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Numero do processo: 16682.720590/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2008, 01/08/2008 a 31/03/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL.
1. A fase litigiosa se instaura com a impugnação.
2. Às instâncias julgadoras compete o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas.
3. À segunda Seção do Carf cabe processar e julgar tão somente recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa à matéria de sua.
4. Preclusão consumativa é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, precluindo o direito de fazê-lo posteriormente.
CONTROLE REPRESSIVO DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. NÃO EVENTUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. Logo, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA E AO FNDE.
São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros (Incra e FNDE) a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infrações: deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; não arrecadar mediante desconto as contribuições a cargo dos empregados e contribuintes individuais e não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições bem como apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com omissões e/ou incorreções.
Numero da decisão: 2301-005.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não conhecer das questões suscitadas na tribuna pelo patrono da recorrente, não constantes do recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que as conheciam; (b) por unanimidade de votos, desconhecer das questões envolvendo controle de constitucionalidade de lei; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam parcial provimento para entender não tributáveis as verbas relativas aos pagamentos por meio de cartão Flexicard. Não votou a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que substitui o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, o qual já havia deixado registrado seu voto em todas as questões.
Julgamento iniciado em 08/21018 e concluído em 09/2018.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. Logo, compõem a remuneração e integram a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 90 /2 01 1- 60 Fl. 1491DF CARF MF 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO INCRA E AO FNDE. São devidas as contribuições sociais destinadas a terceiros (Incra e FNDE) a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infrações: deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; não arrecadar mediante desconto as contribuições a cargo dos empregados e contribuintes individuais e não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições bem como apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com omissões e/ou incorreções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, não conhecer das questões suscitadas na tribuna pelo patrono da recorrente, não constantes do recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que as conheciam; (b) por unanimidade de votos, desconhecer das questões envolvendo controle de constitucionalidade de lei; (c) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam parcial provimento para entender não tributáveis as verbas relativas aos pagamentos por meio de cartão Flexicard. Não votou a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que substitui o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, o qual já havia deixado registrado seu voto em todas as questões. Julgamento iniciado em 08/21018 e concluído em 09/2018. João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16682.720590/201160 Acórdão n.º 2301005.609 S2C3T1 Fl. 3 3 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1243.313, exarado pela 10ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (efls. 1385 a 1396). De acordo com o relatório fiscal (efls. 80 a 99), foram lavrados os autos de infração abaixo relacionados, referentes ao período de 07/2006 a 12/2009, a saber: a) AI DEBCAD 37.320.2946, valor de R$170.221,83: concernente às contribuições a cargo da empresa, incidentes sobre os pagamentos efetuados por meio de cartões FLEXCARD, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); b) AI DEBCAD 37.348.8343, valor de R$ 62.591,11: atinente às contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre os pagamentos acima citados; c) AI DEBCAD 37.348.8351, valor de R$ 1.117,57: respeitante às contribuições destinadas às outras entidades e fundos (FNDE, INCRA); d) AI DEBCAD 37.348.8319, valor de R$ 6.094,28: CFL 30, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, por infração ao artigo 32, I, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o artigo 225, I, e § 9°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999; e) AI DEBCAD 37.348.8300, valor de R$ 60.942,20: CFL 34, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, por infração ao artigo 32, II, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o artigo 225, II, e §§ 13 a 17, do RPS; f) AI DEBCAD 37.348.8327, valor de R$ 6.094,28: CFL 59, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, por infração ao artigo 30, I, "a", da Lei n° 8.212, de 1991, e alterações posteriores, artigo 4°, "caput" da Lei n° 10.666, de 2003, combinado com o artigo 216, I, "a", do RPS; g) AI DEBCAD 37.348.8335, valor de R$ 14.300,00: CFL 78, penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, por infração ao artigo 32, IV, da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pela Medida Provisória 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 2009; Constatado que em ações fiscais anteriores foram lavrados cinco autos de infração, configurouse circunstância agravante da infração – dupla reincidência genérica (art. 292, IV, do RPS), pelo que a multa foi elevada em quatro vezes. A ação fiscal teve como objeto a verificação do cumprimento da legislação previdenciária pela autuada com relação a valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais por meio do cartão conhecido como FLEXCARD, administrado por Alquimia Serviços de Marketing Ltda., CNPJ 04.182.848/000130, apurados na contabilidade da autuada. De acordo com a autuação, (a) em relação aos segurados empregados, os valores pagos por meio do FLEXCARD foram, na realidade, prêmios pelo incremento na venda de seus produtos, ou seja, uma retribuição pelo aumento da produtividade dos Fl. 1493DF CARF MF 4 empregados; (b) relativamente aos beneficiários que não mantinham vínculo empregatício com a autuada, os valores do FLEXCARD foram decorrentes de prestação de serviços. Pelo fato de a contribuinte não reconhecer os valores pagos por meio do FLEXCARD como parcela integrante da remuneração dos beneficiários, deixou de incluir os beneficiários e/ou os valores por eles recebidos por meio do FLEXCARD em folhas de pagamento, não lançou tais valores como fatos geradores de contribuições previdenciárias em sua contabilidade e deixou de declarálos nas guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social (Gfip). A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2008, 01/08/2008 a 31/03/2009, 01/07/2009 a 31/07/2009, 01/09/2009 a 31/10/2009, 01/12/2009 a 31/12/2009 REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os prêmios concedidos a título de incentivo ao incremento da produtividade são parcelas de natureza retributiva e têm natureza jurídica salarial. Logo, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS. Devida contribuição social destinada aos Terceiros a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infrações, deixar de informar em folha de pagamento a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço; não arrecadar mediante desconto as contribuições a cargo dos empregados e contribuintes individuais e não lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições bem como apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com omissões e/ou incorreções. A ciência por decurso de prazo dessa decisão ocorreu em 10/02/2012 (efl. 1398). Em 13/03/2012, foi apresentado recurso voluntário (efls. 1399 a 1341), sendo alegado, em síntese: Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16682.720590/201160 Acórdão n.º 2301005.609 S2C3T1 Fl. 4 5 (a) a nãoincidência de multa por descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que enquanto há discussão e controvérsia sobre determinado lançamento não pode haver a exigência de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória; (b) a inexigibilidade das contribuições ao Incra e salárioeducação; (c) que os valores pagos como prêmios de campanhas de vendas não integram o salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os pedidos consistem no: I) recebimento do recurso voluntário com efeito suspensivo; II) sobrestamento do julgamento do recurso voluntário até que haja o julgamento final do Recurso Extraordinário 630.898/RS, sob o rito da Repercussão Geral, pelo Supremo Tribunal Federal; III) provimento ao recurso voluntário a fim de declarar insubsistentes os Autos de Infração 37.320.2946, 37.348.8351, 37.348.8335, 37.348.8343, 37.348.8300, n2 37.348.8319 e 37.348.8327 e os lançamentos deles decorrentes. Pela Resolução 2301000.235, de 16/07/2013 foi deferido o sobrestamento do julgamento (efls. 1472 a 1476). Com a alteração do Ricarf, que deixou de prever a possibilidade do sobrestamento do julgamento, deuse seguimento aos trâmites para julgamento, com o sorteio do processo entre os conselheiros desta 1ª Turma da 3ª Câmara. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente registro que o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) não prevê hipóteses de sobrestamento do julgamento para aguardar decisões de tribunais judiciais, motivo pelo qual foi dado seguimento ao presente julgamento. Questões suscitadas da tribuna, não levantadas na impugnação ou no recurso voluntário Da tribuna, o patrono da recorrente suscita questões não suscitadas na impugnação ou no recurso voluntário, atinentes à composição da base de cálculo dos tributos em apreço. Fl. 1495DF CARF MF 6 Tais questões não podem ser conhecidas por este Carf, uma vez que o limite objetivo da lide – salvo as restritas exceções, limitadas a questões de ordem pública ou arguição de nulidade do acórdão recorrido – é delimitado pela impugnação, e as questões suscitadas não dizem respeito a questões de ordem pública ou arguição de nulidade do acórdão recorrido. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não questionada a matéria na fase própria, ocorre a preclusão consumativa, ou seja, a extinção da faculdade de praticar o ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto. Nesse sentido há vários precedentes no Carf, dentre os quais invoco o Acórdão 9202004.291, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa é: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997. Preclusão nada mais é do que a perda do direito de agir nos autos em face da perda da oportunidade, conferida por certo prazo. Tendo sido acatada a preclusão não há mais o que ser apreciado acerca da multa por não tratarse de matéria de ordem pública. No mesmo sentido os Acórdãos 9202005.673 e 9202002.859. Ademais, ressalvado o exame da nulidade do acórdão recorrido, o Carf não possui competência originária, mas tão somente recursal, o que reforça impossibilidade do conhecimento da matéria neste momento processual. Verifiquese o teor do disposto no art. 1º do Anexo II do Regimento Interno deste Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma prevista nos arts. 2º a 4º da Seção I. (Grifouse.) Voto, assim, por não conhecer das questões levantadas tão somente na tribuna, por ocasião da sustentação oral da recorrente. Da incidência de multa por descumprimento de obrigações acessórias Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16682.720590/201160 Acórdão n.º 2301005.609 S2C3T1 Fl. 5 7 Alega a recorrente a nãoincidência de multa por descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que enquanto há discussão e controvérsia sobre determinado lançamento não pode haver a exigência de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória; ademais, os pagamentos de prêmios por FLEXCARD não constituem verbas remuneratórias, e, portanto, não devem integrar os salários de contribuição para efeito de incidência das contribuições previdenciárias, de modo que não podem resultar na exigência das obrigações acessórias; se (a recorrente) acreditava e ainda acredita que não deveria recolher quaisquer importâncias de contribuição previdenciária sobre os valores relativos aos prêmios de campanhas de vendas pagos através do FLEXCARD, é certo que ela não poderia declarar qualquer informação a este respeito em Gfip. Cita entendimento de DRJ a amparar o entendimento de que enquanto não houver constituição definitiva do crédito tributário relacionado à obrigação principal há impedimento da constituição de crédito tributário derivado de obrigação acessória correspondente. Não está com a razão. A legislação tributária não estabelece que o lançamento de crédito tributário originado da não observância de obrigação acessória decorrente de obrigação principal não cumprida somente possa ser lançado após a constituição definitiva do crédito tributário da obrigação principal. É prática cotidiana no processo fiscal federal o lançamento em conjunto de tais créditos tributários, sendo corriqueiramente aceita essa prática, por absoluta falta de previsão em sentido contrário. Friso que, se no julgamento do lançamento do crédito tributário originado de não observância de obrigação principal for dado provimento ao recurso voluntário, é evidente que o lançamento do crédito tributário vinculado às obrigações acessórias correspondentes terão idêntico destino. Das contribuição devidas ao Incra É alegado que a cobrança das contribuições para o Incra sustentado a sua extinção pela Lei n° 7.787, de 1989, a falta de sua previsão nas Leis 8.212, de 1991 e 8.213, de 1991, bem como a impossibilidade de sua caracterização como contribuição de intervenção no domínio econômico (Cide); se caracterizada como Cide, seria inconstitucional; a base de cálculo eleita para a contribuição ao Incra deixou de haver matriz constitucional com o advento do EC n° 33, de 2001. O STF está julgando a matéria no RE 630.898/RS, com repercussão geral conhecida. A contribuição destinada ao Incra tem sua base legal expressa no auto de infração (efl. 46): “Lei n. 2.613, de 23.09.55, art. 6., parágrafo 4., (com as alterações da Lei n. 4.863, de 29.11.65, art. 35, parágrafo 2., VIII); Decretolei n. 1.146, de 31.12.70, art. 1., I, item 2, artigos 3. e 4.; Lei complementar n. 11, de 25.05.71, art. 15, II; Decretolei n. 2.318, de 30.12.86, art. 3.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I”. Na existência de previsão na legislação para o lançamento de créditos tributários, como no caso concreto, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, parágrafo único). Não é possível a este colegiado deixar de aplicar a legislação citada por inconstitucionalidade da lei ou por não recepção da legislação pela EC 33, de 2001. Fl. 1497DF CARF MF 8 Nesse sentido, esta 1ª Turma, no julgamento do Acórdão 2301005.129, em 13/09/2017, entendeu, por unanimidade, que a pertinência da legalidade e constitucionalidade das contribuições para o Incra e ao FNDE (salárioeducação) é matéria afeta ao controle repressivo de constitucionalidade, o qual não pode ser exercido por este Carf. Transcrevo os trechos pertinentes, assumindoos como razões de decidir: O acórdão da DRJ não enfrentou o mérito da questão, por força do disposto no art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972 e por falta de decisão judicial específica que socorresse o contribuinte. Caso esta Turma chegue a uma conclusão diferente – ou seja, que a matéria deve ser apreciada –, o remédio a ser aplicado, a meu juízo, seria o retorno dos autos à autoridade ad quem para o enfrentamento da questão. Porém, penso que agiu corretamente a autoridade recorrida. O fim almejado com o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, ou com a Súmula 02 do CARF, é evitar que as instâncias julgadoras administrativas usurpem a competência do Poder Judiciário, afastando a aplicação de normas tributárias frente a seu conflito com a Constituição Federal. Ora, o próprio STF já firmou sua competência e reconheceu a repercussão geral para a análise das contribuições destinadas ao: (a) Incra, em face da EC 33/2001: tema 495 – Referibilidade e natureza jurídica da contribuição para o INCRA, em face da Emenda Constitucional nº 33/2001; leading case RE 630.898; (...) (c) salárioeducação, em face das Constituições de 1969 e 1988: tema 518 – Compatibilidade da contribuição destinada ao custeio da educação básica com as Constituições de 1969 e de 1988; leading case RE 660933; neste caso, firmou a seguinte tese: “Nos termos da Súmula 732 do STF, é constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação”. (...) Nesse sentido, saber se determinada norma foi ou não recepcionada pela Constituição Federal (incluindo, por óbvio, suas emendas constitucionais), é tema precípuo e recorrente a ser dirimido pelo STF. Cito como exemplo: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO SENAI. ARTIGOS 4º E 6º DO DECRETOLEI 4.048/1942. VALIDADE E RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 (ARTIGO 240). ARTIGO 149, § 2º, DA CONSTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. HIGIDEZ DAS NOTIFICAÇÕES DE DÉBITO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE EM SEDE EXTRAORDINÁRIA. SÚMULA 279 DO STF. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. MATÉRIA SEM Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16682.720590/201160 Acórdão n.º 2301005.609 S2C3T1 Fl. 6 9 REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 660. ARE 748.371. REITERADA REJEIÇÃO DOS ARGUMENTOS EXPENDIDOS PELA PARTE AGRAVANTE. MANIFESTO INTUITO PROTELATÓRIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC/2015. AGRAVO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (ARE 1035080 AgR / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 26/05/2017; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. EMBARGOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL. CARÁTER TRIBUTÁRIO. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. BITRIBUTAÇÃO. A SEGUNDA PARTE DO INCISO I DO ARTIGO 154 DA CONSTITUIÇÃO NÃO SE APLICA ÀS CONTRIBUIÇÕES. IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL DA ENTIDADE SINDICAL. INEXISTÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (RE 947732 ED / SP SÃO PAULO; Relator: Min. Luiz Fux; Julgamento: 29/03/2016; Órgão Julgador: Primeira Turma) (Grifouse.) AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INSTITUTO DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL. RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FIXAÇÃO DE ALÍQUOTAS NÃO FOI RECEPCIONADA. ALCANCE DOS PRECEDENTES. É compatível com os precedentes desta Corte a decisão que reconhece a recepção das exações pela Constituição de 1988, mas estabelece que após a referida promulgação a alíquota não pode ser modificada por entidade desprovida de mandato legislativo, de modo que o tributo deve ser calculado de acordo com a alíquota válida no momento da promulgação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 597098 AgR / DF; Relator): Min. Joaquim Barbosa; Julgamento: 04/10/2011; Órgão Julgador: Segunda Turma) (Grifouse.) Assim, não há como este colegiado se substituir a órgãos do Poder Judiciário, pelo que entendo ser aplicável ao caso (cobrança das contribuições para o Sesi, Senai, Incra, Sebrae e salárioeducação, face a EC 33/2001) a Súmula Carf 02 e o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e não reconheço a competência desta Turma para delas se manifestar. Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de Fl. 1499DF CARF MF 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sublinho que o RE 630.898/RS ainda não teve o mérito julgado pelo STF e que o salárioeducação, teve sua constitucionalidade reconhecida no tema de repercussão geral nº 518, tendo sido firmada a seguinte tese: “Nos termos da Súmula 732 do STF, é constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação”. Das contribuição devidas sobre os valores pagos como prêmios de campanhas de vendas O recorrente defende, em síntese, que os prêmios pagos relacionados às campanhas de venda não são habituais, não incidindo sobre eles, portanto, contribuições previdenciárias, inclusive a destinada ao salárioeducação. Não lhe assiste razão. Como argutamente se manifestou a decisão recorrida, do qual assumo como razões de decidir: 8. Não procede a alegação de que os prêmios por serem ganhos eventuais, não possuem natureza salarial. Os prêmios, como a própria impugnante informa em sua defesa, visam ao incentivo dos empregados e contribuintes individuais, com o único objetivo de maximizar os resultados das vendas, portanto, estão vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador individualmente, ou de um grupo deles, como "eficiência" e "produção", sendo assim alcançados pelo conceito de salário decontribuição estabelecido na artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) (Grifos no original.) 9. O prêmio constitui uma forma de incentivo e de participação. De um lado, estimula o trabalhador a aumentar sua produtividade; de outro, interessa ao bom andamento da gestão empresarial, tendo, assim, natureza salarial. 10. Tratase de parcela salarial sob condição suspensiva, cuja aquisição depende do adimplemento das circunstâncias objetivas ou subjetivas previamente conhecidas por ambas as partes. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16682.720590/201160 Acórdão n.º 2301005.609 S2C3T1 Fl. 7 11 11. Assim, os valores pagos pela empresa, a título de prêmios, visando estimular o desempenho de empregados e contribuintes individuais a seu serviço, retribuem efetivamente o trabalho prestado, não estando incluídos nas parcelas que não integram o saláriodecontribuição, taxativamente elencadas no parágrafo 9°, do artigo 28, da Lei n.° 8.212/1991: Art. 28 (...): § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (GRIFADO) (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Grifos no original.) 12. Portanto, apesar da sistemática de pagamento adotada pela empresa diferenciarse da tradicional, está demonstrada a natureza remuneratória dos prêmios de produtividade, concedidos por meio de cartões eletrônicos carregados com créditos, em razão de metas de desempenho atingidas, sobre os quais incidem as contribuições lançadas nos autos de infração em tela. (Grifos no original.) 13. Assim, ao contrário do que sustenta a impugnante, o pagamento de verbas, através dos cartões "FLEXCARD", contratados junto à empresa ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA., aos segurados empregados e contribuintes individuais, ainda que pagos sem habitualidade, são em decorrência de contrato de trabalho. O prêmio é uma forma de incentivo e de participação, visto que estimula o trabalhador a aumentar sua produtividade e interessa ao bom andamento da gestão empresarial, tendo, assim, natureza salarial. 14. Cabe trazer à lume, a lição do mestre Amauri Mascaro Nascimento: "Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Não pode ser forma única de pagamento.(...) E uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Daí se falar, também em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase também pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. " (grifo nosso) (Grifos no original.) 15. Este é também o entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme acórdão n.° Fl. 1501DF CARF MF 12 20600.333, de 12/12/2007, do qual se transcrevem alguns trechos a seguir. (...) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias (...) Ementa: SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § 1°, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. (...) Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não constando do referido dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9°, da Lei n ° 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. (...) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJn° 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição. Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência neste trabalho traduzida nas vendas realizadas, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Mister elucidar, ainda, que, tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1°, da CLT, in verbis: (...) Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos a empregados intitulados de Prêmios Sobre Vendas devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16682.720590/201160 Acórdão n.º 2301005.609 S2C3T1 Fl. 8 13 de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevem: (...) Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios sobre vendas), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. (...) (grifos nossos) (Grifos no original.) 16. No âmbito judicial, o próprio Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem decidido da mesma forma. É o caso, por exemplo, do recentíssimo Acórdão relativo ao processo n°. 1930095.20045.04.0025, de 10/08/2011, da 8a. Turma: RECURSO DE REVISTA. (...) 2. PRÊMIOS PAGOS POR FORA. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. Extraise do acórdão do Regional que é incontroverso que a reclamada efetuava, mensal e habitualmente, o pagamento de premiação decorrente das metas específicas de vendas, por meio de cartões bancários sacados em dinheiro diretamente no caixa eletrônico. Nesse contexto, em que a condenação decorreu do comprovado pagamento mensal e habitual das premiações, não há falar em afronta direta ao art. 457, caput e § 1°, da CLT. Recurso de revista não conhecido (...). (Grifos no original.) 16.1. E do abaixo transcrito, que considera o pagamento de prêmios em razão da produtividade como remuneratórios: "(...)BÔNUS SEMESTRAIS. NATUREZA JURÍDICA. As bonificações pagas em razão da produtividade têm natureza salarial, uma vez que são pagas ao trabalhador em virtude da continuidade do contrato de trabalho, tratandose de uma contraprestação habitual de serviço subordinado remunerado pelo empregador, cujo objetivo é estimular a produção.(...) ". (TST, 4a Turma, RR n° 52843/99, Relator Ministro Antônio José de Barros Levenhagen, DJ de 30/08/2002) Mais recentemente, tal jurisprudência foi confirmada por este CARF: SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIOS. NÃO EVENTUALIDADE. O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. (Ac 2402004.546; relatora Luciana de Souza Espindola Reis; julgado em 10/02/2015) Fl. 1503DF CARF MF 14 SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. INCIDÊNCIA. Integra o salário de contribuição a parcela recebida pelos segurados empregados a título de prêmio, paga pela empresa por mera liberalidade com o propósito de incentivar e recompensar atributos individuais, tais como a produtividade.(Ac 2401 003.983; Redator Designado – Carlos Henrique de Oliveira; julgado em 10/12/2015) Consequentemente, entendo também devidos os créditos tributários lançados em face do descumprimentos das obrigações acessórias. Quanto às questões levantadas na tribuna pelo patrono da recorrente, de nulidade do lançamento por não ter sido observado o limite máximo do desconto de contribuição previdenciárias dos contribuintes individuais e pelo pedido de conversão do julgamento em diligência para fins de verificação da possível ocorrência desse fato para, se for o caso, adequação da base de cálculo do tributo, entendo serem matérias sobre as quais ocorreu a preclusão consumativa, uma vez que não foram suscitadas nem na impugnação nem no recurso voluntário. Assim, delas não conheço. Conclusão Voto, portanto, por NÃO CONHECER da questão atinente ao controle repressivo de constitucionalidade e das matérias suscitadas da tribuna, não arguidas na impugnação ou no recurso voluntário, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1504DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000376/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 76 /2 00 9- 60 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.119, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16349.000376/200960 Acórdão n.º 3401004.920 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909313/2009-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. DARF. ERRO COMPROVADO.
O Per/Dcomp deve ser retificado pelo sujeito passivo caso encontre-se pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser aplacada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em mero equívoco de informação entrem o respectivo Per/Dcomp e o Darf nele indicado como prova do direito creditório pleiteado, erro este consistente, tão somente, quanto à indicação do Código de Receita do tributo recolhido a maior, uma vez que dúvida não há quanto ao efetivo recolhimento do respectivo tributo.
Numero da decisão: 3001-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. DARF. ERRO COMPROVADO. O Per/Dcomp deve ser retificado pelo sujeito passivo caso encontre-se pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser aplacada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em mero equívoco de informação entrem o respectivo Per/Dcomp e o Darf nele indicado como prova do direito creditório pleiteado, erro este consistente, tão somente, quanto à indicação do Código de Receita do tributo recolhido a maior, uma vez que dúvida não há quanto ao efetivo recolhimento do respectivo tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. DARF. ERRO COMPROVADO. O Per/Dcomp deve ser retificado pelo sujeito passivo caso encontrese pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser aplacada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em mero equívoco de informação entrem o respectivo Per/Dcomp e o Darf nele indicado como prova do direito creditório pleiteado, erro este consistente, tão somente, quanto à indicação do Código de Receita do tributo recolhido a maior, uma vez que dúvida não há quanto ao efetivo recolhimento do respectivo tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 93 13 /2 00 9- 67 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 136 2 Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0733.496, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS que, na sessão de julgamento realizada em 29.11.2013 (efls. 99 a 103), que não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp 00141.57381.180105.1.3.041020. Da ementa do acórdão recorrido A 4ª Turma da DRJ/FNS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA No âmbito das compensações declaradas pelos contribuintes, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente declarado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica, transmitida em 18 de janeiro de 2005, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), mediante Darf código 8109, em 14 de agosto de 2000, no valor de R$ 7.707,52, relativo ao período de apuração de agosto de 2000. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 137 3 Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo DERAT SP pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 5, emitido em 18 de fevereiro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual expõe suas razões de contestação. No tópico A Prova da Existência do DARF informado no PER/DCOMP, a contribuinte alega a existência do documento de arrecadação informado na Declaração de Compensação, conforme documento que anexa (folha 33). Ressalta a contribuinte que as informações do Darf correspondem àquelas informadas na Dcomp. A fim de confirmar o pagamento a contribuinte afirma que a Procuradoria da Fazenda Nacional, com referência à inscrição em dívida 80.7.00.00346637, que informa a extinção dos correspondentes créditos tributários, indica na primeira linha Informações sobre os pagamentos efetuados exatamente o pagamento informado na Dcomp (v. folha 36 ). Em A Correção da Compensação Realizada, a contribuinte passa a alegar que o pagamento realizado por Darf se constitui em crédito a seu favor, por ser pagamento indevido. Em síntese, a contribuinte explica que o crédito tem origem em pagamento de PIS, relativo aos três primeiros trimestres de 1997, cujos débitos foram indevidamente inscritos em dívida ativa. A contribuinte esclarece que pagou tais débitos em duplicidade, a fim de evitar transtornos inerentes à pendência de débitos inscritos em dívida ativa. A contribuinte argumenta que todas as informações expostas na manifestação de inconformidade encontramse devidamente espelhadas em suas declarações DCTF, conforme cópia trazida aos autos. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 132), para reprisar os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade, que sintetizo, que: (i) o Darf e o extrato emitido pela PFN, coligidos aos autos indiscutivelmente atestam a existência do documento de arrecadação informado no Per/Dcomp em questão; (ii) transmitiu respectivas DCTF para fins de constituição e pagamento dos créditos tributários de PIS, referentes aos três primeiro trimestres de 1997 e de IRRF, referente a junho do mesmo ano; Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 138 4 (iii) não obstante a verificada extinção dos débitos declarados nas referidas DCTF, foi surpreendida com o Aviso de Cobrança que informoulhe a inscrição em dívida ativa dos referidos tributos, conforme depreendese das Certidões de Dívida Ativa anexadas aos presentes autos, mas que mesmo sabendo indevidos, procedeu, uma vez mais, ao pagamento destes créditos tributários, a fim de evitar os percalços inerentes à pendência de débitos inscritos em dívida ativa, conforme faz prova os Darf e os extratos emitidos pela PFN em 04.10.2005; (iv) evidenciado o pagamento em duplicidade dos referidos créditos tributários, é plenamente cabível sua compensação, no valor nominal de R$ 35.949,08; (v) apurou, para o período de 09/2000, Cofins, no valor de R$ 7.477,56, e PIS, no valor de R$ 1.620,13, conforme depreendese das respectivas DCTF (original e retificadora); (vi) no intuito de extinguir o crédito tributário decorrente da Cofins devida no referido período, vinculou um Darf no valor de R$ 477,56, bem como a compensação objeto deste processo, no valor de R$ 7.000,00, e do PIS devido no referido período, vinculou um Darf no valor de R$ 632,88, bem como a compensação objeto deste processo, no valor de R$ 987,25; (vii) todas as informações até aqui prestadas encontramse demonstradas em suas declarações, bem assim no Per/Dcomp em comento, o que torna induvidoso a extinção do valor devido a título de Cofins do período de apuração de 09/2000; (viii) restando plenamente demonstrada não só a existência do darf indicado na Per/Dcomp, como também da origem e validade do crédito a que faz jus, é inadmissível que desconsiderese todos esses fatos em razão de terse identificado mero erro de preenchimento da referida Per/Dcomp, na medida em que apontou o código 8109, quando o correto seria o código 0810; (ix) em prestígio do princípio da verdade material, cuja aplicação é indeclinável para a administração pública, o incontestável fato de que possui créditos suficientes para extinguir todos os débitos compensados, sob pena de nulidade, por representar enriquecimento ilícito do Fisco, conforme já decidiu esta instância de julgamento; Nestes termos, requer seja julgado procedente o presente recurso voluntário, para fins de reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecida a integralidade dos créditos informados e, por decorrência, das suas compensações. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 18.03.2015 (efl. 134), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 139 5 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 14.02.2014, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 133), depois da ciência ocorrida em 16.01.2014, conforme informa o "Aviso de Recebimento AR", que trata da entrega da "Intimação nº 35/2014", expedido pela DERAT/DIORT/EODIC/SPO (efls. 104/105), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do fundamento do despacho decisório Do campo três do Despacho Decisório rastreamento 821102280, emitido em 18.02.2009, intitulado "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", colhese o que segue: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.707,52. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Das questões não controvertidas Dúvida não há que a motivação para a não homologação da compensação restringese a não confirmação, após consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, quanto a existência do crédito informado no Per/Dcomp 00141.57381.180105.1.3.041020, transmitido em 18.01.2005, uma vez que o Darf nele discriminado não foi localizado. Também é pacífico que as informações acerca do Darf indicado no Per/Dcomp em análise (página 3) e reproduzido no despacho decisório diverge, tão somente ao que tange o "Código de Receita", da guia de recolhimento, qual seja o próprio Darf, que o recorrente apresentada como prova do direito creditório pleiteado. Per/Dcomp 00141.57381.180105.1.3.041020 (fl. 27): Período de Apuração: 31/10/2000 CNPJ: 56.530.108/000140 código da Receita: 8109 Nº da Referência: 8070000346637 Data de Vencimento: 31/08/2000 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 140 6 Valor do Principal 3.651,93 Valor da Multa 730,38 Valor dos Juros 3.325,21 Valor Total do Darf 7.707,52 Data de Arrecadação: 14/08/2000 Darf (fl. 30) 02 PERÍODO DE APURAÇÃO 31/08/2000 03 NUMERO DO CPF OU CNPJ 56.530.108/000140 04 CÓDIGO DA RECEITA 0810 05 NÚMERO DE REFERENCIA 80 7 08 00346637 06 DATA DE VENCIMENTO 31/10/2000 07 VALOR DO PRINCIPAL 3.651,93 08 VALOR DA MULTA 730,38 09 VALOR DOS JUROS E/OU ENCARGOS DL 1.025/69 3.325,21 10 VALOR TOTAL 7.707,52 Do litígio propriamente dito Portanto, o inconformismo do recorrente assentase na hipótese de que mero erro de preenchimento da referida Per/Dcomp, ao indicar o código 8109, quando o correto seria o código 0810, não pode ser motivo suficiente para denegarlhe o direto ao suposto crédito e, por consequência, a extinção, por compensação, dos débitos nela declarados. Dos fundamentos desta decisão De plano, temos a hodierna tendência de mitigarse os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, a qual a muito comungo, para o fim de acolher provas apresentadas nas instâncias recursais. No entanto, para que seja aplacada tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante; para tanto, uma vez ciente dos motivos pelos quais seu pleito não foi atendido, entendo ser seu o dever de envidar esforço no sentido de elucidar os pontos controvertidos apontados pela decisão denegatória, por exemplo, mediante a apresentação de robustos elementos de prova do direito vindicado. De outra forma dizendo, deve o interessado agir de proativamente, empenhandose para comprovar o direito que alega possuir, para que tornese, inclusive possível aventar o novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo Novo Código de Processo Civil Lei 13.105 de 16.03.2015, cujo artigo 6º afirma que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Feito este breve intróito, passemos para a análise fática do presente feito. Compulsando os autos verificase que o pedido de compensação foi indeferido, uma vez que a autoridade fiscal, após exame dos sistemas informatizados da RFB, não localizou o Darf discriminado no presente Per/Dcomp, não restando, por conseguinte, crédito disponível para a compensação dos débitos nele informados. Observase também que (i) o recorrente foi intimado (efls. 97/98) a conferir as informações prestadas na Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado; (ii) que no "Termo de Intimação" a autoridade fiscal esclarece que, havendo erro no preenchimento o contribuinte Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 141 7 disporia de prazo para retificar sua Per/Dcomp, conforme dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17.07.2017, que, tal como as normas anteriores, em seu CAPÍTULO VI DA RETIFICAÇÃO E DO CANCELAMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DO PEDIDO DE REEMBOLSO E DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, estabelece as regras atinente à retificação de pedidos como o do presente caso; (iii) e que não consta destes autos informação de que o interessado tenha procedido à retificação da Per/Dcomp em questão, a fim de corrigir, no que tange à origem do crédito tributário, o Darf para fazer constar o "Código de Receita" correto, qual seja "0810 Receita Dívida Ativa PIS". Esclareçase que não inexiste dúvida que o valor expresso no Darf colacionado aos autos pelo contribuinte, para evidenciar a existência de crédito que pretende utilizar na compensação dos débitos declarados no Per/Dcomp em testilha, foi objeto de efetivo recolhimento ao Erário Federal, é o que depreendese da tela do sistema "SINAL08,1RPE (CONSULTA PAGAMENTO) (efls. 96). Não se discute que efetivamente cabia ao contribuinte requer a retificação do Per/Dcomp 00141.57381.180105.1.3.041020, em face de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, por meio do respectivo documento retificador. Em apertada em síntese, conforme o excerto a seguir reproduzido, foi este o fundamento do voto condutor do acórdão recorrido para concluir pela improcedência da manifestação de inconformidade e, por seu turno, pelo não reconhecimento do direito creditório. Vejamos: Diante deste quadro, não há, portanto, como acatar, em sede de recurso administrativo, o pleito da contribuinte. É que ao suprimir na Dcomp informação essencial à identificação da origem de seu pretenso crédito, a contribuinte subtraiu à DRF de origem a correta identificação do objeto do pleito, como já dito. Com isso, não se pode, em sede recursal, apreciar originariamente questão não submetida à apreciação de quem tem competência, em instância inicial, para deferir ou não o crédito pretendido. E não há como sanear processualmente tal incidente, pois na medida em que o despacho decisório foi prolatado com estrita consonância com o conteúdo da Dcomp apresentada, inovar nos limites do litígio em sede recursal seria indevido. Entretanto, em que pese o bem fundamentado acórdão recorrido, divirjo de suas conclusões, pois a atento à novel tendência de se mitigar a rigidez das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, e por entender que o sujeito passivo agiu de forma proativa, acolho como suficiente as inúmeras provas apresentadas em sua manifestação de inconformidade, para, considerando demonstrada a existência do Darf indicado na Per/Dcomp em questão, posto que os documentos coligidos confirma que no caso sob exame tratarse de simples equívoco de preenchimento da referida Per/Dcomp, ao indicar o código 8109, quando deveria ter mencionado o código 0810, reconhecer a origem e validade do crédito pleiteado e, por seu turno, extinguir o débito originário de Cofins devido, referente ao período de apuração de 09/2000. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.909313/200967 Acórdão n.º 3001000.511 S3C0T1 Fl. 142 8 Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, deferindose as compensações indicadas no Per/Dcomp objeto deste processo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004534/2007-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/03/2003, 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005
RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ. ART. 62A DO RICARF.
É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235- QO-RG, Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral.
PRESCRIÇÃO. TESE DOS 5+5. DECADÊNCIA
O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005
Numero da decisão: 3001-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 30/03/2003, 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005 RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE BASE DE CÁLCULO. JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ. ART. 62A DO RICARF. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235 QORG, Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral. PRESCRIÇÃO. TESE DOS 5+5. DECADÊNCIA O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 45 34 /2 00 7- 60 Fl. 443DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante Relatório Adoto, por transcrição, o sintético e bem elaborado relatório do v. Acórdão recorrido (fls. 403/405), verbis. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o auto de infração (fls. 03/14), que exige o recolhimento da Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no valor de R$ 7.740,79 (sete mil, setecentos e quarenta reais e setenta e nove centavos), acrescida da multa de oficio e dos juros de mora, relativa aos períodos de apuração acima mencionados, tendo como fundamento legal os dispositivos mencionados as fls. 06 e 14. 0 autuante, no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 18/21, informa, dentre outros fatos, que, com relação à base de cálculo da Cofins constatou na maioria dos meses diferenças entre os valores encontrados por essa fiscalização e os valores utilizados pelo contribuinte para apuração da contribuição, tendo elaborado com base no livro Razão da mesma o "Demonstrativo da Base de Cálculo da Cofins" no qual estão explicitadas as receitas auferidas, discriminadas de forma analítica. Que constatou também, ao fazer o confronto dos valores referentes as retenções na fonte da Cofins apresentada pela contribuinte com os valores informados nas Declaração de Imposto de Renda Retido na FonteDIRF, diferenças nos meses de abril/maio/julho/agosto/setembro/outubro/2004, tendo elaborado o "Demonstrativo das Diferenças de Valores Retidos na Fonte" e constituído de oficio tais diferenças, uma vez que não foram declaradas em DCTF nem tampouco pagas. Diz, com relação à ação judicial que a contribuinte, em atendimento ao "Termo de Inicio de Fiscalização" (fls. 32/33), informou que é parte no Mandado de Segurança n° 2002.33.00.0073660/BA, que tem como impetrante o SINDHOSBA Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado da Bahia, e que, para comprovar sua participação apresentou as peças judiciais (cópia, fls. 35/61) e Declaração do referido Sindicato informando de que ela é associada ao mesmo desde abril de 1989 (cópia, fl. 36). Que em consulta ao site do TRF/laR verificou que, em 07/06/2005, a Sétima Turma desse Tribunal Federal deu, por unanimidade, provimento à Apelação e que, em23/02/2007, o Acórdão foi publicado no Diário da Justiça, páginas 59 a 79. Concluindo, ao final, que constituiu os créditos tributários da Cans, conforme demonstrado no auto de infração em questão, por ter apurado valores desta contribuição maiores do que aqueles escriturados pela contribuinte, os quais não foram declarados em DCTF nem pagos, bem como de que não havia, no momento, decisão judicial impeditiva da cobrança da referida contribuição. Instruindo os autos encontramse os documentos de fls. 17/325. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10580.004534/200760 Acórdão n.º 3001000.446 S3C0T1 Fl. 3 3 Regularmente cientificada (fl. 05) a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 327/353, instruída com os documentos de fls. 354/392, cujo teor é sintetizado a seguir. Diz, após se referir a tempestividade de sua impugnação, assim como, ao auto de infração, que os valores devidos a titulo de Cofins não poderiam ter sido consolidados nos termos do § 1º, do art. 3º, da Lei n° 9.718, de 1998, uma vez que a inclusão das chamadas receitas financeiras na base de cálculo da Cofins foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos Recursos Extraordinários n's. 357950, 390840, 358273 e 346084; que, além do mais, a multa de oficio de 75% não poderia ter sido aplicada ao caso em questão, uma vez que a inexistência de recolhimento da Cofins foi autorizada por decisão proferida nos autos do MS n° 2002.33.00.007366 0/BA, a qual, somente foi reformada em favor da Fazenda Nacional em 23/02/2007; que, em assim sendo, a multa aplicada as competências anteriores àquela data é ilegal, por afrontar o § 2°, do art. 63, da Lei n° 9.430, de 1996, que transcreve; na seqüência passa a discorrer, em extenso arrazoado, sobre a inconstitucionalidade da exigência da Cofins incidente sobre as receitas financeiras, citando, nesse sentido, além de dispositivos da CF, de 1988 e do CTN, jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF); diz, também, da impossibilidade de aplicação de multa moratória enquanto vigorava a decisão judicial e ressalta a natureza confiscatória da multa aplicada; sustenta, após se referir aos trâmites do MS n° 2002.33.00.007366 0/BA, que a fiscalização, sem levar em consideração o período em que ela se valeu da eficácia da referida ação judicial para deixar de recolher a Cofins,terminou por lhe aplicar a multa de 75%; que, se ela não estava em mora perante a Administração Pública, tendo em vista a já mencionada decisão judicial, é certo também de que não lhe poderia ter aplicado a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), concluindo, após falar da sua afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco, bem como depois de citar doutrina e jurisprudência, que a mesma tem caráter eminentemente confiscatória por exceder o limite de 20% (vinte por cento) aceito como sendo razoável pelo STF e pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região; requer, ante ao exposto, que seja dado provimento a sua impugnação, a fim de seja anulado o crédito tributário da Cofins constante do auto de infração em questão. Em face do despacho de fl. 393 o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento. Os membros da 4ª Turma da DRJ/SDR julgaram procedente a autuação (fls. 405/407), pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa (fls. 402), verbis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2002 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/12/2005 Fl. 445DF CARF MF 4 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete A autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucional idade ou ilegalidade. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir da vigência da Lei n° 9.718, de 1998, as receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. 0 percentual de multa de lançamento de oficio é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, nos prazos previstos na legislação tributária é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Lançamento Procedente O contribuinte ingressou com longo Recurso Voluntário em 29 de outubro de 2010 (fls. 415/428), ilustrado com diversos documentos (fls. 429/443), seguido do Despacho SECAT/DRF Nº 0012/2010, de 04.01.2018, informando que "após ciência, em 087.10.2009 (fls. 424/425), do Acórdão nº 1520.403/2009 da Delegacia da receita Federal de Julgamento em Salvador, o contribuinte supra citado interpôs Recurso Voluntário, em 29.10.2009, contra a decisão proferida no referido acórdão" (fls. 444). Em seu recurso o contribuinte insistiu em sua tese de defesa de que a matéria já fora disciplinada pelo STF, alegando, em síntese, que "antes mesmo da lavratura do Auto de Infração, ocorrido em 06/06/2007 o STF, desde 09/11/2005, já havia pacificado o entendimento da INCONSTITUCIONALIDADE do alargamento do conceito de faturamento promovido pelo § 1° do art. 3° da Lei Federal n.° 9.718/98 e a correlata ampliação da base de cálculo da COFINS", e prossegue (fls. 421/422), verbis. Neste sentido, invoca a Recorrente os seguintes precedentes da Suprema Corte: RE 357950/RS, relator originário Min. Marco Aurélio e o RE 346084/RS, frisando, ainda, que aquela Corte çonstitucional firmou a repercussão geral da questão, consoante julgados a seguir colacioanados: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social.' PIS. COFINS. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10580.004534/200760 Acórdão n.º 3001000.446 S3C0T1 Fl. 4 5 Alargamento da base de cálculo. Art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE n° 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVAO, DJ de 1°.9.2006; REs nos 357.950/RS, 354.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98." (RE 585235 RGQO, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENTA VOL0234310 PP02009) "TRIBUTÁRIO.INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3°, § 1°, DA LEI 9.718/98. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JUSRISPRUDÉNCIA DESTA CORTE. IMPOSSIBILIDADE. SOBRESTAMENTO DO FEITO. CASO DIVERSO DOS AUTOS. AGRAVO IMPROVIDO. I. O acórdão recorrido está em harmonia com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, no julgamento do RE 357.950/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, declarou a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei 9.718/98, uma vez que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou o art. 195, I, da Constituição (redação anterior EC 20/98). Precedentes. II Pedido de sobrestamento rejeitado. III Agravo regimental improvido." (AI 707772 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 02/12/ 2008, Dje241 DIVULG 18122008 PUBLIC 19122008 EMENT VOL0234624 PP 05218 RT v. 98, n.882, 2009, P. 128130). Prossegue citando vários doutrinadores e constitucionalistas, argumentando que as decisões pacificadas pelo Supremo Tribunal Federal devem ser observadas, inclusive, pela esfera administrativa, e pugna pelo provimento do seu recurso para julgar insubsistente a autuação, sustentando finalmente (fls. 424), verbis. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias E o relatório. Fl. 447DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O contribuinte foi cientificado do Acórdão recorrido, proferido em 29.09.2009 (fls. 402/408), somente em 07.10.2010, consoante Despacho SECAT/DRF N° 0012/20010 (fls. 444), e ingressou com Recurso voluntário em 29.10.2009 (fls. 415/429), sendo tempestivo o apelo e revestido das demais formalidades processuais, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne da questão diz respeito a legalidade (ou ilegalidade) da inclusão na base de cálculo da COFINS das receitas financeiras, de que cuida o § 1º, art. 3º, da Lei Federal nº 9.718/1998, utilizada pelo Acórdão recorrida para fundamentar sua decisão, enquanto a empresa sustenta que tal dispositivo, antes mesmo da autuação, já fora declarado retirado do mundo jurídico pela declaração de sua inconstitucionalidade por decisão unânime do Excelso Supremo Tribunal Federal. Todavia, a jurisprudência dos Tribunais Superiores (STJ e STF) é unânime e pacífica no sentido de que referida norma (§ 1º, art. 3º, da Lei Federal nº 9.718/1998) foi declarada inconstitucional, como se extrai da ementa do RE 638.413 AgR, Relator o eminente Ministro LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 28/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe088 DIVULG 12052015 PUBLIC 13052015, verbis. Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. TEMA Nº 110 DA REPERCUSSÃO GERAL. PRAZO PRESCRICIONAL. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. APLICAÇÃO APENAS ÀS AÇÕES AJUIZADAS APÓS 9/6/2005. RE 566.621. TEMA Nº 4 DA REPERCUSSÃO GERAL. NATUREZA JURÍDICA DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA CONTRIBUINTE. ENQUADRAMENTO DA EMPRESA COMO INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DO NECESSÁRIO PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS Nº 282 E 356 DO STF. 1. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Precedente: RE 585.235Plenário, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe de 28/11/2008, Tema nº 110 da Repercussão Geral. 2. O prazo prescricional de 5 (cinco) anos, para as ações de repetição de indébito ou de compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto na Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Precedente: RE 566.621, Rel. Min. Ellen Gracie, Plenário, DJe de 11/10/2011, Tema nº 4 da Repercussão Geral. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10580.004534/200760 Acórdão n.º 3001000.446 S3C0T1 Fl. 5 7 3. O Tribunal de origem não emitiu juízo sobre a natureza jurídica das atividades desenvolvidas pela empresa contribuinte. Além disso, não foram opostos embargos de declaração para sanar eventual omissão. Ausente, portanto, o prequestionamento da controvérsia relativa ao enquadramento da empresa como instituição financeira. 4. O prequestionamento da matéria é requisito indispensável à admissão do recurso extraordinário. As Súmulas nº 282 e 356 do STF dispõem, respectivamente, verbis: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada” e “o ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não podem ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento”. 5. In casu, o acórdão recorrido extraordinariamente assentou: “AGRAVO INTERNO TRIBUTÁRIO PRESCRIÇÃO LC 118/2005 JURISPRUDÊNCIA DO STJ. A matéria relativa às alterações promovidas pela mencionada lei, no que se refere à ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS art. 3º, § 1º, foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 346084), havendose declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98. II Agravo Interno improvido.” 6. Agravo regimental DESPROVIDO. Reza o § 2º, art. 62, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei 5.869/1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015, do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, é firme a jurisprudência das diversas Seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no sentido de determinar a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo da Cofins, coerente com a jurisprudência predominante do STF, do STJ e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, razão pela qual VOTO para dar provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 449DF CARF MF 8 Fl. 450DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.001819/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais - 9 (nove) trimestres x R$ 2.500,00).
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 18 19 /2 00 6- 79 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 119 2 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais 9 (nove) trimestres x R$ 2.500,00). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: " Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 02/08, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF Papel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 2° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 445.500,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei n° 9.779/1999; art. 57 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835/2001; arts. 212 e 505 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02); art. 1° e 10 da Instrução Nonnativa (IN) SRF n° 71/2001. Conforme Termo de Intimação de fl. 11, a fiscalizada foi intimada a apresentar cópias dos recibos de entrega das declarações relativas ao período acima identificado, ou justificar sua não entrega. Não tendo havido atendimento à referida intimação, a autoridade fiscal lançou as multas pelo falta de entrega das declarações, computadas por mês de atraso, conforme demonstrado no próprio corpo do auto de infração. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 26/04/2006, por meio de correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento (fl. 14), tendo protocolado sua impugnação em Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 120 3 24/05/2006, conforme peça de fls. 16/18 (firmada pela sócia administradora), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) desde a fundação da empresa “todos os seus sócios sempre cumpriram com suas obrigações fiscais, pagando rigorosamente em dia seus impostos e demais compromissos sociais”; b) “embora seja detentora de registro especial junto a SRF (art. 1° do DecretoLei n° 1.593/77 e art. 1° da IN SRF 101/2001), na verdade somente em duas oportunidades realizou este tipo de serviço”; c) como não conseguiu mais nenhum tipo de encomenda, “acabou por vender a máquina que desempenhava esse tipo de trabalho, deixando entretanto de adequar seu objeto contratual, por ignorância a legislação vigente”, d) não entregou as declarações “por total desconhecimento da legislação por parte dos sóciosproprietários e também por não terem efetuado aquisição de papel imune, com exceção de duas compras”; e) não atendeu à intimação fiscal, mencionada no auto de infração, porque esta “não chegou até o conhecimento das sóciasproprietárias e responsáveis pela administração da empresa, razão pela qual nenhuma providência foi tomada, requerendo desde já o cancelamento de todos os atos a partir daquela notificação, inclusive o auto de infração, concedendo novo prazo para regularização das pendências”; f) não tem capacidade financeira para arcar com a multa aplicada. “Qualquer valor a título de multa inviabilizará a continuidade de suas atividades, levandoa a quebra”. Conclui a impugnante requerendo o cancelamento do auto de infração, “aceitando as declarações encaminhadas, via intemet, em 20/05/2006 e 22/05/2006, conforme documentação que ora anexamos a esta (docs. 15/46), afim de regularizar a situação fiscal da empresa junto a esta SRF”. Consta anexada à fl. 74, um requerimento encaminhado pela impugnante (sem qualquer protocolo de recepção) visando aditar a impugnação apresentada, nos seguintes termos: 'A empresa vem aditar a impugnação já apresentada nesta mesmo data, impugnando também o valor da multa aplicada, por ser absolutamente abusiva, principalmente neste caso, que a empresa não faz aquisição do papel imune e tratase de uma microempresa basicamente familiar.'" A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 121 4 Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL Não é necessário que a notificação de lançamento seja feita pessoalmente ao sujeito passivo, bastando que seja feita por via postal recebida no domicílio do contribuinte. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 1°, § 4°, inc. II, da MP n° 451/2008. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO. ALEGAÇÃO INCABÍVEL. E defeso alegarse ignorância de atos normativos publicados na imprensa oficial para justificar seu descumprimento. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Por força do art. 142 do CTN, a atividade do lançamento é vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. Lançamento Procedente em Parte." O Recurso Voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 122 5 (i) desde a fundação da microempresa cumpriram com suas obrigações fiscais; (ii) embora seja detentora de registro especial junto a SRF (art. 1° do DecretoLei n° 1.593/77 e art. 1° da IN SRF 101/2001), na verdade somente em duas oportunidades realizou este tipo de serviço; (iii) por total desconhecimento a legislação por parte dos sóciosproprietários e também por não terem efetuado aquisição de papel imune, com exceção das duas compras acima comprovadas, não foi informado à SRF através da DIFPapel Imune; (iv) a notificação do contribuinte mencionada no auto de infração, realizada no dia 24/11/2005, a qual não chegou até o conhecimento das sóciasproprietárias e responsáveis pela administração da empresa, razão pela qual nenhuma providência foi tomada, razão pela qual requer o cancelamento de todos os atos a partir daquela notificação, inclusive o auto de infração, aceitando as declarações encaminhadas, via internet, em 20/05/2006 e 22/05/2006, conforme demonstram. documentos juntados com. a peça de impugnação; e (v) pugna pelo direito na redução de 50% da multa prevista no parágrafo 5° do artigo 1° da MP n° 451, de 16/12/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal. O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 123 6 DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Assim, não há que se falar em ilegalidade da multa em apreço. Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 124 7 "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 125 8 Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 445.500,00 (quatrocentos e quarenta e cinco mil e quinhentos reais), pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 2º, 3º e 4° trimestres de 2002; 1º, 2º, 3º e 4° trimestres de 20023 e 1º e 2º trimestres de 2004. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 445.500,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 9 (nove) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais 9 trimestres x R$ 2.500,00). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 126 9 Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10830.001819/200679 Acórdão n.º 3201004.122 S3C2T1 Fl. 127 10 VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Muito embora a decisão recorrida tenha, corretamente aplicado de modo retroativo o disposto na Medida Provisória nº 451, de 16/12/2008, impondo multa no valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais R$ 5.000,00 x 9 trimestres), com o consequente afastamento do valor original da exigência fiscal, com a vigência da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, é esta a multa que deve ser aplicada. Assim, por ser a Recorrente empresa enquadrada no regime SIMPLES, a multa correta a ser aplicada é a de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), por obrigação acessória descumprida, conforme previsão legal (art. 1º, § 4º, inc. II da Lei 11.945/2009). Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais 9 (nove) trimestres x R$ 2.500,00). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908557/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2001
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2001 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 57 /2 01 1- 02 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.482. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.387, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 6 5 Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 7 6 Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 8 7 Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 9 8 redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10850.908557/201102 Acórdão n.º 3301005.038 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906244/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 44 /2 01 2- 77 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13819.906244/201277 Acórdão n.º 1301003.315 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.009802/2005-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001, 2002
Ementa:
SALDO CREDOR DA DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO.
Nos termos do art. 38 do Decreto nº 332, de 1991, o resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, que corresponder à diferença verificada no período-base de 1990, entre a variação do IPC e o BTN Fiscal, se credor, deveria ser adicionado na determinação do lucro real, a partir do período-base encerrado em 1993, de acordo com as normas de realização do
lucro inflacionário do período-base. Irrelevante, no caso, o fato de a contribuinte encontrar-se, no ano da apuração, em fase pré-operacional.
LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA.
Nos termos da súmula CARF nº. 10, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
Numero da decisão: 1302-000.374
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos , NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. Nos termos do art. 38 do Decreto nº 332, de 1991, o resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, que corresponder à diferença verificada no período-base de 1990, entre a variação do IPC e o BTN Fiscal, se credor, deveria ser adicionado na determinação do lucro real, a partir do período-base encerrado em 1993, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário do período-base. Irrelevante, no caso, o fato de a contribuinte encontrar-se, no ano da apuração, em fase pré-operacional. LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. Nos termos da súmula CARF nº. 10, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos , NEGAR provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Fl. 685DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 2 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 686DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 3 3 Relatório CUMBUCO EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, que manteve, em parte, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa aos anos-calendário de 2001 e de 2002, formalizadas a partir da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado (percentual de realização mínima). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 89/97), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que a Declaração de Rendimentos utilizada pelo Fisco para obtenção do valor do lucro inflacionário acumulado concernente ao exercício social findo em 31 de dezembro de 1991, teria sofrido modificações em face de inconsistências detectadas e regularizadas de forma tempestiva por ela; - que a Declaração Retificadora teria sido normalmente protocolada junto à Delegacia da Receita Federal e, nesta declaração, não foi apresentado qualquer saldo de lucro inflacionário acumulado correspondente ao exercício social findo em 31 de dezembro de 1991; - que a retificação da declaração foi realizada nos termos consignados no artigo 832 e seu parágrafo único, constantes do Regulamento do Imposto de Renda em vigor; - que teria promovido alterações em sua Declaração de Rendimentos referente ao período base findo em 31 de dezembro de 1991, por encontrar-se, nessa ocasião, em fase pré-operacional, o que impediria apuração de receitas quaisquer que fossem, ou seja, a sociedade encontrava-se em fase de implantação e, nessa situação, apenas acumulava em seu Ativo Diferido despesas incorridas e que, apenas no futuro, poderiam contribuir, no caso de êxito do empreendimento, para a geração de receitas; - que, estando em fase que antecedia o início de suas operações, não se poderia considerar factível a geração de lucro; - que a própria Receita Federal disporia acerca do tratamento dispensado sobre eventuais saldos credores de correção monetária no período anterior ao início das atividades pelo contribuinte, ou seja, o Fisco Federal disciplinou o tratamento contábil a ser dispensado nos casos em que a sociedade, encontrando-se em fase pré-operacional, viesse a apurar eventual saldo credor de correção monetária (Instrução Normativa n° 54 de 05 de abril de 1988); Fl. 687DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 4 4 - que o procedimento defendido e aceito do ponto de vista fiscal, nos moldes preceituados pela Instrução Normativa 54/88, foi o adotado para o registro do saldo credor de correção monetária do balanço; - que, assim, no exercício findo em 31 de dezembro de 1991, por encontrar-se em fase pré-operacional, contabilizou eventuais saldos credores de correção monetária apurados até esta data com as despesas pré-operacionais incorridas no mesmo período de apuração; - que, após as referidas compensações de saldos credores de correção monetária em contrapartida às despesas alocadas no Ativo Diferido, remanesceram neste grupo saldos para amortização futura; - que teria apresentado no período em foco um total de despesas pré- operacionais em montante superior ao saldo de lucro inflacionário apresentado pelo agente fiscalizador em seus levantamentos, sendo, assim, incabível a incidência tributária; - que, por outro lado, teria ocorrido caducidade do direito; Consta da decisão exarada em primeira instância que a contribuinte foi autuada sobre a mesma matéria em relação aos anos-calendário de 1997 e de 1998 (processo n° 10380.003042/2003-80), e, em razão da pertinência com o presente processo, foi juntada a documentação de fls. 167/248 (Resoluções nºs 252, 387 e 416, que converteram o julgamento em diligência, respectivas informações fiscais e documentos correlatos). A 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº 08-9.413, de 31 de outubro de 2006, pela procedência parcial do lançamento, conforme ementa que ora transcrevemos. FASE PRÉ-OPERACIONAL. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO. Encerrada a fase pré-operacional, a pessoa jurídica deverá realizar parcelas do lucro inflacionário acumulado ao menos no percentual mínimo exigido na legislação de regência. LUCRO INFLACIONÁRIO. RECONSTITUIÇÃO. Procede a pretensão fiscal de reconstituir o valor real do lucro inflacionário desde o momento do diferimento dos saldos a tributar, devendo, todavia, serem considerados, em cada período de apuração, os efetivos percentuais de realização daquele lucro, na forma da lei, ainda que não possam ser tributadas, essas realizações, por haverem sido alcançadas pelo instituto da decadência. Cumpre ao Fisco, por sua vez, na verificação do cumprimento da Lei n° 9.065/95, expurgar, do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, as realizações mínimas obrigatórias relativas a períodos anteriores já alcançados pela decadência, ainda que não tenham sido tributadas na época própria. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. DECADÊNCIA. Fl. 688DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 5 5 No que respeita à realização do lucro inflacionário, o prazo decadencial não pode ser contado a partir do exercício em que se deu o diferimento, mas a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização. O direito de a Fazenda Pública promover o lançamento do lucro inflacionário diferido só nasce a partir do momento previsto para a sua realização, sendo essa a data inicial para a contagem do prazo decadencial. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 282/296, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, adita (in verbis): ... Contudo, resta concluir, que a Declaração Retificadora utilizada pela Recorrente para instruir o presente processo administrativo não foi considerada pelo órgão julgador da Receita Federal, pelo fato deste órgão não possuir um arquivo físico que armazene as folhas de informações de tempos passados, para poder comparar com as apresentadas pelo contribuinte. A Recorrente, apresentou aos autos a via de recibo da Declaração Retificadora (fls. 148/159), devidamente assinada pelo fiscal, e entregue na data de 07.06.93, protocolada sob o n° 03.1.01.00, sendo que, foi no entanto rejeitada e ainda presumida como inverídica pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, simplesmente por essa não deter de um arquivo material que armazenasse a via entregue naquela data. Não pode prosperar a improcedência da alegação presente na Impugnação ao Auto de Infração, simplesmente por rejeição de um documento apresentado com boa-fé, atestando o Auditor Julgador ser este inverídico. Se não há veracidade, que seja feita então PERÍCIA ATRAVÉS DE EXAME GRAFOTÉCNICO, para dessa forma atestar a veracidade ou a falsidade do documento e da assinatura do fiscal receptor, e não o julgar falso apenas por motivo de desorganização administrativa por não haver um arquivo na Receita Federal que arquive organizadamente as declarações entregues durante seu tempo de funcionamento. Ademais, o sistema também pode muito bem condizer com a realidade, pois não há provas que possam atestar sua precisão, onde, mais vale um documento juntado ao autos do que uma informação de um sistema de computadores que pode conter erros em suas informações geradas por seus usuários. (GRIFOS DO ORIGINAL) É o Relatório. Fl. 689DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativa aos anos-calendário de 2001 e de 2002, formalizadas a partir da imputação de falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado (percentual de realização mínima). A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando impugnação interposta pela contribuinte, exonerou parte do crédito tributário constituído com fundamento em caducidade do direito. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte basicamente renova a argumentação expendida na peça impugnatória, que, em essência, foi dirigida no sentido de que: a) o lucro inflacionário apurado pela autoridade fiscal derivou de declaração de rendimentos apresentada no exercício de 1992, que foi retificada por ela, sendo que, nessa (na retificadora), não foi apresentado qualquer saldo de lucro inflacionário em 31 de dezembro de 1991; b) teria ocorrido caducidade do direito de a Fazenda promover o lançamento tributário. Às fls. 148 do processo consta RECIBO DE ENTREGA, datado de 07 de junho de 1993, relativo a uma suposta declaração de rendimentos do exercício de 1993, em que só se encontram preenchidos os quadros relativos às informações cadastrais, ao balanço patrimonial e à discriminação dos acionistas/quotistas da empresa. Às fls. 154, consta RECIBO DE ENTREGA, datado também de 07 de junho de 1993, relativo a uma suposta declaração de rendimentos do exercício de 1992, em que, da mesma forma, só se encontram preenchidos os quadros relativos às informações cadastrais, ao balanço patrimonial e à discriminação dos acionistas/quotistas da empresa. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, a partir da impugnação interposta pela contribuinte, requisitou, por meio da Resoluções nº. 252 (03/12/2004), a realização de diligência, objetivando: - aferir a autenticidade da declaração retificadora entregue pela contribuinte; - verificar se a contribuinte se encontrava em fase pré-operacional durante o ano-calendário de 1991; Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, Ceará, produziu a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 204, esclarecendo: Fl. 690DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 7 7 - não ter sido possível confirmar a autenticidade da declaração, visto que o arquivo da unidade já não detinha as declarações relativas ao ano de 1991, mas que os valores informados na referida declaração conferiam com os registrados em sistema da Receita Federal; - que a análise dos livros contábeis da contribuinte permitiu concluir que, à época, ela se encontrava em fase pré-operacional. Por meio da Resolução nº. 387, de 08 de junho de 2005, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza requereu nova diligência, solicitando: - que fosse verificada a autenticidade da declaração retificadora apresentada com base no cotejo com os livros contábeis e fiscais da contribuinte; - que fosse confirmado que a contribuinte efetivamente se encontrava em fase pré-operacional. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza apresentou, então, a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 228, informando: - que a declaração retificadora não constava como processada no sistema da Receita Federal; - que, analisada a escrituração da contribuinte, a conclusão era a de que efetivamente a empresa se encontrava em fase pré-operacional no ano de 1991; - que apenas a declaração originalmente entregue estava respaldada pela escrituração, ficando constatado que alguns valores registrados na declaração supostamente entregue não correspondiam aos que foram consignados na citada escrituração. Em 04 de agosto de 2005, a já citada 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza requereu nova diligência, vez que o sistema da Receita Federal indicou recepção de declaração relativa ao ano-calendário de 1990 na mesma data da suposta entrega da retificadora para o ano-calendário de 1991 (07 de junho de 1993). O procedimento, nesse caso, visou, mais uma vez, aferir a autenticidade da declaração retificadora entregue por meio do cotejo com a relativa ao ano-calendário de 1990. Em resposta, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, Ceará, informou que não tinha como averiguar se a declaração retificadora era autêntica. Esclareceu, ainda, que a declaração entregue também em 07 de junho de 1993 e que se encontrava registrada no sistema da Receita Federal tinha conteúdo distinto da declaração retificadora juntada aos autos. A primeira observação que se deve fazer na presente análise é a de que a origem dos valores submetidos à tributação decorrem de SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA RELATIVA À DIFERENÇA IPC/BTNF , conforme documento de fls. 251. Diante disso, deixa de ter relevância os argumentos da Recorrente no sentido de que, estando em fase pré-operacional, adotou os procedimentos estabelecidos pela Instrução Normativa nº. 54, de 1988, relativamente ao tratamento das despesas e receitas financeiras, das Fl. 691DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 8 8 variações monetárias e do saldo de correção monetária, eis que, no caso, deveriam ser observadas as disposições da Lei nº. 8.200, de 1991, e do Decreto nº. 332, também de 1991. Nessa linha, dispunha a referida legislação. Lei nº. 8.200/91 Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período-base de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entra a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I - Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anos-calendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. (Redação dada pela Lei nº 8.682, de 1993) II - será computada na determinação do lucro real, a partir do período-base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. Decreto nº. 332/91 Art. 38. 0 resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, que corresponder à diferença verificada no período- base de 1990, entre a variação do IPC e o BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I - poderá ser excluído do lucro líquido na determinação do lucro real, em quatro períodos-base consecutivos, a partir do período-base de 1993 até o de 1996, à razão de vinte e cinco por cento por período-base, quando se tratar de saldo devedor; II - será adicionado na determinação do lucro real, a partir do período-base encerrado em 1993, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário do período-base (arts. 22 e 23) quando se tratar de saldo credor. Parágrafo único. Na determinação do saldo credor a ser adicionado na forma do inciso II, a pessoa jurídica deverá somar o saldo credor correspondente à diferença de correção referida neste artigo ao lucro inflacionário acumulado transferido do período-base de 1992. Na declaração de rendimentos que consta dos registros da Receita Federal, que foi entregue em 01/07/92, extrato às fls. 182/191, a contribuinte registrou o montante de CR$ 6.785.666.440,00 a título de saldo credor da conta de correção monetária – diferença IPC/BTNF (Lei nº. 8.200/91, art. 3º). Na declaração (retificadora), supostamente entregue em 07/06/93, a contribuinte não assinalou qualquer valor relativamente à correção monetária – diferença IPC/BTNF. Fl. 692DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 9 9 Ocorre, porém, que, no que diz respeito a declaração tida como retificadora, as diligências requisitadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento concluíram que: a) não foi possível aferir a sua autenticidade; b) os valores nela consignados não tinham respaldo na escrituração apresentada pela contribuinte. Nesse contexto, ainda que se abandone qualquer aspecto relacionado a ausência de registro da declaração retificadora nos sistemas da Receita Federal, bem como ao fato de a unidade administrativa não dispor de meios para aferir a autenticidade do documento trazido ao processo pela Recorrente, o certo é que a falta de compatibilização entre os dados registrados na referida declaração (retificadora) e os consignados nos livros contábeis analisados a torna imprestável como meio de prova, tornando, assim, desprovida de sustentação a argumentação expendida na peça de defesa. A Recorrente alega que promoveu alterações na declaração anteriormente entregue por encontrar-se em fase pré-operacional, o que a impediria de apurar receitas quaisquer que fossem, contudo, as citadas alterações só recaíram em contas patrimoniais, vez que tanto a declaração original como a que alega que foi entregue em 07 de junho de 1993 só trazem registros nos quadros correspondente ao balanço patrimonial, ou seja, mesmo na declaração original, nenhum registro foi feito a título de receitas. A alegação de que “apresentou no período em foco um total de despesas pré- operacionais em montante superior ao saldo de lucro inflacionário”, além de não estar amparada em documentação hábil, não traz indicação acerca do cômputo da correção monetária da diferença IPC/BTNF, até porque os registros relacionados à citada correção desapareceram na declaração supostamente entregue em 07 de junho de 1993. Revela-se absolutamente inadequado o questionamento acerca da imposição tributária em razão da ausência de resultado na fase pré-operacional, visto que, tanto em razão das disposições da IN nº. 54/88, como do previsto na Lei nº. 8.200/91 e no Decreto nº. 332/91, o saldo credor da correção monetária que correspondesse à diferença IPC/BTNF só integraria o lucro real a partir do ano de 1993. A afirmação no sentido de que “a Declaração Retificadora utilizada pela Recorrente para instruir o presente processo administrativo não foi considerada pelo órgão julgador da Receita Federal, pelo fato deste órgão não possuir um arquivo físico que armazene as folhas de informações de tempos passados, para poder comparar com as apresentadas pelo contribuinte”, mostra-se imprópria, contrapondo-se ao esposado no voto condutor da decisão proferida pelo citado órgão, conforme fragmentos reproduzidos por ela própria no corpo da peça recursal. Com efeito, ali restou assinalado: ... - realizada diligência junto aos assentamentos contábeis e fiscais da empresa autuada, a fiscalização observou que todos os dados neles inseridos convergem para os valores apontados na declaração original, divergindo em parte dos valores constantes Fl. 693DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.009802/2005-24 Acórdão n.º 1302-00.374 S1-C3T2 Fl. 10 10 da declaração retificadora ora em exame, conforme demonstrativo às fls. 227; - o Balanço Patrimonial acostado às fls. 215/217, confirma a existência de Saldo Credor de Correção Monetária referente à diferença IPC/BTNF no mesmo montante indicado na DIRPJ/ 92 original (Cr$ 6.785.666.440,23). Não se trata, portanto, de deixar de considerar a declaração retificadora em razão da ausência de “um arquivo físico que armazene as folhas de informações de tempos passados”, mas, sim, de rejeição do conteúdo de documento tido como retificador por não estar embasado na escrituração contábil aportada ao processo. No que tange à decadência, cabe, apenas, esclarecer que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos (SÚMULA CARF nº. 10). Despicienda, também, a realização da perícia requerida, visto que a solução da controvérsia não guarda relação direta com a veracidade ou a falsidade da declaração supostamente entregue, nem da alegada assinatura do agente receptor, mas, sim, com o fato de o conteúdo do citado documento não encontrar respaldo na escrituração trazida ao processo. Assim, diante de tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de setembro de 2010 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 694DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 12/11/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 12/11/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006239/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006.
Ementa:
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As alegações de nulidade levantadas pela
recorrente não encontram amparo nas normas que regem o processo
administrativo fiscal, confundindo-se com o mérito da exigência fiscal.
ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Correto o arbitramento do lucro se o sujeito passivo, reiteradamente intimado, não apresenta os livros e documentos da
escrituração comercial e fiscal solicitados pela autoridade fiscal no curso da ação fiscal.
CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS AO EFETIVO TITULAR DA CONTA DE DEPÓSITOS.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. NÃO OCORRÊNCIA. Correto o procedimento da autoridade fiscal ao constituir o
crédito tributário em nome do sujeito passivo identificado como o real titular dos rendimentos omitidos, ex vi do disposto no art. 142 do CTN e ao § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não se trata de desconsideração da personalidade jurídica, mas sim de situação em que ficou comprovada a interposição de pessoa na titularidade de conta bancária. Não tendo sido comprovada a origem dos créditos bancários identificados impõe-se a
determinação da receita em nome do sujeito passivo identificado como efetivo titular da conta.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A utilização de interposta pessoa
para movimentar recursos em contas bancárias, revela a intenção inequívoca da autuada de ocultar da autoridade tributária receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação, cabendo a aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos da Súmula CARF nº 34.
LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Por se constituírem
infrações decorrentes e vinculadas, e dada a relação de causa e efeito, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de realização de
diligências com vistas a “correta revisão do lançamento”, quando não se vislumbra necessidade ou utilidade na sua realização, uma vez que os elementos contidos no processo são mais do que suficientes para a formação de convicção do julgador quanto aos fatos e apurações contidas nos autos.
APRESENTAÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. A apresentação de prova
documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se
a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Não obstante, a
recorrente não carreou aos autos nenhum elemento de prova juntamente com o recurso ou a posteriori, sendo, portanto, inócuo o seu pleito.
Numero da decisão: 1302-000.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006. Ementa: NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As alegações de nulidade levantadas pela recorrente não encontram amparo nas normas que regem o processo administrativo fiscal, confundindo-se com o mérito da exigência fiscal. ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Correto o arbitramento do lucro se o sujeito passivo, reiteradamente intimado, não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal solicitados pela autoridade fiscal no curso da ação fiscal. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS AO EFETIVO TITULAR DA CONTA DE DEPÓSITOS. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. NÃO OCORRÊNCIA. Correto o procedimento da autoridade fiscal ao constituir o crédito tributário em nome do sujeito passivo identificado como o real titular dos rendimentos omitidos, ex vi do disposto no art. 142 do CTN e ao § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não se trata de desconsideração da personalidade jurídica, mas sim de situação em que ficou comprovada a interposição de pessoa na titularidade de conta bancária. Não tendo sido comprovada a origem dos créditos bancários identificados impõe-se a determinação da receita em nome do sujeito passivo identificado como efetivo titular da conta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A utilização de interposta pessoa para movimentar recursos em contas bancárias, revela a intenção inequívoca da autuada de ocultar da autoridade tributária receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação, cabendo a aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos da Súmula CARF nº 34. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, e dada a relação de causa e efeito, aplica-se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de realização de diligências com vistas a “correta revisão do lançamento”, quando não se vislumbra necessidade ou utilidade na sua realização, uma vez que os elementos contidos no processo são mais do que suficientes para a formação de convicção do julgador quanto aos fatos e apurações contidas nos autos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Não obstante, a recorrente não carreou aos autos nenhum elemento de prova juntamente com o recurso ou a posteriori, sendo, portanto, inócuo o seu pleito.
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Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente BADOTTI ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. Ementa: NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As alegações de nulidade levantadas pela recorrente não encontram amparo nas normas que regem o processo administrativo fiscal, confundindose com o mérito da exigência fiscal. ARBITRAMENTO DE LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Correto o arbitramento do lucro se o sujeito passivo, reiteradamente intimado, não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal solicitados pela autoridade fiscal no curso da ação fiscal. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. RENDIMENTOS ATRIBUÍDOS AO EFETIVO TITULAR DA CONTA DE DEPÓSITOS. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. NÃO OCORRÊNCIA. Correto o procedimento da autoridade fiscal ao constituir o crédito tributário em nome do sujeito passivo identificado como o real titular dos rendimentos omitidos, ex vi do disposto no art. 142 do CTN e ao § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não se trata de desconsideração da personalidade jurídica, mas sim de situação em que ficou comprovada a interposição de pessoa na titularidade de conta bancária. Não tendo sido comprovada a origem dos créditos bancários identificados impõese a determinação da receita em nome do sujeito passivo identificado como efetivo titular da conta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A utilização de interposta pessoa para movimentar recursos em contas bancárias, revela a intenção inequívoca da autuada de ocultar da autoridade tributária receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação, cabendo a aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos da Súmula CARF nº 34. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL, COFINS E PIS. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, e dada a relação de causa e efeito, aplica se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. Indeferese o pedido de realização de diligências com vistas a “correta revisão do lançamento”, quando não se vislumbra necessidade ou utilidade na sua realização, uma vez que os elementos contidos no processo são mais do que suficientes para a formação de convicção do julgador quanto aos fatos e apurações contidas nos autos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Não obstante, a recorrente não carreou aos autos nenhum elemento de prova juntamente com o recurso ou a posteriori, sendo, portanto, inócuo o seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (Documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. EDITADO EM: 11/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 961 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2003 a 2006, no valor total de R$ 9.465.136,51, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 31/07/2008, efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 550 a 626. O lançamento do IRPJ foi efetuado com base no lucro arbitrado, conforme previsto no art. 530, III do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), em face da omissão de receita caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada, efetuados em contas bancárias mantidas em nome da empresa de fachada NOBRE ALIMENTOS LTDA. (CNPJ 05.166.606/000115), e pela falta de declaração das vendas escrituradas pela interessada no Livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 128179) e não declaradas à Receita Federal, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 531549). O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 02/09/2008. Tempestivamente o sujeito passivo apresentou impugnação aos lançamentos em 02/10/2008, (fls. 629 a 643), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJCuritiba, in verbis: Impugnação Regularmente intimada em 02/09/2008, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 644), apresentou, em 02/10/2008, a tempestiva impugnação de fls. 629643, cujo teor é sintetizado a seguir. Nulidade do lançamento. Argúi a preliminar de nulidade, ao argumento de ausência de elementos imprescindíveis à sustentação da exigência dos valores consignados no auto de infração; que toda conduta da autoridade fiscal partiu da inválida apuração dos valores mediante arbitramento do lucro, porquanto entendeu não haver escrituração contábil apta a demonstrar a formação do lucro real. . Aduz que solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos livros contábeis e fiscais em razão da necessidade de serem ainda concluídos alguns registros, mas nunca afirmou que inexistiriam tais livros ou que neles não estariam inseridos, de forma pormenorizada, os elementos capazes de ensejar a correta apuração do lucro real; que, de outro lado, a fiscalização não realizou qualquer diligência com o fito de verificar pessoalmente a existência daqueles livros e os respectivos conteúdos; que, infelizmente, a autoridade fiscal deixou de mencionar tal fato em seu Termo de Verificação, eis que seria mais conveniente simplesmente acreditar que tais documentos não existiam. . Assevera que durante o transcurso do feito pretende comprovar a inexistência de qualquer lucro a ser oferecido à Fl. 962DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 tributação; em que pese o disposto no art. 16, § 4º, entende ter direito a apresentação de novos documentos a qualquer momento do processo administrativo fiscal, a fim de que a autoridade julgadora possa estabelecer a correta revisão do lançamento efetuado; que, seja como for, os elementos dos autos são suficientes para demonstrar que o lançamento em tela não pode subsistir. . Acrescenta que igualmente nulo é o processo relativo à suposta utilização de empresa de fachada para acobertar receitas decorrentes de vendas sem documentação fiscal; que a conclusão de que a empresa Nobre Alimentos Ltda. teria sido criada apenas para movimentar recursos financeiros omitidos pela interessada não pode subsistir porquanto: I) tal conclusão está baseada no depoimento de um excontador, que não lhe presta mais serviços há muito tempo e com o qual teve sérios desajustes; II) o fato de a esposa do excontador ser sócia ou procuradora da Nobre Alimentos em nada contribui para a tese da autoridade fiscal; III) a empresa Nobre Alimentos lhe prestou alguns serviços, razão pela qual seria até aceitável que alguns valores pertencentes à impugnante tenham transitado pelas contas bancárias daquela empresa; IV) a conduta da autoridade fiscal fere o princípio constitucional do contraditório, porquanto consistente em realizar verdadeira inquirição de testemunhas, com o fito de atribuir responsabilidades à interessada, sem presença dela nos respectivos atos; V) as alegações feitas por terceiros em atenção às solicitações da autoridade fiscal caracterizam, quando muito, meros indícios; VI) não há fundamento que dê amparo à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Nobre Alimentos por parte da autoridade fiscal. . Afirma que a autoridade fiscal não tem competência para desconsiderar a existência legal da empresa Nobre Alimentos, já que tal incumbência é exclusiva do Poder Judiciário; menciona, por analogia, que o art. 50 do Código Civil, ao tratar da possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, expressamente adverte que tal declaração deve partir do judiciário; que nem mesmo o art. 142 do CTN se presta para fundamentar a atitude descabida da autoridade fiscal, pois permite, tãosomente, o reconhecimento do contribuinte ou do responsável por determinação legal, nos termos do art. 121, I e II, do CTN; que constitui causa de nulidade do ato administrativo se o motivo nele inscrito inexistiu, assim como na hipótese de ser indicado sujeito passivo diverso daquele que deve integrar a obrigação tributária. Necessidade de redução da multa de ofício. Contesta a aplicação da multa de ofício qualificada, ao argumento de não haver prova efetiva da prática de qualquer um dos atos atribuídos à impugnante; que a exigência fiscal se baseia em meros indícios, assim entendidos os depoimentos de testemunhas tomados a sua revelia; que o agravamento da multa de ofício só tem cabimento quando restar cabalmente provada a ocorrência de atos imbuídos de dolo, ou por meio de atos fraudulentos ou simulados; que, ainda que não se entenda pela nulidade do processo, necessário se faz ao menos a redução do seu percentual para 75%. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 962 5 Impossibilidade de incidência da taxa Selic. Argumenta que a taxa Selic traz de forma conjunta tanto a incidência de correção monetária como de juros de mora, além de não se mostrar aplicável às obrigações tributárias. Pedidos. Ao final, protesta pela concessão de prazo para a juntada de documentos aptos a comprovar as alegações ora realizadas, conforme lhe autoriza o art. 16º, § 4º, “a”, do Decretolei nº 70.235, de 1972; requer seja julgada a nulidade do lançamento fiscal, ou quando menos, que seja reduzida a multa de ofício e afastada a aplicação da taxa Selic. A Segunda Turma de Julgamento da DRJCuritiba manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 0619.696, de 23/10/2008 (fls. 712/735), com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. OPERAÇÕES REALIZADAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. ATRIBUIÇÃO DA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE AO VERDADEIRO EMPREENDENDOR DOS NEGÓCIOS. Procede o lançamento fiscal que, com base em evidências inequívocas, desconsidera operações formalmente realizadas em nome de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas) e atribui a condição de contribuinte ao verdadeiro empreendedor dos negócios. VALORES CREDITADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS. CONTA BANCÁRIA DE TITULARIDADE DE PESSOA JURÍDICA CONSTITUÍDA EM NOME DE INTERPOSTAS PESSOAS. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária de titularidade de empresa de fachada (pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas), em relação aos quais não foi comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, devendo a exigência fiscal correspondente ser efetuada em nome da interessada, na condição de efetiva titular da conta de depósito. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. VENDAS ESCRITURADAS NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. Constitui prova direta de omissão de receita a constatação de vendas escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e não declaradas à Receita Federal. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PARTE DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Legítimo o arbitramento do lucro quando a contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária parte dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal solicitados no curso da ação fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizada ocorrência de dolo em conseqüência da utilização de interpostas pessoas e da reiterada conduta de omitir a receita efetivamente auferida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 05/11/2008 (AR – fls. 744), tendo interposto recurso voluntário em 04/12/2008 (fls.747/761). A recorrente alega, em sua petição recursal: a) Que a decisão recorrida deve ser reformada, “porque toda a conduta da autoridade fiscal partiu de premissa inválida, vale dizer, da apuração dos valores mediante arbitramento de lucro”, na medida em que apresentou os livros Fl. 965DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 963 7 fiscais e “solicitou prazo para apresentação dos livros contábeis em razão da necessidade de serem ainda concluídos alguns registros” e que jamais informou à autoridade fiscal que “inexistiam os livros contábeis, ou de que nestes não estariam inseridos de forma pormenorizada os elementos capazes de ensejar a correta apuração do lucro real”. b) Que “a autoridade fiscal não realizou qualquer diligência com o fito de verificar pessoalmente a existência daqueles livros e o respectivo conteúdo dos mesmos”, não se mostrando correto o arbitramento do lucro. c) Que “há possibilidade de se realizar a comprovação de que não havia nenhum lucro a ser oferecido a tributação, inclusive por meio de diligência a ser determinada por esse d. Conselho”. d) Que “ao contrário do que consignou a r. Decisão recorrida, o contribuinte tem o direito de apresentar documentos a qualquer momento no processo administrativo fiscal, a fim de que a autoridade julgadora possa estabelecer a correta revisão do lançamento efetuado” de acordo com entendimento doutrinário e jurisprudencial uníssono em que pese o quanto disposto no art. 16, § 4o do Decreto nº 70.235/1972. e) Que é também insubsistente o crédito tributário relativo a “suposta utilização de empresa de fachada para acobertar receitas decorrentes de vendas sem documentação fiscal”, pois é forçosa a conclusão da autoridade fiscal de que a empresa Nobre Alimentos Ltda. foi criada “apenas para movimentação de recursos financeiros da ora Recorrente é forçosa, e decorreu da falta de maiores diligências para a apuração dos fatos ligados àquela empresa (Nobre Alimentos Ltda.)”. Aponta os seguintes argumentos em sua defesa: e.1) “Em primeiro lugar, a autoridade fiscal embasa sua conclusão no depoimento de um excontador da Recorrente, que não lhe presta mais serviços há muito tempo e com o qual a empresa teve sérios desajustes”. e.2) “Em segundo lugar, porque o fato de a esposa do excontador ser sócia ou procuradora da Nobre Alimentos em nada contribui para a tese da autoridade fiscal”. e.3) “Em terceiro lugar, porque como esclarecido pela Recorrente após a oitiva de todas as pessoas inquiridas pela autoridade fiscal, a empresa Nobre Alimentos lhe prestou alguns serviços e, por isso, seria até aceitável a alegação de que alguns valores pertencentes à Recorrente tenham transitado pelas contas bancárias daquela empresa {Nobre Alimentos)”. e.4) “Em quarto lugar, porque fere o princípio constitucional do contraditório a conduta da autoridade fiscal consistente em realizar uma verdadeira inquirição de testemunhas com o fito de atribuir responsabilidades à Recorrente sem a presença desta ao respectivo ato”. e.5) “Em quinto lugar, porque as alegações feitas por terceiros em atenção às solicitações da autoridade fiscal caracterizam, quando muito, indícios, sendo estes insuficientes para se estabelecer a exigência de qualquer tributo” e “desta forma, não deve subsistir a autuação levada a efeito pela autoridade fiscal, eis que Fl. 966DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 embasada exclusivamente em declarações unilaterais prestadas por terceiros, sem qualquer ciência da Recorrente”. e.6) “Em sexto lugar, e por fim, porque não há fundamento que dê amparo à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Nobre Alimentos por parte da autoridade fiscal”. e.7) Que a autoridade fiscal “desconsiderou a existência legal da empresa Nobre Alimentos Ltda. e atribuiu a Recorrente toda a movimentação financeira daquela empresa”, o que caracterizaria, na verdade, uma “desconsideração da personalidade jurídica”, sendo “certo que a autoridade lançadora não tem competência para tanto, já que esta incumbência apenas pode recair sobre o Poder Judiciário”. e.8) Que o art. 50 do Código Civil, ao tratar da “possibilidade de desconsideração aa personalidade jurídica, expressamente adverte que tal declaração deve partir do (juiz) judiciário” e que o art. 142 do CTN “não permite que a autoridade fiscal desborde de seu campo de atuação para declarar nulidades e/ou operar desconsiderações de personalidade jurídica das empresas contribuintes”, mas “tão somente, que se reconheça de situações em que se está diante do contribuinte ou do responsável por determinação legal, nos termos do art. 121, I e I I do CTN”. f) Que o procedimento adotado pela autoridade fiscal está eivado de nulidade e, em consequência, o processo administrativo fiscal ora em apreço também é nulo ou, quando menos, o crédito tributário nele formalizado é insubsistente. g) Que a qualificação da multa ofício “só tem cabimento quando restar cabalmente provada a ocorrência de atos imbuídos de dolo, ou através de atos fraudulentos ou simulados” e que “não é o que se vê do caso em apreço, razão pela qual se mostra cabível a redução da multa ora em questão, sendo que também por isso a r. decisão de primeira instância está incorreta”. Ao final protesta pelo deferimento de produção de provas e aceitação dos documentos que eventualmente venham a ser apresentados, bem como pela “realização de diligência com o fito de se estabelecer a correta revisão do lançamento, na hipótese de não se acolher a alegação de nulidade do feito”. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Analiso em primeiro planos os argumentos de nulidade apresentados pela recorrente. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO A recorrente alega que “o procedimento adotado pela autoridade fiscal está eivado de nulidade e, em consequência, o processo administrativo fiscal ora em apreço também é nulo ou, quando menos, o crédito tributário nele formalizado é insubsistente”. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 964 9 Tais alegações estariam calcadas no fato de, segundo a recorrente autoridade lançadora ter procedido indevidamente ao arbitramento do lucro e de ter se utilizado da desconsideração da personalidade jurídica de outra empresa para atribuirlhe a responsabilidade pelos tributos devidos, mediante meros indícios colhidos em depoimentos de terceiros. Não assiste razão à recorrente. As alegações de nulidade levantadas pela recorrente não encontram amparo nas normas que regem o processo administrativo fiscal, confundindose, ao meu ver, com a discussão do próprio mérito da exigência consubstanciada por meio dos autos de infração lavrados. Assim, não merece reparos a decisão de primeira instância ao analisar a alegação de nulidades da autuação, levantadas pela recorrente, in verbis: Improcede a preliminar de nulidade do lançamento fiscal arguida pela contribuinte, ao argumento de ausência de elementos imprescindíveis à sustentação da exigência dos valores consignados no auto de infração, inclusive em relação à adoção do lucro arbitrado, assim como o fato de ter sido indicado sujeito passivo diverso daquele que deveria integrar a obrigação tributária (a Nobre Alimentos Ltda). Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF): “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.”(Grifouse) Pelo acima transcrito, é de se considerar que só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. Por outro lado, a lavratura de ato ou termo (categoria à qual pertence o auto de infração) não pode configurar cerceamento do direito de defesa, porquanto somente os despachos e as decisões podem estar eivados desse vício processual, quando proferidos com preterição desse direito de defesa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 No presente caso, cabe ressaltar que o fato de a fiscalização comprovar ou deixar de comprovar a contento a ocorrência do fato gerador do imposto de renda não constitui causa de nulidade do lançamento fiscal, porquanto decorre de ações desenvolvidas durante o procedimento oficioso, em que a autoridade fiscal tem liberdade de interpretar os elementos disponíveis para apurar eventual descumprimento das obrigações tributárias, cabendo o julgamento da procedência ou não da conclusão fiscal, inclusive no que se refere à correta adoção ou não do lucro arbitrado, ser efetuado na fase contenciosa, a qual somente foi iniciada com a apresentação, em 02/10/2008, da impugnação em tela (fls. 629643). Logo, se a fiscalização deixou de cumprir a contento sua tarefa, não se extrai daí qualquer problema de ordem processual, mas apenas insuficiência de provas contra o sujeito passivo, e suficiência ou não das provas, desde que estas não sejam obtidas de forma ilícita, é questão relacionada ao próprio mérito do lançamento. De igual forma, não há que se falar em incorreta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária quando a autoridade fiscal logra comprovar que a interessada é a efetiva titular de contas de depósito de titularidade de pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas, cujos créditos bancários não tiveram origem dos recursos comprovados, conforme se analisará na apreciação do mérito, com o que se foi atendida a exigência de correta qualificação do autuado prevista no art. 10, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. Dessa forma, voto no sentido de não se acolher a preliminar de nulidade suscitada pela interessada. Destarte rejeito a alegação de nulidade dos lançamentos efetuados. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO Sobre Arbitramento do lucro A recorrente alega que pediu prorrogação de prazo para apresentação dos livros contábeis e jamais afirmou que não os possuía, e que a autoridade fiscal concluiu pela sua inexistência sem realizar qualquer diligência “com o fito de verificar pessoalmente a existência daqueles livros e o respectivo conteúdo dos mesmos”. Assim, não se mostraria correto o arbitramento do lucro. Sustenta também que “há possibilidade de se realizar a comprovação de que não havia nenhum lucro a ser oferecido a tributação, inclusive por meio de diligência a ser determinada por esse d. Conselho” e ainda “que o contribuinte tem o direito de apresentar documentos a qualquer momento no processo administrativo fiscal, a fim de que a autoridade julgadora possa estabelecer a correta revisão do lançamento efetuado. Não se sustentam as alegações da recorrente. Senão vejamos Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 531/549), a recorrente, mesmo reiteradamente intimada, deixou de apresentar livros e documentos da escrituração comercial e fiscal dos anoscalendário de 2003 a 2005, não restando outra possibilidade à autoridade fiscal senão aplicar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III do RIR de 1999, in verbis: Fl. 969DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 965 11 “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I – (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Apesar de alegar que a autoridade fiscal não realizou as diligências necessárias para verificar a existência dos livros contábeis e seu respectivo conteúdo, a recorrente jamais os exibiu à fiscalização, mesmo diante de reiteradas intimações. E mais, nem mesmo em sua impugnação a recorrente apresentou qualquer elemento relativo à escrituração contábil que pudesse, ainda que tardiamente, infirmar a conclusão da autoridade fiscal quanto à inexistência dos mesmos. Por esta mesma razão não há qualquer amparo à sua pretensão de que seja determinada a realização de diligências com vistas a ficar demonstrado que não há nenhum lucro a ser tributado, como alega. Mesmo protestando pela apresentação de provas em qualquer fase do processo administrativo fiscal a recorrente jamais esboçou apresentar qualquer elemento que desse suporte aos seus argumentos. Deste modo, rejeito as alegações levantadas contra o arbitramento realizado, mantendo integralmente os fundamentos do lançamento efetuado. Tendo em vista que a recorrente não discute o mérito da autuação por omissão de receitas caracterizada pela falta de declaração das vendas escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS, passo a examinar os argumentos levantados contra a outra infração apurada pela fiscalização. Da omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mediante a utilização de conta bancária em nome de interposta pessoa A recorrente alega que a infração apontada pela fiscalização em face da utilização de empresa de fachada para acobertar receitas decorrentes de vendas sem documentação fiscal, não se sustenta, pois a conclusão da autoridade fiscal de que a empresa Nobre Alimentos Ltda. foi criada apenas para movimentação de recursos financeiros da ora Recorrente seria forçada e decorreria da falta de maiores diligências para a apuração dos fatos ligados, e que a acusação estaria calcada em meros indícios levantados a partir de depoimentos de terceiros. Alega ainda que a autoridade fiscal teria procedido a uma desconsideração da personalidade jurídica da empresa titular da conta bancária ao atribuirlhe a responsabilidade sobre os tributos apurados com base da movimentação financeira de outra pessoa jurídica e que tal procedimento extrapola a sua competência, pois apenas o Poder Judiciário poderia declarar a desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do art. 50 do Código Civil. Aduz ainda Fl. 970DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 que a autoridade fiscal deveria observar o disposto no art. 142 do CTN na realização do lançamento. Também desta feita não assiste razão à recorrente. As conclusões da fiscalização não estão amparadas em meros indícios, como alega a recorrente, mas sim num conjunto consistente de elementos que demonstram cabalmente que as contas bancárias mantidas em nome da empresa Nobre Alimentos Ltda, tinham como real titular a empresa recorrente. São vários os elementos contidos no processo que permitem sustentar as conclusões da fiscalização de que a empresa Nobre Alimentos Ltda foi constituída tão somente para ocultar a parte das receitas da recorrente decorrentes de recebimentos de valores de vendas subfaturadas. Senão vejamos: 1. A fiscalização identificou que o endereço da empresa Nobre Alimentos Ltda era falso, pois tratase de endereço residencial no qual reside um morador e proprietário do imóvel há cerca de 40 anos que declarou desconhecer tanto a empresa quanto as suas sócias e nunca ter locado o imóvel para terceiros (Termo às fls. 210). A fiscalização ainda anexou ao processo fotos do imóvel localizado no endereço que seria a sede da empresa em referência, demonstrando que se trata de imóvel residencial. 2. Em depoimento prestado à fiscalização (fls. 211), o contador da empresa Nobre Alimentos Ltda, Sr. Sebastião Martendal de Araújo, que à época da constituição da empresa trabalhava como contador da recorrente, informou que: a empresa Nobre Alimentos foi constituída a pedido do sóciogerente da recorrente para cobrança das suas vendas subfaturadas; que foram utilizadas como sócias da empresa a Sra. Ana Cláudia Ravazio de Moraes Arnt, que era esposa de um representante comercial da recorrente (Sr. João Breno Art, por sugestão deste), e a Sra. Neli Klasener, sobrinha de sua esposa Sra. Marli Kerber de Araújo e que, à época da constituição da empresa, tinha intenção de se mudar para Cascavel e aceitou proposta do depoente para ceder seu nome em troca de emprego; que a Sra. Marli Kerber de Araújo, sua esposa, é procuradora da empresa Nobre Alimentos Ltda; e, ainda, que, é o proprietário do imóvel localizado na Rua Arquitetura, nº 920, no Jardim Universitário, na cidade de CascavelPr., atribuído no Contrato Social (fls.189) e no cadastro do CPF à sócia Neli Klasener. 3. A fiscalização obteve junto ao Cartório Smarczewski, da comarca de Cascavel, cópia de instrumento de procuração (fls. 201/202) outorgado pela sóciagerente da empresa Nobre Alimentos Ltda, Sra. Ana Cláudia Ravazio de Moraes Arnt em favor da Sra. Marli Keber de Araújo com poderes para promover a abertura e movimentação de contas bancárias, assinar documentos e contratos financeiros e praticar todos os atos necessários em nome da empresa Nobre Alimentos Ltda junto a diversos bancos, entre os quais o Banco Bradesco S/A, na qual a fiscalização apurou os créditos bancários. 4. A fiscalização apurou que a sócia Neli Klasener era servidora municipal, no cargo de zeladora, na cidade de Leônidas MarquesPr, desde 02/02/2004, estando atualmente licenciada de suas funções (fls. 304 a 206), não sendo encontrada para prestar depoimento. 5. A sócia Ana Cláudia Ravazio de Moraes, em depoimento prestado à fiscalização em 09/07/2008 (fls.213/214), declarou que: não conhece a outra sócia, Sra. Neli Klasener; não sabe quem administra a empresa Nobre Alimentos Ltda; que apenas emprestou Fl. 971DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 966 13 seu nome à empresa, a pedido de seu marido, Sr. João Breno Arnt, que era representante dos produtos da empresa Badotti Alimentos Ltda; que o seu marido foi procurado pelo contador sr. Sebastião Martendal de Araújo, que foi quem arquitetou esse esquema; que a Sra. Marli Keber de Araújo efetuava a assinatura de cheques através de procuração concedida pela empresa; que nunca trabalhou na referida empresa; que tem conhecimento de que essa empresa na realidade pertence à empresa Badotti Alimentos Ltda; e que não sabia do valor da movimentação financeira efetuada na conta corrente da empresa Nobre Alimentos Ltda. 6. A Sra. Marli Kerber de Araújo também prestou depoimento à fiscalização em 23/06/2008 (fls. 212), tendo declarado que: é procuradora da empresa Nobre Alimentos Ltda; assinava os cheques da empresa Nobre Alimentos, em sua casa, através de procuração concedida pela mesma, os quais eram trazidos pelo contínuo da empresa Badotti Alimentos Ltda; Não sabe o endereço residencial da sócia Ana Cláudia Ravazio de Moraes Arnt, pois perdeu o contato com a mesma. 7. Intimada (fls. 452/453) a prestar esclarecimentos sobre a movimentação financeira efetuada, na pessoa de sua procuradora, Sra. Maria Kerber de Araújo, a empresa Nobre Alimentos Ltda respondeu (fls. 495) que “como já esclarecido anteriormente, quando da prestação de serviços de cobrança de títulos da empresa Badotti Alimentos Ltda., as referidas contas eram utilizadas para receber os créditos relativos àquelas cobranças”. 8. Por sua vez, em face dos depoimentos colhidos pela fiscalização, a recorrente foi intimada (fls. 492/493) a esclarecer se as contas bancárias junto ao Banco Bradesco em nome da empresa Nobre Alimentos Ltda eram de sua propriedade, respondeu (fls. 494) que: “1 – A empresa NOBRE ALIMENTOS LTDA, CNPJ 05.166.606/000115, prestou serviços de cobrança de créditos de nossa empresa junto a terceiros; 2 – Certamente, os valores recebidos em nome da Badotti, transitaram nas contas bancárias mantidas pela NOBRE ALIMENTOS LTDA., contas estas relacionadas na intimação fiscal; 3 – Não dispomos de elementos para afirmar que a totalidade da movimentação em contas bancárias mantidas pela NOBRE ALIMENTOS sejam em sua totalidade, decorrente de cobranças em nome de nossa empresa.” 9. O objeto social da empresa Nobre Alimentos Ltda, conforme consta da cláusula segunda do Contrato Social (fls. 189) é “explorar o ramo de Comércio Atacado de Farinhas, Amidos e Féculas”. (grifo constante do original) 10. Embora tenha se declarado como inativa nos anoscalendário 2004 e 2005 a empresa Nobre Alimentos Ltda teve significativa movimentação financeira junto ao Banco Bradesco, que segundo a sua procuradora era utilizada para receber os créditos de cobrança da empresa Badotti Alimentos Ltda. Como se vê as provas carreadas aos autos pela fiscalização representam um conjunto coerente e consistente de elementos e informações que não deixam margem de duvida Fl. 972DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 que a empresa Nobre Alimentos Ltda foi utilizada pela recorrente como interposta pessoa para ocultar em contas bancárias parte das suas receitas decorrentes de subfaturamento. Tanto as informações prestadas pela procuradora da empresa Nobre Alimentos Ltda, quanto pela recorrente, no que tange à origem dos créditos identificados nas contas de titularidade daquela empresa junto ao Banco Bradesco revelam que as referidas contas eram utilizadas para receber os créditos de cobrança de vendas realizadas pela recorrente. É bastante revelador o fato da própria recorrente confessar que “certamente, os valores recebidos em nome da Badotti, transitaram nas contas bancárias mantidas pela NOBRE ALIMENTOS LTDA., contas estas relacionadas na intimação fiscal”, embora ressalvasse que não dispunha “de elementos para afirmar que a totalidade da movimentação em contas bancárias mantidas pela NOBRE ALIMENTOS, sejam em sua totalidade, decorrente de cobranças em nome de nossa empresa”. Com que certeza a recorrente informou que as contas bancárias referidas foram de fato abastecidas por recursos oriundos de cobranças de suas vendas? Somente o real titular das referidas contas poderia fazer tal afirmação com tanta convicção. A recorrente sequer nega o fato de que parte de suas receitas foi parar na conta bancária da empresa Nobre Alimentos Ltda, tendo em vista que esta teria realizado a cobrança de parte dos seus créditos. Ressaltese que o ramo de atividade da empresa Nobre Alimentos Ltda não é o de cobrança, intermediação de crédito (factoring) ou qualquer atividade semelhante, mas sim o de “Comércio Atacado de Farinhas, Amidos e Féculas”. A recorrente não esclarece qual a razão da cobrança de parte dos créditos de suas vendas terem sido feitas por meio das contas bancárias da empresa Nobre Alimentos Ltda., nem tampouco demonstra quais seriam estes créditos e que os mesmos decorreram de receitas devidamente faturadas e reconhecidas contabilmente E ainda, que tais valores foram formalmente repassados pela dita empresa ao seu caixa ou a outras contas bancárias, nem apresentou qualquer registro dessas operações em sua escrituração contábil. Portanto, não há como acolher o argumento da recorrente de que as conclusões da fiscalização decorreram de meros indícios, pois há elementos fortíssimos a indicar que a empresa Nobre Alimentos Ltda não passava de interposta pessoa com vistas a ocultar a real titularidade dos recursos movimentados em seu nome junto ao Banco Bradesco, nos anos de 2004 e 2005. Sobre a alegação de que a autoridade fiscal teria procedido a uma desconsideração da personalidade jurídica da empresa titular da conta bancária ao atribuirlhe a responsabilidade sobre os tributos apurados com base da movimentação financeira de outra pessoa jurídica e que tal procedimento extrapolaria a sua competência, não assiste razão à recorrente. A autoridade fiscal não procedeu à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Nobre Alimentos Ltda, mas tão somente identificou e comprovou que aquela pessoa jurídica foi utilizada como interposta pessoa para ocultar receitas da recorrente, fato que já se demonstrou incontestável. Segundo o Código Tributário Nacional CTN, compete à autoridade fiscal constituir o crédito tributário pelo lançamento mediante procedimento administrativo pelo qual verifica o fato gerador, a matéria tributável, o montante de tributos devidos, a penalidade aplicável e a identificação do sujeito passivo. É o que dispõe o art. 142 do CTN, in verbis: Fl. 973DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 967 15 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por outro lado, a própria lei nº 9.430/1996, que autoriza a cobrança dos tributos sobre as receitas omitidas apuradas com base em créditos bancários cuja origem não foi comprovada determina que a apuração dos rendimentos ou da receita deve ser feita na pessoa do real titular dos créditos, quando comprovado que a conta é movimentada por interposta pessoa. É o que dispõe o § 5º do art. 42 da Lei. 9.430/1996, acrescido pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002: “Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) (grifei) Não se está desta feita, portanto, diante de desconsideração da personalidade jurídica, mas sim de situação em que ficou comprovada a interposição de pessoa na titularidade de conta bancária, sendo atribuído a movimentação financeira ao real titular da conta bancária. Assim, não tendo sido comprovada a origem dos créditos bancários identificados impõese a determinação da receita em nome do sujeito passivo identificado como efetivo titular da conta, no caso a recorrente. Deste modo, a autoridade fiscal, dando cumprimento ao disposto no art. 142 do CTN e ao § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, constituiu o crédito tributário em nome do sujeito passivo identificado como o titular dos rendimentos omitidos. Por entender oportuno, resgato observação trazida na decisão recorrida no sentido de que não há “parcela alguma a ser deduzida por conta da receita omitida, apurada por prova direita, tratada no tópico (...) – receitas de vendas escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 128179) e não declaradas à Receita Federal –, haja vista não terem Fl. 974DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 sido analisadas as contas bancárias mantidas em nome da interessada, mas apenas as de titularidade da NOBRE ALIMENTOS LTDA”. Ante o exposto, mantenho integralmente o lançamento do IRPJ alicerçado na infração de omissão de receitas apurada em face de depósitos bancários de origem não comprovada. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A recorrente argumenta que a multa de ofício não poderia ter sido aplicada no percentual de 150% do valor do tributo, pois a qualificação da multa ofício “só tem cabimento quando restar cabalmente provada a ocorrência de atos imbuídos de dolo, ou através de atos fraudulentos ou simulados” e que “não é o que se vê do caso em apreço, razão pela qual se mostra cabível a redução da multa ora em questão, sendo que também por isso a r. decisão de primeira instância está incorreta”. A alegação da recorrente de que não teria havido dolo ou fraude no cometimento das infrações apuradas não se sustenta. A fiscalização aplicou a multa qualificada apenas em relação ao lançamento relativo à omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mediante a utilização de interposta pessoa. No caso dos autos, a conduta lesiva da interessada, mediante a utilização de interposta pessoa para movimentar recursos em contas bancárias, revela a intenção inequívoca de ocultar da autoridade tributária a existência de receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação, visando a eximirse do pagamento dos tributos devidos. A jurisprudência administrativa consolidouse na súmula nº 34 do CARF, no sentido de que é cabível a aplicação da multa qualificada nesses casos, in verbis: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Deste modo, mantenho a aplicação da multa qualificada. LANÇAMENTOS REFLEXOS Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas e, dada a relação de causa e efeito, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição ao Programa de Integração Social Pis as conclusões atinentes ao IRPJ. Assim, mantenho integralmente o lançamento a título de CSLL, Cofins e Pis. DA SOLICITAÇÃO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS E APRESENTAÇÃO DE PROVAS A POSTERIORI. Ao final do recurso a recorrente requer deferimento de produção de provas e aceitação dos documentos que eventualmente venham a ser apresentados, bem como pela “realização de diligência com o fito de se estabelecer a correta revisão do lançamento, na hipótese de não se acolher a alegação de nulidade do feito”. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.006239/200861 Acórdão n.º 1302000.770 S1C3T2 Fl. 968 17 No que concerne a produção de novas provas adoto integralmente o voto da decisão de primeira instância que analisou o pedido, in verbis: Quanto ao protesto pela apresentação de novos documentos a qualquer momento do processo administrativo fiscal, cabe destacar que, conforme disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, a interessada já deveria ter mencionado, em sua impugnação, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Dispõe o § 4º do mesmo dispositivo legal, acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, condições não verificadas nos autos. Dessa forma, voto no sentido de se rejeitar o pedido de produção de novas provas. Não obstante, a recorrente não carreou aos autos nenhum elemento de prova juntamente com o recurso ou a posteriori, sendo, portanto, inócuo o seu pleito. No que diz respeito ao pedido de realização de diligências com vistas a “correta revisão do lançamento”, também não vislumbro qualquer necessidade ou utilidade na sua realização no presente caso. Os elementos contidos no processo são mais do que suficientes para a formação de convicção do julgador quanto aos fatos e apurações contidas nos autos. Além disso, a recorrente não expôs nenhum motivo, nem apresentou qualquer elemento que justificasse a sua realização. Assim indefiro o pedido de realização de diligências. CONCLUSÕES Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e no mérito por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 976DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001719/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 19 /2 00 8- 51 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19515.001719/200851 Acórdão n.º 2402006.410 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 427DF CARF MF Processo nº 19515.001719/200851 Acórdão n.º 2402006.410 S2C4T2 Fl. 4 3 Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.001719/200851 Acórdão n.º 2402006.410 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 429DF CARF MF
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