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Numero do processo: 19515.000037/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A base de cálculo da Cofins é o faturamento e, em virtude de
inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF,
devem ser excluídas dessa base as receitas tributadas com base no dispositivo
legal declarado inconstitucional.
ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ATIVIDADE PRÓPRIA.
A receita decorrente da prestação de serviço para cumprimento de convênio
firmado pela entidade de educação e de assistência social configura receita de
atividade própria quando o serviço prestado está previsto no objeto social da
entidade.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE INFERIOR AO DE ALÇADA. NÃO
CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso de ofício de decisão que tenha exonerado crédito
tributário de valor inferior ao limite de alçada definido pelo Ministro de
Estado da Fazenda.
Recurso de ofício não conhecido
Numero da decisão: 3402-001.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício, por tratarse
de exoneração de crédito tributário em valor
inferior ao limite de alçada, e dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente INSTITUTO DAS IRMÃS DE SANTA MARCELINA Recorrida DRJ em CAMPINASSP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A base de cálculo da Cofins é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas dessa base as receitas tributadas com base no dispositivo legal declarado inconstitucional. ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita decorrente da prestação de serviço para cumprimento de convênio firmado pela entidade de educação e de assistência social configura receita de atividade própria quando o serviço prestado está previsto no objeto social da entidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE INFERIOR AO DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício de decisão que tenha exonerado crédito tributário de valor inferior ao limite de alçada definido pelo Ministro de Estado da Fazenda. Recurso de ofício não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por tratarse de exoneração de crédito tributário em valor inferior ao limite de alçada, e dar provimento ao recurso voluntário. Nayra Bastos Manatta Presidente. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (presidente), Júlio César Alves Ramos, Angela Sartori, Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Leonardo Siade Manzan Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração, com ciência em 21 de junho de 2002, para formalizar a exigência tributária relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre janeiro de 1997 e dezembro de 2000, com a multa aplicável nos lançamentos de ofício e os juros moratórios correspondentes. Ensejou a constituição de ofício do crédito tributário a constatação de que a contribuinte deixara de declarar e de recolher a Cofins incidente sobre receitas auferidas classificadas contabilmente como “outras receitas”, tendo em vista que a isenção de que goza abrange apenas as receitas de suas atividades próprias. A peça fiscal foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP (DRJ/CPS) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 152 a 160, para cancelar integralmente a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 1997 a janeiro de 1999, inclusive, e parte do crédito tributário referente aos demais períodos de apuração, fundamentada no entendimento de que as ditas receitas gerais, constituídas de receitas de atividades religiosas, cooperadores, diversas, donativos de pessoas físicas e jurídicas, recuperação de despesas e reembolsos, utilidades/folha de pagamento, encontros, cursos e retiros, configurariam receitas da atividade própria e, por isso, deveriam ser excluídas da base de cálculo da Cofins. A DRJ/CPS recorreu de ofício de sua decisão, com fundamento na Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Ciente do Acórdão proferido pelo colegiado de piso, em 22 de dezembro de 2006, a contribuinte protocolizou, em 22 de janeiro de 2007, o recurso voluntário constante das fls. 219 a 258 para alegar, em síntese, que: I – é organização religiosa, constituída como pessoa jurídica de direito privado, sem fins econômicos e lucrativos, de caráter confessional, educacional e de assistência social, com a finalidade de evangelização dos povos por meio da educação e da assistência social e que presta serviços gratuitos e permanentes, por meio de creches, escolas, faculdades, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A Processo nº 19515.000037/200236 Acórdão n.º 340201.046 S3C4T2 Fl. 457 3 hospitais, postos de saúde, ambulatórios médicos e obras sociais e missionárias, sem discriminação de clientela, caracterizada como entidade beneficente de assistência social e, por isso, imune aos impostos e às contribuições para a seguridade social, conforme arts. 150, inc. VI, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal; II – a totalidade de seus recursos econômicos e financeiros é aplicada na consecução de suas finalidades; III – colabora com a missão do Estado, mantendo atividade de caráter religioso, educacional, de assistência à saúde e de assistência social, sem fins lucrativos, atendendo às disposições do art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN); IV – é imune à Cofins por força do art. 195, § 7º, da Constituição Federal e pelo art. 6º, inciso III, da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; V – os valores que serviram de base de cálculo são inadequados, uma vez que todas as receitas estão vinculadas ao atendimento de suas finalidades institucionais, isto é, são próprias de suas atividades, todas elas previstas em seu estatuto social; VI – não há caráter contraprestacional, uma vez que seus serviços não são remunerados; VII – todas as suas receitas são destinadas ao seu custeio e à manutenção de suas finalidades institucionais; VIII – é a Lei Complementar que regulamenta os arts. 150, inc. VI, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal é o CTN; IX – a Lei nº 9.718, de 1998, padece de vício insanável de inconstitucionalidade; X – não há suporte jurídico constitucional para a exigência da Cofins, visto tratarse de entidade de educação e de assistência social, como reconheceu a própria Auditora Fiscal autuante e o Relator da instância recorrida; XI – ao se exigir a Cofins da recorrente, estáse fazendo incidir tributo sobre o seu patrimônio, a sua renda ou seus serviços, com desrespeito às limitações ao poder de tributar; X – a cobrança da Cofins, no caso, é inconstitucional por ferir o estado de direito, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito; XI – todas as receitas incluídas na base de cálculo da Cofins pela fiscalização estão previstas no seu estatuto social e são receitas institucionais, essenciais e típicas da recorrente , não sendo decorrentes de contraprestação de serviços; e XII – o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998; Ao final, a recorrente solicitou que se julgue insubsistente, improcedente e incabível o auto de infração e, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, que sejam Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A 4 cancelados os juros multas e encargos, por tratarse de entidade beneficente, sem fins econômicos e lucrativos. Na sessão de 04 de novembro de 2008, a Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que a fiscalização informasse se a recorrente atendia os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, e do art. 14 do CTN. O processo retornou a este colegiado com a informação de que a contribuinte não possui o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), mas atenderia os requisitos do art. 14 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Inicialmente, quanto ao recurso de ofício, notese que, conforme quadro resumo elaborado na decisão recorrida, o valor da Cofins excluída foi de R$ 459.573,13 (quatrocentos e cinquenta e nove mil quinhentos e setenta e três reais e treze centavos), que, somado à multa de ofício, totaliza R$ 804.252,98 (oitocentos e quatro mil duzentos e cinqüenta e dois reais e noventa e oito centavos). Assim sendo, uma vez que esse valor é inferior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, para interposição do recurso de ofício, não se pode conhecer do recurso ofertado pelo Presidente da Turma de Julgamento do colegiado de piso. Relativamente ao recurso voluntário, esclareçase que a diligência solicitada, visava à formação da convicção de alguns conselheiros deste colegiado que, até então, não afastavam a incidência do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, por inconstitucionalidade declarada pelo pleno do STF, para definição da base de cálculo da Cofins. Contudo, entre a proposta da diligência e o retorno destes autos para julgamento, o entendimento de que deve ser afastado o dispositivo legal em questão ganhou novos adeptos e, considerando que, após a decisão da DRJ/CPS, a exigência tributária remanescente referese a fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999, o litígio será solucionado, independentemente do atendimento de requisitos para gozo da imunidade. Notese que, na autuação, as receitas tributadas foram classificadas em quatro grupos identificados na decisão recorrida, que transcrevo: (...) 1.4.1. Receitas financeiras e patrimoniais (alugueres ativos, descontos e abatimentos, diversos, juros ativos e rendimentos de investimentos); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A Processo nº 19515.000037/200236 Acórdão n.º 340201.046 S3C4T2 Fl. 458 5 14.2. Receitas de convênios filantrop./assist. (ASM Colégio Muiraé, Colégio Santa Marcelina SP, ASM Colégio S. Marcelina RJ, Colégio Santa Marcelina Castelo, Casa Santa Marcelina, Centro do Menor Santa Marcelina, ASM – Faculdade Santa Marcelina); 14.3. Receitas transitórias e eventuais (variação monetária e rendas eventuais); 14.4. Receitas gerais (atividades religiosas, cooperadores, diversas, donativos de pessoas físicas e jurídicas, recuperação de despesas e reembolsos, utilidades/folha de pagamento, encontros, cursos e retiros). (...) As receitas gerais já foram excluídas no julgamento da 1ª instância. Quanto às “receitas financeiras e patrimoniais” e às “receitas transitórias e eventuais”, não pode subsistir a autuação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, e o dever da Administração Pública de afastar a aplicação desse dispositivo, estando este colegiado diante de hipótese prevista no art. 62, parágrafo único, inc. I, do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que prescreve: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Cabe então lembrar que o STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 390.840MG, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da supramencionada lei, tendo o Acórdão correspondente transitado em julgado em 5 de setembro de 2006. Ora, a disposição regimental acima transcrita emana do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que, a meu ver, no parágrafo único do seu art. 4º, trata de situação excepcional ao caput do artigo, pois, não mantendo o Carf subordinação hierárquica ao Secretário da Receita Federal, tampouco ao ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, seria exdrúxulo supor que a atuação desses órgãos julgadores estivesse vinculada a determinações emanadas dessas autoridades. Nesse ponto, frisese que o próprio caput do art. em comento limita a abrangência dessas determinações ao âmbito das respectivas competências, referindo se, com isso, não só à segregação das competências do Secretário da Receita Federal e do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, mas também à delimitada esfera de atuação de cada um, que, a todas as luzes, nesse particular, não alcança os órgãos julgadores da segunda instância administrativa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A 6 Destarte o Decreto em tela, ao dispor sobre os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em virtude de decisões judiciais, expressamente impôs aos órgãos julgadores da administração fazendária o dever de afastar dispositivo declarado inconstitucional e, se tal dever não era cumprido até a publicação do novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, é porque anterior disposição regimental, materializada no art. 22A introduzido pela Portaria MF nº 103, de 23 de abril de 2002, no regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, vedava expressamente o afastamento de dispositivo legal em virtude de inconstitucionalidade, na hipótese de que aqui se cuida. Assim, a alteração da norma regimental, desde a Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, evidencia a mudança de entendimento sobre a matéria do Sr. Ministro da Fazenda e, nesse ponto, não se pode olvidar a subordinação direta dos Conselhos de Contribuintes a esse Ministro de Estado. Destarte, devem ser excluídas da base de cálculo da Cofins os valores correspondentes às “receitas financeiras e patrimoniais” e às “receitas transitórias e eventuais”. Relativamente às receitas de convênio, não comungo o entendimento esposado na decisão recorrida de que, sendo tais receitas decorrentes de prestação de serviços, seriam próprias de atividade de natureza econômicafinanceira. Ora, se tais serviços são próprios da atividade da recorrente, e o são, as receitas advindas d a prestação desses serviços figuram no âmbito das receitas de atividade própria da recorrente, estando, pois, alcançadas pela isenção prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Pelas razões expostas, voto pelo provimento do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, 13/04/2011 por NAYRA BASTOS MANATT A
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721743/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeita-se a incidência de contribuições sociais.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2401-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2006; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A no auto de infração nº 37.346.299-9, sendo que este último, dava provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os juros sobre a multa de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte. O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeita-se a incidência de contribuições sociais. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2006; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A no auto de infração nº 37.346.299-9, sendo que este último, dava provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os juros sobre a multa de ofício. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Os valores pagos a titulo de prêmio de incentivo à produtividade integram o saláriodecontribuição, pois não se incluem nas hipóteses de isenção contempladas no §9° do art. 28 da Lei 8.212/91. PAGAMENTO DE COMISSÕES A PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO DE EMPREGO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O pagamento de comissões a contribuintes individuais sujeitase a incidência de contribuições sociais. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 43 /2 01 1- 35 Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos,que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, declarar a decadência até competência 11/2006; e II) pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A no auto de infração nº 37.346.2999, sendo que este último, dava provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os juros sobre a multa de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.338 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 38.656 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n.º 37.346.3006: exigência de contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; b) AI n.º 37.346.3014: exigência de contribuições patronais para outras entidades ou fundos; e c) AI n.º 37.346.2999: aplicação de penalidade por declaração da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores foram os pagamentos de remuneração a segurados empregados e contribuintes individuais, os quais não foram declarados na GFIP. As remunerações a segurados empregados consistiram de créditos em cartões emitidos por empresas contratadas para prestação de serviços de marketing de incentivo. Os valores foram obtidos com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço, de onde apurouse o total líquido repassado aos segurados correspondente a diferença entre o total da fatura e os custos do serviço prestado. Quanto aos contribuintes individuais, as bases apuradas corresponderam a diferença entre os pagamentos constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e as remunerações declaradas nas GFIP. Cientificado das lavraturas em 20/12/2011, a empresa ofertou impugnação, fls. 308/358, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente, mantendo integralmente os créditos lançados. A DRJ afastou a decadência, concluindo que deveria ser aplicada norma do art. 173, I, do CTN, posto que as contribuições lançadas não foram declaradas na GFIP e nem houve recolhimento destas. Não foi acolhida a tese de exclusão dos dirigentes da empresa da Relação de Vínculos, por entender o órgão recorrido que inexiste responsabilização tributária para as pessoas arroladas, mas mera informação, que poderá ou não ser utilizada em futuro processo de execução. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Quanto à alegada conexão, a DRJ ponderou que todos os processos lavrados na ação fiscal estavam sendo julgados, mesmo não reconhecendo que houvesse dependência entre todos os processos. No mérito, a DRJ entendeu que os pagamentos mediante cartões de premiação integram o saláriodecontribuição e que o fisco delimitou com precisão a base de cálculo, não havendo o que se falar em afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Afirmouse que os prêmios tem nítida feição retributiva, não devendo prevalecer a tese de que não teriam caráter salarial. Concluise ainda que os pagamentos a contribuintes individuais tratavamse de comissões, sendo legítima a sua tributação. Também foi rejeitado o argumento de que houve prêmios repassados a pessoas físicas sem vínculo de emprego. O órgão recorrido entendeu que o fisco demonstrou a contento que os bônus eram repassados apenas aos empregados da recorrente. A existência de juros sobre a multa de ofício foi repelida pela DRJ, que indeferiu o pedido para juntada de novos documentos e para a realização de sustentação oral no julgamento de primeira instância. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 1.285/1.327, no qual, após tecer comentários sobre suas atividades empresariais e acerca dos principais fatos do processo, em síntese, alegou que: a) ocorreu decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 20 de dezembro de 2006; b) devem ser unificados em um único processo os AI sob cuidado e o AI n.º 51.011.1416; c) o fisco não respeitou o princípio da verdade material ao tributar verbas que estão fora do campo de incidência de contribuições, como é o caso dos pagamentos a título de marketing de incentivo a seus funcionários e dos pagamentos a empregados de outras empresas, como forma de estimular a venda dos produtos da recorrente; d) os valores repassados em programas de premiação a empregados e não empregados, independentemente da forma do repasse, não integram o conceito de saláriode contribuição; e) apresenta situações em que os empregados da recorrente receberam os prêmios por uma única vez durante todo o período fiscalizado, o que demonstra que as parcelas não tem caráter de salário, por faltarlhe o requisito da habitualidade; f) os prêmios representam liberalidade do empregador e não contraprestação, posto que somente é pago caso o empregado atinja a meta fixada no programa; g) os pagamentos destinados a empregados de outras empresas também não devem sofrer a incidência de contribuições, posto que não há relação de emprego ou prestação de serviços, mas apenas incentivo para venda de produtos da empresa que instituiu o programa de premiação, no caso, a recorrente; Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.339 5 h) não há de se exigir a declaração dos referidos pagamento em GFIP, posto que não se está diante de fatos geradores de contribuições; i) é ilegal a aplicação da taxa Selic para fins tributários; j) os administradores não podem figurar no “Relatório de Vínculos”, posto que inexistem os requisitos legais para sua responsabilização pelos créditos em questão; k) não há de se admitir a incidência de juros sobre a multa de ofício. Ao final, pede o cancelamento das lavraturas. É o relatório. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três regras que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.340 7 Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo do Débito, os autos levamnos a concluir que há recolhimentos para o período, uma vez que na ação fiscal sob enfoque foram apuradas contribuições apenas sobre as verbas pagas mediante cartão de premiação e sobre comissões, o que sugere que a empresa efetuava recolhimentos decorrentes de outros fatos geradores. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendemos que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse posicionamento conduz à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2006, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 20/12/2011. Reunião de processos O sujeito passivo requereu a reunião dos AI incluídos no processo sob enfoque com o AI n.º 51.011.1416, aduzindo que se tratam de lavraturas conexas. O referido auto de infração foi lavrado para aplicação de multa por falta de apresentação de documentos solicitados durante a ação fiscal. Por esse motivo, não enxergamos a aludida conexão, posto que essa lavratura tem existência independente das demais. No processo ora julgado, estamos diante de autuações para exigência de obrigação principal (pagamento do tributo) e para punição pela falta de declaração de fatos geradores na GFIP, as quais podem ser declaradas procedentes e, ao mesmo tempo, ocorrer do AI n.º 51.011.1416 ser cancelado por falta de comprovação da ocorrência da infração. Do mesmo modo, pode a autuação decorrente da falta de apresentação de documentos ser mantida e as demais serem afastadas caso se entenda que inocorreram os fatos geradores apontados pelo fisco. É perfeitamente possível que em uma auditoria verifiquese que todas as contribuições foram recolhidas e declaradas na GFIP, mas haja necessidade de punir a empresa, pelo fato desta não cumprir o seu dever de colaborar com a fiscalização, deixando de apresentar elementos requeridos pela Autoridade Fiscal. Todavia, mesmo não reconhecendo a obrigatoriedade de que os processos sejam julgados conjuntamente, resolvemos indicar para pauta todos os processos lavrados na ação fiscal, da mesma forma como procedeu o órgão de primeira instância. Assim, resta atendido o pedido do sujeito passivo, quanto ao julgamento conjunto dos processos. Exclusão dos administradores do Relatório de Vínculos O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Incidência de contribuições sobre os valores pagos a contribuintes individuais Um primeiro ponto a se observar é que a empresa não se contrapõe aos valores lançados, afirma, no entanto, que as quantias pagas a pessoas físicas, declaradas na DIRF e não constantes da GFIP, não sofrem incidência de contribuições, posto que destinadas a empregados de outras empresas, as quais recebiam prêmios para incrementar a venda de produtos da recorrente. Não é essa a situação que os autos revelam. De acordo com o fisco, ao se deparar com divergências entre as remunerações declaradas na DIRF e aquelas constantes na GFIP para segurados contribuintes individuais, intimou o sujeito passivo a esclarecer a discrepância, tendo como resposta a indicação de que os pagamentos declarados na DIRF com o código de retenção “0588” referiamse a comissões. O enquadramento legal das pessoas físicas que receberam comissões da empresa deve ser feito na categoria de contribuintes individuais, conforme alínea “g” do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Na acepção remuneratória do termo, comissão indica um valor a ser pago em razão de serviço de intermediação comercial, em que o beneficiário geralmente recebe um percentual sobre o valor da transação. Assim, se houve o pagamento de comissão, obviamente esta se deu em razão da prestação de um serviço remunerado, a qual é fato gerador de contribuições, como se extrai do conceito de salário de contribuição para o segurado contribuinte individual, constante na Lei n.º 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.341 9 III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) De se concluir que as comissões pagas a pessoas jurídicas sem vínculo de emprego sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, por representarem remunerações por serviços prestados por contribuintes individuais. Dos pagamentos a empregados mediante cartões de premiação. Quanto a esse ponto do lançamento, o sujeito passivo também não se insurge contra os valores apresentados pela auditoria. O seu questionamento é no sentido que as verbas não se enquadram no conceito de salário, por lhes faltar o caráter de habitualidade. Iniciemos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Para nós esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.342 11 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) À luz da legislação citada, o melhor entendimento é o de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer caráter de retributividade. O que, temos certeza, não se aplica a situação de pagamento de bônus de incentivo. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores, as quais correspondiam, nos termos do regulamento apresentado, a 1,5% do lucro líquido que o gerente tivesse aportado para o banco empregador, sendo que os superintendentes eram premiados na mesma proporção, mediante a soma das gratificações de todos os gerentes sobre a sua área de atuação. Além disso, todos os gerentes e superintendentes ganhavam R$ 200,00 por cada novo cliente ativo. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance das metas acima referidas, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabia, a priori, que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, faria jus ao bônus. Independentemente de determinados segurados terem sido beneficiados apenas uma vez no período fiscalizado, como ressaltado no recurso, as premiações devem se sujeitar a incidência de contribuições, posto que decorrentes do esforço do empregado para cumprir as regras determinadas pelo empregador, caracterizandose como contraprestação pelo resultado obtido em termos de lucratividade e número de clientes captados. Portanto, deve ser afastada a tese de que as premiações eram eventuais e que não tinham caráter contraprestativo. De se concluir que o fisco atuou dentro das balizas legais ao lançar as contribuições sobre as parcelas pagas aos empregados mediante programa de marketing de incentivo. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16327.721743/201135 Acórdão n.º 2401002.963 S2C4T1 Fl. 1.343 13 Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, curvamonos à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Conclusão Voto por reconhecer a decadência até competência 11/2006 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.003192/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
ALEGAÇÕES. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe ao contribuinte aportar aos autos os elementos de prova capaz de servir de suporte para as suas alegações de defesa. No caso vertente, a simples alegação de que parte das receitas computada nas bases de cálculo das exigências formalizadas não foram auferidas, haja vista a ocorrência de vendas canceladas e o não pagamento do preço, por si só, não é capaz de elidir o feito fiscal, seja pela ausência da comprovação dos fatos, seja em virtude do regime de tributação aplicado de ofício ou de escrituração dos resultados adotado pela fiscalizada.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA.
Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos valores apurados por meio do procedimento de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, descabe incluí-lo no pólo passivo da obrigação tributária constituída.
Numero da decisão: 1301-001.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso impetrado pela empresa autuada e DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos pelos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, para excluí-los do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. ALEGAÇÕES. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte aportar aos autos os elementos de prova capaz de servir de suporte para as suas alegações de defesa. No caso vertente, a simples alegação de que parte das receitas computada nas bases de cálculo das exigências formalizadas não foram auferidas, haja vista a ocorrência de vendas canceladas e o não pagamento do preço, por si só, não é capaz de elidir o feito fiscal, seja pela ausência da comprovação dos fatos, seja em virtude do regime de tributação aplicado de ofício ou de escrituração dos resultados adotado pela fiscalizada. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos valores apurados por meio do procedimento de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 92 /2 01 0- 14 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 831 2 participação nas infrações detectadas, descabe incluílo no pólo passivo da obrigação tributária constituída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso impetrado pela empresa autuada e DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos pelos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, para excluílos do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 832 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas em virtude das infrações adiante descritas. Diante da ausência dos livros fiscais e contábeis, a auditoria foi efetuada tomandose por base as informações consignadas em declarações apresentadas à Receita Federal (DIPJ, DACON e DCTF) e as que foram fornecidas à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo por meio de Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA). Promovendo o confronto entre os valores relativos às receitas auferidas transmitidos à Receita Federal e os que foram repassados à Fazenda estadual, a Fiscalização constatou a seguinte divergência: Receita Federal: R$ 106.306,58 Receita Estadual: R$ 10.385.182,95 Os sócios da fiscalizada, intimados a prestar esclarecimentos acerca do fato, informaram, por meio de procurador habilitado, que em virtude do extravio dos livros fiscais e contábeis não tinham como esclarecer a situação apontada pela Fiscalização. Diante da constatação e da ausência de documentação contábil e fiscal, a autoridade fiscal promoveu o arbitramento do lucro com base na receita conhecida, aplicou multa qualificada de 150% e imputou responsabilidade tributária solidária aos sócios administradores da contribuinte, SÉRGIO DA SILVA BUENO e ALEXANDRE NORIYOSHI HIRATA. Inconformada, a autuada interpôs impugnação, momento em que trouxe os seguintes argumentos: que a Fiscalização presumiu que os valores informados nas GIAs teriam sido omitidos da sua DIPJ e DCTF; que esta presunção resultou em uma conclusão falsa, pois não foram considerados os valores das receitas não pagas pelos clientes e as devoluções de mercadorias realizadas em 2007; que “tais fatos deveriam ter sido, necessariamente, investigados pela fiscalização, em razão do seu dever de identificar todas as hipóteses possíveis para caracterização da materialidade tributável, de acordo com o artigo 142 do Código Tributário Nacional”;. que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por diversas vezes, declarou, por meio de acórdãos, que o erro na determinação da base de cálculo macula Fl. 837DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 833 4 de forma insanável o auto de infração, de modo que “o descumprimento desse dever caracteriza a nulidade absoluta do respectivo auto de infração, pois macula o caráter vinculado e obrigatório do lançamento tributário”; que o fato de não ter apresentado seus livros fiscais e contábeis, em razão de extravio, não autoriza a Fiscalização a desconsiderar eventuais devoluções de mercadorias no ano posterior ao período fiscalizado; que em momento algum durante o procedimento de fiscalização foi requerido, pela autoridade fiscal, os documentos relativos ao anocalendário de 2007, evidenciando o descaso da Fiscalização com o seu dever de apurar adequadamente eventuais devoluções de mercadorias, para fins de apuração da sua receita bruta; que as devoluções de mercadorias (em 2007) e o nãopagamento das faturas pelos clientes deixaram de ser registrados em GIA, de modo que não foi informada às autoridades fiscais estaduais a efetiva receita bruta por ela apurada; que há grande dificuldade prática na retificação da GIA pelo contribuinte nos casos em que deve ser reduzido o montante de ICMS informado nessa declaração, pois, de acordo com o artigo 18, inciso I, alínea “b”, do Anexo V, da Portaria CAT nº 92/98, a referida retificação deve ser submetida à aprovação do Posto Fiscal correspondente, em procedimento demorado e, por vezes, sem definição; que também a sua má gestão no fim do ano de 2006 e início de 2007, que ficou evidenciado pelo grande número de devoluções em 2007 e pela falta de pagamento das faturas, resultou no Distrato Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), em junho de 2007; que, por tais motivos, os autos de infração deveriam ser cancelados, ou o julgamento deveria ser convertido em diligência, para apuração correta dos fatos; que o artigo 44, da Lei nº. 9.430/96 esclarece que a aplicação da multa de 150% justificase quando a Fiscalização comprova a prática de uma “ação ou omissão dolosa” adotada pelo contribuinte ao deixar de pagar tributo, ou seja, quando fica comprovada a existência de dolo do contribuinte em fraudar a Fazenda Pública; que, no caso em discussão, não se pode admitir que o descasamento entre as GIAs e suas declarações de tributos seria suficiente para o agravamento da multa, de 75% para 150%, pois se trata de erros formais de maneira reiterada; que o descompasso entre as declarações em questão decorre da dificuldade de retificar as GIAs, como já abordado, junto à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, não tendo ocorrido qualquer omissão de receita e sim não ocorrência do fato gerador, em razão da devolução de mercadorias; que a comprovação do alegado tornouse impossível porque os documentos fiscais e contábeis foram objeto de extravio, conforme registrado junto às autoridades policiais competentes; que, diante disso, é evidente que existe dúvida quanto à verificação exata da conduta supostamente infracional (artigos: 71; 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), nos termos do Fl. 838DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 834 5 artigo 112 do CTN, sobretudo em face da referida presunção, utilizada nos casos em que há incerteza quanto à matéria fática, justificando a redução da multa agravada, de 150% para 75%. Os apontados como responsáveis solidários, Srs. Alexandre Noriyoshi Hirata e Sérgio Da Silva Bueno, apresentaram suas impugnações, nas quais, repetindo os argumentos trazidos pela contribuinte fiscalizada em sua peça de defesa, aditaram: que o interesse dos sócios nos resultados da empresa jamais poderia se equiparar ao “interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária”; que a solidariedade decorre do fato de uma mesma situação ter acarretado para mais de uma pessoa, originariamente, responsabilidade tributária em relação ao mesmo tributo, sendo esta, inclusive, a situação citada na doutrina invocada pela Fiscalização para demonstrar a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN; que o “interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária” somente pode surgir entre pessoas que estejam vinculadas diretamente à referida situação, por terem se tornado sujeitos passivos em razão da sua materialização, ou seja, são responsáveis solidários apenas os coautores de uma materialidade tributária, e não aqueles que têm meros interesses econômicos na sua realização, nem aqueles cujas decisões favoreceram indiretamente a criação da referida materialidade; que apenas as pessoas que tenham poder de gerência (administradores ou sóciosgerentes) podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica, e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração da lei, contrato social ou estatuto; que, nesses casos, a responsabilidade não decorre do artigo 124, inciso I, do CTN, mas do artigo 135, inciso III, do mesmo Código Tributário Nacional (CTN); que, no presente caso, a Fiscalização não demonstrou, nem sequer alegou, que as supostas irregularidades nas declarações da empresa teriam decorrido de atos praticados pelos seus sócios; que a comprovação exigida pelo artigo 135, III, do CTN, não admite presunção, sendo necessário que a Fiscalização demonstre o nexo causal entre a conduta do sóciogerente e a infração supostamente identificada na respectiva pessoa jurídica. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pelas defesas, decidiu, por meio do acórdão nº. 16 36.105, de 09 de fevereiro de 2012, pela procedência dos lançamentos tributários, considerando, também, correta a imputação de responsabilidade tributária promovida pela Fiscalização. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Mesmo que tivesse sido provada a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do lançamento de ofício, o que não foi provado, não seria motivo de anulação dos auto de infração, mas sim, de retificação. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 835 6 OMISSÃO DE RECEITA. VALOR DECLARADO NA “GIA” E NÃO INFORMADO NA “DIPJ”. É válido o lançamento realizado em decorrência da comprovação da omissão de receita caracterizada pela não informação à Receita Federal do Brasil, através da DIPJ, de valor de receita declarado, por meio da GIA, para o fisco Estadual. LUCRO ARBITRADO. Correto o arbitramento do lucro quando os livros fiscais e contábeis não forem apresentados, em decorrência de extravio, conforme previsto nos incisos do artigo 530, do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições não informando valores de receitas tributáveis na DIPJ, agindo reiteradamente com essa finalidade, tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária aplicada aos sócios administradores, com base no artigo 135, do CTN, em decorrência dos atos praticados com infração de lei. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 553/622, por meio do qual, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que o caso trata de sucessão tributária, visto que, conforme Contrato de Compra e Venda de Ativos, ela foi vendida para a empresa MARFRIG FRIGORÍFICOS E COMÉRCIO DE ALIMENTOS S/A, motivo pelo qual não poderia responder pelos débitos. Apresentaram também recursos os senhores SÉRGIO DA SILVA BUENO e ALEXANDRE NORIYOSHI HIRATA, indicados como responsáveis tributários. Na mesma linha da empresa autuada, renovam as alegações esposadas nas impugnações anteriormente apresentadas. É o Relatório. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 836 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Os recursos impetrados devem ser conhecidos, eis que atendidos os requisitos de admissibilidade. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas em virtude da constatação de omissão de receitas, apurada a partir do confronto entre os valores declarados à Receitas Federal e os informados à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo. Os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL foram efetuados com base no lucro arbitrado, foi imputada responsabilidade tributária aos sócios da fiscalizada e foi aplicada multa qualificada de 150%. As exigências foram mantidas, na íntegra, pela autoridade julgadora de primeira instância, razão pela qual a contribuinte e os responsáveis solidários interpuseram recursos voluntários. Aprecio, pois, as razões de defesa trazidas pela autuada e pelos demais Recorrentes. EMPRESA BRASILEIRA DO HAMBÚRGUER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA Alega a Recorrente que o presente caso envolve sucessão tributária, nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional (CTN), conforme contrato que diz anexar. Afirma que, em virtude de tal fato, não pode ser responsabilizada pelos débitos objeto dos Autos de Infração. Em primeiro lugar, cabe registrar que a argumentação em referência, bem como a documentação que lhe serve de suporte, foi trazida pela Recorrente somente por ocasião da interposição da peça recursal, isto é, tanto no curso da ação fiscal como por ocasião da apresentação da impugnação, ela não fez qualquer pronunciamento acerca deste fato. Como é cediço, nos termos do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De qualquer forma, ainda que assim não fosse, os documentos aportados ao processo pela Recorrente indicam que não estamos diante de sucessão tributária, eis que o contrato de fls. 615/622 trata de COMPRA E VENDA DE ATIVOS. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 837 8 Tenho por certo, ainda, que, caso a Fiscalização tivesse tomado conhecimento de referida documentação, os fundamentos utilizados tanto para imputar responsabilidade aos sócios como para qualificar a penalidade aplicada teriam uma excelente peça de reforço. Com efeito, tomandose por base as informações constantes no Termo de Verificação Fiscal de fls. 200/2071, a conduta da contribuinte de omitir receitas ao Fisco federal revelase de natureza reiterada, de modo que, dentro desse contexto, a alienação de ativos poderia ser vista como uma medida que tinha por objetivo tornar inócua uma futura execução fiscal. EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS Sustenta a Recorrente que a Fiscalização presumiu que os valores informados ao Fisco estadual teriam sido omitidos na DIPJ, DCTF e DACON. Diz que tal presunção resultou em uma conclusão falsa, visto que na apuração das bases de cálculo dos tributos e contribuições exigidos não foram considerados o montante de pagamentos que deixaram de ser realizados pelos seus clientes e as devoluções de mercadorias realizadas em 2007, ano posterior ao auditado pela Fiscalização. O equívoco, penso, não está no procedimento adotado pela autoridade fiscal, mas, sim, na argumentação expendida pela ora Recorrente. Em primeiro lugar, caberia à contribuinte (e não à Fiscalização) aportar aos autos os elementos que poderiam servir de lastro para as suas alegações. Noto ainda que, considerada a declaração apresentada à Receita Federal (fls. 160/170), em que não existe registro, na determinação das bases de cálculo das exações devidas, de realização de valores cuja tributação tenha sido diferida, podese concluir que a contribuinte optou pelo regime de competência na tributação dos seus resultados, sendo irrelevante, assim, o pagamento ou não de seus clientes. MULTA QUALIFICADA Argumenta a Recorrente que é descabida a multa de 150% quando, apesar de ser válida a autuação por omissão de rendimentos, a fraude é apenas presumida, e não comprovada pela Fiscalização. Diz que o entendimento da Fiscalização é equivocado, pois não considerou: a) a má gestão da empresa; b) a devolução de mercadorias no ano seguinte ao que foi objeto da ação fiscal; c) o nãopagamento de faturas pelos clientes; d) a incompetência técnica dos seus funcionários; e e) a burocracia e a demora no procedimento de retificação das GIA. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 200/207, extraio os seguintes elementos: i) a contribuinte já havia sido autuada em procedimento anterior, relativamente aos fatos ocorridos no anocalendário de 2005, ocasião em que foi, inclusive lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização; ii) no que tange ao ano submetido ao procedimento fiscal objeto do presente processo (anocalendário de 2006), por meio de confronto entre as informações prestadas ao Fisco estadual e o que foi declarado à Receita Federal, foi apurada uma omissão de receitas no montante de R$ 10.277.875,00; e iii) a contribuinte declarou ao Fisco estadual 1 A Fiscalização noticia que a contribuinte, em procedimento anterior ao que ora se aprecia, foi fiscalizada relativamente ao anocalendário de 2005, tendo sido autuada por omitir receitas. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 838 9 ter auferido receitas no total de R$ 10.385.182,95, enquanto à Receita Federal informou o montante de R$ 106.306,58. Diante de tal quadro, em que a omissão de receitas decorre de prova direta, eis que lastreada em informações prestadas pela própria contribuinte, não há como não se admitir a exasperação da penalidade. Equivocase a Recorrente quando afirma que a caracterização, por parte da Fiscalização, da sua conduta dolosa, decorreu de presunção, pois, como dito, no presente caso estamos diante de prova direta carreada aos autos, representada pela Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) apresentadas por ela própria ao Fisco estadual. Ainda que restassem comprovada nos autos a efetiva ocorrência dos fatos elencados na peça de defesa (devolução de mercadorias e ausência de pagamento de clientes), o que não é o caso, a qualificação adotada pela autoridade fiscal deveria subsistir, vez que, diante da magnitude dos valores sonegados, supostas anulações de receita, nos casos em fossem admitidas, contribuiriam tãosomente para reduzir minimamente o montante a tributar. ALEXANDRE NORIYOSHI HIRATA E SÉRGIO DA SILVA BUENO Os Recorrentes, incluídos no pólo passivo das obrigações tributárias constituídas como responsáveis solidários, inicialmente, reiteram a argumentação expendida pela empresa autuada. Adiante, afirmam que a interpretação que a Fiscalização atribui ao art. 124, I, do CTN, é equivocada, pois o interesse dos sócios nos resultados da pessoa jurídica não pode se equiparar ao “interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação tributária”. Argumentam que apenas as pessoas que tenham poder de gerência (administradores ou sóciosgerentes) podem ser responsabilizados por débitos da pessoa jurídica, e somente se tais débitos tiverem decorrido de atos por eles praticados com excesso de poder ou infração da lei, contrato social ou estatuto, sendo que, nesses casos, a responsabilidade não decorre do artigo 124, inciso I, do CTN, mas, sim, do artigo 135, inciso III, do mesmo diploma legal. No presente caso, noto que o esforço envidado pela autoridade fiscal foi direcionado no sentido de confirmar o quadro societário da fiscalizada. Nessa linha, reuniu elementos no sentido de comprovar que os Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata foram os administradores da contribuinte. Amparada nas disposições do arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, e ainda em excerto extraído do Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que apresenta conclusão no sentido de que “o administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade”, a autoridade fiscal imputou responsabilidade tributária aos ora Recorrentes. A rigor, portanto, a imputação de responsabilidade sob análise foi efetuada, única e exclusivamente, em virtude do fato de os Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata terem administrado a empresa fiscalizada no período em que a infração foi praticada. Embora entenda que em situações muito específicas as disposições do art. 124 do Código Tributário Nacional possam servir de base para inclusão de terceiros no pólo passivo da obrigação tributária, penso que a norma estampada no inciso I do referido Fl. 843DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 19515.003192/201014 Acórdão n.º 1301001.228 S1C3T1 Fl. 839 10 dispositivo, na linha do sustentado pelos imputados, não abriga a situação em que a citada inclusão deriva de responsabilidade, seja por substituição, seja por transferência. A meu ver, o inciso I do art. 124 da CTN alcança situações em que a solidariedade se dá entre contribuintes, isto é, entre pessoas que tenham relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Para aplicação do disposto no inciso III do art. 135 do CTN, por sua vez, penso que a autoridade fiscal deve carrear aos autos elementos representativos dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não sendo suficiente para tanto a simples comprovação de que, à época da prática da infração, os sócios administravam a sociedade. No caso vertente, como já dito, a Fiscalização cuidou, apenas, de reunir elementos no sentido de comprovar o exercício da administração da fiscalizada por parte dos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, sem, entretanto, apontar o ato praticado por eles que, revelando excesso de poder ou contrariando a lei ou o contrato social, concorreu para subtrair da tributação parcela significativa das receitas auferidas. Diante de tais circunstâncias, sou pela exclusão dos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso impetrado pela empresa autuada e DAR PROVIMENTO aos recursos interpostos pelos Srs. Sérgio da Silva Bueno e Alexandre Noriyoshi Hirata, para excluílos do pólo passivo das obrigações tributárias constituídas. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 6/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10970.720193/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO.
É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratar-se de matéria nova não submetida ao litígio.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.
PERÍCIA. DILIGÊNCIA.
Sendo incabível a apreciação dos documentos, resta prejudicado o pedido de realização de perícias e diligências relacionadas à citada documentação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratar-se de matéria nova não submetida ao litígio. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Sendo incabível a apreciação dos documentos, resta prejudicado o pedido de realização de perícias e diligências relacionadas à citada documentação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratarse de matéria nova não submetida ao litígio. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Sendo incabível a apreciação dos documentos, resta prejudicado o pedido de realização de perícias e diligências relacionadas à citada documentação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 93 /2 01 1- 66 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 362), que reproduzo a seguir: “Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, com ciência do sujeito passivo em 25/08/2011, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008, sendo apurados os seguintes valores”: IRPF (sujeito à multa de ofício de 75%) 229.082,69 Multa de Ofício –75% (passível de redução) 171.812,02 Juros de Mora – calculados até 08/2011 62.812,37 Total do crédito tributário apurado 463.707,08 Motivou o lançamento de ofício, conforme Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração, a constatação de omissão de rendimentos no valor de R$ 352.414,01 no anocalendário 2007 e de R$ 504.412,87 no anocalendário 2008, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála. Conforme detalhado no Relatório Fiscal, o contribuinte sob ação fiscal foi inicialmente intimado a apresentar seus extratos bancários, e, como os apresentou de maneira incompleta, a autoridade lançadora requisitou às instituições bancárias nas quais o contribuinte manteve contas as informações necessárias. Efetuadas as conciliações nas contas bancárias do fiscalizado, ficou demonstrado que diversos valores creditados em contas de depósitos mantidas pelo interessado, totalizando R$ 856.826,88, não tiveram origens comprovadas com elementos hábeis e idôneos, após intimação com esta finalidade, sendo assim passíveis de lançamento por presunção de omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10970.720193/201166 Acórdão n.º 2201002.180 S2C2T1 Fl. 954 3 O sujeito passivo apresentou impugnação ao lançamento em 25/09/2011, requerendo o cancelamento do débito fiscal alegando que, ao solicitar às instituições financeiras seus extratos bancários, o Fisco feriu o inciso XII, artigo 5º da Constituição Federal, que dispõe sobre os direitos fundamentais à intimidade, à vida privada, à honra, à imagem e ao sigilo, acrescentando que a quebra do sigilo bancário só poderia ser decretada por ordem judicial. É o relatório.” A 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG julgou a impugnação improcedente (fls. 361 a 366), nos termos da ementa a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Não configura violação de direitos constitucionais fundamentais a prestação pelas instituições financeiras de informações a que estas estão obrigadas, dentro de parâmetros prédeterminados, acerca da movimentação financeira dos usuários dos seus serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 25/11/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 369), o Interessado interpôs, em 22/12/2011, o Recurso de fls. 370 a 376, juntamente com a documentação de fls. 377 a 948, alegando, em suma que: a) os depósitos bancários realizados nas quatro contas correntes possuem origem comprovada, conforme documentação acostada, e não configuram renda. Afirma que é sócio da empresa Bazar Universal Ltda, que presta serviço de apoio para realização de shows, e os valores constantes nos depósitos são decorrentes do pagamento realizado pelos clientes do serviço prestado, incluindo os gastos e despesas, conforme as notas fiscais anexas; b) os referidos depósitos bancários não são caracterizados como renda, uma vez que tais valores eram o lucro da empresa já qualificada, bem como o pagamento de mãodeobra e mercadorias necessárias ao desenvolvimento da atividade mercantil; c) discorre sobre princípios constitucionais que, segundo seu entendimento, resguardariam seus interesses no caso em apreço. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Diante do exposto requer o cancelamento da autuação e que seja realizada a perícia nos documentos, diligências para comprovação de entradas, depósitos, e saídas de contas bancárias, pois alega que não possui competência para tanto. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso foi apresentado tempestivamente. Como se nota, em seu Recurso o Recorrente inova, não mais discorrendo sobre a inconstitucionalidade do procedimento por violação aos direitos fundamentais à intimidade, à vida privada, à honra, à imagem e ao sigilo mas trazendo questionamentos que não foram expostos em sua impugnação, como violação a outros princípios constitucionais e alegação de prova da origem dos depósitos bancários. Quanto aos princípios constitucionais que, segundo o Recorrente, teriam sido desrespeitados, convém ressaltar que, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, e o reconhecimento de que tais princípios foram desrespeitados implica no pronunciamento da inconstitucionalidade das leis que os teriam afrontado, que fundamentaram o lançamento. Súmula CARF nº 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No que diz respeito à alegação de que depósitos bancários sem origem comprovada não configuram renda, cumpre assinalar que este Conselho já pacificou o entendimento em sentido contrário, por meio da Súmula CARF nº 26, que assim dispõe: Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.”(destaquei) Assim, tornase dispensável tecer maiores comentários sobre a matéria. Acerca da inovação nos argumentos da defesa, é importante destacar que o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, determina que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Ou seja, todas as alegações de defesa devem ser expostas na peça impugnatória. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Fl. 956DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10970.720193/201166 Acórdão n.º 2201002.180 S2C2T1 Fl. 955 5 Cumpre assinalar que o Recurso Voluntário é um instituto processual destinado a combater a decisão recorrida, com o intuito de reformála. Assim deve questionar os fundamentos daquela decisão, não podendo trazer novos argumentos que não foram argüidos na impugnação ou que não estejam relacionados com o que foi decidido, sob pena de preclusão. No caso em apreço na impugnação não foi alegado que os depósitos bancários possuíam origem comprovada, logo não se instaurou o litígio quanto a esta matéria, precluindo o direito de o Contribuinte questionála em sede recursal, haja vista que não foi objeto de apreciação pelo órgão julgador de primeira instância. Assim, não havendo a decisão recorrida se manifestado sobre a prova da origem dos depósitos bancários, em virtude de não ter sido alegada na impugnação, não há que se falar em reforma do julgado em relação a essa questão. Por tais razões o recurso não deve ser conhecido quanto à alegação de que os depósitos bancários têm origem comprovada. Ainda que fosse possível a apreciação dos questionamentos apresentados no Recurso, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, as notas fiscais apresentadas pelo Contribuinte, visando à comprovação da origem dos depósitos, foram anexadas somente nesta instância recursal, sendo que o § 4º do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido, estabelece que as provas devem ser apresentadas na impugnação, com exceção das situações ali descritas, que não foram verificadas neste caso. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Em que pese existirem decisões deste Conselho admitindo a apresentação de provas em sede recursal, entendo que no caso de lançamento decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada essa permissão não é válida, dada a natureza da infração, que se aperfeiçoa exatamente na ausência de prova da origem de tais depósitos. Isso porque como não cabe ao julgador desclassificar a tributação de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem comprovada para uma tributação específica, quando a origem é comprovada e os rendimentos estão sujeitos à tributação específica, o contribuinte pode utilizar o artifício de apresentar os documentos comprobatórios somente quando da interposição do Fl. 957DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 recurso voluntário, para evitar que seja autuado pela tributação específica, haja vista que o prazo para realizar esse lançamento já pode ter decaído. Por tais razões voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE provimento. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 958DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001120/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão recorrida não pode inovar em relação aos motivos constantes do despacho decisório, com base nos quais foi indeferido o pedido de compensação/ressarcimento pela autoridade preparadora. A alteração desses motivos implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalida decisão administrativa proferida em desobediência aos ditames constitucionais do contraditório e da ampla defesa.
Processo Anulado, a partir do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 3202-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Correa e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão recorrida não pode inovar em relação aos motivos constantes do despacho decisório, com base nos quais foi indeferido o pedido de compensação/ressarcimento pela autoridade preparadora. A alteração desses motivos implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida decisão administrativa proferida em desobediência aos ditames constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Processo Anulado, a partir do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 11 20 /2 01 0- 58 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 363 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Correa e Leonardo Mussi da Silva. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento de crédito do IPI, no valor de R$ 5.265.487,04, referente ao 3º trimestre de 2008, cumulado com Declarações de Compensação, para compensar débitos de PIS/Cofins, IPI e IRPJ. A autoridade fiscal da DRFSorocaba deferiu parcialmente o pedido no valor de R$ 5.119.169,84, conforme Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657, de 03 de dezembro de 2010 (efolhas 195/197). Em relação à parte do pedido não deferido (R$ 146.317,20), assim se manifestou a autoridade fiscal: (...) Segundo a Informação Fiscal (fls 188 a 190), foi verificado, dentre outros itens, o estorno em outubro de 2008 no Livro de Apuração de IPI. Verificouse também que é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art. 2° da IN/SRF nº 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, os créditos de IPI escriturados como ressarcível relativo às mercadorias CFOP's 1201, 1410, 1949, 2152, 2410, 2913 e 2949 devem ser reclassificados com crédito não ressarcível. O valor de IPI indevidamente creditado relativo a tais mercadorias totaliza R$ 146.317,20. (...) Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório O contribuinte acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — WI, no valor de R$ 5.265.487,04, referente ao 3° trimestre de 2008, através do PER/DCOMP n° 11846.03031.211008.1.1.014886 (fls. 01 a 106), cumulandoo com pleito compensatório formulado por meio dos PER/DCOMP nos 42011.12880.111108.1.3.011276, 23423.03262.121108.1.3.017691 e 06925.19052.141108.1.3.01 0850 (fls. 107 a 120), todos baixados em papel para tratamento manual. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 364 3 Em 13/09/2010, o processo foi encaminhado à DRF/Sorocaba SP para que se apurasse a real existência do direito vindicado, tendo em vista que o estabelecimento (filial) detentor dos supostos créditos localizavase na jurisdição daquela unidade, conforme documentos As fls. 174/175. Por meio do Despacho Decisório de fls. 194/197, a unidade competente (DRF/Sorocaba SP), com base na Informação Fiscal de fls. 188/190, reconheceu em parte o ressarcimento, no valor de R$ 5.119.169,84, homologando também parcialmente as compensações requeridas, tendo sido indeferida a parcela restante, no valor de R$ 146.317,20, por ser decorrente de entradas de produtos (CFOP: 1201, 1410, 1949, 2152, 2410, 2913 e 2949) referentes a devoluções, transferências e retornos de mercadorias, que não se caracterizam como insumos (matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem), nos termos da legislação. Inconformado com a decisão administrativa, de cujo teor foi cientificado em 15/12/2010, conforme aviso de recebimento (AR) de fls. 210, o contribuinte apresentou dentro do prazo legal, em 14/01/2011 (vide fl. 221), a manifestação de inconformidade de fls. 223/238, onde, em resumo: a) Apresenta breve relato dos fatos relacionados à formalização do pleito requerido e expõe as razões que, a seu ver, levaram o fisco a decidir pelo seu deferimento parcial. b) Sustenta, por meio de preliminar, a tempestividade da peça de defesa apresentada. c) Pugna pela suspensão dos débitos que restaram em aberto em face do provimento parcial do seu requerimento. d) Mencionando como fundamento o art. 167 do RIPI12002 e tomando como paradigma Acórdão de Decisão Judicial do TRF da 2ª Região, o qual transcreve parcialmente, contesta as glosas efetivadas pela fiscalização e defende o direito ao crédito do imposto nos casos de devolução ou retorno de produtos (situações em que as mercadorias retornariam por um dos seguintes motivos: por serem inservíveis; para serem recicladas; em operações de garantia; ou por terem sido enviadas para demonstração). e) Alegando o cometimento de erro por parte do fisco, requer a realização de perícia técnica, em relação a qual formula quesitos referentes aos exames desejados, conforme descrito à fl. 237, e indica perito responsável. Apresenta também excerto doutrinário e ementas de julgados do Conselho de Contribuintes — atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Ao final, reitera os pedidos de suspensão da cobrança dos débitos albergados no presente processo e de realização de perícia, e requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 365 4 A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife proferiu o Acórdão nº 1134.475 de 27 de julho de 2011 (efolhas 277/ss), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO OU RETORNO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. Somente admitese o creditamento do 1PI decorrente do retorno ou devolução de mercadoria quando restar inequivocamente demonstrado o cumprimento dos requisitos regulamentares quanto à efetividade da devolução ou retorno. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. O ressarcimento autorizado pela legislação está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso, sendo ônus processual do interessado fazer a prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessária a realização de perícia quando os autos já trouxerem os elementos necessários à formação de convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido A interessada regularmente cientificada do Acórdão em 09/11/2011 (efolha 286) interpôs Recurso Voluntário em 06/12/2012 (efls. 288/ss), onde alega em síntese: o Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657, de 03 de dezembro de 2010, indeferiu parte do pedido sob o fundamento de que devoluções, transferências para comercialização e retorno de mercadorias não gerariam direito ao crédito do IPI, contrariando os ditames do Regulamento do IPI de 2002; o Acórdão proferido pela DRJRecife abandonou a fundamentação da Informação Fiscal constante do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657/2010 e se utilizou de argumentos novos, diversos e contraditórios para impedir o creditamento do IPI; o Acórdão admite, diferentemente do Despacho Decisório, a possibilidade de creditamento do IPI decorrente de retorno e devoluções de mercadorias, mas exige o cumprimento de requisitos (obrigações acessórias) e, também, indefere o pedido de perícia que poderia constatar que os créditos são devidos; o artigo 167 do RIPI/2002, vigente à época, previa o direito ao creditamento dos valores referentes às mercadorias devolvidas ou que retornassem ao estabelecimento; os produtos enviados nos CFOPs 2949 e 1949 são produtos enviados pela matriz da empresa em garantia, ou seja, produtos enviados à filial para troca de produtos Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 366 5 defeituosos que tiveram saída naquela localidade. A unidade de Itapetininga – SP recebe da Matriz baterias semiprontas (nesta unidade não ocorre a industrialização total das baterias) e lá chegando, a parte final do processo de industrialização é realizado (com a aplicação do ácido, carga, lacres e tampas) e também o controle de qualidade. Quando várias dessas baterias semi prontas recebidas não conseguem atingir os níveis de qualidade exigidos, tornandose inservíveis para serem comercializados em Itapetininga, são “devolvidas” para a Matriz, para serem recicladas em Belo Jardim – PE (nesse processo são separadas as matériasprimas que serão utilizadas no processo produtivo de novas baterias); assim, as baterias devolvidas (CFOPs 2949 e 1949) de Itapetininga para a Matriz são efetivamente matériaprima, de modo que é legal a utilização do crédito do IPI, nos termos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99; se a saída do produto dado em garantia foi tributada com IPI, ao retornar o produto defeituoso, a Recorrente deve dar entrada ao produto em seu controle contábil informando a devolução e tomando o crédito pertinente; quanto às operações apontadas pelos CFOP 2152, tratase de devolução de material promocional anteriormente transferido, caracterizandose como retorno de mercadoria, caso houvesse dúvida em relação ao procedimento adotado pela Recorrente, quanto aos registros de saída e entrada, restaria configurada hipótese de necessária perícia técnica, nos termos do inciso IV do art. 16 e no caput do artigo 18, ambos do Decreto nº 70.235/72; além disso, todos os documentos solicitados à Recorrente, à época da fiscalização, foram prontamente apresentados; por fim, caso restem dúvidas quanto aos procedimentos adotados, pugna pela conversão do julgamento em diligência para realização de perícia. Apresenta os quesitos que pretende serem respondidos e indica perito (efolha 306). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Assiste razão à Recorrente quando afirma, em preliminares, que o Acórdão proferido pela DRJ – Recife abandonou a fundamentação exarada na Informação Fiscal constante do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657, de 03 de dezembro de 2010, e inova, utilizandose de argumentos diversos e contraditórios para impedir o creditamento do IPI. Vejamos. O Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657/2010, indeferiu parte do pedido sob o seguinte fundamento (efolhas 195/198): Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 367 6 (...) Foram apresentados os documentos solicitados, tais como: Livro de Registro de Apuração do IPI, Livros de Registros de Entradas e de Saídas, notas fiscais de entradas que deram origem ao crédito de IPI pleiteado, relação de produtos fabricados e de principais insumos, classificação fiscal e alíquotas relativas ao IPI. Segundo a Informação Fiscal (fls 188 a 190), foi verificado, dentre outros itens, o estorno em outubro de 2008 no Livro de Apuração de IPI. Verificouse também que é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art 2° da IN/SRF no 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, os créditos de IPI escriturados como ressarscível relativo às mercadorias CFOP's 1201, 1410, 1949, 2152, 2410, 2913 e 2949 devem ser reclassificados com crédito não ressarcível. O valor de IPI indevidamente creditado relativo a tais mercadorias totaliza R$ 146.317,20. (...) (os grifos são nossos) Como visto no trecho acima transcrito, a autoridade fiscal da DRF – Sorocaba não deferiu o pedido da Recorrente sob o fundamento que a legislação (art. 11 da Lei n° 9.779/1999, combinado com o art. 2° da IN/SRF nº 033/1999) não asseguraria o direito ao ressarcimento às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria, ou seja, por falta de previsão legal. Pois bem. O Acórdão Nº 1134.475, de 27/07/2011, proferido pela DRJ – Recife manteve o indeferimento do pedido, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, com base na seguinte fundamentação (efolhas 277/282): (...) Noutra vertente, o contribuinte reivindica o direito de crédito na devolução ou retorno de produtos tributados, correspondente à parcela do pleito creditório que foi indeferida pela DRF/Sorocaba SP, alegando que devem ser aplicadas ao caso as disposições constantes do artigo 167 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002), in verbis: Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei n°4.502, de 1964, art. 30). Ocorre que o direito ao crédito do imposto decorrente de produtos devolvidos condicionase ao cumprimento das exigências regulamentares, dentre elas a obrigatoriedade de escrituração dos livros de Registro de Entrada e de Registro de Controle da Produção e do Estoque, ou de sistema de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 368 7 escrituração equivalente, nos termos do artigo 169 do RIPI/2002, que se configuram como sendo indispensáveis para a comprovação da reentrada no estoque das mercadorias devolvidas. (...) Todavia, nenhum elemento de prova foi juntado aos autos pela empresa visando a demonstrar o cumprimento dos requisitos fundamentais exigidos pela legislação para propiciar o crédito do imposto de que se cuida. (...) Em suma, no caso concreto, verificase que os créditos lançados a título de retorno ou devolução não se revestem de legitimidade, tendo em vista a ausência nos autos de qualquer prova material clara e inequívoca capaz de confirmar o reingresso das pretensas mercadorias devolvidas ao estoque da empresa, em cumprimento aos requisitos previstos no RIPI/2002. Pela simples leitura dos trechos acima transcritos constatase que acórdão recorrido inovou em relação ao fundamento constante do Despacho Decisório (de que não havia previsão legal para a concessão do ressarcimento do IPI em decorrência de devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria), para então alegar que a interessada não cumpriu com “exigências regulamentares, dentre elas a obrigatoriedade de escrituração dos livros de Registro de Entrada e de Registro de Controle da Produção e do Estoque, ou de sistema de escrituração equivalente, nos termos do artigo 169 do RIPI/2002, que se configuram como sendo indispensáveis para a comprovação da reentrada no estoque das mercadorias devolvidas”. E afirma, ainda, que “nenhum elemento de prova foi juntado aos autos pela empresa visando a demonstrar o cumprimento dos requisitos fundamentais exigidos pela legislação para propiciar o crédito do imposto de que se cuida”. Ou seja, a empresa não teria direito ao ressarcimento pelo fato de não ter elementos probantes capazes de demonstrar o seu direito. Entendo que a decisão recorrida não só inovou, mudando a fundamentação jurídica da denegação do pedido, como foi contraditória em relação ao despacho decisório. Inova porque no despacho decisório o pedido do contribuinte foi negado por “falta de previsão legal”, ou seja, no entender da autoridade fiscal da DRF – Sorocaba não haveria subsunção entre o fato descrito e o dispositivo legal (questão relativa ao direito material). A decisão recorrida nega o pedido do contribuinte por falta da comprovação do seu direito, portanto, nega por falta de prova, e deste modo, ao menos conjectura que havendo prova (questão relativa ao direito formal) o direito seria reconhecido (direito material). A decisão recorrida é também contraditória por asseverar que “nenhum elemento de prova foi juntado aos autos pela empresa visando a demonstrar o cumprimento dos requisitos fundamentais”, em descompasso ao que constou do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n° 0657/2010, que afirma terem sido “apresentados os documentos solicitados, tais como: Livro de Registro de Apuração do IPI, Livros de Registros de Entradas e de Saídas, notas fiscais de entradas que deram origem ao crédito de IPI pleiteado, relação de produtos fabricados e de principais insumos, classificação fiscal e alíquotas relativas ao IPI”. Em outro giro, se o motivo para negar o pedido do contribuinte foi a falta de elementos de prova, há uma contradição, também, uma vez que decisão recorrida não permite a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 369 8 realização de diligência para que fossem trazidos aos autos justamente os citados elementos probantes. Desta feita, entendo estar plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Acórdão Nº 1134.475, de 27/07/2011, proferido pela DRJ – Recife, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF – Processo Administrativo Fiscal), verbis: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, inciso LV, CF/88) de saber qual o motivo claro do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o desiderato de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, a decisão recorrida não poderia inovar em sua fundamentação em relação ao motivo pelo qual estaria sendo negado o direito do contribuinte. Neste sentido, no meu entender, a decisão recorrida ao inovar e contradizer se em relação ao despacho decisório, é nula por preterição do direito de defesa do contribuinte. Destarte, diante de tudo o que foi exposto, acolhese a preliminar arguida pela Recorrente e assim voto por declarar a nulidade do processo a partir do Acórdão Nº 11 34.475, de 27/07/2011, proferido pela DRJ – Recife (efl. 277/282), inclusive. O processo deverá retornar a DRJ – Recife para que seja proferida nova decisão. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10435.001120/201058 Acórdão n.º 3202000.743 S3C2T2 Fl. 370 9 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15586.000669/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins até 31 de março de 1997, quando, então, foi revogada a isenção pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96.
Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei desta última espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96.
COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B).
MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL, ART. 543B E DE RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C, AMBOS DO CPC.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62ª do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Leonardo Mussi da Silva e Octávio Carneiro Silva Correa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins até 31 de março de 1997, quando, então, foi revogada a isenção pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96. Em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal de que a Lei Complementar n° 70/91 é materialmente ordinária e por isto pode ser alterada por outra lei desta última espécie normativa, a isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62ª DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). MATÉRIA JULGADA SOBRE A SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL, ART. 543B E DE RECURSOS REPETITIVOS, ART. 543C, AMBOS DO CPC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 69 /2 00 7- 10 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 305 2 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62ª do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Leonardo Mussi da Silva e Octávio Carneiro Silva Correa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício veiculado através de auto de infração, lavrado e com ciência em 28/09/2007 (efls. 225/ss), para a cobrança da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 143.082,03, pela falta de recolhimento e declaração de valores devidos da contribuição, apurados nos Livros Diário e Razão, sobre Receitas de Serviços Prestados e Rendimento de Aplicação Financeira (vide planilha de efolha 227), para o ano base 2003. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Cofins referente ao anocalendário 2003, no valor de R$ 60.370,35, acrescido da multa de ofício no valor de R$ 45.277,70 e juros de mora no valor de R$ 37.433,98, calculados até 31/08/2007. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 306 3 O enquadramento legal consta à fl. 209. No termo de Constatação e Verificação Final, o fiscal autuante deixou consignado que em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2003 o contribuinte informou os valores de Receitas de Serviços Prestados e Rendimentos de Aplicação Financeira, tendo, inclusive, apurado a base de cálculo da Cofins em conformidade com os registros efetuados nos Livros Diário e Razão. No entanto, deixou de informar na DIPJ, assim como nas DCTF (Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais), os valores devidos da Cofins. Desta forma, foi efetuado o lançamento da Cofins devida mensalmente, apurada com base nos registros efetuados nos livros Diário e Razão e não declarados nas DCTF. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 17/10/2007, com a manifestação de inconformidade de fl. 217 a 225, na qual alega, em síntese, que: O lançamento da contribuição em tela foi feito sobre as receitas dos serviços de advocacia prestados, no valor de R$ 1.802.088,98 e receitas financeiras (rendimentos de aplicações bancárias), no valor de R$ 210.256,54, à alíquota de 3,00% (três por cento), correspondendo a contribuição no montante de R$ 60.370,37, em relação ao qual foram calculados encargos da SELIC de R$ 37.433,98 e multa de R$ 45.277,70, totalizando o lançamento o valor de R$ 143.082,03. Com todas as vênias da nobre e ilustrada Auditora Fiscal que efetuou o lançamento ora impugnado, o mesmo não merece subsistir, pois as sociedades civis uniprofissionais não estão obrigadas ao pagamento da COFINS sobre suas receitas. As sociedades civis de prestação de serviços uniprofissionais ficaram isentas de pagamento da COFINS nos termos do inciso II do art. 6º da Lei Complementar n° 70/91, e o Eg. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA assentou na Súmula n° 267 de sua jurisprudência, que a Lei (ordinária) n° 9.430/93 (art. 56) não revogou aquele preceito, pois lhe é hierarquicamente inferior. Por eventualidade, ainda que não existisse essa isenção sobre a totalidade de suas receitas, do que se cogita apenas para efeito de argumentação, o lançamento não poderia alcançar as receitas financeiras da sociedade Impugnante no ano calendário de 2003. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL consolidou o entendimento de que o termo "faturamento", para efeitos da incidência da COFINS alcança todas as vendas, quer sejam a vista ou a prazo, mas delimita seu conceito às receitas decorrentes das vendas ou da prestação de serviços. As receitas financeiras, que a Lei n° 9.718/98 (§ 1º, art. 3º) pretendeu incluir no conceito das receitas sujeitas à incidência dessa contribuição continuaram fora do seu alcance (pelo menos até o advento da Lei n° 10.833/03, que produziu efeitos somente Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 307 4 no ano calendário de 2004), pois aquela lei ordinária ofendia os limites constitucionais traçados para a instituição desse tributo. Por fim pede e espera seja esta impugnação conhecida e provida para cancelar totalmente o lançamento, ou, em ordem sucessiva, serem excluídas da sua base de cálculo as receitas correspondentes a rendimentos financeiros. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão n.º 1338.577 de 29 de novembro de 2011 (efolhas 273/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos de existência de decisão em processo judicial em que a Interessada faça parte, ou na ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Na hipótese do inciso I, o sentido de "decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal" deve ser concebido apenas como decisão que tenha por lei o atributo de valer "para todos". PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998, ART. 3º, §1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. SOCIEDADE CIVIL. TRIBUTAÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, deixaram de ser isentas da contribuição para a seguridade social, por previsão legal expressa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 308 5 A interessada cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Rio de Janeiro, em 26/12/2011 (efolha 293), interposto Recurso Voluntário em 13/01/2012 (efls. 294/ss), onde a Recorrente repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia em discussão nesses autos referese à incidência da Cofins sobre receitas de serviços prestados pelo escritório de advocacia e sobre rendimentos de aplicações financeiras, conforme demonstrado na planilha anexada à efolha 227. São duas, portanto, as matérias objeto do litígio. Passemos a análise de cada uma delas separadamente. Incidência sobre as receitas de serviços prestados por sociedades civis de profissão regulamentada. Inicialmente cumpreme levantar preliminar de conhecimento do Recurso Voluntário, à luz do art. 2º da Portaria CARF nº 1, de 2012, em face de a questão envolver matéria que está sob o regime de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal STF (Tema 071 RE 575.0931/ São Paulo), porém sem que a Suprema Corte tenha determinado seu sobrestamento, quando assim permaneceria até que viesse a ser proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC. No caso, mesmo diante da repercussão geral da matéria junto ao STF não há porque sobrestar seu julgamento no âmbito do CARF, porquanto não houve a determinação para que o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, em tramitação naquela Corte Constitucional, fosse sobrestado. Dessa forma, deve ser superada essa preliminar prejudicial de admissibilidade e o Recurso Voluntário conhecido. No mérito, não assiste razão à Recorrente. A isenção pleiteada pela Recorrente do pagamento da COFINS das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, consoante disposto no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991, foi revogada pelo artigo 56 da Lei nº 9.430/96, o qual passou a viger no mês de abril de 1997. A Recorrente alega que mesmo após a sua revogação a isenção continuaria existindo, tendo em vista que a lei revogadora era uma lei ordinária, não podendo, assim, alterar dispositivo de lei complementar, de hierarquia superior. Aduz, também, que as Turmas do STJ julgaram reiteradamente pela impropriedade do dispositivo de lei ordinária, tendo sido editada a Súmula nº 276, de 02/06/2003, que seria de aplicação obrigatória por parte do Judiciário e também dos órgãos do Poder Executivo. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 309 6 Entretanto, no meu entender, sobre a matéria não cabe mais questionamento no âmbito do contencioso administrativo, em face de o Superior Tribunal de Justiça – STJ haver proferido decisão definitiva no julgamento de recurso sujeito ao procedimento do art. 543C, do CPC, o que nos leva a aplicar ao caso o art. 62ª do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, que assim dispõe: Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF A seguir transcrevese a ementa e o voto condutor da decisão do STJ, acima referida, da relatoria do então Ministro do STJ Luiz Fux: RECURSO ESPECIAL Nº 826.428 MG (2006/00383322) EMENTA: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR 70/91. REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 56, DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA REVOGADORA RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE 377.457/PR E RE 381.964/MG). REAFIRMAÇÃO DO ENTENDIMENTO EXARADO NO ÂMBITO DA ADC 1/DF. 1. A isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal submetidos ao rito do artigo 543B, do CPC: RE 377.457 e RE 381.964, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito, DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008). 2. Isto porque: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamente os determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 310 7 complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, §6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91). Consequentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). 3. Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. 4. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. 5. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/96), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine . 6. Recurso especial desprovido, mantendose a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. VOTO: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 311 8 O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, revelase cognoscível a insurgência especial, uma vez prequestionada a matéria federal ventilada. Cingese a controvérsia a subsistência da isenção da COFINS incidente sobre o faturamento/receita das sociedades civis prestadoras de serviços de profissão legalmente regulamentada, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, tendo em vista a revogação perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. Com efeito, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de recurso extraordinário submetido ao regime da repercussão geral, consolidou a tese de que a isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96: "Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91.Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento." (RE 377.457, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008) No votocondutor exarado pelo e. Ministro Gilmar Mendes, restou assente que: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamentos determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl 2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívoca ao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquicaformal, entre lei complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 312 9 Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, §6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária (artigo 6º, II, da LC 70/91). Consequentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição, direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF." (RE 377.457/PR). Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/96), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, mantendo a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Porquanto tratarse de recurso representativo da controvérsia, sujeito ao procedimento do artigo 543C, do CPC, determino, após a publicação do acórdão, a comunicação à Presidência do STJ, aos Ministros dessa Colenda Primeira Seção e aos Presidentes dos Tribunais Regionais Federais, com fins de cumprimento do disposto no § 7º, do artigo 543C, do CPC (artigos 5º, II, e 6º, da Resolução STJ 08/2008). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 313 10 Desse modo, superada a preliminar de admissibilidade inicialmente apreciada, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, restando cabível a incidência da Cofins sobre receitas de serviços prestados pelo escritório de advocacia. Incidência sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras Assiste razão à Recorrente nessa matéria. Vejamos. No período de apuração objeto da presente demanda 01/01/2003 a 31/12/2003 – a hipótese de incidência da Cofins encontravase disciplinada pela Lei nº 9.718/1998 e pela Lei Complementar nº 70/1991. Estas, por sua vez, definiam a base de cálculo (aspecto quantitativo da RegraMatriz de Incidência) do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre receitas financeiras, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, através do seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entretanto, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR, verbis: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 314 11 ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS RECEITA BRUTA – NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS.COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Deste modo, sobre a matéria não cabe mais questionamento no âmbito do contencioso administrativo, em face da decisão do STF, no regime de repercussão geral (art. 543B do CPC), o que nos leva a aplicar ao caso o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, reproduzido anteriormente. Deve, portanto, ser afastada a incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (a) manter a cobrança da Cofins sobre receitas de serviços prestados pelo escritório de advocacia, acrescidos da multa de ofício e juros moratórios; (b) afastar a cobrança da Cofins sobre as receitas decorrentes de aplicações financeiras, da respectiva multa de ofício e dos juros de mora. É como voto. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.000669/200710 Acórdão n.º 3202000.752 S3C2T2 Fl. 315 12 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.007077/2005-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 19/01/2001
REGIME AUTOMOTIVO. LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO
DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE
FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE
IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE.
O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não
apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior
(Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de
importação realizada. Precedentes da Turma.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-000.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SOLON SEHN
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LEI Nº 10.182/2001. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITO. REGULARIDADE FISCAL. APRESENTAÇÃO DE CND EM CADA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE. O benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei nº 10.182/2001 pressupõe não apenas a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) como também a prova de regularidade fiscal em cada operação de importação realizada. Precedentes da Turma. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 19/05/2012 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Tatiana Midori Migiyama, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÕRIO TENDO EM VISTA A NÃO COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE QUANTO AOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS A ÉPOCA DO FATO GERADOR. COMPENSAÇÃO VINCULADA AO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Conforme art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo. Também não cabe compensar débitos oriundos de tributos diversos com direito credit6rio nãoreconhecido, o que implica na não homologação do pleito de compensação. APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal de caráter subjetivo (vinculado à qualidade do importador) ou misto (vinculado tanto à qualidade e destinação da mercadoria quanto qualidade do importador), relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, sendo cabível o disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente apresentou pedido de restituição de Imposto de Importação (II) supostamente pago à maior em decorrência da não aplicação do benefício fiscal do regime automotivo (que, nos termos do art. 5º da Lei nº 10.182/2001, reduz o imposto “na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos”, destinados ao processo produtivo de empresas relacionadas no § 1º). Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10814.007077/200511 Acórdão n.º 380200.976 S3TE02 Fl. 256 3 O acórdão recorrido manteve o despacho decisório, por entender que, sem a apresentação de certidão negativa de débitos de tributos federais (CND) em cada despacho aduaneiro, o benefício da Lei nº 10.182/2011 não seria aplicável. Logo, diante da recusa do recorrente em apresentar a prova de regularidade fiscal no despacho de importação, a restituição seria indevida. A Recorrente, nas razões de fls. 209225, alega, em síntese, ter direito adquirido ao benefício fiscal da Lei nº 10.182/2001, bem como a ilegalidade da exigência de CND a cada operação de importação. Apresenta precedente do Superior Tribunal de Justiça, julgado na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, bem como Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN nº 492/2010), reconhecendo a ilegalidade da exigência de regularidade fiscal. É o relatório Voto Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 25/06/2010 (fls. 207), interpondo tempestivo em 16/07/2010 (fls. 209). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O presente recurso trata de matéria com entendimento consolidado pela Turma em diversos julgados envolvendo o mesmo Recorrente. Destacase, nesse sentido, o Recurso Voluntário (Atual/Original): nº 344.301/144.301, relatado pelo eminente Conselheiro Regis Xavier Holanda: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 16/10/2000 REGIME AUTOMOTIVO. DIREITO À REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REQUISITOS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. 1. O direito de desfrutar o benefício previsto na Lei no 10.182/2001 passa por duas etapas distintas: a habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX e a concessão, propriamente dita, do benefício da redução do imposto de importação. 2. Para cada importação realizada deve ser aferido o cumprimento das condições e requisitos necessários à fruição do benefício de redução do imposto de importação, incluindose aí a comprovação da regularidade fiscal e a confirmação da adequação da mercadoria importada à destinação prevista em lei. 3. A legislação que disponha sobre isenção ou redução deve ser interpretada literalmente. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 4. As diligências consideradas prescindíveis devem ser indeferidas. Recurso Voluntário Negado.”(Carf. 2ª TE. 3ª S. Processo nº 11128.005815/200588. Rel. Conselheiro Regis Xavier Holanda. Sessão de 01/02/2010) Acompanhase a referida interpretação, uma vez que, nos termos do art. 60 da Lei nº 9.069/1995, o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está condicionada à comprovação da regularidade fiscal do interessado: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O reconhecimento da isenção, por outro lado, deve ser efetivado em cada caso concreto pela autoridade aduaneira, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), do art. 120 do RA/2002 (Decreto nº 4.543/2002) e art. 134 do RA/1985 (Decreto nº 91.030/1985): Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Art. 123. As disposições desta Seção aplicamse, no que couber, a toda importação beneficiada com isenção ou com redução do imposto, salvo expressa disposição de lei em contrário. Tais dispositivos alinhamse ao disposto no art. 179 do Código Tributário Nacional e ao art. 195, § 3º, da Constituição Federal, que assim estabelecem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Art. 195. [...] § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios Por fim, o Parecer PGFN nº 492/2010 e o precedente do STJ (Recurso Especial nº 1.041.237/SP. DJ 19/11/2009), invocados nas razões recursais, não se aplicam ao caso em exame, uma vez que se referem especificamente ao regime especial de drawback. Votase, assim, pelo conhecimento e pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10814.007077/200511 Acórdão n.º 380200.976 S3TE02 Fl. 257 5 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/05/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10580.720394/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. Ausência momentânea Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 94 /2 01 0- 76 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 26/01/2010 (fl. 02), para exigir multa em razão da Recorrente ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, dos trabalhadores avulsos a seu serviço e dos segurados contribuintes individuais, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 36/128) requerendo a total improcedência do lançamento. Conforme certidão lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Estado da Bahia (fl. 129), a impugnação apresentada é intempestiva. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 130/133), não conheceu da impugnação, entendendo que a tempestividade é um requisito indispensável. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 137/163) argumentando que: (i) a pessoa responsável era relativamente incapaz na época da intimação e posteriormente foi afastada por motivos médicos; (ii) devem ser observados os princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; (iii) é impossível comprovar a situação de ausência de intimação vivenciada pela Recorrente, configurando uma “prova diabólica”; (iv); o processo administrativo deve buscar a legalidade e a verdade material; e (v) as bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários não devem incluir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10580.720394/201076 Acórdão n.º 2402003.632 S2C4T2 Fl. 169 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pelo Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, ao ser intimado do presente auto de infração em 26/01/2010 (fl. 02), a Recorrente apresentou impugnação administrativa apenas em 01/04/2010 (fl. 36), de forma intempestiva. Neste contexto, observando a máxima dormientibus non sucurrit jus, e considerando que desde a Lei nº 8.748/1993 não há mais hipóteses de prorrogação dos prazos administrativos, não merece conhecimento o recurso. Como é cediço, o prazo para apresentação da impugnação administrativa é de 30 dias, conforme determina o art. 15, do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Caso tal previsão não seja rigorosamente observada pelo contribuinte, a consequência direta é a não instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, de acordo com o art. 14 do mesmo decreto acima mencionado, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Ademais, a Recorrente sustenta que a produção de prova demonstrando a ausência de intimação é uma prova “diabólica”, posto que impossível de ser produzida. Contudo, analisando o auto de infração lavrado, é facilmente observável que a empresa foi intimada em 26/01/2010 (fl. 02), e que apresentou a sua impugnação administrativa somente em 01/04/2010 (fl. 36). Este E. Conselho Administrativo já se manifestou diversas vezes no sentido de que não havendo impugnação, posto que apresentada fora do prazo legal, não se instaura a fase litigiosa e, por consequência, não se conhece do recurso: “OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2000, 2001. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. CONSIDERASE INTEMPESTIVA A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA APÓS O DECURSO DO PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS, A CONTAR DA DATA EM QUE FOI FEITA A INTIMAÇÃO DA EXIGÊNCIA NÃO TENDO A FACULDADE, PORTANTO, DE INSTAURAR A FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIMENTO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE PASSAM A INTEGRAR O PRESENTE JULGADO. AUSENTE MOMENTANEAMENTE, O CONSELHEIRO LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 140200520 do Processo 13603002018200511. Julgado em 01/04/2011) Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Ante o exposto, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000217/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA.
A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o
lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os
encargos legais cabíveis.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO
ANTECIPADO.
Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de
apuração objeto do lançamento, aplicase
a regra do art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO NÃO CONFIRMADA. A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de apuração objeto do lançamento, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Negado
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A falta de confirmação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento antecipado de PIS nos períodos de apuração objeto do lançamento, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de abril a dezembro de 1998, tendo em vista que RFB não aceitou as compensações declaradas pela recorrente em suas DCTFs, como tendo sido realizadas com DARF e sem processo. Inconformada com a autuação, no dia 25/07/2003, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações estão sintetizadas no relatório de fls. 56/57. Diante da impugnação da empresa interessa, a DRF efetuou a revisão de ofício do lançamento para concluir pela inexistência de erro de fato, mantendoo integralmente, nos termos do Despacho Decisório de fls. 58. Ciente do referido despacho, ingressou a empresa recorrente com “recurso voluntário”. O apelo da recorrente foi apreciado e julgado pela DRJ que, antes de fazêlo, baixou o processo em diligência para as seguintes providências: Assim sendo, voto pela conversão do presente julgamento, em DILIGÊNCIA, para que os autos sejam baixados à DRF em Ribeirão Preto para que apure, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive adotandose a semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, os indébitos mensais e o montante a que a interessada faz jus, a valores de 15/05/1998, data da primeira compensação alegada por ela, decorrentes de pagamentos a maior da contribuição para o PIS nos termos dos Decretoslei n° 2.44 n° 2.449, ambos de 1988, em relação aos devidos segundo as Leis Complementares (LC) n° 7, de 1970, e n° 17, de 1973, sobre os fatos geradores dos meses de competência de setembro de 1995 a fevereiro de 1996. Na oportunidade, solicitamos também a intimação da interessada para que comprove, em sua contabilidade, as compensações alegadas por ela, e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ ou utilizados por ela em outras compensações, cientificandoa de todos os atos praticados, em face da diligência solicitada, inclusive, reabrindolhe prazo para se manifestar a respeito. (grifei) Realizado a diligência, concluiuse pela inexistência de crédito no período de 09/95 a 02/96, nos seguintes termos: Adotandose a semestralidade, o período de apuração setembro/95 tem como base de cálculo o faturamento de março/95 e assim sucessivamente. De acordo com a LC 07/1970 e LC 17/1973, a alíquota devida é de 0,75%. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 193 3 Desta forma, para efeito de cálculo dos eventuais créditos da contribuinte, no período em questão, foram utilizadas as bases de cálculo da COFINS declaradas pela contribuinte em DIRPJ (fls. 107), quais eram, A época, de idêntico conceito ao do PIS sob a vigência das referidas leis complementares, ou seja, o conceito restritivo de faturamento. Ocorre que, mesmo utilizandose de base de cálculo menor, efetuados os cálculos através do CADJUD (fls. 115/122), verificouse que não há créditos a compensar pela contribuinte nos períodos de apuração 04/1998 a 12/1998, uma vez que os supostos pagamentos a maior, imputados aos respectivos débitos, foram insuficientes até mesmo para liquidação destes. Diante do exposto, proponho que se de ciência à contribuinte de todos os atos praticados em face da diligência solicitada, inclusive reabrindolhe prazo para manifestarse a respeito, bem como esta seja intimada para que comprove, em sua contabilidade as compensações alegadas por ela e informe se os valores reclamados não foram repetidos e/ou utilizados em outras compensações. Assim, atendidas as solicitações, retorne se o processo ã DRJ/RPO. Ciente do resultado da diligência (AR de fl. 127), a manifestase para apresentar “os DARF's que comprovam a origem do credito; a planilha de apuração de credito e o controle de compensação”, silenciando quanto a contabilização das compensações que alega ter efetuado. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão no 1416.603, de 06/08/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: DCTF. TRIBUTO DECLARADO. CRÉDITO VINCULADO A COMPENAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos tributários declarados nas respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs), vinculados a compensações com créditos financeiros nãoreconhecidos, estão sujeitos a lançamento de oficio, acrescidos de juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindo a multa no lançamento de oficio do crédito tributário constituído em face da nãoconfirmação do pagamento e/ ou compensação informada na DCTF. AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Pública, de ação judicial por qualquer modalidade e a qualquer tempo, com o mesmo objeto, importa renúncia As instâncias administrativas, aplicandose ao caso a decisão judicial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ciente desta decisão em 22/10/2007 (AR de fl. 178), a interessada ingressou, no dia 19/11/2007, com o recurso voluntário de fls. 179/188, no qual alega, em apertada síntese, que as compensações foram efetuadas com base na inconstitucionalidade declarado dos DecretosLeis nº 2445/88 e 2449/88 e que o mandado de segurança por ela impetrado não trata de compensação e nem serviu de fundamento para as ditas compensações. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, deve ser conhecido. Postula a recorrente o cancelamento do auto de infração sob a alegação de que fez a compensação com base na declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e não com base no mandado de segurança que impetrou, no ano de 2000, contra a Fazenda Nacional. Com razão, em parte, a recorrente. Realmente a recorrente não informa, nas DCTF, que efetuou as compensações com base em decisão judicial proferida no mandado de segurança que impetrou no ano 2000. As compensações foram declaradas antes da data da impetração do mandado de segurança a que se refere o Despacho Decisório da DRF e a decisão recorrida. Nas DCTF a recorrente declarou que efetuou a “compensação c/Darf e s/Processo”, fato perfeitamente possível de acontecer, desde que provado a efetiva realização e escrituração da compensação na contabilidade do contribuinte. No caso dos autos, foi realizado diligência onde um dos objetivos era intimar a recorrente a comprovar, por meio de sua contabilidade, que efetuou as compensações alegadas e declaradas em DCTF. Regularmente intimada a comprovar que escriturou as compensações alegadas, a empresa não se manifestou quanto a esta matéria e nem providenciou a juntada de cópia dos livros Razão e Diário onde os lançamentos contábeis das compensações teriam sido efetuados. Como bem disse a recorrente, à época da apresentação da DCTF a compensação poderia ser feita sem prévio requerimento à RFB (art. 14 da IN 21/97), que tem o dever de apurar a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Se o crédito foi apurado pelo contribuinte e utilizado em compensações na forma do art. 14 da IN 21/97, tem ele contribuinte a obrigação de escriturar em sua contabilidade o referido crédito e a operação de compensação efetuada e declarada à RFB. E à RFB cabe apurar a veracidade dos dados declarados e lançados na escrituração contábil e fiscal do contribuinte (Parágrafo Único do art. 7º da IN 21/97). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13856.000217/200351 Acórdão n.º 330201.244 S3C3T2 Fl. 194 5 No caso dos autos, intimada a comprovar a escrituração do crédito e das compensações efetuadas, a recorrente silenciou. Portanto, à mingua de prova do declarado em DCTF, não há como reconhecer a legitimidade das compensações declaradas em DCTF pela recorrente. Digase, por oportuno, que as planilhas de fls. 161/163 não substituem a escrituração contábil e fiscal da recorrente e, portanto, não fazem prova da efetiva realização das compensações declaradas em DCTF. Considerando que a decadência é matéria de interesse público e deve ser levantada de ofício, este Conselheiro Relator constatou que, para os períodos de apuração de 04/98 a 06/98, ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento pelas razões a seguir expostas. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Afastada a aplicação dos citados dispositivos legais, a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento é a tratada no § 4º do art. 150, do CTN, posto que a recorrente efetuou pagamento antecipado em todos os períodos de apuração objeto do lançamento, conforme Darf de fls. 25/29. Consequentemente, ao caso não se aplica o art. 173, inciso I, do CTN, nos exatos termos da decisão proferida pelo STJ, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu no dia 01/07/2003, estão extintos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 30/06/1998, inclusive. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a extinção, pela decadência, dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos no período de abril a junho de 1998. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.006105/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IRPJ
Ano-calendário: 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não existe nulidade em auto de infração lavrado por autoridade competente sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)
PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes.
Numero da decisão: 1302-001.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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NULIDADE. Não existe nulidade em auto de infração lavrado por autoridade competente sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). PROCEDIMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVARELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte foi autuada em tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para a Seguridade SocialINSS), multa regulamentar e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2005, pela omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados. Como se extrai do relatório fiscal, a contribuinte apresentou espontaneamente os extratos bancários que demonstraram uma movimentação de R$ 11.646.777,49. Após as exclusões e ajustes necessários restaram depósitos de R$ 9.971.036,63, tendo sido declarado pela contribuinte R$ 452.619,21 como receita de vendas, conforme DIPJ apresentada. Considerou a fiscalização que a contribuinte extrapolou naquele ano a receita bruta permitida pela legislação do SIMPLES, adotando, em relação aos valores excedentes, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2° e 3°, incisos III e IV, e § 4°, inciso III ou IV, todos do art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996, acrescidos de vinte por cento, observado o disposto no § 1° do artigo 205 do RIR/99. Devido à ultrapassagem do limite de receita para permanência no Simples, a autoridade fiscal elaborou Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples, constante do processo 19515.006118/200835. Em 13 de novembro de 2008 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administrativo Tributaria em São Paulo emitiu o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 021, excluindo a autuada do Simples a partir de 01 de janeiro de 2006, e não havendo contraditório, foi efetuada sua exclusão da sistemática simplificada. Quanto à diferença entre o valor declarado na DIPJ e os creditados nas contas correntes, foi lançado como OMISSÃO DE RECEITAS, cabendo os lançamentos reflexos adotados. Irresignada com os lançamentos, a empresa, apresentou impugnação na qual alega, em síntese, o seguinte: preliminarmente a inconsistência do Trabalho Fiscal, uma vez que encontradas anomalias, relacionadas com a conta do Banco Real S/A, quais sejam: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 2 3 dia 06/04 fls. 85 – Encontrouse um lançamento a crédito, no valor dc R$ 3.235,80 tendo como histórico: "cheque prescrito 4489'. Existe o lançamento à débito,com o histórico: "cheque compensado 4489". com o mesmo histórico às fls. 86, encontrouse três lançamentos à crédito, sendo dois no valor de R$ 4.000,00 e um de R$ 3.326,10, totalizando R$ 11.326,10. Vejase que às fls. 85, existe o lançamento a débito referente ao cheque 4409 e às fls. 86, os lançamentos a débito referentes aos cheques 4407 e 4408, todos com o mesmo histórico: "Cheque compensado". esses valores relacionados pelo Fiscal e incluídos na base de cálculo foram lançados como Receita Omitida e sobre os quais foram calculados o IRPF, CSLL, PIS, COFINS e INSS, o que não deveria ter ocorrido por se tratar de estorno de débito, NÃO podendo ser classificado como receita sujeita a tributação. promovidos os ajustes dos lançamentos na planilha, no mês de abril, a receita omitida será de R$ 700.631,94 e, não os R$ 715.193,84, apurados pelo Fisco. dia 05/07 fls. 140 Na relação elaborada pelo Fisco constam dois lançamentos tendo “TED” como histórico, nos valores de R$ 7.132,81 e R$ 26.341,07, sem que, no extrato relativo ao mês de julho fossem encontrados esses lançamentos. promovido o ajuste dos lançamentos na planilha de fls. 269, relativos ao mês de julho, a Receita Omitida do mês, será de R$ 485.205,00 e não os R$ 518.679,07 apurados pelo Fisco. com os ajustes o montante tido como receita omitida, deverá ser alterado para R$ 9.416.381,43. com as inconsistências apontadas acima, alega que o Fisco lançou indevidamente a importância R$ 12.947,78, a título de impostos e contribuições, juros de mora e multa, motivo suficiente para decretar "ab inítio" a anulação do Procedimento Fiscal. a Taxa SELIC ofende diversos princípios tributários. em relação ao lançamento com base em extratos bancários, as jurisprudências, administrativa e judicial, são favoráveis aos contribuintes. requer finalmente a anulação do trabalho fiscal sem exame do mérito. A 1ª Turma da DRJ/SP, através do acórdão nº 1633.881, por unanimidade julgou procedente em parte a impugnação, alegando basicamente que: quanto a preliminar de inconstitucionalidade a instância administrativa não é foro apropriado para discutir inconstitucionalidade de normas, pois qualquer discussão sobre constitucionalidade deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. que a instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 mesmo os optantes pelo Simples estão obrigados a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios, sob pena de estar sujeito à presunção de omissão de receita, de acordo com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. que a eficácia de decisões administrativas ou judiciais alcança apenas aqueles que originalmente figuraram na contenda. que o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição para a Seguridade Social INSS. que verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. que as normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. que os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). como o lançamento principal (IRPJ) esta sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS, COFINS e INSSSimples), e de não existir nenhum motivo para que estes lançamentos decorrentes sejam declarados de ofício improcedentes, estes lançamentos decorrentes devem ser mantidos da mesma forma que o lançamento de IRPJ. em face do exposto, julga PROCEDENTE EM PARTE a impugnação conforme o demonstrativo seguinte: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO IRPJ/PIS Multa Mês Lançado Exonerado Mantido Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 2.408,00 R$ 0,00 R$ 2.408,00 RS 1.806,00 R$ 0,00 R$ 1.806,00 fev/05 R$ 2.778,79 R$ 0,00 R$2.778,79 R$ 2.084,08 R$ 0,00 R$2.084,08 mar/05 R$4.542,02 R$ 0,00 R$4.542,02 R$ 3.406,51 R$ 0,00 R$ 3.406,51 abr/05 R$ 5.764,62 R$ 113,58 R$ 5.651,04 R$ 4.323,46 R$ 85,19 R$4.238,27 mai/05 R$ 5.834,04 R$ 0,00 R$ 5.834,04 R$4.375,53 R$ 0,00 R$4.375,53 jun/05 R$ 6.725,71 R$ 0,00 R$ 6.725,71 R$ 5.044,28 R$ 0,00 R$ 5.044,28 jul/05 R$ 4.157,02 R$ 261,10 R$ 3.895,92 R$ 3.117,76 R$ 195,83 R$2.921,93 ago/05 R$ 8.619,85 R$ 0,00 R$ 8.619,85 R$ 6.464,88 R$ 0,00 R$ 6.464,88 set/05 R$ 5.742,17 R$ 0,00 R$ 5.742,17 R$ 4.306,62 R$ 0,00 R$4.306,62 out/05 R$ 7.450,43 R$ 0,00 R$ 7.450,43 R$ 5.587,82 R$ 0,00 R$ 5.587,82 nov/05 R$ 9.498,59 R$ 0,00 R$ 9.498,59 R$7.123,94 R$ 0,00 R$ 7.123,94 dez/05 R$ 9.669,57 R$ 0,00 R$ 9.669,57 R$ 7.252,17 R$ 0,00 R$ 7.252,17 Total: R$ 73.190,79 R$ 374,68 R$ 72.816,11 R$ 54.893,05 R$281,02 R$ 54.612,03 CSLL Multa Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 4.630,76 R$ 0,00 R$4.630,76 R$ 3.473,07 R$ 0,00 R$ 3.473,07 fev/05 R$4.275,05 R$ 0,00 R$4.275,05 R$ 3.206,28 R$ 0,00 R$ 3.206,28 mar/05 R$6.987,72 R$ 0,00 R$ 6.987,72 R$ 5.240,79 R$ 0,00 R$ 5.240,79 abr/05 R$ 8.868,65 R$ 174,75 R$ 8.693,90 R$6.651,48 R$ 131,06 R$ 6.520,42 mai/05 R$ 8.975,45 R$ 0,00 R$ 8.975,45 R$6.731,58 R$ 0,00 R$6.731,58 jun/05 R$ 10.347,24 R$ 0,00 R$ 10.347,24 R$ 7.760,43 R$ 0,00 R$ 7.760,43 jul/05 R$6.395,41 R$ 401,69 R$ 5.993,72 R$4.796,55 R$ 301,26 R$4.495,29 ago/05 R$ 13.261,31 R$ 0,00 R$ 13.261,31 R$ 9.945,98 R$0,00 R$ 9.945,98 set/05 R$ 8 834,10 R$ 0,00 R$ 8.834,10 R$ 6.625,57 R$ 0,00 R$6.625,57 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 3 5 out/05 R$ 11.462,19 R$ 0,00 R$ 11.462,19 R$ 8.596,64 R$ 0,00 R$ 8.596,64 nov/05 R$ 14.613,21 R$ 0,00 R$ 14.613,21 R$ 10.959,90 R$ 0,00 R$ 10.959,90 dez'' j R$ 14.876,25 R$ 0,00 R$ 14.876,25 R$ 11.157,18 R$ 0,00 R$ 11.157,18 Total: R$ 113.527,34 R$ 576,44 R$ 112.950,90 R$ 85.145,45 R$ 432,32 R$ 84.713,13 COFINS Multa f Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 9.261,51 R$ 0,00 R$ 9.261,51 R$6.946,13 R$ 0,00 R$ 6.946,13 fev/05 R$ 8.550,10 R$ 0,00 R$ 8.550,10 R$6.412,57 R$ 0,00 R$ 6.412,57 mar/05 R$ 13.975,45 R$ 0,00 R$ 13.975,45 R$ 10.481,58 R$ 0,00 R$ 10.481,58 abr/05 R$ 17.737,28 R$ 349,48 R$ 17.387,80 R$ 13.302,96 R$ 262,11 R$ 13.040,85 mai/05 R$ 17.950,89 R$ 0,00 R$ 17.950,89 R$ 13.463,16 R$ 0,00 R$ 13.463,16 jun/05 R$ 20.694,49 R$ 0,00 R$ 20.694,49 R$ 15.520,86 R$ 0,00 R$ 15.520,86 ¡ul/05 R$ 12.790,82 R$ 803,38 R$ 11.987,44 R$ 9.593,11 R$ 602,54 R$ 8.990,57 ago/05 R$ 26.522,62 R$ 0,00 R$ 26.522,62 R$ 19.891,96 R$ 0,00 R$ 19.891,96 set/05 R$ 17.668,20 R$ 0,00 R$ 17.668,20 R$ 13.251,15 R$ 0,00 R$ 13.251,15 out/05 R$ 22.924,39 R$ 0,00 R$ 22.924,39 R$ 17.193,29 R$ 0,00 R$ 17.193,29 nov/05 R$ 29.226,42 R$ 0,00 R$ 29.226,42 R$21.919,81 R$ 0,00 R$21.919,81 dez/05 R$ 29.752,51 R$ 0,00 R$29.752,51 R$ 22.314,38 R$ 0,00 R$ 22.314,38 Total: R$ 227.054,68 R$ 1.152,86 R$ 225.901,82 R$ 170.290,96 R$ 864,65 R$ 169.426,31 Contribuição ao INSS Multa Mês Lançada Exonerada Mantida Lançada Exonerada Mantida jan/05 R$ 11.854,73 R$ 0,00 R$ 11.854,73 R$ 8.891,04 R$0,00 R$ 8.891,04 fev/05 R$ 14.962,65 R$ 0,00 R$ 14.962,65 R$ 11.221,98 R$0,00 R$ 11.221,98 mar/05 R$30.047,21 R$ 0,00 R$ 30.047,21 R$ 22.535,40 R$ 0,00 R$22.535,40 abr/05 R$ 38.135,16 R$ 751,40 R$ 37.383,76 R$ 28.601,37 R$ 563,55 R$ 28.037,82 mai/05 R$ 38.594,40 R$ 0,00 R$ 38.594,40 R$ 28.945,80 R$ 0,00 R$28.945,80 jun/05 R$ 44.493,14 R$ 0,00 R$ 44.493,14 R$ 33.369,85 R$0,00 R$ 33.369,85 jul/05 R$ 27.500,25 R$ 1.727,26 R$25.772,99 R$ 20.625,18 R$ 1.295,44 R$ 19.329,74 ago/05 R$ 57.023,62 R$ 0,00 R$ 57.023,62 R$ 42.767,71 R$ 0,00 R$ 42.767,71 set/05 R$ 37.986,61 R$ 0,00 R$ 37.986,61 R$ 28.489,95 R$ 0,00 R$28.489,95 out/05 R$49.287,42 R$0,00 R$49.287,42 R$ 36.965,56 R$ 0,00 R$ 36.965,56 nov/05 R$ 62.836,79 R$ 0,00 R$ 62.836,79 R$ 47.127,58 R$ 0,00 R$47.127,58 dez/05 R$ 63.967,87 R$ 0,00 R$ 63.967,87 R$ 47.975,90 R$ 0,00 R$ 47.975,90 Total: R$ 476.689,85 R$ 2.478,66 R$ 474.211,19 R$ 357.517,32 R$ 1.858,99 R$ 355.658,34 Intimado da decisão da DRJ em 03/10/2012, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 10/10/12, reiterando os argumentos de impugnação, voltando a atacar a SELIC, os lançamentos baseados em depósitos bancários. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Quanto as alegações de inconstitucionalidade e da exigência da taxa Selic, não comporta mais nenhuma discussão sobre as matérias, uma vez que o CARF já editou as referentes Súmulas a serem atendidas pelos julgadores administrativos “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” JUROS DE MORA – TAXA SELIC “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários são devidos, à taxa SELIC para títulos federais.” Para se apreciar o cabimento de exclusão do Simples e dos lançamentos decorrentes de omissão de receitas caracterizadas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, devese verificar com atenção o recurso fiscal. A contribuinte foi intimada, a apresentar Contrato Social e Alterações, Livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios, relação das instituições financeiras com as quais transacionou e arquivos contábeis em meio magnético. Tendo em vista a documentação disponibilizada pela contribuinte, verificouse que a recorrente receptou créditos bancários, no ano de 2005, no valor de R$ 9.917.036,63, e fez Declaração Simplificada de receita somente R$ 452.619,21. Diante dos valores creditados em conta corrente da Contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos, bem como a totalização mensal, a fiscalização não teve alternativa senão a aplicação das normas contidas no § Io do artigo 7o e no artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, que dispõem sobre o regime do Simples. Mesmo o contribuinte optante pelo Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram para esta escrituração. Não o fazendo está sujeito à presunção legal de omissão de receita, de acordo com o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, conforme farta jurisprudência deste conselho. Senão vejamos: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Acórdão 1101001.000 1a Câmara / 1a Turma Ordinária 11/09/2012 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.006105/200866 Acórdão n.º 1302001.071 S1C3T2 Fl. 4 7 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Exercício: 2006 SIMPLES FEDERAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS NÃO EXPLICADOS. É aplicável a presunção legal de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, às empresas no Simples. Proc. Nº 16095000630/200959” Como visto basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, sejam rendimentos, não restando à autoridade fiscal outra alternativa senão formalizar o lançamento de omissão de receitas. Desta forma, os lançamentos não são nulos, ao contrário, são totalmente eficazes e legais, pois estão baseados em fatos constatados em legislação vigente e sobre os créditos bancários cuja origem não foram comprovadas, e corretamente aplicado o percentual estabelecido na legislação que apurou os tributos devidos. Diante do fato de o lançamento principal (IRPJ) estar sendo considerado procedente, de não haver outras alegações específicas da contribuinte quanto aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS, COFINS e INSSSimples), estes lançamentos também devem ser mantidos. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado contra os lançamentos discutidos neste processo. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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