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5060234 #
Numero do processo: 19994.000176/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA. INEXISTÊNCIA. Em se tratando de arbitramento da base de cálculo, cabe à empresa trazer elementos probatórios aptos à reduzir a base arbitrada, sob pena de acatamento da aferição realizada, nos termos do art. 33, parágrafo 6º, da Lei n. 8.212/91. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2403-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para sanear a omissão apontada, e rerratificar a decisão embargada. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. PROVA. INEXISTÊNCIA. Em se tratando de arbitramento da base de cálculo, cabe à empresa trazer elementos probatórios aptos à reduzir a base arbitrada, sob pena de acatamento da aferição realizada, nos termos do art. 33, parágrafo 6º, da Lei n. 8.212/91. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. Embargos Acolhidos.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2    ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  acolher  os  Embargos  de  Declaração  para  sanear  a  omissão  apontada,  e  rerratificar  a  decisão  embargada.      Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente      Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos  Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.  Fl. 626DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19994.000176/2008­18  Acórdão n.º 2403­002.136  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Cuida­se  de  Embargos  Declaratórios  opostos  pela  ELECTRO  AÇO  ALTONA  S/A,  em  face  do  Acórdão  nº.  2403­000.747,  de  relatoria  do  Conselheiro  Cid  Marconi Gurgel de Souza, no qual  foi  dado parcial  provimento do Recurso Voluntário,  para  determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº. 11.941/2009  ao art. 35, caput, da Lei nº. 8.212/1991, prevalecendo a multa mais benéfica.  De acordo com a peça embargatória, fls. 345/347, são apontadas as seguintes  omissões:  Esta nobre Segunda Seção ao  julgar o  recurso  voluntário  interposto  pela  embargante  não  verificou  a  questão  do  desfecho  das  ações  trabalhistas  formuladas  pelos  Srs.  Vilmar  Ferreira,  Horst  Stribel,  Fredolino  Uhlmann,  Estácio  Gunchroski,  Euclides  Iatzac,  Horst  Harbs  e  Osni  Gonçalves,  reputados  como  empregados  da  notificada,  o  que ensejou a notificação para a cobrança de contribuições  previdenciárias e multas.   (...)  Por  fim,  caso  ainda  se  entenda  por manter  a  notificação,  por amor à argumentação, a embargante ainda destaca que  o  acórdão  foi  omisso  na  apreciação  do  seu  pleito  no  recurso voluntário interposto de que na notificação lavrada  não  foi  descontado  o  valor  recolhido  de  contribuições  previdenciárias  pelas  empresas  destes  trabalhadores,  cobrando­as mais uma vez duplamente.  Também não foi apreciado o pleito de que o arbitramento  da base de cálculo com base nas notas fiscais é totalmente  absurdo,  devendo  o mesmo  ser  com  base  na  retirada  dos  sócios,  descontando­se  os  custos  da  empresa  por  eles  constituídas  com  tributos,  e  outras  despesas,  como  contados,  ferramentas,  transporte,  alimentação,  entre  outros.  Analisados os Embargos de Declaração, foi proferido despacho, fls. 622/624,  na qual foi constatada a omissão do julgado quanto ao argumento de que não foi descontado o  valor  recolhido  das  contribuições  pelas  empresas  dos  trabalhadores mencionados,  ensejando  cobrança  em  duplicidade,  bem  como  ao  argumento  do  incorreto  arbitramento  da  base  de  cálculo.   Contudo, no que tange à alegação de não apreciação dos desfechos das ações  trabalhistas  dos  empregados  referidos  na peça  embargatória,  não  será  apreciado,  conforme  a  fundamentação constante no despacho alhures mencionado, in verbis:  Fl. 627DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4  Em  que  pesa  a  argumentação  de  que  esta  Seção  não  verificou, na ocasião do  julgamento, o desfecho das ações  trabalhistas  formuladas  pelos  Srs.  Vilmar  Ferreira, Horst  Stribel, Fredolino Uhlmann, Estácio Gunchroski, Euclides  Iatzac,  Horst  Harbs  e  Osni  Gonçalves,  reputados  como  empregados da contribuinte,  ensejando a notificação para  cobrança  de  contribuições  previdenciárias  e  multas,  entendo que a tese não merece acolhimento.  Isto  porque,  pretende  o  sujeito  passivo  conferir  efeitos  infringentes aos presentes embargos, o que, em regra, não  tem  cabimento,  suscitando  questões  que  sequer  foram  levantadas  na  impugnação,  momento  oportuno  para  rebater todos os pontos de discordância, os motivos de fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  bem  como,  as  provas  que possui.  O decisum guerreado analisou todo o conjunto probatório  trazido  aos  autos,  até  aquele  momento,  por  ocasião  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  não  havendo  qualquer  omissão,  obscuridade  ou  contradição  a  ser  sanada  neste  ponto.   Frisa­se que a sentença judicial,  fl. 369, que homologou o  acordo firmado entre a contribuinte e seus ex­funcionários  (fls.  366/368),  data  de  27/10/2005,  bem  como,  não  reconheceu  o  vínculo  empregatício  em  razão  do  pacto  assinado  pelas  partes  e  somente  foi  juntada  por  ocasião  dos embargos declaratórios.  Ocorre  que  referido  documento  deveria  ter  sido  apresentado  juntamente  com  uma  petição  incidental  (a  exemplo  de  memoriais),  consoante  preceituam  os  parágrafos  4º  e  5º,  do  art.  16  do  Decreto  nº.  70.235/72,  para ser analisada por este colegiado, e para contrapor os  argumentos levantados pela Seção de Análise de Defesas e  Recursos  do  INSS, mormente quanto  à  falta  de  provas  da  inexistência de vínculo empregatício dos ex­funcionários já  mencionados mais acima.   Portanto,  o  Acórdão  embargado  merece  parcial  reforma  para  que  seja  analisados os dois pontos omissos suso mencionados.   É o relatório.  Fl. 628DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19994.000176/2008­18  Acórdão n.º 2403­002.136  S2­C4T3  Fl. 4          5   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator    DA TEMPESTIVIDADE  Conforme  consta  na  fls.  os  Embargos  são  tempestivos  e  reúnem  os  pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO MÉRITO  Primeiramente,  a  Embargante  alega  omissão  do  julgado  que  analisou  a  argumentação  de  que  na  notificação  lavrada  não  foi  descontado  o  valor  recolhido  de  contribuições previdenciárias pelas empresas, ensejando cobrança em duplicidade.  Nas razões recursais, fls. 196/218, entretanto, a então Recorrente trata de fato  apenas no seguinte parágrafo, in verbis:  “As empresas  em questão  são  todas optantes pelo SIMPLES,  e  vem  recolhendo  rigorosamente  em  dias  as  contribuições  previdenciárias  na  forma  determinada  pela  legislação  pertinente, o que será comprovado através das guias que serão  juntadas  posteriormente  e  de  certidões  negativas  de  débito  expedidas pelo INSS”.  Ora,  até  o momento  não  houve  quaisquer  comprovações  do  adimplemento  dessas contribuições previdenciárias, para fins de apropriação dos devidos créditos no processo  em epígrafe.  Se  à  auditoria  fiscal  não  foi  possível  atestar os  recolhimentos  supostamente  efetuados pelas empresas interpostas, caberia ao contribuinte fazer prova da sua existência, para  que houvesse a devida apropriação.  Isso  porque,  mesmo  em  matéria  tributária,  cabe  a  ambos,  ao  Fisco  e  ao  contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de  convicção favoráveis à sua pretensão.   Por oportuno, transcreve­se as palavras de Marcos Vinícius Neder:  “No  processo  administrativo  fiscal,  tem­se  como  regra  que  o  ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a  Fazenda  alega  ter  ocorrido  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por  outro lado, o contribuinte aduz a  inexistência da ocorrência do  fato  gerador,  igualmente,  terá  que  provar  a  falta  dos  pressupostos  de  sua  ocorrência  ou  a  existência  de  fatores  excludentes”.  (NEDER,  Marcus  Vinicius;  SANTI,  Eurico  Marcos Diniz de. FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). A prova no  processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 331)  Fl. 629DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     6  Logo,  ausentes  quaisquer  elementos  probatórios  capazes  de  atestar  que  as  empresas  interpostas  efetuaram  os  recolhimentos,  os  quais  são  aludidos  na  peça  recursal,  persiste a obrigação acessória, conseguintemente, a imputação da multa aplicada.  Quanto ao argumento de que o arbitramento foi feito equivocadamente, eis o  alegado pelo Embargante no Recurso Voluntário:  É  completamente  descabido  o  arbitramento  dos  valores  constantes  na  notificação  levando  apenas  e  tão  somente  os  valores  constantes  nas  notas  fiscais  de  serviços,  como  se  estes  fossem  representativos  da  remuneração  percebida  pelos  sócios  das  empresas  prestadoras  de  serviços.  Como  até  as  pedras  sabem,  qualquer  pessoa  jurídica  regularmente  constituída  tem  uma série de despesas fixas,  tais como o pagamento de tributos  (no  caso  em  tela  ISS  e  o  SIMPLES),  contratação  de  contador  para  manutenção  da  escrita,  despesas  com  transporte,  alimentação,  ferramentas,  etc.,  as  quais  diminuem  bastante  os  valores  os  quais  podem  ser  retirados  pelos  sócios  da  empresa,  sob pena de acúmulo de dívidas e inevitável falência.  No  entanto,  nenhuma  destas  despesas  foi  sequer  acusada  ou  descontada  pelos  senhores  fiscais  ao  arbitrarem  o  valor  da  notificação,  o  que  invalida  por  completo  o  arbitramento  realizado. O arbitramento deveria ter sido realizado levando­se  em  conta  as  retiradas  dos  sócios  a  qualquer  título,  sejam  pró­ labore,  distribuição  de  lucros,  adiantamentos,  etc.,  os  quais  deverão  estar  devidamente  contabilizados  pelas  empresas  prestadoras  de  serviços  nos  livros  contábeis  das  mesmas,  que  foram verificados pela fiscalização. Os próprios fiscais deixaram  claro no relatório da notificação em tela que levaram em conta  apenas os valores constantes nas notas fiscais de serviços.   Para que tais argumentos fossem passíveis de análise, mister a comprovação  das ditas despesas. Explica­se.  A aferição indireta, em se tratando de contribuições previdenciárias, encontra  guarida no art. 33, § 6º, da Lei nº. 8.212/1991, in verbis:  § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Portanto,  caberia  também  à  empresa  fazer  prova  das  ditas  despesas  para  serem  analisadas  e  eventualmente  abatidas  da  base  de  cálculo.  Aqui,  também  é  válido  os  argumentos acima expostos no que concerne à apresentação da prova.   Portanto,  não  havendo  elementos  probatórios  capazes  de  quantificar  as  supostas  despesas,  bem  como,  diante  na  ausência  dos  comprovantes  de  recolhimento  de  contribuições previdenciárias das pessoas  interpostas,  tenho que as alegações da Embargante  carecem de respaldo jurídico que permitam a sua procedência.  Fl. 630DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19994.000176/2008­18  Acórdão n.º 2403­002.136  S2­C4T3  Fl. 5          7   CONCLUSÃO  Do  exposto,  acolho  os  Embargos  de  Declaração  para  sanear  a  omissão  apontada, e rerratificar a decisão embargada.    Marcelo Magalhães Peixoto                              Fl. 631DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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5060315 #
Numero do processo: 13603.003281/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS. A extinção do débito sem ressalvas, mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Deve ser observado pela autoridade preparadora o pleito da Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar exigência já recolhida (Darf de fls. 36). (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Deve ser observado pela autoridade preparadora o pleito da Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar exigência já recolhida (Darf de fls. 36). (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 40          1 39  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.003281/2009­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­001.734  –  3ª Turma Especial   Sessão de  12 de junho de 2013  Matéria  MULTA ­ ATRASO NA ENTREGA DO DACON  Recorrente  TEAR TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2009  DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS.  A extinção do débito sem ressalvas, mediante pagamento, implica desistência  do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.  Deve  ser  observado  pela  autoridade  preparadora  o  pleito  da Recorrente  no  sentido  de  se  abster  a Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  (RFB)  de  cobrar  exigência  já  recolhida (Darf de fls. 36).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 32 81 /2 00 9- 51 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003281/2009­51  Acórdão n.º 1803­001.734  S1­TE03  Fl. 41          2   (assinado digitalmente)  Walter Adolfo Maresch – Presidente­substituto    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Meigan  Sack  Rodrigues, Walter  Adolfo Maresch,  Victor  Humberto  da  Silva Maizman,  Sérgio  Rodrigues  Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.      Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003281/2009­51  Acórdão n.º 1803­001.734  S1­TE03  Fl. 42          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido (fls. 19):  Trata  o  presente  processo  da  exigência  de  multa  por  atraso  na  entrega  do  Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, referente ao mês de  dezembro  de  2008,  no  valor  de  R$  710,49  (com  redução),  apresentado  em  19/08/2009, conforme Notificação de Lançamento de fl. 03.   O enquadramento legal do lançamento é o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de  abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de  2004.  Em 18/09/2009, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02, tendo  alegado  que,  desde  outubro/2008,  a  empresa  estava  esperando  a  nova  versão  do  Dacon, superior a 1.3 da época, tendo conseguido verificar a versão 2.1 somente no  dia 10/08/2009.  Dessa  forma,  na  transmissão  do Dacon do mês  em questão  (transmitido  em  19/08/2009),  teria  o  impugnante  se  surpreendido  com  a  multa  pela  entrega  em  atraso,  ressaltando  ainda  que  as  obrigações  constantes  do  demonstrativo  foram  recolhidas no prazo.  Diante da confusão das versões, o impugnante pede que seja desconsiderada a  multa aplicada na entrega do Dacon após 07/08/2009.  2.  A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 18):  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2008  DACON ­ MULTA POR ATRASO  A  apresentação  do  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  ­  Dacon, com a opção de periodicidade mensal de entrega, após o prazo previsto pela  legislação  tributária,  sujeita  o  contribuinte  à  incidência  da  multa  por  atraso  correspondente.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  09/11/2010  (fls.  24),  a  tempo,  em  01/12/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 25, instruído com os documentos de fls. 26  a 37, nele informando que o valor da respectiva multa foi pago no vencimento, solicitando seja  desconsiderada a correspondente intimação.  Em mesa para julgamento.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003281/2009­51  Acórdão n.º 1803­001.734  S1­TE03  Fl. 43          4 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Em face do recolhimento tempestivo da multa exigida pelo atraso na entrega  do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), não há qualquer litígio a ser  dirimido por este Colegiado.  Não  obstante,  deve  ser  observado  pela  autoridade  preparadora  o  pleito  da  Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar  exigência já recolhida (Darf de fls. 36).  Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de NÃO CONHECER do Recurso.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH

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5108912 #
Numero do processo: 10920.002374/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SEGURADO EMPREGADO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, bem como recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SEGURADO EMPREGADO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados, bem como recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. Recurso Voluntário Negado

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 200          1 199  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.002374/2010­11  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2403­001.812  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de janeiro de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  TECHPRESS­INDUSTRIA DE PLASTICOS LTDA. E OUTRO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  IRREGULARIDADE  NA  LAVRATURA DO AIOP ­ INOCORRÊNCIA.   Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO  ­  CONFIGURAÇÃO.  Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico  de  fato,  deverá  a  autoridade  fiscal  assim  proceder,  atribuindo  a  responsabilidade pelo crédito previdenciário a  todas as empresas integrantes  daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos  tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos  na  legislação  de  regência,  notadamente  no  artigo  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212/91.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  SEGURADO  EMPREGADO  ­  RECOLHIMENTO ­ OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.  A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados  empregados,  bem  como  recolher  as  contribuições  a  seu  cargo  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados empregados.  Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 74 /2 01 0- 11 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo  Magalhães  Peixoto  e  Carolina  Wanderley Landim na questão da multa.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Ivacir  Júlio  de  Souza,  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro,  Marcelo  Magalhães  Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 201          3     Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto pela Recorrente – TECHPRESS­ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 07­23.642 ­ 6ª Turma da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação  por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP  nº. 37.231.404­0, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 366.020,52.  O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas  à  Seguridade  Social  devida  pelos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  como  prevista  nos  artigos  20  e  21,  da Lei  8212/91,  descontada  ou  não,  porém  não  declarada  nem  recolhida  regular  e  tempestivamente  aos  cofres  da  Seguridade  Social,  e  calculada  pela  aplicação  da  alíquota  vigente  sobre  o  salário­de­contribuição  mensal  de  cada  segurado  (empregado) e pela alíquota de 11% sobre remunerações de pró­labore (diretores), nos termos  do art. 4o da Lei 10.666/2003, no período de 02/2008 a 12/2009.  O Relatório Fiscal, às fls. 25 a 41, informa que constituem fatos geradores das  contribuições  constantes  do  presente  lançamento  às  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados que prestaram serviços à Recorrente e à empresa H W MOLDAGEM E PEÇAS  PLÁSTICAS  LTDA.,  dada  a  unicidade  do  empreendimento  econômico  fiscalizado  e  à  conseqüente inexistência de fato da empresa HW:  Os  fatos  adiante  expostos  que  vão  demonstrar  que,  embora  operando  sob  roupagem  jurídica  distinta  da  empresa  mãe  (TECHPRESS),  a H W  é  inexistente  de  fato  pois  foi  criada  no  mesmo  local,  para  exercer  a  mesma  atividade,  e  não  tem  estrutura  industrial  própria  que  lhe  permitisse  de  fato  exercer  suas  atividades  industriais,  tendo  antes,  como  único  propósito,  usufruir  fraudulentamente  de  benefícios  tributários  do  regime  simplificado e  favorecido de  tributação (SIMPLES NACIONAL)  instituído pela Lei Complementar n° 123/2006  O Relatório fiscal informa, em relação às empresas:  7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ­  ainda que ocupando galpões anexos;  exercem mesma atividade  produtiva,  qual  seja a  produção de  peças  industriais moldadas  em material  plástico;  são  de  propriedade  de  um mesmo  grupo  familiar  envolvendo  basicamente  o  casal  Carlos  Roberto  de  Freitas e Patrícia Hammermeister ­ administradores em ambas ­  e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores.  8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de  forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra  os  insumos e  subcontrata a H W para beneficiá­los  (moldar as  peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações  e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 máquina  sequer,  sendo mera  fornecedora  de mão de  obra,  nos  termos  do  contrato  de  prestação  de  serviços  firmado  entre  ambas.  9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica  para  levar  a  cabo  tão  simples  processo  produtivo,  fomos  informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister  (Administradora  da  H  W),  que  se  trata  de  uma  maneira  encontrada  para  economizar  com  encargos  previdenciários  sobre  folha  de  pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo  que a TECHPRESS  já não pode sê­lo em  função dos  limites de  faturamento impostos pela legislação.  Em relação à empresa TECHPRESS:  10.  A  TECHPRESS  iniciou  suas  atividades  em  02/09/1996,  já  com  o  objeto  "fabricação  e  comercialização  de  peças  técnicas  em  plástico  reforçado",  com  um  capital  de  R$  20  mil,  integralizado  paritariamente  pelos  sócios­gerentes  Haroldo  Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas.  11.  Na  segunda  alteração  contratual,  datada  de  14/08/1997,  o  Sr.  Haroldo  retira­se  da  sociedade  para  ingresso  da  Sra.  Ana  Lúcia  de  Carvalho  Freitas,  presumível  companheira  do  Sr.  Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio,  permanecendo como  sócia  cotista minoritária até o advento da  quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007.  12.  O  instrumento  societário  que  formaliza  a  retirada  da  Sra.  Ana  Lúcia  da  sociedade,  informa  também  sua  mudança  de  domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio  do ex­companheiro.  Este  mesmo  instrumento  formaliza  também  o  ingresso  na  sociedade  da  Sra.  Patrícia  Hammermeister,  separada  judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova  companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante.  13.  A  partir  da  quarta  alteração  contratual,  registrada  em  03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José  Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que  aquele  galpão  é  ocupado por  uma  empresa  estranha  ao  grupo  (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/0001­30)  e  que  suas  atividades  produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é  o  endereço  oficial  da  H  W,  e  a  administração  (de  ambas)  funciona no galpão de n° 59.  14.  Na  quinta  alteração  contratual,  registrada  em  15/01/2008,  formaliza­se  a  saída  da  Sra.  Patrícia  Hammermeister,  remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio  no  interstício  legal  de  180  dias,  até  que  seja  identificado  novo  sócio.  15.  Importa  aqui  ressaltar  que  a  urgência  na  retirada  da  Sra.  Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de,  em  03/02/2008,  ela  passar  a  figurar  como  sócia majoritária e  administradora  da  nova  empresa  (H  W)  criada  para  prestar  serviços  à  TECHPRESS  e  usufruir  benefícios  tributários  do  SIMPLES  NACIONAL,  principalmente  a  isenção  da  cota  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 202          5 patronal  da  Contribuição  Previdenciáría  sobre  folha  de  pagamentos.  Em relação à empresa HW:  17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008,  com  um  capital  de  R$  50  mil  subscrito  paritariamente  por  Patrícia  Hammermeister  e  Henrique  Werner  (menor)  representado  pela  mãe,  Patrícia  Hammermeister,  tendo  essa  empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão  anexo à sede original da Techpress.  18. Com a primeira  alteração  contratual,  levada a  registro  em  28/03/2008,  esta  sociedade  altera  a  denominação  para  H  W  Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social,  que  passa  de  "prestação  de  serviços  de  tornearia,  industrialização  por  conta  de  terceiros"  para  "prestação  de  serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a  terceiros " .  19. Notar que o  trabalho de moldagem das peças  desenvolvido  na  H  W  consiste  em  mera  parte  do  processo  normal  de  fabricação  previamente  desenvolvido  na  TECHPRESS,  haja  vista  seu  objeto  de  "fabricação  e  comercialização  de  peças  técnicas em plástico reforçado".  20.  O  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  celebrado  entre  tais  empresas  (anexo)  prevê  datas  de  pagamentos  mensais,  porém  sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas  aprazadas  (05  e  30  de  cada  mês)  o  que  é  uma  situação  não  compatível com as práticas de mercado.  21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS  assume  a  responsabilidade  de  pagar  pelos  serviços  a  serem  prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os  valores  ou  parâmetros  de  valoração  não  constam  do  contrato  firmado,  ficando  apenas  implícito  que  se  trata  (o  objeto  do  contrato) do reembolso puro e  simples da  folha de pagamentos  dos  empregados,  assim entendidos  os  empregados  formalmente  registrados  na  HW,  e  que  efetivamente  trabalham  para  a  TECHPRESS como sempre o fizeram.  22.  A  contabilidade  apresentada  pela  H  W  para  o  ano  2008  (livro  diário  n°  01,  com  escrituração  de  janeiro  a  setembro,  e  livro  diário  n°  02,  com  escrituração  de  outubro  a  dezembro)  ambos  não  registrados  em  Junta  Comercial  (escrituração  simplificada),  por  lapso  de  controle,  apontam  nos  termos  de  abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como  administrador, seguido da ressalva que o administrador correto  é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20).  23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado  às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita  operacional bruta no  valor de R$ 481.508,30,  sendo que dessa  receita,  R$  477.178,30,  portanto  99,1%,  refere­se  à  conta  3111.0004  Industrialização  à  Vista,  que  representa  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6 exclusivamente  os  serviços  prestados  à  TECHPRESS  como  documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02.  24.  O  balancete  analítico  referente  ao  período  janeiro  a  dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03  (igualmente  sem  registro  em  cujos  termos  de  abertura  e  encerramento  foram  impressos  com  o  nome  do  Sr.  Carlos  Roberto  de  Freitas  como  administrador,  seguido  da  mesma  ressalva  em manuscrito)  aponta  Receita  Operacional  Bruta  de  R$  1.946.168,10,  sendo  que  dessa  receita  nada menos  que,  R$  1.911.328,00,  portanto  98,2%,  refere­se  à  conta  3111.0003  Industrialização  à  Prazo  que  representa  exclusivamente  os  serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73  e 74 do livro razão n° 03.  25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico  aponta  custos  totais  da  ordem  de  R$  1.411.174,20,  sendo  que  desses  custos  apenas  R$  19.400,51  referem­se  a  compras  de  insumos, e R$ 1.344.704,07 referem­se a custos de mão­de­obra  direta  (74,5%  da  receita  operacional  líquida)  o  que  configura  uma  distorção  de  custos  frente  às  práticas  de  mercado  e  comprova  a  artificialidade  das  transações  registradas  contabilmente por ambas as empresas.  26.  Com  efeito,  o  balancete  analítico  da  TECHPRESS  em  dezembro  de  2009  (não  escriturado  pois  a  empresa  não  apresentou  o  livro  diário  desse  exercício)  aponta  receita  operacional  bruta  de  R$  5.546.540,51  e  custos  dos  produtos  vendidos  de  R$  3.535.962,13,  sendo  que  desses  custos,  R$  2.530.038,53  referem­se  a  compras  de  insumos  e  apenas  R$  258.401,60 referem­se a salários e ordenados (conta 3318.0010)  no grupamento de mão de obra direta.  27.  Essa  distorção  já  foi  perceptível  também  na DIPJ  do  ano­ calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda  no  mercado  interno  da  ordem  de  R$  7.997.620,69  e  custos  e  despesas  com  pessoal  de  apenas  R$  694.740,26  (ficha  64  ­  informações previdenciárias).  28.  É  perceptível,  pois,  que  foi  patrocinada  uma  migração  em  massa  dos  empregados  da  TECHPRESS  para  a  H  W  no  ano  2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as  empresas  disponíveis  nos  sistemas  alimentados  pela  RAIS  (Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais)  relativas  àquele  ano.  O Relatório Fiscal, ás fls. 25 a 41, expõe que a empresa HW é inexistente de  fato:  33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiu­se que a empresa H  W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para  aderir  ao  regime  tributário  do  SIMPLES  NACIONAL  (Lei  Complementar  n°  123/2006),  registrar  em  seu  nome  os  empregados  da  empresa  TECHPRESS,  e,  desta  forma,  fraudulentamente  deixar  de  recolher  as  contribuições  previdenciárias  do  empregador  (cota  patronal)  sobre  as  remunerações dos empregados e dirigentes.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 203          7 34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa  originária,  ser  responsabilizada  pela  remuneração  de  todos  os  segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a  ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade  empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não  ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado.  35.  Importa  notar  que  não  se  desconsiderou  a  personalidade  jurídica  de  nenhuma  dessas  duas  empresas,  as  quais,  com  o  registro  nos  órgãos  competentes,  adquiriram  personalidade  jurídica  de  sociedade  comercial,  gerando  efeitos  tais  como  patrimônio, nome e domicílio próprios.  36.  O  instituto  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica,  que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo  50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando  a  sociedade é por eles utilizada como meio de obter  vantagens  indevidas, valendo­se da distinção entre o patrimônio dos sócios  e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de  decisão judicial.  37.  O  que  porém  concluiu  a  fiscalização  é  que  a  H  W,  muito  embora  tenha  sido  registrada  de  maneira  legal  e  possua  personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial,  não  tem  sede  própria  e  nem  instalações  distintas  da  empresa  TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato.  38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como  a  empregadora,  posto  que,  embora  presentes  os  pressupostos  para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da  Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração  e apresentação de  sua  folha de pagamentos à  fiscalização,  tais  vínculos  deram­se  com  a  TECHPRESS,  como  a  empresa  originária do grupo e empregadora de fato.  39.  Veja­se,  por  exemplo,  nos  esclarecimentos  prestados  por  escrito  (7­b),  que  o  Sr.  Carlos  Roberto  de  Freitas  (Carlos  Roberto),  administrador  da  TECHPRESS,  figura  como  responsável  pelas  áreas  comercial  e  controle  geral  do  operacional  o  que  implica  em  subordinação  de  todos  ao  seu  comando operacional, independentemente da nova empresa para  onde tenham sido transferidos.  O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA.  40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008,  para  o  exercício  da  atividade  (também  complementar  à  TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à  Rua  José  Rafael  Reinert  n°  59,  em  galpão  anexo  às  demais  empresas já citadas.  41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que  a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra.  Patrícia Hammermeister  administradora  da H W;  a  segunda  é  auxiliar  de  limpeza  naquela  empresa  (ficha  de  registro  de  empregado n° 39).  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8 42. Trata­se assim da mesma proposta administrativa já adotada  com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em  tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto  fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL.  43.  Todavia,  como  esta  empresa  iniciou  atividades  apenas  em  2009,  não  houve  lançamento  de  débito  em  relação à mesma,  e  apenas  a  arrolamos  como  responsável  solidária  em  face  da  configuração de Grupo Econômico de fato.  O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato:  63.  As  seguintes  empresas  já  devidamente  qualificadas  na  introdução  ao  presente  relatório,  são  aqui  tratadas  como  devedoras  solidárias  e  integrantes  de  GRUPO  ECONÔMICO  DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a  unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo  mesmo grupo familiar:  ­.  TECHPRESS  INDÚSTRIA  DE  PLÁSTICOS  LTDA.,  CNPJ  01.402.992/0001­46;  ­.  H  W  MOLDAGEM  DE  PEÇAS  PLÁSTICAS  LTDA.,  CNPJ  09.332.761/0001­15;  ­. T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/0001­03  67.  Quanto  à  abrangência  da  conceituação  de  "grupo  econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é  relevante ainda esclarecer,  que os  conceitos  contidos no  inciso  IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são  bem  mais  amplos  dos  que  os  previstos  na  Lei  6.404/76.  Na  legislação  trabalhista  e  previdenciária,  basta  apenas  à  existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre  outra para caracterizar o grupo econômico,  independentemente  do  tipo  de  empresa  ou  da  natureza  de  poder.  Ou  seja,  a  aplicabilidade  do  conceito  de  grupo  econômico  no  direito  previdenciário e trabalhista justifica­se pelo caráter social e não  estritamente pelo poder econômico.  Observa­se, em relação ao cálculo das Multas:  (i)  para  o  período  02/2008  a  11/2008:  o  Relatório  Fiscal  demonstra  no  quadro  comparativo  a  aplicação  da  multa  mais  benéfica ao contribuinte considerando­se as alterações  trazidas  na legislação pela Lei 11,941/2009;  (ii) para o período 12/2008 a 12/2009: o Relatório Fiscal aponta  a aplicação da multa qualificada  (art.  35­A, Lei 8212/1991 c/c  art.  44,  I  e  §  1º,  Lei  9430/1996)  em  função  de  ter  sido  evidenciado faticamente a ocorrência de sonegação,   A  Recorrente  teve  ciência  do  TIPF  –  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, às fls. 19 a 20.  Conforme o Relatório Fiscal:  Fiscalizamos também a empresa H W MOLDAGEM DE PEÇAS  PLÁSTICAS  LTDA.  (H  W),  CNPJ  09.332.761/0001­15,  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 204          9 abrangendo  o  período  de  junho/2008  a  dezembro/2009,  consoante  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n°  0920200.2010.00503.  Efetuamos  ainda  diligência  para  obtenção  de  documentos  e  informações junto à empresa T.T.P. USINAGEM LTDA. (T.T.P.),  CNPJ  10.456.105/0001­03,  consoante  Mandado  de  Procedimento Fiscal n° 0920200.2010.00549.  Ainda assim, conforme a Relação de sujeitos passivos solidários, às  fls. 02,  foi  emitido  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  para  a  empresa H W MOLDAGEM DE  PECAS  PLÁSTICAS  LTDA,  às  fls.  42  a  43,  bem  como  o  TIPF  –  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal,o  Termo  de  Intimação  Fiscal  e  o  Termo  de  Encerramento  do  Procedimento Fiscal ­ TEPF.  Para  a  empresa  TTP USINAGEM  LTDA ME  foi  colacionado  nos  autos  o  Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF.  A Recorrente teve ciência do AIOP em 22.06.2010.  O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo  do Débito ­ DD é de 02/2008 a 12/2009.  A Recorrente  apresentou  Impugnação  tempestiva,  em  apertada  síntese,  conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  A  autuada  devidamente  intimada,  documento  de  fl.  01,  apresentou  defesa  administrativa,  de  fls.  46  a  53,  fazendo,  inicialmente, um relato sobre os fatos e o lançamento a que foi  submetida,  alegando,  em  síntese,  que:  considerando­se  que  as  empresas  objeto  do  auto  de  infração  se  tratam  de  pessoas  jurídicas autônomas, nos termos do Código Tributário Nacional  ­ CTN, cabe a cada uma, individualmente, responder por débitos  fiscais que porventura a elas sejam imputadas, o que não ocorre  no  presente  caso;  de  acordo  com  a  doutrina  dominante  é  inadmissível  imputar a  responsabilidade  solidária a apenas um  sujeito passivo, logo, o auto de infração ora combatido é nulo; é  imprescindível  que  as  empresas  responsabilizadas  solidariamente realizem conjuntamente a situação configuradora  do  fato  gerador,  sendo  irrelevante  a  mera  participação  no  resultado dos eventuais lucros auferidos por uma delas.  Por fim, a vista do exposto requer o cancelamento da exigência  fiscal ora combatida.  .A  Recorrida,  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Florianópolis ­ SC, fls. 186 a 189, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº  07­23.642 ­ 6a. Turma julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2009   AIOP / DEBCAD : 37.231.404­0, de 22/06/2010  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   10  SIMULAÇÃO .  A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro  sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo  como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo  ser  exigido  da  pessoa  que  efetivamente  teve  relação  pessoal  e  direta com o fato gerador.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO NÃO  CARACTERIZADO .  A  caracterização de  grupo  econômico,  ainda que  verificado de  fato,  no  âmbito  tributário,  visa  à  responsabilidade  de  seus  integrantes, por solidariedade, não aplicável na simulação, com  o fim de redução de tributos, mediante o artifício de constituição  de empresa.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido    Regularmente  intimados  da  decisão  do  órgão  julgador  “a  quo”,  apenas  a  empresa TECHPRESS apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos deduzidos em  sede de primeira instância:  (i)  Da  nulidade  do  Auto  de  Infração.  Da  impossibilidade  de  consideração  de  grupo  econômico  para  fins  de  imputação  do  auto de infração.      Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão.        É o Relatório.    Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 205          11   Voto             Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  se  depreende  do  encaminhamento ao CARF.  Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito.    DAS QUESTÕES PRELIMINARES   (A) Da regularidade do lançamento  Analisemos.  Não  obstante  a  argumentação  do  Recorrente,  não  confiro  razão  ao  mesmo  pois, de plano, nota­se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não  havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa.   Trata­se de Recurso Voluntário  interposto pela Recorrente – TECHPRESS­ INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS LTDA contra Acórdão nº 07­23.642 ­ 6ª Turma da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que julgou procedente a autuação  por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP  nº. 37.231.404­0, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 366.020,52.  O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas  à  Seguridade  Social  devida  pelos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  como  prevista  nos  artigos  20  e  21,  da Lei  8212/91,  descontada  ou  não,  porém  não  declarada  nem  recolhida  regular  e  tempestivamente  aos  cofres  da  Seguridade  Social,  e  calculada  pela  aplicação  da  alíquota  vigente  sobre  o  salário­de­contribuição  mensal  de  cada  segurado  (empregado) e pela alíquota de 11% sobre remunerações de pró­labore (diretores), nos termos  do art. 4o da Lei 10.666/2003, no período de 02/2008 a 12/2009.  O Relatório Fiscal, às fls. 25 a 41, informa que constituem fatos geradores das  contribuições  constantes  do  presente  lançamento  às  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados que prestaram serviços à Recorrente e à empresa H W MOLDAGEM E PEÇAS  PLÁSTICAS  LTDA.,  dada  a  unicidade  do  empreendimento  econômico  fiscalizado  e  à  conseqüente inexistência de fato da empresa HW:  Os  fatos  adiante  expostos  que  vão  demonstrar  que,  embora  operando  sob  roupagem  jurídica  distinta  da  empresa  mãe  (TECHPRESS),  a H W  é  inexistente  de  fato  pois  foi  criada  no  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   12 mesmo  local,  para  exercer  a  mesma  atividade,  e  não  tem  estrutura  industrial  própria  que  lhe  permitisse  de  fato  exercer  suas  atividades  industriais,  tendo  antes,  como  único  propósito,  usufruir  fraudulentamente  de  benefícios  tributários  do  regime  simplificado e  favorecido de  tributação (SIMPLES NACIONAL)  instituído pela Lei Complementar n° 123/2006.  Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi  lavrado AIOP nº  37.231.404­0 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é  o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a  outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal:  (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.231.404­0)  Lei n° 8.212/91   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  beneficio  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  IN MPS/SRP n° 03/2005  Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário  relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa:  (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008)  I  ­  GFIP,  que  é  o  documento  declaratório  da  obrigação,  caracterizado  como  instrumento  de  confissão  de  dívida  tributária;  II  ­  Lançamento  do  Débito  Confessado  (LDC),  que  é  o  documento  por  meio  do  qual  o  sujeito  passivo  confessa  os  débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851,  de 28/05/2008)  III ­ Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008  IV ­ Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de  crédito,  inclusive  relativo à multa aplicada em decorrência do  descumprimento  de  obrigação acessória,  lavrado por Auditor­ Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  (AFRFB)  e  apurado  mediante procedimento de  fiscalização;  e  (Nova  redação dada  pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008)  V ­ Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo  de  crédito  expedido  pelo  órgão  da  Administração  Tributária.  (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008)  IN RFB n° 971/2009  Art.  460.  São  documentos  de  constituição  do  crédito  tributário  relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa:  I  ­ Guia  de Recolhimento  do Fundo de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  é  o  documento  declaratório  da  obrigação,  caracterizado  como  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 206          13 instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  do  crédito  tributário;  II  ­  Lançamento  do Débito  Confessado  (LDC),  é  o  documento  por  meio  do  qual  o  sujeito  passivo  confessa  os  débitos  que  verifica;  III  ­  Auto  de  Infração  (AI),  é  o  documento  constitutivo  de  crédito,  inclusive  relativo à multa aplicada em decorrência do  descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e  apurado mediante procedimento de fiscalização;  IV  –  Notificação  de  Lançamento  (NL),  é  o  documento  constitutivo  de  crédito  expedido  pelo  órgão  da  Administração  Tributária;  V  ­  Débito  Confessado  em  GFIP  (DCG),  é  o  documento  que  registra  o  débito  decorrente  de  divergência  entre  os  valores  recolhidos  em  documento  de  arrecadação  previdenciária  e  os  declarados em GFIP; e   Pode­se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento:  · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de  Início  da  Ação  Fiscal,  o  qual  contém  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  MPF­  F,  com  a  competente  designação  do  Auditor­Fiscal  responsável  pelo  cumprimento do procedimento; · A  intimação  para  a  apresentação  dos  documentos  conforme  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que  apresentasse todos os documentos capazes de comprovar  o cumprimento da legislação previdenciária;   · A  autuação  dentro  do  prazo  autorizado  pelo  referido  Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos  geradores  e  fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias  para  que  o  autuado  pudesse  efetuar as impugnações que considerasse pertinentes:  a. IPC ­ Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de  comunicar  ao  contribuinte  como  regularizar  seu  débito,  como  apresentar defesa e outras informações);  b. DD ­ Discriminativo do Débito   c.  FLD­  Fundamentos  Legais  do  Débito  (que  indica  os  dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das  contribuições  exigidas,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época do respectivo fato gerador);  d. VÍNCULOS ­ Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas  físicas  ou  jurídicas  em  razão  de  seu  vínculo  com  o  sujeito  passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período);   Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   14 e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal;  h. REFISC – Relatório Fiscal.  Cumpre­nos  esclarecer  ainda,  que  o  lançamento  fiscal  foi  elaborado  nos  termos  do  artigo  142  do Código Tributário Nacional,  especialmente  a  verificação  da  efetiva  ocorrência  do  fato  gerador  tributário,  a  matéria  sujeita  ao  tributo,  bem  como  o  montante  individualizado do tributo devido.  De plano, o art. 142, CTN, estabelece que:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.   Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”  Analisando­se  o  AIOP  nº  37.231.404­0,  tem­se  que  foi  cumprido  integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN.  Ademais,  não  compete  ao  Auditor­Fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de  débito  de  forma  vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente.      DO MÉRITO.    (i)  Da  nulidade  do  Auto  de  Infração.  Da  impossibilidade  de  consideração  de  grupo  econômico  para  fins  de  imputação  do  auto de infração.  Analisemos.    Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 207          15 I. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO  I.1 Aspectos gerais  Na alegação do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada  a  co­responsabilização  das  empresas  do Grupo  Econômico  de  fato,  assim  caracterizado  pela  autoridade  lançadora,  sob  o  argumento  de  que  inexiste  qualquer  situação  fática  ou  jurídica  capaz de suportar  tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a  caracterização  ex  ofício  de  Grupo  Econômico  pelo  simples  fato  de  as  empresas  terem  os  mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente.  A corroborar tal entendimento, a Recorrente infere que os fatos elencados em  sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas  não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente  independentes e autônomas,  inobstante terem possuído o mesmo controle.  Em que pesem as  razões de  fato  e de direito ofertadas pelo  contribuinte na  peça  recursal,  seus  entendimentos  não  têm  o  condão  de  macular  a  exigência  fiscal,  senão  vejamos.  Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração,  às  fls.  25  a  41,  as  empresas  ali  arroladas  fazem  parte  efetivamente  de Grupo Econômico  de  fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta.     I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional  Como  se  sabe,  a  solidariedade  previdenciária  é  legal  e  obriga  os  sujeitos  passivos  do  fato  gerador  da  contribuição  da  seguridade  social,  desde  que  suas  regras  sejam  corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido.  Nesse  sentido,  os  artigos  121,  124  e  128,  do  Código  Tributário  Nacional,  assim prescrevem:  “ Art.  121  ­  Sujeito  passivo  da  obrigação principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo Único ­ O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direita  com a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Art.124 ­ São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   16 Parágrafo  Único  ­  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Art.128  ­  Sem  prejuízo  do  disposto  neste  capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  crédito  tributário  a  terceira  pessoa,  vinculada  ao  fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn)    I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976  Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento  da  autoridade  fiscal,  ao  conceituar Grupo Econômico em seus  artigos 116, 265 e 267,  como  segue:  “Art.  116.  Entende­se  por  acionista  controlador  a  pessoa,  natural  ou  jurídica,  ou  o  grupo  de  pessoas  vinculadas  por  acordo de voto, ou sob controle comum, que:   a)  é  titular  de  direitos  de  sócio  que  lhe  assegurem,  de  modo  permanente,  a  maioria  dos  votos  nas  deliberações  da  assembléia­geral  e  o  poder  de  eleger  a  maioria  dos  administradores da companhia; e   b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais  e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia.   Parágrafo  único.  O  acionista  controlador  deve  usar  o  poder  com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir  sua  função social,  e  tem deveres  e  responsabilidades para  com  os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para  com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve  lealmente respeitar e atender.  Art.  265  ­ A  sociedade controladora e  suas  controladas podem  constituir,  nos  termos  deste  Capítulo,  grupo  de  sociedades,  mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos  ou  esforços  para  a  realização  dos  respectivos  objetos,  ou  a  participar de atividades ou empreendimentos comuns.  § 1º ­ A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve  ser  brasileira,  e  exercer,  direta  ou  indiretamente,  e  de  modo  permanente, o controle das sociedades  filiadas, como  titular de  direitos  de  sócio  ou  acionista,  ou mediante  acordo  com  outros  sócios ou acionistas.  §  2º  ­  A  participação  recíproca  das  sociedades  do  grupo  obedecerá ao disposto no artigo 244.  Art.  267  ­  O  grupo  de  sociedades  terá  designação  de  que  constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo".  Parágrafo  Único  ­  Somente  os  grupos  organizados  de  acordo  com  este  Capítulo  poderão  usar  designação  com  as  palavras  "grupo" ou "grupo de sociedade".”  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 208          17   Entretanto,  tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de  empresas  controladas  direta  ou  indiretamente  pela(s) mesma(s)  pessoa(s),  sem  que  estejam  formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico  de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de  fato".    I.4 Aplicação  da  Instrução  Normativa  MPS/SRP  nº  3/2005  e  da  IN  RFB  971/2009:  Por  outro  lado,  a  Instrução  Normativa  MPS/SRP  nº  3/2005  trata  o  grupo  econômico  nos  artigos  179,  748  e  749,  na  redação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  a  seguir:  Art.  179.  São  responsáveis  solidários  pelo  cumprimento  da  obrigação previdenciária principal:  I  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza, entre si; (Redação original)  I  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza, entre si, conforme previsto no  inciso IX do art. 30 da  Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº  20, de 11/01/2007)  Art. 748. Caracteriza­se grupo econômico quando duas ou mais  empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer outra atividade econômica. (gn)  Art.  749.  Quando  do  lançamento  de  crédito  previdenciário  de  responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as  demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  na  forma  do  art.  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  serão  cientificadas  da  ocorrência.  No mesmo sentido, a IN RFB 971/2009:  Art.  152.  São  responsáveis  solidários  pelo  cumprimento  da  obrigação previdenciária principal:  I  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da  Lei nº 8.212, de 1991;  Art.  494.  Caracteriza­se  grupo  econômico  quando  2  (duas)  ou  mais  empresas  estiverem  sob  a  direção,  o  controle  ou  a  administração  de  uma  delas,  compondo  grupo  industrial,  comercial ou de qualquer outra atividade econômica.  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   18 Art.  495.  Quando  do  lançamento  de  crédito  previdenciário  de  responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as  demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo  cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso  IX  do  art.  30  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  serão  cientificadas  da  ocorrência.  Não  vincula,  portanto,  a  existência  de  "grupo  econômico"  ao  cumprimento  das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa  MPS/SRP  n°  3/2005  não  se  refere  apenas  e  necessariamente  aos  grupos  formalmente  constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção,  o controle ou a administração de uma delas".  Para  a  caracterização  e  identificação  de  "grupo  econômico",  importa,  portanto,  investigar  a  situação  real  (verificação  dos  vínculos  entre  as  empresas  e  das  circunstâncias  em  que  se  constituíram  e  realizam  suas  atividades)  e  não  apenas  a  situação  meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei  6.404/76).    I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT  Em outra  via,  o  artigo  2º,  §  2º,  da CLT,  ao  tratar  da matéria,  estabelece  o  seguinte:  “Art.  2º  Considera­se  empregador  a  empresa  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  de  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.  § 1º [...]  §  2º Sempre  que uma ou mais  empresas,  tendo,  embora,  cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo  industrial,  comercial  ou  de  qualquer  outra  atividade  econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis  a  empresa  principal  e  cada  uma  das subordinadas.” (gn)  Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção  entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado  pelos  reiterados  julgados  da  Justiça  do  Trabalho,  vinculando  invariavelmente  as  demais  empresas  de  um  grupo  econômico,  ainda  que  não  formalmente  constituído,  à  reclamatória  trabalhista,  desde  que  demonstrada  a  relação, mesmo  informal,  entre  o  empregador  direto  e  demais empresas vinculadas.  Assim,  a possibilidade  (ou mesmo a determinação)  legal da vinculação  por  solidariedade  dos  integrantes  de  "grupos  econômicos",  sejam  eles  formais  ou  informais,  se  justifica  em  ambos  os  casos  —  cobrança  de  direitos  trabalhistas  ou  de  contribuições  previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem.    I.6  Procedimentos  que  caracterizaram  o  grupo  econômico  de  fato  e  a  utilização da empresa HW como empregadora da mão de obra da empresa TECHPRESS.  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 209          19 Com  mais  especificidade,  em  relação  aos  procedimentos  a  serem  observados  pelos  Auditores  fiscais  da RFB  ao  promoverem  o  lançamento,  notadamente  quando  tratar­se  de  caracterização  de  Grupo  Econômico,  o  artigo  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do  feito, in verbis:  “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou  de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às  seguintes normas:  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações decorrentes desta lei;”  Anota­se  que  o  art.  222  do  Decreto  3.048/1999  também  trata  da  matéria  acerca de grupo econômico:  Decreto 3.048/1999 ­ Art. 222.As empresas que integram grupo  econômico  de  qualquer  natureza,  bem  como  os  produtores  rurais  integrantes do consórcio  simplificado de que  trata o art.  200­A,  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo  Decreto nº 4.032, de 2001) (gn)  No presente caso concreto, ao contrário do entendimento do Recorrente,  inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de  fato,  bem  como  pela  utilização  fática  da  empresa HW  como  empregadora  da mão­de­ obra.  Somente  a  título  elucidativo,  para  não  restar  dúvidas  a  propósito  do  tema,  transcreveremos  abaixo  a  síntese  das  razões  que  levaram  a  fiscalização  concluir  pela  existência de Grupo Econômico de Fato bem como pela utilização fática da empresa HW  como  empregadora  da  mão­de­obra.,  onde  o  Auditor­Fiscal  autuante,  com  muita  propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão  vejamos:  O Relatório fiscal informa, em relação às empresas:  7. Com efeito, tais empresas são sediadas na mesma localidade ­  ainda que ocupando galpões anexos;  exercem mesma atividade  produtiva,  qual  seja a  produção de  peças  industriais moldadas  em material  plástico;  são  de  propriedade  de  um mesmo  grupo  familiar  envolvendo  basicamente  o  casal  Carlos  Roberto  de  Freitas e Patrícia Hammermeister ­ administradores em ambas ­  e seus descendentes ou ascendentes, inclusive menores.  8. O processo produtivo é único e envolve ambas as empresas de  forma complementar, na medida em que a TECHPRESS compra  os  insumos e  subcontrata a H W para beneficiá­los  (moldar as  peças plásticas), oferecendo para isso suas próprias instalações  e maquinário produtivo, visto que aquela (H W) não detém uma  máquina  sequer,  sendo mera  fornecedora  de mão de  obra,  nos  termos  do  contrato  de  prestação  de  serviços  firmado  entre  ambas.  Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   20 9. Questionados da necessidade de mais de uma pessoa jurídica  para  levar  a  cabo  tão  simples  processo  produtivo,  fomos  informados, pela Sra. Patrícia Hammermeister  (Administradora  da  H  W),  que  se  trata  de  uma  maneira  encontrada  para  economizar  com  encargos  previdenciários  sobre  folha  de  pagamentos, visto que a H W é optante do SIMPLES, ao passo  que a TECHPRESS  já não pode sê­lo em  função dos  limites de  faturamento impostos pela legislação.  Em relação à empresa TECHPRESS:  10.  A  TECHPRESS  iniciou  suas  atividades  em  02/09/1996,  já  com  o  objeto  "fabricação  e  comercialização  de  peças  técnicas  em  plástico  reforçado",  com  um  capital  de  R$  20  mil,  integralizado  paritariamente  pelos  sócios­gerentes  Haroldo  Arthidoro Paes de Barros e Carlos Roberto de Freitas.  11.  Na  segunda  alteração  contratual,  datada  de  14/08/1997,  o  Sr.  Haroldo  retira­se  da  sociedade  para  ingresso  da  Sra.  Ana  Lúcia  de  Carvalho  Freitas,  presumível  companheira  do  Sr.  Carlos Roberto de Freitas, haja vista a identidade de domicílio,  permanecendo como  sócia  cotista minoritária até o advento da  quarta alteração contratual, levada a registro em 03/12/2007.  12.  O  instrumento  societário  que  formaliza  a  retirada  da  Sra.  Ana  Lúcia  da  sociedade,  informa  também  sua  mudança  de  domicílio, que pela primeira vez passa a ser distinto do domicílio  do ex­companheiro.  Este  mesmo  instrumento  formaliza  também  o  ingresso  na  sociedade  da  Sra.  Patrícia  Hammermeister,  separada  judicialmente, que passa a ocupar aquele mesmo domicílio (nova  companheira) e assume parte das cotas da sócia retirante.  13.  A  partir  da  quarta  alteração  contratual,  registrada  em  03/12/2007, esta empresa passou a operar com sede na Rua José  Rafael Reinert n° 109, porém em visita ao local constatamos que  aquele  galpão  é  ocupado por  uma  empresa  estranha  ao  grupo  (TECNOFIT; CNPJ 10.234.559/0001­30)  e  que  suas  atividades  produtivas atuais são sediadas de fato no galpão de n° 89, que é  o  endereço  oficial  da  H  W,  e  a  administração  (de  ambas)  funciona no galpão de n° 59.  14.  Na  quinta  alteração  contratual,  registrada  em  15/01/2008,  formaliza­se  a  saída  da  Sra.  Patrícia  Hammermeister,  remanescendo o Sr. Carlos Roberto de Freitas como único sócio  no  interstício  legal  de  180  dias,  até  que  seja  identificado  novo  sócio.  15.  Importa  aqui  ressaltar  que  a  urgência  na  retirada  da  Sra.  Patrícia Hammermeister da sociedade não é senão pelo fato de,  em  03/02/2008,  ela  passar  a  figurar  como  sócia majoritária e  administradora  da  nova  empresa  (H  W)  criada  para  prestar  serviços  à  TECHPRESS  e  usufruir  benefícios  tributários  do  SIMPLES  NACIONAL,  principalmente  a  isenção  da  cota  patronal  da  Contribuição  Previdenciáría  sobre  folha  de  pagamentos.  Em relação à empresa HW:  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 210          21 17. A H W Tornearia Ltda., foi levada a registro em 24/01/2008,  com  um  capital  de  R$  50  mil  subscrito  paritariamente  por  Patrícia  Hammermeister  e  Henrique  Werner  (menor)  representado  pela  mãe,  Patrícia  Hammermeister,  tendo  essa  empresa sua sede à Rua José Rafael Reinert n° 89 que é galpão  anexo à sede original da Techpress.  18. Com a primeira  alteração  contratual,  levada a  registro  em  28/03/2008,  esta  sociedade  altera  a  denominação  para  H  W  Moldagem de Peças Plásticas Ltda., e também seu objeto social,  que  passa  de  "prestação  de  serviços  de  tornearia,  industrialização  por  conta  de  terceiros"  para  "prestação  de  serviços de moldagem e pultrusão de peças plásticas efetuadas a  terceiros " .  19. Notar que o  trabalho de moldagem das peças  desenvolvido  na  H  W  consiste  em  mera  parte  do  processo  normal  de  fabricação  previamente  desenvolvido  na  TECHPRESS,  haja  vista  seu  objeto  de  "fabricação  e  comercialização  de  peças  técnicas em plástico reforçado".  20.  O  Contrato  de  Prestação  de  Serviços  celebrado  entre  tais  empresas  (anexo)  prevê  datas  de  pagamentos  mensais,  porém  sequer estipula preços para os serviços a serem pagos nas datas  aprazadas  (05  e  30  de  cada  mês)  o  que  é  uma  situação  não  compatível com as práticas de mercado.  21. Com efeito, por tais instrumentos a contratante TECHPRESS  assume  a  responsabilidade  de  pagar  pelos  serviços  a  serem  prestados pela contratada H W (moldagem de peças) porém os  valores  ou  parâmetros  de  valoração  não  constam  do  contrato  firmado,  ficando  apenas  implícito  que  se  trata  (o  objeto  do  contrato) do reembolso puro e  simples da  folha de pagamentos  dos  empregados,  assim entendidos  os  empregados  formalmente  registrados  na  HW,  e  que  efetivamente  trabalham  para  a  TECHPRESS como sempre o fizeram.  22.  A  contabilidade  apresentada  pela  H  W  para  o  ano  2008  (livro  diário  n°  01,  com  escrituração  de  janeiro  a  setembro,  e  livro  diário  n°  02,  com  escrituração  de  outubro  a  dezembro)  ambos  não  registrados  em  Junta  Comercial  (escrituração  simplificada),  por  lapso  de  controle,  apontam  nos  termos  de  abertura e encerramento, o Sr. Carlos Roberto de Freitas como  administrador, seguido da ressalva que o administrador correto  é Sra. Patrícia Hammermeister (livro diário n° 02; fls.01 e 20).  23. O balancete analítico do último trimestre de 2008 apensado  às fls. 15 a 19 do livro diário n° 02, aponta o montante de receita  operacional bruta no  valor de R$ 481.508,30,  sendo que dessa  receita,  R$  477.178,30,  portanto  99,1%,  refere­se  à  conta  3111.0004  Industrialização  à  Vista,  que  representa  exclusivamente  os  serviços  prestados  à  TECHPRESS  como  documentado às fls. 11 e 12 do livro razão n°02.  24.  O  balancete  analítico  referente  ao  período  janeiro  a  dezembro de 2009, apensado às fls. 85 a 89 do livro diário n° 03  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   22 (igualmente  sem  registro  em  cujos  termos  de  abertura  e  encerramento  foram  impressos  com  o  nome  do  Sr.  Carlos  Roberto  de  Freitas  como  administrador,  seguido  da  mesma  ressalva  em manuscrito)  aponta  Receita  Operacional  Bruta  de  R$  1.946.168,10,  sendo  que  dessa  receita  nada menos  que,  R$  1.911.328,00,  portanto  98,2%,  refere­se  à  conta  3111.0003  Industrialização  à  Prazo  que  representa  exclusivamente  os  serviços prestados à TECHPRESS como documentado às fls. 73  e 74 do livro razão n° 03.  25. Ainda relativamente ao ano 2009, aquele balancete analítico  aponta  custos  totais  da  ordem  de  R$  1.411.174,20,  sendo  que  desses  custos  apenas  R$  19.400,51  referem­se  a  compras  de  insumos, e R$ 1.344.704,07 referem­se a custos de mão­de­obra  direta  (74,5%  da  receita  operacional  líquida)  o  que  configura  uma  distorção  de  custos  frente  às  práticas  de  mercado  e  comprova  a  artificialidade  das  transações  registradas  contabilmente por ambas as empresas.  26.  Com  efeito,  o  balancete  analítico  da  TECHPRESS  em  dezembro  de  2009  (não  escriturado  pois  a  empresa  não  apresentou  o  livro  diário  desse  exercício)  aponta  receita  operacional  bruta  de  R$  5.546.540,51  e  custos  dos  produtos  vendidos  de  R$  3.535.962,13,  sendo  que  desses  custos,  R$  2.530.038,53  referem­se  a  compras  de  insumos  e  apenas  R$  258.401,60 referem­se a salários e ordenados (conta 3318.0010)  no grupamento de mão de obra direta.  27.  Essa  distorção  já  foi  perceptível  também  na DIPJ  do  ano­ calendário 2008 (da TECHPRESS) que aponta receita de venda  no  mercado  interno  da  ordem  de  R$  7.997.620,69  e  custos  e  despesas  com  pessoal  de  apenas  R$  694.740,26  (ficha  64  ­  informações previdenciárias).  28.  É  perceptível,  pois,  que  foi  patrocinada  uma  migração  em  massa  dos  empregados  da  TECHPRESS  para  a  H  W  no  ano  2008, haja vista ainda, por exemplo, as informações de ambas as  empresas  disponíveis  nos  sistemas  alimentados  pela  RAIS  (Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais)  relativas  àquele  ano.  O Relatório Fiscal, ás fls. 25 a 41, expõe que a empresa HW é inexistente de  fato:  33. À luz dos fatos aqui descritos, concluiu­se que a empresa H  W é inexistente de fato e foi formalmente constituída apenas para  aderir  ao  regime  tributário  do  SIMPLES  NACIONAL  (Lei  Complementar  n°  123/2006),  registrar  em  seu  nome  os  empregados  da  empresa  TECHPRESS,  e,  desta  forma,  fraudulentamente  deixar  de  recolher  as  contribuições  previdenciárias  do  empregador  (cota  patronal)  sobre  as  remunerações dos empregados e dirigentes.  34. Assim sendo, deve a notificada TECHPRESS, como empresa  originária,  ser  responsabilizada  pela  remuneração  de  todos  os  segurados obrigatórios que indistintamente prestaram serviços a  ambas as pessoas jurídicas aqui tratadas, haja vista a unicidade  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 211          23 empresarial existente e o fato dessa empresa (TECHPRESS) não  ser optante do SIMPLES durante o período fiscalizado.  35.  Importa  notar  que  não  se  desconsiderou  a  personalidade  jurídica  de  nenhuma  dessas  duas  empresas,  as  quais,  com  o  registro  nos  órgãos  competentes,  adquiriram  personalidade  jurídica  de  sociedade  comercial,  gerando  efeitos  tais  como  patrimônio, nome e domicílio próprios.  36.  O  instituto  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica,  que está prevista expressamente no Código Civil, em seu artigo  50, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando  a  sociedade é por eles utilizada como meio de obter  vantagens  indevidas, valendo­se da distinção entre o patrimônio dos sócios  e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros, e decorre de  decisão judicial.  37.  O  que  porém  concluiu  a  fiscalização  é  que  a  H  W,  muito  embora  tenha  sido  registrada  de  maneira  legal  e  possua  personalidade jurídica, não corre o risco da atividade comercial,  não  tem  sede  própria  e  nem  instalações  distintas  da  empresa  TECHPRESS ora notificada, sendo assim inexistente de fato.  38. Portanto, no presente caso, a H W não foi reconhecida como  a  empregadora,  posto  que,  embora  presentes  os  pressupostos  para a caracterização do vínculo empregatício (art. 12, I, a, da  Lei 8.212/91) reconhecido própria empresa mediante elaboração  e apresentação de  sua  folha de pagamentos à  fiscalização,  tais  vínculos  deram­se  com  a  TECHPRESS,  como  a  empresa  originária do grupo e empregadora de fato.  39.  Veja­se,  por  exemplo,  nos  esclarecimentos  prestados  por  escrito  (7­b),  que  o  Sr.  Carlos  Roberto  de  Freitas  (Carlos  Roberto),  administrador  da  TECHPRESS,  figura  como  responsável  pelas  áreas  comercial  e  controle  geral  do  operacional  o  que  implica  em  subordinação  de  todos  ao  seu  comando operacional, independentemente da nova empresa para  onde tenham sido transferidos.  O Relatório Fiscal também relaciona a empresa T.T.P. USINAGEM LTDA.  40. Esta empresa teve seus estatutos registrados em 05/11/2008,  para  o  exercício  da  atividade  (também  complementar  à  TECHPRESS) de Serviços de Usinagem, com sede registrada à  Rua  José  Rafael  Reinert  n°  59,  em  galpão  anexo  às  demais  empresas já citadas.  41. Os sócios são Vitalina Hammermeister e íris Vaes, sendo que  a primeira detém os poderes de administração e é mãe da Sra.  Patrícia Hammermeister  administradora  da H W;  a  segunda  é  auxiliar  de  limpeza  naquela  empresa  (ficha  de  registro  de  empregado n° 39).  42. Trata­se assim da mesma proposta administrativa já adotada  com a criação da H W, qual seja, a divisão da TECHPRESS em  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   24 tantas empresas quantas necessárias para perpetuar o usufruto  fraudulento dos benefícios tributários do SIMPLES NACIONAL.  43.  Todavia,  como  esta  empresa  iniciou  atividades  apenas  em  2009,  não  houve  lançamento  de  débito  em  relação à mesma,  e  apenas  a  arrolamos  como  responsável  solidária  em  face  da  configuração de Grupo Econômico de fato.  O Relatório Fiscal caracteriza o grupo econômico de fato:  63.  As  seguintes  empresas  já  devidamente  qualificadas  na  introdução  ao  presente  relatório,  são  aqui  tratadas  como  devedoras  solidárias  e  integrantes  de  GRUPO  ECONÔMICO  DE FATO, tendo em vista as razões já descritas, notadamente a  unicidade dos negócios e o controle das empresas exercido pelo  mesmo grupo familiar:  ­.  TECHPRESS  INDÚSTRIA  DE  PLÁSTICOS  LTDA.,  CNPJ  01.402.992/0001­46;  ­.  H  W  MOLDAGEM  DE  PEÇAS  PLÁSTICAS  LTDA.,  CNPJ  09.332.761/0001­15;  ­. T.T.P. USINAGEM LTDA., CNPJ 10.456.105/0001­03  67.  Quanto  à  abrangência  da  conceituação  de  "grupo  econômico", à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é  relevante ainda esclarecer,  que os  conceitos  contidos no  inciso  IX do Art.30 da Lei n° 8.212/91 e no § 2o , do art. 2o , da CLT, são  bem  mais  amplos  dos  que  os  previstos  na  Lei  6.404/76.  Na  legislação  trabalhista  e  previdenciária,  basta  apenas  à  existência de poder de mando e controle de uma empresa sobre  outra para caracterizar o grupo econômico,  independentemente  do  tipo  de  empresa  ou  da  natureza  de  poder.  Ou  seja,  a  aplicabilidade  do  conceito  de  grupo  econômico  no  direito  previdenciário e trabalhista justifica­se pelo caráter social e não  estritamente pelo poder econômico.  Verifica­se,  portanto,  que  a  Auditoria­Fiscal  não  se  fundamentou  simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizá­las como Grupo  Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do  outros  fatos,  já  devidamente  relacionados  acima,  as  atividades  desenvolvidas  por  todas  empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam.  Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm,  efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada  no  artigo  124,  inciso  I,  do  CTN,  impondo  a manutenção  do  feito  em  sua  plenitude,  não  se  cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal.  Além do que restou comprovado faticamente dos autos que a empresa H W  MOLDAGEM DE PECAS PLÁSTICAS LTDA – ME foi utilizada como empresa interposta  como empregadora de mão­de­obra em função de ser optante pelo SIMPLES., o que diminui o  encargo tributário­previdenciário da Recorrente.  Ademais,  a  jurisprudência  do  CARF  é  no  sentido  de  se  manter  os  lançamentos  de  contribuições  sociais  previdenciárias  contra  empresas  que  se  utilizam  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 212          25 indevidamente  de  empresas  interpostas  optantes  pelo SIMPLES,  conforme  se depreende  dos  julgados:   Processo  13971.002121/2008­16,  Acórdão  2402­001.907,  de  23.08.2011;  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/1998 a 31/08/2004   REUNIÃO  DE  PROCESSOS  PARA  JULGAMENTO  CONJUNTO   O parágrafo 1º do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972 dispõe  que  a  Administração  tem  a  faculdade  de  efetuar  o  lançamento  num único processo de impostos,  contribuições ou penalidades,  desde  que  em  face  do  mesmo  sujeito  passivo  e  comprovados  pelos  mesmos  elementos  de  prova.  O  citado  dispositivo  não  obriga  a  Administração  a  efetuar  o  julgamento  conjunto  dos  recursos  apresentados  contra  lançamentos  que  não  foram  efetuados num único processo   DECADÊNCIA  ARTS  45  E  46  LEI  Nº  8.212/1991  INCONSTITUCIONALIDADE  STF  SÚMULA  VINCULANTE  DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173   De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional.  No  caso  de  lançamento  por  homologação,  restando  caracterizada  a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o  § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art.  173, inciso I do CTN.  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  COMPETÊNCIA  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO DO CARF   Cabe  à  Primeira  Seção  do CARF  analisar  recurso  contra  ato  que  levou  relativa  à  exclusão  de  empresa  do  SIMPLES,  bem  como a data de início de seus efeitos   SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO LANÇAMENTO  POSSIBILIDADE  As  reclamações  e os  recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade  do  crédito  tributário,  impedem  sua  cobrança  mas  não  a  sua  constituição.  De  igual  forma,  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  não  representa  óbice  ao  andamento  do  contencioso  administrativo fiscal.  BIS IN IDEM NÃO OCORRÊNCIA   Não há que se falar em bis in idem se a empresa que efetuou os  recolhimentos  pela  sistemática  do  SIMPLES  e  que  foi  posteriormente  excluída  do  referido  sistema  venha  sofrer  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   26 lançamento  das  contribuições  patronais  nos  moldes  das  empresas em geral.  RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO   Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que  a  relação  jurídica  formal  apresentada  não  se  coaduna  com  a  relação  fática  verificada,  subsistirá a última. De acordo com o  art.  118,  inciso  I  do  Código  Tributário  Nacional,  a  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se  da  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente  praticados  pelos  contribuintes,  responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto  ou dos seus efeitos   GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO   Existe  grupo  econômico  de  fato  quando  há  unicidade  no  comando  entre  empresas.  Tal  comando  pode  se  dar  pela  existência  em  seus  quadros  societários  de  pessoa  física  ou  jurídica comuns que detenham o poder de gerir as empresas   MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO  INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO   Considerar­se­á  não  impugnada a matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante  no  prazo  legal.  O  contencioso  administrativo  fiscal  só  se  instaura  em  relação  àquilo  que  foi  expressamente  contestado  na  impugnação  apresentada de forma tempestiva   INCONSTITUCIONALIDADE  É  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  em  regra,  a  argüição  a  respeito  da  constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio  da Legalidade, não cabe ao  julgador no âmbito do contencioso  administrativo  afastar  aplicação  de  dispositivos  legais  vigentes  no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam  inconstitucionais   SIMPLES/SIMPLES  NACIONAL.  ENQUADRAMENTO.  COMPETÊNCIA.  É competente a Primeira Seção do CARF para  julgar  recursos  contra  decisão  de  primeira  instância  que  tenha  decidido  sobre  exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL.  SIMPLES. RECOLHIMENTOS. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.  Eventuais  recolhimentos  na  sistemática  do  SIMPLES/SIMPLES  NACIONAL  devem  ser  deduzidos  das  contribuições  previdenciárias apuradas na sistemática das empresas em geral,  nos percentuais destinados à previdência social, OBSERVADA a  isenção  pela  LC  n°  123/2006  das  contribuições  destinadas  a  terceiros.  Recurso Voluntário Provido em Parte    Processo  13971.002970/2007­71,  Acórdão  2402­00.391,  de  02.12.2009.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10920.002374/2010­11  Acórdão n.º 2403­001.812  S2­C4T3  Fl. 213          27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração . 01/01/2006 a 31/12/2006   INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE  É  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  em  regra,  a  argüição  a  respeito  da  constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Principio  da Legalidade, não cabe ao  julgador no âmbito do contencioso  administrativo  afastar  aplicação  de  dispositivos  legais  vigentes  no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam  inconstitucionais  ou  afrontariam  legislação  hierarquicamente  superior   CERCEAMENTO  DE  DEFESA  ­  NULIDADE  ­  INOCORRÊNCIA  Não  há  que  se  falar  em  nulidade  por  cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças  dos  autos  demonstram  de  forma  clara  e  precisa  a  origem  do  lançamento e a fundamentação legal que o ampara   PERÍCIA ­ NECESSIDADE ­ COMPROVAÇÃO ­ REQUISITOS  ­ CERCEAMENTO DE DEFESA ­ NÃO OCORRÊNCIA Deverá  restar demonstrado nos autos,  a necessidade de perícia para o  deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de  regência.  Não  se  verifica  cerceamento  de  defesa  pelo  indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova   RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  ­  GRUPO  ECONÔMICO  De acordo com o  Inciso  IX do art. 30 da Lei n°8.212/1991, as  empresas  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem entre si solidariamente, pelas obrigações decorrentes  daquela lei   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2006  a  31/12/2006  CONTRIBUIÇÃO  DOS  SEGURADOS  ­  ARRECADAÇÃO  ­  RECOLHIMENTO ­ OBRIGAÇÃO DA EMPRESA  A  empresa  é  obrigada  a  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as da respectiva remuneração e recolher os valores  arrecadados no prazo estabelecido pela legislação.  RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.    Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente.    Fl. 123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   28     CONCLUSÃO      Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso,  NO  MÉRITO,  NEGAR  PROVIMENTO AO RECURSO.      É como voto.        Paulo Maurício Pinheiro Monteiro                               Fl. 124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10880.984330/2009-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/04/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período.
Numero da decisão: 3802-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/04/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA. Ineficaz a DCTF retificadora se, havendo juntada somente em sede de recurso, a documentação comprobatória não seja totalmente inteligível pelo julgador, mediante demonstração do fundamento para a retificação do faturamento apurado no período.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pelo Recorrente a Dra. Fernanda Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 111          1 110  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.984330/2009­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­001.769  –  2ª Turma Especial   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  PIS  Recorrente  STUTTGART SPORTCAR SP VEÍCULOS LTDA            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 15/04/2005  COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. AUSÊNCIA DE PROVA.  Ineficaz  a  DCTF  retificadora  se,  havendo  juntada  somente  em  sede  de  recurso,  a documentação comprobatória não  seja  totalmente  inteligível pelo  julgador,  mediante  demonstração  do  fundamento  para  a  retificação  do  faturamento apurado no período.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Regis Xavier Holanda ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  José  Fernandes  do  Nascimento  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 43 30 /2 00 9- 83 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     2  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira.  Fez  sustentação  oral  pelo  Recorrente  a  Dra.  Fernanda  Biagioni Barreto, OAB/SP nº 310.838.  Relatório  Por  bem  explicitar  os  fatos  e  atos  processuais  ocorridos  até  o  presente  momento, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo que assim dispõe:    Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/2009­83  Acórdão n.º 3802­001.769  S3­TE02  Fl. 112          3   Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     4      Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/2009­83  Acórdão n.º 3802­001.769  S3­TE02  Fl. 113          5 A  contribuinte  STUTTGART  SPORTCAR  SP  VEÍCULOS  LTDA,  se  insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 16­31.283, proferido em primeira  instância  pela  11ª  TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA  FEDERAL DO BRASIL DE  JULGAMENTO  EM  SÃO  PAULO  –  DRJ/SP,  que  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     6  Inconformidade  apresentada,  negando  o  direito  creditório  pleiteado  e  indeferindo  a  compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo:    Irresignado com a decisão, recorre o contribuinte, aduzindo que possui direito  ao  crédito  e  acostando  farta  documentação  que  indica  a  retificação  da  apuração  de  seu  faturamento.  Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão  de lançamento tributário, passa­se ao voto.  Voto             O  presente  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e,  ausentes  outras  questões  preliminares, passo à análise de mérito.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/2009­83  Acórdão n.º 3802­001.769  S3­TE02  Fl. 114          7 Trata­se  de  processo  destinado  a  revisão  de  compensação  requerida  pelo  Recorrente,  com  base  na  revisão  interna  de  seus  procedimentos,  que  detectou  um  problema  sistêmico na apuração de seu faturamento.  Tal  erro  sistêmico  se  deveria  ao  fato  de  que,  a  princípio,  o  sistema  ABC  (Activity Based Costing), incluiu o IPI e o ICMS­ST no valor total da nota fiscal emitida pelo  Recorrente.  Após  realizar  a  recomposição  de  seu  faturamento  no  patamar  adequado,  o  Recorrente viu­se detentor de créditos decorrentes da tributação a maior de PIS e COFINS.  Oferecida  a  DCOMP,  a  DRJ,  como  visto  acima,  entendeu  não  haver  demonstração  da  prova  da  materialidade  dos  créditos  oferecidos  pelo  Recorrente  à  compensação, bem como ausência de retificação da DCTF do período considerado.  De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o  sujeito  passivo  tem  a  possibilidade  de  retificar  sua  DCTF  antes  que  seja  iniciado  qualquer  procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por  ela praticado.  Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente  será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento,  conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN:  Art.  147 O  lançamento  é  efetuado  com  base  na  declaração  do  sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  §1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  da  própria  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível  mediante  comprovação  do  erro  em  que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento.  Em  que  pese  a  referência  do  dispositivo  legal  citado  à  declaração  de  prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admite­se, por analogia, sua aplicação  quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como  assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona:   “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por  homologação.  Tendo­se  em  conta  que  a  quase  totalidade  dos  tributos,  atualmente,  sujeitam­se  a  lançamento  por  homologação  vinculados  a  obrigações  acessórias  de  prestar  declarações  ao  Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente  da  retificação  de  tais  declarações,  o  §1º  do  art.  147,  tem  sido  bastante  invocado  e  aplicado para  definir  o marco  até  quando  pode  o  contribuinte  retificar  suas  declarações  livremente,  com  eficácia  imediata  e.  a  contrario  sensu,  a  partir  de  quando  o  contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de  apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente  prestada, considere as retificações” (...)   Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA     8  (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código  Tributário  à  luz  da  doutrina  e  da  jurisprudência,  12ª  edição,  Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026)  Resta  claro,  portanto,  que  acarretando  a  redução  de  tributo,  a  admissão  da  retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado  na  aludida  redução  (o  contribuinte  que  promove  a  retificação),  sendo,  no  entanto,  excepcionalmente  admitida  sua  retificação  após  o  início  do  procedimento  revisional  em  privilégio  ao  princípio  da  verdade material,  conforme  decidido  já  iteradamente  por  esta  Eg.  Turma Especial, em consonância com o CARF.  Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o  crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado  para compensação.  O  contribuinte,  em  suma,  busca  comprovar  a materialidade  de  seu  crédito,  não se estendendo muito em argumentos, porém sendo deveras consistente na juntada de prova.  Para demonstrar a materialidade de seu crédito, o Recorrente apresenta DCTF retificadora, o  livro  razão  analítico,  a  decomposição  de  seus  créditos  dos  diversos  períodos  nas  diversas  DCOMP’s que apresentou, bem como a recomposição de sua contabilidade e as notas fiscais  de venda do período objeto do presente processo.  Ao  analisar  a  documentação,  todavia,  não  pude  verificar  com  precisão  o  quantum relativo ao crédito oferecido pelo Recorrente. Isso porque os valores totais das notas  fiscais  correspondem  ao  seus  valores  contábeis,  e  não  há  um  descritivo  que  indique,  com  segurança para o julgador, que a variação no faturamento decorre exatamente do percentual de  IPI e de ICMS/ST aplicável para os produtos objeto das notas fiscais consideradas.  De  fato,  há  uma demonstração  de  que  houve uma variação  na  apuração  da  base do PIS e da COFINS. No entanto, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento  processual,  em  que  apenas  excepcionalmente  seria  aceita  a  juntada  de  prova,  por  haver  comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de (i) verificar a legislação do IPI  e  do  ICMS  da  UF  aplicável  a  cada  Nota  Fiscal,  e  enfim  (ii)  conferir  se  a  variação  do  faturamento  realmente  corresponde  à  diferença  da  inclusão/exclusão  desses  montantes  da  composição do faturamento do Recorrente.  Friso  que,  diferentemente  do  que  dispõem as  leis  9715/98  e  a LC  70/91,  o  regime não cumulativo do PIS e da COFINS não possui disposição legal expressa (seja nas leis  10.637/2002 ou na lei 10.833/2003) afastando o IPI e o ICMS/ST das suas respectivas bases de  cálculo.  Nesse sentido, vale  frisar que o esforço do sujeito passivo em demonstrar a  materialidade de seus créditos inclui, além de apenas apresentar toda a documentação probante,  explicar sua relevância no contexto do processo de revisão da compensação.  Assim  sendo,  diante  da  impossibilidade  de  se  verificar  cabalmente  a  procedência  dos  argumentos  do  sujeito  passivo,  não  há  fundamentos  para  que  excepcionalmente se promova agora a retificação da DCTF e a homologação da compensação  promovida pela Recorrente.  Isto  posto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  NEGAR­LHE  provimento.   (assinado digitalmente)  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.984330/2009­83  Acórdão n.º 3802­001.769  S3­TE02  Fl. 115          9 Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA

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5042641 #
Numero do processo: 10215.720038/2006-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS. No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COMISSÃO DE VENDAS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a venda intermediada pelo contribuinte tributa-se integralmente o valor da comissão recebida, cabendo a ele o ônus de comprovar que a comissão era partilhada com o outro co-titular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. PRÓ-LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a pró-labore por ele recebido, cabe tributar como omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do pró-labore declarado no mesmo ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade conjugal, deve-se considerar como recursos os rendimentos comprovadamente auferidos pelos cônjuges. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. A partir do ano-calendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de alienação, em regra, será o valor do VTN declarado no ano correspondente. Contudo, caracterizada a sub-avaliação pela diferença entre o valor informado na DITR e o informado na DIRPF, ratificado por contrato particular de compra e venda de imóvel rural, autorizado está o fisco em considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação. AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a alíquota a ser aplicada dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização.
Numero da decisão: 2202-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sanando os vícios apontados e atribuindo efeito infringente, excluir da base de cálculo do lançamento, além dos valores já excluídos no acórdão embargado, o valor de R$ 5.046,63, no ano-calendário de 2002, e R$ 87.920,00, no ano-calendário de 2003. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS. No âmbito da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COMISSÃO DE VENDAS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a venda intermediada pelo contribuinte tributa-se integralmente o valor da comissão recebida, cabendo a ele o ônus de comprovar que a comissão era partilhada com o outro co-titular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA. PRÓ-LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO. Comprovado nos autos que parte dos depósitos efetuados na conta do contribuinte referem-se a pró-labore por ele recebido, cabe tributar como omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do pró-labore declarado no mesmo ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SOCIEDADE CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade conjugal, deve-se considerar como recursos os rendimentos comprovadamente auferidos pelos cônjuges. GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL. VTN DECLARADO. SUB-AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. A partir do ano-calendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o valor de alienação, em regra, será o valor do VTN declarado no ano correspondente. Contudo, caracterizada a sub-avaliação pela diferença entre o valor informado na DITR e o informado na DIRPF, ratificado por contrato particular de compra e venda de imóvel rural, autorizado está o fisco em considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação. AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Na apuração do imposto devido no ajuste anual, a alíquota a ser aplicada dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos, sanando os vícios apontados e atribuindo efeito infringente, excluir da base de cálculo do lançamento, além dos valores já excluídos no acórdão embargado, o valor de R$ 5.046,63, no ano-calendário de 2002, e R$ 87.920,00, no ano-calendário de 2003. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Redator Designado (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 1.467          1 1.466  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10215.720038/2006­34  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2202­002.381  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de julho de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  CLÓVIS ROGÉRIO CASAGRANDE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002, 2003  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.  Acolhem­se os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão  vergastado  houve  omissão  de  ponto  sobre  o  qual  devia  pronunciar­se  o  Colegiado, procedendo­se o devido saneamento.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2002, 2003  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.  CHEQUES DEVOLVIDOS. ESTORNOS.  No  âmbito  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos bancários de origem não comprovada, os cheques devolvidos e os  valores estornados não entram no cômputo dos rendimentos omitidos.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  COMPROVADA.  CONTA  CONJUNTA.  COMISSÃO  DE  VENDAS.  APURAÇÃO  DA  MATÉRIA  TRIBUTÁVEL.  Comprovado  nos  autos  que  parte  dos  depósitos  efetuados  na  conta  do  contribuinte  referem­se  a  venda  intermediada  pelo  contribuinte  tributa­se  integralmente  o  valor  da  comissão  recebida,  cabendo  a  ele  o  ônus  de  comprovar que a comissão era partilhada com o outro co­titular.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  COMPROVADA.  PRÓ­ LABORE. APURAÇÃO DA OMISSÃO.  Comprovado  nos  autos  que  parte  dos  depósitos  efetuados  na  conta  do  contribuinte  referem­se  a  pró­labore  por  ele  recebido,  cabe  tributar  como  omissão apenas o valor que comprovadamente exceder ao valor do pró­labore  declarado no mesmo ano­calendário.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 38 /2 00 6- 34 Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.468          2 ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  SOCIEDADE  CONJUGAL. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE.  A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, no âmbito da sociedade  conjugal,  deve­se  considerar  como  recursos  os  rendimentos  comprovadamente auferidos pelos cônjuges.  GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO DO IMÓVEL RURAL.  VTN DECLARADO. SUB­AVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO.  A partir do ano­calendário 1997, para fins de apuração do ganho de capital, o  valor  de  alienação,  em  regra,  será  o  valor  do  VTN  declarado  no  ano  correspondente. Contudo, caracterizada a sub­avaliação pela diferença entre o  valor  informado na DITR e o  informado na DIRPF,  ratificado por  contrato  particular  de  compra  e  venda  de  imóvel  rural,  autorizado  está  o  fisco  em  considerar como valor de alienação o preço efetivo da transação.  AJUSTE ANUAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.   Na  apuração  do  imposto  devido  no  ajuste  anual,  a  alíquota  a  ser  aplicada  dependente do total dos rendimentos auferidos no ano, ou seja, da soma dos  valores declarados com as omissões apuradas pela fiscalização.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  acolher  os  embargos,  sanando  os  vícios  apontados  e  atribuindo  efeito  infringente,  excluir  da  base  de  cálculo do  lançamento,  além dos valores  já  excluídos no  acórdão  embargado, o valor de R$  5.046,63, no ano­calendário de 2002, e R$ 87.920,00, no ano­calendário de 2003. Vencida a  Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga que dava provimento parcial em  menor  extensão. Designado para  redigir  o  voto  vencedor  o Conselheiro  Pedro Paulo Pereira  Barbosa.   (Assinado digitalmente)  Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Redator Designado  (Assinado digitalmente)  Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora   Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga,  Fábio  Brun  Goldschmidt,  Antonio  Lopo Martinez,  Guilherme  Barranco  de  Souza  (suplente  convocado),  Jimir Doniak  Junior  (suplente  convocado)  e  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo.  Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.469          3   Relatório  Em  sessão  plenária  de  28/11/2011,  foi  julgado  por  esta  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais – CARF o recurso no 167.617, proferindo­se a decisão consubstanciada no Acórdão no  2202­01.475 (fls. 964 a 988), assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF   Ano­calendário: 2002, 2003   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS   Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em  conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando  o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  SÚMULA  182  DO  TFR.  INAPLICABILIDADE   A  Súmula  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recurso,  não  se  aplica aos  lançamentos efetuados com base na presunção legal  de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei no 9.430,  de 1996.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  APURAÇÃO  DA  MATÉRIA  TRIBUTÁVEL. CHEQUES DEVOLVIDOS ESTORNOS.  No  âmbito  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, os cheques devolvidos e os valores estornados não  entram no cômputo dos rendimentos omitidos.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE  RENDIMENTOS   Classifica­se como omissão de rendimentos, a oscilação positiva  observada no estado patrimonial do  contribuinte,  sem  respaldo  em rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis ou tributados  exclusivamente na fonte, não logrando o contribuinte apresentar  documentação capaz de ilidir a tributação.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  ÔNUS  DA  PROVA  No  âmbito  da  presunção  legal  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou  dispêndios  que  irão  compor  o  demonstrativo  da  variação  patrimonial  mensal  e,  ao  contribuinte  demonstrar  que  possui  Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.470          4 recursos com origem em rendimentos tributáveis,  isentos, ou de  tributação exclusiva na fonte ou definitiva.  GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL  RURAL. VTN DECLARADO.  A  partir  do  ano­calendário  1997,  para  fins  de  apuração  do  ganho  de  capital,  considera­se  custo  de  aquisição  do  imóvel  rural  o  valor  do  VTN  efetivamente  informado  na  DITR  correspondente.  A decisão foi assim resumida:  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo  ao ano­calendário de 2003, o valor de R$ 118.171,40.   DOS EMBARGOS   Intimado do referido Acórdão, em 23/03/2012 (conforme AR de fl. 1226), o  contribuinte,  com  fundamento  no  art.  65,  §1o,  inciso  II,  do Regimento  Interno  do Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais  (aprovado  pela  Portaria MF  no  256,  de  22  de  junho  de  2009, com as alterações  introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010),  opôs,  em 29/03/2012,  os Embargos  de Declaração  de  fls.  1227  a  1229,  requerendo que  seja  suprida a deficiência apontada com novo julgamento e prolatação de novo acórdão.  DA DISTRIBUIÇÃO  Consoante disposto no §2o do art. 65 do RICARF, os presentes autos foram  encaminhados  a  esta  Conselheira  para  manifestação,  vindo  digitalizados  até  à  fl.  12301.  Importa registrar que não foi anexado ao e­processo o arquivo correspondente ao volume  IV do processo físico.  Por  meio  da  Informação  em  Embargos,  anexada  às  fls.  1231  a  1233,  foi  proposto  o  acolhimento  dos  embargos  para  que  o  processo  fosse  novamente  submetido  à  apreciação  dos  membros  desta  Segunda  Turma  Ordinária  da  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção do CARF, o que foi acatado por seu presidente, que determinou sua inclusão em pauta  para julgamento (fl. 1234).  Antes que os autos retornassem para a Conselheira Relatora, o presidente da  Segunda Turma Ordinária  da Segunda Câmara  da  Segunda  Seção  do CARF  encaminhou­os  para  a  Secretaria  da  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção  a  fim  de  fossem  tomadas  as  providências  necessárias  para  o  saneamento  das  incorreções  na  digitalização  do  presente  processo, conforme despacho de fl. 1235.  Regularizado  os  problemas  na  digitalização  do  processo,  o  mesmo  foi  disponibilizado  para  esta  Conselheira  em  07/05/2013,  conforme  consulta  ao Histórico  do  e­ processo. O volume IV do processo físico encontra­se digitalizado às fls. 1236 a 1466 (última  folha digitalizada no e­processo).                                                              1 Processo digital. O processo físico foi numerado até a  fl. 1046 (fl. 963 da digitalização).  Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.471          5   Voto Vencido  Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora.  Primeiramente,  constata­se  a  tempestividade  do  apelo,  eis  que  apresentado  dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão  de  segunda  instância,  em  23/03/2012  (vide AR  de  fl.  1226),  apresentando  os  embargos  em  29/03/2012.  1  Apreciação dos embargos  O embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso, uma vez que restou  consignado no relatório que o processo veio numerado até a fl. 1046 (última folha digitalizada)  e, portanto, não foi apreciado material de defesa protocolizado no Protocolo Geral do CARF,  no dia 26/01/2011, juntado ao processo a partir daquela folha.  Em análise do argüido, verifica­se que existe petição do contribuinte (fls. 990  a 994), acompanhada dos documentos de fls. 995 a 1216, que embora tenham sido entregues no  Protocolo  Geral  do  CARF  em  26/01/2011,  antes  do  julgamento  de  segunda  instância  (28/11/2011), só foram recepcionados pela secretaria da Segunda Câmara da Segunda Sessão  do CARF em 10/01/2012 e incluídos no e­processo em 12/01/2012 (vide data da autenticação  dos documentos), ou seja, depois de prolatada a decisão ora embargada.  Evidenciada  assim  a  omissão  em  relação  aos  documentos  acostados  às  fls.  990 a 1216, acolhem­se os presentes embargos, para sanar o vício apontado pelo embargante,  com fulcro no art. 65 do RICARF.  2  Limites dos embargos  Conforme consignado no  item “1. Limites do Litígio” do voto  condutor da  decisão  recorrida  (fl.  973),  das  infrações  apuradas  no  Auto  de  Infração  de  fls.  819  a  825,  apenas  as  quatro  primeiras  foram  objeto  de  questionamento  por  parte  do  contribuinte:  (1)  omissão de rendimentos  recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício (comissão de  corretagem);  (2)  acréscimo patrimonial  a  descoberto;  (3)  ganho de  capital;  e  (4)  omissão  de  rendimentos caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada.  Convém lembrar que, de acordo com o art. 65 do atual Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF2, aprovado pela Portaria MF no 256, de  22 de  junho de 2009  (publicada no DOU de 23/  06/2009):“Cabem embargos de declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão  ou  contradição  entre  a  decisão  e  os  seus  fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma.” (grifei)                                                              2 De acordo com o art. 49 da Lei nº11.941, de 27 de maio de 2009,  foram tranferidas para o CARF as atribuições  e  competências  do  Primeiro,  Segundo  e  Terceiro  Conselhos  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda  e  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais, e suas respectivas câmaras e turmas.       Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.472          6 Importante destacar que o acolhimento dos embargos não significa o reexame  de matéria já devidamente apreciada pelo Colegiado de Segundo Grau, restringindo­se a sanar  a omissão em relação aos documentos de fls. 990 a 1216 naquilo que represente, de fato, ponto  sobre o qual a Relatora deveria ter se pronunciado e não o fez.   Dessa  forma, proceder­se­á ao exame de cada um dos argumentos expostos  na petição de  fls.  990 a  994, protocolizada pelo  contribuinte  em 26/01/2011 e acompanhada  dos documentos de fls. 995 a 1216, a fim de se averiguar pontualmente aqueles que não foram  submetidos a apreciação anterior por este Colegiado, sanando­se, assim, eventuais omissões.  3  Saneamento das omissões  O  contribuinte  apresentou,  em  26/01/2011,  a  petição  de  fls.  990  a  994,  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  995  a  1216,  na  qual  apresenta  razões  requer  sejam  apreciadas  com  o  Recurso  Voluntário  anteriormente  interposto,  as  quais  podem  ser  assim  sintetizadas:  1.  Inicialmente, alega que houve equívoco quanto às considerações arroladas no Recurso  Voluntário protocolizado em 20/08/2008, em relação ao ganho de capital, e, por isso,  “pede­se  que  seja  desconsiderado  o  inteiro  teor  dos  parágrafos  3o,  4o  e  5o  da  mencionada folha 7 do Recurso” (fl. 990).  2.  Receitas não comprovadas  2.1 O  contribuinte  alega  que  a  fiscalização  considerou  os  lançamentos  bancários  provenientes de vendas efetuadas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda. como  receitas não comprovadas, contudo às fls. 454, 455, 456 e 457 encontram­se as notas  fiscais  emitidas  pela Mato  Grosso  Cereais  Ltda  para  Distribuidora  e  Empacotadora  Curuai Ltda., que efetuou o pagamento por meio dos cheques ora juntados, em cujos  versos  está  grafada  a  palavra  “CURUAI”.  Requer,  assim,  que  seja  excluída  do  lançamento a quantia de R$17.320,00. Aduz que parte dos cheques depositados nesta  operação  foram  devolvidos  e  encontram­se  indicados  na  relação  geral  dos  cheques  devolvidos (Anexo IX destas razões).  2.2 Em  relação  à  comissão  de  vendas  de  resíduos  de  cereais  à  JAIR  LUIZ  FACCIO,  conforme Nota Fiscal no 089 (item 2, da fl. 344 dos autos), o recorrente junta dois TED  de  pagamentos,  nos  valores  de  R$15.000,00  e  R$10.000,00,  de  17/03/2003  e  28/03/2003, respectivamente, requerendo a exclusão desses valores.  2.3 O suplicante defende que, na fl. 346 dos autos, “juntou as Notas Fiscais de Produtor  Rural  no  064  e  073,  conforme  cópias  juntadas  no  Anexo  IV  desta  defesa,  as  quais  justificam os depósitos nos dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nos valores respectivos de  R$50.000,00; R$50.000,00 e R$30.000,00 na conta corrente n. 31.521­2, agência 130­ 9,  do  Banco  do  Brasil  S/A,  no  montante  de  R$130.000,00,  devendo,  por  isso,  ser  excluída do lançamento a importância de R$130.000,00” (fl. 991).  2.4 O contribuinte afirma que:  2.4.1  o auditor fiscal considerou como depósitos não justificados efetuados na conta no  31.521­2  do  Banco  do  Brasil  S/A,  os  valores  de  R$1.080,00  e  R$2.000,00,  em  Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.473          7 04/09/2003 e 26/09/2003, contudo tais depósitos foram estornados conforme aviso  juntado no Anexo V desta defesa, pugnando pela sua exclusão;  2.4.2  o valor de R$500,00 creditado na conta corrente no 9.392­4 do Banco do Brasil, em  05/03/2003,  e  o  valor  de  R$765,00  creditado  na  conta  corrente  no  1.335­8  do  Banco do Brasil, em 07/03/2003, são oriundos de pró­labore, conforme justificativa  juntada à fl. 163 dos autos, devendo por isso serem excluídos do lançamento;  2.4.3  o  auditor  considerou o desbloqueio de R$62.544,00,  em 21/07/2003, na  conta no  31.521­4 do Banco Brasil S/A, como receita comprovada, alegando, contudo, que  desse  valor  foram  devolvidos  dois  cheques  de  R$11.200,00  e  R$7.640,00,  totalizando  R$18.840,00,  conforme  comprovantes  juntados  aos  Anexos  X  e  XI  desta  defesa,  os  quais  foram  re­apresentados  e  desbloqueados  junto  com  outros  cheques no dia 24/07/2003, no valor total de R$20.035,00, ocasionando tributação  em duplicidade. Assim, esses dois cheque devem ser excluídos do desbloqueio de  R$20.035,00, de 24/07/2003, por estarem caracterizados como receita comprovada  (rendimento de corretagem).  3.  Omissão de rendimentos  3.1 O contribuinte alega que o auditor fiscal considerou como omissão de rendimentos, a  título de pró­labore:  3.1.1  dois  depósitos  de  R$500,00  cada,  na  conta  corrente  no  9.392­4  do  Banco  da  Amazônia,  em  19/04/2002  (fl.  20  do  relatório  fiscal),  quando  existe  um  único  depósito, devendo­se excluir do lançamento a quantia R$500,00;  3.1.2  o valor de R$1.000,00, em 02/01/2003, depositado na conta no 1335­8, contudo no  o mês de janeiro foi dado um adiantamento de R$2.000,00, não recebendo nada no  mês seguinte e declarando R$12.000,00, ou seja, R$1.000,00 por mês, razão pela  qual entende ser indevido o lançamento da omissão de pró­labore nessa situação.  4.  Tributação efetuada sobre cheques devolvidos  4.1 O recorrente sustenta que foram lançados indevidamente cheques devolvidos por falta  de  fundos  conforme  relatório  anexo,  no  total  de  R$274.814,45,  pugnando  pela  exclusão  desses  cheques,  conforme Avisos  de  Lançamentos  do Banco  do Brasil  nos  quais  estão  registrados  os  desbloqueios  dos  cheques  devolvidos  (anexo  IX),  acompanhados  dos  lançamentos  de  débitos  de  devolução  de  cheques  depositados  (anexo IX­A).  5.  Acréscimo patrimonial a descoberto  5.1 O  contribuinte  alega  que,  na  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  não  foram considerados os seguintes valores:  5.1.1  férias  e  adiantamento  de  13o  salário,  recebidos  no  dia  22/07/2002  e  no  mês  04/2002,  respectivamente,  nos  montantes  de  R$5.135,02  e  R$1.120,05,  pertencentes ao cônjuge do recorrente, senhora Lizete Maria P. Casagrande;  Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.474          8 5.1.2  a  quantia  de  R$2.908,63,  referente  ao  salário  do  mês  de  junho  do  cônjuge  do  recorrente, consoante fl. 632 dos autos.  5.2 A DRJ/Belém teria cometido equívoco na apreciação da Impugnação quanto ao valor  do patrimônio a descoberto, pois nas fls. 632 a 634 registra R$24.403,29, enquanto que  na fl. 916, foi indicado o valor de R$25.200,87, sendo correto o valor menor.  6.  Ganho de capital  6.1 O recorrente alega que, pela legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador,  o ganho de capital era apurado pela diferença positiva entre o VTN declarado no ano  da  alienação  e  o  VTN  declarado  no  ano  da  aquisição,  reportando­se  ao  art.  19,  parágrafo  único,  da  Lei  no  9.393,  de  1996.  Logo,  o  ganho  de  capital  seria  de  R$1.000,00,  uma  vez  que  o  VTN  na  alienação  é  R$1.000,00  e  VTN  de  aquisição  R$0,00, conforme fls. 708 e 714 dos autos.  7.  Rendimentos omitidos a título de corretagem  7.1 O contribuinte argumenta que a decisão recorrida reconheceu que a tributação deveria  incidir  sobre  50%  dos  rendimentos,  por  se  tratar  de  conta  conjunta  e,  portanto,  os  valores consignados às fls. 14 e 15 do relatório fiscal devem ser também partilhados ao  meio, alterando o valor tributável de R$32.773,49, para R$16.386,75.  8.  Rendimento da atividade rural  8.1 O  recorrente  alega  que  os  rendimentos  da  atividade  rural  foram  calculados  contrariando o disposto no 9o, §§2o, da Lei no 9.250, de 1995, que determina que “A  falta de escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo a  razão  de  vinte  por  cento  da  receita  bruta  do  ano  calendário.”  Aduz  que  em  sua  impugnação apresentou os demonstrativos de receitas com as notas fiscais de produtor  rural  e o  demonstrativo  de  despesa,  conforme  correspondência  acostada  à  fl.  27  dos  autos, itens 11 e 12.   8.2 Embora  a  decisão  recorrida  afirme  que  o  enquadramento  da  fiscalização  estaria  correto, o interessado alega (fl. 993):  [...]  Enquadrou,  mas  não  obedeceu  a  legislação  quanto  a  alíquota  de  15%  incidente  sobre  a  base  de  calculo  e  não  de  27.5%  como  consta  do  lançamento.  Aliás,  relativo  a  este  item,  como consta na documentação acima mencionada, o recorrente  declarou, calculou e recolheu o imposto referente ao ano base de  2003,  exercício  2004  antes  da  fiscalização,  devendo  o  cálculo  desta exação ser refeito com a aplicação de alíquota de 15%, e  do  montante  apurado  descontar  o  valor  de  RS169.413,17,  já  recolhido integralmente ao Fisco.  9.  Lançamentos com data de novembro/2005  9.1 Por  fim,  o  recorrente  requer  que  os  valores  lançados  com  data  de  novembro/2005,  como  receita  não  comprovada,  às  fls.  8  e  9  do  relatório  fiscal,  fora  do  período  fiscalizado, sejam excluídos.  Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.475          9 Em  seguida,  passa­se  a  análise  dos  argumentos  do  contribuinte  acima  sintetizados, agrupando­os por infração.  3.1  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA  3.1.1  Tributação efetuada sobre cheques devolvidos  O  recorrente  alega  que  foram  lançados  indevidamente  cheques  devolvidos  por  falta  de  fundos,  o  que  já  havia  sido minuciosamente  examinado  pela  decisão  recorrida,  conforme trecho do voto condutor que a seguir transcreve­se (fls. 978 a 984):  Por  fim,  resta  analisar  os  valores  dos  cheques  devolvidos  e/ou  estornados,  que, segundo o recorrente, totalizam R$745.746,50.  A decisão guerreada não acatou o pleito do contribuinte sob o argumento de  que  os  cheques  devolvidos  não  guardavam  nenhuma  conexão  com  os  depósitos  feitos (fl. 921).  O  interessado  afirma  que,  à  época,  os  cheques,  além  de  não  serem  individualizados,  eram  depositados  em  lotes,  de maneira  que  o  detalhamento  nos  extratos só passou a ser feitos após a vigência do Código de Defesa do Consumidor  bancário, criado pela Resolução do Banco Central no 2892/08.  Em análise do argüido, assiste razão ao interessado, em parte.  De  fato,  os  depósitos  em  cheques  eram  feitos  em  lote  e,  por  esse  motivo,  muitas vezes os cheques devolvidos não guardavam qualquer relação com os valores  da liberação dos depósitos bloqueados, a não ser que os valores fossem exatamente  iguais, ou seja, todos os cheques de um mesmo lote fossem devolvidos. No que se  refere ao estorno, este normalmente corresponde a uma operação inversa de mesmo  valor.  Além disso, para que se possa chegar a uma conclusão sobre o assunto, deve­ se analisar cada devolução de cheque e estorno que o contribuinte pretende excluir  para verificar se houve no mesmo dia um crédito referente a depósito  liberado (ou  um crédito, no caso de estorno) em valor igual ou superior e se este foi considerado  pela fiscalização para fins de tributação.  Os cheques devolvidos e os estornos relacionados pelo contribuinte às fls. 942  a 948 foram examinados confrontando­se com os valores tributados pelo fisco como  depósitos bancários de origem não comprovada creditados na conta no 31.521­4 do  Banco do Brasil (fls. 830 a 834) e com os extratos bancários anexados às fls. 73 a  125. O resultado dessa análise encontra­se sumarizado na tabela a seguir.    Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  18/06/03  1.693,00  1.693,00    18/06/03  1.100,00  1.100,00    20/06/03  92,66  0,00  Crédito não tributado  30/06/03  193,74  193,74    16/07/03  10.000,00  10.000,00    21/07/03  11.200,00  0,00  Crédito não tributado  21/07/03  7.640,00  0,00  Crédito não tributado  Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.476          10   Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  25/07/03  3.400,00  3.400,00    28/07/03  1.110,00  1.110,00    28/07/03  3.145,00  3.145,00    30/07/03  1.110,00  1.110,00    30/07/03  3.145,00  3.145,00    31/07/03  1.150,00  0,00  Crédito não tributado  04/08/03  150,00  150,00    04/08/03  1.600,00  1.600,00    06/08/03  1.428,00  1.428,00    06/08/03  1.683,00  1.683,00    08/08/03  1.600,00  1.600,00     19/08/03  1.394,50  1.394,50    19/08/03  344,00  344,00    21/08/03  27.610,00  0,00  Dois créditos do mesmo valor, só  um tributado  25/08/03  344,00  344,00    27/08/03  900,00  900,00    27/08/03  2.520,00  2.520,00    28/08/03  9.380,90  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  29/08/03  205,00  205,00    29/08/03  900,00  900,00    29/08/03  2.520,00  2.520,00    01/09/03  394,00  394,00    01/09/03  780,00  780,00    03/09/03  16.750,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  03/09/03  4.050,00  4.050,00    03/03/03  7.525,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  03/09/03  16.750,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  03/09/03  7.525,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  04/09/03  1.080,00  1.080,00    04/09/03  9.380,90  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  08/09/03  4.050,00  4.050,00    08/09/03  7.525,00  0,00  Crédito não tributado  08/09/03  7.525,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  09/09/03  328,77  328,77    Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.477          11   Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  09/09/03  205,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  09/09/03  2.530,00  2.530,00    09/09/03  205,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  10/09/03  288,50  288,50    17/09/03  1.350,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  17/09/03  3.438,50  3.438,50    19/09/03  1.350,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  18/09/03  1.134,25  1.134,25    18/09/03  951,00  951,00    18/09/03  206,00  206,00    19/09/03  1.350,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  19/09/03  408,80  408,80    19/09/03  330,00  330,00    19/09/03  288,50  288,50    19/09/03  3.438,50  3.438,50    19/09/03  2.000,00  2.000,00    24/09/03  408,80  408,80    24/09/03  330,00  330,00    24/09/03  1.134,25  1.134,25    26/09/03  2.000,00  0,00    26/09/03  2.000,00  2.000,00    26/09/03  800,00  800,00    25/09/03  20.500,00  20.500,00    25/09/03  410,00  410,00    02/10/03  927,50  0,00  Crédito não tributado  02/10/03  2.811,80  0,00  Crédito não tributado  02/10/03  1.500,00  0,00  Crédito não tributado  03/10/03  13.019,03  0,00  Crédito não tributado  03/10/03  167,00  0,00  Crédito não tributado  03/10/03  800,00  0,00  Crédito não tributado  03/10/03  800,00  0,00  Crédito não tributado  08/10/03  927,50  927,50    08/10/03  2.811,80  2.811,80    08/10/03  800,00  800,00    08/10/03  500,00  500,00    08/10/03  800,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.478          12   Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  não tributado  09/10/03  167,00  167,00    13/10/03  15.933,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  14/10/03  4.286,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  14/10/03  2.485,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  14/10/03  2.485,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  15/10/03  5.000,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  15/10/03  5.000,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  17/10/03  4.286,00  4.286,00    17/10/03  2.485,00  2.485,00    17/10/03  2.485,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/10/03  3.712,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/10/03  2.200,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/10/03  2.430,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/10/03  2.200,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/10/03  2.430,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  23/10/03  2.200,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  23/10/03  2.200,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  24/10/03  600,00  600,00    24/10/03  390,00  390,00    27/10/03  963,00  963,00    27/10/03  76,70  76,70    27/10/03  1.440,00  1.440,00    27/10/03  2.403,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  28/10/03  1.854,00  1.854,00    28/10/03  2.908,00  2.908,00    28/10/03  1.550,00  1.550,00    28/10/03  600,00  600,00    28/10/03  390,00  390,00    28/10/03  603,50  603,50    Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.479          13   Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  29/10/03  3.473,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  29/10/03  3.000,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  29/10/03  1.000,00  0,00  Crédito não tributado  29/10/03  1.440,00  0,00  Crédito não tributado  29/10/03  2.440,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  30/10/03  1.854,00  0,00  Crédito não tributado  30/10/03  1.550,00  0,00  Crédito não tributado  30/10/03  76,70  0,00  Crédito não tributado  31/10/03  4.500,00  4.500,00    31/10/03  5.763,96  5.763,96    31/10/03  3.730,00  3.730,00    31/10/03  2.906,00  2.906,00    31/10/03  4.380,00  4.380,00    31/10/03  2.572,00  2.572,00    31/10/03  5.577,00  5.577,00    03/11/03  3.000,00  3.000,00    07/11/03  326,00  326,00    07/11/03  300,00  300,00    10/11/03  200,00  200,00    11/11/03  4.500,00  4.500,00    11/11/03  5.763,96  5.763,96    11/11/03  3.730,00  3.730,00    11/11/S3  2.906,00  2.906,00    11/11/03  4.380,00  4.380,00    11/11/03  2.572,00  2.572,00    11/11/03  5.577,00  5.577,00    11/11/03  326,00  326,00    11/11/03  300,00  300,00    11/11/03  2.550,00  2.550,00    11/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  11/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  12/11/03  1.991,00  1.991,00    12/11/05  1.199,00  1.199,00    12/11/03  900,00  900,00    12/11/03  587,00  587,00    12/11/03  440,00  440,00    Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.480          14   Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  12/11/03  100,00  100,00    13/11/03  2.550,00  2.550,00    13/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  13/11/03  24,00  24,00    13/11/03  259,00  259,00    13/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  14/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  14/11/03  200,00  200,00    14/11/03  1.199,00  1.199,00    14/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  14/11/03  440,00  440,00    14/11/03  900,00  900,00    17/11/03  96,63  96,63    17/11/03  100,00  100,00    18/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  18/11/03  24,00  24,00    18/11/03  259,00  259,00    18/11/03  900,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  18/11/03  11.108,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  19/11/03  31.790,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  19/11/03  44.790,00  0,00  Dois créditos do mesmo valor, só  um tributado  20/11/03  96,63  96,63  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/11/03  40.000,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/11/03  1.000,00  1.000,00    21/11/03  42.850,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  21/11/03  42.000,00  0,00  Dois créditos do mesmo valor, só  um tributado  21/11/03  1.000,00  1.000,00    24/11/03  6.196,00  0,00  Débito e crédito do mesmo valor,  não tributado  26/11/03  40.000,00  40.000,00    26/11/03  1.000,00  1.000,00    26/11/03  1.000,00  1.000,00    Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.481          15   Data  Cheque Devolvido  ou Estorno    Valor a Excluir    Observação  25/11/03  11.847,22  0,00  Dois créditos do mesmo valor, só  um tributado  26/11/03  42.000,00  0,00  Dois créditos do mesmo valor, só  um tributado  Total  745.746,50  236.342,79    Em  síntese,  os  cheques  devolvidos  foram  excluídos  sempre  que,  no mesmo  dia, existe um valor corresponde a liberação de depósitos bloqueados em montante  maior  ou  igual  àqueles  e  esse  crédito  foi  tributado  pela  fiscalização.  Os  estornos  foram excluídos sempre que se identificou que o valor do crédito correspondente foi  tributado pela fiscalização.   Por outro lado, não houve exclusão nas seguintes situações:  · “Crédito não tributado”: quando não existe liberação de depósitos bloqueados no  mesmo dia ou esta é inferior ao valor do cheque devolvido;  · “Débito  e  crédito  do mesmo  valor,  não  tributado”: quando existe  um débito  e  crédito do mesmo valor no dia e esse valor não foi tributado;  · “Dois  créditos  do mesmo  valor,  só  um  tributado”:  quando  existe  um  débito  e  dois créditos do mesmo valor no dia e apenas um dos créditos foi tributado.  Dessa  forma,  considerando­se que  a  conta ora  analisada  é conjunta,  deve­se  excluir do valor a ser tributado 50% dos cheques devolvidos ou dos estornos acima  indicados, ou seja, R$118.171,40, no ano­calendário 2003.  Examinando­se  a  “Relação  Créditos  Tributados  com  Cheques  Devolvidos  incluídos  e  Tributados  Integralmente”  (fls.  1095  a  1099),  a  “Relação  de  Avisos  de  Lançamentos Dos Desbloqueios”  (Anexo  IX –  fls.  1101  e 1102)  e  a Relação  dos Avisos  de  Lançamentos de Cheques Devolvidos” (Anexo IX­A – fls. 1147 a 1149), verifica­se que todos  os  valores  neles  indicados  constam  da  tabela  anteriormente  transcrita  extraída  da  decisão  recorrida e, portanto, já foram devidamente apreciados pelo Colegiado. Ressalte­se que a tabela  foi  construída  a  partir  dos  cheques  devolvidos  e  dos  estornos  relacionados  pelo  próprio  contribuinte às  fls. 942 a 948, na qual para cada débito  (cheque devolvido ou estorno) existe  um crédito correspondente.  Nesse  caso,  caberia  ao  contribuinte  ter  apontado  objetivamente  alguma  omissão,  contradição  ou  obscuridade  na  análise  feita,  o  que  não  ocorreu  nos  presentes  embargos (fls. 1228 e 1229), que se limitou a apontar omissão em relação aos documentos de  fls. 990 a 1216.  3.1.2  Vendas à Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda  O  recorrente  pugna  pela  exclusão  das  vendas  efetuadas  à  Distribuidora  e  Empacotadora  Curuai  Ltda,  no  valor  de  R$17.320,00,  consideradas  pela  fiscalização  como  “receitas não comprovadas”, visto que às fls. 454, 455, 456 e 457 encontram­se as notas fiscais  emitidas pela Mato Grosso Cereais Ltda para Distribuidora e Empacotadora Curuai Ltda., cujo  pagamento foi efetuado por cheques cujas cópias foram por ele juntadas aos autos.  Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.482          16 Compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  o  contribuinte  em  resposta  à  intimação fiscal havia indicado tal operação para comprovar um depósito em valor um pouco  superior  (R$17.820,00,  em  18/09/2003)  à  fl.  997,  o  que  foi  aceito  pelo  auditor  fiscal  que  excluiu tal depósito dos “Depósitos/Créditos Bancários de Origem não Comprovada” (fls. 829  a 834) e acatou a justificativa de que se trata de comissão sobre vendas e como tal foi tributado  (vide fl. 839).  Assim, descabe a pretensão do contribuinte neste item.   3.1.3  Comissão de vendas de resíduos  O  contribuinte  alega  que  os  créditos  de  R$15.000,00  e  R$10.000,00,  efetuados em 17/03/2003 e 28/03/2003, referem­se à comissão de vendas de resíduos de cereais  à Jair Luiz Faccio, por meio da Nota Fiscal no 089 (vide item 2 da fl. 344 dos autos), juntando  dois TED de pagamentos, nos quais está consignado o nome do suposto adquirente (fls. 1070 e  1071). A referida nota fiscal não foi localizada e tampouco há outra prova de que a operação  alegada teria ocorrido de fato.   Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a mera indicação do nome  do depositante não basta para comprovar a origem dos depósitos.   Importa  destacar  que,  quando  o  art.  42  da  Lei  no  9.430,  de  1996,  exige  a  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  nos  depósitos  ou  créditos  feitos  nas  contas  bancárias do contribuinte, esta não se restringe à identificação de quem efetuou o depósito ou  crédito, mas  também a que  título  estes valores  foram  recebidos. É necessário,  por  isso,  ficar  claro a natureza da operação envolvida, pois apenas os valores cuja origem for comprovada é  que serão excluídos da tributação prevista na presunção legal. Esta concepção da origem dos  recursos é que justifica, no meu entender, a existência do §2o do mesmo artigo, determinando  que “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou  recebidos.”  Como  saber  a  que  regras  um  rendimento  está  submetido  se  desconheço  a  sua  natureza?   Caso  se  adotasse  um  entendimento  diverso  do  aqui  exposto,  bastaria  ao  contribuinte  identificar  o  emitente  de  cada  cheque  depositado  ou  ordenador  de  cada  crédito  efetuado em suas contas bancárias para eximir­se do ônus que presunção do art. 42 da Lei no  9.430, de 1996, lhe impõe, o que, a meu ver, não é o que pretendeu o legislador.  Destarte, mantém­se a tributação dos depósitos questionados neste item.  3.1.4  Depósitos  nos  dias  10/07,  19/09  e  15/12/2003,  nos  valores  de  R$50.000,00,  R$50.000,00 e R$30.000,00  Não obstante o contribuinte alegue que teria juntado à fl. 346 as Notas Fiscais  de Produtor Rural nos 064 e 073, verdade é que naquela ocasião foi feita apenas a indicação de  tais notas fiscais, no valor total de R$126.488,96, que justificariam os depósitos efetuados nos  dias 10/07, 19/09 e 15/12/2003, nas quantias de R$50.000,00; R$50.000,00 e R$30.000,00.  As Notas  Fiscais  de  Produtor Rural  nos  064  e  073  foram  juntadas  somente  com  as  razões  de  defesa  que  ora  se  aprecia  (Anexo  IV  –  fls.  1073  e  1074),  tendo  como  Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.483          17 adquirente a  empresa Mato Grosso Cereais Ltda. Contudo, essas mesmas notas  fiscais,  junto  com as Notas Fiscais de Produtor nos 63, 65, 70, 74 e 75 foram indicadas pelo contribuinte para  justificar  outros  sete  depósitos,  nos  valores  de  R$20.000,00,  R$90.000,00,  R$12.000,00,  R$24.000,00,  R$105.000,00,  R$299.000,00  e  R$20.875,00  (fls.  163),  totalizando  R$570.875,00, os quais já foram considerados pela fiscalização como rendimentos da atividade  rural (fls. 836 e 837).  Embora nos TED e no comprovante de depósito anexados às fls. 532, 537 e  535  conste  que  os  créditos  bancários  em  discussão  teriam  sido  efetuados  pela Mato Grosso  Cereais Ltda, conforme  já esclarecido no  item anterior, não basta  identificar o depositante,  é  necessário comprovar a natureza da operação para que se considere comprovada a origem dos  depósitos e, dessa forma, os mesmos possam ser excluídos da tributação, nos termos do art. 42  da Lei no 9.430, de 1996.  Destarte,  mantém­se  o  lançamento  em  relação  aos  depósitos  questionados  neste item.  3.1.5  Depósitos  nos  valores  de  R$1.080,00  e  R$2.000,00,  efetuados  em  04/09/2003  e  26/09/2003  Examinando­se  com  atenção  a  tabela  de  fls.  979  a  983,  anteriormente  transcrita, observa­se que a decisão embargada já excluiu tais depósitos, não havendo portanto  reparos a fazer.  Cabe esclarecer que, no dia 26/09/2003, constam do extrato bancário à fl. 103  dois créditos no valor de R$2.000,00 – um “Dep.ch.liberado” e um “Desbloq.depósito” – e dois  débitos  no  mesmo  valor  –  um  estorno  e  um  cheque  devolvido.  Foi  tributado  apenas  um  depósito de R$2.000,00 (fl. 832), razão pela qual a decisão recorrida excluiu apenas um valor  de R$2.000,00 (fl. 980).  3.1.6   Créditos oriundos de pró­labore  O recorrente  alega que dois depósitos  foram  indevidamente  tributados, pois  referem­se a créditos oriundos de pró­labore: o valor de R$500,00 que, segundo o interessado,  teria sido creditado na conta corrente no 9.392­4 do Banco do Brasil (na verdade a conta é do  Banco da Amazônia),  em 05/03/2003;  e o valor de R$765,00  creditado  na  conta  corrente no  1.335­8 do Banco do Brasil, em 07/03/2003.  Além  dos  extratos  bancários,  e  de  informação  fornecida  por  ele  próprio,  o  contribuinte não apresentou documento que comprovasse que tais depósitos eram oriundos de  pró­labore. Assim, entendo que não restou comprovada a origem desses depósitos.  3.1.7  Cheque devolvido e re­apresentado com origem comprovada  De fato, o auditor considerou o desbloqueio de R$62.544,00, em 21/07/2003,  na conta no 31.521­4 do Banco Brasil S/A, como receita comprovada, conforme  indicado no  Termo de Verificação Fiscal à fl. 839, os quais foram tributados como comissão de corretagem  recebida no percentual de 1,5% sobre o valor recebido.  Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.484          18 O  contribuinte  alega  que  desse  valor  foram  devolvidos  dois  cheques  de  R$11.200,00  e  R$7.640,00,  totalizando  R$18.840,00,  o  que  é  corroborado  pelo  Aviso  de  Lançamento fornecido pela instituição financeira (fl. 1105).  Por outro lado, foi tributado no dia 24/07/2003, um desbloqueio de depósito  no  valor  total  R$20.035,00,  como  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  (fl.  830).  Esse  valor  refere­se  ao  depósito  de  cinco  cheques  (fl.  1087),  dentre  eles  os  dois  cheques  anteriormente  devolvidos  (R$11.200,00  e  R$7.640,00)  e,  portanto,  o  mesmo  valor  foi  novamente  tributado,  agora  como  depósitos  bancários de origem não comprovada.  Comprovada assim a duplicidade do lançamento em relação aos dois cheques  devolvidos  e  em  seguida  re­apresentados,  nos  valores  de  R$11.200,00  e  R$7.640,00  e  considerando­se  que  a  conta  ora  analisada  é  conjunta,  deve­se  excluir  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  como  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  apurada  no  ano­calendário 2003, 50% desse valor, ou seja, R$9.420,00.  3.1.8  Lançamentos com data de novembro/2005  Quanto aos depósitos com data de novembro/2005 indicados às fls. 8 e 9 do  relatório fiscal, trata­se de mero erro de transcrição no relatório fiscal (fls. 833 e 834).  Compulsando­se  os  elementos  que  compõe  os  autos,  observa­se  que  pelos  extratos de fls. 116 a 125, esses depósitos referem­se a novembro/2003. Além disso, no Termo  de Intimação Fiscal no 1.117, de 29/11/2004 (fls. 135 a 148), por meio do qual o contribuinte  foi intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias as datas  foram  corretamente  indicadas  no  mês  de  novembro/2003,  assim  como  os  valores  foram  corretamente lançados no Auto de Infração às fls. 823.  Dessa  forma, mantém­se o  lançamento em relação aos depósitos do mês de  novembro/2003.  3.2  RENDIMENTOS RECEBIDOS DE  PESSOA  JURÍDICA SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO  (COMISSÃO  DE CORRETAGEM)  O contribuinte requer que a omissão de rendimentos decorrente da comissão  de  corretagem  sobre  50%  dos  rendimentos,  por  se  tratar  de  conta  conjunta  conforme  reconhecido  pela  decisão  recorrida,  alternado­se  o  valor  tributável  de  R$32.773,49  para  R$16.386,75.  Cabe lembrar que a própria fiscalização, constatando que se tratava de conta  conjunta,  já  tributou  apenas  50%  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários (vide fls. 830 a 834), tendo em vista o disposto no art. 42, inciso 6o, da Lei no 9.430,  de 1996:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.485          19 [...]  §  6o  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)No caso de contas conjuntas, em que  os  titulares  apresentem  declaração  em  separado,  não  basta  intimar  apenas  um  deles;  todos  os  co­titulares  devem  ser  intimados  a  comprovar  a origem dos  créditos  que  ingressaram  na  conta  bancária,  sob  pena  de  nulidade  do  lançamento,  visto  que a omissão apurada será partilhada entre eles.   No que diz respeito omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem  vínculo empregatício, a infração foi apurada a partir dos depósitos cuja origem foi identificada  como comissão de  corretagem,  atividade  assumida pelo  contribuinte  à  fl.  345, que  informou  receber 1,5% do valor dos créditos,  e, portanto,  os depósitos  foram excluídos da omissão de  rendimentos apurado nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, e foram tributados como  comissão  recebida no percentual  indicado pelo contribuinte  (art. 42, §2o, da Lei no 9.430, de  1996).  Ressalte­se  que  não  há  nos  autos  nada  que  indique  que  essa  atividade  era  partilhada com o outro titular da conta fiscalizada, razão pela qual resta prejudicado o pedido  do contribuinte de reduzir a base de cálculo dessa infração em 50%.  3.3  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA  COM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO  (PRÓ­ LABORE)  Inicialmente,  cumpre  salientar  que  a  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  com  vínculo  empregatício  (pró­labore)  não  foi  expressamente  contestada  no  Recurso Voluntário protocolizado em 20/08/2008,  razão pela qual a decisão  recorrida não se  manifestou quanto a esta infração, que foi questionada apenas nas razões de defesa que ora se  aprecia.  Em  análise  do  argüido,  assiste  razão  ao  contribuinte  em  relação  aos  dois  valores questionados.  Em  2002,  foram  tributados  como  omissão  de  pró­labore  dois  depósitos  de  R$500,00,  em 19/04/2002, na conta no  9.392­4 do Banco da Amazônia  (fl.  845),  quando no  extrato de fl. 33 existe apenas um depósito, devendo­se, assim, excluir do lançamento a quantia  R$500,00, conforme pleiteado.  Em 2003,  a  fiscalização  identificou  dois  depósitos  cuja  origem  seriam pró­ labore  recebidos  pelo  recorrente: R$2.000,00,  em 02/01/2003,  e R$1.000,00,  em 03/10/2003  (fl. 846). O contribuinte havia declarado R$12.000,00 de pró­labore recebidos em todo o ano­ calendário (fl. 58). A fiscalização rateou o pró­labore recebido pelos doze meses, considerado  R$1.000,00 por mês, e tributou como omissão de rendimentos R$1.000,00, em janeiro de 2003.   Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.486          20 Por outro lado, o contribuinte alega que teria recebido um adiantamento em  janeiro e, no mês seguinte, não houve retida.  Considerando­se  que  os  depósitos  identificados  como  pró­labore  (R$3.000,00)  são  inferiores  ao valor  anual declarado  (R$12.000,00)  e que a  fiscalização não  demonstrou que o recebimento de pró­labore em montante superior ao  informado na DIRPF,  entendo que não restou caracterizada a omissão em janeiro de 2003.  Destarte, há que se excluir da omissão de rendimentos  recebidos a  título de  pró­labore R$500,00, no ano­calendário 2002, e R$1.000,00, no ano­calendário 2003.  3.4  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO  3.4.1  Equívoca da DRJ/Belém na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto  O contribuinte afirma que o julgador a quo teria se equivocado ao indicar o  valor  de  R$25.200,87  no  demonstrativo  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  à  fl.  916,  enquanto que a fiscalização teria indicado, em seu demonstrativo (fls. 633), R$24.403,26. De  fato, houve o erro de transcrição, porém isso não alterou o resultado final, como demonstrado a  seguir.  Na decisão de primeira instância foram considerados como origem, os saldos  anteriores  das  contas  correntes  em  31.12.2001  do  cônjuge  Lisete  Maria  Casagrande,  informados na respectiva declaração de ajuste anual  (fl. 884), assim como os valores por ela  recebidos a título de CDC e licença prêmio, indicados pelo contribuinte à fl. 872 (vide fl. 916).  Refazendo­se  a  apuração  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  obtém­se  o  seguinte  resultado:  Valores Lançados  Efeitos Decisão DRJ  Mês  Recursos  Aplicações  Variação  Patrimonial  Recursos  Incluídos  Variação  Patrimonial  jan/02  165.102,25  38.389,67  126.712,58  8.117,46  134.830,04  fev/02  47.732,92  18.314,85  156.130,65     164.248,11   mar/02  182.429,04  196.788,32  141.771,37  7.495,79  157.384,62   abr/02  5.791,26  16.390,37  131.172,26  2.464,11  149.249,62   mai/02  9.465,75  158.620,63  (17.982,62)  2.016,09  2.110,83   jun/02  56.407,94  80.811,20  (24.403,26)     (22.292,43)  jul/02  68.055,99  76.873,79  (8.817,80)     (8.817,80)  ago/02  36.668,88  75.529,99  (38.861,11)     (38.861,11)  set/02  309.318,58  119.059,72  190.258,86  1.586,80  191.845,66   out/02  56.972,94  75.125,16  172.106,64     173.693,44   nov/02  68.584,07  55.461,24  185.229,47     186.816,27   dez/02  118.685,47  238.797,99  65.116,95     66.703,75   Como se percebe, o valor dos acréscimos patrimoniais a descoberto apurados  acima nos meses de junho, julho e agosto de 2002 correspondem aos indicados na conclusão do  voto do acórdão de primeiro grau (fl. 927).  Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.487          21 3.4.2  Rendimentos do cônjuge  O contribuinte requer que sejam considerados como origem no demonstrativo  de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto o valor das  férias e  adiantamento de 13o  salário,  recebidos  no  dia  22/07/2002  e  no mês  04/2002,  respectivamente,  nos montantes  de  R$5.135,02 e R$1.120,05, por seu cônjuge, senhora Lizete Maria P. Casagrande, bem como a  quantia de R$2.908,63, referente ao salário do mês de por ela recebido.  Examinando­se  os  cálculos  da  fiscalização,  observa­se  que  foram  computados os rendimentos líquidos recebidos pelo cônjuge do contribuinte (fl. 302), extraídos  da DIRF  apresentada  pela  fonte  pagadora  (fl.  666). Em  regra,  foi  considerado  o  rendimento  bruto menos imposto retido e deduções.   No mês  de  abril/2002,  confrontando­se  a DIRF  (fl.  666)  com  o  espelho  do  contra­cheque  do  mês  (fl.  1207),  observa­se  que  a  diferença  entre  os  rendimentos  brutos  informados, R$2.240,11 e R$3.360,16, corresponde à parcela do 13o salário recebida naquele  mês (R$1.120,05) e não considerada pela fiscalização.   Não obstante no mês de dezembro/2002 o valor considerado pela fiscalização  tenha  incluído  o  13o  salário  (fl.  302),  nesse mês  houve  sobra  de  recursos  em montante  bem  superior (fl. 634) e, portanto, considerando­se que o contra­cheque evidencia a antecipação de  R$1.120,05 em abril/2002 (fl. 1208), tal valor deve ser computado no acréscimo patrimonial a  descoberto nesse mês.  Quanto às  férias  recebidas pelo cônjuge do contribuinte,  foi  juntado extrato  da fonte pagadora no qual consta as seguintes antecipações recebidas em 22/07/2002 (fl. 1207):  · R$2.500,20,  referente  a  adiantamento  de  salário  com  reposição  em  10  meses, sem indicação de trânsito em folha de pagamento;  · R$202,02, a título de antecipação de vantagens de férias, com trânsito na  folha de pagamento de setembro/2002;  · R$1.708,44, a  título de antecipação de proventos de férias,  com trânsito  na folha de pagamento de agosto/2002;  · R$724,36, a título de antecipação de adicional de férias, com trânsito na  folha de pagamento de setembro/2002.  Como se percebe, os valores recebidos a  título de antecipação de vantagens  de  férias  (R$202,02),  antecipação  de  proventos  de  férias  (R$1.708,44)  e  antecipação  de  adicional de férias (R$724,36), transitaram na folha de pagamento, o primeiro e o terceiro na  folha de setembro e o segundo na folha de agosto, e, portanto, estão incluídos no rendimento  bruto do mês correspondente informado na DIRF (fl. 666), já considerados pela fiscalização.   Contudo,  em  relação  às  verbas  que  transitaram  na  folha  de  setembro/2002,  uma  vez  que  nesse  mês  houve  sobra  de  recursos  em  montante  bem  superior  (fl.  634)  e  considerando­se  que  o  extrato  fornecido  pela  fonte  pagadora  evidencia  a  antecipação  desses  recursos  (R$202,02  –  antecipação  de  vantagens  de  férias;  e  R$724,36  –  antecipação  de  adicional de férias), no total de R$926,38 no mês de julho/2002, tal valor deve ser computado  no acréscimo patrimonial a descoberto nesse mês.  Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.488          22 Da  mesma  forma,  deve­se  considerar  o  adiantamento  de  salário  com  reposição em 10 meses, no valor de R$2.500,20, no mês de julho de 2002, considerando­se que  no  extrato  de  fl.  1207  não  há  indicação  de  que  o  mesmo  tenha  transitado  em  folha  de  pagamento, o que é corroborado pela comparação entre o rendimento bruto informado na DIRF  no mês de julho/2002 com o valor total recebido a título de 13o salário consignado na mesma  declaração (fl. 666).  Destarte, partindo­se das alterações introduzidas pelo julgador a quo, o total  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  no  ano­calendário  2002  passa  de  R$69.971,34  para  R$65.424,71, conforme abaixo demonstrado:  Valores Lançados  Efeitos Decisão DRJ  Efeitos deste Acórdão  Mês  Recursos  Aplicações  Variação  Patrimonial  Recursos  Incluídos  Variação  Patrimonial  Recursos  Incluídos  Variação  Patrimonial  jan/02  165.102,25  38.389,67  126.712,58  8.117,46  134.830,04     134.830,04  fev/02  47.732,92  18.314,85  156.130,65     164.248,11     164.248,11   mar/02  182.429,04  196.788,32  141.771,37  7.495,79  157.384,62     157.384,62   abr/02  5.791,26  16.390,37  131.172,26  2.464,11  149.249,62  1.120,05  150.369,67   mai/02  9.465,75  158.620,63  (17.982,62)  2.016,09  2.110,83     3.230,88   jun/02  56.407,94  80.811,20  (24.403,26)     (22.292,43)     (21.172,38)  jul/02  68.055,99  76.873,79  (8.817,80)     (8.817,80)  3.426,58  (5.391,22)  ago/02  36.668,88  75.529,99  (38.861,11)     (38.861,11)     (38.861,11)  set/02  309.318,58  119.059,72  190.258,86  1.586,80  191.845,66     191.845,66   out/02  56.972,94  75.125,16  172.106,64     173.693,44     173.693,44   nov/02  68.584,07  55.461,24  185.229,47     186.816,27     186.816,27   dez/02  118.685,47  238.797,99  65.116,95     66.703,75     66.703,75     Destarte,  há  que  se  excluir  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  no  ano­ calendário 2002 o valor de R$4.546,63.  3.5  GANHO DE CAPITAL  O contribuinte alega que houve equívoco quanto às considerações arroladas  no  Recurso  Voluntário  protocolizado  em  20/08/2008,  em  relação  ao  ganho  de  capital,  requerendo que  fosse  desconsiderado  o  inteiro  teor dos  parágrafos  3o,  4o  e  5o  da  folha  7  do  referido recurso.   Mais adiante, o recorrente questiona o valor de alienação, argumentando que  o ganho de  capital  seria de R$1.000,00, uma vez que o VTN declarado  na DITR no  ano da  alienação é R$1.000,00 e, no ano da aquisição, R$0,00 (fls. 708 e 714 ), reportando­se ao art.  19, parágrafo único, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996.  É importo transcrever o dispositivo legal mencionado pela defesa:  Art.  19.  A  partir  do  dia  1º  de  janeiro  de  1997,  para  fins  de  apuração  de  ganho  de  capital,  nos  termos  da  legislação  do  imposto  de  renda,  considera­se  custo  de  aquisição  e  valor  da  Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.489          23 venda  do  imóvel  rural  o  VTN  declarado,  na  forma  do  art.  8º,  observado  o  disposto  no  art.  14,  respectivamente,  nos  anos  da  ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.  Parágrafo  único.  Na  apuração  de  ganho  de  capital  correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a  que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o  valor  constante  da  escritura  pública,  observado  o  disposto  no  art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995.  De acordo com o artigo acima transcrito, a partir do ano­calendário 1997, em  regra, o valor de alienação será o valor do VTN declarado no ano correspondente, na forma do  art. 8o da Lei no 9.393, de 1996, devendo­se, contudo observar o disposto no art. 14, da mesma  lei, que autoriza, no caso de “sub­avaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas  ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento  de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema  a  ser  por  ela  instituído,  e  os  dados  de  área  total,  área  tributável  e  grau  de  utilização  do  imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.”  No caso dos autos, a sub­avaliação restou caracterizada pela diferença entre o  valor informado na DITR (R$1.000,00 ­ fl. 714) e o informado na DIRPF/2004 (R$40.000,00 ­  fl. 15), este último ratificado pelo contrato particular de compra e venda de imóvel rural de fls.  702 e 703 e notoriamente superior àquele constante da DITR.  De acordo  com o Termo de Verificação Fiscal  (fls.  851  e  852),  o  valor  de  alienação do imóvel denominado “Sítio Santa Maria” foi arbitrado em R$35.000,00, a partir do  valor de venda constante do Contrato Particular de Compra e Venda do imóvel rural (fls. 702 e  703), deduzido dos valores das benfeitorias e culturas, tomando­se por base o art. 19 da Lei no  7.713, de 22 de dezembro de 1988, c/c o art. 123, inciso I, do Decreto no 3.000, de 26 de março  de 1999 – RIR/99.  Assim, caracterizada a sub­avaliação do VTN informado na DITR no ano de  alienação, autorizado estava o fisco a arbitrar o referido valor para fins de apuração do ganho  de  capital,  sendo  legítima  a  utilização  do  preço  efetivo  da  operação  extraído  da  DIRPF  correspondente, corroborado por contrato particular fornecido pelo próprio contribuinte.  Destarte, mantém­se o ganho de capital apurado pela fiscalização.  3.6  ATIVIDADE RURAL  Muito  embora  o  contribuinte  alegue  que  os  rendimentos  da  atividade  rural  foram calculados contrariando o disposto no 9o, §§2o, da Lei no 9.250, de 1995, verdade é que  não foi  lançado omissão de rendimentos da atividade rural. Ressalte­se que a  referência  feita  pela  decisão  de  primeira  instância  no  sentido  de  “Parte  dos  créditos/depósitos  tiveram  sua  origem desvelada pelo próprio Auditor Fiscal, que os enquadrou corretamente como Receita  da Atividade Rural, fls. 835/838,[...]” (fl. 921), teve como finalidade esclarecer que parte dos  depósitos bancárias  tiveram sua origem identificadas como oriundos da atividade rural e, por  tanto, foram excluídos da omissão apurada nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996.  Quanto  à  alíquota  aplicada  (15%,  como  pretende  o  interessado,  e  27,5%  indicado  no  Auto  de  Infração,  no  ano­calendário  2003),  convém  lembrar  que  o  percentual  Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.490          24 dependente  do  total  dos  rendimentos  auferidos  no  ano  (declarados  e  omitidos).  O  imposto  devido para o ano­calendário 2003 foi apurado à fl. 858 do Auto de Infração, considerando­se  corretamente  a  base  de  cálculo  declarada  (R$634.509,32)  e  deduzindo­se  o  imposto  devido  declarado  (R$169.413,16),  extraídos  da  DIRPF  correspondente  (fl.  11),  aplicando­se  com  acerto a alíquota de 27,5%.  Dessa forma, mais uma vez não assiste razão ao interessado.  10.  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  ACOLHER  os  embargos,  saneando  os  vícios  apontados para re­ratificar o Acórdão no 2202­01.475, de 28/11/2011, com efeitos infringentes,  para  excluir  da  base  de  cálculo  do  ajuste  anual,  além  dos  valores  já  excluídos  pela  decisão  embargada, R$5.046,63 e R$10.420,00, nos anos­calendário 2002 e 2003, respectivamente.  (Assinado digitalmente)   Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga  Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.491          25 Voto Vencedor  Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa  O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade.  Fundamentação  Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto à comprovação  das origens de 05 depósitos, no ano­calendário de 2003, a saber:    DATA  VALOR(R$)  17/03/2003  15.000,00  28/03/2003  10.000,00  17/07/2003  50.000,00  19/09/2003  50.000,00  15/12/2003  30.000,00  TOTAL  155.000,00    Como se trata de conta conjunta, o valor em discussão neste caso corresponde  a 50% deste total, ou seja, 77.500,00.  Pois  bem,  entendeu  a  Relatora,  nestes  casos,  que  não  bastava,  para  que  se  considerassem  comprovadas  as  origens  dos  depósitos,  a  identificação  dos  depositantes;  que  seria necessário, ainda, a comprovação das operações que deram ensejo aos depósitos.  Com a devida vênia, divirjo desse entendimento. Penso que por origem deve­ se entender a procedência dos recursos aportados à conta bancária, vale dizer, a identificação  do  depositante.  Com  esta  informação  o  Fisco  teria  elementos  suficientes  para  proceder  ao  lançamento  com  base  na  legislação  específica  e  não  com  base  na  presunção.  Identificado  depositante,  poderia o Fisco  intimar o Contribuinte  a comprovar a natureza da operação que  ensejou o pagamento; a ausência de resposta neste caso ensejaria o lançamento por omissão de  rendimentos, porém com base na  legislação específica. É que o  artigo 43 do CTN,  inciso  II,  classifica  como  proventos  de  qualquer  natureza,  cuja  aquisição  de  sua  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  configura  fato  gerador  do  imposto,  todo  acréscimo  patrimonial.  A  comprovação da natureza da operação que ensejou o depósito é apenas um elemento adicional  para a classificação específica dos rendimentos.  Portanto, comprovadas as origens dos depósitos, aqui compreendidas como a  identificação  dos  depositantes,  resta  afastada  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos  com  fundamento  no  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  podendo,  se  for  o  caso,  ser  exigido  o  imposto com base na legislação específica.  Assim,  em  conclusão,  além  dos  valores  já  considerados  pela  decisão  embargada e das  exclusões  acatadas  pela Relatora,  deve  ser  excluído da base de  cálculo,  no  ano­calendário de 2003, o valor de R$ 77.500,00.  Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10215.720038/2006­34  Acórdão n.º 2202­002.381  S2­C2T2  Fl. 1.492          26 Conclusão  Ante  o  exposto,  encaminho meu  voto  no  sentido ACOLHER os  embargos,  saneando os vícios apontados para re­ratificar o Acórdão no 2202­01.475, de 28/11/2011, com  efeitos  infringentes,  para  excluir  da  base  de  cálculo  do  ajuste  anual,  além  dos  valores  já  excluídos  pela  decisão  embargada,  R$5.046,63  e  R$87.920,00,  nos  anos­calendário  2002  e  2003, respectivamente.  (Assinado digitalmente)   Pedro Paulo Pereira Barbosa                        Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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Numero do processo: 11516.000935/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 ACÓRDÃO. PARTE EXPOSITIVA E EMENTA. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento e motivação do julgado. São parcialmente cabíveis quando oportunizem o aperfeiçoamento do acórdão em ponto não conexo com a obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.
Numero da decisão: 3803-004.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a ementa do acórdão, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 284          1 283  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.000935/2009­49  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3803­004.509  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de setembro de 2013  Matéria  PIS NÃO CUMULATIVO ­ COMPENSAÇÃO  Embargante  CONSELHEIRO ALEXANDRE KERN  Interessado  INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2008  ACÓRDÃO.  PARTE  EXPOSITIVA  E  EMENTA.  OBSCURIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a  sanar  obscuridade,  contradição  ou  omissão,  de  maneira  a  permitir  o  exato  conhecimento  e  motivação  do  julgado.  São  parcialmente  cabíveis  quando  oportunizem  o  aperfeiçoamento  do  acórdão  em  ponto  não  conexo  com  a  obscuridade apontada entre a ementa e os fundamentos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  retificar  a  ementa  do  acórdão,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 35 /2 00 9- 49 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Trata  o  presente  de  embargos  de  declaração  interpostos  pelo  Conselheiro  Alexandre Kern, contra o Acórdão nº o Acórdão nº 3803­003.884, de 31 de janeiro de 2013,  com fulcro no art. 65, I, da Portaria MF nº 256, de 9 de junho de 2009 (RI/CARF), requerendo  o saneamento da obscuridade que aponta.  A obscuridade diz com a falta de exposição do conceito de insumo no voto  condutor, em determinados termos, o que o incompatibiliza com o enunciado que conformou a  ementa,  transcrita  a  seguir,  não  havendo  como  o  Colegiado  tê­la  votado  conforme  ficou  assentada.  Disse ele: “Compulsando o voto condutor do acórdão, constato que o mesmo  não  declinou  o  conceito  de  insumo,  para  fim  de  creditamento  de  contribuição  social  não  cumulativa,  nesses  termos,  de  sorte  que  não  há  como  o Colegiado  ter  votado  a  ementa  nos  termos  em  que  constou  na  parte  inicial  do  trecho  acima  transcrito.”.  Os  termos  são  os  que  destacam o signo “sic” ao final de cada oração.  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE  INSUMOS.  [...]  Insumo  dedutível  para  efeito  de  Pis  não  cumulativo,  [sic]  são  todos  aqueles  relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte  e  afetem  as  receitas  tributadas  pela contribuição social. [sic] E quando o cumprimento das  obrigações ambientais  impostas pelo Poder Público, como  condição  para  o  funcionamento  da  empresa,  gerem  despesas, estas devem ser consideradas insumos.  É o relatório.  Voto             Admissibilidade  Reza o art. 65 do RI/CARF[1]  ,  regulamentando o art. 535, caput,  I  e  II, do  CPC, que os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade ou  contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual  devia  pronunciar­se  a  turma. Visa  este  recurso  à  inteireza,  à  harmonia  lógica  e  à  clareza  da  decisão,  suprimindo  dificuldades  e  óbices  à  boa  compreensão  e  eficaz  execução  do  julgado,  exercendo, assim, uma função corretiva e integradora.  Deve­se ter presente que o pedido contido nos embargos submete­se ao juízo  de  admissibilidade.  Este,  por  sua  vez,  deve  se  ater  aos  pressupostos  recursais,  que  são  objetivos,  em  face  dos  quais  são  examinadas  a  existência  e  adequação  do  recurso,  a                                                              1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a  decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar­se a turma.  § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da  Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de  dezembro de 2010)  [...]  III ­ pelo Procurador da Fazenda Nacional; (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010)    Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/2009­49  Acórdão n.º 3803­004.509  S3­TE03  Fl. 285          3 tempestividade, a motivação e a regularidade procedimental, e subjetivos, que em sua virtude  são examinados o interesse e a legitimação para recorrer, bem como a inexistência de obstáculo  ao poder de recorrer.  O Conselheiro  embargante  recebeu  o  processo  em  3  de  abril  de  2013  e  na  mesma data interpôs os presentes embargos. Portanto, os embargos são tempestivos.  O pressuposto de existência vê­se na alegação do vício de obscuridade que  estaria presente no acórdão embargado, presente na falta de exposição do conceito de insumo  no voto condutor o que o incompatibiliza com o enunciado da ementa.  O  pressuposto  da  adequação  está  presente  por  se  ajustar  o  recurso  apresentado  à  previsão  legal  para  a  espécie  impugnada,  a  permitir  a  sua  recepção  e  o  seu  desenvolvimento válido e regular.   Dessa forma, os embargos devem ser conhecidos.  Mérito  Segundo  Marinoni[2],  a  obscuridade  significa  falta  de  clareza  no  desenvolvimento das idéias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese  em  que  a  concatenação  do  raciocínio,  a  fluidez  das  idéias,  vem  comprometida,  ou  porque  exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com  erros  gramaticais,  de  sintaxe,  concordância  etc.,  capazes  de  prejudicar  a  interpretação  da  motivação.  No acórdão embargado, a controvérsia que fora deslindada com o provimento  do recurso foi o reconhecimento do direito a créditos decorrentes das  [...]despesas ocorridas em razão das prestações de serviços  vinculados  ao  meio  ambiente,  dado  que  estas  despesas  somente ocorreram em função das  imposições decorrentes  do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de  Conduta  celebrados  com  Ministério  Público  Federal,  Ministério Público Estadual e FATMA.  No voto condutor o direito a tais créditos foi reconhecido sobre a afirmação  do Relator  [...]por  compreender  que  estes  são  essenciais  para  o  processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas  terem decorrido de imposição do Poder Público:[...]  Esta posição foi arrematada adiante, no voto, na forma como segue:  Logo, compreendo que deve ser  reconhecido o direito aos  créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de  alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda  que  não  estejam  relacionadas  na  planilha  elaborada  pela                                                              2 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART,   Sérgio Cruz. Processo de Conhecimento. 8. ed., v.2. São Paulo:  Ed. Revista dos Tribunais, 2010, p. 556.  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 repartição  de  origem,  uma  vez  que  esses  serviços  são  essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja (...)  Observe­se  que  o  conceito  de  insumo  como  aquele  que  está marcado  pela  essencialidade  à  própria  atividade,  sem  o  qual  esta  a  empresa  não  goza  de  licença  para  desenvolvê­la está presente na exposição.  Este  entendimento  assentado  no  acórdão  teve  o  reforço  de  precedente  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  no  bojo  do  qual  dispêndios  realizados  com  indumentárias,  exigidas  pelo  Poder  Público  para  o  regular  desenvolvimento  do  processo  produtivo  na  indústria  alimentícia,  foram  considerados  insumos  inerentes  à  produção.  Está  referenciado nos termos abaixo:  Questão semelhante já foi analisada pelo CARF no PAF n.º  13053.000112/200518  pela Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740,  julgado em  09.11.2011 – 3ª Turma:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  COFINS.  INDUMENTÁRIA.  INSUMOS.  DIREITO  DE  CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03.  Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins  não  cumulativa,  são  todos  aqueles  relacionados  diretamente  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela  referida contribuição social. A  indumentária imposta pelo  próprio Poder Público na  indústria  de processamento  de  alimentos  exigência  sanitária  que  deve  ser  obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção  da  indústria  avícola,  e,  portanto,  pode  ser  abatida  no  cômputo de referido tributo. (grifo)  Recurso Especial do Procurador Negado.  Note­se que o conceito de insumo como aquele que possui inerência, também  foi demarcado no voto condutor, com o destaque do negrito na ementa do acórdão paradigma  pelo próprio Relator.   Ao perscrutar o conteúdo da decisão acima, o Relator colheu o contorno dos  insumos  que  se  tornam  aptos  a  gerar  creditamento,  tendo  apontado  para  a  sua  sorte  de,  em  hipótese alguma estar restrito às matérias­primas, aos produtos intermediários e aos materiais  de  embalagem e outros  bens  que  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação, conforme excerto do seu voto, abaixo:  Conforme se extrai do  julgado acima, o  insumo não deve  em hipótese alguma estar  restrito às matérias­primas, aos  produtos  intermediários  e  aos  materiais  de  embalagem  e  outros  bens  que  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  em  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/2009­49  Acórdão n.º 3803­004.509  S3­TE03  Fl. 286          5 razão  do  caráter  restritivo  não  imposto  pela  lei  e  pelo  Texto Constitucional.[g.n.]  Não  obstante  reconhecer  o  Relator  a  distinção  da  atividade  econômica  sob  análise  no  acórdão  paradigma,  indicou  a  semelhança  da  causa  de  decidir  naquele  com  a  inclusão na base de cálculo dos créditos dos dispêndios relativos à proteção do meio ambiente  realizados por  imposição do Poder Público. Neste particular, o Relator destacou,  inclusive, a  inexigibilidade  de  conduta  diversa  por  parte  da Contribuinte  e  a  essencialidade  do  serviços  contratados,  que  os  habilitam  a  serem  definidos  como  insumo,  que  geram  crédito.  Restou  implícita na exposição a consideração do insumo como inerente à produção, uma vez que esta  qualificação encontra­se no acórdão paradigma e na parte grifada da ementa:  Evidentemente que no caso em tela não se está tratando de  insumos  aplicados  na  produção  alimentícia,  conforme  o  julgado  administrativo  colacionado,  todavia,  por  outro  lado,  as  despesas  com  a  proteção  do  meio  ambiente  são  geradas em  função de uma  imposição do Poder Público e  neste  caso  é  inexigível  conduta  diversa  por  parte  do  contribuinte. Além do que, é verdade que sem cumprir ao  rígido  controle  ambiental,  por  certo  que  a  empresa  não  estaria  autorizada  a  extrair  o  carvão  mineral,  ou  seja,  estaria  impossibilitada  de  realizar  o  seu  processo  produtivo.[inerência]  Logo, compreendo que deve ser  reconhecido o direito aos  créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de  alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda  que  não  estejam  relacionadas  na  planilha  elaborada  pela  repartição  de  origem,  uma  vez  que  esses  serviços  são  essenciais ao  funcionamento da empresa,  (...)  [apócrifo e  g.n.]  O  vício  da obscuridade  ­  categorizado  pela melhor  doutrina  como  falta  de  clareza  no  desenvolvimento  das  idéias  que  norteiam  a  fundamentação  da  decisão,  por  comprometimento da concatenação do raciocínio, da fluidez das idéias, ou por decisão exposta  de  maneira  confusa  ou  lacônica,  ou  ainda,  porque  a  redação  foi  mal  feita,  com  erros  gramaticais, de sintaxe, concordância etc.. capazes de prejudicar a interpretação da motivação,  não  se  compadece  com  o  predicamento  que  lhe  deu  o  Conselheiro  embargante  ao  termo  obscuridade,  consistente  na  ausência  do  conceito  de  insumo.  Aonde  se  pode  enquadrar  o  apontamento  do  vício  presente  no  acórdão  embargado  no  conceito  doutrinário  –  a  falta  de  clareza no desenvolvimento das ideias ou decisão exposta de maneira confusa – este tropeço  não existe na exposição que tenha prejudicado a interpretação da motivação.   Por estas razões, vejo que o voto condutor foi colmatado sem nebulosidades,  tendo justificado com suficiência o encaminhamento ofertado, em específico quanto à matéria  objurgada, e acompanhado pela quase integralidade pela turma.  A ementa do acórdão embargado está alinhavada com a do acórdão da CSRF,  ambas vazadas no bojo de decisões em torno de fatos jurídicos de mesma natureza. A mácula  de uma é a da outra.  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 Entrementes, os embargos oportunizam a seguinte consideração: as  leis que  instrumentalizam a não cumulatividade do PIS e da Cofins (Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003)  preceituam em seu art. 3º, II: “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  II  ­ bens e  serviços, utilizados como  insumo na  prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive (...)”  Repare­se que ao estipular que bens e serviços creditáveis  são os utilizados  como insumo na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados à venda, a  norma  legal  não  discriminou  o  grau  de  aderência  do  insumo  na  atividade  exercida  pela  empresa.   Ao  interpretar  o  dispositivo  legal,  no  Resp.  nº  1.246.317/MG,  em  sede  de  recurso  repetitivo  que  se  tornou  paradigmático  para  aplicação  pelos  conselheiros,  nos  julgamentos no âmbito do CARF, o Superior Tribunal de Justiça deu a configuração da norma  e  dispôs  que  os  insumos  passíveis  de  creditamento  são  tanto  os  que  se  ligam  ao  processo  produtivo  ou  à  prestação  de  serviços  como  os  que  os  viabilizam,  vale  dizer,  insumos  empregados seja direta ou indiretamente na atividade  A decisão está projetada no item “5” da ementa como segue:  5.  São  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.637/2002,  e  art.  3º,  II,  da  Lei  n.  10.833/2003,  todos  aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração importa na impossibilidade mesma da prestação  do serviço ou da produção,  isto é,  cuja  subtração obsta a  atividade da empresa, ou implica em substancial perda de  qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Ter­se  como  referência  estas  disposições  (legal  e  judicial),  leva­nos  a  perceber uma imprecisão na ementa do acórdão embargado (assim como na ementa da CSRF):  afirmar que o creditamento se dá apenas relativamente aos insumos aplicados diretamente na  prestação do serviço ou na produção de bens, ao tempo em que afirma que os dispêndios com o  cumprimento  das  obrigações  ambientais  (ou  da  obrigação  para  uso  da  indumentária  na  indústria de alimentos) impostas pelo Poder Público como condição para o funcionamento da  empresa  devem  ser  consideradas  insumos  (ou  é  insumo  inerente  à  produção  da  indústria  avícola), não é outra coisa senão fixar um conceito errôneo quanto à forma de incidência desse  insumo na atividade­fim da empresa.  Noutra  forma  de  dizê­lo:  se  a  lei  não  discrimina  a  forma  de  aderência  do  insumo  na  atividade­fim;  e  se  o  STJ  definiu  que  essa  forma  pode  dar­se  direta  ou  indiretamente,  não  é necessário definir  o que é  indireto  como direto para que o  insumo  seja  alvo de creditamento.   Nesse diapasão, os dispêndios com o cumprimento de obrigações normativas  do Poder Público, que ­ não obstante se os caracterize como essenciais e inerentes –, mas que  apenas  viabilizem  a  atividade  produtiva  sem  dela  intrinsecamente  participarem,  são  insumos  aplicados  indiretamente  no  processo  produtivo  (seja  a  proteção  ambiental,  seja  o  uso  de  indumentárias na indústria alimentícia).  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.000935/2009­49  Acórdão n.º 3803­004.509  S3­TE03  Fl. 287          7 A elucidação acima não se compadece com a balda de obscuridade aplicada  ao  acórdão  ­  segundo  a orientação da melhor doutrina  ­  representando o  termo diretamente,  consignado na  ementa,  não mais  que  uma  imprecisão  conceitual  que  o  julgado  (também na  CSRF)  fez  advir  dos  predicados  essencialidade  e  inerência  (ao  processo  produtivo  ou  prestação  do  serviço),  que  são  exigidos  dos  insumos  para  serem  base  de  cálculo  créditos,  adequadamente evocados no voto condutor.  Por tudo, voto por acolher parcialmente os embargos para retificar a ementa  do acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos abaixo:  REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE  INSUMOS.  Insumo  dedutível  para  efeito  de  Cofins  não  cumulativa  é  todo  aquele  relacionado  direta  ou  indiretamente  com  a  produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas  pela  contribuição  social.  E  quando  o  cumprimento  das  obrigações ambientais  impostas pelo Poder Público, como  condição para o funcionamento da empresa, gere despesas,  estas devem ser consideradas insumo.  Sala das sessões, 24 de setembro de 2013  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/09/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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5068062 #
Numero do processo: 10880.724220/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA - IRPF Exercício: 2010 FÉRIAS NÃO GOZADAS. PAGAMENTO EM DOBRO. ISENÇÃO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62-A. Em tema de férias não gozadas ou de férias não gozadas em período próprio, tendo sido convertidas em pecúnia e pagas em dobro por forca de decisão judicial, há de se reproduzir o decidido no REsp 1111223/SP, recurso representativo de controvérsia, submetido ao procedimento do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos termos em que dispõe o art. 62-A do Anexo 11 do RICARF.
Numero da decisão: 2201-002.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcio de Lacerda Martins

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Numero do processo: 13770.000653/2002-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, relatora. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13770.000653/2002­90  Resolução nº  3302­000.360  S3­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  eletrônico  lavrado  em  09.05.2002,  que  constituiu  débito de COFINS relativo aos fatos geradores ocorridos de julho a dezembro de 1997, sob a  alcunha “Proc. Jud. Não Comprov.”, tendo sido indicado como processo não comprovado o de  no 96.0001827­8.  O processo mencionado  refere­se à uma ação ordinária  interposta  (distribuída)  com pedido de tutela antecipada em 12/03/96 (fls. 137/152 ­ 203/218 dig.).  Às  Fls.  154  ­  Dig.  220  –  consta  despacho  indeferindo  a  tutela  antecipada  e  declarando  “compete  ao  contribuinte  levar  a  efeito  a  compensação  do  crédito  que  entender  possuir em face do Fisco, observados os limites legais.”  De acordo coma sentença de fls. 156/166 ­ dig. 221/232 ­ o magistrado entendeu  pela  extinção  do  pedido  da  autora  sem  julgamento  do  mérito,  uma  vez  que  à  altura  do  julgamento  já  havia  sido  reconhecido  pelo  Senado  Federal  a  inconstitucionalidade  dos  Decretos­Lei no 2445/88 e 2449/88. No que se refere à preliminar de prescrição concluiu que  não havia em razão da especificidade da matéria (ser tributária); em relação à compensação, a  decisão  registra  que  é  direito  do  contribuinte,  na  hipótese  de  existir  crédito,proceder  à  compensação de seus débitos, devendo todavia sujeitar­se ao resultado de sua conduta. Ainda,  no  que  se  refere  à  repetição  de  indébito,  a  decisão  concluiu  assistir  à  razão  à  Recorrente,  principalmente em relação aos DARF’s acostados aos autos.  Houve acórdão (fls. 170/174 ­ Fls. 236/240) em virtude de recurso de ofício, o  qual analisou apenas os critérios juros, apesar da ementa do acórdão falar sobre todos os itens  (Fls.  174  ­  dig:  240).  O  contribuinte  recorreu  ao  Superior  Tribunal  de  Justiça  acerca  dos  critérios  de  correção  monetária,  às  fls.  187  ­  dig.  253  –  o  STJ  esclareceu  quais  seriam  os  índices a serem aplicados na compensação tributária.  Após  analisar  as  razões  trazidas  pela  Recorrente,  a  4ª  Turma  da  DRJ/RJ2  ­  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II  (RJ) – proferiu o  acórdão no 13.38496, o qual restou da seguinte forma ementado:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  Não é cabível a alegação de cerceamento ao legítimo direito de defesa  quando as  infrações apuradas estiverem perfeitamente  identificadas e  os  elementos  dos  autos  demonstrarem,  inequivocamente,  a  que  se  refere a autuação, dando suporte material suficiente para que o sujeito  passivo  possa  conhecê­los  e  apresentar  a  sua  defesa  e  também  para  que  o  julgador  possa  formar  livremente  a  sua convicção  e  proferir  a  decisão do feito.  Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10  do Decreto n.º 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há  que se falar em nulidade do procedimento fiscal.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em resumo, o  v. acórdão concluiu que, apesar de existir o processo judicial alegado  Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13770.000653/2002­90  Resolução nº  3302­000.360  S3­C3T2  Fl. 4          3 pela  Recorrente,  não  havia  autorização  judicial  para  o  não  recolhimento do tributo.  Irresignada, a Recorrente  interpôs Recurso Voluntário  (fls. 316/345), por meio  do  qual  reiterou  as  razões  trazidas  em  impugnação  e  esclareceu  os  aspectos  do  processo  judicial.   É o relatório.    Voto    O  recurso  atende  os  pressupostos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  conheço.  Conforme  relatado,  trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  em  função  do  entendimento de que a Recorrente informou erroneamente, em sua DCTF, a extinção de débito  de PIS por meio de compensação com crédito reconhecido em ação judicial no 96.0001827­8.  Na referida ação  judicial, a Recorrente pleiteia a declaração de  inexistência de  obrigação tributária em razão da edição dos Decretos­Leis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988.  Na ação  judicial a Recorrente solicitou, e foi negado, a Antecipação de Tutela  para efetuar a compensação de débitos com crédito de PIS. A sentença que restou transitada em  julgado,  datada  de  10/01/97,  indeferiu  o  pedido  de  compensação  de  créditos  do  PIS  com  débitos  da  Recorrente  (qualquer  débito),  incluído  pela  recorrente  em  seu  pedido  na  ação  ordinária.  Pela  sentença,  a  União  foi  condenada  a  restituir  o  valor  do  PIS  recolhido  indevidamente em razão da inconstitucionalidade dos DL. O pedido de compensação não foi  julgado  porque  o  processo  foi  declarado  extinto,  neste  parte.  Declarou  o  magistrado  que  a  Recorrente tinha o direito de compensar, na forma da legislação, os créditos que julga ter.  Estes  fatos  abrem  a  possibilidade  de  a  Recorrente  efetuar  a  compensação  de  débitos seus de PIS com os créditos que  julga  ter,  também de PIS. Para alguns Conselheiros  desta Turma de Julgamento, poderia a Recorrente efetuar a dita compensação, independente do  decidido na Ação Ordinária no 96.0001827­8, desde que obedecesse as disposições do art. 14  da IN SRF nº 21/97.  A  informação  na  DCTF  da  compensação  realizada  não  é  prova  suficiente  de  que, efetivamente, a empresa  tinha o crédito do PIS e, efetivamente,  realizou a compensação  declarada.  Para que os Conselheiros que admitem a compensação de débitos e créditos do  mesmo  tributo,  independente  da  ação  judicial,  e  para  que  a  decisão  do  Colegiado  não  seja  condicional,  é  necessário  apurar  se  a  Recorrente  possuía  o  crédito  em  valor  suficiente  para  efetuar a compensação e se, de fato, a compensação em tela foi efetuada.  Para  isto,  é  necessário  que  o  processo  retorne  à  UL  da  RFB  de  origem  para  apurar a existência de crédito e a efetiva realização da compensação declarada.  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13770.000653/2002­90  Resolução nº  3302­000.360  S3­C3T2  Fl. 5          4 Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Unidade  Local da RFB, para as seguintes providências:  1­ Intimar a empresa Recorrente a apresentar demonstrativo do valor do crédito  do PIS a que julga ter direito, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos nº  2.445/88  e  2.449/88,  considerando  a  semestralidade  da  base  de  cálculo  da  exação,  sem  correção, e o decidido na ação judicial no 96.0001827­8;  2­ Intimar a empresa Recorrente a demonstrar a utilização, por compensação ou  por restituição, do crédito de PIS a que se refere o item 1, acima.  3­  Intimar  a  empresa  Recorrente  e  comprovar  que,  efetivamente,  realizou  a  compensação dos débitos lançados no auto de infração, e declarados em DCTF, com crédito do  PIS, acima referido. A comprovação deve ser feita por meio dos lançamentos contábeis de cada  operação na contabilidade da Recorrente.  4­ Confirmar ou informar as informações e provas apresentadas pela Recorrente,  a que se refere os itens 1, 2, e 3, acima.  5­ Com base nos elementos acima referidos, e em outros que julgar necessário,  apurar  o  valor  do  crédito  do  PIS  que  entende  passível  de  restituição  ou  de  compensação,  considerando  a  semestralidade  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  o  decido  na  ação  judicial  no  96.0001827­8;  6­  Informar  se  o  crédito  passível  de  restituição  (item  5)  é  suficiente  para  compensar  os  débitos  declarados  em  DCTF,  objeto  do  auto  de  infração,  independente  do  atendimento do item 3, pela Recorrente.  7­  Prestar  os  esclarecimentos  e  informações  que  julgar  importantes  para  o  deslinde da questão;  8­ dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo­ lhe o prazo previsto no Parágrafo Único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11, para manifestação.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

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Numero do processo: 10920.006839/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (substituto), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 482          1 481  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.006839/2008­99  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3401­000.732  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  23 de julho de 2013  Assunto  REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  CHOCOLEITE INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA  Recorrida  DRJ ­ FLORIANÓPOLIS/SC      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento do recurso em diligência.      JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS ­ Presidente.    JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos  (Presidente), Robson  José Bayerl  (substituto),  Fernando Marques Cleto Duarte,  Jean Cleuter  Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Ângela Sartori.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 06 83 9/ 20 08 -9 9 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/2008­99  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401­000.732  S3­C4T1  Fl. 483          2     Relatório  Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  ressarcimento  do  crédito  do  PIS  não­ cumulativo, do primeiro trimestre de 2008, de operações no mercado interno, no valor de R$  15.739,05 para compensar com débitos do IRRF de setembro de 2008.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil  em Joenvile/SC  fez algumas glosas,  por considerar a geração de crédito indevida. Foram elas (fls.189/195):  1­MP, PI e ME, que retornaram da industrialização por encomenda;  2­Produtos  não  classificados  como  MP,  PI  ou  ME,  por  serem  utilizados  na  manutenção  e  conservação,  tratamento  de  efluentes,  higienização  da  linha,  material  de  laboratório e dedetização;  3­Valores  de  PIS  e  COFINS  pagos  indevidamente,  em  razão  de  ter  pleiteado  esses créditos de forma incorreta;  Com  essas  glosas,  a  DRF  de  origem  reconheceu  parcialmente  o  direito  creditório, no valor de R$ 4.712,81 (fls.195/196).  A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.201/217), mas a  DRJ em Florianópolis/SC manteve o  indeferimento,  ao prolatar  acórdão  (fls.412/423)  com a  seguinte ementa:   “NÃO­CUMULATIVIDADE. HIPÓTESE DE CREDITAMENTO.  No  âmbito  do  regime  não­cumulativo  de  apuração  da  Constribuição  para  o  PIS,  somentegeram  créditos  passíveis  de  utilização  pelo  contribuinte  aqueles  custos,  despesas  e  encargos  expressamente  previstos  na  legislação,  não  estando  suas  apropriações  vinculadas  à  caracterização de sua essencialidade na ATIVIDADE da empresa ou à  sua escrituração na contabilidade como custo operacional.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  APURAÇÃO.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  adoção  de  regime  de  competência  na  apuração  da  Constribuição  para  o  PIS  e  dos  correspondentes  créditos  da  não­cumulatividade  decorre  da  legislação  tributária,  sendo,  portanto,  de  observação  obrigatória pelo contribuinte.  (...)  REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.  Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe  ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o  teor  das  alegações  que  contrapõe  aos  argumentos  postos  pela  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/2008­99  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401­000.732  S3­C4T1  Fl. 484          3 Administração Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente  o pleito repetitório.  PERÍCIA.  AUSÊNCIA  DOS  REQUISITOS  LEGAIS.  PEDIDO  NÃO  FORMULADO.  Há  que  se  considerar  não  formulado  o  pedido  de  perícia,  quando  ausentes os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº  70.235/72, a teor do que determina o § 1o do mesmo artigo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não  Reconhecido”.    A  Contribuinte  foi  intimada  do  acórdão  da  DRJ  em  27/05/2011  (fl.425)  e  interpôs Recurso Voluntário em 27/06/2011 (fls.426/461), com as alegações resumidas abaixo:  1­  Como  a  Recorrente  trabalha  com  produção  de  bebida  láctea,  produto  alimentício, a aquisição de produtos para a manutenção e conservação da linha, tratamento de  efluentes,  higienização  de  linha,  material  de  laboratório  e  dedetização  é  essencial  para  sua  atividade, sob pena de descumprimento da regulamentação dos órgãos disciplinares e oferecer  risco à saúde pública;  2­  No  que  concerne  às  glosas  pelo  retorno  dos  insumos  remetidos  para  industrialização  por  encomenda,  ocorreu  equívoco  por  parte  do  auditor­fiscal,  pois  ele  considerou que  todas as notas  fiscais apresentadas pela Recorrente consistiam em retorno de  insumo. Contudo, a autoridade  fiscal não percebeu que, na soma de  todas as notas  fiscais, o  total do crédito é maior que o crédito de pleito. Isso acontece porque a Recorrente excluiu do  cálculo do crédito pleiteado as notas  fiscais  relativas aos  retornos de  insumo, mas deixou de  excluir tais notas do arquivo magnético entregue à fiscalização. Assim, como a Recorrente já  havia excluído do cálculo o valor das notas fiscais de retorno de fabricação por encomenda, o  cálculo estava correto e não havia glosa a ser feita;  3­  O  recolhimento  indevido  ocorreu  porque  a  Recorrente  recolheu  PIS  e  COFINS  sobre  venda  de  produtos  cuja  alíquota  tinha  sido  reduzido  a  zero  pela  Lei  nº  11.488/2007. A exigência de retificação da DCTF e da DACON da época do recolhimento para  ter direito ao ressarcimento é formalismo exagerado, pois o contribuinte tem cinco anos para  recuperar o seu crédito;  4­  A  multa  e  os  juros  aplicados  são  indevidos,  pois  os  créditos  foram  devidamente compensados.  Ao  fim,  a  Recorrente  pediu  a  reforma  do  acórdão  da  DRJ  para  que  seja  reconhecido  o  direito  ao  crédito,  canceladas  as  glosas,  homologadas  as  compensações  e  cancelados os juros e a multa.  É o Relatório.      Fl. 484DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/2008­99  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401­000.732  S3­C4T1  Fl. 485          4   Voto  Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça   O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão  pela qual dele tomo conhecimento.  A Recorrente pretende ser ressarcida de crédito do PIS gerado na aquisição de  insumos, o qual não pôde ser utilizado no abatimento de vendas no mercado interno, em razão  de suas saídas serem com alíquota zero.  Em seu recurso voluntário, a Recorrente devolveu para apreciação as seguintes  matérias:  1­Geração de crédito na aquisição de produtos para a manutenção e conservação  de linha, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização;  2­Abatimento  indevido  dos  valores  relativos  às  notas  fiscais  de  retorno  de  industrialização por encomenda;  3­Possibilidade de ressarcimento do valor pago indevidamente;  4­Impossibilidade de aplicação de juros e multa.  Todavia,  existe uma dúvida  a  ser dirimida,  antes de  se  adentrar no mérito das  matérias devolvidas. Conforme consta no relatório fiscal, mais precisamente nas fls. 193/194, a  Recorrente  recebeu  de  volta  alguns  insumos  que  sobraram de  fabricação  por  encomenda,  na  qual ela era a encomendante. Com isso, a autoridade fiscal glosou da base cálculo dos créditos  as notas fiscais destas operações. Essas notas fiscais estão listadas também nas fls. 193/194.  A Recorrente, por sua vez, alega equívoco no cálculo por parte do auditor­fiscal,  provocado por erro no arquivo magnético entregue por ela à autoridade fazendária. Segundo a  Recorrente, na DACON, o cálculo do crédito está correto, sem a inclusão dos valores das notas  fiscais  de  retorno  dos  insumos  encaminhados  para  fabricação  por  encomenda,  mas  essas  mesmas  notas  fiscais  estão  listadas  no  arquivo  magnético.  Ainda  segundo  a  Recorrente,  a  autoridade  fiscal  apenas  excluiu do valor da DACON os valores das notas  fiscais  indevidas,  que já estavam excluídos.  A DRJ  entendeu  que  essa  alegação  da  Recorrente  não  passou  de  argumentos  desprovidos de provas que sequer ensejariam a realização de diligência.  Penso de  forma diversa  do que decidiu  a DRJ. O processo  administrativo  tem  como  objetivo  encontrar  a  verdade material.  Nesse  ponto,  a  apresentação  das DACONs  e  a  planilha apresentada pela Recorrente nas fls. 440 a 448 , que, segundo ela, espelha o conteúdo  do  arquivo  magnético  apresentado  ao  auditor­fiscal,  são  elementos  suficientes  para  causar  dúvida  quanto  ao  direito  ao  crédito.  Não  investigar  mais  profundamente  a  falha  no  cálculo  suscitada pela Recorrente seria correr o risco de permitir o enriquecimento ilícito do Estado.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.006839/2008­99  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3401­000.732  S3­C4T1  Fl. 486          5 Assim,  como  nos  autos  já  estão  presentes  as  DACONs  e  a  Recorrente  já  apresentou os arquivos magnéticos à autoridade fiscal, este Conselheiro entende estar diante do  caso de necessidade de realização de diligência para esclarecer a dúvida do cálculo do crédito.  Desse  modo,  os  autos  devem  retornar  à  delegacia  de  origem  para  que  seja  realizada diligência com base nos seguintes comandos:  1­ A delegacia de origem deve calcular o crédito da Recorrente, com base nas  notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado pela Recorrente;  2­ Ao  fim  do  cálculo,  deve­se  analisar  se  o  valor  dos  créditos  encontrado  no  arquivo magnético é o mesmo valor declarado na DACON.  3­  Caso  a  delegacia  de  origem  não  possua  mais  o  arquivo  magnético,  deve  intimar a Recorrente para que esta apresente um novo arquivo;  4­ Ao  final  da  análise,  deve  ser  elaborado  um  relatório  com as  conclusões  da  diligência,  informando  qual  o  valor  do  crédito  encontrado  com  base  na  análise  do  arquivo  magnético, se ele é o mesmo valor pleiteado pela Recorrente e mais alguma informação que a  autoridade fiscal julgue pertinente.  5­  Se  o  valor  do  crédito  encontrado  no  cálculo  das  notas  fiscais  do  arquivo  magnético  for  diferente  do  valor  informado  na  DACON,  deve  ser  informada  qual  foi  a  inconsistência encontrada e o que originou a divergência;  6­  Concluído  o  relatório,  a  Recorrente  deve  ser  intimada  para  se  manifestar  acerca da conclusão da diligência no prazo de trinta dias;  Finalizado o trintídio, os autos devem retornar ao CARF para análise do mérito.   Ex positis, converto o julgamento em diligência, nos termos propostos acima.   Jean Cleuter Simões Mendonça ­ Relator  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 10880.937253/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2001 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito alegado.
Numero da decisão: 3803-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 59          1 58  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.937253/2008­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.346  –  3ª Turma Especial   Sessão de  23 de julho de 2013  Matéria  COFINS ­ PER/DCOMP  Recorrente  PREFERENCE SERVICOS DE ADMINISTRACAO DE CONDOMINIO  E HOTELARIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/05/2001  PROVA.  ÔNUS  DO  CONTRIBUINTE.  PROVA.  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.   Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  de  documentos  hábeis  e  idôneos  à  comprovação  dos  fatos  impeditivos,  modificativos  ou  extintivos  do  direito  alegado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Juliano Eduardo Lirani – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 53 /2 00 8- 91 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937253/2008­91  Acórdão n.º 3803­004.346  S3­TE03  Fl. 60          2 Cuida­se de indeferimento de compensação transmitida em 29.06.2004, com  o objetivo de extinguir débito no valor de R$ 8.001,07, com crédito proveniente do “suposto”  pagamento  indevido  de  COFINS,  comprovado  por  meio  de  DARF,  referente  ao  PA  de  31/03/2000 e recolhido em 23/08/2000, no valor total de R$ 4.636,42.  O Despacho Decisório está anexo à fl. 01, deferiu parcialmente o pleito sob o  argumento  de  que  foram  encontrados  outros  pagamentos  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  a  partir  do  DARF  indicado,  razão  pela  qual  foi  não  foi  homologada  a  compensação.  Já a Manifestação de Inconformidade foi apresentada à fls. 11, sendo alegado  pelo  contribuinte  que  o  crédito  indicado  em  DARF  é  suficiente  para  implementar  a  compensação  pretendida.  Afirma  ainda  que  o  crédito  em  exame  encontra­se  declarado  em  DCTF.  Às fls. 37/42 a DRJ de São Paulo proferiu o Acórdão 1635.745 ­ 13ª Turma  da DRJ/SP1, cuja ementa segue abaixo transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Data do fato gerador: 15/05/2001   DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a  comprovação  dos  fundamentos  da  existência  e  a  demonstração  do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode  ser admitida.  Considera­se  confissão  de  dívida  os  débitos  declarados  em  DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais).  A mera alegação da existência do crédito,  desacompanhada de  elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das  alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio  da  DCTF,  não  é  suficiente  para  reformar  a  decisão  não  homologatória de compensação.  DESPACHO DECISÓRIO.  A mera alegação da existência do crédito,  desacompanhada de  elementos  cabais  de  prova  não  é  suficiente  para  reformar  a  decisão não homologatória de compensação.  Os  julgadores  de  piso  se  manifestaram  pela  manutenção  do  despacho  decisório, tendo em vista que o contribuinte não comprovou a existência do pretenso crédito e  neste sentido deixou de atender ao art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei nº 9.430/96.  A decisão de primeiro grau ainda fundamente o indeferimento do pedido no  fato de que em se tratando de PER/DCOMP o ônus probatório do direito creditório pertence ao  contribuinte.   Em  seu  recurso  voluntário,  o  contribuinte  insiste  no  argumento  de  que  apresentou,  com  a Manifestação  de  Inconformidade,  cópia  da  DCTF  e  a  correta  vinculação  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937253/2008­91  Acórdão n.º 3803­004.346  S3­TE03  Fl. 61          3 com o DARF informado no PER/DCOMP. Reclama que a DRJ não realizou diligências para  apurar a existência do crédito em seu banco de dados, nem encaminhou os autos para a DRF, a  fim de que esta se manifestasse a respeito do caso em exame.   Advoga ainda  que não  lhe  foi  oportunizado  ter  conhecimento  a  respeito  de  qual prova deveria ter sido juntada aos autos e ressalta que enviou as DCTFs retificadoras antes  de qualquer procedimento de fiscalização por parte da RFB.  O contribuinte faz ainda questão de destacar que o valor do débito declarado  é  inferior ao valor do DARF e que o saldo não utilizado resultou no pagamento  indevido de  COFINS.  Por  fim, com fulcro no princípio da verdade material,  requer a anulação da  decisão proferida pela DRJ para que a DCOMP seja analisada pela DRF de Florianópolis, bem  como que seja declarada a nulidade da cobrança do débito em questão.   Subsidiariamente, caso não prospere o pedido de cancelamento dos débitos,  requer que estes sejam parcelados, com fundamento na Lei 11.941/99 e da Portaria Conjunta  PFN/RFB 002/2011, uma vez que é optante do parcelamento regulado por esta legislação.    É o relatório.   Voto             Conselheiro Juliano Eduardo Lirani  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  O contribuinte afirma ter direito a compensação realizada, sendo que os seus  principais  argumentos  são os de que no PER/DCOMP  foi  vinculado DARF para extinguir o  débito, bem como que enviou a DCTF retificadora antes de iniciado qualquer procedimento de  fiscalização.  Em  que  pese  os  argumentos  de  defesa,  é  preciso  esclarecer  que  o  reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige apuração da liquidez e  certeza do suposto pagamento a maior de tributo. Desta forma, com o propósito e demonstrar a  certeza  e  liquidez  do  crédito,  o  contribuinte  precisa  instruir  sua  manifestação  de  inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, nos termos dos artigos 15 e  16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937253/2008­91  Acórdão n.º 3803­004.346  S3­TE03  Fl. 62          4 No  caso  em  exame,  o  contribuinte  esclarece  que  teria  apurado  créditos  de  COFINS  na  sistemática  da  não  cumulatividade.  Entretanto,  é  seu  dever  comprovar  o  direito  alegado,  pois  é  imprescindível  que  seja  demonstrado  a  existência  do  crédito  através  da  escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e  idôneos capaz de promover a  diminuição do valor do débito declarado em DCTF, que por sua vez por sua vez possui caráter  de confissão de dívida.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 23 de julho de 2013.  (assinado digitalmente)  Juliano Eduardo Lirani ­ relator                                  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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