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Numero do processo: 11060.002673/2009-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11060.002335/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 26 73 /2 00 9- 52 Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 11060.002335/200911, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 4 3 entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 5 4 "Peço licença a ilustre conselheira relatora Relator para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102 002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizando se como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 7 6 outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 8 7 (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11060.002673/200952 Acórdão n.º 9202007.089 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 659DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901631/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/10/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.619
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 31 /2 01 3- 25 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10280.901631/201325 Acórdão n.º 3401005.619 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.276. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.901631/201325 Acórdão n.º 3401005.619 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.901631/201325 Acórdão n.º 3401005.619 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.901631/201325 Acórdão n.º 3401005.619 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.901631/201325 Acórdão n.º 3401005.619 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.901631/201325 Acórdão n.º 3401005.619 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001755/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Auto de Infração - Exclusões da base de cálculo da CSLL e multa
isolada
Ano-calendário: 2000 e 2001
Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL CALCULADO SOBRE AS SOBRAS, NÃO INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica,
relativamente aos atos cooperativos, não sofrem a incidência de CSLL sabre as sobras, por esses resultados não encerrarem a mesma natureza de lucro e por não estarem expressamente referidos na Lei n° 7.689/88. Portanto, par quedarem fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência
da CSIL são pertencentes ao campo da lido incidência pura e simples.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL, CALCULADO SOBRE RESULTADOS DE OPERAÇÕES ESTRANHAS AO ATO COOPERATIVO. Não estão abrangidos pela não incidência os resultados obtidos por sociedades cooperativas decorrentes de operações diversas das de atos cooperados, caracterizados como lucros, estando, portanto, alcançados pela Lei n° 7.689/88 para fins de tributação da CSLL.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA. O art. 44 da Lei if 9.4.30, de 1996, não autoriza a aplicação, simultaneamente, sobre urna mesma base, da multa de oficio e da
multa isolada por não antecipado o imposto lançado de oficio. O artigo prevê a possibilidade de exigir multa de oficio, juntamente com o imposto, quando este não houver sido pago anteriormente (inciso I de parágrafo único do art. 957, do RIR/99). Alternativamente, autoriza o lançamento de multa de oficio, isoladamente, quando a pessoa jurídica, estando sujeita ao pagamento de antecipações por estimativa, deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente (inciso IV do parágrafo único do art. 957, do RIR/99).
CONSTITUCIONALIDADE, MULTA DE OFÍCIO, CARÁTER CONFISCATÓRIO, A vedação constitucional ao confisco é relacionada a tributos e é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa
pronunciar-se sobre a matéria, mas apenas aplicá-la nos termos da legislação que instituiu as penalidades.
Numero da decisão: 1103-000.374
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recketenvald
1.0 = *:*
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ementa_s : Auto de Infração - Exclusões da base de cálculo da CSLL e multa isolada Ano-calendário: 2000 e 2001 Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL CALCULADO SOBRE AS SOBRAS, NÃO INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica, relativamente aos atos cooperativos, não sofrem a incidência de CSLL sabre as sobras, por esses resultados não encerrarem a mesma natureza de lucro e por não estarem expressamente referidos na Lei n° 7.689/88. Portanto, par quedarem fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência da CSIL são pertencentes ao campo da lido incidência pura e simples. SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL, CALCULADO SOBRE RESULTADOS DE OPERAÇÕES ESTRANHAS AO ATO COOPERATIVO. Não estão abrangidos pela não incidência os resultados obtidos por sociedades cooperativas decorrentes de operações diversas das de atos cooperados, caracterizados como lucros, estando, portanto, alcançados pela Lei n° 7.689/88 para fins de tributação da CSLL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA. O art. 44 da Lei if 9.4.30, de 1996, não autoriza a aplicação, simultaneamente, sobre urna mesma base, da multa de oficio e da multa isolada por não antecipado o imposto lançado de oficio. O artigo prevê a possibilidade de exigir multa de oficio, juntamente com o imposto, quando este não houver sido pago anteriormente (inciso I de parágrafo único do art. 957, do RIR/99). Alternativamente, autoriza o lançamento de multa de oficio, isoladamente, quando a pessoa jurídica, estando sujeita ao pagamento de antecipações por estimativa, deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente (inciso IV do parágrafo único do art. 957, do RIR/99). CONSTITUCIONALIDADE, MULTA DE OFÍCIO, CARÁTER CONFISCATÓRIO, A vedação constitucional ao confisco é relacionada a tributos e é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa pronunciar-se sobre a matéria, mas apenas aplicá-la nos termos da legislação que instituiu as penalidades.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-01T20:26:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-01T20:26:47Z; Last-Modified: 2011-03-01T20:26:48Z; dcterms:modified: 2011-03-01T20:26:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3ebdcf33-3dbf-43f1-b5d5-0e2bb6b40abc; Last-Save-Date: 2011-03-01T20:26:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-01T20:26:48Z; meta:save-date: 2011-03-01T20:26:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-01T20:26:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-01T20:26:47Z; created: 2011-03-01T20:26:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2011-03-01T20:26:47Z; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-01T20:26:47Z | Conteúdo => SI-C1T3 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÂO DE JULGAMENTO Processo n" 1.3830.001755/2005-13 Recurso n" 885.211 Voluntário Acórdão n" 1103410.374 — I" Câmara / .3" Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2010 Matéria CSLL SOBRAS DE COOPERATIVA Recorrente COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE LEITE DA ALTA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Auto de Infração - Exclusões da base de cálculo da CSLL e multa isolada Ano-calendário: 2000 e 2001 Ementa: SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL CALCULADO SOBRE AS SOBRAS, NÃO INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica, relativamente aos atos cooperativos, não sofrem a incidência de CSLL sabre as sobras, por esses resultados não encerrarem a mesma natureza de lucro e por não estarem expressamente referidos na Lei n° 7.689/88. Portanto, par quedarem fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência da CSIL são pertencentes ao campo da lido incidência pura e simples, SOCIEDADES COOPERATIVAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL, CALCULADO SOBRE RESULTADOS DE OPERAÇÕES ESTRANHAS AO ATO COOPERATIVO. Não estão abrangidos pela não incidência os resultados obtidos por sociedades cooperativas decorrentes de operações diversas das de atos cooperados, caracterizados como lucros, estando, portanto, alcançados pela Lei n° 7.689/88 para fins de tributação da CSLL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO — IMPROCEDÊNCIA. O art. 44 da Lei if 9.4.30, de 1996, não autoriza a aplicação, simultaneamente, sobre urna mesma base, da multa de oficio e da multa isolada por não antecipado o imposto lançado de oficio. O artigo prevê a possibilidade de exigir multa de oficio, juntamente com o imposto, quando este não houver sido pago anteriormente (inciso I de parágrafo único do art. 957, do RIR/99). Alternativamente, autoriza o lançamento de multa de oficio, isoladamente, quando a pessoa jurídica, estando sujeita ao pagamento de antecipações por estimativa, deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente (inciso IV do parágrafo único do art. 957, do RIR/99). CONSTITUCIONALIDADE, MULTA DE OFÍCIO, CARÁTER CONFISCATÓRIO, A vedação constitucional ao confisco é relacionada a ALOYSIO cÍid DA SI VA - Presidente. GERVA i• NICOLA RECKTENVAL Relator. tributos e é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa pronunciar-se sobre a matéria, mas apenas aplicá-la nos termos da legislação que instituiu as penalidades, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, is termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 2 8 JA Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente da Turma), Marcos Shigueo Takata, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo(Suplente Convocado), Mário Sérgio Fernandes Barroso e Gervásio Nicolau Recktenvald. Ausente, justificadamente, o conselheiro Hugo Sotero Correa. 2 Processo rl" 13830 001755/2005-13 S1-C111 Acórdio o 0 1103-00374 Fl. 2 Relatório A COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE LEITE DA ALTA PAULISTA, CNPI n" 44.569,572/0001-61, veio perante este Conselho para, através do regular recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade corn o decidido pela 3" Turma da DR.I de Ribeirão Preto, que manteve, por unanimidade de votos, o lançamento de CSIL sobre sobras. Igualmente, manteve a multa isolada por insuficiência de recolhimentos por estimativa sobre essas mesmas sobras, nos termos da exigência constituída no presente processo„ Compulsando os autos, vê-se que este processo administrativo foi formalizado a partir de um procedimento fiscal externo, conduzido pela DRF de Marilia/SP, que redundou na lavratura de um auto de infração de CSLL e multa isolada (if 03), num total de R$ 1750.480,09, composto das seguintes parcelas: CSLL de RS 526.964,45; juros de mora pela taxa SELIC, calculados até 31/08/2005, de R$ 421,772,41; multa de oficio, no percentual de 75%, de R$ 395,223,33; multa isolada por insuficiente recolhimento de estimativa, de RS 406,519,90, Segundo a descrição dos fatos (l, 05), a autuação decorreu, basicamente, da indevida exclusão da base de cálculo da CSLL, dos resultados de atos cooperativos, apurados em 31/12/2000 (R$ 5.495,227,41) (fl, 122) e em 31/12/2001 (R$ 171301,31) (fl, 12.3), pois, na época, tal exclusão não teria embasamento legal, o que teria ocorrido somente com o advento da Lei IV 10.865/2004, arts. 39 e 48. Portanto, nesses anos incidiria tributação da CSLL, sobre os resultados positivos de cooperativas, mesmo que decorrentes de atos cooperados, nos termos do art. 2° e §§, da Lei n" 7,689/88 e alteraçôes posteriores, Além, também foi exigida a multa isolada por não recolhida CSLL por estimativa sobre os referidos resultados de atos cooperados, nos termos do disposto no art, 44, inciso I e § 1 0, inc. IV, da Lei n° 9.430/96 (11, 07). 0 lançamento também incluiu a CSLL sobre os resultados de atividades corn terceiros, calculada sobre as seguintes bases: R$ 27,589,59 de 2000 e RS 19,289,90 de 2001. Disso resultou uma CSLL de R$ 2.483,06 em 2000 (if 42 v) e de R$ 1.736,09 em 2001 (fl. 61 v). Tais valores, embora constem nas DIM (fl. 42 e 61), somente foram declarados em DCTFs retificadoras em 04/07/2005, quando a recorrente já se encontrava sob procedimento fiscal, razão pela qual os débitos não foram considerados como declarados . Notificada do processo e da autuação, tempestivamente (if 178), em 21/10/2005, a interessada impugnou o lançamento (fl. 132), onde arguiu a insubsistência do lançamento, pois não existia embasamento legal para a tributação, pela CSLL, das sobras de entidades cooperativas, o que infringia o disposto no art„ 142 do CTN e ofendia os arts,. 5°, inc.. XVIII, 146, inc. III, c, 174, § 2' e 187, inc. VI, todos da Carta Magna. Ainda, alegou ofensa ao principio da igualdade e da capacidade contributiva. Arguiu, também, que o fisco devia ter obedecido a legislação de regência, pois a Lei n" 5.764/71 não previa tributação dos resultados de atos cooperativos . Após, fala da necessidade de motivação dos atos administrativos, da obediência aos princípios da legalidade e da finalidade . Em seguida aponta pretensos vícios no lançamento de oficio, alegando que segundo o art. 111 da Lei II' 5.764/71 somente os resultados corn terceiros seriam passiveis de tributação . Ainda, classifica como ilegal e abusiva a multa de oficio, de 75%. Aponta, ainda, falta de embasamento legal para a cobrança da multa exigida isoladamente e diz ser indevida a utilização 3 da Selie como indexador dos juros de mora. Por fim, pede a declaração da insubsistência do lançamento. Encaminhado o processo para a DIU de Ribeirao Preto, a contestação foi julgada improcedente em Primeiro Grau administrativo, conforme exposto no acórdão rf 14-26,780, de 19 de novembro de 2009 (fL 183), assim ementado: SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA DA CSLL. As sociedades cooperativas devem recolher a CSLL sobre a totalidade do resultado apurado no período-base, o qual inclui as receitas decorrentes de atos cooperativos e não-cooperativos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, Descabe falar-se em cerceamento do direito de defesa quando não comprovado o prejuízo ao contribuinte.. PERÍCIA, REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO, A juntada posterior de documentação sá 6 possível em casos especificados na lei MULTA DE OFICIO, O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exig6ncia de multa de oficio, consoante a legislação que rege a matéria„ MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA_ A pessoa juridica está sujeita zi multa de. oficio sobre os valores da contribuição devidos e não pagos, calculados sobre a base de cálculo estimada, ainda que apure resultado negativo no encerramento do período de apuração. MULTA DE OFICIO, MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA. Por decorrerem de distinta motivação, devem Ser exigidas as multas sabre os valores devidos .por estimativa e não recolhidos, e a CSLL apurada pelo ajuste anual, acrescida da multa de oficio pelo seu não recolhimento, MULTA ISOLADA,. RETROATIVIDADE BENIGNA A multa isolada mais benigna aplica-se retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados. JUROS DE MORA: TAXA SELIG. A aplicação da taxa Selic tent previsão legal Tal decisão, em síntese, foi fundamentada nos seguintes argumentos: (a) que o art. 195, da CP/88, que dispõe sobre as fontes de financiamento da seguridade social, não veda a incidência da CSLL sobre atos cooperados, pois prevê que a seguridade social deve ser financiada por toda a sociedade; (b) que o art. 195 da CF apenas dá imunidade às entidades beneficentes de assistência social; (c) que a Lei tr.' 7.689/88 e a Lei IV 8112/91, não isentaram as sociedades cooperativas da CSLL; (d) que, através do art. 39, c/c o art. 48, ambos da Lei IV 10,865/2004, o legislador ordinário concedeu isenção da CSLL As sociedades cooperativas, exceto as de consumo, mas apenas a partir de 1 0 de janeiro de 2005; (e) que, segundo a pergunta 652 da publicação "Perguntas e Respostas", sobras e lucros se confundem; (f) de tudo isso conclui que a ordem legal vigente confirma a subsistência da tributação exigida no auto de infração sob controvérsia. 4 Processo ti" 13830.001755/2005-13 S1-C1T3 Acórd5o n." 1103-00374 Fl 3 Quanto à multa isolada, o acórdão recorrido a mantém, pois diz que ela tem embasamento legal no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, corn a redação dada pelo art.. 14 da Lei n° 11.488, de 2007. Notificada do acórdão em 13102/2010 e inconformada com o decidido, a interessada interpôs recurso voluntário (fl. 207), alegando, em síntese, o que segue: (a) que a recorrente é urna cooperativa que no uso das atividades constantes de seu objeto social, recebe, beneficia, industrializa e comercializa os produtos entregues por seus associados, atuando na qualidade de mandatária dos cooperados, nos termos do art 83 da Lei n° 5.764/71; (b) que o acórdão recorrido argumentou em rumo equivocado quando alegou inexistir imunidade ou isenção para o caso em discussão, pois a controvérsia cinge-se à não incidência; (c) que não há previsão constitucional e nem criação, por lei ordinária, do tributo que se pretende exigir nesse processo, o que ofende o disposto no art, 150, inciso I, da Carta Suprema; (d) que no art.. 195, I, da CF188 lid provisão de incidência de contribuições sobre o lucro, mas não sobre sobras, instituto que não pode ser confundido, em vista do art. 110 do MN; (e) que os arts. 3" e 4' da Lei n° 5,764/71 deixam claro que as cooperativas não têm objetivo de lucro, mas que são prestadoras de serviços direcionados aos associados; (f) que segundo o art. 111 da Lei n" 5,764/71, apenas é considerada como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts, 85, 86 e 88, da citada lei. Na sequência, a interessada cola diversas decisões do ST3 e do Conselho de Contribuintes, que reconhecem a não tributação, pela CSLI,„ das sobras apuradas pelas sociedades cooperativas.. Ainda, após reafirmar que as multas, isoladas e de oficio, devem sucumbir por insubsistente o principal, contesta o entendimento do acórdão a quo, que reconheceu a possibilidade de concomitância das citadas multas . Fundamenta a arguição na falta de amparo legal para a exigência concomitante, bem como, no caráter confiscatório que se implementaria caso aplicadas conjuntamente, o que é vedado pela CF/88. Por fim, requer: que lhe seja possibilitado a produção de provas posteriores, inclusive periciais; que todas as suas arguições sejam enfrentadas; que se reforme o acórdão recorrido, cancelando-se a exigência, integralmente; que, caso mantida exigência, o que admite para argumentar, se reduza a multa imposta, por confiscatória; que, quando do julgamento em Segundo Grau, lhe seja assegurado o direito de sustentação oral, E . o Relatório, 5 Voto Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald O recurso voluntário interposto 6 tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, é conhecido, Conforme relatado, a exigência fiscal constituída neste processo cinge-se tributação, pela CSLL, relativa aos anos calendário de 2000 e 2001, das sobras apuradas pela recorrente, uma cooperativa agrícola, juntamente com multa isolada por não recolhidas, nos citados anos, as estimativas mensais sobre as referidas sobras. A autuação também incluiu a CSLL sobre os resultados de atividades com terceiros, calculada sobre as seguintes bases: R$ 27.589,59 em 2000 e R$ 19,289,90 em 2001. Disso resultou uma CSLL de R$ 2483,06 em 2000 e de R$ 1.736,09 em 2001. Tais valores, embora informados nas correspondentes DIPJs, não foram informados nas DC'TF's originárias, as quais foram retificadas em 04/07/2005, quando a interessada já se encontrava sob procedimento fiscal, que iniciou em 04/05/2005 (fl, 19). Mesmo assim, observa-se que a retificação obedeceu a critérios de apuração trimestrais, embora a empresa fosse optante do lucro real anual. Também, em relação a 2001, há divergências em relação ao valor informado na retificação: enquanto a DIPJ acusa uma CSLL anual de R$ 1736,08, as DCTF's retificadoras informam um valor de R$ 1.262,85, distribuído entre o 1', 3° e 40 trimestres. Portanto, por efetivamente devidos os valores anuais de R$ 2.483,06 (31/12/2000) e R$ 1736,09 (31/12/2001), tais créditos devem ser mantidos. Quanto aos demais valores autuados, de R$ 5495227,41 (2000) e R$ 171301,31 (2001), do que resultou CSLL de, respectivamente, R$ 507.328,18 (R$ 509.811,24 — R$ 2.483,06) e R$ 1 1417,1.3 (R$ 17.153,21 — 1736,08), esses merecem uma detida e criteriosa análise, pois suas bases de cálculo correspondem a sobras, que aparentemente encontram-se fora do campo de incidência da contribuição social em foco, Nesse panorama, adentrando no mérito, vê-se, mesmo por um superficial exame das posições que rivalizam na discussão apresentada para deslinde, que a essência do debate cinge-se à identificação da verdadeira natureza das sobras, isto 6, o resultado econômico, jurídico e financeiro apurado por sociedade cooperativa, e sua parecença com o lucro das empresas em geral, de fins lucrativos. • 'al sinopse deduz-se da posição adotada pelo fisco, no que foi apoiado pelo acórdão a quo, que considera que a legislação pertinente h. CSLL, no concernente à hipótese de incidência, não fazia distinção entre sobras e lucros. Por outro lado, a recorrente propugna pelo reconhecimento das diferenças fundamentais existentes entre os dois institutos, de modo que, por não expresso na legislação, as sobras estariam situadas fora do campo de incidência, tanto da CSLL como do IRPJ. Diante desses respeitáveis posicionamentos, e consultando a melhor doutrina, vê-se que são inegáveis e relevantes as diferenças entre lucros e sobras, o que, alias, ao menos superficialmente, nem o autuante e nem a DIU recorrida negam, tanto é que respeitam a denominação. 6 Proccsso n" 13830.001755/2005-13 si-cl T3 Acôtdilo " 1103-00.374 Fl 4 Nesse panorama, é indiscutível que as sociedades cooperativas são uma espécie de sociedade diferente das empresas em geral, pois não têm fins lucrativos próprios. Sua finalidade é inteiramente voltada a auxiliar o desenvolvimento econômico de seus associados, que são os cooperados, e é a eles que pertencem os resultados positivos alcançados nas operações desenvolvidas pela cooperativa., Assim, as sobras, representativas das diferenças entre receitas e despesas relacionadas As atividades cooperativas, embora possam aparentar lucro, tecnicamente não são lucros. Representam o saldo de valores inicialmente retidos ou cobrados a maior dos associados, pela sociedade cooperativa, com a finalidade de garantir uma margem de segurança operacional. Ultrapassada essa cautela, nada mais justo do que devolver a cada um, na sua proporção, o retido em excesso. Essas sobras liquidas, entretanto, mesmo que quantificadas corn base em demonstrações contábeis similares As das empresas de fins lucrativos em geral, não podem ser imputadas A cooperativa que os apurou, pois não são dela . A propósito, também das normas contábeis emergem aspectos que marcam as diferenças entre sobras e lucros. Isso é revelado pela regulamentação, pelo Conselho Federal de Contabilidade, do tratamento contábil a ser adotado em relação ao conteúdo e As formas de apresentação das demonstrações financeiras das sociedades cooperativas. Para exemplificar, vale referir a Resolução CPC n". 920, de 2001, que aprovou a NBC T 10, relacionada a Aspectos Contábeis Especificos em Entidades Diversas, 0 item NBC T 10.8 — Entidades Cooperativas, assim dispõe: 10,8.4.1 — A denominação da Demonstração do Resultado da NBC T 3,3 é alterada para Demonstração de Sobras ou Perdas, a qual deve evidenciar, separadamente, a composição do resultado de determinado período, considerando os ingl'eSSOS diminuídos dos dispêndios do ato cooperativo, e daS receitas, custos e despesas do ato não-cooperativo, demonstrados segregadanieine por produtos, serviços e atividades desenvolvidas pela Entidade Cooperativa. Como se vê, inclusive ocorreu uma modificação na designação das demonstrações financeiras . Tais demonstrações, nas empresas de fins lucrativos são denominadas de Demonstração do Resultado do Exercício e nas sociedades cooperativas são denominadas de Demonstração de Sobras e Perdas. Ainda, esta última apresenta uma peculiaridade, pois demonstra, separadamente, a composição dos resultados vinculados ao ato cooperativo, daquele representativo de eventuais resultados do ato não cooperativo . Por fim, é de repisar que a doutrina, e também a jurisprudência, reconhecem e respeitam as profundas diferenças entre lucro e sobras, especialmente quando enfocam a natureza dos dois institutos sob o aspecto tributário, especialmente se direcionado à hipótese de incidência voltada A renda e proventos de qualquer natureza. As diferenças entre sobras e lucros são tão relevantes que desde há muitos anos a legislação tributária, especialmente a do imposto sobre a renda, trata os lucros como uma das variáveis indiscutíveis da hipótese de incidência desse imposto, enquanto que as sobras, por não abarcadas pela previsão do art. 43 do CTN, são tratadas, coerentemente, como caso de não incidência. Para aprofundar esse entendimento, que 6 relevantissimo pata o deslinde desta controvérsia, mister trazer, inicialmente, algumas considerações teóricas acerca do conceito de não incidência, possivelmente meio esquecido Para tanto, reproduzo estudos de Edgar Neves da Silva e Marcelo Martins Motta Filho, inseridos no livro Curso de Direito Tributário, que foi coordenado por Ives Gandra da Silva Martins (Ed. Saraiva, 11 a edição, p. 303): Conceitualmente, incidência nada mais é do que a descrição prévia e abstrata de uma situação em lei, onde o legislador institui um tributo, associando-a a um comando, determinando o recolhimento da exação. Em outras palavras, havendo uni fato econômico, o legislador lhe da relevância jurídica, colocando-o na hipótese de incidência da norma. Ocorrido o fato haverá a onera cão e, consequentemente, o dever de pagar o tributo, por nascida a obrigação tributária. Por seu turno, a não incidência é o inverso ou o seu reverso. Haverá fatos econômicos' outorgados a competência de determinado ente tributante, porém seu legislador, ao exercê-la, resolve exclui ,.. alguns daqueles fatos, não lhes dando relevância jurídica, isto é, não os inserindo na hipótese de incidência ou . fato gerador Por conseguinte, não lhes dando a natureza positiva de juridicidade, não são transfbrmados em fato gerador, e, assim, mesmo que venham a ocorre i .. não estarão submetidos qualquer oneração, .ficando, destarte, na seara da desoneragdo.., Diante disso, mesmo antes da instituição da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido através da Lei n° 7689/88, que, frise-se, já nasceu viciada de inconstitucionalidade parcial, era usual tratar-se com denominações diferentes e de forma distinta, os resultados de empresas de fins lucrativos, chamados de lucros, e os resultados de sociedades cooperativas, denominados de sobras. o que se infere, por exemplo, do Parecer Normativo CST n" 522, de 8 de dezembro de 1970 (DOU em 21/12/70): As im orttincias devolvidas selas cooa erativas aos seus associados como retorno ou sobra não siio consideradas como rendimentos e SUn como ressarcimento de capital correspondente ao reajustamento de preços, anteriormente pagos ou recebidos destes. (Lei n" 4,506-64, artigo 31, syr 1", "b"; Decreto n" 58.400-66, artigo 23, parágrafo único "b') Depois, já abrindo a década de 1980, outro Parecer Normativo CST, o de n° 38/80 (DOU de 09,11.80), que disseca o ato cooperativo sob o aspecto contábil/tributário nos casos em que há operações corn terceiros, continua tratando as sobras separadamente dos lucros de atividades com terceiros: As despesas gerais relativas aos atos cooperativos são cobertas pelo cooperado, em regra através de rateio na proporção direta da fruição dos serviços (art, 80, capita podendo ocorrer; também, rateio de sobras liquidas verificadas em balanço de exercício (artigo 80, parágrafo único). Reconhecendo essa fundamental diferença entre as sobras e lucros, a partir de certa época, situada mesmo antes da edição da Lei if 5.764/71, que regula o ato e Processo n" 13830 001755/2005-13 S 1-C113 Acimdïio n " 110.3-00374 Fl. 5 cooperativo, os intérpretes da legislação relacionada ao IRPJ deram-se conta de que vinham designando de forma incorreta a não tributação das sabias, que diziam isentas, enquanto quc, segundo a doutrina dominante, de fato era caso de não incidência. Essa transição está registrada no item .3 do Parecer Normativo CST n° 73/75 (DOU 11.08,75) que teceu orientações sobre a apuração, por cooperativas, de resultados de atos não cooperativos: 3. 0 Parecer Normativo CST n'' 155/73 já intopretou os dispositivos legais crania transcritos, menos quanto á forma de apuração dos resultados das operações com terceiros, objeto deste parecer. Viu-se, então, que a ISENCA-0 de que zoz,avam as cooperativas com base no artizo 23 do RIR viaente — Decreto número 58.400/66 — Oriundo do artilqo 31 da Lei n" 4.506/64, foi substituida pela NÃO INCIDÊNCIA, ex vi do dis osto no art. 18 do Decreto-lei n" 59 de 21.11.66. Nos termos do referido artigo 18, ficaram abrangidos pela não incidência OS resultados positivos das operações sociais. Tributados, portanto, os provenientes de transações alheias ao objeto social das cooperativas (transações eventuais). Revogado que foi o Decreto-lei n" 59/66 pelo artigo 117 da Lei n" 5764/71, e vistas os termos do supratranscrito artigo 111 desta mesma lei, ficaram fora do campo da incidência do imposto de renda os resultados das "atividades inerentes a esse tipo societário" (cooperativas), e sujeitos ao tributo os derivados de transações eventuais e os operações realizadas coin terceiros Também, é enfático o Parecer Normativo CST IV 155, de 15 de outubro de 197.3 (DOU 05/11/7.3), acima citado, que tratou do seguinte tema: "A não incidência de imposto de renda, de que gozam as cooperativas, não se estende a operações alheias ao seu objeto social". No corpo do Parecer em questão, depois de reproduzir os artigos 85, 86 e 88 da Lei n" 5,764/71, então de recente vigência, o parecerista esclarece: 7. Da análise sistemática desses dispositivos, tem-se que o campo da não incidência corresponde às atividades inerentes a esse tipo societário. 8. 0 que exorbita desse campo é tributável, como se Were dos artigos supia uanscritos, em todos os quais se verificam descaracterizações das atividades normais das cooperativas ou porque adquiram produtos de não associados (art. 85), ou porque forneçam bens ou serviços, que deveriam destinar-se aos associados, a pessoas que não se revestem dessa condição (art 86), ou porque participem de outras sociedades, não cooperativas (art. 88) 10. Fica, assim, bent definido o campo da não incidência, compreensivo das atividades próprias das cooperativas, e não 9 daquelas que, ainda quando exigidos por determinadas circunstâncias, se insiram estritamente entre aquelas. Avançando no tempo, a questão da não incidência permaneceu inalterada, conforme referiu o Parecer Normativo CST if 38, de 31 de outubro de 1980, que esclareceu acerca de critérios para o arbitramento em sociedades cooperativas (DOU 09.11.80): 6.2 Desta forma, a administração tributária incumbe quantificar a arte dos in ressos totais mie não se com:s orta dentro da regra da não incidência, a fim de servir de base de aikido ao lucro arbitrado A caracterização das sobras como sendo urn caso de "não incidência" persiste ate hoje . Para confirmá-la, basta examinar o art. 182 do RIR199, atualmente vigente: Art. 182 As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro.. Ainda, acerca da coerente e apropriada distinção das sobras - no enfoque tributário corno urn caso de não incidência, vale referir que as decisões do Conselho de Contribuintes, invariavelmente, se referiam a "não incidência", e não a isenção ou imunidade, o que seria incorreto . Para exemplificar, reproduzimos duas ementas: RENDIMENTOS DE ATOS NÃO COOPERATIVOS — O resultado de atos não cooperativos, tais como de aplicações financeiras, não se inclui entre aqueles amparados pela não incidência (Ac. 1" CC 103-8,989/89 e 9008/89 DO 31/08/89), OPERAÇÕES TRIBUTADAS — As operações referentes a aplicações financeiras, excesso de retiradas de administradores, ganhos e perdas na venda de bens do ativo permanente, juros recebidos de não associados, vendas de combustíveis e lubrificantes a não associados e juros recebidos da Eletrobrás, por estarem fora do campo da não incidência e por serem consideradas atividades atípicas' não abrangidas pelo ato cooperativo, devem ser tributadas a aliquota normal (Ac 1" CC 103-10,292/90 — DO 118 0/90). Vê-se, assim, que é inequívoca a distinção entre lucro e sobras, constatação que levou o legislador e o intérprete de então a classificar estas últimas, com pleno acerto, corno um caso de "não incidência", Disso se constata que as sobras não se subsumem ao disposto no art. 43 do CTN, que define o fato gerador do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza_ E 6 por essa mesma razão que não incide CSLL sobre as sobras e não porque, como diz o acórdão recorrido, "lido existe nenhum comando normativo isentando ou retirando do campo de incidência da CSLL os resultados positivos porventura conseguidos pelas cooperativas, o que inclui as receitas decorrentes de atos cooperativos e não-cooperativos" (fl. 189), Em decorrência, a interpretação pretendida pelo fisco, de que a Lei n" 7.689/88 alcança os resultados das atividades tipicas das cooperativas, é ultrapassar o alcance 10 Processo n" 13830.001755/2005-13 S1-C1T3 AcOrdiio n." 1103-00374 Fl. 6 determinado pelo texto legal, pois este, por seu artigo 1", é expresso quanto ao lucro, não permitindo alargamentos para sobras ou outras hipóteses não previstas: Art. I" Fica instiutida contribuicao social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social (grilamos) Ademais, não ha qualquer ato legal posterior h edição da Lei n" 7,689/88 que unifique ou funde, para fins tributários, o conceito de lucro e sobras. Prova disto é a constatação, acima exposta, que persiste ate hoje, de que não incide IRPJ sobre as sobras, por estes resultados se encontrarem fora da abrangência do artigo 43 do CTN, isto 6, é caso de não incidência. Diante disso, para se manter o lançamento, seria imprescindível se indicasse o ato legal que submeteu as sobras h tributação da Cal,. A propósito, o acórdão a quo faz referencia a vários diplomas legais que diretamente ou indiretamente regulariam a tributação das cooperativas, no penado alcançado pelo lançamento fiscal. Tais dispositivos legais estariam a mostrar que a ato cooperativo estaria sujeito ao recolhimento da CSLL quando produz resultados positivos . Todavia, os aludidos atos não são expressos. HA referência à publicação "Perguntas e Respostas", que permite inferir que existiu uma sutil pretensão de autorizar a equiparação de lucros a sobras, a partir do que se estaria autorizando a tributação das sobras pela CSLL. Entretanto, se efetivamente foi essa a intenção da orientação em tela, o almejado não pode prosperar por faltar-lhe suporte legal. Ainda, faz-se referência ao item 9 da IN SRF 198/88, que estaria a autorizar a tributação, pela CSLL, das sobras. Tal ato normativo, porém, também carece de embasamento legal. Também, o art, 195, da CF/88, indicado pela DRJ recorrida como instrumento legal a afiançar o lançamento (fl, 188), não contém tal determinação, pois em momento algum a CF/88 equipara, para efeitos de fonte de financiamento da seguridade social, as sobras a lucros. Além, o fato do artigo em foco ter excluido apenas as entidades beneficentes de assistência social da obrigatoriedade de contribuir para a seguridade social não autoriza a tributação, pela CSLL, das sobras das cooperativas, sob o argumento de que elas não teriam sido contempladas com a imunidade tributária. Ainda, a DR1 escora sua decisão no disposto na Lei n" 8,212/91 que também estaria referendando o procedimento fiscal em litígio (fl. 188/189), Entretanto, os artigos ai reproduzidos (10 e 15) não mostram sob que aspecto a mencionada lei estaria a fortalecer o embasamento legal informado no auto de infração . Por outro lado, o acórdão recorrido não enfrenta o embasamento referido pela recorrente, trazido para sustentar a argumentação de insubsistência do lançamento em discussão, isto 6, o art. 111 da Lei IV 5,764/71 (fl. 211), Tal artigo é relevante ao caso em tela, apesar da criação da CSLL ter ocorrido quase 20 anos depois da promulgação da Lei que o contém„ Ele não estabelece a isenção do imposto de renda sobre os resultados positivos auferidos em operações com atos cooperativos, mas apenas afirma que os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88, portanto, II relativos aos resultados de atividades não cooperadas, seriam considerados corno renda tributável. Assim, as sobras, conforme já mencionado anteriormente, não são consideradas renda das cooperativas para fins de IRP.1, mas valores que estão fora do campo de incidência desse imposto . E isto se deve a uma razão simples: as sobras não têm natureza de lucro, conforme entendimento já consolidado desde 1975: 3. [...] Nos termos do refèrido artigo 18, ficaram abrangidos pela não incidência os resultados positivos das operações sociais. Tributados, portanto, os provenientes de transações alheias ao objeto social das cooperativas (transações eventuais). Revogado que foi o Decreto-lei n" 59/66 pelo artigo 117 da Lei n" 5 764/71, e vistos os termos do supratranscrito artigo 111 desta mesma lei, ficaram fora do campo da incidência do imposto de renda os resultados das "atividades inerentes a esse tipo societário" (cooperativas), e sujeitos ao tributo os derivados de transações eventuais e os de operações realizadas com terceiros,(PN CST 73/75) Nesse ponto, somente para ilustrar, vale lembrar alguns conceitos básicos relacionados à imunidade, à isenção e a não incidência. Para tanto, socorro-me dos ensinamentos de Luciano Amaro, trazidos no livro "Direito Tributário Brasileiro" (Ed.. Saraiva, 115" edição, 2010, p. 308): Examinadas as figuras da imunidade e da isenção (e sabido que, em ambas, não incide tributo), vê-se que as demais situações de não-incidência (que formam o campo da chamada não- incidência pura e simples) abrangem um complexo heterogêneo, que abarca desde as hipóteses que, à visa do texto constitucional, quedaram não compreendidas por nenhum rol de competências, até aquelas que, podendo embora ser oneradas pelo tributo, ficaram fora do grupo de situações compreendido pela regra de incidência. Por exemplo, se o legislador, ao instituir imposto sobre os fatos do grupo "Y", arrolar as subespécies "5'3" a "y8", estará deixando no campo da não- incidência pura e simples outras subespécies do referido grupo, Como vimos, as diferenças entre as. várias formas de não- incidência dizem respeito à técnica legislativa.. Se o ordenamento jurídico declara a situação não tributável, em preceito constitucional, temos a hipótese de imunidade tributdria. Se a lei exclui a situação, subtraindo-a da regra de incidência estabelecida sobre o universo de que ela faz parte, temos a isenção. Se o . fato simplesmente não é referido na lei, diz-se ele pertencente ao campo da não incidência pura e simples, ou da não-incidencia, tout court. Alão se nega que essas diferenças de técnica legislativa tenham relevância. O que se afirma é que não há diferença substancial entre as várias formas de que se pode revestir a não-incidência. Obviamente, a alteração de uma imunidade demandaria reforma constitucional (o que pode esbarrar no disposto no art. 60, § 4", IV, da Constituição, pois a imunidade fii inserida entre os direitos e garantiaS individuais: art 1.50, VI) A tributação de unia situação isenta depende da revogação do preceito definidor da isengão, E a tributação de uma situação que não se encontra abrangida por nenhuma regra de incidência depende da edição de norma que positive a tributação da hipótese. 12 Processo n" I 3830001755/2005-13 SI-C113 Acórdao n " 1103-00374 Fl 7 No embalo das lições de Luciano Amaro, na sequência, analisa-se arguição do acórdão a quo que traz outro marco da legislação tributária ordinária que normatiza as operações das cooperativas. Trata-se da Lei if 10,865/2004 que por seu artigo 39 declarou "isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL," as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica, com vigência a partir de 01.01.2005 (art. 48). Disso, o digno relator a quo concluiu que "até 31/12/2004, não há que se filar em não incidência de CSLI, sobre o resultado da sociedade cooperativa, qualquer que seja a denominação adotada, sejam esses resultados decorrentes de atos cooperativos ou não" (il. 190). Todavia, mais uma vez, peço vênia para discordar da inferência suso reproduzida. As conclusões extraídas dos citados artigos 39 e 48 e utilizadas para decretar a improcedência da impugnação, embora lógicas em tese, não podem prosperar no caso em tela, pois o art, 39, com todo o respeito a quem pensa diferente, ao decretar uma isenção para uma situação de não incidência, mostrou-se inócuo . Nesse pensamento, aproveitando os ensinamentos de Luciano Amam, antes reproduzidos, que, evidentemente, não contemplam a estranha situação de conceder isenção para uma situação de não incidência, mostram-se Ateis para estudar o caso, o que se extrai da parte em que o reconhecido tributarista explica que "a tributação de uma situação isenta depende da revogação do preceito definidor da isenção". A partir disso, raciocinando em sentido inverso, tem-se como obvio que "a concessão de uma isenção implica revogação do preceito definidor da tributação", afirmação que expõe o equivoco da lei, pois no caso abarcado pelo art.. 39 não existe tal preceito definidor da tributação, por ser caso de não incidência, De outra parte, inferir que a malsinada disposição legal, ao conceder a inusitada isenção autorizou concluir que antes dela as sobras apuradas pelas cooperativas eram tributadas, 6 admitir que a lei ordinária possa retroagir em situações outras que não as previstas no art. 106 do CTN. Por fim, cumpre mencionar que são reiteradas as decisões do ST.1 e do CARF que reconhecem a improcedência da exigência de CSLL nos termos do aqui discutido, cujas decisões, basicamente, são apoiadas na arguição da não incidência. Para exemplificar, abaixo se transcreve a ementa do AgRg no Resp 1037701/ES, processo 2008/0050914-5, relatado pelo Ministro Humberto Martins, da Segunda Turma (Dje 08/08/2008): TRIBUTÁRIO NATUREZA JURÍDICA DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - ATOS COOPERATIVOS EXCLUSIVAMENTE REALIZADOS ENTRE A COOPERATIVA E SEUS ASSOCIADOS - NÃO- INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA IN CASU - SÚMULA 7/STI - MATÉRIA CONSTITUCIONAL COMPETÊNCIA DO STF 13 . A incidência da Contribuição Social Sabre o Lucro, CSLL, sobre atos cooperativos, traduz, em essência, a controvérsia destes autos - 2 A prática de atos cooperativos, realizados na forma descrita na Lei n, 5.764/71, não colzfigura hipótese de incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro — CSLL sobre tais atos, caracterizando-se, consequentemente, indevida. 3. A não-incidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do S.TI, em casos de cooperativas, restringe-se a atos cooperadas praticados exclusivamente entre a cooperativa e seus associadas 4. In casa, o acórdão a quo declarou que os atos realizados pela ora agravada revelam-se estritamente cooperativos, ou seja, entre a cooperativa e seus associados, segundo prevêem as disposições da Lei n. 5 674/71. Logo, diante de tal delineamento incabível o exame pela via estreita do especial, por /Oro no disposto na Súmula 7/STJ, pois não há como determinar a alegada incidência da CSLL, que pressupõe a prática de atos não-cooperativos Agravo regimental improvido. Ainda, e também para ilustrar, cola-se ementa que decidiu matéria similar perante o CARF (Ac, 10l-97A04, 04/02/2009): CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — BASE DE CÁLCULO — As sobras obtidas pelas Sociedades Cooperativas conz seus associados não se configuram como lucro, não subsumindo, portanto, a incidência da contribuição social Exegese do art. 3" da Lei n. 5..764/71 e arts 1" e 2" da Lei n. 7.689/88. Por tudo isso e, principalmente, por entender que as sobras se situam fora do campo de incidência da CSLL, voto pelo reconhecimento da insubsistência parcial do lançamento de CSLL, isto 6, na parte em que a exigência incidiu sobre as sobras, correspondente a R$ 5.495.227,41 (2000) e R$ 171,301,31 (2001), com CSLL de, respectivamente, R$ 507.328,18 (R$ 509.811,24 — R$ 2.483,06) e R$ 15,417,13 (R$ 17.153,21 — R$ 1.736,08). Em decorrência, também sucumbem os juros de mora e a multa de oficio, incidentes sobre esses valores. Ainda, se ausente exigência principal, também perece a obrigatoriedade de antecipações de CSLL por estimativa. Com isso perece a multa isolada imposta pelo fisco neste mesmo auto de infração. Poderia persistir uma pequena parcela da multa isolada, isto 6, a incidente sobre as estimativas que deveriam ter sido recolhidas sobre os lucros das atividades não cooperativas, de R$ 27.589,59 (2000) e RS 19.289,90 (2001), sobre os quais foi exigida CSLL de, respectivamente, R$ 2.483,06 e R$ 1,736,08. Porém, tend() em vista que a multa isolada foi calculada englobadamente, sobre as sobras e os lucros, não é possível identificar e localizar no correspondente mês a multa isolada relacionada à CSLL mantida nos dois anos. Assim, também por essa razão, a multa isolada, cujo percentual foi reduzido pela DRJ de 75% para 50% em razão da retroatividade benigna (Lei if 11 488/2007, art. 14), deve ser afastada integralmente. Obi 14 Processo n" 13830 001755/2005-13 S1-C1T3 Acôrdiio o " 1103-00.374 Fl 8 Todavia, mesmo que fosse possível identificar a estimativa exigivel sobre os resultados de atos estranhos à atividade cooperada, o que se admite para possibilitar a argumentação, ainda assim a multa isolada não poderia subsistir, pelo fato de ter sido aplicada eIT1 concomitância corn a multa de oficio . Nesse passo, inicialmente, 6 de ressaltar que na época da ocorrência dos fatos, a matéria ainda era regulada pela redação original do art. 44 da Lei IV 9.430, de 1996, na forma como reprisada no art. 957 do RIR199, isto 6, antes da redação introduzida pelo art. 14 da Lei n°11.488/2007, Aliás, foi essa nova redação que efetivamente criou a base legal para a exigência de multa isolada quando constatada falta de recolhimento de estimativa, 0 art, 44, na data da ocorrência dos fatos em tela, tinha a seguinte redação: Art 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou difèrença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento nos caso de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acre's-chi -to de multa moratoria, de . falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso .seguinte,' .1 Parágrafo linico. As multas de que trata este artigo .serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos,. ri IV isoladamente, no caso de pessoa juridica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art .2 que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente. Como se vê, o comando legal transcrito não autoriza a simultânea aplicação, sobre urna mesma base, da multa referida no inciso I do parágrafo único e da multa referida no inciso IV desse mesmo parágrafo . Aliás, conforme já antecipado, a determinação do inciso IV sequer se subsume ao disposto no caput do artigo 44, ao menos na redação anterior As modificações inseridas pelo art. 14 da Lei n" 11,488/2007, que 6 a reproduzida acima. Segundo o caput, a base de cálculo das multas, tanto das ordinárias como das isoladas, é totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", e a estimativa 6 uma mera antecipação que não caracteriza tributo devido . E mesmo que se pudesse ter dúvida sobre a precisa interpretação acerca da simultânea aplicação das multas em questão, socorre a recorrente o artigo 112 do CTN que diz: 15 Art 112, A lei tributária que define infrações, ou The confirm penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto. I — à capitulação legal do/ato; ii — li natureza ou ás circunstáncias materiais do fato, ou a natureza ou extensão dos seus efeitos; iii -- à autoria, imputabilidade, ou punibilidade,. IV— a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ademais, é farta a jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido de inadmitir a concomitância da multa de oficio e da multa isolada sabre uma mesma base de cálculo. Inclusive, há decisões da Camara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa reproduzida no voto do acórdão I 02-48852 que está vazada nos seguintes termos: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÁNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão (2SRF n" 01-04,987 de 15/06/2004), Há outras decisões recentes, a exemplo da relatada por Alexandre Barbosa Jaguaribe, também abaixo reproduzida: MULTA ISOLADA — A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante manor. Pelo principio da absorção ou consungão, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que não ocorreu no presente lançamento (Ac 103-23,386, de 05/03/2008). Nesse panorama, mesmo que a CSLL e seus consectdrios acréscimos legais fossem mantidos, ainda assim a multa isolada não poderia prosperar. Por fim, considerando persistir CSLL, de R$ 1483,06 (2000) e de R$ 1336,08 (2001), remanesce também multa de oficio, de 75%, sobre esses valores . Por essa razão este julgamento deve enfrentar a arguição, trazida no recurso voluntário, de que "a multa de oficio é confiscatária e que deveria ser adequada a sua finalidade legal de punir e prevenir, dentro das disposiçães constitucionais que regem e limitam a sua aplicação" 219). Tal pedido, todavia, não pode ser acolhido, pois a Constituição Federal, par seu art. 150, inc. IV, apenas veda a utilização "de tributo com efeito de confisco". E a multa de oficio não é tributo, mas penalidade pecuniária, que, no caso, tem previsão legal rio art. 44 da Lei IV 9.430/96, Diante disso, considerando que a arguição apresentada pela recorrente, indiretamente, propõe o exame de constitucionalidade de norma legal, e considerando que essa matéria é de competência exclusiva do Poder Judiciário, notadamente do Egrégio Supremo 16 Processo n" 13830 001755/2005-13 S1-C1 13 Ace)! drio " 1103-00,374 Fl . 9 Tribunal Federal, não é possível conhecer a reivindicação. Ademais, as normas regimentais não permitem "aos membros das turmas de julgamento do CARE *star aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Ante essas considerações, dou provimento parcial a recurso, para afastar a exigência da CM, calculada sobre as sobras das atividades cooperadas e para afastar a multa isolada, de 50% sobre as pretensas estimativas. Assim, por outro lado, voto pela manutenção parcial do crédito de CSLL, constituído neste processo, de R$ 1.483,06 (31/12/2000) e de R$ 1..736,08 (2001) acrescidos de multa de oficio de 75% e de juros de mora, calculados pela taxa Selic ou de 1% no Ines do pagamento, nos termos da 1 gislação de regência. Gen a to Nicolau cktenva d - Re ator 17
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902636/2015-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 36 /2 01 5- 24 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2484, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 236.273,46. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de CSLL a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902636/201524 Acórdão n.º 1301003.559 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902636/201524 Acórdão n.º 1301003.559 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 16624.000763/2008-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme o decidido pelo STF no julgamento do RE nº 398.365/RS, submetido à sistemática do art. 543B (Repercussão Geral) do antigo CPC, o princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero.
CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE.
Não geram direito ao crédito de IPI, as aquisições de energia elétrica, pois esta não é consumida em contato direto com o produto, portanto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19.
CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL.
Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS, ISENTOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o decidido pelo STF no julgamento do RE nº 398.365/RS, submetido à sistemática do art. 543B (Repercussão Geral) do antigo CPC, o princípio da não cumulatividade não assegura direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito ao crédito de IPI, as aquisições de energia elétrica, pois esta não é consumida em contato direto com o produto, portanto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19. CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 07 63 /2 00 8- 19 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 16624.000763/200819 Acórdão n.º 3002000.488 S3C0T2 Fl. 103 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Restituição de IPI, referente ao 4º trimestre de 2004, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos na aquisição de energia elétrica, que se enquadrariam na sistemática da não cumulatividade do imposto. Através do Despacho Decisório nº 257/2008 (fls. 24/28), a DRFGuarulhos indeferiu o pleito da contribuinte. Irresignada com essa decisão, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 43/57), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 16624.000763/200819 Acórdão n.º 3002000.488 S3C0T2 Fl. 104 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 125/128), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao pleito de reconhecimento do suposto direito ao crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de energia elétrica pelo estabelecimento industrial. Ademais, assevera a contribuinte que faz jus a tal crédito, tendo em vista que, segundo ela, a Constituição Federal, ao prescrever a não cumulatividade, garantiu o aproveitamento de créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. Por fim, em seu Voluntário, a ora recorrente também alega que seu crédito deve sofrer a incidência de correção pela taxa Selic desde a data de aquisição dos produtos. Sem mais delongas, afirmemos que não assiste razão à recorrente em nenhuma das matérias suscitadas, sobre as quais o entendimento jurisprudencial, tanto administrativo, quanto judicial, encontrase devidamente pacificado. Assim, quanto ao suposto direito ao creditamento sobre as aquisições de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento, no julgamento do RE nº 398.365/RS, submetido à sistemática do art. 543B (Repercussão Geral) do antigo CPC, de que o princípio da não cumulatividade não assegura direito ao crédito presumido de IPI ao adquirente de produtos nessas situações. Reproduzse, abaixo, a ementa daquele julgamento: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3.Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os Fl. 104DF CARF MF Processo nº 16624.000763/200819 Acórdão n.º 3002000.488 S3C0T2 Fl. 105 4 princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Por outro lado, o art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do antigo Código Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ......................................................................................................... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Superada a questão principal da lide sob análise, seria desnecessário adentrar nas outras matérias, contudo, por preciosismo, passamos a analisálas. Quanto ao aproveitamento de créditos de IPI, oriundos da aquisição de energia elétrica, além do óbice anterior, temos a impossibilidade de creditamento gerada pelo fato do insumo não se amoldar aos conceitos de matériaprima ou de produto intermediário da legislação sobre o IPI, pois, de fato, a energia elétrica não se consome no contato direto com o produto fabricado. O entendimento esposado acima encontrase pacificado no âmbito dessa Corte, conforme demonstra, por exemplo, o Acórdão n º 9306006.685, transcrito na parte que interessa ao julgamento da presente matéria: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 16624.000763/200819 Acórdão n.º 3002000.488 S3C0T2 Fl. 106 5 IPI CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Súmula Carf n.º 19. Conforme consignado no Acórdão reproduzido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já optou por sumular o entendimento sobre essa matéria através da Súmula CARF nº 19, a qual foi atribuído efeito vinculante para toda a Administração Pública Federal, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Por fim, restanos analisar a questão da correção pela taxa Selic. Nessa matéria, o Superior Tribunal de Justiça já manifestou entendimento no sentido de que não cabe a correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI por ausência de previsão legal, contudo, ocorrendo oposição estatal ilegítima à utilização desses créditos, nasce a necessidade da correção, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Tal tese jurídica foi esposada no julgamento do REsp 1.035. 847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, como já mencionado, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 16624.000763/200819 Acórdão n.º 3002000.488 S3C0T2 Fl. 107 6 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Ademais, em decorrência da posição recorrentemente assentada naquela Corte Superior, foi editada a Súmula STJ nº 411, que possui a seguinte ementa: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Portanto, em se tratando de créditos escriturais de IPI, via de regra, não incide a correção monetária, contudo, existindo oposição ilegítima por parte do Estado à sua efetiva utilização pelo contribuinte, é devida a correção pela taxa Selic. No caso em tela, não se verifica nem mesmo o direito ao crédito pleiteado, muito menos, portanto, oposição ilegítima por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16624.000763/200819 Acórdão n.º 3002000.488 S3C0T2 Fl. 108 7 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.011868/2002-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
Diante de situações que não se comunicam, não se torna possível demonstrar a divergência entre as decisões recorrida e paradigma, restando não atendido requisito de admissibilidade de recurso especial previsto pelo art. 67, Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luís Flávio neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. Diante de situações que não se comunicam, não se torna possível demonstrar a divergência entre as decisões recorrida e paradigma, restando não atendido requisito de admissibilidade de recurso especial previsto pelo art. 67, Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luís Fabiano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 18 68 /2 00 2- 76 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 376 2 Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luís Flávio neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de recurso especial (efls. 168/171) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 180300.479 (efls. 159/163), da sessão de 8 de julho de 2010, proferido pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento ao recurso voluntário do HOSPITAL SANTA LUZIA ("Contribuinte"). Os presentes autos versam sobre reconhecimento de direito creditório, no qual foi apresentado pedido de compensação (efl. 1), relativo a pagamento a maior ou indevido de REFIS. Despacho Decisório (efls. 116/118) decidiu não homologar a compensação, por entender que todos os pagamentos efetuados pela Contribuinte e relacionados no pedido de compensação como indevidos ou a maior teriam sido utilizados na amortização do saldo devedor da conta REFIS, ou seja, não havia crédito disponível. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 124/126), no qual protesta que a decisão administrativa teria incorrido em vício de fundamentação, o que teria tornado inviável a sua defesa. A contestação foi apreciada pela 4ª Turma da DRJ/Brasília, no Acórdão nº 0324.598. Entendeu o Colegiado que, ao contrário do aduzido pela Contribuinte, os itens 7 a 10 do Despacho Decisório seriam claros em relação à demonstração de que os pagamentos apresentados como indevidos ou a maior seriam, na realidade, devidos, por se referirem a parcelas devidas do REFIS, conforme as provas dos autos demonstraram, e por isso não haveria que se falar em cerceamento da defesa por falta de documentação. Nesse sentido, decidiu para indeferir a manifestação de inconformidade. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (efls. 134/140). Preliminarmente, arguiu pelo reconhecimento da homologação tácita, vez que o despacho decisório que indeferiu do reconhecimento do direito creditório teria sido proferido em lapso temporal superior a cinco anos do protocolo do pedido de compensação. No mérito, aduz que o crédito foi reconhecido pela Receita Federal, conforme cópia do extrato de conta REFIS. A 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, no Acórdão nº 1803 00.479, decidiu dar provimento ao recurso voluntário. Discorreu sobre "Preliminar de preterição do direito de defesa", no qual, ao apreciar as provas dos autos, concluiu que não estaria claro se o direito creditório existiria ou não, e, nesse sentido, acolhe os argumentos da manifestação de inconformidade no sentido de que o despacho decisório teria incorrido em falta de fundamentação. Ao final o voto é "no sentido de ACOLHER preliminar de preterição do direito de defesa e, em consequência, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 377 3 CONSIDERAR tacitamente homologada a compensação de fl. 1". Segue transcrição da ementa da decisão: DESPACHO DECISÓRIO DE DRF. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE EXPLICITAÇÃO CLARA DO MOTIVO DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO. ACOLHIMENTO DA PRELIMINAR. Acolhese a preliminar arguida de preterição do direito de defesa em relação a despacho decisório de Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) que não explicita claramente o motivo do indeferimento do pedido. A PGFN interpôs recurso especial, no qual aduz que, reconhecido o cerceamento de defesa, os autos deveriam ser encaminhados para a turma de primeira instância, conforme entendimento do paradigma nº 10708.148. Discorre que enquanto a decisão recorrida entendeu ter havido cerceamento do direito de defesa e, na sequência, apreciou o mérito, a decisão paradigma determinou o retorno dos autos à instância anterior. Requer pelo provimento do recurso especial para reformar a decisão recorrida e pela devolução dos autos para a turma de primeira instância. Despacho de Exame de Admissibilidade (efls. 181/182) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 198/204). Aduz em preliminar a inadmissibilidade do recurso, com base no art. 67, do RICARF, em dispositivo que informa que não cabe recurso especial de decisão que, "na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância", o que teria ocorrido nos presentes autos. Ainda, a PGFN não teria demonstrado a divergência analiticamente com indicação dos pontos do paradigma que divirjam da decisão recorrida, e apresentação de cópia do inteiro teor do acórdão paradigma ou cópia da publicação em que tenha sido divulgado. No mérito, aduz que restou demonstrada a nulidade do despacho decisório que rejeitou o pedido de compensação por ausência de fundamentação, que é casu a de nulidade consoante art. 59, inciso II do PAF. Acrescenta que a resolução imediata do mérito justificase com base no art. 59, § 3º do PAF, ao predicar que quando "puder se decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Pugna também pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos, para reconhecer a homologação tácita da compensação. Requer pela inadmissibilidade do recurso especial e, caso conhecido, pela sua improcedência. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 378 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Aduz a recorrente que, se a decisão recorrida entendeu que teria havido preterição ao direito de defesa, não poderia ter julgado o mérito, ou seja, os autos deveriam ter sido remetidos para a instância que incorreu no vício. Observase que o valor tutelado é a supressão de instância. Sobre a admissibilidade do recurso especial da PGFN, em contrarrazões protesta a Contribuinte pelo seu não conhecimento. De fato, há que se apreciar se as situações apresentadas pelos presentes autos e pelo paradigma guardam a similitude necessária para se verificar se houve efetivamente interpretação divergente da legislação tributária. A decisão recorrida, na "Conclusão" do voto, dispôs: Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ACOLHER a preliminar arguida de preterição do direito de defesa e, em consequência, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para CONSIDERAR tacitamente homologada a compensação de fls. 1. A preliminar de "preterição de direito de defesa" foi arguida pela Contribuinte na manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, os argumentos trazidos foram a homologação tácita e, no mérito, que o direito creditório estaria comprovado em extrato do REFIS emitido pela Receita Federal. Registrese que aqui não se faz juízo de valor da decisão recorrida. O que se constata é que o Colegiado da turma a quo acolheu argumento aduzido em manifestação de inconformidade. E, na apreciação da matéria "preterição de direito de defesa", a decisão recorrida apreciou os documentos e provas dos presentes autos, para verificar a liquidez e certeza do direito creditório. Sucede, porém, que, volvendose os olhos para o referido relatório de fls. 34, o que nele se observa é a existência de um crédito em favor da recorrente, no valor de R$ 34.733,65, mesmo valor pleiteado no pedido de compensação de fls. 1: Na sequência, discorre sobre outro extrato do REFIS, de onde extrai a seguinte constatação: É certo que, do relatório de fls. 30, a seguir transcrito, aparentemente aquele saldo foi revertido, mas isso não ficou Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 379 5 claro nem para a Recorrente, nem para este Relator. Terá desaparecido o crédito acima apontado? A decisão recorrida então adota os argumentos trazidos pela manifestação de inconformidade (designada como "impugnação") para decidir: Nesse sentido, reclama a Recorrente, em sua impugnação de fls. 42 a 44: Hospital Santa Luzia, já qualificado nos autos em epígrafe vem, em resposta ao despacho decisório de folhas 36 a 38, expor e requerer o que se segue. Referido despacho mostra, ao longo das páginas 36 e 37, que o Hospital tomou adequadamente todas as medidas para realizar a compensação negada. Conclui, entretanto, à folha 38, sem fundamentação alguma, que "todos os pagamentos, elencados pela Contribuinte (fls. 02 a 06) como sendo indevidos ou a maior são, ao contrário, devidos", Ocorre que tal conclusão não vem fundamentada no despacho. A falta de fundamentação impede, inclusive, que se saiba se a diferença a maior que seria devida, segundo a DIORT, referese à diferença de cálculos do saldo devedor do próprio REFIS, ou se ao cálculo de valores pagos pelos tributos com relação aos quais se requereu a compensação com parcelas do REFIS de pagamentos indevidos a maior, na solicitação de compensação cuja homologação agora é negada. Dessa forma, fica completamente inviável a defesa do contribuinte. [...]. Por fim, importante lembrar que o pedido de compensação foi protocolado em 2002, de forma que é difícil a reunião de todos os documentos necessários a uma defesa adequada quanto mais quando a fundamentação do despacho que nega a homologação é tão superficial que nem ao menos indica claramente onde estão as diferenças que menciona. Por todo o exposto, requer o Hospital Santa Luzia seja clara e explicitamente indicado onde está a diferença paga a maior, segundo o Hospital, e devida, segundo a DIORT que fundamenta a negativa de homologação da compensação, de forma que o Hospital possa saber se a Receita entende devida parcela maior dos tributos utilizados para compensação, ou se o saldo devedor do REFIS restante após a compensação de algumas das parcelas do financiamento com os tributos mencionados, para que proceda sua defesa. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de ACOLHER a preliminar arguida de preterição do direito de defesa e, em consequência, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para CONSIDERAR tacitamente homologada a compensação de fls. 1. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 380 6 Registrese ainda que a menção à homologação tácita da compensação só consta na conclusão do voto, não havendo nada escrito sobre o assunto antes. Tampouco consta na ementa da decisão: DESPACHO DECISÓRIO DE DRF. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE EXPLICITAÇÃO CLARA DO MOTIVO DO INDEFERIMENTO DO PEDIDO. ACOLHIMENTO DA PRELIMINAR. Acolhese a preliminar arguida de preterição do direito de defesa em relação a despacho decisório de Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) que não explicita claramente o motivo do indeferimento do pedido. O que se observa é que, apreciando as provas dos autos, entendeu a decisão recorrida que consta documento no qual se demonstra o direito creditório, e outro em que supostamente teria o crédito sido revertido, e que tal situação teve como consequência uma falta de fundamentação do despacho decisório que não homologou a compensação, o que teria inviabilizado a defesa da Contribuinte. A princípio, poderseia entender que as decisões anteriores (despacho decisório e acórdão da DRJ) não teriam apreciado as provas e documentos dos presentes autos, e não teriam se manifestado sobre o mérito, e, por isso, teria restado caracterizado o cerceamento ao direito de defesa, por falta de fundamentação. Contudo, não é o que ocorreu nos presentes autos. Transcrevo excerto do despacho decisório: 7. Os pagamentos relacionados pela Contribuinte, às fls. 02 a 06, foram confirmados pelo relatório do sistema Sinal 01/Consulta pagamento, à fl. 27. 8. Ao consultar o sistema Refis/Contacorr/Consulta/Consextrat, fls. 31 a 34, constatouse que todos os pagamentos efetuados pela Contribuinte, e relacionados na Declaração de Compensação como indevidos ou a maior, foram utilizados na amortização do saldo devedor da conta Refis. 9. Após o pagamento recolhido em 28/12/01, no valor de R$ 11.288,21 (fl. 02), realizado pela Interessada, ainda restou saldo devedor, conforme pode ser constatado pelo relatório à fl. 34. A conta Refis só foi liquidada em 15/01/05, e encerrada em 16/08/05, conforme relatório à fl. 30. 10. Portanto, todos os pagamentos, elencados pela Contribuinte (fls. 02 a 06) como sendo indevido ou a maior, são, ao contrário, devidos. Aqui, excerto do voto da DRJ: A questão dos autos trata da não homologação de compensação pleiteada pelo contribuinte em Pedido de Compensação, tendo em vista que o pretenso crédito do sujeito passivo se refere a pagamentos devidos ao Refis, portanto, inexistente. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 381 7 A reclamação da interessada não procede pois os itens 7 a 10 do Despacho Decisório são claros quanto à demonstração de que os pagamentos apresentados como indevidos ou a maior são devidos, visto que se referem às parcelas devidas ao Refis. (ver folhas 02 a 06, 27,31 a 34). Daí que não há como alegar cerceamento da defesa por falta de fundamentação, pois os documentos mostram com clareza que os pagamentos considerados pela contribuinte como indevidos são devidos, visto tratarse de recolhimentos no código de receita 9100 referente ao Programa de Recuperação Fiscal Refis. Analisando o teor das decisões, verificase que a discussão concentrase na valoração das provas. Entenderam que os documentos são suficientes para demonstrar que os pagamentos teriam sido integralmente utilizados para quitar os débitos de REFIS, e por isso não haveria que se falar em direito creditório. Assim, estariam fundamentadas as decisões, com base nos elementos probatórios dos autos. Por outro lado, a decisão recorrida entendeu que os documentos disponibilizados nos autos não estariam suficiente claros para concluir sobre a inexistência do direito creditório e, por isso, para indeferir o pedido de compensação. Transcrevo novamente constatação do voto: É certo que, do relatório de fls. 30, a seguir transcrito, aparentemente aquele saldo foi revertido, mas isso não ficou claro nem para a Recorrente, nem para este Relator. Terá desaparecido o crédito acima apontado? Evidenciase que, no reexame das provas efetuada pela decisão recorrida, remanesceu dúvida sobre a incerteza do crédito. Assim, o despacho decisório, ao concluir que "todos os pagamentos, elencados pela Contribuinte (fls. 02 a 06) como sendo indevidos ou a maior são, ao contrário, devidos", não estaria devidamente fundamentado, o que teria ocasionado preterição do direito de defesa. Vale observar: a conclusão no sentido de que houve cerceamento do direito de defesa deuse em face da valoração das provas efetuada pela decisão recorrida. E mais: não há que se falar em supressão de instância na valoração das provas. As provas foram examinadas pela DRF, pela DRJ e pela decisão recorrida. Passo ao exame do paradigma. No Acórdão nº 10708.148, consta no voto: Examinandose o VOTO contido no Acórdão (fls. 468/473), verifico que os valores das glosas lançadas pela fiscalização, mantidas pela decisão, apresentam valores diferentes dos demonstrados ao seu final (fls. 474), como veremos: (...) Totalizando os valores com glosa mantida, reproduzidos na tabela acima, chegase ao valor de R$196.350,10, enquanto o valor considerado para apuração dos ajustes, foi de somente R$99.887,73, demonstrando por conseguinte, divergência significativas de valores, indicando lapso no acórdão, caracterizando inexatidão material. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 382 8 Registro ainda que considero a decisão não suficientemente fundamentada, nem motivada, pois são apresentados breves "comentários", não justificando, nem a manutenção das glosas, nem a sua exclusão, implicando em preterição ao direito de defesa. Não vislumbro, aqui, a possibilidade de sanar os vícios observados, através de simples embargos. Pelo acima demonstrado, considero padecer o acórdão recorrido, além de vicio material, também de vicio de nulidade, por ter a decisão sido proferida com preterição do direito de defesa (art. 59, II do Decreto 70.235/72), devendo o órgão recorrente, providenciar novo julgamento da impugnação, com apreciação de todo o processo, inclusive as provas e argumentos trazidas por ocasião do recurso voluntário, acatandoos como complemento de impugnação, em atenção ao que determina do o Processo Administrativo Fiscal, em sua atual versão. Observase que no paradigma não se fala em valoração de provas, mas, primeiro, em vício material em relação aos valores das glosas lançadas pela fiscalização. Segundo, considera que a decisão não teria sido suficientemente fundamentada por teriam sido apresentados "breves comentários", sem se justificar a manutenção, tampouco a exclusão das glosas, o que acarretaria em preterição ao direito de defesa. Por isso, determinou o retorno dos autos para a turma a quo, para providenciar novo julgamento com apreciação inclusive das provas e argumentos trazidos pelo recurso voluntário: Pelo acima demonstrado, considero padecer o acórdão recorrido, além de vicio material, também de vicio de nulidade, por ter a decisão sido proferida com preterição do direito de defesa (art. 59, II do Decreto 70.235/72), devendo o órgão recorrente, providenciar novo julgamento da impugnação, com apreciação de todo o processo, inclusive as provas e argumentos trazidas por ocasião do recurso voluntário, acatandoos como complemento de impugnação, em atenção ao que determina do o Processo Administrativo Fiscal, em sua atual versão. Observese que o paradigma, a respeito da preterição do direito de defesa, chegou a tal conclusão porque entendeu que a decisão sob análise não teria justificado a exclusão ou manutenção das glosas. Assim, tutelandose a supressão de instância, determinou o retorno dos autos, para apreciação da matéria pela turma a quo. Por sua vez, a decisão recorrida contestou diretamente a valoração de provas efetuada pelo despacho decisório e o acórdão da DRJ. Como já dito, tanto o despacho decisório emitido pela DRF quanto a decisão da DRJ entenderam, expressamente, que as provas acostadas aos autos eram suficientes para demonstrar que os pagamentos efetuados foram integralmente aproveitados na quitação das obrigações do REFIS, e assim não haveria que se falar em direito creditório. E a decisão recorrida, em um reexame das provas, entendeu que os documentos dos autos não seriam conclusivos no sentido de que o crédito pleiteado não seria existente. Não houve supressão de instância no exame das provas relativas à liquidez e certeza do crédito tributário. De fato, não faria nenhum sentido a decisão recorrida determinar o retorno dos autos para nova apreciação das provas, tendo em vista que tal tarefa já havia sido efetuada pelas decisões anteriores. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10166.011868/200276 Acórdão n.º 9101003.946 CSRFT1 Fl. 383 9 São situações processuais que não se comunicam. No paradigma, sem que fosse efetuado um reexame de provas, determinouse o retorno dos autos, por entender que a decisão não estaria adequadamente motivada, e para que fosse apreciada a documentação probatória apresentadas em recurso voluntário, além de providenciar a correção de vícios materiais, em clara tutela à supressão de instância. No recorrido, uma vez realizado o reexame de provas, concluiuse que o exame probatório do despacho decisório não teria sido suficiente para fundamentar a decisão. Ou seja, centrouse o recorrido na valoração das provas dos autos, razão pela qual não houve retorno para as instâncias a quo (que já haviam feito o exame probatório), vez que o reexame das provas não implicaria em supressão de instância. Não se mostra possível, portanto, aplicar a decisão paradigma para reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.728039/2009-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-007.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.720964/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.720964/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 39 /2 00 9- 10 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 274 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas a título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o sujeito passivo argui serem as verbas indenizatórias, nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, e cita como exemplo o entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202007.054, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10580.720964/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202007.054): Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Permitome trazer a colação o constante do acórdão 9202 006.361, de 06 de abril de 2018, da lavra da ilustre Conselheira Rita Elisa REis da Costa Bacchieri, por irrepreensíveis: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 275 3 Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 276 4 Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1° é explícito ao prever: "Artigo 1º É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computandose a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n. 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 277 5 "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 278 6 são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 279 7 Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Diante do exposto, dou provimento do Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista decisão da maioria do Colegiado neste julgamento, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 280 8 a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada 1. Das diferenças de URV Argumenta a Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando que tais parcelas não Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 281 9 representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos. Desse modo, a verba sob análise é indenização e não salário. Além disso, sustenta a Contribuinte que, com o advento da Resolução n.º 245 do Supremo Tribunal Federal, foi dado tratamento definitivo à controvérsia, deixando claro que se cuida de verba indenizatória os abonos conferidos aos magistrados federais em razão das diferenças de URV e, por esse motivo, isentos da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Reafirmando o exposto, salienta a recorrente a edição da Lei Complementar LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, determinando a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor. Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser examinado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja pouco relevante, para fins de incidência do imposto de renda, a natureza indenizatória da verba, entendo que os valores recebidos pela Contribuinte decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Magistratura, há, de fato a Lei 8.730/2003, que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da referida lei não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Observase que a Constituição Federal exige a edição de lei específica para a concessão de isenção, conforme abaixo transcrito: Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 282 10 “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, em consonância com a exigência constitucional, destaca, em seu art. 97, que: somente a lei pode estabelecer (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Como é sabido, a isenção é uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, portanto, fazse necessária a edição de lei para a instituição de isenção. Acrescentase que o caput do art. 43 do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16 da Lei n. 4.506/64 deixam claras as regras da tributação sobre as remunerações por trabalho prestado no exercício de cargo público, hipótese dos autos, como se extrai dos trechos abaixo colacionados: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...). “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Além disso, o art. 3º da Lei 7.713/88 evidencia a determinação da incidência do IRPF sobre o rendimento bruto, pouco importando a denominação da parcela tributada, nos seguintes termos: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 283 11 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Ora, tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela Recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, reiterese, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. E, ainda que fosse considerada a natureza indenizatória da verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente da incidência do imposto de renda. 2. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 284 12 (...) XIV. os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.728039/200910 Acórdão n.º 9202007.061 CSRFT2 Fl. 285 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722388/2014-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Havendo carência de fundamentação no lançamento atinente a classificação de mercadorias, este é improcedente, e deve ser afastado, no mérito, não se tratando a hipótese de nulidade.
Numero da decisão: 3401-005.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência de fundamentação no lançamento.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Havendo carência de fundamentação no lançamento atinente a classificação de mercadorias, este é improcedente, e deve ser afastado, no mérito, não se tratando a hipótese de nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, por carência de fundamentação no lançamento. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 23 88 /2 01 4- 87 Fl. 290DF CARF MF 2 (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório da DRJ de piso (efls. 176 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: “Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 03/05, lavrado em 24/03/2014, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 753.951,10. Segundo a descrição dos fatos de fls. 04/05 e o termo de verificação fiscal de fls. 19/46, no período de janeiro/2011 a dezembro/2012, houve falta de lançamento de IPI, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e alíquota menor do imposto. Foram constatadas as seguintes irregularidades: saída dos produtos Masterbatches PPCG 50020, PEDL 5096, PECG 5050 e PPCG 5855, equivocadamente classificados na NCM 3206.11.30, alíquota de 0%, quando o correto seria a classificação na NCM 3824.90.39, alíquota de 10%; saída do produto Masterbatch PSCG 5112, equivocadamente classificado na NCM 3206.19.90, alíquota de 0%, quando o correto seria a classificação na NCM 3824.90.39, alíquota de 10%; saída do produto Masterbatch EVAPR 8074, equivocadamente classificado na NCM 3206.49.90, alíquota de 0%, quando o correto seria a classificação na NCM 3824.90.39, alíquota de 10%; saída dos produtos Masterbatches PEAD 5117 e PECG 5094, equivocadamente classificados na NCM 3901.10.91, alíquota de 5%, quando o correto seria a classificação na NCM 3824.90.39, alíquota de 10%; saída do produto Masterbatch PPRF 10149, equivocadamente classificado na NCM 3902.10.10, alíquota de 5%, quando o correto seria a classificação na NCM 3824.90.39, alíquota de 10%. Em virtude da existência de saldos credores de IPI nos períodos objeto do lançamento, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (fls. 15/16) e exigida somente a multa de ofício de 75%, no valor de R$ 753.951,10 calculada sobre os valores de IPI não lançados pela contribuinte. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 77/85 alegando, em síntese, que: os masterbatches são oriundos da composição e mistura de diversas substâncias química resultando em uma das principais matériasprimas dos plásticos em geral, sendo, assim, Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10580.722388/201487 Acórdão n.º 3401005.394 S3C4T1 Fl. 291 3 consumido por grande parte da indústria plástica; eles podem ser aplicados em praticamente todas as resinas e em quase todos os processos de transformação de termoplásticos, podendo ser definidos como transformadores da indústria plástica; o auto de infração contém vícios formais e materiais, eis que não logra êxito em demonstrar a ocorrência de qualquer infração por parte da impugnante; caracterizamse a precariedade do trabalho fiscal e vício no lançamento tributário, o qual deve ser motivado, atestar a ocorrência da infração e conter clara e direta descrição não só do ilícito cometido como também dos critérios adotados; o valor do imposto supostamente recolhido de forma insuficiente foi calculado de forma incorreta, o que, por si só, resulta invariavelmente na nulidade do lançamento; causa estranheza que a coluna denominada v.ipi contenha valores negativos como –0,1, 0,9 ou –3,77, já que em nenhum momento a impugnante realizou recolhimentos negativos de IPI; no demonstrativo de cálculo do IPI, em relação às operações tributadas pela impugnante à alíquota 5%, a imposição pela fiscalização da alíquota de 10% poderia apenas resultar na cobrança de valor correspondente à diferença entre essas alíquotas, ou seja, de valor correspondente ao montante já recolhido pela impugnante, mas em inúmeras situações a cobrança resultou em valor superior; embora as diferenças correspondam a valores baixos, os equívocos comprometem a confiabilidade do lançamento; o auto de infração não pode prosperar pela absoluta incorreção da reclassificação fiscal das mercadorias considerada pela fiscalização; à época da emissão dos documentos fiscais envolvidos na autuação, os produtos eram classificados da seguinte forma: PP CG 50020, PEDL 5096, PECG 5050 e PPCG 5855 na NCM 3206.11.30; PSCG 5112 na NCM 3206.19.90; PEAD 5117 e PECG 5094 na NCM 3901.10.91; PPRF 10149 na NCM 3902.10.10; e EVAPR 8074 na NCM 3206.49.90; posteriormente, a empresa decidiu reclassificar esses produtos para a NCM 3901.20.19, exceção feita ao produto EVAPR 8074, que foi mantido na NCM 3206.49.90; embora reconheça que a classificação anteriormente merecia reparos, a classificação pretendida pelas autoridades fiscais não deve prosperar em razão de sua incorreção; a classificação pretendida pela fiscalização não se pautou em corretamente adequar as especificações técnicas dos produtos, mas tão somente em desconsiderar os códigos NCM Fl. 292DF CARF MF 4 anteriormente adotados para classificar tais produtos sob classificação genérica e inapropriada; o texto da posição cuja classificação é pretendida pelo auto de infração é claro, dada sua natureza genérica, no sentido de sua aplicação em caráter excepcional, ou seja, no caso de os produtos não estarem especificados ou compreendidos noutras posições; no caso destes produtos há posição mais específica, a qual passou a ser adotada pela impugnante; a multa aplicada de 75% é confiscatória. Por fim, requereu a nulidade ou improcedência do auto de infração e protestou pela posterior juntada de todos os documentos probatórios eventualmente julgados necessários. Posteriormente, em 29/09/2014, a autuada apresentou o requerimento de fls. 135/156 e os Laudos Técnicos de fls. 157/172. (Negritos do Relator).” A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, sob a seguinte ementa: “NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte impugnar todas razões de fato e de direito elencadas no auto de infração. MASTERBATCHES PPCG 50020, PEDL 5096, PECG 5050 e PPCG 5855. Preparações para plástico a base de Carbonato de Cálcio (CaCO3) 60% 70%, dispersos em polipropileno (PP) ou polietileno (PE) 30%40%, apresentadas em pellet, dos tipos utilizados como carga, classificamse no código 3824.90.39, alíquota de 10%, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. MASTERBATCH PSCG 5112. Preparação para plástico a base de Talco 60%70%, disperso em poliestireno (PS), apresentada em pellet, do tipo utilizado como carga, classificase no código 3824.90.39, alíquota de 10%, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. MASTERBATCHES PEAD 5117 e PECG 5094. Preparações para plástico a base de Carbonato de Cálcio (CaCO3) 60% 70%, dispersos em polietileno (PE) 30%40%, apresentadas em pellet, dos tipos utilizados como carga, classificamse no código 3824.90.39, alíquota de 10%, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. MASTERBATCH PPRF 10149. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10580.722388/201487 Acórdão n.º 3401005.394 S3C4T1 Fl. 292 5 Preparação para plástico a base de Carbonato de Cálcio (CaCO3) 60% 70%, disperso em polietileno (PE) 30%40%, apresentada em pellet, do tipo utilizado como carga, classifica se no código 3824.90.39, alíquota de 10%, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. MASTERBATCH EVAPR 8074. Preparação para plástico a base de Negro de Fumo 40%50%, disperso em EVA, apresentada em pellet, classificase no código 3206.49.90, alíquota de 0%, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá la, nos moldes da legislação que a instituiu.” A Contribuinte tomou ciência da referida decisão em 08/05/2015 (efl. 244) e irresignada, interpôs recurso voluntário em 14/05/2015 (efl. 245), na qual defende, preliminarmente, a existência de vício do lançamento em razão da incorreção do cálculo utilizado para aferição do crédito estornado e da multa aplicada. No mérito basicamente reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O voto foi, no entanto, adaptado em excertos destacados por este redator Ad Hoc, em função de ter o relator original alterado seu posicionamento durante os debates, no colegiado, acolhendo o que foi objeto de consenso entre os demais membros da turma. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma se conhecimento. PRELIMINAR Fl. 294DF CARF MF 6 1. Da alegada existência de vício do lançamento em razão da incorreção do cálculo utilizado para aferição do crédito estornado e da multa aplicada Segundo a Recorrente o auto de infração possui vícios formais e materiais, e que, diante de tal fato, resulta em valor incorreto, motivo pelo qual o auto de infração deve ser anulado. Argumenta que a planilha juntada pela fiscalização não é clara e que a fiscalização aplicou a alíquota de 10% sobre valores já submetidos ao IPI. As hipóteses de nulidade são as previstas nos incisos I e II do artigo 59 do Processo AdministrativoFiscal, aprovado pelo Decreto n.º 70.235 (PAF), de 06 de março de 1972, que dispõe: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por sua vez, o art. 60 do referido PAF determina: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Conforme asseverou o acórdão recorrido, a autoridade fiscal, na Descrição dos Fatos de efls. 04/05 e no termo de verificação de efls. 19/46, descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal, bem com amparou as suas conclusões nas Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado, e também nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Além disso, às efls. 19/37, elaborou planilha demonstrando, nota fiscal por nota fiscal, os valores a serem lançados, dando ensejo à contestação por parte da impugnante. Diante do exposto, dos argumentos constantes no auto de infração e das provas carreadas, depreendese pela inexistência de cerceamento de defesa. Por outro lado, merece acolhimento a alegada incorreção da base de cálculo do IPI. Cita se o exemplo utilizado pela Recorrente: Conforme se observa, no exemplo em questão, o cálculo da autuante está equivocado ao acrescentar à base de cálculo o valor de IPI já lançado pela Recorrente. De fato, pela análise do demonstrativo verificase que o autuante, equivocadamente, incluiu na base de cálculo o IPI já lançado pela autuada, nos casos em que as saídas foram tributadas originariamente pela alíquota de 5%. Consequentemente, devem ser excluídos do auto de infração os valores do IPI lançados a maior. Portanto, deve ser reformado o acórdão recorrido neste ponto, para que haja a devida revisão/correção dos valores devidos pela recorrente a título de IPI. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10580.722388/201487 Acórdão n.º 3401005.394 S3C4T1 Fl. 293 7 Por conseguinte, esclarecese que a simples incorreção de cálculo não é capaz de gerar nulidade do lançamento, conforme determina o art. 60 do Decreto n.º 70.235/72. E, considerando que o acolhimento do referido argumento não prejudica/interfere no julgamento do mérito, adentrase ao mérito. MÉRITO Tratase de discussão inerente a classificação fiscal dos seguintes produtos: A Recorrente sustenta que adotou NCM mais adequada para cada produto; assim, foram enquadrados na subposição 3901.20.19 da NCM, com exceção do produto EVA PR 8074 que não foi reclassificado. Inicialmente, cabe salientar que a classificação de uma mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é realizada, conforme o caso, pelas disposições das seis Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das duas Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). Abaixo transcrevese a RGI/SH nº 1: “1.OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES.” A RGI/SH nº 1 dispõe que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas RGI/SH nº 2 a 6.” Nota do redator ad hoc: nesse ponto do julgamento, o colegiado passou a verificar quais os fundamentos que nortearam a reclassificação, segundo o autuante. No relatório fiscal, após apontar que foi aplicada a alíquota de 10% sobre as mercadorias constantes das notas fiscais relacionadas às fls. 19 a 37, a fiscalização defende a correção da classificação no código NCM 3924.90.39 para Masterbatches PPCG 50020, PEDL 5096, PECG 5050 e PPCG 5855 (fls. 37/38), para Masterbatch PSCG 5112 (fls. 38/40), para Masterbatch EVAPR 8074 (fls. 40 a 42), para Masterbatches PEAD 5117 e PECG 5094 (fls. 42/44), e para Masterbatch PPRF 10149 (fls. 44/46). Fl. 296DF CARF MF 8 Apesar de tratar em tópicos separados dos distintos produtos, a argumentação da fiscalização é a mesma para todos (à exceção dos Masterbatches PEAD 5117 e PECG 5094, para os quais acrescenta o fisco que a própria empresa utiliza tais códigos na exportação), no sentido de que: (a) resta afastada a hipótese de classificação na “posição pretendida”, em função de “Nota Explicativa” de posição; (b) utilizandose a RGI1, a posição aplicável é a 3824; (c) dentro de tal posição, não são aplicáveis as subposições 3824.10 a 3824.8, cabendo a classificação na subposição 3824.90, pela RGI6; (d) com base na RGI1, as misturas e preparações para borracha ou plásticos classificamse no item 3, e não se aplicando os subitens 1 a 6, cabe a classificação no código NCM 3924.90.39. Percebese, já de início, certa atecnia na argumentação fiscal, que demonstra não compreender (ou relevar) que a posição se refere aos quatro primeiros dígitos do código estabelecido no Sistema Harmonizado, que contém ainda um quinto (subposição e primeiro nível) e um sexto (subposição e segundo nível) complementados, no MERCOSUL, por dois dígitos regionais (item e subitem). E que notas de posição são instituto diferentes de Notas Explicativas. Em todas as reclassificações, o fisco inicia afirmando que a hipótese de os produtos serem classificados em determinadas “posições” resta afastada, em função de “Nota Explicativa” (transcrevendo excertos de textos da própria nomenclatura, sem qualquer complemento ou explicação). E, depois, parte diretamente para a classificação da mercadoria que entende ser correta, afirmando que deve ser aplicada a subposição de primeiro nível residual simplesmente por não serem aplicáveis as demais subposições (que sequer transcreve, ou explica). Da mesma forma age a fiscalização em relação aos desdobramentos regionais. O que se espera de uma autuação que reclassifique mercadorias é uma demonstração dos fundamentos da reclassificação, e não apenas uma simples declaração de que a “posição” defendida pela empresa não é correta, com base em “Nota Explicativa” (com mera reprodução de excerto da nomenclatura), e uma simples afirmação de que, escolhida pelo fisco a posição (também sem justificativa detalhada), as demais subposições não se aplicam, nem os demais itens/subitens. É certo que a empresa também não parece chegar a classificação conclusiva sobre os produtos que comercializa, o que poderia solucionar com um processo de consulta específico. E o que se está aqui a julgar não é a correção da classificação adotada pela empresa, mas a procedência ou não do lançamento, que imputa sem fundamento adequado classificação diversa. Portanto, não se está a endossar neste processo nem a classificação proposta pela empresa (que é titubeante ao longo do tempo) nem a defendida pelo fisco (insuficientemente fundamentada), mas apenas a afastar o lançamento por carência de fundamentação a cargo da autoridade lançadora. Nessa linha, entendeu o colegiado que carece de fundamento o lançamento, sendo acompanhado pelo relator, perfazendose unanimidade em relação ao tema. Mantenho, a seguir, no voto, a análise, ainda que prejudicada, da alegação e defesa pela confiscatoriedade da multa aplicada, e sobre a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, já destacando que ambas as matérias são sumuladas neste tribunal administrativo (Súmulas CARF n. 2 e n. 108). “Da multa de ofício – 75% Neste ponto, os argumentos da recorrente não merecem guarida. Devese diferenciar tributo e penalidade. O acórdão recorrido foi categórico a afastar a pretensão da recorrente e em estrita legalidade: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10580.722388/201487 Acórdão n.º 3401005.394 S3C4T1 Fl. 294 9 Em princípio, a vedação do art. 150, inciso IV, da atual Constituição, dirige se ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos que ameacem a propriedade ou a renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância do princípio da capacidade contributiva relacionase com o momento de instituição do tributo, mediante a elaboração da norma definidora da hipótese legal de incidência, base de cálculo e alíquota aplicável. Uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária, ainda que, circunstancialmente, o montante da exigência se revele elevado. Além disto, é dever da autoridade fiscal, bem como do julgador administrativo, aplicar a norma, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou, pois o lançamento é uma atividade vinculada. Quanto à impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício arguida pela Recorrente, também não merece acolhimento. Como é sabido, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. Melhor dizendo, a obrigação tributária principal compreende tributo e multa; logo não há motivo para afastar a aplicação de juros de mora sobre esta, de acordo com os acórdãos 9303003.385 e 9202003.821 deste Conselho.” Ante o exposto, voto dar provimento ao recurso, por carência de fundamentação no lançamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903480/2009-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO.
O saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na DCOMP como o saldo credor de período anterior. Na DCOMP, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal, pois os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização.
Numero da decisão: 3002-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO. Recorrente VIBELPLAST EMBALAGENS PLASTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO. O saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na DCOMP como o saldo credor de período anterior. Na DCOMP, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal, pois os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 34 80 /2 00 9- 73 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10875.903480/200973 Acórdão n.º 3002000.590 S3C0T2 Fl. 181,5 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 138 dos autos: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que homologou parcialmente a compensação declarada, no valor de R$ 87.306,93, dada a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento ser inferior ao valor pleiteado. Regularmente cientificado do deferimento parcial da compensação, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em suma, argumentou que possui um crédito de R$ 174.289,28 referente ao período anterior, do qual somente foi aproveitado R$ 99.645,53 restando um saldo de R$ 74.643,75. Porem não foi informado, no livro de IPI, o estorno de R$ 174.289,28 e sim de R$ 99.645,53, cuja diferença bate com os valores que estão sendo cobrados no Despacho. Argumentou, ainda, que não houve ma fé e muito menos prejuízo do fisco apenas erros de lançamentos e que espera e requer seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. O contribuinte juntou, com a impugnação, atos constitutivos da empresa, documentos de identificação, documentos relativos ao procedimento fiscal, PERDCOMP nº 24556.22981.081004.1.3.011403, PERDCOMP nº 38979.14085.311008.1.7.017924 e AR (fls. 05/134). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão (fls. 137/140) que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO. O saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na Dcomp como o saldo credor de período anterior. Na Dcomp, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal, pois os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão consignou ter havido aparente confusão do contribuinte em relação à utilização da DCOMP e erro em seu preenchimento, incluindose valores já utilizados em compensações e valores não ressarcíveis. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 07/06/2016 (vide Termo de ciência à fl. 147 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, apresentou em 06/07/2016 petição Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10875.903480/200973 Acórdão n.º 3002000.590 S3C0T2 Fl. 182 3 nos autos (fl. 152), por meio da qual alegou que foi feita, in loco, verificação por fiscal nos livros contábeis da empresa, e que teria ficado justificado e comprovado seu direito ao alegado crédito. Solicitou, ao fim, o cancelamento da notificação fiscal. Nesta oportunidade, anexou aos autos: atos constitutivos da empresa, procuração, documento de identificação e cópias de documentos do processo (vide fls. 153/174 e 178). Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, é válido mencionar que, em que pese o contribuinte não ter denominado a sua petição de fl. 152 dos autos de recurso voluntário, entendo que, em atenção ao princípio da fungibilidade, este Colegiado deverá recebêla e processála como tal. Até porque, constatase que fora apresentada dentro do prazo legal de 30 dias para interposição de dito recurso. Nesse mesmo sentido, vide despacho de encaminhamento à fl. 180 dos autos. Conheço, portanto, do Recurso Voluntário interposto. Na petição de fl. 152 dos autos o Recorrente limitouse a alegar: Informamos que fornos fiscalizados conforme documento em anexo, onde foi comprovado em loco com o Fiscal Paulo Takehico Saito que no livro de apuração escriturado os lançamentos estavam corretos onde nosso credito era suficiente para amortizar o debito solicitado Foram disponibilizado ao fiscal todos os documentos e livro de apuração para revisão das compensações. Diante da JUSTIFICATIVA e COMPROVAÇÃO. Solicitamos considerar o Procedimento Fiscal e o CANCELAMENTO da referida notificação. Ou seja, insiste a Recorrente que os lançamentos constantes no livro de apuração de IPI estariam corretos, conforme atestado pela fiscalização realizada in loco pelo auditor fiscal Paulo Takehico Saito. Acontece que, como bem esclareceu a DRJ na decisão recorrida, a razão do não reconhecimento da integralidade do crédito pleiteado não possui relação com a correção ou não dos valores escriturados no livro de IPI da Recorrente, mas sim com a correção do valor do crédito indicado na DCOMP, visto que tais valores não se confundem. Isso porque, na DCOMP, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior, porém, deverá ser subtraído deste valor os créditos cujo pedido de ressarcimento ou compensação já tenha sido transmitido à Receita Federal, evitando assim dupla utilização do mesmo crédito. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10875.903480/200973 Acórdão n.º 3002000.590 S3C0T2 Fl. 182,5 4 Nesse contexto, por concordar com a decisão recorrida, cujos fundamentos não chegaram a ser combatidos pela Recorrente, transcrevoa a seguir, adotandoa como razão de decidir: As alegações constantes da manifestação do contribuinte não têm pertinência ao caso concreto. No presente processo, verificase que os créditos informados pelo contribuinte no PER/DCOMP, foram integralmente certificados, sem nenhuma glosa. Os débitos registrados pelo contribuinte também foram certificados, não havendo qualquer lançamento de débitos. No entanto, pelos fatos narrados, pareceme que o manifestante está confundindo os conceitos e os instrumentos que compõe a Declaração de Compensação, pois uma coisa é o preenchimento do livro de apuração de IPI e o saldo credor do imposto acumulado no final do período e o saldo inicial do período seguinte de apuração, outra é o preenchimento da Dcomp para a apuração do ressarcimento. Diferentemente de seu entendimento, o saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na Dcomp como o saldo credor de período anterior. Devese levar em conta que o que se pretende na Dcomp é a apuração do valor ressarcível dos créditos escriturados no trimestre e não ser uma simples conta corrente do imposto na apuração do valor devido ou de seu crédito acumulado. Portanto, na Dcomp, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal. Por óbvio, os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. Sendo assim, somente é permitido constar do cálculo do crédito passível de ressarcimento os valores de períodos anteriores que não foram utilizados pelo contribuinte em ressarcimento ou compensação. E, como o próprio contribuinte alegou em sua manifestação, o recorrente solicitou a compensação de parte do saldo credor do trimestre anterior ao de referência. Desta forma esse foi o erro de preenchimento da Dcomp que levou ao reconhecimento de direito creditório inferior ao solicitado e não o erro alegado na manifestação. Desta forma, o saldo credor passível de ressarcimento somente pode ser aquele demonstrado no PER/DCOMP, quando considerado os ajustes necessários decorrentes da utilização de créditos em outros trimestres, pois, na sistemática de apuração do IPI, há interrelação entre os períodos, na medida em que saldos credores são transportados para períodos subseqüentes e utilizados na dedução de débitos do imposto. Neste diapasão, na Dcomp, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL tem por finalidade evidenciar a apuração do saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre de referência. São considerados passíveis de ressarcimento, relativamente ao trimestre de referência, apenas os créditos escriturados neste trimestre. O saldo credor acumulado de trimestres anteriores é considerado não passível de ressarcimento no trimestre de referência, podendo ser utilizado, neste trimestre, apenas para deduzir, escrituralmente, os débitos de IPI. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10875.903480/200973 Acórdão n.º 3002000.590 S3C0T2 Fl. 183 5 Portanto, o saldo credor inicial do demonstrativo (Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível no primeiro período de apuração coluna b) corresponde ao Saldo Credor apurado ao final do trimestrecalendario anterior ajustado (reduzido) pelos valores dos créditos compensados em PERDCOMP de trimestres anteriores. Observese que o ressarcimento de créditos escriturados em outros trimestres, que não o de referência, deve ser pleiteado em PERDCOMP apresentado especificamente para cada trimestre. De acordo com referido demonstrativo, a empresa possuía R$ 34.651,41 de saldo credor de período anterior disponível para o abatimento de débitos de IPI no período. Ou seja, grande parte do saldo do período anterior fora compensado. Portanto, os créditos do período, após o abatimento dos débitos do período, resultou em um saldo credor no montante de R$ 87.306,93, que foi utilizado na compensação dos débitos indicados nessa DCMP. O contribuinte preencheu este campo com o saldo credor de seu livro fiscal, R$ 174.289,28, sem levar em conta que parte desse valor já havia sido utilizado em compensações e também que parte deste valor não era ressarcível. Esse foi o erro de preenchimento da Dcomp que levou ao reconhecimento de direito creditório inferior ao solicitado e não o erro alegado na manifestação. Correto, portanto, o despacho decisório eletrônico. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.001146/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.185
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior,Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 03/75 por meio do qual é feita a exigência de R$ 12.710.622,05 (doze milhões, setecentos e dez mil, seiscentos e vinte e dois reais e cinco centavos) de multa substitutiva à pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida, nos termos do art. 23, V, § 3º, do Decretolei nº 1.455 de 07/04/1976 (Art. 618 e §1° do Decreto n°4.543, de 2002). A fiscalização assim descreveu os fatos, em síntese: • Que a presente ação fiscal se originou dos elementos coligidos no curso da "Operação Dilúvio", desencadeada pela Policia Federal e Receita Federal, na 9ª RF/RFB – Paranaguá, documentada no processo n° 10980.005074/200784 com 50 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .0 01 14 6/ 20 09 -1 7 Fl. 15338DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.339 2 anexos e embasada pelo IPL 009/2006 – Paranaguá/DPF e pela ação ordinária 2006.70.00022436. • Que os elementos colhidos no local de busca, através de Termos de Apreensão, SPC 29, demonstram que as empresas do Grupo Principal, dentre elas a Principal Comercial Atacadista Ltda, agiu em conluio com as empresas do Grupo MAM para a prática sistemática de importações na qual ocultavam a condição de real adquirente das empresas do Grupo Principal, através do uso de documentos ideologicamente falsos. • Que a referida ocultação tinha como principal vantagem permitir ao real adquirente fugir da condição de empresa equiparada a estabelecimento industrial. Também, não se submeter aos controles referentes a importação por conta ordem de terceiros, evitando, desta forma, demonstrar a origem dos recursos empregados em suas operações, bem como a questão referente a suposta integralização em moeda corrente do capital da Principal do Brasil. • Que o presente auto de infração se refere unicamente às operações da "Principal" em que atuaram como interpostas pessoas as empresas Mercotex do Brasil Ltda, Portes Importação e Exportação Ltda, Support Importação e Exportação Ltda e Rio Lagos Importação e Exportação Ltda. Cientificada em 11/09/2009, fls. 03, a autuada apresentou em 05/10/2009 a impugnação de fls. 5202 a 5251, alegando, em síntese: • Que o cerne da autuação é a suposta ocultação do real adquirente das mercadorias importadas pelas empresas Mercotex, Portes, Support e Rio Lagos. • Que a pena de perdimento, convertida em multa, foi aplicada com base no art. 23, V, do DL n° 1.455/76, sob o argumento de que as importações eram realizadas pelas mencionadas tradings, por conta e ordem da impugnante, que se mantinha oculta nas operações. • Que a pena de perdimento não pode ser aplicada pela eventual (e não comprovada) existência de erros nos registros contábeis da impugnante. Para esse fato (se algum erro tivesse sido cometido), a infração deveria ser tratada como omissão de receitas, e nunca punida com a pena de perdimento. • Que os registros contábeis (ainda que não tenham sido feitos da melhor forma o que se admite apenas a titulo de argumentação) não autorizam a aplicação da pena de perdimento por suposta ocultação do real adquirente. Competia a fiscalização provar que a impugnante, mediante fraude, ocultouse em operação de comércio exterior. E essa prova não foi feita. • Que as operações relativas a Mercotex e Portes foram realizadas antes da vigência da IN SRF n° 634/06, derrubando por terra a exigência de indicar o nome da impugnante nas DI's. • Que para operações que dizem respeito as empresas Support e Rio Lagos, também não poderia ser exigida a indicação do nome da impugnante nas DI's, pois estamos diante de uma aquisição no mercado interno. • Que a impugnante não praticava operações por conta e ordem de terceiros. Com efeito, a impugnante utilizavase da estrutura de importação por encomenda. Além disso, também eram realizadas aquisições no mercado interno. • Que a impugnante não adiantava recursos financeiros para as tradings, mas sim efetuava pagamentos por processo de importações passadas. Fl. 15339DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.340 3 • Protesta pela inexistência de tradução de grande parte dos documentos constantes dos volumes acostados ao processo em tela. • Que a multa aplicada possui patente feição confiscat6ria. Requer, por fim, seja julgada procedente a presente impugnação.” A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente a impugnação (efls. 5 344/5.362), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/09/2004 a 03/08/2006 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante interposição fraudulenta que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/09/2004 a 03/08/2006 DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão de que não é razoável negarlhe eficácia de prova. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/09/2004 a 03/08/2006 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Às efls. 5.368/5.429, a autuante, inconformada, apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, alegando, em síntese: Fl. 15340DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.341 4 que não praticava operações de importação por conta e ordem de terceiro, mas que se utilizava da estrutura de importação por encomenda. Além disso, também eram realizadas aquisições no mercado nacional; que as operações de comércio exterior foram respaldadas no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 7, de 13 de junho'de 2.002, o qual determina que uma importação somente pode ser considerada como "por conta e ordem" nas hipóteses em que a trading atua como prestadora de serviço, o que não ocorreu no caso em tela; que não adiantava recursos financeiros para as tradings, mas sim efetuava pagamentos por processos de importação passados; que há também contradições entre o valor autuado e as informações apresentadas pela fiscalização. Alega que, ao se analisar a tabela anexa ao Auto de Infração, verificase que as autuações relativas à empresa PORTES totalizam R$ 5.407.978,78 e as relativas à empresa RIO LAGOS/SUPPORT perfazem o montante de R$ 1.724.266,42, sendo que, às fls. 10 do relatório de fiscalização, os auditores fiscais informam que as compras feitas pela Recorrente seriam de R$ 4.371.165,99, em relação à Portes, e R$ 1.650.527,63, em relação à SUPPORT. Ou seja, a autuação é maior do que o valor indicado pelos próprios fornecedores; que as razões que motivaram o lançamento foram supostos erros nos registros contábeis da Recorrente e que a DRJ, ciente de que esse fato não justificaria a aplicação da pena máxima aduaneira, mudou o foco da autuação, alterando sua motivação; que teria havido cerceamento do direito de defesa em razão de não ter sido apresentada tradução juramentada dos documentos acostados aos autos; que restou demonstrado que a sua capacidade financeira advinha de empréstimos bancários e das próprias operações mercantis; que a existência de sociedades com o mesmo controle societário é amplamente aceita no ordenamento jurídico, não havendo qualquer ilegalidade nesse fato; que há manifesto erro na identificação do sujeito passivo do lançamento, visto que às fls. 4, 11 e 70 do Anexo XXXI, localizamse notas fiscais de venda para a PLENA (NF nºs. 793, 825 e 917), ou seja, as mercadorias descritas naquelas Notas Fiscais foram comercializadas para a PLENA, e não para a Recorrente, o que impõe a exclusão desses valores no auto de infração; que não há qualquer irregularidade na existência de relação comercial entre a Recorrente e o fornecedor estrangeiro. A existência de relação comercial não significa, contudo, que a Recorrente orientava os exportadores a adotar qualquer procedimento diverso do usualmente realizado em operações de comércio exterior; que, apesar de não ser essa a justificativa da fiscalização para aplicação da pena de perdimento, também não há comprovação de adiantamento de recursos para qualquer uma das tradings autuadas. Em verdade, não há prova das transferências bancárias, com indicação dos números das declarações de importação. Evidentemente, existem pagamentos para as tradings, já que a Recorrente adquiria produtos delas. Isso não significa, contudo, que [se está]admitindo que houve adiantamento de recursos para as tradings. Houve pagamento Fl. 15341DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.342 5 pelas mercadorias já importadas (i.e., com processo de importação/desembaraço já concluído), prática extremamente comum no mercado de comércio exterior; refuta vários pontos que, no seu entender, mostramse irrelevantes ao deslinde da questão e que foram assinalados pela Fiscalização no auto de infração;e que a fiscalização tenta imputar irregularidade na constituição do patrimônio liquido da Recorrente, especificamente na reestruturação societária e fiscal que originou a formação do ágio, o que também não possui nenhuma relevância para o deslinde deste processo; Por fim, às efls. 15.293/15.303, foi juntada petição da recorrente onde dá notícia de que o STJ, nos autos do HC 142.045/PR, em decisão transitada em julgado em 09/01/2012, analisando a questão da legalidade da quebra de sigilo relativa à escuta telefônica deferida na “Operação Dilúvio”, decidiu que as provas produzidas a partir de 60 dias da primeira escuta telefônica são ilegais. Diante desse fato superveniente, alegando que há vinculação entre as provas constantes deste processo administrativo e aquelas que foram decretadas ilícitas pelo Poder Judiciário, a contribuinte requereu o desentranhamento de todas as provas obtidas pela Fiscalização , vez que teriam sido obtidas a partir das referidas escutas telefônicas declaradas ilícitas, bem como o integral provimento do recurso voluntário, em razão da ausência de provas da suposta conduta irregular da recorrente. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Ao teor do relatado, trata a lide de Auto de Infração lavrado em 11/09/2009, contra a empresa PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIAL ATACADISTA LTDA, no valor total de R$ 12.710.622,05, por meio do qual se exige multa decorrente da conversão da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 23, V, § 3º, do Decretolei nº 1.455 de 07/04/1976 (Art. 618 e §1° do Decreto n°4.543, de 2002. Entendeu a Fiscalização que a autuada, empresa pertencente ao “Grupo Principal”, agia em conluio com o denominado “Grupo MAM” , para a prática sistemática de importações na qual ocultava sua condição de real adquirente, utilizandose de documentos ideologicamente falsos. Tal modus operandi tinha o objetivo precípuo de eximir a empresa autuada da condição de estabelecimento equiparado a industrial e, com isso, absterse do recolhimento do IPI. Conforme consta do Relatório de Verificação Fiscal, às efls. 21/76, temse que a ação fiscal originouse dos elementos coligidos no curso da "Operação Dilúvio", desencadeada pela Policia Federal e a Receita Federal, documentada no processo administrativo nº. 10980.005074/200784, e embasada pelo IPL 009/2006 Paranaguá/ DPF, bem como pela ação ordinária nº 2006.70.00022436. Fl. 15342DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.343 6 Conforme noticia a recorrente, às efls. 15.293/15.303, foi impetrado o HC nº 142.045, tendo Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho como pacientes e o TRF da 4ª Região como impetrado. O ato de coação ilegal praticado pelo TRF consistiu na decisão que julgou regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial n° 2006.70.00.0224356. Cópia No julgamento do referido Habeas Corpus, decidiu o STJ pela ilegalidade das prorrogações das escutas telefônicas, em prazo superior a 60 dias, havidas no curso da chamada “Operação Dilúvio”. Ressaltese que não foram todas as escutas telefônicas consideradas ilícitas, mas apenas as prorrogações havidas em prazo superior a 60 dias da interceptação inicial, consideradas estas prorrogações desde que devidamente fundamentadas, conforme se depreende a ementa da referida decisão abaixo transcrita: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Principio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei n° 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei n° 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei n° 9.296/96 (art. 5°), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explicita ou implícita violação do art. 5° da Lei n° 9.296/96, evidente violação do principio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar ás mãos do Juiz originário para determinações de direito. (grifei) (Relator: Min. Celso Limogi. Relator p/Acórdão: Min. Nelson Naves. Órgão Julgador: 6ª Turma. Data do julgamento: 15/04/2010. Publicação: Dje 28/06/2010 RT vol.900 p.552). (Fonte: sítio eletrônico do STJ. Endereço eletrônico: www.stj.jus.br) Por tal razão, o MM. Juízo da 14ª Vara Federal de Curitiba, nos autos da representação criminal nº. 2006.70.00.0224370 (PR), proferiu o seguinte despacho, em 08/11/2011: 1. Ante o julgamento dos embargos de declaração opostos em face do acórdão proferido no HC 142.045/PR (STJ), não subsistem mais as razões para o sobrestamento do presente feito. Fl. 15343DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.344 7 Deixo anotado que, em face de referido julgado, o MPF interpôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados, ao entendimento de que inexistiria ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão no julgado. Irresignado, o MPF manejou recurso extraordinário, ao qual se negou seguimento ainda no âmbito do STJ. Em face desta decisão, o MPF manejou agravo de instrumento, os quais foram remetidos para o STF. Naquela Suprema Corte, o recurso foi autuado sob o n° 659387 (ARE). Porém, em 17/10/2011 foi proferida decisão monocrática pela qual negouse seguimento a referido agravo, ante sua intempestividade. Em 28/10/2011 foi interposto agravo regimental pelo MPF. Não obstante a ausência de trânsito em julgado do HC 142.045/PR, os contornos do julgado já foram definidos pelo e. STJ, em decisão definitiva no âmbito daquela Corte, e não há qualquer provimento judicial posterior determinando o sobrestamento do feito, razão pela qual a presente ação retomará seu curso. 2. Neste feito foram autorizadas interceptações telefônicas para colheita de elementos informativos das práticas delituosas investigadas. No habeas corpus acima citado, o STJ fixou a compreensão da ilicitude da prova decorrente das renovações sucessivas das interceptações telefônicas realizadas. O acórdão encontrase assim ementado: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei nº 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova".3. Inexistindo, na Lei nº 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admiti las. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº 9.296/96 (art. 5º), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5º da Lei nº 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. (HC 142045/PR, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, SEXTA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 28/06/2010) Em relação ao referencial temporal adotado por aquela Corte, ante a leitura dos votos proferidos naquele julgamento, tenho que o julgado limitou a utilização dessa técnica investigativa ao prazo de 60 (sessenta) dias. Assim, permanecem hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes. Os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também permanecem hígidos, pois derivaram de prova obtida licitamente. Fl. 15344DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10074.001146/200917 Resolução nº 3202000.185 S3C2T2 Fl. 15.345 8 De outra parte, segundo os termos do julgado, as interceptações telefônicas realizadas a partir da quarta prorrogação autorizada encontramse maculadas pelo vício insanável da ilicitude. São, portanto, imprestáveis para fins de utilização de prova no processo penal. Correlatamente, os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também encontramse eivado de ilicitude, pela aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada", agora expressamente adotado pelo CPP (art. 157, §1°, do CPP). (negritei) 3. Assim, sendo remetamse os presentes autos ao Ministério Público Federal, para análise acerca do seguimento dos demais feitos.” (Fonte: sítio eletrônico da Justiça Federal Seção Judiciária do Paraná. Endereço eletrônico: www.jfpr.jus.br) Por tais razões, compartilho do entendimento adotado pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do processo administrativo nº 12466.002006/200970, em 24/09/2013. Naquela oportunidade, decidiu a Turma julgadora converter o julgamento em diligência, por entender imprescindível identificarse, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ, separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiros sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal. Pelo exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF competente providencie o seguinte: a) Identificação, dentre as provas utilizadas para o lançamento, daquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; b) Identificação das provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica; c) Identificação das provas produzidas por fonte independente (ex. apresentadas durante a ação fiscal); d) Identificação das provas que a Receita Federal poderia ter acesso independentemente de autorização judicial. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo a respeito das provas nestes autos e demais verificações efetuadas. Realizada a diligência, é mister que seja reaberto o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a Fiscalização apresentem manifestação, se assim o desejarem. Após, devem os autos retornar a este CARF, para julgamento da lide. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 15345DF CARF MF Documento de 8 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP31.0119.17137.ES5S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 31/03/2014 17:28:00. Documento autenticado digitalmente por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 31/03/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 31/01/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP31.0119.17137.ES5S Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 51E6AD4F52439B269473AF074B4F1F251CF34FFC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10074.001146/2009-17. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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