aplicar os coeficientes de determinação do lucro arbitrado sobre tal diferença, uma vez que os arts. 518 e 519 do RIR/99 determinam que tais coeficientes são aplicáveis sobre a receita bruta. Além disso, importante salientar que a base legal do art. 534 do RIR/99 é o art. 49 da Lei nº 8.981, de 1995, período em que era vedada a opção pelo lucro presumido às “empresas imobiliárias” (na realidade, o art. 36, IV, da mesma Lei nº 8.98/95 impunha a tais empresas a obrigação de adotarem a tributação com base no lucro real). Tal obrigatoriedade de tributação pelo lucro real somente teve fim com o advento da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que revogou o art. 36, IV, da Lei nº 8.981/95 e passou a possibilitar, a partir de 1 º de janeiro de 1999, que as “empresas imobiliárias” fossem tributadas com base no lucro presumido. Desse modo, impossível, portanto, que se aplicasse o acréscimo de vinte por cento sobre o coeficiente de lucro presumido para determinação dos coeficientes de arbitramento de lucro de tais atividades. Como se aplicaria, então, o art. 534 durante a vigência do art. 36, IV, da Lei 8.981/95? Obviamente, o lucro arbitrado era a diferença entre a receita bruta e o custo devidamente comprovado (interpretação literal do art. 534). Pois bem, se o art. 49 da Lei nº 8.981/95 não foi revogado (tanto que compõe o art. 534 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99), como alterar sua aplicação com o simples fato de as empresas imobiliárias passarem a poder optar pelo lucro presumido? Como transformar “receita bruta menos custo devidamente comprovado” (art. 534 do RIR/99) em receita bruta para fins de aplicação dos coeficientes de arbitramento? (arts. 518, 519 e 534 do RIR/99) Há de se traçar, ainda, importante paralelo entre o art. 534 do RIR/99 e o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. Nesta, ao contrário daquela, o legislador explicitamente equiparou o “lucro bruto” nas operações de compra e venda de veículos usados às operações de Fl. 627DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 628 12 consignação para fins de tributação, ou seja, a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição de veículos usados é considerada receita, nos mesmos moldes aplicáveis às receitas auferidas em operações de consignação. Quisesse o legislador que o “lucro bruto” das operações imobiliárias tivesse tratamento análogo, certamente adotaria expediente similar ao praticado nas operações de revenda de veículos usados. Ademais, mesmo a regra geral do art. 532 do RIR/99 impõe que a base de cálculo do IRPJ no lucro arbitrado será, em regra, 20% superior à base do lucro presumido. Aplicandose o entendimento da decisão recorrida de se aplicar primeiro o art. 534 do RIR/99, e após o art. 532 do mesmo diploma, implicaria que, para as empresas imobiliárias, seria mais vantajoso optar pelo lucro arbitrado do que se manter tributado pelo lucro presumido. Ora, qual a lógica que haveria no sistema de se excluir determinado contribuinte do lucro presumido, por descumprimento de suas obrigações acessórias ou por opção vedada em lei, para incluílo em outro regime – lucro arbitrado – se este último redundaria em menor carga tributária? Isso posto, entendo que a conclusão da decisão a quo merece ser reformada, restabelecendose a autuação, nesse ponto, conforme realizada pela autoridade lançadora. 3.3 DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Contudo, no que tange à dedução do imposto de renda recolhidos e pago pelo contribuinte, em sua pessoa física, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada, ou seja, deve ser mantida a exclusão dos valores de IRPF já declarados pelo contribuinte, nos termos da decisão a quo. Tal dedução decorre da mera lógica de não se efetuar cobrança indevida de tributos. No presente lançamento, exigese da pessoa física, por equiparação, imposto de renda da pessoa jurídica, e o contribuinte, na condição de pessoa física, já recolheu parcelas de imposto de renda sobre tal renda, ainda que de modo equivocado, não há porque não se deduzir o montante já recolhido, ainda que tais pagamentos tenham se dado sob outra rubrica. Assim se faz, sem maiores discussões, quando, em lançamento de ofício de IRPJ com base no lucro arbitrado, se aproveitam os recolhimentos do mesmo imposto sob outras rubricas (lucro real ou presumido, por exemplo), ou quando se exclui o contribuinte do Simples deduzindose da exigência fiscal todos os tributos já declarados pelo contribuinte. Não se admitir a dedução, sob o pretexto de que o contribuinte deveria requerer restituição de tais valores, implicaria cobrança de multa de ofício sobre tal diferença, o que, a meu ver, caracterizaria o enriquecimento sem causa por parte da Fazenda. Ademais, à luz do princípio da eficiência, sem contar os transtornos causados ao contribuinte, oneraria ainda mais a Administração Tributária ante a necessidade de análise de eventual pedido de restituição. Desse modo, nesse ponto, correta a conclusão da decisão a quo. 4 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência de IRPJ e CSLL sem aplicação de coeficientes de arbitramento de lucro (arts. 518 e 519, c/c art. 532, ambos do RIR/99), e negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720266/201229 Acórdão n.º 1402001.425 S1C4T2 Fl. 629 13 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 629DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
