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Numero do processo: 10746.900613/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.457, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 133 a 140), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 38494.16416.311007.1.3.047694 (fls. 20 a 25), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 4.765,90, com crédito decorrente de suposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 61 3/ 20 11 -4 0 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10746.900613/201140 Resolução nº 1302000.612 S1C3T2 Fl. 237 2 pagamento indevido ou a maior relativo a título de Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 3.763,94, originarseia de pagamento efetuado em 31/10/2005, no montante de R$ 4.394,23; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao terceiro trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 131 e 132, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 133 a 140) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 141/142, foi interposto o Recurso de fls. 144 a 156, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10746.900613/201140 Resolução nº 1302000.612 S1C3T2 Fl. 238 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 31/10/2005, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 3ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10746.900613/201140 Resolução nº 1302000.612 S1C3T2 Fl. 239 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumento firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 225/232). Do mesmo modo, vêse que nota fiscal (fl. 224) é emitida pela Recorrente, em relação ao contrato firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de nota fiscal e contrato referente à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 3º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10746.900613/201140 Resolução nº 1302000.612 S1C3T2 Fl. 240 5 Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.901005/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 01 00 5/ 20 13 -9 9 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 170 2 Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 48912678 emitido eletronicamente em 04/04/13, referente ao PER/DCOMP nº 03879.71149.310708.1.3.045735. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, no valor de R$ 630.400,42, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/08, no valor de R$ 792.780,38. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do Darf discriminado no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que apurou saldo de IRPJ (lucro presumido) no valor de R$ 792.780,38, recolhido em Darf, em 31/01/2008. que equivocadamente informou a existência do crédito decorrente de IRPJ, no valor original de R$ 630.400,42 quando o valor correto era R$ 792.780,38. que transmitiu inicialmente dois PerDcomp, um homologado totalmente e o outro parcialmente, conforme extrato de sua impugnação, fl. 4. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 171 3 Em seguida, indaga: “se foi reconhecido por homologação o pagamento indevido/a maior da Requerente no montante de R$ 792.780,38, sendo utilizado desse crédito somente a quantia de R$ 396,63, sobrando um saldo remanescente de R$ 792.383,76, como esse não foi suficiente para o pagamento de um débito de R$ 227.624,30 disposto no Despacho Decisório aqui guerreado?”. Requer a reavaliação do Despacho Decisório”. A Manifestação de Inconformidade fora julgada improcedente por unanimidade de votos, como denota a ementa do Acórdão n º 0265.685 a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os motivos invocados pela DRJ foram os seguintes, verbis: Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: Pagamento de parte dos débitos discutidos, conforme tabela abaixo: Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 172 4 No anocalendário de 2007, a Recorrente adotou a apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido trimestral, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/1996. Assim, ao final de cada período de apuração trimestral, a Recorrente apurou o recolheu o IRPJ devido, conforme estabelece a legislação em vigor. Assim, durante o anocalendário de 2007, a Recorrente sofreu diversas retenções de IRRF em todos os meses do ano, no valor total de R$ 627.962,35, tal como se infere da planilha juntada na r. decisão ora recorrida. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 173 5 Contudo, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ devido em cada trimestre do anocalendário de 2007 sem deduzir o imposto retido sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Ou seja, houve evidente recolhimento a maior de imposto em cada trimestre pela Recorrente pela falta de dedução do IRRF já retido. Por exemplo, no quarto trimestre de 2007, a Recorrente havia apurado e declarado na DCTF nº 100200720081830175278 o valor devido a título de IRPJ de R$ 792.780,38, sem a dedução do valor de IRRF de R$ 149.399,66 retido nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Tal montante foi recolhido pela Recorrente em DARF no dia 31/01/2008. Posteriormente, a Recorrente apresentou a DIPJ nº 0831765 declarando o valor da IRPJ devida no mesmo valor de R$ 792.780,38. Contudo, apenas em 11/07/2008, a Recorrente identificou que havia deixado de deduzir, dos valores devidos a título de IRPJ em cada trimestre de 2007, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Por conta disso, a Recorrente apresentou, em 11/07/2008, a DCTF retificadora nº 100200720081810394915 declarando o valor de IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 no montante de R$ 162.186,84 (e não mais de R$ 792.780,38). Logo em seguida, em 29/07/2008, a Recorrente também apresentou a DIPJ retificadora nº 1797536, também alterando o valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 de R$ 792.780,38 para R$ 162.186,84. A diferença do montante originalmente declarado a título de IRPJ no quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 792.780,38, e o valor efetivamente devido a título de IRPJ após a dedução do imposto de renda pago a maior durante todo o anocalendário, de R$ 162.186,84, é justamente o crédito que ora se discute, qual seja, R$ 630.593,54. De fato, considerando que a Recorrente já havia recolhido indevidamente o valor de R$ 792.780,38 em 31/01/2008, quando retificou sua DCTF e sua DIPJ em 11/07/2008 e 29/07/2008, respectivamente, para declarar o valor correto de IRPJ a pagar naquele período, após a dedução do imposto de renda pago a maior dos períodos de apuração anteriores, apurou um crédito de IRPJ no valor de R$ 630.593,54. Para não deixar dúvidas sobre os fatos, datas e valores acima descritos, cumpre transcrever o quadro elaborado pela própria decisão recorrida com todas as informações necessárias para o deslinde da questão: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 174 6 Tal crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ no quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de 630.593,54, foi utilizado para compensação de diversos débitos, originando, em razão disso, os 21 processos administrativos acima mencionados. Contudo, para surpresa da Recorrente, o V. Acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual reconheceu apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007. Para melhor compreensão de tal questão, foi elaborada a planilha abaixo demonstrando o IRRF retido no ano de 2007 por trimestre: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 175 7 O fundamento utilizado pela r. decisão recorrida para não reconhecer o total do crédito de IRPJ apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2007 e compensado pela Recorrente com outros débitos foi de que: Por óbvio, do imposto devido no 4º trimestre, cabe deduzir apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido nesse mesmo período de apuração. É de se rejeitar, portanto, o valor do imposto de renda a pagar do 4º trimestre, retificado pela interessada, através da dedução de imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro presumido nos trimestre anteriores”. Desse modo, segundo o V. Acórdão recorrido, apenas foi possível reconhecer a dedução de IRRF referente ao 4º Trimestre de 2007 (R$ 149.399,66), uma vez que não haveria previsão legislativa para que a Recorrente abatesse do imposto a pagar no 4º Trimestre de 2007 os valores que não foram deduzidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano fiscal (R$ 478.562,68). É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao aproveitamento do imposto de renda retido na fonte referente aos 1, 2 e 3 trimestres, que foram aproveitados para deduzir do imposto de renda devido no 4º trimestre, gerando, por conta disso, um pagamento indevido no 4 trimestre a titulo de IRPJ, o qual foi utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em períodos posteriores. O argumento utilizado pela decisão recorrida para reduzir o montante do direito creditório pleiteado pelo contribuinte foi o seguinte: “o contribuinte não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano calendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual deve ser reconhecido apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007." É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação as receitas que geraram a retenção na fonte do Imposto de Renda referente aos 1, 2 e 3 trimestres de 2007, na conformidade das planilhas abaixo: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 176 8 EXTRATO DAS FONTES PAGADORES COM A RESPECTIVA RETENÇÃO INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DCTF E DIPJ Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 177 9 DEMONSTRATIVO DO IRFONTE POR PERÍODO DE APURAÇÃO Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos para a comprovação do saldo remanescente dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito, se faz necessário que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, deverá ser elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13896.901005/201399 Resolução nº 1302000.541 S1C3T2 Fl. 178 10 13896.901022/201326 13896.901025/201360 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa. Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720052/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO DE PISO. NULIDADE.
Considera-se nula a decisão formulada sem a demonstração dos motivos que a fundamentaram. Anula-se a decisão consignada desta forma, a fim de que seja emitida nova decisão com a devida fundamentação.
Numero da decisão: 1401-002.291
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declarar nula a decisão de piso por falta de fundamentação da manutenção da multa qualificada. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aílton Neves da Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO DE PISO. NULIDADE. Considerase nula a decisão formulada sem a demonstração dos motivos que a fundamentaram. Anulase a decisão consignada desta forma, a fim de que seja emitida nova decisão com a devida fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declarar nula a decisão de piso por falta de fundamentação da manutenção da multa qualificada. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Aílton Neves da Silva em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Aílton Neves da Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 52 /2 01 4- 94 Fl. 3119DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. ACHE LABORATORIOS FARMACEUTICOS SA (contribuinte autuada), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta impugnação à exigência tributária consubstanciada no presente processo. Tratase de autos de infração, fls. 23552380, relativo ao IRPJ e CSLL, anos calendário de 2008 e 2009, no valor total de R$ 202.315.11,06 (inclusos multa de oficio de 150% e juros de mora à taxa Selic, calculados até julho/2014), em face de glosa de amortização de ágio, sob o fundamento de falta de propósito negocial. I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Verificação Fiscal, às fls. 155, a Fiscalização constatou que: II) DA IMPUGNAÇÃO Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 16561.720052/201494 Acórdão n.º 1401002.291 S1C4T1 Fl. 3.120 3 A Contribuinte, foi cientificada em 14/07/2014, fl. 2380, e apresentou impugnação em 13/8/2014, contestando integralmente as exigências sob as alegações assim resumidas (verbis): V CONCLUSÕES E PEDIDO Em face de todas as considerações precedentes, podese concluir que a presente autuação deve ser integralmente cancelada em razão dos seguintes fundamentos, especificamente, divididos com relação a cada um dos anoscalendários objetos do Auto de Infração: CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO ANOCALENDÁRIO 2008 (i) DECADÊNCIA: O lançamento relativo ao anocalendário de 2008 está atingido pela decadência, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, haja vista que a Impugnante apurou e pagou imposto nesse período, bem como inexistiu dolo, fraude ou simulação que pudesse justificar a aplicação do artigo 173,1, do CTN. Portanto, temse que para o anocalendário de 2008 o fato gerador ocorreu em 31/12/08, de modo que o crédito tributário deveria ter sido constituído até 31/12/13. Apesar disso, o Auto de Infração apenas foi lavrado em 02/07/14, tendo a notificação da Impugnante ocorrido em 14/07/14, ou seja, apcs o decurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. (ii) LEGITIMIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO a. Inexistiu a criação de ágio artificial dentro do mesmo grupo econômico considerando, sobretudo, que: (i) o ágio já se encontrava contabilizado nas Holdings Familiares muito antes da reorganização societária ocorrida; (ii) as operações foram todas documentadas e tiveram o propósito de segrega as atividades farmacêuticas e imobiliárias, sendo justificadas por razões empresariais e econômicas, precedentes e independentes de qualquer efeito fiscal da amortização de ágio; (iii) o legítimo direito à amortização do agio subsistiria mesmo que a Impugnante tivesse seguido outras formas societárias para a mencionada segregação de atividades; (iv) a configuração do Grupo Aché não era a mesma antes e depois da reestruturação, assim como a Impugnante não passou a ser detida pelos mesmos sócios antes e depois da reestruturação; e (v) a Magenta não foi utilizada como "veículo para a reestruturação do Grupo Aché, uma vez que a empresa continua at:iva e lucrativa, sendo o braço do Grupo nesse mercado até a presente data; O ágio amortizado pela Recorrente estava integralmente respaldado Relatório de Avaliação elaborado pela Ernst&Young, com base metodologia do fluxo de caixa descontado; Inexistia à época dos fatos qualquer vedação legal quanto à dedutibilidade de valores de ágios registrados em operações com sociedades do mesmo grupo econômico. Essa restrição apenas adveio com a edição da M P Í 2 7, convertida na Lei n° 12.973, que trouxe limitações ao reconhecimento e amortização do chamado "ágio intragrupo", confirmando a inexistência de qualquer base legal para o presente lançamento que viola frontalmente o princípio da legalidade e da tipicidade cerrada; As normas contábeis indicadas pela autoridade lançadora não se aplicam ao caso, como é o caso do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 que diz respeito exclusivamente às operações específicas de "reavaliação espontânea" de sociedades controladas ou coligadas, usuais na vigência do hoje revogado artigo 36 da Lei n° 10.637, dispositivo que também não tem qualquer aplicação ao caso presente; Fl. 3121DF CARF MF 4 e. As pessoas jurídicas são tratadas como entidades autônomas e individualizadas pela legislação fiscal e societária brasileira, gozando de identidade distinta em relação aos seus acionistas, quotistas ou em relação a outras pessoas jurídicas que estejam sob controle comum; f. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estendesse a essa contribuição às disposições relativas ao IRPJ, motivo pelo qual não há qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a CSLL; (iii) IMPOSSIBILIDADE DA MULTA QUALIFICADA a. Houve clara violação ao artigo 106, inciso I do CTN, uma vez que a autoridade lançadora acaba por aplicar retroativamente à restrição tra::ida pela MP 627 e pela Lei n° 12.973, mas mantém a imposição da multe de ofício; b. É patente no Auto de Infração a alteração no critério jurídico até então adotado pelo Fisco, uma vez que a reestruturação societária em exame, bem i como todos os aspectos relacionados ao registro do ágio glosado já foi objeto do processo administrativo n° 16561.000027/200761, no qual não se verificou a ocorrência de qualquer conduta fraudulenta, dolosa ou simulada capaz de ensejar a qualificação da multa de ofício. O Auto de Infração aplicou a multa majorada de 150% indevidamente, já que em momento algum se demonstrou a prática de fraude, dolo ou simula nas operações realizadas; (iv) JUROS SOBRE MULTA: Finalmente, deve ser cancelada a cobrança dos juros) de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada no A|uto de Infração. CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO ANOCALENDÁRIO 2009 (i) REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO: Nulidade do Auto de Infração com relação ao anocalendário de 2009, em razão do reexame de período já fiscalizado, sem a observância do disposto no artigo 906 do RIR, que exige autorização por escrito do Delegado da Receita Federal responsável, inexistente no caso presente; (ii) DUPLICIDADE DE VALORES: O Item 2 do Auto de Infração constituiu lançamento em duplicidade ao lançamento objeto dos Processos Administrativos n° 16095.720.083/201316 e 16095.720099/201311, ao glosar as compensações de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa realizadas no anocalendário de 2009. (iii) LEGITIMIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO AGIO a. Inexistiu a criação de ágio artificial dentro do mesmo grupo econômico nas) as as considerando, sobretudo, que: (i) o ágio já se encontrava contabilizado Holdings Familiares muito antes da reorganização societária ocorrida; (ii) operações foram todas documentadas e tiveram o propósito de segregar atividades farmacêuticas e imobiliárias, sendo justificadas por ratões empresariais e econômicas, precedentes e independentes de qualquer fiscal da amortização de ágio; (iii) o legítimo direito à amortização do subsistiria mesmo que a Impugnante tivesse seguido outras formas societárias para a mencionada segregação de atividades; (iv) a configuração do Grupo Aché não era a mesma antes e depois da reestruturação, assim como a Impugnante não passou a ser detida pelos mesmos sócios antes e depois da reestruturação; e (v) a Magenta não foi utilizada como "veículo" para a reestruturação do Grupo Aché, uma vez que a empresa continua ativa e lucrativa, sendo o braço do Grupo nesse mercado até a presente data; Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 16561.720052/201494 Acórdão n.º 1401002.291 S1C4T1 Fl. 3.121 5 O ágio amortizado pela Recorrente estava integralmente respaldado no laudo de avaliação elaborado pela Ernst&Young, com base na metodologia fluxo de caixa descontado; c. Inexistia à época dos fatos qualquer vedação legal expressa quanto à dedutibilidade de valores de ágios registrados em operações com sociedades do mesmo grupo econômico. Essa restrição apenas adveio com a edição da MP 627, convertida na Lei n° 12.973, que trouxe limitações ao reconhecimento e amortização do chamado "ágio intragrupo", confirmando a inexistência de qualquer base legal para o presente lançamento que viola frontalmente o princípio da legalidade e da tipicidade cerrada; d. As normas contábeis indicadas pela autoridade lançadora não se aplicam caso, como é o caso do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 que respeito exclusivamente às operações específicas de "reavaliação espontânea" de sociedades controladas ou coligadas, usuais na vigência hoje revogado artigo 36 da Lei n° 10.637, dispositivo que também não qualquer aplicação ao caso presente; e. As pessoas jurídicas são tratadas como entidades autônomas e individualizadas pela legislação fiscal e societária brasileira, gozando de identidade distinta em relação aos seus acionistas, quotistas ou em relação a outras pessoas jurídicas que estejam sob controle comum; f. Inexistia dispositivo legal à época dos fatos que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estendes; e a essa contribuição às disposições relativas ao IRPJ, motivo pelo qual não há qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a CSLL; (iv) IMPOSSIBILIDADE DA MULTA QUALIFICADA a. Houve clara violação ao artigo 106, inciso I do CTN, juma vez que; a autoridade lançadora acaba por aplicar retroativamente à restrição trazida pela MP 627 e pela Lei n° 12.973, mas mantém a imposição da multa de ofício; b. É patente no Auto de Infração a alteração no critério jurídico até então adotado pelo Fisco, uma vez que a reestruturação societária em exame, b como todos os aspectos relacionados ao registro do ágio glosado já foi objeto do processo administrativo n° 16561.000027/200761, no qual não verificou a ocorrência de qualquer conduta fraudulenta, dolosa ou simulada capaz de ensejar a qualificação da multa de ofício. c. O Auto de Infração aplicou a multa majorada de 150% indevidamente, já que em momento algum se demonstrou a prática de fraude, dolo ou simulação nas operações realizadas; (v) JUROS SOBRE MULTA: Finalmente, deve ser cancelada a cobrança juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de o lançada no Auto de Infração. 297. Ademais, requer seja determinado o sobrestamento Representação Penal para Fins Fiscais objeto do processo administrativo 16561.720062/201420, nos termos do artigo 83 da Lei n° 9.430/96, até que seja proferida decisão final na esfera administrativa no presente processo. Fl. 3123DF CARF MF 6 Por fim, a Impugnante requer que todas as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam feitas aos cuidados da DRA. RAQUEL NOVAIS, com escritório à Av. Brigadeiro Faria Lima, n° 3.144, 11° andar, 01451000, São Paulo, SP, enviando de tudo cópia à Impugnante no endereço constante dos autos. É o relatório. Analisando as alegações da acusação em confronto com a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento proferiu decisão julgando improcedente a impugnação e mantendo a autuação em todos os seus termos. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: 1 – Inicia informando que o presente litígio trata apenas dos débitos originados no ano de 2008, haja vista que a empresa apresentou desistência parcial do recurso em relação aos débitos do ano de 2009 e os incluiu para pagamento no âmbito do REFIS, por meio do processo nº 10875.723651/201440. 2 – Nulidade da decisão recorrida => Alega que a decisão recorrida, ao transcrever acórdão de outro processo relativo ao caso em ano anterior, deixou de analisar alguns pontos levantados na impugnação como, por exemplo, a multa qualificada, inexistência de vedação legal de ágio intragrupo, impossibilidade de alteração do critério jurídico, existência de quadros definidos antes e após a operação e préexistência do ágio. 3 – Apresenta o histórico do processo de reorganização e sua ilações a respeito do mesmo. 4 – Decadência do direito de constituir os créditos tributários relativos ao ano de 2008. Alega que não restou caracterizada a existência de dolo, simulação ou fraude, assim devese aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN e não a do art. 173 do mesmo CTN. 5 – No mérito => Que inexiste vedação legal ao aproveitamento de ágio gerado em empresas do mesmo grupo. Impossibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 12.973/2014. Inexistência de restrição contábil ao registro do ágio em operações do mesmo grupo. Que a empresa Magenta não era empresa veículo vez que possuía papel específico na reestruturação. Deve ser considerada regular a operação e os registros do ágio, sendo cancelada a autuação em relação ao IRPJ e em relação aos reflexos da CSLL. 6 – Impossibilidade de aplicação retroativa das normas da Lei nº 12.973/2014 e a manutenção da multa qualificada. Tal manutenção implicaria em violação ao art. 106, do CTN. Alteração do critério jurídico do lançamento anterior ao impor a qualificação da multa. Inaplicabilidade da multa qualificada em conformidade com a jurisprudência do CARF. 7 – Impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Apresenta extensa argumentação no sentido de que não seria possível a incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por seu turno, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário no qual defendeu a validade da decisão recorrida e a manutenção integral do lançamento, assim como juros, multa e reflexos, em razão de ter sido plenamente caracterizada a simulação. É o relatório do necessário. Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 16561.720052/201494 Acórdão n.º 1401002.291 S1C4T1 Fl. 3.122 7 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Ao iniciar a análise do presente recurso voluntário causoume estranheza a insistência do recorrente quando à existência de nulidade da Decisão de Piso ao não tratar de alguns pontos levantados pela defesa em sua impugnação, como, por exemplo, a multa qualificada, inexistência de vedação legal de ágio intragrupo, impossibilidade de alteração do critério jurídico, existência de quadros definidos antes e após a operação e préexistência do ágio. Como estas alegações tratam de nulidades que devem ser analisadas preliminarmente ao mérito do processo e dado, repito, a insistência do recorrente em que diversas alegações não foram analisadas no acórdão realizei minunciosa verificação dos termos em que foi emitido o acórdão da Delegacia de Julgamento. Nesta verificação pude observar que em relação inexistência de vedação legal ao ágio intragrupo, impossibilidade de alteração do critério jurídico e da existência de quadros definidos antes e após a operação, nos termos em que foi prolatado o acórdão constatase que, mesmo que tangencialmente, estes aspectos foram analisados pela decisão. Mais ainda, como o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos apresentados, quando puder fundamentar seu julgamento em outros aspectos, não seria o caso de nulidade da decisão. Ocorre, no entanto, que em relação ao questionamento quanto à multa qualificada não encontramos menção no referido acórdão acerca dos motivos e fundamentos de sua manutenção. O questionamento acerca da impossibilidade de aplicação da multa qualificada de 150% foi apresentado pela empresa em sua impugnação, conforme foi descrito no próprio relatório da decisão, conforme transcrito acima. Assim, havendo questionamento quanto à aplicação da multa qualificada, haveria a Delegacia de Julgamento de se pronunciar a respeito, posto que este é um dos elementos da infração. No acórdão recorrido verificamos que, em sua ementa, consta um item relativo à manutenção da multa qualificada, conforme abaixo transcrito MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada pela Fiscalização operação planejada entre as empresas de um mesmo grupo que “propiciou” a criação de uma motivação artificial para o pagamento de ágio e foi engendrada com o evidente intuito de “criar” despesas de amortização em uma delas, diminuindo ilegalmente sua base tributável pelo IRPJ e para CSLL, não há como afastar a imputação de simulação e a conseqüente aplicação da multa qualificada. Fl. 3125DF CARF MF 8 Ocorre, no entanto, que no corpo do voto proferido não há nenhuma menção à multa qualificada, nem as razões que levaram à sua manutenção. Com evidente receio de estarmos equivocados à respeito da verificação da nulidade, realizamos a verificação pela ferramenta de busca do programa gerador do PDF a fim de verificar a menção à palavra qualificada. Tal busca foi infrutífera. A única menção á multa qualificada restringiuse à ementa do acórdão. No texto do voto nada foi levantado a este respeito, verificandose, assim, omissão passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa ao impedir o conhecimento pelo contribuinte dos motivos que fundamentaram a manutenção da qualificação da multa. Assim, tendo em vista que restou por comprovada a existência da nulidade da Decisão de Piso em razão da falta de fundamentação das razões que levaram à manutenção da multa qualificada pela Delegacia de Julgamento, consistindo em descumprimento às normas do art. 50, V, e § 3º, da Lei nº 9.784/99, não nos resta outra alternativa senão acatar a preliminar de nulidade da Decisão em face da falta de fundamentação acerca da manutenção da multa qualificada. Em vista do exposto, voto no sentido de considerar nula a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento em face da omissão da fundamentação acerca da manutenção da multa qualificada e determinar o retorno do presente processo àquela Delegacia para emissão de nova decisão com a correção da omissão. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 3126DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.002715/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS - RMF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE.
Julgamento pelo E. STF em conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Possibilidade. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO.
Aplicação da Súmula CARF nº 35 afastando a tese recursal nessa parte.
Numero da decisão: 2201-004.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS RMF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. Julgamento pelo E. STF em conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Possibilidade. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicação da Súmula CARF nº 35 afastando a tese recursal nessa parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 27 15 /2 00 3- 61 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 370 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ de fls. 276/296 por bem relatar os fatos ora questionados. “Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 215/227, relativo aos anos calendário de 1998/2002, exercícios de 1999/2003, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 54.742,60, incluídos multa de oficio de 75% e juros de mora. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 222/225, foi omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação as quais a contribuinte, regularmente intimada não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante do Auto de Infração. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 371 3 Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal acima mencionado observase que o procedimento fiscal se deu como prolongamento da ação fiscal desenvolvida na pessoa de Silvio Ricardo Gerciano, CPF n° 043.030.69892, cônjuge da contribuinte. Dessa forma, tornase necessário destacar alguns pontos considerados relevantes para o entendimento do procedimento fiscal que ora se aprecia. 1. O Sr. Silvio e a contribuinte Sra. Ivani apresentaram declaração em separado no período em questão. 2. A obtenção dos extratos bancários da conta Bradesco/Ag 1872 n° 264288, bem como a informação de que tal conta é mantida em cotitularidade pelo Sr. Silvio e a Sra. Ivani, foi mediante a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, fls. 125/178. 3. Da análise dos extratos bancários foi elaborada pela fiscalização relação e demonstrativo dos depósitos que deveriam ter a origem comprovada, 198/214. 4. A Sra. Ivani foi intimada a comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária mantida em cotitulariadade com o Sr. Silvio, respondendo a mesma não ter condições de comprovar a ol'igc(n desses recursos, fls. 193, alegando que não obstante tratarse de conta conjunta a utilização é exclusiva do marido, não tendo responsabilidade quanto a sua movimentação. Os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis encontramse detalhados às fls. 220 e 225, do presente processo. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 29/12/2003, fls. 270, a contribuinte apresentou impugnação, em 23/01/2004, fls. 229/255, trazendo, em síntese, as alegações que seguem: • A ação fiscal foi iniciada e terminada por via postal, sem que tivesse havido qualquer contato pessoal com o autor do procedimento e a pessoa fisica autuada durante o pequeno período (menos de 20 dias) em que se Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 372 4 estendeu a fiscalização. O valor da autuação supera em muitas vezes o módico patrimônio da signatária, tornandose inviável o seu pagamento. • A autuada exerce tãosomente as funções de administradora do Condomínio onde reside. • Quando do recebimento do Termo de Início de Fiscalização foram apresentados os recibos de entrega das declarações, informando não ter condições de prestar os esclarecimentos solicitados. • A conta é de exclusiva responsabilidade do marido e não obstante tratarse de contaconjunta, não tem responsabilidade quanto a sua movimentação. • O lançamento contra a sua pessoa só teria razão de ser caso a autuação contra meu marido fosse procedente, o que conforme demonstrado em sua defesa, o crédito tributário constituído não pode prevalecer. • Utilizarseá das mesmas razões apresentadas na defesa de seu marido para contestar o lançamento, conforme segue: DOS Vícios DA PROVA E DO LANÇAMENTO INDEVIDO CONTRA A PESSOA FÍSICA • Por se tratar de lançamento de oficio (Auto de Infração) é de se estranhar a razão pela qual o AFRF concluiu os trabalhos de fiscalização por via postal, numa total demonstração de desrespeito e desconsideração para com a contribuinte. Isso demonstra que a intenção era efetuar o lançamento a qualquer custo ou sob qualquer circunstância, sem levar em consideração a real natureza dos fatos e a situação econômica financeira da contribuinte. • O lançamento foi feito de forma atabalhoada mediante prova obtida de forma ilícita e contra as pessoas físicas dos sócios, quando pela natureza dos negócios desenvolvidos pela sociedade caberia a autuação contra a pessoa jurídica oriunda da sociedade de fato estabelecida e expWada por Samir Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 373 5 José Triveloni da Silva e Silvio Ricardo Gerciano, os quais foram fiscalizados com base em Mandados de Procedimentos Fiscais específicos. • Seria impraticável para a interessada, sem o auxílio da própria instituição financeira comprovar a origem dos recursos que foram creditados no prazo concedido de 15 dias, adicionados de mais 5 dias, embora tenha sido solicitada prorrogação de 60 dias. • Apesar da correspondência de 07/11/2003 do Banco Bradesco S/A de que as informações só estariam disponíveis na agência a partir de 17/11/2003, o auditor fiscal solicitou que esses extratos e a comprovação da origem dos recursos estivessem disponíveis no dia 20/11/2003. A solicitação direta de extratos à instituição financeira quando ainda vigente o prazo de atendimento concedido pelo contribuinte vicia todo o procedimento da administração tributária. Eis que a RMF só poderia ter sido formalizada depois de decorrido o prazo legal concedido e ainda assim se tivesse havido recusa de apresentação dos extratos por parte do contribuinte. • As provas decorrentes do uso do extrato bancário constituemse em provas ilícitas. Tanto o Decreto n°. 3.724/2001, quanto a Portaria SRF n°. 180/2001, determinam que a Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira somente será expedida quando em relação ao sujeito passivo tenha havido intimação para apresentar informações sobre a movimentação financeira. • O auditor fiscal deveria ter aprofundado as investigações e não de maneira afoita autuar individualmente os sócios. Deveria na realidade ter realizado o lançamento na pessoa jurídica, ainda que sociedade de fato, sem qualquer registro. ILEGALIDADE DO USO DAS INFORMAÇÕES DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO A OUTRAS CONTRIBUIÇÕES OU IMPOSTOS Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 374 6 • Todo o procedimento que culminou com a lavratura do Auto de Infração ora atacado está amparado em informações obtidas pela Secretaria da Receita Federal em relação à CPMF, por força do que dispõe o artigo 11 da Lei n°9.311, de 24/10/1996. • As informações prestadas pela instituição financeira com base na lei supra citada não pode ter finalidade outra senão para aferição ou controle da própria CPMF. INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO • Recorre ao art. 50, incisos X e XII da Constituição Federal para fundamentar a argumentação de que o sigilo bancário do cidadão é espécie de direito à privacidade. Aduz que o uso dos extratos\bancários só pode ser autorizado pelo Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO COM BASE APENAS EM EXTRATO BANCÁRIO. • Questiona o procedimento que tributa apenas com base em extratos bancários, citando para isso diversos acórdãos de decisões administrativas. Aduz que a utilização do procedimento poderia, em princípio, ser aceito mas seria necessário que o fisco apurasse acréscimo patrimonial a descoberto ou sinais exteriores de riqueza que evidenciasse a renda auferida ou consumida. DA APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO • Indica não ser possível a aplicação retroativa da lei a ato ou fato pretérito, particularmente a Lei n°. 10.174/2001. Essa lei não é como muitos afirmam, uma norma interpretativa, mas sim norma de conteúdo inovador, o que é facilmente percebido pela nova redação dada ao §3° do art 11 da Lei n° 9.311/1996. A lei só pode retroagir se for de caráter interpretativo e nunca se caráter inovador como é na sua substância. Aplicase, portanto, apenas para situações nascidas sob a égide de sua vigência. DEMAIS INCONSISTÊNCIAS MERITÓRIAS DO LANÇAMENTO Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 375 7 • Apresenta Contrato de Compromisso de Compra e Venda, datado de 02 de março de 1998 e o Distrato de Instrumento Particular de Promessa de Construção e de Compra e venda futura de unidade autônoma do Condomínio Residencial Thebas datado de 10 de julho de 2002 que demonstram a operação com bens imóveis, bem como a idoneidade dos recursos movimentados junto à instituições financeiras. • Como inconsistência do procedimento argumenta que na apuração do IRPF não foram considerados os rendimentos que já haviam sido oferecidos a tributação, nas Declarações de Ajustes Anual relativas aos anos calendário de 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, ocorrendo, portanto, uma bi tributação. • Deixou de excluir as transferências bancárias ocorridas entre as agências. • Não foi obedecido o estabelecido no §3°, incisos, I e II, do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, no que se refere ao limite individual de R$ 12.000,00, não podendo o seu somatório ultrapassar os R$ 80.000,00. É suficiente observar o demonstrativo de apuração do Auto de Infração. Para corroborar o entendimento esboçado na defesa recorreu ao entendimento de renomados tributaristas, Acórdãos do Conselho de Contribuintes e Decisões Judiciais.” 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 376 8 ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS RMF. Incabível a argüição de obtenção de provas de forma ilícita quando a solicitação das informações sobre movimentações financeiras feita diretamente as instituições financeiras por meio de RMF, foram realizadas dentro das normas estabelecidas no Decreto n°3.724, de 10 de janeiro de 2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ilcartfiando os poderes de investigação das autoridades administrativas. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar n° 105 e Decreto n° 3.724, ambos de 2001. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão, àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 INTIMAÇÃO/NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. Considerase perfeita a intimação/notificação por via postal quando recebida no domicilio eleito pelo sujeito passivo. Lançamento Procedente Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 377 9 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (305/340) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 4 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 6 – Os assuntos serão tratados na forma como foram apresentados no recurso. PRELIMINARES ARGUIDAS 1 – AUTORIDADE INCOMPETENTE 7 – Alega em síntese a recorrente que a DRJ do Ceará é autoridade incompetente para julgamento de sua defesa em vista que seu domicílio fiscal é no Estado de São Paulo e, portanto, caberia à DRJ de localidade do Estado julgar. 8 – Contudo afasto a preliminar, uma vez que a jurisdição administrativa fiscal no caso do IRPF lançado é de competência da União Federal, sendo que as divisões da DRJ em todo o país são meramente administrativas e tem por escopo apenas uma divisão de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 378 10 tarefas e melhor organização do trabalho, não havendo que se falar em incompetência em razão da territorialidade. 9 – A Portaria MF nº 30/2005 em vigor na época do julgamento de primeiro grau dispunha sobre a competência das DRJ: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ compete: I julgar, em primeira instância, conforme Anexo V, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, os relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; e 10 – A DRJ seria incompetente, caso houvesse a necessidade de se conhecer e julgar originariamente pedido de compensação de tributos efetuados por contribuinte, por exemplo, tal como aduzido abaixo no Ac. 1311170 de 29/12/ 2005 da DRJ/RJ: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL Não ocorrida violação das disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lança mento formalizado através de auto de infração. CERCEAME NTO AO DIREITO DE DEFESA – O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados essenciais à sua defesa, restringindo tal direito. Não se config ura cerceamento à defesa, quando o contribuinte apresenta impugnação contra os m esmos fatos que originaram a autuação. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO – COMPETÊNCIA – Nas atividades inerentes à constituição de Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 379 11 créditos da Fazenda Nacional, administrados pel a Secretaria da Receita Federal, não se aplicam aos Auditores Fiscais da Receita Federal quaisquer limitações relativas às sua atribuições. AUTO DE INFRAÇÃO – ANEXOS – Não há impedimento à existência de demonstrativos e relatórios anexos ao auto de infração, desde que deles seja dada ciência ao contribuinte, a fim de possibilit ar o exercício da ampla defesa. AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE Ação judicial proposta pelo interessado contra a Fazenda Nacional – antes ou após o lançamento do crédito tributário – com idêntico objeto, impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem a apreciação do mérito, declarandose a definitividade do crédito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Não compete à DRJ, nos termos do inciso I do art.224 e 2 25 da Portaria MF nº 30/2005, apreciar, originariamente, pedido de compensação de tributos ou contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL/JULGAMENTO Embora o débito declarado, a princípio, dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO/SUSPENSÃO – A multa de ofício não é aplicável, exclusivamente, n os casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/06/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/05/2001 a 30/06/2001 (Grifei) 11 – Por derradeiro o art. 25 do Decreto 70.235/72 que diz: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 380 12 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; 12 – Pelo exposto afasto a preliminar arguida. 2 – BUSCA DA VERDADE MATERIAL 13 – Em síntese alega a recorrente nesse tópico o seguinte: “Ainda que a Recorrente seja esposa de Silvio Ricardo Gerciano, que figura como primeiro titular da conta corrente n° 52800 do Bradesco, o fato é que há muito tempo a responsabilidade pelos recursos e pelo movimento da conta é do segundo titular, Samir José Triveloni da Silva, que à revelia e sem conhecimento do primeiro titular continuou a movimentála para negócios exclusivamente particulares dele Samir José Triveloni da Silva. Nenhum dos cheques que foram emitidos no período considerado pelo lançamento são de responsabilidade ou foram emitidos por meu esposo; ao contrário, todos os cheques foram assinados e são de responsabilidade do segundo titular, que deverá responder não só por eles, mas também por toda a movimentação de recursos da citada conta.” 14 – A recorrente junta nesse ato em Recurso Voluntário cópia de decisões judiciais e cópia de cheques assinados pelo marido e terceiro, no caso Sr. Samir José Triveloni da Silva, para comprovar que não são de sua propriedade os valores indicados na cota corrente em cotitularidade com seu marido. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 381 13 15 Oportuno informar que durante a fiscalização, após sua intimação para esclarecer quanto aos valores depositados a recorrente às fls. 195 informou o seguinte: “Quanto ao item 2 do Termo de Início de Fiscalização de 01/12/2003, cabe me informálo que não tenho nenhuma, condição de comprovar a origem dos recursos creditados/depositados na conta bancária 237 00187 0000026428, uma vez que referida conta é de utilização exclusiva de meu marido. Não obstante tratarse de conta conjunta não tenho eu nenhuma responsabilidade quanto a sua movimentação.” 16 – Tal fato foi relatado no TVF de fls. 199/200: “3. Juntamos às fls. 168/189 o Termo de Início de Fiscalização de 01/12/03 e demonstrativo anexo (ciência por AR em 04/12/03, fls. 03), onde a Sra. Ivani é intimada a comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária mantida em cotitularidade com o Sr. Silvio. 4. Juntamos à fl. 193 o expediente da Sra. Ivani, recepcionado na ARF/Rio Claro em 12/12/03, informando que não tem nenhuma condição de comprovar a origem dos recursos creditados na conta bancária objeto da intimação. 5. Expirado o prazo estipulado na intimação, não houve a comprovação da origem de nenhum dos créditos questionados pela fiscalização. 6. Pelos fatos até aqui relatados, concluímos que os valores questionados pela fiscalização correspondem efetivamente a ingressos de recursos, cuja origem as pessoas físicas devidamente intimadas não lograram comprovar. De acordo com o disposto no artigo 42 da Lei 9430/96, caracterizamse como rendimentos omitidos, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados naquelas operações. Conseqüentemente, aqueles Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 382 14 valores apurados pela fiscalização ficam sujeitos à tributação do imposto, a ser lançado de oficio.” 17 – Essa matéria, por mais que tenha sido arguida como de “busca da verdade material”, na realidade trata da sujeição passiva, posto que, se a recorrente conseguisse provar que a conta era realmente movimentada por terceiro, em tese, o lançamento seria nulo. 18 – Contudo, entendo que não procede tal argumento, na mesma linha do quanto decidido pela DRJ, pois desde o início da fiscalização jamais houve a comprovação de nenhum elemento fático por parte da recorrente. 19 – Os cheques indicados às fls. 347/349 contem a indicação de conta corrente do banco Bradesco Ag. 0187 Conta nº 0528005 em nome do marido da recorrente e do terceiro ora indicado, contudo, o lançamento tributário é derivado da conta do banco Bradesco Agência 0187 conta corrente nº 0000026428 fls. 201/217 corroborado pelos documentos de fls. 28/80 (extratos da conta corrente conjunta do Bradesco com seu marido Silvio Ricardo Gerciano). 20 – A decisão judicial de fls. 341/343 trata de conta corrente bancária diversa da que fora lançada nos autos, tal como indicado acima: “EUROGLAZE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ajuizou ação ,de execução fundada em titulo extrajudicial em face de SILVIO RICARDO GERCIANO, alegando que é credora dele de R$ 27.17,28:representada pelos cheques n° 12471, 12472, 12474, 12475 e 12476, da Conta corrente n° 052800, ag. 0187, Banco Bradesco. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 383 15 O executado ingressou nos autos, opondo exceção de préexecutividade, em que alegou ser parte ilegítima, porquanto os cheques foram emitidos pelo segundo titular da conta corrente, Samir José Triveloni da Silva.” 21 – Portanto, os elementos de prova ora juntados, não condizem com os fatos narrados pela recorrente, sendo que tal preliminar resta afastada. 3 DOS VÍCIOS DA PROVA E DA ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO 22 – Nesse tópico me reporto aos mesmos fundamentos indicados quanto ao decidido nos itens 13 a 21 do referido voto, pois nada mais é na realidade da aplicação da presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 invertendo o ônus da prova ao contribuinte em identificar a natureza dos depósitos. A fiscalização agiu de acordo com a Lei ao exigir do contribuinte e lhe dar a oportunidade de identificar de forma individual cada depósito e através de provas em sua conta. Sendo que foi dado a oportunidade ao contribuinte em manifestarse a respeito dos depósitos indicados pela fiscalização, contudo o recorrente confessou que não tinha como comprovar a natureza de tais recursos. 4 ILEGALIDADE DO USO DAS INFORMAÇÕES DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO A OUTRAS CONTRIBUIÇÕES OU IMPOSTOS 23 – Nesse ponto, também nada a prover ao recorrente uma vez que se trata da necessidade da aplicação da Súmula CARF nº 35 que diz: Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 384 16 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 5 INCONSTITUCIONALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO 24 – Outrossim não merece guarida a pretensão recursal do contribuinte sendo negado provimento nesse tópico, com base na aplicação da Súmula nº 02 do CARF e da ADI 2.390 do E. STF cujas ementas transcrevo a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EMENTA Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão “do inquérito ou”, constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 385 17 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão “do inquérito ou”, constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PEAgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897 AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 386 18 pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 387 19 (ADI 2859, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe225 DIVULG 20102016 PUBLIC 21102016) 6 TRIBUTAÇÃO COM BASE APENAS EM EXTRATO BANCÁRIO 25 – Nego provimento ao recurso nesse ponto da matéria, com base nos mesmos fundamentos indicados alhures no item 22 do voto para evitar a repetição do assunto. 7 DA APLICAÇÃO DA LEI A ATO OU FATO PRETÉRITO 26 – Esse tópico também resta desprovido com base na aplicação da Súmula 35 do E. CARF indicada no item 23 do Voto. 8 DEMAIS INCONSISTÊNCIAS MERITÓRIAS DO AUTO DE INFRAÇÃO 27 Nesse ponto o contribuinte traz apenas argumentos sem qualquer prova do alegado e, portanto, em vista do lançamento ser com base nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 e caber ao mesmo a prova do alegado, restam improvidas as razões nesse tópico também. Conclusão 28 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nos termos da fundamentação acima. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13888.002715/200361 Acórdão n.º 2201004.460 S2C2T1 Fl. 388 20 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13840.720846/2016-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento.
Numero da decisão: 2001-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 72 08 46 /2 01 6- 95 Fl. 84DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 1.796,66, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: (...) A Notificação de Lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND nº 08/34.641.630, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência da(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave, no valor de R$ 75.634,75. Fonte Pagadora: São Paulo Previdência SPREV. A autoridade lançadora registrou que o Contribuinte não apresentou laudo do serviço médico oficial e não comprovou a sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. (...) Os critérios para usufruir o benefício da isenção do imposto de renda, em decorrência de moléstia grave, estão assim prescritos no conteúdo do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988: (...) Depreendese que o direito à isenção por moléstia grave requer o preenchimento cumulativo dos requisitos a seguir enumerados: 1. Os proventos percebidos devem ser oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13840.720846/201695 Acórdão n.º 2001000.295 S2C0T1 Fl. 85 3 2. A comprovação de que o beneficiário da isenção seja aposentado em decorrência de acidente em serviço ou portador de moléstia profissional ou moléstia grave, esta contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão e comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O legislador determinou, expressamente, a interpretação literal da legislação tributária no tocante à concessão de isenção, não cabendo à administração tributária, incluindo a este colegiado, proceder de forma diversa, conforme dispõe o art. 111 da Lei nº 5.172/1966 (CTN). (...) Ressaltese que a competência técnica para comprovar a existência de doença especificada em lei, para fins de isenção do imposto de renda, foi deslocada para o “serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios” – parágrafo 4º, do artigo 39, do RIR/1999. Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte é militar da reserva remunerada da Polícia Militar de São Paulo e portador de Miocardiopatia Isquêmica Grave CID I25.0, desde outubro de 1993 e abril de 2010, respectivamente, conforme cópia do Diário Oficial do Estado de São Paulo e Laudo Pericial emitido por médico vinculado ao Hospital Municipal de Mogi Guaçu SP, fls. 27/28 e 55/56. Contudo, o pedido não encontra amparo para deferimento. A uma, porque a doença “Miocardiopatia Isquêmica Grave” não está expressamente prevista em lei para fins de isenção do imposto de renda, sendo que o laudo trazido aos autos em nenhum momento faz referência conclusiva e inequívoca de que a patologia apresentada pelo Impugnante se enquadra em uma das moléstias graves relacionadas no inciso XXXIII do art. 39 do RIR/1999. A duas, por não haver previsão legal para a isenção dos rendimentos de reserva remunerada, mas tão somente para os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Portanto, depois de analisar os argumentos expostos e toda a documentação constante dos autos, constatase que os requisitos legais necessários ao exercício do direito à isenção pretendida não foram comprovados cumulativamente. Diante do exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação, o que resulta em manutenção do crédito tributário apurado. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Fl. 86DF CARF MF 4 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13840.720846/201695 Acórdão n.º 2001000.295 S2C0T1 Fl. 86 5 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 88DF CARF MF 6 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13840.720846/201695 Acórdão n.º 2001000.295 S2C0T1 Fl. 87 7 percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. O Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados, em relação aos rendimentos oriundos de reforma ou reserva remunerada do Contribuinte. O relatório médico particular que atesta a doença foi juntado ao processo (fl. 06), datado 07/10/2016 e Laudo Médico Pericial de 28/11/2016, do Hospital Municipal Dr. Tabajara Ramos, de Mogi Guaçu SP. Ambos abordam a questão da moléstia em estágio avançado e relatam a gravidade do quadro da doença. Em complementação documental o Recorrente fez juntar aos autos a comprovação oficial de sua transferência para a reserva remunerada publicada no Diário Oficial de 02/10/1993, que atesta sua condição de aposentado desde aquela data, o que completa os requisitos da legislação para obtenção do benefício. Por sua vez, o Fisco se opõe a aceitação do laudo médico pericial alegando que a doença Miocardiopatia Isquêmica Grave não está expressamente prevista em lei para fins de isenção do imposto de renda e afirma não haver previsão legal para isenção de rendimentos de reserva remunerada e que o termo não é sinônimo de aposentadoria ou reforma, no seguinte dizer textual: Fl. 90DF CARF MF 8 Contudo, o pedido não encontra amparo para deferimento. A uma, porque a doença “Miocardiopatia Isquêmica Grave” não está expressamente prevista em lei para fins de isenção do imposto de renda, sendo que o laudo trazido aos autos em nenhum momento faz referência conclusiva e inequívoca de que a patologia apresentada pelo Impugnante se enquadra em uma das moléstias graves relacionadas no inciso XXXIII do art. 39 do RIR/1999. A duas, por não haver previsão legal para a isenção dos rendimentos de reserva remunerada, mas tão somente para os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Olvida a decisão do Acórdão de piso a existência da Súmula CARF 43 que agrega o termo “reserva remunerada” ao conjunto das denominações das remunerações amparadas no benefício da isenção do imposto de renda no caso de ocorrência de moléstia grave. Da mesma forma não se sustenta a negativa de aceitação do laudo médico pericial sob alegação de que ali não estava expresso que a patologia sofrida pelo Contribuinte não se fazia relacionar entre aquelas arroladas no inciso XXXIII, do art. 39, do RIR/1999, de vez que mesmo o leigo em questões de medicina constata que “miocardiopatia isquêmica grave” esta contida no termo legal “cardiopatia grave”. Nesse sentido, descabe qualquer ponderação análoga que desabone o referido documento. Assim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da doença grave estão presentes na pessoa do Contribuinte corroborado com firmeza por relatórios médicos e exames juntados ao presente processo, mesmo que particulares, que reportam o estágio permanente da enfermidade no ano de 1993, constatase o direito ao beneficio fiscal pleiteado do aproveitamento da isenção do Imposto sobre a Renda, ao amparo dos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.720027/2016-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 00 27 /2 01 6- 20 Fl. 92DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 37, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, ano calendário de 2013, por meio do qual foram constatadas as seguintes irregularidades: dedução Indevida com Dependentes no valor de R$ 2.063,64, por falta de comprovação da relação de dependência de Claudete Aparecida Vieira Lins; dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 41.437,13, uma vez que regularmente intimado o contribuinte não anexou a Escritura Pública, Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia, conforme solicitado pelo Termo de Intimação Fiscal e dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 4.062,67, que se refere a Qualicorp Administradora (R$ 3.862,67) e Cássia Bossi Semelmann (R$ 200,00). Diante de tais irregularidades foi apurado crédito tributário de R$ 16.767,05, já acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados de até 31/03/2016. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o fez o preenchimento correto e anexou os documentos no sentido de comprovar o direito a dedução glosada. Sustenta que a glosa de dependente é indevida, pois a dependente é companheira com quem o contribuinte teve filho ou vive há mais de 5 anos ou cônjuge. Que a pensão alimentícia é paga conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. Que os valores de despesas médicas referemse a dependente Claudete Aparecida Vieira Lins. Que os valores da Qualicorp devem ser aceitos, pois, conforme dispõe o artigo 80, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, os valores pagos a planos de saúde podem se deduzidos na declaração, sendo inaceitável que o valor glosado não seja aceito apenas por não estar assinado, posto que assinatura não é condição para que a despesa seja deduzida. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que restou comprovado nos autos: a) em relação a dedução de dependente, o Contribuinte apresentou a Certidão de Casamento, fls. 14, comprovando que Claudete Aparecida Vieira Lins é sua esposa., que a mesma não apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado e portanto foi determinado que seja restabelecida a dedução no valor de R$ 2.063,64. b) em relação às despesas médicas, foi apresentado o Demonstrativo de Pagamentos da Qualicorp Administradora de Benefícios que comprova o pagamento do plano de saúde de Claudete Aparecida Vieira Lins no valor de R$ 3.862,67. Uma vez que a dependência de Claudete Aparecida Vieira Lins foi restabelecida, acatase a despesa médica da dependente com plano de saúde no valor de R$ 3.862,67. Quanto à despesa informada para Cássia Bossi Semmelmann o recibo apresentado, fls. 15, não pode ser acatado para comprovação de despesa do ano de 2013, uma vez que este referese a despesa do ano de 2014. Por fim, em relação à dedução da despesa com pensão alimentícia , não foi deferido o pedido por não apresentar, o contribuinte, a decisão judicial, sentença, acordo homologado ou escritura publica, que respalde o pagamento de tal despesa. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte a decisão judicial corroborando a fundamentação para o pagamento devido da pensão alimentícia. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19395.720027/201620 Acórdão n.º 2001000.377 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou Fl. 94DF CARF MF 4 acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Tendo em vista que a lide residia apenas na dedutibilidade da pensão alimentícia, por não ter sido comprovado o seu respaldo judicial, entendo que tal dúvida foi devidamente sanada em sede de Recurso Voluntário, eis que foi juntado pelo contribuinte toda a documentação necessária para corroborar a procedência de tal despesa. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, acatando as deduções com despesa de pensão alimentícia. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.901475/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 14 75 /2 01 3- 37 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.745, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.901475/201337 Acórdão n.º 3301004.428 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002772/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.579
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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PERT. Recorrente VILSON PERO NENO Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Conselheira Livia De Carli Germano Relatora A contribuinte foi excluída de oficio do Simples Federal retroativamente a partir de 1o de janeiro de 2006, bem como sofreu exigência, relativa ao anocalendário de 2005, segundo as regras do Simples Federal, de IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e da Contribuição para a Seguridade Social INSS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 77 2/ 20 09 -3 9 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11516.002772/200939 Resolução nº 1401000.579 S1C4T1 Fl. 370 2 A impugnação apresentada foi julgada improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EMPRESA DE PEQUENO PORTE. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Aplicamse às empresas de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Federal, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. OMISSÕES DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXTRAPOLAÇÃO DO LIMITE DA RECEITA BRUTA ACUMULADA. EXCLUSÃO DO SIMPLES OBRIGATÓRIA. Nos casos em que o contribuinte, optante pelo Simples, auferiu receita em montante superior ao limite legalmente estabelecido, sua exclusão do sistema simplificado para o ano subsequente é obrigatória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Se as circunstâncias apuradas pelo Fisco, evidenciam a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 27 de setembro de 2010, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 25 de outubro de 2010. Em 30 de novembro de 2017 foi apresentada desistência de recurso em virtude de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), de que tratam a Medida Provisória 783/2017, e a IN RFB 1.711/2017 (fls. 354 a 368). Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11516.002772/200939 Resolução nº 1401000.579 S1C4T1 Fl. 371 3 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Tratase de petição de desistência de recurso formulado nos autos do processo, em virtude de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), de que tratam a Medida Provisória 783/2017, e a IN RFB 1.711/2017. Conforme o disposto no § 3º do art.78, Anexo II ao RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, no caso de desistência fica configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo recorrente, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão que lhe era favorável. Dessa forma, tenho em vista o disposto no art. 78, caput e § 1º do Anexo II do RICARF, o processo deve retornar à unidade de origem da RFB para análise e processamento da petição de desistência, com eventual retorno ao CARF, após os autos serem apartados, no caso de desistência parcial. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000024/2010-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 00 24 /2 01 0- 51 Fl. 7045DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Nos termos do relatório fiscal o lançamento envolve crédito referente à diferença de contribuições correspondentes à parte do segurado contribuinte individual, incidente sobre sua remuneração. A autoridade lançadora esclareceu que os valores se referem apenas às diferenças entre os valores verificados na escrita contábil e aqueles declarados na GFIP. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar, haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991, o recálculo da multa aplicada. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, e recolher a quantia arrecadada à Previdência Social no prazo legal. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. TAXA SELIC INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 7046DF CARF MF Processo nº 14337.000024/201051 Acórdão n.º 9202006.686 CSRFT2 Fl. 7.046 3 Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões pugnando pelo não provimento do recurso e ainda sua própria peça recursal. Por meio do despacho de fls. 6.978/6.988 foi negado seguimento em razão do não cumprimento dos requisitos formais. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Inicialmente vale mencionar a existência nos autos de informação acerca da ação cautelar nº 3351284.2016.4.01.3900, cujo objeto envolve a oferta antecipada de bens em garantia de eventual ação de execução que possa vir a ser ajuizada pela União. Conforme pode ser constatado da respectiva petição inicial juntada às fls. 2163 (do volume II) não foi levado ao Poder Judiciário qualquer discussão acerca do mérito do lançamento, situação que afasta a caracterização da concomitância. Feito o esclarecimento, passo à análise do recurso o qual preenche os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Fl. 7047DF CARF MF 4 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, Fl. 7048DF CARF MF Processo nº 14337.000024/201051 Acórdão n.º 9202006.686 CSRFT2 Fl. 7.047 5 respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 7049DF CARF MF 6 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 7050DF CARF MF Processo nº 14337.000024/201051 Acórdão n.º 9202006.686 CSRFT2 Fl. 7.048 7 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 7051DF CARF MF 8 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. Fl. 7052DF CARF MF Processo nº 14337.000024/201051 Acórdão n.º 9202006.686 CSRFT2 Fl. 7.049 9 § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 7053DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 7054DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.904327/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO DE CSLL.
Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição.
Numero da decisão: 1401-002.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE CSLL. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 27 /2 01 1- 76 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13603.904327/201176 Acórdão n.º 1401002.492 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) que manteve o crédito tributário decorrente da não homologação de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. 2. Foi emitido despacho decisório, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP objeto do presente lançamento. 3. O crédito transmitido pela via da compensação foi reconhecido como insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual se homologou o débito parcialmente. 4. O interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, na qual alegou: · Que "houve um equívoco, por parte da RFB, na apuração dos valores relativos aos créditos compensados, já que foi considerado indevidamente como valor original utilizado na Declaração de Compensação"; · Diz que, “com as devidas correções, o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação, ora parcialmente homologada, se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme atestam as tabelas anexas. As tabelas que seguem anexas trazem a discriminação de todas as notas fiscais e respectivas retenções efetuadas O total de retenções é superior aos valores compensados. O valor do crédito informado se fazia suficiente para compensação dos débitos relacionados na declaração parcialmente homologada”; · Requereu o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade para homologar a compensação declarada no PER/DCOMP, com o reconhecimento da extinção do crédito tributário objeto da compensação. Protestando, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, destacando que não juntou cópia de cada nota fiscal em virtude do volume de documentos. 5. O Acórdão ora Recorrido recebeu a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE CSLL. Não se admite a compensação de débito com crédito que se comprova inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 5. Isto porque, segundo entendimento da Turma, no Despacho Decisório considerouse confirmado a CSLL retida na fonte em valor inferior ao declarado, não tendo Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13603.904327/201176 Acórdão n.º 1401002.492 S1C4T1 Fl. 4 3 sido considerada a totalidade das retenções informadas no PER/DCOMP em virtude da não confirmação em DIRF. 6. Por isso, “na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº. 119, de 2000”. 7. Considerou, que “não há crédito de saldo negativo de CSLL do trimestre objeto de compensação, além do já reconhecido no despacho decisório”. 8. Ciente da decisão do Acórdão que julgou improcedente a manifestação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões: · DO INDEFERIMENTO DE PROVAS: alega que “destacou em sua Manifestação de Inconformidade que não juntou cópia de cada nota fiscal objeto do pedido de compensação, pois o volume de documentos inviabilizaria o manuseio da mesma”. Mas, os livros de Notas Fiscais estariam à disposição; · NO MÉRITO, destaca que houve equívoco por parte da RFB na apuração dos valores relativos aos créditos compensados; · Argumenta que “o valor do crédito utilizado na data da transmissão da Declaração de Compensação se faz perfeitamente justificável e suficiente, conforme as tabelas anexadas”, destacando, que o total de retenções é superior aos valores compensados pela Recorrente. · Afirma que conforme os documentos e tabelas anexas ao presente recurso voluntário, demonstra a insubsistência e improcedência da homologação parcial da compensação declarada, com isso, requereu a extinção do crédito tributário com a consequente homologação da compensação declarada no PER/DCOMP em sua integralidade. 9. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.331, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13603.904309/201194, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13603.904327/201176 Acórdão n.º 1401002.492 S1C4T1 Fl. 5 4 Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado no período de 01/01/2008 a 31/03/2008, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de contribuição social sobre o lucro líquido retida na fonte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.331): "Sendo tempestivo, passo a analisar o Recurso Voluntário. No que se refere à preliminar de nulidade em razão do indeferimento da produção de provas entendo que a mesma não merece ser acolhida. Em regra geral, o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). A impugnação, deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, constituindose ônus do contribuinte apresentar as provas de suas alegações. No caso concreto, até o presente momento, o contribuinte não traz aos autos, nem exemplificativamente ou por amostragem, parte das provas que amparam seu direito, simplesmente aduz que em razão do grande volume as mesmas encontramse à disposição. Tratamse de documentos que deveriam estar em posse do contribuinte e, mesmo tendo a sua manifestação de inconformidade indeferida, permanece sem fazer prova do que alega. Daí que não se admite que o pedido de realização de diligência seja usado como instrumento de coleta de provas que cabiam à parte interessada produzir, e muito menos transferir esse ônus à autoridade administrativa. Outrossim, o deferimento de diligência cabe à análise do julgador, de acordo com as razões e fundamentos apresentados nos autos. No caso concreto, diante da inexistência de contexto probatório hábil a dar suporte às razões do contribuinte, o julgador optou por indeferir a diligência, decisão com a qual me coaduno. Assim, não há o que se falar em desrespeito ao princípio da verdade material quando a parte interessada não demonstra, nem de forma exemplificativa, que há alguma verdade, diferente da dos autos, que deva ser alcançada. Face o exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Como visto, o crédito utilizado na compensação é de saldo negativo de IRPJ, concorrendo para a formação do saldo negativo parcela referente à dedução de imposto de renda retido na fonte. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13603.904327/201176 Acórdão n.º 1401002.492 S1C4T1 Fl. 6 5 Portanto, o crédito utilizado nas compensações analisadas tem origem na dedução efetuada, de cuja confirmação depende a homologação pretendida. Na falta da confirmação por DIRF, o documento hábil para comprovar a retenção, a ser apresentado pelo beneficiário dos pagamentos é o previsto no art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, e alterações posteriores. É requisito para dedução do imposto retido a sua comprovação mediante comprovante de rendimento regularmente emitido pela fonte pagadora, consoante expressa disposição legal contida nos seguintes dispositivos: art. 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 815 do RIR de 1999; art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 119, de 2000. O contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a efetiva realização dos fatos nela registrados. No caso, o contribuinte não traz os documentos que a lei define como hábeis para provar as retenções que teria contabilizado, insistindo em aduzir que os possui e estão à disposição. Assim, diante da inexistência de comprovação do saldo negativo, não dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 527DF CARF MF
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