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Numero do processo: 11030.904413/2012-76
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 13 /2 01 2- 76 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904413/201276 Acórdão n.º 3801003.227 S3TE01 Fl. 91 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904413/201276 Acórdão n.º 3801003.227 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 31/12/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904413/201276 Acórdão n.º 3801003.227 S3TE01 Fl. 93 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904413/201276 Acórdão n.º 3801003.227 S3TE01 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904413/201276 Acórdão n.º 3801003.227 S3TE01 Fl. 95 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904413/201276 Acórdão n.º 3801003.227 S3TE01 Fl. 96 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 11634.720700/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 07 00 /2 01 1- 45 Fl. 6442DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 6443DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.720700/201145 Acórdão n.º 2202002.616 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 59225948) resultante de ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0910200/00023/10 para verificação das obrigações pertinentes ao IRPF nos anos calendário de 2006 e 2007, exigindo se R$ 5.447.489,74 de imposto, além de multa de R$ 4.085.617,29 e juros de mora de R$ 2.075.530,08, totalizando R$ 11.608.637,11, em virtude da omissão de rendimentos da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte ofereceu à tributação, no ano calendário de 2006 e 2007, resultado tributável da atividade rural nos valores de R$ 37.937,43 e R$ 43.737,37, respectivamente. Em janeiro/2010, o sujeito passivo foi cientificado do início da ação fiscal e, em atendimento às diversas intimações, apresentou, no curso da fiscalização, livros caixa da atividade rural, extratos bancários, demonstrativos de dívidas, cópias de correspondências encaminhadas a frigoríficos e informou, entre outros esclarecimentos, que havia pequena parceria com frigoríficos, porém, o contrato de parceria era verbal e que, esporadicamente, comercializava suínos para frigoríficos e pessoas físicas, recebendo, a título de comissões acertadas verbalmente, de 1 a 1,5% sobre as vendas (fl. 2770). Da análise dos documentos e esclarecimentos apresentados, decidiu então, a autoridade fiscal, por intimar os frigoríficos a fim de buscar informações e documentos que comprovassem as operações de compra e venda de suínos alegadas pelo contribuinte. De posse dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte, respostas dos frigoríficos e declarações de ajuste anual, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) Omissão de receita de venda não escriturada, realizada em dezembro/2006, no valor de R$ 8.600,00, conforme Nota Fiscal de fl. 2917 apresentada pelo contribuinte para justificar depósitos em uma de suas contas bancárias; b) Omissão de rendimentos auferidos, conforme disposição do art. 42 da Lei 9430/19961, nos valores de R$ 4.576.791,71 em 2006 e R$ 15.232.261,86 em 2007 (fls. 5941/5942), assim entendidos porque, segundo a fiscalização, não teria o contribuinte logrado êxito na comprovação da origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, conforme disposto no parágrafo 2.2.6 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 5936 e 5937. Regularmente cientificado do lançamento (fl. 6006), o interessado apresentou impugnação (fls. 60606083),alegando que: a) É atribuição da autoridade administrativa verificar a real ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e determinar a matéria tributável, pois “o lançamento se constitui em instrumento de averiguação de fatos tendo o sentido de identificar matéria de interesse à tributação”, porém, o ato administrativo combatido “ofende seus pressupostos ao inferir Fl. 6444DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 situação que reputa própria de Imposto sobre a Renda que, em verdade, a ele não se afeiçoa”; b) O ato administrativo afastase “das balizas da neutralidade e atochase exigência exagerada, eis que desmedida, muito superior ao razoável, fruto de presunção e manifestamente confiscatória”; c) A Fiscalização ignora o regime adotado pelo impugnante para a procedimento adotado em face da dualidade ou multiplicidade de entendimento pois, ao proceder a soma do valor da Nota Fiscal de Produtor à exigência decorrente dos valores dos extratos bancários, a Fiscalização desprezou a natureza deste recurso em “absoluto desvio do regramento positivo vigente e em total afronta ao princípio da legalidade” pois desconsiderou o disposto no art. 18 da Lei 9250/1995; d) Ao admitir a Nota Fiscal de Produtor como prova do fato gerador e desconsiderar a natureza de atividade rural do rendimento, a Fiscalização acabou por adotar o princípio da divisibilidade da prova, ou seja, diante de um conjunto de fatos que se comunicam, acatou o que lhe seria benéfico e recusou o que lhe seria contrário, tal conduta é inadmissível no plano do direito positivo, uma vez que a prova, no caso a Nota Fiscal no valor de R$ 8.600,00, faz parte de um contexto indissociável e a contabilidade do contribuinte, conhecida do Fisco, não pode ser desconsiderada; e) O impugnante protesta pela apresentação de sua contabilidade a fim de evidenciar que a base de cálculo apurada pela Fiscalização não pode ser admitida e, caso não seja possível, que seja considerado o critério de arbitramento previsto na legislação: base de cálculo do IR seria 25% da receita bruta; f) Ressalta ainda que está presente no valor comercial da produção rural a contribuição social sobre o valor mercantil do produto e este deve ser sumariamente excluído da incidência do IR pois se trata de valor que, na composição do preço do produto rural, tem destinação certa e préestabelecida; g) Protesta pela produção de provas no sentido de demonstrar que os elementos compulsados e adotados no lançamento são frágeis e pecam pela inserção de elementos estranhos a espécie que se cuida, e, subsidiariamente, protesta pela produção de razões complementares e requer produção de prova pericial, oferecendo como assistente o Sr. Luiz Carlos Kampf, CRC nº 4293/06; h) A providência administrativa mostrase despropositada diante da dualidade de tratamento, uma vez que o impugnante sofreu, para outro exercício, sujeição de exigência de crédito tributário na modalidade de pessoa jurídica, inscrito ex officio (CNPJ 12.824.442/000131), com base em mesma natureza, ou seja, depósitos e créditos em conta corrente bancária e, ao aplicar para alguns valores a regra de tributação na pessoa física e em outros a de atividade econômica habitual na pessoa jurídica, a fiscalização constituiu crédito tributário manifestamente exagerado e indevido; i) A medida fiscal é insegura, pois o Auto de Infração está sustentado em infundada presunção e, conforme entendimentos Fl. 6445DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.720700/201145 Acórdão n.º 2202002.616 S2C2T2 Fl. 4 5 doutrinários e jurisprudenciais, “o simples indício de créditos ou depósitos em conta corrente não são suficiente para a atribuição de omissão de receitas: a1) porque é indispensável examinar a natureza específica dos mesmos; e a2) exige comprovação da receita consumida com a variação patrimonial, em face da aquisição disponibilidade econômica de renda ou de proventos, sendo indispensável à constituição incontroversa do nexo causal entre o depósito (crédito) e o fato que represente omissão de rendimentos”; j) O impugnante exerce, afora a atividade de pequeno produtor rural, operações de intermediação nas operações de compra e venda de suínos entre produtores e frigoríficos/abatedouros percebendo comissão de 1 e 1,5% sobre tais operações e, no relatório da fiscalização, está devidamente conformado o elemento de ligação entre o impugnante e os depósitos realizados pelas empresas que recebem os animais para abate; k) Protesta, novamente, “pela produção de todas as provas para a dissecação da natureza dos depósitos e evidenciação de que o I. não esposa variação patrimonial, consectária da disponibilidade econômica de renda ou proventos”, bem como “produção de prova pericial, com a assistência do mesmo profissional, antes nominado”; l) A multa aplicada é ilegal, abusiva e fere o princípio do não confisco; m) É inadmissível a atualização do valor das operações que serviram de base de cálculo da multa, devendo ter como “marco inicial a diligência fazendária dentro do conceito da atividade vinculada que é o lançamento”. l). Conclui requerendo cancelamento da medida fiscal e, novamente, solicitando produção de razões adicionais e de prova pericial. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. OCORRÊNCIA. Provado nos autos que o contribuinte auferiu rendimento em decorrência do exercício da atividade rural e não o ofereceu à tributação, na forma da lei, procedese, de ofício, ao respectivo lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 6446DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Estabelecida a presunção legal de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada, o ônus da prova é do contribuinte, cabendo a ele produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação constitucional ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação. JUROS DE MORA. DIRPF. TERMO INICIAL. O termo inicial para fluência dos juros sobre o imposto de renda sujeito ao ajuste anual ocorre após o término do prazo estabelecido para a entrega da declaração de rendimentos. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de perícia destinase à formação da convicção do julgador quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Do vício do lançamento da omissão de rendimentos da atividade rural; Da omissão de rendimentos resultante de depósitos bancários sem comprovação de origem; Da natureza da atividade como intermediação de negócios. É o relatório. Fl. 6447DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.720700/201145 Acórdão n.º 2202002.616 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Omissão de Rendimento da Atividade Rural No que toca a omissão de R$ 8.600,00, conforme já apontado pela autoridade recorrida, o contribuinte, a fim de comprovar entrada de recursos em uma de suas contas bancárias, apresentou à fiscalização a Nota Fiscal de Produtor de fl. 2917. Como esta receita não estava escriturada no Livro Caixa, a autoridade fiscal lançou o valor como omissão de rendimentos (fl. 5941). Não vejo qualquer irregularidade nessa parte do lançamento. Objetivamente o recorrente omitiu esse rendimento, e não há como afastálo da tributação. Nesse contexto, não constato qualquer reparo a ser realizado na decisão de primeira instância. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Fl. 6448DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez, sobre a sua atividade de intermediação: 40. O impugnante alega ainda que, no relatório da fiscalização, está devidamente conformado o elemento de ligação entre o impugnante e os depósitos realizados pelas empresas que recebem os animais quando do exercício de sua atividade de intermediação entre produtores e abatedouros. 41. Conforme se observa no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 5922 a 5938), foram colhidas informações dos diversos frigoríficos, indicados nos documentos entregues pelo próprio contribuinte, que, resumidamente, assim se manifestaram quando questionados sobre a atuação do impugnante como intermediário: a) Frigorífico Angelelli – “(...) os pagamentos foram efetuados diretamente aos produtores ou seus representantes. Nessas operações não aparece o nome do Sr. APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, ficando impossível de confirmar se ele atuou como intermediário (...)”; b) Frigorífico Raja – encaminhou documentos relativos somente às aquisições efetuadas do impugnante; c) Frigorífico Suzano – “(...) temos contado com pessoas físicas que fazem “intermediação de negócios” visando otimizar tais operações. No presente caso, é o Sr. APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, (...) que além de fornecer os suínos como produtor (...) é também a pessoa que tem atuado como intermediário entre vários produtores e a nossa empresa.” Informa que efetuou transferências bancárias para a conta do impugnante e que os valores creditados nem sempre são coincidentes com os valores Fl. 6449DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11634.720700/201145 Acórdão n.º 2202002.616 S2C2T2 Fl. 6 9 das notas fiscais emitidas, uma vez que os recursos eram transferidos de maneira global, já incluindo o valor da comissão de intermediação; d) Jorge Antonio Basso Com. De Carnes – “O Senhor APARECIDO DOMINGUES DOS SANTOS, (...) atuou como comprador de suínos para a empresa, onde intermediava negócios entre a empresa e produtores.” Informa que os pagamentos das comissões (acertadas em acordo verbal) eram feitos em espécie e os recibos eram cópias das notas fiscais utilizadas para o cálculo da comissão. 42. Da análise das informações acima consignadas, extraise que, em que pese algumas empresas confirmarem a atividade do contribuinte como intermediário, não há provas demonstrando correlação dos depósitos considerados não comprovados com as supostas operações de intermediação realizadas pelo impugnante, sendo que o elemento de ligação alegado pelo impugnante não se encontra consubstanciado nos autos. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade de intermediário, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Das Provas Apresentadas Com o recurso o recorrente traz novos elementos, principalmente declarações onde procura demonstrar sua atividade de intermediária. Entendo que a referidas declarações não se constituem em elemento probante consistente, persiste a dúvida e a incerteza. Declarações produzidas tem valor probante questionável. O mais importante seria a produção de provas documentais da operações alegadas. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; Fl. 6450DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Multa Aplicada Consoante relatado no Termo de Descrição dos Fatos não foi aplicada multa qualificada, de modo que não procedem os argumentos do recorrente quanto a sua invalidade. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 6451DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011911/2004-27
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
Peça de Defesa Intempestiva. Não Instauração de Litígio.
Impugnação intempestiva não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra a decisão da autoridade julgadora a quo que não conheceu da peça de defesa.
Numero da decisão: 1801-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por não ter sido instaurado o contencioso administrativo fiscal, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 Peça de Defesa Intempestiva. Não Instauração de Litígio. Impugnação intempestiva não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra a decisão da autoridade julgadora a quo que não conheceu da peça de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por não ter sido instaurado o contencioso administrativo fiscal, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
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NÃO INSTAURAÇÃO DE LITÍGIO. Impugnação intempestiva não tem o condão de instaurar o contencioso administrativo, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto contra a decisão da autoridade julgadora “a quo” que não conheceu da peça de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por não ter sido instaurado o contencioso administrativo fiscal, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação apresentada contra auto de infração que exige multa por atraso na entrega de Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, por considerar a peça intempestiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 19 11 /2 00 4- 27 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 Contra a contribuinte foi lavrado auto de infração para exigir multa, no valor mínimo de R$ 200,00, em decorrência da entrega em atraso em 05/03/2002 de DSPJ do ano calendário 1998 – exercício 1999 – que teve por prazo final de apresentação a data de 30/09/1999. Cientificada da exigência, em 25/10/2004, apresentou a contribuinte impugnação em 02/12/2004. Alegou que tem a denominação social de CLINICA VÂNIA LÍGIA ARRUDA DE ARAÚJO S/C LTDA, cadastrada no CNPJ sob o n º 02.661.408/0001 30, tendo por endereço a Rua Ana Camelo e Silva, 163 – apto 01 – Boa Viagem, em Recife / Pernambuco e que o auto de infração foi lavrado contra empresa de mesma denominação, mas cadastrada sob o CNPJ n º 02.661.335/000186 e sem domicilio informado. Aduz que o CNPJ n º 02.661.335/000186 teria sido criado por equívoco pela RFB e, nessas condições, não poderia ser penalizada por erro cometido pelo órgão. No intuito de provar suas alegações apresentou os seguintes documentos: Espelho do CNPJ 02.661.408/000186, da empresa juridicamente constituída não objeto da Lide; Contrato social e Alterações da Empresa CNPJ n º 02.661.408/000186, devidamente registrados no 1o. o Cartório de Títulos e Documentos. Espelho do CNPJ n° 02.661.335/000186, pelo próprio fato, não constituída na forma da lei. A DRJ em Recife/PE, amparada pelos artigos 14 e 15 do Decretolei n º 70.235, de 1972 e no Ato Declaratório Normativo CST n º 15, de 12/07/1996, considerou a impugnação intempestiva e não conheceu das razões meritórias. Notificada da decisão, em 04/07/2011, apresentou a interessada em 26/07/2011, recurso voluntário no qual, além de reproduzir as mesmas razões de defesa deduzidas na impugnação, aduz que seriam inaplicáveis ao caso, os artigos 14 e 15 do Decreto lei n º 70.235, de 1972 e o Ato Declaratório Normativo CST n º 15, de 12/07/1996, visto que o CNPJ n º 02.661.335/000186, teria sido criado por equívoco pela RFB. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Mas não deve ser conhecido. Isto porque sequer houve instauração de litígio a ser apreciado por este órgão de julgamento. É inconteste que a interessada perdeu o prazo para a apresentação tempestiva de impugnação. A cópia do AR à fl. 11 prova que a empresa foi cientificada do auto de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 19647.011911/200427 Acórdão n.º 1801001.951 S1TE01 Fl. 3 3 infração em 25/10/2004. Assim, o prazo de 30 dias passou a correr do dia 26/10/2004, uma terçafeira, tendose esgotado em 24/11/2004, uma quartafeira. A impugnação protocolizada no dia 02/12/2004, quintafeira, é, portanto, intempestiva. A peça de defesa, protocolizada intempestivamente, não instaurou litígio, razão pela qual o recurso voluntário interposto não deve ser conhecido. Este é o meu voto. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora . Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730280/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF NO. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-002.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido de votar.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO- Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF NO. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes declarou-se impedido de votar. WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO- Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF NO. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Alexandre Gomes declarouse impedido de votar. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 29/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 02 80 /2 01 1- 43 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado auto de infração (fls. 02/17), referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 155.566.679,56, constituído de imposto e juros de mora calculados até 30/11/2011, concernente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2010. De acordo com o que consta do referido auto de infração e do termo de informação fiscal de fls. 18/29, o estabelecimento utilizouse indevidamente de créditos oriundos do extinto créditoprêmio de IPI – BEFIEX, amparado pela Ação Ordinária nº 1992.00.166610. Segundo relato fiscal, o contribuinte pleiteou na justiça o referido crédito de IPI, tendo obtido decisão favorável que reconheceu o direito ao créditoprêmio no período de 14/07/1988 a 13/07/1998. Todavia, a União entrou com ação rescisória que, tendo sido julgada improcedente, motivou a Fazenda Nacional a interpor o Agravo de Instrumento nº 2009.01000176473 (tramitando junto ao TRF da 1ª Região), pleiteando que seja decretada a nulidade da decisão ou, ao menos, reconhecido o direito limitado ao período de 14/07/1988 a 05/10/1990. Face a incerteza em relação aos valores ainda discutidos judicialmente e objetivando a prevenção da decadência dos créditos tributários, a fiscalização procedeu à glosa dos créditos utilizados e formalizou o presente lançamento de ofício, sem aplicação de multa e com exigibilidade suspensa, em virtude da decisão judicial favorável ao contribuinte. Regularmente cientificado do lançamento, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 389/409, apresentando, em síntese, as seguintes considerações: a) Aduz que o lançamento não merece prosperar, posto que agiu sob o amparo de decisão judicial que lhe garante o direito ao crédito de IPI utilizado. b) Defende o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado da ação judicial (Ação Ordinária nº 1992.00.166610). Fl. 892DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10480.730280/201143 Acórdão n.º 3302002.148 S3C3T2 Fl. 3 3 c) Discorre sobre as origens do créditoprêmio e do programa BEFIEX e traça panorama a respeito das normas legais e ações judiciais que lhes são pertinentes. d) Sustenta a improcedência do lançamento, em vista de existir decisão judicial definitiva (coisa julgada) reconhecendo os créditos questionados. e) Contesta a aplicação da taxa SELIC, no cálculo dos juros moratórios, alegando que a sua utilização viola os arts. 5º, II, e 150, I, da CF/88. Para reforçar sua tese, transcreve ementa de julgado do STJ (REsp. nº 215.881/PR). Por fim, requer que seja sobrestado o auto de infração combatido, ou, alternativamente, reconhecida a improcedência do lançamento, ou ainda, afastada a aplicação da taxa SELIC.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação e manter integralmente o crédito tributário lançado de ofício. Intimada do acórdão supra, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 24/08/2012. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Conforme exposto, a Recorrente distribuiu ação ordinária nº 92.00166610, visando o reconhecimento de seu direito aos créditosprêmio de IPI, no período de 1988 a 1998. Devidamente processado o feito, sobreveio decisão julgando procedente seu pedido, a qual, após diversos recursos interpostos pelas partes, transitou em julgado, em favor da Recorrente, em 16.12.1996. Em face dessa decisão a Fazenda Nacional, distribuiu ação rescisória nº 1998.01.00.096216, a qual, após todo trâmite processual transitou em julgado em 09.12.2005, em desfavor da Fazenda Nacional. Pois bem, iniciada a fase de liquidação de sentença, apresentados os cálculos pela Recorrente, bem como perícia apresentada pelo perito judicial, foi proferida sentença homologando o laudo pericial. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Inconformada com essa decisão, a Fazenda Nacional, após a oposição de embargos de declaração, os quais restaram rejeitados, interpôs Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0176473, que foi julgado improcedente em 10.02.2012. Diante disso, após a rejeição dos embargos de declaração opostos pela União, em 21.06.2012, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial e recurso extraordinário, os quais pendem de apreciação. Feitas essas explicações iniciais, passo a análise de preliminar de conhecimento. No que concerne à possibilidade de apreciação, claro está da análise dos autos que eventual decisão aqui ser proferida, estaria intimamente ligada àquela a ser prolatada na esfera judicial, razão pela qual entendo que há concomitância entre os respectivos objetos, impedindo esse colegiado em apreciálo ao arrepio do Poder Judiciário, não devendo, como é a regra, tal lançamento ser objeto de cobrança até que decidido o mérito da Ação Judicial. Por esse motivo, voto por desconhecer do presente Recurso Voluntário, aplicando a Súmula CARF no.1, que determina importar renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 894DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905876/2011-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 76 /2 01 1- 95 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905876/201195 Acórdão n.º 3803006.038 S3TE03 Fl. 163 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 63.294,86. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905876/201195 Acórdão n.º 3803006.038 S3TE03 Fl. 164 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905876/201195 Acórdão n.º 3803006.038 S3TE03 Fl. 165 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905876/201195 Acórdão n.º 3803006.038 S3TE03 Fl. 166 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11968.000762/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/09/2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação.
Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração.
PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES
Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar.
FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA.
A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classifica-se no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado.
Numero da decisão: 3302-002.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 06/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/09/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classifica-se no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 06/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo forti ficada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 07 62 /2 00 7- 89 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 06/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Recife: Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica NAP ALIMENTOS LTDA, onde é formalizada a exigência de Imposto de Importação, PIS e Cofins incidentes na importação, acrescidos de juros e multa proporcional a tais tributos, além das multas por violação ao controle administrativo das importações e pela classificação da mercadoria em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a importação de 180 toneladas do produto denominado "mistura para elaboração de macarrão, marca LETIZIA", classificandoo no item 1901.90.90 da NCM, próprio para outras preparações alimentícias de farinha, ao invés do item 1101.00.10, próprio para farinha de trigo. 0 suporte fático para tal reclassificação teria sido extraído do laudo técnico de análise n° 2712/20061 1, expedido pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade L.A. Falcão Bauer, onde foi consignada a conclusão de que o produto importado tratarseia de farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal). Informa ainda a autoridade fiscal que, após a ação fiscal, o importador passou a classificar produtos idênticos ao que é objeto do presente processo no código 1101.00.10. Regularmente cientificado em 24/07/2007, comparece o contribuinte ao processo em 09/08/2007, alegando,, em síntese: 1 Nulidade do auto de infração em razão de: 1.1 Violação ao principio da ampla defesa e do contraditório, em razão de não lhe ter sido concedido prazo para manifestação acerca do laudo técnico que deu respaldo as Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000762/200789 Acórdão n.º 3302002.289 S3C3T2 Fl. 336 3 conclusões da autoridade previamente a autuação. Alega que tal conduta teria impedido seu acesso as amostras colhidas e lacradas pelo Fisco para fins de produção de contraprova, sem todavia, apresentar qualquer documento que ateste a formulação de petição e seu indeferimento. Cita jurisprudência em que assenta suas conclusões a respeito da violação ao principio da ampla defesa e contraditório; 1.2 Violação ao principio da verdade material, em razão de que a autoridade fiscal se limitara a imputar valores com base em presunção, sem observar laudo anteriormente obtido a partir de solicitação de outra unidade administrativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), onde seriam apresentadas conclusões diversas das assentadas pelo laudo que respaldou a autuação. 2 Imprestabilidade do laudo técnico 2.1 — Sustenta que seria inadmissível que a impugnante não conhecesse seu processo produtivo e utilizasse produto sem saber da sua composição; 2.2 — Aduz que a importação alvo de exigência não seria a primeira realizada pela impugnante, que já teria adquirido o mesmo produto do mesmo fornecedor em outras oportunidades, reiterando que laudo anterior, elaborado por engenheiro vinculado a Universidade Federal de Pernambuco, demonstrara que, diferentemente do alegado, tratarseia de uma mistura, aditivada de outros componentes. Junta cópia4 . 3 Necessidade de nova perícia: 3.1 Na hipótese de não serem adotadas as conclusões do laudo técnico que entende contradizer aquele apresentado pela autoridade fiscal, pleiteia a realização de uma segunda perícia. Indica quesitos e assistente. Posteriormente, após o encerramento do prazo de impugnação, traz ao processo nova petição onde pleiteia a nulidade do auto de infração, nos termos do Acórdão 0811.266, onde a 2 Turma da DRJ Fortaleza decidiu anular de oficio auto de infração aparentemente idêntico ao que se debate no presente processo. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar improcedente a defesa, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/09/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE ANTECEDE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Só se discute cerceamento do direito de defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido. Ou seja, a partir da etapa de impugnação. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Não se fala em violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase de investigação que antecede A lavratura do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não há que se falar em nulidade por indeferimento de pedido de perícia quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador e, o que é mais relevante, o sujeito passivo não logra êxito em demonstrar a imprescindibilidade desse exame suplementar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/09/2006 FARINHA DE TRIGO FORTIFICADA. A mercadoria "Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro contendo 0,07% de cloreto de sódio (sal)" classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO E NA CLASSIFICAÇÃO. REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. CONSEQUÊNCIAS. Constatada diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, resta afastada a preferencia tarifária própria do regime do Mercosul. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na Impugnação apresentada É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de auto de infração decorrente de equivocada classificação fiscal adotada pela Recorrente para produto importado por ela. Diante do Recurso Voluntário apresentado, são três os pontos a serem analisados: (i) nulidade do auto de infração diante do cerceamento do direito de defesa; (ii) Classificação Fiscal do produto importado; e (iii) ilegalidade da cumulação das multas. A respeito das preliminares levantadas, sem razão a Recorrente. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000762/200789 Acórdão n.º 3302002.289 S3C3T2 Fl. 337 5 A Recorrente alega o cerceamento do seu direito de defesa diante da ausência da garantia ao contraditório no momento da elaboração do laudo produzido pela Fiscalização em momento anterior a lavratura do auto de infração. Como bem pontuou a decisão recorrida, com a instauração do processo administrativo que se inicia com a apresentação da impugnação é que deve ser garantido ao contribuinte a oportunidade a ampla defesa e ao contraditório. Assim determina a Carta magna: "Art. 5° (...) LV — aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" Por sua vez, assim prescreve o Decreto 70.235/72 a respeito do termo incial do processo administrativo fiscal: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Assim a ampla defesa e o contraditório somente passa a ser uma garantia após a instaruação do processo administrativo fiscal. No presente caso, o laudo produzido na fase de persecução fiscal, ou seja, em momento anteior ao lançamento, foi devidamente questionado pela Recorrente com a apresentação da Impugnação. Não há reparos a fazer a decisão recorrida neste ponto. Ainda em relação a necessidade de elaboração de prova precicial, mister transcrever o que dispõe o decreto que regula o processo administrativo: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” A necessidade de realização de diligencia pode ser aferida pela autoridade administrativa, que mediante decisão fundamentada pode afastala. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 No caso sob análise, a partir da leitura dos quesitos formulados pelo Recorrente, verifico inegável similaridade com os quesitos respondidos pelo Laudo que a contribuinte juntou ao processo, ficando patente a denecessidade de realização de nova perícia. Faço remissão aos fundamentos da decisão recorrida neste ponto, em complemento aos acima transcritos. Quanto ao mérito, melhor sorte não socorre a recorrente. A questão relacionada a correta classificação a ser aplicada ao produto importado pela Recorrente, já foi objeto de análise neste Conselho. Transcrevo como razão de decidir, os argumentos utilizados pelo eminente Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, que nos autos do processo nº 11968.000394/200779 assim decidiu: O laudo técnico requisitado pela fiscalização concluiu que a mercadoria em apreço seria “farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 0,20% de cloreto de sódio (sal)”. Para a correta classificação fiscal de uma mercadoria, é necessário observar diversas regras, entre elas as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC). As primeiras regras interpretativas estão previstas no artigo 1º do RGC e do RGI, vejamos: RGC: Art. 1 As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. RGI: Art. 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (...) (g.n.) A fiscalização entende que a classificação correta para as mercadorias seria o código NCM 1101.00.10, posição do produto farinha de trigo: “1001 – FARINHAS DE TRIGO OU MISTURA DE TRIGO E CENTEIO 1001.00.10 – Farinha de trigo” De seu turno, a Recorrente classificou as mercadorias importadas no código NCM 1901.90.90, posição correspondente ao produto mistura para macarrão: “19.01 Extratos de malte;; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000762/200789 Acórdão n.º 3302002.289 S3C3T2 Fl. 338 7 peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições;; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 1901.10 Preparações para alimentação de crianças, acondicionadas para venda a retalho 1901.20 Misturas e pastas para a preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos, da posição 19.05 1901.90 Outros 1901.90.10 Extrato de malte 1901.90.20 Doce de leite 1901.90.90 Outros” (g.n.) Diante do fato de a RGI determinar a interpretação a partir dos textos das posições e das notas de seção e capítulo, cumpre então examinálos à luz das NESH (anexo único da Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008): 11.01 Farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil). Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil ou meslin) (isto é, os produtos pulverulentos resultantes da moagem dos cereais da posição 10.01) que, além do teor de amido e de cinzas previstos na alínea A) da Nota 2 deste Capítulo (ver as Considerações Gerais), satisfaçam o critério de passagem numa peneira padrão, nas condições definidas na alínea B) da mesma Nota. As farinhas desta posição podem ser melhoradas pela adição de ínfimas quantidades de fosfatos minerais, antioxidantes, emulsificantes, vitaminas ou de pós para levedar preparados (farinhas fermentantes). A farinha de trigo pode, além disso, ser enriquecida pela adição de uma quantidade de glúten que, em geral, não ultrapasse 10%. A presente posição compreende também as farinhas denominadas “expansíveis” (“prégelatinizadas”) que tenham sido submetidas a um tratamento térmico que provoque uma pré gelatinização do amido. Estas farinhas utilizamse na fabricação das preparações da posição 19.01, de beneficiadores de panificação, de alimentos para animais ou em algumas indústrias, tais como a indústria têxtil, a do papel ou a metalúrgica (preparação de núcleos de fundição). As farinhas que tenham sido submetidas a tratamentos complementares ou adicionadas de outros produtos a fim de serem utilizadas como preparações alimentícias classificamse geralmente na posição 19.01. Também se excluem as farinhas misturadas com cacau (posição 18.06 se o teor de cacau, em peso, for igual ou superior a 40%, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, e posição 19.01, em caso contrário). Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 Por outro lado, as misturas alimentícias são assim descritas: “19.01 Extratos de malte; preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, que não contenham cacau ou que contenham menos de 40 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições; preparações alimentícias de produtos das posições 04.01 a 04.04, que não contenham cacau ou que contenham menos de 5 %, em peso, de cacau, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas noutras posições. (...) 1901.90 Outros (...) II. Preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, não contendo cacau ou contendoo numa proporção inferior a 40%, em peso, calculado sobre uma base totalmente desengordurada, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Esta posição compreende um conjunto de preparações alimentícias, à base de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte, cuja característica essencial provenha destes constituintes, quer eles predominem ou não em peso ou em volume. A estes diversos componentes principais podem adicionarse outras substâncias, tais como leite, açúcar, ovos, caseína, albumina, gorduras, óleos, aromatizantes, glúten, corantes, vitaminas, frutas ou outras substâncias destinadas a aumentar lhes as propriedades dietéticas, ou cacau desde que neste último caso, o teor em peso de cacau seja inferior a 40% calculado sobre uma base totalmente desengordurada (ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). Convém referir que estão, todavia, excluídas as preparações contendo mais de 20%, em peso, de enchidos, carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos ou de uma combinação desses produtos (Capítulo 16). Na acepção desta posição: A) Os termos “farinhas” e “sêmolas” designam não só as farinhas e sêmolas dos cereais do Capítulo 11, mas também, as farinhas, sêmolas e pós alimentícios de origem vegetal, qualquer que seja o Capítulo em que se incluam, tal como a farinha de soja. Todavia, estes termos não abrangem as farinhas, sêmolas e pós, de produtos hortícolas secos (posição 07.12), de batata (posição 11.05) ou de legumes de vagem secos (posição 11.06). B) Os termos “amidos” e “féculas” compreendem os amidos e féculas não transformados e os pregelatinizados ou solubilizados, com exclusão dos produtos resultantes de uma decomposição mais profunda dos amidos ou féculas, tal como a dextrimaltose. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000762/200789 Acórdão n.º 3302002.289 S3C3T2 Fl. 339 9 As preparações da presente posição podem ser líquidas, em pó, em grânulos, em pasta ou apresentarse sob qualquer outra forma sólida, como fitas e discos. Muitas vezes, estes produtos destinamse quer à preparação rápida de bebidas, papas, alimentos para crianças, alimentos dietéticos, etc., por simples dissolução ou ligeira ebulição em água ou leite, quer à fabricação de bolos, cremes, pudins ou de preparações culinárias semelhantes. Podem também constituir preparações intermediárias destinadas à indústria alimentar. A título de exemplo, podem citarse como preparações incluídas na presente posição: 1) As farinhas lácteas, obtidas por evaporação de uma mistura de leite, açúcar e farinha. 2) As preparações constituídas por uma mistura de ovos e leite, em pó, de extrato de malte e de cacau em pó. 3) O racahout, preparação alimentícia composta de farinha de arroz, de diversas féculas, de farinha de bolota doce, de açúcar e de cacau em pó, aromatizada com baunilha. 4) As preparações constituídas por uma mistura de farinhas de cereais com farinha de frutas, a maior parte das vezes adicionadas de cacau em pó, ou por farinhas de frutas adicionadas de cacau em pó. 5) O leite maltado e as preparações semelhantes constituídas por uma mistura de leite em pó e de extrato de malte, com ou sem açúcar. 6) Os Knödel, Klösse e Nockerln, contendo ingredientes, tais como sêmolas, farinhas de cereais, farinha de pão, gorduras, açúcar, ovos, especiarias, levedura, geléia ou frutas. Todavia, os produtos desta natureza à base de farinha de batata, classificam se no Capítulo 20. 7) As massas preparadas, essencialmente constituídas por farinha de cereal adicionada de açúcar, gorduras, ovos ou de frutas (incluídas as que se apresentem enformadas ou modeladas na forma do produto final). 8) As pizzas não cozidas, constituídas por uma base de massa de pizza recoberta de diversos outros ingredientes, tais como queijo, tomate, azeite, carne, anchovas. As pizzas précozidas ou cozidas são, todavia, classificadas na posição 19.05. Independentemente das preparações excluídas deste Capítulo pelas Considerações Gerais, esta posição não compreende: a) As farinhas fermentantes e as farinhas denominadas “expansíveis” (“prégelatinizadas”), das posições 11.01 ou 11.02. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 b) As farinhas de cereais misturadas (posições 11.01 ou 11.02), as farinhas e sêmolas de produtos hortícolas secos misturadas, e as farinhas, sêmolas e pós de frutas misturados (posição 11.06), sem qualquer outro preparo. c) As massas alimentícias e o “couscous” da posição 19.02. d) A tapioca e seus sucedâneos (posição 19.03). e) Os produtos de padaria inteira ou parcialmente cozidos, necessitando estes últimos de um cozimento suplementar antes de serem consumidos (posição 19.05). f) As preparações para molhos e os molhos preparados (posição 21.03). g) As preparações para sopas e caldos, as sopas ou caldos preparados e as preparações alimentícias compostas homogeneizadas (posição 21.04). h) As proteínas vegetais texturizadas (posição 21.06). ij) As bebidas do Capítulo 22. Tenho entendido que a posição em apreço deixa claro que nela se compreendem preparações alimentícias de farinhas, grumos, sêmolas, amidos, féculas ou de extratos de malte. O plural quer me fazer crer que o produto em questão comporta sempre o acréscimo de mais de um cereal ou outra substância, assim, a preponderância de farinha de trigo sem quaisquer acréscimos de outra farinha ou substância descrita na nota explicativa, denotaria que essa não seria a classificação correta para o produto em apreço. Isto porque, em nenhum momento a nota explicativa trata de farinha de modo isolado, ou no singular. O substantivo vem sempre no plural. Quando examinamos as notas explicativas da posição NCM 1101, de início, fazse a seguinte discriminação: “Esta posição compreende as farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio (méteil ou meslin)”. Embora aqui também haja o emprego do plural (farinhas), vêse que a nota explicativa logo trata do tipo de farinha que ela visa colher. Aqui temos também farinhas, mas sempre de trigo, haja vista a expressa qualificação da nota explicativa. Quando se lê as notas explicativas da posição NCM 1901, tal não ocorre. O substantivo farinhas ali inserido quer fazer crer que se trata de mais de uma farinha, não apenas farinha de trigo, ainda que enriquecida. Além disso, as notas explicativas da posição NCM 1101 indicam que o acréscimo de ínfimas quantidades de fosfatos minerais, antioxidantes, emulsificantes, vitaminas e, no caso do glúten, em quantidades iguais ou inferiores a 10%, não desnaturam o produto como farinha de trigo. Diversamente do que alega a Recorrente, a decisão recorrida não adotou retroativamente o entendimento contido no Ato Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11968.000762/200789 Acórdão n.º 3302002.289 S3C3T2 Fl. 340 11 Declaratório Executivo nº 1, de 2008, que no ditame 2 define a posição NCM 1101.00.10 para farinha de trigo que contenha proporção de cloreto de sódio igual ou superior a 0,5%. Vêse que aquela decisão pautouse pelo confronto do texto da posição declarada e daquela imputada pelo Fisco, concluindo que não se tratava de mistura, por não haver nenhuma das substâncias previstas para a posição declarada. Além disso, levou em conta o fato de o laudo ter aferido que a farinha analisada atendia ao disposto na Nota 2 do Capítulo 11, que leva em conta o teor de amido e cinzas, bem assim a granulometria apresentada pela farinha, ou seja, a pesagem da substância quando submetida a peneira de certa densidade, sendo que os testes apontaram que o produto submetido à análise atendia aos teores e pesagens definidos na referida nota de capítulo. Assim, a classificação do produto em apreço na posição NCM 1101.00.01 decorre exclusivamente de sua subsunção aos critérios das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH). Tendo em conta que à mercadoria em apreço foram acrescentadas ínfimas quantidades de ácido fólico (vitamina B12) e ferro, acrescida de cloreto de sódio (sal), na proporção de 0,20%, sem a adição de quaisquer das substâncias previstas nas notas explicativas da posição 1901, e como bem observado na decisão recorrida, há determinação legal no sentido de que a farinha de trigo seja enriquecida com ácido fólico e ferro, tem se que as demais substâncias, acrescidas em quantidades ínfimas – o cloreto de sódio, à razão de 0,20%, inclusive – não desnaturam a composição do produto para fins de classificação fiscal, tratando se, assim, de farinha de trigo. Quanto as multas de oficio e pela classificação equivocada aplicadas cumulativamente, correta a decisão proferida pela DRJ de Recife. Ambas as multas encontramse previstas em Lei (Lei 9.430/96, art. 441e MP. 2.15835/01 art. 842, inciso I) vigente e aplicável ao caso em concreto. Destaco que ao Conselheiro é vedado afastar dispositivo de lei em pleno vigor por inscontitucionalidade ou ilegalidade (art. 26 A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.). 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte 2 Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria;; ou Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES 12 Merece destaque o fato que, a teor do que dispõe o art. 723 do RICARF, as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória pelos julgadores. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito em complemneto as razões exaradas na decisão recorrida a qual faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784/99. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10920.911202/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 12 02 /2 01 2- 01 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911202/201201 Acórdão n.º 3801003.399 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.004316/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 6/ 20 09 -4 5 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004316/200945 Resolução nº 2402000.450 S2C4T2 Fl. 135 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7873, por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita, no caso a remuneração da sócia Cleuza de Almeida e diversos contribuintes individuais e segurados empregados. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004316/200945 Resolução nº 2402000.450 S2C4T2 Fl. 136 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de recurso, tenho que outra providência seja necessária antes do julgamento. É que, conforme resultado de diligência juntado às fls. 157, os lançamentos principais relativamente ao presente Auto de Infração foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Confirase a informação trazida aos autos. ▪ Conforme observado no TEAF de fls. 30, os AIOPs foram lançados através dos processos nº 19515.004317/200990 (Debcad 37.190.913 9), nº 19515.004318/200934 (Debcad 37.235.7814) e nº 19515.004310/200978 (Debcad 37.235.7822), sendo que estes processos permaneceram na situação “em papel”; ▪ Os débitos lançados nos respectivos Autos supracitados, encontram se incluídos na sua totalidade no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2011, vide fls.152 a 155 (numeração eprocesso). No entanto, no resultado da diligência não foi apontado se o débito objeto deste Auto de Infração também fora ou não incluído no parcelamento, até mesmo porque, a época da determinação daquela diligência, tal requerimento não fora formulado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo retornem à origem, para que se informe se o débito relativo ao presente processo foi ou não incluído em programa de parcelamento de débitos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.906570/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO DE PEDIDO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O recorrente não pode inovar seu pedido em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 3401-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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INOVAÇÃO DE PEDIDO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O recorrente não pode inovar seu pedido em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Satori. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 65 70 /2 00 9- 16 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 16/03/2006 (fls.119/126), pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento do PIS supostamente recolhido de modo indevido ou a maior em 13/01/2006, para compensar com diversos débitos. O pedido foi indeferido por despacho decisório eletrônico (fl.05), sob fundamento de que o pagamento indicado na PER/DCOMP foi localizado, mas utilizado para quitar outros débitos, não restando crédito em favor da Contribuinte. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/04), mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve a decisão da delegacia de origem, ao prolatar acórdão (fls. 136/138) com a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 10/10/2011 (fl. 141) e interpôs recurso voluntário em 18/10/2011, com as alegações resumidas abaixo: 1 Aceita o julgamento da DRJ, por entender que o crédito pleiteado poderia ser utilizado somente após a retificação da DCTF em 30/06/2009; 2 A Recorrente pleiteou o crédito no valor de R$ 2.398,52 para compensar com diversos débitos que totalizavam R$ 2.348.04. Depois da decisão da DRJ que manteve o despacho decisório, a Recorrente pagou os débitos com multa e juros. Portanto, restou o crédito original, no valor de R$ 2.398,52. Ao final, Recorrente pediu o reembolso do crédito de R$ 2.348,04, devidamente corrigido. Além disso, solicitou o depósito do crédito pleiteado na conta corrente indicada no recurso. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13971.906570/200916 Acórdão n.º 3401002.560 S3C4T1 Fl. 231 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento do PIS, supostamente pago a maior, no valor de R$ 2.348,04, o qual foi indeferido pela delegacia de origem. Na impugnação, a Recorrente sustentou que no mês de dezembro de 2005 foi verificado um valor a pagar, a título de PIS, de R$ 519,14, porém pagou R$ 2.867,18, portanto, existe o crédito alegado. Na DCTF retificadora, mais precisamente na fl. 86, está demonstrado como débito do PIS de dezembro de 2005 o valor de R$ 519,14. A DRJ indeferiu o crédito por entender que a DCTF deveria ter sido retificada antes da apresentação da PER/DCOMP. A DCTF retificadora é de 30/06/2009 (fl.7), posterior à ciência do despacho decisório, que ocorreu em 26/06/2009 (fl.5). Não obstante, a Recorrente concordou com o julgamento da DRJ. Acontece que a Recorrente inovou em seu recurso, pois seu pleito original era pedido de compensação no valor de R$ 2.398,52 e, após o indeferimento, vem, em seu recurso voluntário, pleitear um reembolso de R$ 2.348,04. Desta forma, fica evidente a inovação em sede recursal, fato que não coaduna com a sistemática jurídica administrativa. Ex positis¸ nego provimento ao recurso voluntário. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720175/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 10730.004842/2005-62 e 16561.000078/2009-55, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que sejam apreciados no CARF os processos 10730.004842/200562 e 16561.000078/200955, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 17 5/ 20 10 -2 6 Fl. 811DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório COMPANHIA DE BEBIDAS PRIMO SCHINCARIOL, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 02.864.417/000128, com domicílio fiscal na cidade de Cachoeiras de Macacu, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Rodovia RJ 122, Km 35, Porto de Tabuado, Bairro Porto de Tabuado, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói RJ, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 755/763), prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 772/785. A requerente transmitiu, em 25/07/2005, Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) nº 35837.15129.250705.1.3.02808, e outras, DCOMP n° 1 127.26017.020805.1.3.026290, 22580.47909.151009.1.7.020386, 20475.82941.010909.1.7.021037, cujo crédito referese a Saldo Negativo de IRPJ, do ano calendário de 2004, no valor originário de R$ 913.876,39. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói – RJ, através do Despacho Decisório SERT nº 3.238/2010 (fls. 182/184), apreciou e concluiu, em 16/12/2010, que o presente pedido de compensação é improcedente não homologando a solicitação, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o contribuinte utilizou suposto direito credit6rio, no valor originário de R$ 913.191,74, oriundo de crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004 (Exercício 2005), cujo valor originário corresponde ao montante de R$ 913.876,39, para extinguir débitos de IPI por compensação; que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O direito à compensação tem como pressuposto fático a existência de créditos líquidos e certos em favor do contribuinte, decorrentes de tributos administrados pela RFB, passíveis de restituição ou ressarcimento; que o art. 2°, § 4° e o art. 6° da Lei n° 9.430/96 disciplinam que os valores de IRPJ pagos mensalmente a titulo de estimativa e os retidos na fonte integram as deduções do IRPJ apurado no resultado anual, posto que configuram antecipações do imposto devido para todo o anocalendário a ser apurado em 31 de dezembro. A diferença entre o IRPJ anual e as deduções, se positiva, deverá ser paga em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente. Por outro lado, caso a diferença seja negativa, esse saldo é passível de restituição ou compensação, configurando o denominado crédito "saldo negativo de IRPJ". que o contribuinte, por meio da DCOMP de no 22580.47909.151009.1.7.02 0386 (fl. 12) e das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário 2004 de fls. 21/32 (ND 1101870), fls. 33/44 (ND 1391236) e fls. 50/61 (ND 1398982), alega ser detentor de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ no valor de R$ Fl. 812DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 4 3 913.876,39, o qual foi constituído pelas seguintes antecipações: Imposto de Renda Retido na Fonte R$ 913.876,39; que em relação aos valores de imposto de renda retido na fonte, discriminados na DCOMP mencionada no parágrafo anterior, cujo valor total corresponde ao montante de R$ 913.876,39, com fundamento no art. 55 da Lei no 7.450, de 23/12/1985, e no §2° do art. 943 do Decreto n° 3.000, de 29/03/1999, lavrouse o Termo de Intimação Fiscal n° 983/2010 (fls. 45/48), por meio do qual o contribuinte foi intimado a comprovar os valores retidos discriminados na Tabela 03 abaixo, mediante apresentação dos comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas respectivas fontes pagadoras; que em resposta ao Termo de Intimação Fiscal supracitado, foram apresentados os documentos de fls. 02/27 do Anexo II. Analisando os referidos documentos e as informações prestadas pelas fontes pagadoras por meio de DIRF (fls. 114/122), verificouse que os valores de imposto de renda retido na fonte discriminados acima foram devidamente comprovados; que os arts. 2°, § 4° e o 6° da Lei n° 9.430/96 disciplinam que os valores de IRPJ pagos mensalmente a titulo de estimativa e os retidos na fonte integram as deduções do IRPJ apurado no resultado anual, posto que configuram antecipações do imposto devido para todo o anocalendário a ser apurado em 31 de dezembro. A diferença entre o IRPJ anual e as deduções, se positiva, deverá ser paga em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente. Por outro lado, caso a diferença seja negativa, esse saldo é passível de restituição ou compensação, configurando o denominado crédito "saldo negativo de IRPJ"; que, diante do exposto no parágrafo anterior, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de n°983/2010 (fls. 45/48), no 1.184/2010 (fls. 123/130) e n° 1.362/2010 (fls. 153/156), o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos, informações, documentos e livros contábeis e fiscais com o propósito de verificar a devida inclusão dos rendimentos auferidos vinculados às retenções de imposto de renda na apuração do lucro real; que, de acordo com a DIPJ do anocalendário 2004 (ND 1398982) de fls. 50/61, apresentada em 16/09/2010, extraída do banco de dados da RFB, o sujeito passivo declarou que apurou prejuízo fiscal no valor de R$ 25.173.375,30, o qual consta demonstrado no LALUR (fls. 173/176). Desta forma, o contribuinte não apurou, em 31 de dezembro, IRPJ devido para todo o anocalendário; que, contudo, constatouse, de acordo com copias de partes do processo administrativo n° 10730.004842/200562 (Anexo I dos autos), que, mediante procedimento fiscal e lavratura de Auto de Infração, foi constituído crédito tributário relativo ao IRPJ, para o anocalendário 2004, no valor de RS 1.978.193,38 e à multa de oficio vinculada de 150%, cujo valor corresponde a R$ 2.967.290,07; que, conforme demonstrado na Tabela 04, a diferença apurada entre o IRPJ anual e as deduções é positiva, ou seja, há valores de IRPJ que não foram pagos, os quais foram devidamente constituídos mediante lavratura de Auto de Infração. Verificada a inexistência do crédito de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário 2004, é forçoso concluir pela nãohomologação das compensações formalizadas por meio das declarações de compensação eletrônicas (DCOMP) de n° 22580.47909.151009.1.7.020386 (fls. 11/16), transmitida em 15/10/2009, e de n°20475.82941.010909.1.7.021037 (fls. 17/20), transmitida em 01/09/2009. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 5 4 Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 23/12/2010, conforme Termo constante à fl. 184, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (24/01/2011), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 227/249, instruído pelos documentos de fls. 250/387, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que a Requerente, em 25/07/2005, transmitiu declaração de compensação eletrônica (DCOMP) de n° 35837.15129.250705.1.3.02 8080, ratificada pela DCOMP n° 22580.47909.151009.1.7.020386., de 15/10/09; que referida DCOMP utilizouse de crédito de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2004 (Exercício de 2005), no valor de R$ 913.876,39, para compensálo com débitos de IPI de jul/05 e ago/05, por meio da DCOMP 's no. 33127.26017.02085.1.3.02 6290, retificada pela de n° 20475.82941.010909.1.7.021037, de 01.09.09; que, no caso em foco, os valores de imposto de renda retidos na fonte do ano calendário 2004 foram reconhecidos como existentes posto que devidamente comprovados. Entretanto, embora os valores de IRRF tenham sido reconhecidos como existentes, as DCOMP's não foram homologada tão somente em razão de superveniente auto de infração que constituiu crédito tributário relativo ao IRPJ anocalendário de 2004, no valor de R$ 1.978.193,38 (doc. 06); que ao levar em consideração o superveniente e suposto crédito constituído por meio de auto de infração (que ainda não conta com decisão definitiva em esfera administrativa, doc. 07), a r. decisão recorrida entendeu que a diferença apurada entre o IRPJ anual e as deduções (IRRF) é positiva, concluindo, por conseguinte, não haver saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2004, o que levou a r. decisão recorrida a deixar de reconhecer o crédito utilizado pela recorrente na declaração de compensação; que o direito à compensação do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2004 como apontado, o IRRF do anocalendário de 2004, no valor de R$ 913.876,39, é reconhecido na r. decisão recorrida; que tendo a r. decisão recorrida reconhecido o imposto retido na fonte (IRRF) no valor de R$ 913.876,39, e ainda, que consta do banco de dados da RFB a apuração de prejuízo fiscal na ordem de R$ 25.173.375,30 (conforme LALUR de fls. 173/176), tem a Requerente o direito de utilizar o saldo negativo de IRPJ para compensálo com outros tributos administrados pela Receita Federal; que é o que basta para conhecer e prover a presente manifestação de inconformidade, mormente quando à época da apresentação da DCOMP não havia qualquer glosa ao prejuízo fiscal declarado e constituído pelo contribuinte; que a ausência de causa impeditiva do exercício do direito à compensação, portanto, o direito da Requerente a época da transmissão da DCOMP era liquido e certo, de modo que a homologação se impõe; que o "superveniente" auto de infração não impedia — como não impede — a compensação, sob pena de violação ao art. 170 do CTN, art. 74 da Lei n° 9.430, de 27.12.1996 e inc. XXXVI do art. 5° da CF. Aliás, independentemente do auto de infração, o art. 74, §3° e incisos, da Lei 9.430/96 permite a compensação, dada a ausência de proibição legal; Fl. 814DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 6 5 que caso a Requerente não exercesse o direito a compensação, darseia a prescrição do direito de utilizar os valores retidos na fonte em relação ao anocalendário 2004. O direito de restituir ou compensar o indébito tributário prescreve após cinco anos de sua constituição, a teor do art. 174 do CTN; que necessário o conhecimento e provimento da presente manifestação de inconformidade para o fim de anular a r. decisão recorrida; que a r. decisão recorrida, para justificar o não reconhecimento do crédito do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004, e, de conseguinte, encontrar saldo positivo de IR, indevidamente realizou, no bojo da r. decisão recorrida, vedada e inaceitável compensação "de oficio"; que pudesse ser levado em consideração o auto de infração, o que se diz por cautela, a relação de indébito de IRRF que a Requerente possuiu frente ao fisco é inconteste e subsiste, o que justifica o acolhimento da presente manifestação de inconformidade para, reformandose a r. decisão recorrida, homologar as compensações pleiteadas, mormente quando o reconhecimento do direito creditório não há de gerar qualquer prejuízo ao fisco, eis que o mencionado auto de infração não realizou as deduções do IRRF de 2004, cujo crédito decorrente do direito de abatimento pretende seja compensado com débito de COFINS; que a falta do julgamento definitivo do auto de infração que constitui o presente IR do anocalendário 2004 impede o julgamento da compensação tributária, sendo assim, em tese subsidiária, fazse necessário anular a r. decisão recorrida em razão de causa prejudicial: o processo administrativo vinculado ao auto de infração que constituiu suposto credito tributário de IRPJ de 2004, processo n° 10730.004842/200562 (docs. 06 e 07); que caso não anulado e nem suspenso o presente feito, e necessário argumentar, em tese subsidiária, que este caso merece ser apensado ao processo administrativo que apurou crédito de IRPJ no anocalendário de 2004 (docs. 06 e 07), também como forma de evitar decisões conflitantes. Esse, alias, é o entendimento da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 14/06/2012, a 2° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro – RJ autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 755/763): que a DCOMP não foi homologada uma vez que consta auto de infração para o anocalendário de 2004, sob o processo de nº 10730.004842/200562, que resultou em reversão do prejuízo fiscal para lucro real, apurando imposto de renda a pagar, no valor de R$ 1.978.193,38. Como o valor do crédito tributário constituído é superior ao valor do saldo negativo apurado, concluiuse pelo não reconhecimento do direito creditório; que, da leitura do dispositivo legal que rege o assunto, concluise que, no caso de lucro real com apuração anual, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro. Tanto é assim que o acerto de contas, previsto no § 3º, ocorre nesta data, determinandose o imposto/contribuição devido, confrontado com todos os recolhimentos mensais. Neste contexto, os pagamentos mensais, assim como o imposto retido pelas fontes pagadoras, são valores estimados daquilo que será devido na data da ocorrência do fato gerador, possuindo natureza de antecipações do Fl. 815DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 7 6 imposto/contribuição devido. No caso de os recolhimentos/retenções a título de estimativa superarem o imposto/contribuição devido, apurase o saldo negativo, passível de restituição ou compensação; que concluise, portanto, que uma vez ocorrido retenção do imposto de renda, ou qualquer recolhimento a título de estimativa, não há que se falar em direito creditório. O crédito somente surgirá quando confrontado o total destes valores recolhidos/retidos com o imposto de renda apurado no final do anocalendário. É o que determina a legislação que rege a matéria; que nos termos dos artigos 836 e 837 do RIR/99, fica evidente que, na constituição mediante lançamento de ofício do IRPJ ou CSLL, devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração; que assim, uma vez ocorrendo lançamento de ofício, os valores recolhidos/retidos continuam possuindo a natureza de antecipação do tributo, IRPJ ou CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do ano. O lançamento não altera a sua natureza, mantendo, portanto, o vínculo jurídico entre o valor recolhido por estimativa e o tributo devido, sendo que a legislação condiciona a utilização daqueles para abater o crédito tributário devido. A partir daí, caso a diferença seja negativa (valores recolhidos/retidos por estimativas superior ao tributo devido), apurase saldo negativo, passível de restituição/compensação; que a utilização de valores recolhidos e retidos a título de estimativa, seja de imposto de renda ou da contribuição social, para compensação de outros tributos, não encontra amparo legal; que, no presente caso, de acordo com a Decisão recorrida, o crédito pleiteado, no valor de R$ 913.876,39, seria formado tão somente do imposto de renda retido pelas instituições financeiras, e que os rendimentos, sobre os quais incidiram as retenções, foram devidamente oferecidos à tributação, na determinação do imposto de rendas. A princípio, como teria apurado prejuízo, todo este valor foi considerado como saldo negativo de IRPJ; que, entretanto, em procedimento de auditoria consubstanciado no processo administrativo nº 10730.004842/200562, constatouse que a interessada não apurou prejuízo, e sim lucro real no montante de R$ 8.008.773,54, revertendo o resultado do anocalendário em questão de saldo negativo para imposto de renda a pagar, no valor de R$ 1.978.193,38 (extrato fls. 360). que, em relação ao argumento de que o auto de infração ainda está em discussão administrativa, cumpre registrar que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes a certeza e liquidez, requisitos previstos no artigo 170 do CTN. Ora, se há dúvida quanto à apuração do prejuízo fiscal, melhor sorte não ocorre com o crédito ora pleiteado. A certeza e liquidez só ocorreriam se perfeitamente demonstrada a improcedência dos lançamentos. Enquanto assim não ocorrer, não há certeza e liquidez do crédito, não cabendo o seu reconhecimento; que, assim, observando o artigo 837 do RIR, caberia o aproveitamento dos valores retidos pelas fontes pagadoras para deduzir o imposto de renda apurado. Entretanto, assim não procedeu o auditor fiscal que lavrou o auto de infração, conforme extrato do Fl. 816DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 8 7 lançamento, fls. 360. Atualmente, o lançamento ainda se encontra em discussão administrativa, com sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, inciso III do CTN; que, em sua defesa, a interessada alega que, quando da apresentação da DCOMP, não havia qualquer óbice, já que o auto de infração foi lançado em data posterior. Ocorre que este fato não afasta a obrigação de a Administração homologar a compensação, e no prazo de 5 (cinco) anos da data da apresentação da DCOMP, no sentido de verificar a correição dos valores, com a apuração do crédito, e se o mesmo é suficiente para a quitação do débito. Os valores a serem apurados devem considerar a situação fiscal da interessada na data da homologação. Não há qualquer determinação legal de que a homologação deve se reportar à data da apresentação da Declaração de Compensação. Além disso, não pode a Administração limitar sua atuação, baseando sua análise na situação fiscal da interessada na data da apresentação da DCOMP, quando é sabido que a mesma se alterou. Cabe registrar que a Administração tem obrigação de verificar a correição dos tributos declarados e pagos, nos prazos previstos pelo Código Tributário Nacional, observando a decadência do direito de lançar, e a prescrição para a cobrança; que a interessada ainda alega que auto de infração não considerou este saldo credor na determinação do crédito tributário a ser cobrado. Em que pese este procedimento, entendo que ainda assim não há fundamento legal para que os valores do imposto de renda retido na fonte sejam utilizados para compensação de outros tributos. A falta de dedução destes valores retidos é uma discussão pertinente nos autos do processo do lançamento, e que esta alegação não tem o condão de alterar a natureza das retenções do imposto de renda na fonte, que continuam sendo a antecipação do imposto de renda devido no fim do período. Portanto, não se trata de bis in idem. Como houve reforma na apuração do resultando no final do período, revertendo de prejuízo para lucro real, não há que se falar em reconhecimento de direito creditório, já que os valores retidos a título de imposto de renda não são suficientes para liquidar o crédito tributário apurado; que em sede de recurso de ofício e recurso voluntário, o lançamento em questão (processo 10730.004842/200562) foi reformado, conforme Acórdão 140200.494, de 31 de março de 2011, proferido pela 4º Câmara/2ª Turma Ordinária, fls. 679/719 reduzindo o valor do IRPJ para R$ 645.659,13, com multa de ofício de 75%. Este valor é objeto de recurso voluntário atualmente, conforme extrato fls. 720/722; que ocorre que, em agosto de 2009, foi lavrado outro auto de infração sob processo administrativo nº 16561.000078/200955, para constituição de crédito tributário de IRPJ para os anoscalendário de 2003 a 2006. Assim, para o mesmo anocalendário de 2004, foi constituído outro crédito tributário de IRPJ no valor de R$ 7.475.000,00, com multa de ofício qualificada de 150%; que o citado auto de infração (processo 16561.000078/200955) foi objeto de impugnação, sendo apreciado por meio de Acórdão nº 1623.711, de 03/12/2009, fls. 723/752, que concluiu pela improcedência do lançamento. Como o crédito tributário exonerado é superior ao valor de R$ 1.000.000,00, coube RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme extrato do processo, fls. 753/754; que acerca de RECURSO DE OFÍCIO, Leandro Paulsen, em sua obra Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, esclarece que a decisão, enquanto não confirmada pela segunda instância, não gera efeitos de Fl. 817DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 9 8 extinção de crédito tributário, não podendo, portanto, ser considerada definitiva até sua confirmação; que, neste contexto, em que pese a redução do IRPJ a pagar, em sede do processo 10730.004842/200562, não pode esta autoridade julgadora ignorar o novo lançamento. Concluise, portanto, que permanece inalterada a decisão ora combatida, e pelos mesmos fundamentos, ou seja, não há direito creditório, já que valor apurado de imposto de renda retido na fonte (R$ 913.876,39) é insuficiente para compensar o IRPJ a pagar (R$ 645.659,13 + R$ 7.475.000,00), apurado por meio de auto de infração; que, quanto ao pedido de reunião dos processos, também entendo ser descabido por falta de previsão legal. Logo, cabe o julgamento do presente conforme o seu estado, e situação fiscal atual da interessada. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ – A lavratura de auto de infração, com a constituição de crédito tributário para cobrança do imposto de renda, em decorrência da reversão de prejuízo para lucro real, acarreta na utilização dos valores apurados a título de estimativa (artigo 837 do RIR/99), prejudicando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 26/06/2012, conforme Termo constante à fl. 767, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/07/2012), o recurso voluntário de fls. 772/785, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que por apurar saldo negativo de IPRJ, referente ao anocalendário de 2004 – exercício de 2005 – no valor original de R$ 913.876,39 (novecentos e treze mil, oitocentos e setenta e seis reais e trinta e nove centavos), a recorrente pleiteou a compensação de tal saldo, formalizada em duas declarações, com débitos relativos a tributos administrativos pela Receita Federal do Brasil; que as declarações de compensação em discussão não foram homologadas pela autoridade fiscal, tendo em vista a lavratura de superveniente auto de infração, sob o processo de n° 10730.004842/200562, que apurou crédito tributário referente ao IRPJ anocalendário de 2004, no valor de R$ 1.978.193,38 (um milhão, novecentos e setenta e oito mil, cento e Fl. 818DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 10 9 noventa e três reais e oito centavos), com multa de oficio de 150% (reduzida para 75% em razão do acórdão n° 0919099, de 17/01/2008, proferido pela 2° turma da DRJ/JFA; que a autoridade revisora trouxe outros fundamentos, além daqueles já expostos no despacho decisório anteriormente proferido, a embasar a não homologação das declarações de compensação em tela, sem conferir à recorrente oportunidade de se manifestar a respeito, violandose claramente seu direito à ampla defesa e ao contraditório constitucionalmente assegurado, razão pela qual nulo e o acórdão recorrido; que cumpre destacar, ainda a existência de questão prejudicial no caso em tela, portanto, o saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2004 – exercício de 2005 – no valor de R$ 913.876,39, a recorrente, em 25/07/2005, apresentou a declaração de compensação n° 35837.15129.250705.1.3.028080, com demonstrativo dom crédito ali informado, a qual, em 15/10/2009, foi retificada pela declaração de compensação n° 22580.47909.151009.1.7.020386; que os autos de infração que deram origem aos processos administrativos n°s10730.004842/200562 e 16561.000078/200955 sejam julgados procedentes, o que se cogita apenas para fins de argumentação, permanece o direito da recorrente à totalidade do crédito informado na declaração de compensação n° 35837.15129.250705.1.3.028080, retificada pela declaração de compensação n° 22580.47909.151009.1.7.020386; que é inadmissível, portanto, que o valor de R$ 913.876,39 retido antecipadamente a título de IRPJ em desfavor da recorrente durante o ano calendário de 2004 não possa ser utilizado para compensar débitos da recorrente, visto que sequer foi deduzido do valor total a pagar a título de IRPJ (ano calendário de 2004) apurado pela autoridade fiscal, por meio dos autos de infrações em comento; que, assim, ainda que existam os autos de infração e que eles sejam julgados procedentes, permanece o direito da recorrente à totalidade do crédito informado na declaração de compensação em questão (declaração com demonstrativo de crédito), não gerando qualquer prejuízo ao fisco. É o relatório. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos, constatase que pretenso crédito utilizado para fins de compensação e de restituição teve sua origem a partir de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, apurado no ano calendário 2004, exercício 2005, no montante de R$ 913.876,39, de acordo com informações especificadas no Per/DComp n° 33127.26017.02085.1.3.026290, retificada pela de n° 20475.82941.010909.1.7.021037, de 01.09.09. A decisão recorrida considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob o argumento de que a lavratura de auto de infração, com a constituição de crédito tributário para cobrança do imposto de renda, em decorrência da reversão de prejuízo para lucro real, acarreta na utilização dos valores apurados a título de estimativa (artigo 837 do RIR/99), prejudicando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. De fato, constatase que contra a contribuinte foram lavrados dois autos de infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, conforme processos nºs 10730.004842/2005 62 e 16561.000078/200955. É importante observar de que os autos de infrações ainda estão em discussão administrativa. Nesta linha de pensamento, cumpre registrar que o direito creditório só pode ser reconhecido quando presentes a certeza e liquidez, requisitos previstos no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ora, se há dúvida quanto à apuração do prejuízo fiscal, melhor sorte não ocorre com o crédito ora pleiteado. A certeza e liquidez só ocorreriam se perfeitamente demonstrada à improcedência dos lançamentos. Enquanto assim não ocorrer, não há certeza e liquidez do crédito, não cabendo o seu reconhecimento. Observase que em sede de recurso de ofício e recurso voluntário, o lançamento do processo 10730.004842/200562 foi reformado, conforme Acórdão 140200.494, de 31 de março de 2011, proferido pela 4º Câmara/2ª Turma Ordinária, fls. 679/719 reduzindo o valor do IRPJ para R$ 645.659,13, com multa de ofício de 75%. Esta decisão é objeto de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ainda não julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se constata no site do CARF. Da mesma forma se observa que o processo administrativo nº 16561.000078/200955, cujo auto de infração foi objeto de impugnação, sendo apreciado por meio de Acórdão nº 1623.711, de 03/12/2009, fls. 723/752, que concluiu pela improcedência do lançamento. Como o crédito tributário exonerado é superior ao valor de R$ 1.000.000,00, coube RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme extrato do processo, fls. 753/754, até o presente momento não julgado. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 12 11 A lavratura de auto de infração, com a constituição de crédito tributário para cobrança do imposto de renda, em decorrência da reversão de prejuízo para lucro real, acarreta na utilização dos valores apurados a título de estimativa (artigo 837 do RIR/99), prejudicando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assim, o exame do mérito nos processos n°s 10730.004482/200562 e 16561.000078/200955 se constitui em prejudicial a este processo de n° 10730.720175/2010 26 e devem ser apreciados por primeiro ou, se possível, em conjunto. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: (i) determinar a suspensão deste processo até decisão final dos processos n°s. 10730.004482/200562 e 16561.000078/200955; (ii) determinar o retomo deste processo à repartição de origem para que após a decisão final sejam apensados neste os processos n°s 10730.004482/200562 e 16561.000078/200955 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 821DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10730.720175/201026 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.247 S1C4T2 Fl. 13 12 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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