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Numero do processo: 10280.005409/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário:
2009
SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO.
É causa excludente do Simples a existência de débito cuja exigibilidade não
estiver suspensa.
Numero da decisão: 1402-000.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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EXCLUSÃO. DÉBITO. É causa excludente do Simples a existência de débito cuja exigibilidade não estiver suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 175 2 Relatório Vigia Produtos do Mar Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de manifestação de inconformidade ao ato declaratório (fl. 20) de exclusão do Simples Nacional — Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) —, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123/2006, com efeitos a partir de 1 ° de janeiro de 2009. 2. O motivo de exclusão da empresa da sistemática do Simples Nacional foi a existência de débitos no âmbito da Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa (fl. 21). 3. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, as fls. 01/09, de 16 de outubro de 2008, em que aduz: a) Pagou integralmente os débitos nãoprevidenciários da Receita Federal (código 6106), Darfs de fls. 22/25; b) O débito inscrito em divida ativa sob o n. 2040400130017 está com a exigibilidade suspensa desde 06 de julho de 2006, por força da interposição de embargos à execução (n. 200610002115) e nomeação de bem em valor suficiente à garantia do débito objeto da execução; c) Evidenciase a ausência de fundamentação legal para que ocorra a exclusão do Simples, ante à inexistência de débito com exigibilidade não suspensa.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 18.139 (fls. 157159) de 21/06/2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte sob o argumento de que a existência de débito sem que esteja com sua exigibilidade suspensa é causa de exclusão do Simples Nacional. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa ante o preenchimento de alguma das hipóteses enumeradas, numerus clausus (art. 111, do CTN), no art. 151, do Código Tributário Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/07/2010 (A.R. de fl. 160), a interessada interpôs recurso voluntário em 11/08/2010 (fls. 161171) onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 176 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Tendo em vista que o recurso apresentado repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, e considerando que tais argumentos foram bem enfrentados na decisão de primeira instância, peço vênia ao autor para adotar os fundamentos ali levantados como razão de decidir no presente voto. Por pertinente, transcrevo parte relevante daquele decisum. “5. De acordo com a fundamentação legal do ato impugnado, a opção pelo Simples Nacional esta regulamentada pela Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá:(incluído pela Resolução CGSN n9 56; de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). 6. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei n° 123/2006, inciso V, base legal utilizada na emissão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 07): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (destaquei) 7. Não há que se inferir que a efetivação da penhora ou a apresentação de garantia, no curso de cobrança executiva, implica suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 8. Se há cobrança executiva em curso é porque não há suspensão da exigibilidade. O art. 206 do CTN da efeito semelhante (de certidão negativa) para institutos que não se confundem: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 177 4 Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. 9. A garantia da execução permite ao executado evitar a penhora (Art. 7° da Lei nº 6.830/80), bem como a apresentação de embargos à execução (§ 1° do art. 16 da Lei 6830/80), mas não significa suspensão do crédito tributário. 10. O art. 111 do CTN prescreve que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão do crédito tributário. Já o art. 151 prevê as hipóteses (numerus clausus) em que se suspende a exigibilidade do crédito tributário, entre as quais não há a apresentação de garantia no curso de execução fiscal. 11. Ou seja, a despeito do pagamento dos outros débitos, como não há suspensão do crédito tributário de natureza previdenciária, procedente a exclusão impugnada. [...]” Ex positis, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.014876/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO.
Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial.
CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos.
Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Fernando Tissi Ribeiro, OAB/DF nº. 29.576.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO. Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial. CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. Recurso Voluntário negado.
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Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial. CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Fernando Tissi Ribeiro, OAB/DF nº. 29.576. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 76 /2 00 2- 41 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através do Auto de Infração eletrônico nº 0034952 (efls. 10/17), para a cobrança da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no montante de R$ 440.149,21, relativo aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho/1997 a setembro/1997, em decorrência da constatação de que a empresa declarou os valores relativos ao tributo em DCTF, entretanto, os pagamentos não foram localizados. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1997 a setembro de 1997, declarados na DCTF, pois foi constatado “Pagto não Localizado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 10 e 11, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$440.149.21 (quatrocentos e quarenta mil. e cento e quarenta e nove reais e vinte e um centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1 a 4 LC 70/91; Art 1 L 9249/95; Art 57 L 9069/95; Arts 56 e par Un, 60 e 66, L 9430/96. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/06/2002 (AR à fl. 43), a contribuinte protocolizou, em 10.07.2002, a impugnação de fls. 2 a 7, acompanhada dos documentos de fls. 842, na qual alega: DO MÉRITO 2.1. Preliminarmente, cumprenos esclarecer que a autuação se deu por não terem sido localizados os DARF do recolhimento da COFINS dos meses de competência de agosto e setembro de 1997. 2.1.1. Outrossim, a ora Impugnante informou na DCTF que efetuou compensações da contribuição COFINS com valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, decorrentes do Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 143 3 processo judicial nº 92.00004946. No entanto, o anexo I do Auto de Infração informa que o "processo judicial não comprova". 2.1.2. Fato é, a Impugnante não só recolheu os valores autuados como também recolheu a maior e no prazo estipulado pela legislação vigente à época. Dessa forma, não há porque se exigir os valores contestados como também, os valores referentes a juros e multa. I Falta de recolhimento do débito principal 2.2. De certo, a presente autuação não deve prevalecer, eis que os valores lançados, relativos à COFINS, apurada no período de agosto e setembro de 1997 foram regularmente pagos ao Erário, mediante DARF'S (Doc. 03). 2.2.1. Inclusive, a Impugnante recolheu valores maiores que os autuados, a título de COFINS devida no período. 2.2.2. Dessa feita, não cabe a autuação, uma vez que o recolhimento a maior que o devido gera um crédito para o contribuinte. Como poderia, então, o Sr. Fiscal autuante exigir novamente, valores que não só foram pagos, como os foram a maior? II Da Compensação do FINSOCIAL com a COFINS 2.3. Por ter sido declarada inconstitucional a majoração de alíquotas do FINSOCIAL do período compreendido entre setembro de 1989 a março de 1992, a Impugnante efetuou compensações dos valores recolhidos a maior à titulo de FINSOCIAL, conforme se comprova com as guias de recolhimento DARF em anexo (Docs. 04 a 17), termos do art. 22 do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987." — grifamos. 2.3.1. Resta, pois, cabalmente provado, que as compensações informadas na DCTF foram feitas respeitando todos os aspectos legais do ordenamento tributário. III — Falta de pagamento dos acréscimos legais (multa de mora e/ou juros de mora parcial ou total) 2.4. Conforme consta no Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, anexo III ao AI, está sendo imputado à Impugnante, uma suposta falta de recolhimento dos acréscimos legais, a multa de oficio capitulada no artigo 44, da Lei n 2 9.430/96, a qual incide sobre 75% do valor do imposto devido. 2.4.1. Porém, é improcedente a autuação em tela, visto que a Impugnante efetuou o recolhimento dos débitos de COFINS, digase mais uma vez, a maior do que o supostamente devido. 2.4.2. Para maior clareza, apresentamos o quadro seguir, que demonstra que a Impugnante efetuou o recolhimento da COFINS a maior que o autuado: AUTO DE INFRAÇÃO (DOC Nº 2) DARF (DOC Nº03) CÓDIGO TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO VALOR PRINCIPAL VALOR RECOLHIDO DATA DE RECOLHIMENTO 2172 31.08.97 10.09.1997 55.282,20 56.282,20 10.09.1997 2172 30.09.97 10.10.1997 15.342,42 15.342,42 10.10.1997 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 2.4.3. Como se observa, a Impugnante efetuou o recolhimento dos débitos em questão dentro do prazo previsto na legislação para recolhimento da COFINS, não cabendo, portanto a incidência de acréscimos moratórios (juros e multa pagos a menor), tampouco a multa de ofício, como assim pretende o Ilustre Fiscal Autuante. 2.4.4. Ressaltese que foi recolhida a maior a COFINS apurada em agosto de 1997, gerando para a Impugnante um crédito, e não um débito, como assim pretende a Autoridade Fiscal autuante. 2.4.5. Pela simples análise da guia de recolhimento DARF, concluise que, apesar do campo "Data de Vencimento" estar preenchida com a data incorreta (15.10.97), a mesma foi devidamente recolhida em seu vencimento, ou seja, em 10.10.97. 2.4.6. Ora, por que se aplicar multa e juros se os valores foram recolhidos, repitase, a maior e dentro do prazo estabelecido pela legislação? DO PEDIDO 2.5. Face ao que se expõe, vem a Impugnante requerer seja o auto de infração, objeto da presente, totalmente julgado improcedente pela r. Autoridade Julgadora, e, consequentemente seja desconstituído, em sua totalidade, o lançamento fiscal dele decorrente, uma vez que os valores lançados, referidos pelo código de receita nº 2172 "COFINS", multa e juros decorrentes, foram regularmente recolhidos, não justificando qualquer exigência, a título de principal e respectivos acréscimos. 2.5.1. Requer, outrossim, que em conformidade com o inciso IV do art.16, do Decreto nº 70.235/72, seja efetuada diligência, no caso de permanecer dúvida quanto aos documentos apresentados pela Impugnante a este I. Órgão Administrativo Julgador, verificandose as operações realizadas que deram origem ao tributo exigido. 2.6. Por fim, pede Deferimento. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita FederalDERAT/DICAT/EQAAR em São PauloSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, efetuou a revisão de ofício na forma do artigo 149, III do Código Tributário Nacional (CTN) e exarou o DESPACHO em 21/09/2010 (fl. 56), onde consta: “1. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal a fl. 10. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 01 a 06, com seus argumentos de defesa. 3. Os demonstrativos de consolidação e recalculo de fls. 51 a 54 apresentam o resultado parcial da análise do lançamento. 4. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), proponho o Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 144 5 cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 51 a 54.” 3.1. Após a revisão de ofício, cancelou os débitos abaixo (fl. 54): DÉBITOS CANCELADOS PELA DERAT/EQAAR PA COFINS 2172 MULTA 75% 08/97 56.282,20 42.211,65 09/97 15.342,42 11.506,82 TOTAL 71.624,62 53.718,47 3.2. Restaram em litígio os seguintes débitos (fl. 57): DÉBITOS EM LITÍGIO PA COFINS 2172 MULTA 75% 07/97 90.845,22 68.133,92 4. No tocante a Ação Judicial, em 29/03/11, a EQAMJ proferiu o seguinte DESPACHO (fl. 71): “O débito foi declarado em DCTF como compensação com/DARF com processo judicial n° 92.00.004946, da 3ª Vara Federal/DF. O contribuinte apresentou impugnação alegando compensação Finsocial com base nos permissivos legais vigentes à época. Quanto à ação judicial, não fez menção específica, tampouco trouxe qualquer cópia de decisão que autorizasse a compensação. Pelo acompanhamento no sitio da Justiça Federal do Distrito Federal o que se pode extrair foi que: 1) A ação era de Repetição de Indébito e não de Compensação Acórdão fl. 66; 2) O acórdão do TRF 01°, que transitou em julgado em 1997, entendeu pela carência da ação, por falta de anexação de documentos necessários — Acórdão II. 66; Para a devida verificação do conteúdo decisório transitado em julgado, o contribuinte será intimado a apresentar cópia da petição inicial, da sentença e do acórdão correlatos. Como já mencionado, na esfera administrativa há impugnação do contribuinte. Diante do exposto, proponho a manutenção dos autos nesta equipe, para aguardar o prazo da intimação que será enviada. 4.1. Em 28/04/11, a EQAMJ proferiu DESPACHO (88) nos seguintes termos: “Apenas remeto ao despacho anterior de fl. 69 e registro que, após a resposta apresentada pelo contribuinte, foi possível confirmar ser a Ação Judicial em pauta de Repetição de Indébito e não de Compensação. Possível também foi a constatação de que houve o trânsito em julgado em 1997, de maneira desfavorável ao contribuinte, por carência da ação.” Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 5. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1636.217 de 16 de fevereiro de 2012 (folhas e89/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO. O Processo Judicial foi desfavorável ao Impugnante por carência da ação, tendo transitado em julgado. Assim, não há proteção judicial para a pretendida compensação do débito da COFINS com eventual crédito do FINSOCIAL. CRÉDITO DO FINSOCIAL COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES IMPOSSIBILIDADE O artigo 66 da Lei 8.383/91 autorizou a compensação entre tributos e contribuição da mesma espécie. O ADN COSIT 15/94, de 30/03/1994 definiu que não é passível a compensação do crédito de FINSOCIAL com o débito da COFINS por se tratar de contribuição de espécies diferentes. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA ENTRE CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES. OBRIGATÓRIA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes está sujeita a apresentação do Pedido de Compensação disciplinado artigo 12, § 3º da IN SRF nº 21, de 10/03/1997, o que não consta nos autos tal comprovação. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo em 08/03/2012 (folha e100) interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2012 (fls. e101/ss), aduz, em apertada síntese, que: há ilegalidade de conteúdo no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/97, que extrapolou o comando da Lei, ferindo o princípio da legalidade (arts. 96 e 100/CTN); não poderia ter sido negada a compensação administrativa, uma que a decisão transitada em julgado, nos autos do processo n° 92.00004946, reconheceu a inconstitucionalidade do FINSOCIAL. Entende, assim, que houve um pagamento indevido (a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 145 7 maior), que deve ser restituído à Recorrente por meio da compensação administrativa ora exercida; a única condição estabelecida pelo art. 66 da Lei n.° 8.383/91 foi a de que a compensação somente poderia ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Aduz que no presente caso estáse diante da compensação de dois tributos da mesma espécie, duas contribuições; e, ainda que assim não o fosse, afirma que a Instrução Normativa n° 21, de 10/03/1997, vigente à época da compensação realizada pela Recorrente, continha, em seu art. 12, § 1º, previsão expressa sobre a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas e/ou com destinação constitucional distinta; assim, entende que não há, tanto na Lei n.º 5.172/66 (CTN), como na Lei n.º 8.383/91 e mesmo na Instrução Normativa n° 21/97, qualquer previsão no sentido de que não seria possível a compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos de COFINS, existindo, no máximo, a exigência de que sejam tributos da mesma espécie, o que, conforme alega, é o caso da Cofins e do Finsocial ambas contribuições; embora a decisão recorrida tenha cancelado a multa de ofício, no DARF que acompanhara a intimação acerca da decisão foi incluída multa no percentual de 20%, inclusão esta não determinada na decisão administrativa ora recorrida, devendo, portanto, ser excluída. Sendo o lançamento consubstanciado no Auto de Infração lavrado em 11/05/2002, ele restou substancialmente reformado pela decisão recorrida, a qual, por consequência, passa a integrar o lançamento em todas as suas características. Partindo dessa premissa, tudo o que não constar da decisão que reforma o Auto de Infração, não compõe o lançamento do crédito tributário. Deste modo, não pode o Fisco realizar a cobrança de valores não autorizados pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal. E mais, afirma que o quadro “Demonstrativo de Crédito Tributário em Real”, constante da decisão recorrida, não possui a multa de mora como componente da coluna “Mantido”. Conclui, assim, que a multa de mora não compõe este lançamento, não foi penalidade aplicável no entendimento da autoridade administrativa que efetuou, integrou o ato de lançamento. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese exclusivamente à compensação do débito da Cofins, período de apuração de julho/1997, no montante de R$ 90.845,22, com eventual crédito do Finsocial (objeto de ação judicial). A decisão recorrida afastou a incidência da multa de ofício, no montante de R$ 68.133,92, em decorrência do princípio da retroatividade benigna (vide efolha 96). A Recorrente, em sua defesa, alega que os valores correspondentes à competência de julho/97 foram informados em DCTF como compensados com valores recolhidos a maior a título de Finsocial, decorrentes do processo judicial nº 92.00004946. O Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 conteúdo do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/97 seria ilegal frente aos dispositivos constantes do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e da Lei nº 5.172/66 (CTN). Cita, ainda, a Instrução Normativa n° 21, de 10/03/1997, que conteria, em seu art. 12, § 1º, previsão expressa sobre a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas e/ou com destinação constitucional distinta. Não assiste razão à Recorrente, quanto ao pleito para compensar de débito da Cofins, período de apuração de julho/1997, no montante de R$ 90.845,22, com eventual crédito do Finsocial, objeto de ação judicial. A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste diapasão, a Lei nº 8.383/91, em seu artigo 66 estabeleceu as condições para a exclusão do crédito tributário por meio da compensação, vejamos: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) O dispositivo legal acima transcrito prescreve que a compensação poderá ser efetuada entre tributos da mesma espécie e que a Receita Federal do Brasil expedirá as instruções necessárias ao cumprimento da norma legal. Assim, em atendimento ao §4º, do artigo 66, da Lei nº 8.383/91 normas infra legais foram editadas para regulamentar os procedimentos para que os contribuintes efetuem a compensação de tributos. A IN SRF nº 21, de 10/03/1997, vigente à época dos fatos, estabelecia que os pedidos de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, seriam efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa (artigo 1º). O artigo 12, § 3º, desta Instrução Normativa prescrevia que os créditos, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgados, a serem compensados com débitos do contribuinte, devem ser formalizados com base em “Pedido de Compensação”, com base em modelo próprio aprovado no Anexo III da citada Instrução Normativa. Por sua vez, o artigo 17 da Instrução Normativa, indicava que para efeito de compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deveria anexar ao pedido Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 146 9 uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição ou a compensação. Nada disso foi feito! A Recorrente não cumpriu os procedimentos necessários para efetuar o Pedido de Compensação. Em momento algum restou comprovada a “certeza e liquidez” dos supostos créditos de Finsocial. Ademais, conforme muito bem destacado no voto vencedor do acórdão recorrido, “consta no Despacho da EQAMJ (fl.71 e 88), o resultado final do processo judicial n° 92.00.004946, da 3ª Vara Federal/DF foi desfavorável à Impugnante, por carência da ação, tendo transitado em julgado em 1997, restando assim, não reconhecida judicialmente a compensação pretendida”. A ação judicial impetrada referiase a Repetição de Indébito e não a compensação, e mesmo assim, transitou em julgado de forma desfavorável ao Recorrente. Para corroborar o acima afirmado, transcrevese a ementa e trechos do voto constantes dos autos da Apelação Cível nº 94.01.10915/DF prolatada pelo TRF da 1ª Região (efolhas 81/86): EMENTA CONSTITUCIONAL. . FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 1. 0 Egrégio Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 150.7641, declarou a inconstitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 7.689, de 15.12.88, do artigo 72 da Lei n2 7.787, de 30.06.89, do artigo 12 da Lei nº 7.894, de 21.11.89 e do artigo 12 da Lei nº 8.147, de 28.12.90, que majoraram alíquotas do FINSOCIAL. 2. Tratandose de repetição de indébito, é indispensável a comprovação do pagamento do valor recolhido a maior que se pretende repetir. 3. É carecedor de ação o autor que não apresenta qualquer titulo relacionado com o interesse que pretende seja tutelado. 4. Apelos e remessa oficial improvidos. VOTO 2. DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO O MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido de restituição das quantias tidas corno pagas indevidamente, à mingua de prova. Não merece reparo, neste ponto também, a r. sentença monocrática. (...) Na espécie, em se tratando de repetição de indébito, firmouse a jurisprudência no sentido de que é indispensável a comprovação do pagamento que se pretende repetir: (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 De acrescentar, finalmente, que apesar de a União Federal ter suscitado na Contestação (cf. fl. 107) preliminar no sentido de que, não tendo sido apresentados juntamente com a petição inicial os documentos necessários à instrução do processo, impunhase a sua extinção, limitaramse, todavia, as Autoras a afirmar que como os recolhimentos dos valores são efetuados através de documentos de arrecadação próprios, em beneficio dos cofres públicos, e sendo eles destacados automaticamente para o órgão arrecadador competente, desnecessária era tal apresentação, por isso que os mesmos "já se encontravam à disposição da União Federal". Portanto, tiveram ainda as Autoras a oportunidade de suprir aquela omissão, mas não tomaram qualquer providência. (...) Ora, tãosomente após o sentenciamento do feito, por ocasião da interposição do Recurso de Apelação de fls. 135/138, é que carrearam para os presentes autos os documentos comprobatórios do recolhimento da contribuição em questão. Assim sendo, não merece prosperar o apelo. Depreendese, portanto, que não há “crédito líquido e certo”, como prescreve o artigo 170/CTN, possível de ser compensado, uma vez que a Recorrente também não obteve sucesso em sua demanda judicial, quanto ao reconhecimento do indébito tributário. No tocante à multa cobrada da Recorrente (vide DARF, efolha 99), assiste razão à Recorrente quando afirma que a unidade de origem adotou procedimento indevido na execução do acórdão proferido pela DRF – São Paulo. Vejamos. A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância por meio da Intimação nº 174/2002, de 01/03/2002 (efolhas 97), acompanhada do “Demonstrativo de Débito – Intimação nº 174/2012” (efolha 98), onde não consta a cobrança de multa, e de formulário do DARF a pagar (efolha 99), onde consta a cobrança de multa no valor de R$ 18.169,04 (portanto, 20% sobre o valor do tributo, o que nos leva supor tratarse de multa de mora). Entendo que a cobrança da multa constante do DARF (efolha 99) é indevida. O lançamento de ofício, veiculado através do Auto de Infração nº 0034952 (efolha 10/11), constituiu o crédito tributário composto de tributo (Cofins), multa de ofício (75%) e juros de mora, nos termos do que dispõe o artigo 142 do CTN. Por sua vez, o Acórdão nº 1636.217, de 16/02/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ – São Paulo afastou a cobrança da multa de ofício (75%), extinguindo essa parte do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso IX, do CTN, restando, portanto cabível apenas a cobrança do tributo e juros de mora. Deste modo, não há previsão legal para a cobrança administrativa de valores não constituídos, através do competente ato administrativo de lançamento, nos termos do que prescreve o artigo 142 do CTN. Ante o exposto, conheço do Recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade para, no mérito negar provimento, mantendo a cobrança da Cofins, relativa ao período de apuração de julho/97 e respectivos juros moratórios. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 147 11 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10331.000145/00-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RETIFICAÇÃO DE INEXATIDÃO MATERIAL FINSOCIAL.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ERRO MATERIAL. PEDIDO EFETUADO EM 27 DE DEZEMBRO DE 2000. PRAZO. TERMO INICIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95 (31 DE AGOSTO DE 1995). RETIFICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR PARA CONSIDERAR EXTINTO O DIREITO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
Considerando-se que, em verdade, o pedido de restituição deu-se em 27 de dezembro de 2000, e tendo em vista o meu entendimento de que, em tal caso, o termo inicial do respectivo prazo é o dia da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, retifico minha decisão anterior, para dar pela extinção do direito do contribuinte à restituição/compensação do FINSOCIAL, e não prover o recurso especial do contribuinte.
Numero da decisão: 9303-001.794
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração para sanar a contradição existente no acórdão CSRF n° 0305.517, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado participou do julgamento em substituição ao
Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, ausente momentaneamente.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ERRO MATERIAL. PEDIDO EFETUADO EM 27 DE DEZEMBRO DE 2000. PRAZO. TERMO INICIAL. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95 (31 DE AGOSTO DE 1995). RETIFICAÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR PARA CONSIDERAR EXTINTO O DIREITO DO CONTRIBUINTE. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Considerandose que, em verdade, o pedido de restituição deuse em 27 de dezembro de 2000, e tendo em vista o meu entendimento de que, em tal caso, o termo inicial do respectivo prazo é o dia da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95, retifico minha decisão anterior, para dar pela extinção do direito do contribuinte à restituição/compensação do FINSOCIAL, e não prover o recurso especial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os embargos de declaração para sanar a contradição existente no acórdão CSRF n° 0305.517, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, ausente momentaneamente. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10331.000145/0041 Acórdão n.º 910301.794 CSRFT3 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório O processo em epígrafe versa sobre pedido de restituição de valores pagos a maior a título de contribuição ao Finsocial, concernente ao período de setembro de 1989 a março de 1992, com base na declaração de inconstitucionalidade da alíquota superior a 0,5%, promovida pelo STF. Inicialmente indeferido o seu pleito pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em julgamento de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, a antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negoulhe provimento, conforme a seguinte ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO EFETIVADO EM 27/12/2000. MATÉRIA COMPREENDIDA NA COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INÍC10 DA CONTAGEM DE PRAZO. MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95, PUBLICADA EM 31/08/1995. CARACTERIZADA A DECADÊNCIA É DE SE MANTER A DECISÃO PROFERIDA EM PRIMEIRA INSTANCIA. Recurso negado. Considerouse como termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos para o pedido de restituição a data da edição da Medida Provisória n° 1110/95 (31 de agosto de 1995). O contribuinte interpôs recurso especial interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial, argumentando no sentido de que o prazo para o pedido de restituição/compensação da contribuição ao Finsocial iniciouse com a edição da Medida Provisória n° 162136, de 10 de junho de 1998. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 526/534). Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10331.000145/0041 Acórdão n.º 910301.794 CSRFT3 Fl. 3 3 Em julgamento do recurso especial, fui designada para redigir o voto vencedor. Interposto, pela Fazenda Nacional, recurso extraordinário (fls. 555/563), o ilustre Conselheiro Antonio Praga, à época presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, preferiu despacho nos seguintes termos: “Ao apreciar a matéria, evidenciase erro material no julgado. Cristalino o posicionamento da ConselheiraRelatora, às fls. 543 do Acórdão em comento, no sentido de que o contribuinte protocolizou seu pedido de restituição em 27 de dezembro de 2000, data essa constante tanto na capa dos autos como no protocolo do pleito à fl. 01, verso. A I. Conselheira designada para redigir o VotoVencedor assentou que o pedido do contribuinte se deu em 31 de agosto de 2000 e que, portanto, não teria ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição/compensação ora em lide. Cristalino o erro material, a ser sanado pela C. Terceira Turma da CSRF. Pelos fatos acima, deixase de apreciar o extraordinário interposto. Ciência Representação da Procuradoria da Fazenda Nacional. Após, sejam os autos encaminhados à Conselheira SUZY (sic) GOMES HOFFMANN para nova inclusão em pauta de julgamento para o devido saneamento.” Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Quanto ao tema versado nos autos, o meu entendimento é no sentido de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em 05 (cinco) anos a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110 ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendose o prazo em 31 de agosto de 2000. Conforme se depreende do meu voto (fls. 548/551), considerei que o pedido de restituição fora formulado em data anterior a 31/08/2000, de modo que, com isso, a decadência não haveria ocorrido. No entanto, em verdade, o pedido ocorreu em 27 de dezembro de 2000. Evidente, destarte, o erro material, o qual, aliás, influenciou o deslinde do caso. Tendo como parâmetro aquela data, e sob o entendimento de que o prazo decadencial teve como termo inicial a publicação da Medida Provisória n° 1.110/95 (31 de agosto de 1995), é de se concluir pela extinção do direito do contribuinte Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10331.000145/0041 Acórdão n.º 910301.794 CSRFT3 Fl. 4 4 Diante do exposto, retifico a decisão de fls. 548/555, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de restituição pleiteado no presente processo. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933066/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 66 /2 00 9- 76 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 28/31 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/PASEP relativo ao fato gerador de 30/11/2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduz haver exercido direito amparado pela legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante foram acolhidos em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, onde ficou consignado que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, esta admitida no âmbito daquele julgamento, já que a retificação em tela não se enquadrava em nenhuma das hipóteses normativas que impedissem seu acolhimento. Assim: [...] Na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 30/11/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 33.449,85), no valor de R$ 28.648,37, restando um saldo de crédito de R$ 4.801,48, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$ 5.468,05). Cientificada da referida decisão em 14/03/2012 (vide AR de fls. 35), a interessada, em 04/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 36/45, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933066/200976 Acórdão n.º 3802001.597 S3TE02 Fl. 110 3 O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A defesa da recorrente não condiz com a realidade dos fatos, posto que, como relatado, a primeira instância acolheu a retificação da DCTF apresentada pela empresa, tendo, no entanto, deferido apenas em parte o pedido, já que o saldo do crédito em favor da empresa foi inferior ao valor pleiteado e utilizado na DCOMP. Com efeito, vêse do extrato de fls. 32, que o valor principal do débito cadastrado no processo, de R$ 7.292,65, foi reduzido para R$ 2.326,93, isso, justamente, em vista do acatamento da retificação do débito declarado na DCTF retificadora, conforme relatado. Assim, permanece apenas a situação em aberto dos débitos não liquidados por compensação depois dos cálculos decorrentes do reconhecimento parcial, pela primeira instância, do crédito alegado pela reclamante. Ao que parece, a recorrente apresentou o presente recurso buscando contestar a legitimidade da exigência do saldo devedor remanescente – depois de admitida a retificação da DCTF pela instância recorrida. Contudo, comparece a este foro sem apresentar nenhuma prova capaz de infirmar, minimamente, a exigência tributária atrelada a este processo. Vale lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11040.720402/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO
A não apresentação dos livros contábeis requisitados e/ou informações que possibilitem a apuração, submetem o contribuinte ao arbitramento de lucro.
DA SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE
A subcontratação do serviço de transporte é considerada como um custo do contribuinte, devendo integrar as bases de cálculo do IRPJ e contribuições reflexas na ocorrência de arbitramento do lucro.
DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO
O transporte de mercadorias destinadas à exportação em território nacional não gozam de imunidade tributária nos exatos termos do art. 155, § 2º, X, a, da Constituição Federal de 1988, todavia, gozam de suspensão das contribuições para o PIS e para COFINS, devendo ser excluídos da suas bases de cálculo.
DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS
A matéria primordialmente busca o pronunciamento da inconstitucionalidade de lei tributária, vedação, Súmula CARF n° 2.
DO PEDIDO DE PERÍCIA
O pedido de perícia deve ser requerido em sede de impugnação, devendo ser observado os requisitos do art. 16, IV, do Decreto n°. 70.235/72.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
A omissão reiterada de receitas, em valores significativamente inferiores aos registrados nos livros fiscais ou contábeis, denota a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária, amoldando-se tal conduta à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que justifica a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1302-001.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo (relator) que dava provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a para o percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Eduardo De Andrade Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Marcio Rodrigo Frizzo - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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DA SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE A subcontratação do serviço de transporte é considerada como um custo do contribuinte, devendo integrar as bases de cálculo do IRPJ e contribuições reflexas na ocorrência de arbitramento do lucro. DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO O transporte de mercadorias destinadas à exportação em território nacional não gozam de imunidade tributária nos exatos termos do art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal de 1988, todavia, gozam de suspensão das contribuições para o PIS e para COFINS, devendo ser excluídos da suas bases de cálculo. DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS A matéria primordialmente busca o pronunciamento da inconstitucionalidade de lei tributária, vedação, Súmula CARF n° 2. DO PEDIDO DE PERÍCIA O pedido de perícia deve ser requerido em sede de impugnação, devendo ser observado os requisitos do art. 16, IV, do Decreto n°. 70.235/72. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 04 02 /2 01 2- 16 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 628 2 A omissão reiterada de receitas, em valores significativamente inferiores aos registrados nos livros fiscais ou contábeis, denota a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária, amoldandose tal conduta à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que justifica a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Márcio Frizzo (relator) que dava provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Eduardo De Andrade – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 629 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SADI KONFLANZ & CIA LTDA, ora recorrente, em face do acórdão n. 1038.799 proferido pela DRJ/POA em PAF, onde foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 11/12), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 22/23), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 33/34) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 44/45). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 3.222.925,74 (calculado até 29/02/2012) conforme pode ser observado na tabela abaixo: TRIBUTO Valor do Tributo em R$ Valor do Juros em R$ Valor da Multa em R$ Valor Total do Crédito em R$ IRPJ 380.702,12 114.031,72 571.053,16 1.065.787,00 PIS 106.536,16 33.068,49 159.804,20 299.408,85 COFINS 486.245,36 150.825,14 729.367,98 1.366.438,98 CSLL 175.427,50 52.722,67 263.141,24 491.291,41 TOTAL 3.222.925,74 O AFRFB (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil) emitiu relatório fiscal (fls. 51/54) dispondo em síntese: [...] Tratase de empresa que atua no transporte rodoviário de cargas. O contribuinte apurou seus tributos e contribuições federais referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009 com base no lucro presumido. No dia 11/01/2012, o contribuinte solicitou 30 dias de prorrogação do prazo para atendimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal. O prazo foi prorrogado e, no dia 24/01/2012, o contribuinte apresentou os livros de registro e Apuração do ICMS e os livros de registro de saídas, referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009. Os livros diário e razão ou livro caixa que contivesse toda a movimentação financeira, inclusive bancária não foram apresentados. [...] Verificando os livros de registro e Apuração do ICMS, contatamos que os mesmos trazem registro de receita bruta de prestação de serviços, conforme a tabela I abaixo. Entretanto, nas DIPJs referente ao mesmo período o contribuinte informou valores bastante divergentes da receita bruta registrada nos livros. [...] Em virtude das divergências demonstradas na tabela I, em 06/03/2012 intimamos o contribuinte a informar por escrito o motivo pelo qual a receita bruta informada nas DIPJs referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009 está divergente dos valores registrados nos livros de registro e Apuração do ICMS do mesmo período. Em 13/03/2012 a fiscalizada apresentou sua resposta à intimação. A empresa declarou que “fica somente com a diferença entre o recebido da empresa contratante e o que pagamos para o terceiro que faz o frete”, nessas palavras. Esse procedimento está incorreto, pois a empresa optou nos anoscalendário de 2008 e 2009 pela apuração de seu lucro através do lucro presumido. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 630 4 Nesse regime de apuração, o lucro é presumido pela aplicação de coeficientes à receita bruta auferida, no caso do transporte de carga, o coeficiente aplicado é o de 8% da receita bruta. [...] O contribuinte, mesmo após termos prorrogado o prazo para atendimento, jamais apresentou os livros diário e razão ou livro caixa que contivesse toda a movimentação financeira. Devido a esses fatos, procedemos o arbitramento do lucro do contribuinte relativo aos anos calendário de 2008 e 2009, conforme preconiza o inciso III, do artigo 530 do RIR/1999, Decreto nº 3.000/1999. [...] Para o lançamento do IRPJ e da CSLL foram considerados os valores da receita bruta mensal registrados nos livros de registro e apuração do ICMS, conforme a tabela I acima e aplicado o coeficiente do lucro arbitrado de 9,6%. Foram descontados os valores constantes das DCTFs, após a retificação pelo contribuinte e adequação dessas declarações aos valores efetivamente recolhidos. Os demonstrativos de cálculo constam das folhas de continuação do auto de infração. Para o lançamento do PIS e da COFINS, foram descontados, também, os valores constantes das DCTFs, após a retificação pelo contribuinte e adequação dessas declarações aos valores efetivamente recolhidos. [...] Conforme descrito acima, o contribuinte informou nas DIPJs referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009 valores de receita bruta bastante divergentes dos valores da receita registrados nos livros de registro e apuração do ICMS do mesmo período, conforme demonstrado na tabela I acima. As receitas brutas informadas pelo contribuinte nas DIPJs referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009 são bastante inferiores, gerando um total omitido de receita bruta de R$ 17.707.267,11 nos dois anos. Além desse fato, a conduta de informar valores menores de receita bruta foi reiterada pelo contribuinte nos 8 trimestres dos dois anos. Em virtude dos fatos expostos, foi aplicada a multa de 150% prevista no inciso II do artigo 957 do RIR/1999, Decreto nº 3.000/1999. Nesse passo, após a ciência (fls. 378/391) da ora recorrente do exposto acima, esta apresentou sua Impugnação (fls. 393/557) alegando que não haveria razões lógicas e jurídicas para o arbitramento do crédito tributário: Para resumir, o arbitramento, sob pena de nulidade, precisa respeitar todos os princípios constitucionais que asseguram a tributação, conforme a capacidade econômica do contribuinte, não sendo lícito usálo por mera conveniência da autoridade administrativa, usando base de cálculo indevida para calcular os tributos, como feito no caso vertente, esmagando os direitos do contribuinte, e revelando escancaradamente sua nulidade, que ora se requer seja proclamada, como restará evidenciado nesta impugnação. (fl. 396). Dispôs ainda, que não haveria, na legislação, dispositivo que obrigasse o contribuinte a entregar seus livros à autoridade fiscal. Haveria autorização somente para aumentar o percentual de multa pelo desatendimento de intimação. O lançamento por arbitramento, então, seria nulo: Mas, se outro for o entendimento neste aspecto, corrijamse os equívocos apontados e reabrase o prazo para impugnação, sob pena de ficar evidente o cerceamento de defesa. (fl. 397). Assim como, afirmou que a subcontratação é prática comum nas prestações de serviços de transporte rodoviário de cargas e teria ocorrido no caso concreto, mas houve ineficiente capacidade fiscal de apurála adequadamente. Os valores recebidos pela subcontratada, embora transitem pela contabilidade da autuada, não integrariam a receita da recorrente. São meros ingressos que não importam em aumento no patrimônio da sociedade Fl. 630DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 631 5 (juntou documentação). E requereu perícia, para, ao final, ter o valor tributável reduzido pela exclusão dos valores de responsabilidade dos subcontratados. Alegou que parcela significativa das operações realizadas se referem ao transporte de cargas destinadas à exportação, não podendo fazer parte da base de cálculo para o PIS/Pasep e para a COFINS devido à imunidade constitucional, protestando pela requisição de documentos de terceiros e de perícia, requerendo o acolhimento da imunidade constitucional, incidente sobre as operações de prestação de serviços que destinaram mercadorias ao exterior, excluindo os valores correspondentes. Dispôs ainda que o ICMS não poderia ser incluído na base de cálculo da COFINS, assim como, não poderia ser aplicada a taxa Selic para corrigir tributos. Por derradeiro, contestou a multa qualificada aplicada ao caso, por configurar confisco. No entanto, a Quinta Turma de Julgamento da DRJ/POA declarou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação da ora recorrente, proferindo o acórdão sob nº 1038.799 (fls. 559/568) e, portanto, manteve incólume o crédito tributário lançado pelo AFRFB, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 CONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não detém competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atende aos requisitos legais. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS OBRIGATÓRIOS. Cabe o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro presumido, não apresentar a escrituração contábil nos termos da legislação comercial ou o livro caixa devidamente escriturado. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. Não há base legal para exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. RECEITA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 632 6 No transporte de cargas dentro do território nacional em que apenas a mercadoria transportada destinase à exportação, a receita desta modalidade de transporte não se configura como transporte internacional de cargas, não podendo assim ter o tratamento fiscal de isenção, estando sujeita ao pagamento regulamentar da contribuição para a Cofins. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente teve ciência da decisão retro em data de 15/10/2012 (fl. 578), assim, inconformada com os fundamentos nela dispostos apresentou o presente recurso voluntário reiterando os fundamentos de sua Impugnação, acrescentando, todavia, os seguintes argumentos: (i) A prestação do serviço de transporte internacional não se trata de uma isenção como posta na decisão recorrida, mas sim de uma imunidade constitucional, assim como, a prestação do serviço de transporte internacional abrange todo o trajeto desde o remetente originário até o destinatário final, pouco importando se houve subcontratação no trajeto. [...] Tributar tais operações significará repasse de custos e aumento do preço do produto, que se quer evitar. Se a transportadora tem de pagar IRPJ, ICMS, CSLL, etc., sobre tais operações, por evidente que o custo do transporte se eleva, e não há com deixar de ser repassado para as mercadorias pelo exportador. (fls. 580/582); (ii) A subcontratação é prática comum nas prestações de serviços de transporte rodoviário de cargas, e ocorre quando o transportador não a realiza em veículo próprio, mas, embora o desconsiderar fiscal para a alegação efetuada durante as diligências fiscais, o fundamental é que não se pode ignorar a realidade. E a subcontratação houve, não obstante ineficiente a capacidade fiscal de apurála adequadamente. [...] A fiscalização está obrigada a privilegiar a verdade material, que as identifica como princípio basilar do processo administrativo. Por isso não podem subsistir os valores tributáveis considerados pelo Fisco, sendo indispensável excluir da receita brita da empresa todos os valores que foram recebidos por terceiros em razão de sublocação. [...] Do exposto, roga o contribuinte que os valores cobrados sejam excluídos os valores de responsabilidade dos subcontratados, o que significa, por evidente, redução da base de cálculo utilizada, ou seja, redução do valor tributável. (fls. 590/592); Fl. 632DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 633 7 (iii) Com relação a perícia que lhe foi ceifado, por evidente que houve violação ao direito de defesa e ao devido processo legal, uma vez que expressamente foi requerida a perícia, e sua justificativa, não podendo o fato de não indicar o perito, lhe ser tolhido tal direito (fl. 592); (iv) Com relação a multa, neste ponto também deve ser revisado o decisum, uma vez que extrapola os limites da razoabilidade. Entendeu o julgador a quo que não pode examinar a inconstitucionalidade das Leis. Absurdo fechar os olhos ao comportamento do legislador nos últimos tempos, insuflado pelo executivo, pleno de voracidade fiscal, passando a usar a multa como um meio, uma técnica, um desvio, a permitir elevada arrecadação, contornando as garantias do cidadão, dentro e fora do âmbito constitucional, que ao limitarem o Poder de Tributar do Estado, literalmente apenas falam em tributo, mas que não se pode deixar de penetrar na verdade da norma buscando interpretála teleologicamente. (fl. 594); É o relatório. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 634 8 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO DE TRANSPORTE A recorrente traz fundamentação pleiteando a exclusão da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS os valores pagos a título de subcontratação do serviço de transporte, expondo em síntese que: “A subcontratação é prática comum nas prestações de serviços de transporte rodoviário de cargas, e ocorre quando o transportador não a realiza em veículo próprio, mas, embora o desconsiderar fiscal para a alegação efetuada durante as diligências fiscais, o fundamental é que não se pode ignorar a realidade. E a subcontratação houve, não obstante ineficiente a capacidade fiscal de apurála adequadamente. [...] A fiscalização está obrigada a privilegiar a verdade material, que as identifica como princípio basilar do processo administrativo. Por isso não podem subsistir os valores tributáveis considerados pelo Fisco, sendo indispensável excluir da receita brita da empresa todos os valores que foram recebidos por terceiros em razão de sublocação. [...] Do exposto, roga o contribuinte que os valores cobrados sejam excluídos os valores de responsabilidade dos subcontratados, o que significa, por evidente, redução da base de cálculo utilizada, ou seja, redução dolo var tributável.” (fls. 590/592); No entanto, sendo a subcontratação uma espécie de custo da recorrente, o mesmo (custo) somente poderia ser excluído da base de cálculo do IRPJ e CSLL na hipótese de apuração pelo lucro real, fato este que não ocorreu, pois, além da recorrente ser optante pelo lucro presumido, o AFRFB conforme já relatado, realizou o arbitramento do lucro com base nos livros de registro e apuração do ICMS ante a ausência de documentação por parte da recorrente. Nessa mesma linha de pensamento segue a jurisprudência deste Conselho: RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO OPTANTES PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO — A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte optante pela sistemática do lucro presumido é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mãodeobra dos valores recebidos a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. (grifei) (ACÓRDÃO 110200.228 CARF – 1ª. Seção – 2ª. Turma da 1ª. Câmara Data de decisão: 05/07/2010) Fl. 634DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 635 9 REGIME TRIBUTÁRIO COM NO LUCRO PRESUMIDO. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei n° 9.430, de 1996, art. 53). (grifei) (ACÓRDÃO 120200.157 CARF – 1ª. Seção – 2ª. Turma da 2ª. Câmara Data de decisão: 28/09/2009) IRPJ — LUCRO PRESUMIDO — APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DEDUÇÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NEGATIVA — A determinação do Lucro Presumido leva em conta a receita bruta auferida pelo contribuinte, não sendo admitida qualquer dedução a título de despesas ou perdas, pois elas estão contempladas no coeficiente relativo à atividade da pessoa jurídica. (grifei) (ACÓRDÃO 120200.283 CARF – 1ª. Seção – 2ª. Turma da 2ª. Câmara Data de decisão: 17/05/2010) Já no tocante ao PIS/COFINS, a apuração feita pelo AFRFB foi pela sistemática da cumulatividade, e nesse ponto também acertou, tendo em vista o arbitramento do lucro. Nessa esteira, não estando os valores pagos a título de subcontratação do serviço de transporte previsto no rol de exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, correto encontrase o procedimento fiscal realizado pelo AFRFB. Desse modo, não há que se falar em reparos no r. acórdão a quo. 2. DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS À EXPORTAÇÃO A recorrente traz fundamentação requerendo a exclusão da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS os valores referentes ao transporte de mercadorias destinadas à exportação, haja vista, serem estes valores cobertos por imunidade tributária. Desse modo, estes valores não poderiam ser tributados pelo ICMS, e via de consequência, não poderiam contemplar a presente base de cálculo tributável em atenção a base de cálculo escolhida pelo AFRFB para arbitrar o lucro do recorrente, que foi, o livro de registro e apuração do ICMS. Contudo, antes de adentrar ao núcleo da questão, importante dispor que a operação a que se refere a recorrente tratase na realidade de uma espécie de transporte denominada de multimodal, o qual tem a sua previsão expressa disposta na Lei n°. 9.611/98, a qual traz em seu bojo a seguinte definição: Art. 2º Transporte Multimodal de Cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal. Parágrafo único. O Transporte Multimodal de Cargas é: I nacional, quando os pontos de embarque e de destino estiverem situados no território nacional; II internacional, quando o ponto de embarque ou de destino estiver situado fora do território nacional. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 636 10 Art. 3º O Transporte Multimodal de Cargas compreende, além do transporte em si, os serviços de coleta, unitização desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, bem como a realização dos serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação documental de cargas. [...] Art. 8º O Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas evidencia o contrato de transporte multimodal e rege toda a operação de transporte desde o recebimento da carga até a sua entrega no destino, podendo ser negociável ou não negociável, a critério do expedidor. Nessa senda, conforme vislumbrado na legislação acima, notase que a recorrente ao ser contratada para transportar mercadorias destinadas ao exterior (fls. 473/494) e na sequência realizar as referidas subcontratação, participa efetivamente desta espécie de transporte “multimodal”. Todavia, os valores arrecadados com o transporte de mercadorias destinadas ao exterior em território nacional (intermunicipal ou interestadual) não fazem jus a imunidade tributária requerida pela recorrente, pois fazendo uma exegese objetiva do art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal de 1988, este não alcança a imunidade pleiteada. Por outro lado, por tratarse de transporte multimodal, as receitas com esta espécie de transporte são cobertas pela suspensão tributária das contribuições sociais para o PIS e a COFINS. Esse entendimento pode ser vislumbrado em atenção ao disposto no § 6ºA do art. 40 da Lei n°. 10.865/2004, o qual foi incluído pela Lei n°. 11.488/97. Senão, vejamos: Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. § 1º Para fins do disposto no caput deste artigo, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido igual ou superior a 70% (setenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. [...] § 6º A. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (grifei) [...] II. produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. § 7º Para fins do disposto no inciso II do § 6ºA deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. § 8º O disposto no inciso II do § 6ºA deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 637 11 § 9º Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, condição a ser comprovada mediante o Registro de Exportação RE.” Nesta esteira, já julgou este Conselho: BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. FRETES DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. As receitas de fretes no transporte de produtos destinados à exportação gozam da suspensão da contribuição, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS. (grifei) (ACÓRDÃO 3301001.612 CARF – 3ª. Seção – 3ª Câmara 1ª Turma Ordinária Data de decisão: 23/10/2012) Desta feita, não se aplica a imunidade tributária aos transportes de mercadorias destinadas à exportação em território nacional, mas sim, aplicase a suspensão tributária do PIS e da COFINS. Assim sendo, necessário se faz que a Recorrente demonstre qual parcela da receita é composta pelo transporte destinado ao exterior. Porém a Recorrente assim não o fez, e não apresentou a documentação necessária ao AFRFB para que isso fosse possível. A Recorrente foi desidiosa em seu ônus probatória, e por falta da documentação e da demonstração dos valores, julgo improcedente o recurso neste ponto. 3. DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS A recorrente protesta pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, alegando em síntese que os valores arrecadados a título de ICMS não poderiam ser considerados receitas, mas sim, um mero ingresso de caixa. A discussão ventilada pela ora recorrente ainda é motivo de grandes debates, tanto nos tribunais judiciários, como nos órgãos administrativos, desse modo, na tentativa de nortear a discussão o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no RE 240.7852/MG, acontece que até a presente data não se chegou a uma decisão definitiva sobre a matéria. Importante lembrar que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS traz em seu bojo fundamentação que levaria este Conselho a se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o que é vedado nos termos da Súmula n° 2. Senão, vejamos: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nessa senda, ante a incompetência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária deste Conselho, em silêncio permaneço em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. DO PEDIDO DE PERÍCIA Fl. 637DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 638 12 No tocante ao pedido de perícia pleiteado pela recorrente, este não deve subsistir, pois o art. 16, IV, do Decreto n°. 70.235/72 é claro ao definir os requisitos para se pleitear a referida perícia já em sede de impugnação. Senão, vejamos: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. A recorrente ao não indicar o nome do perito e não formalizar os quesitos para a perícia em sua impugnação deixou de observar os requisitos dispostos acima, sendo assim, devese entender pela preclusão do pedido de perícia. 5. DA MULTA QUALIFICADA – LUCRO ARBITRADO Importante lembrar que o AFRFB procedeu ao arbitramento do lucro da recorrente, utilizandose dos instrumentos, documentos e valores disponíveis, conforme anteriormente explicitado. Nessa senda, o acesso que o AFRFB teve a outros livros e documentos suprem a falta de esclarecimentos por parte da recorrente, de forma que os lançamentos são feitos sem qualquer prejuízo ou empecilho, inclusive de forma gravosa à recorrente. O quantum exigido é plenamente determinado pelo arbitramento de lucro, o que torna incabível a aplicação do agravamento da multa. A aplicação da multa qualificada no presente caso, em relação aos créditos omitidos na DIPJ, mas identificados nos livros de registro e apuração do ICMS, teve como fundamento a caracterização de omissão de receita (fl. 54). Não há qualquer outro motivo expresso no PAF para que haja a qualificação da multa, sendo considerado apenas a não prestação de informações pela recorrente. No entanto, é um excesso demasiado perigoso aplicar a multa qualificada simplesmente pela existência de operações tidas como simuladas. Não houve dolo de fraude ou de sonegação, mas apenas a não prestação de esclarecimentos por parte da recorrente. A qualificação da multa se constituiu apenas nisso. Houve o lançamento de ofício pela omissão de receitas, mas em nenhum momento ficou comprovado o “evidente intuito de fraude”. O mero descumprimento da legislação tributária em muito se distancia da situação prevista no art. 957, II do RIR/99 que exige que haja evidente intuito de fraude para que seja caracterizada a qualificadora da multa de ofício. Assim dispõe o referido dispositivo: Fl. 638DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 639 13 Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) O motivo acima, resumidamente apresentado, foi utilizado pelo AFRFB como fundamento fático para que houvesse a incidência da qualificação da multa de ofício conforme dispõe o art. 957, II do RIR/99. É clara a exigência de vincular a aplicação da qualificadora da multa de ofício aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei 4502/64, que trata dos institutos da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Desta forma, no presente caso não há dúvidas, pelos motivos expostos pelo AFRFB e por mim resumidos logo no início desta argumentação, que a aplicação da multa qualificada de 150% teve como fundamento o fato do contribuinte ter se omitido em prestar esclarecimentos à fiscalização e por ter omitido valores em suas declarações, situação esta que segundo o AFRFB se coaduna diretamente ao disposto no art. 71 ou 72 ou 73 da lei 4502/64. Em outras palavras, a simples não apresentação das informações requeridas por parte da recorrente, foi entendida pela autoridade fiscal como caracterizadora da conduta dolosa da recorrente de se eximir do imposto devido e, portanto merecedora da imposição da majoração da multa imposta de ofício. Frente a aplicação da multa qualificada, há de se buscar os casos que efetivamente restar comprovada a conduta evidentemente fraudulenta. Neste sentido existe amplo número de decisões deste Egrégio Conselho das quais colaciono alguns exemplos abaixo: MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente Fl. 639DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 640 14 intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa. (grifei) (Ac. 110300502 – CARF – 1ª Seção – 1ª Câmara – 1ª Turma – Rel. Hugo Correia Sotero, j. 30 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO DE 150%. É cabível a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, sobre os valores dos tributos exigidos, nos casos de evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (grifei) (Ac. 1103 00.502. – CARF – 1ª Seção – 2ª Câmara – 2ª Turma – Rel. Carlos Alberto Donassolo, j. 27 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. A qualificação da multa de ofício apenas é justificada quando a fiscalização devidamente demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). (grifei) (Ac. 140100.484 – 1ª Seção – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Rel. Eduardo Martins Neiva Monteiro, j. 24 de fevereiro de 2011). MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. (grifei) (1CC Proc. 15586.000733/200509 6ª C. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos DOU 03.09.2008) Neste sentido dispõe o art. 957, II do RIR/99: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...] II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) Neste contexto há de se asseverar que não há possibilidade de presunção da fraude. Os fatos que a caracterizem devem estar presentes e perfeitamente identificados nos Fl. 640DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 641 15 autos, seja na conduta da recorrente, seja em omissões deliberadas. O que não se pode admitir é que o AFRFB entenda que a simples omissão nos esclarecimentos requeridos possa ser presumida como “evidente intuito de fraude”, sem uma demonstração clara. É de se espantar que muitos entendam que a simples omissão de receitas ou rendimentos, a simples declaração inexata de custos, despesas, receitas, a classificação equivocada de receitas na DIPJ, falta de comprovação de determinada operação comercial ou ato financeiro, inclusão ou exclusão de qualquer valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, prestação de informações divergentes às levantadas pelo Fisco, ou a simples omissão na prestação de esclarecimentos, entre outras, caracterizem a incidência da multa qualificada sob o fundamento de evidente intuito de fraude. Tais condutas de maneira alguma, por si só, data maxima venia aos que pensam em contrário, podem ser consideradas como atividades com evidente intuito de fraude. Há de se verificar positivamente no processo um plus fraudulento nas condutas acima mencionadas para que se entenda pela aplicação da tal qualificadora, sob pena de se desvirtuar a natureza de cada instituto. O equívoco me parece estar exatamente nos casos de lançamento de oficio de tributos com base em presunção de omissão de receita ou rendimentos, e que não sejam provados o evidente intuído de fraude. A simples omissão de receita baseada na presunção legal e a inclusão de valores e informações nas declarações do imposto de renda não caracterizam de maneira alguma o evidente intuito de fraude. Estarseia em um perigoso processo de equiparação dos casos de simples infração fiscal de omissão de receita à casos grave caracterizadores de evidente atitude fraudulenta. As condutas que caracterizam a presunção legal de omissão de receita, aos quais se aplica a multa de 75%, em nada se assemelham aos casos de fraude manifesta, estes sim ensejadores da aplicação da multa majorada de 150%. Tais condutas com evidente intuito de fraude são distintas da praticada pela recorrente, desta feita, a recorrente deveria ter sido sim, penalizado pela infração de omissão de receita, mas jamais pela atitude “evidente de fraude”. Outro ponto que me leva a concluir que não deve ser mantida a multa qualificada foi o fato que o lucro foi arbitrado. 6. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Finalmente, cumpre apreciar o questionamento da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa SELIC para corrigir tributos. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Recorrentes e por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na Súmula nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 642 16 As Súmulas do CARF foram consolidadas pela Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010), de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor. Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1º, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifei) Ocorre que a Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3º, conjugado com o art. 5º, § 3º, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifei) [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifei) Desse modo, não acolho o pedido de inaplicabilidade da taxa SELIC por parte da recorrente. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 643 17 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, julgo parcialmente procedente o recurso voluntário, para afastar a multa qualificada (art. 957, II do RIR/99) nos termos do relatório e voto. Sala de sessões, em 10 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 643DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 644 18 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por maioria de votos, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que afastava a aplicação da multa qualificada sobre o lançamento de diferenças de IRPJ e Contribuições Sociais apuradas sobre omissões de receitas. A recorrente alegou na impugnação que a multa aplicada ao caso é confiscatória e no recurso voluntário que “neste ponto também deve ser revisado o decisum, uma vez que extrapola os limites da razoabilidade”, nos termos do relatório apresentado. O relator do voto vencido entende que a multa qualificada não podia ser aplicada uma vez que o lançamento foi realizado com base nos livros e documentos fiscais apresentados pela própria recorrente, o que supriria eventuais faltas de esclarecimentos por parte da recorrente, “de forma que os lançamentos são feitos sem qualquer prejuízo ou empecilho, inclusive de forma gravosa à recorrente”. Sustenta ainda que “O quantum exigido é plenamente determinado pelo arbitramento de lucro, o que torna incabível a aplicação do agravamento da multa.” Entende ainda o relator que “Não houve dolo de fraude ou de sonegação, mas apenas a não prestação de esclarecimentos por parte da recorrente”. Argumenta que há que se diferenciar as condutas de simples omissão de receitas das que contém o evidente intuito de fraude, concluindo que “Tais condutas com evidente intuito de fraude são distintas da praticada pela recorrente, desta feita, a recorrente deveria ter sido sim, penalizado pela infração de omissão de receita, mas jamais pela atitude “evidente de fraude”. (grifos contidos no texto original) Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a exigência da multa qualificada sobre as diferenças de tributos apuradas é plenamente justificada pelos elementos apurados e trazidos aos autos pela fiscalização. É importante destacar desde logo que a recorrente se limitou a argumentar que a multa aplicada é confiscatória e que extrapola os limites da razoabilidade. A recorrente não apresenta em suas peças de defesa qualquer justificativa para o fato de ter apresentado declarações ao Fisco federal na qual informa consecutivamente o auferimento de receitas em montante de 5 a 10% da que registrara nos livros fiscais. Sobre tais argumentos, cumpre observar que a aplicação da multa de ofício sobre os lançamentos efetuados decorre de expressa disposição legal (art. 44, da Lei nº 9.430/1996) 1, pois o crédito tributário foi constituído por iniciativa da administração 1 Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 644DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 645 19 fazendária, resultando na aplicação de penalidade mais gravosa do que a simples multa moratória, que incide sobre os recolhimentos feitos com atraso, porém por iniciativa do próprio sujeito passivo, antes de iniciado o procedimento fiscal. No presente caso, entendeu ainda a fiscalização que seria aplicável a multa qualificada, nos termos do § 1º daquele mesmo diploma legal. Com relação à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, e ainda ofenderia o princípio da razoabilidade, observo que, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é “vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Assim também dispõe a Súmula CARF nº 2, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, no que concerne às alegações da recorrente a multa qualificada não poderia ser afastada. Não obstante, o relator agrega outros argumentos em seu voto que, no seu entender, seriam suficientes para afastar a multa qualificada, o que passo a refutar. Não procede o argumento de que o fato do lançamento ter sido feito com base nos elementos apresentados pela recorrente seria, por si só, motivo para o afastamento da multa qualificada, na medida em que supriria eventuais falta de esclarecimento por parte da fiscalizada. Com efeito, o atendimento às solicitações de documentos e esclarecimentos feitas pela fiscalização constituise obrigação legal de todos os contribuintes, ao passo que sua recusa no atendimento ou o oferecimento de obstáculos à ação da fiscalização é motivo de agravamento da penalidade, nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. No entanto, este não é o caso dos autos. Sobre os lançamentos de tributos incidentes sobre a receita omitida (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins) foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no inc. II do art. 44 da II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 645DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 646 20 Lei nº 9.430/1996, por ter entendido a autoridade fiscal que a fiscalizada agiu com dolo ao omitir receitas, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502 de 1964. Não se trata, portanto, de agravamento da penalidade em face de embaraço à fiscalização, mas sim de qualificação da multa em face da sonegação apurada. Também não impede a qualificação da multa o fato da base tributável ter sido apurada mediante o arbitramento de lucro, uma vez que tal medida foi adotada em face do descumprimento de obrigações acessórias relativas à apuração do IRPJ e da CSLL. Não obstante tal procedimento adotado pelo Fisco, o que se verifica no caso concreto é que, ao par disso, a fiscalização apurou que a recorrente omitiu mais de 90% de suas receitas totais nas declarações apresentadas ao Fisco, na apuração do lucro relativo a oito trimestres consecutivos, nos anos de 2007 e 2008. Entendo que, no presente caso, restou configurada a intenção dolosa de omitir receitas ao Fisco federal, mediante a prática reiterada de prestar informações falsas à autoridade fiscal no que concerne à base tributável, definida como sonegação pelo art. 71 da Lei nº 4.502/19642. Nesse sentido têm se manifestado os colegiados desta corte, em especial os da Câmara Superior de Recurso Fiscais CSRF, in verbis: MULTA QUALIFICADA A conduta da empresa, consistente em reiteradamente declarar parcela da receita muito inferior à real, aliada ao não fornecimento de sua escrituração comercial e fiscal, justifica a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 10196.557, de 04/03/2008, 1a Câmara, 1º CC). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007. (Acórdão nº 120100.079, de 14/05/2009, 1a Turma, 2ª Câmara, 1º Seção CARF). MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO INEXATA. A apresentação, reiterada durante vários exercícios, de declarações de rendimentos (IRPJ) e de tributos devidos (DCTF) com valores zerados e a ausência dos recolhimentos das contribuições devidas não podem ser consideradas como meras declarações inexatas, pois denotam a conduta dolosa do 2 Lei 4.501/1964: rt . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11040.720402/201216 Acórdão n.º 1302001.069 S1C3T2 Fl. 647 21 contribuinte de retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, restando configurada a prática de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pelo que se impõe a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 9101 000.986, de 24/05/2011, 1a Turma CSRF). MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Tal conduta se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 9101 001.029, de 25/05/2011, 1a Turma CSRF). Deste modo, entendo que deve ser mantida a aplicação da multa qualificada sobre os tributos devidos e lançados em face da omissão de receitas apurada. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo a exigência da multa qualificada sobre os tributos apurados, nos moldes constantes do lançamento. Sala de sessões, em 10 de abril de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 647DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /05/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 13931.000462/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
COMPETÊNCIA. UNIDADE DE LAVRATURA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. SÚMULA CARF Nº. 27. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MANUTENÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A falta de comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente afasta o lançamento que tem por base a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
JUROS SOBRE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. É indedutível a despesa financeira relativa a juros sobre mútuo quando não é comprovada a necessidade de tais despesas para a atividade da empresa e, ainda, em função de não ter o contribuinte comprovado a efetividade da ocorrência das despesas.
MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS/PASEP.
Aplicam-se aos lançamentos reflexos os fundamentos do IRPJ, no que couber.
Recurso Voluntário e de Ofício desprovidos.
Numero da decisão: 1402-001.286
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício; e: ii) rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinada digitalmente)
Carlos Pelá Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 COMPETÊNCIA. UNIDADE DE LAVRATURA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. SÚMULA CARF Nº. 27. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MANUTENÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A falta de comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente afasta o lançamento que tem por base a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. JUROS SOBRE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. É indedutível a despesa financeira relativa a juros sobre mútuo quando não é comprovada a necessidade de tais despesas para a atividade da empresa e, ainda, em função de não ter o contribuinte comprovado a efetividade da ocorrência das despesas. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicam-se aos lançamentos reflexos os fundamentos do IRPJ, no que couber. Recurso Voluntário e de Ofício desprovidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício; e: ii) rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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UNIDADE DE LAVRATURA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. SÚMULA CARF Nº. 27. É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. MANUTENÇÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A falta de comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente afasta o lançamento que tem por base a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. JUROS SOBRE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. É indedutível a despesa financeira relativa a juros sobre mútuo quando não é comprovada a necessidade de tais despesas para a atividade da empresa e, ainda, em função de não ter o contribuinte comprovado a efetividade da ocorrência das despesas. MULTA DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA TAXA SELIC SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 04 62 /2 00 9- 12 Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 3 2 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicamse aos lançamentos reflexos os fundamentos do IRPJ, no que couber. Recurso Voluntário e de Ofício desprovidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: i) negar provimento ao recurso de ofício; e: ii) rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls.420/454), cumulados com multa de 150% e juros de mora, relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005, lavrados em razão da (i) suposta omissão de receitas apurada pela fiscalização, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, e (ii) da glosa de despesas financeiras e de outras despesas. O apurado foi detalhado no Relatório de Ação Fiscal de fls. 375/386 e relatório da DRJ/CTA da seguinte forma: 1. Depósitos bancários de origem não comprovada: 1.1. O contribuinte não comprovou à Fiscalização, mediante documentação hábil e idônea, a origem das diferenças entre a receita ou faturamento total declarados na DIPJ e escriturados em sua contabilidade, e os respectivos subtotais dos depósitos, créditos e/ou entradas de valores em suas contas bancárias demonstrados no Anexo 2. 1.2. O contribuinte não logrou comprovar que a movimentação financeira considerada pela Fiscalização pertence a sociedade de conta de participação (SCP) em que participe ou tenha participado como sócio ostensivo, exceto no que se refere à conta 157.4868, junto à agência 04260 do Banco Bradesco, cuja titularidade consta em nome de Monte Blanc Empreendimentos SCP Recanto. No período de abril a dezembro de 2005, o total de entradas nessa conta montou R$ 1.221.087,50, apurado de acordo com extratos bancários em arquivo digital. Desse total, R$ 979.492,51 estão escriturados na conta 01.01.01.02.01 Bradesco 237 04261574868 da contabilidade da SCP Recanto das Andorinhas, cujo sócio ostensivo declarado junto à instituição bancária é o contribuinte. Portanto, restaram R$ 241.594,99 em depósitos bancários individualmente identificados pela Fiscalização como presentes nos extratos, mas ausentes na contabilidade da SCP, razão pela qual foram incluídos como receita omitida. 1.3. Não foram aceitos os documentos “ordem de transferência de valores”, por não estarem revestidos dos requisitos formais e materiais para sua admissão; outrossim, representariam valores muito inferiores à movimentação bancária. 2. Glosa de despesas financeiras e de outras despesas 2.1. A Fiscalização glosou elevadas despesas financeiras com juros em razão de (a) uma vez desfigurada a existência de “mútuos”, não podem subsistir as correspondentes despesas com juros alegados; (b) não foi comprovada a necessidade e efetividade de tais despesas, apesar das intimações fiscais lavradas. 2.2. A não apresentação dos comprovantes de receitas e despesas financeiras declarados às linhas 24 e 36 da ficha 06A da DIPJ/2006 ensejou glosas e desconsiderações demonstradas nos Termos Fiscais nº 203 e 350/2009, e respectivos anexos, bem como no Anexo 07 do Termo nº 503/2009. A alteração ex officio do total de despesas financeiras informadas na linha 36 da ficha 06A – Demonstração do Resultado, de R$ 1.759.887,03 para Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 5 4 R$ 122.039,57, foi acompanhada da redução do valor de receitas financeiras declaradas na linha 24, de R$ 803.854,17 para R$ 320.151,71. 2.3. Qualificação da multa de ofício 2.3.1. O contribuinte agiu intencionalmente manipulando os fatos contábeis, notadamente no que diz respeito à apropriação de receitas inexistentes e ocultação de receitas, de forma a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (art. 72 da Lei nº 4.502/64 – fraude). 2.3.2. Houve ajuste doloso entre o contribuinte e pessoas a ele ligadas visando a fraude, omitindo receitas por meio de passivos fictícios (“mútuos”), reduzindo ou mesmo anulando qualquer resultado positivo em 2002 e 2003 (art. 73 da Lei nº 4.502/64). No relatório da DRJ/CTA consta, ainda, que o contribuinte apresentou impugnação aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: Preliminares: 1) Nulidade do procedimento administrativo. Uma vez que o contribuinte é sediado em Curitiba e não tem estabelecimento, nem domicílio em Guarapuava ou Ponta Grossa, e que nenhum dos fatos apontados neles aconteceu, após a determinação da execução do MPF pelo Delegado da Receita Federal de Curitiba, os trabalhos não poderiam ter sido “removidos” para outra unidade. Diante da infração ao art. 904 do RIR/99 e ao art. 59, I e II, do Decreto nº 70.235/72, devem ser anulados os atos praticados a partir da transferência dos trabalhos para Guarapuava e Ponta Grossa. 2) Nulidade por vício formal. O auto de infração foi lavrado após expirado o prazo de validade do MPF, em afronta ao disposto nos artigos 12, 15, 16 e 20 da Portaria SRF nº 3.007/01. Emitido o MPF em 23/10/2008, não foi o contribuinte cientificado de qualquer Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, conforme o art. 13, §2º, da Portaria SRF nº 3.007/01. Os autos nem mesmo incluem tal demonstrativo. 3) Decadência. Tendo sido cientificado da autuação em 01/09/2009, foram atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos até o mês de setembro de 2004, já que os tributos em tela são lançados por homologação, aplicandose o art. 150, §4º, do CTN. Mérito 4) Tributação equivocada de valores decorrentes de resgates de aplicação financeira ou operações de transferência realizadas pela própria empresa. Os valores relacionados nas fls. 478/480 não podem ser sujeitos à tributação porque decorrem de aplicação financeira e operações de transferência da mesma titularidade, conforme documentos comprobatórios do Anexo II. 5) Diferença apurada entre a receita declarada pelo contribuinte e a apontada pela Fiscalização oriunda de depósitos bancários. A Fiscalização apurou valores devidos a título de IRPJ e seus reflexos utilizandose como base todas as entradas de recursos nas contas bancárias do contribuinte. Ocorre que a diferença entre o total das entradas mensais Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 6 5 e o valor declarado em DIPJ é decorrente de operações não sujeitas a tributação, conforme relação apresentada. 6) Mútuos realizados entre o contribuinte e as empresas Replecta, RLF, Rolando Rozenblum e sua sócia Karina Rozenblum. Conforme contratos de mútuo juntados no Anexo IV, cuja legalidade resta comprovada, pactuou mútuo com a empresa Reflecta, com o fito de angariar recursos para consecução de suas atividades. Também é o caso dos mútuos firmados com as empresas RLF (anexo IV) e Ozyx (Anexo V); com Rolando Rozenblum (Anexo VI) e Karina Rosenblum (Anexo VII). O contrato particular assinado pelas partes e por duas testemunhas e a comprovação do fluxo financeiro são elementos suficientes para comprovar a operação de mútuo. No Anexo VIII encontramse os extratos bancários da empresa Construtora Valor Ltda e outros documentos que comprovam a origem do valor e a efetividade da amortização de mútuo. Dentre esses documentos, é válido destacar o valor na conta mútuo realizados com a empresa Construtora Valor Ltda, nos períodos em tela, perfaziam a quantia de R$ 2.417.982,76 em 2004 e R$ 2.614.043,72 em 2005. Assim, devem as quantias lançadas e consideradas como omissão de receitas ser excluídas da autuação. 7) Indevida glosa de despesas financeiras com juros. Tendo efetivamente existido os mútuos, é indevida a glosa das despesas financeiras de juros. 8) Depósitos bancários decorrentes de investimentos de sócios ocultos em SCPs em que o contribuinte é sócio ostensivo. SCPs não possuem personalidade jurídica, mas são equiparadas às PJs pela legislação do IRPJ (art. 148 do RIR/99). Os resultados da SCP devem ser apurados em separado dos da própria PJ que é o sócio ostensivo. As informações relativas à SCP devem ser incluídas na DIPJ do sócio ostensivo. Os valores investidos pelos sócios, pessoas jurídicas, deverão ser por eles registrados em conta do ativo permanente, mais especificamente, “investimentos”, em conformidade com o art. 179, III, da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A). Há valores incluídos indevidamente como receitas omitidas pela Fiscalização, pois se tratam de adiantamento de investimento pelos sócios ocultos nas SCP em que o contribuinte é sócio ostensivo. Em outros casos, as quantias depositadas referemse a adiantamento de investimento em face de o contribuinte ser sócio oculto em algumas SCP. a) Adiantamento de investimentos pela SCP VICTÓRIA VILLAGE na qual o contribuinte é sócio oculto – Conforme o contrato do Anexo IX, várias pessoas físicas e jurídicas constituíram uma SCP para a incorporação e construção do imóvel Edifício Victória Village, cujo sócio ostensivo era a Construtora Valor Ltda, e o contribuinte era um dos sócios ocultos. Em face desse contrato, o contribuinte recebeu diversos depósitos a título de adiantamento de investimento. Os valores relacionados na fl. 504 foram depositados pela Construtora Valor Ltda e foram objeto de autuação. b) Adiantamento de investimentos pela SCP CASA PERSONNALITÉ na qual a impugnante é sócia ostensiva – O contribuinte custeou o início das obras no empreendimento, ficando com um crédito a receber da SCP. Esse crédito foi sendo liquidado por meio de depósitos realizados pelos clientes da SCP Casa Personnalité, por conta e ordem da mesma. Na SCP, os valores foram contabilizados como Recebimento de Clientes a Receita de Unidades Imobiliárias Vendidas. c) Adiantamento de investimentos pela SCP CASA PERSONNALITÉ na qual o contribuinte é sócio ostensivo, enviado pelo sócio oculto REPLECTA – Os Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 7 6 valores depositados pela empresa Replecta foram feitos a conta e ordem da SCP Casa Personnalité a título de adiantamento de investimento. No contribuinte, foram contabilizados como adiantamento de investimento da SCP Casa Personnalité. Já na SCP, os depósitos foram contabilizados como aporte de capital e podem ser verificados na conta 0241.0100.00001 – Replecta Participações Ltda. d) Adiantamento de investimentos pela SCP CASA BELLA na qual o contribuinte é sócio oculto – O contribuinte é sócio oculto da SCP Casa Bella, sendo o sócio ostensivo Construtora Valor Ltda (Anexo XII). Há valores que estão sendo incluídos na base de cálculo utilizada pela Fiscalização que dizem respeito à SCP. Parte desses valores referemse a depósitos realizados por alguns clientes do empreendimento por conta e ordem da SCP Casa Bella. Há outros valores, no entanto, que foram depositados diretamente da SCP Casa Bella para a empresa Monte Blanc Empreendimentos Imobiliários Ltda. Todas as quantias em questão decorrem de adiantamento de investimentos pagos ao contribuinte em face de sua condição de sócio oculto. Essas quantias foram contabilizadas no contribuinte como Adiantamento de Investimento na SCP. e) Adiantamento de investimentos pela empresa COTTOLENGO a seu sócio, ora impugnante – como comprova documentos do Anexo XIII, o contribuinte é sócio da empresa Cottolengo Imóveis Ltda, razão pela qual recebeu valores que foram contabilizados como Adiantamento de Investimento. Essas quantias foram devidamente tributadas pela Cottolengo e onde foram contabilizadas como Recebimento de Clientes a Receita de Unidades Imobiliárias Vendidas. O outro sócio na empresa, Nova Administradora de Bens Ltda, efetuou depósito na conta da impugnante no valor de R$ 54.000,00 a título de aporte de capital, devidamente contabilizado pelo contribuinte. f) Adiantamento de investimentos pela SCP CASA BLANCA na qual o contribuinte é sócio oculto – A SCP depositou valor a título de adiantamento de investimento. g) Adiantamento de investimentos pela SCP RECANTO DAS ANDORINHAS na qual o contribuinte é sócio ostensivo – A SCP depositou valores a título de adiantamento de investimentos, alguns feitos diretamente por outros sócios da SCP, Mitri Engenheiros Consult Assoc. e Replecta Participações Ltda). 9) Inaplicabilidade da multa majorada. A aplicação da multa qualificada se justifica apenas nos casos em que ficar evidentemente caracterizado o intuito de fraude. Destacase a Súmula nº 14 do 1º Conselho de Contribuintes: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude”. O contribuinte prestou as informações, de imediato, quando foi intimado. A não inclusão como rendimentos tributáveis de valores depositados em contas correntes, sem a comprovação da origem dos recursos utilizados, caracteriza mera presunção de omissão de receitas, não caracteriza evidente intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova de que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos, quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 8 7 10) Confiscatoriedade da multa qualificada de 150%. 11) Inaplicabilidade da Taxa Selic. Por considerar necessária a determinação de diligência para que a Fiscalização promovesse o esclarecimento, junto ao contribuinte, sobre pontos relacionados aos depósitos bancários que foram considerados omissão de receita e que, alegadamente, seriam relados às SCP’s das quais o contribuinte é sócio ostensivo ou sócio oculto, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Despacho nº. 18/2010, fl. 1.348. Nesse despacho, restou claro que o autor da diligência, deveria: “examinar toda a escrituração relativa às operações cuja origem a impugnante atribui às SCPs e, persistindo no entendimento de que os depósitos não decorrem de operações das SCPs, demonstrar as inconsistências contábeis e outros elementos que moldarem o seu convencimento.” Em conclusão à diligência procedida, o AuditorFiscal consignou o que segue, conforme fls. 1798/1800: (i) Que os depósitos relacionados no Anexo 01 do termo decorrem de operações reconhecidas como receitas no âmbito das SCP denominadas Personnalité, Casa Bella, Casa Blanca, Victoria Village e Recanto Andorinhas, e da pessoa jurídica Cottolengo Imóveis Ltda, conforme identificadas à coluna “Remetente” do Anexo. Alguns destes lançamentos, no entanto, decorrem de simples transferência entre contas bancárias e encontramse identificados pelo complemento “...(extrato)” na coluna “Remetente” (oito depósitos no valor total de R$ 348.138,00); (ii) Que estas exclusões demonstradas no Anexo 01 produzem efeitos sobre os totais mensais de depósitos bancários elencados no Anexo 01 do Termo Fiscal nº 503/2009, razão pela qual os Anexos nº. 02 (subtotais mensais) e 03 (analítico) deste Termo apresentam nova apuração de entradas de valores em contas bancárias considerados pela Auditoria Fiscal para a apuração de omissão de receitas, excluindo os valores apurados por esta Diligência. A planilha da fl. 1799 expende os valores originalmente considerados, por subtotais mensais, os valores excluídos e os valores finalmente considerados; (iii) Que há a exclusão total no montante de R$ 2.853.113,50, de maneira que permanecem como receitas omitidas apenas R$ 11.202.437,66. Intimado a se manifestar sobre o resultado da diligência, o contribuinte sustentou que, além da exclusão a que se refere o parágrafo anterior, outras quantias foram consideradas pela Fiscalização e não deveriam sofrer tributação: a) há valores atingidos pela decadência; b) há valores decorrentes de resgates de aplicação financeira ou oriundos de operações de transferência realizadas pela própria empresa; c) há valores decorrentes de operações de mútuo que não estão sujeitas à tributação. Suscita, também, a nulidade do auto de infração em razão da incompetência da autoridade lançadora e em razão de o MPFF ter se expirado. A 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento (fls. 1837/1850), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS CORRENTES DE IDÊNTICA TITULARIDADE. AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. INAPLICABILIDADE. Os depósitos bancários que se referem a transferências entre contas correntes titularizadas pelo próprio contribuinte não podem ser considerados como sendo receitas suas, nem mesmo presumivelmente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente afasta o lançamento que tem por base a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. JUROS SOBRE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA FINANCEIRA. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. É indedutível a despesa financeira relativa a juros sobre mútuo quando não é comprovada a necessidade de tais despesas para a atividade da empresa e, ainda, em função de não ter o contribuinte comprovado a efetividade da ocorrência das despesas. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. ADIANTAMENTO DE INVESTIMENTOS. NÃOINCIDÊNCIA DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Existindo depósitos bancários que consubstanciam “adiantamento de investimentos” que foram depositados diretamente em contas correntes do contribuinte em razão de sociedades em conta de participação (SCPs) em que o contribuinte é sócio ostensivo ou oculto; sendo que tais depósitos tenham sido feitos por outros sócios (ocultos ou ostensivos, conforme o caso) ou por clientes (adquirentes de unidades imobiliárias) das SCPs, por conta e ordem das SCPs; dessa maneira, os valores depositados nas contas correntes do contribuinte teriam a sua origem devidamente comprovada, afastando a incidência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e nem mesmo seriam receitas do contribuinte, pois seriam correlacionados a investimentos realizados pelo contribuinte nas SCPs, os quais estariam apenas sendo devolvidos (ou seriam relacionados a obrigações para com as SCP, eventualmente). MULTA QUALIFICADA. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. INADMISSIBILIDADE DA QUALIFICAÇÃO. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 10 9 É indevida a qualificação da multa de ofício referente à omissão de receitas apurada por mera presunção legal, quando não há nos autos um conjunto probatório suficiente para a comprovação de que o autuado tenha agido efetiva e dolosamente com sonegação e/ou fraude em relação às receitas omitidas. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º, DO CTN Cabível apenas a multa normal de 75%, o prazo decadencial é vincado pelo art. 150, §4º, do CTN. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. A alegação de caráter confiscatório compreende apreciação de consonância da lei com princípios constitucionais, e a Delegacia de Julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do CARF) LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicamse aos lançamentos reflexos os fundamentos do IRPJ, no que couber. Impugnação procedente em parte. A autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da parte excluída. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1863/1908), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recursos voluntário e de ofício atendem a todos os pressupostos de admissibilidade. Devem, pois, ser conhecido. Digase, para logo, que a Recorrente não apresenta argumentos ou provas novas capazes de alterar as razões de decidir da decisão recorrida. Assim sendo, analisarei concomitantemente os recursos. Preliminares Conforme pontuado pela decisão recorrida, não houve início da fiscalização em Curitiba com posterior remoção para Ponta Grossa. Primeiro, porque a ação fiscal se inicia com o primeiro ato de ofício cientificado ao contribuinte, conforme o art. 7º, I, do Decreto nº 70.235/72, e não com a expedição do MPFF, instrumento relevante apenas para a burocracia interna. Segundo, porque, no caso, o próprio MPFF já foi expedido designando o Auditor Fiscal lotado em Ponta Grossa, de sorte que não há qualquer problema no expediente adotado pela administração fiscal. Nada obstante, injustificável também se mostra o questionamento acerca da competência para autuação, mesmo porque o art. 142 do CTN expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos da Lei nº 2.354/54, art. 7º, e do Decreto nº 2.225/85, é o auditor fiscal da Receita Federal. Acerca da questão já foi editada, inclusive, Súmula nº. 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SÚMULA CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Também vale ressaltar que não se cogita de ofensa ao contraditório durante o procedimento fiscal, fase em que, mediante aplicação do direito tributário material, se desenvolve a ação de fiscalização da qual poderá redundar a formalização da exigência fiscal. O procedimento fiscal é apenas inquisitório, não sendo o momento de os interessados, a menos que intimados para tanto, apresentarem contrarrazões. De fato, sendo o MPFF instrumento de disciplina interna da Administração Fiscal, é plenamente válido o lançamento feito posteriormente ao prazo nele estipulado para a conclusão da ação fiscal. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 12 11 Como já esclarecido pela decisão recorrida, eventual descompasso temporal pode apenas suscitar responsabilidade administrativofuncional da autoridade administrativa que lhe der causa, mas jamais contaminar o auto de infração lavrado. De resto, a preliminar de decadência é impactada pelo resultado do julgamento do mérito na parte que toca à comprovação da hipótese de dolo, fraude ou simulação. Será, pois, analisada ao final deste voto. Mérito 1) Tributação equivocada de valores decorrentes de resgates de aplicação financeira ou operações de transferência realizadas pela própria empresa Não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Os valores relacionados às transferências realizadas entre contas correntes da Recorrente já foram excluídos pela decisão a quo. Quanto aos depósitos nos valores de R$ 10.000,00 e R$ 20.000,00, a Recorrente apresentou apenas um extrato de uma das contas correntes, sem apresentar o extrato relativo à outra conta ou folha do Livro Diário e/ou Razão que comprovasse a devida contabilização, razão pela qual correta a manutenção da presunção de omissão de receitas quanto a esses dois lançamentos. 2) Mútuos realizados entre a Recorrente e as empresas Replecta e RLF, e com Rolando Rozemblum e sua sócia Karina Rozemblum A decisão de primeira instância afastou o lançamento de omissão de receitas em razão da comprovação, por parte da Recorrente, da origem dos depósitos, nos seguintes termos: 56. Uma vez que está comprovada a origem dos depósitos bancários, é insubsistente a autuação fundamentada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A autoridade apenas se refere à desconsideração dos contratos de mútuo no item “III. Glosa de despesas financeiras e outras despesas” e, ainda aí, não explica a razão pela qual teria desconsiderado os mútuos. Limitase a dizer que “uma vez desconfigurada a existência de ‘mútuos’, não podem subsistir as correspondentes despesas com juros dos mútuos alegados”. Mas não procede a essa desconsideração. Não indica o motivo pelo qual foram desconfigurados. 57. O próprio AuditorFiscal colacionou decisão da 2ª Turma de Julgamento desta DRJ em Curitiba, em que se consigna que “Não servem como justificativa de origem de depósitos bancários, contratos de mútuo, quando desacompanhados de comprovação da efetiva entrega de numerários relativos aos empréstimos”. Acontece que o contribuinte comprovou a efetiva entrega dos numerários, por meio dos documentos acima relacionados (livros contábeis, extratos bancários, etc.), não se lastreando exclusivamente em instrumentos contratuais. 58. Diante do quadro probatório, com o conjunto de elementos reunido pelo contribuinte, e estando comprovada a origem dos Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 13 12 depósitos, elidese a tributação com base na presunção legal de omissão de receitas. Logo, é de se manter a decisão. 3. Glosa de despesas financeiras com juros e de outras despesas Também nesse ponto não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Como restou consignado, a glosa de despesas financeiras e outras (empreendida no item III do Relatório de Ação Fiscal, fl. 379) não decorre apenas da desfiguração dos mútuos, mas também da falta de comprovação da necessidade de tais despesas para a atividade da empresa e, ainda, em função de não ter o contribuinte comprovado a efetividade da ocorrência das despesas. Como a Recorrente silenciou e não fez prova de que tais despesas fossem necessárias para a atividade da empresa e, outrossim, também a efetividade das despesas restou nãocomprovada, é de se manter a glosa de despesas financeiras a que se refere o item III do Relatório de Ação Fiscal. 4. Depósitos bancários decorrentes de investimentos de sócios ocultos em SCPs em que o contribuinte é sócio ostensivo Nesse ponto, a decisão recorrida apenas repisou as conclusões expedidas pela diligência fiscal que, por sua vez, deu parcial razão aos argumentos da Recorrente, excluindo do montante de receitas omitidas o valor de R$ 2.853.113,50. Uma vez que a Recorrente só combateu o resultado da diligência quanto às questões: (a) da decadência; (b) dos resgates de aplicações financeiras ou oriundos de transferências realizadas pela própria empresa; (c) de operações de mútuo; (d) de nulidade por vícios de competência e formais; correta a decisão da DRJ que acatou o resultado do trabalho fiscal. 5. Qualificação da multa Como o lançamento relacionado à suposta omissão de receitas e a glosa de despesas financeiras (mútuo) foi considerado improcedente, em razão de os contratos de mútuo não terem sido descaracterizados cabalmente pela autoridade fiscal, a decisão recorrida considerou indevida a qualificação da multa de ofício referente à omissão de receitas apurada por mera presunção legal, já que não há nos autos um conjunto probatório suficiente para a comprovação de que a Recorrente tenha agido efetiva e dolosamente com sonegação e/ou fraude em relação especificamente a essas receitas. Logo, é de se manter a decisão da DRJ para afastar a multa qualificada. 6. Decadência Em virtude da nãocomprovação do dolo relativo às receitas apuradas com base meramente em presunção legal, a DRJ afastou a aplicação do art. 173, I, do CTN para aplicar o art. 150, § 4º, do mesmo código. Considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 01/09/2009. Portanto, de, fato, já haviam sido anteriormente atingidos pela decadência os seguintes tributos/períodos de apuração: (i) COFINS: janeiro a julho do anocalendário 2004; e (ii) PIS/PASEP: janeiro a julho do anocalendário 2004. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13931.000462/200912 Acórdão n.º 1402001.286 S1C4T2 Fl. 14 13 Portanto, nesse ponto, também deve ser mantida a decisão da DRJ. 7. Infração ao princípio constitucional do nãoconfisco e aplicação da Taxa Selic. Aqui também não merece reforma o acórdão da DRJ, em razão do entendimento já consolidado nos enunciados de súmula nº. 2 e 4 do CARF: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Diante do exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão da DRJ e negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.726036/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
DESPESAS. DEDUTIBILIDADE.
Não tendo sido desconstituídas as provas dos autos, consistentes em um conjunto de indícios convergentes que maculam a idoneidade dos CTRC, há que ser mantida a glosa das despesas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Guilherme Pollastri, Cristiane Costa e Márcio Frizzo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
MÁRCIO RODRIGO FRIZZO - RELATOR - Relator.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Recorrente CODICAL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido desconstituídas as provas dos autos, consistentes em um conjunto de indícios convergentes que maculam a idoneidade dos CTRC, há que ser mantida a glosa das despesas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Guilherme Pollastri, Cristiane Costa e Márcio Frizzo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. MÁRCIO RODRIGO FRIZZO RELATOR Relator. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 60 36 /2 01 1- 43 Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Relatório Insurgese a Recorrente, através de recurso voluntário, contra acórdão nº 15 30.321 da 1ª Turma da DRJ/SDR de Salvador (BA), alegando no processo administrativo a manutenção da dedutibilidade das despesas gastas com transportes realizados por terceiro na venda de mercadorias. A lavratura do Auto de Infração referese a lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ do anocalendário de 2008 e, de forma reflexa, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL nos valores abaixo demonstrados, efetuados por meio dos Autos de Infração (fls. 1189 a 1217): Tributo IRPJ CSLL TOTAL Principal 529.847,92 220.645,80 Multa Proporcional 794.771,88 330.968,70 Juros de Mora 173.879,45 70.995,66 Total 1.498.499,25 622.610,16 2.121.109,41 A fiscalização, segundo seu relato, se baseou sua autuação na reunião de vários indícios característicos de simulação/fraude, onde o AFRFB considerou indedutíveis as despesas gastas com a Transportadora Miguelense Ltda., alegando não ter a menor evidência de sua ocorrência, como se nota da seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1218 a 1220): Para sintetizar os pontos das motivações da autuação fiscal, compartilho do relatório da DRJ, o qual detalha o seguinte (fls. 2061 a 2063): Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 971 3 Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 Em sua Impugnação, a Recorrente se manifestou alegando as questões infra, as quais seguem em resumo (fls. 1222 a 1243): (i) Que a operação é lícita e a glosa seguida de autuação não merece prosperar; (ii) Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 972 5 (iii) Preliminarmente, pede anulação do auto de infração por insubsistência e improcedência da ação fiscal. Ainda, pede perícia para buscar a verdade material ou, ao menos, realizada diligência, para apurar com precisão os fatos apontados; (iv) Alega que não há ilicitude alguma nos indícios apontados no processo administrativo, tratandose de meras suposições, sendo que todas as operações realizadas são condizentes com o contexto econômico e comercial de ambas as empresas envolvidas; (v) Justificase com a argumentação de que, constitucionalmente, possui livre iniciativa para organizar suas atividades e praticar negócios jurídicos da forma que melhor lhe aprouver, utilizandose do Planejamento Tributário; (vi) Por fim, caso as argumentações acerca da improcedência do auto de infração não sejam acolhidas, invoca o princípio constitucional da vedação ao confisco, alegando que os juros e a multa ultrapassam o valor do principal, sendo excessivos. Com a decisão da DRJ/SDR (fls. 2059 a 2089), cuja ementa segue transcrita abaixo, a r. Delegacia julga improcedente a impugnação e opta pela manutenção integral dos lançamentos fiscais, nos termos seguintes: Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância, tendo interposto recurso voluntário (fls. 2092 a 2120), pugnando pela reforma da decisão a quo, ante o argumento de que se trata de despesa dedutível e operação lícita. Sustenta basicamente as mesmas alegações apresentadas na Impugnação, de que a operação é perfeitamente lícita e que nada impede de possuir os itens identificados pelo AFRFB apontados como indícios de fraude, reiterando que a prática do Planejamento Tributário é uma faculdade que lhe cabe. É o relatório. Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 973 7 Voto Vencido Conselheiro MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator Presentes as condições de admissibilidade, conheço do presente recurso voluntário. Com a intenção de facilitar o entendimento e melhor exposição dos argumentos, subdivido a análise dos fatos e conclusões em dois tópicos, quais sejam: primeiramente a preliminar e na sequência a análise do mérito das infrações. 1. DA PRELIMINAR No tocante ao pedido de perícia pleiteado pela recorrente, este não deve subsistir, pois o art. 16, IV, do Decreto n°. 70.235/72 é claro ao definir os requisitos para se pleitear a referida perícia já em sede de impugnação. Senão, vejamos: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. A recorrente ao não indicar o nome do perito e não formalizar os quesitos para a perícia em sua impugnação deixou de observar os requisitos dispostos acima, sendo assim, devese entender pela inobservância dos requisitos do pedido de perícia, o que impede a sua realização, devendo ser considerado como não formulado. Quanto ao pedido de conversão em diligência, compartilho do entendimento da DRJ no sentido de que não é cabível o pedido de produção de novas provas documentais quando ultrapassado o momento adequado e, também, não tendo sido demonstrado qualquer das circunstâncias do art. 16, §4º, do Dec. 70.235/72 (fl. 2068): Ante ao exposto, voto por negar provimento ao pedido de perícia e diligência, nos termos acima declinados, mantendo a decisão da DRJ neste ponto. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 2. DO MÉRITO Inicialmente, fazse necessária a análise da fundamentação legal que a fiscalização utilizou para a aplicação do Auto de Infração, ou seja, o enquadramento legal e os dispositivos infringidos (fl. 1190): i) Art. 3 da lei 9.249 de 1995: Art. 3º A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento. § 1º A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, apurado anualmente, que exceder a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 1º A parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número de meses do respectivo período de apuração, sujeitase à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento.(Redação dada pela Lei 9.430, de 1996) § 2º O limite previsto no parágrafo anterior será proporcional ao número de meses transcorridos, quando o período de apuração for inferior a doze meses. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, inclusive, nos casos de incorporação, fusão ou cisão e de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação.(Redação dada pela Lei 9.430, de 1996) § 3º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, à pessoa jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990. § 4º O valor do adicional será recolhido integralmente, não sendo permitidas quaisquer deduções. Observase que tal artigo determina a alíquota e aplicação do Imposto de Renda, do Imposto de Renda adicional, além da forma de recolhimento, que foi utilizado para cálculo do Auto de Infração. ii) Art. 217 do RIR/99: Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 974 9 tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº 9.430, de 1996, art. 82). Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei nº 9.430, de 1996, art. 82, parágrafo único). O artigo supracitado apresenta uma situação em que a pessoa jurídica envolvida seja considerada ou declarada inapta, o que não é o caso, não servindo tal fundamentação para a presente demanda. iii) Art. 247 do RIR/99: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Tratase do conceito, determinação e princípios de adição e exclusão para o Lucro Real, aplicável unicamente para o cálculo da presente lide. iv) Art. 248 do RIR/99: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Apresenta a metodologia matemática para obtenção do lucro líquido do período de apuração, base para o cálculo do Imposto de Renda com a aplicação da alíquota correspondente, objeto do presente auto de infração. v) Art. 249, Inciso I, do RIR/99: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; Tal dispositivo legal apresenta os itens que são adicionados ao lucro líquido do período de apuração, para que se obtenha a base tributável para IRPJ. vi) Art. 251 do RIR/99: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). O artigo disposto apresenta a obrigatoriedade de escrituração para a opção de tributação pelo lucro real, escrituração esta que não foi questionada pelo AFRFB na presente demanda. vii) Art. 256 do RIR/99: Art. 256. A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 1º). O presente artigo referese à aplicação de multa para o caso de falsificação material, ideológica, da escrituração e seus comprovantes, com o objetivo de reduzir o valor devido de imposto de renda. Tal falsificação não restou comprovada nos autos em questão, sendo, portanto, desconsiderada a fundamentação. Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 975 11 viii) Art. 277 do RIR/99: Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 1º). Tratase da classificação de lucro operacional da pessoa jurídica, bem como o que deverá ser discriminado na escrituração, no que tange à venda de bens e serviços, o lucro bruto e as despesas e resultados operacionais, sendo apenas de caráter conceitual como fundamentação de autuação. ix) Art. 278 do RIR/99: Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Tratase da classificação de lucro bruto, apenas com caráter conceitual. x) Art. 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 O artigo 299 do Regulamento do Imposto de renda delimita a condição de despesa dedutível à necessidade da referida despesa para a empresa na realização de sua atividade fim, desde que sejam normais e usuais para o tipo de atividade/operação realizada. Analisando todos os artigos que serviram como enquadramento legal da infração supostamente cometida, podese observar que todo o cerne da autuação se concentra no artigo 299 do RIR/99, que é o único dispositivo condizente à associação de conclusões relatadas no Termo de Verificação Fiscal (Fls. 1218 a 1220). Desta forma, o presente voto se resume a este único fundamento fático jurídico a ser analisado, qual seja, o artigo 299 do RIR/99, sob pena de inovação processual. Vale dizer, não é permitido que neste momento se altere a fundamentação legal empregada pelo AFRFB, como tem entendido este Conselho: NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando sua competência. Lançamento decorrente de auditoria interna na DCTF com irregularidades nos créditos vinculados, tendo sido comprovada existência de medida judicial que os suporte. Impossibilidade de se alargar sua existência para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência. Recurso provido. (CARF. Acórdão 20178416. Rel. Cons. Maurício Taveira e Slva. Turma Ordinária. 1ª Câm. 2º Conselho. Sessão 18/05/2008). (grifo não original) No mesmo sentido estão os acórdãos n. 192000151 e 102478292. Assim, absolutamente todos os pontos analisados serão vistos sob a ótica de “despesa operacional necessária”, conceituada no artigo 299 do RIR/99. Para efeito elucidativo, transcrevese abaixo entendimento do então 1º Conselho de Contribuintes no que diz em sua ementa: LUCRO REAL — DESPESAS OPERACIONAIS — DEDUTIBILIDADE — As despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pelas atividades das empresas são operacionais, por serem necessárias, normais ou usuais, e, portanto, dedutíveis na determinação do lucro real. (CARF. Acórdão 10195.212. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez. 1ª Câm. 1º Conselho de Contribuintes. Sessão 19/10/2005). Complementando o entendimento, o mesmo 1º Conselho de Contribuintes, o Cons. Alexandre Antônio Alkmim Teixeira oferece maiores esclarecimentos sobre despesas 1 NULIDADE VÍCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Preliminar acolhida. (CARF. Ac. 19200015.Rel. Cons. Sidney Ferro Barros. 2ª Turma Especial. 2ª Câm. 1º Conselho. Sessão 08/09/2008) (grifo não original) 2 VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um LANÇAMENTO AUTÔNOMO que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...). (CARF. Acórdão 10247829. 2ª Câm. 1º Conselho. Rel. Cons. José Raimundo Tosta Santos. Sessão 16/08/2006) (grifo não original). Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 976 13 operacionais necessárias, relativamente ao artigo 299 do RIR/99, na fundamentação de seu voto no Acórdão 105.16.926, observese: Da exegese da citada norma extraise que serão consideradas despesas operacionais necessárias, logo dedutíveis do lucro real, os dispêndios usuais ou normais que estejam englobados nas atividades da empresa, ou seja, só serão dedutíveis os gastos efetuados no exercício do objeto social. (CARF. Acórdão 105.16.926. Rel. Cons. Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. 5ª Câm. 1º Conselho de Contribuintes. Sessão 16/04/2008). Para a atividade atacadista, que é o caso da Recorrente, a despesa com transporte na venda de suas mercadorias é absolutamente necessária, uma vez que, segundo seu objeto social (fl. 15), atua especificamente no ramo de hipermercados, supermercado, comércio por atacado e varejo, a representação a importação e exportação de produtos alimentícios, produtos de higiene e limpeza, materiais para escritório, materiais didáticos, máquinas e equipamentos para indústrias e escritórios, computadores e seus acessórios, programas e sistemas para processamento de dados (software), drogas e medicamentos, produtos veterinários, máquinas, equipamentos e acessórios destinados à atividade rural, produtos de artigos para bazares e armarinhos, papel, papelão, cartolina e seus artefatos, fabricação de pães, bolos e equivalentes industrializados. A distribuição destes produtos aos seus clientes, através de contratação de transportadora, certamente é condição essencial para a concretização de sua atividade. Afirmar que tal despesa é desnecessária, seria o equivalente a alegar que todos os clientes deveriam retirar suas mercadorias no distribuidor, o que seria praticamente impossível, ilógico e mercadologicamente inviável. De outra ponta não provou o AFRFB, como também não apresentou em sua autuação, a concomitância de outras empresas ou transportadores que fariam tais serviços para a Recorrente, nem que a Recorrente possuía em sua frota outros veículos com capacidade de suprir sua entrega. Assim, muito frágil a conclusão do Termo de Verificação Fiscal que o transporte não houve ou até que a Recorrente em sua atividade não necessitasse de tal serviços. Em análise à estrutura comercial e o encaixe da atividade de distribuição na cadeia, sabese que o distribuidor existe para suprir a dificuldade da distribuição e da entrega “porta a porta” por parte das indústrias a todos os varejos ou então consumidores finais. Assim, nomeiase o distribuidor para realização deste papel, para que todos os clientes tenham entregas rápidas, podendo operacionalizar as vendas de maneira satisfatória. Neste contexto, o distribuidor vende a mercadoria, mas também “vende” o serviço de entrega, o que é totalmente condizente com a atividade comercial (distribuição e atacadistas). Alegar o contrário para um distribuidor, como é o caso da Recorrente, seria uma exceção rara, e deveria ter o AFRFB cabalmente provado que o transporte era desnecessário e que ele não ocorreu. Conforme se vê no organograma abaixo, apresentado pela ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados), a utilização de veículos para transporte das mercadorias é despesa em destaque na atividade do Atacado/Distribuidor: Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 14 Fonte: sítio oficial da ABAD3. Tornase inviável para a atividade atacadista e de distribuição a não utilização de transportes para entrega das mercadorias comercializadas, sendo imprescindíveis os gastos ou com frota própria, ou com empresas terceirizadas para realização dos serviços de transporte. No caso em questão, a Transportadora Miguelense Ltda. realizou todos os transportes relacionados às vendas de mercadorias da Recorrente, sendo, então, uma das principais fontes de satisfação de seu objeto social. Assim, para o caso em questão, entendo como necessária e, portanto, perfeitamente dedutível, a despesa com transporte, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Passase, então, a analisar os demais aspectos que, segundo o artigo 299 do RIR/99, caracterizam uma despesa como regular e dedutível, além da necessidade, normalidade e usualidade entendidas como devidamente existentes. Antes de qualquer coisa, cumpre destacar que a reorganização comercial das atividades visando melhor condição operacional, econômicofinanceira e/ou organizacional é salutar, sob o ponto de vista mercadológico. Para tanto, a Constituição Federal assegura ao interessado o direito de organização das atividades e negócios jurídicos com plena autonomia e liberdade, desde que tal organização possua propósito negocial (reestruturação, reorganização, sucessão, profissionalização, redução de custos, aumento da eficácia, etc.). No caso da constituição de uma transportadora vinculada à determinada atividade empresarial de um grupo, ainda há regras específicas criadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, como a obrigatoriedade de o transporte ser atividade principal para realização de fretes para terceiros, o chamado “frete de retorno”, obrigando, assim, a segregação da atividade para realização de tal, conforme se vê (destaque): CAPÍTULO II DAS CONDIÇÕES DO REGISTRO NACIONAL DE TRANSPORTADORES RODOVIÁRIOS DE CARGAS Seção I Dos requisitos para inscrição e manutenção no RNTRC Art. 4º Para inscrição e manutenção do cadastro no RNTRC o transportador deve atender aos seguintes requisitos, de acordo com as categorias: 3 Disponível em http://abad.com.br/dados/setor.shtml, acessado em 01/05/2013. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 977 15 [...] II Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas ETC: a) possuir Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas CNPJ ativo; b) estar constituída como Pessoa Jurídica por qualquer forma prevista em Lei, tendo no transporte rodoviário de cargas a sua atividade principal; (...)(grifo não original) Contudo, devese observar a devida efetividade das operações documentadas, respeitando a forma jurídica ao qual se faz uso, sob pena de nulidade do ato jurídico simulado, conforme art. 167 do Código Civil, abaixo transcrito: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Não havendo comprovação de ato simulado e intuito de fraude, a reorganização passa a ser um exercício lícito. Assim, fazse necessário a análise dos principais indícios e presunções que conduziram à autuação fiscal, segregados por itens. i) Do pagamento em espécie: Embora, atualmente, a praticidade de se efetuar transações bancárias seja clara, ainda se fazem negócios utilizando numerários (dinheiro ou cheques de terceiros). A atividade de distribuição é comumente caracterizada pela venda “fracionada”, ou seja, para pequenos comércios. Assim, o grande volume de vendas tem duas principais características: a) Venda com pagamento via sistema bancário, para empresas com crédito aprovado; b) Venda com pagamentos à vista (no ato da entrega) através de dinheiro ou cheques prédatados, inclusive para terceiros; Neste último caso, fazse presumir que a Recorrente realmente possa possuir recursos em “caixa”. Ainda mais no presente caso que a fiscalização, na sua verificação, observou que a recorrente não apresentou “saldo de caixa credor”, ou seja, sua contabilidade garantia suporte à existência do caixa escriturado, nos termos do art. 26, parágrafo único, do Dec. n. 7.574/11: Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 16 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, § 1º). Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º A contabilidade da Recorrente e da empresa prestadora de serviços são provas suficientes da legalidade da operação até que ocorra prova em contrário. Levando em conta que as empresas se situam uma ao lado da outra e, por alguma razão, levando em conta que não houve saldo credor de caixa, há sim um presunção que os pagamentos realmente podem ter sido efetuados e em moeda corrente ou em cheques prédatados (prática comum no comércio atacadista e distribuidor) e o AFRFB não se incumbiu de demonstrar que tais fatos não ocorreram. Somase a estes fatos a questão que o AFRFB não desconsiderou a escrituração fiscal, ou juntou elementos suficientes para desconfigurar a presunção do art. 26, parágrafo único, do Dec. n. 7.574/11, mais ainda, considerando o objeto social e a atividade desenvolvida pela Recorrente, é descabida, por falta de provas, que os pagamentos “possam não ter sido efetuados”, sendo que com base neste argumento é impossível dizer que tal despesa é “desnecessária ou inexistente”, até porque a falta de pagamento não torna a despesa desnecessária ou inexistente, por si só. Portanto, entendo este item como insuficiente para descaracterização da despesa nos preceitos do art. 299 do RIR/99. ii) Nome similar: É natural que um empreendedor, quando da constituição de seu próprio negócio, que será vinculado ao negócio da família, conceda ao novo negócio um nome relacionado, desde que disponível na Junta Comercial do Estado de residência da empresa. Não haveria sentido na intenção de querer desvincular os negócios, mesmo porque as empresas possuem uma relação comercial forte, com exclusividade no transporte, sendo que a opção por um nome genérico não alteraria o vínculo entre as empresas. Portanto, entendo este item como insuficiente para descaracterização da despesa nos preceitos do artigo 299 do RIR/99. iii) Grau de parentesco entre os sócios: Em uma reorganização operacional da atividade de determinado grupo empresarial, a relação de parentesco entre as empresas que passarão a exercer a atividade é relativamente comum, não sendo esta a razão para caracterização ou indício de qualquer fraude ou ilicitude. Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 978 17 Em virtude da proximidade, do grau de confiança e do desenvolvimento das atividades, a propensão de haver relação comercial entre parentes é maior que com estranhos. Inclusive, se caso tal situação fosse realmente considerada algum indício de fraude ou simulação, podese dizer que haveria uma espécie de encorajamento à utilização de interpostas pessoas, conhecidas como “laranjas”, o que deve ser repudiado. Ainda, como não se trata de empresas do regime de tributação diferenciada do Simples Nacional, que possui vedação legal expressa de acordo com o faturamento, os sóciosproprietários das atividades que possuam relação comercial podem ser exatamente os mesmos. Portanto, entendo este item como insuficiente para descaracterização da despesa nos preceitos do artigo 299 do RIR/99. iv) Conhecimento de frete sem informações necessárias: Analisamse, por amostragem, alguns dos documentos relacionados apresentados: Conhecimento de frete de Janeiro de 2008 (Fl. 400): Conhecimento de frete de Março de 2008 (Fl. 148): Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 18 Conhecimento de frete de Junho de 2008 (Fl. 412): Conhecimento de frete de Setembro de 2008 (Fl. 525): Conhecimento de frete de Dezembro de 2008 (Fl. 585): Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 979 19 Desde que conste as informações essenciais, como o número das notas fiscais dos produtos transportados conforme se pode observar nos documentos supra, os documentos sem algumas das informações não são fatores que desqualificam a operação que o documento embasa, embora tornem os documentos, em si, falhos e sujeitos à multa por irregularidade formal. O fato de constar a assinatura do recebimento das mercadorias da sócia administradora da transportadora nos conhecimentos é absolutamente plausível, pois a empresa, quando efetua a entrega de uma mercadoria ao transportador, necessita de prova que daquele momento em diante quem ficará responsável pela custódia (perda, danos, extravios) é o transportador. Assim, tal fator não se mostra suficiente para macular o serviço como desnecessário. Em caso similar, em que faltou detalhamento na nota fiscal, este Conselho já se manifestou a respeito: Como bem mencionado no voto condutor do acórdão recorrido, as notas fiscais encontradas nos autos indicam a data da prestação dos serviços e todas as informações sobre as empresas que os prestaram. Desse modo, a necessidade manifestada pelos autuantes de conhecer detalhes dos serviços nelas descritos, para reconhecerlhes a efetividade, deveria ser suprida com uma investigação aprofundada, a qual poderia incluir até mesmo o simples envio de correspondência à emitente das notas fiscais, para a sua confirmação. Assim, a glosa das despesas, sob o argumento tão simplista quanto subjetivo, digase de passagem, da generalidade e imprecisão da descrição, nas notas fiscais, dos serviços prestados, não tem amparo legal. (CARF. Acórdão 10195.212. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez. 1ª Câm. 1º Conselho de Contribuintes. Sessão 19/10/2005) (grifo não original) Portanto, entendo este item como insuficiente para descaracterização da despesa nos preceitos do artigo 299 do RIR/99. Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 20 v) Falta de registro de funcionários qualificados à atividade de transportadora (motoristas e operadores logísticos): Para o pleno exercício da atividade de transporte, se faz necessário que a empresa possua em seu quadro funcional os respectivos funcionários adequados para tanto. Assim, compartilho do entendimento da DRJ no sentido de que é atribuição da transportadora a manutenção em sua folha de pagamento dos funcionários que realizam a função ao qual a empresa é contratada (fls. 2074 e 2075), sendo atípico tal atribuição ser da contratante. Porém, é importante ressaltar que tal fato não descaracteriza a despesa, tornandoa indedutível, simulada, desnecessária, ou inexistente, apenas alteraria a configuração de “serviço de transporte” para “locação de caminhões”, o que somente poderia interferir, de alguma forma, na tributação da empresa Transportadora Miguelense Ltda., mas em hipótese alguma na “necessidade, validade ou existência” ou não da despesa da Recorrente. O que, eventualmente, poderia prevalecer como infração fiscal, seria um faturamento acima dos preços de mercado para locação de veículos, ou um valor superior de frete, uma vez que não havia a obrigação de fornecer motoristas e entregadores. Porém, o AFRFB não produziu provas suficientes para demonstrar que as despesas estavam artificialmente elevadas ou superfaturadas. Ressaltase que a cobrança do percentual de 1% (um por cento) sobre o valor da mercadoria transportada se enquadra nos padrões de mercado, não podendo ser a despesa, por si só, considerada como excessiva por esta razão. Ainda, poderia ser considerada como motivadora de autuação fiscal a glosa das despesas com motoristas, entregadores e auxiliares de logística, sob a alegação que o transporte é terceirizado e que, por esta razão, a despesa com estes funcionários seria “desnecessária” para o contexto da empresa, nos moldes do artigo 299 do RIR/99. Porém, o AFRFB não juntou elementos que comprovassem tal fato. Inclusive, a própria existência de “motoristas e ajudantes” registrados na folha de pagamento da Recorrente, prova cabalmente que a despesa de transporte era necessária e era existente. Como não há provas de que outras empresas que poderiam prestar tais serviços, efetivamente o realizaram, presumese, enfim, que os funcionários (motoristas e ajudantes) eram alocados na frota da transportadora contratada. Assim, entendo este item como insuficiente para descaracterização da despesa nos preceitos do artigo 299 do RIR/99. Por fim, com relação ao princípio da razoabilidade e da vedação ao confisco, compartilho do entendimento da DRJ de que tais arguições fogem à alçada das autoridades administrativas por se tratarem de discussões constitucionais, sendo tal entendimento já objeto da Súmula nº 2 deste Conselho: Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. CONCLUSÕES Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10530.726036/201143 Acórdão n.º 1302001.116 S1C3T2 Fl. 980 21 Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento às preliminares apresentadas e dar provimento no mérito ao Recurso Voluntário, para desconstituir o Auto de Infração, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator Relator Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Peço vênia ao ilustre Relator, pois, não obstante seu brilhante voto, constato que há uma série de elementos de prova que convergem em sentido contrário ao seu entendimento, se não vejamos: a) a Transportdora Miguelense recebeu, ao longo de cinco anos, R$ 4,5 milhões, sem que houvesse comprovação da movimentação bancária desses valores; b) a Transportadora Migulense só tinha uma única empregada, embora recebesse quase que diariamente serviços de transporte de carga, com faturamento mensal de R$ 302.500,00 no mês de dezembro de 2008, levando em conta apenas os pagamentos da recorrente; c) há pagamento de frete nos valores de R$ 50mil, R$ 70 mil e até R$ 94.997,88 (CTRC 2013/2029, vide planilha a fls. 25) por um único frete, o que, por si só, já nos leva a duvidar de que a Transportadora sem empregados pudesse transportar tão volumosa carga por tão longa distância, já que a Cláusula 4º do Contrato da Transportadora com a recorrente (doc. a fls. 50 e segs.) assim dispunha: “4º A CONTRATANTE se obriga a pagar a CONTRATADA os valores correspondentes aos serviços prestados, mediante a apresentação dos conhecimentos de transportes, que será calculado de acordo com o volume da carga e da distância percorrida.” d) se compulsarmos os CTRC, verificamos que, normalmente, os serviços custavam em torno de 1% da mercadoria transportada, o que torna totalmente desproporcional pagamentos de valores tão elevados como esses; e) a título de exemplo, peguemos o CTRC a fls. 630, no qual o valor da prestação do serviço é R$ 38.400,00, o que daria, pelo mesmo percentual dos demais CTRC, mercadorias no valor de R$ 3.840.000,00, porém o campo reservado para essa informação está em branco; Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 22 f) ademais, os CTRC não atendem ao disposto no art. 6º da Lei 11.422/07, pois não identificam o destinatário, aliás, o que torna impossível cumprir o disposto no art. 4º, pois eles não informam as distâncias e, muitos deles, nem o valor nem o volume das mercadorias; Ademais, até mesmo os CTRC que estão preenchidos totalmente e por valores compatíveis com os serviços prestados apresentam sempre o percentual de 1% do valor da carga como remuneração dos serviços, o que não coincide com o contrato de prestação de serviços que indicava que tal valor seria em função do volume e da distância percorrida, logo, tais documentos também não são idôneos, mormente diante de um contexto fático apresentado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, A ssinado digitalmente em 15/07/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720906/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO.
Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em cuja Ementa é JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
Embargos acolhidos com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.052, de 28 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$32.032,90, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 06 /2 00 9- 61 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão 2802001.052, de 28 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$32.032,90, em cada um dos anos calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por ANA CARLA FONSECA LAGO (fls. 276/288), em face do Acórdão 2802001.052, de 28 de setembro de 2011, fls. 81/86. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “No que tange à preliminar suscitada relativa `a falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, esse tópico merece sim, data vênia, uma posição esclarecedora de V. Exa. No acórdão recorrido, a matéria em debate não é sequer ventilada, seno utilizado como argumento justificador que “a decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta; portanto, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do Fl. 308DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720906/200961 Acórdão n.º 2802001.839 S2TE02 Fl. 11 3 órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido”. (grifos nossos) Ora, E. julgadores, não se pode negar a importância da matéria trazida a baila pelo Recorrente, a qual não fora elucidada de maneira fundamentada pela decisão guerreada. Deve, portanto, tal preliminar ser analisada de forma exaustiva, esclarecendo todos os pontos atacados e não de forma suscinta, como fora realizado em primeira instância e mantido no acórdão em discussão. A questão da ilegitimidade da União e, sem dúvidas, questão de suma importância para deslinde do embate, devendo ser deferido tratamento com a sua situação. Impende destacar a necessidade de analisar os princípios e limites constitucionalmente impostos, delineando, de fato, a competência para enfrentar a presente demanda. Nessa senda, é imperioso realizar a análise de previsão constitucional referente à matéria, vez que esta irá fornecer os limites balizadores da aplicação da norma ao caso concreto. Portanto, não é cabível a análise meramente sucinta acerca do quanto alegado e reiterado pelo Recorrente. No mais repisa as alegações já abordadas na peça recursal. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis.. O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Na fase recursal, em preliminar recorrente solicita a reabertura em primeira instância, onde deve ser analisada e decidida a questão suscitada, relativa à falta de legitimidade ativa da União para cobrar suposto imposto de renda que por determinação constitucional pertence ao Estado da Bahia, sob pena de supressão de instância administrativa, e violação dos dispositivos constitucionais alegados, o que acarretaria nulidade do presente processo administrativo tributário, devendo na primeira instância, ser reconhecida a ilegitimidade ativa da União para cobrar o suposto imposto de renda, que não foi objeto de retenção pelo Estado da Bahia e que seja anulado o lançamento que originou o crédito tributário que ora se discute e deslocado o julgamento desse litígio instaurado, para o âmbito da Fazenda Estadual. Ao apreciar a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, trazida pelo recorrente, o acórdão embargado asseverou que tal preliminar foi suficiente abordada, na decisão de primeira instâncias e entendeu como sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, a decisão de primeira instância demonstrou suficientemente que a exigência contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumento. Ora, o fato de o Acórdão embargado ter entendido que a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal,foi suficientemente combatida na decisão de primeira instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser visto como uma contradição ou obscuridade, a uma porque não há qualquer obscuridade no acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na decisão de primeira para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC) utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. No caso em debate, a Turma entendeu que as matérias argüidas como preliminares pela contribuinte, foram suficientemente abordadas, na decisão de primeira instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo com o pleiteado pela parte. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.052, de 28 de setembro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Voto Vencedor Fl. 310DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720906/200961 Acórdão n.º 2802001.839 S2TE02 Fl. 12 5 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada pelo Embargante em seu Recurso Voluntário acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante. Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre esta tese, citando inclusive entendimento jurisprudencial que possui efeitos normativos de efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62A do seu Regimento Interno. E neste sentido, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Isto posto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, e excluir da tributação os valores de R$32.032,90, em cada um dos anoscalendários, discriminados como juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEI TE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13839.901797/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório.
DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE.
Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento - e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 17 97 /2 00 8- 19 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Por maioria, em face da preclusão, não conhecer da documentação juntada aos autos, consoante alegação da recorrente em sustentação oral, após a publicação da pauta da reunião de julgamento e, portanto, após a análise dos autos pelo Relator. Vencido, nesse ponto, o Conselheiro Solon Senh que, devido às particularidades do caso, entendia por converter o julgamento em diligência para juntado dessa documentação aos autos. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Dr. Fábio de Almeida Garcia, OAB/SP n. 237.078, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 11 3 Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever o relatório encartado na decisão de primeiro grau: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 18.120,09 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho em 29/07/2008, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 19/08/2008, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Seu crédito decorre de ter considerado equivocadamente na base de cálculo da contribuição do período em questão algumas vendas de produtos que se encontravam relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002; Transmitiu a DCOMP utilizando aquele crédito, mas, por um lapso, deixou de retificar a DCTF relativa ao período, para que nela passasse a constar o valor correto da contribuição devida; Somente com a ciência do Despacho em tela é que percebeu seu equívoco. Assim, procedeu imediatamente à retificação da DCTF; Tratase de mero erro de preenchimento de obrigação acessória, que não afasta a existência inequívoca de seu crédito, e não pode lhe tolher o direito à compensação. Jurisprudência administrativa e judicial corroboram seu entendimento; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Não há prejuízo ao Fisco. Ao contrário, não lhe permitir utilizar tal crédito configuraria enriquecimento ilícito do Erário. Em 10/03/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 08/04/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a Recorrente alegou, em preliminar, a nulidade do Acórdão recorrido, com base no argumento de que houve inovação dos motivos e fundamentos expostos no vergastado Despacho Decisório, que apontou a insuficiência de crédito como causa da não homologação da compensação declarada, ao invés da suposta não comprovação da origem do crédito compensado, apresentada no referido Acórdão. No mérito, em síntese, alegou a Recorrente que (i) a origem do crédito utilizado era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico; (ii) por um lapso, somente retificou a DCTF, para informar o valor correto débito, após a ciência do Despacho Decisório; (iii) a guia Darf, a DComp e a DCTF retificadora, apresentados com a manifestação de inconformidade, eram documentos hábeis e idôneos para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado; e (iv) o princípio da verdade material , deveria se sobrepor a qualquer equívoco cometido no cumprimento das obrigações acessórias, em consequência, meros erros de preenchimento de declaração não poderia tolher o seu direito à compensação da quantia paga a maior. Caso não fosse acolhida a preliminar de nulidade nem acatada as provas já carreadas aos autos, requereu a Recorrente a realização de diligência, com o objetivo de obter a documentação complementar destinada a comprovar o que alegara. Em 10/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Do não conhecimento da suposta prova documental não colacionada aos autos. Na sustentação oral realizado durante a Sessão de julgamento, alegou o patrono da Recorrente que havia entregue na Secretaria da 2ª Câmara desta 3ª Seção petição com pedido de juntada aos autos de notas fiscais de venda, emitidas durante o período de apuração do crédito informado na DComp em apreço. No memorial, naquele momento entregue, consta a informação de que tais notas foram exemplificativamente apresentadas. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 12 5 Na oportunidade, consultei o e.processo e verifiquei que tais documentos ainda não constavam dos autos. Além dessa circunstância, entendo que, no estágio em que se encontram os autos, tal documentação não pode ser admitida nem conhecida, uma vez que consumada a preclusão do direito de apresentála, estabelecida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ainda que destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, situação que vislumbro no caso em tela, conforme a seguir explicitado. Da preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Em preliminar, alegou a Recorrente a nulidade do Acórdão recorrido, sob o argumento de que ele havia alterado a motivação e a fundamentação do presente Despacho Decisório, pois, enquanto este apontara a insuficiência de crédito como sendo a causa da não homologação da compensação declarada, aquele indicara a não comprovação da origem do crédito compensado. Não procede argumento suscitado pela Recorrente, com a devida vênia. A uma, porque insuficiência e inexistência tem o mesmo efeito em relação à utilização do direito creditório na compensação, o que equivale, para fim de compensação, a ausência dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado. A duas, porque ambas as decisões apontaram a falta do suposto crédito como motivo para não homologação da compensação. Na verdade, em decorrência das novas razões de defesa alegadas na manifestação de inconformidade colacionada aos autos, verificase que a diferença entre uma e outra decisão está apenas nos argumentos utilizados para respaldar a conclusão de que o crédito compensado não existia. Com efeito, segundo o teor do vergastado Despacho Decisório, a compensação em tela não foi homologada porque a existência do valor do crédito informado não foi comprovada, pois, embora o pagamento referente à origem do crédito, informado na DComp, tivesse sido localizado na base de dados da Administração Tributária, o seu valor fora integralmente utilizado na quitação do débito da Cofins do respectivo período de apuração, confessado pela própria Recorrente na DCTF original. Logo, o real o motivo da não homologação da compensação foi a inexistência do crédito compensado. Por sua vez, na manifestação de inconformidade, que deu origem ao presente contencioso, alegou a Recorrente que o débito da Cofins informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria aquele declarado na DCTF retificadora, o que significa que a não comprovação do alegado pagamento a maior fora motivada por erro no preenchimento da DCTF original, retificada somente após a emissão e ciência do citado Despacho Decisório. Em face dessa alegação, o Acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação em tela, desta feita, com base no argumento de que a Recorrente não havia comprovado, com documentação contábil e fiscal adequada, as razões de fato e de direito que ensejaram a retificação do valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Aliás, asseverou a Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples apresentação da DCTF retificadora, sem suporte em documento comprobatório do alegado erro de apuração do valor débito original, por si só, não tinha o condão de comprovar a existência do alegado indébito, mantendo inalterado o valor do débito anteriormente declarado na DCTF original. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Em suma, o motivo da não homologação da compensação também foi a falta de comprovação da existência do crédito compensado. Ratifica o asseverado, o teor do enunciado da ementa do referido julgado, a seguir transcrito: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, comparando o teor dos dois julgados, fica evidenciado que a diferença entre ambos está no argumento utilizado para não reconhecimento do direito creditório alegado, pois, enquanto o Despacho Decisório limitouse a comparar o valor do pagamento informado com o valor do débito declarado na DCTF original, o Acórdão recorrido foi além da análise meramente formal, uma vez que também analisou o alegado equívoco na apuração do valor débito retificado, porém, não acatou a retificação, porque não foi comprovada, por meio de documentação contábil e fiscal adequada, a origem do alegado erro de apuração do valor do debito retificado, consistente no montante das supostas receitas de vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, submetidas a alíquota 0% (zero por cento) da Cofins, por força do regime de tributação monofásica, estabelecido nos arts. 1º e 3º1 do citado diploma legal. Assim, se a Turma de Julgamento a quo não admitiu a retificação do valor do débito original, obviamente, ficou mantido o valor do débito declarado na primeira DCTF e, portanto, mantido o mesmo motivo, para a não homologação da compensação, exposto no referido Despacho Decisório, a saber: o fato de o valor do pagamento, informado como origem do crédito, ter sido “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados” na presente DComp. No caso em tela, teria havido alteração de motivação da decisão originária, caso a Turma de Julgamento de primeiro grau tivesse acatado a retificação do valor original do débito, porém, por motivo diverso da inexistência do crédito, tivesse mantido a decisão de não homologação da compensação em apreço, como por exemplo, em decorrência do indébito não ser passível de restituição, por falta de previsão legal, o que, evidentemente, não ocorreu no caso em tela. 1 "Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras dos produtos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento das contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) às alíquotas de 1,47% (um inteiro e quarenta e sete centésimos por cento) e 6,79% (seis inteiros e setenta e nove centésimos por cento), respectivamente. [...] Art. 3º Fica reduzida a 0% (zero por cento) a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à receita bruta da venda: I dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei; II dos produtos referidos no art. 1º, auferida por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Parágrafo único. Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, em decorrência de modificações na codificação da TIPI. [...]" Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 13 7 Por fim, cabe ainda ressaltar que, no caso em tela, não tem qualquer relevância a alegação da Recorrente de que houve violação ao art. 146 do CTN, pois, como de sabença, o referido preceito legal aplicase aos casos de revisão do lançamento de ofício, situação que não ocorreu nos presentes autos. Por todas essas razões, rejeito a presente preliminar de nulidade, para manter incólume o Acórdão recorrido. Da análise do mérito. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência do valor do crédito utilizado pela Recorrente na quitação dos débitos confessados na DComp colacionada aos autos. Para Recorrente, contrariando o princípio da verdade material, a simples retificação do valor do débito, por meio da DCTF retificadora, acompanhada apenas da guia de recolhimento (Darf), era suficiente para comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado. Por outro lado, ao meu ver, em consonância com o princípio da verdade real, entenderam os integrantes da Turma de Julgamento de primeiro grau que a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não era suficiente para comprovar a certeza e liquidez do crédito informado na DComp em apreço. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento, pois, se foi a própria Recorrente quem informou os dois valores distintos para um mesmo débito, não há como saber qual deles é o correto (se o valor do débito informado na DCTF original ou o declarado na DCTF retificadora), sem que haja a confirmação por uma outra fonte de informação idônea. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente ainda alegou que o débito informado na DCTF original estava errado e que o valor correto seria o informado na DCTF retificadora, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias da Guia de Recolhimento (Darf) e da DCTF retificadora. Tal alegação trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 14 9 em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente será admitida se existir prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Além disso, por ter efeito direto sobre desfecho do julgamento da presente controvérsia, inaugurada com a citada manifestação de inconformidade, obviamente, a comprovação da origem da redução do valor do débito retificado deve ser tratado como um questão de defesa. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Nos presentes autos, para justificar a origem da redução do valor original do débito, a Recorrente alegou que a quantia paga a maior era proveniente da indevida tributação das receitas das vendas dos produtos sujeitas ao regime monofásico, contudo, nas duas oportunidades que compareceu aos autos, não apresentou qualquer documento que confirmasse tal alegação. Assim, em sintonia com o entendimento aqui esposado, como o erro apontado pela Recorrente referese a erro de apuração do valor do débito, logo, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus da Interessada trazer aos autos os documentos hábeis e idôneos que comprovassem o montante da receita submetida ao referido regime de tributação monofásico. Para esse fim, a simples apresentação das cópias autenticadas dos livros contábeis (Diário e Razão) e fiscais (Apuração do IPI e ICMS), corroborados pelas respectivas notas fiscais de venda, ao meu ver, eram suficientes para tal comprovação. No entanto, nem sequer o demonstrativo de apuração da referida Contribuição, instituído pela legislação tributária, foi apresentado pela Recorrente. Da mesma forma, também evidencia a insuficiência da instrução probatória da incumbência da Recorrente, o fato de ela não ter relacionado sequer os produtos que se encontravam submetidos a mencionada incidência monofásica. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Não é demais lembrar que, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, segundo, expressamente, dispõe inciso I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentindo, é oportuno ressaltar que, por força do disposto no art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização da compensação, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento. Entretanto, no caso em tela, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, o que confirma a falta de comprovação da existência do crédito utilizado no presente procedimento compensatório. Por fim, alegou a Recorrente que o princípio da verdade material deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, não podendo meros erros de preenchimento de declaração tolher o seu direito a restituição ou compensação da quantia indevidamente paga. Discordo. No âmbito do processo administrativo fiscal, em conformidade com o princípio da estrila legalidade, o princípio da verdade material atribui primazia a busca pela verdade substancial em detrimento da verdade formal, porém, isto não significa dizer que a autoridade julgadora tenha de assumir ônus probatório das partes interessadas, seja da Fiscalização ou do sujeito passivo. Na verdade, a orientação determinada pelo referido princípio é no sentido de que a autoridade julgadora não deve contentarse apenas com os aspectos formais da controvérsia. Entretanto, no que tange ao dever de provar as suas alegações, tal princípio não ampara a omissão deliberada ou injustificada da parte interessada, incluindo, obviamente, o sujeito passivo, conforme expressamente determinado no § 4º4 do art. 16 do PAF, aplicável ao processo de compensação, por força do disposto no art. 74, § 115, da Lei nº 9.430, de 1996, que, em face da preclusão, veda o conhecimento da prova documental apresentada após a fase impugnatório ou de manifestação de inconformidade, caso não atendidas as ressalvas previstas nas alíneas do referido parágrafo. No presente caso, ao pretender atribuir a simples retificação da DCTF a condição de prova suficiente do indébito informado, contraditoriamente, a Recorrente está agindo em dissonância com a orientação expressa no princípio em comento. 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". 4 "Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos".(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). 5 "Art. 74. Omissis. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. " Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 13839.901797/200819 Acórdão n.º 3802001.287 S3TE02 Fl. 15 11 Além disso, em consonância com o disposto nos arts. 15 e 18 do PAF, o encargo da instrução probatória é sempre da incumbência da parte que alega o fato probando, não podendo tal atividade ser transferida para a autoridade julgadora, sob pena de desvirtuamento das regras que rege o processo administrativo fiscal. Em consequência desse regramento legal, somente quando a instrução probatório se revelar imprescindível e necessária à formação do convencimento da autoridade julgadora é que ela poderá determinar a sua produção ou complementação, de ofício ou a requerimento da parte interessada. Não se pode também olvidar que, na condição de titular do crédito compensado, o ônus de provar a certeza e liquidez do alegado crédito, na data da compensação, era da Recorrente, conforme expressamente exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. No caso em tela, não foi comprovado o alegado erro de preenchimento da DCTF original, portanto, não há que se falar na alegada afronta ao princípio da verdade real. Por fim, é oportuno ressaltar que o entendimento aqui esposado não significa privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material, mas em deixar expresso que a aceitação da redução do valor do débito confessado na DCTF original, especialmente, após a ciência do despacho decisório, somente pode ser acatada se respaldada em provas documentais robustas do alegado equívoco. Por essas razões, rejeito as alegações da Recorrente, para manter a não homologação da compensação em tela, por falta do crédito informado na presente DComp. Do pedido de realização de diligência. No presente Recurso, a Recorrente ainda pleiteou a realização de diligência, para fim de obtenção da documentação complementar, com a finalidade de comprovar, em relação aos anos calendários de 2002 a 2004, que: a) a Recorrente recolheu valores a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em montante superior ao devido, em virtude da desconsideração do regime monofásico e redução das alíquotas das aludidas Contribuições a 0% (zero por cento); e b) as declarações e retificações apresentadas pela Recorrente eram suficientes para comprovar a existência do saldo credor, bem como para efetuar as compensações realizadas. Em consonância com o princípio verdade material, determina o art. 18 do PAF que a autoridade julgadora somente determinará a realização de diligência, de ofício ou a requerimento do interessado, quando entendêla necessária. No presente caso, a realização da diligência requerida, para fim de juntada de provas complementares, revelase totalmente desnecessária, pois, como visto, no presente caso, tratase de documentos da escrituração contábil e fiscal da própria Recorrente que, se existentes, poderiam ter sido facilmente por ela carreadas aos autos nas duas oportunidades em que nele se manifestou, especialmente, na presente fase recursal, quando ela já tinha pleno conhecimento de que tais documentos eram imprescindíveis para comprovação do alegado equívoco. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Com base nessas considerações, reputo desnecessária a realização da diligência pleiteada. Em consequência, com respaldo no art. 18 do PAF, sou pelo seu indeferimento. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 16408.000489/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA
MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela
lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art.
32A
à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN,
deve-se
aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito
Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a aplicação da
sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A,
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação apenas à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado Digitalmente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação apenas à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 174 2 Relatório Tratase de recurso voluntário que busca a reforma da decisão que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração lavrado em virtude deo Autuado apresentar a GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto em lei. Inicialmente, as competências objeto do lançamento foram competências 07, 08, 09 e 12/2004, 01, 02 e 03/2005, 01, 02, 03, 04, 06, 07, 12 e 13/2006, conforme planilha elaborada (fls. 14/15). O fundamento da obrigação descumprida e sua sanção foi colocado como o disposto no artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5°, da Lei n.° 8.212/91, combinado com o art. 225, IV, e § 4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 1999. Cientificada em 02/08/2007, em 30/08/2007 a empresa ingressou com defesa, alegando em síntese que foram recolhidas todas as contribuições previdenciárias e sociais dos segurados que lhe prestaram serviços. E que todas as notas fiscais e todas as remunerações dos segurados que lhe prestam serviços estão registradas no livro Diário. Agregou ainda argumentos sobre a sua importância regional e dificuldades econômicas, financeiras e de gerenciamento. Por final, informou que a requerente vem retificando seus lançamentos para sanar a irregularidade e atender as determinações da administração tributária. Dessa forma, corrigiu a falta, fazendo jus ao pedido de relevação da multa. Após o protocolo, o órgão julgador a quo, solicitou diligências à autoridade autuadora, solicitando pronunciamento fiscal além de outros esclarecimentos. Respondido o pedido às fls. 126, o Auditor Fiscal autuante retornou os autos a esta DRJ prestando esclarecimentos. Em esclarecimentos, requereu a retificação dos valores lançados, pois foi verificado que as competências 07/2004 a 09/2004, apesar de não constarem do GFIP WEB, existiam no sistema, v. fls. 72/77. Dessa manifestação foi dada ciência à recorrente, sendo lhe proporcionado o prazo de 10 (dez) dias para manifestarse a respeito — fl.133, que restou in albis. Assim os autos foram a julgamento de primeira instância, que julgou parcialmente procedente o lançamento, acatando as retificações oriundas da resposta da diligência. Também, por ter sido retificado com base nas alegações da contribuinte, mas que por esta não ter apresentado manifestação quanto ao realizado em diligência, entendeu que não haveria mais matéria contestada, inclusive quanto ao pedido de relevação. Cientificada da decisão recorrida, apresentou seu Recurso Voluntário tempestivo que repetiu integralmente as alegações da impugnação de primeira instância. Os autos foram devolvidos à apreciação no CARF/MF, e distribuído por esta Turma Especial e este relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 175 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Ao que se verifica os únicos argumentos trazidos que são juridicamente relevantes, pois as dificuldades gerenciais e econômicas da Recorrente não afetam a aplicação da norma sancionatória. A sanção aplicada tem fundamento fático e jurídico claro, no artigo 32, inciso IV, §§ 3º e 5°, da Lei n.° 8.212/91, combinado com o art. 225, IV, e § 4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 1999, por ter a recorrente apresentado a GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto em lei. Feito a apresentação de documentos que teriam corrigido a infração, aberta a oportunidade ao autuante e recorrente, somente o primeiro se manifestou e solicitou correção da lavratura, por entender que apenas parte das informações foram corrigidas pela contribuinte. Contudo, em nada se manifestou a Recorrente, aceitando tacitamente a situação de não correção total das faltas apontadas pela fiscalização, sob a interpretação de que matéria não impugnada expressamente é considerada não contestada (art. 17, do Dec. 70235/1972). Assim, entendo que a Recorrente não atende aos requisitos para relevação da sanção aplicada, nos termos do art. 291, do Regulamento da Previdência Social (Dec. 3048/1999), que exige a correção total da falta. Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§ 3º e5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 176 4 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16408.000489/200751 Acórdão n.º 280301.253 S2TE03 Fl. 177 5 por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação apenas à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. Sala de Sessões, 19 de janeiro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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