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Numero do processo: 13804.000216/00-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/
PIS/PASEP. DECRETOS-LEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2000 a 31/03/2006/ PIS/PASEP. DECRETOSLEIS Nº 2.445/88 E Nº 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. RESTITUIÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nela contida sobre prescrição expressa no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 02 16 /0 0- 17 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição (fls. 01/ss), protocolado em 02/02/2000, no valor de R$ 34.194,72, combinado com pedido de compensação de tributos, por meio do qual a interessada pretende compensar supostos pagamentos a maior do PIS (períodos de apuração: fevereiro/1990 a novembro/1995), decorrentes de recolhimentos com base nos DecretosLeis nº 2.445/88 e nº 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório DRF/SOR nº 417/2008, de 18/06/2008 (efls. 174/180), sob os seguintes fundamentos: “com relação aos pagamentos realizados entre 02/90 e 01/95, o direito de solicitar eventual restituição do suposto indébito já estava extinto na data da protocolização do pedido, em 02/02/2000, visto que se operou a decadência pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário pelos pagamentos”;. em relação aos pagamentos efetuados entre 02/95 e 11/95, concluiu que não restou caracterizada, em face da legislação aplicável ao período e dos documentos juntados, a alegada existência de pagamentos a maior a título da contribuição ao PIS. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 12/08/2008 (efls. 183/ss), onde alega, em apertada síntese, que: apresentou tempestivamente o Pedido de Restituição frente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, inexistindo a decadência alegada pela fiscalização, por entender que “firmouse, no entanto, no Superior Tribunal de Justiça, a jurisprudência de que nas ações, em que versem tributos lançados por homologação (art.150,do CNT), o prazo prescricional é de 10 (Dez) anos, ou seja, 05 (cinco) anos para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (§4°), mais 05 (Cinco) anos da prescrição do direito do contribuinte para haver tributo pago a maior e/ou indevidamente (168,I, do CTN)”; o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos referidos decretos, e pôr sua vez o Senado Federal, através da Resolução n° 49, de 09.10.95, suspendeu os mesmos. Com isso, as empresas passaram a ter direito à compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.000216/0017 Acórdão n.º 3202000.689 S3C2T2 Fl. 234 3 na vigência da LC nº 7/70 o PIS era devido à razão de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. E por consequência disso, haveria o direito de congelar a base de cálculo por seis meses, por inexistência de norma que determinasse a sua atualização monetária entre a época do faturamento e a época em que devida a contribuição, um semestre após, sendo, de resto, inapropriada a tentativa de suprir a deficiência da legislação com as normas voltadas à correção monetária dos tributos; concluise alegando que o direito material não se extinguiu pelo tempo, e que, assim, cabe perfeitamente a compensação, devendo, portanto, ser homologado o seu pedido de compensação. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo deferiu parcialmente o pedido do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 1620.612, de 04 de março de 2009 (folhas 210/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. LEI COMPLEMENTAR 7/70. O afastamento do mundo jurídico de atos inquinados de inconstitucionalidade fulmina tais atos desde seu aparecimento. Com a Resolução n° 49 do Senado Federal, de 1995, no período abrangido pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 a Contribuição ao PIS deve ser recolhida segundo a Lei Complementar n° 7, de 1970, e alterações da legislação válida superveniente. PIS. SEMESTRALIDADE. A Lei n° 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6° da L.C. n° 7/70; não sobreviveu portanto, a partir daí, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como originalmente determinara o referido dispositivo. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O Pedido de Compensação que não havia sido analisado pela autoridade competente até a publicação da MP n° 66 de 29/08/02 foi automaticamente transformado em Declaração de Compensação. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa competente, no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 compensação, deverá apreciála, caso contrário, as compensações estarão tacitamente homologadas. Solicitação Deferida em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo, em 07/04/2009 (efolhas 222/223), interpôs Recurso Voluntário em 29/04/2009 (efls. 199/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Inicialmente, devemos analisar a questão relativa ao prazo prescricional para que o contribuinte possa efetuar o pedido de restituição/compensação de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS advindos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs. 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal — STF no exame do Recurso Extraordinário nº. 148.7542/210/RJ, com extensão erga omnes dada pela Resolução do Senado nº 49, de 09 de outubro de 1995. Entendo que assiste razão à Recorrente no tocante aos prazos para pedir a restituição de tributos recolhidos indevidamente. Vejamos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente era aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13804.000216/0017 Acórdão n.º 3202000.689 S3C2T2 Fl. 235 5 inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN”. Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, o Pedido de Restituição foi protocolado em 02/02/2000, para o período de apuração de fevereiro/1990 a novembro/1995, portanto, quando formulado o pedido não havia ocorrido a prescrição do direito do contribuinte para solicitar a restituição de tributos, considerandose o prazo de 10 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados antes 09/06/2005. Consequentemente, deve ser revista a decisão recorrida, para que análise o mérito do pedido também em relação aos períodos entre fevereiro/1990 a novembro/1995. Neste sentido, citase a decisão proferida pela CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303002.127, em 13/09/2012, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1991 a 28/02/1995 PIS/PASEP. RESTITUIÇÃO. DECRETOSLEIS Nºs 2.445/88 e 2.449/88. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição de indébito junto à Administração Tributária é de 10 anos contados do fato gerador, para pedidos protocolizados anteriormente a 9 de junho de 2005 (data de entrada em vigência da Lei Complementar nº. 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial do Contribuinte provido. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição dos indébitos cujos recolhimentos ocorreram posteriormente a fevereiro/1990, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise do mérito do pedido. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11522.001811/2010-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS.
Comprovado, quanto ao ano-calendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado.
Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).
Numero da decisão: 1103-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao anocalendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 18 11 /2 01 0- 35 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 311 2 Relatório Tratase de auto de infração de Multa por descumprimento de obrigações relacionadas à entrega de arquivos digitais (fls.77/85), no valor original de R$7.176.714,06 (sete milhões, cento e setenta e seis mil, setecentos e quatorze reais e seis centavos), cientificado ao contribuinte em 01/12/10 (fl.90). Eis os fundamentos da fiscalização (fls.79/81), in verbis: “[...] Em decorrência de requisição do Ministério Público Federal, iniciamos procedimento fiscal no contribuinte acima qualificado objetivando averiguar eventuais irregularidades tributárias. Por meio do Termo Diligência Fiscal n° 001, cuja ciência se efetivou no dia 22/08/2008, conforme anexado ao processo, foram solicitados livros contábeis e fiscais referentes aos anoscalendário de 1984 a 2007 para serem examinados. O contribuinte atendeu ao solicitado apresentando em papel os seguintes livros razão: anoscalendário 2002, 2003, 2006 e 2007. Nessa oportunidade o contribuinte informou que apresentaria somente os livros referentes aos últimos cinco anos alegando não possuir os documentos dos anos anteriores. Logo em seguida, a fiscalização cientificou o contribuinte de nova intimação para apresentação da contabilidade em meio magnético, compreendendo o período de 2003 a 2007. Em atendimento a essa intimação o contribuinte apresentou arquivos magnéticos referentes aos anoscalendário de 2003 a 2006 e, posteriormente, solicitou dilação de prazo para apresentação dos arquivos referentes ao anocalendário de 2007, sendo estes entregues no dia 19/01/2009. Ocorre que, analisando tais livros (em papel e em meio magnético), foi constatado que a escrituração havia sido realizada em desacordo com a legislação comercial e fiscal, uma vez que possuía diversos lançamentos aglutinadores sem que tenham sido apresentados livros auxiliares com o detalhamento desses registros, conforme exigido pelos artigos 258 e 259 do Dec. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), com supedâneo nos artigos 5º o do DecretoLei nº 486/69, artigo 14 da Lei n° 8.218/91 e artigo 62 da Lei n° 8.383/91. A título de exemplo, reproduzimos impressão do arquivo magnético e cópia parcial dos livros apresentados em papel, relativos aos lançamentos aglutinadores efetuados conforme demonstrado no anexo I. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 312 3 Assim, em decorrência de tal exame, o contribuinte foi intimado em 21 de julho de 2009 a apresentar a escrituração complementar no prazo de 20 dias, que detalhasse os lançamentos nos livros diário e razão quando estes tiverem sido feitos por meio de lançamentos aglutinadores, bem como a retificar os referidos lançamentos fazendo constar remissão às páginas (ou aos códigos identificadores dos lançamentos) em que as operações se encontrassem lançadas nos livros auxiliares, de forma que permitissem a verificação da integralidade dos lançamentos contábeis. Logo em seguida, o contribuinte solicitou dilação de prazo para atendimento da intimação, sendo atendido em seu pedido, de modo que o prazo para atendimento passou a ser o dia 19/08/2009. Novamente, em 01/09/2009, o contribuinte solicitou dilação de prazo. O prazo para cumprimento da Intimação ficou estabelecido para o dia 11/09/2009. Entretanto, apenas no dia 15/09/2009 o contribuinte apresentou os arquivos digitais, abrangendo apenas informações referentes ao anocalendário de 2005, mas deixou de atender à solicitação da fiscalização ao não apresentar livros auxiliares que pudessem identificar plenamente os lançamentos efetuados nos livros principais, conforme demonstrado nas transcrições dos arquivos magnéticos constantes no anexo. Destaquese que o único livro auxiliar apresentado em meio digital foi o relativo ao anocalendário de 2005, onde também não consta o detalhamento de todos os lançamentos efetuados nos livros principais, como se observa exemplificativamente na conta ‘4.1.05.0005 Depreciação de Veículos’, com histórico de ‘depreciação efetuada conforme mapa’, sem o devido detalhamento no livro auxiliar apresentado. Ademais, é bom que se frise que o próprio contribuinte admite a não integralidade das informações apresentadas quando afirma na resposta entregue em 15/09/2009 que ‘[...] Dado isso, apresenta na presente data parte das informações solicitadas, sendo certo que o restante demandaria dilação de prazo.’ Considerando que o contribuinte também estava obrigado à entrega de sua contabilidade por meio do SPED, verificamos nos sistemas informatizados se ele havia efetuado a transmissão dos arquivos. Passados vários meses, o contribuinte não apresentou os arquivos de sua contabilidade via SPED, tampouco apresentou à fiscalização os livros auxiliares solicitados nas intimações lavradas. Diante disso, a fiscalização lavrou o presente auto de infração com fulcro no inciso III, artigo 12 da Lei n° 8.218/91 (abaixo transcrito), pela não apresentação dos livros auxiliares que, salientese, tornaramse obrigatórios diante dos dispositivos legais já mencionados. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 313 4 Lei 8.218/91 [...] Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas. Informese que para a autuação foram adotados os valores a seguir. Ano Receita Bruta (RB) Dias em atraso % da Multa Valor da Multa 2005 215.369.550,34 +50 1% 2.153.695,50 2006 257.894.951,48 +50 1% 2.578.949,51 2007 244.406.905,87 +50 1% 2.444.069,05 Total 7.176.714,06 *Informação extraída dos balanços patrimoniais entregues pelo contribuinte” (destaquei) O lançamento foi considerado parcialmente procedente pela Primeira Turma da DRJ – Belém (PA), em acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.260/277): DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. MULTA REGULAMENTAR FALTA DA ENTREGA DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O Inciso III, do Art. 12, da lei 8.218/91, prevê aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas a aplicação de multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 314 5 LANÇAMENTO DE OFÍCIO OFENSA AO PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. PAF. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. REQUISITOS. Descabe a realização de diligência ou perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo, notadamente quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado, em se tratando de perícia. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Em decorrência do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. Devidamente cientificado do acórdão em 31/05/12 (fl.283), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 28/06/12 (fls.288/305), em que sustenta: Síntese da questão em um primeiro momento, todos os livros “físicos” teriam sido entregues à fiscalização; quanto aos livros Razão e Diário em meio digital, relativos aos anoscalendário 2003 a 2007, atendera prontamente à intimação, “muito embora não estivesse obrigada, àquela época, à escrituração digital”; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 315 6 acerca da apresentação de livros auxiliares, para fins de apuração dos lançamentos contábeis, deixara de atender à intimação em razão do exíguo prazo concedido; apenas os documentos relativos ao anocalendário 2005 teriam sido entregues e corrigidos, razão pela qual a DRJ cancelou a multa quanto a tal ano; Ausência de motivação do auto de infração todos os registros contábeis mostraramse úteis à fiscalização, tanto que não houve autuação pelo não recolhimento de créditos tributários; conforme ratificado pela decisão recorrida, não estaria obrigada à escrituração digital nos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, “...muito embora tenha apresentado todos os documentos solicitados à autoridade fiscal, de modo a COMPLEMENTAR os arquivos físicos que já estavam em posse desta”; em momento algum a fiscalização consignou que a documentação física apresentada seria imprestável, o que demonstra a não necessidade de documentos digitais; os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 apenas seriam oponíveis às empresas que transferissem suas rotinas contábeis e fiscais a arquivos digitais; Erro de capitulação legal da multa constaria do auto de infração que a escrituração havia sido realizada em desacordo com a legislação comercial e fiscal, não restando dúvida quanto à entrega dos documentos à autoridade fiscal; na realidade, constatouse “...uma divergência nas informações imputadas nos arquivos digitais entregues à autoridade fiscal, cuja manutenção, vale frisar, não era imposta à recorrente pela legislação de regência”; considerando os fundamentos adotados, a multa não poderia prosperar. O inciso III do art.12 da Lei nº 8.218/91, aplicarseia aos casos “...em que o sujeito, notificado, recusase a entregar a sua escrituração digital, impossibilitando o devido exaurimento do procedimento de fiscalização, o que, de fato, não ocorreu. Verificase que todos os documentos solicitados foram devidamente entregues à autoridade fiscal, não sendo possível cogitar a mora da RECORRENTE. Ocorre, no entanto, conforme a própria autoridade disse, que a escrituração teria sido realizada, supostamente, de forma equivocada. Neste sentido, tratandose de escrituração em desconformidade à forma em que deve ser apresentada, caberia à autoridade fiscal ter capitulado a infração de acordo com o inciso I, cuja multa, vale lembrar, é sensivelmente inferior àquela realmente aplicada”; a capitulação legal equivocada impediria a precisa defesa quanto aos fatos imputados e em relação à penalidade imposta; não teria havido qualquer atraso na entrega, tampouco recusa que prejudicasse as atividades fiscais; o art.142 do Código Tributário Nacional (CTN) exigiria a correta descrição dos fatos para a higidez do lançamento tributário, como já decidido pelo extinto Terceiro Conselho de Contribuinte (acórdão nº 30235.158); Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 316 7 caso não se entenda pela nulidade do lançamento, fazse necessária a retificação da capitulação legal do auto de infração. O patrono pleiteou ainda a intimação pessoal sobre a pauta de julgamento para possibilitarlhe realizar sustentação oral. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Acerca do requerimento de intimação pessoal sobre a pauta de julgamento, veiculado na peça recursal, cabe dizer que não integra o litígio. Apenas a título de esclarecimento, nos termos do art.55, parágrafo único, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), com esteio no art.37 do Decreto nº 70.235/721, a pauta de julgamento é publicada no Diário Oficial da União (DOU) com 10 (dez) dias de antecedência, sendo ainda divulgada no sítio do CARF na internet, cabendo aos patronos o devido acompanhamento. Quanto a este processo, a inclusão na pauta foi devidamente publicada em 27/03/13 (DOU nº 59, Seção 1, p.21): [...] Relator(a): EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO 20 Processo: 11522.001811/201035 Ex Officio e Voluntário Recorrentes: FAZENDA NACIONAL e RECOL DISTRIBUIÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Matéria: IRPJ Multa entrega de arquivos magnéticos. [...]” Com a divulgação do julgamento, as partes já podem requerer ao Sr. Presidente da Turma a sustentação oral de suas razões em plenário, o que ocorrerá após a leitura do relatório, conforme art.58 do Anexo II do RICARF: Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; III à parte adversa ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; e IV aos demais conselheiros. 1 O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 317 8 No caso concreto, tal faculdade não foi exercida. Passase, então, à análise das questões postas. I Da preliminar de nulidade Para o Recorrente, a capitulação legal equivocada do lançamento impediria a adequada defesa, sendo a correta descrição do fato uma exigência do art.142 do CTN. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, o lançamento fundamentouse no art.12, III, da Lei nº 8.218, de 29/08/91. Cabe, então, transcrever abaixo os dispositivos de tal diploma legal que interessam à solução da controvérsia: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o §3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período;(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 318 9 III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (destaquei) Os fatos que levaram à autuação foram igualmente expostos, consoante relatório supra. Assim, não há se falar em prejuízo à ampla defesa, mormente quando considerados os recursos administrativos apresentados no curso do processo. Caso, afinal, entendase que o suporte normativo é inaplicável ao substrato empírico considerado pela fiscalização, a solução será pela improcedência do lançamento, não pela nulidade. A questão foi bem equacionada no acórdão recorrido, em que se concluiu: “[...] Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal, servidor competente para efetuar o lançamento, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos os Atos emitidos pelo mesmo, no decorrer do procedimento fiscal. O autuado, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo sido concedido ao mesmo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que receberam, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Por fim, o contribuinte tomou ciência do mesmo, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida de fls. 94/120.” Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade. II Do mérito 1. Recurso de ofício Em razão do valor exonerado em primeira instância (R$ 2.153.695,50), conhecese do recurso de ofício. A Primeira Turma da DRJ – Belém (PA) fundamentou sua decisão nos seguintes termos: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 319 10 “[...] Pelo exposto, concluímos que o Contribuinte não cumpriu no prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas, logo, a aplicação da Multa Regulamentar encontrase devidamente enquadrada no Inciso III, do art. 12, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com alteração dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001. No entanto, em relação ao Livro Auxiliar de 2005, a própria fiscalização descreve que este Livro foi Apresentado como vejamos: [...] Destaquese que o único livro auxiliar apresentado em meio digital foi o relativo ao anocalendário de 2005, onde também não consta o detalhamento de todos os lançamentos efetuados nos livros principais, como se observa exemplificativamente na conta ‘4.1.05.0005 Depreciação de Veículos’, com histórico de ‘depreciação efetuada conforme mapa’, sem o devido detalhamento no livro auxiliar apresentado. [....] Agora vejamos o Inciso III do art. 12 da Lei 8.218/1991: Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Inciso com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas. (Parágrafo único com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/8/2001) Observa que a penalidade descrita no Enquadramento Legal diz respeito, “aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas”, e como a própria Auditoria afirma que os arquivos dos Livros Auxiliares referente ao anocalendário 2005 foram entregues, logo concordamos com a exoneração da Multa lançada referente à este ano.” (destaquei) O reexame necessário cingese, portanto, às ocorrências relacionada ao ano calendário 2005. Vale à pena brevemente repisálas. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 320 11 O contribuinte apresentou os livros Diários em arquivo magnético, referentes aos anoscalendário 2003 a 2006. Estando a escrituração em desacordo com a legislação, especificamente por contemplar diversos lançamentos contábeis “aglutinadores”, a fiscalização, em 21/07/09, intimouo a apresentar, no prazo de 20 dias, escrituração complementar “...que detalhasse os lançamentos nos livros diário e razão quando estes tiverem sido feitos por meio de lançamentos aglutinadores, bem como a retificar os referidos lançamentos fazendo constar remissão às páginas (ou aos códigos identificadores dos lançamentos) em que as operações se encontrassem lançadas nos livros auxiliares, de forma que permitissem a verificação da integralidade dos lançamentos contábeis”. Após requerer dilação do prazo em 01/09/09 (fl.58), concedida pela autoridade fiscal até 11/09/09, “...apenas no dia 15/09/2009 [fls.59/60] o contribuinte apresentou os arquivos digitais, abrangendo apenas informações referentes ao anocalendário de 2005, mas deixou de atender à solicitação da fiscalização ao não apresentar livros auxiliares que pudessem identificar plenamente os lançamentos efetuados nos livros principais, conforme demonstrado nas transcrições dos arquivos magnéticos constantes no anexo.”. Prosseguiu a autoridade fazendária: “...Destaquese que o único livro auxiliar apresentado em meio digital foi o relativo ao anocalendário de 2005, onde também não consta o detalhamento de todos os lançamentos efetuados nos livros principais [...]”, tendo ao final arrematado: “[...] Passados vários meses, o contribuinte não apresentou os arquivos de sua contabilidade via SPED, tampouco apresentou à fiscalização os livros auxiliares solicitados nas intimações lavradas. Diante disso, a fiscalização lavrou o presente auto de infração com fulcro no inciso III, artigo 12 da Lei nº 8.218/91 (abaixo transcrito), pela não apresentação dos livros auxiliares que, salientese, tornaramse obrigatórios diante dos dispositivos legais já mencionados. ..... 001 – DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO – ESCRITURAÇÃO DE LIVROS AUXILIARES Multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, considerando que o contribuinte não apresentou os arquivos em meio magnético referentes aos livros auxiliares da escrituração, conforme descrição dos fatos efetuada.” (destaquei) Especificamente quanto ao ano 2005, o livro auxiliar, em meio digital, foi entregue, como afirma o próprio agente autuante, que, entretanto, na fundamentação da infração, textualmente afirmou o contrário, tanto que considerou um atraso superior a 50 (cinquenta) dias, tendo resultado na aplicação do percentual máximo de 1% (um por cento) sobre a receita bruta, conforme memória de cálculo transcrita no relatório deste voto. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 321 12 Para uma melhor análise, vejamos novamente o que dispõe a Lei nº 8.218/91: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (destaquei) A hipótese de incidência do inciso III trata do descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas. Na falta de apresentação, aplicase o percentual máximo de 1% (um por cento) sobre a base de cálculo quando a mora ultrapassa cinquenta dias. Considerandose o atraso do contribuinte, a multa poderia ter sido aplicada em um valor menor, pois o livro auxiliar foi entregue 4 (quatro) dias após o prazo final estabelecido (11/09/09), ainda que na forma supostamente não requerida, o que implicaria na aplicação do percentual de 0,08% (4 dias de atraso x 0,02%) sobre a base de cálculo. Contudo, a penalidade não pode prevalecer, vez que, como já anotado na decisão recorrida, a acusação reportouse à falta de entrega do arquivo digital do livro auxiliar, não à entrega em atraso. A própria apuração do quantum reforça tal conclusão. Assim, negase provimento ao recurso de ofício. 2. Recurso voluntário Estando presentes os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Aqui se cuida dos anoscalendário 2006 e 2007, decorrendo a autuação da falta de apresentação de arquivos digitais. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 322 13 Apesar de o Recorrente afirmar que os entregou, não produziu a necessária prova, como exigem os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ... Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Em suma, a acusação da autoridade fiscal de que os arquivos digitais relativos aos livros auxiliares deixaram de ser entregues não foi infirmada pelo sujeito passivo. Quanto ao suposto equívoco na forma de apresentação dos arquivos digitais, não há se falar em erro de capitulação legal. O Recorrente entende que a multa deveria ter sido aplicada, quando muito, com base no inciso I do art.12 da Lei nº 8.218/91, porém, tal inciso referese ao leiaute, ou seja, ao formato de entrega dos arquivos, definido no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 23/10/01, com “Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos” e “Documentação de Acompanhamento”. Quanto aos anos calendário 2006 e 2007, os livros auxiliares sequer chegaram a ser entregues pelo contribuinte em meio digital. Acerca da alegação de que estaria desobrigado a manter sistema de escrituração digital, não se sujeitando, portanto, à penalidade aplicada, igualmente não pode ser acolhida. Vejamos. Anteriormente, a manutenção, à disposição do Fisco federal, de arquivos digitais e sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, era obrigatória apenas para as pessoas jurídicas com patrimônio líquido superior a determinado valor. Tal cenário modificouse com a MP nº 2.15834, de 27/07/01, reeditada sob nº 2.15835/01. Assim, a partir de 28/07/01, à exceção dos optantes pelo Simples, todas as pessoas jurídicas que utilizavam sistemas de processamento eletrônico de dados para, por exemplo, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil, obrigaramse a manter à disposição do Fisco federal os respectivos arquivos digitais e sistemas (nova redação do art.11 da Lei nº 8.218/91). No caso concreto, ao receber em um primeiro momento a documentação contábil, a autoridade fiscal verificou que a pessoa jurídica utilizava processamento eletrônico de dados, como se nota das fls.19/23 (livro Diário) e Anexo I do processo. Logo, já no Termo de Intimação Fiscal de 11/11/08, passou a requerer os livros em meio digital, mesmo sem maiores exigências quanto à forma: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 323 14 “[...] Apresentar Livros Razão e Diário referentes aos ano calendário de 2003 a 2007 em meio digital (CD ou DVD) em conformidade com o disposto nos termos do art.11 da Lei 8.218/91 (alterado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001), utilizandose de formato Excel, Access ou em outro formato que possam ser trabalhados por estes aplicativos” O próprio contribuinte, ao expor dificuldades sobre o envio dos livros relativos ao anocalendário 2007, confirmou a utilização de determinado sistema de processamento eletrônico. In verbis: “[...] Em virtude de no ano de 2007 o sistema ser diferente, na versão Windows, o programa Mastermaq não gerava os arquivos digitais para envio a receita federal através do programa Sinco, porém na data de hoje chegou esta atualização, só que por motivos técnicos do sistema não estamos conseguindo atualizar, solicitamos então mais 2 dias para entregar 2007.” Logo, à luz dos autos e com fundamento no art.11 da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, o autuado, por utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil, obrigavase a manter à disposição do Fisco federal os respectivos arquivos digitais e sistemas. Quanto à suposta inexistência de constituição de créditos tributário, tal fato não interfere na aplicação da multa, cuja hipótese de incidência independe da exigência de tributos, razão pela qual também não se acolhe tal alegação de defesa. Assim, considerandose o arcabouço jurídico existente quando da autuação, voltado a regular as obrigações e penalidades relacionadas à entrega de arquivos digitais, a controvérsia estaria equacionada com a manutenção do lançamento quanto aos anoscalendário 2006 e 2007. Entretanto, não se pode deixar de analisar o impacto da edição da Lei nº 12.766, de 27/12/12, particularmente do seu artigo oitavo, sobre os lançamentos realizados sob a égide do art.12 da Lei nº 8.218/91. Para tanto, recorrese inicialmente a um breve histórico. A Medida Provisória nº 298, de 29/07/91, dispôs: Art. 12. As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00 e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficarão obrigadas a manter em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos registros, arquivos e sistemas operacionais, até que ocorra a extinção do direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos relativos aos tributos e contribuições decorrentes das operações a que se referem. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 324 15 § 1º O Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, com base em critérios vinculados à racionalidade e à capacidade de fiscalização, poderá reduzir ou aumentar, em até cinqüenta por cento, o limite do valor do patrimônio líquido, bem como reduzir o prazo de manutenção, nas hipóteses que especificar. § 2º O Departamento da Receita Federal poderá expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os registros, respectivos arquivos e sistemas operacionais deverão ser apresentados. Art. 13. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de um por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de dez por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 100.000,00, por dia de atraso até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido, pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos registros, respectivos arquivos e sistemas operacionais. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Na conversão para a Lei nº 8.218, de 29/08/91, houve algumas alterações, de maneira que a matéria, já com as disposições da Lei nº 8.383, de 30/12/91, recebeu o seguinte tratamento: Art. 11 As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00, e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas, a partir do período base de 1991, a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos. § 1º O valor referido neste artigo será reajustado, anualmente, com base no coeficiente de atualização das demonstrações financeiras a que se refere a Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 325 16 § 2º O Departamento da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Lei nº 8.383, de 30/12/1991) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Com a MP nº 2.11330, de 26/04/01, reeditada posteriormente sob o nº 2.158 33, estabeleceramse penalidades quando descumpridas obrigações acessórias exigidas nos termos do art.16 da Lei nº 9.779, de 19/01/99 (“Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.”): Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 326 17 Não obstante tal dispositivo também contemplar hipótese voltada ao não fornecimento, nos prazos estabelecidos, de informações ou esclarecimentos solicitados pela Secretaria da Receita Federal, ou à omissão de informações ou prestação inexata ou incompleta, o campo de incidência não se confundia com o traçado pelo art.12 da Lei nº 8.218/91, dado o caráter especial deste dispositivo, restrito à aplicação de multas relacionadas com a apresentação de arquivos digitais, por exemplo, de escrituração de livros. Com o art.72 da edição nº 34 da MP nº 2.158, de 27/07/01, alteraramse os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 para os seguintes termos2: "Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. §1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. §2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal.” (NR) "Art.12..................................................................... II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas.” (NR) 2 Este artigo 72 foi reproduzido na edição nº 35 da MP nº 2.158, de 24/08/01. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 327 18 Em resumo, a par do art.57 da MP nº 2.15835/01, de cunho geral, o descumprimento de obrigações relacionadas a arquivos digitais de registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, bem como de escrituração de livros fiscais e contábeis, sujeitava a pessoa jurídica, nos termos do art.12 da Lei nº 8.218/91, às seguintes penalidades: a) 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta no período, em caso de não atendimento à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (inciso I); b) 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta no período, em caso de omissão ou prestação incorreta de informações (inciso II); e c) 0,02% (dois centésimos por cento), por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período, limitada a 1% (um por cento) desta, em caso de não cumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas. Este era o quadro normativo. Sobreveio, então, resultante da conversão da MP nº 575, de 07/08/12, a Lei nº 12.766, de 27/12/12, que, por meio de seu artigo oitavo, conferiu a seguinte redação ao art.57 da MP nº 2.15835, com efeitos a partir de sua publicação oficial (art.13, IV): Art.57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 328 19 III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) (destaquei) Ao contrário da redação anterior, o art.57 da MP nº 2.15835 passou a tipificar, para fins de sanção tributária, condutas relacionadas à apresentação extemporânea de escrituração digital, ou com informações inexatas, incompletas ou omitidas, bem como ao não atendimento de intimação fiscal para apresentálas nos prazos estipulados. Durante a tramitação da MP nº 575/12, pela Comissão Mista do Congresso Nacional, acolheuse, conforme Parecer Final3, a Emenda nº 65, de autoria do Deputado Jerônimo Goergen (PP/RS), “...com a redação aperfeiçoada, para reduzir a valores razoáveis as multas cobradas por descumprimento da entrega de declarações criadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)”. Constou ainda como justificativa: “[...] é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art.16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art.57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” (destaquei) Aquela Emenda parlamentar foi justificada, segundo o autor, na necessidade de aperfeiçoamento de algumas penalidades, “tornandoas mais razoáveis”: 3 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1039685&filename=PAR+33+MPV57 512+%3D%3E+MPV+575/2012. Consulta em 28/02/2013. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 329 20 “A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornandoas mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos.” (destaquei) Não obstante no Relatório final aprovado pela Comissão Mista do Congresso Nacional ter sido mencionada apenas a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista na redação anterior do art.57 da MP nº 2.15835/01, que, como visto anteriormente, convivia com os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 por estes veicularem normas especiais, e tendo sido apontado como justificativa para a alteração legislativa a necessidade de redução daquele valor em caso de entrega, com atraso, de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, os tipos tributários não se limitaram à imposição de sanções quando concretizada tal conduta. É verdade que o legislador poderia ter alterado, ou mesmo revogado expressamente as hipóteses contempladas nos incisos II e III do art.12 da Lei nº 8.218/91, porém, o texto final do artigo 8º da Lei nº 12.766/12 provoca a análise, à luz do art.106 do CTN, de sua incidência nos casos pendentes de apreciação. No quadro comparativo abaixo, visualizamse as condutas passíveis de sanção, previstas na Lei nº 8.218/91 e no art.57 da MP nº 2.15835/01, relacionadas à entrega de arquivos e escrituração digitais: Conduta Art.12 da Lei nº 8.218/91 Art.57 da MP nº 2.15835/01 A entregar registros e respectivos arquivos digitais sem atender à forma/leiaute de apresentação estabelecida (inciso I). B entregar os arquivos digitais com omissão ou incorreção nas informações solicitadas (inciso II). apresentar escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas (inciso III). C não cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos digitais (inciso III). apresentar extemporaneamente escrituração digital (inciso I); não atender à intimação para apresentar escrituração digital (inciso II). Não apenas a abertura semântica que a expressão encerra autoriza a compreensão, à luz da legislação de regência, de que a “escrituração digital” compõese dos livros contábeis e fiscais, confeccionados em meio magnético, digital. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao tratar da Escrituração Contábil Digital (ECD) a ser transmitida ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), por meio da IN RFB nº 787/07 dispôs, em seu artigo 2º, que “A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros”: “I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.” Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 330 21 Vale também lembrar que o art.11 da Lei nº 8.218/91 contempla a expressão “arquivos digitais”, a serem entregues por quem se utiliza de “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A menção a “arquivo digital” também está presente na IN SRF nº 86/01 e no ADE Cofis nº 15/01. Notase, também, haver identidade entre os bens jurídicos tutelados pelos artigos 12, II e III, da Lei nº 8.218/91, e pela atual redação do art.57 da MP nº 2.15835/01, qual seja, a entrega pontual e escorreita de documentos e livros, contábeis e fiscais, em formato digital, no interesse da fiscalização. Assim, não há impropriedade em se entender que a Lei nº 12.766/12 buscou inibir, em bases próprias, condutas relacionadas com a entrega de livros contábeis digitais, a exemplo do que regulava a Lei nº 8.218/91. Assim, no caso de omissão ou prestação incorreta de informações solicitadas, a multa, antes estabelecida em 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período (art.12, II, da Lei nº 8.218/91), passou para 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da escrituração digital equivocada (art.57, III, da MP nº 2.158 35/01). Por sua vez, a conduta de não cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas digitais, antes penalizada na base de 0,02 % (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período, até o máximo de 1% (um por cento) desta (art.12, III, da Lei nº 8.218/91), passou a ser sancionada, no caso de apresentação extemporânea da escrituração digital, com R$ 500,00 ou R$ 1.500,00, por mêscalendário ou fração (art.57, I, da MP nº 2.15835/01), sendo aplicável, em caso de não atendimento à intimação para apresentála, R$ 1.000,00 por mêscalendário (art.57, II, da MP nº 2.158 35/01). In casu, a pessoa jurídica não cumpriu o prazo estabelecido para apresentação dos livros auxiliares do Razão em formato digital, anoscalendário 2006 e 2007. Esta foi a conduta sancionada, que de acordo com a nova redação do art.57 da MP nº 2.15835/01, lembrando que a expressão “escrituração digital” engloba tais livros, implicaria, atualmente, na aplicação da multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário (inciso II). Assim, a depender do caso concreto, a imposição de penalidade por não apresentação de livros em formato digital, prevista no art.12, III, da Lei nº 8.218/91, pode implicar em sanção mais benéfica para o contribuinte, quando considerado o art.57, II, da MP nº 2.15835/01, fazendo incidir, na espécie, o art.106, II, c, do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 331 22 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Levandose em conta a nova forma de apuração do quantum da penalidade após a entrada em vigor do artigo 8º da Lei nº 12.766/12, o contribuinte, em razão da mesma conduta praticada sob a égide da Lei nº 8.218/91, sujeitarseia à multa de R$ 13.000,00 (treze mil reais), haja vista o atraso de 13 (treze) meses, considerando a data final para a entrega dos arquivos digitais definida pela fiscalização (11/09/09) e a lavratura do auto de infração (27/11/10), dies ad quem 4. Assim, quanto à penalidade decorrente da conduta objeto do recurso voluntário (não entrega dos livros dos anoscalendário 2006 e 2007), deve, por força da nova redação do art.57, II, da MP nº 2.158,35/01, aplicável de acordo com o art.106, II, c, do CTN, ser reduzida para R$ 13.000,00 (treze mil reais). Por fim, observase que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil já relativizou a incidência de penalidade prevista no artigo 12 da Lei nº 8.218/91, após a implementação da sistemática da Escrituração Contábil Digital (ECD), transmitida ao Sped. Na hipótese de não apresentação desta, que, frisese novamente, engloba, por exemplo, os livros Diários, Razão e seus auxiliares, entende ser aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, conforme disposto no art.10 da IN RFB nº 787/07, suprindo a apresentação da ECD, quanto aos períodos posteriores a 31/12/07, a exigência, em relação às mesmas informações, contida na IN SRF nº 86/01: Art. 6º A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2007, supre: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) II a obrigatoriedade de escriturar o Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Lei nº 8.218, de 1991, art.14, e Lei nº 8.383 , de 1991, art. 62). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) 4 No inciso II do art.57 da MP nº 2.15835/01, com a redação conferida pela Lei nº 12.766/12 , o atraso é quantificado por mêscalendário, sem se levar em conta as frações, razão pela qual no cálculo foram considerados apenas os mesescalendário completos (outubro a dezembro/2009; e janeiro a outubro/2010). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11522.001811/201035 Acórdão n.º 1103000.844 S1C1T3 Fl. 332 23 III a obrigatoriedade de transcrever no Livro Diário o Balancete ou Balanço de Suspensão ou Redução do Imposto de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1991 (Instrução Normativa SRF nº 93 , de 1997, art. 12, inciso 5, alínea b). ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) Parágrafo único. A adoção da Escrituração Fiscal Digital, nos termos ao Convênio ICMS nº 143 , de 15 de dezembro de 2006, supre: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I a elaboração, registro e autenticação de livros para registro de inventário e registro de entradas, em relação ao mesmo período. (Lei nº 154, de 1947, arts. 2º, caput e § 7º, e 3º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 71 e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) II em relação às mesmas informações, da exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) ..... Art. 10. A não apresentação da ECD no prazo fixado no art. 5º acarretará a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a multa para R$ 13.000,00 (treze mil reais). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10940.901310/2008-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3801-001.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 35 1 34 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901310/200842 Recurso nº 919.555 Voluntário Acórdão nº 3801001.289 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria Compensação Recorrente GUARÁ AUTO PECAS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 13 10 /2 00 8- 42 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 45DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.901310/200842 Acórdão n.º 3801001.289 S3TE01 Fl. 36 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 19/09/2006 (fls. 08/12), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de fevereiro de 2004, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 15/03/2004, com débitos de CSLL do período de apuração de julho de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 300,59. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 02) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 18/19, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 20), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 21 (em 15/03/2004), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.901310/200842 Acórdão n.º 3801001.289 S3TE01 Fl. 37 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.008344/2005-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 04/10/2000 a 07/01/2005
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Reagentes de diagnóstico ou de laboratório classificam-se na posição 3002, quando a substância que lhes dêem a característica principal forem classificáveis nessa posição.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta de recolhimento do imposto de importação, em razão de erro de classificação fiscal e alíquota, rende ensejo ao lançamento de ofício.
MULTAS. BIS IN IDEN.
A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden.
MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO.
O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública.
MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LABORATORIAIS HOSPITALARES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/10/2000 a 07/01/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Reagentes de diagnóstico ou de laboratório classificamse na posição 3002, quando a substância que lhes dêem a característica principal forem classificáveis nessa posição. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto de importação, em razão de erro de classificação fiscal e alíquota, rende ensejo ao lançamento de ofício. MULTAS. BIS IN IDEN. A inflição simultânea da multa de ofício de 75% e da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro não implica bis in iden. MULTAS. PRINCÍPIO DA NÃO UTILIZAÇÃO DE TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. O princípio constitucional da não utilização de tributo com efeito confiscatório tem como destinatário imediato o legislador ordinário e não a administração pública. MULTAS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Se a lei não estabelece a gradação e nem elege critério que permita estabelecer a dosimetria da pena, a administração não tem como aplicar o princípio da proporcionalidade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 83 44 /2 00 5- 11 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 16/08/2005, lavrado em decorrência de procedimento fiscal de revisão aduaneira para exigir o Imposto de Importação, multa de ofício e multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 2000 e janeiro de 2005. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal, o contribuinte importou vários produtos para uso em laboratórios de clínica médica, classificandoos sob os códigos 3822.00.00 e 3822.00.90 da NCM/TEC. Entende a fiscalização que por força da RG nº 1 e das notas de capítulo, os produtos em questão deveriam ser classificados na posição 3002. Foi lançada a diferença do imposto em razão da diferença de alíquotas e a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão do erro de classificação fiscal. Em sede de impugnação, o contribuinte concordou com a reclassificação de 21 produtos, mas entende que a reclassificação só deveria prevalecer para as futuras importações, não podendo ser aplicada à mercadoria que já foi importada. Discordou da reclassificação de outros 14 produtos. Impugnou a multa 1% sobre o valor aduaneiro, pois no seu entender estaria sendo aplicada cumulativamente sobre um fato que já foi punido com a multa proporcional à falta de recolhimento do imposto. Por meio do Acórdão 36.673, de 18 de abril de 2012, a 6ª Turma da DRJ – Recife julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Em relação aos 14 produtos cuja reclassificação foi contestada pelo contribuinte, entendeu a DRJ que tais produtos não podem ser classificados na posição 3822 por dois motivos: a) são kits de diagnóstico mencionados nas Notas Explicativas à posição 3002 do SH, cuja característica essencial é dada pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste; e 2) não cumprem os requisitos para serem considerados materiais de referência certificados (Notas 1 e 2 do Capítulo 38). A DRJ acatou a reclassificação desses produtos para a posição 3002, que inclui o sangue humano, antisoros e outras frações do sangue, por força da RGI nº 1, da Nota 2 do Capítulo 30 e das Notas Explicativas à posição 3002 do SH. Ficou decidido também que o procedimento legal de revisão aduaneira autoriza a revisão dos despachos enquanto não ocorrida a decadência do direito do fisco exigir as diferenças de tributos, não havendo que se falar em aplicação da reclassificação apenas para as futuras importações. Foi mantida a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão dela independer da cobrança do tributo. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 10/05/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/06/2012. Após historiar a autuação e reiterar Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 7 3 que concordou com a reclassificação de 21 produtos, a defesa reiterou seu inconformismo quanto à reclassificação dos 14 produtos impugnados, a saber: 1) Soro Controle Atirreumático, por se tratar de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a turbidimetria e os parâmetros ASO (antiestreptolisina O), PCR (proteína Creativa) e FR (fator reumatóide); 2) Soro Controle de Bioquímica, por tratarse de soro bovino liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes da bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a fotometria, com todos os parâmetros comuns da bioquímica, como glicose; 3) Soro controle de Proteínas, por tratarse de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes da bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a turbidimetria e alguns dos parâmetros são IgA (imunoglobulina A), IgG, IgM, C3 (complemento fração 3); 4) Albumina, porque esta substância não confere a característica essencial ao kit, como descrito no item “e”. A função da albumina contida no padrão não é medir a concentração de proteína, serve apenas para calibrar o kit. Não há produto imunológico no reagente; 5) AntiEstreptolisina O – Turbidimetria, pois este kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na posição 3002. O produto na sua característica essencial de funcionamento contém partículas de látex revestidas (sensibilizadas) com estreptolisina O. A anti estreptolisina O (ASO) sérica produz a união das partículas de látex e dá uma turbidez, que é proporcional à concentração e pode ser quantificada por turbidimetria. O padrão de ASO não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, serve apenas para calibrar o kit; 6) Proteína (Total), pois este kit não possui nenhuma das substâncias mencionadas na posição 3002. Na sua característica essencial de funcionamento, a proteína presente na amostra reage com os iões (sic) cobre (II) em meio alcalino, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria. O padrão de proteína não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, serve apenas para calibrar o kit. Não há produto imunológico no reagente; 7) Controle de Hemoglobina HBA 2 C, por se tratar de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a espectrofotometria e o parâmetro é HBA 2C; 8) Creatinina Quinase – CKMB, pois na sua característica essencial de funcionamento, o anticorpo específico inibe as duas subunidades M da CKMM (CK3) e a única subunidade M da CKMB (CK2), o que permite a medição da subunidade B da CKMB. Determina se a partir da velocidade de formação de NADPH, medido a 340 nm. Portanto, apesar de possuir anticorpo específico, não é a característica essencial de funcionamento, que é a Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 formação de NADPH, consoante explicado na bula. Não há produto imunológico no reagente; 9) Proteína urinária, pois este kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002. Na sua característica essencial de funcionamento, a proteína presente na amostra reage com o vermelho de pirogalol e o molibdato em meio ácido, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria. O padrão de proteína (Urina) não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, serve apenas para calibrar o kit. Não há produto imunológico no reagente; 10) Calibradores de Proteínas, por se tratar cinco soros humanos líquidos, usados como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes da bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a turbidimetria e alguns dos parâmetros são IgA (imunoglobulina A), IgG, IgM, C3 (complemento fração 3). Os valores de concentração são traçáveis ao material de referência certificado 470 (Instituto para Materiais e Medidas de Referência, IRMM), conforme indica a bula anexada com a impugnação; 11) Soro Controle CKMB, por se tratar de soro humano liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a espectrofotometria e os parâmetros são CD e CDMB; 12) RPR – Carbono, em razão do kit não conter nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profilático ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002. Na sua característica essencial de funcionamento, as reaginas plasmáticas, anticorpos dirigidos contra antígenos derivados de fontes não treponemicas, produzem agregações com o antígeno, precipitando com as partículas de carbono. O reativo é uma suspensão de lípidos e carbono. Não há produto imunológico no reagente. Alega a recorrente que se trata de um material de referência certificado; 13) Prevecal, por se tratar de soros de origem humana liofilizados, usados como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula já anexada com a impugnação. O método avaliado é a fotometria com todos os parâmetros comuns da bioquímica como glicose (sic); 14) Soro de controle de lipídios, por se tratar de plasma humano desfibrinizado e liofilizado, usado como material de referência certificado para avaliação de um método de medida, conforme informações constantes na bula anexada com a impugnação. O método avaliado é a fotometria e os parâmetros relacionados com lipídios, como HDL colesterol. Alegou, ainda, que a multa de 1% sobre o valor aduaneiro se refere a uma penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória e não pode ser cumulada com a multa proporcional em razão das diferenças de imposto. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória é aplicável para punir omissões praticadas pelo contribuinte em relação a obrigações não pecuniárias. Esta deve ser aplicada isoladamente e não sobre um fato ou uma infração que já foi punida com a aplicação de multa por infração como foi o caso. A multa regulamentar foi abusiva e confiscatória por ter sido aplicada cumulativamente a imposto já punido com penalidade específica, violando também o princípio da capacidade contributiva. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 8 5 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O contribuinte classificou os 14 produtos, cuja reclassificação foi por ele impugnada, sob o código 3822.00.90 – outros. O texto da posição 3822 é o seguinte: “Reagentes de diagnóstico ou de laboratório em qualquer suporte e reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados, mesmo apresentados num suporte, exceto os das posições 30.02 ou 30.06; materiais de referência certificados.” Portanto, são três tipos de produtos que podem ser classificados na posição 3822, a saber: a) reagentes de diagnóstico ou de laboratório em qualquer suporte; b) reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados, estejam ou não apresentados em um suporte; e c) materiais de referência certificados. A Nota 1 do Capítulo 38 exclui desse Capítulo alguns materiais de referência certificados, especificados na Nota 2 B. E a Nota 2 A, por seu turno, definiu o que na Nomenclatura se deve entender por materiais de referência certificados, in verbis: “2.A) Na acepção da posição 38.22, considerase “material de referência certificado” o que é acompanhado de um certificado que indique os valores das propriedades certificadas e os métodos utilizados para determinar esses valores, bem como o grau de certeza associado a cada valor e que pode ser utilizado para análise, aferição ou referência. B) Com exceção dos produtos dos Capítulos 28 ou 29, os materiais de referência certificados classificamse na posição 38.22, que, neste caso, terá prioridade sobre qualquer outra posição da Nomenclatura.” (Grifei) E a Nota Explicativa à posição 3822 do Sistema Harmonizado esclarece o seguinte: “A presente posição inclui os reagentes de diagnóstico ou de laboratório em um suporte, os reagentes de diagnóstico ou de laboratório preparados, exceto os reagentes de diagnóstico da posição 30.02, os reagentes de diagnóstico destinados a serem administrados em pacientes e os reagentes destinados à determinação dos grupos sanguíneos da posição 30.06. Ela inclui também os materiais de referência certificados. Os reagentes de diagnóstico são utilizados para a avaliação de processos e estados psíquicos, biofísicos e bioquímicos no homem e no animal. Suas funções baseiamse em uma modificação mensurável ou observável de suas substâncias constitutivas biológicas ou químicas. ......................................................................................................... Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Os reagentes de laboratório e de diagnóstico preparados podem ser utilizados em laboratórios médicos, veterinários, científicos ou industriais, em hospitais, na indústria, no campo, ou, em certos casos, a domicílio. Os reagentes da presente posição são apresentados quer em um suporte, quer na forma de uma preparação e são compostos, neste último caso, de mais de um constituinte. Eles podem ter, por exemplo, água. Eles podem também apresentarse na forma de papéis, plástico ou outras matérias (utilizados como base ou suporte) impregnados ou revestidos com um ou vários reagentes de diagnóstico ou de laboratório como os papéis de tornassol, os papéis indicadores de pH, os papéis buscapólos ou as placas prérevestidas para os testes de imunologia. Os reagentes da presente posição podem também ser acondicionados na forma de kit constituído de vários componentes mesmo se um ou vários destes componentes são compostos de constituição química definida do Capítulo 28 ou do Capítulo 29 apresentados isoladamente, matérias corantes sintéticas da posição 32.04 ou qualquer outra substância que, apresentada isoladamente, seria classificada em outra posição. Como exemplo destes kits, podem citarse os que servem para determinar a presença de glicose no sangue, de cetonas na urina, etc., e aqueles à base de enzimas. Todavia, os kits de diagnóstico apresentando a característica essencial de produtos da posição 30.02 ou da posição 30.06 (por exemplo, aqueles à base de anticorpos monoclonais ou policlonais) são excluídos. Os reagentes da presente posição devem ser claramente reconhecíveis como sendo destinados a ser utilizados unicamente como reagentes de diagnóstico ou de laboratório. Esta utilização deve ficar clara em virtude de sua composição, de instruções constantes na etiqueta relativas a sua utilização in vitro ou em laboratório, da indicação de teste de diagnóstico específico a efetuar ou da forma material na qual eles são apresentados (em uma base ou um suporte, por exemplo). ......................................................................................................... . Os materiais de referência certificados da presente posição são materiais destinados à aferição de um aparelho, avaliação de um método de medida ou atribuição de valores aos materiais. Esses materiais de referência certificados podem consistir em: a) substratos adicionados de analitos cuja concentração tenha sido determinada com precisão; b) materiais não misturados cuja concentração de certos componentes tenha sido determinada com precisão (teor de proteínas e de matérias gordas do leite em pó, por exemplo); c) materiais, naturais ou sintéticos, dos quais certas propriedades tenham sido determinadas com precisão (resistência ao alongamento, densidade, por exemplo). Esses materiais de referência certificados devem ser acompanhados de um certificado indicando os valores das propriedades certificadas, os métodos utilizados para determinar esses valores assim como o grau de precisão associado a cada valor e o nome da autoridade certificadora. ...................................................................................... ...........” Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 9 7 Por seu turno, o texto da posição 3002, preconizada pela fiscalização, possui o seguinte teor: “Sangue humano; sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações do sangue e produtos imunológicos, mesmo modificados ou obtidos por via biotecnológica; vacinas, toxinas, culturas de microorganismos (exceto leveduras) e produtos semelhantes.” E a Nota 2 do Capitulo 30 define o que deve ser considerado “produto imunológico” no âmbito da posição 3002: “Na acepção da posição 30.02, consideramse “produtos imunológicos” os peptídios e as proteínas (com exclusão dos produtos da posição 29.37) que participem diretamente na regulação dos processos imunológicos, tais como os anticorpos monoclonais (MAB), os fragmentos de anticorpos, os conjugados de anticorpos e os conjugados de fragmentos de anticorpos, as interleucinas, os interferons (IFN), as quimioquinas, bem como alguns fatores de necrose tumoral (TNF), fatores de crescimento (GF), hematopoietinas e fatores de estimulação de colônias (CSF).” E as Notas Explicativas à posição 3002 do Sistema Harmonizado esclarecem o seguinte: “A presente posição compreende: A) O sangue humano (por exemplo: em ampolas seladas). B) O sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico. O sangue animal não preparado para estes fins incluise na posição 05.11. C) Os antisoros e outras frações do sangue e os produtos imunológicos modificados. Estes produtos incluem: 1) Os antisoros e outras frações do sangue. Os soros são as frações fluidas do sangue que se separam após a coagulação. Estão compreendidos nesta posição, entre outros, os seguintes produtos derivados do sangue: os soros “normais”, a imunoglobulina humana normal, o plasma, a trombina, o fibrinogênio, a fibrina e outros fatores de coagulação do sangue, as globulinas do sangue, as soroglobulinas e a hemoglobina. Esta posição também compreende a albumina do sangue (por exemplo, a albumina humana obtida por fracionamento do plasma do sangue humano integral) preparada para fins terapêuticos ou profiláticos. ............................................................................................................ 2) Os produtos imunológicos modificados, mesmo obtidos por via biotecnológica. Consideramse como produtos desta categoria os produtos que, na sua reação antígenoanticorpos, correspondem aos antisoros naturais e que são utilizados para fins de diagnóstico, de análises imunológicas ou para fins terapêuticos. São definidos do seguinte modo: Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 a) Anticorpos monoclonais (MAK, MAB) imunoglobulinas específicas compostas de células de hibridomas selecionadas e clonadas, mantidas em cultura in vitro ou sob a forma de tumor ascítico. b) Fragmentos de anticorpos fragmentos de uma proteína de anticorpos obtida por desintegração enzimática especifica. c) Conjugados de anticorpos e de fragmentos de anticorpos enzimas ligadas por covalência à estrutura protéica (por exemplo, fosfatase alcalina, peroxidase, betagalactosidase) ou corantes (fluoresceína) utilizados para reações de dosagens simples. D) ...................................................................................................... E) Kits de diagnóstico. Os kits de diagnóstico são classificados na presente posição desde que a característica essencial do kit seja conferida por qualquer um dos produtos desta posição. As reações que comumente ocorrem na utilização destes kits compreendem, por exemplo, a aglutinação, a precipitação, a neutralização, a ligação de um complemento, a hemoaglutinação e a imunoabsorção ligada às enzimas (ELISA). A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste. Os produtos incluídos nesta posição podem apresentarse sob qualquer forma, mesmo doseados ou acondicionados para venda a retalho”. (Grifei) A defesa não contestou a aplicação das regras de interpretação efetuada no acórdão recorrido, apenas insurgiuse quanto ao enquadramento daqueles 14 produtos na posição 3002, por entender que pela aplicação da RGI nº 1 eles não se enquadram no texto da referida posição, mas sim no texto da posição 3822 porque (i) ou são materiais de referência certificados ou (ii) porque a característica essencial do kit não é dada pelo parâmetro adotado pela autoridade administrativa. Desse modo, o deslinde da controvérsia passa necessariamente pelo exame probatório dos autos para se aferir, um a um, do que são constituídos os 14 produtos objeto da do recurso voluntário, pois para poder se fazer o correto enquadramento desses produtos é preciso antes de mais nada saber: 1) o que é o produto e qual o elemento que lhe confere a característica essencial; 2) saber se o produto possui o certificado mencionado na Nota 2 – A do Capítulo 38. Relativamente aos produtos que a defesa alega serem materiais de referência certificados, verificase nas bulas anexadas com a impugnação que elas apresentam alguns dos elementos mencionados nas Notas Explicativas à posição 3822, quais sejam: que produto é para uso in vitro nos laboratórios clínicos; que o produto se presta para avaliar tanto a exatidão como a precisão e métodos analíticos; constam os parâmetros avaliados, o método utilizado na medição, os valores obtidos em relação a cada parâmetro e o respectivo o desvio. Entretanto, as bulas são documentos produzidos de forma unilateral pelo fabricante dos produtos. Esses documentos não são suficientes para comprovar que os produtos são materiais de referência certificados porque a prova desse fato, segundo exige a Nomenclatura, eve ser feita mediante a apresentação de um certificado que indique os valores das propriedades certificadas, os métodos utilizados para determinar esses valores assim como o grau de precisão associado a cada valor e o nome da autoridade certificadora. É evidente que a prova de que o material é certificado deve ser feita por meio de um documento emitido por um terceiro, já que se exige que o documento contenha o “nome da autoridade certificadora”. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 10 9 Reforça essa tese o fato de que a bula da albumina (fl. 713) faz referência expressa no sentido de que “O valor de concentração [de albumina] é traçavel ao Material de Referência Certificado 927 (National Institute of Standards and Technology, USA).” Isso significa, sem sombra de dúvida, que os certificados que devem acompanhar o material de referência devem ser emitidos por uma autoridade de metrologia oficial e não pelo próprio fabricante do produto. Tendo em vista que no caso concreto as bulas apresentadas com a impugnação e os documento 6 e 7 de fls. 953/955 e 956/958, respectivamente, foram emitidos pelo próprio fabricante, não há prova nos autos no sentido de que os produtos são materiais de referência enquadráveis na posição 3822. No que tange aos demais produtos, a defesa questionou o parâmetro adotado pela fiscalização como referência da essencialidade dos kits. Vejamos um a um a função desses parâmetros. Relativamente à albumina, alegou a recorrente que “esta substância não confere a característica essencial ao kit, como descrito no item “e”.” Segundo a defesa, a função da albumina contida no padrão não seria a de medir a concentração de proteína, mas sim servir apenas de calibração para o kit. A recorrente fez menção no recurso a uma descrição que estaria contida no item “e”, mas não disse onde se pode encontrar essa descrição. Não se sabe onde está esse item “e”. O exame da bula (fl. 713), além revelar que não existe nenhum item “e” naquele documento, nos diz também que “Albumina presente na amostra reage com o verde de bromocresol em meio ácido, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria”. A bula desmente a alegação da defesa, pois é a albumina quem reage com o verde de bromocresol. Considerando que “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” , é óbvio que a característica essencial deste kit é dado pela albumina. Assim, deve o produto ser classificado na posição 3002, nos moldes em que restou decidido no acórdão de primeira instância. Quanto à AntiEstreptolisina O – Turbidimetria, alegou a defesa que este kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na posição 3002. Alegou ainda que o padrão de ASO não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, servindo apenas para calibrar o kit. A defesa fez referência a uma descrição que estaria contida no item “e’, mas não se sabe onde se encontra essa descrição. O exame da bula (fl. 718) revela que não existe nenhum item “e” e, além disso, desmente a alegação da defesa no sentido de que o produto não contém sangue e Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 tampouco derivados de sangue humano. Isto porque na composição do produto está consignado que o padrão de ASO é constituído por soro humano. Além disso, o papel da antiestreptolisina não é “calibrar o kit” como alegou a defendente, a bula nos diz que “La antiestreptolisina O (ASO) sérica provoca una algutinación de las partículas de látex recubiertas com estreptolisina.” Se está escrito que é a estreptolisina quem provoca uma aglutinação das partículas de látex, então é ela quem deve dar a característica essencial ao produto, pois “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” Desse modo, não merece nenhum reparo a decisão de primeira instância quando manteve a classificação desse produto na posição 3002. No que tange à Proteína (Total), alegou a recorrente que este kit não possui nenhuma das substâncias mencionadas na posição 3002 e, além disso, o padrão de proteína não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, servindo apenas para calibrar o kit. Não haveria produto imunológico no reagente. Mais uma vez a defesa citou um item “e” que não se consegue localizar no processo. A leitura da bula (fl. 719) revela que não existe nenhum item “e” e que a alegações do contribuinte são improcedentes. No fundamento do método consta que a função da proteína é reagir com os íons de cobre em meio alcalino, originando um complexo colorido que se quantifica por espectrofotometria. Assim, é a proteína quem dá a característica essencial ao kit. Seu papel não “apenas calibrar o kit”, como alegou a defesa. Não se olvide que segundo a Nota Explicativa à posição 3002, “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” Além disso, no tópico da bula denominado “composição”, consta que o padrão de proteína é constituído por albumina bovina, que é um componente do sangue animal preparado para fins de diagnóstico, enquadrandose perfeitamente no texto da posição 3002. Portanto, não merece nenhum reparo a decisão de primeira instância que manteve o produto classificado na posição 3002. No que tange à proteína urinária, alegou a defesa que o kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profiláticos ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002. O padrão de proteína (Urina) não confere a característica essencial do kit, como descrito no item “e”, servindo apenas para calibrar o kit. A leitura da bula (fl. 731) revela que não existe nenhum item “e” e que o papel da proteína não é “calibrar o kit”, mas sim reagir com o vermelho de pirogalol e o molibdato em meio ácido, originando um complexo colorido que se pode quantificar por espectrofotometria. Se a função da proteína é reagir com alguma coisa, então é ela quem dá a característica essencial ao produto, pois a Nota Explicativa à posição 3002 estabelece que “A Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 11 11 característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” Também não tem razão a recorrente quando alega que o kit não contém produtos enquadráveis na posição 3002, pois no item “composição” a bula nos diz que o padrão de proteína (urina) é constituído por albumina bovina, que é um derivado do sangue animal, incluído na posição 3002. Se a substância que dá a característica essencial ao kit é enquadrável na posição 3002, então este kit enquadrase nesta posição, conforme decidiu o acórdão de primeira instância. No que tange ao RPR – Carbono, a defesa alegou que o kit não contém nenhum produto derivado do sangue humano, sangue animal preparado para usos terapêuticos, profilático ou de diagnóstico; antisoros, ou outras frações ou produtos imunológicos, portanto, não se enquadra na classificação 3002 e também que se trata de um material de referência certificado. A leitura da bula (fl. 740) mais uma vez desmente a alegação da defesa, pois o kit contém produto derivado do sangue humano, uma vez que no item “composição” consta que o controle positivo é constituído por soro humano reativo frente a antígenos não treponêmicos. Quanto à alegação de que se trata de um material de referência certificado, a recorrente não trouxe aos autos o certificado emitido por uma autoridade certificadora, sem o qual não é possível afirmar que o produto realmente é um material de referência certificado. Relativamente ao produto Creatinina Quinase – CKMB, o contribuinte alegou que a característica essencial é dada pela reação de formação do NADPH e não pelo anticorpo específico que inibe as subunidades M da CKMM. Acontece que no item E) da Nota Explicativa à posição 3002 está consignado que “A característica essencial é conferida pelo componente único que rege principalmente a especificidade do procedimento do teste.” No caso deste produto, conforme consta na bula (fl. 729), é o reagente anti CKM (anticorpo específico) capaz de inibir 1000 U/L de CKM humana que dispara a reação química que vai formar o NADPH. É esse anticorpo que “rege principalmente a especificidade do procedimento do teste”, pois em o anticorpo específico não haverá a formação do NADPH. Portanto, a característica essencial do produto é dada pela presença do anticorpo e não pela formação do NADPH, como argumentou a recorrente. Concluise que o produto deve ser classificado na posição 3002, nos moldes em que restou decidido no acórdão de primeira instância. Quanto à multa de 1% sobre o valor aduaneiro, alegou o contribuinte que ocorreu bis in idem, uma vez que a fiscalização aplicou 75% a título de multa e ofício e 1% a título de multa regulamentar, mas ambas teriam incidido sobre o mesmo fato que foi o erro cometido na classificação fiscal. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Entende o contribuinte que a multa de 1% foi criada para penalizar o descumprimento de uma obrigação acessória e, portanto, não pode ser cumulada com a penalidade pelo descumprimento de obrigação principal. Não procede a alegação da defesa. Isto porque a multa de ofício no patamar de 75% incidiu sobre a falta de recolhimento do imposto e puniu o fato jurídico “falta de recolhimento do imposto”. Por sua vez, a multa regulamentar de 1% incidiu sobre o valor aduaneiro da mercadoria, base de cálculo completamente distinta daquela sobre a qual incidiu a multa de ofício, e sua inflição puniu o fato jurídico “erro de classificação fiscal da mercadoria”. Como se vê, no auto de infração foram aplicadas duas multas distintas, as quais puniram dois fatos distintos e que incidiram sobre bases de cálculo distintas, não havendo que se falar em dupla punição pelo mesmo fato. Além disso, a previsão de cumulatividade é expressa no art. 84, § 2º da MP nº 2.15835/2001. Ainda com relação às multas, alegou o contribuinte a violação dos princípios da proporcionalidade (multa abusiva), da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito de confisco. O princípios da não utilização de tributo com efeito de confisco e da capacidade contributiva têm origem constitucional e destinamse de imediato ao legislador ordinário e não à administração pública. Estando as duas multas ora infligidas com as respectivas bases de cálculo e alíquotas estabelecidas em lei, só cabe à administração verificar se estão ou não presentes os pressupostos de fato para suas incidências. O CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária, seja em grau de declaração, seja em grau de mero reconhecimento de que a lei é inconstitucional (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do RICARF). No que tange ao princípio da proporcionalidade, também não é possível aplicálo ao caso concreto, pois as leis que instituíram as duas multas não estabeleceram gradação e, tampouco, elegeram critérios que permitissem à fiscalização ou aos órgãos administrativos de julgamento efetuarem a dosimetria da pena. Também não há nenhuma previsão legal no sentido de que a incidência de uma das multas exonera a inflição da outra, inexistindo sustentáculo jurídico para a alegação do contribuinte no sentido de que a incidência da multa proporcional ao valor do imposto exclui a incidência da multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19647.008344/200511 Acórdão n.º 3403002.558 S3C4T3 Fl. 12 13 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 18471.003278/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VALETRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
TERCEIROS
As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 262 1 261 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.003278/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.610 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2013 Matéria Terceiros Recorrente OTIMIZA CONSULTORIA E ACESSORIA DE SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. TERCEIROS As atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições de Terceiros são de competência do INSS/MPS/RFB, conforme legislação por período de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 32 78 /2 00 8- 13 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003278/200813 Acórdão n.º 2302002.610 S2C3T2 Fl. 263 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 27/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 04/12/2008, referese às contribuições arrecadadas para as Terceiras entidades,, incidentes sobre a remuneração dos empregados, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme consta do relatório fiscal de fls28/33, a autuada regularmente intimada a apresentar as folhas de pagamento, não o fez, sendo a base de cálculo do débito apurada através dos registros contábeis, onde se verificou que os valores declarados em GFIP eram inferiores aos valores contabilizados referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativamente a pagamentos efetuados através de “cartão salário”. Aduz também o relatório, que foram tomados como base de incidência contributiva os valores referentes a alimentação e valetransporte pagos em pecúnia. A autuada não apresentou adesão ao PAT. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para esclarecimentos quanto aos lançamentos contábeis utilizados e informação fiscal fls. 198/199, se pronunciou pela retificação do crédito lançado para as alegações da autuada que se mostraram procedentes, conforme discriminativo de fls 220. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, com regular prazo para manifestação, após o que, Acórdão de fls. 233/230 julgou o lançamento procedente em parte, para excluir das bases de cálculo apuradas os lançamentos contábeis relativos a salário família, valetransporte e valealimentação, feitos a crédito da conta 52.101.9 Salários. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que demonstrou na diligência que o contador utilizou metodologia que foge aos padrões habituais lançando o pagamento de valores na conta “prestação de serviços”, quando deveria lançar na conta “adiantamento de salários a pagar”; b) que os pagamentos de salário foram devidamente contabilizados e pagas as contribuições; c) que os valores levantados se tratam de adiantamento de salários; d) que por medida de segurança realiza o pagamento de valealimentação e valetransporte em dinheiro, o que foi permitido por Acordo Coletivo; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que o STF considerou inconstitucional a cobrança da contribuição previdenciária sobre o valetransporte em pecúnia. Requer a revisão do Acórdão, para considerar a impugnação procedente em seu todo. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003278/200813 Acórdão n.º 2302002.610 S2C3T2 Fl. 264 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos é de se ver que o crédito lançado referese aos Terceiros e que tiveram como base de incidência valores apurados através da contabilidade da recorrente pagos através de “cartãosalário”, alimentação e vale transporte em pecúnia. Em que pesem os argumentos da recorrente quanto a métodos não convencionais de contabilização e por isso não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre os valores lançados na conta prestação de serviço, informo à recorrente que a diligência efetuada após a impugnação, se deteve sobre o assunto e inclusive se pronunciou pela retificação do crédito lançado para aquelas alegações que se mostraram procedentes na análise da contabilidade. Todavia, os valores que permaneceram no Auto de Infração referentes a pagamentos efetuados através de cartãosalário devem integrar a base contributiva previdenciária, porque não houve qualquer demonstração por parte da recorrente de que não se subsumem ao conceito de salário de contribuição exposto no artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Quanto ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos empregados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A par do conceito de salário de contribuição, acima transcrito, a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; exceptuou da base de incidência contributiva o fornecimento de alimentação somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos segurados sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). e Decreto n.º 5, de 14/01/1991: Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a L 006.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003278/200813 Acórdão n.º 2302002.610 S2C3T2 Fl. 265 7 de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação citada que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. Muito embora a recorrente alegue que o pagamento de alimentação em pecúnia esteja ao abrigo do Acordo Coletivo de Trabalho, tal instrumento não tem força de lei para impor a isenção das contribuições previdenciárias sobre determinada rubrica. Ademais, o acordo tem valor entre as partes, mas não pode ser aposto à Fazenda Nacional. Quanto ao valetransporte, merece acolhida a argüição da recorrente e deve ser obedecida a Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32, que desonerou a verba da incidência contributiva previdenciária, quando paga em pecúnia: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Destarte, é de se ver que, por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902824/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 24 /2 00 8- 57 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 76 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento do campo relativo ao documento de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do crédito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim, requer a homologação da compensação por força da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o crédito requerido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 31/35, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 77 3 pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 37 a 44, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 78 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente alega que ao preencher o PERDCOMP cometeu erros no preenchimento do campo relativo aos DARF's que dão origem ao crédito tributário, pois informou como origem de crédito valores que não retratam a realidade, mais precisamente informou como origem de crédito o valor a ser compensado e não o que efetivamente recolheu a maior. Compulsando os autos, verificamos que a recorrente anexou cópia do comprovante de arrecadação que teria embasado o crédito pleiteado referente ao recolhimento de PIS, código de receita 8109 período de apuração dezembro/1999, recolhido em 14/01/2000, no montante de R$ 8.523,85, conforme comprovante à fl. 08. Todavia, nas PER/DCOMPs que teriam utilizado este crédito consta como valor do DARF o montante de R$ 5.588,45. Diante disso, o pagamento não foi localizado, sendo exarado o Despacho Decisório de fls. 03, com ciência em 22/08/2008, não homologando a compensação pleiteada. Posteriormente, em 19/02/2009, apresentou DCTF retificadora na qual estaria o valor apurado da contribuição e que embasaria o seu crédito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, caso o contribuinte não informe corretamente os dados do pagamento ele efetivamente não será localizado, o que de fato ocorreu conforme consta no Despacho Decisório. Nesse procedimento não se está adentrando efetivamente no mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento do PERDCOMP e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10882.902824/200857 Acórdão n.º 3801002.208 S3TE01 Fl. 79 5 No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Esclarece ainda a autoridade julgadora de 1ª Instância que a recorrente foi intimada, ainda antes da emissão do despacho decisório, a retificar as informações sobre o documento de arrecadação, conforme documentação anexada aos autos, mas não tomou providências nesse sentido. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10640.003707/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2009
PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE.
No direito constituciona1 vigente o princípio da não-cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tão-somente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores.
O princípio da não-cumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados.
CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (N/T) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. SOLUÇÃO DE CONSULTA. APLICAÇÃO. ALCANCE.
O alcance da Solução da Consulta restringe-se estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco.
A Solução de Consulta não autoriza o contribuinte adotar entendimento contrário aos dispositivos legais constantes do ordenamento jurídico.
Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizando-o.
Numero da decisão: 3202-000.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Amanda R. Queder, OAB/SP nº 282.769.
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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No direito constituciona1 vigente o princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes apenas e tãosomente o direito ao crédito do imposto que incidiu nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. O princípio da nãocumulatividade não enseja direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados. CRÉDITOS BÁSICOS. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados (N/T) pelo IPI não dá direito a crédito do imposto nas operações posteriores. O texto constitucional (artigo 153, parágrafo 3º, inciso II), o CTN (artigo 49) e a legislação ordinária, foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados, não há, portanto, o que se creditar. SOLUÇÃO DE CONSULTA. APLICAÇÃO. ALCANCE. O alcance da Solução da Consulta restringese estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco. A Solução de Consulta não autoriza o contribuinte adotar entendimento contrário aos dispositivos legais constantes do ordenamento jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 37 07 /2 00 9- 32 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 365 2 Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizandoo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Amanda R. Queder, OAB/SP nº. 282.769. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício formalizado através de auto de infração (efls. 02/ss) para a cobrança do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 14.744.955,65, pelo uso indevido de crédito básico do imposto, uma vez que o contribuinte adquiriu resíduos de papel não tributados pelo imposto e os utilizou em seu processo produtivo, para fabricação de caixas de papel, apropriandose de créditos sobre estas aquisições, no período de apuração de 31/09/2005 a 30/04/2009. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Em julgamento o auto de infração de fls.2/7, que exige o montante de R$ 14.744.955,65 a título de imposto, multa de oficio e juros moratórios. O relatório fiscal de fls.8/15 assim descreveu a situação fática in casu: Com base na documentação recepcionada, constatouse que o contribuinte adquiriu resíduos de papel não tributados pelo IPI (classificação TIPI 4707.90.00) junto a comerciantes, Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 366 3 associações de catadores e cooperativas de catadores de papel e utilizou esses resíduos para produzir o papel que foi utilizado na fabricação de caixas de papel (classificação TIPI 4819.10.00). Sobre 50% do valor dessas aquisições o contribuinte calculou o IPI à alíquota de 15% (alíquota TIPI do produto final). Questionado no Termo de Intimação Fiscal (fis.37/38) acerca da fundamentação em que se amparou para se creditar do IPI nas aquisições de insumos não tributados por esse imposto, o fiscalizado indicou a Solução de Consulta SRRF/8° RF/DISIT n° 43/2005 que em sua opinião lhe daria amparo para o questionado creditamento (fl.39). Tal solução de consulta, encontrada às fls.40/46, foi formulada pelo estabelecimento matriz da Klabin SÃ (CNPJ 89.637.490/000145), e, conforme entendo, não dá amparo ao aproveitamento dos créditos utilizados pelo fiscalizado. Isto porque a solução de consulta se ateve apenas à condição do fornecedor e à questão da não aplicabilidade das regras relativas ao valor tributável (art.135, RIPI/2002) ao caso exposto pelo contribuinte... ... Em nenhum momento a solução de consulta deu guarida ao contribuinte para o aproveitamento do crédito do IPI incidente nas aquisições de insumos nãotributados por esse imposto. Ao contrário, a formulação de uma solicitação pelo contribuinte sobre a possibilidade de adoção de um crédito presumido de IPI sequer foi objeto de análise na medida em que a questão não traduziu dúvidas quanto à interpretação endossada pela SRF sobre alguma norma tributária federal. Com efeito, conforme entendimento já consolidado não somente no âmbito administrativo, mas no Poder Judiciário, só são reconhecidos como créditos de IPI aqueles provenientes de aquisições de MP, PI e ME sujeitos ao pagamento do imposto. Produtos isentos, nãotributados e de alíquota reduzida a zero não podem oferecer direito a crédito, porquanto inocorreu pagamento do tributo pelo remetente e, consequentemente, não feriu o princípio da nãocumulatividade. Irresignada, assim se manifestou a Interessada (fls.170/187): Com base no princípio constitucional da nãocumulatividade de que trata o art.153, §3 0, II, da CF/88, a Impugnante tem direito ao crédito do imposto, e no caso dos autos, não restam dúvidas de que, na origem, as caixas de papelão ondulado que foram coletadas para se transformar em papel reciclado foram tributadas pelo IPI No entanto, a d. Fiscalização lavrou a presente autuação fiscal, por entender indevido o direito ao crédito de IPI pela Impugnante, incidente sobre a aquisição de aparas ou de papéis usados, contrariando a orientação dada pela SRRF/8° Região, nos autos do processo administrativo n° 19679.001620/200453, relativo à Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 43... Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 367 4 ... não há dúvida de que a SRRF/8ª RF, ao solucionar a consulta formulada garantiu à ora impugnante o direito ao crédito do imposto, no percentual de 50% da alíquota de 15%, calculado sobre o valor das notas fiscais de compra de aparas ou papéis usados, com base no art.165 do RIPI vigente. ...a Impugnante adotou exatamente a orientação dada pela SRRF/8° RF, na Solução de Consulta n° 43/2005 e apropriouse dos créditos de IPI relativos a aquisição de caixas de papelão e de papéis usados, para serem utilizados como MP no seu processo industrial. Ou seja, creditouse do IPI calculado no percentual de 50% sobre a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor das notas fiscais de compras feitas de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI, exatamente como orientou a referida Solução de Consulta n° 43/2005 e como autorizam o DL n° 400/68 e o art.165 do Regulamento do IPI de 2002. Dessa forma, não poderia a Autoridade Fiscal considerar este procedimento adotado pela ora Impugnante como ilegal, uma vez que realizado nos termos da orientação dada pela própria Autoridade Administrativa Pública vigente à época da apropriação dos créditos de IPI, sob pena de violar o princípio da segurança jurídica insculpido na CF de 1988. ... Nem se alegue que o presente Auto de Infração seria procedente face à revogação da SC n° 43/2005 pela SC n° 415/2008, uma vez que nas hipóteses de alteração de entendimento expresso em decisão proferida em processo de consulta já solucionado, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência da consulente. ... Ressaltese que a Impugnante deixou de apropriar créditos a partir da publicação da SC n° 415/2008. Ademais é evidente que a SC n° 415/2008 revogou a SC n° 43/2005. Isto porque em nenhum momento a aludida SC n 043/2005 restringiu o direito ao crédito do IPI sobre as aquisições de aparas ou produtos usados aos comerciantes, atacadistas não contribuintes do imposto e que, além disso, adquirissem matériasprimas sujeitas à tributação, requisito nunca expresso anteriormente. Portanto, o presente auto de infração merece ser cancelado, uma vez que a d. Fiscalização desconsiderou por completo o teor da SC n° 43, vigente à época da apropriação dos créditos de IPI, que garantiu o direito à Impugnante de se creditar do IPI sobre aquisição de caixas de papelão usadas. ...não merece prosperar o entendimento da d. Autoridade Administrativa no sentido de que a SC n°415/08 complementou a matéria já disciplinada pelo Parecer Normativo CST n°125/71. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 368 5 Com efeito, o referido PN dispõe que só é cabível o crédito quando se tratar de produtos que tenham sido tributados na origem. Caso o produto adquirido constasse na TIPI como não tributado ou isento não haveria o direito ao crédito do imposto, como nos casos de sucata, aparas e resíduos. Contudo não houve nenhuma manifestação da d. Autoridade Fiscal no sentido de que as MP utilizadas pela Impugnante não estariam sujeitas ao IPI, como NT, isentas ou com alíquota zero. ... No presente caso a Impugnante seguiu a orientação da SC n° 43/2005 vigente à época da apropriação do IPI, creditandose do imposto calculado no percentual de 50% sobre a aplicação da alíquota de 15% sobre o valor das notas fiscais de compra feitas de comerciantes atacadistas não contribuintes do IPI ... a título de complementação da argumentação, a MP utilizada pela Impugnante — papelão ondulado usado — para produção dos seus produtos, no caso em questão papéis reciclados, não é simples apara de papel comum como fez parecer a fiscalização, mas sim aparas de papelão ondulado, com especificações técnicas diversas de aparas normais de papel, não havendo que se fazer confusão quanto a etapa produtiva de cada um. Por isso, o erro no entendimento da autoridade fiscal consiste na premissa de considerar que a Impugnante adquire simples aparas de papel, as quais não tributadas pelo IPI, quando na realidade a sua MP é papelão ondulado, ainda que já utilizado anteriormente, mas que é tributado devidamente na origem quando novas, gerando em seu favor o direito de aproveitamento do crédito desse imposto. A classificação dada pela autoridade fiscal à MP utilizada pela Impugnante decorre de interpretação equivocada, pois não se tratam de meras aparas de papel comum não tributada anteriormente. ... Com relação aos valores objeto do lançamento fiscal ora discutido, as importâncias referentes aos períodos de apuração março e abril/2009 devem ser desconsideradas do crédito tributário constituído, tendo em vista que as mesmas foram integralmente recolhidas pela Impugnante, conforme fazem prova os documentos (DARF) ora juntados." É como relato. Segue o voto. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0928.428, em 26 de fevereiro de 2010 (efolhas 295/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2009 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 369 6 IPI. CRÉDITOS ILEGÍTIMOS. APARAS DE PAPEL PRODUTO NÃO TRIBUTADO. SOLUÇÃO DE CONSULTA INEFICAZ. Questionamentos tidos por ineficazes em sede de consulta dirigida à Autoridade Tributária não geram qualquer proteção para o consulente, estando, por conseguinte, o Fisco apto a formar livremente juízo de valor quanto à presença ou não de valores inadimplidos como decorrência de creditamento indevido. IPI. VALORES RECOLHIDOS PREVIAMENTE AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Constatado o recolhimento prévio de valores lançados no auto de infração por falta de declaração em DCTF, é de se levar a efeito a alocação de tais pagamentos a fim de se extinga o que comprovadamente já foi pago. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Juiz de Fora, em 29/04/2010 (efolhas 318/ss), interpôs Recurso Voluntário em 27/05/2010 (e fls. 319/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nestes autos referese à possibilidade da empresa creditarse do IPI em relação às aquisições de “resíduos de papel” não tributados pelo IPI (classificação TIPI 4707.90.00), segundo a versão da fiscalização, ou “aparas ou papéis usados” na versão da Recorrente, junto a comerciantes, associações de catadores e cooperativas de catadores de papel e utilizados no processo industrial da empresa para a fabricação de caixas de papel (classificação TIPI 4819.10.00). Alega a Recorrente que a utilização desses créditos estaria respaldada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005. Analisemos inicialmente se a citada Solução de Consulta é aplicável ao caso em tela. Dos efeitos da Solução de Consulta Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 370 7 Para uma melhor compreensão da matéria, transcrevemos os questionamentos feitos pela interessada, trechos da fundamentação e a conclusão da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005 (o texto integral encontrase anexado às efolhas 42 a 46 dos autos): Questionamentos formulados: 8. Diante do exposto, indaga, "in verbis": "1 — (...) poderá creditar o IPI, calculado pela mesma alíquota a que estão sujeitos os produtos por ela fabricados, sobre o valor das entradas, tendo em vista que, em assim o fazendo, estará atendendo ao quanto dispõe o art. 7° do DL 400/68, que determina o pagamento do imposto sobre o valor agregado, na industrialização de produtos usados; OU 2. — Poderá creditar o IPI, calculado pela alíquota a que se sujeitaram em operações anteriores (15% ou 5%, conforme o caso), sobre os produtos usados adquiridos para emprego no processo industrial, atendendo assim ao princípio maior da não cumulatividade; OU 3. — Poderá creditar o IPI, calculado pelas mesmas alíquotas (15% e 5%) sobre 50% do valor das entradas, tendo em vista trataremse de aquisições feitas a comerciantes atacadistas não contribuintes desse imposto.". Fundamentação: (...) 14. A industrialização por recondicionamento ou renovação, prevista no art. 4°, inciso V, do Ripi/02, é aquela que exercida sobre produto usado ou parte remanescente do produto deteriorado ou inutilizado, renova ou restaura o produto para utilização. Como orienta o Parecer Normativo CST n° 214/1972 (publicado no DOU em 15/02/73), em seu item 3, a operação restitui ao produto condições de funcionamento como se fosse novo. Vale dizer, o produto resultante do processo industrial é exatamente o mesmo do início do processo, mantendo, inclusive, sua identidade original, isto é, o produto inicial não é transformado em outro, mas, sim, aperfeiçoado para os fins que lhe são próprios. 15. Tal não é o caso, porém, nas industrializações realizadas pela consultante e que consistem na produção de matériaprima a partir do processamento de aparas ou papéis usados (reciclagem) e na produção de caixas de papelão e de papelão ondulado a partir de papéis reciclados. Nos dois processos industriais não se pode dizer que os produtos resultantes da industrialização são usados, muito menos que houve manutenção do produto inicial, mas, sim, que houve a obtenção, a partir deles, de novos produtos, feitos de material reciclado. 16. É de se convir que tanto a reciclagem de aparas ou papéis usados, em que estes são transformados em massa e, Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 371 8 posteriormente, em folhas bobinadas, bem como a conversão de folhas bobinadas em caixas de papelão ou em papelão ondulado caracterizamse como transformação, modalidade de industrialização de que trata o inciso I do art. 40 do Ripi/02 e definida como a operação que exercida sobre matériaprima ou produto intermediário importa na obtenção de espécie nova. 17. Por conseguinte e em contraposição ao que afirma a interessada, as operações em pauta nesta consulta não se enquadram na modalidade de industrialização mencionada no Ato Declaratório (Normativo) Cosit n° 21, de 1996, não se aplicando aos produtos resultantes das industrializações o valor tributável do art. 135 do Ripi/02. 18. Feitos os esclarecimentos acima, cabe, agora, analisar as questões formuladas na consulta e aqui transcritas no item 8, sobre crédito de IPI relativo a aquisição de papéis usados/aparas. 19. Quanto à indagação 1 não há mais o que se considerar pois, conforme evidenciado nos itens 12 a 17 retro, a interessada utilizou premissas incorretas para formular o seu questionamento. 20. Com relação a questão 2, cabe notar que: 20.1 o processo de consulta, regido pelos arts. 48 a 50 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e arts. 46 a 53 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, destinase exclusivamente a dirimir dúvidas do sujeito passivo sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária federal aplicáveis a fato determinado; 20.2 o art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabelece que o sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária e o art. 52, inciso I, do mesmo ato legal determina que não produzirá efeitos a consulta formulada em desacordo com os arts. 46 e 47; 20.3 na indagação em exame, a consultante, apesar de citar os dispositivos legais relativos ao princípio da nãocumulatividade do imposto, não apresenta qualquer dispositivo da legislação do IPI que trate sobre a forma de crédito de IPI que apresenta e sobre o qual pairaria a sua dúvida. Na verdade, formula uma solicitação sobre a possibilidade de adotar um crédito presumido de IPI em que toma emprestado a alíquota do imposto incidente em operações anteriores; 20.4 na medida em que a questão não traduz dúvidas quanto à interpretação endossada pela SRF sobre alguma norma tributária federal não pode produzir efeitos. 21. Quanto à indagação 3, sobre a possibilidade de efetuar o crédito do imposto com base no art. 165 do Ripi/02, uma vez que o fornecedor de aparas ou de papéis usados ao vender para a indústria é considerado comerciante atacadista (ver subitem 7.2), observese que o artigo regulamentar dispõe: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 372 9 (...) 22. Da simples leitura do artigo regulamentar, verificase que, para o industrial ter direito ao crédito do imposto na forma do art. 165 do Ripi/02, não basta que o fornecedor seja caracterizado como comerciante atacadista; é, ainda, necessário que, na condição de atacadista, e seja, também, não contribuinte do IPI; em outras palavras, o fornecedor deverá ser considerado comerciante atacadista e não poderá se enquadrar na hipótese do art. 10 ou art. 11 do Ripi/02, situação em que será considerado contribuinte do IPI. 23. No caso da pleiteante, as aparas e os papéis usados adquiridos de fornecedores para a produção de papel reciclado caracterizamse como bens de produção (matériaprima) do processo de reciclagem de papel. Sendo assim e de acordo com as definições do art. 14, inciso I, c/c art. 519, inciso I, do Ripi/02, a seguir transcritos, os fornecedores de aparas ou de papéis usados por estarem vendendo bens de produção são considerados comerciantes atacadistas: (...) 24. Entretanto e como já salientado no item 22, para que a consultante tenha direito ao crédito do imposto na forma do art. 165 do Ripi/02 não basta caracterizar o fornecedor como atacadista, é necessário, também, que ele seja nãocontribuinte do IPI, isto é, o fornecedor não poderá estar enquadrado nas hipóteses do art. 10 ou art. 11 do Ripi/02. Conclusão: 25. Diante do exposto e com base nos atos mencionados soluciono a consulta declarando que: 25.1 nas aquisições de aparas ou papéis usados, para serem utilizados na fabricação de papel reciclado, para que a consultante tenha direito ao crédito do IPI de que trata o art. 165 do Ripi/02 não basta que o fornecedor das aparas ou papéis usados seja caracterizado, de acordo com o Ripi/02, como comerciante atacadista; é ainda necessário que, na condição de atacadista, seja, também, nãocontribuinte do IPI. 25.2 as operações que consistem na produção de folhas de papel em bobinas, a partir da reciclagem de aparas ou papéis usados e na produção de caixas de papelão ou papelão ondulado, a partir de papéis reciclados, caracterizamse como industrialização, na modalidade de transformação, conforme definida no art. 4°, inciso I, do Ripi/02. Desta forma, as regras relativas ao valor tributável de produtos usados, constantes do art. 135 do Ripi/02, não podem ser adotadas naquelas operações, tendo em vista que tais regras aplicamse exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação e recondicionamento, definidas no art. 4°, inciso V, do Ripi/02. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 373 10 25.3 a questão de que trata o item 20 desta solução de consulta é ineficaz com base no art. 52, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Como muito visto, assiste razão à fiscalização quando afirma que “a Solução de Consulta se ateve apenas à condição do fornecedor e à questão da não aplicabilidade das regras relativas ao valor tributável (constantes do art. 135 do Ripi/02) ao caso exposto pelo contribuinte”, conforme pode ser observado pelo próprio texto da ementa. Este entendimento foi dado em resposta à terceira questão formulada pela Recorrente. Muito importante destacar que a consulta atevese, exclusivamente, à caracterização da condição do fornecedor, que além de comerciante atacadista deveria ser, também, não contribuinte do IPI. Este foi o objeto da resposta ao questionamento 3. Verificase, inclusive, quanto à segunda indagação formulada pela empresa, que foi destacado na Solução da Consulta o fato de o contribuinte fazer questionamentos genéricos, em tese, sem especificar uma situação concreta cujas dúvidas de interpretação deveriam ser dirimidas, verbis: 20.3 na indagação em exame, a consultante, apesar de citar os dispositivos legais relativos ao princípio da nãocumulatividade do imposto, não apresenta qualquer dispositivo da legislação do IPI que trate sobre a forma de crédito de IPI que apresenta e sobre o qual pairaria a sua dúvida. Na verdade, formula uma solicitação sobre a possibilidade de adotar um crédito presumido de IPI em que toma emprestado a alíquota do imposto incidente em operações anteriores. Em relação ao primeiro questionamento, no item 19 da Solução de Consulta há a informação expressa de que “não há mais o que se considerar pois, conforme evidenciado nos itens 12 a 17 retro, a interessada utilizou premissas incorretas para formular o seu questionamento”. Deste modo, a meu sentir, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005 não tratou especificamente da situação discutida nestes autos, ou seja, sobre a possibilidade da empresa creditarse do IPI em relação às aquisições de “resíduos de papel” (na versão da fiscalização), ou mesmo “aparas ou papeis usados” (na versão da Recorrente), não tributados pelo IPI (classificação TIPI 4707.90.00). O instituto da Consulta Fiscal não se presta a dirimir dúvida genérica, em tese, sobre a interpretação da legislação tributária. O sujeito passivo, ao formular consulta, deve informar qual o fato determinado sobre o qual incide a dúvida a ser objeto de interpretação por parte do Fisco. O alcance da Solução da Consulta restringese estritamente aos questionamentos formulados pela consulente. Em nenhum momento a Solução de Consulta autorizou o creditamento de insumos classificados como N/T – não tributados. Portanto, não orientou ao contribuinte que adotasse o entendimento no sentido de aproveitarse do crédito do IPI incidente nas aquisições de insumos não tributados por esse imposto. Ao que me parece, a consulente adotou como “premissa” que poderia se creditar de insumos classificados como não tributado – um “crédito presumido de IPI”, e tentou, a partir desta tese adotada, obter da Administração Tributária uma fórmula de apuração desses créditos (apresentando três possibilidades genéricas – vide item 8 do Relatório da Solução de Consulta). Muito embora a explicitação dos fundamentos legais adotados na Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 374 11 Solução de Consulta não esteja muito clara (devese admitir!), em sua conclusão não abarcou a tese defendida pelo contribuinte, qual seja, que poderia tomar crédito do IPI em relação às aquisições de “resíduos de papel” / “aparas ou papéis usados”, não tributados pelo IPI, utilizados no processo industrial da empresa para a fabricação de caixas de papel (classificação TIPI 4819.10.00). O item 25.1 da Solução de Consulta faz referência ao direito ao crédito apenas às “aquisições de aparas ou papéis usados, para serem utilizados na fabricação de papel reciclado”. No caso concreto em discussão, conforme explicitado no item 15, a industrialização realizadas pela consulente consiste em duas operações: (i) produção de matériasprimas a partir do processamento de aparas e papeis usados (reciclagem) e (ii) na produção de caixas de papelão e de papelão ondulado a partir de papeis reciclados. Portanto, não há como aplicar situação exposta Solução de Consulta ao caso em litígio. Devemos, ainda, levar em conta o alcance da resposta ao item 3 da consulta formulada (“Poderá creditar o IPI, calculado pelas mesmas alíquotas (15% e 5%) sobre 50% do valor das entradas, tendo em vista trataremse de aquisições feitas a comerciantes atacadistas não contribuintes desse imposto"). A resposta é clara e objetiva: para que o creditamento seja realizado, dentro das condições citadas no questionamento, as aquisições devem ser feitas de comerciantes atacadistas necessariamente não contribuintes, e apenas isso! Em momento algum afirmou que o contribuinte estaria autorizado a adotar procedimentos contrários à legislação em vigor. Entender de forma diversa seria acatar um raciocínio absurdo de que a resposta, ao não tratar da matéria (crédito de insumos NT), estaria autorizandoo. Ademais, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT Nº 43, de 25/02/2005 não poderia ter autorizado a operação pretendida pela Recorrente, como no meu entender não o fez, pois se assim o fizesse, estaria indo de encontro a dispositivos legais do nosso ordenamento jurídico, como se verá no tópico seguinte. Da impossibilidade do creditamento do IPI sobre insumos classificados como não tributáveis NT Pelo relato, vêse que a Recorrente está pleiteando o cancelamento do lançamento porque entende legítima a escrituração e o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos não tributados. Portanto, a solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se os estabelecimentos contribuintes de IPI têm direito de creditarse desse tributo referente à matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem não tributados pelo IPI. A controvérsia tem como “pano de fundo” a correta interpretação do princípio constitucional da nãocumulatividade do imposto. A sistemática da nãocumulatividade do IPI permite que o contribuinte compense o tributo destacado na nota fiscal de aquisição de insumos de fornecedores com aquele que for devido na operação seguinte, na saída do produto. Neste sentido dispõe a Carta Magna (art. 153, parágrafo 3º., inciso II) ao prescrever que o IPI “será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores” Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 375 12 O CTN, da mesma forma, em seu artigo 49 e parágrafo único, trata da não cumulatividade do IPI: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Essa é a regra trazida pelo art. 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;”. (grifo não constante do original) Como visto a Carta Magna, o CTN e os demais dispositivos da legislação foram categóricos ao prever a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado/pago nas anteriores. Assim, se não houve cobrança, uma vez que a operação de aquisição foi de insumos não tributados (N/T), não há o que se creditar, portanto, não há também que se falar em nãocumulatividade. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo lançado (na nota fiscal de aquisição de insumo) na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é imperativo ao garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança (nem lançamento na nota fiscal houve) do tributo na operação Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 376 13 de entrada de insumo, não há que falarse em direito a crédito, tampouco em não cumulatividade. É de notarse que a tributação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como “imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída) e não na denominada “base contra base” (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como parece pretender a Recorrente. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao princípio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de suspensão do imposto, de alíquota neutra (zero), de isenção ou de não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido nas diversas fases do processo produtivo. O crédito do IPI utilizado pela Recorrente, portanto, tratase de um valor fictício, presumido, posto que ele não existe de fato, repitase, não foi pago pelo contribuinte e nem cobrado pelo Fisco na operação anterior. Não houve ônus ao contribuinte na aquisição dos insumos. Não há lei específica que autorize o contribuinte utilizar os créditos originários da aquisição de insumos não tributados, para a hipótese tratada no caso em discussão. E mais, a Constituição Federal veda expressamente a concessão de crédito presumido, sem lei que autorize, conforme dicção do § 6o do art. 150, verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (negritei) Mais ainda, este Tribunal Administrativo já firmou entendimento de que a aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera crédito do IPI (o que, registrese, não é exatamente o mesmo que “não tributado”, mas prestase a corroborar a linha de entendimento), nos termos da Súmula nº 10, abaixo transcrita: SÚMULA nº 10 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. O entendimento proferido na decisão recorrida, mantida neste voto, está em perfeita harmonia com a decisão do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que, na sessão do dia 15/02/2007, negou provimento, por maioria, aos Recursos Extraordinários (REs) nºs Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10640.003707/200932 Acórdão n.º 3202000.717 S3C2T2 Fl. 377 14 370.682 e 353.657, decidindo pela impossibilidade de compensação de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. Concluindo o julgamento dos Recursos Extraordinários acima, em sessão plenária do dia 25/06/2007, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por dez votos a um, que a União poderá reaver o IPI das empresas que compensaram tributos com créditos de matériasprimas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. Transcrevese a ementa e trechos do voto constantes do RE nº 370.682/SC, cujo relator foi o Ministro Gilmar Mendes, sessão de 25/06/2007: Ementa: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. Voto:: Quanto à jurisprudência trazida à colação pela Recorrente, além de superada, não dá respaldo à autoridade administrativa divorciarse da vinculação legal e negar vigência a texto literal de lei, até porque não tem efeito vinculante. À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 16095.720294/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GFIP. DOCUMENTO PÚBLICO. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A empresa é obrigada, por força de lei, a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esse órgão, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA.
A Coisa Julgada Administrativa configura-se causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
RFFP. CABIMENTO.
A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90 será encaminhada ao Ministério Público, após proferida a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. DEDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO.
Na determinação dos valores de contribuição previdenciária a serem lançados de ofício, em razão do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Sujeito Passivo nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-002.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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GFIP. DOCUMENTO PÚBLICO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A empresa é obrigada, por força de lei, a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esse órgão, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configurase causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90 será encaminhada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 94 /2 01 2- 60 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ao Ministério Público, após proferida a decisão final na esfera administrativa sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. DEDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. Na determinação dos valores de contribuição previdenciária a serem lançados de ofício, em razão do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pelo Sujeito Passivo nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 Data da lavratura do AIOP: 18/09/2012. Data da Ciência do AIOP: 24/09/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campinas/SP que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.030.6101 e 51.030.6110, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 323 3 incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 47/53. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 51.023.6375, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. De acordo com a resenha fiscal, houvese por constatado que as GFIP referentes a todas as competências de 2008 a 2011 entregues pela Empresa informavam no campo “Opção pelo SIMPLES” o código “2”, declarandose assim ao Fisco Federal tratarse de Empresa optante pelo Simples Nacional, e dessa forma sujeitando, apenas, ao recolhimento das contribuições descontadas dos segurados, eximindose do recolhimento das contribuições patronais e para Outras Entidades e Fundos. Informa a Fiscalização que a Empresa protocolizou na ARF SUZANO, em 30/08/2011, requerimento almejando sua inclusão no sistema SIMPLES com data retroativa, ao argumento de haver sido desenquadrada indevidamente do referido Sistema simplificado. O pleito da Autuada resultou na constituição do eprocesso nº 13894.720831/201197. Em 13/02/2012, a Requerente tomou ciência do Despacho Decisório nº 08/2012 da DRF/GUA/SEORT, a fls. 62/65, que indeferiu seu pedido por intempestividade, não cabendo mais recurso administrativo. Aduz a Fiscalização que desde a data da ciência do despacho nº 08/2012, 13/02/2012, até o início do vertente procedimento fiscal, 01/08/2012, a Empresa teve tempo suficiente para retificar as GFIP dos exercícios de 2008 a 2011, onde poderia ter informado não ser optante pelo SIMPLES, mas não o fez. A base de cálculo das contribuições ora lançadas houveramse por apuradas diretamente das remunerações dos segurados empregados declarados nas GFIP entregues antes do início do procedimento fiscal. A empresa está sendo autuada também por infração ao disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, com redação da Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, por apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 87/103. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0539.766 – 9ª Turma da DRJ/CPS, a fls. 212/223, julgando procedente em parte o lançamento, para dele deduzir os valores já recolhidos pela empresa na sistemática do SIMPLES, recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/02/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 261. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 263/297, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que ignora a existência de qualquer ato administrativo indeferindo a sua opção pelo Simples ou excluindoa do Sistema Simplificado, emitido pela Administração tributária da Receita Federal ou de qualquer outro ente da Federação; · Que não houve a demonstração de máfé ou de dolo a justificar a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais. Ao fim, requer o cancelamento da exigência tributária, bem como dos processos de Representação Fiscal para Fins Penais e arrolamento de bens e direitos. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 28/02/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 28 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 324 5 Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do provimento parcial dos pedidos formulados pelo Impugnante dado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do Acórdão recorrido, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos a que se referem os pedidos contemplados pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA CONDIÇÃO DE OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL O Recorrente ignora a existência de qualquer ato administrativo indeferindo a sua opção pelo Simples ou excluindoa do Sistema Simplificado, emitido pela Administração tributária da Receita Federal ou de qualquer outro ente da Federação. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, mostrase alvissareiro trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 325 7 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração de Obrigação Principal um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. Vencidos tais prolegômenos, e doravante atendose às alegações recursais, se nos afigura que os argumentos exortados pelo Recorrente não merecem a guarida por ele pretendida. Compulsando os autos do Processo Administrativo Fiscal nº 13894.720831/201197, constatamos que a intimação da Empresa ora recorrente relativa ao Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional referente à solicitação de opção realizada em 18/07/2007 ocorreu após 15 dias contados do registro do aludido Termo, o qual se deu em 1º de outubro de 2007, Número de recibo 00.00.95.04.51, conforme previsto no art. 23, §2º, III, ‘b’ do Decreto 70.235/72, incluída pela Lei nº 11.196/2005. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) (...) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) (...) §2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) (...) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) Tal procedimento de intimação encontrase expressamente previsto nos artigos 29, §8º e 39, §4º da Lei Complementar nº 123/2006. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; III for oferecida resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicílio fiscal ou a qualquer outro local onde desenvolvam suas atividades ou se encontrem bens de sua propriedade; IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VI a empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; IX for constatado que durante o anocalendário o valor das despesas pagas supera em 20% (vinte por cento) o valor de ingressos de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade; X for constatado que durante o anocalendário o valor das aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização, ressalvadas hipóteses justificadas de aumento de estoque, for superior a 80% (oitenta por cento) dos ingressos Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 326 9 de recursos no mesmo período, excluído o ano de início de atividade. XI houver descumprimento da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 desta Lei Complementar; XII omitir da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. §2º O prazo de que trata o § 1º deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. §3º A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. §4o (REVOGADO); §5º A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. §6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu a exclusão. §7º Na hipótese do inciso I do caput deste artigo, a notificação de que trata o §6º deste artigo poderá ser feita por meio eletrônico, com prova de recebimento, sem prejuízo de adoção de outros meios de notificação, desde que previstos na legislação específica do respectivo ente federado que proceder à exclusão, cabendo ao Comitê Gestor disciplinála com observância dos requisitos de autenticidade, integridade e validade jurídica. (grifos nossos) §8º A notificação de que trata o §7º deste artigo aplicase ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (grifos nossos) Art. 39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. §1º O Município poderá, mediante convênio, transferir a atribuição de julgamento exclusivamente ao respectivo Estado em que se localiza. §2º No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades incluídas no campo de incidência do ICMS e do ISS e Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista nesta Lei Complementar, e a parcela autuada que não seja correspondente aos tributos e contribuições federais será rateada entre Estados e Municípios ou Distrito Federal. §3º Na hipótese referida no §2º deste artigo, o julgamento caberá ao Estado ou ao Distrito Federal. §4º Considerase feita a intimação após 15 (quinze) dias contados da data do registro da notificação eletrônica de que tratam os §§7º e 8º do art. 29 desta Lei Complementar. (grifos nossos) Não procede, portanto, alegação de que a “na época em que ocorreu o indeferimento não vigorava a ciência eletrônica”. A notificação eletrônica encontrava prevista na Lei Complementar nº 123/2006 desde a sua redação originária. Também não procede a alegação de que “o indeferimento de sua opção em 2007 não produziu nenhum efeito jurídico, por realizado em afronta ao artigo 39 da Lei Complementar 123/2006”. O Recorrente deveria ter lido o citado art. 39 até o seu parágrafo quarto, que prevê expressamente, a modalidade de intimação de indeferimento da opção pelo Simples Nacional por meio eletrônico, com prova de recebimento. In casu, tal intimação se deu em 16 de outubro de 2007, número de recibo 00.00.95.04.51. Conforme taxativamente consignado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional referente à solicitação de opção realizada em 18/07/2007, a pessoa jurídica dispunha do prazo de 30 dias contados da data de intimação acima referida para impugnar o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, dirigida ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento com jurisdição sobre o domicilio tributário do Contribuinte, e protocolizada em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Apesar de o procedimento de impugnação ao indeferimento de Opção pelo Simples Nacional restar claramente descrito no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, o Sujeito Passivo em tela somente se dispôs a apresentar tal impugnação em 30/08/2011, quase quatro anos após o exaurimento do prazo normativo, razão pela qual o pedido formulado pelo Contribuinte não foi apreciado, dada a sua intempestividade, conforme assentamento esclarecedor aviado no Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 08/2012, a fls. 62/63, do qual o Recorrente houvese por intimado em 13 de fevereiro de 2012, de acordo com Aviso de Recebimento a fl. 64. Tal constatação revela a carência de fundamento da alegação de que “o fato de não ter sido cientificado do indeferimento da opção prejudicou totalmente a pessoa jurídica, já que, não teve como apresentar defesa adequada contra o ato administrativo, tendo sido negado o seu ingresso posterior ao Simples, por supostamente enquadrado no artigo 17 da LC 123/2006”. (sic) Nessa prumada, na data de protocolização do requerimento almejando a inclusão no sistema SIMPLES com data retroativa, ao argumento de haver sido desenquadrada indevidamente do referido Sistema simplificado, a decisão proferida pela DRF/Guarulhos já havia se tornado definitiva no âmbito administrativo, não sendo mais cabível qualquer rediscussão sobre o mérito, eis que se encontrava permeada com o atributo da coisa julgada administrativa, à qual a Lex Excelsior ordenou respeito. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 327 11 “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, a coisa julgada figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Diante de tal cenário, configurandose o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional como decisão administrativa em relação à qual não cabe mais recurso nessa Instância, não comporta o presente Processo Administrativo Fiscal mais qualquer debate em torno da questão, em virtude da Coisa Julgada Administrativa, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, ao contrário do que afirma o Recorrente, este não se encontra amparado pelo sistema simplificado de tributação do Simples Nacional, devendo recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo na forma prevista na Lei de Custeio da Seguridade Social. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Pela mesma razão, ciente que estava, desde 16 de outubro de 2007, de que a sua opção pelo Simples Nacional houvera sido indeferida, o Recorrente não poderia declarar o código ‘2’ no campo “Opção pelo Simples” das GFIP. Daí a procedência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 78. Em reforço a tal compreensão, consulta realizada no site http://www8.receita.fazenda.gov.br/SIMPLESNACIONAL/aplicacoes.aspx?id=21 revela que a empresa em tela não figura, nem jamais figurou, como optante pelo Sistema Simplificado de tributação em relevo. Também o Recorrente não produziu qualquer prova de que, um dia, já estivera devidamente amparado pelo regime simplificado de tributação ora em realce. Tal condição de não optante é reconhecida pelo próprio Recorrente, conforme deflui de suas alegações, a fls. 270/271: “Segundo a consulta efetuada pelo relator da decisão recorrida, em 11/12/2012, espelhada às fls. 217 do processo, a situação da Recorrente consta até hoje, como tendo pendência fiscal com o município, impeditivo, até hoje, do seu ingresso no Simples Nacional. Isso decorrente ainda do ilegal indeferimento de sua opção, em 2007. Desde então o acesso da Recorrente ao Simples Nacional encontrase travada, com sérios prejuízos decorrentes desse ilegal e malfadado indeferimento da opção ao Simples, em 2007.” (sic) (os grifos constam no original) Tal excerto, extraído do próprio texto do Recurso Voluntário, demonstra de maneira inequívoca que o Recorrente tinha perfeita consciência de que não se encontrava amparado pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Nessa vertente, mesmo ciente de que o acesso ao Simples Nacional encontravase “travado” por problemas fiscais, com pendências com o município, o Recorrente não cuidou de resolver, primeiramente, tais empecilhos com o município em pauta para, a partir de então, reformular sua opção pelo Simples Nacional. Optou, por sua conta e risco, por se auto enquadrar como empresa optante do Simples Nacional, declarando tal condição nas GFIP referentes ao período de apuração, e recolhendo as contribuições previdenciárias ora exigidas na forma prevista na Lei Complementar nº 123/2006, mesmo ciente, desde 16 de outubro de 2007, de que a opção pelo Simples Nacional requerida em 18/07/2007 houvera sido indeferida. 2.2. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega que não houve a demonstração de máfé ou de dolo a justificar a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais. Sem razão. A fraude se manifesta, in casu, na ação premeditada tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a modificar as suas Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 328 13 características essenciais, mediante a volitiva e consciente declaração nas GFIP da condição de optante pelo Simples Nacional, mesmo sabedor de que tal pretensão houvera sido indeferida pelo órgão competente, com vistas a reduzir o montante do tributo devido. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Corrobora a compreensão acerca da existência de fraude o fato de o Recorrente alegar que a prestação de transportes intermunicipais e interestaduais de carga serem tributados na forma do anexo III da Lei Complementar nº 123/2006, o qual prevê a destinação de tributos referentes ao IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP e ISS, além da contribuição previdenciária. Ora, se a tributação do Simples Nacional na forma do anexo III já inclui a tributação relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, porque razão a empresa Recorrente, nos anos calendários de 2009 e 2010, foi tributada pelo lucro presumido ? Em outras palavras: Para o IRPJ a empresa se declara com optante pelo lucro presumido, não pelo Simples Nacional. Porém, em relação às contribuições previdenciárias, a empresa declara nas GFIP ser optante do Simples Nacional. Não ressobram dúvidas de que a Autuada, conscientemente, visou a induzir o Fisco Previdenciário a erro, mediante o artificio da declaração do código ‘2’ no campo “Opção pelo SIMPLES” das GFIP, de maneira divorciada da realidade dos fatos, eis que sabedora, desde 16/10/2007, de que a sua opção pelo Simples Nacional houvera sido indeferida, mas com aptidão para conferir uma sofismática aparência de legalidade aos recolhimentos efetuados de acordo com o Sistema Simplificado de Tributação ora em xeque, encobrindo, dessarte, as circunstâncias materiais de Fatos Jurígenos Tributários que implicariam a tributação de contribuições previdenciárias na forma prevista na Lei de Custeio da Seguridade Social, reduzindo com tal conduta, de maneira consciente e voluntariosa, o montante do tributo devido a título de contribuição patronal. Colimou a Autuada, mediante tal ardil, afastar das dependências da empresa em realce a Fiscalização Previdenciária, pela compreensão de que “empresa que aparentemente nada deve ao Fisco, por este não é fiscalizada in loco”. A consciência da Autuada de que não podia desfrutar dos benefícios do Simples Nacional se mostra às claras pelo fato de a empresa ter protocolizado, em 30/8/2011, petição formal requerendo “a inclusão no Sistema Simples, com data retroativa, devido à Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 mesma ter sido desenquadrada indevidamente”, circunstância que revela ser a empresa sabedora de que não se encontrava abraçada pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. A volição de suprimir tributo também pode ser apurada pelo fato de a empresa, mesmo tendo tomado ciência, em 13/02/2012, do Despacho Decisório nº 08/2012 da DRF/GUA/SEORT, que indeferiu seu pedido de inclusão no Simples Nacional, com data retroativa, até a data de início do vertente procedimento fiscal, 01/08/2012, não ter dado início a qualquer procedimento, o mínimo que fosse, tendente a retificar o campo “Opção pelo SIMPLES” das GFIP dos exercícios de 2008 a 2011, apostando na ineficiência da Fiscalização Previdenciária para apurar e constituir de oficio os créditos tributários de que é titular. Ao contrário ! Continuou o informando o código 2 no campo “Opção pelo Simples”. Nessa esteira, a ação volitiva e consciente perpetrada pela Autuada, por conferir aparente regularidade no recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, é tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como acerca das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Diante de tal quadro fático, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização nas dependências do sujeito passivo tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da natureza e das circunstâncias materiais de ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e da real condição de não optante pelo Simples da pessoa jurídica Contribuinte. A operação fraudulenta levada a efeito pela Autuada configurase, coloquialmente falando, como verdadeiro “estelionato tributário”, uma vez que tem por objetivo obter vantagem ilícita, consistente na redução indevida da tributação previdenciária, em prejuízo da Seguridade Social, induzindo o Fisco Federal em erro, mediante declaração de ser empresa optante do Simples Nacional, mesmo sabedora, desde 16/10/2007, de que sua opção pelo Sistema Simplificado em realce houvera sido indeferida pelo órgão competente. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude e da sonegação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Em reforço a tal assertiva, atentese que, em razão da prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, consistente na declaração do código ‘2’ no campo “Opção pelo Simples” das GFIP, sabedora de que não se subsumia a tal condição, a empresa reduziu o montante de contribuição previdenciária destinada ao custeio da Seguridade Social e suprimiu as contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, conduta essa que, em tese, configura crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º, I da Lei nº 8.137/91, motivando a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em autos apartados, representando ao órgão competente para a persecução criminal. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 329 15 II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Pena reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; III exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal; IV deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de desenvolvimento; V utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública. Pena detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. A insurgência do Recorrente em face da formalização da Representação Fiscal para Fins Penais não tem, portanto, fundamento. Atentese que o art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 330 17 omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF nº 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo), mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 331 19 nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. No caso presente, a Fiscalização apurou conduta comissiva que representa, em tese, crime contra a ordem tributária nos termos dos artigos 1º, I da Lei nº 8.137/90. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituem autos apartados que permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não se consubstancia em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 (...) §3º Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo dos Autos de Infração em litígio, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. Quanto à lavratura do Termo de Arrolamento de Bens pela Fiscalização, há que se considerar que tal atribuição decorre diretamente de determinação contida na legislação tributária, não possuindo este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais competência para sindicar a conveniência e oportunidade da lavratura de tal Termo, mas, tão somente, para julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 3. DO RECURSO DE OFÍCIO. O Órgão Julgador de 1ª Instância, ao verificar que a autoridade fiscal não houvera deduzido do crédito tributário ora lançado os valores correspondentes à contribuição previdenciária contidos nos recolhimentos efetuados pelo Sujeito Passivo na sistemática do Simples Nacional, procedeu à dedução de tais montantes, na forma exposta nas planilhas demonstrativas a fls. 220/221 dos autos, e recorreu de ofício de sua decisão. Não merece reparo, todavia, o provimento levado a efeito pela DRJ/CPS, uma vez que se houve por realizado em conformidade com o entendimento adotado por este Conselho Administrativo, devidamente resumido no verbete da Súmula 76 do CARF, motivo pelo qual se nega provimento ao Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.720294/201260 Acórdão n.º 2302002.746 S2C3T2 Fl. 332 21 Arlindo da Costa e Silva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.922967/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado.
Numero da decisão: 3301-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2005 COOPERATIVA. SUJEIÇÃO. FOLHA DE SALÁRIOS/FATURAMENTO. As sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A repetição/compensação de indébito tributário está condicionada a certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a diligência proposta pelo conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Geraldo Mascarenhas L. C. Diniz, OAB/MG 68.816. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 29 67 /2 01 1- 57 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ Belo Horizonte que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal de IRPJ, vencido na data de 30/11/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 07/12, transmitida na data de 18/08/2008, com crédito financeiro decorrente de pagamento da contribuição para o PIS referente à competência de janeiro de 2005, recolhida em 15/02/2005. A DRF em Belo Horizonte, MG, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que o crédito financeiro declarado foi utilizado integralmente para a extinção do débito declarado na respectiva DCTF, não gerando saldo algum passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 05. Cientificada da decisão da DRF, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fl. 02/04), insistindo na homologação da compensação declarada, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0238.069, datado de 20/03/2012, às fls. 63/67, sob a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.922967/201157 Acórdão n.º 3301001.958 S3C3T1 Fl. 172 3 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que falar de crédito passível de compensação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 74/96), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação declarada, alegando, em síntese, que o crédito financeiro utilizado decorreu de pagamento indevido da contribuição para o PIS, apurada sobre a folha de salários de janeiro de 2005 e recolhida em 15 de fevereiro do mesmo ano. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: I – Dos Fatos; II – Do Afastamento da Exigência do PIS Folha pela Receita Federal – Efeito Vinculante da Solução de Consulta Nº 412/2004; e, III – A Ilegalidade da Exigência Concomitante do PIS Folha/Faturamento e a Ausência de Dedução das Rubricas Previstas no Decreto 4.524/02 pela Recorrente, concluindo, ao final, que na decisão proferida na Solução de Consulta nº 412, de 15/12/2004, efetuada por ela, a Receita Federal reconheceu a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários e a exigência do PIS concomitantemente sobre a folha de salários e sobre o faturamento é ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A compensação de crédito financeiro contra a fazenda nacional com débito fiscal vencido está prevista na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...].” No presente caso, a recorrente declarou crédito financeiro decorrente de pagamento, a título de PIS, apurado sobre a folha mensal de salários, referente à competência de janeiro de 2005, no valor de R$2.082,56, efetuado por meio de darf, de mesmo valor, recolhido em 15/02/2005, visando à compensação de débito do IRPJ, no valor de R$2.082,56, vencido em 30/11/2005. Contudo, fazendose o encontro de contas entre o valor do débito do PIS declarado na respectiva DCTF e o valor recolhido, nenhum indébito foi apurado. Na DCTF, a recorrente declarou para o mês de janeiro de 2005: a) débito de PIS, no valor de R$2.082,56; e, b) pagamento, via darf, vinculado àquele débito, no mesmo valor. Assim, nenhum indébito foi apurado. Em seu recurso voluntário, alegou que o valor de R$2.082,56 se refere ao PIS apurado e pago sobre a folha mensal de salários. No entanto, posteriormente, efetuou consulta à Receita Federal sobre a incidência dessa contribuição sobre sua folha de salários. Em resposta, a sua consulta, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 412, de 15/12/2004, teria reconhecido a não incidência dessa contribuição sobre sua folha mensal de salários. Assim, aquele valor teria sido apurado e pago indevidamente, constituindose indébito tributário passível de repetição/compensação. Ao contrário do entendimento da recorrente, do exame da referida solução de consulta, cópia às fls. 100/107, verificamos que a aquela Superintendência não reconheceu a isenção nem a não incidência do PIS sobre sua folha mensal de salários, assim concluindo: “CONCLUSÃO 17. À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.” Do exame do Estatuto Social, cópia às fls. 133/169, verificamos que a recorrente é uma sociedade cooperativa de responsabilidade limitada, constituída nos termos da Lei nº 5.764, de 1971, e tem como objeto social a prestação de serviços as suas federadas, cooperativas filiadas. A legislação vigente no período do fato gerador, objeto do pretenso indébito reclamado, Lei nº 9.715, de 25/11/1998, previa a incidência do PIS sobre a folha mensal de salários das sociedades cooperativas e também sobre o faturamento mensal, assim dispondo: “Art. 1º Esta Lei dispõe sobre as contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP, de que tratam o art. 239 da Constituição e as Leis Complementares no 7, de 7 de setembro de 1970, e no 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.922967/201157 Acórdão n.º 3301001.958 S3C3T1 Fl. 173 5 I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...]; § 1º As sociedades cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, pagarão, também, a contribuição calculada na forma do inciso I, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados. Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.” Ora, segundo este diploma legal, a recorrente, no período objeto do indébito reclamado, estava sujeita à contribuição para o PIS sobre sua folha mensal de salários e também sobre o faturamento mensal, com as exclusões da base de cálculo, previstas em lei. Assim, a contribuição apurada e paga sobre a folha de salários de janeiro de 2005 e recolhida em 15 de fevereiro do mesmo ano era devida e não constitui indébito tributário. Quanto à suscitada ilegalidade da exigência do PIS sobre a folha mensal de salários e sobre o faturamento decorrente de operações com não associados, conforme demonstrado anteriormente, tal exigência está fundamentada na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é incerto e ilíquido, ou seja, ao contrário do entendimento da recorrente, a contribuição para o PIS, apurada e paga sobre a folha de salário de janeiro de 2005, era devida por ela e não constitui indébito tributário passível de restituição/compensação. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12897.000201/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
CSLL. TRIBUTAÇÃO RECORRENTE .
Aplica-se à autuação tida como decorrente o resultado do julgamento no processo que lhe deu origem.
Numero da decisão: 1402-001.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento.Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN/SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CSLL. TRIBUTAÇÃO RECORRENTE . Aplicase à autuação tida como decorrente o resultado do julgamento no processo que lhe deu origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento.Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 02 01 /2 00 9- 95 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2004 no valor de R$ 926.046,13 e R$ 333.376,59; respectivamente, incluindo juros de mora e multa de ofício aplicada no percentual de 75%. A autuação decorreu de ajuste de preços de transferência relativamente a alguns insumos adquiridos pelo sujeito passivo junto a pessoas ligadas domiciliadas no exterior e utilizados na produção de bens comercializados no país. A autoridade lançadora utilizou o método PRL60 tendo como base a Lei 9.430/96 e a Instrução Normativa (IN) SRF nº 243/2002. O sujeito passivo apresentou impugnação onde preliminarmente faz um histórico da legislação que rege a matéria. A seguir, questiona a metodologia estabelecida na IN que implicaria em aumento da carga tributária e suscita a ilegalidade desse instrumento normativo que teria extrapolado os limite estabelecidos na Lei nº 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1233.695 (sessão de 14/10/2010) considerando improcedente a impugnação. No entendimento do Órgão julgador não caberia à esfera administrativa analisar qualquer aspecto de validade da IN/SRF nº 243/2002 sendo, portanto, totalmente legítima a utilização na apuração dos preços de transferência pelo método PRL60. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este colegiado repisando os argumentos utilizados na peça impugnatória e acrecentando a necessidade de controle da legalidade dos atos administrativos pela autoridade . É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo e foi apresentado por signatário legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 4 5 PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando em aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo com base na revogada IN SRF 32/2001, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Fl. 430DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 5 7 Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, em ajuste maior. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 6 9 No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000201/200995 Acórdão n.º 1402001.446 S1C4T2 Fl. 7 11 bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/09 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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