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Numero do processo: 15374.917934/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido.
Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado.
DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontram-se descritas e fundamentadas nos atos processuais.
Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentam-se no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito.
Numero da decisão: 3201-004.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente MULTI OPTICA DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua certeza e liquidez, sem o que não pode ser restituído, ressarcido ou utilizado em compensação. Faltando aos autos o conjunto probatório que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, Processo Administrativo Fiscal e o Código de Processo Civil, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. DILIGÊNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa no indeferimento da diligência para coleta de provas acerca do direito creditório alegado cujo ônus é do interessado. DESPACHO DECISÓRIO. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão de Delegacia de Julgamento que enfrenta todas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 79 34 /2 00 9- 58 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 3 2 matérias suscitadas em impugnação, mormente, quando apresenta fundamentação adequada e suficiente para declarar a improcedência do pleito formulado pela contribuinte. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório ou de decisão de DRJ quando as razões para o indeferimento do pedido encontramse descritas e fundamentadas nos atos processuais. Não caracteriza alteração de critério jurídico a decisão de 1ª instância que não reconhece o direito creditório sob o fundamento de ausência de comprovação de pagamento indevido ou a maior, no tocante ao inconformismo do contribuinte em face de despacho decisório eletrônico que não localizou crédito disponível para extinguir debito por compensação. Ambos despachos assentamse no mesmo fundamento: a não comprovação de existência de crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado anteriormente identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro I. O presente processo trata de PER/DCOMP com lastro em crédito de Cofins que teria sido recolhida a maior. A Derat/RJO, por meio de despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF pelo contribuinte. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 4 3 Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade [...], na qual alega que: O sistema eletrônico para transmissão do PER/DCOMP apresenta inúmeras limitações probatórias, que inviabilizam a prestação imediata de quaisquer informações úteis ou necessárias à comprovação de plano do direito creditório, não se podendo sustentar que a Requerente teria "faltado" com o dever de apresentar todas as provas do seu crédito (uma vez impossibilitada de fazêlo). Além disso, a prolação do Despacho Decisório sem o detido exame do direito creditório alegado deixou de observar o disposto no artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, o qual estabelece o poderdever de a autoridade administrativa determinar a realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório. Mostrouse prematura a prolação do Despacho Decisório independentemente de se abrir à Requerente o direito de comprovar o seu direito creditório, o que se faz nesta oportunidade. O crédito objeto do PER/DCOMP que originou este Processo Administrativo decorre do pagamento indevido de COFINS sobre receitas advindas de venda (remessa) de mercadorias à Zona Franca de Manaus ("ZFM"), (...) (...) A apuração do referido crédito decorre originalmente das disposições contidas no DecretoLei n° 288/67 (recepcionado pela Constituição Federal de 1988), que regulamentou a Zona Franca de Manaus ("ZFM"). O art. 4º do referido diploma dispôs que "A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro". Da leitura do supracitado dispositivo depreendese que as operações de remessa de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação para a Zona Franca de Manaus foram equiparadas as operações de exportação brasileira para o exterior. Dessa forma, por força daquele dispositivo legal as remessas de mercadorias de origem nacional para consumo, industrialização ou reexportação à Zona Franca de Manaus são contempladas por todos os benefícios existentes na legislação fiscal em favor das operações de exportação para o exterior. Posteriormente, foi editada a Lei Complementar n° 70/91, que, num primeiro momento, em seu artigo 7° estabeleceu isenção para a COFINS incidente sobre as vendas para o exterior, o que implicou a isenção desta contribuição para vendas de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 5 4 mercadorias à ZFM, pois equiparadas as operações de exportação, nos termos do citado art. 4° do DecretoLei n° 288/67. Após sucessão de atos disciplinando os benefícios para as exportações de mercadorias, foi editada a Medida Provisória n° 1.8586, na qual restou consignada a isenção sobre as receitas de exportação do PIS e da COFINS, excluindo, no entanto, do alcance desse benefício as receitas de vendas para a ZFM a partir de 1° de fevereiro de 1999. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1' de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Diante da reedição sucessiva da referida MP, bem como do dispositivo legal supracitado, foi ajuizada, pelo Governador do Estado do Amazonas, em novembro de 2000, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) n° 2.348/DF no Supremo Tribunal Federal, para contestar a constitucionalidade da norma que restringia o benefício isentivo do PIS e da COFINS às vendas de mercadorias à "ZFM". Do julgamento da ADIN n° 2.348/DF restou consignada a suspensão de eficácia à restrição imposta às receitas de vendas de mercadorias destinadas à "ZFM" com efeitos retroativos à data da criação das restrições impostas pela MP n° 1.8586/ 99. Devese mencionar que possuindo efeitos erga omnes, a citada decisão aplicase a todos os contribuintes. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal, foi editada a Medida Provisória n° 2.03725 de 21/12/2000, que alterou o texto legal constante do inciso I, do §2°, do art. 14 da MP n° 1.8586/ 99. Confirase: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999; são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) §2° As isenções previstas no caput e no § 1° não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Conforme depreendese, a alteração supracitada retirou do texto legal o vocábulo "na Zona Franca de Manaus", restando claro que a partir dai não existia mais qualquer restrição à isenção da COFINS para as receitas referentes as vendas para a ZFM. Tal determinação legal foi ratificada pela Medida Provisória nº 2.15835/ 01 e permanece vigente no nosso ordenamento. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 6 5 Todavia, mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal, a Coordenadoria Geral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal do Brasil editou, dentre outras, a Solução de Divergência COSIT n° 06, de 13 de junho de 2002, na qual pretendeu, novamente, restringir a isenção de PIS/COFINS às vendas de mercadorias à ZFM. Diante desse novo óbice, o Governo do Estado do Amazonas ajuizou, no Supremo Tribunal Federal, a Reclamação n° 2.2161/ MC, com a qual afastou a eficácia da Solução de Divergência citada. Diante do cenário, a CoordenadoriaGeral de Tributação da antiga Secretaria da Receita Federal publicou o Ato Declaratório Executivo n° 42, de 18 de dezembro de 2002, que afastou quaisquer restrições à isenção do PIS/COFINS sobre as receitas de vendas de produtos nacionais à ZFM: "COORDENADORAGERAL DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o deferimento de medida liminar, em 13 de dezembro de 2002, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos da Reclamação nº 2.216, ajuizada pelo Governador do Estado do Amazonas, com base na medida liminar deferida na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.3489, declara: Artigo único. Ficam suspensos os efeitos da Solução de Consulta Cosit nº 8, de 4 de junho de 2002, e das Soluções de Divergências Cosit nº 6 e nº 7, de 13 de junho de 2002, e nº 9, de 28 de junho de 2002." Diante do relatado, ao Fisco restou impossibilitada a imposição de restrição à isenção do PIS/COFINS sobre receitas destinadas à "ZFM", pois: (a) a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIN n° 2.348/MC vincula a Administração Pública, que não poderá negar a aplicabilidade da isenção às receitas de venda de mercadorias destinadas ao consumo ou posterior industrialização na "ZFM"; (b) no texto definitivo da MP n° 2.158/35/01 (última edição da MP no 1.8586), atualmente em trâmite legislativo, restou ratificada a isenção do PIS/COFINS para as exportações de forma retroativa a 1° de fevereiro de 1999, sem quaisquer restrições às vendas à "ZFM"; Neste contexto, considerando que no período (...), as vendas efetuadas pela Requerente à ZFM estavam albergadas pela isenção concedida pela MP n° 2.15835/ 01 c/c DecretoLei n° 288/67, o recolhimento de COFINS sobre estas operações configurouse indevido, tornandose, portanto, passível de restituição/compensação nos termos do art. 165 do CTN e do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 7 6 Desta maneira, tivesse a Autoridade Fiscal procedido assim como determinado na IN n° 900/2008 (art. 65), intimando a Requerente para apresentação de esclarecimentos e documentos relativos ao seu direito creditório, teria facilmente confirmado sua existência e homologada a compensação declarada. Não poderia, como o fez, rejeitar a compensação pelo fato de a Requerente, por um lapso, ter deixado de retificar sua DCTF relativa ao período de janeiro de 2003. Portanto, diante do esclarecimento apresentado, é de rigor o reconhecimento do direito creditório da Requerente, uma vez que fazia jus à isenção da COFINS no período em questão. Ressaltese que deve ser observado no presente caso o principio da verdade material, buscandose a essência (conteúdo) dos fatos postos em discussão, em detrimento dos aspectos estritamente formais, conforme tem ressaltado a doutrina especializada: "As faculdades fiscalizatórias da administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do processo administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (..)." (James Marins, Direito processual tributário brasileiro administrativo e judicial, São Paulo, Dialética, 2001, p. 176). "No processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que ai se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. O Conselho de Contribuintes, por exemplo, possui o hábito de converter o julgamento em diligência, mediante o uso de uma resolução, quando não se sente em condições de se pronunciar sobre o feito." (Antonio Cabral, Processo Administrativo Fiscal, São Paulo, Saraiva, 1993, p. 75) E, completamente alinhada aos fundamentos acima, é a maciça jurisprudência dos antigos E. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, muitos dos quais tratam incisivamente os erros cometidos no preenchimento de declarações dos contribuintes: "COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido." (1° CC, 5ª Câmara, PA n° 10768.100409/200368, Rel. Valmir Sandri, j. em 27/06/2008) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ (..) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 8 7 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado." (1° CC, 5ª Camara, PA no 10283.009117/9951, Rel. Wilson Fernandes Guimarães, j. em 14/09/2007) Assim, em homenagem ao principio da verdade material, deve ser superada a ausência de retificação da DCTF, reconhecendose o direito creditório e homologandose a compensação declarada. Ante o exposto, é a presente para requerer o acolhimento desta Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como homologada a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 12051.185, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Foram suscitadas nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida pois as respectivas autoridades não solicitaram em intimação a apresentação de documentos necessários ao esclarecimento do direito creditório. Entende igualmente que é nula a decisão da DRJ por inovação quanto ao critério jurídico para manter o indeferimento do direito pleiteado, qual seja, a falta de apresentação de documentos comprobatórios do alegado crédito decorrente de pagamento a maior da Contribuição. Junta aos autos planilhas de apuração do PIS e da Cofins, Guia de Apuração do ICMS e Folhas do Registro de Saídas, afirmando que esses documentos são suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito. Requer que seja determinada diligência, sob pena de cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.685, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.917936/200947, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.685): (...) "Introdução e Preliminares de Nulidade Enfrentamse as nulidades arguidas: do despacho decisório e da decisão por ausência de intimação para apresentação de documentos necessáiros ao esclarecimento do direito creditório e de inovação jurídica no fundamento da decisão recorrida para negar o direito pleiteado. A contribuinte desenvolve argumentação de que em procedimento eletrônico de análise de Perdcomp não se faz necessária a comprovação de certeza e liquidez do crédito. Raciocínio equivocado e desprovido de base jurídica, pois conquanto a análise de um Perdcomp seja eletrônica e sem intervenção da autoridade, o procedimento tem amparo no art. 170 do CTN1e no art. 74 da Lei nº 9.430/962 que em uma leitura sistêmica depreendese que o direito creditório deve ser apurado e comprovado pelo contribuinte interessado. Cabe explicitar que em verdade tal procedimento é destituído de qualquer complexidade por se resumir no batimento entre pagamento indevido/a maior caracterizado por Darf disponível (crédito) com débito declarado/confessado, de forma que o sistema eletrônico reconhece o crédito e homologa a compensação na hipótese de haver correspondência: crédito disponível para liquidação do débito. Observase que a realização desse batimento não dispensa a comprovação da certeza e liquidez, vez que é verificada na análise eletrônica da DCTF e do sistema em que se encontra alocado o respectivo DARF. Ressaltase que o contencioso se instaura exatamente no inconformismo do interessado ao ter seu pleito não deferido (não reconhecimento do crédito e não homologação 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 10 9 da compensação) e apresenta sua manifestação de inconformidade que deve ser instruída com as provas que irão contrapor o que restou assentado no despacho decisório e está adstritos às prescrições legais dos arts. 14 a 17 do PAF e art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, no tocante ao momento, qualidade e efeitos da ausência de apresentação ou a destempo do conjunto probatório: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Dessa forma, a decisão da DRJ que fundamenta a improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório não inova em seus fundamentos em relação àquele que constou no despacho decisório. Apenas assenta sua decisão na ausência de elementos comprobatórios (documentos fiscais e Livros contábeisfiscais) da certeza e liquidez do direito creditório que uma vez não reconhecido "eletronicamente", é ônus do contribuinte, naquela instância, demonstrar e provar seu direito. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 11 10 Assim, afastase a arguição de nulidade da decisão por inovação nos fundamentos para o indeferimento do pedido da contribuinte. Ademais, não há situações elencadas nos arts. 10 e 59 do PAF que caracterizariam incompetência de autoridade e, mormente, cerceamento do direito de defesa. Ainda no tocante à análise da pretensão manifestada em Perdcomp, entende a recorrente que autoridade fiscal e julgadora deveria intimála a apresentar esclarecimentos e documentos e não rejeitar a compensação pelo simples fato de não retificação de DCTF do período, que consignaria o novo valor do débito da Contribuição que alega ter caracterizado o pagamento a maior. De se apontar que em nenhum momento o indeferimento teve fundamento na ausência de retificação de DCTF. Não obstante, sabendo a contribuinte que esse fato teria contribuído (e fora determinante) para o reconhecimento do pagamento a maior (o crédito) deveria por força dos mencionados artigos do PAF não apenas esclarecer os fatos mas, sobretudo, trazer elementos de sua comprovação em sede de manifestação de inconformidade, ainda que não exaustivos. Na manifestação de inconformidade a contribuinte não trouxe sequer demonstrativo da apuração da Cofins em que evidenciasse o pagamento a maior e apontasse indubitavelmente para o direito creditório. Optou por discorrer acerca da legislação que trata das receitas brutas de PIS e Cofins nas vendas a pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus e posicionamentos dos Tribunais Superiores. Na decisão recorrida consignou a autoridade julgadora que a razão para não reconhecer o crédito é a ausência de elementos probatórios, assim assentado: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis –relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em janeiro de 2003, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. É evidente que a apresentação de documentos ao Fisco referese à fase posterior ao despacho decisório eletrônico, ou seja, a manifestação de inconformidade em que as alegações de pagamento a maior deveriam estar acompanhadas de suporte probatório, ou ao menos apresentação de elementos indiciários que apontassem para o indébito. Destarte, não vislumbro qualquer vício que macule de nulidade o despacho decisório ou a decisão recorrida, concernente à preterição ao amplo direito de defesa. Mérito O mérito do litígio acaba por se confundir com as preliminares pois o inconformismo da contribuinte cingese à decisão de manter o despacho decisório que não reconheceu o direito pois que não há crédito disponível para liquidar o débito por intermédio da compensação. A prova da existência de créditos somente poderia exsurgir nos autos com a demonstração de que haveria receitas brutas de vendas de mercadorias sobre as quais não incidiriam as contribuições. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 12 11 Não se discute o direito suscitado pela contribuinte, diante da legislação que prescreve isenções/não tributações das Contribuições nas vendas efetuadas para pessoas jurídicas da ZFM; contudo, o direito advindo do pagamento indevido/a maior deve ser demonstrado, e tal mister a contribuinte não se desincumbiu. Nenhum demonstrativo do direito fora apresentado à DRJ, que apontou para o conjunto probatório que se fazia necessário ( "comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis") No Recurso Voluntário foram juntados: Guia de apuração e arrecadação do ICMS; Registro de Saída com a apuração do ICMS e IPI; Planilha de apuração de PIS e Cofins; e folha única do razão com a indicação do PIS e Cofins a recolher em dezembro de 2005 (período de apuração da Contribuição a ser compensada com o crédito de janeiro de 2003). Esses documentos não são hábeis a demonstrar a existência de apuração incorreta da Contribuição no período em que se pleiteia o crédito. A GIA é documento de apuração do ICMS; no Registro de Saída apenas indica os totais de saída com fins à apuração do ICMS e IPI; a planilha desacompanhada de documentos (notas fiscais e livros contábeis e fiscais) é mera informação desprovida de respaldo documental; e a única folha do razão aponta para o valor apurado do tributo a ser compensado. Cabe repisar que à luz do art. 170 do CTN o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. O direito creditório que possui atributos de certeza e liquidez é aquele em que se revela inconteste em face da legislação e o interessado demonstre a materialidade e a exatidão de sua apuração mediante livros e documentos fiscais, além de outros elementos auxiliares (a exemplo de planilhas de cálculo). Somente diante da apresentação desses documentos o Fisco poderá exercer seu mister de verificação da exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido, comparálo ao pagamento efetuado e constatar a existência do indébito. Em relação à incumbência da demonstração da certeza e liquidez de um direito, cabe lembrar que nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, no que se refere a desconto, restituição, compensação ou ressarcimento de créditos, é sua atribuição a demonstração da efetiva existência deste. O ônus processual probatório é regido por dispositivos legais e se trata de um requisito de admissibilidade dos pleitos de natureza creditório, exigindo sua evidência desde a instauração do contencioso. Depreendese dos textos transcritos no tópico introdutório não ser aceitável que um pleito, onde se objetiva o ressarcimento de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. As situações em que se permitem a apresentação extemporânea de elementos probatórios encontramse bem delineados nas letras "a" a "c" do § 4º do art. 16 do PAF e não há demonstração nos autos de qualquer situação fática ou jurídica para superação da preclusão processual. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 15374.917934/200958 Acórdão n.º 3201004.686 S3C2T1 Fl. 13 12 Assim, é ônus da interessada comprovar a existência e o quantum de seu crédito, não cabendo imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. De se ressaltar que não há dúvida envolvida no litígio a ser resolvida com diligência fiscal; ao contrário, é situação de completa ausência de prova material do direito pleiteado, em que a contribuinte apegase a supostas dificuldades na juntada, apresentação e análise de provas. Quanto à afirmação de que o princípio da verdade material impende a realização de diligência, é de se esclarecer que tal princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi, o que não se configura nos autos. A busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. O processo administrativo fiscal, conquanto admita flexibilização na apresentação de provas, não se coaduna com a supressão de instância e a inversão do ônus probatório Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002297/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. OCORRÊNCIA.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O prazo para contagem da decadência, quando se trata de multa por descumprimento de obrigação acessória é sempre aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, aplicável ao lançamento de ofício.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-004.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, de modo a sanar a omissão no julgado, devendo ser alterado o resultado do acórdão nº 2803-002.747 para dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência do lançamento até a competência 11/2001, inclusive.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. OCORRÊNCIA. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O prazo para contagem da decadência, quando se trata de multa por descumprimento de obrigação acessória é sempre aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, aplicável ao lançamento de ofício. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, de modo a sanar a omissão no julgado, devendo ser alterado o resultado do acórdão nº 2803002.747 para dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência do lançamento até a competência 11/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 22 97 /2 00 7- 66 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11831.002297/200766 Acórdão n.º 2202004.860 S2C2T2 Fl. 303 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andréa de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (Suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2803002.747 de 19/09/2013, prolatado pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF (efls. 274/277), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 AUSÊNCIA DE FORNECIMENTO DE ESCLARECIMENTOS E INFORMAÇÕES. VIOLAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Cientificado do acórdão em 28/09/2015 ((AR Aviso de Recebimento de e fls. 289), o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 05/10/2015, os Embargos de Declaração de efls. 282/287. Alega o embargante que o acórdão recorrido é omisso quantos às seguintes alegações suscitadas no recurso voluntário: 1. jamais contratou contribuintes individuais taxistas e também não efetuou pagamento aos diretores, razão pela qual não há que se falar em descumprimento de dever instrumental; 2. a autoridade fiscal apenas refere que a embargante não apresentou esclarecimentos e/ou informações, mas não indica quais seriam e a qual período se referiam; 3. reconhecimento da decadência e aplicação da Súmula Vinculante do STF n° 8, em especial porque a autoridade fiscal não indica precisamente qual o período sobre o qual teria ocorrido a falta de informações ou esclarecimentos. O despacho de admissibilidade foi no seguinte sentido: "Não assiste razão ao embargante em relação às omissões indicadas nos itens "1" (jamais contratou contribuintes individuais taxistas e também não efetuou pagamento aos diretores, razão pela qual não há que se falar em descumprimento de dever instrumental) e "2" (a autoridade fiscal apenas refere que a embargante não apresentou esclarecimentos e/ou informações, mas não indica quais seriam e a qual período se referiam), que, ao contrário do afirma o embargante, não foram ventiladas em seu recurso voluntário. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11831.002297/200766 Acórdão n.º 2202004.860 S2C2T2 Fl. 304 3 Destarte, os embargos declaratórios não se prestam à discussão de tema novo, sequer ventilado anteriormente, no momento processual oportuno. Com efeito, a matéria não especificamente contestada é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida em momento processual subsequente, já que contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado. Quanto ao item "3" (reconhecimento da decadência e aplicação da Súmula Vinculante do STF n° 8, em especial porque a autoridade fiscal não indica precisamente qual o período sobre o qual teria ocorrido a falta de informações ou esclarecimentos), verificase que o acórdão recorrido omitiuse sobre tal matéria, que foi trazida previamente para discussão em 26/03/2009 (efls. 247/255), em complementação ao recurso voluntário apresentado 12/05/2008 (efls. 223/243). Considerando que a decisão ora embargada é posterior à sumula e o conteúdo da súmula é, em tese, aplicável aos fatos em litígio, resta configurada a omissão alegada quanto à questão em tela. Diante do exposto, devese acolher em parte os Embargos de Declaração e, consequentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pelo sujeito passivo no item "3". Considerando que o colegiado que proferiu a decisão embargada foi extinto e que o conselheiro relator não mais pertence a colegiados na 2a Seção do CARF, encaminhese o processo para novo sorteio, no âmbito dos colegiados da 2a Seção do CARF, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento (grifouse). É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. No presente caso, tratase de auto de infração lavrado por descumprimento ao artigo 32, III, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal a empresa deixou de prestas as informações solicitadas pela Fiscalização referente aos serviços de transporte de passageiros prestados por taxistas autônomos e de pagamento de prólabore de seus dirigentes solicitadas pela Fiscaliazção. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11831.002297/200766 Acórdão n.º 2202004.860 S2C2T2 Fl. 305 4 A multa aplicada na presente infração foi a prevista no artigo 283, II, "b", do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valor atualizado nos termos da Portaria MPS nº 142 de 16/096/2006, no valor de R$ 11.951,21. Em 17.10.2007, a DRJ entendeu pela procedência do lançamento (fls. XXX/217). Cientificada do lançamento em 15.04.2008, a c contribuinte apresentou recurso voluntário em 12.05.2008 (fls. 223/243). Após a interposição do recurso voluntário, em 26.03.2009, a contribuinte peticiona (fls. 247/255), requerendo o reconhecimento parcial da decadência, diante da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 08. A Súmula Vinculante nº 08 do STF foi publicada em 20.06.2008 e conta com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Portanto, diante de edição de Súmula Vinculante pelo STF ter ocorrido após a apresentação do recurso voluntário, a contribuinte veio aos autos noticiar este fato novo, requerendo o reconhecimento da decadência parcial do lançamento. Todavia, não tendo o acórdão de recurso voluntário (fls. 274/278) não apreciado tal questão, entendeu a contribuinte em opor os presentes embargos de declaração. Pois bem. A ciência da contribuinte ao auto de infração lavrado se deu em 28.06.2007 (fl. 162). Sustenta a embargante a decadência parcial do lançamento das contribuições previdenciárias nos termos da Súmula Vinculante nº 08. Possui razão a contribuinte quanto a necessidade de reconhecimento de decadência. De fato, possui omissão o julgado, devendo ser reconhecida a decadência parcial do lançamento. Ocorre que declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de Súmula Vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário O prazo para contagem da decadência, quando se trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, é sempre aquele previsto no artigo 173, I, do CTN, aplicável ao lançamento de ofício. Conforme fl. 132, as NFLDs que deram origem a multa por descumprimento de obrigação acessória são as abaixo listadas, cujo período dos lançamentos de cada NFLD consta à fl. 203 dos autos: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11831.002297/200766 Acórdão n.º 2202004.860 S2C2T2 Fl. 306 5 · NFLD nº 37.102.3629 período 01/1997 a 12/1998 · NFLD nº 37.102.3653 período 01/1998 a 12/1998 · NFLD nº 37.102.3661 período 01/1999 a 12/2001 · NFLD nº 37.102.3637 período 01/1999 a 12/2001 · NFLD nº 37.102.3645 período 01/2002 a 12/2006 Assim, contandose o prazo decadencial na forma do artigo 173, I, do CTN, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 11/2001, inclusive. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, de modo a sanar a omissão no julgado, devendo ser alterado o resultado do acórdão nº 2803002.747 para dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência do lançamento até a competência 11/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726208/2017-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - PARCELA DO BENEFICIÁRIO - PERÍODO DE 1º/01/1989 A 31/12/1995.
Até 01/01/1996, com a vigência da Lei nº 9.250/1995, os valores recebidos de entidades de previdência complementar estavam sob a égide da Lei nº 7.713/88 e eram considerados isentos. Com a edição da Lei nº 9.250/95, cuja vigência se deu a partir de 01/01/1996, a legislação atinente ao Imposto de Renda sofreu modificações substanciais, acabando com a regra isentiva e permitindo que os valores de previdência complementar pudessem ser deduzidos da base de cálculo do imposto devido.
PROCEDIMENTO PRÓPRIO PREVISTO NA IN 1343/2013.
O contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento.
Numero da decisão: 2002-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Cláudia Cristina Noira da Costa Passos Develly Montez. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos a conselheira Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Virgílio Cansino Gil que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - PARCELA DO BENEFICIÁRIO - PERÍODO DE 1º/01/1989 A 31/12/1995. Até 01/01/1996, com a vigência da Lei nº 9.250/1995, os valores recebidos de entidades de previdência complementar estavam sob a égide da Lei nº 7.713/88 e eram considerados isentos. Com a edição da Lei nº 9.250/95, cuja vigência se deu a partir de 01/01/1996, a legislação atinente ao Imposto de Renda sofreu modificações substanciais, acabando com a regra isentiva e permitindo que os valores de previdência complementar pudessem ser deduzidos da base de cálculo do imposto devido. PROCEDIMENTO PRÓPRIO PREVISTO NA IN 1343/2013. O contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento.
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Até 01/01/1996, com a vigência da Lei nº 9.250/1995, os valores recebidos de entidades de previdência complementar estavam sob a égide da Lei nº 7.713/88 e eram considerados isentos. Com a edição da Lei nº 9.250/95, cuja vigência se deu a partir de 01/01/1996, a legislação atinente ao Imposto de Renda sofreu modificações substanciais, acabando com a regra isentiva e permitindo que os valores de previdência complementar pudessem ser deduzidos da base de cálculo do imposto devido. PROCEDIMENTO PRÓPRIO PREVISTO NA IN 1343/2013. O contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Cláudia Cristina Noira da Costa Passos Develly Montez. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos a conselheira Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Virgílio Cansino Gil que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 62 08 /2 01 7- 90 Fl. 79DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$34.034,34 recebidos de Acesita Previdência Privada. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 9.359,44, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 17 dos autos, que conforme decisão da DRJ: Cientificado do lançamento em 31/08/2017 (fl 24), o contribuinte interpôs peça impugnatória datada de 11/09/2017, explicando ter recebido correspondência emitida pela ACESITA PREVIDÊNCIA PRIVADA, que instruía a correção de valores informados em declaração conforme dispunha a IN RFB nº 1.343/2013, que regula o tratamento tributário aplicável aos valores pagos ou creditados por entidades de previdência privada, correspondentes a benefícios oriundos de contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 01/01/1989 a 31/12/1995 (fls. 1214 e 20). A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 30/11/2017, no acórdão 1294.142, às efls. 53 a 57, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 07/02/2017 às efls. 65 a 73 no qual traz as mesmas alegações já feitas em sede de impugnação quanto a aplicação da IN RFB nº 1.343/2013. Reforça a tese da isenção dos rendimentos e Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10830.726208/201790 Acórdão n.º 2002000.543 S2C0T2 Fl. 80 3 alega "bis in idem". Ainda, insurgese em relação à multa de ofício. Por fim, traz alegações sobre erro de fato, erro de direito e correção monetária dos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 12/01/2018, efls. 61, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/02/2018, efls. 65, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Até 01/01/1996, com a vigência da Lei nº 9.250/1995, os valores recebidos de entidades de previdência complementar estavam sob a égide da Lei nº 7.713/88, que previa o seguinte: Art.6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) VII – os benefícios recebidos de entidades de previdência privada; (...) b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio tenham sido tributados na fonte. A redação do artigo 40 do Regulamento do Imposto de Renda de 1994 RIR/1994 (Decreto nº 1.041/1994) também concedia isenção dos valores de previdência complementar, como se vê: Art. 40. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII as importâncias correspondentes ao resgate das contribuições, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebidas por ocasião de sua retirada de entidade de previdência privada, inclusive a atualização monetária do respectivo encargo; Logo, a regra isentiva era aplicada aos resgates a título de previdência complementar, como se percebe pela leitura dos dispositivos colacionados. Contudo, com a edição da Lei nº 9.250/95, cuja vigência se deu a partir de 01/01/1996, a legislação atinente ao Imposto de Renda sofreu modificações substanciais, acabando com a regra isentiva e permitindo que os valores de previdência complementar pudessem ser deduzidos da base de cálculo do imposto devido. O artigo 4º da mencionada lei tem a seguinte redação: Fl. 81DF CARF MF 4 Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (grifos nossos) Mais a frente, o artigo 33 da mesma lei determina expressamente a incidência do imposto de renda no momento do resgate dos valores de previdência complemetar: Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. (grifos nossos) O Regulamento do Imposto de Renda atualmente vigente (RIR/99 Decreto nº 3.000/99), seguiu na mesma linha: Art.43 São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) XIV os benefícios recebidos de entidades de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, observado o disposto no art. 39, XXXVIII (Lei nº 9.250/1995, art. 33) (grifos acrescidos). Contudo, respeitando o direito adquirido dos contribuintes, o artigo 39 do RIR/99 manteve a regra isentiva pelo período em que vigeu, de 01/01/89 a 31/12/95, não incidindo imposto de renda nas parcelas de previdência complementar resgatadas pelas pessoas físicas neste intervalo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória nº 1.74937, de 11 de março de 1999, art. 6º); A priori, foram considerados isentos apenas os resgates dos valores das pessoas físicas que contribuíram no período de 1989 (início da vigência da Lei nº 7.713/1988) a 1995 (final Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.726208/201790 Acórdão n.º 2002000.543 S2C0T2 Fl. 81 5 da vigência da Lei nº 7.713/1988), quedandose silente, a legislação, quanto o aporte/benefícios realizados no mesmo período e que foram resgatados posteriormente a vigência da regra de isenção. O Poder Judiciário, após provocado por inúmeros contribuintes, pacificou a matéria reconhecendo a isenção tanto aos valores resgatados quanto aos valores aportados pelas pessoas físicas no período de 1/1/89 a 31/12/95. Segue excerto do julgamento proferido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). 1. Pacificouse a jurisprudência da 1ª Seção do STJ no sentido de que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995 (...) (Resp nº 1.012.903/RJ, DJe 13/10/2008) Ainda, restou pacificado pelo tribunal superior que eventual apuração de valor recolhido no período de isenção, devidamente atualizados, teria o condão de gerar créditos a serem abatidos da base de cálculo do imposto de renda. Para normatizar o entendimento do STJ, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13. Desta forma, o contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento. Feitas esta digressão sobre a tributação das contribuições para instituições de previdência privada, o contribuinte faz prova de que de fato contribuiu no período de 1989 a 1995, fato este confirmado pela DRJ, como se vê: Pois bem, no caso concreto resta perfeitamente provado pelo conteúdo da carta e demonstrativo de contribuições de fls. 12 14, que o impugnante contribuiu para plano de previdência privada complementar administrado pela ACEPREV no interregno de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, advindo deste aporte parte do beneficio previdenciário a que faz jus. Logo, resta comprovado o direito subjetivo do contribuinte de valerse da isenção das contribuições à Previdência Privada no período retro mencionado, vez que, como amplamente explanado neste voto, a legislação vigente è época consideravam tais valores isentos. Fl. 83DF CARF MF 6 De fato, como também atesta a decisão da DRJ, o contribuinte não atendeu corretamente os procedimentos elencados na IN nº 1.343/13: Notase ainda que a citada correspondência menciona em seu parágrafo primeiro que a atualização das contribuições em planilha ocorreu até dezembro de 2011. No próprio lançamento também constou como data do 1º pagamento de benefício o mês de abril/2011 (fl 06), fato não contestado pelo interessado. (...) Apesar da discrepância nos meses, fato é que a percepção do beneficio se iniciou, ao que parece, no anocalendário de 2011, concluindose que a primeira Declaração de Ajuste Anual que deveria ter sido retificada seria aquela correspondente ao Exercício 2012, entregue em 27/04/2012, como bem denotou a própria fonte pagadora no comunicado de fl. 12, do qual compilamos trecho: (...) Somente se cogitaria da retificação de exercícios posteriores a 2012 no caso de impossibilidade de exaurir o rendimento não tributável informado pela ACEPREV naquele ano, como disciplina o § 2º do art 3º da IN nº 1.343, de 2013, anteriormente reproduzido. Apesar do que aqui foi dito, o recorrente retificou a Declaração de Ajuste Anual 2013, ou seja, do anocalendário subseqüente ao correto. Concluise não ser passível de correção o lançamento apreciado. Assim, um mero erro procedimental disposto em uma Instrução Normativa, norma secundária, não pode sobreporse a um direito subjetivo do contribuinte disposto em lei. Pelo exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento para que sejam reconhecidas como isentas as parcelas de contribuição complementar pagas no período de 1/01/89 a 31/12/1995. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.725959/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. O § 10 do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos; no caso, os produtos produzidos com o insumo adquirido são produtos de origem animal. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 59 59 /2 01 2- 38 Fl. 672DF CARF MF Processo nº 18186.725959/201238 Acórdão n.º 3302006.204 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do ressarcimento relativo a crédito presumido PIS/Cofins da agroindústria, considerando que a aquisição de bovinos vivos, classificada no inciso III do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, fazia jus ao crédito presumido à alíquota de 35% e não de 60%. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, argumentando ser cabível o cálculo por meio da alíquota de 60%, tendo em vista tratarse de frigorífico, cujo produto final comercializado é de origem animal, conforme Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal. Segundo o então Manifestante, a segregação do direito ao crédito presumido não podia se dar de acordo com o insumo por afrontar o comando do art. 8º da Lei 10.925/2004, pois se a lei desejasse fixar a alíquota de acordo com os insumos, teria citado a classificação correspondente, em particular, a de animais vivos. Cumpre destacar que a empresa obteve, em embargos de declaração, provimento no sentido de se aplicar a taxa Selic sobre os créditos passíveis de ressarcimento a partir do 1º dia subsequente ao término do prazo de 360 dias da formulação do pedido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10056.808, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que, no regime não cumulativo da contribuição (PIS/Cofins), a natureza do bem produzido pela empresa agroindustrial devia ser considerada na aferição do seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, sendo o cálculo do crédito efetuado a partir da alíquota correspondente ao insumo adquirido. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 18186.725959/201238 Acórdão n.º 3302006.204 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.191, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 18186.725910/201285, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.191): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nos termos do despacho decisório (fls. 129138), a fiscalização alega que a alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, prevista pela Lei nº 10.925, de 2004 é de 35%, a saber: "18. O contribuinte tem por objeto social a “exploração de frigorífico abate de bovinos e preparação de carnes, desossa e subprodutos”. Enquanto tal, enquadrase no art. 5º, I, “a”, c/c art. 6º, I, da IN SRF nº 660, de 2006, no que concerne à produção de carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, classificadas no capítulo 2 da NCM, próprias e destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, faz jus ao crédito presumido de que trata esse dispositivo quando adquirir bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (“fabricação”) de carnes classificadas no capítulo 2 da NCM, para alimentação humana ou animal: i) de pessoas físicas residentes no Brasil; e, ii) de pessoas jurídicas, domiciliadas no Brasil, com a suspensão das contribuições, nos termos do art. 2º da mesma instrução normativa (art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004). 19. Esclareçase que os bovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, mais precisamente na posição 01.02. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, deve ser calculado com base no inciso III do parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, na forma estabelecida no art. 8º, caput e § 1º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006, equivalente ao percentual de 35% das alíquotas do PIS/PASEP (35% X 1,65% = 0,5775%) e COFINS (35% X 7,6% = 2,66%). 20. Notese que a suspensão das contribuições, nos termos dos arts. 2º e 3º da IN SRF nº 660, de 2006, aplicase, no caso em questão, unicamente às aquisições feitas de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou que seja cooperativa de produção agropecuária, entendendose por atividade agropecuária a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, e por cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. Por sua vez, a Recorrente argumenta que o percentual para os créditos presumidos seria de 60%, para os produtos por ela adquiridos, nos termos da Lei nº 10.925/04. Requer, ainda, seja aplicado o artigo 106, do CTN, Fl. 674DF CARF MF Processo nº 18186.725959/201238 Acórdão n.º 3302006.204 S3C3T2 Fl. 5 4 considerando a alteração promovida pela Lei nº 12.865/2013, que acrescentou o §10º ao artigo 8º, da Lei nº 10.935/2004. Pois bem. Dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.865/2013: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 675DF CARF MF Processo nº 18186.725959/201238 Acórdão n.º 3302006.204 S3C3T2 Fl. 6 5 III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o (Vide Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o (Vide Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Nos termos do inciso I, do § 3º, do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, verificase que a alíquota de 60% está prevista para a aquisição de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4 (cap. 2 Carnes e miudezas, comestíveis; cap. 3 Peixes e crustáceos; cap. 4 Leite e laticínios) e 16 (Preparações de carne, de peixes), e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que são as aves vivas e os suínos adquiridos pelo contribuinte previstos nos capítulos 2, 4 e 16. Já o § 10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, considerou a alíquota de 60% para os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, os insumos adquiridos pela Recorrente devem ser considerados à alíquota de 60%. No presente caso, as aquisições realizadas têmse insumos de origem animal, carnes de bois abatidos, que são utilizados para a fabricação de mercadorias de origem animal (carne) e bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes para alimentação humana ou animal, Fl. 676DF CARF MF Processo nº 18186.725959/201238 Acórdão n.º 3302006.204 S3C3T2 Fl. 7 6 devem ser considerado insumo utilizado no produto e, por consequência ser aplicado à alíquota de 60%. Ademais, razão assiste à Recorrente quanto a aplicação do artigo 106, do CTN. Isto porque, conforme preceitua o §10, do artigo 8º, da Lei nº 10.925, de 2004, "para efeito de interpretação", logo, se trata de uma lei interpretativa, ela deve retroagir. Nesse sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. (Acórdão 3301004277) *** CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. (Acórdão 3402004.904) Em resumo, deve incidir a alíquota de 60% para os produtos adquiridos pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas ao crédito presumido da Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos ao crédito presumido da Contribuição para o PIS. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 18186.725959/201238 Acórdão n.º 3302006.204 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para fazer incidir a alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 678DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.722335/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
CONTRATOS DE ANTECIPAÇÃO DE NUMERÁRIOS PARA FOMENTO COMERCIAL. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO EM MERCADORIAS NÃO COMPROVADA À LUZ DOS REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA DO IOF.
O imposto terá como fato gerador a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário, tendo por base de cálculo o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês, sobre a qual incidirá a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7º do Decreto nº6.306, de 2007.
CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF.
Somente haverá a incidência da alíquota zero na apuração do IOF no caso de o suprimento de recursos ser feito por instituições financeiras, , assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL.
A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento) deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, sem o cômputo dos valores referentes a operações anteriores atingidas pela decadência, de acordo com a aplicação do art. 173, I, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar a decadência referente as operações realizadas em 2008.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 CONTRATOS DE ANTECIPAÇÃO DE NUMERÁRIOS PARA FOMENTO COMERCIAL. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO EM MERCADORIAS NÃO COMPROVADA À LUZ DOS REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA DO IOF. O imposto terá como fato gerador a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário, tendo por base de cálculo o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês, sobre a qual incidirá a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7º do Decreto nº6.306, de 2007. CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF. Somente haverá a incidência da alíquota zero na apuração do IOF no caso de o suprimento de recursos ser feito por instituições financeiras, , assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento) deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, sem o cômputo dos valores referentes a operações anteriores atingidas pela decadência, de acordo com a aplicação do art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO EM MERCADORIAS NÃO COMPROVADA À LUZ DOS REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA DO IOF. O imposto terá como fato gerador a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário, tendo por base de cálculo o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês, sobre a qual incidirá a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7º do Decreto nº6.306, de 2007. CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF. Somente haverá a incidência da alíquota zero na apuração do IOF no caso de o suprimento de recursos ser feito por instituições financeiras, , assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 23 35 /2 01 4- 07 Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.865 2 A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento) deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, sem o cômputo dos valores referentes a operações anteriores atingidas pela decadência, de acordo com a aplicação do art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar a decadência referente as operações realizadas em 2008. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2828 a 2858) interposto pelo Contribuinte, em 20 de dezembro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 08 37.071 (fls. 2786 a 2817), de 23 de setembro de 2016, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) – DRJ/FOR – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação. Para a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase no presente de impugnação apresentada pela pessoa jurídica em epígrafe, formalizada como o objetivo de desconstituir o crédito tributário a seguir especificado (valorado até julho/2014): Imposto sobre Operações de Crédito (IOF) ...................... R$ 3.860.710,88 Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.866 3 A empresa foi selecionada em um primeiro momento para a realização do procedimento de diligência fiscal, medida deflagrada pelo Termo de Início de Diligência Fiscal, fls. 03/04, notificado pela via postal em 08/04/2014, fl. 08, momento em que, dentre outros aspectos abordados, foram solicitados esclarecimentos acerca do funcionamento da Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores Pessoas Ligadas, tendo sido solicitada a especificação de todas as empresas ligadas à COBRAZEM LTDA, inclusive com a indicacã̧o dos respectivos sócios. Em resposta, no dia 17/04/2014 foi apresentado o documento de fls. 10/13, em que a demandada, além de relacionar as empresas, informou que “mantém com as pessoas ligadas uma parceria comercial, na qual fornece e recebe produtos, consequentemente pagamentos e recebimentos adiantados, com o intuito de fortalecer e fomentar as atividades em que atuam, a fim de tornar mais dinâmicas as operações comerciais e financeiras entre as mesmas”, que “Referidos pagamentos são registrados na conta [...] e a sua baixa é feita mediante a entrega dos produtos ou serviços pelos fornecedores, ou, caso naõ seja possível, em alguns casos com a devolução dos recursos anteriormente pagos”. Apresentou cópia de alterações contratuais, fls. 15/38. Consignou, quanto aos demais itens, estarem disponibilizados em uma mídia digital apresentada. Após as respectivas impressões, mencionados documentos foram juntados aos autos, fls. 42/432. Após a análise do que foi disponibilizado, a fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal, fls. 433/434, notificado em 08/05/2014, fl. 453, em que registrou que à luz dos documentos que deram suporte a 63 (sessenta e três) lançamentos adotados como amostra para a diligência fiscal ainda não havia chegado a um diagnóstico quanto à regularidade ou não dos registros contábeis, necessitando, para tanto, de esclarecimentos e de documentos complementares. Dentre os pontos a serem devidamente esclarecidos, evidenciou que, a despeito de a conta em questão ser específica para pessoas ligadas, encontrou registros envolvendo pessoas e empresas sem essa característica. Esclareceu ter encontrado os registros de diversas transacõ̧es em contrato sem o envolvimento de produtos utilizados como insumos ou comercializados pela COBRAZEM LTDA. Afirmou que “para serem regulares, adiantamentos a fornecedores devem estar respaldados por contrato prévio contendo a qualificação das partes, o valor adiantado em dinheiro, o prazo para pagamento, a especificaçaõ do produto a ser retornado para liquidação da dívida e a especificaçaõ das multas pelo não cumprimento do acordado. Ao final, assegurou que os documentos apresentados em relaca̧õ a 42 dos 63 lanca̧mentos examinados se mostraram insuficientes para um diagnóstico conclusivo da conta examinada, indicando que “os esclarecimentos e documentos adicionais necessários à conclusão do diagnóstico constam dos três anexos deste termo de intimação, fls. 435/452. A resposta foi apresentada na repartição fiscal no dia 20/05/2014, fls. 454/461 Quanto às razões da existência na conta de registros envolvendo pessoas e empresas que não são coligadas, assegurou que se tratam de cessões de crédito entre a COBRAZEM LTDA e pessoas a ela ligadas, como a Sperafico Ltda. Afirmou que a informante “efetua a venda [não seria a compra?] e cede o crédito para a Sperafico, que recebe da outra empresa, como Olfar Indústria e Comércio de Óleos Vegetais”. Em relação à apontada ausência de contrato, disse que “Todos os movimentos registrados na referida conta encontramse respaldados pelos Contratos de Antecipação de Numerários para Fomento Comercial apresentado em CD anexo”, Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.867 4 fls. 464/475. No item 2 (dois) de sua resposta, prestou os esclarecimentos relacionados aos 42 (quarenta e dois) lançamentos questionados pela fiscalização. Os documentos relacionados aos lançamentos, disponibilizados em CD, encontram se juntados ao processo às fls. 476/907. A diligência fiscal foi concluída por meio do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 908/913, e anexos, fls. 914/950, em cuja parte conclusiva foi informado que “a Cobrazem concedeu, no período de 2010 a 2012, diversos empréstimos ou mútuos a empresas e/ou pessoas ligadas, sob a modalidade crédito rotativo, sem a cobrança e sem o recolhimento do IOF correspondente”, tendo sido alegado que “tais empréstimos ou mútuos seriam adiantamentos concedidos a fornecedores para futura entrega de mercadorias”, mas que “essas operações não foram comprovadas pela investigada”, em face do que foi pedido o encerramento da diligência e a abertura de ação fiscal específica para a apuração e o lançamento do IOF. A etapa fiscalizatória foi implementada por meio de Termo de Início de Fiscalização, fls. 951/953, e anexos, fls. 954/1.072, notificado em 05/06/2014, fl. 1.073. Nele a autoridade fiscalizadora fez constar, relativamente à amostra de lançamentos examinada na fase da diligência, não haver sido possível identificar nenhuma operação comprobatória do adiantamento em dinheiro para a entrega futura de mercadoria, que as notas fiscais tidas como comprovantes dos adiantamentos não estão vinculadas a qualquer nota fiscal da efetiva venda ou da entrega do produto objeto da encomenda. Assim, intimou a COBRAZEM LTDA apresentar a relação das operações de adiantamento vinculadas ao futuro fornecimento de mercadorias, contendo as especificações indicadas no item 4 (quatro). Junto ao termo em pauta, a fiscalização encaminhou um disco magnético contendo 3 (três) arquivos no formato Excel denominados “Razão anual da conta 11640025”, um para cada anocalendário, em que se fazem presentes a movimentação da conta 11640025, obtida no SPEDContábil, a serem preenchidos pelo contribuinte com as informações especificadas no item 5 (cinco). O autor do procedimento recepcionou documento pela empresa apresentado no dia 25/06/2014, fls. 1.074/1.075, em que afirmou que “Não há recolhimento de IOF por não haverem operações tributadas no período” e, em relação aos demais itens, indicou haverem sido respondidos no CD apresentado. Vide, a propósito, os documentos constantes às fls. 1.077/1.212. Com o objetivo de embasar a autuação, a fiscalização elaborou o demonstrativo Análise da Consistência – Encomenda para Entrega Futura x Venda Vinculada, fls. 1.213, e apresentou o Razão Individualizado por Mutuário, fls. 1.214/1.338, procedendo ao lançamento de fls. 1.339/1.347, em que foi considerada a ocorrência da infração “FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO”, tendo por fundamento legal a combinação do art. 13 da Lei no 9.779, de 1999; do art. 2o, inc. I, alínea “c”, do 3o ao 7o, e do 47 ao 49 do Decreto no 6.306, de 2007; e o art. 7o da Instrução Normativa no 907, de 2009. Em resumo, a fiscalização teve por incomprovados os pagamentos por meio de mercadorias e considerou que as operações realizadas com as pessoas naturais Alexandre Sperafico, André Sperafico, Dalton Sperafico, com Denis Sperafico, com o Condomínio José Sperafico e Outros e com as pessoas jurídicas Sperafico Agroindustrial Ltda, Sperafico da Amazônia Ltda, Amambay Energética Ltda, Clean Farm Logística Ltda e LDI Empreendimentos Ltda, representaram, na realidade, Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.868 5 operações de mútuo financeiro, o que teve como consequência a exigência do IOF do responsável tributário, a COBRAZEM AGROINDUSTRIAL LTDA. A descrição dos fatos encontrase complementada pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, fls. 1.348/1.356, e de seus anexos, fls. 1.357/1.389. A pessoa jurídica foi notificada do lançamento fiscal no dia 24/07/2014, fl. 1.391. Não conformada com a situação, em 22/08/2014 a interessada impugnou o feito, fls. 1.394/1.419 e 2.589 (folha que em um primeiro momento se mostrou ausente), o que se deu com espeque nos argumentos a seguir discorridos. Do adiantamento do numerário Compras e vendas realizadas entre a Impugnante e as pessoas ligadas Para a contestante, a autoridade fiscal laborou em equívoco, ao tributar pelo IOF os valores debitados na Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores, o que se efetivou por considerar que operações de mútuo financeiro representavam, o que não se ajusta à realidade, consistente no fato de serem decorrentes de contrato de desenvolvimento comercial que ocasionou adiantamentos relacionados a operações de compra e de vendas de mercadorias, efetivados em vista da parceria comercial existente entre a Impugnante e as pessoas ligadas. Chamou a atenção para o fato de a tributação haver sido calcada no inc. III do art. 2o do Decreto no 6.306, de 2007, a estabelecer a incidência do IOF sobre operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, cujo fato gerador é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado, sendo que a expressão “operações de crédito” compreende, dentre outros, as operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física. De relevo, portanto, que seja estudado o que pode ser considerado como mútuo. Acaso não se verifique que a interessada realizou uma operação de mútuo, deverá ser anulada a autuação fiscal, pois o critério material da regramatriz de incidência do IOF não estará confirmado. Sendo o direito tributário um direito de sobreposição, a definição dos elementos utilizados pela lei tributária deverá ser buscado no campo das demais ciências do direito, não podendo alterar conceitos e institutos do direito privado (art. 110, CTN). Segundo preceitua o art. 586 do Código Civil, o mútuo é empréstimo de coisas fungíveis (dinheiro), por tempo determinado, sendo que o mutuário deve restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No caso dos autos, a Impugnante entregou dinheiro às pessoas relacionadas pela fiscalização. Logo, para que o mútuo se confirme, essencial que se restitua também dinheiro à pessoa jurídica contestante. Todavia, como restará demonstrado, a peticionante repassou valores (dinheiro) às pessoas físicas e jurídicas ligadas e teve como contrapartida dessas operações o recebimento de mercadorias (soja, milho e outros), o que caracteriza o adiantamento a fornecedores, mas não o mútuo considerado pelo agente fiscal. Do princípio da verdade material Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.869 6 Ao se reportar ao princípio da verdade material, sinalizou a total omissão do AFRFB no tocante à realidade fática das operações comerciais realizadas entre a manifestante e as pessoas ligadas, o que demonstra a existência de ofensa ao mencionado princípio, tratandose de temática que é acolhida pela doutrina e já foi adotada em julgados do CARF. Na busca da verdade real a autoridade fiscal não poderia ter ignorado a existência de relações comerciais entre a autuada e as pessoas ligadas, o que pode ser demonstrado pelos contratos de antecipação de numerários para fomento comercial, fls. 464/475, cuja Cláusula Primeira estipula que “O objeto do presente instrumento é fortalecer e fomentar as atividades em que atuam, para fortalecer as atividades comerciais de mútuo interesse [...]”. A comprovação da veracidade da tese da requerente não se encontra limitada à esfera contratual pois conforme demonstram as planilhas com demonstrativo de operações comerciais de 2010/2012 das pessoas ligadas (Anexo II, fls. 1.428/1.514) e notas fiscais de entradas e de saídas da Impugnante e das pessoas ligadas, a conclusão que se poderá chegar é de que no plano fático existiram as operações de compra e venda, que em retribuição ao numerário recebido as pessoas ligadas então devolvendo mercadorias e/ou serviços, e não dinheiro, como foi entendido pela fiscalização. As notas fiscais de entradas e de saídas, vale registrar, devido ao seu grande volume, serão apresentadas em seguida, pois o seu preparo não foi possível em tempo hábil, o que não será obstáculo para o seu conhecimento, por parte do contencioso administrativo, pois, tendo em vista o princípio da verdade material, assim como o da estrita legalidade tributária, a presente defesa deverá ser analisada conjuntamente com as notas fiscais mais adiante apresentadas, pois demonstram a realidade das operações comerciais de compra e de venda, sendo fato inconteste que o adiantamento dos valores em razão das futuras remessas de mercadorias. Em outro dizer, a Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores era amortizada na medida do recebimento das mercadorias, como se demonstra nas planilhas constantes do Anexo II, fls. 1.428/1.514), entendimento que foi inclusive reforçado pela autoridade fiscal, como destacado no TVF, fl. 1.353. Também não subsiste a afirmação fiscal presente à fl. 1.353, calcada em presunção subjetiva, de modo que o representante fazendário não logrou provar que houve operações de mútuo, tendo simplesmente presumido de maneira desarrazoada e por critérios pessoais que as mercadorias comprovadamente enviadas à Impugnante não possuíam correspondência com o valor adiantado a seus fornecedores, pessoas ligadas. Questão similar foi julgada pela DRJ/RJ1, o que se deu no bojo do Acórdão no 12 54634, em que foi decidido que “A existência de um contacorrente entre empresas comerciais, onde um cliente adianta recursos continuamente ao seu fornecedor com vistas a futuras aquisições de produtos, não caracteriza, a princípio, operação de crédito sujeita à incidência de IOF. [...]”. Como as operações que deram origem à autuação não podem ser consideradas mútuo financeiro, mas sim adiantamentos a fornecedores (compra e venda), os débitos tributários do IOF deverão ser desconstituídos, anulandose o auto de infração constante do processo fiscal em curso. Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.870 7 Da errônea interpretação dos contratos firmados entre a Impugnante e as pessoas ligadas Ao se reportar aos 3 (três) contratos firmados entre a Impugnante e as pessoas ligadas, o AFRFB mencionou que os contratos possuem a mesma redação, tendo sublinhado algumas cláusulas por entender relevantes para a confirmação da tese por ele esposada, como foi o caso da Cláusula Primeira, da Cláusula Segunda e da Cláusula Quarta, o que se mostrou uma conduta parcial, voltada para a satisfação da sede arrecadadora do fisco federal, pois interpretou erroneamente referidos dispositivos. Como expresso no art. 112 do Código Civil, “nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas substanciadas do que ao sentido literal da linguagem”, o que representa dizer que a literalidade dos contratos tem menor importância acaso a intenção das partes não se posicione no mesmo sentido, entendimento que encontra arrimo na doutrina pátria. Desse modo, equivocouse o AFRFB ao interpretar erroneamente os contratos, pois, conforme bem demonstra a Cláusula Primeira, desconsiderou que nos referidos contratos está presente o objetivo de fomentar as atividades em que atuam os pactuantes, medida a ser adotada com vistas ao fomento das atividades em que atuam, voltada para fortalecer as operações comerciais de compra e venda existentes entre os contratantes. Desconsiderou, ademais, que, como previsto na Cláusula Quarta, a restituição da quantia deveria se dar preferencialmente mediante a entrega de produtos ou serviços relacionados às atividades dos parceiros comerciais. Dos referidos contratos o que se conclui é que a vontade dos pactuantes é o fortalecimento das operações comerciais de compra e venda realizadas entre a Impugnante e as pessoas ligadas, que jamais pretendeu realizar operações de mútuo. In casu, o que ocorreu foi que o AFRFB voltou a sua atenção exclusivamente para a investigação da presença das características do mútuo presentes nos contratos e no abstrato mundo das leis, olvidandose de investigar o que efetivamente ocorreu no mundo dos fatos. Ficando clarificado que o mútuo não ocorreu no caso em julgamento, inexistiu o fato gerador da obrigação tributária no mundo dos fatos, o chamado evento fenomênico, relativo ao IOF, razão pela qual deve ser anulado o auto de infração, vez que o crédito tributário foi constituído de maneira ilegal. Da ofensa ao artigo 110 do CTN Ao repisar que o direito tributário é um direito de sobreposição, fez alusão a respeitável doutrina para, logo a seguir, transcrever o art. 110 do CTN e consignar que o agente fiscal deve respeitar os institutos jurídicos fixados em outros ramos do direito sendo que, no entanto, no caso em julgamento fez com que ocorresse inequívoca alteração de instituto adotado pelo direito privado, o que é vedado pelo citado dispositivo legal. Sendo patente que o mútuo financeiro pressupõe a obrigação de o mutuário em restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, inexistirá a figura do mútuo quando se entregar dinheiro e se receber de pessoas ligadas coisa diversa de dinheiro, ou seja, mercadorias, como no caso em julgamento. Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.871 8 Não havendo no mundo dos fatos o mútuo financeiro, não houve o fato gerador do IOF, o que impõe que se decrete a nulidade do auto de infração em questão, devendo ser reconhecido que a interpretação dada pelo AFRFB ao instituto do mútuo financeiro ofende o art. 110 do CTN, vez que altera a definição e o alcance de instituto constante da legislação tributária, não podendo se tratar como mútuo a entrega de dinheiro no caso de a sua restituição se dar por meio de mercadoria. Da aplicabilidade da alíquota zero (art. 8º do Decreto nº 6.306, de 2007) Na improvável hipótese de este colegiado não acatar as alegações anteriormente apresentadas, a Impugnante passou a expor as razões pelas quais entende como aplicável ao caso em pauta a alíquota zero determinada pelo art. 8º do Decreto nº 6.306,de 2007. Sinalizou, de início, que o IOF possui uma conotação extrafiscal, que a sua função não é meramente arrecadatória, entendimento que foi ilustrado pela doutrina apresentada pela defesa. Destacou, além disso, que o tributo em pauta é um imposto flexível, podendo a sua alíquota ser modificada por meio de atos administrativos, normalmente consubstanciados através de decretos, podendo as autoridades competentes realizarem diversas políticas públicas com a finalidade de fomentar a atuação de determinados setores da economia, o que ocorre pela alteração das alíquotas do impostos, medida que pode ser adotada independentemente de autorização legislativa. Com esta precisa intenção, o Poder Executivo reduziu a zero a alíquota do IOF nas operações de crédito rural, como estabelecido pelo art. 8o do Decreto no 6.306, de 2007. Assim, caso seja adotado o entendimento de que os contratos possuem natureza creditória mostrase relevante para a solução da lide que tais contratos tenham a natureza de seus créditos identificada. Se a impugnante praticou operações de crédito sujeitas ao IOF, a natureza jurídica dessas operações não poderá ser outra senão aquela que é voltada para o fomento das atividades em que atuam os pactuantes, o que bem demonstra que a natureza do crédito é rural. As pessoas jurídicas e físicas ligadas exercem atividade rural, o que pode ser comprovado por seus documentos societários (Anexo III, fls. 1.515/1.561), pelas notas fiscais de entrada e de saída (que serão adiante juntadas) e pelo contrato de exploração agropecuária em condomínio (Anexo IV, fls. 1.562/1.573). Desse modo, caso o colegiado acolha o entendimento da autoridade lançadora, a natureza do crédito a ser considerada será a rural, razão pela qual é aplicável a alíquota zero estabelecida pelo acima apontado dispositivo legal, o que implicará na nulificação do auto de infração pela existência de erro no critério quantitativo da regra matriz de incidência, mais precisamente na mensuração de sua alíquota, entendimento que vem sendo reiteradamente adotado pelo CARF. Da alíquota adicional do IOF (art. 8º, § 5º do Decreto no 6.306,de 2007) São duas as alíquotas do IOF: a) a que incide sobre o saldo devedor diário; e b) a alíquota adicional que incide sobre o valor da operação de crédito. No caso da alíquota incidente sobre o saldo devedor diário, tendo em vista a natureza ruralista do crédito, haverá que ser considerada a incidência da alíquota zero, como demonstrado no item precedente. Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.872 9 Por outro lado, quanto à alíquota adicional incidente sobre os valores das operações de crédito rural, exigível no percentual de 0,38%, independentemente do prazo da operação, tem por previsão legal o § 5o do art. 8o do Decreto no 6.306, de 2007. Entretanto, o lançamento não poderá prosperar pois no lugar do acima citado § 5o do art. 8o o AFRFB utilizou o § 4o do art. 7o, ambos do Decreto no 6.306, de 2007, conforme faz prova o TVF, fl. 1.355, em razão do que os débitos tributários relacionados à alíquota adicional devem ser desconstituídos pois, tendo dessa forma procedido, a autoridade lançadora infringiu o regramento contido no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Da recomposição do saldo devedor do anocalendário 2008 Acaso não se acolha nenhum dos argumentos antes expedidos, resta que se disserte sobre outro evidente erro constante do auto de infração, consistente no fato de o agente fazendário haver computado valores já decaídos no cálculo do imposto devido. Notandose que ao auto de infração em ataque foi notificado em julho/2014 e considerandose o determinado pelo inc. I do art. 173 do CTN, a conclusão que se chega é de que foram atingidos pela decadência os supostos fatos geradores do IOF ocorridos anteriormente ao ano de 2009. Relevante destacar que o termo inicial do prazo decadencial é dado pela data da ocorrência do fato gerador do tributo e, mesmo no caso do inc. I do art. 173 do CTN, o momento em que ocorreu o fato gerador é importante pois se presta para determinar qual é o exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. No caso do IOF, o seu fato gerador é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado, entendendo se como ocorrido e devido o tributo sobre a operação de crédito na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou a sua colocação à disposição do interessado. Destarte, como o fato gerador do IOF foi a disponibilização ao interessado dos valores relativos à operação financeira, dúvida não há de que os fatos geradores anteriores a 2009 foram atingidos pela decadência tributária. A questão levantada é a seguinte: relativamente aos valores disponibilizados antes de 2009, poderiam eles serem considerados na formação do saldo devedor existente em 01/01/2010, para fins de definir parcela da base de cálculo exigida no presente lançamento ou, ao contrário disso, apenas poderiam ser considerados na base de cálculo a parcela correspondente aos valores efetivamente disponibilizados a partir de 2009? Dito de outra maneira, não deveria o AFRFB iniciar o cômputo da base de cálculo contabilizando os valores disponibilizados a partir de 2009 ou, diferentemente disso, poderia inserir valores que foram disponibilizados antes de 2009, uma vez que houve a decadência do direito de lançar IOF sobre as operações de repasse de valores ocorridos naqueles períodos? A resposta certa é a seguinte: “o saldo sobre o qual incidiria o IOF para fins do presente lançamento deve ser considerado a partir dos valores disponibilizados em 2009, sem levar em conta os valores que foram disponibilizados em períodos Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.873 10 anteriores”, o que quer dizer que o saldo anterior a 2009 deveria ser zerado, pois decaiu o direito de a Fazenda realizar o lançamento sobre tais operações, medida que não foi adotada pelo AFRFB, que considerou como saldo inicial em 2010 os valores disponibilizados (fato gerador do IOF) em períodos anteriores à 2009, o que não é correto por haverem sido atingidos pela decadência do direito de lançar. De modo a se demonstrar ter sido esse o procedimento fiscal, juntase à defesa a DIPJ/2009, relativa ao anocalendário 2008, documento que se faz presente no Anexo V, fls. 1.574/1.606, em que se observa o saldo existente a título de adiantamento pela Impugnante às pessoas ligadas, entendido pelo fisco como operações de mútuo, e que foi trazido como o saldo existente em 01/01/2010, como destacado em figura constante à fl. 1.418. Considerar que valores disponibilizados antes de 2009 (representativos do fato gerador do IOF) podem ser levados em conta no saldo tributado a partir de 01/01/2010 corresponde a se acatar como legítima a exação de um tributo que já estava decaído na data da notificação da pessoa jurídica, verificada em julho/2014. Conforme a legislação de regência, o cálculo do IOF pode ser feito diariamente ou com base no valor do principal disponibilizado, sendo possível que seja computado até o dia em que houver o pagamento integral do valor disponibilizado, o que não implica em se dilatar eternamente o prazo de decadência, eis que se inicia uma única vez, o que se deu com a ocorrência do fato gerador do imposto, que foi a disponibilização dos valores relativos ao empréstimo financeiro. Pugnase, dessa forma, para que seja anulado o auto de infração, excluindose da exigência o saldo apurado em 01/01/2008 mas cuja disponibilização ocorreu antes de 2009, visto que os respectivos fatos geradores foram atingidos pela decadência tributária. Como elementos probatórios, a defendente juntou aos autos os seguintes § Anexo I – 27a Alteração Contratuaal da pessoa jurídica impugnante, fls. 1.420/1.427; § Anexo II – Planilha com Demonstrativo de Operações Comerciais das Pessoas Ligadas, fls. 1.428/1.514; § Anexo III – Documentos Societários das Pessoas Jurídicas Ligadas, fls. 1.515/1.561; § Anexo IV – Contrato Particular de Exploração Agropecuária em Condomínio, fls. 1.562/1.573; e § Anexo V – DIPJ/2009 da Impugnante, fls. 1.574/1.606. Em 28/08/2014, deuse a juntada ao processo, fl. 1.612, de petição pela pessoa jurídica apresentada, fls. 1.613/1.614, em que informou a disponibilização de cópias das notas fiscais relacionadas às mercadorias recebidas em razão dos adiantamentos dos numerários adiantados, emitidas pelas pessoas à Impugnante ligadas, como houvera consignado na peça contestatória inicialmente apresentada, o que se deu após o prazo legal de 30 (trinta) dias em razão da grande quantidade de seu volume, fls. 1.617/2.589. Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.874 11 É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0837.071 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010, 2011, 2012 CONTRATOS DE ANTECIPAÇÃO DE NUMERÁRIOS PARA FOMENTO COMERCIAL. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO EM MERCADORIAS NÃO COMPROVADA À LUZ DOS REGISTROS CONTÁBEIS. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA DO IOF. O imposto terá como fato gerador a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário, tendo por base de cálculo o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês, sobre a qual incidirá a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7º do Decreto nº6.306, de 2007. CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF. Somente haverá a incidência da alíquota zero na apuração do IOF no caso de o suprimento de recursos ser feito por instituições financeiras, , assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS SALDOS DEVEDORES GERADOS HÁ MAIS DE 5 (CINCO) ANOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PERMISSIVO LEGAL. A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento) deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, não havendo que se perquirir o momento em que os saldos devedores foram gerados para fins de expurgar da tributação os que foram contabilizados há mais de 5 (cinco) anos, mostrandose bastante, para demonstrar a regularidade da autuação, que o fato gerador mais antigo constante do lançamento ainda não tenha sido fulminado pelo direito de lançar, consoante o Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.875 12 regramento contido no inc. I do art. 173 do CTN, nos casos de ausência de pagamento ou ainda de dolo, sonegação ou conluio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste preterição do direito de defesa quando toda a matéria fática e legal foi extensivamente descrita na autuação e tão bem compreendida que a empresa autuada logrou produzir em sua peça impugnatória uma extensiva gama de argumentos que julgou oportunos para embasar a sua defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões administrativas emanadas de outros órgãos do contencioso, ainda que proferidas pela segunda instância administrativa, exceção feita àquelas pautadas em Súmula chancelada pelo Ministro da Fazenda, não ostentam efeito vinculante perante as DRJs. O mesmo se diga em relação às decisões judiciais, excepcionadas aquelas proferidas pelo STF com sede em Ação Direta de Inconstitucionalidade ou em Ação Declaratória de Constitucionalidade (art. 102, § 2°, CF), as decisões definitivas adotadas pelo plenário da Suprema Corte que declarem a inconstitucionalidade de ato normativo (art. 26A, § 6°, inc. I, Decreto n° 70.235, de 1972), e as Súmulas Vinculantes (art. 103A da CF). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Esta ementa decorre do entendimento da administração fiscal, bem como, da DRJ/FOR, no sentido de que as operações financeiras do Contribuinte, em específico, as operações relativas aos Contratos de Antecipação de Numerário para Fomento Comercial, são contratos de mútuo financeiro, portanto, sujeitos a incidência do IOF. Na decisão se entendeu que houve de fato operação de mútuo financeiro entre a recorrente e as seguintes pessoas físicas: a) AlexandreSperafico; b) André Sperafico; Cond. Levino José Sperafico e Outros; c) Dalton Sperafico; Denis Sperafico; bem como, com as pessoas jurídicas: a) Amambay Energética; b) Clean Farm Logistica Ltda; c) LDI Empreendimentos Ltda; d) Sperafico Agroindustrial Ltda; e, e) Sperafico da Amazônia S.A. O Contribuinte em seu recurso repisa os argumentos já expostos quando da impugnação e requer quanto ao mérito a) a anulação do auto de infração visto o equívoco do auditor fiscal da Receita Federal no que tange ao adiantamento de compra e venda entre o Contribuinte e pessoas ligadas. Se este não for o entendimento da Turma Julgadora, requer subsidiariamente: b) a anulação do auto de infração uma vez que se for entendido que as operações financeiras são mútuos, no caso mútuo rural, a alíquota a ser aplicada é zero de acordo com o Art. 8º do Decreto 6.306/2007; c) a alíquota adicional do IOF que incide sobre o valor da operação de crédito conforme art. 8, parágrafo 5º, do Decreto 6.306/2007; e d) a recomposição do saldo devedor do anocalendário de 2008, visto a decadência parcial do lançamento tributário para excluir da exigência tributária o saldo apurado em 01/01/2010, pois a efetiva disponibilização (fato gerador do mútuo) ocorreu antes de 2009. Com o intuito de Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.876 13 melhor abordar as quatro questões requeridas pelo Contribuinte passarseá em separado cada uma delas. a) Da anulação do auto de infração por não se tratar de mútuo O Contribuinte requer a anulação do auto de infração visto o equívoco do auditor fiscal da Receita Federal no que tange ao adiantamento de compra e venda entre o Contribuinte e pessoas ligadas, pois entende que as operações financeiras realizadas são contratos para o desenvolvimento comercial com adiantamentos de compra e venda com os parceiros comerciais, pessoas físicas e jurídicas, no caso, a Conta 1.1.6.40.025 – Adiantamento a Fornecedores. Para comprovar o alegado trata do conceito jurídico de mútuo financeiro; do princípio da verdade material; da errônea interpretação do auditor fiscal acerca dos contratos firmados entre a recorrente e as pessoas ligadas; da ofensa ao art. 110 do CTN; e, da não caracterização de mútuo reconhecida pelo acórdão da DRJ (da necessidade da persecução da natureza do negócio jurídico independentemente da maneira em que foi contabilizado). Diante das alegações formuladas pelo Contribuinte cabe verificar o entendimento da DRJ, e, para tanto, cito trechos do voto (fls. 2796 e seguintes): Confronto da tese da Fiscalização com tese a tese da Impugnante De início, devese ressaltar que sob o título acima especificado estaremos a abordar a materialidade da autuação relacionada aos aspectos pela defendente arregimentados sob os títulos abaixo relacionados: · Do adiantamento do numerário Compras e vendas realizadas entre a Impugnante e as pessoas ligadas; · Do princípio da verdade material; · Da errônea interpretação dos contratos firmados entre a Impugnante e as pessoas ligadas; e · Da ofensa ao artigo 110 do CTN. (...) Levandose em conta que o crédito tributário sob exame diz respeito ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, e sobre Operações Relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF), recomendável se mostra que façamos uma incursão na legislação relacionada ao tributo em pauta, o qual se encontra inserido na competência tributária da União (art. 153, inc. V, CF). O art 1º da Lei no 5.143, de 1966, dispõe que o IOF incide nas operações de crédito e seguro, realizadas por instituições financeiras e seguradoras e, conforme consta do art. 2º, I, do Decreto nº 2.219, de 1997, as operações de créditos sujeitas à incidência do IOF em um primeiro momento eram apenas aquelas realizadas por instituições financeiras. Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.877 14 A incidência do IOF nas operações de mútuo de recursos financeiros realizadas entre pessoas jurídicas de qualquer natureza ou entre pessoa jurídica e pessoa física foi instituída pelo art. 13 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, in verbis: Lei º 9.779, de 1999 Art.13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º. Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º. Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º. O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. (grifouse) Por sua vez, o Ato Declaratório SRF nº 030, de 24 de março de 1999, acresceu que “O IOF previsto no art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma, e quando o mutuante for pessoa jurídica”. Temse ainda a Nota MF/SRF/COSIT/DIMEF n° 47, de 1999, que em seu item 4, III, esclareceu procedimentos a serem adotados nos casos de operação de crédito sem prazo nem taxa de juros definidos: Nota MF/SRF/COSIT/DIMEF n° 47, de 1999 [...] 2. O art. 13 da Lei n° 9.779, de 19 de Janeiro de 1999, estabelece que o tratamento tributário concedido a essa modalidade de incidência é o mesmo fixado para as operações de crédito realizadas por instituições financeiras. Desta forma, o Regulamento do IOF constante do Decreto n° 2.219, de 02 de maio de 1997, é o diploma normativo básico para cumprimento das obrigações tributárias. 3. Não obstante, o art. 13 está disciplinado também por meio dos Atos Declaratórios do Secretário da Receita Federal n°s 4 e 7, respectivamente, de 15 e 22 de janeiro de 1999. 4. Outrossim, tendo em vista que têm surgido muitas dúvidas, especialmente, com relação às formas de cálculo do imposto, podese esclarecer a matéria, de forma sucinta, conforme segue: (...) III – operação de crédito sem prazo nem taxa de juros definidos: Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.878 15 a) deve ser utilizado o cálculo do imposto pelo somatório dos saldos devedores diários em cada mês, isto é, considerase o montante do saldo devedor acumulado mensalmente; b) o imposto deve ser apurado e cobrado no último dia útil de cada mês, aplicandose a alíquota correspondente, segundo a natureza de pessoa física ou jurídica do mutuário; c) o prazo de recolhimento é até o 3º dia útil da semana subseqüente à de cobrança; d) os encargos de juros, por se converterem em valor de principal, compõem a base de cálculo.” [grifouse] O Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, atual Regulamento do IOF, trata da incidência do imposto nessas operações de crédito no seu art. 2º, inc. I, alínea “c”. De acordo com o inciso III do § 3º do art. 3º desse Regulamento, a expressão “operações de crédito” compreende as operações de “mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física”. No que se reporta à base de cálculo do IOF, sobre as operações de crédito, o art. 7º do Decreto nº 6.306, de 2007, assim determina: Decreto nº 6.306, de 2007 Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; [...] Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.879 16 § 12. Os encargos integram a base de cálculo quando o IOF for apurado pelo somatório dos saldos devedores diários. § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. [...] §15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou pessoa jurídica. (Incluído pelo Decreto no 6.339, de 2008). §16. Nas hipóteses de que tratam a alínea “a” do inciso I, o inciso III, e a alínea “a” do inciso V, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata o § 15. (Incluído pelo Decreto no 6.339, de 2008). [grifouse] A nível infralegal, vejase também a Instrução Normativa RFB no 907, de 2009, atentandose para a redação do seu § 4o do art. 7o,vigente à época dos fatos geradores: Instrução Normativa RFB nº 907, de 2009 Da Incidência do IOF sobre Operações de Mútuo Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. § 1º O imposto de que trata o caput tem como: I contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; II fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e III base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. § 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. § 4º O imposto incidirá às seguintes alíquotas: Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.880 17 I na hipótese prevista no § 2º, 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7º do Decreto no 6.306, de 2007; II na hipótese prevista no § 3º, 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento) ao dia, acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 15 do art. 7odo Decreto nº 6.306, de 2007. § 5º É responsável pela cobrança e pelo recolhimento do IOF a pessoa jurídica mutuante. § 6º O imposto deve ser recolhido ao Tesouro Nacional até o 3o (terceiro) dia útil subseqüente ao decêndio da cobrança, sob os códigos de receita 1150, se o mutuário for pessoa jurídica, e 7893, se o mutuário for pessoa física. [grifouse] No caso em tela, a fiscalização entendeu que as operações controladas na Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores Pessoas Ligadas, respaldadas nos Contratos de Antecipação de Numerários para Fomento Comercial, fls. 464/475, em que a pessoa jurídica autuada afirmou que antecipa recursos financeiros para pessoas ligadas e em contrapartida recebe mercadorias e serviços relacionados à atividade rural desenvolvida pelas parceiras comerciais, na realidade dizem respeito a operações em que a Impugnante disponibiliza recursos financeiros para as pessoas físicas e jurídicas relacionadas nos contratos em pauta e delas recebe pagamentos em espécie, de modo que a conta em pauta foi utilizada “única e exclusivamente para o registro de mútuos concedidos a empresas e pessoas ligadas na modalidade denominada crédito rotativo”. Por concluir estar diante de operações de crédito sem valor do principal definido, conhecido como “crédito rotativo”, tratada no § 2o do art. 7o da IN RFB no 907, de 2009, supra apresentado, fez o tributo incidir sobre duas bases de cálculo distintas, especificadas no inc. I do § 4º do art. 7º da acima apresenta Instrução Normativa: · a primeira composta pelo somatório dos saldos devedores diários, apurado ao final de cada mês, com a alíquota de 0,0041%; e · a segunda consistente no adicional de 0,38%, incidente sobre o somatório mensal dos lançamentos a débito na Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores Pessoas Ligadas, representativo de novas liberações de recursos para as pessoas mutuárias (§§ 15 e 16 do art. 7o do Decreto no 6.306, de 2007). Para uma melhor visualização, tomemos como amostra os cálculos efetivados em relação à pessoa jurídica ligada Sperafico Agroindustrial Ltda, relacionados aos meses de janeiro e de fevereiro de 2010: Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.881 18 Após apresentar estudos doutrinários sobre o que pode ser considerado mútuo financeiro, a Impugnante destacou se tratar de preceito estabelecido pelo art. 586 do Código Civil, dizendo respeito a empréstimo de coisa fungível (dinheiro), por tempo determinado, sendo que o mutuário deve restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Assim, não poderia ser aplicado no caso em julgamento em que a peticionante repassou dinheiro às pessoas físicas e jurídicas ligadas e em contrapartida delas recebeu mercadorias, a exemplo de soja e de milho, o que caracterizaria o adiantamento a fornecedores, mas não o mútuo considerado pelo agente fiscal. Invocou o princípio da verdade material, em sua visão desprezado pela autoridade lançadora que teria ignorado as relações comerciais entre a COBRAZEM LTDA e as pessoas a ela ligadas, o que poderia ser demonstrado pela adequada leitura e interpretação dos Contratos de Antecipação de Numerários para Fomento Comercial, fls. 464/475, e pelas notas fiscais das mercadorias recebidas em razão dos valores adiantados, fls. 1.617/5.559. Quanto às notas fiscais, foram juntados ao processo após o prazo legal de 30 (trinta) dias determinado pela legislação processual fiscal, sendo, todavia, plausível a alegação do contribuinte, acerca do elevado número de notas fiscais, de forma que tenho por demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna, como previsto na alínea “a do § 4o do art. 16 do PAF, delas tomando conhecimento. Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.882 19 Às fls. 464/468 temse contrato datado de 31/03/207, tendo por cedente a Impugnante e por cessionárias as pessoas naturais Alexandre Sperafico, André Sperafico, Dalton Sperafico, Denis Sperafico, Marcos José Sperafico, Rafael Sperafico, Ricardo Luiz Sperafico e Rodrigo Vicente Sperafico, além do Condomínio Levino José Sperafico e Outros Nele foi aberta uma linha de crédito no valor de R$ 500 mil para cada uma das pessoas naturais e de R$ 1 milhão para o Condomínio Levino José Sperafico e Outros. Em conformidade com a Cláusula Primeira, o contrato tem por objeto “fortalecer e fomentar as atividades em que cada um atuam para fortalecer atividades comerciais de mútuo interesse, agilizando as operações financeiras e comerciais entre si, através da abertura de crédito para antecipação de recursos financeiros, de acordo com as necessidades e disponibilidades de cada atividade em que atuam” (sublinhei). Na Parágrafo Segundo da Cláusula Segunda consta que “Os valores transferidos entre as Parceiras Comerciais servirá de prova da antecipação/adiantamento, bem como da devolução dos numerários” (sublinhei). Já na Cláusula Terceira o que se tem é que “Os valores adiantados entre as Parceiras Comerciais, quando não convertidos em produtos ou serviços, serão atualizados pelo INPC”, que serão calculados e devidos na data da liquidação do contrato (sublinhei). Na Cláusula Quarta foi registrado que as cessionárias “comprometemse a restituir a quantia recebida por adiantamento, preferencialmente mediante entrega de produtos ou serviços relacionados a atividade da Parceira Comercial Cedente, previamente acordado, nas condições de mercado, ou a devolução dos numerários e seus encargos tão logo tenham condições, de forma parcial ou na sua totalidade, sendo que a critério da Parceira Comercial Cedente poderá conceder novos valores durante este período, desde que dentro dos limites estabelecidos na cláusula segunda, tendo como data limite para prestação de contas e quitação do débito o dia 31/12/2013” (sublinhei). Outrossim, consta do Parágrafo Primeiro da Cláusula Segunda que “Os valores repassados entre as Parceiras Comerciais serão provados pela contabilização, mantendoos em conta de ativo e passivo, sendo que o fechamento final será na data de vencimento do contrato, salvo se houver algum aditivo” (sublinhei). O segundo contrato apresentado, datado de 05/01/2007, fls. 469/472, tem por cedente a ora Impugnante e por cessionárias as pessoas jurídicas Sperafico Agroindustrial Ltda, Sperafico da Amazônia Ltda e Amambay Energética Ltda. Foi aberta uma linha de crédito no valor de R$ 50 milhões para a Sperafico Agroindustrial Ltda, de R$ 10 milhões para a Sperafico da Amazônia Ltda e de R$ 1 milhão para a Amambay Energética Ltda. Oportuno registrar que nele não se encontrou qualquer inovação, comparativamente com o primeiro contrato, no que se refere aos demais aspectos. No último dos contratos disponibilizados, datado de 31/08/2008, fls. 473/475, a cedente em mais uma oportunidade é a ora conteste e a cessionária é a Sperafico Holding Ltda, merecedora de um crédito de R$ 500 mil. Nele não se vislumbrou nenhuma inovação, no que diz respeito aos dois primeiros contratos. A leitura atenta dos contratos, em especial de sua Cláusula Quarta, permite que cheguemos à conclusão de que a modalidade preferencial para a restituição das quantias recebidas em adiantamento é a entrega de produtos e de serviços relacionados à atividade dos parceiros comerciais, mas que também poderá haver a Fl. 4336DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.883 20 devolução em numerários, o que representa dizer devolução em dinheiro, o que poderá se dar de forma parcial ou total, tudo tendo como limite o dia 31/12/2013, sendo que os valores repassados serão provados pela contabilização. De tudo que se viu, havendo a preferencial restituição das quantias antecipadas por meio da entrega de mercadorias ou da prestação de serviços, mútuo não haverá e a razão estará com a pessoa jurídica litigante. Por outro lado, caso a restituição se faça em pecúnia, hipótese expressamente prevista nos contratos, terseá configurada a existência de um mútuo financeiro sujeito à incidência do IOF, nos termos especificados no lançamento fiscal em debate. E qual deverá ser o elemento balizador, para que se defina entre uma possibilidade e outra? Exatamente aquele encontrado no Parágrafo Primeiro da Cláusula Quarta dos contratos apresentados, segundo o qual “Os valores repassados entre as Parceiras Comerciais serão provados pela contabilização [...]”, preceito contratual que encontra se apresenta em harmonia com o disposto na norma a seguir colacionada: DecretoLei nº 1.598, de 1977 Art 9º ................................................................................................. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Com efeito, a mera afirmação de que todas as devoluções dos numerários se deram em produtos, ainda que respaldada na apresentação de um caudaloso número de cópias de notas fiscais, por si só não apresenta suficiência para a comprovação da tese pela defesa apresentada, havendo que se perscrutar acerca da devida contabilização, ou não, das operações objeto da problemática posta em apreciação. A esse respeito, oportuno que voltemos nossa atenção para o que consta no item 4.3 do Termo de Encerramento de Diligência, fls. 911/913, em que a autoridade fiscalizadora discorreu sobre a forma como a contabilização deveria se dar e sobre a maneira o contribuinte efetuou os registros contábeis das operações realizadas na Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores Pessoas Ligadas. Com amparo na legislação do ICMS do Estado do Paraná, registrou que no procedimento de adiantamentos e recebimentos futuros de mercadorias, aventado pela fiscalizada, poderia haver a emissão de uma nota fiscal de simples faturamento, sobre ela não incidindo nenhum tributo pois a mercadoria ainda não existe ou ainda não foi fabricada ou produzida. Vejamos a norma suscitada pela fiscalização: Decreto nº 6.080, de 2012 (Regulamento do ICMS/PR) Art. 328. Na venda à ordem ou para entrega futura, poderá ser emitida nota fiscal, para simples faturamento, vedado o destaque do ICMS (art. 40 do Convênio SINIEF s/n, de 15.12.1970; Ajustes SINIEF 01/1987 e 01/1991). Fl. 4337DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.884 21 § 1o Na hipótese deste artigo, o ICMS será debitado por ocasião da efetiva saída da mercadoria. § 2o No caso de venda para entrega futura, por ocasião da efetiva saída global ou parcial da mercadoria, o vendedor emitirá nota fiscal em nome do adquirente, com destaque do valor do imposto, quando devido, indicandose, além dos requisitos exigidos, como natureza da operação "Remessa Entrega Futura", bem como o número, a data e o valor da operação da nota fiscal relativa ao simples faturamento. § 3o Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto deverá ser calculado com a observância do disposto no § 6o do art. 6o. § 4o No caso de venda à ordem, por ocasião da entrega global ou parcial da mercadoria a terceiros, deverá ser emitida nota fiscal: a) pelo adquirente original, com destaque do ICMS, quando devido, em nome do destinatário, consignandose, além dos requisitos exigidos, o nome, o endereço e os números de inscrição, estadual e no CNPJ, do estabelecimento que irá promover a remessa da mercadoria; b) pelo vendedor remetente: 1. em nome do destinatário, para acompanhar o transporte da mercadoria, sem destaque do imposto, na qual, além dos requisitos exigidos, constarão, como natureza da operação, "Remessa por conta e ordem de terceiros", o número, a série, sendo o caso, e a data da emissão da nota fiscal de que trata a alínea anterior, bem como o nome, o endereço e os números de inscrição, estadual e no CNPJ, do seu emitente; 2. em nome do adquirente original, com destaque do valor do imposto, quando devido, na qual, além dos requisitos exigidos, constarão, como natureza da operação, "Remessa simbólica Venda à ordem", o número, a série, sendo o caso, e a data da emissão da nota fiscal prevista no item anterior. Mencionou a existência de dois códigos CFOP – Código Fiscal de Operações e Prestações utilizados nessa modalidade de transação. Um deles é o 5922, quando o lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura, sendo classificados neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de vendas para entregas futura. Seu registro depende de o comprador haver adiantado, ou não, o dinheiro relativo ao pagamento da mercadoria a ser entregue no futuro. Inexistindo o adiantamento, basta o registro do compromisso em contas de compensação. Havendo, como alegado no caso em análise, a Impugnante deveria efetuar os seguintes lançamentos: 1. Recebimento da nota fiscal com o CFOP 5922: Débito: Compras para Entrega Futura (ativo circulante) Crédito: Fornecedores (passivo circulante) R$ XXX,XX 2. Adiantamento em dinheiro (pagamento da nota fisca) Débito: Fornecedores (passivo circulante) Fl. 4338DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.885 22 Crédito: Caixa/Bancos (ativo circulante) R$ XXX,XX 3. Recebimento da mercadoria: Débito: Estoque Mercadorias (ativo circulante) Crédito: Compras para Entrega Futura (ativo circulante) R$ XXX,XX Vejase que o lançamento na Conta Fornecedores nasce e perece na mesma data pois quem adianta o numerário não possui nenhuma dívida, mas um direito que é registrado na Conta Compras para Entrega Futura. Por sua vez, a Conta Estoque Mercadorias somente será ativada quando a mercadoria for efetivamente recebida, o que retrata com fidelidade a operação apregoada pela requerente. Acontece que, como afirmado pela fiscalização e não contraditado pela defesa, tratandose, por conseguinte, de matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do PAF, não foi esse o método de registro contábil utilizado pela COBRAZEM LTDA. Como ressaltado pela fiscalização e não confrontado pela interessada, ao invés de assim proceder, a COBRAZEM LTDA adotou a forma de contabilização observada na operação com a nota fiscal no 007388, CFOP 5922, no valor de R$ 960 mil, datada de 22/05/2010, adotada como modelo de explanação: Débito: 91125010 – Transitória Fornecedor (CE/APB) Crédito: 21101010 – Fornecedores (passivo circulante) R$ 960.000,00 Débito: 11605010 – Derivados de Soja (Estoques) Crédito: 91125010 – Transitória Fornecedor (CE/APB) R$ 960.000,00 Como a Conta 91125010 – Transitória Fornecedor (CE/APB) foi debitada e creditada na mesma data e pelo mesmo valor, a contabilização da operação pode muito bem ser assim resumida Débito: 11605010 – Derivados de Soja (Estoques) Crédito: 91125010 – Fornecedores (passivo circulante) R$ 960.000,00 Tendo dessa maneira procedido, ao creditar a Conta Fornecedores a COBRAZEM LTDA registrou a existência de uma obrigação quando o que possui é um direito, relativo ao valor disponibilizado para a outra empresa. Além disso, com o lançamento a débito na Conta Derivados de Soja (Estoques), o que restou contabilizado foi um ingresso de mercadoria que ainda não se concretizou, nem se sabe se em algum de se efetivará, já que o contrato também prevê a possibilidade da devolução em dinheiro. Não bastasse tudo isso, há que se atentar para a informação que se faz presente no Termo de Encerramento de Diligência e no TVF, quanto aos 63 (sessenta e três) lançamentos da Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores Pessoas Ligadas, colhida a partir da documentação apresentada pela COBRAZEM LTDA: · na amostra dos 42 lançamentos a débito na conta (representativos de liberações de recursos, portanto), 22 lançamentos estão embasados em valores faturados pela COBRAZEM LTDA e recebidos por terceiros; 13 em títulos fictos Fl. 4339DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.886 23 pagos pela COBRAZEM LTDA; um deles em título ficto recebido pela COBRAZEM LTDA e escriturado de forma inversa; 4 em adiantamentos em dinheiro concedidos pela COBRAZEM LTDA sem causa; e 2 em compras de terceiros pagas pela COBRAZEM LTDA; · na amostra dos 21 lançamentos a crédito na conta (indicativos de recebimentos de numerários, segundo a fiscalização, ou de mercadorias, de acordo com a defesa), em 17 deles o que se tem são lançamentos sem respaldo documental; e nos 4 restantes foram verificadas aquisições de bens e serviços sem vinculo com os adiantamentos precedentes. Como pode uma conta cujos lançamentos a débito deveriam representar a disponibilização de recursos para as pessoas ligadas, um direito creditório a ser contra elas exercido no futuro, se encontrar respaldada documentos representativos de valores faturados pela Impugnante e recebidos por terceiros (como encontrado em 22 oportunidades), ou por títulos fictos pagos pela impugnante (em 13 ocasiões) ou, ainda, em compras pagas pela COBRAZEM LTDA, mas pertencentes a terceiros (em 2 dos registros)? Atentemos para que consta a respeito do lançamento a crédito no valor de R$ 1.612.577,40, datado de 07/05/2010, cujo histórico foi “REF. DEPOSITO NO BCO FIBRA 06566812 DANFE NR. 00274E 00””, fl. 916, cujos documentos apresentados pela COBRAZEM LTDA foram os seguintes: 1) NF 270, CFOP 5501, emitida pela Cobrazem 05/05/2010 tendo como destinatário e empresa Fertilizantes Centro Oeste Ltda, no valor de 1.560.000,00; 2) NF 274, CFOP 5501, emitida pela Cobrazem 06/05/2010 tendo como destinatário e empresa Fertilizantes Centro Oeste Ltda, no valor de RS 52.577,40; 3) Memorando emitido pela Soma Corretora de Mercadorias contendo o registro de transferência de 3000 toneladas de farelo de soja da cobrazem para a Fertilizantes Centro Oeste Ltda e a indicação de que o valor da operação deverá ser creditado em 06/05/2010 em contacorrente da Sperafico Agroindustrial Ltda no Banco Fibra; 4) Recibo emitido pela Cobrazem em 07/05/2010, no valor de R$ 1.612.577,40, relativo à quitação das duas notas fiscais mencionadas; 5) Recibo com rubrica emitido pela Sperafico Agroindustrial Ltda em 07/05/2010 indicando haver recebido da Cobrazem o valor de R$ 1.612.577,40 com a indicação "REF FERTILIZANTES CENTRO OESTE LTDA DEPOSITO NO FIBRA6566812"; 6) Demonstrativo contábil datado de 18/05/2010 debitando a conta 116.40.025 Adiantam a Fornecedores Pessoas Ligadas e creditando a conta 111.05.020 Fundo Fixo de Caixa, no valor de R$ 1.612.577,40. Ante o acima reproduzido, a conclusão da autoridade fiscalizadora foi a seguinte: Os documentos indicam duas operações de venda de farelo de soja da Cobrazem à empresa Fertilizantes Centro Oeste. O produto da venda, Fl. 4340DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.887 24 entretanto, não teve como destino o Caixa da Cobrazem, mas sim o Caixa de sua coligada Sperafico Agroindustrial Ltda. Tratase de faturamento ou direito da Cobrazem recebido por outrem o que caracteriza a concessão de mútuo. No lugar de os documentos atestarem o recebimento de mercadorias, com era de se esperar, ante a versão da defesa, demonstraram a existência de duas vendas de produtos agrícolas que a COBRAZEM LTDA efetivou para a pessoa jurídica Fertilizantes Centro Oeste cujos numerários não tiveram como destino o caixa da alienante, mas sim o da empresa ligada Sperafico Agroindustrial Ltda. A despeito da gravidade das irregularidades evidenciadas nos fatos acima explanados, que foram informadas para a pessoa jurídica desde o Termo de Encerramento de Diligência, passaram ao largo das considerações que se fizeram presentes na impugnação pela defesa apresentada. Outra situação que chama a atenção e robustece a versão da fiscalização é a relação encontrada entre os montantes adiantados e os faturamentos declarados pela COBRAZEM LTDA em suas DIPJs: 59.657.541,40 AC da DIPJ Montante dos adiantamentos Faturamento % dos Adiantamentos sobre o Faturamento 2010 31.181.873,58 19.782.245,02 157.83% 2011 31.577.468,49 31.059.812,07 101,67% 2012 25.799.541,30 8.815.484,31 292,66% Soma 88.558.883,37 59.657.541,40 148,44% Sabendose que na agricultura os ciclos de plantio e de colheita não são longos, o esperado é que após o recebimento do recurso a sua devolução não demore a ocorrer, de forma que a produção agrícola cujo capital foi adiantado seja recepcionada pela COBRAZEM LTDA e por ela comercializada, não havendo como se ter um descompasso tão grande entre os valores liberados às empresas ligadas e aqueles pela Impugnante faturados como o acima apresentado. É difícil crer que uma empresa que faturou R$ 59, 65 milhões possua capacidade financeira para adiantar recursos no total de R$ 88,55 milhões! A não ser que realmente seja o braço financeiro do grupo empresarial, responsável pela concessão dos mútuos financeiros para as demais pessoas físicas e jurídicas a ela ligadas, como apontado pela fiscalização! Comparemos agora a relação entre os adiantamentos de recursos e os estoques de mercadorias declarados pela empresa contestante: AC da DIPJ Montante dos adiantamentos Estoque de Mercadorias % dos Adiantamentos sobre o Estoque 2010 31.181.873.58 1.304.135,84 2.290,99 2011 31.577.468,49 1.497.306,56 2.008,95 Fl. 4341DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.888 25 2012 25.799.541,30 267.146,76 9.557,44 Soma 88.558.883,37 3.068.589,84 2.785,98 Este último demonstrativo torna ainda mais patente a fragilidade da versão pela defendente apresentada, já que no período de três anos teria adiantado recursos no montante de R$ 88,55 milhões mas os estoques de mercadorias encontrados no final de cada ano não passaram de R$ 3,06 milhões, o que representa menos de 5% dos valores adiantados. Ressalvo que no demonstrativo acima não foram computados no estoque as mercadorias adentradas e comercializadas durante o ano. Ainda assim, o descompasso é por demais exagerado, incompatível com os fatos narrados pela defendente. Nesse passo, tendo por devidamente demonstrada a absoluta imprecisão encontrada nos registros contábeis da pessoa jurídica autuada, no sentido de adequadamente registrar a versão pela defesa apregoada, tendo presente o regramento estabelecido pela legislação estadual antes apresentada (art. 328 do RICMS/PR), levando em conta o determinado pelo § 1o do art. 9o do DecretoLei no 1.598, de 1977, no sentido de que somente a “escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis”, como também o disposto nos contratos pela interessada apresentados, indicativos de que os valores repassados entre as parceiras comerciais serão provados pela contabilização, chego à conclusão de que os argumentos e os documentos apresentados pela defesa não apresentaram suficiência para sustentar a tese por ela arregimentada, de modo que o que deverá prevalecer é versão da fiscalização, segundo a qual “a conta contábil 11640025 – Adiantamento a fornecedores pessoas ligadas foi utilizada pela Cobrazem única e exclusivamente para o registro de mútuos concedidos a empresas e pessoas ligadas na modalidade denominada crédito rotativa”. A Turma compreende, com algumas ressalvas, que há que se atentar ao princípio da verdade material. Se tal princípio é invocado, cabe a quem invoca fazer prova dos fatos e do direito que o assiste. No presente caso o Contribuinte alega na impugnação, bem como, no recurso voluntário que as operações financeiras foram de compra e venda e que não realizou operações de mútuo e que em nome do princípio da verdade material, assim é que deve ser entendido pelos julgadores. Ocorre que não traz provas aos autos do constatado pela administração fiscal e pela DRJ, portanto, não basta alegar a verdade material, há que se comprovar que os fatos são outros. Assim, do exposto na decisão ora recorrida, acerca dos fatos e do direito, entendo que não assiste razão do Contribuinte, pois diante da análise das cláusulas contratuais e das demonstrações contábeis, percebese que a conta “11640025 Adiantamento a fornecedores pessoas ligadas” foi utilizada para operações de mútuo, na modalidade de crédito rotativo. Como entendo que as operações denominadas de “contratos de antecipação de numerários para fomento comercial” são na verdade de operações de crédito, voto por manter a decisão ora recorrida. b) Da anulação do auto de infração diante da aplicabilidade da alíquota zero – art. 8º do Decreto nº 6.306 de 2007 Fl. 4342DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.889 26 Neste ponto o Contribuinte requer, subsidiariamente, a anulação do auto de infração, pois como se entendeu no ponto anterior de que as operações são de mútuo, entende que por ser mútuo rural a alíquota a ser aplicada é zero, como prevê o art. 8º do Decreto nº 6.306/2007. Em que pese os argumentos do Contribuinte, entendo correta a decisão ora recorrida, não lhe sendo aplicável a alíquota zero na apuração do IOF, visto que para se caracterizar como crédito rural, o recorrente teria que estar na qualidade de instituição financeira, o que, por não ser o caso, impede o enquadramento das operações de mútuo como crédito rural. Cito trechos como razões para decidir: Da aplicabilidade da alíquota zero (inc. IV do art. 8o do Decreto no 6.306, de 2007) Salientou a defendente que as pessoas jurídicas e as pessoas físicas presentes nos contratos apresentados exercem a atividade rural, o que pode ser comprovado a partir da leitura de seus documentos societários (Anexo III, fls. 1.515/1.561), pelas notas fiscais de entrada e de saída posteriormente juntadas, 1.617/2.559, e pelo contrato de exploração agropecuária em condomínio também disponibilizado (Anexo IV, fls. 1.562/1.573), devendo, na hipótese de não preponderar a versão dos adiantamentos e dos posteriores recebimentos de mercadorias, ser aplicado no caso em julgamento a alíquota zero determinada pelo inc. IV do art. 8º do Decreto no 6.306,de 2007. Vejamos, pois, a norma pela defesa referida: Decreto nº 6.306, de 2007 Art. 8º A alíquota do imposto é reduzida a zero na operação de crédito, sem prejuízo do disposto no § 5º: (Redação dada pelo Decreto no 7.011, de 2009) [...] IV rural, destinada a investimento, custeio e comercialização, observado o disposto no§1º; [...] § 1º No caso de operação de comercialização, na modalidade de desconto de nota promissória rural ou duplicata rural, a alíquota zero é aplicável somente quando o título for emitido em decorrência de venda de produção própria. O adequado deslinde da problemática em apreciação requer para que se estabeleça o que pode ser entendido como crédito rural, medida que requer a leitura e a interpretação do dispositivo legal adiante reproduzido, extraído da Lei nº 4.829, de 1965, que institucionalizou o crédito rural: Lei nº 4.829, de 1965 Art. 1º O crédito rural, sistematizado nos têrmos desta Lei, será distribuído e aplicado de acôrdo com a política de desenvolvimento da produção rural do País e tendo em vista o bemestar do povo. Art. 2º Considerase crédito rural o suprimento de recursos financeiros por entidades públicas e estabelecimentos de crédito particulares a produtores Fl. 4343DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.890 27 rurais ou a suas cooperativas para aplicação exclusiva em atividades que se enquadrem nos objetivos indicados na legislação em vigor. [demarcouse] Como demonstrado, somente poderá ser considerado crédito rural a disponibilização de recursos financeiros quando o supridor for uma entidade pública ou um estabelecimento de crédito privado, o que não se amolda à situação da COBRAZEM LTDA, cujo objetivo social, como abordado na 17ª Alteração Contratual, datada de 06/12/2007, fls. 15/22, é a seguinte: “secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar cereais, industrialização de cereais, indústria de óleo de soja e seus derivados, importação, exportação, serviço de transporte, operações portuárias e comercialização de combustível”. No mesmo sentido, o regramento contido no § 1o do art. 2o do Regulamento do Crédito Rural, aprovado pelo Decreto no 58.308, de 1966: Decreto nº 58.380, de 1966 Art 2º Considerase crédito rural o suprimento de recursos financeiros a produtores rurais ou a suas cooperativas para aplicação exclusiva em atividades que se enquadrem nos objetivos indicados neste regulamento, nos têrmos da legislação em vigor. § 1º O suprimento de recursos a que alude este artigo será feito por instituições financeiras, assim consideradas as pessoas jurídicas públicas, privadas ou de economia mista que tenham como atividades principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros. [demarcouse] Questão similar já foi enfrentada pelo CARF, que não destoou do entendimento acima apresentado: Acórdão nº 3403003.415, de 13/11/2014 CRÉDITO RURAL. REDUÇÃO A ZERO DA ALÍQUOTA DO IOF.A ausência de uma condição essencial para caracterização do crédito rural a qualidade de instituição financeira por parte do mutuante impede o enquadramento dos mútuos realizados a empresas que atuam no ramos agropecuário no conceito legal de crédito rural, não fazendo jus, portanto, á redução de alíquota pretendida. Nesse quadrante, sendo sabedor de que a autuada não ostenta a qualidade de instituição financeira, não faz jus ao comando legal contido no inc. IV do art. 8o do Decreto no 6.306, de 2007, não lhe sendo aplicável a alíquota zero na tributação do IOF, como era a sua pretensão. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso no que diz respeito a alegada aplicação de alíquota zero de acordo o art. 8º do Decreto nº 6.306/2007. c) Da alíquota adicional do IOF de acordo com o art. 8, § 5º, do Decreto nº 6.306/2007 Fl. 4344DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.891 28 Este ponto é decorrente do ponto anterior, visto que o Contribuinte alegou que por ser mútuo rural, o que equivaleria a crédito rural, a alíquota a ser aplicada seria zero. O que no nosso entender não procede como acima exposto pelo fato do Contribuinte não ser uma instituição financeira. Alega o Contribuinte neste ponto às folhas 2852: Entretanto, não há que se falar em manutenção dos débitos tributários constituídos com base na alíquota adicional do IOF (0,38%), pois, como visto acima, o crédito rural, logo, no auto de infração deveria constar o art. 8º, § 5º, do Decreto nº 6.306/2007 como fundamento legal para subsidiar o lançamento tributário de IOF com base na alíquota adicional. No caso, o AFRFB utilizou o § 4º do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 para fundamentar legalmente o lançamento tributário de IOF com base na alíquota adicional, conforme demonstra o termo de constatação fiscal (fl. 1.355). Entendo que neste caso não assiste razão ao Contribuinte, e, para demonstrar as razões, cito trecho do acórdão ora recorrido que bem fundamentam a decisão o correto entendimento: Da alíquota adicional do IOF (art. 8o, § 5o do Decreto no 6.306,de 2007) Como estudado, são duas as alíquotas previstas na legislação do IOF: a que incide sobre o saldo devedor diário, de 0,0041%; e a chamada alíquota adicional, incidente sobre o valor de cada uma nova operação de crédito, no percentual de 0,38%. No caso da alíquota incidente sobre o saldo devedor diário de 0,0041%, sob a alegação a natureza ruralista do crédito, pretendia a defendente que fosse considerada a aplicação da alíquota zero, tópico que foi abordado no item precedente e, como sabido, não se confirmou. Quanto à alíquota adicional exigível no percentual de 0,38%, afirmou a defendente ter por previsão legal o § 5º do art. 8º do Decreto nº 6.306, de 2007, mas que na fundamentação legal da autuação a autoridade lançadora sinalizou para o § 4º do art. 7º, também do Decreto nº 6.306, de 2007, conforme faz prova o TVF, fl. 1.355, em razão do que os débitos tributários relacionados à alíquota adicional devem ser desconstituídos pois, tendo dessa forma procedido, a autoridade lançadora infringiu o regramento contido no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Cotejandose as fls. 1.354/1.355, o que se tem é a reprodução do art. 7º da Instrução Normativa nº 907, de 2009, e não a legislação presente no Decreto nº 6.308, de 2007, como apontado pela defendente, tendo a autoridade fiscal discorrido sobre as modalidades de créditos previstas, que são as operações sem valor de capital definido (crédito rotativo) e as operações com o valor do capital estabelecido. Mais adiante, acresceu que na primeira modalidade (que diz respeito àquela objeto da autuação) o tributo incide sobre duas bases de cálculo distintas, uma composta pela totalização mensal dos saldos devedores diários (com alíquota de 0,0041%), enquanto a outra é representada pela entrega do numerário inicial e liberações subsequentes (com alíquota de 0,38%). Mais adiante, afirmou que os contratos apresentados pela fiscalizada, os elementos apresentados no Termo de Encerramento de Diligência e os indícios complementares no TVF coletados levaram a autoridade fiscalizadora a concluir que a situação do contribuinte se amolda ao que é conhecido como crédito rotativo, sendolhe aplicada a tributação determinada pelo § 2º do art. 7º: Fl. 4345DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.892 29 Instrução Normativa RFB nº 907, de 2009 Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. [...] § 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. [...] § 4º O imposto incidirá às seguintes alíquotas: I na hipótese prevista no § 2o, 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7o do Decreto no 6.306, de 2007; [...] Na verdade, o § o aludido pela autoridade lançadora estabelece uma parcela da base de cálculo, o somatório dos saldos devedores diários, aplicável nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor principal, cuja alíquota de 0,0041 é demarcada pelo inc. I do § 4º, o que poderia representar uma pequena imprecisão, nada mais do que isso, não lhe cabendo cominar a pena de nulidade do lançamento, a qual somente poderá ser aplicável nas hipóteses estabelecidas pelo art. 59 do PAF: Decreto no 70.235, de 1972 (PAF) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Certificandose de que o lançamento foi efetivado por autoridade administrativa competente, como de fato o foi, e que a questão apontada pela Impugnante não representou qualquer preterição ao seu direito de defesa, a qual foi apresentada com argumentos que bem demonstraram haver o sujeito passivo compreendido perfeitamente a infração que lhe foi imputada. Saliento, ademais, que na fundamentação legal constante do auto de infração apresentado ao sujeito passivo, fl. 1.342, foram registrados os seguintes dispositivos legais: art. 13 da Lei nº 9.779, de 1999; art. 2º, inc. I, alínea “c”, do 3º ao 7º, e do 47 ao 49 do Decreto nº 6.306, de 2007; e art. 7º da Instrução Normativa no 907, de 2009. Com relevo, se o AFRFB utilizou na fundamentação legal da autuação o art. 7º da Instrução Normativa RFB nº 907, de 2007, o fez em sua integralidade, não restando Fl. 4346DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.893 30 dúvida de que assim procedendo abarcou a fundamentação legal do adicional do IOF (constante do inc. I do § 4º do art. 7º), argumento que se mostra hábil para abater de vez a pretendida decretação de nulidade do lançamento que, como demonstrado, foi materializado sem qualquer ofensa o art. 10 do PAF, como alegado pela interessada. Ainda que houvesse uma equivocada fundamentação legal, o que de fato não ocorreu, ainda assim a jurisprudência consolidada no contencioso administrativo é no sentido de que se a impugnação apresentada demonstra que o sujeito passivo bem compreendeu a infração que lhe foi imputada, defendendose a contento, fica afastada a suscitada preterição do direito de defesa: Acórdão CARF nº 1401001.672 de 06/07/2016 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste preterição do direito de defesa quando toda a matéria fática e legal foi extensivamente descrita na autuação e tão bem compreendida que a empresa autuada não se esquivou de produzir em suas peças impugnatória e recursal toda a sorte de argumentos que julgou oportunos para a sua defesa. Acórdão Conselho de Contribuintes nº 10196.619 de 06/03/2008 NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA —Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se a autuada revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Por assim entender, voto por negar provimento neste ponto ao recurso do Contribuinte. d) Da recomposição do saldo devedor do anocalendário 2008 O Contribuinte alega que a autoridade administrativa fiscal computou no cálculo do IOF valores de fatos geradores atingidos pela decadência. Em relação a recomposição do saldo devedor referente ao anocalendário de 2008 e a questão da mensuração da parcela inicial do lançamento, este foi o entendimento da decisão recorrida: Como relatado, na mensuração da parcela inicial do lançamento incidente sobre os saldos devedores diários, estabelecida a partir de 01/01/2010, a autoridade lançadora levou em consideração o saldo encontrado naquela data na Conta 11640025 – Adiantamento a Fornecedores Pessoas Ligadas, nele computando todas as liberações de recursos efetuadas com base nos contratos pela pessoa jurídica apresentados, datados de 05/01/2007, de 31/03/2007 e de 31/08/2008. Como a Impugnante foi notificada da autuação em julho de 2014, ao invocar a regra contida no inc. I do art. 173 do CTN, pretende ser exonerada da parcela do lançamento decorrente dos recursos financeiros liberados anteriormente ao ano de 2009, o que se deu sob o argumento de que tais valores não mais poderiam ser exigidos em virtude de os créditos tributários a eles correspondentes estarem Fl. 4347DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.894 31 extintos em razão da configuração da decadência do direito de lançar (inc. V do art. 156 do CTN) . Na atual conjuntura, quanto aos tributos administrados pela RFB, é pacífico o entendimento de que a legislação tributária atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem o prévio exame da autoridade administrativa, enquadrandose na modalidade de prevista no § 4º do art. 150 do CTN, referindose ao chamado lançamento por homologação. Nessa modalidade de lançamento, tendo o sujeito passivo efetuado o recolhimento do tributo, cabe à Fazenda Pública homologálo ou proceder ao lançamento de ofício, caso o montante pago não extinga totalmente a dívida. Transcorrido o prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, sem que o fisco tenha se pronunciado, ocorre a chamada homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. É o que se depreende da leitura do § 4º do art. 150 do CTN, in litteris: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [destacouse] Por outro lado, não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento do tributo, ou se tratando de dolo, fraude ou simulação, em conformidade com interpretação extraída da combinação do inc. V do art. 149 com o inc. I do art. 173, ambos do CTN, o termo inicial do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Fl. 4348DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.895 32 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Nesses termos, o não pagamento antecipado ou a comprovada prática de dolo, fraude ou simulação, tem o condão de postergar o termo inicial do lustro decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que seria possível o lançamento. A corroborar com este entendimento, temse a doutrina de LUCIANO AMARO, para quem A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude e simulação. Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Essa solução não é boa, mas não vemos outra “de lege lata”. A possibilidade de o lançamento poder ser feita a qualquer tempo, é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional [...]. Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinidamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Nessa mesma direção, vejase ainda o entendimento de SACHA CALMON, professado nos seguintes termos: Em ocorrendo, todavia, fraude ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo da obrigação tributária do imposto sujeito a “lançamento por homologação”, a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o “dies a quo” do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Este também é o entendimento manifestado pelos órgãos julgadores da Administração Pública Federal. A título ilustrativo, seguem as ementas infra: Acórdão no 1039260, de 17/06/2012 – DRJ Porto Alegre DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que inexiste pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Acórdão no 0637308, DE 14/06/2012 – DRJ Curitiba DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. DECADÊNCIA. Tendo sido caracterizado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicase a regra de decadência do ar t. 173, I do CTN, mesmo tendo sido antecipados Fl. 4349DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.896 33 pelo contribuinte os pagamentos dos tributos que se caracterizam como lançamentos por homologação. Acórdão no 9202002.133, de 10/05/2012 – CARF DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp no 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, § 4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Acórdão no 2102001.918, de 18/04/2012 – CARF DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. [destaques acrescidos] Temse, portanto, remansosa jurisprudência no sentido de que, na hipótese de haver pagamento antecipado, o prazo será de 5 (cinco) anos contado do fato gerador (art. 150, § 4º, CTN). Por outro lado, inexistente o pagamento ou, ainda, nos casos de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (art. 173, inc. I, CTN). No caso em apreciação, a despeito de a multa de ofício não haver sido qualificada para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), entendeu a fiscalização que a situação nos autos tratada implica em efetuar “o enquadramento da conduta no artigo 1º, incisos I e II, e artigo 2º, inciso I, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990”, de modo que a ação fiscal “deu origem à Representação Fiscal para Fins Penais constante do Processo n° 10935.722336/201443, conforme determina a Portaria RFB n° 2.439, de 21/12/2010”. Nesse compasso, comprovada a legitimidade da tese defendida da fiscalização, como antes demonstrado, o termo inicial do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inc. I, CTN). Cabe ainda registrar que a aplicabilidade do regramento contido no inc. I do art. 173 diz respeito a aspecto em relação ao qual aquiesceu o sujeito passivo, que em sua defesa consignou que “considerando o disposto pelo art. 173, inc. I, do CTN, foram atingidos pela decadência os supostos fatos geradores do IOF ocorridos anteriormente ao ano de 2009”. Dessarte, sabendose que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, o lançamento relacionado a janeiro de 2010 (fato gerador mais antigo, dentre os autuados), Fl. 4350DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.897 34 teoricamente poderia ter sido efetuado a partir fevereiro de 2010, deslocandose o termo inicial do prazo decadencial para o dia 01/01/2011, procedimento com base no qual se obtém como data limite para a notificação da pessoa jurídica o dia 01/01/2016, de modo que na data da ciência da interessada, o dia 24/07/2014, nenhuma parcela do lançamento havia decaído. No que se relaciona à recomposição do saldo devedor considerado na autuação, nos termos pretendidos pela demandante, a apreciação da questão requer que voltemos a reproduzir a norma infralegal que estabelece a base de cálculo do IOF, na hipótese de operações de crédito realizadas sem definição do principal, como verificado caso em julgamento: Instrução Normativa RFB no 907, de 2009 Art. 7o O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei no9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. [...] § 2o Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês. [...] § 4o O imposto incidirá às seguintes alíquotas: I na hipótese prevista no § 2o, 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7odo Decreto no6.306, de 2007; [...][sublinhouse] O art. 7o da IN RFB no 907, de 2009, foi o fundamento legal registrado pela fiscalização no auto de infração em debate, convém repisar, tratandose de dispositivo legal a estabelecer que no caso de operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem definição do valor de principal terseá a incidência da alíquota de 0,0041% sobre o somatório dos saldos devedores diários que for apurado ao final de cada mês. Assim, não estando o lançamento correspondente ao mês de janeiro/2010 atingido pela decadência, como acima demonstrado, na mensuração de sua base de cálculo haverá que ser computado o somatório dos saldos devedores existentes entre os dias 01/01/2010 e 31/01/2010, inexistindo previsão legal a amparar a exclusão de saldos devedores decorrentes de lançamentos anteriores ao ano de 2009, como foi suscitado pela defendente. São duas questões postas neste ponto: a questão da decadência do direito da administração fiscal proceder com os lançamentos do tributo devido, e, a questão do saldo devedor inicial que compõem a base de cálculo do IOF. Fl. 4351DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.898 35 Em relação a primeira questão é correto o entendimento da administração fiscal, bem como da DRJ. Já em relação a segunda questão, do saldo devedor que compõem a base de cálculo do IOF, entendo correto a posição do Contribuinte. Percebese que o lançamento tributário foi calculado de acordo com o previsto no Decreto nº 6.306/2007 que assim estabelece: Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; (...) Já em relação ao fato gerador do IOF assim estabelece o Decreto nº 6.306/2007: Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado : § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. De acordo com a legislação entendo que a apuração dos saldos devedores diários, que é a base de cálculo do IOF, não se pode computar valores que foram transacionados em períodos anteriores atingidos pelo prazo decadencial posto pelo art. 173, I do CTN no presente caso. Portanto, a dívida acumulada atingida pela decadência não pode ser computada na base de cálculo do IOF. O lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos antes do ano de 2009 deveriam ter sido lançados em 1 de janeiro de 2014, isto é, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o IOF poderia ser lançado conforme dispõe o art. 173, I do Fl. 4352DF CARF MF Processo nº 10935.722335/201407 Acórdão n.º 3301005.646 S3C3T1 Fl. 2.899 36 CTN. Constatase que o lançamento efetivouse em 17 de julho de 2014, sendo o Contribuinte citado em 24 de julho de 2014. Desta forma, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte por entender extinto o crédito tributário referente as operações de crédito realizadas em 2008. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte, para manter a decisão ora recorrida e apenas com o afastamento dos lançamentos referentes aos fatos geradores atingidos pela decadência, devendo ser excluídos da base de cálculo do IOF. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 4353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13133.000318/2002-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Voluntário, quando a matéria de fundo, do qual se pede provimento, refira-se a prescrição da ação de cobrança, posto que se trata de matéria estranha à competência do Carf.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e da Parte Conhecida, Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-004.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto aos débitos de Finsocial constantes do sistema de contas-correntes da Receita Federal, por não se tratar de matéria de competência do CARF, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial, para declarar a decadência do direito à constituição do crédito tributário constante nos formulários de pedido de compensação.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário, quando a matéria de fundo, do qual se pede provimento, refira-se a prescrição da ação de cobrança, posto que se trata de matéria estranha à competência do Carf. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e da Parte Conhecida, Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto aos débitos de Finsocial constantes do sistema de contas-correntes da Receita Federal, por não se tratar de matéria de competência do CARF, e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento parcial, para declarar a decadência do direito à constituição do crédito tributário constante nos formulários de pedido de compensação. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo.
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CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário, quando a matéria de fundo, do qual se pede provimento, refirase a prescrição da ação de cobrança, posto que se trata de matéria estranha à competência do Carf. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e da Parte Conhecida, Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto aos débitos de Finsocial constantes do sistema de contascorrentes da Receita Federal, por não se tratar de matéria de competência do CARF, e, na parte conhecida, em darlhe provimento parcial, para declarar a decadência do direito à constituição do crédito tributário constante nos formulários de pedido de compensação. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 3. 00 03 18 /2 00 2- 05 Fl. 1326DF CARF MF 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa. Trata o presente processo de pedido de restituição de credito de Finsocial e compensação com débitos da mesma contribuição (fls. 1 a 4), formalizado em 19/06/2002, amparado por sentença judicial transitada em julgado em 16/02/2001. Para subsidiar os pedidos de restituição/compensação a contribuinte apresentou o demonstrativo de recolhimento a maior (fl. 4), no qual relaciona pagamentos efetuados no período de 16/10/1989 a 15/03/1991, que alega terem sido feitos a maior; informa base de cálculo e calcula o valor do crédito atualizado ate 18/06/2002. Como prova dos recolhimentos anexas aos autos cópias dos DARF fls. 5 a 11. No despacho decisório retificador (fls. 968/972), o Delegado da DRF/Goiânia, após adotar as providencias que o caso requer, examinou a questão e resolveu não homologar em parte as compensações realizadas pela contribuinte, em razão da contribuinte não ter entregado os livros fiscais solicitados no Termo de Intimação — fl. 905. A contribuinte tomou conhecimento do despacho decisório em 14/03/2007 (AR — fl. 976). Inconformada apresentou, em 11/04/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 978/981), na qual cita os artigos 173 e 150 do CTN, artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 e o artigo 74 da Lei 9.430/96 discorre sobre decadência, prescrição, lançamento por homologação e lançamento de oficio e, em resumo, argumenta que o despacho deve ser reformado não só por força do direito de homologar ou não as compensações efetuadas no período de set/89 a mar/92, mas também porque encontrou, no seu arquivo morto, os documentos que podem comprovar as bases de cálculos dos valores informados no demonstrativo de compensação anexado ao processo, não encontrado à época da intimação em Rio Verde. Assevera que as compensações efetuadas no período de set/89 a mar/92 somente poderiam ser expressamente não homologadas até março de 1997. assim, no presente caso, a homologação do lançamento, por não se interromper o prazo decadencial, em março de 1997, tais compensações já estavam homologadas tacitamente, estando decaído o direito do Fisco homologar as compensações realizadas. Aduz que embora decaído o direito do Fisco homologar tais compensações, vem anexar nos autos deste processo cópias autenticadas do Livro de Apuração do ICMS da Matriz e todas Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 13133.000318/200205 Acórdão n.º 3201004.567 S3C2T1 Fl. 3 3 as Filiais, referente ao período de 09/89 a 12/1990, para provar a veracidade dos demonstrativos de compensações efetuadas. Por derradeiro, requer seja julgado procedente as compensações realizadas por ela e, em conseqüência, se a cancelado o despacho decisório, ora questionado. A 4ª Turma da DRJ/Brasília/DF, por meio do Acórdão 0324.227, de 21/02/2008, indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa (fl. 1.202): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 Compensação de Finsocial. A compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa corn crédito liquido e certo do sujeito passivo, contra a Fazenda Pública. Prescrição — A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data de sua constituição definitiva e, se interrompe pela citação pessoal ao devedor; pelo protesto judicial; por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor e por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. O voto condutor do acórdão assevera também que não há decadência, no caso, porque os pedidos de compensação formalizados em 19/06/2002, são considerados Declarações de Compensação, desde o protocolo, com prazo de homologação de 5 anos, conforme Lei 9.430/96,artigo 74,§§ 4º e 5º. O mesmo §4º diz ainda que as Declarações de Compensação são confissão de dívida, o que dispensa sua constituição de ofício. No Recurso Voluntário (fl. 1.213), a empresa reforça os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Afirma que a compensação efetuada foi feita no ano de 1994, estribada em decisão judicial nos Mandados de Segurança 94.201.06098 e 96.201.48436, resultando homologação tácita. Informa ainda que o pedido de restituição e compensação foi feito por orientação da Agência da Receita Federal, porque seus débitos de Finsocial estavam pendentes, “em aberto sua contacorrente de recolhimentos”. Diante disso, seu pedido no Recurso Voluntário é para que se entenda pela decadência do direito quanto à homologação ou não. É o relatório. Voto Fl. 1328DF CARF MF 4 Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Inicialmente, observo que os débitos aqui tratados são dos anos de 1991 e 1992. O pedido de restituição e os pedidos de compensação foram feitos em 2002. Segundo a recorrente, tais pedidos foram feitos por orientação da unidade local da Receita Federal, a fim de que se suspendesse a cobrança dos débitos, porque estavam em “aberto no contacorrente.” A empresa informa que, em virtude das ações judiciais relatadas, procedeu à compensação, na escrita fiscal. Observo que, se os débitos estavam no sistema de contacorrente da Receita Federal, então tinham sido confessados em DCTF. Ainda verifico que, no extrato do conta corrente, fls. 917 a 918, há débitos de Finsocial, alguns suspensos pelo contribuinte, outros suspensos pela unidade local da Receita Federal. Já na folha 927 constam os débitos com suspensão efetuada somente pela unidade local. Porém, os valores constantes no sistema são maiores que os valores dos pedidos. De qualquer modo, créditos tributários dos anos de 91 e 92 somente podem ser constituídos, tanto pelo Fisco quanto pelo contribuinte, respeitado o prazo decadencial, artigos 150 e 173 do CTN. O crédito tributário não constituído resta extinto pela decadência, nos termos do artigo 156, V, do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; No mesmo sentido temse o Resp 1.355.947/SP, no regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Não cumpre ao Superior Tribunal de Justiça analisar a existência de "jurisprudência dominante do respectivo tribunal" para fins da correta aplicação do art. 557, caput, do CPC, pela Corte de Origem, por se tratar de matéria de fato, obstada em sede especial pela Súmula n. 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 2. É pacífica a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o julgamento pelo órgão colegiado via agravo regimental convalida eventual ofensa ao art. 557, caput, do CPC, perpetrada na decisão monocrática. Precedentes de todas as Turmas: AgRg no AREsp 176890 / PE, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18.09.2012; AgRg no REsp 1348093 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19.02.2013; AgRg no AREsp 266768 / RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 26.02.2013; AgRg no AREsp 72467 / SP, Quarta Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 13133.000318/200205 Acórdão n.º 3201004.567 S3C2T1 Fl. 4 5 Turma, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 23.10.2012; AgRg no RMS 33480 / PR, Quinta Turma, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu, Des. conv., julgado em 27.03.2012; AgRg no REsp 1244345 / RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13.11.2012. 3. A decadência, consoante a letra do art. 156, V, do CTN, é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento ou de outra espécie qualquer (DCTF, GIA, DCOMP, GFIP, etc.). 4. No caso concreto o documento de confissão de dívida para ingresso do Parcelamento Especial (Paes Lei n. 10.684/2003) foi firmado em 22.07.2003, não havendo notícia nos autos de que tenham sido constituídos os créditos tributários em momento anterior. Desse modo, restam decaídos os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1997 e anteriores, consoante a aplicação do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. A Súmula Carf 52 define: Súmula CARF nº 52 Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Desse modo, os pedidos de compensação feitos em 2002 não têm o condão de reconstituir o crédito tributário já confessado em DCTF, ou constituir crédito tributário cujos fatos geradores tenham sido atingidos pela decadência. Portanto, a controvérsia no presente processo se dá em torno da prescrição da ação de cobrança, visto que os créditos tributários já estavam constituídos. Todavia, a prescrição da ação de cobrança não é matéria de conhecimento do Carf. Com efeito, a fase de cobrança Capítulo IV do Decreto 7574/2011 é posterior à fase litigiosa – Capítulo III , na qual se inserem as competências do Carf. Por esse motivo, e considerando que a prescrição da cobrança é o único pedido, o recurso, nesta parte, não deve ser conhecido. Pelo exposto, voto por não conhecer em parte do recurso, quanto aos débitos de Finsocial constantes do sistema de contascorrentes da Receita Federal, por não se tratar de matéria de competência do Carf, e da parte conhecida, voto por dar parcial provimento ao recurso, para declarar a decadência do direito de constituição do crédito tributário constante nos formulários de pedido de compensação. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1330DF CARF MF 6 Fl. 1331DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.909838/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.430
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 38 /2 01 1- 89 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 3 2 Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de PIS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 4 3 Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.157, de 30/09/2016, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.423, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.909418/201101, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.423): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 6 5 constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 7 6 § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 8 7 Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 10 9 que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 11 10 todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.909838/201189 Acórdão n.º 3201004.430 S3C2T1 Fl. 12 11 No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, na solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.423 (processo 16327.909418/201101). Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720644/2007-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Data do fato gerador: 01/01/2005
DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - ERRO DE FATO
Cabe ser acatada a área de utilização limitada/reserva legal devidamente comprovada mediante averbação, em tempo hábil, à margem do registro da matrícula do imóvel, além de objeto de Ato Declaratório Ambiental - ADA. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da DITR do período por parte do contribuinte, comprovado com documentação hábil, cabe à autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo à realidade fática do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVA, MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA.
É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal, desde que comprovada a existência da área deduzida.
Até o início da fiscalização, a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2402-006.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação da área de 190,0 hectares, que corresponde à Área de Reserva Legal averbada na matrícula do imóvel no 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Timbó/SC, mantendo a tributação quanto ao restante.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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No caso de evidente erro de fato no preenchimento da DITR do período por parte do contribuinte, comprovado com documentação hábil, cabe à autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo à realidade fática do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVA, MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal, desde que comprovada a existência da área deduzida. Até o início da fiscalização, a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a tributação da área de 190,0 hectares, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 44 /2 00 7- 67 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 122 2 corresponde à Área de Reserva Legal averbada na matrícula do imóvel no 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Timbó/SC, mantendo a tributação quanto ao restante. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de lançamento de ofício formalizado em relação ao recorrente para fins de exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) relativo ao exercício de 2005 incidente sobre imóvel rural denominado “Fazenda Ofélia”, localizado no Município de Doutor Pedrinho, Estado de Santa Catarina, com área total de 950,0 hectares, cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o nº 2.556.1952. No "Complemento da Descrição dos Fatos" constante da Notificação Fiscal de Lançamento (fls. 02), o auditor fiscal relata que: “Após intimado, o contribuinte apresentou cópia da matrícula de registro do Imóvel onde consta a averbação AV5848, que grava 190 hectares como áreas de reserva legal e não 290,0 hectares, conforme declarado. Todavia, nem esta área pode ser aceita, visto que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental ADA necessário, sendo então glosado o total declarado, conforme previsto na legislação. Com relação ao preço da terra por hectare, não foi apresentado o laudo de avaliação solicitado, motivo pelo qual adotouse o SIPT para efeito de valoração do imóvel. Quanto as áreas de preservação permanente, o laudo apresentado encontrase prejudicado em face de não demonstrar o quanto do imóvel em hectares encontrase enquadrado no conceito de APP, procedendose então o presente lançamento.” Notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação e documentos (fls. 57/96) alegando, em síntese: a) solicitou a revisão criteriosa e detalhada do processo, por entender ser pouco provável, pelas características geográficas do Estado de Santa Catarina, que uma Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 123 3 propriedade não possua nenhuma área sequer considerada de preservação permanente, especialmente na Região do Vale do Itajaí; b) afirma que a área de reserva legal, que é de 20% para a Região Sul, está averbada na escritura do imóvel, e não foi considerada; c) destaca que o Município onde se localiza a propriedade fica no domínio da área da Mata Atlântica, protegida por lei, onde obrigatoriamente não se pode usar 100% da propriedade, citando legislação pertinente; d) reiterou informação já apresentada ao auditor fiscal quando da apresentação de sua resposta à intimação no procedimento fiscalizatório, sobre o erro no preenchimento de sua declaração com a inversão dos dados relativos às dimensões da APP e da ARL, informações corrigidas a partir da declaração de 2006; e) afirma apresentar laudo indicando quais categorias de APP a propriedade possui, conforme fotos, imagem de satélite, entre outros; d) sobre o VTN, informa que está baseado nos valores aplicados na região, pois a apresentação do laudo, tal qual solicitado, não é possível no prazo de apenas 20 dias. e) por fim, pondera que a realidade das propriedades agrícolas, especialmente no Estado de Santa Catarina, no Médio Vale do Itajaí, é bem diferente de outras regiões do Brasil, fatos estes que devem ser analisados criteriosamente pois, caso contrário, podem ocasionar a perda da propriedade de muitas famílias rurais. O lançamento foi procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Preservação Permanente Reserva Legal Para que a Área de Preservação Permanente APP seja isenta, além de constar de laudo técnico especificando em quais artigos da legislação se enquadram, é necessário seu reconhecimento mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Da mesma forma as Áreas de Utilização Limitada AUL, como a Área de Reserva Legal ARL, necessitam do ADA no prazo legal para sua isenção, além de estarem averbadas na matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. Isenção Por determinação legal, a legislação tributária para concessão de benefício fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 124 4 O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Lançamento Procedente Intimado dessa decisão aos 17.04.09 (fls. 115), o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente, aos 13.05.09 (fls. 116), requerendo a revisão do processo de forma detalhada e criteriosa, reiterando a argumentação já constante de sua impugnação, à exceção da questão relativa ao Valor da Terra Nua, que não foi impugnada em seu recurso. Sem contrarrzões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Da Reserva Legal Como mencionado, na Notificação Fiscal de Lançamento, a autoridade fiscal responsável pela autuação informa que o recorrente apresentou cópia da matrícula do Imóvel na qual consta a averbação de 190,0 hectares como sendo área de reserva legal e não 290,0 hectares, conforme constante de sua DITR/2005, área esta que alega que não pode ser aceita, visto que não foi apresentado o necessário Ato Declaratório Ambiental. Desse modo, procedeu à glosa da área total declarada. Esse entendimento foi respaldado pela decisão recorrida, que entendeu que as Áreas de Utilização Limitada AUL, tal como a Área de Reserva Legal ARL, necessitam de apresentação do ADA no prazo legal para gozarem de isenção, além de estarem averbadas na matrícula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. Não obstante tenha sido declarado na DITR do período uma área de reserva legal de 290,0 ha, o recorrente, já em sua resposta à intimação inicial, a fls. 09, esclareceu que "ao mesmo modo do exercício 2001 e 2002 as áreas de reserva legal e preservação permanente estão apenas invertidas nos campos de preenchimento do formulário de declaração". Em sua impugnação, o recorrente novamente informa que "no preenchimento do quadro 9 houve apenas uma inversão no preenchimento da linha 02 e 03, onde a área de preservação permanente é de 290 ha e a reserva legal de 190 ha; fato este já anteriormente explicado através oficio à unidade da Receita Federal em Blumenau, já na contestação do ITR 2001, sendo que nas declarações a partir de 2006 do 1TR foi devidamente corrigido" (fls. 57). Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 125 5 Essa informação foi outra vez reiterada no recurso voluntário. Conforme se verifica do documento anexado a fls. 85 e apontado pelo auditor fiscal na Notificação de Lançamento, na matrícula do imóvel consta a averbação de uma Área de Reserva Legal (AV5848) de 190,0 hectares, registro este que data de 21 de novembro de 1979, ou seja, de aproximadamente 30 anos. Parecenos evidente que o que houve no caso foi, de fato, um equívoco por parte do recorrente no preenchimento de sua declaração de ITR do período, levandoo a inverter os valores da ARL pelo da APP e viceversa, o que, aliás, não é nada incomum. Já tivemos oportunidade de nos depararmos com casos semelhantes que, aliás, não fosse a imposição da remessa necessária pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/72, não teriam chegado a este Conselho. Pois bem. Embora o §1° do art. 147 do Código Tributário Nacional disponha que "a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento", o §2° do mesmo dispositivo legal, por sua vez, prescreve que "os erros cometidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Esgotado o prazo do art. 147, §1º do CTN sem que o contribuinte tenha apresentado a retificação de sua declaração, cabe a ele, então, impugnar o lançamento realizado com base nos dados equivocados por ele informados. Caso a ele fosse negada esta possibilidade, estarseia ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja o da estrita legalidade e, decorrente dele, o da verdade material, de modo que a averbação da reserva legal à margem da escritura do imóvel que ali está há trinta anos evidencia que a divergência apontada entre esta informação e a constante da DITR/2005 do recorrente não pode ser atribuída a outro fato senão a um infeliz equívoco no preenchimento do documento. A exigência fiscal também se fundamentou na não apresentação pelo recorrente de Ato Declaratório Ambiental (ADA). No entanto, a jurisprudência deste tribunal é no sentido de que a averbação à margem da matrícula do imóvel é suficiente para comprovar a isenção do tributo em se tratando de área de preservação permanente, conforme o precedente abaixo, que citamos ilustrativamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 126 6 A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. (Acórdão nº 2301004.868 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) No mesmo sentido, é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às instâncias ordinárias, pois, examinar em Recurso Especial matérias fático probatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso Especial não provido. (REsp nº 1.668.718/SE, rel. Min. Herman Benjamin, T2, j. 17/08/2017, DJe 13/09/2017) De mais a mais, o recorrente trouxe aos autos, juntamente com a impugnação, cópia de ADA transmitido ao IBAMA via internet aos 28.11.2007 (fls. 96), no qual aponta a existência, no imóvel, de área de reserva legal de 190,0 ha, de acordo, portanto, com o que consta no registro imobiliário, corroborando o entendimento no sentido de que a divergência apontada entre esta informação e a constante da DITR do período deveuse, de fato, a um mero erro de fato que não pode ter por consequência afastar a isenção tributária. Por fim, a propósito daquele documento, a decisão recorrida fundamentou a manutenção da glosa da ARL no fato de que nos termos do art. 17, II e III da IN/SRF nº 60/2001, o contribuinte teria o prazo de seis meses, a partir da data final para a entrega da DITR, para protocolizar o requerimento do ADA junto ao IBAMA, de modo que não o fazendo, ou se seu requerimento não for deferido por aquele órgão, a Secretaria da Receita Federal procederá ao lançamento suplementar, recalculando o tributo devido. Assim, tendo o ADA sido transmitido apenas aos 28.11.2007, entendeu a DRJ que o documento não seria válido para o lançamento de 2005. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 127 7 A esse respeito, anotamos que a disposição inscrita no art. 17O da Lei Federal nº 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e dá outras providências, não estabelece prazo para formalização do requerimento do ADA ao IBAMA, prazo este que igualmente não está fixado no art. 6º da Instrução Normativa da RFB hoje em vigor, de nº 1.820/2018, conforme abaixo transcrito: Art. 6º Para fins de exclusão das áreas não tributáveis da área total do imóvel rural, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, observada a legislação pertinente. Parágrafo único. O contribuinte cujo imóvel rural já esteja inscrito no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a que se refere o art. 29 da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, deve informar na DITR o respectivo número do recibo de inscrição. Desse modo, a apresentação tempestiva do documento, requisito que não tem previsão legal, não pode condicionar a fruição do benefício, se a existência da área de reserva legal está devidamente comprovada. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais também já se manifestou nesse sentido: “ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado.” (Acórdão nº 9202002.913, Processo nº 10675.002100/200695, Rel. Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA/CSRF). Por todo o exposto, entendo estar comprovada a existência da Área de Reserva Legal de 190,0 hectares, de modo que é legítima a isenção tributária nesta parte. Da Área de Preservação Permanente Em relação à área de preservação permanente, o recorrente alega em seu recurso ser pouco provável, pelas características geográficas do Estado de Santa Catarina, que uma propriedade não possua nenhuma área sequer assim considerada, especialmente na Região Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 128 8 do Vale do Itajaí. Destaca, ainda, que o Município onde se localiza a sua propriedade fica no domínio da área da Mata Atlântica, que é protegida por lei, onde não se pode usar 100% da propriedade. Reiterou informação sobre o erro no preenchimento da DITR, com a inversão dos dados relativos às dimensões da APP e da ARL. Desse modo, considerando a informação constante de sua DITR, haveria em seu imóvel uma área de preservação permanente de 290 ha. O recorrente apresentou um laudo, a fls. 57, que afirma indicar quais categorias de APP a propriedade possui, conforme fotos, imagens de satélite, entre outros. Juntou, também, o ADA transmitido ao IBAMA aos 28.11.2007. No que diz respeito à área de preservação permanente, entendemos que não assiste razão ao recorrente. Com efeito, a respeito ADA, entendemos que, nos termos da lei, mais precisamente, do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, ele não é único documento hábil a amparar o direito à exclusão de determinadas áreas do âmbito de tributação pelo ITR. Com efeito, conforme se depreende da análise do art. 17O, "caput" e § 1º da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhes foi atribuída pelo artigo 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, o ADA é meio de prova do direito à isenção do ITR relativamente a determinadas áreas, mas não exclusivo. Vejamos: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” (destacamos) Sabendose que não apenas por regras de hermenêutica e interpretação das normas jurídicas, mas por imperativo legal1, o sentido de um parágrafo deve ser buscado à luz do que está disposto no "caput" do artigo, pois ou por meio do parágrafo se expressam os aspectos complementares à norma enunciada no "caput" ou as exceções à regra por este estabelecida, a leitura do § 1º, acima transcrito, evidentemente, não pode ser feita de forma isolada. Desse modo, da leitura em conjunto do "caput" e do §1º do art. 17O da Lei nº Lei nº 6.938/81, alterada pela Lei nº 10.165/00, verificase que o dispositivo prevê a obrigatoriedade da utilização do ADA para fins de redução do valor do ITR a pagar apenas nas hipóteses em que esse benefício ocorra com base no ADA. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais da base de incidência do ITR cuja existência decorra de outras hipóteses, como diretamente da lei, por exemplo, não pode ser 1 Art. 11, III, "c", da LC 95/98. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 129 9 entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”, nem pode ser condicionada à apresentação desse documento. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar da redução do ITR com base nesse documento, mas não tem o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento dessas áreas, nem de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do tributo. Assim, a apresentação do ADA não pode ser condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal de que tratam os art. 2º e 16 da Lei nº 4.771/65 da base de cálculo do ITR se sua existência está demonstrada por outros elementos. Esse entendimento, ao menos no que diz respeito à área de reserva legal, foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão de nº 9202003.052: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). (destacamos) ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO. NECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para o benefício fiscal da isenção de ITR, nas áreas de preservação permanente (APP), a apresentação somente de laudo não satisfaz os requisitos da legislação. No entanto, no presente caso, não há nos autos outro documento hábil a amparar a pretensão do recorrente de ter a alegada área de preservação permanente afastada da tributação. O laudo apresentado pelo recorrente (fls. 57) sequer descreve qual a área do imóvel se encontra em condições que possa ser classificada como "área de preservação permanente". Não estamos, com essa observação, questionando a confiabilidade do laudo e da correlata anotação de responsabilidade técnica (ART) do profissional que o elaborou. No entanto, é um fato objetivo que o documento, não apontando qual a parcela do imóvel, em hectares, encontrase enquadrada no conceito de área de preservação permanente, não se presta à finalidade de demonstrálo. Por outro lado, sobre o ADA, embora não haja previsão legal de prazo para a sua apresentação de modo a condicionar o benefício da isenção a tal circunstância, fato é que, evidentemente, a apresentação do documento ao IBAMA, nos termos do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, evidentemente que tem uma finalidade útil e relevante que é, em ultima análise, resguardar um bem maior, qual seja o meioambiente. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 130 10 A finalidade da apresentação do ADA, quando utilizado pelo contribuinte para a fruição do benefício de isenção tributária, é facilitar a fiscalização, por parte da Receita Federal, da preservação da área de preservação permanente, por meio do poder de polícia atribuído ao IBAMA. No caso da redução da base de cálculo do ITR, no que diz respeito às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, não fosse a previsão de entrega do ADA, a própria Receita Federal deveria, por si, fiscalizar um sem número de propriedades rurais espalhadas por todo o território nacional, o que, por razões várias, especialmente econômicas e técnicas, seria inviável. Assim, com o advento da Lei Federal nº 10.165/00, passouse a exigir a apresentação do ADA pelo contribuinte para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Desse modo, considerando que o objetivo do documento é permitir a aferição da existência da área de preservação permanente para o fim específico da isenção tributária, temse que a sua apresentação ao IBAMA somente cumprirá a finalidade para a qual foi concebido se ocorrer até o início da fiscalização em face do contribuinte, momento a partir do qual a sua apresentação, parecenos, já não mais atende ao objetivo para o qual a norma o concebeu. Entendemos, s.m.j., que nos casos em que o benefício da isenção decorra do ADA, nos termos do art. 17O, "caput" e § 1º, da Lei nº 6.938/81, até o início da fiscalização, a entrega desse documento possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao crivo do órgão ambiental competente, retirando essa aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento já foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal em diversas ocasiões, dentre as quais citamos, ilustrativamente, o julgado abaixo: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA RESPECTIVA ÁREA. É possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal e desde que comprovada a existência da área deduzida.” (Acórdão nº 9202005.764, Processo nº 10215.000630/200616, Rel. Conselheira RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, 2ª TURMA/ CSRF) Ocorre que no presente caso, o Ato Declaratório Ambiental somente foi transmitido ao IBAMA aos 28.11.2007 e a fiscalização teve início aos 03.09.2007, de modo que entendemos que o documento não cumpriu a sua finalidade. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13971.720644/200767 Acórdão n.º 2402006.850 S2C4T2 Fl. 131 11 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a tributação da área de 190,0 hectares, que corresponde à Área de Reserva Legal averbada na matrícula do imóvel no 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Timbó/SC, mantendo a tributação quanto ao restante. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903264/2017-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 32 64 /2 01 7- 09 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13819.903264/201709 Acórdão n.º 1003000.385 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0377.389, de 18 de outubro de 2017, da 7ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 14/07/2013, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 127), rastreamento n° 123288089, emitido em 07/06/2017, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 37552.54420.280213.1.2.043019. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte defendeu que no encerramento contábil do trimestre período de apuração 30/09/2012 prejuízo, contudo recolheu indevidamente a importância de R$ 11.965,08. Alega que ao apresentar a DCTF, constava como devida a CSLL objeto do presente processo. Destaca ter retificado a DCTF para constar as informações corretas em relação ao.valor. Requereu nova análise da declaração de compensação. A DRJ/BSB julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012 PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.903264/201709 Acórdão n.º 1003000.385 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) que a empresa no exercício fiscal de 2012 era optante pelo regime do lucro real; (ii) que o recolhimento foi calculado para quitação em quota única, porém foi efetuado 3 (três) quotas, ocorrendo, por conseguinte, o recolhimento três vezes maior do que o realmente devido; (iii) que, identificado o equívoco, apresentou PER/DCOMP; (iv) que os DARFs acostados ao processo comprovam o recolhimento a maior, o que se comprova através da juntada da escrituração fiscal; Por fim, defendeu a insubsistência e improcedência do indeferimento do PER/DCOMP e requereu o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o Relatório Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente na manifestação de inconformidade pleiteia a declaração de compensação em razão de pagamento indevido ou a maior do IPPJ, referente ao período de apuração de setembro 2012. Aduziu que no encerramento contábil período de apuração setembro 2012 apurou prejuízo, contudo recolheu indevidamente a importância de R$ 11.965,08. No Recurso voluntário, contudo, a Recorrente declara que o recolhimento foi calculado para quitação em quota única, porém foi efetuado 3 quotas, isto é, a recorrente teria recolhido aos cofres públicos três vezes mais do que o realmente devido. A Recorrente colacionou ao Recurso Voluntário comprovantes de arrecadação atestando os registros de arrecadação, referente ao período de apuração 30/09/2012 em relação a três pagamentos (fls. 103 a 105). Demonstrando ter efetuado o pagamento de 3 vezes em relação ao período de apuração de setembro de 2002 nos valores de R$ 11.782,46; R$ 11.900,28 e R$ 11.965,08. A Recorrente juntou ao processo a DCTF retificada aos 13/07/2013, data posterior ao Despacho Decisório, demonstrando débito apurado de IRPJ a pagar como zero. No recurso voluntário a Recorrente defende ter juntado a escritura contábil, porém tal documento não foi anexado ao recurso, que está acompanho apenas das Fichas 09A e 12A da DIPJ 2013 e de comprovantes de arrecadação. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13819.903264/201709 Acórdão n.º 1003000.385 S1C0T3 Fl. 5 4 Em julgamento na primeira instância, o Relator destacou a necessidade de comprovação documental das alegações da Recorrente, visto que, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP, seria imprescindível a demonstração da escrituração contábilfiscal da empresa, para poder ser verificada a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99. A DRJ destaca em seu acórdão o seguinte: (...) Isso porque as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, DACON ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Processo Administrativo Fiscal PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. Não cabe ao Fisco obter provas de que a contribuinte teria informado débito a maior em sua declaração. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. (...) Em grau de recurso, a Recorrente não logrou êxito em trazer nenhum novo documento ou informação que corroborasse as suas alegações. A jurisprudência apresentada no recurso voluntário de ser o DARF documento de prova suficiente, não exime o fato de que houve alteração nas declarações prestadas à Receita Federal após Despacho Decisório, sem a comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, quanto à escritura fiscal da empresa para demonstrar os valores declarados na DCTF retificada. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário trazem provas suficientes que justifiquem a revisão da decisão proferida em primeira instância. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/BSB. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907223/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.907223/201121 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.484 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL SANTA LUZIA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não atendimento do pleito do contribuinte na extensão por ele pretendida (Declaração de Compensação DComp), em razão do fato de que o pagamento informado não fora suficiente à quitação do débito informado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que apenas não procedera à retificação da DCTF, mas que possuía direito à compensação e que não se enquadrava em nenhuma das vedações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 72 23 /2 01 1- 21 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10166.907223/201121 Acórdão n.º 3302006.484 S3C3T2 Fl. 3 2 previstas no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Juntou a solicitação de retificação da DCTF, demonstrativo da base de cálculo da contribuição, DCTF retificadora não transmitida e cópia do DARF objeto do pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 03052.713, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando que o crédito era decorrente da venda de medicamentos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o art. 2º da Lei nº 10.147/2000, que haviam sido indevidamente tributadas pelo Recorrente. Para comprovar, juntou demonstrativo da base de cálculo. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.476, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10166.901895/201123, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.476): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente trouxe alegações de direito sobre a natureza do suposto direito creditório, porém, como prova, juntou apenas o demonstrativo de base de cálculo, indicando os valores de faturamento, os créditos da não cumulatividade, e os valores que seriam devidos, protestando pela posterior juntada do Livro Razão. A recorrente possui como objeto social a prestação de serviços hospitalares, conforme cópia abaixo de seu estatuto social: Não há indicação de revenda de medicamentos em seu objeto social. Ressaltase que a redução a zero é aplicada sobre a revenda de medicamentos especificados nos códigos NCM do artigo 1º da Lei nº 10.147/2000, pelas pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador, conforme abaixo: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10166.907223/201121 Acórdão n.º 3302006.484 S3C3T2 Fl. 4 3 Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos no caput; Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. Todavia, tal redução não se aplica aos medicamentos utilizados como insumos na prestação de serviços, mas apenas na atividade comercial de revenda dos medicamentos especificados. Para tanto, a recorrente deveria ter demonstrado a existência de receitas auferidas com a revenda, o que, por seu estatuto social, não é possível deduzir tal situação. Destacase que a base de cálculo apresentada no demonstrativo de efl. 227 referese à apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, o que demandaria, para as receitas, ao menos, os balancetes analíticos como ponto de partida. Ademais, a redução a zero é específica para as posições e códigos mencionados no caput do artigo 1º e não para todos os medicamentos. Porém, não há demonstrativo de notas fiscais, com referência às NCM dos produtos vendidos, com alguma amostragem das referidas notas. Além disso, quanto aos créditos, também seriam necessárias, ao menos, planilhas demonstrativas, com amostragem de documentos e cópias do Livro Razão, demonstrando os valores os custos dos serviços prestados e das despesas contábeis incorridas. Ressaltase, ainda, que quanto aos honorários médicos, não é possível a tomada de créditos da não cumulatividade em pagamentos de mãodeobra a pessoa física, conforme §2º1 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, como foi considerado no demonstrativo. Ressaltase, mais uma vez, que a mera apresentação de um demonstrativo não é prova suficiente para a certificação do direito líquido e certo que está pleiteado. De fato, a decisão recorrida deixou expresso a necessidade de se apresentar documentos hábeis e idôneos, lastreados em escrituração contábil e fiscal para se comprovar o direito requerido, a saber: 1 § 2o Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.907223/201121 Acórdão n.º 3302006.484 S3C3T2 Fl. 5 4 "Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." Em suma, não houve qualquer preocupação em juntar documentos contábeis e fiscais de modo a comprovar o direito creditório alegado, apesar de sua necessidade ter sido ressaltada pela decisão recorrida, não se desincumbindo, a recorrente, do ônus que lhe cabia, a teor do artigo 333, inciso II do anterior Código de Processo Civil, atual artigo 373, inciso II da Lei nº 13.105/2015 (novo CPC) e do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Contribuição para o PIS, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 213DF CARF MF
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